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EMPREENDEDORISMO FICHA CATALOGRÁFICA DIRETORIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA São Paulo 2021 FICHA TÉCNICA APRESENTAÇÃO Car@ Alun@, O empreendedorismo é uma atividade fundamental para o desenvolvimento econômico e social. São os empreendedores que desafiam o que é considerado padrão e rompem barreiras para proporcionar ganhos e disseminar inovações para a sociedade. Ao longo das 8 aulas que compõem essa disciplina você irá conhecer uma visão geral do que é e como empreender, bem como qual é a importância do empreendedor para a economia brasileira e para o mundo. Poderemos também apresentar ferramentas que contribuem para o desenvolvimento de novos negócios e abordar os temas de intra- empreendedorismo e empreendedorismo social, visando proporcionar uma perspectiva aplicada do empreendedorismo tanto para a gestão de seus próprios negócios quanto para a utilização dos conceitos dentro das organizações em que trabalham. Bons estudos! INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PESSOAS 1 1 6 AULA 1 INTRODUÇÃO AO EMPREENDEDORISMO OBJETIVOS Apresentar panorama geral do que significa empreender Apresentar o cenário brasileiro de empreendedorismo 7 1. APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Esta disciplina de empreendedorismo tem como objetivo proporcionar aos alunos uma visão geral do que é e como empreender, bem como a importância do empreendedor para a economia brasileira e para o mundo. Para isso, a disciplina os seguintes objetivos específicos a serem trabalhados ao longo das aulas: a) Discutir definições do que significa empreender; b) Apresentar o panorama do empreendedorismo no Brasil, os desafios para empreendedores e atores que apoiam este público no país; c) Analisar as características empreendedoras e o perfil empreendedor; d) Apresentar ferramentas e discutir etapas para o desenvolvimento de novos negócios; e) Abordar possibilidades de intra-empreendedorismo e empreendedorismo social. Dessa forma, essa primeira aula apresentará um panorama geral de definições do que significa empreender e qual é o cenário brasileiro de empreendedorismo. 2. HISTÓRICO E DEFINIÇÃO DE EMPREENDEDORISMO A palavra empreendedorismo tem sua origem no termo francês entrepreneur, usado pela primeira vez em 1725 e pode ser traduzida como aquele que está entre ou intermediário. Se na idade média esse termo era utilizado para descrever participantes e administradores de projetos de produção, nos quais os recursos eram fornecidos pelo governo, ainda no século XVII foi estabelecida a conexão do empreendedor como aquele que assume riscos dos seus projetos. O economista Richard Cantillon, o primeiro a usar o termo entrepreneur, definia o 8 empreendedor como aquele que assume riscos (CHIAVENATO, 2012; HISRICH e PETERS, 2004). Ainda no século XVIII, durante o período de industrialização, houve a diferenciação entre a pessoa que possuía o capital e aquele que precisava de capital, sendo este último o empreendedor que buscava recursos com os investidores de risco. Em 1814, o economista Jean-Baptiste Say usa esse termo para definir como empreendedor aquele que transfere recursos de um setor com baixa produtividade para um setor com produtividade mais alta (CHIAVENATO, 2012; HISRICH e PETERS, 2004). Especialmente a partir do século XX o mundo passou por diversas transformações em períodos de tempo cada vez mais curtos. Foi nesse período em que se desenvolveram muitas das inovações que hoje fazem parte dos nossos dias e sempre por trás dessas invenções estão pessoas visionárias que as desenvolveram. Foi, portanto, a partir do século XX que o empreendedor passa a ser entendido também como inovador (DORNELAS, 2001; HISRICH e PETERS, 2004). Mesmo sendo fundamental na sociedade em diversos momentos de nossa evolução, atualmente o empreendedorismo ganha um impulso com a rapidez com a qual as mudanças tecnológicas ocorrem. Precisamos de um número cada vez maior de empreendedores que eliminarão barreiras, renovarão conceitos econômicos e gerarão riquezas para a sociedade com soluções novas. É o empreendedor que possibilita o crescimento econômico pelo desenvolvimento social e inovação (DORNELAS, 2001; DOLABELA, 2008, LEVY, 2015). É nesse contexto em que a atividade empreendedora ganha relevância para a sociedade e também passa a ter cada vez mais espaço em universidades. A partir dessa abordagem histórica, o que significa hoje de fato empreender? O que é ser empreendedor? Para Hisrich e Peters (2004, p.29), Empreendedorismo é o processo de criar algo novo com valor dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psíquicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação e independência econômica e pessoal. 9 Os autores, ao adaptarem essa definição, ressaltam que o empreendedorismo envolve o processo de criação de algo novo de valor tanto para o empreendedor quanto para o público que se pretende atingir. Além disso, o empreendedorismo demanda esforços e tempo daqueles que querem desenvolver essas novas soluções. Ainda, é relevante ressaltar que os riscos financeiros, psicológicos e sociais fazem parte do empreendedorismo para que se chegue às recompensas pessoais e financeiras (HISRICH e PETERS, 2004). Já Dolabela (2008, p.24) conceitua empreendedorismo como “[...] um termo que implica em uma forma de ser, uma concepção de mundo, uma forma de se relacionar.” Para o autor 2008, p.24) O empreendedor é um insatisfeito que transforma seu inconformismo em descobertas e propostas positivas para si mesmo e para os outros. É alguém que prefere seguir caminhos não percorridos, que define a partir do indefinido, acredita que seus atos podem gerar consequências. Em suma, alguém que acredita que pode alterar o mundo. Para Chiavenato (2012), o empreendedor é a pessoa que inicia e/ou dinamiza um negócio para realizar uma ideia ou um projeto pessoal, assumindo riscos e responsabilidades e inovando continuamente. Com isso, sendo o ato de empreender essa busca pela inovação, o empreendedor é aquele que questiona a realidade para solucionar o problema de outras pessoas, de outras empresas ou de toda a sociedade. Para detectar as oportunidades e criar um negócio assumindo riscos, os empreendedores devem ter iniciativa e paixão pelo que fazem, utilizar recursos de maneira criativa e aceitar e assumir os riscos e a possibilidade de errar (DORNELAS, 2001; LEVY, 2015). Portanto, podemos afirmar que para ser empreendedor é preciso ter coragem de desafiar o status quo (o que é considerado padrão). Por isso, nem sempre é fácil tomar a decisão de se tornar um empreendedor abandonando alguma atividade atual, e muitas vezes o incentivo para superar a inércia é uma ruptura, como uma demissão ou uma aposentadoria. Entretanto, essa ruptura vai ocasionar a formação de uma nova empresa ao passo em que o empreendedor perceber que isso é desejável e possível. Os aspectos que influenciam na percepção de que é desejável abrir uma empresa são a cultura, a subcultura, a influência de amigos, familiares e professores. Já os aspectos que influenciam na percepção de que é possível abrir uma empresa são o governo, o conhecimento de marketing, as experiências 10 prévias do empreendedor, o modelo de desempenho e a disponibilidade de recursos financeiros (HISRICH e PETERS, 2004). Ainda segundo Hisrich e Peters, (2004) as empresas resultantes do processo empreendedor podem ser classificadas entre: a) Empresas estilo de vida: empresa particular e geralmente possui um crescimento apenas modesto devido ao modelo de negócio, aos objetivos doempreendedor ou limitação de investimentos em inovações. Geralmente têm poucas perspectivas de crescimento e expansão, sendo seu foco gerar receita para os proprietários. b) Empresas de fundação: criada a partir de pesquisa e desenvolvimento, podem crescer significativamente, mas em seu início dificilmente abre o capital, atraindo o interesse de investidores particulares. c) Empresas de alto potencial: atrai maior atenção dos investidores e, mesmo que seu início seja como empresa de fundação, o crescimento é bastante acelerado. d) Após a compreensão dos conceitos apresentados, a seguir abordaremos o cenário empreendedor no Brasil. • FIQUE ATENTO Ainda, é relevante destacar que o empreendedorismo empresarial, ao abrir uma empresa, é apenas uma das formas de se empreender. Para Dolabela (2008), também são empreendedores os pesquisadores, os funcionários públicos, os políticos, os artistas, os funcionários de uma empresa, entre outros. Por fim, o autor destaca que alguém que compra uma empresa e apenas a gerencie sem introduzir alguma inovação não deve ser considerado empreendedor. 11 3. O EMPREENDEDORISMO NO BRASIL A partir da década de 90, com a criação de entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o empreendedorismo no Brasil se fortaleceu. Foi a partir desse período em que se falou mais sobre empreendedorismo e criação de empresas, e foi também nessa mesma época em que os ambientes político e econômico do Brasil passaram a ser mais propícios ao empreendedorismo (DORNELAS, 2001). Atualmente, o Sebrae disponibiliza uma série de estudos sobre o empreendedorismo no Brasil, entre eles o projeto Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Neste estudo, é possível destacar que a cada 100 brasileiros adultos, cerca de 36 exercendo uma atividade empreendedora, que pode ser com a criação ou aperfeiçoamento de um novo negócio, ou com a manutenção de um negócio já estabelecido. Ao compararmos com os dados de 2002, podemos perceber um crescimento no número de empreendedores, que antes era de 21% (GEM, 2017). Ainda de acordo com o mesmo estudo (GEM, 2017), quase metade dos empreendedores (16 a cada 36) administram negócios que já pagam aos seus proprietários alguma remuneração por um período superior a 42 meses. Os demais empreendedores (20 a cada 36) são classificados como novos, administrando negócios que ainda não remuneram os proprietários ou o fazem por um período inferior a 42 meses. Também é interessante notar que o número de empreendedores por oportunidade, ou seja, aqueles que afirmam ter iniciado o negócio por perceberem uma oportunidade no ambiente, representa quase 60% do total de empreendedores. Em 2002, o percentual de empreendedores por necessidade era de 55%. Ou seja, o percentual dos empreendedores que afirmam terem iniciado o negócio por falta de alternativas para a geração de ocupação e renda caiu de 2002 para 2017, com o crescimento dos empreendedores que abrem os próprios negócios devido a uma oportunidade (GEM, 2017). FIQUE ATENTO 12 Sr. José foi demitido da empresa em que trabalhou durante 20 anos. Como ele estava com uma idade avançada para um reposicionamento mais fácil no mercado de trabalho, Sr. José não encontrou novas oportunidades de emprego na sua área de atuação, como operador logístico. Durante o período em que trabalhou como operador logístico, Sr. José acumulou uma série de conhecimentos sobre gestão e como estava sem alternativas para geração de renda, oito meses após a sua demissão, ele decidiu empreender. Sr. José utilizou o que lhe restara do recurso de sua rescisão com a antiga empresa decidiu abrir um pequeno espaço para comercialização de alimentos em seu bairro. Neste caso, Sr. José foi um empreendedor por necessidade, sendo sua demissão o fator de ruptura e o incentivo para ele superar a inércia. Já a Sra. Cláudia, após trabalhar na mesma empresa por 15 anos, também decidiu empreender. Entretanto, ao contrato do Sr. José, ela não foi demitida da empresa. Ao conversar com amigos e vizinhos, a Sra. Claudia percebeu que havia em seu bairro uma oportunidade para que ela abrisse uma padaria. Sra. Claudia notou que todos os seus amigos próximos e vizinhos precisavam ir à padaria mais próxima de carro, o que gerava uma série de reclamações. Ela então resgatou suas economias financeiras, conversou com mais um sócio e decidiu empreender. A Sra. Cláudia, neste caso, foi uma empreendedora por oportunidade, já que identificou uma necessidade latente de seus vizinhos e a trabalhou como oportunidade de negócio. Segundo a Endeavor Brasil (2013), cerca de 76% dos brasileiros preferiria ter um negócio próprio a ser empregado ou funcionário de terceiros, embora apenas 19% acha muito provável abrir um novo negócio nos próximos cinco anos. Entretanto, segundo o Sebrae (2017), apenas 17,9% dos brasileiros sonha em ter o próprio negócio. Esse percentual é inclusive menor do que o encontrado na pesquisa GEM de 2016, segundo a qual 31,7% dos brasileiros tinham o sonho de abrir o próprio negócio. Com a análise desses dados, é possível perceber que o Brasil é um país com um grande número de empreendedores, com quase 50 milhões de pessoas nessa atividade. Além disso, cada vez mais o empreendedorismo no país é impulsionado pela oportunidade e não pela necessidade. Por fim, apesar da queda no interesse do brasileiro em abrir o próprio negócio, é fundamental compreendermos quais são os impulsionadores para se criar uma 13 cultura empreendedora no país e ter nessa atividade uma alternativa para períodos de crise econômica e para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Por isso, aprofundaremos nossos estudos das próximas aulas nas características empreendedoras e em ferramentas que auxiliam os empreendedores na concepção e gestão dos seus próprios negócios. 4. SÍNTESE DA AULA Nesta primeira aula apresentamos o objetivo geral e os objetivos específicos da disciplina. Para proporcionar aos alunos uma visão geral do que é e como empreender, bem como a importância do empreendedor para a economia brasileira e para o mundo, o primeiro passo foi conceituar o que significa empreender e o que é o empreendedor, realizando uma abordagem histórica desses termos. Por fim, foi apresentado o panorama do empreendedorismo no Brasil segundo dados da pesquisa GEM de 2017. Na próxima aula serão discutidos o perfil empreendedor e as características empreendedoras e suas mudanças ao longo do tempo, conceituando também sobre os desafios para ser um empreendedor. 5. REFERÊNCIAS CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor – 4ª ed. – Barueri, SP: Manole, 2012. DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa – Rio de Janeiro: Sextante, 2008. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios – Rio de Janeiro: Campus, 2001. ENDEAVOR. Empreendedores Brasileiros 2013: perfis e percepções. Disponível em: https://rdstation- 14 static.s3.amazonaws.com/cms%2Ffiles%2F6588%2F1425322451Empreendedores+Brasileir os+2013.pdf. Acessado em: 24/06/2018. GEM. Empreendedorismo no Brasil: Relatório executivo 2017. Disponível em: https://m.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/Relat%C3%B3rio%20Executivo% 20BRASIL_web.pdf. Acessado em: 24/06/2018. HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P. Empreendedorismo – 5ª ed. - Porto Alegre: Bookman, 2001. LEVY, Gabriela. O que é empreendedorismo: da inspiração à prática. Disponível em: https://endeavor.org.br/tudo-sobre/empreendedorismo/. Acessado em: 24/06/2018. . EMPREENDEDORISMO: CARACTERÍSTICAS 1. DESAFIOS DE EMPREENDER .................................................................................. 4 2. CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS ..............................................................8 3. SÍNTESE DA AULA ................................................................................................. 11 4. REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 12 2 2 3 AULA 2 PERFIL EMPREENDEDOR Aprofundar as reflexões sobre os desafios para se empreender no Brasil. Apresentar as características do perfil empreendedor. 4 1. DESAFIOS DE EMPREENDER Inicialmente, é importante destacar que esta disciplina de empreendedorismo tem como objetivo proporcionar aos alunos uma visão geral do que é e como empreender, bem como a importância do empreendedor para a economia brasileira e para o mundo. Na primeira aula da disciplina, discutimos sobre o histórico, o que significa empreender e quem é o empreendedor. Também foi possível apresentar brevemente qual é o perfil do empreendedor brasileiro segundo dados da pesquisa GEM. Nesta segunda aula, aprofundaremos as reflexões sobre os desafios para se empreender no Brasil e também sobre o perfil empreendedor. Para iniciar a discussão sobre os desafios de empreendedores brasileiros, nos referenciaremos à pesquisa realizada pela Endeavor (2016) com 1000 respondentes das seguintes categorias: a. Empreendedores gerais: empreendedores de empresas com crescimento em número de funcionários de até 40% acumulado nos últimos três anos. b. Empreendedores de alta performance: empreendedores de empresas com crescimento em número de funcionários acima de 40% acumulado nos últimos três anos. c. Empreendedores de alto impacto: empreendedores de empresa que crescem mais e por mais tempo do que as demais da pesquisa. Essas empresas têm um crescimento médio de seu faturamento de 39% há quase 5 anos. d. Tecnologia da informação e comunicação: empreendedores de empresas deste setor específico da economia. FIQUE ATENTO Como resultados da pesquisa, é possível destacar que independentemente da categoria acima exposta, as dores sentidas pelos empreendedores são em grande parte homogêneas, ou seja, nas mesmas categorias (ENDEAVOR, 2016). 5 Segundo os empreendedores pesquisados, o maior desafio que enfrentam diz respeito à gestão de pessoas. Nesta categoria, o maior ponto de atenção é referente ao desenvolvimento de lideranças, enquanto outras questões avaliadas e tidas como representativas na visão dos empresários são: legislação trabalhista; seleção e recrutamento; capacitação da equipe; remuneração, benefícios e incentivo; cultura organizacional absorvida pelos funcionários; falta de motivação de colaboradores e; retenção de funcionários (ENDEAVOR, 2016). Além da gestão de pessoas, o segundo maior desafio que os empreendedores enfrentam é o de gestão financeira, com custos aumentando acima das receitas, dificuldade de gerir o capital de giro e o fluxo de caixa, dificuldades para realizar o planejamento orçamentário e, por fim, desafios relativos à contabilidade e auditoria. Já o terceiro maior desafio apontado pelos empreendedores foi o jurídico e de regulação. Neste desafio, os temas pesquisados foram referentes ao regime e regulação tributários, processos trabalhistas, processos passivos e contratos (ENDEAVOR, 2016). Por fim, os demais desafios dos empreendedores brasileiros apontados pela pesquisa da Endeavor (2016) foram: a) Inovação: pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e serviços, monitoramento de resultados da inovação, cultura de inovação, proteção das inovações. b) Marketing e vendas: satisfação de clientes, divulgação dos produtos e serviços, gestão da marca, precificação, pontos de venda e distribuição. c) Operações e processos: controle e monitoramento dos processos e custos do negócio, logística, gestão de qualidade dos produtos e serviços, gestão de estoques, compras e fornecedores. d) Estratégia: dificuldade na expansão e estratégia de crescimento, estratégia para novos produtos e segmentos, falta de foco e visão de médio a longo prazo, falhas na implementação da estratégia, gestão e desdobramentos de metas. e) Infraestrutura: dimensão do espaço de trabalho, segurança das instalações, infraestrutura e tecnologia da informação, localização do espaço físico. 6 f) Acesso a crédito e/ou investimentos: captar recursos públicos, falta de garantias para tomada de crédito, convencer investidores a escolher sua empresa, contato com investidores, definição da melhor forma de captar recurso. g) Governança corporativa: problemas com familiares nos negócios, sucessão de lideranças, problemas e conflitos com sócios, acordos de acionistas e investidores, formação e gestão de conselhos. Além dos desafios apresentados acima, a mesma pesquisa também explora como a maioria dos empreendedores brasileiros compartilha seus desafios, ainda que muitos sintam- se sozinhos na gestão dos seus negócios. É possível destacar que os empreendedores gerais e de alta performance discutem seus problemas prioritariamente com os funcionários da própria empresa e com outros empreendedores e donos de empresas. Também são consultados amigos e familiares, bem como há a participação em fóruns e congressos. Ser membro de grupos de empreendedores acaba sendo uma alternativa para uma menor parcela dos empreendedores gerais e de alta performance, embora os empreendedores de alto impacto tenham nesses grupos uma das principais formas para discutir seus desafios (ENDEAVOR, 2016). Já na pesquisa GEM (2017), diversos especialistas foram ouvidos para discutirem quais eram os maiores fatores limitantes ao empreendedorismo no Brasil. Ao avaliarem os desafios para se abrir e manter um negócio no país, 86,7% dos respondentes destacam que fatores relacionados às políticas governamentais e programas precisam de outras iniciativas que possibilitem a melhora no ambiente empreendedor brasileiro, ainda que algumas iniciativas tenham sido importantes para o incentivo ao empreendedorismo. Além dos aspectos tributários e burocráticos relacionados ao governo, 45% dos especialistas destacam as dificuldades de acesso ao crédito financeiro para o fomento de atividades empreendedoras. Por fim, 28,3% dos especialistas mencionam o contexto político e o clima econômico do país como fatores limitantes para o empreendedorismo no Brasil. EXEMPLIFICANDO Um exemplo positivo de que políticas governamentais podem incentivas o empreendedorismo no Brasil, é a iniciativa para formalização de Micro Empreendedores Individuais (MEI) (GEM, 2017). 7 O MEI é um microempresário de algumas atividades econômicas específicas com faturamento anual limitado a R$81.000,00, que não participe como sócio, administrador ou titular de outra empresa e que tenha no máximo um funcionário (PORTAL DO EMPREENDEDOR – MEI, 2018a). No Brasil, até o final de 2017, mais de 7.7 milhões de microempreendedores individuais cadastrados em todos os estados brasileiros. Apenas no estado de São Paulo está concentrado mais de um quarto do total de empreendedores e na região Sudeste, este número sobe para mais de 50% (PORTAL DO EMPREENDEDOR – MEI, 2018b). Já com relação aos fatores favoráveis ao empreendedorismo no contexto brasileiro, 65% dos especialistas destacam aspectos relacionados à característica da população brasileira, com sua capacidade de realização e superação de desafios, enquanto que 50% apontam que o Brasil é reconhecido por ter poucas barreiras para abertura de novos negócios e, por isso, facilita o acesso a mercados consumidores. Por fim, 26,7% dos especialistas destacam também as políticas governamentais como um aspecto favorável, como, por exemplo, o MEI (GEM, 2017). A partir da apresentação dos dados destes dois relevantes estudos, nota-se que o empreendedor brasileiro enfrenta desafios inerentes à gestão de um negócio, como, por exemplo, a gestão financeira ede pessoas, ao passo em que temos no Brasil um contexto complexo no que diz respeito à legislação, cenário econômico e também de acesso à capital, qualificação e rede de apoio aos empreendedores que podem impactar diretamente na manutenção destes negócios. No Brasil, a taxa de sobrevivência das empresas com até 2 anos de existência chegou a 77% em 2014, entretanto, estima-se que com a crise econômica pela qual o país passou nos últimos anos, essa taxa cairá para valores inferiores a 70%. Como fatores determinantes para evitar ou facilitar o fechamento de empresas com menos de 2 anos de atuação, destacam-se: o histórico do empresário, sua experiência e motivação para abertura do negócio; o planejamento para a abertura do negócio; fatores relacionados à gestão do negócio e; a capacitação dos donos em gestão empresarial (SEBRAE, 2016). 8 Por este motivo, a seguir discutiremos algumas características do indivíduo empreendedor necessárias para lidar com o contexto brasileiro apresentado anteriormente, o que é de fundamental compreensão para evitar equívocos e desalinhamento de expectativas no momento da abertura de empresas no Brasil que podem impactar no fechamento dessas empresas em um curto período de tempo. Posteriormente, nas próximas aulas, apresentaremos ferramentas cujos propósitos são os de auxiliar os empreendedores no planejamento e gestão de seus negócios, também com o objetivo de evitar o fechamento precoce das empresas abertas no país. 2. CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS Tendo em vista o cenário apresentado anteriormente, a atividade empreendedora não é fácil e muitas vezes é um exercício bastante solitário. A seguir, discutiremos algumas características do perfil empreendedor para, posteriormente, aprofundarmos no estudo de ferramentas que auxiliam este empreendedor em contextos como o brasileiro. Os empreendedores enfrentam diversas incertezas e as reconhecem. Entre os riscos assumidos pelos empreendedores e percebidos por essas pessoas estão: incerteza em relação à renda, possibilidade de falência, possibilidade de sofrer um fracasso pessoal, insegurança no trabalho, risco de perder a propriedade e necessidade de gastar muita energia pessoal ou tempo. Apesar disso, os empreendedores são movidos principalmente pela independência pessoal, pela auto realização e por melhores oportunidades de renda para abrirem seus próprios negócios no Brasil (ENDEAVOR, 2013). Para ser um empreendedor de sucesso, Dornelas (2001), sintetiza as principais características necessárias: a. Ser visionário: os empreendedores precisam ter a visão de como será o seu futuro pessoal e também de seu negócio, sendo capaz de implementar seus sonhos. 9 b. Saber tomar decisões: os empreendedores precisam tomar as decisões corretas na hora certa, principalmente em momentos de dificuldade. c. Saber fazer a diferença: os empreendedores conseguem agregar valor aos produtos e serviços que disponibilizam no mercado. d. Saber explorar ao máximo as oportunidades: para os empreendedores, as melhores ideias são aquelas que geradas a partir do que todos conseguem ver, mas não conseguem transformá-las em oportunidade. e. Ser determinado e dinâmico: empreendedores são comprometidos com a implementação de suas ações, são inconformados e possuem muita vontade de fazer acontecer. f. Ser dedicado: a atividade empreendedora demanda esforços durante todos os dias da semana, 24 horas por dia. Os empreendedores comprometem seus relacionamentos e muitas vezes até a própria saúde, encontrando sempre energia para continuar. g. Ser otimista e apaixonado pelo que faz: os empreendedores adoram o trabalho que realizam, o que faz com que sempre busquem enxergar o sucesso e se tornem os melhores vendedores possíveis de seus produtos. h. Ser independente e construir o próprio destino: os empreendedores querem independência e sempre buscam criar algo novo para determinar seus próprios passos. i. Ficar rico: este não é o principal objetivo dos empreendedores, mas sim o resultado final do sucesso de seus negócios. j. Ser líder e formador de equipe: os empreendedores têm muito senso de liderança e devem ser respeitados pelos seus funcionários, uma vez que seu sucesso depende de sua equipe. k. Ser bem relacionado: os empreendedores precisam construir redes de contatos para auxiliar no gerenciamento de questões externas à empresa. l. Ser organizado: os empreendedores sabem onde alocar recursos para ter o melhor desempenho do negócio. m. Planejar: os empreendedores planejam todos os passos do negócio, sempre de maneira alinhada à visão de futuro que eles têm. 10 n. Possuir conhecimento: os empreendedores sempre buscam aprender continuamente, uma vez que esse é um fator determinante para o êxito de seus negócios. o. Assumir riscos calculados: os empreendedores assumem riscos calculados e conseguem gerenciar esses riscos. p. Criar valor para a sociedade: os empreendedores utilizam suas ideias para que a sociedade se beneficie, seja com a geração de empregos, com a dinamização da economia, com novos produtos que impactem positivamente em seu dia a dia, etc. Chiavenato (2012), por sua vez, apresenta como característica empreendedora uma visão baseada em ideias próprias que não estão disponíveis no mercado, com uma abordagem geral para sua execução que permite flexibilidade, e que é defendida com paixão e entusiasmo. Ainda, o empreendedor desenvolve estratégias com persistência e determinação, assumem a responsabilidade inicial e riscos com prudência, sendo um pensador positivo para quem é necessário inspiração, motivação e sensibilidade. Já Filardi, Barros e Fischmann (2014) apresentam como características do empreendedor contemporâneo: tolerante a riscos, líder, inovador, pró-ativo, corajoso, ambicioso, independente, interpessoal, comunicativo, qualificado, controlador, necessidade de realização e objetivo. Os autores destacam que algumas características surgiram ao longo do tempo, principalmente como uma resposta à complexidade do ambiente no qual esses empreendedores estavam inseridos, como ser perseverante, visionário, determinado, flexível, entre outras. Ao mesmo tempo, algumas características perderam relevância, como benevolência, desempenho sob pressão, ser controlador, entre outras. Os autores (2014, p.138) finalizam o estudo apontando que A principal revelação da pesquisa aponta para um perfil empreendedor muito mais relacional, baseado em competências interpessoais e sociais e focado nas demandas do ambiente externo do que o perfil auto centrado, soberano, autônomo e independente do empreendedor da primeira fase do século XX. FIQUE ATENTO Por fim, pode-se dizer que o empreendedor é o indivíduo que aprende com os erros e fracassos, não se abatendo com os insucessos. É também o indivíduo 11 que busca mudar o mundo e quer convencer a todos disso. O empreendedor se antecipa a situações e se prepara para elas. Ele possui muita capacidade de observação e planejamento é perseverante em busca de seus sonhos (DOLABELA, 2008). 3. SÍNTESE DA AULA Nesta aula aprofundamos a discussão sobre os desafios para se empreender no Brasil. Apresentamos as principais dores dos empreendedores segundo pesquisa da Endeavor (2016), destacando a gestão de pessoas, a gestão financeira e questões jurídicas e de regulamentação. Posteriormente, apresentamos dados da pesquisa GEM (2017) e do Sebrae (2016) que evidenciam ainda mais a complexidade do contexto brasileiro para se empreender, embora algumas iniciativas tenham apresentado relativo êxito no estímulo ao empreendedorismo, como a MEI. Por fim, para lidar com estes desafios relativos ao empreendedorismo no Brasil, apresentamos as principais características dos empreendedores de sucesso na visão de Dornelas (2001), de Filardi, Barrose Fischmann (2014) e de Dolabela (2008). Na próxima aula discutiremos sobre a identificação de uma oportunidade e apresentaremos a primeira ferramenta para auxiliar a concepção de um negócio, o Business Model Canvas. 12 4. REFERÊNCIAS CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor – 4ª ed. – Barueri, SP: Manole, 2012. DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa – Rio de Janeiro: Sextante, 2008. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios – Rio de Janeiro: Campus, 2001. ENDEAVOR. Empreendedores Brasileiros 2013: perfis e percepções. Disponível em: https://rdstation- static.s3.amazonaws.com/cms%2Ffiles%2F6588%2F1425322451Empreendedores+Brasileir os+2013.pdf. Acessado em: 24/06/2018. ______. Desafios dos empreendedores brasileiros, 2016. Disponível em: https://d335luupugsy2.cloudfront.net/cms%2Ffiles%2F6588%2F1468617878pesquisa- 102.pdf. Acessado em: 10/07/2018. FILARDI, Fernando; BARROS, Filippe; FISCHMANN, Adalberto. Do homo empreendedor ao empreendedor contemporâneo: Evolução das características empreendedoras de 1848 a 2014. Revista Ibero-Americana de Estratégia-RIAE, Vol. 13, N. 3, Jul/Set 2014. GEM. Empreendedorismo no Brasil: Relatório executivo 2017. Disponível em: https://m.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/Relat%C3%B3rio%20Executivo% 20BRASIL_web.pdf. Acessado em: 24/06/2018. PORTAL DO EMPREENDEDOR – MEI. Dúvidas frequentes. Disponível em: http://www.portaldoempreendedor.gov.br/duvidas-frequentes. Acessado em: 10/07/2018a. ______. Estatísticas. Disponível em: www.portaldoempreendedor.gov.br/estatisticas. Acessado em: 10/07/2018b. SEBRAE. Sobrevivência das Empresas no Brasil - Marco Aurélio Bedê (Coord.) – Brasília: Sebrae, 2016. 13 14 IDENTIFICANDO OPORTUNIDADES MODELO DE NEGÓCIOS 1. IDENTIFICANDO AS OPORTUNIDADES ................................................................. 4 2. MODELO DE NEGÓCIOS .......................................................................................... 6 3. SEGMENTOS DE CLIENTES .................................................................................... 6 4. PROPOSTA DE VALOR ............................................................................................ 8 5. REVISÃO DA AULA ................................................................................................ 11 6. REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 12 3 2 3 AULA 3 IDENTIFICANDO OPORTUNIDADES MODELOS DE NEGÓCIO Discutir sobre o início do processo empreendedor; Apresentar a primeira ferramenta para auxiliar especialmente na concepção de novos negócios: o business model canvas; Detalhar segmentos de clientes e proposta de valor. 4 1. IDENTIFICANDO AS OPORTUNIDADES Na aula anterior, apresentamos um panorama do empreendedorismo no Brasil e quais são as características empreendedoras necessárias para lidar com a complexidade dessa atividade e desse contexto brasileiro. Nesta terceira aula discutiremos sobre o início do processo empreendedor e também apresentaremos a primeira ferramenta para auxiliar especialmente na concepção de novos negócios: o business model canvas. O processo empreendedor começa ao se encontrar, avaliar e desenvolver uma oportunidade, ainda que haja forças resistentes à essas novas alternativas a serem criadas. O processo de empreender é constituído por quatro principais fases, que são a identificação e avaliação da oportunidade, o desenvolvimento do plano de negócio, a determinação dos recursos necessários e a administração da empresa resultante (HISRICH e PETERS, 2004). Em aulas posteriores discutiremos com maior profundidade a estrutura de um plano de negócio, bem como a determinação de recursos necessários e administração da empresa resultante. Com isso, nesta aula abordaremos a identificação e avaliação da oportunidade para, então, apresentar o business model canvas. A identificação e avaliação da oportunidade são tarefas difíceis porque a maior parte das oportunidades não se revela de uma hora para outra e demanda do empreendedor um grande esforço e mapeamento constante em fontes como consumidores, associações de classe, membros do sistema de distribuição e especialistas. A maior parte dos empreendedores não possuem um processo formal de busca contínua de oportunidades, mas estar próximo dos potenciais clientes ou de pessoas que por sua vez possuam essa proximidade é fundamental para a identificação de necessidades ainda não atendidas e que podem se traduzir em oportunidades de negócio (HISRICH e PETERS, 2004). FIQUE ATENTO Cada oportunidade precisa ser cuidadosamente avaliada, e esse é um ponto chave do processo empreendedor. É neste momento em que o empreendedor julgará se determinada oportunidade lhe trará o retorno necessário para investimento. É necessário avaliar se a oportunidade está ao alcance do 5 empreendedor e suas propostas de negócio, qual é seu valor real e seu valor percebido, quais são seus riscos, possibilidades de retorno, adequação ao perfil do empreendedor e seu momento atual, bem como a quais vantagens essa oportunidade pode trazer e demandará em um ambiente competitivo (HISRICH e PETERS, 2004). A janela de oportunidade é o tempo disponível para a criação de um novo empreendimento que atenda à determinada oportunidade mapeada. Tanto essa janela quanto o potencial de mercado são fundamentais para que o empreendedor possa estimar os riscos e as compensações desse novo empreendimento. É importante destacar que o retorno também deve ser avaliado levando em consideração outras oportunidades que o empreendedor possa ter (HISRICH e PETERS, 2004). A avaliação financeira do novo empreendimento, inclusive levando em consideração custos de oportunidade, será um tema específico abordado em próximas aulas, quando discutiremos a estrutura do plano de negócio. Por fim, segundo Hisrich e Peters (2004, p.55), para se realizar a avaliação da oportunidade, deve-se responder às seguintes perguntas: a. A que necessidade de mercado ela atende? b. Que observações pessoais você fez ou registrou quanto a essa necessidade de mercado? c. Que condição social está por trás dessa necessidade de mercado? d. Que dados de pesquisa de mercado podem ser utilizados para descrever essa necessidade de mercado? e. Que patentes podem estar disponíveis para atender a essa necessidade? f. Que tipo de concorrência existe nesse mercado? Como você descreveria o comportamento dessa concorrência? g. Como é o mercado internacional? h. Como é a concorrência internacional? i. Onde está o dinheiro a ser gerado nessa atividade? Após responder a esses questionamentos, nossa sugestão é que seja construído o modelo de negócio, que dará sustentação para a posterior construção do plano de negócio. A 6 estrutura sugerida para que seja pensado o modelo de negócio é o do business model canvas, a ser apresentado a seguir. 2. MODELO DE NEGÓCIOS O modelo de negócio tem como propósito descrever o racional de como uma organização cria, entrega e captura valor (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Devido a essa definição, partiremos da discussão anterior sobre identificação e avaliação das oportunidades para a construção de um modelo de negócio que capture essa oportunidade e a transforme em uma entrega de valor para determinado (s) público (s). Como forma de simplificar o conceito de modelo de negócio e apresentar de maneira visual, em linguagem simples e de fácil manipulação a estrutura de um modelo de negócio, Osterwalder e Pigneur (2010) desenvolveram uma maneira esquemática para demonstrar a lógica de como uma empresa pretende ganhar dinheiro. Essa estrutura é composta por 9blocos que abrangem as 4 principais áreas de um negócio: os clientes, a oferta, a infraestrutura e a viabilidade financeira. Nesta aula, aprofundaremos apenas nos quadrantes de segmentos de clientes e proposta de valor, enquanto que os demais blocos do modelo de negócio serão apresentados na próxima aula. 3. SEGMENTOS DE CLIENTES O segmento de clientes representa os diferentes grupos de pessoas ou organizações para quem o empreendimento trabalhará e são o coração de qualquer modelo de negócio. Sem a identificação clara de segmentos de clientes lucrativos, uma empresa não consegue sobreviver no longo prazo (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Ao identificar uma necessidade que pode representar uma oportunidade para uma empresa, necessariamente precisamos identificar a qual segmento de cliente essa necessidade está ligada. 7 É a partir da identificação de segmentos de clientes que as empresas podem melhor satisfazê-los. Isso se dá porque a empresa pode agrupar seus clientes em segmentos com necessidades comuns, comportamentos comuns e outros atributos. A empresa precisará conscientemente escolher para quais segmentos trabalhar, desenhando o restante do modelo de negócios para poder entregar valor a este (s) segmento (s) de cliente (s) escolhidos (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). É válido destacar que para Osterwalder e Pigneur (2010), grupos de clientes representam diferentes segmentos se eles possuem necessidades que justificam uma oferta única, se são atingidos por canais de distribuição distintos, se demandam diferentes tipos de relacionamento, se possuem significativa diferença na sua lucratividade e se estão dispostos a pagar por diferentes aspectos da oferta. Essa visão é similar à de Kotler (2000), que destacam a segmentação como passo fundamental para posterior posicionamento e oferta única de valor para os clientes. Para Kotler (2000), a segmentação pode ser feita de acordo com aspectos: a. Demográficos, que representam características básicas da população, como sexo, idade, renda, nível de instrução, etc. b. Geográficos, que representam variações por regiões geográficas, como países, estados, cidades e até mesmo bairros. c. Psicográficos, que representam características referentes à personalidade, estilo de vida e valores das pessoas. d. Comportamentais, que significam variações referentes aos conhecimentos dos consumidores com relação a um produto, sua atitude com relação a ele, no uso ou resposta a esse produto. São exemplos de aspectos comportamentais as diferentes ocasiões de uso de um produto ou serviço, os diferentes benefícios esperados de um produto ou serviço e o status de fidelidade com marcas e produtos, entre outros. Por fim, é importante destacar que o exercício de segmentação pode e deve combinar diferentes aspectos acima mencionados para encontrarmos segmentos mais específicos e com necessidades mais claras a serem satisfeitas (KOTLER, 2000). 8 Ao responder para quem o empreendimento criará valor e quais são os principais clientes, podemos chegar a algumas alternativas de segmentação, a saber: marketing de massa, quando não há distinção de segmentos específicos; marketing de nicho, quando há o foco em nichos bastante específicos de consumidores que precisam ser atendidos de maneira muito personalizada; segmentado, quando há a distinção entre diferentes segmentos de mercado com problemas e necessidades ligeiramente específicos; diversificado, quando há o foco em dois segmentos de clientes não relacionados; e plataformas multi-laterais, quando há a definição de dois ou mais segmentos de clientes interdependentes entre si (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). EXEMPLIFICANDO Enquanto o marketing de massa é mais encontrado no mercado de eletrônicos, o modelo de marketing de nicho é comumente percebido em relações de fornecedores-compradores, como por exemplo no setor automotivo, em que muitas fabricantes de autopeças dependem muito das vendas para as grandes montadoras. Já o modelo de negócio com a estratégia segmentada pode ter como exemplo um banco que possui um grande grupo de consumidores com investimentos menores, e um grupo pequeno de consumidores com um grande valor de investimento feito neste determinado banco. Apesar de similares, esses segmentos possuem grande diferenças em suas necessidades e problemas. A estratégia diversificada pode ser encontrada na Amazon.com, uma vez que em 2006 a empresa passou a diversificar sua estratégia e passou a vender serviços de computação na nuvem. Por fim, a estratégia de plataformas multilaterais pode ser encontrada em uma companhia de cartão de crédito, que trabalha com uma grande base de clientes que precisam do cartão de crédito e outra grande base de clientes que são os estabelecimentos que aceitam o determinado cartão. (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). 4. PROPOSTA DE VALOR O bloco da proposta de valor descreve a razão pela qual os consumidores escolherão uma empresa específica em detrimento de outra. A proposta de valor resolve os problemas 9 de um consumidor ou satisfaz uma necessidade específica por meio de um pacote de produtos e ou serviços criados para cada segmento de clientes. Em outras palavras, a proposta de valor descreve quais são os benefícios que uma empresa oferece para seus segmentos de clientes (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Essa reflexão também está diretamente relacionada à identificação das necessidades e oportunidades apresentada por Hisrich e Peters (2004). Ao responder qual valor entregamos para nossos clientes, quais problemas dos clientes estamos ajudando a resolver, quais necessidades dos clientes estamos resolvendo e qual é o pacote de produtos e serviços oferecidos, podemos chegar às seguintes alternativas: novidade, quando a proposta de valor satisfaz uma necessidade nova ainda não percebida por consumidores e com nenhuma outra oferta similar; performance, quando há o aprimoramento de produtos e serviços existentes para um melhor desempenho; customização, quando há o desenvolvimento de produtos e serviços customizados para necessidades individuais de consumidores ou segmento de clientes; fazer acontecer, quando o valor é criado ao ajudar os clientes a fazer trabalhos acontecerem; design, quando este elemento acaba desempenhando um papel fundamental na entrega; marca/status, quando há a valorização específica de uma determinada marca; preço, quando este é um fator decisor para segmentos de clientes sensíveis a preços; redução de custos, quando há a ajuda a consumidores reduzirem seus custos; redução de riscos, quando há a redução dos riscos do cliente que incorrem na aquisição de um produto ou serviço; acessibilidade, quando os produtos e serviços são desenvolvidos para permitir acesso a quem antes não o possuía; e conveniência e usabilidade, realizando produtos e serviços mais convenientes e de fácil utilização para criar valor substancial. Essa é uma lista não exaustiva de alternativas para se criar valor aos clientes (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). É válido destacar que para cada alternativa apresentada como forma de proporcionar valor aos segmentos de clientes, deverá haver uma proposta de canais e relacionamento condizentes com as escolhas anteriores. Também, é importante salientar que os valores podem ser quantitativos, como preço e velocidade do serviço, e qualitativos, como design e experiência do usuário (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). 10 EXEMPLIFICANDO A proposta de valor de novidade pode ser encontrada ao analisar as empresas de tecnologia, como de aparelhos celulares que criariam toda uma nova indústria de telecomunicações móveis. Já a proposta de valor de performance pode ser percebida no setor de computadores pessoais que constantemente lança novas máquinas mais poderosas no mercado. A customização é percebida recentemente em empresas que trabalham com a cocriaçãoe a customização em massa, conceitos que permitem customização enquanto há economia de escala. Já a estratégia de fazer acontecer pode ser exemplificada pela atuação da Rolls Royce no setor de aeronaves, no qual seus clientes confiram totalmente na Rolls Royce para que ela fabrique e forneça os serviços relacionados aos motores das aeronaves e paguem a empresa por cada hora de trabalho dos engenheiros. A proposta de valor de design é bastante percebida na indústria da moda e de eletrônicos, enquanto que a de marca/status é utilizada por empresas como a Rolex. A estratégia de preço é utilizada por empresas de aviação de baixo custo, como a Southwest, easyJet e Ryanair, que desenvolveram todo um modelo de negócio para viabilizar os preços baixos aos consumidores. A proposta de valor de redução de custos pode ser exemplificada pela Salesforce.com, que vende um sistema de marketing de relacionamento e libera o cliente de problemas de compra, instalação e gerenciamento do sistema de CRM sozinho. Já a proposta de valor de redução de riscos pode ser percebida em serviços de garantia para compradores de casos usados, enquanto que a de acessibilidade pode ser explicada ao se analisar o caso da NetJets, empresa americana que popularizou o conceito de posse fracionada de um avião particular para pessoas e empresas que antes não tinham condições de possuir uma aeronave própria. Por fim, a proposta de valor de conveniência/usabilidade pode ser notada em casos como o da Apple e a facilidade proporcionada pelo iPod e iTunes para a compra, download e audição de músicas. (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). 11 5. REVISÃO DA AULA Nesta aula pudemos discutir sobre o processo empreendedor, com destaque para a primeira etapa que é a identificação e avaliação das oportunidades. Para maior aprofundamento nesse tema, propusemos a apresentação do business model canvas para representar a construção de um modelo de negócio. De maneira visual e simplificada, esta ferramenta auxilia na determinação de como uma empresa pode criar, entregar e capturar valor. Posteriormente, realizamos a apresentação dos dois primeiros quadrantes do canvas, destacando que estes quadrantes se relacionam diretamente com a etapa de identificação e avaliação das oportunidades de negócio. O primeiro quadrante abordado na aula foi o de segmento de clientes, destacando a relevância de se encontrar agrupamentos de clientes com características e necessidades específicas para que a empresa possa satisfazê-los. A seguir, apresentamos o bloco de proposta de valor, que define a razão pela qual o cliente optará pela empresa em questão e não por outra oferta similar. Na próxima aula apresentaremos os demais blocos do Business Model Canvas, finalizando assim a construção do modelo de negócio para posterior discussão de construção do plano de negócio. 12 6. REFERÊNCIAS HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P. Empreendedorismo – 5ª ed. - Porto Alegre: Bookman, 2001. KOTLER, Philip. Administração de Marketing. São Paulo: Prentice Hall, 2000 OSTERWALDER, Alexander; PIGNEUR, Yves. Business Model Generation: a handbook for visionaries, game changers, and challengers. Hoboken, New Jersey: John Wiley & Sons, 2010. 13 MODELO DE NEGÓCIOS 1. COMPLETANDO O BUSINESS MODEL CANVAS .................................................... 4 2. CANAIS ..................................................................................................................... 4 3. RELACIONAMENTO COM OS CLIENTES ............................................................... 5 4. FONTES DE RECEITA .............................................................................................. 6 5. RECURSOS CHAVE .................................................................................................. 7 6. ATIVIDADES CHAVE ................................................................................................ 8 7. PARCEIROS CHAVE ................................................................................................. 8 8. ESTRUTURA DE CUSTOS ........................................................................................ 9 9. SÍNTESE DO MODELO DE NEGÓCIO .................................................................... 10 10. SÍNTESE DA AULA ............................................................................................... 13 11. REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 14 4 2 3 AULA 4 MODELO DE NEGÓCIOS Apresentar os demais blocos para construção do modelo de negócio Discutir exemplos de modelos de negócio Discutir formas para desenhar o modelo de negócio 4 1. COMPLETANDO O BUSINESS MODEL CANVAS Na aula anterior, apresentamos a etapa de identificação e avaliação de oportunidades, fundamental para os empreendedores. Além disso, também apresentamos conceitualmente o que significa a construção de um modelo de negócio, bem como os dois primeiros passos para a construção do business model canvas: a definição de segmentos de clientes e proposta de valor. Nesta quarta aula apresentaremos os demais 7 quadrantes restantes para a elaboração do business model canvas, ferramenta que auxilia empreendedores a descrever o racional de como uma organização cria, entrega e captura valor (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). 2. CANAIS O terceiro bloco a ser apresentado é o de canais. É neste momento que devemos definir como comunicar e atingir o segmento de clientes para entregar a proposta de valor. Os canais compreendem os canais de comunicação, distribuição e vendas e representam as interfaces que as empresas possuem com os seus consumidores, desempenhando um papel fundamental na experiência do consumidor (KOTLER, 2000; OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Os canais possuem diversas funções, tais como: aumentar o conhecimento dos consumidores sobre uma determinada marca e seus produtos; auxiliar os consumidores a avaliar a proposta de valor da empresa; permitir que os consumidores comprem determinados produtos ou serviços; entregar a proposta de valor para os consumidores; e proporcionar suporte pós-venda para os clientes (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Para Osterwalder e Pigneur (2010), os canais possuem cinco fases distintas. Um canal pode cobrir algumas ou todas essas fases. As cinco fases são: a. Conhecimento: como podemos aumentar o conhecimento sobre nossos produtos e serviços? b. Avaliação: como ajudamos os consumidores a avaliarem a proposta de valor da emrpesa? 5 c. Compra: como permitimos que os consumidores realizem compras de produtos e serviços específicos? d. Entrega: como entregamos a proposta de valor? e. Pós-venda: como provemos serviços pós-venda para os consumidores? Essas cinco fases de canais apresentadas refletem também as questões pré-compra e pós compra, com as quais os empreendedores devem se atentar ao entregar sua proposta de valor no mercado. Entender o comportamento do consumidor envolve também essas questões e isso se reflete no processo de compra dos consumidores (BLACKWELL, MINIARD e ENGEL, 2008). Os canais também podem ser diretos, como é o caso da força de vendas ou de vendas na internet, ou indiretos, nos casos de lojas próprias, lojas de parceiros e atacadistas. Uma distribuição direta pode ser considerada nível 0, enquanto que uma distribuição com um intermediário é considerada nível 1, e assim por diante. O desafio para os empreendedores é identificar a melhor composição de canais para que seja realizada a entrega da proposta de valor (KOTLER, 2000; OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Por fim, para Osterwalder e Pigneur (2010), ao definir quais canais a empresa utilizará, o empreendedor precisa se atentar às seguintesperguntas: por quais canais os nossos segmentos de clientes querem ser atingidos? Como estamos atingindo esses segmentos de cliente hoje? Como os nossos canais se integram? Quais são os melhores canais e mais eficientes? Como integramos os canais à rotina dos nossos clientes? 3. RELACIONAMENTO COM OS CLIENTES O relacionamento com os clientes clarifica o tipo de relacionamento que a empresa deseja estabelecer com seus clientes e pode ir do personalizado ao automatizado. Os relacionamentos com os clientes podem ser motivados pela aquisição desse cliente, sua retenção ou para proporcionar um aumento de vendas (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Ao definir como se relacionar com seus segmentos de clientes, o empreendedor pode chegar a várias possibilidades de relacionamento, que podem inclusive coexistir, a saber: assistência pessoal, quando o relacionamento é baseado no contato pessoal e há a interação entre o consumidor e um representante da empresa durante o processo de compra ou de pós- compra; assistência pessoal dedicada, quando há um representante da empresa específico 6 para auxiliar um determinado cliente; autosserviço, quando a empresa fornece o que for necessário para que os consumidores consigam ser auxiliados sem qualquer relacionamento direto; serviços automatizados, quando há a mistura de um sofisticado sistema de autosserviço com um processo automatizado; comunidades, nos casos em que as empresas mantem comunidades para trocas de conhecimento e resolução de problemas dos consumidores, que inclusive podem se ajudar entre si; e cocriação, nos casos em que as empresas estabelecem uma relação além daquela de comprador e vendedor, convidando os consumidores a cocriarem valor com as elas (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Por fim, para Osterwalder e Pigneur (2010), ao definir como estabelecer o relacionamento com seus segmentos de clientes, o empreendedor precisa se atentar às seguintes perguntas: qual tipo de relacionamento cada um dos nossos segmentos de clientes espera que mantenhamos com eles? Quais desses relacionamentos já estabelecemos? O quão custoso eles são? Como integramos esse relacionamento com modelo de negócios? 4. FONTES DE RECEITA O bloco de fontes de receita descreve como uma empresa irá gerar recurso financeiro com cada segmento de clientes. Compreender nesse momento como a receita será gerada é fundamental para a construção das projeções financeiras posteriores, ao elaborar o plano de negócio. É importante destacar que os modelos de negócio podem contemplar dois tipos diferentes de fontes de receita: transação resultante de um pagamento único e receita recorrente resultante de uma entrega constante da proposta de valor ou de serviços pós- venda (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010; DOLABELA, 2008). São várias formas de gerar fontes de receita, entre as quais: venda de ativos, quando há uma venda de um produto físico; taxa de uso, que ocorre quando o consumidor paga pela utilização de um determinado produto ou serviço; taxa de assinatura, quando a venda é de um acesso contínuo a um serviço; empréstimo e aluguel, que ocorre nos casos em que o consumidor tem direito de utilizar um determinado produto e serviço por um tempo pré- definido; licenciamento, quando é fornecido ao consumidor o direito de utilizar uma propriedade intelectual; taxa de agenciamento, quando há a remuneração pela intermediação da transação de duas ou mais partes; e anúncios, fonte de receita resultante de taxas de anúncios de um produto, serviço ou marca (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). 7 Por fim, é válido destacar que, segundo Osterwalder e Pigneur (2010), cada fonte de receita pode trabalhar com preços fixos e pré-fixados, ou preços dinâmicos, que variam conforme as condições de mercado. Além disso, as perguntas a serem respondidas pelos empreendedores na definição de suas fontes de receita são: por qual valor nossos consumidores estão dispostos a pagar? Por qual valor eles atualmente pagam? Como esses consumidores pagam e como prefeririam pagar? Como cada fonte de receita contribui para as receitas totais? 5. RECURSOS CHAVE Os recursos chave são os ativos mais importantes para fazer com que o modelo de negócio funcione. Todo modelo de negócio precisa de recursos que permitam à empresa criar e ofertar a proposta de valor, atingindo mercados e mantendo relacionamentos com segmentos de clientes a fim de gerar receitas. Esses recursos são ativos tangíveis e intangíveis de uma organização e podem ser físicos, financeiros, intelectuais ou humanos, sendo que sua obtenção pode ser por meio de aquisição ou empréstimos (BARNEY e HESTERLY, 2011; OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Os recursos físicos são aqueles como fábricas, prédios, veículos, máquinas, redes de distribuição e sistemas de pontos de venda. Já os recursos intelectuais são as marcas, as propriedades intelectuais, patentes, parcerias e bases de dados. Os recursos humanos, por sua vez, representam as pessoas que trabalham nas organizações. Por fim, os recursos financeiros são aqueles como dinheiro fontes de crédito e são determinantes para alguns modelos de negócio (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Os recursos, na visão apresentada por Barney e Hesterly (2011), são potenciais competitivos se eles permitem que a empresa explore uma oportunidade ou neutralize uma ameaça externa, se são controlados por apenas um número pequeno de empresas, se fazem com que as empresas que não possuam esses recursos enfrentem uma desvantagem competitiva e se a empresa está pronta para dar suporte à exploração dos seus principais recursos. Por fim, é válido destacar que, segundo Osterwalder e Pigneur (2010), as perguntas a serem respondidas pelos empreendedores na identificação de seus recursos chave são: quais recursos nossa proposta de valor demanda? Quais recursos nossos canais de distribuição 8 demandam? Quais recursos nosso relacionamento com os consumidores demanda? Quais recursos nossas fontes de receita demanda? 6. ATIVIDADES CHAVE As atividades chave são aquelas que a empresa precisa realizar para fazer o modelo de negócio funcionar. Cada modelo de negócio demanda atividades específicas para atingir mercados, manter relacionamentos e conquistar receitas (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). As atividades chave de produção são aquelas relacionadas ao desenho, fabricação e entrega de um produto em quantidades substanciais ou em qualidade superior. Já as atividades chave de resolução de problemas são aquelas relacionadas a proporcionar soluções para problemas individuais dos consumidores. Por fim, as atividades de plataforma e redes são aquelas que proporcionam a manutenção de plataformas e redes para a execução do modelo de negócio (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Por fim, é válido destacar que, segundo Osterwalder e Pigneur (2010), as perguntas a serem respondidas pelos empreendedores na definição das atividades chave são: quais atividades chave nossa proposta de valor demanda? Quais atividades chave nossos canais de distribuição demandam? Quais atividades chave nosso relacionamento com os consumidores demanda? Quais atividades chave nossas fontes de receita demanda? 7. PARCEIROS CHAVE Os parceiros chave representam a rede de fornecedores e parceiros que a empresa precisa realizar para fazer o modelo de negócio funcionar. As parcerias são fundamentais para que as empresas possam otimizar o seu modelo de negócio, reduzir riscos ou adquirir recursos, e podem ser classificadas entre alianças estratégicas entre não competidores; coopetição, que é uma parceria estratégica entre competidores; joint ventures para desenvolvimento de novos negócios; e relação entre comprador e fornecedor para assegurar um fornecimento seguro (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). 9 Essa classificação apresentada por Osterwalder e Pigneur (2010) aborda tanto os arranjoshorizontais, que são entre competidores, quanto os verticais, que representam a relação entre comprador e fornecedor (HOFFMANN, MOLINA-MORALES e MARTÍNES- FERNÁNDEZ, 2007). Da mesma forma, a classificação apresentada de possíveis parcerias é bastante similar à classificação de redes interorganizacionais proposta por Barringer e Harrison (2000), que é: consórcio, joint ventures, redes, alianças estratégicas, trade associations e diretorias interligadas. Essa constatação é relevante pois o estudo de redes interorganizacionais pode expandir as possibilidades de parcerias chave para um modelo de negócio. Entre as três motivações para a criação de parcerias estão: otimização e economia de escala, que é a forma mais básica de parceria entre comprador e fornecedor, visando otimizar a alocação de recursos e atividades; redução de custos e incertezas, que podem ser inclusive parcerias entre concorrentes; e aquisição de um recurso ou atividades particulares, para ampliação de capacidade e aquisição de conhecimento, licenças ou acesso a consumidores (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Por fim, é válido destacar que, segundo Osterwalder e Pigneur (2010), as perguntas a serem respondidas pelos empreendedores na identificação dos parceiros chave são: quais são nossos parceiros chave? Quais são nossos fornecedores chave? Quais recursos chave estamos adquirindo de parceiros? Quais atividades chave nossos parceiros executam? 8. ESTRUTURA DE CUSTOS A estrutura de custos descreve todos os custos inerentes à operação do modelo de negócio, uma vez que criar e entregar valor, manter relacionamentos e gerar receitas também incorre em custos. Ainda, se definirmos com clareza quais são os recursos chave, as atividades chave e os parceiros chave, os custos podem ser facilmente calculados (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Os modelos de negócio podem ser orientados para os custos, quando há o foco na redução de custos e na obtenção da estrutura mais enxuta possível, e para o valor, quando há o foco na oferta de maior valor com alto grau de personalização de serviços (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). 10 Ainda, a estrutura de custos pode ter como características: custos fixos, que se mantem os mesmos independentemente do volume de produção; custos variáveis, que variam proporcionalmente ao volume produzido; economia de escala, que são vantagens de custos que negócios podem ter ao ampliar a escala de produção; e economias de escopo, que são vantagens de custos ao ampliar o escopo das operações (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Por fim, é válido destacar que, segundo Osterwalder e Pigneur (2010), as perguntas a serem respondidas pelos empreendedores na definição de suas estruturas de custos são: Quais são os custos mais importantes inerentes ao nosso modelo de negócio? Quais são os recursos mais caros? Quais são as atividades mais caras? 9. SÍNTESE DO MODELO DE NEGÓCIO A seguir apresentaremos uma síntese de toda a apresentação feita sobre modelos de negócios, bem como discutiremos algumas sugestões para a sua elaboração. FIQUE ATENTO A estrutura do modelo de negócio proposta pelo Business Model Canvas é composta por nove quadrantes que facilitam a visualização de como essa empresa irá entregar valor ao mercado. Os nove quadrantes são: segmentos de clientes, proposta de valor, canais, relacionamento, fontes de receita, recursos chave, atividades chave, parceiros chave, estrutura de custos(OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Para facilitar a visualização, abaixo está a representação esquemática dos nove quadrantes, conforme proposto por Osterwalder e Pigneur (2010). 11 Imagem 1.1 Empresas podem e devem construir seus modelos de negócio de forma que atendam à oportunidade identificada pelo empreendedor, sempre se preocupando com a amarração entre os diversos quadrantes para que o modelo de fato proporcione a entrega da proposta de valor ao mercado. Como resultado final do modelo de negócios, podemos identificar alguns padrões, apresentados a seguir (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010): a. Modelos de negócio desmembrados: as empresas podem atuar em negócios que foquem no relacionamento com os clientes, na inovação de produtos ou em negócios de infraestrutura, e cada um desses focos podem coexistir em uma mesma empresa, mas desmembrados em entidades diferentes para evitar conflitos ou necessidades de trade-offs. b. Cauda longa: esses modelos de negócio dizem respeito a vender uma grande quantidade de produtos de nicho, cada qual com vendas relativamente pouco frequentes, mas garantindo que o valor agregado de todas as vendas faça a empresa ser tão lucrativa quanto a que vende produtos mais conhecidos. Esses modelos de negócio demandam baixos custos de inventário e plataformas robustas para disponibilizar conteúdo de nicho a seu público. c. Plataformas multilaterais: esses modelos de negócio possuem dois ou mais grupos de consumidores que são interdependentes entre si e o valor só é gerado para um dos grupos se os outros grupos também estão presentes. Uma plataforma multilateral ganha força conforme atrai mais usuários para a rede. d. Gratuito como modelo de negócio: nestes casos, ao menos um dos segmentos de clientes pode usufruir de uma oferta continuamente gratuita e esses clientes 1 Fonte: Osterwalder e Pigneur (2010) 12 são financiados por outro segmento que não utiliza as soluções gratuitas da mesma empresa. e. Modelos de negócio abertos: esses modelos de negócio permitem às empresas que elas criem e capturem valor sistematicamente colaborando com parceiros externos, tanto explorando internamente ideias que surjam fora da empresa quanto levando para fora da empresa ideias internas. EXEMPLIFICANDO É um exemplo de modelo de negócio desmembrado o de uma empresa de telefonia móvel que deixa de competir pela qualidade de sua rede e passa a competir pela construção de relacionamento com seus clientes. Neste caso, a companhia de telefonia passou a deixar seu recurso de rede e as atividades de manutenção de rede em uma operação terceira que lhe permitia economia de escala, ao passo que ela passa a focar na sua base de clientes para a criação de relacionamentos, tendo como principal proposta de valor os serviços de voz, dados e conteúdo e passando a considerar como principais recursos a sua marca e base de consumidores. Com isso, sua estrutura de custos passa a ser prioritariamente em marketing e para o desenvolvimento de novas soluções e produtos, a empresa pode recorrer a estrutura de pequenas empresas. Já o modelo cauda longa pode ser encontrado em empresas como YouTube e Netflix. O conteúdo provido pela Netflix, apesar de abarcar alguns títulos de massa, também permite o diálogo com um público de nicho, com produções de temáticas bastante específicas, com o modelo de receitas de taxa de assinatura. Já o YouTube permite a produção do próprio conteúdo pelo usuário, e seu modelo de negócio ganha força conforme cresce a comunidade que acompanha o site e produz o próprio conteúdo. O modelo de plataformas multilaterais é encontrado em empresas como o Google. Pode-se dizer que esta empresa possui como segmento de clientes os anunciantes, os usuários da internet e os produtores de conteúdo. Quanto mais os usuários de internet usam o Google, mais valor é gerado também para os anunciantes, e esse é um exemplo de como há a interdependência da geração de valor para os segmentos de cliente. Já o modelo de negócio gratuito pode ser encontrado no Skype, ferramenta de comunicação que possui uma versão gratuita para os usuários de internet e uma versão com assinatura pré-paga para o segmento de clientes de usuários que usam a ferramenta para ligar para telefones. Por fim, o modelo de negócio aberto pode ser encontrado em empresas que trabalham com inovação aberta, comoa Procter&Gamble, que ao invés de inflar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento dentro da própria empresa, estruturou uma cultura de inovação externa contando com empreendedores tecnológicos, plataformas de internet e aposentados. (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). 13 Por fim, para a utilização do Business Model Canvas, Osterwalder e Pigneur (2010) recomendam técnicas para identificar intuições dos consumidores, construir mapa de empatia, usar a ideação, o pensamento visual, a prototipagem, o storytelling e a construção de cenários. Para maior aprofundamento, recomendamos a leitura indicada na bibliografia desta aula. 10. SÍNTESE DA AULA Nesta aula pudemos apresentar toda a estrutura do Business Model Canvas, ferramenta recomendada para construção do modelo de negócio de um empreendedor, a saber: segmentos de clientes, proposta de valor, canais, relacionamento, fontes de receita, recursos chave, atividades chave, parceiros chave, estrutura de custos. Também discutimos alguns padrões de modelos de negócio e mencionamos brevemente técnicas que podem contribuir para a construção do Business Model Canvas. Na próxima aula iniciaremos a discussão sobre a construção do plano de negócio, apresentando sua estrutura e já nos aprofundando em alguns aspectos dessa ferramenta. 14 11. REFERÊNCIAS BARNEY, Jay B; HESTERLY, William S. Administração estratégica e vantagem competitiva. 3ª edição. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. BARRINGER, Bruce R.; HARRISON, Jeffrey S. Walking a Tightrope: Creating Value Through Interorganizational Relationships. Journal of Management. Vol. 26, No. 3, pp. 367–403, 2000. HOFFMAN, Valmir Emil; MOLINA-MORALES, F. Xavier; MARTÍNEZ-FERNÁNDEZ, M. Teresa. Redes de Empresas: Proposta de uma Tipologia para Classificaçăo Aplicada na Indústria de Cerâmica de Revestimento. RAC, 1a. Edição Especial, pp. 103-127, 2007. KOTLER, Philip. Administração de Marketing. São Paulo: Prentice Hall, 2000 OSTERWALDER, Alexander; PIGNEUR, Yves. Business Model Generation: a handbook for visionaries, game changers, and challengers. Hoboken, New Jersey: John Wiley & Sons, 2010. 15 PLANO DE NEGÓCIOS 1. O PLANO DE NEGÓCIO............................................................................................ 4 2. ESTRUTURA DO PLANO DE NEGÓCIO ................................................................... 5 3. CAPA, SUMÁRIO E SUMÁRIO EXECUTIVO ............................................................ 6 4. DESCRIÇÃO DA EMPRESA ...................................................................................... 8 5. PRODUTOS E SERVIÇOS ......................................................................................... 9 6. MERCADO E COMPETIDORES .............................................................................. 11 7. SÍNTESE DA AULA ................................................................................................. 12 8. REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 13 5 2 3 AULA 5 PLANO DE NEGÓCIOS Discutir o objetivo e a importância de um plano de negócio Apresentar a estrutura de um plano de negócio Detalhar a estrutura de um plano de negócio 4 1. O PLANO DE NEGÓCIO Nas aulas anteriores foi possível apresentar o primeiro passo para a criação de um negócio de maneira planejada e estruturada: após a identificação de oportunidades, recomenda-se a estruturação de um modelo de negócio. Para isso, apresentamos a ferramenta do Business model canvas, composta por 9 quadrantes que resumem de maneira esquemática como esse novo negócio cria, entrega e captura valor (OSTERWALDER e PIGNEUR, 2010). Agora vocês já estão prontos para dar o próximo passo na estruturação de um novo negócio, que é o de elaborar o plano de negócio. Nessa aula, teremos a oportunidade de discutir o objetivo e a importância da construção de um plano de negócio, qual é a sua estrutura e detalhar os itens de Capa, Sumário Executivo, Descrição da Empresa, Produtos e Serviços, e Mercado e Competidores. O plano de negócio é um documento que se popularizou nos Estados Unidos na década de 1960 e no Brasil após os anos 2000. Nele, o empreendedor descreve os elementos externos e internos que envolvem o início do seu novo negócio, integrando os planos de marketing, finanças, produção e recursos humanos (HISRICH e PETERS, 2004; NAKAGAWA, 2011). O plano de negócio pode ser descrito, portanto, como o “documento que descreve elementos e estratégias internos e externos relevantes para dar início a um novo empreendimento” (HISRICH e PETERS, 2004, p. 209). Entretanto, é importante destacar que o plano de negócio pode ser utilizado para avaliar também novos investimentos ou mudanças estratégicas em empreendimentos já existentes. Pode-se dizer que o plano de negócio tem como objetivo testar a viabilidade de um conceito de negócio, orientar o desenvolvimento das operações e da estratégia desse negócio, viabilizar a captação de recursos financeiros, transmitir credibilidade e desenvolver a equipe de gestão (DORNELAS, 2005). 5 FIQUE ATENTO O plano de negócio pode ser voltado tanto para funcionários quanto para investidores, banqueiros, investidores de risco, fornecedores, clientes, conselheiros e consultores, uma vez que ele permite que o empreendedor entenda e defina diretrizes para seu negócio, gerencie a empresa de maneira mais eficaz, monitore a empresa e tenha maior agilidade na execução de planos de ação, consiga financiamentos, identifique oportunidades, e estabeleça uma comunicação interna eficaz (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). 2. ESTRUTURA DO PLANO DE NEGÓCIO Antes de se elaborar o plano de negócio, Hisrich e Peters (2004) recomendam que o empreendedor busque informações preliminares sobre marketing, como o potencial de mercado; sobre operação, como localização do negócio e matéria prima necessária; e sobre finanças, como a previsão de vendas. Após essa preparação inicial para garantir que o esforço de elaboração do plano não será em vão, não há uma única estrutura padrão a ser seguida, como fica evidenciado nos trabalhos de Dornelas (2005) e Nakagawa (2011). Apresentaremos a seguir a estrutura do plano de negócio segundo Dornelas (2005), mas outras ferramentas que auxiliam a elaboração deste documento podem ser encontradas na internet com estruturas similares. Com isso, a estrutura de plano de negócio a ser apresentada possui os seguintes tópicos: 1. Capa 2. Sumário 3. Sumário Executivo 4. Descrição da Empresa 5. Produtos e Serviços 6. Mercado e Competidores 7. Marketing e Vendas 8. Análise Estratégica 9. Plano Financeiro 10. Anexos 6 A seguir cada uma das etapas serão detalhadas, sendo que nesta aula abordaremos os itens de Capa, Sumário, Sumário Executivo, Descrição da Empresa, Produtos e Serviços e Mercado e Competidores. Na próxima aula abordaremos os demais itens do plano de negócio. 3. CAPA, SUMÁRIO E SUMÁRIO EXECUTIVO A capa é a primeira página de um plano de negócio e tem como objetivo informar o nome e contatos da empresa cujo plano foi elaborado, bem como dos representantes dessa empresa. Há também a possibilidade de inserir um parágrafo que descreva a empresa e natureza do negócio, o que é importante para estabelecer o conceito básico que o empreendedor tenta desenvolver e, com isso, facilita o filtro a ser realizado pelos investidores (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). Já o Sumário deve conter o título e a numeração das páginas respectivas a cada seção e subseção do plano de negócio, facilitando a leitura do documento e reforçando a organização do plano de negócio e do próprio empreendedor (DORNELAS, 2005).Por fim, o Sumário Executivo pode ser considerado a principal seção do plano de negócio. Geralmente escrita após que todo o plano esteja pronto, o sumário executivo deve ser uma síntese de tudo o que será apresentado no documento e é responsável por atrair a atenção do leitor para o restante do plano de negócio (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005, SEBRAE, 2013). Embora seja difícil determinar o que é de fato importante em um sumário executivo, algumas perguntas podem auxiliar em sua elaboração e devem abordar o conceito do negócio, dados que sustentam a oportunidade do empreendimento, como a oportunidade será alcançada pela empresa, qual é a estratégia de marketing e alguns números financeiros que devem ser alcançados ((HISRICH e PETERS, 2004). São também exemplos de perguntas que podem orientar na elaboração do sumário executivo segundo Dornelas (2005, p. 127): a. Qual o propósito do seu plano? b. O que é a sua empresa? c. Qual é o seu produto / serviço? d. Onde está seu mercado? e. Por que você precisa do dinheiro requisitado? f. Como você empregará o dinheiro na sua empresa? 7 g. De quanto recurso você necessita? h. Como se dará o retorno sobre o investimento? i. Quando o recurso será necessário? j. Quando ocorrerá o pagamento do empréstimo obtido? EXEMPLIFICANDO A seguir é apresentado um exemplo de Sumário Executivo para uma empresa de São Paulo que busca empréstimo em um banco para comprar duas novas máquinas de limpeza e um automóvel. Piscina Azul é uma empresa especializada em limpeza de piscinas, fundada em 2003. A empresa está localizada em São Paulo, no bairro de Pinheiros. A principal máquina utilizada nos serviços de limpeza já não é suficiente para atender a demanda dos serviços atuais, havendo a necessidade de adquirir mais duas novas máquinas e um novo automóvel para atendimento aos clientes. A empresa dispõe de R$ 20 mil e precisa de um empréstimo de R$ 40 mil para efetuar as compras. A empresa estabeleceu seu nicho de mercado em 2004. Projeções para o próximo ano indicam a expansão de carteira de clientes para novos mercados e regiões da cidade. As projeções de fluxo de caixa dão apoio à certeza de que a empresa terá fundos suficientes para arcar com os compromissos assumidos, contratar mais funcionários e implementar as ações planejadas de marketing. Atualmente o negócio tem 150 contas residenciais, 20 contas com condomínios e 15 contas com academias/escolas de natação. Os serviços incluem limpeza periódica das piscinas, tratamento da água e manutenção preventiva dos equipamentos. O sucesso da empresa é resultado direto da habilidade que possui em prover serviços personalizados a custos competitivos, criando uma base fiel de clientes. Atualmente o custo médio para a limpeza de piscinas pequenas é de R$ 100,00 por dia e, para piscinas grandes, R$ 150,00 por dia. Durante o inverno, a empresa se dedica aos serviços de limpeza de reservatórios e caixas d´água, devido à sazonalidade. A taxa projetada de crescimento para o mercado de limpeza de piscinas é de 10% ao ano. Pretende-se expandir o negócio com novos equipamentos, marketing e empregados adicionais para atender a demanda existente. Espera-se aumentar a carteira de clientes em 20%, com base nos registros do ano anterior, no serviço diferenciado da empresa e nas atividades de marketing que serão desenvolvidas. O empréstimo será necessário para outubro de 2004. A empresa não precisa de carência para início do pagamento. Como garantia, será oferecido o imóvel da sede da empresa, avaliado em R$ 80 mil (DORNELAS, 2005, p. 127-128). 8 4. DESCRIÇÃO DA EMPRESA Essa seção do plano de negócio tem como objetivo apresentar um resumo da organização da empresa, a história do empreendimento e o status atual. É nessa etapa em que o investidor poderá avaliar a dimensão e o escopo do negócio (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). Na descrição da empresa é importante também evidenciar o porquê da criação e/ou existência desse negócio, qual o seu propósito, bem como proporcionar uma visão global dos produtos, serviços e operações da empresa (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). É importante destacar que nessa etapa o investidor e os leitores procurarão também identificar se a equipe da empresa é qualificada e comprovadamente experiente para a gestão do negócio. Isso se dá pois sem uma equipe qualificada, dificilmente qualquer outra parte do plano de negócio dará certo, especialmente caso o empreendedor seja jovem e sem muitas experiências profissionais comprovadas (DORNELAS, 2005; SEBRAE, 2013). Em uma empresa nascente, é comum encontrar uma estrutura com seus fundadores realizando a maior parte das atividades durante todo o tempo. Entretanto, quanto mais a empresa cresce e aumenta seu número de clientes, fornecedores e funcionários, mais a estrutura precisará se adequar a essa nova realidade, fazendo com que o empreendedor deva também prever um plano de crescimento de funcionários e passe a estruturar um plano organizacional mais complexo, contemplando também políticas de contratação e descrição de cargos e remunerações. Nessa etapa de descrição da empresa, portanto, pode ser apresentado também um organograma funcional da estrutura do negócio, bem como um detalhamento das pessoas chave e suas responsabilidades e atribuições. Também pode-se apresentar como essa estrutura deverá evoluir nos próximos anos (DORNELAS, 2005). 9 FIQUE ATENTO Os investidores normalmente investem em pessoas, que são o principal ativo das empresas nascentes. E quanto mais capacitadas em técnicas de gestão e experientes essas pessoas são, melhores as chances de a empresa conseguir o capital solicitado! ” (DORNELAS, 2005, p. 131). Ainda na descrição da empresa é relevante apresentar a estrutura legal do negócio, evidenciando como está constituída a sociedade e qual o envolvimento de cada sócio com a empresa. Também é válido explicar como é feita a distribuição de lucros do negócio e de quem é a responsabilidade financeira por eventuais perdas, bem como qual é a estrutura jurídica do seu negócio (DORNELAS, 2005; SEBRAE, 2013). Por fim, a etapa de descrição da empresa deve contemplar também uma visão sobre a localização e infraestrutura do negócio, pois esses pontos influenciam na sua competitividade e nas projeções financeiras a serem realizadas posteriormente. Nesta etapa do plano de negócio deve-se mencionar como é feita a contabilidade da empresa e quem é responsável por ela, eventuais seguros que podem ter sido realizados tanto para os imóveis quanto para bens e mercadorias, riscos relativos a segurança no seu negócio, empresas terceiras fundamentais para a empresa e parceiros estratégicos que impactam no negócio (DORNELAS, 2005). 5. PRODUTOS E SERVIÇOS Nesta etapa do plano de negócio o empreendedor deve mencionar quais são os produtos e serviços que são ou serão ofertados pela empresa, bem como quais são os diferenciais dessa oferta em comparação com a concorrência. Ainda, é necessário comentar quais são as características da equipe de produção e por que a empresa é capaz de fornecer esses produtos e serviços. Além disso, é importante que o empreendedor diga quais são seus principais insumos e como faz para obtê-los, bem como já apresente possíveis produtos e serviços que serão oferecidos no futuro. É possível ainda complementar essa análise com informações sobre o processo de fabricação e quais são os serviços terceiros utilizados nesse processo (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). 10 Nos casos em que o negócio apresentado for um fabricante, é importante descrever detalhadamente o processo de desenvolvimento do produto desde o recebimento da matéria- prima, incluindo informações sobre a planta física da empresa, o maquinário e os equipamentos necessários. Já nos casos em que o negócio apresentado for de um varejistaou prestador de serviços, é necessário descrever os produtos ou famílias de produtos que serão vendidas pela empresa e quais são os principais fornecedores escolhidos. Também deve ser abordado o controle de estoque e o todo o processo de transação comercial (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). Nessa etapa do plano de negócio também é necessário explicar em qual estágio no ciclo de vida do produto estão os produtos da sua empresa, uma vez que a cada estágio são demandadas estratégias de marketing diferentes. Os possíveis estágios do ciclo de vida de produto segundo Dornelas (2005) são: a. Introdução: quando o produto é lançado e há necessidade de grandes investimentos para tornar o produto conhecido. O crescimento das vendas é lento e quase não há lucro devido aos gastos realizados para o lançamento desse produto. b. Crescimento: quando há o aumento da demanda pelo produto que já foi testado pelos clientes. É nessa etapa que há o aumento dos lucros relativos a este produto. c. Maturidade: quando há a diminuição no crescimento das vendas, uma vez que os clientes já compram seu produto. O lucro se estabiliza e há a necessidade de um novo investimento em promoção para evitar perda de clientes para a concorrência. d. Declínio: quando as vendas e os lucros diminuem, podendo ocasionar na retirada do produto de mercado. O empreendedor também deve explicar como pensa e desenvolve produtos futuros em relação ao desempenho dos produtos atuais, bem como ressaltar as características e benefícios dos produtos e serviços. As características geralmente são relacionadas a aspectos funcionais, como tamanho, peso, cor, formato, material usado, formas de utilização, entre outros, ao passo que os benefícios são relacionados à satisfação do cliente, como a conveniência, segurança, garantia, usabilidade, felicidade, entre outros (DORNELAS, 2005). Por fim, é necessário mencionar no plano de negócio se a empresa em questão é detentora de alguma tecnologia que lhe proporciona vantagem competitiva. Caso não seja, é importante avaliar como reduzir a dependência de fornecedores de tecnologia. Além disso, é 11 relevante destacar como é a política para pesquisa e desenvolvimento dentro da empresa ou se há parcerias com outros institutos de pesquisa ou universidades para esse desenvolvimento tecnológico (DORNELAS, 2005). 6. MERCADO E COMPETIDORES Muitos consideram essa uma das principais seções do plano de negócio, pois é nesse momento que o empreendedor deve entender o contexto de sua atuação e como fatores externos podem impactar seu negócio. Nessa etapa é necessário voltar à identificação e análise das oportunidades, apresentada na aula 3, para ter um bom ponto de partida de análise de mercado (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). Inicialmente o empreendedor deve identificar as tendências ambientais ao redor do seu negócio, e essas tendências podem representar oportunidades ou riscos. Para realizar essa análise, deve-se avaliar aspectos econômicos, como tendências de PIB, desemprego, renda disponível, inflação, variações cambiais, entre outras; aspectos culturais, como avaliação de mudanças nas áreas de saúde, educação, segurança, nutrição, demografia, meio ambiente entre outros; aspectos tecnológicos, considerando avanços tecnológicos decorrentes de investimentos governamentais ou de outras grandes empresas; e aspectos legais, já que a legislação pode afetar seu produto ou serviço, sua distribuição, seu preço ou sua promoção (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). Após essa análise das tendências ambientais, o empreendedor deve descrever o setor em que seu negócio está inserido, abordando aspectos como o tipo de negócio, tamanho do mercado atual e futuro, segmentos de mercado existentes, qual o segmento que será focado pelo empreendimento e qual o perfil dos consumidores (DORNELAS, 2005). Para essa análise, é possível usar uma série de informações já disponíveis em fontes como pesquisas prontas desenvolvidas por instituições ou empresas, notícias na mídia, informações cedidas por associações comerciais, prefeituras, entidades de classe, institutos de pesquisa, entre outros. Entretanto, para uma avaliação mais precisa sobre o seu potencial de mercado e questões específicas sobre o seu produto, o empreendedor pode realizar uma coleta de dados primários por meio de uma pesquisa de mercado (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). 12 Ainda relativa à descrição do setor em que o negócio está inserido, é importante que o empreendedor defina qual é o perfil do comprador, o que ele está comprando atualmente, porque ele está comprando, quais fatores influenciam na compra e quando, como e com que periodicidade é feita a compra (DORNELAS, 2005). Para responder a essas perguntas, recomendamos os aspectos já apresentados na aula 3 sobre segmentação, a saber: geográfica, demográfica, psicográfica e comportamental. Não repetiremos aqui todos os aspectos, mas é importante destacar que um trabalho bem feito de segmentação de clientes na elaboração do modelo de negócio oferece muito subsídio para esta etapa do plano de negócio. Por fim, na descrição do setor é importante se realizar uma análise dos principais competidores, descrevendo seus produtos e serviços, posicionamento de mercado, suas forças e fraquezas, práticas de marketing e participação de mercado. Essa análise é fundamental para que o empreendedor consiga estabelecer estratégias de marketing e entenda por que os consumidores podem optar por outro produto, uma vez que os concorrentes são aqueles que atuam no mesmo ramo de atividade e buscam satisfazer as mesmas necessidades dos clientes (DORNELAS, 2005; SEBRAE 2013). É importante destacar que a análise dos concorrentes não deve ser meramente descritiva, mas sim comparativa em determinados atributos pré-definidos, como participação de mercado, preço, qualidade, garantias, tempo de entrega, métodos de produção, etc. Essa análise permite que se destaque os pontos fortes e fracos de cada um dos concorrentes para a posterior comparação com a empresa foco do plano de negócio, enfatizando quais são os diferenciais da empresa em relação aos competidores (DORNELAS, 2005). 7. SÍNTESE DA AULA Nesta aula pudemos apresentar a estrutura de um plano de negócio, conceituando o que é e qual é a importância desse documento para um empreendedor. Também foi possível detalharmos já parte dessa estrutura, como a Capa, Sumário Executivo, Descrição da Empresa, Produtos e Serviços, e Mercado e Competidores. Na próxima aula finalizaremos o detalhamento de cada uma das seções do plano de negócio, abordando especificamente as etapas de Marketing e Vendas, Análise Estratégica, Plano Financeiro e Anexos. 13 8. REFERÊNCIAS DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa – Rio de Janeiro: Sextante, 2008. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios – 2ª ed. - Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P. Empreendedorismo – 5ª ed. - Porto Alegre: Bookman, 2001. NAKAGAWA, Marcelo. Plano de negócio: teoria geral - Barueri: Manole, 2011. SEBRAE. Como elaborar um plano de negócios, 2013. Disponível em: http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/5f6dba1 9baaf17a98b4763d4327bfb6c/%24File/2021.pdf. Acessado em: 05/08/2018. 14 PLANO DE NEGÓCIOS 1. O PLANO DE NEGÓCIO............................................................................................ 4 2. ANÁLISE ESTRATÉGICA ......................................................................................... 4 3. MARKETING E VENDAS .......................................................................................... 5 4. PLANO FINANCEIRO ............................................................................................... 75. ANEXOS .................................................................................................................. 12 6. REVISÃO DA AULA ................................................................................................ 12 7. REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 13 6 2 3 AULA 6 PLANO DE NEGÓCIOS Retomar o conceito de plano de negócio Detalhar as seções de Marketing e Vendas, Análise Estratégica, Plano Financeiro e Anexos do plano de negócio. 4 1. O PLANO DE NEGÓCIO Na última aula nós conceituamos o que é um plano de negócio. Pudemos compreender que ele é um documento que ajuda o empreendedor a avaliar a viabilidade de seu negócio futuro, bem como a realizar a gestão do seu empreendimento e captar recursos externos para a empresa. Da mesma forma, evidenciamos que o plano de negócio pode ser para uma empresa nascente ou para avaliar também novos investimentos ou mudanças estratégicas em empreendimentos já existentes, e pode ser voltado tanto para funcionários quanto para investidores, fornecedores, clientes, conselheiros e consultores (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005; SEBRAE, 2013). Ainda na última aula nós apresentamos uma das possíveis estruturas para um plano de negócio a partir da visão de Dornelas (2005), e detalhamos as primeiras seções, que são: Capa, Sumário, Sumário Executivo, Descrição da Empresa, Produtos e Serviços, Mercado e Competidores. Agora estamos prontos para detalharmos as demais seções! 2. ANÁLISE ESTRATÉGICA Apesar de Dornelas (2005) apresentar a análise estratégica como uma etapa posterior à de marketing e vendas, entendemos que esse capítulo pode ser realizado após a análise de mercado e competidores. O processo de realizar a análise estratégica parte justamente de um aprofundamento nos fatores internos e externos à organização, que vão representar forças, fraquezas, oportunidades e ameaças para o empreendimento. Essa análise também é conhecida como análise SWOT e deve levar em consideração as informações da própria empresa em comparação com os competidores para identificar as forças e fraquezas, bem como utilizar as informações do setor e de fatores macroambientais para a identificação de oportunidades e ameaças (DORNELAS, 2005). Após essa análise, devem ser definidos objetivos e metas, sendo os que estas devem ser específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e temporais. São os objetivos e metas que permitirão a definição da estratégia, que podem ser defensivas, de desenvolvimento ou de 5 ataque (DORNELAS, 2005). É esse insumo que guiará também o plano de marketing, a ser apresentado a seguir, e, posteriormente, precisará estar coerente com o plano financeiro. 3. MARKETING E VENDAS Segundo Kotler (2000), o marketing refere-se ao processo por meio do qual pessoas ou grupos de pessoas satisfazem seus desejos e necessidades por meio de trocas de maior valor. Por isso, quando falamos de estratégias de marketing em um plano de negócio pensamos em como a empresa conseguirá obter vantagem sobre seus competidores segmentando o mercado, escolhendo em qual segmento atuar e, por fim, posicionando sua marca na mente do consumidor deste segmento como aquela que oferece um ou mais benefícios únicos. Isso se dá com estratégias para o produto, o preço, a distribuição e a comunicação (KOTLER, 2000; DORNELAS, 2005). FIQUE ATENTO A “O plano de marketing é uma parte importante do plano de negócio, uma vez que descreve como os produtos ou serviços serão distribuídos, apreçados e promovidos” (HISRICH e PETERS, 2004, p.223). Essa definição de plano de marketing aborda o composto mercadológico, que engloba as decisões acerca do produto, do preço, da distribuição e da comunicação. É com a combinação das estratégias para esse mix, somadas a outras atividades de marketing, que se busca atingir os objetivos mercadológicos (HISRICH e PETERS, 2004). O produto representa a entrega que de fato é feita para os consumidores e pode ser tangível, no caso de um bem, intangível, no caso de um serviço, ou ter bens e serviços oferecidos conjuntamente. Esse produto deve estar direcionado para atender às expectativas e necessidades dos clientes que fazem parte do segmento definido pela empresa e exemplos de decisões a serem tomadas a respeito de um produto são: qualidade dos componentes, estilo, opções, tamanhos, disponibilidade de serviços, entre outras (KOTLER, 2000; HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). Já o preço pode representar a maneira mais tangível de se agir no mercado-alvo. As decisões de preço podem estimular a demanda por um produto, definir a lucratividade de uma 6 empresa e reforçar o posicionamento pretendido pela marca. Para a definição do preço, o empreendedor deve considerar o preço dos seus concorrentes, o quanto o mercado está disposto a pagar e também suas finanças, e são exemplos de decisões a serem tomadas com relação ao preço: imagem de qualidade, descontos, condições de crédito, período de pagamento, entre outras (KOTLER, 2000; HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). A distribuição, também conhecida como praça, envolve as várias formas para que a empresa leve o produto até o consumidor. A distribuição pode contar com diversos níveis de canais, a depender da quantidade de intermediários no processo, e pode ser exclusiva, quando a empresa detém o controle do canal de distribuição, seletiva, quando há a seleção de alguns parceiros para que o produto chegue ao consumidor, ou intensiva, quando há a intenção de que o produto esteja no maior número dos pontos de venda possíveis. É válido destacar que as características do produto ou serviço interferem na escolha da estratégia de distribuição a ser adotada, como, por exemplo, ao definir que bens de consumo imediato geralmente são disponibilizados por varejistas ou distribuidores, enquanto bens duráveis e de maior valor agregado podem demandar uma equipe de vendas própria. Para a definição da distribuição, o empreendedor deve considerar a venda por atacado ou varejo, o tipo de atacadista ou varejista, a quantidade de canais, a extensão do canal, a cobertura geográfica, questões de transporte e logística (KOTLER, 2000; HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). Por fim, a comunicação deve ser feita por diversos meios e veículos de comunicação e a escolha do melhor mix depende do público-alvo da empresa. A comunicação pode ser realizada por meio da propaganda, promoção de vendas, eventos e experiências, marketing direto, relações públicas e assessoria de imprensa, e vendas pessoais, e os meios e veículos de comunicação mais utilizados são a televisão, o rádio, a mala direta, a internet, anúncios no ponto de venda, entre outros. O empreendedor ainda deverá se atentar à quantidade e periodicidade da comunicação e avaliar cuidadosamente não só os custos, mas também a eficiência do meio em atingir os objetivos de mercado propostos no plano de marketing. Por fim, o empreendedor deve avaliar as alternativas de mídia, mensagem, orçamento, papel da venda pessoal, promoção de vendas e interesses da mídia para compor o melhor plano de comunicação (KOTLER, 2000; HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). Todas as decisões acerca do míx mercadológico apresentado – produto, preço, distribuição e comunicação – devem ser embasadas pela análise da situação da empresa, definições do mercado alvo e sua segmentação, bem como por meta e objetivos de marketing, que devem ser evidenciados no plano de marketing. Ainda, para embasar qualquer estratégia de marketing, é importante que o empreendedor use as informações primárias obtidas 7 também com a pesquisa de mercado feita na etapa de Mercado e Competidores, uma vez que os investidores percebem o plano de marketingcomo uma peça fundamental para o sucesso do empreendimento (HISRICH e PETERS, 2004). Ainda no plano de marketing, o empreendedor deve realizar uma projeção de vendas a partir da análise de mercado, capacidade produtiva e estratégia de marketing. Dessa forma, a previsão é mais realista e embasará o plano financeiro a ser apresentado a seguir (DORNELAS, 2005). Por fim, para Hisrich e Peters (2004) o plano de marketing deve: a. fornecer a estratégia para a realização da missão ou meta da empresa; b. ser baseado em informações e suposições válidas; c. especificar uma organização que seja capaz de executar o plano de marketing; d. oferecer visão de continuidade, sendo definido para um horizonte de três anos e depois especificado em planos anuais; e. ser enxuto; f. ser flexível para o caso de mudanças necessárias durante a execução; g. definir claramente os critérios de desempenho para monitoramento; 4. PLANO FINANCEIRO A parte financeira pode ser uma das mais difíceis de elaborar por um empreendedor, já que ela deve refletir tudo o que foi escrito nas demais seções do plano, incluindo: investimentos em marketing, despesas com vendas, gastos com recursos humanos, custos fixos, projeção de vendas, entre outros (DORNELAS, 2005). O plano financeiro deve evidenciar ao menos uma perspectiva de três anos para a empresa, levando em consideração seu balanço patrimonial, demonstrativo de resultados e fluxo de caixa, sendo este último detalhado mensalmente para que seja possível calcular indicadores de viabilidade como ponto de equilíbrio, payback, taxa interna de retorno (TIR) e valor presente líquido (VPL). Com isso, o plano financeiro determina o investimento necessário na empresa e sua viabilidade econômica (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). 8 FIQUE ATENTO O plano financeiro representa as “projeções dos principais dados financeiros que determinam a exequibilidade econômica e o comprometimento financeiro necessário” (HISRICH e PETERS, 2004, p. 224). O balanço patrimonial é constituído pelo ativo, pelo passivo e pelo patrimônio líquido de uma empresa. Segundo Dornelas (2005), a seguir estão as respectivas definições: a. Ativo: corresponde aos bens e direitos da empresa e podem ser divididos entre ativo circulante, que são contas que estão constantemente em giro e a conversão do dinheiro será dentro do próprio exercício, o ativo realizável a longo prazo, que corresponde a bens e direitos que se transformarão em dinheiro no próximo exercício, e ativo permanente, que são bens e direitos que não se destinam à venda. b. Passivo: corresponde a uma obrigação ou parcela de financiamento obtido de terceiros e podem ser divididas entre passivo circulante, quando a obrigação é liquidada no próprio exercício social, e exigível no longo prazo, quando as obrigações são liquidadas em um prazo superior a um ano. c. Patrimônio Líquido: corresponde aos recursos dos proprietários aplicados na empresa. EXEMPLIFICANDO . . Circulante Circulante Caixa 10.000,00 Contas a pagar 8.000,00 Contas a receber 5.000,00 Impostos a recolher 6.000,00 Estoques 5.000,00 Outras dúvidas 1.000,00 Total de circulante 20.000,00 Total de circulante 15.000,00 Reutilizável no longo prazo Exigível no longo prazo Títulos a receber 20.000,00 Financiamentos 20.000,00 Permanente Investimentos 30.000,00 Capital investido 30.000,00 Imobilizado 20.000,00 Lucros acumulados 15.000,00 Total de permanente 50.000,00 Total patrimônio líquido 45.000,00 TOTAL 90.000,00 TOTAL 90.000,00 (DORNELLAS, 2005) ATIVO PASSIVO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 9 Já a demonstração de resultados do exercício resume as receitas e despesas da empresa em um determinado período. Essa demonstração deve ordenar as receitas totais, das quais serão subtraídos os impostos, os abatimentos e devoluções, os custos dos produtos vendidos, dos produtos fabricados ou dos serviços, as despesas operacionais, despesas de juros e o imposto de renda (DORNELAS, 2005) EXEMPLIFICANDO Por fim, o fluxo de caixa é a diferença entre a efetiva quantia recebida e os pagamentos realizados, sendo assim a principal ferramenta de planejamento financeiro do empreendedor. O fluxo de caixa deve detalhar mensalmente os valores realizados e projetados de receitas, que é o valor das vendas recebidas, de vendas, que é o volume monetário de faturamento, de custos e despesas variáveis, que são aquelas que variam na mesma proporção das variações no volume de produção ou em outra medida de atividade, de custos e despesas fixas, que se mantêm inalterados apesar de variações nas atividades ou vendas (HISRICH e PETERS, 2004; DORNELAS, 2005). Receita de vendas 35.000,00 - custo dos produtos vendidos 25.000,00 Lucro bruto 10.000,00 - Despesas operacionais 5.500,00 vendas 1.500,00 gerais e administrativas 2.000,00 depreciação 2.000,00 Lucro operacional 4.500,00 - Despesa de juros 700 Lucro antes do imposto de renda 3.800,00 - imposto de renda 1.045,00 Lucro liquido 2.755,00 (DORNELLAS, 2005) 10 EXEMPLIFICANDO Após os detalhamentos e projeções realizadas no balanço patrimonial, no demonstrativo de resultado e no fluxo de caixa, é possível que o empreendedor calcule alguns indicadores de viabilidade para justificar o investimento no negócio. A seguir apresentaremos quatro destes indicadores a partir das visões de Dornelas (2005) e Hisrich e Peters (2004). O ponto de equilíbrio é fundamental para compreender quando o negócio passará a dar lucro. Em outras palavras, ele significa o volume de vendas em que o negócio não gera lucro nem perda. O ponto de equilíbrio é uma divisão entre os custos fixos totais pela subtração do preço de venda pelo custo variável unitário, conforme a fórmula: Ponto de Equilíbrio (qtde) = custos fixos totais / preço de venda – custos variáveis (un.) No caso de uma empresa que possui custos fixos totais de R$ 500,00, custos variáveis de R$ 5,00 por unidade e pratica um preço de venda de R$ 10,00, o ponto de equilíbrio é de 100 unidades. Ou seja, se vender menos do que 100 unidades, essa empresa terá prejuízo ao jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez TOTAL RECEBIMENTOS Receitas à vista Receitas a prazo Faturamento (vendas) PAGAMENTOS Custos/ Desp variáveis Compras à vista Compras a prazo Frete Comissão Impostos variáveis Terceirização Custos fixos Salários Encargos sociais Aluguel Água Energia elétrica Telefone Desp. Contador Desp. Bancárias/ juros/ CPMF Pro-labore Investimentos Impostos fixos Outras despesas Custo total SALDO DE CAIXA (DORNELLAS, 2005) FLUXO DE CAIXA MENSAL 11 pagar seus custos fixos, enquanto se vender mais do que 100 unidades, a empresa conseguirá pagar seus custos fixos e ainda assim ter algum lucro. Já o prazo de payback representa o tempo necessário para que o investimento inicial seja recuperado. Seu cálculo é feito a partir do fluxo de caixa e quanto menor o prazo de payback, mais atraente é esse investimento. No caso de uma empresa que realizou um investimento inicial de R$ 10.000,00 e que possui um lucro líquido mensal projetado no fluxo de caixa de R$ 1.000,00 ao longo de todos os meses do ano 1, possui um payback de 10 meses. Ou seja, depois de 10 meses o resultado da empresa será equivalente ao valor do investimento inicial. O cálculo do Valor Presente Líquido depende também da projeção de fluxo de caixa e ele é uma estimativa atual para os futuros fluxos que são gerados pelo negócio, deduzindo também o investimento inicial. O cálculo do VPL também depende de uma definição de taxa de retorno, já que é com essa taxa que os fluxos futuros serão descontados. Caso o VPL seja positivo, o projeto é viável, enquanto que se o VPL for negativo, o projeto é inviável. A fórmula a seguir apresenta o cálculo do VPL. Por fim, a Taxa Interna de Retorno representa a taxa de desconto que fornece um VPL igual a zero. Quando essataxa é maior do que outras taxas de retorno do mercado, o projeto é atrativo, embora se a taxa for menor do que outras taxas de retorno do mercado, faz mais sentido para o investidor alocar seu capital nessas outras opções que proporcionam taxas de retorno maiores. Esses indicadores de viabilidade são muito importantes pois serão questionados pelos investidores. É a partir dessas análises que se decidirá pelo investimento no negócio ou não. 12 5. ANEXOS Para finalizar o plano de negócio, o empreendedor poderá incluir um capítulo com anexos, que deve conter informações adicionais tidas como relevantes para o melhor entendimento do plano de negócio. São exemplos de informações a serem adicionadas no anexo: currículo dos empreendedores, fotos de produtos, plantas de localização, material de divulgação do negócio, contrato social da empresa, planilhas financeiras detalhadas, etc (DORNELAS, 2005). 6. REVISÃO DA AULA Nesta aula pudemos finalizar a apresentação do plano de negócio, agora contemplando os capítulos de Marketing e Vendas, Análise Estratégica, Plano Financeiro e Anexos. Com isso, finalizamos a apresentação de duas ferramentas bastante importantes para que o empreendedor planeje seu novo negócio: o modelo de negócio e o plano de negócio. É importante notar também como o modelo de negócio pode alimentar o plano de negócio, que é um documento mais detalhado e que remete à dados secundários. Obviamente que a aplicação dessas ferramentas não é garantia de sucesso para nenhum empreendedor ou negócio, embora espera-se que elas auxiliem no planejamento e gestão de novos empreendimentos. Nas próximas aulas abordaremos considerações finais sobre o plano de negócio, poderemos conhecer o modelo de startups enxutas e comentar sobre intraempreendedorismo e empreendedorismo social. 13 7. REFERÊNCIAS DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios – 2ª ed. - Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P. Empreendedorismo – 5ª ed. - Porto Alegre: Bookman, 2001. 14 STARTUP ENXUTA 1. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O PLANO DE NEGÓCIO .................................. 4 2. A STARTUP ENXUTA............................................................................................ 5 3. REVISÂO DA AULA ............................................................................................. 10 4. REFERÊNCIAS .................................................................................................... 11 7 2 3 AULA 7 STARTUP ENXUTA Fazer considerações finais sobre a elaboração do plano de negócio; Discutir o modelo de startup enxuta. 4 1. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O PLANO DE NEGÓCIO Nas duas últimas aulas tivemos a oportunidade de conhecer o modelo do plano de negócio, um documento que ajuda o empreendedor e investidores a avaliarem a viabilidade de um novo negócio e realizarem a gestão do seu empreendimento (HISRICH e PETERS, 2001; DORNELAS, 2005; SEBRAE, 2013). Pudemos detalhar a estrutura de plano de negócio proposta por Dornelas (2005), a saber: capa, sumário, sumário executivo, descrição da empresa, produtos e serviços, mercado e competidores, plano de marketing, análise estratégica, plano financeiro e anexos. Com essa estrutura, o empreendedor pode partir da identificação de uma oportunidade para a criação de uma nova organização ou de uma mudança estratégica em seu empreendimento estruturando seu modelo de negócio e avaliando riscos e a viabilidade financeira de um investimento a ser realizado. A proposta de estruturação de um plano de negócio parte da realidade de mortalidade precoce de empresas no Brasil, e esta ferramenta pode ser bastante útil para tangibilizar ideias do empreendedor e calcular o retorno de um investimento que será realizado por ele, permitindo também uma maior preparação para os desafios com os quais o empreendedor irá se deparar no mercado. Entretanto, realizar um plano de negócio não é garantia de sucesso. É apenas na prática, em contato direto com os seus públicos, que o empreendedor poderá testar suas ideias e suas premissas adotadas na elaboração do plano. Além disso, a execução de um plano é bastante desafiadora. Segundo Hisrich e Peters (2004, p. 227), os planos de negócio podem ser mal elaborados pelos seguintes fatores: a. As metas não são razoáveis b. As metas não são mensuráveis c. O empreendedor não está plenamente comprometido com o negócio d. O empreendedor não tem experiência no ramo do negócio e. O empreendedor não conhece as ameaças ou seus pontos fracos f. Não foi identificada nenhuma necessidade do cliente para a elaboração do produto o serviço 5 Como já mencionado nas aulas anteriores, segundo Hisrich e Peters (2001), o empreendedor precisa ter bastante conhecimento sobre o seu negócio e o ambiente no qual ele está inserido, além de ter total comprometimento com a sua organização, experiência no ramo de atuação e ter documentadas as necessidades do cliente antes de elaboração plano. Todos esses apontamentos são convergentes ao que já discutimos nas aulas de características empreendedoras, identificação de oportunidades, construção do modelo de negócio e construção do plano de negócio. 2. A STARTUP ENXUTA Se por um lado enfatizamos a importância do planejamento e da sistematização de informações para avaliação do risco de um novo empreendimento ou de uma mudança estratégica, uma outra vertente de pensamento ganha relevância quando falamos de startups. FIQUE ATENTO Segundo a ABStartups (2017), uma startup é uma empresa em fase inicial que possui um grande potencial de rápido crescimento com suas soluções inovadoras. São características de uma startup segundo a ABStartups (2017): a. Inovação, uma vez que essas organizações precisam oferecer soluções novas como forma de diferenciação; b. Escalabilidade, já que o modelo de negócio de uma startup precisa atingir em um curto período e com custos baixos, um grande número de usuários; c. Repetibilidade, pois seu modelo de negócio precisa ser replicável de forma simples e que não demande o crescimento na mesma proporção de recursos humanos ou financeiros; d. Flexibilidade e rapidez, uma vez que as startups são inovadoras e estão em ambientes incertos e competitivos, o que faz com elas precisem se adaptar rapidamente às demandas do mercado com suas estruturas enxutas. 6 Segundo Ries (2012) as startups, uma vez que possuem as características acima citadas, devem ser administradas de uma maneira diferente. Isso se dá porque as startups fracassam ao tentarem elaborar um plano, uma boa estratégia e realizarem uma pesquisa de mercado completa. Em um ambiente de tanta incerteza, as startups não permitem que as previsões sejam assertivas o suficiente para utilizar a lógica tradicional de administração em sua gestão. Da mesma forma, Ries (2012) aponta que quando a administração tradicional não consegue direcionar os desafios das startups, os empreendedores muitas vezes adotam o modelo de simplesmente executar sem planejamento algum, o que também é ineficaz. Por isso, o autor propõe o modelo da startup enxuta, que dialoga com o conceito de produção enxuta das empresas japonesas. Ries (2012) define cinco princípios das startups que embasam o modelo de startup enxuta: a. Os empreendedores estão por todas as partes desenvolvendo novos produtos e serviços e, portanto, o conceito de startup enxuta pode ser aplicável a qualquer organização, de todos os portes e áreas de atuação. b. Como empreender é administrar, as startups precisam de um novo jeito de fazer gestão uma vez que atuam em um contexto de extrema incerteza. c. As startups existem também para aprenderem a desenvolver negócios sustentáveis,e esse aprendizado pode ser testado. d. Uma startup tem como atividade principal a transformação de ideias em produtos para medir como os clientes reagem e então decidir se continuam com o negócio como está ou proporcionam qualquer alteração na oferta. Esse ciclo de feedback precisa ser sempre o mais rápido possível. e. Para melhorar os seus resultados, os empreendedores precisam medir o progresso das startups e priorizar o trabalho com uma contabilidade própria. Como modelo, Ries (2012) propõe um círculo virtuoso que parte das ideias para o aprendizado, e é este aprendizado que vai permitir mudanças de rota ou a preservação dos caminhos a serem seguidos. Para o autor, o empreendedor deve direcionar seus esforços par a diminuição do tempo gasto nesse ciclo A figura abaixo ilustra o ciclo da startup enxuta. 7 O primeiro passo para as startups enxutas é a validação das suas hipóteses de valor e hipóteses de crescimento, e o principal desafio de um empreendedor é conseguir sistematicamente validar suas suposições, ou seus atos de fé. Por isso, o empreendedor deve identificar se ele cria ou destrói valor, bem como quais são os motivos que impulsionarão o crescimento da sua startup, evitando modelos em que não há o desenvolvimento de um produto que cria valor. A contabilidade para inovação tem como função justamente auxiliar na identificação de empreendimentos realmente inovadores e que criam valor como base para seu crescimento (RIES, 2012). Após a identificação de como se cria valor e como se pretende crescer, o empreendedor deve desenvolver um mínimo produto viável (MVP) para iniciarem o processo de aprendizagem o mais rápido possível. Ao contrário do desenvolvimento de um produto tradicional, que envolve um período longo de incubação e que busca a perfeição para entrada no mercado, o MVP tem como objetivo possibilitar a aprendizagem e testar as hipóteses fundamentais do negócio. Se os clientes reagirem ao MVP conforme esperamos, podemos considerar que nossas suposições estão adequadas. Entretanto, deve ficar claro que o empreendedor não deve ser negligente com seu MVP e os produtos devem ser elaborados com qualidade suficiente para validação das suposições. Por fim, o empreendedor deve se manter confiantes de sua entrega mesmo após dificuldades com o MVP combinando perseverança e flexibilidade para pivotar se necessário (RIES, 2012). 8 EXEMPLIFICANDO O Facebook, antes de ser aberto ao público em geral, era uma rede testada na Universidade de Harvard. Foi nesse período em que apenas os alunos da universidade tinham a oportunidade de usar o Facebook que Mark Zuckerberg pôde identificar aprimoramentos necessários em sua solução. Já a Apple teve em seu iPhone 1 um MVP, já que o aparelho não possuía diversas funções básicas e exigia o download obrigatório do iTunes para ativação. A Apple pode ter como objetivo segurar funcionalidades que seriam lançadas em versões seguintes do iPhone. Por fim, o Groupon era um site feito em wordpress bastante simples que gerava cupons em pdf, enviados de maneira manual para cada usuário. (ENDEAVOR, 2015). Após o desenvolvimento do MVP e seu teste no mercado, é necessária uma abordagem disciplina e sistemática para identificar se a empresa está progredindo e se a aprendizagem buscada está sendo de fato alcançada. Isso se dá com a contabilidade para a inovação, que exige que a startup avalie seu progresso com rigor utilizando um modelo financeiro quantitativo. Para tanto, o empreendedor deve medir onde a seu startup está no início do ciclo (linha de base) e crie experiências para descobrir como fazer os números atuais se aproximarem dos números ideais previstos no plano de negócio regulando o motor a partir da linha de base. Após a segunda etapa de regulagem do motor, a empresa deve entrar em uma fase de decisão, optando por pivotar ou preservar. O cuidado a ser tomado pelos empregados e empreendedores é para não serem demasiadamente otimistas e insistirem em ideias que claramente não prosperarão (RIES, 2012). Com isso, espera-se que os empreendedores consigam acompanhar sistematicamente seus negócios para uma aprendizagem mais ágil e o desenvolvimento de inovações em cenários de grande incerteza. No Brasil, Ribeiro (2014) desenvolveu um estudo para identificar o quanto os conceitos de startups enxutas já era conhecido e adotado por empreendedores. Em seu estudo, Ribeiro (2014) identificou que grande parte dos empreendedores respondentes da pesquisa conhecem a metodologia da startup enxuta e 71% dos respondentes reconhecem que o principal objetivo de uma startup é o aprendizado. Além 9 disso, quase metade dos empreendedores que responderam ao estudo passaram por mudanças em seus modelos de negócio e 45% das empresas utilizam o MVP. Por fim, Nogueira e Arruda (2015) destacam um estudo para identificar as causas do fracasso de startups. A partir desse estudo, os autores destacam os seguintes aspectos: a. Número de sócios envolvidos é um fator de risco para a sobrevivência de startups: quanto maior o número de sócios se dedicando em tempo integral para a startup, maior é o risco de fracasso. Há indícios de que problemas como menor capacidade de adaptação dos gestores às mudanças e necessidades do mercado e problemas de relacionamento entre os sócios impactem na sustentabilidade dos negócios. b. O volume de capital investido na startup, anterior ao início das vendas, pode representar um risco à sua sobrevivência: quando a empresa dispõe de recursos financeiros para manter seus custos operacionais por até um ano, mesmo antes de sua primeira venda, o risco de insucesso é maior. Como contraponto, uma empresa que atua próxima ao mercado e se financia com capital dos próprios clientes, possui maior chance de sucesso. c. O local de instalação da startup pode determinar as chances de sucesso: empresas que estão instaladas em incubadoras, aceleradoras ou parque tecnológicos possuem maior probabilidade de sobrevivência no mercado. Ao analisar os pontos acima, é interessante destacar a importância de incubadoras e aceleradoras no desenvolvimento de startups no Brasil. Além disso, essas organizações podem ser importantes para viabilizar investimentos financeiros nos negócios adequados às suas maturidades, bem como na gestão dos empreendimentos apesar dos potenciais conflitos entre sócios. Segundo a InovAtiva (2015), as incubadoras são as organizações que procuram apoiar negócios inovadores com potencial de crescimento ofertando tanto a estrutura física para o funcionamento das empresas quanto também suporte técnico, administrativo, jurídico, entre outros. As incubadoras geralmente atuam de acordo com alguma diretriz governamental para fortalecimento de determinada região ou de área de atuação. 10 Já as aceleradoras, segundo a InovAtiva (2015), trabalham com a capacidade de crescimento da startup para encurtar seu ciclo de evolução, o que demanda que essas empresas sejam escaláveis. Para isso, as aceleradoras realizam ciclos de em seus programas de aceleração, ofertando mentorias, diversos benefícios e eventualmente até investimentos iniciais. Recomenda-se, portanto, que os empreendedores conheçam incubadoras e aceleradoras que possam dar suporte no desenvolvimento de seus negócios, bem como outros atores relevantes para apoio aos empreendedores. No estudo da Endeavor (2013), são destacadas as seguintes instituições de apoio aos empreendedores acessadas por eles: Sebrae, Sistema S, Banco de Desenvolvimento, Federações das Indústrias, Associações Comerciais, Sindicatos, Semana Global de Empreendedorismo, Associações de Classes, Incubadoras, Aliança Empreendedora e a própria Endeavor. 3. REVISÂO DA AULA Nesta aula, pudemos refletir sobre os desafios para a elaboração de um plano de negócio, cuja estrutura foi apresentada nas aulasanteriores. Além disso, conceituamos o que são startups e apresentamos os conceitos de startup enxuta como um contraponto ao modelo tradicional de administração. Isso se dá por entendermos que as startups estão em contextos de incertezas grandes e que, portanto, nem sempre os modelos tradicionais de administração direcionam seus desafios. Por fim, abordamos rapidamente o conceito de incubadoras e aceleradoras, já que esses atores são relevantes para a sobrevivência de startups. Na próxima aula abordaremos os conceitos de intra-empreendedorismo e empreendedorismo social, bem como faremos uma síntese da disciplina. 1 1 4. REFERÊNCIAS ABStartups. Tudo que você precisa saber sobre startups. Disponível em: https://abstartups.com.br/2017/07/05/o-que-e-uma-startup/. Acesso em: 25/08/2018. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios – 2ª ed. - Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. ENDEAVOR. Empreendedores Brasileiros 2013: perfis e percepções. Disponível em: https://rdstationstatic.s3.amazonaws.com/cms%2Ffiles%2F6588%2F1425322451Empreend edores+Brasileiros+2013.pdf. Acessado em: 24/06/2018. ______. O Guia Prático para o seu MVP – Minimum Viable Product, 2015. Disponível em: https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/mvp/. Acessado em: 09/09/2018. HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P. Empreendedorismo – 5ª ed. - Porto Alegre: Bookman, 2001. NOGUEIRA, Vanessa da Silva; OLIVEIRA, Carlos Alberto Arruda de. Causas da Mortalidade das Startups Brasileiras: Como aumentar as chances de sobrevivência no mercado. Nova Lima, DOM: v.9, n. 25, p. 26-33, nov./fev. 2014/2015. RIBEIRO, Gabriel. Lean Startup: Análise exploratória sobre sua utilização por novas empresas brasileiras. Dissertação de Mestrado. Fundação Getúlio Vargas, 2014. RIES, Eric. A Startup Enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação contínua para criar empresas extremamente bem-sucedidas. São Paulo : Lua de Papel, 2012. 12 INTRA-EMPREENDEDORISMO 1. INTRA-EMPREENDEDORISMO................................................................................ 4 2. EMPREENDEDORISMO SOCIAL .............................................................................. 6 3. REVISÂO DA AULA .................................................................................................. 9 4. REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 11 8 2 3 AULA 8 INTRA- EMPREENDEDORISMO Apresentar o modelo de intra-empreendedorismo Apresentar o modelo de empreendedorismo social Fazer considerações finais sobre a disciplina 4 1. INTRA-EMPREENDEDORISMO Ao longo da disciplina tratamos por muitas vezes figura do empreendedor como alguém que irá iniciar um novo negócio para aproveitar alguma oportunidade identificada. Ele faz isso assumindo riscos calculados e levando para o mercado soluções inovadoras. Entretanto, pouco abordamos a possibilidade de que uma empresa já existente tenha um ambiente com orientação para o empreendedorismo. Em outras palavras, pouco falamos de como desenvolver e aproveitar uma cultura intra-empreendedora, na qual as inovações são propostas por funcionários dentro das organizações em que trabalham (HISRICH e PETERS, 2001). Segundo Montenegro (s/d), o intra-empreendedorismo ocorre dentro de uma empresa existente e pode possibilitar que esta organização desenvolva novos negócios, novos produtos, tecnologias, técnicas de administração, entre outras inovações que podem aumentar sua competitividade. Já para Hisrich e Peters (2001, p. 58) “o intra- empreendedorismo é um meio de estimular e, com isso, capitalizar os indivíduos em uma organização em que acham que algo pode ser feito de um modo diferente e melhor”. Para que uma empresa estimule o intra-empreendedorismo, ela precisa ter algumas características que favoreçam o ambiente intra-empreendedor, as quais Hisrich e Peters (2001) definem como: a. A organização opera nas fronteiras da tecnologia: a pesquisa e o desenvolvimento são fontes para o sucesso de novos produtos e, portanto, a empresa deve encabeçar o desenvolvimento tecnológico. b. Novas ideias são encorajadas: o desenvolvimento de novos produtos e ideias provavelmente não darão retorno no curto prazo e é importante que as empresas apoiem esses desenvolvimentos caso queiram estimular o ambiente intra- empreendedor. c. A tentativa e erro são estimulados: os novos produtos e serviços dificilmente são bem-sucedidos de imediato, já que eles são frutos de evolução e aprendizados de fracassos anteriores. d. Os fracassos são permitidos: a empresa que deseja ter um ambiente intra- empreendedor precisa garantir um ambiente que permita o erro, inclusive pois essa diretriz vai contra a muitos modelos de carreira e promoção dentro das organizações tradicionais. 5 e. Não há parâmetros para a oportunidade: é necessário que a empresa permita o surgimento de soluções criativas e inovadoras sem frustrar o ímpeto do intra- empreendedor. f. Os recursos estão disponíveis e acessíveis: as empresas precisam assumir os riscos dos investimentos em novas soluções e garantir recursos para os intra- empreendedores com parâmetros diferentes dos recursos utilizados na resolução de problemas. g. Abordagem de equipe multidisciplinar: é necessária uma abordagem aberta e com a participação de pessoas de diversas áreas nos projetos que envolvem soluções inovadoras. h. Longo horizonte de tempo: o ambiente corporativo deve proporcionar aos intra- empreendedores uma linha do tempo longa que permita a avaliação do sucesso do programa como um todo e de cada empreendimento, pois os resultados dificilmente serão observados no curto prazo. i. Programa voluntário: o espírito do intra-empreendedorismo deve ser desenvolvido de modo voluntário entre as pessoas. j. Sistema de compensações apropriado: uma pessoa que está disposta a dedicar horas e esforço para a criação de um novo empreendimento dentro de uma corporação precisa ser recompensado por isso, sempre atrelado a metas e desempenho. k. Patrocinadores e defensores disponíveis: a empresa deve garantir que toda a organização proporcione patrocinadores e defensores às novas ideias, garantindo autonomia para o intra-empreendedor tomar decisões de maneira mais flexível e ágil. l. Apoio da alta administração: a organização deve garantir a presença e o apoio de sua alta liderança ao intra-empreendedorismo, assegurando recursos humanos e financeiros para os intra-empreendedores. Já Filion (2004) destaca que o comportamento dos funcionários de uma empresa pode a colocar em cinco níveis diferentes de prática empreendedora, que podem ser: vegetativo, bondoso, comprometido, inovador e visionário. Ainda segundo Filion (2004), os intra- empreendedores possuem um alto nível de comprometimento com seus projetos visando a continuidade da execução sempre buscando a perfeição, criando uma cultura organização na qual todos são parte do processo e se sentem comprometidos com o intra- empreendedorismo e com a visão de futuro proposta. 6 Por fim, Hisrich e Peters (2001) destacam que os intra-empreendedores possuem as seguintes características dentro de um ambiente organizacional: a. Entender do ambiente: o intra-empreendedor precisa ter a habilidade de entender os aspectos do ambiente interno e externo em que está inserido, contando com a criatividade. b. Ser visionário e flexível: o intra-empreendedor precisa ser uma pessoa que sonha grandes sonhos, ao mesmo tempo em que ele não é estático e mostra-se aberto às mudanças. c. Criar opções administrativas: o intra-empreendedor deve desafiar as crenças e a estrutura atual da corporação, com a oportunidade de criar algo novo na estrutura organizacional.d. Estimular o trabalho de equipe: o intra-empreendedor deve incentivar o trabalho em equipe contando com uma abordagem multidisciplinar. e. Incentivar a discussão aberta: o intra-empreendedor deve incentivar a discussão para desenvolver uma equipe para a criação de algo novo. f. Construir uma coalização de defensores: o intra-empreendedor deve estimular e ratificar cada membro da equipe. g. Persistir: o intra-empreendedor deve saber lidar com a frustração e com os obstáculos que aparecerão no caminho. Com isso, podemos concluir que o intra-empreendedorismo depende de um ambiente favorável nas corporações e do envolvimento da alta liderança, mas cada vez mais a figura do intra-empreendedor pode ser protagonista das inovações e novas soluções desenvolvidas dentro das empresas. 2. EMPREENDEDORISMO SOCIAL Da mesma forma que pouco abordamos o intraempreendedorismo em aulas anteriores, também não tivemos um olhar direcionado para o empreendedorismo social, alternativa que ganha relevância em um contexto de grandes desafios sociais e ambientais. Para Oliveira (2004, p.15), o empreendedorismo social “[...] se trata, antes de tudo, de uma ação inovadora voltada para o campo social cujo processo se inicia com a observação 7 de determinada situação-problema local, para a qual se procura, em seguida, elaborar uma alternativa de enfrentamento.” Já Martin e Osberg (2007), o empreendedorismo social significa identificar de uma situação de exclusão, marginalização ou sofrimento de pessoas que não dispõem de recursos financeiros ou influência política para alcançar a transformação por si só, para a partir dessa situação definir uma proposta de valor social que lhes garanta um futuro melhor e uma sociedade mais igualitária. Para Neck, Brush e Allen (2009), os empreendimentos sociais podem ser classificados conforme a matriz abaixo apresentada na Figura 1. Tradicional (2) Propósito social (1) Consequência social (3) Empreendendo sem fins lucrativos (4) Tabela 1: Tipologia de empreendimento.1 FIQUE ATENTO Como resultado do empreendedorismo social, podemos ter o surgimento de novas organizações sem fins lucrativos e também de empresas. Uma organização sem fins lucrativos pode ser legalmente constituída ou não, desde que estejam regularmente estruturadas e operando, é privada e possui uma relação de independência em relação ao estado, não distribui lucro para investidores mesmo gerando a própria receita, é autogerida e não exige uma participação obrigatória de quem se envolve com suas atividades (SALAMON, 2010). 1 Fonte: Adaptado de Neck, Brush e Allen (2009) MISSÃO DO EMPREENDIMENTO Econômico Social IM PA C TO PR IM Á R IO N O M ER C A D O Ec S 8 Já mais recentemente, ganha relevância o conceito de negócios de impacto social. Segundo a Força-Tarefa de Finanças Sociais (2015, p.4), Os negócios de impacto surgem como uma forma de intervenção socioeconômica, que integra os diferentes atores impactados ou impactantes, na busca por inovação, transformação social e desempenho financeiro. A aspiração de todo o ecossistema é ver inovações que criem novos mercados, tenham impacto social e sustentabilidade financeira, simultaneamente. A possibilidade de atuação dos Negócios de Impacto é ampla, abrangendo temas como qualidade da educação, serviços de saúde, mobilidade urbana e redução de emissões de carbono, entre outras necessidades sociais. Dessa forma, as características que constituem um negócio de impacto social segundo a Força-Tarefa de Finanças Sociais (2015) são: a. Compromisso com a Missão Social e Ambiental: é necessário que os negócios de impacto social evidenciem em seus documentos legais e de comunicação o compromisso com sua missão social e ambiental, deixando claro também como seus produtos e operações irão gerar impacto. b. Compromisso com o Impacto Social e Ambiental Monitorado: os negócios de impacto social devem explicitar suas teorias de mudança e monitora-la periodicamente, com reporte dos resultados e do impacto. c. Compromisso com a Lógica Econômica: é necessário que os negócios de impacto social atuem com um modelo de operação comercial que lhe garanta sustentabilidade financeira por meio da venda de produtos e serviços. d. Compromisso com a Governança Efetiva: os negócios de impacto social devem ter uma governança efetiva. Portanto, é possível concluir que os negócios de impacto social podem ser voltados para a promoção de um benefício social ao invés de focar na maximização dos lucros para os acionistas ou para a busca da maximização dos lucros quando são geridos por pessoas de baixa renda (YUNUS, 2008). Ainda, segundo a Força-Tarefa de Finanças Sociais (2015) os negócios de impacto social podem ser: organizações da sociedade civil com geração de receita, organizações da sociedade civil com negócio social, cooperativas, negócio com missão social ou ambiental com restrição na distribuição de dividendos, negócio com missão social ou ambiental sem restrição na distribuição de dividendos. 9 EXEMPLIFICANDO Um exemplo de negócio de impacto social pode ser o Programa Vivenda. Segundo Brettas (2018, p.47), O Programa Vivenda foi fundado em 2014, em São Paulo, e desenvolve ações completas em reformas habitacionais para moradores de comunidades. O Vivenda consiste em kits de reforma – banheiro, cozinha, área de serviço, sala e quarto -, que levam até quinze dias para serem concluídos e são financeiramente acessíveis para a população de baixa renda. Desde o início do negócio, já foram realizadas mais de 600 reformas, com cerca de 2.200 pessoas atendidas. Com isso, espera-se que além do empreendedorismo tradicional, novos horizontes tenham sido abertos envolvendo o intra-empreendedorismo e o empreendedorismo social. 3. REVISÃO DA AULA Nessa aula foi possível apresentar duas maneiras de se empreender, complementares às discutidas ao longo da disciplina. Apresentamos o que é o intra-empreendedorismo, as características necessárias de uma organização para promover a cultura intra-empreendedora, e as características de líderes intra-empreendedores. Posteriormente, discutimos o conceito do que é empreendedorismo social, abordando ainda a realidade e as características das organizações sem fins lucrativos e dos negócios de impacto social. Com isso, buscamos ampliar a visão sobre o empreendedorismo, tradicionalmente associado ao empresarial, e encerramos a disciplina de empreendedorismo. Nessa disciplina de empreendedorismo, tínhamos como objetivos específicos a serem trabalhados ao longo das aulas: a. Discutir definições do que significa empreender; b. Apresentar o panorama do empreendedorismo no Brasil, os desafios para empreendedores e atores que apoiam este público no país; c. Analisar as características empreendedoras e o perfil empreendedor; 10 d. Apresentar ferramentas e discutir etapas para o desenvolvimento de novos negócios; e. Abordar possibilidades de intra-empreendedorismo e empreendedorismo social. Pudemos ao longo das duas primeiras aulas apresentar o significado de empreender, apresentar o panorama do empreendedorismo no Brasil, os desafios para os empreendedores e analisar as características empreendedoras e o perfil empreendedor. Já nas aulas três e quatro, tivemos a oportunidade de apresentar o início do processo empreendedor, com a identificação das oportunidades, e também o business model canvas como ferramenta para elaboração do modelo de negócio. Durante as aulas cinco e seis, o foco foi a construção do plano de negócio, discussão que foi sintetizada na aula sete juntamente com o modelo de startup enxuta. Por fim, na aula oito aprofundamos as discussões acerca do intra-empreendedorismo e do empreendedorismosocial, objetivando ampliar o escopo do empreendedorismo. Com isso, espera-se ter cumprido o objetivo principal da disciplina que era o de proporcionar aos alunos uma visão geral do que é e como empreender, bem como a importância do empreendedor para a economia brasileira e para o mundo. 11 4. REFERÊNCIAS ABStartups. Tudo que você precisa saber sobre startups. Disponível em: https://abstartups.com.br/2017/07/05/o-que-e-uma-startup/. Acesso em: 25/08/2018. BRETTAS, Gabriela. Olhares sobre a atuação do investimento social privado no campo de negócios de impacto. São Paulo: GIFE, 2018. FILION, Louis Jacques. Entendendo Os Intraempreendedores Como Visionistas. Revista de Negócios, Blumenau, v. 9, n. 2, p. 65-80, abril/junho 2004. FORÇA-TAREFA DE FINANÇAS SOCIAIS. Carta de Princípios para Negócios de Impacto no Brasil, 2015. HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P. Empreendedorismo – 5ª ed. - Porto Alegre: Bookman, 2001. MARTIN, Roger L.; OSBERG, Sally. Social Entrepreneurship: The Case for Definition. Stanford Social Innovation Review, pp.29-39, Spring-2007. NECK, Heidi; BRUSH, Candida; ALLEN, Elaine. The landscape of social entrepreneurship. Business Horizons, Vol. 52, N. 1, pp.13-19, 2009. OLIVEIRA, Edson M. Empreendedorismo social no Brasil: atual configuração, perspectivas e desafios – notas introdutórias. Rev. FAE, Curitiba, v.7, n.2, p.9-18, jul./dez, 2004. SALAMON, Lester M Putting the civil society sector on the economic map of the world. Annals of public & cooperative economics, Vol. 81, Issue 2, pp.167-210, 2010. YUNUS, Muhammad. Creating a world without poverty: social business and the future of capitalism. Global Urban Development, Vol. 4, Issue 2, Nov-2008. 12 1. DESAFIOS DE EMPREENDER 2. CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS 3. SÍNTESE DA AULA 4. REFERÊNCIAS 1. IDENTIFICANDO AS OPORTUNIDADES 2. MODELO DE NEGÓCIOS 3. SEGMENTOS DE CLIENTES 4. PROPOSTA DE VALOR 5. REVISÃO DA AULA 6. REFERÊNCIAS 1. COMPLETANDO O BUSINESS MODEL CANVAS 2. CANAIS 3. RELACIONAMENTO COM OS CLIENTES 4. FONTES DE RECEITA 5. RECURSOS CHAVE 6. ATIVIDADES CHAVE 7. PARCEIROS CHAVE 8. ESTRUTURA DE CUSTOS 9. SÍNTESE DO MODELO DE NEGÓCIO 10. SÍNTESE DA AULA 11. REFERÊNCIAS 1. O PLANO DE NEGÓCIO 2. ESTRUTURA DO PLANO DE NEGÓCIO 3. CAPA, SUMÁRIO E SUMÁRIO EXECUTIVO 4. DESCRIÇÃO DA EMPRESA 5. PRODUTOS E SERVIÇOS 6. MERCADO E COMPETIDORES 7. SÍNTESE DA AULA 8. REFERÊNCIAS 1. O PLANO DE NEGÓCIO 2. ANÁLISE ESTRATÉGICA 3. MARKETING E VENDAS 4. PLANO FINANCEIRO 5. ANEXOS 6. REVISÃO DA AULA 7. REFERÊNCIAS 1. CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O PLANO DE NEGÓCIO 2. A STARTUP ENXUTA 3. REVISÂO DA AULA 4. REFERÊNCIAS 1. INTRA-EMPREENDEDORISMO 2. EMPREENDEDORISMO SOCIAL 3. REVISÃO DA AULA 4. REFERÊNCIAS