Logo Passei Direto
Buscar
Material

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

2018
MacroeconoMia i
Profª. Margarida Berns Schafaschek
Copyright © UNIASSELVI 2018
Elaboração:
Profª. Margarida Berns Schafaschek
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
SCH296m
 Schafaschek, Margarida Berns
 Macroeconomia I. / Margarida Berns Schafaschek – Indaial: 
UNIASSELVI, 2018.
 246 p.; il.
 ISBN 978-85-515-0209-9
1.Macroeconomia – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 339
III
apresentação
Caro acadêmico! Neste livro você estudará a disciplina de 
Macroeconomia I. A Ciência Econômica é tanto complexa quanto 
fascinante. Complexa porque muitas variáveis precisam ser analisadas para 
compreender seus fundamentos, teorias, importância e aplicabilidade, por se 
tratar de uma Ciência Social e, como tal, depende da interação existente entre 
os agentes econômicos. Em muitas situações é preciso abstrair da realidade e 
utilizar-se de modelos de análise para então compreender o contexto em que 
se insere, escolhendo a melhor política econômica a ser adotada para cada 
situação específica. E é fascinante porque nos leva a conhecer o mundo de 
outra maneira, diferente daquele que conhecemos no Ensino Fundamental 
ou no Ensino Médio, cheio de nuances, reviravoltas, disputas, conflitos, 
mas também repleto de sonhos e utopias. Corretamente interpretada e 
aplicada, esta ciência pode trazer justiça social, prosperidade, solidariedade, 
desenvolvimento sustentável e uma vida digna para todos.
Na Unidade 1 você conhecerá conceitos introdutórios da 
macroeconomia, tais como seu objeto, evolução e importância, os métodos e 
a estrutura da análise macroeconômica, aspectos relacionados à Constituição 
Econômica (que legitima a intervenção do Estado na economia) e os principais 
objetivos de política macroeconômica.
A Unidade 2 abrangerá os instrumentos de política macroeconômica, 
as políticas monetária, fiscal, cambial-comercial e de rendas, versará sobre 
o fluxo circular da atividade econômica, bem como sobre a mensuração 
dos principais agregados macroeconômicos e abordará, ainda, a teoria da 
determinação da renda sob os aspectos real e monetário, nas visões clássica 
e keynesiana.
A Unidade 3 tratará do modelo IS-LM e dos dilemas das políticas 
macroeconômicas, em que abordaremos a inter-relação entre as políticas 
macroeconômicas e os conflitos delas decorrentes.
Bons estudos!
Profª. Margarida Berns Schafaschek
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
VII
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA ................................................................ 1
TÓPICO 1 – A MACROECONOMIA .................................................................................................. 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 DEFINIÇÃO E CAMPO DE ESTUDO.............................................................................................. 6
3 A EVOLUÇÃO DA TEORIA MACROECONÔMICA ................................................................. 7
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 14
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 15
TÓPICO 2 – METODOLOGIA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA ....................................... 17
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 17
2 DADOS ECONÔMICOS .................................................................................................................... 17
3 TEORIAS ECONÔMICAS .................................................................................................................. 20
4 POLÍTICA MACROECONÔMICA................................................................................................... 20
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 22
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 23
TÓPICO 3 - ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA ............................................... 25
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 25
2 O MERCADO DE BENS E SERVIÇOS ............................................................................................ 27
3 O MERCADO DE TRABALHO ......................................................................................................... 30
4 O MERCADO FINANCEIRO ............................................................................................................. 32
5 O MERCADO DE DIVISAS ............................................................................................................... 39
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 41
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 42
TÓPICO 4 – POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES ................ 43
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 43
2 A CONSTITUIÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL ......................................................................... 43
3 OBJETIVOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA .................................................................... 46
3.1 ALTO NÍVEL DE EMPREGO ......................................................................................................... 46
3.2 ESTABILIDADE DE PREÇOS ........................................................................................................ 49
3.3 CRESCIMENTO ECONÔMICO .................................................................................................... 55
3.4 DISTRIBUIÇÃO EQUITATIVA DA RENDA ............................................................................... 56
3.5 EQUILÍBRIO NASCONTAS EXTERNAS.................................................................................... 59
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 63
RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 66
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 67
UNIDADE 2 – O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA 
 DETERMINAÇÃO DA RENDA ................................................................................ 69
TÓPICO 1 – O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA ......................................... 71
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 71
suMário
VIII
2 O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA: PRODUTO E RENDA ................ 72
2.1 O FLUXO BÁSICO DA ECONOMIA ........................................................................................ 73
2.2 O FLUXO BÁSICO DA ECONOMIA COM GOVERNO E SETOR EXTERNO................... 75
2.2.1 Modelo de Economia Simples ............................................................................................ 86
2.2.2 Modelo de Economia Fechada (com governo e sem setor externo) ............................. 88
2.2.3 Modelo de Economia Aberta (com governo e com setor externo) ............................... 89
3 AGREGADOS ECONÔMICOS ...................................................................................................... 90
3.1 O PRODUTO NACIONAL E A DESPESA NACIONAL ........................................................ 90
3.2 A RENDA NACIONAL ............................................................................................................... 95
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 96
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 98
TÓPICO 2 – A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O MODELO CLÁSSICO ... 99
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 99
2 O MODELO CLÁSSICO .................................................................................................................. 100
2.1 OFERTA AGREGADA ................................................................................................................ 101
2.2 FUNÇÃO DE PRODUÇÃO AGREGADA ................................................................................ 102
2.3 DEMANDA, OFERTA E EQUILÍBRIO NO MERCADO DE TRABALHO .......................... 105
2.4 OFERTA E DEMANDA AGREGADA E O PAPEL DA MOEDA .......................................... 108
2.5 O PAPEL DA MOEDA NO MODELO CLÁSSICO ................................................................. 111
2.6 POUPANÇA, INVESTIMENTO E O PAPEL DA TAXA DE JUROS ..................................... 112
2.7 EQUILÍBRIO ENTRE OFERTA E DEMANDA ........................................................................ 114
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 115
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 116
TÓPICO 3 – A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA 
 RENDA – O LADO REAL ............................................................................................ 117
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 117
2 HIPÓTESES DO MODELO BÁSICO ............................................................................................ 119
3 CONDIÇÃO DE EQUILÍBRIO MACROECONÔMICO ........................................................... 123
4 CONSUMO, POUPANÇA E INVESTIMENTO AGREGADO ................................................. 124
4.1 CONSUMO AGREGADO ........................................................................................................... 125
4.2 POUPANÇA AGREGADA .......................................................................................................... 127
4.3 INVESTIMENTO AGREGADO .................................................................................................. 129
5 O MULTIPLICADOR DO INVESTIMENTO DE KEYNES ...................................................... 132
5.1 CÁLCULO DO MULTIPLICADOR KEYNESIANO (k) .......................................................... 135
5.2 CÁLCULO DA VARIAÇÃO DA RENDA NACIONAL ......................................................... 136
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 138
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 140
TÓPICO 4 – A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA 
 RENDA – O LADO MONETÁRIO ............................................................................ 141
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 141
2 SOBRE A MOEDA ............................................................................................................................. 142
2.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO ............................................................................................................. 142
2.2 FUNÇÕES, CARACTERÍSTICAS E FORMAS DA MOEDA .................................................. 146
3 OFERTA E DEMANDA DA MOEDA............................................................................................ 146
3.1 A OFERTA MONETÁRIA ........................................................................................................... 147
3.1.1 A Criação da Moeda ............................................................................................................ 148
3.2 A DEMANDA DE MOEDA ........................................................................................................ 149
3.3 EQUILÍBRIO NO MERCADO MONETÁRIO .......................................................................... 152
3.4 OFERTA MONETÁRIA E ATIVIDADE ECONÔMICA NA VERSÃO KEYNESIANA ..... 154
IX
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 156
RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 159
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 161
UNIDADE 3 – A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E 
 SEUS DILEMAS ......................................................................................................... 163
TÓPICO 1 – INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA ................................. 165
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 165
2 POLÍTICA MONETÁRIA ................................................................................................................ 167
2.1 CONTROLE DIRETO DA QUANTIDADE DE DINHEIRO EM CIRCULAÇÃO .............. 169
2.2 OPERAÇÕES NO MERCADO ABERTO .................................................................................. 169
2.3 FIXAÇÃO DA TAXA DE RESERVA ..........................................................................................170
2.4 FIXAÇÃO DA TAXA DE REDESCONTO................................................................................. 171
2.5 CONTROLES SELETIVOS DE CRÉDITO ................................................................................. 172
3 POLÍTICA FISCAL ............................................................................................................................ 173
3.1 FUNÇÕES DO GOVERNO ......................................................................................................... 176
3.2 POLÍTICA TRIBUTÁRIA E DE GASTOS .................................................................................. 180
4 POLÍTICAS COMERCIAL E CAMBIAL ...................................................................................... 190
5 POLÍTICA DE RENDAS .................................................................................................................. 195
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 200
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 204
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 206
TÓPICO 2 – A CURVA IS-LM E AS POLÍTICAS MONETÁRIA E FISCAL ............................ 209
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 209
2 A CURVA IS E A CONDIÇÃO DE EQUILÍBRIO ....................................................................... 210
2.1 FATORES QUE AFETAM A INCLINAÇÃO E DESLOCAMENTO DA CURVA IS ........... 212
3 A CURVA LM E A CONDIÇÃO DE EQUILÍBRIO ..................................................................... 213
3.1 FATORES QUE AFETAM A INCLINAÇÃO E O DESLOCAMENTO DA CURVA LM .... 215
4 A CURVA IS-LM: INTERLIGANDO O LADO REAL E MONETÁRIO ................................. 216
5 CURVA IS-LM E EFICÁCIA DA POLÍTICA MONETÁRIA .................................................... 221
6 CURVA IS-LM E EFICÁCIA DA POLÍTICA FISCAL ................................................................ 222
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 225
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 227
TÓPICO 3 – O MODELO IS-LM E DILEMAS DE POLÍTICAS MACROECONÔMICAS ... 229
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 229
2 O SUCESSO DO MODELO IS-LM E AS ADEQUAÇÕES AO MODELO ............................. 229
3 A POLÍTICA MACROECONÔMICA RECENTE NO BRASIL ................................................ 233
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 236
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 238
REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 239
X
1
UNIDADE 1
INTRODUÇÃO À 
MACROECONOMIA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender os fundamentos da análise macroeconômica, sua estrutura 
de análise, evolução e objetivos;
• conhecer os principais agregados macroeconômicos e sua mensuração;
• diferenciar os modelos clássico e keynesiano de determinação da renda;
• conhecer os instrumentos de política macroeconômica e analisar seus dile-
mas, conflitos e eficácia.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – A MACROECONOMIA
TÓPICO 2 – METODOLOGIA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
TÓPICO 3 – ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
TÓPICO 4 – POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E 
FINALIDADES
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
A MACROECONOMIA
1 INTRODUÇÃO
Uma economia só presta, só faz sentido, só vale, se ela existir para 
alimentar, educar e empregar as pessoas. Todas as empresas públicas 
ou privadas, grandes ou pequenas, nacionais ou multinacionais, só 
prestam, só valem a pena, se elas contribuírem para construir um 
país onde todos possam ter o atendimento de suas necessidades 
fundamentais (Herbert de Souza – Betinho apud MELLO, 2017, s.p.).
Iniciamos este livro de estudos compartilhando com você esta frase 
do sociólogo e ativista de direitos humanos brasileiro, Herbert José de Souza, 
conhecido como Betinho, que ficou imortalizada após seu falecimento em 9 de 
agosto de 1997. Betinho desenvolveu, ao longo de sua caminhada, o combate à 
fome e à miséria, ações pela cidadania e pela vida.
Compartilhamos do mesmo pensamento, por entender que se a sociedade 
como um todo não puder ser beneficiada com o resultado da atividade humana 
de produção da riqueza material, atividade esta que, no nosso entender, só é 
sustentável se puder garantir às nossas gerações, e às gerações futuras, o pleno 
convívio com os demais seres vivos, não haverá justiça social, paz, cidadania, e 
nem sequer vida neste planeta.
Acreditamos que você também pensa da mesma forma! Vamos, então, 
avançar em nossos estudos sobre este fascinante e multifacetado mundo da oikonomos.
Agora que você está iniciando uma nova disciplina, é preciso estar atento 
ao objeto da economia. Esta é, de acordo com a maioria dos economistas, a ciência 
social que estuda como as pessoas e a sociedade decidem empregar recursos 
escassos, que poderiam ter utilização alternativa na produção de bens e serviços, 
de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade, a fim de 
satisfazer às necessidades (e também desejos) humanas (NOGAMI; PASSOS, 2003).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
4
Quando afirmamos serem também desejos humanos, é porque partimos 
do pressuposto de que o modo de produção capitalista, movido pela acumulação 
de capital visando ao lucro, precisa constantemente manter e criar novos produtos 
que tenham valor de troca (invenções que se tornam produtos comercializáveis), 
ou seja, que passem a ser desejados pelos consumidores, somando-se ao já 
incontável número de necessidades “criadas” pelo sistema.
Outra distinção se faz necessária: quando afirmamos ser a economia uma 
ciência social (embora muitos a confundam com uma ciência exata como a Física, 
Química, Matemática), o que isso significa? Significa que: 
O ser humano, como consumidor ou produtor (ou, em outras palavras, 
como agente econômico), não age sempre da mesma maneira diante 
das situações e dilemas que a luta pela sobrevivência lhe impõe. 
Apesar disso, é possível traçar um perfil típico dos seres humanos em 
seu comportamento econômico (PIRES; GUEDES, 2012, p. 5-6).
Assim como a sociologia, que também estuda o homem em sociedade, 
analisando como se dá o comportamento humano e suas várias formas de 
organização, a economia tem o ser humano em sociedade como “um ser que 
pensa e cria, não sendo, portanto, passível de observação laboratorial como as 
reações químicas ou os fenômenos físicos” (PIRES; GUEDES, 2012, p. 6). 
Embora sejam ambas ciências sociais, ao contrário da sociologia, o que 
pretende a economia é pesquisar como se estabelece as relações econômicas entre 
os seres humanos, estes divididos em classes sociais que, no modo de produção 
capitalista, de acordo com Marx (1988), dividem-se entre capital e trabalho, na 
produção da vida material (sobrevivência), por meio da oferta e demanda de bens 
e serviços, estes mensuráveis e monetariamente precificados. 
Entender a diferenciação entre ciência exata e social é fundamental. De 
acordo com Pires e Guedes (2012),a ciência econômica é a ciência não exata com 
maiores possibilidades de utilização de técnicas quantitativas para explicar os 
fenômenos a ela atinentes. 
Uma ciência exata não sofre variações ou falhas. Lembre-se, por exemplo, 
da Lei da Gravidade, que afirma: “todo objeto lançado para cima retorna ao solo”, 
enquanto que, para as sociais (como no caso da Lei Econômica da oferta e da 
demanda), podem – e de fato ocorrem –acontecer falhas em muitas circunstâncias, 
devido à subjetividade do ser humano, que pode agir de maneiras diferentes 
quando da ocorrência de um mesmo fenômeno (PIRES; GUEDES, 2012). Por isso, 
nem sempre o que seria o ideal em termos econômicos é de fato verificado no 
mundo real.
Voltando ao objeto da economia, podemos refletir: Como é possível 
colocá-lo em prática diante de um país de dimensões continentais como o Brasil?
TÓPICO 1 | A MACROECONOMIA
5
IMPORTANT
E
IMPORTANT
E
Por que dimensões continentais? Somos o quinto país em extensão territorial 
(8.515.767 km²), sendo suplantados apenas pela Rússia, Canadá, China e Estados Unidos.
Você sabia que, de todos os tributos arrecadados no Brasil, cerca de 70% são 
destinados ao Governo Federal, em torno de 25% vão para os estados e, o restante, apenas 
5%, retornam aos municípios?
Quando diminuímos nosso campo de análise ao nos deparar com 
as administrações públicas estaduais ou municipais, vemos que os desafios 
econômicos nelas encontrados já são imensos, tais como desemprego, pobreza, 
degradação ambiental, escassez de água, má utilização dos recursos, que refletem 
na impossibilidade de realizar investimentos públicos essenciais à comunidade, 
dentre outros. Além disso, frequentemente soma-se a essa realidade o avanço da 
corrupção, que faz com que os já poucos recursos disponíveis para investimento 
em áreas tão necessitadas como saúde, educação, segurança pública, moradia, 
passem para a mão de corruptos e corruptores. Soma-se a este quadro a desigual 
distribuição dos recursos públicos (na forma de tributos) arrecadados nas esferas 
municipal, estadual e federal.
Para que seja possível compreender a ciência econômica de forma abrangente, 
além da microeconomia, que você já deve ter estudado, vamos agora introduzir 
nossos estudos sobre a macroeconomia, um ramo da economia que costuma ser 
tão controverso e polêmico (muita divergência entre teorias) quanto instável (nem 
sempre a mesma “medida” adotada para resolver o problema surte o mesmo efeito), 
mas igualmente envolvente aos apaixonados por esta tão nobre ciência.
Embora sejam áreas da economia, muitas vezes complementares, 
macro e microeconomia, de acordo com diversos autores, atuam em ambientes 
diferentes. Vejamos:
O reconhecimento de que a microeconomia e a macroeconomia são 
constituídas por metodologias e campos teóricos separados, mas com 
importantes inter-relações, foi apontado por autores como Bresser 
Pereira e Lima (1996), para quem a macroeconomia não pode ser 
reduzida à microeconomia (LIMA; AMADO; MOLLO, 2016, p. 606).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
6
Isso se deve ao fato do ambiente macroeconômico ser maior do que a 
soma de suas partes constituintes, que são atinentes à microeconomia. Desta 
forma, neste tópico serão abordados conceitos introdutórios da macroeconomia, 
sua evolução e campo de estudo.
2 DEFINIÇÃO E CAMPO DE ESTUDO
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2005, p. 86, grifo do original), “a 
macroeconomia estuda a economia como um todo, analisando a determinação e 
o comportamento de grandes agregados, tais como: renda e produto nacionais, 
nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxas de juros, 
balanço de pagamentos e taxa de câmbio”.
Desta forma, enquanto a microeconomia se preocupa com o nível de 
preços de uma unidade produtiva, por exemplo, a macroeconomia trata do nível 
geral de preços de toda uma sociedade, ou seja, de um país como o Brasil. 
Na etimologia (que estuda a origem e a evolução das palavras), a 
macroeconomia provém do elemento grego macro, ou seja, em grande escala, 
extenso + economia (SIGNIFICADOS, 2018).
Rüdiger Doirnbush e Stanley Fischer (1982 apud NOGAMI; PASSOS, 
2003, p. 362) afirmam que:
A macroeconomia trata do comportamento da economia como um 
todo – com períodos de rápida prosperidade e recessão, a produção 
total de bens e serviços da economia e o crescimento do produto, as 
taxas de inflação e emprego, a balança de pagamentos e o câmbio. A 
fim de estudar o desempenho geral da economia, a macroeconomia 
focaliza as políticas econômicas e as variáveis de política que afetam 
aquele desempenho – as políticas monetária e fiscal, o estoque de 
moeda e taxa de juros, a dívida pública e o orçamento do Governo 
Federal. Em resumo, a macroeconomia trata das questões econômicas 
mais importantes da atualidade. A macroeconomia é interessante 
porque trata de tópicos relevantes, mas também é fascinante e ao 
mesmo tempo um desafio, porque traduz os detalhes complicados da 
economia e sua essência manipulável.
 
Com certeza, após ler esses conceitos, você deve estar pensando na 
situação econômica do Brasil, que vem passando, desde o início da segunda 
década deste milênio, por um processo de recessão, desemprego, endividamento 
público, queda da massa salarial, aumento da pobreza, da marginalização e da 
exclusão social.
TÓPICO 1 | A MACROECONOMIA
7
DICAS
O abismo entre os maiores bilionários do planeta e a fatia mais pobre da 
população continua aumentando, segundo o relatório da ONG Oxfam Brasil, que tem 
o propósito de combater a desigualdade e a pobreza. Veja mais em: <https://economia.
uol.com.br/noticias/redacao/2018/01/22/estudo-desigualdade-oxfam-bilionarios.
htm?cmpid=copiaecola>.
Acadêmico, você consegue perceber como estas variáveis estão interligadas 
e a importância de dimensionar estes indicadores para saber onde estamos e 
quais as possibilidades de superação desta ou de outras tantas crises que haverão 
de vir? Acreditamos que sim! Pois então, é aí que a macroeconomia se destaca. 
É por isso que conhecer os seus princípios norteadores, sua importância e a sua 
evolução na história econômica se reveste da mais alta importância, o que faremos 
nas seções seguintes.
3 A EVOLUÇÃO DA TEORIA MACROECONÔMICA 
O termo macroeconomia nem é tão antigo assim. Surgiu em 1933, na obra 
do economista norueguês Ragnarf Frisch (NOGAMI; PASSOS, 2003).
Você saberia dizer quem colocou a macroeconomia no centro do debate? 
Se nos reportarmos à Grande Depressão de 1930, provavelmente você lembrará 
de um dos maiores economistas do século XX, John Maynard Keynes, que 
publicou o famoso livro A teoria geral do emprego, do juro e da moeda, no ano de 
1936, que reformulou as noções de produção e emprego e foi responsável pelas 
políticas econômicas implantadas principalmente por Franklin Roosevelt nos 
Estados Unidos e, posteriormente, seguido por demais países, que possibilitaram 
a retomada do crescimento e a superação desta que foi a maior crise do século XX 
(NOGAMI; PASSOS, 2003).
NOTA
Para ter uma ideia da dimensão da Grande Depressão de 1930, veja alguns 
números assustadores: “entre os anos de 1929 e 1932, a produção industrial contraiu-se, 
caindo cerca de 50% nos Estados Unidos, quase 10% na Inglaterra, aproximadamente 30% 
na França e cerca de 40% na Alemanha” (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 363).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
8
Ainda de acordo com Nogami e Passos (2003, p. 3), “a situação das principais 
economias capitalistas existentes na época era crítica. As nações industrializadas 
assistiram a uma deflação nunca vista antes, com preços despencando mais de 
30% na Alemanha e nos Estados Unidos, mais de 40% na França e quase 25% no 
Reino Unido”.
Assim, queda na produção industrial, desemprego aumentando em 
níveis nunca vistos, fechamento de milhares de fábricas, desespero e suicídios 
de centenas de empresários, fome e miséria foram verificados especialmente nos 
Estados Unidos, bem como ao redor do mundo nesse período, inclusiveno Brasil, 
que nessa época tinha sua economia basicamente dependente das exportações de 
produtos primários, as chamadas commodities, e vivia o ciclo do café.
NOTA
Commodities (mercadoria, em inglês) podem ser definidas como mercadorias, 
principalmente minérios e gêneros agrícolas, que são produzidas em larga escala e 
comercializadas em nível mundial. As commodities são negociadas em bolsas de mercadorias, 
portanto seus preços são definidos em nível global, pelo mercado internacional. As commodities 
são produzidas por diferentes produtores e possuem características uniformes. Geralmente 
são produtos que podem ser estocados por um determinado período de tempo sem que 
haja perda de qualidade. As commodities também se caracterizam por não ter passado por 
processo industrial, ou seja, são geralmente matérias-primas (SUA PESQUISA, 2018).
 Para forçar a retomada dos preços do café, que caíam vertiginosamente 
devido à diminuição da demanda, num primeiro momento, o governo brasileiro 
estocou milhares de toneladas do grão e, como não obteve resultado, obrigou-se 
a ordenar aos produtores que queimassem grande parte da safra, levando o país 
a sofrer os efeitos deletérios da depressão iniciada na América do Norte e Europa.
Entretanto, como diz o ditado, que de toda crise surge algo novo, ou 
uma oportunidade, foi a partir da Grande Depressão que o governo brasileiro, 
então comandado por Getúlio Vargas, decidiu mudar a sua matriz econômica, 
implantando no país o Processo de Substituição de Importações (PSI), que deu 
origem à industrialização do Brasil e que foi desenvolvido também nos governos 
seguintes. Esse processo caracterizava-se pela determinação de produzir 
internamente tudo o que antes era importado, começando pelos bens de consumo 
leve, implantando posteriormente a indústria de bens de consumo duráveis, bens 
intermediários e, finalmente, bens de capital.
TÓPICO 1 | A MACROECONOMIA
9
IMPORTANT
E
Você sabia que gigantes brasileiras como a Petrobras, a Vale do Rio Doce e a 
Companhia Siderúrgica Nacional foram estatais brasileiras criadas por Getúlio Vargas para 
dar sustentação à industrialização a partir de 1930?
Quais foram, então, as principais medidas adotadas pela chamada 
“Revolução Keynesiana”?
Imagine uma situação de crise extrema, pela qual passava o mundo na 
década de 1930. Como reverter esta que foi a maior crise do século, marcada pela 
recessão, desemprego, falência de empresas, queda da demanda e do consumo, 
empobrecimento e miséria? 
Keynes propôs uma série de medidas chamadas macroeconômicas, que 
se opunham ao pensamento econômico hegemônico até 1930 dos economistas 
clássicos. Estes acreditavam que os problemas econômicos eram conjunturais, 
ou seja, momentâneos, que seriam logo superados pelas regras do mercado. Até 
a Primeira Guerra Mundial, em que a economia mundial crescia ano após ano, 
havia pleno emprego e avanço da demanda, a teoria clássica conseguia explicar 
as crises como sendo flutuações de mercado, que logo seriam superadas, já que, 
conforme acreditavam, o mercado se autorregulava.
Isso significa que, sem a necessidade de interferência 
governamental, as economias de mercado conseguiam utilizar 
eficientemente os recursos disponíveis, de forma a promover 
automaticamente o nível de pleno emprego. Esses economistas 
sustentavam suas ideias baseados na hipótese de que havia 
plena flexibilidade de preços e salários, de tal forma que os 
preços e salários sempre se ajustariam no mercado, garantindo 
o equilíbrio no mercado de trabalho e o pleno emprego 
(NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 363).
NOTA
A expressão “conjuntura” se refere ao  conjunto de acontecimentos  em um 
determinado momento. São circunstâncias e ocasiões que influenciam coletivamente 
em determinados aspectos, sejam econômicos, históricos, sociais, políticos, entre outros 
(SIGNIFICADOS, 2018, s.p., grifo do original).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
10
Já a expressão “pleno emprego” acontece quando não há mão de obra 
voluntariamente desempregada, já que, em tese, a economia de mercado por si se 
encarregava de utilizar de forma eficiente todos os recursos disponíveis (LOPES; 
VASCONCELLOS, 2008).
Situações de desequilíbrio no mercado seriam exceções à regra, oriundas 
de fatores como “restrições monopolistas, sindicatos de trabalhadores, intervenção 
governamental na economia etc., mas sempre a economia voltaria a operar no 
pleno emprego” (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 364).
A Grande Depressão colocou em xeque a teoria clássica de autorregulação 
do mercado, já que nada do que se acreditava e era praticado até o momento 
deu conta de superar a crise. Keynes (1983) acreditava que, ao contrário de 
economistas clássicos como Jean-Baptiste Say, a oferta não cria a sua própria 
procura, é preciso dar importância à demanda agregada (que é a soma de todas as 
demandas individuais), estimulando-a para que o nível de produção e consumo 
volte a crescer.
NOTA
Você já deve ter estudado a Lei de Say (um dos principais economistas clássicos), 
mas vale aqui recordar: “Os clássicos sustentavam que a produção que cria a oferta gera 
renda, criando, então, uma demanda equivalente. E desde que toda a renda é gasta, a oferta 
e a demanda são sempre iguais” (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 364).
Numa crise sem precedentes, como estimular a demanda agregada? 
Keynes defendeu a teoria de que são os investimentos produtivos que estimulam 
o crescimento econômico, ao gerar emprego e renda, fortalecendo, assim, o 
consumo e consequentemente a produção. Isso porque, para Keynes, “o nível 
de produto e de emprego é determinado pela demanda agregada da economia 
[...] por bens e serviços. O valor do produto total e, por decorrência, o valor 
total da renda e o nível de emprego são determinados pela demanda agregada” 
(NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 364-365).
Como os empresários, falidos, não tinham condições de investir, nem 
demanda das famílias pela forte queda na renda, Keynes propôs ao Estado 
que este atuasse como propulsor do crescimento econômico, investindo em 
grandes obras públicas que demandariam fatores produtivos (terra, trabalho, 
capital, capacidade empresarial). Os agentes econômicos (empresas e famílias) 
responsáveis pela obra, por sua vez, gastariam a renda proveniente do pagamento 
pela utilização dos fatores produtivos na compra de bens e serviços, o que 
estimularia outros setores econômicos antes deprimidos, gerando o que chamou 
de “efeito multiplicador” na economia. 
TÓPICO 1 | A MACROECONOMIA
11
Essa concepção se devia à ideia, defendida por Keynes, de que era 
possível que uma economia viesse a crescer mesmo apresentando desemprego 
de trabalhadores (um dos motivos seria a implementação de novas tecnologias, 
que aumentam a produtividade e dispensam mão de obra), bem como de outros 
fatores produtivos como matérias-primas e insumos (pela melhoria que a própria 
tecnologia poderia trazer na utilização desses recursos no processo produtivo, 
diminuindo perdas).
Para Keynes, se a crise é de insuficiência de demanda, e se não 
existem forças que promovam automaticamente o pleno emprego, 
torna-se necessária a intervenção do Estado por meio das políticas 
de gastos públicos, fiscal e monetária, o que significa o fim do não 
intervencionismo na economia da era clássica. O argumento de que 
o governo pode implementar políticas de estabilização para prevenir 
ou atacar recessões econômicas foi tão aceito que o conjunto de suas 
ideias foi [...] batizado de ‘revolução keynesiana’ (NOGAMI; PASSOS, 
2003, p. 365).
ESTUDOS FU
TUROS
Este conceito de revolução keynesiana será tratado com mais profundidade na 
Unidade 2, e você verá o quão importante se tornou para a economia a partir do século XX.
Além desse conceito, você conhecerá cada um dos instrumentos de política macroeconômica 
e poderá entender melhor a proposta keynesiana que, em termos gerais, delegava ao Estado 
a responsabilidade de manter a economia em equilíbrio por meio de uma política de gastos 
públicos que poderiaser na forma de investimento público (o governo financiando obras, 
que foi uma das ações mais desenvolvidas), bem como a política monetária (que consiste 
na administração da quantidade da moeda em poder do público, que interfere no preço da 
moeda, tornando-a mais barata em situações de crise e faz estimular a produção, a renda e 
o emprego) e fiscal (que consiste na concessão, por parte do governo, de incentivos fiscais, 
como isenções de impostos ou diminuição de alíquotas, dentre outras).
De fato, com a adoção das medidas propostas por Keynes, os países 
conseguiram finalmente superar a Grande Depressão, inaugurando um período 
caracterizado por amplo intervencionismo estatal na maioria dos países, com uma 
economia relativamente estabilizada, que durou até as décadas de 1970/1980.
Precisamos lembrar também que a teoria keynesiana considerava 
saudável uma taxa de inflação baixa, que em tese significaria que a economia 
estava crescendo, já que teoricamente estaria utilizando maior quantidade de 
recursos produtivos e, assim, tornando-os mais escassos e, consequentemente, 
mais caros (inclusive a mão de obra).
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
12
O termo “intervencionismo estatal” lhe parece familiar? Você já deve 
ter ouvido calorosos debates entre os defensores de um Estado interventor e os 
que acreditam no que chamam de leis do mercado, por sua vez, defensores do 
Estado mínimo. Com certeza esta é uma das questões mais discutidas nas últimas 
décadas. Dependendo da ideologia adotada, as políticas econômicas implantadas 
também irão divergir, adotando posições que reforçam a participação do Estado 
na economia ou defendendo o seu afastamento.
Como a economia é dinâmica e sofre mutações na medida em que a 
sociedade também se modifica, passando por momentos de ascensão e momentos 
de queda, a partir dos anos de 1970 surgiu um fenômeno absolutamente novo, 
conhecido como estagflação (em grande parte devido aos aumentos do preço 
do barril de petróleo), que combinava estagnação econômica, decréscimo da 
produção e aumento do desemprego com consideráveis altas na inflação, o 
que exigiu uma forte intervenção do Estado no sentido de reverter este quadro. 
Infelizmente, na década seguinte, em vez de retroceder, a crise só fez piorar.
Se você nasceu depois da década de 1980, com certeza não vivenciou 
esta crise, mas seus pais e/ou avós conheceram e sentiram muito fortemente 
os efeitos nefastos deste período. Eles devem ter relatado como a economia era 
instável, a moeda perdia poder de compra diuturnamente, a inflação corroía os 
rendimentos, chegando a situações em que se perdia a noção de valor, já que 
preços eram reajustados praticamente todos os dias. Costumava-se dizer que 
os remarcadores de preços nos supermercados eram os que mais trabalhavam, 
chegando a tal nível de estresse que nem sequer eram retiradas as etiquetas de 
preços anteriores, apenas sobrepunham-se umas às outras. Não é à toa que lojas 
de automóveis ou de eletrodomésticos chegaram a cotar os preços dos produtos 
em dólar, caso contrário teriam que trocar faixas e cartazes com os preços dos 
produtos todos os dias. E o assalariado, então? Assim que recebia seu salário, 
corria para os supermercados para efetuar as compras do mês, pois se deixasse 
para outro dia já não teria o mesmo poder de compra e sairia do supermercado 
com menos produtos no carrinho.
No Brasil, este fenômeno foi tão grave que outro conceito surgiu: o da 
inflação inercial.
A inflação inercial ocorre quando os preços de uma economia 
oferecem resistência às políticas de estabilização para atacar 
as causas primárias da inflação, é a chamada memória 
inflacionária. Essa inflação inercial é decorrente de mecanismos 
de indexação, que reajustam o valor das parcelas de contratos 
pela inflação do período passado, ou seja, mesmo que não tenha 
uma razão do preço aumentar, ele aumenta baseado nessa 
memória inflacionária. Os mecanismos de indexação podem 
ser formais, quando se baseiam em regras legais de aumento, 
como aluguéis e mensalidades escolares, ou informais, quando 
os agentes são seguidores do preço, ou seja, aumenta o preço, 
pois os outros também o fizeram (CULTURAMIX, 2018, s.p.).
TÓPICO 1 | A MACROECONOMIA
13
ESTUDOS FU
TUROS
No Tópico 4 você aprenderá que nas décadas de 1980/90 diversos planos de 
combate à inflação foram implementados, desde o Plano Cruzado (1986) até o Plano Real 
(1994), sendo que somente este último foi bem-sucedido no combate à inflação, mesmo 
tendo gerado imensos custos sociais, com graves consequências posteriores para o Brasil.
Paralelo à ocorrência desta nova crise, que se estendia desde a década de 
1970, surge uma teoria “contrarrevolucionária” à keynesiana, cujo maior pensador 
foi Milton Friedman e demais economistas da Universidade de Chicago, que 
desenvolveram a doutrina monetarista, dominando o pensamento econômico a 
partir de então. 
De acordo com Sandroni (1989, p. 207), o monetarismo é uma “escola 
econômica que sustenta a possibilidade de se manter a estabilidade de uma 
economia capitalista recorrendo-se apenas a medidas monetárias, baseadas nas 
forças espontâneas do mercado e destinadas a controlar o volume de moedas e 
outros meios de pagamento no mercado financeiro”. 
Assim, sendo a moeda a variável mais importante na determinação 
da demanda agregada e sendo a inflação um fenômeno monetário, políticas 
monetárias de controle da oferta da moeda seriam a receita para debelar a inflação 
e retomar a estabilidade econômica. Por exemplo, quando se verifica uma taxa 
de inflação que está acima do esperado, o governo entraria com uma política 
monetária de aumento do preço da moeda (o que se faz aumentando a taxa de 
juros), que inibiria o consumo e faria com que o nível de preços voltasse aos 
níveis desejados. Ou seja, manipulando a oferta monetária, haveria novamente 
uma autorregulação do mercado, sem necessidade de intervenção do governo 
por meio de investimentos para estimular a demanda agregada.
“O monetarismo é defendido pelos economistas que defendem a necessidade 
de aplicação de uma política fiscal austera, através da tributação e do controle das 
despesas públicas e dos consumidores, para evitar a inflação e o desequilíbrio do 
balanço de pagamentos” (SANDRONI, 1989, p. 207, grifo do original).
Como a economia não é estática, conforme a sociedade evolui, também 
a macroeconomia precisa ser atualizada e novas teorias e políticas econômicas 
são propostas, pois novos desafios surgem a cada momento. Por exemplo, com 
a crise financeira de 2008, uma das grandes discussões foi o questionamento 
sobre a efetividade da continuidade do dólar americano como padrão monetário 
internacional, chegando-se a discutir a necessidade de pensar em um novo 
padrão, que estivesse descolado da identidade com um país. Com o surgimento 
do bitcoin (moeda digital), há inclusive propostas no sentido de tornar esse sistema 
monetário como padrão monetário internacional.
14
Neste tópico, você aprendeu que:
• “A macroeconomia estuda a economia como um todo, analisando a determinação 
e o comportamento de grandes agregados, tais como: renda e produto nacionais, 
nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxas de 
juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio” (VASCONCELLOS; GARCIA, 
2005, p. 86).
• A macroeconomia tem a finalidade de estudar o comportamento geral da 
economia, a fim de intervir na realidade, reverter crises, propiciar crescimento 
e desenvolvimento econômico por meio de políticas macroeconômicas.
• Tendo sua importância ressaltada por ocasião da Grande Depressão de 
1929 (com a teoria proposta por Keynes), a macroeconomia vem ganhando 
cada vez mais destaque na economia mundial, haja vista a necessidade de 
entender, diagnosticar a conjuntura e prognosticar cenários e possibilidades 
de intervenção visando ao bem-estar público e o atendimento das necessidades 
econômicas.
RESUMO DO TÓPICO 1
15
1 Com base no que foi abordado até o momentosobre a macroeconomia, 
analise as sentenças a seguir:
I- É um ramo da economia que se preocupa com questões gerais da atividade 
econômica, tais como o produto nacional, a renda nacional, nível de preços, 
taxas de desemprego, dentre outros, e tem como objetivo a compreensão, 
a diagnose dos fenômenos econômicos para a proposição de políticas 
macroeconômicas.
II- Não se relaciona com a microeconomia, pois são ramos antagônicos da 
economia e teve seu desenvolvimento a partir da Revolução Industrial, com 
o surgimento do liberalismo econômico.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) I é verdadeira e II é falsa.
b) ( ) I é falsa e II é verdadeira.
c) ( ) I e II são falsas.
d) ( ) I e II são verdadeiras.
2 Discorra sobre a contribuição de Keynes para o desenvolvimento da 
macroeconomia.
3 A remuneração pela utilização dos recursos produtivos terra, trabalho, 
capital, capacidade empresarial e tecnologia é, respectivamente:
a) ( ) Aluguel, juros, lucros, rendas e salários. 
b) ( ) Aluguel, salário, juros, lucros e royalties. 
c) ( ) Salários, aluguéis, lucros e juros. 
d) ( ) Juros, lucros, aluguéis e rendas.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
AUTOATIVIDADE
16
17
TÓPICO 2
METODOLOGIA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Devido à complexidade da ciência econômica, como você já deve ter percebido 
ao longo de sua caminhada de estudos neste curso, para poder entender os fenômenos 
econômicos, interpretá-los e adotar medidas de intervenção, a macroeconomia 
adota uma metodologia própria de análise. Isso porque, para compreender a 
macroeconomia é preciso levar em consideração uma série de variáveis interligadas, 
como o próprio conceito já sinaliza (recordar também é aprender). 
“A macroeconomia estuda a economia como um todo, analisando a 
determinação e o comportamento de grandes agregados, tais como: renda e 
produto nacionais, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda 
e taxas de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio” (VASCONCELLOS; 
GARCIA, 2005, p. 86).
Desta forma, neste tópico você verá que a macroeconomia se utiliza de 
dados (que também podemos chamar de indicadores) para conhecer a situação de 
determinado país, região, estado, município, interpretar estes dados (indicadores), 
criando novas ou reafirmando teorias já existentes, para então pôr em prática 
medidas de política macroeconômica que visam intervir nessa realidade com 
o objetivo de modificá-la, sanando ou diminuindo a intensidade de problemas 
econômicos existentes na sociedade.
2 DADOS ECONÔMICOS
Para que as intervenções efetuadas no sistema econômico sejam eficientes é 
necessário observar os fatos que partem de uma dada realidade. Para isso, diversas 
variáveis são utilizadas, como o nível de preços, o nível de produção e consumo, 
a renda nacional, taxas de desemprego, taxas de juros, dentre outras. Esses dados 
não são apresentados de forma isolada, mas acompanhados sistematicamente, 
formando um todo estatístico que visa à identificação da tendência e do ciclo. 
Por exemplo, quando analisamos a evolução da taxa de desemprego no Brasil, 
podemos constatar tendências de queda e de alta quando analisamos um período 
de tempo relativamente longo. Observe a figura a seguir:
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
18
FIGURA 1 – TAXA DE DESOCUPAÇÃO NAS SEIS MAIORES REGIÕES METROPOLITANAS DO 
BRASIL (MARÇO DE 2002 A FEVEREIRO DE 2016)
FONTE: IBGE (2018, s.p.)
Taxa de desocupação (Pessoas de 10 ou mais anos de idade), março 2002 - fevereiro 2016
no
ve
m
br
o 2
00
6
no
ve
m
br
o 2
00
7
no
ve
m
br
o 2
00
8
no
ve
m
br
o 2
00
9
no
ve
m
br
o 2
01
0
no
ve
m
br
o 2
01
1
no
ve
m
br
o 2
01
2
no
ve
m
br
o 2
01
3
no
ve
m
br
o 2
01
4
no
ve
m
br
o 2
01
5
jul
ho
 20
06
jul
ho
 20
07
jul
ho
 20
08
jul
ho
 20
09
jul
ho
 20
10
jul
ho
 20
11
jul
ho
 20
12
jul
ho
 20
13
jul
ho
 20
14
jul
ho
 20
15
m
ar
ço
 20
06
m
ar
ço
 20
07
m
ar
ço
 20
08
m
ar
ço
 20
09
m
ar
ço
 20
10
m
ar
ço
 20
11
m
ar
ço
 20
12
m
ar
ço
 20
13
m
ar
ço
 20
14
m
ar
ço
 20
15
no
ve
m
br
o 2
00
5
jul
ho
 20
05
m
ar
ço
 20
05
no
ve
m
br
o 2
00
4
m
ar
ço
 20
04
jul
ho
 20
04
no
ve
m
br
o 2
00
3
jul
ho
 20
03
m
ar
ço
 20
03
no
ve
m
br
o 2
00
2
jul
ho
 20
02
m
ar
ço
 20
02
2.5
5
7.5
10
12.5
15
Assim, como podemos ver na figura, a partir de 2004 se observa uma 
tendência de baixa na taxa de desemprego, que perdura até o ano de 2014, quando 
inicia uma forte tendência de alta. Isoladamente este indicador é importante, mas 
não consegue explicar o comportamento da economia como um todo; entretanto, 
quando confrontado com outros indicadores, como nível de produção, renda 
agregada, dentre outros, fornece um conjunto de informações que permite traçar 
com maior precisão um diagnóstico da realidade para, a partir deste diagnóstico, 
propor alguma intervenção.
Vamos, então, comparar a evolução da taxa de desemprego com a evolução 
do PIB brasileiro no período de 2002 a 2015:
FIGURA 2 – EVOLUÇÃO DO PIB E DA TAXA DE DESEMPREGO NO BRASIL DE 2002 A 2015 (%)
m
ar
/0
2
14
PIBdesemprego
12
10
8
6
4
2
0
ag
o/
02
ja
n/
03
ju
n/
03
no
v/
03
ab
r/
04
se
t/0
4
fe
v/
05
ju
l/0
5
de
z/
05
m
ai
/0
6
ou
t/0
6
m
ar
/0
7
ag
o/
07
ja
n/
08
ju
n/
08
no
v/
08
ab
r/
09
se
t/0
9
fe
v/
10
ju
l/1
0
de
z/
10
m
ai
/1
1
ou
t/1
1
m
ar
/1
2
ag
o/
12
ja
n/
13
ju
n/
13
no
v/
13
ab
r/
14
se
t/1
4
fe
v/
15
ju
l/1
5
de
z/
15
FONTE: <https://empreendedorismoedesemprego.wordpress.com/
2016/03/22/o-pib-e-o-desemprego/>. Acesso em: 10 ago. 2018.
TÓPICO 2 | METODOLOGIA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
19
FIGURA 3 – EVOLUÇÃO DO PIB NO BRASIL DE 2010 A 2016 (%)
Evolução do PIB
Ano a ano, em%
-3,6-3,8
2010 2011 20162015201420132012
0,5
3,0
1,9
4,0
7,5
0
FONTE: <http://g1.globo.com/mundo/blog/helio-gurovitz/post/como-o-pib-pode-voltar-
crescer.html>. Acesso em: 10 ago. 2018.
Conforme indica a figura anterior, as taxas de desemprego e do PIB são 
inversamente proporcionais e conjuntamente indicam a tendência de evolução 
da economia num dado período. Assim, no período em que o PIB crescia, mesmo 
que de forma modesta, a taxa de desemprego apresentava uma queda anual (2002 
a 2014). Com a queda do PIB, a partir de 2013, a taxa anual de desemprego ficou 
em 11,75% em 2016 e em 10,85% em 2017.
Outros indicadores poderiam ser trazidos para análise, como as taxas de 
inflação, ocupação industrial, taxa SELIC (que é a taxa básica de juros utilizada 
para remuneração das aplicações em títulos públicos), dentre outros. 
DICAS
Para aprofundar o estudo sobre conjuntura econômica, há vários sites que 
fornecem importantes análises e que poderiam complementar seus conhecimentos: 
• Carta Conjuntura do IPEA: <http://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/>.
• Revista de Conjuntura Econômica do Instituto Brasileiro de Economia 
(IBRE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV): <http://portalibre.fgv.br/main.
jsp?lumChannelId=402880811D8E34B9011D92CC23104342>. 
• Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON) da Unicamp: <http://
www.eco.unicamp.br/cecon/>.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
20
3 TEORIAS ECONÔMICAS
Ao longo da evolução da ciência econômica, diversas teorias foram 
construídas para explicar os fenômenos econômicos, analisar tendências e efetuar 
prognósticos. Para exemplificar, abordaremos a teoria dos ciclos econômicos. 
Para Nikolai D. Kondratiev (1992), o modo de produção capitalista é 
caracterizado pela ocorrência de ciclos econômicos ou movimentos cíclicos de 
ondas longas, de 40 a 60 anos, de variação de toda atividade econômica (industrial, 
agrícola e comercial) de um país ou de um conjunto de países. Vivemos períodos 
de prosperidade quando ocorre uma expansão econômica, seguidos de períodos 
de crise econômica, marcada pela recessão e depressão, e, finalmente, um novo 
intervalo de crescimento ou de recuperação econômica.“O estudo dos ciclos econômicos está intimamente ligado ao das crises, 
que podem ser caracterizadas como um momento descontínuo desastroso de 
uma evolução cíclica contínua” (SANDRONI, 1989, p. 47).
As crises são inerentes ao modo de produção capitalista. De certa 
forma, podemos compreender essa teoria quando analisamos as grandes crises 
do capitalismo, citando a de 1929 e a de 2008, consideradas as mais graves e 
abrangentes. Ao contrário do que muitos economistas imaginavam, essas crises 
não provocaram a queda do capitalismo ou sua substituição por outro sistema, 
apenas exigiram mudanças na forma como a economia se desenvolveria. 
Aprimorando a teoria de Kondratiev, Joseph Schumpeter (1883-1950), Ignácio 
Rangel (1914-1994) e Ernest Mandel (1923-1995) também se debruçaram sobre a 
teoria dos ciclos econômicos. 
Assim, com base na realidade econômica, diversas teorias foram 
elaboradas pelas escolas de pensamento econômico e podem ser aplicadas para 
explicar determinados fenômenos e sua evolução.
ESTUDOS FU
TUROS
As teorias econômicas serão abordadas em disciplinas como História 
Econômica Geral e História do Pensamento Econômico.
4 POLÍTICA MACROECONÔMICA
A política macroeconômica nada mais é do que um conjunto de ações 
governamentais desenvolvidas para o alcance de diferentes finalidades que estão 
intrinsecamente relacionadas com a situação econômica de um país e mesmo de 
uma respectiva região, conjunto de países ou de blocos econômicos. 
TÓPICO 2 | METODOLOGIA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
21
Tais ações são executadas por diferentes agentes de política econômica, 
como o Governo Federal, no caso de um país, bem como organismos internacionais 
como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, a Comissão 
Jurídica Interamericana da Organização dos Estados Econômicos (CJI-OEA), 
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Comissão Econômica das 
Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Programa das Nações 
Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), blocos econômicos regionais como a 
União Europeia, Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), dentre outros.
De posse dos dados fornecidos pelas estatísticas econômicas e baseados 
nas teorias que mais se adéquam à ideologia adotada pelo governo é que se 
aplicam as políticas macroeconômicas de intervenção na sociedade, visando 
corrigir distorções, solucionar problemas, superar crises. Quando afirmamos que 
a política macroeconômica adotada tem um componente ideológico é porque 
partimos do pressuposto de que não existe neutralidade na ciência econômica, 
pois cada teórico tem maior afinidade com dada teoria ou então cria a sua própria, 
refutando assim as demais.
Em nível de Governo Federal, este pode intervir na esfera econômica por 
meio das políticas monetária, fiscal, cambial e comercial e de rendas. Exemplificando, 
imaginemos que o governo queira estimular o crescimento de determinado setor 
de atividade econômica, tornando-o mais forte no país para competir em condições 
de igualdade com seus concorrentes no exterior. O que ele pode fazer? Lançar mão 
tanto de política fiscal (concedendo um plano de acesso a financiamentos com taxas 
de juros mais baixas ou diminuindo alíquotas de impostos, este é denominado de 
renúncia fiscal), quanto da política comercial (impondo barreiras tarifárias ou não 
tarifárias ao produto proveniente do exterior).
NOTA
Você pode ir se aprimorando deste conteúdo lendo notícias sobre concessão 
de incentivo fiscal/renúncia fiscal a diversos setores no Brasil, como o destinado ao setor 
automotivo em decorrência da crise de 2008 (isenção de IPI), concessão de estímulos 
fiscais ao setor de informática, dentre outros.
IMPORTANT
E
Vamos pensar um pouco! Você deve saber, a esta altura do curso, que uma 
das principais ideologias adotadas desde o surgimento do capitalismo é a do liberalismo 
econômico, criada por Adam Smith (1723-1790) e que tem um sem-número de seguidores 
e aprimoradores das chamadas escolas clássica ou neoclássica. Pois bem, a política 
macroeconômica implantada pelos seguidores da teoria liberal vai divergir substancialmente 
daquela que seria adotada pelos seguidores da teoria marxista ou keynesiana, por exemplo.
22
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A macroeconomia se utiliza de dados, teorias e políticas para explicar tanto os 
fenômenos que são considerados macro, quanto para diagnosticar suas causas 
e propor soluções por meio dos instrumentos de política macroeconômica.
• Os dados (indicadores) fornecem informações importantes para um 
diagnóstico mais preciso da realidade, sendo que diversos indicadores devem 
ser utilizados neste levantamento, como os níveis de produção e de renda, 
produção industrial, desemprego, inflação, dentre outros.
• As teorias visam explicar os fenômenos ocorridos, como as crises e as fases de 
ascensão da economia, e podem variar substancialmente de uma para outra, de 
acordo com a ideologia utilizada pelo pensador e a corrente de pensamento a 
que o economista pertença ou seja o criador.
• De posse dos dados e das teorias, a política macroeconômica é a aplicação de um 
conjunto de medidas que visa intervir na realidade diagnosticada, utilizando 
determinada teoria econômica que seja considerada a ideal pelo seu agente (no 
caso do Governo Federal, seria o ministro da Fazenda). 
23
1 Há diversos dados (indicadores) que servem de referência para que os 
agentes econômicos conheçam a conjuntura econômica. Diante dessa 
informação, faça um apanhado geral dos principais indicadores, como 
taxa de desemprego, taxa de crescimento/decréscimo do PIB, taxa de 
crescimento/decréscimo da produção industrial, taxa de inflação, taxa 
de crescimento demográfico (dentre outros) nos últimos cinco anos, e 
tente construir uma pequena análise desta conjuntura (ou seja, entender 
como uma variável afeta a outra), unindo ainda informações sociais como 
violência, criminalidade, assassinatos, desigualdade social, dentre outros. 
Na sequência, desenvolva um texto de até 20 linhas sobre o assunto.
2 Você já deve ter estudado algumas das principais teorias econômicas. 
Escreva, em até 20 linhas, quais são as principais características da teoria 
liberal, uma das teorias econômicas mais utilizadas pelo capitalismo para 
explicar a economia e impor sua ideologia à sociedade.
3 As políticas macroeconômicas têm o objetivo de intervir na economia das 
nações com a finalidade de resolver ou minimizar os problemas econômicos 
nelas verificados. Com base nessa informação e no seu conhecimento sobre 
o assunto, assinale F para as sentenças falsas e V para as verdadeiras:
a) ( ) Todos os economistas têm a mesma ideologia quando se trata de 
aplicar as teorias econômicas, que são efetuadas por meio das políticas 
macroeconômicas.
b) ( ) Um exemplo de política macroeconômica é o bolsa-família, que nada 
mais é do que uma política assistencial.
c) ( ) Um exemplo de política macroeconômica foi adotado no Governo Lula 
quando ocorreu a crise financeira de 2008, com a isenção do Imposto 
sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis.
d) ( ) O governo pode estimular a economia a crescer quando faz uma 
política macroeconômica de aumento da taxa de juros, o que vai tornar 
o real mais barato e, consequentemente, facilitar o acesso dos agentes 
econômicos ao crédito.
AUTOATIVIDADE
24
25
TÓPICO 3
ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Como você já deve ter estudado nos conceitos introdutórios de economia, 
esta é analisada a partir de dois mercados distintos: o mercado real e o mercado 
monetário, formando o que chamamos de fluxo básico da economia: o fluxo real 
e o fluxo monetário.
Assim, para adquirir os bens e serviços necessários para atender às suas 
necessidades, você (caso seja trabalhador) oferece ao mercado a sua força de 
trabalho e recebe uma remuneração na forma de salário. Por exemplo, o dono da 
terra a aluga e recebe por ela uma renda na forma de aluguel; o proprietário demoeda a empresta e recebe por ela uma renda chamada de juro. A empresa na 
qual você trabalha vende os bens ou serviços e recebe uma renda denominada de 
lucro, ou seja, terra, trabalho, capital e capacidade empresarial são denominados 
fatores de produção e representam o fluxo real da economia. Já o pagamento pela 
utilização desses fatores (também chamados de recursos), que são o aluguel, o 
salário, o juro e o lucro representam o fluxo monetário.
NOTA
Alguns autores incluem a tecnologia como um quinto fator de produção, sendo 
que a remuneração pela utilização deste fator é denominada de royalty.
Royalties  é uma palavra em inglês que significa  regalia  ou  privilégio. Consiste em uma 
quantia que é paga por alguém ao proprietário pelo direito de usar, explorar ou comercializar 
um produto, obra, terreno etc. Esta palavra é o plural de royalty, que significa realeza. Isso 
explica a origem dessa forma de pagamento pelo direito de usufruir de algo, que começou 
quando as pessoas tinham que pagar ao rei para usar os minerais nas suas propriedades. 
Mais tarde, a palavra continuou sendo usada para descrever essa compensação dada ao 
proprietário de alguma coisa, sendo atualmente muito usada no âmbito da exploração 
petrolífera. No mundo da música, os royalties são um valor pago ao autor ou compositor 
de uma determinada música, para ter o direito de usar ou reproduzir a música em questão. 
Os  royalties são muito comuns no sistema de  franquia, uma taxa que é paga de forma 
periódica pelo franqueado ao franqueador. Esse valor é uma porcentagem do faturamento 
bruto obtido pela franquia.
26
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
No  contexto empresarial, muitas vezes uma pessoa investe dinheiro em uma empresa, 
cobrando depois royalties, uma porcentagem do faturamento obtido na venda do produto 
ou serviço. Também pode ser um valor fixo por cada unidade do produto. Além disso, 
os royalties também podem ser uma forma de remuneração pela utilização de processos 
tecnológicos patenteados (ou que estão protegidos por licença) para a produção de algum 
produto. No caso da indústria petrolífera, os royalties são a compensação financeira dada 
pelas empresas que fazem a exploração por eventuais danos ambientais que podem ser 
causados durante o processo de extração (SIGNIFICADOS, 2018, s.p., grifo do original).
O esquema a seguir demonstra o funcionamento dos fluxos real e 
monetário na economia, envolvendo quatro setores: famílias, empresas, governo 
e setor externo.
FIGURA 4 – FLUXOS REAL E MONETÁRIO
Impostos
gastos do governotransferências
Impostos
Renda($)
(Capital, mão de obra, terra, capacidade empresarial)
(Juro, salário, aluguel, lucro)
Fatores de produção
Bens e serviços
Produto
Consumo ($)
Importação
Exportação
Empresas
Governo
Indivíduos
Setor 
externoRenda
Fatores e gastos
FONTE: Nogami (2012, p. 40)
ESTUDOS FU
TUROS
Na Unidade 2 você aprofundará os estudos sobre este assunto quando 
tratarmos do fluxo circular da renda.
TÓPICO 3 | ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
27
O exemplo formulado anteriormente, no campo da microeconomia, pode 
ser utilizado na macroeconomia se computarmos o fluxo real e monetário não de 
uma empresa e de um trabalhador, mas de toda a economia, que pode ser de um 
município, estado ou país.
Dessa forma, podemos dizer que o mercado de trabalho e o mercado de 
bens e serviços constituem o fluxo real da macroeconomia, e o seu respectivo 
pagamento constitui o fluxo monetário. Estes, por sua vez, determinam diversas 
variáveis, conforme exposto no quadro a seguir:
QUADRO 1 – ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
Classificação Mercados Variáveis determinadas
Parte real da economia
Mercado de bens e serviços Produto nacionalNível geral de preços
Mercado de trabalho Nível de empregoSalários nominais
Parte monetária da 
economia
Mercado financeiro (monetário e 
títulos)
Taxa de juros
Estoque de moeda
Mercado de divisas Taxa de câmbio
FONTE: Vasconcellos (2014, p. 201)
Teoricamente, para o funcionamento da economia, esses mercados devem 
estar em equilíbrio. 
Neste tópico, você conhecerá o funcionamento dos mercados real e 
monetário, compreenderá quais são suas subdivisões e as variáveis que estão 
relacionadas a cada mercado. Então, vamos ver como isso tudo funciona?
2 O MERCADO DE BENS E SERVIÇOS
Vamos analisar o mercado de bens e serviços num contexto 
macroeconômico, assim temos a oferta e a demanda de bens e serviços. O nível 
geral de preços e o nível agregado de produção são determinados por outras duas 
variáveis: a evolução do nível de demanda e oferta agregada de bens e serviços.
Você saberia dizer como se forma a demanda agregada? Esta depende 
somente dos consumidores ou há outros setores econômicos envolvidos?
Para responder a estas perguntas, vamos a um exemplo: afirmamos 
anteriormente que o fluxo real da economia é constituído pelo mercado de bens 
e serviços e pelo mercado de trabalho. Temos aqui dois agentes importantes: os 
consumidores, que demandam bens e serviços, e as empresas, que demandam 
força de trabalho e demais fatores produtivos. Mas a demanda agregada depende 
ainda de dois outros setores importantes: o primeiro é o governo, que demanda 
28
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
bens e serviços e força de traballho para executar as ações governamentais. O 
segundo é o setor externo, já que, como sabemos, há uma interdependência 
entre os países, pois o que não produzimos internamente ou produzimos de 
forma ineficiente pode ser suprido pelas importações, e o que excede a demanda 
nacional pode ser exportado (apesar de ser mais comum encontrar na literatura 
apenas três agentes: famílias/consumidores, empresas e governo).
Por outro lado, a oferta ou produção agregada depende da evolução do 
nível do emprego e da capacidade instalada da economia.
Por isso, como verificamos nas situações de crise, que podem ser ocasionadas 
por um fenômeno inflacionário, por exemplo, a diminuição da demanda agregada 
interfere no nível de emprego, pressionando-o para baixo, o que impacta também 
no nível de preços e a utilização da capacidade instalada de produção.
E qual é a condição de equilíbrio do mercado de bens e serviços?
Numa condição de equilíbrio: oferta agregada de bens e serviços = demanda 
agregada de bens e serviços
Se pode deduzir, a partir do exposto, que flutuações nesse equilíbrio 
implicam em alterações nas variáveis determinadas ao mercado de bens e serviços 
elencadas no quadro acima.
Para entender essas relações, vamos analisar na figura a seguir dois 
indicadores: o da evolução do Produto Interno Bruto (PIB) e da evolução do nível 
de preços medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA):
FIGURA 5 – VARIAÇÃO DO IPCA EM 12 MESES EM ABRIL DE 2010 A 2017 (EM %)
Inflação oficial
Variação do IPCA em 12 meses em abril, em %
2010 2011 2016 20172015201420132012
5,26
4,08
9,28
8,17
6,286,49
5,10
6,51
FONTE: IBGE (2018, s.p.)
TÓPICO 3 | ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
29
Você deve estar acompanhando a situação econômica do Brasil e já ouviu 
que o PIB do Brasil tem caído desde 2013, como mostra a Figura 6. Uma das 
causas de decréscimo do PIB é a diminuição da demanda agregada, que constitui 
uma das variáveis para equilíbrio do mercado de bens e serviços. Assim, vejamos: 
Variação do PIB do Brasil
(2010-2016)
2010 2011 2016
-6,00%
-4,00%
-2,00%
0,00%
2,00%
4,00%
6,00%
8,00%
10,00%
2015201420132012
7,50%
4,00%
1,90%
3,00%
0,50%
- 3,80% - 3,60%
FIGURA 6 – VARIAÇÃO DO PIB DO BRASIL DE 2010 A 2016 (EM %)
FONTE: IBGE (2018, s.p.)
Percebe-se que a diminuição da demanda, e, por conseguinte, da produção, 
é um dos fatores que contribuíram para a queda da inflação no período. 
Assim, você percebe a importância de manter este equilíbrio na economia?
Para entender o funcionamento dos demais mercados, vamos analisá-los 
um a um e depois fazer um apanhado geral, em que você irá perceber o quanto 
variáveis como desemprego, demanda, oferta, nível depreços, nível salarial, taxa 
de câmbio, dentre outras, estão interligadas.
30
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
3 O MERCADO DE TRABALHO
Existe também um ponto de equilíbrio desejável neste mercado? Claro, o 
equilíbrio no mercado de trabalho acontece quando:
Oferta de mão de obra = demanda de mão de obra
O crescimento da oferta de mão de obra depende, principalmente, da taxa 
de crescimento da população.
A taxa média de crescimento anual da população brasileira, segundo o 
IBGE (2018), diminuiu 43,3% em 50 anos, caindo de 2,89% (entre 1950 e 1960) para 
1,64% (1991 a 2000). Segundo projeções do IBGE, até 2030 esta taxa passará a ser 
de menos de 0,5% ao ano. 
Então você poderia se perguntar: Mas se a oferta de mão de obra tem 
diminuído, o que explica o aumento do desemprego a partir de 2014?
Você tem razão em relação à taxa de desemprego. Veja na figura a seguir 
a evolução da taxa anual de desemprego no período de 2001 a 2016:
FIGURA 7 – TAXA ANUAL DE DESEMPREGO NO PERÍODO DE 2002 A 2016 (EM %)
2002
00
02
04
06
08
10
12
14
2004 2005 2006 2007 2008 2009 20102003 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Taxa Anual de Desemprego
(em % - Pesquisa Mensal de Emprego)
FONTE: IBGE (2018, s.p.)
TÓPICO 3 | ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
31
Como podemos observar, a taxa anual de desemprego, que era de 12,4% 
em 2002, teve seu ponto de mínima no ano de 2014, quando ficou em 4,8%. Desde 
então a taxa vem aumentando, ficando em 11,75% em 2016 e em 10,85% em 2017, 
o que representa uma leve queda.
A demanda de mão de obra vem diminuindo consideravelmente nos 
últimos anos, em virtude da crise (imobiliária/financeira) iniciada em 2008. Com a 
crise, as empresas tiveram que fazer ajustes na sua produção, diminuindo custos 
e muitas vezes reduzindo o número de funcionários (ou ainda, muitas empresas 
faliram), apresentando como consequência queda na demanda, ocorrida em 
virtude da queda da renda, o que repercute também na queda da produção, se 
convertendo no que os economistas chamam de círculo vicioso que perpetua a 
crise econômica.
Além desses fatores, como já previa Keynes, a tecnologia também é 
responsável pela diminuição da demanda de mão de obra, já que cada vez mais 
as máquinas substituem o trabalho humano. 
No caso do Brasil, que até 1930 era eminentemente um país agrícola, a 
distribuição da população economicamente ativa vem se alterando de forma 
significativa entre os setores econômicos ao longo dos anos.
FIGURA 8 – BRASIL: DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA POR 
SETORES DE PRODUÇÃO (EM %) – 1940 A 2001
Brasil: Distribuição da população economicamente ativa 
poe setores de produção (em %) - 1940 a 2001
Setor Secundário
Setor Primário
Setor Terciário
80,0
70,0
60,0
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
1940 1950 1960 1970 1980 1990 2001
25,0
17,812,713,110,0
19,8
26,2
33,0
38,0
45,0
54,4
56,5
22,9
20,6
22,8
22,8
30,0
44,3
54,0
60,7
70,2
FONTE: Ministério do Trabalho (2018, s.p.)
32
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
Se fizermos uma análise da distribuição da população economicamente 
ativa (PEA) no Brasil entre os setores primário (agricultura e exploração mineral 
e vegetal), secundário (indústrias) e terciário (comércio e serviços) na economia, 
conforme demonstrado na Figura 8, veremos que de 1940 até a década de 1970 era 
o setor primário que mais empregava, quando foi superado pelo setor terciário. 
Com o avanço do processo de substituição de importações implantado no governo 
de Getúlio Vargas, o setor secundário passa de 10% da PEA em 1940 para 25% em 
1980 e passa a caminhar ao lado do setor secundário a partir de então. 
Essa mudança no perfil do mercado de trabalho reflete também nessa 
relação de emprego, pois com as revoluções tecnológicas aplicadas tanto ao 
setor primário quanto ao secundário e terciário, cada vez mais se exige mão de 
obra qualificada, gerando o que os economistas chamam de lacuna do emprego, 
ou seja, uma situação em que há vagas nesses setores de alta tecnologia, mas 
não há oferta de mão de obra que possa se habilitar para a vaga, o que gera os 
desempregados funcionais.
Como que num jogo de cartas marcadas, o aumento do desemprego 
pressiona os salários para baixo, fazendo com que o valor dos salários nominais 
caia. Citando Marx (1988), pode-se afirmar que quando há um aumento do que 
ele chamou de exército industrial (hoje nem tanto industrial) de reserva, que 
representa um aumento muito maior da oferta de mão de obra em relação à 
demanda de mão de obra, a tendência é de queda do poder de negociação dos 
trabalhadores e, consequentemente, diminuição dos salários.
4 O MERCADO FINANCEIRO
Estando inserido numa sociedade complexa na qual estamos vivendo, 
onde a cada dia as relações sociais e econômicas se tornam mais virtuais, você 
deve ter percebido que o mercado financeiro também tem se tornado de difícil 
operacionalização e até de entendimento por parte dos leigos no assunto.
A moeda, que é um ativo financeiro, portanto, pertencente ao Sistema 
Financeiro Nacional, é também uma mercadoria (e por isso tem seu preço 
definido pelo mercado) que serve de equivalente geral para todas as demais, pois 
os preços dos demais bens e serviços são expressos em moeda corrente.
Você sabe o que é e para que serve o mercado financeiro?
• O que é: conjunto de instituições e instrumentos de intermediação de recursos 
financeiros. 
• Função: transferência de recursos dos agentes econômicos superavitários para 
os deficitários.
• É semelhante à ideia de mercado de bens e serviços, o que muda é a mercadoria 
que, no caso, são ativos financeiros (moeda nacional e estrangeira, ações, títulos 
públicos e privados, commodities, mercado de opções: uma espécie de apólice 
de seguro).
TÓPICO 3 | ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
33
• Os intermediários financeiros não trabalham com recursos próprios, repassando 
recursos dos ofertadores para os receptores.
• São responsáveis pela criação de condições para que os títulos e valores 
mobiliários tenham liquidez no mercado.
NOTA
NOTA
“Liquidez é um conceito econômico que considera a facilidade com que um ativo 
pode ser convertido no meio de troca da economia, ou seja, é a facilidade com que ele pode 
ser convertido em dinheiro. O grau de agilidade de conversão de um investimento sem perda 
significativa de seu valor mede sua liquidez” (QUERO FICAR RICO, 2018, s.p., grifo do original).
Por que instituições como o BB, BNDES e CEF são “especiais”? Elas são 
responsáveis pela execução da política monetária do governo por meio de mercados 
integrantes do SFN (de crédito, de capitais, monetário e cambial) e, ao mesmo tempo, 
integram o subsistema operacional.
Afinal, como o sistema financeiro funciona? A operacionalização do 
sistema é feita pelo conjunto de instituições financeiras, que são classificadas 
como pertencentes ao subsistema normativo ou de intermediação (operativo).
O subsistema normativo, como o nome já prenuncia, é responsável pelo 
funcionamento do mercado financeiro e de suas instituições e é composto pelo 
Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão ao qual está vinculado o Banco 
Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Conselho Nacional 
de Seguros Privados (CNSP), que comporta a Superintendência de Seguros 
Privados (SUSEP) e o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), Conselho de Gestão 
da Previdência Complementar (CGPC), que comporta o Serviço de Proteção ao 
Crédito (SPC) e, ainda, instituições “especiais” como o Banco do Brasil (BB), o 
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa 
Econômica Federal (CEF).
Já o subsistema de “intermediação financeira” é composto pelas 
instituições bancárias e não bancárias. Sua função é operacionalizar o sistema, ou 
seja, intermediar o fornecimento de ativos financeiros entre agentes deficitários e 
superavitários, e é composto por instituições das mais diversas, como os bancos 
comerciais (BB, BRADESCO, CEF etc.), bancos múltiplos, dentre outras.34
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
ESTUDOS FU
TUROS
O estudo mais aprofundado sobre o SFN você terá na disciplina de Economia 
Monetária.
O equilíbrio neste mercado ocorre quando:
Oferta de moedas e títulos = demanda de moedas e títulos
Quanto maior a quantidade de moeda circulando numa economia, menor 
tende a ser o seu preço, já que a moeda também é uma mercadoria. Quando há 
uma diminuição da quantidade de moeda disponível, a tendência é que ocorra 
uma elevação em seu preço, que é determinado pela taxa de juros.
A taxa básica de juros da economia brasileira já deve ser conhecida por 
você, já que o noticiário divulga de tempos em tempos mudanças na taxa, que são 
determinadas pelo Conselho de Política Monetária (COPOM), órgão vinculado 
ao CMN, órgão do qual integra, dentre outros, o Ministro da Fazenda, certo? Essa 
mesmo, a SELIC, sigla de Sistema Especial de Liquidação e Custódia. 
Historicamente, em comparação com outros países, a SELIC tem destaque 
por ser uma das mais altas do mundo (em termos reais). De fato, ainda no início 
de 2017 (com 12,90% a.a.) era a maior no ranking que leva em conta 40 países, 
finalizando o ano com a taxa de 6,90% a.a. No início de 2018, caiu de quarto para 
quinto lugar, passando para 6,75% a.a. (BANCO CENTRAL, 2018).
“Essa é a menor taxa nominal da série histórica, que tem início em 1986. 
Com a Selic em 6,75% ao ano, os juros reais, ou seja, descontada a inflação, 
atingiram 2,89% ao ano. Atrás do Brasil estão: Argentina: 6,05%; Turquia: 5,31%; 
Rússia: 3,68%; México: 3,66%” (MARTELLO, 2018).
A SELIC é considerada a taxa básica da economia porque serve de 
referência para as demais taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras. 
Assim, quanto mais alta é a SELIC, mais “cara” a moeda se torna e, assim, mais 
difícil o acesso ao crédito, o que interfere de forma direta sobre a economia, 
podendo gerar depressão econômica.
TÓPICO 3 | ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
35
DICAS
Quer ler mais sobre o assunto? Acesse o link <http://www.valor.com.br/
cultura/4879800/taxa-real-de-juro-evolucao-e-perspectivas> e confira uma matéria de Barbosa 
(2017), que aborda o tema: Taxa real de juro: evolução e perspectivas.
No Brasil, se não bastassem todos os problemas pelos quais estamos 
passando, o sistema financeiro exerce uma influência enorme sobre a economia, 
podendo-se inclusive afirmar que é este mercado que domina os demais, o que 
gera um desequilíbrio enorme em todo o sistema econômico.
Vamos exemplificar: Você sabe qual foi a taxa anual de remuneração da 
caderneta de poupança no ano de 2017? Segundo dados do Banco Central (2018), 
o rendimento da caderneta de poupança em 2017 foi de 6,57%. E a taxa de juros 
do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito no mesmo ano? Em média, 
estes valores chegaram a 471% e 791%, respectivamente, no ano de 2017 (QUERO 
FINANCIAR, 2018).
Quer mais um exemplo? Veja no quadro a seguir quais foram as taxas 
médias cobradas por algumas instituições financeiras para empréstimos em 2017:
QUADRO 2 – JUROS DE EMPRÉSTIMO: INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS NO MÊS DE 
DEZEMBRO DE 2017
Instituição % a.m. % a.a.
Banco do Brasil S.A. 4,41% 67,87%
Itaú Unibanco S.A. 4,44% 68,47%
Banco Santander 4,45% 68,62%
Caixa Econômica Federal 4,83% 76,14%
Bradesco 5,75% 95,64%
FONTE: Quero financiar (2018, s.p.)
Como você deve ter percebido no quadro, a diferença entre o que você 
ganha quando deposita um valor na caderneta de poupança (ou qualquer outra 
aplicação financeira) e o valor que você paga quando precisa de um empréstimo 
bancário, especialmente nas modalidades cheque especial e rotativo do cartão de 
crédito, é enorme. Não é por acaso que as instituições financeiras estão entre as 
empresas com os maiores lucros ano após ano no Brasil.
36
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
A diferença entre o que os bancos pagam aos poupadores e o que cobram 
dos credores é o que chamamos de spread bancário. 
NOTA
“Spread é uma palavra em inglês que significa  espalhar  alguma coisa, e pode 
ser usada como substantivo, significando propagação ou extensão. Também é uma palavra 
bastante comum na área da economia, mais concretamente o spread bancário. [...] Na área da 
economia, o spread bancário é a diferença entre o valor pago ao produtor por um determinado 
produto e o valor que o consumidor paga por esse mesmo produto. O spread bancário também 
está intimamente relacionado com taxas de juros, sendo que significa a diferença entre a taxa 
de juros que um banco paga e a taxa de juros que é imposta por esse mesmo banco às pessoas 
que requerem um empréstimo” (SIGNIFICADOS, 2018, s.p., grifo do original).
O Brasil está entre os países onde este spread é o mais elevado.
Mesmo em relação à taxa SELIC há grande diferença nos spreads bancários, 
podendo-se afirmar que há uma verdadeira espoliação efetuada pelos bancos em 
relação às taxas cobradas pelos empréstimos bancários, abrangendo tanto pessoas 
físicas como jurídicas.
 
Assim, a moeda e os títulos, que deveriam estar disponíveis para quem 
precisa investir na produção, como no caso dos empresários, ficam circulando 
no mercado financeiro e tornam cada vez mais difícil o acesso ao crédito. Para 
perpetuar essa ciranda financeira, os bancos criam novos títulos, estimulando os 
investidores a deixarem suas economias no sistema financeiro ao invés de investir 
no setor produtivo da economia.
Claro que essa situação não é exclusivamente verificada no Brasil. A 
globalização financeira fez com que essa dependência do mercado financeiro 
ocorra na maioria dos países, o que alguns economistas estão chamando de 
financeirização da economia.
O que significa financeirização da economia? Para aprofundar esse 
assunto, segue um texto de José Álvaro de Lima Cardoso (2017, s.p.):
O grande parasita da nação impõe sua política de guerra
O país atravessa a mais grave recessão da história, com dois anos 
e meio de queda da produção industrial, diminuição da renda e elevação do 
desemprego. Assim mesmo, o lucro líquido dos quatro maiores bancos do Brasil 
cresceu 10,4% no 3º trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2016. A 
soma dos lucros do Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander no período entre 
TÓPICO 3 | ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
37
julho e setembro alcançou R$ 13,6 bilhões ante R$ 12,3 bilhões no mesmo período 
do ano passado. O maior lucro foi o do Itaú Unibanco, que chegou a R$ 6,077 
bilhões. Dos três bancos, dois são privados, um inclusive, estrangeiro.
O setor financeiro no Brasil se apropria de cerca de R$ 600 bilhões por 
ano, em juros da dívida pública e de quase 50% do orçamento púbico federal. 
Além disso, não cumpre a função que deveria ser a razão de sua existência, que 
é a disponibilização e intermediação do crédito, e fatura lucros exorbitantes, 
totalmente descolados da realidade econômica geral do país. O setor financeiro 
privado é como um grande parasita, uma “solitária” gigante, que vive de juros 
e absorve 6% ou 7% do PIB nacional sem apertar um parafuso. O que o Brasil 
que trabalha, ganha sustentando esse sistema parasitário? Empobrecimento e 
penúria para a população, e impossibilidade do país se desenvolver.
O Congresso acabou de aprovar a contrarreforma trabalhista, que 
coloca os direitos trabalhistas de volta ao século XIX. Somente com a queda 
de renda decorrente dessa medida, assistiremos, nos próximos anos, à maior 
transferência de renda dos trabalhadores para a burguesia de toda a história 
do Brasil. Como as novas regras desfavorecem completamente o trabalho, 
a renda irá cair dramaticamente e os salários dos trabalhadores irão perder 
poder aquisitivo. A contrarreforma veio para isso mesmo: reduzir o custo da 
força de trabalho, para compensar a crise mundial do capitalismo, que afeta 
os lucros dos grandes grupos econômicos. Somente os empresários que não 
dependem do mercado interno, ou que estão muito equivocados na análise da 
conjuntura, é que podem estar contentes com a destruição de direitos.Mesmo 
para os empresários que exportam todo o seu produto, é muito temerário 
apostar numa saída que tornará a vida em sociedade no Brasil, insuportável 
nas próximas décadas.
A dilapidação de direitos trabalhistas compõe uma estratégia mundial 
do capital. Os princípios da contrarreforma trabalhista, com adaptações em 
cada país, foram implantados em mais de 110 países. Porém, no contexto 
brasileiro, cuja população vinha num processo de melhoria das suas condições 
de vida na última década antes do golpe, a contrarreforma trabalhista jamais 
poderia ter sido aprovada num processo democrático. Ela só poderia ser 
implantada mesmo em um processo de golpe radical contra a democracia. O 
conjunto de ações do golpe vai contra os interesses da maioria e do mercado 
consumidor interno, a começar pelo seu núcleo central: a) destruição da 
regulação trabalhista; b) congelamento de gastos por 20 anos (Emenda da 
Morte); c)destruição da seguridade social; e assim por diante. 
Está também no centro do golpe a destruição da indústria e a 
transformação do Brasil num fornecedor de matérias-primas baratas para os 
centros industriais dos países ricos. Por isso estão desmontando rapidamente 
a Petrobras e vendendo poços do pré-sal a menos de dois dólares o barril, 
verdadeiro crime de lesa-pátria. Estão destruindo os mecanismos de que o 
Estado dispõe para promover a recuperação da economia.
38
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
Aprovaram o fim da TJLP, criando a TLP, que trabalhará com taxas 
próximas às do mercado, que pratica as maiores taxas do planeta. O BNDES, 
que foi fundamental no enfrentamento da crise a partir de 2008, voltou a ter 
níveis de empréstimos de 2003.
Estão liquidando o BNDES como instrumento de política industrial.
A fórmula de política econômica que está sendo implementada no 
Brasil, um ultraneoliberalismo anacrônico, representa um assalto à renda e às 
condições de vida do povo brasileiro. Tal política fracassou em todo o mundo. 
Claro, um fracasso do ponto de vista da nação, porque as minorias enriquecem 
com as privatizações e o torra-torra de patrimônio público. Se preparam agora 
para destruir a seguridade social, um sistema fundamental para 100 milhões 
de compatriotas. Na verdade, pretendem implodir o sistema público de 
seguridade social, uma encomenda do sistema financeiro privado.
Se implementarem até o fim essa agenda de guerra, tendo ou não eleições 
em 2018, deverá haver, mais cedo ou mais tarde, reação social. O conjunto de 
maldades que está sendo encaminhado contra o povo e contra o país se tornará 
cada vez mais evidente, até para os mais crédulos. Ficará cada vez mais claro 
que foi aplicado um golpe dos poderosos, menos de 1% da população, contra 
mais de 99% dos brasileiros. É uma questão de tempo. Neste contexto, qual 
o sentido de o empresariado não especulativo e ligado ao mercado interno 
apoiar a destruição do mercado consumidor e não cerrar fileiras contra todas 
essas políticas? Será em função do processo de alienação política, dos ganhos 
com o rentismo, ou é um pouco de cada coisa?
FONTE: <http://desacato.info/o-grande-parasita-da-nacao-impoe-sua-politica-de-guerra/>. 
Acesso em: 8 ago. 2018.
DICAS
Indicação de leitura: 
O dinheiro e a financeirização da economia mundial, de Paulo Nakatani. Disponível em: 
<https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-dinheiro-e-a-financeirizacao-da-
economia-mundial/4/31520>.
TÓPICO 3 | ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
39
5 O MERCADO DE DIVISAS
Utilizando a mesma dedução utilizada para analisar os demais mercados, 
no mercado de divisas existe equilíbrio quando:
Oferta de divisas = demanda de divisas
Mas o que são divisas? Divisas é o nome dado às moedas estrangeiras, que 
são utilizadas para as transações entre os países, hoje cada vez mais globalizados.
E como as divisas são precificadas? Como sabemos, as moedas também 
são mercadorias e as divisas têm seu preço determinado pela taxa de câmbio. A 
taxa de câmbio, por sua vez, é o valor que se paga, em moeda nacional, por uma 
unidade de moeda estrangeira, que pode ser o dólar, euro, ou qualquer moeda 
aceita no mercado de câmbio.
A moeda oficial utilizada nas transações internacionais é o dólar 
americano. Com a crise financeira internacional de 2008, iniciada nos Estados 
Unidos, tendo como ponto de partida a crise imobiliária, chegou-se até mesmo a 
discutir a substituição do dólar como meio de pagamento oficial, mas ainda não 
se chegou a um consenso sobre como seria possível utilizar um novo instrumento, 
já que todas as moedas estão vinculadas ao seu país de origem e, por isso, sofrem 
influência dos fenômenos econômicos internos. 
Mas como é que se determina a taxa de câmbio, então? A taxa de câmbio é 
determinada pela relação entre a demanda e a oferta de moeda estrangeira. 
Quem são os demandantes e ofertantes nesse mercado? Vejamos: quando 
um agente importador brasileiro fecha um contrato de importação, por exemplo, 
com os Estados Unidos, pelo valor estipulado de U$ 2.000,00, este valor não pode 
ser pago em reais. Logo, convertendo pela taxa de câmbio vigente na transação, 
que era de, suponhamos, U$ 3,00, o importador pagará R$ 6.000,00 ao agente 
de câmbio e terá os dólares necessários para efetuar a transação. Assim, além 
do importador e do exportador, qualquer pessoa física (mesmo você ou alguém 
da sua família quando viaja para o exterior ou faz uma compra internacional), 
empresário ou agente público que precise efetuar uma transação com o 
exterior, necessita comprar ou vender moeda estrangeira e a relação entre estes 
demandantes e ofertantes é que vai determinar a taxa de câmbio daquele dia. 
Quando você estudar economia internacional irá aprofundar esses 
conceitos. Por ora é importante que você entenda que quando há um desequilíbrio 
entre oferta e demanda de moeda estrangeira, sempre um dos agentes econômicos 
fica prejudicado. Quando a taxa de câmbio está valorizada (dólar mais caro, por 
exemplo), significa que o Brasil tem que desembolsar mais reais na transação, 
o que prejudica especialmente os importadores, e quando a taxa de câmbio 
está desvalorizada (dólar mais barato), os exportadores se sentem prejudicados 
porque recebem menos reais para cada unidade de moeda estrangeira paga pelos 
produtos exportados. 
40
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
Na contabilidade social (ou nacional), quando estudamos uma das suas 
contas, que é o balanço de pagamentos, você verá que quando exportarmos menos 
(produtos e serviços, capitais, mão de obra etc.) do que importamos, teremos 
um déficit em nosso balanço de pagamentos (ou seja, ficamos devendo para o 
exterior) e quando ocorrer o contrário, seremos superavitários nas nossas contas 
com o exterior, então buscar esse equilíbrio e, na medida do possível, o superávit 
com o setor externo é uma das metas de política econômica dos países.
Por fim, agora que já tratamos dos mercados que compõem o lado real e 
monetário da economia, você deve ter percebido o quanto todos esses mercados 
estão inter-relacionados. Assim, um desequilíbrio havido em um desses mercados 
poderá levar a um desequilíbrio em todo o sistema econômico.
Se ocorre uma diminuição da renda nacional (composta pela remuneração 
na forma de salários, juros, lucros e aluguéis), poderá ocorrer uma diminuição 
das despesas com consumo, desencadeando uma diminuição da produção e do 
nível de emprego, que por sua vez poderá levar a uma queda no investimento 
produtivo, interferindo nas relações com o setor externo, que consequentemente 
afetam tanto o lado real como monetário da economia. Por isso, conforme serão 
abordadas na Unidade 2, as políticas macroeconômicas visam restabelecer esse 
equilíbrio, minimizando os efeitos deletérios que esses desequilíbrios causam no 
mundo real.
41
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os lados reais e monetários da economia estão inter-relacionados, constituindo 
os fluxos básicos da economia. 
• O fluxo real é constituído pelomercado de trabalho e o mercado de bens e 
serviços.
• O fluxo monetário é constituído pelo pagamento, em unidades monetárias, 
pelos fatores produtivos e bens e serviços, gerando o mercado financeiro e o 
mercado de divisas.
• O mercado de bens e serviços determina o produto nacional e o nível geral de 
preços.
• O mercado de trabalho determina o nível de emprego e o valor dos salários 
nominais.
• O mercado financeiro, por sua vez, determina a taxa de juros e o estoque de 
moeda.
• O mercado de divisas determina a taxa de câmbio.
• Ocorrendo equilíbrio em cada um desses mercados, ocorrerá equilíbrio em 
todo o sistema econômico, e o contrário ocorrerá quando os mesmos estiverem 
em desequilíbrio.
42
1 Por fluxo real entende-se o movimento dos recursos produtivos e de bens 
e serviços entre os diversos agentes econômicos. Desta forma, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) O fluxo real representa o pagamento pela utilização dos recursos 
produtivos.
b) ( ) As empresas vendem bens e serviços e compram recursos produtivos e 
as famílias vendem recursos produtivos e compram bens e serviços, o 
que representa o fluxo monetário da economia.
c) ( ) As empresas representam o lado monetário da economia e os 
trabalhadores o lado real.
d) ( ) Os recursos produtivos são fornecidos somente pelo governo.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
2 Assinale a alternativa que completa a frase:
Como contrapartida monetária dos fluxos ________ temos os 
fluxos monetários. Toda vez que um bem ou serviço é transferido de um 
agente para outro, são efetuados pagamentos em troca deles. O fluxo _____ 
consequentemente gira em direção contrária ao fluxo real. 
a) ( ) cambiais, real.
b) ( ) reais, monetário.
c) ( ) econômicos, cambial. 
d) ( ) cambiais, monetários.
e) ( ) monetários, cambial.
3 Sobre o fluxo circular da atividade econômica, podemos afirmar que:
a) ( ) O fluxo circular da atividade econômica mostra de forma simplificada 
a maneira pela qual indivíduos e empresas interagem na economia, 
cada qual buscando atingir diferentes objetivos. As firmas procurando 
maximizar a satisfação de seus desejos e necessidades e os indivíduos 
visando maximizar seus lucros.
b) ( ) Qualquer que seja a empresa, agrícola, industrial ou de serviços, 
necessita de recursos produtivos para operar.
c) ( ) O consumo representa a oferta total de bens e serviços dos indivíduos 
em uma economia e que dependem da renda disponível desses 
indivíduos.
d) ( ) Os indivíduos, utilizando os fatores de produção disponíveis, 
produzirão bens e serviços que serão oferecidos às empresas.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
4 Por que uma taxa de juros mais baixa resulta em um aumento do 
investimento produtivo na economia? Nesses casos, o que acontece com o 
nível de consumo, renda e emprego?
AUTOATIVIDADE
43
TÓPICO 4
POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E 
FINALIDADES
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Vimos anteriormente que a política macroeconômica é um conjunto de 
ações governamentais desenvolvidas para o alcance de diferentes finalidades, 
que estão intrinsecamente relacionadas com a situação econômica de um país e 
mesmo de uma respectiva região, conjunto de países ou de blocos econômicos.
Entretanto, para que o governo possa de fato interferir na economia de 
um país é necessária uma legislação que legitime e ampare esta intervenção.
Neste tópico, você verá o que trata a Constituição da República Federativa 
do Brasil (CRFB) de 1988 a respeito dos casos em que o Estado pode intervir na 
economia, bem como verificará que são cinco os principais objetivos (finalidades, 
metas) de política macroeconômica listados pela literatura econômica:
• Alto nível de emprego.
• Estabilidade de preços.
• Crescimento econômico.
• Distribuição equitativa da renda.
• Equilíbrio nas contas externas.
2 A CONSTITUIÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL 
No caso do Governo Federal é a Constituição da República Federativa 
do Brasil (CRFB) de 1988 que estabelece a forma pela qual irá acontecer esta 
intervenção. No seio da CRFB está estabelecida a Constituição Econômica, ou 
seja, as normas e princípios que regem a intervenção do Estado na economia.
44
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
O Título VII da CRFB, que trata da Ordem Econômica e Financeira, reza, 
no Capítulo 1 (dos princípios gerais da atividade econômica), em seu art. 170 que:
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho 
humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência 
digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes 
princípios: I- soberania nacional; II- propriedade privada; III- função 
social da propriedade; IV- livre concorrência; V- defesa do consumidor; 
VI- defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento 
diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços 
e de seus processos de elaboração e prestação; VII- redução das 
desigualdades regionais e sociais; VIII- busca do pleno emprego; IX- 
tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas 
sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no 
País. Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de 
qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de 
órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei (BRASIL, 1988, s.p.).
É atribuição do Estado assegurar a todos existência digna, conforme os 
ditames da justiça social. 
Afinal, o que isso significa, na prática? É isso mesmo o que você deve 
estar pensando: o que nós abordamos no início deste material didático, sobre o 
objeto da economia, podemos nos referir novamente, acrescentando o que hoje 
é também papel do Estado: atender às necessidades de toda a sociedade e não 
apenas de alguns grupos econômicos. 
Ao longo da história do capitalismo, podemos observar que este é um 
modo de produção que cria e reproduz desigualdades, já que se trata de uma 
sociedade dividida em duas classes sociais: o capital e o trabalho, sendo este 
último o lado mais fraco nesta relação.
Assim, garantir uma existência digna implica em executar ações que façam 
com que todos tenham acesso à moradia, educação, saúde, segurança, inclusão 
social, um meio ambiente preservado, direitos de consumidor assegurados, 
redução das desigualdades regionais e assim por diante. 
E, ainda, garantindo a soberania nacional. Mas o que isso significa? 
Na etimologia da palavra, “soberania é a qualidade de algo ou alguém 
que é soberano, isto é, uma autoridade superior (com mais poder e domínio) em 
comparação aos demais” (SIGNIFICADOS, 2018, s.p., grifo do original).
Desse modo, podemos citar que nas monarquias o rei era o soberano, 
aquele que fazia as leis e as impunha aos seus súditos, independentemente da 
vontade destes.
Já em um Estado Republicano, como é hoje a maioria dos países, a 
soberania deveria pertencer ao povo. Assim, de acordo com Rousseau (1973), 
a soberania não é outra coisa, senão o exercício da vontade geral, sendo esta a 
vontade do povo e tendendo sempre ao bem comum.
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
45
Com relação à soberania nacional econômica, que em nosso caso é a que 
mais nos interessa, frente aos demais países, de acordo com Noble (2014, s.p.):
São elementos centrais da soberania econômica de um país, 
fundamentalmente em tempos de globalização: a defesa da produção 
nacional, a conquista de novos mercados no exterior, com o consequente 
crescimento da participação do país no mercado internacional, o 
equilíbrio das contas externas, e a geração de uma tecnologia nacional 
altamente competitiva.
Infelizmente, no caso do Brasil, a soberania nacional, tão intensamente 
defendida na Constituição de 1988, vem sofrendo consecutivos ataques nos 
últimos anos desta década. 
Assim, no que se refere à defesa da produção nacional, especialmente 
em tempos de globalização, o Estado deveria proteger as empresas nacionais 
em detrimento das estrangeiras. Quando uma empresabrasileira fecha, em 
decorrência de uma falência pela concorrência com outra externa, empregos, 
renda e riqueza do país também são afetados diretamente.
Vemos que as multinacionais avançam sobre o Brasil de forma assustadora 
nas últimas décadas para explorar nossas riquezas naturais, nossa diversidade 
biológica e até nossos empregos, além do fato de que a riqueza gerada por essa 
exploração é levada para fora do país, na forma de lucros e dividendos para a 
multinacional.
Para que o Brasil possa ter destaque no comércio mundial, o governo deve 
adotar estratégias de inserção que aumentem sua soberania nacional, ou seja, não 
deve ser dominado por outro país ou por um conjunto de outros países, como 
acontece no caso do domínio americano sobre muitas nações.
No que se refere à geração de uma tecnologia nacional altamente 
competitiva, as privatizações que se intensificaram no Brasil a partir de 1990, além 
de contribuírem para a desnacionalização da economia brasileira, aceleraram o 
processo de “desindustrialização” (diminuição do número de indústrias) no país.
Com certeza você sabe o que significa privatização. Em todo caso, de acordo 
com Pena (2018, s.p.), “entende-se por privatização o processo de transferência 
de órgãos ou empresas estatais (pertencentes ao Estado, portanto, públicos) 
para a iniciativa privada por meio da realização de vendas, que costumam ser 
instrumentalizadas a partir de leilões públicos” (grifo do original).
Isso quer dizer que um patrimônio que antes era público (em outras 
palavras, do povo), passa para as mãos da iniciativa privada, a exemplo do que 
ocorreu com a Companhia Vale do Rio Doce, em 1997, quando foi vendida por R$ 
3,3 bilhões, o que, de acordo com Sthephanowitz (2018), equivalia a apenas 3,3% 
do valor estimado de suas reservas de minério de ferro, que era de R$ 100 bilhões 
na época.
46
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
Assim, mais de uma centena de empresas públicas já foram privatizadas 
nas últimas décadas, deixando o Brasil ainda mais subserviente aos interesses do 
capital internacional, de acordo com as recomendações que foram ditadas pelo 
Consenso de Washington, realizado em 1989. 
[Este] apresentava uma série de recomendações econômicas que 
funcionaram como instrumento de pressão internacional para a adoção 
do neoliberalismo, principalmente pelos países subdesenvolvidos. 
Dessa forma, muito instrumentalizadas pelo FMI, as recomendações 
desse consenso foram amplamente difundidas no Brasil, das quais as 
privatizações são destaque (PENA, 2018, s.p.).
Quanto mais empresas públicas forem privatizadas, menor será o 
tamanho do Estado e menor será a capacidade deste em realizar ações e investir 
na economia do país, visando justamente atender ao que está propugnado na 
própria Constituição Econômica.
3 OBJETIVOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
Como já afirmamos, a política macroeconômica visa ao atendimento de 
diversos objetivos. A literatura enumera pelo menos cinco: alto nível de emprego; 
estabilidade de preços; crescimento econômico; distribuição equitativa da renda; 
e, equilíbrio nas contas externas.
Vamos tratar de cada um deles especificamente.
3.1 ALTO NÍVEL DE EMPREGO
Acompanhando as notícias econômicas divulgadas, é muito comum ouvir 
indicadores do nível de desemprego do país. É claro que você sabe da importância 
que a geração de emprego tem para a economia de qualquer país, já que o salário, 
que nada mais é do que a remuneração pelo fator de produção trabalho, é um 
dos componentes da renda nacional agregada. Assim, se o nível de desemprego 
aumenta, diminui a massa salarial, que faz pressionar para baixo o consumo, 
afetando igualmente a produção e a renda e assim sucessivamente.
Entretanto, é preciso que se faça aqui uma distinção entre o pensamento 
liberal e marxista/keynesiano sobre o desemprego.
Para a teoria liberal, o nível de emprego é um problema conjuntural, ou 
seja, de curto prazo. O pensamento liberal acredita que:
Os mercados, sem interferência do Estado, conduziriam a economia ao 
pleno emprego de seus recursos, ou ao seu produto potencial: milhões 
de consumidores e milhares de empresas, como que guiados por uma 
‘mão invisível’, determinariam os preços e a produção de equilíbrio, 
e, desse modo, nenhum problema surgiria no mercado de trabalho 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 88).
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
47
Ao analisar a evolução do capitalismo desde a Revolução Industrial, 
no período entre o final do século XVIII até o início do século XX, quando o 
desenvolvimento tecnológico e a produção foram crescentes e demandando 
muita mão de obra, pode-se afirmar que, de certa forma, neste interregno, não 
havia flutuações tão grandes no emprego.
A história revela que, com a implantação e o desenvolvimento do 
capitalismo, vieram a consciência da luta de classes, já que os trabalhadores se 
mobilizavam para garantir direitos fundamentais, que não existiam; a jornada 
de trabalho era de 16 a 18 horas semanais, a condição de trabalho na maioria 
das situações era desumana, os salários aviltantes, o que fez surgir e solidificar 
os sindicatos de trabalhadores que, organizados, exigiam melhores salários 
e condições de trabalho. Além disso, o comércio internacional e o mercado de 
capitais também se intensificaram, trazendo incerteza e insegurança para os 
agentes econômicos sobre o real funcionamento da economia.
A Grande Depressão Econômica de 1930, iniciada com a quebra da Bolsa 
de Valores de Nova York em 1929, atingindo a maioria dos países do mundo 
ocidental, pôs em xeque este entendimento, já que milhares de trabalhadores 
ao redor do mundo perderam seus empregos, centenas de empresas faliram, 
ocorreram suicídios de muitos empresários que tiveram suas empresas falidas, 
o que levou à constatação de John Maynard Keynes (afirmação esta já atribuída 
a Marx [1890]), de que o desemprego não é um problema conjuntural, mas 
estrutural, ou seja, é inerente ao modo de produção capitalista.
Marx trata dessa questão quando aborda o exército industrial de reserva, 
peça-chave para que o capitalista possa extrair mais-valia do trabalhador que, 
com medo de perder o emprego (já que há muitos desempregados esperando por 
uma vaga), aceita trabalhar por um salário cada vez menor.
Marx (apud DANTAS, 2016, s.p.) afirma que:
Há no capitalismo uma “lei de salários”, isto é, uma norma que é a 
seguinte: o sistema capitalista necessita de que haja constantemente 
um exército de desempregados, de forma que a patronal possa usar 
os trabalhadores sem emprego para pressionar pelo rebaixamento 
dos salários de quem está empregado. ‘Aceite o salário que te pago 
caso contrário alguém lá fora pega seu lugar e ainda aceita salário 
menor’. Esse ‘alguém lá fora’ vem a ser justamente aquela multidão de 
trabalhadores desempregados, nas periferias das cidades, no campo 
ou as próprias mulheres dos trabalhadores, todos em uma posição 
mais frágil, mais carente ou mais defensiva ao ponto de aceitarem 
substituir o trabalhador demitido inclusive por um salário menor 
do que ele ganhava. O chamado terceirizado, o precarizado, vem a 
ser justamente isso: a massa de trabalhadores que o sistema lança no 
desemprego absoluto e na carência profunda. 
48
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
A partir dessa constatação, de ser o desemprego um componente 
estrutural do capitalismo, Keynes, no célebre livro Teoria Geral do Emprego, do Juro 
e da Moeda, de 1936, “forneceu aos governantes os instrumentos necessários para 
que a economia recuperasse seu nível de emprego potencial ao longo do tempo” 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 88).
A principal contribuição de Keynes, implantada por governantes de 
diversos países, foi no sentido de comprovar que para debelar a recessão que 
assolava os países, os Estados Nacionais deveriam intervir na economia que, até 
aquele momento, não sofria uma intervenção direta por parte do Estado.
Mas que tipo de intervenção seria essa? O Estado, utilizandorecursos 
públicos, investiria na construção de estradas, rodovias, ferrovias, hospitais e 
demais bens públicos, demandando, além de matérias-primas e insumos por 
parte das empresas, mão de obra assalariada para execução das obras, o que 
geraria um aumento da renda nacional, que induziria a um aumento na demanda 
nacional e, consequentemente, no nível de produção das empresas, elevando a 
riqueza do país e resgatando o país da recessão econômica.
Keynes (1983) também asseverou que o investimento produtivo e a 
inovação tecnológica são importantes para gerar competitividade ao país, mas 
podem gerar novo ciclo de desemprego (o que ele chamou de paradoxo do 
investimento), haja vista que em geral novas tecnologias demandam menos mão 
de obra, o que se verifica na prática se formos analisar a evolução do emprego 
formal por setor econômico, como já abordamos anteriormente.
Além desse fator, temos um outro agravante: novas tecnologias, que 
mudam cada vez mais rapidamente, exigem um grau de conhecimento e 
especialização cada vez maior por parte da classe trabalhadora, o que cria o 
chamado ‘trabalhador marginal’, que fica à margem da sociedade porque não 
consegue acompanhar essa evolução e perde a possibilidade de encontrar 
emprego no mercado formal. Por isso que, no Brasil, cresce assustadoramente o 
mercado informal de trabalho.
DICAS
Para saber mais a respeito do que ocorre com o mercado de trabalho no 
Brasil, acompanhe as discussões sobre a Reforma Trabalhista, que precarizou as relações de 
trabalho no Brasil e contribui ainda mais para o aumento do mercado informal de trabalho.
Uma boa indicação de leitura é a Nota Técnica nº 1278, de maio de 2017, do 
Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), cujo 
download pode ser efetuado no link: <https://www.dieese.org.br/notatecnica/2017/
notaTec178reformaTrabalhista.html>.
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
49
3.2 ESTABILIDADE DE PREÇOS
Você já deve ter ouvido diversas vezes os economistas falarem da 
importância da estabilidade de preços. Mas você sabe qual é o real significado de 
estabilidade?
Na etimologia da palavra, estabilidade é a qualidade de estável (que 
mantém o equilíbrio, não varia e permanece no mesmo lugar durante muito 
tempo). O termo deriva do latim stabilitate” (CONCEITO.DE, 2018). 
A estabilidade é uma palavra que designa diversas concepções, como 
podemos observar em alguns exemplos: a) no serviço público indica que o servidor 
terá a garantia de permanência no trabalho, não podendo ser demitido; b) na 
política indica que há convergência de ideologias, competência para resolver e/ou 
prevenir crises; c) na saúde indica que o paciente está estável, ou seja, responde 
bem ao tratamento; d) na construção civil indica que a obra está em equilíbrio, 
não corre risco de sofrer algum colapso.
E para os preços? Indica que os preços dos mais diferentes tipos de bens 
estão estáveis, ou seja, constantes, o que significa dizer que não há inflação.
Define-se inflação “como o aumento contínuo e generalizado no nível 
geral de preços” (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 88).
Sendo contínuo, significa dizer que não se pode confundir com elevações 
“sazonais” de preços, aquelas oriundas de efeitos adversos, por exemplo, uma 
queda de granizo, que afeta a oferta de alimentos de ciclo curto de produção, 
como as verduras e legumes, ou então aquelas havidas pela diminuição da oferta 
conforme a estação do ano, como a produção leiteira. E generalizado, pois afeta 
todas as cadeias de produção, atingindo todos os setores da economia.
A inflação é um dos maiores problemas econômicos, pois como a 
história econômica já constatou, gera inúmeras distorções, afetando diretamente 
a distribuição de renda de um país, bem como as expectativas dos agentes 
econômicos e o balanço de pagamentos (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005).
A distribuição de renda é afetada, pois quando os preços dos bens 
aumentam, diminui o poder de compra de certos indivíduos (que dependem de 
rendimentos fixos), afetando mais fortemente os assalariados, pois com o mesmo 
salário recebido no início do mês não é possível adquirir a mesma quantidade de 
produtos ao longo do mês, pois os mesmos são reajustados mais frequentemente em 
relação ao reajuste salarial. Esta realidade ainda é agravada porque o trabalhador 
geralmente utiliza todo seu salário na aquisição de bens de consumo, não podendo, 
portanto, aplicar sua renda no sistema financeiro com o intuito de manter o poder 
de compra da moeda por meio dos juros. Os donos do capital, entretanto, como 
têm um fluxo de rendimentos mais flexível, pois recebem suas rendas provenientes 
de lucros, juros e aluguéis em dias alternados, conseguem manter seu poder de 
compra, aumentando assim a desigualdade entre pobres e ricos.
50
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
No que se refere às expectativas dos agentes econômicos (consumidor, 
empresas e governo), os mesmos são afetados porque criam-se incertezas com 
relação a investimentos produtivos (se é apropriado investir na implantação de 
uma nova fábrica, na construção de uma casa, no financiamento de um automóvel 
ou mesmo em um imóvel, na realização de uma obra pública, por exemplo), pois 
o retorno esperado desse investimento pode não compensar economicamente, 
ou no caso de empréstimos, pode não haver possibilidade de quitar as dívidas 
pelo aumento do valor das prestações. Os agentes econômicos preferem deixar 
suas economias em aplicações financeiras (mais seguras) do que utilizar estes 
recursos em projetos de longo prazo, pois o risco de prejuízo é tanto maior quanto 
mais incerto é o investimento. Assim, pode resultar numa paralisia do sistema 
econômico, gerando decréscimo no consumo, desemprego, dentre outros fatores.
A própria fixação de novos preços pelos agentes econômicos também fica 
afetada, pois há incertezas no sentido de prever se a inflação persistirá nos meses 
seguintes, o que levaria, em tese, os agentes a aumentarem os preços de seus 
produtos e serviços. No Brasil, como já afirmamos, houve um período chamado 
de inflação inercial (nas décadas de 1980-1990), quando os preços dos produtos 
e serviços eram aumentados sistematicamente pelos agentes econômicos de um 
período para outro, sem a verificação da real ocorrência de tal subida dos preços, 
o que retroalimentava a inflação.
A inflação inercial ocorre quando os preços de uma economia oferecem 
resistência às políticas de estabilização para atacar as causas primárias 
da inflação, é a chamada memória inflacionária. Essa inflação inercial 
é decorrente de mecanismos de indexação, que reajustam o valor 
das parcelas de contratos pela inflação do período passado, ou seja, 
mesmo que não tenha uma razão do preço aumentar, ele aumenta 
baseado nessa memória inflacionária (CULTURAMIX, 2012, s.p., grifo 
da autora).
Finalmente, em relação ao balanço de pagamentos, um país com altas 
taxas de inflação pode facilmente perder a competitividade no comércio mundial, 
já que os preços dos seus bens e serviços se tornam mais “caros” em comparação 
com os demais países com os quais mantêm relações comerciais, levando a 
diminuições da demanda e, consequentemente, exportando menos. Assim, 
se o valor das exportações passa a ser inferior ao valor das importações, gera 
um déficit no balanço de transações correntes (uma das contas do balanço de 
pagamentos), o que pode acarretar inclusive, dependendo do comportamento 
das demais contas (de capital e financeira e de erros e omissões), em déficit no 
citado balanço de pagamentos.
Além da inflação inercial, já mencionada anteriormente, temos a inflação 
de demanda e a inflação de custos.
A inflação de demanda “diz respeito ao excesso de demanda agregada em 
relação à produção disponível de bens e serviços (oferta agregada)” (NOGAMI; 
PASSOS, 2003, p. 500).
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
51
Para você não deve ser difícil entender: há mais pessoas procurando bense serviços do que bens e serviços disponíveis para venda. Ou, por analogia, há 
muita moeda disponível à procura de poucos bens. Esse fenômeno costuma 
ocorrer quando se verifica um crescimento na renda dos agentes econômicos, que 
pode ser por meio do crescimento econômico do país. 
Entretanto, há “estudos que admitem que o governo, ao financiar seus 
déficits através da emissão de moeda, origina o processo inflacionário. Essa é a 
visão monetarista da inflação” (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 500).
Já a inflação de custos
[...] pode ser associada a uma inflação tipicamente de oferta. O nível de 
demanda permanece o mesmo, mas os custos de certos fatores importantes 
aumentam. Com isso ocorre uma retração da produção, deslocando 
a curva de oferta do produto para trás, provocando um aumento dos 
preços de mercado (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 184).
Caro acadêmico, você tem alguma ideia das principais causas do aumento 
dos custos de produção? Pois bem, os mais comuns são o aumento do custo das 
matérias-primas (lembre-se sempre do petróleo, um dos insumos ainda mais 
utilizados nas cadeias produtivas); reajustes salariais, pressões nos preços dos 
produtos oferecidos por setores monopolizados (em que uma empresa domina 
a oferta do produto, como a Microsoft) ou oligopolizado (em que apenas 
poucas empresas dominam a oferta do produto, como os setores farmacêutico, 
automotivo, dentre outros) (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005). 
ESTUDOS FU
TUROS
Especificamente sobre a inflação, você terá acesso ao conteúdo na disciplina 
de Macroeconomia II. 
Para complementar este estudo inicial, segue um texto que vai ajudá-lo a entender alguns 
pontos importantes sobre a história da inflação no Brasil.
HISTÓRIA DA INFLAÇÃO NO BRASIL
O Brasil e a Hiperinflação
A hiperinflação ocorre quando a inflação fica elevadíssima e fora de controle. Além de corroer 
o poder de compra do consumidor, a alta generalizada e contínua dos preços costuma 
provocar recessão e desvalorização acentuada da moeda. No Brasil, a hiperinflação ocorreu 
entre as décadas de 1980 e 1990, quando a inflação galopante chegou a superar os 80% ao 
mês, ou seja, o mesmo produto chegava a quase dobrar de preço de um mês para o outro.
Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) mostram que entre 1980 e 
1989, a inflação média no país foi de 233,5% ao ano. Na década seguinte, entre os anos de 
1990 e 1999, a variação anual subiu para 499,2%.
52
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
As causas da hiperinflação brasileira
As causas da hiperinflação no país costumam ser relacionadas ao aumento dos gastos 
públicos durante o governo militar e pela elevação do endividamento externo, agravado 
pela crise mundial derivada do aumento dos preços do petróleo e pela retração na taxa 
de expansão da economia. A política de substituição das importações – que vinha desde 
o governo Juscelino Kubitschek – fez crescer os gastos públicos, e o "milagre econômico" 
entre o final dos anos 1960 e o início da década de 1970 (quando a economia brasileira 
cresceu à média de 10% ao ano) foi financiado por empréstimos internacionais. A partir 
de 1973, quando a crise internacional do petróleo fez o custo do barril subir 400% em três 
meses, de US$ 2,90 para US$ 11,65, a economia brasileira passou a apresentar taxas de 
inflação crescentes. O PIB já não crescia tanto, e o Brasil entrou na década de 1980 com o 
pé esquerdo: inflação, dívida externa elevada e indústria defasada.
Na hiperinflação crônica, as causas se sucedem e se realimentam. O choque do petróleo 
pode ter dado início à crise hiperinflacionária, mas ela foi intensificada por desvalorizações 
da moeda, para manter o Brasil competitivo (com uma maxidesvalorização em 1979); e pelo 
aumento do dinheiro em circulação para financiar a dívida externa.
Foram cerca de 15 anos de inflação acima de dois dígitos e de correção monetária. 
Comerciantes remarcavam diariamente os preços dos produtos, que sumiam rapidamente 
das prateleiras, já que a população estocava alimentos por temer as sucessivas altas. Preços 
e salários eram reajustados automaticamente assim que era divulgada a inflação do mês 
anterior, criando o efeito bola de neve, em que a inflação de um mês era imediatamente 
repassada para o mês seguinte.
Quem mais perdia com a hiperinflação eram os mais pobres, que não podiam se defender das 
perdas colocando o dinheiro em aplicações que rendessem juros diários e acompanhassem 
a desvalorização da moeda.
O Plano Cruzado
O Plano Cruzado foi um conjunto de medidas econômicas, lançado pelo governo brasileiro 
em 28 de fevereiro de 1986, com base no Decreto-Lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986.
Na época, o presidente da República era José Sarney e o ministro da Fazenda era Dilson 
Funaro.
O Plano Cruzado foi o primeiro plano econômico nacional em larga escala desde o término 
da ditadura militar.
Em 1986, o Plano Cruzado congelou preços, e a carne sumiu dos supermercados.
Principais medidas do Plano Cruzado
As principais medidas contidas no plano foram: 
• congelamento de preços de bens e serviços; congelamento da taxa de câmbio; 
• reforma monetária, com alteração da unidade do sistema monetário, que passou a 
denominar-se cruzado (Cz$), cujo valor correspondia a mil unidades de cruzeiro; 
• substituição da Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional  (ORTN – (título da  dívida 
pública  instituído em 1964), pela Obrigação do Tesouro Nacional  (OTN), cujo valor foi 
congelado por um ano; 
• congelamento dos salários pela média de seu valor dos últimos seis meses e do salário 
mínimo em Cz$ 804,00, que era igual a aproximadamente a US$ 67,00 de salário mínimo; 
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
53
• como a economia fora desindexada, instituiu-se uma tabela de conversão para transformar 
as dívidas contraídas numa economia com inflação muito alta em dívidas contraídas em 
uma economia de inflação praticamente nula; 
• criação de uma espécie de seguro-desemprego para aqueles que fossem dispensados 
sem justa causa ou em virtude do fechamento de empresas; 
• os reajustes salariais passaram a ser realizados por um dispositivo chamado  gatilho 
salarial ou seguro-inflação, que estabelecia o reajuste automático dos salários sempre que 
a inflação alcançasse 20%.
 
Plano Verão
O Plano Verão, instituído em 16 de janeiro de 1989, foi um plano econômico lançado pelo 
governo do presidente brasileiro José Sarney, realizado pelo ministro Maílson Ferreira da 
Nóbrega, que havia assumido o lugar de Bresser Pereira.
Devido à crise inflacionária da década de 1980, foi editada uma lei que modificava o índice de 
rendimento da caderneta de poupança, promovendo ainda o congelamento dos preços e 
salários, a criação de uma nova moeda, o Cruzado Novo, inicialmente atrelada em paridade 
com o dólar e a extinção da OTN, importante fator de correção monetária.
Assim como ocorreu no Plano Bresser, o Plano Verão também gerou grandes desajustes às 
cadernetas de poupança, em que as perdas chegaram a 20,37%. Nenhuma regra foi definida 
em relação a ajustes salariais. Atualmente, até dezembro de 2008, estas perdas podem ser 
reclamadas na justiça.
Cruzado Novo
Em 1989, o governo lançou o Cruzado Novo: o dinheiro perdeu zeros, a taxa de juros subiu 
e o crédito desapareceu.
 
Plano Real
Após quase uma dezena de planos econômicos fracassados, o Plano Real marcou o final do 
período de instabilidade monetária e altas taxas de inflação, que chegaram a atingir 5.000% 
ao ano, de julho de 1993 a junho de 1994. Junto com o plano, veio a nova moeda, o real – a 
quinta à qual os brasileiros tiveram que se acostumar em uma década.
Lançado no início de 1994, durante o governo Itamar Franco, o plano baseou-se, num 
primeiro momento, no equilíbrio das contas do governo, iniciado ainda no ano anterior, com 
redução de gastos, aumento de impostos e privatizações. O governo também promoveu a 
desindexação da economia – isto é, a inflação passada deixou de corrigir automaticamentepreços e salários.
Para os brasileiros, a medida mais visível foi a nova troca de moeda. Antes do real, a moeda 
que circulava no país era o cruzeiro real (CR$), vigente de 1º de agosto de 1993 até 30 de 
junho de 1994. Em fevereiro de 1994, foi criada a Unidade Real de Valor (URV), uma moeda 
fictícia, cujo valor, em cruzeiros reais, era estabelecido diariamente. Assim, a hiperinflação 
seguia em cruzeiros reais, mas não em URVs. Em 1º de julho de 1994, uma URV passou a ser 
igual a R$ 1, o novo dinheiro entrou em circulação no país.
Distribuir as notas e moedas do real pelo país foi uma das maiores operações de logística já 
vistas. Para a equivalência, o valor da nova moeda foi fixado com a cotação da URV do dia 
anterior, que era de 2.750 cruzeiros reais. Dessa forma, CR$ 5.000 equivaliam a cerca de R$ 
2 – o suficiente para comprar, na época, meio quilo de carne, três litros de leite ou duas latas 
de refrigerante, por exemplo. Entre as medidas para controlar os preços, o governo também 
54
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
promoveu uma abertura maior às importações, e adotou as chamadas âncoras cambial e 
monetária.
A âncora cambial instituiu o regime de bandas cambiais que, na prática, fixava o valor da 
moeda e barateava o custo dos importados. Já a âncora monetária buscava controlar o 
volume de dinheiro em circulação, evitando a pressão sobre os preços. Para isso, foram 
elevadas a taxa de juros e as reservas compulsórias dos bancos (recursos que eles são 
obrigados a deixar guardado no Banco Central).
Essas âncoras foram substituídas, em 1999, pelo regime de metas de inflação, em que as 
autoridades monetárias se comprometeram a cumprir metas estabelecidas para o ano 
corrente e próximo – o que ancora as expectativas do mercado. Uma das formas de buscar 
atingir essa meta é por meio da taxa Selic. Ao elevar os juros, o governo encarece o custo 
do dinheiro, e faz cair a procura por produtos e serviços à venda.
O controle da inflação pela taxa de juros
Para manter o nível de inflação esperado, o governo faz uso da política monetária, por 
meio da taxa básica de juros, a Selic. Assim, caso o BC observe que a inflação corre o 
risco de superar a meta, a tendência é elevar os juros. A taxa de juros foi o instrumento 
escolhido pelo governo, pois ela determina o nível de consumo do país, já que a taxa Selic é 
utilizada nas transações bancárias e, portanto, influencia os juros de todas as operações na 
economia. A Selic é utilizada pelos bancos como um parâmetro. A partir dela, as instituições 
financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos às pessoas e às empresas. Caso os 
juros do país estejam altos, o consumidor tende a comprar menos, porque a prestação de 
seu financiamento vai ser mais alta. Isso reflete na queda da inflação. Segundo a lei da oferta 
e da procura, quanto maior a demanda por um determinado produto, mais elevado é o 
seu preço. Do contrário, se uma mercadoria ou serviço não forem tão procurados, o preço 
tende a cair para atrair mais compradores. 
Principais indicadores de inflação do Brasil
No Brasil há diversos índices de inflação. Os diferentes índices utilizam em seus cálculos 
faixas de renda diferentes, regiões diferentes, itens diferentes e até períodos diferentes. Isso 
contribui para tornar mais segura a medição da inflação no país. Confira abaixo os mais 
conhecidos:
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M)
Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI)
Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)
Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S)
Índice de Preços ao Consumidor – Fipe (IPC-FIPE)
Índice Nacional da Construção Civil (INCC)
FONTE: <https://br.advfn.com/economia/inflacao/brasil/historia>. 
Acesso em: 10 ago. 2018.
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
55
3.3 CRESCIMENTO ECONÔMICO
Não se pode negar a importância do crescimento econômico para as 
nações, não é mesmo? Você, com certeza, sabe que o crescimento econômico é 
aquele que diz respeito à economia, ou seja, aquele que aumenta a riqueza de um 
país, sendo esta medida por meio do Produto Nacional Bruto (PNB).
Exemplificando, um país cresce economicamente quando aumenta sua 
riqueza de um ano para outro, que pode se dar por meio de um incremento na 
produção agrícola, industrial, dentre outros, de forma isolada ou envolvendo 
diversos setores econômicos.
Além do PNB é comum utilizar a renda per capita para medir o crescimento 
econômico, que nada mais é do que o PNB dividido pela população. Assim, 
teremos o valor que cada cidadão, em tese, deveria possuir em relação à riqueza 
produzida. Por que grifamos? Certamente você já sabe o motivo: a riqueza não 
é bem distribuída para todos os cidadãos, pois esse crescimento pode beneficiar 
apenas determinados grupos, como é comum acontecer no Brasil. Então a renda 
per capita é apenas uma média, necessitando de outros indicadores para medir a 
qualidade de vida e a distribuição de renda, como veremos adiante.
Desde a Grande Depressão, os Estados Nacionais têm utilizado políticas 
macroeconômicas para estimular o crescimento econômico, pois em diversos 
períodos de crise do capitalismo, como as que ocorreram na década de 1970 
(com as altas do preço do petróleo) e aquela iniciada em 2008 (crise imobiliária/
financeira), que ainda perdura, foi necessária a presença do Estado para ajudar a 
economia a se reerguer.
Uma distinção se faz necessária: há controvérsias entre os economistas no 
que se refere a afirmar que crescimento e desenvolvimento são sinônimos (têm 
o mesmo significado). “Via de regra, os manuais têm consagrado crescimento 
como ‘taxas positivas de crescimento do PIB’, enquanto desenvolvimento, além 
de supor crescimento, exige melhoria dos indicadores sociais e de bem-estar” 
(FONSECA, 2004, p. 270).
Percebe-se que essa discussão passa por questões bastante subjetivas, por 
estarem carregadas de apelo ideológico. Mas, o que é ideologia?
Em um sentido amplo, significa aquilo que seria ou é ideal. 
Este termo possui diferentes significados, sendo que no senso 
comum é tido como algo ideal, que contém um conjunto 
de ideias, pensamentos, doutrinas ou visões de mundo de um 
indivíduo ou de determinado grupo, orientado para suas ações sociais 
e políticas (SIGNIFICADOS, 2018, s.p., grifo do original).
56
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
Assim, muitos afirmam que somente o desenvolvimento econômico 
garante melhoria dos indicadores sociais (distribuição de renda, melhoria dos 
serviços públicos, dentre outros), trazendo justiça social. Já o crescimento seria 
apenas o aumento da riqueza material.
Há, entretanto, os que afirmam serem os mesmos sinônimos, pois:
Ambos se opõem à estagnação, ou seja, desenvolvimento/crescimento 
ocorrem quando a economia cresce, expande-se a produção e a 
acumulação de capital; a sociedade, assim, se reproduz, criando mais 
bens e serviços para pôr à disposição de seus habitantes, segundo 
determinadas regras de distribuição (FONSECA, 2004, p. 270).
Qual é a sua opinião? Fica aqui um ponto de reflexão.
3.4 DISTRIBUIÇÃO EQUITATIVA DA RENDA
Temos aqui outro conceito importante para a economia. Distribuir significa 
repartir, certo? Renda é pagamento pela utilização dos fatores produtivos terra, 
trabalho, capital e capacidade empresarial. E equitativa? 
“Equitativo é um adjetivo da língua portuguesa e refere-se ao que é justo, 
equivalente, imparcial e igual. De acordo com a definição, ser equitativo está 
relacionado com o "ser justo", em um sentido moral e/ou ético. Ser honesto e 
imparcial” (SIGNIFICADOS, 2018, s.p., grifo do original).
Agora você já deve ter decifrado a charada: há equidade de renda quando 
a distribuição das riquezas de um país é igual para todos. Claro que chegar a essa 
total igualdade é quase que impossível, mas como é um desejo e direito de todos, 
é o que se busca. Porém, no que se refere a este quesito, o Brasil está classificado 
em um triste ranking,justamente o que mede a disparidade de renda. 
IMPORTANT
E
Dados constantes no Relatório do Desenvolvimento Humano (RDH), divulgados 
em 2017 pelas Nações Unidas, utilizando o Índice de Gini, que é uma forma de calcular a 
disparidade de renda (o indicador varia de 0 a 1, e quanto menor, menos desigualdade) 
indicam que: 
O Brasil ficou com 0,515 em 2015, mesmo número registrado 
pela Suazilândia, e maior que vizinhos da América Latina, como 
Chile (0,505) e México (0,482). O ranking é liderado pela África 
do Sul, a nação mais desigual, com Gini de 0,634. Namíbia, 
com 0,610, e Haiti, com 0,608, completam o top 3. Todos esses 
três países têm Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) 
considerados baixos ou médios. O Brasil, que ficou estagnado
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
57
em 2015, tem IDH de 0,754, considerado alto. Já na parte 
de baixo da tabela, a Ucrânia se destaca como país menos 
desigual, com Gini de 0,241. Eslovênia (0,256) e Noruega (0,259) 
completam a lista das economias com menores disparidades 
de renda (O GLOBO, 2018, s.p.).
Isso significa que a desigualdade social no Brasil é muito grande, ou seja, que há poucas 
pessoas muito ricas e muitas pessoas muito pobres ou empobrecendo.
Mas você pode estar se perguntando: Na chamada “década do milagre 
econômico” (1969 a 1963) o Brasil não cresceu a taxas invejáveis entre 7% e 13% 
ao ano?
Nisso você está certo. O problema é que, neste caso específico, o termo 
crescer significou somente aumentar riqueza mesmo, já que foi igualmente 
o período em que a concentração de renda só fez aumentar. Os resultados do 
aumento da riqueza ficaram somente com determinados grupos, aqueles ligados 
à ditadura militar.
Foi nesse período que o então ministro da Fazenda, Delfim Neto, criou 
a famigerada “teoria do bolo”, que fez o povo acreditar que, em relação a este 
crescimento verificado no período, era preciso que primeiro o bolo (o crescimento) 
fosse aumentando ano a ano, para que futuramente a renda fosse distribuída. E, 
adivinha? Estamos esperando por uma migalha deste bolo até hoje.
Mesmo com a redemocratização, iniciada com o movimento “Diretas Já” 
(1984) e efetivada com a promulgação da CRFB de 1988, esta importante meta 
de política macroeconômica não foi colocada no centro do debate, não sendo 
prioridade dos governos subsequentes.
Como é possível, então, distribuir renda? Por meio da política das rendas 
(que trataremos mais especificamente na Unidade 2) e por meio de políticas 
sociais (programas assistenciais), cujos principais instrumentos abordamos aqui:
Entende-se por programas assistenciais de distribuição de renda 
as transferências de renda em que o beneficiário recebe um valor 
monetário sem ter contribuído diretamente para financiá-lo ou sem 
alguma forma de contrapartida. No Brasil, os maiores programas 
assistenciais de transferência de renda são o Benefício de Prestação 
Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (BPC-LOAS), 
o benefício da aposentadoria rural e o Bolsa Família (BF). O BPC é 
uma transferência de renda sem condicionalidades, dirigida aos 
indivíduos inválidos ou idosos de 65 anos de idade ou mais cuja renda 
per capita familiar seja inferior a ¼ do salário-mínimo nacional. O 
benefício corresponde ao pagamento mensal de um salário mínimo. A 
aposentadoria rural é uma transferência de renda para trabalhadores 
rurais idosos instituída dentro da legislação da seguridade social 
brasileira. Antes da Constituição de 1988, a legislação garantia o 
pagamento de meio salário-mínimo ao trabalhador rural idoso que 
fosse chefe de família. A Constituição de 1988 e a Lei Ordinária 
8.212/8.213 de 1991 estenderam o benefício para outros membros da 
família, reduziram a idade mínima requerida de 65 para 60 anos para 
homens e de 60 para 55 anos para as mulheres e aumentaram o valor 
do benefício para um salário-mínimo mensal (SOUZA, 2012, p. 1).
58
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
Além destas, mais recentemente foi instituído o Bolsa Família:
O programa Bolsa Família (BF) foi criado em 2003 pelo Governo 
Federal como resultado da fusão de quatro programas até então 
existentes: Auxílio Gás, Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Cartão 
Alimentação. Diferentemente dos dois anteriores, ele é um programa 
de transferência direta de renda com condicionalidades. Programas 
com transferências condicionais de renda nos moldes do Bolsa Família 
surgiram em meados dos anos 1990 com o duplo objetivo de combater 
a pobreza no curto prazo via transferências de renda e reduzir a 
pobreza no longo prazo via incentivo à acumulação do capital humano 
das futuras gerações via condicionalidades (Fiszbein; Schady, 2009). 
O programa beneficia famílias em situação de pobreza (com renda 
mensal por pessoa de R$ 70 a R$ 140) e extrema pobreza (com renda 
mensal por pessoa de até R$ 70) (SOUZA, 2012, p. 1).
Apenas para que você tenha uma primeira aproximação com a política 
de rendas (que trataremos adiante), falaremos daquela que trata do reajuste 
do salário mínimo nacional. Para que o poder de compra do salário mínimo 
aumente, ele precisa ser reajustado acima da inflação do período, ou seja, precisa 
ter um aumento real.
O que isso significa? Que quando o salário mínimo sofre um aumento 
real (que é um percentual de aumento acima da inflação do período, neste caso 
utilizando como indicador o Índice Nacional de Preços ao Consumidor [INPC]), 
aumenta o poder de compra do trabalhador, que passa a adquirir mais produtos 
e, assim, também dinamiza a economia, a exemplo do que ocorreu no período de 
2003 a 2013 no Brasil, segundo levantamento do Departamento Intersindical de 
Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE):
FIGURA 9 – EVOLUÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO DO BRASIL DE 2002 A 2013
* Percentual acumulado em 12 meses até novembro
**Percentuais aproximados
Evolução do salário mínimo
Valor (R$) Reajuste (%) Variação do INPC (%) Aumento real (%)
2002 200 –
2003 240 20,0 18,54 1,23
2004 260 8,33 7,06 1,19
2005 300 15,38 6,61 8,23
2006 350 16,67 3,21 13,04
2007 380 8,57 3,30 5,10
2008 415 9,21 4,98 4,03
2009 465 12,05 5,92 5,79
2010 510 9,68 3,45 6,02
2011 545 6,86 6,47 0,37
2012 622 14,13 6,08 7,59
2013 678 9,0 5,96* 2,9**
Total – 239 98,6% 70,7%
FONTE: DIEESE (2015, p. 3)
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
59
Como se observa na figura apresentada, no período compreendido entre 
os anos de 2003 a 2013 houve um aumento real de 70,7% do salário mínimo 
nacional, já o reajuste concedido no respectivo período foi de 239%, enquanto 
que a inflação (neste caso medida pelo INPC) subiu 98,6%.
Assim, com o aumento do salário mínimo, os trabalhadores das empresas 
que recebem um salário “normativo” que é determinado na negociação coletiva 
entre o sindicato patronal e dos trabalhadores de acordo com a categoria 
econômica a que pertencem (comerciário, mecânico, etc.), também conseguem 
maior poder na referida negociação para que seus salários sejam aumentados 
pelo menos no mesmo percentual, o que beneficia toda a classe trabalhadora.
Finalmente, para que ocorra uma distribuição de renda mais equitativa 
no Brasil, é necessário fortalecer as organizações da sociedade civil, instituições 
que, organizadas e mobilizadas, exijam que o poder público esteja imbuído dos 
mesmos objetivos, porque não se pode distribuir renda sem que haja vontade 
política e institucional para promover estas políticas. 
Além disso, é preciso que o mercado conquiste maior produtividade, mas 
para que isso ocorra é necessária a realização de reformas urgentes nas atuais 
políticas tributária e industrial, dentre outras.
De acordo com Fonseca (2004, p. 291), “aumentos crescentes de 
produtividade e construção de um quadro institucional adequado, ao que 
tudo sugere, ainda constituem o caminho a ser trilhado para que se alcance um 
desenvolvimento socialmente mais justo e equilibrado”. 
3.5 EQUILÍBRIO NAS CONTAS EXTERNAS
Você se lembra de que na seção 3.4 tratamos do mercado dedivisas? 
Definimos que as divisas são as moedas estrangeiras, utilizadas para as transações 
entre os países e que a moeda oficial utilizada nas transações internacionais é o 
dólar americano.
Abordamos também que as divisas, sendo mercadorias, têm seu preço 
determinado pela taxa de câmbio. A taxa de câmbio, por sua vez, é o valor que 
se paga, em moeda nacional, por uma unidade de moeda estrangeira, que pode 
ser o dólar, euro, ou qualquer moeda aceita no mercado de câmbio.
Informamos que a taxa de câmbio é determinada pela relação entre 
a demanda e a oferta de moeda estrangeira, e que qualquer pessoa física ou 
jurídica, e mesmo o governo, são demandantes e ofertantes de divisas.
60
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
Finalmente, tratamos do balanço de pagamentos, que é uma das contas 
nacionais e definida como a conta onde são registradas todas as movimentações 
legais entre o Brasil e os demais países, registrados em dólar e que, quando 
exportamos menos (produtos e serviços, capitais, mão de obra etc.) do que 
importamos, teremos um déficit em nosso balanço de pagamentos (ou seja, ficamos 
devendo para o exterior), e quando ocorrer o contrário, seremos superavitários 
nas nossas contas com o exterior. Assim, buscar esse equilíbrio e, na medida do 
possível, o superávit com o setor externo, é uma das metas de política econômica 
dos países.
A vitória de Donald Trump em 2016, nas eleições para presidente dos 
Estados Unidos, tem provocado alterações nas relações comerciais entre os países 
e nas expectativas dos agentes econômicos. Em sua plataforma de governo está 
sendo colocado como prioridade o protecionismo (nacionalismo econômico), 
que, em termos gerais, implica na imposição de barreiras tarifárias e não tarifárias 
aos produtos estrangeiros, protegendo assim os empregos e a indústria americana 
da concorrência internacional, além de tentar reverter os déficits comerciais 
estadunidenses (a balança comercial é uma das contas do balanço de pagamentos, 
que registra a importação e exportação de mercadorias).
Como assim? Por ser um grande importador mundial, os EUA têm 
um histórico de consecutivos déficits comerciais, como podemos constatar na 
imagem a seguir:
FIGURA 10 – BALANÇA COMERCIAL DOS ESTADOS UNIDOS DE 1950 A 2015
US BALANCE OF TRADE
-80000
-60000
-40000
-20000
0
20000
201520021989197619631950
FONTE: <https://www.bourbonfm.com/blog/us-balance-trade>. 
Acesso em: 10 ago. 2018.
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
61
O que isso significa? Que os EUA compram, em valor, mais mercadorias 
do exterior do que vendem. Então, se as medidas protetivas (como taxação dos 
produtos importados pelos EUA) forem mesmo adotadas, afetarão toda a nação 
e, consequentemente, o Brasil.
Além desse fator, novas batalhas judiciais entre os países podem vir a 
ser travadas, porque aqueles que mantêm relações comerciais com os EUA serão 
prejudicados pelas medidas, gerando insegurança e afetando todo o sistema 
econômico global. Portanto:
A análise das relações econômicas internacionais constitui condição 
necessária para um adequado entendimento da estrutura econômica 
de uma determinada nação. Isto por que os países não são estruturas 
isoladas, e mesmo os mais ‘fechados’ acabam por manter uma série 
de relações econômicas com outros países, envolvendo troca de 
mercadorias, fatores de produção e ativos financeiros. Tais relações 
acabam tendo importantes implicações no cômputo de determinados 
agregados macroeconômicos (CASTOLDI, 2006, p. 109).
Manter um balanço de pagamentos em equilíbrio (e melhor ainda quando 
superavitário) tem sido uma meta bem antiga. Se formos analisar como se 
dava na prática a chamada era do capitalismo mercantil (que os historiadores 
e economistas também chamam de mercantilista ou de etapa de acumulação 
primitiva de capital), ocorrido na Europa da Idade Moderna, entre o século XV e 
final do século XVIII, iremos constatar uma quase total intervenção do Estado na 
economia, caracterizado ainda por um protecionismo extremo, visando alcançar 
este superávit.
 
O que embasava esta prática? A crença de que o que gerava riqueza para 
uma nação era a acumulação de grande volume de metais preciosos (especialmente 
ouro e prata que, por sua escassez, são considerados metais nobres). 
Como você sabe, esses minerais são objeto de extração mineral e, dada 
esta característica, o estoque existente no planeta é fixo (não pode ser produzido 
pelo homem). Assim, pela lógica chegamos à conclusão de que, obviamente, para 
que um país enriqueça, necessariamente outro tem que empobrecer.
Caro acadêmico! Se você se liga em história, sabe da existência do chamado 
período absolutista (ou da era das navegações) quando, principalmente países 
europeus como Inglaterra, França, Portugal e Espanha, por deterem grande 
conhecimento sobre navegação marítima, ao “descobrirem” outros países (como o 
Brasil), impuseram sua força e poder para conquistar estas nações. Sabe, também, 
que estas terras eram habitadas por indígenas ou negros, e que, para colonizá-las, 
os impérios, na maioria dos casos, realizaram verdadeiras carnificinas, dizimando 
povos inteiros e os obrigando a se submeterem as suas regras. Os continentes 
americano e africano foram os principais alvos dessa política imperialista. 
62
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
ESTUDOS FU
TUROS
A disciplina de História do Pensamento Econômico irá aprofundar seus estudos 
sobre o mercantilismo, que se tornou a primeira escola do pensamento econômico.
Leia, a seguir, uma notícia da Revista Carta Capital (2018), que trata do 
crescimento do mercado informal de trabalho no Brasil na última década:
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
63
LEITURA COMPLEMENTAR
NO BRASIL, TRABALHO INFORMAL É A NOVA REGRA
Dimalice Nunes 
Emprego sem carteira assinada superou o formal pela primeira vez em 2017. No 
ano passado foi a informalidade que ditou a recuperação do mercado de trabalho
O ano de 2017 apresentou uma contínua redução da taxa de desemprego. 
Trimestre a trimestre, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 
Mensal, a PNAD Contínua, do IBGE, mostrou que o número de trabalhadores 
em busca de uma ocupação foi decrescente: a taxa, que marcou 13,7% de janeiro 
a março, caiu para 11,8% de outubro a dezembro. A qualidade dos postos de 
trabalho gerados é, no entanto, questionável. A informalidade deu o tom, o 
comportamento do desemprego ao longo de 2017.
Em dezembro do ano passado, a população ocupada era de 92,1 milhões de 
brasileiros e os trabalhadores informais (sem carteira ou por conta própria) eram 
37,1% do total, ou 34,2 milhões, superando o contingente formal, que somava 
33,3 milhões. Segundo o IBGE, foi a primeira vez na história que o número de 
trabalhadores sem carteira assinada superou o conjunto de empregados formais. 
Enquanto o número de empregados com carteira de trabalho assinada ao 
fim de 2017, 33 milhões, foi 2% menor que um ano antes, o total de trabalhadores 
sem registro em carteira cresceu 5,7% no mesmo período. A categoria 
dos trabalhadores por conta própria somava 23,2 milhões de pessoas ao fim de 
2017, crescimento de 4,8% em relação ao fim de 2016.
A fragilidade do mercado formal já havia aparecido nos últimos dados 
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
De acordo com os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho na 
semana passada, o mercado de trabalho formal encolheu em 2017 pelo terceiro 
ano seguido, com o fechamento de 20.832 postos de trabalho com carteira 
assinada. Desde 2015, quando as demissões passaram a superar as contratações, 
a economia brasileira perdeu 2,87 milhões de empregos formais. 
Segundo o informativo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento 
Industrial (Iedi), "o quadro de reativação do dinamismo econômico em 2017, 
embora ainda muito insuficiente, amenizou a crise do emprego no país".
64
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA
O instituto ressalta,no entanto, que dentre os aspectos adversos da 
evolução do emprego se destaca a queda continuada do trabalho com carteira 
assinada, "aquele de maior qualidade por apresentar rendimentos regulares e 
mais elevados, possibilitando, inclusive, melhores condições de acesso ao crédito". 
Sabe-se que o consumo das famílias é um importante indutor de crescimento 
econômico sustentável e de qualidade.
O Iedi acrescenta, porém, que a demora do emprego formal em voltar 
ao positivo não chega a ser anormal, já que os empresários geralmente esperam 
algum tempo para ver consolidada a melhora do quadro econômico, antes de 
iniciar as recontratações.
Enquanto isso, optam por aumento de jornada de trabalho, por meio de 
horas extras ou turnos adicionais, por exemplo. É razoável, então, que os postos 
com carteira assinada voltem a crescer em 2018 caso a recuperação da economia 
se mantenha.
No ano, o pior resultado desde 2012
Apesar da queda na taxa de desocupação ter caído ao longo de 2017, o 
ano passado foi o pior para o mercado de trabalho brasileiro desde 2012, e não 
só pela informalidade. Com uma taxa média de 12,7%, o desemprego atingiu o 
maior nível da série histórica apurada pelo IBGE. Em relação a 2014, quando a 
taxa média de desocupação atingiu seu menor patamar, 6,8%, a diferença foi de 
5,9 pontos porcentuais.
12,7%
6,8%7,4%
Fonte: IBGE - Diretoria de Pesquisas, DPE
201720162015201420132012
0
2
4
6
8
10
12
14
PNAD-C l Média anual da taxa de desocupação das pessoas 
de 14 anos ou mais de idade - Brasil
Só de 2016 para 2017, o número de trabalhadores sem carteira de trabalho 
no setor privado cresceu 5,5%, o que representa 560 mil trabalhadores. Em 
relação a 2014, o aumento médio foi de 3,2%, ou 330 mil pessoas. Já o número de 
trabalhadores por conta própria cresceu 6,5% nos últimos três anos, ou 1,3 milhão 
de trabalhadores nesta categoria.
TÓPICO 4 | POLÍTICA MACROECONÔMICA: LEGISLAÇÃO E FINALIDADES
65
Grupamentos de atividades expressivos, como agricultura, indústria e 
construção, foram os que mais perderam trabalhadores. Nesses três anos, a queda 
na agricultura foi de 10,4%, na indústria, 11,5%, e na construção, 12,3%.
"Parte desses postos foi compensada em grupamentos que têm um 
processo de inserção mais voltado para a informalidade, como comércio, outros 
serviços e alojamento e alimentação”, explicou o coordenador de Trabalho e 
Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. Os resultados confirmam que, em relação 
a 2014, o comércio apresentou aumento de 0,5% no número de trabalhadores, 
outros serviços, de 7,0% e alojamento e alimentação, de 21,4%.
Isso ocorre porque, durante períodos de crise, os serviços de alimentação, 
principalmente, funcionam como uma espécie de válvula de escape. “Você pode 
ficar sem comprar, sem viajar, sem reformar a casa, mas sempre terá que se 
alimentar. Por isso, quando as pessoas ficam sem emprego, migram para esse 
setor, pois é nele que se abrem oportunidades”, explicou Azeredo.
O rendimento médio dos trabalhadores foi estimado em 2.141 mil reais ao 
fim de 2017, alta de 2,4% em relação a 2016. O crescimento, no entanto, não foi sequer 
suficiente para compensar a baixa inflação apurada no ano passado, de 2,95%. 
“Além da inflação baixa registrada em 2017, a saída de pessoas com 
rendimentos mais baixos deveria elevar a média do rendimento, mas como 
também houve queda entre as populações que ganham mais, o rendimento em 
2017 ficou no mesmo patamar do de 2014”, conclui Azeredo.
Na comparação com 2012, foi registrado aumento de 4,4%. Entretanto, em 
relação a 2014, ano em que se observou o maior rendimento da série, o quadro foi 
de estabilidade.
A massa de rendimento médio, que é a soma do que foi recebido por 
todos os trabalhadores, atingiu 189.155 bilhões de reais, com alta semelhante ao 
rendimento médio, 2,6%. Na comparação com 2012, foi registrado avanço de 6,8%.
FONTE: <https://www.cartacapital.com.br/economia/No-Brasil-trabalho-informal-e-a-nova-regra>. 
Acesso em: 9 ago. 2018.
66
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• Sobre alguns aspectos relacionados à Constituição Econômica do Brasil, 
informamos que, para intervir na economia, o Estado precisa estar amparado 
na Carta Magna, que é a Constituição. 
• No título que trata da “Ordem Econômica e Financeira”, em seu art. 170, a 
Constituição assevera que “a ordem econômica, fundada na valorização do 
trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência 
digna, conforme os ditames da justiça social”. 
• O parágrafo único do art. 170 da CRFB assevera que “É assegurado a todos 
o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de 
autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei”.
• No que se refere às metas de política macroeconômica, abordamos as que a 
literatura enumera como as principais: alto nível de emprego; estabilidade de 
preços; crescimento econômico; distribuição equitativa da renda; equilíbrio nas 
contas externas.
• A participação do Estado é importante para assegurar o que prevê a Constituição 
Econômica no atendimento dessas metas de política macroeconômica, visto 
que o mercado, sozinho (ao contrário do que pensam diversos economistas), 
não consegue suprir.
• O quão difícil é conquistar e manter essas variáveis em equilíbrio, em especial 
para países subdesenvolvidos e os em desenvolvimento (ou emergentes) 
devido à monstruosa desigualdade social existente no modo de produção 
capitalista, fazendo com que cada vez menos ricos se tornem ainda mais ricos 
e cada vez mais pobres, miseravelmente mais pobres.
67
AUTOATIVIDADE
1 Ao longo do curso de Ciências Econômicas você já deve ter se questionado 
diversas vezes sobre a desigualdade. Então, se você fosse o economista 
responsável pela resolução desses problemas econômicos, principalmente 
o da desigualdade, que políticas macroeconômicas você proporia? Escreva 
uma dissertação sobre esse tema.
2 Discutimos sobre um importante princípio, que é a soberania. Pesquise 
artigos que discutam essa temática e traga informações a respeito da 
participação do Brasil na pesquisa científica e tecnológica, fazendo uma 
abordagem crítica e apresentando possíveis políticas tecnológicas que 
possam vir a modificar esse quadro. 
3 Um dos grandes problemas para equilibrar as contas externas está 
relacionado à variação do preço do dólar no comércio internacional. Você 
já sabe que muitas mercadorias (as chamadas commodities) são cotadas 
em dólar (petróleo, cereais, açúcar, boi gordo, minério de ferro). Assim, 
quando a economia do governo americano está crescendo, a tendência é 
de valorização do preço do dólar (pagamos mais reais para cada unidade 
de dólar). Isso pode trazer consequências graves para a competitividade 
das mercadorias brasileiras no exterior, o que interfere no balanço de 
pagamentos. Pesquise artigos que tratem do padrão monetário internacional 
(que atualmente é o dólar americano) e procure opiniões a respeito de como 
seria possível alterar este padrão (substituir por outra moeda internacional, 
por exemplo) e faça uma redação sobre essa temática.
4 Um estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), órgão 
ligado ao Ministério do Planejamento, mostra que a distribuição de renda 
melhorou no Brasil entre 2001 e 2005. Os 10% mais pobres da população 
tiveram um aumento de 36% na renda neste período, enquanto a renda dos 
10% mais ricos caiu 1,2%. Ainda assim, em um ranking mundial que inclui 
126 nações, o Brasil aparecia neste período com a 10ª pior distribuição de 
renda, atrás de países como Haiti (o país mais pobre da América Latina) e a 
Índia. Diante dessas informações, o que falta para o Brasil melhorar o índice 
de distribuição de renda?
68
69
UNIDADE 2
O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE 
ECONÔMICA E A TEORIA DA 
DETERMINAÇÃO DA RENDA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• estudar o funcionamento do fluxo circular da atividade econômica;
•conhecer os agregados macroeconômicos e compreender como eles são 
mensurados;
• estudar a teoria da determinação da renda nas versões clássica e keynesiana.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
TÓPICO 2 – A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O MODELO 
CLÁSSICO
TÓPICO 3 – A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA 
 RENDA – O LADO REAL
TÓPICO 4 – A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA 
 RENDA – O LADO MONETÁRIO
70
71
TÓPICO 1
O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Na Unidade 1, você teve acesso aos principais objetivos (metas) de política 
macroeconômica e observou-se também que a presença do Estado na economia se 
torna fundamental para sanar ou minimizar situações de depressão econômica, 
que geram desemprego, aumentam as desigualdades de renda, a violência, a 
criminalidade, a fome e a miséria.
Mas para que o Estado possa intervir na economia, como é possível saber 
ao certo quanto é produzido no país, qual é a quantidade de moeda existente, qual 
é a taxa de desemprego, como está o nível de preços, qual é a renda gerada pelos 
agentes econômicos, dentre outros dados importantes da conjuntura econômica?
Bem, antes de prosseguir é preciso que você saiba que existe nos países 
um sistema de contabilidade parecido com o que é utilizado pelas empresas para 
contabilizar a sua produção, faturamento, lucro, dívidas, bens, direitos e obrigações.
A contabilidade social, antes conhecida como contabilidade nacional, 
serve então para medir os grandes agregados econômicos, como renda nacional, 
produto nacional, despesa nacional, nível de preços, taxas de desemprego e 
produção industrial, contas públicas, dentre outros, que servem de indicadores 
para que se possa medir a situação econômica do país.
Para que você possa compreender como esses indicadores são constituídos, 
é preciso que você entenda como se dá o fluxo circular da atividade econômica.
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
72
2 O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA: 
PRODUTO E RENDA
Quando tratamos da estrutura da análise macroeconômica, vimos que na 
economia existem dois fluxos: o real e o monetário.
De acordo com Nogami (2012, p. 34), por fluxo real entende-se como sendo 
“o movimento dos recursos produtivos e de bens e serviços entre os diversos 
agentes econômicos”.
A economia se torna a cada dia mais complexa. Assim, esse fluxo real 
torna-se mais dinâmico na medida em que as relações de compra e venda de 
recursos produtivos (terra, trabalho, capital e capacidade empresarial) e de bens 
e serviços vão se avolumando. 
“Como contrapartida monetária dos fluxos reais temos os fluxos 
monetários. Toda vez que um bem ou serviço é transferido de um agente 
para outro, são efetuados pagamentos em troca deles. O fluxo monetário, 
consequentemente, gira em direção contrária ao fluxo real” (NOGAMI, 2012, p. 
35, grifo da autora).
Exemplificando, relembramos o exemplo da Unidade 1: Para adquirir 
os bens e serviços necessários para atender às suas necessidades, você (caso 
seja trabalhador) oferece ao mercado a sua força de trabalho e recebe uma 
remuneração na forma de salário. O dono da terra a aluga e recebe por ela uma 
renda na forma de aluguel, o proprietário de moeda a empresta e recebe por ela 
uma renda chamada de juro. A empresa na qual você trabalha vende os bens ou 
serviços e recebe uma renda denominada de lucro. Ou seja, terra, trabalho, capital 
e capacidade empresarial são denominados fatores de produção e representam 
o fluxo real da economia. Já o pagamento pela utilização desses fatores (também 
chamados de recursos), que são o aluguel, o salário, o juro e o lucro, representa o 
fluxo monetário.
Assim, quando falamos em “Fluxo Circular da Atividade Econômica” 
estamos nos referindo a toda movimentação existente entre os agentes econômicos, 
na busca pela satisfação de suas necessidades.
Temos assim que o fluxo circular da atividade econômica “mostra de forma 
simplificada a maneira pela qual indivíduos e firmas interagem na economia, 
cada qual buscando atingir diferentes objetivos: as firmas procurando maximizar 
seus lucros e os indivíduos procurando maximizar a satisfação de seus desejos e 
necessidades” (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 371).
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
73
2.1 O FLUXO BÁSICO DA ECONOMIA
Como você já deve ter percebido, a ciência econômica se utiliza de 
abstrações da realidade para explicar os fenômenos econômicos.
Desta forma, para que possamos entender o funcionamento do fluxo 
circular da atividade econômica é necessário primeiro entender como se dá 
este fluxo numa economia que possua apenas dois agentes econômicos: os 
consumidores (unidades familiares) e as firmas.
Como já sabemos, o modo de produção capitalista, que é o sistema no 
qual vivemos desde a Revolução Industrial do século XVIII, se caracteriza, 
dentre outros fatores, pela existência de duas classes sociais: capital (que dá 
origem às firmas) e trabalho (representado pelas unidades familiares). Nesse 
sistema, os meios de produção pertencem ao dono do capital, o capitalista, 
sendo que o trabalhador dispõe apenas de sua força de trabalho para vender ao 
mercado. Utilizamos a expressão “vender ao mercado” porque é justamente o 
que ocorre: para que o trabalhador consiga manter a sua própria subsistência (e 
da sua família), vende sua força de trabalho ao capitalista e recebe em troca um 
pagamento denominado salário. Este salário representa a renda do trabalhador, 
que adquire bens e serviços que são produzidos pelo empresário, ou capitalista, e 
este recebe pela sua produção um valor que denominamos lucro. 
Podemos representar essa relação da seguinte maneira:
FIGURA 1 – FLUXO BÁSICO DA ECONOMIA
EmpresasFamílias
Fluxo monetário: pagamentos pelos recursos produtivos
Fluxo monetário: pagamento pelos bens e serviços
Fluxo real de bens e serviços
Fluxo real de recursos produtivos
FONTE: Nogami (2012, p. 34)
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
74
Entretanto, firmas e unidades familiares não são os únicos agentes 
econômicos existentes na economia, bem como trabalho, como já afirmamos, não 
é o único fator produtivo, até porque qualquer firma precisa de outros fatores 
produtivos para operar, pois de que adiantaria o fator trabalho sem máquinas, 
equipamentos, recursos financeiros (que provêm do fator capital), matérias-
primas oriundas da extração mineral e vegetal (provenientes do fator terra)? 
E, finalmente, mesmo tendo todos os demais fatores à disposição, ainda assim 
faltaria um fator deveras importante: a capacidade empresarial.
A capacidade empresarial nada mais é do que o “saber fazer”. 
Exemplificando: se uma fábrica de móveis possui à sua disposição os fatores 
capital (fábrica + equipamentos + recursos financeiros), trabalho (mão de obra), 
terra (local onde está instalada a planta industrial + matérias-primas + insumos), 
mas o seu proprietário não tiver domínio da atividade, não souber como 
administrar esta fábrica, a chance de falência desta empresa em pouco tempo é 
muito grande.
IMPORTANT
E
“Pesquisa realizada em julho e agosto de 2016 com uma amostra de 2.006 
empresas representativas do universo de empresas constituídas em 2011 e 2012 no Brasil 
mostrou que não há apenas um fator determinante do fechamento das empresas. A exemplo 
dos acidentes aéreos, a mortalidade de empresas está associada a uma combinação de 
“fatores contribuintes”, em especial: a) o tipo de ocupação dos empresários antes da abertura 
(se desempregado ou não); b) a experiência / o conhecimento do empresário anterior no 
ramo; c) a motivação para a abertura do negócio; d) o planejamento adequado do negócio 
antes da abertura; e) a qualidade da gestão do negócio; e f) a capacitação dos donosem 
gestão empresarial” (SEBRAE, 2016, p. 83, grifo da autora).
Desta forma, ampliando nosso campo de análise, vamos conhecer o 
funcionamento do fluxo da atividade econômica como um todo.
Vemos na Figura 1 dois mercados: o mercado de fatores de produção, que 
são todos os recursos necessários para produzir um bem ou prestar um serviço 
(terra, trabalho, capital e capacidade empresarial) e o mercado de bens e serviços. 
Como já analisamos anteriormente, esses mercados dinamizam dois 
fluxos básicos da atividade monetária: o fluxo real e o fluxo monetário. 
Verifique que neste modelo simplificado existem apenas dois agentes 
econômicos: empresas e famílias. 
As empresas oferecem bens e serviços e demandam fatores de produção, 
enquanto as famílias demandam bens e serviços e oferecem fatores de produção.
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
75
Relembrando, assim, o que abordamos anteriormente, essa relação entre 
as famílias e as empresas dá origem aos fluxos reais e monetários, sendo que o 
fluxo real representa a utilização dos fatores de produção e a produção de bens 
e serviços, enquanto o fluxo monetário representa o pagamento pela utilização 
desses fatores e pelo consumo de bens e serviços. A renda representa, então, num 
primeiro momento, este fluxo monetário entre empresas e famílias.
2.2 O FLUXO BÁSICO DA ECONOMIA COM GOVERNO 
E SETOR EXTERNO
Que agente econômico está ausente do nosso modelo básico? Lógico que 
é o governo, que desempenha uma função muito importante na economia, em 
especial, a partir da Grande Depressão de 1930, como já estudamos na Unidade 
1. Este também interage no mercado e, como tal, demanda recursos produtivos e 
bens e serviços e aufere renda por meio dos tributos.
De acordo com Nogami (2012, p. 39):
O governo é a instância máxima de administração executiva, 
geralmente reconhecida como a liderança de um Estado ou uma nação. 
O papel que um governo desempenha é, na sua essência, zelar pelo 
bem-estar, da mesma maneira como o chefe de uma unidade familiar, 
ou o síndico de um condomínio.
Quando observamos a realidade e fazemos uma análise mais aprofundada 
sobre o papel do governo na atualidade, vemos que este tem assumido diferentes 
papéis ao longo da história do capitalismo, em especial, neste século XXI.
Para Oliveira (2015, p. 17-18):
A existência de uma atuação estatal que coordene, resolva conflitos 
e direcione as decisões para o melhor aproveitamento dos recursos 
e para o alcance dos resultados é base para o funcionamento dos 
mercados e para o crescimento da economia [...]. O Estado brasileiro 
tem a desafiadora tarefa de conciliar a função de Estado indutor com 
as demais funções. Somos um Estado de redistribuição de renda, além 
de sermos responsáveis por políticas geradoras de crescimento. O 
grande desafio é preservar as conquistas sociais e melhorar a eficiência 
das políticas públicas, garantindo os investimentos e ampliando a 
participação do setor privado. Para o secretário executivo do Ministério 
do Planejamento, o papel do Estado no Brasil diz respeito à promoção 
dos direitos individuais e sociais, ao provimento da seguridade social e 
da infraestrutura, e indução ao desenvolvimento sustentável. O Estado 
tem uma especificidade no Brasil: conciliar ação indutora e inovadora 
com a distribuição de renda e a ampliação dos serviços públicos (saúde, 
educação, previdência social, saneamento, habitação, segurança 
pública etc.), afirmou o secretário executivo. Para isso, Dyogo defende 
a parceria para o desenvolvimento produtivo na saúde, cooperação 
pública/privada para desenvolvimento, transferência e absorção de 
tecnologia, produção, e capacitação produtiva e tecnológica do país 
em produtos estratégicos, como o Sistema Único de Saúde (SUS).
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
76
Como você pode perceber, para que o Estado possa desempenhar essas 
funções, precisa auferir renda. E de que forma faz isso? 
Caro acadêmico, é o que você está pensando: por meio da cobrança de 
tributos.
Mas o que é um tributo? Quando pesquisamos sobre a etimologia da 
palavra tributo, temos que:
No início da civilização romana, o povo estava dividido em várias tribos. 
Em latim, tribus, vocábulo que produziu vários derivados conhecidos: o 
tribuno era o magistrado da tribo, enquanto o tributo era a contribuição 
a ser paga pelos membros da tribo. O termo logo generalizou-se para 
abranger todo imposto ou taxa cobrado dos cidadãos romanos, passando 
a designar também o valor que um povo vencedor obrigava o povo 
vencido a pagar como símbolo de submissão e obediência. Naquela 
época, como até hoje, os poderosos raramente pagavam tributos, que 
eram suportados pelos comerciantes mais humildes, os camponeses 
e os pequenos proprietários. Esse infeliz contribuinte era chamado de 
tributarius, designação que se aplica, por metáfora, aos rios que vão 
desaguar em um rio maior: "o rio Tapajós é um dos mais importantes 
tributários do Amazonas" (DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO, 2018, s.p.).
Os tributos, por sua vez, são despendidos pelo governo na execução 
de todas as suas atividades e são denominados de gastos, “que podem ser de 
três naturezas: dispêndios com custeio (manutenção da máquina do Estado), 
investimentos (especialmente em infraestrutura como educação, moradia, saúde, 
segurança pública e transporte) e transferências (pensões, aposentadorias e 
subsídios)” (NOGAMI, 2012, p. 40).
NOTA
Quando falamos em tributos é praticamente impossível não questionar o 
peso dos impostos sobre a economia brasileira. Vamos analisar o caso dos combustíveis, 
conforme descrito na figura a seguir:
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
77
FIGURA 2 – O PESO DOS IMPOSTOS SOBRE OS COMBUSTÍVEIS NO BRASIL
FONTE: Fecombustíveis (2018, s.p.)
Gasolina Diesel Etanol
ICMS (imposto 
estadual, varia 
conforme o estado)
25% a 34% do valor 
de pauta
12% a 25% do valor 
de pauta
12% a 30% do valor 
de pauta
PIS/COFINS 
(imposto federal)
R$ 0,7925/litro R$ 0,4615/litro
R$ 0,1309/litro 
para o produtor e 
R$ 0,1109 para o 
distribuidor
CIDE (imposto 
federal)
R$ 0,1000/litro R$ 0,0500/litro
não incide sobre o 
etanol
26%27%43%
Observando a figura, podemos observar que, a cada R$ 100,00 que 
você abastece seu automóvel com gasolina, por exemplo, R$ 43,00 são tributos, 
constituídos pelo Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) 
que fica com os estados, e pela PIS/COFINS e CIDE (Contribuição de Intervenção 
no Domínio Econômico), que são de competência do Governo Federal. Por 
consequência, há uma grande insatisfação da população em relação à carga 
tributária praticada no Brasil.
Leia na matéria a seguir, do Instituto Brasileiro de Planejamento e 
Tributação (IBPT), baseado em estudos da Guia da Receita Federal de 2017, o 
porquê dessa insatisfação mais do que justificada:
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
78
HAJA IMPOSTO (E PACIÊNCIA)!
O sistema tributário brasileiro é composto por mais de 70 tipos de 
tributos, entre impostos, taxas e contribuições. 
O Brasil tem uma das mais elevadas cargas tributárias do mundo 
e serviços públicos que não condizem com o montante de tributos que 
pagamos. 
De acordo com a Receita Federal, a Carga Tributária do Brasil atingiu a 
cifra de 32,66% do PIB em 2015. Isso significa que, a cada R$ 100 que ganhamos, os 
governos federal, estadual e municipal ficam com quase R$ 33, e sobram apenas 
R$ 67 em nossa carteira. Mesmo com nosso salário mínimo equivalente a US$ 
280, pagamos mais impostos que cidadãos de países ricos e desenvolvidos, como 
Estados Unidos (26%), Suíça (26,6%), Canadá (30,8%), e praticamente o mesmo 
que cidadãos do Reino Unido (32,6%), Espanha (33,2%) e Alemanha (36,1%). 
Nosso sistema tributário é tão perverso, arcaico e injusto que deveria 
ser considerado a principal reforma do país.
Ele é perverso porque prejudica a economia. Existem várias condiçõessocioeconômicas que determinam o potencial tributário de um país, entre elas 
a renda per capita, participação da agricultura no PIB, escolaridade, grau de 
abertura econômica, condições de saúde etc. Estudos apontam que o Brasil 
arrecada efetivamente mais tributos do que suporta sua economia. A longo 
prazo, essa tributação excessiva provoca baixo crescimento econômico e 
desemprego. Nos Estados Unidos, por exemplo, o salário mínimo equivale a 
US$ 1.160 e, ainda assim, pagam menos tributos que aqui na Terra de Santa 
Cruz. Vale dizer que apenas 2,7% da população de lá ganha salário mínimo, 
enquanto aqui, essa parcela chega a quase 50% da população ocupada.
A legislação tributária brasileira é extremamente complexa e 
ultrapassada. Nosso código tributário é da época em que metade da população 
vivia na zona rural e não existiam computadores. Segundo levantamento 
do IBPT, desde a Constituição de 1988 já foram criadas 363.779 normas 
tributárias, isto é, cerca de 1,88 por hora nos dias úteis. A bagunça tributária 
é tão generalizada que até mesmo contadores e advogados tributaristas ficam 
perdidos em meio a tantas mudanças que ocorrem diariamente nos níveis 
federal, estaduais e municipais.
O sistema tributário é, ainda, injusto, pois metade do dinheiro subtraído 
pelo poder público é cobrada nos bens e serviços que adquirimos, desde 
medicamentos a veículos. E não importa se você é rico ou pobre, a alíquota 
é a mesma. Pense, por exemplo, a compra de uma geladeira no valor de R$ 
2.000, em que a tributação é de 40%, ou seja, R$ 800. Nesse caso, quem ganha 
um salário mínimo precisa gastar 85% da sua renda para pagar o “imposto da 
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
79
geladeira”, enquanto aqueles que ganham R$ 10.000 gastam bem menos do 
seu salário: 8%. Para corrigir esse problema que os especialistas chamam de 
regressividade tributária, é preciso desonerar o consumo de bens e serviços 
e aumentar a parcela da arrecadação sobre a renda, lucro e ganho de capital, 
como acontece na maioria dos países.
A paciência do povo brasileiro é que vai determinar se vamos abandonar 
ou continuar com o modelo de tributação atual, em que se paga caro para ter 
serviços públicos precários.
FONTE: <https://ibpt.com.br/noticia/2606/Haja-imposto-e-paciencia>. Acesso em: 21 ago. 2018.
Continuando nossa análise da atividade econômica a três setores, é 
importante ainda informar que os tributos são divididos em impostos, taxas e 
contribuições.
Os impostos, como o nome já faz referência, são aqueles que somos obrigados 
a pagar, pois caso não o façamos sofreremos as sanções que a lei determina, como 
no caso do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), do Imposto sobre Veículos 
Automotores (IPVA), Imposto de Renda (IR), dentre outros, independentemente 
deste imposto retornar na forma de ações governamentais diretas.
Com relação aos impostos, ainda há outra divisão: há os impostos diretos, 
que incidem sobre a renda e a propriedade e é possível identificar o contribuinte, 
como no caso do IPTU, IR, IPVA; e os indiretos, que incidem sobre o consumo 
e as vendas e não tem como identificar o contribuinte porque quem presta as 
informações ao fisco não é a fonte pagadora. Isso acontece no caso do ICMS, 
já que somos nós que pagamos esse imposto (dentre outros indiretos) quando 
adquirimos um bem ou serviço, mas quem presta contas é a empresa que nos 
vendeu o produto.
As taxas, por sua vez, são aquelas que pagamos por um serviço que o 
Estado presta ao cidadão de forma generalizada, como a taxa de coleta de lixo, 
taxa de iluminação pública, dentre outros, e que vai beneficiar a qualquer cidadão, 
independentemente da sua identificação. Por exemplo, quando você passa à noite 
numa rua com boa iluminação pública, mesmo que não resida no local, também 
é beneficiado, pois terá maior segurança.
As contribuições (geralmente de melhoria) são aquelas que o poder público 
executa e que irão beneficiar determinados grupos ou localidades. Como exemplo 
clássico temos a contribuição de melhoria que pagamos quando a administração 
pública executa uma obra de pavimentação da rua onde residimos. Geralmente 
pagamos um valor que é calculado levando em conta a metragem do terreno em 
relação à rua a ser pavimentada. Chama-se contribuição de melhoria, porque 
esta obra irá valorizar o seu imóvel e você e todos os residentes da rua onde você 
mora serão diretamente beneficiados, razão pela qual o valor é cobrado.
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
80
Voltemos à nossa análise do fluxo da atividade econômica. O que 
falta incluirmos na nossa análise? Com o avanço da globalização econômica e 
financeira, sabemos que as relações comerciais entre os países, ou entre blocos 
econômicos, estão cada vez mais acirradas e a interdependência entre os mesmos 
é cada vez maior.
Então o setor externo, por sua vez, importa e exporta bens e serviços e 
fatores de produção, de acordo com as necessidades e recursos disponíveis em 
cada país.
Analisemos um exemplo dessa interdependência comercial entre os 
países, no caso do Brasil, com o mercado de fertilizantes. 
Por ser um país produtor de alimentos, conhecido inclusive como “celeiro 
do mundo”, o Brasil demanda grande quantidade de fertilizantes e defensivos 
agrícolas. Ocorre que em sua maioria os insumos utilizados para a produção de 
fertilizantes, principalmente os nitrogenados, são importados, já que os maiores 
produtores mundiais são China, Índia e Estados Unidos, conforme indica a 
imagem do gráfico a seguir:
FIGURA 3 – PRODUÇÃO DE FERTILIZANTES NITROGENADOS POR PAÍS EM 2011
Outros Países 30%
China 32%
Índia 11%
Estados Unidos 10%
Rússia 6%
Indonésia 3%
Canadá 3%
Ucrânia 3%
Egito 2%
FONTE: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-
21072015000200129#B11>. Acesso em: 21 ago. 2018.
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
81
Em contrapartida, o Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos, 
sendo que os países que mais importaram produtos do agronegócio brasileiro 
foram, em 2017, respectivamente, China, Zona do Euro e Estados Unidos, 
conforme indica o quadro a seguir:
FIGURA 4 – PRINCIPAIS DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO (US$ 
FOB) E AS RESPECTIVAS PARTICIPAÇÕES (%) NO TOTAL EXPORTADO PELO AGRONEGÓCIO 
BRASILEIRO – DE JANEIRO A SETEMBRO DE 2017
Destino Valor (US$ FOB) Participação (%) do total exportado
China 22.415.242.407 30,3%
Zona do Euro 11.159.722.938 15,1%
Estados Unidos 4.645.257.788 6,3%
Rússia 1.846.666.774 2,5%
Irã 1.786.733.099 2,4%
Japão 1.786.293.897 2,4%
Hong Kong 1.749.873.758 2,4%
Arábia Saudita 1.658.602.295 2,2%
Egito 1.482.847.380 2,0%
Coreia do Sul 1.345.244.223 1,8%
Demais Países 24.185.250.810 32,7%
FONTE: FIESP (2018, s.p.)
É por estas características que observamos, não só nos dias de hoje, 
fluxos migratórios, fluxos de comércio e fluxo de capitais estrangeiros, 
aportando nas mais diferentes economias mundo afora. Só que esse 
comportamento moderno pode afetar as economias, domesticamente, 
criando o desequilíbrio entre as nações (NOGAMI, 2012, p. 41, grifo 
da autora).
É importante analisar a abordagem citada, pois como Nogami (2012) 
afirma, e nós destacamos, uma das consequências mais perversas da economia 
moderna é o acirramento da xenofobia como consequência do aumento dos 
fluxos migratórios.
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
82
IMPORTANT
E
Ficou em dúvida sobre o que significa “xenofobia”? De acordo com o Dicionário 
Etimológico (2018, s.p.):
Xenofobia significa aversão a pessoas ou coisas estrangeiras. O termo é de origem grega 
e se forma a partir das palavras “xénos” (estrangeiro) e “phóbos” (medo). A xenofobia pode 
se caracterizar como uma forma de preconceito ou como uma doença, um  transtorno 
psiquiátrico.
O preconceito gerado pela xenofobia é algo controverso. Geralmente se manifesta através 
de ações discriminatóriase ódio por indivíduos estrangeiros. Há intolerância e aversão por 
aqueles que vêm de outros países ou diferentes culturas, desencadeando diversas reações 
entre os xenófobos.
Nem todas as formas de discriminação contra minorias étnicas, diferentes culturas, 
subculturas ou crenças podem ser consideradas xenofobia. Em muitos casos são atitudes 
associadas a conflitos ideológicos, choque de culturas ou mesmo motivações políticas.
Como doença, a xenofobia é um transtorno causado por um medo descontrolado do 
desconhecido, que se transforma em desequilíbrio. Quem sofre este transtorno possivelmente 
passou por uma má experiência ao estar exposto a uma situação desconhecida que causou 
terror e deixou marcas que vão interferir na sua vida diária.
As pessoas com essa patologia sofrem de angústia e extrema ansiedade, se distanciam do 
convívio social, evitam o contato com estranhos e, em alguns casos, podem ter crises de 
pânico.
Xenofobia no Brasil
O Brasil é conhecido por ser um país que recebeu e recebe muitos imigrantes de vários 
países com diferentes culturas, sem graves demonstrações de xenofobia. No entanto, no 
século XIX se verificou no Brasil um fenômeno chamado  lusofobia, que resultou de um 
sentimento nacionalista de alguns políticos brasileiros, que tinham como objetivo reduzir a 
interação de indivíduos portugueses na economia local.
Xenofobia na Europa
A existência de xenofobia é bastante comum na Europa, principalmente nos países onde 
há um grande fluxo de imigração, como a Inglaterra e Suíça. Também em Portugal, alguns 
portugueses apresentam sentimentos xenófobos em relação a brasileiros.
Xenofobia e racismo
Xenofobia e racismo são dois conceitos diferentes, mas que muitas vezes se traduzem em 
atitudes semelhantes de discriminação em relação a alguém. A xenofobia está direcionada 
para alguém que vem de outro país, mesmo que seja da mesma etnia. Por outro lado, o 
racismo é a discriminação fundamentada na existência de uma raça superior às outras. É 
uma construção social que não encontra eco na comunidade científica, sendo um grave 
preconceito, e que pode ocorrer também a uma pessoa que tenha nascido no mesmo país 
daquela que comete o ato racista.
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
83
De qualquer forma, o setor externo desempenha um papel muito 
importante para a economia das nações, pois permite a aquisição de bens 
e serviços que não possuem ou não têm competitividade e a venda de bens e 
serviços que possuem em abundância no país.
NOTA
NOTA
Pela importância do setor externo, muitos economistas o incluem como um 
quarto agente econômico.
Outro esclarecimento é importante: um dos setores da economia brasileira que 
mais exporta é o agronegócio. De acordo com Geraldo Barros (apud LUZ, 2015, s.p.):
Agronegócio é a expressão que resulta da fusão de 
agricultura ou agropecuária e negócio. Este termo – negócio 
– vem originalmente do latim negotium (negação do ócio) 
e tem o significado de ocupação ou trabalho visando atingir 
determinados fins para satisfação de desejos ou necessidades 
de quem os executa ou de outrem; neste último caso, mediante 
alguma recompensa aos executores. Considerando a origem 
do termo, agronegócio relaciona-se a atividades ou trabalhos 
relacionados à agricultura. O termo negócio pode ser tomado 
num sentido amplo de geração de valor através do uso do 
trabalho e do capital; no caso do agronegócio, englobam-se a 
agricultura e demais segmentos produtivos a ela relacionados. 
Especialmente para o Brasil, que ainda é grande exportador de 
commodities, manter sólida relação comercial com o exterior é muito importante, 
pois trata-se, em muitos casos, de produtos perecíveis ou com um grande 
excedente de oferta em relação à demanda interna, que obriga a exportar o que 
não é brevemente consumido internamente.
Quando analisamos quais produtos do agronegócio são exportados, temos 
que, segundo dados divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de São 
Paulo (FIESP) para 2018, a soja em grãos é de longe o produto do agronegócio em 
maior quantidade e valor exportado, como demonstra a figura a seguir: 
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
84
FIGURA 5 – EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DO AGRONEGÓCIO: ABRIL 2017 E 2018
Principais Produtos
Valor (US$ milhões) Quantidade (mil t) Preço Médio (US$/t)
2017 2018 Δ% 2017 2018 Δ% 2017 2018 Δ%
Soja em grãos 2.534 4.072 60,7 6.955 10.195 46,6 364 399 9,6
Açúcar 1.041 540 -48,1 2.662 1.871 -29,7 391 289 -26,1
Carne de Frango 606 701 15,8 375 454 21,1 1.614 1.543 -4,4
Carne Bovina 533 840 57,6 128 159 24,5 4.179 5.291 26,6
Celulose 497 605 21,6 1.056 1.094 3,4 471 553 17,4
Farelo de Soja 403 725 80,0 1.156 1.730 49,6 348 419 20,3
Milho 357 205 -42,7 2.323 1.170 -49,6 154 175 13,8
Madeira e Produtos 270 269 -0,4 469 534 13,9 577 504 -12,6
Café em grãos 255 182 -28,6 96 75 -22,3 2.653 2.438 -8,1
Couros e Produtos 184 106 -42,6 32 72 -30,9 5.749 4.774 -17,0
Papel 160 156 -1,9 181 141 -22,0 881 1.107 25,6
Suco de Laranja* 149 175 16,9 80 93 16,3 1.867 1.867 0,6
Carne Suína 135 118 -12,6 56 67 18,4 2.387 1.763 -26,1
Óleo de Soja 115 151 31,7 151 216 42,8 761 702 -7,8
Etanol 81 91 12,9 125 145 15,8 645 630 -2,4
Café solúvel 48 38 -21,7 6 5 -11,3 8.000 7.065 -11,7
Algodão 31 16 -48,8 19 9 -54,9 1.633 1.854 13,5
Cacau e Produtos 31 27 -13,8 7 7 -10,0 4.191 4.016 -4,2
Lácteos 7 3 -57,8 3 1 -53,8 2.760 2.520 -8,7
Demais produtos 323 273 -15,4 - - - - - -
(*) Volume de suco de laranja calculado em Frozen Concentrate Orange Juice (FCO) equivalente - Brix 66.
FONTE: FIESP (2018, s.p.)
A soja exportada não necessariamente representa o excedente da 
produção nacional em relação à oferta. Sua exportação, em muitos casos, se dá 
pela ausência de silos públicos ou privados para correto armazenamento deste tão 
importante cereal, ou, o que é ainda mais deplorável, pela ausência de indústrias 
beneficiadoras de grãos, que transformem a soja em óleo de soja e outros derivados 
com maior valor agregado e, somente neste formato, o exportem, obtendo maior 
valor na comercialização do que ocorre exportando o cereal in natura. 
Assim, é comum que meses depois do produto ser exportado, ele seja 
importado para suprir a demanda interna, ou que importemos o óleo de soja, que 
pode ser inclusive proveniente do grão que exportamos.
Teríamos muito a tratar a respeito da economia internacional, mas isso 
será abordado com mais profundidade nas disciplinas específicas. Por ora 
é importante você perceber que, se por um lado a globalização econômica e 
financeira dinamizou ainda mais a relação comercial entre os países, também 
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
85
Impostos
gastos do governotransferências
Impostos
Renda($)
(Capital, mão de obra, terra, capacidade empresarial)
(Juro, salário, aluguel, lucro)
Fatores de produção
Bens e serviços
Produto
Consumo ($)
Importação
Exportação
Empresas
Governo
Indivíduos
Setor 
externoRenda
Fatores e gastos
se dinamizaram os conflitos, relações de troca desfavoráveis aos países menos 
desenvolvidos, aumento do endividamento externo, xenofobia em função 
do aumento dos fluxos migratórios, dentre outros fatores atinentes a esta tão 
fascinante área da economia.
Assim, quando analisamos o fluxo da atividade econômica com governo e 
setor externo, temos a seguinte configuração descrita na figura a seguir:
FIGURA 6 – FLUXO BÁSICO DA ECONOMIA COM GOVERNO E SETOR EXTERNO
FONTE: Nogami (2012, p. 40)
Numa economia aberta, constituída por famílias, empresas, governo e 
setor externo, pode-se afirmar que a renda obtida a partir da venda dos fatores 
produtivos terra, trabalho, capital e capacidade empresarial, bem como da venda 
dos bens e serviços, é utilizada, em grande medida, na compra dos produtos e 
serviços necessários e desejados pelos agentes econômicos. 
Assim, ocorre uma circulação contínua de produtos e rendimentos que 
possibilitam a observação do desempenho macroeconômico de umaeconomia 
sob três óticas distintas: o produto (P), a renda (R) e a despesa (D). Afirma-se que 
estes três agregados constituem uma identidade econômica básica, por que:
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
86
Produto ≡ renda ≡ despesa
Observe que a forma mais adequada para expressar as identidades é a 
utilização do símbolo da identidade (≡) em vez do símbolo da igualdade (=). Isso 
para demonstrar que, “da mesma forma que não pode ocorrer uma compra sem 
que vejamos do outro lado uma venda, também não pode haver uma produção 
que não constitua um dispêndio e não seja simultaneamente geração de renda” 
(PAULANI; BRAGA, 2006, p. 8). Daí surge a denominação identidade básica.
2.2.1 Modelo de Economia Simples
Analisemos cada agregado separadamente. Para melhor compreensão 
desses conceitos, partiremos de um modelo de economia simples, sem governo e 
sem setor externo.
Sob a ótica das famílias, basicamente toda a renda obtida é gasta na 
compra de produtos e serviços. Entretanto, aquilo que não é gasto no momento é 
poupado. A poupança nada mais é que uma renúncia do consumo presente para 
poder consumir mais no futuro, já que o dinheiro aplicado rende juros. Assim, se 
pode afirmar que:
 R = C + S
em que:
R = renda; C = consumo e S = poupança (savings, em inglês).
Na ótica das empresas, tudo o que é produzido (denominaremos a partir 
de agora de produto) é destinado ao consumo das famílias e parte desta produção, 
que é constituída por bens de capital (aqueles utilizados na confecção de outros 
bens, como máquinas, equipamentos e materiais de construção) é denominada 
de investimentos. Não podemos esquecer que a parcela que é produzida e não 
vendida é considerada como investimento em estoques e, por isso, também é 
contabilizada como investimento. Assim:
P = C + I
em que:
P = produto; C = consumo e I = investimento.
Se partirmos do pressuposto de que R = P, então, igualando as duas 
equações, temos que:
C + S = C + I
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
87
Ou, fi nalmente, obtemos que:
S = I
Chegamos assim à outra identidade econômica básica. A poupança 
é tecnicamente igual ao investimento porque o excedente sobre o consumo 
(poupança) é canalizado para o investimento. Assim:
S ≡ I 
Temos aqui uma importante observação: uma economia, para crescer, 
precisa investir, e para investir precisa contar com uma renda não consumida, 
que pode ser a poupança. Por isso que taxas de poupança elevadas tendem a 
levar a taxas de investimento também elevadas, o que explica, de certo modo, o 
bom desempenho econômico de países com altas taxas de poupança. Observe a 
fi gura a seguir: 
FIGURA 7 – TAXA DE POUPANÇA (%) DE PAÍSES SELECIONADOS EM RELAÇÃO AO PIB – 2015
O quanto cada país economiza
TAXA DE 
POUPANÇA 
EM 2015 
(em%)
*Projeção do FMI
México
19,9
Colômbia
21,3
Chile
20,4Argentina
14,3*
Índia
31,3
China
47,9 Japão
25,3
Cingapura
46,1 Indonésia
32,5
Média da 
América 
Latina
18,4
Brasil
15,9*
FONTE: O Globo (2018, s.p.)
Nesta fi gura, só para exemplifi car, observa-se que a China, a qual teve 
uma taxa de poupança de 47,9% em relação ao PIB no ano de 2015, apresentou 
uma taxa de crescimento do PIB da ordem de 6,9% no mesmo ano. 
A relação entre poupança e investimento é objeto de discussões acaloradas 
entre os economistas. E você sabe por quê?
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
88
Há quem defenda, como a exemplo dos monetaristas, que a poupança é 
que precede o investimento, e há quem entenda que é o investimento que precede 
a poupança, como para Keynes.
Para ele, o investimento é que precede a poupança; a renda adicional 
criada pelo investimento produz a posteriori a poupança exigida. 
Logo, pode haver investimento sem poupança – por exemplo, via 
criação de crédito [...] e, por conseguinte, não é a poupança que 
explica o investimento e sim um conjunto de outras variáveis, como a 
preferência pela liquidez, a eficiência marginal do capital e a taxa de juros 
(PAULANI; BRAGA, 2006, p. 8).
 
Por isso, é importante levar em conta outras variáveis, além da poupança 
e investimento, quando analisamos os condicionantes do crescimento econômico. 
Uma série de outros fatores políticos, econômicos e sociais, que constituem o 
sistema econômico como um todo, é imprescindível numa análise mais apurada.
2.2.2 Modelo de Economia Fechada (com governo e sem 
setor externo)
Quando incluímos o governo no nosso modelo de análise, passamos a 
tratar com mais duas variáveis importantes, que são os gastos do governo (G) e 
a tributação (T).
Os gastos governamentais são de três naturezas: custeio (manutenção da 
máquina pública), investimentos do governo (infraestrutura de saúde, educação, 
transportes, moradia, segurança pública) e transferências (pagamento de 
aposentadorias, subsídios e pensões).
A tributação abrange os impostos, taxas e contribuições, que constituem 
as receitas governamentais.
Você já deve ter percebido que tributação e gastos são postos em lados 
contrários quando se analisam as contas públicas visando conhecer a sua situação 
fiscal. Assim, quando o governo gasta mais do que arrecada por meio dos 
tributos, temos um déficit fiscal, e o contrário ocorre quando as receitas superam 
as despesas, quando temos um superávit fiscal.
Acadêmico, como a tributação é extraída da renda e os gastos do governo 
advêm de parte da produção, então:
C + S + T = C + I + G
Temos que:
S + T = I + G
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
89
Ou, ainda:
S - I = G - T
Essa nova identidade pode ser assim interpretada: o excesso de 
despesas do governo sobre a arrecadação, isto é, o déficit do orçamento 
do governo é contabilmente idêntico ao excesso de poupança sobre o 
investimento privado. Em outras palavras, o déficit orçamentário do 
governo é financiado pela poupança privada, que deveria estar sendo 
canalizada para investimentos na economia (NOGAMI, 2012, p. 104).
Quando falamos em investimento (não de aplicação financeira), existem 
três agentes envolvidos: as famílias (construção de imóveis, educação), as 
empresas (criação ou ampliação de unidades fabris, maquinário, equipamentos) 
e o governo (infraestrutura). Quando o governo tem uma estrutura de gastos 
muito elevada em custeio ou transferências, sobra pouco para investir em 
infraestrutura (transportes, saúde, moradia, educação, segurança pública), que é 
um dos determinantes do crescimento econômico. Quando o governo apresenta 
déficit fiscal, ele precisa fazer empréstimos para realizar as ações governamentais, 
fazendo com que a poupança privada (transformada em diversas modalidades 
de aplicações financeiras), que tecnicamente deveria atender à demanda de 
investimentos, seja mais atrativa circulando no mercado financeiro.
2.2.3 Modelo de Economia Aberta (com governo e com 
setor externo)
Vamos completar nosso modelo com a inclusão do setor externo que, 
como já vimos, é imprescindível para as nações.
Assim, temos que o excedente que produzimos, além dos demais fatores 
de produção e serviços, é comercializado por meio das exportações (X), enquanto 
que são importados (M) bens e serviços e fatores produtivos que não dispomos 
internamente ou que são mais vantajosos quando trazidos do exterior.
Na ótica da renda, além do consumo, poupança e tributação, incluímos 
as importações, e na ótica do produto ou da despesa, temos o consumo, o 
investimento, os gastos do governo e as exportações.
Assim:
C + S + T + M = C + I + G + X
Logo:
S + T + M = I + G + X
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
90
Agrupando este conjunto de variáveis de acordo com sua procedência, 
temos que:
Privado Externo Público
(S - I) + (M - X) = (G - T)
Como entender essa equação?
Em relação ao setor privado, o montante poupado é superior ao investido, 
ou seja, há uma poupança interna líquida, enquanto que no setor externohá uma 
remessa de recursos ao exterior superior à entrada no país, o que representa uma 
poupança externa líquida. Tendo a terceira relação apresentando um déficit fiscal, 
chega-se à conclusão de que a poupança interna líquida e a poupança externa 
líquida podem – e têm financiado – o endividamento público, podendo assim 
causar paralisia ou lentidão na economia que, sem capacidade de investir, tem 
dificuldade de crescer (NOGAMI, 2012).
Por outra ótica, podemos deduzir que qualquer acontecimento ou política 
econômica que reduza o consumo (C), os investimentos (I), os gastos do governo 
(G) ou resultado da balança comercial (M – exportações menos importações – X) a 
um dado nível geral de preços (P) leva à diminuição da demanda agregada (DA).
3 AGREGADOS ECONÔMICOS
Agora vamos estudar os agregados econômicos. Como exposto 
anteriormente, temos a seguinte igualdade econômica:
Produto ≡ renda ≡ despesa
Veremos, na sequência, como estes agregados são mensurados.
3.1 O PRODUTO NACIONAL E A DESPESA NACIONAL
O produto nacional (ou produto agregado) é o somatório do valor de 
todos os bens e serviços finais, em determinado período de tempo (geralmente 
um ano), contabilizados em termos monetários. O grifo é importante porque 
neste cômputo não entram os bens ou serviços intermediários, pois implicariam 
em dupla contagem. Assim, por exemplo, no caso do valor de uma cadeira, 
considerado um produto final, já está implícito o valor pago ao fornecedor das 
matérias-primas e insumos como a madeira, a cola, a tinta etc. Temos então que:
Produto Nacional = 
1
PQi i
i
n
�
�
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
91
Em que:
P i
Q i
i
i
i
= preço médio do produto 
= bem ou serviço 
 = bens e serviços finais = 1, 2,...
 = valor da produção 
i n
PQi i
� �
dde setor i
Vale observar que há diferentes formas de definir o produto: interno, 
nacional, bruto ou líquido e a preço de mercado ou a custo de fator.
O Produto Interno Bruto (PIB), na maioria das vezes o mais conhecido e 
divulgado, é a soma, em unidades monetárias, de tudo o que é produzido em bens 
e serviços dentro do país, ou seja, não entra neste cômputo o que é produzido por 
multinacionais brasileiras no exterior, mas entra o que é produzido no país por 
multinacionais estrangeiras. 
No caso do Brasil, nos últimos anos houve flutuações muito grandes no PIB, 
devido aos fenômenos econômicos ocorridos tanto interna como externamente 
(especialmente a crise financeira de 2008). Para você compreender melhor essas 
flutuações, observe a figura a seguir:
FIGURA 8 – PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) DO BRASIL DE 2000 A 2016 (%)
-3,6%-3,8%
0,5%
3,0%
1,9%
7,5%
-0,1%
5,1%
6,1%
4,0% 4,0%
3,2%
5,8%
1,1%
3,1%
1,4%
4,4%
20162015201420132012201120102009200820072006200520042003200220012000
O VAIVÉM DO PIB
FONTE: IBGE (2018, s.p.)
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
92
Observe na figura que o reflexo mais forte da crise financeira internacional 
sobre o PIB brasileiro foi sentido no ano de 2009, quando houve um decréscimo 
nesse indicador da ordem de 0,1%, embora já em 2008 (a crise “estourou” em agosto 
de 2008) tenha havido uma queda significativa, passando de um crescimento de 
6,1% em 2007 para 5,1% em 2008.
Nos anos seguintes, e ainda hoje, muitos países continuam sendo afetados 
pelos efeitos gerados pela crise de 2008, como se observa quando vemos que a 
partir de 2013 houve novos decréscimos no PIB brasileiro, quando aliado à 
situação econômica internacional, somaram-se também fatores internos que 
geraram uma forte crise na economia do país.
Quando nos referimos ao PIB, observe que existe aqui uma delimitação 
geográfica importante. O PIB, como já afirmamos, é o somatório de tudo o que é 
produzido no país, independentemente da nacionalidade das empresas.
Já o Produto Nacional Bruto (PNB), como a denominação indica, mede o 
que é produzido em bens e serviços pelas empresas nacionais, quer elas estejam no 
país ou no exterior, desde que a propriedade da empresa pertença a empresários 
do país. Neste caso, não é contabilizado o que é produzido pelas multinacionais 
instaladas no país que têm sua matriz no exterior.
No sistema de contas nacionais, o PNB é encontrado quando subtraímos a 
Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE) do PIB. A renda enviada ao exterior 
é líquida porque representa a diferença entre recursos enviados ao exterior 
para remuneração da matriz das multinacionais instaladas no país e os recursos 
recebidos do exterior para remuneração da matriz das empresas brasileiras que 
têm filiais em outros países.
IMPORTANT
E
Vamos pensar numa questão: Na comparação entre países desenvolvidos e 
países em desenvolvimento, em qual deles o PNB tende a ser maior que o PIB?
A tendência é de que o PNB seja maior que o PIB nos países desenvolvidos do que nos 
demais porque historicamente é comum que países, como os EUA, integrantes da União 
Europeia, Japão, por exemplo, tenham um número muito maior de multinacionais atuando 
nos países menos desenvolvidos, como ocorre em relação ao Brasil, que tem um número 
significativo de empresas estrangeiras operando nos mais diferentes ramos de atividade, em 
especial, o automobilístico. Por isso no Brasil o PNB é menor do que o PIB, já que a renda 
enviada ao exterior para remuneração das matrizes das multinacionais é maior do que a que 
vem para o Brasil proveniente de multinacionais brasileiras instaladas no exterior.
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
93
Assim, temos que:
PNB = PIB - RLEE
Outro conceito relacionado ao produto é o de Produto a Preço de Mercado 
(PIBpm). Este é o produto que inclui os impostos indiretos (que incidem sobre 
a produção e o consumo, tais como ICMS, IPI, dentre outros), já descontados 
os subsídios. Podemos dizer, assim, que o PIBpm é a soma do valor dos bens e 
serviços efetivamente pagos pelo consumidor.
Já o conceito de Produto a Custo de Fatores (PIBcf) é aquele que reflete 
os custos de produção das empresas, pois não inclui os impostos indiretos, mas 
inclui os subsídios.
Temos, ainda, que efetuar uma diferenciação entre o Produto Nacional 
Bruto e o Produto Nacional Líquido (PNL), já que o produto se torna líquido 
quando extraímos o valor relativo à depreciação (bens e serviços produzidos para 
a reposição ou manutenção do capital, na forma de máquinas, equipamentos e 
instalações das mais diversas).
Assim:
PNL = PNB - depreciação
Alternativamente, o produto agregado pode ser obtido contabilizando-
se o Valor Adicionado em cada etapa produtiva. Para exemplificar, utilizamos 
uma abstração da realidade. Imaginemos, então, que um país produza um único 
bem final, o pão. Para produzir pão, dois insumos fundamentais são requeridos: 
o trigo e a farinha (LOPES; VASCONCELLOS, 2008). Esses insumos tiveram um 
custo para serem produzidos. Assim, conforme estabelecido no quadro abaixo, o 
valor adicionado de cada etapa produzida estaria assim representado:
QUADRO 1 – VALOR ADICIONADO PRODUÇÃO AGREGADA
Produto Valor do produto Insumos Valor adicionado
Trigo 10 0 10
Farinha 15 10 5
Pão 20 15 5
FONTE: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 31)
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
94
Desta forma, soma-se o valor adicionado a cada etapa produtiva, gerando 
um valor total de $ 20,00. Neste exemplo, o Valor Bruto da Produção (VBP) é a soma 
de todos os bens (trigo, farinha e pão), que soma $ 45,00. Entretanto, não podemos 
considerar este valor, pois incorreríamos no erro de dupla contagem. Temos, 
então, que suprimir o valor dos insumos necessários à produção do pão, no caso, 
denominados de bens de consumo intermediário (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
Assim, o valor adicionado (VA) é dado por:
VA = VBP - consumo de bens serviços intermediários
Então:
VA = 45 - 25
VA = 20
Como afirmamos anteriormente, produto, despesa e renda agregados 
formam uma identidade econômica básica. Mas como obter o valorda despesa 
(ou dispêndio) nacional? Esta é encontrada quando medimos as despesas 
realizadas pelos consumidores, empresas, governo e setor externo para produzir 
bens e serviços. 
DN = Despesas de consumo
Ou seja: “Para produzir, quais tipos de bens a economia despendeu seus 
esforços, sua força de trabalho, seu capital material?” (PAULANI; BRAGA, 
2006, p. 12).
Na sociedade em que vivemos e que é, no aspecto material, 
inteiramente organizada pela troca, a ótica do produto considera a 
atividade dos indivíduos como produtores, ou seja, a atividade das 
unidades produtivas ou empresas. Já a ótica do dispêndio (ou do 
gasto, ou da demanda) refere-se à sua atuação como consumidores, 
ou seja, como famílias. Finalmente, a ótica da renda analisa os 
indivíduos em sua condição de proprietários de fatores de produção. 
As transações ocorrem entre as famílias e empresas e envolvem fluxos 
reciprocamente determinados de bens e serviços concretos, por um 
lado, e de dinheiro, por outro (PAULANI; BRAGA, 2006, p. 20).
TÓPICO 1 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA
95
3.2 A RENDA NACIONAL
A terceira forma de medir a atividade econômica utiliza o conceito de 
Renda Nacional, que nada mais é do que a soma da remuneração obtida pela 
utilização dos fatores produtivos terra, capital, trabalho e capacidade empresarial, 
denominados, respectivamente, de aluguel, juro, salário e lucro, na produção dos 
bens e serviços demandados pela sociedade.
 
RN = aluguel + juro + salário + lucro
Vimos, desta forma, que as três óticas (produto, despesa e renda) são 
utilizadas para medir a atividade econômica e conduzem ao mesmo resultado 
numérico, expresso em unidades monetárias.
Para fecharmos as medidas de produto e de renda, podemos introduzir 
os conceitos de Renda Nacional (RN), que é o Produto Nacional Líquido 
a custo de fatores, Renda Pessoal (RP), que é igual à Renda Nacional 
menos os lucros retidos pelas empresas, os impostos diretos sobre 
empresas, outras receitas do governo (contribuição previdenciária, 
FGTS etc.), e mais as transferências governamentais (aposentadorias, 
seguro desemprego etc.). Temos ainda a Renda Pessoal Disponível 
(RPD), que é a Renda Pessoal subtraindo-se os impostos diretos sobre 
as famílias (LOPES; VASCONCELLOS, 2008, p. 38).
ESTUDOS FU
TUROS
É importante observar que, nesta disciplina, você se familiariza com os principais 
conceitos da contabilidade social (ou nacional), que os estudos utilizando exemplos práticos 
e exercícios com o arcabouço próprio da escrituração contábil ocorrerão em disciplina 
específica (Contabilidade Social).
96
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• O fluxo circular da atividade econômica mostra de forma simplificada a 
maneira pela qual indivíduos e firmas interagem na economia, cada qual 
buscando atingir diferentes objetivos: as firmas procurando maximizar seus 
lucros e os indivíduos procurando maximizar a satisfação de seus desejos e 
necessidades” (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 371).
• Analisamos o fluxo circular da atividade econômica somente com dois agentes 
econômicos: empresas e famílias. As empresas oferecem bens e serviços e 
demandam fatores de produção, enquanto as famílias demandam bens e 
serviços e oferecem fatores de produção.
• Quando introduzimos o governo na nossa análise, vimos que este desempenha 
uma função muito importante na economia, pois, de acordo com Nogami 
(2012, p. 39), “o governo é a instância máxima de administração executiva, 
geralmente reconhecida como a liderança de um Estado ou uma nação. O 
papel que um governo desempenha é, na sua essência, zelar pelo bem-estar, 
da mesma maneira como o chefe de uma unidade familiar, ou o síndico de um 
condomínio”.
• Para que o Estado possa desempenhar essas funções, precisa auferir renda e o 
faz por meio da cobrança de tributos (que são divididos em impostos, taxas e 
contribuições).
• O setor externo desempenha um papel muito importante para a economia das 
nações, pois permite a aquisição de bens e serviços que não possuem ou não 
têm competitividade e a venda de bens e serviços que possuem em abundância 
no país.
• Assim, ocorre uma circulação contínua de produtos e rendimentos que 
possibilitam a observação do desempenho macroeconômico de uma economia 
sob três óticas distintas: o produto (P), a renda (R) e a despesa (D). Afirma-se 
que esses três agregados constituem uma identidade econômica básica, por 
que: Produto ≡ renda ≡ despesa.
• O produto nacional (ou produto agregado) é o somatório do valor de todos 
os bens e serviços finais, em determinado período de tempo (geralmente um 
ano), contabilizados em termos monetários.
97
• O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma, em unidades monetárias, de tudo o 
que é produzido em bens e serviços dentro do país, ou seja, não entra neste 
cômputo o que é produzido por multinacionais brasileiras no exterior, mas 
entra o que é produzido no país por multinacionais estrangeiras. 
• O Produto Nacional Bruto (PNB) mede o que é produzido em bens e serviços 
pelas empresas nacionais, quer elas estejam no país ou no exterior, desde que 
a propriedade da empresa pertença a empresários do país. Neste caso, não é 
contabilizado o que é produzido pelas multinacionais instaladas no país que 
têm sua matriz no exterior.
• Outros indicadores são: Produto a Preço de Mercado (PIBpm); Produto a Custo 
de Fatores (PIBcf); Produto Nacional Líquido (PNL).
• Alternativamente, o produto agregado pode ser obtido contabilizando-se o 
Valor Adicionado em cada etapa produtiva.
• O valor da despesa (ou dispêndio) nacional é encontrado quando medimos 
as despesas realizadas pelos consumidores, empresas, governo e setor externo 
para produzir bens e serviços.
• A Renda Nacional é a soma da remuneração obtida pela utilização dos fatores 
produtivos terra, capital, trabalho e capacidade empresarial, denominados, 
respectivamente, de aluguel, juro, salário e lucro, na produção dos bens e 
serviços demandados pela sociedade.
98
AUTOATIVIDADE
1 Diferencie o PIB do PNB e discorra sobre a importância desses dois 
agregados para a economia das nações.
2 Sobre o fluxo circular da atividade econômica, podemos afirmar que:
a) ( ) O fluxo circular da atividade econômica mostra de forma simplificada 
a maneira pela qual indivíduos e empresas interagem na economia, 
cada qual buscando atingir diferentes objetivos. As firmas procurando 
maximizar seus lucros e os indivíduos procurando maximizar a 
satisfação de seus desejos e necessidades.
b) ( ) Qualquer que seja a empresa, agrícola, industrial ou de serviços, ela 
necessita, para operar, de recursos produtivos.
c) ( ) O consumo representa a demanda total de bens e serviços dos 
indivíduos em uma economia, e que dependem da renda disponível 
desses indivíduos.
d) ( ) As empresas, utilizando os fatores de produção disponíveis, produzirão 
bens e serviços que serão oferecidos aos indivíduos.
e) ( ) Todas as alternativas estão corretas. 
3 Por fluxo real entende-se o movimento dos recursos produtivos e de bens 
e serviços entre os diversos agentes econômicos. Assinale a alternativa 
CORRETA:
a) ( ) O fluxo real representa o pagamento pela utilização dos recursos 
produtivos.
b) ( ) As empresas oferecem bens e serviços e compram recursos produtivos, 
e os trabalhadores vendem recursos produtivos, o que representa o 
fluxo real da economia.
c) ( ) As empresas representam o lado monetário da economia e os 
trabalhadores o lado real. 
d) ( ) Os recursos produtivos são fornecidos somente pelo governo.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
4 Complete a citação de Nogami (2012, p. 35): “Como contrapartida monetária 
dos fluxos reais temos os fluxos __________. Toda vez que um bem ou serviço 
é transferido de um agente para outro, são efetuados pagamentos em troca 
deles. O fluxo monetário, consequentemente, gira em direção contrária ao 
__________”. 
Assinale a alternativa que completa a frase:
a) ( ) Cambiais, reais.
b) ( ) Reais, cambiais.c) ( ) Econômicos, cambiais.
d) ( ) Fluxo real, monetários.
e) ( ) Monetários, fluxo real.
99
TÓPICO 2
A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O MODELO 
CLÁSSICO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
O modo de produção capitalista é um sistema que gera e reproduz crises. 
Isso porque a crise é inerente a este sistema, que divide a sociedade em duas 
classes sociais: o capital e o trabalho, como já afirmamos.
Uma das mais graves crises foi a ocorrida em 1930, que você já ouviu falar 
desde o Ensino Fundamental ou Médio, não à toa chamada de “Grande Depressão”.
A teoria clássica de Adam Smith (também conhecida como teoria do 
liberalismo econômico) foi hegemônica desde a Revolução Industrial até a 
Grande Depressão.
A base desta teoria trazia os seguintes pressupostos: o mercado deveria 
funcionar livremente; b) a economia deveria atingir o pleno emprego; c) o 
desemprego somente ocorreria quando os trabalhadores quisessem receber 
acima do salário de mercado – desemprego voluntário; d) a oferta cria sua própria 
demanda – Lei de Say.
A partir da Grande Depressão, pelo menos até as décadas de 1970/1980, 
as nações praticamente não mais utilizaram como modelo a teoria clássica, mas a 
“Teoria da Determinação do Equilíbrio da Renda Nacional”, de Keynes, capítulo 
integrante da célebre obra Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicada 
em 1936, que contestava veementemente a ideia de que “havia uma tendência 
automática ao pleno emprego, com inexistência de desemprego e de capacidade 
ociosa” (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 395).
Já estudamos na Unidade 1 que a macroeconomia analisa as relações 
existentes entre dois mercados específicos: o mercado real e o mercado monetário. 
Vimos também que é por meio das políticas macroeconômicas que acontece a 
intervenção do Estado na economia, o que pode acontecer tanto no mercado 
monetário quanto no mercado real.
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
100
Os principais órgãos responsáveis por implementar estas políticas são o 
Ministério da Fazenda, que atua mais especificamente no mercado real, e o Banco 
Central, também chamado de Autoridade Monetária, que se responsabiliza pelo 
mercado monetário.
Um dos principais objetivos da intervenção do Estado na economia é a 
geração de renda, componente fundamental para o crescimento econômico e a 
geração de empregos. Mas existem teorias divergentes no que se refere à forma 
como se determina a renda, que são o modelo clássico e o modelo keynesiano.
Para que você possa construir seu próprio pensamento crítico a respeito 
das duas teorias de determinação da renda, analisaremos primeiro o modelo 
clássico de determinação da renda nacional para, em seguida, conhecermos o 
modelo keynesiano.
2 O MODELO CLÁSSICO
Para Rossetti (1988, p. 606), “todo o desenvolvimento clássico sobre 
o equilíbrio geral da atividade econômica foi definitivamente resumido nos 
primeiros anos do século XIX pelo teórico francês Jean-Baptiste Say (1767-1832), 
em seu Traité d’Êconomie Politique, cuja primeira edição foi publicada em 1803”.
Defensor do liberalismo econômico, tal como proposto por Adam Smith, 
Say era defensor do livre mercado e do mecanismo do sistema de preços, 
assegurando que a produção cria mercados para os produtos.
Segundo Pereira (1976, p. 9), “a Macroeconomia Clássica, como toda a 
teoria econômica clássica, parte do pressuposto fundamental de que o mundo 
econômico é governado por leis naturais, as quais, se forem deixadas a funcionar 
livremente, produzirão sempre os melhores resultados possíveis”.
Os clássicos se utilizam de três hipóteses para formular a sua teoria de 
determinação da renda nacional: a) as forças de mercado tendem a equilibrar a 
economia a pleno emprego; b) a quantidade de moeda afeta apenas o nível geral 
de preços; e c) a demanda agregada não é um fator determinante do nível do 
produto, hipóteses essas que estudaremos adiante.
Antes de prosseguirmos, entretanto, uma informação é importante: como já 
frisamos, até a Grande Depressão de 1930 a teoria macroeconômica não tinha grande 
importância na literatura econômica, sendo Keynes seu principal formulador.
Assim, de acordo com Lopes e Vasconcellos (2008, p. 105-6):
O que os livros-textos de Macroeconomia caracterizam como modelo 
clássico é na realidade a junção da contribuição de diversos autores 
isolados. [...] Na verdade, o chamado modelo clássico utilizado nos principais 
livros-texto de Macroeconomia diz respeito ao modelo neoclássico, que se 
baseia na hipótese da racionalidade dos agentes econômicos.
TÓPICO 2 | A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O MODELO CLÁSSICO
101
Um dos principais defensores de Say sustentava que:
Como a oferta cria a sua própria procura, não poderia haver 
superprodução, afastando-se, consequentemente, a possibilidade de 
ocorrência do desemprego geral. A produção global sempre criaria, ela 
própria, mercado para seu escoamento, pois, numa economia baseada 
nas trocas e na divisão do trabalho, o ato da produção representa 
um futuro ato de procura; o fato de a coletividade estar produzindo 
significa que ela está se preparando para consumir (A. G. PIGOU apud 
ROSSETTI, 1988, p. 606).
Segundo Lopes e Vasconcellos (2008, p. 105):
O modelo clássico considera que as forças de mercado tendem a 
equilibrar a economia a pleno emprego, isto é, no ponto em que se 
igualam a oferta e a procura de mão de obra; corresponde a dizer que 
há completa flexibilidade de preços e salários; como o nível de atividade 
e de emprego está determinado automaticamente pelas forças de 
mercado, a quantidade de moeda afeta apenas o nível geral de preços. 
Significa dizer que as variáveis reais, bem como os preços relativos, não 
são afetados pela política monetária (hipótese da neutralidade da moeda); 
a demanda agregada não é um fator determinante do nível do produto; 
é válida a chamada Lei de Say: ‘a oferta cria sua própria demanda’.
Para que possamos conhecer todas as proposições do modelo clássico de 
determinação da renda nacional, analisaremos primeiro como se forma a oferta 
agregada, a função de produção agregada, demanda, oferta e equilíbrio no 
mercado de trabalho, oferta e demanda agregada, o papel da moeda no modelo 
clássico, poupança, investimento e o papel da taxa de juros para, finalmente, 
analisarmos o equilíbrio entre oferta e demanda
2.1 OFERTA AGREGADA 
A demanda agregada não é um fator determinante do nível do produto 
para os clássicos; é válida a chamada Lei de Say: "a oferta cria sua própria 
demanda".
Segundo esta lei, a oferta agregada, ou seja, as quantidades produzidas e 
o volume de serviços oferecidos são determinados pela quantidade e qualidade 
dos fatores de produção existentes, nível tecnológico, capacitação do capital 
humano e pela capacidade de administração dos empreendedores (LOPES; 
VASCONCELLOS, 2008).
Say argumentava que havia simultaneidade e interdependência dos 
fluxos da produção e da renda. Mas o que isso significa?
Basicamente, significa que a produção vai determinar a oferta, e esta 
criará a demanda e a renda, então será uma consequência da produção, já que 
no processo produtivo todos os agentes são envolvidos, quer sejam firmas, quer 
sejam trabalhadores.
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
102
“Afinal, a geração simultânea da produção e da renda coloca nas mãos 
da coletividade um potencial de compra suficiente para que todos os bens e 
serviços produzidos pelo sistema possam ser efetivamente consumidos” 
(ROSSETI, 1988, p. 609).
Não é a demanda agregada que determina o nível de produtos e serviços 
da economia, mas sim as condições de oferta. A demanda apenas determina o 
nível de preços (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
E a oferta agregada, como se forma? Para os clássicos, “a oferta agregada 
corresponde ao total de produto que as empresas e famílias estão dispostas a 
oferecer em um determinado período de tempo, a um determinado padrão de 
preços” (LOPES;VASCONCELLOS, 2008, p. 106).
É preciso lembrar que existem algumas condições importantes na análise 
clássica do equilíbrio geral, dentre elas que as empresas estão inseridas num 
mercado perfeitamente competitivo e, assim, são tomadoras de preços, ou seja, é 
o próprio mercado que determina o preço dos produtos na interação entre oferta 
e demanda. Somando-se a produção de cada firma, obtém-se a oferta agregada.
A renda nacional é gerada no processo de produção pela remuneração 
dos fatores produtivos (salários, lucros, juros e aluguéis) e retorna para o mesmo 
processo na forma de consumo ou investimento.
Com isso, toda a produção de bens e serviços da economia seria escoada, 
não havendo vazamentos. Mesmo a parte da renda que não fosse para o consumo, 
isto é, a parte poupada, iria para os investimentos em bens de capital.
2.2 FUNÇÃO DE PRODUÇÃO AGREGADA
“Produzir significa adaptar a natureza, por meio da combinação de 
fatores de produção, às necessidades humanas. Para gerar produto, portanto, 
as empresas se utilizam de capital (máquinas, equipamentos, edifícios etc.) e 
trabalho, de acordo com uma dada tecnologia” (LOPES; VASCONCELLOS, 2008, 
p. 106).
Assim, para produzir sapatos é preciso de máquinas e equipamentos, 
matérias-primas e insumos, mão de obra, sendo que o nível tecnológico irá 
depender de quão modernos são estes bens de capital e, ainda, o nível tecnológico, 
adaptado ao conhecimento, irá determinar a produtividade da empresa.
Para analisar a relação existente entre a quantidade produzida e os fatores 
produtivos empregados, os clássicos utilizam a seguinte função de produção:
Y = f (K.N,T)
TÓPICO 2 | A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O MODELO CLÁSSICO
103
Em que:
Y = produto;
K = estoque de capital utilizado;
N = quantidade de trabalho (horas);
T = nível tecnológico.
Essas variáveis são definidas num dado período de tempo, nesse caso 
considerado o curto prazo, que é aquele período de tempo em que pelo menos 
um dos fatores de produção é fixo, neste caso o capital, sendo o trabalho o fator 
variável.
Vamos considerar que a produção responde positivamente a qualquer 
das variáveis que a determina, ou seja, aumentando a quantidade de fatores 
produtivos utilizados, aumentará a quantidade produzida e que a função de 
produção apresenta retornos constantes de escala.
Se tomarmos o capital (K) como um fator de produção fixo, essa função 
apresentará rendimentos marginais decrescentes em relação ao fator variável (N), 
que é o trabalho. Dessa formulação resulta um conceito muito utilizado pelos 
clássicos, que é o da produtividade marginal decrescente.
Para entender esse conceito, vamos a um exemplo formulado por Nogami 
e Passos (2003, p. 225-226):
Suponhamos que uma fazenda possua uma determinada área 
cultivável de, por exemplo, 10 hectares. Façamos então a hipótese 
de que esse fator de produção permanecerá fixo e que a mão de obra 
será o único fator de produção variável, de tal forma que essa fazenda 
possa produzir volumes maiores de produção (trigo) por meio do 
aumento desse fator (mão de obra).
Em termos de função de produção, teríamos:
Y = f (K.N)
Em que: 
K = Terra (capital) e N = Trabalho
Logo:
Y = f (N)
Ou seja, o nível de produto varia apenas em função (ou depende) de 
alterações na mão de obra, em curto prazo, coeteris paribus (todas as demais 
variáveis permanecem constantes). Observe o quadro a seguir:
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
104
QUADRO 2 – PRODUÇÃO DE TRIGO COM UM FATOR DE PRODUÇÃO VARIÁVEL (MÃO DE OBRA)
Quantidade de
Terra utilizada
(K)
Unidades
de mão de obra empregadas 
(N)
Produto
Total
(Y)
Produto
Marginal
Pmg = ∆q/∆L
10 0 0 -
10 1 10 10
10 2 22 12
10 3 39 17
10 4 52 13
10 5 60 8
10 6 60 0
10 7 56 -4
10 8 48 -8
FONTE: Nogami e Passos (2003, p. 226)
Podemos observar no quadro que 
os dados da coluna 3 indicam a produção máxima de trigo que pode 
ser obtida a partir de diferentes quantidades de mão de obra, sempre 
na suposição de que o fator terra permaneça fixo. A mão de obra (N) é 
medida em homens/ano e o produto total (Y) em sacas/ano. Tais dados 
mostram que quando o fator mão de obra é zero, o volume de produto 
também é zero. O resto da tabela deve ser lido da seguinte forma: se o 
fazendeiro contratar um trabalhador, a produção de trigo será de 10 
sacas/ano; se contratar dois trabalhadores, a produção de trigo deverá ser 
de 22 sacas/ano. Se contratar três trabalhadores, então a produção total 
será de 39 sacas/ano e assim por diante (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 226).
 
Note que com cinco trabalhadores essa firma conseguiria o máximo de 
produção (60 sacas) e a partir do sexto trabalhador contratado a produção inicialmente 
permaneceria a mesma, para depois ir diminuindo. Por que isso acontece? 
Quando o número de trabalhadores vai aumentando até chegar a cinco, 
cada um pode se especializar em alguma etapa da atividade produtiva, que é a 
lógica da divisão do trabalho, mas a partir do sexto trabalhador não haverá mais 
condições de aumentar a produtividade, havendo, ao contrário, um decréscimo 
na produção, porque alguns ficarão ociosos.
A partir dessa constatação é que os clássicos formularam a teoria da 
produtividade marginal de um fator de produção, no caso, da mão de obra.
 
Essa teoria consiste no seguinte: “O produto marginal (ou produtividade 
marginal) do fator variável é definido como sendo a variação na produção total 
decorrente da variação de uma unidade no fator de produção variável. Como em 
nosso exemplo, a mão de obra é o único fator de produção variável” (NOGAMI; 
PASSOS, 2003, p. 229). 
TÓPICO 2 | A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O MODELO CLÁSSICO
105
Assim, o nível de produção depende da quantidade utilizada do fator 
trabalho, dado o estoque de capital e o nível tecnológico, como se observa no 
gráfico ilustrado a seguir, sendo que a produtividade marginal do trabalho é 
positiva, mas decrescente:
FIGURA 9 – FUNÇÃO DE PRODUÇÃO AGREGADA
N
Y = F (N)Y
A Produtividade Marginal do Trabalho 
corresponde à inclinação da reta 
tangente à função de produção em cada 
um de seus pontos.
FONTE: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 108)
Considerando o curto prazo em que, em nosso caso, apenas a quantidade 
de trabalho pode ser alterada, percebemos que a produção ou oferta 
agregada passa a depender exclusivamente de quanto é utilizado deste 
fator. O nível de emprego (utilização) do fator trabalho é determinado 
no mercado de trabalho, em que a demanda é realizada pelas empresas 
que o utilizam na produção, e a oferta pelos indivíduos (famílias, 
trabalhadores) que o possuem (LOPES; VASCONCELLOS, 2008, p. 108).
Como para os clássicos o mercado de trabalho é a força motriz, que 
determina o nível de mão de obra e o salário real de pleno emprego, vamos 
analisar agora os condicionantes desse mercado.
2.3 DEMANDA, OFERTA E EQUILÍBRIO NO MERCADO DE 
TRABALHO
Considerando a hipótese dos clássicos de que as forças de mercado tendem 
a equilibrar a economia a pleno emprego, ou seja, que flutuações na economia 
seriam apenas momentâneas, questionamos: Como, então, explicar o desemprego?
O desemprego seria apenas momentâneo, haja visto que, como sempre 
haveria tendência ao equilíbrio nos mercados, se houvesse desemprego seria 
porque haveria um excesso de oferta de trabalho em relação à demanda dos 
empresários pela mão de obra. 
Desta forma, para restabelecer o equilíbrio no mercado de trabalho (assim 
como acontecia no mercado de bens e serviços), bastaria reduzir os salários (o 
preço da mão de obra) para que a demanda por trabalho aumentasse e o problema 
fosse resolvido.
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
106
A livre interação entre as forças de oferta e demanda por trabalho é que 
determina o número de pessoas e os seus salários reais de equilíbrio. Assim, há 
a seguinte relação entre demanda e oferta de mão de obra: a oferta de trabalho é 
função crescente do salárioreal e a demanda por trabalho é função decrescente 
do salário real.
NOTA
Por salário real entende-se a remuneração paga ao trabalhador descontada a 
inflação, pois caso contrário denominaríamos de salário nominal.
Quanto ao trabalhador, a decisão de quanto trabalhar corresponde à 
escolha de como alocar as horas do dia entre o trabalho e o lazer, sendo que o 
trabalho não gera nenhum prazer, apenas a renda necessária para poder consumir 
e obter a satisfação decorrente do consumo de mercadorias.
Assim, a decisão de dedicar seu tempo ao trabalho depende do valor do 
salário real, ou seja, deve ser tal que induza o indivíduo a abrir mão do lazer.
“Por simplicidade, suporemos que o efeito substituição se sobreponha ao 
efeito renda, e que a curva de oferta de trabalho seja positivamente inclinada em 
relação ao salário real” (LOPES; VASCONCELLOS, 2008, p. 111). 
O resultado é, então, o exposto no gráfico ilustrado a seguir:
FIGURA 10 – OFERTA DE TRABALHO POSITIVAMENTE INCLINADA
N
W
P
N s
FONTE: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 112)
Já com relação à empresa, levando em consideração que a produtividade 
marginal do trabalho é decrescente, a empresa somente contrata mais trabalhadores 
se o salário real baixar, de forma a aumentar seu lucro ou pelo menos manter 
seu lucro dentro do esperado. Graficamente, temos a seguinte representação da 
demanda por mão de obra:
TÓPICO 2 | A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O MODELO CLÁSSICO
107
FIGURA 11 – DEMANDA DE MÃO DE OBRA NO MODELO CLÁSSICO
N
W
P
N PMgNd =
Como a PMgN é decrescente, para que 
haja mais contratação de trabalho, o 
salário real deve reduzir-se.
FONTE: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 110)
Já analisamos a oferta e a demanda de mão de obra no modelo clássico. 
Considerando que a teoria do equilíbrio parcial considera que os 
mercados operem em uma situação de concorrência perfeita, em que empresas e 
trabalhadores são tomadores de preços tanto de bens e serviços quanto de fatores 
produtivos, o equilíbrio entre oferta e demanda de mão de obra é análogo ao 
formato do equilíbrio entre oferta e demanda de um produto qualquer (já que é 
o mercado que vai determinar o preço dos produtos e dos fatores produtivos).
Desta maneira, o equilíbrio configura-se da seguinte forma:
FIGURA 12 – EQUILÍBRIO NO MERCADO DE TRABALHO
Excesso de demanda de trabalho
W
P N s
N d
N
Nc
W
P 2
�
�
�
�
�
�
W
P 3
�
�
�
�
�
�
W
P 1
�
�
�
�
�
�
FONTE: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 113)
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
108
Assim, quando o salário real estiver acima do nível de equilíbrio, 
haverá excesso de oferta de trabalho, o número de horas de trabalho 
oferecidas pelos trabalhadores será maior do que o demandado pelas 
empresas, caracterizando uma situação de desemprego (W/P). Com 
isso, a concorrência entre trabalhadores para obter empregos levará 
à redução dos salários, reduzindo a oferta e ampliando a demanda, 
até que as duas quantidades se igualem, em um nível inferior de 
salário real (W/P). Se o salário real estiver abaixo do equilíbrio, haverá 
excesso de demanda por trabalho (superemprego) (W/P). Com isso, a 
concorrência entre as firmas para conseguir trabalhadores levará ao 
aumento do salário real, ampliando a oferta de trabalho e diminuindo 
a demanda, até que as duas quantidades se igualem (W/P) (LOPES; 
VASCONCELLOS, 2008, p. 113).
2.4 OFERTA E DEMANDA AGREGADA E O PAPEL DA MOEDA
Tendo analisado a oferta e demanda de mão de obra no modelo clássico 
e considerando que neste modelo (analisado no curto prazo) o nível de produto 
depende da função de produção, e sendo a mão de obra o único fator de produção 
variável, temos o seguinte formato do produto de pleno emprego (que será ao 
mesmo tempo a oferta agregada da economia) (LOPES; VASCONCELLOS, 2008).
N
NE
Y = F (N)Y
YE
FIGURA 13 – OFERTA AGREGADA NO MODELO CLÁSSICO
FONTE: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 114)
Note que a curva de produto, embora seja positiva, cresce a taxas 
decrescentes devido à produtividade marginal do trabalho ser decrescente, como 
já analisamos anteriormente.
Desta forma, “o nível de emprego e de produto independem de variáveis 
nominais (monetárias), como o nível de preços ou salário nominal, por exemplo. 
[...] Portanto, a oferta agregada é inelástica ao nível de preços, o que significa 
que a curva de oferta é vertical” (LOPES; VASCONCELLOS, 2008, p. 114, grifo 
da autora).
TÓPICO 2 | A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O MODELO CLÁSSICO
109
Afinal, o que significa essa afirmação? Quando um produto é inelástico 
a preços, significa que se aumentar o preço, a quantidade ofertada permanecerá 
a mesma. Isso acontece porque este é o nível de produção no pleno emprego, 
ou seja, não há mais recursos disponíveis para aumentar a produção, razão pela 
qual, se aumentar o nível de preços da economia, a oferta permanecerá a mesma.
Isso porque, para que o nível de oferta (e de produto) aumente, é preciso 
que haja uma expansão dos recursos produtivos: que aumente a quantidade 
de matérias-primas disponíveis, por exemplo, com a descoberta de novos 
materiais, que o nível tecnológico se modernize (o que faz com que se produza 
mais e desperdiçando menos), aumentando assim a produtividade do trabalho, 
ou, ainda, com o aumento da população economicamente ativa (crescimento 
populacional). Podemos chamar isso de expansão da fronteira de produção.
A curva de oferta agregada de pleno emprego será, então, vertical ao eixo 
horizontal (inelástica a preços).
FIGURA 14 – OFERTA AGREGADA DE PLENO EMPREGO
P OA
Y
YE = YP
FONTE: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 115)
Analisemos agora a demanda agregada no modelo clássico. 
Sendo o produto real dado pela oferta, o que determina, então, a demanda 
agregada? Para os clássicos, esta seria determinada pelo nível de preços.
Partindo do pressuposto de que a renda nacional se iguala ao produto 
(que é igual à oferta), se o nível de preço dos produtos sobe o nosso poder de 
compra cai, ou seja, com a mesma renda passamos a adquirir menos produtos.
O inverso também é verdadeiro: se o nível de preços cai, aumenta nosso 
poder de compra, permitindo adquirir mais produtos com a mesma renda 
disponível. Desse modo, o formato da curva de demanda agregada clássica fica 
assim representado: 
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
110
FIGURA 15 – CURVA DE DEMANDA AGREGADA CLÁSSICA
P
Y
DAO = (MO , VO)
P
Y
DAO = (MO , VO)
DA1 = (M1 , V0)
M1 > M0
FONTE: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 116)
Como a posição da curva de demanda é determinada pela oferta de moeda, 
concluímos que, no modelo clássico, um aumento da quantidade de moeda em 
circulação ampliará a demanda agregada, que fará com que suba o preço das 
mercadorias, já que a oferta agregada no curto prazo é fixa. 
FIGURA 16 – EFEITO DE AUMENTO DA QUANTIDADE DE MOEDA SOBRE A DEMANDA 
AGREGADA
FONTE: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 116)
Note no gráfico acima que quando há um aumento da quantidade de 
moeda ofertada de M0 para M1, a curva de demanda agregada se desloca inteira 
para cima (DA0 para DA1), elevando os preços dos produtos.
Demonstrando agora, graficamente, como se dá o equilíbrio entre oferta e 
demanda agregada no modelo clássico, chegamos à seguinte configuração:
TÓPICO 2 | A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O MODELO CLÁSSICO
111
FIGURA 17 – OFERTA E DEMANDA AGREGADA DE EQUILÍBRIO NO MODELO CLÁSSICO E 
NÍVEL GERAL DE PREÇOS
P
P1
P0
Y
DAO (MO )
DA1 = (M1 )
OA
YE = YP
FONTE: Lopes e Vasconcellos (2008, p. 117)
2.5 O PAPEL DA MOEDA NO MODELO CLÁSSICO
Vimos que uma das hipóteses do modelo clássico de determinação 
da renda supõe que há uma separação entre o lado real e o lado monetário da 
economia. Para estes, a moeda tende a ser neutra, especialmente no longo prazo. 
Mas o que isso significa?
Basicamente significa que, caso haja aumento da quantidade de moeda 
em circulação, acarretará em aumento do nível geral depreços (gerando inflação), 
sem alterar o nível de produto, nível de emprego, salário real e os preços relativos 
da economia. 
Caso imperfeições no mercado venham a ocorrer (lembremos de que 
os clássicos supõem a livre concorrência), como a pressão de sindicatos com o 
consequente aumento dos salários, haverá desemprego, fazendo com que haja 
uma oferta maior de mão de obra em relação à demanda e uma diminuição do 
produto (ficará abaixo do produto potencial).
Entretanto, com o desemprego haverá trabalhadores aceitando trabalhar 
por salários cada vez menores, ou, se o governo lançar mão da política monetária 
e injetar moeda na economia, elevará o nível geral de preços e o valor do salário 
real cairá, o que restabelecerá novamente o equilíbrio.
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
112
2.6 POUPANÇA, INVESTIMENTO E O PAPEL DA TAXA DE 
JUROS
Apesar dos clássicos sustentarem a aplicabilidade da Lei de Say, 
admitiam a existência de uma variável que poderia interromper (mas sempre 
temporariamente) este mecanismo: a poupança. 
“Sem dúvida, se a sociedade destinasse ao consumo todo o rendimento 
gerado pelo processo da produção, não haveria motivos para que ocorressem 
a superprodução, o desemprego e o desequilíbrio da atividade econômica” 
(ROSSETTI, 1988, p. 609).
Afirmavam, então, que a poupança, se de início pode causar algum 
desequilíbrio, acaba sendo importante componente para o crescimento da 
economia, porque esta se traduziria em investimento, bastando, para restaurar o 
equilíbrio, que as duas variáveis se igualem. Ou seja, acreditavam que a poupança 
é uma variável que antecede o investimento.
Sendo o nível de poupança determinado pela taxa de juros, quanto maior 
a taxa de juros de mercado, maiores os recursos poupados. Já o investimento 
caminha em sentido contrário: como os investidores (unidades produtoras) em 
geral captam recursos no mercado financeiro, quanto menores essas taxas, maior 
será o nível de investimento.
Segundo Nogami e Passos (2003), uma vez que a poupança é estimulada 
pelas altas taxas de juros e o investimento é encorajado pelas baixas taxas de 
juros, as curvas de poupança e do investimento caminham em direções inversas, 
devendo interceptar-se em determinado ponto de equilíbrio, como podemos 
observar no gráfico ilustrado a seguir:
FIGURA 18 – UM EXEMPLO DA CONCEPÇÃO CLÁSSICA DA IGUALAÇÃO AUTOMÁTICA 
POUPANÇA-INVESTIMENTO
Poupança e investimento
Ta
xa
 d
e 
Ju
ro
s
n1n
l
l s s1
E1
E
s
s
m1
m
FONTE: Rossetti (1988, p. 611)
TÓPICO 2 | A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O MODELO CLÁSSICO
113
É importante destacar, por fim, que o nível de consumo agregado também 
depende da taxa de juros, pois quando as mesmas estão elevadas o custo da 
moeda também se eleva, podendo elevar os preços dos produtos.
NOTA
Para os clássicos, a taxa de juros considerada é a taxa de juros real, ou seja, é 
a taxa que se forma quando se subtrai a inflação que está contida na taxa nominal de juros.
A relação entre a taxa de juros nominal, a taxa de juros real e a inflação é dada pela seguinte 
fórmula:
i
i t
tr
n�
�
1 + 
Em que:
ir = taxa real de juros
in = taxa nominal de juros
t = taxa de inflação
As taxas devem ser expressas em termos centesimais, ou seja, devem ser divididas por 100, 
por exemplo, 10% correspondem a 0,10 na fórmula (NOGAMI; PASSOS, 2003).
Assim, exemplificando, para uma taxa de juros nominal de 40%, supondo uma taxa de 
inflação de 33%, qual é o valor da taxa de juros real?
Temos que:
ir �
�
�
0 40 0 33
1 0 33
, ,
,
Assim: 
ir =
0 07
1 33
,
,
Logo:
ir = 0 053 5 3, , % ou 
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
114
2.7 EQUILÍBRIO ENTRE OFERTA E DEMANDA
Tendo estudado oferta e demanda agregadas separadamente, vamos 
analisar como se dá o equilíbrio entre as duas variáveis.
Temos que:
Oferta Agregada = Demanda Agregada, ou seja:
Y = DA
Considerando apenas o consumo e o investimento, temos que:
DA = C + I
Assim, no equilíbrio entre oferta e demanda, substituímos DA por C + I:
Y = C + I
Considerando, ainda, que tanto o consumo como o investimento 
dependem da taxa real de juros, temos que: 
Y = C( i ) + l( i ), sendo r a taxa real de juros
Pela definição de poupança, temos que:
S = Y - C
Sabendo que:
S = S ( i )
Chegamos, finalmente, no equilíbrio macroeconômico, que é obtido 
quando:
S ( i ) = l( i )
Ou seja, de acordo com Lopes e Vasconcellos (2008, p. 122), “a taxa de 
juros tem a função de equilibrar o mercado de produto”.
115
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Existem duas teorias antagônicas (opostas) de determinação da renda nacional: 
a teoria clássica, baseada principalmente na Lei de Say (a oferta cria a sua 
própria demanda), e a teoria keynesiana.
• A teoria clássica vigorou até a década de 1930 como hegemônica e, com a 
Grande Depressão de 1930, surge a teoria keynesiana, que foi adotada desde 
1930 até as décadas de 1970/1980 pela maioria das nações.
• O modelo clássico considera que “as forças de mercado tendem a equilibrar 
a economia a pleno emprego, isto é, no ponto em que se igualam a oferta e a 
procura de mão de obra; corresponde a dizer que há completa flexibilidade de 
preços e salários; como o nível de atividade e de emprego está determinado 
automaticamente pelas forças de mercado, a quantidade de moeda afeta 
apenas o nível geral de preços. Significa dizer que as variáveis reais, bem 
como os preços relativos, não são afetados pela política monetária (hipótese 
da neutralidade da moeda); a demanda agregada não é um fator determinante 
do nível do produto; é válida a chamada Lei de Say: "a oferta cria sua própria 
demanda"’ (LOPES; VASCONCELLOS, 2008, p. 105).
• “O produto marginal (ou produtividade marginal) do fator variável é definido 
como sendo a variação na produção total decorrente da variação de uma 
unidade no fator de produção variável. Como em nosso exemplo, a mão de 
obra é o único fator de produção variável” (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 229).
• Para os clássicos, a poupança, se de início pode causar algum desequilíbrio, 
acaba sendo importante componente para o crescimento da economia, porque 
esta se traduziria em investimento, bastando, para restaurar o equilíbrio, que as 
duas variáveis se igualem. Entretanto, a poupança é uma variável que antecede 
o investimento.
• A taxa de juros no modelo clássico é responsável pelo equilíbrio macroeconômico 
do nível de produção e consumo.
• Os clássicos utilizam a taxa real de juros para abordar esse equilíbrio, sendo 
que esta taxa obtém-se subtraindo a taxa de inflação que está embutida na taxa 
nominal de juros.
116
AUTOATIVIDADE
1 Por que para os clássicos é a poupança que antecede o investimento? 
Explique. 
2 Se em um país a taxa nominal de inflação for de 60%, sendo que a taxa de 
inflação tenha sido de 55%, qual é o valor da taxa real de juros?
3 Discorra sobre a seguinte afirmação: A demanda agregada não é um fator 
determinante do nível do produto; é válida a chamada Lei de Say: "a oferta 
cria sua própria demanda".
117
TÓPICO 3
A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA 
– O LADO REAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Como informado no tópico anterior, o modelo clássico de determinação 
de renda foi mundialmente assimilado e empregado desde o final do século XVIII 
até a década de 1930. 
Ao estudar a evolução do pensamento econômico, você irá constatar que 
existem os clássicos propriamente ditos, ou seja, os primeiros a fazerem esta 
abordagem da economia (como Smith e Say), além dos chamados neoclássicos 
(como Stuart Mill, Walras, Pigou, Marshall), incluindo ainda os monetaristas 
(como Friedman) e mais recentemente os chamados “novos clássicos” (como 
Robert Lucas).
Assim, em oposição aos “clássicos” está a corrente que se formou 
na história do pensamento econômico, cujos adeptos podem ser 
chamados de “teóricos da demanda efetiva”, ou “da crise”, entre os 
quais podemosincluir desde os Mercantilistas, passando por Malthus, 
Marx, Rosa Luxemburgo até Kalecki e Keynes, desembocando nos 
chamados “Pós-Keynesianos” (Sraffa, Joan Robinson, Minsky) 
(MESQUITA FILHO, 2018, s. p.).
A discussão que embasa a teoria keynesiana pode ser resumida na 
seguinte questão: 
i. É o produto (oferta) que determina a demanda, como preconizado 
pela chamada Lei de Say – ‘a oferta cria sua própria procura’; ou, 
ii. é a demanda, as decisões de gasto, que determinam o produto 
(a oferta), conforme preconizado por Keynes, Kalecki e outros 
autores, que defendiam o chamado Princípio da Demanda Efetiva? 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 108-109).
Responder a estas indagações não é assim tão fácil, não é mesmo? Opiniões 
antagônicas são objeto de debates ainda neste século e você, com certeza, ainda 
irá ler e ouvir muito sobre esta controvérsia. Mas por que estas indagações foram 
tão importantes para Keynes?
118
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
Como Keynes viveu neste período e sentiu os horrores da Grande 
Depressão, percebeu que a Lei de Say não conseguia mais se justificar naquele 
momento, pois havia grande oferta de produtos, sendo que alguns economistas 
afirmam que a crise de 1930 originou-se devido a uma superprodução que não foi 
acompanhada pelo lado da demanda.
Desta forma, podemos constatar que estudar as flutuações no produto 
(oferta agregada) e, consequentemente, no nível de emprego, é importante para 
intervir em situações de crise como as que ocorreram em 1930, década de 1970 
(com as chamadas crises do petróleo), crise financeira de 2008 e outras tantas que 
com certeza virão, quer sejam motivadas por fenômenos econômicos internos, 
quer externos, quer ainda, motivadas por ambas as situações.
É claro que, para responder a estas questões, outras variáveis precisam 
ser levadas em conta, como o que determina o crescimento a longo prazo do 
produto (que é cada vez mais determinado pela lei da escassez) e, ainda, como 
aliar crescimento econômico com distribuição de renda, além da estabilidade 
de preços e alto nível de emprego, que são os principais objetivos de política 
macroeconômica, como vimos na Unidade 1.
Como você já pôde perceber ao longo dos estudos desta unidade, há 
uma intensa discussão entre economistas que defendem a teoria do liberalismo 
econômico de que os mercados, sozinhos, se autorregulam, inspirados no que 
Smith chamou de “mão invisível”. Ou seja, há no mercado uma espécie de mão 
invisível que faz com que o próprio mercado dê conta de equilibrar o sistema 
econômico, fazendo com que, automaticamente, a economia seja conduzida ao 
pleno emprego de recursos.
Por outro lado, há aqueles que afirmam ser impossível que o mercado 
consiga dar conta disso, uma vez que as próprias crises do capitalismo demonstram 
a fragilidade do sistema em equilibrar os diversos componentes do sistema 
econômico, exigindo, assim, que o Estado intervenha buscando restabelecer este 
equilíbrio. 
Isso por que, segundo estes:
O governo, principalmente com seus gastos, seria um elemento 
fundamental para a inversão do quadro de recessão e desemprego, 
uma vez que, gastando mais, estaria aumentando a despesa agregada 
e, consequentemente, o nível de produção, permitindo às empresas 
ocupar sua capacidade ociosa e elevar a procura de mão de obra 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 122).
 
Analisando os efeitos da Grande Depressão de 1930, Keynes formulou, 
como já afirmamos, a “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda” em 1936 
e propôs, então, a intervenção do Estado na economia como forma de debelar 
a recessão econômica quase que mundial do período, sendo que o primeiro 
país a adotar estas medidas foram os Estados Unidos, seguido posteriormente 
por outros. Tais medidas consistiam, de forma geral, em aumentar a demanda 
TÓPICO 3 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO REAL
119
agregada, que seria obtida por meio do aumento dos gastos governamentais, 
principalmente na forma de investimentos públicos em infraestrutura, já que estes 
demandam muita mão de obra, matérias-primas e insumos. Assim, empresários 
teriam sua demanda aumentada, trabalhadores seriam contratados e aumentaria 
a renda agregada que, por sua vez, seria despendida no consumo dos mais 
diferentes bens e serviços, o que beneficiaria todo o sistema econômico, gerando 
crescimento econômico e superando a crise.
Keynes sustentava que uma economia poderia atingir o equilíbrio, 
mesmo apresentando significativos níveis de desemprego de 
trabalhadores e de outros fatores de produção. Sustentava, também, 
que seria necessária a intervenção do governo no sentido de regular 
a atividade econômica e levar a economia para o pleno emprego 
(NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 395).
A parte do estudo keynesiano que aborda essas medidas é denominada 
teoria de determinação do equilíbrio da renda nacional, também conhecida como 
modelo keynesiano básico (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005).
Neste tópico, estudaremos o modelo básico analisando o lado real da 
economia, constituído pelo mercado de bens e serviços e pelo mercado de trabalho. 
ESTUDOS FU
TUROS
No Tópico 4 trataremos do lado monetário, constituído do mercado monetário 
e de títulos.
2 HIPÓTESES DO MODELO BÁSICO
Keynes desenvolveu o modelo básico de determinação da renda ao 
observar a economia mundial durante a Grande Depressão de 1930, período este 
em que havia altas taxas de desemprego, principalmente nos Estados Unidos 
e nos países da Europa Ocidental (Alemanha, Áustria, Dinamarca, Espanha, 
França, Itália, Portugal, Reino Unido, Suécia, Suíça, dentre outros). Para entender 
este modelo, Keynes formulou cinco hipóteses, que passamos a analisar a partir 
de agora.
A primeira hipótese, de acordo com Vasconcellos e Garcia (2005, p. 123), 
é que “o modelo keynesiano supõe a existência de desemprego, ou seja, que a 
economia esteja em equilíbrio abaixo do pleno emprego, produzindo abaixo do 
seu potencial: as empresas estão com capacidade ociosa e uma parcela da força de 
trabalho está desempregada”.
120
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
Com certeza você consegue entender essa hipótese, não é mesmo? 
Observando o que acontece na economia, é possível perceber que há realmente 
muitas situações em que isso ocorre. Desde 2013, quando o Brasil iniciou um 
período de recessão, as taxas de desemprego começaram a aumentar, ficando em 
11,75% em 2016 e em 10,85% em 2017. 
Observe no gráfico ilustrado a seguir o comportamento da produção 
industrial no período de janeiro de 2002 a março de 2017:
FIGURA 19 – PRODUÇÃO INDUSTRIAL BRASILEIRA DE JANEIRO DE 2002 A MARÇO DE 2017 
(2012=100)
Produção Industrial Mensal (2012=100)
ja
n/
02
110
105
100
95
90
85
80
75
70
ag
o/
02
m
ar
/0
3
ou
t/0
3
m
ai
/0
4
de
z/
04
ju
l/0
5
fe
v/
06
se
t/0
6
ab
r/
07
no
v/
07
ju
n/
08
ja
n/
09
ag
o/
09
m
ar
/1
0
ou
t/1
0
m
ai
/1
1
de
z/
11
ju
l/1
2
fe
v/
13
se
t/1
3
ab
r/
14
no
v/
14
ju
n/
15
ja
n/
16
ag
o/
16
m
ar
/1
7
FONTE: Silveira (2017, s.p.)
Vemos, assim, que houve uma significativa queda da produção industrial 
brasileira a partir de 2012, apresentando leve recuperação em 2016 e 2017, o que 
contribuiu para aumentar as já referidas taxas de desemprego.
A segunda hipótese do modelo básico keynesiano propõe que:
Como a economia está em desemprego, não há razões para as 
empresas elevarem os preços dos produtos, num eventual aumento 
da demanda. Ou seja, supõe-se que as empresas, quando estimuladas 
por um aumento da demanda de seus produtos, procurarão elevar 
sua produção, e não os preços, porque estão com capacidade ociosa 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 123).
Essa hipótese também pode ser perfeitamente compreendida, pois se os 
empresários estão com altos estoques de matérias-primas e insumos, por exemplo, 
estes já foram adquiridos a um preço dado e, como para aumentar a produção é só 
inseri-losno processo produtivo, não há realmente razão para aumentar os preços.
TÓPICO 3 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO REAL
121
A terceira hipótese, de acordo com Vasconcellos e Garcia (2005, p. 124), é 
que “o modelo básico analisa a teoria da determinação da renda no curto prazo, 
ou seja, analisa o papel das políticas macroeconômicas na estabilização do nível 
de atividade e emprego, e do nível de preços”.
Por que no curto prazo? Por definição, o curto prazo é aquele período de 
tempo em que pelo menos um dos fatores produtivos é fixo (terra, trabalho, capital 
e capacidade empresarial – alguns economistas incluem também a tecnologia). 
Assim, o estoque existente desses recursos somente vai ser alterado em sua 
totalidade no longo prazo, quando os fatores produtivos passam a ser variáveis.
Como geralmente é o fator trabalho que mais sofre em períodos de 
recessão econômica, é fácil de entender essa formulação: se a oferta é maior do que 
a demanda, formam-se estoques tanto de produto final (aquele que está pronto 
para ser consumido) quanto de matérias-primas e insumos (que teoricamente não 
podem ser devolvidos aos fornecedores). Assim, trabalhadores são demitidos, 
sabendo-se que poderão ser rapidamente contratados caso ocorra um novo 
crescimento da demanda.
A quarta hipótese, com relação à oferta agregada potencial:
A oferta agregada de bens e serviços (OA) é o valor total da produção de 
bens e serviços finais colocados à disposição da coletividade num dado 
período. É o próprio produto real, ou PIB. A oferta agregada varia em 
função da disponibilidade de fatores de produção: mão de obra (força 
de trabalho ou população economicamente ativa), estoque de capital e 
nível de tecnologia (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 124).
Como bem frisaram Vasconcellos e Garcia (2005), existe uma diferença 
significativa entre a oferta agregada potencial e a oferta agregada efetiva. 
Enquanto a oferta agregada potencial é aquela gerada quando a economia está no 
pleno emprego de todos os seus recursos e não pode ser alterada no curto prazo, a 
oferta agregada efetiva é aquela que foi efetivamente gerada pela economia num 
dado período de tempo (o que acontece com o PIB, que geralmente é computado 
anualmente), mesmo que essa produção tenha sido gerada com desemprego de 
recursos, como acontece nas situações de recessão econômica, podendo sofrer 
alterações por meio de intervenções na economia. 
Assim, Keynes propôs intervenções que atingem a economia no curto 
prazo, buscando restabelecer o equilíbrio do sistema econômico, em que haja 
novamente o pleno emprego dos recursos, elevando a oferta agregada efetiva.
Por fim, a quinta hipótese, ainda no que se refere à demanda efetiva, 
Keynes afirmava que “a demanda ou procura agregada de bens e serviços (DA) é a 
soma dos gastos planejados dos quatro agentes econômicos: despesas das famílias 
com bens de consumo (C), gastos das empresas com investimentos (I), gastos 
do governo (G) e despesas líquidas do setor externo (X-M)” (VASCONCELLOS; 
GARCIA, 2005, p. 124-125).
122
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
Assim:
DA = C + I + G + (X - M)
IMPORTANT
E
Lembrando que exportações líquidas é o resultado das exportações efetuadas, 
subtraídas as importações.
Keynes enfatiza a importância de analisar os gastos da economia, sendo 
que, devido à possibilidade de grandes volumes de investimento (na forma de 
gastos) serem efetuados por parte do Estado, este seria o principal indutor do 
desenvolvimento, especialmente em situações de flutuações na oferta e demanda 
e, consequentemente, no emprego.
O princípio da demanda efetiva foi formulado, então, fazendo a 
seguinte análise: 
Uma vez que a oferta agregada potencial não se altera no curto prazo, 
dados os estoques de produção, as alterações do nível de equilíbrio da 
renda e do produto nacional devem-se exclusivamente às variações 
da demanda agregada de bens e serviços, em outras palavras, as 
flutuações da demanda agregada são as responsáveis pelas variações 
do produto e da renda nacional a curto prazo (VASCONCELLOS; 
GARCIA, 2005, p. 125).
Em outras palavras, numa situação de recessão econômica, em que há 
excesso de oferta em relação à demanda, uma política de aumento de gastos 
governamentais, via políticas monetária e fiscal (principalmente esta última), no 
sentido de conceder incentivos fiscais (isenção de tributos, crédito subsidiado) e 
efetuar gastos na forma de investimentos em obras de infraestrutura (transportes, 
saúde, educação, segurança), faz com que aumente a demanda agregada efetiva de 
forma a levar as empresas a aumentarem sua produção potencial, restabelecendo 
assim os níveis de renda e emprego.
TÓPICO 3 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO REAL
123
3 CONDIÇÃO DE EQUILÍBRIO MACROECONÔMICO
Quando tratamos dos agregados macroeconômicos, vimos que renda 
nacional, produto nacional e despesa nacional são grandezas de igual valor (que 
possuem uma identidade básica). Entretanto, como podemos agora compreender 
a partir das hipóteses keynesianas, a condição de equilíbrio macroeconômico 
pode ser alcançada mesmo com a economia operando abaixo do pleno emprego, 
o que Keynes chamou de produto efetivo (o que, por analogia, conduz às demais 
igualdades, que são a renda e a demanda, à mesma designação).
Assim, a renda de equilíbrio (ou renda efetiva) é determinada quando a 
demanda agregada e a oferta agregada se igualam, o que pode acontecer mesmo 
quando a economia estiver operando com capacidade ociosa de produção 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005).
Então, como restabelecer o equilíbrio que possa conduzir a economia 
novamente ao pleno emprego dos recursos? É isso mesmo que você deve estar 
pensando: “Como a oferta agregada é fixada no curto prazo, a política econômica 
deve se concentrar em elevar a demanda agregada, por meio de instrumentos que 
proporcionem aumento dos gastos de consumo, investimento, gastos do governo, 
elevação das exportações acima das importações etc.” (VASCONCELLOS; 
GARCIA, 2005, p. 126).
Graficamente, podemos transcrever a proposta keynesiana da seguinte 
forma:
FIGURA 20 – EQUILÍBRIO MACROECONÔMICO SEGUNDO KEYNES
Renda (Produto) Real
RNpeRN1RN0
DA1
DA2
OA
DA3
DA0
Y0 YpeY1
P1
P2
P3
Nível geral 
dos preços
FONTE: Rossetti (1988)
124
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
Quais variáveis são analisadas nesse gráfico? Vejamos: temos o Nível Geral 
de Preços, no eixo vertical do gráfico, a Renda Nacional Real (RN) (ou efetiva), 
no eixo horizontal e as variáveis que são dependentes tanto dos preços quanto da 
renda, que são a Demanda Agregada (DA) e a Oferta Agregada (OA).
Vamos analisar o gráfico ponto a ponto. Para Keynes, quando a Oferta 
Agregada (OA) está distante da Renda Nacional de Pleno Emprego (RNpe) é 
possível aumentar a Demanda Agregada (DA) de DA0 para DA1 sem aumentar 
o Nível Geral de Preços e, consequentemente, aumentar a Renda Nacional (RN) 
de RN0 para RN1. 
Observe que, nesse caso, a economia está operando abaixo do pleno 
emprego, certo? Entretanto, quando a economia está operando no pleno 
emprego dos recursos, quando há equilíbrio entre Demanda Agregada (DA2) e 
Oferta Agregada no ponto em que a Renda Nacional chega ao pleno emprego 
de recursos (RNpe), aumentos na Demanda Agregada (DA) de D1 para D2 não 
alteram a Oferta Agregada (OA), porque esta oferta é fixa no curto prazo, o que 
vai acarretar no aumento do Nível Geral de Preços de P1 para P2.
Observe que existe uma parte da curva intermediária, na qual o 
aumento da demanda agregada leva ao incremento do produto, mas 
com uma pequena elevação do nível geral de preços. Nessa área da 
curva, o governo precisa tomar muito cuidado com sua política de 
aumentar a demanda agregada, pois ele vai começar a levar a economia 
para um processo inflacionário (ROSSETTI, 1988).
Conseguiu visualizar a afirmação no gráfico da Figura20? Quando 
a economia está operando no pleno emprego de recursos, para que haja uma 
expansão da Oferta Agregada (OA) é preciso aumentar a quantidade de recursos 
disponíveis, o que somente é possível no longo prazo. Portanto, qualquer estímulo 
da Demanda Agregada (DA) nesse intervalo de tempo pode causar um processo 
inflacionário, já que a demanda será maior que a oferta, levando o nível geral de 
preços de P2 para P3. 
4 CONSUMO, POUPANÇA E INVESTIMENTO AGREGADO
Agora que já estudamos as relações existentes entre Nível Geral de 
Preços, Renda Nacional Efetiva (ou real), Demanda Agregada (DA) e Oferta 
Agregada (OA), vamos incluir outras variáveis que são importantes na análise 
macroeconômica, que são o consumo, a poupança e o investimento agregado.
 
Por que estas variáveis são importantes? Vejamos na sequência.
TÓPICO 3 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO REAL
125
4.1 CONSUMO AGREGADO
Quando você decide adquirir um bem, por exemplo, um automóvel, que 
fatores você leva em conta na sua decisão de compra?
Provavelmente irá verificar, em primeiro lugar, a sua renda disponível, 
para decidir a forma de compra desse bem (se à vista ou financiado), a taxa de 
juros praticada pelos bancos (já que se você precisar financiar tem que avaliar 
se terá moeda suficiente para efetuar o pagamento das prestações mensais), 
suas expectativas sobre o fluxo da sua renda no futuro, bem como a situação 
econômica do país, avaliando se não haverá uma alta significativa da inflação, 
por exemplo, que fará com que o valor das prestações mensais se eleve muito ao 
longo do tempo, dentre outras variáveis.
Mais ou menos isso acontece com a macroeconomia. O Consumo 
Agregado também depende de variáveis como a “renda nacional, estoque de 
riqueza ou patrimônio, taxa de juros do mercado, disponibilidade de crédito, 
expectativa sobre a renda futura e rentabilidade das aplicações financeiras” 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 128).
Entretanto, como no exemplo anterior (onde analisamos como funcionam 
suas decisões de compra), a Renda Nacional Disponível (RND) é o fator mais 
importante a ser levado em conta no consumo agregado. 
Renda Nacional Disponível é aquela que sobra quando subtraímos os 
tributos (impostos, taxas e contribuições) da Renda Nacional Efetiva, ou seja, é 
a renda efetivamente utilizada para o consumo de toda a coletividade, o que é 
gasto, despendido por todos os residentes em uma nação.
Assim, podemos expressar esta relação algebricamente:
C = f (RND)
Sendo que:
C = consumo agregado;
RND = Renda Nacional Disponível.
126
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
IMPORTANT
E
Antes de prosseguirmos com as demais variáveis, vamos a um conceito criado 
por Keynes que é deveras importante para a análise macroeconômica. É o que Keynes 
denominou Propensão Marginal a Consumir.
A denominação parece difícil de entender, mas com um simples exemplo você irá entender 
perfeitamente.
Como o consumo depende em grande medida da renda, utilizando o exemplo anterior, 
quando você pensa em adquirir um automóvel, irá verificar se sua renda disponível será 
suficiente para efetuar a compra.
Se num primeiro momento você constatar que sua renda não será suficiente, provavelmente 
não efetuará a compra. Mas se no futuro sua renda disponível aumente em, digamos, 30%, 
será que você finalmente comprará o automóvel tão desejado?
Analisando agora, em termos macroeconômicos, a Propensão Marginal a Consumir mede 
a variação que ocorre no Consumo Agregado quando ocorre uma variação na Renda 
Nacional Disponível, ou seja:
Propensão marginal a Consumir = Variação no consumo agregado Propens�o marginal a Consumir = 
Varia��o no consumo agregaddo
Varia��o na renda nacional dispon�vel
 = 
C
RND
Vamos a um exemplo: Se a Renda Nacional Disponível sofrer uma variação de 30% e o 
Consumo Agregado variar 25%, temos que:
Propensão marginal a Consumir Propens�o marginal a Consumir =
25
30
0 83= ,
O que este resultado significa? Que para este país, 83% da Renda Nacional Disponível é 
destinada ao consumo dos mais diferentes bens e serviços.
Assim, se a Renda Nacional Disponível sofrer um aumento de, digamos, $ 100 milhões, $ 83 
milhões serão destinados ao consumo.
Variação na renda nacional disponível
Mas, e o restante da Renda Nacional Disponível? É o que veremos na 
próxima seção.
TÓPICO 3 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO REAL
127
4.2 POUPANÇA AGREGADA
Você já parou para pensar o que significa a palavra poupar? Do latim, 
palpare, significa deixar de gastar, economizar (DICIONARIOWEB, 2018). Ou 
seja, você deixa de gastar hoje para poder gastar mais no futuro. 
A moeda, quando retirada de circulação e posta numa aplicação financeira, 
dentre elas a mais popular, chamada de “caderneta de poupança”, rende juros que 
aumentam o seu poder de compra ao longo do período em que estiver aplicado, 
protegendo sua renda dos efeitos da inflação.
Mas de onde se origina a poupança? Esta é parte da nossa renda pessoal 
disponível e responde à pergunta que fizemos. Da nossa renda pessoal disponível 
(deduzidos os impostos), ou nós gastamos com o consumo ou nós poupamos. 
Assim, ampliando nosso horizonte para toda a macroeconomia, “a poupança é a 
parte residual da renda nacional disponível, ou seja, a parcela da renda nacional 
que não é gasta em bens de consumo” (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 129, 
grifo da autora).
Algebricamente, temos o seguinte: 
S = f (RND)
Sendo que:
S = poupança agregada (do inglês, savings);
RND = Renda Nacional Disponível.
IMPORTANT
E
Da mesma forma que podemos calcular a propensão marginal a consumir de 
uma nação, é possível conhecer a sua propensão marginal a poupar.
128
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
Assim, temos que:
Propensão Marginal a Poupar = Variação na poupança agregadaa
Variação na renda nacional disponível
=
S
RND
Ora, utilizando o mesmo exemplo do Consumo Agregado: se a Renda 
Nacional Disponível sofrer uma variação de 30% e a Poupança Agregada variar 
5%, temos que:
Propensão Marginal a Poupar = 5
30
= 0,17
Também podemos obter este resultado com outra fórmula, bem fácil de 
entender:
 
Propensão Marginal a Poupar + Propensão Marginal a Consumirr = 1
 
Assim, se sabemos que a Propensão Marginal a Consumir é igual a 0,83:
Propensão Marginal a Poupar + 0,83 = 1
Logo:
Propensão Marginal a Poupar = 1 - 0,83
Ou seja:
Propensão Marginal a Poupar = 0,17
Aplicando no exemplo anterior, para um acréscimo na Renda Nacional 
Disponível de $ 100 milhões, $ 17 milhões serão poupados e o restante ($ 83 
milhões), consumidos.
NOTA
Você saberia dizer se há diferenças significativas nas propensões marginais a 
poupar e a consumir entre países desenvolvidos e os países emergentes ou subdesenvolvidos?
Vamos facilitar a análise: entre um trabalhador (ambos solteiros, morando na casa dos pais 
e tendo toda a sua renda para gastar somente consigo mesmo) que recebe um salário 
mensal de $ 2.000,00 e outro que recebe $ 3.500,00, qual deles, teoricamente, gasta um 
percentual menor da sua renda com bens e serviços finais? Ou, qual deles, teoricamente, 
poderia destinar algum valor da sua renda para a poupança?
TÓPICO 3 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO REAL
129
Teoricamente, o que ganha mais, certo?
 
Entre os países, segundo a literatura afirma, a tendência é de que os emergentes ou 
em desenvolvimento tenham uma propensão marginal a consumir maior que os países 
desenvolvidos porque naqueles as demandas são maiores, ou seja, a população quer ter 
mais acesso a bens de consumo que não poderiam acessar se não tivessem um acréscimo 
na renda. Já nos países desenvolvidos, o acesso aos bens de consumo já foi conquistado 
há mais tempo, razão pela quala proporção da renda gasta com bens e serviços tende a ser 
menor que nos países mais pobres. 
 
Também se pode observar que a maioria das novas tecnologias surge nos países 
desenvolvidos e são comercializadas primeiro internamente para depois serem exportadas 
para os demais países.
Como consequência, se pode afirmar que políticas macroeconômicas, principalmente 
fiscais, costumam surtir efeito mais rápido sobre a economia dos países subdesenvolvidos 
do que nos desenvolvidos.
4.3 INVESTIMENTO AGREGADO
Antes de mais nada, é importante definirmos o que é investimento, pois 
há confusão principalmente em relação às aplicações financeiras.
“Investimento é o acréscimo ao estoque de capital que leva ao crescimento 
da atividade produtiva (construções, instalações, máquinas, dentre outros). 
Ele pode ser interpretado sob dois ângulos: a curto prazo e a longo prazo” 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 129, grifo da autora).
Então, quando falamos de investimento, estamos nos referindo ao lado 
real da economia (produção de bens e serviços) e não ao lado monetário (pois há 
quem utilize a expressão investimento para se referir a uma aplicação no mercado 
financeiro).
Depois dessa diferenciação, vamos entender: O que é investimento de 
curto e longo prazos e quais seus efeitos?
Muito bem acadêmico, vamos lá! Como já estudamos nessa unidade, 
no curto prazo a Oferta Agregada (OA) é fixa, injeções de renda via gastos com 
investimento irão fazer com que a capacidade de produção aumente, afetando, 
assim, a Demanda Agregada (DA).
Como por definição o curto prazo é aquele período de tempo em que pelo 
menos um dos fatores de produção é fixo, vamos então imaginar que este fator 
seja a mão de obra. Logo, se aumentar os gastos com investimento, no caso, na 
construção de uma escola, trabalhadores serão contratados para a execução da 
obra, mas os demais fatores envolvidos nesse processo produtivo já estarão em 
estoque (matérias-primas, insumos). Assim, aumentará a renda dos trabalhadores, 
o que fará com que aumente a demanda agregada.
130
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
Agora, se o objetivo é aumentar a Oferta Agregada (OA), isso acontecerá 
somente no longo prazo, período em que todos os fatores de produção são 
variáveis (capital, tecnologia, trabalho, capacidade empresarial, terra). 
Com relação ao investimento, há que se ressaltar a sua importância para o 
crescimento econômico de um país. É fácil de entender essa afirmação: para que 
um país possa crescer ao longo dos anos, aumentando sua riqueza, volumosos 
recursos na forma de investimentos são necessários, na forma de incremento da 
infraestrutura do país: ampliação e manutenção de estradas, rodovias, portos, 
aeroportos, edificações para armazenamento e distribuição dos produtos, bem 
como nas áreas de saúde, educação e segurança pública, dentre outros.
Por que isso é preciso, então? Ora, se houver um aumento da produção 
nacional e não tiver uma infraestrutura condizente com este aumento, haverá 
o que chamamos de “gargalo” logístico na economia. De certa forma já 
convivemos com essa realidade no Brasil, pois não temos sequer rodovias em 
muitas regiões, deixamos que a rede ferroviária fosse sucateada, ainda há lacunas 
de investimentos nas demais áreas de transporte de cargas (como o fluvial, 
marítimo e aéreo), temos uma educação muito aquém daquela que seria a ideal 
para desenvolvermos pesquisa e desenvolvimento de qualidade (que nos tornem 
mais soberanos em relação aos países desenvolvidos, principalmente na inovação 
tecnológica), a saúde pública ainda é precária e a segurança, então, você conhece 
muito bem, pois é notícia diária nos telejornais e mídias sociais.
Ao mesmo tempo em que o investimento é uma variável indispensável 
quando tratamos do crescimento e desenvolvimento econômico, precisamos 
refletir na sua instabilidade, pois “seu comportamento é de difícil previsão, 
por depender de fatores não apenas econômicos, mas também das expectativas 
quanto ao futuro” (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 130).
E do que ele depende, então? Vamos a uma análise micro para depois 
entender estas relações na sua forma macro.
Dissemos anteriormente que quando você quer adquirir um automóvel, a 
renda pessoal disponível será a principal variável na sua decisão de compra. Isso 
pode ser analisado em duas situações:
1) Se você tiver feito uma aplicação financeira e tiver reunido o valor necessário 
para a compra do automóvel, irá pensar se valerá a pena adquiri-lo neste 
momento, analisando como estão as taxas de juros no mercado, pois se a taxa 
de juros estiver elevada, poderá preferir deixar seu dinheiro aplicado, que lhe 
renderá juros, ao invés de resgatar este valor na aquisição do veículo, ainda 
mais que este veículo deprecia ao longo do tempo.
2) Se você não tiver o dinheiro necessário para adquirir o automóvel à vista, 
poderá optar por um financiamento, mas se a taxa de juros estiver muito 
elevada, talvez não seria indicado adquiri-lo neste momento, porque você 
pode não conseguir efetuar o pagamento das prestações mensais.
TÓPICO 3 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO REAL
131
Com o investimento agregado acontece mais ou menos a mesma coisa, 
ou seja, ele vai depender da taxa de rentabilidade esperada e da taxa de juros 
do mercado. 
A taxa de rentabilidade esperada ou taxa de retorno é calculada a partir 
da estimativa do retorno líquido esperado pela aquisição do bem de capital [...ou, 
ainda] também é chamada, na literatura econômica, de eficiência marginal do 
capital” (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 130, grifos do original).
A taxa de retorno do investimento baseia-se nas relações entre: o fluxo de 
renda esperado advindo da aquisição do bem de capital, o preço de compra e o 
tempo de depreciação desse bem e a taxa de juros praticada no mercado. 
Se esta taxa for superior à taxa de juros, que corresponde ao custo de se 
obter empréstimos para realizar o investimento ou o custo de oportunidade de se 
imobilizar os recursos, o empresário investe; se for o contrário, não investe.
Algebricamente, temos que:
TR= RL
I
- t x �
�
�
�
�
� 100
Em que:
TR = Taxa de Retorno;
RL = Receita Líquida obtida;
t = Tempo de depreciação do bem;
I = Investimento realizado (preço do bem).
Vamos a um exemplo ilustrativo: 
Segundo Nogami e Passos (2003, p. 469), se o custo do investimento (um 
bem de capital como uma máquina), for de $ 50 milhões, a receita líquida obtida 
for de $ 55 milhões, sendo que esta máquina deprecie totalmente em 1 ano, temos 
que:
TR - x ��
�
�
�
�
�
50 000 000
55 000 000
1 100. .
. .
Logo:
TR = 10%
O que esse resultado expressa? Isoladamente ele apenas indica que o 
investimento efetuado trará um rendimento líquido de 10%.
132
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
A decisão de investir na aquisição deste bem de capital dependerá, então, 
da taxa de juros praticada no mercado, pois se esta for superior a 10% ao ano 
não é aconselhável à empresa fazer o investimento, já que, se ela tiver o valor 
equivalente, ganhará em juros um valor maior do que adquirindo a máquina e, 
se não tiver o valor requerido, pagará juros maiores pelo empréstimo em relação 
à taxa de retorno que obterá. Isso, ainda, sem levar em conta o risco que está 
associado ao investimento produtivo que, em geral, é mais elevado que o risco 
relacionado a aplicações financeiras.
Como você deve ter percebido, o investimento é inversamente proporcional 
à taxa de juros de mercado. 
Se a empresa já dispõe de capital próprio, a taxa de juros representará 
quanto a empresa ganharia se, em vez de investir em suas instalações, 
aplicasse o dinheiro no mercado financeiro. Se a empresa precisa 
tomar emprestado, por exemplo, para comprar equipamentos ou 
ampliar suas instalações, a taxa de juros do mercado representa para 
ela o custo do empréstimo. Nas duas situações, quanto maior a taxa 
de juros de mercado,menores os investimentos em bens de capital 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 130).
5 O MULTIPLICADOR DO INVESTIMENTO DE KEYNES
Como já afirmamos, ao contrário de Say, que salientava a importância da 
oferta agregada, Keynes atribui à demanda agregada o papel preponderante para 
a geração de riqueza de um país.
Numa situação em que a economia esteja operando abaixo do pleno 
emprego, Keynes afirma que é o investimento produtivo que fará com que 
aumente a renda nacional mais que proporcional ao aumento da demanda.
Vamos exemplificar: imaginemos uma situação de recessão econômica, 
onde há elevada taxa de desemprego de fatores produtivos (tanto de mão de 
obra quanto de demais fatores como matérias-primas, insumos, parque fabril 
instalado) e elevado estoque de produtos acabados. Numa situação como essa, 
como a oferta agregada pode impulsionar a demanda agregada? Se há elevada 
taxa de desemprego, consequentemente a renda nacional também diminuiu, 
então, como impulsionar o crescimento econômico?
Para Keynes, dada a situação descrita acima, uma política de gastos 
governamentais, principalmente na forma de investimentos, gera um efeito 
multiplicador em todo o sistema econômico, da seguinte maneira: o governo 
resolve, então, investir na execução de uma grande obra, como na construção de 
uma ferrovia (que aliás é um dos meios de transporte mais barato e sucateado 
no Brasil). Para isso precisará efetuar um processo de licitação para selecionar a 
empresa que executará a obra. A empresa vencedora da licitação: i. Contratará 
trabalhadores (engenheiros, operários da construção civil) que receberão salários 
TÓPICO 3 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO REAL
133
que serão gastos com consumo de bens e serviços (que estimularão outros 
setores, como de alimentos, vestuário, eletrodomésticos, etc.); ii. Demandará 
matérias-primas e insumos de empresas fornecedoras, que conseguirão vender 
seus estoques e, a depender do aumento dos pedidos, poderão novamente passar 
a produzir com utilização de toda a sua capacidade produtiva.
Vamos utilizar valores para que você possa entender melhor quanto 
o efeito multiplicador é importante para reverter uma situação de recessão 
econômica, na proposta keynesiana. 
De acordo com Vasconcellos e Garcia (2005), assim, se este gasto 
governamental for de $ 100 bilhões, a empresa executora da obra contratará 
trabalhadores e aumentará a produção da construção civil nesse valor. Isso 
se transformará em renda para os trabalhadores e empresários do setor de 
construção civil, que por sua vez gastarão com alimentos e vestuário. Esses gastos 
dependerão das propensões marginais a consumir e a poupar. 
A Propensão Marginal a Consumir (PMgC), como já vimos, é definida 
como a variação no consumo resultante da variação na renda. A sua fórmula é 
dada por:
PMgC = ∆
∆
C
Y
Em que:
PMgC = Propensão marginal a consumir; 
∆C/∆Y = Variação no consumo dividido pela variação na renda (aumento 
inicial de gastos ou investimentos).
Ela nos mostra a tendência que cada família tem de gastar em bens de 
consumo a porcentagem de cada unidade monetária adicional que se dê em sua 
renda. Suponhamos que dos $ 100 bilhões injetados na economia pelo governo 
na construção de estradas e hospitais, $ 80 bilhões sejam consumidos pelos 
envolvidos no processo. 
Desta forma a PMgC será de 0,80:
PMgC = 80 000 000 000
100 000 000 000
. . .
. . .
Logo:
PMgC = 0,80
134
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
A propensão marginal a poupar, por sua vez, é a variação na poupança 
decorrente da variação na renda. A sua fórmula é dada por:
PMgS = ∆
∆
S
Y
Em que:
PMgS = Propensão marginal a poupar; 
∆S/∆Y = Variação na poupança dividido pela variação na renda (aumento 
inicial de gastos ou investimentos).
 
Ela nos mostra a tendência que cada família tem de poupar a porcentagem 
de cada unidade monetária adicional que se dê em sua renda. Assim, suponhamos 
que dos $ 100 bilhões injetados na economia pelo governo na construção da 
ferrovia, $ 20 bilhões sejam poupados.
Desta forma, a PMgS será de 0,20:
PMgS = ∆
∆
S
Y
PMgS = 20 000 000 000
100 000 000 000
. . .
. . .
Logo:
PMgS = 0,20
 Devemos observar que a Propensão Marginal a Consumir mais a 
Propensão Marginal a Poupar devem totalizar 1 (ou 100%) para cada variação na 
renda. Assim:
PMgC + PMgS = 1
(Já que de toda a renda pessoal ou nacional, uma parte é consumida e a 
outra é poupada.)
Da mesma forma, podemos concluir que a Propensão Marginal a Consumir 
é igual a 1 menos a Propensão Marginal a Poupar:
PMgC = 1 - PMgS
Concluímos que, se a variação inicial na renda for de $ 100 bilhões, supondo 
então uma propensão a consumir igual a 0,80 e uma propensão a poupar igual 
a 0,20, os trabalhadores e empresários da construção civil gastarão $ 80 bilhões 
TÓPICO 3 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO REAL
135
com alimentos e vestuário, poupando $ 20 bilhões. A produção de alimentos e 
vestuário elevar-se-á em $ 80 bilhões, e será transformada em renda (salários, 
lucros) dos trabalhadores e empresários dos setores de alimentos e vestuário. 
Com a propensão a consumir agregada de 0,80, estes, por sua vez, gastarão $ 64 
bilhões (80% de $ 80 bilhões) com, digamos, lazer. O setor de lazer receberá um 
incremento de renda de $ 64 bilhões e o processo continuará, elevando a renda 
gerada na economia.
Ao final desse processo ocorrerá um acréscimo de renda e produto 
nacionais muito superior ao gasto inicial de $ 100 bilhões.
Como se observa, essa multiplicação dependerá das propensões marginais 
a consumir e a poupar: quanto maior a propensão a consumir da coletividade, 
maiores os gastos com bens e serviços, em cada etapa, e maior o efeito 
multiplicador. Quanto maior a propensão a poupar, menor o efeito multiplicador 
(NOGAMI; PASSOS, 2003).
5.1 CÁLCULO DO MULTIPLICADOR KEYNESIANO (k)
Para calcular o efeito multiplicador do investimento sobre a renda 
nacional, utilizamos as seguintes fórmulas: 
k = 1/1 - PMgC 
Ou
k = 1/PMgS
Em que:
k = multiplicador de investimento.
Seguindo o exemplo anterior, poderemos concluir que o multiplicador (k) 
é igual a 5, pois:
k
PMgC
=
1
1 - 
k �= 1
1 - 0,80
k = 5
136
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
Ou, alternativamente:
k
PMgS
=
k = 1
0 20,
k = 5
Assim, para um multiplicador de 5, o aumento inicial de gastos do governo 
de $ 100 bilhões levaria a um aumento da renda nacional para $ 500 bilhões.
1
5.2 CÁLCULO DA VARIAÇÃO DA RENDA NACIONAL
Para o cálculo da variação da renda nacional utilizamos a seguinte fórmula:
∆RN = k(∆Y)
Em que:
∆RN = variação na renda nacional;
K = multiplicador de investimentos;
∆Y = variação inicial na renda por meio dos investimentos/gastos.
Como no exemplo anterior, com o multiplicador sendo igual a 5, o 
aumento inicial de gastos do governo de $ 100 bilhões levará a um aumento da 
renda nacional de $ 500 bilhões (5 X 100 bilhões). Assim:
∆RN = k(∆Y)
∆RN = 5 (100.000.000.000)
∆RN = 500.000.000.000,00
IMPORTANT
E
O multiplicador também tem um efeito perverso: se os gastos caírem em $ 100 
bilhões, a renda cairá num múltiplo de $ 100 bilhões (no exemplo anterior, $ 500 bilhões) 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2008).
Por isso que o setor de construção civil é considerado um termômetro da economia. 
Quando a economia cresce, o setor também cresce fortemente, mas quando a economia 
entra em recessão, este setor também sofre uma queda muito forte. 
TÓPICO 3 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO REAL
137
Você consegue perceber esse fenômeno? Note que quando ocorre uma forte recessão 
econômica, as famílias deixam de gastar com imóveis e até mesmo investimentos em 
educação são postergados (pela diminuição da renda que a recessão provoca), as empresas 
também cessam os investimentos em novos projetos produtivos ou na aquisição de bens 
de capital (máquinas e equipamentos) e seo governo não tem recursos para gastar com 
investimentos em infraestrutura, há uma forte demissão de trabalhadores, que geram um 
efeito multiplicador negativo, iniciando pelo setor de construção civil e atingindo demais 
setores econômicos.
138
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que: 
 
• A discussão que embasa a teoria keynesiana pode ser resumida na seguinte 
questão: É o produto (oferta) que determina a demanda, como preconizado 
pela chamada Lei de Say – ‘a oferta cria sua própria procura’ ou é a demanda, 
as decisões de gasto, que determinam o produto (a oferta)?
• Analisando os efeitos da Grande Depressão de 1930, Keynes formulou a “Teoria 
Geral do Emprego, do Juro e da Moeda” em 1936 e propôs, então, a intervenção 
do Estado na economia como forma de debelar a recessão econômica quase 
que mundial do período.
• Keynes sustentava que uma economia poderia atingir o equilíbrio, mesmo 
apresentando significativos níveis de desemprego de trabalhadores e de outros 
fatores de produção. Sustentava, também, que seria necessária a intervenção 
do governo no sentido de regular a atividade econômica e levar a economia 
para o pleno emprego (NOGAMI; PASSOS, 2003).
• São cinco as hipóteses do modelo keynesiano: 1) o modelo keynesiano supõe a 
existência de desemprego, ou seja, que a economia esteja em equilíbrio abaixo 
do pleno emprego, produzindo abaixo do seu potencial; 2) as empresas, quando 
estimuladas por um aumento da demanda de seus produtos, procurarão 
elevar sua produção, e não os preços, porque estão com capacidade ociosa; 
3) o modelo básico analisa a teoria da determinação da renda no curto prazo 
(quando pelo menos um fator de produção é fixo); 4) a oferta agregada de bens 
e serviços (OA) é o valor total da produção de bens e serviços finais colocados à 
disposição da coletividade num dado período. É o próprio produto real, ou PIB. 
A oferta agregada varia em função da disponibilidade de fatores de produção: 
mão de obra (força de trabalho ou população economicamente ativa), estoque 
de capital e nível de tecnologia; 5) a demanda ou procura agregada de bens e 
serviços (DA) é a soma dos gastos planejados dos quatro agentes econômicos: 
despesas das famílias com bens de consumo (C), gastos das empresas com 
investimentos (I), gastos do governo (G) e despesas líquidas do setor externo 
(X-M).
• A condição de equilíbrio macroeconômico pode ser alcançada mesmo com 
a economia operando abaixo do pleno emprego, o que Keynes chamou de 
produto efetivo.
• A renda de equilíbrio (ou renda efetiva) é determinada quando a demanda 
agregada e a oferta agregada se igualam, o que pode acontecer mesmo quando 
a economia estiver operando com capacidade ociosa de produção.
139
• Para restabelecer o equilíbrio que possa conduzir a economia novamente ao 
pleno emprego dos recursos, sendo a oferta agregada fixa no curto prazo, “a 
política econômica deve se concentrar em elevar a demanda agregada, por 
meio de instrumentos que proporcionem aumento dos gastos de consumo, 
investimento, gastos do governo, elevação das exportações acima das 
importações etc. (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 126).
• A Renda Nacional Disponível (RND) é o fator mais importante a ser levado em 
conta no consumo agregado.
• A poupança é a parte residual da renda nacional disponível, ou seja, a parcela 
da renda nacional que não é gasta em bens de consumo.
• Investimento é o acréscimo ao estoque de capital que leva ao crescimento da 
atividade produtiva (construções, instalações, máquinas, dentre outros).
• Como no curto prazo a Oferta Agregada (OA) é fixa, injeções de renda via gastos 
com investimento irão fazer com que a capacidade de produção aumente, 
afetando, assim, a Demanda Agregada (DA).
• Agora, se o objetivo é aumentar a Oferta Agregada (OA), isso acontecerá 
somente no longo prazo, período em que todos os fatores de produção são 
variáveis (capital, tecnologia, trabalho, capacidade empresarial, terra).
• O investimento agregado depende da taxa de rentabilidade esperada e da taxa 
de juros do mercado. O investimento é inversamente proporcional à taxa de 
juros de mercado. 
• Ao contrário de Say, que salientava a importância da oferta agregada, Keynes 
atribui à demanda agregada o papel preponderante para a geração de riqueza 
de um país.
• Keynes afirma que é o investimento produtivo que fará com que aumente a 
renda nacional mais que proporcional ao aumento da demanda.
• Para Keynes, uma política de gastos governamentais, principalmente na forma 
de investimentos, gera um efeito multiplicador em todo o sistema econômico, 
e este efeito vai depender das propensões marginais a consumir (PMgC) e a 
poupar (PMgS) da economia.
140
1 Explique, por meio de um exemplo, por que quando a taxa de juros aumenta, 
diminui o nível de investimentos, o que, consequentemente, diminui o nível 
de emprego e de renda.
2 Quando um empresário pretende fazer um investimento produtivo, ele 
deve analisar a taxa de retorno do investimento, a possível receita líquida 
que será gerada por meio do investimento e a taxa de juros do mercado. 
Dessa forma, ele deverá fazer o investimento produtivo quando:
a) ( ) A taxa de retorno for maior do que a taxa de juros do mercado.
b) ( ) A taxa de juros do mercado for maior do que a taxa de retorno.
c) ( ) A receita líquida esperada for maior que a taxa de juros do mercado.
d) ( ) A taxa de juros do mercado for maior que a receita líquida esperada.
e) ( ) Nenhuma das alternativas anteriores.
3 Se a taxa de juros do país for de 12% ao ano, sendo que a taxa de retorno 
do investimento para os projetos de uma empresa moveleira for conforme 
determinado na tabela abaixo, em qual(is) projeto(s) a empresa investirá e 
qual o montante total investido nos projetos em que a taxa de retorno seja 
maior que a taxa de juros do mercado?
AUTOATIVIDADE
Projeto Investimento necessário (em R$ milhões) – montante por projeto Taxa de retorno esperada
A 4,5 7,20% a.a.
B 3,75 13,75% a.a.
C 6,4 11,20% a.a.
D 1,3 22,0% a.a.
E 1,7 12,85% a.a.
4 Sabendo que de um montante de R$ 500.000,00 investidos na economia, e R$ 
420.000,00 foram destinados ao consumo, de quanto será a:
a) PMgC:
b) PMgS:
c) K:
d) ∆RN resultante deste processo:
141
TÓPICO 4
A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA 
– O LADO MONETÁRIO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Vimos na Unidade 1, quando tratamos da estrutura da análise 
macroeconômica, as seguintes condições de equilíbrio:
QUADRO 3 – ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA
Classificação Mercados Variáveis determinadas
Parte real da economia
Mercado de bens e serviços Produto nacional
Nível geral de preços
Mercado de trabalho Nível de emprego
Salários nominais
Parte monetária da economia Mercado financeiro 
(monetário e títulos)
Taxa de juros
Estoque de moeda
Mercado de divisas Taxa de câmbio
FONTE: Vasconcellos (2014, p. 201)
Assim, a parte real da economia, constituída pelos mercados de bens e 
serviços e de trabalho, determina variáveis importantes para a macroeconomia, 
quais sejam: produto nacional, nível geral de preços, nível de emprego e salários 
nominais.
A parte monetária, por seu turno, constituída pelos mercados financeiro 
e de divisas, determina a taxa de juros, o estoque de moeda e a taxa de câmbio.
No tópico anterior abordamos o lado real da determinação da renda 
proposta pelos clássicos e por Keynes. Neste tópico vamos abordar o lado 
monetário das duas vertentes de pensamento.
Para isso, primeiro conheceremos aspectos gerais relacionados à moeda 
(este ativo tão importante para a economia), faremos um breve histórico das suas 
origens, evolução, importância, funções, características, demanda e oferta. 
142
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
Por fim, analisaremos as condições de equilíbrio no mercado monetário 
nas versões clássica e keynesiana.
2 SOBRE A MOEDA
Como você já estudou anteriormente, a moeda é um ativo, certo? Mas, o 
que é um ativo?
Na etimologiada palavra, moeda provém do latim activus, “que tem ação, 
que atua, que opera com energia” (DICIONÁRIOWEB, 2018, s.p.).
A moeda é, portanto, um ativo, porque é o meio utilizado pelas nações 
para efetuar o pagamento de todos os demais bens e serviços existentes, ou seja, 
é o equivalente geral de todas as mercadorias.
Você já se perguntou por que cada país tem uma moeda diferente, tanto 
na forma (figuras constantes nas cédulas e nas moedas metálicas) como na 
nomenclatura (real, dólar, euro, yene etc.)?
Isso se dá devido ao fato de que cada país determina qual moeda utilizará 
de acordo com suas características, situação econômica, sendo que em muitos 
casos é comum inserir a figura de personalidades importantes da história do país. 
Agora, você sabe o que faz com que as pessoas aceitem utilizar a moeda 
que o governo cria, como foi no caso da implantação do real em 1994? Isso se deve 
ao fato da moeda ter curso forçado, ou seja, ser determinado por lei. 
Mas nem sempre foi assim. A história da moeda é bem antiga, como 
veremos em breve exposição nas linhas seguintes. 
2.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO
De acordo com Nogami e Passos (2003), são seis fases distintas que 
explicam a origem e a evolução da moeda.
A primeira fase remonta ao início da civilização, quando o homem deixa de 
ser nômade e passa a viver em pequenas comunidades, iniciando assim o processo 
de divisão do trabalho e especialização (caça, pesca, plantio, colheita etc.).
O que isso significa? Ora, como acontece hoje, as pessoas se especializam 
em algum tipo de profissão, ou seja, se especializam em alguma área do 
conhecimento humano (ciências humanas, exatas, etc.), sendo que a divisão 
do trabalho é o que permite esta especialização (em vez de cada pessoa ter que 
efetuar todo o processo produtivo, é responsável por uma parte).
TÓPICO 4 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO MONETÁRIO
143
Com isso é comum ocorrer excedentes de produção, como se percebe 
facilmente na agricultura: se um agricultor se especializa na produção de grãos, 
gerará um excedente, que no início da civilização, como ainda não havia nenhuma 
moeda de troca, era trocado entre os demais agricultores, dando origem ao que 
chamamos de era da troca de mercadorias ou escambo, que durou muito tempo.
Conforme as civilizações se formavam e cada núcleo familiar surgia, o 
número e a variedade de mercadorias produzidas aumentavam. Então, continuar 
utilizando esse sistema estava se tornando insuportável, pela dificuldade que 
era encontrar alguém que tivesse a mercadoria desejada e, ao mesmo tempo, 
demandasse a mercadoria ofertada.
Apenas para exemplificar, Nogami e Passos (2003, p. 446) dizem que a 
quantidade de transações necessárias para que um indivíduo adquirisse o que 
estivesse demandando neste sistema de escambo poderia ser determinada pela 
seguinte fórmula:
TM
n n
�
�� �1
2
Em que:
TM: número de trocas de mercadorias;
n = quantidade de produtos existentes.
Assim, por exemplo, se nessa economia houvesse 100 produtos disponíveis, 
seriam necessárias 4.950 transações para que todos os proprietários desses bens 
pudessem finalmente trocar o produto em excesso pelo que estava em falta.
Ou seja:
TM �
�� �100 100 1
2
Logo:
TM = 4.950
Percebeu qual seria o grau de dificuldade se esse sistema de escambo 
funcionasse na economia moderna, que possui milhares de produtos diferentes?
Já na Antiguidade, esse sistema se tornou insuportável e com a evolução 
das trocas entre tribos e famílias, estas perceberam que existiam mercadorias mais 
raras que outras e, então, começaram a eleger uma dessas mercadorias como meio 
144
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
de pagamento. E foi assim que mercadorias como animais, alimentos, metais não 
nobres, até os metais nobres foram utilizados ao longo da história da humanidade, 
prevalecendo este sistema até o final da Idade Moderna (fins do século XVIII, 
constituindo-se na segunda fase da moeda a fase das mercadorias-moeda.
Com a utilização dos metais já na segunda fase da moeda, a sociedade 
começou a ver nesta mercadoria algo que a diferenciava das demais mercadorias-
moeda, e passaram a dar a ela maior preferência por diversos motivos, dentre 
os quais a durabilidade (durava mais que alimentos, cereais, dentre outros), a 
homogeneidade (possibilidade que têm os metais de serem moldados de forma 
que fiquem exatamente iguais), a divisibilidade (é possível derreter o metal e 
parcelar em valores diferentes), a facilidade de manuseio e transporte (entende-
se que é mais fácil transportar um baú com moedas que dez cabeças de gado, que 
foi uma das mercadorias-moeda mais utilizada) (NOGAMI; PASSOS, 2003).
Assim, a terceira fase da moeda inicia-se com a utilização de metais não 
nobres, como o cobre, o bronze e o ferro, mas logo percebeu-se que tais metais, por 
existirem em abundância, não serviriam como reserva de valor. “Em outras palavras, 
a existência em abundância desses metais, associada à descoberta de novas jazidas 
e ao aperfeiçoamento do processo industrial de fundição, fez com que tais metais 
perdessem gradativamente seu valor” (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 450).
A consequência disso com certeza você já sabe: a descoberta de metais 
chamados nobres, devido ao fato de suas características melhor se ajustarem às 
exigências para que uma mercadoria seja considerada moeda, fez com que o ouro 
e a prata passassem a ser a moeda metálica por excelência, ou seja, esta é a fase 
da moeda metálica.
E como inicia a quarta fase da moeda? Nos clássicos filmes de faroeste 
norte-americano, ou mesmo no hilariante “Piratas do Caribe”, de Jack Sparrow, 
podemos encontrar facilmente a resposta: carregar baús de moeda metálica, além de 
pesados, deixava os mercadores expostos a ladrões e piratas, que frequentemente 
assaltavam as caravanas ou os navios, gerando muita insegurança.
“Para contornar esse problema, especialmente após o século XIV, com 
o crescimento dos fluxos comerciais na Europa, iniciou-se a difusão de um 
instrumento monetário mais flexível: a moeda-papel” (NOGAMI; PASSOS, 2003, 
p. 451, grifo da autora).
Citadas pelos historiadores como embrião do Sistema Financeiro, surgem 
assim as Casas de Custódia, que funcionavam da seguinte forma: os mercadores 
depositavam as moedas metálicas que dispunham nas casas de custódia existentes 
em seu lugar de origem e o “custodiante” (dono da casa de custódia) emitia 
um certificado de depósito especificando o valor depositado. De posse desse 
papel, o mercador ia para seu lugar de destino e trocava esse papel por moedas 
depositadas naquela casa e somente depois comercializava seus produtos. 
TÓPICO 4 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO MONETÁRIO
145
Esse sistema de pagamento deu tão certo que com o tempo os mercadores 
perceberam que não seria mais necessário trocar o certificado pelas moedas, 
efetuando pagamentos e aceitando recebimentos por meio do papel, daí a 
denominação “moeda-papel”.
Uma característica, entretanto, é fundamental nessa fase da moeda: 
a moeda-papel era 100% lastreada em ouro, ou seja, representava que o valor 
contido no certificado era exatamente equivalente ao depositado em moedas 
metálicas nas casas de custódia.
E o que diferencia a fase da moeda-papel para a quinta fase, conhecida 
como a fase do papel-moeda ou moeda fiduciária?
Com o passar do tempo, as ‘Casas de Custódia’, que recebiam o metal 
e forneciam certificados de depósito (ou moeda-papel) totalmente 
lastreados, começam a perceber que os detentores desses certificados 
não faziam a reconversão ao mesmo tempo. Além disso, enquanto 
alguns faziam a troca de moeda-papel pelo metal, outros faziam novos 
depósitos em ouro e prata, o que acabava por ensejar novas emissões 
(NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 451).
Surge, assim, o papel-moeda no formato que conhecemos hoje, já que com 
o passar dos anos as Casas de Custódia, que mais tarde foram denominadas de 
bancos, passaram a emitiros certificados de depósito sem o lastro em metal, sendo 
aceito baseado numa relação de confiança (significado da expressão ‘fidúcia’) 
entre o custodiante e os comerciantes e consumidores em geral.
Note que houve um período em que bancos privados podiam emitir papel-
moeda. Entretanto, como você deve imaginar, naquele tempo, como hoje, havia 
os honestos e também os desonestos, que levaram o sistema à ruína e obrigaram 
o Estado a ser o emissor oficial da moeda, o que no Brasil é realizado por meio da 
Casa da Moeda. 
Com o tempo, as moedas passaram a denominar-se moeda de curso forçado, 
isto é, aceita por força de lei e não eram mais lastreadas em metais preciosos.
Houve tentativas de restaurar o padrão ouro depois da Primeira Guerra 
Mundial, da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial. O 
acordo de Bretton Woods trouxe a aceitação geral de um padrão ouro 
fundamentado no dólar dos Estados Unidos. Segundo esse acordo, 
as principais moedas tinham valor em dólar, sendo que o dólar era 
conversível em ouro. Esse acordo acabou em 1971, quando foi suspensa 
a conversibilidade do dólar em ouro (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 452).
A sexta e última fase da moeda é a conhecida como a fase da moeda bancária. 
Essa, entretanto, é complementar ao papel-moeda, pois representa uma modalidade 
diferente de manusear dinheiro. É chamada de moeda bancária ou escritural porque 
representa os depósitos à vista e a curto prazo nos bancos, sendo que a escrituração 
das contas dos correntistas é feita pelo mesmo sistema de partidas dobradas da 
contabilidade, ou seja, para todo crédito existe um débito correspondente. 
146
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
2.2 FUNÇÕES, CARACTERÍSTICAS E FORMAS DA MOEDA
Vasconcellos e Garcia (2005) enumeram três funções básicas da moeda: 1. 
Instrumento ou meio de trocas: é a intermediária perfeita para efetuar as transações 
comerciais; 2. Denominador comum monetário: serve como equivalente geral 
para todas as mercadorias, funcionando como um padrão de medida; 3. Reserva 
de valor: quando retirada de circulação a moeda pode valorizar-se, mantendo o 
valor de compra, como acontece quando fazemos uma aplicação financeira.
Já Nogami e Passos (2003) incluem ainda uma quarta função: a de padrão 
de pagamento diferido que, trocando em miúdos, significa que somente com a 
moeda é possível efetuar compras a prazo, fazer financiamentos, pois quando 
você adquire um automóvel, por exemplo, sai com o produto e somente pagará 
as parcelas, cujos valores são expressos em moeda, no futuro.
No que se refere às características da moeda, além das já elencadas acima 
(durabilidade, homogeneidade, facilidade de manuseio e transporte), Nogami e 
Passos (2003) incluem ainda a indestrutibilidade e inalterabilidade, pois custa 
caro emiti-la e, mesmo com toda tecnologia utilizada na sua fabricação, ainda 
existem os falsificadores. Por isso buscam-se novas formas de torná-la mais 
resistente, para que possa circular mais tempo e não seja passível de falsificações.
E quanto às formas de moeda? Isso com certeza você já sabe: existem 
as moedas metálicas (as de menor valor), o papel-moeda (cédulas) e a moeda 
bancária (depósitos à vista ou a curto prazo), que circulam na forma de cheques, 
ordens de pagamento, cartões de débito e de crédito.
3 OFERTA E DEMANDA DA MOEDA
Naturalmente, você sabe muito bem da importância que a moeda tem 
no nosso dia a dia, quer seja ela utilizada na forma de moedas metálicas, papel-
moeda ou moeda bancária (hoje a mais utilizada devido à segurança que propicia 
aos usuários). 
A não ser por alguns núcleos ou comunidades isoladas que experimentam 
outros sistemas monetários (como a utilização das chamadas “moedas sociais”), 
ou que realizam atividades de escambo (nos chamados comércios alternativos), 
precisamos de moeda para todas as transações comerciais que fazemos e por isso 
o lado monetário da economia é tão importante.
Para entender as versões clássica e keynesiana em relação ao lado 
monetário da economia, antes precisamos entender como se dá a oferta e demanda 
de moeda.
TÓPICO 4 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO MONETÁRIO
147
3.1 A OFERTA MONETÁRIA
Você já sabe que a moeda é também uma mercadoria e, como tal, tem seu 
preço fixado pela relação entre a oferta e a demanda.
Assim, conceitua-se oferta de moeda como “o suprimento de moeda para 
atender às necessidades da coletividade” (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 141).
Já os meios de pagamento, que é outra forma de conceituar a moeda,
[...] constituem o total de moeda à disposição do setor privado não 
bancário, de liquidez imediata, ou seja, que pode ser utilizada 
imediatamente para efetuar transações. A liquidez da moeda é a 
capacidade que ela tem de ser um ativo prontamente disponível e 
aceito para as mais diversas transações (VASCONCELLOS; GARCIA, 
2005, p. 141).
Consideramos o seguinte exemplo: Caso você tenha uma aplicação 
financeira de médio e longo prazos, como Letra de Crédito Imobiliário, Certificado 
de Depósito Bancário, dentre diversas modalidades que o sistema financeiro 
oferece, não pode utilizar de imediato o saldo da aplicação para pagar suas 
compras, sendo necessário primeiramente efetuar o resgate dos valores. Por isso 
essas aplicações não têm a liquidez que o valor depositado em conta corrente tem. 
Dessa forma, segundo Nogami e Passos (2003, p. 457), meios de pagamento 
(ou M1):
É o total de haveres de perfeita liquidez em poder do setor não 
bancário. É representado pelo ‘Papel-Moeda em Poder do Público’ 
(PMP), também chamado ‘moeda manual’ (papel-moeda e moedas 
metálicas), ou ‘moeda corrente’, mais os depósitos à vista nos bancos 
comerciais (DBC), públicos e privados, aí incluídos o Banco do Brasil 
(DBB) e a carteira comercial das Caixas Econômicas (DCE).
Entretanto, existem outros conceitos de moeda, quais sejam:
1 M2: M1 mais os Depósitos de Poupança e os Títulos Privados;
2 M3: M2 e por Quotas de Fundos de Renda Fixa mais Operações Compromissadas 
com Títulos Federais;
3 M4: M3 mais Títulos Federais (SELIC) mais Títulos Estaduais e Municipais.
Nogami e Passos (2003) explicam que é através do conceito de M4, que 
envolve os ativos monetários e não monetários, que o Banco Central procura 
controlar a oferta total de moeda na economia.
É dever do Banco Central do Brasil, órgão executor das políticas monetária 
e cambial, providenciar a regulação da oferta de moeda, crédito, taxas de juros 
e câmbio levando em conta a demanda da coletividade, que sofre oscilações em 
decorrência da atividade econômica e o equilíbrio do balanço de pagamentos 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005).
148
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
ESTUDOS FU
TUROS
O aprofundamento de seus estudos sobre o sistema financeiro nacional e seu 
funcionamento será oferecido na disciplina de Economia Monetária. Os instrumentos de 
política monetária serão abordados na Unidade 3 deste livro de estudos.
3.1.1 A Criação da Moeda
Já vimos que, além do papel-moeda, existe também a moeda bancária ou 
escritural. Entretanto, se já é sabido por todos que é função do governo emitir 
moeda, como podemos afirmar que os bancos também têm o poder de criar moeda?
Sim, isso é possível, mas não é a mesma coisa que a moeda manual 
(cédulas) que utilizamos para nossos pagamentos em espécie.
“A moeda escritural possui uma alta participação na composição do meio 
circulante, e isso pode ser explicado pela capacidade dos bancos em multiplicar 
os depósitos à vista realizados por seus correntistas. Trata-se, portanto, do 
mecanismo de criação de moeda pelos bancos” (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 459).
Como se dá, então, a criação de moeda escritural? Imaginemos que você 
seja um grande empresário e que efetue uma aplicação financeira em um título de 
renda fixa no valor de $ 500 milhões em um banco comercial existente na sua cidade, 
que chamaremos de “Banco A”. O seu gerente, então, iráutilizar parte deste valor 
(porque uma parte ele tem que reter como reserva ou encaixe bancário), digamos, 
70%, o que corresponde a $ 350 milhões para emprestar a outro empresário, que 
tem conta no “Banco B”. Ocorrerá, então, a transferência bancária entre o “Banco 
A” e o “Banco B”. Já o “Banco B” poderá emprestar 70% dos $ 350 milhões a um 
terceiro empresário correntista do “Banco C” ($ 245 milhões).
No que essa movimentação bancária resulta? Ora, se somarmos o valor 
inicial depositado em papel-moeda ($ 500 milhões) aos valores emprestados pelo 
“Banco A” ao “Banco B” ($ 350 milhões) e do “Banco B” ao “Banco C” ($ 245 
milhões), teremos uma expansão dos depósitos à vista de $ 1.095 bilhões, sendo 
que foram efetivamente emprestados $ 595 milhões em moeda escritural (que não 
existe no meio físico, apenas no seu modo bancário).
Algebricamente temos que a criação de moeda escritural é dada por:
� �M
z
x R� 1
TÓPICO 4 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO MONETÁRIO
149
Em que:
∆M = total de moeda criado;
z = fração dos depósitos à vista que é destinada aos encaixes bancários;
∆R = aumento inicial de reservas (depósito inicial efetuado).
Assim, se tivermos um aporte inicial de moeda de $ 1 bilhão, supondo que 
a fração dos depósitos à vista que os bancos têm que reter na forma de encaixe 
bancário ou reserva monetária seja de 30%, temos que:
�M x� 1
0 30
1 000 000 000
,
. . . 
∆M = 3.333.333.333,00
Finalmente, é preciso fazer uma consideração a respeito da moeda 
escritural. Você já percebeu que esta é uma moeda fictícia, isto é, existe apenas 
no sistema bancário. Isso significa que o volume de moeda escritural é muito 
superior ao de papel-moeda, sendo impossível que todos os proprietários de 
papel-moeda consigam resgatar ao mesmo tempo os valores que efetivamente 
possuem no sistema financeiro.
3.2 A DEMANDA DE MOEDA
Para que precisamos de moeda? Você sabe responder a esta pergunta 
rapidamente?
Bem, vamos refletir: a literatura econômica lista três fatores que 
determinam a demanda por moeda. Utilizamos aqui a demonstração de Nogami 
e Passos (2003):
a) Demanda por moeda por motivo transacional: é a mais conhecida e praticada 
por todos os agentes econômicos, sem exceção. Utilizada para efetuar as 
transações comerciais de bens e serviços e de recursos produtivos, a demanda 
transacional depende da renda disponível, ou seja:
Dt = f (Y) , em que
Dt = Demanda para transação
Y = renda, logo
Dt = tY
b) Demanda de moeda por motivo precaucional: precaução significa prudência, 
cuidado, ou seja, todos deveríamos fazer uma reserva financeira para situações 
emergenciais como problemas de saúde, acidentes, desemprego. Claro que a 
demanda precaucional também depende da renda disponível (também é uma 
parcela t da renda) e a maioria das pessoas, infelizmente, não consegue fazer 
150
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
uma reserva para essas situações por auferirem uma renda muito baixa, como 
é o caso de milhões de brasileiros. Assim, temos que:
Dp = f (Y), em que
Dp = Demanda para precaução
Y = renda, logo
Dp = pY
Como DT e DP dependem da renda disponível, ao juntá-las podemos 
representá-las como uma proporção k da renda, em que k = t + p. Logo:
D(t+p) = k (Y)
Assim, se da nossa renda, 80% são gastos com bens e serviços e 20% são 
guardados para situações emergenciais, temos que:
D (80 + 20) = 100(Y)
c) Demanda de moeda para especulação: diferente dos outros tipos de demanda, 
a demanda de moeda para especulação é determinada não pela renda, mas pela 
taxa de juros praticada no mercado. Como o nome especulação sugere, especular 
com moeda significa obter um ganho financeiro a partir das aplicações financeiras. 
Esse mercado tem crescido muito e hoje é muito poderoso, causando inclusive 
problemas para o equilíbrio econômico, pois devido à especulação a moeda que 
deveria estar disponível a preços acessíveis para o setor produtivo investir na 
economia, ou para o consumidor financiar suas aquisições a longo prazo (como 
automóveis e imóveis), permanece “circulando” no sistema financeiro. 
A demanda especulativa por moeda foi apresentada por Keynes e 
“fundamenta-se na relação entre os preços do mercado dos títulos de renda fixa 
e as taxas de juros ganhas pelos que detinham tais títulos” (NOGAMI; PASSOS, 
2003, p. 463).
Há, assim, uma relação inversa entre os preços dos títulos financeiros e 
a taxa de juros de mercado, ou seja, quando o preço dos títulos disponíveis no 
mercado está elevado, a taxa de juros cai e ocorre o contrário quando o preço do 
título cai.
 
Keynes observou que, quando os preços dos títulos estão altos e a 
taxa de juros baixa, as pessoas preferem manter seus ativos na forma 
de valor monetário, ficando no aguardo de que houvesse uma queda 
nos preços dos títulos. Se comprados quando estivessem em queda, a 
aquisição desses títulos ensejaria ganhos especulativos. Por outro lado, 
se os preços dos títulos estivessem baixos e as taxas de juros elevadas, 
as pessoas procuravam manter os saldos monetários reduzidos 
aplicando em títulos, na expectativa de que seus preços se elevassem 
no futuro. Se vendidos quando se encontrassem em alta, propiciariam 
maiores ganhos especulativos (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 463).
TÓPICO 4 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO MONETÁRIO
151
Assim, temos que:
De = f (i), em que
De = Demanda especulativa
i = taxa de juros
Analisemos graficamente essa expressão:
FIGURA 21 – DEMANDA ESPECULATIVA DA MOEDA
Ta
xa
 d
e 
Ju
ro
s
(%
)
8
6
4
2
3002001000
Quantidade Demanda de Moeda
(milhões de unidades monetárias)
FONTE: Nogami e Passos (2003, p. 464)
Como se observa no gráfico ilustrado, que apresenta no eixo vertical a 
taxa de juros praticada no mercado e no eixo horizontal a quantidade de moeda 
demandada para especulação, quando a taxa de juros se eleva, diminui a demanda 
por moeda especulativa, e quando a taxa de juros cai, a demanda por moeda 
especulativa se eleva. 
Assim, se pode afirmar que, segundo Keynes, além da demanda precaucional 
e transacional, a demanda especulativa integra a demanda total de moeda.
A demanda total de moeda fica assim representada algebricamente:
 DM = D(t+p)+ De
ou
DM = KY + f ( i ) , em que
DM = Demanda total de moeda
152
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
Graficamente, temos a seguinte demonstração da demanda total de moeda:
FIGURA 22 – DEMANDA TOTAL DE MOEDA
FONTE: Nogami e Passos (2003, p. 465)
8
6
4
2
Demanda Total de Moeda
+ DEDT + P
DM
DM
DM
200 300100
0
Vemos representada no gráfico ilustrado a taxa de juros no eixo vertical 
e a quantidade de moeda no eixo horizontal. As demandas transacional e 
precaucional são indiferentes à taxa de juros, mas são determinadas pela renda 
disponível. Suponhamos, então, que Dt + Dp sejam de 10% da moeda disponível 
(R$ 1 bilhão). 
Nesse caso, Dt + Dp somariam R$ 100 milhões. Já a demanda especulativa, 
que depende da taxa de juros e é inversamente proporcional a ela, será de R$ 100 
milhões quando a taxa de juros for de 4% e aumentará para R$ 200 milhões se a 
taxa de juros cair para 2%.
Ao incluir a demanda especulativa como importante componente da 
demanda de moeda, Keynes demonstrou que a demanda da moeda não é somente 
associada para motivos de transação ou precaução, sendo que especular com a 
moeda pode ser decisivo para determinar o nível de produção da economia. 
3.3 EQUILÍBRIO NO MERCADO MONETÁRIO
Assim como ocorre no mercado real, no mercado monetário também se 
requer que haja equilíbrio para que o sistema econômico como um todo esteja 
equilibrado, como já vimos de forma mais breve na Unidade 1.
TÓPICO 4 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO MONETÁRIO
153
E como ocorre o equilíbrio neste mercado? Como você já deve ter 
percebido, tal equilíbrio ocorre quando a oferta de moeda se iguala à demanda 
de moeda. Assim, temosque:
OM = DM
Como a oferta de moeda é fixa (valor determinado pelas autoridades 
monetárias), e a demanda de moeda é função da taxa de juros, podemos 
representar graficamente o equilíbrio no mercado monetário da seguinte forma:
FIGURA 23 – O EQUILÍBRIO NO MERCADO MONETÁRIO
Quantidade de Moeda
(milhões de unidades monetárias)
8
6
4
2
E
DM
OM
Ta
xa
 d
e 
Ju
ro
s
(%
)
200 300 400100
0
FONTE: Nogami e Passos (2003, p. 466)
Vemos que para uma oferta monetária de $ 200 milhões, o equilíbrio entre 
oferta e demanda ocorre no ponto de intersecção entre as duas curvas, quando a 
taxa de juros é de 4% (que será, portanto, a taxa de juros de equilíbrio).
Se houver uma diminuição da oferta monetária, de $ 200 milhões para 
$ 100 milhões, a taxa de juros de equilíbrio aumentará e a demanda por moeda 
diminuirá até atingir $ 100 milhões, igualando-se à oferta.
154
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
ESTUDOS FU
TUROS
Na Unidade 3, quando tratarmos dos instrumentos de política econômica, 
analisaremos como a política monetária afeta a taxa de juros e sua influência sobre a economia.
3.4 OFERTA MONETÁRIA E ATIVIDADE ECONÔMICA NA 
VERSÃO KEYNESIANA
Já vimos nesta unidade como funcionam os mercados de bens e serviços e de 
recursos produtivos e o mercado monetário. Analisamos também o modelo clássico 
de determinação da renda. Vejamos agora a relação efetuada por Keynes entre a 
oferta monetária e a atividade econômica (e, consequentemente, o nível de renda).
Um esquema elaborado por Nogami e Passos (2003, p. 472) ilustra essas 
relações da seguinte forma:
FIGURA 24 – RELAÇÃO KEYNESIANA ENTRE A OFERTA MONETÁRIA E A ATIVIDADE ECONÔMICA 
Aumento na 
Oferta Monetária
	Diminui a Oferta 
Monetária
	Aumenta a Taxa 
de Juros
	Diminui o Nível de 
Renda e Emprego
	Cai o Investimento
Cai a Taxa de 
Juros
Eleva o 
Investimento
Eleva o Nível de 
Renda e Emprego
FONTE: Nogami e Passos (2003, p. 472)
Se o governo aumentar a oferta de moeda, automaticamente deverá 
ocorrer uma redução na taxa de juros praticada no mercado, o que vai aumentar 
as despesas com investimento produtivo, elevando as despesas com consumo, o 
que, finalmente, levará a um aumento na renda e no emprego da economia.
Logicamente, o inverso também ocorre quando o governo diminui a 
oferta de moeda: aumenta a taxa de juros, que faz cair o nível de investimento, 
reduzindo o nível de emprego e renda da economia.
Na prática, se observarmos ao nosso redor, podemos perceber facilmente 
a relação entre essas variáveis. Quando percebemos que as taxas de juros para 
empréstimos estão elevadas, adiamos nossas demandas por bens de alto valor, 
como automóveis e imóveis. O mesmo acontece com o setor produtivo, já que, 
TÓPICO 4 | A TEORIA KEYNESIANA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA – O LADO MONETÁRIO
155
como já frisamos anteriormente, se o empresário tiver o recurso para investir na 
aquisição de um novo parque fabril, por exemplo, mas o retorno que ele espera 
desse investimento for inferior ao que ele recebe mantendo este recurso no mercado 
financeiro, ele não fará o investimento, o que afetará o nível de emprego e renda.
Por isso Keynes atribui um papel fundamental ao investimento como indutor 
do crescimento econômico e, consequentemente, ao Estado que, teoricamente, 
teria condições de gastar volumosas quantias na forma de investimentos em 
infraestrutura, como garantidor do equilíbrio no sistema econômico.
Para finalizarmos esta unidade de estudos, apresentamos algo a respeito 
do bitcoin, como leitura complementar. Para você conhecer um pouco como 
funciona essa moeda da internet, leia a seguir um texto bem explicativo retirado 
do site BBC News Brasil (2017):
156
UNIDADE 2 | O FLUXO CIRCULAR DA ATIVIDADE ECONÔMICA E A TEORIA DA DETERMINAÇÃO DA RENDA
LEITURA COMPLEMENTAR
Bitcoin: o que é e como funciona a moeda virtual 
Um dos investimentos de mais rápida valorização e de maior potencial 
de controvérsia em 2017 é uma moeda virtual, cuja existência sequer é física – o 
Bitcoin, como é chamada, existe exclusivamente on-line. E suas transações são 
feitas por meio da internet, em um ambiente codificado, que garante a segurança 
dos dados.
O valor dele disparou no segundo semestre desse ano. Em meio a 
oscilações bruscas entre novembro e dezembro, cada moeda chegou a valer mais 
de U$ 18 mil (R$ 59 mil) – um aumento considerável, já que o câmbio no início de 
2017 era de 1 bitcoin para U$ 1 mil. 
Antes considerado um reduto de especulação para versados em 
tecnologia ou corretores afeitos ao risco, nesta semana, a moeda virtual começou 
uma migração para o mercado financeiro tradicional ao passar a ser oferecida no 
mercado futuro da bolsa de Chicago, a CBOE (Chicago Board Options Exchange).
Mercados futuros são ambientes em que se negociam contratos de 
compra e venda de ativos financeiros para datas futuras – o objetivo é lucrar com 
a arbitragem. Também é uma forma de quem negocia se proteger contra o excesso 
de volatilidade nos preços.
Mas afinal, o que é o Bitcoin e o que está por trás do alvoroço mundial em 
torno da moeda?
O que é o Bitcoin?
O Bitcoin é basicamente um arquivo digital que existe on-line e funciona 
como uma moeda alternativa. Nisso, ele se diferencia muito de moedas 
convencionais, como o dólar americano. Ele não é impresso por governos ou 
bancos tradicionais, mas criado por um processo computacional complexo 
conhecido como "mining" (mineração).
Todas as moedas e todas as transações feitas com elas ficam registradas na 
rede de internet – em um espaço conhecido como "blockchain", uma espécie de 
banco de dados descentralizado que usa criptografia para registrar as transações. 
Dessa forma, os arquivos não podem ser copiados ou fraudados e as transações 
não podem ser rastreadas.
Existem cerca de 16,5 milhões de bitcoins em circulação, e cerca de 3,6 
mil novos são criados todos os dias. Como outras moedas, ela não tem um "valor 
inerente": seu preço é determinado pelo quanto as pessoas estão dispostas a pagar 
por ela.
157
"Ela não é reconhecida oficialmente, você não pode pagar impostos ou 
usar para quitar débitos", diz o economista Garrick Hileman, pesquisador de 
criptomoedas e professor da Universidade de Cambridge.
Por que o Bitcoin subiu tanto neste ano?
Alguns economistas dizem que é uma clássica bolha especulativa: 
investidores eufóricos pagando por um ativo muito mais do que ele é válido 
por medo de ficar de fora. Eles colocam o entusiasmo com o bitcoin na mesma 
categoria da bolha da internet do ano 2000 ou da bolha no mercado imobiliário 
americano que levou à crise de 2008.
Outros afirmam que o crescimento é resultado da passagem do Bitcoin 
para mercado financeiro tradicional – por exemplo, sua entrada no Mercado 
Futuro de Washington. "Boa parte disso é especulação, mas há sinais de que o 
Bitcoin tem de fato sido usado", diz Hileman. Ele diz que havia entre três e seis 
milhões de pessoas no mundo usando a criptomoeda em abril.
"Hoje esse número já está provavelmente em 10 ou 20 milhões de pessoas, 
então é uma base de usuários que só tende a crescer", afirma. O fato da moeda ter 
começado a ser usada por grandes instituições financeiras também aumentou seu 
valor, afirma o especialista.
Como comprar Bitcoin?
Hoje existem centenas de diferentes tipos de criptomoedas, mas o Bitcoin 
ainda é a mais conhecida. Para recebê-la, o usuário deve ter um endereço de 
Bitcoin – uma série de até 34 letras e números. Esse endereço funciona como uma 
espécie de caixa postal através da qual as moedas são enviadas.
Não há um registro dos endereços, o que permite que usuários protejam 
sua anonimidade. Carteiras virtuais armazenam os endereços e podem ser usadas 
para gerenciar o dinheiro. Elas operam como contas de banco privadas – com 
o detalhe de que, se as informações são perdidas, as moedas referentes àquela 
carteira também se perdem.
As regras de funcionamento da moeda determinam que apenas 21 milhões 
debitcoins podem ser criados – e esse número está cada vez mais próximo. Não 
se sabe o que vai acontecer com o valor das bitcoins quando o limite for atingido.
É possível usar bitcoins para comprar produtos?
Um aumento de 900% no valor de uma moeda normal, como o dólar 
americano, teria um impacto grande no poder de compra de consumidores e nos 
negócios que aceitam a moeda. Não é o caso do Bitcoin, já que a maioria dos donos 
das moedas não as usam para comprar coisas. O seu uso como uma moeda normal 
é até possível – a anonimidade garantida pelas moedas virtuais tem atraído pessoas 
158
querendo fazer compra e venda de mercadorias ilegais pela internet.
E um pequeno – mas crescente – número de empresas consolidadas tem 
permitido que seus clientes comprem mercadorias e serviços com a moeda. Há 
desde multinacionais como a Microsoft até pequenas empresas que usam a moeda 
como uma espécie de novidade chamativa, como um restaurante japonês em 
Cambridge e uma galeria de arte em Londres. Mas, segundo Hileman, a grande 
maioria dos usuários entra nesse universo para fazer investimento. "Eu estimaria 
algo em torno de 90% dos usuários", diz ele. "Então hoje seria mais apropriado 
dizer 'criptoativo' do que 'criptomoeda'".
Pontos preocupantes
"No momento, o Bitcoin existe praticamente sem nenhuma regulação", 
diz o advogado Bradley Rice, especialista em regulação financeira do escritório 
britânico Ashurst. Ele tem sido muito usado na deep web, que não pode ser 
acessada por um navegador de internet normal. Também há preocupações em 
relação à volatilidade da moeda, o que levou tanto a China quanto a Coreia do 
Sul a proibirem o lançamento de novas moedas virtuais.
Em setembro, a autoridade financeira do Reino Unido alertou investidores 
que eles poderiam perder dinheiro se comprassem novas moedas virtuais 
recém-criadas por algumas empresas, conhecidas como "inicial coin offerings", 
ou ofertas iniciais de moedas. Mas a tecnologia por trás do Bitcoin é vista como 
infalível por algumas das maiores instituições financeiras. "É por isso que alguns 
dos reguladores financeiros na Europa estão tendo uma postura de 'esperar para 
ver'", diz Rice.
O Bitcoin é uma bolha financeira?
Não faltam veículos especializados em finanças e especialistas dizendo 
que a euforia em torno do Bitcoin é uma bolha. "Pode haver bons motivos para 
comprar Bitcoin", disse recentemente um artigo da revista The Economist. "Mas o 
motivo principal no momento é o fato de que os preços têm subido."
A alta abrupta no câmbio – o valor do Bitcoin dobrou em menos de um 
mês – tem levado a argumentos de que ele é volátil demais, que o seu crescimento 
exponencial é insustentável e que uma queda é inevitável. No entanto, o Bitcoin 
já tinha sido declarado "morto" algumas vezes, diz Hileman. "Ele tem mostrado 
resiliência e retornado algumas vezes depois de quase morrer".
No entanto, o especialista prevê uma nova queda em um "futuro não 
muito distante". "Segure firme se você é dono desse tipo de moeda", conclui.
FONTE: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-42313567>. Acesso em: 14 ago. 2018.
159
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• A parte monetária da economia, constituída pelos mercados financeiro e de 
divisas, determina a taxa de juros, o estoque de moeda e a taxa de câmbio.
• A moeda é um ativo porque é o meio utilizado pelas nações para efetuar o 
pagamento de todos os demais bens e serviços existentes, ou seja, é o equivalente 
geral de todas as mercadorias.
• A literatura econômica enumera seis fases distintas da moeda: era da troca de 
mercadorias ou escambo; era da mercadoria-moeda; era da moeda metálica; 
era da moeda-papel; era do papel-moeda e; a moeda bancária ou escritural.
• São funções da moeda: 1. Instrumento ou meio de trocas; 2. Denominador 
comum monetário; 3. Reserva de valor e; 4. Padrão de pagamento diferido 
(futuro).
• São características da moeda: durabilidade, homogeneidade, facilidade de 
manuseio e transporte, indestrutibilidade e inalterabilidade.
• A oferta de moeda é o suprimento de moeda para atender às necessidades da 
coletividade.
• É dever do Banco Central do Brasil, órgão executor das políticas monetária e 
cambial, providenciar a regulação da oferta de moeda, crédito, taxas de juros e 
câmbio levando em conta a demanda da coletividade, que sofre oscilações em 
decorrência da atividade econômica e o equilíbrio do balanço de pagamentos. 
A Renda Nacional Disponível (RND) é o fator mais importante a ser levado em 
conta no consumo agregado.
• Através da multiplicação dos depósitos à vista e a curto prazo os bancos 
comerciais criam moeda escritural.
• Para Keynes, além da demanda de moeda por motivo transacional e 
precaucional, ao contrário dos clássicos, existe também a demanda por moeda 
para especulação, sendo esta determinante para entender a oferta e demanda 
agregada.
• Diferente dos outros tipos de demanda, a demanda de moeda para especulação 
é determinada não pela renda, mas pela taxa de juros praticada no mercado.
160
• Há uma relação inversa entre os preços dos títulos financeiros e a taxa de juros 
de mercado, ou seja, quando o preço dos títulos disponíveis no mercado está 
elevado, a taxa de juros cai e ocorre o contrário quando o preço do título cai.
• Se o governo aumentar a oferta de moeda, automaticamente deverá ocorrer 
uma redução na taxa de juros praticada no mercado, o que vai aumentar as 
despesas com investimento produtivo, elevando as despesas com consumo, o 
que finalmente levará a um aumento na renda e no emprego da economia.
• Logicamente, o inverso também ocorre quando o governo diminui a oferta de 
moeda: aumenta a taxa de juros, que faz cair o nível de investimento, reduzindo 
o nível de emprego e renda da economia. 
• Keynes atribui um papel fundamental ao investimento como indutor do 
crescimento econômico e, consequentemente, ao Estado que, teoricamente, 
teria condições de gastar volumosas quantias na forma de investimentos em 
infraestrutura, como garantidor do equilíbrio no sistema econômico.
161
1 Se o governo vender títulos no valor de $ 80 milhões ao mercado financeiro, 
com uma taxa de reservas de 0,60, quanto será o valor total de moeda 
escritural criado ao final do processo?
2 A respeito do modelo keynesiano, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) A demanda por moeda está diretamente relacionada à taxa de juros, ao 
passo que o investimento está inversamente relacionado.
b) ( ) A demanda por moeda e o investimento estão diretamente relacionados 
à taxa de juros.
c) ( ) A demanda por moeda e o investimento estão inversamente relacionados 
à taxa de juros.
d) ( ) A demanda por moeda está inversamente relacionada à taxa de juros, 
ao passo que a demanda de investimento está diretamente relacionada.
3 O liberalismo econômico defende a economia de mercado, onde o Estado 
atua apenas de forma marginal, enquanto que a teoria keynesiana defende 
que o Estado é um importante indutor do desenvolvimento e atua no sentido 
de corrigir as falhas que o capitalismo ocasiona. Você defende qual teoria? 
Justifique sua resposta.
AUTOATIVIDADE
162
163
UNIDADE 3
A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS 
MACROECONÔMICAS E SEUS 
DILEMAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• conhecer os instrumentos de política macroeconômica;
• compreender o funcionamento do modelo IS-LM;
• analisar como ocorre a interligação entre as políticas macroeconômicas, 
bem como conflitos delas decorrentes.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
TÓPICO 2 – A CURVA IS-LM E AS POLÍTICAS MONETÁRIA E FISCAL
TÓPICO 3 – O MODELO IS-LM E DILEMAS DE POLÍTICAS 
 MACROECONÔMICAS
164
165
TÓPICO 1
INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Para atingir seus objetivos, o governo utiliza de instrumentosde política 
macroeconômica. Caro acadêmico, você sabe o que são instrumentos de política 
macroeconômica? Vamos explicar!
Instrumento é claro que você sabe o que significa, pois é todo e qualquer 
utensílio, podendo ser uma máquina, um aparelho, uma ferramenta utilizada 
para realizar uma tarefa, uma obra. Assim, este livro de estudos é um dos seus 
instrumentos de aprendizagem.
Política, na etimologia da palavra:
É a ciência da governança de um Estado ou Nação e também uma 
arte de negociação para compatibilizar interesses. O termo tem origem 
no grego politiká, uma derivação de polis que designa aquilo que é 
público. O significado de política é muito abrangente e está, em geral, 
relacionado com aquilo que diz respeito ao espaço público. Na ciência 
política, trata-se da forma de atuação de um governo em relação a 
determinados temas sociais e econômicos de interesse público: 
política educacional, política de segurança, política salarial, política 
habitacional, política ambiental etc. (SIGNIFICADOS, 2018, s.p., grifos 
do original).
Assim, se a política designa como se dará a atuação do governo na 
sociedade, que abrange todas as áreas de interesse público como segurança, 
saúde, educação, meio ambiente, inclusão social, seguridade social, dentre outras, 
a política econômica diz respeito à atuação do Estado na economia.
Isto quer dizer que, por ser um dos agentes econômicos, o governo tem 
um papel triplo na sociedade: ele exerce o papel de consumidor (porque compra 
e vende fatores produtivos e bens e serviços), empresário (porque oferece bens e 
serviços à sociedade e demanda fatores produtivos) e governo propriamente dito 
(porque tem a função de administrar o país, fiscalizar a atuação de todos os agentes 
econômicos e intervir na sociedade, por meio de políticas), com a finalidade de 
atingir as metas de política macroeconômica, que já abordamos na Unidade 1.
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
166
NOTA
Outra definição de política também é bastante interessante:
Do grego politikos, que significa “cívico”. O termo politikos, por 
sua vez, se originou a partir da palavra polites, que quer dizer 
“cidadão”, que se originou de polis, traduzido por “cidade”. Numa 
sociedade como a grega, em que a vida pública interessava a 
todos os cidadãos, os politikos eram aqueles que se dedicavam 
ao governo da polis ("a cidade” ou “o Estado"), colocando o bem 
comum acima de seus interesses individuais. Por intermédio 
do latim, o termo ingressou em todas as línguas ocidentais. 
No início, porém, adquiriu uma conotação claramente 
pejorativa:  politician, no inglês do séc. 16, designava alguém 
que recorria a intrigas para adquirir poder ou cargos públicos: 
algo semelhante ao que hoje chamamos de politiqueiro, que faz 
politicagem. A partir do século seguinte, no entanto, prevaleceu 
o sentido de homem público, que representa os partidos na 
composição do governo. No dicionário de Morais, que é de 
1813, o termo volta a ter, como na Grécia, o sentido elogioso 
de estadista (DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO, 2018, s.p.).
Assim, a política macroeconômica é um conjunto de ações governamentais 
desenvolvidas para o alcance de diferentes finalidades, que estão intrinsecamente 
relacionadas com a situação econômica de um país e mesmo de uma respectiva 
região, conjunto de países ou de blocos econômicos.
É fácil deduzir que, interferindo na economia, o Estado influencia a sua 
condução no que diz respeito à produção, distribuição e o próprio consumo da 
sociedade.
Há que ressaltar, ainda, que, por ser a economia uma ciência social, as 
medidas governamentais podem alterar até a composição das classes de renda 
do país, favorecendo a ascensão das classes mais pobres a extratos maiores de 
renda, ou, como tem sido em boa parte da história do Brasil, mantendo interesses 
de grupos econômicos já abastados e fazendo com que a distribuição de renda 
brasileira seja uma das piores entre as nações.
Em cada país as políticas econômicas, mesmo que semelhantes, podem 
trazer resultados robustamente diferentes, pois, como já é do seu conhecimento, 
depende da subjetividade de cada agente econômico, do nível de organização das 
instituições, da diversidade de grupos econômicos e de seu poder em pressionar 
os poderes Executivo e Legislativo, e da própria teoria econômica que embasa os 
formuladores dessas políticas.
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
167
Agora que você já sabe o que são instrumentos de política macroeconômica, 
precisamos conhecer e distinguir cada um deles, quais sejam:
• Política Monetária.
• Política Fiscal.
• Política Comercial e Cambial.
• Política de Rendas.
Vamos abordar cada uma nas páginas seguintes.
2 POLÍTICA MONETÁRIA 
A política monetária é conhecida até pelos mais leigos, pois é muito 
utilizada pelo governo por seu efeito rápido na economia. Sendo muito utilizada, 
é constantemente divulgada nas mídias sociais e telejornais.
E você, que já conhece um pouco mais desse universo econômico, sabe o 
que é e para que serve a política monetária? Bem, a expressão “monetário” vem 
de moeda, portanto na etimologia da palavra moeda, esta:
Vem do latim moneta, derivada do verbo monere ("avisar, aconselhar, 
lembrar"), da mesma família, portanto, de monumento ("o que 
deve ser lembrado") e de premonição ("aviso prévio de que algo vai 
acontecer"). Moneta ("a que avisa") era um dos nomes dados à deusa 
Juno, porque os romanos acreditavam que ela os havia advertido 
várias vezes da iminência de desastres militares e de catástrofes da 
natureza. No grande templo dedicado a Juno Moneta, que se erguia no 
Capitólio, foi instalada uma casa de cunhagem de dinheiro metálico, 
que logo passou a ser designado de moneta. Daí vieram moeda e 
monetário (port.), moneda (esp.), moneta (it.), monnaie (fr.) e money 
(ing.) (DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO, 2018, s.p.).
Para Wassily Leontieff (apud NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 445), “a moeda 
é a mercadoria (ou um ativo), que serve de equivalente geral para todas as 
mercadorias”.
Assim, a política monetária é um:
Conjunto de medidas adotadas pelo governo visando adequar os 
meios de pagamento disponíveis às necessidades da economia do 
país. Essa ação geralmente ocorre por meio de uma ação reguladora, 
exercida pelas autoridades sobre os recursos monetários existentes, 
de tal maneira que estes sejam plenamente utilizados e tenham um 
emprego tão eficiente quanto possível (SANDRONI, 1989, p. 244).
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
168
E o que são meios de pagamento? 
É o total de haveres de perfeita liquidez em poder do setor não 
bancário. É representado pelo ‘Papel-Moeda em Poder do Público’ (PMP), 
também chamado ‘moeda manual’ (papel-moeda e moedas metálicas) 
ou ‘moeda corrente’, mais os depósitos à vista nos bancos comerciais 
(DBC), públicos e privados, aí incluídos o Banco do Brasil (DBB) e a 
carteira comercial das Caixas Econômicas (DCE) (NOGAMI; PASSOS, 
2003, p. 457).
Mas de que forma a política monetária interfere na economia e que reflexos 
recaem sobre os agentes econômicos? 
Bem, como a política monetária determina principalmente a quantidade 
de moeda disponível na economia, sua interferência sobre a renda e o consumo 
vai se dar de forma indireta, ou seja: irá atuar sobre o nível de preços e a taxa 
de juros, o que irá influenciar no poder de compra dos agentes econômicos, 
nas expectativas dos agentes com relação à inflação (nível geral de preços), que 
poderão ser estimulados ou desestimulados a tomar decisões de investimentos, o 
que vai influenciar no mercado real (de bens e serviços e de fatores produtivos).
Não podemos nos esquecer de que quando nos referimos à política 
monetária estamos tratando do lado monetário da economia, que é composto 
pelo mercado financeiro (monetário e de títulos), que tem como variáveis 
determinadas a taxa de juros e o estoque de moeda e o mercado de divisas, que 
tem como variável determinada a taxa de câmbio.Para analistas, existem dois tipos de política monetária: a ativa e a 
passiva. Na primeira, o objetivo do governo é controlar a oferta de 
moeda e, neste caso, a taxa de juros oscila para determinar o equilíbrio 
entre oferta e demanda de moeda. No segundo caso, o objetivo do 
governo é determinar a taxa de juros e, neste caso, o governo, tanto via 
taxa de redesconto como pela remuneração dos títulos públicos, tenta 
determinar a taxa de juros de mercado, deixando a oferta de moeda 
variar livremente para manter esta taxa de juros, ou seja, a oferta de 
moeda fica endogenamente determinada (CASTOLDI, 2006, p. 90).
A política monetária se utiliza, assim, de diferentes ferramentas (ou 
instrumentos), quais sejam:
• controle direto da quantidade de dinheiro em circulação;
• operações no mercado aberto;
• fixação da taxa de reserva;
• fixação da taxa de redesconto;
• controles seletivos de crédito.
Vamos analisar a seguir cada uma dessas ferramentas.
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
169
2.1 CONTROLE DIRETO DA QUANTIDADE DE DINHEIRO EM 
CIRCULAÇÃO
Esta ferramenta é a de mais fácil entendimento, pois se refere à atuação 
direta do governo sobre a moeda, já que é uma das suas atribuições a sua emissão.
Mas quando e para que o governo emite moeda? Já houve casos no Brasil 
em que a emissão de moeda foi muito utilizada para financiamento da dívida 
pública, o que contribuiu sobremaneira para o aumento da inflação. Por isso 
a emissão de moeda deve ser efetuada somente quando ocorre uma expansão 
da economia (crescimento do PIB e da renda), que fará aumentar as transações 
entre os agentes econômicos e a renda, o que, consequentemente, irá aumentar a 
demanda de moeda.
Caso contrário, lançando mão desse tipo de recurso sem haver um 
crescimento proporcional do PIB, haverá uma expansão monetária, fazendo com 
que haja uma oferta excessiva de moeda em relação à demanda, o que levará a 
uma queda em seu preço, levando a um aumento no nível de preços dos produtos. 
A emissão de moeda também pode ser efetuada para fornecimento de 
empréstimos de liquidez às instituições bancárias e à realização de operações de 
compra e venda de moeda estrangeira.
2.2 OPERAÇÕES NO MERCADO ABERTO
Também conhecidas pela nomenclatura de open market, as operações 
de mercado aberto constituem um instrumento de política monetária ágil e de 
reflexos muito rápidos sobre a economia. 
Consiste na compra e venda de títulos públicos por parte do Banco Central 
com a finalidade de controlar a liquidez da moeda. Este instrumento de política 
monetária é muito utilizado pela sua eficácia, já que permite ao governo regular 
no dia a dia a oferta monetária e a taxa de juros. 
Como funciona esse mecanismo? Podemos expressar esta operação da 
seguinte forma:
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
170
FIGURA 1 – OPERAÇÕES NO MERCADO ABERTO
Venda de 
títulos
Contração 
dos meios de 
pagamento
Expansão 
dos meios de 
pagamento
Compra de 
títulos
FONTE: Nogami e Passos (2003, p. 478)
Genericamente, o open market é operado por intermédio da compra e venda 
de títulos da dívida ativa pública, como as letras e as obrigações do Tesouro Nacional.
Como demonstrado no esquema, quando as autoridades monetárias 
querem contrair os meios de pagamento, ou seja, diminuir a quantidade de 
moeda em circulação, eles vendem títulos públicos. Assim, o comprador fica com 
o título e entrega moeda ao governo, que recolhe o dinheiro no cofre do Banco 
Central, diminuindo a oferta monetária.
O contrário acontece quando o governo quer expandir a quantidade de 
dinheiro em circulação, quando efetua a compra de títulos públicos. Assim, o 
vendedor retoma o dinheiro e entrega o título à autoridade monetária, com o 
consequente aumento da oferta monetária.
Os principais títulos utilizados nas operações de mercado aberto no Brasil 
são as Notas do Tesouro Nacional (NTN), as Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 
os Títulos do Banco Central (TBC).
2.3 FIXAÇÃO DA TAXA DE RESERVA
Este mecanismo permite ao governo atuar diretamente sobre os bancos, 
que são fiscalizados e normatizados pelo Sistema Financeiro Nacional. 
No que consiste este instrumento? As reservas bancárias, também 
conhecidas como depósitos compulsórios, consistem num percentual sobre os 
depósitos à vista que os bancos têm que manter no Banco Central.
Como já tivemos a oportunidade de estudar quando tratamos da criação 
da moeda escritural pelos bancos, uma parte dos depósitos à vista pode ser 
emprestada e outra deve ser retida. Assim, o esquema funciona da seguinte forma:
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
171
Aumento da 
taxa de reserva
Contração 
dos meios de 
pagamento
Expansão 
dos meios de 
pagamento
Redução da 
taxa de reserva
FIGURA 2 – ALTERAÇÕES NA TAXA DE RESERVA
FONTE: Nogami e Passos (2003, p. 479)
Deduzindo o esquema apresentado, temos que quando as autoridades 
monetárias querem diminuir a oferta monetária, estas determinam que os 
bancos aumentem suas taxas de reserva, e o contrário ocorre quando o objetivo é 
aumentar a oferta de moeda.
Este mecanismo também é deveras utilizado e tem efeito direto sobre o 
multiplicador monetário (z), como vimos na Unidade 2.
2.4 FIXAÇÃO DA TAXA DE REDESCONTO
“O redesconto é um empréstimo que os bancos comerciais recebem do 
Banco Central para cobrir eventuais problemas de liquidez. A taxa de juros 
cobrada sobre esses empréstimos é chamada Taxa de Redesconto” (NOGAMI; 
PASSOS, 2003, p. 479).
Mesmo não trabalhando em uma instituição bancária é fácil imaginarmos 
que estas têm que manter uma boa reserva de moeda para suas operações diárias, 
que são chamadas de reservas voluntárias. Ocorre que mesmo assim, há situações 
em que não há disponibilidade suficiente de crédito em determinados períodos 
com maior movimento de transações bancárias.
Não encontrando outros bancos na praça que possam efetuar empréstimo, 
os bancos têm que recorrer ao Banco Central. É assim que acontecem as operações 
de redesconto, sendo que aqui o esquema funciona da seguinte forma:
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
172
FIGURA 3 – ALTERAÇÕES NA TAXA DE REDESCONTO
Elevação 
da taxa de 
redesconto
Redução dos 
meios de 
pagamento
Elevação dos 
meios de 
pagamento
Redução 
da taxa de 
redesconto
FONTE: Nogami e Passos (2003, p. 479)
2.5 CONTROLES SELETIVOS DE CRÉDITO
Para que você possa entender esse mecanismo, que geralmente é utilizado 
em conjunto com a política comercial e industrial do país, vamos citar o exemplo 
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 
A missão do BNDES é “promover o desenvolvimento sustentável e 
competitivo da economia brasileira, com geração de emprego e redução das 
desigualdades sociais e regionais” (BNDES, 2011, s.p.). Veja que estão embutidos 
na missão do BNDES dois dos principais objetivos de política macroeconômica e, 
por isso, não é à toa que é chamado de “Banco do Desenvolvimento”.
Assim, a cada ano o BNDES estipula suas metas, como será sua política 
de crédito aos setores econômicos, podendo beneficiar determinados setores que 
precisam de maiores incentivos financeiros para se tornarem competitivos no 
comércio mundial (como ocorreu, por exemplo, com o setor de informática), com 
o oferecimento de crédito a taxas de juros menores, o que ele faz por meio dos 
diversos programas que oferece.
Também os bancos comerciais públicos (Banco do Brasil, Caixa Econômica 
Federal), que atuam como executores da política monetária, oferecem créditos 
com juros subsidiados, como o Crédito Rural, Programa Nacional da Agricultura 
Familiar (PRONAF), dentre outros. Nesses casos, o governo pode controlar o 
volume e a destinação do crédito, determinando prazos, limites e condições dos 
empréstimos. Outra forma de controle se refere a aumentos ou reduções das taxas 
de juros da economia. 
Você deve se lembrar de que o Conselho de Política Monetária (COPOM) 
é o órgão responsávelpela fixação da taxa de juros básica da economia, a famosa 
SELIC. Esta se constitui em outra forma de intervenção direta, cujo mecanismo 
pode ser explicado da seguinte maneira:
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
173
Elevação da 
taxa de juros
Diminuição 
da oferta 
monetária
Aumento 
da oferta 
monetária
Redução da 
taxa de juros
FIGURA 4 – ALTERAÇÕES NA TAXA DE JUROS
FONTE: A autora
IMPORTANT
E
A política monetária, assim como a política cambial, ao contrário da política 
fiscal, é de competência exclusiva do Governo Federal. Os governos estaduais e municipais 
têm autonomia somente para desenvolver ações de política fiscal no que se refere a tributos 
que são de suas competências.
3 POLÍTICA FISCAL
Quando nos referimos à política fiscal, temos que estar cientes de que 
existem dois aspectos a serem considerados: a arrecadação e os gastos.
A arrecadação, facilmente compreendida, consiste na cobrança de 
tributos, que se dividem em impostos, taxas e contribuições, e é chamada de 
política tributária.
Os gastos, por sua vez, determinam a forma pela qual o governo utiliza os 
recursos públicos, e essa atuação é chamada de política de gastos.
A política fiscal é fortemente utilizada pelos países, já que a participação 
do Estado na economia tem sido bastante significativa na maioria das nações, 
sendo que tal política afeta não só as relações internas, mas também o comércio 
internacional. Fortemente criticada por diversos segmentos da economia 
brasileira, a nossa carga tributária, que nada mais é do que a proporção do PIB 
que é destinada aos tributos, é considerada uma das mais elevadas do mundo.
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
174
NOTA
Leia a seguir o que diz o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação sobre 
os tributos: 
BRASILEIRO TRABALHA 153 DIAS POR ANO PARA PAGAR IMPOSTOS
Dinheiro vai para os cofres públicos e não retorna como deveria.
Curitiba, 14 de maio de 2018 – Mais de R$ 879 bilhões já foram arrecadados somente neste 
ano, segundo dados do Impostômetro. É uma quantia expressiva que teve destino certo: os 
cofres públicos. Para se ter uma ideia, com esse valor seria possível adquirir quase 6 milhões 
de apartamentos de moradia popular.
De tudo o que se é consumido no país, 33%, em média, é imposto, enriquecendo mais a 
cada dia esse número estrondoso.
Não é tarefa fácil demonstrar esses dados, são precisos vários cálculos e tabelas, pois são 
muitos os tributos que impactam no preço final de produtos e serviços. Pensando nisso, em 
2006, o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação – IBPT, em um de seus estudos, 
identificou que o brasileiro trabalhou 145 dias naquele ano, o equivalente a quase cinco 
meses, apenas para pagar seus impostos.
FONTE: <https://ibpt.com.br/noticia/2644/BRASILEIRO-TRABALHA-153-DIAS-POR-ANO-
PARA-PAGAR-IMPOSTOS>. Acesso em: 15 ago. 2018.
Não podemos nos esquecer de que a principal discussão a se fazer quando 
se trata de carga tributária não é a respeito do seu percentual em relação ao PIB, 
mas do retorno que o Estado faz dessa arrecadação em serviços ao cidadão.
Países desenvolvidos como Dinamarca, França, Suécia, dentre outros, 
tiveram uma carga tributária bem superior ao Brasil no ano de 2013, como se vê 
no gráfico da Figura 5. Entretanto, os serviços prestados à população por estes 
países (educação, saúde, segurança pública, moradia, transporte, acessibilidade, 
dentre outros) são em maior volume e qualidade que os verificados no Brasil, 
o que faz com que a satisfação dos cidadãos com a administração pública seja 
maior lá do que a verificada por aqui.
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
175
FIGURA 5 – CARGA TRIBUTÁRIA NO BRASIL E EM PAÍSES DA OCDE (2013)
Dinamarca
França
Finlândia
Suécia
Itália
Áustria
Noruega
Luxemburgo
Hungria
Eslovênia
Alemanha
Islândia
Média OCDE (1)
República Tcheca
Brasil
Grécia
Portugal
Reino Unido
Espanha
Canadá
Israel
Turquia
Irlanda
Suíça
Estados Unidos
Coreia do Sul
Chile
48,6
10,0 20,0 30,0 40,0 50,00,0
45,0
44,0
42,8
42,6
42,5
40,8
39,3
38,9
36,8
36,7
35,5
35,0
34,1
33,7
33,5
33,4
32,9
32,6
30,6
30,5
29,3
28,3
27,1
25,4
24,3
20,2
FONTE: <http://www.politize.com.br/carga-tributaria-brasileira-e-alta/carga-tributaria-ocde/>. 
Acesso em: 16 ago. 2018.
Como é sabido por todos, o governo (compreendido nas esferas 
federal, estadual e municipal) efetua despesas na economia na forma de 
pagamento do funcionalismo público, na manutenção e construção de escolas, 
hospitais, rodovias, penitenciárias etc. A partir do momento em que os gastos 
governamentais aumentam, entendemos que o governo está efetuando uma 
política fiscal expansionista. Quando ocorre o contrário, estaremos diante de 
uma política fiscal contracionista.
O que isso significa, na prática? Bem, “a política tributária, além de influir 
sobre o nível de tributação, é utilizada, por meio da manipulação da estrutura e 
alíquotas de impostos, para estimular (ou inibir) os gastos de consumo do setor 
privado” (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 91).
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
176
Ao adotar uma política fiscal expansionista, além de aumentar os gastos, 
o governo pode diminuir alíquotas de impostos, estimular as exportações por 
meio de incentivos fiscais, taxar ou impor barreiras ao produto importado, 
incentivando a produção nacional para atender à demanda interna. Por exemplo, 
em 2008, quando estourou a bolha imobiliária americana, que resultou na 
chamada “Crise Financeira Mundial”, o governo brasileiro lançou mão de uma 
política tributária expansionista chamada de renúncia fiscal, ao isentar, dentre 
outros, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis, o que 
fez aumentar a renda pessoal disponível e, consequentemente, o consumo.
Já para conter a inflação ou quando houver um aumento da demanda 
agregada superior à capacidade produtiva do país, o governo pode lançar mão 
do aumento das alíquotas dos impostos, para inibir (ou diminuir) o consumo, 
já que esse aumento repercute sobre a renda disponível, o que representa uma 
política tributária contracionista.
Ao adotar uma política tributária contracionista (ou restritiva), o governo 
pode diminuir gastos públicos (o que pode pressionar a renda, reduzindo o 
consumo), elevar a carga tributária sobre os bens de consumo, desencorajando os 
gastos, reduzir ou eliminar tarifas e barreiras para o produto importado.
As administrações estaduais e municipais também utilizam a política fiscal 
como forma de atrair investimentos, aumentar o nível de emprego, desenvolver 
a economia. Um dos grandes problemas que ocorre em relação à política fiscal 
entre estados e municípios é a chamada guerra fiscal, já que os mesmos impostos 
(como o ICMS e o IPVA de competência estadual e o IPTU e o ISS de competência 
municipal) podem ter alíquotas diferentes entre estes.
Muitas vezes ocorre de uma empresa que está instalada em determinado 
Estado acabar indo para outro, por este oferecer vantagens tributárias.
3.1 FUNÇÕES DO GOVERNO
Para exercer sua política tributária e de gastos, o governo se baseia, em 
nível teórico, nas funções a ele atribuídas, quais sejam: 
• A função alocativa;
• a função distributiva;
• a função estabilizadora.
A função estabilizadora “corresponde ao manejo da política econômica 
para tentar garantir o máximo de emprego, crescimento econômico, com 
estabilidade de preços” (GREMAUD, 2005, p. 195, grifo do original).
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
177
Como já vimos nas unidades anteriores, a intervenção do Estado na 
economia se fortaleceu fortemente depois da Grande Depressão de 1930, atuando 
no sentido de elevar a demanda efetiva, o nível de emprego, de renda e de 
consumo.
Também chamada de anticíclica, a função estabilizadora pode ser utilizada 
para intervir tanto em casos de recessão econômica, quanto em situações de 
crescimento acelerado, evitando que talcrescimento saia do controle e estimule 
um forte processo inflacionário.
“Quanto à função alocativa, tem-se a ação do governo complementando 
a ação do mercado no que diz respeito à alocação de recursos na economia” 
(GREMAUD, 2005, p. 195, grifo do original). O que isso significa?
Como todos nós sabemos, o capitalismo tem o lucro como figura central. 
Isso nos faz imaginar, então, que um empresário só irá empreender se a atividade 
for lucrativa. Existem, assim, bens e serviços que precisam ser ofertados à 
coletividade, mas que, por não gerarem lucro, não são de interesse da iniciativa 
privada, bem como demais “falhas de mercado” que precisam ser atendidas pelo 
setor público, como as externalidades e economias de escala, além dos chamados 
bens públicos.
“As externalidades (ou economias externas) correspondem ao fato de que 
a ação de determinados agentes pode ter impactos sobre o resultado almejado 
por outros agentes” (GREMAUD, 2005, p. 195, grifo do original). Complicado de 
entender? Vamos descomplicar.
Quando você circula com seu automóvel por uma rodovia e se depara 
com inúmeros buracos, se pergunta: Quem é o responsável por isso?
Partindo do pressuposto de que a rodovia tenha sido construída dentro 
dos parâmetros recomendados, uma possível resposta a essa pergunta reside no 
fato de muitos caminhões transitarem com peso superior ao permitido, causando 
danos à rodovia. Ou seja, todos nós sofremos as consequências pela atuação 
negativa ou de má-fé de uma parcela da população que transita na rodovia. Muitos 
outros exemplos estão associados a este, como os custos derivados da poluição, 
que são suportados por todos, a destruição da camada de ozônio, dentre outros. 
Estes são exemplos de externalidades negativas.
Há também exemplos de externalidades positivas. Quando uma empresa 
instala uma unidade num bairro de uma cidade e efetua uma série de melhorias, 
como asfaltamento das ruas, temos uma externalidade positiva. Ou ainda, quando 
um município destina determinada área pública para a criação de um distrito 
industrial, oferecendo infraestrutura na forma de rodovias, energia elétrica e 
sistema de comunicações, favorece o desenvolvimento da cidade, possibilita a 
inovação e a criação de novas tecnologias, além de elevar o nível de emprego.
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
178
“As economias de escala são definidas como a situação em que o 
aumento da produção de determinado bem, por uma única empresa, leva à 
redução do custo médio por produto, ocasionando no limite o aparecimento 
dos ‘monopólios naturais’” (GREMAUD, 2005, p. 195, grifo do original).
Pela citação anterior, você já deve ter deduzido que se trata dos casos em que 
uma única empresa domina a oferta de determinado produto por características 
próprias da atividade, como os custos para a implantação da empresa serem 
excessivamente altos (como o caso da Petrobras, Vale do Rio Doce), por serem estas 
destinadas à operação em áreas públicas (como as hidrelétricas), serem consideradas 
de interesse público (como a segurança pública, telecomunicações) etc.
Normalmente as nações estabelecem formas diferenciadas de fiscalização 
desses monopólios, como é o caso no Brasil das Agências Reguladoras, como 
a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Agência Nacional das Águas (ANA), 
dentre outras.
Também estão associadas aos monopólios naturais ou a empresas estatais 
as atividades que, embora sejam importantes ao país, apresentem risco elevado, 
como o setor de energia nuclear, pesquisas de novos medicamentos, novos 
produtos e processos. Naturalmente que o setor privado tem mais restrições 
a investir nestes segmentos, restando essa responsabilidade ao setor público, 
especialmente ligado às universidades públicas.
 “Os bens públicos são caracterizados pelo fato de seu consumo ser não 
excludente e não rival, isto é, o consumo de uma pessoa não impede o consumo 
de outra” (GREMAUD, 2005, p. 196, grifo do original).
Existem atividades que não são lucrativas, ou que são de atribuição 
própria do Estado, como o caso da segurança pública, das forças armadas, da 
iluminação pública, educação, saúde, que devem ser disponibilizadas para todos 
os cidadãos, independentemente de sexo, idade, condição financeira. 
Finalmente, temos a função distributiva, que “corresponde à função 
do governo em arrecadar impostos (reduzir a renda) de determinadas classes 
sociais ou regiões, para transferi-los a outras” (GREMAUD, 2005, p. 196, grifo 
do original).
Você estudou na Unidade 2 que um dos princípios da Constituição 
Federal de 1988 é reduzir as desigualdades sociais e regionais. Somos um país de 
dimensões continentais, que passou por um processo de colonização a partir do 
seu descobrimento em 1500, já de forma concentradora de renda e de riquezas em 
determinados estados.
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
179
A Proclamação da República, em 1889, não alterou muito o cenário, com a 
presença de poucas atividades industriais no país, que até então era dependente 
da exportação de matérias-primas e vivia os chamados “ciclos econômicos” do 
ouro, da borracha, da cana-de-açúcar e, por derradeiro, o ciclo do café.
A Grande Depressão de 1930 fez com que o Brasil fosse obrigado a alterar a 
sua matriz econômica, totalmente dependente das exportações do café, passando 
então a um processo de industrialização por substituição de importações, mais 
uma vez caracterizado pela falta de planejamento e por priorizar determinadas 
regiões, principalmente Sudeste e Sul do país.
Um exemplo do que significou o processo de industrialização no Brasil 
relaciona-se a aspectos demográficos. No início do século XX, cerca de 80% da 
população brasileira vivia no campo e somente 20% na cidade. No final do século 
esta realidade se inverteu totalmente, já que hoje as estatísticas demográficas dão 
conta de que mais de 80% da população vive nas cidades.
A concentração populacional nos grandes centros urbanos, como São 
Paulo e Rio de Janeiro (as chamadas metrópoles), resultou na favelização, 
reunindo principalmente famílias (ou parte delas) provenientes de regiões mais 
pobres do Norte e Nordeste, que vinham para o Sudeste atraídos pela promessa 
de empregos, os quais não existiam para todos.
As famílias que permaneceram no campo convivem ainda hoje com a falta 
de água e demais políticas públicas que possam favorecê-los. Por isso existem 
políticas fiscais destinadas especialmente às regiões mais pobres do país, como 
Norte e Nordeste.
No que se refere às desigualdades sociais, como já exposto, somos um 
país de contrastes, já que há um pequeno número de famílias que fica com mais 
da metade da riqueza, enquanto a maioria da população sofre com a pobreza. Por 
isso que o princípio de diminuição das desigualdades regionais e sociais ainda é 
um desafio que requer do Estado o pleno exercício da sua função distributiva na 
economia. 
É importante ainda destacar que o Estado pode utilizar-se ao mesmo 
tempo das três funções na economia. Vamos exemplificar: na transposição do Rio 
São Francisco, o Estado se valeu de sua função estabilizadora, já que a obra é 
realizada por meio do aumento de gastos públicos (política fiscal expansionista), 
da função distributiva, pois está destinando recursos a uma região específica do 
país, e da função alocativa, pois com a obra está oferecendo aos cidadãos um bem 
público, que é a própria transposição.
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
180
3.2 POLÍTICA TRIBUTÁRIA E DE GASTOS
Como já salientado anteriormente, a arrecadação pública é efetuada 
por meio dos tributos, que são os impostos, taxas e contribuições, sendo que os 
primeiros são os de maior valor. 
Lembramos, ainda, que os impostos se dividem em diretos (incidem 
sobre a renda e o patrimônio) e indiretos (incidem sobre o consumo e as vendas).
No Brasil, a arrecadação de impostos é ainda mais injusta com a população 
mais pobre, já que o peso dos impostosindiretos na arrecadação representa quase 
a metade de todos os impostos, conforme indica o gráfico ilustrado a seguir:
FIGURA 6 – O PESO DOS IMPOSTOS INDIRETOS NO BRASIL (EM %) – DADOS DE 2015
% da arrecadação total
Venezuela
Chile
Brasil
Argentina
Uruguai
México
Reino Unido
Noruega
Alemanha
Bélgica
Canadá
Suíça
EUA
49,68%
75604530150
FONTE: <https://economia.estadao.com.br/blogs/nos-eixos/as-injusticas-tributarias-do-brasil-
em-5-graficos/>. Acesso em: 16 ago. 2018.
Afinal, o que isso significa? É isso mesmo o que você deve estar pensando: 
cidadãos com renda totalmente diversa pagam o mesmo percentual de impostos 
sobre bens e serviços, ou seja, ao adquirir uma garrafa de água mineral de 600 ml, 
um cidadão com renda mensal de R$ 900,00 paga em média 44% em impostos, o 
mesmo valor que irá pagar um cidadão com renda mensal de R$ 20.000,00. 
Já com relação aos impostos diretos, que incidem sobre o patrimônio e 
a renda, o percentual cobrado no Brasil é baixo, se comparado a outros países, 
como verificamos no gráfico ilustrado a seguir:
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
181
% da arrecadação total
EUA
Canadá
Suíça
Noruega
México
Chile
Bélgica
Reino Unido
Alemanha
Venezuela
Uruguai
Brasil
Argentina
50403020100
20,9%
FIGURA 7 – O PESO DOS IMPOSTOS DIRETOS NO BRASIL (EM %) – DADOS DE 2015
FATIA DOS TRIBUTOS SOBRE RENDA, LUCRO E RENDA DE CAPITAL NA ARRECADAÇÃO 
TOTAL DOS PAÍSES
FONTE: <https://economia.estadao.com.br/blogs/nos-eixos/as-injusticas-tributarias-do-
brasil-em-5-graficos/>. Acesso em: 16 ago. 2018.
Cobrando menos impostos diretos, a função distributiva do governo fica 
prejudicada, uma vez que aqueles que têm maior renda pagam proporcionalmente 
menos impostos. Como se não bastasse, essa distorção é ainda mais cruel quando 
analisamos a defasagem no reajuste da tabela do Imposto de Renda (IR) em 
relação à inflação, conforme apresentamos a seguir:
FIGURA 8 – DEFASAGEM DA TABELA DO IMPOSTO DE RENDA (1996 A 2016)
Defasagem da tabela do IR
Comparação entre os reajustes da tabela progressiva e a inflação anual
Defasagem acumulada desde 1996
20162011200620011996
0
5
10
15
20
83%
IPCA
Correção da tabela
FONTE: <https://economia.estadao.com.br/blogs/nos-eixos/as-injusticas-tributarias-do-brasil-
em-5-graficos/>. Acesso em: 16 ago. 2018.
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
182
Podemos observar que a tabela do IR não está sendo corrigida da forma 
devida, fazendo com que as faixas menores de renda entrem na base de cálculo 
do imposto, penalizando mais uma vez os mais pobres.
“Desde 1996, ano em que a tabela foi convertida de unidades fiscais para o 
real, o imposto acumula uma discrepância de 83% em relação ao Índice de Preços 
ao Consumidor Amplo (IPCA)” (LIMA, 2017, s.p.). 
Percebeu o significado dessa afirmação? Se a tabela do IR fosse reajustada 
com base na inflação do período, muitos trabalhadores voltariam para a faixa de 
renda isenta de tributação, o que implicaria num aumento da renda disponível de 
boa parte dos cidadãos brasileiros.
Ainda no que se refere à política tributária, o volume de arrecadação 
depende de duas variáveis macroeconômicas, que são o nível de renda e produto 
da economia. “Conforme aumenta a renda dos indivíduos e a riqueza da sociedade, 
aumenta a arrecadação de impostos diretos, e conforme aumenta o produto, a 
circulação de mercadorias, aumentam os impostos indiretos” (GREMAUD, 2005, 
p. 198-199).
Cada país tem um sistema tributário, definido no Código Tributário 
Nacional. A forma de estruturação desse sistema é que determinará o impacto 
desses impostos sobre o nível de renda e sua distribuição e mesmo sobre a 
competitividade da economia, já que países que possuem uma estrutura tributária 
menos invasiva acabam, por exemplo, oferecendo bens e serviços com preços 
mais vantajosos para os consumidores.
Assim, os sistemas tributários podem ser classificados em progressivos, 
regressivos ou neutros. “Um sistema tributário é dito progressivo quando a 
participação dos impostos na renda dos indivíduos aumenta conforme a renda 
aumenta, isto é, paga mais (em termos relativos) quem ganha mais” (GREMAUD, 
2005, p. 199).
“Um sistema é regressivo quando a participação dos impostos na renda 
dos agentes diminui conforme a renda aumenta (paga mais quem ganha menos)” 
(GREMAUD, 2005, p. 199). Conforme exemplificamos, o Brasil não possui um 
sistema tributário com características progressivas, já que este tem recaído mais 
(relativamente) sobre as faixas de renda menores, tendendo a ser mais regressivo.
Um sistema tributário “é neutro quando a participação dos impostos 
na renda dos indivíduos é a mesma, independentemente do nível de renda” 
(GREMAUD, 2005, p. 199).
Uma das principais atribuições da política fiscal é proporcionar à 
sociedade a possibilidade de se desenvolver e obter eficiência econômica, de tal 
forma que possa ser competitiva em nível internacional, já que as exportações são 
uma forma importante de crescimento econômico. 
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
183
Desta forma, distorções nos preços relativos dos bens e serviços devem ser 
evitadas, bem como desincentivos ao investimento e perda de competitividade dos 
produtos nacionais. Por exemplo, se o governo taxar com altas alíquotas matérias-
primas ou insumos importantes para o setor produtivo, como o petróleo e seus 
derivados e energia elétrica, poderá ocasionar uma distorção nos preços relativos 
dos produtos, encarecendo-os, o que pode inclusive acarretar no aumento do nível 
de preços e na perda de competitividade com os produtos do exterior.
“Por outro lado, quando se fala em desenvolvimento, o sistema tributário 
deve ser flexível, para facilitar o cumprimento de metas socialmente desejáveis” 
(GREMAUD, 2005, p. 199).
O que é uma meta socialmente desejável? Existem produtos essenciais 
e produtos supérfluos, não é mesmo? Produtos essenciais são aqueles 
imprescindíveis à sociedade, e podemos citar a cesta básica cujos produtos têm 
uma alíquota tributária menor em relação a produtos menos importantes ou até 
nocivos ao ser humano, como o cigarro.
Veja a seguir alguns exemplos da taxação de produtos considerados 
supérfluos ou menos essenciais:
QUADRO 1 – OS DEZ PRODUTOS MAIS TRIBUTADOS NO BRASIL
TRIBUTAÇÃO ALÍQUOTA (%)
1 – Cachaça 81,87
2 – Casaco de pele 81,86
3 – Vodca 81,52
4 – Cigarro 80,42
5 – Perfume importado 78,99
6 – Caipirinha 76,66
7 – Videogame 72,18
8 – Revólver 71,58
9 – Perfume nacional 69,13
10 – Motos acima de 250 cc 64,64
FONTE: <https://epocanegocios.globo.com/Dinheiro/noticia/2017/04/os-10-produtos-com-
mais-imposto-no-brasil.html>. Acesso em: 16 ago. 2018.
Desta forma, o governo aumenta a alíquota de produtos considerados 
supérfluos ou nocivos para desestimular o consumo e pode diminuir ou até 
isentar produtos considerados essenciais.
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
184
Outra forma de flexibilidade tributária é a concessão de subsídios. De 
acordo com Sandroni (1989, p. 301), o subsídio:
Tecnicamente, pode ser definido de várias formas: a) benefícios a 
pessoas ou a empresas pagos pelo governo, sem contrapartida em 
produtos ou serviços; b) despesas correspondentes à transferência de 
recursos de uma esfera de governo em favor de outra; c) despesas de 
governo visando à cobertura de prejuízos das empresas (públicas ou 
privadas) ou ainda para o financiamento de investimentos; d) benefícios 
a consumidores, na forma de preços inferiores que, na ausência de tal 
mecanismo, seriam fixados pelo mercado; e) benefícios a produtores 
e vendedores mediante preços mais elevados, como acontece com a 
tarifa aduaneira protecionista; e f) concessões de benefícios pela via do 
orçamento público ou outros canais.
Como você pôde observar pela definição de Sandroni (1989), existe uma 
infinidade de formas diferentes de concessão de subsídios que são importantes 
para o desenvolvimento econômico, desde quenão impliquem no aumento 
do endividamento público. Exemplos? Temos o Programa de Financiamento 
Estudantil (FIES) como uma forma importante de ingresso e permanência de 
alunos nas universidades, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura 
Familiar (PRONAF), que favorece os pequenos agricultores, dentre tantos outros.
Infelizmente, a concessão de subsídios também passa por uma 
interpretação ideológica do agente público, que pode optar por beneficiar setores 
ou grupos economicamente já privilegiados e deixar de atender a setores mais 
marginalizados pelo sistema econômico.
DICAS
Leia mais sobre subsídios em: <http://www.valor.com.br/brasil/5503631/brasil-
concedeu-quase-r-4-tri-em-subsidios-nos-ultimos-15-anos>.
Uma das características da estrutura tributária brasileira que você já deve 
ter discutido é o grande número de impostos, que na linguagem “economês” 
compõe o que se chama de “custo Brasil” e dificulta a abertura de empresas, 
além da burocracia que está associada a esta estrutura, pois inúmeras portarias e 
decretos são frequentemente editados, o que faz com que as empresas tenham que 
contar com um verdadeiro aparato contábil e jurídico para decifrar e implantar 
as constantes modificações efetuadas no sistema tributário. Por isso a sociedade 
clama por uma reforma tributária que atenda aos interesses nacionais, reduza o 
número de impostos e torne nossos produtos mais competitivos.
A maioria dos tributos no Brasil é de competência federal, conforme 
podemos observar:
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
185
FIGURA 9 – REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS ENTRE AS ESFERAS DE GOVERNO
ITEM TIPO UNIÃO ESTADOS MUNICÍPIOS N, NE, CO.
Tributos de Competência da União (ART. 153 e 154)
I II - Importação 100% - - -
II IE - Exportação 90% 10% - -
III IR - Renda e Proventos 52% 21,5% 23,5% 3%
IV IPI - Produtos Industrializados 42% 29% 25% 3%
V IOF - Operações Crédito/Câmbio e Seguros 100% - - -
VI ITR - Propriedade Territorial Rural 50% - 50% -
VII COFINS - Financiamento da Seguridade 100% - - -
VIII CSLL - Sobre o Lucro Líquido 100% - - -
IX CIDE - Contribuição sobre o Domínio Econômico 71% 21,75% 7,25% -
Tributos de Competência dos Estados (ART. 155)
I ITCMD - Transmissão Bens Imóveis e Doação (Causa Mortis) - 100% - -
II ICMS - Circulação Mercadorias e Serviços - 75% 25% -
III IPVA - Propriedade de Veículos Automotores - 50% 50% -
Tributos de Competência dos Municípios (ART. 156)
I IP´TU - Predial e Territorial Urbano - - 100% -
II ITBI - Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis - - 100% -
III ISQN - Serviços de Qualquer Natureza - - 100% -
FONTE: <https://www.google.com.br/search?q=reparti%C3%A7%C3%A3o+da+recei
ta+entre+as+esferas+de+governo&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved
=0ahUKEwiwtvqCpOPbAhUEhZAKHa0RDrgQ_AUIDSgE&biw=1366&bi
h=635#imgrc=Dh8lgXZ8oZ_9fM>. Acesso em: 16 ago. 2018.
Essa concentração dos tributos na esfera federal também é alvo de muitas 
críticas, pois a forma como está repartido o bolo tributário obriga municípios e 
estados a praticar o que denominamos de política do “pires na mão”, ou seja, 
frequentemente ouvimos nos noticiários e lemos nas mídias sociais sobre a ida de 
representantes de estados e municípios a Brasília para reivindicar mais recursos 
para si, o que representa uma forte relação de subserviência com o Governo Federal.
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
186
Tal concentração fica ainda mais evidente ao observarmos a figura com o 
gráfico a seguir, já que, embora tenha havido uma diminuição da concentração ao 
longo dos anos, a União ainda fica com mais da metade dos recursos.
FIGURA 10 – EVOLUÇÃO DA PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DOS TRÊS NÍVEIS DE GOVERNO 
NA RECEITA DISPONÍVEL NO BRASIL – 1960 A 2016
1960
ESTADOS
MUNICÍPIOS
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
201620152014201320102000199019801970
UNIÃO
FONTE: <http://carta.fee.tche.br/article/a-problematica-descentralizacao-das-receitas-no-
brasil/>. Acesso em: 16 ago. 2018.
De acordo com Meneghetti Neto (2017, s.p.):
Entre 1960 e 2016, a participação da União no bolo dos recursos 
disponíveis passou de 59,5% para 53,9%; a dos estados, de 34,1% para 
25,5%; e a dos municípios, de 6,4% para 20,6% do total das receitas 
disponíveis. Isso significa que os municípios ganharam 14,2 pontos 
percentuais, que saíram da União (5,6 pontos percentuais) e dos 
estados (8,6 pontos percentuais).
 
Analisemos agora a política de gastos. “Os gastos do governo podem 
ser divididos numa primeira aproximação em despesas correntes ou gastos de 
custeio (funcionários públicos e bens e serviços – materiais) e transferências” 
(GREMAUD, 2005, p. 196, grifo do original).
Nas despesas correntes, incluem-se quatro itens: o consumo do governo 
(pagamento dos funcionários e despesas como energia elétrica e materiais), 
transferências (despesas do setor público destinadas ao setor privado, sem 
contraprestação de serviços ou fornecimento de bens como, por exemplo, é 
a Assistência e Previdência Social), juros (pagamento de juros tanto da dívida 
interna como externa) e subsídios.
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
187
O quadro a seguir relaciona a despesa da União por grupo, incluindo 
também os investimentos, que no sistema de contabilidade nacional é contabilizado 
na Conta Produção (PIB):
QUADRO 2 – DESPESA DA UNIÃO POR GRUPO
ORÇAMENTOS FISCAL E DA SEGURIDADE SOCIAL
JANEIRO A DEZEMBRO DE 2017
GRUPO DE DESPESA
DESPESA LIQUIDADA 
 Valor Nominal 
DESPESAS CORRENTES 1.603.334.836.678 
Pessoal e Encargos Sociais 281.304.357.337 
Juros e Encargos da Dívida 203.109.395.198 
Outras Despesas Correntes 1.118.921.084.143 
 Transferências a Estados, DF e Municípios 306.248.756.942 
Benefícios Previdenciários² 545.691.007.405 
Demais Despesas Correntes 266.981.319.796 
DESPESAS DE CAPITAL 396.720.394.192 
Investimentos 18.858.130.548 
Inversões Financeiras 57.485.889.292 
Amortização da Dívida² 320.376.374.352 
SUBTOTAL 2.000.055.230.870 
Amortização da Dívida - Refinanciamento 462.632.657.650 
Refinanciamento da Dívida Mobiliária 458.414.994.032 
Refinanciamento da Dívida Contratual 4.217.663.618 
TOTAL 2.462.687.888.520 
DESPESAS INTRAORÇAMENTÁRIAS 42.887.383.131 
Fonte: SIAFI - STN/CCONT/GEINC
Nota: Excluídas as operações intraorçamentárias, que poderão ser obtidas no Relatório 
Resumido de Execução Orçamentária do mesmo período.
² Os Benefícios Previdenciários referem-se ao pagamento de inativos, pensões, outros benefícios 
previdenciários.
³ Excetuados os valores referentes ao refinanciamento da Dívida Pública.
FONTE: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/-/series-historicas>. Acesso em: 16 ago. 2018.
Como você pôde observar no quadro, temos uma situação de 
estrangulamento em alguns pontos das despesas públicas: o primeiro se 
refere ao elevado volume de recursos destinados ao pagamento de benefícios 
previdenciários e o segundo ao refinanciamento e amortização da dívida pública 
(externa e interna).
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
188
No primeiro caso, a tão discutida reforma da Previdência está no centro 
dos debates no Congresso Nacional e no Poder Executivo há anos, pois com a 
melhora significativa da expectativa de vida no Brasil (que implica no aumento do 
tempo de prestação do benefício previdenciário por aposentado) e a diminuição 
da taxa de natalidade (hoje caminha para menos de 1% ao ano) é preciso pensar 
numa alternativa viável para que as futuras gerações possam contar com a 
aposentadoria pública. 
Há ainda que se ressaltar que nessa discussão não se pode deixar de 
tratar das injustiças que ocorrem em relação aos beneficiários da Previdência, 
principalmente relacionadas à aposentadoria dos servidores públicos, em especial 
de juízes, governadores,deputados e senadores, que embolsam grande fatia do 
bolo previdenciário.
Já no tocante à dívida da União, aquela famosa frase conhecida por todos 
– de que é preciso gastar somente o que se recebe –, é preciso ser levada com 
seriedade pelos gestores públicos, para que tenhamos uma futura redução desses 
valores que permita ao país utilizar o recurso público de forma mais eficiente.
“O total de impostos arrecadados no país corresponde à chamada carga 
tributária bruta. A diferença entre a carga tributária bruta e as transferências 
governamentais (juros sobre a dívida pública, subsídios e gastos com assistência 
e previdência social) é a carga tributária líquida do governo” (GREMAUD, 
2005, p. 210).
É com base na carga tributária líquida que o governo pode financiar 
seus gastos correntes, que nada mais é do que o consumo do governo (custeio 
da máquina pública). Ao extrairmos da carga tributária líquida o consumo do 
governo, teremos a poupança do governo em conta corrente.
Assim:
Poupança do governo em conta corrente = Carga tributária líquida – 
consumo do governo
 
O investimento público, por sua vez, de acordo com Gremaud (2005, 
p. 211), “refere-se aos gastos do governo com a construção de novas estradas, 
hospitais, escolas etc. A diferença entre a poupança pública e o investimento 
público deveria fornecer o valor do déficit ou superávit público, ou seja, a 
diferença entre arrecadação total e gasto total.
Déficit público = Investimento público – poupança pública em conta 
corrente
Como essa conta geralmente tem apresentado déficit, este gasto maior do 
que a receita pode ser coberto de duas formas: o governo pode vender títulos ao 
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
189
setor privado, quando ocorre uma transferência da poupança privada ao setor 
público; ou, vender títulos públicos ao Banco Central, que leva à emissão de 
moeda para financiar a compra desses títulos (GREMAUD, 2005).
As duas alternativas levam ao endividamento público. Por isso, 
como temos salientado, o governo acaba ficando refém do sistema financeiro, 
interferindo, consequentemente, sobre a própria economia do país.
Os gastos de capital, especialmente os investimentos, que no Brasil já são 
baixos em relação a outros países, têm apresentado uma redução ainda maior nos 
últimos anos, conforme podemos observar no gráfico ilustrado a seguir:
FIGURA 11 – DESPESAS DE INVESTIMENTO COMO PERCENTUAL DO PIB A PREÇOS 
DE DEZEMBRO/2017
2007
0,0%
0,2%
0,4%
0,6%
0,8%
0,80%
0,90%
1,02%
1,15%
1,23%
1,34%
0,93%
1,04%
0,69%
1,20% 1,19%
1,0%
1,2%
1,4%
0
20
40
60
80
100
120
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
FONTE: <http://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/246449/
Apresenta%EF%BF%BD%EF%BF%BDo-RTN+Dezembro+2017.pdf/5e411f53-47a1-46ab-b5f9-
792ed0548e2f>. Acesso em: 28 ago. 2018.
Uma queda tão significativa nos investimentos públicos, que em 2014 eram 
da ordem de 1,14% do PIB e em 2017 reduziram para 0,69% do PIB, inviabiliza 
muitas obras públicas que se fossem executadas poderiam gerar um impacto 
muito significativo sobre a demanda agregada, estimulando o emprego, a renda 
e o crescimento econômico.
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
190
4 POLÍTICAS COMERCIAL E CAMBIAL
Muitos autores utilizam apenas a expressão “cambial” para se referir 
às políticas efetivadas com o exterior, pois a política comercial se dá muito em 
função da política fiscal (barreiras tarifárias e não tarifárias). 
Aqui, preferimos utilizar a expressão “política comercial” para nos 
referirmos “aos instrumentos de incentivos às exportações e/ou estímulo e 
desestímulo às importações, ou seja, refere-se a estímulos fiscais (crédito-prêmio 
do ICMS, IPI, etc.) e creditícios (taxas de juros subsidiadas) às exportações e ao 
controle das importações (via tarifas e barreiras quantitativas sobre importações)” 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2004, p. 92).
Como você deve imaginar, mesmo em tempos de globalização econômica 
e financeira, os países adotam medidas protecionistas, ou seja, protegem a 
indústria nacional e o fazem mediante alguns argumentos.
O primeiro se refere à proteção à indústria nascente, que não sobreviveria 
se fosse competir em condições de igualdade com as externas. É com a criação de 
empresas nacionais que os países podem ter acesso a novas tecnologias, conquistar 
maior autonomia e soberania tecnológica, diminuindo a dependência externa.
A segurança nacional constitui um segundo argumento, já que há 
setores considerados estratégicos para as nações que, por essa razão, devem ser 
protegidos da concorrência internacional, como o caso do setor petrolífero, de 
energia elétrica, dentre outros.
Um terceiro argumento, mas não menos importante, é a proteção ao 
emprego dos residentes no país, já que o nível de emprego é uma das principais 
variáveis determinantes do crescimento econômico.
Finalmente, no sistema de contas nacionais, temos o Balanço de 
Pagamentos, que tem em uma das suas contas a balança comercial, que registra o 
saldo entre as importações e exportações de mercadorias. Se o valor dos produtos 
importados for superior ao exportado, teremos um déficit na balança comercial, 
que pode influir no déficit do Balanço de Pagamentos.
O gráfico a seguir registra o resultado da balança comercial brasileira recente:
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
191
FIGURA 12 – BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA (EM BILHÕES DE US$)
47,7
19,7
4,1
2,3
19,4
29,8
20,1
25,325
40
46,544,9
33,8
24,9
13,2
2,7
-0,7-1,3-6,6-6,8
60
40
20
0
-20
19
97
19
99
20
01
20
03
20
05
20
07
20
09
20
11
20
13
20
15
FONTE: <http://www.geografiaopinativa.com.br/2017/01/comercio-exterior-brasileiro.html>. 
Acesso em: 28 ago. 2018.
Como se observa, há significativas alterações na balança comercial 
brasileira, muito em função da produção agropecuária, já que grande parte das 
exportações provém desse setor. Ou seja, quando a produção agropecuária é boa, 
aumenta o saldo da balança comercial. Mas os produtos com maior valor agregado 
também sofrem impactos pela situação econômica interna e externa, ocorrendo 
períodos em que aumentam as exportações desses produtos e outros em que a 
exportação declina. Isso porque cada país irá adotar uma certa política comercial 
conforme a sua conjuntura interna, alternando períodos de maior abertura com 
períodos mais protecionistas. 
DICAS
Os Estados Unidos têm adotado uma política comercial protecionista no ano de 2018, 
que tem contribuído fortemente para acirrar a chamada guerra comercial entre os países. Leia mais 
sobre o assunto acessando o link <http://www.valor.com.br/internacional/5620771/indicadores-
economicos-ja-mostram-estrago-da-guerra-comercial?utm_source=newsletter&utm_
medium=email&utm_campaign=newsletter_tarde>.
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
192
Além das medidas protecionistas, a intervenção governamental no 
comércio mundial também pode se dar na forma de restrições ao livre comércio, 
por meio de barreiras tarifárias e não tarifárias.
O governo pode aplicar uma barreira tarifária, isto é, um imposto que, 
adicionado ao preço internacional do produto, poderá fazer com que 
o preço da mercadoria produzida internamente se torne competitivo; 
dessa forma, o governo protege os produtos nacionais a fim de que 
não sofram a concorrência de produtos importados mais baratos 
(NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 519).
Barreiras tarifárias são impostas a diversos produtos brasileiros. Dentre 
elas, uma das mais conhecidas são as aplicadas por países como Estados Unidos 
e União Europeia, Japão e China ao suco de laranja, com a imposição de altas 
tarifas de importação para esse produto.
Nesse caso, assim como no caso da barreira tarifária, o governo visa 
dar maior competitividade ao produto nacional. A diferença básica 
é que não se aplica um imposto, mas sim obstáculos quantitativos ou 
burocráticos que oneram ou inviabilizam as importações.Como 
restrições burocráticas podemos citar os certificados de origem e vistos 
consulares. Como restrições quantitativas temos a fixação de cotas 
(volume máximo a ser importado) (NOGAMI; PASSOS, 2003, p. 519).
Os certificados de origem, na maioria das situações, exigem que o país 
exportador atenda a uma série de exigências, como no caso dos alimentos, de 
ordem sanitária e fitossanitária (embalagens, temperatura, bem-estar animal etc.).
O Brasil, por ser grande produtor do chamado agronegócio, é 
constantemente bombardeado com barreiras não tarifárias, sendo comuns casos 
aplicados ao frango e aos suínos.
Finalmente, a intervenção do governo no comércio exterior também pode 
se dar na forma de incentivos, que podem ser fiscais ou creditícios, fazendo com 
que o produto nacional se torne competitivo internacionalmente.
Os incentivos fiscais podem se dar na forma da redução ou isenção de 
impostos ao produto exportado e os creditícios na forma de financiamentos para 
a produção com juros subsidiados (NOGAMI; PASSOS, 2003).
NOTA
Um dos incentivos governamentais às exportações mais conhecido da recente 
economia brasileira é a chamada Lei Kandir (de 13/09/1996), de autoria do ex-deputado 
federal Antônio Kandir, que isenta o ICMS dos produtos e serviços destinados à exportação. 
Confira na íntegra a lei disponível no link <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/lcp/
Lcp87.htm>.
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
193
A política cambial, por seu turno, “refere-se à atuação do governo sobre 
a taxa de câmbio” (VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 92).
Conforme já estudamos neste livro, uma das condições de equilíbrio 
macroeconômico diz respeito às divisas, que são as moedas estrangeiras. Nesse 
mercado a condição de equilíbrio é dada por:
Oferta de divisas = demanda de divisas
Apenas para recordar, já vimos que as moedas estrangeiras também são 
mercadorias e as divisas têm seu preço determinado pela taxa de câmbio. A 
taxa de câmbio, por sua vez, é o valor que se paga, em moeda nacional, por uma 
unidade de moeda estrangeira, que pode ser o dólar, euro, ou qualquer moeda 
aceita no mercado de câmbio.
A taxa de câmbio, por sua vez, é determinada pela relação entre a demanda 
e a oferta de moeda estrangeira. O órgão responsável pela taxa de câmbio é o 
Banco Central, que pode utilizar dois regimes cambiais: torná-la fixa ou permitir 
que ela flutue ao sabor do mercado. As duas formas de administração da taxa de 
câmbio já foram utilizadas no Brasil.
Num período mais recente, foi o Plano Real que tornou a taxa de câmbio 
fixa ao estabelecer, em julho de 1994, que R$ 1,00 equivaleria a US$ 1,00. Por meio 
dessa medida, também chamada de âncora cambial, o governo utilizou a política 
cambial para ajudar no combate à inflação. Cada vez que os preços nacionais de 
alguns produtos ameaçavam subir, o governo liberava a importação do produto 
que, por ter uma taxa cambial fixa, tinha o mesmo valor do produto nacional, 
desestimulando o aumento dos preços.
É claro que essa política de câmbio fixa, em que pese ter ajudado 
efetivamente no combate à inflação, trouxe sérias consequências para a economia 
brasileira, já que contribuiu para aumentar o endividamento do país, pois 
para manter o câmbio fixo o Banco Central tinha que comprar ou vender dólar 
diretamente ao mercado, comprometendo as contas públicas. De acordo com 
Gremaud (2005, p. 283):
No regime de câmbio fixo, as oscilações nas demandas e ofertas de 
divisas não repercutem sobre a taxa de câmbio, mas apenas sobre o 
volume de reservas internacionais do país e sobre a oferta de moeda 
primária nesse país, pois a oferta de moeda dentro do país aumenta 
quando o governo compra divisas e diminui quando há venda de 
divisas. Isso porque, quando o governo adquire as divisas, as troca por 
moeda nacional, colocando tal moeda em circulação; e quando as vende, 
recebe em troca moda nacional, que, assim, é retirada de circulação.
Setores importantes da economia brasileira também foram afetados, 
alguns positiva e outros negativamente no período em que vigorou a taxa de 
câmbio fixa.
UNIDADE 3 | A CURVA IS-LM, AS POLÍTICAS MACROECONÔMICAS E SEUS DILEMAS
194
Para os exportadores foi um período difícil, pois os produtos a serem 
exportados rendiam o mesmo valor em dólar e assim isso desestimulava as 
exportações. Já os importadores foram beneficiados, pois conseguiam importar 
produtos com o mesmo valor em dólar, o que propiciou a modernização de 
setores econômicos que tiveram condições de adquirir principalmente bens de 
capital, como máquinas e equipamentos.
No regime de taxas de câmbio flutuantes o valor do câmbio é determinado 
pela relação entre a oferta e demanda de divisas, sendo que o governo não 
interfere diretamente, apenas indiretamente como um dos agentes econômicos.
Assim, quando a demanda de divisas for maior do que a oferta, dizemos 
que a moeda nacional se desvaloriza em relação à estrangeira, ficando a cotação 
mais distante (por exemplo, US$ 1,00 equivale a R$ 3,00), e quando a oferta de 
divisas for maior do que a demanda, a moeda nacional se valoriza em relação à 
estrangeira (US$ 1,00 = R$ 1,20).
O sistema de taxas de câmbio flutuantes provoca grandes desconfortos 
ao comércio mundial, pois, com a alta volatilidade de taxas, pode levar a 
constantes alterações nos preços relativos. Com isso, cria-se um cenário 
desfavorável à formação de expectativas e, consequentemente, à tomada 
de decisões dos agentes econômicos (GREMAUD, 2005, p. 285).
Está difícil de entender? Vamos descomplicar.
Imaginemos que você fez uma reserva financeira para uma viagem à 
Europa por uma semana e ao se aproximar o dia de efetuar a troca de reais por 
dólar ou euro você observa que a moeda nacional está se desvalorizando, ou seja, 
precisa de mais reais para adquirir a divisa que irá utilizar. Você pode ficar em 
dúvida se deve adquirir logo a moeda, temendo por uma desvalorização ainda 
maior da moeda nacional, ou esperar que a moeda nacional se valorize, quando 
seu poder de compra de divisas aumente. 
Assim também acontece com os demais agentes econômicos. Derivados 
dos dois principais regimes cambiais citados no parágrafo anterior, temos ainda 
dois outros, o sistema de flutuação suja e o sistema de bandas.
A partir de meados da década de 70, o sistema de flutuação suja foi 
utilizado e consistia em intervenções pontuais do governo em períodos em que a 
taxa, que era flutuante, apresentava riscos à economia interna. Nessas situações o 
governo intervinha estabilizando ou direcionando a taxa para o patamar desejável 
(GREMAUD, 2005).
TÓPICO 1 | INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA
195
Recentemente o regime de bandas cambiais tem sido utilizado e consiste 
na fixação de um teto e uma base para a taxa, limites nos quais a taxa é fixa, sendo 
que no intervalo entre as duas “bandas” o regime é flutuante. Entretanto, assim 
como ocorre em relação ao regime de câmbio fixo, o regime de bandas cambiais 
também tem o inconveniente de se ter que trabalhar com uma taxa desejável. 
Como o comércio internacional atinge interesses antagônicos, já que para alguns 
o ideal é uma taxa valorizada e para outros uma taxa desvalorizada, fixar essa 
taxa desejável é um desafio para os governantes.
5 POLÍTICA DE RENDAS
“A política de rendas refere-se à intervenção direta do governo na 
formação de renda (salários, aluguéis), com o controle e congelamento de preços” 
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2005, p. 92). 
A intervenção direta do governo brasileiro sobre preços e salários foi 
fartamente utilizada nas décadas de 1980/1990 para combater a inflação. O 
tabelamento de preços foi uma das principais armas do governo Sarney (1985 a 
1990) durante o Plano Cruzado, sendo que o sucesso desta ferramenta no início da 
implementação do plano era tanto que as mulheres saíam às ruas para fiscalizar 
os preços, ficando conhecidas como as “fiscais do Sarney”.
Infelizmente, se no seu início o Plano Cruzado estava conseguindo 
controlar a inflação,

Mais conteúdos dessa disciplina