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RELATÓRIO TÉCNICO CONSOLIDADO DA GEOMORFOLOGIA DO ESTADO DE MATO GROSSO Parte 2: Sistematização das Informações Temáticas NÍVEL COMPILATÓRIO DSEE–GM–RT-003 PLANO DA OBRA PROJETO DE DESENVOLVIMENTO AGROAMBIENTAL DO ESTADO DE MATO GROSSO - PRODEAGRO ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO: DIAGNÓSTICO SÓCIO-ECONÔMICO- ECOLÓGICO DO ESTADO DE MATO GROSSO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA NA FORMULAÇÃO DA 2ª APROXIMAÇÃO Parte 1: Consolidação de Dados Secundários Parte 2: Sistematização das Informações Temáticas Parte 3: Integração Temática Parte 4: Consolidação das Unidades Governo do Estado de Mato Grosso Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral (SEPLAN) Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) PROJETO DE DESENVOLVIMENTO AGROAMBIENTAL DO ESTADO DE MATO GROSSO - PRODEAGRO ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO: DIAGNÓSTICO SÓCIO- ECONÔMICO-ECOLÓGICO DO ESTADO DE MATO GROSSO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA NA FORMULAÇÃO DA 2ª APROXIMAÇÃO RELATÓRIO TÉCNICO CONSOLIDADO DA GEOMORFOLOGIA DO ESTADO DE MATO GROSSO – 1:1.500.000 Parte 2: Sistematização das Informações Temáticas NÍVEL COMPILATÓRIO MÁRIO VITAL DOS SANTOS CUIABÁ JULHO, 2000 CNEC - Engenharia S.A. GOVERNADOR DO ESTADO DE MATO GROSSO Dante Martins de Oliveira VICE-GOVERNADOR José Rogério Salles SECRETÁRIO DE ESTADO DE PLANEJAMENTO E COORDENAÇÃO GERAL Guilherme Frederico de Moura Müller SUB SECRETÁRIO João José de Amorim GERENTE ESTADUAL DO PRODEAGRO Mário Ney de Oliveira Teixeira COORDENADORA DO ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO Márcia Silva Pereira Rivera MONITOR TÉCNICO DO ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO Wagner de Oliveira Filippetti ADMINISTRADOR TÉCNICO DO PNUD Arnaldo Alves Souza Neto EQUIPE TÉCNICA DE ACOMPANHAMENTO E SUPERVISÃO DA SEPLAN Coordenadora do Módulo Físico MARIA LUCIDALVA COSTA MOREIRA (Engª Agrônoma) Supervisor do Tema Geomorfologia JURACI DE OZEDA ALLA FILHO (Geólogo) Consultor do Tema Geomorfologia Dr. EDGARDO MANUEL LATRUBESSE (Geólogo) Coordenação e Supervisão Cartográfica LIGIA CAMARGO MADRUGA (Engª Cartógrafa) Supervisão do Banco de Dados GIOVANNI LEÃO ORMOND (Administrador de Banco de Dados) VICENTE DIAS FILHO (Analista de Sistema) Supervisora do Mapeamento/Campo dos Aspectos Geomorfológico CREUZA COELHO DE SOUZA BEZERRA (Geógrafa) EQUIPE TÉCNICA DE EXECUÇÃO CNEC - Engenharia S.A. LUIZ MÁRIO TORTORELLO (Gerente do Projeto) KALIL A. A. FARRAN (Coordenador Técnico) MÁRIO VITAL DOS SANTOS (Coordenador Técnico do Meio Físico - Biótico) TÉCNICA SILVIO CARLOS RODRIGUES (Geógrafo) PAULO CÉSAR PRESSINOTTI (Geólogo) SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 001 2. METODOLOGIA 001 2.1. MÉTODO DE CARACTERIZAÇÃO DOS SISTEMAS GEOMORFOLÓGICOS 003 2.2. CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS 004 2.3. REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA, CODIFICAÇÃO E LEGENDA 008 2.4. SIMBOLOGIA DOS PADRÕES DE FORMAS DE RELEVO 010 2.5. DEFINIÇÕES E CONCEITOS DOS SISTEMAS GEOMORFOLÓGICOS DO ESTADO DE MATO GROSSO 010 2.5.1. Sistema Denudacional 010 2.5.1.1. Sistema Denudacional/Estrutural 011 2.5.1.1.1. Sistema de Blocos Falhados – Sf 011 2.5.1.1.2. Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – St 011 2.5.1.1.3. Sistema de Patamares com Estratos sub-horizontais – Spt 011 2.5.1.1.4. Sistema de Faixas Dobradas – Sd 012 2.5.1.2. Sistema Denudacional (com baixo ou sem controle estrutural) – Dn 012 2.5.1.2.1. Sistema de Dissecação – Di 012 2.5.1.2.2. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros – Cl – Mr 013 2.5.1.2.3. Sistema de Dissecação em Escarpa – EF 013 2.5.1.2.4. Sistemas de Aplanamento 014 2.5.1.2.4.1. Sistema de Aplanamento S1–Ap1 014 2.5.1.2.4.2. Sistema de Aplanamento S2-Ap2 014 2.5.1.2.4.3. Sistema de Aplanamento S3-Ap3 015 2.5.1.2.5. Sistema de Pedimento – Pd 015 2.5.2. Sistema Denudacional Misto 015 2.5.2.1. Sistema Estrutural/ Denudacional 016 2.5.2.1.1. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados (A – Sf) 016 2.5.2.1.2. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados – (A – Sf(b)) 016 2.5.2.1.3. Sistema de Faixas Dobradas – Colinas e Morros – (Sd/Cl – Mr) 017 2.5.3. Sistema Agradacional 017 2.5.3.1. Sistema de Agradação Fluvial 017 2.5.3.1.1. Sistema de Planície Fluvial – Pf 017 2.5.3.1.2. Sistema de Planície Fluvial – Terraços Altos – Ta 018 2.5.3.1.3. Sistema de Planície Fluvial – Terraços Baixos – Tb 018 2.5.3.1.4. Sistema de Planície Aluvionar Anastomosada – Pan 018 2.5.3.1.5. Sistema de Planície Aluvionar Braided – Pbr 019 2.5.3.1.6. Sistema de Planície Aluvionar Meandriforme – Pmd 020 2.5.3.1.7. Sistema de Leques Fluviais - Lq 020 2.5.3.2. Sistema de Agradação Lacustre/Palustre – L/P 020 2.5.3.2.1. Sistema Lacustre/Palustre – Lagos – Lg 021 2.5.3.2.2. Sistema Lacustre/Palustre – Depressões Úmidas - Du 021 2.5.3.3. Sistema de Agradação Flúvio – Gravitacional – FGP 021 2.5.3.3.1. Sistema de Leques Flúvio – Gravitacionais – LFG 021 2.5.4. Sistema Agradacional Misto 022 2.5.4.1. Sistema de Agradação Fluvial/Lacustre – Palustre – F/L – P 022 2.5.4.1.1. Sistema de Leques Fluviais/ Escoamento Impedido – Lq/Ei 022 2.5.4.1.2. Sistema de Leques Fluviais/ Áreas Alagadas – Lq/Al 022 2.5.4.1.3. Sistema de Planície Fluvial/ Lagos – Pf/Lg 023 2.5.4.1.4. Sistema de Planície Aluvionar Meandriforme/ Lagos – Pmd/Lg 023 2.5.4.1.5. Sistema de Planície Aluvionar Meandriforme/ Lagos/ Áreas Alagadas – Pmd/Lg/Al 023 2.5.4.1.6. Sistema de Lagos/Áreas Alagadas – Lg/Al 023 2.5.5. Sistema Denudacional/Agradacional Misto 024 2.5.5.1. Sistema de Dissecação/Lagos – Di/Lg 024 2.5.5.2. Sistema Denudacional/Áreas Alagadas – Dn/Al 024 2.5.5.3. Sistema Denudacional/Áreas Alagadas/ Lagos – Dn/Al/Lg 024 2.5.6. Sistema de Impacto 025 3. PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS 025 3.1. DOCUMENTAÇÃO 030 3.2. INTERPRETAÇÃO 031 3.3. TRABALHOS DE CAMPO 032 3.4. INTEGRAÇÃO DOS DADOS/COMPILAÇÃO 033 4. SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO GEOMORFOLÓGICA DO ESTADO DE MATO GROSSO 037 4.1. SISTEMA DENUDACIONAL-Dn 037 4.1.1. Sistema Denudacional/Estrutural-S 037 4.1.1.1. Sistema de Blocos Falhados – Sf 037 4.1.1.1.1. Sistema de Blocos Falhados - Preservado – Sf/p 041 4.1.1.1.2. Sistema de Blocos Falhados – Suave Dissecação – Sf/s 042 4.1.1.1.3. Sistema de Blocos Falhados – Média Dissecação – Sf/m 044 4.1.1.1.4. Sistema de Blocos Falhados – Forte Dissecação – Sf/f 045 4.1.1.2. Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – St 047 4.1.1.2.1. Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – Suave Dissecação – St/s 047 4.1.1.2.2. Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – Média Dissecação - St/m 048 4.1.1.2.3. Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – Forte Dissecação - St/f 048 4.1.1.3. Sistema de Patamares com Estratos Sub- horizontais – Spt 049 4.1.1.3.1. Sistema de Patamares com Estratos Sub-horizontais – Preservado - Spt/p 049 4.1.1.4. Sistema de Faixas Dobradas – Sd 049 4.1.1.4.1. Sistema de Faixas Dobradas – Preservado – Sd/p 052 4.1.1.4.2. Sistema de Faixas Dobradas – Suave Dissecação – Sd/s 054 4.1.1.4.3. Sistema de Faixas Dobradas – Média Dissecação – Sd/m 056 4.1.1.4.4. Sistema de Faixas Dobradas – Forte Dissecação – Sd/f 059 4.1.2. Sistema Denudacional (com baixo ou sem controle estrutural)-Dn 062 4.1.2.1. Sistema de Dissecação – Di 062 4.1.2.1.1. Sistema de Dissecação – Preservado – Di/p 063 4.1.2.1.2. Sistema de Dissecação – Suave Dissecação – Di/s 063 4.1.2.1.3. Sistema de Dissecação – Média Dissecação – Di/m 066 4.1.2.2. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros – Cl-Mr 067 4.1.2.2.1. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros – Preservado - Cl-Mr/p 069 4.1.2.2.2. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros - Suave Dissecação - Cl-Mr/s 070 4.1.2.2.3. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros –- Média Dissecação - Cl-Mr/m 072 4.1.2.2.4. Sistema de Dissecação emColinas e Morros –- Forte Dissecação – Cl-Mr/f 076 4.1.2.3. Sistema de Dissecação em Escarpa – EF 080 4.1.2.3.1. Sistema de Dissecação em Escarpa – Média Dissecação – EF/m 080 4.1.2.3.2. Sistema de Dissecação em Escarpa – Forte Dissecação – EF/f 080 4.1.2.4. Sistema de Aplanamento-A 084 4.1.2.4.1. Sistema de Aplanamento S1–Ap1 084 4.1.2.4.1.1. Sistema de Aplanamento S1– Preservado - Ap1/p 086 4.1.2.4.1.2. Sistema de Aplanamento S1 – Suave Dissecação - Ap1/s 088 4.1.2.4.1.3. Sistema de Aplanamento S1– Média Dissecação - Ap1/m 090 4.1.2.4.1.4. Sistema de Aplanamento S1– Forte Dissecação – Ap1/f 091 4.1.2.4.2. Sistema de Aplanamento S2–Ap2 092 4.1.2.4.2.1. Sistema de Aplanamento S2– Preservado – Ap2/p 093 4.1.2.4.2.2. Sistema de Aplanamento S2 – Suave Dissecação – Ap2/s 094 4.1.2.4.2.3. Sistema de Aplanamento S2– Média Dissecação – Ap2/m 096 4.1.2.4.2.4. Sistema de Aplanamento S2– Forte Dissecação – Ap2/f 098 4.1.2.4.3. Sistema de Aplanamento S3–Ap3 099 4.1.2.4.3.1. Sistema de Aplanamento S3– Preservado – Ap3/p 100 4.1.2.4.3.2. Sistema de Aplanamento S3– Suave Dissecação – Ap3/s 101 4.1.2.4.3.3. Sistema de Aplanamento S3– Média Dissecação – Ap3/m 102 4.1.2.5. Sistema de Pedimento – Pd 103 4.1.2.5.1. Sistema de Pedimento – Suave Dissecação – Pd/s 104 4.1.2.5.2. Sistema de Pedimento – Média Dissecação – Pd/m 105 4.2. SISTEMA DENUDACIONAL MISTO-Dn 106 4.2.1. Sistema Estrutural /Denudacional - S/Dn 106 4.2.1.1. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – (A – Sf) 106 4.2.1.1.1. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – Preservado (A – Sf)/p 107 4.2.1.1.2. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – Suave Dissecação - (A- Sf)/s 107 4.2.1.1.3. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – Média Dissecação – (A – Sf)/m 108 4.2.1.2. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados–(A–Sf(b)) 109 4.2.1.2.1. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados - Preservado - (A- Sf(b))/p 110 4.2.1.2.2. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados - Suave Dissecação-(A-Sf(b))/s 110 4.2.1.2.3. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados - Média Dissecação-(A-Sf(b))/m 111 4.2.1.2.4. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados - Forte Dissecação - (A -Sf(b))/f 111 4.2.1.3. Sistema de Faixas Dobradas – Colinas e Morros – (Sd/Cl – Mr) 112 4.2.1.3.1. Sistema de Faixas Dobradas- Colinas e Morros – Preservado - (Sd/Cl – Mr)/p 112 4.2.1.3.2. Sistema de Faixas Dobradas - Colinas e Morros – Forte Dissecação- (Sd/Cl – Mr)/f 112 4.3. SISTEMA AGRADACIONAL-Ag 113 4.3.1. Sistema de Agradação Fluvial-F 113 4.3.1.1. Sistema de Planície Fluvial - Pf 113 4.3.1.2. Sistema de Planície Fluvial – Terraços Altos - Ta 115 4.3.1.3. Sistema de Planície Fluvial – Terraços Baixos - Tb 116 4.3.1.4. Sistema de Planície Aluvionar Anastomosada - Pan 118 4.3.1.5. Sistema de Planície Aluvionar Braided – Pbr 118 4.3.1.6. Sistema de Planície Aluvionar Meandriforme- Pmd 120 4.3.1.7. Sistema de Leques Fluviais- Lq 123 4.3.2. Sistema de Agradação Lacustre - Palustre – L/P 125 4.3.2.1. Sistema Lacustre - Palustre – Depressões Úmidas - Du 126 4.3.2.2. Sistema Lacustre - Palustre – Lagos - Lg 127 4.3.3. Sistema de Agradação Flúvio - Gravitacional – FGP 127 4.3.3.1. Sistema de Leques Flúvio – Gravitacionais- LFG 127 4.3.3.2. Sistema de Leques Flúvio – Grativacionais – Preservado - LFG/p 129 4.4. SISTEMA AGRADACIONAL MISTO - Ag 129 4.4.1. Sistema de Agradação Fluvial/Lacustre – Palustre - F/L – P 129 4.4.1.1. Sistema de Leques Fluviais/Escoamento Impedido - Lq/Ei 129 4.4.1.2. Sistema de Leques Fluviais/Áreas Alagadas- Lq/Al 130 4.4.1.3. Sistema de Planície Fluvial/Lagos- Pf/Lg 131 4.4.1.4. Sistema de Planície Aluvionar Meandriforme/Lagos- Pmd/Lg 131 4.4.1.5. Sistema de Planície Aluvionar Meandriforme/Lagos/Áreas Alagadas- Pmd/Lg/Al 132 4.4.1.6. Sistema de Lagos/Áreas Alagadas- Lg/Al 133 4.5. SISTEMA DENUDACIONAL/AGRADACIONAL MISTO-Dn/Ag 133 4.5.1. Sistema de Dissecação/Lagos – Di/Lg 134 4.5.1.1. Sistema de Dissecação/Lagos – Suave Dissecação – Di(s)/Lg 134 4.5.2. Sistema Denudacional/Áreas Alagadas – Dn/Al 134 4.5.2.1. Sistema Denudacional/Áreas Alagadas – Dn/Al 134 4.5.3. Sistema Denudacional/Áreas Alagadas/Lagos – Dn/Al/Lg 135 4.5.3.1. Sistema Denudacional/Áreas Alagadas/ Lagos – Dn/Al/Lg 135 4.6. SISTEMA DE IMPACTO - l 136 4.6.1. Sistema de Impacto- Média Dissecação- I/m 136 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 137 6. FOTOGRAFIAS 145 7. BIBLIOGRAFIA 169 ANEXOS ANEXO I – MAPAS A001 MAPA GEOMORFOLÓGICO CONSOLIDADO DO ESTADO DE MATO GROSSO – 1:1.500.000 LISTA DE QUADROS 001 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO GEOMORFOLÓGICA DO ESTADO DE MATO GROSSO 006 002 LISTAGEM DAS MEMÓRIAS TÉCNICAS EM RELAÇÃO AOS MAPAS 1:250.000 026 003 QUANTIFICAÇÃO DOS DADOS FÍSICOS DAS CAMPANHAS DE CAMPO DE GEOMORFOLOGIA 035 LISTA DE FIGURAS 001 ESQUEMA DE ARTICULAÇÃO ENTRE OS DIFERENTES NÍVEIS TAXONÔMICOS DA PROPOSTA METODOLÓGICA 007 002 MATRIZ DAS CLASSES DOS ÍNDICES DE DISSECAÇÃO DO RELEVO 009 LISTA DE FOTOGRAFIAS 001 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM –LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE BLOCOS FALHADOS (Sf), ENTRE OS RIOS JURUENA E TELES PIRES, DESTACANDO-SE DO PISO REGIONAL DO RELEVO REPRESENTADO PELA SUPERFÍCIE DE APLANAMENTO S3-Ap3. 145 002 PONTO SR100/297 – CACHOEIRA DE DARDANELOS, DESENVOLVIDA SOBRE SEDIMENTOS ARENOSOS DE FORMAÇÃO DARDANELOS. 146 003 PONTO SR65/297 – ESTRADA VALE DOS SONHOS/JURUENA – ESCORREGAMENTOS ACOMPANHANDO A BORDA DO SISTEMA DE BLOCOS FALHADOS (Sf) EM SEDIMENTOS DE FORMAÇÃO DARDANELOS. 147 004 PONTO OH44/389 – SUL DE POXORÉU – ASPECTO GERAL DO SISTEMA DE BLOCOS FALHADOS. 147 005 PONTO BIO1/406 – MORRO DA MESA – ASPECTO GERAL DO SISTEMA DE BLOCOS FALHADOS. NOTAR ALGUNS TOPOS TABULARES LIGEIRAMENTE BASCULADOS. 148 006 PONTO SR-56/297 – ESTRADA CIDADE MORENA/JUÍNA. MORFOLOGIA DO SISTEMA DE BLOCOS FALHADOS – MÉDIA DISSECAÇÃO (Sf/m) 149 007 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE PLANALTOS COM EXTRATOS HORIZONTAIS (St) À ESQUERDA DA IMAGEM, O SISTEMA DE DISSECAÇÃO (Di), NA PORÇÃO CENTRAL E O SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR MEANDRIFORME (Pmd) À DIREITA 150 008 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE PATAMARES COM EXTRATOS HORIZONTAIS – (Spt) NA PORÇÃO CENTRAL DA ÁREA 150 009 PADRÃO DE IMAGEM SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE FAIXAS DOBRADAS, À MARGEM ESQUERDA DO RIO PARAGUAI 151 010 PONTO OH47/388 – PROVÍNCIA SERRANA – CÓRREGO ESMERIL. EM PRIMEIRO PLANO, SUPERFÍCIE REGIONAL DE APLANAMENTO S3–Ap3 E AO FUNDO, SISTEMA DE FAIXAS DOBRADAS APRESENTANDO MORFOLOGIA LOCAL EM GARGANTA FECHADA. 151 011 PONTO ZP20/317 – PROXIMIDADES DO RIO MUTUM. ASPECTOS GEOMORFOLÓGICOS DO SISTEMA DE COLINAS E MORROS (CI- Mr). EM PRIMEIRO PLANO, ÁREAS ABANDONADAS DE GARIMPO. 152 012 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE COLINAS E MORROS (CI-Mr), DESTACANDO-SE DA SUPERFÍCIE DE APLANAMENTO S3 Ap3. 152 013 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE ESCARPAS (EF) MARGEANDO A BORDA NORDESTE DO SISTEMA DE FAIXAS DOBRADAS (Sd) DA SERRA DE SÃO VICENTE. 153 014 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE APLANAMENTO Ap1/p, ENTRE OS RIOS BURUTI E PAPAGAIO, DESTACANDO-SE DA SUPERFÍCIE DE APLANAMENTO S2-Ap2/s. 153 015 PONTO ZP29/370 – ANTIGA BR-364 – ASPECTO GERAL DO SISTEMA REGIONAL DO APLANAMENTO S1 – Ap1/p. 154 016 PONTO OH08/373 – ASPECTO DO CONTATO ENTRE A SUPERFÍCIE REGIONAL DE APLANAMENTO S1-Ap1/p E A SUPERFÍCIE REGIONAL DE APLANAMENTO S3–Ap3/s. 155 017 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE APLANAMENTO S1-Ap1/s, LIMITADO PELO SISTEMA DE COLINAS E MORROS (CI – Mr) NO CENTRO DA ÁREA E PELO SISTEMA DE APLANAMENTO S3 - Ap3/ A SUDOESTE. 155 018 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITETM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE APLANAMENTO S2-Ap2/s, Á MARGEM ESQUERDA DO RIO XINGU. 156 019 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE APLANAMENTO S3-Ap3/m Á MARGEM ESQUERDA DO RIO ROOSEVELT, DELIMITADO A NORTE PELO SISTEMA DE BLOCOS FALHADOS (Sf). 156 020 PONTO SR79/297 – ESTRADA JURUENA – TUTOLÂNDIA. CAMPO DE MATACÕES EM LITOGIAS DO COMPLEXO XINGU DO SISTEMA DE APLANAMENTO S3 – Ap3/m (C14). 157 021 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE PEDIMENTO (Pd) À MARGEM DIREITA DO RIO DAS MORTES, APRESENTANDO ASPECTO MAIS DISSECADO, EM RELAÇÃO AO SISTEMA DE APLANAMENTO – BLOCOS FALHADOS E BASCULADOS (A-Sf/b) NO EXTREMO LESTE DA IMAGEM. 157 022 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE FAIXAS DOBRADAS/COLINAS E MORROS (Sd/CI-Mr) NA PORÇÃO CENTRO NORTE DA IMAGEM. 158 023 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO EM TONALIDADE ESCURA, O SISTEMA DE PLANÍCIE FLUVIAL (Pf), AO LONGO DO RIO DOS PORCOS, AFLUENTE DO RIO SUIÁ-MISSU, O QUAL DESENVOLVE SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR MEANDRIFORME (Pmd), QUE SE DESTACA EM TONS CLAROS, DRENANDO O SISTEMA DE APLANAMENTO S2-Ap2/s. 158 024 PONTO SR02/298 – BALSA DO RIO JURUENA. PLANÍCIE FLUVIAL DO RIO JURUENA EM PERÍODO DE CHEIA. 159 025 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO FAIXAS DO SISTEMA DE TERRAÇOS ALTOS (Ta) MARGEANDO OS RIOS CORIXÃO DO MEIO À ESQUERDA, E CRISTALINO, À DIREITA, ENTERCALADOS PELO SISTEMA DE TERRAÇOS BAIXOS (Tb). 159 026 PONTO SR23/375 – ASPECTO GERAL DO TERRAÇO ALTO DO SISTEMA DE PLANÍCIE FLUVIAL DO RIO ARAGUAIA. 160 027 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE TERRAÇOS BAIXOS (Tb), ENTRE OS SISTEMAS DE PLANÍCIES MEANDRIFORMES (Pmd) DOS RIOS ARAGUAIA, À DIREITA E RIO DAS MORTES, AO CENTRO. À MARGEM ESQUERDA DO RIO RIOZINHO, AFLUENTE DO RIO DAS MORTES, OBSERVA-SE O PADRÃO DO SISTEMA DE LEQUES FLUVIAIS/ESCOAMENTO IMPEDIDO (Lq/Ei). 160 028 PONTO SR34/375 – FAZENDA SANTA SÍLVIA – ASPECTO GERAL DE TERRAÇOS BAIXOS (Tb) NO SISTEMA FLUVIAL DO RIO ARAGUAIA. 161 029 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR MEANDRIFORME (Pmd). 161 030 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE PLANÍCIE BRAIDED (Pbr) AO LONGO DO RIO ARAGUAIA, APRESENTANDO VÁRIAS ILHAS E PRAIAS. À MARGEM ESQUERDA DO RIO, OCORRE O SISTEMA DE TERRAÇOS BAIXOS (Tb) E A SUPERFÍCIE DE APLANAMENTO S3 – Ap3/s. 162 031 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO ÁREA DRENADA PELO RIO CUIABÁ, DESTACANDO-SE O SISTEMA DE LEQUES FLUVIAIS (Lq) À SUA MARGEM DIREITA, INTERCALADO PELO SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR MEANDRIFORME (Pmd) AO LONGO DO RIO, E PELO SISTEMA DE COLINAS E MORROS (CI/Mr). NA EXTREMIDADE SUDESTE DA ÁREA, LOCALIZA-SE A BAÍA DE CHACORORÉ, INSERIDA NO SISTEMA DE LEQUES FLUVIAIS (Lq). 162 032 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE LAGOS (Lg) NA FRONTEIRA BRASIL/BOLÍVIA, LIMITADO AO SUL PELO SISTEMA DENUDACIONAL/ÁREAS ALAGADAS/LAGOS (Dn/Al/Lg). 163 033 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE DEPRESSÕES ÚMIDAS – (Du), PORÇÃO CENTRO ESQUERDA DA IMAGEM. 163 034 PONTO OH04/389 – ASPECTO DE SISTEMA DE DEPRESSÕES ÚMIDAS – Du (COVOAIS) DESENVOLVIDO SOBRE A SUPERFÍCIE DE APLANAMENTO S1 – Ap1. 164 035 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE LEQUES FLÚVIO GRAVITACIONAIS (LFG) NA PORÇÃO CENTRAL DA IMAGEM, CONTORNADO PELO SISTEMA DE LEQUES FLÚVIO GRAVITACIONAIS PRESERVADOS (LFG/p). 164 036 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE LEQUES/ÁREAS ALAGADAS NO CENTRO DA IMAGEM, ENTRE O SISTEMA DE LEQUES FLUVIAIS (LQ) A NOROESTE, E O SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR MEANDRIFORME/LAGOS (Pmd/Lg), A SUDESTE. 165 037 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR MEANDRIFORME/LAGOS (Pmd/Lg), À MARGEM ESQUERDA DO RIO CUIABÁ. A PORÇÃO LESTE DA IMAGEM MOSTRA PADRÃO DO SISTEMA DE LEQUES FLUVIAIS (Lq). 165 038 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR MEANDRIFORME/LAGOS/ÁREAS ALAGADAS (Pmd/Lg/Al), NA PORÇÃO CENTRAL DA ÁREA. 166 039 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE LAGOS/ÁREAS ALAGADAS (Lg/Al), ENTRE O SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR ANASTOMOSADA (Pan) À ESQUERDA, E O SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR MEANDRIFORME/LAGOS (Pmd/Lg). 166 040 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO EM TONS ESVERDEADOS, O SISTEMA DE DISSECAÇÃO/LAGOS (Di/Lg), INTERCALADO PELO SISTEMA DENUDACIONAL/ÁREAS ALAGADAS/LAGOS (Dn/Al/Lg) EM TONS ROSADOS. 167 041 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO EM TONS ROSADOS, O SISTEMA DENUDACIONAL/ÁREAS ALAGADAS (Dn/Al) AO LONGO DAS DRENAGENS. 167 042 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DENUDACIONAL/ÁREAS ALAGADAS/LAGOS(Dn/Al/Lg), NA PORÇÃO CENTRAL E NO EXTREMO NORDESTE DA IMAGEM, LIMITADO PELO SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR MEANDRIFORME(Pmd) A NORDESTE, E A SUDESTE, PELO SISTEMA DE DISSECAÇÃO(Di). 168 043 PADRÃO DE IMAGEM DE SATÉLITE TM – LANDSAT, MOSTRANDO O SISTEMA DE IMPACTO, APRESENTANDO FORMA CIRCULAR NA ÁREA CENTRAL DA FOTO 168 LISTA DE MAPAS 001 ARTICULAÇÃO DAS MEMÓRIAS TÉCNICAS SEGUNDO O ENCARTE CARTOGRÁFICO INTERNACIONAL PARA A ESCALA 1:250.000 (Esquemático) 028 002 ARTICULAÇÃO DAS IMAGENS DE RADAR E SATÉLITE TM/LANDSAT NA ESCALA 1:250.000 (Esquemático) 029 1 1. INTRODUÇÃO Este relatório apresenta a consolidação dos levantamentos geomorfológicos realizados no Estado de Mato Grosso, durante a fase de sistematização das informações temáticas para o Diagnóstico Sócio-Econômico Ecológico, para subsidiar as fases posteriores de integração temática e de planejamento regional de espaços territoriais definidos pelo ZSEE. Este trabalho é resultante de uma nova proposta de classificação geomorfológica para o Estado, definida por LATRUBESSE, RODRIGUES E MAMEDE (1998), fundamentada em uma concepção metodológica predominantemente genética, que considera além dos processos geradores das formas, as características morfológicas e morfométricas definidoras do modelado. Tal concepção levou a uma hierarquização taxonômica organizada em níveis de sistemas geomorfológicos, subdivididos em outros níveis, conforme suas complexidades e abrangências espaciais. Em Mato Grosso, esse sistema classificatório permitiu reconhecer seis níveis taxonômicos, sendo que no primeiro nível foram identificados seis grupos genéticos, denominados Sistema Denudacional, Sistema Denudacional Misto, Sistema Agradacional, Sistema Agradacional Misto, Sistema Denudacional/Agradacional Misto e Sistema de Impacto, que foram sistematicamente subdivididos em um universo de trinta e seis sistemas, conceituados no capítulo “Definições e Conceitos dos Sistemas Geomorfológicos do Estado de Mato Grosso”. O capítulo Sistema de Classificação Geomorfológica do Estado de Mato Grosso consolida as informações de cada sistema, oriundas de diferentes memórias técnicas referentes aos mapas na escala 1:250.000, que consideram aspectos tais como, identificação; classificação e caracterização dos diferentes padrões de formas, que conduzem à descrição das unidades de mapeamento representadas no “Mapa Geomorfológico do Estado de Mato Grosso”, em escala de 1:1.500.000. 2. METODOLOGIA Nos últimos anos tem-se dado um notável avanço nos estudos de Geomorfologia Aplicada como base em estudos ambientais mas, com freqüência perde-se de vista a importância da representação cartográfica dos elementos geomorfológicos e do ordenamento sistemático no momento de aplicar uma metodologia de classificação. A questão da representação das formas de relevo apresenta dificuldades quanto a sua concepção e conceituação teórica e técnica, pois cada um dos modelos de representação acaba seguindo preferencialmenteuma ou outra linha de sustentação teórico-metodológica. Segundo ROSS (1992), "A cartografia geomorfológica ressente-se da dificuldade de encontrar adequado modelo de representação gráfica, existindo uma diversidade de propostas metodológicas, que valorizam sempre um determinado elemento do relevo". Segundo GELLERT (apud DEMEK, 1972), o mapa geomorfológico tem as seguintes funções: − o reconhecimento das formas que ocorrem na área mapeada 2 − sua análise com o propósito de: • estabelecimento de mensurações quantitativas e a qualificação de cada forma; • elucidação da gênese da forma por meio da determinação das relações entre materiais, processos e idade do modelado; • reconhecimento dos arranjos espaciais e as relações mútuas entre os sistemas. Porém, deve-se seguir uma organização na elaboração dos mapeamentos geomorfológicos buscando-se uma certa lógica na execução dos mesmos, neste ponto a orientação de ROSS (1992), é bastante elucidativa: "A cartografação geomorfológica deve mapear concretamente o que se vê e não o que se deduz da análise geomorfológica, portanto em primeiro plano os mapas geomorfológicos devem representar os diferentes tamanhos de formas de relevo, dentro da escala compatível". RODRIGUES (1998), mostra que a classificação de mapas geomorfológicos possui um grande potencial de aplicação prática, podendo ser confeccionados conforme alguns direcionamentos específicos. Toda sistemática de classificação e mapeamento geomorfológico deve levar em consideração alguns aspectos relativos à elaboração dos mapas geomorfológicos, como por exemplo, a relação entre o detalhamento da representação e a escala de apresentação do mapa; a base topográfica onde serão representadas as informações; a relação entre o mapa geomorfológico e outros mapas temáticos que componham um estudo e por fim a possibilidade de representação gráfica tendo em vista aspectos como a diferenciação clara entre as classes representadas, a facilidade de leitura e entendimento do mapa. (GELLERT, apud DEMEK, 1972). Uma classificação é um ordenamento de objetos ou sucessos em grupos denominados "classes", na base de suas semelhanças e relações, de forma que possam se deduzir generalizações sobre os objetos. Para evitar confusões e erros na utilização de uma classificação, as classes devem estar definidas e delimitadas, baseadas num conjunto de propriedades comuns e interrelacionadas. No nosso caso, estas propriedades têm que ser facilmente identificáveis pelo geomorfólogo. O primeiro fato de suma importância é ter-se claro que o relevo é apenas uma das componentes da litosfera e que está intrinsecamente relacionado com as rochas que o sustentam e com os solos que o recobrem. É também de absoluta importância, ter-se como noção básica que as formas diferenciadas do relevo decorrem, portanto, da atuação simultânea e desigual das atividades climáticas de um lado e da estrutura da litosfera de outro, bem como a clareza de que tanto o clima quanto a estrutura, não se comportam permanentemente, sempre da mesma forma, ou seja ao longo do tempo e no espaço ambos continuamente se modificam. Estes elementos permitem considerar que o relevo, como os demais componentes da natureza são dinâmicos e, portanto, em constante estado de evolução. Propõe-se uma classificação geomorfológica genética, baseada em relações causa- efeito, considerando, portanto, como essa forma foi originada. Além disso, a proposta se trata de um ordenamento hierárquico, porque baseia-se na existência de classes que podem ser identificáveis a diferentes níveis. Cada nível resulta da divisão de classes do nível precedente. 3 Para finalizar, esta classificação é aberta porque podem ser adicionadas novas classes e novos níveis de detalhe. O objetivo de aplicação deste sistema de classificação é a obtenção do mapa geomorfológico, o qual reflete a realidade geomorfológica de uma área ou região. Este mapeamento procurou apresentar as formas de relevo através de uma classificação que permita o reconhecimento da gênese das formas, bem como suas características morfológicas e morfométricas. Portanto, o Mapa Geomorfológico se transforma numa base de diversas utilidades que superam o alcance de sua própria disciplina, sendo matéria obrigatória de consulta para a elaboração de diversos mapas temáticos de hidrologia, solos, vegetação, etc. 2.1. MÉTODO DE CARACTERIZAÇÃO DOS SISTEMAS GEOMORFOLÓGICOS Tendo em conta o ponto de vista da Teoria Geral de Sistemas (VON BERTANLAFFY,1962), pode-se descrever os fatores responsáveis pela gênese, evolução e desenvolvimento de um sistema natural assim como compreender os seus mecanismos internos. Segundo IRIONDO (1986), um Sistema Geomorfológico tem uma estrutura interna definida, caracterizada pelas suas variáveis de estado, tais como litologia, pendente regional, estruturas, etc. Estas variáveis de estado se relacionam e modificam-se por processos climáticos e geológicos, ou seja as variáveis de transformação. Estas variáveis são numerosas, tais como erosão, transporte, sedimentação, intemperismo, pedogênese, oscilação de nível freático, etc. As variáveis de transformação (processos) mobilizam-se por aportes externos de energia e matéria (calor solar, ventos, chuvas, etc.). A estrutura do sistema e seus processos determinam o comportamento típico para cada tipo de sistema ou padrão de forma homogêneo (DEMEK, 1972), determinado de um lado por seus componentes internos (estrutura e litologia) e de outro pelos processos externos que o modificam (chuva, ventos, insolação, etc.). O comportamento típico de boa parte do Pantanal, por exemplo, é a ocorrência de prolongadas inundações devido a interação de suas variáveis de estado e de transformação: baixos relevos, solos desenvolvidos sobre a Formação Pantanal, sistemas de leques gigantes, rede de drenagem pouco integrada e em parte herdada e com padrão distributário. A mudança de uma variável externa provoca reajustes em todos os parâmetros dos sistemas. Em geral, os sistemas podem ser caracterizados pelo grau de estabilidade, o qual varia entre limites amplos. Por exemplo, áreas inundáveis do Pantanal podem ser modificadas drasticamente durante uma temporada de seca, mas não teremos modificações importantes no mesmo momento para uma Superfície de Aplanamento sobre os Parecis, superfície esta que se mantém relativamente estável e em parte conservada ao longo, de pelo menos, alguns milhões de anos. Os sistemas estáveis absorvem bem as perturbações, (regulação) mas os sistemas instáveis reagem rapidamente e modificam-se em função da nova situação (adaptação). Neste caso entram em jogo a inércia do sistema e a memória. A memória é a informação geomorfológica que persiste no sistema como informação acumulada e que nos permite reconstruir ambiente e processos do passado. 4 A inércia é a persistência das formas ao longo do tempo, depois de ter desaparecido o clima que as originou como por exemplo as grandes Superfícies de Aplanamento Regional do Estado de Mato Grosso. A proposta de classificação e mapeamento geomorfológico aqui colocada apresenta diferenciação das distintas hierarquias geomorfológicas, pois não contemplam as variáveis de estado como tipos de vegetação, clima e solos, assim como tampouco, as variáveis de transformação, como processos morfogenéticos atuais, embora, parcialmente essas variáveis possam ser contempladas para diferentes ambientes. Isto se deve à relação entre estes fatores e os relevos policíclicos e/ou poligênicos onde se faz necessária a independência da classificação na hora de definir a unidade. Propõe-se então, que as variáveis de estado sejam incluídas como anexo ao sistema classificatório, englobando estes tipos de variáveis dentro da categoria de Características do Terreno (relevo, pendente regional, processos, solos, condições hidrológicas, vegetação, etc.). Em relação ao fator escala, freqüentemente utilizadopara a delimitação de categorias por diversos autores, é considerada aqui uma variável de ajuste determinada pela interpretação dos distintos elementos geomorfológicos nas diferentes hierarquias, e portanto totalmente dinâmica. Ou seja, as hierarquias aqui propostas não ficam presas a valores de escala definidos. Uma planície aluvial pode ter diferentes dimensões de acordo com o tamanho do rio que a gerou, porém sua classificação será a mesma a qualquer escala. Um elemento geomorfológico (geoforma) pode ter uma enorme variabilidade de tamanho sendo identificável em imagens a diferentes escalas, mas sendo sempre classificado como aquela mesma geoforma. Os meandros da planície aluvionar de um rio como o do Rio Amazonas, perfeitamente identificáveis em imagens à escala 1:250.000, tem a mesma categorização que os meandros da planície aluvial de um pequeno rio. Em conclusão, o observador mapeia o que consegue identificar, segundo a escala de trabalho escolhida, mas não segundo limitações artificiais de escala nas categorias de classificação. Um fato de fundamental importância é que as unidades mapeadas podem ou não ser ativas. O aspecto dominante para a classificação é aquilo que domina a cena e, portanto, o que se impõe sobre o observador. No caso do Pantanal, e algumas planícies aluviais, resulta relativamente simples determinar a existência unidades que estão presentemente em gestação. Porém no caso das grandes superfícies de aplanamento, não é complicado reconhecer que se trata de uma unidade originada no passado, atualmente inativa e em etapa de degradação. Porém, será aquela antiga superfície de aplanamento que, por ser a unidade dominante nesse setor, determinará o tipo de sistema que será delimitado no momento do mapeamento. 2.2. CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS Para a caracterização dos diversos sistemas geomorfológicos existentes no Estado de Mato Grosso fez-se necessário a identificação dos diferentes aspectos que condicionaram a evolução do relevo. Neste sentido, foram utilizados os seguintes critérios: Morfogênese: as formas do terreno são mapeadas e suas distribuições espaciais devem ser especificadas e classificadas, através de atributos geomorfológicos. Morfoestrutura/Litologia: a natureza da rocha matriz tem uma forte influência nas formas de relevo e nos processos nele desenvolvidos. A litologia é portanto, de suma importância geomorfológica. Morfometria: sua forma mais simples de representação é a cota de um ponto e/ou uma seleção de curvas de nível com símbolos lineares adicionais para rupturas de declives, 5 profundidade/dissecação de vales, altura e margens de terraços, etc. Os mapas topográficos existentes contêm poucos detalhes morfométricos, para serem incluídos no presente mapa geomorfológico. As alternativas utilizadas são os índices de dissecação, que indicam através da relação entre a distância interfluvial média e do entalhe dos vales, a intensidade dos processos de dissecação fluvial e pluvial existente em determinado segmento de relevo. Propôs-se então, uma classificação de tipo genética, organizada em vários níveis, conforme apresentada por LATRUBESSE, RODRIGUES & MAMEDE (1998), no II Simpósio Nacional de Geomorfologia, realizado em Florianópolis. No Estado de Mato Grosso ocorrem sistemas geomorfológicos simples, onde apenas uma tipologia genética foi identificada como responsável pela elaboração da forma. Neste grupo incluem-se os Sistemas Agradacionais, Denudacionais e de Impacto. Outras porções do Estado foram classificadas como sistemas mistos, ou seja, áreas, onde a melhor explicação para a gênese das formas foi apoiada na junção de duas modalidades genéticas, desta forma, foram identificados os sistemas: Denudacional Misto, Agradacional Misto e Agradacional-Denudacional Misto. O Quadro 001 apresenta o sistema da classificação geomorfológica adotado para o Estado de Mato Grosso. Neste mapeamento foi possível identificar até seis níveis taxonômicos para os sistemas com maior complexidade e abrangência espacial. Em algumas outras porções do Estado, no entanto, conseguiu-se identificar apenas até o segundo táxon, em função da dificuldade de um maior detalhamento do sistema na escala de mapeamento 1:250.000. Desta forma, tanto o Mapa Geomorfológico Consolidado na escala 1:1.500.000, como os mapas na escala 1:250.000 apresentam unidades classificadas em distintos níveis taxonômicos. A Figura 001 ilustra esquematicamente a relação entre diferentes táxons possíveis de mapeamento. 6 QUADRO 001 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO GEOMORFOLÓGICA DO ESTADO DE MATO GROSSO FONTE: CNEC (ABRIL/2000, a partir de SEPLAN-UPR-057/97 e SEPLAN-UPR-077/97 e Memórias Técnicas) 7 FIGURA 001 ESQUEMA DE ARTICULAÇÃO ENTRE OS DIFERENTES NÍVEIS TAXONÔMICOS DA PROPOSTA METODOLÓGICA. 1º TÁXON- SISTEMA AGRADACIONAL 2º TÁXON- SISTEMA DE AGRADAÇÃO FLUVIAL 3º TÁXON- SISTEMA DE PLANÍCIE FLUVIAL 4º TÁXON-SISTEMA DE PLANÍCIE ALUVIONAR MEANDRIFORME 5º TÁXON-SISTEMA DE MEANDROS ******** ****** FONTE: CNEC, 2000 Para entendimento da sistemática de classificação geomorfológica, deve-se ater ao seguinte fato: os sistemas foram identificados a partir de interpretação em imagens de satélite e radar, bem como a partir dos trabalhos de campo, no entanto a decisão de classificação depende da possibilidade de identificação de elementos (interpretativos sobre as imagens ou de informações de campo) que possam corroborar a definição entre um sistema e outro. Com a existência de diferentes níveis taxonômicos foi possível identificar em algumas porções do Estado, sistemas do 3o ou 4o táxons, em função de um maior conhecimento sobre a gênese das formas, facilidade de acesso ou revisão bibliográfica. Em outras áreas do Estado, com dificuldade de acesso ou com uma baixa quantidade de informações, preferiu-se adotar os níveis taxonômicos elementares (1o e 2o táxons) evitando-se assim, criar uma classificação que fosse apenas dedutiva e sujeita a distorções. No primeiro nível taxonômico foram identificados 6 grupos genéticos distintos para as formas de relevo encontradas no Estado de Mato Grosso: - Denudacional - Denudacional Misto - Agradacional - Agradacional Misto - Denudacional-Agradacional Misto - Impacto 8 Estes sistemas são subdivididos em um segundo táxon, em função de peculiaridades associadas a formas particulares, e arranjos específicos associados a processos morfogenéticos endógenos e/ou exógenos. O segundo táxon, quando possível, é subdivido em função de características especificas de cada sistema, passíveis de cartografação. Esta lógica é aplicável para toda a sistemática de classificação dos sistemas até o esgotamento da possibilidade de cartografação de distintas características na escala de mapeamento adotada. Dependendo da variabilidade interna, alguns sistemas podem continuar a se subdividir, enquanto, outros, mostram uma pobre variabilidade interna na hora de elaborar uma cartografia. Sendo esta uma classificação aberta, podem ser agregados sucessivos níveis e classes. Por exemplo, um sistema de deposição lacustre poderá ter uma variabilidade interna, menor que um sistema de deposição fluvial. No Estado de Mato Grosso os sistemas que apresentaram maior variabilidade foram os provocados pela ação fluvial erosiva. Todos os sistemas denudacionais são afetados de forma maior ou menor por processos de dissecação. Esta ação é variável em função da resistência proporcionada pelos diferentes tipos de litologia, pela ação tectônica pretérita e presente e principalmente pela energia erosiva dos cursos de água em função dos diferentes níveis de baseregionais existentes. Esta variabilidade de fatores dentro do sistema não compromete sua classificação, pelo contrário, amplia a riqueza dos detalhes cartografados, bem como, é a partir desta diversidade que se expressa fortemente o conteúdo geomorfológico diferenciador, que em suma, será utilizado para o planejamento regional. Tendo em vista que alguns sistemas são compostos por vários elementos interatuantes, para resolver o problema de mapeamento geomorfológico de áreas complexas com agrupamentos de geoformas de diferente origem, utiliza-se o conceito de unidades associadas. Desta forma, distintas classes podem apresentar setores representados por outras classes diferentes. Por exemplo, boa parte dos sistemas de mega-leques aluviais como no Pantanal, apresentam áreas de pântanos ou lagoas; planícies aluviais meandriformes podem apresentar lagoas; um inselberg, considerado geralmente um relicto de uma fase de aplanamento em clima seco, pode estar inserido dentro de um relevo agradacional. Estas áreas subordinadas são mapeadas quando a escala permite e consideradas unidades associadas às classes dominantes. Cada sistema geomorfológico possui características marcantes, que são utilizadas para identificação e descrição. Os sistemas geomorfológicos encontrados no Estado de Mato Grosso, descritos a seguir são desta forma. 2.3. REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA, CODIFICAÇÃO E LEGENDA Para a codificação das unidades, utilizou-se uma simbologia com letras e números. Por exemplo, a simbologia Pbr significa: P (Planície aluvial), br (padrão braided). Ou para uma Superfície Regional de Aplanamento, Ap/s (c12): Ap significa (Aplanamento), s (Suave dissecação) e c12 (padrão de dissecação). Como existe necessidade de melhor qualificar e quantificar as formas de relevo utilizou-se a técnica de delimitar diferentes índices de dissecação do relevo, aplicada somente aos relevos denudacionais, esta técnica foi primeiramente adotada no Projeto RADAMBRASIL e adaptada por ROSS (1990, 1992) para uso em projetos de mapeamento geomorfológico sistemático. 9 Esta proposta apresenta uma matriz de correlação, em que uma das coordenadas representa a dimensão interfluvial média e a outra o grau de entalhamento dos vales (Figura 002). A dimensão interfluvial média é obtida com a mensuração efetuada diretamente sobre as imagens de satélite e de radar, enquanto o entalhamento dos vales é efetuado em cartas topográficas, no campo ou ainda a partir de um mosaico de imagens de referência, que apresentam padrões de entalhe onde se pode, por comparação, identificar o padrão da área amostral desejada. FIGURA 002 MATRIZ DAS CLASSES DOS ÍNDICES DE DISSECAÇÃO DO RELEVO Densidade drenagem o Dimensã interfluvi méd Muito Baixa 12.750 a 3.750m 1 Baixa 1.750 a 3.750m 2 Média 750m a 1.750m 3 Alta 250 a 750m 4 Muito Alta <250m 5 Grau de Entalhamento dos vales (classes) Muito Fraco <20m 1 11 12 13 14 15 Fraco 20 a 40m 2 21 22 23 24 25 Médio 40 a 80m 3 31 32 33 34 35 Forte 80 a 160m 4 41 42 43 44 45 Muito Forte >160m 5 51 52 53 54 55 FONTE: ROSS, 1992 Os diferentes tipos de formas propiciadas pelo processo de dissecação fluvial, geram características peculiares ao relevo. Em função da complexidade das formas adotou-se padronizar as formas em função dos tipos de topos existentes, desta forma adota-se para melhor identificação dos modelados os seguintes padrões e respectivas letras símbolos: - Codificação dos tipos de topo e letras símbolos Letra símbolo Padrões dos topos a Formas dissecadas com topos apresentando morfologias aguçadas; c Formas dissecadas com topos apresentando morfologias convexas; t Formas dissecadas com topos apresentando morfologias tabulares; p Formas de topos planos, sem dissecação, ou interflúvios com dimensão superior a 12.750m. 10 A partir da necessidade de hierarquização dos índices de dissecação para utilização na análise da fragilidade ambiental, monta-se uma classificação dos índices de dissecação em função de sua maior potencialidade ao desenvolvimento de processos erosivos e da evolução dos processos morfodinâmicos, ficando esclarecido, no entanto, que este não é o único fator a interferir nestes processos. ROSS (1994). Para o atual projeto adotou-se para a classificação dos índices de dissecação do relevo as seguintes classes apresentadas por ROSS (op. cit.). - Classificação dos índices de dissecação Suave Dissecação: correspondem aos índices 11; 12; 13; 21; 22; 31; 41; 51 Média Dissecação: correspondem aos índices 14; 15; 23; 24; 32; 33; 42; 52 Forte Dissecação: correspondem aos índices 25; 34; 35; 43; 44; 45; 53; 54, 55 2.4. SIMBOLOGIA DOS PADRÕES DE FORMAS DE RELEVO Adicionalmente ao sistema classificatório foi utilizada uma série de simbologias necessárias à delimitação de formas de relevo de grande importância para o entendimento da compartimentação do relevo que não podem ser representadas no mapa através de polígonos devido a sua reduzida expressão espacial. Neste caso encontram-se os elementos lineares, como por exemplo as escarpas e elementos pontuais como os inselbergs. No caso particular dos complexos de inselbergs, que são feições muito comuns no Estado de Mato Grosso, a indicação foi feita com uma linha que engloba as áreas de ocorrência - campos de inselbergs, foram representados com uma forma romboidal cheia, (pintada) para inselbergs em domínio das rochas ígneas e/ou metamórficas e uma forma romboidal vazada para inselbergs em domínio das rochas sedimentares. No caso de elementos lineares, como escarpas, indicadores de alguma feição morfoestrutural e outros, a representação cartográfica foi elaborada, segundo as simbologias correntemente utilizadas em Geomorfologia. A elaboração definitiva do sistema de classificação foi possível através das discussões geradas com toda a equipe de geomorfologia que participou do trabalho de campo e da elaboração dos mapas à escala 1:250.000, sendo eles: Sílvio Carlos Rodrigues, Osvaldo Henrique Nogueira Júnior, Antônio Gonçalves Pires Neto, José Paulo Marsola Garcia, Lindinalva Mamede, Paulo César Pressinotti, Antônio Celso Goulart, Sílvia Maria Alvarenga, Carlos Alberto Bistrich, Creuza Coelho Souza Bezerra, e Edgardo Manuel Latrubesse. 2.5. DEFINIÇÕES E CONCEITOS DOS SISTEMAS GEOMORFOLÓGICOS DO ESTADO DE MATO GROSSO 2.5.1. Sistema Denudacional O Sistema Denudacional é representado por formas de relevo que se encontram em processo geral de esculturação onde predominam os aspectos destrutivos, com rebaixamento continuo das formas de relevo. Os sistemas denudacionais do Estado de Mato Grosso foram subdivididos no segundo nível taxonômico em dois diferentes tipos de ocorrência: sistemas denudacionais com forte controle estrutural e sistemas denudacionais com fraco ou sem controle estrutural. 11 2.5.1.1. Sistema Estrutural/ Denudacional São os sistemas em que as estruturas geológicas são os principais responsáveis pela conformação geral do relevo. Estas estruturas responsáveis pelo arranjo das formas de relevo geralmente possuem dimensões regionais, como por exemplo faixas dobradas, grandes sistemas de falhas e bacias sedimentares. No Estado de Mato Grosso foram identificados no terceiro nível taxonômico dos Sistemas Denudacionais os seguintes sistemas: 2.5.1.1.1. Sistema de Blocos Falhados – Sf Caracteriza-se estruturalmente como uma área onde esforços tectônicos interferem severamente na disposição das formas de relevo através de falhas e fissuras. As imagens de radar e de satélites mostram claramente os padrões estruturais associados a relevos de blocos falhados, refletindo deslocamento de blocos e falhamentos. As linhas de falhas e fraturas têm orientações bem definidas. O resultado destes esforços gera relevos com blocos abatidos (graben) e outros elevados (horst), que interferem na topografia original. No Estado de Mato Grossoos Sistemas de Blocos Falhados apresentam grande variabilidade de situação em relação aos processos de dissecação, tendo sido mapeado os seguintes sistemas: - Sf/p - Sistema de Blocos Falhados - Preservado - Sf/s - Sistema de Blocos Falhados – Suave Dissecação - Sf/m - Sistema de Blocos Falhados – Média Dissecação - Sf/f - Sistema de Blocos Falhados – Forte Dissecação 2.5.1.1.2. Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – St O caráter horizontalizado destas formas de relevo reflete em parte a disposição das estruturas sedimentares em camadas horizontais e sub-horizontais. Este fenômeno está associado à fraca intensidade dos processos de entalhamento fluvial e também, possivelmente à ocorrência de litologias mais resistentes à erosão pluvial e fluvial. Nas imagens de satélite e de radar este sistema apresenta uma grande homogeneidade de formas e localmente são visualizados patamares associados a diferentes estratos litológicos. No Estado de Mato Grosso foram identificados os seguintes padrões de dissecação neste sistema. - St/s - Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – Suave Dissecação - St/m - Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – Média Dissecação - St/f - Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – Forte Dissecação 2.5.1.1.3. Sistema de Patamares com Estratos Sub-horizontais – Spt Este sistema apresenta como principal característica a presença de patamares que refletem diferentes camadas litológicas superpostas e que apresentam-se sub-horizontais em relação a superfície topográfica, ou seja, apresentam um mergulho regional não coincidente com o caimento topográfico, que é comandado pela hierarquização da bacia hidrográfica e seu nível de base. Este fenômeno é observado nas imagens de satélite através de uma borda erosiva, conformando degraus praticamente sem dissecação. Como a ocorrência deste sistema é restrita, apenas um padrão morfológico foi identificado, sendo mapeado como: 12 - Spt/p - Sistema de Patamares com Estratos Sub-horizontais – Preservado 2.5.1.1.4. Sistema de Faixas Dobradas – Sd Constituem os relevos componentes do Sistema de Faixas Dobradas, aqueles cuja conformação morfológica é condicionada, de maneira marcante, pela presença de estruturas dobradas, as quais se dispõem em sucessivos sinclinais e anticlinais. Os relevos controlados por faixas de dobramentos são considerados no Estado de Mato Grosso como formas exumadas pelos processos de aplanamento e dissecação atuais e subatuais. Nas imagens de satélite este sistema apresenta grande facilidade de identificação, pois possui altimetria superior em relação aos relevos adjacentes, conformando serras alongadas e de superfícies onduladas. No Estado de Mato Grosso foram identificadas quatro situações de dissecação junto ao sistema de Faixas Dobradas: - Sd/p - Sistema de Faixas Dobradas – Preservado - Sd/s - Sistema de Faixas Dobradas – Suave Dissecação - Sd/m - Sistema de Faixas Dobradas – Média Dissecação - Sd/f - Sistema de Faixas Dobradas – forte dissecação 2.5.1.2. Sistema Denudacional (com baixo ou sem controle estrutural)- Dn Para o Sistema Denudacional, com fraco ou sem controle estrutural, considerou-se o nível 3 constituído por dois grandes sistemas: Sistema Denudacional de Dissecação, e Sistema Denudacional de Aplanamento. 2.5.1.2.1. Sistema de Dissecação – Di Compreendem todas as áreas onde as formas de relevo são predominantemente modeladas pelo entalhe fluvial e pluvial. O entalhe fluvial está associado aos trabalhos dos canais perenes, que proporcionam a esculturação das vertentes e aprofundamento dos vales. O entalhe pluvial é promovido apenas nos episódios chuvosos, onde as águas que escoam em canais temporários proporcionam, em especial, próximo às cabeceiras de drenagem, o aprofundamento dos mesmos. No Estado de Mato Grosso, o Sistema de Dissecação representa um conjunto de relevos rampeados e rebaixados, atualmente sendo dissecado pelo sistema fluvial instalado juntamente com o clima úmido, representado por extensas e contínuas faixas, adjacentes às bordas de planaltos, distribuídas em diferentes regiões do Estado de Mato Grosso. Os relevos associados ao Sistema de Dissecação ocorrem em posição topográfica ligeiramente inferior a do sistema S3 (Ap3), na região do Vale dos rios Araguaia e Guaporé, bem como na região do Pantanal de Mato Grosso, tendo, entretanto, formas semelhantes. Um elemento diferencial entre ambos, é a presença de substrato formado pelos sedimentos inconsolidados ou parcialmente consolidados das Formações Guaporé, Pantanal e Bananal (Quaternário), e que representam um retrabalhamento erosivo da superfície de agradação quaternária, tendo sido sistematizada neste projeto como uma superfície de dissecação. 13 Em alguns locais, onde não foi possível uma caracterização mais precisa do Sistema Denudacional de baixo ou sem controle estrutural (menor nível taxonômico), sua classificação foi indicada apenas como Superfície de Dissecação – Di. Os índices de dissecação identificados no Estado de Mato Grosso são três: - Di/p - Sistema de Dissecação – Preservado - Di/s - Sistema de Dissecação – Suave Dissecação - Di/m - Sistema de Dissecação – Média Dissecação 2.5.1.2.2. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros – Cl-Mr Este sistema de relevo comporta as formas que ocorrem nas áreas de transição entre os sistemas de aplanamento, caracterizando-se preferencialmente por áreas dissecadas em rebordos erosivos, que podem encontrar-se escalonados em patamares, ocorrendo de forma dispersa por todo o Estado de Mato Grosso. A interpretação destes sistemas baseia-se no fato de que os processos de incisão dos vales fluviais e pluviais apresentam grande predominância na esculturação do relevo, sendo facilmente observados nas imagens. As principais áreas de ocorrência estão localizadas nos contatos entre o Sistema de Aplanamento S3 – Ap3 e Sistema de Aplanamento S2 – Ap2, conformando morros e morrotes elaborados em diversos tipos de litologias. Os padrões de dissecação observados no Estado de Mato Grosso foram: - Cl-Mr/p - Sistema de Dissecação em Colinas e Morros – Preservado - Cl-Mr/s - Sistema de Dissecação em Colinas e Morros –- Suave Dissecação - Cl-Mr/m - Sistema de Dissecação em Colinas e Morros –- Média Dissecação - Cl-Mr/f - Sistema de Dissecação em Colinas e Morros –- Forte Dissecação 2.5.1.2.3. Sistema de Dissecação em Escarpa – EF As escarpas são rampas muito inclinadas que ocorrem em bordas de planaltos, relevos serranos e relevos residuais. Os sistemas de escarpa mapeados no Estado de Mato Grosso estão associados a intensos processos de dissecação pluvial e fluvial, configurando faixas de transição entre compartimentos de relevo elevados, e superfícies rebaixadas. Em função de suas características, este sistema tende a apresentar forte dissecação e altas declividades. No Estado de Mato Grosso este sistema apresenta diversas ocorrências, sendo detectado em função de suas características topográficas e de posicionamento citadas acima. Foram identificados os seguintes padrões de dissecação. - EF/m - Sistema de Dissecação em Escarpa – Média Dissecação - EF/f - Sistema de Dissecação em Escarpa – Forte Dissecação 14 2.5.1.2.4. Sistemas de Aplanamento O Sistema Denudacional de Aplanamento resulta de fundamental importância no Estado de Mato Grosso. Devido à caracterização genética de grandes superfícies de aplanamento, e considerando-se discussões anteriores, não foram utilizados termos como pediplanos, echtplains ou peneplanícies. Embora mais descritivo, o termo Superfície de Aplanamento tem conotações de gênese. Por este motivo as grandes superfícies de aplanamento que caracterizam o Estado de Mato Grosso recebem o adjetivo de Superfícies de Aplanamento Regionais. Para os padrões locais de Aplanamento empregou-se o termo de Pedimento, quando associado às frentes de relevomais enérgicas. A identificação e delimitação dos sistemas de aplanamento, no Estado de Mato Grosso, foram elaboradas a partir da adoção de três critérios: perfil longitudinal plano com similitude de altitude dos topos, material superficial homogêneo e presença de relevos residuais representativos de superfícies mais altas. Utilizando-se destes critérios, foram identificados três sistemas de aplanamento no Estado de Mato Grosso. 2.5.1.2.4.1. Sistema de Aplanamento S1 – Ap1 Este sistema corresponde ao conjunto de formas aplanadas e que ocupam posição de cimeira dentro do conjunto regional do relevo. São identificadas a partir de sua ampla área de ocorrência, apresentando baixas declividades e baixa densidade de drenagem. Nas imagens de satélite foram identificadas, a partir de uma padronagem homogênea de formas, com baixa rugosidade. Outra característica marcante deste sistema é sua relação com o material superficial, composto por uma cobertura argilosa muito espessa, que apresenta crostas ferruginosas em sua base, fato este largamente observado nos trabalhos de campo. Nos trabalhos de mapeamento geomorfológico foram identificados os seguintes padrões de dissecação: − Ap1/p - Sistema de Aplanamento S1 – Preservado − Ap1/s - Sistema de Aplanamento S1 – Suave Dissecação − Ap1/m - Sistema de Aplanamento S1 – Média Dissecação − Ap1/f - Sistema de Aplanamento S1 – Forte Dissecação 2.5.1.2.4.2. Sistema de Aplanamento S2 – Ap2 O Sistema de Aplanamento S2 apresenta-se disperso por todo o Estado de Mato Grosso, porém sua maior ocorrência em área, está localizada na porção central do Estado, conhecida na literatura geomorfológica como Planalto dos Parecis. Este sistema corresponde a uma ampla superfície de aplanamento que exibe homogeneidade topográfica, dissecação predominantemente tabular (t) e pelo padrão geral da drenagem sub-dendrítica. No entanto, os padrões de formas convexas, sejam nos topos, como também nas vertentes foram observados nos trabalhos de campo e na interpretação de imagens de satélite. Além de suas características de forma, possui uma particularidade topográfica, pois este sistema apresenta-se como uma superfície intermediária entre os Sistemas de Aplanamentos S1 e S3. No Estado de Mato Grosso foram identificados os seguintes padrões de dissecação: 15 − Ap2/p - Sistema de Aplanamento S2 – Preservado − Ap2/s - Sistema de Aplanamento S2 – Suave Dissecação − Ap2/m - Sistema de Aplanamento S2 – Média Dissecação − Ap2/f - Sistema de Aplanamento S2 – Forte Dissecação 2.5.1.2.4.3. Sistema de Aplanamento S3 – Ap3 Correspondem ao conjunto de relevos mais rebaixados, constituindo a base da superfície de aplanamento, atualmente sendo dissecada pelo sistema fluvial instalado juntamente com o clima úmido. Apresenta como principais características para sua identificação o posicionamento na base do relevo regional, as baixas altitudes e a presença de relevos residuais. No Estado de Mato Grosso este sistema tem grande distribuição espacial, ocorrendo de forma dispersa, porém as maiores manchas encontram-se na porção norte do Estado. Foram identificados os seguintes padrões de dissecação: − Ap3/p - Sistema de Aplanamento S3 – Preservado − Ap3/s - Sistema de Aplanamento S3 – Suave Dissecação − Ap3/m - Sistema de Aplanamento S3 – Média Dissecação 2.5.1.2.5. Sistema de Pedimento – Pd Os pedimentos são formas de relevo geradas em regime de clima árido quente ou semi-árido, sendo portanto, feições relictuais no Estado de Mato Grosso, geralmente encontram-se na base de relevos montanhosos ou serranos. O material superficial é composto por detritos transportados em forma de leques aluviais. Geneticamente é composto por uma área erosiva (glacis de erosão) e outra acumulativa (glacis de acumulação), todavia no atual estágio climático, estes pedimentos não são ativos, sofrendo processos de dissecação fluvial e mantendo-se preservados em áreas interfluviais amplas. Foram identificados os seguintes padrões de dissecação: − Pd/s - Sistema de Pedimento – Suave Dissecação − Pd/m - Sistema de Pedimento – Média Dissecação 2.5.2. Sistema Denudacional Misto São as áreas onde existe uma combinação entre morfogêneses de origem puramente denudacional. Desse modo, as formas de relevo podem ter elementos denudacionais com baixo ou sem controle estrutural, e elementos fortemente estruturados, associados entre si, que juntos são responsáveis pelo modelado atual. 16 2.5.2.1. Sistema Estrutural/ Denudacional Estes sistemas foram elaborados pela ação conjunta de forças endógenas (estruturais) e exógenas (denudativas), sem predomínio de uma sobre a outra, na definição das principais características do relevo. 2.5.2.1.1. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – (A – Sf) A morfologia da área, compreende modelados diferenciados, com residuais topograficamente mais elevados, geralmente de topos tabulares, contornados por rebordos escarpados. Constitui-se de um nível de aplanamento localmente deformado por atividades tectônicas, associadas a esforços que originam blocos falhados. Esta complexidade estrutural e litológica é refletida nas formas de relevo, sendo que o contato com os sistemas adjacentes, é feito quase sempre através de escarpas. A principal área de ocorrência é na porção sudeste do Estado de Mato Grosso, associada a sedimentos da Bacia do Paraná. Os principais padrões de dissecação identificados foram: − (A – Sf)/p - Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – Preservado − (A – Sf)/s - Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – Suave Dissecação − (A – Sf)/m - Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – Média Dissecação 2.5.2.1.2. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados–(A–Sf(b)) Este sistema misto ocorre a partir da superposição de eventos endógenos e exógenos em que um sistema de aplanamento, identificado pela presença de topos planos e sub-nivelados regionalmente, que se apresentam alçados topograficamente por um evento tectônico do tipo falhamentos, com ação local, o que resulta em um conjunto de blocos elevados. A identificação deste sistema é baseada em fatos topográficos e geológicos. Esta situação pode estar relacionada a reativações de movimentos epirogenéticos associadas à tectônica de falhas, ocasionando retomada erosiva e aplanamento dos blocos falhados / basculados. Também se observa que existem um caimento da superfície com decréscimo de cotas altimétricas até o nível inferior deste sistema. Sua área de ocorrência é restrita à porção sudeste do Estado, sendo identificados os seguintes padrões de dissecação: − (A – Sf(b))/p - Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados – Preservado − (A – Sf(b))/s - Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados – Suave Dissecação − (A – Sf(b))/m - Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados – Média Dissecação 17 − (A – Sf(b))/f - Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados – Forte Dissecação 2.5.2.1.3. Sistema de Faixas Dobradas – Colinas e Morros – (Sd/Cl – Mr) Neste sistema os processos de dissecação atingiram fortemente áreas dobradas e descaracterizaram parcialmente, os efeitos estruturais associados aos processos de dobramento. Desta forma, as formas em colinas e morros apresentam-se superpostas a elementos estruturais residuais, sendo difícil caracterizar uma predominância de uma sobre outra gênese. Optou-se então, por uma classificação mista. A área de ocorrência esta localizada na porção noroeste do Estado, com os seguintes padrões de dissecação: − (Sd/Cl – Mr)/p - Sistema de Faixas Dobradas – Colinas e Morros – Preservado − (Sd/Cl – Mr)/f - Sistema de Faixas Dobradas – Colinas e Morros – Forte Dissecação 2.5.3. Sistema Agradacional A classificação do Sistema Agradacional é baseada baseia-se nas diversas tipologias de processos de acumulação proporcionadas pelos sistemas geomorfológicos. A variaçãodestes sistemas está associada predominantemente à variabilidade climática, em especial aos climas sazonais com grandes alterações de temperatura e precipitação. Os principais agentes que atuam nos processos de acumulação são a água (em suas diversas formas), a gravidade e o vento. Nas regiões tropicais úmidas, a água torna-se, praticamente, a maior responsável pelo transporte e acúmulo de materiais. Dentro dos Sistemas Agradacionais que ocorrem em grandes extensões no Estado de Mato Grosso, tem-se no nível 2: os lacustres/palustres, fluviais e fluvio-gravitacionais. Cada um destes sistemas pode subdividir-se em níveis menores, através da utilização de níveis taxonômicos inferiores. Desta forma, as Planícies Fluviais (Pf) podem ser mapeadas genericamente ou com maior detalhamento, utilizando-se para isto, a classificação dos tipos de canais que as cortam. No caso da classificação com base nos tipos de canais, as planícies fluviais podem ser caracterizadas como: planícies aluvionares anastomosadas (Pan), planícies aluvionares braided (Pbr) e planícies aluvionares meandriformes (Pmd). Quanto às formas soerguidas em relação à planície fluvial, são classificadas em: terraços altos (Ta) e terraços baixos (Tb). 2.5.3.1. Sistema de Agradação Fluvial Estes sistemas são elaborados pela acumulação de material transportado por rios, córregos e ribeirões, normalmente situados às margens destes, e com configuração alongada. 2.5.3.1.1. Sistema de Planície Fluvial - Pf Este sistema corresponde às áreas que têm como gênese processos de agradação preponderantemente fluvial, sendo que esse sistema tem desenvolvimento local, fato associado à existência de nível de base local. Possui formato alongado acompanhando o canal fluvial. Geralmente, está associado a rios de menor porte, onde em função da escala de 18 mapeamento, não é possível identificar a padronagem dos rios (meândricos, anastomosados, braided), ou efetivamente estão ligadas a rios pouco sinuosos. 2.5.3.1.2. Sistema de Planície Fluvial – Terraços Altos- Ta A gênese dos terraços é explicada através da alteração de seu nível de base, que pode ocorrer por dois mecanismos, por um lado mudanças climáticas que afetam o nível de base geral, com elevação ou rebaixamento do nível do mar, e de outro efeitos tectônicos derivados de epirogênese (soerguimento ou rebaixamento) ou ainda mudanças bruscas locais. O movimento positivo de um nível de base, gerado por elevação do nível do mar ou rebaixamento tectônico, condiciona um rio a depositar sedimentos em sua calha, gerando planícies fluviais. Em um momento subseqüente, com rebaixamento do nível de base, o rio é levado a recortar seus próprios sedimentos aluviais, formando o que chamamos de terraço. Os terraços podem ter diferentes classificações em função dos processos que o geraram, quando o processo de retomada erosiva atinge todo o pacote sedimentar e também o leito rochoso, é chamado de terraço encaixado, quando todo o pacote sedimentar é retirado por erosão e denominado de terraço rochoso. (PENTEADO, 1983). No Estado de Mato Grosso os terraços altos constituem-se de superfícies horizontais ou levemente inclinadas, constituídas por depósitos sedimentares, e limitadas por dois declives do mesmo sentido. Compreendem áreas alçadas de alguns metros a dezenas de metros acima das planícies fluviais. A morfologia corresponde a terrenos planos e sem dissecação. Por suas características genéticas, estão diretamente associadas à rede de drenagem atual e sub-atual, estando fora da ação de inundações freqüentes, mas sujeitos a enchentes extremamente fortes e de maior intervalo de recorrência. 2.5.3.1.3. Sistema de Planície Fluvial – Terraços Baixos - Tb Estes terraços diferem-se dos terraços altos em função das possibilidades de inundações mais freqüentes, identificadas a partir da presença de áreas alagadas ou pequenos lagos. Constituem depósitos aluviais horizontais ou levemente inclinados, modelados por erosão, formando um patamar entre o limite externo da calha fluvial, ou entre terraços altos e os depósitos sedimentares atuais. Apresentam declividades < 1% e inclinação em direção ao rio. Por sua morfologia e posicionamento topográfico, alguns metros acima das planícies e áreas alagadas, devem corresponder a uma antiga área de inundação, que atualmente encontra-se acima do nível médio dos alagamentos sazonais. Muitas vezes estes sistemas de terraços encontram-se diferenciados de terraços mais antigos, posicionados em cotas altimétricas superiores e evidenciando a ocorrência de ciclos erosivos distintos, representando, desta forma, momentos de morfogênese pretéritos em que, possivelmente, variações do nível de base regional ocorreram nas regiões onde se encontram estes tipos de sistemas de origem fluvial. 2.5.3.1.4. Sistema de Planície Aluvionar Anastomosada- Pan As planícies aluvionares anastomosadas apresentam multiplicidade de canais, geralmente pequenos e rasos, que se subdividem e unem-se aleatoriamente, muitas vezes com ocorrência de ilhas e bancos. Nas cheias, estas pequenas feições podem desaparecer, ficando submersas, sendo que em alguns setores permanecem acima do nível da inundação 19 em função da fixação de uma maior quantidade de sedimentos retido em áreas fixadas pela vegetação. A mobilidade dos canais anastomosados é uma característica marcante do padrão. Segundo CHRISTOFOLETTI (1981), os canais anastomosados apresentam-se “mutantes em suas dimensões e posições durante as variações de débito. As margens dos rios anastomosados não são nitidamente marcadas e, devido a sua frágil resistência são atacadas pela erosão. Nos trechos anastomosados o leito, as margens, as ilhotas e os bancos são compostos por material aluvial, não havendo afloramento de rocha subjacentes”. No Estado de Mato Grosso estas planícies estão associadas a rios com padrão anastomosado, identificado em imagens de satélite e radar. Praticamente sem declividade, apresentam um padrão de drenagem anômalo, sem canais bem definidos, que interagem ao sistema fluvial e lacustre vizinho, sendo que nas vazantes/estiagens comportam-se como enriquecidas pelo escoamento de sub-superfície e nas enchentes/cheias, notadamente pelo escoamento de superfície. Este tipo de planície aluvial anastomosada é uma particularidade do sistema fluvial de áreas do Pantanal, em função dos períodos de cheias e vazantes. 2.5.3.1.5. Sistema de Planície Aluvionar Braided- Pbr O padrão de canal braided (entrelaçado) é identificado nas imagens de satélite e de radar pela presença de bancos arenosos e ilhas, gerando o padrão característico deste sistema. O regime dos rios é permanente, porém com grande variação da descarga. Ocorrem duas situações particulares deste tipo de sistema no Estado de Mato Grosso, uma localizada na Bacia Hidrográfica do Rio Araguaia, dentro de uma ampla área sedimentar, e uma segunda área de ocorrência localizada na porção noroeste do Estado, na Bacia Hidrográfica do Rio Juruena. Uma característica peculiar deste sistema na bacia do Rio Araguaia é a mobilidade dos bancos arenosos que conformam estas ilhas. Este fato pode ser observado quando se compara o formato dos canais, tanto nas imagens de satélite e de radar, produtos cartográficos gerados com mais de duas décadas de diferença, bem como, quando se analisa o formato do canal identificado na imagem de satélite e o representado na base topográfica. Algumas destas ilhas são alongadas, outras possuem um formato elipsoidal. Seu tamanho também é variável. No interior das ilhas de maiores dimensões, são observados lagoas e marcos de cordões arenosos. As ilhas apresentam um material superficial predominantemente arenoso, conformando praias fluviais de grande extensão. Na segunda área de ocorrência, este padrão de planície fluvial foi identificado ao longo do Rio Juruena e no Rio Arinos, após sua superimposição à Serra dos Caiabis. Nestas áreas, o perfil longitudinaldos rios é muito acidentado, com diversas cachoeiras e corredeiras, não sendo possível neste ambiente, deposição de sedimentos. Com a rápida queda da declividade do canal, o rio tende a alargar seu canal e iniciar a sedimentação. Este processo sendo muito forte, faz com que o rio, em certos segmentos, corte seus próprios sedimentos, conformando neste ponto um padrão braided. Essas ilhas apresentam formas variadas e são formadas em função da disposição lateral e vertical dos sedimentos, muitas vezes diretamente sobre o embasamento rochoso. Segundo LEOPOLD et. al., 1964 (apud PIRES NETO, 1992), neste tipo de canal a carga sedimentar é muito grande e se deposita nas margens e no leito. 20 2.5.3.1.6. Sistema de Planície Aluvionar Meandriforme - Pmd Correspondem a depósitos sedimentares dos canais fluviais meandrantes, os quais possuem gênese associada ao baixo gradiente das superfícies regionais. O padrão de relevo é composto por planícies aluviais elaboradas pelos rios atuais. As planícies meândricas possuem todo o sistema hidrográfico e fisiográfico em formação. Os meandros possuem feições características, como as margens côncavas, onde ocorre o processo de escavação (bancos de solapamento), enquanto nas margens convexas ocorre a sedimentação (point bar). Pântanos de reverso ocorrem à retaguarda dos diques marginais, com presença de depósitos orgânicos. Na evolução dos meandros é possível a formação de pedúnculos adelgaçados, que podem formar ilhas temporárias, graças a erosão dos pedúnculos. Segundo AB’SABER (1975) a formação dos meandros abandonadas dá-se após a erosão dos pedúnculos e a partir do momento em que “a água atravessa o novo canal e pouco a pouco forma restingas fluviais na margem voltada para o antigo meandro, isolando aquele braço do rio em relação à correnteza. O meandro fica abandonado, ou seja, perde relação direta com o leito estabelecido no pedúnculo”. Por conta deste tipo de processo as planícies meândricas apresentam lagos em forma de ferradura, bem como depressões entulhadas, correspondentes a antigos meandros abandonados. Este sistema distribui-se amplamente no Estado de Mato Grosso, com ocorrência em rios de pequeno, médio e grande porte. 2.5.3.1.7. Sistema de Leques Fluviais - Lq Os leques fluviais localizados no Estado de Mato Grosso são feições residuais, elaboradas em clima semi-árido a árido. Um leque fluvial compõe-se da coalescência de cones aluviais ou fans, ou fluviais, de origem deposicional, situados em área relativamente plana, no sopé ou frente montanhosa denominada piemonte. Segundo BULL (1977, In: CHRISTOFOLETTI, 1981) os cones aluviais são formas, cuja superfície tem o formato de segmento de um cone, que se irradia para jusante, a partir do ápice, localizado no ponto onde o curso de água deixa a área fonte. Até atingir o ápice, o curso de água principal da bacia de drenagem escoa por canal único; a partir deste ponto, o canal pode se ramificar, dando origem ao padrão reticulado. Dessa maneira, cada cone aluvial é responsável pelo transporte e sedimentação dos produtos retirados a montante de sua bacia hidrográfica, depositando-os em seu ápice. Os cones aluviais apresentam grande diversidade de tamanho, declividades, tipos de depósitos e de características das áreas fontes. No Estado de Mato Grosso as principais ocorrências estão associadas à região do Pantanal Matogrossense, nas bacias dos Rios Paraguai e Taquari. 2.5.3.2. Sistema de Agradação Lacustre/Palustre – L/P O Sistema Lacustre/Palustre representa os relevos em forma de lagos e pântanos, elaborados a partir de sedimentação em ambientes de baixa energia. As principais formas de relevo deste sistema localizam-se em áreas deprimidas, sendo que as águas podem ser de origem fluvial, ou associadas a um nível freático sub-aflorante. 21 2.5.3.2.1. Sistema Lacustre/Palustre – Depressões Úmidas- Du Este sistema ocorre em áreas de indefinição de drenagem localizada em posições interfluviais de topos tabulares localizadas em posição de cimeira, com baixas declividades, geralmente menores do que 1%, e dimensões, geralmente superiores a 5 km. Estas características acabam por interferir nos fluxos superficiais, pois não ocorre canalização das águas de chuvas para um sistema fluvial hierarquizado, disponibilizando toda a água precipitada para a infiltração. Nas regiões de erosão remontante propiciada pela drenagem atual, estas áreas funcionam como cabeceiras suspensas (dales), onde a água sub-superficial lentamente atinge as pequenas incisões, formando nascentes afogadas. Em observações de campo, foi constatado que estas áreas apresentam lençol freático sub-aflorante, fato ligado hipoteticamente à presença de horizontes de rocha ou de solo que funcionariam como barreiras impermeabilizantes, retendo a água nas partes superficiais do terreno. Localmente foram observados horizontes plínticos a aproximadamente 1,5m de profundidade, que podem realizar a função exposta acima. Nas imagens de satélite este sistema é facilmente identificado em função da resposta diferenciada, proporcionada pela umidade em superfície, que apresenta tons mais escuros do que a região de entorno. 2.5.3.2.2. Sistema Lacustre/Palustre – Lagos - Lg Este sistema é composto por lagos, lagoas e baías. Ocorre predominantemente na região do Pantanal Matogrossense e Pantanal do Guaporé. Os lagos são áreas deprimidas, preenchidas por águas de origem pluvial, fluvial e de elevação do lençol freático, e que permanecem cheias durante todo o ano. As lagoas ou baías possuem dimensões intermediárias, formas circulares, semi-circulares e profundidades variadas e podem ser temporários, esvaziando-se nos períodos de vazante. Estes ambientes planos, de gênese Lacustre, apresentam-se desenvolvidos em Aluviões Atuais, em solos hidromórficos. Apresentam escoamento superficial laminar. Nas imagens de satélite são identificados pela presença de espelhos d’água, de conformação geralmente circular. 2.5.3.3. Sistema de Agradação Flúvio - Gravitacional – FGP O Sistema Agradacional Flúvio-Gravitacional (Pedimontano) – FGP, compõe-se de cones aluviais e consiste das áreas relativamente planas, localizadas na base de uma escarpa ou frente montanhosa. Também ocorre como superfície de coalescência de diversos cones aluviais, apresentando grande diversidade de tamanho, declividades, tipos de depósitos e de características de áreas fontes. Os processos deposicionais caracterizam-se por fluxos detríticos na parte superior dos cones, englobando detritos de granulometrias variadas e de fraco selecionamento. Os fluxos de lamas (mudflows) distribuem-se nas partes inferiores, compostos principalmente por areias e sedimentos mais finos. 2.5.3.3.1. Sistema de Leques Flúvio – Gravitacionais - LFG O Sistema de Agradação Flúvio-Gravitacional está associado às feições de depósito de piemonte. Constitui-se em uma superfície inclinada, resultante do acréscimo de material 22 coluvionar, na qual se observa disposição de sedimentos terrígenos, conformando a morfologia de um leque. Esta unidade morfológica ocupa posição intermediária entre dois sistemas com posições topográficas diferentes entre si. Nas imagens de satélite são identificados como áreas em forma de leque, localizados na base de relevos serranos. Como não apresenta evidencias de efeitos de dissecação foi mapeado como LFG/p - Sistema de Leques Flúvio - Gravitacionais – preservado. 2.5.4. Sistema Agradacional Misto Compreende os sistemas elaborados por mais de um tipo de agente acumulativo (fluvial, lacustres, gravitacional), sendo geralmente encontrado em áreas com grande complexidade topográfica e dos fluxos hídricos regionais. 2.5.4.1. Sistema de Agradação Fluvial/Lacustre – Palustre - F/L – P Compreende áreas geneticamente originadas em ambiente fluviais, com grande variação do nível de água entre os períodos de cheias e vazantes, que acabam por conformar áreas lacustres,permanentes ou temporárias. Grande parte destes sistemas tem por gênese eventos associados a abatimentos estruturais, provavelmente reflexos da orogênese andina, que influenciaram a formação das bacias sedimentares do Araguaia, Guaporé e do Pantanal. Nestas extensas áreas sedimentares processos mistos, associados a rios, lagos, leques fluviais acabaram por gerar as principais formas de relevo. 2.5.4.1.1. Sistema de Leques Fluviais/Escoamento Impedido - Lq/Ei Este modelado corresponde a uma área elaborada geneticamente por leques fluviais representado por uma superfície plana, constituída sobre material sedimentar. O Sistema de Leques Fluviais apresenta como principal característica a presença de uma rede de drenagem, que aflui de uma área mais alta e ao chegar em cotas mais baixas e com relevo menos declivoso, espraia-se em um sistema distributário, depositando a carga sedimentar mais grosseira em sua porção proximal, e as frações mais finas na porção distal. Posteriormente, este sistema sofreu a ação de retrabalhamento em clima úmido, pela ação de uma rede de drenagem que remobilizou os materiais superficiais, fato este, interpretado pela presença de canais abandonados, localizados atualmente em posição interfluvial. Nos períodos chuvosos, estas áreas, devido à prolongadas inundações resultantes da pequena capacidade de escoamento lateral (baixas declividades); pequena capacidade de infiltração (lençol freático pouco profundo e recarregado) e, barramento do fluxo das águas (que não conseguem chegar aos canais de drenagem) mantém o represamento das águas caracterizando dessa forma o Sistema de Leques Fluviais/Escoamento Impedido. 2.5.4.1.2. Sistema de Leques Fluviais/Áreas Alagadas - Lq/Al Neste sistema ocorre a superposição de um sistema de Leques Fluviais originados em ambientes mais áridos do que o atual, que não são funcionais, mas imprimem sua marca na conformação do relevo. No ambiente mais úmido atual, uma maior disponibilidade de água, 23 juntamente com o regime hídrico dos rios do Pantanal propicia o aparecimento de lagos, ausência de cordilheiras e maior permanência das águas superficiais, caracterizando-se também como Áreas Alagadas. Nas imagens de satélite este sistema apresenta-se como uma forma plana, com presença de extensas áreas com água em superfície. 2.5.4.1.3. Sistema de Planície Fluvial/Lagos - Pf/Lg Trata-se de uma feição mista, onde ocorrem lagos, lagoas ou baías de dimensões médias, formas circulares, semi-circulares e profundidades variadas, associadas a planícies fluviais. Estes ambientes planos, de gênese Lacustre, apresentam-se desenvolvidos em Aluviões Atuais e solos Hidromórficos. Apresentam escoamento superficial laminar. São identificados pela presença de grandes quantidades de lagos e lagoas, nas proximidades dos canais fluviais. 2.5.4.1.4. Sistema de Planície Aluvionar Meandriforme/Lagos - Pmd/Lg Esse sistema está associado à presença de lagoas e braços de antigos canais fluviais abandonados, característica comum aos canais meandrantes. No entanto, as características do regime hídrico, com extensos períodos de cheias e vazantes, descaracterizam estas lagoas e lagos, conformando uma paisagem mista entre o fluvial e o lacustre. A identificação deste sistema está associada à intensa presença de lagos associados a rios de caráter meandrante. 2.5.4.1.5. Sistema de Planície Aluvionar Meandriforme/Lagos/Áreas Alagadas - Pmd/Lg/Al Ao sul do Sistema de Faixas Dobradas da Província Serrana, na margem esquerda do Rio Paraguai, foi identificado o Sistema de Planícies Meandriformes / Lagos / Áreas Alagadas (Pmd / Lg/Al) o qual interpõe-se entre os Sistemas de Leques Flúvio-Gravitacionais em fase de dissecação e o Sistema Planície Meandriforme / Lagos que se desenvolve por dezenas de quilômetros na margem direita do Rio Paraguai. O sistema considerado representa uma faixa de transição entre os processos de dissecação que atuam sobre o Sistema de Leques Flúvio-Gravitacionais, e os de agradação flúvio-lacustre, na região do Pantanal matogrossense. A transição ocorre pelo aparecimento das amplas áreas alagadas (surgências do lençol freático) sem formas definidas, acompanhadas de pequenos e esparsos lagos, de contornos pouco definidos, que contrastam com o sistema adjacente ao sul (Pmd / Lg). 2.5.4.1.6. Sistema de Lagos/Áreas Alagadas- Lg/Al São áreas onde ocorrem formas do tipo lagos permanentes, podendo ser resultante de efeitos de abatimentos estruturais pretéritos, de natureza estrutural ou não. Em períodos de cheias extravasam seu perímetro normal e espandem-se por áreas marginais, retornando ao formato original, em períodos de vazante. Coalescem sob trechos de submersão, mesmo na estiagem, com os segmentos inferiores dos leques. Essas áreas apresentam-se com alta densidade de lagoas anômalas, do tipo oxbow- lakes, o que reflete uma intensa hidrodinâmica na conexão entre rios e corixos. 24 2.5.5. Sistema Denudacional/Agradacional Misto Estes são sistemas de natureza complexa, onde se somam agentes denudacionais e agradacionais para a conformação das formas de relevo. Estes sistemas localizam-se geralmente na borda de amplas áreas deposicionais (Pantanal, Guaporé) onde efeitos de processos estruturais, bem como por efeito das variações climáticas, principalmente pós- pliocênica e pleistocênicas, acabaram por configurar áreas onde processos de denudação e dissecação, associam-se a outros de origem agradacional. 2.5.5.1. Sistema de Dissecação/Lagos – Di/Lg O Sistema de Dissecação/Lagos apresenta duas características opostas, por um lado processos de incisão de vales fluviais e por outro a ocorrência de lagos, que devem sua existência exatamente a não possibilidade de fluxo das águas, que ficam retidas em certas porções da superfície. Neste sistema os processos de dissecação, apesar de existirem, são bastante restritos, pois a hierarquização da rede de drenagem ainda é bastante incipiente e a declividade geral dos canais, bem como de toda a superfície regional é bastante baixa. Os lagos que se associam ao Sistema de Dissecação levaram à representação do Sistema Denudacional/Agradacional Misto - Dissecação/Lagos (Di / Lg). Apresentam diferentes padrões de formas (circulares, semi-circulares, alongadas), mas de pequenas dimensões. Ocorrem em áreas adjacentes aos grandes sistemas de agradação do Pantanal e do Guaporé, originando–se em função do pequeno capeamento sedimentar que recobre as rochas do embasamento e pela presença de lençol freático sub-aflorante. Sua identificação ocorre a partir da existência de áreas planas, pouco dissecadas e com grande quantidade de lagos. Em função da presença dos canais fluviais esta área foi mapeada como: − Di(s)/Lg - Sistema de Dissecação/Lagos – Suave Dissecação 2.5.5.2. Sistema Denudacional/Áreas Alagadas – Dn/Al Este sistema é geneticamente originado por processos denudacionais, porém, atualmente apresenta, em função de suas baixas altitudes e da presença de um lençol freático sub-aflorante, áreas sujeitas à inundação sazonal. Em alguns pontos ocorrem pequenas lagoas em posições interfluviais, que são consideradas feições associadas dentro deste sistema, apesar de possuírem uma dinâmica hídrica própria. Os desníveis deste sistema em relação às planícies fluviais geralmente variam entre 2 - 5 m, e as declividades são geralmente inferiores a 1%. Nos períodos chuvosos, que ocorrem anualmente, ocorrem alagamentos pelo impedimento do escoamento superficial e pela baixa capacidade de infiltração proporcionada pelo lençol freático sub-aflorante. 2.5.5.3. Sistema Denudacional/Áreas Alagadas/Lagos – Dn/Al/Lg Correspondem às áreas originadas por processos de denudação e conformam áreas planas e extensas, sujeitas à inundação sazonal. Em vários pontos, ocorrem lagoas 25 permanentes, em posições interfluviais. Estas lagoas apresentam geralmente conformação circular, porém também apresentam formasalongadas. Nos períodos chuvosos anuais, ocorrem inundações pelo impedimento do escoamento superficial e pela baixa capacidade de infiltração, proporcionada pelo lençol freático sub-aflorante, gerando desta forma, as áreas alagadas conhecidas como pantanais. Neste período, as lagoas ampliam-se, retornando a seu tamanho original, nos períodos de estiagem. 2.5.6. Sistema de Impacto O Sistema de Impacto compreende as morfologias geradas pela queda de meteoritos e meteoros, geralmente gerando crateras e perturbações concêntricas na superfície. O impacto libera uma grande quantidade de energia, que transferida para a superfície impactada pode provocar a deformação desta. Este sistema ocorre em uma única área no Estado de Mato Grosso, sendo conhecido na literatura geomorfológica como “Domo de Araguainha”, em função de sua forma circular. Apresenta-se como uma estrutura, que se destaca na região mapeada, ocupando uma área de 1.300 km², com 40 km de diâmetro, localizada nas proximidades do Rio Araguaia, na porção sudeste do Estado. Correspondendo a uma feição geomorfológica típica de uma estrutura circular. Encontra-se interiormente erodida, sendo que, apenas relevos residuais desta estrutura foram mapeados dentro do Sistema de Impacto. 3. PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS A operacionalização dos trabalhos foi constituída basicamente por quatro diferentes etapas: - Consulta à documentação bibliográfica e cartográfica disponível; - Interpretação geomorfológica preliminar e interpretação geomorfológica definitiva; - Trabalhos de campo; - Integração de dados e elaboração de relatórios e mapas definitivos. O mapeamento original foi realizado na escala de 1:250.000, sendo previsto no final dos trabalhos o Mapa Geomorfológico Consolidado do Estado, na escala 1:1.500.000. Para a interpretação geomorfológica foram utilizadas imagens de satélite preto e branco nas bandas 4 e 5, composições coloridas nas bandas 3, 4 e 5 e imagens de radar. Foram consultadas também as bases cartográficas do IBGE e do DSG na escala 1:250.000. Segundo o encarte internacional para a escala 1:250.000, o Estado de Mato Grosso comporta um total de 74 mapas. A articulação para apresentação desses mapas, segundo o arranjo proposto quando da elaboração das Memórias Técnicas, obedeceu a uma padronização cartográfica definida pelo projeto, conforme ilustram o Quadro 002 e o Mapa 001, onde pode ser visualizada a composição final das 53 memórias técnicas e a relação com os respectivos mapas na escala 1:250.000. 26 O Mapa 002 ilustra a articulação das imagens de satélite TM e de radar com os respectivos períodos de tomadas desses sensores. QUADRO 002 LISTAGEM DAS MEMÓRIAS TÉCNICAS EM RELAÇÃO AOS MAPAS 1:250.000 MEMÓRIA TÉCNICA MIR CÓDIGO DO MAPA NOME DO MAPA 1 220 SB.21-Y-D RIO CURURU 247 SC.21-V-B RIO TELES PIRES 2 244 SC.20-X-A CALAMA 245 SC.20-X-B RIO ROOSEVELT 270 SC.20-X-C RIO MACHADINHO 271 SC.20-X-D RIO GUARIBA 3 246 SC.21-V-A RIO SUCUNDURI 272 SC.21-V-C RIO ARIPUANÃ 4 273 SC.21-V-D RIO SÃO JOÃO DA BARRA 5 274 SC.21-X-C ALTA FLORESTA 6 275 SC.21-X-D AEROPORTO DE CACHIMBO 7 276 SC.22-V-C RIO IRIRI NOVO 8 277 SC.22-V-D RIO CAPIVARA 302 SC.22-Y-B RIO COMANDANTE FONTOURA 9 278 SC.22-X-C SANTANA DO ARAGUAIA 303 SC.22-Z-A SANTA TEREZINHA 10 295 SC.20-Z-A JI-PARANÁ 296 SC.20-Z-B RIO BRANCO 11 297 SC.21-Y-A ARIPUANÃ 12 298 SC.21-Y-B TAPAIUNA 13 299 SC.21-Z-A ILHA 24 DE MAIO 14 300 SC.21-Z-B VILA GUARITA 15 301 SC.22-Y-A SÃO JOSÉ DO XINGU 16 316 SC.20-Z-D CACOAL 317 SC.21-Y-C JUÍNA 17 318 SC.21-Y-D PORTO DOS GAUCHOS 18 319 SC.21-Z-C RIO BATELÃO 19 320 SC.21-Z-D SINOP 20 321 SC.22-Y-C FOZ DO ARRAIAS 21 322 SC.22-Y-D SERRA DO RONCADOR 323 SC.22-Z-C SÃO FÉLIX DO ARAGUAIA 22 336 SD.20-X-B VILHENA 23 337 SD.21-V-A ALDEIA DO ESPIRRO 24 338 SD.21-V-B RIO TREZE DE MAIO 25 339 SD.21-X-A SORRISO 26 340 SD.21-X-B VERA 341 SD.22-V-A ITAVUNUNU (continua…) 27 QUADRO 002 LISTAGEM DAS MEMÓRIAS TÉCNICAS EM RELAÇÃO AOS MAPAS 1:250.000 (…continuação) MEMÓRIA TÉCNICA MIR CÓDIGO DO MAPA NOME D0 MAPA 27 342 SD.22-V-B CASCALHEIRA 343 SD.22-X-A ARAGUAÇÚ 28 353 SD.20-X-D COLORADO 354 SD.21-V-C VILA OESTE 29 355 SD.21-V-D UTIARITI 30 356 SD.21-X-C RIO CLARO 31 357 SD.21-X-D BOCA DA MATA 32 358 SD.22-V-C GARAPÚ 33 359 SD.22-V-D CANARANA 360 SD.22-X-C SÃO MIGUEL DO ARAGUAIA 34 369 SD.20-Z-B SERRA RICARDO FRANCO 370 SD.21-Y-A UIRAPURU 35 371 SD.21-Y-B NOVA OLÍMPIA 36 372 SD.21-Z-A ROSÁRIO OESTE 37 373 SD.21-Z-B PARANATINGA 38 374 SD.22-Y-A CAMPINÁPOLIS 39 375 SD.22-Y-B NOVA XAVANTINA 376 SD.22-Z-A ITAPACI 40 385/401 SD.20-Z-D/SE.20-X-B BAIA GRANDE 386 SD.21-Y-C JAURU 402 SE.21-V-A SERRA DO BAÚ 41 387 SD.21-Y-D BARRA DO BUGRES 42 388 SD.21-Z-C CUIABÁ 43 389 SD.21-Z-D DOM AQUINO 44 390 SD.22-Y-C GENERAL CARNEIRO 45 391 SD.22-Y-D BARRA DO GARÇAS 46 403 SE.21-V-B CÁCERES 47 404 SE.21-X-A POCONÉ 48 405 SE.21-X-B RONDONÓPOLIS 49 406 SE.22-V-A GUIRATINGA 407 SE.22-V-B IPORÁ 50 417 SE.21-V-D MORRARIA DO INSUA 51 418 SE.21-X-C ILHA CAMARGO 52 419 SE.21-X-D ITIQUIRA 53 420 SE.22-V-C MINEIROS 433 SE.22-Y-A PARQUE NACIONAL DAS EMAS FONTE: CNEC, 2000 LEGENDA Código da Base Cartográfica Código MIR FONTE : CNEC,1997 ARTICULAÇÃO DAS MEMÓRIAS TÉCNICAS SEGUNDO O ENCARTE CARTOGRÁFICO INTERNACIONAL PARA ESCALA 1 : 250.000 ( Esquemático ) N 0 50 100 250 Km 63°00' 63°00' 61°30' 61°30' 60°00' 60°00' 58°30' 58°30' 57°00' 57°00' 55°30' 55°30' 54°00' 54°00' 52°30' 52°30' 51°00' 51°00' 7°7° 8°8° 9°9° 10°10° 11°11° 12° 13° 14° 15°15° 16° 17°17° 18°18° 19°19° 49°30' 49°30' SE 22 VC SC 22 XC 278 SB 21 YD 220 SC 21 VC SC 21 VA SC 21 VD 246 272 273 247 SC 21 VB SC 20 XD SC 20 XBSC 20 XA SC 20 XC 244 245 271270 SC 21 ZA SC 21 ZB SC 22 YA SC 22 YB SC 21 XC SC 21 XD SC 22 VC SC 22 VD SC 22 XC 299 300 301 302 303 274 275 276 277 278 SC 22 ZASC 20 ZA SC 20 ZB SC 21 YA SC 21 YB 295 296 297 298 SC 20 ZD SC 21 YC SC 21 YD SC 21 ZC SC 21 ZD SC 22 YC SC 22 YD SD 20 XB SD 21 VB SD 21 XA SD 21 XB SD 22 VA SD 22 VB SD 22 XA SD 20 XD SD 21 VC SD 21 VD SD 21 XC SD 21 XD SD 22 VC SD 22 VD SD 22 XC SD 20 ZB SD 21 YA SD 21 YB SD 21 ZA SD 21 ZB SD 22 YA SD 22 YB SD 22 ZA 12° 13° 14° 316 336 353 369 370 371 372 373 374 375 376 354 355 356 357 358 359 360 337 338 339 340 341 342 343 317 318 319 320 321 322 323 SC 22 ZC SD 21 VA SD 20 ZD SD 21 YC SD 21 YD SD 21 ZC SD 21 ZD SD 22 YC SE 20 XB SE 21 VA SE 21 VB SE 21 XA SE 21 XB SE 22 VA SE 22 VB 16° 385 401 402 403 404 405 406 407 386 387 388 389 390 391 SD 22 YD SE 21 XD 417 418 419 420 SE 21 VD SE 21 XC SE 22 YA 433 Mapa 001 TÍTULO Engenharia S. A. ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO ECOLÓGICO Projeto de Desenvolvimento Agroambiental do Estado de Mato Grosso PRODEAGRO 2000 GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE ESTADO DE PLANEJAMENTO E COORDENAÇÃO GERAL MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL BANCO INTERNACIONAL PARA RECONSTRUÇÃO E DESENVOLVIMENTO BIRD 29 LEGENDA Relação Imagens de Radar Código da Imagem Órbita Período da Passagem Relação Imagens Satélite TM 5 - branco e preto, bandas 4 e 5 colorida falsa cor, banda 3 , 4 e 5 Ponto Data de Passagem FONTE : CNEC, 1997 ARTICULAÇÃO DAS IMAGENS DE RADAR E SATÉLITE TM / LANDSAT NA ESCALA 1 : 250.000 ( Esquemático ) 75/76 226 / 69 20/01/95 75/76 SC 20 ZB SC 21 YA SC 20 ZD SC 21 YC SD 20 XB SD 21 VB SD 20 XD SD 21 VC SD 21 VD SD 21 XC SD 21 XD SD 22 VC SD 22 VD SD 22 XC SD 21 YA SD 21 YB SD 21 ZA SD 21 ZB SD 22 YA SD 22 YB SD 22 ZA SE 21 VA SE 21 VB SE 21 XD SE 22 YA SC 21 VA SC 21 VD SC 21 XD SC 22 VC SC 22 VD SC 22 XC 0 50 100 250 Km 63°00' 63°00' 61°30' 61°30' 60°00' 60°00' 58°30' 58°30' 57°00' 57°00' 55°30' 55°30' 54°00' 54°00' 52°30' 52°30' 51°00' 51°00' 7°7° 8°8° 9°9° 10°10° 11°11° 12°12° 13°13°14°14° 15°15° 16°16° 17°17° 18°18° 19°19° 49°30' 49°30' 71/72 71/72 71/72 71/72 75/76 75/76 75/76 75/76 71/72 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 75/76 71/72 71/72 75/76 75/76 71/72 75/76 75/76 75/76 SC 22 ZA SE 22 VCSE 21 XC SB 21 YD SC 21 VB 230 / 66 09/08/94 228 / 66 10/07/94 227 / 67 03/07/94 226 / 67 12/07/94 225 / 67 19/06/94 224 / 67 27/05/94 223 / 67 07/07/94 223 / 68 07/07/94 224 / 68 15/08/94 224 / 69 15/08/94 224 / 70 15/08/94 224 / 71 15/08/94 224 / 72 15/08/94 225 / 68 19/06/94 225 / 69 19/06/94 225 / 70 09/10/94 225 / 71 09/10/94 225 / 72 09/10/94 226 / 68 12/07/94 226 / 69 01/11/94 226 / 70 13/08/94 226 / 71 13/08/94 226 / 72 12/07/94 227 / 68 03/07/94 227 / 69 03/07/94 227 / 70 08/11/94 227 / 71 04/08/94 227 / 72 17/07/94 228 / 67 26/07/94 228 / 68 10/07/94 228 / 69 11/06/95 228 / 70 23/07/93 228 / 71 21/06/93 228 / 72 24/04/95 229 / 67 17/07/94 229 / 68 02/08/94 229 / 69 17/07/94 229 / 71 17/07/94 230 / 67 09/08/94 230 / 68 09/08/94 231 / 67 16/08/94 SC 20 XA SC 20 XC SC 20 ZA 71/72 71/72 SC 20 XB SC 20 XD 71/72 75/76 SD 20 ZB SD 20 ZD 75/76 SE 20 XB 75/76 75/76 SC 21 YB 75/76 SC 21 VC 75/76 75/76 75/76 SC 21 ZA SC 21 XC SC 21 ZB SC 22 YA SC 22 YB SC 22 YC SC 22 YDSC 21 ZDSC 21 ZC 75/76 75/76 75/76 75/76 SC 22 ZCSC 21 YD 75/76 SD 21 XA SD 21 XB SD 22 VA SD 22 VB SD 22 XA 75/7675/7675/7675/76 75/76 75/76 75/76 75/76 SE 22 VA SD 21 ZD SD 22 YC SD 22 YDSD 21 ZCSD 21 YDSD 21 YC SE 21 XA SE 21 XB SE 22 VB 231 / 66 16/08/94 75/76 75/76 SD 21 VA 229 / 70 17/07/94 75/76 229 / 66 17/07/94 71/72 229 / 65 15/06/94 71/72 75/76 75/76 223 / 69 07/07/94 223 / 70 20/03/95 71/72 SE 21 VD SC 22 XC Mapa 002 TÍTULO Engenharia S. A. ZONEAMENTO SÓCIO-ECONÔMICO ECOLÓGICO Projeto de Desenvolvimento Agroambiental do Estado de Mato Grosso PRODEAGRO 2000 GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO BANCO INTERNACIONAL PARA RECONSTRUÇÃO E DESENVOLVIMENTO BIRD 30 3.1. DOCUMENTAÇÃO A contribuição da literatura geomorfológica referente ao Estado de Mato Grosso é bastante restrita. O único trabalho sistemático que recobre todo o Estado de Mato Grosso é o Projeto RADAMBRASIL. Algumas poucas monografias, dissertações e teses foram produzidas. Este fato praticamente gerou uma situação de pouca expectativa na utilização do material secundário, como apoio para a interpretação e discussão sobre a gênese do relevo regional. Desta forma, os principais materiais utilizados foram as imagens de satélite, as imagens de radar e as cartas topográficas. As informações secundárias utilizadas foram os relatórios e mapas geomorfológicos elaborados no âmbito do Levantamento de Recursos Naturais do Projeto RADAMBRASIL, que compreendem as seguintes folhas, na escala 1:1.000.000: − Folha Tapajós - SB.21, de autoria de VENTURA & D’AVILA (1975); − Folha Porto Velho - SC.20, de autoria de COSTA & NATALI FILHO (1978); − Folha Guaporé - SD.20, de autoria de KUX, ANTONIA ELOISA & MOREIRA FRANCO (1979); − Folha Juruena - SC.21, de autoria de MELO & MOREIRA FRANCO (1980); − Folha Tocantins - SC.22, de autoria de MAMEDE & DOS SANTOS (1980); − Folha Goiás - SD.22, de autoria de MAMEDE & MOREIRA FRANCO (1981); − Folha Cuiabá - SD.21, de autoria de ROSS & DOS SANTOS (1982); − Folha Corumbá - SE.21, de autoria de MOREIRA FRANCO & RUI PINHEIRO (1982); − Folha Goiânia - SC.22, de autoria de MAMEDE, ROSS, DOS SANTOS & NASCIMENTO (1983). Uma segunda fonte de informações foram baseadas trabalhos acadêmicos, em especial teses de doutorados e dissertações de mestrado. Também foram utilizados artigos publicados em periódicos e eventos científicos realizados no Brasil e no Exterior que apresentam resultados de pesquisas que puderam ser utilizados na elaboração das Memórias Técnicas e interpretação dos sistemas geomorfológicos. Neste segmento de bibliografias destacam-se os seguintes trabalhos: − Estudo Geomorfológico Aplicado à Bacia do Alto Rio Paraguai e Pantanais Matogrossenses, ALVARENGA, S. M.; BRASIL, A.E.; PINHEIRO, R. E KUX, H.J.H. − Compartimentação Geomorfológica da Região Centro-Oeste. Boletim nº 16. Sociedade Brasileira de Geologia – MAMEDE, L. 31 − O Significado das Coberturas Terciárias nas Chapadas da Região Centro-Oeste. In : Simpósio Nacional de Geomorfologia, de MAMEDE, L. − No Ritmo das Águas do Pantanal. DA SILVA, C.J & SILVA, J.A FERNANDES Complementarmente, apesar de não referentes especificamente a estudos geomorfológicos, foram consultadas também as publicações: − Zoneamento Agroecológico do Estado de Mato Grosso - Ordenamento Ecológico Paisagístico do Meio Natural e Rural; − Fisiomorfologia, Solos e Uso Atual da Terra - Região Noroeste do Estado de Mato Grosso; − Zoneamento das Potencialidades dos Recursos Naturais da Amazônia Legal; Geografia do Brasil - Região Centro-Oeste, volume 1; − Caracterização Ecodinâmica do Município de Jauru; Espaço Físico da Bacia do Alto Paraguai. − Contribuição da Geomorfologia para o Conhecimento e Valorização do Pantanal. − Plano de Conservação de Bacia do Alto Paraguai – Geomorfologia, − Zoneamento Ecológico do Pantanal Baseado no Regime de Inundações. As informações obtidas com a análise destes trabalhos foram utilizadas na melhoria da classificação dos sistemas geomorfológicos e especialmente na elaboração da análise de fragilidade do relevo e na potencialidade de uso da terra e dos impactos advindos deste tipo de atividade. 3.2. INTERPRETAÇÃO O processo de interpretação geomorfológica utilizando-se as imagens de satélite foi composto por uma série de atividades relacionadas a interpretação geomorfológica propriamente dita, elaborada a partir de imagens de satélite, amparadas por uso de imagens de radar e por outro lado com atividades de revisão bibliográfica que apoiaram a decisão sobre a classificação do relevo. Esse sistema de interpretação constou basicamente de duas etapas. Na primeira etapa realizada efetuou-se a interpretação básica dos grandes conjuntos de relevo, com delimitação dos maiores compartimentos geomorfológicos, em especial feições de destaque na paisagem. Neste momento foram identificadas as principais escarpas ou feições similares, bem como as diversas planícies fluviais. A segunda etapa foi relativa à interpretação temática propriamente dita. Nesta fase, foram identificados e delimitados, sobre imagens de satélite, diferentes padrões homogêneos de formas. Este processo garantiu a identificação de feições com grande similaridade, apresentando tipos de topos, de vertentes e de fundos de vales muito similares. A identificação deste padrão homogêneo de formas, também indica uma certa homogeneidade de processos superficiais, pois refletem os materiais superficiais e o embasamento subjacente. Após esta identificação, os padrões homogêneos de forma foram classificados segundo o Índice de Dissecação, para os sistemas geomórficos denudacionais, ou em tipos diversificados de ambientes agradacionais no caso dos sistemas de agradação. 32 Na interpretação, para controle de características morfológicas e morfométricas, foram observados também os seguintes critérios: − Distanciamento interfluvial médio. Este processo permitiu identificar visualmente diferentes densidades de drenagem, bem como controlar os diferentes tipos de arranjos da rede de drenagem, controlando a ocorrência de padrões estruturais e anomalias de drenagem, por exemplo: • Grau de entalhamento do relevo. Este procedimento foi efetuado através da comparação do “sombreamento” e da “profundidade” dos vales observados nas imagens de satélite e de radar. • Rugosidade do terreno. Este elemento permitiu inferir a intensidade dos processos denudacionais que atuaram sobre a área,bem como a existência de áreas aplanadas. • Cor. O uso da cor foi essencial para a delimitação de diferentes coberturas vegetais, e, por associação, dos tipos de coberturas superficiais predominantes, bem como a ocorrência de solos expostos, lâminas d’água, solos úmidos, áreas urbanas e outros elementos geomorfológicos e antrópicos. Nas imagens utilizadas, observou-se que as cores e tons variam de acordo com a amplitude e a intensidade da energia solar absorvida e refletida pelos diferentes tipos de massas, tais como: água (banda 3), vegetação (banda 4) e solo (banda 5). Após a identificação e delimitação dos padrões homogêneos de forma procedeu-se a uma classificação preliminar dos sistemas geomorfológicos. Esta classificação baseou-se nos tipos de padrões homogêneos de forma identificados nas imagens de satélite, nas principais feições estruturais identificadas, como por exemplo os diferentes tipos de escarpas e rebordos erosivos, na presença de cristas assimétricas e bordas de relevos dobrados, no padrão de dissecação, no padrão dos rios que cortam as planícies fluviais, nos diferentes tipos de áreas inundáveis – como os lagos e depressões úmidas - e no embasamento litológico. Após a classificação preliminar foi montada uma estratégia para seleção de áreas a serem visitadas durante os trabalhos de campo. Esta estratégia buscou proporcionar a observação do maior número de padrões homogêneos de formas, identificados em cada sistema geomorfológico. A possibilidade de visita de campo restringiu-se à disponibilidade de distribuição da malha rodoviária ou de sistema de navegação, que permitiu atingir os diferentes sistemas geomorfológicos. Buscou-se também distribuir os pontos de campo de forma homogênea por todo o território do Estado. Deste modo, os sistemas geomorfológicos de grande abrangência espacial, como as Superfícies de Aplanamento, foram estudados regionalmente, apesar de sua ocorrência através de grandes extensões. 3.3. TRABALHOS DE CAMPO Os mapas geomorfológicos, interpretados a partir das imagens de sensores remotos e dos dados secundários, permitiram identificar diferentes conformações geomorfológicas da superfície, como por exemplo, os diferentes tipos de dissecação, densidade de drenagem, áreas inundáveis e relações com o embasamento rochoso. Também foram selecionadas as áreas mais carentes de informações, onde, quando possível, buscou-se respostas para indagações sobre a morfologia, ou ainda áreas onde se identificaram possíveis processos de erosão e assoreamento. 33 Apoiado, nos mapas topográficos e nas estradas e caminhos identificados nas imagens falsa cor, foi programado um roteiro de campo que permitisse otimizar os traçados a serem percorridos e áreas críticas a serem visitadas Após a interpretação e preparação do material de apoio, foram realizadas quatro (4) campanhas de campo, sintetizadas no Quadro 003. Nestas campanhas percorreu-se todo o Estado, buscando efetuar a maior checagem da interpretação e preenchendo-se uma ficha de campo para cada ponto estudado, que comporá o Banco de Dados da Geomorfologia. Nestas campanhas foram observados os padrões de forma, o substrato rochoso, os materiais superficiais, os processos erosivos naturais e aqueles derivados da atuação humana entre outros aspectos. Pequenos esboços geomorfológicos foram realizados para a visualização da compartimentação da paisagem, bem como foi tirada uma série de fotografias, buscando ilustrar fenômenos locais, como crostas ferruginosas, perfis de formações superficiais, processos erosivos, ou ainda das formas de relevo locais e regionais predominantes. Para codificação dos pontos de campo procedeu-se sistematicamente à identificação do descritor do ponto, através de suas siglas iniciais, número MIR e número da estação de campo, e.g. SR-341-01 (coletor: Sílvio Rodrigues, MIR: 341, ponto de campo descrito: 01). A uniformidade de informações dos diferentes técnicos que compunham a equipe de geomorfologia, foi garantida pelas discussões conjuntas e principalmente com a equipe de geologia que acompanhou todos os trabalhos geomorfológicos de campo e pela sistematização da coleta de informações através de fichas de descrição de campo e do cadastro de cavernas. 3.4. INTEGRAÇÃO DOS DADOS/COMPILAÇÃO Nesta fase realizou-se a integração dos dados levantados através da interpretação geomorfológica e dos trabalhos primários de campo com os dados disponíveis nas referências bibliográficas consultadas e o cadastro de cavernas, disponível em banco de dados próprio. Os dados coletados em campo através de fichas sistemáticas foram inseridos em um banco de dados, utilizando-se para isto uma codificação que relaciona cada ponto às suas coordenadas geográficas, bem como em que folha 1:250.000 este ponto localiza-se. Os trabalhos de campo também proporcionaram um conhecimento mais aprofundado dos sistemas geomorfológicos existentes no Estado de Mato Grosso. Este fato proporcionou a necessidade de uma reinterpretação à luz dos conhecimentos adquiridos em campo e inclusive serviu para adicionar novos sistemas geomorfológicos não identificados na interpretação preliminar. Após a finalização desta etapa, iniciou-se a elaboração das memórias técnicas de geomorfologia. Estas memórias técnicas, em geral, correspondem a um mapa na escala 1:250.000, porém em casos especiais, podem abarcar os sistemas geomorfológicos constantes em mais do que um mapa, especialmente nas áreas limítrofes com outros estados/países, ou quando a área mapeada abrange pequena extensão territorial em um dos mapas 1:250.000, como ilustram o Mapa 001 e o Quadro 002. 34 O resultado da integração das informações contidas nos mapas, na escala 1:250.000, permitiu a elaboração do Mapa Geomorfológico Consolidado para o Estado de Mato Grosso, na escala 1:1.500.000. 35 QUADRO 003 QUANTIFICAÇÃO DOS DADOS FÍSICOS DAS CAMPANHAS DE CAMPO DE GEOMORFOLOGIA Osvaldo Nogueira 21/10 22/10 13/11 23 20+125 6291 320,321,340,341 Pires Neto 27/10 29/10 16/11 19 37+89 5800 338,355,356 Silvio Rodrigues 27/10 01/11 21/11 21 8+120 6100 341,342,343,358,359,300 Paulo Marssola 27/10 29/10 23/11 26 15+175 5500 316,317,336,337,353,354 Subtotal 89 80 +509 23691 19 cartas Osvaldo Nogueira 12/01 14/01 04/02 22 20+80 4832 357,373,389, Pires Neto 12/01 14/01 03/02 21 20+108 5988 319,339,371,372 LindinalvaMamede 12/01 14/01 01/02 18 2+106 7000 390,391,406,420,433,407 Silvio Rodrigues 12/01 14/01 02/02 20 8+180 5250 341,358,374,375 Paulo Marssola 12/01 14/01 05/02 23 20+112 4300 369,370,385,386,402 Subtotal 104 70+586 27.370 22 cartas Osvaldo Nogueira 14/04 14/04 05/05 21 20+100 5634 275,276,300,301 Pires Neto 17/04 17/04 03/05 16 19+101 5760 277,278,302,303,322,323 LindinalvaMamede 22/04 22/04 04/05 13 10+66 5500 220,247,273,274,298,299,319, Silvio Rodrigues 10/04 11/04 07/05 27 20+198 6870 246,297,318,parte 273,298 Subtotal 77 69+465 23.764 22 cartas Osvaldo Nogueira 11/09 12/09 06/10 25 12+110 6200 373,388,389,404 Silvia Alvarenga 11/09 12/09 06/10 25 20+120 6619 370,386,402,403,417,418 Alberto Bistrichi 22/09 22/09 03/10 10 10+65 3500 405,406,419,420,433 Celso Goulart 11/09 12/09 06/10 25 21+178 7310 317,372,387,404 Subtotal 85 63+473 98.454 19 cartas 355 282+2.033 173.279TOTAL GERAL PARTICIPAÇÃO DE CREUZA BEZERRA NO PERÓDO DE 22/09/97 A 02/10/97 (10 DIAS) FONTE: CNEC, 1997 4ª (1997) 2ª (1997) DADOS FÍSICOS DAS CAMPANHAS 1ª (1996) 3ª (1997) INÍCIOCUIABÁCAMPANHAS TÉCNICOS CARTAS PERCORRIDAS (Nº MIR)RETORNO DIAS DE CAMPO Perfis+pontos de campo Km PERCORRIDOS 36 Essa fase constou da generalização cartográfica, através da aglutinação de áreas de pequena expressão cartográfica, não representativas na escala de 1:1.500.000, como por exemplo pequenos sistemas de Planícies Fluviais isoladas, áreas diminutas de sistemas de Dissecação em Colinas e Morros, ou ainda faixas mapeadas como sistema de Escarpa, que passam a ser representadospor símbolos lineares, entre outros. A complexidade dos sistemas geomorfológicos, em função de sua gênese definida à partir da determinação de relações entre materiais de origem, processos, idade; características morfológicas e morfométricas; somente passível de reconhecimento técnico- interpretativo, não permitiu proceder às necessárias generalizações cartográficas através de um critério único, executado em meio digital. Em razão disto, esse processo foi elaborado analogicamente, estudando-se caso a caso, de forma que não se omitissem informações importantes e estabelecendo-se as melhores formas de redelimitação das unidades de mapeamento dos sistemas. Esses procedimentos foram desenvolvidos em duas fases distintas. A primeira referente à passagem da escala 1:250.000 para 1:500.000 e a segunda, de 1:500.000 para 1:1.000.000. Em cada fase se procederam a generalizações e adequações já se projetando à fase seguinte, assim na segunda fase (escala 1:1.000.000), se procedeu as generalizações prevendo-se a redução final para a escala 1:1.500.000. As análises e avaliações para se eliminar ou agrupar unidades de mapeamento, foram efetuadas para cada mancha de relevo individualmente, julgando-se além da sua representatividade cartográfica, a importância de cada situação e suas implicações no todo, buscando-se assim as melhores alternativas para cada situação em particular. A execução deste trabalho constou das seguintes etapas: − Redução cartográfica das cartas originais na escala 1:250.000 para escala intermediária de 1:500.000; − Avaliação e análise das unidades que deveriam ser eliminadas por falta de representatividade cartográfica; − Nova redução cartográfica do produto na escala 1:500.000 para escala 1:1.000.000; − Repetição da operação do item anterior, e projeta-se nesta etapa, as manchas que deverão ser eliminadas, visando a redução para a escala final (1:1.500.000). Nesta fase também se avalia a distribuição espacial das unidades de mapeamento, bem como a uniformidade e homogeneidade dos vários polígonos, de forma que guardadas as devidas proporções, seja mantido um desenho e arranjamento harmônico de linhas e polígonos; − Procede-se a redução para a escala 1:1.500.000; − Os delineamentos nesta escala são então, ajustados sobre a base cartográfica elaborada para este fim, e em seguida são introduzidos em meio digital. Finalmente, a consolidação das informações contidas nas memórias técnicas, relativas aos sistemas geomorfológicos espacializados naquele mapa, deram origem ao Relatório Técnico Consolidado de Geomorfologia do Estado de Mato Grosso. 37 4. SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO GEOMORFOLÓGICA DO ESTADO DE MATO GROSSO 4.1. SISTEMA DENUDACIONAL – Dn 4.1.1. Sistema Denudacional/Estrutural – S 4.1.1.1. Sistema de Blocos Falhados – Sf Caracteriza-se estruturalmente como uma área onde esforços tectônicos interferem severamente na disposição das formas de relevo através de falhas e fissuras. As linhas de falhas e fraturas têm orientações bem definidas (Foto 001). O resultado destes esforços gera relevos com blocos abatidos (graben) e outros elevados (horst), que interferem na topografia original. No Estado de Mato Grosso, esse sistema distribui-se em seis regiões, associado a estruturas regionais, com situações muito diferenciadas em relação aos processos de dissecação, a saber: − Região noroeste, relacionada à Chapada dos Dardanelos A Chapada de Dardanelos pode ser caracterizada como um relevo residual, parcialmente delimitado por escarpas erosivas e/ou de falhas, cujo topo apresenta dissecação, que aumenta de norte para sul e de onde emergem relevos residuais tabuliformes menores. A estruturação regional do relevo, porém, possui características originadas antes e depois deste processo de basculamento. Como características herdadas podem ser citadas as áreas de aplanamentos residuais localizadas nos topos e a rede de drenagem principal que corta a estrutura em sentido sul–norte em especial os rios Aripuanã, o Canamã e o Natal. Como características modernas destacam-se a instalação de rede de drenagem de menor porte, que disseca grande parte do sistema, e a elaboração e destruição de formações superficiais, como por exemplo os colúvios, tálus de detritos, crostas ferruginosas e solos. Este sistema está esculpido em litologias pré-Cambrianas diferenciadas, com sedimentos do Grupo Beneficente, na parte meridional, aos quais se sobrepõem os arenitos ortoquartzíticos arcóseos da Formação Dardanelos, na porção centro-norte. A ocorrência de litologias diferentes aflorando num mesmo bloco de relevo, proporciona feições geomorfológicas distintas de norte para sul. Nesta unidade o controle estrutural maior determina um aumento na dissecação, ocorrendo formas dissecadas de topos tabulares, convexos e aguçados, pouco extensas e muito entalhadas pela drenagem. Já na parte centro- norte, o relevo é pouco dissecado em formas tabulares, com espaçamento interno amplo. O reconhecimento desta unidade morfoestrutural é facilmente identificado na borda norte através da existência da Falha de Dardanelos, que segundo SILVA et al. (1980) apresenta-se “com uma extensão de 140km e a direção NW-SE, parece tratar-se de uma escarpa de linha de falha” que delimita a face nordeste do sistema de bloco de falhados. Todo o conjunto de relevo delimitado por esta falha apresenta-se adernado a sudoeste, fato verificado pelo caimento regional dos relevos residuais das superfícies aplanadas e conservadas que ocupam posição de cimeira. Verifica-se ao longo da linha da escarpa, um corpo de tálus composto por material de dimensões variáveis, como areias finas a blocos métricos do arenito Dardanelos, formando pacotes de até 50m de espessura. A altimetria da região varia entre 130 e 400 m, diminuindo de sul para norte, enquanto as formas tabulares residuais apresentam desníveis aproximados de 50 m. 38 A rede de drenagem da área é relativamente encaixada, dificultando o surgimento de planícies, mas permitindo a formação de corredeiras principalmente na borda norte, no contato da Chapada com a Depressão, destacando-se aí a Cachoeira Dardanelos. Esta queda d'água apresenta no topo cerca de 5 degraus sucessivos com cerca de 55 m, depois se desenvolve em queda livre aproximadamente de 75 m, perfazendo em torno de 130 m. O salto termina em um nicho escavado no leito do rio, no sopé da chapada.(Foto 002). Como os padrões de dissecação variam muito nesta unidade, ocorrem também diferentes tipos de solos: Litólicos, Areias Quartzosas, Solos Concrecionários e manchas restritas de Latossolos Vermelho-Amarelos, enquanto que na região sudoeste, ocorrem Cambissolos, Podzólicos e Litólicos. Esta área apresenta ainda características de cobertura vegetal bastante preservada, predominando processos naturais de infiltração e escoamento laminar, além da destruição das crostas ferruginosas, em diversos segmentos do relevo, formação de pequenos sulcos nas margens das estradas vicinais, e erosão laminar nas áreas desmatadas e ocupadas com pastagem.(Foto 003). − Região leste, relacionado ao Planalto dos Alcantilados Esta unidade é formada por um conjunto de relevos complexos, muito dissecados, elaborados em substrato sedimentar da Bacia do Paraná, representado pelas Formações Ponta Grossa, Aquidauana, Palermo, Botucatu, e Marília. Posicionada entre as cotas de 350 a 850m, esta unidade articula-se ao sul com o Planalto do Taquari/Alto Araguaia, a oeste e noroeste com a Chapada e Planalto dos Guimarães, a norte com a Depressão de Paranatinga, a nordeste com a Depressão do Araguaia e a leste adentra o Estado de Goiás. Através da disposição do relevo, com drenagens adaptadas às estruturas geológicas, colinas com topos desnivelados e basculados, patamares estruturais escalonados, ressaltos topográficos associados a linhas de falha e inversões estratigráficas, deduz-se com clareza que todo o sistema foi fortemente influenciadopor tectônica. Caracteriza-se por bordas escarpadas, vales encaixados e feições intensamente dissecadas, formando um conjunto muito recortado que eventualmente se intercala com níveis de erosão embutidos. Os topos dos relevos são planos e/ou fracamente dissecados. (Foto 004 e 005). As formas em geral refletem as estruturas de horts e graben e/ou falhamentos de rejeitos verticais. O controle estrutural é dado por descontinuidades que apresentam como orientação principal NE-SW e, secundariamente, NW-SE e N-S. Aparentemente, muitos topos apresentam-se inclinados. Nas áreas dos patamares estruturais, há freqüentemente rochas expostas decorrentes dos processos de ablação. A ação dos processos morfogenéticos gera instabilidade em função da fragilidade do próprio quadro geomorfológico. As formações superficiais derivadas de sedimentos da Bacia do Paraná geram uma grande variabilidade dos solos, que apresentam texturas diferenciadas desde arenosa, areno- argilosa e argilosa, que originaram solos de Areias Quartzosas, Latossolos Vermelho- Amarelos, Latossolos Vermelho-Escuros associados a Cambissolos e litólicos, além de localmente Podzólicos Vermelho-Amarelos bastante lixiviados. A dinâmica superficial é dominada por escoamento difuso. Os rios que drenam essa região encontram-se muito assoreados devido ao uso de práticas agrícolas inadequadas. 39 Localmente, ocorrem sulcos e ravinas, originadas, principalmente, por má conservação das estradas. − Região centro- norte relacionado à Chapada dos Caiabis Constitui um alinhamento de relevos residuais predominantemente de topos planos, dispostos em duas faixas, configurando um alinhamento alongado, de forma elipsoidal, e de direção geral NW/SE, com bordas elevadas e a parte interna deprimida, constituindo um graben topograficamente invertido, conformando Blocos Falhados, com formas distintas, quanto ao seu posicionamento, altimetria e inter-relações com os aplanamentos mais baixos que o circundam. As bordas norte e sul desta estrutura apresentam relevos estruturais de topos planos preservados ou levemente dissecados em formas tabulares, ocorrendo em menor escala formas de topos convexos. Na borda norte, a altimetria atinge 500 m, e o contato com o Sistema de Colinas e Morros (Cl-Mr) se dá através de escarpas estruturais bastante dissecadas com orientação N80W. Esse limite faz uma inflexão forte para sudoeste até interceptar uma escarpa de linha de falha, com orientação N 70° W. Essa escarpa, para noroeste forma um degrau sobre a superfície da Serra, que se constitui no interflúvio das bacias dos Rios Teles Pires e Arinos. Para sudeste, faz o limite com o Sistema de Aplanamento S3, apresentando nova inflexão passando a ter orientação N 20° W. O trecho mais representativo deste sistema, corresponde à borda ocidental da Serra dos Caiabis. Assinala-se um conjunto de patamares estruturais, parte esculpido nos arenitos ortoquartzitos, arcóseos e conglomerados da Formação Dardanelos e parte nos basaltos da Formação Arinos. Esta seqüência de patamares tem caimento para sudeste, as cotas decrescem até atingirem 380 m. Observa-se nitidamente três patamares. O mais elevado é o mais contínuo. Os outros dois, mais baixos apresentam-se descontínuos e localmente se coalescem. A borda leste é caracterizada por apresentar formas de topos tabulares, delimitadas por escarpas erosivas e pela dissecação mais profunda, evidenciada pela alta densidade de drenagens existentes nesta porção. Nos topos da Serra dos Caiabis assinalam-se formações superficiais de natureza arenosa e nas escarpas de arenitos que as contornam, há um grande pacote de material concrecionário em degradação, que vai desaparecendo à medida que segue para o topo da serra, dando lugar às formações superficiais arenosas. As escarpas que limitam o Sistema de Blocos Falhados, do Sistema S3, têm amplitudes de 20 a 80m, são limitadas por rupturas de declive positivas, que marcam o aumento de declividade. Na frente da escarpa ocorrem morrotes e interflúvios pequenos, conformando residuais sustentadas por laterita, elevados de 15 a 25m sobre o relevo colinoso que caracteriza o Sistema S3. As vertentes são contínuas e descontínuas com segmentos retilíneos e convexos, freqüentemente com afloramentos rochosos e depósitos de blocos. Os vales são erosivos abertos e com canais em rocha. A densidade de drenagem é média e o padrão sub-dendrítico. Associados às escarpas erosivas ocorrem ainda espigões de topos convexos estreitos, que caracterizam o festonamento dessas formas de relevo. Essa cobertura superficial arenosa e com blocos de arenito, associada à declividade mais acentuada das encostas favorece a ocorrência generalizada de erosão laminar, em sulcos e ravinas com moderada intensidade, que é comumente intensificada ao longo das estradas, em conseqüência de falta de obras adequadas de drenagem de águas pluviais. Nas encostas mais íngremes pode ocorrer rastejo localizado e de baixa intensidade. 40 Formações superficiais arenosas, intercaladas com setores de couraças em fase de degradação, originaram solos do tipo Latossolos Vermelho-Amarelos, Areias Quartzosas e Solos Concrecionários. A dinâmica superficial está relacionada ao escoamento superficial difuso e subsuperficial nos topos preservados, que oferecem boas condições de terreno a uma ocupação mais intensa. Localmente, nos rebordos erosivos, ocorre escoamento semiconcentrado e concentrado. Nestas áreas, a dinâmica superficial não oferece características favoráveis a instalação de sistema viário, pois as altas declividades oferecem uma energia potencial muito alta ao escoamento, podendo gerar ravinas. − Extremo norte relacionado à Chapada do Cachimbo Este sistema, com altitudes que variam de 300 a 460 m, corresponde estruturalmente à borda sul de uma bacia sedimentar, cuja unidade tectônica é denominada de “Graben do Cachimbo”. Caracteriza-se estruturalmente como uma área fortemente falhada e fraturada,onde localmente assinalam-se feições de enrugamentos, decorrentes de camadas de resistências diferentes. As formas de relevo são resultantes do controle estrutural e litológico. Assim, os relevos mais altos, apresentam-se muito recortados, alguns alongados, geralmente contornados por escarpas estruturais. Constituiu-se essencialmente de litologias pré-cambrianas, sobretudo arenitos ortoquartzíticos parcialmente deformados do Grupo Beneficiente (SILVA et al, 1980). Nas áreas dissecadas a rede de drenagem, com padrão paralelo dominante, revela a influência de um sistema de falhas e fraturas constituindo zonas de fraqueza de direções NW- SE e NE-SW. Estes modelados apresentam Solos Litólicos, Areias Quartzosas e afloramentos rochosos, além de Podzólicos Vermelho-Amarelos, localmente. A baixa densidade de drenagem é explicada pela porosidade do arenito e pelas fraturas e diáclases, reduzindo, portanto, o escoamento superficial difuso e favorecendo o escoamento subsuperficial. Por suas características morfológicas, e pela pequena espessura dos materiais superficiais, a erosão laminar é muito baixa. Não foram observados sulcos e ravinas. − Relevos residuais do extremo noroeste do Estado Este sistema ocorre em áreas isoladas, dentro do grande conjunto das áreas aplanadas, configurando residuais localmente alçadas. Estes relevos são genericamente denominados de serras, como a Serra do Pingueiro, Serra da Fortaleza e Serra da Conceição. Esta unidade é elaborada sobre os sedimentos da Formação Prainha, composta predominantemente por arenitos arcoseanos e níveis conglomeráticos, siltitos e argilitos em intercalações. Nas áreas envoltórias mais baixas ocorrem rochas do Complexo Xingu ao norte e leste, e prolongam-se em cotas mais baixas a sul e oeste, os sedimentos da Formação Prainha. O material superficial é essencialmente composto por areias fracamente intemperizadas e pedogenizadas e afloramentos rochosos. Nas áreas dos topos tabularesmais altos ocorrem fenômenos de ferruginização, gerando horizontes mosqueados e uma incipiente formação de crostas ferruginosas. O mapeamento de solos indica uma pedogênese 41 incipiente, gerando Plintossolos nas áreas mais altas e Areias Quartzosas nas porções mais baixas do relevo “serrano”. − Região sudoeste, na Serra de Santa Bárbara Este sistema de relevo ocorre na borda nordeste e leste deste conjunto serrano, apresentando modelado de forte dissecação de índice Sf/f (a43). 4.1.1.1.1. Sistema de Blocos Falhados – Preservado – Sf/p Neste Planalto, o modelado Sf/p distribui-se ao longo de área de ocorrência do sistema sob forma de pequenos residuais e patamares estruturais basculados. − Região noroeste, relacionada à Chapada dos Dardanelos Este sistema corresponde aos relevos elaborados por um processo de aplanamento que cortou rochas da Formação Dardanelos e a oeste, da Formação Mutum Paraná, os quais atualmente se encontram em posição de cimeira do relevo regional, constituindo uma feição herdada. O nivelamento desta superfície está próximo da altitude de 500m, com caimento em direção as bordas. As declividades nos topos planos são inferiores a 1%, enquanto nos rebordos erosivos são superiores a 30%. As evidências do aplanamento são observadas no topo dos relevos preservados, que se apresentam livres do processo de dissecação, conformando mesetas alçadas altimetricamente pelo menos 100m em relação à superfície vizinha, que ocupa cotas entre 300 e 250m. Os rebordos erosivos geralmente possuem aproximadamente 80 m de desnível. De um modo geral esses relevos apresentam-se com pequena espessura de cobertura detritica, dificilmente alcançando mais que 0,5m. O processo de infiltração é bastante forte nos horizontes arenosos superficiais, porém sua pequena profundidade gera rapidamente a saturação do solo nos períodos chuvosos e concomitantemente, ocorre escoamento superficial laminar ou concentrado, com formação de pequenos sulcos. Os principais processos de dinâmica superficial, observados em campo foram o recuo de cabeceiras nas escarpas erosivas no contato entre as áreas de mesetas, escorregamento nas bordas dos rebordos erosivos e a formação de tálus de detritos na base das escarpas. − Região centro- norte relacionado à Chapada dos Caiabis Nesta região, essa categoria de modelado preservado localiza-se principalmente nas áreas mais elevadas, representadas pelos relevos serranos planos e por elevações irregulares, definidas por patamares estruturais da Serra dos Caiabis, postados em níveis altimétricos de 320 a 560 m, contornados por escarpas erosivas e/ou estruturais. Nas bordas norte, sul e oeste da Serra dos Caiabis, os modelados planos comportam bordas em patamares, ladeados por relevos tabulares balizados por escarpas. O nível topográfico decresce de NW para SE com visível mergulho das camadas evidenciado movimento de báscula. Essa homogeneidade dos topos indica que a superfície foi truncada por processos de aplanamento, e a seqüência de patamares, com mergulhos para oeste, evidencia que foi posteriormente basculada, provavelmente, representando remanescentes de um nível de erosão muito antigo, ainda não dissecado pela rede de drenagem. Nos topos as 42 declividades são inferiores a 2%, enquanto nos rebordos pode atingir valores superiores a 45%. Abrange litologias das Formações Dardanelos e Arinos, que resultaram solos de texturas arenosas, areno-argilosas e localmente argilosas formando os Latossolos, Solos Concrecionários, Areias Quartzosas e Terra Roxa Estruturada. − Região leste, relacionado ao Planalto dos Alcantilados O modelado plano preservado encontra-se disperso no Planalto dos Alcantilados, caracterizando-se pela homogeneidade e regularidade de extensas áreas aplanadas, geralmente contornadas por escarpas abruptas, formando alcantis. Em meio à esta paisagem muito recortada, configura-se em formas distintas, quanto ao seu posicionamento e altimetria. Situa-se nos topos das Serras da Saudade, dos Índios, do Taquaral, e da Barra, em altimetrias que variam de 500 a 840 m. As evidências de que estes topos são remanescentes de um nível de erosão é uma indicação provável, contudo, o condicionamento dos processos erosivos pela litoestrutura é muito claro. Na Serra da Saudade, o seu reverso tem leve caimento e apresenta aspecto de chapadão. Mais a leste, todo o sistema é delimitado por falhas normais do Sistema de Falhas do Rio Garças, sendo que os blocos altos deste sistema correspondem às Serras da Barra e do Taquaral. 4.1.1.1.2. Sistema de Blocos Falhados – Suave Dissecação – Sf/s O sistema Sf/s funciona como piso para os relevos mais dissecados. O padrão de formas predominante é conformado por colinas médias a amplas, com topos sub- horizontalizados, vertentes retilíneas, com aprofundamento fraco dos vales fluviais. Constitui-se de feições de dissecação com grau de entalhamento fraco, em torno de 20 m, com perfil em “V” aberto e densidade de drenagem variável, porém baixa. Os espaçamentos interfluviais predominantes variam de 750 a 3.750 m. As declividades médias são inferiores a 5%.O padrão de drenagem predominante é sub-dendrítico. − Região noroeste, relacionado à Chapada de Dardanelos Esse modelado conforma nitidamente uma superfície de aplanamento atualmente dissecada pela drenagem do Rio Aripuanã e seus afluentes, conformando amplas colinas de topos tabulares, subhorizontalizados, com dimensão interfluvial entre 3.750 e 12.750 m, e longas vertentes retilíneas ou convexizadas com baixas declividades, apresentando índice predominante Sf/s (t11). As altitudes variam entre 130 e 400 m, com caimento geral para norte e local em direção ao vale do Rio Aripuanã. Encravadas nesta superfície encontram-se relevos em forma de mesetas pertencentes ao relevo preservado. − Região leste, relacionado ao Planalto dos Alcantilados Esse modelado além de representar o piso para relevos mais dissecados, ocorre nos topos elevados dos relevos serranos; acompanha a borda destas serras; contorna os modelados planos conservados e distribui-se nas vertentes que se conectam com níveis de erosão mais baixos. A morfologia abrange predominantemente formas aplanadas, colinosas ou tabulares, com padrões de modelados de topos tabulares e localmente convexos. O espaçamento 43 interfluvial é muito variável, predominante entre 1.750 e 3.750 m, com índices de Sf/s (t12 e c12), secundariamente essas dimensões variam entre 750 a 12.750 m, definindo índices de (c12, c13, c21, c22, t13, t21, t22). O padrão de drenagem é subdendrítico com forte estruturação dos seus elementos e o aprofundamento de drenagem é fraco, em média entre 15 a 30 m. As vertentes são em geral compostas por segmentos retilíneos e convexos, são simétricas e contínuas, com declives de 6 a 15%, e em locais menos acidentados, de 3 a 8%. Este relevo é parcialmente contornado por escarpas, que se unem em aclive aos planos mais elevados formando patamares estruturais, de onde emergem inúmeros relevos residuais isolados, em forma de morros baixos, alongados, com topos basculados, truncados e subnivelados. Os topos são tabulares estreitos e as vertentes são curtas, abruptas, descontínuas e assimétricas, com perfil retilíneo, convexo e côncavo e, geralmente sem vegetação, ligadas aos níveis mais baixos por rampas de tálus. Essas formas resultam de influências estruturais e litológicas. − Região centro- norte relacionado à Chapada dos Caiabis Esta categoria de relevos dissecados ocupa setores que ladeiam o modelado plano conservado. Ocorre no segmento norte e na borda sul da Serra dos Caiabis. Constitui-se de planos dissecados, de topos tabulares e localmente convexos, postados em níveis altimétricos de 320 a 500 m, com caimentos para sudeste acompanhando o movimento de báscula. Correspondem a modelados de formas amplas, com dimensões interfluviais predominantes de 1.750 a 12.750 m, com índicesde dissecação baixos, (t11, t12) e secundariamente (c22). As vertentes são retilíneas e localmente convexizadas, apresentando declives fracos inferiores a 3%, as bordas são geralmente contornadas por escarpas ou por ressaltos topográficos, os declives são mais acentuados, em torno de 40%. − Extremo norte relacionado à Chapada do Cachimbo Essa superfície de maneira geral comporta-se como pequena mancha originada pela terminação da estrutura do Cachimbo. Algumas dessas formas guardam traços da topografia anterior como os modelados de topos tabulares (t11 e c13), onde os topos estão truncados, ou onde são encontrados materiais arenosos remobilizados de rochas epimetamorfizadas do Grupo Beneficente. − Relevos residuais do extremo noroeste do Estado O conjunto de Blocos Falhados - Suave Dissecação- Sf/s- apresenta como características principais a ocorrência de escarpas erosivas em sua porção norte, delimitando o contato com o Sistema de Aplanamento (S3) Ap3, e um suave caimento das camadas no sentido sudoeste, indicando um adernamento da estrutura, inverso ao caimento da topografia e também da rede de drenagem regional. Essa situação é recorrente nos diversos blocos. As cotas topográficas indicam valores de 250 a 290 m nas áreas de topos e 170 m nas áreas mais baixas. A classificação dos padrões de forma indica predomínio da classe Sf/s (t13). A rede de drenagem sofre um certo controle estrutural, com padrões do tipo paralelo a sub-dendrítico e densidade de drenagem média. Um dos fatores indicativos deste fenômeno pode ser observado no vale do Igarapé Cujubim que corta a Serra do Pingueiro no sentido sudeste/noroeste. 44 4.1.1.1.3. Sistema de Blocos Falhados – Média Dissecação – Sf/m Esta feição morfoestrutural é caracterizada por colinas de topos arredondados e interflúvios tabulares em formas mais elevadas alongadas contornadas por escarpas, coincidentes com o alinhamento geral da estrutura. As encostas são medianamente inclinadas de 8 a 20% e localmente 30%, com canais de primeira ordem, que reentalham as vertentes. Predominantemente, o espaçamento interfluvial está entre 250 a 1.750 m e os vales apresentam incisão de até 40 m. − Região noroeste, relacionado à Chapada dos Dardanelos Este conjunto de relevos é representado por pequenas áreas residuais, configurando pequenos morros e morrotes, por vezes alongados. Na extremidade sudoeste desta Chapada, ocupa parte das bacias hidrográficas dos rios Capitão Cardoso, Amarelinho e da Eugênia. Ocorre também em uma pequena faixa na Serra Grande ou Morena. O entalhamento chega a atingir valores de até 50 m, as dimensões interfluviais variam entre 250 e 3.750 m e as declividades médias são inferiores a 15%. Os padrões predominantes são Sf/m (c33, c23, c24 e c14). O modelado apresenta topos convexizados com vertentes convexas ou retilíneas e vales encaixados. O padrão de drenagem predominante é paralelo a sub-dendrítico. As altitudes variam entre 300 e 450 m. Como constituem áreas de relevos residuais, a rede de drenagem é composta por canais de primeira e segunda ordem, conformando padrão sub-dendrítico. O material superficial é composto por alteração autóctone do embasamento da Formação Mutum-Paraná constituido por um conjunto de rochas clásticas e piroclásticas epimetamorfizadas, constituído por arenitos, siltitos, folhelhos e tufos, além de sedimentos da Formação Prainha no extremo noroeste do Estado. O manto de intemperismo é profundo, composto basicamente por material argiloso, ocorrendo, entretanto, áreas com crostas ferruginosas pisoliticas em posições de baixa vertente.(Foto 006). − Região centro- norte relacionado à Chapada dos Caiabis No graben dos Caiabis, esse modelado encontra-se disperso no interior da estrutura e está associado a relevos residuais espalhados nesta paisagem. Alguns são contornados por escarpas erosivas. São elevações dissecadas com topos tabulares, vertentes declivosas em torno de 18%; que em alguns setores chegam a 25%. O padrão de relevo predominante é classificado como Sf/m (t23), compreendendo dimensões interfluviais de 750 a 1.750 m e entalhe dos vales entre 20 e 40 m. A densidade de drenagem é de média a alta e os vales encaixados têm forma de V. Esses modelados estão seccionados por drenagem de 1ª ordem. Alguns sulcos que descem as vertentes têm regime intermitente. − Extremo norte relacionado à Chapada do Cachimbo Nesta chapada, o modelado de média dissecação está representado em uma pequena mancha, localizada à margem direita do Rio Teles Pires, próximo à divisa do Estado de Mato Grosso. São formas de dissecação caracterizadas por vales mais aprofundados, em torno de 30 m, localmente 10 a 20 m, com espaçamento interfluvial de 750 a 1.750 m. As declividades médias atingem valores entre 3 e 8%. A este modelado com drenagem mais 45 aprofundada, estão associadas as vertentes e a base das elevações residuais. Os topos dessas formas são predominantemente convexizados e localmente tabulares com índice predominante Sf/m (c33). − Região leste, relacionado ao Planalto dos Alcantilados O sistema Sf/m distribui-se por extensas áreas, principalmente na região das Serras das Parnaíbas; do Taquaral e da Barra; e em maior extensão no divisor nas bacias dos rios Batovi, Garças e Peixe; nas cabeceiras dos Rios Diamantino; em afluentes do Rio Areias e do Rio São João, formadores do Rio Vermelho; no Rio Paraíso, próximo à cidade de Paraíso do Leste. São freqüentes as ocorrências de pequenos patamares delimitados por escarpas recortadas e alcantiladas e formas estruturais tabulares delimitadas por escarpas erosivas e estruturais, vales erosivos, morros de topos truncados e basculados. Dessa forma, relevos controlados pela estrutura, como patamares estruturais, escarpas, caracterizam esse sistema. Percebe-se pela quantidade de índices de dissecação, a complexidade desse sistema, que abriga desde relevos de colinas pequenas a residuais tabulares, distribuídos ao longo das faixas topográficas de 400 e 800 m. Os índices predominantes são: Sf/f (t33, c33, c32, c24 e c14). Assim, essa compartimentação é sobretudo decorrente da grande quantidade de formações geológicas que ocorrem na área, da heterogeneidade dos materiais do substrato e suas diferentes respostas frente aos processos morfogenéticos e pela alta quantidade de descontinuidades que cortam as unidades litoestratigráficas. Na região do Rio das Garças e Diamantino, os vales apresentam-se muito encaixados e sem planícies aluviais. Geralmente os cursos são delimitados por paredões rochosos muito íngremes formando verdadeiros canyons. Os rios transportam todo material que recebem sem depositá-los. Por se tratar de um sistema de relevo jovem, processos de erosão concentrada ocorrem com moderada freqüência e intensidade. Ao longo das formas mais movimentadas, a evolução do relevo sucede-se através de escorregamentos e movimentos lentos dos solos. Processos gravitacionais como queda de blocos e depósitos débris também ocorrem localmente e, com freqüência, próximo a Serra das Paraíbas. 4.1.1.1.4. Sistema de Blocos Falhados – Forte Dissecação – Sf/f O sistema Sf/f, representa tipicamente os relevos alcantilados. Constitui-se em morros e morrotes, por vezes alongados, serras em alcantil, morros tabulares marcados por ressaltos erosivos e escarpas de linhas de falha associadas a descontinuidades geológicas. − Região noroeste, relacionado à Chapada dos Dardanelos Este conjunto de relevo ocorre em altitudes entre 240 e 500 m, em situações específicas, geralmente associado aos rebordos erosivos de superfícies preservadas. Constitui- se de morros e morrotes alongados, com forte entalhamento, geralmente entre 60 e 80 m e interflúvios entre 250 e 750 m, com topos aguçados e com vertentes retilíneas a convexas. As declividades são altas, comportando valores superiores a 60%. Os padrões predominantes de relevo conformam classes do tipo Sf/f (c34).46 Como geralmente conformam áreas de cabeceiras, a drenagem é basicamente de primeira ordem, com padrão subdendrítico. Muitas vezes constitui-se de canais temporários, que funcionam apenas em episódios chuvosos. Predominam processos naturais de infiltração e escoamento superficial. Por ser um relevo com altas declividades, podem ocorrem processos de evolução de relevo, como por exemplo, o recuo de cabeceiras com ocorrência de deslizamento e ravinamento. − Região leste, relacionado ao Planalto dos Alcantilados Neste planalto, o modelado de forte dissecação configura a Serra do Rio do Peixe, a leste da cidade de Poxoréu; acompanha as áreas mais elevadas junto à Serra da Petrovina, uma região muito recortada, controlada por estruturas geológicas (falhas e fraturas) com direções preferenciais NE-SW e NW-SE; distribui-se nas Serras do Taquaral e da Saudade; e nas proximidades da Serra do Caiapó, acompanhando principalmente a área mais elevada, seccionada pelos formadores do Rio das Garças. Distribui-se ao longo das faixas topográficas de 450 e 700 m. Esse sistema apresenta predominantemente, formas aguçadas, com índices (c25, a34, a43), que revelam dimensões interfluviais entre 250 a 1.750 m e entalhe da rede de drenagem forte, entre 60 a 160 m. As declividades são elevadas, geralmente superiores a 30%. Apresenta formas serranas, como espigões digitados e morros alongados, de topos aguçados com rupturas positivas de declive. As vertentes são descontínuas, com pequenas rupturas de declive ao longo do perfil. Prevalecem os segmentos convexos, retilíneos e côncavos. Diferentemente dos outros modelados do Sistema de Blocos Falhados (Sf), esse padrão de formas não apresenta patamares. O controle da rede de drenagem fica evidenciado pelos lineamentos e grande quantidade de canais de primeira ordem que geram anfiteatros erosivos remontantes. O padrão de drenagem é dendrítico a sub-dendrítico, com alta densidade de canais. A dinâmica está relacionada ao predomínio de escoamento superficial concentrado em relação ao difuso. Em alguns locais de vertentes mais abruptas, ocorre queda de blocos e escorregamentos. − Extremo norte relacionado à Chapada do Cachimbo Neste sistema a classe de modelado fortemente dissecado tem pouca expressão areal, restringindo-se à face norte da Serra do Rochedo e a pequeno trecho no setor oeste da mesma serra. Compreende formas de topos aguçados e convexizados, com dimensão interfluvial de 250 a 750 m e aprofundamento de drenagem forte, geralmente entre 40 e 80 metros, com índice de dissecação do tipo Sf/f(c34). São áreas geralmente sem formações superficiais. Quando estas ocorrem, são pouco espessas e formam solos Litólicos. − Região sudoeste, na Serra de Santa Bárbara Este sistema de relevo ocorre na borda nordeste e leste deste conjunto serrano, entre cotas aproximadas de 350 a 600 m, sendo que as cotas menores coalescem com o piso regional do relevo, a superfície S3 (Ap3/s). Configura um modelado de forte dissecação, de índice Sf/f (a43), delimitado por escarpas abruptas formando alinhamento de cristas contínuas, esculpidas em sedimentos litificados da Formação Fortuna, sobre os quais desenvolvem-se solos Litólicos. 47 Esse sistema é vulnerável aos processos de movimentos de massa tipo deslizamentos e desmoronamentos, apresentando depósitos coluviais e de tálus, nas bases das vertentes. As declividades elevadas, de modelado forte ondulado a escarpado, configuram indicadores de áreas a serem preservadas. Predominam processos de escoamento superficial concentrado nas vertentes. 4.1.1.2. Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – St Este sistema ocorre no extremo sudoeste do Estado de Mato Grosso, correspondente à Serra Ricardo Franco, um planalto residual que se estende ao longo da fronteira com a Bolívia, com direção noroeste - sudeste, por aproximadamente 130 km de extensão e 43 km de largura, no município de Vila Bela da Santíssima Trindade e à porção oeste da Serra de Santa Bárbara, nos municípios de Pontes e Lacerda e Porto Esperidião.(Foto 007). Do ponto de vista morfológico e altimétrico, a Serra Ricardo Franco apresenta uma grande diversidade altimétrica, as altitudes oscilam entre 300 e 1.100 m. Em sua porção sul, na Folha Serra Ricardo Franco - MIR369, compreende um conjunto de patamares estruturais nivelados entre 560 e 940 m de altitude. Em seus rebordos, o relevo torna-se mais dissecado, ocorrendo o Sistema de Dissecação em Escarpa (EF) de topos aguçados e fortemente dissecados, que margeia toda a Serra. Na porção noroeste do sistema, predominam as formas de topo horizontalizado, niveladas entre as cotas altimétricas de 350 e 640 m e levemente inclinadas para oeste. A Serra de Santa Bárbara, compreende áreas com topos tabulares nivelados a aproximadamente 900 m, nos municípios de Pontes e Lacerda e Porto Espiridião. Estas áreas apresentam-se suavemente dissecadas pela rede de drenagem atual. O caráter sub- horizontalizado reflete em parte a disposição das estruturas sedimentares acamadadas subhorizontalmente. 4.1.1.2.1. Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – Suave Dissecação – St/s Este sistema ocupa a porção localizada no setor norte da Serra de Ricardo Franco. O modelado apresenta topos amplos com perfis tabulares, apresentando dimensões entre 3.750 e 12.750 m e entalhe dos vales abaixo de 20 m na média, com índices de dissecação St/s(t12). As declividades são baixas, com valores médios inferiores a 2%. A rede de drenagem apresenta padrão variando entre subparalelo e sub-dendrítico. Os vales são abertos, sem planície fluvial. O principal canal localizado nesta área é o Rio Verde, que serve de divisa entre o Brasil e a Bolívia. Este rio tem direção noroeste, compreendendo um vale com dissecação mais forte e acompanhando perpendicularmente a estrutura das camadas. O embasamento é composto por rochas do Grupo Aguapeí. O material derivado deste embasamento é preponderantemente arenoso, com pequena espessura. Afloramentos rochosos podem ocorrer em áreas restritas. Em alguns locais foram observados materiais superficiais compostos por uma cobertura de cascalho placóide, com seixos de arenito, dispersos em uma matriz arenosa fina, pouco consolidada. Pela inexistência de cortes, não foi possível observar a espessura deste material. Os solos mapeados nesta área são do tipo Litólico. Ocorrem também Latossolo Vermelho-Amarelo e Podzólico Vermelho-Amarelo. A dinâmica superficial encontra-se 48 preservada em suas características naturais. Nesta situação são esperados o escoamento laminar e a infiltração das águas pluviais. Feições suavemente dissecadas St/s(t22), com dimensões interfluviais entre 1.750 e 3.750m e entalhe de vales entre 20 e 40m, configuram também o conjunto de superfície de topo da Serra de Santa Bárbara, localizadas entre as altitudes de 500 e 900 m, dispostas em dois patamares distintos. Estes relevos em patamares escalonados estão associados a controle litoestrutural. Os topos são sub-horizontalizados, geralmente acompanhando as camadas do embasamento. O primeiro patamar ocupa as cotas entre 700 e 900 m, compreendendo o topo do conjunto serrano. O segundo ocupa um patamar localizado na porção noroeste do conjunto, conformado entre as cotas de 500 e 600 m aproximadamente. O substrato rochoso é constituído por sedimentos litificados do Grupo Aguapeí. O material superficial tende a ser predominantemente arenoso e pouco espesso. Localmente ocorrem afloramentos rochosos. Desenvolvem-se solos tipo Areia Quartzosa distrófica e Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico Predominam em condições naturais, o escoamento laminar nos topos e concentrado nas vertentes mais íngremes. Colúvios podem formar-se nas baixas vertentes. 4.1.1.2.2. Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – Média Dissecação - St/m O modelado St/m tem ocorrência restrita ao sul da Serra de Santa Bárbara, numa faixa ligeiramenteleste-oeste. Desenvolve-se sobre metassedimentos do Grupo Aguapeí e apresenta-se com índice de dissecação c23, que implica em formas colinosas, com distância interfluvial entre 750 e 1.750 m, e entalhes de 20 a 40 m. 4.1.1.2.3. Sistema de Planaltos com Estratos Horizontais – Forte Dissecação - St/f Este sistema ocupa a porção meridional da Serra de Ricardo Franco. É composto por topos tabulares fortemente dissecados. As dimensões interfluviais possuem valores entre 750 e 1.750 m em média, com vales encaixados, e entalhes que muitas vezes, ultrapassam os 160m de desnível, com índice de dissecação St/f (t53), formando pequenos canyons e vales muito encaixados. As declividades médias variam conforme a posição topomorfológica desta forma, os topos apresentam valores inferiores a 5%, enquanto nos vales podem ocorrem declividades acima de 30%. A rede de drenagem apresenta baixa a média densidade, com padrão paralelo a subparalelo, sendo comandada pelo Córrego Paraíso. O canal principal corta o sistema na direção noroeste, adentrando o Sistema Ap3 com direção nordeste. Os canais secundários, afluentes do Córrego Paraíso têm direções preferenciais nordeste, assim como, os canais que drenam o sistema em direção ao Rio Guaporé. O substrato rochoso é composto por rochas do Grupo Aguapeí (Formação Morro Cristalino), que encontram- se dispostas em camadas sub-horizontalizadas. Os solos desenvolvidos sobre este embasamento variam muito, em função da dissecação, do controle litológico e através de estruturas, como lineamentos e a própria disposição das camadas rochosas. Desta forma, são mapeados solos Litólicos associados a afloramentos rochosos, preferencialmente nas áreas de topos. Nos segmentos mais baixos desenvolvem-se solos do tipo Latossolo Amarelo e Areias Quartzosas. 49 A dinâmica superficial é controlada pelos fatores intrínsecos ao material superficial e à declividade do terreno. Desta forma, nas áreas de solos Litólicos e Afloramentos Rochosos ocorrem um predomínio do escoamento laminar, enquanto nas vertentes com maior inclinação prevalece o escoamento laminar e o concentrado. 4.1.1.3. Sistema de Patamares com Estratos Sub-horizontais – Spt Este sistema tem ocorrência restrita ao extremo sul do Estado de Mato Grosso, com pequena distribuição espacial, acompanhando a borda da escarpa da Serra de Caiapó, localizada no município de Alto Araguaia, localmente conhecida como Serra Vermelha. O padrão de formas, que representa este sistema é plano e preservado, e não apresenta modelado de dissecação.(Foto 008). 4.1.1.3.1. Sistema de Patamares com Estratos Sub-horizontais - Preservado - Spt/p Constitui-se de um patamar cujo segmento, delimitado pelo relevo serrano, foi esculpido em rochas permianas do Grupo Passa Dois e, localmente, sobre sill de diabásio da Formação Serra Geral. As escarpas que delimitam este patamar encontram-se muito falhadas, com direções preferenciais NE-SW, propiciando a evolução da encosta. A característica principal do relevo plano preservado Spt/p é a presença de declives inferiores a 3 %. Os patamares estão voltados para norte, atingindo, em sua base, o contato com o Sistema Misto de Aplanamento - Blocos Falhados (A-Sf). O material superficial é predominantemente autóctone. Os solos em geral estão relacionados às rochas do substrato, nas áreas de basalto têm-se Latossolo Roxo, Terra Roxa Estruturada e solos Litólicos. Nos outros conjuntos litológicos, Latossolo Vermelho-Amarelo. A dinâmica superficial é fraca em função do escoamento superficial difuso. 4.1.1.4. Sistema de Faixas Dobradas – Sd O Sistema de Faixas Dobradas, que ocorre no Estado de Mato Grosso está associado a eventos tectônicos antigos que atingiram rochas do Proterozóico Superior e que podem ter sido reativadas em episódios mais recentes e foram sujeitas a processos geomorfológicos diversos, como por exemplo o truncamento de estruturas dobradas através de processos de aplanamento, de processos denudacionais que provocam a inversão de relevos com o surgimento de anticlinais erodidas (combes), depressões em dorsos de anticlinais (ruz) e sinclinais soerguidas e de processos agradacionais que acabam por inumar extensas áreas através da pedimentação ou formação de depósitos sedimentares. Apesar destes processos denudacionais e agradacionais posteriores ao processo de dobramento, algumas porções do território do Estado de Mato Grosso ainda apresentam relevos onde predominam os aspectos estruturais associados aos eventos do Sistema de Faixas Dobradas, como por exemplo: − Região centro-sul do Estado associado a Faixa Orogênica Paraguai-Araguaia - Província Serrana Esse sistema localiza-se na porção centro-sul do Estado, limitado a norte pela Superfície de Aplanamento S2-Ap2, a leste pela Superfície S3-Ap3, a oeste pelo Sistema de Dissecação (Di) e a sul pelos Sistemas Agradacionais de Leques Fluviais. 50 A Província Serrana é contituida por um agrupamento de formas de relevo paralelas, apresentando direção aproximada NNE-SSO, ocupando uma faixa de 35 a 40 Km de largura, na porção centro-sul do Estado de Mato Grosso e defletindo para direção W-E em sua porção norte, onde passa a abranger relevos residuais de forma alongada e com 15 a 10 km de largura. As altitudes são variáveis, compreendendo o intervalo entre 300 e 700 metros. O embasamento litológico é composto por rochas do Grupo Alto Paraguai. Este sistema geomorfológico é facilmente identificado dos relevos de entorno por apresentar uma série de dobramentos, exibindo anticlinais e sinclinais estreitas e alongadas, em geral assimétricas. (Foto 009). Os processos erosivos agiram sobre uma área tectonicamente complexa, que além de dobramentos apresentam também falhamentos, gerando formas como depressões em dorso de anticlinal e sinclinais alçadas, evidenciando processos de inversão do relevo. Segundo FIGUEIREDO (1996) “processos erosivos possivelmente terciários e pós- terciários, atuando alternadamente em fases climáticas secas e úmidas, rebaixaram o relevo onde as rochas eram mais tenras, deixando em realce as litologias de maior resistência. Processaram desse modo uma erosão diferencial e, consequentemente, inversão de relevo. Assim, pode-se verificar atualmente que no vale das sinclinais, que se encontram mais rebaixadas, as formas de relevo foram esculpidas na Formação Sepotuba.” Nesta região os modelados predominantes são de forte e suave dissecação, ocorrendo associados padrões de média dissecação. − Região norte do Estado – Serra dos Apiacás Na porção norte do Estado de Mato Grosso e estendendo-se a oeste, pelo Estado do Amazonas e a leste pelo Estado do Pará, ocorre uma das áreas mapeadas como Sistema de Faixas Dobradas regionalmente designada de Serra dos Apiacás. Configura-se em formas distintas, quanto ao seu posicionamento altimetria e inter- relações com o aplanamento mais baixo que o circunda. (Foto 010). Estruturalmente, corresponde a uma faixa de rochas dobradas e falhadas do Grupo Beneficente, situado na borda sul do Graben do Cachimbo (SILVA et. al.,1980) que delineia uma frente de escarpa, delimitando este conjunto a sul com a Superfície Regional de Aplanamento S3 e com o Sistema de Dissecação em Colinas e Morros. De oeste para leste, o relevo apresenta feição alongada, esculpido em estruturas com camadas de fracos mergulhos, assinalando relevos cuestiformes, cortados transversalmente por gargantas, colocando-os em ligação com o aplanamento mais baixo. Os fronts vão se dissimulando à medida que a drenagem se adensa ou nas ligações com as áreas aplanadas, onde os limites são pouco precisos. O reverso tem caimento para norte com drenagem cataclinal acompanhando o mergulho das camadas e com padrão paralelo. Localmente o relevo apresenta-se evoluído em estruturas branquianticlinais e branquissinclinais, cujo eixo apresenta direção geral WNW-ESE. Trata-se de anticlinal parcialmente escavada e sinclinal topograficamenteelevada. As formas de relevo deste sistema encontram-se bastante alteradas por processos de dissecação e de aplanamento que retocaram o embasamento dobrado. Desta forma, o processo de dissecação mais recente, atuou sobre as rochas dobradas que embasam este sistema, assim, ocorrem áreas com diversos modelados distribuídos por todo o sistema. Como feições herdadas do dobramento, são visualizadas, por meio de imagens de satélite, bordas de sinclinais topograficamente invertidas e abas de anticlinais escavadas, que em alguns casos conformam cristas assimétricas. 51 Estas feições, associadas ao mergulho das camadas observadas na imagem de satélite e de radar, serviram como base para a definição desta área como pertencente a um Sistema de Faixas Dobradas, apesar dos processos geomórficos que atuaram sobre estas áreas. Este sistema além de se constituir no divisor de águas dos rios mais importantes, Juruena/Teles Pires, separa também os afluentes desses rios. Assim os tributários que nascem nos flancos da Serra dos Apiacás tomam rumo norte ou sul, enquanto os que nascem fora da unidade correm paralelos à serra até desaguar nos cursos principais que cortam o bloco de sul para norte. Em virtude de seccionarem estruturas dobradas da Serra dos Apiacás, os Rios Juruena e Teles Pires apresentam várias corredeiras, o que caracteriza vales fechados em “V”, às vezes formando canyons. O trecho compreendido entre a Serra do Mureru e o Rio Teles Pires é constituído por relevos tabulares, ainda conservados que assinalam bordas de estruturas dobradas, e por patamares com uma dissecação que aumenta de leste para oeste. A dissecação no interflúvio Juruena/Teles Pires apenas inicia o entalhamento dos topos tabulares. À medida que se aproxima da Serra do Mureru se torna mais acentuada, a ponto de formar cuestas. Neste sistema predominam os modelados de suave e média dissecação, ocorrendo subordinadamente os tipos preservados e de forte dissecação. − Região sudoeste do Estado acompanhando o conjunto serrano constituído pelos Planaltos Residuais do Alto Guaporé; Este sistema em parte corresponde à unidade morfoestrutural originalmente caracterizada e definida por KUX, BRASIL & FRANCO (1979), na Folha SD-20 - Guaporé, tendo sido mantida a denominação nas Folhas Cuiabá, por ROSS & SANTOS (1992) e na Folha SE-21- Corumbá (MAMEDE et al., 1983) e parte da Folha SE-21 por FRANCO & PINHEIRO (1982) como Planaltos Residuais do Alto Guaporé. A porção do Sistema de Faixas Dobradas compreende parte do conjunto de serras situadas na fachada sudoeste do Estado de Mato Grosso, que se destacam na Superfície de Aplanamento Ap3-S3, entre a área rampeada dissecada em Colinas e Morros (Cl-Mr) e o Sistema de Dissecação (Di). Caracterizam-se como formas residuais elevadas, dispostas na borda sudoeste do Planalto dos Parecis (Projeto RADAM), no sentido noroeste-sudeste, em altimetrias variáveis entre 250 e 810m, elaborados em litologias pré-Cambrianas, correlacionadas ao Grupo Aguapeí. O acamamento destas rochas é subhorizontal, originando escarpas em degraus em função da resistência diferencial das camadas subhorizontais aos processos erosivos. Também decorrentes das diferentes litologias podem ser observados, no conjunto de serras, diferentes planos de fraqueza (NW-SE, NE-SW, ENE-W), aos quais a drenagem se adaptou. Esse conjunto de Faixas Dobradas apresenta-se distribuído sob a forma de arco, compreendendo a porção sudeste da Serra de Santa Bárbara, a Serra de São Vicente e seus prolongamentos, constituindo pequenas serras em formas de cristas, representadas pelas Serras da Borda, do Cágado, Azul, Aguapeí, do Caldeirão e do Baú. Nesta porção do Estado, os modelados predominantes neste sistema são de forte dissecação, ocorrendo secundariamente padrões de suave e média dissecação. − Região nordeste do Estado acompanhando a calha do Rio Xingu, próximo ao limite com o Estado do Pará – Serra dos Jurunas 52 Essa porção do Sistema de Faixas Dobradas ocorre em uma área restrita, localizada na região nordeste do Estado, em nível topográfico variando entre 450 a 600m e sobressaido- se altimetricamente em relação à Superfície de Aplanamento S3. O padrão de relevo é composto por morros com topos tabulares ou aguçados, apresentando forte dissecação. A área de maior expressão espacial contínua deste sistema recebe as denominações locais de Serra dos Jurunas e Serra São Pedro. O embasamento litológico é dado pelas rochas sedimentares pré-cambrianas da Formação Cubencranquém. A ação tectônica é percebida pela presença de lineamentos estruturais marcados pelas sinclinais de São Pedro e do Ariranha. Estas características estruturais acabam por definir escarpas erosivas em alguns residuais de topo plano, além de cristas assimétricas no topo da Serra dos Jurunas. A área comporta duas redes de drenagem, a primeira, escoando no sentido norte, composta por afluentes do Rio Iriri Novo; uma segunda bacia que drena a parte central da unidade, escoa para oeste diretamente para o Rio Xingu. Os modelados predominantes deste sistema na região são de forte e média dissecação, ocorrendo formas com suave dissecação apenas em manchas restritas. − Região noroeste do Estado próximo à divisa com Rondônia, em pequenas manchas residuais de relevo dobrado na borda ocidental da Chapada de Dardanelos Esses residuais compõem a borda ocidental da Chapada de Dardanelos (Projeto RADAM), denominada regionalmente como Serra Morena. Essa Chapada pode ser definida como um relevo residual, parcialmente delimitado pelas escarpas erosivas e/ou de falhas, com graus de dissecação variáveis, determinados pelo controle estrutural. Nesta região, o Sistema Faixas Dobradas corresponde a um modelado, definido em litologias da Formação Mutum-Paraná, cujos topos apresentam dissecação crescente de norte para sul e de onde emergem relevos residuais tabuliformes menores, de topos horizontalizados e alongados no sentido E-W, com rebordos erosivos formando anfiteatros em cabeceiras de drenagem. Os padrões de relevo predominantes nesta região, apresentam média dissecação, com apenas pequenas ocorrências de padrões de suave dissecação. 4.1.1.4.1. Sistema de Faixas Dobradas – Preservado – Sd/p Este conjunto de relevo corresponde a modelados de topos preservados, com perfis subhorizontalizados geralmente posicionados nas porções mais elevadas do Sistema de Faixas Dobradas e com ocorrência nas seguintes regiões do Estado de Mato Grosso: − Regição centro-sul do Estado associado a Faixa Orogênica Paraguai-Araguaia - Província Serrana Na porção centro sul, esse padrão de forma apresenta pequenas manchas correspondentes a patamares ligeiramente assimétricos compondo morros alongados descontínuos encimados por superfícies planas nas quais não se verificam linhas de drenagens entalhadas, predominando canais de primeira ordem e intermitentes, que dissecam remontantemente as vertentes do sistema, formando pequenos anfiteatros. Apresentam formatos estreitos e que se orientam segundo o trend determinado pelas estruturas, apresentando também conformação alongada. 53 Distribui-se preferencialmente ao longo das cotas de 700 a 800 m, ocupando, junto com as cristas alongadas, posição de cimeira no sistema Sd. As maiores altitudes estão presentes nos patamares e as mais baixas, excepcionalmente, em torno de 300 m, nos eixos preservados de estruturas dobradas. Esses relevos caracterizam formas aplanadas sobre serras, as quais ocorrem associadas aos topos e flancos alçados tais como no sinclinal do Jauquara, no sinclinal da Água Fria, e nos topos da Serra Azul e do Morro Selado. Representam formas residuais associadas à esculturação de relevos dobrados. A ação da erosão diferencial individualizou formas de topos planos, às vezes inclinados, sempre marcados por ressaltos topográficos na ruptura positiva de declive. As vertentes são curtas e assimétricas com segmentos retilíneos,convexos e côncavos. Apresentam declividades médias entorno de 20% ao longo das vertentes e inferiores a 5 % nos topos alongados. Localmente, na base das vertentes, ocorrem depósitos débris. Esse conjunto de formas é sustentado principalmente por rochas da Formação Raizama, a qual corresponde a arenitos quartzosos de granulometria fina a média e subordinadamente siltitos e argilitos siltosos de cores avermelhadas. A essa cobertura associam-se solos Cambissolos álicos e Latossolos Vermelho- Amarelos distróficos lixiviados. Não foram observados processos erosivos lineares significativos nesse sistema, apenas erosão laminar. − Região norte do Estado – Serra dos Apiacás Na região norte o modelado preservado corresponde à faixa externa dos dobramentos da Serra dos Apiacás. Constitui-se de relevos planos postados em nível altimétrico de 340 a 380m, onde não ocorre dissecação fluvial nos topos, sendo entretanto delimitados por rebordos erosivos intensamente dissecados. Apresentam formas alongadas acompanhando a estrutura, com caimento fraco para norte, balizado a sul por escarpas por vezes descontínuas, em função dos gaps de superimposição dos Rios Teles Pires e Igarapé Ximari. Essa faixa elevada forma divisores locais da drenagem Juruena - Teles Pires. O relevo truncado, preservado, foi retocado por sucessivas fases erosivas ao longo do Terciário. A autoctonia das formações superficiais areno-argilosas decorre da alteração das rochas do Grupo Beneficente. Como principais processos de dinâmica atual tem-se a erosão laminar fraca que decorre do escoamento superficial difuso. Neste padrão de formas os processos geomorfológicos tendem a ser pouco intensos, com uma baixa fragilidade potencial, pois a baixa declividade das encostas não permite que se formem fluxos torrenciais. Os processos erosivos tendem a agir apenas na superfície do terreno. Nas áreas com materiais superficiais mais arenosos e mais permeáveis o processo de infiltração tende a ser mais intenso. A cobertura vegetal floresta mantém o sistema em equilíbrio, gerando proteção aos materiais superficiais contra o impacto das chuvas. − Região nordeste do Estado acompanhando a calha do Rio Xingu, próximo ao limite com o Estado do Pará – Serra dos Jurunas 54 Na região nordeste, o modelado preservado se apresenta em pequenas manchas alongadas, dispersas pela Serra dos Jurunas, em altimetrias de 400-500 m onde a rede de drenagem não se instalou de forma efetiva. São formas marcadas por topos planos e vertentes curtas. Não apresentam grandes amplitudes, em média inferiores a 30m. Formam pequenas mesetas marcadas com ressaltos topográficos. Nesse contexto os solos são Litólicos ou mesmo nota-se exposições rochosas na forma de lajeiros. As declividades geralmente variam entre 3 a 10%, nas vertentes curtas. Nos topos as declividades são inferiores a 3%. Predominam nesses relevos processos de erosão laminar nos topos e escoamento concentrado nas encostas em função da declividade e da impermeabilidade dos materiais superficiais, porém, não foram observados processos erosivos/deposicionais significativos. − Região noroeste do Estado próximo à divisa com Rondônia em pequenas manchas residuais de relevo dobrado na Chapada de Dardanelos Na região noroeste do Estado, ocupando porções ocidentais da Chapada de Dardanelos, este sistema corresponde a um modelado de topos horizontalizados e alongados no sentido E-W, com rebordos erosivos formando anfiteatros em cabeceiras de drenagem. O padrão de forma é classificado como Sd/p. As altitudes estão próximas a 500m. As declividades médias são inferiores a 1% nos topos e acima de 30% nos rebordos erosivos. O substrato rochoso é mapeado como pertencente à Formação Mutum-Paraná. O material superficial é composto por intemperismo do material do embasamento, tendendo a ser areno-argiloso. É de se esperar a ocorrência de material concrecionário nas áreas de ruptura de declive e nos rebordos. Os solos mapeados para este sistema correspondem a Areias Quartzosas nas áreas de topos e Solos Concrecionários predominando nos rebordos erosivos. Os processos de infiltração e escoamento superficial laminar são predominantes nestas áreas ainda preservadas. 4.1.1.4.2. Sistema de Faixas Dobradas – Suave Dissecação – Sd/s Esse padrão de formas de relevo apresenta-se em colinas amplas, com topos planos e vertentes contínuas levemente convexas, de perfil retilíneo a convexo. São áreas deprimidas circunscritas no interior ou ao redor de relevos mais dissecados e movimentados do Sistema de Faixas Dobradas (Sd). As declividades são baixas, quase sempre inferiores a 5%. Apresenta feições retilíneas tabulares (t11, t12) a suavemente convexas (c12, c12). Isto significa índices de baixa dissecação, interflúvios amplos (3.750 a 12.750 m e 1.750 a 3.750 m) e aprofundamentos inferiores a 20 m, podendo ao máximo atingir até 40 m. Sua distribuição no Estado de Mato Grosso ocorre nas seguintes áreas: − Região centro-sul do Estado associado a Faixa Orogênica Paraguai-Araguaia - Província Serrana Na região centro sul, as formas suavemente dissecadas são constituídas por morrotes alongados, que se orientam segundo o trend nordeste determinado pelas estruturas e, subordinadamente, por colinas também de conformação alongada, entre cotas mínimas de 200 m e máximas entre 600 a 810 m. Configuram superfícies embutidas e marginais 55 rampeadas, de declives planos a suave-ondulados, entre os alinhamentos de cristas (sinclinais e anticlinais). Os vales ocupam a posição de eixos de sinformais e antiformais acompanhando preferencialmente as direções NE-SW e N-S. Abrangem vertentes de médias e baixas encostas, rampas pedimentadas nos sopés de vertentes laterais e várzeas insipientes, dos córregos e ribeirões. Algumas áreas encontram-se intensamente seccionadas por linhas de drenagens paralelas às escarpas dos morros, as quais desenvolvem intenso trabalho erosivo, com vales estreitos e fortemente entalhados. Verifica-se o aprofundamento dos leitos fluviais com o processo erosivo se desenvolvendo junto às margens, seguindo a linha dos tributários ortogonais. Este sistema desenvolve-se em arenitos da Formação Diamantino, em rochas calcárias da Formação Araras, e em conglomerados argilosos das Formações Bauxi e Puga, próximos às vertentes inferiores. A drenagem forma córregos de pouco volume d’água, mas na sua maioria bastante transparentes quando em substrato calcário, onde podem ocorrer feições cársticas como grutas e cavernas. Formam corredeiras e pequenas cachoeiras, aproveitadas para o turismo e lazer local, regionalmente evoluídas em nickpoints, isto é, em sets de fraturamentos. Os solos desenvolvidos sobre esses modelados constituem-se de Cambissolos rasos, Litólicos, Podzólicos Vermelho-Amarelos, e Latossolos Vermelho-Escuros distróficos. Embora ganhem expressão os processos de escoamento laminar, há ocorrências de ravinamentos por erosão linear como nas próximidades da Serra Simão Nunes (Fazenda Acorizal). Os processos erosivos apresentam baixa intensidade e freqüência, predominando o escoamento difuso. − Região norte do Estado – Serra dos Apiacás No extremo norte, esse modelado forma divisores locais de drenagem Juruena-Teles Pires; entre níveis altimétricos de 220 a 270 m. As formas de relevos apresentam topos tabulares com espaçamento interfluvial de 1.750 a 3.750 m, aprofundamento de drenagem de 10 a 30m e vertentes com declives em torno de 4%. A topografia irregular é função do seccionamento das drenagens de primeira e segunda ordem e da própria estrutura dobrada. As formações superficiais são autóctones, de textura areno-argilosa e arenosa, produto de alteração das rochas do Grupo Beneficente. Os solos desenvolvidos são Latossolos Vermelho-Amarelos e localmente solos Litólicos e Podzólicos. São áreas com baixa fragilidade natural em função da manutenção da cobertura vegetal natural. A dinâmicasuperficial está relacionada ao escoamento superficial difuso que favorece a erosão laminar. − Região sudoeste do Estado acompanhando as serras de São Vicente e da Borda Esse modelado compreende formas do tipo (t12) e (t22), que ocupam as cotas altimétricas mais altas do topo da Serra de São Vicente e da Serra da Borda em níveis altimétricos entre 680 e 810 m. As dimensões interfluviais encontram-se entre 3.750 e 12.750m 56 e os desníveis são inferiores a 20 m. As declividades são baixas, com valores médios inferiores a 3%. No topo da Serra de São Vicente, no reverso das escarpas pertencentes ao Sistema de Escarpas (EF) são encontradas superfícies com topos tabulares, suavemente dissecados, que atingem as altitudes mais elevadas do sistema. A rede de drenagem apresenta padrão paralelo, com baixa densidade de drenagem, sendo as vertentes longas e retilíneas. Este sistema compreende também porções da Serra de Santa Bárbara conformando patamares estruturais com topos tabulares. Nesse compartimento a drenagem segue forte controle estrutural, com trechos retilinizados, curvas abruptas, inflexões bruscas nos cursos d'água e canais encaixados. As altitudes variam entre 600 e 810 m com dimensão interfluvial acima de 3.750 m e entalhe dos vales abaixo de 40 m. As declividades médias são inferiores a 15%. Possuem topos subhorizontalizados e amplos, com vertentes retilíneas sem quebra de declive. O padrão mapeado para este sistema é do tipo Sd/s(t22 e t23). O substrato rochoso é composto por litologias do Grupo Aguapeí. O material superficial é arenoso pouco e espesso, localmente ocorrem afloramentos rochosos. Os solos mapeados nos topos tabulares das serras são pouco desenvolvidos, predominando afloramentos rochosos. Nas áreas mais dissecadas são mapeados solos Litólicos. Ocorrem também nos topos, manchas de solos do tipo Latossolo Vermelho-Amarelo e Areias Quartzosas. Neste sistema predomina o escoamento laminar. − Região nordeste do Estado acompanhando a calha do Rio Xingu, próximo ao limite com o Estado do Pará – Serra dos Jurunas Na região nordeste, esse modelado ocupa pequenas áreas com altimetrias variáveis de 300 a 450m. Os índices de dissecação associados a esse sistema conformam superfícies retilinizadas, com fraca estruturação da rede de drenagem. No geral, os interflúvios são largos, representando relevos de colinas amplas, com topos tabulares/planos a levemente convexos e de vertentes longas e retilíneas inferiores a 20m, onde predominam os índices t12 e c12. O sistema está elaborado sobre litologias da Formação Cubencranquém. Os materiais superficiais são constituídos por cobertura detrítica argilo-arenosa de cor vermelha escura, sendo comum a presença de pisólitos de laterita. Os solos apresentam espessuras médias em torno de 1,5m, e são do tipo Podzólico Vermelho-Amarelo. As baixas declividades e a cobertura argilosa desses relevos condicionam uma baixa intensidade de processos erosivos, contudo nas proximidades dos contatos com outros sistemas podem ocorrer processos erosivos lineares, como sulcos e ravinas. 4.1.1.4.3. Sistema de Faixas Dobradas – Média Dissecação – Sd/m − Região centro-sul do Estado associado a Faixa Orogênica Paraguai-Araguaia - Província Serrana 57 Na região centro sul, o modelado de “média dissecação” abrange dois arranjos de formas: compõe linhas de cristas rebaixadas em arenitos da Formação Raizama e residuais alinhados no interior dos vales em sinformal, antiformal e braquissinclinal, seguindo a direção dominante da estrutura regional da Província Serrana (NE-SW); posicionadas em cotas intermediárias (médias de 300 a 500 m), entre os pisos rampeados de fundos de vales (200 a 400 m) e topos de cristas alinhadas (500 a 700 m), desde Cáceres, no sul do Estado, até Paranatinga a leste. Esses relevos estão associados, em geral, ao núcleo de estruturas em sinclinais e anticlinais, apresentando avançado estágio erosivo, constituídos por calcários da Formação Araras, dominantemente, e, de maneira subordinada, arenitos da Formação Raizama. Caracterizam formas entre serras, nas quais ainda são verificados flancos de sinclinais, formando cristas simétricas baixas, e morros testemunhos isolados. As formas desenvolvidas sobre litologias da Formação Araras são menores de que aquelas, elaboradas sobre rochas da Formação Raizama. A amplitude topográfica do sistema varia entre 20 e 40 m, com intervalo de declividade predominante entre 10 e 20%. Esse sistema foi identificado principalmente com os índices (c23, c24 e c33) o qual corresponde a formas com dimensão interfluvial entre 750 a 1.750 m e entalhe da rede de drenagem em torno de 40 a 60 m. Em termos de formações superficiais, essas formas geralmente apresentam coberturas delgadas. Os solos desse setor, sobretudo sobre os calcários da Formação Araras originam Latossolos Vermelho-Amarelos e, secundariamente Litólicos; já sobre os arenitos da Formação Raizama, predominam Litólicos. Sedimentos da Formação Diamantino, originam Cambissolos rasos e uma vegetação de matas e cerrados cobrindo os corredores rebaixados. Neste Sistema inserem-se ainda feições cársticas, que evoluem em rochas calcárias da Formação Araras como a Gruta Água Milagrosa (Pousada Água Milagrosa) próxima à cidade de Cáceres. Processos de erosão concentrada ocorrem localmente nas cabeceiras de drenagem e ao longo das vertentes, contudo apresentam média freqüência e baixa intensidade. − Região norte do Estado – Serra dos Apiacás Na região norte, esse relevo localiza-se na faixa mais interna da Estrutura do Apiacás, de oeste para leste, nas abas das anticlinais e sinclinais e nos fronts do relevo cuestiforme, entre níveis altimétricos de 250 a 430 m. Estas áreas correspondem a relevos resultantes de antigos dobramentos, exumados pelos processos de aplanamento, e que através da erosão diferencial geram cristas alongadas e áreas de topos planos, evidenciando parcialmente segmentos de anticlinais e sinclinais quase totalmente erodidos, com topos aguçados e vertentes de perfis convexos e retilíneos, apresentado vales abertos com baixas vertentes de perfil côncavo. A classificação do relevo indica predomínio das classes Sd/m(c33) e Sd/m(c23). A drenagem varia entre os padrões sub-paralelos, subdendríticos e dendríticos, com média a baixa densidade de drenagem. Os vales são abertos, muitas vezes representando uma interpenetração do Sistema de Aplanamento Ap3, que muitas vezes acaba por isolar áreas de relevo residual. 58 O entalhamento atinge até 80 m, conformando morros e morrotes. As declividades médias encontram-se entre 5 a 15%. O embasamento é constituído por rochas do Grupo Beneficente, com material superficial predominantemente arenoso. Localmente podem ocorrer colúvios de constituição arenosa. Os principais tipos de solos mapeados para esta área são classificados como Latossolo Vermelho Escuro, Podzólico Vermelho-Amarelo, Areias Quartzosas, Cambissolos, Litólicos e solos Concrecionários. Estas áreas estão preservadas com suas características naturais, apresentando processos de evolução do relevo, condicionados ao intemperismo físico-químico e recuo dos canais de drenagem. − Região sudoeste do Estado acompanhando as Serras do Cágado e do Pau-a- Pique Na região sudoeste, localiza-se em duas pequenas áreas junto a Serra do Cágado, drenada pelo Córrego da Onça, e da Serra do Pau a Pique, entre altitudes de 300 a 500 m, em Pontes e Lacerda; Nesta região, esse modelado, compreende interflúvios alongados, convexizados ou aguçados, com vertentes retilíneas. Os vales são encaixados sem presença de planície fluvial, e as dimensões interfluviais variam entre 750 a 1.750 m, com entalhe dos vales entre 20 e 40 m. O substrato rochoso é composto por sedimentos litificados do Grupo Aguapeí. Os solos que se desenvolvem correspondem a Podzólicos Vermelho-Amarelos eutróficos e Podzólicos Vermelho-Amarelo distróficos.Nesta área predomina o escoamento laminar e com erosão superficial. Muitos garimpos ocorrem neste sistema, gerando áreas degradadas, com disposição de bota-fora. − Região nordeste do Estado acompanhando a calha do Rio Xingu, próximo ao limite com o Estado do Pará – Serra dos Jurunas Na região nordeste, esse sistema é composto por relevos residuais altimetricamente elevados sobre o piso regional do Sistema de Aplanamento Ap3. Ocorre em manchas acompanhando elementos estruturais como lineamentos, fraturas e dobras de cristas nas bordas do Sistema de Faixas Dobradas-Sd, em altimetrias variáveis de 350 a 380 m. O padrão de forma é de colinas médias e morrotes com topos convexos a aguçados e vertentes de perfil convexo, com dimensão interfluvial entre 750 a 1.750 m e com entalhe da rede de drenagem inferior a 40m, nos padrões (c23) e de dimensão interfluvial entre 250 a 750 m e com entalhe da rede de drenagem inferior a 40 m, nas formas marcadas como (c24). Em média, as declividades são baixas, entre 3 a 10%, nos morros mais elevados, entretanto, mais a sul, apresenta formas de topos convexos e vertentes curtas, com declividades em torno de 20%. O embasamento litológico é formado por rochas sedimentares pré-Cambrianas da Formação Cubencranquém, composta por arenitos subarcoseanos e sublíticos, arenitos arcoseanos vulcanoclásticos, arenitos líticos e grauvacas líticas. Os solos são Litólicos e Podzólicos. Predominam nesses relevos processos de erosão laminar. Não foram observados processos erosivos/deposicionais. Na base das vertentes, junto à ruptura negativa, ocorre 59 acúmulo de materiais detríticos, como queda de blocos e coluvionamentos, fruto da ação de processos gravitacionais ao longo das vertentes. − Região noroeste do Estado próximo à divisa com Rondônia em pequenas manchas residuais de relevo dobrado na Chapada de Dardanelos Na região noroeste, esse sistema corresponde à área interna de uma estrutura dobrada, sendo dissecada por canais de primeira, segunda e terceira ordem, apresentando uma conformação elipsoidal disposta no sentido E-W, entre altitudes variáveis de 350 e 500 m. Representa relevos com interflúvios alongados e cristas assimétricas alongadas no sentido E- W, com perfil aguçado ou convexo. Os interflúvios variam entre 250 e 1.750 m e o entalhe dos vales entre 40 e 80 m. As declividades variam entre 15 e 30%. Este sistema é dissecado por afluentes do Rio Aripuanã, que conformam uma drenagem interna à estrutura. Estes canais afluem quase que perpendicularmente ao canal principal, conformando um padrão paralelo e apresentando controle estrutural bem marcado. O Rio Aripuanã, por sua vez, corta a estrutura no sentido sul-norte. Em alguns pontos este modelado ocorre como a parte baixa de rebordos erosivos fortemente dissecados, com cristas assimétricas e morros alongados com perfil convexo ou aguçado. As vertentes em geral apresentam-se retilíneas e os vales são encaixados. O embasamento corresponde a rochas da Formação Mutum-Paraná. O material superficial tende a ser composto por intemperismo do material do embasamento, possuindo preferencialmente características areno-argilosas. Os solos mapeados para esta área são classificados como Latossolo Vermelho-Escuro, ocorrendo solos Litólicos associados às cristas assimétricas alongadas. Por serem áreas preservadas com características naturais ainda devem predominar os processos de infiltração e escoamento superficial laminar. Nas áreas com declividade mais acentuada deve ocorrer um forte processo de recuo de cabeceiras das drenagens. 4.1.1.4.4. Sistema de Faixas Dobradas – Forte Dissecação – Sd/f Esse padrão de dissecação do Sistema de Faixas Dobradas ocorre nas mesmas áreas onde se distribui o sistema de suave dissecação. − Região centro-sul do Estado associado a Faixa Orogênica Paraguai-Araguaia - Província Serrana Na região centro-sul, esse modelado desenvolve-se sob forma de cristas assimétricas (hogback) sustentadas principalmente por metarenitos/quartzitos da Formação Raizama, em sua maioria flancos de anticlinais escavados por processo erosivo, como as Serras do Tombador, Vira Saia e Tira Sentido, localizadas na porção sudoeste da Folha Rosário Oeste (MIR – 372), e que se alonga no sentido nordeste-sudeste, e na Serra Azul, no setor centro oriental do Estado, com orientação geral leste-oeste. Apresentam formas de topos aguçados, que atingem altimetrias entre 440 e 620 m, em sua maioria, sendo que algumas dessas feições apresentam topos aplanados, que resultam da ação combinada dos processos erosivos e tectônicos sobre as diversas litologias. A rede de drenagem aproveita as descontinuidades estruturais do substrato, o que acarreta uma grande profusão de canais intermitentes, que formam pequenos anfiteatros côncavos. O padrão é sub-dendrítico a paralelo com média densidade. 60 Processos erosivos não foram observados além do escoamento superficial. Porém, processos derivados da ação flúvio-gravitacional, como depósitos de tálus e coluvionamentos são notados ao longo dos segmentos côncavos das vertentes e nas rupturas negativas de declives, próximas aos vales. Cabe lembrar que essa cobertura detrítica não está relacionada à dinâmica atual, mas sim a evolução morfogenética, presumivelmente quaternária, de toda a borda desse sistema. Nesse conjunto de modelado nota-se a presença de uma série de cristas assimétricas descontínuas, por vezes alongadas e contínuas, como a Serra Azul. Essas cristas são limitadas por topos curtos e estreitos e estruturadas em patamares. Os solos sobre esses relevos são basicamente Cambissolos e Litólicos, sobre os quais comumente desenvolvem-se feições erosivas, na forma de sulcos e ravinas e processos gravitacionais, como queda de blocos, atuando na evolução das formas. Na região de Cáceres, desenvolvem cristas assimétricas (hogback) sustentadas principalmente por quartzitos da Formação Raizama, em sua maioria resíduos de anticlinais escavadas por acentuado processo erosivo, como as serras do Monjolinho, Bernardo Dias e do Minador, que se alongam no sentido SW-NE. Além dessas, outras formas de cristas elevadas se sucedem como as Serras Tarumã, do Poção, da Cachoeirinha e das Araras. Flancos de anticlinais presentes na face ocidental sul e Serras do Sabão e do Vãozinho, bem como, bordas alçadas de sinclinais no setor ocidental norte, fazem parte desse modelado do Sistema de faixas Dobradas. − Região norte do Estado – Serra dos Apiacás Na região norte, esse sistema corresponde a modelados controlados preferencialmente por marcarem bordas de dobramentos, ou contato entre camadas de diferentes composições litológicas, conformando cristas alongadas, assimétricas, resultantes da dissecação diferencial sobre as camadas das rochas dobradas do conjunto de Faixa Dobrada da Serra dos Apiacás, localmente denominada de Serra São João da Barra. Os padrões de modelado, com maior abrangência dentro desta área são classificados como Sd/f(c34) e Sd/f (a44). As altitudes variam entre 250 e 370 m, com entalhamento de até 80m. As declividades médias variam de 15 a 30%, podendo, no entanto, alcançar nas vertentes das cristas valores máximos próximos a 65%. A drenagem possui padrão sub-paralelo a paralelo, com média a alta densidade. O embasamento é constituído por rochas do Grupo Beneficente, com material superficial predominantemente arenoso. Localmente podem ocorrer colúvios de constituição arenosa. Os principais tipos de solos mapeados para esta área são classificados como Podzólico Vermelho-Amarelo, Areias Quartzosas, Cambissolos e Litólicos. São áreas sem ocupação, mantendo-se preservadas com características naturais. Os principais processos atuais são o intemperismo físico químico que atua sobre o embasamento e o entalhamento dos vales. − Região sudoeste do Estado acompanhando as Serras de São Vicente e da Borda Na região sudoeste, este modelado corresponde a formasfortemente dissecadas que ocupam as áreas de entorno aos topos da Serra de São Vicente e extremidade norte da Serra da Borda. O padrão de relevo corresponde a interflúvios médios a pequenos, com dimensões entre 1.750 a 3.750 m e entalhe entre 40 e 160 m, com perfis convexos a aguçados, possuindo 61 topos aguçados ou convexizados, e vertentes curtas, compreendendo modelados do tipo Sd/f(a43). As declividades variam entre 15 e 30%. Elaboradas em sedimentos litificados do Grupo Aguapeí, essas serras configuram-se como estruturas em cristas assimétricas residuais originadas pelo processo de erosão sobre anticlinais e sinclinais. O material superficial é preponderantemente pouco espesso, de constituição arenosa, e com afloramentos rochosos. Os solos mapeados para este modelado correspondem a solos Litólicos. A Serra da Borda destaca-se pela dimensão territorial, com predomíneo de formas aguçadas, alinhadas e fortemente dissecadas pela drenagem. As vertentes voltadas para oeste são abruptas e as voltadas para leste mais suaves. As Serras do Caldeirão e Aguapeí constituem relevos residuais mais fragmentados que os anteriores, dissecados em formas aguçadas. O padrão de drenagem varia entre paralelo e subparalelo. Os vales são encaixados e sem planícies fluviais. A dinâmica superficial tende a um escoamento predominantemente concentrado. Processos de coluvionamento nas baixas vertentes e fundos de vale parecem ocorrer com freqüência. − Região nordeste do Estado acompanhando a calha do Rio Xingu, próximo ao limite com o Estado do Pará – Serra dos Jurunas Na região nordeste, o modelado de forte dissecação distribui-se geralmente como faixas alongadas assinaladas por feições lineares, como escarpas e cristas, às vezes assimétricas e fragmentadas pela ação erosiva, elevando-se em média acima da cota dos 400 m. O modelado com índice de dissecação, (c34), mostra um relevo de morros e morrotes, às vezes alongados, de dimensões pequenas, com interflúvios inferiores a 750 m e com entalhe da rede de drenagem da ordem de 60 m. Essas formas, também ocorrem como manchas, nesses casos, com índices tipo a34, configurando área de morros de topos aguçados com vales encaixados. Em razão de suas características residuais, a drenagem desta área é composta preferencialmente por nascentes e rios de primeira ordem, sendo também recortada por drenagem de ordem superior. O padrão é subdendrítico com parcial controle estrutural. A drenagem de primeira ordem desenvolve pequenos vales encaixados. Em média, as declividades são inferiores a 25% porém, nos morros mais elevados, é comum observar-se declividades mais acentuadas. Os solos são Litólicos quando existe cobertura pedológica. A cobertura superficial é formada por mantos de alteração de constituição arenosa quando predominam os termos psamíticos no substrato. Contudo, perfis areno-argilosos também ocorrem ao longo do sistema. Queda de blocos e movimentos gravitacionais localizados são notados ao longo das estruturas serranas. Todavia, predominam nesses relevos processos de erosão laminar. Não foram observados processos erosivos/deposicionais. 62 4.1.2. Sistema Denudacional (com baixo ou sem controle estrutural) – Dn 4.1.2.1. Sistema de Dissecação – Di O Sistema de Dissecação representa um conjunto de relevos rampeados e rebaixados, atualmente sendo dissecado pelo sistema fluvial instalado juntamente com o clima úmido. Abrange áreas sob a atuação de processos, relacionados principalmente à gênese Agradacional Lacustre/Palustre e Flúvio-Gravitacional Piemontana. Os relevos associados ao Sistema de Dissecação ocorrem em posição topográfica ligeiramente inferior a do Sistema de Aplanamento da Superfície Regional S3 (Ap3), tendo, entretanto, formas semelhantes. Um elemento diferencial entre ambos, é a presença de substrato formado pelos sedimentos inconsolidados ou parcialmente consolidados das Formações Guaporé, Pantanal e Bananal (Quaternário), e que representam um retrabalhamento erosivo da superfície de agradação quaternária, tendo sido sistematizada neste projeto como uma superfície de dissecação. Nas regiões contornando as bacias quaternárias, caracteriza-se como uma superfície de erosão equivalente ao piso regional do relevo, associada às porções situadas na superfície reconhecida na literatura como Depressão do Guaporé, Depressão do Alto Paraguai e Depressão do Araguaia (Projeto RADAMBRASIL, 1981, 1982), cuja elaboração das formas se deu à partir do retrabalhamento de feições agradacionais recentes (depósitos fluviais quaternários), representadas por extensas e contínuas faixas adjacentes às bordas de planaltos. Em alguns locais, como circundando regiões topograficamente mais elevadas de rochas do embasamento mais antigo, em domínios dos chamados “pantanais”, ou, onde não foi possível uma caracterização mais precisa do Sistema Denudacional (menor nível taxonômico), a classificação adotada também foi Di – Sistema de Dissecação - como na região do vale do Rio Ariranha, na porção sul do Estado. Referentes a esse sistema foram caracterizadas cinco diferentes regiões no Estado de Mato Grosso: − Região sudoeste, entre o Planalto dos Parecis e as Planícies do Rio Guaporé − Região centro sul, entre o Planalto dos Parecis e a Província Serrana − Região centro-sul, numa faixa, que acompanha o limite oeste da Serra de São Jerônimo − Região leste, constituindo interflúvios entre os Rio das Mortes/Pindaíba e Rio das Mortes/Ribeirão Borecaia; estendendo–se para sul até o Rio Correntes e o Ribeirão Insula. − Região sul, numa faixa, aproximadamente norte-sul, entre a Serra Preta, ao oeste e a Serra Vermelha, ao leste. Acompanha a bacia hidrográfica do Rio Ariranha, no limite entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A dinâmica superficial apresenta como principais características naturais, infiltração e o escoamento superficial, com movimentação local dos materiais superficiais. Nas áreas desmatadas e utilizadas para pastagem são observados pontos de erosão laminar e em sulcos. 63 Sobre esse sistema predomina o modelado de suave dissecação, ocorrendo localmente também os modelados do tipo preservado e de média dissecação. 4.1.2.1.1. Sistema de Dissecação – Preservado – Di/p Este modelado foi verificado apenas na porção leste do Estado constituindo interflúvios entre os Rio das Mortes/Pindaíba e Rios das Mortes/ribeirão Borecaia. Conforma uma superfície plana e desnivelada regionalmente para nordeste, compreendendo áreas conservadas, nas quais o processo de dissecação promove o aparecimento de canais temporários, em níveis altimétricos entre 260 e 300 m. Este compartimento, apesar de possuir baixas declividades e estar um pouco acima do nível de base regional, não apresenta processos de inundação como no caso dos baixos terraços, ocorrendo porém, lagoas em posição interfluvial, sendo que geralmente a partir destas lagoas, têm origem os pequenos drenos que cortam o compartimento. Com a mudança do clima e do regime hídrico, influenciado também por movimentos tectônicos associados à Depressão do Araguaia estas áreas passaram por um processo de “enxugamento superficial”, gerando áreas mais secas, com uma drenagem incipiente e que apresentam, em posições interfluviais, a ocorrência de lagoas. O limite sul, desse padrão de relevo atinge as extensas áreas planas e baixas, limitadas à oeste e sudoeste pelos relevos topograficamente elevados, dos sistemas pré- serranos e serranos da Serra Azul, Taquaral e da Barra, e a sudeste e leste pelos sistemas agradacionais do Rio Araguaia. Esse modelado de dissecação preservado atinge também as extensas áreas planas e baixas, interrompidas pela drenagem do Rio Corrente e Ribeirão Ínsula e seus afluentes. Corresponde ao nível de erosão do piso regional do relevo, tendo nas partes mais elevadas altitudes médias de 400 m, decrescendo gradativamente para leste, e onde se fundem comas áreas de acumulação do Rio Araguaia. Abrange além dos sedimentos inconsolidados da Cobertura Bananal, predominantes a norte; litologias pré-cambrianas do Complexo Goiano (migmatitos, microgranitos, biotita- granitos, gnaisses), a sul da região. As formações superficiais estão relacionadas principalmente á esta cobertura quaternária de natureza arenosa e/ou argilosa localmente sobre horizontes concrecionários, sendo que em alguns fundos de vale e em pequenas elevações ocorrem afloramentos do embasamento. Este material é indicativo do escoamento em lençol que aconteceu em períodos mais secos, nos quais provavelmente foi elaborado o sistema de aplanamento. Localmente o retrabalhamento deste material gera pavimentos detríticos pouco espessos. A ação da pedogênese limita-se à porção superficial, com acúmulo de matéria orgânica e formação de horizonte A e B incipiente. Nestes setores os materiais arenosos associados às baixas declividades permitem o uso agrícola do terreno. 4.1.2.1.2. Sistema de Dissecação – Suave Dissecação – Di/s Este padrão de relevo distribui-se em diversas regiões do Estado de Mato Grosso: − Região sudoeste, entre o Planalto dos Parecis e as Planícies do Rio Guaporé 64 Esse sistema acompanha o vale do rio Guaporé, conformando uma faixa marginal, em sentido noroeste - sudoeste ocupando baixas cotas, com a topografia variando de 1.200 a 300 m.(Foto 007). O modelado de suave dissecação corresponde a interflúvios amplos a muito amplos, com rede de drenagem com padrão subdendrítico e de baixa densidade, vertentes longas e com perfil retilíneo. O entalhamento dos vales apresenta desníveis de até 20 m, com dimensões interfluviais acima de 3.750 m e declividades médias inferiores a 2%. Em áreas isoladas são observadas lagoas em posição interfluvial. O padrão de forma predominantemente mapeado para esta área é o Di/s(t11), ocorrendo também o Di/s (t12 e t13). Nesta região, a maior exposição areal deste modelado corresponde à dissecação elaborada sobre a Formação Guaporé, onde o embasamento é formado por sedimentos inconsolidados ou parcialmente consolidados da Formação Guaporé ou da Formação Pantanal, com materiais superficiais variando sua granulometria entre areno-argilosa e arenosa, correspondendo a solos do tipo Latossolos Vermelho-Amarelo distróficos, Latossolos Vermelho-Escuro distróficos, Podzólicos Vermelho–Amarelos distróficos e Areias Quartzosas e Plintossolos. Na porção sudoeste, nas áreas de interflúvios do Rio Paraguai com o Córrego Padre Inácio e o Rio Jauru, além do Corixo Grande e tributários, o Sistema de Dissecação (Di/s) apresenta níveis altimétricos bastante rebaixados, variando entre 120 a 150 m além de encontrar-se em associação com o Sistema Lacustre/Palustre onde desenvolve múltiplos pequenos lagos, de formas circulares a semi-circulares e pouco profundos, em terrenos alagáveis nos regimes sazonais. − Região centro sul, entre o Planalto dos Parecis e a Província Serrana Nesta região, esse sistema distribui-se ao longo de uma larga faixa transversal, sendo limitado em toda a sua ocorrência pelo sistema S3-Ap3. Corresponde a relevos compostos por formas colinosas amplas, dominantemente tabuliformes (t11), e secundariamente de topos convexos, mais dissecados a nordeste da faixa de ocorrência (c22) e menor entalhe no setor ocidental, com índices c12 e c13. Estas formas apresentam diferentes tipologias de vertentes, predominando aquelas de geometrias longas e retilíneas, com raros ressaltos, que terminam em vales amplos, abertos e pouco entalhados por canais principais. As linhas de drenagens recebem tributários que estabelecem uma malha de canais paralelos e retilíneos, com dinâmica erosiva lateral e sobretudo vertical, constituindo vales em “V”, no fundo dos quais se instala uma vegetação composta por matas galeria. No prolongamento desse sistema para sul, a rede de drenagem local apresenta um notável paralelismo. O vale do Rio Sepotuba penetra no sistema através de um pequeno degrau erosivo, estabelecendo um estreito interflúvio paralelo ao seu vale, o qual atua como divisor d’água entre a sua bacia de drenagem e a do Rio Paraguai. A rede de canais evidencia a assimetria dos vales que margeiam os canais principais, verificando-se maior densidade e dimensão de canais nas vertentes ocidentais e, menor, nas vertentes orientais. Densamente vegetado, o sistema Di/s apresenta em seu domínio áreas com cobertura florestal preservada, e áreas extensivamente utilizada para cultivo de cana-de- açúcar, aproveitando a topografia favorável ao emprego da mecanização. 65 O substrato é constituído por sedimentos da Formação Pantanal, resultando em solos arenosos rasos de textura média e cor bruno-acinzentado. A cobertura pedológica é caracterizada principalmente por Latossolos Vermelho-Amarelados distróficos, Areias Quartzosas distróficas e pequenos núcleos de Podzólicos Vermelho-Amarelados distróficos, além de solos hidromórficos nas áreas de depressões úmidas e em áreas de terrenos sazonalmente alagados. O processo de escoamento superficial laminar é responsável pelo suave nivelamento e preservação das formas tabulares. − Região centro-sul, numa faixa, que acompanha o limite oeste da Serra de São Jerônimo Na região, este sistema margeia as terras elevadas que formam a Serra de São Jerônimo, edificada sobre os sedimentos Furnas e o embasamento Cuiabá que aflora sob suas escarpas erosivas (<100m), representando o limite erosivo da bacia pantaneira. O modelado predominante corresponde à forma t12, sob o qual desenvolveram-se predominantemente plintossolos e, subordinadamente, planossolos; porém ocorrem também formas de relevos fortemente dissecadas, que correspondem à transição entre o Sistema Aplanado Ap1 da Serra de São Jerônimo e as porções mais altas das unidades do Pantanal. Tais formas são representadas por cristas, morros e morrotes. − Região leste, constituindo interflúvios entre os Rio das Mortes/Pindaíba e Rio das Mortes/Ribeirão Borecaia; estendendo–se para sul até o Rio Correntes e o Ribeirão Insula Esta categoria de modelado de dissecação constitui-se em extensas áreas planas e baixas, com altitudes que variam de 420 a 275 m, ocorre bordejando os limites com os sistemas mais elevados e decrescendo gradativamente em direção as áreas de acumulação do Rio Araguaia. O piso desta superfície é dissecado pela drenagem, originando formas de topos tabulares e convexos, muito amplos, com dimensões interfluviais de 1.750 a 3.750 m, e vales rasos com aprofundamentos inferiores a 20 m. Os principais modelados deste sistema são mapeados como Di/s(t11, 12 e 13). Este sistema próximo às bordas do Planalto dos Alcantilados, em seu limite sul, compreende áreas conservadas, nas quais o processo de dissecação promove o aparecimento de canais temporários. O entalhamento desta superfície se faz por muitos rios das bacias do Rio Corrente e Ribeirão Ínsula, que quebram a continuidade desta superfície, através de vales de fundo plano, com planícies fluviais. A superfície foi modelada sobre litologias pré-cambrianas, afetadas por falhas e fratura e sobre sedimentos recentes da Formação Bananal, expondo geralmente material superficial inconsolidado, de natureza arenosa e/ou argilosa, geralmente sobre um horizonte concrecionado, podendo também se apresentar em forma de extensos afloramentos de conformação plana. . Nas imagens de radar, a estrutura das rochas subjacentes é ressaltada, notando-se uma adaptação das drenagens à estrutura de Lajinha. Os solos resultantes do material superficial são Latossolos Vermelho-Amarelos de textura areno-argiloso e Areias Quartzosas. 66 Os processos erosivos pretéritos foram os responsáveis pela elaboração desta superfície. Ela aparece preservada por muitos quilômetros de extensão, sem retomada de erosão. Algumas depressões fechadas, com ou sem água, principalmente nas proximidades da Estrutura deLajinha, podem estar relacionadas às antigas “playas”, comprovando uma morfogênese semi-árida pretérita. Outras lagoas que acompanham paralelamente as áreas alagadas são provenientes de dinâmica fluvial mais antiga. A dinâmica atual é fraca em função do escoamento superficial lento e da infiltração proporcionada por um material superficial arenoso. Os processos erosivos são pontuais e associados à intervenção antrópica, como localização de estradas vicinais e áreas de empréstimo. − Região sul, numa faixa, aproximadamente norte-sul, entre a Serra Preta, ao oeste e a Serra Vermelha, a leste. Acompanha a bacia hidrográfica do Rio Ariranha, no limite entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul Tal sistema desenvolve-se num vale assimétrico, onde o relevo cai gradativamente em patamares, constituídos por um conjunto de formas relativamente planas, onde predominam relevos tabulares e convexos, localmente com morros residuais de topos tabulares. Tais patamares estão dispostos diferentemente em cada margem da bacia, caracterizando-a como assimétrica, isto é, enquanto na margem esquerda podem ser reconhecidos pelo menos três patamares, na margem direita apenas um está bem representado. Os degraus entre os patamares são formados por vertentes abruptas, quase verticais, desnivelados de 100 a 200 m. Os morros testemunhos, residuais, situam-se à frente desses paredões. O padrão de forma predominantes tabulares é pouco dissecado (t11), com amplitudes em geral pequenas, de até 20 m, e dimensões dos interflúvios acima de 3.750 m. Por vezes, destacam-se elevações sobre esse relevo tabular, na forma de mesetas e / ou peões. No extremo sul desta região, ocorrem formas colinosas e subordinadamente em morrotes, formando um patamar, situado entre as cotas 500 e 550 m, à margem direita do Rio Ariranha. Todo esse conjunto desenvolve-se essencialmente sobre arenitos da Formação Botucatu. As formações superficiais são arenosas e, em geral, rasas. Os solos são Litólitos e Podzólicos. O escoamento superficial predominante é difuso. Junto às escarpas, entre os patamares, são comuns escorregamentos e quedas-de-blocos, aos quais se associam, no sopé, corpos de tálus. 4.1.2.1.3. Sistema de Dissecação – Média Dissecação – Di/m O padrão de relevo de média dissecação é o de menor expressão espacial, ocorrendo em três regiões: − Região centro sul, entre o Planalto dos Parecis e a Província Serrana O modelado de média dissecação ocorre no setor intermediário desta porção, a montante do Rio dos Bugres, apresentando índice de dissecação (c14). e à margem esquerda do Rio Paraguai, onde predominam os índices de dissecação (c14) e (c23), com dimensão interfluvial entre 750 a 1.750 m e médio entalhe da rede de drenagem, geralmente em torno de 40 m, conformando padrão de colinas médias subniveladas, de topos convexos a planos, com 67 vertentes simétricas, retilíneas a convexas, com amplitude topográfica entre topo e base de vertente variável em até 20 m. Essas formas desenvolveram-se sobre a cobertura sedimentar quaternária da Formação Pantanal, constituída por sedimentos areno-argilosos e argilo-arenosos, esbranquiçados, amarelados ou acinzentados, semi-consolidados a inconsolidados. As formações superficiais apresentam praticamente a mesma constituição dos materiais arenosos subjacentes, sobre os quais se desenvolve uma delgada cobertura de Latossolos Vermelho-Amarelos distróficos e solos hidromórficos, a montante da confluência com rio dos Bugres, em áreas sazonalmente alagadas. Não foram observados processos de erosão concentrada. Predomina o escoamento superficial difuso. − Região sul, este conjunto de formas está situado numa faixa, aproximadamente norte-sul, entre a Serra Preta, ao oeste e a Serra Vermelha, ao leste. Acompanha a bacia hidrográfica do Rio Ariranha, no limite entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nesta região, esse sistema é formado por um modelado de formas colinosas, com presença subordinada de morrotes residuais. Esse modelado está disposto em vários patamares, situados entre as cotas 650 e 720 m, 550 e 600 m e 500 e 550 m, respectivamente, na margem esquerda da Bacia do Ariranha. O padrão de forma predominante é o convexo de média dissecação (c33). As amplitudes são em torno de 30 a 40 m, e as dimensões dos interflúvios estão entre 750 e 1.750 m. As características de formas do relevo, substrato rochoso, formações superficiais e escoamento superficial são semelhantes àquelas descritas na mesma região para o modelado de suave dissecação. 4.1.2.2. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros – Cl-Mr Este sistema comporta as formas de relevo que ocorrem principalmente nas áreas de transição entre os Sistemas de Aplanamento S1, S2 e S3, caracterizando-se preferencialmente por áreas dissecadas em rebordos erosivos, que podem encontrar-se escalonadas em patamares, ocorrendo de forma dispersa por todo o Estado de Mato Grosso, porém com maior concentração junto aos seguintes sistemas: − Entre os Sistemas de Aplanamento S2 (Ap2) e S3 (Ap3), preferencialmente na borda leste, e em menor extensão, na borda norte e sul da Bacia Sedimentar dos Parecis − Região norte do Estado , disperso no Sistema de Aplanamento S3 (Ap3) − Região sudoeste, entre o Sistema de Aplanamento S2 (Ap2) e os Sistemas de Dissecação em Escarpa (EF) e de Dissecação (Di) − Região noroeste, entre o Sistema de Blocos Falhados (Sf) e o Sistema de Aplanamento S3 (Ap3) 68 − Região sudoeste, entre o Sistema de Dissecação (Di) e o Sistema de Estratos Horizontais (St) − Região centro leste, situado entre os sitemas de Aplanamento S1, S2 e S3; e ainda entre o Sistema de Dissecação (Di) e o Sistema de Aplanamerento S2 − Região centro-sul, entre os Sistemas de Aplanamento S1(Ap1) e S3 (Ap3), na borda norte do Planalto dos Guimarães − Região sul, entre o Sistema de Aplanamento S1(Ap1) e o Sistema de Dissecação (Di) e o Sistema de Pedimento (Pd), na borda oeste do Planalto dos Guimarães − Região sul, entre os Rios Correntes e Itiquira, circundado pelo Sistema de Escarpas; e secundariamente à margem direita do Rio São Lourenço circundado pelos sistemas de Dissecação (Di) e de Leqes Fluviais (Lq) A interpretação deste sistema é baseada no fato de que os processos de incisão dos vales fluviais e pluviais apresentam grande predominância na esculturação do relevo, conformando morros e morrotes elaborados em diversos tipos de litologias, sendo facilmente observados nas imagens. As feições de relevo deste modelado situam-se em níveis altimétricos variados, entre 250 e 800 m, constituindo formas resultantes de vários tipos de dissecação, cujas dimensões interfluviais variam de 750 a 3.750 m, e apresentando índices tais como: CL-Mr/s (c12, c13, c23, t13, t22, a22); Cl-Mr/m (c14, c22, c23, a23, a24, a33) e Cl-Mr/f (c34, c43, a25, a34, a41, a43, a44). Esse modelado caracteriza-se por apresentar feições de relevo em colinas amplas, médias à pequenas, morros e morrotes, alinhados e alongados, parcialmente preservados e/ou bastante dissecados, com topos planos, estreitos, parcialmente arredondados à arredondados; ou aguçados a fortemente convexos, côncavos, gerados pela ação fluvial, em regiões de média à alta densidade de drenagem, de padrão subdendrítico a dendrítico, ocasionalmente paralelo. Ocorrem comumente anfiteatros erosivos e linhas de escarpas nas cabeceiras de drenagens, além de vertentes retilíneas predominantemente curtas, convexas, descontínuas, de média a alta declividade. Esse sistema é predominantemente sustentado, por rochas polimetamórficas do Complexo Xingu, pelas vulcânicas do Grupo Iriri, pelos metasedimentos dos Cuiabá e Aguapeí, pelas Suítes intrusivas da Serra da Providência e São Vicente, pelas vulcânicas de Mimoso, por rochas carbonáticas da Formação Araras; e rochas sedimentares dos Grupos Beneficente, Parecis e Paraná. Os solos são geralmente pouco profundos, com predominânciado tipo Cambissolo, Litólicos, Areias Quartzosas, e secundariamente Podzólicos e Latossolos Vermelho-Amarelos. A dinâmica superficial apresenta como principal característica a infiltração e o escoamento superficial difuso, com ocorrências e possibilidades de desenvolvimento de processos erosivos lineares e laminares. As áreas de ocorrência de colinas e morros de altas amplitudes e vertentes de média a alta declividade, apresentam potencialidade a escorregamentos de solo/rocha e quedas de blocos. 69 4.1.2.2.1. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros – Preservado - Cl-Mr/p Esse modelado desenvolve-se em pequenas manchas distribuídas sobre superfícies arrasadas, localizadas em duas regiões no Estado: − Região norte, disperso no Sistema de Aplanamento S3-Ap3; − Região sul, entre o Sistema de aplanamento S1-Ap1 e o Sistema de Dissecação (Di) e o Sistema de Pedimento (Pd), na borda oeste do Planalto dos Guimarães; Esse modelado caracteriza-se por apresentar formas de relevo em pequenos morros residuais de topo plano ou de formas ligeiramente arredondadas, sobre superfícies praticamente planas. Esses residuais comumente não apresentam grandes amplitudes, geralmente inferiores a 30 metros. As formas são predominantemente pequenas e isoladas, remanescentes dos eventos erosivos, apresentando topos aplanados, limitados por ressaltos topográficos, ocupando geralmente as altitudes mais elevadas do sistema Cl-Mr. As declividades de topo são baixas, inferiores a 5%, já as vertentes são curtas, descontínuas, e mais declivosas, com segmentos retilíneos, convexos e côncavos. A amplitude topográfica dificilmente ultrapassa 50 m. Os vales geralmente são amplos e pouco entalhados, em alguns casos apresentam-se em “U”, com fundo chato. Feições estruturais ocorrem freqüentemente através de ressaltos topográficos que marcam rupturas positivas, entre o topo e a vertente. Nos morrotes isolados, os solos são rasos, em geral dos tipos Litólicos, Cambissolos e Concrecionários, associados a afloramentos rochosos. As áreas de planícies apresentam solos mais profundos, constituídos comumente por Podzólicos e secundariamente Latossolos. Devido às características edáficas, e às formas pouco declivosas das vertentes, esse sistema apresenta uma dinâmica superficial pouco sujeita a processos erosivos; predominando a erosão laminar, preferencialmente relacionada ao intemperismo químico, que leva ao remanejamento do material originário, pelo escoamento superficial difuso. Nos rebordos erosivos, ocorre um predomínio de escoamento concentrado, que pode tornar-se mais torrencial, gerando uma forte potencialidade de ocorrência de processos erosivos, principalmente deslizamentos. Depósitos de tálus ocorrem restritamente nos segmentos côncavos, junto às quebras negativas entre a vertente e o vale, mas possuem pequena projeção espacial. Na porção norte, ocorre disperso no Sistema de Aplanamento S3 (Ap3), ocorre, próximo à divisa entre os Estados de Mato Grosso e Pará, e nas margens dos Rios Peixoto e Peixotinho, sob a forma de pequenos residuais de topo plano, de baixa amplitude, comumente inferior a 30 m, entre cotas altimétricas de 300 a 320 m. Na porção sul, na borda oeste do Planalto dos Guimarães, esse modelado é constituído por morros e morrotes residuais de topo aplanado, geralmente de baixa amplitude, entre cotas altimétricas de 300 a 500 m, associado aos metamorfitos do Grupo Cuiabá, às rochas vulcânicas ácidas de Mimoso e da Suíte Intrusiva de São Vicente. As formações superficiais mostram delgado manto de intemperismo das rochas, formando solos rasos, no geral solos litólicos. É presumível que ocorra forte escoamento superficial, gerando erosão laminar e concentrada. 70 4.1.2.2.2. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros - Suave Dissecação - Cl-Mr/s Esse modelado ocorre preferencialmente sob forma de relevos residuais dispersos, circundados pelo Sistema de Aplanamento S3 (Ap3), e secundariamente nas bordas das três grandes superfícies de aplanamento, em várias regiões do Estado de Mato Grosso. Em termos regionais, o sistema destaca-se por apresentar relevos residuais sob formas de colinas amplas, pequenas a médias, de topos tabulares a convexos e por morros e morrotes de topos estreitos e aplanados, com vertentes retilíneas, curtas, comumente convexas, com dimensões interfluviais entre 750 e 3.750 m. Os vales são amplos, com entalhamento entre 20 e 60 m, ocorrendo em alguns locais, valores inferiores a 20 m, conformando padrões de formas resultantes de vários tipos de dissecação, destacando-se Cl-Mr/s (c12, c13, c23, t12, t13 e t22, a22). A declividade das vertentes geralmente é baixa, com valores inferiores a 5%. Situam- se entre níveis altimétricos entre 190 e 600 m. Essas formas são resultantes da dissecação do sistema pela superimposição da rede de drenagem, que apresenta padrão subdendrítico a dendrítico, com baixa à média densidade de drenagem. Esse modelado é predominantemente sustentado por rochas polimetamórficas e intrusivas ácidas, básicas e ultrabásicas do Complexo Xingu (região noroeste, norte e sudoeste). Na região nordeste é sustentado por sedimentos da Formação Diamantino e na região centro-sul por sedimentos das Formações Furnas, Ponta Grossa e Bauru. Os solos predominantes são do tipo Podzólicos, Areias Quartzosas, Latossolos, Concrecionários, com inclusões de Cambissolos e Litólicos. Nos fundos de vale ocorrem solos hidromórficos e Litólicos associados a afloramentos rochosos. A dinâmica superficial apresenta como características naturais, a infiltração e o escoamento superficial difuso, gerando erosão laminar e ocasionalmente ravinas e boçorocas. Localmente, em função da fragilidade dos solos, pode ocorrer movimentação de materiais superficiais, provocando assoreamento nas baixas vertentes e cursos d’água. As erosões lineares ocorrem em menor intensidade, comumente associadas ao sistema viário na zona rural, devido principalmente à ineficiência e/ou ausência de sistema de drenagem de águas pluviais. Suas principais áreas de ocorrência no Estado são: − Região sudoeste, entre o Sistema de Aplanamento S2 (Ap2) e os Sistemas de Dissecação em Escarpa (EF) e de Dissecação (Di) Nesta região, esse padrão de relevo apresenta vales amplos com vertentes retilíneas a convexas, sem quebra de declive. A rede de drenagem apresenta padrão subdendrítico, com média densidade de drenagem. O entalhamento dos vales apresenta desníveis de até 40 m, com dimensões interfluviais entre 750 e 1.750 m. As declividades médias são inferiores a 2%. O padrão de forma predominantemente mapeado para esta área é o Cl-Mr/s(c13) e (c22). No modelado, Cl-Mr/s(c13), as altitudes variam entre 220 e 300 m, enquanto que no modelado Cl-Mr/s(c22) entre 300 e 600m. 71 Esse modelado é sustentado pelos granitóides do Complexo Xingu e da Suíte Intrusiva Guapé, e metassedimentos das Seqüências Metavulcano-Sedimentares do Planalto de Jauru. O material superficial é areno-argiloso pouco espesso. Os solos nesta área são Podzólico Vermelho-Amarelo distróficos, Latossolo Vermelho-Amarelo, Areias Quartzosas e Plintossolos. A morfodinâmica apresenta como principais características naturais, infiltração e escoamento superficial, com movimentação local dos materiais da cobertura. Os processos lineares apresentam menor intensidade, cabendo destacar a pequena incidência de ravinas associadas ao sistema viário. Na extremidade leste desta porção, esta faixa alongada está posicionada entre a escarpa da Serra de Monte Cristo e o Rio Cabaçal. Seu relevo reúne de maneira dominante, colinas e morrotes, com amplitudes entre 20 e 40 m e topos estreitos e convexos. O sistema é pontuado por morros residuais ligados ao embasamento Xingu, e cristas simétricas de baixa amplitude. A hidrografia é composta por uma rede de drenagem de baixa densidade e padrão subdendrítico. A cobertura pedológica é formada por solosPodzólicos Vermelho-Amarelos e os processos da dinâmica superficial encontram-se vinculados ao manejo do solo, dominantemente usado como pastagem de gado e à estrutura viária. − Região sudoeste, entre o Sistema de Dissecação (Di) e o Sistema de Estratos Horizontais (St) Esse modelado é constituído predominantemente, por colinas e morros, delimitado pelo Sistema de Dissecação em Escarpa, em altitudes que variam entre 300 a 600 m. O entalhe dos vales apresenta desníveis de até 40 m, com dimensões interfluviais de 1.750 e 3.750 m. As declividades meias encontram-se abaixo de 5%. Os padrões de forma predominantes são os Cl-Mr/s (c13 e c12). Esse modelado encontra-se sustentado por rochas polimetamórficas e intrusivas ácidas e vulcânicas do Complexo Xingu. Os materiais superficiais são areno-argilosos pouco espessos. Os solos predominantes nesta região são Podzólicos Vermelho-Amarelos distróficos. A dinâmica superficial apresenta, predominantemente, escoamento superficial e infiltração. Localmente podem ocorrer cólúvios nas baixas vertentes. - Região norte, disperso no Sistema de Aplanamento S3 (Ap3) Esse modelado é formado por relevos residuais espaçados, circundados pelo Sistema de Aplanamento S3 (Ap3), em altitudes que variam 290 a 500 m, sendo que as maiores altitudes ocorrem nas margens do Rio Teles Pires. O entalhe dos vales, apresenta desnível entre 20 e 40 m e as dimensões interfluviais variam de 750 a 3.750 m. Os padrões de forma predominantes são: Cl-Mr/s (a22, c13, c22 e t13). São sustentados por rochas de natureza granítico-gnáissica do Complexo Xingu. − Entre os Sistemas de Aplanamento S2 (Ap2) e S3 (Ap3) na borda leste da Bacia Sedimentar dos Parecis. 72 O modelado predominante nesta região é constituído por colinas amplas e médias, de topos tabulares ou convexos, com dimensões interfluviais entre 750 e 3750 m e entalhamento dos vales inferiores a 20 m , conformando padrões classificados como Cl- Mr/s(c13, t13, t12 e t22). As declividades são baixas, com valores entre 2 e 5%. O substrato rochoso deste sistema está representado pela Formação Diamantino, sendo o material superficial de natureza predominantemente arenosa. Nas estradas que cortam este sistema, encontra-se com recorrência, intercalações de afloramentos superficiais de crostas lateríticas. Os principais tipos de solos são os Latossolos e os Solos Concrecionários. O principal aspecto de dinâmica superficial é a ocorrência de erosão laminar nas áreas desmatadas e utilizadas para pastagem. − Região sul, entre os Rios Correntes e Itiquira, circundado pelo Sistema de Escarpas; e secundariamente à margem direita do Rio São Lourenço circundado pelos sistemas de Dissecação (Di) e de Leqes Fluviais (Lq); Nesta região, esse modelado localiza-se entre os Rios Correntes e Itiquira, circundado pelo Sistema de Escarpas. Apresenta padrões de topos tabulares amplos e convexos, com vertentes retilíneas e convexas. As amplitudes variam de 15 a 70 m e o entalhe raramente ultrapassa 40 m. As dimensões interfluviais variam de 1.750 até acima de 3.750 m, enquanto a declividade média das vertentes não ultrapassa 8%. O substrato rochoso é formado por arenitos Furnas. As formações superficiais são arenosas, em geral pouco espessas. Sobre elas desenvolvem-se Latossolos Vermelho-Escuro, dispostos nos relevos tabulares. O escoamento predominante é laminar, difuso. São raras as ocorrências de erosão linear (sulcos e ravinas), em geral associada à má conservação das estradas. Entre os rios São Lourenço e Mutum, esse modelado ocorre sob a forma de morros e colinas, em cotas altimétricas, que variam de 190 a 425 m, onde predominam os padrões de forma (t11), elaborado sobre metassedimentos do Grupo Cuiabá e sedimentos das Formações Furnas e Bauru. 4.1.2.2.3. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros - Média Dissecação - Cl-Mr/m Esse modelado distribui-se preferencialmente entre o Sistema de Dissecação (Di) e o Sistema de Aplanamento S2 ocorrendo nas bordas dos Planaltos dos Parecis e Guimarães e ainda entre os Sistemas de Aplanamento S3 e S2 e sobre o Sistema de Aplanamento S3, com distribuição em várias regiões do Estado de Mato Grosso: Os relevos associados a esse sistema, em geral, caracterizam-se por apresentar formas medianamente dissecadas em colinas amplas a médias, de topos planos, morros e morrotes de topos estreitos e convexos, localmente aguçados e alongados. As vertentes são predominantemente curtas, retilíneas, descontínuas, e convexas, ocorrendo em algumas regiões feições côncavas, sendo a declividade média entre 5-20%. (Foto 011). A altimetria varia entre 300 e 680 m, com amplitudes entre 30 a 80 m, apresentando desníveis de até 80 m nos vales. A dimensão interfluvial apresenta valores entre 250 e 1.750 m. 73 Os vales geralmente apresentam perfil em “V”, encaixados, não desenvolvendo planícies aluvionares, com exceção das drenagens de maior ordem, onde os vales são abertos e planos, com ocorrência de aluviões. Nestes casos, as baixas vertentes geralmente apresentam coluvionamento, conformando um conjunto de declives colúvio aluvionares que imprimem uma característica mais suave ao relevo. A rede de drenagem apresenta padrão dendrítico a sub-dendrítico, com média à alta densidade de drenagem, evidenciando um intenso processo de dissecação. Em algumas regiões localizadas, ocorre padrão de drenagem paralela, indicativo do controle estrutural, a que foram submetidas rochas do substrato geológico local. Este sistema recorta rochas polimetamórficas, ígneas e vulcânicas do Complexo Xingu; da Formação Iriri; da Suíte Intrusiva Teles Pires e Alcalinas Canamã; metassedimentares do Grupo Aguapeí, vulcânicas de Mimoso, e sedimentos dos Grupos Beneficente, Paraguai e Paraná. Feições morfológicas, como campo de matacões e exposições de rocha sã, em forma de lajeiros são notadas ao longo das vertentes. Distribuem-se com maior freqüência nos setores de alta vertente e nos topos das formas. A cobertura pedológica desse sistema é constituída predominantemente por solos do tipo Podzólicos, Latossolos, Areias Quartzosas, Concrecionários, Cambissolos, Litólicos, e afloramentos rochosos. A dinâmica superficial está ligada aos processos de infiltração e escoamento difuso, desenvolvendo comumente erosões laminares e em sulcos, principalmente nas áreas antropizadas, utilizadas em culturas anuais e pastagens, sem o adequado manejo de solo. Ravinas e voçorocas ocorrem associadas a estradas rurais comumente implantadas, sem levar em consideração a fragilidade dos solos, e desprovidas de um eficiente sistema de drenagem de águas pluviais. Suas principais áreas de ocorrência no Estado são: − Região norte, disperso no Sistema de Aplanamento S3-Ap3 Esse conjunto de formas movimentadas apresenta topos convexos, aguçados e tabulares, com padrões de relevo com índices de dissecação predominantemente (c23, c24, c33, t24 e a24), em níveis altimétricos entre 300 e 350 m. (Foto 012). As vertentes são convexas e retilíneas, com entalhes de vale inferiores a 60 m. as drenagens apresentam padrão dendrítico a subdendrítico, com média a alta densidade. O relevo é sustentado por rochas polimetamórficas do Complexo Xingu e localmente por vulcânicas da Formação Iriri. − Numa faixa norte-sul, entre os Sistemas de Aplanamento S2–Ap2 e S3–Ap3, na borda leste da bacia sedimentar dos Parecis Esse modelado corresponde a morrotes e morros em cristas, e isolados como residuais, apresentando entalhamento entre 20 e 80 m, e padrões de dissecação (c22, c23, c24 e c33), em cotas altimétricas entre 300 e 400 m, elaborados preferencialmentede sobre pacotes sedimentares das Formaçôes Salto das Nuvens e Utiariti, e secundariamente sobre rochas da Formação Diamantino; entretanto essa faixa estende para norte, atingindo localmente as rochas vulcânicas da Formação Iriri. 74 A rede de drenagem possui padrão dendrítico a subdendrítico, conformandonascentes em anfiteatros bastante encaixados e com recuo de nascente muito pronunciado. Os vales são fechados, e possuem perfil em “V”, praticamente inexistindo canais temporários. A densidade de drenagem neste compartimento apresenta valores altos, indicando um processo de dissecação intenso. Os solos mapeados neste sistema são do tipo Litólicos e Podzólicos. Sobre este conjunto de relevos ocorre intenso processo de dissecação encontrando- se como formações superficiais uma grande diversidade de colúvios, crostas lateríticas (durycrust), cascalheiras e material pedogenizado. Todo este material é basicamente de composição arenosa, com exceção das cascalheiras, compostas por seixos de quartzo. Fortes processos de erosão remontante estão efetuando o recuo de cabeceiras e o desmantelamento das escarpas da Serra do Roncador. A dinâmica superficial deste sistema tende ao predomínio do escoamento superficial e erosão laminar. − Região noroeste, entre o Sistema estrutural de Blocos Falhados (Sf) e o Sistema de Aplanamento S3 Os modelados desse sistema apresentam entalhamento dos vales ocupa intervalos entre 40 e 60 m, dimensão interfluvial média entre 750 a 1.750 m, e cotas altimétricas de 300- 485 m. Os vales exibem preferencialmente formas em “V” , porém em alguns locais ocorrem vales de fundo chato, com ocorrências de aluviões. Os padrões de dissecação predominantes são das classes (c23 e c33). Estas formas estão esculpidas sobre rochas polimetamórficas do Complexo Xingu e localmente por vulcânicas da Formação Iriri. Comumente, verifica-se nesta região, a existência de pequenas cachoeiras e corredeiras, em canais de primeira e segunda ordem, em vales profundos. − Região sudoeste, entre o Sistema de Aplanamento S2-Ap2 e os Sistemas de Dissecação em Escarpa (EF) e de Dissecação (Di) Na região sudoeste, esse modelado ocorre sob forma de colinas e morros, de topos aguçados, com vertentes retilíneas e convexas, apresentando desníveis de até 80 m nos vales. Os padrões de formas predominantes são (c22, c23, c33, c34, a33). Na porção noroeste da folha Jauru, esse sistema localiza-se entre os sistemas de aplanamento S2 e S3, entre altitudes de 330 a 680 m. O substrato rochoso é basicamente formado por granitóides do Complexo Xingu e metassedimentos do Grupo Aguapeí. − Região centro leste, situado entre as superfícies de aplanamento S1, S2 e S3; e entre os sistemas de Blocos Falhados da Serra Azul e a Superfície de Aplanamento S2 Nesta região, o padrão de forma predominante nesta área é composto por morros e morrotes, com dimensões interfluviais entre 750 a 1.750 m e o entalhamento dos vales possui valores entre 20 e 40 m, com declividades médias em torno de 20%, entre cotas altimétricas de 500 a 600 m, e com modelados de dissecação predominantes do tipo (c23 e c24). 75 Esse padrão de relevo desenvolve-se na porção inferior da escarpa erosiva que separa os sistemas S2 e S3, principalmente na região do vale do Rio Teles Pires, em cotas altimétricas entre 350 e 600 m. O embasamento é composto predominantemente por rochas das Formações Diamantino, e Utiariti, e localmente, em seu prolongamento para sul, onde atinge a borda norte da Bacia Sedimentar do Paraná, sobre litologias da Formação Ponta Grossa. As formações superficiais são predominantemente arenosas, com ocorrências de crostas ferruginosas e colúvios. Os solos predominantes são do tipo Litólicos e secundariamente Latossolos. A rede de drenagem é composta por cabeceiras de drenagem e canais de primeira e segunda ordem. A densidade de drenagem é alta, devido a grande quantidade destes canais, que nascem em anfiteatros localizados abaixo das escarpas. Os vales são caracterizados por perfis em “V”, com forte entalhe. Este conjunto de relevo apresenta em áreas próximas a rebordos erosivos, processos gravitacionais, como a queda e rolamento de blocos, conformando pequenos depósitos de tálus. − Região sul, entre o Sistema de Aplanamento S1-Ap1 e o Sistema de Dissecação (Di) e o Sistema de Pedimento (Pd), na borda oeste do Planalto dos Guimarães Na região sul, esse sistema apresenta relevo de morros alongados, de topos aguçados e estreitos. São agrupamentos de formas pequenas, com vertentes preferencialmente convexas. Rupturas de declive positiva e negativa marcam as passagens entre topo, vertente e vale. As declividades são elevadas, geralmente superiores a 20%. Os vales são estreitos, predominando canais de primeira ordem e intermitentes. Esse modelado foi identificado com os índices de dissecação (c14, a14, a23 e a23), que indicam dimensões interfluviais entre 250 a 1.750 m e entalhe da rede de drenagem em torno de 20 a 60 m, posicionados em níveis altimétricos de 430 a 800 m. A rede de drenagem apresenta padrão dendrítico a sub-dendrítico, com média densidade. Os vales apresentam perfil em "V", encaixados e sem desenvolvimento de planícies aluvionares. Nota-se cabeceiras de drenagem em pequenos anfiteatros. O substrato é constituído por metassedimentos do Grupo Cuiabá, pelo Granito de São Vicente, e pelas vulcânicas de Mimoso. Em Barão de Melgaço, às margens do Rio Cuiabá, foram observados relevos desse sistema, na forma de residuais alongados próximo à cidade. Nas margens do rio, afloram bancos de metarenitos, mas não foram observadas soleiras ou corredeiras. As formações superficiais que ocorrem nesse sistema apresentam manto de alteração autóctone, de textura argilo-arenosa, pouco profundo em função da declividade elevada das formas e da pequena taxa de infiltração. Na base das vertentes marcadas por rupturas negativas, nota-se coluvionamentos localizados formado por material fragmentado e anguloso em pacote pouco espesso. Os solos associados são Podzólicos Vermelho-Amarelos e Litólicos. Localmente apresentam-se laterizados. 76 Não foram observados processos erosivos significativos. Apenas pequenos sulcos ao longo da encosta, em decorrência da predominância do escoamento concentrado sobre o difuso. 4.1.2.2.4. Sistema de Dissecação em Colinas e Morros - Forte Dissecação - Cl-Mr/f Esse modelado distribui-se preferencialmente entre as Superfícies de Aplanamento S1, S2 e S3; disperso em manchas esparsas na Superfície de Aplanamento S3; localmente entre os relevos de Blocos Falhados (Sf) e o Sistema de Aplanamento S2 ou ainda inserido no Sistema de Dissecação (Di), como pequenas serras alongadas, constituindo áreas de relevos fortemente dissecados e ocorrendo em várias regiões do Estado. De modo geral conforma pequenas serras de caráter residual entre os diversos sistemas denudacionais. Os topos normalmente são convexos ou aguçados, estreitos e irregulares, podendo ocorrer em alguns locais morros com topos tabulares. As vertentes em geral são retilíneas e convexas, seccionadas por drenagens de primeira e segunda ordem, com declividade entre 10 e 45%. Os vales apresentam perfil em “V”, comumente estreitos, encaixados, e sobre afloramentos rochosos, com rara ocorrência de planícies alveolares. A dissecação proporcionada pela rede de drenagem atual é forte, atingindo entalhes entre 40 e 160 m. Esta força de incisão faz os interflúvios tomarem proporções pequenas, com dimensões interfluviais entre 250 e 1.750 m. Os padrões com maior abrangência dentro da área são do tipo Cl-Mr/f (c24,c34, c43, a25,a35, a43, a44, a45, a54). Essas formas são resultado da dissecação do sistema pela superimposição da rede de drenagem, comumente apresentando média a alta densidade, com grande número de canais de primeira e segunda ordens, e padrão dendrítico a subdendrítico. As serras, cristas alongadas e morros apresentam amplitudes de relevo até 200 m, ocasionalmente superiores a 200 m, enquanto que os morrotes destacam-se por apresentar geralmente amplitudes entre 20 e 80 m. As altitudes variam de 300 a 630 m, com exceção da região da Serra da São Vicente, à sudeste de Cuiabá e próximo à cidade de Nova Brasilândia, onde ascotas variam de 500 a 900 m. Esse sistema é sustentado por arenitos, siltitos e argilitos do Grupo Gorotire, por granitos e granitóides do Complexo Xingu, por rochas das suítes intrusivas Rio Dourado e Teles Pires, metassedimentos dos Grupos Cuiabá e Aguapeí e por sedimentos areno-argilosos das Formações Diamantino, Furnas, Ponta Grossa e Utiariti. Os solos predominantes neste sistema são os Litólicos, Cambissolos, Podzólicos, Concrecionários e mais comumente, nas cristas e fundo de vales, afloramentos rochosos e no sopé dos morros, ocorre comumente depósitos de tálus e ainda blocos de rocha e matacões. Devido à alta densidade de drenagem que ocorre neste sistema, são comuns evidências de processos erosivos laminares, em sulcos e ravinas, porém em baixa incidência, tendo em vista que estas áreas geralmente encontram-se pouco alteradas, em relação à ocupação antrópica. Em decorrência da evolução natural da paisagem, é comum o desenvolvimento de processos erosivos e escorregamento de encostas naturais. Destacam-se como principais áreas de ocorrência desse modelado, as seguintes regiões do Estado: − Entre os Sistemas de Aplanamento S2 (Ap2) e S3 (Ap3), na borda norte da Bacia Sedimentar dos Parecis 77 Esse modelado apresenta-se sob a forma de colinas, morros e morrotes alongados, localmente formando pequenas cristas alongadas, de topos estreitos, apresentando vertentes descontínuas, retilíneas, convexas, com dimensões interfluviais que variam de 250 a 1.750 m, e entalhamento de vales, entre 40 e 160 m, sobre rochas dos Grupos Gorotire e Beneficente, granitóides do Complexo Xingu e da Suíte Intrusiva Rio Dourado, apresentando preferencialmente padrões de dissecação do tipo Cl-Mr/f(c24, c34, a25, a43, a44 e a45). As altitudes variam entre 300 a 540 m, atingindo até 630 m na extremidade nordeste. Nesse modelado ocorre erosão laminar, em sulcos, ravinas e rastejo localizados. − Região norte do Estado, disperso no Sistema de Aplanamento S3 (Ap3) Esse modelado é formado por morros e morrotes de topos tabulares, convexos e aguçados, com vertentes curtas, retilíneas e convexas, conformando agrupamentos de morros de caráter residual, predominantemente associados aos contrafortes da Serra do Cachimbo. Via de regra, os topos apresentam-se truncados e subnivelados e separados por vales erosivos, longos e profundos, que interpenetram o sistema. A rede de drenagem apresenta padrão subdendrítico, controlado por fraturas. O padrão de forma dominante apresenta índices Cl-Mr/f(t34) ocorrendo secundariamente (c34, c44, t43, a34, a43). Esses índices revelam um relevo bastante energético, com amplitudes médias de 80 m e dimensão interfluvial entre 250 a 1.750 m. Rupturas de declive são comuns. A declividade média geralmente encontra-se no intervalo de 10 a 30%. Essa superfície distribui-se acima da cota de 400 m, chegando a marcas superiores a 500 m. Campos de matacões e lajes estruturais são comuns, nos residuais de maior expressão. Sustentam essas formas rochas antigas do Grupo Iriri, Granitos Intrusivos e rochas do Complexo Xingu. Os solos são rasos, porém o perfil de alteração é profundo. Predominam os solos Litólicos. A presença de crosta laterítica, mesmo de forma descontínua e localizada, truncando o topo da Serra do Cachimbo, evidencia a ação de processos morfogenéticos no afeiçoamento e retrabalhamento dessa superfície. Não foram constatados processos notórios de erosão concentrada ou assoreamento associado a esse sistema, porém devido à alta energia do modelado, presume-se que os processos morfogenéticos atuem de forma vigorosa em sua morfogênese. Escoamento concentrado maior que o difuso, baixa taxa de infiltração das águas pluviais, desagregações mecânicas das vertentes e movimentos gravitacionais podem ocorrer com relativa intensidade e freqüência. − Região noroeste, entre o Sistema de Blocos Falhados (Sf) e o Sistema de Aplanamento S2 (Ap2) Este modelado corresponde a interflúvios pequenos a médios, com topos convexos a aguçados e vales encaixados. O padrão de drenagem é preferencialmente dendrítico. As altitudes variam entre 430 e 280 m. O entalhe dos vales varia entre 40 e 160 m com dimensão interfluvial variando entre 250 e 1.750 m. As declividades encontram-se entre 20 e 45%. Os padrões de forma mais recorrentes são do tipo Cl-Mr/f(c43 e c34). O embasamento rochoso corresponde às rochas do Complexo Xingu e intrusões básicas. O material superficial é composto por um manto de alteração autóctone arenoso pouco espesso. Localmente ocorrem afloramentos rochosos em campo de matacões e 78 pavimentos detríticos com cascalho. Os solos predominantes são Podzólicos Vermelho Amarelo e Litólicos. A dinâmica superficial tende a um predomínio dos processos naturais, pois a área encontra-se pouco alterada em relação à ocupação antrópica. Entre os processos esperados além do escoamento superficial laminar e da infiltração das águas de chuva, pode ocorrer o recuo de cabeceiras de drenagem através de processos de ravinamento e deslizamento. − Região sudoeste, entre o Sistema de Aplanamento S2 (Ap2) e S3 (Ap3) e o Sistema de Dissecação (Di) Nessa região, o modelado de forte dissecação ocorre sob forma de colinas e morrotes de topos estreitos e convexos e vertentes retilíneas, com amplitudes, entre 20 e 80 m, com altimetrias máximas em torno de 500 m nas serras de Monte Cristo e da Fortuna, e entre os rios Cabaçal e dos Bugres, diminuindo para uma faixa em torno de 370 m na Serra de São Joaquim. Em ambos os casos, se encontram mais elevadas a oeste, sofrendo um gradual rebaixamento da amplitude e da altimetria em sentido leste. As unidades de relevo desse sistema encontram-se orientadas à NW-SE, acompanhando escarpas, com amplitude superior a 100 m, voltadas para sudoeste, e no reverso com caimento para NE, onde predominam topos tabulares e ressaltos em níveis correlativos aos do Sistema de Aplanamento S2-Ap2. Os padrões de relevo predominantes são Cl-Mr/f(c34, c25, a34 e t34), desenvolvidos sobre litologias das Formações Tapirapuã, Diamantino, Araras e Utiariti. − Região sudoeste, entre o Sistema de Dissecação (Di) e o Sistema de Escarpas (EF) e incluso no Sistema de Estratos Horizontais (St) O Sistema Cl-Mr/f(a43) ressalta a faixa oeste da Serra de Santa Bárbara, em posição intermediária aos Sistemas de Escarpas EF/f(a53) e de piso regional em Sistema de Dissecação Di/s(t11 e c13). Ocupa altitudes entre 720 a 400 m e os desníveis atingem valores de 80 até 160 m , com dimensão interfluvial entre 750 a 1.750 m. As declividades médias estão acima de 25%. Os padrões de formas de dissecação predominantes são Cl-Mr/f (a34, a43 e a44), sustentados pelos granitóides do Complexo Xingu, pela Seqüência Vulcano Sedimentar do Planalto Jauru e pelos metassedimentos do Grupo Aguapeí, sobre os quais se desenvolvem solos tipo Podzólicos Vermelho-Amarelo eutróficos, Litólicos e Areias Quartzosas. O material superficial encontra-se representado preferencialmente por um manto de alteração areno-argiloso pouco espesso. − Região centro-sul, entre os Sistemas de Aplanamento S1(Ap1) e S3 (Ap3), na borda norte do Planalto dos Guimarães Nesta porção, esse tipo de modelado ocorre sob a forma de relevo de cristas e morros alongados Os interfluvios são predominantemente curtos e estreitos e as vertentes retilíneas, com declividades em torno de 30%. Os pontos de maior altitude estão localizados próximo à Cuiabá, na Serra de São Vicente, onde as cotas altimétricas atingem até 800 m, em relevos sustentados respectivamente por granitos intrusivos da Suíte Intrusiva São Vicente; por metassedimentos do Grupo Cuiabá e sedimentos das Formações Furnas e Ponta Grossa. Os índices predominantes são do tipo Cl-Mr/f (a34, a44, c33, c43 e a54). 79 − Região leste, nas bordas entre o Sistema de Pedimento (Pd) e o Sistema de Aplanamento-Blocos Falhados/Basculados (A-Sf(b)) e entre este e o Sistema Dissecação(Di/p) Esse modelado de relevo ocorre a sudoeste de Nova Xavantina, como espigões interdigitados, entre os Sistemas de Blocos Falhados/Basculados (A-Sf(b)) e os Sistemas de Dissecação (Di) e de Pedimento (Pd). Os relevos deste sistema são fortemente dissecados, com vertentes retilíneas ou convexas e topos aguçados ou convexos. Apresenta forte entalhe da rede de drenagem com padrão dendrítico e vales em “V”. As altitudes variam de 320 a 450 m, amplitudes de 80 a 160 m e declividades médias acima 30%. O padrão de forma predominante é composto por escarpas festonadas com espigões interdigitados, e dimensões interfluviais inferiores a 250 m, classificados como Cl-Mr/f (a34 e c34). O embasamento é composto por rochas da Formação Furnas constituídas por arenitos de granulometria grosseira a localmente finos. As formações superficiais são arenosas sendo localmente recobertas por colúvios de pequena espessura. O escoamento superficial é preferencialmente feito pelos profundos vales que dissecam as escarpas erosivas. Os solos são preferencialmente do tipo Litólicos e Concrecionários. − Região sul, entre o Sistema de Aplanamento S1(Ap1), o Sistema de Dissecação (Di) e o Sistema de Pedimento (Pd), na borda oeste do Planalto dos Guimarães Esse tipo de modelado ocorre na região da Serra de São Vicente, constituído por relevos de cristas e morros alongados e morros e morrotes fortemente dissecados com índices a34, a43, a44, a54 e c43. Esses índices revelam formas de topos aguçados com dimensão interfluvial pequena, entre 250 a 1.750 m e entalhe da rede de drenagem entre 60 e 80 m em média, em níveis altimétricos entre 500 a 900 m, sustentados por metamorfitos do Grupo Cuiabá e por granitos intrusivos da Suíte São Vicente. As formas são associadas a interflúvios curtos e estreitos, de topos aguçados a convexos, limitados por ruptura de declive positiva. As vertentes são médias e apresentam segmentos retilíneos, convexos e côncavos. As declividades variam entorno de 30% com a amplitude do relevo chegando a mais de 200 m nos contrafortes da Serra de São Vicente. Em termos de cobertura superficial, esse relevo apresenta regolito delgado. Depósitos coluvionares são de ocorrência restrita, nas rupturas negativas de declive. No geral, predominam solos Litólicos e Podzólicos Vermelho-Amarelos distróficos. A drenagem apresenta padrão sub-dendrítico, com média a alta densidade, indicando um processo de dissecação intenso. Os vales são perenes, em sua maior parte e apresentam perfil em “V”, encaixados e estreitos. Anfiteatros erosivos pelo recuo de drenagem ocorrem localmente associados a canais de primeira ordem. Os rios não formam planícies aluvionares significativas. Devido à alta energia desse sistema, os processos morfogenéticos atuam de forma vigorosa em sua morfogênese, com predomínio de escoamento concentrado, ocorrendo também escoamento difuso, baixa taxa de infiltração das águas pluviais, desagregação mecânica das vertentes e movimentos gravitacionais. Todavia, não foram observados 80 processos erosivos significativos. Apenas pequenos sulcos ao longo da encosta, em decorrência da predominância do escoamento concentrado sobre o difuso. 4.1.2.3. Sistema de Dissecação em Escarpa – EF Esse sistema ocorre em diversas regiões do Estado de Mato Grosso, caracterizando feições escarpadas, cuja gênese está associada a eventos de natureza erosiva e/ou estrutural. As escarpas erosivas geralmente são muito proeminentes, onde os processos de dissecação fluvial são preponderantes na esculturação do modelado, apresentando rebordos erosivos delimitados por escarpas na quebra de ruptura positiva e com áreas fortemente dissecadas, formando a transição entre dois níveis topográficos, que na maioria das vezes representam contatos entre modelados diferentes de um mesmo sistema. O sistema de dissecação em escarpas ocorre nestas diversas regiões apresentando dois tipos de modelado, de média e de forte dissecação. O modelado de média dissecação ocorre apenas em duas regiões específicas, no sudoeste e no sudeste de Mato Grosso, enquanto que o de forte dissecação distribui-se em cinco regiões. 4.1.2.3.1. Sistema de Dissecação em Escarpa – Média Dissecação – EF/m Esse modelado ocorre em duas regiões do Estado de Mato Grosso: − Região sudoeste, delimitando a borda do Planalto dos Parecis, entre a Superfície de Aplanamento S2 e o Sistema de Colinas e Morros, e representando o limite de algumas serras que constituem os Planaltos Residuais do Alto Guaporé; Este sistema apresenta rebordos erosivos delimitados por escarpas na quebra de ruptura positiva e com áreas medianamente dissecadas, formando a transição entre dois níveis topográficos. As altitudes variam entre 300 a 500 m, possuindo desníveis de 200 m ou mais. Na parte baixa deste sistema ocorre um forte processo de dissecação gerando morros alongados que possuem entalhamento dos vales acima de 40 m e dimensões interfluviais entre 750 e 1.750 m. O principal padrão mapeado é classificado como EF/m(c23). O substrato rochoso deste sistema é composto pela Formação Salto das Nuvens em sua porção superior com rochas do Complexo Xingu ocupando as porções mais baixas. O material superficial apresenta granulometria variando de grosseira a fina, formando depósitos de tálus ou coluvionares. Os solos mapeados nestas áreas são do tipo Litólicos preferencialmente, Podzólico Vermelho-Escuro e Brunizem Vermelho. A dinâmica atual permanece atrelada a fenômenos naturais, pois a cobertura vegetal permanece intacta. Os processos de recuo de cabeceiras são uma constante, podendo ocorrer deslizamentos e queda de blocos. 4.1.2.3.2. Sistema de Dissecação em Escarpa – Forte Dissecação – EF/f Esse sistema apresenta características comuns nas diversas áreas de ocorrência, e especificidades que serão mencionadas para cada situação. 81 Nesse modelado, as altitudes variam em função do porte e grau de conservação do relevo serrano, apresentando médias entre 300 a 500 m, verificando-se cotas de 500 a 980 m nas Serras de Ricardo Franco e Santa Bárbara, e de 360 a 448 m na Serra do Roncador. A amplitude topográfica é também muito variável, possuindo desníveis médios entre 50 a 80 m, verificando-se gradientes de até 480 m na Serra de Ricardo Franco. Na parte baixa deste sistema ocorre um forte processo de dissecação gerando morros que possuem entalhamento forte dos vales, em média acima de 40 m, chegando até 160 m na Serra de São Jerônimo, e dimensões interfluviais médias entre 750 a 1.750 m, secundariamente entre 250 e 750 m, e menores que 250 m, definindo modelados de topos aguçados, convexos e restritamente tabulares, com padrões dos tipos (a24, a25, a34, a35, a54, a55, c14, c23, c24, c34, t14, t24). As vertentes são contínuas e descontínuas, com segmentos retilíneos e convexos, por vezes com afloramentos rochosos. Os vales são erosivos e com canais desenvolvidos em rocha. A densidade de drenagem é média, tendo predominância o padrão subdendrítico. As declividades no geral são altas, quase sempre superiores a 30%. As escarpas são limitadas por rupturas de declive positivas que marcam o aumento de declividade e em alguns locais a presença de afloramentos rochosos localizados. Na frente da escarpa ocorrem morrotes e colinas pequenas residuais sustentadas por laterita e/ou cascalho, elevados de 15 a 25 m sobre o relevo da base das escarpas. A rede de drenagem compõe-se por anfiteatros erosivos com grande quantidade de canais temporários, conformando grotas muito profundas. O escoamento laminar ocorre sobre vertentes muito inclinadas, concentrando-se rapidamente nas nascentes. A cobertura superficial apresenta recobrimento de material detrítico, fruto da erosão e recuo da escarpa. Os solos são rasos e os processos morfodinâmicos estão ligados a ação gravitacional, como queda de blocos, desenvolvendo-se sobre este modelado predominatemente solos litólicos, porvezes eutróficos, com blocos de rocha sã, aflorantes ao longo das vertentes, ocorrendo também solos Podzólicos Vermelho-Amarelos distróficos e eutróficos, subordinadamente Areias Quartzosas distróficas, conforme os substratos sobre os quais evoluíram. Devido à alta energia do sistema, os processos morfogenéticos atuam de forma vigorosa em seu modelamento. Escoamento concentrado maior que o difuso, baixa taxa de infiltração das águas pluviais, desagregação mecânica das vertentes, e movimentos gravitacionais podem ocorrer com moderada intensidade e freqüência. Os processos de recuo de cabeceira são uma constante, podendo ocorrer deslizamentos e queda de blocos. A dinâmica atual, em função da cobertura detrítica arenosa e da declividade mais acentuada das encostas, favorece a ocorrência generalizada de processos de escoamento concentrado, gerando erosão laminar, com formação natural de sulcos e ravinas de moderada intensidade, que é comumente intensificada ao longo das estradas, em conseqüência de falta de obras adequadas de drenagem de águas pluviais. Nas encostas mais íngremes pode ocorrer rastejo localizado e de baixa intensidade. Processos gravitacionais são esperados nas áreas com maior declividade, conformando depósito de tálus nas porções basais do sistema, constituídos por seixos e blocos fragmentados e angulosos. Naquelas escarpas onde a cobertura vegetal permanece intacta, situação predominante neste sistema, a dinâmica está vinculada a fenômenos naturais. 82 A distribuição do sistema em diversas localizações e as características peculiares a cada uma delas será apresentada a seguir: − Região sudoeste, transição entre os Sistemas Ap2 e Cl-Mr; rebordos dos Sistemas de Faixas Dobradas da Serra de São Vicente, patamares com Estratos Horizontais das Serras de Ricardo Franco (St) e Santa Bárbara A Serra de Ricardo Franco (St), apresenta índice EF/f(a53). Correspondem a escarpas com grande desnível topográfico, que chegam a atingir até 400 m. Na porção sudoeste do Sistema de Faixas Dobradas (Sd) da Serra de São Vicente, a fachada voltada para o rio Guaporé, é marcada por escarpas abruptas correspondentes às frentes de escarpa de falha, intensamente dissecada e caracterizada como EF/f(a34).(Foto 013). A porção de transição entre o Sistema de Aplanamento (Ap2) e o Sistema de Colinas e Morros (Cl-Mr) é marcada pelo contato entre as rochas areníticas do Grupo Parecis (Formação Salto das Nuvens e Formação Utiariti) e rochas cristalinas do Complexo Xingu. Junto aos Sistemas St e Sd ocorrem rochas do Grupo Aguapeí No geral o material superficial é raso, com afloramentos rochosos, e preferencialmente arenosos. − Serra de Tapirapuã, entre a Superfície de Aplanamento S2 (Ap2) e a Superfície de Aplanamento S3 (Ap3) Na porção meridional da Serra de Tapirapuã, esse sistema representa uma escarpa de planalto com frontão voltado para o sul e orientação regional no sentido E-W, com amplitude topográfica superior a 150 m, constituindo um patamar estrutural, marcado por modelado do tipo EF/f (a54) e sendo sustentado por rochas basálticas da Formação Tapirapuã. Com altimetrias que oscilam entre 330 e 540 m de altitude, essa escarpa se mostra com sutil rebaixamento do topo no sentido de leste para oeste. − Região centro-sul do Estado, contato entre o Sistema de Aplanamento S1 (Ap1/p) e o Sistema de Aplanamento S2 (Ap2/m) e entre este e os sistemas S3 (Ap3/s) e Di/s A dissecação da borda escarpada do Sistema de Aplanamento S2 (Ap2) apresenta particularidades, uma vez que a maior parte desse sistema desenvolve-se sobre litologias friáveis da Formação Utiariti. No entanto, as fases erosivas que atuaram sobre o Sistema de Faixas Dobradas – Sd (Província Serrana), nivelaram alguns de seus prolongamentos tornando-os arrasados, de tal forma, que dificultou a incorporação desse modelado no sistema estrutural dobrado, marcadamente estrutural. Assim, a passagem do Sistema de Aplanamento S2 (Ap2) para o Sistema de Aplanamento S3 (Ap3), nesse setor, sucede-se através de escarpa estrutural, através de uma faixa colinosa, com morrotes e forte gradiente topográfico, elaborada em litologias da Formação Raizama, que compreende arenitos finos a médios com intercalações de siltitos, fatores que definem a edificacação do Sistema EF/f. − Região sul, se articula entre o Sistema de Aplanamento S1 (terminação ocidental da Serra de São Jerônimo) e o Sistema de Dissecação- (Di) a norte do Rio São Lourenço; e entre o Sistema de Aplanamento Ap1 e o Sistema de Leques Fluviais a sul 83 Nessa região, esse modelado de dissecação corresponde a uma faixa de 1 a 5 km de largura, aproximadamente norte-sul, que acompanha o limite ocidental da Serra de São Jerônimo, interrompida pela passagem do Rio São Lourenço. Esse compartimento é formado por formas convexas e aguçadas e mais restritamente tabulares, apresentando dois setores distintos, separados pelo rio São Lourenço. O primeiro, ao norte do rio, no âmbito da MIR-405 (Folha Rondonópolis), encontra-se representado em apenas uma estreita faixa, onde é identificado com o índice (a55), de dimensão interfluvial inferior a 250 m e entalhe da rede de drenagem crescente a partir do rio para noroeste; iniciando com valores entre 40 e 80 m, passando a maiores que 160 m. O segundo setor, ao sul do Rio São Lourenço, na MIR-419 (Folha Itiquira), é caracterizado por padrões de formas aguçadas, com vertentes retilíneas e convexas (a34). As amplitudes variam de 40 a 80 m e as dimensões interfluviais são pequenas, com predomínio daquelas entre 250 e 750 m. Nessa região, as formações superficiais são autóctones, resultantes da alteração de arenitos da Formação Furnas e siltico-argilosas dos metamorfitos do Grupo Cuiabá. − Região leste de Mato Grosso, caracteriza o contato entre os Sistemas de Aplanamento S2 e S3, conformando a Serra do Roncador Nesta porção do Estado, o contato entre os Sistemas S2 e S3, ocorre de três formas distintas. Na porção sul da área, como uma faixa estreita e contínua; onde esse contato é mais definido, conformando a Serra do Roncador, orientada na direção noroeste e que marca o interflúvio das bacias dos rios Xingu e Araguaia.. Na porção central, a linha de escarpa está associada ao relevo de Sistema de Dissecação em Colinas e Morros (Cl-Mr); enquanto que na parte norte da área, o contato entre os dois sistemas foi caracterizado apenas por uma escarpa erosiva, correspondente às áreas de transição entre os dois sistemas, formando espigões, associados a morros e serras tabulares residuais, de topo subhorizontal, delimitados por escarpas rochosas, com desníveis da ordem de 100 m entre a quebra de declive positiva, localizada no alto das escarpas e a quebra de ruptura negativa, localizada na base ou nos fundos dos anfiteatros erosivos. Nesta porção nordeste, as escarpas são sustentadas por granitos e granitóides, conformando áreas com forte dissecação, em anfiteatros muito entalhados e com pequena dimensão interfluvial. Essa situação diferenciada de norte para sul evidencia o adernamento da Serra do Roncador, que é sustentada por arenitos da Formação Salto das Nuvens. − Região sudeste do Estado, contornando a Serra Azul O Sistema de Dissecação em Escarpas constitui-se estrutural e altimetricamente, como uma faixa de relevos intensamente dissecados, que contornam os altos relevos da Serra Azul. A conexão com o topo das serras é através de escarpa estrutural, muito íngreme. Os modelados de topos tabulares e aguçados foram esculpidos em rochas do Grupo Cuiabá (quartzitos, metagrauvacas, metarcóseos, filitos e meta paraconglomerados). Os depósitos de tálus envolvem as áreas escarpadas e mascaram os pedimentos detríticos que se articulam com o Sistema de Dissecação da bacia do Rio Araguaia. O caimento para o setor 84 rebaixado é gradual, os relevos vão adquirindo forma de colinas mais amplas e as drenagens tornam-se menos aprofundadas.A característica principal desse relevo pré-serrano é a intensa dissecação em topos aguçados, que geralmente se alinham paralelamente. O recortamento do relevo alongado demonstra claramente a influência estrutural deste setor. 4.1.2.4. Sistema de Aplanamento- A A metodologia proposta por LATRUBESSE et al. (1998) para a compartimentação geomorfológica de Mato Grosso, define o Sistema Denudacioanal de Aplanamento, como de importância fundamental, em função de sua representatividade espacial, alcançando dimensões regionais, e caracterizando-se como aquele de maior extensão em território estadual. A identificação e a delimitação deste sistema, fundamenta-se em três critérios: perfil longitudinal plano com similitude de altitudes de topos; material superficial homogêneo e presença de residuais representativas de superfícies mais altas, que permitiram definir três superfícies regionais de Aplanamento. O Sistema de Aplanamento S1(Ap1), conforma a superfície mais antiga, caracterizada como de cimeira, distribuída predominantemente nas chapadas dos Parecis e Guimarães e no Planalto dos Guimarães; o Sistema de Aplanamento S2 (Ap2) predomina no Planalto dos Parecis, e o Sistema de Aplanamento S3 (Ap3), que caracteriza o piso regional do relevo na região norte do Estado, contorna a superfície S2 (Ap2) na região leste, e penetra pela Depressão Interplanáltica de Paranatinga e Depressão Cuiabana. 4.1.2.4.1. Sistema de Aplanamento S1 – Ap1 O Sistema de Aplanamento S1 (Ap1) corresponde a um conjunto de formas aplanadas que ocupa posição de cimeira sobre os conjuntos regionais de relevo, De uma forma geral, nas regiões oeste e central do Estado de Mato Grosso, predominam as formas preservadas, enquanto que na região sul-sudeste, o relevo apresenta- se mais dissecado. Esse sistema distribui-se nas seguintes regiões do Estado de Mato Grosso: − Região oeste e central relacionado à Chapada e ao Planalto Dissecado dos Parecis A Superfície de Aplanamento S1 (Ap1) quando relacionada à Chapada dos Parecis (Projeto RADAMBRASIL, 1982), na região oeste do Estado, é caracterizada como uma superfície subnivelada extensa, que se desenvolve ao longo dos interflúvios, com dimensões superiores a 12.750 m, podendo ser delimitados por rebordos erosivos. Tem topos subhorizontais que formam rampas extensas. Esse relevo plano apresenta declividades inferiores a 2%. Os vales são amplos e erosivos, abrigando apenas canais de primeira ordem. A densidade de drenagem é muito baixa. Esse sistema é representado por uma série de remanescentes que ocorrem ao longo dos principais interflúvios (rios Juína, Papagaio e do Sangue)(Foto 014) e junto ao degrau erosivo que constitui o divisor das águas entre as bacias Amazônica e Platina. Distribui-se 85 entre altitudes de 690 a 810 m a sul, com ligeiro caimento para nordeste, atingindo a norte, altitudes variáveis de 480 a 520 m. Apresenta um conjunto de escarpas estruturais abruptas, com desníveis de até 100m, enquanto que a sudoeste e a sul, ocorrem anfiteatros erosivos, geralmente formando um sistema contínuo de escarpas erosivas, que interrompem bruscamente as superfícies aplanadas e residuais de topo plano. Essa Chapada foi esculpida sobre litologias areníticas do Grupo Parecis sobreposta por materiais superficiais, constituídos por coberturas argilosas autóctones, muito espessas, com crostas ferruginosas na base, correlacionados às coberturas Terciário-Quaternárias Neogênicas, identificáveis nos rebordos erosivos do sistema. Esse material ferruginoso encontra-se distribuído nas partes mais elevadas dos interflúvios mais aplanados e conservados, atuando como camada mantenedora dessas formas. Na região central o Sistema de Aplanamento S1(Ap1) está relacionado à Chapada e ao Planalto Dissecado dos Parecis, mapeados pelo Projeto RADAMBRASIL (1982), nivelados altimetricamente em torno de 420 a 510 m a sul, mostrando caimento para noroeste, onde as altitudes variam de 380 a 390 m. A Chapada ocupa áreas extensas na bacia do Rio Teles Pires, e forma remanescentes isolados nos interflúvios dos Rios Arinos, Claro, Patos, e seus tributários de menor ordem, conformando também, um patamar orientado regionalmente em direção NW-SE, circundando a Bacia do Xingu. O Planalto Dissecado dos Parecis constitui uma das unidades mais extensas e expressivas na região Centro-Oeste, apresentando como principal característica a continuidade e relativa homogeneidade, com predominância de formas dissecadas tabulares. (Foto 015). Entretanto, a intensidade de dissecação varia de leste para oeste. Esta variação dos aspectos morfológicos correlaciona-se a uma diferenciação litológica. Trata-se de uma superfície preservada das fases erosivas que afetaram a área. Caracteriza-se por ser uma superfície plana, com rede de drenagem esparsa, e canais retilíneos, interflúvios amplos de topos planos e vertentes de baixa declividade, com maiores inclinações nas bordas de contato com os Sistemas de Aplanamento S2 – Ap2 e S3 – Ap3, (Foto 016) sobrepostos predominantemente por Latossolos Vermelhos de textura argilosa a média, com níveis de laterita concrecionária subordinados. − Região centro sul correspondente ao Planalto dos Guimarães Na região centro sul de Mato Grosso, o sistema corresponde à unidade geomorfológica: Planalto do Guimarães e suas subdivisões: Chapada dos Guimarães e Planalto Dissecado dos Guimarães, denominações clássicas da geomorfologia regional, sistematizadas pelo Projeto RADAMBRASIL (1981 e 1982), distribuídas entre 300 a 900 m, na borda norte do Planalto. A Chapada dos Guimarães, representa o compartimento superior, posicionado entre cotas altimétricas de 650 a 800 m, caracterizada como uma superfície aplanada, muito conservada, com predomínio de formas de suave dissecação, e presença de manchas de média dissecação em sua borda sudoeste, elaborada sobre os arenitos Bauru, recobertos pelos sedimentos das coberturas neogênicas. Essa superfície é delimitada em quase toda sua extensão por escarpas erosivas e ressaltos topográficos, recebendo nomes locais, como Serra Preta e Serra Vermelha. O compartimento intermediário, denominado Planalto dos Guimarães, posicionado entre níveis altimétricos de 450 a 550 m, caracteriza-se pela suavidade do modelado, predominando amplas formas de topos tabulares, com fraca incisão de drenagem e leve 86 caimento, com orientação geral NNE/SSW, sobrepondo litologias das formações Furnas e Ponta Grossa. As bordas desta unidade são mais extensivamente marcadas por escarpas erosivas. (Foto 017). Na fachada voltada para norte/nordeste, estas escarpas correspondem ao front da cuesta do Caiapó, localmente denominada Serra do Caiapó, que assinala o contato com o Planalto dos Alcantilados. O padrão de relevo predominante neste compartimento é de suave dissecação, com pequenas manchas de média dissecação. − Região sudeste, corresponde ao Planalto do Taquari/Alto Araguaia Na região sudeste, esse sistema relaciona-se ao Planalto do Taquari/Itiquira, onde se localizam os municípios de Alto Taquari, Alto Araguaia, Alto Garças e Itiquira, estendendo-se até os limites com os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Caracteriza-se pela existência de uma superfície de aplanamento conservada muito extensa, com aspecto de um “chapadão”, denominado regionalmente como Chapadão do Rio Verde (MAMEDE et al., 1998), que constitui o divisor das bacias hidrográficas do Araguaia, Paraguai e Paraná. Essa área foi submetida a sucessivas reativações, soerguimentos e basculamentos durante o Cenozóico, estimulando a erosão da parte soerguida e consequentemente o escavamento das depressões internas. É representado por áreas de coberturas meso-cenozóicas e litologias paleozóicas da Bacia Sedimentar do Paraná. O chapadão com material de cobertura autóctone caracteriza-se por apresentar superfície plana ou fracamente dissecada, com densidade de drenagem muito baixa e fracainclinação. As formações superficiais constituídas por esse material de cobertura foram pedogenizadas e originaram Latossolos Vermelho-Escuro, argilosos e muito argilosos Nas áreas de litologias paleo-mesozóicas (Grupo Passa Dois (Ppd), Formação Botucatu (Jb) e Formação Serra Geral (Jksg)) a incisão fluvial é fraca, e o entalhamento dos vales está em torno de 20 a 30 m, excepcionalmente chegando aos 40 m. 4.1.2.4.1.1. Sistema de Aplanamento S1 – Preservado - Ap1/p O Sistema de Aplanamento S1 (Ap1/p) é caracterizado como um sistema subnivelado extenso, que se desenvolve ao longo de posições interfluviais, conformando topos planos e subhorizontais que formam rampas extensas. Os vales, quando ocorrem, são amplos e erosivos abrigando apenas canais de primeira ordem. A densidade de drenagem é muito baixa. Esse relevo é plano e apresenta declividades inferiores a 2%. As formações superficiais são predominantemente argilosas e muito argilosas, geralmente com base concrecionada, mapeadas como “Superfície Peneplanizada com Latossolização” originando solos Latossolos Vermelho-Escuros de textura argilosa, além de Latossolos Vermelho-Amarelos e Areias Quartzosas. A dinâmica superficial desse sistema mostra processos erosivos e deposicionais de baixa intensidade e freqüência, ou mesmo nulos, predominando o escoamento difuso. Contudo, o manejo inadequado da agricultura mecanizada tem acelerado significativamente a taxa de erosão laminar sobre os solos desse sistema. − Região oeste e central, relacionado à Chapada e ao Planalto Dissecado dos Parecis 87 Nas regiões oeste e central, os horizontes lateríticos são observados de forma dispersa em toda a zona de contato com o Sistema de Aplanamento S2; apresentando espessuras máximas de 2 m. As lateritas ocorrem em fragmentos isolados, são recobertas por uma camada de argila vermelha escura, com espessuras de 2 a 5 m ou mais, mostrando nítidas evidências de ser uma crosta de alteração. Na base, ocorrem arenitos finos da Formação Utiariti. A cobertura pedológica tem espessuras de 3 a 5 m, sendo classificada respectivamente como Latossolos Vermelho Escuros de textura argilosa, além de Latossolos Vermelho Amarelos e Areias Quartzosas. As baixas declividades e a cobertura argilosa desses relevos condicionam uma baixa intensidade de processos erosivos, observando-se erosão laminar apenas nas áreas com solo arado. Predomina nesses relevos processo de infiltração das águas, condicionado pela boa permeabilidade da cobertura superficial, embora durante as grandes chuvas, possam ser observados empoçamentos. Nessas regiões é comum a presença de depressões úmidas, como se observa ao longo da BR-163, com alagamentos e com problemas de drenagem devido ao lençol freático elevado, onde ocorrem solos com horizontes plínticos, atualmente em grande parte drenados, para o uso agrícola. − Região centro sul correspondente ao Planalto dos Guimarães Esse sistema ocorre como pequenos residuais em forma de mesetas, de topos planos, sem rede de drenagem estruturada. As declividades de topo são inferiores a 3%. As vertentes são curtas e, próximo à quebra negativa, no contato com o vale, pode ocorrer depósitos gravitacionais de pequena expressão. Essas formas são sustentadas por litologias das Formações Aquidauana, Botucatu e Marília. Outra mancha deste modelado ocorre na Serra da Estrela constituída por blocos de caráter residual isolados pelo Sistema de Blocos Falhados (Sf). As litologias do Grupo Passa Dois, e das Formações Serra Geral e Aquidauana afloram nas bases das escarpas que a balizam. Sobre essas formações geológicas há uma camada de material de cobertura desse nível de erosão, mapeado como Superfície Peneplanizada de Latossolização. Esse modelado preservado é comum ainda, nos altos da Serra da Petrovina e no extremo norte da Serra de São Jerônimo, niveladas respectivamente entre cotas de 740 e 770 m e de 520 e 570 m. Essas serras apresentam também substratos diferentes, a primeira é suportada por rochas areníticas da Formação Aquidauna e Botucatu, enquanto que a segunda por litologias da Formação Marília. − Região sudeste, corresponde ao Planalto do Taquari/Alto Araguaia No extremo sudeste do Estado, este sistema abrange grandes áreas nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, denominado regionalmente como Chapadão do rio Verde, representado em Mato Grosso, pelo divisor local do Taquari-Araguaia na divisa com os três estados. Corresponde a um compartimento topograficamente elevado de 750 a 910 m, representando uma superfície plana e preservada, com densidade de drenagem baixa. Neste setor, sua distribuição se faz de modo contínuo até atingir a borda norte desse compartimento, assinalada pela escarpa da Serra do Caiapó, limite com o Planalto dos Alcantilados. A Serra do Caiapó (ou Serra Vermelha) é mantida por litologias do Grupo Passa Dois, da Formação Serra Geral e Formação Aquidauana, que afloram nas bases das escarpas 88 que balizam esse relevo. Sobre estas litologias há uma camada de material muito argiloso, geralmente com base concrecionada, funcionando como material de cobertura da superfície aplanada. 4.1.2.4.1.2. Sistema de Aplanamento S1 – Suave Dissecação - Ap1/s O modelado de suave dissecação distribui-se continuamente em áreas extensas e homogêneas, configurando a superfície de piso do Sistema de Aplanamento S1(Ap1), com maior expressão areal contígua, de onde se sobressaem os demais padrões de relevos que constituem residuais ou formas mais dissecadas. Correspondem aos níveis altimétricos da Chapada e Planalto dos Guimarães, com prolongamento para sul, onde se correlaciona ao Planalto de Taquari-Itiquira. − Região centro sul correspondente ao Planalto dos Guimarães Essa região caracteriza-se por apresentar extensas áreas planas, com amplos interflúvios tabulares, de topos planos, com vertentes longas e retilíneas, às vezes levemente convexas. O padrão de forma dominante é (t11), com dimensão interfluvial de 3.750 a 12.750 m e entalhe da rede de drenagem em torno de 20 m. Nesse sistema as declividades são baixas, quase sempre inferiores a 3%. Os interflúvios tabulares de baixa convexidade têm vales amplos quase sempre de fundo plano. Praticamente toda a borda do modelado Ap1/s é recortada por relevo escarpado. Nessa região, esse sistema encontra-se denudacionado por uma rede de drenagem fracamente entalhada, de padrão subdendrítico, com leve paralelismo. Distribui-se ao longo das cotas topográficas de 300 a 900 m. Esse padrão de formas é esculpido sobre embasamento da Bacia Sedimentar do Paraná, das Formações Furnas, Ponta Grossa, Aquidauana, Marília e Cobertura argilosa (Tpspl), sobre o qual desenvolve-se material superficial predominantemente argiloso e muito profundo, sendo observadas, nos rebordos erosivos, espessuras de até 10 m, conformando uma pedogênese do tipo Latossolos Vermelho Escuros, e em menor escala Latossolos Vermelho Amarelos e Areias Quartzosas. Esta região é pouco susceptível a processos erosivos devido às baixas declividades, às grandes extensões das vertentes e à constituição argilosa dos materiais superficiais. O escoamento superficial é difuso, sendo mais acentuado nas áreas agricultadas. Localmente, verifica-se erosão linear, concentrada, representada por sulcos, ravinas e voçorocas, em geral, derivadas da ação antrópica, tanto por desmatamento e agricultura sem práticas conservacionistas, como pela abertura e má conservação de estradas. Estendendo-se para leste, este sistema corresponde a relevos localizados em posição de cimeira, nivelados entre 700 e 750 m, representado por colinas amplas, com topos subhorizontalizados e vales abertos, com presença de pequenas planícies fluviais. As dimensões interfluviais estão entre 1.750 e 12.750 m e o entalhe não ultrapassa os 20 m, caracterizando as classes de relevo Ap1/s (t11) e Ap1/s (c13). No contato entre este conjunto de relevoscom a Superfície de Aplanamento S2 (Ap2), ocorre um rebordo erosivo muito bem marcado, que localmente pode conformar desníveis superiores a 50 m, sendo caracterizado neste caso como escarpas erosivas. Na extremidade noroeste desse modelado Ap1/s (t11) correspondente ao nível mais rebaixado do Planalto dos Guimarães, denominado de Planalto do Casca 89 (RADAMBRASIL,1982), a altimetria varia entre 403 e 456 m, formando uma morfologia plana que contrasta com aquela de morros residuais alongados, controlada por descontinuidades estruturais. Esses morros apresentam topos com suave dissecação nivelados em cotas da ordem de 600 a 700 m, associados ao nível do Planalto dos Guimarães. Suas formas são sustentadas principalmente por litologias arenosas da bacia do Paraná, especialmente as Formações Furnas, Ponta Grossa, Botucatu e Marília. Nesta área o manto de alteração é profundo, de constituição areno-argilosa a argilosa, sobre o qual desenvolvem-se Areais Quartzosas álicas e Latossolos Vermelho- Escuros distróficos. Localmente apresentam concreções lateríticas pisolíticas. Esse modelado expande-se também em ampla faixa, na porção ocidental da Serra de São Jerônimo, ao norte do Rio São Lourenço. Tal modelado tabular é interrompido por vales com ondulações suaves, que correspondem às cabeceiras de drenagem, afluentes da margem esquerda do Rio São Lourenço, onde as formas são convexas, colinosas, de vertentes retilíneas, com declives inferiores a 5%, de índices (c13), (c22) e (t22). Próximo ao contato das formas tabulares de índice t11, com as bordas do Sistema de Blocos Falhados (Sf), verifica-se passagem para modelados levemente mais dissecados do próprio sistema Ap1/s, que configura formas de índices (t12, t21, t22, c13, c22), com dimensão interfluvial de 750 a 12.750 m, e entalhe dos vales de até 40 m. Apresenta relevo formado por colinas amplas com vertentes longas e topos largos. As vertentes são extensas e contínuas, de perfil retilíneo ou levemente convexo, formando rampas. A declividade média geralmente é inferior a 5%. Planícies aluvionares significativas ocorrem apenas ao longo do Rio das Mortes e seus afluentes. Aliás, os sistemas de agradação inserem-se apenas no sistema Ap1/s. − Região sudeste, corresponde ao Planalto do Taquari/Alto Araguaia A porção meridional deste modelado, avança a sul do Rio São Lourenço, pela Serra de São Jerônimo, até o limite do Estado de Mato Grosso, conformando um compartimento quase contínuo e topograficamente elevado, situado entre 500 a 750 m. Nessa região, encontra-se relativamente preservado e representado por ampla superfície de topo tabular (t11) com baixa densidade de drenagem. Na faixa que acompanha as escapas da Serra de São Jerônimo, mais próximas às bordas do Sistema de Blocos Falhados (Sf) o modelado apresenta-se mais dissecado, conformando relevo de topos tabulares (t12, t13 e t21) ou levemente convexos (c12, c13 e c22), com amplos interflúvios de dimensões, em geral, acima de 1.000 m e baixa densidade de drenagem. As amplitudes estão em torno de 20 a 30 m. As formações superficiais são de origem autóctone, com espessuras de poucos metros e de textura arenosa a argilo-arenosa, e que dá origem a Latossolos Vermelho-Escuros argilosos. A dinâmica superficial dessas áreas planas é fraca, relacionada ao escoamento superficial difuso. A substituição da vegetação natural por cultura de soja, acelera o escoamento, carreando grande quantidade de material para a drenagem adjacente. Porém, em muitos locais, já são observadas medidas protecionistas, tais como a implantação de curvas de nível e bacias de dissipação. Esse sistema estende-se para leste em vastas extensões com formas amplas, interrompidas por vales com ondulações suaves, com espaçamento interfluvial de 1.750 a 12.750 m, mapeados como (t11), (t12) e (c12). A baixa densidade de drenagem se deve à alta capacidade de percolação da água. 90 Nas vertentes e vales do Rio Araguaia e nas cabeceiras dos Rios Taquari e Itiquira, este padrão de relevo apresenta amplos interflúvios, com espaçamentos interfluviais predominantemente em torno de 1.750 a 3.750 m, e baixa densidade de drenagem em função da alta capacidade de infiltração da água. Os padrões mapeados neste sistema são do tipo (t12), (t13), (t22), e (c13). Os solos apresentam grande variabilidade nesta região, sendo mapeados Latossolos Vermelho-Escuros, Latossolos Vermelho-Amarelos, Areias Quartzosas e Podzólicos Vermelho- Amarelos. As formações superficiais são de origem autóctones, muito espessas e de textura arenosa. Em função das características das formações superficiais, a área é predisposta a uma dinâmica superficial mais intensa, principalmente aquelas situadas a sul da cidade de Alto Araguaia, já na bacia do Rio Araguaia, muito susceptíveis à formação de grandes voçorocas. O escoamento superficial difuso é menos eficaz e o hipodérmico mais intenso, devido às propriedades do material. 4.1.2.4.1.3. Sistema de Aplanamento S1 – Média Dissecação - Ap1/m Esse modelado difunde-se de forma dispersa sobre a Superfície de Aplanamento S1 (Ap1/s), em diversas porções do Planalto e Chapada dos Guimarães estendendo-se para sul até o limite com o Planalto do Taquari- Itiquira. − Região centro sul correspondente ao Planalto dos Guimarães Na borda noroeste deste Planalto, esse modelado ocorre em pequenas manchas próximas a borda do sistema de Aplanamento S1(Ap1), e no contato com o Sistema de Colinas e Morros (Cl-Mr), distribuindo-se entre as cotas topográficas de 400 a 800 m, apresentando dissecação variada, reunindo os índices (c23, c24, c32 e t24). O sistema é sustentado por rochas das Formações Furnas, Ponta Grossa, Botucatu e Marília, cuja alteração origina solos do tipo Areais Quartzosas Álicas, Latossolos Vermelho- Escuro distróficos e Podzólicos Vermelho-Amarelo distrófico e Solos Concrecionários Latossólicos distróficos. Localmente esses solos encontram-se laterizados. Processos erosivos ocorrem com baixa intensidade e freqüência. Erosão concentrada ocorre localmente ao longo das vertentes mais movimentadas. Na região de Primavera do Leste, esse modelado representa um degrau morfológico que separa o Sistema de Aplanamento S1 (Ap1/s) do Sistema de Blocos Falhados – Sf, constituindo formas com dimensão interfluvial reduzida, entalhe da rede de drenagem inferior a 40 m, e declividades médias em torno de 10 a 15%, com índices de dissecação (c23, t23, e t14). No limite nordeste do Sistema de Aplanamento S1 (Ap1), com a superfície S2, ocorre um conjunto de relevos situado entre 640 e 680 m, um pouco abaixo do nível das áreas suavemente dissecadas, estando ligadas ao vale do ribeirão Matrinchã. Esse padrão de forma é composto por colinas médias, com perfil convexo, dimensões interfluviais entre 750 e 1.750 m, sendo que o entalhamento dos vales é inferior a 40 m, com declividades médias em torno de 15%. Os modelados de maior expressão em área são classificados como Ap1/m(c23). Esse modelado (Ap1/s (c23)) também ocorre no limite leste da Serra de São Jerônimo, comumente em cabeceiras de drenagem, conforme pode ser observado no Córrego 91 Água Bonita, rio Prata e vários afluentes dos Rios São Lourenço e Prata e no Ribeirão Anhumas. A dissecação remontante da borda da escarpa erosiva do sistema de Aplanamento S1(Ap1), gera modelado característico, representado por anfiteatros erosivos, geralmente côncavos. − Região sudeste, corresponde ao Planalto do Taquari/Alto Araguaia Ao longo da margem direita do Rio Itiquira, esse padrão de modelado encontra grande distribuição, principalmente a sul da cidade homônima. Corresponde a um relevo, disposto em patamares do divisor para o vale principal, formado por colinas e morrotes, de topos convexos (c23, c32) e vertentes convexas e retilíneas, onde o aprofundamento de drenagem é mais acentuado. Esse relevo desenvolve-se preferencialmente sobre sedimentos silicificados daFormação Palermo, onde é comum a presença de inúmeros ressaltos resultantes da maior resistência das rochas silicificadas. As formações superficiais são constituídas por areias, siltes e argilas, localmente, com presença de stone line. Em alguns locais é observada a presença de laterização. Nas porções convexas mais amplas ocorrem formações superficiais areno-argilosas, com Latossolo Vermelho-Amarelo e Podzólicos. A dinâmica superficial apresenta predominância de erosão laminar e presença localizada de sulcos e ravinas. Outra ocorrência deste padrão de relevo localiza-se na região de cabeceiras do Rio Itiquira, a sudoeste da cidade de Alto Garças, apresentando topos convexos, corresponde a um relevo colinoso com drenagem mais aprofundada, espaçamento interfluvial em torno de 1.000 m e incisões de 20 a 40 m, com índices (c23). Esse modelado foi elaborado em litologias do Grupo Passa Dois, recoberto por formações superficiais predominantemente arenosas, originando solos do tipo Areia Quartzosa e, subordinadamente, Podzólicos. A dinâmica superficial apresenta predominancia de erosão laminar e presença localizada de sulcos. 4.1.2.4.1.4. Sistema de Aplanamento S1 – Forte Dissecação - Ap1/f Esse modelado ocorre em manchas inseridas no modelado S1(Ap1/s), com localização muito restrita. − Região centro sul correspondente ao Planalto dos Guimarães Uma mancha deste modelado localiza-se em posição de cimeira, entre altimetrias de 500 e 670 m, na extremidade noroeste da Chapada dos Guimarães, e desenvolve um curto interflúvio, de índice Ap1/f (c34), limitado por rebordos erosivos. Seus topos aguçados formam cristas que apresentam declividades superiores a 20%, cortadas por vales estreitos e erosivos, que abrigam apenas canais de 1a ordem, num ambiente de alta densidade de drenagem formando anfiteatros e festões sobre sedimentos da Formação Marília. Esse padrão de relevo ocorre também na Serra de São Jerônimo, apresentando índice Ap1/f (a43), com dimensão interfluvial entre 750 e 1.750 m, e entalhamento de vales 92 entre 80 e 160 m, conformando topos aguçados, e cristas que apresentam declividades superiores a 20%. − Região sudeste, corresponde ao Planalto do Taquari/Alto Araguaia No limite sul do Planalto do Taquari/Alto Araguaia, inserido no Sistema de Pedimento, ocorre outra pequena unidade num contraforte da Serra Preta, onde as incisões de drenagem desenvolveram topos aguçados e incisões profundas, de índice (Ap1/f(a34)), em altimetrias de 600 a 700 m, com amplitudes de 40 a 80 m e declividades ao redor de 10%. O modelado foi desenvolvido sobre sedimentos arenosos litificados ou mesmo silicificados da Formação Marília, resultando no aparecimento de solos Litólicos. 4.1.2.4.2. Sistema de Aplanamento S2 – Ap2 Este sistema distribui-se em duas regiões do Estado de Mato Grosso, na região central, correspondente a uma ampla superfície de aplanamento, com largura ao redor de 200 Km e extensão aproximada de 900 Km, representando a superfície de maior extensão territorial no Estado, correspondente ao chamado Planalto dos Parecis, que segundo o Projeto Radambrasil, exibe “...homogeneidade topográfica, pela dissecação predominantemente tabular (t) e pelo padrão geral da drenagem subdendrítica”, (MELO e FRANCO, 1980). No atual trabalho, no entanto, os padrões de forma observados nos trabalhos de campo e na interpretação de imagens de satélite e de radar, mostram-se predominantemente convexos, seja nos topos, como também nas vertentes. Constitui a uma ampla superfície aplanada, com caimento geral da topografia para norte/noroeste entalhada por processos de dissecação fluvial atuais e sub-atuais, elaborada predominantemente sobre o embasamento de sedimentos cretácicos das Formações Utiariti e Salto das Nuvens, pertencentes à Bacia Sedimentar dos Parecis. As características topográficas da área, o nivelamento entre 280 e 500 m, a rede de drenagem que corre no sentido sul-norte e a homogeneidade do embasamento e dos materiais superficiais, indicam que essa ampla superfície de aplanamento, foi originada por processos de pediplanação. Distribui-se sobre parte das bacias hidrográficas dos Rios Aripuanã, Juruena e Teles Pires, Arinos, do Sangue, Xingú e seus afluentes, compondo um padrão de dissecação que entalha a superfície de aplanamento pós-terciária. A segunda região situa-se no centro leste do Estado, representada por uma pequena faixa na borda nordeste do Sistema de Aplanamento S1 (Ap1) esculpida em litologias paleozóicas das Formações Aquidauana e Ponta Grossa, da Bacia Sedimentar do Paraná. Nesta região, distribui-se desde a bacia do Rio Culuene, na região da Serra Azul, a norte; atravessa parte da bacia do Rio das Mortes e estende-se até o Rio Batovi, afluente do Rio das Garças, a sul. Esse sistema apresenta formas de relevos variadas, com trechos planos, conservados e dissecados, compreendendo diversas categorias de modelados de dissecação: Sistema de Aplanamento preservado (Ap2/p), Sistema de Aplanamento suavemente dissecado (Ap2/s), o mais extenso e predominante; Sistema de Aplanamento medianamente dissecado (Ap2/m) e o Sistema de Aplanamento fortemente preservado (Aps/f). 93 4.1.2.4.2.1. Sistema de Aplanamento S2 – Preservado – Ap2/p Este sistema ocorre predominantemente em forma de pequenos relevos residuais do tipo morro testemunho, remanescentes dos eventos erosivos responsáveis pela dissecação completa do sistema de piso. Essa ocorrência restrita e localizada distribui-se em: − Região central, correspondente ao Planalto dos Parecis Ocorrem pequenos residuais, na borda noroeste do Planalto, nas bacias dos Rios Preto e Juína; conformando modelados do tipo mesas e mesetas, contornadas por escarpas erosivas. Os topos são subhorizontados, com dimensões que variam de 2 até 10 Km de extensão e não apresentam canais de drenagem, sendo esculpidos por anfiteatros erosivos, com aproximadamente 50 a 80 m de desnível, sobre litologias da Formação Utiariti, e secundariamente do Complexo Xingu As declividades no topo são praticamente nulas, enquanto nos rebordos atingem valores acima de 25%, chegando até 45%. Altitudes dos topos estão próximas a 520 m. Nesta região ocorre outro residual, localmente denominado de Serra do Norte, sobreposta diretamente sobre arenitos finos da Formação Utiariti, recobertos por crostas ferruginosas com espessura de até 5 m, responsáveis pela manutenção dos rebordos erosivos que delimitam os topos planos desse sistema. Na borda centro norte do Planalto dos Parecis, na alta bacia do Rio Peixoto de Azevedo; esse sistema conforma grandes residuais, delimitados por ressaltos erosivos, denominados localmente como Serra Formosa. Embora inseridos na Superfície de Aplanamento S3, seus topos estão nivelados acima da cota de 450 m, o que os coloca no nível da Superfície de Aplanamento S2. Os interflúvios são amplos, geralmente superiores a 12.750 m e o gradiente topográfico é considerável, em média 60 m. As declividades médias são em torno de 10 a 15% nas vertentes, e nos topos, são inferiores a 3%. Na borda sul do Planalto, nas nascentes do Rio Curisevo, ocorre residuais de topos planos, embutidos nos vales dissecados, elevados acima do piso deprimido do sistema de Aplanamento S3 (Ap3). A rede de drenagem encontra-se restrita às cabeceiras e anfiteatros que bordejam o modelado. O nivelamento altimétrico desta superfície varia de 350 a 550 m, sobre um embasamento variável, constituído por rochas das Formações Utiariti, Ponta Grossa e Diamantino, recobertas por potentes crostas ferruginosas, de caráter maciço, e de espessuras superiores a 0,5 m. A cobertura pedológica nestes modelados é constituída por Latossolos Vermelho Amarelos nos topos, e Solos Concrecionários e Litólicos nos rebordos erosivos. Nestes residuais não são observados processos erosivos e deposionais significativos. No entanto, pela configuração das formas, presume-seque ocorram movimentos gravitacionais nas vertentes, em função do recuo erosivo das cabeceiras de drenagem, destruição das crostas ferruginosas, o solapamento de taludes em corte de estradas nos rebordos erosivos; e o assoreamento de fundo de vale. Nos topos predomina a infiltração e escoamento superficial. 94 − Região centro leste, nas bordas do Sistema de Aplanamento S1 (Ap1) Esse padrão preservado, ocorre nas bordas do sistema S1(Ap1), nas cabeceiras dos Rios Sambaíba e Paredão Grande, afluentes da margem esquerda do Rio das Mortes; e ainda inserido no Sistema de Pedimentos (Pd), com topos planos, delimitados por escarpas erosivas ou ressaltos topográficos, com declividades nos topos inferiores a 2%, e com valores médios de até 30%, nos rebordos erosivos. Esse modelado abrange litologias da Formação Aquidauana, recobertas por Areias Quartzosas e Latossolos Vermelho Escuros. A dinâmica superficial é fraca sob ação generalizada do escoamento superficial difuso e escoamento hipodérmico. 4.1.2.4.2.2. Sistema de Aplanamento S2 – Suave Dissecação – Ap2/s O modelado de suave dissecação é o de maior distribuição espacial dentre aqueles do Sistema de Aplanamento Ap2, recobrindo toda a porção central do Estado de Mato Grosso, desde a bacia do Juruena, a oeste, até a bacia do Xingu, a leste, e estendendo-se de sudoeste, nos limites do Planalto dos Parecis com a Depressão do Guaporé, a nordeste, entre a Depressão da Amazônia Meridional e a Depressão do Araguaia. O Sistema de Aplanamento S2 é caracterizado por uma superfície subnivelada extensa, com caimento para nordeste, sendo atualmente esculpida por processos de dissecação fluvial. É formado por interflúvios, muito amplos e amplos, subhorizontalizados, com dimensões interfluviais entre 3.750 e 12.750 m, entalhe dos vales inferior a 40 m, representados predominantemente por índices de dissecação (c21, e c22), porém ocorrem também os índices (c12; c13; t11; t12; t13; t22; t21). As altitudes variam entre 320 a 500 m, estando a porção mais elevada a sul, onde as altitudes médias superam a cota de 500 m, chegando a atingir picos de 580 m. As declividades variam conforme a posição topomorfológica, nos topos os valores são inferiores a 2%, e nas vertentes ocorrem valores de 2 a 5%, com convexidades mais acentuadas quando próximo às drenagens. Os padrões de forma predominantes são as colinas amplas, com topos subnivelados convexos ou tabulares amplos e longas vertentes convexas ou retilíneas, compondo uma ampla superfície retilinizada. Os vales são amplos e abertos, erosivos-acumulativos, com planícies estreitas e descontínuas; e acumulativos, ao longo dos Rios principais, onde as planícies são largas e contínuas. O sistema é drenado pelas bacias hidrográficas dos rios Juruena, Teles Pires e Xingu, que apresentam média a baixa densidade de drenagem, e padrões subdendritico e subparalelo associados.(Foto 018). Essa Superfície de Aplanamento, na bacia do Rio Xingu, tem como principal feição a estruturação dos elementos de drenagem de ordem superior segundo a direção NE, supostamente atribuído por descontinuidades no embasamento; enquanto que as drenagens de menor ordem também apresentam ligeiro controle, porém posicionam-se segundo NE e NW, indistintamente, fazendo o padrão subdendritico tender a um leve paralelismo. A rede de drenagem tributária do Rio Xingu caracteriza-se, de modo geral, por cursos tortuosos, ora apresentando meandros, ora trechos retilíneos. As largas planícies fluviais desenvolvidas em vales de fundo plano, que permitem uma divagação muito grande dos rios, fato atestado pela grande quantidade de meandros abandonados (secos ou úmidos), pela quantidade de lagoas nas próprias calhas, e pela erosão das margens em alguns rios. 95 A superfície desse sistema corresponde aos relevos elaborados preferencialmente sobre os sedimentos arenosos da Formação Utiariti, a qual é constituída por sedimentos arenosos quartzosos homogêneos. Sobre esses sedimentos sobrevêm coberturas inconsolidadas detríticas, de textura areno-argilosa. Entretanto, essa superfície recobre unidades geológicas muito diferenciadas, principalmente nas bordas da Bacia Sedimentar dos Parecis, assim, em seu limite noroeste, no município de Juína, abrange também, rochas do Complexo Xingu; enquanto que ao nordeste, sobrepõe as seqüências vulcânicas do Grupo Iriri. Na região centro sul, onde o Planalto dos Parecis se conecta com o Planalto de Tapirapuã por um degrau erosivo, o substrato dominante passa a ser formado por sedimentos do Grupo Parecis e Basaltos da Formação Tapirapuã, estendendo-se para leste sobre litologias da Formação Raizama, estruturalmente ligado ao Sistema de Faixas Dobradas da Província Serrana, (Sd). Na região leste do Estado, esse sistema recobre litologias das Formações Diamantino, Salto das Nuvens, e Ponta Grossa. Na região sul, nas bordas do sistema S1 (Ap1) abrange litologias das Formações Aquidauana e Ponta Grossa. A estrutura superficial da paisagem mostra a associação entre o relevo aplanado e atualmente em processos de dissecação, com a ocorrência de materiais superficiais autóctones, com predominância de composições do manto de intemperismo areno-argiloso. Os perfis lateríticos que recobrem as formações sedimentares arenosas em grande parte do Estado apresentam uma particularidade: a presença recorrente de um horizonte ferruginoso de forma nodular (pisolítica), em níveis dissociados e descontínuos, em meio a matriz terrosa ou argilosa, às vezes semelhante ao próprio sedimento subjacente Essas crostas ferruginosas ocorrem associadas a duas situações topomorfológicas. Primeiro em áreas de interflúvios, representando possivelmente resíduos da superfície aplanada, elaborados em clima com alternância climática, com estação úmida e período seco prolongado, situação em que ocorrem carapaças com até 10 m de espessura. Este material atualmente encontra-se em estágio de destruição, com perda de ferro coloidal, fato observado nas nascentes e surgências de água. Um segundo tipo é encontrado nas baixas vertentes e fundos de vale, estando associada a processos atuais de acúmulo e transporte de ferro dentro das vertentes. Estas crostas, pelo mesmo motivo da anterior-incompatibilidade com o clima atual, estão sendo parcialmente destruídas. Essa cobertura laterítica foi pedogenizada, dando origem a solos profundos, em função da grande desagregação dos sedimentos Utiariti ou pelo grau de desenvolvimento vertical do perfil de intemperismo. Esta cobertura pedológica é constituída por Latossolos Vermelho Amarelos nas porções mais baixas das vertentes, Latossolos Vermelho-Escuros, preferencialmente nos interflúvios; além de Areias Quartzosas e solos Concrecionários, nas porções de quebra do relevo e nos vales mais encaixados, onde se desenvolve um manto de alteração menos espesso, ocorrendo também localmente afloramentos rochosos. Situações diferenciadas ocorrem no extremo sudoeste desta superfície, nas bordas do Planalto dos Parecis, onde ocorrem solos Podzólicos Vermelho-Escuros, Brunizéns Avermelhados e Areias Quartzosas, além dos Latossolos Vermelho-Amarelos e Latossolos Vermelho-Escuros predominantes no sistema; e na região sul do Estado, onde as formações superficiais resultantes da alteração de sedimentos da Bacia do Paraná, originaram predominantemente Areias Quartzosas, Solos Concrecionários e Latossolos Vermelho Amarelos. Agentes da dinâmica atual favorecem a erosão laminar generalizada sobre as vertentes, porém de baixa intensidade, entre eles, o desmatamento indiscriminado que propicia 96 o aumento da velocidade do escoamento superficial laminar sobre o solo desnudo, gerando frentes de erosão, com o aprofundamento de sulcos e ravinas que podem atingir de 1 a 2 m de profundidade, e provocando o assoreamento dos canais de drenagem. Nesse sentido, as estradas também são veículos preferenciais para o desencadeamento dessesprocessos, uma vez que essas canalizam água pluvial por toda sua extensão, e muitas vezes, sem nenhum tipo de controle que possa coibir a força erosiva desprendida pela água em movimento. Contudo, o quadro ambiental ainda não está fortemente afetado pela erosão. A presença de coberturas lateríticas coíbe eficientemente a instalação de processos de erosão linear nas áreas naturais. Quando a interferência antrópica desestabiliza esse sistema, os processos erosivos têm suas taxas de operação aceleradas comprometendo a qualidade ambiental local, situação que se verifica em algumas áreas na região centro-sul, como na cidade de São José do Rio Claro e entorno, onde ocorrem várias voçorocas com profundidades de 2 a 8 m. Apesar da alta homogeneidade desta superfície, algumas peculiaridades regionais merecem ser consideradas. 4.1.2.4.2.3. Sistema de Aplanamento S2 – Média Dissecação – Ap2/m Esse modelado distribui-se preferencialmente nas bordas do sistema de aplanamento S2 (Ap2), sobre os Planaltos dos Parecis e Guimarães, constituindo uma dissecação do modelado de Suave Dissecação S2 (Ap2/s). Em geral, os relevos associados a esse sistema apresentam interflúvios colinosos e tabulares, de média extensão com vertentes sem rupturas de declive significativas nas formas convexas. Nestas formas, os topos são convexos amplos e estreitos, com dimensão interfluvial entre 1.750 e 3.750 m. As vertentes são contínuas e descontínuas com segmentos retilíneos e convexos. Os vales são erosivos abertos e tem canais em rocha com entalhe entre 20 e 40 m. Os índices de dissecação são c23; c32; a34. A passagem para o sistema de Aplanamento S3 (Ap3), muitas vezes sucede-se através de ressaltos topográficos ou mesmo escarpas erosivas. Essas formas são resultado da dissecação do sistema pela superimposição da rede de drenagem de padrão subdendrítico. Formas residuais de pequenas colinas estão elevadas de 15 a 25 m sobre o modelado geral. Essas colinas pequenas têm topos convexos; vertentes contínuas, com segmentos retilíneos e convexos, com dimensão interfluvial média de 750 m, com amplitude entre 20 e 24 m, e declividade entre 8 e 15%, com afloramentos rochosos localizados. Esse modelado situa-se em um nível topográfico levemente mais elevado do que o sistema S2 (Ap2/s), variando de 550 m, no extremo sul do Estado, com altimetrias de até 300 a 400 m a noroeste, e 340 a 360 m no extremo norte. As formas tabulares, formam cabeceiras de drenagem ou abrigam o alto curso de drenagens superiores, constituindo por vezes pequenos ressaltos, que marcam a passagem dos topos para vertentes curtas, e geralmente observa-se média densidade de drenagem, com rios encaixados. A dimensão interfluvial varia entre 750 a 1.750 m e com entalhe da rede de drenagem inferior a 40 m sobre a superfície S2 (Ap2), apresentando índices (t23) e (t32). Esse sistema é predominantemente sustentado por sedimentos arenosos da Formação Utiariti, porém como apresenta uma extensa distribuição espacial, sobrepõe diversas unidades geológicas. Assim, no extremo norte, é sustentado por litologias do Grupo Iriri e mais localmente por metarenitos e conglomerados da Formação Dardanelos; na porção centro- 97 norte, por arenitos das Formações Salto das Nuvens e Utiariti; no centro-sul, na bacia do Rio Arinos, por arenitos e arenitos conglomeráticos da Formação Raizama; e sobre o Planalto de Tapirapuã, sobre vulcânicas da Formação Tapirapuã e sedimentos das Formações Salto das Nuvens e Diamantino (Grupo Alto Paraguai). No sudoeste, esse modelado está esculpido sobre rochas do Grupo Aguapeí (Formação Vale da Promissão e Formação Morro Cristalino); enquanto que, no sudeste do Estado, sobrepõe litologias da Formação Aquidauana. − Região central, correspondente ao Planalto dos Parecis Manchas deste modelado ocorrem na alta bacia do Rio Juruena e em seu curso médio, entre 300 a 410 m de altitude, com dimensões interfluviais entre 1.750 a 3.750 m, entalhe dos vales entre 20 e 40 m e declividades médias de 15 a 30%. Os padrões de forma predominantes foram classificados como Ap2/m (c14, c22, c23, c24). Os solos são mapeados como Areias Quartzosas e Latossolos Vermelho-Amarelos. Na borda oeste do Planalto dos Parecis e na bacia do Rio Pardo, afluente do Rio Cabixi, ocorrem associados a este modelado; morrotes com topos tabulares e convexos, limitados por ruptura de declive positiva. As vertentes são descontínuas, com segmentos retilíneos, convexos, côncavos e com escarpa rochosa localizada, recoberta por solos Litólicos e afloramentos rochosos. Essas formas residuais estão elevadas a mais de 50 m sobre as colinas. Na borda norte, à margem direita do Rio Manissuiá-Miçu, esse sistema ocorre na forma de pequenas manchas de relevo de morrotes, proeminências do embasamento, (Grupo Iriri) que se destacam, em média pouco mais de 30 m, acima do piso topográfico local, a Superfície de Aplanamento S2 (Ap2/s). Apresentam topos convexos, vertentes curtas com índices de dissecação (c23). Formam cabeceiras de drenagem ou abrigam o alto curso de drenagens superiores. Os materiais superficiais são constituídos por cobertura pedogenética argilo-arenosa, constituindo solos Litólicos, Cambissolos e Podzólicos. Na borda nordeste, restrito à bacia do Rio Preto, afluente do Rio Comandante Fontoura, esse relevo é constituído por interflúvios médios e amplos, com ressaltos e morrotes residuais, de topos convexos, com índices (c23, c24) limitados por ruptura de declive positiva. Essas formas residuais estão elevadas de 15 a 25 m sobre as colinas. Os solos associados a esses detritos são Podzólicos Vermelho Amarelos e Latossolos Vermelho Amarelos. Na borda sudoeste do Planalto dos Parecis, no alto curso dos Rios Jauru e Branco, esse padrão de formas corresponde à classe Ap3/m(c14, c23), com declividades entre 5 e 15% e solos predominantemente do tipo Areias Quartzosas álicas e, subordinadamente, Podzólicos Vermelho-Escuros eutróficos. Na borda centro sul, à margem esquerda do Rio Sepotuba; essa superfície apresenta inclinação geral para NW, com altitudes entre 280 a 460 m, sobre a qual se verificam formas colinosas médias, com vertentes retilíneas e sem ressaltos, topos convexos e declividades entre 8 e 15%, com amplitude local entorno de 20 m, apresentando índices (t23, c23, c24). A cobertura pedológica dominante é de Podzólicos Vermelho-Amarelos distróficos e Areias Quartzosas no domínio dos sedimentos do Grupo Parecis; enquanto que sobre os basaltos da Formação Tapirapuã, difundem-se Latossolos Roxos eutróficos e distróficos, e, secundariamente, Latossolos Vermelho-Escuros distróficos. Nas altas cabeceiras dos Rios Arinos e Paraguai, as colinas pequenas têm topos convexos, com dimensão interfluvial entre 750 a 1.750 m, e entalhe de drenagem inferior a 40 98 m, conformando formas com índices (c23). As vertentes são continuas, apresentando segmentos retilíneos e convexos, com afloramentos rochosos localizados. Essas formas residuais estão elevadas de 15 a 25 m sobre as colinas. Os solos associados a esses detritos são Areias Quartzosas nas colinas, e solos Litólicos nas encostas mais íngremes. Nas cabeceiras do Rio Xingu o sistema Ap2/m situa-se em um nível topográfico levemente mais elevado do que o sistema Ap2/s, ocupando faixa topográfica, em torno de 550 m, apresenta formas colinosas e tabulares, de interflúvios médios a amplos, e vertentes sem rupturas significativas, com padrão de formas (t23, t32). O relevo é dissecado a partir da instalação e recuo da drenagem de primeira ordem. A passagem para o sistema de Aplanamento S3 (Ap3), muitas vezes sucede-se através de ressaltos topográficos ou mesmo escarpas erosivas. Na borda do Sistema de Aplanamento S3 (Ap3), nas cabeceiras dos Rios Sete de Setembro e Suiá-Miçu; esse modelado está intimamente associado às áreas de erosão remontante que atuam junto ao Sistema de Aplanamento S1 (Ap1), apresentando padrãodo tipo Ap2/m(c23,c24,t23,c32), conformando vales estreitos delimitados por rebordos erosivos festonados, conformando pequenos topos, com dimensão interfluvial de até 750 m e entalhe dos vales e anfiteatros de até 40 m, sobre rochas da Formação Aquidauana. − Região centro leste, nas bordas do Sistema de Aplanamento S1 (Ap1) Esta categoria de modelado de dissecação encontra-se em meio ao sistema suavemente dissecado, ocupando principalmente vales e vertentes, constituindo um conjunto de feições colinosas e de topos tabulares e aguçados, em altitudes variáveis, caindo progressivamente de 400 a 500 m em direção ao vale do Rio das Mortes e do Rio das Garças. As dimensões interfluviais variam de 250 a 1.750 m com aprofundamento mediano de 20 a 40 m. Os principais padrões mapeados são do tipo Ap2/m(c14,c23, c24 e t23). As vertentes são retilíneas e convexo-retilíneas, e localmente escarpadas. As declividades médias estão acima de 8% na média. 4.1.2.4.2.4. Sistema de Aplanamento S2 – Forte Dissecação – Ap2/f As formas que constituem o relevo de forte dissecação do Sistema de Aplanamento S2 (Ap2), se concentram em uma estreita faixa junto ao degrau erosivo que separa o Planalto dos Parecis do Planalto de Tapirapuã, representando uma unidade de transição entre duas superfícies escalonadas topograficamente, onde a topografia varia entre 350 a 500 m, constituindo uma articulação entre ambas. Essas formas são compostas por morrotes convexos, com topos estreitos e vertentes íngremes, cujo índice de dissecação corresponde a Ap2/f (c24) e (c34). A forte dissecação observada nesse conjunto de formas dá-se sobre os sedimentos da Formação Utiariti, promovida pelos canais fluviais das cabeceiras do Rio Sepotuba, com traçados paralelos em vários pontos; e sedimentos das Formações Salto das Nuvens, e Utiariti, esculpidas pelas cabeceiras de drenagens da bacia do Rio Santana. Estes formadores do Rio Sepotuba, esculpem uma série de anfiteatros no aclive da escarpa, ao norte do Planalto de Tapirapuã, constituindo uma estreita faixa de borda de relevo, na qual os canais são estreitos e profundos com os vales apresentando uma dinâmica francamente erosiva, com aprofundamento das linhas de drenagem. Após, ultrapassar a escarpa, concentram-se em um único canal, poucos quilômetros a jusante, formando uma 99 estrutura arborescente, implantada numa cobertura pedológica formada predominantemente por solos Litólicos distróficos. 4.1.2.4.3. Sistema de Aplanamento S3 – Ap3 Este sistema representa um evento de magnitude regional, que se estende por grandes áreas da Amazônia Meridional, corresponde ao conjunto de relevos mais rebaixados, que atinge o Estado de Mato Grosso, e constitui a base da superfície de aplanamento, atualmente sendo dissecada pelo sistema fluvial, instalado juntamente com o clima úmido. É reconhecido na literatura Geomorfólogica do Estado, como Depressão da Amazônia Meridional, na região norte; e na região sul, como Depressões do Rios Paraguai, de Cuiabá, e de Paranatinga, conforme FRANCO & PINHEIRO (1982), ROSS & SANTOS (1982), ALVARENGA et al. (1984), ROSS (1987), MAMEDE (1993), BORGES et al. (1997), entre tantos outros autores. Sua distribuição geográfica difunde-se em quatro regiões do Estado de Mato Grosso, a saber: − região norte, distribui-se de leste a oeste, com maior área no extremo noroeste, estendendo-se para leste, contornando a Serra dos Caiabis e Apiacás, até o Rio Teles Pires, quando se estreita em direção ao Rio Xingu. − região leste, representa uma extensa área rebaixada com altimetrias 280 a 320 m, ao longo do vale do Rio Araguaia, conformando uma faixa de ligação entre as áreas do Sistema de Aplanamento S2 (Ap2) e Colinas e Morros (Cl-Mr); e o Sistema de Leques Fluviais/Escoamento Impedido (Lq/Ei), o que confere a este relevo, um caráter de transição, representando uma coalescência entre dois níveis topográficos representados pela Superfície de Aplanamento S2 (Ap2) e pelas áreas inundáveis do Sistema de Agradação (Ag). − região sudoeste, forma uma extensa superfície rebaixada nivelada, composta por parte do Planalto de Jauru, e da Depressão do Alto Paraguai, que coalesce com o Sistema de Dissecação (Di), abrange o entorno da Província Serrana e áreas adjacentes à região norte pantaneira. − Região centro sul, estende de forma contínua, delimitada pela Província Serrana, a oeste; pela Depressão do Araguaia, a leste; e pelas superfícies de aplanamento S1(Ap1) e S2(Ap2) (respectivamente correspondentes aos Planaltos, dos Guimarães a norte, e dos Parecis, a sul-sudeste); e pelo Pantanal Matogrossense, a sul, entre as cotas topográficas de 150 a 300 m. Na bacia do Rio Cuiabá, esse sistema encontra-se limitado a oeste, pela Província Serrana, a noroeste, e, ao norte, por sistemas de escarpas (EF/f), penetrando na área da Depressão de Paranatinga, através do vale do Rio Cuiabá, onde se direcionam os relevos dobrados da Serra Azul. Este Sistema apresenta todas as características de um aplanamento em ambiente árido ou semi-árido, pois além, de uma superfície subhorizontalizada, encontram-se vestígios de formações superficiais (linhas de pedra) e depósitos conglomeráticos de ambiente torrencial, características próprias de regimes áridos ou semi-áridos. (MELO et al. 1978). O Sistema de aplanamento S3 posicionado altimetricamente abaixo de todos os outros sistemas de denudação, necessariamente é mais recente do que estes. O fato do embasamento está exposto revela que os agentes erosivos atuaram fortemente na 100 morfogênese, em um período mais seco, resultando na superfície e seus residuais (inselbergs). Os inselbergs mapeados neste sistema apresentam nas imagens de satélite um padrão peculiar, conformando pequenos morros e cristas, que se destacam topograficamente da superfície de aplanamento. Nos trabalhos do Projeto RADAMBRASIL, muitos desses inselbergs são apontados como pontões rochosos. O padrão de dissecação apresenta formas bastante homogêneas quanto à morfologia e morfometria, com predomínio do padrão de formas de suave dissecação, constituindo o piso regional, com concentrações de modelados de média dissecação, preferencialmente nas regiões noroeste e centro-sul. (Foto 019). A retomada erosiva observada na rede de drenagem é um fenômeno holocênico, que indica um forte processo de entalhe, com constante afloramento de rochas junto aos fundos dos vales e baixas vertentes. O encaixamento destes vales, da ordem de 10 a 15 m, favoreceu a instalação de grande número de cachoeiras e corredeiras, principalmente na região norte. Na região sudoeste, essa superfície limita-se com o Sistema de Dissecação (Di), diferindo deste, pela constituição do substrato, representado pelas rochas cristalofianas do Complexo Xingu e do Grupo Cuiabá. Assim, os relevos associados ao Sistema de Dissecação (Di) ocorrem em posição topográfica ligeiramente inferior a do Sistema de Aplanamento da Superfície Regional S3(Ap3), tendo, entretanto, formas semelhantes, e sendo preferencialmente constituído, por sedimentos inconsolidados ou parcialmente consolidados das Formações Guaporé, Pantanal e Bananal (Quaternário), e que representam um retrabalhamento erosivo da superfície de agradação quaternária, tendo sido sistematizada neste projeto como uma superfície de dissecação. Entretanto, ressalva-se que este não é um critério de diferenciação entre os dois sistemas, uma vez que esse último sistema, em alguns locais, além de áreas características de sedimentos quaternários, abrange também residuais de rochas do embasamento mais antigo, circundando regiões topograficamente mais elevadas, em domínios dos chamados “pantanais”, ou, onde não foi possível uma caracterização mais precisa do Sistema Denudacional (menor nível taxonômico) foi definido como Sistema de Dissecação (Di). 4.1.2.4.3.1. Sistema de Aplanamento S3 – Preservado – Ap3/p Esse sistema predomina na região norte do Estado, constituindouma morfologia representada por relevos aplanados, com altitudes que variam de 200 a 300 m. As elevações residuais se destacam nesta superfície baixa e homogênea, conformando muitas vezes, inselbergs, preservados no Sistema de Aplanamento de suave dissecação (Ap3/s), ou contornando modelados pertencentes ao Sistema de Dissecação em Colinas e Morros (Cl-Mr). Nesta região, o modelado preservado desenvolve-se preferencialmente sobre litologias do Complexo Xingu, e Grupo Iriri, responsáveis pela autoctonia das formações superficiais argilosas, que geralmente dão origem a solos Podzólicos. Secundariamente rochas do Grupo Beneficente favorecem o desenvolvimento de solos Latossólicos e Areias Quartzosas. Nesta região, a dinâmica superficial é favorecida pelo intemperismo físico-químico. O escoamento superficial difuso, encarrega-se do remanejamento do material fino decomposto. Esse padrão de relevo ocorre à margem direita do Rio Juruena, constituindo áreas suborizontalizadas levemente inclinadas para o rio. 101 Outra área de ocorrência dessa categoria de modelado estende-se desde a borda norte da Serra dos Caiabis, e segue margeando o Rio Apiacás, em dois trechos não contíguos, confinando-se entre relevos altos do modelado de suave dissecação (Ap3/s), com leve inclinação para a drenagem do Rio Apiacás e caimento geral para norte. Sua altitude decresce de 200 a 280 m, apresentando topografia regular evidenciando o nível de aplanamento preservado. Outra área de ocorrência deste padrão de formas está localizada no extremo norte do Estado, acompanhando o vale do Rio Cristalino, afluente da margem direita do Rio Teles Pires, entre níveis altimétricos entre 300 e 330 metros. 4.1.2.4.3.2. Sistema de Aplanamento S3 – Suave Dissecação – Ap3/s Esta é a unidade de dissecação que predomina dentro do sistema, assim, suas principais características são aquelas mencionadas na descrição geral do Sistema de Aplanamento S3 (Ap3), e sua distribuição espacial coincide com a regionalização apresentada, onde a região norte é a de maior representatividade espacial do sistema. Corresponde a uma superfície aplanada, suavemente dissecada em formas de colinas médias a amplas, com interflúvios amplos, de dimensões entre 750 a 3.750 m, com topos convexos e secundariamente tabulares, vertentes longas, com perfis convexos e retilíneos, com ocorrência por vezes de matacões. As declividades médias são inferiores a 5%, em especial nas áreas dos topos, com valores de 1 e 2%. Eventualmente, associam-se a estas formas de relevo colinas pequenas, morrotes e morros residuais, onde as declividades são mais acentuadas, atingindo valores de 8 a 10%. Não ocorrem rupturas de declives abruptas. Em especial, nos morrotes residuais, as declividades são levemente mais acentuadas. A densidade de drenagem varia de média a alta e o padrão da drenagem é dendrítico ou sub-dendrítico. Os vales geralmente são simétricos, abertos (planos ou em “V”), pouco entalhados, geralmente inferiores a 40 m, com planícies interrompidas ou pouco desenvolvidas e alargados, comportando expressivas faixas de inundação. Os padrões de relevo com maior ocorrência espacial são classificados como S3 /Ap3 (c13, c12, t12, t13, t11, c21 e c22). Em função de sua ampla distribuição no Estado, essa superfície recorta diversas unidades geológicas, nas regiões onde ocorre. Assim, na região norte está elaborada predominantemente sobre rochas do Complexo Xingu, vulcânicas do Grupo Iriri; sedimentos do Grupo Beneficente e da formação Cubencranquém. Na região leste, em seu extremo norte, além das litologias do Complexo Goiano, o sistema recorta rochas do Supergrupo Uatumã, e da Formação Utiariti, que se assentam transicionalmente sobre o embasamento rochoso. Na região sudoeste, associa-se aos metassedimentos do Grupo Aguapeí; às rochas intrusivas do Grupo Serra do Rio Branco; da Formação Jauru; em áreas menores, da Seqüência Metavulcano-Sedimentar do Planalto de Jauru; e sedimentos das Formações Araras, Raizama e Sepotuba. Em menor área, na região oeste, esse modelado ocorre sobre rochas da Suíte Granítica Serra da Providência, da Suíte Intrusiva Rondônia, e da Formação Prainha; enquanto que na região centro sul, foi elaborado sobre litologias do Grupo Cuiabá e sedimentos da Formação Diamantino. 102 Em geral, o material superficial é composto por um manto de alteração eluvial areno- argiloso, superficialmente pedogenizado, conformando predominantemente solos Podzólicos Vermelho-Amarelos . Na região leste, ocorre Areias Quartzosas, Plintossolos, e Latossolos Vermelho- Amarelos, resultantes de materiais superficiais arenosos fracamente pedogenizados, produto da decomposição de rochas da Formação Diamantino. Na região centro sul, os regolitos mostram cobertura superficial delgada, com grande profusão de seixos de quartzo angulosos, formando pavimentos detríticos. Localmente encontram-se bastante laterizados por concreções ferruginosas pisolíticas, aos quais associam-se solos do tipo Plintossolos, Latossolos Vermelho-Amarelos, Latossolos Vermelho- Escuros e solos Podzólicos, todos concrecionários e Cambissolos. Algumas particularidades regionais serão apresentadas a seguir, uma vez que as características anteriormente mencionadas referem-se principalmente à região norte, que é a representativa deste sistema, destacando-se pelo arrasamento generalizado dos materiais de cobertura do Cráton, com exposição do embasamento cristalino; as baixas altitudes e a presença de relevos residuais. Posicionado altimetricamente entre cotas de 100 a 300 m, o nivelamento do relevo acompanha o sentido da drenagem atual, caindo do sul para norte; o que a diferencia da região sudoeste, a qual apresenta uma leve inclinação de sudeste para noroeste. − Região Leste Nesta região, além da extensa distribuição da Superfície de Aplanamento S3, numa estreita faixa de direção norte/sul; ocorre uma outra área localizada à margem do Rio Araguaia, conformando o interflúvio entre o Rio Araguaia e as nascentes do corixo do Meio. Nesta área, o embasamento é composto por rochas do Complexo Goiano, sobre o qual, o manto de alteração é pouco espesso e o processo de laterização muito forte, atingindo indistintamente todos os níveis do material rochoso intemperizado. Estes relevos apresentam, como modelado associado, a presença de grande quantidade de lagoas. Estas lagoas, com formato variando entre circular e alongado, ocupam posição interfluvial ou conformam cabeceiras de drenagem. − Região Centro- Sul Na região centro-sul, ao longo da Superfície de Aplanamento S3, ocorrem pequenos morrotes residuais, elaborados sobre litologias do Grupo Cuiabá, fortemente estruturados para NE. Nesses residuais a declividade média chega a 10%. A rede de drenagem apresenta padrão subdendrítco a paralelo localmente, em função de um maior controle estrutural na hierarquização dos canais. A densidade de drenagem é média. Grande parte dos canais reflete a tropia do substrato, com orientação preferencial para NE. Os vales são encaixados e muitos deles têm seus leitos escavados sobre rocha. 4.1.2.4.3.3. Sistema de Aplanamento S3 – Média Dissecação – Ap3/m Essa categoria de dissecação conforma áreas mais dissecadas, dispersas dentro do grande predomínio de áreas suavemente dissecadas do sistema Ap3/s, com maior distribuição, principalmente nas regiões noroeste e centro-sul do Estado de Mato Grosso. Esta unidade corresponde a padrões de colinas médias a pequenas, com aprofundamento dos vales inferiores a 20 m, podendo chegar a 40 m localmente. A dimensão 103 interfluvial predominante está entre os valores de 250 a 750 m. A classificação dos padrões de dissecação apresenta predomínio da classe Ap3/s (c14) e secundariamente, (t14, c23, c24, t23) Os interflúvios possuem dimensões predominantemente inferiores a 750 m e as declividades médias chegam a atingir valores de até 16% nas vertentes mais íngremes.As colinas apresentam perfis convexos no topo e nas vertentes, com fundos de vales encaixados. A densidade de drenagem é média a alta, especialmente pelo grande número de cabeceiras de drenagem e canais de primeira ordem e o padrão de drenagem é dendrítico. A altimetria é muito variável, apresentando valores de 100 a 450 m, sendo que na região sudoeste, ocorrem altimetrias entre 270 a 480 m, com residuais entre 450 a 500 m. Observa-se diminuição das cotas topográficas de norte para sul. O embasamento litológico desse sistema é muito diferenciado regionalmente. Assim, na região norte é composto predominantemente por rochas do Complexo Xingu(Foto 020), da Formação Iriri, da Formação Dardanelos, por rochas do Grupo Gorotire; na região sudoeste, além do Complexo Xingu, desenvolve-se sobre a Seqüência Metavulcano-Sedimentar do Planalto de Jauru, nos sedimentos da Formação Jauru e de rochas graníticas da Suíte Intrusiva Guapé; enquanto que na região centro-sul, são expostos os substratos dos Grupos Cuiabá e Alto Paraguai. Na bacia do Rio Cuiabá, é freqüente nesse sistema, a ocorrência de formas residuais como morros testemunhos (inselbergs), cuja constituição calcária da Formação Araras origina na paisagem feições em lapies. O manto de alteração é composto por materiais eluviais areno-argilosos, de origem autóctone, superficialmente pedogenizados, gerando solos Podzólicos Vermelho Amarelo em associação com Cambissolos, Litólicos e Areias Quartzosas. Podem ocorrer horizontes lateríticos, constituídos por nódulos e fragmentos angulosos de laterita. Especialmente na região da Depressão Cuiabana as formações superficiais mostram solos do tipo Plintossolos Concrecionários, Cambissolos e Latossolos Vermelho Amarelos. Localmente ocorrem colúvios, associados às baixas vertentes e campos de matacões e lajeiros nas áreas interfluviais. A dinâmica superficial neste sistema está relacionada à intemperização química intensa e a erosão laminar decorre do escoamento superficial difuso favorecido pelas fortes chuvas e declividade das vertentes. Contudo, como a intensidade de canais de primeira ordem é alta, o escoamento concentrado, em épocas chuvosas, tende a se elevar. Sulcos e ravinas são localizados. 4.1.2.5. Sistema de Pedimento – Pd A principal ocorrência desse sistema no Estado relaciona-se ao compartimento inferior da segunda seção em que foi dividido, o Planalto dos Guimarães-Alcantilados por MAMEDE (1993), considerada como o extremo norte do Planalto, drenado pelos Rios das Mortes e das Garças. Difunde-se pelo vale do Rio das Mortes e seus afluentes, entre eles, os Rios Noidore, Barreiro e Boqueirão. Esta área forma um corredor entre os Sistemas de Aplanamento S2 (Ap2) / S3 (Ap3) e o Sistema de Aplanamento - Blocos Falhados/Basculados (A-Sf(b)) (Foto 021) representado pela Serra Azul; acompanhando o vale do Rio Noidore, até sua confluência com o Rio das Mortes. Limita-se ao norte, de forma coalescente, com as áreas do Sistema de 104 Aplanamento S2 (Ap2) e o Sistema de Colinas e Morros (Cl-Mr), enquanto que a oeste, assinala escarpas ou rupturas de declive no contato com o Sistema de Aplanamento S3 (Ap3). Esses compartimentos estão inseridos em um setor da Bacia Sedimentar do Paraná, estruturalmente complexo e em decorrência, constitui-se em áreas de variadas e complexas feições geomorfológicas, esculpidos em rochas das Formações Aquidauana e Ponta Grossa, Furnas, falhadas e fraturadas, com direções preferenciais NE – SW e secundariamente NW-SE e N-S, em altitudes que variam de 350 a 600 m, decrescendo gradativamente em direção ao vale do Rio das Mortes. Esse sistema ocorre também como manchas isoladas, limitado a norte pelos Sistemas de Colinas e Morros (Cl-Mr) e de Aplanamento S1 (Ap1) e a sul, em sua porção mais baixa, pelos Sistemas de Aplanamento S3 (Ap3/s) e Sistema de Leques Fluviais (Lq), na borda oeste da Bacia Sedimentar do Paraná; e ainda na borda centro- leste da Província Serrana, margeando o Sistema de Faixas Dobradas (Sd). Os modelados predominantes neste sistema são de suave e média dissecação. O padrão de relevo preservado não apresenta dimensões mapeáveis na escala 1:1.500.00, uma vez que ocorre em residuais de pequena amplitude. 4.1.2.5.1. Sistema de Pedimento – Suave Dissecação – Pd/s Esse padrão de relevo ocorre em duas regiões do Estado de Mato Grosso, a saber: − Na região leste, entre os Sistemas de Aplanamento S3(Ap3) e o Sistema de Aplanamento S2 (Ap2) e o Sistema de Blocos Falhados e Basculados (A-Sf(b)), no vale do Rio Noidore, afluente do Rio das Mortes Este modelado apresenta como principais características: a suavidade das formas, com longas rampas e desnível para o fundo de vale do Rio das Mortes e baixo curso de seus afluentes. Os padrões de relevo predominantes na área são do tipo Pd/s(t11 e t12) com topos tabulares, os interflúvios são maiores que 3.750 m e os entalhes dos vales inferiores a 20 m. As declividades são baixas, geralmente com valores inferiores a 5%. As altitudes variam entre 360 e 490 m. A rede de drenagem possui padrão dendrítico, com baixa densidade e vales abertos sem planície fluvial. O substrato rochoso é composto por rochas da Formação Furnas. As formações superficiais predominantes são compostas por colúvios areno- argilosos, parcialmente ferruginizados, conformando crostas lateríticas superficiais e subsuperficiais. Estas crostas formam rampas suaves, com perfil retilíneo, forçando o escoamento superficial difuso e impedindo grande parte da infiltração. − Região sul, na borda oeste da Bacia Sedimentar do Paraná; como manchas isoladas, limitadas a norte pelos Sistemas de Colinas e Morros (Cl-Mr) e de Aplanamento S1 (Ap1) e a sul, em sua porção mais baixa, pelos sistemas de Aplanamento S3 (Ap3/s) e Sistema de Leques Fluviais (Lq) Esse modelado caracteriza-se como uma superfície levemente inclinada para sul, onde coalesce com o Sistema de Aplanamento S3 (Ap3/s) e o e Sistema de Leques (Lq), em relevos de colinas amplas. Apresenta topografia baixa, em torno de 150 a 250 m. De uma forma geral, o sistema funciona como uma superfície de acumulação de detritos (bajada), provenientes da dissecação dos Sistemas de Colinas e Morros (Cl-Mr) e de 105 Aplanamento S1 (Ap1). Os materiais retirados dessas frentes erosivas são depositados ao longo da superfície plana desse sistema, formando pavimentos de detritos, os quais são mais espessos próximos à ruptura de declive negativa dos sistemas elevados. A transição entre o Sistema de Aplanamento S3 (Ap3) e o Sistema de Pedimento (Pd) é sutil, de difícil observação em campo, sendo as características formações superficiais e o relevo mais plano e suave do Sistema de Pedimento, os elementos de diferenciação entre eles. Esse modelado conforma um relevo de colinas amplas a muito amplas, de dimensão interfluvial de 1.750 a 3.750 m e entalhe da rede de drenagem em torno de 20 m, definindo índice de dissecação (t12 e c12). Litologias do Grupo Cuiabá, como filitos e, subordinadamente, cobertura arenosa da Formação Pantanal, compreendem o substrato desse sistema. Os solos associados a esse sistema são do tipo Solos Concrecionários Latossólicos distróficos e Latossolos Vermelho Escuros distróficos. − Região centro sul, bordejando o Sistema de Faixas Dobradas (Sd), na borda centro leste da Província Serrana. Nesta região, esse modelado margeia o Sistema de Faixas Dobradas (Sd), na borda centro leste da Província Serrana, apresentando as mesmas características morfológicas das formas pedimentadas presentes na porção sul. Não foram observados processos notórios de erosão concentrada nesse sistema. Predomina o escoamento difuso. 4.1.2.5.2. Sistema de Pedimento – Média Dissecação – Pd/m Esse modelado ocorre apenas na região leste, entre os sistemas de Aplanamento S3(Ap3) e S2 (Ap2) e o Sistema de Blocos Falhados e Basculados (A-Sf(b)), no vale do Rio Noidore, afluente do Rio das Mortes.É representado por modelados dissecados em colinas médias e morrotes, situados em posição altimétrica inferior àquela dos relevos residuais do Sistema de Aplanamento S2 (Ap2). Sua principal característica, em relação aos materiais superficiais, é a grande quantidade de colúvios areno-argilosos em rampas, sendo que eventualmente encontram-se ferruginizados, conformando crostas pisolíticas. O principal padrão de relevo é composto por morrotes alongados e colinas médias classificadas como Pd/m(c23). Esta dissecação apresenta interflúvios entre 750 a 1.750 m e vales com entalhamento inferior a 40 e superior a 20 m. O embasamento litológico é composto por rochas da Formação Ponta Grossa: arenitos finos a muito finos com intercalações de siltitos, argilitos e delgados níveis conglomeráticos. O padrão de drenagem varia entre dendrítico e subdendrítico, com média densidade de drenagem. Os fundos de vale apresentam muitas vezes soleiras que conformam pequenas planícies alveolares a montante. Em grande parte desta região encontram-se ressaltos topográficos sustentados por controle litológico, muitas vezes por “ironstone” (arenitos enriquecidos de ferro) ou crostas ferruginosas em bancadas. 106 4.2. SISTEMA DENUDACIONAL MISTO – Dn 4.2.1. Denudacional/Estrutural Misto – S/Dn 4.2.1.1. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – (A – Sf) Este sistema foi considerado pelo Projeto RADAMBRASIL como o compartimento mais rebaixado dos planaltos que fazem parte da Bacia Sedimentar do Paraná, no Estado de Mato Grosso. Constitui uma faixa limitada a oeste, pelos Sistemas de Blocos Falhados (Sf) e de Aplanamento S2 (Ap2), e a leste pelo Rio Araguaia. A sul estende-se até o Sistema de Estratos Horizontais (St) representado pela Serra do Caiapó; coalescendo a norte para os Sistemas de Pedimento (Pd), de Aplanamento Blocos Falhados e Basculados (A-Sf(b)) e o Sistema de Blocos Falhados (Sf). Suas principais áreas de ocorrência são: − Residuais embutidos entre relevos elevados da Serra do Taquaral, e às margens do Rio das Garças, junto ao Graben de General Carneiro; − Uma faixa acompanhando o vale do Rio Araguaia, nas vizinhanças das elevações do Sistema de Blocos Falhados e em alguns trechos do vale do Rio Diamantino − Nas proximidades da escarpa da Serra do Caiapó, logo após a descida da serra − À margem direita do Rio das Garças, em seu baixo curso Conforma uma área estruturalmente complexa, que se constitui em um nível de aplanamento localmente deformado pela tectônica, posicionado em cotas de 350 a 500 m, elaborado em litologias das Formações Furnas, Ponta Grossa, Aquidauana e Marília; e do Grupo Cuiabá. Conforma estruturas de cunho regional como o Graben de General Carneiro e o Arco de Torixoréu (Projeto RADAMBRASIL, 1983). As complexidades estruturais e litológicas são refletidas nas formas de relevo. A morfologia da área compreende modelados diferenciados,com residuais topograficamente mais elevados, geralmente de topos tabulares, contornados por rebordos escarpados. Esse nível se conecta com o nível mais elevado através de coalescência ou escarpas e rupturas de declives. Os rios que cortam esta superfície apresentam vales medianamente encaixados formando padrão subdendrítico. O Rio das Garças se encaixa em paredões rochosos da Formação Aquidauana, sem apresentar planície de inundação. Nas cabeceiras de drenagem, identificam-se ramificações, evidenciando recuo de cabeceiras. No extremo sul, na borda da Serra de Caiapó, representa um nível de erosão afetado por tectônica distensiva. Nessa região a relação entre a geologia estrutural e a configuração do relevo é muito estreita, uma vez que, em se tratando de uma área onde há falhamentos, mesmo nos trechos de dissecação mais fraca ou mediana, são constantes os ressaltos topográficos em microdepressões, nem sempre mapeáveis, mas visíveis nos trabalhos de campo. 107 Os modelados predominantes neste sistema são de suave e média dissecação, de topos tabulares e convexos, enquanto que o padrão de relevo preservado ocorre secundariamente em residuais de pequena amplitude. A cobertura pedológica é constituída predominantemente por Areias Quartzosas, solos Podzólicos Vermelho- Amarelos e os Cambissolos. 4.2.1.1.1. Sistema de Aplanamento - Blocos Falhados - Preservado (A-Sf)/p Esse modelado ocorre em pequenas manchas esparsas no sistema, localizadas em duas regiões: − Residuais embutidos entre relevos elevados da Serra do Taquaral, e às margens do Rio das Garças, junto ao Graben de General Carneiro; Essas áreas apresentam-se parcialmente contornadas por escarpas erosivas, feições de relevo que evidenciam a ação de processos erosivos em tempos pretéritos, e sua manutenção, em função da dinâmica atual. Nesta área a altitude é variável, de 350 a 450 m. As cotas mais baixas encontram-se próximas ao rIo das Garças. Nesta região, as formações superficiais autóctones provêm das rochas das Formações Furnas, Aquidauana e localmente do Grupo Bauru, de natureza predominantemente arenosa. A cobertura pedológica predominante em todo o sistema é constituída por Areias Quartzosas, ocorrendo também Latossolos Vermelho-Amarelos. A manutenção do modelado é função do escoamento superficial difuso pouco eficaz e do intenso escoamento sub-superficial, não ocorrendo processos erosivos de grande expressão, que ficam restritos às áreas alteradas pelo uso antrópico. − Nas proximidades da escarpa da Serra do Caiapó, logo após a descida da serra, e às margens do Rio Araguaia. A primeira área apresenta topos planos, contornados por ressalto topográfico, modelados em litologias da Formação Aquidauana, em níveis altimétricos de 500 a 550 m A outra mancha de modelado plano, localiza-se às margens do Rio Araguaia, em nível altimétrico inferior a 500 m. As formações superficiais autóctones provêm das rochas da Formação Aquidauana, de natureza areno-argilosa, sobre as quais desenvolveram-se os Latossolos Vermelho- Amarelos. A dinâmica superficial é fraca com ação generalizada do escoamento superficial difuso. 4.2.1.1.2. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – Suave Dissecação - (A – Sf)/s Esse modelado abrange grandes extensões contínuas no sistema, caracterizando seu nível mais rebaixado, representado por feições de tabulares e convexas, resultantes do entalhamento da drenagem de primeira e segunda ordem. As evidências de aplanamento estão registradas nos relevos residuais de topos tabuliformes, com vertentes desnudas e em patamares, com extratos expostos, sem manto de alteração. 108 Os modelados apresentam padrões de forma de topos tabulares e convexizados, com espaçamento interfluvial de 750 a 3.750 m e aprofundamento de drenagem inferior a 20 m. As vertentes em geral têm perfis retilíneos e declives fracos de 3 a 8%. Os principais padrões mapeados são A-Sf/s(t11, t12, t13, t22 e c13). Esse modelado apresenta altitudes de 300 a 500 m, decrescendo gradativamente para o vale do Rio Araguaia. Estende-se pelo curso inferior do Rio das Garças, até a cachoeira do Ouro Fino, no Rio Araguaia, ponto onde há coalescência dos níveis de erosão, contudo, a ruptura no perfil longitudinal do rio, marca o nível de base deste aplanamento. As formações superficiais são de origem autóctone, e remanejadas, resultantes de alterações das rochas das Formações Aquidauana, Furnas e Ponta Grossa, e apresentam textura desde arenosa a argilosa, resultando em solos variados como, Latossolos Vermelho- Escuros, Latossolos Vermelho-Amarelos, Podzólicos, Areias Quartzosas e Cambissolos. A dinâmica superficial é fraca em função da boa permeabilidade do material rochoso e superficial, favorecendo a infiltração e baixo escoamento superficial. Este fato, explica parcialmente a baixa existência de processos erosivos. Na bacia do Rio São Domingos e Ribeirão São Francisco, essa dinâmica está relacionada ao escoamento superficial difuso, com ação generalizada e localmente semiconcentradoe concentrado. 4.2.1.1.3. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados – Média Dissecação - (A – Sf)/m Esse modelado compreende áreas dispersas em meio ao modelado de dissecação suave, constituindo feições morfológicas de topos tabulares e convexos com dimensões interfluviais de 750 a 1.750 m e aprofundamento mediano de 20 a 40 m. Os principais modelados mapeados são do tipo A-Sf/m(c23, c33, t23 e a33). As vertentes são em geral retilíneas e/ou convexo-retilíneas, eventualmente com pavimento detrítico composto de fragmentação de rocha e concreções. As formações superficiais e a cobertura pedológica são semelhantes àquelas do modelado de suave dissecação. Nas áreas mais arenosas, as formas de relevo são amplas e conservadas, em função da permeabilidade, que reduz o escoamento superficial difuso e a ablação do relevo; nos terrenos mais argilosos, o escoamento superficial conduz ao entalhamento em geral mascarando os níveis de pedimentação. A dinâmica superficial está relacionada ao escoamento superficial difuso, com remanejamento de material fino e localmente pavimentação detrítica superficial. O escoamento hipodérmico é responsável pelo deslocamento das argilas para os horizontes subsuperficiais dos solos. Pequenos processos erosivos do tipo sulcos e ravinas são observados ao longo do sistema viário. As principais áreas onde esse modelado ocorre localizam: − À margem direita do Rio das Garças, em seu baixo curso Corresponde a relevos colinosos com alguns alinhamentos de cristas. A drenagem que disseca esse relevo é de primeira ordem, alguns drenos apresentam regime intermitente. As vertentes têm declives medianamente acentuados de 10 a 24%, localmente 40%. Os principais padrões mapeados neste sistema são do tipo A-Sf/m(a24, t23 e c33). 109 Abrange litologias da Formação Ponta Grossa (arenitos fino, folhelhos, argilitos, siltitos) com formações superficiais argilosas, rasas com pavimento detrítico intercalado a afloramentos rochosos. A dinâmica superficial está associada ao escoamento difuso com remanejamento de material e localmente concentrado. − Uma faixa acompanhando o vale do Rio Araguaia, nas vizinhanças das elevações do Sistema de Blocos Falhados e em alguns trechos do vale do Rio Diamantino. Essa faixa de relevos mais dissecados que acompanha o rio, resulta de grande controle estrutural e litológico, conformando conjuntos de colinas e interflúvios tabulares alongados, elaborados em litologias muito falhadas e fraturadas das Formações Furnas, Aquidauana e Ponta Grossa. O espaçamento interfluvial predominante entre 750 a 1.750 m, com aprofundamento de vale em torno de 30 m, define índices de dissecação A-Sf/m (c22 e c23) e próximo à confluência entre os dois rios, interflúvios entre 250 a 750 m, caracterizam índice de dissecação (a24). Os rios que recortam a superfície apresentam vales bem encaixados, com vertentes dissecadas em alguns trechos, formando no conjunto, um padrão dendrítico e sub-dentrítico e densidade de drenagem mediana. − Nas proximidades da escarpa da Serra do Caiapó, se une em aclive à linha da escarpa Esse modelado situa-se na base da escarpa da Serra do Caiapó, posicionado em altimetrias de 480 a 500 m, abrange litologias da Formação Aquidauana. A densidade de drenagem é mediana, com aprofundamento médio em torno de 30 m. O padrão de relevo predominante apresenta índice A-Sf/m (c23). 4.2.1.2. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados – (A – Sf(b)) Este sistema de relevo localiza-se na porção leste do Estado, entre o Sistema de Pedimento (Pd) a oeste, e o Sistema de Dissecação (Di) a leste, na bacia hidrográfica do Rio Araguaia; limitado a norte pelo vale do Rio das Garças, onde coalesce com o Sistema de Aplanamento - Blocos Falhados (A-Sf) e a sul, pelo Sistema de Colinas e Morros, (Cl-Mr), configurando a Serra Azul. O conjunto como um todo se constitui de um bloco alçado e basculado, com topos aplanados, esculpidos sobre arenitos, conglomerados, argilitos e siltitos da Formação Furnas. Neste conjunto ocorreu uma inversão topográfica, com movimentação de blocos, sugerida pela posição elevada das litologias desta formação em relação com as rochas das Formações Ponta Grossa e Aquidauana. “Esta situação pode estar relacionada a reativações de movimentos epirogenéticos associadas à tectônica de falhas, ocasionando retomada erosiva, aplainando a referida serra e retirando as camadas areníticas da Formação Ponta Grossa”, ainda, “Observa-se um caimento da superfície para oeste, com decréscimo de cotas altimétricas até atingir o nível inferior deste planalto”. (MAMEDE et al. In Projeto RADAMBRASIL – Folha Goiás, 1981). Caracteriza-se pela homogeneidade de feições em vastas extensões aplanadas, contornadas por relevos intensamente dissecados, que se intercalam com rebordos erosivos, interrompidos pelo entalhe da drenagem. No contorno desse conjunto, as formas são mais fragmentadas, de topos aguçados e tabuliformes. 110 As altitudes de 600 a 870 m decrescem para oeste e norte conduzindo a drenagem para o Rio das Mortes, e atingindo níveis de 450 a 550 m em Barra do Garças. As formas que compõem este sistema resultam da ação dos processos erosivos. 4.2.1.2.1. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados – Preservado-(A – Sf(b))/p A área ocupada por este modelado é muito pequena e se encontra parcialmente contornada por escarpas estruturais. Apresenta relevo plano truncado pelo processo erosivo de aplanamento, posicionado em níveis altimétricos de 600 a 810 m. As formações superficiais são de origem autóctone e resultam da alteração das rochas da Formação Furnas. Apresentam textura areno-argilosa e arenosa. Os solos desenvolvidos neste conjunto litológico são Latossolo Vermelho-Amarelo e Areias Quartzosas. Ocorre em duas áreas inseridas no modelado de suave dissecação: − Na extremidade sul da Serra Azul, contornando o Córrego das Furnas, em Barra do Garças. Os solos são geralmente são do tipo Areias Quartzosas ou Latossolos. A dinâmica superficial é fraca, em função do escoamento superficial difuso, fraco e intenso escoamento hipodérmico, não gerando processos erosivos de grande extensão. Ao longo das estradas vicinais são observados, em pontos isolados, sulcos e pequenas ravinas. − Representando um rebordo erosivo da Serra Azul, em Nova Xavantina Este modelado constitui-se por um pequeno morro testemunho de topo plano, elaborado sobre rochas da Formação Furnas sobrepostas às litologias do Grupo Cuiabá. As bordas deste modelado encontram-se escarpadas, com desnível superior a 50 m, conformando uma escarpa erosiva. O material superficial desta área apresenta características arenosas, com provável presença de crosta ferruginosa ou litologia mais resistente, que sustenta os rebordos erosivos. 4.2.1.2.2. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados – Suave Dissecação - (A – Sf(b))/s Este padrão de relevo abrange a maior parte do sistema, corresponde essencialmente aos topos dos relevos, posicionados em níveis altimétricos de 600 a 910 m, regionalmente denominados de Serra Azul. A monotonia do conjunto das formas de suave dissecação, é interrompida por entalhes fracos da drenagem e eventualmente por microformas de relevos, com aproximadamente 10 m de altura. As feições morfológicas são caracterizadas por formas aplanadas, suavemente dissecadas, com interflúvios amplos, de topos tabulares amplos de 750 a 3.750 m, e vertentes fracamente inclinadas, de 3 a 8% de declive. Os talvegues são pouco aprofundados e não apresentam áreas de acumulação significativa. Os padrões mapeados neste sistema são do tipo A-Sf(b)/s (t11, t12, t13, c12 e c13). A rede de drenagem apresenta baixa densidade e um padrão subdendrítico. 111 As formações superficiais autóctones resultam da alteração de rochas da Formação Furnas, apresentando textura areno-argilosa e arenosa, que deram origem aos Latossolos Vermelho Amarelos e AreiasQuartzosas. A erosão laminar fraca é produto do escoamento superficial difuso que remobiliza os materiais finos. A homogeneidade das feições geomorfológicas é favorecida pela permeabilidade do material superficial. O material superficial é composto por alteração autóctone de arenitos da Formação Furnas, constituída por arenitos ortoquartzíticos, de granulometria grosseira a localmente fina, originando materiais areno-argilosos, vermelho escuros, maciços, com baixa permeabilidade. Na base apresentam horizontes conglomeráticos monomíticos, de espessuras métricas. Os solos originários deste material são classificados como Latossolos Vermelho- Escuros e Latossolos Vermelho-Amarelos. 4.2.1.2.3. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados – Média Dissecação - (A – Sf(b))/m Esta categoria de modelado de dissecação situa-se nas bordas da Serra Azul, nas vertentes e vales que nela nascem. A borda leste apresenta-se realçada conduzindo a drenagem paralelamente aos contornos escarpados. Os rios que cortam esta superfície estão medianamente encaixados e com vertentes dissecadas, formando um padrão dedrítico. Localmente o Ribeirão Galheiro e o Rio Pindaíba, apresentam vales profundos com rebordos escarpados. A morfologia da área é formada por colinas, e interflúvios tabulares, de dimensões que variam de 250 a 750 m e vales com até 40 m de entalhe. Os principais padrões mapeados são do tipo A-Sf(b)/m(c14, c24, t14, t23 e t24). Nas extremidades sul da Serra Azul o seccionamento pela drenagem é mais intenso e o seu recortamento está associado a uma infinidade de falhas e fraturas direcionadas de NE-SW. Esta classe de dissecação foi modelada em rochas da Formação Furnas, que deram origem às formações superficiais de textura predominantemente arenosa, e solos do tipo Areias Quartzosas e Cambissolos. A erosão laminar decorre do escoamento superficial difuso. O escoamento concentrado ocorre nas vertentes mais declivosas. 4.2.1.2.4. Sistema de Aplanamento – Blocos Falhados/Basculados – Forte Dissecação - (A – Sf(b))/f Situa-se principalmente na borda sul da Serra dos Gerais. Geralmente os contornos das formas são marcados por escarpas erosivas, constituindo uma área muita recortada, limitando o sistema. Na extremidade sul, a estrutura condicionou os processos erosivos, controlando os alinhamentos dos interflúvios, obedecendo as direções da rede de fraturas e falhas NE-SW. O encaixamento dos vales obedece às linhas de fraturas, originando formas de divisores alongados, de topos aguçados e tabulares. As dimensões interfluviais variam de 250 a 750 m e o entalhe dos vales entre 40 e 80 m. Os principais tipos de padrões mapeados são do tipo A-Sf(b)/f (c34, a34, t34 e a25). 112 Abrange litologias da Formação Furnas, sobre as quais desenvolveram-se formações superficiais de origem autóctone, e solos do tipo Areias Quartzosas, de espessura variável e dinâmica forte, em função do escoamento concentrado e difuso. 4.2.1.3. Sistema de Faixas Dobradas – Colinas e Morros – (Sd/Cl – Mr) Este sistema caracteriza-se como um pequeno residual localizado no extremo noroeste de Mato Grosso, nas cabeceiras do Rio Branco, e afluentes da margem direita do Rio Roosevelt, no município de Aripuanã. Está associado diretamente à ocorrência de dobramentos antigos de rochas da Formação Mutum-Paraná: conjunto de rochas clásticas e piroclásticas epimetamorfizadas, constituído por arenitos, siltitos, folhelhos e tufos, que se apresentam em situação residual após processos de aplanamento e dissecação que esculpiram a área. O mapeamento de solos indica para estas áreas, predominantemente, solos Litólicos. Por suas características morfométricas e morfológicas, estas áreas sofrem processos erosivos do tipo sulcos e ravinas quando ocorrem processos de desmatamento e conseqüente desequilíbrio dos materiais superficiais. 4.2.1.3.1. Sistema de Faixas Dobradas – Colinas e Morros – Preservado - (Sd/Cl – Mr)/p Este modelado localiza-se no extremo noroeste do Estado de Mato Grosso, imerso no padrão de relevo de forte dissecação, entre níveis altimétricos variáveis entre 450 e 490 m nos topos planos, com rebordos que podem ultrapassar os 60 m de desnível. A característica de faixas dobradas foi identificada pela presença de modelados do tipo hog back – cristas assimétricas, e bordas de anticlinais escavadas. Na região em apreço, as características clássicas de áreas dobradas, estão mascaradas pelo forte processo de dissecação imprimindo as formas, que se encontram dissecadas, conformando relevos serranos isolados dentro do Sistema de Aplanamento S3 (Ap3)(Foto 022). Associado a este fato tem-se a diferenciação litológica, pois esta unidade é elaborada sobre os sedimentos da Formação Mutum-Paraná, que é diferente do material envoltório, composto por rochas graníticas-gnaíssicas do embasamento. O padrão de formas predominante é composto por topos planos, sem dissecação, com rebordos erosivos. A declividade no topo é muito baixa, predominando valores inferiores a 1%. Nos rebordos as declividades são superiores a 30%. O material superficial é essencialmente composto por areias, ocorrendo inclusive afloramentos rochosos. A pedogênese é incipiente gerando solos Litólicos, nos rebordos erosivos e Areias Quartzosas, nos topos planos. 4.2.1.3.2. Sistema de Faixas Dobradas – Colinas e Morros – Forte Dissecação- (Sd/Cl – Mr)/f Este modelado ocorre entre os Sistemas de Blocos Falhados (Sf), de Aplanamento S3 (Ap3) e de Colinas e Morros (Cl-Mr), configurando áreas residuais localmente elevadas e genericamente denominados de serras, contornando e ocupando posição altimétrica logo abaixo dos topos planos do Sistema Sd/Cl-Mr/p, conformando grandes anfiteatros fortemente dissecados por cursos de primeira ordem e de ocorrência bastante restrita. 113 O modelado apresenta interflúvios pequenos, com dimensões entre 250 a 750 m, e entalhe dos vales com até 80 m de profundidade. As vertentes apresentam perfis convexos ou retilíneos e os fundos de vale perfil em V. 4.3. SISTEMA AGRADACIONAL – Ag O sistema de agradação caracteriza-se por uma morfogênese ligada a processos agradacionais, decorrentes primordialmente de fatores climáticos. A divisão deste sistema, em níveis taxonômicos inferiores, conforme define a metodologia de LATRUBESSE et al. (1998), representada no Quadro 001, deste relatório, possibilitou identificar três sistemas, no segundo nível, a saber: O Sistema de Agradação Fluvial, caracterizado pela gênese primordialmente fluvial, e subdividido no terceiro táxon, em Sistema de Planície Fluvial (Pf), Sistema de Planície Aluvionar (Pa) e Sistema de Leques Fluviais (Lq); O Sistema de Agradação Lacustre-Palustre, constituído por relevos elaborados a partir de sedimentação em ambientes de baixa energia, como lagos e pântanos, subdividido no terceiro nível em Sistema de Depressões Úmidas (Du) e Sistema de Lagos (Lg); O Sistema de Agradação Flúvio Gravitacional Pedimontano, de gênese agradacional, semelhante à dos Sistemas de Leques Fluviais, diferenciando-se deste pelo gradiente topográfico mais elevado e pela posição em relação às frentes de escarpa ou montanhas, inclui no terceiro táxon, o Sistema de Leques Flúvio-Gravitacionais (LFG). 4.3.1. Sistema de Agradação Fluvial- F O Sistema de Agradação Fluvial, conforme apresentado no capítulo de caracterização dos sistemas desenvolve-se em áreas onde o relevo é composto geneticamente por processos de acumulação fluvial situadas marginalmente aos canais fluviais. 4.3.1.1. Sistema de Planície Fluvial – Pf A dinâmica dos Sistemas de Planícies Fluviais está associada ao ritmo de cheia/vazante dos rios, que dita o controle da sedimentação fluvial e da erosão ao longo das margens dos canais, onde predominam os processos de acumulação, geralmente com lençol freático localmente sub-aflorante. As planícies fluviais podem ser classificadas genericamente, ou hierarquizadasconsiderando-se a classificação dos tipos de canais que as cortam, Assim, podem ser subdivididas num nível taxonômico de maior detalhe em: Planícies Fluviais (Pf), Planícies Aluvionares Anastomosadas (Pan), Planícies Aluvionares Braided (Pbr) e Planície Aluvionar Meandriforme (Pmd). Além destas, as formas mais soerguidas em relação à planície de inundação são classificadas em Terraços Altos (Ta) e Terraços Baixos (Tb) Foram mapeadas como Planícies Fluviais (Pf), sensu strictu áreas de agradação fluvial que, em conseqüência de suas dimensões, não foi possível classificá-las em função do tipo de gênese, do padrão do canal, ou separá-las pelos níveis de alagação, em terraços e planícies. 114 Essas planícies difundem-se de forma descontínua e com distribuição espacial muito inferior ao sistema de Planície Fluvial Meandriforme (Pmd), pois correspondem às Planícies e Terraços Fluviais que acompanham os rios de menor porte, e que não são distinguíveis na escala de 1:1.500.000. As planícies fluviais são terrenos relativamente planos e com leve caimento em direção à calha da drenagem associada, compreendendo a planície de inundação e o leito maior. Associam-se alagadiços e pântanos. São relevos que se caracterizam por apresentar lençol freático elevado e enchentes sazonais. As formas desta unidade acompanham em geral, o perfil longitudinal dos rios, e ocorrem associadas geralmente, a trechos retilíneos, ou pouco sinuosos dos rios de maior porte, ou ainda junto a cursos de menor ordem. Deste modo, o nível morfológico dominante varia conforme o posicionamento dentro das bacias hidrográficas. Os materiais superficiais correspondem a depósitos predominantemente arenosos, ocorrendo secundariamente argilas, siltes e cascalhos, geologicamente classificados como Aluviões Atuais. As condições hidromórficas conferem um grau alto de inconsolidação destes materiais e as condições redutoras do ambiente proporcionaram um acúmulo de material orgânico nas camadas superficiais. Os solos desenvolvidos neste material correspondem às Areias Quartzosas Hidromórficas, associadas a Solos Glei Pouco Húmicos e solos Aluvionares. A dinâmica superficial possui como principais processos, inundação e alagamento, associados a períodos chuvosos. Nas drenagens de menor porte, as áreas de planície e terraço fluvial atingem menor proporção, sendo muitas vezes acompanhadas por processos de coluvionamento, fato que mascara a real dimensão da área de atuação do sistema fluvial. Nestes pontos os solos derivados da pedogênese perdem as características hidromórficas, conformando situações intergrades. Ocorrem também processos de erosão lateral e vertical, associados ao canal fluvial. As planícies fluviais estão distribuídas em diversas regiões do Estado, porém, ao longo das bacias dos Rios Araguaia e Xingu, apresentam maior representatividade, passíveis de espacialização à escala de 1:1.500.000. Na bacia do Rio Araguaia, ocorrem ao longo de canais secundários, afluentes dos Rios Mururê, Ribeirão Água Preta, e Córrego do Lago, entre outros, apresentando larguras médias entre 0,8 a 2,5 km. Nas áreas desta bacia, as planícies estão associadas a diques marginais e pequenos terraços, conformando áreas elevadas até cinco metros, acima do nível atual das águas dos rios. Na bacia do Rio Xingu, esse sistema difunde-se numa ampla faixa ao longo dos principais rios, onde predominam processos agradacionais, ligados ao próprio Rio Xingu, que apresenta a maior planície fluvial contínua no Estado de Mato Grosso, e a seus afluentes, como os Rios Ronuro, Curisevo, Tuatuari, e Batovi (Foto 023). As declividades médias são inferiores a 1% e a largura destas planícies e terraços sempre inferiores a 2500 m. Por tratar-se de uma área plana, os desníveis são relativamente pequenos. As planícies fluviais elevam-se a 1 ou 2 m acima do nível médio dos rios. Nos municípios de Gaúcha do Norte e Querência existe uma série de lagoas nas planícies, formadas por afluentes de menor porte do Rio Xingu, entre elas: Lagoa do Itavununu, Lagoa Seca, Lagoa Bico-Doce, Lagoa do Curumim, Lagoa Guará, Lagoa Vermelha e Lagoa Dourada. 115 A ocorrência destas lagoas deve estar condicionada ao fato da rede de drenagem de menor ordem, não possuir competência suficiente para a transposição da Planície Fluvial Meandriforme, que margeiam os rios de maior ordem, funcionando como barreiras aos fluxos dos drenos de menor porte, que tentam chegar ao Rio Xingu. Nas bordas deste sistema, ocorrem processos de coluvionamento que mascaram a transição entre as vertentes e as formas de acumulação. É comum o assoreamento do canal em conseqüência da erosão laminar e em sulcos, nos trechos interceptados por estradas. Na bacia do Rio Juruena, destaca-se a continuidade das planícies fluviais ao longo das drenagens, sendo mapeada uma faixa com mais de 100 km de comprimento, margeando os rios Camararé e Juruena. Este último, apresenta uma ampla planície fluvial, conforma um canal com baixa sinuosidade, não se observando feições meandriformes(Foto 024). Na região setentrional de Estado, as formas desta unidade acompanham em geral, o perfil longitudinal dos rios de menor porte, e estão situadas no interflúvio Juruena – Teles Pires, desta forma, o nível morfológico dominante é variável, com caimento geral no sentido norte. Na bacia do Rio Aripuanã, as mais expressivas áreas de planície fluvial encontram-se ao longo deste rio, acima das cachoeiras de Dardanelos e Andorinhas, que funcionam como nível de base regional, e do Rio Canamã. Nesta bacia, os principais problemas de dinâmica superficial, observados nos trabalhos de campo foram inundações sazonais nas áreas de acumulação às margens destes rios. Nas planícies fluviais associadas aos rios localizados no município de Juína, verificaram-se sérios problemas de alteração ambiental resultantes da atividade de garimpagem de diamante. Nestas áreas, ocorre uma grande movimentação de material superficial e subsuperficial, com alteração dos desenhos do canal fluvial e formação de lagos artificiais. Na Bacia do Guaporé as planícies fluviais mapeáveis em escala 1:1.500.00 ocorrem ao longo do Rio Barbado, com largura média acima de 2,5 km. Na bacia do Rio Paraguai, as planícies instalam-se em áreas laterais aos principais Rios como o Paraguai, Cuiabá, São Lourenço, Itiquira (este no limite entre os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul); e Corrente, assim como ao longo dos seus tributários ou afluentes principais. Na região pantaneira, o Rio São Lourenço, desenvolve planícies que ocupam áreas consideráveis. 4.3.1.2. Sistema de Planície Fluvial – Terraços Altos – Ta No Estado de Mato Grosso, conforme descrito no capítulo de “Caracterização dos Sistemas”, os terraços altos formam superfícies horizontais ou levemente inclinadas, constituídas por depósitos sedimentares, e limitadas por dois declives do mesmo sentido. Compreendem áreas alçadas de alguns metros a dezenas de metros acima do nível das planícies fluviais. A morfologia corresponde a terrenos planos e sem dissecação. Por suas características genéticas, estão diretamente associadas à rede de drenagem atual e sub-atual, estando fora da ação de inundações freqüentes, mas sujeitos a enchentes extremamente fortes e de maior intervalo de recorrência. 116 Os modelados reconhecíveis como do tipo “Terraço Alto (Ta)”, ao nível da escala 1:1.500.000 ocorrem principalmente na região leste de Mato Grosso, na bacia do Rio Araguaia, em sua porção média, estando associados às drenagens de maior porte, em especial aos Rios Cristalino e das Mortes (Fotos 025 e 026). Tais sistemas compreendem áreas compostas por sedimentos elevados acima do nível sazonal de inundação e do embasamento da Formação Bananal, constituídas por sedimentos arenosos, argilosos e conglomeráticos inconsolidados em superfície. Os materiais superficiais são predominantemente arenosos, podendo localmenteapresentar crostas ferruginosas. A área de terraços que ocorre junto ao Rio Cristalino comporta-se como um grande dique marginal, elevado em até 5 m, acompanhando o rio por vários quilômetros, servindo localmente como base do sistema viário, que foge das inundações sazonais. Em alguns trechos, esses terraços são seccionados por pequenos canais temporários. Associadas à morfologia dos Terraços Altos (Ta) ocorrem uma série de pequenas lagoas circulares, com aproximadamente 1 Km de diâmetro, e que podem apresentar variação do espelho de água, entre os períodos de maior e menor pluviosidade, como pode se observar ao comparar-se às imagens de satélite e de radar, obtidas em diferentes épocas. A dinâmica superficial é fraca, com erosão laminar decorrente do escoamento superficial difuso. 4.3.1.3. Sistema de Planície Fluvial – Terraços Baixos – Tb A caracterização deste sistema baseia-se na maior freqüência de inundações em relação aos Terraços Altos (Ta), identificada à partir da presença de áreas alagadas ou pequenos lagos. Esse sistema apresenta maior representatividade espacial na bacia do Rio Araguaia, porém ocorre em manchas localizadas nas planícies do Rio Xingu, e do Rio Paraguai. São terrenos planos, pouco elevados acima das áreas inundáveis, conformando uma superfície plana, com declividades menores do que 1%, sofrendo longos períodos de inundação. Ainda se percebe marcas de antigos canais, sobre estes antigos terraços. O desnível regional é muito suave, com caimento para norte, variação altimétrica entre 220 a 280 m e altitudes médias, entre 250 a 260 m. Conformam áreas baixas, porém niveladas em até 5 m, acima da Planície Fluvial (Pf) e Planície Aluvionar Meandriforme (Pmd) (Foto 027). A formação de terraços nestas regiões, ocorre possivelmente, devido a dois processos: uma componente horizontal que associa as baixas declividades das formas ao barramento dos fluxos dos rios pelas drenagens de maior porte, e por outro lado, uma componente vertical, com uma rápida saturação e afloramento do lençol freático nos períodos chuvosos. São áreas inundadas pelas águas pluviais, que circulam livremente sem se adaptar às calhas fluviais, represadas por afogamento e por falta de drenagem estabelecida. Possivelmente o lençol freático desta área apresenta pequena profundidade durante todo o ano. A sedimentação e a dinâmica atual deste sistema corresponde à deposição de areias finas a médias, materiais finos, constituídos por argilas em suspensão e orgânicos, presentes na colmatagem dessas áreas. Este material encontra-se pedogenizado parcialmente, com acúmulo superficial de material orgânico e processo de ferruginização (mosqueamento) nos horizontes inferiores, originando Plintossolos e Areias Quartzosas Hidromórficas. Associa-se 117 também a esses solos, laterita nodular que ocorre dispersa ou formando camadas de 0,5 a 1 m. Na bacia do Rio Araguaia, foram diferenciados como Terraços Baixos (Tb), grandes extensões interfluviais sobre as áreas marginais às planícies aluvionares, com até 5 m acima do nível da planície, entre os Rios Araguaia e das Mortes, limitadas a oeste pelo Sistema de Leques com Escoamento Impedido (Lq/Ei); mais à jusante entre o Rio Araguaia e o Rio Xavantinho e ainda, a sul de Santa Teresinha, ao longo do Araguaia. (Foto 028). Dentro das áreas alagáveis ocorrem microformas conhecidas como murunduns. Estas microformas são montículos com até 1,5 m de altura e que permanecem fora do alagamento sazonal. Associados a estes montículos encontram-se os termiteiros. Nesta bacia ocorrem relevos lacustres associados às áreas interfluviais amplas, ou no contato com as áreas aplanadas caracterizados por lagoas de formato arredondado. Estas lagoas geralmente estão ligadas à rede de drenagem, mas podem ocorrer de forma isolada ou ocupando posições de cabeceira. Quando localizadas em posições interfluviais, alimentam pequenos corixos. Algumas apresentam formato alongado, com direção norte, acompanhando o Rio Araguaia, destacando-se entre elas: Lagoa do Capim, Lagoa do Facão e Lagoão, esta última com mais de 10 km de comprimento no sentido norte-sul e aproximadamente 2,5 km de largura. A análise das imagens de satélite aponta uma série de paleocanais nesta área, todos direcionados grosseiramente no sentido norte-sul. Estes paleocanais indicam que os processos de acumulação fluvial ocorrem por uma perda da energia dos fluxos, que migram dentro do leito maior, que corresponderia ao conjunto dos baixos e altos terraços dentro da bacia de sedimentação da Formação Bananal. Estas áreas sofrem inundações anualmente, porém, a motivação destas inundações não está associada ao processo de extravazamento do curso dos rios para as planícies e posteriormente para os baixos terraços. São decorrentes do impedimento do escoamento superficial e da baixa capacidade de infiltração proporcionada pelo lençol freático subaflorante, resultantes das baixas declividades dos interflúvios, o que não condiciona o escoamento e favorece o alagamento. A rede de drenagem que corta este Sistema de Terraços Baixos (Tb) possui baixa densidade, sendo que muitos drenos, localmente denominados de corixos, permanecem parte do ano com leito seco ou com escoamento lêntico. No período mais chuvoso, estes drenos recebem grande volume de água, levando a uma expansão temporária da grande área alagada do Sistema de Terraços Baixos (Tb). Na Bacia do Xingu, esse sistema restringe-se a pequenas manchas, restritas às confluências entre os Rios Ronuro- Von Den Steinen; e Batovi-Curisevo. As feições de Terraços Baixos estão presentes também, na região sudoeste do Estado de Mato Grosso, associadas aos vales dos Rios Sepotuba e Paraguai, coalescentes à Planície Meandriforme do Rio Paraguai. Constituem depósitos aluviais horizontais ou levemente inclinados em direção à drenagem, com declividades menores que 1%, e modelados por erosão, com altitudes médias de 110 m, formando um patamar entre o limite externo da calha fluvial e os depósitos sedimentares atuais. Estes terraços constituem-se de Aluviões Indiferenciadas ou Antigas, que coalescem com as Aluviões Atuais da várzea menor do Rio Paraguai, onde se distribuem de forma descontínua, até a confluência com seu tributário, o Rio Jauru. A partir deste ponto, apresenta- 118 se contínuo, ao longo da margem direita do Rio Paraguai, na direção geral N-S, refletindo forte controle estrutural regional. Nesta região, os Terraços Baixos (Tb) englobam cursos fluviais abandonados nas vazantes, com padrão superficial de escoamento impedido. Neste contexto, a extensa várzea inundável apresenta o escoamento laminar na estiagem e linear nas enchentes. 4.3.1.4. Sistema de Planície Aluvionar Anastomosada – Pan As planícies fluviais hierarquizadas num terceiro nível taxonômico, podem ser classificadas em base à tipologia dos canais fluviais em: Planície Aluvionar Anastomosada (Pan), Planície Aluvionar Braided (Pbr) e Planície Meandriforme (Pmd). O padrão de formas fluviais aluvionares, classificado como Planície Aluvionar Anastomosada (Pan), apresenta marcas de uma multiplicidade de canais entrelaçados, pequenos e rasos, que se subdividem e se reúnem aleatoriamente, separados por bancos e ilhotas, submersos nas cheias. (Foto 029). Essas planícies distribuem-se na região meridional do Estado de Mato Grosso, na sub-região geográfica e pantaneira de Cáceres. Este padrão contorna a borda oriental do Sistema Fluviais/Áreas Alagadas (Lq/Al) numa faixa de direção N-S, no limite com o Sistema de Lagos/Áreas Alagadas (Lg/Al) do Rio Paraguai. Praticamente sem declividade, tais planícies apresentam um padrão de drenagem anômalo, sem canais bem definidos, que interagem ao sistema fluvial e lacustre vizinho do rio Paraguai, sendo que nas vazantes/estiagens comporta-se como enriquecido pelo escoamento de sub-superfície e nas enchentes/cheias, notadamente pelo escoamento de superfície. Nestaregião, a Planície Aluvionar Anastomosada configuram áreas inundáveis, sob influência de regime hidrológico dos Rios Paraguai e Corixo Grande, que têm mantido alagamentos duradouros, inclusive na estiagem (junho a setembro). Essas planícies constituem-se de Aluviões Atuais a leste, e abrangem sedimentos da Formação Pantanal a oeste, apresentando solos do tipo Planossolos eutróficos. 4.3.1.5. Sistema de Planície Aluvionar Braided – Pbr A Planície Aluvionar Braided (Pbr) corresponde ao segundo grupo de planícies, classificadas quanto à tipologia do canal fluvial, no terceiro nível de hierarquização da metodologia de LATRUBESSE et al. (1998). Esse sistema corresponde a terrenos planos, gerados à partir da deposição do material transportado pelos rios. A principal característica deste tipo de planície é o fato de possuírem rios com canais secundários que conformam um padrão entrelaçado do canal, gerando varias ilhas alongadas. O embasamento corresponde a Aluviões Atuais. Os solos associados a este modelado são classificados como hidromórficos Glei Pouco Húmico e solos Aluviais. Os processos de dinâmica atual correspondem à deposição de material fino a grosseiro e retrabalhamento do material do próprio canal. Inundações sazonais ocorrem associados aos períodos chuvosos. 119 Ocorrem duas situações particulares deste tipo de sistema no Estado de Mato Grosso, uma localizada na Bacia Hidrográfica do Rio Araguaia, dentro de uma ampla área sedimentar, e uma segunda área de ocorrência localizada na porção noroeste do Estado, na Bacia Hidrográfica do Rio Juruena. Uma característica peculiar deste sistema na bacia do Rio Araguaia é a mobilidade dos bancos arenosos que conformam estas ilhas. Este fato pode ser observado quando se compara o formato dos canais, tanto nas imagens de satélite e de radar, produtos cartográficos gerados com mais de duas décadas de diferença, bem como, quando se analisa o formato do canal identificado na imagem de satélite e o representado na base topográfica. (Foto 030). Esse padrão de canal entrelaçado é observado no Rio Araguaia após a confluência com o Rio das Mortes. À medida que se afasta da confluência, diminui o grau de entrelaçamento, a densidade de ilhas, e o canal passa a ter padrão de ilhas alongadas e estreitas. Algumas destas ilhas são alongadas, como por exemplo a Ilha Centopéia e Ilha do Antonio Rosa. Outras possuem um formato elipsoidal, como por exemplo a Ilha do Pedro Rica. O tamanho das ilhas também é variável, com dimensões inferiores a 1 km², até áreas com mais de 75 km², como por exemplo, a Ilha do Manuel Firmino. No interior das ilhas de maiores dimensões são observados marcos de cordões arenosos e lagoas. Nesta região, as ilhas apresentam um material superficial predominantemente arenoso, conformando praias fluviais de grande extensão. Na segunda área de ocorrência, este padrão de planície fluvial foi identificado ao longo do Rio Juruena e no Rio Arinos, após sua superimposição à Serra dos Caiabis, onde o perfil longitudinal dos rios é muito acidentado, com diversas cachoeiras e corredeiras, não sendo possível neste ambiente, deposição de sedimentos. Com a rápida queda da declividade do canal, o rio tende a alargar seu canal e iniciar a sedimentação. Este processo sendo muito forte, faz com que o rio, em certos segmentos, corte seus próprios sedimentos, conformando neste ponto, um padrão braided. As altitudes são variáveis e as declividades sempre inferiores a 1%. Nestas áreas, os rios possuem o canal principal e canais secundários, que acabam por conformar ilhas. Essas ilhas formadas em função da disposição lateral e vertical dos sedimentos, apresentam formas variadas. Algumas delas, possuem formato alongado, com até 2,5 km de extensão e aproximadamente 500 m de largura como as ilhas Carlinda, Stela e a Ilha Ilusão. Outro grande rio que desenvolve Planície Aluvionar Braided, é o Teles Pires, que se destaca por apresentar as mais extensas áreas de inundações, relacionadas a deposições recentes, conformando esse sistema, e constituindo muitas ilhas ao longo do eixo de drenagem. Esse padrão predomina no extremo centro-norte do Estado, trecho onde se desenvolve em direção sul-norte, unindo-se ao Juruena para formar o Rio Tapajós, num trecho caracterizado por canais que se interconectam, com ilhas, barras ou bancos de material aluvial, geralmente de pequena espessura, assentados diretamente sobre o embasamento rochoso. Esse sistema ocorre também na região oeste do Estado, no Rio Piolho, afluente do Guaporé, após sua descida da Serra dos Parecis, apresentando conformação de uma faixa fluvial de até 5 km de largura, onde ocorrem pelo menos dois canais, conformando ilhas alongadas. 120 4.3.1.6. Sistema de Planície Aluvionar Meandriforme – Pmd A Planície Aluvionar Meandriforme (Pmd) correspondem ao terceiro grupo de planícies, classificadas quanto à tipologia do canal fluvial, no nível 3 de hierarquização da metodologia de LATRUBESSE et al., (1998). Esse padrão de relevo corresponde a depósitos sedimentares dos canais fluviais meandrantes, os quais possuem gênese primordialmente associada ao baixo gradiente de declividade das superfícies ou a condicionantes estruturais. Quando essa gênese está associada a uma baixa declividade do perfil longitudinal do rio, que não possui energia suficiente para cortar a área em linha reta, os canais necessitam meandrar para encontrar o melhor caminho para o escoamento. Essas declividades baixas, sempre inferiores a 1%, proporcionam fluxos com baixas velocidades. O processo de inundação destas planícies está associado à variação sazonal dos períodos chuvosos e ao aumento do volume de água, que extravasa o leito e preenche as áreas marginais da planície. Como este processo repete-se a cada período chuvoso, a dinâmica do canal é muito grande, conferindo à planície, formas do tipo meandros abandonados, barra de meandro (point bar), cordões arenosos, lagos de meandros, pequenos diques e praias arenosas. Esse sistema é composto por Aluviões Atuais, que se distribuem ao longo dos principais cursos d'água e são constituídos por areias, siltes, argilas e cascalhos, sobre os quais se desenvolvem solos Hidromórficos Glei Pouco Húmico, Planossolos, Areias Quartzosas Hidromórficas e Plintossolos. Os principais processos de dinâmica atual, relacionados a este sistema são a deposição de finos durante as enchentes por decantação e de areias por acréscimo lateral. Processos de solapamento e desbarrancamento das margens devem ocorrer nas margens côncavas, com redeposição à jusante nas margens convexas dos meandros. Ocorre também erosão lateral e vertical do canal e deposição a montante, como no sistema de Planície Fluvial (Pf), porém com maior intensidade do que naquele sistema. Este material arenoso conforma praias e ilhas, geralmente de pequena expressão espacial e que podem ser modificadas a cada período de enchente. A Planície Aluvionar Meandriforme (Pmd) distribue-se amplamente ao longo das principais bacias hidrográficas do Estado de Mato Grosso, em rios de grande, médio e pequeno porte, apresentando ao longo da bacia do Rio Xingu, maiores extensões contínuas e larguras mais expressivas(Foto 023). − Bacia do Rio Xingu Este sistema corresponde às amplas planícies que margeiam os Rios Xingu, Ronuro, Curisevo, Culuene, Sete de Setembro, Arraias, Von den Steinen, Coronel Vanick, Suia-Miçu, Manissauiá-Miçu, Comandante Fontoura e Ribeirão Preto, entre outros, tendo larguras variáveis de 0,5 a 6,5 km. O Rio Xingu desenvolve ampla planície de inundação com sedimentação aluvionar em ambas as margens. Por essa planície o rio divaga seu leito isolando ilhas e barreiras arenosas, caracterizando um padrão meândrico de leito fluvial. Essa sedimentação pujante tem seu término na Cachoeira de Van Martius, a qual funciona como uma barreira para a deposição. A jusante desse obstáculo natural, a sedimentação diminuibruscamente, restringindo-a a pequeno alvéolos e ilhas formadas pela acomodação do leito do rio às 121 estruturas do embasamento. Os demais rios, geralmente apresentam sedimentação aluvionar e canais meandrantes, com lençol freático sub-aflorante, até mesmo nos períodos de vazante. Os canais meandrantes dos Rios Xingu e Suia-Miçu são irregulares, de larguras variáveis, e baixa sinuosidade, enquanto que os Rios Arraias e São Francisco, apresentam trechos muito sinuosos. Na bacia do Rio Xingu, o material superficial também é composto por sedimentos arenosos e conglomeráticos intercalados, evidenciando eventos alternados de fluxos torrenciais e fluxos mais lênticos. − Bacia do Rio Paraguai A Planície Aluvionar Meandriforme (Pmd) do Rio Paraguai, corresponde à principal área de ocorrência do Sistema de Agradação Fluvial na bacia homônima. Na Depressão do Alto Paraguai, esse sistema desenvolve-se ao longo dos Rios Paraguai e Sepotuba, caracteriza-se pela topografia plana, com caimento em direção ao Rio Paraguai; atingindo cotas médias de 110 m, nas proximidades da cidade de Cáceres, englobando uma diversidade de unidades geomorfológicas menores, tais como: canal do rio Paraguai, diques marginais, meandros e páleo-meandros abandonados, barras de meandros, bacia de inundação, corixos e pequenas lagoas residuais do tipo oxbow lakes dispersas. Em sua continuidade para sul, a Planície Meandriforme do Rio Paraguai acompanha dois segmentos principais do curso fluvial: o primeiro setor entre Cáceres e a Fazenda Descalvado, com direções preferenciais N-S a NE-SW, e o segundo, para jusante, na porção sul da Província Serrana, onde o rio inflete na direção NW-SE. No primeiro segmento, o rio sofre basculamento para sua margem esquerda, provocando a erosão em cones restritos, de sedimentos da Formação Pantanal, níveis rampeados do Sistema de Faixas Dobradas (Sd) e do Sistema de Leque Flúvio-Gravitacional (LFG), esculpindo barrancos de cerca de 5 a 6 m de altura. A direção do curso reflete o forte controle da estrutura regional, relacionado ao soerguimento do conjunto da Província Serrana. A forma de escoamento superficial laminar domina em regime de estiagem, passando a linear concentrado, na enchente, provocando a retomada erosiva de corixos e o desbarrancamento dos diques marginais do Rio Paraguai. Planície Aluvionar Meandriforme (Pmd) ocorre também na bacia do Rio Jauru, a jusante da localidade de Porto Espiridião, ao longo de “corixos”, caracterizadas como uma possível páleo-planície colmatada, configurando um possível cone aluvial na direção NE-SW, próximo à Província Serrana, onde coalescem a outros canais de dejeção, formadores do Leque Paraguai-Jauru. No final do Sistema de Faixas Dobradas da Província Serrana, o Rio Paraguai inflete na direção NW-SE. O canal do Rio Paraguai se alarga, o gradiente torna-se menor, assim como a velocidade das águas, formando-se ilhas, bancos de areia e praias fluviais até o inicio da Ilhas de Taiamã-Sararé. A partir das Ilhas Taiamã-Sararé, quando o canal principal se divide nos Rios Paraguai e Bracinho, a Planície Meandriforme se amplia, inserindo-se em ambiente rebaixado (88 a 91m), associado ao Sistema de Lagos/Áreas Alagáveis (Lg/Al), onde se desenvolvem diques marginais, corixos e lagoas/baías. 122 As bacias de inundação encontram-se em cotas suavemente mais baixas, com relação ao sistema insular de Taiamã-Sararé As Planícies Meandriformes (Pmd) ocorrem também associadas às principais drenagens dos Rios Cuiabá, São Lourenço e Piraim, e localmente no baixo curso do Rio Bento Gomes. Em geral, predomina sedimentação ao longo da calha destes rios. No Rio Cuiabá, a jusante da cidade de Barão de Melgaço, essas planícies alternam erosão e sedimentação ao longo de meandros divagantes, caracterizados pela alta sinuosidade e larguras raramente inferiores a 2 Km. Na barra dos Rios Cuiabá e Piraim, esse sistema pode atingir até 10 Km de largura, conformando o trecho mais expressivo do sistema, local de maior débito fluvial e conseqüente acréscimo de material sedimentar. Na bacia do Rio São Lourenço, à partir da confluência com o Rio Vermelho para jusante, os rios descrevem meandros dentro da própria planície de inundação. As Planícies Meandriformes, ao longo do Rio Paraguai, entre os leques do Paraguai- Jauru (a oeste) e do Cuiabá (a leste), compõem o Pantanal do Rio Paraguai, propriamente dito. Esta área de direção norte-sul, corresponde a segmento atual de leque do Rio Paraguai até proximidades da Baía São João. − Bacia do Araguaia As planícies meandriformes mapeadas na bacia do Araguaia ocorrem ao longo dos canais dos principais afluentes dos Rios das Mortes e Araguaia, destacando-se: Cristalino, Corixão Grande, São João Grande, Areões, Pindaiba, Pratinho, Xavantinho, Tapirapé, Crisóstomo, entre outros de menor porte(Foto 027). Esses rios apresentam variações nos padrões de sinuosidade de montante para jusante, desenvolvendo planícies, com larguras variáveis de 0,5 a 4 Km., onde ocorre intensa mobilização de bancos de areia, decorrentes da grande diferença de volume de água entre as cheias e vazantes. As planícies dos Rios Araguaia, Cristalino e das Mortes, apresentam barras arenosas, que possuem uma dinâmica intensa, muitas vezes conformando ilhas, principalmente ao longo do canal do Rio Araguaia, e uma série de lagoas alongadas em toda sua extensão, como os lagos Cocal, Caraibal, Lagoa da Melancia, do Cedro e do Sossego. − Bacia do Rio Teles Pires Na bacia do Rio Teles Pires destacam-se planícies meandrantes, ao longo dos canais principais dos Rios Teles Pires e seu afluente Rio Verde. Nesses canais as planícies são contínuas, com canais irregulares, de baixa sinuosidade e de larguras variáveis de 1 a 4 km, chegando a atingir 7,5 Km, na confluência entre esses dois rios. Essas planícies desenvolvem-se a montante das cachoeiras do Suplício, Treze de Maio e Curupi. A jusante das cachoeiras, o rio apresenta ilhas, sendo a maior delas a Ilha Sem Nome. Essas planícies ocorrem também como faixas contínuas ao longo do Rio Peixoto de Azevedo e afluentes, como os Rios Braço Dois e Braço Norte. O Rio Peixoto de Azevedo desenvolve ampla Planície Aluvionar Meandriforme onde se instalaram garimpos. Recentemente não apenas as planícies, mas seus terraços foram fortemente degradados pela atividade mineira no segmento entre as cidades de Peixoto de Azevedo e Matupá. Nota-se ao longo do rio, vários pontos de assoreamento. − Bacia do Rio Juruena 123 Na bacia do Rio Juruena, este sistema ocorre associado aos canais dos rios Juruena, e seus afluentes, Papagaio, Camararé, Doze de Outubro e Nhambiquara, nas porções de cabeceira e o Rio São João da Barra ou Matrinchã, no limite setentrional da bacia. Essas planícies apresentam canais irregulares, de larguras variáveis entre 2,5 a 4 km e baixa sinuosidade, e com desenvolvimento de terraços fluviais em alguns pontos. O Rio Juruena, na região de Juína, apresenta canal sinuoso e a planície com mais de 5 km de largura, onde são observadas diversas marcas de paleocanais e diques. − Bacia do Rio Guaporé Nesta bacia, este sistema ocorre nos Rios Guaporé, e nos baixos cursos dos Rios Alegre e Novo, com canais irregulares de larguras variáveis e baixa sinuosidade. O Rio Guaporé apresenta uma expressiva planície meandriforme, estendendo-se por uma faixa com até 10 km de largura, apresentando um forte controle estrutural, apresentando uma série de feições típicas de rios meandrantes, como os lagos que ocupam meandros abandonados, localmente denominados de baías (Baía Trancada, Baía do Caldeirão, Baía do Verde). 4.3.1.7. Sistema de Leques Fluviais – Lq Os Leques Fluviais (Lq) constituem o segundo sistema em que foi hierarquizado o Sistema de Agradação (Ag), no segundo nível taxonômico da metodologia de LATRUBESSE et al. (1998), compondo juntamente com o Sistema de Planície Fluvial (Pf), o SistemaFluvial (F), conforme se apresenta no Quadro 003. A região do Pantanal Matogrossense abrange feições peculiares de leques, que representam formas de relevo originadas em ambientes fluviais. Esse sistema corresponde em parte, às Planícies e Pantanais Matogrossense (Projeto RADAM, 1982), estendendo-se nas porções mais elevadas sobre a Depressão do Alto Paraguai Os Leques Fluviais são formas deposicionais da Formação Pantanal compostas de sedimentos arenosos, síltico-argilosos, argilo-arenosos e areno-conglomeráticos (DEL’ARCO, et al., 1982). Freqüentemente nota-se a presença de níveis de laterita pisolítica e mosqueamento plíntico. O leque do Paraguai-Jauru constitui-se de sedimentos da Formação Pantanal, sobre arenitos da Formação Raizama e calcários da Formação Araras. Os solos associados a esse sistema geralmente são do tipo Glei Pouco Húmico, Planossolos, e Plintossolos álicos e eutróficos. Esse sistema na região do Rio Cuiabá caracteriza-se como um sistema de depósitos fluviais antigos e atuais, correspondente à principal feição agradacional da área, associado ao regime de cheia e vazante do Rio Cuiabá e seus tributários. È formado por áreas inundadas periodicamente, que formam amplos planos, secionados por canais controlados pela estrutura do substrato. O entalhe dos vales é fraco, predominando rios perenes, bem espaçados entre si. (Foto 031). Abrange a sub-região geográfica de Poconé, onde se desenvolve o Pantanal de Poconé. Reúne um conjunto de feições morfológicas como unidades de paisagens (habitats de flora e fauna regional) e unidades de recursos econômicos para os pantaneiros e visitantes. Trata-se de canais (rios, sangradouros ou corixos, e antigos leitos de rios), diques marginais (barrancos), áreas alagáveis (largos, várzeas e baixadas), e baías, conforme SILVA, C.J. & SILVA , F. (1995). 124 As vazantes ou sangradouros apresentam diques marginais pouco desenvolvidos, cobertos com mata ciliar. Correspondem às porções deprimidas e alongadas, podendo atingir vários quilômetros de extensão. Interligam baías e rios entre si, utilizados como corredores de migração para os peixes na vazante e na enchente. Os corixos também são canais naturais, com escoamento temporário que se destacam na planície alagável, mas não apresentam diques marginais. São pouco extensos e profundos, mais ou menos estreitos, e de maior poder erosivo, conectam baías e rios. Funcionam como habitats de reprodução na estiagem e corredores migratórios nas cheias. Esse leque distribui-se ao longo da cotas topográficas médias de 100 a 200 m. Na Folha Cáceres (MIR-403), atinge cotas de 88 a 184 m, com caimento para o Rio Paraguai, destacando-se residuais de até 225 m (Morro das Éguas) Constitui-se de sedimentos da Formação Pantanal e insere Planícies Meandriformes e Fluviais, ao longo do Rio Cuiabá e de corixos, em Aluviões Atuais. A quebra da monotonia do relevo é devido a proeminências do embasamento, na forma de esporões alongados ou pontiagudos, esparsos, que se sobressaem em meio à superfície plana do sistema, principalmente no nordeste do leque. Na bacia do Rio Paraguai, o PCBAP (1997) identificou situações diferenciadas, ...“no leque dos Rios Paraguai e Jauru podem ser reconhecidas duas áreas distintas: a de extensão maior corresponde ao que se poderia chamar o antigo leque do Rio Paraguai, a segunda, situada à leste da primeira e sul da Serra das Araras, é constituída pelo atual Leque do Rio Paraguai”. O Leque do Paraguai-Jauru, delimita-se com o Sistema de Faixas Dobradas (Sd) da Província Serrana, e o atual Leque do Rio Paraguai, difunde-se a sul deste sistema, ambos os leques, inseridos na sub-região geográfica de Cáceres, constituindo o Pantanal de Cáceres. Apresenta um caimento topográfico principal de norte para sul, em direção ao vale do Corixo Grande (fronteira Brasil/Bolívia), entre as cotas de 98 e 129 m, na Folha Cáceres (MIR-403). Na Folha Morraria da Ínsua (MIR-417), o Leque do Paraguai-Jauru apresenta áreas alagáveis. Tem caimento topográfico geral norte-sul e espraiamento, para oeste e leste, com porções do segmento inferior, em submersão durante a maior parte do ano, com porções alagáveis, inclusive na vazante/estiagem. A planície da Vazante do Mamão se desenvolveu no segmento inferior do macro leque do Paraguai-Jauru, apresentando quilômetros de extensão e cerca de 4 km de largura, em média. Na direção norte-sul, configura um prolongamento de antigas várzeas do rio Paraguai, antes de seu redirecionamento leste-oeste, para novo nível de base local, à jusante da Província Serrana (Folha Cáceres- MIR-403). Esta planície compreende feições de páleo- canais colmatados. A região que corresponde ao atual Leque do Rio Paraguai, se desenvolve a sul da Serra das Araras, na Província Serrana associado aos Sistemas de Planície Meandriforme do Rio Paraguai (Pmd) e Lacustre/Palustre (L/P). Esta feição de leque coalesce com níveis mais rebaixados a leste e sudoeste, domínios em ‘bajada’ dos Sistemas de Leques Fluviais/Áreas Alagadas(Lq/Al) e de Lagos/Áreas Alagadas (Lg/Al) durante grande parte do ano. Este sistema desenvolve-se ao longo do Rio Paraguai, em trecho de curso encaixado, formando meandros que refletem controle estrutural local; maior largura e velocidade das águas no canal balizado por diques marginais, amplos com diversas bocas de ‘arrombamento’ e saídas de corixos que o conectam a lagoas e baías. O padrão de superfície de coalescência das planícies de inundação predomina neste segmento de curso e de leque do Rio Paraguai, englobando cordões marginais convexos, depósitos de diques marginais e de rompimento de diques marginais, depósitos de depressões, meandros abandonados, lagoas e 125 baías, baixos terraços, corixos e outras feições, muitas das quais não cartografadas na escala 1:1.500.000, segundo dados do RADAMBRASIL (1982) e do PCBAP (1997). Cabe destacar que a área de Leque atual do Rio Paraguai tem seus limites distintos, neste mapeamento, com relação aos mencionados preliminarmente pelo PCBAP (1997). Segundo o PCBAP, (1997, Vol. II, Tomo II-A), “no atual leque, o rio se divide em vários braços cujo principal é o chamado Bracinho que, junto com o Rio Paraguai, delimita a ilha de Taiamã (assim como os Rios Cuiabá e Piraim delimitam a Ilha do Piraim, no topo do Rio Cuiabá)...” Neste contexto, esclarece-se que, conforme dados de Hidrossedimentologia do PCBAP (op. cit.) neste mapeamento, incluiu-se também o trecho até a confluência de Riozinho do Uval com o Rio Alegre, conectadores entre as sub-bacias do Cuiabá e Paraguai. O sistema de leques na região do Rio São Lourenço faz parte de uma coalescência de leques formados pelos Rios Cuiabá, o próprio São Lourenço e o Taquari, mais a sul, que adentram a região deprimida do Pantanal, a partir das terras altas do Planalto dos Alcantilados. Esse leque corresponde a terrenos planos, levemente inclinados na direção sudoeste. Nota-se que essa unidade geomorfológica está sendo retrabalhada pela drenagem atual, como bem os denotam as planícies fluviais meandriformes do Rio São Lourenço. Ao deixar o planalto a leste, o Rio São Lourenço adentra a zona pantaneira, com direção ENE-WSW, em cotas ao redor de 150 m, apresenta um desnível acentuando, pouco superior a 20 m, contendo na Folha Ilha Camargo, cerca de 148 m de altitude, em seu segmento superior e 124 m no segmento inferior. Distribuído na sub-região geográfica norte pantaneira de Barão do Melgaço, esse rio configura a estrutura agradacional de leque, no Pantanal do São Lourenço. A zona de coalescência entre os segmentos médios e inferiores dos Leques do São Lourenço e do Cuiabá, se faz através do Sistema de Planície Aluvionar Meandrante e Lagos (Pmd/Lg) dos Rios Cuiabá e São Lourenço, que atua como área de interconexão entre os Sistemas de Leques, com tendência para a concavidade. O sistema de leques fluviais que ocorre na região do Rio Itiquira faz parte de uma