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FLUXO SANGUÍNEO CEREBRAL, LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO E METABOLISMO CEREBRAL capítulo 62 Guyton

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por causa da inércia, movimento relativo do encéfalo em relação ao crânio, criando durante 
fração de segundo um vácuo na caixa craniana na área oposta ao golpe. Depois, quando o crânio não está mais sendo 
acelerado pelo golpe, o vácuo de repente se colapsa, e o encéfalo se choca contra a superfície interior do crânio. Os polos 
e as superfícies inferiores dos lobos frontal e temporal, onde o cérebro entra em contato com protuberâncias ósseas na 
base do crânio, muitas vezes são locais de lesões e contusões após golpe grave contra a cabeça, como os sofridos por 
pugilista. Se a contusão ocorrer do mesmo lado do impacto, é chamada lesão por golpe; se ocorrer do lado oposto, a 
contusão é uma lesão por contragolpe. 
Golpe e contragolpe podem também ser causados pela rápida aceleração ou desaceleração isoladas na ausência de 
impacto físico devido a golpe na cabeça. Nesses casos, o cérebro pode ricochetear, na parede do crânio, causando 
contusão de contragolpe. Pensa-se que lesões como essa ocorrem na “síndrome do bebê sacudido” ou, por vezes, em 
acidentes de automóveis. 
 
FORMAÇÃO, FLUXO E ABSORÇÃO DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO 
 
O líquido cefalorraquidiano é formado na 
intensidade/velocidade de cerca de 500 mililitros 
por dia, o que é três a quatro vezes maior do que o 
volume total de líquido em todo o sistema 
liquórico. Em torno de dois terços ou mais desse 
líquido surgem como secreção dos plexos coroides 
nos quatro ventrículos cerebrais, principalmente 
nos dois ventrículos laterais. Pequenas 
quantidades adicionais de líquido são secretadas 
pelas superfícies ependimárias de todos os 
ventrículos e pelas membranas aracnoides. 
Pequena quantidade vem do cérebro pelos 
espaços perivasculares que circundam os vasos 
sanguíneos cerebrais. 
O líquido, secretado nos ventrículos laterais, passa 
primeiro para o terceiro ventrículo; então, depois 
da adição de quantidades mínimas de líquido, do 
terceiro ventrículo ele flui para baixo, seguindo o 
aqueduto de Sylvius para o quarto ventrículo, onde 
uma pequena quantidade de líquido é acrescentada. Finalmente, o líquido sai do quarto ventrículo por três pequenas 
aberturas, os dois forames laterais de Luschka e o forame medial de Magendie, adentrando a cisterna magna, o espaço 
liquórico que fica por trás do bulbo e embaixo do cerebelo. 
A cisterna magna é contínua com o espaço subaracnoide que circunda todo o encéfalo e a medula espinal. Quase todo o 
líquido cefalorraquidiano então flui da cisterna magna para cima pelo espaço subaracnoide que fica ao redor do cérebro. 
A partir daí, o líquido entra e passa por múltiplas vilosidades aracnoides que se projetam para o grande seio venoso 
sagital e outros seios venosos do prosencéfalo. Dessa forma, qualquer líquido em excesso é drenado para o sangue 
venoso pelos poros dessas vilosidades. 
 
 Secreção pelo Plexo Coroide: 
O plexo coroide é a proliferação de vasos sanguíneos em forma de couve-flor, coberta por fina camada de células 
epiteliais. Esse plexo se projeta para dentro do corno temporal dos ventrículos laterais, a porção posterior do terceiro 
ventrículo e o teto do quarto ventrículo. A secreção de líquido para os ventrículos pelo plexo coroide depende, em sua 
grande parte, do transporte ativo de íons sódio, através das células epiteliais que revestem o exterior do plexo. Os íons 
sódio, por sua vez, também puxam consigo grande quantidade de íons cloreto, porque a carga positiva do íon sódio atrai 
a carga negativa do íon cloreto. Esses dois íons combinados aumentam a quantidade de cloreto de sódio, osmoticamente 
ativo, no líquido cefalorraquidiano, o que então causa o transporte osmótico, quase imediato, de água através da 
membrana, constituindo-se, dessa forma, na secreção liquórica. Processos de transporte menos importantes trazem 
pequenas quantidades de glicose para o líquido cefalorraquidiano, e íons potássio e bicarbonato do líquido 
cefalorraquidiano para os capilares. 
Portanto, as características do líquido cefalorraquidiano que resultam são as seguintes: pressão osmótica quase igual à do 
plasma; concentração de íons sódio, também quase igual à do plasma; íons cloreto, cerca de 15% mais alta do que no 
plasma; íons potássio aproximadamente 40% mais baixa; glicose, cerca de 30% mais baixa. 
 
 Absorção do Líquido Cefalorraquidiano Através das Vilosidades Aracnoides: 
As vilosidades aracnoides são projeções microscópicas da membrana aracnoide em forma de dedos, que vão para o 
interior do crânio pelas paredes e para dentro dos seios venosos. Conglomerados dessas vilosidades formam estruturas 
macroscópicas chamadas granulações aracnoides, que podem ser vistas como protrusões nos seios. Foi mostrado por 
microscopia eletrônica que as células endoteliais que revestem as vilosidades apresentam vesículas, as quais passam 
diretamente pelos corpos celulares e são grandes o suficiente para permitir fluxo rela tivamente livre de (1) líquido 
cefalorraquidiano; (2) moléculas proteicas dissolvidas; e (3) até partículas do tamanho das hemácias e leucócitos 
diretamente para o sangue venoso. 
 
 Espaços Perivasculares e Líquido Cefalorraquidiano: 
As grandes artérias e veias do cérebro ficam na superfície dos hemisférios 
cerebrais, mas suas terminações penetram neles, carregando consigo uma 
camada de pia máter, a membrana que cobre o cérebro. A pia só adere 
frouxamente aos vasos, de tal forma que um espaço, o espaço perivascular, 
exista entre ela e cada vaso. Portanto, espaços perivasculares seguem 
tanto as artérias quanto as veias do cérebro até onde as arteríolas e 
vênulas vão. 
 
 Secreção pelo Plexo Coroide: 
O plexo coroide é a proliferação de vasos sanguíneos em forma de couve-flor, coberta por fina camada de células 
epiteliais. Esse plexo se projeta para dentro do corno temporal dos ventrículos laterais, a porção posterior do terceiro 
ventrículo e o teto do quarto ventrículo. A secreção de líquido para os ventrículos pelo plexo coroide depende, em sua 
grande parte, do transporte ativo de íons sódio, através das células epiteliais que revestem o exterior do plexo. Os íons 
sódio, por sua vez, também puxam consigo grande quantidade de íons cloreto, porque a carga positiva do íon sódio atrai 
a carga negativa do íon cloreto. Esses dois íons combinados aumentam a quantidade de cloreto de sódio, osmoticamente 
ativo, no líquido cefalorraquidiano, o que então causa o transporte osmótico, quase imediato, de água através da 
membrana, constituindo-se, dessa forma, na secreção liquórica. Processos de transporte menos importantes trazem 
pequenas quantidades de glicose para o líquido cefalorraquidiano, e íons potássio e bicarbonato do líquido 
cefalorraquidiano para os capilares. 
Portanto, as características do líquido cefalorraquidiano que resultam são as seguintes: pressão osmótica quase igual à do 
plasma; concentração de íons sódio, também quase igual à do plasma; íons cloreto, cerca de 15% mais alta do que no 
plasma; íons potássio aproximadamente 40% mais baixa; glicose, cerca de 30% mais baixa. 
 Pressão do Líquido Cefalorraquidiano: 
A pressão normal no sistema do líquido cefalorraquidiano, quando a pessoa está deitada em posição horizontal, 
chega em média a 130 mm de água (10 mmHg), embora essa pressão possa variar de 65 mm a 195 mm de água 
mesmo na pessoa normal e saudável. 
 Regulação da Pressão do Líquido Cefalorraquidiano pelas Vilosidades Aracnoides: 
A intensidade normal de formação do líquido cefalorraquidiano permanece muito próxima a valores constantes, 
tanto que alterações na formação do líquido raramente se refletem no controle da pressão. Por outro lado, as 
vilosidades aracnoides funcionam como “válvulas” que deixam o líquido cefalorraquidiano e seu conteúdo fluir 
facilmente para o sangue dos seios venosos, sem deixar o sangue fluir para trás, na direção oposta. 
Normalmente, essa ação de válvula das vilosidades permite que o líquido cefalorraquidiano comece a fluir para o 
sangue, quando a pressão liquórica é cerca de 1,5 mmHg mais alta