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Fato jurídico, ato e negócio jurídico 
A relação jurídica surge a partir de um vínculo entre duas ou mais pessoas, do qual 
provém direitos e deveres a ambas as partes. A situação jurídica pode ser descrita pelo 
conjunto dinâmico de duas circunstâncias em que se acham relacionadas duas ou mais 
pessoas. Ambas são extremamente dinâmicas, se transformando desde seu nascimento até 
sua extinção. 
Fato jurídico, por sua vez, é todo evento natural, ou toda ação ou omissão do homem, capaz 
de criar, extinguir ou modificar relações ou situações jurídicas. 
 Natural – não dependem do homem, mas trazem repercussões para ele. Ex: nascimento e morte. 
Fato jurídico 
 Humano – nascem com a atuação humana – ATO JURÍDICO* 
* Ato jurídico: é todo fato jurídico humano 
 Ato jurídico stricto sensu 
Ato jurídico Negócios jurídicos 
 Atos ilícitos 
Ato jurídico em sentido estrito: é toda ação lícita, não voltada para fim específico, cujos efeitos 
jurídicos são mais produto da lei que da vontade do agente. Pouco importa se o agente deseje 
tais efeitos, visto que eles derivam da lei. O ato jurídico possui dois elementos: uma ação 
humana combinada com o ordenamento jurídico. O que o diferencia dos negócios jurídicos é o 
fato de não ser ato de autonomia privada, gerador de efeitos que derivam da vontade do 
agente. Ex: registro de nascimento de uma criança. 
Negócio jurídico: é toda ação humana combinada com o ordenamento jurídico, voltada a criar, 
modificar ou extinguir relações ou situações jurídicas cujos efeitos vêm mais da vontade do 
agente do que da lei. Possuem vontade de resultado, enquanto os atos jurídicos em sentido 
estrito possuem apenas vontade de manifestação. São atos destinados à produção de efeitos 
jurídicos, desejados pelo agente e tutelados pela lei. Assim, nota-se que são atos da autonomia 
privada voltados à realização de necessidades dos agentes. O negócio jurídico deve ser 
analisado nos seguintes planos jurídicos: 
• Plano da existência, o negócio jurídico não surge do nada, exige-se para que seja 
considerado como tal, a observância de requisitos mínimos. 
• Plano da validade, o negócio jurídico deve ser perfeito, ou seja, ter aptidão legal para 
produzir efeitos. Logo, nem sempre a existência de um negócio significa sua perfeição. 
• Plano da eficácia, o negócio jurídico deve existir, ser perfeita a sua concepção, e apto à 
produção imediata de seus efeitos. Mas, há situações em que o negócio jurídico é limitado por 
elementos acidentais da declaração (condição, termo e modo ou encargo). 
Ato ilícito: é a conduta humana violadora da ordem jurídica. A ilicitude implica sempre quebra 
de dever jurídico e pode gerar várias conseqüências em inúmeros âmbitos do Direito. Como 
regra, só o ilícito culpável e lesivo gera responsabilidade civil, mas há exceções. 
Condições de validade dos atos jurídicos 
Um ato jurídico, para ser válido e produzir efeitos, deve estar inteiramente conforme à Lei 
e, para tanto, há quatro condições ou requisitos aos quais deve se submeter: 
1) Sujeito capaz; 
2) Objeto possível; 
3) Motivo lícito; 
4) Forma prescrita ou não defesa em lei. 
Por sujeito capaz, deve se entender todas as pessoas possuidoras de capacidade de fato, 
sendo essas a princípio aquelas maiores de 18 anos que não sejam interditadas, nem silvícolas. 
Sendo relativamente ou absolutamente incapazes, devem ser representadas ou assistidas 
pelos pais, tutor ou curador. Além da capacidade de fato, em algumas situações faz-se 
necessário também a presença da capacidade negocial, como no caso de necessidade de 
consentimento do cônjuge para a realização do negócio por pessoa casada em comunhão de 
bens. 
De acordo com o art. 3º do CC são considerados absolutamente incapazes: 
a) Os menores de 16 anos (art. 3º, I) – Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no. 
8069/90), até os 12 anos de idade incompletos considera-se a pessoa criança. Entretanto, os 
adolescentes até os 16 também são reputados absolutamente incapazes. 
b) Aqueles que sofrem de doença ou deficiência mental (art. 3º, II) – Trata-se de uma hipótese que o 
indivíduo é atormentado por uma patologia que o impede de praticar atos no comércio jurídico, tendo 
em vista o comprometimento do seu quadro cognitivo. Nesta hipótese a incapacidade deve ser 
reconhecida por meio da ação de interdição, prevista nos artigos 1.177 ao artigo 1186 do CPC. 
c) Os que por causa transitória não puderem exprimir sua vontade (art. 3º, III) – São elementos para a 
configuração dessa forma de incapacidade o caráter temporário e a impossibilidade total de expressão 
da vontade, os quais deverão ser verificados cumulativamente. (ex. coma). 
De acordo com o art. 4º do CC são considerados relativamente incapazes: 
a) Os maiores de 16 e menores de 18 anos (art. 4º, I); 
b) Os ébrios habituais e os viciados em tóxico (art. 4º, II); 
c) Os deficientes mentais que tenham o discernimento reduzido (art. 4º, II); 
d) Os excepcionais sem desenvolvimento mental completo (art. 4º, III) – A previsão da incapacidade 
relativa dos excepcionais tem como propósito proteger os atos praticados pelos agentes nessas 
situações, sem prejuízo de sua salutar inserção no meio social. 
e) Os pródigos (art. 4º, IV) – Esta modalidade de incapacidade deve ser decretada judicialmente por 
requisição do cônjuge ou familiar, já que o que se protege, com a incapacidade do pródigo, é 
exatamente o patrimônio da família, e não apenas o patrimônio do pródigo. De acordo com o art. 1782 
do CC “a interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, transigir, dar quitação, alienar, 
hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, em geral, os atos que não sejam de mera 
administração”. 
É bom lembrar que a senilidade não é causa de restrição da capacidade, ressalvada a hipótese de a 
senectude gerar um estado patológico, a exemplo da arteriosclerose. 
Objeto possível é aquele realizável, tanto material quanto juridicamente. O Código Civil de 
2002 declara que, além de possível, o objeto deve ser lícito e determinado ou determinável. 
Motivo é o conjunto de razões internas e subjetivas que levam um agente a praticar um ato. 
Assim, o motivo das partes deve ser lícito. No caso de motivo ilícito de uma das partes, desde 
que a outra parte não tenha conhecimento nem participação no mesmo, o negócio é válido. Já 
em uma situação em que o motivo ilícito é comum a ambas as partes, o negócio é dotado de 
defeito grave, sendo nulo. 
Os atos jurídicos devem obedecer a forma que a lei prescrever e quando ela nada determinar, 
deve ser realizado de forma que a lei não proíba. A forma poderá ser expressa ou tácita. A 
expressa será verbal, escrita ou mímica. Tácita é a realização do ato sem qualquer 
exteriorização da vontade, sem pronunciamento de qualquer palavra ou gesto. 
Silêncio: em regra, o silêncio é a ausência de manifestação de vontade, portanto, não produz 
efeitos. Mas, o Direito Brasileiro, na forma do art. 111, CC, admite em situações especiais que 
o silêncio traduza manifestação de vontade (“O silêncio importa anuência, quando as 
circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade 
expressa”). 
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: 
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; 
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; 
IV - não revestir a forma prescrita em lei; 
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; 
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; 
VII - a lei taxativamenteo declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. 
 
 Teorias explicativas do Negócio Jurídico 
 
a) Voluntarista (da vontade) – esta corrente afirma que o núcleo existencial do negócio é a 
vontade interna ou a intenção do declarante. O elemento produtor dos efeitos jurídicos é a 
vontade real, de forma que a sua declaração seria simplesmente a causa imediata do efeito 
perseguido. 
Uma forma de mitigar essa teoria foi a elaboração da teoria da responsabilidade, que diz 
respeito à proteção da vontade apenas quando o autor agiu com diligência e responsabilidade. 
Somente os erros que qualquer pessoa cometeria são protegidos. Busca uma forma de 
proteger a vontade do declarante que erra, mas sem exageros: o erro geraria a anulação do 
negócio somente acaso fosse desculpável. Se indesculpável (ou inescusável) o erro, o negócio 
permaneceria válido, não obstante o vício na vontade. 
 
b) Objetiva (da declaração) – esta segunda corrente afirma que o núcleo do negócio jurídico 
não é a intenção, não é a vontade interna, mas sim a vontade que se declara. Sustenta que o 
elemento produtor dos efeitos jurídicos é a declaração. A teoria da confiança diz que a 
declaração prevalece sobre a vontade, quando não poderiam ser colocadas em dúvida pelo 
destinatário. Nas hipóteses em que o declamatório tinha elementos para desconfiar 
(declarante/declaratório). 
Classificação dos atos jurídicos: 
a) Gratuitos e onerosos: atos jurídicos gratuitos são aqueles praticados independentemente 
de qualquer contraprestação. Os atos onerosos, ao revés, não se praticam por mera 
liberalidade. O agente espera que o pratica espera algo em retorno. 
b) Unilaterais, bilaterais ou plurilaterais: unilateral é o ato jurídico que se perfaz por uma só 
declaração de vontade. Um exemplo é o testamento. Bilaterais são os que exigem pelo menos 
duas declarações de vontade necessariamente conflitantes. Ocorre em situações de compra e 
venda. Plurilaterais são aqueles negócios nos quais há inúmeras manifestações de vontade não 
opostas, atuando em um mesmo sentido. A sociedade é um exemplo desse tipo de ato 
jurídico. 
c) Inter vivos e causa mortis – ato jurídico inter vivos é aquele destinado a produzir efeitos 
durante a vida das partes. Ex: locação, casamento, etc. Já o ato jurídico causa mortis pressupõe 
a morte de uma das partes para começar a produzir efeitos. Ex: testamento, seguro de vida. 
d) Formais e informais: informal é o ato para cuja realização basta a emissão livre de vontade, 
ou seja, a lei nada mais exige, além do consentimento, para que o negócio se considere 
perfeito. Formal é o ato para cuja realização a lei exige, de regra, a observância da forma 
escrita, exigindo uma formalidade para além do acordo de vontades. 
Modalidades dos atos jurídicos 
a) Atos jurídicos puros e simples: há apenas elementos essenciais e naturais, sem 
qualquer elemento acidental, ou seja, condição, termo ou encargo. 
 
b) Atos jurídicos condicionais: são aqueles cuja criação, modificação ou extinção de 
direitos e deveres estão subordinados ao implemento de uma condição. Ou seja, o ato só 
produzirá efeitos caso um evento futuro e incerto, que pode ou não ocorrer, se concretize. 
Condição: evento futuro e incerto, na maioria das vezes relacionado ao destino, fenômenos 
naturais, sendo, portanto, circunstâncias imprevisíveis. Geralmente, são usados os termos 
“se” ou “caso” para designá-los. Quando a condição não é cumprida, o negócio 
automaticamente tem sua vigência cessada. Existem dois tipos de condição: a suspensiva e a 
resolutiva. A condição suspensiva é aquela que subordina os efeitos do ato jurídico a seu 
implemento. Já na condição resolutiva, o ato pára de produzir efeitos, extinguindo-se com o 
implemento da condição. 
c) Atos jurídicos a termo: é o ato cujo início ou fim vêm determinados, precisados no 
tempo. 
Termo ou prazo: é a indicação do momento em que começa ou termina um ato jurídico. Trata-
se da previsão de um evento futuro e certo, sem que necessariamente se saiba a data em que 
ocorrerá. Há situações que lidam com um termo incerto: temos um termo futuro que 
certamente ocorrerá, mas não se sabe quando, como a morte de alguém. Assim, termo 
incerto é aquele que não se pode precisar a data, mas sabe-se que ocorrerá com certeza. 
d) Atos jurídicos modais ou com encargo: haverá esse tipo de ato quando o benefício 
conferido a uma pessoa vier acompanhado de um ônus, ou seja, um encargo. 
Encargo ou modo: é o ônus que pode sofrer o favorecido em ato jurídico gratuito e 
proveniente de decisões unilaterais. Geralmente, ocorre em uma situação de doação ou 
testamento. Evidentemente, esse ônus será bem menor do que o benefício; do contrário seria 
uma contraprestação. O encargo visa de alguma forma limitar a vantagem percebida pelo 
beneficiário. O beneficiário, quando aceita participar do negócio, deve cumprir o encargo 
previsto. No entanto, apesar de ser tal cumprimento exigível, no caso de descumprimento, o 
negócio não é declarado inválido. É exatamente nesse aspecto que os atos jurídicos modais se 
diferenciam dos atos jurídicos condicionais, uma vez que a validade do negócio é condicionado 
ao implemento da condição, enquanto o encargo não se encontra relacionado à validade do 
negócio. O encargo, quando ilícito ou impossível, é simplesmente considerado não escrito, ao 
menos que esse encargo possa ser o motivo do próprio negócio, quando o negócio em si será 
declarado inválido. 
Da Condição, do Termo e do Encargo 
Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade 
das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. 
Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública 
ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o 
negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. 
Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: 
I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; 
II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; 
III - as condições incompreensíveis ou contraditórias. 
Art. 124. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de 
não fazer coisa impossível. 
Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, 
enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. 
Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, 
fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela 
forem incompatíveis. 
Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio 
jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. 
Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a 
que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua 
realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, 
desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-
fé. 
Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento 
for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, 
não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu 
implemento. 
Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, é 
permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. 
Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. 
Art. 132. Salvodisposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, 
excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. 
§ 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o 
seguinte dia útil. 
§ 2o Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. 
§ 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no 
imediato, se faltar exata correspondência. 
§ 4o Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. 
Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos, 
em proveito do devedor, salvo, quanto a esses, se do teor do instrumento, ou das 
circunstâncias, resultar que se estabeleceu a benefício do credor, ou de ambos os contratantes. 
Art. 134. Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exeqüíveis desde logo, salvo 
se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. 
Art. 135. Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à 
condição suspensiva e resolutiva. 
Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando 
expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. 
Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o 
motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico. 
Defeitos dos negócios jurídicos 
Defeito é todo vício que macula o ato jurídico, tornando-o passível de anulação. Os defeitos 
mais sérios são considerados graves e são aqueles que podem viciar o tal de forma definitiva. 
Já os menos sérios são os defeitos leves e podem ser remediados pelas partes interessadas. 
A) defeitos graves: são aqueles que atingem os próprios requisitos de validade dos atos 
jurídicos, sendo previstos no art. 166 do CC. Dentre eles, os principais são a incapacidade 
absoluta do agente, a impossibilidade do objeto, a ilicitude do motivo determinante a ambas 
as partes e a inadequação da forma prescrita em lei. 
B) defeitos leves: são os que não atingem o negócio jurídico de forma definitiva, estando 
grande parte listada no art. 171 do CC, sendo alguns deles a incapacidade relativa do agente, 
os vícios do consentimento (erro, dolo, coação), o estado de perigo, a lesão e a fraude contra 
credores. 
 
*Vícios do consentimento: são todos os defeitos verificados a partir da declaração de vontade 
do agente feita de maneira defeituosa e por serem leves, admitem correção. 
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: 
I - por incapacidade relativa do agente; 
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra 
credores. 
DEFEITOS GRAVES 
 
1. Erro: ocorre quando o agente, por desconhecimento ou conhecimento equívoco das 
circunstâncias , atua de modo que não seria sua verdadeira vontade caso conhecesse a real 
situação. Assim, tem-se que o erro é a causa do negócio, vistos que sem o engano do agente, o 
ato não teria sido consolidado. O erro é um problema na qualidade do consentimento, sendo 
involuntário, e pode se dar na transmissão da declaração de vontade ou na construção da 
mesma. A divergência entre vontade e declaração é espontânea. Diante da figura erro, a 
vontade é em si deturpada ou não externada em sintonia com a real intenção do declarante. A 
falsa percepção da realidade, aqui, é fruto do engano surgido na mente do próprio indivíduo 
que declara sua vontade, sem que tenha ele sido induzido por outrem a idealizar a equivocada 
aparência sobre as circunstâncias do negócio viciado. 
Elementos 
Essencialidade -> confiança 
Escusabilidade: É importante lembrar que o erro deve ser escusável, isto é, poder ser 
facilmente cometido por qualquer pessoa mediana. O Código de 1916, que possuía como 
elemento a escusabilidade, permitia invocar o defeito e exigir a anulação devido ao equívoco 
cometido por uma pessoa que tivesse diligência compatível com a padrão. O sujeito que 
cometesse um erro imperdoável, isto é, aquele o qual seria claramente perceptível para 
qualquer pessoa, não seria escusável. 
Cognoscibilidade (possibilidade de conhecer o erro do negócio, isto é, ser perceptível que a 
outra parte se enganou: o negócio só tem defeito se a divergência entre vontade e declaração 
puder ser percebida pelo declaratário. 
Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de 
erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das 
circunstâncias do negócio. 
Art. 139. O erro é substancial quando: 
I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das 
qualidades a ele essenciais; 
II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de 
vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante; 
III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal 
do negócio jurídico. 
 
Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão 
determinante. 
 
Art. 141. A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é anulável nos mesmos 
casos em que o é a declaração direta. 
 
Art. 142. O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, 
não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a 
coisa ou pessoa cogitada. 
 
Art. 143. O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade. 
 
Art. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a 
manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade 
real do manifestante. 
 
2. Dolo: O dolo é uma conduta maliciosa tendente a provocar um descolamento entre a 
vontade e a declaração. É um erro maliciosamente provocado, provocando também um 
consentimento de baixa qualidade. Conduta ardilosa tendente a provocar um descolamento 
entre a vontade e a declaração.Consiste em práticas maliciosas levadas a efeito por uma das 
partes, no intuito de garantir que a outra emissão de vontade lhe traga proveitos. 
Freqüentemente, a figura do dolo se liga à do erro, visto que em muitas circunstâncias o erro 
ocorre após o agente ter sido levado ao engano pela outra parte. Há uma dupla causalidade: o 
dolo causa o engano, que é sinônimo de erro, e o erro causa o vício do negócio. Para que o 
dolo se configure, são necessários 3 requisitos, sendo eles: 
1) intenção de prejudicar por parte daquele que dá causa ao dolo; 
2) o uso de artifícios fraudulentos pela parte que age com dolo; 
Tais artifícios fraudulentos podem ser observados de acordo com sua gravidade. Nesse 
sentido, distingue-se o dolus bonus e o dolus malus. No dolus malus, a vontade de prejudicar 
está presente, e é este o dolo que importa para caracterizar um defeito no negócio jurídico. No 
dolus bonus, o agente apenas anuncia de forma exagerada as qualidades do objeto ou as 
vantagens do negócio, visando realmente beneficiar a outra parte. 
 
3) ser o dolo o motivo determinante para a configuração do negócio jurídico. Assim, se não 
fosse o dolo, o ato não se realizaria. 
Dolo recíproco: adoção de condutas maliciosas por ambas as partes do negócio jurídico; 
impede a atuação do Direito Civil. O Direito Civil se abstém nesse caso e deixa que a 
"esperteza" deles resolva a questão, sendo o ato considerado válido. 
Dolo de terceiro: ocorre quando o artifício ardil é pratica por uma terceira pessoa que não 
integra a relação jurídica. Quanto aos seus efeitos, temos duas hipóteses: a) se beneficiário da 
vantagem indevida tinha ciência do dolo ou tinha como saber, trata-se de dolo quetorna 
anulável o negócio; b) porém, se o beneficiário não tinha conhecimento da existência do dolo 
praticado pelo terceiro, de modo que o negócio é mantido válido e o terceiro provocador do 
dolo responderá pelas perdas e danos causados ao lesado. 
Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa. 
Art. 146. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental 
quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo. 
Art. 147. Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a 
respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, 
provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado. 
Art. 148. Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro, se a parte a 
quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso contrário, ainda que 
subsista o negócio jurídico, o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem 
ludibriou. 
Art. 149. O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a 
responder civilmente até a importância do proveito que teve; se, porém, o dolo for do 
representante convencional, o representado responderá solidariamente com ele por perdas e 
danos. 
Art. 150. Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular 
o negócio, ou reclamar indenização. 
3. Coação: Redução indevida da liberdade do declarante mediante uma ameaça. Consiste em 
violência empregada por uma parte, a fim de forçar a outra à consecução ato jurídico. A 
divergência entre vontade e declaração é perceptível pelo declarante, mas mesmo assim ele 
diz o que não quer dizer devido à ameaça que sofre. Ela se divide em duas formas: 
- relativa: forma de violência que ainda dá uma margem de liberdade para o declarante, ainda 
que restrinja suas possibilidades de comportamento divergente. 
- absoluta: há uma violência absoluta, a qual deixa o declarante à mercê daquele que o 
ameaça, pois não lhe resta nenhuma alternativa a não ser cumprir o que lhe foi ordenado. Ela 
elimina a declaração de vontade e torna o negócio inexistente. A ameaça tem que prometer 
um mal grave; eminente, injusto, a ameaça deve incidir sobre o declarante, um membro da 
família ou sobre o próprio patrimônio do declarante. 
 
Coação # Temor reverencial 
 
Temor reverencial é o receio resultante do respeito ou da estima que se dedica a alguém, 
normalmente uma autoridade, de modo que se tema causar qualquer desgosto ou 
aborrecimento ao terceiro. Segundo a opinião de Clóvis Beviláqua: “não sendo acompanhado 
de ameaças e violências, nem assumindo a forma de força moral irresistível, é influência do 
terceiro por si só é incapaz de viciar o ato”. 
Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao 
paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos 
seus bens. 
Parágrafo único. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o 
juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação. 
Art. 152. No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, 
o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade 
dela. 
Art. 153. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o 
simples temor reverencial. 
Art. 154. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou 
devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com 
aquele por perdas e danos. 
Art. 155. Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte 
a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação responderá 
por todas as perdas e danos que houver causado ao coato. 
 
DEFEITOS LEVES 
 
4. Estado de perigo: Defeito do negócio em que o sujeito, mediante a necessidade de se 
salvar, se submete a um negócio excessivamente oneroso, havendo um grave desequilíbrio 
entre as prestações das partes. A diferença entre a coação e o estado de perigo é que naquele 
a ameaça advém não de um indivíduo, mas sim de uma circunstância. São necessários três 
elementos para que esse defeito se configure: 
 
1) necessidade de se salvar; 
2) grave desproporção entre as prestações das partes; 
3) destinatário da declaração tem elementos necessários para saber que o declarante estava 
numa situação de perigo. Exige-se que ele possa conhecer a situação em que o declarante 
estava. 
Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de 
salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume 
obrigação excessivamente onerosa. 
Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz 
decidirá segundo as circunstâncias. 
5. Lesão: ocorre quando uma parte obtém lucro exagerado e desproporcional, aproveitando-
se da inexperiência ou da necessidade da outra parte. Dois são os elementos essenciais da 
lesão: 
Objetivo – manifesta desproporção ao valor da prestação oposta; 
Subjetivo – inexperiência ou estado de necessidade da pessoa. 
 
Presentes os dois requisitos, o contrato é passível de anulação. Dessa forma, mesmo que o 
beneficiado não tenha conhecimento da inexperiência ou do estado de necessidade da pessoa, 
ainda sim o negócio pode ser anulado, pois o legislador pátrio optou por uma postura 
protetiva e não punitiva. Caso o lesado receba um complemento da obrigação ou uma redução 
na contraprestação desproporcional, o negócio jurídico não será anulado. 
Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por 
inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação 
oposta. 
§ 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em 
que foi celebrado o negócio jurídico. 
§ 2o Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou 
se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. 
Há uma possibilidade de "salvação" do defeito denominado lesão. Havendo grave 
desproporção entre as prestações somado a uma fragilidade do sujeito prejudicado, o negócio 
tem lesão e pode ser anulado, a menos que o sujeito que se beneficiou desse negócio, o 
destinatário, se ofereça para eliminar o desequilíbrio. É conveniente que no caso de algum 
defeito, o mesmo seja corrigido de forma que o negócio cumpra o fim para o qual foi 
estabelecido. 
 
Vícios sociais 
 
1. Simulação: não é um vício do consentimento, e sim um vício social, tendo a ver com os fins 
perseguidos a partir da data da celebração. Na simulação absoluta, só há aparência. Os sujeitos 
constroem uma realidade que não tem contato com a realidade econômica dos negócios, 
tendo por objetivo enganar alguém a fim de se obter uma vantagem ilícita. A partir de sua 
descoberta, o negócio é decretado nulo. Já na relativa, há dois negócios, o negócio aparente, 
que não corresponde a nenhuma realidade, e o dissimulado que as partes realizaram ou 
queriam realizar, mas que é oculto às aparências. Tentam esconde-la, colocando em sua frente 
uma declaração falsa, fictícia. São consideradas suficientes para criar um defeito grave, 
podendo ser conduzido à nulidade. Na simulação relativa, há um negócio simulado que é falso, 
e um dissimulado que é verdadeiro. Se o negócio dissimulado, apesar de oculto entre as 
partes, for válido, preenchendo os requisitos de validade, pode ser mantido. 
Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na 
substância e na forma. 
§ 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: 
I - aparentarem conferir outransmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente 
se conferem, ou transmitem; 
II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; 
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. 
§ 2º Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio 
jurídico simulado. 
2. Fraude contra credores: é o vício social praticado com finalidade de prejudicar terceiros. O 
devedor desfalca dolosamente seu próprio patrimônio com a finalidade de ilidir o pagamento 
dos credores. Somente se configura se o devedor que praticar tais atos já era insolvente ou se 
por eles foi reduzido à insolvência. Para a caracterização da fraude exige-se, portanto, a 
efetivação de prejuízo aos credores. Este é o elemento objetivo da fraude. O Código Civil, 
porém, protege o adquirente de boa fé. Portanto, para sua caracterização exige-se que o 
adquirente tenha ciência da insolvência do devedor. Exige-se, pois, o consilium fraudis, que é o 
seu elemento subjetivo da fraude. Este conluio, porém, não exige prévio ajuste, bastando que 
o adquirente tenha a ciência da insolvência do devedor, ou seja, basta a má-fé. Presume-se a 
má-fé quando a insolvência do devedor for notória ou quando razões de parentesco ou 
amizade evidenciarem a ciência. Presumem-se fraudulentos os atos de remissão de dívidas, de 
transmissão gratuita de bens, de pagamento antecipado de dívidas vincendas e de constituição 
de garantias para credor quirografário. Podem pleitear a anulação do negócio os credores 
quirografários e aqueles cuja garantia se tornar insuficiente, mas somente os que já eram 
credores ao tempo dos atos fraudulentos. 
*Credor quirografário – é o credor que não possui direito real de garantia, seus créditos estão 
representados por títulos advindos das relações obrigacionais. Ex. cheque, duplicata, notas 
promissórias. 
Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os 
praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, 
poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. 
§ 1o Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. 
§ 2o Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação 
deles. 
Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, 
quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante. 
Art. 160. Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e 
este for, aproximadamente, o corrente, desobrigar-se-á depositando-o em juízo, com a citação 
de todos os interessados. 
Parágrafo único. Se inferior, o adquirente, para conservar os bens, poderá depositar o 
preço que lhes corresponda ao valor real. 
Art. 161. A ação, nos casos dos arts. 158 e 159, poderá ser intentada contra o devedor 
insolvente, a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros 
adquirentes que hajam procedido de má-fé. 
Art. 162. O credor quirografário, que receber do devedor insolvente o pagamento da 
dívida ainda não vencida, ficará obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se tenha de 
efetuar o concurso de credores, aquilo que recebeu. 
Art. 163. Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de 
dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor. 
Art. 164. Presumem-se, porém, de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis 
à manutenção de estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor 
e de sua família. 
Art. 165. Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em 
proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores. 
Parágrafo único. Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos 
preferenciais, mediante hipoteca, penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente na 
anulação da preferência ajustada. 
Diferença entre Simulação e reserva mental 
A simulação é espécie de divergência voluntária entre o intento real do declarante e 
seu comportamento declarativo: a vontade exteriorizada pelos simuladores é uma mentira 
para iludir terceiros. Os declarantes, em conluio, declaram querer algo, mas um querer 
diferente da vontade real para, iludindo terceiros, atingirem um fim diverso do realmente 
desejado. A simulação é o conluio para a prática de negócio meramente aparente, fictício. 
Normalmente, a simulação dá-se por utilização de "laranjas", pela alteração da datação de 
documentos ou pela própria modificação do conteúdo do negócio - por exemplo, simula-se 
uma compra e venda para ocultar a celebração de um pacto comissório; ou doa-se 
simuladamente uma propriedade a terceiro, apesar de não haver nenhum interesse na 
transmissão da propriedade. As consequências da simulação são drásticas: por infringir o 
interesse público na veracidade das declarações, o negócio simulado é nulo (art. 167, CC), 
cause prejuízos a terceiros ou à lei (simulação maliciosa) ou não (simulação inocente). 
A reserva mental, por sua vez, é a disparidade voluntária entre o declarado e o 
querido, pela qual o declarante não comunica ao declaratário sua real intenção. O declarante 
reserva para si o que realmente visa com a celebração do negócio. É diferente da simulação 
pela inexistência de conluio, mas por se tratar de divergência voluntária entre a vontade real a 
declarada, é vista por muitos autores como "simulação de uma pessoa só". Pela indicação do 
art. 110, CC, o negócio praticado com reserva mental é válido, se o declaratário desconhecia 
da reserva. 
Teoria clássica das nulidades 
De acordo com a doutrina, inválido é o ato jurídico que não produz efeitos, ou que, 
pelo menos, pode não os produzir. É o ato que contém defeito, em virtude do qual será nulo, 
anulável ou ineficaz. 
 Para a teoria clássica, as nulidades tem a ver com a ordem pública e por isso são 
ontologicamente mais graves, possuem uma essência diferente pois afeta valores comuns a 
toda a sociedade. O nulo não produz efeitos, visto que uma vez reconhecido, todos os efeitos 
produzidos anteriormente são extintos, retirando sua validade desde o início da vigência do 
negócio. Já o anulável tem seus efeitos cessados somente a partir de seu reconhecimento em 
diante. No entanto, é importante considerar que nem sempre a sentença que reconhece a 
nulidade consegue retirar os efeitos pretéritos do ato, assim como há situações em que a 
anulabilidade produz efeitos "ex tunc". Sendo assim, a sentença deve modular a eficácia a 
partir das circunstâncias dos casos, sendo que em alguns casos ela pode preservar a validade 
de um ato que possui defeito grave. 
Art. 177. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se 
pronuncia de ofício; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a 
alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade. 
Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do 
negócio jurídico, contado: 
I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; 
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se 
realizou o negócio jurídico; 
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade 
Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo 
para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato. 
 
A legitimidade para argüir um defeito grave é ampla. Já no caso de um defeito leve, 
somente as partes do contrato podem se manifestar. O defeito leve pode ser sanado, 
enquanto os defeitos graves não admitem convalescimento. Os defeitos leves só podem ser 
argüidosdurante um certo tempo, passado tal período, não pode haver manifestação no 
sentido de alterar o negócio. Os defeitos graves, por outro lado, podem a qualquer momento 
ser alegadas por uma qualquer interessado, dentre eles o Ministério Público, mas cabe o juiz 
seu pronunciamento. No entanto, ainda que caiba exclusivamente ao juiz se pronunciar a 
respeito das nulidades, este não poderá supri-las, visto que isso deve ser feito pelas partes do 
negócio.. Já no caso de defeitos leves, que são anuláveis, somente as partes possuem 
legitimidade para alegar as nulidades. 
Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer 
interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir. 
Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do 
negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido supri-las, 
ainda que a requerimento das partes. 
Consequências da anulação do negócio jurídico: 
Art. 182. Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se 
achavam, e, não sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente. 
 
* Evicção: consiste na perda da coisa objeto de contrato em razão de decisão judicial que 
acolhe reivindicação de terceiro. O alienante, nesse caso, é obrigado a indenizar o adquirente. 
 
Formas de reparação dos defeitos em negócios jurídicos 
 
CONFIRMAÇÃO: Declaração de vontade do possível prejudicado no sentido de confirmar o ato 
jurídico defeituoso, afirmando tácita ou expressamente que muito embora exista o defeito, o 
ato jurídico é de interesse das partes. Assim, os sujeitos cuidam de renovar a declaração de 
vontade sem o vício que o contaminou anteriormente. Afirma-se o desejo de manter o 
negócio, cuidando de contornar o defeito que o negócio continha, seja pela observância da 
forma, da licitude do motivo, da possibilidade do objeto ou ainda da capacidade do agente. 
Art. 173. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade 
expressa de mantê-lo. 
Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo 
devedor, ciente do vício que o inquinava. 
Art. 175. A confirmação expressa, ou a execução voluntária de negócio anulável, nos termos 
dos arts. 172 a 174, importa a extinção de todas as ações, ou exceções, de que contra ele 
dispusesse o devedor. 
 
CONVERSÃO: Não há possibilidade de convalescimento no defeito grave, mas ao invés de 
simplesmente decretar a invalidada, o intérprete deve se atentar pela possibilidade de 
conversão de um negócio em outro, isto é, observar se o negócio não preenche os requisitos 
para outro tipo de negócio, transformando-o. O intérprete, ao invés de qualificar o negócio de 
uma forma que conduziria a nulidade, o qualifica de tal modo a transformá-lo em outra 
espécie de ato jurídico. Um negócio jurídico que não possui os requisitos necessários é 
reestruturado na tentativa de garantir alguma eficácia ao negócio. 
REDUÇÃO: retira-se apenas a parte excessiva, mantém-se a natureza mas reduz-se o alcance 
do negócio, de forma que ele possa continuar sendo válido. 
Ex: O CC dispõe que ninguém pode doar a totalidade do seu patrimônio sem reservar o mínimo 
necessário para sua sobrevivência, ou seja, é proibida a doação universal. Doando-se a 
totalidade do patrimônio, faz-se uma redução do elemento que seria doado totalmente a fim 
de se preservar uma quantia razoável à manutenção do doador. 
Quase sempre quando negócio que possuir efeito no plano da validade, terá também no plano 
da eficácia. No entanto, podem ocorrer situações em que o plano da validade e da eficácia se 
deslocam, podendo haver negócios válidos e ineficazes e vice-versa 
 nenhum de seus efeitos é preservados. Já o anulável, somente a partir da sentença que 
Interpretação dos negócios jurídicos 
Interpretar um negócio jurídico consiste em fazer dele uma leitura mais adequada, de modo a 
encontrar a melhor solução para o caso concreto que se estiver sendo analisado. Assim, caberá 
ao estudo interpretativo se basear em valores consagrados na CF, assim como em princípios. 
 Quando houver divergência entre a vontade declarada e a real, a hermenêutica deve atuar a 
fim de propor uma solução ao caso, sendo recomendável que se busque a vontade das partes, 
partindo da declaração para atingir a vontade real, se baseando em valores consagrados na 
Constituição, bem como em princípios e regras. 
1. Princípios 
- autonomia: princípio que garante às partes o poder de manifestar a própria vontade, 
estabelecendo o conteúdo e a disciplina das relações jurídicas de que participam. Nesse 
sentido, há a possibilidade de invocá-lo na interpretação de um negócio jurídico. 
 
- boa fé: padrão apto à satisfação dos anseios da outra parte, impõe aos contratantes um 
modelo de comportamento, observando certos deveres em sua conduta, como a lealdade, 
transparência e honestidade, tanto na fase de formação quanto na execução do negócio. O 
princípio da boa fé visa impedir o cumprimento cínico das relações, que só observa a letra do 
contrato, indicando um mecanismo correto de cumprimento das obrigações, pela primazia da 
materialidade sobre a formalidade. Faz com que os contratantes obtenham a legítima 
satisfação de suas expectativas, tendo suas intenções substanciais das partes. análise subjetiva 
da intenção, do estado de espírito do sujeito para que seja possível sua proteção. O código civil 
de 2002 se utiliza do conceito objetivo de boa fé para tentar transformar o meio negocial, 
forçando a utilização de certos mecanismos. Já o conteúdo subjetivo é observado na 
preocupação com a intenção do agente, de forma a protegê-la. O casamento putativo e o 
instituto do usucapião são exemplos de situações em que o Código Civil, com base na boa fé 
subjetiva, pode proteger a intenção do indivíduo. 
- igualdade: quando houver uma distinção discriminatória no negócio jurídico, tal circunstância 
discriminatória deve ser afastada. 
- conservação dos negócios: ninguém elabora um negócio jurídico a não ser que deseje certa 
eficácia, sendo corolário da autonomia privada a expectativa de produção de efeitos. 
O Código Civil não fornece muitos mecanismos de interpretação dos negócios 
jurídicos. Algumas pistas podem ser encontradas em artigos como o 112, 113 e 114. O art. 112 
possui como objetivo solucionar as hipóteses de divergência entre a vontade e a declaração. 
Ele "fica em cima do muro", investigando a vontade consubstanciada com uma declaração e 
orienta o intérprete a se atentar mais para a intenção do que para o sentido literal das 
palavras. O art. 113 consagra a boa fé com toda a amplitude, fazendo uma referência também 
aos usos do lugar como critério de interpretação do negócio, facilitando sua compreensão. As 
cláusulas do contrato devem ser analisados conforme o costume local do ambiente da 
celebração do mesmo. O art. 114 prevê que não se admite a interpretação extensiva em 
negócios gratuitos, movidos pela liberalidade. Assim, tem-se que negócios benéficos devem 
ser interpretadas restritivamente. A doação, por exemplo, que trata de um negócio em que o 
autor não recebe não em troca, deve ser interpretado de forma bem estrita. O art. 47 do 
Código de Defesa do Consumidor também traz um regra referente à interpretação dos 
negócios, estatuindo que os contratos devem ser interpretados favoravelmente ao 
consumidor. 
É importante salientar que ainda que se considere interpretação como o respeito ao 
conteúdo da vontade e integração como os respectivos efeitos dessa, não se pode tomá-las 
isoladamente no âmbito prático, visto que atualmente a integração é considerada como um 
dos processos da interpretação.

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