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POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 0 POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 1 Sumário PRINCÍPIOS BÁSICOS + EXTRATERRITORIALIDADE ..................................................................... 2 INFRAÇÃO PENAL ..................................................................................................................... 10 FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS ............................................................................................ 13 IMPUTABILIDADE PENAL .......................................................................................................... 29 CONCURSO DE PESSOAS .......................................................................................................... 31 NOTA DE ESTUDO: nesse PDF iremos abordar os principais pontos da parte GERAL do Direito Penal que é cobrado em provas para Agente e Escrivão de Polícia Civil. A parte ESPECÍFICA de Direito Penal será tratada em um PDF a parte, contendo todos os artigos e leis cobradas no edital. Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, aqui seguem nossas redes sociais: Carlos Sobrinho - @sobrinhoqc Bruno Aguiar - @brunoaguiaaar Jeferson Aguiar - @jefersondeaguiarsilva POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 2 PRINCÍPIOS BÁSICOS LEGALIDADE: Art. 1º Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. Pelo princípio da legalidade podemos tirar as seguintes conclusões: Proíbe a RETROATIVIDADE DA LEI PENAL; Proíbe a criação de crimes e penas pelos costumes; Proíbe incriminações vagas e indeterminadas. LEMBRAR QUE: Art. 5º, XL - a lei penal não retroagirá, salvo para BENEFICIAR o réu. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL: o estado não pode punir uma pessoa por uma conduta não prevista em lei como crime. PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE: somente o autor do delito pode sofrer a sanção penal. PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA: é o princípio segundo o qual somente se deve recorrer ao direito penal quando exauridos todos os meios alternativos de controle social, evitando assim a inflação legislativa. PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE: basicamente esse princípio zela por proteger os bens jurídicos mais relevantes. PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL: condutas que apesar de previstas nos elementos descritivos da norma penal, perdem a força como conduta reprovável porque passam a estar socialmente adequadas. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 3 UM DOS PRINCÍPIOS MAIS COBRADOS EM PROVA: PRINCIPIO DA INSIGNIFICÂNCIA: A conduta somente configura um fato típico se a lesão ao bem jurídico possuir o mínimo de relevância, a tutela penal deve ser o último caminho (ultima ratio) e NÃO SE PRESTA A PUNIR SITUAÇÕES IRRELEVANTES. CARACTERÍSTICAS DAS NORMAS PENAIS: Exclusividade: somente lei pode definir crimes; Anterioridade: deve ser anterior ao fato delitivo; Imperatividade: o seu descumprimento acarreta a imposição da pena; Generalidade: destina-se a todos; Impessoalidade: não se refere a pessoas determinadas. NORMAS PENAIS EM BRANCO: As normas penais em branco (cegas, abertas ou imperfeitas) são aquelas de conteúdo incompleto, exigindo complementação; Em sentido lato (homogênea): é aquela cujo conteúdo deve ser complementado por normas de categoria hierárquica idêntica. Em sentido estrito (heterogênea): é aquela cujo complemento pode ser uma norma de hierarquia diversa da norma penal. CONFLITOS DE NORMAS PENAIS Segundo Rogério Greco: o conflito aparente de normas penais é aquele que ocorre quando duas normas aparentam incidir sobre o mesmo fato. Ele é dito aparente, pois na verdade não existe conflito algum – efetivamente, não existe um conflito ao se aplicar a norma ao caso concreto. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 4 PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE: Tipo penal especifico prevalece sobre o tipo penal genérico. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE O princípio da subsidiariedade é um pouco mais complexo. Aqui, temos uma norma subsidiária e uma norma primária, e só se aplica a norma subsidiária caso a norma primária não possa ser aplicada. Tipo penal primário - prevalece sobre o tipo penal subsidiário Em termos mais simples: temos uma norma menos grave (subsidiária), que descreve um crime autônomo, e uma norma mais grave (primária), que descreve uma segunda conduta e que prevalecerá sobre aquela. Existe uma diferença sutil entre a subsidiariedade e a especialidade: no caso da subsidiariedade, não temos uma relação de gênero e espécie. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO O princípio da consunção está diretamente relacionado com a absorção de um delito por outro. Ou seja, existe uma relação de fins e meios (um delito é o meio para que se chegue ao outro) ou mesmo de necessidade (um crime é uma fase para o outro, sendo necessária sua execução para que se pratique o segundo tipo penal). Via de regra, é o crime mais grave que absorverá o menos grave. Exemplo clássico.: crime de homicídio. Para matar alguém, necessariamente o agente irá perpetrar lesões corporais na vítima, sendo esse delito considerado como o crime de passagem. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 5 PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE Aqui temos um tipo penal chamado de misto alternativo (cuja conduta possui várias formas, ou seja, vários verbos). RESUMO: delito com vários núcleos em um mesmo contexto resultam na responsabilização por um único crime. Por força do princípio da alternatividade, mesmo que um indivíduo chegue a produzir, trazer consigo e a vender drogas, num mesmo contexto fático, NÃO RESPONDERÁ POR TRÊS DELITOS, E SIM POR UM ÚNICO DELITO DE TRÁFICO. ANALOGIA: ocorre quando, em casos de lacuna de lei, utiliza-se a norma de um caso semelhante ao outro que não está previsto em lei. Somente é admitida: ANALOGIA IN BONAM PARTEM, isto é, quando for benéfica ao acusado, ou seja, a analogia NÃO PODE ser utilizada para prejudicar o réu, como quase tudo no nosso Direito Penal. Exemplo.: Art. 33 da Lei n. 11.343/2006 (Lei de Drogas): Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 6 APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO: Teoria da atividade: Tempo Do Crime: considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado; Teoria da Ubiquidade: Lugar do Crime: será considerado lugar do crime tanto o lugar da ação ou omissão quanto o lugar em que se produziu ou deveria produzir-se o resultado. CARACTERÍSTICAS DA ULTRATIVIDADE: Ultratividade: significa que a lei será aplicada a um fato cometido no período de sua vigência, mesmo após a sua revogação. Nas leis penais excepcionais e temporárias, a ultratividade ocorrerá sempre, AINDA QUE PREJUDIQUE O ACUSADO. Lei Excepcional: é aquela que vigora por tempo indeterminado, enquanto durar a situação excepcional: EX: guerra, situação de calamidade e tempo indeterminado. Lei temporária: é aquela que surge para vigorar por tempo previamente estabelecido, isto é, com começo e com fim pré-fixado, são leis autor revogáveis. EX: lei que dura durante a Copa do Mundo, por exemplo. BIZU: LUTA LUGAR = UBIQUIDADE TEMPO = ATIVIDADE EXEMPLO: deixando de vigorar uma lei penal excepcional ainda que o episódio deixe de ser considerado criminoso, o sujeito que o cometeu continuará a ser processado penalmente. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 7 ELEMENTOS DO TERRITÓRIO NACIONAL O solo ocupado pela nação; Os rios, os lagos e os mares interiores e sucessivos; Os golfos, as baias e os portos; A faixa de mar exterior,que corre ao largo da costa e que constitui o mar territorial; A parte que o direito atribui a cada estado sobre os rios, lagos e mares fronteiriços; Os navios nacionais; O espaço aéreo correspondente ao território; As aeronaves nacionais; TODOS ESSES SÃO DENOMINADOS “TERRITÓRIO BRASILEIRO POR EQUIPARAÇÃO” § 1º Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. § 2º É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil. EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA: PRINCÍPIO DA DEFESA REAL, OU DE PROTEÇÃO: Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: Os crimes: a) contra a VIDA OU A LIBERDADE do Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; CAI DEMAIS EM PROVA: Súmula n. 711 do STF: A Lei Penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 8 c) contra a Administração Pública, por quem está a seu serviço; PRINCÍPIO DA JUSTIÇA UNIVERSAL: d) de GENOCÍDIO, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA: Os crimes: a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; PRINCÍPIO DA NACIONALIDADE OU PERSONALIDADE: b) praticados por brasileiro; PRINCÍPIO DA REPRESENTAÇÃO c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. EXTRATERRITORIALIDADE HIPER CONDICIONADA: § 3º A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: a) não foi pedida ou foi negada a extradição; b) houve requisição do Ministro da Justiça. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 9 Art. 8º A pena cumprida no estrangeiro ATENUA A PENA IMPOSTA NO BRASIL PELO MESMO CRIME, QUANDO DIVERSAS, ou nela é COMPUTADA, quando IDÊNTICAS. Art. 10. O dia do começo INCLUI-SE NO CÔMPUTO DO PRAZO. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário COMUM. Art. 11. Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 10 INFRAÇÃO PENAL Conceito: Infração Penal é TODA CONDUTA JÁ PREVISTA EM LEI COMO ILÍCITA, convencida de culpabilidade, ou seja, praticada pela pessoa com dolo ou culpa e que ofenda um bem jurídico ou de terceira pessoa. O Estado tem o direito de proibir e impor uma pena para quem cometer o ato. Esta pena pode ser de reclusão, detenção, prisão simples ou multa. Infração Penal é uma ofensa real ou potencial a um bem jurídico, levando-se em consideração os elementos subjetivos do tipo, a ilicitude e a culpabilidade. Elementos da infração penal: Tipicidade: o fato deve estar descrito (tipificado) na legislação penal. O comportamento do sujeito ativo ou agente (o que ofendeu um bem jurídico ou terceiros) deve coincidir com a descrição do crime. Ilicitude: o fato deve ser contra a norma jurídica, ou seja, contra a lei, ilegal (ilícito). Culpabilidade: o fato ser praticado com certo grau de intenção pelo agente ativo. Espécies de infração penal A infração penal é gênero que abrange como espécies as CONTRAVENÇÕES PENAIS e os CRIMES, sendo estes últimos também identificados como delitos. Penas Reclusão Detenção Prisão Simples Multa POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 11 CRIMES X CONTRAVENÇÕES Crimes Contravenções Tentativa Punível NÃO CABE TENTATIVA Extraterritorialidade Aplivável NÃO APLICA Tempo Máximo de Pena 30 anos 5 anos Penas Reclusão ou detenção Prisão SIMPLES ou MULTA Contravenção e crime/delito: Contravenção: É uma infração penal tipificada como ilícita de MENOR POTENCIAL OFENSIVO, punida com prisão simples não superior a cinco anos ou multa, ou ambas. Crime/ delito: É uma infração penal tipificada como ilícita de MAIOR POTENCIAL OFENSIVO, punida com pena de reclusão ou detenção, podendo incluir multa cumulativa ou alternativa. ATENÇÃO! INFRAÇÃO PENAL NÃO É SINÔNIMO DE CRIME. Os principais tipos de crime são: Crime comum: é aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa. Crime próprio: O agente ativo possui condição especial que permita cometer o crime. Exemplo: corrupção ativa: Só pode ser cometido por funcionário público. Crime de mão própria: O crime só pode ser praticado apenas pela pessoa, sem intermediário, não admitindo coautoria. Exemplo: falso testemunho. SUJEITO ATIVO é o agente que pratica o fato previsto na norma penal incriminadora. Em regra, só o homem - pessoa física - pode ser sujeito ativo de delito. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 12 Todavia, com a lei 9.605/98, AS PESSOAS JURÍDICAS TAMBÉM PRATICAM CRIMES (por exemplo, CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE). SUJEITO PASSIVO é o titular do bem jurídica lesado ou ameaça pela conduta do sujeito ativo. Pode ser sujeito passivo: a pessoa física, a pessoa jurídica e o nascituro (feto). O Estado SEMPRE SE APRESENTA COMO SUJEITO PASSIVO. Além disso, pode ser sujeito passivo eventual, tal como ocorre nos crimes contra a Administração Pública. A pessoa jurídica pode ser vítima de diversos delitos, desde que compatíveis com a sua natureza. Assim como diversos crimes que podem ser praticados contra incapazes, e inclusive contra o nascituro, como é o caso do aborto. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 13 O FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS O brasil adota a TEORIA TRIPARTITE, é muito importante saber: O fato típico pode ser definido como uma AÇÃO ou uma OMISSÃO humana; A conduta é um dos elementos do fato típico! HANS WELZEL definiu a conduta como um comportamento humano voluntário, psiquicamente dirigido a um fim. FATO TIPICO: Elementos: Conduta Nexo de causalidade Resultado Tipicidade FATO TÍPICO ANTIJURÍDICO (ILÍCITO) CULPÁVEL CRIME POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 14 Conduta: DOLOSA ou CULPOSA, constituem o denominado elemento subjetivo do tipo, assim para que um determinado fato seja considerado típico, é necessário que o ato tenha sido praticado dolosa ou culposamente. Nexo de causalidade: é o elo que se estabelece entre a conduta do agente e o resultado, por meio do qual é possível dizer se uma determinada conduta deu ou não causa ao resultado. Resultado: pode ser naturalístico: prova resultado no mundo exterior. Jurídico: alguns crimes não trazem resultado naturalístico, isto é, alteração no campo dos fatos, no mundo exterior. Tipicidade: consiste na adequação com relevância jurídica da conduta nos elementos descritivos de uma determinada normal penal incriminadora. CRIME CONSUMADO Quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal” (art. 14, I, CP); Amigos, é a realização plena dos elementos constantes do tipo legal; EXEMPLO SIMPLES: homicídio simples, artigo 121 do Código Penal: “Matar alguém”. Se Carlos matar alguém, ele comete homicídio simples, pois os elementos previstos na lei, foram cumpridos. CRIME TENTADO “Quando, iniciada a execução,não se consuma por circunstâncias ALHEIAS À VONTADE DO AGENTE” (art. 14, II, CP); Atente-se à parte marcada em vermelho. Realização incompleta do tipo legal; EXEMPLO SIMPLES: o agente tem cinco projéteis e dispara todos, mas os médicos conseguem salvar a vida da vítima. PENA DO CRIME TENTADO: Regra Geral: “Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços)” (art. 14, II, parágrafo único, do CP). POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 15 Vamos observar agora a Classificação Doutrinária da tentativa: Tentativa Imperfeita - o agente não termina a execução por motivos alheios a sua vontade, por exemplo: alguém desarmar o agente. Já a tentativa perfeita - o agente termina a execução e mesmo assim o crime não se consuma por motivos alheios a sua vontade. Não foi perfeita porque deu certo, afinal o crime não se consumou, mas foi perfeita porque todos os atos de execução dos quais o agente dispunha foram realizados. EXEMPLO: o agente tinha cinco tiros, deu os cinco tiros, mas a vítima foi socorrida, ou os cinco tiros pegaram na parede. Tentativa Incruenta: também chamada de BRANCA, acontece quando o objeto material (pessoa ou coisa) não é atingido. EXEMPLO: no crime de homicídio, um golpe de faca é desferido, mas não atinge o corpo da vítima, não gerando lesão efetiva, palpável à integridade corporal do ofendido. Tentativa Cruenta: também chamada de VERMELHA, a vítima é efetivamente atingida. Aqui, o golpe de faca efetivamente atinge a vítima, ainda que não seja suficiente para causar a morte pretendida no crime de homicídio. Tentativa idônea: é aquela que deriva de uma conduta capaz de atingir o bem protegido penalmente. Para ser punível, a tentativa deve ser idônea. Tentativa inidônea: “Também conhecido por crime impossível, ou tentativa impossível, inútil, inadequada ou quase crime, é a tentativa não punível, porque o agente se vale de meios absolutamente ineficazes ou volta-se contra objetos absolutamente impróprios, tornando impossível a consumação do crime”. EXEMPLOS: atirar, para matar, contra um cadáver (objeto absolutamente impróprio) ou atirar, para matar, com uma arma descarregada (meio absolutamente ineficaz). DICA: associe o nome “Tentativa Vermelha” ao derramamento de sangue na ação, fica fácil de diferenciar a branca da vermelha assim, na vermelha há derramamento de sangue. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 16 “Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime” (Art. 17, CP). UM BREVE RESUMO SOBRE QUAIS CRIMES NÃO ADMITEM TENTATIVA: MACETE: Nem tenta me chamar pra tomar um CCHOUP: • Contravenção • Culposos • Habituais • Omissivos Próprios (Impróprios cabem tentativa) • Unissubisitentes • Preterdolosos Contravenções penais: (art. 4º, da LCP) que estabelece não ser punível a tentativa. Crimes culposos: nos tipos culposos, existe uma conduta negligente, mas não uma vontade finalisticamente dirigida ao resultado incriminado na lei. Não se pode tentar aquilo que não se tem vontade livre e consciente, ou seja, sem que haja dolo. Crimes habituais: são aqueles que exigem uma reiteração de condutas para que o crime seja consumado. Cada conduta isolada é um indiferente para o Direito Penal. Crimes omissivos próprios: o crime estará consumado no exato momento da omissão. Não se pode admitir um meio termo, ou seja, o sujeito se omite ou não se omite, mas não há como tentar omitir-se. No momento em que ele devia agir e não age, o crime estará consumado. Atento ao ponto a seguir: SEMPRE tem uma questão dessa na prova: é INADIMISSÍVEL a tentativa nos crimes OMISSIVOS PRÓPRIOS, porém, é CABÍVEL a tentativa nos crimes OMISSIVOS IMPRÓPRIOS. Mas por quê? No crime omissivo impróprio, o agente tem um dever especifico (art. 13 § 2º C.P) chamado garantidor, e responde pelo resultado. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 17 Crimes unissubsistentes: são aqueles em que não se pode fracionar a conduta. Ou ela não é praticada ou é praticada em sua totalidade. Deve-se ter um grande cuidado para não confundir esses crimes com os formais e de mera conduta, os quais podem ou não admitir a tentativa, o que fará com que se afirme uma coisa ou outra é saber se eles são ou não unissubsistentes. Crimes preterdolosos: são aqueles em que há dolo no antecedente e culpa no consequente. Crimes de atentado: são aqueles em que a própria tentativa já é punida com a pena do crime consumado, pois ela está descrita no tipo penal. Crimes de mera conduta também não admitem tentativa! DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA X ARREPENDIMENTO EFICAZ X ARREPENDIMENTO POSTERIOR Desistência voluntária: na desistência voluntária, o agente, embora tenha iniciado a execução, não a leva adiante, desistindo da realização da ação. RESPONDE APENAS PELOS ATOS JÁ PRATICADOS Arrependimento eficaz: é semelhante à desistência, a diferença é que no arrependimento, o agente já praticou todos os atos para atingir o resultado, mas interfere impedindo a consumação do crime. Com exemplos fica mais fácil: O meliante ingressa numa casa para subtrair os bens dos donos que estão fora e lá dentro desiste da ação, saindo sem subtrair nada. Ou até o caso do agente que efetua apenas um disparo ou um golpe e, dispondo ainda de munição e tendo a vítima a sua mercê, voluntariamente não efetua novos disparos ou não desfere novos golpes contra seu desafeto. Com exemplos fica mais fácil: Marta administra um veneno na comida de Antônio para que ele venha a óbito, o mesmo come e vem a passar mal, Marta arrependida fornece um antídoto a Antônio impedindo assim a consumação do crime. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 18 RESPONDE APENAS PELOS ATOS JÁ PRATICADOS Arrependimento posterior: o agente já consumou o delito, restando-lhe, agora, a reparação do dano ou a restituição da coisa, tudo isso, se possível, até o recebimento da denúncia ou queixa. Veja bem, aqui não se trata sobre impedir o resultado, mas sim de reparar o dano ou restituir a coisa. Atente-se a esses fatos importantes de prova sobre arrependimento posterior: Crimes cometidos SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA À PESSOA; Não existe no crime de roubo, por exemplo. Reparado o dano ou restituída a coisa, ATÉ O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA OU DA QUEIXA. Pena será reduzida de UM A DOIS TERÇOS; DO CRIME DOLOSO Art. 18. Diz-se o crime doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Art. 18, Parágrafo único. Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. Ou seja, via de regra a punição no Direito Penal se dá pela forma dolosa, SALVO OS CASOS ESPECIFICAMENTE PREVISTOS EM LEI! DO CRIME CULPOSO O crime será culposo, quando o agente deu causa ao resultado, por IMPRUDÊNCIA, NEGLIGÊNCIA OU IMPERÍCIA. Com exemplos fica mais fácil: Um sujeito te furta o celular no ônibus, após um tempo ele devolve o celular a você. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 19 Imprudência: é a ausência de dever de cuidado, consistente em um fazer, é a ação exagerada, excessiva. Consiste em um descuido do representado por algo que não poderia ter sido realizado Negligência: é a ausência de um dever de cuidado, consistente em um deixa de fazer. É o esquecimento, a omissão de cautela necessária, a desatenção, o descuido em relação a algo Imperícia: é a falha em relação as normas técnicas básicas de profissão, de atividade, ou de oficia, seja porque o agente imperito não tinha o conhecimento básico que deveria ter, seja porque lhe faltou a experiencia em relação a situações simples da tarefa ou função CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES DOS CRIMES CULPOSOS Conduta humana voluntária defazer (ação) ou não fazer (omissão) Inobservância do dever de cuidado objetivo, por imprudência, negligencia ou imperícia Ausência de previsão Resultado involuntário Culpa Consciente: é aquela em que o resultado é previsto, embora o agente não aceite que irá ocorrer. Culpa inconsciente: é a culpa sem previsão, em que o agente não prevê o que era previsível. Culpa própria: essa é a culpa propriamente dita, quando o agente não quer o resultado e não assume o risco de produzi-lo, mas ele ocorre − por imprudência, negligência ou imperícia. Vou ilustrar um exemplo de culpa consciente: veja bem, suponha que você está atrasado para o trabalho e decide sair em alta velocidade de carro, ao passar por uma zona escolar (na qual você deveria dirigir com mais atenção e velocidade menor), você não diminui, pois acredita que pode até acontecer algo, mas suas habilidades ao volante impediriam um acidente ou um atropelamento. Em resumo, você sabe do risco, mas acha que conseguirá impedi-lo. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 20 Culpa imprópria: A culpa imprópria se verifica quando o sujeito prevê e deseja o resultado, mas atua em erro vencível. Esse tipo de culpa ocorre na hipótese de uma descriminante putativa em que o agente, em virtude de erro evitável pelas circunstâncias, dá causa dolosamente a um resultado, mas responde como se tivesse praticado um crime culposo. Crime preterdoloso: é uma espécie de crime qualificado pelo resultado, o agente quer praticar um crime, mas acaba excedendo-se e produzindo culposamente um resultado mais gravoso do que o desejado. ERRO DE TIPO Art. 20. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. O erro de tipo, propriamente dito, é somente aquele em que O AGENTE SE EQUIVOCA SOBRE UM ELEMENTO QUE CONSTITUI O TIPO PENAL. EXEMPLO: “Uma pessoa, numa caçada, crê que mata um animal, mas acaba por atingir um ser humano agachado na mata.” OK, a CULPA IMPRÓPRIA parece um pouco complicada, mas fica mais simples com um exemplo, veja: “O agente está em casa, à noite, e ouve um barulho; assustado, supõe que o barulho tenha sido ocasionado por um ladrão e dispara contra o vulto. Após o disparo, constata que o disparo, que não resultou em morte, foi efetuado contra um guarda noturno.” Esse é um caso clássico de CULPA IMPRÓPRIA, nesse caso, o agente agiu com dolo, certo? Ele QUIS atingir o vulto, porém, ele acreditava estar em uma situação que justificava sua atitude. Seria justo ele responder dolosamente nesse caso? Ao olhar dos juristas, não, por isso o agente terá seu dolo excluído e irá responder de forma CULPOSA. Um exemplo claro disso é a LESÃO CORPORAL SEGUIDA DE MORTE, onde o agente quer apenas lesionar seu desafeto, mas acaba causando a morte do mesmo de forma culposa. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 21 Note que o erro incide sobre a elementar do artigo 121 do CP (homicídio simples), pois o sujeito não tinha conhecimento que matava “alguém”, já que acreditava que estava atingindo um animal de caça. Com efeito, ao desconhecer que matava um ser humano, o agente não agiu com dolo ao matar o ser humano. § 1º É ISENTO DE PENA quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo. § 3º O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. OU SEJA: eu quero atingir João, porém, eu erro e acabo atingindo Carlos, que não tinha nada a ver com a situação, independente de eu ter atingido e matado Carlos, serão consideradas as condições ou qualidades da vítima que eu pretendia atingir, ou seja, João. ERRO DE PROIBIÇÃO: Segundo Francisco de Assis Toledo: há erro de proibição quando o agente realiza uma conduta proibida, seja por desconhecer a norma proibitiva, seja por conhecê-la mal, seja por não compreender o seu verdadeiro âmbito de incidência. NÃO CONFUNDA ERRO DE TIPO COM ERRO DE PROIBIÇÃO: “o erro de proibição não se confunde com o erro de tipo, porque, se, no erro de tipo, o agente não sabe o que faz, no erro de proibição, ao contrário, ele sabe exatamente o que faz, mas acredita que age licitamente, tal como o matuto que, tendo por hábito (comum na sua região) caçar aos domingos, vem a ser preso (por crime contra o meio ambiente e porte ilegal de arma) ao trazer no alforje algumas presas que abatera naquele dia festivo.” CAUSAS DE EXCLUSÃO DA CONDUTA Caso Fortuito Ou Força Maior: Esses são os fatos imprevisíveis ou inevitáveis que, por não serem dominados pela vontade humana, não geram conduta. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 22 Involuntariedade: são casos de involuntariedade o estado de inconsciência completa, como o sonambulismo e a hipnose, e os movimentos reflexos. Coação Física Irresistível: a coação física irresistível ocorre nas hipóteses em que o agente é impossibilitado de realizar seus movimentos por sua vontade, em razão de uma força física externa. UM CASO CLÁSSICO: imagine que alguém coloque um revólver na sua mão, segure sua mão junto de você e te force fisicamente a apertar o gatilho, atingindo e matando uma pessoa, houve conduta da sua parte no crime? NÃO! ILICITUDE E EXCLUDENTES DE ILICITUDE: Todo fato típico, em princípio, também é ilícito. O fato típico cria uma presunção de ilicitude. É o caráter indiciário da ilicitude. Se não estiver presente nenhuma causa de exclusão da ilicitude, o fato também será ilícito, confirmando-se a presunção da ilicitude. EM SÍNTESE: se o fato conter alguma excludente, o fato não será antijurídico, logo NÃO TEM CRIME! Quais são as EXCLUDENTES DE ILICITUDE? Famoso Bruce LEEE - (excludentes de ilicitude) L - egítima defesa; E - stado de necessidade; E - strito cumprimento do deve legal; E - xercício regular do direito. ESTADO DE NECESSIDADE: salvar de PERIGO ATUAL, não provocado pela vontade do agente, mas que não podia de outro modo evitar sacrifício de direito próprio ou alheio, que no caso concreto, não era razoável exigir. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 23 LEGÍTIMA DEFESA: usando MODERADAMENTE os meios necessários, repele-se INJUSTA AGRESSÃO, ATUAL OU IMINENTE, a SI PRÓPRIO (real) ou a TERCEIRO. Legítima defesa putativa: na cabeça do agente, ele precisou se defender, mesmo não sendo real a ameaça ou iminência dela; Legítima defesa sucessiva: se defender de uma legítima defesa excessiva, na qual o defendente passa a ser agressor; Leg. defesa recíproca: ambos se estapeiam ou outra forma ao mesmo tempo, de forma ilícita, não exclui a ilicitude; Leg. defesa de terceiros: mesmo núcleo do tipo, mas em favor de terceiro. ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL: DERIVA DA LEI. Havendo um DEVER LEGAL NA AÇÃO DO AUTOR, esta não poderá ser considerada ilícita, ou seja, contrária ao ordenamento jurídico, e por isso é considerada causa de excludente de ilicitude, como se denota em casos de AGENTES PÚBLICOS OU PARTICULAR QUE EXERCE FUNÇÃO PÚBLICA (art. 327 CP), como um policial prendendo o autor de um ilícito penal em flagrante e usando algema de forma justificada, ou seja, ceifou a liberdade, que é direito constitucional de todos, contudo, não cometeu crime (tipicidade conglobante - não se exclui a ilicitude, mas a própria tipicidade (Rogério Sanches Cunha), sendo o autor da teoria, Eugenio Raul Zaffaroni). EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO: o ato também é fato típico, no entanto, é afastada a ilicitude por previsão legal, sendo a conduta considerada como um direito de agir, diante de uma permissão do ordenamento jurídico. Exemplo: um lutador de MMA, por exemplo,de boxe, etc. Há fato típico (lesão corporal), mas sem repercussão na seara criminal. EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA: Para que haja culpabilidade não basta que a conduta seja típica e ilícita, ainda é necessário que EXISTAM CONDIÇÕES DO AGENTE AGIR DE FORMA DIFERENTE. Por isso trata-se de um elemento da culpabilidade, a Exigibilidade de Conduta Diversa. MUITO IMPORTANTE PARA A PROVA: Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, RESPONDERÁ PELO EXCESSO DOLOSO OU CULPOSO. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 24 Caso se conclua que NÃO HAVIA OUTRA FORMA DE AGIR, o agente está acobertado por uma CAUSA DE EXCLUSÃO DA CULPABILIDADE. COAÇÃO IRRESISTÍVEL E OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA: Art. 22 do CP – Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. CAUSAS DE EXCLUSÃO DA CULPABILIDADE: Coação moral irresistível – Ocorre quando uma pessoa coage outra a praticar determinado crime, sob a ameaça de lhe fazer algum mal grave. Não confunda: • Coação Física irresistível Exclui o Fato Típico • Coação moral irresistível Exclui apenas a Culpabilidade Obediência hierárquica – o agente pratica o fato em cumprimento a uma ordem proferida por um superior hierárquico. Atente-se que ser isento de pena, a ordem não pode ser manifestamente ilegal. Não confunda: • Ordem MANIFESTAMENTE ILEGAL Agente e superior respondem juntos; • Ordem NÃO MANIFESTAMENTE ILEGAL Apenas o SUPERIOR responde. ATENÇÃO A ESSES PONTOS DE PROVA: EXCLUDENTE DE TIPICIDADE: A. Coação física absoluta B. Princípio da insignificância C. Princípio da adequação social D. Teoria da tipicidade conglobante. Obs: a obediência hierárquica só se aplica aos funcionários públicos, não aos particulares! POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 25 EXCLUDENTES DE ILICITUDE: A. Estado de necessidade B. Legítima defesa C. Exercício regular de um direito D. Estrito cumprimento de um dever legal E. Discriminante supralegal – consentimento do ofendido EXCLUDENTES DE CULPABILIDADE: Por ausência de imputabilidade: A. Menoridade B. Doença mental ou desenvolvimento mental retardado C. Embriaguez completa por caso fortuito ou força maior Por ausência de potencial consciência de ilicitude: A. Erro de proibição inevitável (erro de ilicitude) Por ausência de inexigibilidade de conduta diversa: B. Coação moral irresistível C. Obediência hierárquica D. Discriminante Supralegal – cláusula de consciência e desobediência civil POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 26 CONCURSO DE CRIMES O concurso de crimes é definido pela prática de duas ou mais ações penais, ambas cometidas pela MESMA PESSOA em uma MESMA OPORTUNIDADE ou em OCASIÕES DIVERSAS. FORMAS DE CONCURSO DE CRIMES: CONCURSO MATERIAL: Quando o agente, mediante MAIS DE UMA AÇÃO OU OMISSÃO, pratica DOIS OU MAIS CRIMES, idênticos ou não. 2 ou mais condutas = 2 ou mais crimes. DICA: Concurso MAISTERIAL - Mais de 1 conduta Aplicação da pena: Cúmulo Material - Calcula-se a pena de cada crime praticado e as soma. Ex.: Agente pratica crime de roubo (3 Anos de pena) + Crime de Estupro (5 Anos); Soma-se as 2 penas = 8 Anos; CONCURSO FORMAL: 1 conduta = dois ou mais crimes DICA: FORMAUM – Uma conduta PRÓPRIO OU PERFEITO: Os demais resultados acontecem sem designios autônomos. Sem a presença de DOLO. Ex1: João atira para matar Maria, acertando-a. Ocorre que, por culpa, atinge também Pedro, causando-lhe lesões corporais. João não tinha o desígnio de ferir Pedro. Pode ocorrer em duas situações: DOLO + CULPA: quando o agente tinha dolo de praticar um crime e os demais delitos foram praticados por culpa (exemplo 1); POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 27 CULPA + CULPA: quando o agente não tinha a intenção de praticar nenhum dos delitos, tendo todos eles ocorrido por culpa (exemplo 2). CONSEQUÊNCIA: Regra geral: exasperação da pena: Aplica-se a maior das penas, aumentada de 1/6 até 1/2. IMPRÓPRIO OU IMPERFEITO: Os crimes concorrentes derivam de desígnios autônomos. Cuidam-se, assim, de DOIS CRIMES DOLOSOS. Ex2: X vê seu inimigo andando de mãos dadas com a namorada. X pega seu fuzil e resolve atirar em seu inimigo. Alguém alerta X: “não atire agora, você poderá acertar também a namorada”, mas X responde: “eu só quero matá-lo, mas se pegar nela também tanto faz. Não estou nem aí”. X, então, desfere um único tiro que perfura o corpo do inimigo e acerta também a namorada. Ambos morrem. Ocorre, portanto, quando o sujeito age com dolo em relação a todos os crimes produzidos. Aqui é DOLO + DOLO. Pode ser: Dolo direto + dolo direto (exemplo 1); Dolo direto + dolo eventual (exemplo 2). CONSEQUÊNCIA No caso de concurso formal imperfeito, as penas dos diversos crimes são sempre SOMADAS. Isso porque o sujeito agiu com desígnios autônomos. (...) Praticado o crime de roubo mediante uma só ação contra vítimas distintas, no mesmo contexto fático, resta configurado o concurso formal próprio, e não a hipótese de crime único, visto que violados patrimônios distintos. (...) STJ. 6ª Turma. HC 197684/RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 18/06/2012. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1189138/MG , Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 11/06/2013. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 28 STJ Info 551: o roubo perpetrado contra diversas vítimas, ainda que ocorra num único evento (ex.: dentro de um ônibus), configura o concurso formal (próprio ou impróprio) e não o crime único, ante a pluralidade de bens jurídicos tutelados ofendido. • Exceção casuística 1: se a intenção do agente é direcionada à subtração de um único patrimônio, estará configurado apenas um crime, ainda que, no modus operandi, seja utilizada violência ou grave ameaça contra mais de uma pessoa. • Exceção casuística 2: o fato de a conduta ter ocasionado violação de patrimônios distintos (o da empresa de transporte coletivo e o do cobrador) não descaracteriza a ocorrência de crime único se todos os bens subtraídos estavam na posse do cobrador. (apenas ele sofreu a violência ou grave ameaça) CRIME CONTINUADO: Agente por meio de duas ou mais ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes de MESMA ESPÉCIE, por circunstância de tempo, lugar e modo de execução semelhantes. CRIME CONTINUADO ESPECÍFICO: Para ser classificado dessa forma, requer a existência de violência ou grave ameaça durante a execução contra mais de 1 vítima. Por exemplo: a vítima de um assalto e a testemunha do crime sofrem tentativa de homicídio por parte do criminoso. Exemplo dois: Estupro contra vítimas de uma mesma casa. Pena nos crimes continuados: A regra geral para os crimes continuados é a aplicação do sistema da exasperação, que você conheceu ao estudar o concurso formal perfeito ou próprio. Entretanto, essa é a regra aplicável ao art. 71, caput (crime continuado), de modo que o art. 71, parágrafo único (crime continuado específico) apresenta a própria regra, mais específica: É a pena do crime mais grave aumentada até o TRIPLO! POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 29 IMPUTABILIDADE PENAL O que é Imputabilidade Penal? É capacidade mental, inerente ao ser humano, de, na época dos fatos, ENTENDER O CARÁTER ILÍCITO DO FATO E DETERMINAR-SE DE ACORDO COM ESSE ENTENDIMENTO. O Código Penal adotou o critério cronológico para definir se um indivíduo é imputável ou não, ou seja, a partir do momento que o indivíduo completa 18 ANOS, PRESUME-SE IMPUTÁVEL. Art. 26. É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE INCAPAZ de entendero caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. ATENÇÃO: as bancas costumam trocar o INTEIRAMENTE por PARCIALMENTE na questão. Critérios para definir a imputabilidade do agente: Biológico: basta para a inimputabilidade, a presença de algum problema mental, sendo irrelevante se ao tempo do fato o sujeito tenha se mostrado capaz de entender o caráter ilícito de sua conduta. Psicológico: agora não importa se o agente tem algum problema mental ou não, será inimputável o agente que se mostrar incapacitado de entender o caráter ilícito do fato. Biopsicológico: esse critério conjuga os dois anteriores, ou seja, será inimputável aquele que ao tempo da ação ou omissão apresente algum problema mental, e em razão disso não possua capaz de entender o caráter ilícito do fato. ESSE É O ADOTADO PELO NOSSO CÓDIGO PENAL! Art. 27. Os menores de 18 (dezoito) anos são PENALMENTE INIMPUTÁVEIS, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. ATENÇÃO: as bancas costumam trocar INIMPUTÁVEIS por IMPUTÁVEIS na questão. Art. 28, § 1º É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 30 Imputabilidade Diminuída: Art. 26, Parágrafo único. A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era INTEIRAMENTE capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Esquema resumido do assunto abordado acima: INIMPUTABILIDADE MENORIDADE DOENÇA MENTAL DESENVOLVIMENTO MENTAL INCOMPLETO DESENVOLVIMENTO MENTAL RETARDADO EMBRIAGUEZ COMPLETA PROVENIENTE DE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR ATENÇÃO: não é embriaguez voluntária, habitual etc., são apenas nas situações de CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR, um exemplo é aquela acidental, ou seja, situações que a pessoa se embriaga sem vontade, não quer e nem fica por culpa sua. No caso fortuito, é uma embriaguez CAUSADA POR ACIDENTE. CAI MUITO NAS PROVAS: Art. 28. Não excluem a imputabilidade penal: I – A emoção ou a paixão; Art. 22. Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 31 CONCURSO DE PESSOAS Concurso de Pessoas Concurso Eventual: o tipo penal não exige a pluralidade de agentes. Concurso Necessário: o tipo penal EXIGE a pluralidade de agentes. Autores, Coautores e Partícipes Autor: é o indivíduo que PRATICA O NÚCLEO DO TIPO PENAL (a conduta principal). A concepção majoritariamente adotada para a definição do autor do crime e sua diferenciação para o partícipe vem da chamada TEORIA OBJETIVO-FORMAL. Partícipe: realiza uma conduta acessória, auxiliar. Teorias sobre o Concurso de Pessoas Teoria Monista: É A REGRA EM NOSSO ORDENAMENTO JURÍDICO. Todos os autores, coautores e partícipes respondem pelo mesmo crime. Teoria Pluralista: os agentes praticam condutas concorrendo para um único fato, porém, res- pondem cada um por um crime. Teoria do Domínio do Fato Por força da teoria do domínio do fato, uma participação importante (como a de quem dá ordens para a realização de condutas criminosas) poderá ser considerada como autoria, e não como participação, mesmo que o autor não pratique o núcleo do tipo penal. Autoria Imediata A autoria imediata é a regra: é aquela que ocorre quando O PRÓPRIO INDIVÍDUO EXECUTA A CONDUTA DELITUOSA DIRETAMENTE. Autoria Mediata É aquela utilizada por um indivíduo que se UTILIZA DE UM TERCEIRO COMO INSTRUMENTO para executar seu intento criminoso. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 32 Autoria Colateral Também chamada de autoria paralela, é aquela que ocorre quando dois ou mais indivíduos concorrem para uma conduta visando um mesmo resultado, porém, desconhecem a intenção um do outro. Autoria de Reserva É aquela autoria perpetrada pelo indivíduo que “fica esperando para ver se vai dar tudo certo”. Participação É a conduta criminosa do indivíduo que NÃO REALIZA A FIGURA TÍPICA (O NÚCLEO) DA FIGURA TÍPICA PRATICADA PELOS ENVOLVIDOS. O partícipe atua INDUZINDO, INSTIGANDO OU AUXILIANDO OS AUTORES PRINCIPAIS DO DELITO. Importância da Participação Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço. SOBRE A AUTORIA MEDIATA: para que fique de fácil entendimento, imagine a seguinte situação: Um médico pede para que a enfermeira do seu plantão aplique determinado soro em um paciente que é um desafeto antigo seu, a enfermeira faz a administração do soro no paciente sem saber que ali contém determinada substância colocada propositalmente pelo médico que irá causar o óbito do paciente. Aqui temos um caso clássico de AUTORIA MEDIATA, a enfermeira foi utilizada como INSTRUMENTO para a realização do crime. Com exemplos fica mais fácil: Imagine que dois sujeitos atiram ao mesmo tempo em uma pessoa, porém, eles não sabiam que o outro também iria atirar, esse é um caso de autoria colateral. POLÍCIA CIVIL DA BAHIA – DIREITO PENAL GERAL #EUNAPCBAHIA 33 Cooperação Dolosamente Distinta Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste. Essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave. Comunicabilidade de Circunstâncias Pessoais Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime. Impunibilidade O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em contrário, não são puníveis se o crime não chega, pelo menos, a ser TENTADO. PRINCÍPIOS BÁSICOS INFRAÇÃO PENAL O FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA: CONCURSO DE CRIMES IMPUTABILIDADE PENAL CONCURSO DE PESSOAS