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DIREITO PENAL 									 Isabela Bachega Salesse
____________________________________________________________________________________________
DIREITO PENAL
CÓDIGO PENAL - PARTE GERAL
INTRODUÇÃO
1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
1.1. Conceito
O direito penal é ramo do direito público (pois somente o Estado pode criar e regular as sanções aplicáveis no seu âmbito), que define as infrações penais, estabelecendo as penas e as medidas de segurança aplicáveis aos infratores. (não se interessa o que levou ao crime, nem por quê cometeu)
Nas palavras de Nélson Hungria, é a “disciplina jurídica da reação social contra o crime”.
Em suma, o direito penal “é uma proposta de paz. Seguindo-o, vive-se melhor. Não adotando suas regras, pune-se para obter o mesmo resultado” (NUCCI, Guilherme de Souza. Curso de Direito Penal - Parte Geral, vol. 1, 2021).
1.2. Direito penal objetivo e subjetivo
O direito penal objetivo é o corpo de normas jurídicas destinado ao combate à criminalidade, garantindo a defesa da sociedade, mas também limitando o poder estatal, de modo a não afrontar, em demasia, as liberdades individuais.
Embora alguns autores denominem o direito penal subjetivo como o direito de punir (jus puniendi) do Estado, que surge após o cometimento da infração penal, Aníbal Bruno sustenta que inexiste, propriamente, um direito penal subjetivo, pois “o que se manifesta no exercício da Justiça penal é esse poder soberano do Estado, um poder jurídico que se faz efetivo pela lei penal, para que o Estado cumpra a sua função originária, que é assegurar as condições de existência e continuidade da organização social. Reduzi-lo a um direito subjetivo falsifica a natureza real dessa função e diminui a sua força e eficácia, porque resolve o episódio do crime apenas em um conflito entre direitos do indivíduo e direitos do Estado”.
O Estado não possui um direito de punir, mas o poder-dever de punir, sempre que o crime ocorre e é devidamente comprovado pelas vias legais. Logo, não se trata de um direito, exequível ou não.
1.3. Direito penal comum e especial
Entende-se por direito penal comum o conjunto de normas previsto no Código Penal, que traz as leis aplicáveis a todos os delitos em geral, sem qualquer fato específico.
O denominado direito penal especial volta-se às leis penais especiais, contidas em leis editadas para vigorar fora do Código Penal, trazendo algum assunto específico, exemplo: direito penal militar, lei das contravenções penais, lei dos crimes tributários, econômicos e contra as relações de consumo, lei dos crimes ambientais etc.
Segundo Luiz Regis Prado: “é conveniente traçar a distinção entre o direito penal comum, também denominado de direito penal nuclear, e o direito penal especial. O primeiro é representado pelo Código Penal brasileiro (Decreto-lei 2.848/40, alterado pela Lei 7.209/84) – composto de uma Parte Geral (arts. 1.º a 120) e de uma Parte Especial (arts. 121 a 361) –, enquanto o segundo é constituído pela legislação penal especial ou extravagante (v.g., Decreto-lei 3.688/41 – Lei das Contravenções Penais; Lei 8.072/90 – Lei dos Crimes Hediondos; Lei 9.605/98 – Lei dos Crimes Ambientais)”.
1.4. Direito penal internacional e direito internacional penal
O direito penal internacional é uma disciplina jurídica que tem por finalidade determinar a norma aplicável à ação delituosa de um indivíduo quando afere a ordem jurídica de dois ou mais Estados. Por sua vez, o direito internacional penal é o ramo do direito internacional que trata da aplicação de penas a serem aplicadas aos Estados.
Quanto às normas de direito interno, determinando ser ou não aplicável a lei brasileira ao sujeito que praticou o delito fora das fronteiras nacionais ou àquele que deu início à execução do crime no exterior, findando-o no Brasil (ou vice-versa), devemos chamar apenas de “aplicação da lei penal no espaço”, mas sem a denominação de “direito penal internacional”.
1.5. Direito penal (substantivo) e processual (adjetivo)
Costuma-se denominar o direito penal como substantivo, e o processual penal como adjetivo. Entretanto, não deve ser entendido literalmente, já que adjetivo é uma qualidade do substantivo, um apêndice; e esse não é o caso.
Como diz Battaglini: “o direito processual pode ser definido como o complexo das normas que regulam os modos e as formas mediante os quais se comprova, no caso concreto, positiva ou negativamente, o direito de punir”.
PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL
1. PRINCÍPIOS
A norma jurídica é formada de princípios e de regras. Os princípios iniciam os valores fundamentais ou finalidades. E as regras são condutas a serem observadas mediante a um fazer e não fazer (permissões ou proibições).
1.1. Dignidade da Pessoa Humana – art. 1º, III, CF
O Princípio da Dignidade da Pessoa Humana é de valor pré-constituinte e de hierarquia supraconstitucional, cuja missão é a preservação do ser humano, desde seu nascimento até a morte.
Art. 1º, CF. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
[...]
III - a dignidade da pessoa humana.
Esse princípio possui dois prismas: objetivo e subjetivo. Objetivamente, envolve a garantia de um mínimo existencial ao ser humano, atendendo às suas necessidades vitais básicas, como reconhecido no art. 7º, IV, CF, ao cuidar do salário mínimo. Inexiste dignidade se a pessoa humana não dispuser de condições básicas de vivência. E no aspecto subjetivo, cuida-se do sentimento de respeitabilidade e autoestima, inerentes ao ser humano desde o nascimento.
É importante ressaltar que tanto a vítima de um crime como o seu autor têm direitos iguais ao tocante à preservação da sua dignidade como pessoas.
Exemplos do princípio na legislação:
Art. 149, CP da Lei nº 10.803/03. Reduzir alguém à condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto. Pena: reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
Art. 154-A, CP da Lei nº 12.737/12 (Lei Carolina Dieckmann). Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita. 
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.
1.2. Devido processo legal
Esse princípio tem como raiz a Magna Carta de 1215: “Nenhum homem pode ser preso ou privado de sua propriedade a não ser pelo julgamento de seus pares ou pela lei da terra”.
O devido processo legal, portanto, possui dois aspectos: o lado substantivo (material), de direito penal; e o lado procedimental (processual), de processo penal. O primeiro encaixa-se nos princípios penais, como o princípio da legalidade. E quanto ao prisma processual cria-se um espectro de garantias fundamentais para que o Estado apure e constate a culpa de alguém em um crime; esse é o motivo pelo qual o devido processo legal coroa os princípios processuais, chamando a si todos os elementos estruturais do processo penal democrático.
A comunhão entre os princípios penais (como legalidade, anterioridade, proporcionalidade, etc.) e os processuais penais (contraditório, ampla defesa, publicidade, etc.), torna efetivo e concreto o devido processo legal.
1.3. Legalidade (ou reserva legal) – art. 1º e 5º, XXXIX, CF
Art. 1º, CF. Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. 
Art. 5º, CF. [...]
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
O Princípio da Legalidade pode ser entendido em sentido amplo, não mais voltado exclusivamente à área penal (art. 5º, II, CF).
Art. 5º, CF. 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisasenão em virtude de lei; (ex.: voto, alistamento militar, imposto de renda)
→ E quanto a Medidas Provisórias? Em caso de urgência e relevância, o Presidente pode criar uma medida provisória que possui força de lei; entretanto, com a Emenda Constitucional 32/01, ficou proibido fazer medida provisória para matéria penal.
1.4. Anterioridade da lei – art. 1º, CP
Art. 1º, CP. Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
Significa que uma lei penal incriminadora somente pode ser aplicada a um fato concreto, caso tenha tido origem antes da prática da conduta para a qual se destina.
De nada adiantaria adotar o princípio da legalidade sem a correspondente anterioridade, pois criar uma lei, após o cometimento do fato, pretendendo aplicá-la a este, seria totalmente inútil para a segurança que a norma penal deve representar.
1.5. Retroatividade da Lei Penal Benéfica – arts. 5º, CX, CF e 2º, CP
A lei penal não retroagirá para abranger situações já consolidadas sob o império de legislação diferenciada. Entretanto, se for para favorecer o agente, esta pode voltar.
Art. 5º, CF. [...]
XC - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu. (abolitio criminis)
Art. 2º, CP. Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
1.6. Humanidade
O direito penal deve pautar-se pela benevolência, garantindo o bem-estar coletivo, inclusive dos presidiários; para isso, a Constituição estipula que não haverá penas cruéis (art. 5º, XLVII), como: de morte (exceção feita à época de guerra declarada, conforme o Código Penal Militar); de caráter perpétuo; de trabalhos forçados; de banimentos; e de castigos corporais. É também assegurado o respeito à integridade física e moral do preso (art. 5º, XLIX).
A fim de impulsionar a civilidade e pretendendo consolidar uma atuação imparcial e superior do Estado, considera-se grave a prática da tortura (art. 5º, XLIII, CF), objeta-se a produção de provas ilícitas (Art. 5º, LVI, CF) e pretende-se punir qualquer discriminação atentatória dos direitos e garantias fundamentais (art. 5º, XLI, CF).
1.7. Personalidade/Pessoalidade – art. 5º, XLV, CF
Esse princípio assegura que a punição não deve ultrapassar a pessoa do delinquente, impedindo que terceiros inocentes e totalmente alheios ao crime possam pagar pelo o que não fizeram e nem contribuíram para que ocorresse. A família do condenado, por exemplo, não deve ser afetada pelo crime cometido.
Art. 5º, CF. [...]
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendida aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.
Isso não significa que não haja possibilidade de garantir à vítima a indenização civil ou que o Estado possa confiscar o produto do crime.
Inclusive, por conta desse princípio, a multa, mesmo que considerada uma dívida civil, para fins de cobrança, após o trânsito em julgado da decisão condenatória, não pode alcançar os herdeiros do condenado.
1.8. Intervenção mínima
O Estado deve intervir minimamente na vida das pessoas. O Direito Penal é a ultima ratio, ou seja, é o último recurso a ser procurado. Ele é subsidiário (último recurso/opção) e fragmentado (pune apenas um pedaço/parte das ações “criminais”).
1.9. Princípio da Bagatela/Insignificância – art. 386, III, CP (Lei nº 3.689/41)
Art. 386, CP. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:
[...]
III - não constituir o fato infração penal;
Minimis non curat praetor, isto é, o pretor[footnoteRef:1] não cuida de minudências (questões insignificantes) → não é aplicada a crimes ambientais, atos infracionais [footnoteRef:2] e para funcionários públicos. [1: Pretor: quem é responsável pela aplicação da lei, no caso o magistrado.] [2: Atos infracionais: crimes cometidos por menores de 18 anos.] 
O Direito Penal ligado à dignidade da pessoa humana, tem a missão de proteger valores relevantes à vida em sociedade, jamais deverá punir o indivíduo por lesões insignificantes ao bem jurídico, que são consideradas materialmente atípicas. O Direito Penal não pune por causa de uma política criminal.
A natureza jurídica é uma causa de exclusão da tipicidade material da conduta.
Esse princípio só pode ser aplicado quando há: 
a. ausência de periculosidade social;
b. redução da reprovabilidade do comportamento;
c. mínima ofensividade da conduta; e
d. inexpressividade da lesão jurídica provocada.
E ele não será aplicado quando:
STJ – INFORMATIVO DE JURISPRUDÊNCIA 622 – SÚMULA 606
Não se aplica o princípio da insignificância a casos de transmissão clandestina de sinal de internet via radiofrequência, que caracteriza o fato típico previsto no Art. 183 da Lei nº. 9.472/1997.
Portarias 75 e 130/MF – 3ª Seção STJ – Tema 157
Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de descaminho (diferente de contrabando) quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$20.000,00 a teor do disposto no Art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. 
Hans Welzel e Claus Roxin que criaram a tese do Princípio da Insignificância.
1.10. Princípio da Alteridade/Transcendentalidade
 No Direito Penal, o princípio da alteridade ou transcendentalidade, proíbe a incriminação de atitude meramente interna, subjetiva do agente, pois essa razão, revela-se incapaz de lesionar o bem jurídico. (CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal, vol. 1, 2012)
Isto é, ninguém é condenado/punido por causar mal a si próprio, porque o direito penal só vai punir lesões a bens jurídicos alheios. O suicídio, mesmo que tenha sido uma tentativa falha, não é punido. 
Tal princípio foi desenvolvido por Claus Roxin, segundo o qual “só pode ser castigado aquele comportamento que lesione direitos de outras pessoas e não seja simplesmente pecaminoso e imoral. A conduta puramente interna, seja pecaminosa, imoral, escandalosa, falta a lesividade que pode legitimar a intervenção penal.”
O princípio da alteridade, veda também, a incriminação do pensamento (pensiero non paga gabella) ou condutas moralmente censuráveis, mas incapazes de penetrar na esfera do altero. (Theodoro Jr., 2012) 
✱ Norma Penal em Branco:
É uma norma de conteúdo vago incompleto, cujo complemento é oriundo de uma outra norma jurídica, que pode ser editada pela mesma casa legislativa ou por órgão diverso (portaria, decreto). Há duas formas de complemento: homogênea (lei complementa lei) e heterogênea (não se misturam).
Ex.: art. 237, CP: Contrair casamento, conhecendo o impedimento que lhe cause a nulidade absoluta. Pena - detenção, de três meses a um ano. → os impedimentos estão no CC, art. 1521, ou seja, é incompleto e seu complemento está em outra norma jurídica.
TÍTULO I – DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL 
1. FONTES DO DIREITO PENAL
Há duas fontes (origem) do Direito Penal: material (produção: quem tem condição de produzir a lei, ex.: União) e formal (conhecimento). 
A formal é dividida em duas partes, direita e esquerda. A direita se ramifica em: lei e Constituição. Já a esquerda, em: costumes, doutrina, jurisprudência e PGD (Princípios Gerais do Direito).
2. APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO
A teoria do tempo do crime é composta por dois elementos: lugar e tempo.
2.1. Lugar do crime – art. 6º, CP
 Art. 6º, CP. Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
No Código é adotada a teoria ubiquidade para o lugar do crime, isto é, o lugar do crime é o local onde foi praticado a conduta criminosa ou também o local onde ocorreu o resultado.
2.2. Tempo de crime – art. 4º, CP
Art. 4º, CP. Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
O Código Penal adota a teoria da atividade para configurar o tempo do crime, que é o momento que o agente pratica a ação ou omissão, ainda que o momento do resultado seja outro.
Também há outras duas teorias, mas que não são adotadas pelo Código: a teoria do resultado e a teoria mista.
3. CONFLITO DE LEIS NO TEMPO – arts. 2º e 3º, CP
Há três princípios: irretroatividade da lei mais grave; retroatividade da lei mais branda e ultratividade da lei excepcional ou temporária.
3.1. Irretroatividade da lei mais grave
A lei que de qualquer modo prejudica o agente, conhecida por lex gravior, nunca retroage, ex.: a Lei nº 13.964/19 aumentou a pena máxima do crime de concussão (art. 316, CP) de 2 a 8 anos para 2 a 12 anos.
3.2. Retroatividade da lei mais branda – art. 2º, parágrafo único, CP
Art. 2º, CP. [...]
Parágrafo único. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
A lei que beneficia o agente, chamada de lex mitior, retroage, inclusive para fatos já decididos por sentença com trânsito em julgado. 
→ Qual a competência para a aplicação da lex mitior? O pedido compete ao juízo da execução – súmula 611, STF.
3.2.1. Abolitio criminis
A abolitio criminis é uma espécie de lex mitior. 
É a lei nova que deixa de considerar o fato como criminoso, cessando em virtude dela a pena e todos os efeitos penais (primários e secundários) da sentença.
3.3. Ultratividade da lei excepcional ou temporária – art. 3º, CP
Ultratividade significa que há a possibilidade de se iniciar um processo mesmo que a lei já tenha se extinguido.
Lei temporária é a que tem prazo determinado, isto é, no dia que ela ingressa no ordenamento jurídico já se conhece quando vai desaparecer; ex.: art 30, Lei nº 12.663/12 (Lei Geral da Copa do Mundo).
Já a lei excepcional é aquela que foi editada para ter vigência durante uma situação de anormalidade, por exemplo em período de guerras ou pandemias, ou seja, que não tem tempo definido para acabar.
Art. 3º, CP. A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
Portanto, os crimes cometidos enquanto a lei está em vigor, mesmo sendo julgado quando ela não existe mais, ainda é crime.
4. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO E OS CRIMES PERMANENTES E CONTINUADOS – súmula 711, STF
 Ambos os crimes possuem apenas uma pena, então se no percurso do crime surgir uma lei mais severa, irá aplicar a retroatividade da lei mais benéfica? Não, nos termos da súmula 711 do STF, aplica-se a lei mais severa, desde que tenha entrado em vigor antes de cessada a permanência ou a continuidade.
Súmula 711, STF. A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.
TEMPO E LUGAR DO CRIME
1. TERRITÓRIO
Todo espaço que o Estado exerce sua soberania, tais como: solo; subsolo sem solução de continuidade e com limites reconhecidos onde o Brasil exerce sua soberania, incluindo-se as águas interiores; o mar territorial[footnoteRef:3]; a plataforma continental; e o espaço aéreo. [3: Mar territorial: faixa que compreende 12 milhas marítimas de largura a partir da linha.] 
2. TERRITORIALIDADE
É a aplicação da lei aos crimes que são praticados em território nacional (o Brasil tem o direito de aplicar sua lei dentro do seu país). 
O país aplica a lei a todos os crimes praticados dentro do território, com exceção nos casos estabelecidos em tratados internacionais, devido à Convenção de Viena, em que o brasil da imunidade aos Diplomatas, já que ficam isentos da lei nacional, sendo válida apenas a lei do país de origem (que nasceu ou que mora).
Art. 5º, CP. Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.
1.1. Território nacional
O território brasileiro compreende: i) porção de terra entre as fronteiras; ii) águas internas; iii) mar territorial (12 milhas náuticas); iv) espaço aéreo correspondente (coluna atmosférica); v) aeronaves e embarcações públicas ou em serviço público, onde quer que estejam; vi) aeronave ou embarcação privada, se em alto mar ou espaço aéreo correspondente.
✱ Lei do abate: 
Art. 303, CP. A aeronave poderá ser detida por autoridades aeronáuticas, fazendárias ou da polícia federal, nos seguintes casos:
I - se voar no espaço aéreo brasileiro com infração das convenções ou atos internacionais, ou das autorizações para tal fim;
II - se, entrando no espaço aéreo brasileiro, desrespeitar a obrigatoriedade de pouso em aeroporto internacional;
III - para exame dos certificados e outros documentos indispensáveis;
IV - para verificação de sua carga no caso de restrição legal ou de porte proibido de equipamento;
V - para averiguação de ilícito.
§ 1º. A autoridade aeronáutica poderá empregar os meios que julgar necessários para compelir a aeronave a efetuar o pouso no aeródromo que lhe for indicado.
3. EXTRATERRITORIALIDADE – art. 7º, caput, CP
Fenômeno pela qual a lei penal se aplica a fatos ocorridos fora do território nacional, isto é, em locais submetidos a soberania externa, ou mesmo em território em que país algum exerce seu poder soberano (ex.: Antártida). 
Art 7º, CP. Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:
3.1. Espécies
3.1.1. Extraterritorialidade incondicionada – art. 7º, I, a, b, c
Aplica-se a lei brasileira quando há lesão ao bem jurídico de origem pública, pouco importando a nacionalidade de quem pratica, bem como de onde fora praticado, com base no princípio da proteção
Art. 7º, CP. [...]
I - os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil.
§ 1º. Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.
3.1.2. Extraterritorialidade condicionada – art. 7º, II, a, CP
A territorialidade é condicionada porque precisam preencher cumulativamente os requisitos do § 2º.
Art. 7º, CP. [...]
II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 2º. Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
Também aplica-se a lei brasileira ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil.
Art. 7º, CP. [...]
§ 3º. A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
b) houve requisição do Ministro da Justiça. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
3.2. Princípios
3.2.2. Princípio da bandeira/representação – art. 7º,II, c, CP
Leva em conta, para efeito da aplicação da Lei Penal Brasileira, a bandeira da embarcação ou da aeronave no interior da qual o fato foi praticado. 
É um princípio subsidiário que determina a aplicação da lei do país, quando por deficiência da lei legislativa ou desinteresse do país que deveria reprimir o crime e não o faz, isso se aplica aos delitos cometidos em aeronaves e embarcações ocorridas no exterior. Exige-se, entretanto, que o crime não tenha sido julgado o estrangeiro, para efeito de se aplicar a nossa lei.
Art. 7º, CP. [...]
II - os crimes:
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados.
§ 2º. Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: → extraterritorialidade condicionada
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
3.3. Pena cumprida no exterior – art. 8º, CP
Ne bis in idem (a pessoa não pode ser punida duas vezes pela mesma coisa; caso ela já tenha cumprido uma parte da pena fora do Brasil [quando cometeu o crime], este tempo deverá ser descontado da pena que ela irá cumprir aqui).
Art. 8º, CP. A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas.
3.4. Eficácia de sentença estrangeira – art. 9º, CP
Art. 9º CP. A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil para: 
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis;
II - sujeitá-lo à medida de segurança.
Parágrafo único. A homologação depende:
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça
4. CONTAGEM DE PRAZO – art. 10, CP
Art. 10, CP. O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum. (inclui o primeiro dia e exclui o último; ex.: pena de um ano → preso dia 31/03/19 e solto dia 30/03/20)
5. FRAÇÕES NÃO COMPUTÁVEIS DA PENA – art. 11, CP
Art. 11, CP. Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro.
6. LEGISLAÇÃO ESPECIAL – art. 12, CP
Art. 12, CP. As regras gerais deste código aplicam especial se aos fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo diverso.
TEORIA DO CRIME
1. TEORIAS 
1.1. Teoria Clássica
O principal autor desta teoria foi Von Liszt, mas teve também Ernest Beling.
Segundo eles, o crime tem três elementos: fato típico, antijurídico e culpável (dolo e culpa). Para esta teoria, a conduta é desprovida de conteúdo.
Obs.: o erro dessa teoria é colocar o dolo e culpa na culpabilidade, pois ela está no Fato Típico.
1.2. Teoria Finalista
1.2.1. Tripartida
Hans Welzel foi o autor principal desta teoria.
O crime é um fato típico, antijurídico e culpável.
1.2.2. Bipartida
Também é composto por fato típico, antijurídico e culpabilidade (pressuposto para aplicação da pena → previsto no art. 26 do CP).
1.3. Teoria Social da Ação
O crime é um comportamento humano voluntário dirigido a uma finalidade socialmente reprovável.
2. TEORIA DO CRIME TRIPARTIDA
O crime é um fato típico, antijurídico e culpável.
2.1. Fato típico
2.1.1. Conduta
De acordo com a visão finalista, que adotamos, “a conduta é a ação ou omissão, voluntária e consciente, implicando um comando de movimentação ou inércia do corpo humano, voltado a uma finalidade” (PIERANGELI, Escritos jurídicos-penais, p. 441).
A conduta pode ser própria (ex.: art. 135, CP: prestação de socorro/ajuda, não importa se a ajuda foi útil, se a pessoa morreu ou não) ou imprópria (há o dever político de evitar o resultado, ex.: art. 13, § 2º, CP[footnoteRef:4]). [4: Art. 13, CP. O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
[...]
§ 2º. A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado (ex: guia de esportes radicais);
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.] 
2.1.1.1. Causas excludentes de conduta
Para a caracterização da conduta, é indispensável a existência do binômio vontade e consciência. 
A vontade é o querer ativo, apto a levar o ser humano a praticar um ato livremente, portanto, não há voluntariedade nos seguintes atos:
a. movimentos obtidos por coação física irresistível; → E a coação moral irresistível? Só exclui a culpabilidade.
b. movimentos reflexos (reações motoras, secretórias ou fisiológicas; não é a mesma coisa que movimentos semiautomáticos); e
c. movimentos resultantes da hipnose. 
E a consciência é a noção clara da diferença existente entre realidade e ficção. Não há consciência:
a. no sonambulismo (sono patológico); e
b. na narcolepsia (doença que provoca acessos repentinos de sono, transportando o enfermo a um estado de irrealidade).
→ É impossível um sonâmbulo ser responsabilizado pelo crime? Não, pois se o sujeito for informado a respeito de seu problema, provocador de resultados danosos a terceiros, sem tomar providências para se tratar, poderá responder criminalmente pela lesão eventualmente causada, aplicando-se a teoria da actio libera in causa (ação livre na origem).
2.1.1.2. Espécies de crimes quanto a conduta
A conduta pode ser tanto uma ação (crime comissivo) quanto uma omissão (crime omissivo). Os crimes omissivos podem ser próprios ou impróprios (comissivo por omissão).
O crime omissivo impróprio acontece quando a pessoa que se omitiu era garante (responsável de fato, que está no momento, e não responsável de direito) da vítima. Nessa modalidade, o agente irá responder pelo crime combinado com o art. 13º, § 2º do CP. → 
Art. 13, CP. [...]
§ 2º. A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) → ex.: pais
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) → ex.: babá, salva-vidas.
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) → ex.: amigo que joga outro na piscina
2.1.2. Resultado
2.1.2.1. Crimes materiais
São crimes que preveem um resultado e exige que ele ocorra, ex.: estelionato.
2.1.2.2. Crimes formais
Prevê um resultado, mas não exige que ele ocorra para o crime se consumar (quando o resultado pretendido não coincide com o verbo do crime no artigo). O crime se consuma com a conduta. 
Ex.: extorsão mediante sequestro → o verbo é sequestrar, mas o resultado é obter; a conduta é o sequestro.
2.1.2.3. Mera conduta
É o crime em que a lei não prevê qualquer resultado, o crime se consuma com o mero comportamento, ex.: porte de arma.
2.1.3. Nexo causal
É o elo necessário que une a conduta praticada pelo agente com o resultado por ela produzida. Não demonstrada a relação de causalidade, não se pode imputar o fato ao agente. Há três teorias:
I - Teoria da causalidade adequada
Causa é a condição necessária para determinar aprodução de um evento. Aqui excluem-se os eventos fortuitos excepcionais ou anormais.
II - Teoria da relevância
Causa é a condição relevante para o resultado. “Será irrelevante tudo aquilo que for imprevisível ao homem prudente, no momento em que ele pratica a conduta” (GRECO, Luís).
III – Teoria da equivalência dos antecedentes (conditio sine qua non)
É a teoria adotada pelo sistema brasileiro, que diz que a causa é tudo o que contribui para gerar resultado. Também é conceituado como conditio sine qua non (condição sem a qual não teria ocorrido o crime).
A causa superveniente relativamente independente é uma situação excepcional capaz de romper, por força da lei (uma ficção jurídica) o nexo de causalidade estabelecido pela Teoria da equivalência dos antecedentes. Rompido o nexo, o autor da conduta não poderá responder pelo resultado, mas apenas por sua própria conduta. A causa superveniente relativamente independente tem dois requisitos: i) ser posterior à conduta e ii) ser imprevisível.
2.1.3.1. Causa
Causa é toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido como ocorreu.
2.1.3.2. Concausa
Concausa é outra causa que se junta à principal, concorrendo para o resultado, pode ser absolutamente independente ou relativamente independente.
2.1.3.2.1. Absolutamente independente
Quando a causa efetiva do resultado não se origina do comportamento concorrente, se subdivide em concausas: preexistente (ex.: A dá um suco com veneno para B, que logo em seguida toma uma facada de C e vem à óbito, porém a causa da morte foi o envenenamento [suponha-se que a facada foi só de raspão], sendo então, a facada algo irrelevante para a morte de B), concomitante/ao mesmo tempo (ex.: A administra um pavê envenenado para B, a fim de matá-lo, e enquanto este está comendo, C vem e dá um tiro em B, levando-o à óbito instantaneamente, logo, o pavê com veneno foi irrelevante, já que a causa da morte foi o tiro) e superveniente (ex.: assim que B acaba de comer o pavê, C vem e dá um tiro, a levando ao óbito);
Importante ressaltar que na concausa absolutamente independente (preexistente, concomitante ou superveniente), a causa concorrente deve ser punida na forma tentada.
2.1.3.2.2. Relativamente independente
A causa efetiva do resultado se origina (ainda que indiretamente) do comportamento concorrente. Não basta perceber que a conduta foi determinante para o resultado, mas que o resultado é consequência normal e provável dessa conduta.
Por consequência, exclui-se a imputação do resultado em relação ao agente responsável pela primeira causa concorrente, portanto, há apenas a responsabilidade pelos atos anteriores.
Pode ser: preexistente (ex.: B tem hemofilia [doença que causa desordem no coagulamento] e A faz um corte na perna desse, levando-o à óbito, ou seja, a ação de A foi a causa da morte, porém o indivíduo só morreu porque tinha hemofilia, era preexistente), concomitante (ex.: A planeja um assalto à B, que possui 97 anos, e quando este inicia o ato, devido à idade deste, tem um infarto e vem à óbito) e superveniente (ex.: A atira em B, este é socorrido, mas morre em função de erro médico).
2.1.4. Tipicidade
Trata-se da adequação do fato ao tipo penal; enquadramento da conduta com o que está previsto na lei. Nas palavras de Cláudio Brandão, “a tipicidade é a primeira condição a ser satisfeita para que o método penal possa dar relevância a um acontecimento humano e, via de consequência, para que uma pena possa ser aplicada” (Tipicidade penal, p. 38).
Há dois tipos de tipicidade: i) tipicidade objetiva e ii) tipicidade subjetiva.
2.1.4.1. Tipicidade objetiva
A tipicidade objetiva pode ser: i) tipicidade formal, que é o que encaixa perfeitamente do que está escrito na lei e o que foi cometido; e ii) tipicidade material, que é quando a conduta está relacionada com o conteúdo da norma proibitiva, com o que se quer proibir e pode ser afastada por princípios constitucionais penais.
2.1.4.1.1. Excludentes de tipicidade
Há alguns excludentes legais, como: crime impossível (art. 17, CP), intervenção médico-cirúrgica e impedimento de suicídio (art. 146, § 3º, CP), retratação no crime de falso testemunho (art. 342, § 2º, CP), e anulação do primeiro casamento no crime de bigamia (art. 235, § 2º, CP). Além destas, existem a anistia e a abolitio criminis, que constam como causas de exclusão da punibilidade no CP (art. 107, II e III), mas, na essência, são autênticas causas de afastamento da tipicidade.
Por outro lado, existem as excludentes supralegais, que afastam a tipicidade, embora não estejam expressamente previstas no CP, como ocorre com os princípios da adequação social e da insignificância.
2.1.4.1.1.1. Princípio da adequação social
Esse princípio tem por fundamento a inviabilidade de punição de quem pratica um fato socialmente adequado, aceito pela sociedade para a qual existe a legislação penal, ex.: colocar brinco em recém-nascidos. Logo, se um fato é um irrelevante social, não há de preencher a tipicidade material.
É preciso que a adequação social seja verificada no caso concreto, conforme os costumes da época, levando-se em conta uma situação de natural consenso. É o caso das lesões durante a prática de esportes (não nos esportes normalmente violentos, como o boxe, pois aí há o exercício regular de direito), como por exemplo os jogos de futebol. A violência praticada no campo deve ser solucionada no próprio campo, isto é, pelos mecanismos naturais de expulsão e outras sanções.
2.1.4.1.1.2. Princípio da insignificância
O princípio da insignificância estipula que riscos e lesões mínimas não merecem relevância penal.
Considerar insignificante um fato típico implica reconhecer a completa ausência de lesividade em face da conduta praticada. Tendo em vista inexistirem os requisitos dessa excludente em lei, o STF estabelece alguns requisitos cumulativos no HC 90.977/MG, Info 466:
a. a mínima ofensividade da conduta do agente;
b. a nenhuma periculosidade social da ação;
c. o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento; e
d. a inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Com a edição da Súmula 599 do STJ, “o princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública”.
✱ Antecedentes do agente
Não há disciplina legal a respeito da aplicação do princípio da insignificância quando se constata a reincidência ou maus antecedentes do agente. O STF decidiu que, para a não aplicação, a avaliação dos antecedentes deve guardar correspondência com o caso presente, ex.: se o agente responde por furto e antes cometeu lesão corporal, os fatos não se relacionam, podendo-se acolher a tese da insignificância.
✱ Violência doméstica
Não se pode considerar a conduta criminosa em violência doméstica como de mínima ofensividade, logo, não cabe aplicar o princípio da insignificância. 
Súmula 589 – STJ
É inaplicável o princípio da insignificância nos crimes ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas.
Inclusive, com a intenção de não proporcionar facilidades ao agressor da mulher, o STJ a Súmula 588: 
Súmula 588 – STJ 
A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
2.1.4.2. Tipicidade subjetiva
A tipicidade subjetiva é composta pelo dolo e culpa.
2.1.4.2.1. Dolo
Dolo é consciência e vontade, sendo dividido em: i) dolo direto e ii) dolo eventual.
O dolo direto é quando o sujeito prevê o resultado e atua para alcançá-lo. Já o dolo eventual é quando o agente prevê o resultado e aceita o risco de sua produção.
2.1.4.2.2. Culpa
A culpa tem dois requisitos: i) a quebra do dever geral de cuidado (em regra são culturais, mas podem ser legais); e ii) previsibilidade (partida da conduta tida como descuidada, o resultado deve ser um desdobramento esperado).
Pode ser dividida em: i) culpa consciente e ii) culpa inconsciente.
A culpa consciente é aquela que o agente faz previsão do resultado, mas tem certeza de queirá evitá-lo. Já a culpa inconsciente é quando o agente não prevê o resultado (quando deveria ser previsível).
2.2. Antijuridicidade/ilicitude
É a contrariedade de uma conduta com o direito, causando efetiva lesão a um bem jurídico protegido. Trata-se de um prisma que leva em consideração o aspecto formal da antijuridicidade (contrariedade da conduta com o Direito), bem como o seu lado material (causando lesão a um bem jurídico tutelado).
2.2.1. Causas excludentes de ilicitude – art. 23, CP
Art. 23, CP. Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. chamadas de excludente de ilicitude em branco, pois carecem de complemento
Porém, o excesso é punível.
Parágrafo único. O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo.
2.2.1.1. Estado de necessidade – art. 24, CP
Art. 24, CP. Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
§ 1º. Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.
§ 2º. Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.
O agente pode agir a fim de salvaguardar bem jurídico próprio ou de terceiro, ex.: furto famélico.
Obs.: defender-se de animal é estado de necessidade (exceto se o animal é utilizado como meio).
Há alguns requisitos para ser considerado estado de necessidade:
a. situação de perigo atual; 
b. não provocada voluntariamente pelo agente, divergência na doutrina:
- primeira posição (Damásio): somente se a situação de perigo for dolosa, ele não pode alegar EN
- segunda posição: se a situação for dolosa ou culposa, ele não pode alegar EN
c. o agente atua para salvaguardar o bem jurídico próprio ou de terceiros; 
d. inexistência do dever legal de enfrentar a situação perigo (ex.: o policial tem o dever de ir verificar um roubo, mas um cidadão comum não); 
e. razoabilidade (ex.: furto famélico é estado de necessidade); 
f. conhecimento da situação justificante.
O estado de necessidade pode ser: próprio (quando atua para salvaguardar a si próprio) ou de terceiro (quando o agente atua para salvaguardar outra pessoa); e real (quando a situação de perigo existe concretamente) ou putativo (falsa percepção ou interpretação da realidade)
2.2.1.2. Legítima defesa – art. 25, CP
Art. 25, CP. Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
A falta de moderação leva ao excesso, que pode ser culposo ou doloso. Entretanto, há duas modalidades em que o excesso é ‘permitido’: legítima defesa sucessiva e excesso exculpante. A legítima defesa sucessiva deriva de um excesso da legítima defesa, ex.: A bate em B, então este se defende e A vai embora, entretanto, B não admite e começa a ir atrás de A e bate nele, assim, A entra em legítima defesa. E o excesso exculpante é quando o agente atua diante de uma situação que é plenamente justificável pelas circunstâncias, como perigo ou desespero, assim, excluindo o dolo e a culpa.
Há algumas situações em que a legítima defesa não é cabível, como:
- LD real X LD real; → pois para ser LD é necessário ter uma injusta agressão
- LD real X Estado de necessidade;
- LD real X Estrito cumprimento do dever legal; → se é dever legal, não é injusto
- LD real X Exercício Regular de Direito.
2.2.1.3. Estrito cumprimento do dever legal
Atua em estrito cumprimento do dever legal o agente que cumpre o seu mister de acordo com a lei. O dever pode ser previsto em: lei, regulamento, portaria, decreto e decisão judicial, ex.: ação de despejo, mandado de reintegração de posse.
→ O policial pode utilizar a violência para apreender o delinquente? Sim, previsto no art. 292 do CPP - 
Art. 292, CPP. Se houver, ainda que por parte de terceiros, resistência à prisão em flagrante ou à determinada por autoridade competente, o executor e as pessoas que o auxiliarem poderão usar dos meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência [...].
Há dois requisitos para a qualificação do estrito cumprimento do dever legal: existência de um dever legal e
deve-se agir nos estritos limites do dever (não pode haver abuso).
2.2.1.4. Exercício regular de Direito
Quem atua regularmente de acordo com o Direito, não comete crime, ou seja, agir nos limites, sem exercer o exercício, ex.: intervenção médica invasiva (quando o paciente chega de um trauma desacordado, o médico vai operar sem autorização, pois está cumprindo o exercício regular), lesões decorrentes de prática esportiva, poder familiar (art. 1632 CC - dever de educar os filhos)
2.2.1.5. Ofendículos
São aparatos não inteligíveis e visíveis destinados à proteção da propriedade ou de qualquer outro bem jurídico (ex.: cerca elétrica [defesa mecânica predisposta], cacos de vidro, lança, concertina).
A doutrina penal divide-se em duas correntes: a primeira coloca os ofendículos no âmbito do exercício regular de direito, enquanto a segunda, entende que se trata de legítima defesa preordenada.
Destarte, é indispensável que se observem os requisitos de moderação no emprego dos ofendículos, haja vista que a utilização do mesmo visa proteger a patrimônio, bem jurídico este, que não pode predominar em detrimento da vida. São quatro requisitos: que o bem jurídico seja disponível; que o agente tenha a capacidade para dispor; que a manifestação de vontade seja livre e consciente, ou seja, livre dos vícios de consentimento; e que o ato praticado identifique-se com o ato consentido. 
2.3. Culpabilidade
Culpabilidade significa censurabilidade; é um juízo de reprovação sobre aquele que pode e deve agir de acordo com o direito. 
2.3.1. Teorias
2.3.1.1. Teoria psicológica
Criada por Von Liszt e Ernest Beling, tem relação com a teoria clássica da conduta, o pressuposto fundamental da culpabilidade é a imputabilidade, compreendida como a capacidade do ser humano de entender o caráter ilícito do fato e determinar-se de acordo com esse entendimento. Para Fernando Capez, a culpabilidade é um liame que se estabelece entre a conduta e o resultado, por meio do dolo ou da culpa.
2.3.1.2. Teoria normativa/psicológica normativa
Criada por Reinhard Frank, a teoria normativa relaciona a culpabilidade com a exigibilidade de conduta diversa. A culpabilidade passa a ser vista como elemento normativo, isto é, um juízo de censura que se faz do autor do fato, e como pressuposto disso, se exige que o autor tenha uma conduta conforme a norma, melhor esclarecendo, somente seria culpável se o agente agisse com dolo ou culpa e pudesse exigir dele um comportamento diferente.
2.3.1.3. Teoria normativa pura
Fundamentada na teoria finalista de Hans Welzel, onde o dolo e a culpa deixaram a culpabilidade e passaram a integrar o primeiro elemento do fato típico, que é a conduta. Essa teoria se divide em duas: teoria limitada e teoria extremada. 
Na teoria limitada, que é a adotada pelo Código, o erro que recai sobre uma situação de fato (descriminante putativa fática) é erro de tipo, enquanto o erro sobre a incidência, existência ou limite de uma causa de justificação é erro de proibição. Já na teoria extremada, tudo é erro de proibição
2.3.2. Elementos
A culpabilidade possui três elementos: i) imputabilidade; ii) potencial consciência da ilicitude; e iii) exigibilidade de conduta diversa.
2.3.2.1. Imputabilidade 
Consiste na capacidade do agente ser responsabilizado criminalmente. O agente é imputável quando ao tempo da conduta, era capaz de entender o caráter ilícito do fato e determinar-se de acordo com esse entendimento, e tenha mais de 18 anos.
Há três causas de excludentes por inimputabilidade: i) doença mental – art. 26, CP; ii) menoridade – art. 27, CP; e iii) embriaguez fortuita e completa– art. 28, §§ 1º e 2º, CP.
2.3.2.1.1. Doença mental – art. 26, CP
É inimputável aquele que, em razão de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (causa biológica), não tem condição de compreender o caráter ilícito do fato ou portar-se de acordo com tal entendimento (consequência psicológica).
Art. 26, CP. É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Há três sistema para a definição da inimputabilidade:
a. sistema biológico: leva em consideração o estado psíquico anormal do agente (doença mental ou desenvolvimento mental incompleto), independente da patologia que o aflige.
b. sistema psicológico: não considera causa, mas os efeitos da inimputabilidade. Ele verifica a capacidade de entender o caráter ilícito do fato e determinar-se de acordo com esse entendimento.
c. sistema biopsicológico: é misto, usa tanto o biológico quanto o psicológico.
O Código adota o critério biopsicológico.
O inimputável do art. 26 que pratica fato típico e antijurídico receberá medida de segurança, em uma sentença de absolvição imprópria.
E é semi-inimputável aquele que tem a mesma causa biológica, mas a consequência psicológica é a perda de apenas parcial capacidade de autodeterminação – art. 26, parágrafo único, CP.
Art. 26, CP. [...]
Parágrafo único. A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
O semi-inimputável que pratica fato típico e antijurídico receberá pena reduzida ou medida de segurança, não podendo ser aplicado as duas cumulativamente (sistema vicariante).
2.3.2.1.2. Menoridade – art. 27, CP
Art. 27, CP. Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial.
2.3.2.1.3. Embriaguez – art. 28, §§ 1º e 2º, CP
A embriaguez é uma intoxicação aguda e transitória, causada pela ingestão de álcool ou pela utilização de substâncias de efeitos análogos que privam o sujeito de sua capacidade normal de discernimento. 
Quanto a intensidade, a embriaguez pode ser: incompleta (euforia com perdas dos freios inibitórios), completa (perda da autodeterminação, seguida de amnésia) ou comatosa (sono profundo com descontrole das funções fisiológicas).
Quanto as consequências, divide-se em: i) preordenada, onde o autor se embriaga para praticar o crime, sendo uma agravante; ii) voluntária ou culposa (imprudência), não afastando a imputabilidade (princípio da actio libera in causa); iii) acidental (caso fortuito ou força maior), com pena reduzida de 1/3 a 2/3; ou iv) patológica (alcoolismo), caracterizando-se no art. 26 do CP.
No caso da embriaguez fortuita incompleta, ainda há a responsabilidade penal, porém com redução.
Art. 28, CP. Não excluem a imputabilidade penal:
I - a emoção ou a paixão;
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
§ 1º. É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
§ 2º. A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
2.3.2.2. Potencial consciência da ilicitude
Consiste na verificação se o agente, ao praticar o crime, tinha condição de saber que fazia algo injusto, de acordo com o meio social que o cerca, as tradições, os costumes, a formação cultural, nível intelectual, e inúmeros outros fatores.
2.3.2.2.1. Erro de proibição
No erro de proibição, por equivocada do ordenamento jurídico, o sujeito pensa que o proibido é permitido.
O erro pode ser inevitável (escusável) ou evitável (inescusável). 
O erro inevitável é quando o autor não sabe da proibição, e nas suas condições de vida, não poderia conhecer a proibição, afastando a culpabilidade.
Já o erro de proibição evitável é quando o sujeito não sabe, mas na sua circunstância de vida, poderia saber da proibição, apenas tendo diminuição de pena.
Art. 21, CP. O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único. Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
✱ Ignorância ≠ errada compreensão
A ignorância é o total desconhecimento sobre a existência da lei, já a errada compreensão é quando o agente tem conhecimento da lei existente, mas se equivoca quanto à interpretação desta.
2.3.2.3. Exigibilidade de conduta diversa
Consiste na expectativa de um comportamento diferente daquele que foi adotado pelo agente. Somente haverá exigibilidade de conduta diversa quando a coletividade podia esperar do sujeito que tivesse atuado de outra forma. E quando não há essa possibilidade de agir de modo diverso, falamos que a conduta é inexigível.
2.3.2.3.1. Inexigibilidade de conduta diversa
Há a inexigibilidade de conduta diversa na coação moral irresistível e na obediência hierárquica
A coação moral irresistível é aquela que se impõe sobre a vontade do sujeito determinando-o a um comportamento positivo ou negativo mediante invencível ameaça. Fica afastada a responsabilidade do coagido e responde pelo crime o coator.
A obediência hierárquica deve decorrer de uma ação não manifestamente ilegal de superior a um inferior de vínculo público. É afastada a responsabilidade do inferior, sendo o superior responsabilizado.
2.3.3. Coculpabilidade 
A sociedade organizada não consegue garantir a todas as pessoas as mesmas oportunidades, e acaba por gerar aos menos favorecidos um menor âmbito de autodeterminação, condicionado por causas sociais, de sorte que se a sociedade contribui para o delito deverá arcar com a sua parcela de culpa.
“A sociedade, deixando de cumprir os seus deveres essenciais aos necessitados, renuncia ao dever de punição” (DOTTI, René Ariel).
CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DOS CRIMES
1. CLASSIFICAÇÃO 
1.1. Quanto ao sujeito ativo
I - Crime comum: 
É o que pode ser praticado por qualquer pessoa, não se exige nada de especial do sujeito ativo;
II - Crime próprio: 
É aquele que só pode ser praticado por uma certa categoria de pessoa, ex.: notificação de doença compulsória só pode ser feita por médicos;
III- Crime de mão própria: 
O crime recai em certa e determinada pessoa; ele individualiza a pessoa, ex.: falso testemunho.
1.2. Quanto ao resultado
I - Material: 
 A lei descreve uma conduta e um resultado, e a lei exige a ocorrência do resultado para a consumação do delito (conduta + resultado), ex.: esfaqueamento (leva à morte), furto (subtração).
II - Formal: 
Também chamada de delito de consumação antecipada; a lei descreve uma conduta e um resultado, mas a consumação é antecipada com a prática da conduta, ex.: crime de extorsão mediante sequestro (se priva a liberdade com a finalidade de aferir vantagem financeira), crimes contra a honra (xingamento em público);
III - Exaurimento: 
Quando o crime formal gera consequência mais gravosa ao indivíduo (como por exemplo o pagamento da extorsão mediante ao sequestro, além da privação da liberdade, houve a diminuição do dinheiro).
IV - De mera conduta: 
Aquela descrição criminosa é formada pela: conduta + tipicidade, ex.: porte de arma, violação de domicílio.
1.3. Quanto ao resultado jurídicoI - Crime de dano: 
Aquele em que se exige uma efetiva lesão ao bem jurídico, ex.: homicídio, furto, roubo;
II - Crime de perigo: 
É aquele que se consuma com a mera exposição do bem jurídico a uma situação de perigo. Há dois tipos: Concreto, que é quando há a necessidade de se comprovar a situação de perigo e que ele está descrito como elementar do tipo; e Abstrato, o perigo não configura o elementar e não é preciso provar o perigo, pois a lei já prevê isso (a conduta é perigosa em sua própria natureza), ex.: tráfico de droga, porte de arma.
1.4. Quanto ao momento consumativo
I - Crime instantâneo: 
Aquele que a consumação se dá em um só instante, ex.: furto, roubo;
II - Crime permanente: 
Aquele em que a consumação se prolonga no tempo por ato voluntário do agente, ex.: sequestro;
III - Crime instantâneo de efeito permanente: 
Aquele que a consumação se de dá em um só instante e os seus efeitos são permanentes, ex.: bigamia.
IV - Crime habitual
Só se torna crime quando a pessoa o pratica habitualmente (diariamente), fora isso, não é crime, ex.: art. 283 CP (charlatanismo).
V - Crime vago: 
Aquele crime que tem como sujeito passivo uma coletividade destituída de personalidade jurídica. Ex: art. 210 CP (violação de sepultura).
1.5. Quanto ao pós crime
I - Delito transeunte: 
Aquele que não deixa vestígios (pode ser na pessoa ou no ambiente).
II - Delito não transeunte: 
É aquele que deixa vestígios.
CONFLITO APARENTE DE NORMAS
1. CONFLITOS 
Existem diversos critérios seguros, os quais regem a jurisprudência quando se depara com um caso concreto que possui, em sua essência, um conflito aparente entre normas penais. Com isso, torna-se imprescindível o uso de três princípios: especialidade, subsidiariedade e consunção.
1.1. Princípio da especialidade
“Lex specialis derrogat generalis”: a lei especial afasta a lei geral, exs.: art. 121 CP (homicídio simples) e art. 123 CP (infanticídio).
Art. 121, CP. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Art. 123, CP. Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
1.2. Princípio da subsidiariedade
“Lex primaria derrogat subsidiariae”: havendo duas ou mais normas aplicáveis ao caso concreto (se uma delas puder ser considerada subsidiária em relação a outra), aplica-se a norma principal, denominada primária, em relação à norma subsidiária, ex.: art. 132 CP (perigo para a vida ou saúde de outrem).
Art. 132. Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave. (se não acontece o crime mais grave, é condenado pelo crime mais leve)
1.3. Princípio da consunção/absorção
O crime fim absorve o crime meio, ex.: A mata B com uma arma ilegal, A irá responder apenas por homicídio, pois a arma se torna o meio do crime (a fim de obter o resultado; neste caso, a morte).
1.4. Princípio da alternatividade
Parte da Doutrina sustenta a existência de um princípio na resolução do conflito aparente entre normas, denominado princípio da alternatividade. Ele pode ser aplicado no caso dos chamados crimes plurinucleares, quando o crime apresenta vários verbos, ex.: art. 122 (induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação). O conflito se daria ao verificar-se a prática de mais de uma modalidade do crime prevista em lei.
ETAPAS DA REALIZAÇÃO DO DELITO
1. CONSUMAÇÃO
Art. 14, CP. Diz-se o crime:
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal;
2. TENTATIVA
Diz-se tentativa quando o agente inicia a execução, porém a consumação é atingida por causas que estão além da vontade do agente. 
Art. 14, CP. Diz-se o crime:
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. 
O caminho/percurso do crime, chamado de iter criminis, possui quatro fases: cogitação (consideração da possibilidade de cometer o crime); preparação; execução; e consumação.
2.1. Espécies
2.1.1. Quanto a tentativa
2.1.1.1. Tentativa perfeita/crime falho
É aquela em que o agente esgota todos os meios disponíveis a consumação do delito, e mesmo assim, ele não se consuma por situações alheias (tentou mas não conseguiu).
2.1.1.2. Tentativa imperfeita/inacabada
É aquela em que o agente é interrompido durante a prática dos atos de execução, não realizando tudo que desejava.
2.1.2. Quanto à lesão 
2.1.2.1. Tentativa branca
É quando não resulta em lesão ao bem jurídico tutelado.
2.1.2.2. Cruenta
É quando o bem jurídico tutelado é atingido, ou seja, há danos à integridade corporal. Só é válida para homicídio, auxílio e instigação ao suicídio, infanticídio e aborto.
2.1.3. Quanto ao resultado 
2.1.3.1. Idônea
É quando se utiliza de um meio apto à produção do resultado, ex.: arma, granada, pé-de-cabra.
2.1.3.2. Inidônea/crime impossível – art. 17, CP
O autor pratica conduta muito semelhante a incriminada, mas sem relevância penal pela falta de risco ao bem jurídico. É quando o meio não se presta ao resultado.
A consequência do reconhecimento do crime impossível é a atipicidade do fato.
O crime impossível pode ser: 
a. impropriedade absoluta do objeto: quando o objeto material (aquilo que recai a conduta do autor) não reveste um bem jurídico tutelado, ex.: matar pessoa que já está morta;
b. ineficácia absoluta do meio: se o meio escolhido pelo autor não foi apto a nem causar risco ao bem jurídico, pela experiência comum, ex.: tentar matar alguém com arma de brinquedo;
c. obra do agente provocador: nesse caso há a intervenção do sujeito no mecanismo causal do fato, tendo ele tomado providências anteriores para impedir o risco ao bem jurídico, ex.: flagrante preparado pela polícia
A súmula 45 do STF dispõe que não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a consumação.
2.2. Punibilidade 
Para se julgar a tentativa, o juiz considera a pena do ato consumado e a reduz de 1/3 a 2/3. O critério para o fracionamento da pena é a distância do resultado pretendido, ou seja, quanto mais distante da consumação, maior é a redução.
Art. 14, CP. [...]
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.
→ E se o próprio artigo já pune a tentativa (ex.: art. 352, CF[footnoteRef:5])? A mesma pena é aplicada, sendo tentativa ou não. [5: Art. 352, CP. Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa.
Pena: detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência.] 
O código trabalha com crimes consumados, parte da doutrina que diz que a tentativa utiliza uma norma de extensão (ex.: art. 121 [matar alguém] + art. 14, II = tentativa de homicídio; art. 155 [furto] + art. 14, II = tentativa de furto).
3. ARREPENDIMENTO
3.1. Desistência voluntária – art. 15, CP
Na desistência, o agente inicia a ação, mas voluntariamente desiste de prosseguir a ação.
A tentativa é afastada e o agente só responde pelos atos até então praticados. 
Art. 15, CP. O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
A desistência não precisa ser espontânea necessariamente, podendo o agente ser influenciado.
Para diferenciar a tentativa da desistência voluntária é utilizado a fórmula de Frank: “posso prosseguir, mas não quero” desistência voluntária; “quero prosseguir, mas não posso” tentativa.
3.2. Arrependimento eficaz – art. 15, CP
Após terminar o plano executório, o autor, voluntariamente atua de forma eficiente a impedir a consumação.
O agente pratica o ato, mas antes de produzir o resultado, há o arrependimento e o agente age para impedir o resultado. Ele interfere após a primeira ação (ex.: prestar socorro após atirar ou envenenar alguém) e antes de atingir a consumação (morte).
A consequência é a mesma da desistência voluntária, ou seja, fica afastadaa tentativa e o autor só responde pelos atos já praticados.
3.3. Arrependimento posterior – art. 16, CP
Art. 16, CP. Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
Trata-se de causa obrigatória de diminuição de pena, prevista na parte geral do CP e aplicável aos crimes praticados sem violência ou grave ameaça à pessoa (ex.: furto), em que o agente repara o dano ou restitui a coisa até o recebimento da denúncia ou da queixa (se for após o recebimento da denúncia, se aplica o art. 65, III, b, que a pena é reduzida em apenas 1/6)
Art. 65, CP. São circunstâncias que sempre atenuam a pena:
III - ter o agente:
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano;
A redução será de 1/3 à 2/3. A reparação ou a restituição da coisa deverá ser feita voluntariamente pelo agente (pode ser influenciado por um terceiro; não precisa ser espontâneo) e tem que ser completa/integral.
Obs.: o mero registro na delegacia não configura como recebimento da denúncia.
Ex.: A pega o celular de B emprestado, porém A se recusa a devolvê-lo de imediato, e quando se arrepende, devolve no mesmo estado de conservação.
3.4. Quanto à reparação do dano
Há duas posições na doutrina acerca da reparação do dano:
- Primeira posição (majoritária): o agente voluntariamente tem que restituir a coisa ou reparar o dano;
- Segunda posição: o genitor pode fazer a reparação do dano ou a restituição da coisa; e o instituto ainda pode ser reconhecido.
ELEMENTOS SUBJETIVOS: DOLO E CULPA
1. CRIME DOLOSO
Ação consciente e voluntária praticada para alcançar um determinado objetivo.
1.1. Teorias de dolo
1.1.1. Teoria da vontade:
O dolo é a vontade livre e consciente de alcançar o resultado.
1.1.2. Teoria da representação:
Existe o dolo ao praticar a ação prevendo a possibilidade de produzir um resultado.
1.1.3. Teoria de assentimento:
O agente pratica a conduta mesmo sabendo das possíveis consequências (ele assume o risco).
1.2. Espécies de dolo
1.2.1. Dolo direto ou indireto:
O dolo direto é aquele que visa certo e determinado resultado; e o dolo indireto é aquele que não visa certo e determinado resultado.
1.2.2. Dolo dano ou perigo:
O dolo de dano é a vontade do agente é de causar uma efetiva lesão ao bem jurídico, ex.: homicídio, furto; já o dolo de perigo é a vontade do agente é a de expor o bem jurídico à uma situação de perigo, ex.: art. 132, CP.
1.2.3. Dolo genérico ou específico:
O dolo genérico é a vontade do agente é a de realizar a conduta sem um fim especial; e o dolo específico é o agente ao praticar a conduta típica, busca um fim especial, exs.: art. 159, CP, e art 134, CP.
Também tem o dolo eventual, que acontece quando há o acúmulo de causas, como por exemplo, se A dirige embriagado e mata alguém, é um homicídio culposo, porém, se A, além de dirigir embriagado ele o faz em alta velocidade, é condenado por dolo eventual.
1.2.4. Dolo de 1º e 2º grau:
O dolo de 1º grau, também conhecido como dolo direto, é quando o agente quer um resultado e dirige a sua conduta para alcançar este fim, exemplo: a fim de matar o Presidente da República, A implanta uma bomba no avião em que este irá viajar, e quando explode, mata, além do Presidente, todos as pessoas que estavam no avião também.
Por outro lado, o dolo de 2º grau, ou consequência necessária, é quando, para alcançar o resultado pretendido, realiza outro não diretamente visado, mas necessário para atingir-lo, ou seja, as pessoas envolta acabam sendo atingidas, como por exemplo: João coloca uma bomba embaixo da cadeira de Marcos, quando esta explodir, irá atingir não apenas Marcos, mas sim todos os que estão envolta
1.2.5. Dolo Geral - Nelson Hungria
Quando o agente, julgando ter obtido o resultado intencionado, pratica uma segunda ação, com propósito diverso, e só então é que o dito resultado se produz, ex.: A mata B com um tiro (ou acha que matou), e assim que o faz, joga o corpo no rio, no outro dia o corpo de B é encontrado e o laudo dá a morte por afogamento, ou seja, B ainda não tinha morrido quando foi atirada ao rio.
2. CRIME CULPOSO
O crime é culposo quando o agente não quer e não assume o risco de produzir o resultado, mas ele dá causa ao resultado por agir com imprudência e negligência, isto é, o sujeito não tem intenção, ex.: art. 18, II, CP
2.1. Elementos
2.1.1. Conduta:
Fazer ou não fazer, já que não há crime sem conduta.
2.1.2. Inobservância do dever jurídico de cuidado:
2.1.2.1. Imprudência:
Ação positiva (fazer), ex.: falar ao telefone enquanto dirige (faz o ato de falar ao telefone).
2.1.2.2. Negligência:
Ação negativa (não fazer); é a falta de cuidado, ex.: andar com um carro em que o freio não funciona (não fez o ato de cuidar do carro).
2.1.2.3. Imperícia:
Falta de conhecimento técnico específico no emprego de arte, ofício ou profissão.
2.1.3. Resultado lesivo (involuntário):
Para ser crime, precisa ter resultado, ex.: o sujeito, dirigindo em São Paulo à 1h da manhã, não para no sinal vermelho a fim de evitar um assalto, mas não mata ninguém ou não lesiona algo, não há crime, apenas uma infração de trânsito.
2.1.4. Previsibilidade
x
2.1.5. Tipicidade:
Para ser considerado crime, precisa estar previsto na lei.
2.1.6. Nexo causal:
Relação de causa e efeito.
✱ Concorrência de culpas (DIREITO CIVIL)
Ex.: A está dirigindo muito acima da velocidade e colide com B, que estava dirigindo na contra-mão (com a velocidade limite), ou seja, os dois estão errados, e na hora do julgamento, A pagará pelos danos feitos à B, e B pagará os danos feitos a A (as culpas não são anuladas).
2.2. Espécies
2.2.1. Culpa consciente e inconsciente:
A culpa consciente é quando o agente prevê o resultado e decide prosseguir acreditando sinceramente, que com a sua habilidade, poderia evitar o resultado, ex.: atirador de elite (em um sequestro, o criminoso deixa a pessoa como refém em sua frente [o resultado seria a morte da pessoa], e vendo isso, o atirador de elite sabe que pode executá-lo [para evitar a morte do refém], e assim o faz [mas pode dar errado, levando o atirador a responder por crime culposo]).
E a culpa inconsciente é aquele em que o agente não prevê o resultado, que era objetivamente previsível, ex.: uma pessoa dirigindo, vê uma bola passando pela rua, e o que se imagina é que em seguida venha alguém buscar a bola (geralmente uma criança), então o esperado é a pessoa diminuir a velocidade para que não aconteça um desastre.
2.2.2. Culpa própria ou imprópria:
A culpa própria é a norma, a culpa explícita do código (da causa do crime). E a culpa imprópria é aquela em que o agente por erro, imagina certa situação de fato, supondo estar agindo acobertado por uma excludente de ilicitude, ex.: A está discutindo com B, e nessa situação, B começa a tirar algo do bolso, que A acredita fielmente que é uma arma, e em reação, puxa a sua arma e desfere um tiro em B, matando-o, entretanto, B estava apenas pegando o celular.
3. CRIMES QUALIFICADOS PELO RESULTADO – art. 19
3.1. Dolo + culpa (Preterdolo)
É quando há dolo na conduta inicial e culpa no resultado agravador, ex.: art. 129, § 3º. 
Art. 129, CP. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem. (dolo)
§3º. Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo. (culpa)
3.2. Dolo + dolo
É quando há dolo na conduta inicial e dolo no resultado agravador, ex.: art. 157, § 3º, II, CP.
Art. 157, CP. Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência à pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: (dolo)
§ 3º Se da violência resulta:
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. (dolo)
3.3. Culpa + dolo
É quando há culpa na conduta inicial e dolo no resultado agravador,ex.: art. 302, § 1º, CTB
Art. 302, CTB.Praticar homicídio culposo na direção do veículo automotor. (culpa)
§ 1º. No homicídio culposo cometido na direção do veículo automotor, a pena é aumentada de 1/3 à metade, se o agente: 
III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente; (dolo)
3.4. Culpa + culpa
É quando há culpa na conduta inicial e culpa no resultado agravador, ex.: art. 250, §2º, CP + art. 258, CP
Art. 250, CP. Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem: 
§ 2º. Se culposo o incêndio, é pena de detenção de 6 meses a 2 anos.
Art. 258, CP. [...] no caso de culpa, se o crime resulta lesão corporal, a pena aumenta-se de metade; se resulta morte, aplica-se a pena cominada ao homicídio culposo, aumentada de um terço.
CONCURSO
1. CONCURSO DE PESSOAS – art. 29, CP
1.1. Conceito
O concurso de pessoas é a ciente e voluntária participação de duas ou mais pessoas em uma mesma infração penal, pessoas que se reúnem/se juntam para praticar um crime. 
Adotada pelo Código, a teoria monista dispõe que, quem, de qualquer modo, concorrer para a consumação do delito, será responsabilizado por ele (não importando o autor, coautor ou partícipe). Obs.: 
Art. 29, CP. Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade. 
Não necessariamente responderão a mesma pena, pois na aplicação da pena, será analisada a culpabilidade de cada um, possibilitando ao juiz a redução da pena, de 1/6 a 1/3, daquele que tem menor importância na participação do crime, ex: taxista que leva o indivíduo para seu destino, onde ele vai assaltar uma loja.
§ 1º. Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço. 
Entretanto, há exceção, chamada de cooperação dolosamente distinta – art. 29, § 2º, CP, quando um dos concorrentes quis participar de forma menos grave.
Art. 29, CP. [...]
§ 2º. Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.
Obs.: não há concurso de pessoas no crime de estupro, pois o Código tipificada a ação de cada possível agente.
1.2. Tipos de concurso de crime
1.2.1. Crimes monosubjetivos
É aquele que foi construído para ser praticado por uma única pessoa, ex.: homicídio, furto. Nesse caso, o concurso é eventual, e não necessário, pois eventualmente o indivíduo pode se juntar com mais pessoas
1.2.2. Crimes plurisubjetivos
É aquele que a lei exige uma pluralidade de pessoas para a prática do crime (concurso necessário), ex.: art. 288; art. 137
Art. 288, CP. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes.
Art. 137, CP. Participar de rixa, salvo para separar os contentores.
Pode ter três tipos de conduta:
a. conduta caralelas: todos estão na mesma direção (para atingir o mesmo fim), ex.: 288
b. conduta convergente: os indivíduos se encontram no meio do caminho, ex.: adultério
c. conduta contrapostas: estão em sentidos opostos, mas elas se chocam, ex.: rixa
1.3. Requisitos para o concurso de pessoas
Há quatro requisitos:
a. pluralidade de condutas;
b. relevância causal de cada uma das ações (as ações têm que colaborar para o resultado);
c. liame subjetivo (vínculo/elo entre os concorrentes para atuarem com o mesmo objetivo, ainda que sem ajuste prévio e de forma unilateral);
d. identidade/unidade de fato (todos têm o objetivo final de um mesmo crime)
Válido ressaltar que o concurso de pessoas precisa que ele ocorra até o momento da execução. Após, não há mais concurso. Exemplo: “A” pede para “B” furtar um carro e lhe vender por um preço baixo concurso de pessoas; “B” furta um carro e vende para “A” por um prelo baixo (claramente fruto de roubo) receptação.
1.4. Espécies de concurso
É adotado a teoria restritiva, distinguindo o autor de partícipe: autor é quem pratica o verbo do tipo e partícipe é quem induz/instiga (participação moral) ou auxilia (participação material ou cumplicidade).
Ser partícipe não impõe automaticamente uma pena menor, sendo analisada a cada caso concreto. Tanto é que o § 1º do art. 29 do CP admite a participação de menor importância, onde há redução da pena de 1/6 a 1/3.
Obs.: a participação por omissão (conivência; sabe do crime e não comunica ninguém) não é típica, salvo se omite era garante.
✱ Autor mediato “innocent agent”
É aquele que se utiliza de uma pessoa sem culpabilidade (ex.: menor de idade) para a prática do crime. Prevalece o entendimento que na autoria mediata não há concurso de pessoas porque o autor mediato é visto como instrumento do crime.
1.5. Circunstâncias incomunicáveis – art. 30, CP
Art. 30, CP. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Portanto, em caso de latrocínio, todos os participantes do crime vão ser responsáveis pela morte, independente de quem de fato matou – tese 170 MP/SP.
1.6. Autoria colateral
A autoria colateral não é a mesma coisa que concurso de pessoa, uma vez que não há o liame subjetivo (um não sabe da conduta do outro) e, portanto, cada um responde por seu próprio ato.
Exemplo: “A” e Clara pretendem matar “C”, mas um não sabe da existência do outro.
a. 1ª hipótese: “A” atira na cabeça → homicídio; “B” atira na perna → tentativa de homicídio
b. 2ª hipótese: “B” atira no coração (morte instantânea) → homicídio doloso consumado; “A” atira na cabeça, mas só depois da Clara → crime impossível
c. 3ª hipótese (autoria incerta): “A” e “B” atiraram, mas não é possível afirmar qual disparo foi responsável pela morte → os dois respondem por tentativa de homicídio (princípio in dubio pro reu).
1.7. Elementares e circunstâncias – art. 30, CP
Art. 30. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.
Elementares são os elementos que integram o tipo básico/fundamental, logo, não podem ser retirados, ex.: o elementar do homicídio é matar alguém; do furto é subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel; do estelionato é induzir/manter alguém em erro.
Já as circunstâncias são dados acessórios à figura típica que servem, por exemplo, para aumentar ou diminuir a pena (como é acessório, pode ser retirado que o crime ainda existe), ex.: art. , § 1º, CP
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
§ 1º. A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
As circunstâncias podem ser de dois tipos: objetiva, que está ligada ao fato, e não à pessoa(ex.: o horário do crime, o meio de execução, etc.); ou subjetiva, que diz respeito às pessoas, e não aos fatos (ex.: a motivação do crime, os antecedentes, a idade, a personalidade, a conduta social, etc.).
Exemplos:
Art. 121 CP. Matar alguém. → elementar
§ 1º. Impelido por motivo de relevante valor moral; redução de ⅙ a ⅓ da pena → circunstância
Art. 312 CP. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel → elementar 
§ 1º. Se o funcionário público subtrai, ou concorre para que seja subtraído…→ circunstância
Art. 123 CP. Mãe que mata o filho durante o parto ou logo sob influência do estado puerperal → elementar
2. CONCURSO DE CRIME
2.1. Espécies
2.1.1. Concurso material – art. 69, CP
Com duas ou mais condutas, há dois ou mais crimes, resultando na acumulação/soma de penas.
Ele é residual, ou seja, só residirá se o reconhecimento do crime continuado ou do concurso formal.
Ainda se divide em homogêneo (crimes iguais) e heterogêneo (crimes diferentes).
*Concurso material benéfico:
Se a exasperação da pena do crime continuado ou do crime formal for mais gravosa para o réu, as penas deverão ser somadas, como no concurso material.
2.1.2. Concurso formal – art. 70, CP
Com uma única conduta, o agente pratica dois ou mais crimes.
O concurso formal pode ser: i) perfeito, quando não há desígnios autônomos (o autornão quer nenhum ou apenas um crime); ii) imperfeito, quando há desígnios autônomos (o autor tem dolo direto em relação a dois ou mais crimes).
A aplicação da pena depende de qual tipo foi: no concurso formal perfeito, a pena é a do crime mais grave exasperada/aumentada de 1/6 a 1/2 de acordo com o número de crimes; no concurso formal imperfeito, as penas são somadas.
2.1.3. Crime continuado – art. 71, CP
É quando uma série de atos criminosos é punido como se fosse apenas um, com a pena exasperada.
Para que seja reconhecido, há requisitos objetivos criados pela lei:
a. ser crimes da mesma espécie (mesmo tipo legal);
b. possuir com semelhantes condições:
b.1. de tempo (até 30 dias entre os crimes);
b.2. de lugar (até cidades vizinhas);
b.3. de modo de execução;
E há mais dois requisitos subjetivos criado pelos tribunais:
a. unidade de plano criminoso (requisito subjetivo, o autor deve ter um único plano criminoso, vendo o crime como continuação do outro)
b. não ser criminoso habitual.
Obs.: não é aplicado crime continuado no caso de roubo e latrocínio.
No crime continuado comum, será aplicado a pena do crime mais grave exasperada de 1/6 a 2/3 de acordo com o número de crimes. No crime continuado qualificado/específico (crimes com violência ou grave ameaça contra vítimas diferentes), será aplicado a pena do crime mais grave exasperada de 1/6 ao triplo de acordo com o número e as circunstâncias dos crimes.
DAS PENAS
1. PENAS
É uma retribuição imposta pelo estado em virtude da prática de um ilícito penal, que priva o agente de sua liberdade ou de seus bens, visando a ressocialização do preso, sua educação e por fim, quer se evitar a prática de novas transgressões.
No aspecto positivo, elas servem para reafirmar a existência do direito penal, tendo o objetivo de ressocialização e a reeducação do condenado. Já no aspecto negativo, ela representa um caráter intimidador para a sociedade, com o fim de intimidação para o autor do delito para que ele não volte a ser preso.
2. TEORIAS EXTREMADAS DA PENA
2.1. Abolicionismo penal
Questiona a eficácia da punição, pois as penas não cumprem seu objetivo (ressocialização e reeducação), assim, defendem que o direito penal não deveria existir, já que a pena não cumpre seu objetivo. Também defendem a descriminalização ou despenalização de alguns crimes.
Essa teoria preconiza um abolicionismo acadêmico: mudança de conceitos e linguagem, evitando construções meramente punitivas (mudar a cabeça do aluno para não ser tão punitivo, assim fazendo uma leitura diferente do código); dar atendimento prioritário à vítima (seria melhor destinar dinheiro à vítima, do que construir prisões); guerra contra a pobreza; e legalização das drogas.
Art. 28, Lei 11.343/06 (Sisnad). Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas; 
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
2.2. Direito penal máximo
É um direito penal extremamente severo: se violou o bem jurídico, sofre punição (por exemplo, não teria bagatela)
Gunther Jakobs: O Direito Penal do Inimigo (o indivíduo é declarado inimigo do estado, assim, perde alguns benefícios, tem o julgamento mais rápido, possui pena mais severa), ex.: Lei do Abate.
2.3. Garantismo penal
Também chamado de Direito Penal Constitucional, ele funciona como um meio termo entre as duas teorias, já que ele respeita a legalidade.
Os 10 axiomas do garantismo penal: não há pena sem crime; não há crime sem lei; não há lei penal sem necessidade; não há necessidade de lei penal sem lesão; não há lesão sem conduta; não há conduta sem dolo ou culpa; não há culpa sem o devido processo penal; não há processo sem acusação; não há acusação sem prova que a fundamente; não há prova sem defesa
3. TIPOS DE PENA
Há três tipos de penas: Pena Privativa de Liberdade (PPL) – art. 112, LEP; ena Restritiva de Direitos (PRD) – art. 43, CP; e Pena de Multa.
3.1. Pena privativa de liberdade (PPL) – art. 112, LEP
A pena privativa de liberdade pode ser de três maneiras: reclusão, detenção ou prisão simples.
3.1.1. Tipos
3.1.1.1. Reclusão
A reclusão é para os crimes mais graves; que ferem o bem jurídico de forma mais relevante, como por exemplo: homicídio, latrocínio, estupro.
O regime inicial é o fechado.
Fechado
Semiaberto
Aberto
> 8
8 < 4
< 4
Na lei, se a pena for maior que 8 anos, vai para o regime fechado; se for maior que 4 e menor que 8, regime semiaberto; e até 4 anos, regime aberto. Entretanto, pode variar de acordo com o preso, contanto que seja fundamentada (não pode ser porque o juiz acha tal delito mais grave do que está escrito na lei, precisa de um argumento de acordo com o preso, se ele já tem um mal histórico, etc.)
Obs.: todos os reincidentes vão para regime fechado; porém, na Súmula 269 do STF diz que se a pena for até 4 anos e as circunstâncias forem favoráveis, o detento poderá passar para o regime semiaberto.
3.1.1.2. Detenção
Na detenção ficam os crimes menos graves (crime de médio potencial ofensivo), que ferem o bem jurídico de forma menos relevante, ex.: homicídio culposo.
O regime inicial é o semiaberto: se a pena for maior que 4 anos, o preso irá para o regime semiaberto; e se for menor que 4 anos, regime aberto.Semiaberto
Aberto
> 4
< 4
Obs.: em caso de reincidência, o detento irá para o regime semiaberto.
✱ Falta grave na execução da pena (art. 50, LEP)
Se o detento cometer uma falta grave no regime semiaberto, ele irá para o regime fechado (ex.: porte de celular)
3.1.2. Regimes – art. 33, CP
	FECHADO
	SEMIABERTO
	ABERTO
	penitenciária
	colônia agrícola ou industrial
	casa de albergado ou estabelecimento similar
	trabalho comum diurno e isolamento noturno
	trabalho comum diurno
	trabalho/estudo desvigiado e recolhimento nos períodos de folga
	permissão de saída em morte ou doença grave do preso ou do CADI
	saída temporária decretada pelo juiz 5 vezes ao ano por no máximo 7 dias
	-
3.1.2.1. Fechado – art. 33, § 1º, a, CP
O cumprimento da pena se dá no estabelecimento prisional de segurança máxima ou média. Há o trabalho diurno e isolamento noturno. O trabalho dentro da penitenciária é similar ao que o sujeito estabeleceria fora desta, se possível.
Existe a possibilidade do detento trabalhar fora da penitenciária se for em serviços ou obras públicas – Lei nº 11.671/08.
Ao preso em regime fechado é permitido a saída temporária apenas no caso de morte ou doença grave do próprio preso ou de cônjuge, ascendente, descendente ou irmão, desde que permitido pelo diretor do estabelecimento, sendo necessário vigilância
3.1.2.2. Semiaberto – art. 33, § 1º, b, CP
A pena é cumprida em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento familiar. O detento trabalha durante o dia e dorme no estabelecimento. Nesse regime, é possível que ele saia para frequentar cursos, ensino médio, fundamental, profissionalizantes ou superior.
No regime semiaberto o preso recebe o direito da saída temporária 5 vezes ao ano por no máximo 7 dias, a serem decretadas pelo juiz.
3.1.2.3. Aberto – art. 33, § 1º, c, CP
Ela se baseia na autodisciplina e no senso de responsabilidade do condenado, e para isso, o cumprimento da pena se dá na casa do albergado ou estabelecimento similar. O indivíduo sai para trabalhar, usando a casa apenas para dormir à noite e ficar os finais de semana.
Obs.: no estado de SP, por causa da SAAP, não possui casa do albergado, então depois do semiaberto, o indivíduo vai para casa (prisão domiciliar).
✱ Centro de Ressocialização (CR)
Apenas para pequenas infrações, presos que não fazem parte de facções criminosas e que apresentam bom comportamento (eles são escolhidos pelo diretor do C.R.). Se assemelha ao regime semiaberto (possuem alojamentos, trabalham dentro do presídio).
3.1.3. Progressão – art. 112, LEP
O requisito objetivo é o cumprimento da pena (1/6) e o subjetivo énão realizar uma falta grave e ter um bom comportamento. 
✱ Súmula Vinculante 56
A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais gravosa, deve-se apressar alguém que esteja no semiaberto ou aberto, para progredir o que está no fechado.
3.1.3.1. Crimes hediondos – art. 2º, § 1º, Lei 8072/90
No artigo 2º, diz-se obrigatório o cumprimento da pena em regime integralmente fechado para os condenados pela prática de crimes hediondos, entretanto foi declarada inconstitucional pela Súmula Vinculante 26, que passa a admitir a progressão aos praticantes do crime hediondo: se for primário, cumprirá ⅖ da pena, e reincidente 3/5 .
3.1.3.2. Crimes contra administração pública
Há a necessidade de reparar o dano que causou para haver a progressão.
3.1.4. Regressão – art. 118, I e II, LEP
A regressão ocorre quando o preso é removido de um sistema menos rigoroso para um sistema de maior rigor, em casos de prática de crime doloso ou falta grave. Também pode ocorrer quando o detento é condenado por mais um crime, além do que já está cumprindo pena.
✱ Súmula Vinculante 526, STJ
Quando o detento está cumprindo a pena e é condenado por mais um crime, as penas são somadas e retificadas/unificadas. Exemplo: João tem uma pena de 6 anos em regime fechado, e assim que cumpre ⅙ (ou seja, 1 ano), passa para o regime semiaberto, entretanto, ele é condenado a mais 5 anos, totalizando 10 (pois 1 ano ele já cumpriu), e é a partir daí que é considerado o ⅙ de novo, dando 1 ano e 3 meses, assim, voltando ao regime fechado.
3.1.5. Remissão – art. 126, CP
3.1.5.1. Trabalho
A cada três dias de trabalho, desconta-se um dia de pena.
3.1.5.2. Estudo
A cada 12h de estudo, equivalente a 3 dias, é reduzido 1 dia da pena.
3.1.5.3. Leitura
O detento tem de 20 a 30 para ler um livro e fazer uma resenha que irá ser conferida, se estiver de acordo com o livro, terá 4 dias descontados da pena (é possível que o detento leia e faça a resenha de mais de um livro por mês, cabendo ao juiz se ele aceitará ou não).
3.1.6. Detração – art. 42, CP
É o desconto da pena privativa de liberdade e na medida de segurança do tempo em que o agente permaneceu temporariamente preso (prisão provisória) e também do tempo que cumpriu medida de segurança.
Quando ocorre a prisão em flagrante (art. 30, CPP), prisão temporária ou prisão preventiva (art. 312, CPP), o sujeito tem que esperar, dentro da cadeia, o seu julgamento, e é este tempo de espera que pode ser descontado do tempo da pena.
Ex.: o sujeito foi preso em flagrante por roubo, assim é levado para a prisão de PPL, lá ele espera 1 ano e 6 meses para ter sua sentença definida pelo juiz, que é de 5 anos, logo, como ele já havia cumprido 1,6 anos na prisão, só falta 3 anos e 4 meses para concluir os 5 anos (a pena não conta a partir do momento em que é delegada a sentença) → mesmo ocorre se o indivíduo for preso em Medida de Segurança.
3.1.6.1. Detração paralela
Ex.: o crime A está em andamento quando o crime B ocorre, assim, quando a sentença do crime A for delegada, poderá ser descontado o tempo que ficou preso pelo crime B.
3.1.7. Prisão
3.1.7.1. Saída temporária – arts. 122 a 125, LEP
Conhecida também por “saidinha”, é um direito de todo detento que esteja no regime semiaberto. Pode ser até quatro vezes ao ano, por sete dias, sendo essas datas escolhidas pelo juiz da vara de execução.
3.1.7.2. Monitoramento eletrônico
É utilizado para monitorar a saída temporária (art. 146, b, II, LEP), e também para fixar a prisão domiciliar (art. 146, b, IV, LEP), assim controlando os lugares que o indivíduo frequenta.
✱ Lei 11671/08: transferência do preso do presídio estadual para federal
A justificativa é a manutenção da ordem, da disciplina ou da segurança da unidade prisional. Possui prazo de até 360 dias, podendo pedir prorrogação (com a transferência, a execução também vai para a justiça federal).
3.1.7.3. Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) – art. 52, LEP
é uma forma especial de cumprimento da pena no regime fechado, com duração máxima de 360 dias, sem prejuízo de nova sanção em caso de nova falta, mas obedecendo o limite de 1/6 da pena que o detento tem que cumprir; celas individuais; visitas por duas pessoas (sem contar as crianças) e de no máximo duas horas; banho de sol por duas horas.
3.1.8. Dosimetria da pena – art. 68, CP
Para se fixar a pena, é preciso passar pelas três fases nesta ordem:
3.1.8.1. Primeira fase: circunstâncias judiciais – art. 59, CP
É nesta fase que se fixa a pena base, para aí aumentar ou diminuir. 
Exemplo: furto, a pena é de de 4 a 10 anos, para fazer a conta é preciso fazer uma média ponderada (10 - 4 = 6), resultando em 6 anos, que dá 72 meses, dividindo pelas circunstâncias judiciais (72 ÷ 8 = 9), dando 9 meses, assim, esses nove meses são utilizados para aumentar ou diminuir em cada circunstância, por exemplo, se tiver mau antecedente, será aumentado 9 meses da pena mínima, que é 4, resultando em 4 anos e 9 meses.
São oito circunstâncias judiciais:
a. culpabilidade: é a maior ou menor reprovação geral sob a conduta praticada pelo agente, ou seja, se lesionou muito ou pouco o bem jurídico;
b. antecedentes: só é considerado um mau antecedente aquele crime já julgado, os que estão sob inquérito não podem ser usados como sinônimos de mal antecedência (Súmula 1444), devido ao Princípio da Presunção de Inocência;
✱ reincidência: voltar a cometer um crime depois de cinco anos após o cumprimento da pena; se for após os cinco anos, não é reincidente, mas ainda pode ser usado como antecedente.
c. conduta social: verificar como o sujeito é na sociedade que ele vive;
d. personalidade: é um retrato psíquico do delinquente;
e. motivo do crime: o porquê do crime ser cometido, ex.: furto famélico é feito devido à fome do indivíduo, inclusive é por isso que não pode ser punido;
f. circunstâncias: a maior ou menor gravidade do crime;
g. consequências: são os efeitos do crime para a vítima, os familiares, ex.: caso Isabella Nardoni;
h. comportamento da vítima: às vezes a vítima colabora com o crime, ex.: se a pessoa for atropelada enquanto cruza a rua/pista fora da passarela ou da faixa de pedestre.
3.1.8.2. Segunda fase: causas atenuantes e agravantes – arts. 65 e 61, CP (respectivamente)
Se o juiz já fixou a pena no mínimo legal (ex. do furto: 4 anos) e tem uma atenuante, pela Súmula 231 do STJ, a atenuante é ignorante, pois não é possível abaixar o mínimo, ficando com ela mesmo (4 anos). O mesmo ocorre para o máximo legal e um agravante.
Em regra, usa-se como atenuante ou agravante 1/6 da pena, podendo ser modificada pelo juiz se este justificar.
a. atenuante: menor de 21, na data do fato, ou maior de 70 na data da sentença; desconhecimento da lei; etc.
b. agravante: reincidência; motivo fútil ou torpe (dinheiro); traição/emboscada; emprego de veneno, fogo ou tortura; contra familiares; contra criança, maior de 60 anos, enfermo ou mulher grávida
Obs.: atenuante inominada (art. 66): quando não está previsto em lei, mas ainda é um atenuante
Art. 65, CP. São circunstâncias que sempre atenuam a pena: 
I - ser o agente menor de 21, na data do fato, ou maior de 70 na data da sentença; 
II - o desconhecimento da lei; 
III - ter o agente: 
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral; 
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano; 
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocado por ato injusto da vítima; 
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime; 
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou.
Art. 61, CP. São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: 
I - a reincidência; 
II - ter o agente cometido o crime: 
a) por motivo fútil ou torpe; 
b) para facilitar ou assegurar a execução,a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; 
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido; 
d) com emprego de veneno, fogo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum; 
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; 
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; 
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão; 
h) contra criança, maior de 60 anos, enfermo ou mulher grávida, 
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade; 
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido; 
l) em estado de embriaguez preordenada.
3.1.8.3. Terceira fase: diminuição e aumento
Ex.: homicídio privilegiado (art. 121, § 1º) e homicídio culposo (art. 121, § 4º).
3.2. Pena restritiva de direitos (PRD) – art. 44, CP
Art. 44, CP. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
A PRD não é cumulada com pena privativa de liberdade, por isso é autônoma. Entretanto, há exceções: art 78, CDC (pode cumular, ou seja, pena privativa de liberdade + prestação de serviço comunitário); Lei 12.288/10 Estatuto da Igualdade Racial (multa + prestação de serviço) e art. 302, CTB (detenção + multa → pode ser uma pena acessória).
Ela pode substituir a PPL tanto no crime doloso (com pena não superior a 4 anos e crime sem violência ou grave ameaça) quanto culposo (independente da pena imposta).
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
II - o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
→ E como faz a substituição?
§ 2º. Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 3º. Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
Quem escolhe a substituição é o juiz do caso. Vide tabela resumida:
	Pena
	Substituição
	PPL = ou < que 1 ano
	1 PRD ou multa
	PPL + 1 ano
	2 PRD ou 1 PRD + multa
✱ Crimes de violência imprópria
Nos crimes de roubo que tem violência imprópria (ex.: drogar a pessoa para esta ficar desacordada, e enquanto isso o indivíduo efetua o roubo), é admitido a substituição, pois o STJ não considera como uma ameaça ou grave violência.
3.2.1. Conversão da PRD em PPL – art. 44, § 4º, CP
§ 4º. A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
Quando há o não cumprimento injustificado da restrição imposta (PRD), o indivíduo volta para a PPL, cumprindo o tempo que falta para a finalização da pena. Entretanto, no final do parágrafo, diz que o saldo mínimo para a conversão é de 30 dias (a Defensoria Pública considera inconstitucional, já que o detento pode ter menos de 30 dias faltantes).
3.2.2. Penas – art. 45, CP
Art. 45, CP. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder-se-á na forma deste e dos arts. 46, 47 e 48.
A pena da PRD pode ser prestação pecuniária, perda de bens e valores, prestação de serviços à comunidade, intermediação temporária de direitos e/ou limitação de finais de semana.
3.2.2.1. Prestação pecuniária – art. 45, § 1º, CP
§ 1º. A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 2º. No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em prestação de outra natureza. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
3.2.2.2. Perda de bens e valores – art. 45, § 3º, CP
§ 3º. A perda de bens e valores pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação especial, em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto – o que for maior – o montante do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em conseqüência da prática do crime. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
O juiz determinará a perda de bens e valores lícitos que pertencem ao condenado (que podem ser bens móveis ou imóveis).
3.2.2.3. Prestação de serviços à comunidade – art. 46, CP
 Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 1º. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas consiste na atribuição de tarefas gratuitas ao condenado. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 2º. A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 3º. As tarefas a que se refere o § 1º serão atribuídas conforme as aptidões do condenado, devendo ser cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 4º. Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
3.2.2.4. Intermediação temporária de direitos – art. 47, CP
Art. 47, CP. As penas de interdição temporária de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
IV – proibição de frequentar determinados lugares; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos. (Incluído pela Lei nº 12.550, de 2011)
3.2.2.5. Limitação de fim de semana – art. 48, CP
Art. 48, CP. A limitação de fim de semana consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único. Durante a permanência poderão ser ministrados ao condenado cursos e palestras ou atribuídas atividades educativas. (Redação dada pela Lei nº7.209, de 11.7.1984)
3.3. Pena de multa – art. 49, CP
Art. 49, CP. A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º. O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º. O valor da multa será atualizado, quando da execução, pelos índices de correção monetária. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
3.3. Pagamento da multa – art. 50, CP
Art. 50, CP. A multa deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois de transitada em julgado a sentença. A requerimento do condenado e conforme as circunstâncias, o juiz pode permitir que o pagamento se realize em parcelas mensais. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º. A cobrança da multa pode efetuar-se mediante desconto no vencimento ou salário do condenado quando: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) aplicada isoladamente; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
b) aplicada cumulativamente com pena restritiva de direitos; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) concedida a suspensão condicional da pena. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º. O desconto não deve incidir sobre os recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua família. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
3.4. Conversão da multa e revogação – art. 51, CP
Art. 51, CP. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o juiz da execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
3.5. Suspensão da execução da multa – art. 52, CP
Art. 52, CP. É suspensa a execução da pena de multa, se sobrevém ao condenado doença mental. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
TEORIA DO ERRO
1. TEORIA DO ERRO – art. 20, caput e §§ 1º e 3º, CP
O erro é a falsa percepção da realidade, podendo ser inevitável ou evitável. O erro inevitável/invencível/escusável é aquele que, quando pelas circunstâncias concretas, nota-se que qualquer pessoa de mediana prudência e discernimento na situação em que o agente se encontrava, incorreria no mesmo equívoco. Já o erro evitável/vencível/inescusável provém da culpa do agente, pois se ele empregasse a cautela e a prudência do homem médio, poderia evitá-lo, uma vez que seria capaz de entender o caráter ilícito do fato criminoso.
1.1. Espécies de erro
1.1.1. Erro de tipo essencial – art. 20, CP
Art. 20, CP. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
O erro de tipo é aquele que incide sobre os elementos constitutivos do crime (figura típica), podendo ser: i) inevitável, onde se exclui o dolo e a culpa; ou ii) evitável, onde exclui o dolo, mas permite a punição na modalidade culposa se previsto em lei.
Se a modalidade culposa não for prevista, será irrelevante se o erro de tipo era inevitável ou evitável, sendo a ação considerada como fato atípico.
Ex. 1: “A” pratica sexo consensual com “B”, de 13 anos (art. 127-A) pensando que “B” tem 16 (art. 20, caput) → como esse crime não prevê a forma culposa: fato atípico.
Ex. 2: “A” pratica sexo mediante ameaça com “B”, de 13 anos (art. 127-A), pensando que “B” tem 15 anos (art. 20, caput) não havia dolo quanto a idade, mas sim quanto à violência sexual.
Ex. 3: “A” porta maconha (art. 28 da Lei nº 11.343-06) pensando ser orégano (art. 20, caput) esse crime não prevê a forma culposa: fato atípico.
Ex. 4: “A” leva embora o celular de “B” (art. 151) pensando ser o seu próprio (art. 20, caput) não tem forma culposa: fato atípico.
Ex. 5: “A”, em uma caçada, mata “B” (art. 121), pensando tratar-se de um urso (art. 20, caput) como possui forma culposa, deve ser analisado o caso concreto para concluir se o erro era inevitável ou evitável, e assim, definindo se “A” irá responder na forma culposa ou será fato atípico.
1.1.2. Erro de tipo permissivo ou descriminante putativa – art. 20, § 1º, CP
Art. 20, CP. [...]
§ 1º. É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
É o erro que recai sobre uma excludente de ilicitude. Em outras palavras, o agente sabe que está praticando um fato típico, mas pensa estar amparado por uma excludente de ilicitude (ex.: legítima defesa ou estado de necessidade), que na verdade não está presente.
De acordo com a Teoria Limitada da Culpabilidade, o erro de tipo permissivo pode ser: i) inevitável, onde se exclui o dolo e a culpa; ou ii) evitável, onde exclui o dolo, mas permite a punição na modalidade culposa se previsto em lei.
Ex. 1: “A” mata o cachorro de “B”, animal manso (art. 163) pensando trata-se de animal perigoso prestes a atacá-lo (art. 20, § 1º) fato atípico, pois esse crime não prevê a modalidade culposa.
Ex. 2: “A” mata “B”, seu amigo (art. 121) pensando trata-se de um ladrão prestes a agredi-lo (art. 20, § 1º) se o erro foi inevitável, é fato atípico; se evitável, homicídio culposo.
1.1.3. Erro de tipo acidental
1.1.3.1. Erro quanto a pessoa – art. 20, § 3º, CP
O erro quanto a pessoa acontece quando o agente confunde sua vítima com outra pessoa.
Art. 20, CP. [...]
§ 3º. O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
O agente responde com dolo como se tivesse atingido a vítima pretendida, ou seja, não vale a qualidade da vítima, mas sim de quem o sujeito queria matar.
Ex.: “A” quer matar seu tio, mas confunde com seu pai e acaba matando este homicídio doloso simples.
1.1.3.2. Erro na execução (aberratio ictus) – art. 73, CP
O erro na execução acontece quando o agente, por acidente, atinge pessoa diversa daquela que pretendia (não erra a pessoa, e sim na hora de executar o crime).
Art. 73, CP. Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código[footnoteRef:6]. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) [6: Art. 70, CP. Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)] 
Ex.: “A” quer matar sua esposa, mas na hora de dar o tiro, acerta “B” feminicídio.
Assim como no erro quanto a pessoa, o agente responde com dolo como se tivesse atingido a vítima pretendida.
Obs.: se ocorrer um duplo resultado, ou seja, uma única ação dá origem a dois ou mais resultados, como por exemplo: quando “A” atira para matar “B”, a bala acerta o braço de “C” e atinge “D” também, causando a morte desta. Neste caso, o agente “A” responderá por tentativa de homicídio contra o primeiro indivíduo “B” e por homicídio culposo quanto ao segundo “C”.
1.1.3.3. Resultado diversodo pretendido (aberratio delicti) – art. 74, CP
Quando o agente pretende atingir um resultado, porém atinge outro, responderá culposamente pelo crime diverso atingido. Caso atinja o resultado pretendido e o resultado diverso simultaneamente, responderá pelos dois crimes, sendo o segundo culposo. 
Art. 74, CP. Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
O agente responde por culpa pelo resultado efetivamente atingido.
Ex.: “A”, bravo com “B”, decide jogar um tijolo no carro de “B”, mas na hora que ele joga, acaba acertando na esposa de “B”, assim, responde por lesão corporal culposa (se tivesse atingido o carro também, responderia pelo crime de dano doloso).
1.1.4. Erro de proibição – art. 21, CP
Art. 21, CP. O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único. Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Ocorre quando o indivíduo imagina estar a sua ação dentro da lei, quanto, porém, não está. Se o erro for inevitável, tem a pena isenta, já o evitável tem a redução da pena de 1/6 a 1/3 .
Exemplo: o agente, quando chega em casa e vê que sua janta não está pronta, bate em sua esposa, já que na sua cabeça ele está completamente certo de que é sua função como marido “arrumar” sua esposa.
1.1.5. Erro sobre objeto
Na hora de pegar um objeto, acaba pegando outro.
SURSIS
1. SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA – art. 77, CP
Ocorre quando o indivíduo é condenado, porém não há o cumprimento da pena, uma vez que o mesmo é sujeito à período de prova, submetendo-se, segundo decisão judicial, ao cumprimento de determinadas obrigações. E se ao final deste período o agente tenha cumprido todas as obrigações e não tenha revogado tal benefício, terá a pena extinta.
O sursis apresenta dois elementos que constituem sua natureza jurídica: a) é Instituto de Política Criminal, já que o Estado estabeleceu um instituto que, por opção do mesmo, não executará penas que não sejam tão graves; e b) Direito Público Subjetivo do condenado, pois uma vez preenchido os requisitos, o réu tem direito ao sursis. Além desses dois prescritos no artigo 32 do Código, o sursis também tem natureza de pena.
Art. 77. A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código[footnoteRef:7]. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) [7: Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
II - o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)] 
Vale ressaltar que esse benefício só é aplicado à pena privativa de liberdade (PPL), não sendo possível em pena restritiva de direito (PRD) e pena de multa. Ademais, a pena de multa não impede a concessão do sursis:
Art. 77, CP. [...]
§ 1º. A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
As obrigações do condenado estão estipuladas no art. 78:
Art. 78. Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao cumprimento das condições estabelecidas pelo juiz. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º. No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou submeter-se à limitação de fim de semana (art. 48). (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente: (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
a) proibição de freqüentar determinados lugares; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 79, CP. A sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 80, CP. A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.1. Tipos de sursis
1.1.1. Sursis simples – art. 77, caput, CP
A pena privativa de liberdade de até dois anos poderá ser suspensa de dois a quatro anos, denominado período de prova, em que o condenado ficará sujeito a condições estabelecidas pelo juiz. Passado o período de prova e não revogado o benefício, a pena é extinta.
As condições são aplicadas pelo juiz na chamada audiência admonitória, prevista no artigo 160, LEP, que são os requisitos básicos do sursis.
1.1.2. Sursis especial – art. 78, § 2º, CP
Aplica-se todos os requisitos base do sursis, porém reparado o dano, o juiz suspenderá a prestação de serviços à comunidade ou à limitação de fim de semana, aplicando as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do artigo 78, CP:
§ 2°. Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente: (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
a) proibição de frequentar determinados lugares; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.2.3. Sursis etário e humanitário – art. 77, § 2º CP
Art. 77, CP. [...]
§ 2º. A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
Muda-se as penas: a pena restritiva de liberdade passa a ser de até quatro anos, sendo o período de anos estabelecido de quatro a seis anos, desde que o réu tenha mais de 70 anos na data da sentença (sursis etário) ou por razões de saúde (sursis humanitária) justifiquem a suspensão.
1.2. Período de prova
De1 a 3 anos:
Art. 11, LCP. Desde que reunidas as condições legais, o juiz pode suspender por tempo não inferior a um ano nem superior a três, a execução da pena de prisão simples, bem como conceder livramento condicional. (Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)
De 2 a 4 anos: sursis simples e crimes ambientais (art. 16, Lei de Crimes Ambientais).
Art. 16, Lei nº 9.605/98. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos.
De 2 a 6 anos: lei de segurança nacional (art. 5º, Lei de Segurança Nacional).
Art. 5º, Lei nº 7.170/83. Em tempo de paz, a execução da pena privativa da liberdade, não superior a dois anos, pode ser suspensa, por dois a seis anos, desde que:
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso, salvo o disposto no § 1º do art. 71 do Código Penal Militar ;
II - os seus antecedentes e personalidade, os motivos e as circunstâncias do crime, bem como sua conduta posterior, autorizem a presunção de que não tornará a delinqüir.
De 4 a 6 anos: sursis etário humanitário.
1.2.1. Prorrogação do período de prova
Art. 81, CP. [...]
§ 2º. Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 3º. Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período de prova até o máximo, se este não foi o fixado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 82, CP. Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de liberdade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.3. Revogação do sursis
A revogação será a cessação do benefício, uma vez que o indivíduo já esteja exercendo-o, ou seja, uma vez que o período de prova já tenha iniciado.
1.3.1. Revogação obrigatória – art. 81, CP
Art. 81 - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.3.2. Revogação facultativa – art. 81, § 1º, CP
Art. 81, CP. [...]
§ 1º. A suspensão poderá ser revogada se o condenado descumpre qualquer outra condição imposta ou é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.4. Cassação do sursis
A cassação é o impedimento da implementação do sursis antes do início do período de provas (perde antes de começar). São quatro as causas de cassação: se o réu não comparecer na audiência admonitória injustificadamente (art. 161, LEP); não aceitação do réu (quando ele renuncia); condenado irrecorrivelmente a pena privativa de liberdade não suspensa (novo processo) antes da definição do benefício; e, caso aumenta-se a pena, mediante ação, em mais de dois anos.
1.5. Sursis simultâneo
Se o crime anterior for culposo ou contravenção penal, é sim possível a aplicação de um segundo sursis.
LIVRAMENTO CONDICIONAL
1. LIVRAMENTO CONDICIONAL
É uma antecipação do livramento do condenado, desde que atendidos os requisitos, servindo este como estímulo à reintegração social do mesmo. Trata-se de um benefício para o condenado a PPL igual ou superior a 2 anos.
1.1. Natureza jurídica
O livramento condicional configura Direito Público Subjetivo do condenado, ou seja, respeitado os requisitos, é direito do indivíduo receber. Segundo Damásio, o livramento condicional deixou de ser direito ou privilégio do condenado, passando a constituir forma especial de execução da PPL e medida de natureza sancionatória.
1.2. LC e sursis
No sursis, não há o cumprimento da pena, ou seja, não se inicia a fase de execução, já no livramento condicional, o condenado deverá cumprir parte da pena. No sursis simples, por exemplo, o período de prova é preestabelecido, durando de dois a quatro anos, diferente do livramento, onde o período de prova não tem tempo preestabelecido, durando o restante da pena do condenado. E também, no sursis, a concessão é feita na sentença ou, se não concedida nesta, no tribunal, enquanto o livramento é concedido na execução.
Mas há também semelhanças, como: ambos se destinam à condenados de uma PPL, para a concessão destes existem condições preestabelecidas e possuem período de prova.
1.3. Pressupostos
1.3.1. Regra
Art. 83, CP. O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - comprovado:
a) bom comportamento durante a execução da pena; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinqüir. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Obs.: quando tiver maus antecedentes, há uma divergência de opiniões entres os autores. 
1.3.2. Requisitos
Tem-se dois tipos de requisitos: objetivos e subjetivos
1.3.2.1. Requisitos objetivos
São aqueles que não dependem do indivíduo, mas sim da compatibilidade da pena com o previsto no Código, como: condenação a PPL por tempo igual ou superior a dois anos, cumprimento da pena, de acordo com os requisitos e reparação do dano, salvo na impossibilidade de fazê-lo.
1.3.2.2. Requisitos subjetivos
Requisitos relacionados à pessoa do condenado, como: bom comportamento (através do Boletim Internacional Prisional, B.I.); bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; aptidão para subsistir a partir de trabalho honesto; cometendo-se crime doloso com violência ou grave ameaça, necessita-se da comprovação de que não voltará a delinquir, através de exame criminológico.
1.3.3. Concessão
Para que se conceda o livramento condicional, é necessário o requerimento feito pelo próprio sentenciado, pela família do mesmo, pelo cônjuge, Conselho Penitenciário, Ministério Público ou o próprio juiz de ofício, sendo prevista no art. 137 da LEP.
1.4. Período de prova
Como diz o art. 85, CP, as condições do livramento serão definidas juntamente com a sentença do indivíduo. Essas condições estão especificadas pelos arts. 132 a 144 LEP, e divididas em obrigatórias e facultativas
Art. 132, LEP. Deferido o pedido, o Juiz especificará as condições a que fica subordinado o livramento.
Art. 144, LEP. O Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou mediante representação do Conselho Penitenciário, e ouvido o liberado, poderámodificar as condições especificadas na sentença, devendo o respectivo ato decisório ser lido ao liberado por uma das autoridades ou funcionários indicados no inciso I do caput do art. 137 desta Lei, observado o disposto nos incisos II e III e §§ 1o e 2o do mesmo artigo. (Redação dada pela Lei nº 12.313, de 2010).
1.4.1. Condições obrigatórias – art. 132, § 1º, LEP
Art. 132, LEP. [...]
§ 1º. Serão sempre impostas ao liberado condicional as obrigações seguintes:
a) obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável se for apto para o trabalho;
b) comunicar periodicamente ao Juiz sua ocupação;
c) não mudar do território da comarca do Juízo da execução, sem prévia autorização deste.
1.4.2. Condições facultativas – art. 132, § 2º, LEP
Art. 132, LEP. [...]
§ 2º. Poderão ainda ser impostas ao liberado condicional, entre outras obrigações, as seguintes:
a) não mudar de residência sem comunicação ao Juiz e à autoridade incumbida da observação cautelar e de proteção;
b) recolher-se à habitação em hora fixada;
c) não frequentar determinados lugares.
1.5. Revogação
O Código estabelece duas categorias de revogação: obrigatória e facultativa.
1.5.1. Revogação obrigatória – art. 86, CP
Art. 86, CP. Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em sentença irrecorrível: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - por crime cometido durante a vigência do benefício; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Revoga-se livramento uma vez que o indivíduo seja condenado por PPL irrefutavelmente antes ou durante o período de prova. Tal ação é logicamente justificada, pois não é possível a coexistência da liberdade (livramento) e cárcere (PPL).
1.5.2. Revogação facultativa – art. 87, CP
Art. 87, CP. O juiz poderá, também, revogar o livramento, se o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a pena que não seja privativa de liberdade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Convém destacar que sendo o indivíduo condenado por crime doloso durante o período de prova, mesmo que a pena não seja PPL, deverá ser revogado o benefício, já que descumpriu um dos requisitos prévios à adoção do livramento.
1.5.3. Suspensão cautelar
Art. 145, LEP. Praticada pelo liberado outra infração penal, o Juiz poderá ordenar a sua prisão, ouvidos o Conselho Penitenciário e o Ministério Público, suspendendo o curso do livramento condicional, cuja revogação, entretanto, ficará dependendo da decisão final.
Não tendo a legislação previsto acerca da prisão simples, poderá o juiz, neste período decretar a suspensão cautelar do livramento, “expedindo ordem de prisão ao condenado”.
1.5.4. Efeitos da revogação
Art. 88, CP. Revogado o livramento, não poderá ser novamente concedido, e, salvo quando a revogação resulta de condenação por outro crime anterior àquele benefício, não se desconta na pena o tempo em que esteve solto o condenado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Uma vez que o crime sentenciado tenha ocorrido antes do início do período de prova, não há quebra de confiança, contando este período de tempo como pena cumprida, sendo possível a soma da restante àquela posteriormente sentenciada. Porém, uma vez cometido o crime durante o período de prova, caracterizando a quebra de confiança, desconsiderará o período de livramento como sendo pena cumprida, não sendo possível a soma das penas para o recálculo referente ao livramento posterior (art. 141, LEP).
Art. 141, CP. Se a revogação for motivada por infração penal anterior à vigência do livramento, computar-se-á como tempo de cumprimento da pena o período de prova, sendo permitida, para a concessão de novo livramento, a soma do tempo das 2 (duas) penas.
1.6. Prorrogação do período de prova
Como afirma Guaracy Moreira Filho: “Com efeito, a prática de nova infração durante o período do livramento condicional importa prorrogação do período de prova que será revogado na hipótese de sentença condenatória. Deve-se, assim, aguardar a decisão definitiva do processo: sendo o réu condenado, revoga-se o livramento; absolvido, declara-se extinta a pena privativa de liberdade.”
1.7. Extinção da pena
Art. 89, CP. O juiz não poderá declarar extinta a pena, enquanto não passar em julgado a sentença em processo a que responde o liberado, por crime cometido na vigência do livramento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 90, CP. Se até o seu término o livramento não é revogado, considera-se extinta a pena privativa de liberdade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
EFEITOS DA CONDENAÇÃO
1. EFEITOS DA CONDENAÇÃO NAS PENAS E MEDIDAS DE SEGURANÇA
1.1. Efeitos principais
Tem como efeito principal restringir a liberdade dos indivíduos imputáveis e submeter à medida de segurança os inimputáveis, ou seja, pena.
1.2. Efeitos secundários
São efeitos secundários: reincidência; interrupção da prescrição quando houver reincidência (aumentando o prazo em 1/3); revogação e impedimento da concessão do sursis, bem como do livramento condicional; gera revogação da reabilitação; e impede o reconhecimento do perdão judicial em certos crimes, como a receptação culposa (art. 180, § 3º e § 5º, CP).
1.3. Efeitos genéricos – art. 91, CP
Efeitos genéricos são aqueles automáticos, ou seja, decorrem da própria natureza da sentença condenatória, isto é, uma vez aplicada a sentença, ocorrerá o efeito, independentemente do crime, não sendo necessário pronunciamento oficial do juiz.
Art. 91, CP. São efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte ou detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso.
§ 1º. Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
§ 2º. Na hipótese do § 1º, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de perda. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012)
Art. 91-A. Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 1º. Para efeito da perda prevista no caput deste artigo, entende-se por patrimônio do condenado todos os bens: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - de sua titularidade, ou em relação aos quais ele tenha o domínio e o benefício direto ou indireto, na data da infração penal ou recebidos posteriormente; e (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a partir do início da atividade criminal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º. O condenado poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a procedência lícita do patrimônio. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 3º. A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo Ministério Público, por ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença apurada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 4º. Na sentença condenatória, o juiz deve declarar o valor da diferença apurada e especificaros bens cuja perda for decretada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 5º. Os instrumentos utilizados para a prática de crimes por organizações criminosas e milícias deverão ser declarados perdidos em favor da União ou do Estado, dependendo da Justiça onde tramita a ação penal, ainda que não ponham em perigo a segurança das pessoas, a moral ou a ordem pública, nem ofereçam sério risco de ser utilizados para o cometimento de novos crimes. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
1.4. Efeitos específicos – art. 92, CP
São aqueles não automáticos, ou seja, é necessário que o juiz declare expressamente a adoção de tal efeito, incidindo, portanto, somente em alguns crimes. 
Art. 92, CP. São também efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública; (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
II – a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes dolosos sujeitos à pena de reclusão cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar, contra filho, filha ou outro descendente ou contra tutelado ou curatelado; (Redação dada pela Lei nº 13.715, de 2018)
III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivadamente declarados na sentença. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.5. Efeitos híbridos – art. 218-B, § 3º, CP e art. 1.521, VII, CC
Exemplo: art. 218-B, CP[footnoteRef:8] e art. 1.521, VII, CC[footnoteRef:9]. [8: Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
[...]
§ 3º. Na hipótese do inciso II do § 2º, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
] [9: Art. 1.521. Não podem casar:
[...]
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte.] 
REABILITAÇÃO
1. REABILITAÇÃO – art. 93, CP
Art. 93, CP. A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao condenado o sigilo dos registros sobre o seu processo e condenação. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único. A reabilitação poderá, também, atingir os efeitos da condenação, previstos no art. 92 deste Código, vedada reintegração na situação anterior, nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
A reabilitação é o instituto que tem como objetivo ocultar os dados referentes às condenações penais de determinado indivíduo, de modo a facilitar seu regresso na sociedade. Entretanto, as condenações não serão apagadas, mas sim ocultadas em relação à população. E em relação ao Estado, o indivíduo continuará com maus antecedentes e/ou reincidência.
1.1. Requisitos – art. 94, CP
Art. 94, CP. A reabilitação poderá ser requerida, decorridos 2 (dois) anos do dia em que for extinta, de qualquer modo, a pena ou terminar sua execução, computando-se o período de prova da suspensão e o do livramento condicional, se não sobrevier revogação, desde que o condenado: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - tenha tido domicílio no País no prazo acima referido; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento público e privado; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre a absoluta impossibilidade de o fazer, até o dia do pedido, ou exiba documento que comprove a renúncia da vítima ou novação da dívida. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único. Negada a reabilitação, poderá ser requerida, a qualquer tempo, desde que o pedido seja instruído com novos elementos comprobatórios dos requisitos necessários. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.2. Competência
A competência para o deferimento de tal instituto será do juiz da condenação, assim como previsto no art. 743, CPP.
Art. 743, CPP. A reabilitação será requerida ao juiz da condenação, após o decurso de quatro ou oito anos, pelo menos, conforme se trate de condenado ou reincidente, contados do dia em que houver terminado a execução da pena principal ou da medida de segurança detentiva, devendo o requerente indicar as comarcas em que haja residido durante aquele tempo.
Caso o juiz indefira, caberá apelação (art. 593, II, CPP).
Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular nos casos não previstos no Capítulo anterior; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
Neste caso, o processo partirá para o TJ, e uma vez indeferido neste Tribunal, caberá, novamente, apelação, porém de acordo com o inciso III.
III - das decisões do Tribunal do Júri, quando: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos. (Incluído pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
1.3. Revogação da reabilitação
Art. 95, CP. A reabilitação será revogada, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, se o reabilitado for condenado, como reincidente, por decisão definitiva, a pena que não seja de multa. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Causa condenação definitiva por pena que não seja de multa, uma vez que este crime configure o indivíduo como reincidente.
O pedido poderá ser feito pelo juiz de ofício ou mediante requerimento do MP. Negado o pedido (de reabilitação), o recurso cabível é a apelação (art. 593, II, CPP).
1.4. Concessão
A reabilitação deve ser concedida automaticamente segundo o art. 202, CPP:
Art. 202, CPP. Cumprida ou extinta a pena não constarão da folha corrida, atestados ou certidões fornecidas por autoridade policial ou por auxiliares da Justiça, qualquer notícia ou referência à condenação, salvo para instruir processo pela prática de nova infração penal ou outros casos expressos em lei.
MEDIDA DE SEGURANÇA
1. MEDIDA DE SEGURANÇA
É uma espécie de sanção penal de caráter curativo (não tem caráter aflitivo) imposto ao imputável ou semi-imputável pela prática de um ilícito penal, com o objetivo de tratá-lo, controlando sua periculosidade e afastando-o do convívio social. 
Não está ligado ao Direito Penal, e sim ao Direito Administrativo, mas ainda sim sendo de caráter jurídico penal, já que está previsto no Código Penal (CP) e na Lei de Execução Penal (LEP).
Como menciona Daniel Martins de Barros, em artigo intitulado “Loucura não é crime”, aquele cujo crime decorre de distúrbio mental deverá ser submetido à tratamento médico, tendo como finalidadea cessação de periculosidade. Após cessada, o mesmo deverá ser liberado e, se assim definir o juiz, continuar mediante tratamento ambulatorial.
O sistema já foi duplo binário, ou seja, pena e medida de segurança, entretanto, foi revogada com a lei 7229/84 e substituído pelo sistema vicariante, onde ou se aplica a pena ou a medida de segurança.
1.1. Pena ≠ medida de segurança
A pena é fundada na culpabilidade, já na medida de segurança, analisa-se do ponto de vista ético, se baseia na utilidade. Também, a pena é dosada de acordo com o sistema trifásico, atendendo-se a gravidade do crime, e a medida de segurança, está baseada na periculosidade do agente. A pena tem caráter aflitivo (punição/castigo), diferente da medida de segurança, que tem caráter curativo, ou seja, tenta tratar
De acordo com o professor Carlos Paschoalik Antunes, a pena tem tríplice finalidade (prevenção, retribuição e ressocialização), olha para o passado e baseia-se na culpabilidade. Já a medida de segurança é essencialmente curativa (mas claro, sem negar seu caráter penoso), olha para o futuro e trabalha com a periculosidade.
1.2. Espécies de medida de segurança
 Art. 96, CP. As medidas de segurança são: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento adequado; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Conhecida por medida detentiva, o agente poderá ser submetido à internação em hospital de tratamento psiquiátrico e custódia (manicômio judicial). Esta medida será aplicada em crimes punidos com reclusão (neste caso, o juiz sempre deverá aplicar a medida detentiva).
II - sujeição a tratamento ambulatorial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Também chamada de medida restritiva, o agente poderá ser submetido a tratamento ambulatorial (vai ao médico periodicamente). Essa medida será aplicada aos crimes punidos com detenção. “Se o crime do inimputável é reclusão, cabe a medida detentiva, internação em hospital de custódia e ponto final. Agora, se o crime que ele praticou é punido com detenção, aí pode ser a detentiva ou restritiva. Fica a critério do juiz” (Carlos Paschoalik Antunes).
Parágrafo único. Extinta a punibilidade, não se impõe medida de segurança nem subsiste a que tenha sido imposta. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.3. Concessão – art. 97, CP
Art. 97, CP. Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art. 26[footnoteRef:10]). Se, todavia, o fato previsto como crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo a tratamento ambulatorial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) [10: Art. 26, CP. É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)] 
Uma vez comprovada a inimputabilidade ou semi-imputabilidade do agente, deve-se enquadrá-lo no art. 26 e, desta forma, absolvê-lo. Portanto, existem dois pressupostos para a aplicação da medida de segurança: prática de um fato previsto como crime e comprovação da inimputabilidade ou semi-imputabilidade do agente. Comprovada esses dois pressupostos, mediante sentença absolutória imprópria, aplica-se a medida de segurança. 
1.4. Prazo – art. 97, § 1º, CP
Art. 97, CP. [...]
§ 1º. A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo indeterminado, perdurando enquanto não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá ser de 1 (um) a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
A medida de segurança, enquanto não for comprovada a cessação de periculosidade, não apresenta prazo máximo. Mas, uma vez comprovada a imputabilidade e aplicada a medida de segurança, o juiz deverá estabelecer como prazo mínimo para o primeiro exame de periculosidade de um a três anos, detraindo-se o tempo em que o indivíduo permaneceu internado anteriormente ao estabelecimento do prazo.
1.5. Exames de cessação de periculosidade – art. 97, § 2º, CP
Art. 97, CP. [...]
§ 2º. A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.6. Desinternação ou Liberação Condicional – art. 97, § 3º, CP
Art. 97, CP. [...]
 § 3º. A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo ser restabelecida a situação anterior se o agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica fato indicativo de persistência de sua periculosidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Será concedido o livramento àquele cujo laudo médico comprovarem a não mais necessidade da internação, ficando submetido o indivíduo a tratamento ambulatorial, apenas, ou se comprovada, à total liberdade devido à total recuperação. O período de prova será de um ano, e uma vez que o agente cometa qualquer ato que indique o retorno da periculosidade, não sendo necessário o cometimento de um crime, o livramento é revogado e o mesmo retornará ao tratamento anteriormente efetuado.
1.7. Reinternação do agente – art. 97, § 4º, CP
Art. 97, CP. [...]
§ 4º. Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do agente, se essa providência for necessária para fins curativos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Estando em qualquer fase do tratamento, o juiz poderá, mediante comprovação de tal medida, decretar que o indivíduo retorne à condição de internação para fins curativos. Ela poderá ser comprovada, por exemplo, pela falta de eficiência dos demais meios de cessação de periculosidade.
1.8. Substituição da PPL por medida de segurança
1.8.1. Para o imputável
O indivíduo imputável é condenado, e durante a execução da pena, o mesmo passa a apresentar distúrbios mentais. Nessa situação, o indivíduo passará por um exame psicológico. Se neste constar o caráter temporário do distúrbio, ele será recolhido ao hospital de tratamento e custódia, isto é, converte a PPL em medida de segurança (art. 41, CP). Curado o transtorno, a pena será convertida novamente em privativa de liberdade. Entretanto, se o transtorno for permanente, a PPL deverá ser permanentemente convertida em medida de segurança (art. 97, CP). 
A medida de segurança pode ser mantida por: prazo indeterminado (art. 97, § 1º, PC); o mesmo tempo da PPL, detraindo o tempo já cumprido (se ao fim do tempo o indivíduo ainda apresentar o distúrbio, através de uma ação civil de interdição, o MP mantém o indivíduo internado sob custódia); no máximo por 30 anos; o tempo máximo estabelecido no tipo penal cometido pelo agente.
1.8.2. Semi-imputável – art. 98, CP
Art. 98, CP. Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste Código e necessitando o condenado de especial tratamento curativo, a pena privativa de liberdade pode ser substituída pela internação, ou tratamento ambulatorial, pelo prazo mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos, nos termos do artigo anterior e respectivos §§ 1º a 4º. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.9. Direitos do internado – art. 99, CP
Art. 99, CP. O internado será recolhido a estabelecimento dotado de características hospitalares e será submetido a tratamento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.10. Extinção da punibilidade
Por exemplo, em crimes cometidos por indivíduo imputáveis, passado o período estipulado para a acusação do mesmo, ou seja, prescrito período válido para a acusação do indivíduo, extingue-se a punibilidade, não podendo mais acusá-lo por aquele crime.
1.11. Periculosidade
É a efetiva probabilidade relativa ao responsável por uma infração penal, inimputável ou semi-imputável, de voltar a envolver-se em crimes ou contravenções penais.
1.11.1. Espécies de periculosidade
Pode ser uma periculosidade presumida ou real. Ela é presumida para os absolutamente incapazes; e real, é aquelesemi imputável.
AÇÃO PENAL
1. AÇÃO PENAL
Ação penal é o jus puniendi (direito de punir) do Estado que, mediante pedido judicial, encaminhará o fato ao Poder Judiciário o qual, mediante análise do caso concreto, imporá ao indivíduo a pena mais adequada. Segundo o professor Carlos Paschoalik Antunes, ação penal “é o direito de pedir a tutela jurisdicional relacionada a um caso concreto”.
1.1. Natureza jurídica da ação penal (características)
Ainda de acordo com o professor Calor Paschoalik, são quatro as características relacionadas à natureza jurídica da ação penal.
1.1.1. Pública
A ação penal é pública pois se dirige ao Estado, exigindo dele a prestação jurisdicional. “A atividade jurisdicional, que se pretende provocar é de natureza pública. Por isso é que tecnicamente, a expressão ‘ação penal privada’ estaria errada. Isso porque a ação penal não é privada; é pública. Daí melhor dizer ação penal de iniciativa privada.”
1.1.2. Subjetiva
Todo e qualquer indivíduo poderá, se comprovada a infração penal, exigir do Estado a proteção jurisdicional.
1.1.3. Autônoma
Fundamenta-se na simples ação de exigir tutela jurisdicional do Estado.
1.1.4. Abstrata
A ação penal “independe da procedência ou improcedência do pedido”
1.1.5. Determinada
É instrumentalmente conexo a um fato concreto, já que pretende solucionar uma pretensão de direito material (precisa de um fato determinado, para que surja o direito de ação)
1.1.6. Específica
Apresenta um conteúdo, que é o objetivo da imputação, ou seja, é o fato delituoso cuja prática é atribuída ao acusado.
1.2. Condições da ação penal
É chamada Teoria da asserção, segundo a qual o juiz deve analisar o preenchimento das condições da ação com base nos elementos fornecidos pelo autor na própria inicial acusatória. As condições se subdividem em: genéricas e específicas. 
1.2.1. Condições genéricas
As condições genéricas devem estar presentes em toda e qualquer ação.
1.2.1.1. Legitimidade das partes:
A legitimidade da ação penal é expressamente determinada pela lei (art. 100, §§ 1º ao 4º), podendo ser o Ministério Público (órgão acusador oficial), ou o particular. Como explica Vicente Greco Filho, “a cada um de nós não é permitido propor ações sobre todas as lides que ocorrem no mundo […] Cada um deve propor as ações relativas aos seus direitos […] Assim, quem pode propor ação de cobrança de um crédito é o credor, quem pode propor a ação de despejo é o locador, quem pode pleitear a reparação do dano é aquele que sofreu.”
Art. 100, CP. A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º. A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º. A ação de iniciativa privada é promovida mediante queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 3º. A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos crimes de ação pública, se o Ministério Público não oferece denúncia no prazo legal. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 4º. No caso de morte do ofendido ou de ter sido declarado ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou de prosseguir na ação passa ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
1.2.1.2. Interesse de agir:
Segundo Rogério Greco, “o interesse de agir, no processo penal, decorre da necessidade de ter o titular da ação penal que se valer do Estado para que este conheça e, se for convencido da infração penal, condene o réu ao cumprimento de uma pena justa.”
1.2.1.3. Possibilidade jurídica do pedido:
Consiste na formulação de pretensão que, em tese, existia na ordem jurídica como possível, ou seja, que a ordem jurídica brasileira preveja a providência pretendida pelo interessado
Afirma o Prof. Carlos Paschoalik Antunes, “MP oferece denúncia contra um menor de 18 anos para que seja condenado pela prática do crime 213. Eu posso impor PPL ao menor de 18 anos pela prática de um crime? Não. Então, o pedido que estou formulando não encontra amparo no ordenamento jurídico. A denúncia é rejeitada por ausência de uma condição de ação penal.”
1.2.1.4. Justa causa:
Segundo Rogério Greco, “justa causa, aqui, quer dizer um lastro probatório mínimo que dê suporte aos fatos narrados na peça inicial de acusação.”
1.2.2. Condições específicas
São necessárias apenas em determinadas infrações penais, como: representação do ofendido; requisição do Ministro da Justiça; laudo pericial nos crimes contra a propriedade imaterial (violação de direitos autorais); condição de militar no crime de deserção.
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
1. PUNIBILIDADE
A punibilidade é resultado do cometimento de uma ação ou omissão típica antijurídica e culpável, sendo, inclusive, para alguns doutrinadores, elemento constitutivo do crime. Como afirmam os professores Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim, uma vez comprovada a punibilidade, “caberá ao Estado exercer o seu jus puniendi, abrindo-se, então, a possibilidade de aplicação de pena.”
2. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
De acordo com Guilherme de Souza Nucci, a extinção da punibilidade é o “desaparecimento da pretensão punitiva ou executória do Estado, em razão de específicos obstáculos previstos em lei, por razões de política criminal”. Ou seja, a extinção acontece, extinguindo qualquer possibilidade da aplicação da pena ao agente.
3. CAUSAS EXTINTIVAS DA PUNIBILIDADE – art. 107, CP
Art. 107, CP. Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - pela morte do agente;
II - pela anistia, graça ou indulto;
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada;
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;
VII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
VIII - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.
3.1. Morte do agente – art. 107, I, CP e art. 62, CPP
Art. 107, CP. [...]
I - pela morte do agente;
Art. 62, CPP. No caso da morte do acusado, o juiz, somente à vista da certidão de óbito e depois de ouvido o MP, declarará a extinção da punibilidade. 
A certidão de óbito tem por finalidade certificar a existência da morte e registrar a sua causa do ponto de vista médico e eventuais aplicações jurídicas. Mas, como há casos de certidões falsas, antes de extinguir a punibilidade, por medida de segurança, o MP deverá requerer ao juiz que confirme o documento apresentado aos autos, expedindo ofício ao cartório de registro civil indicado no documento apresentado em juízo, a fim de que este seja ratificado pelo tabelião.
Obs.: a morte do agente também impede que a pena de multa aplicada ao condenado seja executada em face dos seus herdeiros.
3.2. Anistia, graça e indulto
Art. 107, CP. [...]
II - pela anistia, graça ou indulto;
3.2.1. Anistia – art. 107, II, CP e art. 187, LEP
Art. 187. Concedida a anistia, o Juiz, de ofício, a requerimento do interessado ou do Ministério Público, por proposta da autoridade administrativa ou do Conselho Penitenciário, declarará extinta a punibilidade.
Segundo Guilherme de Souza Nucci, a anistia “é a declaração pelo Poder Público de que determinados fatos se tornam impuníveis por motivo de utilidade social”.
É uma medida de caráter coletivo, beneficiando pessoas condenadas criminalmente, isentando-as de pena e tornando sem efeito as sanções aplicadas. Ela possui efeito ex tunc sobre o crime, desconstituindo a própria coisa julgada; em outras palavras, percebe-se que a anistia anula a sentença penal condenatória irrecorrível e, com isto, se o anistiado cometer novo crime, não será considerado reincidente.
A anistia não impede actio civilis ex delicto ou ação civil de reparação de dano, pois alcançatão somente os efeitos penais da sentença.
Obs.: uma vez concedida, não pode ser revogada, de acordo com o art. 5º, XXXVI e XL, CF. 
3.2.1.1. Espécies de anistia
São quatro as espécies de anistia:
I. momento da concessão: própria (concedida antes da condenação) ou imprópria (concedida após a condenação transitado em julgado);
I. alcance: plena/geral (aplicada a todos os criminosos do tipo penal) ou parcial/restrita (atinge apenas uma parcela dos criminosos envolvidos no tipo penal, ex.: reincidentes);
III. a necessidade de algum ato ser praticado pelo beneficiado: incondicionada (para receber o benefício, independe de qualquer ato) ou condicionada (para a extinção da punibilidade, a parte precisa realizar algum ato, como por exemplo a reparação do dano);
IV. modalidade do crime: especial (destinada a certos crimes, ex.:crimes políticos) ou comum (quando diz respeito aos demais ilícitos penais).
3.2.1.2. Não se admite anistia – art. 5º, XLII, CF e art. 2º, I, Lei 8072/90
Não admitirá anistia nas hipóteses dos arts. 5º, XLII da CF[footnoteRef:11] (racismo) e 2º, I da Lei nº 8072/90[footnoteRef:12] (crimes hediondos, tortura, tráfico e terrorismo). [11: Art. 5º, CF. [...]
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
] [12: Art. 2º, Lei nº 8.072/90. Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de:
I - anistia, graça e indulto;] 
3.2.2. Graça ou indulto individual – arts. 188 a 192, LEP
É a clemência destinada a uma pessoa determinada, não dizendo respeito a fatos criminosos. 
Art. 188, LEP. O indulto individual poderá ser provocado por petição do condenado, por iniciativa do Ministério Público, do Conselho Penitenciário, ou da autoridade administrativa.
Art. 189, LEP. A petição do indulto, acompanhada dos documentos que a instruírem, será entregue ao Conselho Penitenciário, para a elaboração de parecer e posterior encaminhamento ao Ministério da Justiça.
Art. 191, LEP. Processada no Ministério da Justiça com documentos e o relatório do Conselho Penitenciário, a petição será submetida a despacho do Presidente da República, a quem serão presentes os autos do processo ou a certidão de qualquer de suas peças, se ele o determinar.
Art. 192. Concedido o indulto e anexada aos autos cópia do decreto, o Juiz declarará extinta a pena ou ajustará a execução aos termos do decreto, no caso de comutação.
3.2.3. Indulto (coletivo) – art. 193, LEP
Art. 193, LEP. Se o sentenciado for beneficiado por indulto coletivo, o Juiz, de ofício, a requerimento do interessado, do Ministério Público, ou por iniciativa do Conselho Penitenciário ou da autoridade administrativa, providenciará de acordo com o disposto no artigo anterior.
O indulto é o modo de extinção da punibilidade, sem referência expressa a cada beneficiado pela medida, e sem que cessem todos os efeitos da condenação.
Se preenchidos os requisitos, o condenado será beneficiado pelo indulto coletivo concedido pelo juiz de ofício, a partir de requerimento pelo interessado, MP, Conselho Penitenciário ou autoridade administrativa, será declarado a extinção da pena.
É a clemência destinada a um grupo de sentenciados, tendo em vista a duração das penas aplicadas, podendo exigir requisitos subjetivos (como primariedade, comportamento carcerário, antecedentes) e objetivos (cumprimento de certo montante da pena, exclusão de certos tipos de crimes).
O indulto poderá ser total (caso o indivíduo atinja todas as especificações, extinguindo-se a pena), ou parcial (se atingir parcialmente as condições exigidas, podendo beneficiá-lo com a comutação).
3.2.4. Resumo
	
	ANISTIA
	 GRAÇA | INDULTO
	CONCESSÃO:
	Congresso Nacional
	Presidente da República
	MEIO:
	lei
	decreto
	ABRANGÊNCIA:
	fatos considerados criminosos
	 condenados | condenados em
 específicos número indeterminado
	FORMAS E CONDIÇÕES:
	condicionada ou incondicionada; geral ou parcial; irrestrita ou limitada
	condicionado ou incondicionado; total ou parcial
	NATUREZA JURÍDICA:
	excludente de tipicidade
	excludente de punibilidade
	PARTICULARIDADES:
	- pode ocorrer antes da condenação definitiva (anistia própria) ou depois (anistia imprópria); 
- possui efeito ex tunc e agrega ação e condenação, bem como elimina registros na folha de antecedentes; 
- destina-se, principalmente, a crimes políticos; 
- não cabe a crimes hediondos e equiparados.
	- podem ocorrer antes da condenação desde que haja, pelo menos, trânsito em julgado, ou depois (forma mais comum); 
- depende da vontade discricionária da Pres., que concede para garantir um esvaziamento de cárceres, ou por entender ser instrumento de política criminal; 
- são vedados a crimes hediondos e equiparados; 
- quando perdoa ou desconta parte da pena total, chama-se comutação.
3.4. Decadência
De acordo com Damásio de Jesus, a decadência “é a perda do direito de ação em face do decurso do tempo. Atingindo em primeiro lugar o direito de ação, por via oblíqua incide sobre o jus puniendi do Estado [...] Quando se trata de ação penal privada, a decadência ataca imediatamente o direito de agir do ofendido ou de seu representante legal, e, em consequência, o Estado perde a pretensão punitiva. Quando se cuida de ação penal pública condicionada à representação, a decadência impede em primeiro lugar que o ofendido ou seu representante legal manifeste validamente a vontade de que o ofensor seja acionado penalmente, em face do que o órgão do Ministério Público, na ausência da condição de procedibilidade, não pode deduzir em juízo a pretensão punitiva do Estado, que fica extinta”.
Ou seja, é a perda do próprio direito material em razão do decurso do tempo. Ela importa o desaparecimento, a extinção de um direito pelo fato de seu titular não exercê-lo durante um prazo estipulado na lei (perdido o prazo, perdido estará o direito).
Como afirma o art. 103 do CP[footnoteRef:13], salvo em disposição expressa contrária, a queixa ou representação deve ser feita dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que veio saber quem é o autor do crime. [13: Art. 103, CP. Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)] 
3.5. Prescrição
Uma vez condenado, há um prazo que deve ser respeitado para o trânsito em julgado da sentença, caso não seja, o processo estará prescrito e como afirma Rogério Greco, “o réu do processo no qual foi reconhecida a prescrição da pretensão punitiva ainda continuará a gozar do status de primário e não poderá ver maculado seus antecedentes penais, ou seja, será como se não tivesse praticado a infração penal”.
A prescrição é uma das situações em que o Estado, em virtude do decurso de certo espaço de tempo, perde seu jus puniendi, ou seja, é o instituto jurídico mediante o qual o Estado, por não ter tido capacidade de fazer valer o seu direito de punir em certo tempo previsto pela lei, faz com que ocorra a extinção da punibilidade. 
Obs.: esse prazo existe para que o sujeito entenda a razão e a finalidade da pena.
3.5.1. Teorias
3.5.1.1. Teoria do esquecimento
Afirma uma inexistente razão da aplicação da pena, uma vez que com o passar do tempo a sociedade acaba esquecendo o delito cometido.
3.5.1.2. Teoria da expiação moral
Defende que o indivíduo processado passa por um processo de martírio próprio, castigando-se psicologicamente pelo crime que cometeu, de modo que impor outra pena, além desta, significaria atentar contra o princípio do non bis in idem.
3.5.1.3. Teoria da emenda do delinquente
Decorrido o lapso temporal o indivíduo tenha juris et de jure, ou seja, “se corrigido”, não voltando a cometernovos crimes.
3.5.1.4. Teoria da dispersão das provas 
Com o passar do tempo, as provas se perdem e as testemunhas se esquecem, tornando o fato duvidoso, assim, não havendo motivos para o prosseguimento do processo acusatório.
3.5.1.5. Teoria psicológica
Amadurecimento/mudança do indivíduo.
3.5.2. Prescrição antes de transitar em julgado a sentença – art. 109, CP
Art. 109, CP. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1º do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se: (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010).
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze;
III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito;
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro;
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois;
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010)
3.5.3. Prescrição das penas restritivas de direito – art. 109, parágrafo único, CP
Art. 109, CP. [...]
Parágrafo único. Aplicam-se às penas restritivas de direito os mesmos prazos previstos para as privativas de liberdade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
3.5.4. Prescrição depois de transitar em julgado sentença final condenatória – art. 110, CP
Art. 110, CP. A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória regula-se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o condenado é reincidente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º. A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010)
§ 2º. (Revogado pela Lei nº 12.234, de 2010)
3.5.5. Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a sentença final – art. 111, CP
Art. 111, CP. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - do dia em que o crime se consumou; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em que o fato se tornou conhecido; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
V - nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos neste Código ou em legislação especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal. (Redação dada pela Lei nº 12.650, de 2012)
3.5.6. Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível – art. 112, CP
Art. 112, CP. No caso do art. 110 deste Código, a prescrição começa a correr: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação, ou a que revoga a suspensão condicional da pena ou o livramento condicional; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção deva computar-se na pena. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
3.5.2. Tipos de prescrição
A legislação prevê duas espécies de prescrição:
3.5.2.1. Prescrição da pretensão punitiva em abstrato
Para o cálculo do prazo prescricional, usa-se a pena estabelecida no art. 109, CP.
Tal prescrição apresenta três espécies: prescrição propriamente dita, prescrição retroativa e prescrição superveniente/intercorrente/subsequente. 
3.5.2.1.1. Prescrição propriamente dita:
Conta-se o prazo prescricional a partir do máximo da pena em abstrato do crime cometido pelo indivíduo. 
Ex. 1: furto em 2001 → art. 155: pena de 1 a 4 anos, inciso IV: o prazo é de 8 anos se a pena é superior a dois anos e não excede quatro → caso prescrito em 2009
Ex. 2: homicídio em 2001 → art. 109: pena de 6 a 20 anos, inciso I: o prazo de 20 anos, se o máximo da pena for superior a 12 → caso prescrito em 2021
Obs.: em tentativa, reduz-se 1/3 a 1/2 da pena (para o cálculo do prazo prescricional, diminui o mínimo [1/3] da pena máxima)
Ex. 3: tentativa de homicídio em 2001 → art 109: pena de 13 anos e 4 meses (-1/3 de 20 anos), inciso I: 20 anos, se o máximo da pena for superior a 12 → caso prescrito em 2021
3.5.2.1.2. Prescrição intercorrente, superveniente ou subsequente:
Ocorre da sentença para frente.
3.5.2.1.3. Prescrição retroativa:
Ocorrerá uma vez que haja no processo causas interruptivas da prescrição, e quando ocorrer, zera-se a contagem do prazo prescricional, iniciando-o novamente. Quando iniciado, conta-se retroativamente o prazo a partir da data da sentença.
3.5.2.2. Prescrição da pretensão executória
Conta-se a partir da data da sentença (após trânsito em julgado), levando-se em conta a pena fixada
Exemplo: Um indivíduo é condenado a 10 anos pelo crime de homicídio em 2011. Uma vez fixada a pena, usa-se esta e não a pena máxima (como se faz da prescrição de pretensão punitiva). Portanto, analisa-se o art. 109, CP, tendo em vista os 10 anos fixados. Assim, de acordo com o inciso I, “em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito e não excede doze. “ Logo, a fase executória deverá iniciar-se até o ano de 2027. Caso contrário o caso estará prescrito, extinguindo-se, assim, a punibilidade do agente.
Uma vez iniciada a fase executória antes do prazo prescricional executório, não há a prescrição, portanto.
3.5.3. Aplicação da prescrição
3.5.3.1. Em PRD
Como citado pelo STF, por meio do HC 10.4490/PR, o parágrafo único do art. 109, CP, prevê que o prazo prescricional da PRD é igual à prescrição das respectivas PPL. Ex.: João foi condenado a três anos em PPL, que foi substituída por um ano de PRD, observa-se a pena de três anos no artigo 109 (inciso IV: oito anos).
3.5.3.2. Em caso de evasão do condenado – art. 113, CP
Art. 113, CP. No caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional, a prescrição é regulada pelo tempo que resta da pena. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
No caso de evasão durante o cumprimento da PPL, conta-se o prazo prescricional de pretensão executória a partir do tempo restante da pena. Por exemplo, o indivíduo se evade restando 1 ano e 4 meses de pena. Neste caso, analisando-se o art. 109, CP, o prazo prescricional de pretensão executória será de 4 anos. Tal prazo inicia-se no dia em que o mesmo se evade.
3.5.3.3. Na pena de multa – art. 144, I e II, CP
Art. 114, CP. A prescrição da pena de multa ocorrerá: (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada ou aplicada; (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade, quando a multa for alternativa ou cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada. (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
CÓDIGO PENAL - PARTE ESPECIAL
ESTRUTURA PARA O ENTENDIMENTO DA PARTE ESPECIAL
1. ESTRUTURA
 a. tipo simples/fundamental: é o que está no caput, ou seja, é a forma mais simples/básica de descrever o crime. Exemplo: homicídio – art. 121, caput (nele está previsto o homicídio simples);
 b. causa de diminuição de pena (minorante): é aquela que diminui, de modo fracionado (de 1/6 a 1/3), a pena que está prevista no caput. Exemplo: art. 121, § 1º (como a pena diminui, aqui contém o homicídio privilegiado);
Obs.: o infanticídio é homicídio privilegiado, e que, apenas por opção do legislador, resolveuseparar e criar uma pena autônoma (mas ainda é h. privilegiado)
 c. causas de aumento de pena (majorante): é aquela que aumenta, de modo fracionado (1/3), a pena prevista no caput. Exemplo: art. 121, § 4º (a pena aumenta, é onde está o homicídio culposo ou doloso);
d. tipo qualificado: é a qualificação do crime, onde a pena é diferente daquela escrita no caput. Exemplo: art. 121, § 2º (homicídio qualificado).
Outro exemplo: art. 155, CP. 
Art. 155, CP. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: → tipo simples
§ 1º. A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno. → causas de aumento
§ 2º. Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. → causas de diminuição
§ 3º. Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.
§ 4º. A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: → tipo qualificado
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoa
JÚRI POPULAR
1. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL
O júri sempre estará presente nos crimes contra a vida, assim previsto no art. 5º, inciso XXXVIII, CF.
Art. 5º, CF. [...]
XXXVIII - e reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
De acordo com o art. 74, § 1º do CPP, há quatro crimes que são julgados pelo júri: 
Art. 74, CPP. [...]
§ 1º. Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º e 2º (homicídio), 122, parágrafo único (auxílio ao suicídio), 123 (infanticídio), 124, 125, 126 e 127 (aborto) do Código Penal, consumados ou tentados. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
Conhecido como a sigla “HAIA”: homicídio, auxílio ao suicídio, infanticídio e aborto.
Obs.: latrocínio é crime contra o patrimônio, e não contra a vida (tem a morte apenas como consequência ou necessidade, não é a principal motivação do crime).
DOS CRIMES CONTRA A VIDA
1. HOMICÍDIO SIMPLES – art. 121, CP
Art. 121, CP. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Homicídio é o crime pelo qual um ser humano retira a vida de outro ser humano, tendo este vida extra uterina (para diferenciar do aborto). É considerado morte quando há morte encefálica (cerebral), pois esta é irreversível.
→ Homicídio simples pode ser hediondo? Sim, ainda que praticado por um só agente quando em atividade típica de grupo de extermínio (chacina - Cezar Roberto Bitencourt).
✱ Gêmeos xifópagos (que nascem grudados):
 a. cometem homicídio: há duas posições, ou não são condenados para preservar o inocente, ou condena, mas não aplica a pena para preservar a liberdade do inocente;
 c. são assassinados: se o objetivo era só um, dolo de consequência necessária, se mata os dois, concurso formal impróprio
1.1. Classificação
Neste crime, o sujeito ativo[footnoteRef:14] pode ser qualquer pessoa. O sujeito passivo[footnoteRef:15] também pode ser qualquer pessoa. [14: Sujeito ativo: quem faz a ação.] [15: Sujeito passivo: quem sofre a ação.] 
O objeto material é a pessoa que sofre a conduta criminosa, e o objeto jurídico é a vida humana.
O tipo objetivo (verbo) é matar. Tipo subjetivo é o dolo (direto ou eventual), isto é, “animus necandi” (intenção de matar).
Trata-se de crime comum (pode ser cometido por qualquer pessoa); material (crime que exige, para sua consumação, resultado naturalístico, consistente no efetivo benefício auferido pelo agente); de forma livre (pode ser cometido por qualquer meio eleito pelo agente); comissivo por omissão (há o dever jurídico de agir na forma do art. 13, § 2º, “a” e “c”, CP); instantâneo (cuja consumação não se prolonga no tempo); unissubjetivo (aquele que pode ser cometido por um único sujeito); plurissubsistente (delito cuja ação é composta por vários atos).
1.2. Causa de diminuição de pena – § 1º
Art. 121, CP. [...]
§1º. Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
1.2.1. Relevante valor moral
É o motivo aprovado pela moral prática, no qual prevalece o interesse individual, ex.: eutanásia (homicídio piedoso), que é aquele onde o sujeito desliga os aparelhos de alguém em coma para aliviar a dor do outro.
Há também a ortotanásia (paciente em estado terminal que tem ordem médica, geralmente vinda da família, para não receber RCP – reanimação cardio respiratória); a distanásia (morte ao decorrer da vida); e a mistanásia (é a morte precoce e miserável de alguém provocada pelo descaso e maldade de determinados seres humanos, de acordo com Cleber Masson).
1.2.2. Relevante social
Homicídio no interesse da comunidade, ex.: matar o traidor da pátria, o traficante, etc.
1.2.3. Relevante social
Homicídio praticado sob o domínio de violenta emoção logo após injusta provocação da vítima, ex.: mulher que mata o marido ao vê-lo a traindo
→ Homicídio privilegiado qualificado é hediondo? Há duas posições: a) é possível, pois na lei dos hediondos não há alguma vedação; b) não é crime hediondo, pois o privilégio se sobressai sobre a qualificadora
1.3. Homicídio qualificado – § 2º
Art. 121, CP. [...]
§ 2°. Se o homicídio é cometido:
1.3.1. Paga, recompensa ou motivo torpe
Art. 121, CP. [...]
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
Paga é quando envolve dinheiro (paga para matar alguém), conhecido como homicídio mercenário. Quem mata por dinheiro é chamado de sicário.
A recompensa é a promessa de recompensa, a qual pode ser: dinheiro, vantagem econômica ou de qualquer outra natureza. Neste caso, há três pessoas envolvidas: vítima, mandante e o que executa. A pena não se comunica ao mandante, visto que a qualificadora não é elementar, e sim uma circunstância (se fosse elementar, comunicaria ao mandante). Para Cleber Masson, a qualificadora do mandante é a torpeza.
E motivo torpe é um motivo repugnante, vil, abjeto, que causa repulsa na sociedade, ex.: pai que mata o filho por motivo patrimonial; homem que mata outro para casar com a vítima; canibalismo; vampirismo; rituais macabros, etc. A vingança pode ser considerada um motivo torpe, ex.: matar alguém porque roubou sacas de café de sua fazenda.
1.3.2. Motivo fútil
Art. 121, CP. [...]
II - por motivo fútil;
É aquele desproporcional ao resultado, ex.: matar alguém por briga de trânsito; matar o garçom porque ele trouxe comida fria.
Obs.: ausência de motivo não é motivo fútil
1.3.3. Veneno, fogo, explosivo etc.
Art. 121, CP. [...]
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
1.3.3.1. Veneno
É uma substância de origem química ou biológica capaz de provocar a morte quando introduzida no organismo, geralmente colocado de forma oculta.
1.3.3.2. Fogo
x
1.3.3.3. Explosivo
x
1.3.3.4. Asfixia
A asfixia é a supressão da função respiratória através de:
 a. esganadura: geralmente feita com as mãos apertando o pescoço de outrem;a pessoa morre por ausência de respiração;
 b. estrangulamento: uso de fio, arame, corda, barbante, etc.;
 c. enforcamento: a corda acompanha a mandíbula por conta do peso do corpo da vítima;
 d. sufocação: colocar saco plástico, travesseiro, etc; a pessoa passa a respirar apenas gás carbônico e vai sufocando até a morte;
 e. afogamento;
 f. soterramento: em areia, terra, etc.;
 g. gás tóxico: ex. CO2
1.3.3.5. Meio incendioso
É um meio desleal, já que visa enganar a vítima, ex.: veneno escondido no bolo
1.3.3.6. Meio cruel
É impiedoso, cruel e desumano, ex.: pancadas, ácido (vitriolagem),choque elétrico, etc.
✱ Tortura – Lei nº 9455/97
Suplício ou tormento que faz a vítima sofrer desnecessariamente antes da morte (não há morte obrigatoriamente), ex.: empalamento. → não é qualificadora
1.3.3.7. Meio que possa resultar perigo comum
Ex.: alagamento, explosivo.
1.3.4. Traição, emboscada ou dissimulação
Art. 121, CP. [...]
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido;
A traição (homicídio proditorium) é a quebra da confiança depositada pela vítima no agente, o qual se aproveita para matá-la. Aqui, é preciso ter esse vínculo.
Emboscada ou tocaia é quando o agente leva uma pessoa a algum lugar com um falso motivo, a fim de matá-la.
A dissimulação é a ocultação da intenção hostil (o real propósito) para acometer a vítima de surpresa, ex.: caso do maníaco do parque. A dissimulação material é o emprego de disfarce ou método analógico.
Outro recurso que dificulte a defesa da vítima pode ser matar alguém de costas, bêbado, em coma, dormindo, etc.
1.3.5. Assegurar execução, ocultação, impunidade ou vantagem
Art. 121, CP. [...]
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:
Assegurar a execução é conexão teleológica, ex.: matar o segurança do prédio para sequestrar alguém.
Assegurar a ocultação é conexão consequencial, ex.: matar a vítima do estupro para ocultar o crime.
Assegurar a impunidade também é conexão consequencial, também chamado de “queima de arquivo”, ex.: matar a vítima que te reconheceu no assalto.
E assegurar a vantagem de outro crime é conexão consequencial, já que mata para obter vantagem do crime, ex.: 4 pessoas assaltam um banco, e para não ter que dividir o dinheiro, um deles mata os outros 3.
1.3.6. Feminicídio
Art. 121, CP. [...]
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
VII - contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)
VIII - com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
O feminicídio é o homicídio doloso contra a mulher por razões do sexo feminino, como desprezo e menosprezo, por entender que a mulher é um ser inferior. Esse artigo faz parte do Direito Penal simbólico, para mostrar que o Estado não tolera essa atitude.
É diferente de femicídio, que é a morte da mulher por qualquer razão.
→ E as mulheres trans? A lei do feminicídio é aplicada às mulheres trans, independente de cirurgia de transgenitalização. Entretanto, há uma outra posição que diz que não deveria aplicar a lei, já que é uma condição biológica, mas claro, essa posição não é aceita.
Art. 121, CP. [...]
§ 2º-A. Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
✱ Natureza jurídica do feminicídio:
Há três posições quanto a natureza jurídica do feminicídio:
a. 1º posição (Vitor Eduardo Rios Gonçalves, Alice Bianchini, Rogério Sanches, Márcio André Lopes): natureza subjetiva, pois mata em razão de ser mulher, ou seja, tem motivo
b. 2º posição (Nucci, Amom Albanês Filho): natureza objetiva, já que a verificação do gênero é objetiva
c. 3º posição (STJ, HC): a “violência doméstica ou familiar” caracteriza natureza objetiva (ex.: homem não aceita o término e mata a mulher), já o “menosprezo a condição de mulher” é objetiva (ex.: mata a mulher porque não quer que ela vá à faculdade).
1.4. Homicídio culposo – § 3º
Art. 121, CP. [...]
§ 3º. Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de um a três anos.
Se praticado na condição de veículo automotor (não aplica bicicleta, charrete, carroça) em via pública, detenção de 2 a 4 anos (art. 302, CTB - Lei 9.505/97).
1.5. Causa de aumento de pena – § 4º
Art. 121, CP. [...]
§ 4º. No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3, se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 ou maior de 60 anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
Ou seja, é homicídio culposo se: a) oriundo da inobservância de regra técnica ligado a arte, ofício ou profissão (porque cumpro com maior rigor quem tem conhecimento técnico); b) deixa de prestar socorro à vítima; ou c) foge para não ser preso em flagrante – art. 305, CTB (há divergência: nemo tenetur se detegere [ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo]).
E o homicídio doloso se: a) praticado contra menores de 14 anos; ou b) praticado contra maiores de 60 anos.
1.6. Perdão judicial – § 5º
Art. 121, CP. [...]
§ 5º. Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. (Incluído pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)
Só se aplica no homicídio culposo, ex.: mãe que dorme na mesma cama que seu bebê, e a noite rola para cima da criança, matando-a asfixiada.
Para se aplicar o perdão judicial, é necessário ser mostrado o sofrimento do agente.
1.7. Causa de aumento da pena – § 6º
Art. 121, CP. [...]
§ 6º. A pena é aumentada de 1/3 até a metade se o crime for praticado por milícia privada[footnoteRef:16], sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio. (Incluído pela Lei nº 12.720, de 2012) [16: Milícia privada: grupo armado de pessoas, que diante da omissão do Estado, sobretudo na área de segurança pública, ocupa determinado território sob o argumento de que irá tutelar, zelar por aquela comunidade, e posteriormente, passa a coagi-la para auferir vantagem que normalmente é de natureza econômica.] 
1.8. Causa de aumento da pena de feminicídio – § 7º
Art. 121, CP. [...]
§ 7º. A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015)
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental; (Redação dada pela Lei nº 13.771, de 2018)
III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima; (Redação dada pela Lei nº 13.771, de 2018)
IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. (Incluído pela Lei nº 13.771, de 2018)
2. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO – art. 122, CP
Art. 122, CP. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio material para que o faça: (Redação dada pela Lei nº 13.968, de 2019)
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.968, de 2019)
Induzir é dar ideia; instigar é fomentar o propósito preexistente; e prestar auxílio é praticar ato útil ou necessário para o suicídio ou automutilação, mas que não chega a ser letal ou lesivo.
É um crime formal, ou seja, se consuma com o mero induzimento, instigação ou auxílio. Não é necessário que a pessoa cometa o ato em si.
É um crime doloso, não admitindo forma culposa.
2.1. Se resulta em lesão grave ou gravíssima – art. 122, § 1º, CP
Art. 122,CP. [...]
§ 1º. Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
2.2. Se resulta em morte – art. 122, § 2º, CP
Art. 122, CP. [...]
§ 2º. Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
2.3. Causas de aumento de pena – art. 122, §§ 3º a 6º, CP
Art. 122, CP. [...]
§ 3º. A pena é duplicada: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 4º. A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 5º. Aumenta-se a pena em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
Se a vítima for menor de 14 anos, for enfermo mental (sem capacidade para discernimento do ato) ou não puder resistir (ex.: embrigauez) e a conduta resulta em lesão gravíssima ou homicídio, o agente responde, respectivamente, por lesão corporal gravíssima ou homicídio – art. 122, §§ 6º e 7º, CP.
§ 6º. Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de natureza gravíssima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
§ 7º. Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121 deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
✱ Pacto de morte
Exemplo: situação em que “A” e “B” decidem se matar com gás em um quarto fechado.
1ª hipótese: “A” abre a torneira do gás, mas sobrevivem “A”: tentativa de homicídio; B: participação de suicício (se houver lesão grave)
2ª hipótese: “A” abre a torneira e morre “B”: participação em suicídio
3ª hipótese: “A” abre a torneira e “B” morre “A”: homicídio
4ª hipótese: “A” e “B” abrem a torneira e sobrevivem “A” e “B”: tentativa de homicídio
5ª hipótese: “C” (terceiro) abre a torneira “C”: homicídio (se alguém morrer)
3. INFANTICÍDIO – art. 123, CP
Art. 123, CP. Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
Estado puerperal é uma alteração biopsíquica rara que mitiga a capacidade de autodeterminação da parturiente e fomenta agressividade dirigida ao neonato. Na teoria, é homicídio privilegiado com nome diferente. 
Pode ser configurado desde o rompimento da bolsa (saco amniótico), pois já configura o início do trabalho de parto. “Logo após” é até quando? Não há um tempo definido, por isso é feito um exame pericial para verificar se a mulher estava sob o estado puerperal.
 Se terceiro, que não tem vínculo com a mãe ou criança, colabora com a morte, responde por qual crime? Também responde por infanticídio por força da teoria monista (arts. 29 e 30, CP).
 E se a mãe mata a criança errada? É classificado como erro quanto a pessoa, ou seja, responde como se tivesse atingido a vítima pretendida e, portanto, por infanticídio.
 Existe infanticídio culposo? Há duas posições: a) fato atípico (o crime só existe na modalidade dolosa); b) homicídio culposo (se tiver morte culposamente, aplica-se o perdão judicial, logo, não aplicando a pena do homicídio).
4. ABORTO – art. 124, CP
É a interrupção da gestação com resultado morte do feto. O aborto protege a vida do feto (vida endo uterina), mas quando ela começa? Há duas posições: a primeira posição, que é a majoritária, afirma que a vida do feto se inicia na nidação (apego do ovo fecundado à parede do útero); já a segunda posição, minoritária, defende que a vida se inicia com a concepção (encontro dos gametas).
Art. 124, CP. Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque: (Vide ADPF 54)
Pena - detenção, de um a três anos.
O art. 124 criminaliza tanto o autoaborto (gestante provoca o aborto em si mesma) quanto o aborto consentido (consente que terceiro lhe provoque).
A consumação só se dá com a morte do feto e só é punido na forma dolosa.
→ Suicídio na gravidez pode ser considerado tentativa de aborto? Se o feto não morre, não se classifica, porque o Direito não pune a autolesão e não tem dolo. Se o feto vem a óbito, há duas posições: i) fato atípico, pois o único dolo é de por fim a sua vida, e não a do feto; ii) dolo eventual, já que ela assumiu o risco.
→ E no caso de gêmeos? Se a mãe tiver conhecimento, é concurso formal impróprio. Se ela não tiver conhecimento, responde por um único crime.
→ Aborto em quem não está grávida? Crime impossível.
→ Aborto pós morte fetal? Crime impossível.
→ Pode ter partícipe no crime de aborto? Sim. No art. 124, CP: ex. namorado que induz a namorada a abortar. No art. 125, CP: ex. namorado que engana a mulher e leva ao médico para que este faça o aborto. No art. 126, CP: ex. namorado que fala pro médico fazer o aborto, ou enfermeiro que ajuda. E no art. 61, II, “a”, CP: ex. farmacêutico que vende remédio para o aborto, e ainda vende mais caro.
4.1. Classificação
- Objeto material: a vida do feto;
- Sujeito ativo: a mãe;
- Sujeito passivo: o feto;
- Tipo objetivo: provocar, consentir;
- Tipo subjetivo: dolo.
É um crime de mão própria, ou seja, só pode ser feito por um tipo de agente (neste caso, a mãe).
5. ABORTO PROVOCADO POR TERCEIRO – art. 125, CP
Art. 125, CP. Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de três a dez anos.
→ E em caso de latrocínio que resulte aborto? Se a gravidez for imperceptível, o agente responde apenas por latrocínio. Porém, se a gravidez for notável/perceptível, é latrocínio em concurso de aborto sem consentimento da vítima.
5.1. Classificação
- Objeto material: protege o feto e a gestante;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: o feto e a gestante;
6. ABORTO PROVOCADO POR TERCEIRO – art. 126, CP
Art. 126, CP. Provocar aborto com o consentimento da gestante: (Vide ADPF 54)
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Este crime é a única exceção da teoria monista, onde os dois tem que responder pelo mesmo crime. Neste caso, a gestante que consente responde pelo 124 e o que realiza responde pelo 126.
6.1. Classificação
- Objeto jurídico: vida do feto
- Objeto material: proteger o feto;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: o feto e a gestante;
- Tipo objetivo: provocar, consentir;
- Tipo subjetivo: dolo.
6.2. Caso de aumento de pena – art. 126, parágrafo único, CP
Se a gestante é menor de 14 ou alienada mental ou o consentimento foi obtido por fraude, o consentimento é considerado viciado e não são válidos. Aqui, o agente responderá pela pena do art. 125, CP.
Art. 126, CP. [...]
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência.
7. ABORTO QUALIFICADO – art. 127, CP
Art. 127, CP. As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
Os resultados de lesão grave e morte são, aqui,necessariamente culposos. Se dolosos, tem-se concurso de crimes entre o aborto e crime de lesão corporal grave/gravíssima ou homicídio. Em outras palavras, o art. 127 trata de crimes preterdolosos.
Obs.: a lesão leve é absolvida pelo crime de aborto, pois lhe é inerente.
Válido ressaltar que essa majorante só se aplica aos crimes do arts. 125 e 126 do CP. Não se aplica ao art. 124 pois, em princípio, é um crime praticado sempre pela gestante.
8. ABORTO LEGAL (PRATICADO POR MÉDICO) – art. 128, CP
Art. 128, CP. Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)
8.1. Aborto necessário – art. 128, inciso I, CP
Art. 128, CP. [...]
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Acontece quando não há outro meio para salvar a vida da gestante, sendo irrelevante o consentimento desta.
Em razão da sua urgência, independe de ordem judicial.
Se o aborto para salvar a gestante for praticado por terceiro que não seja médico, não há aborto legal, mas pode ser reconhecido como estado de necessidade (art. 24, CP).
8.2. Aborto de gravidez resultante de estupro (aborto sentimental) – art. 128, inciso II, CP
Art. 128, CP. [...]
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
É necessário consentimento da gestante ou de seu representante legal, uma vez que é optativo.
Também é desnecessária ordem judicial, mas na prática os médicos requerem.
8.3. Aborto do anencefálico – ADPF 54
Anencefalia é o desenvolvimento insuficiente do encéfalo, que não permite a vida extrauterina.
Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou procedente o pedido contido na ADPF 54, ajuizada na Corte pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), para declarar a inconstitucionalidade de interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencefálico é conduta tipificada nos artigos 124, 126 e 128, incisos I e II, todos do Código Penal.
Portanto, atualmente, com o diagnóstico de anencefalia, a interrupção da gestação é autorizado.
LESÕES CORPORAIS
1. LESÃO CORPORAL
Art. 129, CP. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Ofensa física voltada a integridade física. Se dolosa, pode ser leve, grave ou gravíssima. Se culposa, é a que decorre da imprudência, negligência ou imperícia.
Contravenção penal de vias de fato, não chega a ser lesão, ex.: empurrão, vermelhidão (eritema).
Obs.: é possível aplicar princípio da insignificância se a lesão for insignificante, salvo no caso de violência doméstica (súmula 589, STJ);
A ablação de órgãos (no caso de transexuais que fazem a redesignação sexual) não é lesão corporal porque: há atipicidade da conduta, ausência de dolo e exercício regular de um direito (do médico).
Caso o agente que provoca a lesão corporal tem consentimento da vítima, não é caracterizada lesão, já que há o consentimento.
	- Objeto jurídico: incolumidade pessoal do indivíduo;
- Objeto material: a pessoa;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: como regra, qualquer pessoa;
✱ 2 exceções: art. 129, §1º, IV e §2º, V (apenas mulher grávida).
- Tipo objetivo: ofender (lesar, fazer mal, agredir);
- Tipo subjetivo: dolo (se manifesta na vontade livre e consciente de lesionar a integridade da pessoa - animus nocendi ou animus laedendi).
O sujeito que se autolesiona para não prestar serviço militar obrigatório comete crime previsto no art. 184 do CPM (Código Penal Militar), detenção de 6 meses a 2 anos.
Se o sujeito se autolesiona para obter seguro, é considerado estelionato, com pena de reclusão de 1 a 5 anos, e multa.
A consumação do crime se dá com a ofensa à integridade física ou à saúde da pessoa, tratando-se de um crime material (deixa vestígios). Admite-se a tentativa.
Pode haver a absorção do crime de lesão corporal leve em crimes como: estupro, tentativa de homicídio, roubo.
✱ Ação penal - art. 88, Lei nº 9.099/95:
A ação penal do crime de lesão corporal leve era pública incondicionada. Hoje, a ação penal no crime de lesão corporal leve e lesão corporal culposa é pública condicionada a representação do ofendido, com prazo decadencial de 6 meses (a partir do conhecimento da autoria)
 
2. LESÃO CORPORAL GRAVE – art. 129, § 1º, CP
2.1. Incapacidade provisória – art. 129, § 1º, I, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 1º. Se resulta:
I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de 30 dias;
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
As ocupações habituais não precisam necessariamente ser o trabalho, vale como qualquer atividade.
O exame (corpo de delito) deve ser feito depois de 30 dias (pois se foi lesão grave, os hematomas ficarão por mais de 30 dias, devido à gravidade da lesão). Há ainda o exame complementar, feito depois de 90 dias do ocorrido, onde pode gerar a desclassificação de lesão grave para lesão leve.
A falta de exame complementar pode ser suprida por prova testemunhal (art. 168, § 3º, CPP)
Obs: o fato da pessoa não sair de casa porque sente vergonha de ter sido agredida não é motivo para reconhecer lesão corporal grave.
2.2. Perigo de vida – art. 129, § 1º, II, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 1º. Se resulta:
II - perigo de vida;
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
A conduta tem que produzir um perigo real de vida, não bastando mera probabilidade e conjecturas. O perigo de vida será comprovado mediante análise da perícia, e não pela vítima.
→ Pode ser culposa? Sim, é possível no crime preterdoloso (dolo + culpa), ex.: João empurra Maria com a intenção de machucá-la (apenas), mas ela acaba caindo e batendo a cabeça, levando-a a um traumatismo.
2.3. Debilidade – art. 129, § 1º, III, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 1º. Se resulta:
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
Quando houver diminuição ou enfraquecimento da capacidade de funcionamento de um membro (apêndices do corpo, ex.: braço, pé), sentido (forma de captação do mundo exterior, ex.: tato, visão, paladar) ou função (ação desenvolvida pelos órgãos, ex.: respiratória, mastigatória).
Ex.: numa briga, Marcos fura o olho de José, deixando ele cego de um olho → lesão corporal grave, porque ele não perdeu a visão completamente (já que ainda tem o outro olho), apenas a perdeu parcialmente.
2.4. Aceleração do parto – art. 129, § 1º, IV, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 1º. Se resulta:
IV - aceleração do parto.
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
É uma ação preterdolosa (dolo + culpa), já que o agente quis agredir, e não acelerar o parto. Entretanto, se o feto vier a morte, será configurado aborto e lesão corporal gravíssima (art. 129, §2º, V, CP).
Caso o agente não saiba da gravidez (vítima no início da gestação) *******
3. LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA – art. 129, § 2º, CP
3.1. Incapacidade permanente – art. 129, § 2º, I, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 2°. Se resulta:
I - incapacidade permanente para o trabalho;
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Mas, para qual trabalho? O professor Mirabete diz que tem que analisar com cuidado, pois sempre é possível que o indivíduo venda bala no farol. De acordo com Greco, é a incapacidade no trabalho que a vítima exercia anteriormente ao fato.
3.2. Enfermidade permanente – art. 129, § 2º, II, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 2°. Se resulta:
II - enfermidade incurável;
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Doenças que não tem cura, ex.: AIDS, Lúpus, Ella.
3.3. Perda ou inutilização de membro, sentido ou função – art. 129, § 2º, III, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 2°. Se resulta:
III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Perda significa a perda funcional (da função exercida). Nos membros, acarreta em amputação (resultado de uma intervenção cirúrgica), que é diferente de mutilação (conduta criminosa ilícita, culposa ou dolosa). Na questão dos dedos, só será gravíssima se for no polegar, os demais dedos são apenas lesão grave (Victor Eduardo Rios Gonçalves).
A perda dos sentidos são, por exemplo: surdez, cegueira (nos dois órgãos).
Na função, podeser reprodutiva (ex.: perda dos testículos), circulatória (resulta em morte), motora.
3.4 Deformidade permanente – art. 129, § 2º, IV, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 2°. Se resulta:
IV - deformidade permanente;
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Consiste no dano duradouro de alguma parte do corpo da vítima, que não pode ser retificado por si próprio ao longo do tempo, ex.: vitriolagem (queimadura provocada por ácido).
Obs.: vide informativo 562 STJ
3.5. Aborto – art. 129, § 2º, V, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 2°. Se resulta:
V - aborto.
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Pode ter várias condutas:
a. lesão, mas não provocar o aborto: crime preterdoloso (dolo na lesão e culpa no aborto);
b. lesiona para provocar o aborto: aborto (art. 125);
c. lesão mais aborto: lesão corporal + aborto;
d. intenção de matar e provocar aborto: homicídio + aborto
4. LESÃO SEGUIDA DE MORTE – art. 129, § 3º, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 3º. Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Esta modalidade não admite tentativa.
Não possui júri, é julgado na Vara Criminal Comum, já que não é crime contra a vida (o crime é a lesão).
5. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA – art. 129, § 4º, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 4°. Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
Aplica-se essa diminuição na lesão leve, grave, gravíssima e seguida de morte (para Masson e Victor Eduardo Rios Gonçalves).
6. SUBSTITUIÇÃO – art. 129, § 5º, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 5°. O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II - se as lesões são recíprocas.
Neste caso, conforme disposto no art. 17 da Lei Maria da Penha, não se admite a substituição da pena de detenção pela multa.
7. LESÃO CORPORAL CULPOSA – art. 129, § 6º, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 6°. Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Se for praticada na direção de veículo automotor (art. 303, CTB), a pena é de detenção de 6 meses a 2 anos.
É uma ação penal pública condicionada à representação. Mas cuidado, porque em caso de violência doméstica o STF julgando a ADI 4.424 em 2012, asseverou posicionamento de que a ação penal é pública incondicionada - informativo 654 do STF.
8. CAUSA DE AUMENTO DE PENA – art. 129, § 7º, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 7º. Aumenta-se a pena de 1/3 se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4º e 6º do art. 121 deste Código[footnoteRef:17]. (Redação dada pela Lei nº 12.720, de 2012) [17: Art. 121, CP. Matar alguém:
§ 4º. No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
[...]
§ 6º. A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio. (Incluído pela Lei nº 12.720, de 2012)
] 
9. LESÃO CORPORAL CULPOSA– art. 129, § 8º, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 8º. Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121[footnoteRef:18]. (Redação dada pela Lei nº 8.069, de 1990) [18: Art. 121, CP. [...] § 5º. Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. (Incluído pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)
] 
10. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – art. 129, § 9º, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 9º. Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
Obs.: não confundir violência doméstica e violência doméstica e familiar contra a mulher
→ Pode-se aplicar o art. 61, II, “f”, CP (relações domésticas de coabitação)? Não, uma vez que é agravante e não é permitido o bis in idem.
11. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA – art. 129, §§ 10 A 12, CP
11.1. Violência doméstica que resulta em lesão corporal grave ou gravíssima – art. 129, § 10, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9º deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3. (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)
11.2. Violência doméstica contra pessoa com deficiência – art. 129, § 11, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº 11.340, de 2006)
11.3. Contra autoridade ou agente ou contra seus cônjuges – art. 129, § 12, CP
Art. 129, CP. [...]
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142[footnoteRef:19] e 144[footnoteRef:20] da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois terços. (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015) [19: Art. 142, CF. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
] [20: Art. 144, CF. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 104, de 2019)] 
DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE
1. PERICLITAÇÃO – CAPÍTULO III
É aquele que há uma exposição do bem jurídico tutelado a uma situação de perigo, não se exigindo uma efetiva lesão ao bem
1.1. TIPOS
1.1.1. De perigo concreto:
O crime de perigo concreto exige-se uma comprovação da efetiva possibilidade de lesão ao bem jurídico tutelado
1.1.2. De perigo abstrato:
Neste caso, a situação de perigo é presumida pelo legislador, ou seja, não precisa ser provada, pois a presunção é “juris et de jure”, como por exemplo o tráfico de drogas, porte de arma
1.1.3. De perigo individual:
x
1.1.4. De perigo coletivo:
Atinge uma quantidade indeterminada de pessoas, afetam a incolumidade pública, ex.: crime de incêndio (art. 250 do CP).
2. PERIGO DE CONTÁGIO VENÉREO – art. 130, CP
Art. 130, CP. Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Este crime trata-se de crime de perigo abstrato, já que o perigo é presumido por lei.
	- Objeto jurídico: a incolumidade pública, sentido amplo visando a proteção da vida e da saúde de outrem;
- Objeto material: a pessoa que pratica relações sexuais;
- Sujeito ativo: - p/Alexandre Salim e Cleber Masson: trata-se de crime comum;
- p/ Victor Eduardo Rios: crime próprio, pois só a pessoa contaminada pode cometer o delito;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
- Tipo objetivo: expor (coloca a pessoa em uma situação de risco através da relação sexual, ou similares);
- Tipo subjetivo: o dolo de perigo (direto ou eventual).
Este é um crime que deixa vestígios, então é preciso de prova pericial, entretanto, é difícil provar quem foi que contaminou, uma vez que ninguém é obrigado a fazer o exame (“menor tenetur se detegere” - ninguém é obrigado a se condenar).
Ele se dá consumado com a prática do ato sexual ou do ato libidinoso.
→ Prostituta pode ser sujeito passivo desse crime? Sim.
2.1. Causa de aumento de pena – art. 130, § 1º, CP
Art. 130, CP. [...]
§ 1º. Se é intenção do agente transmitir a moléstia:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
É um crime de perigo com dolo de dano, o agente tem o conhecimento efetivo de que está contaminado e tem a intenção de transmitir a moléstia.
Ex. 1: A transmite a doença para B, sabendo que está cominado e sabendo que essa doença irá resultar em lesão corporal de natureza grave → responde pelo crime mais grave: art. 129, § 1º
Ex. 2: A transmite a doença para B, sabendo que está cominado e sabendo que essa doença irá resultar em lesão corporal de natureza grave, mas resulta em morte → lesão corporal seguida de morte
2.2. Representação – art. 130, § 2º, CP
§ 2º. Somente se procede mediante representação.
3. PERIGO DE CONTÁGIO DE MOLÉSTIA GRAVE – art. 130, § 2º, CP
Art. 131, CP Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
É crime de perigo concreto, pois há a necessidade de demonstrar a situação de perigo.
Ex.: indivíduo contaminado com Coronavírus, que sai espirrando nos alimentos dos mercados, ou ainda, espirrando nas pessoas.
	- Objeto jurídico: a incolumidade física da pessoa;
- Objeto material: a pessoa submetida a ato capaz de transmitir a doença;
- Sujeito ativo: a pessoa contaminada (trata-se de crime próprio);
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
- Tipo objetivo: praticar (produzir ato capaz de transmitir a moléstia);
- Tipo subjetivo: dolo direto (dolo de dano)
A consumação se dá no momento em que o agente pratica o ato capaz de produzir a moléstia, não sendo necessário o contágio pela vítima. É possível a tentativa.
4. PERIGO PARA A VIDA OU A SAÚDE DE OUTREM
Art. 132, CP. Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
Precisa ser um perigo anormal (ex.: fogo é perigoso, mas para o bombeiro é uma situação normal).
Ex.: A, com seu veículo automotor, resolve “tirar uma fina” (passar bem rente a pessoa) de B.
	- Objeto jurídico: integridade corporal da pessoa e a sua saúde;
- Objeto material: a pessoa em situação de risco;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa determinada ou determinável.
- Tipo objetivo: expor (colocar em risco);
- Tipo subjetivo: dolo de perigo
* não existe forma culposa
4.1. Causa de aumento de pena – art. 132, parágrafo único, CP
Art. 132, CP. [...]
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 1998)
É uma ação penal pública incondicionada.
Ex.: bóias frias que são transportados em cima de caminhões (para Cesar Roberto Bittencourt esse crime só acontece se eles forem transportados para o trabalho; se foram para cerimônia religiosa, casamento, festa, etc. não será crime).
5. ABANDONO DE INCAPAZ – art. 133, CP
Art. 133, CP. Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono:
Pena - detenção, de seis meses a três anos.
É uma infração de médio potencial ofensivo.
	- Objeto jurídico: tutela-se a vida, a saúde e a integridade física da pessoa humana;
- Objeto material: a pessoa incapaz de defender-se dos riscos decorrentes do abandono;.
- Sujeito ativo: aquele que tem o dever de guarda/proteção/autoridade;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa que esteja sob guarda/vigilância/autoridade, e por qualquer motivo, incapaz de defender-se
- Tipo objetivo: abandonar (isto é, deixar só, sem a devida assistência) → o abandono deve ser real
✱ Abandono material - art. 244 CP
- Tipo subjetivo: dolo de perigo (direto ou eventual)
O crime só se consuma com o ato efetivo do abandono, e desde que este advenha perigo para a vida, para a integridade corporal, etc.
5.1. Resulta em lesão corporal grave – art. 133, § 1º, CP
Art. 133, CP. [...]
§ 1º. Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
Obs.: onde está “lesão corporal de natureza grave”, entende-se que “gravíssima” também está escrita.
5.2. Resulta em morte – art. 133, § 2º, CP
Art. 133, CP. [...]
§ 2º. Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
5.3. Causas de aumento de pena – art. 133, § 3º, CP
Art. 133, CP. [...]
§ 3º. As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:
I - se o abandono ocorre em lugar ermo;
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima.
 III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)
6. EXPOSIÇÃO OU ABANDONO DE RECÉM NASCIDO – art. 134, CP
Art. 134, CP. Expor ou abandonar recém-nascido, para ocultar desonra própria:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
	- Objeto jurídico: a proteção da vida e da saúde da pessoa;
- Objeto material: o recém nascido;.
- Sujeito ativo - p/ Cesar Bittencourt e Delmanto: a mãe;
 - p/ Nucci, Masson, Mirabete, Damásio: a mãe e o pai
- Sujeito passivo: o recém-nascido
- Tipo objetivo: abandonar (deixar de dar assistência)
- Tipo subjetivo: dolo de perigo
Há vários entendimentos acerca do tema “recém nascido”: para Damásio e Mirabete, é recém-nascido até o momento em que há queda do cordão umbilical; para Noronha é o que nasceu a poucos dias; para Nelson Hungria é o momento de “délivrance” (libertação), quando a criança se torna conhecida fora do círculo familiar; e para Bittencourt e Fragoso, é o que não ultrapassou o limite de um mês, desde que não tenha se tornado público.
6.1. Resulta em lesão corporal grave – art. 134, § 1º, CP
Art. 134, CP. [...]
§ 1º. Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - detenção, de um a três anos
Obs.: onde está “lesão corporal de natureza grave”, entende-se que “gravíssima” também está escrita.
6.2. Resulta em morte – art. 134, § 2º, CP
Art. 133, CP. [...]
§ 2º. Se resulta a morte:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
7. OMISSÃO DE SOCORRO – art. 135, CP
Art. 135, CP. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Aqui, há o dever de assistência, porém ainda é preciso analisar a necessidade e a possibilidade (elemento normativo do tipo: quando possível de fazê-lo sem risco pessoal).
A falta de assistência pode ser:
a. mediata: o agente não pode prestar socorro pessoalmente, mas também não solicita o auxílio da autoridade competente;
b. imediata: é aquela em que o agente pode prestar socorro, sem risco pessoal, mas não faz nada
A consumação se dá quando o indivíduo deixa de prestar socorro; não é admitido tentativa.
→ Se a vítima recusar? Não se deve deixar de prestar socorro a quem precisa, mesmo se esta recusar.
→ E se a vítima estiver visualmente falecida? Se a morte foi instantânea, não precisa prestar socorro.
✱ No Código de Trânsito:
Art. 302, CTB. Praticarhomicídio culposo na direção de veículo automotor:
§1º. No homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, a pena é aumentada de 1/3 à 1/2, se o agente:
III - deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente.
	- Objeto jurídico: proteção imediata (a vida humana, a saúde da pessoa, de forma mediata);
- Objeto material: a pessoa que deixa de prestar socorro;.
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: pessoa inválida[footnoteRef:21], ferida[footnoteRef:22], em situação de desamparo; [21: Pessoa inválida: é a pessoa deficiente, que pode ser física ou mental, ou ainda por deficiência decorrente da idade avançada (ex.: demência) → perigo abstrato presumido.] [22: Pessoa ferida: é a que sofreu uma lesão a sua integridade física → perigo abstrato presumido.] 
- Tipo objetivo: 
- Tipo subjetivo: dolo direto ou eventual
7.1. Causas de aumento de pena – art. 135, parágrafo único, CP
Art. 135, CP. [...]
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
8. CONDICIONAMENTO DE ATENDIMENTO MÉDICO-HOSPITALAR EMERGENCIAL
Art. 135-A, CP. Exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial: (Incluído pela Lei nº 12.653, de 2012).
Pena - detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa. (Incluído pela Lei nº 12.653, de 2012).
É um crime de perigo concreto, ou seja, exige-se a comprovação da situação de perigo.
Para Cleber Masson, o artigo 135-A ser crime fere o princípio da intervenção mínima, e que é apenas um Direito Penal simbólico.
Na esfera administrativa, o art. 1º veda qualquer tipo de exigência de caução para atendimento médico de saúde. Já no âmbito civil, o art. 171, II do CC, escreve sobre a anulabilidade do negócio jurídico celebrado em estado de perigo.
	- Objeto jurídico: a vida e a saúde da pessoa;
- Objeto material: é o cheque caução (a nota promissória, ou qualquer garantia ou o preenchimento de formulário que vincule ao atendimento médico);.
- Sujeito ativo - p/ Cleber Masson e Victor Eduardo: qualquer pessoa (crime comum);
 - p/ Alexandre Salim: praticado por médico ou funcionários do hospital (crime próprio)
- Sujeito passivo: a pessoa que necessita do atendimento de emergência
✱ Prof. Greco: o sujeito passivo é o paciente e o terceiro (ex.: parente que foi junto ao hospital)
- Tipo objetivo: ?
- Tipo subjetivo: dolo de perigo
A consumação do crime se dá quando há a exigência da garantia ou do preenchimento de formulários. E a tentativa é impossível ao entender de Rogério Greco e Victor, mas para Alexandre Salim e Masson, é possível porque se trata de crime plurissubsistente. 
8.1. Causas de aumento de pena – art. 135, parágrafo único, CP
Art. 135-A, CP. [...]
Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro se da negativa de atendimento resulta lesão corporal de natureza grave, e até o triplo se resulta a morte. (Incluído pela Lei nº 12.653, de 2012).
9. MAUS-TRATOS – art. 136, CP
Art. 136, CP. Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa
	- Objeto jurídico: proteção da vida e da saúde daquelas pessoas que estão sob autoridade, guarda ou vigilância;
- Objeto material: a pessoa que sofre os maus tratos.
- Sujeito ativo: quem tem autoridade, guarda ou vigilância (crime próprio)
- Sujeito passivo: a pessoa que se encontra sob guarda ou vigilância.
- pode ser com a esposa? NÃO, porque já tem a Lei Maria da Penha.
- pode ser com idoso? NÃO, pois tem o Estatuto do Idoso (art. 99 da Lei nº 10.741/03)
- Tipo objetivo: ?
- Tipo subjetivo: dolo direto ou eventual
Trata-se de um crime de perigo concreto.
9.1. Resulta em lesão corporal grave – art. 136, § 1º, CP
Art. 136, CP. [...]
§ 1º. Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Obs.: onde está “lesão corporal de natureza grave”, entende-se que “gravíssima” também está escrita.
9.2. Resulta em morte – art. 136, § 2º, CP
Art. 136, CP. [...]
§ 2º. Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
9.3. Causas de aumento de pena – art. 136, § 3º, CP
Art. 136, CP. [...]
§ 3º. Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos. (Incluído pela Lei nº 8.069, de 1990)
DA RIXA
1. RIXA – art. 137, CP
Art. 137, CP. Participar de rixa, salvo para separar os contendores:
Pena - detenção, de quinze dias a dois meses, ou multa.
É um crime de perigo abstrato
	- Objeto jurídico: a rixa protege a vida e a integridade física da pessoa humana, e secundária a paz social;
- Objeto material: o participante.
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa
- Tipo objetivo: participar (toma parte, concorre, contribui)
- Tipo subjetivo: dolo de perigo
Na rixa, admite-se a figura do partícipe, por exemplo: temos A, B, C e D se agredindo mutuamente, e Z como partícipe.
A consumação se dá com as agressões recíprocas, e em regra, não se admite tentativa, mas tendo uma exceção: no caso da rixa preordenada.
→ É admitido legítima defesa? Não há legítima defesa na rixa, apenas no partícipe.
1.1. Causa de aumento de pena – art. 136, parágrafo único, CP
Art. 137, CP. [...]
Parágrafo único. Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave, aplica-se, pelo fato da participação na rixa, a pena de detenção, de seis meses a dois anos.
DOS CRIMES CONTRA A HONRA
	CALÚNIA
	DIFAMAÇÃO
	INJÚRIA
	imputar falsamente fato criminoso
	imputar fato desonroso
	atribuir qualidades negativas
	ex.: juiz “A” recebeu propina
	ex.: juiz “A” traiu a esposa
	ex.: juiz “A” é corrupto
	crime doloso
	crime doloso
	crime doloso
	fere honra objetiva
	fere honra objetiva
	fere honra subjetiva
	cabe exceção da verdade
	não cabe exceção da verdade
	não cabe exceção da verdade
1. CALÚNIA – art. 138, CP
Art. 138, CP. Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Fere a honra objetiva, sendo consumado quando a ofensa chega a conhecimento de terceiros. É admitido tentativa apenas na forma escrita, não sendo possível na forma verbal.
Obs.: quando o agente imputa contravenção penal, é classificado como difamação, uma vez que a calúnia, por ter pena maior, não pode ter interpretação ampla.
Em regra, cabe exceção da verdade, uma vez que se provado que o crime é verdade, não é mais configurado o crime de calúnia.
1.1. Partícipe – art. 138, § 1º, CP
Art. 138, CP. [...]
§ 1º. Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga.
Neste parágrafo apenas se admite o dolo direto, pois a pessoa tem conhecimento do fato.
1.2. Calúnia contra os mortos – art. 138, § 1º, CP
Art. 138, CP. [...]
§ 2º. É punível a calúnia contra os mortos.
1.3. Exceção da verdade – art. 138, § 1º, CP
Art. 138, CP. [...]
§ 3º. Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível;
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141;
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível.
2. DIFAMAÇÃO – art. 139, CP
Art. 139, CP. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Fere a honra objetiva, sendo consumado quando a ofensa chega a conhecimento de terceiros. É admitido tentativa apenas na forma escrita, não sendo possível na forma verbal.
Não cabe exceção da verdade, salvo se o ofendido for funcionário público e a ofensa for relacionada a função.
Art. 139, CP. [...]
Parágrafo único.A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. 
A intenção desse parágrafo é resguardar a integridade da Administração Pública. Não fala nada sobre o Presidente da República, então não cabe difamação a este.
→ Pessoa jurídica pode ser vítima? Duas posições: para Mirabete, não pode; para o STF é possível, uma vez que pode ferir a credibilidade dela.
3. INJÚRIA – art. 140, CP
Art. 140, CP. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
A injúria é quando o agente ofende a dignidade ou decoro de outro, atribuindo-lhe qualidades negativas. Como é uma atribuição, na prática é usado o verbo “ser” + predicado (quando é usado o verbo que expressa a conduta criminosa ou desonrosa, é, respectivamente, calúnia ou difamação).
É um crime formal que fere a honra subjetiva, sendo consumado quando a própria vítima toma conhecimento da ofensa. Na forma verbal não se admite tentativa, mas na escrita sim.
 Xingar, mostrar o dedo do meio etc., é injúria? Sim, uma vez que é uma forma de humilhar/ofender a vítima.
Não cabe exceção da verdade.
	- Tipo objetivo: injuriar (praticar uma ofensa contra a pessoa, atribuindo-lhe qualidades negativas);
- Tipo subjetivo: dolo.
3.1. Perdão judicial – art. 140, § 1º, CP
Art. 140, CP. [...]
§ 1º. O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
3.2. Injúria real – art. 140, § 2º, CP
Art. 140, CP. [...]
§ 2º. Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
Ex.: empurrar, cuspir etc.
É um delito de concurso necessário. Entretanto, se resultar em lesão corporal, o agente responderá pelos dois crimes.
3.3. Qualificada pelo preconceito – art. 140, § 3º, CP
Art. 140, CP. [...]
§ 3º. Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)
Deixa de ser infração penal de menor potencial ofensivo, sendo assim, não vai para o JECRIM, sendo aplicada a prisão em flagrante.
→ Racismo é a mesma coisa que injúria racial? Não, a injúria racial é direcionada a uma específica, já o racismo abrange um grupo. Entretanto, o STJ e STF equipararam os dois para fins de imprescritibilidade, uma vez que os dois não prescrevem. Válido ressaltar que o racismo é APPública incondicionada e a injúria é APPública condicionada.
4. DISPOSIÇÕES COMUNS – art. 141, CP
Art. 141, CP. As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido:
I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
II - contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Lei nº 14.197, de 2021)
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria.
IV - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)
§ 1º. Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º. Se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da rede mundial de computadores, aplica-se em triplo a pena. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
5. EXCLUSÃO DO CRIME – art. 142, CP
Art. 142, CP. Não constituem injúria ou difamação punível:
I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador;
II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar;
III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício.
Parágrafo único. Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.
6. RETRATAÇÃO – art. 143, CP
Art. 143, CP. O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de pena.
Parágrafo único. Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação utilizando-se de meios de comunicação, a retratação dar-se-á, se assim desejar o ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa. (Incluído pela Lei nº 13.188, de 2015)
Ou seja, é uma causa de extinção da punibilidade, prevista no Código Penal no art. 107, VI.
Obs.: na injúria não é cabível porque fere a honra subjetiva.
→ Qual o momento para a retratação? De acordo com Rogério Sanches, a retratação tem que ser feita até a sentença de primeiro grau, sendo a teoria mais aceita. Entretanto, Masson afirma que feita depois do TJ, é ineficaz. Caso ela seja feita em grau de recurso, a pena é atenuada (art. 65, III, b, CP), ou ter antes do julgamento reparado o dano.
7. INTERPELAÇÃO JUDICIAL – art. 144, CP
Art. 144, CP. Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa.
É também chamado de interpretação judicial.
Acaba se tornando uma medida preparatória para a ação penal, sendo facultativa.
8. AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A HONRA – art. 145, CP
Art. 145, CP. Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.
Nos crimes previstos neste capítulo somente se procede mediante queixa, porque é um crime de ação penal privada, entretanto, há exceções no ‘parágrafo único’.
8.1. Ação penal pública – art. 145, parágrafo único, CP
Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3º do art. 140 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.033. de 2009)
Ou seja:
a. crimes contra a honra do Presidente da República: ação pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça.
b. ofensa contra funcionário público no exercício da função: ação penal pública condicionada à representação.
É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do ministério público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções (súmula 714, STF).
✱ Perempção – art. 60 do CPP 
a. injúria preconceituosa: ação penal pública condicionada à representação;
b. injúria real que resulte L.C. corporal como consequência da violência empregada: ação penal pública incondicionada;
c. injúria real com vias de fato: ação penal privada.
CAPÍTULO VI – DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL
SEÇÃO I – DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL
1. CONSTRANGIMENTO ILEGAL – art. 146, CP
Art. 146, CP. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.
1.1. Causa de aumento de pena – art. 146, §§ 1º a 3º, CP
Art. 146, CP. [...]
§ 1º. As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução do crime, se reúnem mais de três pessoas, ou há emprego de armas.
§ 2º. Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência.
§ 3º. Não se compreendem na disposição deste artigo:
I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do pacienteou de seu representante legal, se justificada por iminente perigo de vida;
II - a coação exercida para impedir suicídio.
2. AMEAÇA – art. 147, CP
Art. 147, CP. Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Previsto na Lei 9.099/95, é uma infração penal de menor potencial ofensivo (IMPO) no art. 61, CP.
	- Objeto jurídico: a segurança e a liberdade da pessoa no que tange a sua liberdade;
- Objeto material: a pessoa que sofre com a conduta criminosa.
- Sujeito ativo: qualquer pessoa, mas se for feito por funcionário público pode caracterizar o crime de abuso de autoridade que está na Lei 13.869/19;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa, mas que possua a capacidade de entender que está sendo ameaçada
- Tipo objetivo: ameaçar (intimidar alguém, anunciando-lhe um mal injusto e grave que pode ser físico, econômico ou moral);
- Tipo subjetivo: o dolo → não existe forma culposa.
Crime comum formal, ou seja, crime de consumação antecipada, de forma livre, comissivo, instantâneo, unissubjetivo, unissubsistente ou juris subsistente. Só é admitido tentativa na forma escrita.
O crime pode ser praticado de inúmeras maneiras, como: palavras, gestos, escrita, ou qualquer outro meio simbólico. 
Pode ser: direta (recai diretamente sobre a pessoa) ou indireta (quando recai em terceira pessoa, ex.: filhos, cônjuge, irmãos). E também é possível ser explícita (feita as claras, com absoluta compreensão) ou implícita (velada).
A ameaça é ação penal pública incondicionada.
Obs.: não configura ameaça uma briga de irmãos.
2.1. Representação – art. 147, parágrafo único
Art. 147, CP. [...]
Parágrafo único. Somente se procede mediante representação.
3. SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO – art. 148, CP
Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado: (Vide Lei nº 10.446, de 2002)
Pena - reclusão, de um a três anos.
É um crime comissivo, ou seja, decorre de uma ação. Mason fala de uma exceção em que pode ser omissivo (art. 13, § 2º do CP).
A permanência precisa ser um tempo juridicamente relevante, isto é, deve durar um lapso de tempo razoável (ex.: 5 minutos não seria considerado privação de liberdade).
A liberdade é um direito disponível, já que há meios onde a pessoa pode disponibilizar esse direito, como em Reality Shows.
	- Objeto jurídico: direito de ir, vir e ficar da pessoa;
- Objeto material: a pessoa que sofre a constrição da liberdade.
- Sujeito ativo: qualquer pessoa (se for funcionário público é crime de abuso de autoridade);
- Sujeito passivo: qualquer pessoa (inclusive pessoas PCD, crianças, etc)
✱ Se a vítima for o Presidente da República, SF, CD, STF, desde que tenha motivação política, aplica-se o art. 28, LSN
- Tipo objetivo: privar (tolher, impedir, desapossar);
- Tipo subjetivo: o dolo genérico (obstaculizar o direito de ir, vir ou permanecer).
Para a consumação, há duas posições, que dependerá do caso concreto para a aplicação:
a. primeira posição: o crime se consuma independentemente do tempo de privação da liberdade.A variação do tempo pode interferir na dosimetria da pena;
b. segunda posição: é indispensável um tempo juridicamente relevante, caso contrário, haverá mera tentativa.
Pode ser feito com o objetivo de obter outra finalidade: se há a privação da liberdade com intenso sofrimento a pessoa para que ela confesse algo, configura tortura (Lei 9.455/97); caso a finalidade da privação seja pegar a criança e inseri-la numa outra família, aplica-se o art. 237 do ECA.
→ Sequestro X cárcere privado? O sequestro é a privação da liberdade sem confinamento, sem que isso ocorra em um recinto fechado (é um crime permanente, já que dura dias, e a cada 24h ele se inicia de novo). Já o cárcere privado é a privação da liberdade com o confinamento da vítima, normalmente se dá em um cômodo residencial.
3.1. Aumento de pena – art. 148, § 1º, CP
Art. 148, CP. [...]
§ 1º. A pena é de reclusão, de dois a cinco anos:
I - se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de 60 (sessenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 11.106, de 2005)
De acordo com a súmula 711, a lei penal mais grave aplica-se ao crime permanente (ex.: se a pessoa sequestrada tinha 59 anos, mas faz aniversário enquanto ainda estava sequestrada, aplica-se o § 1º inciso I, que é a lei mais grave).
II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital; → agravante genérica (bis in idem: art. 61, I, “h”, CP)
III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias.
IV - se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos; (Incluído pela Lei nº 11.106, de 2005)
V - se o crime é praticado com fins libidinosos. (Incluído pela Lei nº 11.106, de 2005)
Na modalidade do inciso V, é crime formal, pois basta a privação da liberdade para fins libidinosos e o crime já estará consumado, segundo Victor Eduardo e Masson.
3.1. Emprego de violência – art. 148, § 2º, CP
§ 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral:
Pena - reclusão, de dois a oito anos
Neste crime, o membro do MP ou o delegado de polícia poderá requisitar, de quaisquer órgão do poder público ou de empresas da iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou de suspeitos. A requisição deverá ser atendida em 24h (art. 13-A do CPP).
4. REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO – art. 149, CP
Art. 149, CP. Reduzir alguém à condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
Essa modalidade criminosa é conhecida como plágio, onde a pessoa fica totalmente sujeita, submissa a outra pessoa.
É um crime de ação penal pública incondicionada.
A consumação se dá com a submissão das pessoas a condições de trabalho análogas à de escravo. 
	- Objeto jurídico: crime contra a liberdade individual em todas as suas formas e não somente pelo trabalho;
- Objeto material: a pessoa humana tratada como escravo.
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa (o consentimento da vítima é irrelevante, ninguém quer viver em condições análogas à de escravo).
- Tipo objetivo: reduzir a condição análoga à de escravo (submeter essa pessoa a condição degradante de trabalho, com jornadas exaustivas, com cerceamento dos meios de transporte);
- Tipo subjetivo: o dolo (direto ou eventual).
Há algumas condutas que podem ser enquadradas como redução a condição análoga à de escravo:
a. submissão a jornada de trabalho forçados: aquele onde a vítima é obrigada a trabalhar de forma compulsória;
b. jornada exaustiva: aquela que vai muito além da jornada prevista na legislação (obs: imprescindível a supressão da vontade da vítima)
c. sujeição a condições degradantes de trabalho: condições que caracterizam um ambiente humilhante de trabalho para um ser humano livre e digno (ex.: trabalho vigiado por seguranças armados; local que não oferece as mínimas condições de trabalho);
d. restrição, por qualquer meio, da liberdade de locomoção em razão da dívida contraída para com o empregador ou preposto dele.
✱ Art. 243 do CF 
Art. 243, CF. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 81, de 2014)
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômicoapreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 81, de 2014)
4.1. Equiparação de pena – art. 149, § 1º, CP
Art. 149, CP. [...]
§ 1º. Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
I - cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
II - mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
4.2. Causa de aumento de pena – art. 149, § 2º, CP
Art. 149, CP. [...]
§ 2º. A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido: (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
I - contra criança ou adolescente; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
II - por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)
5. TRÁFICO DE PESSOAS – art. 149-A, CP
Art. 149-A, CP. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de: (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
I - remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) 
II - submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) 
III - submetê-la a qualquer tipo de servidão; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
IV - adoção ilegal; ou (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
V - exploração sexual. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
No caso de alojar ou acolher, se torna um crime permanente, pois a cada 24h ele se inicia novamente.
	- Objeto jurídico: a liberdade da pessoa no tocante a plena gestão do ser humano quanto ao seu corpo, à liberdade sexual, a liberdade de locomoção, de trabalho e relativa ao estado de filiação;
- Objeto material: a pessoa de qualquer origem, sexo, idade
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa
- Tipo objetivo: agenciar (atuar como empresário, representar alguém), aliciar (atrair, seduzir ou corromper com dinheiro), recrutar (angariar, convocar), transportar, transferir (despachar alguém para outro lugar), comprar, alojar (hospedar), acolher (receber).
- Tipo subjetivo: dolo (elemento subjetivo do tipo).
A consumação é antecipada, pois trata-se de um crime formal. Quando o crime, já praticado, trás consequências mais danosas a vítima, ocorre o chamado exaurimento. Aqui, a tentativa (conatus) é possível, já que estamos diante de um crime plurissubsistente.
5.1. Aumento de pena – art. 149-A, § 1º, CP
Art. 149-A, CP. [...]
§1º - A pena é aumentada de um terço até a metade se: (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
I - o crime for cometido por funcionário público no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
II - o crime for cometido contra criança, adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
III - o agente se prevalecer de relações de parentesco, domésticas, de coabitação, de hospitalidade, de dependência econômica, de autoridade ou de superioridade hierárquica inerente ao exercício de emprego, cargo ou função; ou (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
IV - a vítima do tráfico de pessoas for retirada do território nacional. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
5.2. Diminuição de pena – art. 149-A, § 2º, CP
Art. 149-A, CP. [...]
§ 2º. A pena é reduzida de um a dois terços se o agente for primário e não integrar organização criminosa. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
SEÇÃO II – DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO 
1. VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO – art. 150, CP 
Art. 150, CP. Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
A casa é inviolável, nos termos do art. 5º, XI, CF, entretanto, há exceções.
Art. 5º, CF. [...]
XI - A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
	- Objeto jurídico: tranquilidade doméstica, que abrange a intimidade, a segurança e a vida privada proporcio- nada pelo domicílio;
- Objeto material: o domicílio invadido por alguém.
- Sujeito ativo: qualquer pessoa, inclusive o proprietário quando ingressa em residência ocupada pelo inquilino contra a vontade expressa ou tácita deste (Lei 8.245/91);
- Sujeito passivo: o morador, a pessoa que tem o poder de vetar a entrada ou permanência no imóvel.
- Tipo objetivo: - entrar em casa alheia (invadir, ingressar)
 - permanecer em casa alheia (em um primeiro momento foi autorizada, depois o agente se recusa a sair do imóvel).
- Tipo subjetivo: dolo, consistente na vontade livre e consciente de violar o domicílio).
A consumação se dá quando o agente ingressa no imóvel e lá permanece por um tempo juridicamente relevante. A tentativa é compatível, mas apenas na forma comissiva (entrar), segundo Cleber Masson.
→ E se houver divergência entre os cônjuges para a entrada na casa? De acordo com César Roberto Bittencourt, deve prevalecer a vontade de quem não quer o acesso à casa do casal.
Se a casa não estiver desabitada, caracteriza o crime de esbulho possessório (art. 161, §1º, II do CP).
1.1. Causa de aumento de pena – art. 150, § 1º, CP
Art. 150, CF. [...]
§ 1º. Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar ermo, ou com o emprego de violência ou de arma, ou por duas ou mais pessoas:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência.
O período noturno é das 18h às 6h da manhã, quando não há luz solar.
1.2. Não constitui crime – art. 150, § 3º, CP
Art. 150, CF. [...]
§ 3º. Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências:
I - durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência;
II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser.
1.3. Conceito de casa – art. 150, §§ 4º e 5º, CP
Art. 150, CF. [...]
§ 4º. A expressão "casa" compreende:
I - qualquer compartimento habitado;
II - aposento ocupado de habitação coletiva;
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade.
§ 5º. Não se compreendem na expressão "casa":
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º II do parágrafo anterior;
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.
DOSIMETRIA DA PENA
A dosimetria é composta por 3 fases:
1. PRIMEIRA FASE – CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS
Art. 93, IX, CF. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação.
Há 8 causas que estão elencadas no artigo 59:
1.1. Causas
1.1.1. Culpabilidade
Juízo de reprovação acerca da conduta praticada pelo réu. O magistrado irá impor uma pena maior ou menor de acordo com a gravidade do ilícito praticado.
A circunstância judicial “culpabilidade” prevista no art. 59 do CP, atende ao critério constitucional da individualização da pena. É possível que o juiz, fundamentado na culpabilidade, dimensione a pena de acordo com o grau de censura pessoal do réu na prática do delito.
A ponderação acerca das circunstânciasjudiciais do crime, em especial a culpabilidade, atende ao princípio da proporcionalidade e representa verdadeira limitação da discricionariedade judicial na tarefa individualizadora da pena-base.
1.1.2. Antecedentes
Folha de antecedentes criminais.
Súmula 444, STJ. É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar pena-base.
A existência de inquéritos policiais ou de ações penais sem trânsito em julgado não podem ser considerados como maus antecedentes para fins de dosimetria da pena.
A existência de condenação definitiva, pode usar? Existem duas correntes:
a. sistema de perpetuidade: a condenação definitiva sempre gera maus antecedentes (STJ, Resp. 1.160.540 – informativo 540 STJ);
b. sistema da temporariedade: a condenação definitiva vale como maus antecedentes pelo prazo de 5 anos (HC 126.319 – informativo 799).
1.1.3. Conduta social
Estilo de vida do réu na sociedade.
A circunstância judicial “conduta social”, prevista no art. 59 do CP, representa o comportamento do agente no meio familiar, no ambiente de trabalho e no relacionamento com outros indivíduos.
Os antecedentes sociais do réu não se confundem com os seus antecedentes criminais. São circunstâncias distintas, com regramentos próprios.
Assim, não se mostra correto o magistrado utilizar as condenações anteriores transitadas em julgado como “conduta social desfavorável” – RHC 130132, informativo 825.
1.1.4. Personalidade do agente
Reflexos das qualidades morais e sociais do indivíduo. Ex.: réu que no seu interrogatório tenta intimidar o juiz.
1.1.5. Motivos do crime
Buscar os reais motivos do crime, qual foi a motivação.
1.1.6. Circunstâncias do crime
Informativo 576, STJ. O cometimento de estelionato em detrimento de vítima que conhecia o autor do delito lhe depositava total confiança justifica a exasperação da pena-base em razão da consideração desfavorável das circunstâncias do crime. Existe um plus de reprovabilidade pelo fato de o agente ter escolhido para ser vítima do delito de uma pessoa conhecida que lhe depositava total confiança.
1.1.7. Consequências do crime
Efeitos decorrentes do crime para a vítima e para a família.
1.1.8. Comportamento da vítima
Comportamento da vítima. Ex.: vítima que ao invés de atravessar a rodovia pela passarela, o faz debaixo desta, na faixa de rolamento, sendo atropelada.
Informativo 532, STJ. Se o comportamento da vítima em nada contribuiu para o delito, isso significa que essa circunstância judicial é neutra, de forma que não pode ser utilizada para aumentar a pena imposta ao réu.
1.2. Cálculo
Na primeira fase, é preciso encontrar a pena base, partindo da pena mínima, por meio da: i) fixação dos limites, que são encontrados na pena prevista para o tipo fundamental ou na qualificadora, se houver; e ii) fixação da pena base, devendo ser usada as circunstâncias judiciais.
Ex.: roubo - reclusão de 4 a 10 anos
10 - 4 = 6 (intervalo) → 6 anos = 72 meses → dividido por 8 (8 circunstâncias) = 9 meses
Cada circunstância que o réu tiver, aumenta-se 9 meses, então: 4 (pena mínima) + 1 ano e 6 meses (2 circunstâncias) = 5 anos e 6 meses é a pena.
2. SEGUNDA FASE – CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES E AGRAVANTES
A segunda fase são as circunstâncias atenuantes (art. 65 do CP) e agravantes (art. 61 do CP)
A interferência das atenuantes e agravantes depende do prudente arbítrio do juiz. A fim de controlar o arbítrio, os tribunais recomendam o critério de 1/6 para cada circunstância.
Não é possível, na segunda fase, as penas ultrapassarem o limite da pena base (mínimo e máximo), apesar do número de atenuantes ou agravantes – súmula 231, STJ.
O juiz é obrigado a falar as circunstâncias (não pode trazer abaixo do mínimo nem levar acima do máximo).
2.1. Circunstâncias atenuantes
Art. 65, CP. São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - ser o agente o menor de 21 na data do fato, ou maior de 70 anos, na data da sentença; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - desconhecimento da lei; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) → em caso de estrangeiros
III - ter o agente: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano; 
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima;
Na coação resistível, o agente será punido, mas terá direito a atenuação da pena. O cumprimento da ordem é o caso de superioridade hierárquica.
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;
e) cometido o crime sob a influência de multidão ou tumulto, se não o provocou.
2.2. Circunstâncias agravantes
Art. 61, CP. São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - a reincidência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) por motivo fútil ou torpe;
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido;
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão;
h) contra criança, maior de 60 anos, enfermo ou mulher grávida; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido;
l) em estado de embriaguez preordenada.
3. CAUSAS DE AUMENTO E DIMINUIÇÃO
O objetivo é encontrar a pena final/definitiva. Partindo da pena intermediária (definida na 2ª fase), o juiz aplicará as majorantes ou minorantes.
O aumento ou diminuição está indicado na própria fração que caracteriza a circunstância.
✱ Reincidência
Para o STJ a reincidência e a confissão se compensam: a agravante da reincidência e a atenuante da confissão espontânea são igualmente preponderantes, razão pela qual devem ser compensadas.
E para o STF a reincidência prevalece: a teor do disposto no art. 67 do CP, a circunstância agravante da reincidência, como preponderante, prevalece sobre a confissão.
	CRIME
	+
	CRIME
	=
	REINCIDÊNCIA
	CRIME
	+
	CONTRAVENÇÃO
	=
	REINCIDÊNCIA
	CONTRAVENÇÃO
	+
	CONTRAVENÇÃO
	=
	REINCIDÊNCIA
	CONTRAVENÇÃO
	+
	CRIME
	=
	PRIMÁRIO
TÍTULO II – DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO
Para Nelson Hungria, patrimônio é o complexo de bens ou interesses de valor econômico em relação à pertinência com uma pessoa (ou seja, bens que você trabalha para comprar ou receber de doação).
1. FURTO – art. 155, CP 
Art. 155, CP. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Furto é considerado um crime de médio potencial ofensivo.
No crime de furto, é possível que aconteça a suspensão condicional do processo – art. 89, Lei nº 9.099/95. Se preenchidos todos os requisitos e tudo for cumprido, o processo vai ser extinto.
Art. 89, Lei nº 9.099/95. Nos crimes em que a pena mínima for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisito que autorizam a suspensão condicional da pena. (art. 77 do CP)
O furto é um crime de menor potencial ofensivo, assimcomo difamação, injúria, constrangimento ilegal – art. 61, Lei nº 9.099/95.
Art. 61, Lei nº 9.099/95. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 anos, cumulada ou não com multa.
	- Objeto jurídico: patrimônio;
- Objeto material: a coisa sujeita a subtração (Rogério Sanches afirma que quem detém legitima a coisa);
- Sujeito ativo: qualquer pessoa → é crime comum
- Sujeito passivo: qualquer pessoa física ou jurídica
- Tipo objetivo: subtrair
- Tipo subjetivo: o dolo “animus furandi” → normalmente há finalidade lucrativa, mas pode ser outros (ex.: A rouba uma caneta de ouro do pai de B, e o motivo do furto foi provocar intenso sofrimento → ainda é furto)
Caso o agente utilize-se de menores para cometer a infração, é configurada a corrupção de menores –- art. 244-B, ECA
Art. 244-B, ECA. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos.
De acordo com a Súmula 500 do STJ, a configuração do crime previsto no art. 244-B do ECA independe da prova da efetiva corrupção do menor, por se tratar de delito formal → o simples fato do menor estar praticando um crime na companhia do maior, já é presumido que houve a corrupção daquele.
Esse crime admite a figura da autoria mediata (aquele que se utiliza de uma pessoa sem culpabilidade para cometer um crime, ex.: o motorista é uma pessoa sem culpabilidade).
1.1. Características
1.1.1. Tipos de furto
1.1.1.1. Coisa 
Substância material, corpórea passível de subtração, que tenha valor econômico.
1.1.1.2. Gado 
Furto de semoventes é chamado abigeato;
1.1.1.3. Coisa alheia
É aquilo que não pertence ao autor da subtração;
1.1.1.4. Coisa móvel
É a que pode ser levada de um lugar para o outro;
1.1.1.5. Corpo humano
Tem outra classificação: art. 14 da Lei 9434/97 (remoção de órgãos), art. 210 e 211 do CP (violação de sepultura).
Art. 14, Lei nº 9.434/97. Remover tecidos, órgãos ou partes do corpo de pessoa ou cadáver, em desacordo com as disposições desta Lei:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, de 100 a 360 dias-multa.
Art. 210, CP. Violar ou profanar sepultura ou urna funerária:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
Art. 211, CP. Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
1.1.1.6. Objetos enterrados com a pessoa
É crime, mas sua natureza diverge na doutrina: para Cleber Masson é furto e para Nucci é violação de sepultura (arts. 210 e 211, CP)
1.1.1.7. Folha de cheque
Configura crime de estelionato 
Súmula 17, STJ. Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido.
1.1.1.8. Coisa com valor sentimental
A posição majoritária e também a de Cleber Masson, é que caracterizado furto; mas para Nucci não é caracterizado crime, uma vez que não tem valor patrimonial, sendo cabível apenas indenização.
1.1.1.9. “Res derelicta” (coisa abandonada)
Não há furto (ex.: sofá deixado na rua);
1.1.1.10. “Res nullius” (coisa de ninguém)
Não há furto (ex.: cachorro de rua);
1.1.1.11. “Res desperdicta” (coisa perdida) – art. 169, parágrafo único, II, CP)
Crime de apropriação de coisa achada.
Art. 169, CP. [...]
II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro do prazo de 15 dias.
1.1.1.12. Furto de uso
É quando há a utilização da coisa e rápida devolução, mas sendo essa restituição integral, ou seja, sem qualquer dano. Para que se inclua em furto de uso, a devolução deve ser feita sem que a vítima perceba a subtração (se a vítima notar a coisa faltante é arrependimento posterior).
Ex.: agente que pula o muro do vizinho, pega a furadeira e leva para casa dele a fim de pregar uma prateleira, e assim que acaba, devolve ao vizinho.
1.1.1.13. Famulato
É o furto praticado por empregados domésticos.
1.1.2. Consumação do furto
1.1.2.1. Contrectatio (Teoria do contato)
Ao tocar na coisa, o crime de furto está consumado.
1.1.2.2. Apprehensio
Para a consumação do furto, há a necessidade do agente segurar a coisa, ou seja, apoderamento da coisa.
1.2.3. Amotio
Dá-se a consumação quando a coisa subtraída passa para o poder do agente, mesmo que por curto espaço de tempo, deslocando-se com o objeto, independentemente de posse pacífica.
Este é considerado pelo STJ e STF.
1.1.2.4. Ablatio
Pressupõe que o agente coloque o bem onde pretendia.
1.1.2.5. Illacio
Para ocorrer a consumação, a coisa deve ser levada ao local desejado e lá deverá ser mantida a salvo (posse passiva).
1.1.3. Furto e sistema de monitoramento
Para Nucci, não é crime porque se trata de crime impossível, já que o agente estava sendo monitorado durante toda a ação. Mas, no Informativo 563 do STJ diz que a existência de sistema de segurança ou de vigilância eletrônica não torna impossível, por si só, o crime de furto cometido no interior de estabelecimento comercial. Trata-se de inidoneidade relativa do meio. 
Em outras palavras, o meio escolhido pelo agente é relativamente ineficaz, visto que existe sim uma possibilidade, ainda que pequena, de o delito se consumar. Sendo assim, se a ineficácia do meio deu-se apenas de forma relativa, não é possível o reconhecimento do instituto do crime impossível previsto no art. 17 do CP.
Há também, na Súmula 567 é escrito que o sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto.
1.1.4. Absorção
O crime de furto absorve alguns crimes, como a violação de domicílio (quando o agente invade uma casa para roubar algo, ele responderá apenas pelo furto).
Também há a absorção do dano material, quando por exemplo, o agente furta um objeto achando que tem valor mas não tem, e destrói → só responde pelo furto, e não pelo dano (chamado de “post factum impunivel”).
1.1.5. Furto famélico
É uma causa excludente da ilicitude por se tratar de um estado de necessidade.
1.1.6. Furto cometido por toxicômano
É causa de exclusão da culpabilidade quando é provado, pela perícia, que o indivíduo é dependente de drogas e no momento não estava capaz de entender a ilicitude.
Art. 45, Lei nº 11.343/06. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial, que este apresentava, à época do fato previsto neste artigo, as condições referidas no caput deste artigo, poderá determinar o juiz, na sentença, o seu encaminhamento para tratamento médico adequado.
1.2. Classificação
É crime comum (pode ser praticado por qualquer pessoa), material (a lei exige uma conduta e o resultado [redução patrimonial), comissivo (é uma ação, um fazer), unissubjetivo (basta uma pessoa para praticar), eventual, plurissubsistente (pode ser fracionado em vários atos).
É admitido a tentativa, como por exemplo: o agente esconde objetos da farmácia em baixo da blusa com o objetivo de roubá-los, mas quando chega ao caixa é descoberto. Para Heleno Cláudio Fragoso não há tentativa, e sim crime impossível, entretanto, não é esta abordagem escolhida pelo STF.
1.3. Causa de aumento de pena – art. 155, § 1º, CP
Art. 155, CP. [...]
§ 1º. A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
É caracterizado o aumento de pena devido a ausência de luz e menor circulação de pessoas.
→ Qual é o horário de repouso noturno? Há várias concepções, uma delas é o período de ausência de luz. Para Masson, é necessário analisar o local,porque, por exemplo, em uma fazenda, o horário de repouso é diferente da cidade (costumam dormir e acordar bem mais cedo).
Mesmo se a pessoa estiver acordada durante o horário de repouso, continua sendo uma causa de aumento. Também não há a necessidade da casa estar habitada (até porque algumas pessoas têm duas casas). Essa causa é aplicada a estabelecimentos comerciais, mesmo que não tenha ninguém dormindo lá.
Se houver o furto a um carro durante este período, também é aplicado o aumento.
A causa de aumento de pena prevista no § 1º pode ser aplicada tanto para os casos de furto simples (caput) como para as hipóteses de furto qualificado (§ 4º).
Não existe nenhuma possibilidade entre a majorante prevista no § 1º e as qualificadoras do § 4º. São circunstâncias diversas, que incidem em momentos diferentes da aplicação da pena.
Assim, é possível que o agente seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira fase da dosimetria, o juiz aumente a pena em 1/3 se a subtração ocorreu durante o repouso noturno – Info 554 STJ, HC 306.450-SP.
1.4. Furto privilegiado – art. 155, § 2º, CP
Art. 155, CP. [...]
§ 2º. Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
Para ser primário o agente não pode ter sido condenado anteriormente (primário propriamente dito) ou quando foi condenado mas já se passaram 5 anos (tecnicamente primário).
O pequeno valor citado é preciso se encaixar em até um salário mínimo. Mesmo que tenham sido vários objetos furtados, se estiverem abaixo do salário mínimo, é aplicado o § 2º. Para isso, é necessário uma avaliação.
Há três consequências:
a. substituir a pena de reclusão para detenção;
b. diminuir a pena privativa de liberdade de 1/3 a 2/3;
c. aplica somente a pena de multa.
Obs: posicionamento da Jurisprudência - se o MP recorrer, o TJ da o provimento ao recurso, condena o réu em uma PPL e substitui por PRD.
✱ Súmula 511 do STJ
É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP nos casos de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora de ordem objetiva.
Existem duas qualificadoras:
 a. qualificadora objetiva (materiais, reais): são aquelas que estão relacionadas com fato criminoso, ou seja, com o seu modo de execução, tempo e lugar do crime, instrumentos utilizados, etc.
 b. qualificadoras subjetivas (pessoas): são aquelas que dizem respeito à pessoa do agente. Ex.: crime praticado com abuso de confiança.
A súmula diz ser incompatível apenas com a qualificadora do abuso de confiança (única de natureza subjetiva, o que torna incompatível a qualificadora). Victor Eduardo Rios Gonçalves discorda desse posicionamento pois defende que não há qualquer incompatibilidade na aplicação do privilégio, inclusive, para a qualificadora de natureza subjetiva, no caso o abuso de confiança.
Ex.: se o furto for qualificado por abuso de confiança (qualificadora subjetiva), não será possível o privilégio (STJ, REsp 1392678/MG). 
O furto privilegiado qualificado é também chamado de furto híbrido. Vale mencionar que o entendimento de que é possível furto privilegiado qualificado é adotado não apenas pelo STJ, como também pelo STF.
→ É possível aplicar o furto privilegiado ao furto noturno? Sim, o juiz aplica a diminuição, e depois o aumento.
1.4. Energia elétrica – art. 155, § 3º, CP
Art. 155, CP. [...]
§ 3º. Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.
A energia elétrica ou qualquer outra energia que tenha valor econômico será equiparada a coisa alheia móvel. Essa ligação clandestina, conhecida como “gato”, trata-se de crime permanente.
Se o próprio dono da casa produz fraude no medidor, para que ele registre um consumo menor do que o consumo real, com o objetivo de pagar menos, é considerado estelionato.
Outros que tem valor econômico:
 a. furto de sêmen: furto de energia genética, ex.: furto do sêmen de um cavalo de competição.
 b. sinal de TV por assinatura: de acordo com Nucci, existem precedentes de furto de sinal de tv caracteriza crime de furto por equiparação. Mas, como destaca Cezar Roberto Bitencourt, “a energia se consome, se esgota, diminui, e pode, inclusive, terminar, ao passo que sinal de televisão não se gasta nem diminui, mesmo que toda a população do planeta o acesse ao mesmo tempo.” Feitas essas considerações, o Ministro Joaquim Barbosa conclui que, não pode o sinal de televisão a cabo constituir-se em objeto material, então se inclui no art. 35 da Lei 8977/95 que dispõe especificamente sobre os serviços de TV a cabo.
 c. sinal de telefone: os pulsos telefônicos têm valor econômico, equiparando-se a coisa móvel, e, por conseguinte, passíveis de objeto de furto.
1.5. Furto qualificado – art. 155, § 4º, CP
Art. 155, CP. [...]
§ 4º. A pena é de reclusão, de 2 a 8 anos, e multa se cometido:
1.5.1. Inciso I
 I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
A destruição é a conduta que faz algo desaparecer provocando um dano complexo, ex.: quebrar porta de vidro.
O rompimento é a danificação parcial, ex.: estouro do trinco da janela.
E o obstáculo é a barreira que protege o objeto, dificultando a subtração, ex.: cerca elétrica.
Para entrar nesse inciso, é preciso de prova pericial.
Se for furto do carro, e o agente danifica o objeto, ainda é furto qualificado (há uma outra corrente dizendo que é furto simples, mas não é válida).
→ O cão pode ser entendido como obstáculo? Há 2 posicionamentos: i) não é obstáculo (em caso de morte do animal, responderá por furto + dano); ou ii) é obstáculo (em caso de morte do animal, responderá por furto + destruição do obstáculo).
1.5.2. Inciso II
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
A confiança é a credibilidade que a pessoa deposita em um terceiro, como nos casos de namoro, noivado ou parentesco. Já o abuso de confiança, requisito para a qualificadora, é quando a confiança facilita a subtração.
Ex.: agente vai viajar e guarda todos os objetos de valor dentro de um cofre, e enquanto ele está fora, a empregada ainda continua indo a casa e um dia ela estoura o cofre e furta os objetos. Esse furto é qualificado por abuso de confiança? Não, porque como estava no cofre, ele não tinha confiança na empregada.
O furto mediante fraude é o ato de enganar alguém, engodo, estratagema, ardil, armadilha. Ex.: duas pessoas ingressam em uma loja, uma conversa com o vendedor, fazendo acreditar que está interessada em um produto, enquanto o segundo furtador, se aproveita para subtrair o objeto.
→ Furto com fraude X estelionato: no furto o agente distrai a pessoa para furtar; no estelionato, a própria vítima entrega o objeto.
A escalada é a utilização de uma via anormal para adentrar o local do furto. Não é necessário que o agente escale algo, no sentido literal.
A destreza é a habilidade física ou manual que permite ao agente efetuar a subtração de algum bem da vítima sem que ela perceba, ex.: batedor de carteira (punguista). Não caracteriza a destreza quem subtrai bem de uma pessoa completamente embriagada ou dormindo.
1.5.3. Inciso III
III - com emprego de chave falsa;
A chave falsa (também chamada de gazua u mixa) é a imitação de uma chave verdadeira, ou instrumentos que são utilizados para abrir uma fechadura (ex.: grampo, clips). É necessário perícia quando o objeto é apreendido.
Art. 175, CPP. Serão sujeitos a exame os instrumentos empregados para a prática da infração, a fim de se lhes verificar a natureza e a eficácia.
→ Chave reserva do carro pode ser chave falsa? Não, pois é a chave verdadeira.
1.5.4. Inciso IV
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
De acordo com Damásio, Mirabete, Victor e Capez, não há a necessidade do agente estar no local, apenas de ter contribuído para o delito. Mesmo se for utilizado menor de idade, é contabilizado a pessoa pra incluir nesse inciso.
✱ Furto qualificado pelo concursode pessoas X associação criminosa: bis in idem?
A posição majoritária e aceita pelo STF, é que não há bis in idem, porque o furto tutela o bem material, e a associação protege a paz pública.
1.6. Emprego de explosivo – art. 155, § 4º-A, CP
Art. 155, CP. [...]
§ 4º-A. A pena é de reclusão de 4 a 10 anos e multa, se houver emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
 Trata-se de qualificadora de natureza objetiva.
Art. 251, DEL 2848/40. Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos.
É também um crime hediondo:
Art. 1º, Lei 8072/90. [...]
IX - furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que causa perigo comum
Obs.: o roubo qualificado com o emprego de explosivo NÃO é crime hediondo.
É admitido a tentativa, como por exemplo: Pedro é preso colocando explosivos no caixa eletrônico.
1.7. Veículo automotor – art. 155, § 5º, CP
Art. 155, CP. [...]
§ 5º. A pena é de reclusão de 3 a 8 anos, se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
Para incidir a qualificadora, é necessário ser um veículo automotor (carro, moto, caminhão), mas, se o agente transportar um caminhão ou carro furtado, por partes, não incide a qualificadora.
→ E o Distrito Federal? Para a Defensoria Pública, não qualifica o crime, já que o código fala em Estado, o que seria uma analogia “in mallam partem”. E para o MP, há possibilidade da qualificadora por ser uma interpretação extensiva.
1.8. Semovente[footnoteRef:23] – art. 155, §6º, CP [23: Semovente: gado.] 
Art. 155, CP. [...]
§ 6º. A pena é de reclusão de 2 a 5 anos se a subtração for de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração. (Incluído pela Lei nº 13.330, de 2016)
É uma qualificadora de natureza objetiva.
É possível a combinação do § 6º, com § 2º do art. 155 (furto privilegiado), desde que preencha os requisitos do § 2º. Para Cleber Masson e Rogério Sanches é possível, mas como existem precedentes, é necessário analisar o caso concreto.
Súmula 442, STJ. É inadmissível aplicar, no furto qualificado pelo concurso de agentes, a majorante do roubo.
1.9. Substâncias explosivas – art. 155, §7º, CP
Art. 155, CP. [...]
§ 7º. A pena é de reclusão de 4 a 10 anos e multa, se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
O que se subtrai são substâncias que são utilizadas para a fabricação de explosivos, como: pólvora, estopim, tnt, etc.
2. FURTO DE COISA COMUM – art. 156, CP
Art. 156, CP. Subtrair o condômino, co-herdeiro ou sócio, para si ou para outrem, a quem legitimamente a detém, a coisa comum. 
Pena - detenção, de 6 meses a 2 anos, ou multa.
Exemplo: 1000 sacas de café (500 para cada um) - furto 800 sacas (300 do sócio) logo, aqui se caracteriza furto de coisa comum, pois retirei 300 do outro sócio.
	- Objeto jurídico: patrimônio;
- Objeto material: a coisa comum que foi subtraída;
- Sujeito ativo: o sócio/aquele que tem a coisa em condômino;
- Sujeito passivo: o sócio/aquele que tem a coisa em condômino; 
- Tipo objetivo: subtrair;
- Tipo subjetivo: dolo
A consumação é feita no momento da subtração. Admite-se tentativa.
O furto de coisa comum é um crime próprio, material, de forma livre, instantâneo, de dano, unissubjetivo e plurissubsistente.
Art. 156, CP. [...]
§ 1º. Somente se procede mediante representação.
§ 2º. Não é punível a subtração de coisa comum fungível, cujo valor não exceda a quota a que tem direito o agente.
3. ROUBO – art. 157, CP
Art. 157, CP. Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência.
Pena - reclusão, de 4 a 10 anos, e multa.
O roubo é um crime em que há o emprego da violência, podendo ser própria (1ª parte) ou imprópria (parte final). É um crime complexo, pois é crime pluriofensivo (furto + lesão corporal, ou furto + grave ameaça).
Grave ameaça é quando há a promessa de um mal grave e iminente a ser provocado no proprietário da coisa ou ainda em terceiro.
	- Objeto jurídico: patrimônio, a liberdade individual e a incolumidade física;
- Objeto material: a coisa móvel subtraída;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa → admite-se a chamada divisão de tarefas;
- Sujeito passivo: o proprietário/possuidor;
- Tipo objetivo: subtrair
- Tipo subjetivo: o dolo “animus furandi” → normalmente há finalidade lucrativa, mas pode ser outros.
Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem, mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida a perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada - Info 572 STJ.
A tese de defesa fala que é tentativa de roubo, mas o MP e o STJ acreditam que o roubo está consumado. 
Ex. 1: Lucas e Pedro estão andando na rua quando Luis, mediante grave ameaça, rouba os dois → uma ação com dois crimes: concurso formal impróprio (art. 70, CP);
Ex. 2: Luis, mediante grave ameaça, rouba Lucas, e depois, ao final da rua, rouba Pedro também → duas ações distintas num mesmo lapso de tempo: crime continuado;
Ex. 3: Luis invade uma casa, ameaça a família, e rouba vários bens → é um crime só (pegou itens que pertencem a uma família);
Ex. 4: Luis rouba o carro de Pedro, onde tinha um notebook no porta-malas, mas Luis não sabia → apenas o roubo do carro é considerado;
Ex. 5: Luis rouba o carro de Pedro, onde ele sabe que tem um notebook de Lucas → concurso formal (uma ação e dois crimes).
✱ Trombada:
Rogério Greco defende a tipificação do furto no contexto da trombada, já que, percebe-se que a finalidade do agente, ao esbarrar na vítima, visando subtrair os bens, não é intimidá-la para levar efeito a subtração, ao contrário do que ocorre com o crime de roubo, no qual a violência é empregada pelo agente com a finalidade de subjugar a vítima, permitindo-lhe a subtração dos bens.
Cleber Masson prefere um meio termo, em que a subtração mediante arrebatamento pode caracterizar, dependendo do caso concreto, tanto furto como roubo.
✱ Crime impossível
Ex.: Paulo aponta uma faca para Flávio, exigindo a entrega do dinheiro. Age em vão, uma vez que a vítima não trazia consigo nenhum objeto de valor.
Para Cezar Roberto Bitencourt, não há crime impossível, apenas tentativa de roubo. Em suas palavras: “A inexistência de objeto material em poder da vítima não descaracteriza a figura típica prevista no art. 157 do CP, porquanto o roubo é modalidade de crime complexo, cuja primeira ação (a violência ou grave ameaça) constitui início da execução.
“Com devido respeito, discordamos do entendimento do ilustre penalista. O roubo está previsto entre os crimes contra o patrimônio, e se não há patrimônio, em face da impropriedade absoluta do objeto material, não pode falar em roubo. O crime impossível exclui a tipicidade do fato, e o agente deve responder pelos atos efetivamente praticados. No exemplo citado, há de ser a ele imputado somente o crime de ameaça (art. 147, CP)” - MASSON, CLEBER.
3.1. Roubo impróprio – art. 157, § 1º, CP
Art. 157, CP. [...]
§ 1º. Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
Primeiro há a subtração, depois o emprego de violência ou grave ameaça para: assegurar a impunidade do crime ou garantir a posse da coisa.
No roubo impróprio, não há a possibilidade de utilização de violência imprópria.
3.2. Roubo qualificado/majorado – art. 157, § 2º, CP
Art. 157, CP. [...]
§ 2º. A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade: (Redação dada pela Lei nº 13.654,de 2018)
3.2.1. Inciso I
Art. 157, § 2º, CP. [...]
I - se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma; (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018) (REVOGADO)
3.2.2. Inciso II
Art. 157, § 2º, CP. [...]
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
Caso seja utilizado um menor de idade, ainda será contado como participante, classificando o crime como qualificado neste inciso → o agente maior de idade também irá responder por corrupção de menores (art. 244-B, ECA).
→ Roubo qualificado pelo concurso de pessoas e associação criminosa há bis in idem? Não, porque são crimes que tutelam bens jurídicos distintos (o roubo tutela o patrimônio, e a associação a paz pública) – tese 400 MP/SP:
3.2.3. Inciso III
Art. 157, § 2º, CP. [...]
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores[footnoteRef:24] e o agente conhece tal circunstância; [24: Transporte de valores, como: jóias, carro-forte.] 
A finalidade é proteger a pessoa que transporta valores a trabalho, mas é necessário de ciência de que a pessoa trabalha com isso.
3.2.4. Inciso IV
Art. 157, § 2º, CP. [...]
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a transportado para outro Estado ou para o exterior; (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
No furto trata-se de qualificadora, e no roubo é causa de aumento de pena.
Ex.: José rouba uma Mercedes para ser transportada para o Paraguai, sendo preso apenas em Foz do Iguaçu.
3.2.5. Inciso V
Art. 157, § 2º, CP. [...]
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade; (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
É uma privação momentânea de liberdade para assegurar o sucesso do crime de roubo
3.2.6. Inciso VI
Art. 157, § 2º, CP. [...]
VI - se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessório que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego; (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
Roubo de substâncias que são utilizadas para a fabricação de explosivos, ex.: nitroglicerina, pólvora, pavio.
3.2.7. Inciso VII
Art. 157, § 2º, CP. [...]
VII - se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Arma branca é aquela que possui uma ponta ou gume, podendo ser própria ou imprópria, exemplo: faca, canivete, punhal, navalha.
Obs.: a revogação do inciso I ocorreu em 2018, contudo, o inciso VII só foi acrescido ao código em 2019, e o que acontece com quem praticou roubo com emprego de arma branca nesse período? Responde apenas pelo caput.
3.3. Aumento de pena – art. 157, § 2º-A, CP
Art. 157, CP. [...]
§ 2º-A. A pena aumenta-se de 2/3: (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
3.3.1. Inciso I
Art. 157, § 2º-A, CP. [...]
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
O STJ afirma que é prescindível a apreensão da arma, que é passada para a perícia onde verificar se a arma tem caráter idôneo (porque pode estar quebrada, por exemplo). Pode haver a comprovação por meio de testemunhas ou imagens de câmeras caso não haja apreensão da arma.
No caso de uso de arma de brinquedo, ela não é hábil a qualificar o crime de roubo, porque a súmula 174 do STJ foi cancelada em 2001. O agente deverá ser responsabilizado por crime de roubo, caput.
✱ Arma desmuniciada (sem munição)
Inicialmente, o STF defendia que, ainda sim, incide no aumento. Em 2015, um REsp. 1489/RJ julgado pelo STJ também classificou como aumento da pena, ainda que sem munição.
Porém, em 2018, no HC 449697/SP, o STJ afirma que o emprego da arma desmuniciada tem o condão de configurar a ameaça e tipificar o crime de roubo, no entanto, não é suficiente para caracterizar a majorante do emprego de arma, pela ausência de potencialidade lesiva no momento da prática do crime.
3.3.2. Inciso II
Art. 157, § 2º-A, CP. [...]
II - Se há a destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum; (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
3.4. Fração da pena – art. 157, § 2º-B, CP
Art. 157, CP. [...]
§ 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Trata-se de uma causa de aumento de pena, mas alguns autores entendem como qualificadora.
Este parágrafo trata de um crime hediondo, segundo o art. 1º, II, b, Lei nº 8072/90.
3.5. Latrocínio – art. 157, § 3º, CP
Art. 157, CP. [...]
§ 3º. Se da violência resulta: (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
I - lesão corporal grave[footnoteRef:25], a pena é de reclusão de 7 a 18 anos, e multa; (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018) [25: Leia-se: grave ou gravíssima] 
II - morte, a pena é de reclusão de 20 a 30 anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018) → dolo no roubo e culpa no homicídio
Súmula 610, STF. Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima.
Com o Pacote Anti Crime, este parágrafo passou a ser crime hediondo.
Súmula 603, STF. A competência para o processo e julgamento do latrocínio é do juiz singular e não do Tribunal do Júri. → pois se trata um crime contra o PATRIMÔNIO, e não contra a vida (que é o que o Júri julga).
De acordo com Masson, em um roubo ao banco, por exemplo, duas pessoas morrem, é apenas um crime contra o patrimônio.
	SUBTRAÇÃO
	MORTE
	LATROCÍNIO
	consumada
	consumada
	consumado
	tentada
	tentada
	tentativa de latrocínio
	tentativa*
	consumada
	consumado
	consumado
	tentada
	tentativa de latrocínio
3.5.1. Requisitos para a verificação do latrocínio
 a. que a morte seja decorrência da violência empregada pelo agente;
 b. a violência que resulta a morte seja empregada durante o roubo;
 c. existe nexo causal entre a violência provocada pela morte e o roubo em andamento.
Ou seja, para ser considerado latrocínio, a lesão corporal ou a morte tem que ser decorrido por causa do roubo, se não estiver ligado, o agente responderá pelos dois crimes (roubo e homicídio).
3.5.2. Aberratio ictus
Ex.: José está praticando um assalto a banco, junto com mais 3 agentes, mas uma vítima que estava muito agitada irritou José e ele decide matá-la, porém acerta com comparsa.
Ou seja, é erro na execução (aberratio ictus), respondendo o crime como se tivesse acertado a pessoa que queria, e não quem acertou de fato.
4. EXTORSÃO – art. 158, CP
Art. 158, CP. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa.
Pena - reclusão de 4 a 10 anos, e multa.
Trata-se de um crime de elevado potencial ofensivo.
	- Objeto jurídico: o patrimônio, incolumidade física e liberdade → trata-se de um crime pluriofensivo;
- Objeto material: a coisa móvel subtraída;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: os que sofrem a violência ou a grave ameaça, e também a lesão patrimonial;
✱ O sujeito passivo também pode ser a pessoa jurídica
- Tipo objetivo: constranger[footnoteRef:26] + tolerar[footnoteRef:27] + deixar de fazer algo [26: Constranger: consiste em obrigar a vítima a fazer algo, como entregar dinheiro, assinar um cheque, fazer compras, etc.] [27: Tolerar: impor a vontade à pessoa, com a tolerância, exemplo: permitir que rasgue um título de crédito, utilizar imóvel sem pagar.] 
- Tipo subjetivo: dolo
A consumação se dá independentemente da obtenção da vantagem indevida, pois é um crime formal. É admitido a tentativa porque trata-se de um crime plurissubjetivo, sendo assim, possível dividir o iter criminis em vários atos.
Neste crime, não há previsão de utilização de violência imprópria.
Na extorsão, o imóvel pode ser alvo, ex.: José ameaça Miguel dizendo que irá matá-lo se ele não assinar a escritura da transferência da fazendo para seu nome.
→ Extorsão ou estelionato? Na extorsão, a entrega da coisa é forçada, mediante uso de violência ou grave ameaça. E no estelionato, a vítima, enganada,entrega o bem.
→ Extorsão ou roubo? A primeira diferença é na forma verbal, onde no roubo é “subtrair”, e na extorsão é “constranger”. No roubo, o agente subtrai a coisa, já na extorsão, ele faz com que a vítima entregue a coisa. A diferença mais importante é que no roubo a colaboração da vítima é dispensável, ou seja, não é necessária; e na extorsão, a colaboração da vítima é indispensável/necessária (como a vítima está sob ameaça, ela concorda e faz o que o agente quer). A última, é que no roubo a obtenção da vantagem indevida é imediata, e na extorsão a obtenção é mediata/futura.
✱ Mal espiritual – Info 590 STJ
“A ameaça de mal espiritual, em razão da garantia de liberdade religiosa, não pode ser considerada inacreditável. Para a vítima e boa parte do povo brasileiro, existe a crença na existência de forças sobrenaturais, manifestada em doutrinas e rituais próprios, não havendo falar que são fantasiosas e que nenhuma força possuem para constranger o homem médio. Os meios empregados foram idôneos, tanto que ensejaram a intimidação da vítima, a consumação e o exaurimento da extorsão.”
4.1. Aumento de pena – art. 158, § 1º, CP
Art. 158, CP. [...]
§1º. Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de 1/3 até metade;
As duas ou mais pessoas precisam estar na execução do delito, não sendo computados os partícipes (já que esses não participam da execução).
A arma é em sentido amplo, podendo ser própria[footnoteRef:28] ou imprópria[footnoteRef:29]. [28: Arma própria: aquilo que foi feito para ser usado como arma, ex.: pistola, espingarda.
] [29: Arma imprópria: não foi feito para usar como arma, mas pode ser usado, ex.: martelo, faca.
] 
4.2. Resulta em lesão ou morte – art. 158, § 2º, CP
Art. 158, CP. [...]
§ 2º. Se durante a extorsão resultar lesão corporal de natureza grave (e gravíssima) ou morte, aplica-se o disposto no art. 157, §3º, I e II, CP. (Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90)
4.3. Restrição de liberdade – art. 158, § 3º, CP
Art. 158, CP. [...]
§ 3º. Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 a 12 anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2º e 3º, respectivamente[footnoteRef:30]. (Incluído pela Lei nº 11.923, de 2009) [30: Art. 159, CP [...]
§ 2º. ... pena de reclusão, de 12 a 24 anos, e multa;
§ 3º. ... pena de reclusão, de vinte a trinta anos, e multa.] 
Ou seja, no sequestro relâmpago, com resultado lesão corporal de natureza grave (e gravíssima) ou morte, aplica-se a pena do artigo posterior (art. 159, §§ 2º e 3º)
→ Sequestro relâmpago com duas pessoas, incide a majorante? Sim – STJ REsp 1.353.693-RS
O § 1º do art. 158 do CP prevê que se a extorsão é cometida por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, a pena deverá ser aumentada de um terço até metade.
Essa causa de aumento prevista no § 1º do art. 158 do CP pode ser aplicada tanto para a extorsão simples (art. 158, caput, CP), como também para o caso de extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima (art. 158, § 3º, CP).
Assim, é possível que o agente seja condenado por extorsão pela restrição da liberdade da vítima (art. 158, § 3º, CP) e, na terceira fase da dosimetria, o juiz aumente a pena de um terço até metade se o crime foi cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma 
Com o pacote Anti Crime do juiz Sérgio Moro, o art. 158, § 3º é crime hediondo.
5. EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO – art. 159, CP
Art. 159, CP. Sequestrar[footnoteRef:31] pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 (Vide Lei nº 10.446, de 2002) [31: Sequestrar: tirar a liberdade da vítima, tolher, reter a pessoa.] 
Pena - reclusão, de 8 a 15 anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
Neste artigo, entende-se o sequestro em sentido amplo, podendo também ser cárcere.
Obs.: sequestro X cárcere privado: o cárcere é quando a vítima é mantida em um local pequeno, como em um quatro, porta-malas do carro.
A posição majoritária é que a condição para classificar neste artigo, a vantagem tem que ser de natureza econômica, como jóias, dinheiro, ouro, título da dívida pública. Se a vantagem for devida dois crimes: sequestro + exercício arbitrário das próprias razões em concurso formal.
A condição escrita no caput, é uma obrigação que se impõe para a libertação da vítima.
	- Objeto jurídico: patrimônio e a liberdade;
- Objeto material: a pessoa privada de liberdade e a pessoa que sofre a lesão patrimonial;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
* Alexandre Salim (RJ): pode ser pessoa jurídica também.
- Tipo objetivo: sequestrar
- Tipo subjetivo: o dolo específico ou com elemento subjetivo do tipo → a finalidade de obter uma vantagem indevida como condição ou preço do resgate.
A consumação se dá com a privação da liberdade da vítima, seguida de indevida vantagem. Trata-se de crime formal ou consumação antecipada, já que não exige o resultado para a tipificação do crime, até mesmo se a vítima não tiver sido conduzida para o local de destino (MIRABETE).
A competência de julgamento ocorre no local onde a privação de liberdade se inicia, tratando-se de crime permanente.
Ex.: Júlia é sequestrada em Valparaíso, deixada em cárcere em Araçatuba, e o agente só é preso em Birigui → a competência vai ser em Valparaíso.
5.1. Qualificadora – art. 159, § 1º, CP
Art. 159, CP. [...]
§ 1º. Se o sequestro dura mais de 24 horas, se o sequestrado é menor de 18 ou maior de 60 anos, ou se o crime é cometido por bando ou quadrilha: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
Pena - reclusão, de 12 a 20 anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
✱ Cometido por quadrilha ou bando
Para ser quadrilha ou bando, é preciso a participação de 4 ou mais pessoas na prática do crime. Mas, após 2013, de acordo com o professor Nucci, se tiver mais de 3 pessoas aplica-se a associação criminosa.
Já para Victor Ramos, é preciso ter participação de 4 pessoas. Há duas discussões se seria possível aplicar a parte final do § 1º.
A primeira corrente afirma que a qualificadora não pode mais ser aplicada em homenagem ao princípio da taxatividade do Direito Penal, compreendida como fundamento do princípio da reserva legal, já que quadrilha ou bando inexiste no atual CP, e o DP não permite analogia “in malam partem”.
A segunda corrente, que é a majoritária, diz que a qualificadora continua aplicável, pois o art. 288 do CP não criou um novo crime. Na verdade, a Lei 12.850/13 limitou-se a alterar o nome do delito, e também a redação do tipo penal, mas o fato incriminado (associação de pessoas para o fim de cometer crimes) continua dotado de relevância penal, embora com algumas modificações em sua estrutura. Destarte, não houve abolitio criminis, conclusão a que se chega tanto pela falta de revogação formal do tipo penal, como também pela manutenção do caráter criminoso da conduta. Incide o princípio da continuidade típico-normativo, operando-se simplesmente a nomenclatura do delito.
5.2. Resulta lesão – art. 159 § 2º, CP
Art. 159, CP. [...]
§ 2º. Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave. Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90
Pena - reclusão, de 16 a 24 anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
Exemplo: caso do Wellington de Camargo, onde os agentes arrancaram um pedaço de sua orelha.
5.3. Resulta em morte – art. 159, § 3º, CP
Art. 159, CP. [...]
§ 3º. Se resulta a morte: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90
Pena - reclusão, 24 a 30 anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
Exemplo: José está armado e com a vítima no cativeiro. A polícia estoura o cativeiro, e José que estava armado, dispara atingindo um PM com um tiro no rosto, vindo este a morrer. José NÃO responderá por extorsão mediante sequestro com resultado morte, porque para isso, é necessário a morte da vítima., elevai responder por homicídio em conexão teleológica (art. 121, V) em concurso material.
5.4. Delação eficaz – art. 159, § 4º, CP
Art. 159, CP. [...]
§ 4º. Se o crime é cometido em concurso o concorrente que o denunciar à autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 9.269, de 1996)
É uma causa de diminuição de pena, que está inserida no contexto do “direito premial”.
6. CRIME DE DANO – art. 163, CP
Art. 163, CP. Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
A coisa é tudo aquilo que existe, podendo ser objetos ou semoventes, mas é preciso que tenha valor econômico.
O crime de dano é um crime que deixa vestígios, por isso, é imprescindível a realização de exame de corpo de delito (art. 158, CPP).
	- Objeto jurídico: patrimônio móvel ou imóvel da pessoa (física ou jurídica)
- Objeto material: a coisa que sofre a conduta criminosa;;
Obs.: no caso de animais domésticos nativos ou exóticos, o crime está tipificado no art. 32 da Lei 9605/98
- Sujeito ativo: qualquer pessoa, exceto o dono do objeto;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
- Tipos objetivos: é um crime de ação múltipla ou de conteúdo variado
a) destruir: arruinar, extinguir, eliminar a coisa (é a modalidade mais grave), ex.: destruir uma casa;
b) inutilizar: o bem continua existindo, mas não pode ser utilizado para a finalidade que se destina, ex.: tirar os ponteiros de um relógio, quebrar as hélices do ventilador;
c) deteriorar: o bem continua existindo, mas há um dano parcial, ex.: riscar a lataria do carro;
- Tipo subjetivo: o dolo (animus nocendi[footnoteRef:32]) → inexiste forma culposa. [32: Animus nocendi: consiste na vontade livre e consciente de danificar o objeto] 
O crime está tipificado no art. 346 do CP, modalidade de exercício arbitrário das próprias razões.
6.1. Dano envolvendo documentos
6.1.1. Supressão de documentos
 Se a conduta for praticada para impedir utilização do documento como prova de algum fato juridicamente relevante, o crime será o de supressão de documentos.
Art. 305, CP. Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor. 
Pena - reclusão de 2 a 6 anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de 1 a 5 anos, e multa, se o documento é particular.
6.1.2. Sonegação de papel ou objeto
O advogado ou procurador inutiliza, total ou parcialmente documento ou objeto probatório que recebeu em razão da sua qualidade, o crime é de sonegação de papel ou objeto de valor probatório.
Art. 356. Inutilizar, total ou parcialmente, ou deixar de restituir autos, documento ou objeto de valor probatório, que recebeu na qualidade de advogado ou procurador: 
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.
6.1.3. Inutilização de edital ou sinal
Se o agente rasga ou, de qualquer forma, inutilizar ou conspurcar edital afixado por ordem de funcionário público, ou então violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por determinação legal ou por ordem de funcionário, para identificar ou cerrar qualquer objeto, o crime será o de inutilização de edital ou sinal.
Art. 336. Rasgar ou, de qualquer forma, inutilizar ou conspurcar edital afixado por ordem de funcionário público; violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por determinação legal ou por ordem de funcionário público, para identificar ou cerrar qualquer objeto: 
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
6.1.4. Inutilização de livro ou documento
Se o agente inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial, processo ou documento confiado à custódia de funcionário público, em razão do ofício, ou de particular em serviço público, o delito será o de inutilização de livro ou de documento
Art. 337. Subtrair, ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial, processo ou documento confiado à custódia de funcionário, em razão de ofício, ou de particular em serviço público: 
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, se o fato não constitui crime mais grave.
No crime de dano, diversamente do que ocorre nos demais delitos patrimoniais, o agente não tem locupletamento ilícito com sua conduta.
A consumação do crime se dá no momento em que o objeto é danificado.
O consentimento do ofendido é bem jurídico disponível, o agente maior, capaz e quando não há vício de consentimento.
Obs.: o princípio da insignificância pode ser aplicado ao crime de dano, já que se trata de um crime de menor potencial ofensivo.
6.2. Dano qualificado – art. 163, parágrafo único, CP
Art. 163, CP. [...]
Parágrafo único.Se o crime é cometido:
6.2.1. Inciso I
Art. 163, parágrafo único, CP. [...]
I - com emprego de violência à pessoa ou grave ameaça;
Ex.: A está danificando o carro de B com um pedaço de madeira, quando este tenta intervir e A atinge-o com um golpe em seu pé. Mas, se o agente danificou a coisa e posteriormente, quando estava saindo, B chega e vai tirar satisfação, momento em que é agredido → são dois crimes: dano simples + lesão corporal em concurso material.
→ Preso danifica a cela para fugir, é crime de dano? Existem duas posições:
 a. há crime de dano qualificado, pois destruiu a coisa pública
 b. não há crime de dano porque o preso não tem a intenção de danificar o patrimônio, ou seja, ausência do “animus nocendi”.
6.2.2. Inciso II
Art. 163, parágrafo único, CP. [...]
II - com o emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave;
Ex.: A, com dolo de destruir o antigo carro de B, compra álcool no posto de combustível e derrama sobre o carro, colocando fogo em seguida.
6.2.3. Inciso III
Art. 163, parágrafo único, CP. [...]
III - Contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos; (Redação dada pela Lei nº 13.531, de 2017)
6.2.4. Inciso IV
Art. 163, parágrafo único, CP. [...]
IV - Por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima;
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.
Motivo egoístico, que é dito no inciso, é uma forma especial de motivo torpe.
Se houver prejuízo considerável para a vítima, o juiz fará uma análise do caso concreto, levando em consideração o bem danificado e a condição econômico-financeira da vítima.
✱ Ação penal:
É privada no dano simples e no dano qualificado por motivo egoístico; é pública incondicionada nas demais formas de dano qualificado. 
7. APROPRIAÇÃO INDÉBITA – art. 168, CP
Art. 168. Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Posse lícita e desvigiada do objeto e após um tempo inverte o animus rem sibi habendi (ter a coisa para si).
Obs.: estelionato X apropriação indébita: o que diferencia os dois é que na apropriação indébita o dolo é subsequente, ou seja, após a posse lícita do bem, o agente inverte o animus, diferente do estelionato que o agente já age com o dolo de se apropriar da coisa.
	- Objeto jurídico: o patrimônio e a posse dos bens móveis;
- Objeto material: a coisa alheia móvel;
- Sujeito ativo: a pessoa que tem a posse ou a detenção da coisa, exceto o seu proprietário;
- Sujeito passivo: o proprietário, que pode ser física ou jurídica;
- Tipos objetivos: apropriar-se (significa apossar, tomar como sua coisa que pertence a outrem; a pessoa tem a posse lícita do bem, e posteriormente, inverte o animus);
- Tipo subjetivo: o dolo (animus rem sibi habendi)
7.1. Requisitos
a. que o bem seja entregue de forma livre e espontânea;
b. que a posse e a detenção seja desvigiada;
c. o agente age de boa fé quando da tradição;
d. inversão do animus - na apropriação indébita o dolo é posterior a posse ou a detenção da coisa.
Como o dolo posterior se manifesta:
a. prática de disposição da coisa - venda, locação;
b. recusa na restituição.
Obs.: quando o crime já está consumado, o agente poderestituir a coisa e se caracterizar um arrependimento posterior (art. 16, CP). A doutrina minoritária reconhece a possibilidade da apropriação de uso. 
 Para Rogério Greco, em um caso como, apropriação indébita por procurador legalmente constituído (adv) que tendo poderes para receber, faz levantamento das quantias do processo e posteriormente as deposita em sua conta, até aí tudo lícito. A parte solicita informações sobre o processo e ele diz que está aguardando julgamento no tribunal - neste instante, está caracterizada a apropriação indébita.
 
7.2. Aumento da pena – 168, § 1º, CP
Art. 168, CP. [...]
§1º. A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa:
7.2.1. Inciso I
Art. 168, § 1º, CP. [...]
I - em depósito necessário;
Nélson Hungria defende que deveria incidir a causa de aumento no caso de depósito necessário miserável (calamidade pública) – art. 647 a 649 do CC .
7.2.2. Inciso II
Art. 168, § 1º, CP. [...]
II - Na qualidade de tutor (art. 1471, CC), curador (art. 1767, CC), síndico[footnoteRef:33], liquidatário, inventariante (art. 1991, CC), testamenteiro[footnoteRef:34] ou depositário judicial (art. 159, CPC); [33: Síndico: administrador judicial.] [34: Testamenteiro :a pessoa a quem incumbe cumprir as disposições do testamento.] 
7.2.3. Inciso III
Art. 168, § 1º, CP. [...]
III - em razão de ofício[footnoteRef:35], emprego[footnoteRef:36] ou profissão[footnoteRef:37]. [35: Ofício: ocupação manual, ex.: pintor, mecânico] [36: Emprego: prestação de um serviço onde existe uma subordinação e dependência, ex.: motoboy] [37: Profissão: inexistência de vínculo hierárquico no exercício de profissão predominantemente intelectual, ex.: advogado, médico, engenheiro] 
8. ESTELIONATO – art. 171, CP
Art. 171, CP. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício[footnoteRef:38], ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: [38: Artifício: é a fraude material quando se utiliza de um objeto ou produto para enganar alguém.] 
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. (Vide Lei nº 7.209, de 1984)
Estelionato vem do latim stelio, que significa camaleão (capacidade que tem de enganar os seus predadores). 
	- Objeto jurídico: patrimônio (é um delito de duplo resultado: alguém que obtém vantagem indevida e a pessoa que sofre o prejuízo);
- Objeto material: a pessoa enganada;
- Sujeito ativo: crime comum, então pode ser praticado por qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: pessoa enganada, que sofre o prejuízo patrimonial (física ou jurídica) 
✱ Exige que a vítima seja uma pessoa certa e determinada, caso as vítimas forem pessoas incertas ou indeterminadas, será considerado crime contra a economia popular (Art. 2º, IX da Lei 1521/51, CDC)
- Tipos objetivos: obter, vantagem indevida, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício ardil ou qualquer outro meio fraudulento.
✱ O silêncio pode caracterizar estelionato por omissão
- Tipo subjetivo: dolo específico (a intenção do agente é a de enganar para auferir uma vantagem indevida)
→ Estelionato judiciário? Consiste no abuso à provocação da tutela jurisdicional. O agente se utiliza do PJ para auferir indevida vantagem em prejuízo da vítima. Para o STJ estamos diante de um fato atípico (STJ 6ª Turma. REsp. 1101914/RJ, 06.03.2012)
Por se tratar de crime material, a consumação se dá com a obtenção da vantagem indevida em prejuízo da vítima, sendo um delito de duplo resultado.
A tentativa é possível, como nos exemplos:
Ex. 1: agente aplica o golpe, mas não consegue êxito em enganar a vítima → o meio fraudulento é idôneo;
Ex. 2: agente aplica o golpe, mas por circunstâncias alheia a vontade do agente, não obtém êxito (como a caixa do banco avisar a vítima do que está acontecendo);
Ex. 3: agente engana a vítima, mas não consegue auferir a vantagem (como, o banco já estava fechado)
→ É admitido crime impossível? Sim, como no caso de utilização de um dinheiro grosseiramente falsificado, ante ao teor da Súmula 73 do STJ
Súmula nº 73, STJ. A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual.
8.1. Formas
a. artifício: fraude material (objeto, produto) utilizada para enganar o sujeito, ex.: golpe do bilhete premiado;
b. ardil: é a conversa enganosa, cilada, estratagema, mentiras verbais, ex.: sujeito que liga para a vítima fazendo se passar pelo gerente do banco.
c. outro meio fraudulento: pode ser qualquer tipo de fraude → o silêncio do agente para auferir vantagem indevida em prejuízo alheio. 
Obs.: estelionato X jogos de azar[footnoteRef:39]: os jogos de azar não caracteriza estelionato porque há a possibilidade de ganhar. Mas caso não haja, é estelionato [39: O único que pode explorar os jogos de azar é a União] 
8.2. Torpeza bilateral[footnoteRef:40] (Masson) [40: Torpeza bilateral: quando a vítima também age de má-fé no caso concreto, ou seja, se vale da situação para obter lucro ilícito] 
a. não se pode ignorar a má-fé do agente que se utilizou de fraude e obteve uma vantagem indevida;
b. a boa-fé não é elementar do tipo;
c. a reparação do dano interessa somente a vítima enquanto a punição do estelionatário interessa a coletividade.
8.3. Documento falso
Em relação ao cheque:
Súmula 17, STJ. Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, e por este absorvido.
Ou seja, a falsidade do documento é apenas o meio para o crime fim, que é o estelionato, não sendo penalizado. 
Em relação aos documentos, há três correntes sobre esse entendimento:
a. 1ª corrente (STJ): responde por 2 crimes em concurso material → falsificação de doc. público + estelionato;
b. 2ª corrente (STF): pode responder por 2 crimes, em concurso formal;
c. 3ª corrente: deveria responder por documento falso, visto que o estelionato seria um post factum impunível.
8.4. Diminuição de pena – art. 171, § 1º, CP
Art. 171, CP. 
§1º. Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor[footnoteRef:41] o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, §2º (furto privilegiado). [41: Pequeno valor: não pode exceder um salário mínimo.] 
As consequências são de diminuição da pena de 1 a 2/3 e multa.
8.5. Disposição alheia – art. 171, § 2º, CP
Art. 171, CP. 
§ 2º. Disposição de coisa alheia como própria.
8.5.1. Inciso I
Art. 171, § 2º, CP. 
I - vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria;
Ex. em locação: o caseiro loca o imóvel de veraneio sem a anuência do proprietário → trata-se de crime de forma vinculada.
Esse crime não se confunde com a hipótese em que o agente furta um relógio e vende o mesmo, pois se trata de um “post factum impunível”.
8.5.2. Inciso II
Art. 171, § 2º, CP. 
II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável[footnoteRef:42], gravada em ônus[footnoteRef:43] ou litigiosa[footnoteRef:44], ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; [42: Coisa inalienável: coisa que não pode ser vendida por razão de determinação legal ou convencional.] [43: Coisa gravada de ônus: é aquela sobre a qual recai um direito real em decorrência de uma cláusula contratual ou de disposição legal (art. 1225, CC) → penhora.] [44: Bem litigioso: aquele que é objeto de discussão judicial → evicção] 
8.5.3. Inciso III
Art. 171, § 2º, CP. 
III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado;
8.5.4. Inciso IV
Art. 171, § 2º, CP. 
IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém;
8.5.5. Inciso V
Art. 171, § 2º, CP. 
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as consequência da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor do seguro;
Nesta modalidade de estelionato, o crime é formal → o simples fato de destruir a coisajá constitui o crime.
8.5.6. Inciso VI
Art. 171, § 2º, CP. 
VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos[footnoteRef:45] em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento[footnoteRef:46]. → cheque sem fundo [45: Emitir cheque sem provisão de fundos: no momento em que ele emite a cártula, não há dinheiro na conta.] [46: Frustrar o pagamento do cheque: sustação do cheque] 
O cheque é ordem de pagamento à vista, porém, hoje as pessoas colocam uma data para ele ser creditado.
→ E o cheque pós-datado? Não há estelionato.
→ Nota provisória que não foi honrada? Não vai se caracterizar estelionato
	- Objeto jurídico: patrimônio e da fé pública;
- Objeto material: o cheque – Lei 7.357/85;
- Tipo subjetivo: dolo.
Súmula 346, STF. Comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque sem fundos.
A consumação se dá no momento em que o banco sacado recusa o pagamento, pois se trata de crime material
Súmula 521, STF. Estelionato, sob a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado.
Ex.: agente reside em São Bernardo do Campo e trabalha em uma empresa que a sede é em Jundiaí. Transfere-se para Lins, onde tem uma conta no Bradesco e está de férias em Natal/RN, onde emite a cártula sem provisão de fundos. 
8.5.6.1. Pagamento do cheque sem fundo
Súmula 554, STF. O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta o prosseguimento da ação penal.
→ Pode-se utilizar a Súmula 554? SIM, porque se o cheque sem provisão de fundos foi pago antes do recebimento da denúncia, não há justa causa para a ação penal.
8.5.6.2. Cheque sem fundo para pagamento de dívida de jogo
Não há estelionato, ante a inexigibilidade da dívida do jogo.
8.6. Aumento de pena – art. 171, § 3º, CP
Art. 171, CP. [...]
§ 3º. A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público[footnoteRef:47] ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. [47: Entidades de direito público: União, Estados, DF, Municípios, Autarquias e Fundações] 
Súmula 24, STJ. Aplica-se ao crime de estelionato em que figure como vítima entidade autárquica da Previdência Social, a qualificadora do § 3º do art. 171.
8.7. Contra o idoso – art. 171, § 4º, CP
Art. 171, CP. [...]
§ 4º. Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso. (Incluído pela Lei nº 13.228, de 2015)
Há a necessidade de saber que a vítima é idosa
8.8. Mediante representação – art. 171, § 5º, CP
Art. 171, CP. [...]
§ 5º. Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - a Administração Pública, direta ou indireta; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) → Estados, Municípios, Autarquias
II - criança ou adolescente; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - pessoa com deficiência mental; ou (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - maior de 70 anos de idade ou incapaz. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
A ação penal era pública incondicionada, mas com o novo Pacote Anti Crime, passou a ser ação penal pública condicionada a representação → essa é a nova regra
Art. 5º, CPP. [...]
§ 4º. O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado.
9. DUPLICATA SIMULADA – art. 172, CP
Art. 172, CP. Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado: (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990)
Pena - detenção, de 2 a 4 anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990)
Trata-se de delito formal. 
O crime se consuma quando a duplicata é colocada em circulação.
 
10. RECEPTAÇÃO – art. 180, CP
Art. 180, CP. Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime (própria), ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte (imprópria): (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
A receptação é um delito acessório. 
	- Objeto jurídico: o patrimônio (coisa proveniente de um ilícito e que o agente sabe);
- Objeto material: o bem fruto do crime (a doutrina afirma que a receptação é delito acessório, delito parasitário); 
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: o proprietário ou possuidor da coisa produto do crime;	
- Tipos objetivos: adquirir (obter, comprar); receber (aceitar); transportar (levar de um local para o outro); conduzir (tornar-se condutor); ocultar (encobrir, disfarçar);
- Tipo subjetivo: dolo direto (coisa que sabe ser produto de crime → não pode ser dolo eventual [caput])
A receptação é crime contra o patrimônio, mas o crime antecedente precisa ser? Não, exemplo: peculato (crime Administração Pública).
→ O proprietário do bem, pode ser autor de receptação? Sim, ex.: em contrato de penhor de um relógio rolex entre A e B; B foi vítima de furto e levaram o relógio e oferecem a A, que compra o relógio de volta (que antes era dele, mas foi pro penhor).
Acerca da receptação de coisa imóvel, existem 2 posições: 
 a. 1º posição (doutrina): é possível a ocorrência de receptação imóvel. Ex.: o sujeito aplica um estelionato, a vítima transfere a escritura do apartamento pra ele e depois vende para outra pessoa. Defendida pelo professor Fragoso. 
 b. 2º posição (STF): o sentido do código é de punir a receptação de coisa móvel. Defendido também por Nelson Hungria. 
 → Um adoslecente furtou um carro e vende este carro para o B, o mesmo vem a praticar crime de receptação? Duas posições:
 a. 1º posição: não há receptação, já que o menor comete ato infracional;
 b. 2º posição: há receptação (o produto é de fato definido como crime, abrangendo o ato infracional). 
A consumação se dá no momento em que se praticam as formas verbais, sendo perfeitamente possível a tentativa.
✱ Recepção imprópria
“... ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte.” A recepção imprópria é o intermediário, como por exemplo: José furta um celular e vende para Carlos, que revende para Maria, a qual não sabia do crime → nesse caso, Carlos é o intermediário, é ele que faz o papel da recepção imprópria.
Já o terceiro, nesse exemplo, Maria, é atípica, já que há ausência de dolo (está de boa-fé), segundo Rogério Sanches. Caso este estiver de má-fé, responderá por receptação
Outro exemplo: se um filho subtrai uma caneta de ouro do seu pai, e José a compra, ciente da origem criminosa → o filho é isento da pena – art. 181, CP (escusa absolutória ou imunidade penal absoluta) e José responderá por receptação.
→ Receptação de receptação (ou receptação em cadeia)? É plenamente possível.
Aqui, o tipo subjetivo é o dolo.
10.1. Receptação qualificada – art. 180, § 1º, CP
Art. 180, CP. [...]
§ 1º. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber se produto de crime: (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Pena - reclusão, de 3 a 8 anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Trata-se de crime próprio. Não basta que o agente seja comerciante, para a receptação qualificada é necessário que a coisa receptada tenha ligação com a atividade comercial ou industrial exercida.
Aqui, o tipo subjetivo é a coisa que deve saber ser produto de crime.
Devido ao “deve saber”, houve divergências:
 a. 1ª posição: admite dolo eventual, por consequência está abrangido o dolo direto. O Info 172 STF entende que o § 1º do art. 180 do CP é constitucional, pois pune tanto o agente que atua com dolo eventual, como também no caso de dolo direto;
 b. 2ª posição: em razão do princípio da tipicidade plena, abrange apenas o dolo eventual → NÃO é usada;
10.2. Comércio irregular/clandestino – art. 180, § 2º, CP
Art.180, CP. [...]
§ 2º. Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
→ E os sacoleiros, cometem crime? Não, exceto se o produto que está comercializando é de origem criminosa. E se vier do Paraguai? É descaminho, porque não foi pago os impostos (no caso do cigarro é contrabando)
10.3. Receptação culposa – art. 180, § 3º, CP
Art. 180, CP. [...]
§ 3º. Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso: (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Pena - detenção, de 1 mês a 1 ano, ou multa, ou ambas. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Apesar de ser culposa a receptação, neste crime, o legislador deu os parâmetros:
 a. natureza do objeto;
 b. desproporção entre o valor e o preço de mercado;
 c. condição do ofertante
Resumo:
	receptação simples
	receptação qualificada
	receptação culposa
	o agente SABE que o produto é de origem criminosa
	o agente DEVE SABER ser produto de crime
	o agente DEVE PRESUMIR ser produto de crime
	pena: 1 a 4 anos
	pena: 3 a 8 anos
	pena: 1 mês a 1 ano
10.4. Agente do crime – art. 180, § 4º, CP
Art. 180, CP. [...]
§ 4º. A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Se o autor do crime não for conhecido, ou por algum motivo, ser isento de pena, o receptor ainda responderá pelo crime.
10.5. Réu primário – art. 180, § 5º, CP
Art. 180, CP. [...]
§ 5º. Na hipótese do §3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa, aplica-se o disposto no § 2º do art 155. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Na receptação culposa (§ 3º), o juiz, analisando o caso concreto, pode deixar de aplicar a pena. Trata-se de uma hipótese de perdão judicial. Na receptação dolosa, será considerado receptação privilegiada (§2º).
Se a coisa receptada for de pequeno valor, o juiz poderá: substituir a pena de reclusão para detenção; reduzir a pena de 1/3 a 2/3; ou aplicar somente multa.
→ O âmbito de incidência é só para o caput ou para o § 1º? Duas posições:
 a. 1ª posição: apenas para a simples (própria ou imprópria)
 b. 2ª posição: aplica para o caput também → posicionamento jurisprudencial (majoritário)
10.6. Contra a União – art. 180, § 6º, CP
Art. 180, CP. [...]
§ 6º. Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços públicos, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Ou seja, pena de reclusão de 2 a 8 anos.
A redação foi alterada em 2017 pela Lei 13.531, acrescentando algumas situações.
→ Qual a natureza desse parágrafo, qualificadora ou causa de aumento?
 a. 1ª posição (Rogério Sanches, Luiz Regis Prado): causa de aumento de pena;
 b. 2ª posição (Mirabete, Nucci, Capez, Masson): qualificadora
Mas na verdade essa discussão não tem muita importância.
11. RECEPTAÇÃO ANIMAL – art. 180-A, CP
Art. 180-A. Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito ou vender, com a finalidade de produção ou de comercialização, semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes, que deve saber ser produto de crime: (Incluído pela Lei nº 13.330, de 2016)
Pena - reclusão, de 2 a 5 anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.330, de 2016)
	- Objeto jurídico: o patrimônio, mas também saúde pública (procedência desses animais);
- Objeto material: o semovente domesticável de produção; 
- Sujeito ativo: qualquer pessoa - é crime comum;
- Sujeito passivo: o proprietário do animal;	
- Tipos objetivos: adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, vender;
- Tipo subjetivo: dolo eventual (porque “deve saber”).
A consumação se dá quando há a prática dos verbos (tipo objetivo).
12. DISPOSIÇÕES GERAIS – 
12.1. Art. 181, CP
Art. 181, CP. É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo: (Vide Lei nº 10.741, de 2003)
I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
Está atrelada aos delitos patrimoniais. A polêmica existe em relação ao companheiro:
 a. 1ª posição: não é possível a aplicação ao companheiro, a enumeração é taxativa;
 b. 2º posição: leia-se companheiro também, em face do próprio texto constitucional – art. 226, § 3º, CP[footnoteRef:48]. [48: Art. 226, CF. [...]
§ 3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar ...] 
II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural;
O colocamento “parentesco legítimo ou ilegítimo” está completamente equivocada, pois é descendente de qualquer forma.
Estão incluídos apenas os parentes em linha reta, não se aplicando aos parentes por afinidade, como sogro, nora, genro, etc.
12.2. Art. 182, CP
Art. 182, CP. Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo: (Vide Lei nº 10.741, de 2003)
I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;
Aplica-se ao divorciado ou judicialmente separado
II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;
III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.
Ex. 1: agente tem uma sobrinha que mora com ele para estudar, e ela furta o dinheiro dele → há a necessidade de representação.
Ex. 2: A vai visitar B e subtrai 2000 reais de sua carteira → não cabe representação, pois não reside com ele.
12.3. Art. 183, CP
Art. 183, CP. Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores:
I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa;
II - ao estranho que participa do crime;
III - se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 anos. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)
TÍTULO VI – DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL
Esse título foi alterado pela Lei 12.015/09, porque antes era “Dos crimes contra os costumes”, onde o Código só se preocupava com os costumes sexuais. Em 2009, passou a ser “Dos crimes contra a dignidade sexual”, que deixa claro que os indivíduos podem se envolver com qualquer outro, se preocupando com as pessoas envolvidas, e não com o ato em si.
São Ações Penais Públicas Incondicionadas – art. 225, CP
Art. 225, CP. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante ação penal pública incondicionada. (Redação dada pela Lei nº 13.718, de 2018)
CAPÍTULO I - DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL
1. ESTUPRO – art. 213, CP
Art. 213, CP. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça[footnoteRef:49], a ter conjunção carnal[footnoteRef:50] ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso[footnoteRef:51]: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009) [49: Grave ameaça: violência moral, a promessa de mal grave, futuro e sério contra a vítima ou terceiro.] [50: Conjunção carnal: é a penetração, ainda que parcial, e uma única vez, do pênis na vagina, chamado de cópula vagínica] [51: Ato libidinoso: é qualquer ato capaz de satisfazer a lascívia, sem que ocorra a penetração, como masturbação, sexo oral, beijo lascivo.] 
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Entende-se que é um crime único, tipo misto alternativo. É também um crime de ação múltipla ou de conteúdo variado. Pode ser praticado independentemente da orientação sexual da pessoa.
 
	- Objeto jurídico: a dignidade e a liberdade sexual das pessoas (crime pluriofensivo);
- Objeto material: a pessoa humana; 
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
É admitido a coautoria e a figura do partícipe.
- Tipos objetivos: constranger (obrigar,coagir);
- Tipo subjetivo: dolo (fim especial de agir).
O dissenso da vítima é necessário, isto é, a não concordância da vítima deve ser expressa. O estuprador a partir da resistência começa a agredir violentamente a mulher.
→ É possível a pessoa ser responsabilizada por estupro na modalidade omissiva? SIM, na hipótese em que há o dever jurídico de evitar o resultado, por exemplo uma mãe que sabe que o namorado estupra sua filha mas não faz nada.
A consumação se dá a partir da conjunção carnal, e no caso de ato libidinoso, com a prática efetiva de tal conduta. A tentativa é plenamente possível por se tratar de crime plurissubsistente.
O crime de estupro é compatível com a desistência voluntária, mas é preciso analisar bem o caso para não caracterizar outro tipo de crime.
→ É possível aplicar crime continuado? Duas posições:
 a. 1ª posição (MP): classifica como concurso material;
 b. 2ª posição (defesa): crime continuado
Voto proferido em agosto de 2019 (não é a desicão majoritária, ainda pode sofrer mudanças): A maioria dos ministros passou a considerar concurso material entre estupro (sexo vaginal) e estupro (sexo anal), ao entender que existem condutar diversas, apesar de ser o mesmo tipo penal “Não há retroatividade para se considerar crime continuado” diz Alexandre de Moraes – HC 100.181
✱ Impotência coeundi/instrumental: 
A conjunção carnal não é efetivada, se tornando crime impossível, mas o sujeito ainda pode praticar atos libidinosos, caracterizando estupro → o mesmo vale para o uso de algum objeto para realizar o estupro. Nesses casos, há a necessidade de prova pericial.
1.1. Estupro qualificado – art. 213, § 1º, CP
Art. 213, CP. [...]
§ 1º. Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 ou maior de 14 anos: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão de 8 a 12 anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
→ E se resultar em lesão corporal de natureza gravíssima? Aplica-se o mesmo parágrafo porque houve um erro legislativo.
É um crime preterdoloso, porque o agente não tinha a intenção de causar lesão corporal, mas geralmente a vítima se debate e acaba se machucando
	Vítima menor de 14 anos
	- estupro de vulnerável (217-A, CP) 
	Vítima fazendo 14 anos no dia ✱
	- estupro simples (213, caput, CP)
	Vítima maior de 14 e menor de 18
	- estupro qualificado (213, §1º, CP)
1.2. Resulta em morte – art. 213, § 2º, CP
Art. 213, CP. [...]
§ 2º. Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão de 12 a 30 anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Também trata-se de crime preterdoloso (dolo + culpa), porque o agente não tinha intenção se matar a vítima, apenas de violentá-la. Se tiver a intenção de matar, responde por dois crimes: estupro e homicídio.
2. ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR (REVOGADO) 
Art. 214, CP. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal. (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
Não houve “abolitio criminis” porque o legislador englobou a conduta típica do art. 214 no texto legal do artigo 213 (sobre crime de estupro). A conduta continua sendo ilícita, e no caso presente, aplica-se o princípio da continuidade normativa-típica.
3. VIOLÊNCIA SEXUAL MEDIANTE FRAUDE – art. 215, CP
Art. 215, CP. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 2 a 6 anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Violência sexual mediante fraude = posse sexual mediante fraude (art. 215 do CP – foi alterado) + atentado ao pudor mediante fraude (antigo art. 216 do CP – revogado).
	- Objeto jurídico: a dignidade e a liberdade sexual da pessoa;
- Objeto material: a pessoa que é vítima; 
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
- Tipos objetivos: estelionato sexual;
- Tipo subjetivo: o dolo.
A consumação do crime se dá com a conjunção carnal ou o ato libidinoso. A tentativa é possível por se tratar de crime plurissubsistente.
3.1. Finalidade econômica – art. 215, parágrafo único, CP
Art. 215, CP. [...]
Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
4. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL – art. 215-A, CP
Art. 215-A, CP. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro: (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
Pena - reclusão, de 1 a 5 anos, se o ato não constitui crime mais grave. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
Foi revogado o artigo 61 da Lei das Contravenções Penais que tratava da importunação ofensiva ao pudor. Não ocorreu abolitio criminis, aplica-se o princípio da continuidade normativa típica.
	- Objeto jurídico: proteção da dignidade sexual da pessoa humana;
- Objeto material: a pessoa vítima;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
✱ Se praticar na presença de menor de 14 anos ou induzi-lo a presenciar conjunção carnal ou ato libidinoso a fim de satisfazer a própria caracteriza o artigo 218-A do CP.
- Tipos objetivos: praticar (fazer, realizar o ato libidinoso);
- Tipo subjetivo: o dolo.
Obs.: responderá por ato obsceno quem, por exemplo, se masturba em praça pública, sem visar uma determinada pessoas específica.
A consumação se dá com a prática do ato libidinoso contra alguém, sem a sua anuência. A tentativa é possível, já que estamos diante de um crime plurissubsistente. 
 
5. ASSÉDIO SEXUAL – art. 216-A, CP
Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função: (Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001)
Pena - detenção, de 1 a 2 anos. (Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001)
É uma infração penal de menor potencial ofensivo (art. 61, Lei nº 9.099/95).
	- Objeto jurídico: a dignidade sexual da pessoa humana;
- Objeto material: pessoa que sofre a conduta (constrangimento);
- Sujeito ativo: superior hierárquico (é crime próprio);
- Sujeito passivo: subordinado
- Tipos objetivos: constranger, importunar, molestar, embaraçar alguém, chantagear;
- Tipo subjetivo: o dolo.
A consumação, por se tratar de crime formal, ocorre com a ação de constranger. E a tentativa, de acordo com Victor Eduardo, diz que é possível na forma escrita. 
✱ Casos polêmicos: 
Na relação professor e aluno: de acordo com Victor Eduardo Rios Gonçalves é possível porque o professor tem ascendência sobre o aluno. Já Cleber Masson diz que não é possível, pois não há relação de emprego, cargo ou função, então não se pode falar em assédio sexual.
2º relação de mestre de líder religioso com o fiel: Victor Eduardo Rios Gonçalves diz que é possível por questão de ascendência. Já Cleber Masson diz que não. 
5.1. Aumento de pena – art. 216-A, § 2º, CP
Art. 216-A, CP. [...]
§ 2º. A pena é aumentada em até 1/3 se a vítima é menor de 18 anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Aqui, a majorante não é determinada e nem possui limite mínimo, podendo ser de um dia até 8 meses (1/3 de 2 anos, que é a pena máxima neste artigo).
CAPÍTULO I-A – DA EXPOSIÇÃO DA INTIMIDADE SEXUAL
(Incluído pela Lei nº 13.772, de 2018)
6. REGISTRO NÃO AUTORIZADO DA INTIMIDADE SEXUAL – art. 216-B
Art. 216-B. Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes: (Incluído pela Lei nº 13.772, de 2018)
Pena - detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa.
Trata-se de novatio legis incriminadora, porque o agente só será punido do dia em que a lei entrou em vigor para frente.
	- Objeto jurídico: a dignidade sexual da pessoa humana;
- Objeto material: oconteúdo com cena de nudez, ato sexual ou ato libidinoso de caráter íntimo e privado;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa (crime comum);
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
- Tipos objetivos: produzir, fotografar, filmar, registrar;
- Tipo subjetivo: o dolo.
Obs.: não esquecer que no art. 240 do ECA existe o seguinte dispositivo legal:
Art. 240, ECA. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente. 
Pena - reclusão de 4 a 8 anos, e multa.
De acordo com o professor Rogério Sanches, entende-se como cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado qualquer situação íntima que envolva uma ou mais pessoas em ambiente restrito, não acessível ao público. É evidente que, se o ato de caráter sexual ocorre em local acessível ao público, o bem jurídico tutelado (intimidade) é exposto pelo próprio titular, razão pela qual não pode ser considerado violado pelo terceiro que captura a imagem.
O elemento normativo do tipo é a captura da imagem ou vídeo, realizado sem a anuência das partes, sem a autorização.
Apesar de estar escrito no plural (“dos participantes”), ainda existe o crime quando um participante resolve capturar a imagem ou vídeo sem a autorização do outro, como o namorado que filma o ato sexual, sem a autorização da namorada.
✱ Upskirting: 
Prática de fotografar, filmar ou registrar sem consentimento da vítima imagens por debaixo da saia, do vestido, etc.
6.1. Montagem não autorizada – art. 216-B, parágrafo único, CP
Art. 216-B, CP.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o fim de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo. (Incluído pela Lei nº 13.772, de 2018)
CAPÍTULO II – DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL
(Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
7. ESTUPRO DE VULNERÁVEL – art. 217-A, CP
Art. 217-A, CP. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão de 8 a 15 anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Não se exige, neste tipo penal incriminador, a utilização de violência ou de grave ameaça à pessoa para a subsunção da conduta ao tipo penal.
	- Objeto jurídico: proteção da dignidade sexual e o desenvolvimento do vulnerável;
- Objeto material: o vulnerável;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: o menor de 14 anos, podendo ser homem ou mulher;
- Tipos objetivos: ter, manter, executar, fazer sexo ou ato libidinoso com menor de 14 anos;
- Tipo subjetivo: o dolo - que consiste na vontade livre e consciente de ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso com menor de 14 anos.
A consumação se dá com a prática do ato, sendo plenamente possível a tentativa.
Erro de tipo pode acontecer quando o erro que recai sobre a idade da vítima.
→ E se no caso em questão ocorreu violência? O juiz irá aumentar na dosimetria da pena. 
A posição do STF atualmente é no sentido da presunção de violência é absoluta quando se pratica ato sexual com menor de 14 anos. A vontade da vítima não é considerada para elidir o ilícito. Rogério Greco diz que é uma vulnerabilidade absoluta.
7.1. Enfermidade ou deficiência mental – art. 217-A, § 1º, CP
Art. 217-A, CP. [...]
§ 1º. Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Exemplos: homem abusa sexualmente de uma pessoa com deficiência mental e que não detém a condição de compreender que está sendo violentada; médico que levou a vítima ao estado de inconsciência e abusou sexualmente dela (ex.: anestesista); pacientes em estado de coma ou vegetativo; pessoa embriagada (estado de inconsciência).
7.2. Lesão corporal – art. 217-A, § 3º, CP
Art. 217-A, CP. [...]
§ 3º. Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 10 a 20 anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Trata-se de crime preterdoloso (dolo + culpa). 
Em caso de lesão gravíssima, o magistrado corrige o erro do legislador na dosimetria da pena.
7.3. Morte – art. 217-A, § 4º, CP
Art. 217-A, CP. [...]
§ 4º. Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 12 a 30 anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Trata-se de crime preterdoloso (dolo + culpa). 
7.4. Consentimento – art. 217-A, § 5º, CP
Art. 217-A, CP. [...]
§ 5º. As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se independentemente do consenti- mento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
Aplicam-se ao estupro de vulnerável, independentemente do consentimento anterior ou o fato de ter ela mantido relações sexuais anteriores.
→ E se a vítima tiver relacionamento amoroso com o agente? Para o STJ é irrelevante o consentimento da vítima, experiência anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente – súmula 593.
Súmula 593, STJ. O crime de estupro de vulnerável configura-se com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante o eventual consentimento da vítima para a prática do ato, experiência sexual anterior ou a existência de relacionamento amoroso com o agente.
8. CORRUPÇÃO DE MENORES – art. 218, CP
Art. 218, CP. Induzir alguém menor de 14 anos a satisfazer a lascívia de outrem: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 2 a 5 anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Masson diz que o nome desse crime deveria ser “mediação de menor vulnerável para satisfazer a lascívia de outrem”.
	- Objeto jurídico: a dignidade sexual da pessoa menor de 14 anos;
- Objeto material: o menor de 14 anos;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: criança ou adolescente menor de 14 anos;
- Tipos objetivos: induzir, significa convencer, persuadir o menor com ou sem a promessa de recebimento de alguma vantagem para que satisfaça o desejo sexual de outra pessoa
- Tipo subjetivo: dolo, com um fim específico, a satisfação da lascívia de outrem.
A consumação se dá com a prática do ato de induzir, independemente da lascívia do terceiro se concretizar. E a tentativa é possível, pois estamos diante de um crime plurissubsistente.
→ O terceiro que tem a lascívia satisfeita, qual o crime praticado por ele? Rogério Greco diz que, o terceiro que tem a lascívia satisfeita não comete delito nenhum. O terceiro é uma pessoa determinada. Caso forem pessoas indeterminadas, responde pelo art. 218-B do CP. 
Guilherme de Souza Nucci, se posiciona acerca do art. 218 do CP: “o tipo penal criado pela Lei 12.105/09 é desnecessário e poderá causar problemas. Terminou-se por dar origem a uma exceção pluralística à teoria monística, ou seja, a participação moral no estupro de vulnerável passa a ter pena mais branda. Afinal, se utilizássemos apenas o disposto no art. 29 do CP, no tocante ao induzimento do menor de 14 anos a ter relação sexual com outra pessoa, poder-se-ia tipificar na figura do art. 217-A (consumado ou tentado)”. 
9.SATISFAÇÃO DE LASCÍVIA MEDIANTE PRESENÇA DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE – art. 218-A, CP
Art. 218-A, CP. Praticar, na presença de alguém menor de 14 anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 2 a 4 anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
	- Objeto jurídico: a dignidade sexual do menor de 14 anos;
- Objeto material: o menor de 14 anos;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: criança ou adolescente menor de 14 anos;
- Tipos objetivos: praticar/manter a relação sexual ou ato libidinoso;
- Tipo subjetivo: o dolo, com a finalidade específica de satisfazera lascívia própria ou de outrem.
A consumação se dá com a prática das formas verbais. E a tentativa é com a possibilidade do agente responder pela modalidade tentada.
→ E no caso dos pais que praticam ato sexual ou libidinoso com o filho no mesmo quarto dormindo? Não configura crime porque não tem dolo.
10. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL – art. 218-B, CP
Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 4 a 10 anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
	- Objeto jurídico: a dignidade sexual e a moralidade do menor;
- Objeto material: o menor de 18 anos ou portador de deficiência mental;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: pessoa menor de idade ou enferma;
- Tipos objetivos: submeter; induzir; atrair; facilitar; impedir; dificultar (ex.: agente impede ou difuculta vítima que quer abandonar a prostituição);
- Tipo subjetivo: o dolo.
A consumação se dá quando alguém passa a exercer a prostituição de forma habitual, ou passa a ser explorada sexualmente, ou ainda, alguém dificulta e impede que a pessoa abone a prostituição. A tentativa é perfeitamente possível.
→ A pessoa maior de 18 anos, totalmente capaz, induzida a prostituição, caracteriza qual o crime? Não. Configura o art. 228 do CP.
10.1. Vantagem econômica – art. 218-B, § 1º, CP
Art. 218-B. [...]
§ 1º. Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Lembrando que a pessoa que se prostitui não comete crime, diferente do sujeito que organiza ou mantém um estabelecimento para isso.
10.2. Incorre na mesma pena – art. 218-B, § 2º, CP
Art. 218-B. [...]
§ 2º. Incorre nas mesmas penas: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 e maior de 14 anos na situação descrita no caput deste artigo; (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Se pune a pessoa que explora a sexualidade, e não o sujeito que pratica o ato sexual. Ao pagar pelo sexo com menor, o agente está incentivando/estimulando o menor a permanecer nessa situação.
Trata-se de uma forma qualificada do crime previsto no art. 229 do CP (manutenção de casa de prostituição).
Art. 218-B. [...]
§ 3º. Na hipótese do inciso II do § 2º, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
11. DIVULGAÇÃO DE CENA DE ESTUPRO OU DE ESTUPRO DE VULNERÁVEL, CENA DE SEXO OU PORNOGRAFIA – art. 218-C, CP
Art. 218-C, CP. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio (inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática), fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática (pode ser um texto), ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia: (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
 Pena - reclusão, de 1 a 5 anos, se o fato não constitui crime mais grave. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
	- Objeto jurídico: a dignidade sexual;
- Objeto material: a intimidade da pessoa;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
- Tipos objetivos: oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender, expor à venda, divulgar, distribuir, publicar;
- Tipo subjetivo: o dolo.
Obs.: material que faça apologia é um material que tem a finalidade de difundir a prática de estupro, não há necessidade de conter cenas de sexo ou de nudez. 
Trata-se de crime misto alternativo. Pode ser praticado por facebook, email, whatsapp e outras plataformas. 
O crime do art. 218-C é subsidiário em relação aos art. 240 e 241-A do ECA. 
Art. 240, ECA. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente. (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)
Art. 241-A, ECA. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)
A consumação se dá com a prática das formas verbais. E a tentativa é plenamente possível, menos no verbo oferecer (não há possibilidade de fracionamento da conduta).
11.1. Aumento de pena – art. 218-C, § 1º, CP
Art. 218-C, CP. [...]
§ 1º. A pena é aumentada de 1/3 a 2/3 se o crime é praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
11.2. Exclusão de ilicitude – art. 218-C, § 2º, CP
Art. 218-C, CP. [...]
§ 2º. Não há crime quando o agente pratica as condutas descritas no caput deste artigo em publicação de natureza jornalística, científica, cultural ou acadêmica com a adoção de recurso que impossibilite a identificação da vítima, ressalvada sua prévia autorização, caso seja maior de 18 (dezoito) anos. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
12. AUMENTO DE PENA – art. 226, CP
Este artigo, de aumento da pena, incide apenas nos arts. 213 a 218-C. 
Art. 226, CP. A pena é aumentada: (Redação dada pela Lei nº 11.106, de 2005) 
I - de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 ou mais pessoas; (Redação dada pela Lei nº 11.106, de 2005)
O aumento da pena aplica-se na hipótese de coautoria e participação. Aplica-se para todos os crimes contra a dignidade sexual, menos o de estupro (inciso IV) - doutrina. 
II - de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela; (Redação dada pela Lei nº 13.718, de 2018)
Não pode ser aplicado o art. 226, II do CP (no caso de empregador) no crime de assédio sexual, art. 216-A do CP, sob pena de se caracterizar bis in idem.
III - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005)
IV - de 1/3 a 2/3, se o crime é praticado: (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
a) mediante concurso de 2 ou mais agentes; (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
Conhecido como estupro coletivo.
b) para controlar o comportamento social ou sexual da vítima. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
Conhecido como estupro corretivo.
CAPÍTULO V – DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM DE PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL
(Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
13. MEDIAÇÃO PARA SERVIR A LASCÍVIA DE OUTREM – art. 227, CP
Art. 227, CP. Induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem; → pessoa maior de 18 anos
Pena - reclusão, de 1 a 3 anos.
Neste crime, exige-se a presença de três pessoas: um para induzir uma pessoa, quem o agente induz e aquele que poderá ter a sua lascívia satisfeita.
	- Objeto jurídico: evitar a exploração sexual das pessoas;
- Objeto material: a pessoa induzida a satisfazer a lascívia de outrem;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
- Tipos objetivos: induzir, ser a causa, o motivo de, inspirar;
- Tipo subjetivo: o dolo, que consiste na vontade livre e consciente de intermediar a satisfação da lascívia de outrem.
Aqui, a pessoa é induzida a satisfazer a lascívia de uma pessoa determinada.
A consumação do crime é no momento em que a pessoa pratica o ato para satisfazer a lascíviade um terceiro. E a tentativa é possível, já que estamos diante de um crime plurissubsistente.
Obs.: este crime se caracteriza com a realização de um único ato, ou seja, não se exige uma habitualidade.
	- vítima maior de 18 anos
	art. 227, caput, CP
	- vítima maior de 14 e menor de 18 anos
	art. 227, § 1º, CP
	- vítima menor de 14 anos
	art. 218, CP
13.1. Qualificadora – art. 227, § 1º, CP
Art. 227, CP. [...]
§ 1º. Se a vítima é maior de 14 e menor de 18 anos, ou se o agente é seu ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro, irmão, tutor ou curador ou pessoa a quem esteja confiada para fins de educação, de tratamento ou de guarda: (Redação dada pela Lei nº 11.106, de 2005)
Pena - reclusão, de dois a cinco anos.
A doutrina chama de lenocidio familiar: porque a vítima é explorada sexualmente por um membro da “família”.
13.2. Emprego de violência – art. 227, § 1º, CP
Art. 227, CP. [...]
§ 2º. Se o crime é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude. 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, além da pena correspondente à violência.
Neste caso, estamos diante de um concurso material obrigatório, previsto na parte especial do Código Penal.
 
13.3. Finalidade lucrativa – art. 227, § 1º, CP
Art. 227, CP. [...]
§ 3º. Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa.
14. FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL – art. 228, CP
Art. 288, CP. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou outra forma de exploração sexual, facilitá-la, impedir ou dificultar que alguém a abandone: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.”
	- Objeto jurídico: evitar a prostituição e os riscos a saúde pública que decorrem do exercício dessa atividade;
- Objeto material: a pessoa levada ou mantida na prostituição ou outra forma de exploração sexual;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: qualquer pessoa;
- Tipos objetivos: induzir, atrair, facilitar, impedir, dificultar;
- Tipo subjetivo: o dolo.
14.1. Aumento de pena – art. 228, § 1º, CP
Art. 288, CP. [...]
§ 1º. Se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 3 a 8 anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
14.2. Emprego de violência – art. 228, § 1º, CP
Art. 288, CP. [...]
§ 2º. Se o crime, é cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, além da pena correspondente à violência.
14.3. Finalidade lucrativa – art. 228, § 1º, CP
Art. 288, CP. [...]
§ 3º. Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa.
15. CASA DE PROSTITUIÇÃO – art. 229, CP
Art. 229, CP. Manter, por conta própria ou de terceiro, estabelecimento em que ocorra exploração sexual, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.
O Estado é leniente com algumas situações criminosas, mas isto não tem o condão de retirar a tipicidade da conduta.
	- Objeto jurídico: evitar os riscos que envolvem a prostituição (a moralidade pública, …);
- Objeto material:;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: a coletividade e as pessoas exploradas sexualmente;
- Tipos objetivos: manter, proteger/assegurar o funcionamento da casa ou a exploração sexual de forma habitual;
- Tipo subjetivo: o dolo, que consiste na vontade livre e consciente de intermediar a satisfação da lascívia de outrem.
A existência de alvará de funcionamento não exclui o crime, até porque os alvarás são concedidos com o intuito de realizar atividades lícitas, mas, depois de expedidos, o agente passa a desvirtuar a atividade
16. RUFIANISMO – art. 230, CP
Art. 230, CP. Tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça: 
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.
	- Objeto jurídico: ;
- Objeto material:;
- Sujeito ativo: qualquer pessoa;
- Sujeito passivo: a pessoa que exerce a prostituição;
- Tipos objetivos: tirar proveito/obter vantagem da prostituição alheia;
- Tipo subjetivo:.
Nesse delito é necessário se demonstrar a habitualidade.
A consumação ocorre com a reiteração na participação nos lucros e no sustento pela pessoa que é explorada sexualmente. A tentativa divide opiniões, para Rogério Sanches não se admite; e para Cleber Masson é possível, já que estamos diante de um crime pluriofensivo.
16.1. Qualificadora – art. 230, § 1º, CP
Art. 230, CP. [...]
§ 1º. Se a vítima é menor de 18 e maior de 14 ou se o crime é cometido por ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado, cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima, ou por quem assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 3 a 6 anos, e multa.
O parágrafo primeiro é uma qualificadora e o rol descrito nesse tipo é taxativo.
Obs.: caso ocorre no dia do aniversário de 14 anos da vítima, o crime é caracterizado no caput.
16.2. Emprego de violência – art. 230, § 1º, CP
Art. 230, CP. [...]
§ 2º. Se o crime é cometido mediante violência, grave ameaça, fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação da vontade da vítima: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 2 a 8 anos, sem prejuízo da pena correspondente à violência.
Nesse caso, estamos diante de um concurso material obrigatório devido ao trecho “sem prejuízo da pena correspondente à violência”, ou seja, o agente responderá por este parágrafo e por violência 
✱ Proxeneta X rufão
Rufão, conhecido como gigolô ou cafetão, é a pessoa que vive da prostituição alheia; já o proxeneta é o intermediário de encontros sexuais de terceiros, bem como aquele que mantém espaços reservados para tanto, a aufere vantagem econômica.
17. AUMENTO DE PENA – art. 234-A
Esse artigo é incidente em todo o título contra os crimes contra a dignidade sexual (art. 213 até o 234 do CP).
Art. 234-A. Nos crimes previstos neste Título a pena é aumentada:
III - de metade a 2/3, se do crime resultar gravidez;
IV - de 1/3 a 2/3, se o agente transmite à vitima doença sexualmente transmissível de que sabe ou deveria saber ser portador, ou se a vítima é idosa ou pessoa com deficiência.
Se houver duas causas de aumento entre o 226 e 234-A, o juiz deverá utilizar-se apenas de uma causa de aumento ou diminuição, de acordo com o art. 68, § único.
Art. 68, CP. [...]
Parágrafo único. No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua.
18. SEGREDO DE JUSTIÇA – art. 234-B, CP
Art. 234-B, CP. Os processos em que se apuram crimes definidos neste Título correrão em segredo de justiça.
TÍTULO X – DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA
Fé pública é uma crença ou convicção na autenticidade e valor dos documentos. A violação da fé pública caracteriza o crime de falso, que se traduz como uma contraposição ao verdadeiro, uma conduta apta a atentar em desfavor do sentimento coletivo de confiança.
Para o crime de falso ser caracterizado, é preciso:
 a. conduta dolosa (não se admite modalidade culposa);
 b. ato de imitação da verdade/produção do falso (alteração/supressão, ou imitação/contrafação);
 c. dano potencial/idoneidade (capacidade para iludir indeterminadas pessoas);
 d. espécies
Obs.: se o documento falsificado estiver ruim, isso é, for perceptível que é falso, logo ele não terá dano potencial, já que não irá enganar ninguém, deixando de configurar o crime de falso. Entretanto, como a conduta da pessoa ainda foi de má-fé, dependendo do caso, poderá responder por outro crime, como estelionato.
CAPÍTULO III – DA FALSIDADE DOCUMENTAL
1.FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO – art. 297, CP
Art. 297, CP. Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
Nota-se: o crime só será caracterizado se a pessoa que o fez não tiver legitimidade/autorização para tal.
	- Objeto jurídico: a fé pública
- Objeto material: documento público
- Sujeito ativo: qualquer pessoa
- Sujeito passivo: o Estado (diretamente) e as pessoas alcançadas pela conduta (indiretamente) 
- Tipo objetivo: falsificar (criar/produzir/fabricar) ou alterar (rasurar/modificar)
- Tipo subjetivo: dolo
A consumação se dá com a falsificação, no todo ou em parte, sendo a tentativa admitida.
Para ser considerado documento, é preciso, cumulativamente:
 a. forma escrita → deve ser móvel e permanente;
 b. elaborado por pessoa determinada;
 c. conteúdo revestido de relevância jurídica → aquilo que cria, modifica ou extingue uma obrigação;
 d. possuir eficácia probatória → conteúdo passível de utilização como prova de determinado fato.
E, para ser configurado como documento público, tem que:
 a. criado por funcionário público;
 b. elaboração do documento no exercício das funções públicas;
 c. observação das formalidades legais.
1.1. Causa de aumento da pena – art. 297, § 1º, CP
Art. 297, CP. [...]
§1º. Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte;
1.2. Documento público por equiparação – art. 297, § 2º, CP
Art. 297, CP. [...]
§ 2º. Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular.
2. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR – art. 298, CP
Art. 298, CP. Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento particular verdadeiro:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
Para averiguar se o documento é falso, sempre é necessário uma perícia:
Art. 158, CPP. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
Quando a falsificação é feita para ocultação, ou é utilizado como meio para outro crime, deixa de ser falsificação de acordo com súmula do STJ:
Súmula 17, STJ. Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido.
2.1. Cartão de crédito ou débito – art. 298, parágrafo único, CP
Art. 298, CP. [...]
Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito. (Incluído pela Lei nº 12.737, de 2012)
Neste crime, a utilização do cartão corresponde a diferentes crimes: a compra configura estelionato, e o saque configura furto.
3. FALSIDADE IDEOLÓGICA – art. 299, CP
Art. 299, CP. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. (Vide Lei nº 7.209, de 1984)
Aqui, não importa se o documento é público ou particular.
Ex.: agente mata aula para ir ao bar, e pede para seu amigo assinar a lista de presença em seu nome → nem sempre é necessário duas pessoas.
3.1. Causa de aumento de pena – art. 299, parágrafo único, CP
Art. 299, CP. [...]
Parágrafo único. Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.
A incidência não é automática, é necessário ser funcionário público e prevalência do cargo.
✱ Assentamento de registro civil
Quando a conduta do agente tiver por objeto material os documentos elencados no art. 29, caput e § 1º, da Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos).
Art. 29, Lei nº 6.015/73. Serão registrados no registro civil de pessoas naturais:
I - os nascimentos;
II - os casamentos; 
III - os óbitos;
IV - as emancipações;
V - as interdições;
VI - as sentenças declaratórias de ausência;
VII - as opções de nacionalidade;
VIII - as sentenças que deferirem a legitimação adotiva.
§1º Serão averbados:
a) as sentenças que decidirem a nulidade ou anulação do casamento, o desquite e o restabelecimento da sociedade conjugal;
b) as sentenças que julgarem ilegítimos os filhos concebidos na constância do casamento e as que declararem a filiação legítima;
c) os casamentos de que resultar a legitimação de filhos havidos ou concebidos anteriormente;
d) os atos judiciais ou extrajudiciais de reconhecimento de filhos ilegítimos;
e) as escrituras de adoção e os atos que a dissolverem;
f) as alterações ou abreviaturas de nomes.
4. CERTIDÃO[footnoteRef:52] OU ATESTADO[footnoteRef:53] IDEOLOGICAMENTE FALSO – art. 301, CP [52: Certidão: é o documento pelo qual o funcionário, no exercício de suas atribuições oficiais, afirma a verdade de um fato ou circunstância contida em documento público ou transcreve o conteúdo do texto, total ou parcialmente.] [53: Atestado: é um documento que traz em si o testemunho de um fato ou circunstância. O signatário o emite em face do conhecimento pessoal a respeito de seu objeto, obtido, na espécie do tipo, no exercício de suas atribuições legais.] 
Art. 301, CP. Atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública, fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem:
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Ex.: um agente penitenciário, que não gosta de um detento X, faz um relatório de bom comportamento (falso, porque o detento não tem bom comportamento) para que ele passe para próxima fase e não precise mais ficar lá com ele.
Aqui se refere àquela pessoa que tem autorização para fazer tal certidão ou atestado (atenção aos verbos: atestar, certificar → ou seja, é ele que cria/faz).
4.1. Certidão ou atestado materialmente falso – art. 301, § 1º, CP
Art. 301, CP. [...]
§ 1º. Falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou alterar o teor de certidão ou de atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem:
Pena - detenção, de três meses a dois anos.
Neste parágrafo, qualquer pessoa pode falsificar ou alterar a certidão ou atestado (atenção aos verbos: falsificar, alterar → ou seja, não é ele que cria)
4.2. Com o fim de lucro – art. 301, § 2º, CP
Art. 301, CP. [...]
§ 2º. Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se, além da pena privativa de liberdade, a de multa.
5. FALSIDADE DE ATESTADO MÉDICO – art. 302, CP
Art. 302, CP. Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso:
Pena - detenção, de um mês a um ano.
Este crime é um crime próprio, já que só pode ser cometido por um médico. E neste caso, apenas por médico particular, o médico público se enquadra no art. 301 (certidão ou atestado ideologicamente falso)
É preciso ser um fato médico relevante, ou seja, não haverá efeito se, por exemplo, um dermatologista emitir um atestado sobre parte cardíaca.
→ E com receitas médicas? Como geralmente a receita é indicada para tratamento de alguma doença, o médico que emitir uma receita médica não necessária, se enquadrará neste mesmo artigo 302. Agora, se um terceiro, que não é médico, produzir uma receita médica, caracterizá o art. 298 (falsificação de documento particular).
→ E o dentista? Este artigo diz especificamente sobre médico, mas caso o dentista, não exercendo função pública, no exercício regular da profissão, dá um atestado inverídico, pratica crime de certidão ou atestado ideologicamente falso (art. 301, CP). 
5.1. Com o fim de lucro – art. 302, parágrafo único, CP
Art. 302, CP. [...]Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de lucro, aplica-se também multa.
6. USO DE DOCUMENTO FALSO – art. 304, CP
Art. 304, CP. Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração. → em abstrato
Aqui, é indiferente se o documento é público ou particular.
Este artigo visa punir somente aquele que faz o uso do documento falso, e não quem o fez de fato (o falsificador).
→ E se a pessoa que fez o documento falso também o utilizou? De acordo com a corrente majoritária, e decisão do STJ, a pessoa responderá apenas pelo art. 297 (criação de documento falso). A corrente minoritária (NUCCI), diz que aquele que faz o falso e o utiliza, responde pelo 304, respondendo apenas pelo último prejuízo causado (nesse caso, utilizar o documento).
→ Se um terceiro, que não produziu e não utilizou o documento, só estava com a posse deste, isto é, estava com o documento em mãos, responde por algo? Não, pois o simples fato de possuir o documento falso não caracteriza o crime, para isso, é preciso utilizá-lo.
	QUESTÃO
1) Os efeitos da prescrição punitiva do crime pressuposto[footnoteRef:54] estendem-se ao crime consequente? Em regra, não haverá a extinção da punibilidade para o crime consequente de acordo com o art. 108 do CP (ao outro [o que utiliza], é aplicado o 304, CP); salvo se for por abolitio criminis (art. 107, III, CP) ou anistia (art. 107, II, CP). [54: Crime pressuposto: delito relacionado à criação de documento falso.] 
Art. 108. A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto, elemento constitutivo ou circunstância agravante de outro não se estende a este.
7. ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR – art. 311, CP
Art. 311, CP. Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor, de seu componente ou equipamento: 
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.
→ O que é veículo automotor para o Direito Penal? É todo veículo a motor de propulsão que circule por seus próprios meios, e que serve normalmente para o transporte viário de pessoas e coisas, ou para a tração viária de veículos utilizados para o transporte de pessoas e coisas. O termo compreende os veículos conectados a uma linha elétrica e que não circulam sobre trilhos (ônibus elétrico).
→ Quando o condutor oculta algum número da placa, se enquadra no 311? Não, pois nesse artigo é apenas para adulteração ou remarcação, e nesse caso, é uma ocultação. E a fita isolante? Também não se enquadra no 311, pois a adulteração ou remarcação tem que ser definitiva. Entretanto, ainda é crime.
7.1. Funcionário público – art. 311, §§ 1º e 2º, CP
Art. 311, CP. [...]
§ 1º. Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a pena é aumentada de um terço.
§ 2º. Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o licenciamento ou registro do veículo remarcado ou adulterado, fornecendo indevidamente material ou informação oficial.
8. FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO – art. 311-A, CP
Art. 311-A, CP. Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de:
I - concurso público; 
II - avaliação ou exame públicos; 
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei.
Pena - reclusão, de 1 a 4 anos, e multa.
Vale ressaltar que o título diz “certames de interesse público”, isto é, pode ser fraude em coisas públicas ou particulares.
8.1. Mesma pena – art. 311-A, § 1º, CP
Art. 311-A, CP. [...]
§ 1º. Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas não autorizadas às informações mencionadas no caput. 
8.2. Causa de aumento de pena – art. 311-A, §§ 2º e 3º, CP
Art. 311-A, CP. [...]
§ 2º. Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 3º. Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público.
TÍTULO XI – DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
CAPÍTULO I – DOS CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO
1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
É toda atividade estatal, quer no seu aspecto objetivo, quer no seu aspecto subjetivo. O seu objetivo jurídico é o interesse público relacionado ao normal funcionamento e ao prestígio da administração pública em sentido lato.
2. CRIMES FUNCIONAIS – arts. 312 a 326, CP
Crimes funcionais são aquelas condutas praticadas por funcionários públicos no exercício da função, ou em razão dela. Ex.: art. 312 (peculato furto)
Art. 312, CP. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio.
✱ Crimes funcionais X concurso de pessoas – art. 30, CP
Quando, por exemplo, um funcionário público e um amigo (que não seja f. público) cometem um crime juntos, os dois responderão por crime funcional (desde que este amigo saiba da função do outro), porque é elementar do crime.
Art. 30. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.
3. FUNCIONÁRIO PÚBLICO – art. 327, CP
Art. 327, CP. Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
3.1. Funcionário público por equiparação – art. 327, § 1º, CP 
Art. 327, CP. [...]
§ 1º. Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.
3.2. Causa de aumento de pena – art. 327, § 1º, CP
Art. 327, CP. [...]
§ 2º. A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público.
→ É um efeito automático da condenação a perda do cargo do funcionário público? Não, mas pode acontecer, de acordo com legislação específica (art. 92, I, CP)
Art. 92, CP. São também efeitos da condenação:
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: 
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública;
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos.
✱ Independência entre instância penal e administrativa - 
As instâncias/decisões penais não interferem nas administrativas,elas são autônomas, podem ser completamente distintas. Exceto em dois casos: art. 386, I e VI, CPP.
Art. 386, CPP. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:
I - estar provada a inexistência do fato;
[...]
VI - existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1º do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência;
4. PECULATO – art. 312, CP
Também conhecido como peculato próprio.
Art. 312, CP. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
4.1. Peculato furto – art. 312, § 1º, CP 
Art. 312, CP. [...]
§ 1º. Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.
4.2. Peculato culposo – art. 312, § 2º, CP
Art. 312, CP. [...]
§ 2º. Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena- detenção, de três meses a um ano.
4.3. Reparação do dano – art. 312, § 3º, CP
A hipótese prevista neste parágrafo terceiro só se aplica para o parágrafo segundo
Art. 312, CP. [...]
§ 3º. No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta.
Isto é, se reparado o dano até a sentença irrecorrível, há a extinção da punibilidade; caso a reparação do dano seja após a sentença, a pena é reduzida pela metade.
5. PECULATO ESTELIONATO – art. 313, CP
Art. 313, CP. Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
✱ Art. 313, CP X art. 169, CP
A diferença é que no 313, o erro é espontâneo e o crime é feito no exercício do cargo.
Art. 169, CP. Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza.
✱ Peculato estelionato X estelionato
No estelionato, a vítima é induzida ao erro; e no peculato estelionato, o erro é espontâneo da vítima.
Art. 171, CP. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento
6. PECULATO ELETRÔNICO – art. 313-A, CP
Também conhecido como Inserção de dados falsos em sistema de informações:
Art. 313-A, CP. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
→ Se o funcionário público deixar o sistema aberto, a fim de facilitar que alguém tire proveito? Responde pelo 313-A. Mas e se ele esqueceu o sistema aberto? Responderá por peculato culposo.
7. EMPREGO IRREGULAR DE VERBA OU RENDA PÚBLICA – art. 315, CP
Art. 315, CP. Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:
Pena - detenção, de um a três meses, ou multa.
Lei de Improbidade Legislativa (Lei n. 8429/92)
Decreto-Lei 201/67
8. CONCUSSÃO – art. 316, CP
Para Bernaldo de Quirós, “a concussão compreende toda classe de imposições ou exações ilegais cometidas por funcionário em relação às pessoas que têm alguma pendência administrativa [...]”.[footnoteRef:55] [55: QUIRÓS, Bernaldo. Derecho penal - Parte especial, t. II. p. 344 (tradução livre).] 
Art. 316, CP. Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
Os tipos penais da concussão e os da corrupção são similares, mas não se confundem: a corrupção passiva forma-se com mais sutileza, pois o funcionário solicita ou simplesmente recebe a vantagem; a corrupção ativa também é sutil na conduta de oferecer ou prometer; a concussão é mais grave, pois exigir significa ordenar ou demandar, havendo aspectos nitidamente impositivos e intimidativos (que não precisam ser, necessariamente, violentos, porém há de conter uma forma de ameaça).
A concussão não deixa de ser uma espécie de extorsão, embora praticada por funcionário público, que tem como objeto uma vantagem indevida.
Para esse crime ser configurado é preciso dois elementos: exigência de vantagem e vantagem esta para o funcionário público ou terceiro, que esteja relacionada àquilo que o funcionário pode fazer em razão da sua função.
Para Fernando Henrique Mendes de Almeida[footnoteRef:56], a concussão apresenta-se em três modalidades: a) típica (prevista no caput), em que se exige vantagem indevida, desconectada de qualquer tributo; b) própria (§ 1º, primeira parte), na qual há o abuso de poder, exigindo-se tributo ou contribuição indevida; e c) imprópria (§ 1º, segunda parte), em que se demanda, com abuso de poder, tributo ou contribuição devida. [56: ALMEIDA, Fernando Henrique Mendes. Dos crimes contra a Administração Pública, p. 50.] 
É possível a configuração do delito caso o agente atue diretamente (sem rodeios e pessoalmente), ou fazendo sua exigência de modo indireto (disfarçado ou camuflado ou por interposta pessoa).
O tipo é explícito ao exigir que o agente se valha de sua função para demandar vantagem indevida. Pode ele se encontrar fora da função (suspenso ou de licença), não ter, ainda, assumido suas atividades (nomeado, mas não empossado), ou já estar em pleno desenvolvimento de sua função. Entretanto, em qualquer caso, é indispensável que reclame a vantagem invocando sua atividade profissional.
Quanto a vantagem indevida, pode ser qualquer lucro, ganho, privilégio ou benefício ilícito. Não é necessário algum conteúdo econômico, visto que o funcionário possa querer vantagens de outros tipos, como um mero elogio, ou uma vingança.
8.1. Classificação
Neste crime, o sujeito ativo é somente o funcionário público. O sujeito passivo é o Estado, e em segundo plano, a entidade de direito público ou a pessoa diretamente prejudicada.
É exigido um elemento subjetivo específico, consistente em destinar a vantagem para si ou para outrem, não admitindo a forma culposa, apenas dolosa.
O objeto material é a vantagem indevida, e o objeto jurídico é a Administração Pública (aspectos material e moral).
Trata-se de crime próprio (somente pode ser cometido por sujeito ativo, no caso, o funcionário público); formal (crime que não exige, para sua consumação, resultado naturalístico, consistente no efetivo benefício auferido pelo agente); de forma livre (pode ser cometido por qualquer meio eleito pelo agente); comissivo (o verbo implica ação); instantâneo (cuja consumação não se prolonga no tempo, dando-se no momento em que é exigido a vantagem, e não no recebimento desta); unissubjetivo (aquele que pode ser cometido por um único sujeito); unissubsistente (crime praticado num único ato) ou plurissubsistente (delito cuja ação é composta por vários atos).
É admitido a tentativa apenas na forma plurissubsistente.
→ É possível a prisão em flagrante no momento da entrega da vantagem? Não, haja vista o crime ter se consumado quando da exigência da indevida vantagem, e não quando a sua efetiva entrega pela vítima do agente. E não há possibilidade de se lavrar prisão em flagrante no recebimento da vantagem, pois, nesta hipótese, seria um flagrante preparado, ou seja, crime impossível. O correto seria a decretação da prisão preventiva.
8.2. Excesso de exação[footnoteRef:57] – art. 316, § 1º, CP [57: Exação: cobrança de impostos.] 
Há duas formas para compor o excesso de exação: a) exigir o pagamento de tributo ou contribuição social indevidos; b) empregar meio vexatório na cobrança. O objeto das condutas típicas é o tributo ou contribuição social.
Art. 316, CP. [...]
§ 1º. Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990)
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
Tributo é “toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (art. 3º, Código Tributário Nacional). São espécies de tributo: impostos, taxas, contribuições de melhoria e contribuições sociais (atualmente incluídas pelos arts. 149 e 195, CF).
A cobrança, mesmo abusiva, de emolumentos, tarifas e custas não serve para configurar esse tipo penal. O termo indevido evidencia que o tributo, ou a contribuição social, cobrado há de ser impróprio, de exigência ilícita, seja porque a lei não autoriza que o Estado o cobre, seja porque o contribuinte já o pagou.
Meio vexatório é o que causa vergonha ou ultraje; gravoso é o meio oneroso ou opressor. É natural que o Estado não possa aceitar, nem fazer,uma cobrança vexatória ou gravosa, não tendo necessidade da lei mencionar ao final do artigo a expressão “que a lei não autoriza”. Seria inconstitucional se o fizesse, caso a lei autorizasse.
	É preciso ressaltar que esse tipo é antigo. Pode ser que o excesso de exação existisse, com maior frequência, décadas atrás, quando o servidor (chamado de coletor de impostos) ainda existia. Hoje, é quase tudo eletrônico, não sendo muito útil, a menos que algum programador consiga a proeza de emitir alguma cobrança vexatória por meio eletrônico.
8.3. Excesso de exação qualificada – art. 316, § 2º, CP
Quando o funcionário desviar para si ou para outrem o que recebeu indevidamente, pratica a figura qualificada do delito previsto no § 2º. O recolhimento, apesar de indevido, destina-se sempre aos cofres públicos, uma vez que se trata de exação.
Art. 316, CP. [...]
§ 2º. Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Esse parágrafo é incoerente e desarrazoado, não tendo motivos para sua existência, uma vez que a figura qualificada deste parágrafo é menor que a pena mínima do crime na sua forma simples.
A existência desse parágrafo permite deduzir que, no caso anterior, previsto no § 1º, o servidor público, ao recolher o tributo, em lugar de destinar a si ou a outrem, coloca-o nos cofres públicos. Se o agente não o fizer, incide, em tese, a figura do § 2º.
Outra dedução a ser feita advém da segunda parte do § 1º, que expõe o recolhimento de tributo devido, mas por meio vexatório. Quer-se crer que, nesse caso, sendo o tributo devido (apenas o meio de cobrança que é criminoso), o agente vai destiná-lo aos cofres administrativos. E se o servidor desviar o tributo para si? Incide o § 2º? Em teoria, não, pois o § 1º fala em quantia indevida na primeira parte; na segunda, menciona um modo indevido de cobrança. Então, em interpretação restritiva, somente a cobrança de tributo ou contribuição indevida pode redundar na situação prevista no § 2º.
Embora se costume denominar a forma delituosa do § 2º como excesso de exação qualificada, quanto à pena propriamente dita, somente a superior (12 anos) é maior que a do excesso de exação simples (8 anos). A pena básica da forma qualificada é de dois anos, enquanto da modalidade simples é de três anos. Logo, há inconsistência nessa designação, pois a espécie qualificada deveria ter o mínimo e máximo superiores à forma simples. Assim sendo, é mais prudente que o servidor, ao recolher quantia indevida, fique com ela e não a destine à administração; se fizer desse modo, sua pena será de dois anos; caso destine aos cofres do Estado, sua pena ficará em, pelo menos, três anos de reclusão.
9. CORRUPÇÃO PASSIVA – art. 317, CP
A corrupção caracteriza-se pela negociata, pelo pacto escuso, pelo acordo ilícito, pela depravação moral de uma pessoa, gerando, muitas vezes, imensos estragos ao Estado.
Para Roberto Livianu, “o conceito de corrupção pode ser considerado como o comportamento sistemático e reiterado de violação da moralidade administrativa por parte do funcionário público, no seu sentido amplo que causa danos sociais relevantes, atingindo o sistema social e as estruturas do Estado”.[footnoteRef:58] [58: LIVIANU, Roberto. Corrupção e direito penal, p. 33.] 
Art. 317, CP. Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
Solicitar significa pedir ou requerer; receber quer dizer aceitar em pagamento ou simplesmente aceitar algo. A segunda parte do tipo penal prevê a conduta de aceitar promessa, isto é, consentir em receber vantagem futura. Por sua vez, essa vantagem tem que oferecer algo idôneo e verossímil; não bastam meras ofertas impossíveis ou não factíveis, incapazes de gerar no funcionário pública uma real cobiça.
O crime de corrupção passiva se consuma com a solicitação da vantagem ou da aceitação de uma promessa, não sendo necessário o efetivo recebimento desta.
Inclusive, não se trata de um delito bilateral, ou seja, não é necessária a corrupção ativa para configurar o delito de corrupção passiva, essa é apenas prévia à realização do ato. Em outras palavras, o agente do crime do 317 pode ser preso mesmo se o funcionário que cometeu a corrupção ativa for desconhecido, por exemplo.
→ Pode-se aplicar o princípio da bagatela neste tipo penal? Sim, nos casos de pequenos presentes ou lembranças destinados a funcionários públicos, por exemplo, em datas comemorativas, são considerados conduta penalmente irrelevante, não configurando corrupção passiva. Para Fernando Henrique Mendes de Almeida, “é certo que, para chegar à compreensão de que a cortesia é desinteressada, é preciso que não nos inspiremos no exemplo exagerado daquilo que, por costume, se justifique entre altos funcionários. A regra limitativa deve ser esta: a) que o presente seja ocasional e não habitual, ou contínuo; b) que não ocorra correspondência alguma entre o seu valor econômico e o ato de ofício, isto é, que não se possa formular, em face do fato, a relação que induza o caráter retributivo”.[footnoteRef:59] Entretanto, segundo a Súmula 599 do STJ: “O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública”. [59: ALMEIDA, Fernando Henrique Mendes. Dos crimes contra a Administração Pública, p. 84-85.] 
9.1. Classificação
A classificação é a igual ao crime de concussão.
O sujeito ativo é o funcionário público. O sujeito passivo é o Estado; secundariamente, a entidade de direito público ou a pessoa prejudicada.
Exige-se elemento subjetivo específico (dolo), não admitindo forma culposa.
O objeto material é a vantagem indevida, e o objeto jurídico é a Administração Pública (aspectos material e moral).
Trata-se de crime próprio (somente pode ser cometido por sujeito ativo, no caso, o funcionário público); formal (crime que não exige, para sua consumação, resultado naturalístico, consistente no efetivo benefício auferido pelo agente); de forma livre; comissivo; instantâneo (cuja consumação não se prolonga no tempo, dando-se no momento em que é exigido a vantagem, e não no recebimento desta); unissubjetivo; unissubsistente ou plurissubsistente.
É admitido a tentativa apenas na forma plurissubsistente, mas há controvérsia na doutrina: “Entendemos, entretanto, que a tentativa da corrupção passiva, dependente como é este delito, deve existir, apenas, quando também a corrupção ativa fica igualmente frustrada. A tentativa da solicitação não é punível, se o agente não chega a realizar a solicitação de modo a colher eco ou resistência do particular. No primeiro caso, haverá tentativa de ambos os delitos (de corrupção ativa e da corrupção passiva) se for frustrada ação de ambos os sujeitos ativos do delito. Frustrado apenas por um, por iniciativa do particular, haverá tentativa, de um lado apenas, já que solicitar o indevido em razão de ofício ‘já é, só por si só, começo de crime’”.[footnoteRef:60] [60: PAGLIARO, Antonio, JÚNIOR, Paulo José da Costa e GARCIA, Basileu. Dos crimes contra a Administração Pública, p. 67-69.] 
9.2. Figura qualificada – art. 317, § 1º, CP
Art. 317, CP. [...]
§ 1º. A pena é aumentada de um terço, se, em consequência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional.
É o que a doutrina classifica de corrupção exaurida. De fato, tendo em vista que o tipo penal é formal, isto é, consuma-se com a simples solicitação, aceitação da promessa ou recebimento de vantagem, mesmo que inexista prejuízo material para o Estado ou para o particular, quando o funcionário atinge o resultado naturalístico exaure-se (esgota-se) o crime.
9.3. Figura privilegiada – art. 317, § 2º, CP
Art. 317, CP. [...]
§ 2º. Se o funcionário pratica,

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