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SE LIGA NAS LINGUAGENS- PÁG 127 a) O poema “Profundamente” pode ser dividido em dois blocos, tendo em vista o aspecto temporal. A que se refere cada bloco? Comprove sua resposta recorrendo aos verbos que os compõem. O primeiro bloco refere-se à época em que o eu lírico tinha seis anos de idade, indicada por verbos no pretérito: “adormeci”, “havia”, “despertei”, “estavam” etc. O segundo corresponde ao hoje do eu lírico (em que rememora o passado), indicado por verbos no presente: “ouço”, “estão”. b) Que outras palavras expressam essa mesma divisão? Os advérbios: “ontem” refere- -se ao passado do eu lírico, aos seus seis anos de idade; “hoje”, ao presente dele, já adulto. c) Você diria que, do ponto de vista da estrutura, há paralelismo entre os blocos? Justifique. Sim. Do ponto de vista estrutural, os dois blocos são iniciados pelo advérbio “quando” e são finalizados pela resposta a uma pergunta. d) Releia, nas duas quadras, as respostas dadas às perguntas feitas em cada um dos blocos. O que as diferencia? Os tempos verbais: na quadra do bloco 1, os verbos estão no pretérito imperfeito; na do bloco 2, no presente. e) Essa diferença não é um detalhe: ela é responsável pela construção do sentido do texto. Explique essa afirmação, atentando para os sentidos denotativo/conotativo da forma verbal dormindo. Quando, no bloco 1, o eu lírico responde que “estavam todos dormindo” indica que as pessoas estavam repousando, pois a festa já havia acabado. “Dormindo”, nesse caso, tem sentido denotativo. Já no bloco 2, ao afirmar que “hoje” “estão todos dormindo”, afirma que estão mortos. O sentido de “dormindo”, aí, é conotativo. f) O crítico literário Davi Arrigucci Jr. afirma que “Profundamente” é um “caso perfeitamente típico de poema imagético''. Ele se constrói a partir da memória do poeta, como eventos do passado”. Na primeira estrofe, o poeta recorre à sinestesia para construir a imagem da Festa de São João. Identifique os elementos que formam a sinestesia e explique com que propósito essa figura de linguagem é utilizada no poema. Para caracterizar a festa, o poeta enumera seus elementos: rumor, estrondos de bombas, vozes, cantigas, risos (audição), luzes de Bengala (visão), fogueiras acesas (visão, tato). A sinestesia faz a festa descrita ganhar vida, com cores, sons e sensações térmicas apresentados ao mesmo tempo, como se fosse vista e vivida pelo leitor no momento em que este lê o poema. g) Arrigucci defende que o aspecto imagético do poema é reforçado, também, por sua aproximação com uma técnica de pintura denominada impressionismo pontilhista. Observe a tela reproduzida ao lado, leia a legenda, releia o primeiro bloco do poema e responda: o que justifica a análise do crítico? O crítico defende que o poema de Bandeira, assim como as telas pontilhistas, é construído pelo acúmulo de elementos que compõem, em conjunto, a imagem da cena festiva e dos eventos posteriores. h) Parte significativa da poesia de Bandeira brota das raízes da infância. Não obstante, o poema vincula-se tematicamente também às propostas modernistas. Explique por quê. Ao utilizar um tema popular, como a festa junina, o poema também dialoga com as propostas modernistas de resgate da tradição