Prévia do material em texto
Julia Ladeira de Moraes - 11/02/2022 IMUNO - IMUNOLOGIA CELULAR E MOLECULAR ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Sistema imune: ~ É um mecanismo de vigilância permanente contra uma série de distúrbios que podem vir a ocorrer ~ Em condições normais, o sistema imune do nosso corpo está em homeostasia (equilíbrio), até o momento em que um agente perturbador externo (que será o antígeno, como por exemplo um patógeno) perturbe-o, desencadeando uma reorganização estrutural dele chamada resposta imune ~ Ele é voltado para dentro de si mesmo, já que sua estrutura pode ser modificada, mas nunca especificada por agentes perturbadores externos ~ É estruturalmente organizado, já que ele é formado por células (interconectadas através de seus receptores) e moléculas (ex: moléculas receptoras de antígenos) formadas casualmente nos órgãos linfoides primários, ou seja, na medula óssea (principal origem das células do sistema imune) e no timo ~ É cognitivo, já que ele reconhece o próprio organismo e tem memória ~ É autopoiético, já que ele se reconstrói a todo o tempo ~ É denso/completo, já que tudo nele é interconectado, não necessitando de gaps/junções em sua estrutura ~ É dinâmico, já que ele se modifica a todo o tempo (ex: pois a produção de células na medula óssea é casual; ex: pois, à medida que os antígenos chegam ao organismo, eles mudam a estrutura do sistema, fazendo com que ele assuma outro formato) ~ É caótico, já que pequenas perturbações causam grandes transformações Imunidade inata: ~ Algumas células foram se especializando na tarefa de eliminar agentes perturbadores externos, se tornando altamente reativas, sendo capazes de reagir contra eles ao comporem uma resposta imune inata que é um tipo de resposta pronta/imediata, eficiente e inespecífica ~ As várias células de defesa que compõem a resposta imune inata são: - Neutrófilos: São células do sangue granulócitas com núcleos polimórficos/segmentados (quando adultas) produzidas pela medula óssea, se coram por corantes neutros, realizam a fagocitose e podem ser chamados de bastonetes (já que suas células jovens inativas possuem núcleo em bastão) . Quando se chama uma célula de granulócita ou de polimorfo nuclear (o que significa que ela possui núcleos polimórficos/segmentados), sem especificar se é um neutrófilo, basófilo ou eosinófilo, devemos interpretar como se estivesse se referindo ao neutrófilo - Basófilos: São células do sangue granulócitas com núcleos polimórficos/segmentados produzidas pela medula óssea e se coram por corantes básicos - Eosinófilos: São células do sangue granulócitas com núcleos polimórficos/segmentados produzidas pela medula óssea e se coram por corantes ácidos - Macrófagos e monócitos: São a mesma célula, mas os monócitos são do sangue e, quando chegam ao tecido, passam a ser chamados de macrófagos e realizam a fagocitose . Todas as células que são de sangue só vão para o tecido quando são estimuladas - Células dendríticas: São células dos tecidos, mas podem ter passagem pelo sangue periférico, são altamente inflamatórias e migram para dentro dos linfonodos - Mastócitos: São células dos tecidos granulócitas (sendo que seus grânulos contém substâncias com propriedade vasoativa, como a histamina, a serotonina, a prostaglandina, o leucotrieno e a citocina), são extremante sensíveis e estão relacionadas às reações alérgicas - Células linfoides inatas: São células do sangue e dos tecidos, como as matadoras naturais/natural killer (NK) que são células do sangue - Células NKT: São uma mistura de células NK e de células T ~ Resposta imune inata: - As células da imunidade inata (ex: neutrófilos), que são células que não formam clones (logo todas elas são iguais entre si), reconhecem padrões moleculares associados aos patógenos (PAMPs), já que elas apresentam receptores de reconhecimento de padrão (PRRs), e também reconhecem padrões moleculares associados ao dano celular (DAMPs), mas não reconhecem antígenos específicos presentes nas células do patógeno por não apresentarem receptores para eles Imunidade adaptativa: ~ Resposta imune adaptativa: - A resposta imune adaptativa (que é um tipo de resposta específica) é mais demorada do que a resposta imune inata (que é um tipo de resposta pronta/imediata, eficiente e inespecífica) - Suas células, que são os linfócitos B ou T, que são células que formam clones (logo todas elas são diferentes entre si), reconhecem padrões moleculares associados aos patógenos (PAMPs), já que elas apresentam receptores de reconhecimento de padrão (PRRs), e também reconhecem padrões moleculares associados ao dano celular (DAMPs), além de reconhecerem antígenos específicos presentes nas células do patógeno por apresentarem receptores para eles - Todos os dias a medula óssea produz cerca de 1 bilhão de linfócitos B diferentes entre si os quais a deixam, indo à procura de um antígeno (cerca de 0,1% dessas células B conseguem encontrá-lo em 48hrs, enquanto os 99,9% morrem de apoptose por não conseguir nesse período de tempo), já que eles apresentam/produzem receptores que o reconhece, que são uma molécula de imunoglobulina (glicoproteína), ou seja, que são um anticorpo, o qual se liga nesses antígenos específicos presentes nas células do patógeno para combatê-lo - Haverá mais linfócitos B do que antígenos específicos presentes nas células dos patógenos - Haverá mais PAMPs do que PRRs, já que os primeiros se repetem nas distintas células, o que faz com que a diversidade de PRR seja bem pequena em relação a dos PAMPs - Teoria da seleção clonal: . Na medula óssea existe um estoque de células da linhagem germinativa de células B (células-tronco) que são estimuladas pelas citocinas (que vem de células presentes dentro da própria medula óssea ou que vem de fora de acordo com as necessidades do organismo por meio de outras células do sistema imune) a se diferenciarem em linfócitos B, dando origem a eles . A diferença entre as várias células B (linfócitos B) produzidas pelas células-tronco está relacionada aos anticorpos (cerca de 10 trilhões) que cada um desses linfócitos apresentam/produzem . Existe em nosso genoma um número restrito de diferentes genes (segmentos VDJ) relacionados à imunoglobulina/anticorpo. Enzimas endonucleases pegam casualmente alguns desses diferentes genes, formando as duas cadeias leves e as duas cadeias pesadas de cada anticorpo, que serão as extremidades dessa imunoglobulina que se combinará com o antígeno. Além disso, existe a enzima deoxynucleotidyl transferase (TDT) que acrescenta mais nucleotídeos às cadeias de cada anticorpo, o que aumenta ainda mais a diversidade deles, chegando a ter cerca de 10 trilhões de distintos tipos de imunoglobulinas na medula óssea, que serão os receptores dos linfócitos B que ela produz . Cada antígeno que entra no organismo vai parar no interior de cada linfonodo. Os linfócitos B, cada um com seu anticorpo, procuram em 48hrs seu antígeno correspondente (pois, se em mais tempo eles não achares, sofrerão apoptose, morrendo) para se ligarem a ele ao reconhecê-lo, gerando um clone de células B, que será incorporado ao repertório de células B do indivíduo, a fim de destruí-lo Anticorpo/Imunoglobulina Linfócitos B Antígenos específicos Células do patógeno Antígenos específicos Anticorpo/Imunoglobulina MOV Padrões moleculares associados aos patógenos (PAMPs): ~ Representam estruturas moleculares reconhecidas pelos PRRs das respostas imunes inata e adaptativa, que existem nos patógenos e que não poderiam deixar de existir neles, se não o próprio patógeno também não existiria, logo, mesmo com a evolução desses microrganismos, os PAMPs continuam íntegros ~ Exemplos: Ácidos nucleicos (como o RNA de fita simples e o RNA de fita dupla presentes nos vírus), proteínas (como as estruturas pilina e flagelina encontradas nas bactérias), lipídeos de parede celular (o LPS em bactérias Gram negativas e o ácido lipoteicoico em bactérias Gram positivas), carboidratos (como as mananas e glucanas dectina presentesem fungos) e oligonucleotídeos não metilados Padrões moleculares associados ao dano celular (DAMPs) ~ Representam estruturas moleculares reconhecidas pelos PRRs das respostas imunes inata e adaptativa ~ Exemplos: Proteínas induzidas por estresse, cristais e proteínas nucleares Receptores de reconhecimento de padrão (PRRs): ~ Boa parte desses receptores do sistema imune apresentam moléculas de motivos de ativação celular baseados em tirosina quinases (ITAMs) que ficam voltadas para o interior da célula, estando presente, portanto, no citoplasma dela ~ Os receptores do tipo TOLL (TLRs) são receptores transmembrânicos; são responsável pelo fechamento dorsal de alguns insetos; possuem um resíduo chamado TIR que representa um receptor parecido com o receptor de interleucina 1 (IL-1); possuem uma molécula adaptadora chamada MyD88 (com exceção do TLR3 que não a possui) a qual pode ser acometida por certas doenças que provocam a mutação dela ou pode ser inibida por drogas desenvolvidas para isso, havendo uma resposta negativa, não ocorrendo a ativação dos fatores de transcrição, logo o processo inflamatório diminui; estão presentes na membrana plasmática na forma de dímeros, ou seja, de 2 monômeros (se forem iguais serão homodímeros e se forem diferentes serão heterodímeros), nas membranas das vesículas endossomais, em fagócitos, em células B, em células endoteliais e em muitos outros tipos celulares; e o alvo deles são as várias moléculas macrobianas, incluindo os LPS das bactérias Gram negativas (que são um tipo de PAMP), os peptideosglicanos e os ácidos nucleicos virais, logo eles se ligam neles. Eles se combinam entre si, formando dímeros que se ligam a determinadas substâncias (nas quais os microrganismos também se ligarão) na membrana plasmática ou nas membranas das vesículas endossomais que já não estão mais no interior da célula (caso os microrganismos sejam endocitados) - Os TLRs combinados entre si presentes na membrana plasmática são: . TLR1 com TLR2 formam um heterodímero que se liga aos lipopeptídeos bacterianos . TLR2 com TLR2 formam um homodímero que se liga ao peptidoglicano bacteriano . TLR4 com TLR4 formam um homodímero que se liga ao lipopolissacarídeo (LPS) . TLR5 com TLR5 formam um honodímero que se liga à flagelina bacteriana . TLR2 com TLR6 formam um heterodímero que se liga aos lipopolipeptídeos bacterianos - Os TLRs combinados entre si presentes nas membranas das vesículas endossomais são: . TLR3 com TLR3 formam um homodímero que se liga ao DNA dupla hélice . TLR7 com TLR7 formam um homodímero que se liga ao RNA fita simples . TLR8 com TRL8 formam um homodímero que se liga ao RNA fita simples . TLR9 com TLR9 formam um homodímero que se liga ao DNA viral ~ Quando o microrganismo tem seu PAMP reconhecido por um PRR (ex: TRL), ocorre uma aproximação maior entre os monômeros que formam o dímero (o que chamamos de dimerização) cujos ITAMs serão ativados por proteína quinase, levando à ativação dos fatores de transcrição (ex: NF-kB e proteína de ativação AP1) que causam o aumento da expressão de genes de interleucina 1 (IL-1) e de TNF, de quimiocinas (moléculas que correspondem a um tipo especial de citocina e que permitem a migração/recrutamento/atração das células do sistema imune para dentro do processo inflamatório), de selectinas endoteliais, e de genes de IFN1, alfa e beta ~ Os receptores do tipo NOD (NLRs) são receptores intracelulares; constituem uma família de receptores que estão ligados à formação das moléculas inflamassomas (moléculas que se formam quando as células são ativadas por PAMPs dos microrganismos, que vão ativar fatores de transcrição, como o NF-KB, levando à formação de citocinas inflamatórias, logo estão relacionadas à expressão dessas substâncias); estão presentes no citosol de fagócitos, em células epiteliais e em outras células; e o alvo deles são os peptideosglicanos da parede celular bacteriana e os cristais intracelulares, logo eles se ligam neles ~ Os receptores do tipo RIG (RLRs) estão presentes no citosol de fagócitos e em outras células; e o alvo deles é o RNA viral, já que eles são sensíveis a ele, logo eles se ligam nele ~ Os receptores do tipo STING/sensores de DNA citosólico (CDSs) estão presentes no citosol de muitos tipos celulares; e o alvo deles são o DNA bacteriano e viral, logo eles se ligam neles ~ Os receptores de lectina tipo C (CLRs) estão presentes na membrana plasmática de fagócitos, nas células bacteriana e nas células vegetais; e o alvo deles são os carboidratos da superfície microbiana com terminal de manose e frutose, e glucanas presentes nas paredes celulares fúngicas, logo eles se ligam neles ~ Os receptores do tipo scavenger estão presentes na membrana plasmática de fagócitos; e o alvo deles são os diacilglicerídeos microbianos, logo eles se ligam neles ~ Os receptores para N-formil estão presentes na membrana plasmática de fagócitos; e o alvo deles são peptídeos contendo resíduos de N-formilmetilonil, logo eles se ligam neles ~ Os receptores solúveis não estão ligados à membrana. São eles: - Os receptores do tipo pendraxina estão presentes no plasma do sangue; um exemplo delas é a proteína C-reativa produzida no fígado que faz parte das chamadas proteínas de fase aguda da inflamação; e o alvo deles são a fosforilcolina e as fosfotidilserina microbianas, logo eles se ligam nelas - Os receptores do tipo colectinas estão presentes no plasma do sangue e nos alvéolos; um exemplo delas no plasma é a lectina ligante de manose e nos alvéolos são as proteínas surfactantes SP-A e SP-D; e o alvo deles são o carboidrato com manose e frutose terminais, e as várias estruturas microbianas, logo eles se ligam neles - Os receptores do tipo ficolinas estão presentes nos alvéolos; um exemplo delas é a ficolina; e o alvo deles são o componente das paredes celulares das bactérias Gram positivas, como N-acetilglicosamina e ácido lipoteicóico, logo eles se ligam neles - Os receptores do tipo complemento estão presentes no plasma do sangue; um exemplo delas são as várias proteínas do complemento; e o alvo deles são as superfícies microbianas, logo eles se ligam nelas Barreiras naturais do sistema imune: ~ Nosso corpo é extremamente colonizado por microrganismos, logo existem barreiras naturais em nosso organismo que são importantes para evitar a penetração deles ~ As barreiras naturais (físicas, químicas e celulares) fazem parte da resposta imune inata. São elas: - Queratina: Devido à permeabilização que ela promove - Peristaltismo - Pele: Devido às células da camada córnea - Muco (dos aparelhos digestivo e respiratório): Devido ao fato de ele ser rico em anticorpos e devido ao fato de ele dar proteção, já que ele impede a locomoção dos microrganismos; apresenta defensinas/peptídeos assassinos (pequenos peptídeos catiônicos de 29 a 34 aminoácidos que são produzidos pelas células epiteliais, leucóticos granulados e células de Paneth, e que penetram nas células dos patógenos, se ligando aos seus ácidos nucléicos, inviabilizando as células bacterianas); e apresenta catelicidinas (moléculas que são produzidas pelos neutrófilos e pelas células da barreira epitelial da pele, do trato gastrointestinal e do trato respiratório, e que inibem/inativam o lipopolipolissacarídeo, o qual é uma endotoxina de bactéria gram negativa muito potente na capacidade de estimular o sistema imune, além de ser um PAMP) - Lágrima: Devido ao fato de ela lavar e lubrificar o globo ocular - Células fagocitárias: Devido ao fato de elas fazerem a fagocitose dos microrganismos - Moléculas do sistema complemento: Devido ao fato desse sistema ser formado por moléculas que fazem parte da imunidade inata e que possuem atividade enzimática que tem por finalidade formar complexos perfurantes na superfície das células dos patógenos, sendo muito eficazes Linfócitos B: ~ As células/linfócitos B possuem anticorpos (ex: IgM) em sua superfície, já que os produzem, que reconhecerão e se ligarão a uma proteína (molécula formada por uma cadeia de aminoácidosligados por ligações peptídicas), que será o antígeno, através de seus aminoácidos, sendo que esse conjunto formado pelo anticorpo e antígeno será fagocitado/digerido, reduzindo essa última proteína (o antígeno) a peptídeos ao ser quebrada, os quais serão colocados na superfície desses linfócitos, que são células apresentadoras de antígenos (APCs), para que, juntamente com as moléculas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC) de classe 2, os peptídeos sejam reconhecidos pelos linfócitos T que são incapazes de reconhecer os antígenos diretamente, necessitando dessa intermediação - O anticorpo irá reconhecer uma sequência de peptídeos (estruturas formadas com base na ligação entre duas ou mais moléculas de aminoácidos), ou seja, vários aminoácidos de uma proteína (antígeno), estando ela em sua estrutura tridimensional/conformacional/terciária, e não em sua estrutura linear/primária, o que chamamos de reconhecimento tridimensional/conformacional - Como cada linfócito B produz um certo tipo de anticorpo que reconhecerá e se ligará a determinados aminoácidos de uma proteína (antígeno), haverá, portanto, em uma única proteína, vários anticorpos produzidos por diversos linfócitos B ~ As regiões de reconhecimento dos aminoácidos de uma proteína exógena ou endócrina (antígeno) por cada anticorpo são chamadas de epitopos, logo as imunoglobulinas identificam epitopos tridimensionais/conformacionais - Os anticorpos que reconhecem epítopos endógenos, ou seja, próprios, são característicos de doença autoimune, o que pode ocorrer por mutação somática ou por indução de algum vírus ~ Os linfócitos B entram em proliferação clonal e, quando há a retirada do antígeno pelos anticorpos, a resposta imune se contrai, diminuindo o número de clones ~ Existe dois tipos de células/linfócitos B: - Células B1: . Tem origem no fígado fetal, e não na medula óssea . Possuem somente anticorpos IgM (que é o principal) ou IgD em sua superfície, já que os produzem, que reconhecerão e se ligarão ao antígeno, sendo que eles não reconhecem antígenos de natureza proteica, mas sim antígenos de natureza polissacarídica (logo as células B1 são importantes na imunidade contra bactérias com parede rica em polissacarídeos, como a Pneumococos Neisseria) e eles são conhecidos como anticorpos naturais por serem produzidos em grande quantidade, principalmente, pelos bebês . Correspondem a apenas 5% de todas as células B do corpo . Se proliferam rapidamente, já que se ligam a antígenos que não apresentam grande variabilidade . Apresentam baixa especificidade e alta afinidade - Células B2: . Tem origem na medula óssea, a qual produz cerca de 1 bilhão de células B diferentes, a partir da combinação de diferentes genes (segmentos VDJ) feita pelas enzimas endonucleases [que pegam casualmente alguns desses diferentes genes, formando as duas cadeias leves e as duas cadeias pesadas de cada anticorpo, que serão as extremidades dessa imunoglobulina (divididas em domínio variável, parte mais distal onde a variação de aminoácidos e genética são maiores, e em domínio constante, parte mais proximal onde as classes e as subclasses dos anticorpos são determinadas) que se combinará com o antígeno pela região chamada fração ab -Fab- (enquanto que a região de não ligação se chama fração cristalizável -Fc-)] e pela enzima deoxynucleotidyl transferase (-TDT- que acrescenta mais nucleotídeos às cadeias de cada anticorpo, o que aumenta ainda mais a diversidade deles, chegando a ter cerca de 10 trilhões de distintos tipos de imunoglobulinas na medula óssea, que serão os receptores dos linfócitos B que ela produz) . Possuem anticorpos IgM; IgD; IgG 1,2,3 e 4; IgA 1 e 2; ou IgE em sua superfície, já que os produzem, que reconhecerão e se ligarão ao antígeno . A diferença entre as várias células/linfócitos B produzidas pelas células-tronco da MOV está relacionada aos anticorpos (cerca de 10 trilhões) que cada um desses linfócitos apresentam/produzem . Correspondem a 95% de todas as células B do corpo . Apresentam alta especificidade . Troca de classes/isotipos de anticorpos: Os primeiros anticorpos que surgem na resposta imune humoral são da classe IgM. Quando uma célula B2 sai da medula óssea, ela sai com o seu anticorpo IgM em sua superfície, e percorre os órgãos linfoides secundários à procura de antígenos que ela possa reconhecer. Ao entrar no linfonodo e reconhecer o seu antígeno, a célula B2 é salva da apoptose pela ativação de oncogêneses e entra em expansão clonal, formando vários clones, os quais produzirão anticorpos IgM em grande quantidade que, posteriormente, deixarão os linfonodos, caindo na corrente sanguínea. À medida que essas células B se proliferam, elas formam plasmócitos de vida curta (Pvc) que permanecem pouco tempo dentro do linfonodo (cerca de 1 mês) e que são células altamente especializadas na produção de anticorpos IgM (os quais deixarão os linfonodos, caindo na corrente sanguínea). Uma parte das células B abortam o processo de diferenciação e, com isso, elas permanecem dentro do linfonodo em forma de células B de memória (Bm), funcionando como uma reserva em casos de reinfecção. Em episódios de reinfecção, as células B de memória, ao encontrarem novamente o antígeno, se proliferam, dando origem a plasmócitos de vida longa (Pvl), os quais trocam a classe/isotipo dos anticorpos, deixando, portanto, de produzir IgM para produzir outros tipos, como IgG, IgA e IgE. Enquanto os plasmócitos de vida curta permanecem no linfonodo, os plasmócitos de vida longa deixam o linfonodo e vão em direção à medula óssea, ao baço ou aos sítios de inflamação, produzindo os anticorpos deles nesse novo local por muito tempo (podendo ser até pelo resto da vida), conferindo a memória imunológica. Conclui-se, portanto, que a troca de classes, as quais todas reconhecem o mesmo epítopo (região de reconhecimento dos aminoácidos de um antígeno por cada anticorpo), ocorre no interior do linfonodo e se dá, basicamente, pela mudança do domínio constate da cadeia pesada dos anticorpos. Devido a tudo isso, percebe-se que é errado solicitar a dosagem de IgG no início da infecção, pois, nesse período, há somente predomínio de anticorpos IgM, logo deve ser solicitado apenas de 10 a 14 dias a partir do começo da infecção, já que é o intervalo de tempo que normalmente esses anticorpos apresentam um pico em sua quantidade . Mutação somática/Hipermutação somática/Maturação das afinidades: É a terceira chance de mudança do segmento VDJ, feita essa pela célula B de memória, de acordo com sua capacidade de trocar a classe dos anticorpos ao realizar pequenas mudanças no domínio variável deles. Essas variações na sequência do segmento VDJ são importantes para a resposta imune em casos de diferentes cepas e mutações de um mesmo vírus VL: Domínio variável da cadeia leve VH: Domínio variável da cadeia pesada CL: Domínio constante da cadeia leve CH1: Primeiro domínio constante da cadeia pesada CH2: Segundo domínio constante da cadeia pesada CH3: Terceiro domínio constante da cadeia pesada Fab IgM IgD IgM IgD IgG 1,2,3 e 4 IgA 1 e 2 IgE 10 a 14 dias Gráfico de infecção Região idiotípica Região isotipo IgM IgG 1, 2, 3 e 4 IgA 1 e 2 IgE MO Baço Sítios de inflamação IgM IgG ~ Epstein-Barr (EBV): É o vírus que está relacionado A doenças autoimunes por realizar subversão imunológica, que causa a doença chamada mononucleose infecciosa, e que tem tropismo por células B, logo, dentro delas, eles agem como mitógenos, estimulando a mitose dessas células, fazendo-as entrarem em proliferação ativa, sendo que elas continuam a produzir seus anticorpos, os quais terão ou não utilidade nessa infecção - Os achados clínicos da síndrome da mononucleose infecciosa (composta por mononucleose infecciosa, HIV, rubéola, infecção aguda por Toxoplasma Gondii e infecção aguda por citomegalovírus, sendo causado pelo EBV ou outros microrganismos) são surgimento de anticorpos heterofilos, de auto anticorpos, de febre, de linodomegalia, de hepatoesplenomegalia, de hipertrofiade amigdalas com secreção esbranquiçada, de erupções cutâneas semelhantes a rubéola, de leucocitose e de grande linfocitose (causa desfio para a direita) - O paciente não precisa de ter tido contato com a doença para apresentar o anticorpo, pois ele existe graças à aleatoriedade e à afinidade, e não à especificidade - Expansão policlonal de células B: É provocada pelo vírus Epstein-Barr, o qual causa a proliferação de muitos tipos de células B, produtoras de diversos tipos de anticorpos, os quais, muitas das vezes, podem reconhecer auto antígenos (espécie auto reativa), fenômeno conhecido como subversão imunológica ~ Teoria da rede idiotípica: - Se baseia na interação recíproca entre as regiões idiotípicas dos anticorpos produzidos por um indivíduo - Os anticorpos se ligam um aos outros pela região idiotípica (região composta pelos domínios variáveis das cadeias leves e pesadas do anticorpo, chamada de região Fab, definindo a quem o anticorpo se liga) - Quando um antígeno é introduzido no organismo, imediatamente surge um anticorpo contra ele, chamado de Ac1. Dentro da rede, esse anticorpo Ac1 estimula o aparecimento e a proliferação do Ac2, que fica voltado para a região idiotípica do Ac1 e que estimula o aparecimento e a proliferação do Ac3, que fica voltado para a região idiotípica do Ac2 e que estimula o aparecimento e a proliferação do Ac4, que fica voltado para a região idiotípica do Ac3 e que estimula o aparecimento e a proliferação do Ac5, que fica voltado para a região idiotípica do Ac4 e que estimula o aparecimento e a proliferação do Ac6, e assim por diante, formando uma grande rede (com uma parte fechada e a outra aberta) de conectividade em que um anticorpo se liga à região idiotípica do outro anticorpo . Embora o antígeno seja eliminado, permanece dentro do corpo a imagem interna dele, ocasionando a formação de um tipo de molécula virtual dentro do sistema imune, guardando as informações do antígeno, mesmo depois de eliminado . O Ac2 guarda a imagem interna do antígeno . O Ac3 é semelhante ao Ac1 ~ Mecanismo de instrução materno-fetal: - A mãe passa ao feto informações moleculares importantes sobre a carga antigênica do ambiente, influenciando na formação da rede de conectividade idiotípica dele - Os anticorpos produzidos pela mãe são passados para o filho através da placenta - Ao chegar ao feto, o anticorpo passado pela mãe funciona como antígeno, provocando a reação do sistema imune, protegendo-o, e funciona como modelo para que réplicas desse anticorpo sejam fabricados no corpo do feto - O anti-anti-idiotipo do feto é igual ao primeiro idiotipo da mãe que a defendeu contra o patógeno, ou seja, o Ac3 é uma réplica do Ac1 - A rede idiotípica do feto agindo sobre anticorpos placentários é capaz de ampliar o título de anticorpo passado pela mãe Linfócitos T: ~ Uma molécula de proteína, que será o antígeno, é fagocitada por células apresentadoras de antígenos (APCs), como os macrófagos, as células dendríticas e as células/linfócitos B, sendo digerida e quebrada em pequenos peptídeos com 11 a 20 aminoácidos que serão colocados na superfície das APCs, em moléculas de MHC de classe 2 - O receptor da célula T (TCR) reconhece o conjunto formado pela molécula de MHC de classe 2 e pelo peptídeo presente nela, ativando a célula/linfócito T, fazendo com que ela entre em proliferação clonal (na qual cada clone reconhecerá um conjunto com um determinado peptídeo) e, quando a resposta imune se contrai/reduz, o número de clones também diminui, o que ocorre após esse reconhecimento que tem como resultado a retirada do antígeno presente em um ser pelos anticorpos) Macrófagos: ~ Todos os macrófagos são parecidos entre si e apresentam receptores de reconhecimento de padrão (PRRs) que reconhecem os padrões moleculares associados aos patógenos (PAMPs) a fim de digerir os microrganismos ao realizar a fagocitose, passando informações para o resto do sistema imune na presença desses seres ~ Os macrófagos são ativados pelos PRRs, passando a serem células diferentes em relação ao momento anterior à sua ativação, já que o metabolismo deles é mudado (processo chamado de explosão respiratória de macrófago), alterando sua morfologia, fazendo com que eles fiquem aderidos ao local (antes se movimentavam e agora se fixam no tecido) ao produzirem o fator inibidor de macrófagos (MIF) que impede a migração deles, ativem as enzimas oxirredutases (ex: enzima oxigênio sintase que leva à produção de espécies reativas de oxigênio, como o peróxido de hidrogênio, os íons peróxidos, os íons superóxidos, os óxidos nítricos, o peróxido nitrito e as hidroxilas, que tem como finalidade matar, por peroxidação, as membranas dos microrganismos que são fagocitados), aumentem a expressão de citocinas inflamatórias e quimiocinas (moléculas que correspondem a um tipo especial de citocina e que permitem a migração/recrutamento/atração das células do sistema imune para dentro do processo inflamatório), aumentem a expressão de moléculas de MHC de classe 2, apresentem os antígenos às células da imunidade adaptativa por serem células apresentadoras de antígenos (APCs), aumentem a expressão de moléculas de adesão intercelular chamadas selectinas e integrinas, e aumentem a produção de NADPH que participará das reações das enzimas oxirredutases ~ Nem todo macrófago é inflamatório ~ Os macrófagos são divididos em 2 tipos: macrófagos M1 (que são inflamatórios e produzem citocinas inflamatórias, como interleucina 1, TNF alfa, GM-CSF, G-CSF, M-CSF, interleucina 8, interleucina 18, interleucina 6, quimiocinas e interleucina 15) e macrófagos M2 (que são anti-inflamatórios, auxiliando na reparação da lesão em tecidos, e produzem citocinas anti-inflamatórias, como interleucina 4, interleucina 10, interleucina 13, interleucina 9, TGF beta e fibroblasto) Estrutura tridimensional/conformacional/terciária da proteína Estrutura linear/primária da proteína Reconhecimento tridimensional/conformacional MHC 2 Peptídeos Células apresentadoras de antígenos (APCs): ~ Elas apresentam antígenos para as células/linfócitos T, pois essas são incapazes de reconhecer os antígenos diretamente, necessitando dessa intermediação ~ As APCs de maior importância, por possuírem função primária, sendo chamadas de células apresentadoras de antígenos profissionais, são os macrófagos, as células dendríticas e as células/linfócitos B, enquanto as de menor importância, por possuírem função secundária, são as células endoteliais - As células/linfócitos B possuem anticorpos (ex: IgM) em sua superfície, já que os produzem, que reconhecerão e se ligarão a uma proteína (molécula formada por uma cadeia de aminoácidos ligados por ligações peptídicas), que será o antígeno, através de seus aminoácidos, sendo que esse conjunto formado pelo anticorpo e antígeno será fagocitado/digerido, reduzindo essa última proteína (o antígeno) a peptídeos ao ser quebrada, os quais serão colocados na superfície desses linfócitos, que são células apresentadoras de antígenos (APCs), para que, juntamente com as moléculas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC) de classe 2, os peptídeos sejam reconhecidos pelos linfócitos T que são incapazes de reconhecer os antígenos diretamente, necessitando dessa intermediação - Os macrófagos e as células dendríticas não possuem anticorpos em sua superfície, já que não os produzem, sendo, portanto, capazes de fagocitar ou endocitar proteínas, que serão os antígenos, os quais são encontrados fora dessas células, digeridos dentro de vacúolos no interior dessas duas APCs após serem fagocitados ou endocitados, e reduzidos a peptídeos que serão colocados na superfície delas para que, juntamente com as moléculas de MHC de classe 2, sejam reconhecidos pelos linfócitos T que são incapazes de reconhecer os antígenos diretamente, necessitando dessa intermediação ~ Todas as células nucleadas (que são todas do corpo de um ser, exceto as hemácias) possuem proteínas que, com o tempo, envelhecem, se ligando a radicais livres que surgem das reaçõesque ocorrem nessas células, sendo essas proteínas digeridas, se reduzindo a peptídeos que serão colocados na superfície celular no contexto de moléculas de MHC de classe 1, e, posteriormente, eliminadas, logo essas células vivem constantemente apresentando antígenos (proteínas) de dentro dela mesma - Como os macrófagos, as células dendríticas e as células/linfócitos B são células nucleadas, elas são capazes de colocar peptídeos na superfície delas no contexto de moléculas de MHC de classe 1. Mas, por serem APCs, os antígenos terão os outros estímulos já citados anteriormente, possuindo seus peptídeos colocados na superfície dessas células, os quais serão também reconhecidos pelos linfócitos T juntamente com as moléculas de MHC de classe 2 . A célula TCD8+/linfócito T citotóxico reconhece peptídeos presentes na superfície das células no contexto de MHC 1, já que ela apresenta em sua superfície uma molécula envolvida no processo de reconhecimento de antígenos, conhecida como receptor de célula T (TCR) . A célula TCD4+/linfócito T helper reconhece peptídeos presentes na superfície das células no contexto de MHC 2, já que ela apresenta em sua superfície uma molécula envolvida no processo de reconhecimento de antígenos, conhecida como receptor de célula T (TCR) ~ Quando o vírus entra nas células normais do corpo (sem ser os macrófagos, as células dendríticas e as células/linfócitos B), ele ficará livre no citoplasma da célula (já que não foi fagocitado por elas), sendo marcado por ubiquitinas que sinalizam quais as moléculas que entrarão na via proteassômica, que, nesse caso, serão as proteínas, as organelas e as células virais de dentro da célula, logo os peptídeos do vírus serão colocados na superfície das células no contexto de MHC 1 (toca singularmente a superfície da célula) - Se houver no MHC 1 uma estrutura não própria da célula (ex: peptídeo de um vírus) ao invés de uma estrutura própria da célula (ex: um peptídeo de uma organela ou proteína dela), a célula TCD8+/linfócito T citotóxico irá reconhecê-la, matando a célula por produzir perforinas e granzimas as quais induzirão a apoptose dela (se o peptídeo for próprio da célula, o linfócito T citotóxico não a matará) ~ Quando o vírus entra nos macrófagos, nas células dendríticas e nas células/linfócitos B, ele será fagocitado por elas, logo os peptídeos do vírus serão colocados na superfície das células no contexto de MHC 2 (toca duplamente a superfície da célula) - Se houver no MHC 2 uma estrutura não própria da célula (ex: peptídeo de um vírus) ao invés de uma estrutura própria da célula (ex: um peptídeo de uma organela ou proteína dela), a célula TCD4+/linfócito T helper irá reconhecê-la sem matá-la, já que ela não possui essa capacidade, fabricando citocinas as quais irão atuar sobre as outras células do sistema imune ~ Quando os macrófagos se ativam para fagocitar células infectadas, eles produzem citocinas, sendo a IL-12 a que atuará sobre a célula TCD4+/linfócito T helper. Em resposta, essa célula T produzirá outra citocina, chamada interferon, a qual estimulará os macrófagos, ativando-os ainda mais, fazendo com que eles produzam mais IL-12 que ativará mais a célula TCD4+/linfócito T helper, e a qual atuará em outras duas outras células, na célula TCD8+/linfócito T citotóxico, fazendo com que ela fique ainda mais citotóxica, sendo que essa célula estimulada produzirá interferon (o qual atuará nos macrófagos), e na célula NK, que é uma célula da imunidade inata importante na imunidade para vírus (por matar células infetadas por eles ao exercer sua ação citotóxica através das perforinas e granzimas produzidas por ela em células que não expressam a molécula MHC 1), fazendo com que ela seja ativada por esse interferon, sendo que ela também o produz, o qual atuará nos macrófagos, ativando-os, reiniciando o ciclo de retroalimentação - Alguns vírus interrompem a expressão de moléculas de MHC 1 com os peptídeos dele, logo a célula infectadas por eles não é reconhecida pela célula TCD8+/linfócito T citotóxico, logo ela não é morta, fazendo com que o vírus continue a viver nela (mecanismo de escape do parasita). Mas, quando a célula não expressa moléculas de MHC 1, ela é reconhecida pela célula NK, sendo morta, então, por ela ~ Quando os macrófagos fagocitam um antígeno na periferia do corpo, eles se ativam, ficando aderidos nesse local (antes se movimentavam e agora se fixam no tecido) ao produzirem o fator inibidor de macrófagos (MIF) que impede a migração deles, logo eles, assim, fagocitam ainda mais antígenos ~ Quando as células dendríticas fagocitam um antígeno na periferia do corpo, elas iniciam um processo migratório, saindo do local no tecido aonde ela se encontrava, indo em direção aos órgãos linfoides secundários (ex: linfonodos) e, dentro deles, elas irão contribuir para a ação de modular células T virgens que saíram do timo (órgão envolvido com a produção de células T), entrando no linfonodo, passando a reconhecer antígenos na superfície das células dendríticas (que os captaram na periferia do corpo), levando-os para dentro desse órgão linfoide (processo de indução das células T). Essas células T virgens, ao tentarem reconhecer antígenos na superfície dos macrófagos nos tecidos, elas ficam anergizadas . Dentro do linfonodo existe células T foliculares que produzem citocinas e, dependendo de quais citocinas elas sintetizem, as células T virgens, depois de interagirem com as células dendríticas, se diferenciam em células T efetoras que são capazes de reconhecer antígenos na superfície dos macrófagos nos tecidos e que podem ser de vários tipos/fenótipos diferentes [TH1 que está envolvida na imunidade para parasitas intracelulares; TH2 que está envolvida nas respostas alérgicas mediadas pelo IgE, na imunidade para helmintos e nas reações cutâneas alérgicas agudas; TH9 que está envolvida nas respostas alérgicas crônicas, na imunidade para helmintos e no fenômeno de remodelamento dos tecidos inflamados cronicamente; TH17 que está envolvida na resposta imune para parasitas extracelulares; TH22 que está envolvida nas reações cutâneas inflamatórias crônicas; e iTreg que é um fenótipo anti-inflamatório o qual tem ação supressora sobre os demais, podendo inibir a ação desses fenótipos inflamatórios ao produzir IL-10 (a iTreg é anti-inflamatória devido à presença da citocina anti-inflamatória no meio, chamada IL-10, produzida pelos macrófagos e também dentro do linfonodo, que faz com que as células T virgens, ao estarem no interior do linfonodo, se diferenciem em células T efetoras anti-inflamatórias, e não inflamatórias)] 1) 2) 3) 4) 5) 6) Macrófago 7) MOV TCD8 (virgem) Células dendríticas: ~ As principais subpopulações delas são células dendríticas convencionais/principais, células dendríticas de apresentação cruzada e células dendríticas plasmocitoides - As células dendríticas principais apresentam em sua superfície muitos PRRs (ex: TLR 2, 3, 4, 5, 8 e 9) por serem células da imunidade inata; e são convencionais por apresentarem antígenos fagocitados no contexto de MHC 2 . O TLR 4 está relacionado com o reconhecimento de LPS - As células dendríticas de apresentação cruzada apresentam em sua superfície muitos PRRs (ex: TLR 3 e TLR11); são não convencionais por apresentarem antígenos fagocitados no contexto de MHC 1; e, em uma forma de adaptação ao mecanismo de escape do parasito (no qual o microrganismo inibe a fusão de lisossomas, fazendo com que as enzimas proteolíticas não sejam jogadas dentro dessas células, não são digeridos, passando, portanto, a viver dentro delas), elas pegam esses antígenos (microrganismos) que foram fagocitados, rompendo o vacúolo, fazendo com que eles passem para o citoplasma da célula, entrando na via proteassômica, sendo seus peptídeos colocados na superfície da célula no contexto de MHC 1 (ao invés de MCH 2, que é o que ocorre normalmente), logo os peptídeos deles poderão ser, então, reconhecidos por células TCD8+/linfócitosT citotóxicos, sendo células dendríticas infectadas por esses microrganismos mortas e, posteriormente, fagocitada/digerida por macrófagos. Assim, esse microrganismo fagocitado nas células dendríticas de apresentação cruzada terão seus peptídeos indo para o MHC de classe 1 (o que não é o normal de acontecer com esses), enquanto que os dos antígenos próprios de dentro da célula, continuam no MHC de classe 1 (o que é o normal de acontecer com esses) - As células dendríticas plasmocitoides apresentam em sua superfície muitos PRRs (ex: TLR 7 e TLR9); são convencionais por apresentarem antígenos fagocitados no contexto de MHC 2; estão presentes, principalmente, na mucosa do aparelho digestivo; se relacionam com o aumento da produção de moléculas de IgA que são os principais anticorpos da mucosa; e produzem interferon do tipo 1 que faz com que elas entrem em um estado antiviral, sendo importantes para a imunidade para vírus ~ Quando as células dendríticas fagocitam um antígeno na periferia do corpo, elas iniciam um processo migratório, saindo do local no tecido aonde ela se encontrava, indo em direção aos órgãos linfoides secundários, e, nessa deslocação, elas ficam muito ativadas, expressando muitas moléculas de MHC 2 (exceto as células dendríticas de apresentação cruzada, pois além de expressarem muitas moléculas de MHC 2, elas também expressarem muitas moléculas de MHC 1) Células dentríticas Moléculas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC) Migração das células do sistema imune do vaso sanguíneo para o tecido: ~ As células do sistema imune são capazes de migrar do vaso sanguíneo para o tecido, passando pelos complexos juncionais que ficam entre as células endoteliais do vaso, prendendo-as umas nas outras, quando essas são ativadas, ocorrendo uma série de mudanças nelas - Quando uma célula bacteriana penetra no tecido, ela está cheia de PAMPs e, como os macrófagos são cheios de PRRs, eles serão ativados ao ocorrer a ligação dos PAMPs do microrganismo aos PRRs (ex: TLR) presentes na superfície dessas células fagocitárias, havendo a dimerização das moléculas de TLR e a ativação dos macrófagos, resultando na modificação por completa deles (processo chamado de explosão respiratória), havendo a emissão de pseudópodes deles, a aderência deles, a produção do fator inibidor de macrófagos (MIF) por eles que impede sua migração, e a elevação dos fatores de transcrição das citocitnas inflamatórias e quimiocinas que estão juntas às células endoteliais do vaso sanguíneo, o que resulta na ativação delas por conta dessas duas substâncias que chegarão até elas ~ Existem células da imunidade inata, como os mastócitos, que são residentes no tecido, possuem muita sensibilidade, já que suas vesículas são ricas em molécula inflamatórias, apresentam PRRs que reconhecem PAMPs, se ativam e não fazem fagocitose - Os mastócitos juntos aos macrófagos ativados jogarão no tecido várias moléculas com propriedades inflamatórias, como as citocinas inflamatórias (ex: IL-1, TNF e IL-6), citocinas hematopoiéticas (ex: GM-CSF, M-CSF e G-CSF) e quimiocinas hematopoiéticas produzidas pelos macrófagos e a histamina produzidas pelos mastócitos a qual vai atuar nos receptores de histamina que se encontram na superfície das células epiteliais e, juntamente com as citocinas, essas moléculas ativarão essas células, fazendo com que elas passem a expressar em sua superfície moléculas de adesão, como selectinas (que permitem adesão fraca com a célula) e integrinas (que permitem adesão forte com a célula ao sofrer uma mudança conformacional), que vão permitir a interação das células presentes no interior do vaso com essas moléculas, antes delas saírem do vaso indo em direção ao tecido . No processo de ativação das células endoteliais, enzimas produzidas por mastócitos e enzimas proteolíticas liberadas pelos macrófagos vão se encarregar de eliminar os complexos juncionais que unem as células do endotélio, fazendo com que elas percam contato umas com as outras, encolhendo, aumentando a permeabilidade do vaso, abrindo, então, espaço para que células do sistema imunológico presentes no interior do vaso migrem dele para o tecido (o que é possível graças à interação delas com as moléculas fibrosas da matriz extracelular, como as fibrinas e fibronectinas, e com as metaloproteínas localizadas próximas às células da camada subendotelial), ao serem orientadas pelas quimiocinas, o que ocorre após elas terem sido aderidas pelas selectinas e integrinas, o que faz com que elas mudem a conformação de seu citoesqueleto (por conta de um movimento de reorientação da distribuição da água nos meios extracelular e intracelular), e, além disso, várias outras células (sendo que seu tipo depende das quimiocinas produzidas pelos macrófagos e pelas próprias células endoteliais) vão chegando ao processo inflamatório que tenderá a crescer ainda mais 1) 2) 3) 4) Citocinas Citocinas: ~ São glicoproteínas produzidas por macrófagos que ativam as células endoteliais ~ Elas podem ser inflamatórias ou hematopoiéticas - As citocinas inflamatórias se difundem pela corrente sanguínea do organismo, não ficando restritas ao local da inflamação - As citocinas hematopoiéticas chegam ao interior da medula óssea vermelha através da corrente sanguínea em quantidades muito pequenas, alterando a hematopoiese (produção de células sanguíneas) . Quando a medula óssea estiver produzindo muitos neutrófilos/bastonetes (leucocitose) por conta da alta síntese das citocinas pelos macrófagos, ela jogará as células imaturas deles, que estarão presente no sangue, para a periferia e, caso estejam em quantidade aumentada (acima de 7%), significa que houve um desvio para a esquerda, o qual está relacionado com infecções bacterianas. Nesse caso, haverá também o aumento das proteínas de fase aguda da inflamação . Quando a medula óssea estiver produzindo muitos linfócitos (linfocitose) por conta da alta síntese das citocinas pelos macrófagos, ela jogará as células imaturas deles, que estarão presente no sangue, para a periferia e, caso estejam em quantidade normal/baixa (abaixo de 7%), significa que houve um desvio para a direita, o qual está relacionado com infecções virais. Nesse caso, haverá também o aumento discreto das proteínas de fase aguda da inflamação ~ O retardo na proliferação dos vírus é fundamental, pois é o tempo necessário para que as células T cheguem até a célula afetada, matando-a, sem fagocitá-la, ao injetar dentro dela moléculas de perforinas e granzimas que induzirão a morte celular por apoptose - A célula que morreu será fagocitada por macrófagos, logo eles irão apresentar os antígenos do vírus e da própria célula fagocitada para chamar as células da imunidade adaptativa ~ Os macrófagos e as células dendríticas produzem as citocinas chamadas IL-12 e IL-18 que atuarão nos linfócitos TH1 (que estão envolvidos na imunidade para parasitas intracelulares), fazendo com que eles, em resposta, sintetizem outro tipo de citocina chamado interferon gama, o qual terá um grande potencial de ativação de macrófagos, reiniciando o ciclo que é fundamental para o funcionamento do sistema imunológico de interação na resposta imune para parasitas intracelulares ~ Os macrófagos e as células dendríticas produzem as citocinas chamadas IL-23, que ativarão os linfócitos TH17 (que estão envolvidos na imunidade para parasitas extracelulares), e IL-27, que inibirão os linfócitos TH17 (que estão envolvidos na imunidade para parasitas extracelulares) ~ A citocita IL-1 cai na corrente sanguínea, indo para o cérebro, sendo o principal pirogênio endógeno, podendo causar febre ~ A citocina IL-6 cai na corrente sanguínea, indo para o fígado, fazendo com que os hepatócitos dele produzam as proteínas de fase aguda da inflamação (ex: proteína C reativa que é muito sensível, funciona como importante marcador de inflamação e aumenta de quantidade nas infecções bacterianas) as quais protegem o organismo dos efeitos deletérios das próprias citocinasda imunidade inata ~ Citocina TNF: - Seus níveis se relacionam diretamente com a gravidade do quadro infeccioso - Ele atua nas células do coração, causando a diminuição do débito cardíaco e da pressão arterial do indivíduo; atua nos tecidos, provocando resistência à insulina; e atua nos vasos sanguíneos, promovendo o afastamento das células endoteliais, aumentando a permeabilidade vascular, o que permitirá a passagem de células e água para o interstício, e promovendo o relaxamento da musculatura lisa do esfíncter pré-capilar, aumentando a complacência vascular (quantidade total de sangue que pode ser armazenada em uma região da circulação para cada mmHg de aumento de pressão) devido à produção de óxido nítrico (vasodilatador) pelas células endoteliais . Isso tudo resulta em um estado de hipoxemia e desregulação do sistema de coagulação através da redução da síntese de trombomodulina, logo o paciente passa a ter uma coa- gulação intravascular disseminada com formação de trombos de plaquetas e neutrófilos aderidos dentro dos vasos, podendo entrar em choque séptico (associação da sepse gra- ve com hipotensão arterial, não responsiva ao volume, havendo a necessidade de uso de drogas vasopressoras) Vários mediadores inflamatórios são liberados pelas células do sistema imune Proteínas de fase aguda Proteínas de fase aguda da inflamação: ~ A medição de diversas proteínas de fase aguda, especialmente a proteina C reativa é um marcador útil para inflamação na patologia clinica médica e veterinária. Ela se correlaciona com a taxa de sedimentação de eritrócitos (ESR ou VHS), apesar de que nem sempre diretamente. Isso se deve ao ESR ser altamente dependente do aumento de fibrinogênio (com meia vida de aproximadamente 1 semana). Essa proteção irá, então, permanecer em níveis elevados por bastante tempo após o estímulo inflamatório se encerrar. Em contrapartida, a proteína C reativa (com meia vida de 6 a 8 horas) aumenta rapidamente e pode em pouco tempo voltar aos níveis normais se algum tratamento é empregado - Ex: Em lupus eritromatoso sistémico ativo, é possível encontrar um ESR elevado, mas uma taxa de proteína reativa C normal ~ Elas podem indicar também uma falência hepática ~ No individuo com quadro infeccioso, o valor da VHS diminui de forma rápida, pois as proteínas de fase aguda da inflamação aumentam essa velocidade, sendo ela maior nas infecções bacterianas do que nas virais, o que trás alterações no hemograma Selectinas: ~ São moléculas que permitem a adesão fraca com a célula - Ex: Existem selectinas que permitem a adesão do espermatozóide com o óvulo na fecundação ~ As selectinas podem estar tanto nas células endoteliais como nas células migratórias - Se a selectina estiver na célula endotelial, a contraselectina (que é seu ligante) estará na célula migratória . Ex: P-selectina estará no endotélio ativo por histamina ou trombina, enquanto seu ligante (PSGL-1 ou outras glicoproteínas) estará nos neutrófilos, monócitos ou células T - Se a selectina estiver na célula migratória, a contraselectina (que é seu ligante) estará na célula endotelial . Ex: L-selectina estará nos neutrófilos, monócitos ou células T, enquanto seu ligante estará no endotélio ~ Todas as contraselectinas possuem um resíduo chamado Sialyl Lewis - Sialyl Lewis: . É um carboidrato de tetrazacídio . Geralmente está ligado aos O-glicanos na superfície das células . É conhecido por desempenhar papel vital nos processos de reconhecimento de célula para célula . É também um dos mais importantes antígenos do grupo sanguíneo . É exibido no terminal de glicolipídios que estão presentes na superfície celular . Existe uma sobrexpressão frequente dele em células tumorais, logo esse carboidrato está sendo usado em estudos para combater tumores e crescimento de células cancerígenas . Desempenha papel fundamental na resposta inflamatória, podendo ser usado para aumentar a resposta do leucócito às infecções Integrinas: ~ São moléculas que permitem a adesão forte com a célula ~ As integrinas podem estar tanto nas células endoteliais como nas células migratórias - Se a integrina estiver na célula endotelial, a contraintegrina (que é seu ligante) estará na célula migratória - Se a integrina estiver na célula migratória, a contraintegrina (que é seu ligante) estará na célula endotelial . Ex: LFA-1 estará nos neutrófilos, monócitos, células T ou células B, enquanto seu ligante (ICAM-1 ou ICAM-2) estará no endotélio . Ex: VLA-4 estará nos monócitos ou células T, enquanto seu ligante (VCAM-1) estará no endotélio ~ As integrinas sofrem alteração química - No processo de interação da integrina com a sua contraintegrina, a fase inicial é chamada de faixa de baixa afinidade, enquanto a fase final é chamada de faixa de alta afinidade que ocorre quando a molécula de integrina, que estava aberta, se fecha e melhora sua interação com a molécula de ativação intercelular (ex: ICAM-1), ou seja, com a sua contraintegrina, o que reforça a adesão dela com a célula, evitando a migração dessa (muitos medicamentos são usados com esse objetivo) Selectinas e Integrinas Quimiocinas: ~ São moléculas que correspondem a um tipo especial de citocina e que permitem a migração/recrutamento/atração das células do sistema imune para dentro do processo inflamatório ~ Todas as quimiocinas apresentam um receptor, chamado de receptor de quimiocina, para elas nas células, logo elas atravessam a parede do vaso sanguíneos, saindo do tecido e indo para o interior do vaso se ligar ao seu receptor - Quando as quimiocinas se ligam ao seu receptor, a célula expressa os contrareceptores de selectina e integrina, o que permite uma adesão ainda maior dela nessas moléculas antes de ela sair do vaso indo em direção ao tecido ~ As quimicicocinas podem ser: - Quimiocinas do tipo CC (Cisteína-Cisteína) . Pois em diversos pontos da molécula encontra-se resíduos do aminoácido cisteína ligado um aos outros . Ex: Quimiciona CCL4 com nome original MIP-1b e com receptor CCR5 que é também um co-receptor do HIV e tem função principal de recrutamento/atração de células T, células dendríticas, monócitos e NK . Ex: Quimiocina CCL-24 com nome original Eotaxina-2 e com receptor CCR3 que tem função principal de recrutamento/atração de eosinófilo, basófilo e células TH2 . Ex: Quimiocina CCL-26 com nome original Eotaxina-3 e com receptor CCR3 que tem função principal de recrutamento/atração de eosinófilo, basófilo e células TH2 - Quimiocinas do tipo CXC (Cisteína-Qualquer aminoácido-Cisteína) . Pois entre os resíduos do aminoácido cisteína, há um aminoácido qualquer . Ex: Quimiciona CXCL12 com nome original SDF-1alfa-beta e com receptor CXCR4 que é também um co-receptor do HIV e tem função principal de recrutamento/ atração de leucócitos misturados - Quimiocinas do tipo C (Qualquer aminoácido-Cisteína) . Pois há um aminoácido qualquer ligado a um resíduo do aminoácido cisteína . Ex: Quimiocina XCL1 com nome original Linfotactina e com receptor XCR1 que tem função principal de recrutamento/atração de células T e NK Quimiocinas do tipo CC Quimiocinas do tipo CXC Quimiocinas do tipo C