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alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO EXPANSÃO MARÍTIMO-COMERCIAL .................................................................................................................. 2 MERCANTILISMO ........................................................................................................................................... 2 AS GRANDES NAVEGAÇÕES ........................................................................................................................... 2 FATORES QUE MOTIVARAM A EXPANSÃO MARÍTIMA .................................................................................. 3 O PIONEIRISMO PORTUGUÊS ........................................................................................................................ 3 AS NAVEGAÇÕES ESPANHOLAS ..................................................................................................................... 5 PRIMEIROS TRATADOS ENTRE PORTUGAL E ESPANHA ................................................................................. 6 EXERCÍCIOS ........................................................................................................................................................ 6 GABARITO ...................................................................................................................................................... 7 EXERCÍCIO COMENTADO ................................................................................................................................... 8 GABARITO ...................................................................................................................................................... 8 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 EXPANSÃO MARÍTIMO-COMERCIAL MERCANTILISMO É o conjunto de práticas e ideias econômicas desenvolvidas na Europa entre o séc. XV e XVIII. O nome mercantilismo foi criado pelo economista Adam Smith em 1776. O mercantilismo tinha por objetivo fortalecer o Estado e enriquecer a burguesia. Para isso, era preciso ampliar a economia com a intenção de ter mais lucro, para que a população então pudesse pagar mais impostos. Consideravam que a exportação é que traria riquezas e vantagens, e assim começou uma competição comercial. Ocorreu então o metalismo, que era o acúmulo de moedas dentro do país, e isso era considerado um sinal de que o objetivo havia sido alcançado. O único recurso encontrado foi aplicar uma balança comercial favorável para manter o equilíbrio monetário, que para eles era exportar mais e importar menos. O Estado teve de tomar medidas para desenvolver o monopólio já que esse era aplicado com dificuldade. O Estado percebeu que o acúmulo de riquezas se dava mais por operações mercantis, e então condicionou todas as necessidades do comércio exterior. Portugal teve uma grande flexibilidade na aplicação das técnicas mercantilistas. O mercantismo comercial foi posto em prática durante o século XVI quando foi descoberto o caminho marítimo para as índias. Nessa prática, eram compradas e revendidas as mercadorias encontradas no Oriente. Em seguida, por meio das explorações realizadas nas terras americanas, Portugal se tornou o país pioneiro no mercantilismo de plantagem, que tinha como objetivo a produção destinada ao mercado internacional, além do mercantilismo metalista, que veio com a exploração do ouro em Minas Gerais, no século XVIII. Posteriormente, quando houve a crise do ouro, começaram a produzir artigos os quais eram destinados ao abastecimento do mercado colonial, que ficou conhecido como mercantilismo metalista. O MAR TENEBROSO Por volta do século XV, o formato da Terra ainda não era um consenso entre os estudiosos da época. Muitos a imaginavam plana como um disco, onde os mares terminariam em um abismo infinito. Se viajassem longe demais encontrariam o fim do mundo, e os barcos cairiam num abismo sem fundo. Transmitida ou forjada pelos Árabes, a lenda do Mar Tenebroso descrevia um oceano Atlântico habitado por monstros terríveis que podiam afundar qualquer navio, e mergulhado em uma escuridão constante, onde todos os navios naufragariam nas ondas medonhas ou nas águas ferventes. AS GRANDES NAVEGAÇÕES A partir do século XV, sob a liderança de portugueses e espanhóis, os europeus começam um processo de intensa globalização, a chamada Expansão Marítima. Esse fato também ficou conhecido como as Grandes Navegações e tinha como principais objetivos: a obtenção de riquezas (atividades comerciais) tanto pela exploração da terra (minerais e vegetais) quanto pela submissão de outros seres humanos ao trabalho escravo (indígenas e africanos), pela pretensão de expansão territorial, pela difusão do cristianismo (catolicismo) para outras civilizações, e também pelo desejo de aventura e pela tentativa de superar os perigos do mar (real e imaginário). https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 AS ESPECIARIAS As especiarias foram uma das principais – se não a principal – fonte de alimento com um relevante papel na História. Por causa delas ocorreram guerras, descobrimentos de novas terras, abertura de rotas comerciais, entre outros acontecimentos. Não se sabe exatamente desde quando, mas as especiarias são utilizadas por povos orientais há milhares de anos. Transportadas por rotas marítimas, esses alimentos atravessavam inicialmente apenas os oceanos Pacífico e Índico. Na antiguidade, as especiarias serviam sobretudo como tempero para as carnes, tornando-as comestíveis. A pimenta era a mais importante devido ao sabor e ao aroma fortes que disfarçava o mau-cheiro. Além disso, mantinham o sabor da carne que, por desconhecimento de métodos de conservação, muitas vezes apodreciam. FATORES QUE MOTIVARAM A EXPANSÃO MARÍTIMA • Aliança política entre os reis e a burguesia mercantil interessada na lucratividade da expansão ultramarina; • Monopólio árabe-italiano no Mediterrâneo que impulsionou a busca de novas rotas marítimas; • Investimento financeiro das monarquias nacionais aos projetos náuticos; • Exploração de metais preciosos para a cunhagem de moedas; • Divulgação da fé cristã para povos de outros territórios; • Centralização política dos reinos absolutistas; • Aperfeiçoamento das técnicas navais. Com a conquista da cidade de Constantinopla pelos turcos-otomanos, em 1453, os preços das mercadorias se tornaram ainda maiores devido às taxas que passaram a ser cobradas. A nascente classe burguesa, que realizava o comércio na Europa, precisava chegar ao Oriente sem passar pelo Mar Mediterrâneo e Constantinopla. A solução visualizada era contornar o continente africano para chegar às Índias, nome genérico dado às regiões orientais. Algumas condições existentes na Península Ibérica levaram primeiramente Portugal e, depois, a Espanha a se tornarem pioneiros dessa expansão marítima. O PIONEIRISMO PORTUGUÊS Um dos primeiros aspectos que consegue nos explicar o porquê do desenvolvimento constante da nação portuguesa tem a ver com o processo de criação de uma monarquia essencialmente nacional. Nesse mesmo momento, muitos foram os conflitos bem desgastantes e consideravelmente longos que marcaram o resto das monarquias nacionais europeias, que brigavam entre si principalmente por aspectos banais. Enquanto isso, Portugal concentrou-se na criação de um estado centralizado, e melhor: em um espaço de tempo considerado relativamente curto. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 De uma forma geral, esse desenvolvimento considerado ‘precoce’ de uma monarquia com poderes centralizados foi possível por conta da famosa Guerra da Reconquista, em que Portugal teve de lutar contra os muçulmanos. Dessa forma, nos anos que se sucederam durante o século XIV, a situação política e econômica do país já era considerada bem estável, em um período que ficou reconhecidocomo ‘dinastia de Avis’. Nesse período, Portugal se tornou uma classe mercantil muito mais dinâmica quando em comparação com a velha – e já deixada de lado precocemente pelos portugueses – nobreza feudal. Isso fez com que a monarquia pudesse ser modernizada com maior êxito. A posição geográfica de Portugal era privilegiada, já que todo o litoral português se transformou em um verdadeiro “porto”, que possibilitava tanto a chegada como principalmente a partida de grandes barcos e outros para a navegação de uma forma geral. Esses por sua vez, circularam principalmente no Oceano Atlântico, [e é claro que não foi por acaso que o país conseguiu firmar grandes e fortes laços com o comércio de vários países, principalmente com aqueles que também eram banhados por esse mesmo oceano. Já no início do século XV, incentivado principalmente pelo infante Dom Henrique, muitos foram os profissionais que aprimoraram as técnicas da navegação, como matemáticos, astrônomos, construtores, cartógrafos e até mesmo os próprios navegadores. A nação portuguesa foi influenciada principalmente pelo povo árabe, que divulgou uma série de conhecimentos que foram aperfeiçoados pelos portugueses, como é o caso dos algarismos arábicos, da pólvora, da bússola e do próprio papel. A invenção e o desenvolvimento da imprensa foi de grande importância para o pioneirismo europeu, já que tais assuntos ganhavam maior conhecimento graças à divulgação frequente sobre o tema em questão. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 A ESCOLA DE SAGRES A Escola de Sagres, ainda que seja de existência duvidosa, ficou registrada na memória dos Portugueses, sendo a sua existência refutada somente no século XIX, quando historiadores consideraram que a atividade náutica do período era regida por conhecimentos empíricos, sem haver necessidade de estudos mais profundos por parte dos marinheiros com relação a isso. Ainda que não tenha de fato existido, a Escola de Sagres é referência para os portugueses e para a revolução náutica promovida por eles no século XV, sendo considerada a indutora dos grandes descobrimentos relacionados à atividade da navegação. AS NAVEGAÇÕES ESPANHOLAS A Espanha foi o segundo país a se lançar na aventura das grandes navegações. A primeira viagem marítima financiada pelo país ocorreu em 1492, com Cristóvão Colombo, 77 anos depois de os portugueses invadirem Ceuta, no Reino de Fez (atual Marrocos), em 1415. Vários motivos levaram a Espanha a esse "atraso" na busca de uma rota para o comércio de especiarias que não passasse pelo Mediterrâneo (controlado pelas cidades-estado de Gênova e Veneza), nem pela costa africana, conhecida pelos portugueses até o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente. Um desses motivos foi a prioridade dada à reconquista da Península Ibérica, em uma luta que se prolongou por 781 anos, a guerra mais longa de que se tem notícia – a vitória castelhana sobre o Califado de Granada, último reduto muçulmano na península, data exatamente de 1492. Outro motivo foi a unificação tardia dos reinos cristãos de Leão, Castela, Aragão e Navarra. O passo mais importante nessa direção foi dado somente em 1469, quando o casamento de Fernando de Aragão e Isabel de Castela deu origem ao Reino Católico de Fernando e Isabel, núcleo inicial do que viria a ser a Espanha. O navegante Cristóvão Colombo pensava ser possível atingir as Índias por outro caminho a oeste. Para isso, as caravelas deveriam abandonar a rota segura que margeava a costa africana e seguir pelo oceano aberto. Colombo pediu ajuda aos reis portugueses, mas foi rechaçado. Partiu para o reino de Castela, onde sua ideia foi considerada louca por alguns e, por outros, fantástica. Conseguiu convencer especialmente a rainha de Castela, Isabel I, interessada em expandir seus territórios por mais distantes que fossem. Em sua primeira viagem, Cristóvão Colombo desembarcou nas Bahamas, acreditando ter alcançado as Índias. Somente em 1504 desfez-se o engano, quando o navegador Américo Vespúcio confirmou tratar-se de um novo continente. Mesmo assim, até a morte, Colombo sustentava que ele havia atingido o subcontinente indiano. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 6 PRIMEIROS TRATADOS ENTRE PORTUGAL E ESPANHA As Grandes Navegações geraram disputas pelos territórios descobertos entre os países colonizadores – Portugal e Espanha – após a jornada rumo ao oriente. Para dar fim ao conflito de interesses, foram estabelecidos limites de exploração para cada país por meio de tratados. Nesse material vamos conhecer os principais deles. É importante ressaltar que a palavra descobrimento expressa uma forma eurocêntrica de relatar o episódio, pois os territórios já eram ocupados pelos povos indígenas, ou seja, não eram desconhecidos. O primeiro acordo ocorreu em 1493, com a Bula inter Coetera, criada pelo papa Alexandre VI. Foi definida uma linha imaginária a 100 léguas de Cabo Verde, na costa africana, que dividia o mundo entre os dois países ibéricos. Determinava que a parte leste (africana) teria domínio português enquanto a oeste (americana) seria de posse espanhola. Entretanto, essa linha passava pelo Oceano Atlântico, o que fez com que Portugal se sentisse prejudicado e com receio de perder os territórios conquistados, mesmo sem ter chegado ainda ao Brasil. Para resolver tal situação, a linha foi deslocada, ficando agora a 370 léguas de Cabo Verde, o que foi acordado com o Tratado de Tordesilhas, em 1494. A linha definiria, posteriormente, como seria a divisão do Brasil entre as duas nações. No entanto, não foi respeitada, de modo que Portugal dominou a parte leste do novo continente, enquanto a Espanha se preocupou com a colonização do norte e do oeste. EXERCÍCIOS 1. Um conjunto de forças e motivos econômicos, políticos e culturais impulsionou a expansão comercial e marítima europeia a partir do século XV, o que resultou, entre outras coisas, no domínio da África, da Ásia e da América. (Extraído SILVA, 1996) O fato que marcou o início da expansão marítima portuguesa foi o (a) a) Conquista de Ceuta em 1415. b) Descobrimento do Brasil em 1500. c) Chegada em Calicute, Índia, em 1498. d) Contorno do Cabo da Boa Esperança em 1488. e) Ascensão ao trono português de uma nova dinastia, a de Avis, em 1385. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 7 2. No final do século XV, Espanha e Portugal foram os primeiros países europeus a promoverem a expansão marítima europeia, chamada também de as Grandes Navegações. As razões desse pioneirismo estão relacionadas a) À enorme quantidade de capitais acumulados nesses dois países por meio do renascimento comercial no século XIV. b) Ao espírito aventureiro de portugueses e espanhóis desenvolvido durante a Guerra de Reconquista contra os mouros. c) Ao processo de fortalecimento da burguesia comercial que estava ocupando o poder tanto na Espanha quanto em Portugal. d) Ao desenvolvimento industrial dos dois países, que os forçou a buscar novos mercados consumidores e fornecedores de matéria-prima. e) À centralização monárquica e ao fato de a nobreza desses dois países estar fortalecida, ao contrário de outras nobrezas europeias, conseguindo, assim, financiar o projeto de expansão marítima. 3. Os cartógrafos portugueses teriam falseado as representações do Brasil nas cartas geográficas, fazendo concordar o meridiano com os acidentes geográficos de forma a ressaltar uma suposta fronteira natural dos domínios lusos. O delineamento de uma grande lagoa que conectava a bacia platina com a amazônica já era visível nas primeiras descrições geográficas e mapas produzidos por Gaspar Viegas, no Atlas de Lopo Homem (1519), nas cartas de Diogo Ribeiro (1525-27), no planisfério de André Homen (1559), nos mapas de Bartolomeu Velho (1561).KANTOR, Í. Usos diplomáticos da ilha-Brasil: polêmicas cartográficas e historiográficas. Varia Historia, n. 37, 2007 (adaptado). De acordo com a argumentação exposta no texto, um dos objetivos das representações cartográficas mencionadas era a) Afastar as populações nativas do espaço demarcado. b) Respeitar a conquista espanhola sobre o Império Inca. c) Demarcar os limites precisos do Tratado de Tordesilhas. d) Garantir o domínio da Metrópole sobre o território cobiçado. e) Demonstrar a viabilidade comercial do empreendimento colonial. GABARITO 1. A 2. E 3. D https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 8 EXERCÍCIO COMENTADO As grandes navegações produziram o expansionismo do século XV e contribuíram para acelerar a transição do feudalismo/capitalismo. Provocaram mudanças no comércio europeu, tais como: a) Deslocamento do eixo econômico do Atlântico para o Pacífico; ascensão econômica das repúblicas italianas paralelamente ao declínio das potências mercantis atlânticas; acúmulo de capitais nas mãos da realeza. b) Perda do monopólio do comércio de especiarias por parte dos italianos; declínio econômico das potências mercantis atlânticas; intenso afluxo de metais preciosos da América para a Europa. c) Empobrecimento da burguesia europeia; deslocamento do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico; ascensão econômica das repúblicas italianas, paralelamente ao declínio das potências mercantis atlânticas. d) Intenso afluxo de metais preciosos da América para a Europa, o que determinou a chamada “revolução dos preços do Século XVI”; deslocamento do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico; acúmulo de capitais nas mãos da burguesia europeia, em consequência da abundância de metais que afluiu para a Europa. e) Ascensão econômica das repúblicas italianas, paralelamente ao declínio econômico de países como Portugal, Espanha, Inglaterra e Holanda; incorporação das áreas do continente americano e do litoral africano às rotas já tradicionais de comércio Europa – Ásia; acumulação de capitais nas mãos da nobreza e realeza europeias. GABARITO 1. D COMENTÁRIO As demais opções, embora contenham vários aspectos verdadeiros, são compostas de pelo menos uma característica equivocada, exigindo a atenção na avaliação de cada uma. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO COLONIZAÇÃO EUROPEIA NA AMÉRICA ............................................................................................................ 2 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 2 COLONIZAÇÃO ESPANHOLA ...................................................................................................................... 2 COLONIZAÇÃO PORTUGUESA .................................................................................................................... 4 COLONIZAÇÃO INGLESA ............................................................................................................................ 6 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 COLONIZAÇÃO EUROPEIA NA AMÉRICA INTRODUÇÃO Povoamento e Exploração O Sistema Colonial Europeu foi baseado na exploração e no povoamento. Esse sistema se desenvolveu principalmente na América, entre os séculos XVI e XVIII. Tudo começou com as grandes navegações de Portugal e Espanha. A motivação para explorar novos territórios surgiu a partir de interesses do mercantilismo, em busca de capital, produtos e de colônias. A exploração colonial teve basicamente dois tipos: as colônias de povoamento e de exploração. Entenda: Colônia de Povoamento – Aconteceu principalmente na América do Norte, mais especificamente nos Estados Unidos e no Canadá. Tinha uma organização econômico-social e não buscava explorar as riquezas, mas sim estabelecer um novo lar, com semelhanças às origens europeias. Colônia de Exploração – Foi predominante na América do Sul. Era baseada na mão de obra escravista e na monocultora. As colônias de exploração eram dependentes da Metrópole. Como exemplos de colônia de exploração podemos citar Brasil e Haiti. As colônias da América do Sul exploravam pau-brasil, açúcar, café, minérios e outros recursos naturais. A economia colonial buscava suprir as necessidades econômicas do capitalismo europeu. O mercantilismo e o acúmulo de capitais foram os dois principais conceitos do desenvolvimento da colonização. COLONIZAÇÃO ESPANHOLA Cristóvão Colombo chegou à América em 1492. Uma América repleta de nativos e sociedades já fortemente estabelecidas com seus costumes, religiões e rivalidades entre si. As civilizações nativas eram sedentárias e apresentavam altos contingentes populacionais, além de sistemas de produção agrícola e estruturas sociais próprias. As três mais notórias civilizações que resistiram às pressões europeias foram os Maias, os Incas e os Astecas. Esses povos pré-colombianos começaram a ser chamados de índios por conta de um erro, já que Colombo achava que estava nas Índias. Sobre suas riquezas naturais, a América Hispânica apresentava de sobra. Havia grandes reservas de ouro e prata que eram de fácil acesso, o que chamou muito atenção dos espanhóis. Com a descoberta das novas terras, o continente foi dividido entre Portugal e Espanha, primeiro pela Bula Inter Coetera, depois pelo Tratado de Tordesilhas, que deixou o território na sua grande maioria sob o controle da Coroa Espanhola. A chegada do homem europeu no continente americano foi primeiramente vista como uma chegada de um ser divino, e os europeus souberam tirar proveito disso, impondo a sua influência. Contudo, os pré-colombianos passaram, em determinado momento, a resistir às influências espanholas. Assim, a Espanha utilizou-se da violência para dominá-los e escravizá- los, no intuito de conquistar as suas terras, impor os seus costumes e, claro, usufruir de seus bens naturais. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 As novas terras descobertas passam, então, a ser vistas como um “novo mundo”, que os espanhóis poderiam moldar da maneira que quisessem. E assim eles fizeram, dando início ao processo da hispanização. Hispanização Trata-se da subjugação dos nativos e das suas culturas, impondo a cultura e a religião espanhola na América. Os espanhóis não mediram esforços para alcançar o seu objetivo final e os povos pré-colombianos não foram receptivos aos seus avanços. Houve intensos conflitos entre os nativos e os hispânicos, que, mesmo em menor número, eram militarmente muito superiores aos dos índios. Os espanhóis utilizavam armas de fogo, armaduras e cavalos, que disseminavam terror e violência entre os nativos. Além da superioridade bélica, os espanhóis sabiam das rivalidades entre os povos nativos e utilizavam isso ao seu favor, aliando-se com povos rivais para somar forças e derrubar civilizações mais consistentes. Foi o caso da civilização Inca (situada nos andes), que exercia um forte controle sobre grupos mais fracos, a partir da cobrança de tributos. Assim, os Espanhóis se aliaram aos povos mais fracos para derrubar a forte civilização Inca. O mesmo aconteceu aos Astecas, que ocupavam a região do México. O alinhamento com os povos que se encontravam insatisfeitos com o controle das civilizações mais fortes foi uma estratégia crucial para os espanhóis, pois, assim, eles conseguiam compensar o seu baixo número de soldados. Ao passo que o processo de dominação, imposta por violência ia se desenvolvendo, mais as terras da América tornavam-se sujas de sangue: estima-se que mais de 30 milhões de índios foram mortos durante o processo de colonização espanhola. Grande parte desse número de mortos se deu, também,por conta das doenças que os europeus trouxeram do seu continente (como gripe, varíola e sífilis), que assolou grande parte da população, pois os índios não tinham defesas naturais contra essas doenças. Assim, suas civilizações foram dizimadas e seus povos escravizados. O processo de hispanização se intensificou na metade do século XVI. Os pré-colombianos já se encontravam muito devastados pelo poder da Coroa Espanhola, e isso favoreceu a intensificação das práticas de evangelização impostas pelos espanhóis nesses povos, que já aconteciam desde 1492. A exploração de indígenas por grupos de espanhóis que vinham até o continente em busca de novas terras se tornou mais usual. A prática mais conhecida era a encomienda, que se tratava da divisão e entrega de indígenas para o trabalho escravo em obras espanholas, em troca da sua evangelização. A escravização dos índios era predominante no processo de colonização espanhola, mas depois foi alvo de debate e críticas: pela liderança do frade Bartolomeu de las Casas, surgem defesas aos índios que fazem, posteriormente, com que práticas como a encomienda terminem. Uma das modalidades de trabalho utilizada pelos espanhóis foi a mita, que também era conhecida pelos nomes de “repartimiento” e “cuatéquil”. Nesse sistema, amplamente empregado na extração e beneficiamento de minérios, os índios eram escalados por sorteio para uma temporada de serviços compulsórios. Por sua vez, os trabalhadores recebiam uma baixa compensação salarial pelo trabalho desenvolvido nas minas. Após o fim da jornada, ainda recebiam uma quantidade de minério conhecida como partido. As lastimáveis condições de vida proporcionadas https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 por esse tipo de relação de trabalho acabou gerando uma severa diminuição na população indígena dessas regiões. Com o passar do tempo, a mita foi sendo paulatinamente substituída pela adoção da mão de obra livre. Nas regiões em que a escassez da mão de obra indígena se agravou, os espanhóis optaram pela utilização de escravos africanos trazidos pelos traficantes europeus. A principal consequência da hispanização foi a consolidação das colônias espanholas por todo o território americano. Para isso: As grande civilizações nativas, bem como os seus símbolos políticos, foram apagadas; Cuzco (capital Inca) e Tenochittalán (capital Asteca) foram devastadas, e prédios espanhóis foram erguidos em seus lugares; Os povos pré-colombianos foram completamente subjugados e englobados nos costumes e na cultura espanhola, ocupando posições marginais na sociedade colonial; A colônia espanhola era de exploração, logo, era empregada a mão de obra escrava indígena em atividades de exploração de recursos, como a mineração; A Coroa Espanhola muito enriqueceu com a exploração das suas colônias americanas. COLONIZAÇÃO PORTUGUESA Cronologicamente, considera-se que a colonização do Brasil foi iniciada em 1500, quando a expedição de Pedro Álvares Cabral avistou o Monte Cabral. A expedição chegou ao Brasil no dia 22 de abril de 1500 e foi consequência das grandes navegações, as explorações oceânicas realizadas por Portugal ao longo do século XV. A expedição de Cabral tinha dupla missão quando partiu de Lisboa em março: verificar as possibilidades portuguesas na América e comercializar nas Índias. Nas terras brasileiras, os portugueses permaneceram até o dia 2 de maio, quando partiram na direção das Índias. Os maiores detalhes desse acontecimento foram relatados pelo escrivão da expedição, Pero Vaz de Caminha. Período Pré-Colonial De 1500 até por volta de 1530-35, o Brasil ocupou uma posição secundária para a Coroa portuguesa porque, nesse momento, a prioridade de Portugal era manter o comércio de especiarias. Esse momento é conhecido como Período Pré-Colonial, uma vez que os portugueses não tinham estabelecido ações de colonização consistentes no Brasil. A presença portuguesa nesse período consistia em explorar o pau-brasil, árvore nativa que tinha valor para os portugueses por causa de um corante extraído de sua madeira. A principal mão de obra nesse tipo de exploração foram os índios, sobretudo quando a árvore começou a ficar escassa no litoral. Para explorar o pau-brasil, os portugueses mobilizavam os índios por meio do escambo, isto é, pela troca. Os índios localizavam, extraíam e carregavam as toras até as feitorias construídas pelos portugueses no litoral brasileiro, e, em troca, recebiam objetos variados, como machados. A partir da década de 1530, essa atividade perdeu fôlego, assim como o comércio de especiarias, e os portugueses decidiram estabelecer medidas mais efetivas de colonização. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 Capitanias Hereditárias As capitanias hereditárias foram a primeira grande medida tomada pelos portugueses para sistematizar a colonização da América Portuguesa. Entretanto, essa medida funcionava basicamente como uma “terceirização” das obrigações, em que terceiros investiam com seus próprios fundos no desenvolvimento da capitania. As capitanias foram criadas, em 1534, por ordem do rei d. João III. Os portugueses decidiram dividir o território brasileiro em 15 faixas de terra, sendo cada uma responsabilidade do capitão-donatário, a autoridade máxima dessas capitanias. Os direitos e deveres dos donatários constavam em documentos chamados Carta de Doação e Carta Foral. Os donatários tinham a obrigação de garantir o desenvolvimento de suas capitanias, além de defendê-las de indígenas e de estrangeiros. Os franceses eram a grande ameaça para os portugueses porque era comum que suas terras fossem invadidas por eles no século XVI. Os franceses inclusive tinham boas relações com indígenas que eram inimigos dos portugueses. Aqui no Brasil, os donatários recebiam uma sesmaria, um lote de terra para instalar-se. Após mais de uma década desse sistema, os portugueses identificaram que ele não tinha prosperado como se esperava, e só duas capitanias tiveram resultados significativos: São Vicente e Pernambuco. Falta de recursos e inexperiência administrativa foram dois fatores que contribuíram para o fracasso delas. Governo-geral A partir de 1548, Portugal decidiu centralizar a administração da colônia, e para isso foi criado, por D. João III, o governo-geral. Continuaram existindo algumas capitanias no Brasil, mas outras foram retomadas pela Coroa (como a capitania de Baía de Todos os Santos). Ainda assim, os donatários agora deveriam responder a uma autoridade central, nomeada por Portugal. Essa nova autoridade ficou conhecida como governador-geral, e o primeiro governador-geral do Brasil foi Tomé de Sousa. O governador-geral contava também com um grupo de burocratas que o auxiliava na administração da colônia. Os primeiros cargos criados foram o de ouvidor-mor (justiça), provedor-mor (finanças) e capitão-mor (segurança). Tomé de Sousa chegou ao Brasil em 1549, e, durante sua gestão, foi iniciada a construção da primeira capital do Brasil: Salvador. Com Tomé de Sousa vieram os primeiros jesuítas para o Brasil, e sua missão era pacificar e catequizar as populações indígenas. Os jesuítas permaneceram no Brasil durante mais de dois séculos, sendo expulsos daqui em 1759, pelo marquês de Pombal. Economia Tradicionalmente, os historiadores esquematizaram a economia colonial em três grandes ciclos, que foram: ciclo do pau-brasil, ciclo do açúcar e ciclo do ouro. Uma importante observação é que dizer que a colonização ficou marcada por esses três grandes ciclos não significa que não houve nenhuma outra atividade econômica no Brasil. Esses três ciclos corresponderam às principais atividades econômicas da colonização, no entanto, a América Portuguesa tinha uma grande variedade de atividades econômicas. Era praticada a pecuária, a agricultura, sobretudo voltada para a subsistência,e havia também outros itens produzidos para exportação, como o fumo. Havia também um pequeno comércio, exceção feita para o comércio de escravizados, consideravelmente próspero. Apesar dessa https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 6 diversificação, não havia nenhuma espécie de manufatura no Brasil, uma vez que não era permitido por Portugal. Vejamos algumas observações a respeito desses três grandes ciclos: Pau-brasil: como vimos, sua exploração visava ao corante extraído da madeira. Sua extração era realizada pelos índios, e o pagamento dava-se pelo escambo, ou seja, pela troca: o trabalho indígena era pago pelos portugueses com objetos e ferramentas. Açúcar: o açúcar foi o produto mais importante produzido no Brasil durante parte do século XVI e durante todo o XVII. Até onde se sabe, a intenção dos portugueses de instalar engenhos no Brasil para produzir açúcar remonta ao ano de 1516, mas só em 1535 foram instalados os primeiros engenhos no Brasil (na capitania de Pernambuco). Ouro: terceiro grande ciclo econômico durante a colonização. Quantidades expressivas de ouro foram encontradas em Minas Gerais, em 1695, e as primeiras pedras de diamante foram encontradas em 1730. O ouro atraiu milhares de pessoas ao Brasil e transformou Minas Gerais no grande centro da América Portuguesa. Houve também quantias expressivas de ouro em Goiás e no Mato Grosso. Os portugueses regulavam a extração do ouro por meio de impostos, como o quinto. COLONIZAÇÃO INGLESA A colonização inglesa no continente americano se deu em um processo um tanto diferente da exercida por outros países da Europa. O século XV foi marcado pelas grandes navegações. Nesse período a navegação marítima foi uma ferramenta encontrada para que os países expandissem seu território e consequentemente pudessem crescer economicamente. Portugal e Espanha foram os primeiros países da Europa a investir nesse negócio, cruzando os oceanos na busca de metais preciosos, terras e matéria prima. O resultado desse processo foi a colonização de várias regiões da América. Ao notar que os primeiros aventureiros alcançaram sucesso, outros países também foram em busca de terras e na expansão do comércio, a exemplo da Inglaterra. Os ingleses passaram a investir na construção naval. A política mercantilista que pregava o acúmulo de riquezas para o reino parecia bastante atrativa para a coroa. Para realizar essa empreitada, tanto a família real quanto a burguesia juntaram esforços e investiram financeiramente no financiamento das expedições marítimas. Na época, várias companhias de comércio foram fundadas para encontrar as regiões que seriam colonizadas. A colonização inglesa não deu certo na primeira tentativa. Entre os anos de 1584 e 1587, sir Walter Raleigh comandou uma expedição ordenada pela Rainha na tentativa de conquistar o território da América do Norte. Ele chegou a fundar a primeira colônia nos Estados Unidos, chamada de Virgínia, mas o que Raleigh não esperava era encontrar uma forte resistência imposta pelos nativos. Derrotado pelos povos que já viviam ali, sir Walter retornou à Inglaterra, adiando a tão sonhada conquista inglesa. Porém, em 1607, um outro grupo se aventurou no território novamente, eram as Companhias de Comércio, criadas com o objetivo de explorar as colônias e aumentar os lucros comerciais. Uma delas, a London Company, voltou à América para recuperar a colônia da Virgínia e iniciar a colonização inglesa. Na Virgínia havia produção de tabaco, um produto que https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 7 dava muitos lucros no mercado europeu. Ao perceber o sucesso dessa colônia, os ingleses passaram a investir em outras regiões. Nesse período nasceram as colônias da Geórgia, Carolina do Norte e do Sul, Maryland e Delaware, todas com potencial agrícola. À medida que as colônias iam surgindo, desenvolviam suas próprias características, que se diferiam quanto ao tipo de povoamento e a economia. A região Sul era composta pela colônia de exploração. Nesse sistema, o lucro obtido através da exportação dos produtos agrícolas era o grande objetivo dos colonos e para que eles pudessem garantir que a produção chegasse à Europa em grande escala, se utilizavam da mão de obra escrava. Esse foi o mesmo tipo de colonização utilizado pela coroa portuguesa no Brasil. Já na parte norte ficava a colônia de povoamento. Diferente do que acontecia no Sul, o objetivo desse tipo de colônia era o de realmente fazer dela um lugar para viver. O povoamento aconteceu no Norte por conta de dois elementos importantes, o primeiro refere-se ao fato de que a maioria das pessoas que foram naquela direção eram refugiados. Nesse período a Igreja Católica passou a perseguir os cristãos protestantes. Com medo de sucumbir à intolerância religiosa, fugiram para a América do Norte em busca de novas possibilidades. Foram os puritanos que fundaram a cidade de Plymouth em 1620. Em segundo lugar, o clima no norte não era tão propício à agricultura, por isso não atraía os latifundiários. Daí dá para perceber que a colonização inglesa foi muito diferente da colonização portuguesa, por exemplo. A primeira resultou no desenvolvimento e autonomia das colônias, já a segunda, que só se preocupava em explorar e garantir o lucro, tornou as colônias cada vez mais dependentes da metrópole. Organização das Treze colônias O Novo Mundo ou a Nova Inglaterra era formada por pessoas de todos os lugares. Além de ingleses, suíços, escoceses, irlandeses e alemães fundaram comunidades inteiras. Eram grupos de imigrantes que fugiam da perseguição da Igreja Católica e também aqueles que estavam com problemas econômicos e precisavam se reinventar. As comunidades foram se estabelecendo na costa leste do litoral, à medida que as colônias eram formadas, iam conquistando sua independência. Como elas ficavam muito distantes geograficamente, não havia a possibilidade de uma unidade política, por isso, as colônias britânicas foram divididas em colônias do norte, do centro e do sul. Os colonos do norte não se preocupavam só em se reestabelecer, mas em possibilitar meios de continuar a viver nas colônias, investindo para o seu desenvolvimento. Foram os imigrantes protestantes que insistiam na valorização dos estudos, por exemplo. Graças ao esforço coletivo do grupo, a primeira universidade norte-americana, Harvard, foi fundada em Massachusetts em 1636. Outras religiões foram surgindo ao longo do tempo e também buscavam se estabelecer. A Pensilvânia, por exemplo, surgiu como uma colônia Quaker, um movimento religioso que havia se rebelado contra a política inglesa e pregava uma renovação do cristianismo. Isso porque, na época, a Inglaterra estava sendo influenciada pelo Anglicanismo. Ao passo que iam se desenvolvendo, eram estabelecidas novas organizações políticas. As colônias passaram a ter conselhos, assembleias e até governadores, estabelecendo um comando inglês em detrimento da população nativa. É importante salientar que o desenvolvimento da economia durante a colonização inglesa, se deu de formas diferenciadas, principalmente por conta da geografia de cada região. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 8 A Nova Inglaterra, como eram chamadas as colônias ao norte, tinham um clima parecido com o da Europa e, por isso, o interesse comercial naquela região era muito baixo. Dessa forma, as colônias do norte desenvolveram um sistema pensando em abastecer o mercado interno, geralmente, baseado na agricultura familiar ou trabalho assalariado. Por ter um clima tropical, as colônias do sul atraíam a atenção dos comerciantes de toda a Europa. A região desenvolveu a monocultura de tabaco, que era produzida em sua maioria pela exploração da mão de obra de africanos trazidos pelo tráfico negreiro. A longo prazo, pode- se dizer que as colôniasdo norte acabaram se desenvolvendo mais, pois a sua preocupação com o povoamento e desenvolvimento da região, tornaram-nas mais autônomas. Ao sul, existia uma total dependência da Inglaterra, que fornecia grande parte dos materiais que eram utilizados no cotidiano, por isso, seu processo foi mais tardio. Além das colônias do norte e sul, havia as colônias centrais. No início, elas estavam sob o domínio dos holandeses, mas depois passaram para o controle inglês. As colônias do centro tinham uma economia agrícola que era formada basicamente por trabalhadores de pequenas propriedades. Assim, as regiões formadas devido ao processo de colonização inglesa ficaram divididas em: Colônias do Norte: Massachusetts, Nova Hampshire, Rhode Island e Connecticut. Colônias do Centro: Nova Iorque, Pensilvânia, Nova Jersey e Delaware. Colônias do Sul: Maryland, Virginia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO SISTEMA COLONIAL PORTUGUÊS ...................................................................................................................... 2 PERÍODO PRÉ-COLONIAL ........................................................................................................................... 2 CAPITANIAS HEREDITÁRIAS ....................................................................................................................... 3 GOVERNO GERAL ....................................................................................................................................... 4 alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 SISTEMA COLONIAL PORTUGUÊS PERÍODO PRÉ-COLONIAL A primeira riqueza explorada pelo europeu em terras brasileiras foi o pau-brasil (caesalpinia echinata), árvore que existia com relativa abundância em largas faixas da costa brasileira. O interesse comercial nessa madeira decorria da possibilidade de extrair-se dela uma substância corante, comumente utilizada para tingir tecidos. Antes da conquista da América indústria europeia de tintas comprava o pau-brasil trazido do Oriente pelos mercadores que atuavam nas rotas tradicionais do comércio indiano. Após a conquista do Brasil, tornava-se mais lucrativo extraí-lo diretamente de nossas matas litorâneas. O rei de Portugal não demorou a declarar a exploração do pau-brasil, um monopólio da coroa portuguesa. Oficialmente, ninguém poderia retirá-lo de nossas matas sem prévia concessão da coroa e o pagamento do correspondente tributo. A primeira concessão para explorar o pau-brasil foi fornecida a Fernão de Noronha, em 1501, que estava associada a vários comerciantes judeus. Os Franceses, que não reconheciam a legitimidade do Tratado de Tordesilhas, agiam intensamente no litoral brasileiro, extraindo a madeira sem pagar os tributos exigidos pela coroa portuguesa. O esquema montado para a extração do pau-brasil contava, essencialmente, com a importante participação do indígena. Só as tripulações dos navios que efetuam o tráfico não dariam conta, a não ser de forma muito limitada, da árdua tarefa de cortar árvores de grande porte como o pau-brasil, que alcança um metro de diâmetro na base do tronco e 10 a 15 metros de altura. A princípio, o trabalho do índio era conseguido "amigavelmente" com o escambo. Esse consistia, basicamente, em derrubar as grandes árvores, cortá-las em pequenas toras, transportá-las até a praia e, daí, aos locais onde estavam ancorados os navios. Em 1530, com o propósito de realizar uma política de colonização efetiva, Dom João III, O Colonizador, organizou uma expedição ao Brasil. A esquadra de cinco embarcações, bem armada e aparelhada, reunia 400 colonos e tripulantes. Comandada por Martim Afonso de Sousa, tinha como missão: • combater os traficantes franceses; • penetrar nas terras na direção do Rio da Prata para procurar metais preciosos; e • ainda, estabelecer núcleos de povoamento no litoral. Portanto, iniciar o povoamento do "grande deserto", as terras brasileiras. Para isso, traziam ferramentas, sementes, mudas de plantas e animais domésticos. Martim Afonso possuía amplos poderes. Designado capitão-mor da esquadra e do território descoberto, deveria fundar núcleos de povoamento, exercer justiça civil e criminal, tomar posse das terras em nome do rei, nomear funcionários e distribuir sesmarias. alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 Diogo Álvares Correia, o Caramuru, João Ramalho e Antônio Rodrigues facilitaram bastante a missão colonizadora da expedição de Martim Afonso. Eram intérpretes junto aos índios e forneciam valiosas informações sobre a terra e seus habitantes. Antes de retornar a Portugal, ainda em 1532, o capitão recebeu carta do rei D. João III. Esse falava de sua intenção de implantar o sistema de capitanias hereditárias e de designar Martim Afonso e seu irmão Pero Lopes de Sousa como donatários. CAPITANIAS HEREDITÁRIAS A posse da América Portuguesa estava “garantida” aos portugueses pela Igreja Católica por meio do Tratado de Tordesilhas, no qual a Igreja dividia as novas terras “descobertas” (América) entre Espanha e Portugal. A existência do tratado, no entanto, não impedia que ingleses e franceses questionassem essa divisão, já que foram excluídos dela. No começo da década de 1530, o comércio com a Índia estava decadente, e as posses de Portugal na América eram constantemente ameaçadas por corsários franceses, que se aliavam aos indígenas inimigos dos portugueses e exploravam os recursos da terra sem a autorização de Portugal. O rei português percebeu que, diante da ameaça estrangeira, era necessário criar uma frente de colonização para garantir a posse da terra. Sendo assim, em 1534, o rei português decidiu dividir as terras que pertenciam a Portugal pela força do Tratado de Tordesilhas. Com essa decisão, Portugal dividiu a colônia em 15 lotes de terra, que correspondiam, ao todo, a 14 capitanias, que foram entregues para a administração dos capitães-donatários. Os portugueses criaram o sistema de capitanias hereditárias como forma de iniciar a colonização do Brasil e entregaram as responsabilidades de desenvolvimento e investimento da iniciativa aos donatários. Esses capitães eram, em geral, pessoas da pequena nobreza e comerciantes com algum tipo de ligação com a Coroa Portuguesa. Os donatários recebiam a faixa de terra correspondente à capitania por meio da carta de doação, documento que lhes dava uma série de direitos sobre a capitania, mas não lhes dava a posse da terra, que continuava sendo do rei de Portugal. Os donatários possuíam grande poder administrativo e jurídico sobre a capitania. Eram também responsáveis por investir e atrair investimentos, moradores e pessoas interessadas em explorar a capitania, além de promover seu desenvolvimento econômico. A aplicação da lei, alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 cobrança de impostos, distribuição de terras, construção de fortificações para resguardar a capitania de invasões estrangeiras e a luta contra os indígenas também eram atribuições do donatário. O sistema de capitanias, no entanto, fracassou em decorrência de uma série de fatores. A divisão territorial permaneceu ainda durante séculos, e, até o século XVIII, ainda existiam donatários com poderes investidos pelo Coroa. Apesar disso, esse sistema mostrou ser deficiente para uma administração unificada da colônia, uma vez que mal havia comunicação entre as capitanias. Por conta disso, Portugal resolveu criar um sistema de administração que centralizava o poder na colônia. Para isso, criou-se o governo-geral em 1548, e Tomé de Sousa foi delegadopara a função de governador-geral. O fracasso das capitanias pode ser explicado por vários fatores. O principal deles foi que, das catorze capitanias, somente duas registraram, de fato, um desenvolvimento notável: São Vicente e Pernambuco. O sucesso dessas capitanias está relacionado com a instalação de engenhos e com o tráfico de indígenas para escravização. As capitanias também fracassaram pela inexperiência administrativa dos donatários. A falta de recursos também foi um grande impeditivo, assim como a falta de comunicação, seja interna, seja com a Coroa. Por fim, os conflitos com os indígenas também foram um fator relevante para o fracasso das capitanias. GOVERNO GERAL Com o fracasso do sistema de capitanias hereditárias, a Coroa Portuguesa optou por centralizar o poder na colônia, ou seja, foi criada uma autoridade sobre toda a colônia chamada governador-geral. A determinação para a criação desse cargo partiu do próprio rei de Portugal, D. João III. Essa medida foi tomada com o objetivo de transformar a colônia em um negócio mais lucrativo em vista do enfraquecimento do comércio na Índia. Além disso, o historiador Boris Fausto sugere que o fechamento do entreposto comercial dos portugueses em Flandres e as derrotas militares sofridas no Marrocos ajudam a entender a necessidade de tornar o Brasil um território mais vantajoso para Portugal. A constante ameaça estrangeira, sobretudo dos franceses, também era um fator que tornava o desenvolvimento da colônia extremamente importante para Portugal. Assim, para ocupar o cargo de governador-geral, a Coroa Portuguesa enviou Tomé de Sousa ao Brasil em 1549. Ø Governo-geral de Tomé de Sousa Tomé de Sousa foi enviado ao Brasil em 1549 com instruções específicas dadas pela Coroa Portuguesa. Os objetivos, em geral, eram promover o desenvolvimento populacional e econômico (principalmente pela produção de açúcar) da colônia e garantir a expulsão de invasores. A expedição de Tomé de Sousa chegou à região da Baía de Todos os Santos com aproximadamente mil homens. As instruções dadas a ele foram estipuladas pela Coroa em um regimento de 17 de dezembro de 1548. Entre essas ordens a Tomé de Sousa, também estavam a manutenção dos nativos sob controle e a garantia da conversão deles ao cristianismo. A primeira ação do governador-geral foi promover a construção de Salvador em 1549. Essa cidade foi instituída como capital do Brasil, status que ocupou durante mais de 200 anos. Sua localização geográfica era estratégica pela posição centralizada na colônia, o que facilitaria o contato com as diferentes capitanias. Para auxiliar o governador-geral na administração da colônia, foram criados cargos administrativos com atribuições diferentes. Os cargos de maior destaque foram: • Ouvidor-mor: responsável pelos assuntos de justiça e pela imposição das leis na colônia; • Provedor-mor: responsável pela arrecadação e administração das finanças; alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 • Capitão-mor: responsável pela defesa da colônia contra invasores e contra- ataques de indígenas. A política de Tomé de Sousa quanto aos nativos era, naquele contexto, pacífica. Ele impôs a escravidão contra as tribos indígenas rebeldes que não aceitavam a presença portuguesa. Com as tribos pacificadas, foi instituída a mesma relação que havia sido usada na exploração do pau- brasil: o escambo. O maior empecilho para o governo-geral de Tomé de Sousa foi a dificuldade de comunicação existente com outras capitanias da colônia. Seu governo estendeu-se até 1553, quando foi substituído por Duarte da Costa. Junto da expedição que trouxe Tomé de Sousa estavam Manuel de Nóbrega e outros cinco companheiros pertencentes à Companhia de Jesus, também conhecidos como jesuítas. A missão dos jesuítas aqui era, primeiramente, estabelecer relações pacíficas com os nativos para iniciar um processo de catequização, ou seja, a conversão dos índios ao catolicismo. Ø Outros governadores-gerais Após Tomé de Sousa, o Brasil foi governado por Duarte da Costa (1553-1558) e por Mem de Sá (1558-1572). Durante o governo de Duarte da Costa, os indígenas passaram a ser tratados de forma hostil, e um grande número deles foi escravizado. Essa relação com os indígenas quase colocou a perder o trabalho desenvolvido por Tomé de Sousa. Por isso, no governo de Mem de Sá, foi adotada novamente a política de escravização somente dos indígenas hostis. O governo de Mem de Sá destacou-se ainda por ter expulsado os franceses que estavam estabelecidos na Baía da Guanabara desde 1555. Nessa região, os invasores franceses, sob a liderança de Nicolas Durand de Villegagnon, haviam fundado a França Antártica. Após a expulsão, os portugueses fundaram a cidade do Rio de Janeiro no local. Em 1572, após da morte de Mem de Sá, a Coroa portuguesa, ainda percebendo inúmeras falhas na administração da Colônia, resolveu dividir a América Portuguesa em dois Governos- Gerais: o Governo do Norte e o Governo do Sul, que tinham como capitais Salvador e Rio de Janeiro, respectivamente. alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO INVASÕES ESTRANGEIRAS NO BRASIL E EXPANSÃO DA COLÔNIA .................................................................... 2 INVASÕES FRANCESAS ................................................................................................................................... 2 INVASÕES HOLANDESAS ................................................................................................................................ 3 EXPANSÃO TERRITORIAL NA COLÔNIA .......................................................................................................... 5 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 INVASÕES ESTRANGEIRAS NO BRASIL E EXPANSÃO DA COLÔNIA INVASÕES FRANCESAS Logo que soube do ocorrido, o governo português organizou tropas na Bahia e no Rio de Janeiro com o objetivo de abafar o levante. Enquanto as tropas terrestres tomavam as regiões do interior, a cidade do Recife foi cercada por embarcações que interromperam a comunicação da capitania com outras regiões. Os líderes acabaram sendo presos e executados. Dessa forma, o governo lusitano preservava a sua hegemonia política por meio da força das armas. Os franceses visitavam o litoral do Brasil com muita frequência, isso acontecia desde a época da extração do pau-brasil e nesse período mantiveram contato constante com os índios brasileiros, de forma a fazerem acordos e pactos com eles. Já no ano de 1555, os franceses fixaram no Rio de Janeiro (na época, Baía de Guanabara) a França Antártica, onde foi estabelecida uma sociedade predominantemente protestante, fato que pode ser entendido devido à fuga de europeus à América, no período da Contrarreforma e perseguição dos protestantes. A mais importante aliança que os franceses fizeram foi com os povos Tamoios, pois, a partir do acordo feito entre eles surgiu a Confederação dos Tamoios, que contava com a presença de diversos outros povos indígenas (goitacás, tupiniquins, tupinambás, entre outros) e que visava derrotar os colonizadores portugueses. Porém, após alguns anos de conflitos entre portugueses e indígenas, a Confederação foi desfeita, acarretando também na expulsão dos franceses do território pertencente aos colonos de Portugal, a região Sudeste. Porém, isso não foi suficiente para fazer os franceses desistirem do nosso país, de modo que ao se retirarem da região Sudeste do Brasil, logo rumaram para a região nordeste e se instalaram na capital do maranhão, São Luís, onde instalaram a França Equinocial. Mais uma vez os franceses tentavam expandir sua civilização em solo brasileiro e com isso Portugal novamente foi buscar impedir o desenvolvimento,assim enviando militares ao nordeste. A expedição dos portugueses ao chegar ao Maranhão, atacou os franceses por mar e terra, os derrotando em 1615. Os franceses vencidos desocuparam as terras maranhenses e dessa vez se retiraram do Brasil, rumando para a região das guianas, lá fundando a Guiana Francesa. Mas os franceses ainda insistiram no que dizia respeito ao Brasil, de forma a posteriormente saquearem cidades do litoral brasileiro. Contudo, todo e qualquer tipo de invasão francesa teve seu fim em 1711 quando os franceses receberam dos portugueses um alto valor de resgate para libertar o Rio de Janeiro, uma das cidades tomadas nos atos de saques. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 INVASÕES HOLANDESAS Os holandeses participaram do empreendimento açucareiro no Brasil, desde o início. Financiaram a instalação de engenhos e tornaram-se os maiores responsáveis pelo processo de refinamento do açúcar e por sua comercialização na Europa. Esse empreendimento era tão importante para eles que, entre os anos de 1621 e 1622, o número de refinarias de açúcar no norte da Holanda cresceu de três para vinte e nove. Os holandeses obtinham lucro significativo com a venda de açúcar refinado para os demais países europeus. Portanto, nem imaginavam abrir mão desse comércio. Impedidos desde a União Ibérica por sua arquirrival, a Espanha, de continuar a participar dos lucros da indústria açucareira brasileira, os holandeses fundaram, em 1621, a Companhia das Índias Ocidentais: uma empresa comercial, cujo objetivo era centralizar e mobilizar os investimentos comerciais na área do Atlântico, especialmente os negócios com produtores de açúcar do Brasil, os senhores de engenho. Entretanto, logo perceberam que para retomar esses contatos, não havia saída pacífica, sendo necessária uma invasão. O governo da República das Províncias Unidas concedeu à Companhia o monopólio do tráfico, navegação e comércio por 24 anos nas costas atlânticas da América e da África, além de autorizá-los a construir fortificações, nomear funcionários, organizar tropas e estabelecer colônias. A capitania escolhida para a primeira investida da Companhia no Brasil foi a da Bahia. Vários foram os motivos: os lucros com o açúcar cobririam os gastos com a conquista e o tráfico negreiro era sempre uma possibilidade de lucro. A invasão ocorreu em 1624, e no primeiro momento, os holandeses venceram. Conquistaram a cidade, prenderam e mandaram o governador Diogo de Mendonça Furtado para a Holanda. Mas a Espanha enviou para a Bahia uma poderosa esquadra, composta por 52 navios de guerra, com cerca de 12 mil homens e, em maio de 1625, os holandeses se renderam, sendo expulsos da região. Refeitos dos prejuízos, por conta de pilhagens a navios espanhóis carregados de metais preciosos, os holandeses voltaram a invadir a Colônia em 1630, agora pela capitania de Pernambuco, maior centro produtor de açúcar da Colônia e do mundo. Ali travaram-se intensos combates pela posse da terra. Após uma série de derrotas, Matias de Albuquerque refugiou-se no interior da capitania, fundando o Arraial de Bom Jesus, entre Olinda e Recife. O Arraial tornou-se o centro da resistência contra os holandeses até 1635. Os holandeses instalados inicialmente em Recife e Olinda, alguns anos depois estenderam seu domínio às demais capitanias do litoral nordestino. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 Governo de Maurício de Nassau Para consolidar sua conquista, a Companhia nomeou como governador o conde João Maurício de Nassau, que atuou nos domínios holandeses de 1637 até 1644. Nassau logo percebeu que, para pacificar a região e melhor poder administrá-la, teria que estabelecer boas relações com seus moradores mais ilustres, os senhores de engenho. Para tal, proibiu a agiotagem praticada por agentes holandeses e conseguiu auxílio financeiro, na forma de crédito, para que reconstruíssem seus engenhos, destruídos nos cinco anos de combate. Diminuiu os tributos e ainda conseguiu a encampação das dívidas de alguns senhores, sustando, também, a penhora de seus bens. Além disso deu maior liberdade na venda de açúcar, cuja produção vinha se normalizando, e garantiu a liberdade religiosa aos cristãos. Essa medida gerou insatisfação entre os calvinistas (protestantes) holandeses. Nassau também se preocupou com o embelezamento e a modernização de Recife, pavimentando ruas, drenando pântanos, construindo pontes e canais sobre os rios Capiberibe e Beberibe, transformando o pequeno vilarejo em moderno centro urbano. Trouxe também para Recife várias missões artísticas e científicas, procurando criar um ambiente cultural semelhante ao que se desfrutava na Europa. A Restauração Em 1640 terminou a União Ibérica, graças ao movimento que ficou conhecido como Restauração (recuperação). Esse movimento significou o retorno da autonomia política de Portugal, agora sob a dinastia dos Bragança, sendo seu primeiro rei D. João IV. A aliança entre os portugueses e a República das Províncias Unidas, sua aliada na luta pela independência contra a Espanha, propiciou uma trégua aos combates, o que foi muito bom para os negócios holandeses na Colônia. No entanto, desde a saída de Conde Maurício de Nassau do governo dominado pelos holandeses na América, em 1644, foi-se ampliando um clima de descontentamento entre os colonos, provocado por incompatibilidades com o novo rumo dado à administração da capitania pela Companhia das Índias, considerado prejudicial aos seus negócios. Entre outras coisas, a Companhia passou a cobrar os empréstimos concedidos por Nassau, e quando esses não eram pagos, os juros aplicados eram extorsivos. E isso numa época de má colheita, provocada por secas e inundações alternadas e a queda de preço internacional do açúcar, em torno de 25%. Além do mais, os holandeses passaram a exercer um controle rigoroso na questão religiosa, perseguindo os católicos. Proibiam a vinda de novos padres para substituir os que morriam ou adoeciam. Em 1645 teve início um movimento de revolta contra o domínio holandês que ficou conhecido como Insurreição Pernambucana. Lideraram o movimento: os senhores de engenho João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros, o índio Filipe Camarão, e o negro Henrique Dias. Após violentas lutas, como o combate do Monte das Tabocas (1645) e as duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649), os holandeses foram finalmente derrotados. Embora expulsos do Brasil, os holandeses somente reconheceram a perda do litoral nordestino em 1661, quando assinaram a Paz de Haia com Portugal e, em 1669, acertaram o recebimento de uma grande indenização por conta das terras perdidas. A expulsão dos holandeses do Brasil gerou sérios problemas para a economia da Colônia portuguesa na América. Eles passaram a produzir açúcar nas Antilhas, região da América Central, comercializando-o a um preço mais baixo na Europa. Além disso detinham o domínio sobre os mercados consumidores europeus. A concorrência do açúcar antilhano provocou a queda do preço do açúcar em cerca de 50% e determinou o fim do monopólio português sobre o produto. Foi o início da decadência da empresa açucareira no Brasil. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 EXPANSÃO TERRITORIAL NA COLÔNIA A expansão territorial brasileira está associada à diversidade de atividades que foram se desenvolvendo no Brasil Colônia à medida em que foi ocorrendo a expansão demográfica e em decorrência da crise do ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste. Após a União Ibérica (1580-1640), houve a anulação do Tratado de Tordesilhas, que possibilitou que as terras mais afastadas do litoral brasileiro pudessem ser ocupadas pelos colonos, e ainda mais porque eram áreas que não interessavam na colonização espanhola. Então, ocupado de maneira desigual e por diferentes motivos, podemos resumir a expansãoterritorial brasileira assim: • Região Nordeste: o litoral foi o primeiro local da ocupação portuguesa, devido ao interesse econômico da cana-de-açúcar e por motivo da defesa militar do território. Podemos observar que a maioria das capitais nordestinas, com exceção de Teresina-PI, são cidades litorâneas. Já o interior do Nordeste foi povoado pela expansão da pecuária, tendo como principal eixo o Rio São Francisco, e outros povoamentos que eram cortados pelos rios, como o Rio Jaguaribe, no Ceará. A pecuária torna-se o principal meio econômico do Nordeste, que traz até hoje a figura do vaqueiro como representante de sua cultura. • Região Sudeste e Centro-Oeste: essas regiões foram povoadas pela atuação dos bandeirantes, em busca de ouro e no apresamento dos índios. Na verdade, a figura do bandeirante é decisiva para a expansão territorial brasileira, já que foi através das bandeiras que o interior do Brasil foi sendo penetrado, na corrida do ouro, no início do século XVIII. As cidades mineiras onde se concentraram a extração mineradora, também foi onde mais se concentrou a população, contribuindo para o desenvolvimento das cidades, construção de estradas, surgimento de vilas e a urbanização do Sudeste brasileiro. • Região Norte: teve como processo de povoamento também a atuação dos bandeirantes que foram em busca das drogas do sertão (as especiarias da floresta Amazônica brasileira) para comercialização. • Região Sul: foi colonizada por incentivo da Metrópole para assegurar o controle das fronteiras com a América espanhola, além de ter desenvolvido um grande centro de ação jesuítica com os Sete Povos das Missões. A Região Sul também se desenvolveu economicamente através da pecuária e charqueadas. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 6 As entradas e bandeiras foram expedições de desbravamento territorial, que ocorreram no Brasil Colônia entre os séculos XVII e XVIII. Diferenças entre entradas e bandeiras: • As entradas eram expedições oficiais (organizadas pelo governo) que saiam do litoral em direção ao interior do Brasil. • As bandeiras eram expedições organizadas e financiadas por particulares, principalmente paulistas. Partiam de São Paulo e São Vicente principalmente, rumo às regiões centro-oeste e sul do Brasil. • As entradas tinham como objetivo principal fazer o mapeamento do território brasileiro, principalmente da região interior. Estas informações eram enviadas a Portugal, com objetivo de aumentar o conhecimento e viabilizar a colonização do interior do Brasil. • As bandeiras tinham como objetivo principal descobrir minas de ouro, prata e pedras preciosas. • As entradas também atuavam no combate aos grupos indígenas que ofereciam resistência aos colonizadores. • As bandeiras atacavam missões jesuíticas, capturando índios, que seriam comercializados como escravos. • As entradas eram compostas, em sua maioria, por soldados portugueses e brasileiros (a serviços das províncias). • Já as bandeiras eram lideradas por paulistas chamados de bandeirantes e tinham em sua composição familiares, agregados, brancos pobres e mamelucos. PRINCIPAIS BANDEIRAS • Bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva – ocorrida entre 1672 e 1740, partiu da região norte do atual estado de São Paulo em direção a região centro-oeste do Brasil. Tinha como principal objetivo o descobrimento de jazidas de ouro e pedras preciosas. • Bandeira de Domingos Jorge Velho – ocorrida entre 1615 e 1703, partiu da região litorânea do Nordeste em direção ao sertão e litoral paulista. Tinha como principal o sertanismo de contrato, onde os bandeirantes eram contratados por fazendeiros para combater quilombos e tribos indígenas que atacavam cidades e engenhos. • Bandeira de Raposo Tavares – ocorrida entre 1598 e 1658, partiu da cidade de São Paulo em direção às regiões sul e centro-oeste do Brasil. Tinha como principal objetivo a captura de indígenas. As bandeiras eram sempre movimentos direcionados ao interior da América do Sul, proveniente sobretudo das costas sudeste do Brasil, com destaque especial à Capitania de São Vicente. Esses movimentos eram de caráter puramente econômico, e eram muitas vezes patrocinados pela Coroa e seus intermediários, ou por notáveis da região como forma de investimento. Essas bandeiras foram categorizadas posteriormente em três tipos principais: • Bandeiras de "apresamento": tinham como objetivo a captura de índios para serem usados como mão-de-obra escrava; • Bandeiras de prospecção: destinadas a encontrar recursos minerais rentáveis, sobretudo minas de ouro, prata, cobre ou pedras preciosas; • Bandeiras de contrato: destinadas a destruir quilombos e recapturar escravos fugidos. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 7 A partir de 1619, com a intensa formação dos assentamentos jesuíticos, comunidades de índios catequizados que trabalhavam para a igreja mediante pagamento, combinado com o aumento da demanda por mão-de-obra e o alto custo dos escravos africanos, iniciou-se um quarto tipo de bandeira, efetivamente uma transformação do primeiro: as bandeiras de preação, que tomavam os assentamentos jesuítas de assalto e capturavam os índios conversos. Essas bandeiras eram oficialmente condenadas, mas na prática incentivadas e patrocinadas pelos latifundiários locais, sobretudo senhores de engenho. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO REVOLTAS COLONIAIS........................................................................................................................................ 2 CONTEXTO ..................................................................................................................................................... 2 PRINCIPAIS REVOLTAS COLONIAIS NATIVISTAS ......................................................................................... 2 PRINCIPAIS CAUSAS ................................................................................................................................... 2 ACLAMAÇÃO DE AMADOR BUENO (1641) ................................................................................................ 3 REVOLTA DE BECKMAN (1684) .................................................................................................................. 3 GUERRA DOS EMBOABAS (1708-1709) ..................................................................................................... 4 GUERRA DOS MASCATES (1710-1711) ...................................................................................................... 5 REVOLTA DE FILIPE DOS SANTOS (1720) ................................................................................................... 6 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 REVOLTAS COLONIAIS CONTEXTO Após o fim do domínio espanhol, em 1640, a economia portuguesa se encontrava em péssima situação, principalmente, devido às sucessivas guerras ao lado da Espanha. Os portugueses recuperaram as possessões africanas (Angola e Guiné) e o nordeste brasileiro, mas perderam o controle do comércio oriental e ainda tiveram a Holanda como concorrente. Sendo assim, houve a aplicação de uma política mercantilista baseada no reforço do Exclusivo metropolitano: em 1661, proibiu-se o comércio do Brasil com navios estrangeiros; e em 1684, impediu-se aos navios brasileiros frequentarem portos estrangeiros; ou seja, Portugal era o intermediário obrigatório entre o Brasil e o resto da Europa. Em 1649 houve a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasil (extinta em 1720), que tinha controle do comércio do Rio Grande do Norte até o extremo sul. Em 1682 foi fundada também a Companhia do Comércio do Estado do Maranhão (extinta em 1685), que abrangia do Rio Grande do Norte até o Pará. PRINCIPAIS REVOLTAS COLONIAIS NATIVISTAS PRINCIPAISCAUSAS • Exploração colonial praticada por Portugal. • Monopólio português do comércio de mercadorias. • Conflitos culturais, políticos e comerciais entre colonos e portugueses. • Rígido controle, por meio de leis, imposto pela metrópole sobre o Brasil. • Preços elevados cobrados pelos produtos comercializados pelos portugueses. • Medidas da metrópole que favoreciam os portugueses, principalmente os comerciantes. • Altos impostos cobrados pela coroa portuguesa, principalmente sobre a extração de ouro realizada pelos colonos brasileiros. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 ACLAMAÇÃO DE AMADOR BUENO (1641) PEREIRA DA SILVA, OSCAR. ACLAMAÇÃO DE AMADOR BUENO, TELA, 1930, PALÁCIO BANDEIRANTES Durante os séculos XVII e XVIII, a hegemonia da colonização portuguesa sob as terras brasileiras foi constantemente abalada. Nesse período, a debilidade econômica do Império Português pode ser justificada pela União Ibérica (1580 – 1640), período em que os espanhóis controlaram os domínios portugueses no Brasil. Nesse intervalo de sessenta anos, muitos bandeirantes paulistas praticavam o apresamento e a comercialização de índios encontrados pelo interior do Brasil. Por meio dessa ação, estabelecia-se uma atividade econômica que resolvia o problema da escassez de escravos africanos em território brasileiro. Além disso, durante a União Ibérica, os bandeirantes paulistas constituíram outra rota de comercialização de índios que atendia a demanda por escravos dos colonizadores espanhóis da região do Prata. Por meio dessa rota, os bandeirantes ampliaram seus negócios, conquistando um promissor mercado consumidor da mão-de-obra indígena. Porém, com o fim da União Ibérica, o governo português veio a interromper o negócio estabelecido pelos bandeirantes. Portugal proibiu a escravização indígena, buscando ampliar seus lucros e, consequentemente, forçar os colonos a comprarem escravos africanos oferecidos pela administração colonial portuguesa. Inconformados com essa exigência da metrópole, um grupo de bandeirantes paulistas resolveram armar um levante que exigiu o fim da proibição da escravização indígena. Buscando a vitória, os bandeirantes se dirigiram ao fazendeiro Amador Bueno, que também era a favor da escravização indígena. Os bandeirantes paulistas convocaram Amador Bueno para que liderasse a revolta, aceitando o cargo de governador da província de São Paulo. Mesmo prestigiado pelos bandeirantes, Amador Bueno declinou a proposta por eles feita e jurou fidelidade ao governo português. De tal maneira, a revolta bandeirante perdeu sua sustentação. “Viva Amador Bueno, nosso rei” - ao que ele respondeu muitas vezes, em voz alta: “Viva o senhor D. João IV, nosso rei e senhor, pelo qual darei a vida”. REVOLTA DE BECKMAN (1684) A partir de 1650, com a expulsão dos Holandeses do Nordeste brasileiro, a província do Maranhão entrou em declínio devido à crise econômica que se instalou, em função da carência de mão de obra escrava, bem como de abastecimento e escoamento de produtos. Por sua vez, a “Companhia do Comércio do Maranhão”, criada em 1682, deveria resolver os problemas mencionados; contudo, ela fracassou e agravou a crise econômica da província. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 Com essa ingerência, a população passou a viver em condições de extrema pobreza, sofrendo com a falta de abastecimento de gêneros básicos, como alimentos e manufaturados (normalmente de péssima qualidade e vendidos a preços altíssimos). Sem espanto, os comerciantes locais foram muito lesados pelo monopólio da companhia, enquanto os proprietários rurais não recebiam preços justos pelos seus produtos. Assim, com a falta de mão-de-obra escrava na região devido à resistência dos missionários jesuítas, a insatisfação dos colonos foi tamanha, que se sublevaram para reivindicar a extinção da Companhia Geral de Comércio do Estado do Maranhão e a expulsão dos jesuítas da província. Em fevereiro de 1684, com a ausência do governador Francisco de Sá de Menezes, os irmãos Manuel e Tomás Beckman, líderes do movimento junto com Jorge de Sampaio de Carvalho, apoiados pela população local, bem como por comerciantes e proprietários rurais (cerca de 70 homens armados), renderam o Corpo da Guarda (menos de dez homens) em São Luís e capturaram o Capitão-mor Baltasar Fernandes. Na sequência, invadem e pilham um depósito da Companhia de Comércio do Maranhão, dando início à revolta. Na altura de 25 de fevereiro, os insurgentes já haviam tomado a Câmara Municipal e estabelecido uma Junta Geral de Governo, composta por latifundiários, comerciantes e pelo clero. Assim que foram empossados, depuseram o Capitão-mor e o Governador, bem como decretaram o fim do estanco e da Companhia de Comércio. Por conseguinte, a junta de governo despachou seus emissários para Belém do Pará, a fim de comunicar a deposição do governador, e para Portugal, foi o próprio irmão de Manuel, Tomás Beckman, enviado à Lisboa para jurar fidelidade ao rei e à Coroa e denunciar a Companhia de Comércio. Contudo, ao desembarcar, recebeu voz de prisão e foi trazido de volta ao Maranhão, onde foi condenado ao desterro. Por sua vez, em 1685, no Brasil, os revoltosos ocuparam o Colégio dos Mascates e expulsaram os jesuítas que viviam ali. Por cerca de um ano, Manuel Beckman controlou uma junta revolucionária e governou a Província do Maranhão. Por fim, em 15 de maio de 1685, o novo governador, Gomes Freire de Andrade, no comando de tropas portuguesas, desembarcou na cidade, onde não encontrou resistência. Ele reempossou as autoridades e, com a confirmação das acusações feitas à Companhia do Comércio do Maranhão, solicitou o fim de suas atividades. Já os líderes da revolta, Manuel Beckman e Jorge de Sampaio, foram presos, julgados e condenados à morte pela forca, enquanto os outros envolvidos foram condenados à prisão perpétua. GUERRA DOS EMBOABAS (1708-1709) No Brasil colônia, o final do século XVII foi marcado pela descoberta de ouro na região do atual estado de Minas Gerais. Quem fez a descoberta foram bandeirantes paulistas, que se estabeleceram na região e passaram a explorar as jazidas. Quando a notícia da existência do ouro se espalhou, milhares de pessoas se mudaram para o local, vindas de Portugal e de diversas partes do Brasil, como Bahia e Pernambuco. Aqueles que chegavam à região atraídos pelo ouro eram apelidados pelos bandeirantes de “emboabas”. Segundo algumas fontes, a expressão, vinda da língua tupi, significa “aves de pernas emplumadas” — dizem que o apelido era devido às botas que os forasteiros usavam para se proteger das picadas de cobras, insetos e espinhos nas matas fechadas (os paulistas, por sua vez, andavam descalços). De acordo com outras fontes, porém, o termo emboaba significa “os que invadem ou agridem”. Os paulistas queriam manter sua exclusividade na exploração do ouro. Eles tinham como líder o bandeirante Manuel de Borba Gato. Os emboabas, por sua vez, estavam determinados a assumir o controle das minas. Os conflitos entre os dois grupos começaram em 1707. No final de 1708, os emboabas atacaram o arraial do Sabará, onde muitos paulistas estavam concentrados, e proclamaram governador da região o português Manuel Nunes Viana, que se tornou o líder dos emboabas. A atitude foi considerada uma afronta à coroa portuguesa, pois quem escolhia os governantes do Brasil era o rei de Portugal. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 Pouco tempo depois, os emboabas atacaram novamente os paulistas, dessa vez no arraial da Ponta do Morro (atual cidade mineira de Tiradentes). A essa altura, cerca de dois terços das minas já estavam sob o domínio dos emboabas. O episódio, considerado o mais violento da guerra, aconteceu no início de 1709. Um grupo grande de paulistas foi encurralado pelos emboabas, que prometeram libertaros adversários caso eles se rendessem. No entanto, mesmo depois da rendição, os emboabas não respeitaram o acordo e mataram os paulistas. O acontecimento ficou conhecido como Capão da Traição. A guerra terminou quando o governador do Rio de Janeiro, que era representante do rei português, viajou para a região. Lá chegando, ele demitiu Nunes Viana, mas manteve a administração criada pelos emboabas. Os paulistas se afastaram, indo procurar ouro em áreas que mais tarde formariam Goiás e Mato Grosso. O governo português percebeu a necessidade de organizar a ocupação daquele valioso território e criou a capitania de São Paulo e Minas de Ouro, em 1709. Surgiram também as primeiras vilas na região do conflito, como Vila Rica (em 1711), atual Ouro Preto. GUERRA DOS MASCATES (1710-1711) O domínio holandês de Pernambuco (1630-1654) transformou Recife, de mero porto de Olinda, em grande centro urbano e comercial de açúcar. Com a expulsão dos holandeses, formou-se uma nova burguesia de mercadores, vindos, a maioria, do norte de Portugal. Eles se dedicavam ao pequeno comércio fixo, ou eram caixeiros (vendedores ambulantes) — daí o apelido “mascate”, que significa “mercador ambulante”. Muitos deles chegaram a enriquecer, adquirindo engenhos e escravos. No final do século XVII, o setor açucareiro entrou em crise, devido à concorrência da produção de cana-de-açúcar nas Antilhas e à expulsão dos holandeses, que tinham investido na economia. Como consequência, muitos senhores de engenho passaram a depender economicamente dos mercadores portugueses, de quem tomavam altos empréstimos para tocar seus engenhos em Olinda. A aristocracia pernambucana se endividava com o dinheiro da burguesia. Com o poder econômico nas mãos, esses mercadores passaram a reivindicar também o poder político, para participar das principais decisões locais, como a definição dos preços das mercadorias e dos impostos. Tudo isso era decidido dentro da Câmara Municipal de Olinda, dominada pelos senhores de engenho. Assim que os mercadores começaram a cobiçar os cargos da câmara, o conflito se intensificou, culminando na luta armada. Os comerciantes pressionaram o governo português para que Recife fosse elevada à condição de vila, independente de Olinda. Assim, eles também teriam poder político para cobrar o dinheiro que os senhores de engenho lhes deviam. A coroa portuguesa atendeu o pedido dos comerciantes e, em 1709, Recife transformou-se em vila. A notícia não agradou aos senhores de engenho. Afinal, era um pesadelo se submeter aos seus credores (emprestadores). Não tardou para a luta armada começar. Uma confederação de índios e vários negros livres entraram na luta ao lado dos mascates. Os senhores de engenho, por seu lado, chegaram a discutir a formação de um governo independente de Portugal. Após dois anos de disputa equilibrada, os mascates venceram e a autonomia de Recife foi mantida. Descontentes, os senhores de engenho começaram a resistir às ordens vindas de Portugal, o que foi um prenúncio para outros conflitos na região, como a Revolução Pernambucana, em 1817, e a Confederação do Equador, em 1824. A vitória dos mascates, por seu lado, representou a afirmação de um novo grupo econômico e a decadência da economia açucareira. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 6 REVOLTA DE FILIPE DOS SANTOS (1720) Também conhecida como Revolta de Vila Rica, esse movimento nativista ocorreu no ano de 1720, na região das Minas Gerais, durante o período do Ciclo do Ouro. A região de Minas Gerais produzia muito ouro no século XVIII. A coroa portuguesa aumentou muito a cobrança de impostos na região. O quinto, por exemplo, era cobrado sobre todo outro extraído (20% ficavam com Portugal). Essa cobrança ocorria nas Casas de Fundição. Era proibida a circulação de ouro em pó ou em pepitas. Quem fosse pego desrespeitando as leis portuguesas era preso e recebia uma grave punição (degredo para a África era a principal). Os donos das minas estavam sendo prejudicados com as novas medidas da Coroa para dificultar o contrabando do ouro em pó. A Coroa Portuguesa decidiu instalar quatro casas de fundição, em que todo ouro deveria ser fundido e transformado em barras, com o selo do Reino (nessa mesma ocasião era recolhido o imposto de cada cinco barras, uma ficava para a Coroa portuguesa). Assim, só poderia ser comercializado o ouro em barras com o selo real, acabando com o contrabando paralelo do ouro em pó e consequentemente, com o lucro maior dos donos das minas. Então, esses últimos organizaram essa revolta para acabar com as casas de fundição, com os impostos e com o forte controle em cima do contrabando. Felipe dos Santos Freire era um rico fazendeiro e tropeiro (dono de tropas de mulas para transporte de mercadorias). Com seus discursos e ideias atraiu a atenção das camadas mais populares e da classe média urbana de Vila Rica. Defendia o fim das Casas de Fundição e a diminuição da fiscalização metropolitana. A revolta durou quase um mês. Os revoltosos pegaram em armas e chegaram a ocupar Vila Rica. Diante da situação tensa, o governador da região, Conde de Assumar, chamou os revoltosos para negociar, solicitando que abandonassem as armas. Após acalmar e fazer promessas aos revoltosos, o conde ordenou às tropas para que invadissem a vila. Os líderes foram presos e suas casas incendiadas. Felipe dos Santos, considerado líder, foi julgado e condenado à morte por enforcamento. Os revoltosos realizaram uma marcha até a sede do governo da capitania em Mariana, e como o governador Conde de Assumar não tinha uma maneira de barrar a força dos donos das minas, ele prometeu que as casas de fundição não seriam instaladas e que o comércio local seria livre de impostos. Os rebeldes voltaram então para Vila Rica, de onde haviam saído. Aproveitando a trégua, o conde mandou prender os líderes do movimento, cujas casas foram incendiadas. Muitos deles foram deportados para Lisboa, mas Filipe do Santos foi condenado e executado. Assim, essa revolta não conseguiu cumprir seus objetivos e foi facilmente sufocada pelo governo. Felipe dos Santos foi morto porque ele e sua tropa demoliram as casas de fundição. Por seu caráter nativista e de protesto contra a política metropolitana, muitos historiadores consideram esse movimento como um embrião da Inconfidência Mineira (1789). https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO MOVIMENTOS EMANCIPACIONISTAS ............................................................................................................... 2 INCONFIDÊNCIA MINEIRA .......................................................................................................................... 2 CONJURAÇÃO BAIANA ............................................................................................................................... 3 REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA ................................................................................................................. 4 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 MOVIMENTOS EMANCIPACIONISTAS INCONFIDÊNCIA MINEIRA A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta abortada pelo governo em 1789, em pleno ciclo do ouro, na então capitania de Minas Gerais, no Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português. Foi um dos mais importantes movimentos sociais da História do Brasil. Significou a luta do povo brasileiro pela liberdade, contra a opressão do governo português no período colonial. No final do século XVIII, o Brasil ainda era colônia de Portugal e sofria com os abusos políticos e com a cobrança de altas taxas e impostos. Além disso, a metrópole havia decretado uma série de leis que prejudicavam o desenvolvimento industrial e comercial do Brasil. No ano de 1785, por exemplo, Portugal decretou umalei que proibia o funcionamento de indústrias fabris em território brasileiro. Causas Neste período, era grande a extração de ouro, principalmente na região de Minas Gerais. Os brasileiros que encontravam ouro deviam pagar o quinto, ou seja, vinte por cento de todo ouro encontrado acabava nos cofres portugueses. Aqueles que eram pegos com ouro “ilegal” sofria duras penas, podendo até ser degredado. Com a grande exploração, o ouro começou a diminuir nas minas. Mesmo assim, as autoridades portuguesas não diminuíam as cobranças. Nesta época, Portugal criou a Derrama. Esta funcionava da seguinte forma: cada região de exploração de ouro deveria pagar 100 arrobas de ouro (1500 quilos) por ano para a metrópole. Quando a região não conseguia cumprir essas exigências, soldados da Coroa entravam nas casas das famílias para retirarem os pertences até completar o valor devido. Todas essas atitudes foram provocando uma insatisfação muito grande no povo e, principalmente, nos fazendeiros rurais e donos de minas que queriam pagar menos impostos e ter mais participação na vida política do país. Alguns membros da elite brasileira (intelectuais, fazendeiros, militares e donos de minas), influenciados pelas ideias de liberdade que vinham do Iluminismo europeu, começaram a se reunir para buscar uma solução definitiva para o problema: a conquista da independência do Brasil. Os Inconfidentes O grupo, liderado pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido por Tiradentes, era formado pelos poetas Tomas Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, o dono de mina, Inácio de Alvarenga, o padre Rolim, entre outros representantes da elite mineira. A ideia do grupo era conquistar a liberdade definitiva e implantar o sistema de governo republicano em nosso país. Sobre a questão da escravidão, o grupo não possuía uma posição definida. Esses inconfidentes chegaram a definir até mesmo uma nova bandeira para o Brasil. Ela seria composta por um triângulo vermelho em um fundo branco, com a inscrição em latim: Libertas Quae Sera Tamen. Consequências A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo de resistência para os mineiros, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A Bandeira idealizada pelos inconfidentes foi adotada pelo estado de Minas Gerais. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 Curiosidades • Na primeira noite em que a cabeça de Tiradentes foi exposta em Vila Rica, foi furtada, sendo o seu paradeiro desconhecido até aos nossos dias. • Tratando-se de uma condenação por inconfidência (traição à Coroa), os sinos das igrejas não poderiam tocar quando da execução. Afirma a lenda que, mesmo assim, no momento do enforcamento, o sino da igreja local soou cinco badaladas. • A casa de Tiradentes foi arrasada, o seu local foi salgado para que mais nada ali nascesse, e as autoridades declararam infames todos os seus descendentes. • Tiradentes jamais teve barba e cabelos grandes. Como alferes, o máximo permitido pelo Exército Português seria um discreto bigode. Durante o tempo em que passou na prisão, Tiradentes, assim como todos os presos, tinha periodicamente os cabelos e a barba aparados, para evitar a proliferação de piolhos, e, durante a execução, estava careca com a barba feita, pois o cabelo e a barba poderiam interferir na ação da corda. CONJURAÇÃO BAIANA Conjuração Baiana foi uma rebelião popular que ocorreu na Bahia, no dia 25 de agosto de 1798, que pretendia libertar o Brasil de Portugal e atender às reivindicações das camadas pobres da população. Também conhecida como Revolta dos Alfaiates, a agitação popular era composta, em sua maioria, por escravos, negros livres, mulatos, brancos pobres e mestiços que exerciam as mais diferentes profissões, como alfaiates, sapateiros, pedreiros, entre outras. Repercutia na Bahia o movimento chefiado pelo bravo negro Toussaint Louverture, no Haiti, contra os colonizadores franceses - o primeiro grande levante de escravos bem sucedidos na história. Aquelas mesmas ideias de república, liberdade e igualdade pregadas na Revolução Francesa e na Conjuração Mineira agitavam agora a Bahia. A população da cidade de Salvador, antiga capital do Brasil, vivendo em situação de penúria, depois que a capital do Brasil colônia foi transferida para o Rio de Janeiro (1763), pregava a necessidade de se fundar no Brasil uma "República Democrática" e uma sociedade onde não houvesse diferenças sociais, onde todos fossem iguais, e onde houvesse "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". Líderes da Conjuração Baiana A Conjuração Baiana teve como principais líderes os alfaiates João de Deus e Faustino dos Santos Lira, os soldados Luís Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas, homens pobres, de cor e sem prestígio social, que estavam ligados aos movimentos da Maçonaria. As ideias políticas da "Revolução Francesa" continuavam a chegar ao Brasil, inclusive por intermédio da Maçonaria. A primeira loja maçônica, Cavaleiros da Luz, criada na Bahia, contava com a participação de intelectuais, como José da Silva Lisboa, futuro Visconde de Cairu, o cirurgião Cipriano Barata, o farmacêutico João Ladislau de Figueiredo, o padre Francisco Gomes, o "médico dos pobres" Cipriano Barata, o professor de latim Francisco Barreto e o tenente Hermógenes Pantoja, que se reuniam para ler Voltaire, traduzir Rousseau e organizar a conspiração. No dia 12 de agosto de 1798, surgiram nos pontos de maior movimento de Salvador, vários papéis manuscritos, pregados nos muros, chamando a população à luta e proclamando ideias de liberdade, igualdade, fraternidade e República, utilizando palavras como: Animai-vos, povo baiense, que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos, o tempo em que todos seremos iguais. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 A Prisão dos Rebeldes O governador da Bahia, D. Fernando José de Portugal e Castro, soube por meio de uma denúncia feita por Carlos Baltasar da Silveira, que os conspiradores iriam se reunir no Campo de Dique, no dia 25 de agosto. O clima de agitação se espalhava, a forca, um dos mais importantes símbolos do poder português, foi incendiada. Todos os padres que pregavam contra a revolução eram ameaçados de morte. A ação do governo foi rápida, o coronel Teotônio de Souza foi encarregado de surpreendê-los em flagrante. Com a aproximação das tropas do governo, muitas pessoas conseguiram fugir. Reprimida a rebelião, as prisões sucederam-se e o movimento foi desarticulado. Foram presos 49 pessoas, três eram mulheres, nove eram escravos, a grande maioria eram alfaiates, barbeiros, soldados, bordadores e pequenos comerciantes. Os principais envolvidos foram levados a julgamento. Um ano e dois meses depois, eram condenados à morte por enforcamento e depois esquartejados: Luís Gonzaga das Virgens, Lucas Dantas, João de Deus e Manuel Faustino dos Santos Lira e intelectuais como Cipriano Barata que foram absolvidos. Os corpos esquartejados foram expostos em diversos locais da cidade de Salvador. REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA A chegada da Família Real Portuguesa, a partir de 1808, estabeleceu uma série de transformações que determinaram maior liberdade econômica às elites agroexportadoras do país. Contudo, essas regalias também foram seguidas pela elevação dos impostos para o financiamento de conflitos em que Dom João VI havia se envolvido. Ao mesmo tempo, observamos que os comerciantes portugueses foram notadamente beneficiados com regalias que ampliavam os lucros da chamada “nobreza da terra”. Tais medidas chegaram à região de Pernambuco quando os produtores sofriam com a flutuação do açúcar e do algodão no mercado internacional. Mediante essa dificuldade econômica, grande parte da população tinha grande dificuldade para pagar os impostos estabelecidos pela CoroaPortuguesa. Isso tudo ocorria em um tempo no qual os ideais de liberdade e igualdade do iluminismo rondavam alguns quadros da elite intelectual da época. Nesse contexto de tantas insatisfações e problemas, os proprietários de terra e outros brancos livres pobres organizaram o movimento que eclodiu em março de 1817. Após derrotarem as tropas defensoras de Portugal, os revoltosos formaram um governo provisório composto por cinco membros. Além disso, estabeleceram a formação de um grupo de emissários que difundiriam o movimento em outras capitanias do Brasil e algumas nações europeias. Logo que soube do ocorrido, o governo português organizou tropas na Bahia e no Rio de Janeiro com o objetivo de abafar o levante. Enquanto as tropas terrestres tomavam as regiões do interior, a cidade do Recife foi cercada por embarcações que interromperam a comunicação da capitania com outras regiões. Os líderes acabaram sendo presos e executados. Dessa forma, o governo lusitano preservava a sua hegemonia política através da força das armas. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO PERÍODO JOANINO ............................................................................................................................................ 2 ANTECEDENTES DA VINDA DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL .................................................................. 2 PRINCIPAIS MUDANÇAS DECORRENTES DO PERÍODO JOANINO .............................................................. 2 JOÃO VI E A POLÍTICA EXTERNA DURANTE O PERÍODO JOANINO ............................................................ 3 A VOLTA DA FAMÍLIA REAL PARA PORTUGAL ........................................................................................... 3 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 PERÍODO JOANINO O Período Joanino refere-se ao momento da história do Brasil que, ainda colônia de Portugal, tornou-se sede oficial da coroa portuguesa durante o reinado de D. João VI. Esse processo teve início com a chegada da família real em 1808. Após desembarcarem na Bahia, onde é hoje a cidade de Salvador, D. João VI e pessoas da Corte Portuguesa, embarcaram em um navio rumo à cidade do Rio de Janeiro. Já no Rio de Janeiro, durante os anos que se seguiram, D. João VI governou Portugal e o Brasil até 1821, quando decidiu retornar à Europa, dando fim ao Período Joanino. ANTECEDENTES DA VINDA DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL Os acontecimentos do Período Napoleônico são os responsáveis pela mudança da família real portuguesa para o Brasil. Um desses motivos deu-se pelo Bloqueio Continental, decreto feito por Napoleão Bonaparte que proibia as nações europeias de comercializarem com a Inglaterra. Dentre as medidas do decreto, uma delas dizia que os países que não aderissem ao bloqueio teriam seus territórios invadidos pelo poderio militar das tropas francesas. Como imagina-se, Portugal sob o comando de D. João VI, optou por continuar suas relações econômicas com os ingleses, pois estes eram seus maiores aliados políticos e econômicos. Com o descumprimento do decreto, Napoleão ordenou a invasão da Península Ibérica, formada por Portugal e Espanha, no ano de 1807. Os desdobramentos das invasões napoleônicas foram: • destituição do rei espanhol pelo irmão de Napoleão, José Bonaparte; • fuga do rei de Portugal, D. João VI acompanhado de um contingente considerável de pessoas da corte portuguesa. Composta por aproximadamente 46 embarcações, a frota de navios portugueses foi escoltada pela Marinha inglesa até o destino, a costa brasileira. Cerca de 10 a 15 mil pessoas partiram com destino ao novo e recém-descoberto continente. Registros históricos mostram que a viagem foi tortuosa e repleta de problemas. Além das questões climáticas, como as tempestades marítimas, por ter sido realizada às pressas e sem planejamento, houve também a falta de comida. Soma-se a isso um surto de piolhos que obrigou homens e mulheres a rasparem os cabelos. Em janeiro de 1808, D. João VI e parte da corte portuguesa chega na região de Salvador. Já no mês seguinte, o rei português parte para a cidade do Rio de Janeiro, chegando lá em março. A partir daí, D. João VI deu início ao seu novo reinado no continente americano recém- descoberto, período que se estendeu por 13 anos, até 1821. PRINCIPAIS MUDANÇAS DECORRENTES DO PERÍODO JOANINO Instalado em terras tupiniquins, a primeira medida relevante tomada por D. João VI consistiu na abertura dos portos brasileiros às nações amigas. O motivo dessa decisão estava diretamente relacionado com a ainda ocupação francesa em Portugal, que dificultava qualquer tipo de comercialização. Com o decreto, a Inglaterra tornou-se então o principal parceiro econômico da coroa portuguesa, visto sua força no comércio marítimo. Além disso, a medida trouxe o fim do monopólio comercial praticado por Portugal sobre a colônia, permitindo que grandes proprietários e comerciantes brasileiros pudessem negociar diretamente com compradores de outros países. Dentre outras medidas do governo português em terras brasileiras, havia: https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 • incentivo e instalação de manufaturas com o objetivo de produzir mercadorias manufaturadas nacionais que competissem com os produtos ingleses; • criação de faculdades (medicina e direito) em Salvador e Rio de Janeiro; • construção de bibliotecas, museus, teatros etc. Isso de certa forma contribuiu muito para o desenvolvimento do intelectualismo no Brasil e crescimento da circulação de ideias sobre os mais diversos temas da sociedade. Artistas e intelectuais estrangeiros, incentivados por esse crescimento educacional, começaram a chegar no Brasil. Dentre os mais notáveis podemos destacar o botânico e naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire e o pintor Debret. Ambos acompanhados pela chamada Missão Artística Francesa. Esse período trouxe também como resultado o aumento populacional da cidade do Rio de Janeiro, indo de 50 mil habitantes em 1808 para 100 mil no ano de 1822. Entretanto, pode- se dizer que a medida mais importante feita por D. João VI veio a seguir. Após sofrer pressão das nações integrantes do Congresso de Viena, que diziam ser inaceitável que um rei europeu governasse em uma colônia e não em um reinado, o rei português em resposta decide elevar o Brasil à condição de reino. Da decisão, surgiu então o Reino de Portugal, Brasil e Algarves. Assim, a colônia era agora uma extensão do reino de Portugal. JOÃO VI E A POLÍTICA EXTERNA DURANTE O PERÍODO JOANINO Em meio às medidas que aconteciam em território nacional, o reinado de D. João VI no Brasil envolveu também questões com países vizinhos que eram dominados por nações estrangeiras. Dentre elas, podemos citar: • invasão da Guiana Francesa em 1809, em represália às invasões em Portugal decorrentes do Bloqueio Continental; • Conflito pela Cisplatina, onde por ordem de D. João VI, o território de onde hoje é o Uruguai foi invadido e anexado ao Brasil em 1811. A VOLTA DA FAMÍLIA REAL PARA PORTUGAL O retorno de parte da família real portuguesa para Portugal aconteceu principalmente em razão da pressão da classe burguesa. Dentre as demandas, era exigido: • Revolução Liberal do Porto - medida que buscava a volta da autonomia econômica brasileira, livre das imposições de Portugal; • retorno do reinado português no Brasil para o modelo de colônia; • regresso imediato de D. João VI para Portugal. Esses fatores foram cruciais para o retorno da coroa portuguesa ao seu país de origem com parte da nobreza. No entanto, como forma de ainda exercer seu poder em terras brasileiras, D. João VI deixa seu filho mais velho, Dom Pedro, no cargo de príncipe-regente. Com a atitude, o laço entre Brasil e Portugal seria mantido até os acontecimentos que levariam à independência. https://www.alfaconcursos.com.br/alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO PRIMEIRO REINADO ........................................................................................................................................... 2 O RECONHECIMENTO DA INDEPENDÊNCIA .............................................................................................. 2 CONSTITUIÇÃO DA MANDIOCA ................................................................................................................. 2 CONSTITUIÇÃO DE 1824 ............................................................................................................................ 3 CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR ................................................................................................................ 3 GUERRA DA CISPLATINA ............................................................................................................................ 4 ECONOMIA NO PRIMEIRO REINADO ......................................................................................................... 5 CRISE DO PRIMEIRO REINADO ................................................................................................................... 5 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 PRIMEIRO REINADO O Primeiro Reinado corresponde ao período de 7 de setembro de 1822 a 7 de abril de 1831, em que o Brasil foi governado por D. Pedro I, primeiro imperador do Brasil. Esta época tem início com a declaração da Independência do Brasil e termina com a abdicação de Dom Pedro I a favor do seu filho e herdeiro. O Primeiro Reinado é marcado por disputas entre a elite agrária e o imperador, além de conflitos regionais no Nordeste e na Cisplatina. O RECONHECIMENTO DA INDEPENDÊNCIA Visando fortalecer a sua presença no cenário político americano, os Estados Unidos foram a primeira nação a reconhecer a autonomia política brasileira, em maio de 1824. Nesse período, a chamada “Doutrina Monroe” era empregada na política externa estadunidense como meio de se repudiar qualquer tentativa de recolonização pelas antigas monarquias absolutistas. Em março de 1825, as autoridades mexicanas fortaleceram o coro de países que legitimavam o Brasil Independente. A Inglaterra, como grande fornecedora de produtos manufaturados ao país, tinha grande interesse em reconhecer a independência do Brasil. Entretanto, a ação política e diplomática britânica temia que tal posição viesse a estabelecer uma crise nas relações entre Portugal e Inglaterra. De tal modo, os britânicos se organizaram a fim de intermediar um acordo de reconhecimento entre autoridades portuguesas e brasileiras. No dia 29 de agosto de 1825, portugueses e brasileiros assinaram o Tratado de Paz e Amizade. Segundo o acordo firmado, o governo português reconhecia a independência do Brasil a partir do pagamento de uma indenização no valor de dois milhões de libras esterlinas. Além disso, Dom Pedro I se comprometeu a ceder o título honorário de imperador do Brasil a Dom João VI e não tomar nenhuma iniciativa a fim de anexar algumas das colônias portuguesas ao seu território. CONSTITUIÇÃO DA MANDIOCA No ano seguinte a proclamação da Independência, reuniu-se os representantes das províncias (como passaram a ser chamadas as antigas capitanias) para elaborar a primeira Constituição brasileira. A maioria dos deputados da Assembléia Constituinte de 1823 defendia os interesses dos grandes proprietários rurais, que haviam influenciado no processo de independência do Brasil. Em setembro de 1823 os deputados concluíram um projeto de constituição. Esse projeto era contra comerciantes e militares que ainda desejavam a recolonização do Brasil. Por isso proibia estrangeiro de ocupar cargos públicos como deputados e senadores. Outra característica era a preocupação em reduzir os poderes do imperador e aumentar os poderes do legislativo. O projeto, por exemplo, estabelecia que o imperador não podia dissolver o parlamento e que as forças armadas obedeceriam ao legislativo e não ao imperador. O projeto de constituição tinha a intenção de limitar a participação política somente à elite, por isso concedia direito de participação política apenas aos grandes proprietários rurais do sexo masculino, pois para ser eleitor, o homem precisava ter renda mínima equivalente ao valor da produção de 150 alqueires de farinha de mandioca. Para ser eleito a renda precisava ser ainda maior. Daí o projeto ficar conhecido como "Constituição da Mandioca". Pedro I recusou esse projeto, pois ele diminuía seus poderes. Com o apoio de tropas militares, pôs fim a Assembléia constituinte em 12 de novembro de 1823. Os deputados que reagiram ao ato de força do imperador foram presos e expulsos do país. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 CONSTITUIÇÃO DE 1824 Dom Pedro convocou os seis ministros, além dos políticos de sua confiança, para redigir essa Constituição após dissolver a Constituinte no ano de 1823. Participou, também, pessoalmente, da redação da Constituição para garantir que seu poder de imperador fosse mantido. Outorgada no dia 25 de março de 1824, a Constituição trazia algumas características bastante marcantes. Concentrava poderes nas mãos do imperador por meio do poder moderador, e determinava que somente os ricos podiam votar, baseando-se na renda para este quesito e excluindo a maioria da população brasileira na hora da escolha dos representantes. A Igreja era subordinada ao estado e havia uma manutenção do sistema, determinando a garantia dos interesses da aristocracia. Ficou determinado ainda por essa Constituição que o Brasil permaneceria seguindo o regime político monárquico, sendo este transmitido de forma hereditária. O poder do imperador, denominado poder moderador, ficou acima dos outros poderes, garantindo que ele pudesse controlar e regular todos os outros, tendo, portanto, o poder absoluto de todas as outras esferas do governo. Além disso, o voto era censitário e ficou estabelecida a presença de quatro poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador. Houve ainda a criação de um Conselho de Estado cujos integrantes eram escolhidos pelo imperador. O poder executivo era regido pelo imperador e pelos ministros de Estado, sendo que estes executariam as leis do país, que seriam elaboradas pelos deputados e senadores. O território foi dividido em províncias e foram estabelecidos direitos e garantias individuais. A ideia de estabelecer o poder de voto para o poder legislativo foi uma tentativa falha de conferir um caráter mais popular à carta, porém era voto indireto, ou seja, os cidadãos votavam em Eleitores da Província que escolheriam os seus parlamentares. Os Eleitores da Província deveriam ser homens livres, sem antecedentes criminais e que tivessem renda anual superior a 200 mil réis. Os deputados tinham que ter renda superior a 400 mil réis e deveriam seguir a religião católica, determinada como a oficial do país, e os senadores, cujo cargo era vitalício, deveriam ter renda anual superior aos 800 mil réis, além de idade superior a 40 anos. CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR No início do século XIX, a província de Pernambuco estava dividida entre os que apoiavam o domínio dos portugueses no Brasil e os que desejavam vê-los fora do poder. No sul da província, cultivava-se principalmente a cana-de-açúcar; no norte, a economia era mais diversificada, baseando-se sobretudo no cultivo do algodão além da cana-de-açúcar. Os donos dos engenhos de açúcar apoiavam os portugueses, pois sentiam que as ideias liberais (dentre elas o abolicionismo) ameaçavam suas propriedades. Já a aristocracia ligada ao algodão desejava ver-se livre da influência portuguesa, pois queria autonomia para realizar comércio, a partir da abertura dos portos. Foi nesse cenário dividido que os ideais republicanos se difundiram e diversas revoltas surgiram na região. Dois movimentosmarcantes influenciaram as províncias rebeldes da Confederação do Equador: a Revolução Pernambucana de 1817 e o Movimento Constitucionalista de 1821, que levou à declaração da Independência do Brasil, em 1822. Na época, todas as províncias eram subordinadas ao Rio de Janeiro, que era a sede do império. As províncias desejavam mais autonomia em relação ao governo do imperador dom Pedro I. Porém, ainda em 1822, o imperador havia lançado medidas ainda mais centralizadoras. Além disso, mesmo com a independência, os portugueses continuavam a ter muito poder nas decisões das províncias nordestinas. Em Pernambuco, formou-se um governo provisório fiel ao imperador, a Junta dos Matutos, que em 1824 foi deposta. Dom Pedro I nomeou Francisco Pais Barreto para assumir o governo da província, mas Manuel Carvalho Pais de Andrade já havia https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 sido eleito localmente pelos representantes do comércio, da agricultura e do clero. Esse foi o ponto inicial do conflito entre a província de Pernambuco e o governo imperial. Os pernambucanos recusaram-se a aceitar Pais Barreto como governador e, em resposta, dom Pedro I mandou forças navais, que bloquearam o porto de Recife. Pais de Andrade lançou um manifesto, incentivando a população a unir-se ao movimento revolucionário. O bloqueio naval foi suspenso e a rebelião logo ganhou o apoio de províncias vizinhas (Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba), que viviam situação semelhante à de Pernambuco. Surgiu assim a Confederação do Equador, com Pais de Andrade na chefia de um governo independente na região. A repressão do governo central foi severa. Pouco tempo depois, o movimento foi derrotado. A província de Pernambuco acabou perdendo parte de seu território (a antiga comarca do rio São Francisco) para a província da Bahia. Vários líderes da rebelião, como frei Caneca, foram enforcados ou fuzilados, enquanto outros, como Cipriano Barata, acabaram presos. Assim terminava um movimento importante da história do Brasil. GUERRA DA CISPLATINA A Guerra da Cisplatina aconteceu entre o Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata, atual Argentina. Esse foi o primeiro conflito do Brasil como nação independente e foi causado pela disputa entre as duas nações pelo controle da Cisplatina, província no extremo sul do Brasil. A guerra durou de 1825 a 1828 e teve duas grandes consequências para o Brasil: a perda do território da Cisplatina, que se tornou uma nação independente, e a perda de popularidade do imperador d. Pedro I. A Guerra da Cisplatina estendeu-se por três anos e, nesse período, os objetivos das nações envolvidas nessa luta eram os seguintes: • Brasil: o objetivo do Império era pôr fim à rebelião que acontecia na Cisplatina e recuperar o território rebelde. • Cisplatina: o objetivo de Lavalleja, na liderança dos 33 orientais, era anular o domínio brasileiro na região, para, em seguida, anexar-se às Províncias Unidas. Também existiam uruguaios que defendiam a independência da região. • Províncias Unidas: anexar a Cisplatina ao seu território. A Guerra da Cisplatina, ao longo de seus três anos, foi um conflito extremamente impopular, principalmente por não ser identificada como uma causa legitimamente brasileira e por conta de seu impacto na economia do país. O desejo das elites nacionais, na década de 1820, era a manutenção da paz para garantir o desenvolvimento do país. O imperador ordenou o fechamento dos portos na região platina e anunciou uma recompensa pela captura de Lavalleja e Frutuoso Rivera (outro líder militar dos uruguaios). Essas decisões só contribuíram para acirrar mais os ânimos. A falta de preparo para o conflito custou caro ao país, que foi derrotado em inúmeras batalhas, tais como a Batalha de Ituzaingó, em fevereiro de 1827. Com tal derrota, o governo imperial aceitou negociar termos para o fim da guerra. Após muita negociação, ficou decidido na Convenção Preliminar de Paz que o Brasil aceitava renunciar à Cisplatina e concordava com a derrota militar sofrida nesse conflito. A historiadora Isabel Lustosa fala que, ao longo dessa guerra, o Brasil gastou cerca de 30 milhões de dólares e cerca de 8 mil soldados morreram. Como parte desse acordo de paz, houve a independência da Cisplatina e, assim, em 27 de agosto de 1828, surgia a República Oriental do Uruguai. Esse acordo realizado entre brasileiros https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 e argentinos contou com a mediação de representantes do Reino Unido e da França. A Guerra da Cisplatina só endividou o Brasil e abalou grandemente a popularidade de d. Pedro I. ECONOMIA NO PRIMEIRO REINADO Durante o primeiro reinado, o Brasil, enfrentava uma grande crise econômica, pois faltava um produto para exportação. Esse fato fazia o país depender de empréstimos do exterior. A cada ano a dívida aumentava devido aos juros e D. Pedro I aumentava os impostos para compensar os gastos. Balança de comércio do Brasil (1823- 1831): Em milhares de contos de réis. CRISE DO PRIMEIRO REINADO Nos últimos anos de seu governo, D. Pedro I sofreu uma série de ataques através dos jornais e espaços públicos tomados por oposicionistas. De tendência liberal, criticavam o envolvimento do imperador na questão sucessória portuguesa, os gastos promovidos com os conflitos na Cisplatina e o pagamento de indenização para obter o reconhecimento da independência por Portugal. Ao mesmo tempo, esses oposicionistas atacavam as ações autoritárias que marcaram a carreira do nosso primeiro imperador. Após a morte de D. João VI, o trono português ficou vago, D. Pedro não podia assumir duas coroas então decide abdicar ao trono de Portugal em favor de sua filha Maria da Glória, porém D. Miguel, irmão de D. Pedro I usurpou o trono. Esse fato fez o imperador brasileiro armar um exército português com recursos brasileiros o que gerou mais descontentamento. Como se não bastassem todas essas críticas, o assassinato do jornalista Líbero Badaró, um dos mais ferrenhos críticos do imperador, acabou agravando tal situação. Suspeito de ter algum tipo de envolvimento no crime, acontecido em novembro de 1830, D. Pedro I resolveu organizar uma luxuosa comitiva que buscaria apoio à autoridade imperial em outras províncias do país. Ao lado de sua segunda esposa, Dona Amélia de Leuchtenberg, a comitiva imperial se dirigiu até Minas Gerais. A imprensa, principal oposicionista sofria violenta repressão em São Paulo. No ano de 1830, o jornalista Líbero Badaró, responsável pelo Jornal Observador Constitucional foi assassinado. A impunidade dos envolvidos levantou suspeita sobre o envolvimento do imperador. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 6 Ao chegar à cidade de Ouro Preto, o imperador foi hostilizado pelos moradores que sabiam das escandalosas suspeitas envolvendo o assassinato de Líbero Badaró. Na medida em que a comitiva atravessava as ruas da cidade, os moradores indignados fechavam as portas de suas casas e deixavam panos pretos à mostra. Em pouco tempo, a manifestação de repúdio enfureceu o imperador, que decidiu retornar até a cidade do Rio de Janeiro. Sabendo da humilhação pública sofrida, os partidários de D. Pedro I, em sua maioria portugueses, resolveram organizar uma grande festa de recepção ao imperador. Inconformados com tal atitude, os brasileiros insatisfeitos com a administração imperial começaram a hostilizar os portugueses defensores do rei. Foi uma simples questão de tempo para que tal situação resultasse em um conflito entre brasileiros e portugueses pelas ruas do Rio de Janeiro. Tal evento acabou ficando conhecido como a “Noite das Garrafadas”, tendo em vista que os portugueses usaram garrafas e cacos de vidro contra os brasileiros que os atacavam. Por fim, essa violenta confusão revelava que a imagem política de Dom Pedro I era praticamente insustentável.De fato, esse foi um dos últimos escândalos que antecederam a abdicação do imperador, acontecida no dia 7 de abril de 1831. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO PERÍODO REGENCIAL ......................................................................................................................................... 2 PRINCIPAIS REVOLTAS DO PERÍODO REGENCIAL ...................................................................................... 4 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 PERÍODO REGENCIAL A Farroupilha, Cabanagem, Sabinada, Balaiada, e Revolta dos Malês fazem parte de um conjunto de revoltas ocorridas durante o período regencial da história do Brasil. Entre os anos de 1822 (nossa “independência” política) e 1889, (com a proclamação da república) vivemos o nosso período imperial, dividido em dois reinados com uma regência entre eles. Entre o fim do primeiro reinado (1822-1831) e início do segundo reinado (1840-1889) nosso governo esteve nas mãos de regentes. O fim do primeiro reinado se dá com a renúncia de D. Pedro I, porém, com apenas cinco anos, o futuro imperador D. Pedro II não poderia assumir. De acordo com a constituição vigente o Brasil seria dirigido por uma regência integrada por três representantes. A Constituição Brasileira de 1824 previa a existência de quatro poderes: legislativo, executivo, judiciário e moderador (a vontade do imperador tinha preponderância sobre os outros poderes). O texto constitucional dizia o seguinte sobre a sucessão imperial: CAPITULO V Da Regência na menoridade, ou impedimento do Imperador. Art. 121. O Imperador é menor até a idade de dezoito anos completos. Art. 122. Durante a sua menoridade, o Império será governado por uma Regência, a qual pertencerá no Parente mais chegado do Imperador, segundo a ordem da Sucessão, e que seja maior de vinte e cinco anos. Texto original da Constituição de 1824, fonte: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm>. O período regencial está dividido em: REGÊNCIA Trina Provisória Trina Permanente Uma de Feijó Uma de Araújo Lima 07/04/1831 - 17/06/1831 17/06/1831 - 12/10/1835 12/10/1835 - 19/09/1837 19/09/1837 - 23/07/1840 Francisco de Lima e Silva, Nicolau Pereira de Campos Vergueiro e José Joaquim Carneiro de Campos. Francisco de Lima e Silva, José da Costa Carvalho e João Bráulio Muniz. Padre Diogo Antônio Feijó (ex-ministro da justiça durante a Regência Trina Permanente). Pedro de Araújo Lima Os principais grupos políticos do Período Regencial eram: Restauradores, “Caramurus” ou “Retrógrados”: Criado por ex-membros do Partido Português e formado principalmente por comerciantes, burocratas e militares portugueses, defendiam uma monarquia forte, centralizada e o retorno de do imperador. Com a morte de D. Pedro I, em 1834 o partido se extinguiu e parte de seus membros migrou para outros grupos. Os principais representantes foram os irmãos Andrada (Martim Francisco, Antônio Carlos e José Bonifácio). Liberais Moderados ou “Chimangos”: Criado por ex-membros do Partido Brasileiro e formado principalmente por escravocratas do Sudeste que abasteciam a corte carioca, apoiavam a manutenção do regime monárquico, o federalismo (como forma de garantir certa autonomia das províncias) e o fim da vitaliciedade do Senado. Os principais representantes foram Bernardo Pereira de Vasconcelos, https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 Evaristo da Veiga (redator do jornal “A Aurora Fluminense”) e Diogo Antônio Feijó (ministro da justiça e regente). Em 1836, Liberais Moderados e Restauradores juntaram-se na formação do Partido Conservador. Liberais Exaltados, “Jurujubas” ou “Farroupilhas”: Formado por um grupo bastante heterogêneo, que ia desde exportadores de gêneros agrícolas, passando por profissionais liberais e até funcionários públicos. Defendiam o federalismo, a descentralização do poder do Estado, a extinção do poder moderador, do Conselho de Estado e da vitaliciedade do Senado. Seus membros mais radicais apoiavam também a extinção do poder monárquico, e alguns sugeriam a implantação da república e o fim da escravatura. Foram responsáveis por movimentos de contestação aos Moderados no poder, inclusive pela Farroupilha. Os principais representantes foram Francisco de Paula Vasconcelos, Antônio Borges da Fonseca, Ezequiel Correia dos Santos, Pedro Labatut, entre outros. Em 1836, fundaram o Partido Liberal em oposição ao Conservador. ACONTECIMENTOS IMPORTANTES DO PERÍODO REGENCIAL: Criação da Guarda Nacional (1831): Criada por Diogo Antônio Feijó durante a Regência Trina Permanente, a Guarda Nacional tinha como finalidade defender a Constituição, a liberdade, independência e integridade do Império; para manter a obediência e a tranquilidade pública; e auxiliar o Exército na defesa das fronteiras e costas. Com a criação da Guarda, o poder das elites locais se fortalecia, e concomitantemente, expressava a falta de confiança na lealdade do Exército, pois parte das tropas se colocava a favor de protestos contra o governo, reivindicando por melhor remuneração e mostrando-se contra as discriminações racial e social. Ao contrário do Exército, a guarda nacional era uma instituição de elite, seus membros eram recrutados entre os cidadãos com renda anual superior a 200 mil réis, nas grandes cidades, e 100 mil réis nas demais regiões. Ato Adicional (1834): Configurou-se como uma verdadeira emenda à constituição de 1824, um dos principais pontos foi a transformação dos Conselhos Gerais de Províncias em Assembleias Legislativas Provinciais, com a competência de legislar sobre: • A polícia e economia municipal, precedendo propostas das Câmaras; • Sobre a criação e supressão dos empregos municipais e províncias, e estabelecimento dos seus proventos; • A divisão civil, judiciária e eclesiástica da respectiva província, e mesmo sobre a mudança da sua Capital para o lugar que mais convier; • Obras públicas, estradas e navegação no interior da respectiva província, que não pertençam à administração geral do Estado; • A fixação das despesas municipais e provinciais, e os impostos para elas necessários, com tanto que esses não prejudiquem as imposições gerais do Estado. O Ato Adicional também suspendeu o Poder Moderador durante o Período Regencial, transformou o Rio de Janeiro em município neutro, capital do Império e estabeleceu a Regência Uma (com a escolha do regente por meio de eleição). https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 PRINCIPAIS REVOLTAS DO PERÍODO REGENCIAL REVOLTA LOCAL PERÍODO RESUMO Farroupilha Rio Grande do Sul 1835-1845 Movimento inicialmente impulsionado quando os participantes tomaram a cidade de Porto Alegre e estabeleceram a nomeação de um novo governo para a província, com a proclamação da República Rio-Grandense. Cabanagem Pará 1835-1836 Movimento social ocorrido na província do Grão-Pará que depôs o governador da província na busca por maior participação política no Império. Malês Bahia 1835 Revolta promovida por escravos islâmicos em Salvador que pretendia tomar o poder na província e libertar os escravos. Sabinada Bahia 1837-1838 Movimento iniciado com a reação popular contra o recrutamento militar imposto pelo Governo imperial. Balaiada Maranhão 1838-1841 Revolta entre liberais (ou bem-te-vis) e conservadores (ou cabanos) ocorrida no Maranhão. Teve caráter popular, mas foi rapidamente controlada pelo Império. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO SEGUNDO REINADO........................................................................................................................................... 2 O GOLPE DA MAIORIDADE ........................................................................................................................2 LIBERAIS E CONSERVADORES .................................................................................................................... 2 AS ELEIÇÕES DO CACETE E A REVOLTA LIBERAL DE 1842 .......................................................................... 2 O PARLAMENTARISMO ÀS AVESSAS.......................................................................................................... 2 A PRAIEIRA ................................................................................................................................................. 3 BILL ABERDEEN E A LEI EUSÉBIO DE QUEIRÓS........................................................................................... 4 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 SEGUNDO REINADO O GOLPE DA MAIORIDADE Ao deixar o Brasil em 1831, o imperador Dom Pedro I renunciou ao trono em nome do filho, na época com apenas cinco anos de idade. De acordo com a Constituição, Pedro II teria que completar 18 anos para assumir o trono. Em 1840, o Brasil enfrentou um dos períodos mais turbulentos da sua história. Nessa época, de instabilidade política com as revoltas que vinham acontecendo, os políticos acreditavam que ter uma autoridade monárquica poderia conter esses excessos. No dia 23 de julho de 1840, a Câmara declarou Dom Pedro II, então com 14 anos e sete meses, o novo imperador do Brasil, fato que deu início ao Segundo Reinado, uma das mais extensas fases da nossa história política. Esse ato ficou conhecido como “Golpe da Maioridade”. LIBERAIS E CONSERVADORES A política no Segundo Reinado foi marcada pela disputa entre o Partido Liberal e o Conservador. Estes dois partidos defendiam quase os mesmos interesses, pois eram elitistas. Não por acaso, uma das mais célebres frases de teor político dessa época concluía que nada poderia ser mais conservador do que um liberal no poder. Neste período o imperador escolhia o presidente do Conselho de Ministros entre os integrantes do partido que possuía maioria na Assembleia Geral. Nas eleições eram comuns as fraudes, compras de votos e até atos violentos para garantir a eleição. AS ELEIÇÕES DO CACETE E A REVOLTA LIBERAL DE 1842 O primeiro ministério do Segundo Reinado era composto por liberais, que apoiaram o golpe da Maioridade. Funcionou de 1840 a 1841 e ficou conhecido como "Ministério dos Irmãos", sendo formado pelos irmãos Cavalcanti, Coutinho e Andrada. O gabinete ministerial sofria oposição da Câmara, formada, na sua maioria por conservadores. Diante desta situação, a Câmara de Deputados foi dissolvida e marcada novas eleições. Para garantir uma maioria de deputados liberais, os membros do Partido Liberal, usando de violência, fraudaram as eleições e garantiram a maioria parlamentar. Tal episódio é conhecido como "eleições do cacete". Os conservadores reagiram e exigiram que o imperador dissolvesse a Câmara que havia sido eleita nas "eleições do cacete". D. Pedro II demitiu o ministério liberal, nomeou um ministério conservador e marcou novas eleições, também marcadas pelas fraudes. A vitória dos conservadores e o avanço de medidas centralizadoras provocaram uma reação dos liberais, em São Paulo e Minas Gerais - a chamada Revolta Liberal de 1842. Apesar dos conflitos armados, o Imperador concedeu, em 1844, anistia aos envolvidos. Um ministério liberal foi constituído, neste ano. O PARLAMENTARISMO ÀS AVESSAS Terminadas as lutas provinciais, a Monarquia brasileira caminhava para a estabilização. Em 1847, um decreto criou o cargo de presidente do Conselho de Ministros, indicado pessoalmente pelo Imperador. Muitos historiadores consideram que aí se inaugurou o sistema parlamentarista no Brasil. No parlamentarismo, regime constitucional de Repúblicas ou Monarquias, o Poder Executivo é exercido pelo Primeiro- Ministro, que é quem governa com o https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 apoio do Parlamento, da Câmara. Assim, quando o Parlamento retira seu voto de confiança, o gabinete de Ministros automaticamente apresenta sua renúncia. O poder maior é, portanto, do Parlamento, do qual depende a permanência ou não no Governo do Primeiro-Ministro. O sistema parlamentarista implantado no Brasil, durante o Governo pessoal de D. Pedro II, inspirou-se no modelo inglês. No entanto, o modelo brasileiro era a inversão do inglês, ficando por isso conhecido como Parlamentarismo às avessas, porque o Poder Legislativo, não nomeava o Executivo, mas, sim, subordinava-se a ele. Na Inglaterra realizavam-se primeiramente as eleições para a Câmara. O partido que possuísse maioria escolhia o Primeiro- Ministro, que formava o gabinete de ministros, passando a exercer o Poder Executivo. A PRAIEIRA O último conflito de grandes proporções do Segundo Reinado foi a Revolução Praieira, ocorrida em Pernambuco, resultado da crise econômica europeia, que gerou a diminuição das exportações de açúcar e algodão. Nessa fase Pernambuco era dominado por grandes famílias latifundiárias e as oportunidades para o Partido Liberal, formado pelos pequenos lavradores, eram poucas. O Partido Liberal tinha como seu principal divulgador o jornal Diário Novo, situado na Rua da Praia. O movimento ganhou força, espalhando-se para o interior da província. Com a subida ao poder dos liberais em 1844, foi nomeado como governador Chichorro da Gama, que, se não era um praieiro radical, ao menos procurava cumprir as leis. Com a queda dos liberais no Rio de Janeiro (1848), os conservadores retomaram o poder em Pernambuco. Esse fato deflagrou a revolução em 7 de novembro 1848, que se alastrou por toda província. Houve um documento elaborado pelos revolucionários, chamado “Manifesto ao Mundo”, em janeiro de 1849, que apresentava as seguintes reivindicações: • Voto livre e universal • Liberdade de Imprensa • Expulsão dos portugueses • Nova organização Federalista • Extinção da cobrança de juros • A extinção do Poder Moderador • Extinção do atual sistema de recrutamento militar • O trabalho como garantia de vida para os cidadãos • O comércio a retalho só para os cidadãos Brasileiros • Harmonia e efetiva independência dos poderes políticos • Reforma do poder judicial, assegurando os direitos individuais dos cidadãos https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 A revolta contava com poucos recursos militares, e foi, até certo ponto, facilmente reprimido. Os últimos líderes e participantes foram presos em 1850, encerrando as revoltas provinciais. E a elite passa a consolidar e instaurar um governo centralizado. BILL ABERDEEN E A LEI EUSÉBIO DE QUEIRÓS No ano de 1845, como resposta a Tarifa Alves Branco, a Inglaterra concedeu a si mesma, através da lei Bill Aberdeen, poderes de jurisdição sobre navios suspeitos de contrabando de africanos para o Brasil, mas que não afetou os números de negros desembarcando no país. O tráfico negreiro continuava forte no Brasil nos anos que seguiram, a partir de então de forma ilegal. Somente cinco anos mais tarde foi possível que o gabinete imperial conseguisse promulgar a Lei Eusébio de Queirós, vencendo pouco a pouco as resistências a favor do tráfico tanto na sociedade quanto dentro do próprio parlamento. Além de agir tanto sobre navios brasileiros quanto navios estrangeiros que atracassem no solo do Brasil, a Lei Eusébio de Queirós era fortemente apoiada na Lei de 7 de novembro de 1831, que já previa o contrabando como crime. A lei ainda previa que os navios encontrados em território brasileiro que fossem considerados importadores de escravos deveriam ser vendidos, podendo haver uma quantia destinada ao denunciante e que os escravos seriam devolvidos as suas terras natais. https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 1 SUMÁRIO CRISE DA MONARQUIA E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA ............................................................................2 CRISE DA MONARQUIA ............................................................................................................................ 2 QUESTÃO RELIGIOSA ............................................................................................................................ 2 QUESTÃO ABOLICIONISTA .................................................................................................................... 2 QUESTÃO MILITAR ............................................................................................................................... 3 QUESTÃO REPUBLICANA ...................................................................................................................... 3 OS TRÊS EIXOS DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA ............................................................................... 4 A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA ............................................................................................................. 4 GOVERNO PROVISÓRIO (1889-1891) .................................................................................................... 4 A ELEIÇÃO DE DEODORO ...................................................................................................................... 6 FLORIANO PEIXOTO (1891-1894) .......................................................................................................... 6 https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 2 CRISE DA MONARQUIA E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA CRISE DA MONARQUIA Questão Religiosa Durante todo o Império, a Igreja Católica foi uma das bases do governo, pois grande parte do clero ocupava altos cargos. Além disso, a Constituição de 1824 havia instaurado no Brasil a união entre Igreja e Estado. Ao imperador, por exemplo, era facultado o direito ao Padroado (prerrogativa de preencher os cargos eclesiásticos mais importantes) e ao Beneplácito (aprovação das ordens e bulas papais para que fossem cumpridas, ou não, em território nacional). O Governo ficava encarregado de sustentar o clero, pagando seus salários, patrocinando construções de igrejas etc. Em 1864, o papa Pio IX decretou uma bula (bula papal "Syllabus" (1864) e o Concílio Vaticano 1° (1869-1870) consagraram a doutrina do ultramantonismo, defendida pelo papa Pio 9º. Em linhas gerais, essa doutrina postulava a infalibilidade do papa e combatia as ideias e instituições que defendiam a secularização e o anticlericalismo) que determinava, entre outras coisas, que todos os católicos envolvidos com a maçonaria fossem imediatamente excomungados pela Igreja. O anúncio atingia diretamente D. Pedro II, que fazia parte da instituição. Valendo-se dos poderes garantidos pelo padroado, o imperador não reconheceu o valor da ordem dada pelo papa. Inicialmente, a medida não teve maiores repercussões, visto que a maioria dos religiosos no Brasil apoiava incondicionalmente o regime monárquico. Contudo, em 1872, D. Vital e D. Macedo, bispos de Olinda e de Belém, respectivamente, resolveram seguir as ordens do papa Pio IX, punindo os religiosos que apoiavam o maçonismo. D. Pedro II solicitou aos bispos que suspendessem as punições. Como eles se recusaram a obedecer ao imperador, foram condenados a quatro anos de prisão. Em 1875, receberam o perdão imperial e foram libertados, mas o episódio abalou as relações entre a Igreja e o Governo, que perdeu uma importante base de apoio político ao regime. Questão Abolicionista Uma exigência do capitalismo industrial e do desenvolvimento do país. A pressão político- militar da Inglaterra associada à pressão de políticos progressistas brasileiros determinaram que fosse promulgada, em 4 de setembro de 1850, a lei Eusébio de Queirós. Com essa medida, o comércio de escravos importados foi definitivamente reprimido. Após a extinção do tráfico negreiro (1850), cresceu no país a campanha abolicionista, que foi um movimento público pela libertação dos escravos. A abolição conquistou o apoio de vários https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 3 setores da sociedade brasileira: parlamentares, imprensa, militares, artistas e intelectuais. Mas os defensores da escravidão ainda conseguiram sustentá-la por bom tempo. No Brasil, o sistema escravista foi sendo extinto lentamente, de maneira a não prejudicar os proprietários de escravos. As principais leis publicadas nesse sentido foram: Lei do Ventre Livre (1871): declarava livres todos os filhos de escravos nascidos no Brasil. Lei dos Sexagenários (1885): declarava livres os escravos com mais de 65 anos, o que significava libertar os donos de escravos da “inútil” obrigação de sustentar alguns raros negros velhos que conseguiram sobreviver à brutal exploração de seu trabalho. Somente em 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea promulgada pela princesa Isabel, filha de D. Pedro II, a escravidão foi extinta no Brasil, embora em algumas províncias, como na do Ceará, a abolição tenha acontecido de forma antecipada em 1881 e concluída em 1884, assim, a província recebeu o epíteto de José do Patrocínio, de "Terra da luz", sendo seu exemplo seguido pela província do Amazonas (1881). Questão Militar Durante o século XIX, o Brasil se envolveu em várias guerras, em disputas por territórios e conflitos de interesses com Argentina, Paraguai, Bolívia, Uruguai. A atuação do Exército foi determinante na preservação do território, e os conflitos tiveram importância na formação de um sentimento nacional contra inimigos externos. No entanto, principalmente após a Guerra do Paraguai (1864 a 1870), cresce o sentimento entre os militares de que sua importância não estava sendo reconhecida, bem como de que as condições de trabalho e remuneração seriam inadequadas. Durante o Império, havia sido aprovado o projeto montepio, pelo qual as famílias dos militares mortos ou mutilados na Guerra do Paraguai recebiam uma pensão. A guerra terminara em 1870 e, em 1883, o montepio ainda não estava pago. O tenente-coronel Sena Madureira foi designado para defender os direitos dos militares perante o Governo. Sena Madureira, no entanto, após se pronunciar pela imprensa atacando o projeto montepio, foi punido. A partir deste episódio, os militares foram proibidos de dar declarações à imprensa sem prévia autorização imperial. O descaso que alguns políticos e ministros conservadores tinham pelo Exército levava-os a punir elevados oficiais, por motivos qualificados como indisciplina militar. As punições disciplinares conferidas ao tenente-coronel Sena Madureira e ao coronel Ernesto Augusto da Cunha Matos provocaram revolta em importantes chefes do Exército, como o Marechal Deodoro da Fonseca. A insatisfação dos militares com o governo, somadas às ideias positivistas e à movimentação republicana viria a gerar o cenário para o fim do regime monárquico no Brasil em 1889. Questão Republicana Os ideais republicanos existiam no Brasil desde a colônia, aparecendo em episódios como a Inconfidência Mineira, a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador, em 1824. Com a Guerra do Paraguai, o imperador perdeu a força política, e o movimento republicano começou a ganhar vulto. O Manifesto Republicano, de cuja redação Quintino Bocaiúva participou ativamente, foi publicado no primeiro número do Jornal A Revolução, https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 4 transformando-se no ideário básico do movimento, que ganhou a adesão de intelectuais e, a partir de 1878, dos militares descontentes com a Monarquia. Os três eixos da Proclamação da República Política Externa: Conflitos Internacionais: com a Inglaterra (Questão Christie 1863-1865), Intervenção contra Oribe (Uruguai) e Rosas (Argentina) — 1851-1852; A Guerra contra Aguirre (1864-1865); Presidente do Uruguai. Guerra do Paraguai (1865-1870). Brasil, Argentina e Uruguai(Tríplice Aliança) contra o Paraguai no mais longo e sangrento conflito armado já ocorrido na América do Sul. Sociedade Brasileira: Questão Abolicionista: Lei do Ventre Livre (1871); Lei dos Sexagenários (1885); 13 de maio de 1888: Lei Áurea promulgada pela princesa Isabel: a escravidão foi extinta no Brasil. Questão Religiosa: bispos de Olinda e de Belém contra maçons D. Pedro II, influenciado pela maçonaria, decidiu intervir na questão, solicitando aos bispos que suspendessem as punições. Política Interna: Questão Republicana: Partido Republicano Paulista, fazendeiros de café de São Paulo; contava com seguidores no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Questão Militar: depois da Guerra do Paraguai, o Exército brasileiro foi adquirindo maior importância na sociedade. Os ideais republicanos contagiaram os oficiais, divulgados por homens como o Coronel Benjamin Constant, professor da Escola Militar do Rio de Janeiro. O Fim do Segundo Império: a oposição de tantos setores da sociedade à Monarquia tornou possível o sucesso do golpe político que instaurou a República no Brasil. A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA Governo Provisório (1889-1891) Proclamada a República, na mesma noite de 15 de novembro de 1889 formou-se o Governo Provisório, com o Marechal Deodoro como chefe de governo. O Governo Provisório, assim formado, decretou o regime Republicano e federalista e a transformação das antigas províncias em “estados” da federação. O Império do Brasil chamava-se, agora, com a República, Estados Unidos do Brasil — o seu nome oficial. Em caráter de urgência, foram tomadas também as seguintes medidas: a "grande naturalização", que ofereceu a cidadania a todos os estrangeiros residentes; a separação entre Igreja e Estado e o fim do padroado; a instituição do casamento e do registro civil. Porém, dentre as várias medidas, destaca-se particularmente o “encalhamento”, adotado por Rui Barbosa, então ministro da Fazenda. O “encilhamento”. Na corrida de cavalos, a iminência da largada era indicada pelo seu encalhamento, isto é, pelo momento em que se apertavam com as cilhas (tiras de couro) as selas dos cavalos. É o https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 5 instante em que as tensões transparecem no nervosismo das apostas. Por analogia, chamou-se “encilhamento” à política de emissão de dinheiro em grande quantidade que redundou numa desenfreada especulação na Bolsa de Valores. Para compreender por que o Governo Provisório decidiu emitir tanto papel-moeda, é preciso recordar que, durante a escravidão, os fazendeiros se encarregavam de fazer as compras para si e para seus escravos e agregados. E o mercado de consumo estava praticamente limitado a essas compras, de modo que o dinheiro era utilizado quase exclusivamente pelas pessoas ricas. Por essa razão, as emissões de moeda eram irregulares: emitia-se conforme a necessidade e sem muito critério. A situação mudou com a abolição da escravatura e a grande imigração. Com o trabalho livre e assalariado, o dinheiro passou a ser utilizado por todos, ampliando o mercado de consumo. Para atender à nova necessidade, o Governo Provisório adotou uma política emissionista em 17 de janeiro de 1890. O ministro da Fazenda, Rui Barbosa, dividiu o Brasil em quatro regiões, autorizando em cada uma delas um banco emissor. As quatro regiões autorizadas eram: Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. O objetivo da medida era o de cobrir as necessidades de pagamento dos assalariados — que aumentaram desde a abolição — e, além disso, expandir o crédito a fim de estimular a criação de novas empresas. Todavia, a desenfreada política emissionista acarretou uma inflação incontrolável, pois os “papéis pintados” não tinham como lastro outra coisa que não a garantia do governo. Por isso, o resultado foi muito diverso do esperado: em vez de estimular a economia a crescer, desencadeou uma onda especulativa. Os especuladores criaram projetos mirabolantes e irrealizáveis e, em seguida, lançaram as suas ações na Bolsa de Valores, onde eram vendidas a alto preço. Desse modo, algumas pessoas fizeram fortunas da noite para o dia, enquanto seus projetos permaneciam apenas no papel. Em 1891, depois de um ano de orgia especulativa, Rui Barbosa se deu conta do caráter irreal de sua medida e tentou remediá-la, buscando unificar as emissões no Banco da República dos Estados Unidos do Brasil. Mas a demissão coletiva do ministério naquele mesmo ano frustrou a sua tentativa. A Constituição de 1891 Logo após a proclamação da República, foi convocada uma Assembleia Constituinte para elaborar uma nova Constituição, promulgada em 24 de fevereiro de 1891. A nova Constituição inspirou-se no modelo norte-americano, ao contrário da Constituição imperial, inspirada no modelo francês. Segundo a Constituição de 1891, o nosso país estava dividido em vinte estados (antigas províncias) e um Distrito Federal (ex-município neutro). Cada estado era governado por um “presidente”. Declarava também que o Brasil era uma república representativa, federalista e presidencialista. Em vez de quatro poderes, como no Império, foram adotados três: Executivo, Legislativo e Judiciário. Executivo, exercido pelo presidente da República, eleito por voto direto, por quatro anos, com um vice-presidente, que assumiria a presidência no afastamento do titular, efetivando-se, sem nova eleição, no caso de afastamento definitivo depois de dois anos de exercício. Legislativo, com duas casas temporárias Câmara dos Deputados e Senado Federal que, reunidos, formavam o Congresso Nacional. Judiciário, com o Supremo Tribunal Federal, como órgão máximo, cuja instalação foi providenciada pelo Decreto n° 1, de 26 de fevereiro de 1891, que também dispôs sobre os funcionários da Justiça Federal. Os três poderes exercer-se-iam harmoniosa, mas independentemente. A República foi obra, basicamente, dos partidos republicanos — notadamente o de São Paulo —, unidos aos militares de tendência positivista. Porém, tão logo o grande objetivo foi atingido, ocorreu a cisão entre os “republicanos históricos” e os militares. As divergências https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 6 giraram em torno da questão federalista: vos civis defendiam o federalismo e os militares eram centralistas, portanto, partidários de um poder central forte. A Eleição de Deodoro Conforme ficara estabelecido, a Assembleia Constituinte, após a elaboração da nova Constituição, transformou-se em Congresso Nacional, encarregado de eleger o primeiro presidente da República. Para essa eleição apresentaram-se duas chapas: a primeira era encabeçada por Deodoro da Fonseca para presidente e o almirante Eduardo Wandenkolk para vice, a segunda era constituída por Prudente de Morais para presidente e o marechal Floriano Peixoto para vice. A eleição realizou-se em meio a tensões muito grandes entre militares e civis, pois o Congresso Nacional era francamente contrário a Deodoro. Em primeiro lugar, porque este ambicionava fortalecer o seu poder, chegando mesmo a se aproximar de monarquistas confessos, como o barão de Lucena, a quem convidou para formar o segundo ministério no Governo Provisório, após a renúncia coletiva do primeiro. Em segundo, devido à impopularidade de e ao desgaste de Deodoro, motivados pelas crises desencadeadas pelo “encilhamento”, pelas quais, junto com Rui Barbosa, era diretamente responsável. Prudente de Morais tinha a maioria. Teoricamente seria eleito. Contudo, os militares ligados a Deodoro fizeram ameaças, pressionando o Congresso a elegê-lo. E foi o que aconteceu, embora por uma pequena margem de votos. O vice de Deodoro, entretanto, foi derrotado por ampla diferença por Floriano Peixoto. Deodoro, finalmente eleito presidente pelo Congresso, não conseguiu governar com este último. Permanentemente hostilizado pelo Congresso,buscou o apoio dos governos dos estados. Na oposição, estavam o mais poderoso dos estados — São Paulo — e o mais influente dos partidos — o PRP (Partido Republicano Paulista). Em 3 de novembro de 1891, a luta chegou ao auge. Sem levar em conta a proibição constitucional, Deodoro fechou o Congresso e decretou o estado de sítio, a fim de neutralizar qualquer reação e tentar reformar a Constituição, no sentido de conferir mais poderes ao Executivo. Porém, o golpe fracassou. As oposições — tanto civis como militares — cresceram e culminaram com a rebelião do contra-almirante Custódio de Melo, que ameaçou bombardear o Rio de Janeiro com os navios sob seu comando. Deodoro renunciou, assumindo em seu lugar Floriano Peixoto. Floriano Peixoto (1891-1894) A ascensão de Floriano foi considerada como o retorno à legalidade. As Forças Armadas — Exército e Marinha — e o Partido Republicano Paulista apoiaram o novo governo. Os primeiros atos de Floriano foram: A anulação do decreto que dissolveu o Congresso. A derrubada dos governos estaduais que haviam apoiado Deodoro. O controle da especulação financeira e da especulação com gêneros alimentícios, através de seu tabelamento. Tais medidas desencadearam, imediatamente, violentas reações contra Floriano. Para agravar ainda mais a situação, a esperada volta à legalidade não aconteceu. De fato, para muitos, era preciso convocar rapidamente uma nova eleição presidencial, conforme estabelecia o artigo 42 da Constituição, no qual se lia: https://www.alfaconcursos.com.br/ alfaconcursos.com.br MUDE SUA VIDA! 7 Art. 42. Se, no caso de vaga, por qualquer causa, da presidência ou vice-presidência, não houverem ainda decorrido dois anos do período presidencial, proceder-se-á à nova eleição. Floriano não convocou nova eleição e permaneceu no firme propósito de concluir o mandato do presidente renunciante. A alegação de Floriano era de que a lei só se aplicava aos presidentes eleitos diretamente pelo povo. Ora, como a eleição do primeiro presidente fora indireta, feita pelo Congresso, Floriano simples-mente ignorou a lei. A revolta da Armada Contra as pretensões de Floriano, treze oficiais (generais e almirantes) lançaram um manifesto em abril de 1892, exigindo a imediata realização das eleições presidenciais, como mandava a Constituição. A reação de Floriano foi simples: afastou os oficiais da ativa, reformando-os. Essa inabalável firmeza de Floriano frustrou os sonhos do contra-almirante Custódio de Melo, que ambicionava a presidência. Levadas por razões de lealdade pessoal, as Forças Armadas se dividiram. Custódio de Melo liderou a revolta da Armada estacionada na baía de Guanabara (1893). Essa rebelião foi imediatamente apoiada pelo contra-almirante Saldanha da Gama, diretor da Escola Naval, conhecido por sua posição monarquista. A revolução federalista No Rio Grande do Sul, desde 1892, uma grave dissensão política conduzira o Partido Republicano Gaúcho e o Federalista ao confronto armado. Os partidários do primeiro, conhecidos como "pica-paus", eram apoiados por Floriano, e os do segundo, chamados de "maragatos", aderiram à rebelião de Custódio de Melo. Floriano, o Marechal de Ferro. Contra as rebeliões armadas, Floriano agiu energicamente, graças ao apoio do Exército e do PRP (Parti-do Republicano Paulista), o que lhe valeu a alcunha de Marechal de Ferro. Retomando o controle da situação ao reprimir as revoltas, Floriano aplainou o caminho para a ascensão dos civis. https://www.alfaconcursos.com.br/ 1.1 - História do Brasil : 1.2 - História do Brasil : 1.3 - História do Brasil : 1.4 - História do Brasil : 1.5 - História do Brasil : 2.1 - História do Brasil : 2.2 - História do Brasil : 2.3 - História do Brasil : 2.4 - História do Brasil : 2.5 - História do Brasil : 3.1 - História do Brasil :