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MUDE SUA VIDA! 
1 
 
SUMÁRIO 
EXPANSÃO MARÍTIMO-COMERCIAL .................................................................................................................. 2 
MERCANTILISMO ........................................................................................................................................... 2 
AS GRANDES NAVEGAÇÕES ........................................................................................................................... 2 
FATORES QUE MOTIVARAM A EXPANSÃO MARÍTIMA .................................................................................. 3 
O PIONEIRISMO PORTUGUÊS ........................................................................................................................ 3 
AS NAVEGAÇÕES ESPANHOLAS ..................................................................................................................... 5 
PRIMEIROS TRATADOS ENTRE PORTUGAL E ESPANHA ................................................................................. 6 
EXERCÍCIOS ........................................................................................................................................................ 6 
GABARITO ...................................................................................................................................................... 7 
EXERCÍCIO COMENTADO ................................................................................................................................... 8 
GABARITO ...................................................................................................................................................... 8 
 
 
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MUDE SUA VIDA! 
2 
 
EXPANSÃO MARÍTIMO-COMERCIAL 
MERCANTILISMO 
É o conjunto de práticas e ideias econômicas 
desenvolvidas na Europa entre o séc. XV e XVIII. O nome 
mercantilismo foi criado pelo economista Adam Smith em 
1776. O mercantilismo tinha por objetivo fortalecer o 
Estado e enriquecer a burguesia. Para isso, era preciso 
ampliar a economia com a intenção de ter mais lucro, para 
que a população então pudesse pagar mais impostos. 
Consideravam que a exportação é que traria riquezas 
e vantagens, e assim começou uma competição comercial. 
Ocorreu então o metalismo, que era o acúmulo de moedas 
dentro do país, e isso era considerado um sinal de que o 
objetivo havia sido alcançado. O único recurso encontrado foi aplicar uma balança comercial 
favorável para manter o equilíbrio monetário, que para eles era exportar mais e importar 
menos. 
O Estado teve de tomar medidas para desenvolver o monopólio já que esse era aplicado 
com dificuldade. O Estado percebeu que o acúmulo de riquezas se dava mais por operações 
mercantis, e então condicionou todas as necessidades do comércio exterior. 
Portugal teve uma grande flexibilidade na aplicação das técnicas mercantilistas. O 
mercantismo comercial foi posto em prática durante o século XVI quando foi descoberto o 
caminho marítimo para as índias. Nessa prática, eram compradas e revendidas as mercadorias 
encontradas no Oriente. Em seguida, por meio das explorações realizadas nas terras 
americanas, Portugal se tornou o país pioneiro no mercantilismo de plantagem, que tinha como 
objetivo a produção destinada ao mercado internacional, além do mercantilismo metalista, que 
veio com a exploração do ouro em Minas Gerais, no século XVIII. Posteriormente, quando houve 
a crise do ouro, começaram a produzir artigos os quais eram destinados ao abastecimento do 
mercado colonial, que ficou conhecido como mercantilismo metalista. 
O MAR TENEBROSO 
Por volta do século XV, o formato da Terra ainda não era um consenso entre os 
estudiosos da época. Muitos a imaginavam plana como um disco, onde os mares 
terminariam em um abismo infinito. Se viajassem longe demais encontrariam o fim 
do mundo, e os barcos cairiam num abismo sem fundo. Transmitida ou forjada pelos 
Árabes, a lenda do Mar Tenebroso descrevia um oceano Atlântico habitado por 
monstros terríveis que podiam afundar qualquer navio, e mergulhado em uma 
escuridão constante, onde todos os navios naufragariam nas ondas medonhas ou 
nas águas ferventes. 
AS GRANDES NAVEGAÇÕES 
A partir do século XV, sob a liderança de portugueses e espanhóis, os europeus começam 
um processo de intensa globalização, a chamada Expansão Marítima. Esse fato também ficou 
conhecido como as Grandes Navegações e tinha como principais objetivos: a obtenção de 
riquezas (atividades comerciais) tanto pela exploração da terra (minerais e vegetais) quanto 
pela submissão de outros seres humanos ao trabalho escravo (indígenas e africanos), pela 
pretensão de expansão territorial, pela difusão do cristianismo (catolicismo) para outras 
civilizações, e também pelo desejo de aventura e pela tentativa de superar os perigos do mar 
(real e imaginário). 
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MUDE SUA VIDA! 
3 
 
AS ESPECIARIAS 
As especiarias foram uma das principais – se não a principal – fonte de 
alimento com um relevante papel na História. Por causa delas ocorreram guerras, 
descobrimentos de novas terras, abertura de rotas comerciais, entre outros 
acontecimentos. Não se sabe exatamente desde quando, mas as especiarias são 
utilizadas por povos orientais há milhares de anos. Transportadas por rotas 
marítimas, esses alimentos atravessavam inicialmente apenas os oceanos Pacífico e 
Índico. Na antiguidade, as especiarias serviam sobretudo como tempero para as 
carnes, tornando-as comestíveis. A pimenta era a mais importante devido ao sabor 
e ao aroma fortes que disfarçava o mau-cheiro. Além disso, mantinham o sabor da 
carne que, por desconhecimento de métodos de conservação, muitas vezes 
apodreciam. 
FATORES QUE MOTIVARAM A EXPANSÃO MARÍTIMA 
• Aliança política entre os reis e a burguesia mercantil interessada na lucratividade 
da expansão ultramarina; 
• Monopólio árabe-italiano no Mediterrâneo que impulsionou a busca de novas 
rotas marítimas; 
• Investimento financeiro das monarquias nacionais aos projetos náuticos; 
• Exploração de metais preciosos para a cunhagem de moedas; 
• Divulgação da fé cristã para povos de outros territórios; 
• Centralização política dos reinos absolutistas; 
• Aperfeiçoamento das técnicas navais. 
Com a conquista da cidade de Constantinopla pelos turcos-otomanos, em 1453, os preços 
das mercadorias se tornaram ainda maiores devido às taxas que passaram a ser cobradas. A 
nascente classe burguesa, que realizava o comércio na Europa, precisava chegar ao Oriente sem 
passar pelo Mar Mediterrâneo e Constantinopla. A solução visualizada era contornar o 
continente africano para chegar às Índias, nome genérico dado às regiões orientais. Algumas 
condições existentes na Península Ibérica levaram primeiramente Portugal e, depois, a Espanha 
a se tornarem pioneiros dessa expansão marítima. 
O PIONEIRISMO PORTUGUÊS 
Um dos primeiros aspectos que consegue nos explicar o porquê do desenvolvimento 
constante da nação portuguesa tem a ver com o processo de criação de uma monarquia 
essencialmente nacional. Nesse mesmo momento, muitos foram os conflitos bem desgastantes 
e consideravelmente longos que marcaram o resto das monarquias nacionais europeias, que 
brigavam entre si principalmente por aspectos banais. Enquanto isso, Portugal concentrou-se 
na criação de um estado centralizado, e melhor: em um espaço de tempo considerado 
relativamente curto. 
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MUDE SUA VIDA! 
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De uma forma geral, esse desenvolvimento considerado ‘precoce’ de uma monarquia com 
poderes centralizados foi possível por conta da famosa Guerra da Reconquista, em que Portugal 
teve de lutar contra os muçulmanos. Dessa forma, nos anos que se sucederam durante o século 
XIV, a situação política e econômica do país já era considerada bem estável, em um período que 
ficou reconhecidocomo ‘dinastia de Avis’. Nesse período, Portugal se tornou uma classe 
mercantil muito mais dinâmica quando em comparação com a velha – e já deixada de lado 
precocemente pelos portugueses – nobreza 
feudal. Isso fez com que a monarquia pudesse 
ser modernizada com maior êxito. 
A posição geográfica de Portugal era 
privilegiada, já que todo o litoral português se 
transformou em um verdadeiro “porto”, que 
possibilitava tanto a chegada como 
principalmente a partida de grandes barcos e 
outros para a navegação de uma forma geral. 
Esses por sua vez, circularam principalmente no 
Oceano Atlântico, [e é claro que não foi por acaso 
que o país conseguiu firmar grandes e fortes 
laços com o comércio de vários países, 
principalmente com aqueles que também eram 
banhados por esse mesmo oceano. 
 
 
 
Já no início do século XV, incentivado principalmente pelo infante Dom Henrique, muitos 
foram os profissionais que aprimoraram as técnicas da navegação, como matemáticos, 
astrônomos, construtores, cartógrafos e até mesmo os próprios navegadores. A nação 
portuguesa foi influenciada principalmente pelo povo árabe, que divulgou uma série de 
conhecimentos que foram aperfeiçoados pelos portugueses, como é o caso dos algarismos 
arábicos, da pólvora, da bússola e do próprio papel. A invenção e o desenvolvimento da 
imprensa foi de grande importância para o pioneirismo europeu, já que tais assuntos ganhavam 
maior conhecimento graças à divulgação frequente sobre o tema em questão. 
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MUDE SUA VIDA! 
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A ESCOLA DE SAGRES 
A Escola de Sagres, ainda que seja de existência duvidosa, ficou registrada na 
memória dos Portugueses, sendo a sua existência refutada somente no século XIX, 
quando historiadores consideraram que a atividade náutica do período era regida 
por conhecimentos empíricos, sem haver necessidade de estudos mais profundos 
por parte dos marinheiros com relação a isso. Ainda que não tenha de fato existido, 
a Escola de Sagres é referência para os portugueses e para a revolução náutica 
promovida por eles no século XV, sendo considerada a indutora dos grandes 
descobrimentos relacionados à atividade da navegação. 
AS NAVEGAÇÕES ESPANHOLAS 
A Espanha foi o segundo país a se lançar na aventura das grandes navegações. A primeira 
viagem marítima financiada pelo país ocorreu em 1492, com Cristóvão Colombo, 77 anos 
depois de os portugueses invadirem Ceuta, no Reino de Fez (atual Marrocos), em 1415. Vários 
motivos levaram a Espanha a esse "atraso" na busca de uma rota para o comércio de especiarias 
que não passasse pelo Mediterrâneo (controlado pelas cidades-estado de Gênova e Veneza), 
nem pela costa africana, conhecida pelos portugueses até o Cabo da Boa Esperança, no extremo 
sul do continente. 
Um desses motivos foi a prioridade dada à reconquista da Península Ibérica, em uma luta 
que se prolongou por 781 anos, a guerra mais longa de que se tem notícia – a vitória castelhana 
sobre o Califado de Granada, último reduto muçulmano na península, data exatamente de 1492. 
Outro motivo foi a unificação tardia dos reinos cristãos de Leão, Castela, Aragão e Navarra. O 
passo mais importante nessa direção foi dado somente em 1469, quando o casamento de 
Fernando de Aragão e Isabel de Castela deu origem ao Reino Católico de Fernando e Isabel, 
núcleo inicial do que viria a ser a Espanha. 
O navegante Cristóvão Colombo pensava ser possível atingir as Índias por outro caminho 
a oeste. Para isso, as caravelas deveriam abandonar a rota segura que margeava a costa africana 
e seguir pelo oceano aberto. Colombo pediu ajuda aos reis portugueses, mas foi rechaçado. 
Partiu para o reino de Castela, onde sua ideia foi considerada louca por alguns e, por outros, 
fantástica. Conseguiu convencer especialmente a rainha de Castela, Isabel I, interessada em 
expandir seus territórios por mais distantes que fossem. Em sua primeira viagem, Cristóvão 
Colombo desembarcou nas Bahamas, acreditando ter alcançado as Índias. Somente em 1504 
desfez-se o engano, quando o navegador Américo Vespúcio confirmou tratar-se de um novo 
continente. Mesmo assim, até a morte, Colombo sustentava que ele havia atingido o 
subcontinente indiano. 
 
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MUDE SUA VIDA! 
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PRIMEIROS TRATADOS ENTRE PORTUGAL E ESPANHA 
As Grandes Navegações geraram disputas pelos territórios descobertos entre os países 
colonizadores – Portugal e Espanha – após a jornada rumo ao oriente. Para dar fim ao conflito 
de interesses, foram estabelecidos limites de exploração para cada país por meio de tratados. 
Nesse material vamos conhecer os principais deles. É importante ressaltar que a palavra 
descobrimento expressa uma forma eurocêntrica de relatar o episódio, pois os territórios já 
eram ocupados pelos povos indígenas, ou seja, não eram desconhecidos. 
O primeiro acordo ocorreu em 1493, com a Bula inter Coetera, criada pelo papa Alexandre 
VI. Foi definida uma linha imaginária a 100 léguas de Cabo Verde, na costa africana, que dividia 
o mundo entre os dois países ibéricos. Determinava que a parte leste (africana) teria domínio 
português enquanto a oeste (americana) seria de posse espanhola. Entretanto, essa linha 
passava pelo Oceano Atlântico, o 
que fez com que Portugal se 
sentisse prejudicado e com receio 
de perder os territórios 
conquistados, mesmo sem ter 
chegado ainda ao Brasil. 
Para resolver tal situação, a 
linha foi deslocada, ficando agora a 
370 léguas de Cabo Verde, o que foi 
acordado com o Tratado de 
Tordesilhas, em 1494. A linha 
definiria, posteriormente, como 
seria a divisão do Brasil entre as 
duas nações. No entanto, não foi 
respeitada, de modo que Portugal dominou a parte leste do novo continente, enquanto a 
Espanha se preocupou com a colonização do norte e do oeste. 
EXERCÍCIOS 
1. Um conjunto de forças e motivos econômicos, políticos e culturais impulsionou a 
expansão comercial e marítima europeia a partir do século XV, o que resultou, entre 
outras coisas, no domínio da África, da Ásia e da América. 
(Extraído SILVA, 1996) 
O fato que marcou o início da expansão marítima portuguesa foi o (a) 
a) Conquista de Ceuta em 1415. 
b) Descobrimento do Brasil em 1500. 
c) Chegada em Calicute, Índia, em 1498. 
d) Contorno do Cabo da Boa Esperança em 1488. 
e) Ascensão ao trono português de uma nova dinastia, a de Avis, em 1385. 
 
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2. No final do século XV, Espanha e Portugal foram os primeiros países europeus a 
promoverem a expansão marítima europeia, chamada também de as Grandes 
Navegações. As razões desse pioneirismo estão relacionadas 
a) À enorme quantidade de capitais acumulados nesses dois países por meio do 
renascimento comercial no século XIV. 
b) Ao espírito aventureiro de portugueses e espanhóis desenvolvido durante a Guerra de 
Reconquista contra os mouros. 
c) Ao processo de fortalecimento da burguesia comercial que estava ocupando o poder 
tanto na Espanha quanto em Portugal. 
d) Ao desenvolvimento industrial dos dois países, que os forçou a buscar novos mercados 
consumidores e fornecedores de matéria-prima. 
e) À centralização monárquica e ao fato de a nobreza desses dois países estar fortalecida, 
ao contrário de outras nobrezas europeias, conseguindo, assim, financiar o projeto de 
expansão marítima. 
3. Os cartógrafos portugueses teriam falseado as representações do Brasil nas cartas 
geográficas, fazendo concordar o meridiano com os acidentes geográficos de forma a 
ressaltar uma suposta fronteira natural dos domínios lusos. O delineamento de uma 
grande lagoa que conectava a bacia platina com a amazônica já era visível nas primeiras 
descrições geográficas e mapas produzidos por Gaspar Viegas, no Atlas de Lopo Homem 
(1519), nas cartas de Diogo Ribeiro (1525-27), no planisfério de André Homen (1559), 
nos mapas de Bartolomeu Velho (1561).KANTOR, Í. Usos diplomáticos da ilha-Brasil: polêmicas cartográficas e historiográficas. Varia Historia, n. 37, 2007 (adaptado). 
De acordo com a argumentação exposta no texto, um dos objetivos das 
representações cartográficas mencionadas era 
a) Afastar as populações nativas do espaço demarcado. 
b) Respeitar a conquista espanhola sobre o Império Inca. 
c) Demarcar os limites precisos do Tratado de Tordesilhas. 
d) Garantir o domínio da Metrópole sobre o território cobiçado. 
e) Demonstrar a viabilidade comercial do empreendimento colonial. 
GABARITO
1. A 
2. E 
3. D 
 
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EXERCÍCIO COMENTADO 
As grandes navegações produziram o expansionismo do século XV e contribuíram 
para acelerar a transição do feudalismo/capitalismo. Provocaram mudanças no 
comércio europeu, tais como: 
a) Deslocamento do eixo econômico do Atlântico para o Pacífico; ascensão econômica das 
repúblicas italianas paralelamente ao declínio das potências mercantis atlânticas; 
acúmulo de capitais nas mãos da realeza. 
b) Perda do monopólio do comércio de especiarias por parte dos italianos; declínio 
econômico das potências mercantis atlânticas; intenso afluxo de metais preciosos da 
América para a Europa. 
c) Empobrecimento da burguesia europeia; deslocamento do eixo econômico do 
Mediterrâneo para o Atlântico; ascensão econômica das repúblicas italianas, 
paralelamente ao declínio das potências mercantis atlânticas. 
d) Intenso afluxo de metais preciosos da América para a Europa, o que determinou a 
chamada “revolução dos preços do Século XVI”; deslocamento do eixo econômico do 
Mediterrâneo para o Atlântico; acúmulo de capitais nas mãos da burguesia europeia, em 
consequência da abundância de metais que afluiu para a Europa. 
e) Ascensão econômica das repúblicas italianas, paralelamente ao declínio econômico de 
países como Portugal, Espanha, Inglaterra e Holanda; incorporação das áreas do 
continente americano e do litoral africano às rotas já tradicionais de comércio Europa – 
Ásia; acumulação de capitais nas mãos da nobreza e realeza europeias. 
GABARITO
1. D 
COMENTÁRIO 
As demais opções, embora contenham vários aspectos verdadeiros, são 
compostas de pelo menos uma característica equivocada, exigindo a atenção na 
avaliação de cada uma. 
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MUDE SUA VIDA! 
1 
 
SUMÁRIO 
 
COLONIZAÇÃO EUROPEIA NA AMÉRICA ............................................................................................................ 2 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 2 
COLONIZAÇÃO ESPANHOLA ...................................................................................................................... 2 
COLONIZAÇÃO PORTUGUESA .................................................................................................................... 4 
COLONIZAÇÃO INGLESA ............................................................................................................................ 6 
 
 
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2 
 
COLONIZAÇÃO EUROPEIA NA AMÉRICA 
INTRODUÇÃO 
Povoamento e Exploração 
 
O Sistema Colonial Europeu foi baseado na exploração e no povoamento. Esse sistema se 
desenvolveu principalmente na América, entre os séculos XVI e XVIII. Tudo começou com as 
grandes navegações de Portugal e Espanha. A motivação para explorar novos territórios surgiu 
a partir de interesses do mercantilismo, em busca de capital, produtos e de colônias. A 
exploração colonial teve basicamente dois tipos: as colônias de povoamento e de exploração. 
Entenda: 
 
 Colônia de Povoamento – Aconteceu principalmente na América do Norte, mais 
especificamente nos Estados Unidos e no Canadá. Tinha uma organização 
econômico-social e não buscava explorar as riquezas, mas sim estabelecer um 
novo lar, com semelhanças às origens europeias. 
 Colônia de Exploração – Foi predominante na América do Sul. Era baseada na 
mão de obra escravista e na monocultora. As colônias de exploração eram 
dependentes da Metrópole. Como exemplos de colônia de exploração podemos 
citar Brasil e Haiti. As colônias da América do Sul exploravam pau-brasil, açúcar, 
café, minérios e outros recursos naturais. 
 
A economia colonial buscava suprir as necessidades econômicas do capitalismo europeu. 
O mercantilismo e o acúmulo de capitais foram os dois principais conceitos do desenvolvimento 
da colonização. 
 
COLONIZAÇÃO ESPANHOLA 
Cristóvão Colombo chegou à América em 1492. Uma América repleta de nativos e 
sociedades já fortemente estabelecidas com seus costumes, religiões e rivalidades entre si. As 
civilizações nativas eram sedentárias e apresentavam altos contingentes populacionais, além 
de sistemas de produção agrícola e estruturas sociais próprias. As três mais notórias 
civilizações que resistiram às pressões europeias foram os Maias, os Incas e os Astecas. Esses 
povos pré-colombianos começaram a ser chamados de índios por conta de um erro, já que 
Colombo achava que estava nas Índias. 
 
Sobre suas riquezas naturais, a América Hispânica apresentava de sobra. Havia grandes 
reservas de ouro e prata que eram de fácil acesso, o que chamou muito atenção dos espanhóis. 
Com a descoberta das novas terras, o continente foi dividido entre Portugal e Espanha, primeiro 
pela Bula Inter Coetera, depois pelo Tratado de Tordesilhas, que deixou o território na sua 
grande maioria sob o controle da Coroa Espanhola. 
 
A chegada do homem europeu no continente americano foi primeiramente vista como 
uma chegada de um ser divino, e os europeus souberam tirar proveito disso, impondo a sua 
influência. Contudo, os pré-colombianos passaram, em determinado momento, a resistir às 
influências espanholas. Assim, a Espanha utilizou-se da violência para dominá-los e escravizá-
los, no intuito de conquistar as suas terras, impor os seus costumes e, claro, usufruir de seus 
bens naturais. 
 
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As novas terras descobertas passam, então, a ser vistas como um “novo mundo”, que os 
espanhóis poderiam moldar da maneira que quisessem. E assim eles fizeram, dando início ao 
processo da hispanização. 
 
Hispanização 
 
Trata-se da subjugação dos nativos e das suas culturas, impondo a cultura e a religião 
espanhola na América. Os espanhóis não mediram esforços para alcançar o seu objetivo final e 
os povos pré-colombianos não foram receptivos aos seus avanços. Houve intensos conflitos 
entre os nativos e os hispânicos, que, mesmo em menor número, eram militarmente muito 
superiores aos dos índios. Os espanhóis utilizavam armas de fogo, armaduras e cavalos, que 
disseminavam terror e violência entre os nativos. 
 
Além da superioridade bélica, os espanhóis sabiam das rivalidades entre os povos nativos 
e utilizavam isso ao seu favor, aliando-se com povos rivais para somar forças e derrubar 
civilizações mais consistentes. Foi o caso da civilização Inca (situada nos andes), que exercia 
um forte controle sobre grupos mais fracos, a partir da cobrança de tributos. Assim, os 
Espanhóis se aliaram aos povos mais fracos para derrubar a forte civilização Inca. O mesmo 
aconteceu aos Astecas, que ocupavam a região do México. 
 
O alinhamento com os povos que se encontravam insatisfeitos com o controle das 
civilizações mais fortes foi uma estratégia crucial para os espanhóis, pois, assim, eles 
conseguiam compensar o seu baixo número de soldados. Ao passo que o processo de 
dominação, imposta por violência ia se desenvolvendo, mais as terras da América tornavam-se 
sujas de sangue: estima-se que mais de 30 milhões de índios foram mortos durante o processo 
de colonização espanhola. 
 
Grande parte desse número de mortos se deu, também,por conta das doenças que os 
europeus trouxeram do seu continente (como gripe, varíola e sífilis), que assolou grande parte 
da população, pois os índios não tinham defesas naturais contra essas doenças. Assim, suas 
civilizações foram dizimadas e seus povos escravizados. O processo de hispanização se 
intensificou na metade do século XVI. Os pré-colombianos já se encontravam muito devastados 
pelo poder da Coroa Espanhola, e isso favoreceu a intensificação das práticas de evangelização 
impostas pelos espanhóis nesses povos, que já aconteciam desde 1492. 
 
A exploração de indígenas por grupos de espanhóis que vinham até o continente em busca 
de novas terras se tornou mais usual. A prática mais conhecida era a encomienda, que se 
tratava da divisão e entrega de indígenas para o trabalho escravo em obras espanholas, em 
troca da sua evangelização. A escravização dos índios era predominante no processo de 
colonização espanhola, mas depois foi alvo de debate e críticas: pela liderança do frade 
Bartolomeu de las Casas, surgem defesas aos índios que fazem, posteriormente, com que 
práticas como a encomienda terminem. 
 
Uma das modalidades de trabalho utilizada pelos espanhóis foi a mita, que 
também era conhecida pelos nomes de “repartimiento” e “cuatéquil”. Nesse 
sistema, amplamente empregado na extração e beneficiamento de minérios, os 
índios eram escalados por sorteio para uma temporada de serviços compulsórios. Por 
sua vez, os trabalhadores recebiam uma baixa compensação salarial pelo trabalho 
desenvolvido nas minas. Após o fim da jornada, ainda recebiam uma quantidade de 
minério conhecida como partido. As lastimáveis condições de vida proporcionadas 
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4 
 
por esse tipo de relação de trabalho acabou gerando uma severa diminuição na 
população indígena dessas regiões. Com o passar do tempo, a mita foi sendo 
paulatinamente substituída pela adoção da mão de obra livre. Nas regiões em que a 
escassez da mão de obra indígena se agravou, os espanhóis optaram pela utilização 
de escravos africanos trazidos pelos traficantes europeus. 
 
A principal consequência da hispanização foi a consolidação das colônias espanholas por 
todo o território americano. Para isso: 
 
 As grande civilizações nativas, bem como os seus símbolos políticos, foram 
apagadas; 
 Cuzco (capital Inca) e Tenochittalán (capital Asteca) foram devastadas, e prédios 
espanhóis foram erguidos em seus lugares; 
 Os povos pré-colombianos foram completamente subjugados e englobados nos 
costumes e na cultura espanhola, ocupando posições marginais na sociedade 
colonial; 
 A colônia espanhola era de exploração, logo, era empregada a mão de obra escrava 
indígena em atividades de exploração de recursos, como a mineração; 
 A Coroa Espanhola muito enriqueceu com a exploração das suas colônias 
americanas. 
 
COLONIZAÇÃO PORTUGUESA 
Cronologicamente, considera-se que a colonização do Brasil foi iniciada em 1500, quando 
a expedição de Pedro Álvares Cabral avistou o Monte Cabral. A expedição chegou ao Brasil no 
dia 22 de abril de 1500 e foi consequência das grandes navegações, as explorações oceânicas 
realizadas por Portugal ao longo do século XV. A expedição de Cabral tinha dupla missão 
quando partiu de Lisboa em março: verificar as possibilidades portuguesas na América e 
comercializar nas Índias. Nas terras brasileiras, os portugueses permaneceram até o dia 2 de 
maio, quando partiram na direção das Índias. Os maiores detalhes desse acontecimento foram 
relatados pelo escrivão da expedição, Pero Vaz de Caminha. 
 
Período Pré-Colonial 
 
De 1500 até por volta de 1530-35, o Brasil ocupou uma posição secundária para a Coroa 
portuguesa porque, nesse momento, a prioridade de Portugal era manter o comércio de 
especiarias. Esse momento é conhecido como Período Pré-Colonial, uma vez que os 
portugueses não tinham estabelecido ações de colonização consistentes no Brasil. A presença 
portuguesa nesse período consistia em explorar o pau-brasil, árvore nativa que tinha valor para 
os portugueses por causa de um corante extraído de sua madeira. A principal mão de obra nesse 
tipo de exploração foram os índios, sobretudo quando a árvore começou a ficar escassa no 
litoral. 
 
Para explorar o pau-brasil, os portugueses mobilizavam os índios por meio do escambo, 
isto é, pela troca. Os índios localizavam, extraíam e carregavam as toras até as feitorias 
construídas pelos portugueses no litoral brasileiro, e, em troca, recebiam objetos variados, 
como machados. A partir da década de 1530, essa atividade perdeu fôlego, assim como o 
comércio de especiarias, e os portugueses decidiram estabelecer medidas mais efetivas de 
colonização. 
 
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Capitanias Hereditárias 
 
As capitanias hereditárias foram a primeira grande medida tomada pelos portugueses 
para sistematizar a colonização da América Portuguesa. Entretanto, essa medida funcionava 
basicamente como uma “terceirização” das obrigações, em que terceiros investiam com seus 
próprios fundos no desenvolvimento da capitania. As capitanias foram criadas, em 1534, por 
ordem do rei d. João III. Os portugueses decidiram dividir o território brasileiro em 15 faixas de 
terra, sendo cada uma responsabilidade do capitão-donatário, a autoridade máxima dessas 
capitanias. Os direitos e deveres dos donatários constavam em documentos chamados Carta de 
Doação e Carta Foral. 
 
Os donatários tinham a obrigação de garantir o desenvolvimento de suas capitanias, além 
de defendê-las de indígenas e de estrangeiros. Os franceses eram a grande ameaça para os 
portugueses porque era comum que suas terras fossem invadidas por eles no século XVI. Os 
franceses inclusive tinham boas relações com indígenas que eram inimigos dos portugueses. 
Aqui no Brasil, os donatários recebiam uma sesmaria, um lote de terra para instalar-se. Após 
mais de uma década desse sistema, os portugueses identificaram que ele não tinha prosperado 
como se esperava, e só duas capitanias tiveram resultados significativos: São Vicente e 
Pernambuco. Falta de recursos e inexperiência administrativa foram dois fatores que 
contribuíram para o fracasso delas. 
 
Governo-geral 
 
A partir de 1548, Portugal decidiu centralizar a administração da colônia, e para isso foi 
criado, por D. João III, o governo-geral. Continuaram existindo algumas capitanias no Brasil, 
mas outras foram retomadas pela Coroa (como a capitania de Baía de Todos os Santos). Ainda 
assim, os donatários agora deveriam responder a uma autoridade central, nomeada por 
Portugal. Essa nova autoridade ficou conhecida como governador-geral, e o primeiro 
governador-geral do Brasil foi Tomé de Sousa. O governador-geral contava também com um 
grupo de burocratas que o auxiliava na administração da colônia. Os primeiros cargos criados 
foram o de ouvidor-mor (justiça), provedor-mor (finanças) e capitão-mor (segurança). 
 
Tomé de Sousa chegou ao Brasil em 1549, e, durante sua gestão, foi iniciada a construção 
da primeira capital do Brasil: Salvador. Com Tomé de Sousa vieram os primeiros jesuítas para 
o Brasil, e sua missão era pacificar e catequizar as populações indígenas. Os jesuítas 
permaneceram no Brasil durante mais de dois séculos, sendo expulsos daqui em 1759, pelo 
marquês de Pombal. 
 
Economia 
 
Tradicionalmente, os historiadores esquematizaram a economia colonial em três grandes 
ciclos, que foram: ciclo do pau-brasil, ciclo do açúcar e ciclo do ouro. Uma importante 
observação é que dizer que a colonização ficou marcada por esses três grandes ciclos não 
significa que não houve nenhuma outra atividade econômica no Brasil. 
 
Esses três ciclos corresponderam às principais atividades econômicas da colonização, no 
entanto, a América Portuguesa tinha uma grande variedade de atividades econômicas. Era 
praticada a pecuária, a agricultura, sobretudo voltada para a subsistência,e havia também 
outros itens produzidos para exportação, como o fumo. Havia também um pequeno comércio, 
exceção feita para o comércio de escravizados, consideravelmente próspero. Apesar dessa 
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diversificação, não havia nenhuma espécie de manufatura no Brasil, uma vez que não era 
permitido por Portugal. 
 
Vejamos algumas observações a respeito desses três grandes ciclos: 
 
 Pau-brasil: como vimos, sua exploração visava ao corante extraído da madeira. Sua 
extração era realizada pelos índios, e o pagamento dava-se pelo escambo, ou seja, 
pela troca: o trabalho indígena era pago pelos portugueses com objetos e 
ferramentas. 
 Açúcar: o açúcar foi o produto mais importante produzido no Brasil durante parte 
do século XVI e durante todo o XVII. Até onde se sabe, a intenção dos portugueses 
de instalar engenhos no Brasil para produzir açúcar remonta ao ano de 1516, mas 
só em 1535 foram instalados os primeiros engenhos no Brasil (na capitania de 
Pernambuco). 
 Ouro: terceiro grande ciclo econômico durante a colonização. Quantidades 
expressivas de ouro foram encontradas em Minas Gerais, em 1695, e as primeiras 
pedras de diamante foram encontradas em 1730. O ouro atraiu milhares de 
pessoas ao Brasil e transformou Minas Gerais no grande centro da América 
Portuguesa. Houve também quantias expressivas de ouro em Goiás e no Mato 
Grosso. Os portugueses regulavam a extração do ouro por meio de impostos, como 
o quinto. 
 
COLONIZAÇÃO INGLESA 
A colonização inglesa no continente americano se deu em um processo um tanto diferente 
da exercida por outros países da Europa. O século XV foi marcado pelas grandes navegações. 
Nesse período a navegação marítima foi uma ferramenta encontrada para que os países 
expandissem seu território e consequentemente pudessem crescer economicamente. Portugal 
e Espanha foram os primeiros países da Europa a investir nesse negócio, cruzando os oceanos 
na busca de metais preciosos, terras e matéria prima. O resultado desse processo foi a 
colonização de várias regiões da América. 
 
Ao notar que os primeiros aventureiros alcançaram sucesso, outros países também foram 
em busca de terras e na expansão do comércio, a exemplo da Inglaterra. Os ingleses passaram 
a investir na construção naval. A política mercantilista que pregava o acúmulo de riquezas para 
o reino parecia bastante atrativa para a coroa. Para realizar essa empreitada, tanto a família 
real quanto a burguesia juntaram esforços e investiram financeiramente no financiamento das 
expedições marítimas. Na época, várias companhias de comércio foram fundadas para 
encontrar as regiões que seriam colonizadas. 
 
A colonização inglesa não deu certo na primeira tentativa. Entre os anos de 1584 e 1587, 
sir Walter Raleigh comandou uma expedição ordenada pela Rainha na tentativa de conquistar 
o território da América do Norte. Ele chegou a fundar a primeira colônia nos Estados Unidos, 
chamada de Virgínia, mas o que Raleigh não esperava era encontrar uma forte resistência 
imposta pelos nativos. Derrotado pelos povos que já viviam ali, sir Walter retornou à Inglaterra, 
adiando a tão sonhada conquista inglesa. 
 
Porém, em 1607, um outro grupo se aventurou no território novamente, eram as 
Companhias de Comércio, criadas com o objetivo de explorar as colônias e aumentar os lucros 
comerciais. Uma delas, a London Company, voltou à América para recuperar a colônia da 
Virgínia e iniciar a colonização inglesa. Na Virgínia havia produção de tabaco, um produto que 
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dava muitos lucros no mercado europeu. Ao perceber o sucesso dessa colônia, os ingleses 
passaram a investir em outras regiões. Nesse período nasceram as colônias da Geórgia, Carolina 
do Norte e do Sul, Maryland e Delaware, todas com potencial agrícola. 
 
À medida que as colônias iam surgindo, desenvolviam suas próprias características, que 
se diferiam quanto ao tipo de povoamento e a economia. A região Sul era composta pela colônia 
de exploração. Nesse sistema, o lucro obtido através da exportação dos produtos agrícolas era 
o grande objetivo dos colonos e para que eles pudessem garantir que a produção chegasse à 
Europa em grande escala, se utilizavam da mão de obra escrava. Esse foi o mesmo tipo de 
colonização utilizado pela coroa portuguesa no Brasil. Já na parte norte ficava a colônia de 
povoamento. Diferente do que acontecia no Sul, o objetivo desse tipo de colônia era o de 
realmente fazer dela um lugar para viver. O povoamento aconteceu no Norte por conta de dois 
elementos importantes, o primeiro refere-se ao fato de que a maioria das pessoas que foram 
naquela direção eram refugiados. 
 
Nesse período a Igreja Católica passou a perseguir os cristãos protestantes. Com medo de 
sucumbir à intolerância religiosa, fugiram para a América do Norte em busca de novas 
possibilidades. Foram os puritanos que fundaram a cidade de Plymouth em 1620. Em segundo 
lugar, o clima no norte não era tão propício à agricultura, por isso não atraía os latifundiários. 
Daí dá para perceber que a colonização inglesa foi muito diferente da colonização portuguesa, 
por exemplo. A primeira resultou no desenvolvimento e autonomia das colônias, já a segunda, 
que só se preocupava em explorar e garantir o lucro, tornou as colônias cada vez mais 
dependentes da metrópole. 
 
Organização das Treze colônias 
 
O Novo Mundo ou a Nova Inglaterra era formada por pessoas de todos os lugares. Além 
de ingleses, suíços, escoceses, irlandeses e alemães fundaram comunidades inteiras. Eram 
grupos de imigrantes que fugiam da perseguição da Igreja Católica e também aqueles que 
estavam com problemas econômicos e precisavam se reinventar. As comunidades foram se 
estabelecendo na costa leste do litoral, à medida que as colônias eram formadas, iam 
conquistando sua independência. Como elas ficavam muito distantes geograficamente, não 
havia a possibilidade de uma unidade política, por isso, as colônias britânicas foram divididas 
em colônias do norte, do centro e do sul. 
 
Os colonos do norte não se preocupavam só em se reestabelecer, mas em possibilitar 
meios de continuar a viver nas colônias, investindo para o seu desenvolvimento. Foram os 
imigrantes protestantes que insistiam na valorização dos estudos, por exemplo. Graças ao 
esforço coletivo do grupo, a primeira universidade norte-americana, Harvard, foi fundada em 
Massachusetts em 1636. Outras religiões foram surgindo ao longo do tempo e também 
buscavam se estabelecer. A Pensilvânia, por exemplo, surgiu como uma colônia Quaker, um 
movimento religioso que havia se rebelado contra a política inglesa e pregava uma renovação 
do cristianismo. Isso porque, na época, a Inglaterra estava sendo influenciada pelo 
Anglicanismo. 
 
Ao passo que iam se desenvolvendo, eram estabelecidas novas organizações políticas. As 
colônias passaram a ter conselhos, assembleias e até governadores, estabelecendo um comando 
inglês em detrimento da população nativa. É importante salientar que o desenvolvimento da 
economia durante a colonização inglesa, se deu de formas diferenciadas, principalmente por 
conta da geografia de cada região. 
 
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A Nova Inglaterra, como eram chamadas as colônias ao norte, tinham um clima parecido 
com o da Europa e, por isso, o interesse comercial naquela região era muito baixo. Dessa forma, 
as colônias do norte desenvolveram um sistema pensando em abastecer o mercado interno, 
geralmente, baseado na agricultura familiar ou trabalho assalariado. 
 
Por ter um clima tropical, as colônias do sul atraíam a atenção dos comerciantes de toda 
a Europa. A região desenvolveu a monocultura de tabaco, que era produzida em sua maioria 
pela exploração da mão de obra de africanos trazidos pelo tráfico negreiro. A longo prazo, pode-
se dizer que as colôniasdo norte acabaram se desenvolvendo mais, pois a sua preocupação com 
o povoamento e desenvolvimento da região, tornaram-nas mais autônomas. Ao sul, existia uma 
total dependência da Inglaterra, que fornecia grande parte dos materiais que eram utilizados 
no cotidiano, por isso, seu processo foi mais tardio. 
 
Além das colônias do norte e sul, havia as colônias centrais. No início, elas estavam sob o 
domínio dos holandeses, mas depois passaram para o controle inglês. As colônias do centro 
tinham uma economia agrícola que era formada basicamente por trabalhadores de pequenas 
propriedades. Assim, as regiões formadas devido ao processo de colonização inglesa ficaram 
divididas em: 
 
 Colônias do Norte: Massachusetts, Nova Hampshire, Rhode Island e Connecticut. 
 Colônias do Centro: Nova Iorque, Pensilvânia, Nova Jersey e Delaware. 
 Colônias do Sul: Maryland, Virginia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia. 
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SUMÁRIO 
SISTEMA COLONIAL PORTUGUÊS ...................................................................................................................... 2 
PERÍODO PRÉ-COLONIAL ........................................................................................................................... 2 
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS ....................................................................................................................... 3 
GOVERNO GERAL ....................................................................................................................................... 4 
 
 
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SISTEMA COLONIAL PORTUGUÊS 
PERÍODO PRÉ-COLONIAL 
A	 primeira	 riqueza	 explorada	 pelo	 europeu	 em	 terras	 brasileiras	 foi	 o	 pau-brasil	
(caesalpinia	echinata),	árvore	que	existia	com	relativa	abundância	em	 largas	 faixas	da	costa	
brasileira.	O	 interesse	 comercial	 nessa	madeira	decorria	da	possibilidade	de	 extrair-se	dela	
uma	 substância	 corante,	 comumente	 utilizada	 para	 tingir	 tecidos.	 Antes	 da	 conquista	 da	
América	 indústria	 europeia	 de	 tintas	 comprava	 o	 pau-brasil	 trazido	 do	 Oriente	 pelos	
mercadores	 que	 atuavam	 nas	 rotas	 tradicionais	 do	 comércio	 indiano.	 Após	 a	 conquista	 do	
Brasil,	tornava-se	mais	lucrativo	extraí-lo	diretamente	de	nossas	matas	litorâneas.	
O	rei	de	Portugal	não	demorou	a	declarar	a	exploração	do	pau-brasil,	um	monopólio	da	
coroa	 portuguesa.	 Oficialmente,	 ninguém	 poderia	 retirá-lo	 de	 nossas	 matas	 sem	 prévia	
concessão	 da	 coroa	 e	 o	 pagamento	 do	 correspondente	 tributo.	 A	 primeira	 concessão	 para	
explorar	o	pau-brasil	foi	fornecida	a	Fernão	de	Noronha,	em	1501,	que	estava	associada	a	vários	
comerciantes	 judeus.	 Os	 Franceses,	 que	 não	 reconheciam	 a	 legitimidade	 do	 Tratado	 de	
Tordesilhas,	 agiam	 intensamente	 no	 litoral	 brasileiro,	 extraindo	 a	 madeira	 sem	 pagar	 os	
tributos	exigidos	pela	coroa	portuguesa.	
O	 esquema	 montado	 para	 a	 extração	 do	 pau-brasil	 contava,	 essencialmente,	 com	 a	
importante	participação	do	indígena.	Só	as	tripulações	dos	navios	que	efetuam	o	tráfico	não	
dariam	conta,	a	não	ser	de	forma	muito	limitada,	da	árdua	tarefa	de	cortar	árvores	de	grande	
porte	como	o	pau-brasil,	que	alcança	um	metro	de	diâmetro	na	base	do	tronco	e	10	a	15	metros	
de	altura.	A	princípio,	o	trabalho	do	índio	era	conseguido	"amigavelmente"	com	o	escambo.	Esse	
consistia,	 basicamente,	 em	 derrubar	 as	 grandes	 árvores,	 cortá-las	 em	 pequenas	 toras,	
transportá-las	até	a	praia	e,	daí,	aos	locais	onde	estavam	ancorados	os	navios.	
Em	1530,	com	o	propósito	de	realizar	uma	política	de	colonização	efetiva,	Dom	João	III,	O	
Colonizador,	 organizou	 uma	 expedição	 ao	 Brasil.	 A	 esquadra	 de	 cinco	 embarcações,	 bem	
armada	 e	 aparelhada,	 reunia	 400	 colonos	 e	 tripulantes.	 Comandada	 por	Martim	 Afonso	 de	
Sousa,	tinha	como	missão:		
• combater	os	traficantes	franceses;	
• penetrar	nas	terras	na	direção	do	Rio	da	Prata	para	procurar	metais	preciosos;	e	
• ainda,	estabelecer	núcleos	de	povoamento	no	litoral.	
	
	
	
Portanto,	 iniciar	 o	 povoamento	 do	 "grande	 deserto",	 as	 terras	 brasileiras.	 Para	 isso,	
traziam	ferramentas,	sementes,	mudas	de	plantas	e	animais	domésticos.	Martim	Afonso	possuía	
amplos	poderes.	Designado	capitão-mor	da	esquadra	e	do	território	descoberto,	deveria	fundar	
núcleos	de	povoamento,	exercer	justiça	civil	e	criminal,	tomar	posse	das	terras	em	nome	do	rei,	
nomear	funcionários	e	distribuir	sesmarias.	
	
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3 
 
Diogo	 Álvares	 Correia,	 o	 Caramuru,	 João	 Ramalho	 e	 Antônio	 Rodrigues	
facilitaram	bastante	a	missão	 colonizadora	da	expedição	de	Martim	Afonso.	
Eram	intérpretes	 junto	aos	 índios	e	 forneciam	valiosas	 informações	sobre	a	
terra	e	seus	habitantes.	Antes	de	retornar	a	Portugal,	ainda	em	1532,	o	capitão	
recebeu	 carta	 do	 rei	D.	 João	 III.	 Esse	 falava	 de	 sua	 intenção	de	 implantar	 o	
sistema	de	capitanias	hereditárias	e	de	designar	Martim	Afonso	e	seu	irmão	
Pero	Lopes	de	Sousa	como	donatários.	
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS 
A	posse	da	América	Portuguesa	estava	“garantida”	aos	portugueses	pela	Igreja	Católica	
por	meio	 do	Tratado	de	Tordesilhas,	 no	 qual	 a	 Igreja	 dividia	 as	 novas	 terras	 “descobertas”	
(América)	 entre	 Espanha	 e	 Portugal.	 A	 existência	 do	 tratado,	 no	 entanto,	 não	 impedia	 que	
ingleses	e	franceses	questionassem	essa	divisão,	já	que	foram	excluídos	dela.	
No	começo	da	década	de	1530,	o	comércio	com	a	Índia	estava	decadente,	e	as	posses	de	
Portugal	na	América	eram	constantemente	ameaçadas	por	corsários	franceses,	que	se	aliavam	
aos	indígenas	inimigos	dos	portugueses	e	exploravam	os	recursos	da	terra	sem	a	autorização	
de	Portugal.	O	rei	português	percebeu	que,	diante	da	ameaça	estrangeira,	era	necessário	criar	
uma	frente	de	colonização	para	garantir	a	posse	da	terra.	
Sendo	assim,	em	1534,	o	rei	português	decidiu	dividir	as	terras	que	pertenciam	a	Portugal	
pela	força	do	Tratado	de	Tordesilhas.	Com	essa	decisão,	Portugal	dividiu	a	colônia	em	15	lotes	
de	 terra,	 que	 correspondiam,	 ao	 todo,	 a	 14	 capitanias,	 que	 foram	 entregues	 para	 a	
administração	dos	capitães-donatários.	
	
	
	
Os	 portugueses	 criaram	 o	 sistema	 de	 capitanias	 hereditárias	 como	 forma	 de	 iniciar	 a	
colonização	do	Brasil	e	entregaram	as	responsabilidades	de	desenvolvimento	e	investimento	
da	 iniciativa	 aos	 donatários.	 Esses	 capitães	 eram,	 em	 geral,	 pessoas	 da	 pequena	 nobreza	 e	
comerciantes	com	algum	tipo	de	 ligação	com	a	Coroa	Portuguesa.	Os	donatários	recebiam	a	
faixa	de	terra	correspondente	à	capitania	por	meio	da	carta	de	doação,	documento	que	 lhes	
dava	uma	série	de	direitos	sobre	a	capitania,	mas	não	lhes	dava	a	posse	da	terra,	que	continuava	
sendo	do	rei	de	Portugal.	
Os	donatários	possuíam	grande	poder	administrativo	e	jurídico	sobre	a	capitania.	Eram	
também	responsáveis	por	 investir	e	atrair	 investimentos,	moradores	e	pessoas	 interessadas	
em	explorar	a	capitania,	além	de	promover	seu	desenvolvimento	econômico.	A	aplicação	da	lei,	
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cobrança	 de	 impostos,	 distribuição	 de	 terras,	 construção	de	 fortificações	 para	 resguardar	 a	
capitania	de	 invasões	estrangeiras	e	a	 luta	contra	os	 indígenas	também	eram	atribuições	do	
donatário.	
O	sistema	de	capitanias,	no	entanto,	fracassou	em	decorrência	de	uma	série	de	fatores.	A	
divisão	 territorial	 permaneceu	 ainda	 durante	 séculos,	 e,	 até	 o	 século	 XVIII,	 ainda	 existiam	
donatários	 com	 poderes	 investidos	 pelo	 Coroa.	 Apesar	 disso,	 esse	 sistema	 mostrou	 ser	
deficiente	para	uma	administração	unificada	da	colônia,	uma	vez	que	mal	havia	comunicação	
entre	as	capitanias.	Por	conta	disso,	Portugal	resolveu	criar	um	sistema	de	administração	que	
centralizava	o	poder	na	colônia.	Para	isso,	criou-se	o	governo-geral	em	1548,	e	Tomé	de	Sousa	
foi	delegadopara	a	função	de	governador-geral.	
O	fracasso	das	capitanias	pode	ser	explicado	por	vários	fatores.	O	principal	deles	foi	que,	
das	catorze	capitanias,	somente	duas	registraram,	de	fato,	um	desenvolvimento	notável:	São	
Vicente	 e	 Pernambuco.	 O	 sucesso	 dessas	 capitanias	 está	 relacionado	 com	 a	 instalação	 de	
engenhos	e	com	o	tráfico	de	indígenas	para	escravização.	As	capitanias	também	fracassaram	
pela	inexperiência	administrativa	dos	donatários.	A	falta	de	recursos	também	foi	um	grande	
impeditivo,	 assim	 como	 a	 falta	 de	 comunicação,	 seja	 interna,	 seja	 com	 a	 Coroa.	 Por	 fim,	 os	
conflitos	com	os	indígenas	também	foram	um	fator	relevante	para	o	fracasso	das	capitanias.	
GOVERNO GERAL 
Com	 o	 fracasso	 do	 sistema	 de	 capitanias	 hereditárias,	 a	 Coroa	 Portuguesa	 optou	 por	
centralizar	o	poder	na	colônia,	ou	seja,	foi	criada	uma	autoridade	sobre	toda	a	colônia	chamada	
governador-geral.	A	determinação	para	a	criação	desse	cargo	partiu	do	próprio	rei	de	Portugal,	
D.	João	III.	
Essa	medida	 foi	 tomada	com	o	objetivo	de	 transformar	a	colônia	em	um	negócio	mais	
lucrativo	em	vista	do	enfraquecimento	do	comércio	na	Índia.	Além	disso,	o	historiador	Boris	
Fausto	sugere	que	o	fechamento	do	entreposto	comercial	dos	portugueses	em	Flandres	e	as	
derrotas	militares	sofridas	no	Marrocos	ajudam	a	entender	a	necessidade	de	tornar	o	Brasil	um	
território	mais	vantajoso	para	Portugal.	
A	 constante	 ameaça	 estrangeira,	 sobretudo	 dos	 franceses,	 também	 era	 um	 fator	 que	
tornava	o	desenvolvimento	da	colônia	extremamente	 importante	para	Portugal.	Assim,	para	
ocupar	o	cargo	de	governador-geral,	a	Coroa	Portuguesa	enviou	Tomé	de	Sousa	ao	Brasil	em	
1549.	
Ø Governo-geral	de	Tomé	de	Sousa	
Tomé	de	Sousa	foi	enviado	ao	Brasil	em	1549	com	instruções	específicas	dadas	pela	Coroa	
Portuguesa.	 Os	 objetivos,	 em	 geral,	 eram	 promover	 o	 desenvolvimento	 populacional	 e	
econômico	 (principalmente	 pela	 produção	 de	 açúcar)	 da	 colônia	 e	 garantir	 a	 expulsão	 de	
invasores.	
A	 expedição	 de	 Tomé	 de	 Sousa	 chegou	 à	 região	 da	 Baía	 de	 Todos	 os	 Santos	 com	
aproximadamente	mil	homens.	As	instruções	dadas	a	ele	foram	estipuladas	pela	Coroa	em	um	
regimento	de	17	de	dezembro	de	1548.	Entre	essas	ordens	a	Tomé	de	Sousa,	também	estavam	
a	manutenção	dos	nativos	sob	controle	e	a	garantia	da	conversão	deles	ao	cristianismo.	
A	primeira	ação	do	governador-geral	 foi	promover	a	construção	de	Salvador	em	1549.	
Essa	cidade	foi	instituída	como	capital	do	Brasil,	status	que	ocupou	durante	mais	de	200	anos.	
Sua	localização	geográfica	era	estratégica	pela	posição	centralizada	na	colônia,	o	que	facilitaria	
o	contato	com	as	diferentes	capitanias.	
Para	 auxiliar	 o	 governador-geral	 na	 administração	 da	 colônia,	 foram	 criados	 cargos	
administrativos	com	atribuições	diferentes.	Os	cargos	de	maior	destaque	foram:	
• Ouvidor-mor:	responsável	pelos	assuntos	de	justiça	e	pela	imposição	das	leis	na	
colônia;	
• Provedor-mor:	responsável	pela	arrecadação	e	administração	das	finanças;	
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• Capitão-mor:	 responsável	 pela	 defesa	 da	 colônia	 contra	 invasores	 e	 contra-
ataques	de	indígenas.	
A	política	de	Tomé	de	Sousa	quanto	aos	nativos	era,	naquele	contexto,	pacífica.	Ele	impôs	
a	escravidão	contra	as	tribos	indígenas	rebeldes	que	não	aceitavam	a	presença	portuguesa.	Com	
as	tribos	pacificadas,	foi	instituída	a	mesma	relação	que	havia	sido	usada	na	exploração	do	pau-
brasil:	o	escambo.	
O	 maior	 empecilho	 para	 o	 governo-geral	 de	 Tomé	 de	 Sousa	 foi	 a	 dificuldade	 de	
comunicação	existente	com	outras	capitanias	da	colônia.	Seu	governo	estendeu-se	até	1553,	
quando	foi	substituído	por	Duarte	da	Costa.	
	
Junto	 da	 expedição	 que	 trouxe	 Tomé	 de	 Sousa	 estavam	Manuel	 de	 Nóbrega	 e	
outros	 cinco	 companheiros	 pertencentes	 à	 Companhia	 de	 Jesus,	 também	
conhecidos	 como	 jesuítas.	 A	 missão	 dos	 jesuítas	 aqui	 era,	 primeiramente,	
estabelecer	 relações	 pacíficas	 com	 os	 nativos	 para	 iniciar	 um	 processo	 de	
catequização,	ou	seja,	a	conversão	dos	índios	ao	catolicismo.	
Ø Outros	governadores-gerais	
Após	Tomé	de	Sousa,	o	Brasil	foi	governado	por	Duarte	da	Costa	(1553-1558)	e	por	Mem	
de	Sá	(1558-1572).	Durante	o	governo	de	Duarte	da	Costa,	os	indígenas	passaram	a	ser	tratados	
de	forma	hostil,	e	um	grande	número	deles	foi	escravizado.	Essa	relação	com	os	indígenas	quase	
colocou	a	perder	o	trabalho	desenvolvido	por	Tomé	de	Sousa.	Por	isso,	no	governo	de	Mem	de	
Sá,	foi	adotada	novamente	a	política	de	escravização	somente	dos	indígenas	hostis.	
O	governo	de	Mem	de	Sá	destacou-se	ainda	por	ter	expulsado	os	franceses	que	estavam	
estabelecidos	na	Baía	da	Guanabara	desde	1555.	Nessa	região,	os	 invasores	 franceses,	sob	a	
liderança	 de	 Nicolas	 Durand	 de	 Villegagnon,	 haviam	 fundado	 a	 França	 Antártica.	 Após	 a	
expulsão,	os	portugueses	fundaram	a	cidade	do	Rio	de	Janeiro	no	local.	
Em	1572,	após	da	morte	de	Mem	de	Sá,	a	Coroa	portuguesa,	ainda	percebendo	inúmeras	
falhas	na	administração	da	Colônia,	resolveu	dividir	a	América	Portuguesa	em	dois	Governos-
Gerais:	o	Governo	do	Norte	e	o	Governo	do	Sul,	que	tinham	como	capitais	Salvador	e	Rio	de	
Janeiro,	respectivamente.	
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SUMÁRIO 
INVASÕES ESTRANGEIRAS NO BRASIL E EXPANSÃO DA COLÔNIA .................................................................... 2 
INVASÕES FRANCESAS ................................................................................................................................... 2 
INVASÕES HOLANDESAS ................................................................................................................................ 3 
EXPANSÃO TERRITORIAL NA COLÔNIA .......................................................................................................... 5 
 
 
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INVASÕES ESTRANGEIRAS NO BRASIL E EXPANSÃO DA 
COLÔNIA 
INVASÕES FRANCESAS 
 
 
Logo que soube do ocorrido, o governo português organizou tropas na Bahia e no Rio de 
Janeiro com o objetivo de abafar o levante. Enquanto as tropas terrestres tomavam as regiões 
do interior, a cidade do Recife foi cercada por embarcações que interromperam a comunicação 
da capitania com outras regiões. Os líderes acabaram sendo presos e executados. Dessa forma, 
o governo lusitano preservava a sua hegemonia política por meio da força das armas. 
Os franceses visitavam o litoral do Brasil com muita frequência, isso acontecia desde a 
época da extração do pau-brasil e nesse período mantiveram contato constante com os índios 
brasileiros, de forma a fazerem acordos e pactos com eles. Já no ano de 1555, os franceses 
fixaram no Rio de Janeiro (na época, Baía de Guanabara) a França Antártica, onde foi 
estabelecida uma sociedade predominantemente protestante, fato que pode ser entendido 
devido à fuga de europeus à América, no período da Contrarreforma e perseguição dos 
protestantes. 
A mais importante aliança que os franceses fizeram foi com os povos Tamoios, pois, a 
partir do acordo feito entre eles surgiu a Confederação dos Tamoios, que contava com a 
presença de diversos outros povos indígenas (goitacás, tupiniquins, tupinambás, entre outros) 
e que visava derrotar os colonizadores portugueses. Porém, após alguns anos de conflitos entre 
portugueses e indígenas, a Confederação foi desfeita, acarretando também na expulsão dos 
franceses do território pertencente aos colonos de Portugal, a região Sudeste. 
Porém, isso não foi suficiente para fazer os franceses desistirem do nosso país, de modo 
que ao se retirarem da região Sudeste do Brasil, logo rumaram para a região nordeste e se 
instalaram na capital do maranhão, São Luís, onde instalaram a França Equinocial. Mais uma 
vez os franceses tentavam expandir sua civilização em solo brasileiro e com isso Portugal 
novamente foi buscar impedir o desenvolvimento,assim enviando militares ao nordeste. 
A expedição dos portugueses ao chegar ao Maranhão, atacou os franceses por mar e terra, 
os derrotando em 1615. Os franceses vencidos desocuparam as terras maranhenses e dessa vez 
se retiraram do Brasil, rumando para a região das guianas, lá fundando a Guiana Francesa. Mas 
os franceses ainda insistiram no que dizia respeito ao Brasil, de forma a posteriormente 
saquearem cidades do litoral brasileiro. Contudo, todo e qualquer tipo de invasão francesa teve 
seu fim em 1711 quando os franceses receberam dos portugueses um alto valor de resgate para 
libertar o Rio de Janeiro, uma das cidades tomadas nos atos de saques. 
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INVASÕES HOLANDESAS 
 
 
 
Os holandeses participaram do empreendimento açucareiro no Brasil, desde o início. 
Financiaram a instalação de engenhos e tornaram-se os maiores responsáveis pelo processo de 
refinamento do açúcar e por sua comercialização na Europa. Esse empreendimento era tão 
importante para eles que, entre os anos de 1621 e 1622, o número de refinarias de açúcar no 
norte da Holanda cresceu de três para vinte e nove. Os holandeses obtinham lucro significativo 
com a venda de açúcar refinado para os demais países europeus. Portanto, nem imaginavam 
abrir mão desse comércio. 
Impedidos desde a União Ibérica por sua arquirrival, a Espanha, de continuar a participar 
dos lucros da indústria açucareira brasileira, os holandeses fundaram, em 1621, a Companhia 
das Índias Ocidentais: uma empresa comercial, cujo objetivo era centralizar e mobilizar os 
investimentos comerciais na área do Atlântico, especialmente os negócios com produtores de 
açúcar do Brasil, os senhores de engenho. Entretanto, logo perceberam que para retomar esses 
contatos, não havia saída pacífica, sendo necessária uma invasão. 
O governo da República das Províncias Unidas concedeu à Companhia o monopólio do 
tráfico, navegação e comércio por 24 anos nas costas atlânticas da América e da África, além de 
autorizá-los a construir fortificações, nomear funcionários, organizar tropas e estabelecer 
colônias. 
A capitania escolhida para a primeira investida da Companhia no Brasil foi a da Bahia. 
Vários foram os motivos: os lucros com o açúcar cobririam os gastos com a conquista e o tráfico 
negreiro era sempre uma possibilidade de lucro. A invasão ocorreu em 1624, e no primeiro 
momento, os holandeses venceram. Conquistaram a cidade, prenderam e mandaram o 
governador Diogo de Mendonça Furtado para a Holanda. Mas a Espanha enviou para a Bahia 
uma poderosa esquadra, composta por 52 navios de guerra, com cerca de 12 mil homens e, em 
maio de 1625, os holandeses se renderam, sendo expulsos da região. 
Refeitos dos prejuízos, por conta de pilhagens a navios espanhóis carregados de metais 
preciosos, os holandeses voltaram a invadir a Colônia em 1630, agora pela capitania de 
Pernambuco, maior centro produtor de açúcar da Colônia e do mundo. Ali travaram-se intensos 
combates pela posse da terra. Após uma série de derrotas, Matias de Albuquerque refugiou-se 
no interior da capitania, fundando o Arraial de Bom Jesus, entre Olinda e Recife. O Arraial 
tornou-se o centro da resistência contra os holandeses até 1635. Os holandeses instalados 
inicialmente em Recife e Olinda, alguns anos depois estenderam seu domínio às demais 
capitanias do litoral nordestino. 
 
 
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 Governo de Maurício de Nassau 
Para consolidar sua conquista, a Companhia nomeou como governador o conde João 
Maurício de Nassau, que atuou nos domínios holandeses de 1637 até 1644. Nassau logo 
percebeu que, para pacificar a região e melhor poder administrá-la, teria que estabelecer boas 
relações com seus moradores mais ilustres, os senhores de engenho. Para tal, proibiu a 
agiotagem praticada por agentes holandeses e conseguiu auxílio financeiro, na forma de 
crédito, para que reconstruíssem seus engenhos, destruídos nos cinco anos de combate. 
Diminuiu os tributos e ainda conseguiu a encampação das dívidas de alguns senhores, sustando, 
também, a penhora de seus bens. Além disso deu maior liberdade na venda de açúcar, cuja 
produção vinha se normalizando, e garantiu a liberdade religiosa aos cristãos. Essa medida 
gerou insatisfação entre os calvinistas (protestantes) holandeses. 
Nassau também se preocupou com o embelezamento e a modernização de Recife, 
pavimentando ruas, drenando pântanos, construindo pontes e canais sobre os rios Capiberibe 
e Beberibe, transformando o pequeno vilarejo em moderno centro urbano. Trouxe também 
para Recife várias missões artísticas e científicas, procurando criar um ambiente cultural 
semelhante ao que se desfrutava na Europa. 
 A Restauração 
Em 1640 terminou a União Ibérica, graças ao movimento que ficou conhecido como 
Restauração (recuperação). Esse movimento significou o retorno da autonomia política de 
Portugal, agora sob a dinastia dos Bragança, sendo seu primeiro rei D. João IV. A aliança entre 
os portugueses e a República das Províncias Unidas, sua aliada na luta pela independência 
contra a Espanha, propiciou uma trégua aos combates, o que foi muito bom para os negócios 
holandeses na Colônia. 
No entanto, desde a saída de Conde Maurício de Nassau do governo dominado pelos 
holandeses na América, em 1644, foi-se ampliando um clima de descontentamento entre os 
colonos, provocado por incompatibilidades com o novo rumo dado à administração da 
capitania pela Companhia das Índias, considerado prejudicial aos seus negócios. Entre outras 
coisas, a Companhia passou a cobrar os empréstimos concedidos por Nassau, e quando esses 
não eram pagos, os juros aplicados eram extorsivos. E isso numa época de má colheita, 
provocada por secas e inundações alternadas e a queda de preço internacional do açúcar, em 
torno de 25%. Além do mais, os holandeses passaram a exercer um controle rigoroso na 
questão religiosa, perseguindo os católicos. Proibiam a vinda de novos padres para substituir 
os que morriam ou adoeciam. 
Em 1645 teve início um movimento de revolta contra o domínio holandês que ficou 
conhecido como Insurreição Pernambucana. Lideraram o movimento: os senhores de engenho 
João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros, o índio Filipe Camarão, e o negro Henrique 
Dias. Após violentas lutas, como o combate do Monte das Tabocas (1645) e as duas batalhas dos 
Guararapes (1648 e 1649), os holandeses foram finalmente derrotados. 
Embora expulsos do Brasil, os holandeses somente reconheceram a perda do litoral 
nordestino em 1661, quando assinaram a Paz de Haia com Portugal e, em 1669, acertaram o 
recebimento de uma grande indenização por conta das terras perdidas. 
A expulsão dos holandeses do Brasil gerou sérios problemas para a economia da Colônia 
portuguesa na América. Eles passaram a produzir açúcar nas Antilhas, região da América 
Central, comercializando-o a um preço mais baixo na Europa. Além disso detinham o domínio 
sobre os mercados consumidores europeus. A concorrência do açúcar antilhano provocou a 
queda do preço do açúcar em cerca de 50% e determinou o fim do monopólio português sobre 
o produto. Foi o início da decadência da empresa açucareira no Brasil. 
 
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EXPANSÃO TERRITORIAL NA COLÔNIA 
 
 
 
A expansão territorial brasileira está associada à diversidade de atividades que foram 
se desenvolvendo no Brasil Colônia à medida em que foi ocorrendo a expansão demográfica e 
em decorrência da crise do ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste. 
Após a União Ibérica (1580-1640), houve a anulação do Tratado de Tordesilhas, que 
possibilitou que as terras mais afastadas do litoral brasileiro pudessem ser ocupadas pelos 
colonos, e ainda mais porque eram áreas que não interessavam na colonização espanhola. 
Então, ocupado de maneira desigual e por diferentes motivos, podemos resumir a expansãoterritorial brasileira assim: 
• Região Nordeste: o litoral foi o primeiro local da ocupação portuguesa, devido 
ao interesse econômico da cana-de-açúcar e por motivo da defesa militar do 
território. Podemos observar que a maioria das capitais nordestinas, com exceção 
de Teresina-PI, são cidades litorâneas. Já o interior do Nordeste foi povoado pela 
expansão da pecuária, tendo como principal eixo o Rio São Francisco, e outros 
povoamentos que eram cortados pelos rios, como o Rio Jaguaribe, no Ceará. A 
pecuária torna-se o principal meio econômico do Nordeste, que traz até hoje a 
figura do vaqueiro como representante de sua cultura. 
• Região Sudeste e Centro-Oeste: essas regiões foram povoadas pela atuação dos 
bandeirantes, em busca de ouro e no apresamento dos índios. Na verdade, a figura 
do bandeirante é decisiva para a expansão territorial brasileira, já que foi através 
das bandeiras que o interior do Brasil foi sendo penetrado, na corrida do ouro, no 
início do século XVIII. As cidades mineiras onde se concentraram a extração 
mineradora, também foi onde mais se concentrou a população, contribuindo para 
o desenvolvimento das cidades, construção de estradas, surgimento de vilas e a 
urbanização do Sudeste brasileiro. 
• Região Norte: teve como processo de povoamento também a atuação dos 
bandeirantes que foram em busca das drogas do sertão (as especiarias 
da floresta Amazônica brasileira) para comercialização. 
• Região Sul: foi colonizada por incentivo da Metrópole para assegurar o controle 
das fronteiras com a América espanhola, além de ter desenvolvido um grande 
centro de ação jesuítica com os Sete Povos das Missões. A Região Sul também se 
desenvolveu economicamente através da pecuária e charqueadas. 
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As entradas e bandeiras foram expedições de desbravamento territorial, que ocorreram 
no Brasil Colônia entre os séculos XVII e XVIII. Diferenças entre entradas e bandeiras: 
• As entradas eram expedições oficiais (organizadas pelo governo) que saiam do 
litoral em direção ao interior do Brasil. 
• As bandeiras eram expedições organizadas e financiadas por particulares, 
principalmente paulistas. Partiam de São Paulo e São Vicente principalmente, 
rumo às regiões centro-oeste e sul do Brasil. 
• As entradas tinham como objetivo principal fazer o mapeamento do território 
brasileiro, principalmente da região interior. Estas informações eram enviadas a 
Portugal, com objetivo de aumentar o conhecimento e viabilizar a colonização do 
interior do Brasil. 
• As bandeiras tinham como objetivo principal descobrir minas de ouro, prata e 
pedras preciosas. 
• As entradas também atuavam no combate aos grupos indígenas que ofereciam 
resistência aos colonizadores. 
• As bandeiras atacavam missões jesuíticas, capturando índios, que seriam 
comercializados como escravos. 
• As entradas eram compostas, em sua maioria, por soldados portugueses e 
brasileiros (a serviços das províncias). 
• Já as bandeiras eram lideradas por paulistas chamados de bandeirantes e tinham 
em sua composição familiares, agregados, brancos pobres e mamelucos. 
PRINCIPAIS BANDEIRAS 
• Bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva – ocorrida entre 1672 e 1740, partiu da 
região norte do atual estado de São Paulo em direção a região centro-oeste do 
Brasil. Tinha como principal objetivo o descobrimento de jazidas de ouro e 
pedras preciosas. 
• Bandeira de Domingos Jorge Velho – ocorrida entre 1615 e 1703, partiu da região 
litorânea do Nordeste em direção ao sertão e litoral paulista. Tinha como 
principal o sertanismo de contrato, onde os bandeirantes eram contratados por 
fazendeiros para combater quilombos e tribos indígenas que atacavam cidades e 
engenhos. 
• Bandeira de Raposo Tavares – ocorrida entre 1598 e 1658, partiu da cidade de 
São Paulo em direção às regiões sul e centro-oeste do Brasil. Tinha como principal 
objetivo a captura de indígenas. 
As bandeiras eram sempre movimentos direcionados ao interior da América do Sul, 
proveniente sobretudo das costas sudeste do Brasil, com destaque especial à Capitania de São 
Vicente. Esses movimentos eram de caráter puramente econômico, e eram muitas vezes 
patrocinados pela Coroa e seus intermediários, ou por notáveis da região como forma de 
investimento. 
 Essas bandeiras foram categorizadas posteriormente em três tipos principais: 
• Bandeiras de "apresamento": tinham como objetivo a captura de índios para 
serem usados como mão-de-obra escrava; 
• Bandeiras de prospecção: destinadas a encontrar recursos minerais rentáveis, 
sobretudo minas de ouro, prata, cobre ou pedras preciosas; 
• Bandeiras de contrato: destinadas a destruir quilombos e recapturar escravos 
fugidos. 
 
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A partir de 1619, com a intensa formação dos assentamentos jesuíticos, comunidades de 
índios catequizados que trabalhavam para a igreja mediante pagamento, combinado com o 
aumento da demanda por mão-de-obra e o alto custo dos escravos africanos, iniciou-se um 
quarto tipo de bandeira, efetivamente uma transformação do primeiro: as bandeiras de 
preação, que tomavam os assentamentos jesuítas de assalto e capturavam os índios conversos. 
Essas bandeiras eram oficialmente condenadas, mas na prática incentivadas e patrocinadas 
pelos latifundiários locais, sobretudo senhores de engenho. 
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SUMÁRIO 
REVOLTAS COLONIAIS........................................................................................................................................ 2 
CONTEXTO ..................................................................................................................................................... 2 
PRINCIPAIS REVOLTAS COLONIAIS NATIVISTAS ......................................................................................... 2 
PRINCIPAIS CAUSAS ................................................................................................................................... 2 
ACLAMAÇÃO DE AMADOR BUENO (1641) ................................................................................................ 3 
REVOLTA DE BECKMAN (1684) .................................................................................................................. 3 
GUERRA DOS EMBOABAS (1708-1709) ..................................................................................................... 4 
GUERRA DOS MASCATES (1710-1711) ...................................................................................................... 5 
REVOLTA DE FILIPE DOS SANTOS (1720) ................................................................................................... 6 
 
 
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REVOLTAS COLONIAIS 
CONTEXTO 
Após o fim do domínio espanhol, em 1640, a economia portuguesa se encontrava em 
péssima situação, principalmente, devido às sucessivas guerras ao lado da Espanha. Os 
portugueses recuperaram as possessões africanas (Angola e Guiné) e o nordeste brasileiro, mas 
perderam o controle do comércio oriental e ainda tiveram a Holanda como concorrente. 
Sendo assim, houve a aplicação de uma política mercantilista baseada no reforço do 
Exclusivo metropolitano: em 1661, proibiu-se o comércio do Brasil com navios estrangeiros; e 
em 1684, impediu-se aos navios brasileiros frequentarem portos estrangeiros; ou seja, Portugal 
era o intermediário obrigatório entre o Brasil e o resto da Europa. 
Em 1649 houve a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasil (extinta em 1720), 
que tinha controle do comércio do Rio Grande do Norte até o extremo sul. Em 1682 foi fundada 
também a Companhia do Comércio do Estado do Maranhão (extinta em 1685), que abrangia do 
Rio Grande do Norte até o Pará. 
PRINCIPAIS REVOLTAS COLONIAIS NATIVISTAS 
 
PRINCIPAISCAUSAS 
• Exploração colonial praticada por Portugal. 
• Monopólio português do comércio de mercadorias. 
• Conflitos culturais, políticos e comerciais entre colonos e portugueses. 
• Rígido controle, por meio de leis, imposto pela metrópole sobre o Brasil. 
• Preços elevados cobrados pelos produtos comercializados pelos portugueses. 
• Medidas da metrópole que favoreciam os portugueses, principalmente os 
comerciantes. 
• Altos impostos cobrados pela coroa portuguesa, principalmente sobre a extração 
de ouro realizada pelos colonos brasileiros. 
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ACLAMAÇÃO DE AMADOR BUENO (1641) 
 
PEREIRA DA SILVA, OSCAR. ACLAMAÇÃO DE AMADOR BUENO, TELA, 1930, PALÁCIO BANDEIRANTES 
Durante os séculos XVII e XVIII, a hegemonia da colonização portuguesa sob as terras 
brasileiras foi constantemente abalada. Nesse período, a debilidade econômica do Império 
Português pode ser justificada pela União Ibérica (1580 – 1640), período em que os espanhóis 
controlaram os domínios portugueses no Brasil. 
Nesse intervalo de sessenta anos, muitos bandeirantes paulistas praticavam o 
apresamento e a comercialização de índios encontrados pelo interior do Brasil. Por meio dessa 
ação, estabelecia-se uma atividade econômica que resolvia o problema da escassez de escravos 
africanos em território brasileiro. 
Além disso, durante a União Ibérica, os bandeirantes paulistas constituíram outra rota de 
comercialização de índios que atendia a demanda por escravos dos colonizadores espanhóis da 
região do Prata. Por meio dessa rota, os bandeirantes ampliaram seus negócios, conquistando 
um promissor mercado consumidor da mão-de-obra indígena. 
Porém, com o fim da União Ibérica, o governo português veio a interromper o negócio 
estabelecido pelos bandeirantes. Portugal proibiu a escravização indígena, buscando ampliar 
seus lucros e, consequentemente, forçar os colonos a comprarem escravos africanos oferecidos 
pela administração colonial portuguesa. 
Inconformados com essa exigência da metrópole, um grupo de bandeirantes paulistas 
resolveram armar um levante que exigiu o fim da proibição da escravização indígena. Buscando 
a vitória, os bandeirantes se dirigiram ao fazendeiro Amador Bueno, que também era a favor 
da escravização indígena. 
Os bandeirantes paulistas convocaram Amador Bueno para que liderasse a revolta, 
aceitando o cargo de governador da província de São Paulo. Mesmo prestigiado pelos 
bandeirantes, Amador Bueno declinou a proposta por eles feita e jurou fidelidade ao governo 
português. De tal maneira, a revolta bandeirante perdeu sua sustentação. 
“Viva Amador Bueno, nosso rei” - ao que ele respondeu muitas vezes, em voz 
alta: “Viva o senhor D. João IV, nosso rei e senhor, pelo qual darei a vida”. 
REVOLTA DE BECKMAN (1684) 
A partir de 1650, com a expulsão dos Holandeses do Nordeste brasileiro, a província do 
Maranhão entrou em declínio devido à crise econômica que se instalou, em função da carência 
de mão de obra escrava, bem como de abastecimento e escoamento de produtos. Por sua vez, a 
“Companhia do Comércio do Maranhão”, criada em 1682, deveria resolver os problemas 
mencionados; contudo, ela fracassou e agravou a crise econômica da província. 
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Com essa ingerência, a população passou a viver em condições de extrema pobreza, 
sofrendo com a falta de abastecimento de gêneros básicos, como alimentos e manufaturados 
(normalmente de péssima qualidade e vendidos a preços altíssimos). Sem espanto, os 
comerciantes locais foram muito lesados pelo monopólio da companhia, enquanto os 
proprietários rurais não recebiam preços justos pelos seus produtos. 
Assim, com a falta de mão-de-obra escrava na região devido à resistência dos missionários 
jesuítas, a insatisfação dos colonos foi tamanha, que se sublevaram para reivindicar a extinção 
da Companhia Geral de Comércio do Estado do Maranhão e a expulsão dos jesuítas da província. 
Em fevereiro de 1684, com a ausência do governador Francisco de Sá de Menezes, os 
irmãos Manuel e Tomás Beckman, líderes do movimento junto com Jorge de Sampaio de 
Carvalho, apoiados pela população local, bem como por comerciantes e proprietários rurais 
(cerca de 70 homens armados), renderam o Corpo da Guarda (menos de dez homens) em São 
Luís e capturaram o Capitão-mor Baltasar Fernandes. Na sequência, invadem e pilham um 
depósito da Companhia de Comércio do Maranhão, dando início à revolta. 
Na altura de 25 de fevereiro, os insurgentes já haviam tomado a Câmara Municipal e 
estabelecido uma Junta Geral de Governo, composta por latifundiários, comerciantes e pelo 
clero. Assim que foram empossados, depuseram o Capitão-mor e o Governador, bem como 
decretaram o fim do estanco e da Companhia de Comércio. 
Por conseguinte, a junta de governo despachou seus emissários para Belém do Pará, a fim 
de comunicar a deposição do governador, e para Portugal, foi o próprio irmão de Manuel, 
Tomás Beckman, enviado à Lisboa para jurar fidelidade ao rei e à Coroa e denunciar a 
Companhia de Comércio. Contudo, ao desembarcar, recebeu voz de prisão e foi trazido de volta 
ao Maranhão, onde foi condenado ao desterro. 
Por sua vez, em 1685, no Brasil, os revoltosos ocuparam o Colégio dos Mascates e 
expulsaram os jesuítas que viviam ali. Por cerca de um ano, Manuel Beckman controlou uma 
junta revolucionária e governou a Província do Maranhão. 
Por fim, em 15 de maio de 1685, o novo governador, Gomes Freire de Andrade, no 
comando de tropas portuguesas, desembarcou na cidade, onde não encontrou resistência. Ele 
reempossou as autoridades e, com a confirmação das acusações feitas à Companhia do 
Comércio do Maranhão, solicitou o fim de suas atividades. 
Já os líderes da revolta, Manuel Beckman e Jorge de Sampaio, foram presos, julgados e 
condenados à morte pela forca, enquanto os outros envolvidos foram condenados à prisão 
perpétua. 
GUERRA DOS EMBOABAS (1708-1709) 
No Brasil colônia, o final do século XVII foi marcado pela descoberta de ouro na região do 
atual estado de Minas Gerais. Quem fez a descoberta foram bandeirantes paulistas, que se 
estabeleceram na região e passaram a explorar as jazidas. Quando a notícia da existência do 
ouro se espalhou, milhares de pessoas se mudaram para o local, vindas de Portugal e de 
diversas partes do Brasil, como Bahia e Pernambuco. 
Aqueles que chegavam à região atraídos pelo ouro eram apelidados pelos bandeirantes 
de “emboabas”. Segundo algumas fontes, a expressão, vinda da língua tupi, significa “aves de 
pernas emplumadas” — dizem que o apelido era devido às botas que os forasteiros usavam 
para se proteger das picadas de cobras, insetos e espinhos nas matas fechadas (os paulistas, por 
sua vez, andavam descalços). De acordo com outras fontes, porém, o termo emboaba significa 
“os que invadem ou agridem”. 
Os paulistas queriam manter sua exclusividade na exploração do ouro. Eles tinham como 
líder o bandeirante Manuel de Borba Gato. Os emboabas, por sua vez, estavam determinados a 
assumir o controle das minas. 
Os conflitos entre os dois grupos começaram em 1707. No final de 1708, os emboabas 
atacaram o arraial do Sabará, onde muitos paulistas estavam concentrados, e proclamaram 
governador da região o português Manuel Nunes Viana, que se tornou o líder dos emboabas. A 
atitude foi considerada uma afronta à coroa portuguesa, pois quem escolhia os governantes do 
Brasil era o rei de Portugal. 
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Pouco tempo depois, os emboabas atacaram novamente os paulistas, dessa vez no arraial 
da Ponta do Morro (atual cidade mineira de Tiradentes). A essa altura, cerca de dois terços das 
minas já estavam sob o domínio dos emboabas. 
O episódio, considerado o mais violento da guerra, aconteceu no início de 1709. Um grupo 
grande de paulistas foi encurralado pelos emboabas, que prometeram libertaros adversários 
caso eles se rendessem. No entanto, mesmo depois da rendição, os emboabas não respeitaram 
o acordo e mataram os paulistas. O acontecimento ficou conhecido como Capão da Traição. 
A guerra terminou quando o governador do Rio de Janeiro, que era representante do rei 
português, viajou para a região. Lá chegando, ele demitiu Nunes Viana, mas manteve a 
administração criada pelos emboabas. Os paulistas se afastaram, indo procurar ouro em áreas 
que mais tarde formariam Goiás e Mato Grosso. 
O governo português percebeu a necessidade de organizar a ocupação daquele valioso 
território e criou a capitania de São Paulo e Minas de Ouro, em 1709. Surgiram também as 
primeiras vilas na região do conflito, como Vila Rica (em 1711), atual Ouro Preto. 
GUERRA DOS MASCATES (1710-1711) 
O domínio holandês de Pernambuco (1630-1654) transformou Recife, de mero porto de 
Olinda, em grande centro urbano e comercial de açúcar. Com a expulsão dos holandeses, 
formou-se uma nova burguesia de mercadores, vindos, a maioria, do norte de Portugal. Eles se 
dedicavam ao pequeno comércio fixo, ou eram caixeiros (vendedores ambulantes) — daí o 
apelido “mascate”, que significa “mercador ambulante”. Muitos deles chegaram a enriquecer, 
adquirindo engenhos e escravos. 
No final do século XVII, o setor açucareiro entrou em crise, devido à concorrência da 
produção de cana-de-açúcar nas Antilhas e à expulsão dos holandeses, que tinham investido na 
economia. Como consequência, muitos senhores de engenho passaram a depender 
economicamente dos mercadores portugueses, de quem tomavam altos empréstimos para 
tocar seus engenhos em Olinda. A aristocracia pernambucana se endividava com o dinheiro da 
burguesia. 
Com o poder econômico nas mãos, esses mercadores passaram a reivindicar também o 
poder político, para participar das principais decisões locais, como a definição dos preços das 
mercadorias e dos impostos. Tudo isso era decidido dentro da Câmara Municipal de Olinda, 
dominada pelos senhores de engenho. Assim que os mercadores começaram a cobiçar os cargos 
da câmara, o conflito se intensificou, culminando na luta armada. 
Os comerciantes pressionaram o governo português para que Recife fosse elevada à 
condição de vila, independente de Olinda. Assim, eles também teriam poder político para cobrar 
o dinheiro que os senhores de engenho lhes deviam. A coroa portuguesa atendeu o pedido dos 
comerciantes e, em 1709, Recife transformou-se em vila. 
A notícia não agradou aos senhores de engenho. Afinal, era um pesadelo se submeter aos 
seus credores (emprestadores). Não tardou para a luta armada começar. Uma confederação de 
índios e vários negros livres entraram na luta ao lado dos mascates. Os senhores de engenho, 
por seu lado, chegaram a discutir a formação de um governo independente de Portugal. Após 
dois anos de disputa equilibrada, os mascates venceram e a autonomia de Recife foi mantida. 
Descontentes, os senhores de engenho começaram a resistir às ordens vindas de Portugal, 
o que foi um prenúncio para outros conflitos na região, como a Revolução Pernambucana, em 
1817, e a Confederação do Equador, em 1824. A vitória dos mascates, por seu lado, representou 
a afirmação de um novo grupo econômico e a decadência da economia açucareira. 
 
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REVOLTA DE FILIPE DOS SANTOS (1720) 
Também conhecida como Revolta de Vila Rica, esse movimento nativista ocorreu no ano 
de 1720, na região das Minas Gerais, durante o período do Ciclo do Ouro. A região de Minas 
Gerais produzia muito ouro no século XVIII. A coroa portuguesa aumentou muito a cobrança de 
impostos na região. O quinto, por exemplo, era cobrado sobre todo outro extraído (20% ficavam 
com Portugal). Essa cobrança ocorria nas Casas de Fundição. 
Era proibida a circulação de ouro em pó ou em pepitas. Quem fosse pego desrespeitando 
as leis portuguesas era preso e recebia uma grave punição (degredo para a África era a 
principal). 
Os donos das minas estavam sendo prejudicados com as novas medidas da Coroa para 
dificultar o contrabando do ouro em pó. A Coroa Portuguesa decidiu instalar quatro casas de 
fundição, em que todo ouro deveria ser fundido e transformado em barras, com o selo do Reino 
(nessa mesma ocasião era recolhido o imposto de cada cinco barras, uma ficava para a Coroa 
portuguesa). 
Assim, só poderia ser comercializado o ouro em barras com o selo real, acabando com o 
contrabando paralelo do ouro em pó e consequentemente, com o lucro maior dos donos das 
minas. Então, esses últimos organizaram essa revolta para acabar com as casas de fundição, 
com os impostos e com o forte controle em cima do contrabando. 
Felipe dos Santos Freire era um rico fazendeiro e tropeiro (dono de tropas de 
mulas para transporte de mercadorias). Com seus discursos e ideias atraiu a atenção 
das camadas mais populares e da classe média urbana de Vila Rica. Defendia o fim 
das Casas de Fundição e a diminuição da fiscalização metropolitana. 
A revolta durou quase um mês. Os revoltosos pegaram em armas e chegaram a ocupar 
Vila Rica. Diante da situação tensa, o governador da região, Conde de Assumar, chamou os 
revoltosos para negociar, solicitando que abandonassem as armas. 
Após acalmar e fazer promessas aos revoltosos, o conde ordenou às tropas para que 
invadissem a vila. Os líderes foram presos e suas casas incendiadas. Felipe dos Santos, 
considerado líder, foi julgado e condenado à morte por enforcamento. 
Os revoltosos realizaram uma marcha até a sede do governo da capitania em Mariana, e 
como o governador Conde de Assumar não tinha uma maneira de barrar a força dos donos das 
minas, ele prometeu que as casas de fundição não seriam instaladas e que o comércio local seria 
livre de impostos. Os rebeldes voltaram então para Vila Rica, de onde haviam saído. 
Aproveitando a trégua, o conde mandou prender os líderes do movimento, cujas casas 
foram incendiadas. Muitos deles foram deportados para Lisboa, mas Filipe do Santos foi 
condenado e executado. Assim, essa revolta não conseguiu cumprir seus objetivos e foi 
facilmente sufocada pelo governo. 
Felipe dos Santos foi morto porque ele e sua tropa demoliram as casas de fundição. Por 
seu caráter nativista e de protesto contra a política metropolitana, muitos historiadores 
consideram esse movimento como um embrião da Inconfidência Mineira (1789). 
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SUMÁRIO 
MOVIMENTOS EMANCIPACIONISTAS ............................................................................................................... 2 
INCONFIDÊNCIA MINEIRA .......................................................................................................................... 2 
CONJURAÇÃO BAIANA ............................................................................................................................... 3 
REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA ................................................................................................................. 4 
 
 
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MOVIMENTOS EMANCIPACIONISTAS 
INCONFIDÊNCIA MINEIRA 
A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta abortada 
pelo governo em 1789, em pleno ciclo do ouro, na então capitania de Minas Gerais, no Brasil, 
contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português. 
Foi um dos mais importantes movimentos sociais da História do Brasil. Significou a luta 
do povo brasileiro pela liberdade, contra a opressão do governo português no período 
colonial. 
No final do século XVIII, o Brasil ainda era colônia de Portugal e sofria com os abusos 
políticos e com a cobrança de altas taxas e impostos. Além disso, a metrópole havia decretado 
uma série de leis que prejudicavam o desenvolvimento industrial e comercial do Brasil. No 
ano de 1785, por exemplo, Portugal decretou umalei que proibia o funcionamento de 
indústrias fabris em território brasileiro. 
 Causas 
Neste período, era grande a extração de ouro, principalmente na região de Minas Gerais. 
Os brasileiros que encontravam ouro deviam pagar o quinto, ou seja, vinte por cento de todo 
ouro encontrado acabava nos cofres portugueses. Aqueles que eram pegos com ouro “ilegal” 
sofria duras penas, podendo até ser degredado. 
Com a grande exploração, o ouro começou a diminuir nas minas. Mesmo assim, as 
autoridades portuguesas não diminuíam as cobranças. Nesta época, Portugal criou a Derrama. 
Esta funcionava da seguinte forma: cada região de exploração de ouro deveria pagar 100 
arrobas de ouro (1500 quilos) por ano para a metrópole. Quando a região não conseguia 
cumprir essas exigências, soldados da Coroa entravam nas casas das famílias para retirarem 
os pertences até completar o valor devido. 
Todas essas atitudes foram provocando uma insatisfação muito grande no povo e, 
principalmente, nos fazendeiros rurais e donos de minas que queriam pagar menos impostos 
e ter mais participação na vida política do país. Alguns membros da elite brasileira 
(intelectuais, fazendeiros, militares e donos de minas), influenciados pelas ideias de liberdade 
que vinham do Iluminismo europeu, começaram a se reunir para buscar uma solução 
definitiva para o problema: a conquista da independência do Brasil. 
 Os Inconfidentes 
O grupo, liderado pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido por Tiradentes, 
era formado pelos poetas Tomas Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, o dono de mina, 
Inácio de Alvarenga, o padre Rolim, entre outros representantes da elite mineira. A ideia do 
grupo era conquistar a liberdade definitiva e implantar o sistema de governo republicano em 
nosso país. Sobre a questão da escravidão, o grupo não possuía uma posição definida. Esses 
inconfidentes chegaram a definir até mesmo uma nova bandeira para o Brasil. Ela seria 
composta por um triângulo vermelho em um fundo branco, com a inscrição em latim: Libertas 
Quae Sera Tamen. 
 Consequências 
A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo de resistência para os 
mineiros, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução 
Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A Bandeira idealizada pelos inconfidentes foi 
adotada pelo estado de Minas Gerais. 
 
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 Curiosidades 
• Na primeira noite em que a cabeça de Tiradentes foi exposta em Vila Rica, foi 
furtada, sendo o seu paradeiro desconhecido até aos nossos dias. 
• Tratando-se de uma condenação por inconfidência (traição à Coroa), os sinos 
das igrejas não poderiam tocar quando da execução. Afirma a lenda que, mesmo 
assim, no momento do enforcamento, o sino da igreja local soou cinco 
badaladas. 
• A casa de Tiradentes foi arrasada, o seu local foi salgado para que mais nada ali 
nascesse, e as autoridades declararam infames todos os seus descendentes. 
• Tiradentes jamais teve barba e cabelos grandes. Como alferes, o máximo 
permitido pelo Exército Português seria um discreto bigode. Durante o tempo 
em que passou na prisão, Tiradentes, assim como todos os presos, tinha 
periodicamente os cabelos e a barba aparados, para evitar a proliferação de 
piolhos, e, durante a execução, estava careca com a barba feita, pois o cabelo e a 
barba poderiam interferir na ação da corda. 
CONJURAÇÃO BAIANA 
Conjuração Baiana foi uma rebelião popular que ocorreu na Bahia, no dia 25 de agosto 
de 1798, que pretendia libertar o Brasil de Portugal e atender às reivindicações das camadas 
pobres da população. 
Também conhecida como Revolta dos Alfaiates, a agitação popular era composta, em sua 
maioria, por escravos, negros livres, mulatos, brancos pobres e mestiços que exerciam as mais 
diferentes profissões, como alfaiates, sapateiros, pedreiros, entre outras. 
Repercutia na Bahia o movimento chefiado pelo bravo negro Toussaint Louverture, no 
Haiti, contra os colonizadores franceses - o primeiro grande levante de escravos bem 
sucedidos na história. Aquelas mesmas ideias de república, liberdade e igualdade pregadas na 
Revolução Francesa e na Conjuração Mineira agitavam agora a Bahia. 
A população da cidade de Salvador, antiga capital do Brasil, vivendo em situação de 
penúria, depois que a capital do Brasil colônia foi transferida para o Rio de Janeiro (1763), 
pregava a necessidade de se fundar no Brasil uma "República Democrática" e uma sociedade 
onde não houvesse diferenças sociais, onde todos fossem iguais, e onde houvesse "Liberdade, 
Igualdade e Fraternidade". 
 Líderes da Conjuração Baiana 
A Conjuração Baiana teve como principais líderes os alfaiates João de Deus e Faustino 
dos Santos Lira, os soldados Luís Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas, homens pobres, de cor 
e sem prestígio social, que estavam ligados aos movimentos da Maçonaria. 
As ideias políticas da "Revolução Francesa" continuavam a chegar ao Brasil, inclusive 
por intermédio da Maçonaria. A primeira loja maçônica, Cavaleiros da Luz, criada na Bahia, 
contava com a participação de intelectuais, como José da Silva Lisboa, futuro Visconde de 
Cairu, o cirurgião Cipriano Barata, o farmacêutico João Ladislau de Figueiredo, o padre 
Francisco Gomes, o "médico dos pobres" Cipriano Barata, o professor de latim Francisco 
Barreto e o tenente Hermógenes Pantoja, que se reuniam para ler Voltaire, traduzir Rousseau 
e organizar a conspiração. 
No dia 12 de agosto de 1798, surgiram nos pontos de maior movimento de Salvador, 
vários papéis manuscritos, pregados nos muros, chamando a população à luta e proclamando 
ideias de liberdade, igualdade, fraternidade e República, utilizando palavras como: 
 
Animai-vos, povo baiense, que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o 
tempo em que todos seremos irmãos, o tempo em que todos seremos iguais. 
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 A Prisão dos Rebeldes 
O governador da Bahia, D. Fernando José de Portugal e Castro, soube por meio de uma 
denúncia feita por Carlos Baltasar da Silveira, que os conspiradores iriam se reunir no Campo 
de Dique, no dia 25 de agosto. O clima de agitação se espalhava, a forca, um dos mais 
importantes símbolos do poder português, foi incendiada. Todos os padres que pregavam 
contra a revolução eram ameaçados de morte. 
A ação do governo foi rápida, o coronel Teotônio de Souza foi encarregado de 
surpreendê-los em flagrante. Com a aproximação das tropas do governo, muitas pessoas 
conseguiram fugir. Reprimida a rebelião, as prisões sucederam-se e o movimento foi 
desarticulado. Foram presos 49 pessoas, três eram mulheres, nove eram escravos, a grande 
maioria eram alfaiates, barbeiros, soldados, bordadores e pequenos comerciantes. 
Os principais envolvidos foram levados a julgamento. Um ano e dois meses depois, eram 
condenados à morte por enforcamento e depois esquartejados: Luís Gonzaga das Virgens, 
Lucas Dantas, João de Deus e Manuel Faustino dos Santos Lira e intelectuais como Cipriano 
Barata que foram absolvidos. Os corpos esquartejados foram expostos em diversos locais da 
cidade de Salvador. 
REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA 
A chegada da Família Real Portuguesa, a partir de 1808, estabeleceu uma série de 
transformações que determinaram maior liberdade econômica às elites agroexportadoras do 
país. Contudo, essas regalias também foram seguidas pela elevação dos impostos para o 
financiamento de conflitos em que Dom João VI havia se envolvido. Ao mesmo tempo, 
observamos que os comerciantes portugueses foram notadamente beneficiados com regalias 
que ampliavam os lucros da chamada “nobreza da terra”. 
Tais medidas chegaram à região de Pernambuco quando os produtores sofriam com a 
flutuação do açúcar e do algodão no mercado internacional. Mediante essa dificuldade 
econômica, grande parte da população tinha grande dificuldade para pagar os impostos 
estabelecidos pela CoroaPortuguesa. Isso tudo ocorria em um tempo no qual os ideais de 
liberdade e igualdade do iluminismo rondavam alguns quadros da elite intelectual da época. 
Nesse contexto de tantas insatisfações e problemas, os proprietários de terra e outros 
brancos livres pobres organizaram o movimento que eclodiu em março de 1817. Após 
derrotarem as tropas defensoras de Portugal, os revoltosos formaram um governo provisório 
composto por cinco membros. Além disso, estabeleceram a formação de um grupo de 
emissários que difundiriam o movimento em outras capitanias do Brasil e algumas nações 
europeias. 
Logo que soube do ocorrido, o governo português organizou tropas na Bahia e no Rio de 
Janeiro com o objetivo de abafar o levante. Enquanto as tropas terrestres tomavam as regiões 
do interior, a cidade do Recife foi cercada por embarcações que interromperam a 
comunicação da capitania com outras regiões. Os líderes acabaram sendo presos e executados. 
Dessa forma, o governo lusitano preservava a sua hegemonia política através da força das 
armas. 
 
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SUMÁRIO 
PERÍODO JOANINO ............................................................................................................................................ 2 
ANTECEDENTES DA VINDA DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL .................................................................. 2 
PRINCIPAIS MUDANÇAS DECORRENTES DO PERÍODO JOANINO .............................................................. 2 
JOÃO VI E A POLÍTICA EXTERNA DURANTE O PERÍODO JOANINO ............................................................ 3 
A VOLTA DA FAMÍLIA REAL PARA PORTUGAL ........................................................................................... 3 
 
 
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PERÍODO JOANINO 
O Período Joanino refere-se ao momento da história do Brasil que, ainda colônia de 
Portugal, tornou-se sede oficial da coroa portuguesa durante o reinado de D. João VI. Esse 
processo teve início com a chegada da família real em 1808. Após desembarcarem na Bahia, 
onde é hoje a cidade de Salvador, D. João VI e pessoas da Corte Portuguesa, embarcaram em 
um navio rumo à cidade do Rio de Janeiro. Já no Rio de Janeiro, durante os anos que se 
seguiram, D. João VI governou Portugal e o Brasil até 1821, quando decidiu retornar à Europa, 
dando fim ao Período Joanino. 
ANTECEDENTES DA VINDA DA FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL 
Os acontecimentos do Período Napoleônico são os responsáveis pela mudança da família 
real portuguesa para o Brasil. Um desses motivos deu-se pelo Bloqueio Continental, decreto 
feito por Napoleão Bonaparte que proibia as nações europeias de comercializarem com a 
Inglaterra. Dentre as medidas do decreto, uma delas dizia que os países que não aderissem ao 
bloqueio teriam seus territórios invadidos pelo poderio militar das tropas francesas. 
Como imagina-se, Portugal sob o comando de D. João VI, optou por continuar suas 
relações econômicas com os ingleses, pois estes eram seus maiores aliados políticos e 
econômicos. Com o descumprimento do decreto, Napoleão ordenou a invasão da Península 
Ibérica, formada por Portugal e Espanha, no ano de 1807. 
 Os desdobramentos das invasões napoleônicas foram: 
• destituição do rei espanhol pelo irmão de Napoleão, José Bonaparte; 
• fuga do rei de Portugal, D. João VI acompanhado de um contingente 
considerável de pessoas da corte portuguesa. 
Composta por aproximadamente 46 embarcações, a frota de navios portugueses foi 
escoltada pela Marinha inglesa até o destino, a costa brasileira. Cerca de 10 a 15 mil pessoas 
partiram com destino ao novo e recém-descoberto continente. 
Registros históricos mostram que a viagem foi tortuosa e repleta de problemas. Além 
das questões climáticas, como as tempestades marítimas, por ter sido realizada às pressas e 
sem planejamento, houve também a falta de comida. Soma-se a isso um surto de piolhos que 
obrigou homens e mulheres a rasparem os cabelos. 
Em janeiro de 1808, D. João VI e parte da corte portuguesa chega na região de Salvador. 
Já no mês seguinte, o rei português parte para a cidade do Rio de Janeiro, chegando lá em 
março. A partir daí, D. João VI deu início ao seu novo reinado no continente americano recém-
descoberto, período que se estendeu por 13 anos, até 1821. 
PRINCIPAIS MUDANÇAS DECORRENTES DO PERÍODO JOANINO 
Instalado em terras tupiniquins, a primeira medida relevante tomada por D. João VI 
consistiu na abertura dos portos brasileiros às nações amigas. O motivo dessa decisão estava 
diretamente relacionado com a ainda ocupação francesa em Portugal, que dificultava qualquer 
tipo de comercialização. 
Com o decreto, a Inglaterra tornou-se então o principal parceiro econômico da coroa 
portuguesa, visto sua força no comércio marítimo. Além disso, a medida trouxe o fim do 
monopólio comercial praticado por Portugal sobre a colônia, permitindo que grandes 
proprietários e comerciantes brasileiros pudessem negociar diretamente com compradores 
de outros países. 
Dentre outras medidas do governo português em terras brasileiras, havia: 
 
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• incentivo e instalação de manufaturas com o objetivo de produzir mercadorias 
manufaturadas nacionais que competissem com os produtos ingleses; 
• criação de faculdades (medicina e direito) em Salvador e Rio de Janeiro; 
• construção de bibliotecas, museus, teatros etc. 
Isso de certa forma contribuiu muito para o desenvolvimento do intelectualismo no 
Brasil e crescimento da circulação de ideias sobre os mais diversos temas da sociedade. 
Artistas e intelectuais estrangeiros, incentivados por esse crescimento educacional, 
começaram a chegar no Brasil. Dentre os mais notáveis podemos destacar o botânico e 
naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire e o pintor Debret. Ambos acompanhados pela 
chamada Missão Artística Francesa. 
Esse período trouxe também como resultado o aumento populacional da cidade do Rio 
de Janeiro, indo de 50 mil habitantes em 1808 para 100 mil no ano de 1822. Entretanto, pode-
se dizer que a medida mais importante feita por D. João VI veio a seguir. Após sofrer pressão 
das nações integrantes do Congresso de Viena, que diziam ser inaceitável que um rei europeu 
governasse em uma colônia e não em um reinado, o rei português em resposta decide elevar o 
Brasil à condição de reino. Da decisão, surgiu então o Reino de Portugal, Brasil e Algarves. 
Assim, a colônia era agora uma extensão do reino de Portugal. 
JOÃO VI E A POLÍTICA EXTERNA DURANTE O PERÍODO JOANINO 
Em meio às medidas que aconteciam em território nacional, o reinado de D. João VI no 
Brasil envolveu também questões com países vizinhos que eram dominados por nações 
estrangeiras. Dentre elas, podemos citar: 
• invasão da Guiana Francesa em 1809, em represália às invasões em Portugal 
decorrentes do Bloqueio Continental; 
• Conflito pela Cisplatina, onde por ordem de D. João VI, o território de onde hoje 
é o Uruguai foi invadido e anexado ao Brasil em 1811. 
A VOLTA DA FAMÍLIA REAL PARA PORTUGAL 
O retorno de parte da família real portuguesa para Portugal aconteceu principalmente 
em razão da pressão da classe burguesa. Dentre as demandas, era exigido: 
• Revolução Liberal do Porto - medida que buscava a volta da autonomia 
econômica brasileira, livre das imposições de Portugal; 
• retorno do reinado português no Brasil para o modelo de colônia; 
• regresso imediato de D. João VI para Portugal. 
Esses fatores foram cruciais para o retorno da coroa portuguesa ao seu país de origem 
com parte da nobreza. No entanto, como forma de ainda exercer seu poder em terras 
brasileiras, D. João VI deixa seu filho mais velho, Dom Pedro, no cargo de príncipe-regente. 
Com a atitude, o laço entre Brasil e Portugal seria mantido até os acontecimentos que 
levariam à independência. 
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1 
 
SUMÁRIO 
PRIMEIRO REINADO ........................................................................................................................................... 2 
O RECONHECIMENTO DA INDEPENDÊNCIA .............................................................................................. 2 
CONSTITUIÇÃO DA MANDIOCA ................................................................................................................. 2 
CONSTITUIÇÃO DE 1824 ............................................................................................................................ 3 
CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR ................................................................................................................ 3 
GUERRA DA CISPLATINA ............................................................................................................................ 4 
ECONOMIA NO PRIMEIRO REINADO ......................................................................................................... 5 
CRISE DO PRIMEIRO REINADO ................................................................................................................... 5 
 
 
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PRIMEIRO REINADO 
O Primeiro Reinado corresponde ao período de 7 de setembro de 1822 a 7 de abril de 
1831, em que o Brasil foi governado por D. Pedro I, primeiro imperador do Brasil. Esta época 
tem início com a declaração da Independência do Brasil e termina com a abdicação de Dom 
Pedro I a favor do seu filho e herdeiro. O Primeiro Reinado é marcado por disputas entre a elite 
agrária e o imperador, além de conflitos regionais no Nordeste e na Cisplatina. 
O RECONHECIMENTO DA INDEPENDÊNCIA 
Visando fortalecer a sua presença no cenário político americano, os Estados Unidos foram 
a primeira nação a reconhecer a autonomia política brasileira, em maio de 1824. Nesse período, 
a chamada “Doutrina Monroe” era empregada na política externa estadunidense como meio de 
se repudiar qualquer tentativa de recolonização pelas antigas monarquias absolutistas. Em 
março de 1825, as autoridades mexicanas fortaleceram o coro de países que legitimavam o 
Brasil Independente. 
A Inglaterra, como grande fornecedora de produtos manufaturados ao país, tinha grande 
interesse em reconhecer a independência do Brasil. Entretanto, a ação política e diplomática 
britânica temia que tal posição viesse a estabelecer uma crise nas relações entre Portugal e 
Inglaterra. De tal modo, os britânicos se organizaram a fim de intermediar um acordo de 
reconhecimento entre autoridades portuguesas e brasileiras. 
No dia 29 de agosto de 1825, portugueses e brasileiros assinaram o Tratado de Paz e 
Amizade. Segundo o acordo firmado, o governo português reconhecia a independência do Brasil 
a partir do pagamento de uma indenização no valor de dois milhões de libras esterlinas. Além 
disso, Dom Pedro I se comprometeu a ceder o título honorário de imperador do Brasil a Dom 
João VI e não tomar nenhuma iniciativa a fim de anexar algumas das colônias portuguesas ao 
seu território. 
CONSTITUIÇÃO DA MANDIOCA 
No ano seguinte a proclamação da Independência, reuniu-se os representantes das 
províncias (como passaram a ser chamadas as antigas capitanias) para elaborar a primeira 
Constituição brasileira. A maioria dos deputados da Assembléia Constituinte de 1823 defendia 
os interesses dos grandes proprietários rurais, que haviam influenciado no processo de 
independência do Brasil. 
Em setembro de 1823 os deputados concluíram um projeto de constituição. Esse projeto 
era contra comerciantes e militares que ainda desejavam a recolonização do Brasil. Por isso 
proibia estrangeiro de ocupar cargos públicos como deputados e senadores. Outra 
característica era a preocupação em reduzir os poderes do imperador e aumentar os poderes 
do legislativo. O projeto, por exemplo, estabelecia que o imperador não podia dissolver o 
parlamento e que as forças armadas obedeceriam ao legislativo e não ao imperador. 
O projeto de constituição tinha a intenção de limitar a participação política somente à 
elite, por isso concedia direito de participação política apenas aos grandes proprietários rurais 
do sexo masculino, pois para ser eleitor, o homem precisava ter renda mínima equivalente ao 
valor da produção de 150 alqueires de farinha de mandioca. Para ser eleito a renda precisava 
ser ainda maior. Daí o projeto ficar conhecido como "Constituição da Mandioca". 
Pedro I recusou esse projeto, pois ele diminuía seus poderes. Com o apoio de tropas 
militares, pôs fim a Assembléia constituinte em 12 de novembro de 1823. Os deputados que 
reagiram ao ato de força do imperador foram presos e expulsos do país. 
 
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CONSTITUIÇÃO DE 1824 
 Dom Pedro convocou os seis ministros, além dos políticos de sua confiança, para redigir 
essa Constituição após dissolver a Constituinte no ano de 1823. Participou, também, 
pessoalmente, da redação da Constituição para garantir que seu poder de imperador fosse 
mantido. 
Outorgada no dia 25 de março de 1824, a Constituição trazia algumas características 
bastante marcantes. Concentrava poderes nas mãos do imperador por meio do poder 
moderador, e determinava que somente os ricos podiam votar, baseando-se na renda para este 
quesito e excluindo a maioria da população brasileira na hora da escolha dos representantes. A 
Igreja era subordinada ao estado e havia uma manutenção do sistema, determinando a garantia 
dos interesses da aristocracia. 
Ficou determinado ainda por essa Constituição que o Brasil permaneceria seguindo o 
regime político monárquico, sendo este transmitido de forma hereditária. O poder do 
imperador, denominado poder moderador, ficou acima dos outros poderes, garantindo que ele 
pudesse controlar e regular todos os outros, tendo, portanto, o poder absoluto de todas as 
outras esferas do governo. 
Além disso, o voto era censitário e ficou estabelecida a presença de quatro poderes: 
Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador. Houve ainda a criação de um Conselho de Estado 
cujos integrantes eram escolhidos pelo imperador. O poder executivo era regido pelo 
imperador e pelos ministros de Estado, sendo que estes executariam as leis do país, que seriam 
elaboradas pelos deputados e senadores. O território foi dividido em províncias e foram 
estabelecidos direitos e garantias individuais. 
A ideia de estabelecer o poder de voto para o poder legislativo foi uma tentativa falha de 
conferir um caráter mais popular à carta, porém era voto indireto, ou seja, os cidadãos votavam 
em Eleitores da Província que escolheriam os seus parlamentares. Os Eleitores da Província 
deveriam ser homens livres, sem antecedentes criminais e que tivessem renda anual superior 
a 200 mil réis. Os deputados tinham que ter renda superior a 400 mil réis e deveriam seguir a 
religião católica, determinada como a oficial do país, e os senadores, cujo cargo era vitalício, 
deveriam ter renda anual superior aos 800 mil réis, além de idade superior a 40 anos. 
CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR 
No início do século XIX, a província de Pernambuco estava dividida entre os que apoiavam 
o domínio dos portugueses no Brasil e os que desejavam vê-los fora do poder. No sul da 
província, cultivava-se principalmente a cana-de-açúcar; no norte, a economia era mais 
diversificada, baseando-se sobretudo no cultivo do algodão além da cana-de-açúcar. Os donos 
dos engenhos de açúcar apoiavam os portugueses, pois sentiam que as ideias liberais (dentre 
elas o abolicionismo) ameaçavam suas propriedades. Já a aristocracia ligada ao algodão 
desejava ver-se livre da influência portuguesa, pois queria autonomia para realizar comércio, a 
partir da abertura dos portos. 
Foi nesse cenário dividido que os ideais republicanos se difundiram e diversas revoltas 
surgiram na região. Dois movimentosmarcantes influenciaram as províncias rebeldes da 
Confederação do Equador: a Revolução Pernambucana de 1817 e o Movimento 
Constitucionalista de 1821, que levou à declaração da Independência do Brasil, em 1822. 
Na época, todas as províncias eram subordinadas ao Rio de Janeiro, que era a sede do 
império. As províncias desejavam mais autonomia em relação ao governo do imperador dom 
Pedro I. Porém, ainda em 1822, o imperador havia lançado medidas ainda mais centralizadoras. 
Além disso, mesmo com a independência, os portugueses continuavam a ter muito poder nas 
decisões das províncias nordestinas. Em Pernambuco, formou-se um governo provisório fiel ao 
imperador, a Junta dos Matutos, que em 1824 foi deposta. Dom Pedro I nomeou Francisco Pais 
Barreto para assumir o governo da província, mas Manuel Carvalho Pais de Andrade já havia 
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sido eleito localmente pelos representantes do comércio, da agricultura e do clero. Esse foi o 
ponto inicial do conflito entre a província de Pernambuco e o governo imperial. 
Os pernambucanos recusaram-se a aceitar Pais Barreto como governador e, em resposta, 
dom Pedro I mandou forças navais, que bloquearam o porto de Recife. Pais de Andrade lançou 
um manifesto, incentivando a população a unir-se ao movimento revolucionário. O bloqueio 
naval foi suspenso e a rebelião logo ganhou o apoio de províncias vizinhas (Ceará, Rio Grande 
do Norte e Paraíba), que viviam situação semelhante à de Pernambuco. Surgiu assim a 
Confederação do Equador, com Pais de Andrade na chefia de um governo independente na 
região. 
A repressão do governo central foi severa. Pouco tempo depois, o movimento foi 
derrotado. A província de Pernambuco acabou perdendo parte de seu território (a antiga 
comarca do rio São Francisco) para a província da Bahia. Vários líderes da rebelião, como frei 
Caneca, foram enforcados ou fuzilados, enquanto outros, como Cipriano Barata, acabaram 
presos. Assim terminava um movimento importante da história do Brasil. 
GUERRA DA CISPLATINA 
A Guerra da Cisplatina aconteceu entre o Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata, 
atual Argentina. Esse foi o primeiro conflito do Brasil como nação independente e foi causado 
pela disputa entre as duas nações pelo controle da Cisplatina, província no extremo sul do 
Brasil. A guerra durou de 1825 a 1828 e teve duas grandes consequências para o Brasil: a perda 
do território da Cisplatina, que se tornou uma nação independente, e a perda de popularidade 
do imperador d. Pedro I. 
A Guerra da Cisplatina estendeu-se por três anos e, nesse período, os objetivos das nações 
envolvidas nessa luta eram os seguintes: 
• Brasil: o objetivo do Império era pôr fim à rebelião que acontecia na Cisplatina e 
recuperar o território rebelde. 
• Cisplatina: o objetivo de Lavalleja, na liderança dos 33 orientais, era anular o 
domínio brasileiro na região, para, em seguida, anexar-se às Províncias Unidas. 
Também existiam uruguaios que defendiam a independência da região. 
• Províncias Unidas: anexar a Cisplatina ao seu território. 
 
A Guerra da Cisplatina, ao longo de seus três anos, foi um conflito extremamente 
impopular, principalmente por não ser identificada como uma causa legitimamente 
brasileira e por conta de seu impacto na economia do país. O desejo das elites 
nacionais, na década de 1820, era a manutenção da paz para garantir o 
desenvolvimento do país. 
O imperador ordenou o fechamento dos portos na região platina e anunciou uma 
recompensa pela captura de Lavalleja e Frutuoso Rivera (outro líder militar dos uruguaios). 
Essas decisões só contribuíram para acirrar mais os ânimos. A falta de preparo para o conflito 
custou caro ao país, que foi derrotado em inúmeras batalhas, tais como a Batalha de Ituzaingó, 
em fevereiro de 1827. 
Com tal derrota, o governo imperial aceitou negociar termos para o fim da guerra. Após 
muita negociação, ficou decidido na Convenção Preliminar de Paz que o Brasil aceitava 
renunciar à Cisplatina e concordava com a derrota militar sofrida nesse conflito. A historiadora 
Isabel Lustosa fala que, ao longo dessa guerra, o Brasil gastou cerca de 30 milhões de dólares e 
cerca de 8 mil soldados morreram. 
Como parte desse acordo de paz, houve a independência da Cisplatina e, assim, em 27 de 
agosto de 1828, surgia a República Oriental do Uruguai. Esse acordo realizado entre brasileiros 
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e argentinos contou com a mediação de representantes do Reino Unido e da França. A Guerra 
da Cisplatina só endividou o Brasil e abalou grandemente a popularidade de d. Pedro I. 
ECONOMIA NO PRIMEIRO REINADO 
Durante o primeiro reinado, o Brasil, enfrentava uma grande crise econômica, pois faltava 
um produto para exportação. Esse fato fazia o país depender de empréstimos do exterior. A 
cada ano a dívida aumentava devido aos juros e D. Pedro I aumentava os impostos para 
compensar os gastos. 
 
 
Balança de comércio do Brasil (1823- 1831): Em milhares de contos de réis. 
CRISE DO PRIMEIRO REINADO 
Nos últimos anos de seu governo, D. Pedro I sofreu uma série de ataques através dos 
jornais e espaços públicos tomados por oposicionistas. De tendência liberal, criticavam o 
envolvimento do imperador na questão sucessória portuguesa, os gastos promovidos com os 
conflitos na Cisplatina e o pagamento de indenização para obter o reconhecimento da 
independência por Portugal. Ao mesmo tempo, esses oposicionistas atacavam as ações 
autoritárias que marcaram a carreira do nosso primeiro imperador. 
 
Após a morte de D. João VI, o trono português ficou vago, D. Pedro não podia 
assumir duas coroas então decide abdicar ao trono de Portugal em favor de sua filha 
Maria da Glória, porém D. Miguel, irmão de D. Pedro I usurpou o trono. Esse fato fez o 
imperador brasileiro armar um exército português com recursos brasileiros o que 
gerou mais descontentamento. 
Como se não bastassem todas essas críticas, o assassinato do jornalista Líbero Badaró, um 
dos mais ferrenhos críticos do imperador, acabou agravando tal situação. Suspeito de ter algum 
tipo de envolvimento no crime, acontecido em novembro de 1830, D. Pedro I resolveu organizar 
uma luxuosa comitiva que buscaria apoio à autoridade imperial em outras províncias do país. 
Ao lado de sua segunda esposa, Dona Amélia de Leuchtenberg, a comitiva imperial se dirigiu 
até Minas Gerais. 
 
A imprensa, principal oposicionista sofria violenta repressão em São Paulo. No 
ano de 1830, o jornalista Líbero Badaró, responsável pelo Jornal Observador 
Constitucional foi assassinado. A impunidade dos envolvidos levantou suspeita sobre o 
envolvimento do imperador. 
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Ao chegar à cidade de Ouro Preto, o imperador foi hostilizado pelos moradores que 
sabiam das escandalosas suspeitas envolvendo o assassinato de Líbero Badaró. Na medida em 
que a comitiva atravessava as ruas da cidade, os moradores indignados fechavam as portas de 
suas casas e deixavam panos pretos à mostra. Em pouco tempo, a manifestação de repúdio 
enfureceu o imperador, que decidiu retornar até a cidade do Rio de Janeiro. 
Sabendo da humilhação pública sofrida, os partidários de D. Pedro I, em sua maioria 
portugueses, resolveram organizar uma grande festa de recepção ao imperador. 
Inconformados com tal atitude, os brasileiros insatisfeitos com a administração imperial 
começaram a hostilizar os portugueses defensores do rei. Foi uma simples questão de tempo 
para que tal situação resultasse em um conflito entre brasileiros e portugueses pelas ruas do 
Rio de Janeiro. 
Tal evento acabou ficando conhecido como a “Noite das Garrafadas”, tendo em vista que 
os portugueses usaram garrafas e cacos de vidro contra os brasileiros que os atacavam. Por fim, 
essa violenta confusão revelava que a imagem política de Dom Pedro I era praticamente 
insustentável.De fato, esse foi um dos últimos escândalos que antecederam a abdicação do 
imperador, acontecida no dia 7 de abril de 1831. 
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SUMÁRIO 
PERÍODO REGENCIAL ......................................................................................................................................... 2 
PRINCIPAIS REVOLTAS DO PERÍODO REGENCIAL ...................................................................................... 4 
 
 
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PERÍODO REGENCIAL 
A Farroupilha, Cabanagem, Sabinada, Balaiada, e 
Revolta dos Malês fazem parte de um conjunto de 
revoltas ocorridas durante o período regencial da 
história do Brasil. Entre os anos de 1822 (nossa 
“independência” política) e 1889, (com a proclamação 
da república) vivemos o nosso período imperial, 
dividido em dois reinados com uma regência entre eles. 
Entre o fim do primeiro reinado (1822-1831) e início do 
segundo reinado (1840-1889) nosso governo esteve nas 
mãos de regentes. O fim do primeiro reinado se dá com a renúncia de D. Pedro I, porém, com 
apenas cinco anos, o futuro imperador D. Pedro II não poderia assumir. De acordo com a 
constituição vigente o Brasil seria dirigido por uma regência integrada por três representantes. 
 
A Constituição Brasileira de 1824 previa a existência de quatro poderes: 
legislativo, executivo, judiciário e moderador (a vontade do imperador tinha 
preponderância sobre os outros poderes). 
O texto constitucional dizia o seguinte sobre a sucessão imperial: 
CAPITULO V 
Da Regência na menoridade, ou impedimento do Imperador. 
Art. 121. O Imperador é menor até a idade de dezoito anos completos. 
Art. 122. Durante a sua menoridade, o Império será governado por uma Regência, a qual 
pertencerá no Parente mais chegado do Imperador, segundo a ordem da Sucessão, e que 
seja maior de vinte e cinco anos. 
Texto original da Constituição de 1824, fonte: < 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao24.htm>. 
O período regencial está dividido em: 
REGÊNCIA 
Trina Provisória Trina Permanente Uma de Feijó Uma de Araújo Lima 
07/04/1831 - 17/06/1831 17/06/1831 - 12/10/1835 12/10/1835 - 19/09/1837 
19/09/1837 - 
23/07/1840 
Francisco de Lima e Silva, 
Nicolau Pereira de Campos 
Vergueiro e José Joaquim 
Carneiro de Campos. 
Francisco de Lima e Silva, 
José da Costa Carvalho e 
João Bráulio Muniz. 
Padre Diogo Antônio Feijó 
(ex-ministro da justiça 
durante a Regência Trina 
Permanente). 
Pedro de Araújo Lima 
Os principais grupos políticos do Período Regencial eram: 
 Restauradores, “Caramurus” ou “Retrógrados”: Criado por ex-membros do 
Partido Português e formado principalmente por comerciantes, burocratas e 
militares portugueses, defendiam uma monarquia forte, centralizada e o retorno de 
do imperador. Com a morte de D. Pedro I, em 1834 o partido se extinguiu e parte de 
seus membros migrou para outros grupos. Os principais representantes foram os 
irmãos Andrada (Martim Francisco, Antônio Carlos e José Bonifácio). 
 Liberais Moderados ou “Chimangos”: Criado por ex-membros do Partido 
Brasileiro e formado principalmente por escravocratas do Sudeste que abasteciam 
a corte carioca, apoiavam a manutenção do regime monárquico, o federalismo 
(como forma de garantir certa autonomia das províncias) e o fim da vitaliciedade do 
Senado. Os principais representantes foram Bernardo Pereira de Vasconcelos, 
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Evaristo da Veiga (redator do jornal “A Aurora Fluminense”) e Diogo Antônio Feijó 
(ministro da justiça e regente). Em 1836, Liberais Moderados e Restauradores 
juntaram-se na formação do Partido Conservador. 
 Liberais Exaltados, “Jurujubas” ou “Farroupilhas”: Formado por um grupo 
bastante heterogêneo, que ia desde exportadores de gêneros agrícolas, passando 
por profissionais liberais e até funcionários públicos. Defendiam o federalismo, a 
descentralização do poder do Estado, a extinção do poder moderador, do Conselho 
de Estado e da vitaliciedade do Senado. Seus membros mais radicais apoiavam 
também a extinção do poder monárquico, e alguns sugeriam a implantação da 
república e o fim da escravatura. Foram responsáveis por movimentos de 
contestação aos Moderados no poder, inclusive pela Farroupilha. Os principais 
representantes foram Francisco de Paula Vasconcelos, Antônio Borges da Fonseca, 
Ezequiel Correia dos Santos, Pedro Labatut, entre outros. Em 1836, fundaram o 
Partido Liberal em oposição ao Conservador. 
ACONTECIMENTOS IMPORTANTES DO PERÍODO REGENCIAL: 
 Criação da Guarda Nacional (1831): Criada por Diogo Antônio Feijó durante a 
Regência Trina Permanente, a Guarda Nacional tinha como finalidade defender a 
Constituição, a liberdade, independência e integridade do Império; para manter a 
obediência e a tranquilidade pública; e auxiliar o Exército na defesa das fronteiras e 
costas. Com a criação da Guarda, o poder das elites locais se fortalecia, e 
concomitantemente, expressava a falta de confiança na lealdade do Exército, pois 
parte das tropas se colocava a favor de protestos contra o governo, reivindicando 
por melhor remuneração e mostrando-se contra as discriminações racial e social. Ao 
contrário do Exército, a guarda nacional era uma instituição de elite, seus membros 
eram recrutados entre os cidadãos com renda anual superior a 200 mil réis, nas 
grandes cidades, e 100 mil réis nas demais regiões. 
 Ato Adicional (1834): Configurou-se como uma verdadeira emenda à constituição 
de 1824, um dos principais pontos foi a transformação dos Conselhos Gerais de 
Províncias em Assembleias Legislativas Provinciais, com a competência de legislar 
sobre: 
• A polícia e economia municipal, precedendo propostas das Câmaras; 
• Sobre a criação e supressão dos empregos municipais e províncias, e 
estabelecimento dos seus proventos; 
• A divisão civil, judiciária e eclesiástica da respectiva província, e mesmo sobre a 
mudança da sua Capital para o lugar que mais convier; 
• Obras públicas, estradas e navegação no interior da respectiva província, que não 
pertençam à administração geral do Estado; 
• A fixação das despesas municipais e provinciais, e os impostos para elas 
necessários, com tanto que esses não prejudiquem as imposições gerais do 
Estado. 
O Ato Adicional também suspendeu o Poder Moderador durante o Período Regencial, 
transformou o Rio de Janeiro em município neutro, capital do Império e estabeleceu a Regência 
Uma (com a escolha do regente por meio de eleição). 
 
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PRINCIPAIS REVOLTAS DO PERÍODO REGENCIAL 
REVOLTA LOCAL PERÍODO RESUMO 
Farroupilha Rio Grande do Sul 1835-1845 Movimento inicialmente impulsionado quando 
os participantes tomaram a cidade de Porto 
Alegre e estabeleceram a nomeação de um novo 
governo para a província, com a proclamação da 
República Rio-Grandense. 
Cabanagem Pará 1835-1836 Movimento social ocorrido na província do 
Grão-Pará que depôs o governador da província 
na busca por maior participação política no 
Império. 
Malês Bahia 1835 Revolta promovida por escravos islâmicos em 
Salvador que pretendia tomar o poder na 
província e libertar os escravos. 
Sabinada Bahia 1837-1838 Movimento iniciado com a reação popular 
contra o recrutamento militar imposto pelo 
Governo imperial. 
Balaiada Maranhão 1838-1841 Revolta entre liberais (ou bem-te-vis) e 
conservadores (ou cabanos) ocorrida no 
Maranhão. Teve caráter popular, mas foi 
rapidamente controlada pelo Império. 
 
 
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SUMÁRIO 
 
SEGUNDO REINADO........................................................................................................................................... 2 
O GOLPE DA MAIORIDADE ........................................................................................................................2 
LIBERAIS E CONSERVADORES .................................................................................................................... 2 
AS ELEIÇÕES DO CACETE E A REVOLTA LIBERAL DE 1842 .......................................................................... 2 
O PARLAMENTARISMO ÀS AVESSAS.......................................................................................................... 2 
A PRAIEIRA ................................................................................................................................................. 3 
BILL ABERDEEN E A LEI EUSÉBIO DE QUEIRÓS........................................................................................... 4 
 
 
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SEGUNDO REINADO 
O GOLPE DA MAIORIDADE 
Ao deixar o Brasil em 1831, o imperador Dom 
Pedro I renunciou ao trono em nome do filho, na época 
com apenas cinco anos de idade. De acordo com a 
Constituição, Pedro II teria que completar 18 anos 
para assumir o trono. Em 1840, o Brasil enfrentou um 
dos períodos mais turbulentos da sua história. Nessa 
época, de instabilidade política com as revoltas que 
vinham acontecendo, os políticos acreditavam que ter 
uma autoridade monárquica poderia conter esses 
excessos. No dia 23 de julho de 1840, a Câmara 
declarou Dom Pedro II, então com 14 anos e sete 
meses, o novo imperador do Brasil, fato que deu início 
ao Segundo Reinado, uma das mais extensas fases da 
nossa história política. Esse ato ficou conhecido como “Golpe da Maioridade”. 
LIBERAIS E CONSERVADORES 
A política no Segundo Reinado foi marcada pela disputa entre o Partido Liberal e o 
Conservador. Estes dois partidos defendiam quase os mesmos interesses, pois eram elitistas. 
Não por acaso, uma das mais célebres frases de teor político dessa época concluía que nada 
poderia ser mais conservador do que um liberal no poder. Neste período o imperador escolhia 
o presidente do Conselho de Ministros entre os integrantes do partido que possuía maioria na 
Assembleia Geral. Nas eleições eram comuns as fraudes, compras de votos e até atos violentos 
para garantir a eleição. 
AS ELEIÇÕES DO CACETE E A REVOLTA LIBERAL DE 1842 
O primeiro ministério do Segundo Reinado era composto por liberais, que apoiaram o 
golpe da Maioridade. Funcionou de 1840 a 1841 e ficou conhecido como "Ministério dos 
Irmãos", sendo formado pelos irmãos Cavalcanti, Coutinho e Andrada. O gabinete ministerial 
sofria oposição da Câmara, formada, na sua maioria por conservadores. Diante desta situação, 
a Câmara de Deputados foi dissolvida e marcada novas eleições. Para garantir uma maioria de 
deputados liberais, os membros do Partido Liberal, usando de violência, fraudaram as eleições 
e garantiram a maioria parlamentar. 
Tal episódio é conhecido como "eleições do cacete". Os conservadores reagiram e 
exigiram que o imperador dissolvesse a Câmara que havia sido eleita nas "eleições do cacete". 
D. Pedro II demitiu o ministério liberal, nomeou um ministério conservador e marcou novas 
eleições, também marcadas pelas fraudes. A vitória dos conservadores e o avanço de medidas 
centralizadoras provocaram uma reação dos liberais, em São Paulo e Minas Gerais - a chamada 
Revolta Liberal de 1842. Apesar dos conflitos armados, o Imperador concedeu, em 1844, anistia 
aos envolvidos. Um ministério liberal foi constituído, neste ano. 
O PARLAMENTARISMO ÀS AVESSAS 
Terminadas as lutas provinciais, a Monarquia brasileira caminhava para a estabilização. 
Em 1847, um decreto criou o cargo de presidente do Conselho de Ministros, indicado 
pessoalmente pelo Imperador. Muitos historiadores consideram que aí se inaugurou o sistema 
parlamentarista no Brasil. No parlamentarismo, regime constitucional de Repúblicas ou 
Monarquias, o Poder Executivo é exercido pelo Primeiro- Ministro, que é quem governa com o 
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apoio do Parlamento, da Câmara. Assim, quando o Parlamento retira seu voto de confiança, o 
gabinete de Ministros automaticamente apresenta sua renúncia. O poder maior é, portanto, do 
Parlamento, do qual depende a permanência ou não no Governo do Primeiro-Ministro. 
O sistema parlamentarista implantado no Brasil, durante o Governo pessoal de D. Pedro 
II, inspirou-se no modelo inglês. No entanto, o modelo brasileiro era a inversão do inglês, 
ficando por isso conhecido como Parlamentarismo às avessas, porque o Poder Legislativo, não 
nomeava o Executivo, mas, sim, subordinava-se a ele. Na Inglaterra realizavam-se 
primeiramente as eleições para a Câmara. O partido que possuísse maioria escolhia o Primeiro-
Ministro, que formava o gabinete de ministros, passando a exercer o Poder Executivo. 
A PRAIEIRA 
O último conflito de grandes proporções do Segundo Reinado foi a Revolução Praieira, ocorrida 
em Pernambuco, resultado da crise econômica europeia, que gerou a diminuição das 
exportações de açúcar e algodão. Nessa fase Pernambuco era dominado por grandes famílias 
latifundiárias e as oportunidades para o Partido Liberal, formado pelos pequenos lavradores, 
eram poucas. O Partido Liberal tinha como seu principal divulgador o jornal Diário Novo, 
situado na Rua da Praia. 
 
 
 
O movimento ganhou força, espalhando-se para o interior da província. Com a subida ao 
poder dos liberais em 1844, foi nomeado como governador Chichorro da Gama, que, se não era 
um praieiro radical, ao menos procurava cumprir as leis. Com a queda dos liberais no Rio de 
Janeiro (1848), os conservadores retomaram o poder em Pernambuco. Esse fato deflagrou a 
revolução em 7 de novembro 1848, que se alastrou por toda província. 
Houve um documento elaborado pelos revolucionários, chamado “Manifesto ao Mundo”, 
em janeiro de 1849, que apresentava as seguintes reivindicações: 
• Voto livre e universal 
• Liberdade de Imprensa 
• Expulsão dos portugueses 
• Nova organização Federalista 
• Extinção da cobrança de juros 
• A extinção do Poder Moderador 
• Extinção do atual sistema de recrutamento militar 
• O trabalho como garantia de vida para os cidadãos 
• O comércio a retalho só para os cidadãos Brasileiros 
• Harmonia e efetiva independência dos poderes políticos 
• Reforma do poder judicial, assegurando os direitos individuais dos cidadãos 
 
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A revolta contava com poucos recursos militares, e foi, até certo ponto, facilmente 
reprimido. Os últimos líderes e participantes foram presos em 1850, encerrando as revoltas 
provinciais. E a elite passa a consolidar e instaurar um governo centralizado. 
 
 
BILL ABERDEEN E A LEI EUSÉBIO DE QUEIRÓS 
No ano de 1845, como resposta a Tarifa Alves Branco, a Inglaterra concedeu a si mesma, 
através da lei Bill Aberdeen, poderes de jurisdição sobre navios suspeitos de contrabando de 
africanos para o Brasil, mas que não afetou os números de negros desembarcando no país. O 
tráfico negreiro continuava forte no Brasil nos anos que seguiram, a partir de então de forma 
ilegal. Somente cinco anos mais tarde foi possível que o gabinete imperial conseguisse 
promulgar a Lei Eusébio de Queirós, vencendo pouco a pouco as resistências a favor do tráfico 
tanto na sociedade quanto dentro do próprio parlamento. 
Além de agir tanto sobre navios brasileiros quanto navios estrangeiros que atracassem 
no solo do Brasil, a Lei Eusébio de Queirós era fortemente apoiada na Lei de 7 de novembro de 
1831, que já previa o contrabando como crime. A lei ainda previa que os navios encontrados 
em território brasileiro que fossem considerados importadores de escravos deveriam ser 
vendidos, podendo haver uma quantia destinada ao denunciante e que os escravos seriam 
devolvidos as suas terras natais. 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
CRISE DA MONARQUIA E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA ............................................................................2 
CRISE DA MONARQUIA ............................................................................................................................ 2 
QUESTÃO RELIGIOSA ............................................................................................................................ 2 
QUESTÃO ABOLICIONISTA .................................................................................................................... 2 
QUESTÃO MILITAR ............................................................................................................................... 3 
QUESTÃO REPUBLICANA ...................................................................................................................... 3 
OS TRÊS EIXOS DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA ............................................................................... 4 
A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA ............................................................................................................. 4 
GOVERNO PROVISÓRIO (1889-1891) .................................................................................................... 4 
A ELEIÇÃO DE DEODORO ...................................................................................................................... 6 
FLORIANO PEIXOTO (1891-1894) .......................................................................................................... 6 
 
 
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CRISE DA MONARQUIA E PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA 
CRISE DA MONARQUIA 
Questão Religiosa 
Durante todo o Império, a Igreja 
Católica foi uma das bases do governo, 
pois grande parte do clero ocupava altos 
cargos. Além disso, a Constituição de 1824 
havia instaurado no Brasil a união entre 
Igreja e Estado. Ao imperador, por 
exemplo, era facultado o direito ao 
Padroado (prerrogativa de preencher os 
cargos eclesiásticos mais importantes) e 
ao Beneplácito (aprovação das ordens e 
bulas papais para que fossem cumpridas, 
ou não, em território nacional). O Governo 
ficava encarregado de sustentar o clero, 
pagando seus salários, patrocinando 
construções de igrejas etc. 
Em 1864, o papa Pio IX decretou 
uma bula (bula papal "Syllabus" (1864) e 
o Concílio Vaticano 1° (1869-1870) 
consagraram a doutrina do 
ultramantonismo, defendida pelo papa 
Pio 9º. Em linhas gerais, essa doutrina 
postulava a infalibilidade do papa e 
combatia as ideias e instituições que defendiam a secularização e o anticlericalismo) que 
determinava, entre outras coisas, que todos os católicos envolvidos com a maçonaria fossem 
imediatamente excomungados pela Igreja. O anúncio atingia diretamente D. Pedro II, que fazia 
parte da instituição. Valendo-se dos poderes garantidos pelo padroado, o imperador não 
reconheceu o valor da ordem dada pelo papa. Inicialmente, a medida não teve maiores 
repercussões, visto que a maioria dos religiosos no Brasil apoiava incondicionalmente o regime 
monárquico. 
Contudo, em 1872, D. Vital e D. Macedo, bispos de Olinda e de Belém, respectivamente, 
resolveram seguir as ordens do papa Pio IX, punindo os religiosos que apoiavam o maçonismo. 
D. Pedro II solicitou aos bispos que suspendessem as punições. Como eles se recusaram a 
obedecer ao imperador, foram condenados a quatro anos de prisão. Em 1875, receberam o 
perdão imperial e foram libertados, mas o episódio abalou as relações entre a Igreja e o 
Governo, que perdeu uma importante base de apoio político ao regime. 
 
Questão Abolicionista 
Uma exigência do capitalismo industrial e do desenvolvimento do país. A pressão político-
militar da Inglaterra associada à pressão de políticos progressistas brasileiros determinaram 
que fosse promulgada, em 4 de setembro de 1850, a lei Eusébio de Queirós. Com essa medida, 
o comércio de escravos importados foi definitivamente reprimido. 
Após a extinção do tráfico negreiro (1850), cresceu no país a campanha abolicionista, que 
foi um movimento público pela libertação dos escravos. A abolição conquistou o apoio de vários 
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MUDE SUA VIDA! 
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setores da sociedade brasileira: parlamentares, imprensa, militares, artistas e intelectuais. Mas 
os defensores da escravidão ainda conseguiram sustentá-la por bom tempo. No Brasil, o sistema 
escravista foi sendo extinto lentamente, de maneira a não prejudicar os proprietários de 
escravos. 
As principais leis publicadas nesse sentido foram: 
 
 Lei do Ventre Livre (1871): declarava livres todos os filhos de escravos nascidos 
no Brasil. 
 Lei dos Sexagenários (1885): declarava livres os escravos com mais de 65 anos, o 
que significava libertar os donos de escravos da “inútil” obrigação de sustentar 
alguns raros negros velhos que conseguiram sobreviver à brutal exploração de seu 
trabalho. 
 
Somente em 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea promulgada pela princesa Isabel, filha 
de D. Pedro II, a escravidão foi extinta no Brasil, embora em algumas províncias, como na do 
Ceará, a abolição tenha acontecido de forma antecipada em 1881 e concluída em 1884, assim, a 
província recebeu o epíteto de José do Patrocínio, de "Terra da luz", sendo seu exemplo seguido 
pela província do Amazonas (1881). 
 
Questão Militar 
Durante o século XIX, o Brasil se envolveu em várias guerras, em disputas por territórios 
e conflitos de interesses com Argentina, Paraguai, Bolívia, Uruguai. A atuação do Exército foi 
determinante na preservação do território, e os conflitos tiveram importância na formação de 
um sentimento nacional contra inimigos externos. No entanto, principalmente após a Guerra 
do Paraguai (1864 a 1870), cresce o sentimento entre os militares de que sua importância não 
estava sendo reconhecida, bem como de que as condições de trabalho e remuneração seriam 
inadequadas. 
Durante o Império, havia sido aprovado o projeto montepio, pelo qual as famílias dos 
militares mortos ou mutilados na Guerra do Paraguai recebiam uma pensão. A guerra terminara 
em 1870 e, em 1883, o montepio ainda não estava pago. O tenente-coronel Sena Madureira foi 
designado para defender os direitos dos militares perante o Governo. Sena Madureira, no 
entanto, após se pronunciar pela imprensa atacando o projeto montepio, foi punido. A partir 
deste episódio, os militares foram proibidos de dar declarações à imprensa sem prévia 
autorização imperial. 
O descaso que alguns políticos e ministros conservadores tinham pelo Exército levava-os 
a punir elevados oficiais, por motivos qualificados como indisciplina militar. As punições 
disciplinares conferidas ao tenente-coronel Sena Madureira e ao coronel Ernesto Augusto da 
Cunha Matos provocaram revolta em importantes chefes do Exército, como o Marechal 
Deodoro da Fonseca. A insatisfação dos militares com o governo, somadas às ideias positivistas 
e à movimentação republicana viria a gerar o cenário para o fim do regime monárquico no 
Brasil em 1889. 
 
Questão Republicana 
Os ideais republicanos existiam no Brasil desde a colônia, aparecendo em episódios como 
a Inconfidência Mineira, a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador, em 
1824. Com a Guerra do Paraguai, o imperador perdeu a força política, e o movimento 
republicano começou a ganhar vulto. O Manifesto Republicano, de cuja redação Quintino 
Bocaiúva participou ativamente, foi publicado no primeiro número do Jornal A Revolução, 
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transformando-se no ideário básico do movimento, que ganhou a adesão de intelectuais e, a 
partir de 1878, dos militares descontentes com a Monarquia. 
 
Os três eixos da Proclamação da República 
Política Externa: 
 Conflitos Internacionais: com a Inglaterra (Questão Christie 1863-1865), 
Intervenção contra Oribe (Uruguai) e Rosas (Argentina) — 1851-1852; 
 A Guerra contra Aguirre (1864-1865); 
 Presidente do Uruguai. Guerra do Paraguai (1865-1870). Brasil, Argentina e 
Uruguai(Tríplice Aliança) contra o Paraguai no mais longo e sangrento conflito 
armado já ocorrido na América do Sul. 
 
Sociedade Brasileira: 
 Questão Abolicionista: Lei do Ventre Livre (1871); Lei dos Sexagenários (1885); 13 
de maio de 1888: Lei Áurea promulgada pela princesa Isabel: a escravidão foi 
extinta no Brasil. 
 Questão Religiosa: bispos de Olinda e de Belém contra maçons D. Pedro II, 
influenciado pela maçonaria, decidiu intervir na questão, solicitando aos bispos 
que suspendessem as punições. 
 
Política Interna: 
 Questão Republicana: Partido Republicano Paulista, fazendeiros de café de São 
Paulo; contava com seguidores no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Rio Grande 
do Sul. 
 Questão Militar: depois da Guerra do Paraguai, o Exército brasileiro foi adquirindo 
maior importância na sociedade. Os ideais republicanos contagiaram os oficiais, 
divulgados por homens como o Coronel Benjamin Constant, professor da Escola 
Militar do Rio de Janeiro. 
 
O Fim do Segundo Império: a oposição de tantos setores da sociedade à Monarquia tornou 
possível o sucesso do golpe político que instaurou a República no Brasil. 
 
A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA 
Governo Provisório (1889-1891) 
Proclamada a República, na mesma noite de 15 de novembro de 1889 formou-se o 
Governo Provisório, com o Marechal Deodoro como chefe de governo. O Governo Provisório, 
assim formado, decretou o regime Republicano e federalista e a transformação das antigas 
províncias em “estados” da federação. O Império do Brasil chamava-se, agora, com a República, 
Estados Unidos do Brasil — o seu nome oficial. Em caráter de urgência, foram tomadas também 
as seguintes medidas: a "grande naturalização", que ofereceu a cidadania a todos os 
estrangeiros residentes; a separação entre Igreja e Estado e o fim do padroado; a instituição do 
casamento e do registro civil. Porém, dentre as várias medidas, destaca-se particularmente o 
“encalhamento”, adotado por Rui Barbosa, então ministro da Fazenda. 
 
O “encilhamento”. 
 
Na corrida de cavalos, a iminência da largada era indicada pelo seu encalhamento, isto é, 
pelo momento em que se apertavam com as cilhas (tiras de couro) as selas dos cavalos. É o 
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instante em que as tensões transparecem no nervosismo das apostas. Por analogia, chamou-se 
“encilhamento” à política de emissão de dinheiro em grande quantidade que redundou numa 
desenfreada especulação na Bolsa de Valores. Para compreender por que o Governo Provisório 
decidiu emitir tanto papel-moeda, é preciso recordar que, durante a escravidão, os fazendeiros 
se encarregavam de fazer as compras para si e para seus escravos e agregados. E o mercado de 
consumo estava praticamente limitado a essas compras, de modo que o dinheiro era utilizado 
quase exclusivamente pelas pessoas ricas. Por essa razão, as emissões de moeda eram 
irregulares: emitia-se conforme a necessidade e sem muito critério. 
A situação mudou com a abolição da escravatura e a grande imigração. Com o trabalho 
livre e assalariado, o dinheiro passou a ser utilizado por todos, ampliando o mercado de 
consumo. Para atender à nova necessidade, o Governo Provisório adotou uma política 
emissionista em 17 de janeiro de 1890. O ministro da Fazenda, Rui Barbosa, dividiu o Brasil em 
quatro regiões, autorizando em cada uma delas um banco emissor. As quatro regiões 
autorizadas eram: Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. O objetivo da medida 
era o de cobrir as necessidades de pagamento dos assalariados — que aumentaram desde a 
abolição — e, além disso, expandir o crédito a fim de estimular a criação de novas empresas. 
Todavia, a desenfreada política emissionista acarretou uma inflação incontrolável, pois os 
“papéis pintados” não tinham como lastro outra coisa que não a garantia do governo. Por isso, 
o resultado foi muito diverso do esperado: em vez de estimular a economia a crescer, 
desencadeou uma onda especulativa. 
Os especuladores criaram projetos mirabolantes e irrealizáveis e, em seguida, lançaram 
as suas ações na Bolsa de Valores, onde eram vendidas a alto preço. Desse modo, algumas 
pessoas fizeram fortunas da noite para o dia, enquanto seus projetos permaneciam apenas no 
papel. Em 1891, depois de um ano de orgia especulativa, Rui Barbosa se deu conta do caráter 
irreal de sua medida e tentou remediá-la, buscando unificar as emissões no Banco da República 
dos Estados Unidos do Brasil. Mas a demissão coletiva do ministério naquele mesmo ano 
frustrou a sua tentativa. 
 
A Constituição de 1891 
 
Logo após a proclamação da República, foi convocada uma Assembleia Constituinte para 
elaborar uma nova Constituição, promulgada em 24 de fevereiro de 1891. A nova Constituição 
inspirou-se no modelo norte-americano, ao contrário da Constituição imperial, inspirada no 
modelo francês. Segundo a Constituição de 1891, o nosso país estava dividido em vinte estados 
(antigas províncias) e um Distrito Federal (ex-município neutro). Cada estado era governado 
por um “presidente”. Declarava também que o Brasil era uma república representativa, 
federalista e presidencialista. 
Em vez de quatro poderes, como no Império, foram adotados três: Executivo, Legislativo 
e Judiciário. Executivo, exercido pelo presidente da República, eleito por voto direto, por quatro 
anos, com um vice-presidente, que assumiria a presidência no afastamento do titular, 
efetivando-se, sem nova eleição, no caso de afastamento definitivo depois de dois anos de 
exercício. Legislativo, com duas casas temporárias Câmara dos Deputados e Senado Federal 
que, reunidos, formavam o Congresso Nacional. 
 Judiciário, com o Supremo Tribunal Federal, como órgão máximo, cuja instalação foi 
providenciada pelo Decreto n° 1, de 26 de fevereiro de 1891, que também dispôs sobre os 
funcionários da Justiça Federal. Os três poderes exercer-se-iam harmoniosa, mas 
independentemente. 
A República foi obra, basicamente, dos partidos republicanos — notadamente o de São 
Paulo —, unidos aos militares de tendência positivista. Porém, tão logo o grande objetivo foi 
atingido, ocorreu a cisão entre os “republicanos históricos” e os militares. As divergências 
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giraram em torno da questão federalista: vos civis defendiam o federalismo e os militares eram 
centralistas, portanto, partidários de um poder central forte. 
 
A Eleição de Deodoro 
Conforme ficara estabelecido, a Assembleia Constituinte, após a elaboração da nova 
Constituição, transformou-se em Congresso Nacional, encarregado de eleger o primeiro 
presidente da República. Para essa eleição apresentaram-se duas chapas: a primeira era 
encabeçada por Deodoro da Fonseca para presidente e o almirante Eduardo Wandenkolk para 
vice, a segunda era constituída por Prudente de Morais para presidente e o marechal Floriano 
Peixoto para vice. 
A eleição realizou-se em meio a tensões muito grandes entre militares e civis, pois o 
Congresso Nacional era francamente contrário a Deodoro. Em primeiro lugar, porque este 
ambicionava fortalecer o seu poder, chegando mesmo a se aproximar de monarquistas 
confessos, como o barão de Lucena, a quem convidou para formar o segundo ministério no 
Governo Provisório, após a renúncia coletiva do primeiro. 
 Em segundo, devido à impopularidade de e ao desgaste de Deodoro, motivados pelas 
crises desencadeadas pelo “encilhamento”, pelas quais, junto com Rui Barbosa, era diretamente 
responsável. Prudente de Morais tinha a maioria. Teoricamente seria eleito. Contudo, os 
militares ligados a Deodoro fizeram ameaças, pressionando o Congresso a elegê-lo. E foi o que 
aconteceu, embora por uma pequena margem de votos. O vice de Deodoro, entretanto, foi 
derrotado por ampla diferença por Floriano Peixoto. Deodoro, finalmente eleito presidente pelo 
Congresso, não conseguiu governar com este último. Permanentemente hostilizado pelo 
Congresso,buscou o apoio dos governos dos estados. Na oposição, estavam o mais poderoso 
dos estados — São Paulo — e o mais influente dos partidos — o PRP (Partido Republicano 
Paulista). 
Em 3 de novembro de 1891, a luta chegou ao auge. Sem levar em conta a proibição 
constitucional, Deodoro fechou o Congresso e decretou o estado de sítio, a fim de neutralizar 
qualquer reação e tentar reformar a Constituição, no sentido de conferir mais poderes ao 
Executivo. Porém, o golpe fracassou. As oposições — tanto civis como militares — cresceram e 
culminaram com a rebelião do contra-almirante Custódio de Melo, que ameaçou bombardear o 
Rio de Janeiro com os navios sob seu comando. Deodoro renunciou, assumindo em seu lugar 
Floriano Peixoto. 
 
Floriano Peixoto (1891-1894) 
A ascensão de Floriano foi considerada como o retorno à legalidade. As Forças Armadas 
— Exército e Marinha — e o Partido Republicano Paulista apoiaram o novo governo. Os 
primeiros atos de Floriano foram: 
 
 A anulação do decreto que dissolveu o Congresso. 
 A derrubada dos governos estaduais que haviam apoiado Deodoro. 
 O controle da especulação financeira e da especulação com gêneros alimentícios, 
através de seu tabelamento. 
 
Tais medidas desencadearam, imediatamente, violentas reações contra Floriano. Para 
agravar ainda mais a situação, a esperada volta à legalidade não aconteceu. De fato, para muitos, 
era preciso convocar rapidamente uma nova eleição presidencial, conforme estabelecia o artigo 
42 da Constituição, no qual se lia: 
 
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 Art. 42. Se, no caso de vaga, por qualquer causa, da presidência ou vice-presidência, 
não houverem ainda decorrido dois anos do período presidencial, proceder-se-á à 
nova eleição. 
 
Floriano não convocou nova eleição e permaneceu no firme propósito de concluir o 
mandato do presidente renunciante. A alegação de Floriano era de que a lei só se aplicava aos 
presidentes eleitos diretamente pelo povo. Ora, como a eleição do primeiro presidente fora 
indireta, feita pelo Congresso, Floriano simples-mente ignorou a lei. 
 
A revolta da Armada 
 
 Contra as pretensões de Floriano, treze oficiais (generais e almirantes) lançaram um 
manifesto em abril de 1892, exigindo a imediata realização das eleições presidenciais, como 
mandava a Constituição. A reação de Floriano foi simples: afastou os oficiais da ativa, 
reformando-os. 
Essa inabalável firmeza de Floriano frustrou os sonhos do contra-almirante Custódio de 
Melo, que ambicionava a presidência. Levadas por razões de lealdade pessoal, as Forças 
Armadas se dividiram. Custódio de Melo liderou a revolta da Armada estacionada na baía de 
Guanabara (1893). Essa rebelião foi imediatamente apoiada pelo contra-almirante Saldanha da 
Gama, diretor da Escola Naval, conhecido por sua posição monarquista. 
 
A revolução federalista 
 
No Rio Grande do Sul, desde 1892, uma grave dissensão política conduzira o Partido 
Republicano Gaúcho e o Federalista ao confronto armado. Os partidários do primeiro, 
conhecidos como "pica-paus", eram apoiados por Floriano, e os do segundo, chamados de 
"maragatos", aderiram à rebelião de Custódio de Melo. Floriano, o Marechal de Ferro. Contra as 
rebeliões armadas, Floriano agiu energicamente, graças ao apoio do Exército e do PRP (Parti-do 
Republicano Paulista), o que lhe valeu a alcunha de Marechal de Ferro. Retomando o controle 
da situação ao reprimir as revoltas, Floriano aplainou o caminho para a ascensão dos civis. 
 
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