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EXTINÇÃO E SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO - Processo Civil

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Extinção e Suspensão da execução 
 
 Suspensão da Execução (causas de suspensão): 
 
A suspensão do procedimento consiste numa situação meramente instrumental, de transição ou 
passageira, destinada a permanecer durante um período mais ou menos largo, tendo referência 
ao processo em si mesmo, sem ocasionar sua extinção. As meras paralisações do procedimento não 
se confundem com as hipóteses de suspensão. O fato de o procedimento estar paralisado não quer 
dizer que este já suspenso. Havendo suspensão do procedimento, não se deve praticar atos 
processuais (CPC, art. 314), ressalvadas as hipóteses de urgência. Em casos de meras paralisações, 
não se veda a prática de atos processuais. 
O procedimento somente estará suspenso nas hipóteses previstas em lei. O art. 313 do CPC 
relaciona as hipóteses de suspensão, sendo algumas delas decorrentes de imposição legal, 
enquanto outras resultam de direitos ou conveniências das partes (CPC, art. 313, II). 
Não são, porém, todos os casos relacionados no art. 313 do CPC que geram a suspensão da 
execução. A execução suspende-se nas hipóteses do art. 921 do CPC, que assim dispõe: 
 
"Art. 921. Suspende-se a execução: 
I - nas hipóteses previstas dos arts. 313 e 315; 
II - no todo ou em parte, quando recebidos com efeito suspensivo os embargos à execução; 
III -quando o executado não possuir bens penhoráveis. 
IV- se a alienação dos bens penhorados não se realizar por falta de licitantes e o exequente, em 15 
(quinze) dias, não requerer a adjudicação nem indicar outros bens penhoráveis; 
V- quando concedido o parcelamento de que trata o art. 916.” 
 
Além dessas hipóteses relacionadas no art. 921 do CPC, sobressaem outras causas suspensivas 
da execução, como o recebimento dos embargos de terceiro e a suspensão na execução fiscal, que 
serão analisadas nos capítulos respectivos, em item próprio. 
 
 a) Embargos do executado: Os embargos à execução (principal modalidade de defesa do 
executado) podem suspender a execução, caso o órgão jurisdicional assim o determine. O exame 
do efeito suspensivo dos embargos à execução será feito em item próprio contido no capítulo sobre 
as defesas do executado. 
 
 b) Hipótese do art. 313. 
 - Morte ou perda de capacidade processual. 
 - Exceção de incompetência ou suspeição e impedimento. 
 - Convenção: 
 O procedimento suspende-se pela convenção das partes (CPC, art. 313, II), sendo certo que a 
suspensão, nesse caso, não pode exceder 6 (seis) meses; findo o prazo, o juiz ordenará o 
prosseguimento do processo (CPC, art. 313, § 4º). 
Por aí se vê que, enquanto a suspensão do procedimento pelo art. 313, II (aplicável à execução por 
força da remissão feita pelo art. 921, l) sujeita-se a um prazo máximo de 6 (seis) meses, não há 
prazo para a suspensão da execução senão aquele que for fixado pelo exequente para o 
cumprimento voluntário da obrigação pelo executado (CPC, art. 922), podendo, ao que tudo indica, 
esse prazo ser, até mesmo, superior a 6 (seis) meses. 
 
Art. 922. Convindo as partes, o juiz declarará suspensa a execução durante o prazo 
concedido pelo credor, para que o executado cumpra voluntariamente a obrigação. 
 
Há quem entenda que o art. 922 prevalece, no tocante à execução, sobre o § 4º do art. 313 do CPC, 
de sorte que, suspensa a execução pela convenção das partes, não haverá prazo máximo de 6 (seis) 
meses, devendo a suspensão durar pelo prazo dado ao executado pelo exequente. Parece, contudo, 
que o melhor entendimento é aquele que distingue as situações: se a execução for suspensa 
genericamente, ou se já, sem causa ou motivo, pela convenção das partes, aplica-se o art. 313 do 
CPC, devendo a suspensão sujeitar-se ao prazo máximo de 6 (seis) meses. Por outro lado, a 
suspensão pode operar-se em razão de prazo concedido ao exequente para que o executado cumpra, 
voluntariamente, a obrigação, hipótese em que incide o art. 922, devendo a suspensão manter-
se durante o prazo concedido pelo exequente, ainda que superior a 6 (seis) meses. 
 
 
c) Ausência de bens penhoráveis: 
É o patrimônio do executado que se sujeita à execução, conforme já visto. Não é, aliás, sem razão 
que o art. 789 do CPC estabelece que o "devedor responde com todos os seus bens presentes e 
futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei". Diante 
disso, sem bens a serem penhorados, não há como dar prosseguimento à execução. Em virtude 
da ausência de bens penhoráveis, suspende-se a execução, não sendo esse um caso de extinção, 
mas, repita-se, de suspensão da execução. 
OBS: Nos Juizados Especiais Cíveis, na execução de título extra judicial, não havendo bens, a 
execução deve ser extinta. Com efeito, dispõe o art. 53, § 4° da Lei nº 9.0991 1995, que, na execução 
de título extra judicial, no valor de até 40 (quarenta) salários mínimos, "não encontrado o devedor 
ou inexistindo bens penhoráveis, o processo será imediatamente extinto, devolvendo-se os 
documentos ao autor". 
A execução suspende-se não somente quando faltarem bens penhoráveis, mas também quando 
os que existirem forem insuficientes para que se efetive uma penhora útil. É que, de acordo com o 
art. 836 do CPC, "não se levará a efeito a penhora, quando evidente que o produto da execução dos 
bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução". 
Durante o período de suspensão da execução, não corre o prazo prescricional, visto que a prescrição 
pressupõe a inércia do exequente, o que, no caso, não existe. 
A execução, nessa hipótese, deve manter-se suspensa por quanto tempo? O atual CPC prevê no §1º 
do art. 921, que nessa hipótese de suspensão de execução, o juiz suspenderá a execução pelo prazo 
de 1 (um) ano, durante o qual se suspenderá a prescrição. É uma novidade do novo cpc, visto a lacuna 
que antes existia. 
 
d) Falência e recuperação judicial: 
Sobrevindo a decretação da falência ou de recuperação judicial, estarão suspensas as execuções 
individuais propostas em face do devedor insolvente, inclusive as execuções propostas pelos 
credores particulares do sócio solidário (Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, art. 6°). Terá 
prosseguimento no juízo no qual se estiver processando a ação que demandar quantia ilíquida (Lei nº 
11.101/2005, art. 6º, § lº). Nesse caso, os credores devem habilitar-se na falência ou na recuperação 
judicial, a fim de receberem seus créditos. 
Somente não serão suspensas a ação que demanda quantia ilíquida, a ação trabalhista até a fixação 
do valor devido e a execução fiscal (Lei nº 11.101/2005, art. 6°, § l º, 2º e 7°, art. 52, IV, art. 99, 
V). 
 
e) Antecipação de tutela na ação rescisória: 
A ação rescisória não suspende a eficácia da decisão rescindenda, que poderá, assim, ser executada. 
O art. 969 do CPC permite a concessão de medida de tutela provisória que suspenda o procedimento 
executivo, na pendência da ação rescisória. 
 
 Extinção da execução: 
 
1. Com solução de mérito: 
Na medida em que fica satisfeito o direito do credor, extingue- se, portanto a relação jurídica pela 
qual a execução foi promovida. Se o processo é extinto com base em fato de direito material (extinta 
a obrigação), é conclusão lógica e inevitável que tal decisão deve ser considerada de mérito. A decisão 
que determina a extinção da execução, nessa hipótese, está apta a tornar-se indiscutível pela 
coisa julgada material, conforme exposto também no capítulo sobre a teoria da execução. 
Os incisos II, III e IV do art. 924 do CPC trazem as hipóteses de extinção da execução com solução de

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