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Embriologia do Sistema Urinário

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DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA URINÁRIO 
INTRODUÇÃO 
• Os sistemas urinário e genital se desenvolvem juntos, pois ambos são derivados do mesoderma intermediário, 
que forma as cristas urogenitais na parede dorsal da cavidade do corpo. Sua porção medial forma as gônadas e 
a porção lateral se diferencia em cordões nefrogênicos, que originam 2 pares de vesículas provisórias (pronefro 
e mesonefro) e 1 par de vesículas definitivas (metanefro). 
• Na 4ª semana do desenvolvimento, ocorre dobramento embrionário (cefalocaudal ou horizontal/lateral), se 
tornando um cilindro (era disco), estando em contato com o celoma intraembrionário. O mesoderma 
intermediário sai da região dorsal e assume posição relativamente ventral ao tubo neural. Conforme ocorre esse 
dobramento, perde conexão com os somitos, ou seja, com o mesoderma paraxial. 
• Na 5ª semana, ocorre a formação dos sistemas néfricos: 
o Pronefro: surge no início da 4ª semana, é mais anterior, próximo ao pescoço do embrião; função rudimentar 
e transitória, não sendo funcional no ser humano, portanto, se degenera (exceto ductos pronéfricos). 
o Mesonefro: surge no final da 4ª semana, é mais caudal em relação ao pronefro, também possui massa de 
folheto mesodérmico intermediário, onde ocorre diferenciação de ductos/túbulos mesonéfricos, que 
desembocam na cloaca, e massa mesonéfrica; é funcional da 5ª até a 9ª semana, chegando a formar 
glomérulos e túbulos que conectam vasos ao ducto mesonéfrico em cada região mesonéfrica, iniciando a 
formação da urina. A massa também regride, só persistindo ductos mesonéfricos, que originam estruturas 
sexuais masculinas. 
o Metanefro: inicia desenvolvimento na 5ª semana, na região mais sacral, e origina, na 9ª semana, o sistema 
néfrico definitivo, que forma, durante toda a vida fetal, a urina, que compõe o líquido amniótico. 
 
• O mesoderma intermediário segmenta-se em unidades chamadas de nefrótomos, que são porções laterais aos 
ductos. As porções laterais aos nefrótomos formam ductos longitudinais de cada lado do embrião. 
• A luz de cada nefrótomo abre-se no ducto mesonéfrico e na cavidade do corpo. Os glomérulos formam-se como 
pequenos vasos que se estendem a partir da aorta dorsal. Por indução da massa mesonéfrica, inicia-se 
ramificação da aorta, originando pequenos vasos que vão adentrar a região dos nefrótomos. 
• O ducto mesonéfrico alonga-se até a região cloacal e as aberturas dos túbulos mesonéfricos aparecem na 
cavidade do corpo. 
• Na 5ª semana, inicia-se a formação dos rins definitivos ou metanefro. Forma-se um divertículo/evaginação/broto 
uretérico a partir do ducto mesonéfrico e um blastema metanefrogênico (agrupamento de células 
mesenquimais que formam o néfron) a partir do mesênquima metanéfrico. O broto uretérico induz o blastema 
metanefrogênico, que também induz o broto uretérico a se dicotomizar (“indução recíproca”). As 4 primeiras 
ramificações do broto formam os cálices maiores, da 4ª a 8ª os cálices menores, e assim por diante (estruturas 
Lara Mattar | Funções Biológicas IV | Medicina UFR 
coletoras). Assim: o blastema metanefrogênico origina o néfron e o broto uretérico origina o sistema coletor 
(cálices, pelve, ureter e túbulos coletores). Existem diversas famílias de fatores de crescimento e morfógenos 
envolvidos nesse processo. A pelve renal, embriologicamente, é contínua com o ureter, sendo ambos originados 
do broto uretérico. 
• Na 8ª semana (última semana do período embrionário), o blastema metanéfrico, por entrar em contato com as 
ramificações do broto uretérico, começa a se diferenciar, formando túbulos contorcidos, alça de Henle. Com essa 
diferenciação, esses ductos vão se confluindo, formando os túbulos uriníferos. 
• Na 10ª semana, inicia a formação da urina (filtração glomerular). Até a 18ª, o número de glomérulos aumenta 
de forma gradativa. Da 23ª até a 32ª semana, esses néfrons vão maturar e crescer de forma muito rápida, 
finalizando na 38ª semana. 
• O restante do ducto mesonéfrico que persiste/sobra origina outras estruturas do sistema genital masculino. 
• Até o 1º ano de idade, o rim é lobulado, pois o tecido renal (blastema metanéfrico) ainda não se desenvolveu, 
então o néfron ainda vai crescer (embora a filtração glomerular comece na 9ª semana fetal, a maturação 
funcional dos rins e taxas crescentes de filtração ocorrem após o nascimento). 
• Também após o nascimento, a suprarrenal (sobretudo o córtex) regride para 1/3 do tamanho, pois era altamente 
funcional durante a vida fetal (produção de pré-hormônios utilizados pela placenta). 
ASCENÇÃO RENAL 
• Na 9ª semana, os rins metanéfricos, que inicialmente ficam juntos ventralmente ao sacro, ascendem e assumem 
sua posição definitiva. A mudança de posição dos rins ocorre por conta do crescimento caudal da coluna, 
remodelação do parênquima renal, crescimento diferencial do ureter e fixação dos rins na parede posterior do 
abdome (retroperitonial). 
• Durante sua ascensão (entre 6ª e 9ª semana), os rins sofrem uma rotação medial de 90º. O hilo, que era anterior, 
sofre rotação medial de 90º, se tornando medial. Nesse processo, as artérias renais mudam de origem. 
Inicialmente, são ramos das aa. Ilíacas comuns, mas posteriormente à rotação, as iniciais (ramos caudais) sofrem 
involução e passam a ser formadas novas artérias como ramos da aorta. 
• Posição fixa: contato com as glândulas suprarrenais na 9ª semana (quando os rins entram em contato com as 
suprarrenais, param de ascender). 
• A genitália externa forma-se a partir da placa ou membrana cloacal (porção mais dilatada do intestino). Ocorre 
uma septação, que divide cloaca em seio urogenital e região retal. A porção mais posterior do septo urorretal 
divide placa cloacal, formando, anteriormente, seio urogenital e, posteriormente, a região final do intestino 
(canal anal). Ambos desembocam na membrana cloacal. A finalização do septo urorretal forma o períneo. 
 
 
DESENVOLVIMENTO DA BEXIGA 
• A bexiga é formada pelo seio urogenital. A cloaca, dilatação caudal do intestino posterior, é dividida em uma 
porção ventral e outra dorsal entre a 4ª e a 6ª semana por um septo mesenquimal denominado septo urorretal. 
A porção ventral formará parte da bexiga e a uretra. 
 
• Com a formação do seio urogenital, a parte vesical, que é mais anterior e a maior parte, se continua com o 
alantoide (que forma o úraco ou ligamento umbilical mediano) e origina a bexiga, região em que se confluem 
bilateralmente os ureteres (trígono vesical na base da bexiga). A parte pélvica forma a uretra e a parte fálica, 
nos homens, forma o pênis. 
• O brotamento uretérico forma o ureter e o ducto mesonéfrico origina o trígono vesical. 
• O epitélio de revestimento da bexiga (de transição, estratificado) tem origem de endoderme (folheto do saco 
vitelino), aspecto globoso e células com resistência à ureia; quando cheia, torna-se pavimentosa). Já os músculos 
e conjuntivo tem origem em mesoderma esplâncnico. 
• O alantoide é um divertículo de endodérmico e mesoderma extraembrionários. Conforme o embrião se 
desenvolve, vai adentrando pedículo embrionário. Conforme vai adentrando, vai formando os vasos do cordão 
umbilical. Além disso, o alantoide possui pequena porção que terá ligação com o endoderma, formando a cloaca. 
• O alantoide forma a região posterior da bexiga. 
• O ligamento umbilical mediano é exclusivo de adultos, e é formado a partir do úraco, que é exclusivo de feto e 
bebê. O úraco vai se fibrosando. Esse processo pode formar anomalias (ex. fístula no úraco = urina no cordão 
umbilical). 
MALFORMAÇÕES 
• Fístula de úraco: urina no cordão umbilical. 
• Extrofia de bexiga: não é um problema de sistema urinário, e sim de fechamento de parede abdominal anterior 
(é problema mesodérmico lateral somático). Super rara (1/10.000 a 1/40.000 nascimentos). 
• Agenesia renal: unilateral (1/1.000) é compatível com a vida, geralmente o rim ausente é esquerdo, ocorre maisem meninos. A forma bilateral (1/3.000) também ocorre mais em homens, mas é incompatível com a vida, 
morrendo após o nascimento, e ocorre, nesse tipo, a face de Potter. Uma das consequências é o oligoidrâmnio 
(pouco liquido amniótico, pois parte desse líquido é urina fetal). Obs: formação de urina começa na 10ª semana. 
A agenesia renal, segundo estudos recentes, ocorre pela não formação dos divertículos metanéfricos. 
• Rim policístico: quando bilateral (25% dos casos), é fatal. É uma doença autossômica recessiva. O rim, nesses 
casos, é pouco desenvolvido e repleto de cistos, causados por uma confluência não efetiva dos 
divertículos/túbulos. A maioria dos casos unilaterais também ocorre em homens e em rim esquerdo. 
• Rim em ferradura: Ocorre em 0,2% da população. Ele é grande e em formato de U. A porção caudal dos dois rins 
se funde durante a rotação medial. São impedidos de ascender pela raiz da artéria mesentérica inferior. É 
assintomático. 
FISIOLOGIA DO RIM FETAL 
• Importância dos rins para a fisiologia fetal: a urina compõe parte do líquido amniótico, que é translúcido. 
• O líquido ou fluido amniótico é composto por células amnióticas e fluido intersticial materno (ultrafiltrado de 
plasma materno). Até aproximadamente a 10ª semana, a bolsa contém cerca de 99% de água, além de células 
epiteliais fetais, compostos orgânicos (proteínas, carboidratos e hormônios) e inorgânicos e urina fetal. 
• Se esse feto, ao final da gestação, sofrer algum tipo de sofrimento, irá evacuar no líquido amniótico (mecônio = 
células descamadas da pele do bebê). 
• Até 10ª semana possui 30 ml, na 20ª semana 350 ml e na 37ª semana 1000ml. 
• O feto deglute, por dia, 400ml de líquido amniótico. Trocas ocorrem de 3/3h. 
• Uma mulher com polidrâmnio possui de 1500 a 2000ml. Suspeita de malformação de sistema digestório ou 
nervoso (meroencefalia, meningomielocele), fístula traqueoesofágica. 
• Uma mulher com oligoidrâmnio possui < 500ml. Suspeita de malformação de sistema urinário (agenesia renal). 
• Funções do líquido: proteção contra impacto, bacteriostático, controle de temperatura, crescimento simétrico 
do embrião/feto, desenvolvimento do sistema respiratório, digestório, urinário e musculoesquelético (espaço). 
	introdução
	Ascenção renal
	Desenvolvimento da bexiga
	Malformações
	Fisiologia do rim fetal

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