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Indaial – 2018
EspEciais
Prof. Kleber Renan de Souza Santos
Profª. Ana Clarisse Alencar Barbosa
Prof. Arildo João de Souza
Prof. Fábio Roberto Tavares
Profª. Francieli Stano Torres
Profª. Graciela Márcia Fochi
Profª. Grazielle Jenske
Profª. Greisse Moser
Profª. Luciane da Luz
Prof. Lírio Ribeiro
Profª. Maquiel Duarte Vidal
Profª. Meike Schubert
Profª. Vânia Konell
Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz
1a Edição
Tópicos
Elaboração:
Prof. Kleber Renan de Souza Santos
Profª. Ana Clarisse Alencar Barbosa
Prof. Arildo João de Souza
Prof. Fábio Roberto Tavares
Profª. Francieli Stano Torres
Profª. Graciela Márcia Fochi
Profª. Grazielle Jenske
Profª. Greisse Moser
Profª. Luciane da Luz
Prof. Lírio Ribeiro
Profª. Maquiel Duarte Vidal
Profª. Meike Schubert
Profª. Vânia Konell
Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz
Copyright © UNIASSELVI 2022
Revisão, Diagramação e Produção:
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
Impresso por:
657
S237t Santos, Kleber Renan
 Tópicos Especiais / Kleber Renan Santos et al. Indaial: 
UNIASSELVI, 2018.
 304 p. : il 
 
 ISBN 978-85-515-0131-3
1. Tópicos Especiais.
I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
 
Olá, acadêmico! Vamos iniciar os estudos do Livro Didático de Tópicos Especiais. 
Este livro está dividido em três unidades e tem o intuito de apresentar e reforçar temas 
no componente de Formação Geral, conforme orientação da Portaria Inep nº 239, de 10 
de junho de 2015, art. 3º: 
No componente de Formação Geral serão considerados os seguintes 
elementos integrantes do perfil profissional: letramento crítico; atitude 
ética; comprometimento e responsabilidades sociais; compreensão 
de temas que transcendam ao ambiente próprio de sua formação, 
relevantes para a realidade social; espírito científico, humanístico e 
reflexivo; capacidade de análise crítica e integradora da realidade; e 
aptidão para socializar conhecimentos com públicos diferenciados e 
em vários contextos.
A partir dessa orientação, queremos que você compreenda que aprender 
a questionar é tão importante quanto buscar o saber, e que ao final do estudo deste 
livro você seja capaz de formular novas perguntas sobre a realidade humana e consiga 
propor soluções responsáveis para os desafios profissionais que surgirem. Assim, este 
livro traz conteúdos gerais para você estar bem preparado para o ENADE e também para 
o que a vida lhe apresentar. São temas pertinentes, atuais, abrangentes e que fazem 
parte da vida de todos nós. Vamos começar?!
Na primeira unidade, que vai tratar sobre cidadania e sociedade, seremos 
conduzidos por um mundo intrínseco do comportamento humano em sociedade e suas 
regras de conduta e participação social, política e econômica, na qual trabalharemos a 
questão da formação dos princípios morais e éticos dos homens que vivem e convivem 
em sociedade, além de abordarmos questões pertinentes à democracia, à ética e à 
cidadania. Desta forma, abordaremos a compreensão dos significados dos princípios 
norteadores da democracia, ética e cidadania, além de realizar uma reflexão e uma 
discussão sobre as questões ético-morais na relação indivíduo e sociedade.
Ainda nessa unidade vamos apresentar algumas definições e conceitos a 
respeito dos problemas sociais ocasionados pela diversidade que gera diferenças 
entre coisas e seres, que por consequência geram os mais diversos preconceitos, 
desigualdades e conflitos sociais. Vamos também identificar a necessidade e a 
essencialidade da inclusão como uma forma de democratização das relações sociais, 
principalmente na emancipação e na sutileza do trato com o outro, seja em relação aos 
“iguais” ou entre iguais e diferentes, que de alguma forma ainda não foram incluídos no 
contexto social. Relacionado à sociedade e suas relações, vamos trabalhar o conceito 
de multiculturalismo, enfatizando as origens do surgimento do movimento e os campos 
de conhecimento que acolhem os estudos multiculturais.
APRESENTAÇÃO
Para finalizar a Unidade 1, estudaremos a cultura e a arte como áreas que 
interagem entre si e com as demais áreas de conhecimento. Estudar, pesquisar e refletir 
sobre as diferentes culturas e suas manifestações artísticas possibilita a compreensão 
da vida e das relações entre os sujeitos no meio social. A cultura, assim como a arte, 
é dinâmica, vai mudando conforme o tempo e o espaço. A cultura e a arte devem ser 
estudadas a partir de três concepções: erudita, popular e de massa. 
 
Começamos a segunda unidade adentrando nos assuntos relacionados à Ciência, 
Tecnologia e Sociedade. Veremos como se faz necessário entendermos os fundamentos 
da ciência sob diferentes óticas e também analisar definições e pensamentos acerca da 
tecnologia e algumas formas de interpretar a sociedade.
 
Muito próximo dessa temática, avançaremos sobre as tecnologias da informação 
e comunicação como fator determinante no advento da sociedade da informação, das 
transformações resultantes do processo da globalização de mercados e dos avanços do 
uso dos processos tecnológicos na vida cotidiana dos indivíduos.
 
Concluímos os estudos deste livro com a terceira unidade. Nela, vamos estudar 
sobre as políticas públicas, sobre a vivência nos meios urbanos e rurais e a questão 
ecológica, temas tão importantes para o desenvolvimento da sociedade como um todo. 
 
Queremos evidenciar a importância das políticas públicas para a concretização 
dos direitos e deveres do Estado em relação às pessoas que compõem a sociedade e, 
assim como o Estado, gozam de seus direitos civis e políticos. Veremos que estamos 
sujeitos ao conjunto de normas jurídicas e sociais, formando assim um marco regulatório 
previamente fixado no que diz respeito à distribuição harmônica dos elementos que formam 
os direitos, deveres e responsabilidades em prol do desenvolvimento educacional, político, 
econômico e social. Nesta via de mão dupla vamos perceber que a vida em sociedade está 
ligada à política e não há ação social sem ação política, quer seja promovida pelo Estado 
ou pela sociedade. Vamos ainda tratar sobre a saúde e sua gestão, a habitação e moradia 
como direitos constitucionais e a segurança em âmbito nacional.
 
Esperamos que este estudo possa auxiliá-lo na compreensão de tantos temas 
que compõem este livro de estudos, preparar-se bem para o ENADE e levar para a vida 
as abordagens aqui feitas.
Bons estudos!
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e 
dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes 
completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você 
acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar 
essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só 
aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
GIO
QR CODE
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua naíntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - CIDADANIA E SOCIEDADE ............................................................................... 1
TÓPICO 1 - DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA ..................................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 A DEMOCRACIA EM PAUTA ................................................................................................4
3 A QUESTÃO DA ÉTICA .........................................................................................................8
4 O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA CIDADANIA ............................................................14
RESUMO DO TÓPICO 1 ......................................................................................................... 17
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................. 19
TÓPICO 2 - SOCIEDADE E A DIVERSIDADE ........................................................................ 21
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 21
2 CONCEITOS DE DIVERSIDADE CULTURAL E DESIGUALDADE SOCIAL ........................ 21
3 DIVERSIDADE CULTURAL E DESIGUALDADE SOCIAL .................................................. 22
4 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL DA DIVERSIDADE ......................................................... 31
5 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL DA DIVERSIDADE HUMANA ......................................... 31
6 CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO DO SABER APRENDIDO .........................................37
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 39
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 40
TÓPICO 3 - MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E 
RELAÇÕES DE GÊNERO ...................................................................................................... 43
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 43
2 CONCEITUANDO MULTICULTURALISMO ........................................................................ 43
3 SURGIMENTO DO MULTICULTURALISMO ....................................................................... 45
4 ÁREAS DE CONHECIMENTO QUE ABRIGAM O MULTICULTURALISMO ......................... 46
5 MOVIMENTO FEMINISTA ...................................................................................................47
5.1 FEMINISMO ............................................................................................................................................ 47
5.2 A PRIMEIRA ONDA FEMINISTA ........................................................................................................ 48
5.3 A SEGUNDA ONDA FEMINISTA ........................................................................................................49
5.4 A TERCEIRA ONDA FEMINISTA E O SURGIMENTO DOS ESTUDOS DE GÊNERO ..................50
6 CONCEITUANDO GÊNERO ............................................................................................... 50
7 ESTUDOS DE GÊNERO ..................................................................................................... 54
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 58
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 60
TÓPICO 4 - RESPONSABILIDADE SOCIAL: SETOR PÚBLICO, SETOR PRIVADO E 
TERCEIRO SETOR ............................................................................................................... 65
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 65
2 SETOR PRIVADO .............................................................................................................. 65
3 TERCEIRO SETOR ............................................................................................................ 66
3.1 HISTÓRICO ........................................................................................................................................... 67
3.2 REALIDADE DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS NO BRASIL ...........................................................68
4 AS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS ................................................................70
RESUMO DO TÓPICO 4 .........................................................................................................73
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................74
TÓPICO 5 - CULTURA E ARTE .............................................................................................. 77
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 77
2 CULTURA ........................................................................................................................... 77
3 ARTE ..................................................................................................................................81
RESUMO DO TÓPICO 5 ........................................................................................................ 88
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 89
UNIDADE 2 — POLÍTICA, TECNOLOGIA E GLOBALIZAÇÃO: OS IMPACTOS SOBRE A 
SOCIEDADE .......................................................................................................................... 91
TÓPICO 1 — CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E AMBIENTE ....................................... 93
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 93
2 CIÊNCIA............................................................................................................................ 93
3 TECNOLOGIA .....................................................................................................................95
4 SOCIEDADE ......................................................................................................................97
5 SOCIEDADE ENTRE CIÊNCIA E TECNOLOGIA ............................................................... 98
6 CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E AMBIENTE (CTSA) – INTERPRETAÇÕES 
SOBRE A NOVA FORMAÇÃO ..............................................................................................100
6.1 CTS SOB NOVAS ÓTICAS .................................................................................................................100
6.2 CTS SOB A ÓTICA DE MILTON SANTOS ......................................................................................100
6.3 CTSA SOB A ÓTICA DE WIEBE BIJKER ........................................................................................103
7 CARACTERIZANDO O MUNDO ATUAL ............................................................................105
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................107
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................108
TÓPICO 2 - TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) ............................111
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................111
2 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR 
DETERMINANTE NO ADVENTO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO ..................................111
3 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – TIC.............................................. 114
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................... 118
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 119
TÓPICO 3 - AVANÇOS TECNOLÓGICOS ............................................................................ 121
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 121
2 TENDÊNCIAS ORGANIZACIONAIS DO SÉCULO XXI ...................................................... 121
3 COMUNIDADES VIRTUAIS ..............................................................................................122
3.1 REDES SOCIAIS .................................................................................................................................. 126
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................... 127
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................128
TÓPICO 4 - GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICA INTERNACIONAL ............................................ 131
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 131
2 GLOBALIZAÇÃO: UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA ....................................................... 131
2.1 O TERCEIRO SETOR ........................................................................................................................... 134
3 GLOBALIZAÇÃO: UM BALANÇO .....................................................................................134
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................135
4 A POLÍTICA INTERNACIONAL ........................................................................................136
5 O ESTADO MODERNO E O LIBERALISMO .......................................................................136
6 O NEOLIBERALISMO E A TERCEIRA VIA ........................................................................ 137
7 TENDÊNCIAS AOS GOVERNOS E À POLÍTICA INTERNACIONAL ..................................138
RESUMO DO TÓPICO 4 ...................................................................................................... 140
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 141
TÓPICO 5 - RELAÇÕES DE TRABALHO .............................................................................143
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................143
2 ORIGEM/SIGNIFICADO DA PALAVRA TRABALHO ........................................................143
3 AS MULHERES NO CONTEXTO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL .....................................148
4 O TRABALHO NOS TEMPOS CONTEMPORÂNEOS ........................................................149
4.1 AS POSSIBILIDADES DO TRABALHO INFORMAL .......................................................................150
4.2 RELAÇÕES DE TRABALHO E OS PROCESSOS LEGAIS NO BRASIL .......................................151
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................153
RESUMO DO TÓPICO 5 .......................................................................................................155
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................156
UNIDADE 3 — POLÍTICAS PÚBLICAS ................................................................................159
TÓPICO 1 — POLÍTICAS PÚBLICAS: EDUCAÇÃO .............................................................. 161
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 161
2 POLÍTICA PÚBLICA ATUAL ............................................................................................. 161
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................... 175
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................178
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 179
TÓPICO 2 - POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE ...................................................................... 181
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 181
2 CONCEITO DE SAÚDE .....................................................................................................183
3 SAÚDE: DIREITO DE TODOS E DEVER DO ESTADO .......................................................186
4 AS REDES DE ATENÇÃO EM SAÚDE...............................................................................187
5 DIVERSOS ATENDIMENTOS EM SAÚDE ........................................................................190
5.1 POLÍTICAS DE SAÚDE E PROGRAMAS ESPECÍFICOS ..............................................................191
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................195
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................196
TÓPICO 3 - HABITAÇÃO E SANEAMENTO ........................................................................199
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................199
2 DIREITO À MORADIA .......................................................................................................199
3 SANEAMENTO ................................................................................................................207
4 SANEAMENTO BÁSICO .................................................................................................. 207
5 PRECARIZAÇÃO DO SANEAMENTO BÁSICO .................................................................212
6 AVANÇOS NO SANEAMENTO ..........................................................................................214
RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................216
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 217
TÓPICO 4 - TRANSPORTES E SEGURANÇA .....................................................................221
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................221
2 CLASSIFICAÇÃO DOS TRANSPORTES ......................................................................... 223
2.1 TERRESTRES ..................................................................................................................................... 223
2.2 AQUAVIÁRIOS ................................................................................................................................... 225
2.3 AÉREO .................................................................................................................................................227
3 INFRAESTRUTURA ........................................................................................................ 228
RESUMO DO TÓPICO 4 ...................................................................................................... 230
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................231
TÓPICO 5 - POLÍTICAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA EM ÂMBITO NACIONAL ............... 233
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 233
2 A SEGURANÇA PÚBLICA E AS CONTRIBUIÇÕES COMUNITÁRIAS ............................. 234
3 SEGURANÇA PÚBLICA E JUSTIÇA CRIMINAL ............................................................. 235
4 SEGURANÇA PÚBLICA E O PAPEL DO ESTADO ........................................................... 240
RESUMO DO TÓPICO 5 ...................................................................................................... 243
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 244
TÓPICO 6 - VIDA RURAL, URBANA E ECOLOGIA ............................................................. 247
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 247
2 VIDA URBANA ................................................................................................................ 247
3 VIDA RURAL ................................................................................................................... 249
4 SEMELHANÇAS OU DIFERENÇAS................................................................................. 252
5 ECOLOGIA ....................................................................................................................... 255
6 ECOSSISTEMA ............................................................................................................... 256
6.1 ORGANIZAÇÃO DOS SERES VIVOS ...............................................................................................257
6.2 EXEMPLOS DE ECOSSISTEMAS ................................................................................................... 260
6.3 DIVERSIDADE DO ECOSSISTEMA ................................................................................................. 261
7 OS GRANDES BIOMAS ....................................................................................................261
7.1 FATORES QUE DETERMINAM OS BIOMAS .................................................................................... 261
RESUMO DO TÓPICO 6 ...................................................................................................... 264
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 265
TÓPICO 7 - MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ............................ 269
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 269
2 QUESTÕES AMBIENTAIS – UMA REFLEXÃO SOCIOAMBIENTAL ................................ 269
3 SUSTENTABILIDADE: SURGIMENTO ............................................................................ 271
3.1 RELATÓRIO BRUNDTLAND OU “NOSSO FUTURO COMUM” ....................................................273
3.2 AGENDA 21 .........................................................................................................................................273
3.3 CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – 
RIO+20 .................................................................................................................................................274
4 SUSTENTABILIDADE: CONCEITUAÇÃO ....................................................................... 274
4.1 OS PILARES DA SUSTENTABILIDADE...........................................................................................275
5 AS FERRAMENTAS PARA A GESTÃO SUSTENTÁVEL ....................................................277
5.1 PACTO GLOBAL .................................................................................................................................278
5.2 OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO - ODM ......................................................279
5.3 PROTOCOLO DE KYOTO ..................................................................................................................280
5.4 ABNT NBR 14064 – INVENTÁRIO DE EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA .............281
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 282
RESUMO DO TÓPICO 7 ...................................................................................................... 286
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 287
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 290
1
UNIDADE 1 -
CIDADANIA 
E SOCIEDADE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender diferentes conceitos de democracia, ética, cidadania e sociodiversidade;
• verifi car os padrões de conduta moral ao longo do tempo e em diversas culturas;
• identifi car a importância da responsabilidade social e os três setores: público, privado 
e terceiro setor para uma sociedade equânime;
• entender a importância da cultura e da arte no desenvolvimento da sociedade.
Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoa-
tividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA
TÓPICO 2 – SOCIODIVERSIDADE E INCLUSÃO 
TÓPICO 3 – MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E 
RELAÇÕES DE GÊNERO
TÓPICO 4 – RESPONSABILIDADE SOCIAL: SETOR PÚBLICO, SETOR PRIVADO E 
TERCEIRO SETOR
TÓPICO 5 – CULTURA E ARTE
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
DEMOCRACIA, ÉTICA E CIDADANIA
1 INTRODUÇÃO
Entraremos no mundo do comportamento humano em sociedade e suas regras 
de conduta e participação social, política e econômica, no qual trabalharemos a questão 
da formação dos princípiosmorais e éticos dos homens que vivem e convivem em 
sociedade, além de abordarmos questões pertinentes à democracia e à cidadania. 
Esses conceitos estão previstos na Portaria INEP nº 493 de 6 de junho de 2017, 
em seu Art. 1º, que destaca:
O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), 
parte integrante do Sistema Nacional de Avaliação da Educação 
Superior (SINAES), tem como objetivo geral avaliar o desempenho 
dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos previstos 
nas diretrizes curriculares, às habilidades e competências para 
atuação profissional e aos conhecimentos sobre a realidade 
brasileira e mundial, bem como sobre outras áreas do conhecimento 
(BRASIL, 2017, grifos nossos).
A mesma portaria, em seu Art. 5º, indica como referência do perfil do concluinte, 
no âmbito da Formação Geral, as seguintes características: 
I. ético e comprometido com as questões sociais, culturais e 
ambientais; 
II. humanista e crítico, apoiado em conhecimentos científico, social e 
cultural, historicamente construídos, que transcendam o ambiente 
próprio de sua formação; 
III. protagonista do saber, com visão do mundo em sua diversidade 
para práticas de letramento, voltadas para o exercício pleno de 
cidadania; 
IV. proativo, solidário, autônomo e consciente na tomada de decisões 
pautadas pela análise contextualizada das evidências disponíveis; 
V. colaborativo e propositivo no trabalho em equipes, grupos e redes, 
atuando com respeito, cooperação, iniciativa e responsabilidade 
social.
E no Art. 6º é indicado que a prova ENADE avaliará se o concluinte desenvolveu, 
no processo de formação, competências para:
I. fazer escolhas éticas, responsabilizando-se por suas consequências; 
II. ler, interpretar e produzir textos com clareza e coerência; 
III. compreender as linguagens como veículos de comunicação e 
expressão, respeitando as diferentes manifestações étnico-culturais 
e a variação linguística; 
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
4
IV. interpretar diferentes representações simbólicas, gráficas e 
numéricas de um mesmo conceito; 
V. formular e articular argumentos consistentes em situações 
sociocomunicativas, expressando-se com clareza, coerência e 
precisão; 
VI. organizar, interpretar e sintetizar informações para tomada de 
decisões; 
VII. planejar e elaborar projetos de ação e intervenção a partir da 
análise de necessidades, de forma coerente, em diferentes contextos; 
VIII. buscar soluções viáveis e inovadoras na resolução de situações-
problema; 
IX. trabalhar em equipe, promovendo a troca de informações e a 
participação coletiva, com autocontrole e flexibilidade; 
X. promover, em situações de conflito, diálogo e regras coletivas de 
convivência, integrando saberes e conhecimentos, compartilhando 
metas e objetivos coletivos.
Para tanto, abordaremos a compreensão dos significados dos princípios 
norteadores da democracia, ética e cidadania, além de realizar uma reflexão e uma 
discussão sobre as questões ético-morais, na relação indivíduo e sociedade.
2 A DEMOCRACIA EM PAUTA 
Estamos vivendo em um país apresentado como democrático! Será que todos 
nós compreendemos o sentido real da democracia e seus reflexos na sociedade 
brasileira? Em outros termos, o que realmente é este Estado Democrático de Direito em 
que vivemos?
Neste sentido, Moisés (2010, p. 277) expõe que “o significado mais usual da 
democracia se refere aos procedimentos e aos mecanismos competitivos de escolha 
de governos através de eleições”, ou seja, a democracia é compreendida habitualmente 
somente como um processo de escolha dos nossos representantes legais em todas 
as esferas, tanto local, municipal, estadual quanto federal, no qual a população dessas 
esferas, por meio de seu voto, seleciona e elege o seu representante para legislar em 
nome dessa mesma população. Assim, “podemos considerar que a democracia nada 
mais é do que um sistema de governo, no qual o povo governa para sua própria 
sociedade” (PIERITZ, 2013, p. 133, grifos do original).
Deste modo, pode-se observar que a democracia pode ser exercida de duas 
formas distintas, pois ela pode ser direta ou indireta (Quadro 1). O conceito de democracia 
é notoriamente o entendimento de toda massa populacional brasileira nos dias de hoje, 
pois quando se indaga às pessoas com relação ao conceito de democracia, é este 
conceito de escolha de nossos representantes legais, por intermédio do voto popular, 
que aparece nos discursos da população de nosso país.
5
QUADRO 1 – FORMAS DE DEMOCRACIA
FONTE: Adaptado de Pieritz (2013, p. 133)
FORMAS DE DEMOCRACIA
Democracia 
direta
Na qual o povo decide diretamente, por meio de referendo/plebiscito, 
se aceita ou não determinadas questões políticas e administrativas de 
sua localidade, Estado ou país.
Democracia 
indireta
Nesta, o povo participa democraticamente, por meio do voto, elegendo 
seu representante político, ou seja, uma pessoa que o represente nas 
diversas esferas governamentais, para tomar decisões cabíveis em 
nome do povo que o elegeu.
Cunha (2011, p. 105) expõe que a democracia pode ser compreendida como 
“método de organização social e política tendente à maior realização da liberdade e 
da igualdade. [é um] Sistema político em que o povo constitui e controla o governo, no 
interesse de todos”.
Outro fator que não podemos esquecer é que, quando falamos em democracia, 
também falamos de Estado Democrático de Direito. Segundo Cunha (2011, p. 138), o 
“Estado de direito [é aquele] que se organiza e opera democraticamente”. Nossa Carta 
Magna de 1988, já em seu preâmbulo, instituiu um Estado Democrático de Direito, 
ou seja, a Constituição da República Federativa do Brasil se organizou e definiu suas 
normativas em prol de um Estado Democrático, no qual a democracia deverá ser a 
base fundamental da República Federativa do Brasil. Assim, segundo Pieritz (2013, p. 
133), “este sistema de governo democrático possui formatos diferentes nas diversas 
sociedades, pois em cada uma existem regras e normas diferentes, e isto acontece por 
causa da constituição dos princípios ético-morais de cada localidade”. 
Vale salientar que a democracia vai muito além desse discurso sintético de 
representação e de voto, pois Moisés (2010, p. 277, grifos nossos) coloca-nos que:
existem outras perspectivas que ampliam a compreensão do conceito, 
incluindo tanto as dimensões que se referem aos conteúdos da 
democracia, como também os seus resultados práticos esperados no 
terreno da economia e da sociedade. Por uma parte, acompanhando a 
abordagem minimalista de Schumpeter (1950) e a procedimentalista 
de Dahl (1971), vários autores definiram a democracia em termos de 
competição, participação e contestação pacífica do poder. 
Neste sentido, no que tange à conotação que a democracia tem de competição, 
participação e contestação pacífica do poder, pode-se expor que falar de democracia 
também está atrelado ao conceito do “jogo de poderes”, principalmente a disputa e 
concorrência de cargos em todas as esferas governamentais ou não, além da competição 
entre partidos políticos e outros grupos econômicos, políticos, culturais e sociais. 
6
Além disso, não podemos esquecer um elemento fundamental da democracia, 
que é a questão da “participação do povo”, em que cada cidadão brasileiro é 
elemento fundamental no processo democrático do Brasil, pois direta ou indiretamente 
é parte do processo democrático instaurado neste país. Ao proferir sua escolha, 
independentemente do que for ou de que escolha fora feita, torna-se automaticamente 
parte do Estado Democrático de Direito e integra-se ao sistema vigente de democracia 
daquele determinado Estado.
Resumidamente, a Figura 1 apresenta o primeiro entendimento da definição e o 
significado da democracia e o Estado Democrático de Direito.
FIGURA 1 – DEMOCRACIA E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
FONTE: Os autores
Maciel (2012, p. 73, grifos do original) complementa expondo que a democracia 
“tornou-se uma aspiração universal, por ser o regime de governo maispropenso a 
garantir os direitos individuais, porém não se resume simplesmente ao ato de votar, 
sendo que o direito à participação tornou-se uma atividade importante diante da 
constituição da cidadania”.
Por conseguinte, pode-se expor que democracia denota participação direta ou 
indireta da população em todos os espaços que necessitem do veredito do povo em prol 
de objetivos comuns a ele mesmo. Assim, Beethan (2003, p. 110 apud MACIEL, 2012, p. 
73, grifos nossos) complementa expondo que: 
7
O direito à participação pode ser tanto reativo quanto proativo. Em sua 
forma reativa, a participação consiste na articulação coletiva de 
respostas a políticas de desenvolvimento. Na forma proativa, ela invoca 
a responsabilidade popular no desencadeamento da articulação de 
políticas de desenvolvimento. No primeiro caso, os governos propõem e 
os cidadãos reagem; no segundo, os cidadãos propõem e os governos 
reagem. Em ambas as formas, o direito de participação assume 
a lógica de colaborar com o desenvolvimento. “No coração da 
democracia repousa, assim, o direito do cidadão de opinar nos assuntos 
públicos e de exercer controle sobre o governo, em pé de igualdade com 
os demais”.
Deste modo, pode-se expor que um dos elementos da democracia é a 
articulação coletiva do povo em prol de uma determinada demanda social, política, 
cultural ou econômica. Para que se possa debater coletivamente os prós e contras, no 
que tange aos assuntos pertinentes ao interesse coletivo, dando assim respostas a esta 
mesma demanda.
Vale salientar que a não participação e a omissão também são formas de 
participação, pois retratam a sua alienação, indiferença, contestação ou o seu 
descontentamento em relação ao sistema vigente. Então, isto não quer dizer que 
aquele cidadão que se omitiu ou apenas não quis participar não fez parte do processo 
democrático de um país, pelo contrário, todo cidadão tem o direito de participar ou não, 
mesmo que o voto no Brasil seja obrigatório, pois ao votar ele exprime a sua vontade, 
ou o seu desejo.
Aqui fica claro que a população, ao exercer seu direito de participação de forma 
proativa, demonstra seus direitos e responsabilidades perante os efeitos da decisão 
coletiva. Entretanto, também existem quatro condições necessárias para que se possa 
instaurar um regime governamental pautado na democracia.
QUADRO 2 – CONDIÇÕES BÁSICAS PARA O REGIME DEMOCRÁTICO
FONTE: Adaptado de Moisés (2010, p. 277)
Disponível em: <http://
rafaelsilva.over-blog.es/
article-objetivo-demo-
cracia-iv-124370354.
html>.
Direito dos cidadãos de ESCOLHEREM GOVERNOS por meio de 
eleições com a participação de todos os membros adultos da 
comunidade política. A isso se dá o nome de sufrágio universal 
(direito ao voto).
ELEIÇÕES regulares, livres, competitivas, abertas e significativas.
GARANTIA DE DIREITOS de expressão, reunião e organização, em 
especial, de partidos políticos para competir pelo poder.
Acesso a fontes alternativas de INFORMAÇÃO sobre a ação 
de governos e a política em geral. 
Essas quatro condições mínimas para implantar um regime democrático são de 
fundamental importância para que haja a participação democrática de um povo em prol 
dos objetivos comuns do próprio povo, uma vez que a democracia vai muito além da 
simples representação e de voto, ela se efetiva e concretiza-se com a participação, com 
a competição e a contestação dos processos pacíficos da busca do poder no Estado 
Democrático de Direito.
8
Sucintamente, a Figura 2 apresenta a ampliação da compreensão do 
entendimento do signifi cado da democracia, ou seja, o seu conceito ampliado:
FIGURA 2 – CONCEITO AMPLIADO DE DEMOCRACIA
FONTE: Os autores
Caro acadêmico, para colaborar com seus estudos, veja que a junção 
das Figuras 1 e 2 proporciona o entendimento global do que é 
democracia.
ATENÇÃO
3 A QUESTÃO DA ÉTICA
O tema que abordaremos neste momento é relativo à questão da ética, a qual 
permeia constantemente nosso dia a dia, seja no âmbito familiar, social ou profi ssional. 
Aparentemente, compreendemos o seu signifi cado e seus efeitos, mas será que 
realmente compreendemos o seu sentido real? Será que sabemos o que é certo ou 
errado para nós na sociedade em que vivemos? 
Neste sentido, Tomelin e Tomelin (2002, p. 89) expõem que “a ética é uma das 
áreas da fi losofi a que investiga sobre o agir humano na convivência com os outros [...]”. 
Em outros termos, as nossas ações perante a sociedade em que vivemos são orientadas 
9
por princípios éticos e morais, e esses princípios são norteadores de consciência moral 
do certo e do errado, do bem e do mal.
De modo mais abrangente, a ética pode ser conceituada como a área da filosofia 
que investiga o agir humano, tanto aqueles com repercussão social, quanto aqueles sem 
maiores impactos na sociedade, ou seja, não somente os atos relativos à convivência 
com os outros, mas também consigo mesmo.
Assim, no que tange a esta problemática relativa à ética, Pieritz (2013, p. 3) 
expõe que “a ética não é facilmente explicável, mas todos nós sabemos o que é, pois 
está diretamente relacionada aos nossos costumes e às ações em sociedade, ou seja, 
ao nosso comportamento, ao nosso modo de vida e de convivência com os outros 
integrantes da sociedade”. E que esses valores éticos são construídos historicamente 
pelos povos, de geração em geração.
O que são valores? Pedro (2014, p. 490) faz um resgate etimológico da palavra 
Axiologia, de origem grega, que significa estudo dos valores ou ciência do valor, e aponta 
para um significado, o da vivência do valor, independentemente do valor que for, pois 
este é experienciado como um fenômeno que se apresenta à consciência como tal e 
como um acontecimento que nos é imediatamente dado.
Para a filósofa húngara Agnes Heller (1972, p. 4), “valor é tudo aquilo que faz 
parte do ser genérico do homem e contribui, direta ou mediatamente para a explicação 
desse ser genérico”. Vejamos no Quadro 3 quais são os atributos dos valores humanos 
na perspectiva de Heller:
OBJETIVAÇÃO
- que se expressa prioritariamente por intermédio do trabalho;
- que proporciona sair do subjetivo e passar para o real e 
concreto.
SOCIALIDADE
- que se expressa com a convivência com o outro, em grupo;
- aprendizagem com o outro;
- assimilação de normas sociais.
CONSCIÊNCIA
- tomar ciência dos fatos ou de alguma coisa;
- reconhecimento da realidade;
- descoberta de algo;
- capacidade de perceber as coisas.
UNIVERSALIDADE
- universal;
- o todo;
- fazer parte de um determinado grupo.
LIBERDADE - livre-arbítrio. 
QUADRO 3 – ATRIBUTOS DOS VALORES HUMANOS
FONTE: Adaptado de Bonetti et al. (2010, p. 23)
10
FONTE: Os autores
QUADRO 4 – EXEMPLOS DOS VALORES E VIRTUDES HUMANOS
Portanto, os atributos dos valores humanos apresentados no Quadro 3 são 
os elementos constitutivos do ser humano, do ser social, que formam os nossos 
valores morais. Complementando, no Quadro 4 apresentamos mais exemplos 
dos valores e virtudes do ser humano, que vive e convive em sociedade.
Amizade Justiça Obediência Respeito Simplicidade
Lealdade Compreensão Sinceridade Pudor Generosidade
Paciência Ordem Humildade Autoestima Liberdade
Deste modo, podemos expor que “todos nós possuímos princípios e valores que 
foram e são constituídos por nossa sociedade. E, com relação a esses valores, cada um 
de nós possui uma visão do que é certo e errado, do que é o bem e o mal” (PIERITZ, 
2012, p. 57).
Não podemos nos esquecer de que “esta consciência moral é determinada por 
um consenso coletivo e social, ou seja, o conjunto da sociedade é que formula e compõe 
as normas de conduta que o regem. Como exemplo, temos a nossa Constituição Federal 
e outras regras e normas de nossa sociedade” (PIERITZ, 2013, p. 4).
São estas regras e normativas jurídicas e sociais que determinam o nosso agir 
em sociedade, e cada grupo social possui suas características, ou seja, não se pode 
dizer que todos nós somos iguais, que todas as nações e Estados são iguais, porque não 
somos, pois,independentemente do Estado, do país ou grupo social, fomos moldando 
nossos valores e princípios de forma diferente ao longo de nossa existência.
Agora, acadêmico, raciocine o seguinte: se é um fato que nossa consciência 
moral é construída no seio de uma sociedade e com a influência do meio e das 
pessoas com as quais convivemos, há ainda outros fatores que concorrem para 
a constituição da consciência moral, e esse elemento é chamado de Lei natural 
– pelos jusnaturalistas – e tem caráter universal, pois perpassa as sociedades 
políticas, é algo mais profundo que elas, constitui-se na própria natureza humana em 
sua universalidade (ROHLING, 2012). Segundo Valls (2003, p. 8):
 
costuma-se separar os problemas teóricos da ética em dois 
campos: num, os problemas gerais e fundamentais (como liberdade, 
consciência, bem, valor, lei e outros); e no segundo, os problemas 
específicos, de aplicação concreta, como os problemas da ética 
profissional, de ética política, de ética sexual, de ética matrimonial, 
de bioética etc.
11
Em outros termos, os problemas éticos permeiam todas as nossas ações em 
sociedade. Neste sentido, vale salientar que “cada sociedade possui suas normas de 
conduta comportamental e seus princípios morais, ou seja, cada grupo social constitui o 
que é certo e errado, o que é o bem e o mal para o seu povo, portanto, nem sempre o que é 
certo para nós pode ser certo para um outro grupo social e vice-versa” (PIERITZ, 2013, p. 4).
Então, como desvelar esta situação? Como saber se estamos no caminho certo? 
Se estamos fazendo certo ou errado? Ou se realmente estamos fazendo o bem ou o mal 
a alguém? São muitas indagações!
Para auxiliar a reflexão sobre essas questões, Finnis (filósofo e jurista australiano) 
identifica sete valores básicos, os quais são os seguintes: 
I) vida; II) o conhecimento; III) o jogo; IV) a experiência estética; V) 
a sociabilidade; VI) a razoabilidade prática; e, VII) a religião. Esses 
valores, contudo, não são os únicos, pois existem, evidentemente, 
muitos outros, os quais, segundo propõe o autor, são modos ou 
combinações de modos de buscar – embora nem sempre com 
sensatez – e de realizar – nem sempre exitosamente – uma das sete 
formas básicas de bem, ou alguma combinação delas (ROHLING, 
2012, p. 163).
Neste sentido, podemos observar ainda que:
os problemas éticos se distinguem da moral pela sua característica 
genérica, enquanto que a moral se caracteriza pelos problemas 
da vida cotidiana. O que há de comum entre elas é fazer o homem 
pensar sobre a responsabilidade das consequências de suas ações. 
A ética faz pensar sobre as consequências universais, sempre 
priorizando a vida presente e futura, local e global. A moral faz pensar 
as consequências grupais, adverte para normas culturalmente 
formuladas ou pode estar fundamentada num princípio ético. A 
ética pode, desta forma, pautar o comportamento moral (TOMELIN; 
TOMELIN, 2002, p. 90).
 
Podemos expor que deste ponto de vista existem diferenças nítidas entre ética 
e moral, sendo que a ética é generalista e a moral reflete o comportamento socialmente 
construído e legitimado pelo seu povo. Enfim, Tomelin e Tomelin (2002, p. 89, grifos 
do original) complementam expondo que “a palavra ética provém do grego ethos e 
significa hábitos, costumes, e se refere à morada de um povo ou sociedade. A palavra 
moral provém do latim moralis e significa costume, conduta”. Logo, conforme Pieritz 
(2012, p. 58, grifos nosso): 
A principal função da ética é sugerir qual o melhor comportamento 
que cada pessoa ou grupo social tem ou venha a ter. Indicando o que 
é certo ou errado, o que é bom ou mal. Porém, este comportamento 
sempre partirá do ponto de vista dos princípios morais de cada 
sociedade, ou seja, seu grupo social. A ética auxilia no esclarecimento 
e na explicação da realidade cotidiana de cada povo, procurando 
sempre elaborar seus conceitos conforme o comportamento 
correspondente de cada grupo social.
12
 Por conseguinte, “o ético transforma-se assim numa espécie de legislador do 
comportamento moral dos indivíduos ou da comunidade” (VÁZQUEZ, 2005, p. 20), ou 
seja, a ética está para regular o nosso comportamento em sociedade.
Complementando, Vázquez (2005, p. 21) coloca-nos que “a ética é teoria, 
investigação ou explicação de um tipo de experiência humana ou forma de 
comportamento dos homens [...]”, ou seja, “o valor de ética está naquilo que ela explica 
– o fato real daquilo que foi ou é –, e não no fato de recomendar uma ação ou uma 
atitude moral” (PIERITZ, 2013, p. 7, grifo nosso).
Devemos compreender as diferenças conceituais de ética e moral, pois 
“podemos afirmar que a ética estuda e investiga o comportamento moral dos seres 
humanos. E esta moral é constituída pelos diferentes modos de viver e agir dos 
homens em sociedade, que é formada por suas diretrizes morais da vida cotidiana, 
transformando-se no decorrer dos tempos” (PIERITZ, 2013, p. 19).
Todavia, o que é a moral?
Segundo Aranha e Martins (2003, p. 301, grifos do original), “a MORAL vem do 
latim mos, moris, que significa ‘costume’, ‘maneira de se comportar regulada pelo uso’, e 
de moralis, morale, adjetivo referente ao que é ‘relativo aos costumes’”. Assim, a moral 
é compreendida como um conjunto de regras de condutas socialmente admitidas em 
determinadas épocas ou por um grupo de pessoas, ou seja, “a moralidade dos homens 
é um reflexo direto do modo de ser e conviver em sociedade, no qual o caráter, os 
sentimentos e os costumes determinam o seu comportamento individual e social, que 
foi ou está sendo perpetuado num espaço de tempo” (PIERITZ, 2013, p. 35). Ainda de 
acordo com Pieritz (2013, p. 38): 
A moral sugere, constantemente, a valorização de nossas ações 
e de nossos comportamentos em sociedade, mas é a moral que 
determina quais são os nossos direitos e deveres perante a sociedade 
em que vivemos. Estes deveres são conectados ao nosso modo de 
ser e conviver em sociedade, gerando certas responsabilidades com 
relação a si próprio e aos outros, tais como: 
• sentimentos;
• escolhas; 
• desejos; 
• atitudes; 
• posicionamentos diante da realidade; 
• juízo de valor; 
• senso moral;
• consciência moral. 
Sob estas concepções de ética e moral, apresentamos as suas principais 
diferenças na Figura 3:
13
FIGURA 3 – DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL
FIGURA 4 – DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL
FONTE: Adaptado de Tomelin e Tomelin (2002, p. 89-90)
FONTE: Adaptado de Paulo Netto (apud BONETTI et al., 2010, p. 23)
Assim, podemos observar que existem diferenças concretas entre estes dois 
conceitos, no entanto, ainda devemos compreender que:
14
Assim, concluímos que a moral:
Vem se constituindo historicamente, mudando no decorrer da 
própria evolução do homem em sociedade. Em que seus hábitos e 
costumes são constituídos por esta relação social, em que a essência 
humana é pautada por estes princípios morais. E estes, por sua vez, 
constituem o ser social que somos. E a ética nesta questão chega 
para simplesmente regular e analisar estes preceitos morais (PIERITZ, 
2013, p. 21).
Por conseguinte, segundo Pieritz (2013, p. 21, grifo nosso), “a ética é precursora 
da TRANSFORMAÇÃO SOCIAL dos diversos sistemas ou estruturas sociais. Sistemas 
estes que imprimiam suas mudanças sociais, tais como: Capitalismo e Socialismo”.
Por fim, Pieritz (2013, p. 21) expõe que “quando é constituída uma nova estrutura 
social, a ética, os valores e princípios morais são modificados para constituir assim esta 
nova concepção de sociedade”. Ou seja, historicamente, com as transformações sociais, 
políticas e econômicas de um povo, automaticamente o sistema de valores morais e 
éticos se transforma, para que assim seja possível constituir um novo padrão sócio-
histórico daquele determinado grupo.
Salientando ainda que nesse processo de transformação social devemos 
respeitar a permanência de alguns valores socialmente construídos, como a 
solidariedade, a igualdade e a fraternidade, para que todos possamosconstruir uma 
sociedade mais justa, ética, democrática e cidadã.
4 O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA CIDADANIA
No que tange às questões pertinentes à cidadania, partiremos de sua concepção 
advinda do Título I – “Dos Princípios Fundamentais” da Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988, a qual assim expressa:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união 
indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-
se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos: 
I - a soberania; 
II - a cidadania; 
III - a dignidade da pessoa humana; 
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - o pluralismo político. 
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por 
meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta 
Constituição.
Neste sentido, podemos observar que um dos princípios fundamentais da Carta 
Magna brasileira é a cidadania, mas você sabe o seu significado?
15
Vejamos: cidadania “é um conjunto de direitos e deveres que denotam e 
fundamentam as condições do comportamento de cada indivíduo em relação à 
sociedade, ou seja, a cidadania designa normas de conduta para o convívio social, 
determinando nossas obrigações e direitos perante os outros integrantes da nossa 
sociedade” (PIERITZ, 2013, p. 132). Neste sentido: 
Ser cidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade, para 
melhorar suas vidas e a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca 
esquecer das pessoas que mais necessitam. A cidadania deve ser 
divulgada através de instituições de ensino e meios de comunicação, 
para o bem-estar e desenvolvimento da nação. A cidadania consiste 
desde o gesto de não jogar papel na rua, não pichar os muros, 
respeitar os sinais e placas, respeitar os mais velhos (assim como 
todas as outras pessoas), não destruir telefones públicos, saber dizer 
obrigado, desculpe, por favor e bom dia quando necessário [...], até 
saber lidar com o abandono e a exclusão das pessoas necessitadas, 
o direito das crianças carentes e outros grandes problemas que 
enfrentamos em nosso país. ‘A revolta é o último dos direitos a 
que deve um povo livre para garantir os interesses coletivos: mas 
é também o mais imperioso dos deveres impostos aos cidadãos’. 
Juarez Távora - Militar e político brasileiro (WEB CIÊNCIA, 2009 apud 
PIERITZ, 2013, p. 132).
Portanto, podemos observar que a cidadania possui três dimensões.
QUADRO 5 – DIMENSÕES DA CIDADANIA
FONTE: Adaptado de Pieritz (2013, p. 132-133)
 DIMENSÕES DA CIDADANIA
Cidadania 
civil
São aqueles direitos advindos da LIBERDADE de cada indivíduo, por 
exemplo: 
 • o livre-arbítrio para expressar nossos pensamentos; 
 • o direito de propriedade (venda e compra de um 
 imóvel, um bem ou serviço); 
 • entre outros.
Cidadania 
política
Podemos considerar que a cidadania política se legitima quando os 
homens exercem seu poder político de ELEGER e SER ELEITOS 
para o exercício do poder político, independentemente da instituição 
pública ou privada na qual venham exercer suas atribuições.
Cidadania 
social
Compreendida como o conjunto de direitos concernentes ao 
CONFORTO de cada cidadão, no que tange à sua vida econômica e 
social, ou seja, do seu bem-estar social.
A cidadania expressa os direitos e deveres de todas as pessoas que vivem e 
convivem em sociedade, seja na esfera social, política ou civil, no que tange ao respeito a 
si, ao próximo e ao patrimônio público e privado. Além de que a cidadania é participação 
nos espaços públicos de discussão, a qual permeia as questões de democracia e ética 
de toda a população daquele determinado grupo social, político ou econômico.
16
Deste modo, Maciel (2012, p. 29) expõe que hoje em dia a cidadania é “sinônimo 
de participação que remete ao exercício da democracia para além das eleições. Somos 
‘controladores’ da política, do orçamento, ou seja, das ações do Estado como um todo”. 
Cada cidadão tem o dever e o direito de participar de todos os espaços democráticos do 
seu município, Estado ou Federação.
Nesse sentido, tem-se a participação como um mecanismo do exercício da 
cidadania, ou seja, “O conceito contemporâneo de cidadania transcende a simples 
lógica da garantia de direitos legais. Segundo a concepção de Dallari (2004), a cidadania 
expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar da 
vida e do governo de seu povo” (MACIEL, 2012, p. 31). Portanto, a palavra de ordem é 
“participar”, fazer parte do processo democrático, pois, de acordo com Maciel (2012, 
p. 32), quem não exerce sua cidadania “está excluído da vida social e da tomada de 
decisões. A cidadania não significa apenas uma conquista legal de alguns direitos, 
mas sim a realização destes direitos. Ela é construída e conquistada a partir da nossa 
capacidade de organização, participação e intervenção social”.
Vale salientar que a cidadania é conquistada pela nossa participação nos 
momentos das discussões e decisões coletivas, portanto a cidadania se dá pela 
participação ativa de nossa vida em sociedade e na vida pública.
17
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A compreensão do significado mais usual da democracia denota que a democracia 
é compreendida como um sistema de governo, no qual o povo governa para sua 
própria sociedade.
• A democracia pode ser exercida de duas formas distintas, pois ela pode ser direta ou 
indireta.
•   A democracia é compreendida popularmente como a escolha de nossos 
representantes legais, por intermédio do voto popular.
• O Estado Democrático de direito, que é aquele Estado que se organiza e opera 
democraticamente.
• A Constituição da República Federativa do Brasil se organizou e definiu suas 
normativas em prol de um Estado Democrático, no qual a democracia deverá ser a 
base fundamental da República Federativa do Brasil.
• A democracia também está atrelada ao conceito do “jogo de poderes”, principalmente 
a disputa e concorrência de cargos em todas as esferas governamentais ou não. 
• É importante relembrar que o elemento fundamental da democracia é a “participação 
do povo”. 
• A ética é uma das áreas da filosofia que investiga o agir humano na convivência com 
os outros.
•  A ética está diretamente relacionada aos nossos costumes e às ações em sociedade, 
ou seja, ao nosso comportamento, ao nosso modo de vida e de convivência com os 
outros integrantes da sociedade.
• Todos nós possuímos princípios e valores que foram e são constituídos por nossa 
sociedade. E, com relação a estes valores, cada um de nós possui uma visão do que 
é certo e errado, do que é o bem e o mal.
• A consciência moral é determinada por um consenso coletivo e social, ou seja, o 
conjunto da sociedade é que formula e compõe as normas de conduta que o regem. 
• Os problemas éticos permeiam todas as nossas ações em sociedade.
 
RESUMO DO TÓPICO 1
18
• Existem diferenças nítidas entre ética e moral, sendo que a ética regula a moral, 
a ética é generalista e a moral reflete o comportamento socialmente construído e 
legitimado pelo seu povo.
• A principal função da ética é sugerir qual o melhor comportamento que cada pessoa 
ou grupo social tem ou venha a ter. Indicando o que é certo ou errado, o que é bom 
ou mal. 
• O valor da ética está naquilo que ela explica, o fato real daquilo que foi ou é, e não no 
fato de recomendar uma ação ou uma atitude moral.
• Um dos princípios fundamentais da Carta Magna brasileira é a cidadania.
• A cidadania designa normas de conduta para o convívio social, determinando nossas 
obrigações e direitos perante os outros integrantes da nossa sociedade.
• A cidadania expressa os direitos e deveres de todas as pessoas que vivem e convivem 
em sociedade, seja na esfera social, política ou civil, no que tange ao respeito a si, ao 
próximo e ao patrimônio público e privado. 
• Cada cidadão tem o dever e o direito de participar de todos os espaços democráticos 
do seu município, Estado ou Federação. A participação é compreendida como um 
mecanismodo exercício da cidadania.
19
1 (ENADE-2010, Formação Geral, Questão 9) As seguintes acepções 
dos termos democracia e ética foram extraídas do Dicionário Houaiss 
da Língua Portuguesa.
2 (ENADE-2010, Formação Geral, Questão 2)
AUTOATIVIDADE
democracia. POL. 1 governo do povo; governo em que o povo exerce 
a soberania 2 sistema político cujas ações atendem aos interesses 
populares 3 governo no qual o povo toma as decisões importantes 
a respeito das políticas públicas, não de forma ocasional ou 
circunstancial, mas segundo princípios permanentes de legalidade 4 
sistema político comprometido com a igualdade ou com a distribuição 
equitativa de poder entre todos os cidadãos 5 governo que acata a 
vontade da maioria da população, embora respeitando os direitos e a 
livre expressão das minorias.
ética. 1 parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios 
que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento 
humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas, 
valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade 
social. 2 p.ext. conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa 
e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
Considerando as acepções acima, elabore um texto dissertativo, com até 15 linhas, acerca 
do seguinte tema: Comportamento ético nas sociedades democráticas.
Em seu texto, aborde os seguintes aspectos:
a) conceito de sociedade democrática; 
b) evidências de um comportamento não ético de um indivíduo; 
c) exemplo de um comportamento ético de um futuro profissional comprometido com 
a cidadania. 
20
A charge acima representa um grupo de cidadãos pensando e agindo de modo 
diferenciado, frente a uma decisão cujo caminho exige um percurso ético. Considerando 
a imagem e as ideias que ela transmite, avalie as alternativas que seguem.
I- A ética não se impõe imperativamente nem universalmente a cada cidadão; cada um 
terá que escolher por si mesmo os seus valores e ideias, isto é, praticar a autoética.
II- A ética política supõe sujeito responsável por suas ações e pelo seu modo de agir na 
sociedade.
III- A ética pode se reduzir ao político, do mesmo modo que o político pode se reduzir à 
ética, em um processo a serviço do sujeito responsável.
IV- A ética prescinde de condições históricas e sociais, pois é no homem que se situa a 
decisão ética, quando ele escolhe os seus valores e as suas afinidades.
V- A ética se dá de fora para dentro, como compreensão do mundo, na perspectiva do 
fortalecimento dos valores pessoais.
Estão corretas:
a) ( ) I e II. 
b) ( ) I e V. 
c) ( ) II e IV. 
d) ( ) III e IV. 
e) ( ) III e V.
21
SOCIEDADE E A DIVERSIDADE
1 INTRODUÇÃO
Vamos iniciar o nosso tópico apresentando algumas definições e conceitos 
a respeito dos problemas sociais ocasionados pela diversidade que gera diferenças 
entre coisas e seres, que por consequência geram os mais diversos preconceitos, 
desigualdades e conflitos sociais.
Vamos reconhecer a necessidade e a essencialidade da inclusão como uma 
forma de democratização das relações sociais, principalmente na emancipação e na 
sutileza do trato com o outro, seja em relação aos “iguais” ou entre iguais e diferentes, o 
que significa apenas uma concepção criada para diferenciar pessoas ou grupos sociais 
que, de alguma forma, ainda não foram incluídos no contexto social.
2 CONCEITOS DE DIVERSIDADE CULTURAL E 
DESIGUALDADE SOCIAL
A diversidade cultural e a desigualdade social, apesar de terem conceitos 
distintos, desempenham uma ampla relação entre seus termos, isto é, quanto maior for 
a diversidade cultural, maior será a desigualdade social. 
Neste sentido, Gomes (2012, p. 678) afirma que “a diversidade, entendida como 
construção histórica, social, cultural e política das diferenças, realiza-se em meio às 
relações de poder e ao crescimento das desigualdades e da crise econômica que se 
acentuam no contexto nacional e internacional”.
A diversidade cultural brasileira se deu pelo processo de miscigenação entre 
brancos, índios e negros e foi marcada por uma série de crenças, hábitos, costumes e 
conceitos contraditórios, alimentando assim uma discussão permanente a respeito dos 
direitos e deveres dos seres humanos. Principalmente no combate aos preconceitos 
remanescentes e oriundos dessa relação, que perdurou por séculos, trazendo sérias 
consequências a uma imensa população de oprimidos, incluindo-se aí os negros, os 
índios, os pobres, os portadores de algum tipo de deficiência, tipos de preferências, 
relações e diferenças sexuais, doenças crônicas, dentre outras formas de relações 
consideradas por uma boa parte da sociedade como algo fora da normalidade e, por 
esse motivo, não aceitável.
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
22
3 DIVERSIDADE CULTURAL E DESIGUALDADE SOCIAL
A diversidade no contexto cultural significa uma grande quantidade de coisas, 
ações, pensamentos, ideias e pessoas que se diferenciam entre si dentro de grupos 
sociais ou dentro de uma mesma sociedade, e os mesmos são passíveis de discussão, 
apelos, protestos, discórdia e geralmente acabam em conflitos, chegando até às 
desigualdades sociais. 
Por isso, a presença da diversidade no acontecer humano nem sempre 
garante um trato positivo dessa diversidade. Os diferentes contextos 
históricos, sociais e culturais, permeados por relações de poder e 
dominação, são acompanhados de uma maneira tensa e, por vezes, 
ambígua de lidar com o diverso. Nessa tensão, a diversidade pode ser 
tratada de maneira desigual e naturalizada (GOMES, 2007, p. 19).
No entanto, existem pontos de vista convergentes e pontos de vista divergentes, 
ambos discriminatórios, um no sentido positivo e outro no sentido negativo, isto é, 
no primeiro caso, trata-se daquilo que já foi estipulado pela sociedade como regras 
relacionadas com bom senso; já no segundo caso, são ações que não condizem com 
a ordem preestabelecida através das leis, normas e regras que regulam e inibem o que 
podemos definir como procedimentos absurdos. Portanto, a desigualdade social tem os 
seus princípios pautados nas tendências e nas diferenças de cada indivíduo. Vejamos:
A pobreza: é uma condição que faz parte de um determinado grupo de pessoas 
que vivem à margem da sociedade, que são carentes dos recursos existentes, como 
moradia, alimentação, situação financeira etc. O que, na visão de alguns autores, é a 
condição que mais degrada o ser humano e a que mais se aproxima e se identifica como 
um fator ou um elemento causal do desequilíbrio econômico e da desigualdade social.
Raça: trata-se da discriminação social, o que é muito presente nos dias de 
hoje por alguns grupos inescrupulosos que agridem com palavras ou pela violência 
física pessoas que não são da mesma etnia, não têm a mesma cor da pele, ou são de 
diferentes religiões ou, até mesmo, por causa de seu comportamento sexual. 
A discriminação racial diz respeito à raça/cor/fenótipo, que é um fator inerente 
à pessoa. Tal discriminação é abominável, assim como a discriminação a deficientes 
físicos ou idosos, pois tratam-se de aspectos involuntários e que, ademais, revelam a 
riqueza multifacetada da ordem criada, da diversidade natural. 
Outro tipo de discriminação é a avaliação dos atos e comportamentos, seja na 
escolha de uma religião e suas práticas ou nas ações que envolvem a sexualidade, entre 
outros aspectos do comportamento humano, pois nesses casos não se trata de aspectos 
inerentes ou involuntários, mas de opções sobre as quais podemos [e devemos] fazer 
juízos morais. Do contrário, por que estaríamos discutindo isso? Será que o ser humano, 
com toda capacidade de raciocínio e reflexão sobre si mesmo, reconhece a riqueza da 
pessoa? Haveria alguma etnia “melhor” que outra?
23
Podemos citar como exemplo o que aconteceu com os judeus, conhecido 
como o holocausto, ou o caso da África do Sul, que teve repercussão mundial, também 
conhecido como segregação racial(Apartheid), que significa separação entre negros e 
os brancos das classes dominantes.
Sugerimos que você assista ao filme Mandela, que fala sobre a vida do ex-
presidente da África do Sul e líder da luta contra o Apartheid. O filme tem 
como diretor Justin Chadwick.
DICAS
Como podemos perceber, o preconceito, a discriminação e o descaso com 
algumas pessoas têm ocasionado uma série de sofrimento e dor, principalmente para 
aquelas que são rejeitadas por uma grande parte da sociedade, em que as mesmas são 
julgadas e condenadas ao mesmo tempo, após serem classificadas como diferentes, 
porém, diferentes no sentido tendencioso e pejorativo, e muitas vezes essas pessoas 
são taxadas e rotuladas como pervertidas, no caso dos homossexuais, e frágeis, no caso 
das mulheres. Vejamos:
Mulher: infelizmente, as estatísticas comprovam que apesar das várias leis 
existentes, no caso específico da Lei Maria da Penha, instituída para a proteção da 
integridade da mulher brasileira contra casos de violência doméstica, ainda existem 
casos absurdos de desrespeito à dignidade humana, não discriminando raça, religião 
ou posição social.
Homossexualidade: é o comportamento sexual entre pessoas do mesmo sexo, 
e para alguns indivíduos esse tipo de comportamento fere as normas de conduta 
universal. No entanto, já existem projetos no Congresso Nacional que criminalizam 
certas atitudes discriminatórias contra essa parcela da sociedade, o que significa um 
avanço na busca de um espaço alternativo, o que é perfeitamente compreensivo em 
uma sociedade cultural democrática.
De acordo com Silva (2007, p. 133), “[...] os diferentes grupos sociais, situados em 
posições diferenciadas de poder, lutam pela imposição de seus significados à sociedade 
mais ampla”. Assim, é fundamental que percebamos as diferenças e desigualdades não 
de forma natural, mas como uma construção histórica possível de ser desestabilizada 
em sua forma rígida, para ser transformada em algo que possa ser identificado e 
24
reconhecido como base para a construção de relações interpessoais mais democráticas 
dentro da sociedade, isto é, devemos pensar e repensar o seu conceito histórico e a sua 
trajetória futura, pois, de acordo com Gomes (2007, p. 22): 
A diversidade cultural varia de contexto para contexto. Nem sempre aquilo 
que julgamos como diferença social, histórica e culturalmente construída 
recebe a mesma interpretação nas diferentes sociedades. Além disso, o 
modo de ser e de interpretar o mundo também é variado e diverso.
Por isso, a diversidade precisa ser entendida em uma perspectiva 
relacional. Ou seja, as características, os atributos ou as formas 
‘inventadas’ pela cultura para distinguir tanto o sujeito quanto o 
grupo a que ele pertence dependem do lugar por eles ocupado na 
sociedade e da relação que mantêm entre si e com os outros. 
Portanto, o caráter multicultural de nossas sociedades revela-se hoje temática 
quase obrigatória nas discussões sobre sociedade e sobre educação. Porém, refletir 
sobre a diversidade exige um posicionamento crítico diante de uma realidade cultural 
e racialmente miscigenada, assunto que, apesar de já ter sido discutido anteriormente, 
achamos prudente e viável inserir neste parágrafo outra opinião, que confirma as 
anteriores a respeito do processo de miscigenação. 
“Não podemos esquecer que a sociedade é construída em contextos históricos, 
socioeconômicos e políticos tensos, marcados por processos de colonização e dominação. 
Estamos, portanto, no terreno das desigualdades, das identidades e das diferenças” (GOMES, 
2007, p. 22). E ainda segundo Gomes (2003, p. 73):
O reconhecimento dos diversos recortes dentro da ampla temática 
da diversidade cultural (negros, índios, mulheres, portadores de 
necessidades especiais, homossexuais, entre outros) coloca-nos 
frente a frente com a luta desses e outros grupos em prol do respeito 
à diferença. Coloca-nos também diante do desafio de implementar 
políticas públicas em que a história e a diferença de cada grupo 
social e cultural sejam respeitadas dentro das suas especificidades, 
sem perder o rumo do diálogo, da troca de experiências e da garantia 
dos direitos sociais. A luta pelo direito e pelo reconhecimento das 
diferenças não pode se dar de forma separada e isolada e nem resultar 
em práticas culturais, políticas e pedagógicas solidárias e excludentes.
No entanto, a diversidade e a diferença dizem respeito não somente aos sinais 
que podem ser vistos a olho nu, mas também àqueles que são construídos socialmente 
ao longo de um processo histórico, tendo os seus pontos divergentes e convergentes, 
que são construídos através das relações sociais e, principalmente, nas relações de 
poder e de submissão, e para algumas pessoas, nem sempre esse posicionamento é 
entendido dessa forma. 
Como nos diz Carlos Rodrigues Brandão (1986 apud GOMES, 2007, p. 25), “por 
diversas vezes, os grupos humanos tornam o outro diferente para fazê-lo inimigo”. 
Aprofundando essa reflexão, tomamos como exemplo a Constituição Federal de 1988, que 
trata no Artigo 5º dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos:
25
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes 
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos 
termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa 
senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano 
ou degradante; [...] (BRASIL, 1988, s.p.).
Neste sentido, surgem algumas perguntas relacionadas à diversidade humana 
e seus direitos: se “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, 
tendo reconhecidas suas individualidades de homem e mulher como cidadãos, por 
que tanto se discute sobre as “questões de gênero”? Será que essa ideologia propõe 
a valorização da pessoa humana? Ou está disposta a trazer divisão, confusão de ideias 
ou até mesmo a negação da ordem natural? Ao privilegiar determinados grupos em 
detrimento de outros, não estaria contrariando a própria Constituição?
Acadêmico, são muitos os questionamentos, e conforme destacado na 
apresentação deste livro, “aprender a questionar é tão importante quanto buscar 
o saber”. Por isso, nosso propósito é estimular o seu raciocínio crítico sobre a realidade 
em que vivemos, em um tempo de profundas e rápidas mudanças culturais, um tempo 
de aumento do individualismo, da comunicação quase que exclusivamente on-line, 
em que pouco se ouve, vê, toca ou sente. O diálogo é o caminho que nos une, revela 
nossa capacidade de aprender com o próximo e permite que as diferenças favoreçam a 
complementariedade promotora da paz.
Pensar na diversidade cultural é pensar em sociedade, que envolve pensamento, 
ideia, ação e mudanças, isto é, significa pensar não apenas no reconhecimento do outro, 
mas pensar na relação entre o eu e o outro, pois, quando consideramos o outro estamos 
também considerando a nossa história, o nosso grupo e o nosso povo, mas não apenas 
como um simples padrão de comparação, e sim em sua totalidade. 
FIGURA 5 – DIVERSIDADE CULTURAL
FONTE: Disponível em: <http://educacaobilingue.com/2010/01/17/indigena/>. Acesso em: 12 fev. 2014.
26
Nessa perspectiva, percebemos que “somos todos iguais como seres humanos. 
Por isso devemos combater qualquer forma de discriminação e de arrogância, agindo 
solidariamente uns com os outros” (AQUINO et al., 2002, p. 16). O ser humano veio ao 
mundo não somente para compor ou contribuir para o povoamento da Terra, mas para 
ser útil, participativo, democrático, ético, moral e solidário para com os seus semelhantes. 
Essas são as diversas opções existentes, que além de motivadoras, também 
servem como estímulo na adaptação do ser humano, bem como no seu processo de 
desenvolvimento pessoal frente às diversidadesexistentes no universo, que poderíamos 
denominá-las como um conjunto de atos e fatos diferentes entre si que formam a 
sociedade como um todo. Para Saji (2005, p. 13), “o tema diversidade é bastante amplo. 
Sua abordagem vai desde definições restritas às questões de raça, etnia e gênero, até 
as mais abrangentes, que consideram como diversidade qualquer diferença individual 
entre as pessoas”.
AUTOATIVIDADE
Chegou a sua vez!
Escreva o seu conceito para Diversidade.
 
 
 
Assim, a diversidade faz parte da natureza das coisas existenciais, sendo elas a 
diversidade relacionada à situação socioeconômica, ou à diversidade cultural, em que as 
mesmas foram se transformando em essência no decorrer dos tempos, principalmente 
em se tratando das diferenças relacionadas às diferentes raças e suas manifestações 
culturais, incluindo-se aí a sua descendência, que, por consequência, deixam de fazer 
parte da cultura original e passam a fazer parte de outra cultura produzida para atender 
a uma demanda econômica. Como foi o caso da cultura da cana-de-açúcar, explorada 
pelos grandes latifundiários, gerando um longo período de uma relação conflitante e 
tumultuada entre o poder daqueles grupos de exploradores e a submissão dos negros, 
dos índios, das mulheres, das crianças e adolescentes. 
27
Nenhum povo que passasse por isso como sua rotina de vida, através 
de séculos, sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos 
nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios 
supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa 
que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui 
se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos 
e a gente insensível e brutal, que também somos. Descendentes de 
escravos e de senhores de escravos, seremos sempre servos da 
malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento 
da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo 
exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre 
crianças convertidas em pasto de nossa fúria (RIBEIRO, 1995, p. 120).
Então, caro acadêmico, existe uma diversidade de coisas diferentes e uma 
diversidade de pessoas diferentes em todos os seus aspectos. A esse tipo de diversidade 
denominamos de diversidade cultural, o que significa, na prática, o relacionamento 
comunitário, ou melhor, o relacionamento em diferentes comunidades, podendo esse 
relacionamento contribuir significativamente no sentido cooperativo ou na geração de 
conflitos, que são chamados de conflitos sociais. 
Portanto, são essas diferenças que geram o princípio da desigualdade social, que 
vão além das características humanas, ultrapassando o bom senso, descaracterizando o 
princípio da igualdade e do amor ao próximo, modificando ou alterando outros princípios 
considerados de grande importância para as questões relacionadas com o respeito, a 
dignidade, a reciprocidade e as boas práticas das relações humanas no contexto social. 
AUTOATIVIDADE
Qual o seu conceito para desigualdade social?
 
 
 
Acadêmicos! É preciso que haja um basta nesta triste trajetória de descaso 
e discriminação entre os seres humanos, principalmente frear os impulsos daqueles 
mais exaltados, que ferem com palavras e atos e cada vez mais maculam a imagem 
e obscurecem a identidade do indivíduo como pessoa e como cidadão com direitos e 
deveres. Dessa forma, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social. Isso é 
cidadania, isso é respeito e é também uma forma de inclusão social.
28
Assim, a desigualdade significa não só a diferença existente entre pessoas ou 
coisas que compõem o universo, mas significa também a diferença no tratamento e no 
respeito para com o outro. Nesse caso, estamos nos referindo à desigualdade humana, 
que na maioria das vezes está caracterizada pelo preconceito e pelos diversos tipos 
de violências e pelas suas relações conflitantes dentro do contexto social. Exemplo: a 
desigualdade socioeconômica, as desigualdades raciais, a falta de segurança, a falta 
de acesso à moradia, ao saneamento básico, dentre outras formas de exclusão social. 
Muitas vezes, essas diferenças são ocasionadas pela falta de oportunidade, excluindo 
até o mais digno do ser humano, o que não deixa de ser uma forma preconceituosa de 
relação e convivência social. Aquino et al. (2002, p. 34-35) afirmam que:
Toda vez que julgamos uma pessoa, um grupo ou mesmo um 
povo sem conhecê-los, estamos usando de preconceito. [...]. O 
termo preconceito significa o conjunto de opiniões formadas 
antecipadamente sobre o outro, sem levar em conta suas qualidades 
ou suas capacidades. Os preconceituosos têm atitudes intolerantes 
com as pessoas que são diferentes deles. Julgam-se superiores e, 
por isso, desvalorizam e desrespeitam outras pessoas. Preconceito e 
intolerância andam sempre juntos.
São atitudes que acontecem no dia a dia, por meio de atos, gestos 
ou palavras que tentam diminuir, rebaixar os modos de ser, agir e 
sentir dos outros. E, algumas vezes, elas ocorrem sem que as 
percebamos com clareza, até senti-las na própria pele – por exemplo, 
quando não somos aceitos por alguém ou por um grupo. Neste caso, 
somos vítimas de um preconceito aberto, direto e explícito. E isso já 
aconteceu com todos nós, de um modo ou de outro. Mas há também 
o preconceito indireto, implícito, como as piadas de mau gosto, que 
ofendem as pessoas só por causa de sua raça, nacionalidade, sexo e 
outras características.
Ainda com relação aos preconceitos, segundo a denominação de inclusão e 
exclusão social, estas são pautadas e divididas em grupos ou classes sociais, que, por 
sua vez, são classificadas hierarquicamente de acordo com o seu poder aquisitivo, sua 
relação social, diferenças culturais, a cor da pele, sexualidade, etnia, deficiências físicas, 
idade, crenças etc. 
Portanto, a diversidade humana (pessoas diferentes) deveria ser um instrumento 
de unificação dos seres, diferentemente das desigualdades sociais, que significam que 
nem todos têm as mesmas oportunidades, o que em grande parte se deve às diversas 
formas de preconceito. Alguns deles, no modo de ver do seu praticante, lhe soam como 
se isso fosse uma espécie de elogio ao próximo. Exemplo: E aí, negão!? Essa expressão, 
que parece simples, é uma forma disfarçada de discriminação. “Algumas expressões 
corriqueiras que falamos sem pensar são carregadas de preconceito” (AQUINO et al., 
2002, p. 44).
Aquino et al. (2002, p.44) trazem mais exemplos: “é o caso de determinadas 
expressões preconceituosas, como: os negros que têm ‘almas brancas’, os homossexuais 
que parecem ‘pessoas normais’, os idosos que parecem ‘jovens’, os obesos que são 
‘engraçados’, as pessoas pobres que são ‘limpas’. E assim por diante”.
 
29
Como sabemos, o descaso e as práticas discriminatórias em relação a essas 
pessoas, que fazem parte, assim como todos nós, de um mesmo espaço planetário, 
não deveriam existir, mesmo porque a diferença existente entre os seres de todas as 
espécies faz parte de um processo natural, ou melhor, da natureza das coisas existentes. 
E os seres humanos vão além das diferenças, pois nós somos dotados de raciocínio e 
discernimento para avaliar e distinguir o certo do errado, comportamento esse que deveria 
ser institucionalizado pelas tradições, pelos valores éticos e morais, sem a necessidade de 
uma imposição legal, como é o caso da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
No entanto, parece que pouco têm efeito as leis que reprimem essas práticas 
discriminatórias, preconceituosas e racistas, visto que, infelizmente, parece existir 
uma autorrejeição por parte de algumas pessoas ou grupos que ainda mantêm certos 
padrões de comportamento que não mais condizem com a realidade dos padrões 
atuais e universais, dos direitos constituídos e com o processo democrático, com 
as leis de proteção às crianças, aos idosos, aos negros, às mulheres, aos indígenas, 
aos deficientes físicos, entre outros. São seres humanos que sofrem discriminação e 
negação de direitos que estão incluídos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, 
conforme citado no parágrafo acima.
Nesta perspectiva, não se desconsidera que as diferenças existam 
e estejam colocadas socialmente, porém, elas não significam, 
necessariamente, exclusão social. Por exemplo, a condição de raça, 
gênero, religião, entre outras, não seria elemento de exclusão, mas 
de diferenciação entre as pessoas, não as tornando ‘desiguais’. As 
pessoas são diferentes umas das outras e isto nada tem a ver com 
privilégios. Assim, racismos e preconceitos se fundamentam no 
entendimento da diferença/diversidade como desigualdade. Nestes 
termos, as pessoas e os grupos sociais têm o direito a ser iguais quando 
a diferença os inferioriza e o direito a ser diferentes quando a igualdade 
os descaracteriza (SANTOS, 2003 apud MARQUES, 2009, p. 68).
 
Para que possamos entender e discursar sobre o conceito de diversidade não 
é tão fácil como parece, pois é preciso nos aprofundarmos sobre o seu real significado 
e a sua real importância no equilíbrio natural e social, na relação homem-natureza, e 
principalmente na relação entre seres humanos, tanto no que diz respeito à tolerância 
e ao respeito mútuo entre seres da mesma espécie, bem como a compreensão e o 
sentimento solidário, que são a base do princípio da igualdade.
Sem diversidade não há estímulos para pensar diferente, não há estímulos para 
pensar no princípio da igualdade. Portanto, pensar diferente é o caminho para viver 
e compreender o sentimento solidário que devemos ter. Apesar de que, no dia a dia, 
relacionar-se com as inúmeras diferenças humanas e sociais do mundo atual nem 
sempre traz harmonia.
Assim, seguindo o raciocínio de Aquino et al. (2002), o problema é o seguinte: 
se todas as pessoas são únicas e especiais a seu modo, quem haveria de ser “mais” ou 
“melhor” do que o outro? Em outras palavras, somos únicos como indivíduos, e por isso 
30
somos diferentes, somos iguais como seres humanos. A isso se dá o nome de equidade. 
Convém lembrar que ser igual não é ser idêntico. Ao contrário, somos semelhantes, 
embora diversos. Afi nal de contas, em que nos diferenciamos uns dos outros? A resposta 
é óbvia: em praticamente tudo. A começar pela nossa história de vida, passando pelas 
características biológicas (raça, cor, sexo), até as de cunho social (escolaridade, condição 
econômica, opções políticas etc.). Mesmo sendo únicos, continuamos a pertencer à 
mesma espécie, à raça humana. Por essa razão, não há seres humanos “superiores” 
ou “inferiores”. Cada um é especial a seu modo. Só teremos um convívio democrático e 
pacífi co se tratarmos o outro da mesma forma que gostaríamos de ser tratados.
Todos esses conceitos fazem parte de uma cultura geral, ou seja, da construção 
e da desconstrução do processo de desenvolvimento humano, e da sua própria 
sobrevivência. A cultura é, pois, “o conteúdo da construção histórica da humanidade 
dos seres humanos, humanizando-os ou desumanizando-os” (SOUZA, 2002, p. 53). O 
principal objetivo do nosso estudo é justamente conscientizar os nossos acadêmicos 
rumo a uma refl exão mais humanista a respeito das nossas ações e na superação 
defi nitiva da desigualdade social, o que diz respeito ao cidadão e à relação com o meio 
em que ele vive, em que o respeito pelas diferenças forma o espírito da academia e a 
humanização social. 
Com base no que foi dito e analisado até aqui, nos parece que o ponto de 
partida para a solução, pelo menos de parte dos problemas raciais, das diferenças, da 
exclusão e da inclusão social, pode estar na educação de base, ou seja, se o aluno 
tiver uma educação inicial que o motive a ultrapassar essas barreiras. A partir daí ele 
poderia formar uma base sólida para ingressar na faculdade melhor preparado, o que 
sem dúvida é parte integrante para o seu desenvolvimento profi ssional e pessoal. 
Você quer descansar um pouco, sem deixar de refl etir sobre o conteúdo? 
Assista ao fi lme “O Visitante”, ele contribuirá com seus estudos.
Sinopse: Walter, solitário professor universitário, tem 62 anos e já não 
encontra prazer na vida. Ao viajar a Nova York para uma conferência, 
encontra o casal Tarek e Zainab, imigrantes sem documentos, 
morando em seu apartamento. Eles não têm para onde ir, e Walter 
acaba deixando que fi quem. Para retribuir, o talentoso Tarek ensina 
Walter a tocar o tambor africano e os dois fi cam 
amigos. Quando a polícia prende o jovem e decide 
deportá-lo, Walter faz de tudo para ajudá-lo, com 
uma garra que há muito não sentia. Surge então a mãe de Tarek em busca 
do fi lho e um improvável romance tem início.
FONTE: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=1aSoTQbewiI>. 
Acesso em: 9 set. 2017.
DICAS
31
4 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL DA DIVERSIDADE
Acadêmicos! Já compreendemos o caráter plural de nossas sociedades e as 
complexas relações estabelecidas socialmente. Diante disso, percebemos que vivemos 
em uma sociedade dividida em classes, em que a luta pela manutenção ou superação 
das divisões sociais é constante.
Nesse sentido, lutamos em favor da inclusão escolar, em favor de currículos mais 
inclusivos, abertos às diferenças sociais, psíquicas, físicas, culturais, religiosas, raciais 
e ideológicas, no intuito de respeitar o caráter plural da nossa sociedade, contribuindo 
para formar sujeitos autônomos, críticos e criativos, aptos a compreender como as 
coisas são e por que são assim. 
O principal objetivo é a possibilidade da mudança, da construção de uma 
ordem social mais justa e menos excludente. Sendo isso um legado do presente para 
as gerações futuras, o que pode ser uma prática aprendida e reproduzida a partir da 
família e da escola, que são os agentes formadores de opinião, e que juntamente com a 
sociedade esses agentes irão definir o sucesso ou o fracasso no contexto social. 
5 INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL DA DIVERSIDADE 
HUMANA
Acadêmico! A inclusão escolar tem sido mal interpretada tanto por parte da 
escola, seja ela comum ou especial, quanto dos profissionais da educação. “O certo, 
porém, é que os alunos jamais deverão ser desvalorizados e inferiorizados pelas suas 
diferenças, seja nas escolas comuns, seja nas especiais” (MANTOAN, 2006, p. 190).
Ainda com base nesse raciocínio, “[...] a educação escolar não pode ser pensada 
nem realizada senão a partir da ideia de uma formação integral do aluno – segundo 
suas capacidades e seus talentos – e de um ensino participativo,solidário, acolhedor” 
(MANTOAN, 2006, p. 9). Reverter o que historicamente foi construído é difícil, implica 
em construir alternativas que possibilitem a emancipação social dos diferentes sujeitos, 
fazendo uma clara opção política por um compromisso contra as discriminações, as 
desigualdades e o respeito à diversidade cultural.
O que, de acordo com Mantoan (2006, p. 9, grifo do original), trata-se de um 
trabalho de “‘ressignificação’ do papel da escola com professores, pais e comunidades 
interessadas, bem como de adoção de formas mais solidárias e plurais de convivência. 
Para terem direito à escola, não são os alunos que devem mudar, mas a própria escola!”. 
E a autora continua: “O direito à educação é natural e indisponível. Por isso, não faço 
acordos quando me proponho a lutar por uma escola para todos, sem discriminações, 
sem ensino à parte para os mais e para os menos privilegiados”.
32
Dessa forma, a escola pode fazer o anúncio da construção de novos tempos na 
educação, contribuindo para formar alunos não conformistas, e sim, questionadores, 
reagentes e competentes, aptos a rejeitar valores celebrados pela nova ordem mundial, 
como o egoísmo e o individualismo. Mantoan (2006, p. 14) nos coloca que, seja ou 
não “uma mudança radical, toda crise de paradigma é cercada de muita incerteza e 
insegurança, mas também de muita liberdade e ousadia para buscar outras alternativas, 
novas formas de interpretação e de conhecimento [...] para realizar a mudança”.
Mudança essa que é direito expresso na Constituição Federal de 1988. A 
Constituição respalda em seu artigo 206, inciso I, que o ensino será ministrado em 
“igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”. Portanto, temos que 
entender que: 
Ao garantir a todos o direito à educação e ao acesso à escola, a 
Constituição Federal não usa adjetivos. Por essa razão, toda escola deve 
atender aos princípios constitucionais sem excluir nenhuma pessoa 
em decorrência de sua origem, raça, sexo, cor, idade ou deficiência. 
Apenas esses dispositivos já bastariam para que não se negasse a 
qualquer pessoa, com ou sem deficiência, o acesso à mesma sala de 
aula que qualquer outro aluno (MANTOAN, 2006, p. 26-27).
Percebe-se então que os discursos precisam ser revistos, compreendendo 
a diversidade humana como algo positivo, liberto de olhares preconceituosos, 
possibilitando a valorização pela cultura do outro. Portanto, a inclusão: 
[...] exige uma mudança de mentalidade e de valores nos modos 
de vida e é algo mais profundo do que simples recomendações 
técnicas, como se fossem receitas. Requer complexas reflexões de 
toda a comunidade escolar e humana para admitir que o princípio 
fundamental da educação inclusiva é a valorização da diversidade, 
presente numa comunidade humana (STRIEDER; ZIMMERMANN, 
2011, p. 146).
E na sequência os autores continuam afirmando que a escola: 
Foi e continua sendo um espaço de padronizações ao promover a 
construção de conhecimentos com pouco significado, formalizado, 
pronto, sem relação e sentido com a vida dos seres humanos que lá 
estão, sejam alunos ou docentes. Ela é construtora de pensamentos, 
ações e movimentos que denotam igualdade e repetição. 
É importante a escola oportunizar vivências capazes de desconstruir 
a realidade do igual, da repetição, para valorizar a diferença, 
acreditando na diversidade da vida, das cores, sabores e movimentos 
(STRIEDER; ZIMMERMANN, 2011, p. 148).
Assim, falar sobre inclusão escolar e/ou social é falar sobre a conscientização 
humana na democratização das relações entre os povos e os demais indivíduos que 
fazem parte do contexto social como um todo, independentemente de credo, raça, 
poder aquisitivo ou posição social, visto que fazemos parte de uma mesma sociedade e 
33
as diferenças fazem parte integrante do equilíbrio social e da própria espécie humana. 
No entanto, fica aqui a indagação: quais as oportunidades que estão sendo oferecidas 
pelos agentes sociais a essa massa de desamparados e excluídos do sistema social?
De acordo com texto publicado no livro “Ética e cidadania: construindo valores 
na escola e na sociedade”, desenvolvido pelo Ministério da Educação, a escola pode e 
deve ser um ponto de partida na formação de cidadão e cidadã comprometidos com a 
construção dos valores éticos e morais, tanto no contexto escolar, como no âmbito das 
relações sociais.
Aprender a ser cidadão e cidadã é, entre outras coisas, aprender 
a agir com respeito, solidariedade, responsabilidade, justiça, não 
violência; aprender a usar o diálogo nas mais diferentes situações 
e comprometer-se com o que acontece na vida da comunidade e 
do país. Esses valores e essas atitudes precisam ser aprendidos e 
desenvolvidos pelos estudantes e, portanto, podem e devem ser 
ensinados na escola.
Para que o(a)s estudantes possam assumir os princípios éticos, são 
necessários pelo menos dois fatores:
- que os princípios se expressem em situações reais, nas quais o(a)
s estudantes possam ter experiências e conviver com a sua prática; 
- que haja um desenvolvimento da sua capacidade de autonomia 
moral, isto é, da capacidade de analisar e eleger valores para si, 
consciente e livremente.
Outro aspecto importante desse processo é o papel ativo dos 
sujeitos da aprendizagem, estudantes e docentes, que interpretam 
e conferem sentido aos conteúdos com que convivem na escola, a 
partir de seus valores previamente construídos e de seus sentimentos 
e emoções (LODI; ARAÚJO, 2006, p. 69).
Com relação aos agentes citados nos parágrafos anteriores, também 
concordamos que a partir da inclusão escolar, principalmente no tocante à educação 
básica, ela deveria ser um espaço voltado para a harmonização da convivência social 
e não simplesmente uma mera reprodução de saberes. Em que, na maioria das vezes, 
esses saberes são direcionados apenas para produzir agentes econômicos, dando 
pouca ou quase nenhuma ênfase às questões relacionadas à ética e às características 
comportamentais do ser humano como uma forma de equilíbrio no convívio das 
relações sociais, o que já é um processo discriminatório e de exclusão, ou, no mínimo, 
uma forma de omissão do próprio sistema de ensino, principalmente com relação aos 
índios e negros.
A luta travada em torno da educação do campo, indígena, do negro, 
das comunidades remanescentes de quilombos, das pessoas com 
deficiência, tem desencadeado mudanças na legislação e na política 
educacional, revisão de propostas curriculares e dos processos 
de formação de professores. Também tem indagado a relação 
entre conhecimento escolar e o conhecimento produzido pelos 
movimentos sociais (GOMES, 2007, p. 32).
E na continuação o autor chega às seguintes conclusões:
34
A diversidade é muito mais do que o conjunto das diferenças. 
Ao entrarmos nesse campo, estamos lidando com a construção 
histórica, social e cultural das diferenças, a qual está ligada às 
relações de poder, aos processos de colonização e dominação. 
Portanto, ao falarmos sobre a diversidade (biológica e cultural) não 
podemos desconsiderar a construção das identidades, o contexto 
das desigualdades e das lutas sociais. 
A diversidade indaga o currículo, a escola, as suas lógicas, a sua 
organização espacial e temporal. No entanto, é importante destacar 
que as indagações aqui apresentadas e discutidas não são produtos 
de uma discussão interna à escola. São frutos da inter-relação entre 
escola, sociedade e cultura e, mais precisamente, da relação entre 
escola e movimentos sociais. Assumir a diversidade é posicionar-se 
contra as diversas formas de dominação, exclusão e discriminação. É 
entender a educação como um direito social e o respeito à diversidade 
no interior de um campo político (GOMES, 2007, p. 41).
Assim, é através dos movimentos sociais que podemos melhorar o sistema 
educacional e corrigir as distorções sociais, que são frutos de um processo longo que 
vem se arrastando através dos tempos, em que pouco ou quase nada tem sido feito como 
forma de repararou pelo menos minimizar os seus efeitos negativos e na reparação dos 
erros cometidos. Portanto, é de extrema necessidade a inserção e a interação de todos 
os seres humanos, independentemente de suas características ou condições sociais.
Para Stainback (1999), a total inclusão de todos os membros da 
humanidade, de quaisquer raças, religiões, nacionalidades, classes 
socioeconômicas, culturas ou capacidades, em ambientes de 
aprendizagem e comunidade, pode facilitar o desenvolvimento 
do respeito mútuo, do apoio mútuo e do aproveitamento dessas 
diferenças para melhorar nossa sociedade. É durante seus anos de 
formação que as crianças adquirem o entendimento das diferenças, 
o respeito e o apoio mútuos em ambientes educacionais que 
promovem e celebram a diversidade humana.
A construção de sociedades e escolas inclusivas, abertas às diferenças 
e à igualdade de oportunidades para todas as pessoas, é um objetivo 
prioritário da educação nos dias atuais. Nesse sentido, o trabalho 
com as diversas formas de deficiências e uma ampla discussão sobre 
as exclusões geradas pelas diferenças social, econômica, psíquica, 
física, cultural, racial, de gênero e ideológica, devem ser foco de 
ação das escolas. Buscar estratégias que se traduzam em melhores 
condições de vida para a população, na igualdade de oportunidades 
para todos os seres humanos e na construção de valores éticos 
socialmente desejáveis por parte dos membros das comunidades 
escolares é uma maneira de enfrentar essas exclusões e um bom 
caminho para um trabalho que visa à democracia e à cidadania 
(ARAÚJO, 2007, p. 16-17).
Portanto, as mudanças comportamentais e as inclusões sociais relacionadas 
com todos os povos não podem e não devem ser somente responsabilidade da família 
e das instituições de classes, mas também de responsabilidade das escolas inclusivas e 
dos seus agentes sociais. Neste sentido, reafirmamos que a inclusão escolar: 
35
Só será viável se o professor e toda a comunidade escolar mudarem 
seu jeito de lidar com a diferença, via aceitação de formas relacionais 
de afetividade, de escuta e de compreensão, suspendendo juízos 
de valores como pena, repulsa e descrença. Uma mudança como 
desejo interior, porque algo interior nos diz que vale a pena mudar 
(STRIEDER; ZIMMERMANN, 2011, p. 148).
E quando falamos em mudanças, estamos nos referindo a uma mudança 
estrutural, em que todas as partes se relacionam, interagem e se complementam para 
a harmonização do todo, que por sua vez é parte de uma estrutura maior, que podemos 
chamar de estrutura social, que é composta, dentre outras, pela escola, família, igreja, 
governo com suas políticas públicas, instituições financeiras, jurídicas e organizações 
sociais propriamente ditas, as ONGs. Como podemos perceber, tudo isso constitui um 
grande desafio rumo a uma mudança significativa. E, por estas e outras razões, nos 
parece que a sociedade está caminhando no rumo certo.
AUTOATIVIDADE
Então, acadêmico, você acredita que ainda existe perspectiva e 
esperança de dias melhores? Como podem ser superadas as barreiras 
que afetam a harmonia entre os humanos? 
 
 
 
Vejamos o que nos propõem os autores Assmann e Sung (2000, p. 103): 
A esperança humana, da qual estamos falando, é um horizonte de 
futuro tecido com desejo. Não o desejo de um único indivíduo, nem 
o desejo de subir na ‘escada do sucesso’ segundo os parâmetros 
da eficiência do mercado regendo todos os aspectos da nossa vida, 
mas o desejo do reconhecimento mútuo e respeitoso entre pessoas 
e grupos sociais, o desejo de uma vida mais digna e prazerosa para 
todos\as. O desejo de um mundo onde caibam muitos e muitos 
mundos. 
E concluindo o seu pensamento:
É esse horizonte de esperança que nos mostra, nos revela, a 
mesquinhez e a irracionalidade de uma sociedade centrada na 
exclusão e insensibilidade, e a desumanidade de uma vida humana 
voltada para negar a sua condição humana.
36
Horizonte de esperança não é algo que se toma dentre as ofertas 
do mercado, nem pode ser produzido individualmente. Como 
todo horizonte de compreensão, ele deve ser tecido no diálogo, 
na construção de uma linguagem e esperanças comuns. Por isso, 
um horizonte de esperança que nos abra e nos interpele para a 
sensibilidade solidária só pode ser fruto de um desejo de dialogar 
com os\as que estão dentro e fora da sociedade, do nosso mundo 
(o mundo de cada um, o mundo de cada grupo social). Diálogo que 
pressupõe o reconhecimento mútuo (ASSMANN; SUNG, 2000, p. 103).
O que Assmann e Sung (2000) nos esclarecem é que o ser humano precisa, 
em primeiro lugar, conscientizar-se do seu papel na sociedade, e que isso não pode 
ser uma ação única, mas sim uma ação conjunta, como um grande suporte em prol da 
democratização solidária. Essa solidariedade deve trazer benefícios tanto para o indivíduo, 
quando analisado separadamente, quanto na sua convivência em sociedade, ou seja, a 
relação do indivíduo com ele mesmo ou no convívio social. E na sequência os autores 
analisam com muita propriedade o resultado ocasionado por esse processo de interação: 
Quando imergimos nesse horizonte, descobrimos algumas verdades 
humanas básicas. A descoberta da minha condição humana não 
se dá fora do reconhecimento da condição humana (da dignidade 
humana) dos que estão ‘dentro e fora’ da sociedade. Eu não posso 
me descobrir como pessoa humana se não ‘descobrir’ o\a outro\a, 
o\a diferente, como participante da mesma condição humana. É o 
reconhecimento do\a diferente como ‘igual’, isto é, coparticipante 
da mesma condição humana, que me possibilita encontrar comigo 
mesmo. Na década de 70 havia uma propaganda que mostrava um 
menino e uma menina, cada um olhando dentro do short de banho 
do\a outro\a. Acima do desenho, a frase: ‘Ah! Descobri a diferença!’ 
É a descoberta de que existe um sexo diferente na mesma espécie 
humana, que me faz descobrir que eu sou um ser sexuado, masculino 
ou feminino (ASSMANN; SUNG, 2000, p. 104).
E para finalizar, os autores fazem um breve resumo a respeito das relações de 
convivência e de reciprocidade humana, principalmente para aqueles que possam ter 
algumas dificuldades para entender a complexidade a respeito da inclusão social e 
escolar da diversidade humana. 
Em resumo, tentar encontrar-se consigo mesmo e realizar-se como 
ser humano negando o\a outro\a que lhe revela e lhe lembra as suas 
angústias e medos inerentes à sua condição humana é um caminho 
trágico, no sentido grego desse conceito, isto é, não como destino, 
mas como tomada de consciência de um desafio radical que parte da 
nossa condição humana. A única forma de nos realizarmos como seres 
humanos é reconhecendo e assumindo a nossa condição humana. 
É isto que nos possibilita vivermos as alegrias da vida, mas também 
os momentos tristes e angustiantes. Esse assumir a nossa condição 
humana pressupõe o reconhecimento do(a) outro(a) que nos lembra 
das nossas inseguranças. Este reconhecimento mútuo só é possível 
se cultivarmos e vivermos a sensibilidade solidária e o horizonte de 
esperança. Educar para a esperança é uma das chaves para educar 
para a sensibilidade solidária (ASSMANN; SUNG, 2000, p. 104).
 
37
Estamos nos referindo ao processo de educação e aprendizagem,e já ficou 
evidente que esse é o caminho. No entanto, é preciso levantar algumas bandeiras e 
eliminar algumas barreiras, principalmente as do descaso, da arrogância e da intolerância, 
que são ações que principiam e dão origem ao preconceito e à desigualdade social, que, 
pelo visto, parece povoar e circular por quase todas as fases da questão educacional. 
A começar pelas dificuldades de acesso à educação de base, ou pela falta de espaço 
adequado, não só em termos de locomoção e acesso, mas, principalmente, para aquelas 
pessoas com certo grau de dificuldades. 
Com relação às dificuldades de acesso, estas parecem não ser privilégio somente 
daqueles com alguma deficiência física, mas de todos aqueles motivados por razões 
circunstanciais, sejam elas pela distância, pelas condições de transporte ou, ainda, pelo 
descaso das autoridades, que deveriam ser os mentores, incentivando e facilitando o 
acesso às escolas da rede pública e privada, oferecendo escolas e ensino de qualidade, 
com professores qualificados e comprometidos com o processo educacional. Isso 
evitaria, pelo menos em parte, a desagregação, a degradação e o êxodo escolar, em que 
o abandono ou o afastamento de alunos das salas de aulas podem ter diversos motivos, 
muitos deles justificados pelas condições precárias de algumas escolas, bem como a 
falta de compromisso e atitude das autoridades, a improbidade administrativa, o desvio 
de verbas, dentre outras formas de descaso das autoridades públicas. 
Observe, acadêmico, que ainda existe uma série de problemas a serem 
resolvidos nas instituições escolares. De acordo com Prieto (2006, p. 33), “as instituições 
escolares, ao reproduzirem constantemente o modelo tradicional, não têm demonstrado 
condições de responder aos desafios da inclusão social e do acolhimento às diferenças, 
nem de promover aprendizagens necessárias à vida em sociedade [...]”.
Acadêmicos, percebemos que os que mais sofrem com essa situação de penúria 
são os menos afortunados, os que não possuem as mínimas condições de frequentar 
uma escola particular, ou os deficientes físicos, que, muitas vezes, além das condições 
financeiras, também lhes faltam as condições principais ao acesso e permanência no 
âmbito escolar.
6 CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO DO SABER APRENDIDO 
Assim, de acordo com o que foi aprendido até agora, podemos afirmar que a 
diversidade, as diferenças, a identidade, a exclusão e a inclusão, quando reparadas na 
sua desarmonia social, representam partes integrantes da vida em comunidade, em 
que são introduzidas as mudanças necessárias ao desenvolvimento social e, ao mesmo 
tempo, produzidas outras formas de relacionamentos, outras formas de diversidade, 
ou até mesmo outras maneiras e meios de abordagens no processo de interação do eu 
com o outro. Isso faz parte da natureza humana, ou seja, um estado em movimento, de 
renovação e de mudanças. 
38
Dessa maneira, a sociedade continuará a produzir saberes e realidades relativas, 
seja em relação à diversidade existente, seja em relação ao comportamento humano na 
convivência social, ou na interação da pessoa com ela mesma, com os outros, bem 
como as abordagens relacionadas aos contrastes da vida cotidiana, caracterizadas 
pelas desigualdades sociais. Portanto, essas verdades continuarão a ser questionadas, 
até que outras verdades as sobreponham. 
Assim, a exclusão e a inclusão social das diferenças são formas de construção 
e desconstrução de uma variedade de elementos históricos e atuais, distintos e 
circunstanciais e que, muitas vezes, vão além da nossa compreensão. 
 
Caros acadêmicos, de acordo com o que vimos, percebemos que uma das 
verdades absolutas é que: sempre haverá o eu e o outro, e esse outro será sempre 
diferente do eu, e essa diferença continuará sendo o fio condutor responsável pela 
diversidade cultural e pelos diversos tipos de conflitos sociais, seja no sentido negativo 
ou no sentido positivo.
39
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A diversidade, no contexto cultural, significa uma grande quantidade de coisas, 
ações, pensamentos, ideias e pessoas que se diferenciam entre si dentro de grupos 
sociais ou dentro de uma mesma sociedade, e os mesmos são passíveis de discussão, 
apelos, protestos, discórdia e geralmente acabam em conflitos, chegando até às 
desigualdades sociais.
• É fundamental que percebamos as diferenças e desigualdades, não de forma natural, 
mas como uma construção histórica possível de ser desestabilizada em sua forma 
rígida, para ser transformada em algo que possa ser identificado e reconhecido 
como base para a construção de relações interpessoais mais democráticas dentro 
da sociedade, isto é, devemos pensar e repensar o seu conceito histórico e a sua 
trajetória futura.
• A desigualdade significa não só a diferença existente entre pessoas ou coisas que 
compõem o universo, mas significa também a diferença no tratamento e no respeito 
para com o outro. Nesse caso, estamos nos referindo à desigualdade humana, que 
na maioria das vezes está caracterizada pelo preconceito e pelos diversos tipos de 
violência e pelas suas relações conflitantes dentro do contexto social.
• A diversidade humana (pessoas diferentes) deveria ser um instrumento de unificação 
dos seres, diferentemente das desigualdades sociais, que significam que nem todos 
têm as mesmas oportunidades, o que em grande parte se deve às diversas formas de 
preconceito, algumas delas no modo de ver do seu praticante.
• Falar sobre inclusão escolar e/ou social é falar sobre a conscientização humana 
na democratização das relações entre os povos e os demais indivíduos que fazem 
parte do contexto social como um todo, independentemente de credo, raça, poder 
aquisitivo ou posição social, visto que fazemos parte de uma mesma sociedade e as 
diferenças fazem parte integrante do equilíbrio social e da própria espécie humana.
40
AUTOATIVIDADE
1 (ENADE-2014, Pedagogia) Da visão dos direitos humanos e do 
conceito da cidadania fundamentado no reconhecimento das 
diferenças e na participação dos sujeitos decorre uma identificação 
dos mecanismos e processos de hierarquização que operam na 
regulação e produção de desigualdades. Essa problematização explicita os 
processos normativos de distinção dos alunos em razão de características 
intelectuais, físicas, culturais, sociais e linguísticas, estruturantes do modelo 
tradicional de educação escolar.
2 (IFC-2015) Sobre a Educação Inclusiva, marque V para as afirmativas 
verdadeiras e F para as falsas: 
FONTE: BRASIL, MEC: Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2008, p. 
6 (adaptado).
As questões sucintas no texto ratificam a necessidade de novas posturas docentes, de 
modo a atender à diversidade humana presente na escola. Nesse sentido, no que diz 
respeito ao seu fazer docente frente aos alunos, o professor deve:
I- Desenvolver atividades que valorizem o conhecimento historicamente elaborado 
pela humanidade e aplicar avaliações criteriosas com o fim de aferir, em conceitos 
ou notas, o desempenho dos alunos.
II- Instigar ou compartilhar as informações e a busca pelo conhecimento de forma 
coletiva, por meio de relações respeitosas aceitas pelos diversos posicionamentos 
dos alunos, promovendo o acesso às inovações tecnológicas.
III- Planejar ações pedagógicas extracurriculares, visando ao convívio com a 
diversidade, selecionar e organizar os grupos, a fim de evitar conflitos.
IV- Realizar práticas avaliativas que evidenciem as habilidades e competências 
dos alunos, instigando esforços individuais para que cada um possa melhorar o 
desempenho escolar.
V- Utilizar recursos didáticos diversificados, que busquem atender às necessidades de 
todos e de cada um dos alunos, valorizando o respeito individual e coletivo.
É CORRETO apenas o que se afirma em:
a) ( ) I e II.
b) ( ) II e V.
c) ( ) II, III e IV.
d) ( ) I, II, IV e V.
e) ( ) I, III, IV e V.
41
( ) Na Educação Inclusiva,os alunos com deficiência têm a chance de se prepararem para 
a vida em sociedade, os professores de melhorarem suas habilidades profissionais e 
a sociedade passa a valorizar a igualdade para todos. 
( ) Na Educação Inclusiva, o aluno com deficiência tem a facilidade de construir 
conhecimento como os demais e de demonstrar a sua capacidade cognitiva, 
principalmente nas escolas que mantêm um modelo conservador de atuação e uma 
gestão autoritária e centralizadora. 
( ) Na Educação Inclusiva, a escola se baseia na lógica do concreto e na repetição 
alienante e descontextualizada das atividades. 
( ) A Educação Inclusiva requer que os sistemas educacionais modifiquem não apenas 
as suas atitudes e expectativas em relação aos alunos com deficiência, mas que 
se organizem para construir uma real escola para todos, onde o currículo leve em 
conta a diversidade e seja concebido com o objetivo de reduzir barreiras atitudinais 
e conceituais e se pautar por uma ressignificação do processo de aprendizagem na 
sua relação com o desenvolvimento humano. 
Assinale a alternativa com a sequência correta. 
a) ( ) V – F – F – V. 
b) ( ) F – F – V – V.
c) ( ) V – V – F – V. 
d) ( ) F – V – V – F. 
42
43
TÓPICO 3 - 
MULTICULTURALISMO: VIOLÊNCIA, 
TOLERÂNCIA/INTOLERÂNCIA E RELAÇÕES DE 
GÊNERO
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, vamos trabalhar o conceito de multiculturalismo, enfatizando as 
origens do surgimento do movimento e os campos de conhecimento que acolhem os 
estudos multiculturais. Nesse sentido, temos como objetivo situar o multiculturalismo do 
ponto de vista político (movimentos sociais multiculturais e políticas públicas) e teórico 
(ciências multiculturalistas), visando oferecer conteúdo de base para a interpretação 
desse campo de estudos.
No desenvolvimento deste tópico, também será abordado os temas tolerância/
intolerância e relações de gênero, discutindo de modo reflexivo os conceitos de 
feminismo e ideologia de gênero. O objetivo é apresentar diferentes pontos de vista 
para os referidos conceitos, e conduzir o acadêmico a uma reflexão crítica da realidade, 
de modo que possa – com embasamento crítico e sempre que possível científico – 
compreender melhor esses temas.
2 CONCEITUANDO MULTICULTURALISMO
Como a própria etimologia da palavra nos sugere, o termo “multi” significa vários; 
o termo “culturalismo” refere-se à cultura; e o sufixo “ismo” está associado às posições 
assumidas ou ideias aceitas sobre a possibilidade do conhecimento, ou seja, no caso do 
multiculturalismo significa uma posição assumida sobre as diferentes relações entre as 
várias culturas. 
O ‘multiculturalismo’ é um termo polissêmico e existem, pelo menos, 
dois sentidos diferentes em que este pode ser utilizado. Um primeiro 
sentido é descritivo e reporta a um fato da vida humana e social, que é 
a diversidade cultural étnica, religiosa que se pode observar no tecido 
social, ou seja, um certo cosmopolitismo que atualmente é fácil de 
ver em qualquer grande cidade da Europa e da América do Norte. 
Um segundo sentido é prescritivo e está associado às chamadas 
políticas de reconhecimento da identidade e/ou da diferença que os 
poderes públicos prosseguem, ou deveriam prosseguir, segundo os 
seus defensores, em nome dos grupos minoritários e/ou ‘subalternos’ 
(FERNANDES, 2011, p. 2, grifos do original). 
UNIDADE 1
44
Dito de outra forma, multiculturalismo significa a existência de grupos de 
diversas culturas, assim como o embate político, econômico e social travado pelos 
diferentes grupos sociais na luta pelo respeito à diversidade. Por isso, além de estudos 
teóricos e empíricos, o termo implica na conquista de reivindicações das chamadas 
minorias ou grupos marginalizados, como os negros, índios, mulheres, homossexuais e 
outros tantos que buscam assegurar seus direitos sociais através de políticas públicas 
de ação afirmativa.
FIGURA 6 – MULTICULTURALISMO, DIVERSIDADE E DESAFIO DO HOMEM PARA O SÉCULO XXI
FONTE: Disponível em: <http://fadivagrupo7.blogspot.com/>. Acesso em: 7 dez. 2017.
O multiculturalismo é pluralista, porque as diferenças coexistem em um mesmo 
país ou região. Ali convivem diferentes culturas, valores e tradições. Há o diálogo e 
convivência pacífica entre as culturas diversas. No entanto, esta coexistência pacífica 
não significa negar as diferenças entre as culturas, nem homogeneizá-las, mas 
compreendê-las a partir de uma visão dialética sobre os termos igualdade e diferença, 
na medida em que não se pode falar em igualdade sem levar em conta as diferenças 
culturais, e não se pode relacionar a diferença como medida de valor.
Nesse sentido, entendemos que igualdade e diferença não são termos opostos. 
Na verdade, a igualdade opõe-se à desigualdade, enquanto diferença opõe-se à 
padronização, à homogeneização, à produção em série. O que o multiculturalismo quer 
é lutar pela igualdade e pelo reconhecimento das diferenças.
Por esse motivo, um dos temas centrais do multiculturalismo tem sido o Direito 
à Diferença e à Diminuição das Desigualdades, bandeira de luta de vários movimentos 
sociais contemporâneos espalhados pelo mundo inteiro. 
45
3 SURGIMENTO DO MULTICULTURALISMO
O termo multiculturalismo é relativamente recente e sua utilização ocorreu pela 
primeira vez na Inglaterra, entre as décadas de 1960 e 1970. De acordo com Fernandes 
(2006), o multiculturalismo surgiu na linguagem oficial do Canadá e na Austrália, para 
designar as políticas públicas com o objetivo de valorizar e/ou promover a diversidade 
cultural. Ainda nesse período, o autor destaca que outros países anglo-saxônicos, como 
o Reino Unido, a Nova Zelândia e os EUA, também iniciam políticas públicas qualificadas 
como multiculturais.
Países anglo-saxônicos são países cujos descendentes são provenientes 
de povos germânicos (anglos, saxões e jutos). Esta denominação é 
resultado da fusão desses povos que se fixaram ao sul e leste da Grã-
Bretanha, no século V.
NOTA
Tomando como base o caso dos Estados Unidos, o multiculturalismo surge 
como movimento organizado na década de 1960, a partir dos primeiros movimentos 
sociais, como: o negro, feminista, hippie, ambientalista, entre outros. No entanto, 
para entender o motivo pelo qual esses movimentos surgiram, devemos resgatar o 
aspecto da constituição histórica dos Estados Unidos, marcada por um longo processo 
de colonização, que teve como base a eliminação e a opressão das diversas tribos 
indígenas que ali estavam. Além disso, prezado acadêmico, devemos levar em conta 
o processo de escravidão que ocorreu no país, no qual os negros serviram como base 
para o desenvolvimento da nação.
Essas posturas dos colonizadores norte-americanos foram influenciadas pelos 
valores religiosos de igrejas protestantes, comuns à maioria dos colonos de origem 
anglo-saxã. Esta influência permeou o pensamento e as atitudes dos colonizadores 
norte-americanos em relação aos demais grupos, desencadeando, mais tarde, uma 
série de movimentos pela busca de justiça social.
O que queremos destacar neste momento é que, a exemplo do caso dos EUA, o 
movimento multiculturalista surgiu em grande escala nas sociedades nas quais o direito 
à diversidade cultural foi historicamente negado.
 
46
Segundo Silva (2000), o multiculturalismo teve início em países em que a 
diversidade cultural era vista como um problema para a construção da unidade nacional. 
Muitas nações construíram suas identidades por intermédio de processos autoritários, 
pela imposição de uma cultura, dita superior, a todos os membros da sociedade. 
4 ÁREAS DE CONHECIMENTO QUE ABRIGAM O 
MULTICULTURALISMO
Já entendemos que o multiculturalismo é, ao mesmo tempo, uma rede de 
movimentos sociais em prol da afi rmação dos grupos minoritários, historicamente 
excluídos pela sociedade. Neste sentido, podemos compreender que o multiculturalismo 
é um campo de estudos que aborda a problemática dos grupos de forma multidisciplinar. 
Portanto, vamos tratar agora de alguns aspectos sobre o carátercientífi co do 
multiculturalismo, que são os estudos multiculturais.
Prezados acadêmicos, vocês sabiam que os estudos multiculturais são 
provenientes de várias áreas do conhecimento?
Pois bem, entre as áreas de conhecimento podemos destacar os campos da 
Antropologia Cultural, Psicologia Social, História e Sociologia, que abordam diferentes 
problemas relativos ao multiculturalismo. Algumas áreas se ocupam do ponto de vista 
histórico do movimento, outras se ocupam da genealogia dos mesmos, outras se ocupam 
dos processos políticos e sociais que os movimentos promovem, e ainda, outras áreas 
se ocupam de aspectos epistemológicos do estudo dos movimentos. Enfi m, há uma 
variedade de estudos sobre o tema nas mais diferentes áreas disciplinares.
GENEALOGIA: estudo da origem das famílias.
EPISTEMOLOGIA: estudo do grau de certeza do conhecimento científi co 
em seus diversos ramos.
NOTA
Portanto, o estudo do multiculturalismo requer uma compreensão interdisciplinar
do contexto histórico, socioeconômico e cultural desses diferentes grupos sociais e da 
sua diversidade cultural construída conforme seu tempo e suas condições humanas e 
geográfi cas.
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Abordagem Interdisciplinar: refere-se ao trabalho e estudo de 
profi ssionais de diversas áreas do conhecimento ou especialidades 
sobre um determinado tema ou área de atuação, implicando 
necessariamente na integração dos mesmos para uma compreensão 
mais ampla do assunto.
NOTA
Daí a complexidade em se abordar a temática do multiculturalismo em todas 
as regiões do planeta, levando em consideração a diversidade e a história dos seus 
diversos povos em cada um dos cinco continentes e seus diferentes países. No entanto, 
o multiculturalismo já alcançou um elevado nível na discussão acadêmica. De acordo 
com Sidekum (2003, p. 9), “esse alcance é a marca principal das últimas décadas do 
século XX, consolidando-se, especialmente, pelos estudos comparados da cultura, 
desenvolvidos pela antropologia cultural e pela psicologia aplicada, também conhecida 
por psicologia social intercultural”. 
5 MOVIMENTO FEMINISTA
O surgimento dos estudos atuais sobre a condição feminina, o Estudo de 
Gênero só foi possível porque, ao longo do tempo, o movimento social de mulheres “fez 
muito barulho”, denunciando as situações de opressão, preconceito e dominação que 
sofreram. A amplitude do movimento feminista não pode e não deve ser reconhecida 
apenas como um dos movimentos de luta das mulheres, porque muitas mulheres com 
perfi s e histórias diferentes participaram. Se hoje o gênero representa uma categoria 
de análise tão importante para as ciências humanas e sociais, é porque se fez legítimo 
pelas tantas batalhas dos movimentos feministas, tornando-se fundamental para a 
compreensão das relações humanas.
5.1 FEMINISMO
O feminismo é um conceito múltiplo, ele possui uma dimensão política, que se 
refere aos movimentos de luta por direitos, e uma dimensão acadêmica, que se refere 
aos estudos da condição feminina. A dimensão acadêmica, ou seja, o campo de pesquisa 
e de conhecimento sobre as mulheres, pode ser considerada multidisciplinar, porque 
ocorre em diferentes campos disciplinares, como: Antropologia, História, Educação, 
Sociologia, Direito e vários outros. 
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O principal objetivo do movimento feminista não foi alcançar a igualdade entre 
homens e mulheres, mas sim a equidade entre eles. Para assegurar a igualdade não 
deve ser necessário que as mulheres assumam posturas “masculinas”. Elas devem 
preservar suas identidades. Por isso a ideia de “equidade” e não igualdade.
Com relação ao Movimento Feminista, ele surgiu no século XVIII, na Europa, 
especialmente na Inglaterra e França, mas logo repercutiu em outros países e se 
desenvolveu de diferentes formas e expressões até os dias atuais. Para dar uma ideia 
de totalidade ao movimento, ele foi dividido em três grandes momentos, que explicam 
as diferentes concepções e lutas do movimento. 
5.2 A PRIMEIRA ONDA FEMINISTA
FONTE: Disponível em: <http://justificando.cartacapital.com.br/2017/09/14/historia-da-primeira-onda-fe-
minista/>. Acesso em: 19 set. 2017.
Esse primeiro momento do feminismo, chamado “Primeira Onda Feminista”, 
refere-se a um período extenso de atividade feminista ocorrido durante o século 
XIX e início do século XX, no Reino Unido, na França e Estados Unidos, que tinha 
o foco originalmente na promoção da igualdade nos direitos contratuais e de 
propriedade para homens e mulheres, e na oposição de casamentos arranjados e 
da propriedade de mulheres casadas (e seus filhos) por seus maridos. No entanto, 
no fim do século XIX, o ativismo passou a se focar, principalmente, na conquista de 
poder político, especialmente o direito ao sufrágio (voto) por parte das mulheres. 
Ainda assim, muitas feministas já faziam campanhas pelos direitos sexuais, 
reprodutivos e econômicos das mulheres.
Na França do século XVIII, envolvidas pelo ideal de “Liberdade, Igualdade e 
Fraternidade” da Revolução Francesa, mulheres de todas as classes sociais juntaram-
se ao movimento revolucionário. Elas acreditavam que, uma vez estabelecida a 
democracia, seus direitos ao voto, à vida pública, ao divórcio e à emancipação social (já 
que eram subordinadas ao pai ou marido) seriam assegurados. Muitas mulheres lutaram 
nos fronts de batalha na revolução, e algumas morreram guilhotinadas, por defenderem 
suas convicções depois que a Revolução se consolidou e lhes negou, de forma desleal, 
seus direitos. 
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FONTE: Disponível em: <http://igualdadedegeneroeraca.blogspot.com/2011/09/movimento-feminista>. 
Acesso em: 20 out. 2011.
As ativistas femininas fizeram campanhas pelos direitos legais das 
mulheres (direitos de contrato, direitos de propriedade, direitos ao voto), pelo direito 
da mulher à sua autonomia e à integridade de seu corpo, pelos direitos ao aborto 
e pelos direitos reprodutivos (incluindo o acesso à contracepção e a cuidados 
pré-natais de qualidade), pela proteção de mulheres e garotas contra a violência 
doméstica, o assédio sexual e o estupro, pelos direitos trabalhistas, incluindo a 
licença-maternidade e salários iguais, e todas as outras formas de discriminação. 
5.3 A SEGUNDA ONDA FEMINISTA
A Segunda Onda Feminista culminou com os movimentos sociais em andamento 
nos Estados Unidos, e o país foi, desta vez, a referência do movimento para o restante 
do mundo. A segunda onda se refere a um período da atividade feminista que teve início 
na década de 60 e durou até o fim da década de 80.
Disponível em: <http://www.veracruz.edu.br/palavradeprofes sor/2010/cinema1.htm>.
No livro, Friedan levanta a hipótese de que as mulheres seriam vítimas 
de um sistema falso de crenças, que exige que elas encontrem identidade e 
significado em suas vidas através de seus maridos e filhos; esse sistema faz com 
que a mulher perca completamente a sua identidade para a de sua família. 
50
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo>. Acesso em: 20 out. 2011.
Friedan, especificamente, localiza esse sistema nas comunidades 
suburbanas de classe média pós-Segunda Guerra Mundial; ao mesmo tempo, o 
boom econômico pós-guerra nos Estados Unidos levou ao desenvolvimento de 
novas tecnologias que tornaram o trabalho das donas de casa menos difícil, mas 
que frequentemente tinham o resultado de tornar o trabalho das mulheres menos 
significante e menos valorizado. 
5.4 A TERCEIRA ONDA FEMINISTA E O SURGIMENTO DOS 
ESTUDOS DE GÊNERO
De acordo com Grossi (2010), o movimento feminista e o movimento gay 
merecem destaque como aqueles que de fato questionaram as relações “afetivo-
sexuais” no espaço privado. A partir de então, esses questionamentos começaram a 
adentrar o espaço universitário e pesquisas passaram a ser desenvolvidas no interior de 
várias disciplinas. 
No Brasil, a partir dos anos 1970/80 começam a se desenvolver estudos sobre a 
condição feminina, em que basicamente se discutia a opressão das mulheres em uma 
sociedade patriarcal. Já a partir dos anos 1980 surgemos estudos sobre as mulheres, 
pois: “[...] se percebe que não é possível falar de uma única condição feminina no Brasil, 
uma vez que existem inúmeras diferenças, não apenas de classe, mas também regionais, 
de classes etárias, de ethos, entre as mulheres brasileiras” (GROSSI, 2010, p. 3-4).
Nesse período, várias teses são desenvolvidas, porém, segundo Grossi (2010, 
p. 4), a referência utilizada para o reconhecimento das mulheres enquanto grupo está 
ainda associada a uma “unidade biológica (vagina, útero, seios)”. 
6 CONCEITUANDO GÊNERO
O conceito de gênero surge no Brasil através de pesquisadoras norte-americanas, 
que vão tratar as relações entre homens e mulheres de forma a negar as diferenças 
biológicas como constituidoras das identidades dos seres humanos, e introduzir a 
perspectiva de que somos construídos a partir de determinados mecanismos sociais. 
Uma das pensadoras responsáveis por essa nova perspectiva é a autora Joan Scott. No 
artigo intitulado “Gênero: uma categoria útil de análise histórica”, ela diz que: 
51
O gênero torna-se uma maneira de indicar ‘construções sociais’ – 
a criação inteiramente social de ideias sobre os papéis adequados 
aos homens e às mulheres. É uma maneira de se referir às origens 
exclusivamente sociais das identidades subjetivas dos homens e das 
mulheres. O gênero é, segundo esta definição, uma categoria social 
imposta sobre um corpo sexuado (SCOTT, 1990, p. 7).
Para a estudiosa Françoise Héritier (1996), o conceito de gênero é relacional, 
ou seja, se constrói na relação entre homens e mulheres, haja visto que ninguém vive 
só, pois todas as pessoas se relacionam desde que nascem, independente das regras 
sociais e culturais. 
Segundo Grossi (2010), papéis de gênero são as representações (tomadas 
como representações de uma personagem no teatro) de cada sexo, ou seja, papéis 
sexuais são as características atribuídas a cada sexo, de acordo com sua cultura. São 
modelos do que é próprio e concernente a cada sexo. Sabe-se, através de relatos de 
historiadores, que os papéis de gênero podem ser alterados dentro de uma mesma 
sociedade, dependendo das situações.
 
Com relação à identidade de gênero, ela se forma, segundo Grossi (2010), a 
partir da socialização de valores e comportamentos que são internalizados logo nas 
primeiras fases da infância. Esses valores e comportamentos que são repassados são 
diferentes para cada sexo e também variam de uma cultura para outra. 
Um dos estudos da autora clássica de Antropologia, Margaret Mead (1979), 
poderá ilustrar o que procuramos dizer até aqui. Essa autora procura nos fazer refletir 
como, nas diferentes sociedades, são construídos padrões de conduta, comportamento, 
culturas, atribuindo-se valores a algumas coisas e a outras não, como idade e sexo, 
ritmo de nascimento, maturação e velhice, a estrutura do parentesco consanguíneo. 
Em seu livro “Sexo e Temperamento”, essa antropóloga aborda três grupos 
diferentes em uma ilha da Nova Guiné: os montanheses Arapesh, os canibais Mundugumor 
e os caçadores de cabeças de Tchambuli. A autora faz o estudo com estes três grupos 
porque as diferenças de sexo fazem parte da organização sociocultural dos mesmos, 
ainda que estas diferenças sejam percebidas e dramatizadas de formas diferentes. 
A partir dessa observação, a autora constata: ainda que, de uma forma geral, as 
sociedades se organizem levando em conta as diferenças entre os sexos, não significa 
dizer que essa organização esteja baseada em sistemas de oposição ou dominação. 
Na visão do escritor argentino Jorge Scala, especialmente em seu livro intitulado 
“Ideologia de Gênero: o neototalitarismo e a morte da família” (2011), bem como em uma 
entrevista sobre o tema (2012), o termo gênero é associado a uma ideologia e não a uma 
teoria ou hipótese, pelo seguinte motivo:
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Uma teoria é uma hipótese verificada experimentalmente. Uma 
ideologia é um corpo fechado de ideias, que parte de um pressuposto 
básico falso – que por isto deve impor-se evitando toda análise racional 
-, e então vão surgindo as consequências lógicas desse princípio 
falso. As ideologias se impõem utilizando o sistema educacional 
formal (escola e universidade) e não formal (meios de propaganda), 
como fizeram os nazistas e os marxistas (SCALA, 2012, s.p.).
O autor argumenta ainda que o fundamento da ideologia de gênero é falso.
Seu fundamento principal e falso é este: o sexo seria o aspecto 
biológico do ser humano, e o gênero seria a construção social ou 
cultural do sexo. Ou seja, que cada um seria absolutamente livre, sem 
condicionamento algum, nem sequer o biológico -, para determinar 
seu próprio gênero, dando-lhe o conteúdo que quiser e mudando 
de gênero quantas vezes quiser. Agora, se isso fosse verdade, não 
haveria diferenças entre homem e mulher – exceto as biológicas 
-; qualquer tipo de união entre os sexos seria social e moralmente 
bom, e todas seriam matrimônio; cada tipo de matrimônio levaria a 
um novo tipo de família; o aborto seria um direito humano inalienável 
da mulher, já que somente ela é que fica grávida; etc. Tudo isso é 
tão absurdo, que só pode ser imposto com uma espécie de “lavagem 
cerebral” global (SCALA, 2012, s.p.).
Para concluir sua explicação, Scala responde à seguinte pergunta: quais são, 
então, as consequências para nossos filhos, para a próxima geração, caso a ideologia de 
gênero seja incentivada nas escolas infantis? 
Eu respondo com um fato real. Dei uma palestra sobre esta ideologia, 
a todos os professores de uma cidade de 7.000 habitantes, numa 
área rural da minha província. Gente simples e trabalhadora. Ao 
concluí-la, uma professora comentou em voz alta: ‘Agora eu entendo 
porque há alguns dias meu filho de sete anos me perguntou: mamãe, 
eu sou menino ou menina …? As pessoas formadas e maduras estão 
imunes dessa ideologia, mas se a permitirmos penetrar nas crianças 
desde tenra idade – cinema, rádio, TV, escola, revistas -, em muitos 
casos, teremos que lamentar com o tempo tragédias de todo tipo 
(SCALA, 2012, s.p.).
Vejamos o que nos apresenta o autor Dale O’Leary (1997, p. 1), em sua obra “A 
agenda de gênero”.
Sem alarde ou debate, a palavra ‘sexo’ foi substituída pela palavra 
‘gênero’. Nós costumávamos falar de ‘discriminação de sexo’, mas 
agora é ‘discriminação de gênero’. Com certeza parece bastante 
inocente. ‘Sexo’ possui um significado secundário, subentendendo 
relação sexual ou atividade sexual. ‘Gênero’ parece mais delicado 
e refinado. As militantes feministas aprenderam a partir de suas 
derrotas. Quando elas não puderam vender sua ideologia radical para 
as mulheres em geral, elas lhe deram uma nova roupagem. Agora 
elas são bastante cuidadosas em revelar seus verdadeiros objetivos. 
Elas pretendem alcançar seus fins não por uma confrontação direta, 
mas através de uma mudança no significado das palavras.
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No decorrer de seu texto, O’Leary (1997) faz menção à Conferência da ONU sobre 
População, realizada no Cairo, em 1994, e a Conferência sobre as Mulheres, realizada 
em Pequim, em 1995, em que foi incluída na plataforma de ação destas conferências a 
“perspectiva de gênero”. Sobre este tema, o autor faz os seguintes questionamentos:
Qual é a relação entre a “perspectiva de gênero” e o fato de que os 
seus proponentes possuem uma extrema aversão a palavras como 
mãe, pai, marido e esposa? Por que os defensores da Agenda de 
Gênero referem-se ao casamento e à família em termos negativos? 
Por que um documento da ONU sobre as mulheres não tem quase 
nada de positivo a dizer sobre as mulheres que são mães de tempo 
integral? Por que a ONU não promove mais a “perspectiva da mulher”? 
(O’LEARY, 1997, p. 2).
Caro acadêmico, agora é com você. Diante das discussões apresentadas até o 
momento, como você define gênero? O que você pensa sobre o assunto? Você considera 
que o objetivo da ideologia de gênero é promover a defesa da mulher? Promover a 
defesa do homem? Defender a vida humana e as crianças? Lutar pela equidade entre 
homense mulheres? São muitas as indagações que precisam ser feitas para elucidar 
seu pensamento, e para que de modo crítico e racional você possa chegar às suas 
próprias conclusões.
Para complementar nossa conversa, leia atentamente a introdução do livro de Marilena Chauí 
sobre “O que é ideologia” e tire suas próprias conclusões sobre os fundamentos da “ideologia 
de gênero”.
“Frequentemente, ouvimos expressões do tipo “partido político ideológico”, é preciso ter uma 
“ideologia”, “falsidade ideológica”.
Essas expressões tomam a palavra ideologia para com ela significar “conjunto 
sistemático e encadeado de ideias”. Ou seja, confundem ideologia com 
ideário.
Nossa tarefa, aqui, será desfazer a suposição de que a ideologia é um 
ideário qualquer ou qualquer conjunto encadeado de ideias e, ao contrário, 
mostrar que a ideologia é um ideário histórico, social e político que oculta 
a realidade, e que esse ocultamento é uma forma de assegurar e manter a 
exploração econômica, a desigualdade social e a dominação política.
FONTE: Chauí, M. O Que é Ideologia. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 2001. 
Disponível em: <https://goo.gl/VMihTF>. Acesso em: 9 set. 2017.
DICAS
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7 ESTUDOS DE GÊNERO
Especialmente nas três últimas décadas, os estudos de gênero passaram a 
se preocupar com várias questões relativas ao universo das relações sociais. Observar 
a realidade a partir da análise de gênero possibilitou novas interpretações sobre o 
comportamento humano e a observação das desigualdades de gênero. Vejamos, a 
seguir, alguns estudos de gênero e suas principais contribuições.
A construção social da desigualdade de Gênero (Educação Diferenciada): 
Os estudos compreendem que há uma educação diferenciada para meninos e meninas 
desde o seu nascimento. Nessa educação, reproduzem-se idealizações e modelos de 
papéis destinados a homens e mulheres na sociedade. Por exemplo, os meninos brincam 
de bola e carrinho, enquanto as meninas brincam de boneca e casinha, deixando claro o 
espaço que cada um ocupará dentro da sociedade. Por este motivo é que se organizam 
papéis diferenciados para homens e mulheres.
Papéis femininos ou Feminilidades: De acordo com os estudos, os modelos 
de feminino em nossa sociedade são criados a partir de símbolos antagônicos: Eva 
e Maria, bruxa e fada, mãe e madrasta. Sendo que essas definições propõem o que 
é bom para as mulheres e culpam-nas quando não correspondem a este padrão. A 
sociedade espera que as mulheres cuidem da casa, dos filhos e do marido, que sejam as 
guardiãs da moral da família, que sejam meigas, atenciosas, maternais e frágeis. Outras 
expressões de feminino são marginalizadas.
Papéis masculinos ou Masculinidades: Os estudos sobre masculinidade 
tratam da construção da identidade masculina e das diferentes masculinidades. 
Além disso, tratam do discurso sobre o masculino, a idealização dele e os padrões de 
masculinidade. O que a sociedade espera do papel desempenhado pelos homens é 
que sejam provedores, fortes e viris. Outras expressões de masculinidade também são 
consideradas desviantes.
Violência de gênero: Os estudos apontam que a violência de gênero é 
demonstrada no exercício de poder dos homens (na forma de espancamentos, insultos, 
ameaças, estupros, assédio, assassinatos e outros) sobre as mulheres e demais 
pessoas consideradas "inferiores" (homossexuais, crianças, idosos etc.). Esses estudos 
demonstram uma série de situações em que as mulheres têm sido historicamente 
violentadas em seus direitos, tanto no aspecto físico, quanto psicológico.
Famílias: Muitos estudos reconhecem que há uma visão tradicional de 
família que não reconhece a existência de núcleos familiares chefiados somente por 
mulheres ou a constituição de famílias compostas por "agrupamento". De igual forma, 
são abordadas aqui as questões relativas aos papéis tradicionais desempenhados por 
homens e mulheres dentro das estruturas familiares.
 
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A imagem das mulheres nos meios de comunicação: Os estudos 
demonstram que os meios de comunicação parecem dar às mulheres "visibilidade" e 
"espaço para discussão", mas que reforçam constantemente o seu papel de "objeto de 
consumo", de "utilidade pública" e "sexual". Por exemplo, nas propagandas de bebidas 
alcoólicas.
A educação escolar: Os estudos reforçam que a educação escolar é 
transmissora de valores, atitudes e preconceitos, reprodutora das desigualdades de 
gênero e homofobia. Isso porque, no universo das instituições de ensino do nosso país, 
assuntos como Gênero e Sexualidade têm sido tratados historicamente como tabus. 
Quando se permite falar sobre esses temas, a escola tende a tratar a questão como uma 
dimensão da vida adulta, ligada à constituição da família e da reprodução, através de 
uma perspectiva biológica. Desta forma, tanto o exercício da sexualidade por si, quanto 
as orientações homoafetivas, neste espaço disciplinar, são negados. A escola tem 
assumido, entre outros, o papel de vigiar os limites entre as identidades e os papéis de 
gênero. Nesta função, de acordo com Louro (1997), a norma a ser mantida e reafirmada 
pela instituição valoriza, prioritariamente, o modelo tradicional dos papéis de gênero e o 
comportamento heterossexual, reafirmando os padrões da moral dominante vigente na 
sociedade, tomando por modelo as relações hierárquicas e desiguais entre os sexos e 
o homem e a mulher branca heterossexual de classe média urbana e cristã. Os que são 
diferentes deste modelo são considerados como tendo um comportamento "desviante". 
Louro (1997, p. 36) destaca que “ninguém é essencialmente diferente, ninguém é 
essencialmente o outro; a diferença é sempre constituída a partir de um dado lugar que 
se toma como centro".
No Brasil, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a Secretaria de Educação 
Continuada (SECAD/MEC) possuem a perspectiva de que os temas gênero, identidade 
de gênero e orientação sexual devem ser considerados pela política educacional como 
uma questão de direitos humanos. Por este motivo é que existe no Brasil uma agenda 
de enfrentamento ao sexismo e homofobia através do Plano Nacional de Políticas para 
as Mulheres (PNPM) e do Programa Brasil sem Homofobia (BSH).
Por outro lado, a questão tornou-se tão polêmica a ponto de gerar a elaboração 
de um projeto de lei (Projeto de Lei 7382/2010), que prevê a penalização pela 
discriminação contra heterossexuais e determina que as medidas e políticas públicas 
antidiscriminatórias atentem para essa possibilidade, ou seja, pune a “heterofobia”. No 
momento, o projeto encontra-se em pedido de vista pela Comissão de Direitos Humanos 
e Minorias (CDHM).
Público e Privado: Os estudos demonstram que, a partir da consolidação do 
capitalismo, consolida-se também a ideologia de que existe uma esfera pública e outra 
privada. Esfera privada: Lugar próprio das mulheres, do doméstico, da subjetividade, 
do cuidado, da honra. Esfera pública: Espaço dos homens, da objetividade, dos iguais, 
da liberdade e do direito. Desta maneira, convencionou-se nas sociedades ocidentais 
56
o espaço privado para a mulher, a casa, o cuidado com os filhos e marido; e o espaço 
público ao homem, relações sociais, políticas e de trabalho. Essa “ordem” social criou 
diferenças e justificou desigualdades sexuais ao longo da história, sendo que muitas 
ainda permanecem nos dias de hoje. 
A divisão sexual do trabalho: Os estudos demonstram que historicamente 
a divisão sexual do trabalho enfatiza para os homens a produção e a subsistência da 
família e para as mulheres a reprodução e a educação das crianças.
Acadêmico, sobre esses temas, reflita as seguintes perguntas: O que você 
entende por viver sem preconceito de gênero? E sem preconceito de sexo? Existe 
diferença entre essas perguntas? Como você responderia cada uma delas?
Você deve ter percebido que nos últimos cinco ou dez anos houve, no Brasil, 
uma evidente tendência ao uso do termo gênero – em referência aos papéis masculinos 
e femininos das pessoas – em substituição ao termo sexo – referenteao sexo biológico 
– em muitos sites governamentais e não governamentais, quando da necessidade de 
informar dados pessoais para cadastros. Já se deparou com isso?
Apesar de serem conceitos diferentes (sexo e gênero), observe que são perguntas 
semelhantes, que nos remetem ao reconhecimento das diferenças entre homens e 
mulheres e ao respeito para com ambos. No entanto, até pouco tempo não se fazia 
esse questionamento, mesmo reconhecendo que há manifestações de comportamento 
afetivo ou sexual diferente do sexo de nascimento. Contudo, o momento delicado em 
que a sociedade vivencia esse debate não pode motivar violência e intolerância e, muito 
menos, a adoção do relativismo, teoria filosófica que admite que todo conhecimento é 
relativo. Pois se assim o fosse, perguntas como “de onde vim?”, “o que sou?” e “para onde 
vou?” não seriam tão intrigantes quanto são para a única espécie capaz de raciocinar 
sobre si mesma, o Homo sapiens.
Assim, o modo como o termo gênero vem sendo utilizado nos diversos meios 
de comunicação apresenta uma fragilidade. Por exemplo, se o gênero representa o 
comportamento social da pessoa e o sexo a determinação biológica, as duas perguntas 
deveriam ser feitas. Agora, se só existe uma espécie humana e nesta se manifestam 
apenas dois sexos (ou dois gêneros), estaria coerente discutir relações de gênero?
O debate acerca do assunto é amplo, e para nós, brasileiros, a Constituição prevê, 
no Art. 3º, inciso IV, que constituem objetivos fundamentais da República Federativa 
do Brasil, dentre outros, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, 
sexo, cor, religião, idade e quaisquer outras formas de discriminação (BRASIL, 1988). 
Portanto, já estaria respaldado o reconhecimento da diversidade humana e o combate 
à discriminação de qualquer origem.
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A produção foi sempre mais valorizada do que a reprodução, por este 
motivo é que as atividades ditas reprodutivas, como as funções domésticas, são 
desvalorizadas. De acordo com Faria (1997), referindo-se ao trabalho das mulheres 
rurais no Brasil:
Carpir no sertão nordestino era uma tarefa dos homens e era 
considerado um trabalho pesado. Carpir no brejo paraibano era 
tarefa das mulheres e era considerado trabalho leve. Como se 
vê, no cultivo da cana o que caracterizava um trabalho como 
leve ou pesado não era a força física necessária para realizá-
lo, mas o valor social de quem o fazia (FARIA, 1997, p. 14).
Nesse sentido, a desigualdade sexual não é refletida como um problema de 
gênero, ela é naturalizada. Essa postura é que mantém o padrão de desvalorização 
do trabalho feminino, e é o que explica porque muitas mulheres ainda ganham 
menos que os homens, mesmo ocupando cargos iguais. 
Por outro lado, após a expansão do capitalismo, quando as mulheres entram 
no mercado de trabalho permanecem ainda com as atividades domésticas, o cuidado 
com a casa e com os filhos. De acordo com o IBGE (2005): 
O IBGE mostra que a crescente participação das mulheres 
no mercado de trabalho não reduziu a jornada delas com os 
afazeres domésticos. Pelo contrário, na faixa etária de 25 a 49 
anos de idade, onde a inserção das mulheres nas atividades 
remuneradas é maior e que coincide com a presença de filhos 
menores, o trabalho doméstico ocupa 94% das mulheres. 
Aumentando o tempo de trabalho da mulher em função da 
dupla jornada de trabalho.
FONTE: Disponível em: <http://www.abed.org.br/congresso2012/anais/122f.pdf>. Acesso em: 2 jun. 2015.
A partir da segunda metade do século XX, com a expansão do capitalismo, 
as mulheres entraram definitivamente no mercado de trabalho. Fato que, por um 
lado, possibilitou a inserção da mulher no mundo do trabalho “produtivo” e no 
espaço público, e por outro, lhe manteve a condição de trabalhadora doméstica, 
pois ela continuou com a integralidade das atividades do lar. Ocorre, assim, o 
acúmulo de funções, chamado de dupla jornada de trabalho. Além disso, do 
ponto de vista do desenvolvimento do capitalismo, a contratação de mulheres 
foi estrategicamente conveniente, pois a remuneração do trabalho feminino era 
mais baixa do que a masculina, dada a sua condição histórica de inferioridade. 
Por esse motivo, ainda nos dias de hoje, em alguns setores, o trabalho feminino é 
menos valorizado do que o masculino. 
Dupla Jornada de Trabalho: 
FONTE: Disponível em: <https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos14/20320175.pdf>. Acesso em: 7 
dez. 2017.
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RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• O multiculturalismo significa a existência de grupos de diversas culturas, assim como: 
o embate político, econômico e social travado pelos diferentes grupos sociais na luta 
pelo respeito à diversidade.
• O termo “multiculturalismo” é recente, e sua utilização ocorreu pela primeira vez na 
Inglaterra, entre as décadas de 1960 e 1970.
• A ideia de que os estudos multiculturais são multidisciplinares, na medida em que 
são provenientes de diversos campos de conhecimento, como: Antropologia Cultural, 
Psicologia Social, História, Sociologia, entre outros.
• O direito à diferença e a diminuição das desigualdades são temas centrais para o 
multiculturalismo, bandeira de luta de vários movimentos sociais contemporâneos 
espalhados pelo mundo inteiro. 
• O conceito de cultura corresponde ao conjunto das regras sociais aceitas como 
normas pela sociedade ou grupo que as compõe.
• O etnocentrismo é a maneira de ver os “outros” com base nos nossos padrões 
culturais, com os nossos valores sociais, morais e éticos, e não os valores do outro.
• O relativismo cultural significa uma perspectiva mais ampla sobre o outro, uma 
perspectiva que vê e compreende o outro a partir dos parâmetros e regras sociais do 
outro.
• O feminismo como conceito múltiplo. Ele possui uma dimensão política, que se refere 
aos movimentos de luta por direitos, e uma dimensão acadêmica, que se refere aos 
estudos da condição feminina.
• O Movimento Feminista surgiu no século XVIII, na Europa, e foi dividido em três 
grandes momentos, sendo a 1ª, a 2ª e a 3ª ondas feministas.
• A primeira onda feminista se refere a um período extenso de atividade feminista, 
ocorrido durante o século XIX e início do século XX, na Europa. Sendo que o foco 
original do movimento se concentrou na promoção da igualdade, nos direitos 
contratuais e de propriedade para homens e mulheres.
59
• A segunda onda feminista tem como cenário de surgimento os Estados Unidos já 
no século XX, na década de 1960, na medida em que o processo de industrialização 
se acelera. O movimento feminista, neste momento histórico, luta por melhores 
condições de trabalho e renda, além de questionar as relações na família.
• Com a terceira onda feminista – a partir da década de 1980 –, vem a introdução da 
discussão da desigualdade de gênero no meio acadêmico, momento em que surge o 
conceito de gênero. 
 
• O conceito de gênero surge no Brasil através de pesquisadoras norte-americanas, 
que vão tratar as relações entre homens e mulheres de forma a negar as diferenças 
biológicas como constituidoras das identidades dos seres humanos, e introduzir a 
perspectiva de que somos construídos a partir de determinados mecanismos sociais.
• Existem pensamentos contrários à ideologia de gênero e outros favoráveis, a 
depender do autor que se leva em consideração.
• Questionar é tão importante quanto buscar o saber, e que é preciso estimular o 
pensamento crítico diante dos problemas cotidianos, de modo a desenvolver a 
capacidade de propor soluções viáveis e sustentáveis.
• Avaliar criticamente a realidade à luz dos conhecimentos científicos, éticos e morais 
contribui para o reconhecimento da diversidade e o respeito à dignidade humana.
60
AUTOATIVIDADE
1 As mulheres frequentam mais os bancos escolares que os homens, 
dividem seu tempo entre o trabalho e os cuidados com a casa, geram 
renda familiar, porém, continuam ganhando menos e trabalhando 
mais que os homens.
As políticas de benefícios implementadas porempresas preocupadas em facilitar a 
vida das funcionárias que têm criança pequena em casa já estão chegando ao Brasil. 
Acordos de horários flexíveis, programas como auxílio-creche, auxílio-babá e auxílio-
amamentação são alguns dos benefícios oferecidos. 
FONTE: Adaptado de <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 30 jul. 2013. 
JORNADA MÉDIA DE TRABALHO POR SEMANA
NO BRASIL - (EM HORAS)
FONTE: Disponível em: <http://ipea.gov.br>. Acesso em: 30 jul. 2013.
Considerando o texto e o gráfico, avalie as afirmações a seguir.
I- O somatório do tempo dedicado pelas mulheres aos afazeres domésticos e ao 
trabalho remunerado é superior ao dedicado pelos homens, independentemente 
do formato da família.
II- O fragmento do texto e dos dados do gráfico apontam para a necessidade de 
criação de políticas que promovam a igualdade entre os gêneros no que concerne 
a tempo médio dedicado ao trabalho e remuneração recebida.
61
2 O conceito de feminismo possui uma perspectiva política, que se 
refere ao movimento social em prol de políticas de reconhecimento 
e uma perspectiva acadêmica, que se refere aos estudos feministas. 
Com relação ao conceito de feminismo e à atuação do movimento 
feminista, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: 
3 O feminismo é um movimento social e um campo de estudos 
cujo objetivo é defender a igualdade entre os sexos. Na história 
do feminismo, convencionou-se dividir o movimento em três 
momentos: primeira, segunda e terceira onda feminista. Classifique 
V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: 
III- No fragmento de reportagem apresentado, ressalta-se a diferença entre o tempo 
dedicado por mulheres e homens ao trabalho remunerado, sem alusão aos afazeres 
domésticos.
É correto o que se afirma em:
a) ( ) I, apenas.
b) ( ) III, apenas.
c) ( ) I e II, apenas.
d) ( ) II e III apenas.
e) ( ) I, II e III.
( ) O feminismo é um movimento social e um campo de conhecimento que tem como 
objetivo defender a igualdade entre homens e mulheres, seja do ponto de vista 
jurídico, político ou econômico.
( ) O movimento feminista está dividido historicamente em três "ondas", sendo que 
a primeira onda refere-se ao feminismo do século XVIII, e tem como referências 
países como França e Inglaterra.
( ) Os estudos feministas têm como objetivo denunciar as desigualdades biológicas 
entre homens e mulheres, no sentido de garantir direitos apenas para as mulheres.
( ) Os estudos feministas podem ser classificados como multidisciplinares, pois são 
desenvolvidos a partir de várias áreas de estudos.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – F – V.
b) ( ) F – V – F – F.
c) ( ) F – F – V – F.
d) ( ) F – V – F – V.
62
( ) Uma das autoras mais importantes da Segunda Onda Feminista é Betty Friedan. Ela 
ficou conhecida por escrever o livro "A Mística Feminina". Nele, a autora enobrece a 
vida vazia das donas de casa de classe média nos Estados Unidos, destacando que 
a identidade da mulher deve ser exclusiva da família.
( ) Na Segunda Onda, a revolucionária Olímpia de Gouges, em 1791, escreveu uma 
declaração muito importante, argumentando que as mulheres deveriam ter os 
mesmos direitos que os homens, podendo participar da vida política, governando 
e formulando leis.
( ) A Segunda Onda Feminista culminou com os movimentos sociais em andamento 
nos Estados Unidos. Esse momento do feminismo começa na década de 1960 e 
dura até o fim da década de 1980. 
( ) A Terceira Onda Feminista inicia na década de 1990, com o objetivo de compreender 
os problemas femininos de um ponto de vista mais amplo, e não apenas do ponto 
de vista das "mulheres brancas de classe média-alta", como fez a segunda onda.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – F – V – V.
b) ( ) F – V – F – F.
c) ( ) V – F – V – F.
d) ( ) V – V – F – V.
4 (ENADE - 2017, FORMAÇÃO GERAL, questão 1). 
TEXTO 1
Em 2001, a incidência da sífilis congênita – transmitida da mulher para o feto durante 
a gravidez – era de um caso a cada mil bebês nascidos vivos. Havia uma meta da 
Organização Pan-Americana de Saúde e da Unicef de essa ocorrência diminuir no Brasil, 
chegando, em 2015, a cinco casos de sífilis congênita por 10 mil nascidos vivos. O país 
não atingiu esse objetivo, tendo se distanciado ainda mais dele, embora o tratamento 
para sífilis seja relativamente simples, à base de antibióticos. Trata-se de uma doença 
para a qual a medicina já encontrou a solução, mas a sociedade ainda não.
FONTE: Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 23 jul. 2017 (adaptado).
TEXTO 2
O Ministério da Saúde anunciou que há uma epidemia de sífilis no Brasil. Nos últimos 
cinco anos, foram 230 mil novos casos, um aumento de 32% somente entre 2014 e 
2015. Por que isso aconteceu?
Primeiro, ampliou-se o diagnóstico com o teste rápido para sífilis realizado na unidade 
básica de saúde e cujo resultado sai em 30 minutos. Aí vem o segundo ponto, um dos 
mais negativos, que foi o desabastecimento, no país, da matéria-prima para a penicilina. 
63
O Ministério da Saúde importou essa penicilina, mas, por um bom tempo, não esteve 
disponível, e isso fez com que mais pessoas se infectassem. O terceiro ponto é a 
prevenção. Houve, nos últimos dez anos, uma redução do uso do preservativo, o que 
aumentou, e muito, a transmissão.
A incidência de casos de sífilis, que, em 2010, era maior entre homens, hoje recai sobre 
as mulheres. Por que a vulnerabilidade neste grupo está aumentando?
As mulheres ainda são as mais vulneráveis a doenças sexualmente transmissíveis 
(DST), de uma forma geral. Elas têm dificuldade de negociar o preservativo com o 
parceiro, por exemplo. Mas o acesso da mulher ao diagnóstico também é maior, por 
isso, é mais fácil contabilizar essa população. Quando um homem faz exame para a 
sífilis? Somente quando tem sintoma aparente ou outra doença. E a sífilis pode ser uma 
doença silenciosa. A mulher, por outro lado, vai fazer o pré-natal e, automaticamente, 
faz o teste para a sífilis. No Brasil, estima-se que apenas 12% dos parceiros sexuais 
recebam tratamento para sífilis.
FONTE: Entrevista com Ana Gabriela Travassos, presidente da regional baiana da Sociedade 
Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Disponível em: <http://www.agenciapatricia-
galvao.org.br>. Acesso em: 25 jul. 2017 (adaptado).
TEXTO 3
Vários estudos constatam que os homens, em geral, padecem mais de condições 
severas e crônicas de saúde que as mulheres e morrem mais que elas em razão de 
doenças que levam a óbito. Entretanto, apesar de as taxas de morbimortalidade 
masculinas assumirem um peso significativo, observa-se que a presença de homens 
nos serviços de atenção primária à saúde é muito menor que a de mulheres.
GOMES, R.; NASCIMENTO, E.; ARAUJO, F. Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as 
mulheres? As explicações de homens com baixa escolaridade e homens com ensino superior. Cad. Saúde 
Pública [on-line], v. 23, n. 3, 2007 (adaptado).
A partir das informações apresentadas, redija um texto acerca do tema: Epidemia de 
sífilis congênita no Brasil e relações de gênero
Em seu texto, aborde os seguintes aspectos:
• A vulnerabilidade das mulheres às DSTs e o papel social do homem em relação à 
prevenção dessas doenças.
• Duas ações, especificamente voltadas para o público masculino, a serem adotadas 
no âmbito das políticas públicas de saúde ou de educação, para reduzir o problema.
5 (ENADE – 2017, FORMAÇÃO GERAL, questão 2). 
64
A pessoa trans precisa que alguém ateste, confirme e comprove que ela pode ser 
reconhecida pelo nome que escolheu. Não aceita que se autodeclare mulher ou homem. 
Exige que um profissional de saúde diga quem ela é. Sua declaração é o que menos 
conta na hora de solicitar, judicialmente, a mudança dos documentos. 
FONTE: Disponível em: <http://www.ebc.com.br>. Acesso em: 31 ago. 2017 (adaptado).
No chão, a travesti morre
Ninguémjamais saberá seu nome
Nos jornais, fala-se de outra morte
De tal homem que ninguém conheceu
FONTE: Disponível em: <http://www.aminoapps.com>. Acesso em 31 ago. 2017 (adaptado).
Usava meu nome oficial, feminino, no currículo porque diziam que eu estava cometendo 
um crime, que era falsidade ideológica se eu usasse outro nome. Depois fui pesquisar 
e descobri que não é assim. Infelizmente, ainda existe muita desinformação sobre os 
direitos das pessoas trans.
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil.elpais.com>. Acesso em: 31 ago. 2017 (adaptado).
Uma vez o segurança da balada achou que eu tinha, por engano, mostrado o RG do 
meu namorado. Isso quando insistem em não colocar meu nome social na minha ficha 
de consumação.
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil.elpais.com>. Acesso em: 31 ago. 2017 (adaptado).
Com base nessas falas, discorra sobre a importância do nome para as pessoas 
transgêneras e, nesse contexto, proponha uma medida, no âmbito das políticas públicas, 
que tenha como objetivo facilitar o acesso dessas pessoas à cidadania.
65
TÓPICO 4 - 
RESPONSABILIDADE SOCIAL: SETOR PÚBLICO, 
SETOR PRIVADO E TERCEIRO SETOR
1 INTRODUÇÃO
Nosso tempo apresenta enormes desafios éticos que decorrem da diversidade 
cultural das sociedades contemporâneas, do consumismo, do individualismo, do 
hedonismo, do desprezo ao próximo e à natureza, gerando um quadro de crise que tem 
sérias implicações sobre a ética, sobre os valores e sobre a responsabilidade social.
Podemos notar um triplo aspecto nesta crise: primeiro, o agravamento da 
desigualdade social, com crescente pobreza e miséria de uma parte considerável da 
população mundial. A desigualdade hoje se mostra tão grande que pode até levar à 
desumanização de uma parte considerável das pessoas, com os laços de cooperação e 
solidariedade atingindo níveis tão baixos como nunca vistos antes na história de nossa 
espécie.
Em segundo lugar, vemos uma crise do sistema de trabalho, com o desemprego, 
a perda dos postos de trabalho para a automação, e a exclusão social, que colocam o 
problema ético de como construir uma sociedade que não gere destituídos dela.
Em terceiro lugar, vemos a crise ecológica, com os níveis de consumo atuais 
esgotando os recursos naturais e degradando a natureza a ponto de comprometer a 
sobrevivência dos seres vivos, o que nos chama a atenção para a necessidade de uma 
nova ética em nossa relação com a natureza.
2 SETOR PRIVADO
Toda a realidade relatada anteriormente vem acompanhada do entendimento 
de que cada setor da sociedade tem suas responsabilidades. 
O setor privado, por mais óbvio que seja, não deveria ter participação do 
setor público. Esse setor também é conhecido como ‘iniciativa privada’ e tem papel 
preponderante na economia e desenvolvimento de um país.
 
UNIDADE 1
66
3 TERCEIRO SETOR 
Tradicionalmente, as organizações são pensadas e divididas a partir de uma 
lógica política administrativa que dirige a organização, partindo de dois pontos: de 
ordem pública ou de ordem privada. As organizações que estão fora desses dois grupos, 
que não apresentam objetivo meramente lucrativo ou não (apenas) desempenham 
funções públicas, são as organizações sociais, ou seja, todas as organizações residuais 
são definidas nesse guarda-chuva, o que abarca um conjunto muito heterogêneo 
de tipos e práticas. Não podemos aqui confundir com o terceiro setor do ponto de 
vista econômico, ou também conhecido como setor terciário, que se caracteriza por 
desenvolver as atividades de comércio da produção industrial, e por serviços, como 
transportes, telecomunicações e energia.
“A expressão ‘terceiro setor’ pode considerar-se também adequada na medida 
em que sugere uma terceira forma de propriedade entre a privada e a estatal, mas se 
limita ao não estatal enquanto produção, não incluindo o não estatal enquanto controle” 
(BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999, p. 16).
Pode-se notar que existe um problema de definição conceitual sobre o que 
abrange o terceiro setor. “[...] o conceito de terceiro setor descreve um espaço de 
participação e experimentação de novos modos de pensar e fazer sobre a realidade 
social. É um campo marcado por uma irredutível diversidade de atores e formas de 
organização” (CARDOSO, 1997 apud BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999, p. 37).
É importante levar em conta que a Organização Social é um tipo específico de 
ator dentro do terceiro setor. Apesar disso, algumas características podem ser apontadas 
como típicas das Organizações Sociais (BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999), que aqui são 
listadas:
• iniciativas privadas que buscam suprir uma utilidade de ordem pública, ou seja, seus 
fins são públicos;
• constituído em grande parte por voluntários. Isso quer dizer que alguns membros 
devem trabalhar sem remuneração; 
• sem fins lucrativos (o que não quer dizer que não haverá salário para alguns membros, 
mas sim que o objetivo não é enriquecer);
• deve ser formalmente constituída. Isso não significa que deve necessariamente ser 
uma instituição legalizada, mas sim possuir regras, procedimentos que assegurem a 
existência e atuação da organização;
• a gestão é própria, não deve ser realizada por grupos externos;
• passar por processo de regulamentação nesses últimos anos.
Assim, pode-se afirmar que o terceiro setor não é público nem privado. Ele se 
situa num entremeio, preenchendo lacunas do Estado através de uma atuação na esfera 
privada. Assim, as organizações visam prestar serviços com fins de atender demandas 
67
sociais em áreas como saúde, educação, cultura etc. Seu formato típico não é da 
Organização Não Governamental (ONG), e sim do setor estatal e do setor privado, que 
visam suprir as falhas do Estado e do setor privado no atendimento às necessidades da 
população, numa relação conjunta. Entretanto, algumas organizações estão evitando 
tal denominação, motivos explicados por Fischer e Falconer (1998, p. 4):
Esta característica pode ser observada quando se analisa a 
adoção do termo ONG – Organização Não Governamental – pelas 
entidades brasileiras. O termo foi adotado mais por influência dos 
financiadores internacionais do que por uma tendência espontânea 
das organizações brasileiras. Até, pelo contrário, muitas entidades 
atualmente não aceitam esta denominação por considerá-la 
restritiva, ou mesmo porque ela omite princípios e valores que lhe 
são mais caros do ponto de vista ideológico, ou que, na sua opinião, 
expressam com mais clareza sua missão institucional. 
De fato, a imagem das Organizações Sociais colou nas ONGs, mas elas são, na 
verdade, múltiplas e assumem vários formatos. Uma das críticas a essas organizações 
seria sobre uma atuação que serviria apenas a fins privados, não abrangendo a dimensão 
social da questão. Outro ponto seria sobre o enriquecimento de algumas organizações, 
que obtinham lucro irregularmente. Entretanto, as organizações sociais se apresentam 
como uma alternativa que, quando considerados todos os seus preceitos, funcionam 
efetivamente junto à população.
3.1 HISTÓRICO 
O surgimento das Organizações Sociais acontece no contexto de crise do 
último quarto do século XX, a partir da proposta de Estado mínimo nos anos 1980 pelo 
neoliberalismo, que significa a maior redução possível do Estado na economia, o que 
significou um corte nos programas destinados ao apoio da população. Na década de 
1990 essa proposta começa a se mostrar irreal e se inicia um retorno do Estado a uma 
posição mais atuante.
O contexto foi agravado pela abertura do capitalismo na década de 1990 e pela 
globalização. O processo de globalização e o fortalecimento das estruturas capitalistas 
no mundo, com o fracasso dos sistemas socialistas, aumentam a competitividade entre 
as empresas, que a partir deste momento não concorrem apenas com as nacionais, 
mas com aquelas situadas em outras partes do mundo. 
Assim, o Estado nacional teve dificuldade em proteger as empresas nacionais e 
os seus trabalhadores, o que levou à crise. “Esta crise levou o mundo a um generalizadoprocesso de concentração de renda e a um aumento da violência sem precedentes, 
mas também incentivou a inovação social na resolução dos problemas coletivos e na 
própria reforma do Estado” (BRESSER-PEREIRA; GRAU, 1999, p. 15).
68
Uma dessas inovações refere-se justamente ao fortalecimento do controle 
social através do público não estatal. Isso a tal ponto que se pode afirmar que o século 
XXI é o momento em que o público não estatal torna-se chave para a manutenção 
da vida social. Outro ponto que fortalece é a visão dessas organizações como espaço 
possível para a prática da cidadania, tornando efetiva a democracia participativa.
No Brasil, existem algumas particularidades sobre o histórico dessas 
organizações. Na verdade, desde o período militar, em meados do século XX, o Estado 
brasileiro realizou intervenção maciça na economia. Na década de 1990 esse modelo 
começou a ser criticado, algumas críticas em direção do desvio da função do papel do 
Estado, outras em direção do gasto gerado por essa atuação. Na década de 1990 surge, 
de fato, uma reação a essa conjuntura: “Só em meados dos anos 90 surge uma resposta 
consistente com o desafio de superação da crise: a ideia da reforma ou reconstrução do 
Estado, de forma a resgatar sua autonomia financeira e sua capacidade de implementar 
políticas públicas conjuntamente com a sociedade” (BRASIL, 1997a, p. 8).
Desta forma, o Estado inicia um processo de repensar o desenvolvimento. Ele 
toma para si outros papéis, o de promotor e regulador do desenvolvimento, deixando 
de se responsabilizar diretamente, como o fazia antigamente. Nesse sentido, por um 
lado, ele deixa a função de prestador direto de serviços sociais, principalmente saúde e 
educação, para assumir a sua regulação. Por outro lado, enquanto promotor, ele oferece 
subsídios a esses novos atores que assumirão essa atuação direta (BRASIL, 1997b).
Nesse contexto, surgem as Organizações Sociais, figura fundamental para o 
processo da reforma do Estado. O Estado, na verdade, fomenta esse novo ator. Ainda está 
em curso essa troca de atores, da saída do Estado para a ocupação das Organizações 
Sociais, que foi impulsionada pela regularização da sua atuação promovida na última 
década.
3.2 REALIDADE DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS NO BRASIL
Possuir um título de Organização Social no Brasil, atualmente, garante o 
recebimento de benefícios do Estado, que abrangem dotações orçamentárias, isenções 
fiscais, subsídios etc. Reiterando que as Organizações Sociais devem atender a uma 
demanda específica da comunidade.
Elas se fazem presentes atualmente na gestão de hospitais, santas casas, 
museus, institutos de fomento à pesquisa, de projetos voltados a algumas áreas 
específicas (saúde e cultura, esporte, no caso de alguns estados), manutenção de 
grupos (como a Fundação Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo).
69
FIGURA 7 – OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO – ODM
FONTE: Disponível em: <http://www.odmbrasil.gov.br/os-objetivos-de-desenvolvimento-do-milenio>. 
Acesso em: 7 dez. 2017.
Essas Organizações Sociais realizam a gestão do espaço público e querem 
melhorar a vida das pessoas, e, por consequência, a sociedade como um todo.
O espaço continua sendo público, ou seja, do Estado, mas quem administra os 
recursos, os negócios e as pessoas? Isso significa dizer que a associação de um museu 
faz desde a gestão dos funcionários que ali trabalham até o controle da bilheteria, 
programação cultural, peças e curadoria das peças.
O Estado de São Paulo foi pioneiro na implantação do sistema na área de saúde. 
A seleção envolve uma convocatória pública exigindo a experiência mínima na área de 
gerenciamento. Esse método visa garantir que entidades sólidas assumam a frente das 
instituições e o sucesso do modelo.
O trabalho e o estudo são compreendidos como essenciais para humanizar o 
indivíduo. Além disso, o trabalho principal é aquele que provê os meios de vida. Já o estudo 
é responsável pelo desenvolvimento humano. São eles que transformam as pessoas e 
a sua realidade (SCHERER-WARREN, 2000). Nesse sentido, há um intenso investimento 
na educação dentro dos acampamentos, não financeiro, mas de conhecimento humano 
através de parcerias com universidades e capacitação constante dos professores. 
Assim, o Movimento Sem-Terra amplia sua dimensão de atuação: 
O objetivo material imediato (a terra) ‘não basta’, como dizem, deve 
vir acompanhado de lutas pelos direitos sociais (a cidadania plena) e 
em direção à construção de uma sociedade mais justa (a socialista). 
Para atingir este objetivo é que a educação, considerada como um 
direito essencial, deve se desenvolver como um processo que inclui 
educação formal (ensino fundamental) e informal (participação 
no movimento, nas mobilizações, em ações de solidariedade etc.), 
incluindo neste processo todas as gerações e gêneros (SCHERER-
WARREN, 2000, p. 48).
70
Segundo avaliação da experiência de São Paulo pelo Banco Mundial em 2006 
(apud CAMARGO et al., 2013), a solução gerou uma experiência de modernização 
positiva em relação ao modelo anterior, mais produtiva e barata. Entretanto, há muitas 
críticas na proposta, a primeira seria o desvio de função, com alta probabilidade de as 
organizações passarem a atuar para fi ns privados; segundo, que há pouca transparência 
na sua atuação em relação à disponibilidade de informações (CAMARGO et al., 2013). 
Isso não apenas por parte das organizações, como também a postura do próprio Estado.
4 AS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS
No Brasil, as Organizações Não Governamentais (as ONGs) surgem no país no 
contexto da entrada da sociedade civil de forma orgânica, quer dizer, da sua participação 
efetiva nos rumos do país através da política. Isso acontece nas últimas décadas do 
século XX, ou seja, pouco mais de 20 anos.
Entretanto, qual seria de fato o espaço ocupado pelas ONGs em relação à 
sociedade civil na atualidade? Elas atuam politicamente? “[...] no Brasil, temas como 
direitos humanos, meio ambiente e fome têm tido como porta-voz, em grande parte, 
um conjunto de ONGs, que toma a iniciativa diante do Estado, propondo políticas 
diretamente ao Poder Executivo ou pressionando o Congresso Nacional para aprovações 
de leis” (PINTO, 2006, p. 654).
Exercendo o papel de pressionar governantes, as ONGs tratam de temas 
relativos a grupos e questões não trabalhadas sistematicamente, entre outras formas 
de atuação política. Como exemplo, podemos citar a questão do meio ambiente. Dentro 
das plataformas dos partidos, recentemente a discussão surgiu, e mesmo assim algo 
ainda raso, que não compreende o problema de forma profunda.
É interessante pensar que quem começa com as discussões ambientais são as ONGs. Na 
Amazônia, não se sabe ao certo o número de ONGs que atuam. As informações variam de 
1.000 a 100.000. Abaixo, seguem os símbolos de algumas delas.
IMPORTANTE
71
Outros temas relativos a grupos minoritários no país, como sobre as mulheres, 
direitos homoafetivos, indígenas, moradores de rua, são sistematicamente trabalhados 
e elaborados pelas ONGs. É bom esclarecer que as vozes desses grupos não são 
substituídas pelas ONGs, mas elas servem como intermediadoras na realização de 
projetos e sistematização das demandas, já que possuem uma preocupação maior em 
termos de organização que os movimentos sociais (PINTO, 2006). Dentro das ONGs 
também atuam indivíduos pertencentes a essas minorias, não existe uma fronteira, mas 
uma integração.
No que concerne às formas como as ONGs se movem no espaço 
público, vale chamar a atenção para o potencial de construção 
de redes, abrangendo os espaços locais, regionais e globais, 
como também as potencialidades de incluir, nessas redes, desde 
organizações internacionais, como as do sistema ONU e fundações 
financiadoras, até grupos semimarginalizados em bairros da periferia 
das grandes cidades. A noção de rede em relação às ONGs pode 
ser pensada de duas formas: uma é a rede entre ONGs incluindo 
também os movimentos sociais, na qual cadaorganização é ponto 
de transmissão para outras, maiores ou menores, locais ou globais. 
Outra forma de pensar a rede é como um espaço tridimensional 
onde as ONGs funcionam não apenas como pontos de transmissão, 
mas como pontos nodais, que acumulam e distribuem informações, 
acumulam poder, credenciam-se como representantes fazendo a 
ligação entre o Estado e a sociedade em geral (PINTO, 2006, p. 658).
Dessa forma, as ONGs adquirem poder, conseguem estabelecer pontes entre 
diferentes grupos. Por um lado, isso é positivo, pois elas conseguem fazer ressoar as 
vozes daqueles que pouco seriam ouvidos e colocar suas demandas aos governos. 
Por outro lado, esse poder pode ser perigoso, quando as populações apoiadas por 
essas ONGs passam a depender de sua atuação, ou seja, as ONGs podem desenvolver 
territórios de domínio, não estimulando a prática da cidadania e a busca dos direitos por 
si mesmo, mas uma dependência de sua atuação.
O fato é que as ONGs possuem na realidade brasileira contemporânea uma 
atuação política real e que conseguem pressionar o governo por uma atuação mais 
social. O espaço significa uma atuação política potencial, mas não existem limites das 
ações. Elas “não podem ser vistas de maneira simplista, como substitutas de partidos 
políticos, do Estado ou mesmo dos movimentos sociais. Suas ações têm limites, entre 
eles o fato de serem fragmentadas, atingirem o conjunto da sociedade de forma limitada 
e dependerem de financiamentos pontuais” (PINTO, 2006, p. 667).
O diretor Sergio Bianchi desenvolve uma crítica sobre a atuação das ONGs 
no Brasil. Busque e assista!
DICAS
72
O que se espera de uma sociedade que se vê desafiada pelos seus indivíduos é 
que ela seja capaz de:
• orientar as pessoas e os recursos materiais e financeiros para a promoção humana;
• manter uma atitude crítica frente às propostas políticas vigentes;
• vivenciar o espírito de partilha e ajuda mútua na comunidade educativa;
• realizar campanhas comunitárias diante das situações emergentes.
A participação ativa e efetiva das pessoas na vida política e social é um grande 
desafio, pois tem como objetivo externar a cidadania que todos almejam. O que ainda 
vemos é que conceitos como cidadania, os direitos e deveres do cidadão, algo que 
deveria estar entranhado em nossas vidas, não são tão conhecidos, muito menos 
praticados em nossa sociedade. São só conceitos.
73
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Tradicionalmente, as organizações são pensadas e divididas a partir de uma lógica 
política administrativa que dirige a organização, partindo de dois pontos: de ordem 
pública, ou de ordem privada.
• O surgimento das Organizações Sociais acontece no contexto de crise do último 
quarto do século XX.
• Exercendo um papel de pressão, as ONGs tratam de temas relativos a grupos e 
questões não trabalhadas sistematicamente, entre outras formas de atuação política.
• A participação ativa e efetiva das pessoas na vida política e social é um grande 
desafio, como forma de externar a cidadania que todos almejam.
74
AUTOATIVIDADE
1 Os direitos humanos são compartilhados por todos os indivíduos, 
contudo, a charge mostra a violação deles em um período específico 
da história brasileira: a ditadura militar. A personagem, através de 
uma fala irônica, narra fatos que aconteceram na época. A partir 
desse contexto, analise as sentenças a seguir:
I- A charge mostra a violação do direito à vida por conta das perseguições e mortes 
ocorridas.
II- Segundo a charge, os direitos humanos são respeitados universalmente em todos 
os períodos da história.
III- A charge mostra um contexto histórico de grandes liberdades para o indivíduo se 
expressar, apesar das perseguições narradas.
IV- A charge mostra a violação do direito à liberdade, tanto pela perseguição aos 
indivíduos como pela censura da imprensa e intelectuais.
FONTE: Disponível em: <http://historianovest.blogspot.com/2010/07/charges-declaracao-dos-direitos-hu-
manos.html>. Acesso em: 3 fev. 2014
75
2 Com os protestos de junho de 2013, veio à tona a insatisfação 
popular quanto aos rumos como a política no Brasil está sendo 
gestada. Entretanto, deve-se ter conhecimento dos espaços e 
atores políticos para além do governo que aproximam a sociedade 
civil de uma ação mais contundente. Sobre o tema, associe os itens, utilizando 
o código a seguir:
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença IV está correta.
b) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
c) ( ) As sentenças I e IV estão corretas.
d) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.
I- Conferências de Políticas Públicas.
II- Organização Social.
III- Organização Não Governamental (ONG).
( ) Cuidam de grande parte de temas referentes às minorias, ou seja, os indígenas, as 
mulheres, os homoafetivos.
( ) Debatem políticas públicas, sendo imprescindível a participação popular.
( ) Realizam a gestão de espaços públicos, como hospitais, museus.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) III - I - II.
b) ( ) I - II - III.
c) ( ) II - III - I.
d) ( ) III - II - I.
76
77
CULTURA E ARTE
1 INTRODUÇÃO
A cultura e a arte são áreas que interagem entre si e com as demais áreas 
de conhecimento. Estudar, pesquisar e refletir sobre as diferentes culturas e suas 
manifestações artísticas possibilita a compreensão da vida e das relações entre os 
sujeitos no meio social. A cultura, assim como a arte, é dinâmica, vai mudando conforme 
o tempo e o espaço. A cultura e a arte devem ser estudadas a partir de três concepções: 
erudita, popular e de massa. 
A cultura erudita é aquela proveniente de estudos, pesquisas e que geralmente 
está associada às instituições acadêmicas, por se tratar de um processo de legitimação. 
A arte está associada a esta área, pois envolve a compreensão de conhecimentos 
artísticos, históricos, filosóficos e sociais. Assim, a arte erudita, também conhecida como 
a de vanguarda, é concebida conhecendo lugares como galerias de arte, exposições e 
museus, bem como toda a estrutura e dinâmica de mediação que ocorrem entre os 
locais e o espectador, propondo humanização dos sentidos.
Já a cultura de massa surge com as novas tecnologias e com os meios de 
comunicação, como: jornais, televisão, rádio, cinema, música, internet, entre outros. 
A cultura de massa tem relação com o consumismo, devido à influência que a mídia 
exerce. A arte está relacionada à cultura de massa, devido à tecnologia utilizada e à 
grande quantidade de signos criados. 
E, por último, a cultura popular, que está relacionada ao que pertence à maioria 
do povo e que não é ensinada necessariamente em espaços formais de educação. 
É a definição de várias áreas de conhecimento, como: folclore, dança, música, festa, 
literatura, arte, artesanato etc. O conhecimento da cultura popular é passado de geração 
a geração. 
Desta forma, caro acadêmico, convidamos você para primeiramente compreender 
a cultura e a arte e como essas áreas de conhecimento interagem com o meio social.
2 CULTURA
A cultura é um aspecto social mutante em constante questionamento, pois é 
considerada por muitos pesquisadores como representação da intervenção da sociedade 
nos ambientes, sendo por isso difícil de conceituar. Para José Luiz dos Santos (2006, p. 45): 
UNIDADE 1 TÓPICO 5 - 
78
Cultura é uma construção histórica, seja como concepção, seja como 
dimensão do processo social. Ou seja, a cultura não é algo natural, 
não é decorrência de leis físicas e biológicas. Ao contrário, a cultura 
é produto coletivo da vida humana. Isso se aplica não apenas à 
percepção da cultura, mas também à sua relevância, à importância 
que passa a ter. Aplica-se ao conteúdo de cada cultura particular, 
produto da história de cada sociedade. Cultura é um território bem 
atual das lutas sociais por um destino melhor. É uma realidade e uma 
concepção que precisam ser apropriadas em favor do progresso 
social e da liberdade, em favorda luta contra a exploração de uma 
parte da sociedade por outra, em favor da superação da opressão e 
da desigualdade. 
Nesta perspectiva, a cultura é avaliada como um movimento humano que 
acontece a partir da convivência em grupo e da interação social. Portanto, é necessário 
percebermos as especificidades de cada grupo cultural, para assim observar e descobrir 
os signos existentes em busca da identidade de cada povo. 
São os valores culturais que identificam um povo, uma comunidade e cada 
pessoa. É através da cultura que se pode observar e caracterizar a história de vida, os 
costumes, as crenças e os hábitos de um determinado grupo social. 
José Luiz dos Santos (2006, p. 7) descreve que a cultura é uma preocupação do 
mundo atual, buscando “entender os caminhos que conduziram os grupos humanos às 
suas relações presentes e suas perspectivas de futuro”. O autor, quando relata cultura e 
diversidade, descreve que:
O desenvolvimento da humanidade está marcado por contatos 
e conflitos entre modos diferentes de organizar a vida social, de 
se apropriar dos recursos naturais e transformá-los, de conceber 
a realidade e expressá-la. A história registra com abundância as 
transformações por que passam as culturas, mais frequentemente 
por ambos os motivos. Por isso, ao discutirmos sobre cultura, 
temos sempre em mente a humanidade em toda a sua riqueza e 
multiplicidade de formas de existência. São complexas as realidades 
dos agrupamentos humanos e as características que os unem e 
diferenciam, e a cultura as expressa.
Nesse sentido, Eduardo David de Oliveira (2006, p. 155) se manifesta dizendo 
que “o homem é um ser cultural. A cultura é construída, forjada de acordo com os 
acontecimentos da história e criada a partir das contingências, sempre muito singulares, 
das comunidades humanas”. 
A compreensão de cultura é extremamente complexa, pois recebe novas 
definições com o passar do tempo, mas a partir da segunda metade do século XX cria-
se uma concepção ampliada de cultura, como descreve Marilena Chauí (2008, p. 57): 
79
A partir de então, o termo cultura passa a ter uma abrangência que 
não possuía antes, sendo agora entendida como produção e criação 
da linguagem, da religião, da sexualidade, dos instrumentos e das 
formas do trabalho, das formas da habitação, do vestuário e da 
culinária, das expressões de lazer, da música, da dança, dos sistemas 
de relações sociais, particularmente os sistemas de parentesco ou 
a estrutura da família, das relações de poder, da guerra e da paz, da 
noção de vida e morte. A cultura passa a ser compreendida como 
o campo no qual os sujeitos humanos elaboram símbolos e signos, 
instituem as práticas e os valores, definem para si próprios o possível 
e o impossível, o sentido da linha do tempo (passado, presente e 
futuro), as diferenças no interior do espaço (o sentido do próximo 
e do distante, do grande e do pequeno, do visível e do invisível), os 
valores como o verdadeiro e o falso, o belo e o feio, o justo e o injusto, 
instauram a ideia de lei, e, portanto, do permitido e do proibido, 
determinam o sentido da vida e da morte e das relações entre o 
sagrado e o profano.
Na perspectiva de cultura como aprendizagem de saberes cotidianos é 
fundamental que se traga a posição de Waldenyr Caldas (1986, p. 13), ao dizer que o 
pensamento humano cria o modo de vida, os costumes e as regras, dizendo que a 
cultura:
Quando aplicada ao nosso estilo de vida, ao convívio social, nada tem 
a ver com a leitura de um livro ou aprender a tocar um instrumento, 
por exemplo. Na realidade, o trabalho do antropólogo, estudioso da 
cultura humana, começa pela investigação de culturas, ou seja, pelo 
modo de vida, padrões de comportamento, sistema de crenças, que 
são características de cada sociedade. Noutras palavras, pode-se 
dizer que nenhuma sociedade, nenhum povo, seja ele atrasado ou 
desenvolvido, primitivo ou civilizado, jamais agirá de forma idêntica 
aos demais. Poderá haver, isto sim, algumas semelhanças.
A cultura pode ser entendida como importante agente para debater o estar 
e ser no mundo, que é entendido como um movimento que está intimamente ligado 
a tudo e a todos os aspectos sociais, culturais, históricos e filosóficos. Segundo José 
Luiz dos Santos (2006, p. 8), “cada realidade cultural tem sua lógica interna, que 
devemos conhecer para que façam sentido suas práticas, costumes, concepções e as 
transformações pelas quais passam”.
80
AUTOATIVIDADE
Analise e responda esta questão da prova ENADE 2007:
Jornal do Brasil, 3 ago. 2005. 
Tendo em vista a construção da ideia de nação no Brasil, o argumento da 
personagem expressa:
a) ( ) A afirmação da identidade regional. 
b) ( ) A fragilização do multiculturalismo global. 
b) ( ) O ressurgimento do fundamentalismo local. 
d) ( ) O esfacelamento da unidade do território nacional. 
e) ( ) O fortalecimento do separatismo estadual.
Cada povo, cada região tem suas especificidades culturais que compreendem 
a sua forma de pensar e de agir, evidenciando a diversidade cultural existente. A partir 
da diversidade cultural compreende-se a identidade cultural de cada povo. Para Oliveira 
(2006, p. 84): “a identidade se constrói com relação à alteridade. Com aquilo que não sou 
eu. É diante da diferença do outro que a minha diferença aparece”. Diferentes nações, 
etnias, identidades regionais, comunidades ou outros tipos de grupos sociais organizam 
e dão sentido à sua existência. 
O Brasil, por exemplo, apresenta uma diversidade cultural ampla, pois é resultado 
de uma miscigenação étnica e cultural, principalmente dos povos indígenas, africanos e 
europeus. Esta miscigenação se dá devido ao processo histórico que ocorreu no Brasil.
Assim, a educação no Brasil estabeleceu, nas diretrizes e bases da educação 
nacional, a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena no 
currículo escolar da educação básica. A lei tem como propósito o conhecimento desses 
dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos 
81
negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira, o negro e 
o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas 
social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), em seu documento, também 
descrevem sobre Pluralidade Cultural, explicando que o estudo das diferentes 
culturas deve contribuir para a formação de uma nova mentalidade, onde toda forma 
de discriminação e exclusão seja superada, proporcionando ao povo brasileiro “uma 
vivência plena de sua cidadania” (BRASIL, 1997, p. 13). 
Tal perspectiva vem ao encontro da necessidade de ampliar o conhecimento 
cultural, com o propósito de banir aspectos de enxergar apenas a sua cultura específica. 
A partir da concepção de que o ser humano apenas considera o seu modo de vida como 
o “mais correto” e “melhor”, assim, ele age em uma lógica do etnocentrismo. De acordo 
com Meneses (1999, p. 13):
Etnocentrismo é um preconceito que cada sociedade ou cada 
cultura produz, ao mesmo tempo em que procura incutir, em seus 
membros, normas e valores peculiares. Se sua maneira de ser e 
proceder é a certa, então as outras estão erradas, e as sociedades 
que as adotam constituem ‘aberrações’. Assim, o etnocentrismo 
julga os outros povos e culturas pelos padrões da própria sociedade, 
que servem para aferir até que ponto são corretos e humanos os 
costumes alheios. Desse modo, a identificação de um indivíduo com 
sua sociedade induz à rejeição das outras.
Por meio do conhecimento da diversidade cultural é possível distanciar 
pensamentos etnocêntricos que promovem o preconceito. Entende-se que conhecendo 
a cultura do outro em um contexto de diversidade pode-se identificar e valorizar cada 
movimento cultural de forma a promover uma vivência plena com respeito e ética social. 
Entende-se que conhecendo a cultura do outro em um contexto de diversidade se podeidentificar e valorizar cada movimento cultural, de forma a distanciar preconceitos e 
desigualdades.
3 ARTE
“A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas,
como se sente que são”. (Fernando Pessoa, 1986)
Desde a pré-história o ser humano está cercado de fenômenos artísticos, como 
desenho, gravura, pintura, dança, escultura, música, literatura, entre outros. Atualmente, 
percebe-se uma grande variedade de práticas artísticas que permeiam o universo 
cultural, que circundam entre as várias linguagens artísticas, como: artes visuais, artes 
cênicas, dança e música. Ao refletir sobre a arte, alguns questionamentos surgem: O 
que é arte? Que tipo de arte conhecemos? A arte tem alguma função? 
82
O homem primitivo, por exemplo, precisou criar objetos que correspondessem 
às suas necessidades de sobrevivência, representando por meio de desenhos nas 
cavernas os seus anseios para suas caçadas. A partir da concepção de arte primitiva, 
Marilena Chauí (2008, p. 403) questiona sobre o “que dizem os desenhos nas paredes 
da caverna”. A autora afirma que “o mundo é visível, e para ser visto é que o artista dá 
a ver o mundo”. Com isso, a arte inicialmente teve aspecto de utilidade, mas com o 
passar do tempo, os utensílios e as representações começaram a ser criados pelo prazer 
em si, desvinculando da ideia unicamente de utilidade. Assim, a arte surge com novas 
compreensões, como cita Marilena Chauí (2003, p. 406-407):
A distinção entre artes da utilidade e artes da beleza acarretou uma 
separação entre técnica (o útil) e arte (o belo), levando à imagem da 
arte como ação individual espontânea, vinda da sensibilidade e da 
fantasia do artista como gênio criador. Enquanto o técnico é visto 
como aplicador de regras e receitas vindas da tradição ou da ciência, 
o artista é visto como dotado de inspiração, entendida como uma 
espécie de iluminação interior e espiritual misteriosa, que leva o 
gênio a criar a obra.
O belo para a arte passa a ser concebido pela experiência artística. A partir da 
abordagem do belo ou juízo do gosto, a arte também é estudada por uma disciplina 
filosófica que é conhecida como estética. A palavra estética é a tradução da palavra 
grega aesthesis, que significa conhecimento sensorial, experiência e sensibilidade. A 
estética estuda as sensações que a arte provoca no ser humano, desde sensações boas 
até sensações que causam desconforto, inquietude, aflição etc. 
 
A partir das manifestações artísticas criadas desde a pré-história até 
a contemporaneidade, percebe-se que diferentes povos culturais criam suas 
particularidades artísticas, como é o caso, por exemplo, das culturas indígenas. Os 
povos indígenas, devido aos saberes ancestrais, se apropriam de elementos da sua 
etnia para conceber o belo por meio das manifestações culturais. A pintura corporal dos 
povos indígenas tem representação ritualística, desta forma, cada sociedade assume 
um significado artístico diferente, como é o caso da pintura corporal na atualidade, que 
é representada pela tatuagem, e esta tem apenas o significado de decorar. 
A arte tem inúmeras possibilidades de definição, pois se compreende como uma 
manifestação dinâmica, onde são atribuídos conceitos no tempo e espaço. 
A arte é muitas coisas. Uma das coisas que a arte é, parece, é uma 
transformação simbólica do mundo. Quer dizer: o artista cria um 
mundo outro – mais bonito ou mais intenso ou mais significativo, ou 
mais ordenado – por cima da realidade imediata [...]. Naturalmente, 
esse mundo do outro que o artista cria ou inventa nasce de sua 
cultura, de sua experiência de vida, das ideias que ele tem na cabeça, 
enfim, de sua visão de mundo [...] (GULLAR, 1982 apud CHAUÍ, 2003, 
p. 271).
83
A palavra arte deriva do latim ars, artis, que significa profissão ou habilidade 
natural ou adquirida. Também corresponde ao termo grego tékhne, “técnica”, que 
significa “toda atividade humana submetida a regras em vista da fabricação de alguma 
coisa” (CHAUÍ, 2003, p. 275). Este conceito também se tem na cultura greco-romana, 
que significava ofício. Assim, a primeira definição da arte estava ligada ao propósito de 
fazer ou produzir. A segunda definição de arte é compreendida como conhecimento, 
visão ou contemplação, isto significa que a obra pode retratar aspectos históricos, 
sociais e educativos. Já a terceira definição está ligada à arte como expressão, que é 
uma experiência com o sensível. 
A partir dessas abordagens, percebe-se que é difícil um conceito definitivo para 
responder o que é arte, pois a arte se transforma, se modifica de acordo com o contexto 
cultural no qual está inserida. 
A obra Mona Lisa, criada pelo artista do Renascimento Leonardo da Vinci, é 
tida como um exemplo de obra de arte que é conhecida por grande parte da população 
mundial. Seu misterioso sorriso é pesquisado e admirado por muitos.
FIGURA 8 – LEONARDO DA VINCI. MONA LISA. 1503–1507
Óleo sobre madeira de álamo, color. 77 cm x 53,5 cm. Museu do Louvre, Paris.
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Mona_Lisa#/media/File:Mona_Lisa,_by_Leonardo_da_
Vinci,_from_C2RMF_retouched.jpg>. Acesso em: 20 maio 2015.
84
Séculos depois de Leonardo da Vinci, o artista do movimento artístico Dadaísmo, 
Marcel Duchamp, atuou como um dos maiores expoentes da vanguarda artística 
do século XX. Duchamp reproduziu a obra original Mona Lisa em cartões postais, 
desenhando na imagem um bigode e escrevendo embaixo da mesma: L.H.O.O.Q. A obra 
do artista Duchamp não se trata de uma ofensa à obra original, mas uma brincadeira 
irônica com reverência aos antigos mestres da pintura. 
FIGURA 9 – MARCEL DUCHAMP. MONA LISA (L.H.O.O.Q). 1919. READY-MADE CERTIFICADO
Lápis sobre produção fotográfica. Color; 17,8 cm x 12 cm. Coleção privada.
FONTE: Disponível em: <http://museuhoje.com/app/v1/br/arte/55-marcelduchamp>. Acesso em: 20 maio 2015.
Foi com o princípio de repensar o sentido de arte do seu tempo que Duchamp 
colocou em questão o que seria arte. Isso leva a pensar que conceituar arte não é 
definitivo, uma vez que cada um pode conceber a obra de uma forma. 
Chauí (2003, p. 403) descreve que “a obra de arte dá a ver, a ouvir, a sentir, 
a pensar, a dizer. Nela e por ela, a realidade se revela como se jamais a tivéssemos 
visto, ouvido, sentido, pensado ou dito”. Assim, para a autora (2003, p. 407), as artes na 
atualidade tornam-se:
85
Trabalho da expressão e mostram que, desde que surgiram 
pela primeira vez, foram inseparáveis da ciência e da técnica. 
Assim, por exemplo, a pintura e a arquitetura da Renascença são 
incompreensíveis sem a matemática e a teoria da harmonia e das 
proporções; a pintura impressionista, incompreensível sem a física e 
a óptica, isto é, sem a teoria das cores etc. A novidade está no fato 
de que, agora, as artes não ocultam essas relações, os artistas se 
referem explicitamente a elas e buscam nas ciências e nas técnicas 
respostas e soluções para problemas artísticos.
Nesta abordagem, a arte parte para a construção de um sentido novo (a obra) 
e o institui como parte da cultura. Segundo Chauí (2008, p. 329), “o artista é um ser 
social que busca exprimir seu modo de estar no mundo na companhia dos outros seres 
humanos, reflete sobre a sociedade, volta-se para ela, seja para criticá-la, seja para 
afirmá-la, seja para superá-la”.
A obra Guernica, pintada pelo artista do Cubismo, Pablo Picasso, propaga o 
sentido da arte enquanto expressão, pois revela na obra o sentido da dor, do belo, do 
terrível, do sublime, ou seja, mostra por meio da arte o sentido da cultura e da história na 
vida em sociedade. Essa obra retratou o bombardeio que a cidade espanhola Guernica 
sofreu por aviões alemães.
FIGURA 10 – PABLO PICASSO. GUERNICA. 1937
Pintura a óleo. 349 cm x 776 cm. Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia.
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Guernica_%28quadro%29#/media/File:Mural_del_Ger-
nika.jpg>. Acesso em: 20 maio 2015.
Nota-se que a arte é uma ciência do conhecimentoque representa um elo entre 
o passado, o presente e o futuro, pois demonstra o pensar, o agir e todos os aspectos 
culturais existentes desde o homem primitivo até o homem contemporâneo. 
86
A arte pertence à cultura erudita, que são as artes desenvolvidas a partir de um 
conhecimento acadêmico, são aquelas que estão dentro de lugares como galerias de 
arte e museus, mas também, a arte faz parte da cultura popular, e este conhecimento 
popular é reconhecido como patrimônio cultural. Para Suíse Monteiro Leon Bordest:
O patrimônio cultural de um povo é formado pelo conjunto dos 
saberes, fazeres, expressões, práticas e seus produtos, que remetem 
à história, à memória e à identidade de um povo. A preservação 
do patrimônio cultural significa, principalmente, cuidar (reproduzir 
sempre e os manter vivos) dos bens aos quais esses valores estão 
associados, ou seja, cuidar de bens representativos da história 
e da cultura de um lugar ou de um grupo social. A Constituição 
brasileira de 1988, em seus artigos 215 e 216, ampliou a noção de 
patrimônio cultural ao reconhecer a existência de bens culturais 
de natureza material e imaterial e, também, ao estabelecer outras 
formas de preservação – como o registro e o inventário – além do 
tombamento, instituído pelo Decreto nº 25, de 30 de novembro 
de 1937, que determina especialmente a proteção de edificações, 
paisagens e conjuntos históricos urbanos. O patrimônio imaterial 
cuida da preservação dos bens culturais de natureza imaterial, como 
os ofícios e saberes artesanais, as maneiras de pescar, caçar, plantar, 
cultivar e colher, de utilizar plantas como alimentos e remédios, de 
construir moradias, mas também manifestos através das danças 
e músicas, incluindo também os modos de vestir e falar, os rituais 
e festas religiosas e populares, as relações religiosas, sociais e 
familiares que revelam os múltiplos aspectos da cultura cotidiana de 
uma comunidade (apud IPHAN/MinC, 2012).
Nos dias atuais a arte contemporânea está associada à indústria cultural, 
apropriando-se da tecnologia e das interferências da mídia, fazendo parte da cultura 
de massa. Os meios de comunicação, como a televisão, fotografia, cinema, internet, 
rádio e redes sociais fazem com que o conhecimento artístico seja divulgado com maior 
facilidade e rapidez, de forma acessível a grande parte da população.
A arte na atualidade ou arte contemporânea, que surgiu mais intensamente a 
partir de 1960, busca romper com aspectos tradicionais da arte. A arte contemporânea 
passa a ser pensada como integrante da vida e do mundo, em que é concebida em 
lugares formais e informais, buscando a participação do público. Tem como característica 
a apropriação de materiais e objetos encontrados no cotidiano. Neste sentido, a obra 
tem um tempo de duração determinado. 
A artista canadense Jana Sterbak fez uma exposição, em 1987, causando 
polêmica por mostrar que o corpo humano, por mais bem vestido e arrumado que esteja, 
não passa de carne e osso.
87
FIGURA 11 – JANA STERBAK, VANITAS. VESTIDO DE CARNE PARA ALBINO ANORÉXICO.1987
FONTE: Disponível em: <http://performatus.net/jana-sterbak/>. Acesso em: 20 maio 2015.
A arte contemporânea proporcionou aos artistas maior liberdade de criação, 
sendo que ampliou o conceito das linguagens artísticas do que pode ou não ser 
considerado como arte. Desta forma, podemos dizer que a arte contemporânea é uma 
arte conceitual, pois a ideia proposta pelo artista é mais importante que o objeto em si, 
valorizando a experiência que irá causar no público. Desta forma, pode-se pensar a arte 
na atualidade como uma área do conhecimento em uma relação com a natureza, com 
a realidade urbana e com o mundo tecnológico. Com isso surgem diferentes linguagens 
contemporâneas que se articulam, como a pintura, gravura, escultura, desempenho, 
happening, instalação, assemblage, ready-made, fotografia, literatura, video-art, body-
art, land-art etc.
88
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Estudar, pesquisar e refletir sobre as diferentes culturas e suas manifestações 
artísticas possibilita a compreensão da vida e das relações entre os sujeitos no meio 
social. A cultura e a arte devem ser estudadas a partir de três concepções: erudita, 
popular e de massa.
• A cultura, assim como a arte, é dinâmica, vai mudando conforme o tempo e espaço, 
e são duas áreas de conhecimento de difícil definição, porém elas interagem entre si 
e com as demais áreas de conhecimento.
• A cultura é considerada como um movimento humano decorrente da convivência em 
grupo e da interação social. Portanto, é necessária a percepção das especificidades 
de cada grupo cultural, para com elas observar e descobrir os signos existentes em 
busca da identidade de cada povo. 
• É por meio do conhecimento e da valorização da cultura que se pode observar 
e caracterizar a história de vida, os costumes, as crenças e os hábitos de um 
determinado grupo social a fim de distanciar preconceitos e desigualdades.
• A arte tem sua definição a partir de três concepções: do fazer, do conhecimento e da 
experiência com o sensível. A arte pode ser representada por meio das artes visuais, 
artes cênicas, música e dança.
89
AUTOATIVIDADE
1 (ENADE – 2008, questão 1) O filósofo alemão Friedrich Nietzsche 
(1844-1900), talvez o pensador moderno mais incômodo e 
provocativo, influenciou várias gerações e movimentos artísticos. O 
Expressionismo, que teve forte influência desse filósofo, contribuiu 
para o pensamento contrário ao racionalismo moderno e ao trabalho mecânico 
através do embate entre a razão e a fantasia. As obras desse movimento deixam 
de priorizar o padrão de beleza tradicional para enfocar a instabilidade da vida, 
marcada por angústia, dor, inadequação do artista diante da realidade. Das 
obras a seguir, a que reflete esse enfoque artístico é:
A B C
Homem idoso na poltrona. Rem-
brandt van Rijn – Louvre, Paris. 
Disponível em: <http://www.
allposters.com>.
Figura e borboleta. Milton 
Dacosta.
Disponível em: <http://www.
unesp.br>.
O grito. Edvard Munch, Oslo. 
Disponível em: <http://members.
cox.net>.
C D
Menino mordido por um lagarto. 
Michelangelo Merisi (Caravaggio), 
National Gallery, Londres.
Disponível em: <http://vr.theatre.ntu.
edu.tw>.
Abaporu. Tarsila do Amaral. 
Disponível em: <http://tarsilado 
amaral.com.br>.
90
91
POLÍTICA, TECNOLOGIA 
E GLOBALIZAÇÃO: OS 
IMPACTOS SOBRE A 
SOCIEDADE
UNIDADE 2 —
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender os fundamentos e concepções sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade;
• ampliar a percepção acerca das relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade;
• conceber as tecnologias da informação e comunicação como fator determinante no 
advento da sociedade da informação;
• contribuir para o debate sobre a sociedade da informação;
• compreender as práticas de inovação, as comunidades virtuais e seus impactos e 
conhecer novidades tecnológicas existentes;
• compreender o processo político, social e histórico contemporâneo;
• refl etir sobre relações de trabalho.
Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoa-
tividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E AMBIENTE
TÓPICO 2 – TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC)
TÓPICO 3 – AVANÇOS TECNOLÓGICOS
TÓPICO 4 – GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICA INTERNACIONAL
TÓPICO 5 – RELAÇÕES DE TRABALHO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
92
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
Acesse o 
QR Code abaixo:
93
TÓPICO 1 — 
CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E 
AMBIENTE
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, para adentrarmos nos assuntos relacionados à Ciência, 
Tecnologia e Sociedade é necessário entendermos os fundamentos de cada tema, e, 
somente então,relacionarmos com o todo. Desta forma, convidamos você a discutir 
ciência sob diferentes óticas, analisar definições e pensamentos acerca da tecnologia e 
interpretar a sociedade. 
Abordaremos algumas relações sobre ciência e tecnologia, tratando do contrato 
de neutralidade dessa parceria; trataremos ainda do processo de análise da evolução 
da sociedade sob algumas perspectivas; para, assim, analisar a entrada da participação 
da sociedade nas discussões da já vencida parceria ciência e tecnologia. Somente 
então abordaremos a nova formatação da CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) com 
embasamento nas discussões levantadas pelo trabalho dos pesquisadores Milton 
Santos e Wiebe Bijker. E para finalizar, algumas considerações acerca de modernidade, 
pós-modernidade e globalização.
2 CIÊNCIA
Entender eventos, situações ou fatos novos é sempre uma tarefa fácil para você? 
Se fosse designado para a incrível tarefa de defender um determinado episódio, como 
você procederia? Essas indagações fazem-se necessárias para que ampliemos nossos 
horizontes sobre o fato de que as pessoas constroem formas próprias para compreender 
a realidade, seja observando pelo viés cultural, histórico, geográfico, ambiental. 
A mitologia, a arte, a religião e até mesmo a ciência são observadas quando o 
foco é explicar as situações que cercam os seres humanos. Você, com certeza, já deve 
ter ouvido sobre Isaac Newton! Não se recorda? E sobre Isaac Newton e a história da 
maçã que caiu sobre a cabeça dele, originando assim a teoria da gravidade? Ficou mais 
fácil, não? Pois bem, é desta forma que a sociedade explica situações do cotidiano: 
apoiando-se em diferentes pensamentos para defender o que acontece ao seu redor. 
Quando contrapomos a ciência natural à ciência humana podemos perceber 
o jogo de conflitos, pois, conforme Omnés (1996), a ciência é capaz de explicar a 
realidade, bastando para isso princípios, regulamentos e normas. De qualquer maneira, 
94
tais conflitos são indissociáveis da epistemologia e da política, uma vez que ocorre 
a tentativa de autoridade de uma ciência sobre a outra. Desta forma, a realidade é 
comumente explicada pela ciência. 
A ciência apresenta características que a fazem singular; é cumulativa, ou seja, 
não se costuma descartar informações ou dados obtidos; é computável, permite o devido 
registro de tais informações ou dados, e, apesar dessas características a ciência não é 
irrevogável, o que significa que ela é contestável. Segundo Abbagnano (2000), além de 
utilizar sua própria linguagem, é baseada em métodos e fundamentos epistemológicos, 
o que faz com que seja clara e objetiva. 
Diversos são os métodos utilizados para explicar o cotidiano através da ciência. 
Severino (2007, p. 102) nos diz que um método científico pode ser “um conjunto de 
procedimentos lógicos e de técnicas operacionais que permitem o acesso às relações 
causais constantes entre os fenômenos”. Já para Omnés (1996, p. 272), é “um conjunto 
de regras práticas que permitem garantir a qualidade da correspondência entre a 
representação científica e a realidade”. 
Nessa mesma perspectiva, Omnés (1996) também propõe que o método deve 
cumprir ainda algumas etapas que visam diminuir a distância entre a cientificidade do 
conhecimento e a proposta de explicação do mesmo, que seriam: 
FIGURA 12 – ETAPAS PARA EXPLICAÇÃO DO COTIDIANO ATRAVÉS DA CIÊNCIA
FONTE: Adaptado de Omnés (1996)
• EMPÍRICA OU EXPLORATÓRIA
• análise dos fatos e determinação de regras baseadas na experiência.
Etapa 1
Etapa 2
Etapa 3
Etapa 4
• CONCEPÇÃO OU PERCEPÇÃO
• apropriação de conceitos e criação de princípios.
• ELABORAÇÃO
• indicação das consequências dos princípios.
• CONSTATAÇÃO OU COMPROVAÇÃO 
• aprovação ou não das hipóteses propostas.
95
Faz-se de suma importância a compreensão sobre ciência e o conhecimento 
gerado por ela. Porém, não se pode deixar de lembrar que o conhecimento científi co 
avança pelo campo da prática e não só pelo patamar teórico. 
3 TECNOLOGIA
O que surge no seu pensamento ao ouvir a palavra tecnologia? Porventura 
seriam máquinas sofi sticadas, ou, quem sabe, computadores de última geração? 
Exatamente, esses são sinônimos de tecnologia, mas convidamos você a aprofundar 
seus conhecimentos ainda mais. Veja, pelo menos, outras três vertentes possíveis para 
a utilização dessa palavra, segundo Ferreira (2004): 
1. Linguagem peculiar a um ramo determinado do conhecimento, teórico ou prático. 
2. Conjunto dos processos especiais relativos a uma determinada arte ou indústria. 
3. Aplicação dos conhecimentos científi cos à produção em geral.
Por mais simplifi cadas que sejam estas três conceituações, elas permitem a 
análise inicial acerca da discussão sobre tecnologia. 
Vamos iniciar falando sobre o conjunto de processos utilizados em uma 
determinada área, neste estamos falando de teoria e prática aliadas a fi m de atingir 
um objetivo. Isso nos faz inferir que o conhecimento científi co não ocorre somente 
na academia, mas também no ambiente de trabalho, ou seja, não só há produção de 
conhecimento científi co no ambiente acadêmico, mas nas prestadoras de serviço, as 
quais testam a teoria promovida pela ciência, agora no campo da prática.
Há de se destacar uma situação relevante nas questões tecnológicas, no 
âmbito de país, a capacidade de produção de tecnologia também diferencia 
os países desenvolvidos dos em desenvolvimento.
IMPORTANTE
Você consegue perceber, nessa explanação inicial, a ação do ser humano em 
tudo o que se refere à tecnologia? Normalmente, quando se fala nesse assunto, logo 
se pensa em tecnologia de ponta, sondas espaciais, nanotecnologia, enfi m; porém, a 
própria transformação das peles de animais em roupas, dos elementos da natureza em 
utensílios domésticos, o uso do fogo, entre outros ao longo da história, são exemplos de 
tecnologia. E, sim, a tecnologia está presente desde muito cedo na vida do ser humano.
96
Maior complexidade há quando analisamos a tecnologia do ponto de vista técnico, 
pois incluímos o campo de atuação da atividade humana e aumentamos os dados acerca 
do que vem a ser tecnologia. Como já exposto, a tecnologia está em todos os meios, seja 
científico, cultural, social; com isso, ratificamos as colocações de que em todas as ações 
humanas há técnica e, portanto, a tecnologia está amplamente disseminada, como 
preconiza Abbagnano (2000). Outrossim, é relacionada às implicações sobre todo esse 
conhecimento desenvolvido; segundo Dias e Silveira (2005), o uso, o aproveitamento e 
os resultados são de acordo com o objetivo para o qual foi desenvolvida e o meio em 
que está inserida. 
FIGURA 13 - A PRIMEIRA RODA
FONTE: Disponível em: <http://waz.com.br/blog/2013/08/26/cinco-tecno logias-que-mudaram-o-mundo/>. 
Acesso em: 15 maio 2015.
Pode-se perceber que a técnica está tão enraizada entre a natureza e o ser 
humano que, para Santos (2006), é quase impossível separá-la, pois o homem já não 
se vê mais sem o uso de tecnologia, que facilita, medeia e auxilia em muitos processos. 
Talvez possa surgir aí um fator de preocupação: substituição (em demasia) dos elementos 
naturais por processos artificiais. Fica a deixa para você pesquisar e analisar o que se 
apresenta de prós e contras nessas questões.
Agora, partimos para a análise do último item sobre tecnologia, esse pode ser 
traduzido como tecnocracia, ou seja, o uso do conhecimento científico nos demais 
meios, porém, com a divulgação exclusiva a partir do que a ciência e a técnica propõem 
como resultado. Nesse último, tal ação elimina as demais análises feitas a partir da 
concepção política, ideológica e social, o que, por sua vez, pode causar o determinismo 
tecnológico. Não se esqueça, tais ações terão reflexo direto nas questões relacionadas 
à sobreposição das ciências humanas e às ciências da natureza.
97
Pelo que foi apresentado nesta breve explanação, pode-se perceber que as ações 
são interligadas e que agem como reação em cadeia. Nesse processo, faz-se necessárioentender a sociedade como agente integrante e mediador de todos os processos descritos. 
4 SOCIEDADE 
Ao entender a importância de discutir a sociedade como parte integrante de todo 
o processo relacionado à tecnologia, se abre precedentes para muitas indagações. As 
discussões seriam inúmeras, pois haveria necessidade de abrir alinhamentos no mais amplo 
sentido a fim de ajustar as arestas para que se forme o conhecimento acerca do assunto. 
Seja no âmbito político, econômico, social, cultural, ambiental, faz-se necessário apurar o 
contexto em que ocorrem, a fim de compreender seu impacto. Lembrando que a ciência 
humana apresenta grande diversidade de pressupostos metodológicos e epistemológicos, 
e estes serão abordados, através de alguns autores e suas perspectivas, a seguir.
FIGURA 14 – PERSPECTIVAS DE TEORIAS E SEUS AUTORES SOBRE SOCIEDADE
• Auguste Comte (1898): teoria do positivismo. Cita três etapas para a evolução 
da humanidade: teológica, metafísica e positiva. 
• Lewis Henry Morgan (1978): mudança social através da integração com a 
descoberta das forças motoras.
• Osvald Spengler (1932): propõe que as evoluções ocorrem de maneira cíclica 
e que têm período para iniciar e para encerrar.
• Karl Marx (1867): a mudança na sociedade só ocorre impulsionada pelo 
conflito entre as diferentes classes sociais.
• Edmund Husserl (1859): apregoava que a sociedade necessitava apenas 
de análise no âmbito da consciência e que o mundo exterior poderia ser 
desconsiderado nesta análise.
A Sociedade como Organismo.
A teoria dos ciclos históricos.
O materialismo histórico e a mudança social.
Fenomenologia
FONTE: Adaptado de Tello e Mainardes (2012)
• Heidegger e Jean-Paul Sartre (1905): apresentaram correntes filosóficas que 
analisavam a relação entre o homem e o mundo, considerando homem um 
ser independente e, portanto, capaz de definir suas próprias ações.
Existencialismo
98
Pode-se perceber que cada autor defende uma linha de pensamento, ora 
específica, ora compartilhada por outro autor, porém, divergentes; no entanto, nas 
propostas de conceituação sobre sociedade, cada um nas suas perspectivas defende 
seus pontos de vista. Vejamos, por exemplo, Comte, em cuja teoria fez uso de leis e 
métodos das ciências naturais, entendendo a sociedade como um grande organismo 
vivo, interligado e interdependente. O principal conceito defendido por Comte era 
de que a sociedade evoluía apenas em uma direção, ou seja, sua postura frente às 
mudanças era conservadora. Com base nesta teoria surgiram outras, nesta mesma 
linha de pensamento, denominadas como Neopositivismo.
Por outro lado, Spengler entendia que a sociedade evoluía em ciclos que se 
encerravam em grandes períodos, citando como exemplos as sociedades babilônica, 
egípcia, romana. 
Marx, por sua vez, defendia a ideia de que a sociedade, como capitalista, 
começara a dividir as classes sociais e tal divisão proporcionava observar a evolução da 
sociedade num viés de produtividade e capitalismo.
Husserl tinha grande preocupação com a essência dos objetos e não com o 
materialismo. Desta forma, considerava mais importante a experiência da consciência 
do que os demais fatores materiais ou ideias.
Michel Foucault defendia a ideia de que o saber estava fortemente ligado ao 
poder, e propunha uma genealogia para analisar a sociedade com a ideia de que o saber 
estaria presente nas relações humanas e nas instituições disciplinadoras.
 
 Assim, diversas são as teorias acerca da evolução da sociedade, que não se 
encerram e tampouco foram todas apresentadas, mas que permitem dar-nos base para 
analisar, no contexto da sociedade atual, a implicação da sociedade nas práticas atuais. 
Acertadamente, podemos inferir que nenhum fator até aqui estudado age sozinho ou 
de maneira isolada, é no conjunto da obra que a sociedade evolui, a ciência melhora e a 
tecnologia se adapta (BAZZO, 2010).
5 SOCIEDADE ENTRE CIÊNCIA E TECNOLOGIA 
Já vimos a definição de tecnocracia, pela qual a ciência passa a ter razão sobre 
tudo e todos. Pois bem, esta visão apresenta um modelo de progresso linear, pelo qual 
o desenvolvimento social é apenas consequência do desenvolvimento proposto pela 
ciência, que, por sua vez, geraria o desenvolvimento tecnológico e, somente então, 
chegaria no desenvolvimento social.
99
FIGURA 15 – O PROGRESSO DO PONTO DE VISTA DA TECNOCRACIA
 FONTE: Adaptado de Auler e Delizoicov (2006)
Quando se trata do modelo linear apresentado, a perspectiva é de que tanto a 
ciência quanto a tecnologia determinam as ações e melhorias, e a sociedade, por sua 
vez, somente as recebe sem possibilidade de interação. Nesse modelo, a relação entre o 
desenvolvimento científico e o social é casual, o que é fortemente criticado; outro fator 
de desagrado nesse modelo, conforme Bourdieu (1983a), é da neutralidade da ciência. 
Segundo ele, esse fator é tido como “utopia de interesses”, ou seja, coloca a ciência 
como melhor explicação da real condição da sociedade.
Conforme pudemos observar, a tecnocracia, ou seja, a decisão de manter 
apenas uma vertente entre ciência, tecnologia e sociedade não é neutra, pois age sobre 
interesses políticos. O movimento ciência e tecnologia, ainda nos anos 1960 e 1970, foi 
duramente criticado por promover, além do já exposto, problemas ambientais, além da 
aplicação da tecnologia bélica, por exemplo, nas guerras mundiais.
Foi a partir das décadas de 1960 e 1970 que o movimento de neutralidade 
da dupla ciência e tecnologia perdeu força e a sociedade passou a exercer seu papel 
de analisar criticamente a parceria entre as duas frentes e participar das discussões 
técnico-científicas propostas pelo, agora, grupo (ANGOTTI; AUTH, 2001, AULER; BAZZO, 
2001). A partir desse movimento, outras frentes foram incorporadas às discussões sobre 
o que seria conhecimento científico e tecnológico, bem como suas evoluções. 
Como fora visto, mais precisamente após a II Guerra Mundial, a parceria entre 
ciência e tecnologia passou por profundas mudanças, principalmente por começar a 
levar em conta o bem-estar social. O primeiro avanço foi no sentindo de considerar o 
desenvolvimento tecnológico um dos impulsionadores do progresso. A ciência, de certa 
maneira, também passou por mudanças, ganhando a cada período maior importância. 
Passemos, agora, a analisar algumas reações entre a parceria da ciência, da tecnologia 
e da sociedade, que se deu após essas grandes adequações e modificações.
100
6 CIÊNCIA, TECNOLOGIA, SOCIEDADE E AMBIENTE (CTSA) – 
INTERPRETAÇÕES SOBRE A NOVA FORMAÇÃO
Sob a nova ótica de formação, agora com o criticismo social, ciência e tecnologia 
passam a ter uma conotação diferente e menos isolada. O ensino de Ciências com enfoque 
ciência, tecnologia, sociedade e ambiente (CTSA) a partir de questões sociocientíficas 
(QSC), “tem por objetivo a emancipação dos sujeitos ao fazer com que eles problematizem 
a ciência e participem de seu questionamento público, engajando-se na construção de 
novas formas de vida e de relacionamento coletivo” (MARTINEZ, 2012, p. 55).
Para o referido autor, as questões sociocientíficas e a perspectiva CTSA “têm 
em comum o objetivo de focar o ensino de Ciências na formação para a cidadania dos 
estudantes no ensino básico e superior, bem como nos processos de formação cidadã 
mais amplos abrangidos na sociedade”.
Para contextualizar esta temática, convido-o para analisarmos, juntos, duas 
interpretações, baseadas nos filósofos Wiebe Bijker e Milton Santos. 
6.1 CTS SOB NOVAS ÓTICAS
Ao debater o tema CTS, procuramos trazer para a conversa a contribuição dos 
seguintes pesquisadores: Wiebe Bijker e Milton Santos.
Wiebe Bijker (1951- ) é um construtivista social que trabalhou visando estabelecer 
novas bases teóricas e metodológicas entre a CTS. O elo para esta nova parceria seria 
a sociedade e, no momento em que assume este ponto de vista, começa a trabalhar 
com o também construtivista social Trevor Pinch. Ambos envolvidos na divulgação de 
documentos que debatemo relacionamento entre ciência e tecnologia, e destacando a 
importância da essência social (BENAKOUCHE, 2005). 
Outro pesquisador que traremos para a discussão é Milton Santos (1926-2001), 
um geógrafo brasileiro que, por sua vez, tratou das questões relacionadas à CTS sob a 
ótica da informação. 
6.2 CTS SOB A ÓTICA DE MILTON SANTOS 
Milton Santos traz à luz a discussão do meio ambiente e sua relação com CTS, 
portanto, na visão desse pesquisador já poderíamos usar o conceito CTSA. Ele aborda 
questões como o espaço e a sucessão de relacionamento entre o homem e a natureza, 
bem como a da organização humana. Dessa forma, faz uma interessante análise sobre 
a divisão do espaço geográfico. Para entender melhor, trazemos um trecho do texto 
“A natureza do espaço”, que trata sobre as considerações do autor sobre meio natural, 
meio técnico e meio técnico-científico-informacional.
101
O meio natural
Quando tudo era meio natural, o homem escolhia da natureza aquelas suas 
partes ou aspectos considerados fundamentais ao exercício da vida, valorizando, 
diferentemente, segundo os lugares e as culturas, essas condições naturais que 
constituíam a base material da existência do grupo.
Esse meio natural generalizado era utilizado pelo homem sem grandes 
transformações. As técnicas e o trabalho se casavam com as dádivas da natureza, 
com a qual se relacionavam sem outra mediação.
O que alguns consideram como período pré-técnico exclui uma definição 
restritiva. As transformações impostas às coisas naturais já eram técnicas, entre as 
quais a domesticação de plantas e animais aparece como um momento marcante: 
o homem mudando a Natureza, impondo-lhe leis. A isso também se chama técnica.
Nesse período, os sistemas técnicos não tinham existência autônoma. [...]. A 
harmonia socioespacial assim estabelecida era, desse modo, respeitosa da natureza 
herdada, no processo de criação de uma nova natureza. Produzindo-a, a sociedade 
territorial produzia, também, uma série de comportamentos, cuja razão é a preservação 
e a continuidade do meio de vida. Exemplo disso são, entre outros, o pousio, a rotação 
de terras, a agricultura itinerante, que constituem, ao mesmo tempo, regras sociais e 
regras territoriais, tendentes a conciliar o uso e a “conservação” da natureza: para que 
ela possa ser outra vez utilizada. Esses sistemas técnicos sem objetos técnicos não 
eram, pois, agressivos, pelo fato de serem indissolúveis em relação à Natureza que, em 
sua operação, ajudavam a reconstituir.
O meio técnico 
O período técnico vê a emergência do espaço mecanizado. Os objetos que 
formam o meio não são, apenas, objetos culturais; eles são culturais e técnicos ao 
mesmo tempo. Quanto ao espaço, o componente material é crescentemente formado 
do “natural” e do “artificial”. Mas, o número e a qualidade de artefatos variam. As áreas, 
os espaços, as regiões, os países passam a se distinguir em função da extensão e 
da densidade da substituição, neles, dos objetos naturais e dos objetos culturais, por 
objetos técnicos.
Os objetos técnicos, maquínicos, juntam à razão natural sua própria razão, 
uma lógica instrumental que desafia as lógicas naturais, criando, nos lugares atingidos, 
mistos ou híbridos conflitivos. Os objetos técnicos e o espaço maquinizado são lócus de 
ações “superiores”, graças à sua superposição triunfante às forças naturais. Tais ações 
são, também, consideradas superiores pela crença de que ao homem atribuem novos 
poderes, o maior é a prerrogativa de enfrentar a Natureza, natural ou já socializada, 
vinda do período anterior, com instrumentos que já não são prolongamento do seu 
102
FONTE: Santos (2006, p. 157-161)
corpo, mas que representam prolongamentos do território, verdadeiras próteses. 
Utilizando novos materiais e transgredindo a distância, o homem começa a fabricar 
um tempo novo, no trabalho, no intercâmbio, no lar. Os tempos sociais tendem a se 
superpor e contrapor aos tempos naturais. [...].
O meio técnico-científico-informacional
O terceiro período começa praticamente após a Segunda Guerra Mundial, 
e sua firmação, incluindo os países de terceiro mundo, vai realmente dar-se nos 
anos 70. É a fase a que R. Richta (1968) chamou de período técnico-científico, 
e que se distingue dos anteriores pelo fato da profunda interação da ciência e da 
técnica, a tal ponto que certos autores preferem falar de tecnociência para realçar a 
inseparabilidade atual dos dois conceitos e das duas práticas.
Essa união entre técnica e ciência vai dar-se sob a égide do mercado. E o 
mercado, graças exatamente à ciência e à técnica, torna-se um mercado global. A ideia 
de ciência, a ideia de tecnologia e a ideia de mercado global devem ser encaradas 
conjuntamente, e desse modo podem oferecer uma nova interpretação à questão 
ecológica, já que as mudanças que ocorrem na natureza também se subordinam a 
essa lógica.
Neste período, os objetos técnicos tendem a ser ao mesmo tempo técnicos 
e informacionais, já que, graças à extrema intencionalidade de sua produção e de 
sua localização, eles já surgem como informação; e, na verdade, a energia principal 
de seu funcionamento é também a informação. Já hoje, quando nos referimos às 
manifestações geográficas decorrentes dos novos progressos, não é mais de meio 
técnico que se trata. Estamos diante da produção de algo novo, a que estamos 
chamando de meio técnico-científico-informacional.
Da mesma forma como participam da criação de novos processos vitais e da 
produção de novas espécies (animais e vegetais), a ciência e a tecnologia, junto com 
a informação, estão na própria base da produção, da utilização e do funcionamento 
do espaço e tendem a constituir o seu substrato. [...].
Podemos então falar de uma cientificização e de uma tecnicização da 
paisagem. Por outro lado, a informação não apenas está presente nas coisas, nos 
objetos técnicos, que formam o espaço, como ela é necessária à ação realizada sobre 
essas coisas. A informação é o vetor fundamental do processo social e os territórios 
são, desse modo, equipados para facilitar a sua circulação. [...]. 
Os espaços assim requalificados atendem, sobretudo, aos interesses dos atores 
hegemônicos da economia, da cultura e da política e são incorporados plenamente às 
novas correntes mundiais. O meio técnico-científico-informacional é a cara geográfica 
da globalização.
103
Após esta leitura, você conseguiu identificar os aspectos importantes da relação 
entre CTS(A) que Milton Santos aborda? Como você pôde ver, essa questão é analisada 
na perspectiva de que as relações foram sendo estabelecidas ao longo do tempo e 
de maneira dialética. O autor destaca questões que merecem ser reanalisadas, como: 
a necessidade de determinar as características do mundo atual (como modernidade, 
pós-modernidade e globalização), assim como a história das relações entre CTSA. Outro 
ponto que merece ser revisitado são as relações entre CTSA em uma lógica de mercado, 
ou seja, buscar reflexões sobre o sistema produtivo como um todo.
6.3 CTSA SOB A ÓTICA DE WIEBE BIJKER
Um dos principais incentivadores do movimento construtivista social foi Wiebe 
Bijker. Para entendermos melhor suas ideias e ideais, compartilharemos um pequeno 
trecho do artigo “Tecnologia é Sociedade: contra a noção de impacto tecnológico”, de 
Benakouche (1999, p. 11-13), que aborda os principais vieses deste pesquisador. 
Sustentando que os vários elementos envolvidos no processo de inovação 
tecnológica constituem uma teia contínua (“seamless web”), Bijker pretende dar 
conta dessa realidade através da elaboração de uma teoria que: 
a) explique tanto a mudança quanto a estabilidade das técnicas; 
b) seja simétrica, ou seja, possa ser aplicada tanto às técnicas que dão certo como 
às que falham;
c) considere tanto as estratégias inovadoras dos atores como o caráter limitador das 
estruturas; e, finalmente
d) evite distinções a priori entre o social, o técnico, o político ou o econômico. 
Diante de tal agenda, propõe o uso de algunsconceitos básicos e operacionais, 
postos inclusive à prova nos vários estudos de caso que realizou, dentre os quais 
se destacam os de grupos sociais relevantes, estrutura tecnológica (“technological 
frame”), flexibilidade interpretativa (“interpretative flexibility”) e estabilização ou 
fechamento (“closure”). 
Os “grupos sociais relevantes” são aqueles mais diretamente relacionados 
ao planejamento, desenvolvimento e difusão de um artefato dado; na verdade, 
seria na interação entre os diferentes membros desses grupos que os artefatos são 
constituídos. Nesse processo, os atores não agem aleatoriamente, mas segundo 
padrões específicos, isto é, agem a partir das “estruturas tecnológicas” às quais 
estão ligados; esta noção – central, neste quadro analítico-descritivo – é ampla o 
suficiente para incluir teorias, conceitos, estratégias, objetivos ou práticas utilizadas 
na resolução de problemas ou mesmo nas decisões sobre usos, pois não se aplica 
104
apenas a grupos profissionais especializados, mas a diferentes tipos de grupos 
sociais. Segundo Bijker, existiriam diferentes graus de inclusão nessas estruturas, 
isto é, de envolvimento.
Na medida em que os grupos atribuem diferentes significados a um mesmo 
artefato, sua construção supõe um exercício de negociações entre esses mesmos 
grupos, onde o uso da retórica é um recurso poderoso, ou seja, é objeto de uma 
“flexibilidade interpretativa”. Quando esta atividade de ajustes se estabiliza e um 
significado é fixado ou aceito, diz-se que o artefato atingiu o estágio de “fechamento”. 
É justamente a prática da flexibilidade interpretativa que retira dos artefatos sua 
obturacidade; é ela que explica porque os mesmos não têm uma identidade ou 
propriedades intrínsecas, as quais seriam responsáveis por seu sucesso ou o 
seu fracasso, seus “impactos” positivos ou negativos. Em outras palavras, o não 
reconhecimento da importância desse processo é que leva à crença equivocada 
do determinismo da técnica. Assim é que tudo, numa tecnologia dada, do seu 
planejamento a seu uso, estaria sujeito a variáveis sociais e, portanto, estaria aberto 
à análise sociológica. No entanto, pode-se perguntar: ao se adotar essa perspectiva 
não se corre o risco de se cair num reducionismo social? Não, respondem os 
pesquisadores identificados com a mesma. O reconhecimento da existência de 
estruturas tecnológicas evitaria esse risco: na medida em que as mesmas influenciam 
a ação dos diferentes grupos sociais relevantes, essas estruturas seriam justamente 
as pontes que ligam tecnologia e sociedade, levando à constituição de conjuntos 
sociotécnicos (BIJKER, 1995).
Após esta leitura, você pode traçar os principais pontos elencados pelo autor? 
Se você citou a questão da importância de debater as ações dos conceitos 
CTSA em conjunto, com o enfoque nas ações sociais, fez uma excelente leitura. Wiebe 
Bijker foi um dos grandes defensores da participação da sociedade nas discussões 
relacionadas à ciência, e como consequência, demonstra em todos os seus discursos o 
repúdio à parceria entre sociedade e tecnologia.
A partir das colocações proporcionadas pelos dois autores é possível elencar 
pontos que merecem ser revistos, como a forma com que as comunicações de massa 
são disponibilizadas e utilizadas pela sociedade, assim como a importância da tecnologia 
no cotidiano e a dependência tecnológica. 
105
7 CARACTERIZANDO O MUNDO ATUAL
Ao caracterizar o mundo atual, faz-se necessário observar três vertentes 
singulares: modernidade, pós-modernidade e globalização. É importante analisar esses 
três pontos para que se possa avançar nos estudos sobre CTSA. Vamos lá?
O que vem a ser a modernidade? Para muitos, o conceito de modernidade 
refere-se a ideias bastante controversas, compreendendo desde pequenas práticas a 
formas de perceber, conceber e viver o mundo. Para melhor situá-lo, relembramos três 
grandes eventos: Revolução Industrial, Revolução Francesa e Revolução Científica. 
A pós-modernidade ainda é complexa e a ideia não é amplamente aceita por 
todos os cientistas e pensadores. As dúvidas e diferenças surgiram por volta de 1970 
e 1990, mas ainda assim pode-se verificar duas linhas de discursos, quando o termo é 
pós-modernidade: a da continuidade e a do rompimento.
FIGURA 16 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS CONCEITOS DE MODERNIDADE, PÓS-MODERNIDADE E 
GLOBALIZAÇÃO
FONTE: Adaptado de David Harvey (2003)
Agora, quando o assunto é globalização, o termo é mais conhecido, tendo 
em vista que é assunto atual e amplamente divulgado e trabalhado na mídia. Como 
todo conceito, esse também apresenta seus prós e contras, pois está fortemente 
ligado à maneira como foi apreendido pela sociedade. O marco inicial da globalização 
é fracamente indicado, como no período da Revolução Tecnocientífica, porém, viu-
se nesse uma importante ferramenta de longo alcance, com ligações para diferentes 
partes do mundo. 
106
A globalização está amparada, principalmente, nos avanços tecnológicos, 
assim como nas relações sociais e econômicas, no mercado da conectividade e da 
virtualidade. A compressão da globalização, conhecida como compressão tempo-
espaço, é abordada como sendo a responsável por alterar a forma de comunicação 
entre as pessoas, como a telefonia móvel (HARVEY, 2003). Porém, como tudo tem seu 
outro lado, assim também é na globalização, podendo proporcionar tanto a inclusão 
como a desigualdade social. 
Uma importante observação precisa ser feita sobre esse ponto: deve-se cuidar 
para que os avanços tecnológicos não venham a causar o determinismo tecnológico, 
o que ocasionaria o mesmo pensamento de que a ciência e a tecnologia são neutras. 
Nesse momento, o que se deve buscar é usar a tecnologia como ferramenta e não 
como base.
107
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A ciência, como forma de explicar a realidade, apresenta as seguintes características: 
linguagem própria; conhecimento acumulável, registrável e refutável; e articulação 
entre procedimentos metodológicos e fundamentos epistemológicos.
• A tecnologia, como sinônimo de técnica, nos permite pensar das tecnologias mais 
simples até as mais avançadas, como roupa, ferramentas e celulares; e, quando 
falamos em tecnocracia, podemos entender como ideologização da técnica.
• A sociedade pode ser analisada e interpretada de diversas formas e são vários os 
autores que apresentam algum parecer sobre o tema sociedade. 
• A ciência e a tecnologia apresentam um modelo de crescimento e evolução linear.
• O movimento que engloba ciência, tecnologia e sociedade está baseado em uma 
visão mais crítica sobre a parceria entre ciência e tecnologia, o que permitiu inserir 
outros pontos para debate das questões sociais, políticas, culturais e econômicas 
acerca da ciência e das tecnologias.
• Há várias interpretações acerca das relações CTS(A), e as de Milton Santos e Wiebe 
Bijker são duas delas.
• Os conceitos de modernidade, pós-modernidade e globalização são importantes para 
a discussão acerca de ciência, tecnologia e sociedade, mas apresentam concepções 
e interpretações bastante controversas.
108
AUTOATIVIDADE
1 Leia a charge a seguir: 
2 Com referência à comunicação de massa, identifique a opção 
correta. 
FONTE: Disponível em: <http://www2.uol.com.br/laerte/tiras/>. Acesso em: maio 2015.
A análise da charge nos remete ao fenômeno da insegurança no emprego, vivido, 
nos dias atuais, por muitas pessoas. Esta insegurança também está atrelada ao 
desenvolvimento de novas tecnologias, o que, por sua vez, tornou-se mais evidente nos 
últimos anos. Com base nos efeitos nocivos, é correto afirmar que:
a) ( ) Produz sensação de apreensão quanto à continuidade futura de um cargo e/ou 
de um papel dentro do ambiente de trabalho. 
b) ( ) O maior aumento da insegurança no trabalho ocorreu em meados dos anos de 
1990, entre os trabalhadores que exercem atividades manuais. 
c) ( ) Trata-se de um fenômeno recente causado por profundas alteraçõesno 
contexto do mercado de trabalho. 
d) ( ) Os estudos apontam que a insegurança no emprego é restrita ao ambiente de 
trabalho, não afetando a saúde e a vida pessoal dos empregados.
a) ( ) A comunicação de massa engendra um tipo de comunicabilidade do “entre nós”, 
que se reporta aos telespectadores, ouvintes e aos brasileiros, em geral, gerando 
a ilusão de pertencerem a uma comunidade. 
b) ( ) A comunicação de massa caracteriza-se pela divisão entre a figura do emissor 
e a do receptor autorizado e pela negligência do monopólio comunicativo e do 
cerceamento de práticas populares. 
109
c) ( ) A comunicação de massa fundamenta-se na premissa de que tudo pode ser 
mostrado e dito, não estabelecendo critérios sobre quem pode dizer e quem 
pode ouvir. 
d) ( ) O receptor autorizado tem um espaço da fala para opinar e contradizer, não 
sendo necessário que suas funções sejam definidas na estrutura do campo 
comunicativo. 
e) ( ) Na comunicação de massa, o espaço social sui generis é transformado em 
um espaço social heterogêneo, em que emissor e receptor têm papéis bem 
definidos. 
110
111
TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E 
COMUNICAÇÃO (TIC)
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, ao falarmos das tecnologias da informação e comunicação 
como fator determinante no advento da sociedade da informação, estamos a falar 
das transformações resultantes do processo da globalização de mercados e dos 
avanços do uso dos processos tecnológicos na vida cotidiana dos indivíduos. Desse 
mosaico de transformações exercidas pelos meios tecnológicos na vida cotidiana dos 
indivíduos emerge o conceito de sociedade da informação. Sob este prisma, o que 
iremos apresentar nas próximas páginas busca assinalar as tecnologias da informação 
e comunicação como fator determinante no advento da sociedade da informação. 
Portanto, esperamos que este tópico possa contribuir, de certa forma, para inseri-lo no 
debate sobre a sociedade da informação e que sirva de ferramenta para expandir o seu 
horizonte pensante.
2 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO 
(TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Nos últimos anos do século XX o mundo vem adquirindo uma nova configuração, 
fundamentada nas tecnologias da informação e da comunicação. A sociedade pós-
industrial vem sofrendo modificações de forma acelerada, reestruturando o capitalismo, 
na medida em que todas as economias do planeta passam a interdepender umas das 
outras, em escala global.
Diante disso, observa-se que as grandes organizações mundiais passam por um 
processo de descentralização e interconexão das empresas, exemplos desse processo 
são: o aumento do capital frente ao trabalho, com o declínio do sindicalismo e crescente 
desemprego e a incorporação massiva da mulher no mundo do trabalho. 
112
FIGURA 17 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://webquests.edufor.pt/webquest/soporte_horizontal_w.php?id_activida-
d=2826&id_pagina=1>. Acesso em: maio 2015.
Com o crescente aumento do uso das Tecnologias da Informação e de 
Comunicação nos diversos setores da atividade humana, bem como a sua integração às 
facilidades das telecomunicações, tornou-se evidente a possibilidade de ampliar cada 
vez mais, tanto o acesso à informação, quanto o desenvolvimento de novos meios que 
proporcionem de forma rápida sua distribuição no campo das pesquisas científicas. As 
atividades tradicionais, como a leitura, a escrita, o correio, o comércio, a publicidade ou o 
ensino, em atividades realizadas em ambientes virtuais, passam agora a ser capturadas 
por esses novos dispositivos tecnológicos de informática, cada vez mais avançados.
Esse processo, que teve a sua origem no fim dos anos 1960 e início dos anos 
1970, não foi, por si só, responsável pela nova forma de organização social. Centrado 
na ideia de informação e comunicação, o uso das TIC resultou da interação de três 
processos independentes: revolução da tecnologia da informação; da economia (crise 
econômica do capitalismo e do estatismo e a consequente reestruturação de ambos); 
e apogeu de movimentos sociais e culturais, tais como a afirmação das liberdades 
individuais, dos direitos humanos, do feminismo e do ambientalismo (CASTELLS, 2001).
Na escala societária, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) 
constituíam um limiar sobre o qual se sucediam os acontecimentos políticos, militares ou 
científicos, tornando-se desta forma uma expressão de competição global, cuja lógica 
encontrava-se inserida dentro de uma economia informacional/global; e uma nova 
cultura, a cultura da virtualidade real, em que a sociedade e a cultura estão subjacentes 
à ação e às instituições sociais em um mundo interdependente. A interação entre esses 
processos e as reações por eles desencadeadas fez surgir uma nova estrutura social 
dominante, a sociedade em rede.
Na época atual, as chamadas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) 
constituem ferramentas indispensáveis no processo de fortalecimento e integração das 
nações na nova cadeia global. Segundo Castells (2001), esse processo foi de extrema 
113
importância, pois seu papel conferiu uma dinâmica e formação de redes das diversas 
esferas da atividade humana. Esta nova lógica preponderante de redes, sobre a qual a 
nova sociedade se assenta, transformou todos os domínios de vida social e econômica.
Por intermédio da tecnologia, redes de capital, de trabalho, de 
informação e de mercados conectaram funções, pessoas e locais 
valiosos ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que desconectaram 
as populações e territórios desprovidos de valor e interesse para 
a dinâmica do capitalismo global. Seguiram-se exclusão social e 
não pertinência econômica de segmentos de sociedades, de áreas 
urbanas, de regiões e de países inteiros, constituindo o que chamo 
de ‘o Quarto Mundo’. A tentativa desesperada de alguns desses 
grupos sociais e territórios para conectar-se à economia global e 
escapar da marginalidade levou a uma situação que chamo de ‘a 
conexão perversa’, quando o crime organizado em todo o mundo 
tirou vantagem de sua condição para promover o desenvolvimento 
da economia do crime global. O objetivo é satisfazer o desejo proibido 
e fornecer mercadorias ilegais à contínua demanda de sociedades e 
indivíduos abastados (CASTELLS, 1999, p. 411).
A fim de compreender o surgimento das novas formas de organização social por 
conta das tecnologias informacionais, devemos observar os resultados dessa “revolução 
tecnológica na estrutura social”, a saber:
• informação e conhecimento estão profundamente inseridos na cultura das 
sociedades; 
• as novas tecnologias da informação agregam processos de produção, distribuição e 
direção, permitindo diferentes tipos de atividades interligadas de acordo com o modo 
organizativo que se ajusta melhor à estratégia da empresa ou à história da instituição. 
Três conceitos surgem dessa transformação fundamental do modo em que o sistema 
de produção opera e, juntos, formam as bases atuais da nova economia e forçarão a 
redefinição da estrutura ocupacional, além do sistema de classes da nova sociedade: 
articulações entre as atividades; redes que configuram as organizações; e fluxos de 
fatores de produção e de mercadorias; flexibilidade e adaptabilidade são necessidades 
fundamentais para a direção de organizações, pois complexidade e incerteza são 
características essenciais do novo meio ambiente organizacional; 
• as novas tecnologias de comunicação têm um impacto direto sobre os meios de 
comunicação e sobre a formação de imagens, representações e opinião pública 
em suas sociedades, resultando em uma tensão crescente entre globalização e 
individualização no universo dos audiovisuais; 
• as fontes de poder na sociedade e entre as sociedades são alteradas pelo caráter 
estratégico das tecnologias e da informação na produtividade da economia e na 
eficácia das instituições sociais. A habilidade de promover a mudança tecnológica 
está relacionadadiretamente com a habilidade de uma sociedade para difundir e 
intercambiar informações e relacioná-las com o restante do mundo.
114
3 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – TIC
Desde os primórdios da humanidade, o homem sempre sentiu a necessidade de 
se comunicar com os outros homens. As novas tecnologias vêm efetuando mudanças 
sociais drásticas nos diversos segmentos da sociedade. As chamadas Tecnologias da 
Informação e Comunicação (TIC) têm se apresentado como um fator decisivo na nova 
organização social, sem precedentes na história.
O próprio capitalismo passa por um processo de profunda 
restauração, caracterizado por maior flexibilidade de gerenciamento; 
descentralização das empresas e sua organização em redes tanto 
internamente quanto em suas relações com outras empresas; 
considerável fortalecimento do papel do capital vis-à-vis o trabalho, 
com o declínio concomitante da influência dos movimentos de 
trabalho; incorporação maciça das mulheres na força de trabalho 
remunerada, geralmente em condições discriminatórias; intervenção 
estatal para desregular os mercados de forma seletiva e desfazer 
o estado do bem-estar social com diferentes intensidades e 
orientações, dependendo da natureza das forças e instituições 
políticas de cada sociedade; aumento da concorrência econômica 
global em um contexto de progressiva diferenciação dos cenários 
geográficos e culturais para acumulação e a gestão de capital 
(CASTELLS, 1999, p. 21).
Primeiramente, para melhor compreender o conceito de Tecnologias da 
Informação e Comunicação - TIC e o seu papel nas sociedades atuais, de forma a dar 
uma “robustez” mais ampla às nossas reflexões, faremos um pequeno aporte histórico 
sobre o conceito de tecnologia em Manuel Castells. Neste sentido, segundo afirma o 
autor (1999, p. 24):
Para dar os primeiros passos nessa direção, devemos levar a 
tecnologia a sério, utilizando-a como ponto de partida desta 
investigação; devemos localizar esse processo de transformação 
tecnológica revolucionária no contexto social em que ele ocorre e 
pelo qual está sendo moldado; e devemos lembrar que a busca pela 
identidade é tão poderosa quanto a transformação econômica e 
tecnológica no registro da nova história.
O termo tecnologia provém do verbo grego tictein, que significa "técnica, arte, 
ofício", juntamente com o sufixo "logia", que significa "estudo", portanto, o conhecimento 
prático que almeja alcançar um determinado fim concreto.
O Dicionário de Sociologia, de Alan Johnson (1997), indica a palavra “tecnologia” 
como o repositório acumulado de conhecimento cultural sobre ambientes físicos e seus 
recursos materiais, com vistas a satisfazer desejos e vontades. Contudo, segundo afirma 
Johnson (1997), tecnologia não pode ser confundida com a ciência, na medida em que 
ela consiste de conhecimentos práticos sobre como usar recursos materiais, ao passo 
que a ciência consiste de conhecimento abstrato e teorias sobre como o processo do 
conhecimento se constrói.
115
Na sociedade industrial, o conceito de tecnologia esteve associado à forma 
de produto, passando, portanto, a não mais designar a forma de produção, ou seja, 
concentra-se nos produtos, nos processos, nos equipamentos e nas operações.
Assim, na visão de Masi (1999), esta lógica, em que a tecnologia se torna uma 
ferramenta indispensável nas relações de produção, obrigou o mundo da produção 
industrial a sofrer grandes mudanças, tanto no processo de regulamentação da 
empresa, como na organização do trabalho, de forma a responder aos imperativos que 
a própria tecnologia trouxe para o aperfeiçoamento das condições de vida do homem. 
Nesse sentido, para Masi (1999, p. 158), as principais transformações provocadas por 
esses imperativos são as seguintes:
• Um intervalo de tempo mais curto exigido pelo processo produtivo 
para levar até o fim a realização de um produto.
• Um aumento da necessidade de capital para a produção.
• Maior especialização e definição de funções, operações, processos 
e materiais, com uma consequente rigidez que impede conversões 
de uma operação para outra.
• Maior necessidade de mão de obra especializada.
•Maior exigência de organização de todas as atividades 
especializadas envolvidas, o que resulta na posterior exigência de 
outros especialistas: os especialistas em organizações.
• A necessidade de planejamento, em face do tempo e dos capitais 
empregados, da rigidez dos processos, das exigências organizacionais 
e da instabilidade do mercado em relação aos sistemas industriais 
que utilizam tecnologias avançadas.
Já no século XX, a tecnologia passa a ser descrita como um campo 
do conhecimento que, além de usar o método científico, cria e/ou transforma 
processos materiais. Assim, segundo Masi (1999), a tecnologia passa a ser o motor 
do desenvolvimento da sociedade, elevando o padrão de vida de uma determinada 
sociedade, reduzindo desta forma as desigualdades. Nesse sentido, na visão de Masi 
(1999, p. 159), a tecnologia passa a ser:
uma nova forma de racionalidade funcional que modifica os 
modelos educacionais, ‘os sistemas de especulação, tradição e 
razão’; revolucionando os transportes e as comunicações, cria 
novos tipos de relações sociais (onde, por exemplo, as relações de 
parentesco são substituídas por ligações de trabalho e profissionais) 
e de interdependência econômica. A tecnologia, enfim, modifica 
a percepção (também estética, como testemunham as novas 
tendências das artes figurativas) do espaço e do tempo.
116
Na visão de Castells (2001, p. 49), a tecnologia corresponde:
(ao) uso de conhecimento científico para especificar as vias de se 
fazer as coisas de uma maneira reproduzível. Entre as tecnologias 
da informação incluo, como todo o conjunto convergente de 
tecnologias em microeletrônica, computação (software e hardware), 
telecomunicações/radiodifusão, e optoeletrônica. Além disso, 
diferentemente de alguns analistas, também incluo nos domínios 
da tecnologia da informação a engenharia genética e seu crescente 
conjunto de desenvolvimento e aplicações.
Com base nessa citação, torna-se claro que a tecnologia não determina a 
sociedade, nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica. Portanto, 
para Castells (2001), a tecnologia e a sociedade são categorias interdependentes, 
na medida em que a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas 
“ferramentas tecnológicas”. Nesse sentido, para Castells (2001), a tecnologia é uma 
condicionante, e não determinante, da sociedade. 
Por conseguinte, a relação entre tecnologia e sociedade está marcada pela 
presença do papel do Estado, podendo estimular ou constranger ambientes de inovação 
tecnológica, organizando as forças sociais dominantes em determinado tempo e espaço. 
Em grande medida, o grau de tecnologia existente numa sociedade é a representação 
de sua capacidade coletiva de controle sobre o meio político, isto é, de determinação 
sobre o formato das instituições, ou seja, do próprio Estado, no sentido de que este 
permita o melhor desenvolvimento das iniciativas e o uso das tecnologias a favor dos 
indivíduos. Desta feita, “o processo histórico em que esse desenvolvimento de forças 
produtivas ocorre assinala as características da tecnologia e seus entrelaçamentos com 
as relações sociais” (CASTELLS, 2001, p. 31).
Sob esta ótica, a tecnologia não pode ser vista como uma “ferramenta” que 
busca resolver problemas imediatos que se apresentam numa determinada sociedade, 
mas sim como um meio integrante e compatível com a sociedade em que está inserida. 
Para o sociólogo espanhol Manuel Castells Oliván, o suposto dilema do determinismo 
tecnológico é falso. Portanto, não se trata de perguntar se a tecnologia determina 
comportamentos na sociedade ou se a sociedade é quem controla a tecnologia. 
Como diz Castells (2001, p. 25), “a tecnologia é a sociedade e a sociedade não pode 
ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas”. Isso não impede 
de admitir que no começo é uma parte da sociedadeque dá o start, para depois os 
outros se apropriarem das inovações. Foi o que aconteceu nos EUA, quando um setor 
específico da sociedade introduziu essas novas formas de produção, comunicação, 
gerenciamento e vida (CASTELLS, 2001).
Nessa medida, tanto a informação como o conhecimento criam um novo sistema 
baseado num complexo integrado de rede global de interação, em que a produtividade 
e a competitividade das suas unidades dependem basicamente de sua capacidade de 
gerar, processar e aplicar de forma eficiente a informação baseada no conhecimento.
117
Sem dúvida, informação e conhecimento sempre foram elementos 
cruciais no crescimento da economia, e a evolução da tecnologia 
determinou em grande parte a capacidade produtiva da sociedade 
e os padrões de vida, bem como formas sociais de organização 
econômica [...]. A emergência de um novo paradigma tecnológico 
organizado em torno de novas tecnologias da informação, mais 
flexíveis e poderosas, possibilita que a própria informação se torne 
o produto do processo produtivo. Sendo mais preciso: os produtos 
das novas indústrias de tecnologia da informação são dispositivos de 
processamento da informação. Ao transformarem os processos de 
processamento da informação, as novas tecnologias da informação 
agem sobre todos os domínios da atividade humana e possibilitam 
o estabelecimento de conexões infinitas entre diferentes domínios, 
assim como entre os elementos e agentes de tais atividades 
(CASTELLS, 2001, p. 88).
Assim, para Castells (2001), o que caracteriza a atual revolução tecnológica não 
é a centralização do conhecimento e da aplicação, senão o uso da informação para 
a gestão de todo o processamento da informação e gerenciamento, num processo 
de retroalimentação eterno, promovendo a passagem de três estágios das novas 
tecnologias de telecomunicações nas últimas décadas, quais sejam: a automação das 
tarefas, as experiências de usos e a reconfiguração das aplicações. “Nos dois primeiros 
estágios, os avanços tecnológicos se caracterizam pelo learn by using, isto é, pelo 
aprender usando. No último, são os usuários que aprenderam a tecnologia fazendo, o 
que acabou resultando na configuração das redes e na descoberta de novas aplicações” 
(CASTELLS, 2001, p. 51).
Desta feita, seria incorreto falar de uma Sociedade Informacional, implicando 
uma inadequada “homogeneidade das formas sociais” em qualquer lugar do globo sob o 
novo sistema. Não se trata de reduzir os povos da Terra ao novo paradigma informacional, 
mas, segundo o pensador espanhol, poderíamos falar de uma sociedade informacional 
assim como falamos da “sociedade urbano-industrial, cujas características são bem 
definidas e algumas de suas principais estão difundidas mundialmente” (CASTELLS, 
1999, p. 38).
118
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• As novas tecnologias da informação e comunicação têm um impacto direto na vida 
social dos indivíduos.
• Os novos dispositivos de informação constituem verdadeiras fontes de poder nas 
sociedades, e são alterados de acordo com o caráter estratégico da produtividade da 
economia e na eficácia das instituições sociais.
• O termo tecnologia provém do verbo grego tictein, que significa criar, produzir, 
significando, portanto, o conhecimento prático que almeja alcançar um determinado 
fim concreto.
• O que caracteriza a renovação tecnológica não é a centralidade do conhecimento e 
nem da informação.
• Tecnologia não pode ser confundida com ciência, na medida em que ela consiste 
de conhecimentos práticos sobre como usar recursos materiais, ao passo que 
a ciência consiste de conhecimento abstrato e teorias sobre como o processo do 
conhecimento se constrói.
• A expressão Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC refere-se ao conjunto 
de recursos tecnológicos capazes de produzir e disseminar informações, ou seja, 
ferramentas que permitem arquivar e manipular informações em forma de textos, 
imagens e sons, permitindo, desta forma, que nos comuniquemos uns com os outros.
• São cinco os elementos que caracterizam o novo paradigma das tecnologias da 
informação e comunicação.
119
AUTOATIVIDADE
1 (ENADE - 2011) Exclusão digital é um conceito que diz respeito às 
extensas camadas sociais que ficaram à margem do fenômeno 
da sociedade da informação e da extensão das redes digitais. O 
problema da exclusão digital se apresenta como um dos maiores 
desafios dos dias de hoje, com implicações diretas e indiretas sobre os mais 
variados aspectos da sociedade contemporânea.
Nessa nova sociedade, o conhecimento é essencial para aumentar a produtividade e a 
competição global. É fundamental para a invenção, para a inovação e para a geração 
de riqueza. As tecnologias de informação e comunicação (TICs) proveem uma fundação 
para a construção e aplicação do conhecimento nos setores públicos e privados. É 
nesse contexto que se aplica o termo exclusão digital, referente à falta de acesso às 
vantagens e aos benefícios trazidos por essas novas tecnologias, por motivos sociais, 
econômicos, políticos ou culturais.
Considerando as ideias do texto acima, avalie as afirmações a seguir.
I- Um mapeamento da exclusão digital no Brasil permite aos gestores de políticas 
públicas escolherem o público-alvo de possíveis ações de inclusão digital.
II- O uso das TICs pode cumprir um papel social, ao prover informações àqueles que 
tiveram esse direito negado ou negligenciado e, portanto, permitir maiores graus de 
mobilidade social e econômica.
III- O direito à informação diferencia-se dos direitos sociais, uma vez que esses estão 
focados nas relações entre os indivíduos e, aqueles, na relação entre o indivíduo e 
o conhecimento.
IV- O maior problema de acesso digital no Brasil está na deficitária tecnologia existente 
em território nacional, muito aquém da disponível na maior parte dos países de 
primeiro mundo.
É correto apenas o que se afirma em:
a) ( ) II e IV.
b) ( ) I e II.
c) ( ) III e IV.
d) ( ) I, II e III.
e) ( ) I, III e IV.
120
[...] A cibercultura não seria pós-moderna, mas estaria inserida perfeitamente na 
continuidade dos ideais revolucionários e republicanos de liberdade, igualdade e 
fraternidade. A diferença é apenas que, na cibercultura, esses “valores” se encarnam em 
dispositivos técnicos concretos. Na era das mídias eletrônicas, a igualdade se concretiza 
na possibilidade de cada um transmitir a todos; a liberdade toma forma nos softwares 
de codificação e no acesso a múltiplas comunidades virtuais, atravessando fronteiras, 
enquanto a fraternidade, finalmente, se traduz em interconexão mundial.
O desenvolvimento de redes de relacionamento por meio de computadores e a expansão 
da internet abriram novas perspectivas para a cultura, a comunicação e a educação. De 
acordo com as ideias do texto acima, a cibercultura:
a) ( ) Representa uma modalidade de cultura pós-moderna de liberdade de comunicação 
e ação.
b) ( ) Constituiu negação dos valores progressistas defendidos pelos filósofos do 
Iluminismo.
c) ( ) Banalizou a ciência ao disseminar o conhecimento nas redes sociais.
d) ( ) Valorizou o isolamento dos indivíduos pela produção de softwares de codificação.
e) ( ) Incorpora valores do Iluminismo ao favorecer o compartilhamento de informações 
e conhecimentos.
2 (ENADE – 2011) A cibercultura pode ser vista como herdeira 
legítima (embora distante) do projeto progressista dos filósofos 
do século XVII. De fato, ela valoriza a participação das pessoas 
em comunidades de debate e argumentação. Na linha reta das 
morais da igualdade ela incentiva uma forma de reciprocidade essencial nas 
relações humanas. Desenvolveu-se a partir de uma prática assídua de trocas de 
informações e conhecimentos, coisa que os filósofos do Iluminismo viam como 
principal motor do progresso.
121
TÓPICO 3 - 
AVANÇOS TECNOLÓGICOS
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, ao falarmos de avanços tecnológicos, se torna importante 
compreendermos sobre as práticas de inovação,compreender comunidades virtuais e 
seus impactos e conhecer um pouco das novidades tecnológicas existentes.
A tecnologia faz parte do nosso dia a dia e vem se expandindo cada vez mais. 
Neste tópico, queremos apenas trazer algo sobre as novas tecnologias, mas fique 
antenado nos noticiários, todos os dias temos o lançamento de uma nova tecnologia.
2 TENDÊNCIAS ORGANIZACIONAIS DO SÉCULO XXI
Muitas pessoas não conseguem trabalhar sem seu laptop ou smartphone. Além 
disso, para muitos é impossível imaginar o dia sem o Google ou, para outros, mensagens 
de texto, WhatsApp ou Facebook para ficar em contato com uma grande rede de colegas. 
Em apenas uma década a tecnologia mudou muito a forma como trabalhamos e nos 
comunicamos. E na próxima década, com o aumento da velocidade das conexões da 
internet, haverá mudanças mais profundas para o trabalho do que qualquer coisa vista 
até o momento. Todas as informações serão mais fáceis de visualizar e analisar.
As empresas enfrentam mudanças mais abrangentes e com maior alcance em 
suas implicações do que qualquer coisa desde a Revolução Industrial moderna, que 
ocorreu no início de 1900 (BALTZAN; PHILLIPS, 2012). Para auxiliar na compreensão e 
influência das tecnologias em nosso modo de vida, observe as informações das figuras 
a seguir, nelas consta uma nova tecnologia que já vem sendo utilizada por empresas e 
pela educação, chama-se: comunidades virtuais.
UNIDADE 2
122
FIGURA 18 – COISAS QUE VAMOS DIZER PARA NOSSOS NETOS
FONTE: Baltzan e Phillips (2012)
FIGURA 19 – COMO SEREMOS LEMBRADOS POR NOSSOS NETOS
FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/JJh21n> Acesso em: 13 dez. 2017.
3 COMUNIDADES VIRTUAIS
Você já ouviu falar em comunidade virtual? Também encontramos com o nome 
de grupo virtual, mas perante a bibliografia vamos trabalhar com comunidade virtual.
123
As comunidades virtuais são redes virtuais de comunicação interativa, 
organizadas em interesses compartilhados. Ao analisarmos o passado, na origem das 
primeiras civilizações, o ser humano era nômade, vivia da caça, pesca e coleta de produtos 
na natureza. Com o passar dos anos o ser humano aprendeu a se organizar em grupos, 
assim nascendo as primeiras comunidades, as quais deram origem às civilizações. Esses 
grupos humanos defi niram formas de expressar valor moral e cultural, de acordo com 
cada época. Com as novas tecnologias constituíram-se grupos de sujeitos ligados por 
vínculos não formalizados, com características comuns, formando-se as comunidades 
virtuais (MUSSOI; FLORES; BEHAR, 2007).
As comunidades virtuais se constituem de grupos de pessoas interconectadas 
em busca da inteligência coletiva.
NOTA
FIGURA 20 – PRINCÍPIOS DA CIBERCULTURA 
FONTE: Os autores
124
Uma comunidade virtual é uma inteligência coletiva em potencial. Um grupo 
humano se interessa em constituir-se como comunidade virtual para aproximar-se do 
ideal do coletivo inteligente, mais imaginativo, mais capaz de aprender e inventar. A 
virtualização ou desterritorialização das comunidades no ciberespaço são condições 
para haver inteligência coletiva em grande escala. A inteligência coletiva é o terceiro 
princípio da cibercultura. O ciberespaço é a ferramenta de organização de comunidades 
de todos os tipos, o melhor uso do ciberespaço pode ser alcançado ao se colocar 
em sinergia os saberes, as imaginações e as energias espirituais daqueles que estão 
conectados a ele. A cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um 
laço social, fundado sobre a reunião em torno de centros de interesses comuns, no 
compartilhamento de informações, na cooperação e nos processos de colaboração 
(MUSSOI; FLORES; BEHAR, 2007).
Quer conhecer mais sobre a Cibercultura? Então leia o livro de Pierre Lévy. 
Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999.
DICAS
Para estimular sua leitura e aprofundar o conceito de cibercultura, trazemos 
alguns trechos do livro de Pierre Lévy (1999, p. 11).
Pensar a cibercultura: esta é a proposta deste livro. Em geral me 
consideram um otimista. Estão certos. Meu otimismo, contudo, não 
promete que a Internet resolverá, em um passe de mágica, todos 
os problemas culturais e sociais do planeta. Consiste apenas em 
reconhecer dois fatos. Em primeiro lugar, que o crescimento do 
ciberespaço resulta de um movimento internacional de jovens 
ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação 
diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem. Em 
segundo lugar, que estamos vivendo a abertura de um novo espaço 
de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades 
mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural 
e humano.
O referido autor apresenta a contextualização dos princípios da cibercultura no 
mundo atual, e conclui que o programa da cibercultura é o universal sem totalidade, 
ou seja, possui uma relação profunda com a ideia de humanidade e se abastece da 
diversidade cultural.
A interconexão para a interatividade é supostamente boa, quaisquer 
que sejam os terminais, os indivíduos, os lugares e momentos que ela 
coloca em contato. As comunidades virtuais parecem ser um excelente 
meio (entre centenas de outros) para socializar, quer suas fi nalidades 
sejam lúdicas, econômicas ou intelectuais, quer seus centros de 
125
interesse sejam sérios, frívolos ou escandalosos. A inteligência coletiva, 
enfim, seria o modo de realização da humanidade que a rede digital 
universal felizmente favorece, sem que saibamos a priori em direção 
a quais resultados tendem as organizações que colocam em sinergia 
seus recursos intelectuais. Em resumo, o programa da cibercultura é o 
universal sem totalidade (LÉVY, 1999, p. 132).
As comunidades virtuais podem ter diversidade de pessoas, como de assuntos. 
Para educação, uma comunidade virtual cria uma relação de professor-aluno que 
dialogam e estabelecem regras juntos. O professor, nesta situação, é o mediador, 
orientador, instigador do processo. 
Palloff e Pratt (2004) apresentam técnicas instrucionais centradas no aluno 
para que o professor tenha sucesso nas interações das comunidades:
• Acesso e habilidade: o professor deve utilizar apenas tecnologias que sirvam aos 
objetivos da aprendizagem; a tecnologia deve ser mantida em um nível simples, para 
que seja transparente ao aluno; o professor deve se certificar de que o aluno tenha 
habilidade necessária para usar a tecnologia.
• Abertura: sempre comece a atividade com apresentação; use atividades de 
aprendizagem que levem em consideração a experiência e a resolução de problemas.
• Comunicação: deixe claro ao aluno as diretrizes para a comunicação, incluindo a net 
etiqueta; exemplifique como realizar uma boa comunicação; estimule a participação; 
acompanhe os alunos que não participam.
• Comprometimento: explique suas expectativas em relação à utilização do tempo; 
explique a realização de trabalhos, prazos de entrega e meios pelos quais a 
avaliação será elaborada; crie uma agenda de publicação junto aos alunos; apoie o 
desenvolvimento de boas habilidades de gerenciamento de tempo.
• Colaboração: trabalhe com estudos de caso, trabalhos em pequenos grupos, 
simulações e utilização do pensamento crítico; faça com que os alunos enviem seus 
trabalhos para a comunidade, para maior interação com os demais colegas; faça 
perguntas abertas para estimular a discussão.
• Reflexão: coloque regras quanto ao tempo de postagem da mensagem; estimule 
os alunos a refletir, escrever off-line e depois transcrever para a comunidade; faça 
perguntas abertas e estimule a reflexão sobre o material utilizado.
• Flexibilidade: varie as atividades para atender todos os estilos de aprendizagem e 
oferecer um interesse adicional; negocie as diretrizes da atividade com os alunos, 
assim promovendo maior engajamento; use a internet como uma ferramenta e um 
recurso de ensino e estimule os alunos a buscar referências que possam compartilhar.
Analisando ao nosso redor, temos diversas formas de comunidades virtuais, 
e você deve conhecermuitas delas. Veremos no próximo subtópico essas formas, 
conhecidas por redes sociais.
126
3.1 REDES SOCIAIS
As redes sociais podem ser vistas como uma tecnologia com menos seguidores 
para a sua utilização como uma ferramenta de trabalho, mas não deve ser, devido ao 
número de assinantes dessa tecnologia. Esses sites permitem que o usuário faça várias 
atividades, tais como: postar um perfil, fotos, vídeos, chat, blog, e se conectar com seus 
pares através de boletins individuais, grupos privados e fóruns.
Quais são os aspectos críticos que definem uma tecnologia de rede social? 
Tradicionalmente, os traços dessas ferramentas incluem a criação de um login no site, 
que fornece uma página de perfil, em que muitas vezes você pode adicionar fotos e 
outros conteúdos. Você pode se conectar com outras pessoas que conhece ou pode 
encontrar novas pessoas através do site, tornando-se o seu "amigo". Este título serve 
para designar, no site, que duas pessoas estão ligadas de alguma forma. Isso proporciona 
a capacidade de receber atualizações em suas páginas "de amigos", comunicar-se com 
eles através de e-mail no local/comentários/chat, e criar grupos específicos no site em 
torno de temas ou conteúdo. A seguir, veremos algumas novidades tecnológicas.
Alguns sites que você deve acessar para ficar dentro das atualidades 
tecnológicas:
<http://www.cienciahoje.pt/3445>
<http://olhardigital.uol.com.br/home>
<http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia>
<http://revistapesquisa.fapesp.br/>
<http://www2.uol.com.br/sciam/>
<http://www.abc.org.br/centenario/>
<http://www.scielo.org/php/index.php?lang=pt>
DICAS
127
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Algumas tendências para as empresas perante as tecnologias.
• O que são comunidades virtuais e para que servem.
• O que é cibercultura e seus princípios.
• O que são redes sociais.
128
AUTOATIVIDADE
1 (ENADE – 2014) O trecho da música “Nos bailes da vida”, de Milton 
Nascimento, “todo artista tem de ir aonde o povo está”, é antigo, e 
a música, de tão tocada, acabou por se tornar um estereótipo de 
tocadores de violões e de roda de amigos em Visconde de Mauá, nos 
anos de 1970. Em tempos digitais, porém, ela ficou mais atual do que nunca. É 
fácil entender o porquê: antigamente, quando a informação se concentrava em 
centro de exposição, veículos de comunicação, editoras, museus e gravadoras, 
era preciso passar por uma série de curadores, para garantir a publicação de 
um artigo ou livro, a gravação de um disco ou a produção de uma exposição. 
O mesmo funil, que poderia ser injusto e deixar grandes talentos de fora, 
simplesmente porque não tinham acesso às ferramentas, às pessoas ou às 
fontes de informação, também servia como filtro de qualidade. Tocar violão ou 
encenar uma peça de teatro em um grande auditório costumava ter um peso 
muito maior do que fazê-lo em um bar, um centro cultural ou uma calçada. Nas 
raras ocasiões em que esse valor se invertia, era justamente porque, para uso 
do espaço “alternativo”, havia mecanismos de seleção tão ou mais rígidos que 
o espaço oficial.
A partir do texto acima, avalie as asserções a seguir e a relação entre elas.
I- O processo de evolução tecnológica da atualidade democratiza a produção e a 
divulgação de obras artísticas, reduzindo a importância que os centros de exposição 
tinham nos anos de 1970.
PORQUE
II- As novas tecnologias possibilitam que artistas sejam independentes, montem seus 
próprios ambientes de produção e disponibilizem seus trabalhos, de forma simples, 
para um grande número de pessoas.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa 
correta da I.
c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) ( ) As asserções I e II são proposições falsas. 
129
2 (ENADE – 2013) Uma revista lançou a seguinte pergunta em um 
editorial: “Você pagaria um ladrão para invadir sua casa?”. As pessoas 
mais espertas diriam provavelmente que não, mas companhias 
inteligentes de tecnologia estão, cada vez mais, dizendo que 
sim. Empresas como a Google oferecem recompensas para hackers que 
consigam encontrar maneiras de entrar em seus softwares. Essas companhias 
frequentemente pagam milhares de dólares pela descoberta de apenas um 
bug, o suficiente para que a caça a bugs possa fornecer uma renda significativa. 
As empresas envolvidas dizem que os programas de recompensa tornam seus 
produtos mais seguros. “Nós recebemos mais relatos de bugs, o que significa 
que temos mais correções, o que significa uma melhor experiência para nossos 
usuários”, afirmou o gerente de programa de segurança de uma empresa. Mas 
os programas não estão livres de controvérsias. Algumas empresas acreditam 
que as recompensas devem apenas ser usadas para pegar cibercriminosos, 
não para encorajar as pessoas a encontrar as falhas. E também há a questão 
de double-dipping, a possibilidade de um hacker receber um prêmio por ter 
achado a vulnerabilidade e, então, vender a informação sobre o mesmo bug 
para compradores maliciosos.
Considerando o texto acima, infere-se que: 
a) ( ) Os caçadores de falhas testam os softwares, checam os sistemas e previnem 
os erros antes que eles aconteçam e, depois, revelam as falhas a compradores 
criminosos.
b) ( ) Os caçadores de falhas agem de acordo com princípios éticos consagrados no 
mundo empresarial, decorrentes do estímulo à livre concorrência comercial.
c) ( ) A maneira como as empresas de tecnologia lidam com a prevenção contra 
ataques dos cibercriminosos é uma estratégia muito bem-sucedida.
d) ( ) O uso das tecnologias digitais de informação e das respectivas ferramentas 
dinamiza os processos de comunicação entre os usuários de serviços das 
empresas de tecnologia.
e) ( ) Os usuários de serviços de empresas de tecnologia são beneficiários diretos dos 
trabalhos desenvolvidos pelos caçadores de falhas contratados e premiados 
pelas empresas.
130
131
TÓPICO 4 - 
GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICA 
INTERNACIONAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Os elementos que compõem o repertório da civilização ocidental em termos 
de instituições, códigos jurídicos, leis, estatutos reguladores e pacificadores, por 
muito tempo encontraram-se centrados em favorecer o poder político e os sistemas 
econômicos, os quais, no momento presente, encontram-se em situação de crise e 
mal-estar dos indivíduos, e a alternativa diante deste cenário tem sido a retomada das 
formas de viver e fazer, dos costumes, valores, relações e vínculos de interdependência 
e reciprocidade no interior das comunidades. 
Vivemos em um momento de crises e impasses, isso encontra-se diretamente 
relacionado com as matrizes e modelos teóricos que legitimavam o crescimento 
econômico equilibrado (crença no mercado autorregulado), o modelo de organização 
política (Estado neoliberal), o sistema monetário internacional (baseado no padrão-
ouro) e o equilíbrio de poder na geopolítica internacional (hegemonia norte-americana 
e europeia). 
Sem sombra de dúvidas, representamos uma civilização centrada no otimismo 
do progresso e do trabalho capitalista, e cada vez mais é reconhecida a afirmação 
do individualismo. À medida que avança o processo de conquista da propriedade e 
da individualização dos sujeitos, faz-se necessário cada vez mais constituir normas 
e um conjunto de outros valores éticos, sociais e de regulamentação que garantam 
equidade e paz nas relações dos indivíduos. Bem, você deve estar se perguntando: 
como chegamos a este estado?! Ao longo dos próximos dois subtópicos procuramos 
apresentar elementos para que se compreenda o processo político, social e histórico 
desse quadro. 
2 GLOBALIZAÇÃO: UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA
Trata-se de um fenômenode organização e circulação política, econômica, 
comercial e cultural, que foi praticado pelas mais diversas sociedades e desde os mais 
antigos mercadores (fenícios) da antiguidade, que se organizavam em caravanas por 
terra e expedições de navegadores por mares e oceanos.
132
FIGURA 21 – GLOBALIZAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://queconceito.com.br/wp-content/uploads/Globaliza ção.jpg>. Acesso em: 7 
dez. 2017.
Alguns autores situam o fenômeno no final do século XV e ao longo do século 
XVI, quando se dá início às grandes navegações que partiam do continente europeu em 
direção a regiões como a América, África, Oceania e Ásia. 
A globalização também é apresentada como sendo resultante das concepções e 
direitos/deveres que existiam no interior da Revolução Francesa e da Revolução Industrial 
inglesa do século XVIII, ao desenvolvimento do capitalismo em escala mundial, bem 
como uma continuidade da lógica civilizacional que tem sido designada por modernidade 
(concentração da população nas cidades, industrialização da produção, racionalização do 
pensamento, laicidade do Estado), que se acentuará ao longo do século XIX.
As possibilidades de atuação da economia, em favor dos interesses de mercado, 
foram potencializadas pelo espírito capitalista, que estava amparado na livre circulação 
de mercadorias das doutrinas do “deixe ir, deixe vir e tudo se autorregulará”. Esta fórmula 
e lei foram responsáveis por conferir ao sistema financeiro a dinâmica da “oferta e da 
procura” de produtos, a transitoriedade e a flutuação de preços, de lucros e de taxas 
de impostos, que por sua vez atribuíram ampla independência, liberdade nas relações 
comerciais e na prestação de serviços.
O mercado preocupou-se, também, em perceber o potencial de consumo/
mercado, passando a intercambiar produtos entre as regiões que não eram capazes de 
produzi-los. A esta prática pode-se exemplificar com os produtos ingleses e franceses, 
que eram negociados com produtos e as populações dos países indianos, americanos, 
africanos.
133
Resumidamente, o mercado atendia às demandas de economia (comércio, 
circulação e consumo de produtos); o Estado, por sua vez, atendia a necessidades de 
serviços junto à população (serviços educacionais, infraestrutura, habitação, saúde e lazer).
A globalização, que se apresenta ao nosso momento histórico, ganhou ênfase 
no final dos anos de 1980, quando foi reconhecido o fim do cenário da Guerra Fria, com 
as experiências da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e foi desfeito o 
muro de Berlim, que separava a Alemanha Oriental (comunista/socialista) da Alemanha 
Ocidental (capitalista). 
Ocorreu também a formação da OMC: Organização Mundial do Comércio (que 
conta com a adesão de mais de 150 países) e os blocos econômicos da UNIÃO EUROPEIA, 
NAFTA, MERCOSUL, APEC, ASEAN, entre outros. Na América Latina estruturou-se a 
CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), órgão para pensar o 
desenvolvimento econômico, social e sustentável. Esta articulação de países indica um 
forte movimento de regionalização das relações econômicas e políticas, assim como das 
relações sociais e culturais entre os mesmos, e por sua vez, dos conceitos de fronteira, 
espaço, nação, Estado, entre outros.
Ianni (1994) foi categórico quando refletiu que a fábrica global é tanto metáfora 
quanto realidade, altamente determinada pelas exigências da reprodução ampliada do 
capital. 
No âmbito da globalização, os interesses de mercado revelam-se ávidos por 
processos que sejam capazes de promover cada vez mais a concentração e centralização 
do capital, para tanto articulam em torno de si empresas, mercados, forças produtivas, 
centros decisórios, alianças, estratégias e planejamentos de corporações, que se 
estendem e ultrapassam províncias, nações e continentes, ilhas e arquipélagos, mares 
e oceanos (IANNI, 1994).
Os Estados, em vez de desaparecer, adquirem uma nova lógica de operação, 
em que seu poder é limitado frente à expansão das forças transnacionais que reduzem 
a capacidade dos governos de controlar os contatos entre as sociedades e os 
indivíduos, por sua vez são forçados a impulsionar as relações transfronteiriças. Nessa 
perspectiva, os problemas políticos nem sempre são resolvidos de forma adequada e 
satisfatoriamente, então, eis que se faz necessário buscar a cooperação com outras 
nações e agentes não estatais a fim de atender tais demandas (KEOHANE; NYE, 1989).
134
2.1 O TERCEIRO SETOR
O terceiro setor ganhou espaço de constituição e atuação a partir dos anos 
de 1990. E instalou-se como alternativa em meio ao setor público/estatal (primeiro 
setor) e o setor privado/industrial/mercado (segundo setor), no sentido de intermediar, 
gerenciar e prestar serviços de interesse público em situações e contextos que os dois 
outros setores não atingem/alcançam.
Por meio dessa formulação e composição de setores, cria-se um vácuo de 
poder e ação que favorece a constituição de organizações, coletividades internacionais 
e transnacionais, governamentais e não governamentais, que se propõem a apresentar 
decisões políticas e ações sociais.
O terceiro setor constitui uma espécie de sociedade civil de caráter jurídico. Os 
órgãos que compõem o terceiro setor podem ser sociedades, associações, fundações, 
institutos, ONGs (Organismos Não Governamentais), OSCIPs (Organização da Sociedade 
Civil de Interesse Público). As ONGs que compõem uma associação civil de direito privado, 
sem fins lucrativos ou econômicos, encontram-se pautadas nas normas e legislações da 
Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Constituição Federal. Essas associações 
recebem doações de empresas e pessoas físicas que procuram deduzir impostos que 
devem ser pagos ao governo federal, para tanto precisam atuar em atividades que se 
caracterizam como: entidades de interesse público, como fundos de direitos da criança e 
do adolescente; instituições de ensino e pesquisa; e atividades culturais e audiovisuais.
Entre as críticas que são feitas à modalidade, encontram-se as situações em 
que se caracterizam espaços que favorecem a atuação de grupos que se utilizam de 
verbas públicas em nome de grupos privilegiados. 
3 GLOBALIZAÇÃO: UM BALANÇO
A globalização pode apresentar sua face mais bem-sucedida, que reside no 
fato de que foi capaz de favorecer a intercomunicação entre povos e as pessoas das 
mais diferentes e inusitadas regiões do planeta, diminuir as fronteiras no campo dos 
transportes e promover intercâmbios nas atividades de comunicação e informações.
A formação dos grupos regionais é capaz de conferir aos seus membros uma 
melhor possibilidade de negociação e barganhas no jogo das relações que se dão no 
cenário mundial. Por outro lado, quando interpretadas nas relações internas, em especial 
com os membros que compõem o grupo do qual fazem parte, evidenciam-se realidades 
sociais, culturais, condições de produção e capacidade de consumo desigual, de forte 
dependência tecnológica e vulnerabilidades política e econômica (a exemplo disso 
pode-se considerar o grupo NAFTA, que é composto pelos países: Canadá, Estados 
Unidos da América e México).
135
Todavia, acabou por prevalecer o caráter de fazer com que as relações políticas, 
os governos, os grupos sociais e movimentos culturais fossem colocados a favor 
dos interesses da economia. Acabou-se por padronizar cada vez mais os processos 
de produção, os desejos de consumo, os estilos de vida e as culturas, anulando cada 
vez mais as diferenças, identidades, as especificidades, as tradições locais e regionais, 
qualquer tipo de fronteiras e valores morais tradicionais.
Os modelos ideais de globalização que foram postulados garantiam que os 
indivíduos se abrissem a uma imensa variedade e riqueza de itens, tanto materiais 
como imateriais. Munidos desses itens, a vida ganharia uma dinâmica e a criatividade 
dos ares de liberdade, que por sua vez contagiariam com imensa alegria e colocariam 
em movimento o ambiente cultural e intelectualdos hábitos, dos costumes, das 
mentalidades de todos e a todos em toda face da Terra (BERMAN, 1986).
A partir das formulações de produção, trabalho e economia postuladas pelos 
teóricos do século XIX, gerou-se uma espécie de novo modelo antropológico de homem, 
o Homo economicus, que tem como centro e modo de vida os princípios da economia, 
que se revela pelos aspectos de um comportamento de individualismo exacerbado, 
competição desenfreada e o consumismo sem sentido, numa espécie de busca pelo ter 
e ter cada vez mais, e obtido a qualquer custo.
AUTOATIVIDADE
1 (ENADE – 2014) Com a globalização da economia social por meio das 
organizações não governamentais, surgiu uma discussão do conceito 
de empresa, de sua forma de concepção junto às organizações 
brasileiras e de suas práticas. Cada vez mais é necessário combinar 
as políticas que priorizam modernidade e competitividade com incorporação dos 
setores atrasados mais intensivos de mão de obra. A respeito desta temática, avalie 
as afirmações a seguir:
I- O terceiro setor é uma mistura dos dois setores clássicos da sociedade, o público 
representado pelo Estado, e o privado representado pelo empresariado em geral. 
II- É o terceiro setor que viabiliza o acesso da sociedade à educação e ao desenvolvimento 
de técnicas industriais, econômicas, financeiras, políticas e ambientais.
III- A responsabilidade tem resultado na alteração do perfil corporativo e estratégico 
das empresas, que têm reformulado a cultura e a filosofia que orientam as ações 
institucionais. 
136
Está correto o que se afirma em: 
a) ( ) I, apenas.
b) ( ) II, apenas.
c) ( ) I e III, apenas.
d) ( ) II e III, apenas.
e) ( ) I, II e III.
4 A POLÍTICA INTERNACIONAL
A política ganhou um caráter internacional a partir do século XVIII, quando do 
surgimento do Estado Moderno, em que o sistema capitalista irá se instalar a fim de 
obter condições e favorecimentos para expandir seus alcances em termos de matérias-
primas, frentes de investimento e mercado consumidor. Ela pode ser identificada 
ainda quando da vigência do regime de Colonialismo, que vigorou na era das grandes 
navegações, quando Espanha e Portugal estabeleciam e organizavam politicamente 
suas colônias de exploração nos continentes americano e africano.
5 O ESTADO MODERNO E O LIBERALISMO
Surge no contexto em que ocorre o enfraquecimento do Antigo Regime 
(marcado pelas monarquias), das aristocracias, do clero, da Igreja Católica como um 
todo, diante do fortalecimento crescente do Estado moderno, da burguesia comercial, 
do liberalismo e do capitalismo. 
O Estado moderno possuía como principal intento reestruturar os governos de 
forma laica/secular, de forma a estabelecer regulação política, jurídica e institucional 
das relações entre religião e política, Igreja e Estado, ou seja, conferir emancipação do 
Estado e do ensino público dos poderes eclesiásticos e de toda referência e legitimação 
religiosa. Nesse contexto, caberia ao Estado garantir a neutralidade em matéria religiosa 
(ou a concessão de tratamento estatal isonômico às diferentes agremiações religiosas), 
a tolerância religiosa e as liberdades de consciência, de religião (incluindo a de escolher 
não ter religião) e de culto (CASANOVA, 1994). 
A busca por um novo/outro conjunto de valores morais, o exercício de métodos 
sofisticados de pensar e sentir, a racionalidade desprendida de uma matriz religiosa 
dogmática, o reconhecimento da subjetividade inerente às relações humanas, a defesa 
da liberdade de pensar e agir conforme uma ética particular/interiorizada, tudo isto 
vai reforçar a crítica aos resquícios que ainda persistiam do mundo feudal, do Antigo 
Regime e dos sistemas monárquicos que perduraram ao longo dos séculos XVII e XVIII.
137
O Estado Moderno e o Liberalismo concatenam todo um processo histórico, com 
múltiplas determinações: a ideia moderna de indivíduo (que não se restringe ao ideário 
liberal) e que surgiu em meio a mudanças profundas e que abrangiam as mais diversas 
relações humanas, tais como religião, política, economia, trabalho, família, ideias, artes: 
tudo convergindo e reforçando mutuamente para produzi-la.
O Imperialismo que surgiu foi uma formação de governo e política, que se 
praticou muito no século XIX, e foi exercido pelos países europeus para com os países 
de regiões como a África, América e Ásia, de onde obtinham matérias-primas para 
empreender sua produção industrial, consolidavam relações comerciais e mercados 
consumidores e exerciam influência/dominação cultural. 
6 O NEOLIBERALISMO E A TERCEIRA VIA
O neoliberalismo forjou-se a partir dos elementos já existentes no interior do 
liberalismo clássico do século XVIII, porém, agora privilegiou os ideais econômicos, em 
especial os princípios de liberdade de empreendimento, de propriedade e de lucro, em 
detrimento das demandas/necessidades políticas e sociais (legitimidade, direitos e 
serviços) dos indivíduos.
Dentre as críticas que são feitas ao neoliberalismo tem-se as políticas que 
promovem a redução da interferência/regulação do Estado nas atividades econômicas/
financeiras, permitindo o livre funcionamento do mercado, inclusive na distribuição da 
riqueza; assim como na promoção de bem-estar, em prol da privatização por grupos 
privados na oferta de serviços de saúde, educação, cultura, pensões, entre outros.
No contexto de política econômica, os governos deveriam atuar no sentido de 
favorecer mudanças tecnológicas e a rentabilidade das empresas, favorecendo cada 
vez mais o mercado livre e a redução da taxa de acumulação.
As principais experiências de governos neoliberais podem ser identificadas 
com o caso da Inglaterra, sob o governo da primeira ministra Margareth Thatcher, e 
dos Estados Unidos, com o presidente Ronald Reagan; do ditador Augusto Pinochet, no 
Chile; e em termos de bases teóricas, a Escola de Chicago, liderada pelos economistas 
Milton Friedman e George Stigler.
A ‘terceira via’ foi apresentada como alternativa frente às crises que emergiam 
das políticas neoliberais, que propõe uma espécie de humanização do capitalismo, 
nos aspectos do malefício do Estado neoliberal e da sociedade de livre mercado. Na 
qual estariam engajados tanto dirigentes políticos de países ricos e representantes de 
empresas transnacionais, que em meio às crises econômicas se dedicariam a amenizar 
os impactos sociais, as injustiças, revoluções e caos, no sentido de manter a paz e 
coesão social.
 
138
Anthony Giddens (2001), um dos principais estudiosos e defensores da ‘terceira 
via’, a explica como sendo uma estratégia de âmbito mais global, a fim de favorecer e 
melhorar as sociedades burguesas e democráticas, uma perspectiva de que os Estados/
governos devem se reformar e a sociedade civil se qualificar/educar no sentido de os 
indivíduos exercerem a cidadania para participar e decidir diante das demandas de 
caráter coletivo.
Os defensores da ‘terceira via’ interpretam que grande parte dos problemas que 
acometem os países pobres e subdesenvolvidos não são fruto da economia global ou 
das práticas de exploração das nações ricas, e sim das condições internas das próprias 
sociedades.
A terceira via pode ser observada quando partidos políticos de esquerda, ou 
de cunho social, trabalhista e democrático, procuram ajustar suas políticas aos moldes 
neoliberais e, por outro lado, criar modos particulares de amenizar os problemas sociais 
e os riscos de degradação sociopolítica de seus países, em meio ao capitalismo que se 
torna cada vez mais global e ao mercado que se faz cada vez mais onipresente, ambos 
processos de pouca probabilidade de reversão. 
7 TENDÊNCIAS AOS GOVERNOS E À POLÍTICA 
INTERNACIONAL
Existem impasses que se abatem sobre as mais diversas nações e países do 
globo, tais como governos e os sistemas políticos altamente burocratizados e quase 
falidos, e incapazes de conseguirem proporcionar justiça e bem-estar social, envolvidos 
em redes profundas de corrupção.
O estudioso Ladislau Dowbor procurafazer uma síntese da trajetória e do perfil 
do conceito de governo, levando em consideração o caráter que este apresentou em 
termos de princípios na responsabilidade pela administração, na relação com os cidadãos 
e no atributo que norteia os espaços, os processos e as instâncias que compõem um 
governo.
Observe com atenção o quadro a seguir, que faz as devidas distinções e 
estabelece comparações e reflexões.
139
QUADRO 6 – EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE GOVERNO - LADISLAU DOWBOR
FONTE: World Public Sector Report (2005, p. 7)
ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA
NOVA GESTÃO 
PÚBLICA
GOVERNANÇA 
PARTICIPATIVA
PRINCÍPIOS 
ORIENTADORES
Cumprimento de 
leis e regras
Eficiência e 
resultados
Responsabilidade, 
transparência e 
participação
RESPONSABILIDADE 
DA ADMINISTRAÇÃO 
SUPERIOR
Políticos Clientes Cidadãos, atores
RELAÇÃO CIDADÃO-
ESTADO
Obediência Credenciamento Empoderamento
ATRIBUTO-CHAVE Imparcialidade Profissionalismo Participação
Estabelecendo relação com o quadro geral dos modelos econômicos que 
influenciaram e configuraram os sistemas políticos, pode-se situar os modelos de liberalismo 
à estrutura de governo denominada de ‘administração pública’, modelo de governo que 
vigorou ao longo do neoliberalismo na categoria de ‘nova gestão pública’ como que sendo 
pertencente à terceira via, identificado também como ‘governança participativa’.
Nesse contexto de mudanças de modelos de Estado/governo, cada vez mais o 
Estado é chamado a ampliar os investimentos em recursos humanos e infraestrutura 
local, sendo de responsabilidade do Estado proteger os grupos vulneráveis e o meio 
ambiente, aproximar o Estado da população, criar meios e políticas que favoreçam a 
inclusão e participação efetiva dos cidadãos, reduzir as oportunidades de corrupção, 
garantir estabilidade macroeconômica, favorecer parcerias entre o setor público e o 
privado, gerir os processos de privatização, fortalecer redes industriais em nível nacional, 
regional e internacional; apoiar as exportações, entre outros. 
Acesse a página do professor da Universidade de São Paulo/USP Ladislau 
Dawbor. Aprofunde seus conhecimentos sobre política, governo, economia, 
tecnologia e sociedade com as dicas e sugestões de livros, artigos e filmes lá 
indicados. Disponível em: <http://dowbor.org/>. Acesso em: 4 jun. 2015.
DICAS
140
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A globalização consiste em um fenômeno antigo em meio às sociedades que 
procuravam intercambiar produtos, tecnologias e informações, porém, ganhou forte 
impulso ao final da década de 1980, quando ocorreu a queda do Muro de Berlim e do 
fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
• O fenômeno da mundialização das relações financeiras e da globalização favoreceu 
alguns grupos regionais que buscam tanto favorecer como proteger os processos 
industriais que existem no interior dos países membros, e neste contexto os governos 
desempenham papel fundamental. 
• Dentre os desafios que ocorrem no interior dos grupos econômicos está a 
heterogeneidade das bases produtivas, a vulnerabilidade econômica, instabilidades 
políticas e a diversidade sociocultural de cada país membro.
• A terceira via consiste em uma união de representantes de órgãos políticos e 
financeiros que pretendem apresentar soluções no sentido de amenizar e humanizar 
os impactos do sistema neoliberal em meio à sociedade e às populações. 
• O perfil de Estado/governo que se faz necessário no cenário político atual é o de um 
governo capaz de proteger os grupos vulneráveis e o meio ambiente, criar meios 
e políticas que favoreçam a inclusão e participação efetiva dos cidadãos, reduzir a 
corrupção, garantir estabilidade macroeconômica, gerir os processos de privatização, 
fortalecer redes industriais em nível nacional, regional e internacional.
141
AUTOATIVIDADE
1 (ENADE – 2014) Ideais liberais e métodos democráticos vieram, 
gradualmente, se combinando num modo tal que, se é verdade que 
os direitos de liberdade deram início à condição necessária para 
a direta aplicação das regras do jogo democrático, é igualmente 
verdadeiro que, em seguida, o desenvolvimento da democracia se tornou o 
principal instrumento para a defesa dos direitos de liberdade. 
De acordo com a orientação teórica expressa no texto acima, avalie as afirmações a 
seguir.
I- Liberalismo e democracia, doutrinas políticas distintas, exercem grande influência 
no ordenamento político das sociedades atuais.
II- Liberalismo e democracia são doutrinas políticas que surgiram em momentos 
diferentes e convergiram para dar origem à democracia liberal.
III- Liberalismo é uma doutrina política incongruente com o ideal igualitário, que 
caracteriza a tradição democrática. 
É correto o que se afirma em: 
a) ( ) I, apenas.
b) ( ) III, apenas. 
c) ( ) I e II, apenas.
d) ( ) II e III, apenas. 
e) ( ) I, II e III. 
RESUMO DO TÓPICO 4
142
143
RELAÇÕES DE TRABALHO
1 INTRODUÇÃO
Um indivíduo/trabalhador, consciente de si e de seu fazer profissional, 
geralmente pergunta-se sobre aspectos inerentes ao ofício, tais como: saber fazer, 
técnica, matéria-prima e energia, os meios de produção, o produto, custo, margem de 
lucro, jornada de trabalho, remuneração, condições de trabalho, comércio, consumo, 
categoria de trabalho, reconhecimento e valor/sentido social e a realização, a satisfação/
sentido pessoal, os âmbitos e as instituições que intermedeiam seu fazer profissional.
2 ORIGEM/SIGNIFICADO DA PALAVRA TRABALHO
Ao pensar e refletir sobre relações de trabalho, parece que se toca em uma 
questão que é responsável por causar entusiasmo e resistência aos indivíduos, ao mesmo 
tempo as pessoas se sentem dispostas e se dedicam a certa atividade e, por outro lado, 
recuam diante das condições, regramentos e normatizações em que precisarão estar 
alinhadas e adequadas. Percebe-se, também, uma espécie de um relutar diante do fato 
da exploração do homem pelo próprio homem, no sentido de obter e gerar riqueza. 
Conta-se com todo um processo e imaginário histórico para que isso ocorra, 
no sentido de que as relações de trabalho se encontram forjadas em meio a elementos 
religiosos, sociais, econômicos e políticos, e procura-se apresentar as principais 
concepções e dinâmicas que o homem atribuiu ao trabalho ao longo de sua jornada 
histórica, bem como as possibilidades do momento presente e vislumbrar tendências 
que as relações de trabalho podem trilhar. 
Albornoz (2008) apresenta que a expressão trabalho contém muitos significados, 
tais como esforço, fadiga, sofrimento, labuta, castigo, realização, sacrifício; que existem 
muitas expressões, nas mais diferentes línguas, como labor e operare no italiano, 
travailler no francês, work no inglês; bem como comporta correlações entre as mesmas, 
como no caso da palavra latina arvum, que significa terreno arável, que surgiu da noção 
do alemão arbeit, que significa trabalho. 
Na Grécia antiga, pode ser associada à noção de poiesis, que significava o fazer, 
a fabricação, o que o ser humano produz tanto material: uma obra de arte executada 
por um artista, escultor, ceramista; como não material: instituições sociais, referências 
culturais etc. 
UNIDADE 2 TÓPICO 5 - 
144
A expressão trabalho, tal como é escrita e utilizada na língua portuguesa, deriva 
da expressão latina tripalium, que ao longo da Idade Média era o nome dado a um 
instrumento de tortura que apresentava três paus reunidos, utilizado pelos camponeses 
e servos para bater o trigo, as espigas de milho, e para desfiar e esfiapar o linho; certa vez 
foi adaptado e utilizado como instrumento de tortura (ALBORNOZ, 2008). 
O missionário católico Raimundo Lélio (1232-1315), que atuou entre os povos 
catalães no século XIII, foi o responsável por reabilitar a expressão e concepção 
‘trabalho’, que foi amplamente difundida na sociedade moderna industrial e capitalista 
(GANDILLAC, 1995). A concepção de trabalho também é identificada na denominação 
de tripalium, quefoi extraída do latim e designava um instrumento de tortura reservado 
aos escravos. Lélio a substituiu pela expressão treballan, que é oriunda do idioma 
catalão, que designa a habilidade em elaborar a matéria bruta, transformando-a em 
obra, realização e propriedade humana, e dignificadora do próprio homem.
Labor e trabalho são expressões muito utilizadas e até sinônimos, porém Arendt 
(2007) nos propõe que se faça distinção entre elas. Por labor a autora relaciona o ato de 
trabalhar, que está na labuta, numa lógica de estar em curso, na disposição de verbo no 
gerúndio, está ocorrendo, não comporta a noção de produto final. Por trabalho designa 
as atividades feitas com as mãos, a noção de produto, trata-se de um trabalho que é 
apresentado como acabado. 
Os estudiosos são unânimes ao apresentar que a palavra trabalho deve ser 
identificada e compreendida ainda nas sociedades ágrafas (sociedade sem escrita), 
quando ocorreu a passagem das atividades de caça, coleta e pesca à prática da 
agricultura e na domesticação dos animais. 
Durante muitos séculos, a moral e a ética do “trabalho” e da “conquista” 
permaneceram, em grande parte, como um fato circunscrito ao universo rural, ao lavrar e 
semear a terra, colher e armazenar alimentos, domesticar e tratar animais, construir pontes, 
moinhos, celeiros, castelos, palácios, igrejas, minerais, metais preciosos, entre outros.
As concepções foram alteradas, inclusive as mais antigas, quando reunidas nos 
livros da Bíblia Sagrada, em que o trabalho não é mais visto como um indício da maldição 
de Deus a Adão e Eva, com a expulsão do paraíso, sendo que teriam que ganhar o pão 
com o suor do próprio rosto. Os gregos distinguiam entre esforço do trabalho na terra, a 
fabricação do artesão que servia ao usuário, e a atividade livre do cidadão que discutia 
os problemas da cidade. De modo muito semelhante na Idade Média, trabalhar com as 
mãos era sinônimo de ser escravo ou servo, um indício de que o indivíduo pertencia aos 
grupos inferiores da sociedade.
A partir da reforma protestante, empreendida pelo teólogo Martinho Lutero 
(1483-1546), a concepção de trabalho foi profundamente reformulada no sentido de 
que o trabalho, como vocação, conduziria os indivíduos à salvação da alma. João 
Calvino (1509-1564), teólogo francês, apresentava a noção de que o trabalho, o êxito 
145
e a prosperidade material em vida deveriam ser compreendidos como uma forma de 
conquistar a benevolência de Deus. Ambas as teorias favoreceram o contexto no qual 
implantavam-se políticas de mercantilismo e capitalismo. 
O sociólogo Max Weber (1864-1920) defendeu, em seus estudos, que os valores 
religiosos do protestantismo favoreceram e coincidiam com o espírito do capitalismo, no 
sentido de que superavam a moral católica de renúncia ao mundo material, do acúmulo 
de bens financeiros e ao lucro, na vida religiosa de devoção contemplativa e de renúncia 
ao mundo material.
A noção de vocação para o trabalho foi associada também à ideia de amor 
ao próximo, e quanto mais intensa a atividade profissional, maior a aproximação da 
salvação. Por outro lado, a falta de vontade de trabalhar passou a ser compreendida 
como ausência do estado de graça e do não merecimento da salvação de Deus. Assim, 
estava autorizado que todo indivíduo empreendesse a busca pela riqueza material, 
podendo realizar grandes ações e assim galgar sua própria salvação. 
Uma das principais alterações que a modernidade realizou foi a de apropriar-se 
da concepção positiva de trabalho e mudar o ambiente de realização do mesmo, que 
do interior das casas ou no interior das corporações de ofício passou a ser realizado em 
cidades, no interior dos espaços das fábricas.
Foi nesta época que surgiram as noções de divisão de trabalho, na qual cada 
indivíduo, com a fração/parte que desempenha, na sua especialidade, contribui à soma 
de trabalho coletivo, que por sua vez gera a riqueza de cada nação, o que se tornaria 
uma espécie de consciência e interesse coletivo e comum a todo indivíduo. É nesse 
momento que a mudança de percepção da noção de trabalho passa a ocorrer, no 
sentido de que as pessoas passam a trabalhar para poder consumir, e não mais para 
produzir algo.
A partir do século XVIII, os economistas Adam Smith (1723-1790) e David 
Ricardo (1772-1823) reforçam os valores de atividades produtivas e de riqueza material, 
e defendem que o trabalho é o grande responsável pela riqueza social, o que por sua 
vez supervalorizou a ideia de homem operário, Homo economicus, que produz riqueza, 
que contribui para que o sistema econômico continue a alcançar seus objetivos e 
lançar novas possibilidades de investimentos e lucratividade. Foi nesse contexto que o 
estudioso alemão Karl Marx (1818-1883) defendeu que a essência do homem é o trabalho 
e não a sua vida espiritual. Passou a observar mais de perto a relação do homem e do 
trabalho, ao ponto de analisar dimensões peculiares e subjetivas da relação do homem 
com o trabalho e a mercadoria, e se engajar ativamente em fazer o processo de crítica 
e denúncia das contradições que envolviam trabalhadores, proprietários dos meios de 
produção e burgueses comerciantes, abrangendo o sistema capitalista como um todo.
146
No entanto, a perspectiva de Marx era a de que o exercício crítico, através 
da intelectualidade, não era suficiente, para ele o mundo não se transforma com o 
pensamento e leis, o mundo deveria ser transformado pela práxis, na organização 
dos trabalhadores e na realização de atos revolucionários. A divisão do trabalho era 
responsável pela alienação do homem na sociedade capitalista, que por sua vez se 
revelava em face à perda da totalidade e da dignidade humana. Caberia ao proletariado a 
responsabilidade pelo ato de fazer a revolução e transformar a sociedade, tomar o poder 
e abolir a relação capitalista de produção. Em meio ao campo de luta e revoluções, os 
trabalhadores deveriam estar conscientes de si e de sua classe/categoria e empreender 
as revoluções que fossem necessárias a fim de desfazer o quadro de desigualdade, 
injustiças e exploração que o trabalho favorecia. Marx defendia a superação do sistema 
capitalista pelo comunismo, numa espécie de sociedade associativa em que o livre 
desenvolvimento individual seria a condição do livre desenvolvimento de todos (MARX; 
ENGELS, 2010).
Segundo Abbagnano (2000), a relação do trabalho com a existência humana 
passa a ser lugar-comum na cultura contemporânea. Mesmo fora do âmbito marxista, o 
caráter penoso atribuído ao trabalho não é atribuído ao trabalho em si, mas às condições 
sociais em que ele é realizado nas sociedades industriais.
O trabalho passa a ser visto como parte fundamental da natureza humana. O 
trabalho é ainda hoje visto como um valor social, sendo o trabalhador um personagem 
social merecedor de respeito, admiração e dignidade pelas obras que faz a si, a seus 
familiares e semelhantes.
A nova concepção que foi atribuída ao trabalho combina com os valores das 
mudanças no interior da fabricação de produtos. O homem, reconhecendo que o trabalho 
não era mais motivo de sofrimento e castigo, mas sim uma atividade que o tornaria 
socialmente reconhecido, sentiu-se motivado e disposto a se dedicar e doar a fim de 
preencher as oportunidades e a demanda da manufatura e indústria nascente, bem 
como o campo das invenções de máquinas e técnicas e o próprio sistema capitalista, 
que estavam exigindo.
Trabalho, geralmente, pode ser definido como atividade coordenada de caráter 
físico ou intelectual, necessária a qualquer tarefa, serviço ou empreendimento, ocupação, 
ofício, exercício de profissão. Um aspecto que distingue o trabalho humano do trabalho 
dos outros animais está no fato de que o trabalho e esforço humanos são atribuídos 
à intencionalidade, além da operação instintiva e programada que é reconhecida nas 
atividades dos animais. No homem é percebido o grau de especialização, complexidade, 
tanto das atividades, como dos meios dos quais ele se utiliza pararealizar o trabalho.
A produção artesanal, produção familiar em espaços domésticos ou pequenas 
oficinas, como alfaiates, ceramistas, sapatarias, na qual importa fazer um bom trabalho, 
um produto único, com maestria e arte de fazê-lo. O trabalhador encontrava-se livre para 
147
organizar seu trabalho, a seleção de sua matéria-prima, o começo, a forma, a técnica, o 
ritmo, os detalhes, o acabamento, a entrega. Não ocorre a distinção de trabalho e lazer, 
divertimento e cultura, ambos se fundem. 
A Europa viveu seu momento de desenvolvimento industrial ainda no século 
XIX, na América Latina ocorreu somente na segunda metade do século XX, realidades 
nas quais o processo de aprimoramento da produção acabou por se modificar, não 
seguindo a lógica de fases e processos que ocorreram na Europa. O quadro industrial 
dessa região apresenta-se ora como que ainda na segunda revolução industrial, e ora 
na produção que se utiliza de tecnologia de ponta e robotização, em especial a migração 
e empregabilidade no setor de serviços. Ao mesmo tempo, encontram-se inúmeros 
desafios em termos de dependência em relação a tecnologias e desigualdades no que 
diz respeito ao acesso ao emprego.
No século XIX, pode-se falar que a produção capitalista, que introduziu a máquina 
a vapor e a modernização dos métodos de produção, desintegrou costumes e introduziu 
novas formas de organização da vida social. A transição da produção artesanal para a 
manufatureira e desta para a produção fabril, a migração do campo para a cidade; o fim 
da servidão; o desmantelamento da família patriarcal; a introdução do trabalho feminino 
e infantil.
A individualização da produção, a programação das atividades, linhas de 
montagem, produção em série e o consumo em massa (fordismo e taylorismo) almejavam 
articular o acesso a matérias-primas, à mão de obra, ao fácil escoamento da produção e 
obter maiores margens de lucros entre os custos e a comercialização da produção, que 
por sua vez acarretam deslocamentos que desperdiçavam tempo significativo na vida 
dos trabalhadores, além da produção de poluição e impactos ao meio ambiente.
 
A maquinização e a mecanização da produção conferiram ao trabalhador 
a percepção da perda do saber fazer, a perda da noção de produtor. Diante disso, o 
trabalhador se sentiu pressionado a se adaptar para poder operar as máquinas 
que estavam sendo introduzidas nos espaços de trabalho. A separação, divisão 
e especialização da produção fizeram com que o produtor não conseguisse mais 
reconhecer a totalidade do produto depois de pronto. Mudanças da concentração da 
população em relação às atividades econômicas e oportunidades de trabalho, assim 
como o trabalho na indústria, acabaram por concentrar a população em determinadas 
regiões e cidades, tornando-as superpovoadas. 
O que Marx procurou definir como ‘alienação’ encontrava-se nascente nesses 
processos, e depois poderia ainda ser verificada em situações como a do consumo dos 
produtos que estavam sendo produzidos/consumidos, no contexto industrial em que a 
produção se dava em grande escala e para consumo em massa. Trabalhadores como 
alfaiates, costureiras, sapateiros, eram os testemunhos mais expressivos desse processo.
148
Diante da reflexão de Arendt (2007), podemos afirmar que, desde o século XIX, 
o Homo faber foi perdendo sua aura e passou a ser valorizado o “princípio da felicidade”. 
De fato, o progresso da civilização não produziu uma sociedade de indivíduos políticos 
ou de trabalhadores que amam seu ofício, e sim uma sociedade de consumidores, de 
indivíduos isolados e desenraizados, uma cultura de massa imersa em futilidade. E a 
construção da identidade deixou de ser pautada em atividades criativas e produtivas, à 
medida que o trabalho se tornou apenas um meio de satisfazer necessidades ou desejos 
de consumo.
3 AS MULHERES NO CONTEXTO DA REVOLUÇÃO 
INDUSTRIAL
As mulheres participaram da produção de utensílios, alimentos e mercadorias 
desde os tempos mais remotos, que envolviam desde as atividades no interior da casa, 
família e comunidade. A alimentação, o artesanato e a educação das crianças foram 
inseridos no interior dos espaços de trabalho com fortes projetos a partir da Revolução 
Industrial. Os maiores problemas surgem quando as mulheres passam a ser empregadas 
no interior das indústrias modernas, em meio a longas jornadas de trabalho, com a 
presença de maquinários, em que os salários pagos às mulheres eram inferiores.
 A gradual introdução das mulheres no campo de trabalho favoreceu a mudança 
de hábitos e costumes por parte das mesmas. O fato de trabalhar no interior das fábricas 
exigia novos comportamentos, posturas e até uma indumentária que favorecesse a 
realização das atividades e evitasse possíveis acidentes de trabalho. Os vestidos longos 
e rodados, os chapéus e demais acessórios ofereciam risco de acidentes se usados nos 
espaços de trabalho em meio às máquinas.
As roupas que deveriam ser usadas no interior das indústrias precisavam ser 
justas, retas e que cobrissem o corpo o máximo possível. A condição e imposição 
do meio de trabalho foram responsáveis por depreciar a feminilidade, fragilidade e 
sensibilidade da mulher e favorecer uma postura rígida, tenaz e ereta. Foi neste contexto 
que a estilista francesa Coco Chanel (1883-1971) começa a projetar roupas com design 
mais favorável às atividades no interior das fábricas e empresas, nas quais se destacam 
cortes e precisão geométrica das roupas e modelos ajustados ao corpo, ausentes de 
babados, volumes, acessórios, entre outros.
149
1º de Maio: Dia do Trabalhador, Dia do Trabalho ou Dia Internacional 
dos Trabalhadores 
Esta data, que é comemorada em diversos países, como Brasil, 
Portugal, Austrália, Angola, França, Suécia, Moçambique, é resultante 
de uma greve geral de trabalhadores que ocorreu no ano de 1886, 
no interior de Chicago, nos Estados Unidos da América. A paralisação 
foi responsável por envolver diversos parques industriais da cidade. 
Dentre as causas da paralisação encontrava-se a redução da jornada de 
trabalho. A presença dos manifestantes na rua se estendeu por diversos 
dias e acabou por ser reprimida com violência pelas tropas do governo, 
causando inúmeras mortes.
ATENÇÃO
A partir dos anos de 1990 o toyotismo, idealizado pelo engenheiro-mecânico 
Taiichi Ohno (1912-1990), tornou-se tendência no interior dos sistemas produtivos. 
Esse rearranjo produtivo apresenta, como princípios, a otimização da produção em 
todas as fases e a integração de todos os setores no interior dos espaços produtivos; 
no campo deliberativo requer a descentralização da tomada de decisões; produção de 
itens diferenciados; formação de alianças e redes de atividades empresariais; por parte 
dos indivíduos requer trabalho em equipe, proporciona a participação nos resultados, 
subcontratação e exige qualifi cação constante.
4 O TRABALHO NOS TEMPOS CONTEMPORÂNEOS
O homem contemporâneo possui uma relação com o trabalho, que foi instaurada 
ainda no século XIX e que ganhou desenvolvimento e aprofundamento ao longo do século 
XX. Trata-se da produção industrial, tecnológica e a prestação de serviços no interior de 
grandes cidades. O espaço primordial de realização dos indivíduos torna-se o espaço no 
interior das cidades, os espaços das indústrias e o âmbito público das relações.
A era industrial deixou de cumprir sua ‘grande promessa’: fabulosas realizações 
materiais e intelectuais. O sonho de sermos senhores independentes de nossas vidas 
terminou quando despertamos para o fato de que todos nos tornamos peças ínfi mas da 
máquina burocrática, com nossos pensamentos, sentimentos e gostos manipulados pelo 
governo, pela indústria e pelas comunicações de massa que controlam tudo (FROMM, 1987).
Uma das questões cruciais de tal processo diz respeito à passagem do regime 
fordista (século XIX) ao regime chamado de produção toyotista. A técnica tornou cada 
vez mais fragmentado o processo de trabalho e, consequentemente, independente dos 
indivíduos,bem como aleatório com quem o faz, em que já não importa como cada 
um o faz; importa sim que cada indivíduo mantenha-se submetido ao todo, mantenha 
os laços, as passagens, o fl uxo do processo, com o mínimo de interferência criativa, 
inovação que possa tornar os fl uxos ainda mais efi cientes.
150
Trabalhar em uma mesma empresa por muitos anos, ser homenageado e receber 
condecorações de três, cinco, dez, 15, 20 anos de empresa, faz parte da geração anterior 
à qual nos encontramos e que tende a se tornar cada vez mais raro. Especialmente no 
ramo do terceiro setor. 
No interior das grandes organizações descortinam-se tendências à rotatividade, 
à terceirização, cooperativas de trabalho, atividades autônomas, grupos de voluntariado, 
economia solidária, entre outras. No panorama atual de sistemas de governos, grupos 
empresariais e relações de trabalho, cadencia-se a internacionalização dos processos 
de produção e comercialização e a mercantilização/financeirização das relações 
econômicas e sociais, no sentido de que reforçam o sistema capitalista e o poder do 
mercado, dimensões em que a noção de competição e propriedade prevalecem como 
moral e finalidade última, o que por sua vez acaba por fragilizar as estruturas de Estado, 
as relações sociais e culturais entre os indivíduos.
A tecnologia da informação, a descoberta e desenvolvimento de novos 
materiais, as mudanças e oscilações nas estruturas de mercado e a capacidade de 
competitividade e as relações intra e interpessoais parecem ser os elementos que mais 
permeiam as relações de trabalho. No interior dessas novas tendências identifica-se a 
busca dos indivíduos em vivenciar experiências que aliem trabalho, moradia, realização 
de projetos pessoais, formação continuada, vivências familiares, sociais e de lazer.
4.1 AS POSSIBILIDADES DO TRABALHO INFORMAL
O trabalho informal é o que ocorre nas experiências de trabalho artesanal e 
prestação de serviços, em que envolve intensa dedicação de mão de obra, de caráter 
temporário, geralmente apresenta pouco montante de capital envolvido e acaba 
apresentando acordos à parte das legislações trabalhistas; o que por sua vez acaba 
não concorrendo como linhas de financiamentos, seja de bancos ou governos; como 
exemplo, pode-se relacionar as práticas de trabalho no ramo do vestuário e alimentação.
Como economia solidária, pode-se entender as atividades que ocorrem de forma 
coletiva e em estruturas suprafamiliares, articuladas em associações, cooperativas, 
empresas autogestadas, grupos de produção, clubes de trocas etc., cujos participantes 
tanto podem ser trabalhadores dos meios urbano e rural. 
Os envolvidos nas atividades de economia solidária exercem forte controle e 
gerenciamento das atividades e dos resultados. Realizam atividades econômicas de 
produção de bens, de prestação de serviços, de fundos de crédito (cooperativas de 
crédito e os fundos rotativos populares), de comercialização (compra, venda e troca de 
insumos, produtos e serviços) e de consumo solidário. As atividades econômicas devem 
ser permanentes ou principais, ou seja, a razão de ser da organização.
151
4.2 RELAÇÕES DE TRABALHO E OS PROCESSOS LEGAIS NO 
BRASIL
O trabalho livre e assalariado ganhou espaço após a abolição da escravidão 
aplicada aos trabalhadores negros no Brasil em 1888 e com a gradual vinda dos 
imigrantes europeus. As condições impostas eram ruins, acabaram por gerar no interior 
do país as primeiras discussões sobre leis trabalhistas. Os imigrantes traziam consigo a 
experiência do movimento operário e sindical no interior dos países europeus, o que por 
sua vez favoreceu a estruturação de organizações de trabalhadores, círculos operários, 
sindicatos e demais frentes de representação. 
No fi nal do século XIX surgem as primeiras normas trabalhistas, por meio do 
Decreto nº 1.313, de 1891, que regulamentou o trabalho dos menores de 12 a 18 anos. Em 
1912, foi fundada a Confederação Brasileira do Trabalho (CBT), durante o 4º Congresso 
Operário Brasileiro. Dentre as causas defendidas pela Confederação estavam: a jornada 
de trabalho de oito horas, fi xação do salário-mínimo, indenização para acidentes, 
contratos coletivos ao invés de individuais.
No cenário internacional do pós-1ª Guerra Mundial, em 1919, surge a Organização 
Internacional do Trabalho (OIT), órgão internacional que por sua vez impulsionou a formação 
de um Direito do Trabalho. O surgimento deste órgão, naquele momento histórico, visava 
intermediar o confl ito entre o capital e o trabalho, e que era visto como uma das principais 
causas dos desajustes sociais e econômicos, inclusive motivadores de guerras.
Caro estudante, procure saber mais sobre a atuação da Organização 
Internacional do Trabalho-OIT. Trata-se do órgão responsável pelas 
convenções e recomendações que norteiam as questões relacionadas 
ao trabalho em nível internacional.
Disponível em: <http://www.oitbrasil.org.br/content/apresenta%C3%A7%-
C3%A3o>. Acesso em: 3 jun. 2015.
DICAS
A política trabalhista brasileira se consolida, de fato, após a Revolução de 30, 
quando Getúlio Vargas cria o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. A Constituição 
de 1934 foi a primeira a tratar de Justiça do Trabalho e Direito do Trabalho, assegurando a 
liberdade sindical, salário-mínimo, jornada de oito horas, repouso semanal, férias anuais 
remuneradas, proteção do trabalho feminino e infantil e igualdade salarial.
152
Conheça o site do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE. Lá você encontrará 
resoluções sobre o funcionamento das centrais sindicais, leis e convenções ao 
exercício das profissões, orientações sobre os trâmites contratuais e demissionais, 
seguro-desemprego, trabalho temporário, políticas de microcrédito, trabalho de-
cente, entre outros.
MTE. Ministério do Trabalho e Emprego. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/
portal-mte/>. Acesso em: 3 jun. 2015.
DICAS
No Brasil de 1964, com o golpe militar e a instalação da ditadura, ocorreram fortes 
medidas de repressão à classe trabalhadora, com o Decreto nº 4.330, as intervenções 
atingiram sindicatos em todo o Brasil. Este decreto é conhecido como a lei antigreve, 
que impôs tantas regras para realizar uma greve que, na prática, elas ficaram proibidas.
Depois de anos sofrendo cassações, prisões, torturas e assassinatos, em 1970 
um novo movimento sindicalista se reestrutura no interior do Estado de São Paulo, no 
chamado ABCD paulista. No ano de 1978 ocorre uma grande greve em São Bernardo do 
Campo (SP) e que ganhou aderência de trabalhadores de todo o país.
Após o fim da ditadura militar, em 1985, e em meio às mudanças no cenário 
econômico, com a promulgação da Constituição de 1988, as conquistas dos trabalhadores 
foram restabelecidas; por exemplo, a Lei nº 7.783/89, que restabelecia o direito de greve 
e a livre associação sindical e profissional, a aposentadoria rural; Fundo de Amparo ao 
Trabalhador (FAT); Benefício de Prestação Continuada (BPC); Programa de Erradicação 
do Trabalho Infantil (PETI); bolsa escola e, ulteriormente, bolsa família, entre outros.
153
A TERCEIRIZAÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO
Grupos de empresários e empregadores apresentam argumentos no sentido 
de que a geração de emprego formal, e até a abertura de empresas, no Brasil, são 
dificultadas diante dos custos que as leis trabalhistas acabam acarretando. Alegam que 
em torno de 67% do salário consiste em tributos, que são pagos ao governo, que procura 
atender a leis de descanso remunerado, 13º salário, FGTS, adicionais em casos de horas 
extras, insalubridade e trabalho noturno. E diante deste cenário é que ganham espaço 
as ideias de terceirização no interior dos postos de trabalho.
Terceirização é o processo pelo qual uma empresa deixa de executar uma ou 
mais atividades realizadas por trabalhadores diretamente contratados e as transferem 
para outra empresa. A terceirização se realiza de duas formas, não excludentes. Na 
primeira, a empresa deixa de produzir bens ou serviços utilizados em sua produçãoe passa a comprá-los de outra – ou outras empresas –, o que provoca a desativação, 
parcial ou total, de setores que anteriormente funcionavam no interior da empresa. 
A outra forma é a contratação de uma ou mais empresas para executar, dentro 
da “empresa-mãe”, tarefas anteriormente realizadas por trabalhadores contratados 
diretamente. Essa segunda forma de terceirização pode referir-se tanto a atividades-
fim como a atividades-meio. Entre as últimas podem estar, por exemplo, limpeza, 
vigilância, alimentação. Tem-se observado também que vem ocorrendo o processo de 
quarteirização, a contratação de uma empresa pela empresa-mãe, que deverá gerir as 
relações com o conjunto das empresas terceiras contratadas no interior da mesma.
 O processo de terceirização da produção e da prestação de serviços no Brasil, e 
em quase todos os países capitalistas, desenvolveu-se como parte do rearranjo produtivo, 
iniciado na década de 70 do século XX, a partir da terceira Revolução Industrial, e que se 
prolonga até os dias de hoje. São mudanças importantes na organização da produção e 
do trabalho e, no caso específico da terceirização, na relação entre empresas. 
A adoção deste processo foi intensificada e disseminada no âmbito da 
reestruturação produtiva que marcou os anos 90. A partir do ano 2000, a economia 
brasileira iniciou um lento processo de recuperação, com taxas de crescimento positivas, 
porém o cenário do mercado de trabalho já é o da difusão generalizada da terceirização da 
mão de obra. Se, inicialmente, as empresas precisaram enxugar os custos para garantir 
sua sobrevivência, o processo de terceirização não apresentou retrocesso diante da 
melhora do cenário econômico, tendo permanecido como um elemento fundamental da 
mudança do processo produtivo e do mercado de trabalho brasileiros.
LEITURA
COMPLEMENTAR
154
RESUMO DO TÓPICO 5Em nível internacional destaca-se que as atividades mais atingidas pela terceirização, em suas diferentes formas, são aquelas próprias da Tecnologia da 
Informação (TI), o que inclui o trabalho de programadores, de processamento de dados 
e de desenvolvimento de softwares. O avanço rápido e constante nesses processos 
tecnológicos facilita a troca de dados, a execução de projetos e a entrega de produtos, 
independentemente do local onde o trabalho é executado.
A maior preocupação constatada a partir das fontes de informação sobre os 
Estados Unidos é a possibilidade de demissão em massa de trabalhadores americanos 
qualificados em decorrência de processos de terceirização nos quais as contratantes são 
empresas americanas. Nesse caso, o mais comum tem sido a adoção do international 
outsourcing (compra do componente ou serviço em outro país), do offshoring (realocação 
da empresa em outro país) ou ainda do on-site offshoring (contratação de trabalhadores 
estrangeiros imigrantes ou de trabalhadores em seus países de origem). Os países 
europeus, quando comparados com os Estados Unidos, demandam menos serviços 
terceirizados e adotam algumas barreiras culturais que dificultam a transferência de 
atividades de um país para outro. 
Dentre os setores mais vulneráveis à terceirização no continente, tem-se que 
a maioria está relacionada à área de TI, que atuam nos ramos de desenvolvimento 
de softwares, processamento de dados, vendas, serviços de atendimento ao cliente, 
pesquisa, desenvolvimento e designs, finanças, recursos humanos e gerenciamento. 
Estima-se que os trabalhadores indianos da área de computação, por exemplo, recebam 
entre 1/5 e 1/10 do que é pago a um americano pela mesma função.
No Brasil os ramos de atividades que mais registram processos de terceirização 
são o setor público, no interior das unidades de governo, o setor financeiro, como bancos, 
os setores elétrico, químico, de petróleo e petroquímico e da construção civil.
Diante das formas mais explícitas de precarização das condições de trabalho e de 
vulnerabilidade da condição do trabalhador que resultam dos processos de privatização, 
tem-se um novo relacionamento sindical entre empregador e empregado, que aponta 
a desmobilização dos trabalhadores para reivindicações e greves, eliminação das ações 
sindicais e trabalhistas que reclamam pelos direitos sociais.
Texto adaptado de DIEESE. Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos 
Socioeconômicos. O processo de terceirização e seus efeitos sobre os trabalhadores no 
Brasil. Convênio SE/MTE nº 04/2003, Processo nº 46010.001819/2003-27. 
FONTE: Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812BA5F4B7012BAAF91A9E060F/
Prod03_2007.pdf>. Acesso em: 2 jun. 2015.
155
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A palavra trabalho tem origem nas práticas e atividades das mais antigas sociedades, 
comporta muitas diferenças de escrita, em especial na forma como as sociedades 
concebiam e ao valor moral que atribuíram à mesma.
• No interior da forma de produção artesanal o trabalhador detém o conhecimento de 
todas as fases de produção, pode atender à vontade pessoal de quem procura pelo 
produto, o produto consiste em um exemplar único e o artesão acompanha também 
o processo de comercialização do produto.
• No interior do processo de produção de forma manufaturada se dá a especialização 
e divisão de funções, a produção passa a ocorrer fora do local de moradia dos 
responsáveis pela produção, o que por sua vez favorece os primórdios das grandes 
indústrias.
• No interior dos modos organização industrial do século XVIII e XIX prevaleceram os 
modelos fordista e taylorista, que se caracterizam pelo perfil de produção organizada 
em linhas de produções, em série e consumo em grande escala, e obedecem à 
organização e administração científica.
• O toyotismo consiste numa forma de organização no interior de empresas e processos 
produtivos que contempla a descentralização do poder e formação de redes de 
trabalho, a diferenciação da produção, forte controle da produção e qualificação 
constante dos trabalhadores.
• A terceirização pode ocorrer de diferentes formas: pela contratação de uma empresa 
que subcontrata trabalhadores para exercer funções no interior de uma empresa-
mãe, como também quando uma empresa passa a comprar parte dos processos e 
dos produtos de outra empresa para compor o seu produto final.
156
AUTOATIVIDADE
1 Karl Marx (1818-1883), pensador alemão que se dedicava a denunciar 
as contradições no interior do sistema capitalista, ao longo de sua 
vida precisou mudar-se por diversas vezes de país, pois o teor de 
suas ideias acabava por lhe render inimigos de forte influência 
e poder político. Além disso, também passou por problemas com renda, sendo 
socorrido pelo amigo e colega/escritor F. Engels. Pergunta-se: no que consistiam 
as principais ideias e teorias de Marx? 
2 (ENADE – 2014) O debate sociológico acerca das novas relações de 
trabalho e consumo no capitalismo se intensificou desde a segunda 
metade do século XX, especialmente a partir de um novo modelo de 
acumulação, marcado pela “flexibilização dos processos produtivos”. 
Como aponta David Harvey a este respeito, a acumulação flexível “é marcada por 
um confronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se apoia na flexibilidade dos 
processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e dos padrões de 
consumo”. E, ainda, mais importante do que isso é a redução aparente do emprego 
regular, em favor do crescente uso do trabalho em tempo parcial, temporário ou 
subcontratado.
I- A ideia principal estava em explicar, denunciar e combater as contradições que 
estavam disfarçadas e camufladas no interior do regime comunista.
II- Argumentava que a divisão do trabalho era responsável por alienar o trabalhador, 
assim como, por lhe extorquir a sua dignidade.
III- Defendia que estaria única e exclusivamente nas mãos do proletariado conduzir a 
revolução que substituiria o capitalismo pelo comunismo.
IV- As teorias de Marx apresentavam que o proletariado deveria fazer a revolução e 
transformara sociedade, tomar o poder e abolir a relação capitalista de produção. 
Agora, assinale a alternativa correta: 
a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas. 
b) ( ) Somente as sentenças III e IV estão corretas.
c) ( ) Somente as sentenças II e III estão corretas. 
d) ( ) As alternativas II, III e IV estão corretas.
FONTE: HARVEY, D. A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1992. 
157
De acordo com a afirmação acima, a acumulação flexível: 
I- Gerou cada vez mais trabalho especializado, responsável pelo aumento da 
racionalidade do processo produtivo.
II- Pode ser considerada uma expansão do princípio fordista de produção. 
III- Aumentou a precarização das relações de trabalho no capitalismo contemporâneo.
IV- Implica crescente heterogeneidade dos mercados de trabalho e dos padrões de 
consumo.
É correto apenas o que se afirma em: 
a) ( ) I e II.
b) ( ) I e III.
c) ( ) II e III.
d) ( ) II e IV.
e) ( ) III e IV.
158
159
POLÍTICAS PÚBLICAS
UNIDADE 3 —
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer e analisar as principais características das políticas públicas do Brasil;
• refl etir sobre a organização do sistema educacional brasileiro;
• caracterizar os pilares de alicerce do desenvolvimento sustentável;
• refl etir sobre o contexto de desenvolvimento sustentável;
• retratar as ferramentas de gestão socioambiental para a sustentabilidade;
• conhecer as ações nacionais de segurança e defesa pública;
• refl etir sobre como o aumento populacional e o avanço tecnológico impactam sobre os ecos-
sistemas;
• perceber a importância do sistema de transportes no desenvolvimento econômico do país;
• conhecer as políticas nacionais para a habitação e o saneamento;
• identifi car os modos de vida urbano e rural, sua organização social, semelhanças e diferenças 
e sua interdependência;
• destacar as características que identifi cam o meio urbano e o meio rural.
Esta unidade está dividida em sete tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoati-
vidades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – POLÍTICAS PÚBLICAS: EDUCAÇÃO
TÓPICO 2 – POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE
TÓPICO 3 – HABITAÇÃO E SANEAMENTO
TÓPICO 4 – TRANSPORTES E SEGURANÇA 
TÓPICO 5 – POLÍTICAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA EM ÂMBITO NACIONAL
TÓPICO 6 – VIDA RURAL, URBANA E ECOLOGIA
TÓPICO 7 – MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
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UNIDADE 3!
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TÓPICO 1 — 
POLÍTICAS PÚBLICAS: EDUCAÇÃO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Quando falamos em políticas públicas, estamos nos referindo aos direitos e 
deveres do Estado para com as pessoas que compõem a sociedade e, assim como o 
Estado, gozam de seus direitos civis e políticos. Estamos também sujeitos ao conjunto 
de normas jurídicas e sociais, formando assim um marco regulatório previamente fixado 
no que diz respeito à distribuição harmônica dos elementos que formam os direitos, 
deveres e responsabilidades em prol do desenvolvimento educacional, econômico e 
social. A vida em sociedade está ligada à política e não há ação social sem ação política, 
quer seja promovida pelo Estado ou pela sociedade (RAMOS, 2014).
2 POLÍTICA PÚBLICA ATUAL
O termo política possui várias definições, as quais denotam a organização e o 
estudo das ações a serem realizadas para o bem-estar da população. Percebemos que 
a política é algo complexo, mas que se bem administrado ou exercido, poderá ter efeitos 
positivos junto à população. 
As primeiras reflexões sobre o que é política surgiram na Grécia antiga, 
com os filósofos, a quem eram atribuídos os dons do pensamento, 
das ideias e, consequentemente, do conhecimento. 
Pode-se citar Sócrates e dois de seus principais sucessores, Platão 
e Aristóteles, como sendo os primeiros a tratarem das questões da 
ética e da política. A Grécia era considerada o berço da democracia, 
ainda que nem todos os seus iluminados viam no modelo democrático 
a melhor maneira de conduzir o povo. Ao aproximar-se das leituras 
sobre a vida e obra desses pensadores, percebe-se, por conclusão, 
que para eles a solução para os problemas da sociedade deve 
passar, necessariamente, pela educação. Passados mais de dois 
mil anos, continua-se lutando pelos mesmos direitos à igualdade 
e combatendo-se os mesmos problemas relacionados à ética e à 
moral, sem as quais não se exercita a verdadeira política (RAMOS, 
2014, p. 9).
Portanto, “o cotidiano (político) é construído por aqueles que interagem nesse 
contexto. Fazer política é interagir nos acontecimentos e participar criticamente da sua 
história” (RAMOS, 2014, p. 9).
“A política sempre está ligada ao exercício do poder em sociedade, seja em nível 
individual, quando se trata das ações de comando, seja em nível coletivo, quando um grupo 
(ou toda sociedade) exerce o controle das relações de poder em uma sociedade” (SANTOS, 
162
2012, p. 2). Assim, as políticas públicas são de responsabilidade do Estado, com base em 
organismos políticos e entidades da sociedade civil, que derivam de normatizações, ou 
seja, se estabelece um processo de tomada de decisões – nossa legislação. Ao iniciarmos 
nossos estudos sobre a organização da educação no Brasil, precisamos ter em mente 
que a educação é intencional, principalmente no que diz respeito ao sistema escolar. Os 
atores que permitem discussões sobre um determinado problema da sociedade são: a 
sociedade civil organizada; os servidores públicos e os políticos.
As etapas ou fases do processo da política distinguem-se de acordo 
com o entendimento de cada autor, mas comumente podem se 
classificar como: 
• Identificação do problema: é a primeira etapa e consiste na 
identificação, ou levantamento do problema a ser considerado 
como foco da política pública.
• Agenda: é a etapa em que se definem os focos de atuação do 
governo. É o conjunto de problemas e demandas que comporão o 
plano de ação. A formação da Agenda de Governo consiste numa 
fase tumultuada e competitiva, com os envolvidos dedicados na 
conquista de espaço para os interesses que defendem. 
• Tomada de decisão: adoção da política, em consenso (de comum 
acordo), as partes decidem sobre os diversos aspectos, ou focos, 
que a política abrangerá. 
• Implementação: é a etapa em que as decisões deixam de ser 
intenções e passam a ser intervenções na realidade. 
• Monitoramento, Avaliação, Ajustes: são etapas de acompanhamento 
do processo de formulação/elaboração da política, oferecendo 
informações para possíveis ajustes na direção dos resultados 
esperados (RAMOS, 2014, p. 14-15).
Com base nesses argumentos, a educação no contexto brasileiro está prevista, 
é regida (legislada) por normas jurídicas que compelem os cidadãos e o poder público a 
cumpri-las. De acordo com Motta (1997, p. 75), a educação é a:
[...] manifestação cultural que, de maneira sistemática e intencional, 
forma e desenvolve o ser humano. [...] A educação é a ação exercida 
pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram 
ainda preparadas para a vida social; tem por objetivo suscitar e 
desenvolver na criança certo número de estados físicos, intelectuais 
e morais reclamados pela sociedade política no seu conjunto e pelo 
meio especial que a criança, particularmente, se destina.
Estes princípios e fins aparecem no texto da Constituição Federal de 1988 e 
posteriormente são reafirmados na Lei de Diretrizes e Bases - LDB, Lei 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996, direcionando a educação brasileira, e que em seu Art. 2˚ trata “Dos 
Princípios e Fins da Educação Nacional” (BRASIL, 1996).
Desta forma, a LDB 9.394/96 regulamentou o que foi tratado sobre educação 
na Constituição Federal abordando a educação escolar. O Título V trata dos Níveis e 
das Modalidades de Educação e Ensino; em seu CapítuloI, demonstra a composição 
dos níveis escolares, formada pela Educação Básica; Educação de Jovens e Adultos; 
Educação Profissional; Educação Superior e Educação Especial.
163
Educação Básica é formada de três etapas: Educação Infantil, Ensino 
Fundamental e Ensino Médio. Conforme a LDB, são finalidades 
da Educação Básica ‘[...] desenvolver o educando, assegurar-lhe 
a formação comum indispensável para o exercício da cidadania 
e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos 
posteriores’ (art. 22). 
As modalidades importam em atendimentos afeitos a peculiaridades 
que podem dizer respeito a uma população específica ou a objetivos 
de formação mais especializada ou complementar. No primeiro caso, 
encontramos a educação de jovens e adultos e a educação especial. 
No segundo caso, a educação profissional.
A educação de jovens e adultos (EJA) enseja a escolarização 
daqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no 
Ensino Fundamental ou Médio. Contempla cursos de EJA e exames 
supletivos. Os cursos e os exames são acessíveis para estudantes 
maiores de 15 anos (Ensino Fundamental) e de 18 anos (Ensino 
Médio).
A educação especial destina-se aos educandos portadores de 
necessidades especiais e deve estar contemplada em todas as 
etapas da educação. A legislação estabelece a sua oferta preferencial 
na rede regular de ensino e em classes comuns, embora possibilite a 
oferta desta modalidade em classes e escolas especiais.
Pode-se identificar a inserção da educação profissional na Educação 
Básica de três modos: ensino técnico - concomitante, integrado 
ou sequencial ao Ensino Médio, inclusive EJA; formação inicial e 
continuada de trabalhadores articulada ao Ensino Fundamental ou 
Médio, inclusive EJA; preparação básica para o trabalho no Ensino 
Fundamental e Médio, inclusive EJA (FARENZENA, 2010).
Como podemos ver, a preocupação em fortalecer a educação como um direito, 
um currículo integrado, é o ponto de partida para assegurar os direitos fundamentais da 
sociedade. Para que essa proposta ocorresse na educação brasileira tivemos mudanças 
significativas, principalmente a partir da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei 
no 9.394, de 1996, que marcou a educação e fez com que gerasse muito investimento, 
tanto no sentido intelectual, como financeiro. Um dos princípios da LDB é a valorização 
do profissional da educação escolar, a qual defende que:
A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às 
especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos 
objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, 
terá como fundamentos:
I– a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento 
dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de 
trabalho;
II– a associação entre teorias e práticas, mediante estágios 
supervisionados e capacitação em serviço;
III– o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em 
instituições de ensino e em outras atividades (BRASIL, 1996, art. 61).
A partir daí, muitos acordos e reformas foram realizados na educação, priorizando 
a qualidade da mesma. O Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 indica 
algumas diretrizes que demonstram esse interesse, enfatizando a melhoria da qualidade 
de ensino, a formação para o trabalho, a valorização dos profissionais da educação, entre 
164
outras que indiretamente também enfocam a formação docente. Dentre as 20 metas 
traçadas do PNE para até 2020, seis (da 13 até a 18) pretendem aumentar a qualidade do 
ensino com base na formação inicial e principalmente continuada, em diferentes níveis.
AUTOATIVIDADE
(IFRN – Concurso Público – Grupo Magistério – Políticas e Gestão Escolar 
2012) A concepção curricular que articula o Ensino Médio à formação 
técnica, além de estabelecer o diálogo entre os conhecimentos 
científicos, tecnológicos, sociais, humanísticos, habilidades relacionadas 
ao trabalho e de superar o conceito da escola dual e fragmentada, pode representar, 
em essência, a quebra da hierarquização de saberes e colaborar, de forma efetiva, 
para a educação brasileira como um todo, no desafio de construir uma nova 
identidade para essa última etapa da educação básica. A proposta curricular a que 
esse enunciado se refere é: 
a) ( ) Currículo integrado. 
b) ( ) Currículo tecnicista. 
c) ( ) Currículo tradicional. 
d) ( ) Currículo profissionalizante.
Para atualizar a temática da Educação em nosso país, a leitura a seguir trata dos 
trâmites da implantação do Sistema Nacional de Educação (SNE). Assim, com o objetivo 
de efetivar a implantação do SNE, o Decreto de 26 de abril de 2017, da Presidência da 
República, convoca a 3ª Conferência Nacional de Educação, prevista para ocorrer em 
Brasília no ano de 2018, conforme detalhes do texto a seguir. 
[...] O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe 
conferem o art. 84, caput, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição,
DECRETA: 
Art. 1º Fica convocada a 3ª Conferência Nacional de Educação - 
CONAE, a ser realizada na cidade de Brasília, Distrito Federal, com 
o tema "A Consolidação do Sistema Nacional de Educação - SNE 
e o Plano Nacional de Educação - PNE: monitoramento, avaliação 
e proposição de políticas para a garantia do direito à educação de 
qualidade social, pública, gratuita e laica". 
§ 1º A União, sob a orientação do Ministério da Educação - MEC e 
observado o disposto no art. 8º da Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, 
promoverá a realização da CONAE, a ser precedida de conferências 
municipais, distrital e estaduais, articuladas e coordenadas pelo 
Fórum Nacional de Educação - FNE, nos termos do art. 6º da Lei nº 
13.005, de 2014. 
165
§ 2º A etapa nacional da 3ª CONAE, a ser realizada em 2018, será 
precedida pelos seguintes eventos: 
I- conferências livres, a serem realizadas no ano de 2017; 
II- conferências municipais ou intermunicipais, a serem realizadas 
até o final do segundo semestre de 2017; e 
III- conferências estaduais e distrital, a serem realizadas até o final do 
segundo semestre de 2018. 
 Art. 2º As conferências nacionais de educação serão realizadas com 
intervalo de até quatro anos entre elas, com o objetivo de avaliar a 
execução do PNE vigente e subsidiar a elaboração do PNE para o 
decênio subsequente. 
Art. 3º São objetivos específicos da CONAE: 
I- acompanhar e avaliar as deliberações da CONAE de 2014, verificar 
seus impactos e proceder às atualizações necessárias; 
II- avaliar a implementação do PNE, com destaque específico ao 
cumprimento das metas e das estratégias intermediárias, sem 
prescindir de uma análise global do plano e; 
III- avaliar a implementação dos planos estaduais, distrital e 
municipais de educação, os avanços e os desafios para as políticas 
públicas educacionais. 
Art. 4º O tema central da 3ª CONAE será dividido nos seguintes eixos 
temáticos: 
I- O PNE na articulação do SNE: instituição, democratização, 
cooperação federativa, regime de colaboração, avaliação e regulação 
da educação. 
II- Planos decenais e SNE: qualidade, avaliação e regulação das 
políticas educacionais.
III- Planos decenais, SNE e gestão democrática: participação popular 
e controle social.
IV- Planos decenais, SNE e democratização da Educação: acesso, 
permanência e gestão. 
V- Planos decenais, SNE, Educação e diversidade: democratização, 
direitos humanos, justiça social e inclusão.
VI- Planos decenais, SNE e políticas intersetoriais de desenvolvimento 
e Educação: cultura, ciência, trabalho, meio ambiente, saúde, 
tecnologia e inovação; 
VII- Planos decenais, SNE e valorização dos profissionais da Educação: 
formação, carreira, remuneração e condições de trabalho e saúde. 
VIII- Planos decenais, SNE e financiamento da educação: gestão, 
transparência e controle social. 
Art. 5º As diretrizes gerais e organizativas para a realização da CONAE 
serão elaboradas pelo MEC e coordenadas pelo FNE, observado o 
disposto no art. 8º da Lei nº 13.005, de 2014 [...] 
(Este texto não substitui o originalpublicado no Diário Oficial da União 
- Seção 1 - 27/04/2017, Página 19).
Conforme a leitura anterior, observa-se que em 2017 deveria ter ocorrido 
Conferências Municipais e Intermunicipais com o tema: “A consolidação do Sistema 
Nacional de Educação – SNE e o Plano Nacional de Educação – PNE, voltado para o 
monitoramento, avaliação e proposição de políticas para a garantia do direito à educação 
de qualidade social, pública, gratuita e laica”. Assim, as conferências municipais 
166
deveriam discutir e fornecer subsídios sobre a efetivação da implantação SNE e do PNE, 
em preparação às conferências estaduais e a Nacional, prevista para o ano de 2018. 
No entanto, devido ao turbulento momento político enfrentado no Brasil, apenas duas 
capitais (Belo Horizonte/MG e São Paulo/SP) realizaram o evento naquele ano, e dois 
terços das capitais brasileiras não tem sequer a previsão de data para organizá-las.
Até a conclusão deste livro, em janeiro de 2018, a última atualização sobre a implantação do Plano 
Nacional de Educação, prevista pelo Projeto de Lei Complementar PLP 413/2014, foi o Parecer do 
Relator, Dep. Glauber Braga (PSOL-RJ), pela aprovação deste, e do PLP 448/2017, apensado, como 
substitutivo. O parecer foi apresentado em 22/dez./2017 à Comissão de Educação. Portanto, o 
projeto encontra-se ainda em tramitação no Congresso Nacional.
Para acompanhar a tramitação na íntegra, acesse: <http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/
fichadetramitacao?idProposicao=620859>. Maiores informações também estão disponíveis no site 
do MEC: <http://pne.mec.gov.br/sistema-nacional-de-educacao>.
CNTE defende a instituição do SNE de forma articulada entre os entes federados
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em 
Educação (CNTE) divulgou em setembro (2017), 
a nota pública:  Análise do documento da SASE/
MEC sobre Sistema Nacional de Educação. O 
documento analisa o texto — Instituir um Sistema 
Nacional de Educação: agenda obrigatória para o 
país — disponibilizado pelo Ministério da Educação 
(MEC), em junho para amplo debate nacional.
Na nota, a entidade posiciona-se em acordo com vários pontos do texto apresentado pelo MEC, pelo 
fato do seu conteúdo exprimir conceitos referendados nas duas Conferências Nacionais de Educação 
(CONAEs), e por absorver propostas das entidades educacionais, como a CNTE, apresentadas ao 
longo do processo histórico do debate sobre o Sistema Nacional de Educação (SNE).
Para a Confederação, as graves fragilidades resultantes da ausência de um SNE estão em destaque 
no documento, como: I) ausência de referenciais nacionais de qualidade, capazes de orientar a 
ação supletiva para a busca da equidade; II) a descontinuidade de ações; III) 
a fragmentação de programas; e IV) a falta de articulação entre as esferas 
de governo são fatores que, de fato, não contribuem para a superação das 
históricas desigualdades econômicas e sociais do país.
A CNTE entende que o texto do MEC reafirma a educação como 
um direito inalienável e que realiza um diagnóstico dos avanços 
e desafios para garantia desse direito, num contexto histórico e 
político, apresentando uma proposta de instituição do SNE realizado 
por um conjunto articulado de quatro dimensões, levando a uma 
nova forma de organização da Educação Nacional: alterações na Lei 
de Diretrizes e Bases; regulamentação do artigo 23 da Constituição 
Federal (CF) ou a Lei de Responsabilidade Educacional; adequação 
das regras de financiamento e dos sistemas de ensino às novas regras 
nacionais instituição do SNE.
NOTA
167
Para o presidente da entidade, Roberto 
Franklin de Leão, o Brasil possui leis que 
estruturam o sistema, como a lei que estipula 
o piso nacional salarial dos professores e a 
própria LDB. Destaca que precisamos de mais 
uma legislação nacional para organização da 
educação nacional, a fim de que as políticas 
sejam mais orgânicas, como é o SNE, que 
"respeita a diversidade e as diferenças 
do federalismo brasileiro, considerando a 
qualidade e distanciando-se da centralização 
da gestão da educação".
Entretanto, mesmo em consenso sobre vários pontos apresentados no documento do MEC, a CNTE 
reafirma a necessidade de um olhar especial na regulamentação do Custo Aluno-Qualidade e do 
piso salarial dos profissionais da educação, conjugada com as diretrizes nacionais de carreira; na 
autonomia das escolas e de seus profissionais; no aperfeiçoamento e fortalecimento dos espaços de 
participação; no estabelecimento de critérios para as ações distributivas e supletivas da União e dos 
estados, via regulamentação do art. 23, V, da CF; na regulamentação das receitas para a educação e 
na definição das normas vinculantes para a organização dos sistemas de ensino.
Redação SASE/MEC com informações da CNTE.
FONTE: Disponível em: <http://pne.mec.gov.br/mais-destaques/410-cnte-defende-a-instituicao-do-
sne>. Acesso em: 7 dez. 2017.
Outro documento importante são os Parâmetros Curriculares Nacionais. Sua 
história começa a partir da década de 1980, com as mudanças econômicas e sociais de 
nível mundial e a abertura da política nacional. A partir desse momento, as discussões 
políticas passaram a privilegiar o tema da democracia. Com base nesse tema, as reflexões 
propiciaram a instauração e consolidação de um governo e de um regime democrático.
Em decorrência dos debates e dada a importância da democracia, a Assembleia 
Nacional Constituinte, em 1988, institui o Estado Democrático de Direito, regulamentado 
pela Constituição da República Federativa do Brasil, denominada Constituição Cidadã. Ela 
estabelece como princípios fundamentais: “I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade 
da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo 
político” (BRASIL, 1988, Título 1).
168
FIGURA 22 – CONSTITUIÇÃO CIDADÃ DE 1988
FONTE: Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/upload/conteudo _legenda/8e426990caf-
5533da936acd858c65f32.jpg>. Acesso em: 7 dez. 2017.
O artigo 5º dispõe sobre os direitos e deveres individuais e coletivos, segundo 
o qual “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” (BRASIL, 
1988, Título II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais). Desse modo, no artigo 6º, são 
indicados os direitos dos cidadãos; constam como “direitos sociais a educação, a saúde, 
o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à 
infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição” (BRASIL, 1988, 
Capítulo II - Dos Direitos Sociais).
A defesa do exercício da cidadania na escolarização está deliberada no artigo 
205: “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e 
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da 
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” 
(BRASIL, 1988).
Para a disseminação da educação cidadã, outros documentos são produzidos a 
partir de reuniões e pactos mundiais, como a Declaração Mundial sobre Educação para 
Todos, ocorrida em Jomtien – Tailândia. 
Em 1990, reuniram-se representantes dos seguintes países: Indonésia, China, 
Bangladesh, Brasil, Egito, México, Nigéria, Paquistão e Índia, para discutir sobre a satisfação 
das necessidades básicas de aprendizagem, considerando que todo cidadão tem direito 
à educação, e ainda, que a educação favoreça “o progresso social, econômico e cultural, 
a tolerância e cooperação internacional” (UNESCO, 1998, s.p.). Para suprimir os problemas 
da educação, melhorar a qualidade e disponibilidade, a Declaração traça objetivos como 
medidas necessárias à educação para todos. Assim, os países citados comprometeram-
se em cooperar e responsabilizar-se com as metas construídas. A partir desse documento, 
cada país construiu planos e metas para alcançar os objetivos educacionais.
169
Você imagina quais foram as metas traçadas no encontro mundial que 
resultou na Declaração Mundial sobre Educação para Todos? 
As fi nalidades traçadassão: 1 Satisfazer as necessidades básicas de 
aprendizagem; 2 Expandir o enfoque; 3 Universalizar o acesso à educação 
e promover a equidade; 4 Concentrar a atenção na aprendizagem; 5 
Ampliar os meios de e o raio de ação da educação básica; 6 Propiciar 
um ambiente adequado à aprendizagem; 7 Fortalecer as alianças; 8 
Desenvolver uma política contextualizada de apoio; 9 Mobilizar os 
recursos; e 10 Fortalecer a solidariedade internacional (UNESCO, 1998).
ATENÇÃO
Ao encontro desse documento, o governo brasileiro inicia discussões a respeito 
da educação nacional e a construção de políticas de educação, que discorrem sobre a 
atualização de processos formativos, processos de avaliação, a formação docente, a 
relação aluno-professor, a gestão escolar, o currículo escolar e a criação de projetos, 
de reformas e de planos. O PCN é um documento norteador formulado a partir dessas 
políticas de educação.
Assim, em 1995, a elaboração dos PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais 
é iniciada, sendo concluída somente em 1997, no governo do presidente Fernando 
Henrique Cardoso. Fique atento, acadêmico, ao estudo desse documento, pois as 
políticas de educação têm objetivos traçados, como toda a prática docente possui.
O objetivo dos PCN (BRASIL, 1997a) é estabelecer à equipe pedagógica uma 
referência curricular e apoio na elaboração do currículo e do projeto pedagógico. Conforme 
os PCN, esse documento é o resultado de um trabalho que contou com a participação de 
um grupo de especialistas ligado ao Ministério da Educação (MEC), produzido a partir de 
estudos e do contexto das discussões pedagógicas atuais, no decurso de seminários e 
debates com professores que atuam em diferentes graus de ensino.
FIGURA 23 – CONSTRUÇÃO DOS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – PCN
FONTE: Disponível em: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br/bibliot eca/portugues/img/0056.jpg>. 
Acesso em: 7 dez. 2017.
170
Caro acadêmico, a Educação Infantil também tem documentos norteadores do currículo, 
que são: Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil – RECNEI e Parâmetros 
Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil. O primeiro documento pretende orientar 
o professor, além de discutir conceitos importantes como educar e cuidar, entre outros. O 
RECNEI está dividido em unidades, que são: Introdução, Formação Pessoal 
e Social e Conhecimento de Mundo, Identidade e Autonomia das crianças 
e Movimento, Música, Artes Visuais, Linguagem Oral e Escrita, Natureza 
e Sociedade e Matemática. Já o segundo documento está disponível em 
dois volumes e apresenta recomendações para promover a igualdade de 
oportunidades educacionais.
Para conhecer melhor os documentos, respectivamente, acesse: 
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/rcnei_vol1.pdf>;
<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfparqualvol1.
pdf>.
NOTA
O documento dos PCN consiste em uma referência nacional para o Ensino 
Fundamental e Médio. Sua elaboração é de primeiro nível de concretização curricular, 
seguido de propostas curriculares dos Estados e municípios, que poderão ser utilizadas 
como recurso para adaptações ou elaborações curriculares realizadas pelas Secretarias 
de Educação (BRASIL, 1997a).
O texto dos PCN tem função definidora do currículo mínimo, orienta práticas 
pedagógicas e organiza a estrutura escolar. Estabelece o plano curricular indicando 
conteúdos, objetivos, práticas educativas e sugestões de avaliação. Como é um 
documento de nível nacional, tenta abranger e ter aplicabilidade em todo o território 
nacional, de maneira homogênea (BARBOSA; FAVERE, 2013).
Os PCN do Ensino Fundamental, do primeiro ao nono ano, são compostos de 
módulos divididos em: Volume 1: Introdução; Volume 2: Língua Portuguesa; Volume 3: 
Matemática; Volume 4: Ciências Naturais; Volume 5: História e Geografia; Volume 6: Arte; 
Volume 7: Educação Física; Volume 8: Apresentação dos Temas Transversais e Ética; 
Volume 9: Meio Ambiente e Saúde; e Volume 10: Pluralidade Cultural e Orientação Sexual.
Já os PCN do Ensino Médio são assim distribuídos: Bases legais; Linguagens, 
Códigos e suas tecnologias; Ciências da natureza, Matemática e suas tecnologias; 
Ciências humanas e suas tecnologias.
171
Uma das preocupações centrais dos PCN é o tema da cidadania, da formação 
cidadã. Mais do que o ensino de conteúdos básicos, hoje, na escola, a aprendizagem 
da cidadania é legitimada e indispensável. A disseminação dessa aprendizagem 
transita em documentos oficiais, em autores que escrevem sobre educação e em 
projetos pedagógicos das escolas. Os PCN defendem que o fundamento da sociedade 
democrática é reconhecer o sujeito de direito (BRASIL, 1997b). 
Com base na Constituição de 1988 e na LDB, os Parâmetros Curriculares 
Nacionais propõem uma educação comprometida com a cidadania, sendo pautados 
em princípios que devem orientar a educação escolar: dignidade da pessoa humana, 
igualdade de direitos, participação e corresponsabilidade pela vida social. Conforme 
os PCN, “a educação para a cidadania requer, portanto, que questões sociais sejam 
apresentadas para a aprendizagem e a reflexão dos alunos” (BRASIL, 1997b, p. 25). Os 
conteúdos dos PCN, de acordo com Barbosa (2000, p. 71), partem:
do princípio de que os conteúdos de ordem cognitiva veiculados 
pela escola – de forma fragmentada, em razão da especialização do 
conhecimento de cada área – não seriam suficientes para atender às 
demandas da atualidade em relação ao perfil ideal do novo homem, 
para que este homem pudesse inserir-se no mundo do trabalho, 
exercer a sua cidadania e participar na construção do bem comum. 
A educação deveria voltar-se, a partir de então, para a formação 
integral dos alunos. Foi, assim, proposta a ampliação da concepção 
de conteúdo escolar, que deveria agora incorporar o ensino de 
hábitos, atitudes, valores, normas e procedimentos que pudessem 
contribuir para o desenvolvimento e socialização dos alunos. 
A inclusão dos temas transversais é um assunto novo, possível na sociedade 
atual, visando uma nova formação comparada a formações anteriores, trazendo assuntos 
de fora, da sociedade, para dentro da escola. Assim, além de objetivos cognitivos, os 
PCN traçam objetivos morais e atitudinais.
Os PCN foram elaborados com a contribuição de um professor espanhol, César 
Coll. A proposta brasileira pretendeu implantar uma reforma curricular, dar direcionamento 
ao trabalho do professor, bem como o que se deve esperar do aprendizado do aluno, ou 
seja, o que deve conter no currículo escolar (BARBOSA; FAVERE, 2013).
Os PCN pretendem atender às deliberações da Constituição Federal de 1988 
e assim fixar conteúdos mínimos para o ensino, construindo uma formação básica e 
respeitando as especificidades regionais.
Citando Barreto (2000, p. 35), “o governo federal passa pela primeira vez, em 
meados dos anos noventa, a fazer ele próprio prescrições sobre currículo, que vão muito 
além das normas e orientações gerais que caracterizaram a atuação dos órgãos centrais 
em períodos anteriores”.
172
A figura acima nos indica uma organização que atualmente deve ser planejada 
em seu conjunto, ou seja, projetando essa prática para o trabalho do professor, em 
que “esta é uma oportunidade preciosa para uma nova práxis dos educadores, sendo 
primordial que ela aborde os saberes e seus tempos, bem como os métodos de trabalho, 
na perspectiva das reflexões antes tecidas” (BRASIL, 2004, p. 18).
Com o intuito de transformar a realidade educacional, o documento defende 
que “faz-se necessária uma proposta educacional que tenha em vista a qualidade da 
formação a ser oferecida a todos os estudantes” (BRASIL, 1997a, p. 27).
A intenção dos PCN é que o professor tenha um auxílio em sua ação de reflexão 
sobre o cotidiano da prática pedagógica, que continuamente esse cotidiano transforma-
se e exige novas competências docentes. Nesse sentido, com esse documento se prevê 
que seja possível:
- rever objetivos, conteúdos, formas de encaminhamento das 
atividades, expectativasde aprendizagem e maneiras de avaliar;
- refletir sobre a prática pedagógica, tendo em vista uma coerência 
com os objetivos propostos;
- preparar um planejamento que possa de fato orientar o trabalho em 
sala de aula;
- discutir com a equipe de trabalho as razões que levam os alunos a 
terem maior ou menor participação nas atividades escolares;
- identificar, produzir ou solicitar novos materiais que possibilitem 
contextos mais significativos de aprendizagem;
- subsidiar as discussões de temas educacionais com os pais e 
responsáveis (BRASIL, 1997a, p. 12).
A proposta apresentada pelos PCN não tem uma concepção rígida de currículo; é 
flexível, com o objetivo de considerar a diversidade brasileira e respeitando a autonomia 
do professor e equipe pedagógica.
Acadêmico, apresentamos aqui uma imagem disponibilizada em outro 
documento importante do MEC, “Ensino Fundamental de Nove anos”, que contribui para 
percebermos a organização desse nível de ensino:
FIGURA 24 – ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS
FONTE: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/noveanorienger.pdf>. 
Acesso em: 5 dez. 2017.
Ensino Fundamental
Anos Iniciais Anos Finais
1º ano 2º ano 3º ano 4º ano 5º ano 6º ano 7º ano 8º ano 9º ano
173
Assim, temos que dar continuidade na definição e redefinição das práticas e das 
ações, que devem ser realizadas com a mesma rapidez e complexidade com que ocorre 
o processo de transformação, não só no Brasil, mas em escala mundial. 
A importância que adquirem, nessa nova realidade mundial, a ciência 
e inovação tecnológica tem levado os estudiosos a denominar 
a sociedade atual de sociedade do conhecimento, sociedade 
técnico-informacional ou sociedade tecnológica, o que significa 
que o conhecimento, o saber e a ciência assumem papel muito 
mais destacado do que anteriormente. Na atualidade, as pessoas 
aprendem na fábrica, na televisão, na rua, nos centros de informação, 
nos vídeos, no computador, e cada vez se ampliam os espaços de 
aprendizagem (LIBÂNEO, 2012, p. 62-64, grifos do autor).
A instituição escolar já não é considerada o único meio ou o meio mais eficiente 
e ágil de socialização dos conhecimentos técnico-científicos e de desenvolvimento de 
habilidades cognitivas e competências sociais requeridas para a vida prática.
A tensão em que a escola se encontra não significa, no entanto, seu fim como 
instituição socioeducativa ou o início de um processo de desescolarização da sociedade. 
Indica, antes, o início de um processo de reestruturação dos sistemas educativos e da 
instituição tal como a conhecemos. A escola, hoje, precisa não apenas conviver com 
outras modalidades de educação não formal, informal e profissional, mas também, 
articular-se e integrar-se a elas, a fim de formar cidadãos mais preparados e qualificados 
para um novo tempo. Para isso, o ensino escolar deve contribuir para:
a) Formar indivíduos capazes de pensar e aprender permanentemente (capacitação 
permanente) em um contexto de avanço das tecnologias de produção e de 
modificação da organização do trabalho, das relações contratuais capital/trabalho e 
dos tipos de empregos.
b) Prover formação global que constitua um patamar para atender à necessidade 
de maior e melhor qualificação profissional, de preparação tecnológica e de 
desenvolvimento de atitudes e disposições para a vida numa sociedade técnico-
informacional.
c) Formar cidadãos éticos e solidários.
Assim, pensar o papel da escola nos dias atuais sugere levar em conta questões 
relevantes. A primeira, e talvez a mais importante, é que as transformações mencionadas 
representam uma reavaliação que o sistema capitalista faz de seus objetivos.
No entanto, quando o autor Libâneo (2012) faz o alerta de que o ensino escolar 
deve contribuir para formar indivíduos capazes de pensar e aprender permanentemente 
dentro do contexto tecnológico e das relações capital/trabalho, poderia, aí, ser 
acrescentado o termo “harmonização das relações trabalhistas”. O que quer dizer que a 
educação pode e deve ter uma relação próxima e significativa com o capitalismo, uma 
vez que o desenvolvimento educacional deixou de ser estável, isto é, com hora e local 
predeterminados. Hoje, a informação e o conhecimento não têm fronteira, eles estão 
174
em toda parte, principalmente nas organizações produtoras de bens e serviços. Ainda 
segundo o autor, “a escola deixou de ser o único meio de socialização do conhecimento”. 
Seguindo a mesma linha de raciocínio com relação ao capital/trabalho, Liedke (2002, p. 
345-346) afirma que: 
No limiar do século 21, os avanços da tecnologia microeletrônica e da 
racionalização das técnicas organizacionais do processo de trabalho, 
orientados por conceitos como produção flexível, produção enxuta 
e especialização flexível, em um contexto de competição capitalista 
global, colocam em xeque a centralidade do trabalho. Decorridos três 
séculos de predomínio da sociedade industrial, o trabalho passa a 
assumir um conteúdo crescentemente intelectual, em contraposição 
ao conceito de trabalho físico, manual. Aumenta a importância da 
informação, do trabalho imaterial, em contraposição ao conceito 
convencional de trabalho, centrado na ideia de transformação da 
natureza. Para alguns estudiosos, teria chegado o momento, na 
história da humanidade, de separarem-se, novamente, os conceitos 
de trabalho, emprego e identidade social e individual. Outras formas 
de socialização, de construção das identidades sociais e individuais 
deverão voltar-se para atividades de cunho comunitário, como 
escolas, clínicas, clubes de bairro, manutenção de infraestrutura 
nas cidades, envolvendo várias formas de trabalho voluntário 
(KUMAR, 1985: CACCIAMALI, 1996). Estudos recentes apontam 
para a importância de políticas voltadas ao estímulo das atividades 
intensivas em mão de obra, ao mesmo tempo em que defendem 
a necessidade de diminuição da jornada de trabalho semanal 
(MATTOSO, 1996; ANTUNES, 1996). Mais do que simples especulação, 
os desafios são amplos e incertas as alternativas. Porém, parece 
certo que as formas precárias de ocupação da força de trabalho 
(trabalho temporário, desregulamentação do trabalho, rebaixamento 
dos salários) estão longe do conceito aristotélico de trabalho humano 
como obra criativa, livre da esfera da necessidade.
No entanto, a Revolução Tecnológica vai além do fenômeno relacionado com a 
dinâmica da informação e comunicação, pois ela é também o objeto de dinamização dos 
saberes, conceitos e dos valores individuais e sociais. Sendo assim, essas tecnologias 
têm se mostrado eficientes e flexíveis em todos os aspectos da vida cotidiana, seja 
no âmbito das relações sociais, econômicas e educacionais, principalmente por 
oferecerem uma gama de alternativas que podem e devem ser utilizadas na busca de 
soluções e na melhoria dos métodos e das formas de ensinar e aprender. Isto porque, 
como sabemos, não existe uma homogeneidade regional, isto é, as políticas públicas 
não conseguem equacionar ou resolver os problemas relacionados à distribuição dos 
meios e recursos necessários ao desenvolvimento do indivíduo, do processo educativo 
e do desenvolvimento econômico, onde todos esses conceitos fazem parte da cadeia 
produtiva como um todo, pois um país só se desenvolve com educação, emprego e 
distribuição equitativa de renda, o que vai ao encontro dos princípios da igualdade.
175
Universidade pra quê? A força e o futuro da UERJ
Ana Karina Brenner, Bruno Deusdará,
Guilherme Leite Gonçalves e Lia Rocha
Como professor aposentado da UERJ somo-me a estes e estas colegas no 
protesto, na reação e na esperança acerca do que o atual governo sem legitimidade 
democrática está fazendo com esta universidade que se conta entre as melhores do 
país. Na agenda do atual governo liderado pelo PMDB, ciência, pesquisa, formação e 
inclusão social não fazem parte de sua agenda. Colocam a universidade no item de 
gastos e encargos, quando deveria significar um alto investimento em favor das novas 
geraçõese do futuro do país, portanto, merecer um tratamento prioritário. Uma nação 
feita de ignorantes está condenada a se transformar num país pária, perder o passo da 
história e sequestrar o futuro dos jovens. Mas tudo isso se inscreve dentro do programa 
da dominação imperial que nos quer recolonizar e fazendo-os apenas exportadores de 
commodities. Para isso não se precisa de ciência, de tecnologia, nem de um projeto 
nacional, apenas de espírito subserviente e venal. Recusamos este destino funesto, 
pois em termos de futuro, quando o que vai contar mesmo será uma economia e uma 
tecno-ciência montada sobre o fator ecológico. Aí surgiremos como uma das potências 
reitoras, não para dominar, mas para podermos, com os bens e serviços que a Mãe 
Terra nos galardoou, ser a mesa posta para as fomes e as sedes do mundo inteiro. É o 
sentido secreto e providencial de sermos geograficamente grandes e ecologicamente 
ricos. Precisamos resgatar a UERJ, o hospital Pedro Ernesto e outras frentes de ensino 
e pesquisa distribuídos pelo Estado do Rio de Janeiro, com seu protagonismo histórico 
e com seu alto sentido social, especialmente, para os mais penalizados pela nossa 
sociedade injusta e excludente. E vamos triunfar, porque nada resiste ao que é bom, 
justo, digno e ecologicamente responsável. Parabéns aos autores e autoras deste 
corajoso texto, urdido de sã indignação e de justa esperança. Leonardo Boff
[...]
 A universidade moderna nasceu de um projeto destinado a desenvolver as 
qualidades humanas e a cultura por meio de um programa de formação, que combinava 
ensino e pesquisa com base no conhecimento científico. Esse projeto, no entanto, tinha 
um vício de origem: era inacessível às classes populares; servia apenas à reprodução das 
elites. Sofria, assim, de um mal-estar que, dentre outras, produziu as revoltas estudantis 
de 1968. A partir desse momento, as políticas universitárias se voltaram para articular 
formação e inclusão social, conhecimento científico e igualdade.
LEITURA
COMPLEMENTAR
176
A UERJ é resultado de um amadurecimento histórico dessa nova universidade. 
Criada em 1950, destaca-se pelo pioneirismo: primeira universidade pública do Brasil 
a oferecer ensino superior noturno, permitindo a qualificação dos trabalhadores; 
segunda instituição universitária a possuir um hospital das clínicas voltado para o 
ensino; primeira a implantar o sistema de cotas para negros, indígenas e estudantes 
oriundos de escolas públicas.
Nos últimos 10 anos, o número de cursos de doutorado quase dobrou, passando 
de 23 para 43. Em 2016, a UERJ possuía 26.767 estudantes presenciais, dos quais 9.900 
cotistas e ainda 7.266 alunos de Educação a Distância. Além do Hospital Universitário 
Pedro Ernesto e da Policlínica Piquet Carneiro, ela conta com 714 projetos, 253 cursos 
e 34 programas de extensão, que levam à sociedade conhecimento e tecnologias de 
ponta, envolvendo cerca de 3 milhões de pessoas, entre profissionais, estudantes e 
comunidade atendida.
Nos últimos anos, a UERJ conquistou o regime de trabalho de Dedicação 
Exclusiva, assegurando um plano de carreira com capacidade de atrair os melhores 
quadros acadêmicos. Tal regime é estruturante da carreira docente, garantidor da 
qualidade da pesquisa, do compromisso com a formação de estudantes e pesquisadores, 
e do desenvolvimento tecnológico a partir da fixação de docentes em uma única 
instituição.
Hoje, no entanto, todo esse patrimônio corre risco.
Ciência, formação e igualdade social não fazem parte da agenda do PMDB. A 
Universidade lhe é estranha. Em seu programa para o Brasil, “Uma ponte para o futuro”, 
ela é tratada tão somente como encargo ou despesa, desconsiderando sua importância 
como investimento na construção e preservação do patrimônio científico e tecnológico 
de uma nação. Ao assim concebê-la, atribui à educação superior a responsabilidade de 
produzir desajuste fiscal quando é, na verdade, potencial de desenvolvimento econômico 
e de geração de emprego. Mas, então, qual é o projeto do PMDB para a Universidade?
Desde o golpe parlamentar, em 2016, o Governo Temer tem realizado significativos 
cortes em políticas sociais, entre elas o ensino superior. Só o MEC sofreu corte de R$ 4,3 
bilhões. Assim, 15% dos gastos de custeio e 40% das despesas de capital, aprovados pelo 
Congresso para as universidades federais, ficaram congelados. No Rio de Janeiro ocorre 
fato semelhante. Para dar apenas um exemplo, no final de 2016, o Governo Pezão reduziu 
o orçamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro em mais de 30%.
Em agosto de 2017, professores e servidores técnico-administrativos da 
UERJ encontram-se com quatro meses de salários atrasados (mesma situação das 
outras universidades estaduais UEZO e UENF). Também atrasadas estão as bolsas de 
estudantes e residentes. O confisco de salários e bolsas é um confisco do orçamento 
da universidade, e mina as condições de reprodução das forças necessárias ao trabalho 
e à continuidade do patrimônio intelectual, científico e democrático adquirido ao longo 
177
das décadas. Um exemplo dos efeitos nefastos dessa crise é a saída forçada de alguns 
docentes do regime de dedicação exclusiva. Obrigados a acumular atividades paralelas, 
muitos desses profissionais não retornarão ao regime após esse período.
O resultado da política universitária de Pezão e Temer, cujo não pagamento 
dos salários da UERJ é a expressão mais vil, são vários: evasão de estudantes, fuga de 
cérebros, destruição da pesquisa de ponta, eliminação do legado intelectual, extermínio 
da formação e da cultura. Em outras palavras, a depredação do resultado de décadas de 
investimento material e humano.
Nós, da Universidade, entendemos que docência, pesquisa, cultura e formação 
se relacionam com o futuro. Nossa resistência é a garantia de que o projeto de 
universidade pública, de qualidade, gratuita, cada vez mais plural e inclusiva, permaneça. 
UERJ Resiste!
FONTE: Disponível em: <https://leonardoboff.wordpress.com/2017/08/11/universidade-pra-que-a-forca-e-
-o-futuro-da-uerj/>. Acesso em: 9 set. 2017.
178
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A vida em sociedade está ligada à política e não há ação social sem ação política, quer 
seja promovida pelo Estado ou pela sociedade.
• As políticas públicas são de responsabilidade do Estado, com base em organismos 
políticos e entidades da sociedade civil, que derivam de normatizações, ou seja, se 
estabelece um processo de tomada de decisões, nossa legislação.
• A criação de documentos nacionais norteadores foi possível a partir da década de 
1980, com a abertura política e com a instituição de um Estado democrático, com a 
Constituição Federal de 1988, como é o caso dos Parâmetros Curriculares Nacionais.
• A LDB 9.394/96 regulamentou o que foi tratado sobre educação na Constituição 
Federal, abordando a educação escolar. O objetivo dos PCN é estabelecer à equipe 
pedagógica uma referência curricular e apoio na elaboração do currículo e do projeto 
pedagógico.
• Os PCN têm função definidora do currículo mínimo, orientam práticas pedagógicas e 
organizam a estrutura escolar.
• Uma das preocupações centrais dos PCN é o tema da cidadania, que deve resultar 
em uma formação cidadã.
179
RESUMO DO TÓPICO 1 AUTOATIVIDADE
1 Para retomar o que aprendemos até o momento, aponte as 
características principais e o contexto histórico no qual foram 
construídos os PCN:
2 (IFRN – Concurso Público – Grupo Magistério – Políticas e Gestão 
Escolar 2012)
A partir do que estabelece a Lei nº 9.394/1996, analise as afirmativas a seguir. 
I- A educação profissional técnica de nível médio articulada, segundo essa lei, será 
desenvolvida nas formas integrada e concomitante. 
II- A educação de jovens e adultos deverá ser oferecida, preferencialmente, articulada 
à educação profissional. 
III- As instituições de educação profissional e tecnológica oferecerão cursos regulares 
e cursos especiais, abertos à comunidade. 
IV-Na educação profissional técnica de nível médio, a preparação geral para o trabalho 
e, facultativamente, a habilitação profissional, poderão ser desenvolvidas nos 
próprios estabelecimentos de Ensino Médio ou em cooperação com instituições 
especializadas em educação profissional. 
V- A educação profissional técnica de nível médio, por ter total autonomia pedagógica, 
prescinde de organizar cursos seguindo as orientações contidas nas diretrizes 
curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. 
Das afirmativas acima, estão corretas, apenas: 
a) ( ) I, II, III e IV. 
b) ( ) II, III, IV e V. 
c) ( ) I e V.
d) ( ) II e IV.
180
181
POLÍTICA PÚBLICA DE SAÚDE
1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao estudo que faremos sobre o Sistema de 
Saúde brasileiro. Este tema levará você a refletir sobre a realidade da saúde pública 
em nosso país e os seus desafios para assegurar o atendimento a todo cidadão com 
dignidade e em igualdade de condições. 
O acesso universal, integral e equânime à assistência em saúde é um 
direito de todos e um dever do Estado, garantido pela Constituição. 
Contudo, para além das obrigações do governo, a saúde também 
é uma responsabilidade coletiva, que implica na participação da 
população nos processos de melhoria e no progresso da qualidade 
de serviços (SCHMIDT, 2015, p. 12).
A gestão do sistema nacional de saúde é bastante complexa, se pensarmos 
em atingir de forma equânime todas as pessoas que dependem do serviço público 
num contexto com desigualdades e desafios sociais aos governos. Concorda Zetzsche 
(2014, p. 3) ao dizer que “Cuidar da saúde significa manter a nação em condições de 
progresso e trabalho, com uma população saudável e menores índices de adoecimento 
e transmissão de doenças”.
O sistema de saúde brasileiro engloba uma rede de serviços prestados por 
instituições públicas e privadas aos cidadãos que se utilizam de uma multiplicidade 
de atendimentos. Considerado exemplo de política pública pelo acesso universal à 
população, demanda ainda maior participação da sociedade nos conselhos e conferências 
municipais de saúde para o efetivo controle social na administração pública. 
O fortalecimento da política pública de saúde depende, sobretudo, de 
investimentos que assegurem as ações e programas que impulsionem os indicadores 
de saúde a um nível favorável; é fundamental a melhora da infraestrutura, com a 
ampliação e modernização dos locais de atendimento, qualidade dos serviços oferecidos 
e capacidade técnica dos profissionais contratados para a gestão.
Competência administrativa, visão política e gerencial, profundo 
conhecimento da história do país e de sua dinâmica social, visão 
epidemiológica e crítica, e visão ontológica – visão de respeito e 
reconhecimento do ser humano – (alvo dos programas e políticas de 
saúde) são requisitos mais que necessários àquele ou àquela que vai 
trabalhar em gestão de saúde, quer seja de caráter público ou privado 
(ZETZSCHE, 2014, p. 4).
UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 
182
A saúde para os brasileiros, segundo a pesquisa do Instituto de Pesquisas 
Datafolha (2014), é considerada o serviço público mais importante; mas diariamente 
o usuário se depara com problemas, como a falta de médicos, filas de espera nas 
emergências e nos hospitais, demora para realização de cirurgias e hospitais sem 
recursos financeiros. 
FIGURA 25 – IMPORTÂNCIA DA SAÚDE PÚBLICA
FONTE: Disponível em: <http://portal.cfm.org.br/images/PDF/apresentao-integra-datafolha203.pdf>. 
Acesso em: 6 jun. 2015.
15
Base: Total Brasil  2.418 entrevistas
P3. Dentre esses serviços que você considerou muito importantes, qual deve ser a primeira prioridade do governo federal, na sua opinião?
Área de maior importância – nível federal
(Estimulada e única)
59%
17%
8%
7%
5%
3%
1%
0,4%
0,3%
46%
25%
9%
11%
3%
3%
1%
1%
‐
Usuário 
do SUS
Não 
usuário
Na segunda etapa, entre as áreas que consideraram importantes, Saúde se destaca, 
como prioridade. Educação fica em segundo lugar, porém bem mais à distância.
 O usuário do SUS dá maior importância para a Saúde.
A partir dessa reflexão, podemos enfatizar a importância da política pública de 
saúde no contexto social brasileiro e a necessidade de gestão técnica com profissionais 
habilitados. A relevância do tema foi abordada no Exame Nacional do Estudante – 
ENADE (2013) e propomos que você leia e responda.
A questão da saúde no Brasil é complexa e dependente da atuação 
dos vários agentes que a compõem. Cada um desses agentes, governo, 
organizações e sociedade, tem suas responsabilidades sobre a 
qualidade da saúde no Brasil. Ao governo cabe desenvolver políticas e 
realizar investimentos adequados, dentro de um planejamento ao longo do tempo; 
às organizações compete executar essas políticas, como também prestar serviços 
à população com qualidade; e a sociedade, por seu lado, deve aderir às ações 
preventivas promovidas pelo governo e pelas organizações, assim como deve ter 
uma postura ativa, autônoma e corresponsável, em relação à sua qualidade de vida.
FONTE: Disponível em: <file:///C:/Users/Win8/Desktop/16_TEC_GESTAO_HOSPITALAR.pdf>. Acesso em: 3 
maio 2015.
AUTOATIVIDADE
183
FONTE: Disponível em: <http://www.ivancabral.com>. Acesso em: 23 ago. 2013.
Considerando a figura e o trecho acima, redija um texto dissertativo sobre o 
papel e (ou) funções do gestor hospitalar no contexto da qualidade da saúde no Brasil.
2 CONCEITO DE SAÚDE
Temos como conceito de saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde 
(USP, 2015, s.p.): “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e 
não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade”. 
Essa concepção de saúde induz a novas condutas quanto à promoção de saúde 
e prevenção de doenças. O indivíduo é inserido numa rede de cuidados permanentes, 
visando maior qualidade de vida, mesmo que aconteça a doença. A vida mais saudável 
demanda novos hábitos, que incluem a alimentação adequada, lazer, convívio social, 
esportes e atividade física como práticas diárias. 
Mesmo o doente crônico aprende a conviver melhor com a doença, tornando-se 
menos dependente da assistência médica, adquirindo hábitos que ajudam na melhora 
do estado de saúde. É o que Zetzsche (2014, p. 13) define como “comportamentos mais 
saudáveis e que desenvolva o seu autocuidado, possibilitando que, desta forma, acabe 
vivendo mais e melhor depois de seu adoecimento, por mais incrível que isto pareça, à 
primeira vista”. Neste contexto, percebe-se que a população está adotando um estilo 
de vida mais saudável, com atitudes de prevenção para a saúde física e mental; este 
movimento se estende a outros ambientes, como exemplo, no trabalho e na educação, 
visto que a qualidade de vida está diretamente relacionada ao modo como as pessoas 
vivem. 
184
As cidades devem oferecer espaços coletivos, parques, praças, centros de 
convivência, para que a comunidade usufrua de qualidade de vida, o que comprovadamente 
vem reduzindo os custos em serviços médicos e assistenciais nos municípios. 
FIGURA 26 – SAÚDE PÚBLICA
FONTE: Disponível em: <http://brubrinq.com.br/ckfinder/userfiles/images/pra%C3%A 7a_playground2.jpg>. 
Acesso em: 12 jan. 2018.
Essa é uma realidade possível, de acordo com Zetzsche (2014, p. 9): 
[...] a amplitude do escopo de ações em saúde vai abranger 
intervenções e estratégias nos mais variáveis setores, como meio 
ambiente, sustentabilidade, manejo agrícola, controle de endemias 
e pandemias, definição dos níveis aceitáveis de desenvolvimento e 
qualidade de vida, saneamento básico, manejo de recursos hídricos e 
naturais, ambientes de trabalho, acesso ao lazer, educação, moradia, 
entre tantos outros, pois é nestas boas condições de vida que a 
saúde é mais fácil de se obter e de se conservar. 
A transformação social, a partir da saúde, busca incutir nas pessoas atitudes 
frente a fatores de influência negativa, por exemplo, a mídia com a demasiada 
publicidade de produtos alimentícios industrializados,

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