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Estética Capilar e Tricologia ACESSE AQUI O SEU LIVRO NA VERSÃO DIGITAL! Dra. Franciele Neves Moreno https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3413 FICHA CATALOGRÁFICA C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância. MORENO, Franciele Neves. Estética Capilar e Tricologia. Franciele Neves Moreno. Maringá - PR.: Unicesumar, 2021. 136 p. “Graduação - EaD”. 1. Estética 2. Capilar 3. Tricologia. EaD. I. Título. CDD - 22 ed. 646.726 CIP - NBR 12899 - AACR/2 ISBN 978-65-5615-169-4 Impresso por: Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 Fotos: Shutterstock Pró Reitoria de Ensino EAD Unicesumar Diretoria de Design Educacional Equipe Produção de Materiais NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Design Educacional Débora Leite Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila Toledo Supervisão Operacional de Ensino Luiz Arthur Sanglard NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi DIREÇÃO UNICESUMAR EXPEDIENTE BOAS-VINDAS Reitor Wilson de Matos Silva Neste mundo globalizado e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não somente para oferecer educação de qualidade, mas também, acima de tudo, gerar a conversão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em quatro pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Assim, iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil, nos quatro campi presenciais (Maringá, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa) e em mais de 500 polos de educação a distância espalhados por todos os estados do Brasil e, também, no exterior, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Por ano, produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 por sete anos consecutivos e estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter, pelo menos, três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade.Por isso, desenvolvemos para os cursos híbridos, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão, que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Olá, aluno(a), tudo bem? Sou a professora Franciele, sou Bióloga, católica e casada. Amo viajar, principalmente para lugares com lindas paisagens naturais, por exem- plo, praias, cachoeiras e regiões monta- nhosas. Apesar de eu ter (um pouco) fo- bia à altura, eu gosto de atividades, como rapel e tirolesa (já realizei duas vezes), e também caminhadas na natureza. Além disso, eu e meu marido praticávamos cor- rida de rua. Há cerca de um ano, nossa vida mudou, nasceu nossa filha (nosso presente de Deus), chama-se Luna. Por ela, tivemos que dar uma pausa nas via- gens, nas atividades radicais e na corrida. Às vezes, é necessário darmos algumas pausas, respeitar nossas limitações e nos reorganizarmos, mas logo voltaremos às viagens e às atividades com a nossa filha. Neste um ano, já aprendi muito e errei também, sinto-me realizada como mãe. Minha vida profissional também mudou (como de muitas mães/pais), pois tinha uma atividade de trabalho intenso e, após o nascimento, não havia retornado até agora. Estava me organizando para retor- nar com uma carga horária menor quando fui convidada para escrever este livro. A princípio fiquei temerosa em aceitar, pois tive medo de não conseguir tempo neces- sário para me dedicar, mas aceitei o desa- fio, estava na hora de voltar a trabalhar, e nada melhor do que fazê-lo em home office. Espero que você também consiga superar seus medos, respeitar seus limites e ter a coragem de se lançar no universo da tricologia. Bons estudos! Aqui você pode conhecer um pouco mais sobre mim, além das informações do meu currículo. MEU CURRÍCULO MINHA HISTÓRIA http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4261145U6 REALIDADE AUMENTADA: sempre que encontrar esse ícone, esteja conectado à internet e inicie o aplicativo Unicesumar Experience. Aproxime seu dispositivo móvel da página indicada e veja os recursos em Realidade Aumentada. Explore as ferramentas do App para saber das possibilidades de interação de cada objeto. PODCAST: professores especialistas e convidados, ampliando as discussões sobre os temas. PÍLULA DE APRENDIZAGEM: uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Posicionando seu leitor de QRCode sobre o código, você terá acesso aos vídeos que complementam o assunto discutido. PENSANDO JUNTOS: ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite este momento! EXPLORANDO IDEIAS: com este elemento, você terá a oportunidade de explorar termos e palavras-chave do assunto discutido, de forma mais objetiva. EU INDICO: enquanto estuda, você pode acessar conteúdos online que ampliaram a discussão sobre os assuntos de maneira interativa usando a tecnologia a seu favor. Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos online. O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store IMERSÃO RECURSOS DE https://apps.apple.com/br/app/unicesumar-experience/id1386242696 APRENDIZAGEM CAMINHOS DE 9 75 43 105 7 Introdução à Tricologia ESTÉTICA CAPILAR E TRICOLOGIA Recursos aplicados aos cabelos e ao couro cabeludo Anamnese e Alterações Patológicas Cuidados na Estética Capilar 1 3 2 4 PROVOCAÇÕES INICIAIS INICIAIS PROVOCAÇÕES Olá, aluno(a), tudo bem? Você ingressou em um curso que trabalhará com a saúde e o bem-estar das pessoas, e, uma vez que os cuidados com os cabelos e o couro cabeludo são, fundamentalmente, im- portantes para os seres humanos, conhecê-los, saber das principais afecções tricológicas e dos cuidados são pontos essenciais para a formação do profissional de estética. Pensando a respeito, este livro foi, cuidadosamente, preparado para a construção do conhecimento da disciplina estética capilar e tricologia, abordando, inicialmente, a importância que os cabelos e os pelos têm para as pessoas, em seguida, suas características biológicas, químicas, físicas e o ciclo biológico, incluindo seu envelhecimento. Após, contemplam-se as recomendações sobre como realizar uma boa anamnese, os protocolos de tratamentos e as terapias capilares, as principais afecções tricológicas, seus sintomas e os tratamentos mais indicados. Para o cuidado do cabelo e do couro cabeludo, são necessários cosméticos específicos, sendo aborda- dos neste livro, no terceiro ciclo, além de contemplar também seus ativos. Outro ponto importante em relação aos cuidados e aos tratamentos na estética capilar são as técnicas utilizadas, tais como as de texturização, coloração, massagem, drenagem linfática, argiloterapia, esfoliação, reconstrução capilar, laserterapia, radioterapias, microagulhamento,entre outras, que também estão contempladas neste livro. Enfim, você percebe que esta disciplina aborda conhecimentos que contribuirão, de forma efetiva, para a sua formação como profissional de estética e cosmética? Então, convido-o a mergulhar no universo da estética capilar e tricologia. Bons estudos. Vamos lá?! ESTÉTICA CAPILAR E TRICOLOGIA 1 OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM Introdução à Tricologia Dra. Franciele Neves Moreno Neste ciclo, você terá a oportunidade de aprender a importância do pelo para a vida do homem e as principais características anatômicas, fisiológicas, histológicas e químicas dos fios e do couro cabeludo. Também aprenderá as diferenças do cabelo entre as raças, a relação das glândulas exócrinas (sudorípara e sebácea) com o pelo e com o couro cabeludo, conhecerá os tipos de pelos, seu ciclo biológico (anágena, catágena e telógena) e as alte- rações fisiológicas do seu envelhecimento. Estes conhecimentos fornecerão conteúdos fundamentais para exercer sua profissão de esteticista capilar com qualidade, uma vez que serão necessários quando, por exemplo, você for realizar uma avaliação tricológica, ou sugerir tratamentos ou terapias capilares, ou quando for verificar se os hábitos do seu cliente estão corretos, entre outros procedimentos estéticos. Por isso, convido-o a mergulhar no universo do conhecimento da estética capilar e da tricologia. Vamos lá?! 10 UNICESUMAR Você sabia que o cabelo sempre ocupou uma posição de destaque na vida dos homens? Um exemplo disso é como os reis e as rainhas da Idade Média os tratavam. Para eles, os cabelos tinham um destaque especial que sinalizava poder e status, sendo assim, quem governava não poderia ser calvo, careca ou ter alguma doença/disfunção capilar. No entanto, como não tinham produtos adequados para cuidados básicos com os cabelos, desenvolviam algumas doenças capilares, como infestação de piolhos, caspas, seborreias, tricoses da haste, entre outras, e alguns até tornavam-se carecas em função disso, durante o seu reinado. Por isso, naquela época, usavam-se perucas, e elas eram consideradas artigos de beleza de luxo, e quanto mais volumosa, mais bonitas e caras elas eram, ou seja, se, na época, alguém quisesse ostentar, era só usar uma peruca bem volumosa. Atualmente, os cabelos também têm sua importância para as pessoas, determinando sua aparência e humor, além de continuarem ditando tendências no mundo da moda, fazendo os profissionais desta área cada vez mais importantes. Mas, antes de entrar no assunto e aprender tudo o que essa unidade traz, gostaria de fazer uma pergunta: Quantas vezes por dia você mexe no cabelo seja escovando, lavando seja apenas passando a mão? Tanto o cabelo quanto nossos pelos têm fundamental importância para nós enquanto seres humanos. Quando sentimos frio e estamos sem agasalho, nossos pelos se eriçam, e este é um mecanismo importante para manutenção da temperatura corporal. Ou seja, se pararmos para pensar, desde o início da humanidade, os pelos e cabelos tinham a sua importância, e isso foi se modificando ao longo dos tempos, assim como a quantidade desses fios pelo corpo. Conforme os hominídeos iam se dispersando pelos continentes, algumas características morfológicas foram se modificando e se adequando às variações ambientais, tais como quantidade e tipo de pelos e cabelos. Os fios foram se concentrando em algumas regiões corporais com funções e características específicas. E aí, você já parou para pensar por que algumas regiões do corpo possuem mais pelos que outras? O que leva à queda capilar e por que é intensificada nos homens após certa idade? Por que os cabelos ficam brancos? Os fios de cabelo e pelos têm funções fisio- lógicas importantes, como proteção mecânica, imunológica, sensorial, térmica etc. e também possuem características específicas, um ciclo biológico e como todas estruturas do nosso cor- po, também envelhecem. Suas características biológicas podem ser alteradas ou preservadas de acordo com seus hábitos, inclusive, com sua alimentação. Você já ouviu dizer que “você é o que você come”? Embora uma pessoa com alimenta- ção equilibrada não garanta um cabelo ou couro cabeludo saudável, é comprovado que a quantidade de nutrientes e água que você ingere afetará, diretamente, seus cabelos e couro cabeludo. 11 UNIDADE 1 D IÁ R IO D E B O R D O Uma vez que eles são constituídos por biomoléculas, como as proteínas, que para serem sintetizadas e funcionarem, adequadamente, necessitam de uma quantidade adequada de nutrientes (aminoáci- dos, vitaminas, minerais etc.) e água, absorvidos durante a alimentação. Este é o motivo de distúrbios alimentares, tais como dietas radicais e anorexia, causarem a perda de brilho e queda capilar. Além disso, outros comportamentos podem causar danos à estrutura dos fios ou do couro cabeludo, como excesso de tratamentos químicos, uso inadequado de secadores e pranchas, entre outros. Proponho a você, estudante, que faça um simples exercício se imaginando já como profissional da área, mas apenas para visualizar qual sua conexão com o que conversamos anteriormente. Imagine que você atende uma cliente com característica caucasiana, cabelos ondulados e castanhos, de 35 anos, que não está contente com seu cabelo e relata que ele está sem brilho e quebradiço. Para propor um tratamento a ela, primeiro você deve conhecer as características de um cabelo normal e o que pode causar o problema capilar relatado. Portanto, sugiro que pesquise as características de um cabelo nor- mal caucasiano e o que pode estar causando o problema mencionado por essa cliente (cabelos sem brilho e quebradiço). Você percebeu, em nossa breve conversa, que os seres humanos, no processo da sua evolução, tiveram adaptações morfológicas de acordo com as alterações ambientais que enfrentavam, desenvolvendo características específicas. Além disso, outros fatores influenciam nas características capilares. Pro- ponho uma reflexão sobre isso. A seguir, no Diário de Bordo, anote o que você acha ser característica de um cabelo normal. Anote, também, quais tipos de pelos você acha que existem? E, por fim, anote suas impressões, pensando na seguinte pergunta: Será que a raça, o sexo e a idade podem influenciar nos pelos e cabelos? 12 UNICESUMAR Você já parou para pensar qual é a importância do pelo para a vida do homem moderno? Para compreendermos qual a posição de destaque que o cabelo ocupa em nossa vida, primeiro temos que entender a sua importância no decorrer da história do homem, iniciando pelo homem das cavernas, afinal, para compreendermos o hoje é importante conhecermos o passado, a nossa história. Sendo assim, no homem pré-histórico (homem das cavernas), a quantidade de pelos e cabelos era bem maior uma vez que serviam de proteção contra os fatores ambientais adversos (frio, calor, radiação solar, desidratação, entre outros). Afinal, você deve considerar que, naquela época, eles não tinham roupas e calçados para se protegerem dos fatores ambientais adversos. Mas, com o passar do tempo, a quantidade de pelos foi reduzida, assim como foram adquiridas novas habilidades, como confecção de roupas, calçados, ferramentas etc. Com isso, os pelos conquistaram também outros significados e importância ao homem, como representação sexual, de força e de poder. Ao longo da evolução humana, de acordo com estudos realizados, a pele teve redução de pelos, aumento do número de glândulas sudoríparas, alteração na tonalidade, surgimento do tecido adiposo subcutâneo e redução das unhas (AZULAY, 2006). Pesquisadores sugerem que os principais fatores para a redução dos pelos “através das gerações dos hominídeos foram o processo de desertificação das florestas e a aquisição da postura ereta (bipedalismo) (Figura 1), há aproximadamente cinco milhões de anos” (FIGUEIREDO; ALBUQUERQUE, 2013, p. 59). Figura 1 - Evolução da espécie humana (Homo sapiens sapiens) Com a desertificação das florestas,originando as savanas, os primatas ficaram mais suscetíveis à radia- ção solar e ao mesmo tempo adquiriu a capacidade de andar ereto, isto resultou em um maior gasto de energia e maior geração de calor (FIGUEIREDO; ALBUQUERQUE, 2013). Sendo assim, indivíduos que melhor se adaptaram ao calor químico gerado pelo esforço físico do bipedalismo e ao aumento da radiação solar foram selecionados, favoravelmente, como podemos ver na Figura 1. Ao longo da evolução da espécie humana, ficou evidente que uma pele desnuda e com altos níveis de transpiração constituiu um meio de dissipação de calor eficaz (RIVITTI, 2018). 13 UNIDADE 1 Você sabia que a quantidade de pelos e sua importância foram alteradas por meio da evolução, permanecendo as características que proporcionaram sucesso evolutivo ao homem? Atualmente, os pelos e os cabelos têm importante destaque na vida do homem, fazendo parte da construção do indivíduo. Nota-se que, ao longo dos tempos, além da importância biológica, os fios capilares tiveram outros significados e outra importância e que difere de acordo com os povos, as religiões ou as culturas. Para alguns povos, os cabelos e as unhas continuam relacionados ao indivíduo mesmo após serem cortados, desta forma não po- dem ser removidos do seu corpo nem jogados fora. Nesta linha de pensamento, na quimbanda, o cabelo é utilizado em rituais. Para alguns povos, o cabelo significa virilidade, e, em algumas culturas, o primeiro corte de cabelo é uma ocasião importante, sendo rea- lizadas cerimônias para proteger a criança contra maus espíritos. Já os índios do Xingu raspam os pelos do corpo, deixando apenas os cabelos, fazem isto porque eles acreditam que assim irão se di- ferenciar dos macacos. Nesta tribo, eles preservam os cabelos por serem relacionados com a sexualidade e a sensualidade, cortando-os apenas quando alguém muito próximo morre, sinalizando luto ou como mutilação (OLIVEIRA, 2007). Também é observado que o corte e a disposição dos cabelos demarcam personalidade, função social ou mudança no estilo de vida, desde a Antiguidade. Na Idade Média, os cabelos eram muito importantes, significava poder e status e, a partir desta época, co- meçaram a surgir vários medicamentos para calvície e para outras doenças tricológicas (PEREIRA et al., 2016). Entre os hippies, os cabelos desalinhados eram sinal de liberdade e não aceitação aos valores da época vigentes. Cabelos Black Power foram e ainda são utilizados como afirmação da negritude (OLIVEIRA, 2007). Po- demos dizer que os cabelos vêm marcando épocas, civilizações, religiões, culturas, grupos sociais e ditando tendências (Figura 2). 14 UNICESUMAR Figura 2 - Cabelos e tendências A supervalorização atual do cabelo é evidente uma vez que as pessoas estão em busca do cabelo per- feito. Para isso, alteram cor, cortes, formas, fazem vários tipos de tratamentos, isto tudo para exaltar sua beleza, sua identidade ou, até mesmo, criar um personagem (Figura 3). Você já fez algum tratamento ou mudança capilar? Qual importância você dá aos seus cabelos? Será que para sua cliente (do Estudo de Caso) o cabelo é importante e realizou algum tratamento em seu cabelo que pode ter o deixado quebradiço e sem brilho? Figura 3 - Frases evidenciando os cabelos 15 UNIDADE 1 Atualmente, a valorização do cabelo é facilmente observada entre os jo- gadores de futebol. Você notou que, nas últimas décadas, o cabelo vem ganhando destaque neste esporte? Muitos dizem que o futebol atual não é apenas um esporte, mas uma janela para a moda capilar. Quem nunca reparou no cabelo de algum jogador? Eles fazem cortes personalizados, alteram a cor, fazem penteados, utilizam técnicas capilares inovadoras e ditam tendências. Muitas crianças chegam a pedir a seus pais que querem ficar com o cabelo igual do seu ídolo. Isto também é observado em outros esportes, entre músicos, atores, youtubers, personagens de desenho ani- mado/cinema, entre outros. Além disso, para muitas pessoas, cuidar do cabelo tem efeito terapêu- tico, isto é comumente observado em salões de beleza, como descrito por Oliveira (2007), que, ao entrarem no salão de beleza, algumas pes- soas chegam, aparentemente, deprimidas e, conforme seus cabelos são cortados ou tratados, a postura e o humor se alteram, ficando felizes com a nova imagem do cabelo, como se, de repente, tivessem ganhado uma nova vida. De acordo com a autora, quando os cabelos crescem, perdem o formato e a vitalidade, com isso, a pessoa sente que perdeu a beleza e a identidade e, após o novo corte, a pessoa se reencontra. Observando o quanto as pessoas valorizam sua aparência e seus cabelos, o mercado cosmético e de tratamento capilar vem ganhando cada vez mais espaço, inclusive, no mundo masculino, que, até décadas atrás, era pouco explorado. São facilmente observados a quantidade crescente de produtos para cabelos e barbas, as técnicas e os tratamen- tos capilares, conforme o que se deseja obter. Além, é claro, do número de pessoas que se submete a tudo isso que é enorme, bem como o tempo despendido para estes cuidados, medida da importância que os pelos e os cabelos têm para nossa sociedade. Dentro desse quadro de culto à vaidade ou de cuidados com a vida, os cabelos têm posição de destaque (OLIVEIRA, 2007). Assim, podemos salientar que o cabelo tornou-se fundamental para a construção da identidade do indivíduo. Por isso, a estética capilar e a tricologia (trichos = cabelo/ logia = estudo) tornam-se essenciais para o profissional de estética, principalmente aos que desejam trabalhar com cabelos e/ou pelos uma vez que estes pro- fissionais são responsáveis pelo embelezamento pessoal, pela saúde capilar e pelo bem-estar das pessoas. Você já consegue perceber como é importante esta disciplina para sua profissão e a responsabilidade que você terá? Por estes motivos, você como um futuro profissional de estética de sucesso deve estar em busca constante de aperfeiçoa- mento e aprendizado. Antes Depois Antes Depois 16 UNICESUMAR Visto a importância dos pelos e dos cabelos para a humanidade ao longo dos tempos, percebemos que eles têm funções biológicas importantes. Eles podem servir para proteção contra radiação solar, atuar no controle térmico, têm ação sensorial, são barreira contra entrada de sujidades e microrganismos, entre outras funções, dependendo da região que se encontra. Por exemplo, os cabelos, que são os pelos da cabeça, exercem proteção contra radiação, impactos e atua no controle térmico do crânio, e isso é necessário uma vez que a nossa cabeça é muito exposta aos raios ultravioletas (UV). O cérebro tem um metabolismo elevado com grande sensibilidade ao aquecimento e necessita que a temperatura seja controlada, e a calota craniana precisa de proteção contra impactos (AZULAY, 2006; FIGUEIREDO; ALBUQUERQUE, 2013). Já os pelos nas axilas, também denominados hircos, e os pelos da genitália, os púbios, atuam na pro- teção contra organismos patógenos e, de acordo com alguns autores, podem ter funções associadas à conservação de moléculas odoríferas produzidas nestas regiões as quais são relacionadas à reprodução, servindo para atração de parceiros sexuais (AZULAY, 2006; FIGUEIREDO; ALBUQUERQUE, 2013). Mas há quem conteste a permanência de pelos nestas regiões, não é mesmo? A maioria das mulheres e alguns homens se submetem a procedimentos dolorosos, ou gastam tempo e dinheiro para removê-los, definitivamente. Atualmente, os homens estão removendo os pelos de algumas regiões do corpo, como tórax, costas, axilas (os hircos) e da região pubiana (os púbios) e destinam os cuidados para os cabelos, pelos da face, a barba, e o bigode (pelos do lábio superior). Os pelos do nariz (vibrissas), da orelha (trágios), dos cílios e supercílios (sobrancelhas) também têm função protetora contra a entrada de microrganismos e outras partículas. Agora, convido você a conhecer a anatomia e fisiologia do pelo e do couro cabeludo bem como as principais diferençasdos cabelos nas grandes raças. Os pelos e os cabelos são órgãos anexos da pele (ou cútis) e fazem parte do sistema tegumentar. Você sabia que a pele é o maior órgão do corpo hu- mano e possui diversas funções, tais como proteção mecânica, imunológica, termorregulação, sensorial, secretora, barreira contra organismos patógenos e radiação solar? (JUNQUEIRA, 2017; RIVITTI, 2018). Dada a importância da pele para o sistema tegumentar e para a estrutura dos nossos fios, foco desta disciplina, convido você a rever um pouco mais sobre ela, pois nas disciplinas de Anatomia Humana e Dermatologia e disfunções da pele, estudamos a pele e seus órgãos anexos, mas, aqui, a contextualização será na área de tricologia e estética capilar. A pele recobre todo o corpo, formando uma camada protetora e tem a capacidade de regenerar-se rapidamente. O couro cabeludo é uma pele que recobre o crânio, possui diversos folículos pilosos (também conhecidos como folículos capilares) e glândulas sebáceas cuja epiderme tem alta regeneração. A pele é constituída por dois tecidos (Figura 4), que são (HALAL, 2016; JUNQUEIRA, 2017; RIVITTI, 2018): 1. Epiderme (mais externa): constituído por um epitélio estratificado pavimentoso querati- nizado (com camada córnea), este tecido resiste à água e protege contra os patógenos. Tem a espessura de cerca de 50 células, e estas se renovam, constantemente. As células mais abundantes são os queratinócitos, os quais são formados por mitose (divisão celular) na camada basal da epiderme e se move em direção à camada mais externa da epiderme, a córnea, modificando-se pelo processo conhecido como queratinização. A epiderme tem mais três tipos de células: os melanócitos, as células de Langerhans e as de Merkel. Esse tecido pode ser dividido em cinco camadas: camada basal ou estrato germinativo; camada espinhosa; camada granulosa; camada lúcida; camada córnea. 17 UNIDADE 1 2. Derme (mais interna): este tecido fica abaixo da epiderme, compõem cerca de 90% do peso seco da pele, ele comunica a hipoderme com a epiderme. Uma vez que a epiderme não é vascularizada, a derme transfere os nutrientes do tecido inferior (hipoderme) para o tecido superior (epiderme), além disso, oferece termorregulação para a pele. Sua espessura pode variar conforme a região do corpo e é importante para a percepção sensorial (tato, temperatura e dor) e proteção imunológica da pele. As camadas que compõem a derme são: camada papilar (camada superficial) e camada reticular (camada interna), são encontrados nesta camada os folículos pilosos, glândulas sebáceas e sudoríparas (entre outras estruturas). Epiderme Derme Hipoderme Haste do cabelo/Eixo do cabelo Poro da glândula sudorípara Cume epidérmico Papila dérmica Receptores sensoriais Músculo eretor do pelo Glândula sebácea Ducto da glândula sudorípara Folículo piloso/Folículo capilar Glândula sudorípara Nervo Veia Artéria Figura 4 - Corte da pele A Hipoderme ou tecido celular subcutâneo (ou tela subcutânea) não faz parte da pele, ele serve para unir a pele aos órgãos adjacentes. É constituído de tecido conjuntivo frouxo e tecido adiposo, formando o panículo adiposo. A sua vascularização fornece os nutrientes e as trocas gasosas às ca- madas da pele. O tecido adiposo, responsável pelas famosas gorduras localizadas, possuem funções importantes, como curvas ao nosso corpo, reserva energética, proteção contra choques mecânicos e como isolante térmico (HALAL, 2016; JUNQUEIRA, 2017; RIVITTI, 2018). Os pelos e os cabelos possuem estruturas filiformes e queratinizadas que se desenvolvem a partir de uma invaginação da epiderme, nos folículos pilosos (Figura 5), estes, por sua vez, são produzidos nos primeiros meses de vida intrauterina. São observados em quase toda a superfície corporal, exceto em algumas regiões bem delimitadas. A cor, o tamanho e a disposição deles variam de acordo com a cor da pele e região corporal. Existem dois tipos de pelos: o vellus (ou lanugo), pilosidade fina e clara e o pelo terminal, que corresponde ao pelo espesso e pigmentado (cabelos, barba, pilosidade pubiana e axilar). Eles crescem, descontinuamente, intercalando fases de repouso com o de crescimento (JUNQUEIRA, 2017; RIVITTI, 2018)., 18 UNICESUMAR Você sabe quantos folículos capilares existem no couro cabeludo? Apesar de ter uma variação entre as pessoas, de acordo com Halal (2016), existem cerca de 100 mil folículos capilares no couro cabeludo e, em condições normais, podem cair, aproximadamente, 100 fios de cabelos por dia. A unidade folicular é caracterizada por um feixe de folículos pilosos, em uma área de forma hexa- gonal, envolvido por fibras de colágeno, presente na derme superior ou ao nível da entrada do ducto da glândula sebácea dentro do folículo piloso. Cada unidade folicular contém vários pelos do tipo terminal e poucos pelos do tipo vellus (PEREIRA et al., 2016). Tanto os pelos quanto os cabelos podem ser divididos em duas partes (Figura 5) (FRANGIE et al., 2016; RIVITTI, 2018): Epiderme Derme Hipoderme Haste do cabelo/ Eixo do cabelo Raiz do cabelo Músculo eretor do pelo Glândula sudorípara Matiz Folículo piloso/Folículo capilar Papila capilar Nervo Veia Artéria Tecido adiposo Glândula sebácea • Raiz (parte interna): é a parte intradérmica e por onde emerge o eixo do pelo ou do cabelo. Sendo constituída principalmen- te pelo folículo piloso, pelo bulbo capilar, pela papila dérmica; pelo músculo eretor do pelo e pelas glân- dulas sebáceas. • Haste ou eixo do cabelo (parte externa): é a par- te visível do fio, a que se projeta para o exterior da epiderme, é nesta região onde podem ser alteradas a cor e a forma do cabelo. É produzida pela matriz e é constituída pela medula, pelo córtex e pela cutícula. Figura 5 - Estrutura do cabelo/pelo O folículo piloso é uma depressão em forma de túbulo, na pele ou no couro cabeludo, que contém a raiz do cabelo, são distribuídos por todo o corpo, exceto nas palmas das mãos e nas plantas dos pés (FRANGIE et al., 2016). Toda a descrição morfológica do folículo piloso é baseada no pelo terminal em sua fase anágena (período de crescimento dos fios), o qual apresenta toda sua estrutura básica (PEREIRA et al., 2016). Ele tem, anatomicamente, dois segmentos: o superior ou permanente e o inferior ou transitório. 19 UNIDADE 1 Na região superior do folículo piloso, a glândula sebácea se anexa a ele, estende-se desde a inserção do músculo eretor de pelo (ou músculo piloeretor), na bainha radicular externa, até a superfície da pele (PEREIRA et al., 2016; RIVITTI, 2018). Na região inferior, encontra-se anexo o músculo eretor de pelo cuja contração puxa o pelo para uma posição mais vertical, tornando-o eriçado; compreende a região entre a inserção do músculo eretor do pelo até a base do bulbo (PEREIRA et al., 2016; RIVITTI, 2018). Em algumas regiões corpóreas, está anexado o ducto excretor de uma glândula apócrina, que desemboca no folículo acima da glândula sebácea (RIVITTI, 2018). O folículo piloso (Figura 6) compreende as seguintes estruturas: no segmento superior, encontra o infundíbulo, situado entre o óstio folicular, que é à saída do infundíbulo na superfície da pele, e ponto de inserção da glândula sebácea; o istmo, compreende a região da inserção do músculo eretor de pelo até a desembocadura da glândula sebácea dentro do folículo; o acrotríquio é a porção intraepidérmica do folículo; e o segmento inferior, situado abaixo do músculo eretor do pelo (PEREIRA et al., 2016; RIVITTI, 2018). Ep id er m e D er m e Haste do cabelo/ Eixo do cabelo Te ci do a di po so (H ip od er m e) Glândula sebácea Superfície da pele Nervo Músculo eretor do pelo Glândula sudorípara Folículo piloso/ Folículo capilar Bulbo do folículo piloso Papila dérmica Veia Artéria Medula Cabelo Córtex Cutícula Bulbo do folículo piloso Matriz (zona de crescimento) Papila capilar Suprimento sanguine Bainha radicular dérmica Melanócito Estrato basal Membranabasal A queratina é o principal material estrutural que compõe os cabelos, unhas e pele. External epithelial root sheath: Internal epithelial root sheath: Figura 6 - Estrutura anatômica do pelo/cabelo O músculo eretor do pelo é um pequeno músculo liso, que está representado nas Figuras 5 e 6, que se estende da bainha radicular externa até a derme papilar. Ao se contrair, ele deixa o pelo perpendicular em relação à pele, caracterizando o arrepio (PEREIRA et al., 2016; RIVITTI, 2018). Este músculo tem a finalidade de manter a temperatura corporal quando estamos em ambientes com baixas temperaturas e também está relacionado à função sensitiva (FRANGIE et al., 2016; PEREIRA et al., 2016; RIVITTI, 2018). 20 UNICESUMAR O bulbo piloso ou bulbo capilar (Figura 6) situa-se no segmento inferior do folículo, é a estru- tura mais espessa e em forma de bastonete. Nesta estrutura, contém a matriz do fio, onde os pelos e os cabelos crescem, também é o local em que se intro- duz a papila dérmica (Figura 6). Esta, por sua vez, é uma pequena elevação em forma de cone localizada na base do folículo piloso, que se molda ao bulbo piloso, é ricamente vascularizada e inervada, tendo como principal função fornecer nutrientes necessá- rios para o crescimento dos fios. Se você puxar o fio de cabelo desde a raiz conseguirá ver o bulbo piloso. E os melanócitos ativos encontram-se na matriz do fio (FRANGIE et al., 2016; RIVITTI, 2018). A parte externa do pelo ou do cabelo, a haste, é constituída pela medula, pelo córtex e pela cutícula (Figura 6). É a parte que vemos e que, frequentemen- te, a alteramos com cortes, cores e formas. É desta região do cabelo que a sua cliente reclamou e que, provavelmente, está prejudicada. A Medula é a parte mais interna do fio, mas nem sempre está presente no cabelo. Quando presente, ela é variável, possuindo diferenças morfológicas signi- ficativas, podendo ser classificada como grossa, fina, fragmentada ou ausente. Possui entre duas e cinco fileiras de células dispostas lado a lado cujas frequên- cia e dimensões podem variar, ainda, na cabeleira de um mesmo indivíduo (HALAL, 2016). Estudos recentes apontam que ela atua nas propriedades me- cânicas e da cor do cabelo (HALAL, 2016). Mas, de acordo com o autor, para a cosmetologia, a medula é um espaço vazio e não envolve os serviços de salão. O Córtex compõe, predominantemente, a massa capilar, cerca de 90% do peso total do cabelo, con- fere a ele resistência, flexibilidade, elasticidade e cor (HALAL, 2016; PEREIRA et al., 2016). É constituído de células queratinizadas, de forma retangular, que se conectam, hermeticamente. O córtex possui dois tipos de células denominadas paracórtex (rico em enxofre) e ortocórtex (pobre em enxofre). A cor natural do cabelo existe em função do pigmento que está presente nesta região (HALAL, 2016). Sendo assim, quando você altera, permanentemente, a cor ou a forma do seu cabelo, é nesta região que os produtos atuam. A estrutura proteica do córtex é responsável pelas propriedades físicas do cabelo (HALAL, 2016). As colorações permanentes agem, basicamente, da seguinte forma: ocorre o clareamento dos pigmentos naturais do cabelo e, ao mesmo tempo, deposita os pigmentos que deseja (HALAL, 2016). Você acha que as tintas temporárias também atuam no córtex? A resposta é não, este tipo de tinta atua em outra estru- tura do cabelo, na cutícula, que, na maioria das vezes, é transparente. A cutícula, por sua vez, é formada por células so- brepostas transparentes que revestem o córtex. Con- tém uma camada externa, a epicutícula a qual recobre as células cuticulares e duas camadas mais internas, a exocutícula, que se situa logo abaixo da epicutícula e é extremamente resistente, e a endocutícula, a qual não é queratinizada e é hidrofílica (HALAL, 2016). Em geral, a cutícula é rígida e queratinizada, tem a função de proteger o córtex e a medula e também é responsável por proporcionar brilho, maciez e toque sedoso do ca- belo saudável (FRANGIE et al., 2016; HALAL, 2016). A aparência externa saudável é regular, de textura lisa e coesa. A sua deterioração pode ser causada por ação mecânica, associada à ação de produtos cosméticos e do intemperismo (HALAL, 2016). Se a cutícula é uma barreira impenetrável a qual protege o córtex, inclusive da ação de produtos químicos, como são possíveis os procedimentos de coloração e alisamentos ou per- manentes? Para que isto ocorra, é necessário um pH alto associado ao calor, com isto, a cutícula dilata-se, abrindo os poros cuticulares, e os produtos conseguem penetrar e chegar ao córtex (HALAL, 2016). Nos cabelos saudáveis, as três camadas (medu- la, córtex e cutícula) “se apresentam completamen- te seladas devido suas proteínas, onde há ceramida e gordura que são produzidas naturalmente pelos fios, compondo assim o cimento intercelular, quando ocorre a deficiência de algum desses componentes, as escamas começam a se abrir deixando o fio frágil” (AUDI, 2017, p. 6). 21 UNIDADE 1 Você percebeu que estas informações podem ajudá-lo(a) a explicar o Estudo de Caso? Aqui, você começa a entender as características de um cabelo saudável, em que os produtos atuam nas possíveis causas dos problemas capilares. Você já refletiu sobre por que os cabelos possuem formas diferentes uns dos outros (lisos, ondulados, enrolados, encaracolados, crespos)? As diferenças nos formatos de cabelos estão relacionadas à origem genética do indivíduo. E isto pode ser caracterizado pelos três grandes grupos raciais, que consideram a formação primária dos continentes em blocos, provavelmente, na época cenozóica, durante o período quaternário (HALAL, 2016). As três grandes classes raciais são a mongolóide, a caucasóide e a negróide, suas principais características estão representadas na Figura 7 (BRAGA, 2014; HALAL, 2016). Mongolóide • Inclui os descendentes de esquimós, dos povos do Extremo Oriente e dos índios americanos; • Cabelos lisos, denominado lisótrico, grossos e resistentes; • Possui onze camadas cuticulares; • São cabelos difíceis de colorir e de fazer permanente; • Quando cortados curtos, �carão perpendiculares ao couro cabeludo. Caucasóide • Inclui os descendentes de europeus; • Cabelos ondulados, denominado cinótrico, e resistentes; • Possui de oito a dez camadas cuticulares; • Respondem positivamente aos tratamentos desde os mais simples aos mais complexos, ou seja, são os mais fáceis de trabalhar. Negróide • Inclui os descendentes de africanos e miscigenados; • Cabelos encrespados, denominado ulótrico, �nos e frágeis, tendem a serem mais ressecados, necessitando de cuidados especiais; • Possui seis camadas cuticulares; • São os cabelos mais frágeis para alisar e descolorir; • Seus �lamentos de micro�brilas, na formação do seu córtex, possuem poucas ligações dissulfetos, acarretando pouca resistência; • Possui algumas variações: cacheados, encaracolados e frisados. Figura 7 - Características gerais sobre os cabelos dos três grandes grupos raciais Fonte: a autora. 22 UNICESUMAR Lembrando que esta classificação é baseada na formação primária dos continentes, em blocos, que se- parou a raça humana da época. Atualmente, temos uma alta miscigenação, podendo encontrar pessoas descendentes de japoneses com característica caucasóide ou negróide, entre outras variações. Sua cliente tem características de cabelo caucasóide, sendo assim, possui as características citadas anteriormente. Como vimos, o folículo pi- loso possui pelos, camadas proteicas e anexos, tais como as glândulas exócrinas (su- doríparas e sebáceas). Todo o folículo piloso é acompanha- do por uma glândula sebácea (BRAGA, 2014). Então, que tal conhecer a relação das glândulas exócrinas (su- dorípara e sebácea) com o pelo e o couro cabeludo? Iniciaremos pela glândula sebácea (Figura 8). Lembre-se: os pelos e os cabelos são órgãos anexos da pele, possuem estruturas filiformes e queratinizadas que se desenvolvema partir dos folículos pilosos. Existem dois tipos de pelos: o vellus (ou lanugo) e o pelo terminal. Eles crescem, descontinuamente, intercalando fases de repouso com fase de crescimento e podem ser divididos, anatomicamente, em: • Raiz (parte interna): constituída pelo folículo piloso; bulbo capilar; papila dérmica; mús- culo eretor do pelo e glândulas sebáceas. • Haste ou eixo do cabelo (parte externa): constituída pela medula, córtex e cutícula. Os fios possuem um ciclo biológico, constituído por três fases (anágena, catágena e telógena) e em, determinado momento, fatores intrínsecos (como hereditariedade) e extrínsecos, que determinam o seu envelhecimento. Glândula sebácea Folículo piloso e glândula sebácea Célula basal Sebo Sebócitos Figura 8 - Glândula sebácea As glândulas sebáceas situam-se na derme e seus ductos desembocam na porção terminal dos folículos pilosos, são glândulas exócrinas e holócrinas (Figura 8). Isto quer dizer que suas células que sintetizam a secreção morrem e fazem parte do produto por elas sintetizado, que, posteriormente, é expelido, secreção. Neste caso, sua secreção é conhecida como sebo ou óleo, a qual fornece a oleosidade natural do cabelo. Seu tamanho é, inversamente, proporcional ao tamanho do pelo e está distribuído pelo corpo todo, exceto na palma das mãos, na planta dos pés e no lábio inferior da boca (BRAGA, 2014). 23 UNIDADE 1 O sebo é controlado por hormônios, principalmente a testosterona, equilíbrio emocional, clima e alimentação gordurosa (BRAGA, 2014; OLIVEIRA et al., 2008). Ele lubrifica a pele, participa da elaboração do filme hidrolipídico de superfície e mantém a flexibilidade do estrato córneo. Além dis- so, o sebo possui propriedades antibacterianas, antifúngicas e veicula os feromônios, que dão a cada indivíduo um odor característico (BRAGA, 2014). Já as glândulas sudoríparas podem ser classificadas em écrinas e apócrinas e estão localizadas em quase toda a extensão da pele, sendo mais concentradas nas axilas, no conduto auditivo, nas pálpe- bras, nas aréolas dos seios, na região perianal, no púbis, nos pequenos lábios e no prepúcio. Elas nem sempre estão anexadas a um pelo, sua secreção ajuda a equilibrar o pH do couro cabeludo e do cabelo e é despejada no funil folicular, localizado acima do canal excretor da glândula sebácea, possui canal excretor curto e retilíneo e se situa, mais profundamente, na derme (BRAGA, 2014). Estas glândulas estão representadas nas Figuras 4, 5 e 6. O problema de cabelo sem brilho, como relatado no estudo de caso, pode estar relacionado com alguma disfunção destas glândulas, em especial, da glândula sebácea, que proporciona a oleosidade e o brilho natural dos fios. Você já parou para pensar como ocorre o mecanismo de reposição capilar? Este mecanismo foi descrito pela primeira vez, em 1891, pelo Adeodato Garcia e ficou conhecido como ciclo biológico do pelo (anágena, catágena e telógena), que está representado na Figura 9 e é composto por três fases, as quais são (HALAL, 2016; PEREIRA et al., 2016): • Fase anágena: consiste no período de crescimento do fio, ou seja, o cabelo encontra-se em uma ativa produção de novas células no folículo piloso. É o período em que a matriz se mantém em atividade mitótica, produzindo o cabelo e a bainha radicular interna. A duração desta fase varia de três a cinco anos. Após o tempo máximo de crescimento do cabelo, a matriz para de se proliferar, indicando o término desta fase e iniciando a fase catágena. • Fase catágena: esta fase consiste no período de transição, sinalizando o final da fase anágena. Nela, percebemos o encolhimento do fio de cabelo em cerca de um terço de seu comprimento, colocando a papila dérmica bem abaixo e sua parte inferior, abaixo da glândula sebácea. Tam- bém ocorre o desaparecimento do bulbo capilar e a terminação da raiz fica com aparência de um bastão arredondado. As células param de produzir melanina, e a raiz fica com a aparência esbranquiçada. Nesta fase, também ocorre a preparação para um novo ciclo biológico do pelo, sendo produzidas as células germinativas. Esta fase dura de duas a três semanas, até que a região proximal da haste fique totalmente ceratinizada, assumindo a forma ovalada, denominada de clava, tendo em seu interior grânulos de melanina, entrando na fase telógena. • Fase telógena: também conhecida como fase de repouso, pois o folículo permanecerá em repou- so por um período de três a quatro meses. Esta fase consiste no período de queda do fio. Aqui, a bainha radicular interna desapareceu totalmente, e na externa resta apenas um saco epitelial que envolve a clava, o cabelo é eliminado após dois a quatro meses. O fio pode se ancorar nas paredes foliculares e, desta forma, se mantém na região até que um novo fio o empurre ou por meio de ação mecânica direta, como de pentear os cabelos. A desmogleína 3 pode estar envolvida na fixação do pelo telógeno ao segmento superior do folículo piloso. O pelo é eliminado com a clava limpa, ou seja, sem o saco epitelial. Esta fase não é inativa e apresenta uma atividade me- tabólica intensa, controlando a fase de expulsão do fio telógeno, que é a teloptose ou exógeno. 24 UNICESUMAR REALIDADE AUMENTADA Ciclo Biológico do Pelo/Cabelo Figura 9 - Ciclo biológico do pelo/cabelo Anágena Catágena Telógena Anágena precoce Haste do cabelo/ Eixo do cabelo Papila dérmica Matriz do cabelo Coluna epitelial Glândula sebácea Músculo eretor do pelo Em um primeiro momento, na clava do pelo telógeno são produzidas substâncias que inibem a formação de um novo anágeno, e, quando a clava é eliminada, essas substâncias de- saparecem e um novo pelo anágeno começa a ser formado (PEREIRA et al., 2016). Somente no final da fase telógena as células-tronco começam a se proliferar, e o novo pelo telógeno é projetado (PEREIRA et al., 2016). O ciclo se repete a cada quatro ou cinco anos de forma ininterrupta, sendo que o tempo de vida médio de um fio de cabelo é de quatro anos. Nos seres humanos, cada pelo está em uma fase independente dos demais, isto é conhecido como “crescimento em mosaico”, desta forma nosso couro cabeludo e nossa pele não fica desnuda, exceto quando ocor- rem as alopecias (PEREIRA et al., 2016). Se o ciclo de vida de todos os fios fosse ao mesmo tempo, teríamos épocas em que ficaríamos sem cabelos ou pelos. Imagine como seria se não tivéssemos pelos ou cabelos algum no corpo. Para mim seria muito estranho. 25 UNIDADE 1 Quando se analisa o couro cabeludo, verifica-se que 85% dos fios se encontram na fase anágena, 1% na fase catágena e 14% na fase telógena. Admitindo-se uma média de 100 mil fios de cabelos no couro cabe- ludo, uma queda de até 100 fios diários é considerada normal. O crescimento dos pelos ocorrem sob influência de vários fatores, tais como (OLIVEIRA et al., 2008): • Genético: confere a distribuição, a quantidade, a cor, a espessura dos pelos, o aumento e a queda capilar. • Hormonal: vários hormônios são envolvidos, entre eles há os tireoi- dianos que estimulam a atividade folicular e os hormônios sexuais que influenciam o crescimento dos pelos. • Ambiental: altas temperaturas es- timulam o crescimento dos fios; no verão, os cabelos tendem a cres- cer mais rápido do que nos demais períodos do ano (locais onde pos- sui as estações do ano definidas). • Metabólicos: carência de alguns nutrientes, como ferro, vitaminas, proteínas e minerais, e uma dieta hipercalórica podem promover aumento na queda dos cabelos. • Emocionais: alterações emocio- nais (ansiedade, depressão, estres- se) podem levar à queda de cabelos e, até mesmo, à alopecia areata. 26 UNICESUMAR O pH do cabelo é uma característica importante dos cabelos, principalmente para você, futuro pro- fissional de estética capilar. Para compreender esta característica, antes recordaremos a escala do pH (Figura 10) à qual se refere o potencial hidrogeniônico de um meio, ou seja, ela indica as concentrações de íons de hidrogênio(prótons, H+) e de íons hidróxido (OH-). Ela é logarítmica e representa a con- centração de H+, indica a acidez ou a alcalinidade em uma solução aquosa. Esta escala mede a acidez (H+), mas não a alcalinidade (OH-); no entanto subentende que a alcalinidade aumenta, enquanto a acidez diminui, ela varia de 0 (1 × 10-0) à 14 (1 × 10-14), sendo que pH menor que 7 são considerados ácidos, acima de 7 alcalinos e 7 neutros (HALAL, 2016; NELSON; COX, 2014). O pH da pele é 5,4 a 5,8, e o pH do cabelo é 4,5 a 5,5, considerado levemente ácido, como pode ser observado na Figura 10 (BRAGA, 2014; HALAL, 2016). ÁCIDO NEUTRO ALCALINO Figura 10 - Escala do pH Qual a importância do pH na estética capilar? Ter o conhecimento sobre o pH do cabelo e da pele é importante para utilização de soluções e tratamentos. Por exemplo: o que é um xampu neutro? Se perguntar a qualquer químico, ele responderá que são xampus com pH igual a 7, este se refere ao pH químico, mas, ao considerarmos o pH fisiológico, haverá uma variação, sendo considerado aqueles com pH semelhante ao do cabelo (BRAGA, 2014). Ao utilizar produtos capilares com o mesmo pH do cabelo, a estrutura capilar não é alterada, e tanto a textura quanto o brilho serão normalizados (BRAGA, 2104; HALAL, 2016). As soluções ácidas (pH 1,0 – 4,5) contraem e endurecem o cabelo, as cutículas fecham, e a porosi- dade é reduzida, consequentemente, seu brilho aumenta. Agora, se você quer volume no cabelo, pode usar produtos com pH 5,5 a 10,0, eles aumentam a porosidade à medida que as cutículas dilatam-se, porém os cabelos podem ficar com aparência ressecada e opaca. Substâncias muito ácidas ou muito alcalinas podem dissolver os cabelos (HALAL, 2016). Você notou que o brilho e a maciez do cabelo podem estar relacionados com o pH? Portanto, uma possível explicação para o Estudo de Caso pode ser relacionada com este parâmetro. Provavelmente, o pH capilar da cliente está acima de 5,5 (fisiologicamente, alcalino) e, consequentemente, as cutículas estão dilatadas, resultando em um cabelo ressecado e opaco. Qual seria o tratamento ideal neste caso? Qual tipo de produto poderia ser usado para recuperar o pH capilar? Você percebeu que nosso cabelo gosta de acidez, portanto, produtos ácidos proporcionarão aos cabelos equilíbrio químico e fisiológico, ou seja, recupera o pH fisiológico dos cabelos. Porém, em al- guns casos, é necessário o uso de produtos alcalinos para alcançar o efeito estético desejado (BRAGA, 2014), isto será trabalhado um pouco mais nos próximos ciclos. 27 UNIDADE 1 Você que deseja se aprofundar um pouco mais no universo da Trico- logia, indico a leitura do livro: Milady® Tricologia e a química cosmética capilar /John Halal (2016). Este livro explica, de forma minuciosa e com uma linguagem clara, os principais conceitos sobre os cabelos, os produtos e as técnicas utilizadas na estética capilar. Também pode ajudar você a resolver o estudo de caso. Bom estudo! Agora, convido você a dar um zoom nos fios, mergulhando nas principais características histológi- cas, químicas e físicas do cabelo, ou seja, nas principais células que os constituem (características histológicas), nas moléculas químicas do cabelo (como a queratina) e, por fim, nas características físicas (forma, cor, elasticidade etc.). Começaremos pela raiz do cabelo. Ela é formada na papila dérmica através das células que a recobre e de onde emerge o eixo do cabelo (JUNQUEIRA, 2017). Na fase de crescimento, as células da raiz multiplicam-se e se diferenciam em vários tipos celulares, da seguinte forma: nos pelos grossos e nos cabelos, as células centrais da raiz produzem células grandes, vacuolizadas e fracamente queratiniza- das, formando a medula; ao redor da medula, diferenciam-se células mais queratinizadas e dispostas, compactamente, originando o córtex; as células mais periféricas formam a cutícula, constituída por células fortemente queratinizadas que envolvem o córtex como escamas; e, por fim, as células epiteliais mais periféricas, originam-se duas bainhas epiteliais, que envolvem o eixo do cabelo na sua porção inicial, as quais são (1) a bainha externa contínua com o epitélio da epiderme e (2) a interna que desaparece na altura da região onde desembocam as glândulas sebáceas no folículo (JUNQUEIRA, 2017). Separando o folículo capilar do tecido conjuntivo que o envolve, encontra-se a membrana vítrea, que é uma membrana basal muito desenvolvida. O tecido conjuntivo que envolve o folículo forma a bainha conjuntiva do folículo capilar (JUNQUEIRA, 2017). Figura 11 - Filamento intermediário da queratina 28 UNICESUMAR Você sabia que o cabelo tem uma força extraordinária? Estima-se que o cabelo saudável, com cerca de cem mil fios, pode levantar mais de 12 mil toneladas, devido à sua estrutura de subfibras e ligações de dissulfeto. A proteína que constitui o cabelo é a α-queratina (Figura 11), co- mumente conhecida como que- ratina. É uma proteína fibrosa, adaptada à função estrutural e é encontrada apenas em mamí- feros (NELSON; COX, 2014). Nos seres humanos, constitui, praticamente, todo peso seco dos cabelos, pelos, unhas e epi- derme (NELSON; COX, 2014). Elas foram desenvolvidas para força, isto foi possível, devido a seu arranjo molecular, tendo sua conformação primária do tipo hélice α voltada para a direita. Cutícula sobreposta Células com 18-MEA e outros lipídios na superfície Seção transversal da cutícula Célula cortical Proteína da matriz Micro�brila Macro�brila Medula Córtex Cutícula Figura 12 - Estrutura do cabelo e seus filamentos Duas cadeias de α-queratina, orientadas em paralelo, enroladas uma sobre a outra, formando uma es- piral supertorcida, semelhante às fibras trançadas de uma corda, resultando em força (NELSON; COX, 2014). Estas se combinam em estruturas mais complexas, chamadas de protofibrilas, e cerca de quatro protofibrilas formam os filamentos intermediários, presentes no interior das células do cabelo (Figura 12) (NELSON; COX, 2014). As proteínas são formadas por aminoácidos, ligados entre si por uma ligação covalente, denomi- nada ligação peptídica, também conhecida como ligação terminal, e longas cadeias de aminoáci- dos formam os polipeptídeos, como a α-queratina (NELSON; COX, 2014). A α-queratina é rica nos aminoácidos hidrofóbicos alanina (Ala), valina (Val), leucina (Leu), isoleucina (Ile), metionina (Met) e fenilalanina (Phe), os quais conferem a sua característica hidrofóbica (NELSON; COX, 2014). 29 UNIDADE 1 As cadeias polipeptídicas são conectadas por li- gações peptídicas e ligações laterais. Unidas, elas formam as fibras e a estrutura capilar, e estas li- gações conferem ao cabelo em sua conformação natural, força e elasticidade. As ligações peptídi- cas são as ligações mais fortes do cabelo e, dificil- mente, ocorre o seu rompimento, porém, quando isso ocorre, os fios podem se quebrar (HALAL, 2016). As ligações laterais unem as cadeias po- lipeptídicas, aumentando, assim, sua resistência. Na α-queratina, são três: as ligações dissulfeto, as ligações salinas (ligações iônicas) e as ligações de hidrogênio (HALAL, 2016; NELSON; COX, 2014). Os procedimentos de mudança temporá- ria e permanente do fio (escovas, relaxamentos e alisamentos) são possíveis por meio de alte- rações destas ligações, então, entendê-las faz-se necessário para o domínio das técnicas capilares (HALAL, 2016). As ligações dissulfeto são ligações covalentes, que estabilizam a estrutura quaternária da α-que- ratina. Elas ocorrem entre pares dos resíduos de Cys (cisteínas), pela união dos átomos de enxofre (S), formando a cistina (HALAL, 2016; NELSON; COX, 2014). Os produtos químicos de ondula- ção permanente, relaxamento e alisamento atuam modificando estas ligações. As ligações salinas ou iônicas são ligações Vamos lembrar um pouco da Química básica: • Ligações covalentes: interação en- tre átomos não metálicos, por meio de compartilhamento de elétrons. Elas são consideradas fortes umavez que, para romper esta intera- ção, é necessária uma alta energia de dissociação de ligação. • Ligações salinas ou iônicas: é a interação de íons com cargas elé- tricas opostas. • Ligações de hidrogênio: ocorre por meio de uma atração eletrostática entre o hidrogênio (polo positivo) de uma molécula com oxigênio, ou nitrogênio, ou flúor (polo negativo) de outra molécula. Esta interação é comumente observada na molécu- la de água. fracas, que podem ser alteradas pela ação de soluções alcalinas (pH 8 – 14), isto resulta na abertura da cutícula (HALAL, 2016). As ligações de hidrogênio são ligações mais fracas, comparadas com as anteriores, podendo ser rompidas apenas com adição de água e retornar à sua conformação natural quando seco naturalmente. O cabelo, ao absorver água, as ligações de hidrogênio se rompem e, com isto, as cadeias polipeptídicas se afastam, fazendo que o fio se dilate (HALAL, 2016). As mudanças temporárias na forma do cabelo, muito utilizadas em penteados e escovas, são rea- lizadas por causa do rompimento das ligações de hidrogênio, que permite mais flexibilidade ao fio, o suficiente para ser alinhado com o auxílio de ferramentas (escova ou prancha). Quando a água é removida (ao secar), as ligações de hidrogênio são novamente formadas. Lembrando que quando o cabelo é molhado novamente, a forma natural retorna (HALAL, 2016). É muito comum vermos as mulheres correrem da chuva para não estragar a “chapinha”, aqui está a explicação. 30 UNICESUMAR Você já percebeu que, em dias muito úmidos, as escovas ou os alisamentos temporários não têm um bom resultado? Isso acontece uma vez que o cabelo absorve a água presente na atmosfera, as ligações de hidrogênio são rompidas, e o cabelo retorna sua conformação natural, não permanecendo na forma desejada. O Quadro 1 mostra as ligações do cabelo e suas características de forma resumida: Quadro 1- Cabelo e suas características LIGAÇÃO FORÇA ROMPIDA POR RECUPERADA POR Hidrogênio Média Água Secagem Salina Fraca Alterações no pH Normalizando o pH Dissulfeto Forte Permanentes e relaxantes de tióis; relaxantes hidróxidos; calor extremo Oxidação com neutralizador; con- vertido em ligações de lantionina (é um aminoácido) Peptídica Forte Depiladores químicos Não recupera, o cabelo se dissolve Fonte: adaptado de Frangie et al. (2016). O cabelo é composto, aproxi- madamente, de 90% de proteína (α-queratina) e o restante por água e lipídios. Como sabemos, todos constituintes do cabelo são formados por elementos químicos que são o carbono (C), oxigênio (O), hidrogênio (H), nitrogênio (N) e enxofre (S), comumente conhecidos como elementos COHNS. O Quadro 2 demonstra o percen- tual médio de cada elemento presente nos cabelos. Quadro 2 - Percentual médio de cada elemento presente nos cabelos Elemento químico Percentual Carbono (C) 51% Oxigênio (O) 21% Hidrogênio (H) 6% Nitrogênio(N) 17% Enxofre(S) 5% Fonte: Halal (2016, p. 96). As propriedades físicas do ca- belo são: espessura, elasticidade, permeabilidade, densidade, cor e forma ou padrão de onda, ca- racterísticas que você consegue perceber facilmente. A espessu- ra refere-se ao diâmetro do ca- belo, podendo ser classificado como fino, médio ou grosso. Como é uma propriedade im- portante, será abordada em tó- pico específico ainda neste ciclo (FRANGIE et al., 2016). 31 UNIDADE 1 A elasticidade diz o quanto o cabelo pode ser estirado e con- traído, naturalmente, sem se quebrar, como um elástico. Esta propriedade do cabelo é uma indicação de força das ligações laterais que prendem as fibras individuais do cabelo no lugar (FRANGIE et al., 2016). Um cabelo normal, quando molhado, se esticará até 50% do seu comprimento original, retornando a este comprimento sem se quebrar e, quando seco, pode se estender cerca de 20% de seu comprimento. O cabelo com pouca elastici- dade é frágil e quebra facilmente. Quando o cabelo está assim, os serviços químicos requerem soluções mais suaves, com pH mais baixo para minimizar os danos e evitar novos traumas (FRAN- GIE et al., 2016). Outra possível explicação para a fragilidade do cabelo da cliente do estudo do caso é a pouca elasticidade capilar. Você consegue verificar a elasticidade dos cabelos fazendo o seguinte procedimento: deve pegar quatro mechas pequenas de cabelos molhados de áreas diferentes da cabeça (linha frontal, têmporas, coroa e nuca), após, segure, firmemente, uma única me- cha e tente quebrá-la. Se o cabelo quebrar facilmente, ou demorar em retornar ao seu comprimento original, este tem elasticidade baixa, já se ele retornar ao seu comprimento sem se quebrar, tem elasticidade normal (FRANGIE et al., 2016). A permeabilidade (ou porosidade) refere-se à capacidade de o cabelo absorver umidade (Figura 13). O grau da porosidade está relacionado à condição da cutícula. Um cabelo saudável é, naturalmente, resistente à umidade (baixa permeabilidade), denominado hidrofóbico. Já cabelos porosos têm uma cutícula levantada que absor- ve facilmente a umidade (alta permeabilidade), denomina- dos hidrofílicos (FRANGIE et al., 2016). Para realização de procedimentos em cabelos com baixa permeabilidade, é necessário usar soluções al- calinas que ajudam a levan- tar a cutícula e aumentar a porosidade capilar, já os ca- belos com permeabilidade média são considerados nor- mais, e os serviços químicos ocorrem como o esperado de acordo com a espessura, já os cabelos com alta permeabili- dade são frágeis, danificados e quebradiços, necessitam de produtos com pH mais baixo, que ajudam a prevenir o super processamento e novos danos (FRANGIE et al., 2016). Figura 13 - Porosidade ou permeabilidade do cabelo A explicação do Estudo de Caso relacionado com o pH pode ser complementada com as informações obtidas aqui uma vez que cabelos com pH alto as cutículas se abrem e, consequentemente, aumenta a permeabilidade ou a porosidade, o que leva ao rompimento das ligações laterais da queratina, resul- tando nos cabelos frágeis e quebradiços. 32 UNICESUMAR A densidade refere-se à quantidade de fios existentes por cm2, ou seja, diz a quantidade de fios existentes na cabeça. Ela pode ser classificada como baixa, média ou alta (ou fina, média ou grossa/ densa). Geralmente, a densidade do cabelo é de 2.200 fios de cabelo por 2,5 cm2 (FRANGIE et al., 2016). Existe uma relação interessante entre a densidade e a cor do cabelo, em geral, os ruivos (~140.000 fios de cabelo na cabeça) e os loiros (~110.000 fios de cabelo na cabeça) possuem uma densidade maior que as pessoas com cabelos castanhos (~108.000 fios de cabelo na cabeça) e pretos (~80.000 fios de cabelo na cabeça) (FRANGIE et al., 2016). O pigmento responsável pela cor natural dos cabelos e dos pelos é a melanina. Mas, se apenas a me- lanina dá a cor, por que existem cabelos de cores diferentes, como castanhos, pretos, loiros, vermelhos? Porque a variedade de cor natural é possível, por meio da combinação entre dois tipos de melanina: a eumelanina e a feomelanina. Também tem a tricosiderina, derivada da feomelanina, sua diferença é a presença do elemento ferro (Fe) em sua molécula, conferindo a cor vermelha (HALAL, 2016). A coloração dos cabelos é uma característica genética e resultante da combinação dos pigmentos de melanina no córtex capilar. A eumelanina é o tipo mais comum de melanina, e a coloração resultante vai do marrom ao preto; a feomelanina, do loiro ao vermelho; e o branco é a cor real da queratina sem os pigmentos, ou seja, a única diferença dos cabelos brancos é que eles não têm melanina (HALAL, 2016). A quantidade de grânulos de melanina é importante para a definição da cor do cabelo, que pode alterar, significativamente, entre os 13 e 20 anos de idade, escurecendo. A quantidade de melanina também pode facilitar ou dificultar a mudança de cor dos fios. Em geral, quanto maior a densidade da melanina maior o escurecimento é mais difícil à alteração de cor (HALAL, 2016). A formado cabelo ou o padrão de onda é classificado, basicamente, em liso, ondulado, enrolado ou crespo (Figura 14). Esta é uma característica herdada, geneticamente. Como vimos anteriormente, existem três grandes raças (mongoloides, caucasianos e negroides), porém há uma variação entre elas, devido, principalmente à miscigenação. Mas, vias de regra, os mongoloides tendem a ter cabelos extremamente lisos, os caucasianos tendem a ter cabelos ondulados e os negroides tendem a ter os cabelos encaracolados ou crespos (FRANGIE et al., 2016). Figura 14 - Tipos de cabelo 33 UNIDADE 1 A ondulação pode ter padrão variado de ponta a ponta do fio de cabelo de uma mesma pessoa, ou ter quantidade de ondas diferentes em diferentes áreas da cabeça (FRANGIE et al., 2016). O forma- to da secção transversal do fio determina o grau da ondulação (Figura 15): fio com secção trans- versal redonda é liso; fio com secção transversal ovalada ou achatada é ondulado ou enrolado; e um fio com secção transversal achatada ou elíp- tica é crespo (FRANGIE et al., 2016). Estrutura e disposição do folículo piloso Seção transversal do cabelo Cabelo liso Cabelo ondulado Cabelo encaracolado Figura 15 - Estrutura e arranjo do folículo capilar e corte da seção transversal do cabelo Nos humanos, existem dois tipos de pelo: o vellus/lanugo, que é uma pilosidade fina e clara (pouco desenvolvida) e o pelo terminal, que cor- responde ao pelo espesso e pigmentado (cabelos, barba, pilosidade pubiana e axilar) (HALAL, 2016; JUNQUEIRA, 2017; PEREIRA et al., 2016; RI- VITTI, 2018). Um mesmo folículo piloso é capaz de produzir os dois tipos de pelos. Estes dois tipos de pelos são muito semelhantes, sendo a diferença básica o tamanho (PEREIRA et al., 2016). Os pelos de tipo vellus são curtos, geralmente, tem dois cm de comprimento, finos e sedosos, não possuem medula, melanina e músculo eretor de pelo. São encontrados nas pálpebras, testa, es- calpo calvo, corpo das crianças e dos bebês. Nos bebês recém-nascidos, este pelo recebe o nome de lanugo, sendo classificado por alguns autores como um terceiro tipo de pelo. Após a puberdade, os pelos vellus de algumas regiões do corpo são substituídos por pelos terminais (HALAL, 2016; PEREIRA et al., 2016). O pelo terminal é grosso e pigmentado (ex- ceto os grisalhos), normalmente, possui medula e músculo eretor de pelo. Os pelos curtos, como os encontrados nas sobrancelhas e cílios, são os pelos terminais primários, que, após a puberda- de, em algumas regiões do corpo, são substituídos por pelos terminais secundários. Estes são en- contrados no couro cabeludo, barba, peito, costas, pernas e região pubiana (HALAL, 2016). Na calví- cie masculina, os folículos param de produzir os pelos terminais secundários e passam a produzir o tipo vellus novamente (HALAL, 2016). Alguns pelos terminais possuem denomina- ções especiais, mencionados no início deste ciclo, mas os retomarei, pois você poderá se deparar com essas denominações durante o exercício da sua profissão, as quais são: • Cabelos: pelos da cabeça. • Hircos: pelos das axilas. • Vibrissas: pelos das narinas. • Púbios: pelos da região pubiana. • Trágios: pelos da orelha (meato acústico externo). • Barba: pelos da face. • Bigode: pelos do lábio superior. • Cílios: pelos das bordas livres das pálpe- bras. • Sobrancelhas: pelos dos supercílios. Os pelos podem ser classificados de acordo com seu diâmetro, os do tipo vellus são os fios com diâmetro menor ou igual a 0,03 mm, os interme- diários são pelos com diâmetros que variam de 34 UNICESUMAR 0,03 a 0,06 mm, e os terminais são pelos com diâmetro igual ou maior a 0,06 mm (PEREIRA et al., 2016), porém esta classificação não é amplamente aceita e pode ser arbitrária. A espessura do cabelo é o diâmetro do cabelo individual, podendo ser classificada em fina, média ou grossa e pode variar de fio para fio na cabeça do mesmo indivíduo (FRANGIE et al., 2016; HALAL, 2016). A espessura do cabelo é uma das propriedades controlada, geneticamente, assim, varia de acordo com a origem racial do indivíduo. Em geral, o cabelo fino é frágil e mais suscetível aos danos causados no salão, por este motivo, processa os efeitos dos produtos químicos, rapidamente. Já os cabelos gros- sos são mais fortes e resistentes aos procedimentos em geral (HALAL, 2016). Os cabelos médios são a espessura mais comum e é o padrão de comparação para os demais cabelos, estes não apresentam problemas ou precauções especiais (FRANGIE et al., 2016). Como todas as células vivas, os pelos também envelhecem, e este envelhecimento é gradual e po- tencializado por fatores extrínsecos, tais como exposição excessiva ao sol, alimentação inadequada, uso de álcool, tabaco e poluição do ar (Figura 16), e também fatores intrínsecos ou hereditários, como o envelhecimento cronológico (AUDI et al., 2017). Então, que tal conversarmos um sobre as alterações fisiológicas do envelhecimento do pelo? Fatores ambientais Cabelos dani�cados Cabelos normais Figura 16 - Fatores ambientais causam danos aos cabelos Quando se inicia o envelhecimento dos fios, observa-se a perda da densidade capilar, da sua espessura e da sua cor natural, resultando nos “cabelos brancos” (Figura 17). Além disso, também há a diminuição e o encurtamento dos fios na cabeça, este ocorre na fase de crescimento dos fios, e, com o passar dos tempos, os folículos terminais secundários transformam-se e voltam a produzir os pelos do tipo vellus (AUDI et al., 2017; HALAL, 2016). Estudos demonstram que a rarefação (redução no crescimento capilar) ocorre, normalmente, em ambos os sexos, a partir dos 70 anos de idade. Podem ocorrer algumas tricoses (doenças capilares) que intensificam a queda capilar, tais como a alopecia androgenética; alopecia areata; eflúvio telógeno; líquen plano pila; alopecias cicatriciais, entre outros (AUDI et al., 2017; HALAL, 2016). https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3474 35 UNIDADE 1 Figura 17 - Envelhecimento dos cabelos e da pele Pelos motivos mencionados nesta unidade, comumente, as pessoas buscam ajuda de um especialista para saberem se a quantidade de queda dos cabelos está normal, se os cabelos estão realmente saudáveis ou, ainda, quais são os tratamentos recomendados para seu tipo de cabelo. Sendo assim, é importante você, como futuro profissional da área, conhecer e saber como são as características de um cabelo e couro cabeludo saudável e como tratá-los. A partir disso, você conseguirá avaliar e indicar o melhor tratamento ou cuidados diários a seus clientes. Bom, acredito que você tenha percebido o quanto é importan- te conhecer as características dos pelos e do cabelo, como eles se desenvolvem e quais possíveis alterações estruturais podem ser prejudiciais à saúde capilar. Também é possível resolver o estudo de caso do início, tendo a alteração no pH do cabelo da sua cliente como uma possível causa do seu problema capilar uma vez que o aumento do pH capilar leva à abertura da cutícula. Isso aumen- ta a permeabilidade/porosidade, que pode causar o rompimento das ligações laterais dos filamentos de queratina, resultando na fragilidade, na redução do brilho e maciez do cabelo. A alteração do pH pode ocorrer, devido ao excesso de tratamentos químicos. Para resolver o problema, inicialmente, deve-se recuperar o pH do cabelo, indicado por meio de tratamentos. Para ajudar você com a escolha dos produtos e dos tratamentos adequados, os próximos ciclos ajudarão. Além disso, a causas do problema do Estudo de Caso podem ser outras, as quais você terá a oportunidade de conhecer nos próximos ciclos. Jovem Velho Cabelo pigmentado Pele mais lisa Cabelo grisalho Rugas profundas 36 M A P A M EN TA L Olá, aluno(a)! Estamos chegando ao encerramento deste primeiro ciclo e convido você a fazer uma verificação crítica dos conhecimentos que você adquiriu, preen- chendo o Mapa de Empatia a seguir, ao responder às seguintes questões: O que PENSA E SENTE? O quevocê pensa sobre a importância dos pelos e cabelos para o homem? Como você se sente sobre os conhecimentos adquiridos neste ciclo? Quais são seus sonhos ao estudar a Estética capilar e Tricologia? E quais são suas preocupações? O que OUVE? Quais pessoas e ideais te influenciam na Estética Capilar e Trico- logia? O que você escuta sobre os pelos? O que ouve sobre as propriedades físicas do cabelo? Quais características do cabelo que você mais escuta as pessoas reclamarem? O que VÊ? Qual parte do cabelo você vê (haste ou raiz)? Qual(is) forma(s) de cabelo você vê com maior frequência (liso, ondulado, enrolado ou crespo)? O que FALA E FAZ? Que você faz para aprender mais sobre os cabelos? O que você fala sobre o ciclo do cabelo? O que você fala sobre os tipos de pelos? O que você faz com seus cabelos? Quais são as DORES? Qual dos conhecimentos, abordados neste ciclo, você teve maior dificuldade em compreender? Qual(is) dificuldade(s) precisa superar para conseguir o que deseja com o curso? Quais são as NECESSIDADES? O que você acha que precisa fazer para superar suas dificuldades? O que você deseja alcançar com este curso? 37 M A P A M EN TA L A G O R A É C O M V O C Ê 38 1. Os pelos e os cabelos são órgãos anexos da pele (ou cútis) e fazem parte do sistema tegumentar. Eles são estruturas filiformes e queratinizadas que se desenvolvem a partir de uma invaginação da epiderme, nos folículos pilosos e podem ser divididos, anatomicamente, em duas partes: haste e raiz (FRANGIE et al., 2016; JUNQUEIRA, 2017; RIVITTI, 2018). Com base nas informações apresentadas sobre os pelos e os cabelos, avalie as asserções a seguir: I) A raiz do cabelo é a parte intradérmica do fio e é constituída principalmente pelo folículo piloso; bulbo capilar; papila dérmica; músculo eretor do pelo e glândulas sebáceas. II) A haste do cabelo ou eixo do cabelo é a parte externa do fio, é produzida pela matriz e constituída pela medula, pelo córtex e pela cutícula. III) O folículo piloso é uma depressão em forma de túbulo na pele ou no couro cabeludo, que contém a raiz do cabelo, são distribuídos por todo o corpo, exceto nas palmas das mãos e plantas dos pés. IV) A unidade folicular é caracterizada por um feixe de folículos pilosos, e esta contém apenas um tipo de pelo. É correto o que se afirma em: a) II, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. 2. Uma mulher negra, de cabelos crespos, foi até uma clínica de estética capilar com o desejo de fazer modelagem e finalização dos fios (cachos permanentes). Sabemos que esses cabelos me- recem uma atenção especial, devido às características dos fios, sendo esses classificados como finos e frágeis (BRAGA, 2014; HALAL, 2016). Sendo assim, o esteticista capilar necessita conhecer as características biológicas do cabelo crespo e onde e como os produtos atuam, evitando, assim, danificar os cabelos de sua cliente. Levando em consideração as informações apresentadas, qual das afirmações a seguir melhor condiz com as características naturais do cabelo desta cliente: a) Os cabelos crespos são considerados frágeis para alisamentos, isto se deve por ter muitas ligações laterais em seus filamentos de microfibrilas. b) A medula é a camada mais interna dos fios e, nos cabelos crespos, esta estrutura confere resistência para descolori-lo uma vez que possui pigmentos de melanina. c) A cutícula é formada por células sobrepostas transparentes que revestem o córtex e, nos cabelos crespos, ela é considerada fina, contendo apenas seis camadas de células cuticulares. d) Os cabelos crespos são frágeis por não conterem a medula uma vez que esta é a estrutura que compõe, predominantemente, a massa capilar, confere ao cabelo resistência, flexibilidade, elasti- cidade e cor. e) A cutícula reveste o córtex e, nos cabelos crespos, ela é considerada grossa, contendo onze ca- madas de células cuticulares. A G O R A É C O M V O C Ê 39 3. A proteína que constitui o cabelo é a α-queratina, uma proteína fibrosa, adaptada à função es- trutural e é encontrada apenas em mamíferos. As proteínas são constituídas por aminoácidos ligados entre si por ligações peptídicas, formando as cadeias polipeptídicas, que são unidas por ligações laterais (NELSON; COX, 2014). Essas ligações conferem ao cabelo, em sua conformação natural, força e elasticidade (HALAL, 2016). Quais são as ligações laterais? Diferencie-as. 4. O Córtex compõe, predominantemente, a massa capilar, confere ao cabelo resistência, flexibili- dade, elasticidade e cor. A cor natural do cabelo existe em função do pigmento que está presente nesta região, a melanina (HALAL; 2016; PEREIRA et al., 2016). Sobre a coloração do cabelo, avalie as asserções a seguir: I) A variedade de cor natural é possível através da combinação entre dois tipos de melanina: a eumelanina e a feomelanina. II) Os cabelos ruivos são possíveis por causa de um pigmento denominado tricosiderina, este é derivado da feomelanina e contém o elemento ferro (Fe) em sua molécula, que confere a cor vermelha aos cabelos. III) A eumelanina é o tipo mais comum de melanina, e a coloração resultante vai do marrom ao pre- to; a feomelanina, do loiro ao vermelho; e o branco é a cor real da queratina sem os pigmentos. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e II. 5. O pH refere-se ao potencial hidrogeniônico de um meio, sendo que o pH da pele é 5,4 a 5,8, e do cabelo é 4,5 a 5,5. Ter o conhecimento sobre o pH do cabelo e da pele é importante para utilização de soluções e tratamentos. Sendo assim, diga, de forma sucinta, o que acontece com o cabelo quando se utiliza soluções com os seguintes pH: a) solução com pH 3 b) solução com pH 8 c) solução com pH 5 A G O R A É C O M V O C Ê 40 6. O mecanismo de reposição capilar foi descrito pela primeira vez, em 1891, por Adeodato Garcia, e ficou conhecido como ciclo biológico do pelo, que é composto por três fases: anágena, catágena e telógena (HALAL, 2016; PEREIRA et al., 2016). O ciclo se repete a cada quatro ou cinco anos, de forma ininterrupta, até que se inicie o envelhecimento dos fios, que é gradual e potencializado por fatores extrínsecos. Sobre o ciclo biológico do pelo e seu envelhecimento, avalie as seguintes afirmações: I) A fase anágena consiste no período de crescimento do fio. Esta fase dura de três a cinco anos, após, inicia-se a fase catágena que consiste em um período de transição, sinalizando o final da etapa anterior, dura de três a cinco semanas. E, por fim, a fase telógena, que consiste no período de queda do fio, tem duração de três a quatro meses. II) A fase catágena também é conhecida como fase de repouso, importante para a preparação da fase telógena e início de um novo ciclo biológico. III) Durante o envelhecimento, ocorre a diminuição e o encurtamento dos fios na cabeça e, com o passar dos tempos, os folículos terminais secundários transformam-se e voltam a produzir os pelos do tipo vellus. IV) O envelhecimento dos fios ocorre de todos ao mesmo tempo, sendo observada a perda da densidade capilar, da sua espessura e da sua cor natural, resultando nos cabelos brancos. É correto o que se afirma em: a) II, apenas. b) I e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. C O N FI R A S U A S R ES P O ST A S 41 1. Resposta certa é a alternativa d) I, II e III, apenas. 2. Resposta certa é a alternativa c. 3. As ligações laterais presentes nos filamentos de queratina são as seguintes: Ligação de hidrogênio: é um tipo de ligação fraca, rompida facilmente com água ou calor e recuperadas com secagem ou resfriamento. Ligações iônicas/salinas: são um tipo de ligação fraca, rompida por meio de alterações no pH e recuperada ao normalizar o pH. Ligações dissulfetos: consideradas fortes, rompidas por produtos químicos que desfazem as pontes dis- sulfeto e sãorecuperadas por oxidação com neutralizador. 4. Resposta certa é a alternativa e) I, II e III. 5. a. solução com pH 3: contrai e endurece o cabelo, as cutículas fecham, e a porosidade é reduzida, conse- quentemente, seu brilho aumenta. b. solução com pH 8: aumenta a porosidade à medida que as cutículas se dilatam, adquirem volume, porém os cabelos podem ficar com aparência ressecada e opaca. c. solução com pH 5: a estrutura capilar não é alterada e tanto a textura quanto o brilho são normalizados. 6. Resposta certa é a alternativa b) I e III, apenas. R EF ER ÊN C IA S 42 AUDI, C. et al. Desenvolvimento e mecanismo de ação da canície e queda capilar. Revista de Iniciação Cien- tífica, Tecnológica e Artística: Edição Temática em Saúde e Bem-estar, São Paulo: Centro Universitário Senac, v. 6, n. 5, p. 2-18, abril de 2017. Disponível em: https://docplayer.com.br/47713622-Desenvolvimento-e- -mecanismo-de-acao-da-canicie-e-queda-capilar.html. Acesso em: 7 maio 2020. AZULAY, R. D. Dermatologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. BRAGA, D. Terapia capilar: manual de instruções/Denise Braga. Brasília: Editora Senac, 2014. FIGUEIREDO, M. S. N.; ALBUQUERQUE, L. S. D. A Pele Humana e sua evolução no tempo. Id on Line Revista de Psicologia, v. 7, n. 20, p. 57-63, julho de 2013. Disponível em: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/ viewFile/236/261. Acesso em: 7 maio 2020. FRANGIE, C. M. et al. Milady® Cosmetologia: Ciências gerais, da pele e das unhas. São Paulo: Cengage Lear- ning, 2016. HALAL, J. Tricologia e a química cosmética capilar/John Halal. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2016. JUNQUEIRA, L. C. Histologia Básica: Texto & Atlas. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. NELSON, D. L; COX, M. C. Princípios de bioquímica de Lehninger/David L. Nelson, Michael M. Cox. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. OLIVEIRA, A. L.; SANTOS, B. M.; GUIMARÃES, C. C.; PEREZ, E.; CALVI, E. N. C.; BIGIDO, G. R.; SOUZA, J. B.; VASCONCELOS, M. G.; ARANTES, P. B.; SILVA, R. C. S.; LOBO, T. P. S. Curso didático de estética. Vol. 2. São Caetano do Sul: Yendis Editora Ltda., 2008. OLIVEIRA, M. T. Cabelos: da etologia ao imaginário. Revista Brasileira de Psicanálise, São Paulo, v. 41, n. 3, p. 135-151, set. 2007. PEREIRA, J. M. et al. Tratado de doenças dos cabelos e do couro cabeludo: Tricologia. São Paulo: Di Livros Editora Ltda., 2016. RIVITTI, E. A. Dermatologia de Sampaio e Rivitti. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2018. 2 OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM Anamnese e Alterações Patológicas Dra. Franciele Neves Moreno Olá, aluno(a)! Neste ciclo, você terá a oportunidade de aprender a fazer uma boa anamnese, avaliando o cliente de acordo com o sexo, a idade e a raça. Aprenderá que os aspectos emocionais podem estar relacionados com as características biológicas dos cabelos e com algumas doenças tricológicas. Também conhecerá algumas das alterações patológicas, estruturais e cro- máticas dos cabelos, com objetivo de identificar possíveis alterações dos fios de seus clientes, podendo, inclusive, sugerir tratamentos ou auxiliá-los nos cuidados diários dos cabelos. Estes conteúdos contribuirão para você exercer sua profissão com qualidade e segurança. Então, vamos lá! 44 UNICESUMAR Pense na seguinte situação: você está com um problema no couro cabeludo e vai a uma clínica especia- lizada sobre o assunto. O lugar é excelente e, ao entrar, você é bem recebida(o). No entanto ninguém lhe pergunta nada e, ao consultar com o especialista, ele dá uma breve olhada em você e começa transcrever o tratamento. Não é desconfortável? Do que sentiu falta nesta situação? A investigação inicial com o cliente é muito importante para a realização de um diagnóstico preciso, por ela você pode levantar hipóteses e traçar linhas de investigação clínica que conduzirão ao diagnóstico mais rápido. Além disso, conhecer as principais tricoses é importante para o trabalho do esteticista capilar. Como abordar o cliente de forma eficiente para investigar as queixas relacionadas ao cabelo e ao couro cabeludo? Você sabe detectar quais são as principais tricoses? Você aprendeu, no ciclo anterior, a importância do cabelo para o indivíduo bem como as caracte- rísticas normais dos fios e seu desenvolvimento. Sabe-se que a saúde dos cabelos e do couro cabeludo é essencial para a vida das pessoas. Além disso, existem várias desordens patológicas e alterações dos fios que interferem na saúde capilar, com que, provavelmente, você se deparará durante o seu trabalho como esteticista. Você sabe que a queda dos cabelos é a principal queixa nas clínicas de estética capilar ou nos salões de beleza? Sabe que pode ocorrer sem ser, necessariamente, uma patologia? Uma pessoa com cerca de 100 a 150 mil folículos pilosos poderá ter uma perda normal de, aproximadamente, 100 a 200 fios de cabelo/dia. Porém, quando ocorre uma queda acima disso, deve ser investigada a causa, podendo ser diagnosticado como alopecia aguda ou crônica, causada por desordens patológicas ou psi- cológicas. Muitas vezes, a queda excessiva só é percebida após uma redução de cerca de 40% dos cabelos. Além das alopecias, as queixas rotineiras podem estar relacionadas a outras tricoses, a alterações na pigmentação ou na estrutura da haste dos fios e problemas no couro cabeludo, como caspa seborreia e oleosidade excessiva. Assim, seu conhecimento sobre as principais patologias tricológicas são importantes para sua prá- tica profissional. 45 UNIDADE 2 Vamos exercitar um pouco como seria seu atendimento ao cliente? Imagine que você atenda Pedro, um homem branco, de cabelos lisos, de cor natural castanho e com 30 anos de idade. Ele relatou que está preocupado com a queda do seu cabelo e com o surgimento de algumas falhas no couro cabeludo. Assim, proponho que você elabore uma ficha para o paciente responder, incluindo: identificação do paciente; anamnese; história pessoal; cuidados com os cabelos no momento; histórico familiar e de uso de drogas. Utilizando seu conhecimento geral sobre o assunto, permita-se tentar responder também a esta pergunta: Qual(is) tipo(s) de doença(s) ou fatores podem resultar na queda capilar? Acredito que, para você descobrir o que de fato está ocorrendo com este homem, necessitará de mais informações e análises do cabelo e couro cabeludo. Certo? Não se preocupe se sua resposta está certa ou errada, ela é apenas um extrato do seu conhecimento atual e não precisa ser satisfatória. Neste momento, estamos fazendo uma experimentação sobre o tema, pois este ciclo trará informações necessárias para você responder à questão e elaborar a ficha do paciente. A queixa relatada na experimentação é muito comum, você como esteticista capilar, provavelmente, vivenciará. Refletindo sobre o que conversamos, anote no diário de bordo a seguir algumas de suas percepções sobre as seguintes reflexões: Quais conhecimentos você gostaria de obter para atender melhor este cliente? Como você acha que deva ser a investigação acerca das patologias do cabelo e do couro cabeludo? De acordo com sua vivência, qual(is) doença(s) relacionadas ao cabelo e ao couro cabeludo você já conhece? Para você, quais devem ser as principais queixas dos clientes, relacionadas ao cabelo e ao couro cabeludo? D IÁ R IO D E B O R D O 46 UNICESUMAR Como você aprendeu no ciclo anterior, o cabelo apresenta um importante papel na qualidade de vida do homem, como uma estrutura que ajuda na proteção, na imagem das pessoas e no seu bem-estar, sendo, muitas vezes, venerado. Desta forma, é im- portante conhecer as afecções tricológicas e saber investigá- -las, ou seja, como avaliar a queixa do seu cliente. Geralmente, as pessoas procuram o esteticista e se queixam de queda de cabelos, ou que o cabelo não cresce, ou que está oleoso/seco, quebradiço, ou reclamam de descamações, pruridos, odor desagradável do couro cabeludo, entre outras. Entre tantas afecções, como fazer uma investigação capilareficaz? O que você espera receber quando procura algum serviço/atendimento clínico? Acredito que você quer um serviço/atendimento de qualidade, com profissionais habilitados e em um lugar adequado, que preze pela limpeza, pela segurança e pelo conforto. Portanto, além de dominar o conhecimento específico e ser habilitado, você também precisa dominar as habilidades de cordialidade, comunicação e ter um lugar adequado para o atendimento uma vez que a primeira impressão é essencial para o sucesso do seu trabalho e a confiança do seu cliente (HILL; OWENS, 2017). Para você fazer uma boa avaliação, precisa ter uma boa comunicação e saber escutar (HILL; OWENS, 2017). O cliente sempre tem muitas informações que podem contribuir para o diagnóstico final e, portanto, é importante saber indaga-lo sobre a queixa, o desejo, por isso, a abordagem de um cliente com queixa tricológica deve obedecer aos mesmos padrões de anamnese e propedêutica clássicas (PEREIRA et al., 2016). 47 UNIDADE 2 A anamnese (origina-se do grego anamnesis e significa recor- dar: Ana = para trás; mimnekesthai = recordar) e é, basicamente, uma entrevista que busca relembrar todos os fatos relacionados ao cliente, tendo como principal objetivo elaborar um diagnóstico para, posteriormente, desenvolver o atendimento adequado (BRAGA, 2014; HALAL, 2016). Em tricologia, a queixa campeã é queda de cabelo, como abordada no Estudo de Caso, a qual pode ter várias interpretações, tais como (PEREIRA et al., 2016): • Pode, realmente, ser queda de cabelos, podendo ser eflúvio ou alopecia. • Pode ser “quebra dos fios”, aparentando um aumento na que- da dos cabelos. • E, em pacientes com transtornos psicológicos com obsessão por cabelos, a menor queda pode parecer um verdadeiro transtorno, ou ainda, pacientes com tricotilomania ou com psicopatia que arrancam/cortam os cabelos de forma des- controlada. Também há outras queixas tanto de homens quanto de mulheres, como as que acreditam estar com uma quantidade menor de cabe- los, que pode ser afinamento dos fios, ou, ainda, relatarem outras afecções tricológicas (PEREIRA et al., 2016). Você já teve, ou co- nheceu alguém com, pelo menos, um tipo de queixa relacionado ao cabelo ou ao couro cabeludo? Geralmente, as queixas sobre a saúde dos cabelos e do couro cabeludo são comuns e necessitam de informações para serem diagnosticadas, corretamente, ou para fazer o encaminhamento para outro profissional. Para a investigação, é necessário obter uma grande quantidade de informações sobre a queixa do seu cliente e, para isto, recomen- da-se o uso de protocolos ou da ficha de anamnese, semelhante à do Quadro 1. Nela, você pode anexar fotos, exames, prescrições de tratamentos/procedimentos químicos, além das datas das próximas sessões (PEREIRA et al., 2016). Lembre-se de que não é regra usá-lo, porém auxilia na investigação da queixa, do desejo e auxilia você na organização mental. Use o protocolo do Quadro 1 como base para fazer o seu, como sugerido no Estudo de Caso. 48 UNICESUMAR Quadro 1- Protocolo para pacientes com queixas tricológicas 1. IDENTIFICAÇÃO DO CLIENTE Nome:__________________________________________ D/N:__/__/____ Sexo: ( )F ( )M Nacionalidade:__________ Profissão:_______________ Telefone:____________ WZ:_____________ e-mail:___________________ Quer receber informações via: ( ) e-mail ( ) SMS ( ) Telefone ( )WZ Quem indicou?______________ Motivo da visita: _____________________ 2. ANAMNESE a) Qual é a sua principal queixa? Patologia dos fios ( ) Queda dos cabelos ( ) Quebra dos cabelos ( ) Tricorrexe nodoso ( ) Córtex exposto ( ) Ressecamento ( ) Nevo lanoso ( ) Outros: __________________________________________________ Patologia do couro cabeludo ( ) Avermelhado ( ) Vermelho em pontos ( ) Odor ( ) Oleosidade espessa ( ) Oleosidade fina ( ) Coceira ( ) Descamações ( ) Comedões ( ) Pápulas purulentas ( ) Cicatrizes ( ) Outros: ___________________________________________________ b) Faz quanto tempo? c) A queixa está estável, aumentando ou diminuindo? d) Já teve outras crises semelhantes? e) Os cabelos estão caindo com raiz? Em qual momento você nota a queda? f) Sua queixa tem sido percebida por parentes ou amigos? g) Houve alguma alteração na pele, unhas, pelos do corpo ou dentes? h) Houve algum tratamento/procedimento nos cabelos? i) Você costuma puxar, torcer ou tracionar os cabelos? 49 UNIDADE 2 3. HISTÓRIA PESSOAL a) Quais foram suas últimas doenças, cirurgias ou internações? b) Você tem alguma doença atual? c) Perdeu peso ou teve crise emocional nos meses precedentes à queixa? d) Fez uso de alguma medicação ou outras drogas nos últimos meses? Qual(is)? e) Tem alergia a algum medicamento? Qual? f) Se mulher: Qual a data da última gravidez? A gravidez piorou o problema? Teve queda de cabelos após o último parto? Usa algum anticoncepcional? Tem alguma alteração menstrual? g) Tem algum problema endócrino? h) Observou crescimento/aumento na quantidade de pelos do corpo? i) Como é sua alimentação? j) Teve contato com algum tipo de radiação? k) Tem algum caso de tricose na família? Qual(is)? Parentesco? 4. CARACTERÍSTICAS DOS FIOS E CUIDADOS COM OS CABELOS ATUALMENTE a) Você usa/faz: ( ) Bonés/chapéus/toucas ( ) Elásticos ( ) Piranhas/presilhas ( ) Tiaras/faixas ( ) Megahair/aplique ( ) Prende molhado ( ) Lava à noite ( ) Seca sempre ( ) Outros:___________________________________________________ b) Usa quais cosméticos: ( ) Xampu ( ) Condicionador ( ) Leave-in ( ) Tinturas ( ) Outros:___________________________________________________ c) Características dos fios: Espessura: ( ) Finos; ( ) Médios; ( ) Grossos Forma: ( ) Anelado; ( ) Ondulado; ( ) Lisos; ( ) Mistos Comprimento: ( ) Curto; ( ) Médio; ( ) Longo Cor natural: ( ) Loiro; ( ) Vermelho; ( ) Castanho; ( ) Preto; ( ) Branco Avaliador: ___________________________________ Data:___/___/_____ Fonte: adaptado de Braga (2014) e Pereira et al. (2016). Com esse protocolo você conseguirá extrair muitas informações importantes, como detalhes sobre a queixa, o sexo, a idade, a raça, as características visuais dos fios, a rotina de cuidados com os cabelos, enfim, estas informações contribuem para o diagnóstico da queixa e posterior tratamento/procedi- mento. Lembre-se de que, ao trabalhar com informações pessoais, deve-se manter sigilo sobre elas e guardá-las de forma segura. Informações básicas, como idade, podem sinalizar queixas comuns e esperadas ou que podem estar acontecendo, precocemente. Os hormônios também podem influenciar nas quedas e características 50 UNICESUMAR capilares, principalmente os andrógenos, evidenciando algumas particularidades entre os homens e mulheres. Além disso, as mulheres passam por eventos que não ocorrem com os homens, como gra- videz, parto, lactação e ciclo menstrual, situações que podem desencadear alguma tricose, podendo ser aguda, ou se tornar crônica. Saber as características dos fios, como a espessura e a forma, evidencia a etnia e as características genéticas bem como os pontos fortes e fracos dos cabelos (BRAGA, 2014; HALAL, 2016; PEREIRA et al., 2016). Acredito que você já percebeu que vários fatores podem influenciar na saúde dos cabelos, além dos descritos anteriormente, deve-se levar em consideração outras doenças, uso de drogas e alimentação (BRAGA, 2104; HALAL, 2016; PEREIRA et al., 2016). Você, como esteticista capilar, ao identificar hábitos inadequados, deve orientar seu cliente sobre eles. Após a anamnese, deve-se examinar os cabelos e o couro cabeludo do cliente. Em tricologia, tan- to o tato quanto a visão são recursos importantes, pois, por meio da palpação do cabelo e do couro cabeludo, é possível verificar o afinamento capilar, alguma tricose da haste, lesões nodulares, e, pela visão, observam-se alterações no couro cabeludo, como qual região está com menor densidade de fios, excesso de descamação ou de sebo, feridas, caspas, entre outros sintomas (PEREIRA et al., 2016). A melhor posição para examinar o cliente é colocá-losentado de forma que o topo da sua cabeça fique na altura do apêndice xifoide do examinador (Figura 1). O examinador deve ter conhecimento das características anatômicas do crânio, ter uma padronização de averiguação e o local onde se rea- lizarão os exames deve ser bem iluminado. Também é importante a remoção de todos os acessórios presos ao cabelo (lenços, grampos, tiaras, elásticos etc.) (PEREIRA et al., 2016). É recomendado sistematizar a avaliação, iniciando pela obser- vação da orla de implantação dos cabelos no couro cabeludo (Figura 2), ficando atento na região de transição entre a área pilosa e a pele desnuda, a seguir examinar todas as áreas do cou- ro cabeludo. Ao examinar, de- vem-se anotar falhas, entradas, retrações, fazer a comparação da densidade capilar, consistência, comprimento e diâmetro dos cabelos (PEREIRA et al., 2016). Figura 1- Posição para examinar o paciente 51 UNIDADE 2 Figura 2 - Analisando a orla de implantação dos cabelos no couro cabeludo Também é necessário observar os cabelos desde a sua saída no óstio folicular até sua extremidade distal. Anotar tamanho, cor, brilho, tingimento ou não, alisamento, oleosidade, entre outras características. Você deve ficar atento para o estado das extremidades distais dos fios, como bifurcação também de- nominada de tricoptilose, cortes a pique, fissuras, extremidade em pincel entre outras características semelhantes às mencionadas (PEREIRA et al., 2016). Em relação à queda do cabelo, deve ser observado se a alopecia é difusa ou focal. No caso da alo- pecia focal, deve ser analisado o número de lesões, o tamanho, a localização, a forma, a superfície, a periferia, se é cicatricial, ou não, entre outros. O couro cabeludo também deve ser examinado e suas lesões devem ser descritas, tais como nevos, tumores, foliculites, descamações, cicatrizes, entre outros (PEREIRA et al., 2016). Para fazer o registro das características observa- das, você pode usar um diagrama com o desenho da cabeça, semelhante ao da Figura 3. Além disso, é importante ter uma ideia da percentagem da doença no couro cabeludo. De acordo com alguns estudos e como mencionado por Pereira et al. (2016), é proposto que o crânio seja dividido em áreas distintas (Figura 4): • Região parietal (topo do crânio): corres- ponde a 40% do couro cabeludo. • Região occipital (posterior do crânio): corresponde a 24% do couro cabeludo. • Duas regiões temporais (regiões laterais do crânio): cada uma delas corresponde a 18% do couro cabeludo.Figura 3 - Diagrama com desenho da cabeça 52 UNICESUMAR Figura 4 - Divisões da cabeça: região frontal; região posterior (occipital); região lateral (temporal); região parietal (topo da cabeça) Região frontal Região posterior (occipital) Região lateral (temporal) Região parietal (topo da cabeça) Para calcular a percentagem de alopecia no couro cabeludo, pri- meiro deve identificar em qual região está ocorrendo e se esti- ma o quanto a lesão acomete a região, posteriormente, multipli- ca-se pela percentagem da área afetada, da seguinte forma: su- ponhamos que foi identificada uma alopecia na região parietal em Pedro (Estudo de Caso), esta lesão corresponde à metade da região (50% = 0,50), então, mul- tiplica 0,50 por 40% (percenta- gem que corresponde à região parietal), conclui-se, assim, que a lesão ocupa 20% do couro ca- beludo (PEREIRA et al., 2016). Para você fazer uma avaliação eficaz é necessário: 1. Comunicação – você precisa saber se comunicar e, principalmente, saber escutar o que é falado e o que deve ser subentendido. 2. Anamnese – é a entrevista que busca relembrar todos os fatos relacionados ao paciente tendo como principal objetivo o diagnóstico. 3. Propedêutica tricológica – é a ciência que identifica as alterações no cabelo e couro cabe- ludo, resultando no diagnóstico, além de avaliar a intensidade e a evolução da doença. A propedêutica tricológica é a ciência que identifica as alterações no cabelo e couro cabeludo resultando no diagnóstico, mede a intensidade e avalia a evolução da tricose. Algumas doenças tricológicas não necessitam de exames especiais para identificá-las, entretanto alguns exames propedêuticos podem auxiliar na avaliação da evolução da doença, tais como os (PEREIRA et al., 2016): • Métodos não invasivos: análise dos cabelos eliminados, espontaneamente; avaliação da risca do cabelo; teste de compressão suave sobre a risca; diâmetro do rabo-de-cavalo; teste de 60 se- gundos; densidade capilar; dermatoscopia; diâmetro do cabelo; exame micológico; fotografia; fototricograma; massa dos cabelos; resistência do cabelo à tração; teste da lavagem; luz polarizada; teste do atrito; teste do pente; teste do puxão, entre outros. • Métodos semi-invasivos: tricograma; estudo da pelugem; resistência à extração do cabelo do folículo piloso; tempo de regeneração do pelo e espessura do couro cabeludo. • Métodos invasivos: anatomopatológicos. 53 UNIDADE 2 Como já mencionado, os ca- belos recebem posição de des- taque ao longo dos tempos entre povos e religiões, são, constantemente, relacionados com emoções, poder, status e beleza. Estudos têm observado que pessoas ao perderem seus cabelos, sofrem danos psicosso- ciais importantes, apresentando quadros de depressão, paranoia, comportamento antissocial, ob- sessão, agressividade, sadismo e outros (PEREIRA, 2004). Sendo assim, convido você a conhecer os aspectos emocionais rela- cionados aos cabelos e trico- ses compulsivas. Capítulo 5 do livro “Milady laser e luz”, de Pamela Hill e Patrícia Owens (2017). Este capítulo aborda os conhecimentos sobre a consulta. Capítulo 1 do Manual de instruções: terapia capilar da Denise Braga (2014). Este capítulo aborda os pontos da anamnese. O livro “Tratado das doenças dos cabelos e do couro cabeludo – Tri- cologia”, de Pereira et al. (2016). Considero este como livro de cabe- ceira, pois ele traz conhecimentos aprofundados sobre anamnese, propedêutica e tricoses. Figura 5 - Cabelos coloridos 54 UNICESUMAR Assim, podemos dizer que o cabelo é o “ornamen- to” mais relevante para o ser humano. Sendo fre- quentemente encontrado em fantasias de lindos cabelos como idênticos à capacidade de atração, sendo que aquele que o possuir detém o poder, aflorando o desejo do outro (OLIVEIRA, 2007). Devido à sua importância estética, ele também é utilizado nas manifestações culturais, tais como cortes, penteados, colorações peculiares (Figura 5), dreadlocks, black power e também em compor- tamentos autoagressivos, as tricoses compulsivas (PEREIRA, 2004). Você já notou que, de certa forma, os cabelos estão relacionados com nossas emoções? São utilizados, inclusive, em frase de expressão figurativa, como “Fi- quei de cabelo em pé”, “Problema cabe- ludo”, “É de arrancar os cabelos”. As tricoses compulsivas são de difícil caracterização uma vez que o paciente não assume uma possível autoagressão, além da ocorrência de uma mistura das tricoses, e, ainda, existem outros distúrbios não classificados/descritos (PEREIRA, 2004). As descritas são tricotilomania, tricotemnomania, tricofagia, pseudoalopecia da coçadura, tricocriptomania, tricorrexomania e plica neuropática. A tricotilomania refere-se ao ato compulsivo de extrair os cabelos e/ou pelos do corpo, de maior ocorrência em mulheres. A abordagem requer cautela e deve ser feita sob os pontos de vista psiquiátrico e dermatológico. Para o diagnóstico é observado uma alopecia perceptiva, devido à tração recorrente, e o quadro pode ser agravado por uma patologia no couro cabeludo (eczema, neurodermatite, dermato- fitose, alopecia areata); pode ser acompanhado de tricofagia, podendo ser encontrado cabelos na boca, estômago ou intestino, formando o clássico tricobezoar (bola de pelo) e esta doença não é explicada apenas por causa do distúrbio mental. Geralmente, a agressão aos cabelos ocorre quando o paciente está assistindo à televisão, estudando, falando ao telefone e intensificada num momentoestressante. Uma vez que os cabelos anágenos são mais doloridos ao serem extraídos, observa-se que os cabelos telógenos são arrancados primeiro. Muitos clientes não assumem que extraem os cabelos, dificultando o diagnóstico e o tratamento (PEREIRA, 2004). A tricofagia é o ato compulsivo de engolir os cabelos. Geralmente, ocorre em pessoas com cabelos longos, maioria do sexo feminino, que colocam uma mecha na boca e ficam mastigando, engolindo partes dos cabelos, ou indivíduos com tricotilomania, que levam o cabelo à boca. Qualquer outra tricose compulsiva pode levar à tricofagia, que, por sua vez, pode levar ao tricobezoar. Clinicamente, podem apresentar náuseas, vômitos, cólica abdominal, alterações gastrointestinais e massa epigástrica palpável. Esta doença precisa ser diagnosticada o quanto antes e é necessário fazer a remoção da massa epigástrica, se isto não ocorrer, pode haver necrose gástrica, perfuração intestinal e até levar a óbito (PEREIRA, 2004). A tricotenomania é quando o cliente corta os cabelos, rente ao couro cabeludo, com o auxílio de tesouras ou lâminas. Esta doença ocorre apenas em idosos psicopatas e é, facilmente, diagnosticada utilizando a microscopia óptica (PEREIRA, 2004). 55 UNIDADE 2 A pseudoalopecia da coçadura consiste no ato de a pessoa coçar, de forma compulsiva, determi- nadas regiões do couro cabeludo, levando à queda de cabelo nos locais da coçadura (pseudoalopecia). Constata-se, na região afetada, cabelos quebradiços, que dão à área um aspecto aveludado, na periferia da lesão, o tricograma é normal e, no centro, os fios apresentam tricoptilose, tricorrexis nodosa, fraturas incompletas e dobras (PEREIRA, 2004). A tricocriptomania ou tricorrexomania corresponde ao ato compulsivo de cortar os cabelos com as unhas. A pessoa possui cabelos em tamanhos diferentes, dando má qualidade ao penteado e deixando a extremidade distal igual a um pincel (PEREIRA, 2004). A plica neuropática consiste em cabelos muito emaranhados, levando à formação de uma massa endurecida. Ocorre em pessoas com problemas psiquiátricos (PEREIRA, 2004). Além das tricoses compulsivas, alguns fatores psicológicos, como o estresse emocional e os episó- dios traumáticos agudos (como divórcio, luto e perda de emprego) podem desencadear ou intensificar doenças tricológicas (YAZIGI; ANDREOLI; GODINHO, 2009). Alguns estudos relataram o efeito de algumas doenças dermatológicas, como acne, psoríase e alopecia areata, que resultam prejuízo na autoimagem e podem levar ao suicídio (YAZIGI; ANDREOLI; GODINHO, 2009; GUPTA; GUPTA, 1998; RIVITTI, 2005). Além das tricoses compulsivas, que acabamos de estudar, também é importante entendermos a relação entre alterações dos pelos e doenças sistêmicas. Apesar de as tricoses serem, primariamente, um problema cosmético, elas podem sinalizar a presença de alguma doença sistêmica, tais como des- nutrição, avitaminoses, emagrecimento excessivo, doença toxêmica, alterações hormonais, entre outras (BERTAIOLLI et al., 2004). Não é raro alguém perceber que a pele está mais seca, o cabelo e/ou a unha mais quebradi- ços, ou que apareceu alguma mancha diferente na pele. Estes podem ser sinais de que algo no corpo não está bem e precisa ser investigado. Uma vez que os problemas dermatológicos podem sinalizar alguma doença sistêmica, é útil você sa- ber quando é necessária uma investigação mais aprofundada. Então exemplificarei algumas doenças metabólicas relacionadas com as tricoses. O estresse metabólico, no quadro de desnutrição, doenças febris ou procedimentos cirúrgicos po- dem levar ao eflúvio telógeno, a qual também pode ser desencadeada após o uso de algumas drogas, como anticoagulantes, betabloqueadores e IECA (Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina) (SILVA, 2019). Mulheres com a síndrome do ovário policístico, hiperplasia adrenal congênita de início tardio, síndrome de Cushing e síndrome de HAIR-NA (hiperandrogenismo, resistência à insulina e acantose nigricans) podem levar à alopecia androgênica e ao hirsutismo (SILVA, 2019). 56 UNICESUMAR Doenças inflamatórias, infecciosas (sífilis, tuberculose cutânea, leishmaniose ou hanseníase) e infil- tráveis (linfomas cutâneos e metástase de tumores sólidos) podem levar à alopecia cicatricial (SILVA, 2019). O Quadro 2 apresenta doenças sistêmicas clássicas e as alterações observadas nos pelos em pessoas acometidas com elas. Quadro 2 - Alterações dos pelos em doenças sistêmicas DOENÇAS SISTÊMICAS ALTERAÇÕES NOS PELOS Hematológicas Anemias crônicas Cabelos finos e secos Nutricionais e metabólicas Deficiência de Ferro Deficiência de proteínas Deficiência de zinco Marasmo Kwashiorkor Alopecia difusa – mesmo na ausência de anemia Cabelos finos e secos Alopecia difusa, cabelos secos Cabelos finos e secos podendo assumir um tom avermelhado Cabelos finos secos e esparsos Endócrinas Hipopituitarismo Hipotireoidismo Hipertireoidismo Hipoparatireoidismo Diabetes mellitus Perda total dos pelos, cabelos finos, ausência de pelos púbicos e axilares (deficiências hipofisárias pós-parto – síndrome de Sheehan) Perda difusa dos cabelos e posterior perda dos pelos corporais Alopecia difusa Alopecia areata, cabelos escassos, secos e grosseiros Alopecia difusa (eflúvio telógeno) Doenças renais e hepáticas Insuficiência renal Hepatite Cirrose Cabelos secos e finos Alopecia difusa Alopecia difusa Reumatológicas Lúpus eritematoso sistêmico Alopecia difusa e alopecia cicatricial Doenças crônicas graves Alopecia difusa, cabelos secos e finos HIV Alopecia difusa, cabelos secos e finos Fonte: Omar e Ghideti (2008). 57 UNIDADE 2 Além das tricoses mencionadas, também existem as displasias pilo- sas. E aí, você já ouviu falar sobre as displasias pilosas: alterações estruturais da haste capilar? A Displasia pilosa ou displasia da haste refere-se às alterações estruturais que ocorrem na haste dos cabelos, elas podem ser congênitas ou adquiridas (PEREIRA et al., 2016; OMAR; GHIDETI, 2008). Algumas displasias da haste congênita são (PEREIRA et al., 2016; OMAR; GHIDETI, 2008): • Moniletrix: os cabelos são normais ao nascimento, mas, durante a infância, ocorrem estreitamentos e dilatações al- ternados nos cabelos e pelos (aspecto em rosário). O diag- nóstico é clínico e microscópico. Pode melhorar com a idade. • Tricorrexis invaginata: é a deformação distal baloniforme invaginada sobre uma base proximal (cabelo em bambu). Esta alteração é associada com a síndrome de Netherton. O diagnóstico é clínico e microscópico. Não tem tratamento. • Tricopoliodistrofia (síndrome de Menkes): cabelos es- cassos e quebradiços desde os primeiros meses de vida. O diagnóstico é clínico e microscópico e é tratado, por meio de suplementação com cobre. REALIDADE AUMENTADA • Cabelos anágenos frouxos: cabelos normais ao nascimento e ocorre uma rarefação e redução do comprimento dos cabelos entre dois e seis anos de idade. Diagnóstico clínico, microscópico e com o tricograma. Pode melhorar com a idade. • Síndrome dos cabelos que não são penteáveis: cabelos secos e ásperos, afeta crianças e jovens com cabelos abundantes e de difícil manuseio. Diagnóstico clínico e microscópico. Melhora com a idade. • Pelo bifurcado: forte adesão entre dois fios de cabelos por toda sua extensão com eventuais separações por alguns milímetros e, depois, se une novamente. Cada fio é envolto por sua cutícula, diferenciando da tricoptilose. O cabelo pode ficar quebradiço e desenvolver alopecia difusa. Não há tratamento. Cabelo saudável e danificado 58 UNICESUMAR • Pelo torcido (PT): é achatado ou ovalado e, periodicamente, apresentam uma torção de 90º a 360º ao longo do seu eixo, podendo ocorrer torções múltiplas e muito próximas umas das outras. A cutícula é íntegra, porém os cabelos se partem facilmente ao nível da torção. Os cabelos têm pouco brilho, são ásperos, facilmente quebráveis, de difícil penteado, curtos na região temporal e occipital, pode ocorrer alopecia cicatricial e é frequenteem mulheres. Diagnóstico clínico e microscópico. Melhora com a idade. Algumas displasias da haste adquiridas são (PEREIRA et al., 2016; OMAR; GHIDETI, 2008): • Tricorrexe nodosa: é a displasia pilosa mais frequente, nesta displasia ocorre o aparecimento de pseudonodosidades nos pelos, podendo ocasionar fraturas. A causa em si é desconhecida, porém traumas mecânicos ou químicos podem ser desencadeantes. Diagnóstico clínico e microscópico. O tratamento consiste em evitar os fatores desencadeantes. • Tricoptilose: é um tipo de fratura; os cabelos são frágeis e bifurcados (pontas duplas). Ocasionados por traumas mecânicos e químicos. Diagnóstico clínico. O tratamento consiste em excluir as causas e utilizar cremes e/ou hidratantes. • Triconodose: a haste dos cabelos tem nós ou laços. São ocasionados por traumas mecânicos ou tiques nervosos. Diagnóstico clínico. O tratamento consiste na exclusão da causa. Além das displasias da haste, existem as displasias ectodérmicas as quais são (PEREIRA et al., 2016): • Displasia ectodérmica cabelo-unha pura: afeta apenas os tecidos de origem ectodérmica, sendo dois tipos clínicos: distrofia ungueal congênita e hipotricose associada à foliculite descalvante. • Displasia ectodérmica – tipo hipoidrótico ligado ao cromossomo X: os indivíduos afetados são do sexo masculino, possuem cabelos esparsos no couro cabeludo, raros pelos nos cílios e sobrance- lhas e sem pelos corporais. Não suam e, frequentemente, apresentam febres altas na infância. Falta à maioria dos dentes, pode ocorrer pigmentação e ressecamento ao redor dos olhos, possuem testa proeminente, nariz em sela, lábios protuberantes e voz rouca. As secreções salivares e la- crimais podem estar reduzidas e também ocorrer um discreto retardo no desenvolvimento. • Displasia ectodérmica de Rapp-Hodgkin: os indivíduos pos- suem palato em ogiva, alterações dentárias e ungueais, alopecia difusa, cicatricial, com presença de pelo torcido, cabelos finos e ouriçados, despigmentados, sobrancelhas e cílios ausentes/ esparsos e ausência de pelos sexuais secundários. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3475 59 UNIDADE 2 Outra queixa comum é relacionada com as alterações cromáticas dos cabelos (Leuco- trioses), podem ser adquiridas, congênitas ou consequência do envelhecimento natural dos cabelos, conhecida como canície, que ocorre com a idade cronológica e em graus individuais. Em caucasianos, ela inicia por volta dos 34 anos de idade e, em negros, por volta dos 44 anos, e metade da população tem 50% dos cabelos brancos aos 50 anos de idade. Ela ocorre por causa da diminuição da produção da melanina, produzida pelos melanócitos da matriz capilar. O tratamento é a utilização de tinturas (OMAR; GHIDETI, 2008). Existem doenças congênitas ou adquiridas que resultam em cabelos brancos, as leucotrioses, po- dem ser congênitas, como a síndrome de Vogt- -Koyanagi-Harada, síndrome de Waardenburg, piebaldismo e albinismo, ou adquiridas, como vitiligo, após tratamentos com radioterapia e após queimaduras (OMAR; GHIDETI, 2008). Alopecia (do grego alópekia = diminuição dos pelos/cabelos) é o distúrbio caracteriza- do pela perda dos cabelos, pode ser difusa ou focal, não cicatricial (sem inflamação, cicatriz ou atrofia da pele) ou cicatricial (destruição tecidual, inflamação, atrofia e fibrose) (OMAR; GHIDETI, 2008). A queda de cabelo pode ser hereditária ou congênita, ou causada por síndromes, distúr- bios, traumas mecânicos, tratamentos químicos, drogas ou outras causas. São várias alopecias descritas, porém mencionarei algumas. Alopecia areata é caracterizada por áreas arredondadas ou ovais, com limites precisos, contornos regulares, totalmente sem cabelos e localizadas no couro cabeludo (Figura 6). Area- ta, do grego, significa temporária ou periódica, sendo assim, trata-se de uma alopecia tempo- rária (PEREIRA et al., 2016). Você já viu cabelos loiros ficarem esver- deados sem serem tingidos? Isto pode ocorrer em indivíduos que frequentam muito piscinas, devido à deposição de cobre no córtex capilar, após exposição prolongada na água, o tratamento con- siste em evitar o contato direto do cabelo com a água da piscina. Você sabia que o termo alopecia foi cria- do por Hipócrates (2600 a.C.), porém só foi relatado por Cornelius de Celsus (30 a.C.), que descreveu a alopecia completa e definitiva e a alopecia ophiasis, queda de cabelo localizada na orla do couro cabelu- do semelhante a uma serpente (PEREIRA et al., 2016). 60 UNICESUMAR Geralmente, a placa é única ou há poucas placas, podendo ser localizada, total (afetando todo o couro cabeludo) ou uni- versal (perda total de cabelos e pelos do corpo). Normalmen- te, acomete adultos jovens e crianças de ambos os sexos. A etiologia é desconhecida, mas está, frequentemente, associada a doenças autoimunes, sugerin- do ser um processo autoimune antibulbo piloso. Em geral, a evolução é favorável, ocorrendo repilação entre 2 a 6 meses. Den- tre os tratamentos, destacam-se: infiltrações com corticóides; drogas sensibilizantes; fotoqui- mioterapia; crioterapia e corti- cóides orais (OMAR; GHIDETI, 2008; PEREIRA et al., 2016). Figura 6 - Alopécia areata Alopecia androgenética (AA) é a típica queda de cabelo mas- culina ou calvície comum no homem (Figura 7) e padrão de queda de cabelo feminino. Afeta cerca de 50% dos homens e 6% das mulheres com 50 anos de idade e até 70% dos homens e 35% das mulheres, no final da vida. Para o desenvolvimento da AA há: fator hereditário, an- drogênios, idade, citocinas, neu- ropeptídeos, fatores de cresci- mento, entre outros (PEREIRA et al., 2016). Figura 7 - Alopécia androgenética 61 UNIDADE 2 Há um progressivo declínio na densidade de fios visíveis no couro cabeludo, nos homens ocorre uma típica recessão bi- temporal e calvície no vértice, como observado na Figura 8A, nas mulheres ocorre um afinamento difuso na parte su- perior e manutenção na linha frontal do cabelo, como ob- servado na Figura 8B. Geral- mente, os tratamentos usados para este tipo de alopecia são: uso de minoxidil; estradiol; progesterona (em mulheres); finasterida (em mulheres, ape- nas após a menopausa); me- latonina; mesoterapia; trans- plante de cabelos (cirurgia de restauração capilar) e outros (OMAR; GHIDETI, 2008). Ao longo dos anos, a AA recebeu várias classificações, e uma delas utilizou como re- ferência os aspectos clínicos e as alterações morfológicas dos cabelos, segundo a fase no ciclo biológico do folículo piloso, caracterizando três pa- drões básicos de AA (OMAR; GHIDETI, 2008; PEREIRA et al., 2016): Figura 8 - Desenvolvimento da alopecia androgenética padrão masculino (8A) e feminino (8B) 62 UNICESUMAR • AA padrão clássico (AA padrão mas- culino ou hipocrático): inicia-se nas regiões temporais e no vértice do couro cabeludo, ou, eventualmente, ocorre ape- nas uma retração em toda região frontal ou no vértice, evoluindo de uma forma ora muito lenta, ora muito acelerada para cul- minar em uma perda significativa no topo do couro cabeludo (Figura 9). O tempo de duração do ciclo biológico do folículo piloso torna-se muito curto, sendo a fase anágena reduzida, consequentemente, os cabelos telógenos ficam pequenos e, a cada ciclo capilar, o cabelo fica cada vez menor de tamanho, decorrente da diminuição da papila dérmica e miniaturização do folícu- lo piloso. Este padrão de apresentação da doença acomete cerca de 50% dos homens com AA e nenhuma mulher. Com o tempo, ocorre a queda dos fios, sem sua reposição, levando à rarefação. O trico- grama mostra o aparecimento de cabelos anágenos distróficos, cabelos anágenos normais ou poço afinados. Este padrão vai, lentamente, progredindo de forma sutil e insidiosa, até chegar a formas graves. A ocorrência é de 97% dos casos nas mulhe- res, e 38% dos casos nos homens. • AA padrão misto: é uma mistura dos pa- drões descritos anteriormente. Apresenta uma telogenização no vérticee nas regiões temporais, e, ao mesmo tempo, um afina- mento e rarefação difusa dos cabelos sem diminuição do comprimento nas regiões parietal e frontal. O tricograma mostra cabelos anágenos normais, aumento de cabelos telógenos pequenos e cabelos aná- genos distróficos. Este padrão de alopecia acomete cerca de 10% dos homens com AA e 4% das mulheres com AA. Alopecia por tração é caracterizada pela pre- sença de cabelos quebradiços curtos, foliculite e algumas áreas circunscritas de cicatrização nas margens do couro cabeludo. Acontece por causa do atrito e da tensão. Procedimentos químicos associados a outros procedimentos (alisamen- tos), excesso de tensão ao prender os cabelos ou por alguns penteados que podem provocar esta alopecia nas regiões frontal, parietal e marginal. O tratamento consiste em evitar os fatores causais. Você sabe a diferença entre alopecias e eflú- vios? Bom, acredito que alopecias você acabou de conhecer, mas, para você responder esta pergunta, precisa conhecer os eflúvios. Então, vamos lá! Eflúvios consistem no desprendimento dos pelos e/ou cabelos, eles podem ser denominados de Eflúvios anágeno e telógeno. O eflúvio aná- geno consiste na perda dos fios na fase anágena, geralmente, o início é rápido e extenso. A queda Figura 9 - Alopecia androgenética padrão clássico • AA padrão difuso (AA padrão femini- no): manifesta-se, de forma difusa, no topo do couro cabeludo, acometendo as regiões parietal, frontal e vértice. Inicialmente, os cabelos ficam afilados, e não ocorre a dimi- nuição do comprimento final dos cabelos. O folículo piloso torna-se miniaturizado e sem alterar o ciclo biológico do cabelo. 63 UNIDADE 2 ocorre após alguns dias do fator desencadeante, podendo cair milhares de fios por dia. Podem ser causados por radioterapia, quimioterapia sis- têmica, drogas imunossupressoras, desnutrição proteica grave, intervenções cirúrgicas prolonga- das e sífilis secundária (OMAR; GUIDETI, 2008; PEREIRA et al., 2016). O tratamento consiste na identificação e na exclusão da causa, alimentação rica em proteínas, administração de vitaminas e sais minerais (OMAR; GHIDETI, 2008; PEREIRA et al., 2016). O eflúvio telógeno é caracterizado pelo des- prendimento aumentado dos pelos ou cabelos telógenos normais dos folículos do couro cabe- ludo, que está na fase de repouso, secundário ao deslocamento acelerado da fase anágena para ca- tágena e para telógena (OMAR; GUIDETI, 2008; PEREIRA et al., 2016). Podem cair mais de 600 fios por dia, o que resulta na rarefação difusa dos cabelos. Pode ser causado por estresse emocio- nal, pós-parto, deficiência protéica, deficiência de ferro, regimes, estresse, doenças sistêmicas e alguns medicamentos. O tratamento consiste na correção da causa, alimentação equilibrada e rica em proteínas, suplementação com vitaminas e sais minerais (OMAR; GUIDETI, 2008; PEREIRA et al., 2016). A utilização de so- luções tópicas, como minoxidil a 2 ou 5%, também pode ajudar. Essa fase pode du- rar de três a quatro meses, após os cabelos retornam ao normal (OMAR; GUIDETI, 2008; PEREIRA et al., 2016). Outra afecção tricológica é a aplasia cutânea congênita (ACC), caracterizada por ausência de pele em uma determina- da localização, como face, tronco, abdô- men e membros. O local em que mais se manifesta é no couro cabeludo. Ela pode se manifestar de forma isolada, ou fazer parte de alguma síndrome. Em geral, é constatada logo ao nascer e é acompanhada de complicações (infecções locais, meningite, hemorragia, trombo- se, convulsão ou morte) (PEREIRA et al., 2016). Pode ocorrer por causa de anomalias cro- mossômicas, mecanismos traumáticos, defeitos amnióticos, problemas intrauterinos, tromboses, alterações vasculares, teratogênese medicamen- tosa, entre outros. Ainda não existe tratamento específico para ACC, apenas a possibilidade fazer enxertos de pele em pequenas áreas do couro ca- beludo (PEREIRA et al., 2016). Você já conheceu alguém que possui muitos pelos nas costas, no tórax ou em outras regiões do corpo? Este excesso de pelos no corpo é conheci- do como hipertricose, que pode ser classificada em: generalizada, localizada e sintomática. Há várias hipertricoses, entre elas, segundo Pereira et al. (2016): 64 UNICESUMAR • Hipertricose cervical anterior (HCA): ca- racterizada por um tufo de pelos terminais, em uma área arredondada, na região anterior do pescoço, sobre a cartilagem tricoide. Pode se manifestar ao nascer ou nos primeiros anos de vida, acredita-se que seja uma doen- ça hereditária. Também existe a ocorrência da hipertricose cervical posterior. • Hipertricose congênita localizada: ocorrência de excesso de pelos em algu- mas dermatoses. • Hipertricose adquirida: trata-se do excesso de pelos ocasionados por algumas doenças, como alterações cerebrais, anorexia nervosa, má nutrição, hipotireoidismo, síndrome da imunodeficiência adquirida e outras. • Hipertricose iatrogênica (HI): o excesso de pelos pode se desenvolver em qualquer região do corpo e é causado por alguns me- dicamentos, como amiodarona, clomipra- mine, donezepil, estreptomicina, fluoxetina, glicocorticoides, interferon alfa, lorazepan, minoxidil e outros. • Hipertricose lanuginosa adquirida (HLA): é considerada uma dermatose pa- raneoplásica que pode acompanhar alguns tumores e a melanoma. Acomete pessoas en- tre 40 e 70 anos de idade e pode se manifes- tar meses ou anos antes do aparecimento do carcinoma. Caracterizada por pelos do tipo lanugo na face (face de símio), que crescem cerca de 2 a 3 cm por semana, podendo che- gar a, até, 15 cm de comprimento. Na maioria dos casos, quando a neoplasia é curada, a HLA regride. • Hipertricose lanuginosa congênita (HLC): é rara, na qual toda a pele, exceto palmas, planta dos pés, falanges distais, pre- púcio, glande e pequenos lábios, são cober- tos por pelos lanugos loiros, ou prateados, ou acastanhados, ou negros, com aspecto de lã, e crescem por toda a vida. A face fica semelhante à de um cão ou macaco, sendo mais intensa na coluna vertebral, região lom- bossacra, orelhas e regiões pré-auriculares. Manifesta-se entre os 4 e 7 anos de idade e pode ser acompanhada de anomalias den- tárias, nas orelhas e glaucoma. As pessoas acometidas com esta doença, geralmente, são discriminadas e propensas a quadros graves de depressão. Não tem tratamento, apenas a utilização da depilação a laser em algumas áreas. • Hipertricose localizada adquirida (HLA): ocorre depois de repetidos traumas sobre a pele (fricção, irritação/inflamação), na região os pelos ficam grossos e longos. • Hipotricose universal: não chega a ser con- siderada uma patologia, e sim um fenômeno fisiológico. É caracterizada pela distribuição normal de pelos, porém são mais grossos e amplos em algumas regiões do corpo, como tórax e dorso (Figura 10). Figura 10 - Hipertricose universal 65 UNIDADE 2 O hirsutismo é uma tricose muito comum, caracterizada pela pre- sença de pelos terminais na mulher em locais que são habituais nos homens, como queixo, face, abdômen inferior, ao redor dos mamilos, entre as mamas, glúteos, regiões lombares e parte interna da coxa, é a famosa mulher barbada (PEREIRA et al., 2016). Algumas alterações são associadas ao hirsutismo, como acne, irregularidades menstruais, acantose nigricans, obesidade, alopecia androgenética, síndrome do ovário policístico, hiperplasia congênita de suprarrenal e hipotiroidismo. O tratamento depende da sua ori- gem, e pode ser remoção dos pelos por raspagem ou depilação (cera ou laser), ou por pinças, ou por eletrólise (PEREIRA et al., 2016). As bolhas capilares consistem na formação de bolhas na haste dos cabelos, podendo ser minúsculas até grandes, de formato re- dondo, ovalado, cilíndricos ou irregulares. As principais causas das bolhas capilares são as altas temperaturas a seco, que, geralmente, ocorre por acidente com secador muito aquecido, pente quente, escova quente ou mesmo com fogo.Alguns casos podem ocorrer, devido a piscinas com água muito cloradas, manipulação para dar brilho nos cabelos, congelamento dos cabelos e água oxigenada (peróxido de hidrogênio) (PEREIRA et al., 2016). As bolhas capilares são facilmente visíveis à microscopia. As hastes, geralmente, são grotescas ao teste do deslize e aos testes do puxão, da gaze e do atrito, e dão positivo. Quanto ao tratamento, poucas bolhas nas hastes não causam danos estéticos, e o tratamento, neste caso, é conservador. Já quando há em grandes quantidades, ocorre deformidade nas hastes, tornando as friáveis e é recomen- dado o corte dos cabelos danificados (PEREIRA et al., 2016). Dermatite seborreica ou eczema seborreico é uma doença inflamatória crônica que, geralmente, acomete a face, o tórax, as orelhas e o couro cabeludo, levando à vermelhidão, descamação e, por vezes, secreção. Também pode ser assintomática ou muito pru- riginosa, de causa desconhecida. Em geral, ela ocorre nos homens entre 18 e 40 anos de idade, existindo uma predisposição familiar para o seu desenvolvimento. Nesta dermatite, há o aumento na multiplicação celular da epiderme, e sua gravidade é determinada pela quantidade de sebo. Alguns fatores podem desencadear ou agravar a dermatite seborreica, como calor, umidade, roupas que retém suor, estresse, alcoolismo, diabetes, alimentação hipercalórica, entre outros. O diagnóstico é clínico, e o tratamento tradicional é o uso de corticoides (PEREIRA et al., 2016). Dermatite de contato ou eczema de contato é uma rea- ção inflamatória da pele decor- rente da exposição a um agente capaz de causar irritação ou aler- gia, classificada como dermatite de contato irritativa ou alérgi- ca. Alguns agentes causam esta dermatite após a exposição solar, como o sumo de frutas cítricas, e outros entram em contato com a pele pelo ar. Os sintomas depen- dem da causa e podem ser vários, como ardor, queimação, coceira, vermelhidão e outros. Diagnós- tico consiste no teste alérgico de contato (patch-test). O trata- mento depende da intensidade e tipo de dermatite de contato, podendo ter medidas locais ou utilização de medicações de via oral ou injetáveis (SBD, 2017). A foliculite é uma inflama- ção do folículo piloso (Figura 11), formando uma pústula (peque- no tumor na pele contendo pus), pode se manifestar em qualquer região do corpo e é, classicamen- te, dividida em foliculite super- ficial ou ostiofoliculite, quando o processo inflamatório acomete o óstio, e foliculite profunda, quando acomete todo ou parte do folículo piloso (PEREIRA et al., 2016). Existem vários tipos de foliculite, e cada um com sua evolução e seu tratamento. Co- mentarei sobre dois tipos conhe- cidos: a foliculite descalvante e a foliculite em tufos. 66 UNICESUMAR Figura 11- Folículos pilosos inflamados A foliculite descalvante acomete jovens e adul- tos de meia-idade, predominantemente, do sexo masculino e afrodescendentes. Observam-se pá- pulas eritematosas foliculares, brilhantes, com pus, dolorosas e com sensação de queimação no couro cabeludo. Com o tempo, as pápulas tornam-se pústulas e, ao se romperem, formam pequenas ulcerações e crostas amareladas ou sanguinolen- tas. Mesmo com tratamento, após dois anos, o paciente evolui a uma alopecia total (PEREIRA et al., 2016). Foliculite em tufos ocorre quando uma pes- soa tem vários cabelos emergindo do mesmo ós- tio. É sugerido que isto esteja relacionado com a presença da bactéria Staphylococcus albus e do fungo Scopulariopsis brevicaulis. O tratamento com eritromicina tópica e penicilina sistêmica mostrou-se eficaz, além de outros medicamentos (PEREIRA et al., 2016). A pseudofoliculite é uma tricose crônica, caracterizada por erupção acneiforme com pá- pulas e pústulas, predominantemente, na região da barba, principalmente no pescoço, decorrente da penetração do pelo na pele. Ocorre quando o pelo é cortado rente à pele (PEREIRA et al., 2016). Pode ocorrer de duas formas: 1) pela pene- tração extrafolicular, o pelo sai do óstio e, a se- guir, penetra na pele, perfurando a epiderme, e 2) penetração transfolicular, o pelo perfura o folículo piloso antes de emergir na superfície da pele. O diagnóstico é clínico e confirmado pelo dermatoscópio (PEREIRA et al., 2016). Esta tricose acomete, principalmente, pessoas da raça negra ou que possuem barba encaracolada e que precisam fazer, frequentemente, a barba. Também pode aparecer no couro cabeludo e nas virilhas, após a depilação. A pseudofoliculite pode coçar muito, doer, sangrar e ter complicações, como imediata infecção bacteriana. Ela tem sido associada a problemas com a queratina da haste do pelo (PEREIRA et al., 2016). O tratamento consiste em evitar a penetra- ção do pelo na epiderme e depende do grau e da extensão da doença. Em casos brandos, são recomendados movimentos circulares com bucha vegetal/sintética e depilação química. Em pou- cas lesões sem inflamação, os pelos podem ser removidos com uma agulha e, em casos graves, deve evitar cortar a barba e usar antibióticos. O tratamento ideal para todos os casos é a depila- ção a laser. Na pseudofoliculite, recomenda-se o tratamento preventivo pelo corte diário da barba, evitando seu encurvamento e penetração na epi- derme, ou outro, bem mais simples, econômico e que está na moda masculina, que consiste em não cortar a barba (PEREIRA et al., 2016). Dermatofitose, popularmente, conhecida como micose, frieira (pé de atleta) entre outras denominações de acordo com a região do corpo acometida, é uma doença causada por fungos que 67 UNIDADE 2 se alimentam da queratina da pele, dos pelos/ca- belos e das unhas. Eles podem ser transmitidos entre os humanos ou entre animais e humanos, ou, ainda por algum objeto (pente, escova etc.) ou local contaminado (solo) (SBD, 2017). No couro cabeludo, a dermatofitose é conheci- da como tinha ou tinea capitis, infecção fúngica superficial do couro cabeludo. Caracterizada por placa alopécica única ou múltipla no couro cabe- ludo e descamação, associada, ou não, a tonsuras do pelo. O diagnóstico é realizado por meio de exames micológicos, e o tratamento é feito com antifúngicos oral (SBD, 2020; OMAR; GHIDETI, 2008; PEREIRA et al., 2016). Existem duas modalidades de tratamento, o tópico e o com medicações sistêmicas ou com antifúngicos sistêmicos via oral (SBD, 2017). Re- comenda-se a realização do tratamento via oral uma vez que o medicamento necessita entrar no folículo piloso. Na maioria das vezes, utiliza a griseofulvina, que é a única recomendada pela FDA (Food and Drug Administration), mas ou- tras drogas também são usadas, como terbinafina, itraconazol e fluconazol (PEREIRA et al., 2016). A psoríase pode acometer o couro cabeludo, isoladamente, ou fazer parte de uma psoríase es- parsa pelo corpo. Ela compromete, predominan- temente, a epiderme, porém pode afetar o infun- díbulo, causando uma hiperceratose folicular e cilindros capilares. Pode levar a deflúvio telógeno ou alopecia cicatricial. O diagnóstico é clínico, e o tratamento consiste, nos casos leves, hidrata- ção, medicamentos tópicos nas lesões e banho de sol, nos casos moderados, além do recomen- dado anteriormente, recomenda-se exposição às luzes UVA e UVB em cabines, e, em casos graves, é necessário medicação oral ou injetável além das recomendações anteriores (PEREIRA et al., 2016). A pitiríase vulgar, pitiríase furfurácea, piti- ríase esteatoide, pitiríase simples, pitiriase ca- pitis, ou simplesmente caspa, é uma descamação fina do couro cabeludo. Ela não causa nenhum problema biológico, porém o problema é social, ninguém gosta de ter caspa nos cabelos, nas rou- pas etc. (SBD, 2017; PEREIRA et al., 2016). O diagnóstico é simples, e a diferença entre pitiríase e descamação normal está na camada córnea, a qual, normalmente, tem de 25 a 35 ca- madas de células queratinizadas e distribuídas, uniformemente, enquanto na pitiríase não passa de dez camadas de células,e aparecem muitas cé- lulas paraceratóticas e desorganizadas (PEREIRA et al., 2016). A pitiríase versicolor, também conhecida como pano branco, é uma micose superficial causada pelo fungo do gênero Melassezia. Esta pitiríase ocorre comumente nos braços, no abdô- men, na nuca e na barba. Os pacientes acometidos por ela apresentam queda ou afinamento dos ca- belos nas lesões, degeneração hidrópica da cama- da basal, degeneração folicular, miniaturização do folículo piloso, atrofia, rolhas córneas e ausência do folículo piloso (PEREIRA et al., 2016). Apesar de ter vários xampus ditos anticaspa, poucos realmente têm respaldo científico. O FDA aprova cinco produtos básicos para o tratamento, os quais são Coaltar ou alcatrão de hulha (0,5 a 5%); piritionato de zinco (0,3 a 2%); ácido sali- cílico (1,8 a 3%); sulfeto de selênio (0,6 a 1%) e enxofre (2 a 5%) (PEREIRA et al., 2016). 68 UNICESUMAR São muitas informações para assimilar num primeiro momento, mas percebe como elas são funda- mentais para a prática profissional no dia a dia? No expediente profissional, você encontrará casos como os citados e verá que, devido à grande quantidade de afecções tricológicas, por exemplo, a investigação inicial da queixa do seu cliente deve ser bem realizada, pois faz toda a diferença no diagnóstico final. Você também conheceu um pouco mais sobre as tricoses, como as relacionadas com a queda de cabelos, o que é uma queixa comum e frequente para quem pretende trabalhar com a estética capilar. No dia a dia da profissão do esteticista, você poderá ter clientes com queixas com os fios ou com a saúde do couro cabeludo, portanto, conhecer as várias afecções tricológicas torna-se fundamental. 69 M A P A M EN TA L Olá, aluno(a)! Estamos chegando ao encerramen- to deste segundo ciclo e convido você a fazer uma verificação crítica dos conhecimentos adquiridos, preenchendo o Mapa de Empatia a seguir, ao responder às seguintes questões: O que PENSA e SENTE? O que você pensa sobre a anamnese e a prope- dêutica na tricologia? Como você se sente em re- lação aos conhecimentos adquiridos neste ciclo? Quais são seus objetivos ao estudar as doenças tricológicas? E quais são suas preocupações? O que OUVE? Quais pessoas influenciam você na investigação inicial das tricoses? O que você escuta sobre as queixas relacionadas ao cabelo e ao couro ca- beludo? Você é um bom ouvinte? Você acha que saber escutar é importante? O que VÊ? Qual(is) das tricoses você já viu? Como vê as quei- xas relacionadas ao cabelo? O que FALA e FAZ? O que você faz para investigar as queixas dos seus pacientes? O que você fala sobre as trico- ses? O que você faz para conhecer as afecções tricológicas? Quais são as DORES? Qual dos conhecimentos abordados, neste ciclo, você teve maior dificuldade em compreender? Você tem dificuldade em se comunicar e escutar as queixas das pessoas? Quais são as NECESSIDADES? O que você acha necessário para superar suas dificuldades? O que você deseja ao conhecer as principais tricoses? 70 M A P A M EN TA L A G O R A É C O M V O C Ê 71 1. Geralmente, as pessoas procuram o esteticista capilar para realizar algum desejo, ou se queixa de algum aspecto relacionado ao cabelo ou ao couro cabeludo. Uma vez que existem várias doenças tricológicas, para obtenção do diagnóstico e posterior tratamento, a avaliação é, fundamental- mente, importante. Sendo assim, o que é necessário para a realização de uma avaliação eficaz? 2. Em tricologia, a principal queixa é queda de cabelo, a qual pode ter várias interpretações, podendo significar, realmente, uma queda de cabelos (alopecia ou eflúvio), ou pode ser outro problema (PEREIRA et al., 2016). Levando em consideração os conhecimentos sobre eflúvio e alopecia, avalie as seguintes afirmativas: I) Alopecias são distúrbios caracterizados pela perda dos cabelos, podendo ser difusa ou focal, não cicatricial ou cicatricial. II) Eflúvios consistem no desprendimento dos pelos e/ou cabelos podendo ser anágeno ou telógeno. III) O eflúvio anágeno consiste na perda dos fios na fase anágena, geralmente, o início é rápido e extenso. IV) O eflúvio telógeno é caracterizado pelo desprendimento au- mentado dos fios telógenos normais. É correto o que se afir- ma em: a) II, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. 3. O cabelo apresenta um importante papel na imagem das pessoas e no seu bem-estar, sendo, muitas vezes, venerado. Desta forma, cuidar dos cabelos e do couro cabeludo é fundamental para a vida do homem moderno, sendo importante conhecer suas afecções as quais incluem alterações adquiridas ou congênitas que afetam tanto, quantitativa e/ou qualitativamente, a estrutura do fio e também o couro cabeludo (OMAR; GHIDETI, 2008). Levando em consideração os conhecimentos sobre as doenças tricológicas, assinale a alternativa correta. a) As tricoses compulsivas são resultantes de comportamentos autoagressivos, facilmente diag- nosticada, não necessita de investigação psicológica uma vez que o próprio paciente assume sua doença, sendo a tricotilomania, a tricotemnomania e a tricofagia exemplos destas tricoses. b) Tricorrexe nodosa é uma displasia da haste rara, que aumenta a vitalidade dos fios, devido ao aparecimento de pseudonodosidades nos pelos. c) A hipertricose é o excesso de pelos no corpo, onde, normalmente, não existem pelos em abun- dância, podendo ser classificada em hipertricose generalizada, localizada e sintomática. d) Hirsutismo é uma tricose muito comum em homens, caracterizada pela presença de pelos vel- lus no queixo, face, abdômen inferior, ao redor dos mamilos, entre as mamas, glúteos, regiões lombares e parte interna da coxa. e) A pseudofoliculite, considerada uma tricose aguda, consiste na inflamação do folículo piloso, que se manifesta em mulheres jovens em qualquer região do corpo. C O N FI R A S U A S R ES P O ST A S 72 1. Para você fazer uma avaliação eficaz, é necessário saber se comunicar e, principalmente, saber escutar o que é falado e o que deve ser subentendido, realizar a anamnese, que é, basicamente, a entrevista que busca relembrar todos os fatos relacionados ao paciente, tendo como principal objetivo, o diagnóstico e a propedêutica tricológica, que levará ao diagnóstico e avaliará a intensidade e a evolução da doença. 2. E. 3. C. R EF ER ÊN C IA S 73 BERTAIOLLI, V. et al. Hirsutismo, hipertricose e alopécia/Hirsutism, hypertrichosis and alopecia. Acta Méd., Porto Alegre, v. 25, p. 515-515, 2004. BRAGA, D. Terapia capilar: manual de instruções/Denise Braga. Brasília: Editora Senac, 2014. GUPTA, M. A., GUPTA A. K. Depression and suicidal ideation in dermatology patients with acne, alopecia areata, atopic dermatitis and psoriasis. Br. J. Dermatol., v. 139, p. 846-850, 1998. HALAL, J. Tricologia e a química cosmética capilar/John Halal. 5. ed. 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Neste ciclo, desbravaremos os conhecimentos da cosmetolo- gia, conhecendo as características dos produtos capilares, como xampus, condicionadores, colorações e outras químicas utilizadas. Também conhe- ceremos os ativos para tratamentos capilares, os quais são substâncias adicionadas na formulação dos cosméticos capilares com o objetivo de exercer suas funções, tais como de limpeza, hidratação, nutrição, fixação de pigmentos, entre outros. Você terá oportunidade de aprender sobre as alterações que ocorrem nos procedimentos de texturização capilar, como na ondulação permanente, no alisamento e no relaxamento químico, além de conhecer os principais produtos utilizados para a realização destas técnicas e como eles atuam. Conhecerá alguns tratamentos do couro cabeludo e como os procedimentos de massagem, drenagem linfática, argiloterapia e esfoliação, podem ser utilizados na estética capilar. E aí, está curioso(a) para aprender? Então, vamos lá? 76 UNICESUMAR Podemos imaginar que você, como profissional, ao pegar o shampoo na prateleira, já possui o hábito de ler as características químicas, analisar primeiro e associá-las ao resultado que procura. Sabemos que a cosmetologia é o ramo do conhe- cimento e da pesquisa aplicada que se dedica à análise e à utilização dos produtos cosméticos. Ela está em busca constante de inovações e, por consequência, há vários produtos com finalida- des e indicação específica, sendo assim, torna- -se difícil saber qual produto é o ideal para seu cliente, como usá-lo e, até mesmo, os possíveis efeitos adversos. Mas você sabe como funcionam os procedimentos que modificam a textura, a cor do cabelo e afetam, até mesmo, seu crescimento? Sabe diferenciar os componentes das colorações e quais devem ser utilizadas em cada tipo de ca- belo? Tudo isso é importante analisar e conhecer para desenvolver um bom trabalho, assim como saber todos os processos químicos envolvidos para tratamento e prevenção da saúde capilar. Qual seu maior desafio na hora de escolher seus produtos para cada técnica que pretende utilizar? A cosmetologia é um ramo muito promissor, destacado pelo crescimento deste setor, nos últi- mos anos. De acordo com a Euromonitor, a in- dústria brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosmético (HPPC), em 2017, movimentou cerca de US$ 32,1 bilhões em consumo, alcançando o quarto lugar no ranking mundial deste setor. Isto reflete a mudança no comportamento de con- sumo das pessoas, e que a população mundial, finalmente, tem reconhecido a importância deste segmento na promoção do bem-estar e da saúde das pessoas. Além disso, pesquisas mostraram que a mulher brasileira gasta, anualmente, onze vezes mais com produtos de beleza do que as mulheres inglesas, fato apresentado pela revista Stylist. Homens também têm sido grandes consu- midores dos produtos cosméticos e de serviços na área estética, pois o perfil deste novo homem passou a ser um grande alvo de consumo e vem recebendo atenção especial deste setor. Outra parcela da população que tem recebido atenção especial do setor é grupo seniores, ou como sugerido o novo termo “adulto+”, lem- brando que é a parcela da população que vem aumentando, mundialmente, por causa da maior expectativa de vida. Portanto, este ramo oferece um campo vasto de atuação, proporcionando o aumento na geração de emprego e de serviços. Você sabia que, como futuro profissional da área, precisa estar atento a estas transforma- ções? A indústria cosmética acompanha este movimento e tem desenvolvido vários produtos com finalidades específicas para cada público, e conhecer os produtos cosméticos e os trata- mentos pode auxiliar você na sua profissão. Lys é uma jovem loira com 20 anos de idade, chegou a você reclamando que, após usar deter- minado produto, seu cabelo ficou verde e, aparen- temente, começou a cair. Ela relatou que queria 77 UNIDADE 3 voltar a ter seus cabelos na cor natural e para isso utilizou um produto indicado por uma amiga, co- nhecido como restaurador de cor, comprado em uma loja de cosméticos e perfumaria. É possível que os problemas que a Lys relatou sejam conse- quência do uso deste produto? Você conhece al- gum restaurador de cor? Indicaria o seu uso? Qual procedimento e/ou produtos você recomendaria a Lys? Sugiro que você responda estas questões como se estivesse explicando para ela. É comum as pessoas seguirem recomendações de amigos, conhecidos, influenciadores digitais ou, até mesmo, alguma dica da internet, que não tenha respaldo científico. Estas atitudes podem ser perigosas para a saúde capilar e das pessoas, o tal do “barato que sai caro”. Alguns problemas dos cabelos e do couro cabe- ludo podem ser ocasionados por usos inadequados D IÁ R IO D E B O R D O de certos produtos ou pelo excesso de tratamentos químicos. Um dos problemas observados, princi- palmente no verão, na região Sul do Brasil ou em regiões quentes, é alteração na cor dos cabelos claros, tons esverdeados, que pode ser ocasionada por ex- cesso de água de piscina ou por produtos químicos inadequados. Esta alteração da cor dos fios pode ser causada pela deposição do chumbo na haste capilar. Proponho uma reflexão sobre isso. A seguir, no diário de bordo, anote o que você acha sobre as pes- soas seguirem recomendações feitas por canais não confiáveis para realizarem tratamentos ou usarem produtos para os cabelos? Você já realizou algum tratamento caseiro recomendado por amigos, in- fluenciadores digitais, sites etc.? Teve algum dano capilar? Como você agiria com um cliente que che- ga a você para tratar do cabelo/couro cabeludo com danos decorrentes de práticas inadequadas? 78 UNICESUMAR De acordo com o Dicionário Online de Português (2020, on-line)¹, cosmetologia, ou cosmética, é o ramo do conhecimento e da pesquisa aplicada que se dedica à análise e à utilização dos produtos cosméticos. Nos cenários mundial e nacional, o mercado de cosméticos e da beleza está em uma crescente, resultado da mudança no comportamento de consumo da população (PEREIRA, 2013). De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC, 2018), em 2017, o Brasil ocupava a quarta posição no ranking mundial do setor, res- pondendo por 6,9% do mercado mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e do Japão. Este consumo de cosméticos no cenário nacional é facilmente observado no dia a dia, afinal, a maioria das pessoas utiliza, no mínimo, um cosmético ao dia e não fica sem ele. Por exemplo, pense em qual produto cosmético usou hoje? Ficaria sem ele por um longo período de tempo? Diante deste cenário, a cosmética tem como objetivo proporcionar bem-estar e qualidade de vida. Nos últimos anos, o mundo vem passando por mudanças, devido a diversas crises, resultando em uma revolução no consumo mundial voltadas para a busca do bem-estar e da qualidade de vida. Diante deste cenário, qual a importância do mercado cosmético e da beleza? 79 UNIDADE 3 Mas, quando as pessoas começaram a usar cosméticos? O uso de cosmético teve início há cerca de 30.000 anos uma vez quehá indícios de que os homens pré-históricos pintavam seus corpos e se tatua- vam (ABC, [2020], on-line)2. Mas são os egípcios os símbolos do uso de cosméticos da Antiguidade, ao encontrar cremes, incensos e potes de azeite usados na decoração e no tratamento dos corpos, no sarcófago de Tutankamon (1.400 a.C.) e em outras tumbas, incorporando o símbolo da beleza eterna e também a imagem da Cleópatra (69 a.C. a 30 a.C.) se banhando com leite de cabra e de sua maquiagem característica ((ABC, [2020], on-line)2; PEREIRA, 2013), conforme mostra a Figura 1. Figura 1 - Imagem da rainha egípcia Cleópatra e esfinge Durante a dominação grega, os cosméticos tornaram-se ciência. Na era Romana, Claudius Galenus iniciou a era galênica dos produtos químico-farmacêuticos. Durante a Idade Moderna, teve uma cres- cente evolução dos cosméticos, em Paris. Mas o grande desenvol- vimento da cosmética ocorreu nos períodos do pré e pós Segunda Guerra Mundial, com o emprego de tensoativos o que possibilitou a fabricação de cremes contendo componentes oleosos e aquosos mais estáveis. Mas, apenas na Idade Contemporânea, teve o surgimento da indústria cosmética (ABC, [2020], on-line)2; PEREIRA, 2013). Atualmente, a pesquisa cosmética avança para descobertas de matérias-primas eficazes e com baixa irritabilidade. As bases e os ativos dos produtos cosméticos atuam em sinergia para obter a ação esperada, e esses produtos devem ser, sensorialmente, agradáveis, ter um aspecto atrativo, facilidade de aplicação, esta- bilidade físico-química e microbiológica e outros. Os principais tipos de bases cosméticas são (PEREIRA, 2013): 1. Emulsão: sistemas he- terogêneos formados pela combinação de lí- quidos imiscíveis, que, devido aos emulsio- nantes ou tensoativos (também conhecidos como surfactantes), os tornam miscíveis. São constituídos por uma fase oleosa, formada por óleos, ceras e deri- vados; fase aquosa, for- mada pela água e pelos componentes hidrofíli- cos, como umectantes, 80 UNICESUMAR polímeros hidrossolúveis, conservantes corantes, seques- trantes e ativos hidrossolúveis; e interface, formada por tensoativos com propriedades emulsionantes. As emulsões podem ser classificadas, de acordo com sua viscosidade, em leites (sem viscosidade), loções cremosas (fluidas) e cremes (alta viscosidade), ou quanto à hidrofilia ou à lipofilia das fases em óleo em água (O/A) (Figura 2), água em óleo (A/O) (Figura 2), polifases (A/O/A) ou (O/A/O), emulsão polimérica e emulsão de cristal líquido. Figura 2 - Emulsões O/A e A/O, evidenciando a micela e a micela invertida 2. Gel: é hidrofílico, formado por duas fases: a líquida, re- presentada pela água, e a sólida, representada pelo agente gelificante. São muito usados, devido a espalhar, facil- mente, não são gordurosos e podem veicular princípios ativos hidrossolúveis e lipossomas. 3. Gel-creme: são sistemas contendo alta porcentagem de fase aquosa e baixo conteúdo da fase oleosa, estabilizados por um polímero hidrofílico. Têm a vantagem sensorial refrescante dos géis com a maciez das emulsões, além de incorporar substâncias lipossolúveis, como filtros solares e ativos oleosos, sem que o produto deixe na pele uma sensação pesada e oleosa. 4. Pós: são formados pela mistura de diversas matérias-pri- mas na forma sólida. Podem ser usados diretamente na pele ou preparados com o uso de solventes. Eles têm vantagens, como tamanho reduzido, prescrição precisa e maior esta- bilidade, porém têm mais chance de deterioração. ÁguaÓleo O/A A/O ÓleoÁgua Micela Micela Invertida 81 UNIDADE 3 As matérias-primas usadas em produtos cosmé- ticos podem ter origem natural (minerais, ani- mais e vegetais), semissintética (emulsionantes, espessantes, antioxidantes, emolientes e outros) e sintética (conservantes, filtros solares, ésteres, po- límeros sintéticos e silicones) (PEREIRA, 2013). Como já mencionado, é fundamental conhecermos as características dos produtos (xampu, condicio- nador, máscara, coloração, entre outros) para, en- tão, sabermos como usá-los e quando indicá-los. Os cosméticos capilares são formulações destinadas ao cuidado com os cabelos e o couro cabeludo, podem ter como objetivo higieniza- ção, hidratação, proteção, alteração da aparência do cabelo ou tratamento. O que diferencia um produto cosmético capilar de outro é o meca- nismo de ação que está relacionado à sua for- mulação (MATIELLO et al., 2019). Os xampus, os condicionadores e os fixa- dores são emulsões, contendo principalmente água, óleo e surfactantes. Sendo a água o princi- pal constituinte destas emulsões e suas proprie- • Cosmetologia ou cosmética é o ramo do conhecimento e da pesqui- sa aplicada que se dedica à análise e à utilização dos produtos cosméticos. • As bases e os ativos atuam em siner- gia para obter a ação esperada. • As matérias-primas usadas nos pro- dutos cosméticos podem ter origem natural, semissintética e sintética. • Os produtos cosméticos são, senso- rialmetnte, agradáveis, de aspecto atra- tivo, fáceis de aplicar, estáveis e outros. dades químicas, tais como polaridade, ligações de hidrogênio, tensão superficial e solvente, são essenciais a essas misturas. Apesar de a água ser considerada solvente universal, ela não é capaz de dissolver o óleo, que, por sua vez, é hidrofó- bico e lipofílico, exemplificado pela frase “óleo e água não se misturam” (HALAL, 2016). Mas um componente presente nos cosméti- cos consegue vencer este obstáculo. Sabe qual é? O componente é o surfactante. Como ele faz isto? O termo surfactante quer dizer agente ati- vo da superfície, eles são capazes de umedecer os cabelos e dispersar o óleo na água, por meio da redução da tensão superficial. Existem vários tipos de surfactantes e cada um com diferentes características de limpeza e de condicionamento do cabelo. Assim, na formulação de cosméticos, utiliza-se uma combinação de diferentes sur- factantes para promover os efeitos desejados (HALAL, 2016; MATIELLO et al., 2019). 82 UNICESUMAR O xampu tem como finalidade limpar o couro cabeludo, removendo células mortas do estrato córneo, componentes do suor, excesso de sebo, resíduos cosméticos e poluição que, geralmente, se acumulam nesta região e geram um aspecto de sujidade e oleosidade. Além disso, ele necessita atender às necessidades específicas dos cabelos, como o pH ácido (entre 4,5 a 5,8) e, ainda, pre- servar a regulação fisiológica do sebo, manter níveis de hidratação local e evitar a proliferação de microrganismos prejudiciais, como bactérias e fungos (MATIELLO et al., 2019). Antigamente, os babilônios usavam agentes saponáceos (sabão) para lavar seus cabelos, e estes tinham função de detergente cuja formulação era baseada em gordura animal ou vegetal misturadas a substâncias muito alcalinas. Estes sabões proporcionam uma limpeza profunda do couro cabeludo e dos fios, porém a alcalinidade fazia as cutículas da haste capilar dilatar, tornando-as porosas, resul- tando em cabelo opaco e sem brilho, causando muitos danos aos fios. Por isso, a indústria cosmética criou xampus menos alcalinos, os quais causam menos danos aos cabelos, com o surgimento do primeiro xampu não alcalino, em 1933 (HALAL, 2016; LOPES, et al., 2017; MATIELLO et al., 2019). O mecanismo de ação dos xampus atuais está baseado na sua função principal que é de limpeza dos cabelos e do couro cabeludo, sendo assim, seu principal ativo cosmético é o surfactante, como agente de limpeza. O processo de limpeza dos cabelos e do couro cabeludo ocorre, basicamente, da seguinte forma (MATIELLO et al., 2019): 1º - As moléculas de xampu carregadas com surfactantes entram em contato com os cabelos. 2º - Inicia-se a ação dos surfactantes, de reduzir a tensão superficial entre a água e a gordura, que é potencializada com a esfregação dos fios. 3º - Levando a diminuição da aderência das moléculas de gordura e sujidade com a queratina dos cabelos. 4º - Ao enxaguar a sujidade e a gordura dos fios e do couro cabeludosão removidas em conjunto do surfactante. Além da água e dos surfactantes, os xampus possuem outros compostos, como desembaraçadores antiestéticos, agentes condicionantes, quelatos, agentes perolizantes ou opacificadores, formadores de espuma, conservantes, espessantes, fragrâncias, entre outros (HALAL, 2016; MATIELLO et al., 2019). Mas, como escolher o xampu certo para cada cliente? A escolha do xampu deve levar em consideração a condição dos cabelos e do couro cabeludo do cliente que deve ser, previamente, avaliado. Em geral, os cabelos são classificados em oleoso, seco, normal ou tratados quimicamente (FRANGIE et al., 2016; MATIELLO et al., 2019). Atualmente, há uma tendência para produtos per- sonalizados, e algumas marcas possibilitam a combinação de produtos com diferentes funções de acordo com a necessidade de cada cabelo (ABIHPEC, 2018). Entre os vários xampus exis- tentes, alguns estão descritos aqui. 83 UNIDADE 3 Xampus para cabelos secos não podem ser agressivos nem remover, profundamente, a oleosi- dade uma vez que, nesses cabelos, há uma redução na hidratação natural dos fios. Geralmente, usam surfactantes não iônicos, que conferem suavidade às formulações. Além disso, esses xampus devem conter substâncias ativas que se depositam nos cabelos e permanecem mesmo após a lavagem, proporcionando uma hidratação extra, como proteínas hidrolisadas (MATIELLO et al., 2019). Os xampus para cabelos oleosos ou xampus balanceadores devem apresentar maior concen- tração de surfactantes, e estes serem mais poten- tes, tais como surfactantes aniônicos, de forma que removam a maior quantidade de oleosidade dos cabelos. Também podem ser adicionados ativos excepcionais que acrescentam ao xampu adstringência, controle da oleosidade e efeito an- timicrobiano. Esses xampus, além de removerem o excesso de oleosidade dos fios, impedem que o cabelo resseque (MATIELLO et al., 2019). Xampus para cabelos ressecados e danifica- dos possuem maior quantidade de surfactan- tes aniônicos e podem ter em sua constituição compostos, como Aloe vera e óleo de argan, que atuam na hidratação e na regeneração dos fios, e, também, agentes condicionadores, como proteína e biotina, que restauram a umidade e a elasticidade dos fios, fortalece a haste e dão volume. Esses xampus têm a função de reter a umidade, tornar o cabelo mais macio, brilhante, maleável e não removem a cor artificial do cabe- lo. Também podem ser denominados de xam- pus hidratantes ou condicionadores (FRANGIE et al., 2016; MATIELLO et al., 2019). Xampus anticaspas são para tratamento, con- tém em sua formulação os ativos antifúngicos, como o cetoconazol, piritiona de zinco ou sul- fureto de selênio, que controla a caspa suprimin- do o crescimento do fungo causador da caspa. Devido a serem de uso diário, sua formulação é suave e deve ser utilizado apenas com orientação médica (HALAL, 2016; MATIELLO et al., 2019). Xampus antiqueda são de tratamento, pos- suem ativos de estimulação e restauração capi- lar, como o D-pantenol e possuem surfactantes aniônicos mais suaves (MATIELLO et al., 2019). Xampus de retenção de cor ou para cabelos quimicamente tratados são mais suaves, em ge- ral, são livres de sulfato, criados pela combinação de surfactantes com pigmentos de cor básica e atuam prevenindo ou amenizando o desbota- mento dos fios. Eles possuem pH ácido (entre 4,5 a 5,8) próximo ao pH dos cabelos (pH ba- lanceado), por isso, promovem o fechamento das cutículas e a manutenção da química (FRANGIE et al., 2016; MATIELLO et al., 2019). Xampus infantis possuem surfactantes aniô- nicos extremamente suaves, como o lauril ou éter sulfato, associados a surfactantes anfotéricos, como coco betaína (MATIELLO et al., 2019). Xampus purificantes contêm um agente quelante ativo que se liga a metais (como fer- ro e cobre) e os remove do cabelo, bem como um agente equalizador que enriquece o cabelo, ajuda a reter a umidade e torna o cabelo mais maleável. Estes xampus são indicados para pré- -tratamentos químicos e quando há acúmulo de produtos químicos nos fios (FRANGIE et al., 2016; MATIELLO et al., 2019). Xampus a seco ou xampus em pó têm ação de limpeza sem usar água e sabão, o pó remove a suji- dade e a gordura conforme passa a escova ou o pen- te pelo cabelo. Indicado para uso em pessoas com estado de saúde debilitada, geralmente, em idosos. (FRANGIE et al., 2016; MATIELLO et al., 2019). 84 UNICESUMAR Devido à remoção da oleosidade natural dos cabelos pela ação dos xampus, é necessário outro produto para devolver aos fios sua hidratação natural, o produto que faz isto é o condicionador. Sendo assim, o condicionador tem a função de recuperar a hidratação natural dos cabelos e é destinado à aplicação logo após a lavagem (MATIELLO et al., 2019). Os compostos dos condicionadores têm as funções de proteção da fibra capilar, aumento do brilho e facilitação do pentear devido ao fechamento das cutículas capilares. Os condicionadores podem ser considerados xampus invertidos uma vez que a porção de agentes hidratantes é maior do que a de surfactantes. Além dos hidratantes e surfactantes, eles possuem umectantes, espessantes, fragrâncias, conservantes, entre outros (HALAL, 2016; MATIELLO et al., 2019). O principal ativo dos condicionadores é o agente condicionante/hidratante, como alcoóis graxos, silicone, umectantes, hidratantes, proteínas e derivados de proteínas, surfactantes catiônicos e outros (HALAL, 2016; MATIELLO et al., 2019). Os condicionadores podem ser, basicamente, de três tipos: condicionador com enxágue; condicionador de tratamento ou reparação, este é usado para repor nutrientes dos fios e aplicado nos fios por mais tempo que o primeiro; e o condicionador sem enxá- gue, que permanece nos fios até a próxima lavagem (FRANGIE et al., 2016; MATIELLO et al., 2019). As máscaras capilares, também chamadas de agentes de tratamento de condicionamento profun- do, têm a função de tratamento de hidratação profunda dos fios, são compostas por ativos condicio- nantes catiônicos associados a outros agentes condicionantes. Elas têm o objetivo de complementar os tratamentos de condicionamento dos fios. Sua composição assemelha-se ao dos condicionadores de uso regular, porém possuem maior concentração de agentes espessantes, maior viscosidade e são ricas em ativos condicionantes. Elas atuam nas duas camadas mais externas dos fios, selando as cutículas, e no córtex, devolvendo nutrientes, tais como as proteínas (MATIELLO et al., 2019). Você acha que a sequência correta do uso dos produtos deve ser: xampu–condiciona- dor–máscara ou xampu–máscara–condicionador? A sequência recomendada é: xam- pu–máscara–condicionador. Em geral, os condicionadores são aplicados nos cabelos por, no mínimo 5 min, já as máscaras levam em média 10 min. Existem máscaras com propriedade hidratante, com ativos hidratantes que criam um filme protetor ao longo das fibras capilares, selando as cutículas; reconstrutoras ou restauradoras, indicadas para cabelos que se encontram com alteração de composição, com perda excessiva de queratina e com porosidade aumentada, estas devem ser à base de proteínas, aminoácidos, silicones, óleos vegetais, entre outros; e nutritivas, indicadas para cabelos secos que necessitam repor nutrientes e lipídios, elas contêm ativos emolientes e hidratantes que fornecem um condicionamento profundo aos fios (MATIELLO et al., 2019). 85 UNIDADE 3 Os produtos finalizadores e fixadores têm a principal característica de não serem retirados dos cabelos e aplicados após o uso de xampus, máscaras e condicionadores. Os principais constituintes destes cosméticos são resinas poliméricas, surfactantes não iônicos e alcoóis. Os finalizadores têm a função de reduzir o frizz, facilitar o penteado e alterar o volume, e os mais usados são (HALAL, 2016; MATIELLO et al., 2019): • Mousse: promove maciez e é facilmente removível, contendo em sua composição polímeros catiônicos solúveis em águae polímeros aniônicos. Aplicados nos cabelos úmidos ou secos, alguns possibilitam a coloração temporária dos cabelos e/ou aumentam o volume. • Loções: formam uma película fina sobre a haste capilar, composta por resinas poliméricas. Geralmente, são aplicados nos cabelos úmidos antes de alguma manipulação, como escovas e penteados. Com o objetivo de aumentar o volume, ou dar sustentação aos penteados, ou facilitar e evitar escamar durante o pentear/escovar. • Leave-in: tem a função de proteger os fios, formando uma película na haste capilar. Contém a mesma formulação básica das loções, mas, em vez de terem resinas poliméricas, possuem con- dicionadores catiônicos, também podem ter derivados de proteínas ou quaternários de amônio. Os fixadores, como o próprio nome já diz, têm a função de fixação dos cabelos. Então, quando se pretende modificar, temporariamente, o aspecto dos cabelos (aumentar o volume, alterar forma e/ou posição) eles são utilizados. Os mais comuns são (HALAL, 2016; MATIELLO et al., 2019): • Gel: endurece os fios na posição desejada e tem efeito molhado. • Spray de fixação ou hair spray: fixa e dá forma, por meio de uma película seca e de difícil remoção. Geralmente, são aplicados nos cabelos secos e após o término/durante o penteado. Possuem compostos voláteis que promovem a secagem rápida ou instantânea. O ativo mais utilizado é o álcool sd (álcool especialmente desnaturado). As colorações para cabelos (tinturas) são classificadas quanto à reatividade dos princípios ativos em colorações não oxidativas, que são as temporárias, as semipermanentes e a coloração permanente não oxidativa (coloração metálica); e em colorações oxidativas, que são as demipermanentes e as permanentes (Figura 3) (HALAL, 2016; FRANGIE, et al., 2016). Olá, aluno(a)! Indico a você assistir aos vídeos do Alejandro Valente, cabe- leireiro, colorimetrista capilar, hairstylist, empresário, consultor, blogger, youtuber, professor, comunicador e empreendedor. Acesse o link é https://www.youtube.com/channel/UCRmkU4V1Da_h0ugkDeFHqpw, em que há vários vídeos com dicas de produtos e tratamentos capilares os quais podem ajudar você. Acredito que gostará! Para acessar, use seu leitor de QR Code. https://www.youtube.com/channel/UCRmkU4V1Da_h0ugkDeFHqpw 86 UNICESUMAR Geralmente, as colorações não oxidativas “contêm apenas um componente, não dependendo da mistura de revelador e/ou ativador, e não envolve reações químicas para ação e/ou formação da cor” (OLIVEIR45A, 2018, p. 17,). Também não é necessário fazer teste de contato antes da aplicação. Este tipo de coloração pode agir tanto por deposição quanto pela interação de corantes estáveis. A cor dessas colorações é a mesma da embalagem e se mantém durante todo o processo, além disso, elas não podem clarear a cor natural dos fios, tendo sua fixação restrita a um número pré-determinado de lavagens. Nessas colorações, não se observa uma demarcação muito grande do crescimento da raiz e existem três tipos de corantes associados a esta categoria: vegetais (Henna), metálicos e compostos (HALAL, 2016). Figura 3 - Deposição nos fios dos pigmentos de coloração de cabelos As colorações temporárias agem por deposição do pigmento na superfície dos cabelos (Figura 3), atraídas por diferenças na polaridade. Causam apenas mudança física na haste capilar e com pouca durabilidade da cor. As moléculas da coloração temporária são consideradas muito grandes para permear as camadas das cutículas de um cabelo saudável, porém, em cabelos claros ou porosos, as moléculas podem permear essas camadas, ocasionando manchas no cabelo. Estas colorações são consideradas máscaras de cor, auxiliam na neutralização dos tons indesejados, são usadas para uniformizar as tonalidades alcançadas após uma descoloração, restaurando a cor e o brilho dos fios. São soluções concentradas à base de água e podem ser encontradas como cremes enxaguantes, mousses e géis coloridos, máscaras, sprays e xampus. A maioria delas possuem pH levemente ácido e com polaridade positiva, porém algumas têm o pH levemente alcalino, que promove a dilatação das camadas externas da cutícula, aumentando a intensidade e a profundidade de deposição dos corantes na haste capilar. Isto resulta em maior durabilidade da cor e resistência ao desbotamento, porém também causa mais danos às fibras capilares (FRANGIE et al., 2016; HALAL, 2016). Medula Cutícula Moléculas de tintura de cabelo Córtex Permanente Demipermanente Semipermanente e temporária Cutícula 87 UNIDADE 3 As colorações semipermanentes (Figura 3) são semelhantes às colorações temporárias que atuam por interação e não são mistu- radas a outros componentes a serem aplicados, conhecidas como colorações diretas. A diferença entre elas consiste no tamanho de suas moléculas, que, na coloração semipermanente, são menores, e na afinidade ou nível de polaridade do produto com o cabelo cuja coloração é maior comparada à coloração temporária, resultando em mais durabilidade da cor (FRANGIE et al., 2016; HALAL, 2016). A coloração permanente não oxidativa, popularmente conhe- cida como coloração metálica, não é destinada ao uso profissional. São, frequentemente, comercializadas como cores progressivas ou restauradores de cor, termos usados, inadequadamente, uma vez que este tipo de coloração não tem a capacidade de restaurar a cor natural dos cabelos. Eles possuem, em sua composição, corante natural à base de sais de chumbo, prata, cobre e níquel, que são misturados à henna para formar corantes compostos. É conside- rada uma coloração tóxica, e seu efeito final é um cabelo opaco e sem vida. Além disso, pode revelar reflexos e cores indesejadas ou inesperadas, como cor verde no cabelo, devido à deposição de cobre. Seu uso contínuo pode resultar em quebra dos fios, e os metais serem absorvidos pela pele, podendo levar a níveis altos no organismo, resultando em efeitos colaterais, como dores de cabeça, dermatite, inchaço, alopecias e em casos extremos envenenamento devido ao chumbo (HALAL, 2016). Esse tipo de coloração é apontado como a origem dos proble- mas graves enfrentados pelos cabeleireiros uma vez que elas são incompatíveis com os produtos utilizados nos salões. Quando se percebe que a pessoa utilizou este tipo de produto, recomenda-se o corte uma vez que a remoção é difícil e de risco. Fiquem atentos aos termos nos produtos coloração progressiva e restauradora (HALAL, 2016). Provavelmente, a Lys (Estudo de Caso) teve pro- blemas ao usar este tipo de coloração e, aqui, você tem informações que contribuem para a resolução do Estudo de Caso. As colorações oxidativas agem por meio de uma reação quí- mica que possui dupla função, a de formar os corantes e fixar a cor no cabelo. Essa coloração não se encontra pronta, ela deve ser misturada a um ativador ou revelador, conhecido como agente oxidante, emulsões condicionadoras contendo peróxido de hidro- gênio (H2O2), que provoca uma reação oxidativa e revela a cor da coloração. Sendo assim, a cor do produto da embalagem não é a mesma da aplicação. Em geral, essas colorações são instáveis duran- te todo o processo e podem se apresentar como cremes e emulsões em gel. Elas podem variar na entrega do resultado em função das possibilidades de redução dos percentuais de H2O2, oferecendo durabilidade demipermanente e/ou per- manente. Elas requerem teste de contato de 24 à 48h antes da aplicação (HALAL, 2016). As colorações demiper- manentes (Figura 3) propi- ciam cor de longa duração sem o poder de clarear a cor natural do cabelo, podem ser usadas para cobrir os fios brancos ou realçar a cor dos pigmentos do cabelo. Essas colorações duram de quatro a seis semanas, são menos agres- sivas do que as colorações per- manentes, porque promovem a oxidação dos corantes entre as camadas cuticulares e com pouca interação com o córtex, além de exercerem um baixo poder de dilatação na sua es- trutura externa. Essas colora- ções possuem uma alcalinida-de menor do que as colorações permanentes, usam agentes alcalinizantes não amonía- cos e podem ser diferentes do H2O2, como o monoetanola- mina, que provoca dilatações mais lentas e viabilizam baixos níveis de oxidação. Podem ser encontradas como gel, creme ou líquido (FRANGIE et al., 2016; HALAL, 2016). 88 UNICESUMAR As colorações permanentes (Figura 3) proporcionam uma cor bonita e duradoura e ainda podem clarear a cor natural do cabelo e mudar sua tonalidade, simultaneamente, em um único processo. São mais alcalinas que as colorações demipermanentes e misturadas a um revelador com maior concentração de H2O2. Os níveis de dilatação das camadas cuticulares, assim como a oxidação dos corantes, são controlados pelo pH da coloração e pelo percentual de H2O2 do revelador. Este tipo de coloração tem sua capacidade de clareamento elevada de acordo com a concentração de H2O2 presente na solução. Lembre-se: você deve sempre seguir as recomendações do fabricante uma vez que alterar a proporção do H2O2, também altera a concentração final do produto e poderá ter resultados indesejados e danos ao cabelo (FRANGIE et al., 2016; HALAL, 2016). O que diferencia um produto cosmético capilar de outro é o mecanismo de ação que está relacionado à sua formulação, mais especificamente a seus ati- vos (MATIELLO et al., 2019). Os ativos para tratamentos capila- res podem alterar características dos fios, como cargas eletrostá- ticas, fechamento de cutículas, hidratar, reconstruir e fortalecer os fios de acordo com suas carac- terísticas (BRAGA, 2014). Os surfactantes são agentes ativos de superfície, usados na formulação dos cosméticos ca- pilares, são capazes de umede- cer os cabelos e dispersar o óleo na água, por meio da redução da tensão superficial. Isto ocor- re porque sua molécula é anfi- pática (Figura 4), ou seja, pos- sui duas partes distintas, sendo uma extremidade hidrofílica (possui afinidade com água, dissolvendo-a) e outra lipofílica (possui afinidade com óleo, dis- solvendo-o), tornando a emul- sificação (mistura) do óleo e da água possível (HALAL, 2016; MATIELLO et al., 2019). SUJIDADES HASTE CAPILAR MICELA MOLÉCULA DO SURFACTANTE Água Região hidro�lica Região hidrofobica • Xampus: agentes de limpeza destinados à remoção de oleosidade e sujidades que se acumulam, diariamente, nos cabelos e no couro cabeludo. • Condicionadores: agentes destinados a recuperar a hidratação natural dos cabelos, removida pelos xampus durante a lavagem. • Máscaras: agentes destinados à hidratação pro- funda dos fios. • Finalizadores: reduzir o frizz, facilita o penteado, alte- rar o volume, entre outros. • Fixadores: fixar e dar forma aos cabelos. • Tinturas/colorações: modificar ou tonalizar a cor na- tural dos cabelos. Figura 4 - Ação de uma molécula surfactante ao limpar o cabelo e o couro cabeludo 89 UNIDADE 3 O surfactante age da seguinte forma: o seu polo hidrofílico se liga às moléculas de água e às sujidades (moléculas hidrofílicas), excluindo as moléculas lipofílicas (gorduras/lipídios), que se ligam à sua região lipofílica, resultando na formação de micelas que se deslocam nos fios de cabelos, removendo a sujidade e as gorduras no enxágue (Figura 4) (HALAL, 2016; MA- TIELLO et al., 2019). Existem vários tipos de surfactantes e podem ser classificados de acordo com sua carga elétrica em (HALAL, 2016): • Surfactantes aniônicos: carregados negativamente, são os mais utilizados como agentes de limpeza secundários, são baratos, efetivos, de usos simples e facilmente removidos do cabelo. Porém alguns são ásperos e agridem o couro cabeludo, além de deixarem os cabelos ásperos, sem brilho e com eletricidade estática aumentada (frizz). Exemplos: lauril sulfatos, lauril éter sulfatos, sarcosinatos e sulfosuccinatos. • Surfactantes catiônicos: carregados positivamente, promovem os efeitos de umectação, antiestatismo elétrico (anti-frizz) e atividade antimicrobiana. Porém tem a capacidade limitada de remoção da oleosidade e não produz muita espuma. São utilizados em formulações com o objetivo de uma capacidade mínima de limpeza. Exemplos: sais de amônio quaternário. • Surfactantes anfotéricos: carregados, positiva ou negativamente, a carga elétrica dependerá do pH do ingrediente utilizado. Assim, têm muita versatilidade de uso e, por serem caros e menos agressivos, são encontrados apenas em xampus de qualidade superior e em xampus infantis. Exemplos: derivados de betaína, de sulfo betaínas e do ácido aminopropiônico. • Surfactantes não iônicos: não possuem carga elétrica e não têm função se aplicados, iso- ladamente, aos fios, pois apresentam capacidade de higienização mediana, além de serem pouco espumosos. Entretanto são empregados em quase todas as formulações de xampus com o objetivo de reduzir a agressividade dos agentes de limpeza aniônicos, utilizando-os de maneira conjunta. Exemplos: óxidos de amina e derivados etoxilados. Além dos surfactantes, os xampus possuem outros produtos adicionados à sua formulação e que também podem ser encontrados em outros cosméticos capilares, como (HALAL, 2016; MATIELLO et al., 2019): • Formadores de espuma aumentam a quantidade de espuma. Exemplos: aminas gordas e os óxidos de amina. • Agentes quelantes/sequestrantes previnem a formação de precipitação de metais, como cálcio e magnésio, evitando a deterioração dos xampus. • Agentes desembaraçadores antiestéticos reduzem a concentração do agente de limpeza catiônico ao fim da lavagem, tornando o ato de pentear mais fácil e reduzindo o frizz. • Conservantes evitam o crescimento de microrganismos no produto. • Fragrâncias garantem um cheiro agradável ao produto. • Agentes espessantes aumentam a viscosidade do produto, facilitando sua aplicação. • Agentes perolizantes ou opacificadores: aumentam (perolizantes) ou reduzem (opacifica- dores) o brilho dos cabelos sem interferir na limpeza. 90 UNICESUMAR O principal ativo dos condicionadores é o agente condicionante, que pode estar presente, também, em xampus e outros cosméticos. Podem ser alcoóis graxos, que são gorduras, óleos ou ceras, exem- plos são o álcool cetílico e o estearílico; silicone, menos gorduroso que os óleos comuns e forma uma película sobre a haste capilar, impede a perda de água e protege os fios de danos, e como exem- plos: dimeticona, amodimeticona e ciclometicona; umectantes os quais mantêm a umidade dos fios, um exemplo é a glicerina; hidratantes, compostos oleosos que previnem a perda de água do cabelo por meio do revestimento dos fios, como exemplos a lanolina e o óleo mineral; proteínas e derivados de proteínas que selam as pontas duplas, aumentam a resistência e a elasticidade dos cabelos e equilibram a porosidade, como exemplos temos proteí- nas hidrolisadas, hidrolisados proteicos de colágeno, proteínas de animais e seda e outros (HALAL, 2016; MATIELLO et al., 2019). Nas colorações um agente oxidante comumente usado é o H2O2, que pode ser entendido como uma água (H2O) contendo um oxigênio extra, o qual é muito reativo e responsável pela capacidade de oxidar a melanina. O H2O2 concentrado não é permitido ser usado em salões, devido aos riscos à saúde e de acidentes graves. Por isso, utiliza-se uma solução aquosa de H2O2, sendo que o termo volume indica a porcentagem de H2O2 en- contrado na solução, como demonstrado no Quadro 1. Essas soluções são estabilizadas por agentes acidificantes para prevenir sua degradação prematura (HALAL, 2016). Quadro 1 - Porcentagem e volume do peróxido de hidrogênio (H2O2) em soluções aquosas Porcentagem de H2O2 em água Volume de H2O2 3% Volume 10 6% Volume 20 9% Volume 30 12% Volume 40* *Obs.: acima do volume 40 não é permitido o uso em salões, sendo que apenas químicos graduados tem permissão para o manuseio. Fonte: adaptado de Halal (2016). A amônia (NH3) é usada como agente alcalino em clareadores, é um álcali orgânico. É uma pequena molécula volátil com odor forte e característico, usada paraaumentar o pH da solução uma vez que ela remove o íon hidrogênio (H+) da água, deixando o íon hidroxila (OH-) livre no meio. Devido à amônia ser um gás, as colorações contêm hidró- xido de amônio ou amoníaco (NH4OH) e, no momento da reação química de oxidação, a amônia é liberada. Outro agente alcalino utilizado nos clareado- res é a alcanolaminas, que subs- tituem a amônia e vêm ganhan- do mercado devido a não serem voláteis e possuírem odor mais fraco. Elas são formadas pela reação química de etoxilação do hidróxido de amônio com óxi- do de eteno, e os produtos desta reação são o monoetanolamina (MEA), dietanolamina (DEA) e trietanolamina (TEA). Apesar de não terem odor forte, podem promover a mesma alcalinidade e os danos ao cabelo causados pela amônia (HALAL, 2016). Existem duas categorias de princípios ativos utilizados para mudar a forma do cabelo: os tióis (tioglicolato de amônio, TGA), nas ondulações perma- nentes e alisamentos, e os hidró- xidos (OH-), produtos alisantes mais alcalinos (HALAL, 2016). Os produtos à base de tiol (mercaptanos) são os agentes redutores do líquido de perma- nente, sendo o ácido tioglicólico (HSCH2COOH) o mais usado. Estes compostos fornecem os átomos de hidrogênio (H) res- ponsáveis pela redução que 91 UNIDADE 3 ocorre durante o processo de ondulação permanente, alisamento ou relaxamento químico. Uma vez que o ácido tioglicólico não penetra no córtex capilar, é utilizado um álcali, o hidróxido de amônio, que juntos formam o composto TGA e, assim, penetram no córtex, ocorrendo a reação química (HALAL, 2016). Para alisamentos e relaxamentos químicos, os alisantes hidróxidos de metal são prontos para o uso e não requerem ativador, sendo o íon OH- o seu princípio ativo e são incompatíveis aos tióis. Entre dos hidróxidos de metal usados estão (HALAL, 2016): • Hidróxido de sódio (NaOH): também é conhecido como lixívia ou soda cáustica, é um alisante eficaz, substância altamente corrosiva, com pH maior que 12. O cabelo pode dilatar mais de duas vezes seu diâmetro normal. • Hidróxido de lítio (LiOH) e hidróxido de potássio (KOH): o mecanismo de ação é seme- lhante ao NaOH. • Hidróxido de guanidina: também tem o mesmo mecanismo de ação que os anteriores, porém apresenta mais tolerância em contato com cabelos super processados quimicamente e agridem menos o couro cabeludo. Estes alisantes contêm dois componentes, o creme contendo o hi- dróxido de cálcio e um ativador líquido contendo carbonato de guanidina, que são misturados no momento de uso, e ocorre uma reação química resultando no hidróxido de guanidina. Os cabelos tendem a ficar mais secos devido à formação residual de carbonato de cálcio. Alterações provocadas pelos produtos e procedimentos (ex.: ondulação permanente, alisamento e relaxamento químico) Acredito que a maioria das pessoas, principalmente as mulheres, já fizeram, ou pensaram em alterar alguma característica dos seus cabelos. Não é mesmo? Mas você já pensou quais são as alterações provocadas pelos produtos e procedimentos (ex.: ondulação permanente, alisamento e relaxamento químico) nos cabelos? Então, que tal aprender um pouco sobre isto. As técnicas para alterar a forma do cabe- lo são ondulação permanente, alisamento e relaxamento químico. O processo de ondu- lação permanente consiste no ato de ondular ou encrespar o cabelo naturalmente liso, já o alisamento ou relaxamento químico tem por objetivos reduzir o volume e/ou alisar o cabelo naturalmente encrespado (HALAL, 2016). A esticabilidade das α-queratinas e suas ligações dissulfetos consistem na base destas técnicas, consideradas processos de engenharia bioquí- mica (NELSON; COX, 2014). 92 UNICESUMAR Apesar dos objetivos dessas técnicas serem diferentes, são procedimentos, bioquimicamente, semelhantes. A química dos relaxantes à base de tiol e dos permanentes é igual e, embora a quí- mica dos alisantes à base de hidróxidos serem diferentes, todos eles mudam o formato do cabelo rompendo as pontes dissulfeto. Sendo assim, estes procedimentos ocorrem por mudanças químicas e físicas que acontecem no interior da fibra capilar (HALAL, 2016). Para melhor compreensão, sugiro que você relembre o conteúdo visto no primeiro ciclo deste livro. A ondulação permanente possui uma infinidade de variações no padrão de ondulação que é determinado pelo diâmetro do bigudi, ou do rollers, ou bumerangues, ou de outra ferramenta. No alisamento e no relaxamento, químico a ação mecânica pode ser realizada com auxílio de um pente de cabo no cabelo já com o produto ou enluvando com as mãos o cabelo com o produto a fim de puxá-lo, alinhando-o (HALAL, 2016). Os produtos destinados à ondulação permanente são compostos pelo líquido permanente, que consiste em uma solução alcalina que tem como função dilatar a cutícula e permitir a penetração do princípio ativo no córtex, e o neutralizante, que neutraliza qualquer solução que tenha ficado no cabelo e também tem a função de religar as pontes dissulfeto (HALAL, 2016). No processo de ondulação permanente, o cabelo é, inicialmente, enrolado ao redor de uma forma e, após, aplica-se a solução de um agente redutor à base de tiol ou sulfidril (-SH) com o calor. O agente redutor rompe as ligações laterais (ligações transversais) pela redução de cada ligação dissulfeto em dois resíduos de cisteína (Cys), como pode ser observado nas Figuras 5 e 6. A umidade e o calor, atuando em conjunto, rompem as ligações de hidrogênio, resultando no desenrolamento da estrutura da cadeia polipeptídica, ou seja, ocorre a desnaturação das fibras de queratina. Depois de determinado tempo, remove-se a solução redutora e adiciona um agente oxidante (o neutralizante) para fazer novas liga- ções dissulfeto entre pares de resíduos Cys de cadeias adjacentes, ocorrendo à neutralização química (HALAL, 2016; NELSON; COX, 2014). Depois de lavado e resfriado o cabelo, as ligações polipep- tídicas da α-queratina voltam à sua conformação helicoidal, conformação nativa. Agora, o cabelo e as fibras do cabelo enrolam da forma desejada, como mostrado na Figura 6 (NELSON; COX, 2014). (A) Cistina (B) Cisteína Ligação dissulfeto Figura 5 - Cistina (A) e Cisteína (B) 93 UNIDADE 3 Figura 6 - Ondulação permanente / Fonte: Halal (2016, p. 219). O mesmo processo bioquímico descrito é usado para o alisamento ou relaxamento químico à base de tióis, porém, em vez de enrolar, ocorre o alisamento e/ou o alinhamento do cabelo (Figura 7a). Lembre-se de que estes procedimentos não são permanentes de fato uma vez que o cabelo cresce e o novo cabelo terá α-queratina no padrão natural de ligações dissulfeto (NELSON; COX, 2014). Pontes S Pontes H + ++ + + + + + + + + + + + ++ + + + + + + + + + + + + + 1. O Cabelo alinhado (Tanto as pontes H quanto as S estão esticadas). 2. O cabelo enrolado com bigudi e amaciado pela lavagem e o líquido de permanente (As pontes H e parte das S se quebraram). 3. O cabelo após a neutralização (Algumas pontes H e várias S reformadas). 4. O cabelo enrolado com bigudis após a devida secagem (A maioria das pontes de H foi reformada, assim como as S). 5. O cabelo após o processo de enrolar (As pontes originais de S estenderam-se na forma de ondas). + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + 1. Cabelos virgens ondulados Cadeias polipeptídicas virgens mostrando a posição original do dissulfeto de cistina conectadas entre si. 2. Processamento Ligações S reduzidas (rompimento da conexão do dissulfeto de cistina). 3. Neutralização Creme neutralizante aplicado sobre os cabelos após o amaciamento e o alisamento. 4. Enxágue O excesso de neutralizante e água é removido, deixando o cabelo alisado. Hidrogênio Ligações normais S Ligações H (físicas) Cadeia polipeptídica Cadeia polipeptídica adjacente Oxigênio Molécula de água Ligações cruzadas dissulfeto de cistinaou ligações S Ligações S reduzidas A cistina é alterada para cisteína Ligações S oxidades (pontes de enxofre) A secagem forma novamente as ligações S Ligações S formadas novamente + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + Figura 7a 94 UNICESUMAR Figura 7b 1. Cabelos ondulados 2. O cabelo sendo processado 3. O cabelo sendo neutralizado 4. Enxágue + + + + + + + + + + + + + + + + Processamento do creme Ligações S Pontes e enxofre (química) Ligações H (físicas) Cadeia polipeptídica Cadeia polipeptídica adjacente A cistina é alterada para cisteína Neutralizante Ligações S originais não quebradas Nocas ligações de lantionina novamente formadas + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + Tanto as ligações H quanto as S retém a cadeia polipeptídica na posição. Todas as ligações H quebradas, a maioria das ligações S é quebrada. O manuseio e penteado iniciam o relaxamento do cacho (Alteração da cadeia polipeptídica). O neutralizante �xa a cadeia polipeptídica em uma posição reta após o cabelo ser totalmente relaxado. O enxágue remove temporariamente as ligações formadas pelo neutralizante. 5. Cabelos alisados Após o enxágue e o devido secamento a ligação cruzada da lantionina existentes entre as camadas polipeptídicas mantém o cabelo liso. A secagem forma novamente as ligações físicas. Figura 7 - Alisamento à base de tiol (a) e à base de hidróxido de metal (b) Fonte: Halal ( 2016, p. 251-252). O mecanismo de ação dos produtos do alisamento e/ou relaxamento à base de hidróxido de metal di- ferem um pouco. Eles são soluções alcalinas fortes (pH 12), que dilatam o cabelo e os íons OH- em al- tas concentrações, rompem as ligações dissulfeto, removendo os átomos de hidrogênios próximos aos átomos de enxofre. Esse rompimento é perma- nente, ou seja, as ligações dissulfeto não poderão ser religadas, sendo convertidas em lantionina (reação de lantionização - Figura 7b). 95 UNIDADE 3 Os neutralizantes de hidróxidos neutralizam os resíduos alcalinos deixados no cabelo pelo produto alisante, fixa a cadeia polipeptídica em uma posição reta, após o cabelo ser totalmente relaxado, e normaliza o pH fisiológico do cabelo e do couro cabeludo, ocorrendo a neutralização física. A secagem forma novamente as demais ligações das cadeias polipeptídicas (Halal, 2016). Uma diferença entre o permanente e o alisamento é a viscosidade do produto, pois os produtos de alisamento são mais espessos por possuírem mais viscosidade, e isso facilita a ação mecânica do alinhamento. As soluções de ondulação permanente possuem baixa viscosidade para assegurar uma saturação completa do cabelo que será enrolado em uma forma. Neste processo, a alta viscosidade seria uma desvantagem, porque dificultaria a aplicação, o enxágue e a neutralização (HALAL, 2016). Atualmente, existem vários efeitos destinados à redefinição dos fios que possuem a forma en- crespada, refletindo a tendência da valorização da forma natural dos cabelos. Assim, esta tendên- cia procura em reverter os efeitos do alisamento. Dentre os procedimentos de transição, o que se destaca é o de texturização permanente (ondulação permanente) e temporária (HALAL, 2016). A texturização temporária consiste em técnicas antigas de mudança da forma do cabelo, que podem se utilizar, ou não, de fonte de calor para fixação da forma conferida com várias texturas dos fios. A texturização sem fonte de calor consiste na modelagem do cabelo molhado e secagem natural dos fios realizada pelas clientes, em casa, com duração aproximada de 10 à 12h, e os exem- plos são: encaracolado com papelote, frisado com trança, twist com torcidos, cachos e caracóis com coquinhos e frisados com grampos. A texturização com uso de calor consiste na modelagem temporária do cabelo molhado e secagem feita usando o calor para acelerar o processo, pode ser realizado nos salões de beleza, tem duração de 4h, e os exemplos são: os efeitos de frisado, enca- racolado e cacheado com o uso de bigudi variados (HALAL, 2016). Quando vou cuidar dos meus cabelos com algum profissional da área, eu amo a parte da lavagem, pois a massagem realizada no couro cabeludo me faz relaxar. É assim com a maioria das pessoas. Você também gosta? Agora, falaremos sobre os Tratamentos do couro cabeludo e a massagem. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3476 96 UNICESUMAR Para se ter um couro cabeludo saudável, é neces- sário limpeza e estímulo, realizado pelas lavagens e massagens. Em todos os procedimentos de tra- tamentos do couro cabeludo, a massagem é um procedimento realizado com frequência, ela deve ser realizada em movimentos contínuos e uni- formes que estimulam a circulação sanguínea do couro cabeludo, a renovação capilar e, ao mesmo tempo, promoverá o relaxamento de sua cliente. Antes de realizar a massagem, deve-se avaliar o couro cabeludo, caso haja ferimentos, não é re- comenda sua realização (FRANGIE et al., 2016). Em cabelo e couro cabeludo normais, a finali- dade é mantê-los limpos e saudáveis. Em cabelo e couro cabeludo secos, o tratamento deverá recupe- rar a hidratação natural dos mesmos, sendo assim, os produtos escolhidos devem conter hidratantes e emolientes, e é necessário usar um vaporizador do couro cabeludo. Nos tratamentos do cabelo e do couro cabeludo oleosos, deve-se remover o excesso de oleosidade causada pelas glândulas sebáceas hiperativas, para isso, deve-se manipular o couro cabeludo massageando para aumentar a circulação sanguínea em direção à superfície, todos os sebos serão removidos com pressão e apertos suaves. Para normalizar o funcionamento das glândulas sebáceas, o excesso de sebo deve ser lavado em cada tratamento (FRANGIE et al., 2016). Em pessoas com patologias tricológicas que envolvem o processo de descamação por resse- camento do couro cabeludo, como manifestação fúngica, ou não, devem adotar terapias que me- lhoram a hidratação e a lubrificação, reduzindo a sensibilidade, o prurido e a coceira (KUPLI- CH; MATIELLO; PADILHA, 2018). O tratamento cosmético para couro cabeludo com caspa e seborreia consiste em uma suave es- foliação do couro cabeludo com xampu esfoliante ou esfoliante facial. Após enxaguar bem e fazer a desincrustação com lauril sulfato de sódio, en- xaguar novamente e secar o couro cabeludo com uma toalha. Com o couro cabeludo seco, ativar sua circulação com o eletrodo pente do apare- lho de alta frequência, por 5 a 10 minutos, após aplicar máscara de argila verde em pó misturada com loção adstringente e antisséptica no couro cabeludo, ocluir com touca plástica ou de alu- mínio por 20 minutos. Após lavar o cabelo com xampu para cabelos oleosos e aplicar hidratante nos fios, massageando-os. Se necessário, secar com secador (OLIVEIRA et al., 2008). Este procedimento realizado nos salões de beleza suaviza e solta às escamações, ajudando no tratamento da caspa e da seborreia. Porém, é necessário que o tratamento continue em casa com produtos anti caspas, devido à resistência do fungo (FRANGIE et al., 2016). Atualmente a drenagem linfática é realizada em várias regiões do corpo, inclusive, no couro ca- beludo, ela é uma técnica bem conhecida quando se trata de problemas, como retenção de líquidos e eliminação de toxinas acumuladas nos tecidos. Além disso, colabora com o aumento do metabo- lismo dos tecidos por estimular a circulação local e descongestionar a área tratada. A Drenagem Linfática Manual (DLM) também pode ser rea- lizada no couro cabeludo uma vez que é comum observar processos inflamatórios e problemas circulatórios, que podem agravar problemas de eflúvios e alopecias (LEITE JUNIOR, 2014). A drenagem linfática no couro cabeludo pro- move a redução da queda dos cabelos e acelera a recuperação capilar, sendo recomendado como uma terapia coadjuvante nos tratamentos dos pacientes com eflúvios ou com alopecias. Além de promover um relaxamento e uma sensação de bem-estar aos pacientes. No couro cabeludo, a DLMé semelhante à realizada nas demais regiões do corpo, exceto pela presença de cabelos que impedem os deslizamentos realizados em outras áreas com pouco pelos, necessitando de peque- nas alterações na técnica (LEITE JUNIOR, 2014). 97 UNIDADE 3 A argila é usada, desde a Antiguidade, pelos ára- bes e gregos como agente de recuperação física no tratamento dos males do corpo. Atualmente, ela voltou a ser muito utilizada tanto na forma de cataplasma como de máscaras. Ela tem a função descongestionante, ação tensora, controle da oleo- sidade e remineralizante (reposição de minerais) da pele. É muito empregada em tratamentos faciais de revitalização cutânea e de acne. Em tratamentos capilares, a argiloterapia é utilizada para tratar do couro cabeludo com oleosidade excessiva, caspa e seborreia (OLIVEIRA et al., 2008). A argiloterapia capilar é utilizada uma vez que a argila tem função de remover resíduos me- tabólicos do espaço intersticial e resíduos exter- nos sobre a pele, ser remineralizante, entre outras funções que restabelecem as funções fisiológicas da pele. Juntamente com as argilas, podem ser adicionados óleos essenciais no combate à ação fúngica para hidratação, reposição de nutrien- tes, diminuição da irritação, prurido e edema. Ela também pode ser misturada em géis ou lo- ções. As argilas verde, branca e a rosa são as mais utilizadas na estética capilar (LIMA; DUARTE; MOSER, 2011; OLIVEIRA et al., 2008). A verde ou montmorilonita é amplamente empregada na estética por conter magnésio, manganês, ferro, zinco, potássio, sódio, en- xofre e cálcio (OLIVEIRA et al., 2008). Esta argila possui ação adstringente, cicatrizante e oxigenante e é indicada para controle da oleo- sidade por promover desintoxicação e regu- lar a atividade da glândula sebácea. A argila branca, também conhecida como caulinita, é uma argila primária composta de silicato de alumínio hidratado, resultante do processo de decomposição da rocha matriz pela ação da água, possui pH próximo ao da pele e tem a função de absorver a oleosidade sem desi- dratar, suavizar, cicatrizar e catalisar reações metabólicas do organismo (LIMA; DUARTE; MOSER, 2011). Ela pode ser usada junto com argilas verdes ou vermelhas. A argila rosa é a mistura da branca com a vermelha, possui efeito anti séptico, adstringente, cicatrizante e suavizante, é recomendada para reduzir a oleo- sidade, esfoliar, renovar e fortalecer o couro cabeludo (LIMA; DUARTE; MOSER, 2011). 98 UNICESUMAR O processo de esfoliação consiste na abrasão da epiderme com a finalidade de afinar a capa córnea e remover células mortas, preparando a pele para os diversos tratamentos estéticos. Existem três tipos de esfoliação, a esfoliação física, a qual utiliza grânulos sintéticos/vegetais adicionados a cremes, géis ou go- mas, realizando movimentos circulares ascendentes e removendo o excesso com a toalha ou no banho; esfoliação mecânica, realizada por aparelhos de mi- crodermoabrasão, respeitando o nível de abrasão superficial; e esfoliação química, feita com ácidos que promovem o afinamento da pele (OLIVEIRA, 2008): Na terapia capilar, a esfoliação é comumente utilizada para controle de oleosidade, tratamento de caspas, seborreias, ou para promover a reno- vação celular e a circulação sanguínea no couro cabeludo. Para o procedimento de esfoliação do couro cabeludo, são, frequentemente, utilizados os xampus esfoliantes, argilas e outros. A esfolia- ção do couro cabeludo também é recomendada no tratamento de alopecias uma vez que esse procedimento promove aumento da absorção de nutrientes e oxigenação tecidual, o que favo- rece o crescimento dos fios. Antes de realizar a esfoliação deve-se avaliar o couro cabeludo do seu cliente uma vez que não é recomendado este procedimento se houver lesões, dermatites, infec- ções e alergias (OLIVEIRA et al., 2008). Embora você vá aplicar seu conhecimento recém- -adquirido de diversas formas, proporei uma ação para que possa exercitar o que aprendeu. Uma jo- vem mulher foi até você querendo uma recomen- dação de xampus e condicionadores para seu uso cotidiano, e ela possui cabelos lisos, de cor natural castanhos com luzes claras e tendência a serem oleosos. Considerando o que você já aprendeu nesta disciplina sobre os cabelos, couro cabeludo e produ- tos capilares (xampus, condicionadores, máscaras etc.), qual tipo de produtos para os cuidados diários com os cabelos você recomendaria a esta cliente? Com esta prática e, ao chegar ao fim do Ciclo 3, você percebe que poderá usar e indicar os pro- dutos cosméticos capilares com mais segurança e assertividade uma vez que, agora, tem mais conhecimento sobre seus efeitos, suas indicações e suas contraindicações. Além disso, você conhe- ceu algumas técnicas bem como os produtos e os ativos mais indicados para a realização das mes- mas, isto permite que você tenha mais domínio no exercício da sua profissão ao compreender mais a fundo o que pode ser realizado no cabelo e no couro cabeludo. 99 M A P A M EN TA L O lá , a lu no (a )! Es ta m os c he ga nd o ao e nc er ra m en to d es te te rc ei ro c ic lo , e c on vi do v oc ê a fa ze r u m a ve ri fic aç ão d os c on he ci m en to s qu e vo cê a dq ui ri u, p re en ch en do o M ap a M en ta l a s eg ui r, ac es sa nd o ht tp s: // w w w .g oc on qr .c om /e n- U S/ m in dm ap /2 34 40 03 4/ Es t- tic a- ca pi la r- e- tr ic ol og ia -C ic lo -3 Vo cê ta m bé m p od e cr ia r m ai s co ne xõ es o u um n ov o m ap a m en ta l. A G O R A É C O M V O C Ê 100 1. A cosmetologia é o ramo do conhecimento e da pesquisa aplicada, que se dedica à análise e à utili- zação dos produtos cosméticos os quais contêm bases e ativos que atuam em sinergia para obter a ação esperada. Os produtos cosméticos devem ser, sensorialmente, agradáveis, ter um aspecto atrativo, facilidade de aplicação, estabilidade físico-química, microbiológica e outros (PEREIRA, 2013). Levando em consideração os conhecimentos sobre bases e ativos dos produtos cosméticos, assinale a alternativa correta. a) As emulsões são ativos formados pela combinação de líquidos imiscíveis e constituídos por uma fase oleosa, uma fase aquosa e uma interface. b) O gel é um tipo de base hidrofílica, formado por duas fases (água/óleo e óleo/água). c) O surfactante é o ativo capaz de umedecer os cabelos e dispersar o óleo na água, por meio da redução da tensão superficial. d) O principal agente ativo condicionante presente nos condicionadores e xampus é o surfactante, responsável por hidratar os cabelos. e) Os mercaptanos são agentes oxidantes utilizados nas técnicas de ondulação permanente, no alisamento e nascolorações oxidativas. 2. Os cosméticos capilares são formulações destinadas ao cuidado com os cabelos e o couro ca- beludo, podem ter como objetivo higienização, hidratação, proteção, alteração da aparência do cabelo ou tratamento. O que difere um produto cosmético capilar de outro é o mecanismo de ação que está relacionado à sua formulação (MATIELLO et al., 2019). Levando em consideração os conhecimentos sobre cosméticos capilares, avalie as seguintes afirmativas: I) Os xampus são agentes de limpeza destinados à remoção de oleosidade e sujidades que se acu- mulam, diariamente, nos cabelos e no couro cabeludo. Já os condicionadores são agentes desti- nados a recuperar a hidratação natural dos cabelos, removida pelos xampus durante a lavagem. II) As máscaras capilares têm a função de tratamento de hidratação profunda dos fios, atuando nas camadas mais externas dos fios, selando as cutículas, e no córtex, devolvendo os nutrientes. III) Os finalizadores têm a função de reduzir o frizz, facilitar o penteado e alterar o volume. E os fixadores têm a função de fixar e dar forma aos cabelos. IV) As colorações ou tinturas são produtos destinados a alterar a cor do cabelo, podendoser coloração não oxidativa ou oxidativa. É correto o que se afirma em: a) II, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. A G O R A É C O M V O C Ê 101 3. As técnicas para alterar a forma do cabelo são ondulação permanente, que consiste no ato de ondular ou encrespar o cabelo naturalmente liso, alisamento ou relaxamento químico que tem por objetivos reduzir o volume e/ou alisar o cabelo naturalmente encrespado (HALAL, 2016). Apesar de os objetivos destas técnicas serem diferentes, são procedimentos, bioquimicamente, semelhantes. Assim, descreva, sucintamente, o processo bioquímico que ocorre nas fibras capi- lares ao utilizar os produtos à base de tióis nas técnicas mencionadas. 4. Atualmente, existe uma variedade de produtos cosméticos e procedimentos destinados aos cuidados dos cabelos e do couro cabeludo. Levando em consideração os conhecimentos sobre estes procedimentos, responda qual é a alternativa incorreta. a) A massagem deve ser realizada em movimentos contínuos e uniformes que estimulam a circu- lação sanguínea do couro cabeludo e a renovação capilar. b) A drenagem linfática manual no couro cabeludo promove a redução da queda dos cabelos e acelera a recuperação capilar. c) Em tratamentos capilares, utiliza-se argila para tratar o couro cabeludo com excesso de oleosi- dade, caspa e seborreia. d) Existem vários efeitos destinados à redefinição dos fios, refletindo a tendência da valorização da forma natural dos cabelos, e dentre os procedimentos de transição que se destaca é o ali- samento permanente. e) A esfoliação capilar é utilizada para controle de oleosidade, tratamento de caspas e seborreias, renovação celular e circulação sanguínea no couro cabeludo. C O N FI R A S U A S R ES P O ST A S 102 1. C. 2. E. 3. A química dos relaxantes à base de tiol e dos permanentes é igual e mudam o formato do cabelo, rompen- do as pontes dissulfeto. O processo bioquímico que ocorre durante a realização destas técnicas à base do tiol é o seguinte: uma solução de um agente redutor à base de tiol ou sulfidril (-SH) é aplicada com o calor. O agente redutor rompe as ligações laterais pela redução de cada ligação dissulfeto em dois resíduos de cisteína (Cys). O calor úmido quebra as ligações de hidrogênio e causa o desenrolamento da estrutura da cadeia polipeptídica. Depois de um tempo, a solução redutora é removida, e o neutralizante é adicionado para fazer novas ligações dissulfeto entre pares de resíduos Cys de cadeias adjacentes, ocorrendo a neu- tralização química. Depois de lavado e resfriado, as ligações polipeptídicas da α-queratina voltam à sua conformação helicoidal. Agora, as fibras do cabelo ficam na forma desejada, enrolado ou liso. 4. D. R EF ER ÊN C IA S 103 ABIHPEC. Caderno de tendências 2019 – 2020: higiene pessoal, perfumaria e cosmético. ABIHPEC/ SEBRAE. 2018. Disponível em: https://abihpec.org.br/publicacao/caderno-de-tendencias-2019-2020/. Acesso em: 14 out. 2020. BRAGA, D. Terapia capilar: manual de instruções. Brasília: Editora Senac, 2014. FRANGIE, C. M. et al. Milady® Cosmetologia: Ciências gerais, da pele e das unhas. São Paulo: Cengage Lear- ning, 2016. HALAL, J. Tricologia e a química cosmética capilar. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2016. KUPLICH, M. M. D.; MATIELLO A. A.; PADILHA, A. M. Recursos estéticos e cosméticos capilares. Porto Alegre: SAGAH, 2018. LEITE JÚNIOR, A. C. Drenagem Linfática Manual no tratamento da Queda Capilar. O Tricologista. 2014. Disponível em: https://blogtricologiamedica.blogspot.com/2014/06/drenagem-linfatica-manual-no-tratamento. html. Acesso em: 14 out. 2020. LIMA, J. R.; DUARTE, R.; MOSER, D. K. A argiloterapia: uma nova alternativa para tratamentos contra sebor- reia, dermatite seborreica e caspa. Santa Catarina: Univali, 2011. Disponível em: http://siaibib01.univali.br/pdf/ Jaqueline%20Rosa%20de%20Limas%20e%20Rosimeri%20Duarte.pdf. Acesso em: 14 out. 2020. LOPES, F. M. et al. Introdução e Fundamentos da Estética e Cosmética. Porto Alegre: SAGAH, 2017. MATIELLO, A. A. et al. Cosmetologia aplicada II. Porto Alegre: SAGAH, 2019. NELSON, D. L.; COX, M. C. Princípios de bioquímica de Lehninger. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. OLIVEIRA, A. C. C. Cosmetologia aplicada nas disfunções estéticas. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S. A., 2018. OLIVEIRA, A. L. et al. Curso didático de estética. Vol. 2. São Caetano do Sul: Yendis Editora Ltda., 2008. PEREIRA, M. L. F. Cosmetologia. 1. ed. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2013. Referências online 1Em: https://www.dicio.com.br/cosmetologia/. Acesso em: 14 out. 2020. 2Em: https://www.cosmetologiabrasil.com/sobre. Acesso em: 14 out. 2020. https://abihpec.org.br/publicacao/caderno-de-tendencias-2019-2020/ http://www.otricologista.com/2014/06/drenagem-linfatica-manual-no-tratamento.html https://blogtricologiamedica.blogspot.com/ https://www.dicio.com.br/cosmetologia/ https://www.cosmetologiabrasil.com/sobre 104 M EU E SP A Ç O 4 OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM Cuidados na Estética Capilar Olá, aluno(a)! Neste ciclo, você terá a oportunidade de aprender sobre os protocolos de tratamentos e as principais técnicas de hidratação, reconstru- ção capilar, como a queratinização, cauterização, botox capilar e selagem, bem como diferenciá-las. Também entenderá a nutrição na estética capilar. Conhecerá, também, a aplicação das técnicas de laser de baixa frequência, alta frequência, corrente galvânica, desincruste, iontoforese, vapor de ozô- nio, vacuoterapia e microagulhamento na estética capilar. Como você pode observar, este último ciclo é para fechar a disciplina com chave de ouro uma vez que serão abordadas técnicas com que você, futuro profissional da área, poderá trabalhar. Então, vamos lá?! Dra. Franciele Neves Moreno 106 UNICESUMAR Cuidar dos cabelos parece algo, relativamente, fácil. Talvez um cabelo curto dê a ideia de que os cuida- dos serão menos frequentes ou mais simples, e um longo exige ações mais complexas para se manter saudável. Mas a verdade é que os cuidados com o cabelo vão além do comprimento dele. Por exemplo: você sabe diferenciar hidratação, queratinização, cauterização, selagem e botox capilar, ou para você é tudo igual, só muda o nome? Já realizou alguma destas técnicas? Observamos que o mais comum é que as pessoas utilizem vários produtos, vários tratamentos de hidratação ou reconstrução capilar, com o intuito de ficarem com os cabelos saudáveis e, esteticamente, bonitos. Afinal, atualmente, tanto para as mulheres quanto para os homens cuidar da aparência e do cabelo é primordial uma vez que ele é a moldura do nosso rosto. Mas, em meio a tantas inovações no mundo da estética capilar, é necessário buscar sempre o auxílio de algum profissional da área que esteja atualizado e conhece a respeito destes produtos e procedi- mentos, a ponto de definir o protocolo ideal de acordo com as características e desejos do seu cliente. Futuramente, esse profissional será você. Então, para reunir os conhecimentos necessários para isso, pense se você mesmo já realizou algum protocolo de tratamento ou de terapia capilar. Agora, respon- da: saberia diferenciá-los, apropriadamente? Acha necessário que os protocolos de tratamento ou de terapia capilar devam ser personalizados/individualizados? Desde o início deste livro, evidenciamos o quanto o pelo é importante na vida das pessoas, principal- mente o que fica na região da cabeça, ou seja, os cabelos. Mas você sabia que o mercado de cosmético e de tratamento capilares investe nesta área e está sempre em crescimento? Nessa área, anualmente, são lançadas inovações que atendam o desejo e/ou a necessidade das pessoas. Um dos desafios da área e um obstáculo encontrado pelos profissionais da estética capilar é a falta de tempo das pessoas, pois elas querem seus cabelos maravilhosos, mas que seja realizado o protocolo de tratamento em apenas um procedimento. Ou seja,querem limpar, hidratar, controlar a oleosidade, descamação, queda capilar, pontas duplas, opacidade etc. em um único procedimento. Mas será que isso é possível? Bom, ainda não, pois a maioria dos protocolos de tratamentos ou de terapia capilar necessitam de tempo, dedicação, e ainda não 107 UNIDADE 4 temos um produto milagroso. Porém os protocolos e os produtos buscam soluções para minimizar este problema. Afinal, quem não gosta de ser tratado com exclusividade e que se preocupem com seu de- sejo, sua necessidade e sua limitação, não é mesmo? Pensando sobre o que conversamos anterior- mente, proponho a você, estudante, um pequeno exercício se imaginando como um profissional da área. Imagine que chegue a você Ana, uma mulher jovem de 33 anos de idade, cabelos ondulados, cas- tanhos e com luzes douradas. Ela chega dizendo que quer cuidar dos cabelos, por perceber que estão ressecados, com frizz, com aumento de queda capilar e diz que não sabe o que pode usar uma vez que está grávida de quatro meses. Pegue papel, caneta e tente montar um protocolo de tratamento ou de terapia capilar para Ana, incluindo produtos e procedimen- tos que você conheceu durante esta disciplina. Você percebeu, em nossa conversa, que as pessoas almejam cuidar dos seus cabelos, mas, ao mesmo tempo, querem que isto não atrapalhe sua rotina, ou ocupe muito seu tempo. As pessoas buscam alternativas que são práticas, eficazes e, de preferência, personalizada. Neste momento, o bom esteticista capilar pode propor protocolos que atendam a estes requisitos uma vez que ele terá um conhecimento aprofundado sobre as ca- racterísticas biológicas dos fios, sobre as afecções/ doenças tricológicas e sobre os diversos cosmé- ticos e procedimentos capilares, como e quando usá-los. Proponho uma reflexão sobre isso. A se- guir, no Diário de Bordo, anote qual a diferença, para você, que existe entre os protocolos de tra- tamentos e os de terapias capilares? E, por fim, quando você acha necessário indicar hidratação, reconstrução e nutrição capilar? D IÁ R IO D E B O R D O 108 UNICESUMAR O esteticista deve saber interferir quando necessário, cuidando da beleza, da harmo- nia e da essência do seu cliente. Às vezes, o que seu cliente deseja não é o melhor a ele, neste momento, entra o esteticista para ajudar você a fazer a escolha certa. Geralmente, as pessoas têm a necessidade de serem aceitas em seu ciclo social, ou seja, entre seus amigos, familiares e também em seu ambiente profissional. Para isso, cuidar da sua aparência tornou- -se rotina. Antigamente, era muito bem realizado pelas mulheres apenas, e, atualmente, é realizado também pelos homens, que estão mais preocupados com isso e se cuidando mais. Portanto, agora, tanto para as mulheres quanto para os homens, sua aparência tem papel de destaque em sua vida (TALHATE, 2018), como podemos observar no nosso cotidiano e na imagem representativa (figura 1) de um dia casual entre amigos, podemos observar que eles cuidam de sua aparência, cada um com sua particularidade de modo a serem aceitos entre eles. Figura 1- Ciclo social Como mencionado, o cabelo é muito importante na vida das pessoas, e não é por menos, uma vez que ele é a moldura do nosso rosto. Então, cuidar da aparência também é cuidar dos cabelos. Por isso, frequentemente, as pessoas buscam profissio- nais da área para lhe ajudar a cuidar dos cabelos, adequadamente. Neste momento, entra a atuação do esteticista capilar para elaborar um protocolo de tratamento adequado e individualizado. Como você deve recordar, para elaborar um protocolo de tratamento ideal a seu cliente, deve ser realizada uma boa anamnese (abordada no Ciclo 2), assim, você terá uma avaliação mais precisa do que seu cliente deseja e necessita. O protocolo deve ser individualizado uma vez que as pessoas têm características únicas e que respon- dem de diferentes formas à ação de produtos ou procedimentos. Então, agora que você já estudou os conceitos básicos da tricologia, bem como as principais patologias e os cosméticos capilares, têm uma base de conhecimentos adequada para definir o melhor protocolo aos clientes. 109 UNIDADE 4 O sucesso do protocolo capilar não depende apenas do esteticista, na maioria das vezes, requer a participação ativa do cliente, como nos cuidados básicos/diários com seus cabelos (Figura 2). No entanto a maioria dos protocolos se esbarram em um problema da atualidade, a falta de tempo, assim, as pessoas querem procedi- mentos e tratamentos rápidos e eficientes, ou seja, que se realizem todos de uma só vez (TALHATE, 2018). Figura 2 - Cuidados diários com os cabelos (ID) Neste momento, lembrei-me dos contos de fadas e desejei ter uma varinha mágica para que, com um simples toque, me tornasse uma diva, com cabelos impecá- veis. Acredito que muitas pes- soas desejam ficar perfeitas a um simples toque de mágica (Figura 3), esquecendo que a realidade não é assim (Figura 2). E você já quis ter uma varinha mágica? O que gostaria de mudar com um simples toque de mágica? Antes Depois Figura 3 - Diva a apenas um toque de mágica 110 UNICESUMAR Uma das propostas para contornar este problema é a elaboração de protocolos personalizados e individualiza- dos, atendendo à necessidade capilar individual e também se adequar à rotina do seu cliente. Desta forma, ele se sentirá importante e envolvido na execução dos procedimentos e, assim, a obtenção do resultado desejado e sua satisfação são mais garantidos. Os protocolos capilares podem ser classificados em (TALHATE, 2018): • Protocolos para tratamento capilar: estes têm como objetivo tratar um problema pontual relacionado ao couro cabeludo ou à haste capilar, tais como falta de brilho, quebra capilar, perda de massa do fio, oleosidade excessiva, entre outros. • Protocolos para terapia capilar: já estes têm como objetivo tratar a causa do problema, por exemplo, se há queda capilar, investiga-se o quesito nutricional, hormonal, se o cliente passou por algum momento estressante, ou realizou algum tratamento químico, entre outros. Após, o protocolo é elaborado contemplando o que descobriu. Existem vários protocolos para tratar as patologias capilares, portanto, como já mencionado neste livro, a anamnese detalhada é, fundamentalmente, importante para investigar as causas do problema relatado e definir os possíveis tratamentos. No Ciclo 2, também foi mencionado que saber dialogar e ouvir é muito importante, deve-se, então, relatar, claramente, ao cliente o que descobriu e dizer que ele deverá se dedicar ao tratamento para a obtenção do resultado. Lembre-se de que os protocolos devem ser personalizados ou individualizados e, preferencialmente, definidos junto ao cliente (TALHATE, 2018). Você pode inserir aos protocolos a utilização de vários produtos, como xampus, máscaras, con- dicionadores, entre outros para os cuidados de rotina e de tratamento. Também poderá sugerir a utilização de produtos de limpeza profunda, como argilas, fazendo uso da argiloterapia e/ou sugerir procedimentos, como queratinização, cauterização, eletroterapia, entre outros, de acordo com o objetivo final do tratamento, e, ainda, acrescentar colorações e/ou texturização para o aspecto belo (estética) do cabelo e que contribua com o desejo do seu cliente. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3477 111 UNIDADE 4 Você percebe como o conhecimento sobre as características biológicas dos cabelos e do couro cabeludo bem como das patologias e das disfunções capilares, dos cosméticos e dos procedimentos capilares são úteis no exercício da sua futura profissão? Agora que você já sabe a respeito disso tudo e dos pro- tocolos de tratamento e de terapia capilar, convido a conhecer outras técnicas e outros procedimentos utilizados na estética capilar, iniciando com a hidratação, algo, muitas vezes, tratado como corriqueiro, porém, é muito importante para a saúde dos cabelos. A hidratação capilar tem a função principalde repor moléculas de água aos fios, ou seja, hidratar os fios. Entretanto a reposição efetiva de água no interior dos fios bem como da pele ocorre pela ingestão de água. Os produtos hidratantes, umectantes, reestruturantes e acidificantes agem impedindo que a água saia dos cabelos, que ocorra a desidratação capilar. Geralmente, quando o cabelo fica desidra- tado, ele tem o aspecto sem brilho, levemente armado, ressecado, embaraçado, quebradiço e inchado (BRAGA, 2014; TALHATE, 2018). A hidratação dos cabelos desidratados tem por objetivo devolver aos fios a maciez, a maleabilidade e a suavidade (FRANGIE et al., 2016). A aparência saudável dos fios está relacionada ao estado das cutículas e às condições do córtex (Figura 4), sendo assim, os produtos para hidratação capilar, agem selando as cutículas e protegendo o córtex capilar (Figura 5), com isso, a água fica retida em seu interior (FRANGIE et al., 2016). Uma forma de hidratar os fios é utilizar as másca- ras capilares que têm a função de condicionar, hidratar e melhorar a retenção hídrica dos fios, protegendo-os dos fatores externos. Elas atuam, principalmente, nas camadas externas dos cabelos. Os principais componentes destas máscaras agem formando uma película protetora e oclu- siva dos cabelos, assim, a água fica retida nos fios. Outros componentes importantes são os regeneradores da estru- tura interna dos cabelos, os quais têm a função de reduzir o impacto da lesão sobre os fios (FRANGIE et al., 2016). Cutícula aberta e dani�cada Estrutura interna dani�cada Cutícula aberta porosa Cabelo saudável Córtex Medula Cutícula Figura 4 - Estrutura interna do cabelo saudável e danificado Figura 5 - Representação ilustrativa dos produtos de hidratação selando as cutículas 112 UNICESUMAR Cápsulas adicionadas às máscaras são: • de lipídios: contêm óleos de Buriti, Apricot, Pequi, com ação antioxidante, hidratante e emoliente e agem formando um filme oclusivo nos fios, evitando a desidratação; e de óleo de Copaíba, tem ação emoliente, antiinflamatória, antimicrobiana e realça o brilho dos cabelos. • de vitaminas: contêm vitamina A, que tem ação de nutrir o bulbo capilar, ativar os me- lanócitos, auxiliar o crescimento e a atividade das células epiteliais, melhorar a elastici- dade dos fios, controlar a produção sebácea e a renovação celular; vitamina E, com ação antioxidante, umectante, protege as proteínas e os lipídios dos cabelos, aumenta a força e a tensão dos fios, fortalece a membrana celular e atua na prevenção das alopecias; e vitamina F, atuando como hidratante e emoliente. • de proteínas: contêm fibras de seda, creatina e aminoácidos, que agem na reconstrução capilar, por recuperar os danos das hastes dos cabelos e, assim, devolve o brilho, a maciez, a resistência e a elasticidade aos fios. Você sabe a diferença entre cabelos secos e cabelos ressecados? Cabelos secos são aqueles em que, fisiologicamente, as glândulas sebáceas produzem uma quantidade menor de sebo. Já os cabelos ressecados apresentam características, como opacidade e aspereza decorrente de fatores externos. As máscaras e os condicionadores possuem, basicamente, a mesma formulação, diferindo, principal- mente, em sua consistência e na concentração de seus compostos ativos. Quando se utiliza máscaras, você tem a possibilidade de acrescentar ampolas ou cápsulas contendo princípios ativos diferenciados, tais como lipídios, vitaminas e proteínas (CHILANTE; VASCONCELOS; SILVA, [2020]). A frequência de aplicação das máscaras depende de cada tipo de cabelo, em geral, em cabelos secos re- comenda-se que a aplicação seja semanal, e em cabelos menos secos podem ser aplicadas a cada 15 a 30 dias, sempre levando em consideração as características individuais do cliente (FRANGIE et al., 2016). 113 UNIDADE 4 Muitas vezes, as pessoas pro- curam um esteticista capilar ou outro profissional da área querendo fazer a reconstru- ção capilar (Figura 6) e che- gam dizendo que a querem por meio da queratinização ou da cauterização, ou por meio de selagem, ou ainda por botox. Mas será que estes tratamentos têm a função de reconstrução capilar? Existe diferença entre estes procedimentos? Será que todos têm a mesma função? Ou possuem apenas nomes dife- rentes para vender determina- do produto ou procedimento com diferentes preços? São muitas questões relacio- nadas a esses procedimentos, e como cuidar dos cabelos está em alta, todos os querem lindos e sedosos utilizando o melhor produto e procedimento que, no caso, será o que agrida menos os fios e que alcance seu objetivo em menor tempo e custo. Dian- te de tantas inovações, muitas vezes, isto se torna difícil para o profissional, e, no intuito de lhe ajudar, conheceremos um pouco sobre as técnicas men- cionadas anteriormente. Na reconstrução capilar, os cosméticos têm como objetivo tratar os cabelos, repondo ati- vos semelhantes aos da cons- Figura 6 - Cabelo com texturização química e reconstituído tituição química capilar, como queratina, lipídios, vitaminas e aminoácidos. Muitas vezes, são denominados por queratinização, cauterização, plástica de fios, nanoqueratinização, cristalização, reposição de massa e botox capilar (FRANGIE et al., 2016). Você sabe quais cabelos necessitam ser reconstruídos? Em geral, são os cabelos frágeis, quebradiços e sem elasticidade. E os principais ativos encontrados nos cosméticos de reconstrução capilar são, segundo Frangie et al. (2016): • queratina: usada para reparar danos na cutícula, fornecer aminoácidos e auxiliar na hidratação. Uma vez que ela pe- netra a cutícula e, assim, consegue restaurar o brilho, o con- dicionamento, a hidratação e a restauração dos fios. • silicone: liga-se facilmente aos fios tanto secos quanto úmi- dos, melhora a penteabilidade, proporciona maciez, condi- cionamento e brilho aos cabelos. • e os óleos vegetais: responsáveis em repor lipídios e têm ação emoliente. 114 UNICESUMAR Ao pensarmos nos protocolos de trata- mentos capilares, devemos considerar os fatores hormonais e emocionais, princi- palmente em mulheres que passam por oscilações hormonais e apresentam qua- dros agudos de queda capilar, observa- do, por exemplo, durante uma gestação (como no Estudo de Caso) ou lactação. A queratinização, muitas vezes, é chamada de re- construção capilar, e não é por menos, uma vez que este procedimento tem como finalidade reconstruir as fibras dos cabelos por doses de queratina a frio, ou seja, sem passar ferro quente, a famosa chapinha ou prancha. Além de reconstruir, ela também hidrata, deixa os cabelos sedosos e devolve os brilhos aos fios. Este procedimento é recomendado após tratamentos químicos e quando os cabelos estiverem quebradiços e opacos. É uma técnica que, de acordo com alguns profissionais, é o avanço da cauterização (MARTINS, 2009, on-line)1. E qual a diferença entre elas? A cauterização, ou plástica de fios, também usa doses de queratina, porém à quente, ou seja, ne- cessita selar com um ferro quente, prancha ou chapinha. Na cauterização, também é possível usar outros nutrientes além da queratina. Este procedimento age do córtex à cutícula e tem como objetivo repor massa capilar e selar as cutículas, desta forma, reduz a eletricidade estática (frizz), devolve a elasticidade dos fios e elimina as pontas duplas (AGUIAR, 2020, on-line)2. A cauterização, quando feita corretamente, po- tencializa a hidratação e a reconstrução capilar. Ela reconstrói a camada mais externa dos fios e ajuda a fe- char as cutículas, selando os nutrientes em seu interior (TALHATE, 2018). Ela é recomendada por alguns profissionais quando o cabelo precisa de tratamento mais profundo uma vez que altas temperaturas abrem as cutículas, facilitando a entrada destes nutrientes (MARTINS, 2009, on-line)1. Mas, para outros, a caute- rização não é uma boa escolha como tratamento uma vez que o calor pode deixar os cabelos mais porosos e ásperos, além disso, se não fizer a técnica,correta- mente, você ainda poderá agredir mais os fios, como queimá-los (VALENTE, 2017, on-line)3. Sendo assim, apesar dos benefícios da cauteri- zação, deve-se tomar cuidado ao indicá-la, devido aos problemas mencionados anteriormente, moti- vo também para ela não ser indicada para cabelos que sofreram corte químico. Além disso, em alguns casos, ela pode aumentar a oleosidade dos cabelos (AGUIAR, 2020, on-line)2. A utilização de quanti- dades elevadas de queratina pode resultar em danos aos fios, portanto, deve-se tomar cuidado ao reco- mendar o uso, dando intervalo de, no mínimo, um mês entre as aplicações (MARTINS, 2009, on-line)1. Também foi observado que a cauterização aplicada em cabelos saudáveis e sem tratamentos químicos pode provocar um efeito rebote, tornando-os mais frágeis e quebradiços (AGUIAR, 2020, on-line)2. 115 UNIDADE 4 Olá, aluno(a)! Você que quer conhecer um pouco mais sobre as técnicas utilizadas na estética capilar e sobre visagismo capilar, recomendo a leitura do livro: • Técnicas aplicadas à estética capilar, de Juliana Talhate. Este livro explica, com uma linguagem clara e descontraída, algumas técnicas e os conteúdos que abordamos neste livro, com diversos exemplos do cotidiano de esteticistas. Você também encontrará nele informações sobre o visagismo capilar. Acredito que ler esta obra contribuirá com sua formação profissional e intelectual. Bom estudo! Outra técnica utilizada com intuito inicial de reconstrução capilar é o Botox capilar. Apesar de este procedimento receber tal nome, não utiliza o mesmo princípio ativo do Botox, utilizado nos trata- mentos antirrugas ou de preenchimento, a toxina botulínica (proveniente do Clostridium botulinum). Esta técnica nos cabelos tem como objetivo a renovação capilar e corrigir danos da haste, por meio da hidratação e da selagem dos fios. Com isso, ela tende a recuperar o brilho, reduzir a eletricidade estática (frizz) e acabar com as pontas duplas (TUA SAÚDE, 2020, on-line)4. O Botox capilar não tem como objetivo alterar a forma do cabelo, não possuindo em sua composição produtos à base de formol ou outros químicos alisantes. O que ocorre é a redução do volume e do frizz, dando um aspecto de cabelos mais lisos (CANDIDO, 2019, on-line)5. E, apesar de algumas marcas de cosméticos fornecerem produtos para a realização de botox em casa (Botox caseiro), muitos profissionais não o recomendam uma vez que não é simples de ser realizado, podendo resultar em um efeito indesejado. A selagem, também é utilizada como tratamento para a reconstrução capilar, foi criada no Brasil e é feita com ampolas de queratina hidrolisada (TALHATE, 2018). Tem como objetivo fechar a cutícula e nutrir os cabelos, semelhante ao Botox capilar, o que diferencia os dois procedimentos é o produto a ser utilizado (AGUIAR, 2020, on-line2; CANDIDO, 2019, on-line5). Para dar resistência, brilho e hidratar, a selagem é excelente para disciplinar os fios e atingir os objetivos. (AGUIAR, 2020, on-line)2. Alguns profissionais não consideram o Botox capilar e a selagem como procedimentos de tratamen- to uma vez que alguns produtos utilizados para estas técnicas contêm químicos alisantes, tais como formol, tioglicolato de amônio, etanolamina e carbocisteína. Quando estes químicos são adicionados aos produtos de Botox e de selagem, eles os tornam procedimentos de alisamentos ou também as deno- minadas escovas progressivas. Então, fiquem atentos, se houver estes compostos alisantes nos produtos de Botox, de Selagem e no de Cauterização, não são mais considerados produtos de tratamento, passam a ser produtos de escovas progressivas, ou seja, de texturização (AGUIAR, 2020, on-line)3. Um cabelo saudável, além de ser hidratado, também deve conter nutrientes importantes, tais como os lipídios, e estes chegam até a raiz dos cabelos pela circulação da derme (visto no Ciclo 1 deste livro). Já há muito tempo sabe-se que a alimentação equilibrada é, extremamente, importante para um organismo 116 UNICESUMAR saudável, como dizem, “somos o que ingerimos”. Sabemos também que muitos distúrbios alimentares são notados na pele, unhas e cabelos, sendo assim, devemos conhecer um pouco mais sobre como os alimentos influenciam a saúde do cabelo, e isto deve ser incorporado nos protocolos de estética capilar. De acordo com o American Medical Association’s Council on Food and Nutrition (apud OLIVEIRA et al., 2014, p. 488): “ a nutrição é a ciência que se ocupa dos alimentos, dos nutrientes e outras substâncias que eles contêm; de sua ação, interação e balanço em relação à saúde e enfermidades; assim como dos processos por meio dos quais os organismos ingerem, absorvem, transportam, utilizam e excretam as substâncias. Então, nutrição é a ciência que estuda os processos que os organismos realizam quando ingerem algum alimento, e, como utilizam os nutrientes absorvidos, ou seja, como esses alimentos contri- buem para o funcionamento do organismo. A partir destas informações, oriente as pessoas sobre quais são os alimentos que deverão compor um cardápio saudável ou adequado aos objetivos e às características metabólicas de cada pessoa. Alguns estudos mostram a importância da alimentação equilibrada nos protocolos de tratamento estético (OLIVEIRA et al., 2014). Pela ingestão dos alimentos, obtêm-se os nutrientes necessários para produzirmos energia, síntese de diversas biomoléculas, como proteínas, lípidos, ácidos graxos, hormônios, entre outras necessárias para as diversas atividades metabólicas e estruturais das células. Os principais nutrientes fornecidos pelos alimentos são, segundo Oliveira et al. (2014): • Carboidratos: constituídos por átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio e considerados fon- tes primárias de energia. São classificados em monossacarídeos, como a glicose; dissacarídeos, como a sacarose; e polissacarídeos, como glicogênio e celulose. A celulose, por sua vez, é um polissacarídeo presente nas paredes das células vegetais, e faz parte das fibras alimentares, as quais nosso organismo não consegue digerir. Porém são importantes para regularizar o trânsito intestinal, auxiliar no controle glicêmico e na obesidade, reduzir o colesterol, baixar o pH das fezes, aumentar o bolo fecal e prevenir câncer e outras doenças. • Lipídios: são nutrientes de origem animal ou vegetal, insolúveis em água, formados por ácidos graxos e glicerol, são, popularmente, conhecidos como gorduras e óleos. São, altamente, ener- géticos, importantes para o transporte de vitaminas lipossolúveis, presentes nas membranas celulares, utilizados para a síntese dos hormônios esteroides, atua contra choques mecânicos e como isolante térmico, entre outras funções. • Proteínas: formadas por aminoácidos, os quais podem ser classificados como essenciais, são os aminoácidos que necessitamos ingerir, e em não essenciais, produzidos pelo nosso organismo. Os aminoácidos presentes nas proteínas ingeridas são importantes para síntese de novas proteínas, de alguns hormônios, enzimas, anticorpos, componentes estruturais das células, entre outros. • Vitaminas: são substâncias orgânicas que, em quantidades mínimas são essenciais ao organis- mo para garantir o perfeito desenvolvimento e funcionamento. Elas podem ser classificadas em lipossolúveis (dissolvidas em gorduras), tais como vitaminas A, E, D e K, e hidrossolúveis (dissolvidas em água), tais como vitaminas B1, B2, B3, B5, B6, B12, C e ácido fólico. 117 UNIDADE 4 • Água: presente em nosso organismo e corresponde a cerca de 70% do peso corporal. Ela é, extremamente, importante para o funcionamento do nosso corpo uma vez que ela dissolve várias substâncias, auxilia no controle da homeostase, regulando o pH, a concentração de íons, o controle da temperatura, entre outros. Além disso, participa, ativamente, da estrutura e no transporte de diversas moléculas e em reações químicas que ocorrem apenas em meios aquosos. • Sais minerais: os minerais também são adquiridos pela alimentaçãoe são importantes na constituição de moléculas, órgãos e tecidos. Também podem participar de reações químicas e transporte de substâncias. Por exemplo: o ferro, que faz parte da hemoglobina e importante para o transporte de oxigênio e gás carbônico; o cálcio presente nos ossos e dentes, evita a coagula- ção sanguínea e participa das contrações musculares; o zinco estimula a multiplicação celular, favorecendo o crescimento e fortalecimento dos cabelos, também tem função importante na pele e para o sistema imunológico. Com o objetivo que as pessoas tivessem uma dieta equilibrada, ou seja, ingerissem a quantidades de nutrientes adequadas ao bom funcionamento do corpo, foi desenvolvido um guia alimentar, contendo informações necessárias sobre os alimentos e seus nutrientes, e uma pirâmide com quatro níveis con- tendo os principais grupos de alimentos (Figura 7). A partir desta pirâmide base, outros pesquisadores, como o Walter C. Willett, desenvolveram as pirâmides funcionais, baseadas em alimentos funcionais e recomendando ingestão de água e a prática de atividades físicas. Figura 7- Pirâmide alimentar Fonte: adaptado de Oliveira et al. (2014). Lanches, doces, sucos e refrigerantes Leite, derivados de leite e ovos Carne vermelha, frango, porco, peixe e embutidos Vegetais Frutas Massas 118 UNICESUMAR Se uma boa nutrição é impor- tante para a manutenção de um organismo saudável, ela tam- bém é importante para man- ter os cabelos bem nutridos e saudáveis. Mas você sabe quais nutrientes são importantes para a saúde capilar? Você sabe o que pode acontecer com os cabelos caso haja uma carência destes nutrientes no organismo? Os nutrientes que não podem faltar para a saúde capilar são: água, vitamina A (retinol), vitamina B6 (piridoxina), vitamina B3 (niacina), zinco e proteínas. Caso ocorra a deficiência de vitaminas e mine- rais, os cabelos tornam-se fracos, tendo seu aspecto afetado. Além disso, a queda dos cabelos pode ser resultante de uma má alimentação. Sendo assim, recomenda-se aumentar a ingestão de leguminosas (feijão), melado, coco, pepino e vitaminas A e do complexo B (OLIVEIRA et al., 2014). De acordo com Talhate (2018), uma alimentação carente de proteínas, vitaminas e minerais, como em quadros de desnutrição, pode alterar o ciclo biológico dos cabelos, notando-se um aumento dos folículos no estado de repouso e resultando em aumento na queda capilar ou de fios deficientes. Além disso, a desnutrição pode causar despigmentação dos fios, afinamento e perda de brilho (TALHATE, 2018). Lembre-se de que o excesso de alguns nutrientes, como vitaminas, também pode causar pro- blemas na saúde do indivíduo ou danos nos cabelos. Em tratamentos para alopecias ou eflúvios, muitas vezes, recomenda-se o aumento do consumo de alimentos, como peixes de água fria, linhaça e óleos, por causa do fornecimento de ácidos graxos polii- nsaturados ômega-3 e -6; de alimentos, como levedura, trigo, miúdos de frango (fígado, rim, coração), ovos e carnes, para o fornecimento das vitaminas A, C e do complexo B; também é recomendado o consumo de frutos do mar (mariscos, ostras), carnes vermelhas, castanhas e amêndoas para obtenção de zinco; e de espinafre, couve, beterraba e leguminosas para obtenção de ferro. Também podem ser usados nestes tratamentos os nutracêuticos (suplementos alimentares), compostos por fenóis, polife- nóis, bioflavonoides, coenzima Q10 (CQ10, presente em todas as células e participam, ativamente, na produção de ATP e silício (OLIVEIRA et al., 2014). 119 UNIDADE 4 Você sabia que o cronograma capilar consiste em etapas que damos aos cabelos, o que é necessário para que continuem saudáveis e bonitos? Para isso, é necessário, no mínimo, três etapas: hidratação, umectação e reconstrução. Geralmente, os cronogramas capilares para restauração dos fios são compostos pelos três tratamentos: • Hidratação: repõe moléculas de água aos fios, proporcionando maciez e removendo o ressecamento. • Nutrição: devolve lipídios e nutrientes aos fios, proporcionando a oleosidade necessária, dá brilho, alinha os fios e tira o frizz. • Reconstrução capilar: corrige os danos presentes nos fios, faz as emendas, repondo proteínas e outros nutrientes que os fios perderam. Atenção! Recomenda-se manter a hidratação e a nutrição em dias alternados, para que as necessidades de água e nutrientes sejam supridos e não ocorra uma sobrecarga de queratina, por meio da reconstrução capilar (TALHATE, 2018). A nutrição capilar também é conhecida como umectação e consiste na reposição de lipídeos nos fios, tendo como objetivo lubrificar a fibra capilar, conservando sua hidratação. Os cabelos que necessi- tam deste tipo de tratamento são, geralmente, porosos, opacos, indefinidos, com frizz e embaraçam, frequentemente. É muito comum ocorrerem estes problemas em cabelos cacheados, ou que foram modificados, quimicamente (tingidos, relaxados, alisados, ondulados etc.) (FRANGIE et al., 2016). Uma forma de tratamento é utilizar as máscaras nutritivas que contêm óleos vegetais, como os de argan e de coco; manteigas vegetais, como as de karité; ceramidas e tutano (FRANGIE et al., 2016). Os tratamentos para repor nutrientes dos fios devem ser realizados no couro cabeludo, onde se encontra o folículo piloso (a raiz dos cabelos), e é por esta região que os fios recebem seus nutrientes, tornando-os mais fortes e com mais estruturas para suportar outros procedimentos (TALHATE, 2018). 120 UNICESUMAR Além destes procedimentos estudados anteriormente, outras técnicas estão sendo desenvolvidas e adaptadas nas diversas áreas da estética, incluindo na estética capilar, tais como a laserterapia, ele- troterapia, corrente galvânica, iontoforese, vapor de ozônio, entre outras. Então, que tal conhecer um pouco sobre elas? Vários estudos têm comprovado a eficácia da utilização do laser em diversos tratamentos nas áreas médicas e odontológicas e, atualmente, tem se tornado um aliado em vários tratamentos estéticos. Assim, a laserterapia tem sido usada na cicatrização de feridas, na atenuação/remoção de tumores, na eliminação de manchas, no tratamento de queloides, nas cirurgias, no controle da dor, entre outros (OLIVEIRA et al., 2014). Na estética, é utilizado o laser de baixa frequência, também conhecido como laser de baixa potência (LBP) ou, ainda, como laser terapêutico, utilizado porque não causa alterações permanentes ou destruição dos tecidos. Este tipo de laser é utilizado nas terapias fotodinâmicas e nos processos de biomodulação tecidual (OLIVEIRA et al., 2014). Mas como o laser controla os processos biológicos, como na reparação e na regeneração tecidual, drenagem linfática, síntese de colágeno, entre outros? O laser atua nas moléculas e interfere nos pro- cessos celulares, auxiliando nas ações biofísicas e bioquímicas das células. Por exemplo, pelo efeito fotofísico, ele promove aumento da permeabilidade da membrana celular e da síntese de ATP, e pelo efeito fotoquímico ele acelera a proliferação celular, favorecendo a regeneração tecidual, estimulando a microcirculação, reduzindo processos inflamatórios, entre outros (OLIVEIRA et al., 2014). Na estética, o LBP é utilizado nos tratamentos de flacidez tissular, na prevenção do envelhecimento precoce, na eliminação de edemas, na melhora da cicatrização, no clareamento de manchas, nos trata- mentos das acnes e na estimulação de folículos pilosos em tratamentos de terapia capilar (OLIVEIRA et al., 2014). Na estética capilar, o LBP aumenta o metabolismo da raiz do cabelo, contribuindo para o crescimento e proporcionando um aumento no volume capilar (TALHATE, 2018). O laser vermelho também pode ser utilizado em tratamentos de alopecias, este é absorvido dentro das células pelas mito- côndrias e pelos lisossomos (OLIVEIRA et al., 2014; TALHATE, 2018). Ele aumenta a microcirculação periférica, o metabolismo celular, a síntese de ATP, a síntese de proteínas (colágeno e elastina), possui ação analgésica,anti-inflamatória e promove a reparação de tecidos moles (OLIVEIRA et al., 2014). O laser é mais uma ferramenta no tratamento da alopecia, sendo observados resultados satisfatórios, quando empregado em conjunto a outros procedimentos. Ele é utilizado neste tratamento uma vez que age tanto no folículo capilar como na otimização dos tônicos empregados nesta terapia (PEREIRA et al., 2013). Os tratamentos populares de alopecia incluem a utilização de xampus, tônicos e medica- mentos ingeridos, os quais agem na profilaxia e também atuam nas células capilares. A associação do LBP é a mais nova proposta para os tratamentos capilares uma vez que o laser tem os seguintes efeitos, segundo Pereira et al. (2013): • incremento energético para célula geradora do cabelo. • degranulação do mastócito. • otimização das drogas utilizadas. • ativação da microcirculação. 121 UNIDADE 4 Figura 8 - Aparelho utilizado na eletroterapia capilar Apesar de o LBP não pertencer à eletroterapia, muitos profissionais utilizam este procedimento em protocolos de eletroterapia. Mas o que é a ele- troterapia? A eletroterapia, também conhecida como aparelho de alta frequência ou alta frequên- cia, utiliza correntes elétricas para estimular algu- mas regiões do corpo. Estas correntes possuem baixa intensidade elétrica, que é conduzida pelo organismo, podendo ser associada a vários pro- cedimentos estéticos (TALHATE, 2018). No couro cabeludo, a alta frequência tonifica e fortalece a raiz capilar. O aparelho utilizado para este tratamento é um pente contendo eletrodos (Figura 8), que, ao passar no couro cabeludo, ati- va a circulação sanguínea desta região, auxilia no transporte de oxigênio e nutrientes, tornando os cabelos mais fortes e resistentes. Além disso, a alta frequência contribui para eliminação de microor- ganismos no couro cabeludo, prevenindo proble- mas de caspas e seborreia (TALHATE, 2018). Desta forma, a alta frequência pode contri- buir em tratamentos e protocolos para distúr- bios capilares, como no tratamento de caspas e seborreia, pode ser aplicada antes da limpeza, com os cabelos secos. No tratamento de alope- cia, recomenda-se que a aplicação da alta fre- quência ocorra por tempo determinado e, no mínimo, duas vezes por semana, podendo ser associada ao LBP nos locais mais atingidos. A eletroterapia também pode ser utilizada asso- ciada a máscaras e a séruns capilares potencia- lizando seu efeito (TALHATE, 2018). A corrente galvânica consiste em uma cor- rente elétrica de baixa frequência contínua e unidirecional cujo funcionamento depende da presença de dois eletrodos (positivo e negati- vo) e do contato com o indivíduo. Geralmente, é gerada por retificadores de corrente alternada ligados à rede elétrica (TALHATE, 2018). Na estética capilar, ela pode ser usada no couro ca- beludo para introdução de íons cosméticos, de forma a potencializar sua ação. O procedimento faz uso de um eletrodo (polo positivo) acopla- do ao couro cabeludo e outro ao polo negativo da microcorrente contínua. Desta forma, o polo positivo acoplado ao corpo promove a dispersão da corrente elétrica (TALHATE, 2018). Quando se utiliza a corrente galvânica, é comum o cliente relatar certo desconforto e/ ou formigamento. Se para o cliente este incô- modo for relatado em excesso, provavelmente, há hipersensibilidade à corrente elétrica, o que pode prejudicar o tratamento uma vez que pode impedir o tempo correto dos eletrodos, oca- sionando menor contato e ação, além disso, é válido verificar se está utilizando a intensidade correta (TALHATE, 2018). 122 UNICESUMAR Antes de cada sessão da corrente galvânica, deve-se fazer uma limpeza no local da aplicação, utilizando um antisséptico, após a sessão, deve-se evitar a ex- posição solar. A corrente galvânica leva ao aumento da quantidade de íons no extrato córneo do couro cabeludo, reduzindo a resistência da pele e facilitan- do a penetração de substâncias durante a passagem do campo elétrico (TALHATE, 2018). A quantidade de sessões de corrente galvâ- nica pode ser variável de acordo com o objetivo que se deseja alcançar, não tendo um número de sessão obrigatório. Recomenda-se ao pro- fissional criar o protocolo de tolerância para o cliente, dar um intervalo de três dias entre as sessões e fazer uma avaliação do objetivo junto ao cliente, investigando sua satisfação (TALHATE, 2018). A corrente galvânica pode ser utilizada para a desincrustação capilar, co- nhecida também por desincruste. Este é um procedimento com o objetivo de remover o excesso de sebo da pele ou do couro cabeludo oleoso ou seborreico. Assim, pode-se dizer que a desincrustação capilar é realizada por meio de uma ação eletroquímica (TALHATE, 2018). Para a desincrustação, utiliza-se um eletrodo de gancho ativo totalmente envolvido por algo- dão contendo o produto desincrustante. Em geral, usa-se a intensidade da corrente de acordo com a O desconforto provocado pelo uso de correntes elétricas inicia com a sensação de um simples formigamento, devido ao aumento do fluxo sanguíneo no local, mas se o profissional aumentar a inten- sidade, exageradamente, passa a sentir agulhada, ardência e dor, podendo cau- sar queimaduras. Então, cuidado com a intensidade das correntes elétricas. sensibilidade do cliente, que deve estar confortável e seguro, por um período de cinco a dez minutos. A intensidade e o tempo poderá ser modificado de acordo com o cliente e objetivo (TALHATE, 2018). A desincrustação promove uma esfoliação profunda no couro cabeludo, geralmente, é utilizado um pro- duto a base de lauril de sódio, que possui íon positivo em sua composição, assim, a placa do aparelho fica carregada, negativamente, e o produto envolverá o sebo e a oleosidade produzida pelo couro cabeludo, promovendo sua remoção (TALHATE, 2018). A iontoforese ou ionização é uma técnica que também utiliza a corrente elétrica com o intuito de facilitar a entrada de substâncias no couro ca- beludo. Ao utilizar ativos específicos, sua pene- tração é aumentada com a corrente elétrica uma vez que ela aumenta a permeabilidade cutânea, como mencionado anteriormente. Desta forma, na estética capilar, a iontoforese pode ser realizada para promover a hidratação do couro cabeludo, utilizando máscara capilar (TALHATE, 2018). Em geral, recomenda-se uma dose de 80 mi- liampere (mA) por minuto, e a intensidade da corrente em torno de 0,3 a 0,5 mA/cm2. Entretan- to a dose pode variar de acordo com o tempo de aplicação, intensidade da corrente e a carga do íon presente no ativo a ser utilizado. Para promover a ionização e a entrada do ativo no couro cabeludo, deve ser realizada após a remoção da oleosidade do couro cabeludo, tanto o produto a ser utilizado quanto a placa do aparelho (eletrodos) devem ter cargas elétricas positivas, otimizando, assim, a entrada do produto (TALHATE, 2018). Outra técnica utilizada na estética capilar é o vapor de ozônio, o qual realiza uma profunda assepsia no couro cabeludo e nos fios, permitindo que absorvam melhor os nutrientes, tornando os cabelos mais saudáveis, brilhantes e hidratados. Ele também auxilia na oxigenação do couro cabe- ludo uma vez que reduz a oleosidade dos cabelos e ajuda na redução da queda capilar. Este proce- 123 UNIDADE 4 dimento é indicado para promover emoliência e umectação, auxiliando na preparação da pele ou do couro cabeludo que receberá a esfoliação ou a hidratação profunda (TALHATE, 2018). O vapor de ozônio é um aparelho que possui um depósito para realizar a evaporação da água, por meio de uma resistência calefatora e um circuito gerador de ozônio (O3), este é eliminado com o vapor de água. Esta técnica une o aumento da temperatura, o qual promove o aumento da circulação sanguínea e a abertura dos poros no local de aplicação e a ação bactericida e fungicida do ozônio, o qual promove a assepsia e o aumento de nutrientes na região de aplicação (TALHATE, 2018). O vapor de ozônio pode ser usadocom a aromaterapia, tendo em seu aparelho uma entrada específica para associar o vapor de água com os óleos essenciais. Esta entrada tem um recipiente para colocar os óleos essenciais que expandirão no ambiente, promovendo o efeito desejado, bem como o bem-estar do seu cliente (TALHATE, 2018). Os óleos essenciais possuem princípios ativos com ação antisséptica, cicatrizante e estimulante no couro cabeludo, isto ocorre, porque suas moléculas possuem baixo peso molecular e conseguem penetrar no tecido epitelial e chegar na circulação sanguínea, penetrar nos folículos pilosos e nas glân- dulas sebáceas e sudoríparas (WICHROWSKI, 2007). Devido aos seus efeitos comprovados, vários protocolos têm utilizado a aromaterapia em conjunto, como já mencionado na argiloterapia (Ciclo 3), com o vapor de ozônio e também com a vacuoterapia. E o que é vacuoterapia? A vacuoterapia, também conhecida como dermotonia ou, ainda, como endermologia, é uma téc- nica que tem aplicação na área da saúde, como na profissão que trabalha com a estética. O aparelho de vacuoterapia gera uma pressão negativa, provocando uma sucção não invasiva na pele, por meio de ventosas de diferentes diâmetros e formas (BORGES; SCORZA, 2016; LIMA et al., 2016; OLIVEI- RA, 2016). Essa pressão negativa pode ser contínua ou pulsada isso provoca uma depressão no local, formando uma prega cutânea e o rolamento das estruturas envolvidas (OLIVEIRA, 2016). A vacuoterapia promove o aumento da circulação sanguínea da derme e do tecido adiposo subcutâneo (hipoderme), melhora o metabolismo local e promove a mobilização e o deslocamento do tecido e de fibras elásticas, favorecendo a síntese do colágeno e consequente melhora da pele. Assim, ela pode ser utilizada em várias regiões do corpo, inclusive, no couro cabeludo. Nesta região, a melhora da irrigação sanguínea promo- ve melhor oxigenação e aporte de nutrientes nos folículos capilares (LIMA et al., 2016; OLIVEIRA, 2016). Desta forma, a vacuoterapia, na estética capilar, é usada em tratamentos de queda capilar. Outra técnica utilizada para tratar alopecia é o microagulhamento. Você já o conhece? 124 UNICESUMAR O microagulhamento, também denominado Terapia de Indução de Colágeno (TIC) ou, ainda, de Indução Percutânea de Colágeno com Agulhas (IPCA), é uma técnica que começou a ser utilizada na década de 90 com a finalidade de induzir a produção de colágeno no tratamento de cicatrizes e rugas. Esta técnica consiste na perfuração uniforme e rápida da pele, utilizando um aparelho específico para este procedimento, o Der- maroller, criado em 2000, pelo cirurgião plástico Dermond Fernands (ALBANO; PEREIRA; ASSIS, 2018). O Dermaroller é constituído por um cilindro de polietileno repleto de agulhas em aço inoxidável ou de liga de titânio, sendo que a quantidade e a disposição das agulhas são variáveis, estando de acordo com o tipo de tratamento e a área a ser aplicado. Os rollers também podem ser associados a outras terapias, como cromoterapia, LED e com efeito vibratório. Também podem ser utilizadas outras ferramentas no microagulhamento, como as canetas, as quais podem ser manuais ou elétricas, ou dispositivo manual de microagulhamento (Dermapen). Essas ferramentas são usadas em pequenas regiões ou em regiões de difícil acesso com o Dermaroller (ALBANO; PEREIRA; ASSIS, 2018). (A) (B) (A) (B) Figura 9 - Imagem do Dermaroller (A) e do Dermapen (B) O microagulhamento provoca uma lesão na região aplicada, desencadeando a síntese de colágeno com o intuito de reparar as fibras danificadas, a dissociação dos queratinócitos, a liberação de citocinas ativadas pelo sistema imune e a vasodilatação local (ALBANO; PEREIRA; ASSIS, 2018). O microa- gulhamento no couro cabeludo causa uma lesão que provoca efeito inflamatório na pele, estimulando os macrófagos a liberarem fatores de crescimento derivados de plaquetas e epidérmicos, os quais são responsáveis por ativar a regeneração tecidual e promover a ativação das células-tronco do bulbo ca- pilar e a superexpressão dos genes responsáveis pelo crescimento dos fios. Além disso, os macrófagos atraem outros fagócitos, os quais estimulam a formação de novos vasos sanguíneos e tecido conjuntivo, o que melhora a circulação sanguínea e, consequentemente, a oxigenação e a chegada de nutrientes no local da aplicação (BORGES; SCORZA, 2016; CONTIN; ALVES, 2016). Devido ao efeito inflamatório desencadeado pelo microagulhamento, seu baixo custo e sua com- provação nos tratamentos de alopecia androgenética, o microagulhamento na estética capilar (Figura 10) tem sido cada vez mais utilizado (FANO; TASSINARY, 2018). Apesar do seu principal objetivo ser a estimulação dos fibroblastos para recuperar a pele lesionada, ele também pode ser utilizado em conjunto com ativos, o drug delivery, de forma a potencializar sua ação. Os ativos podem ser aplicados antes, durante ou após o microagulhamento (ALBANO; PEREIRA; ASSIS, 2018; SILVA; MAGNUS, 2018). 125 UNIDADE 4 Figura 10 - Microagulhamento na estética capilar A potencialização pelo microagulhamento ocorre, pois as agulhas geram microcanais através da pele, que facilita a penetração dos ativos, aumentando sua permeabilidade cutânea e, consequente- mente, seu efeito terapêutico. Esta técnica é capaz de potencializar a permeação dos ativos em até oitenta vezes uma vez que estes conseguem penetrar as camadas mais profundas da pele (ALBANO; PEREIRA; ASSIS, 2018; BORGES; SCORZA, 2016). Como acabamos de ver, o microagulhamento é um procedimen- to promissor na área da estética capilar. Vimos várias técnicas, e algo que se deve ter cuidado ao se escolher determinado procedimento é verificar as condições do couro cabeludo do seu cliente uma vez que diversas técnicas não podem ser realizadas caso ele esteja lesio- nado, como é o caso do laser de baixa frequência, alta frequên- cia, corrente galvânica, vapor de ozônio, entre outros. Agora que você já conheceu diversas técni- cas, poderá responder com mais propriedade o Estudo de Caso proposto no início deste ciclo. Bom, chegamos ao final do últi- mo ciclo deste livro, e acredito que você tenha aprendido um pouco mais sobre os conteúdos de Estéti- ca Capilar e Tricologia. Neste ciclo, você aprendeu sobre os protocolos de vários tratamentos, terapia ca- pilar e técnicas que poderá utilizar em sua profissão. Este aprendizado é muito importante para sua prática profissional, com ele você apren- deu um pouco mais sobre como montar os protocolos dos diversos tratamentos, entendeu melhor a terapia capilar e quais as técnicas aplicadas. Desta forma, você con- seguirá atender a seus clientes com assertividade e segurança. Também aprendeu a se posicionar frente a vários produtos e a escolher melhor o que vai utilizar, pois tratamentos e técnicas capilares sem respaldos científicos podem causar danos aos cabelos e ao couro cabeludo e, até, afetar a saúde de seus clientes. Lembre-se, sempre, de que precisa retomar as leituras e os estudos, procurando atualiza- -se, afinal, o aprendizado deve ser constante. Espero que você alcance seus objetivos e tenha sucesso em sua vida profissio- nal. Boa sorte! 126 M A P A M EN TA L O lá , a lu no (a )! Es ta m os c he ga nd o ao e nc er ra m en to d es te q ua rt o ci cl o, e c on vi do v oc ê a fa ze r u m a ve ri fic aç ão d os c on he ci m en to s qu e vo cê a dq ui riu , p re en ch en do o M ap a M en ta l a s eg ui r, ac es sa nd o: h tt ps :// w w w .g oc on qr .c om /e n- U S/ m in dm ap /2 52 80 74 4/ Es t- tic a- ca pi la r- e- tr ic ol og ia --C ic lo -4 -. Le m br e- se d e qu e vo cê ta m bé m p od e cr ia r m ai s co ne xõ es o u um n ov o m ap a m en ta l. Fo nt e: o a ut or . A G O R A É C O M V O C Ê 127 1. O cabelo é a moldura do rosto humano, desta forma, está, intimamente, relacionado com a identidade do indivíduo,tendo posição de destaque em sua vida. Sendo assim, cuidar da saúde e da estética capilar é importante para a maioria das pessoas, e, para atender a esta necessidade, buscam pelos serviços do profissional de estética. Você, como futuro profissional desta área, deverá realizar anam- nese e, após, definir o protocolo capilar adequado a cada cliente. Sendo assim, em qual situação você elaborará um protocolo de tratamento e quando elaborará um protocolo de terapia capilar? 2. Geralmente, os cronogramas e os protocolos de tratamento ou de terapia capilar contemplam os seguintes tratamentos: hidratação, reconstrução capilar e nutrição (TALHATE, 2018). Levando em consideração os conhecimentos sobre os tratamentos citados, assinale a alternativa correta. a) A hidratação consiste em repor lipídios aos fios, utilizando máscaras nutritivas à base de queratina. b) A umectação ou a reconstrução capilar tem como principal objetivo repor água e nutrientes aos fios, aplicando os produtos na haste capilar. c) A nutrição ou umectação consiste em repor água aos fios, uma técnica utilizada com este intuito é a selagem, por selar as cutículas da haste capilar. d) Os principais ativos presentes nos cosméticos utilizados para a reconstrução capilar são: elastina, carboidratos, minerais, lipídios e vitaminas. e) Na reconstrução capilar, os cosméticos têm como objetivo tratar os cabelos, repondo ativos se- melhantes aos da constituição química capilar, como queratina, lipídios, vitaminas e aminoácidos. 3. Na reconstrução capilar, os cosméticos têm como objetivo tratar os cabelos, repondo ativos, como queratina, lipídios, vitaminas e aminoácidos. Podem-se usar algumas técnicas para atender a este objetivo, tais como a queratinização, cauterização, botox capilar, selagem (FRANGIE et al., 2016). Levando em consideração os conhecimentos sobre estas técnicas, relacione as colunas. 1. QUERATINIZAÇÃO 2. CAUTERIZAÇÃO 3. BOTOX CAPILAR 4. SELAGEM ) ( Técnica desenvolvida no Brasil, realizada utilizando ampolas de que- ratina hidrolisada, com o intuito de fechar as cutículas e nutrir os fios. ) ( Tem como objetivo a renovação capilar e corrigir danos da haste, por meio da hidratação e da selagem das cutículas da haste capilar. ) ( Tem como finalidade reconstruir as fibras dos cabelos por doses de queratina à quente e age do córtex a cutícula. ) ( Tem como finalidade reconstruir as fibras dos cabelos por doses de queratina a frio. Assinale a sequência correta. a) 1, 2, 3, 4. b) 4, 3, 2, 1. c) 1, 3, 2, 4. d) 2, 4, 1, 3. e) 4, 1, 3, 2. A G O R A É C O M V O C Ê 128 4. Várias técnicas estão sendo desenvolvidas e adaptadas na estética capilar com o intuito de alcançar, de forma mais eficiente, os resultados dos tratamentos capilares, tais como a laserte- rapia, eletroterapia, vacuoterapia, microagulhamento, entre outras. Levando em consideração os conhecimentos sobre as técnicas mencionadas no enunciado, avalie as seguintes afirmativas: I) Na estética capilar, o laser de baixa frequência é utilizado por aumentar o metabolismo da raiz do cabelo, contribuindo para o crescimento e proporcionando aumento no volume capilar. II) A eletroterapia, ou alta frequência, utiliza correntes elétricas para estimular algumas regiões do corpo, como no couro cabeludo, tonifica e fortalece a raiz capilar. III) A corrente galvânica pode ser utilizada para a desincrustação capilar, com o objetivo de remover o excesso de sebo do couro cabeludo bem como para Iontoforese, com o objetivo de facilitar a entrada de substâncias no couro cabeludo. IV) O vapor de ozônio realiza uma profunda assepsia no couro cabeludo e nos fios, além de auxiliar a oxigenação do couro cabeludo e contribuir para redução da queda capilar. Já a vacuoterapia, quando utilizada no couro cabeludo, melhora a irrigação sanguínea, promove melhor oxigena- ção e aporte de nutrientes nos folículos capilares. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. C O N FI R A S U A S R ES P O ST A S 129 1. Utilizarei o protocolo para tratamento capilar para tratar um problema pontual do cabelo ou do couro cabeludo do cliente, por exemplo a queda capilar. Já o protocolo de terapia capilar utilizarei para tratar a causa do problema, por exemplo, se há queda capilar. Primeiro devo investigar os possíveis desencadea- dores, os quais podem ser múltiplos neste caso, e, após, elaborarei o protocolo de terapia a partir do que foi encontrado na investigação. 2. E. 3. B. 4. E. R EF ER ÊN C IA S 130 ALBANO, R. P. S., PEREIRA, L. P., ASSIS, I. B. Microagulhamento – a terapia que induz a produção de colágeno – revisão de literatura. Revista Saúde em Foco, n. 10, p. 455-473, 2018. Disponível em: https://portal.unisepe.com. br/unifia/wp-content/uploads/sites/10001/2018/07/058_MICROAGULHAMENTO_A_TERAPIA_QUE_IN- DUZ_A_PRODU%C3%87%C3%83O.pdf. Acesso em: 1 set. 2020. BORGES, F. S.; SCORZA, F. A. Terapêutica em Estética - Conceitos e Técnicas. 1. ed. São Paulo: Phorte, 2016. BRAGA, D. Terapia capilar: manual de instruções. Brasília: Editora Senac, 2014. CHILANTE, J. A.; VASCONCELOS, L. B. O. SILVA, D. Análise dos princípios ativos do protocolo destinado a restruturação capilar. Balneário Camburiu: Univali, [s. d.]. Disponível em: http://siaibib01.univali.br/pdf/ Jucemara%20Chilante,%20Leonardo%20Vasconcelos.pdf. Acesso em: 16 out. 2020. CONTIN, L. A.; ALVES, R. C. 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