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Contexto do seminário Promovido pelo CBCISS (Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviço Social), o II Seminário de Teorização do Serviço Social, cujo tema era a metodologia do Serviço Social, foi realizado de 10 a 17 de janeiro de 1970 em Teresópolis, período em que se estabeleceu o Ato Institucional número 5, que dá poder absoluto ao poder executivo com objetivo de reprimir a revolução. O que era um regime militar se torna ditadura, onde as relações entre o Estado e sociedade eram bem delicadas, era totalmente repressivo. Foi um período de crescimento econômico (milagre econômico) de muita riqueza, porém no fim da década de 60 e no início da década de 70 acontece a crise fiscal do Estado (CRISE DO CAPITAL, inflação,aumento das dívidas internas/externas, polarização do Estado/Mercado). Era uma época de mudança, as questões sociais gritavam por toda parte do cenário brasileiro, nesse momento chama a atenção para a dificuldade de se discutir a relação entre o serviço social e a sociedade no regime militar. Daí o foco dos seminários de Araxá (1967) e Teresópolis (1970) na metodologia do Serviço Social. A ditadura exigia que o profissional fosse preparado para atuar nas instituições que foram adaptadas ao projeto da autocracia burguesa (a burguesia brasileira é dependente e autoritária, essa dependência possibilitou a desenvolvimento capitalista e sua dominação, isso quer dizer que a burguesia deixou de fora a população) , vinculado ao capital internacional. Nesse sentido,Teresópolis,de acordo com Zé Paulo Netto, situa o assistente social como "funcionário do desenvolvimento". Nesse momento de grande demanda de políticas sociais, de muita dificuldade na sociedade brasileira, numa política de regime militar,os assistentes sociais começam a se perguntar sobre o seu papel, e as funções que desempenham. E percebem que assumiram um papel de ferramenta do governo, na manutenção da ordem social e controle das massas com características de caridade religiosa. Com base nessa realização, os assistentes sociais querem mudar sua forma de atuação, surge a reconceituação,um processo de renovação do serviço social sob a autocracia burguesa. Como foi organizado Quem participou? Como dito o Documento de Teresópolis foi centralizado na “necessidade de um estudo sobre a Metodologia do Serviço Social face à realidade brasileira”. Com isso A CBCISS se baseando nos critérios: “interesse pelo estudo da teoria do serviço social, realização ou vivência profissional, especialização, regionalidade, representatividade de instituições nacionais, públicas e privadas, diversidade quanto a procedência institucional , tempo de formatura e procedência regional” convidou 103 profissionais para o evento, onde destes 33 compareceram (13 deles estiveram em araxá) para o estudo do tema os organizadores elaboraram um roteiro de trabalho que contava com 21 documentos a respeito dos itens sugeridos, entretanto logo na primeira reunião de trabalho foi discutido sobre a dificuldade em seguir o temário sendo assim para a realização do seminário os participantes usufruíram como documentação preparatória 3 textos de fato discutidos, sendo eles: 1- “Introdução à metodologia. Teoria do diagnóstico e da intervenção em Serviço Social” de Suely Gomes Costa 2- “Bases para a reformulação da metodologia do Serviço Social” de Tecla Machado Soeiro e 3- “A teoria metodológica do Serviço Social. Uma abordagem sistemática” de José Lucena Dantas - esse último que ofereceu ao debate uma concepção extremamente articulada da “metodologia do Serviço Social”, a mais compatível com a perspectiva modernizadora, já que, os dois primeiros não estavam sincronizados ao momento de maturação do processo de renovação do Serviço Social no Brasil. Dessa forma o documento, fundamentado nos pontos “Concepções científica da prática do Serviço Social” e “Aplicação da metodologia do Serviço Social” consistiu nos relatórios de dois grupos dos profissionais citados Grupo A e Grupo B onde devido ao andamento optado pelos participantes, diferente do Seminário do Araxá, não se produz um documento final, e o Centro publica o relatório de cada grupo de forma separada. Como se organizava o documento O documento é dividido entre dois grupos, Grupo A e Grupo B. Ambos se concentram na reflexão dos temas: “Concepção científica da prática do Serviço Social” e “Aplicação da metodologia do Serviço Social”. O grupo A ,construiu um quadro geral de 7 níveis (nível biológico, nível cívico militar, sócio cultural, entre outros), a partir das “necessidades básicas” e “necessidades sociais” e em seguida, dividiram o quadro entre os "fenômenos mais observados na prática do Serviço Social", "as variáveis significativas" e " as funções profissionais a elas". Como por exemplo, no nível biológico, tem um “fênomeno significativo observado na prática do Serviço Social”, o “alto indice de natalidade”, logo, se apontam as “variaveis significativas”: 1 - falta de educação sexual, 2- valores religiosos, 3. padroes culturais, 4- falta de planejamento familiar, 5- abandono do menor. E a partir disso, indicam-se “as funções possiveis do serviço social” como: 1. participação em programas de educação sexual, substituição de valores e padroes culturais, participação em programas de planejamento familiar, orientação familiar e criação de recursos. Essas funções podem ser no âmbito Micro e macro e Segundo os assistentes sociais, tais necessidades básicas não são encaradas isoladamente, mas sim, por causa do país ser subdesenvolvido e em crise por causa de sua fase de transição e mudanças. Já o grupo B, construiu um quadro de "fenômenos e variáveis segundo o critério de necessidades e problemas”, com divisões acerca de “nivel de vida”) e de sistemas de relaçõe. E então identificaram os problemas de cada especificação. Como por exemplo, o nivel de vida “saúde”, tem como seus problemas os baixos niveis sanitarios, carencia e ma utilização de recursos, dificuldade de acesso aos recursos existentes. E assim, se chegam a tres niveis de atuação do serviço social (prestação direta de serviços, administração de serviços sociais e planejamento de serviços sociais) e em seguida, eles listam um conjunto de disciplinas que podem auxiliar na intervenção (economia, antropologia cultural, sociologia, etc). Enfim, diante de todas essas exposições, o grupo sugere a adoção de “procedimentos lógicos”. Percebe-se que ambos os relatorios utilizam de primeiro analisar a questão social,, identificar e depois intervir sobre, outra coisa também que notamos, foi que ambos utilizam sempre da palavra “problema” ao em vez das “expressões da questão social”. Mas agora, o Yan vai falar pra vcs acerca da fundamentação teórica que conduz esse seminário. Fundamentação Teórica Conforme descrito anteriormente pelas meninas, o contexto do seminário de Teresópolis era basicamente dar continuidade aos trabalhos iniciados em Araxá, agora com uma preocupação com a instrumentalização programática da ação profissional frente “a necessidade de um estudo sobre a Metodologia do Serviço Social face à realidade brasileira”, naquele caso, a consolidação da perspectiva modernizadora da época. Nesse sentido, tanto sua organização quanto sua fundamentação teórica não eram estranhas à ideologia vigente, qual seja: a forma cientificista de lidar com o objeto de estudo (a aplicabilidade do serviço social nos estratos sociais) de forma superficial, acrítica. Em 1970 o que se esperava do Serviço Social como política de estado era basicamente no contexto assistencialista, pois na ditadura jamais se reconheceria o status quo da crise capitalista (gerada pelo próprio estado) como fomentador primordial do que mais tarde chamaríamos de as "expressões da questão social". De forma a estruturar um modelo modernizador, a fundamentação teórica de Teresópolis traz ações de estudo e de reconhecimento do objeto, buscando criar um método de averiguação e diagnóstico do serviço social quese equiparasse as demais ciências (sociais e naturais), modernizando a forma, de natureza conservadora, em técnica. O objetivo, claramente demandado por um estado autoritário que precisava de alguma forma lidar e mediar os alarmantes conflitos entre o capital e o trabalho, era idealizar a tônica reformista que pretendia, dentro da perspectiva positivista, que era o que se entendia como moderno, e aprimorar a técnica. Hoje sabemos que o SSo não é uma ciência, mas na época, era isso que se buscava, um método que tivesse base científica (empírica), dando respaldo a aplicabilidade do aqui e agora. A ótica era de neutralidade, fundamentada em estipular uma prática imediatista, de burocracia, de “passo a passo”, revelando uma “assepsia ideológica” onde se buscava criar um profissional que fosse um aporte entre o Estado e o sujeito, numa perspectiva desenvolvimentista, funcionalista. Análise de José Paulo Netto ● Textos base - Trabalho de José Lucena Dantas – Busca por metodologia para o serviço social – Caráter positivista, científico e “sem viés”. ● Trabalho divido em dois níveis – Diagnóstico e Intervenção Planejada. ● Modernização Conservadora. Inova, mas ao mesmo tempo resgata bases antigas e tradicionais. ● Esse autor de viés positivista vai ocupar cargos importantes no governo militar e se desviar das críticas da tradição marxista. ● Seminário propriamente dito: Segue a linha de busca por metodologia – Deixa de lado a reflexão teórica acerca do significado da profissão. ● O documento lembra um manual técnico – Quadros sistematizando problemas sociais e intervenções adequadas. Ex: Alta taxa de Natalidade – Intervenção: Educação sexual, mudança de valores morais e culturais. ● Assegurou o status de profissão – Inserção no quadro sociotécnico – Atendendo as necessidades de acumulação dos Monopólios. ● Formação profissional – Definição das disciplinas necessárias – Política de expansão das universidades na ditadura. ● Ponto de inflexão do serviço social tradicional a perspectiva modernizadora.