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A CURA PELA NATUREZA 
 
Jean Aikhenbaum e Piotr Daszkiewicz 
 
 
ENCIClOPéDIA FAMILIAR DOS REMéDIOS NATURAIS 
 
Aviso: 
 
Esta obra não tem a pretensão de substituir o seu médico. Não pode substituir uma consulta 
médica. 
A nossa abordagem não consiste numa crítica sistemática da medicina. A nossa intenção é 
apresentar-lhe um guia que permita ajudá-lo a fazer face a certos problemas através do 
recurso às terapias ditas “naturais”. Também lhe apresentamos, nas próximas páginas, uma 
análise crítica, científica, etnológica e histórica de certos tratamentos. 
É importante saber que “natural” não significa “inofensivo”. Existem toxinas terríveis que são, 
muitas vezes, de origem natural, e certas plantas que podemos encontrar correntemente nos 
nossos parques e jardins são, por vezes, mortais. Devemos também ter presente que a acção 
de qualquer substância é sempre múltipla, e que não existe acção sem reacção. Mesmo as 
plantas e as técnicas delas derivadas devem ser utilizadas com moderação. Para terminar, 
lembramos que é sempre preferível prevenir a ter de remediar. 
 
Título original: Le Pouvoir de Guérir par la Nature 
1996 
 
 
A casa dos meus pais cheirava bem a sopa de couve 
Quando o Inverno fustigava que bem que se estava em casa 
Mas empurrei a cancela quando chegou a Primavera para deambular rio abaixo como todos os 
moços de vinte anos... 
 
G. Jackno 
 
À minha filha Christina, que não gosta de ir ao médico. 
 
Ao meu avô Kalman, que conhecia o poder do Verbo e sabia curar com um pouco de azeite e de 
limão. 
 
 
INTRODUÇÃO E PREFÁCIO 
 
pelo Dr. Jean-Pierre WILLEM 
 
Vivemos num tempo apaixonante em razão das suas contradições! 
 
E a relação que a nossa sociedade mantém com a saúde é uma delas. Aliás o sentido da 
palavra “saúde” não cessa de se alargar. Ela tanto designa os cuidados intensivos numa 
unidade de reanimação, como o jogging das manhãs de domingo, passando pelos 
medicamentos de conforto. A frase “É bom para a saúde” constitui uma etiqueta indiscutível. 
Além disso, a saúde especializa-se por meio de técnicas cada vez mais científicas e espalha-se 
sob a forma de crendices cada vez mais extravagantes. Por outro lado, se hoje em dia se 
tratam doenças que no passado eram mortais, surgem doenças primárias perante as quais 
somos ainda impotentes. E voltam a aparecer velhas infecções, tais como as “doenças da 
miséria”, de que é um dos exemplos a sarna. 
 
Esta obra é uma enciclopédia de medicinas naturais Seria uma presunção pretender conhecer 
perfeitamente o conjunto de terapias às quais esta enciclopédia de tratamentos naturais faz 
referência, sendo certo que Jean Aikhenbaum, jornalista científico e fundador da revista Réussir 
votre Santé, e Piotr Daszkiewicz, biólogo e historiador das ciências, elaboraram um guia muito 
completo. 
 
A sua competência em matéria de medicinas naturais, numa perspectiva científica e sobretudo 
experiencial, conjugou-se para proveito das pessoas que, a propósito, por exemplo, de uma 
angina, de uma gonalgia, de um edema na garganta ou de uma hemorragia nasal, poderão 
consultar este manual, que terá um lugar privilegiado para elas. 
23 
Um exame da medicina, dos cuidados de saúde e do doente. 
 
As suas considerações são, na verdade, múltiplas e variadas, mas mencionarei apenas as três 
principais: 
 
- O facto de que existe apenas uma medicina, com múltiplas facetas. 
 
Já não se fala de “medicinas diferentes”, a não ser para explicar que muitas formas possíveis 
de terapêutica sã o ignoradas, voluntariamente ou não, pelas Faculdades de Medicina. -A 
primordialidade da alimentação saudável, equilibrada e natural. 
 
Este fenómeno é conhecido há muito: “Existem doentes que só se curam através da 
alimentação”, já dizia Hipócrates, e Jean Rostand, entre outros, fez dele um fervoroso eco. 
- A vontade de cura. 
 
Uma reflexão sobre a saúde 
 
Esta enciclopédia aborda também os diferentes aspectos da saúde. -A saúde comporta uma 
grande parte de confiança: por se pensar tanto que o progresso técnico resolve rapidamente os 
problemas, as suas lentidões ou impotências suscitam decepções violentas ou a procura de 
terapias ditas naturais. A confiança é, sem dúvida, fundamental no que toca a saúde: o 
sobreconsumo de tranquilizantes prova-o. Existe por conseguinte uma forte relação entre 
confiança e saúde. E um bom estado de saúde prova que o corpo se situa numa relação de 
autoconfiança, de confiança no médico e de confiança na sociedade. 
- Evocando, diversas vezes, o assunto do investimento nos cuidados de 
saúde, os nossos autores apresentam a questão da confiança na vida, no valor da própria vida. 
Será que estar de boa saúde significa não ter qualquer problema? Assistimos actualmente a um 
conjunto crescente de doenças físicas bem como a uma grande dificuldade em suportar a vida. 
No fundo, é o problema do sentido da vida que se põe. -Que utilidade tem o que faço?”, que 
implica a pergunta: “0 que vale a minha vida?” 
- Por outro lado, constatamos que as ciências e as tecnologias de ponta se especializam cada 
vez mais. Mas o custo destes avanços é duplo: 
24 
a saúde está dividida em especialidades, e o homem, na sua totalidade viva, é talvez menos 
considerado. Além do mais, o abismo aumenta entre as tecnologias e a população: esta tem 
dificuldade em entender todas as investigações, mas exige-as “de direito”, imediatamente. E o 
acesso de toda a população aos cuidados de saúde exige provavelmente uma orientação 
tornada inteligível e mais humana. 
 
Sim, a saúde precisa de humanizar-se. E não apenas no que se refere às condições de 
acolhimento de um grande hospital, mas, sobretudo, de modo a permitir ao homem manter 
uma relação justa com a saúde. Certas pessoas preocupam-se de tal modo com a sua saúde 
que dela se tornam escravas. A saúde não é apenas o campo do objecto (o corpo, a psique), 
mas também o é do sujeito. E o domínio da saúde passa pela condução da própria existência e, 
por conseguinte, pela paz consigo mesmo... 
 
E depois pode-se, recorrer, então, às terapias. 
 
Uma mina de informações sobre as medicinas naturais 
 
Trata-se de um livro de “boa fé”: a informação do público, e até dos terapeutas, necessitaria 
aliás de muitos outros livros como este. Basta sabermos que o leque terapêutico é enorme e 
que é necessário actualizá-lo constantemente. 
 
Esta obra é também uma mina de informações sobre os métodos tradicionais, os remédios 
antigos e a medicina natural. 
 
A medicina dos nossos dias tem o seu tempo, enquanto os métodos tradicionais, 
experimentados ao longo de séculos, senão milénios, prosseguem incansavelmente a sua acção 
favorável. 
 
A medicina moderna enganou-se no caminho 
 
A medicina moderna, dita “científica-, enganou-se incontestavelmente no caminho nestes 
últimos cinquenta anos. E contudo... Nunca antes na história do mundo existiram tantas 
drogas, mas, em contrapartida, nunca antes existiram tantas pessoas débeis, tantas pessoas 
verdadeiramente doentes: UM terço dos indivíduos hospitalizados - um número aterrador - 
ocupam as camas dos hospitais por motivo de doenças “causadas por medicamentos”. Muitas 
delas morrem quando poderiam ter sido salvas. 
É assim que as purgas e as sangrias dos séculos passados são actualmente substituídas pelos 
antibióticos e pelos corticóides sistemáticos, dispensados às cegas. As consequências nocivas 
deste procedimento são, desde há muito, piores do que as purgare e saignare de Molière. 
Assim, durante séculos, os espíritos “duros” que atravancam as nossas civilizações ocidentais 
zombaram de uma prática muito antiga, curiosa mas eficaz: o facto de uma chave grande, 
aplicada na nuca, estancar rapidamente a maioria das hemorragias nasais. Foi necessário que 
surgissem os trabalhos do padre Leriche para que este método fosse despojado da sua lenda: 
qualquer objecto frio (uma chave, um pedaço de metal, um cubo de gelo), colocado ao nível 
das vértebras cervicais, tem por efeito excitar o sistema nervoso simpático situado diante das 
vértebras,que possui entre as suas múltiplas propriedades a de provocar a contracção dos 
vasos sanguíneos. Daí o estancamento das hemorragias nasais (epistaxes). 
 
A medicina moderna deve dar explicações 
 
Por que razão, sempre desconhecida, na nossa época de viagens à Lua, uma simples ligadura 
de linho ou de lã suprime certas dores: as cãibras nocturnas nas pernas, as dores reumatismais 
nos pulsos, nos cotovelos e nos joelhos? E por que razão um banal pedaço de sabão de 
Marselha colocado na cama evita o regresso das cãibras? 
 
Será doravante necessário esforçarmo-nos para encontrar uma explicação para a eficácia de 
inúmeros tratamentos. 
 
---As investigações modernas”, escrevia Léon Binet, antigo decano da Faculdade de Medicina de 
Paris, “apenas confirmam de uma forma geral o bom fundamento dos cuidados de saúde 
utilizados no passado de forma empírica.” Mas continuamos a ignorar a 
razão pela qual os nossos predecessores utilizavam há séculos a cavalinha para as afecções 
degenerativas e também como agente remineralizante. Sabemos actualmente que as 
propriedades desta planta se devem aos seus múltiplos componentes, especialmente a silícia - 
cuja importância é fundamental na consolidação do nosso esqueleto; e a cavalinha é uma das 
plantas mais ricas neste componente. “A acção da silícia na terapêutica”, escrevia aliás Louis 
Pasteur em 1878, “deverá ter um papel grandioso.” 
 
As propriedades vermífugas do musgo-da-córsega foram mencionadas por Teofrasto, há 2000 
anos. Utilizadas até à Idade Média, caíram no esquecimento e foi um médico corso, como é 
natural, que as reabilitou em 1775. Conhecemos actualmente a realidade científica da sua 
acção. 
 
Para os cancros, no primeiro século da nossa era, Dioscórides utilizava o cólquico (mata-cão). 
Foi preciso esperarmos até 1934 para isolarmos um dos seus alcalóides: a colquicina, que, no 
estado actual dos nossos conhecimentos, combate o desenvolvimento das células anárquicas 
dos tumores. 
 
Durante séculos, e tal como para a cavalinha, para o musgo-da-córsega e para a maioria das 
outras plantas, os espíritos duros negaram-se à evidência da sua eficácia sob o pretexto infantil 
de que se ignorava a razão “científica” da sua acção. 
 
Para Henri Poincaré, “negar porque não se sabe explicar não é nada científico”, o que também 
afirmava Ambroise Paré, à sua maneira, há já quatro séculos e meio: “As coisas, em medicina, 
não se medem ou consideram senão pelos seus resultados.” 
 
Felizmente que, para muitos doentes com cancro, nem Dioscórides nem os médicos que lhe 
sucederam esperaram 1900 anos para tirarem provas científicas da acção evidente das 
propriedades antitumorais do cólquico. 
 
É com a intenção de vulgarizar todo este património natural que os nossos autores escreveram 
esta enciclopédia. 
 
‘ Não se trata, obviamente, de um musgo mas sim de uma alga, Alsidium helminthocorton, um 
remédio esquecido, conhecido dos médicos da Antiguidade e da Idade Média. Redescoberto em 
1775 por Stephanopol, este medicamento foi, muitas vezes, utilizado por Napoleão. 
 
As medicinas naturais contribuem para o progresso médico 
 
Aqueles que consideram a medicina moderna como fonte de descobertas infinitas, tanto no 
plano das preparações farmacêuticas como no plano das intervenções cirúrgicas, avaliam 
frequentemente a medicina natural como um travão indesejável ao “progresso”. Outros 
parecem estar de tal modo investidos na especificidade das suas profissões que a mera menção 
da palavra “oligoelementos” ou “nutriterapia” lhes é insuportável. Os cuidados médicos “sérios” 
não concedem qualquer lugar às vitaminas e aos exercícios físicos autoprescritos (argumento 
ao qual não nos oporemos). Mas o que é bom para o “progresso médico” ou para os “cuidados 
médicos” e o que é bom para os seres humanos são duas coisas completamente diferentes! 
 
Até os médicos podem tratar os seus doentes com esta enciclopédia 
 
Os médicos receitam rapidamente medicamentos para acalmar dores, quando em certos casos 
o recurso a esta preciosa enciclopédia lhes facultaria uma solução simplicíssima. 
Um exemplo: quantas dores de cabeça, perturbações da visão ou zumbidos nos ouvidos não 
teriam cura se não se interviesse ao nível das vértebras cervicais, em muitos casos deslocadas? 
 
Mais um exemplo? Quantas disfunções vagossimpáticas, que resistiram a cuidados diversos 
durante vinte anos, não poderiam ser rapidamente aniquiladas através da negativização 
eléctrica? 
 
- E em que consiste esta terapia? - Simplesmente em devolver às células do nosso organismo 
as cargas eléctricas negativas benéficas que estas perderam: todas as afecções degenerativas - 
artrose, neuroses e afecções similares, diabetes, psoríase, cancro... - são concomitantes de um 
excesso de carga positiva. 
 
É uma questão de bom senso 
 
Quando terapêuticas deste tipo, ignoradas pela nomenclatura científica, são capazes de 
“recuperar” situações muito comprometidas pelo abuso da quimioterapia, por que não deveriam 
elas ser utilizadas antes de quaisquer outras, e para as substituir, em caso de insucesso, por 
medicações mais violentas? Não se tratará apenas, com o conhecimento existente dos 
tratamentos eficazes e não tóxicos, de uma pura questão de bom senso? “Para alcançar a 
verdade é preciso que uma vez na vida nos dispamos de todas as opiniões recebidas e 
reconstruamos, de novo e a partir do seu fundamento, os sistemas desses conhecimentos.” 
Estas palavras de Descartes, esse antigo oficial do exército, matemático e filósofo, dizem 
respeito a todas as disciplinas. E mais ainda à medicina. É por esta razão que a presente obra 
terá certamente o grande êxito que merece, tanto em França como no resto da Europa. 
 
Não é uma questão de negar os resultados, por vezes, incomparáveis, obtidos graças aos 
medicamentos modernos. Temos o exemplo da meningite tuberculosa, que, sem a 
estreptomicina, continuaria a ser uma doença mortal. É por isso que os inúmeros e pacientes 
trabalhos dos fundamentalistas, indispensáveis aos progressos do conhecimento, devem 
imperativamente ser prosseguidos sem que os investigadores se tenham de interrogar se das 
suas descobertas serão algum dia retiradas conclusões práticas. 
 
A abordagem das medicinas naturais 
 
A medicina natural assenta num método lento e orgânico. Ela começa por reconhecer que o 
corpo humano está maravilhosamente equipado de modo a resistir às doenças e a curar as 
feridas. Assim, quando a doença se instala, ou se produz um acidente, a primeira abordagem 
das medicinas naturais consiste em ver o que pode ser feito para reforçar a resistência natural 
e multiplicar os agentes de cura, a fim de que estes possam agir mais eficazmente contra o 
processo patológico. 
 
A eficácia da medicina natural repete-se desde os tempos mais remotos 
 
Vem-me à memória um pensamento chinês: “Não devemos acreditar ou deixar de acreditar 
numa terapêutica, mas sim constatar ou não os seus resultados benéficos.” Mas o espírito, mais 
ou menos cartesiano, de um 
29 
médico ocidental não pode, obviamente, subscrever este tipo de pensamento, que apenas 
aceitará como tratando-se de uma afirmação humorística. 
 
Os “resultados benéficos” não trabalham, portanto, a favor da convicção. Aquilo que, em 
contrapartida, não deveria deixar dúvidas no espírito dos mais cépticos é a repetição da mesma 
eficácia em milhares de casos, por processos semelhantes na aplicação de uma mesma técnica. 
 
Se os cépticos persistem, que se acautelem, porque o cepticismo arrisca-se a transformar-se 
em má-fé. E isto parece lamentável no que diz respeito ao progresso médico. 
 
Esta enciclopédia vai ajudá-lo a defender a sua saúde 
 
Sendo cada um responsável pelo seu próprio bem-estar, é-lhe desejável depender o menos 
possível de outrem para defender a sua saúde. Cada um é o promotor, o censor e o guardião 
da sua saúde. E esta obra vai ajudá-lo. 
 
Uma síntese entre medicina tradicional e medicina de ponta 
 
Muitas são as pessoas que consideram amedicina natural uma alternativa radical aos cuidados 
médicos clássicos. No entanto, quando se encontram perante um problema grave, em que a 
saúde está em jogo, essas mesmas pessoas rejeitam na totalidade todo o arsenal de plantas 
curativas, de cereais integrais, de vitaminas e de exercícios físicos, que são a própria essência 
dessa medicina. E isto é tanto mais absurdo que a medicina natural e os cuidados médicos 
modernos não se excluem mutuamente, antes pelo contrário. 
 
Esta é a razão pela qual este livro contém não só tratamentos naturais postos à prova através 
dos tempos, mas também as novas terapias derivadas das mais recentes investigações. Houve 
poucos, até agora, a fazerem este tipo de síntese entre a medicina tradicional e a medicina de 
ponta. 
 
Para cada doença são propostos vários tratamentos 
 
Esta obra, realizada graças à colaboração entre um jornalista que animou e publicou a revista 
médica de abordagem holística Réussir votre 
30 
Santé e um homem de ciência recheado de diplomas, constitui um verdadeiro balanço dos 
tratamentos mais bem adaptados a cada caso particular. 
 
É aliás a sua segunda faceta de originalidade o propor várias terapias para cada doença: o 
leitor encontrará assim, entre os tratamentos e produtos citados, aqueles que mais lhe convêm. 
 
Consulte esta obra em todos os casos 
 
Desta forma, tudo foi feito para que lhe seja possível consultar esta obra fácil e rapidamente, 
em caso de emergência. 
 
O objectivo deste livro é, na verdade, permitir a todas as mães de família, a cada um de nós, 
na presença de sintomas ou de doenças variadas (267 doenças abordadas nesta obra): 
 
-tomar as primeiras previdências; 
- fazer abortar a doença, se possível; 
- alertar a nossa consciência para a eventualidade de uma afecção séria ou grave e pôr-nos em 
guarda contra uma despreocupação perigosa. 
 
Mas esta obra tem também outras ambições 
 
- Diminuir o absentismo daqueles que têm todos os motivos morais ou 
materiais para quererem trabalhar. 
- Evitar hospitalizações inúteis. 
- Lutar contra o abuso de uma prescrição sistemática de drogas supérfluas, quando existem 
vários remédios ditos “suaves” igualmente eficazes (e, muitas vezes, mais fiáveis 
preventivamente). 
 
Tratar uma afecção benigna é coisa fácil. A grande dificuldade reside justamente na apreciação 
da gravidade das manifestações anormais. 
 
É obviamente perigoso manifestar um optimismo exagerado, mascarando a realidade e 
contribuindo, deste modo, para a evolução de uma 
doença que um tratamento precoce teria conseguido deter. Em contrapartida, parece-nos 
pernicioso usar e abusar de drogas medicamentosas, nenhuma delas desprovida de riscos (fala-
se do risco iatrogénico), quando a aplicação de medicinas naturais pode, sem perigo e 
facilmente, levar à cura. 
31 
 
Esta enciclopédia é um passaporte de boa saúde 
 
Saúdo a publicação desta obra de Jean Aikhenbaum e Piotr DasAiewicz que a redigiram 
agregando um conjunto de práticas naturais. No nosso 
mundo de poluição química e mental, este trabalho vai trazer-nos uma 
lufada de ar fresco. 
 
Esta enciclopédia constitui um passaporte de boa saúde. Destina-se a 
nos fazer descobrir um conjunto de chaves para melhorarmos a nossa 
saúde, aumentarmos o nosso bem-estar e preservarmos a nossa qualidade de vida. 
 
Contudo, ponho em guarda os leitores contra uma automedicação sistemática. Certas 
patologias devem recorrer aos médicos (de abordagem holística, de preferência). 
 
Todos aqueles que se interessam pelos métodos naturais de cura experimentarão uma grande 
alegria na leitura deste tratado, que é muito mais do que um conjunto de receitas! 
 
Desejo um franco êxito para esta obra, elaborada por dois autores sérios. 
 
Dr. Jean-Pierre Willem Presidente da FLMN (Faculdade Livre de Medicinas Naturais) 
 
e dos MAPN (Médicos de Pés Descalços) 
 
32 
1 A VIDA, ESSE FENÓMENO TÃO MISTERIOSO 
 
“O nosso mundo materialista é maravilhoso e cruel, mas simultaneamente ultrapassa a nossa 
compreensão, é maior do que a própria matéria. E impossível reduzi-lo a essa matéria.” 
 
Karl Jaspers 
 
SERÁ POSSíVEL DEFINIR A “VIDA,),)? 
 
Todos os sistemas terapêuticos têm em comum o desejo de preservar a vida. A saúde pode ser 
considerada como um estado da vida. Ora um dos paradoxos - e eles são inúmeros na ciência 
moderna - é a sua incapacidade de explicar em que reside a vida. A biologia (que pela sua 
etimologia não é outra coisa senão a ciência da vida) nem sequer consegue definir o seu 
próprio objecto! Houve tentativas de a definir pela sua 
estrutura química, pela interpretação de certos fenómenos, mas até à data estas explicações 
foram todas elas insuficientes. 
 
A história da biologia tem sido marcada pelo discurso dos vitalistas em 
busca da célebre vis vitalis, propriedade ou substância própria à vida, e 
pelos reducionistas (mecanicistas do século xix) que apenas viam na vida simples fenómenos 
físico-químicos. Mas nenhuma destas escolas apresentou respostas satisfatórias. 
 
Desde a experiência de WõhIer, no início do século xix, que sabemos que podemos sintetizar 
substâncias orgânicas, contudo nunca consegui 
33 
mos descobrir um estado particular da matéria viva, nem sequer uma substância da vida. 
Todavia, os reducionistas nunca conseguiram criar vida in vitro (mesmo se as últimas 
investigações americanas permitiram criar sistemas polimoleculares capazes de se 
reproduzirem e de utilizarem recursos nutritivos). E também não foram capazes de explicar a 
sua origem. 
 
Algumas definições da vida 
 
Podemos propor várias definições para a vida, por exemplo, a do célebre biólogo húngaro 
Szent-Georgyi (Prémio Nobel em 1935, pela sua 
descoberta da vitamina C): 
 
“A vida é uma poluição proteínica da água.” 
 
Esta definição, proposta para ridicularizar os esforços de certos mandarins e ideólogos da 
ciência oficial, tem a qualidade de fazer a 
demonstração da nossa ignorância e realçar a importância da água e das proteínas nos 
fenómenos da vida. 
 
A maioria dos dicionários contenta-se com definições tautológicas (que definem a vida... 
através do organismo vivo) do tipo: 
 
“A vida é um conjunto de fenómenos que comporta principalmente a assimilação, o 
crescimento, a reprodução e a morte, que caracterizam os seres vivos.” 
 
Actualmente a biogénese (estudo da origem da vida) dedica-se, em 
especial, às definições e às características da vida. Esse campo da ciência contemporânea 
desenvolve-se de forma dinâmica. Podemos contar uma 
boa centena de teorias sobre a origem da vida. Elas são, obviamente, apenas hipóteses de 
escola... inverificáveis. 
34 
 
QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DA VIDA? 
 
Qual é a fronteira que separa o vivo do não vivo? 
- Para Henry Quastler, a unidade da vida deve caracterizar-se pela 
capacidade de transformar a matéria, pela estabilidade de organização e pela capacidade de 
adaptação e de auto-reprodução. 
- Para H. Kuhne, a qualidade mais importante da molécula viva reside 
na sua capacidade de procura e de armazenamento de informação sobre o seu meio, bem como 
a sua capacidade de reprodução. 
- Quanto aos especialistas da biogénese, estes rejeitam as teses 
reducionistas e afirmam que é muito difícil (se não impossível) explicar o fenómeno da origem 
da vida através da simples evolução química. 
 
Cada vez mais, as investigações tendem, tal como o sugeriram os 
vitalistas no passado, para uma explicação de uma “entidade” que seria a característica da 
vida, como por exemplo: 
 
* a bioestrutura de Macovschie; , 
* a proteína viva (uma proteína morta que, graças a uma ligação com 
a “porfirina”, se transforma numa proteína viva) de Florowska; 
* ou ainda o “bioplasma”, proposto por certos bioelectrónicos. 
- Certos biólogos, como S. W. Fox, pensam que a vida é eterna e que 
uma espécie de informação biológica existe desde a criação do universo. A génese da vida 
estaria inscrita no “ Big Bang”. 
- Outros supõem que existe uma regra universal de integração que 
governa todos os processos do universo eque o aparecimento da vida é a simples 
consequência dessa lei (Bahadur designa-a por “regra ekhalma-manav”). 
- Para C. Porteli, é a mega informação que dirige a matéria e torna 
possível a biogénese. 
- P. Fong supõe que a informação é primordial para o aparecimento da 
vida, que é ela (e não a matéria) que deve ser primeiro estudada. As teorias e os trabalhos de 
Fong permitiram uma nova interpretação das tradições místicas, porque a ciência 
contemporânea interpreta 
35 
cada vez mais à letra o preceito segundo o qual “o universo é a regra da organização do Tao”, 
ou os primeiros versículos do Génesis: “No princípio, criou Deus os céus e a terra. E a terra era 
sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre 
a face das águas. Deus disse: Taça-se luz.’ E a luz foi feita.” 
 
Quais são as consequências destas investigações e em que medida influenciaram as nossas 
teorias em matéria de saúde? 
 
Toda a gente concorda em reconhecer que a vida é um fenómeno de uma extraordinária 
complexidade, apesar de existir há vários milhares de anos. Em razão da sua complexidade e 
da incapacidade ou impotência da ciência para o explicar, compreender ou simplesmente 
descrever, devemos rejeitar todas as explicações simplistas. 
 
Uma doença não pode ser reduzida (salvo em certos casos raros e 
extremos) a um único factor. Ou seja, não basta, por exemplo, alterar o pH, nem adicionar 
alguns elementos que aparentemente faltam (vitaminas, minerais, etc.), para obter resultados 
para os quais a Natureza necessitou de condições específicas que exigiram milhares de anos 
para se realizarem. 
 
Em contrapartida, somos da opinião de Hipócrates e pensamos que a Natureza, através dos 
seus mecanismos de regulação, é capaz de tratar a maioria das nossas doenças. É também 
importante realçar que se os 
estudos sobre a biogénese demonstram que a vida tem capacidades excepcionais para se 
manter (as bactérias, por exemplo, vivem em condições extremas de calor, num ambiente de 
substâncias tóxicas), existe contudo uma fronteira de alterações ambientais para além da qual 
a vida não consegue manter-se. Ao ultrapassar um “certo patamar” de tolerância, a 
vida pode tornar-se impossível nas suas formas actuais. 
 
Desta banal constatação podemos reter como conclusão que preservar a vida e a saúde em 
geral passa pela protecção do nosso meio ambiente. 
 
36 
A NATUREZA QUE TRATA 
 
“Saúdo-te, ô Natureza, mãe de todas as coisas. “ 
 
Plínio 
 
---Nos povos primitivos todos os indivíduos são exímios naturalistas, o que não é de espantar 
já que disso depende a sua sobrevivência.” 
 
Errist Mayr (Histoire de la biologie) 
 
Em busca das origens da Natureza 
 
Há vinte e seis séculos os filósofos gregos propuseram o equivalente à palavra Natureza e, 
também na mesma época, o termo Arche (início, origem). A etimologia da palavra Natureza 
globalizava o facto de as substâncias serem susceptíveis de se desenvolverem, durarem e se 
reproduzirem. Tales de Mileto dedicou-se, mais especificamente, à busca das origens da 
Natureza. Os seus sucessores, entre os quais Anaximandro, quiseram saber o que existia na 
Natureza no momento da sua criação. A busca filosófica dos factores unificadores e das causas 
naturais dos fenómenos originais estão na base da cultura europeia. 
 
A Natureza pode tratar? 
 
Os grandes pensadores gregos ‘debruçaram-se sobre o papel terapêutico da Natureza. Para 
Hipócrates, considerado fundador da medicina científica, a Natureza está na base de todas as 
curas. Os diversos órgãos do corpo constituem uma entidade harmoniosa, e a Natureza tem a 
possibilidade de tratar as doenças. O papel do médico consiste em observar o doente, seguir os 
progressos que a Natureza efectua em direcção à cura e, eventualmente, ajudá-la. Não deve de 
modo nenhum contrariá-la na sua 
37 
acção curativa. “Primum non nocere” significa que o dever do médico ou do curador é o de não 
perturbar o desenrolar de uma acção benéfica. Os preceitos que orientaram os terapeutas 
durante séculos estabeleciam que o médico deve ser minisler naturae (estudante da Natureza) 
e não magisler nalurae (mestre da Natureza). 
 
As relações entre Natureza e medicina 
 
Na tradição filosófica (e medicinal) existem duas correntes: 
 
-Para a primeira, o homem faz parte da Natureza. É a relação 
conflituosa entre o nosso corpo e a Natureza que está na origem das doenças, e é, por 
conseguinte, na Natureza que podemos encontrar os meios de preservar ou de recuperar uma 
boa saúde. 
- Para a segunda, o homem é o mestre da Natureza. A sua ciência e 
a sua técnica têm os meios de resolver todos os problemas que lhe possam surgir, incluindo o 
problema da saúde. 
 
Nós estamos, pela nossa parte, próximos da primeira tradição: pensamos que a Natureza põe à 
nossa disposição todos os meios para um 
melhor bem-estar. Felizmente, esta tradição, mesmo tendo sido, por vezes, ocultada ao longo 
dos séculos, não desapareceu com a Grécia antiga. Ela acompanhou os homens e a medicina ao 
longo da história. Encontramo-la na tradição da Escola de Medicina de Montpellier, onde outrora 
se 
escrevia com orgulho “Hippocrate oolim Cous, nunc Monspelliensis”, e 
nos Conselhos Gerais de Saúde da célebre Escola de Salerno: 
 
“Quando sentirdes que a Natureza vos quer aliviar 
de alguma matéria impura, Esculai os seus conselhos, ajudai-a nos seus esforços: Em vez de 
reterdes essa imundície em vós, dela libertai, rapidamente e sem tardar, o vosso corpo. Fugi 
dos tratamentos nocivos, pois por eles se altera o sangue; Evitai a cólera como um veneno 
funesto. 
O serva do estes pontos, contai que os vossos dias por meio de um regime prudente se 
prolongarão.” 
38 
 
A Natureza que trata: a naturopatia 
 
Esta tradição hipocrática encontra-se igualmente na naturopatia e nas 
teorias ecológicas de Gaia: “Terra - organismo vivo de que o homem faz parte.” 
 
Esta concepção da Natureza que trata tem tido inúmeros detractores, especialmente entre os 
médicos e os cientistas. É compreensível, porque, se é suposto a Natureza tratar, para que 
servirão então os médicos? 
 
É evidente que a propagação desta teoria põe em jogo os interesses económicos dos 
comerciantes de saúde, dos médicos e dos farmacêuticos, mas sobretudo dos laboratórios que 
fabricam os medicamentos. O problema não é novo. 
 
No século xviii um grande naturalista e médico francês, Jean Emmanuel Gilibert, publicou as 
obras Autocracia da Natureza ou Primeira Dissertação sobre a Energia do Princípio Vital para a 
Cura das Doenças Cirúrgicas e Segunda Dissertação sobre a Autocracia da Natureza na Qual se 
Prova que a Natureza Cura as Doenças Internas, tais como Febres, Inflamações, Convulsões e 
Dores. A reacção do meio médico não se fez esperar e foi muito violenta. Gilibert foi obrigado a 
publicar uma rectificação: Joannis-Emmanuel Gilibert adversaria medico-praticum Lugduni, 
1791, na qual explica que foi mal entendido e que, em certos casos, a intervenção do médico 
pode ser necessária. 
 
Nós partilhamos o ponto de vista de Gilibert: a intervenção do médico é necessária apenas em 
certos casos. Assim, segundo o princípio hipocrático, devemos limitá-la aos casos mais sérios. 
 
A medicina pela Natureza 
 
Aliás, na grande tradição da “medicina pela Natureza”, muitos foram os pensadores que 
rejeitaram todas e quaisquer intervenções médicas, salvo as mais urgentes (como a cirurgia 
das fracturas). Assim, Ambroise Paré não foi o único a descobrir que frequentemente a 
ausência de medicamentos (no seu caso tratava-se de óleo a ferver que servia para tratar as 
feridas) pode ser mais benéfica do que o tratamento científico”. 
39 
Devemos suprimir os medicamentos? 
 
Encontramos esta ideia na tradição “hasídica” (movimento ortodoxo judeu da Europa Central, 
no século xviii), para a qual “a cura e a saúde não pertencem aos médicos”, bem como nos 
trabalhos de Karol Rokitansky, da Escola de Viena do século xix. Este grande médico declarou 
que cada escola de medicina ensinatratamentos terapêuticos diferentes para patologias 
idênticas, sem mesmo assim obter uma cura para as doenças tratadas. Rokitansky chegou ao 
ponto de declarar que toda a “matéria médica” não serve para nada e que os doentes 
recuperam ou não a saúde graças à acção da Natureza; e que, nesta hipótese, é por 
conseguinte impossível tratá-los. 
 
Não somos tão extremistas na nossa maneira de pensar. Partilhamos mais o ponto de vista de 
Galiano, que pensava, como Hipócrates, que a 
Natureza trata as doenças e que nós podemos observá-la e imitá-la, sem reservas, através dos 
dons que ela nos proporciona. A Natureza tem a 
capacidade tanto de nos tratar directamente como de nos fornecer as suas capacidades 
terapêuticas. 
 
A NATUROPATIA 
 
Não é possível comparar a naturopatia com a medicina oficial, que apenas se limita a intervir 
quando a doença se declara e que se esforça por fazer desaparecer os seus sintomas o mais 
rapidamente possível. Ela constitui a fotografia fiel do nosso modo de vida e da nossa técnica e 
sente-se assim na obrigação de trabalhar muito depressa, de responder o mais imediatamente 
possível às necessidades do público. Comporta obviamente vantagens indiscutíveis, mas gera, 
muitas vezes, inconvenientes maiores, inclusive riscos com consequências difíceis de avaliar. 
 
E se os medicamentos nos fizessem mais mal do que bem? 
 
Utilizamos um grande número de substâncias químicas de que ignoramos totalmente os efeitos, 
tanto para nos tratarmos como para nos alimentarmos: quem poderá explicar o que acontece 
quando estas ditas 
40 
substâncias penetram no nosso organismo, se combinam entre si e se acumulam nos nossos 
tecidos? Podemos considerar que os seres vivos estão perante várias centenas de milhar de 
compostos químicos dos quais nos é impossível avaliar as interacções. 
 
É útil lembrar que 25% das patologias diagnosticadas são consideradas ---iatrogénicas”, ou 
seja, resultam directamente de um acto ou de uma prescrição médica. 
 
Os erros da medicina: muitos medicamentos são retirados do mercado 
 
Devemos, igualmente, lembrar que um grande número de produtos considerados anódinos, que 
faziam parte da panóplia terapêutica de todos os médicos há alguns anos atrás, foram desde 
então retirados do mercado. Numa década, 600 medicamentos foram assim postos na lista 
negra. Alguns deles, ainda autorizados em certos países, são contudo considerados perigosos e 
proibidos noutros!... Como se, em função da latitude em que se encontra, o ser humano fosse 
diferente! 
 
Foi, aliás, o caso da demasiado célebre thalidomida',que foi autorizada na maioria dos países 
ocidentais mas não na Turquia. O ministro da Saúde deste país era médico e tinha muitas 
reservas relativamente às novas terapias ocidentais. Podemos dizer que as reservas deste 
homem foram no mínimo felizes e que, se prejudicaram de alguma forma as finanças do 
laboratório que comercializava este produto, evitaram nascimentos monstruosos na Turquia, 
tais como aqueles que ocorreram nos nossos países... mais civilizados. 
 
A naturopatia socorre os males quotidianos 
 
Não se trata de pôr em causa os conhecimentos adquiridos e os progressos da medicina e da 
cirurgia oficiais. É necessário recorrer a essas 
técnicas em certos casos limitados, especialmente nas fases agudas de certas patologias. Mas, 
em contrapartida, no que diz respeito à maioria 
41 
dos males correntes, essas medicações apresentam inconvenientes inúteis. Torna-se, por 
conseguinte, preferível recorrer a técnicas que respeitem o 
meio ambiente e que estejam em harmonia com os princípios vitais do organismo. 
 
A naturopatia baseia-se em princípios filosóficos que assentam no 
facto de o homem ser um microcosmos no macrocosmos, um universo no 
universo, um corpo feito de mares, montanhas, vales, correntes de água, rios, desertos... Ele é 
a imagem emblemática e representativa das forças em movimento que o compõem. 
 
Ele sofre a influência do seu meio, do ambiente que o envolve. Se este é perturbado, a 
perturbação reflecte-se no homem microcosmos, espelho da entidade global. 
 
A naturopatia respeita o corpo 
 
A naturopatia age rearmonizando as energias que constituem a vida. 
Tende a estimular as defesas do nosso organismo e coloca-o num estado capaz de responder e 
fazer face às agressões exteriores. 
 
O corpo tem obrigação de ser forte para poder recuperar e conservar 
a saúde, preservando simultaneamente o seu capital vital. 
 
* A doença ou as perturbações orgânicas que dela decorrem não são 
um simples efeito do acaso, do inexplicável ou da má sorte. Do mesmo modo que não 
passamos naturalmente de um estado de boa saúde para um estado de doença. 
42 
 
 
ALGUMAS TEORIAS (naturopáticas) 
 
Louis Kuhne combate os excessos alimentares 
 
A sua teoria 
 
As doenças manifestam-se através de sintomas variados, mas a sua 
causa é sempre idêntica: é a sobrealimentação que forma substâncias estranhas no corpo. 
Estas perturbam-no, prejudicam o seu bom funcionamento e a circulação sanguínea. A origem 
da doença reside na acumulação dessas matérias estranhas não eliminadas. Estas são o 
resultado de o indivíduo ingerir mais alimentos do que aqueles de que necessita efectivamente 
para compensar o desgaste do seu corpo. 
 
Louis Kul---me combate a ingestão de alimentos nocivos (carnes, vinho, especiarias, álcool, 
chá, café, narcóticos, medicamentos, etc., que não têm, na sua opinião, qualquer valor 
nutritivo) que irritam o corpo e acabam por torná-lo doente. Os órgãos ficam prematuramente 
enfraquecidos e tornam-se incapazes de assegurar as suas funções... nada escapa às suas 
críticas, e já em 1850 ele se insurgia contra o tabagismo e as vacinas, o ar impuro, os vapores 
das cloacas, os desinfectantes e a poeira “que são nocivos para o corpo e se transformam em 
princípios mórbidos”. 
 
Estes materiais armazenados e transformados não podem, em razão da sobrealimentação, ser 
eliminados pelos órgãos excretores. Por conseguinte, fermentam e apodrecem. Se surge 
alguma agressão interna ou externa, por exemplo um resfriado, um sobreaquecimento ou uma 
emoção, os princípios mórbidos procuram uma saída. Se encontram um obstáculo no seu 
caminho dilatam o espaço onde se movem e provocam então tumores, hipertiroidismo, pólipos, 
enfisema, endurecimentos, úlceras, cancro... 
 
O seu método 
 
Com esta filosofia (unidade das doenças, unidade do tratamento para curar todas as doenças), 
Kulme exclui todos os medicamentos, plantas medicinais e intervenções cirúrgicas. Ele 
preconiza um tratamento uniforme para todas as doenças, traumatismos e feridas, através de: 
 
* banhos do tronco; 
* banhos de assento com fricções; 
43 
* banhos de prancha; 
* banhos de vapor; 
* uma alimentação estritamente vegetariana. 
 
O método natural e personalizado do professor Bilz 
 
A sua teoria 
 
Bilz elaborou uma técnica a que deu o nome de O Novo Método do Professor Bilz para Curar as 
Doenças. Esta teoria obteve um grande êxito e conseguiu proezas e maravilhas onde a 
medicina da época esbarrava contra um impasse. 
 
Bilz utilizava apenas tratamentos naturais que ele personalizava e adaptava a cada caso 
particular. Inspirava-se em Savonarola, médico do século xv, e, mais próximos dele, em Hahn, 
em Pressnitz e em Frank. Era um fervoroso adepto da hidroterapia, que conseguiu adaptar 
maravilhosamente a cada caso. 
 
O seu método 
 
Apesar de fornecer receitas saborosas, considera que o vegetarianismo é o regime mais 
adaptado ao homem e superior a todos os outros. Não o considera, contudo, como uma regra 
absoluta, salvo no tratamento de certas doenças. Com efeito, aconselha a prática de uma 
alimentação variada, composta por legumes, fruta, leguminosas (ervilhas, feijões), lacticínios, 
ovos, pão integral, saladas, compotas e, eventualmente de vez em quando, um pouco de carne 
assada, cereais integrais, arroz, milho, trigo sarraceno, cevada, bem como manteiga e queijo. 
 
Como bebida, recomenda a água, mas considera que se pode tomar, de 
vez em quando, um poucode vinho, de chá ou de café. 
 
Para cada caso específico impõe-se um tratamento específico. É necessário individualizar o 
tratamento e personalizá-lo, de modo a torná-lo o mais eficaz possível. 
44 
Para o doente, ele afirma justamente que uma sobrecarga alimentar é totalmente inútil. 
Observa também que a privação de alimentos provoca no organismo as mais belas curas. 
 
Bilz insurgiu-se contra as águas químicas de SeItz, que denunciou violentamente. O que diria 
ele hoje perante a profusão de águas gaseificadas, com sabores de fruta e outras, adicionadas 
de corantes e de conservantes, que todos nós consumimos? 
 
Ele admitia que o ar era indispensável para prosperarmos e nos desenvolvermos. Basta 
observar as plantas e delas retirar a nossa inspiração: as plantas necessitam de ar e de luz. 
 
Os tratamentos do padre Kneipp 
 
Kneipp utilizava nos seus tratamentos tisanas e envolvimentos por meio de banhos de vegetais. 
Utilizava a água sob a forma de compressas e aplicava cataplasmas de argila. Também 
considerava a água fria como 
um remédio particularmente eficaz e aconselhava a prática de imersões frequentes e de curta 
duração. 
 
Shelton nega a doença 
 
Para Shelton, as doenças não existem. Aquilo que observamos e a que chamamos doenças são 
apenas sintomas variados. Pretender curar a 
doença é um contra-senso porque esta não existe. O papel da doença é o 
de preparar o corpo para um bom estado de saúde. É por isso que a doença deve ser gerida e 
não combatida. 
 
A prática do jejum e as restrições alimentares 
 
A prática do jejum é velha como o mundo e constitui provavelmente um dos meios conhecidos 
mais antigos para recuperar um bom estado de saúde. A sua história confunde-se com a 
história do homem e das religiões: a Bíblia cita Moisés, e o Novo Testamento cita Cristo. 
45 
A opinião de alguns teóricos e médicos sobre o jejum 
 
- Para o Pr. Biliz: 
 
“Em vez de alimentarmos o doente alimentamos a doença. A dieta 
é o meio mais seguro de recuperar uma boa saúde e de conservar a juventude e a vitalidade. “ 
 
O jejum é um período de descanso por excelência. Logo de início o 
sangue e a linfa purificam-se e produz-se um novo equilíbrio que permite aos órgãos vitais 
regenerarem-se. O jejum pode comparar-se a uma noite de repouso total para um corpo 
extenuado. 
 
“Os jejuns são umas férias fisiológicas de todo o nosso organismo. 
Não são uma penitência mas sim uma medida de desintoxicação interna que merece ser mais 
conhecida e desenvolvida.” 
 
Para Upton Sinclair: 
 
“A coisa mais importante em relação ao jejum é o facto de ele proporcionar um novo nível de 
saúde.” 
 
Toda a gente pode jejuar, as contra-indicações são extremamente raras 
e os efeitos benéficos fazem-se rapidamente sentir; as funções orgânicas são restauradas, e o 
corpo elimina os excessos de peso. 
 
- Para a Sr.’ Geffroy: 
 
“É o fenómeno da autofagia que torna o jejum num meio maravilhoso de regeneração e num 
extraordinário factor de longevidade. 
O organismo devora as suas células, começando por aquelas que estão fracas ou doentes, que 
perderam vitalidade e que representa um perigo para o corpo na sua totalidade.” 
46 
O jejum faz emagrecer e rejuvenescer 
 
É por esta razão que durante as curas de jejum se eliminam primeiro as gorduras e a celulite. 
 
* O Dr. Bertholet, médico suíço, afirma que a autofagia se processa 
da seguinte maneira: 97% da gordura desaparece, depois o baço perde 63% do seu peso, o 
que prova que se encontra sobrecarregado e anormalmente dilatado, e não sofre, de modo 
algum, com esta perda de peso. Em seguida, o fígado perde também 56% do seu peso, sem 
qualquer inconveniente. Os músculos, por sua vez, podem perder até 30% do seu volume, o 
sangue 17%, enquanto os nervos e o cérebro 0%. Para este médico o que o jejum não 
consegue curar nenhuma outra terapêutica será capaz de o fazer. 
* Carlon e Kunde mostraram que quando o jejum é praticado por um 
homem de 40 anos, durante um período de 2 semanas: 
 
“O jejum permite ao corpo regressar a uma condição fisiológica comparável à de um jovem.” 
 
Estes dois médicos realçam que, se o homem praticasse regularmente jejuns rejuvenescedores, 
poderia manter-se jovem ano após ano. 
 
47 
AS PLANTAS MEDICINAIS 
 
AS PLANTAS ACALMAM A FOME E ALIVIAM AS DORES 
 
Não existe vida animal sem vida vegetal, nem mundo vegetal sem mundo mineral. O que 
demonstra, caso seja necessário, que tudo o 
que constitui o nosso planeta se encontra estritamente interdependente. 
O essencial da nossa alimentação provém directa ou indirectamente do mundo vegetal. 
 
Os homens sempre procuraram nas plantas, nas flores, nas raízes e nos tubérculos um meio de 
saciarem a fome. Depois procuraram as que eram mais aptas a ajudá-los a suportar a sua 
miséria, a sua inquietação, a sua 
angústia e, também, a aliviar as suas feridas e vencer a doença e a dor. 
 
O interesse das plantas que tratam... 
 
Qual é o interesse da utilização das plantas medicinais na época em 
que as manipulações genéticas e a síntese química são moeda corrente? 
 
A resposta põe em evidência as grandes tradições religiosas e todas as civilizações que 
utilizaram a fitoterapia - do Egipto antigo à Grécia antiga, passando pela China. Contudo, estas 
mostram-se incapazes de fornecer uma resposta que satisfaça as nossas expectativas. 
 
Podemos, evidentemente, falar da superioridade das substâncias obtidas nos laboratórios, em 
condições ideais de esterilização e de controlo de qualidade. Não basta citar o exemplo dos 
animais que procuram re 
49 
médios no seu biótopo natural, apesar de sabermos, graças aos estudos pormenorizados dos 
zoólogos, que os grandes primatas, por exemplo, escolhem espécies vegetais antiparasitárias. 
Até sabem compor o seu regime alimentar de modo a preservarem a sua saúde, tal como o 
fazem os babuínos, que escolhem as folhas e os frutos do Balanites aegyptiaca para evitar a 
bilharziose. 
 
Para convencer os Ocidentais cartesianos da utilidade das plantas medicinais, é difícil recorrer a 
concepções místicas, à Lei das assinaturas” (plantas cuja forma e cor se assemelham aos 
sintomas de uma determinada doença e que é suposto tratá-las), à herança dos livros sagrados 
ou, para finalizar, à convicção de que o homem deve encontrar remédios para todos os males 
na Natureza, pois é no desequilíbrio da Natureza que se encontra a causa da doença. 
 
e o interesse da fitoterapia 
 
A fitoterapia não precisa de recorrer a todas estas explicações para se 
justificar. Os resultados obtidos com as substâncias de origem vegetal são suficientemente 
convincentes. Devemos lembrar que o potencial e a enorme riqueza bioquímica dos vegetais 
são factos indiscutíveis. Eles contêm várias centenas de milhares (ou de milhões) de 
componentes químicos que a síntese artificial é incapaz (na maioria das vezes) de reproduzir e 
até, por vezes, de determinar. 
 
No que diz respeito às substâncias que o homem aprendeu a reproduzir em laboratório e que 
são portanto quimicamente idênticas às isoladas nas 
plantas, existem também diferenças essenciais relativamente aos produtos naturais. Quando se 
utilizam plantas, os seus princípios activos nunca 
agem sozinhos mas, sim, em sinergia com os outros componentes. São estas substâncias 
“complementares” que têm frequentemente um papel activador, completando e reforçando a 
acção dos princípios activos. Melhor ainda, quando verificamos que certos componentes 
isolados são tóxicos, outras substâncias que contêm essa toxicidade diminuem ou neutralizam 
completamente a sua acção nefasta. 
 
E, finalmente, não devemos esquecer o aspecto económico da fitoterapia, que se torna muito 
importante nas nossas sociedades hipermedicalizadas, nas quais o custo da segurança social é 
cada vez mais elevado. Podemos 
50 
frequentemente encontrar plantas muito eficazes entre as espécies banais, as especiarias, os 
legumes, as plantas ubíquas (que se encontram em todo o lado). A utilização de certas plantas 
exóticas, que se podem cultivar em 
casa, é agoratambém possível. 
 
O poder de cura das plantas está hoje cientificamente confirmado 
 
Inúmeros investigadores, médicos, cientistas ou simples curiosos, redescobriram desde a última 
guerra a medicina dos simples. Analisaram e testaram centenas de variedades de plantas. 
Conhecemos agora os principais componentes de inúmeras espécies, que os antigos ignoravam. 
Estes estudos confirmaram, igualmente, o seu conhecimento empírico e 
apercebemo-nos de que as tisanas, as decocções e outras preparações nas quais as plantas 
possuem uma virtude terapêutica eram sempre prescritas adequadamente. 
 
Podemos então afirmar que as plantas têm todos os poderes? Que as ervas, as flores, as raízes 
têm todas as virtudes, que constituem o remédio ideal, a panaceia universal? Decerto que não, 
mas elas têm, em muitos casos, a faculdade de ajudar o corpo a vencer a doença e a recuperar 
a saúde, em situações nas quais até as medicinas mais sofisticadas falham. As plantas têm, 
meramente, a pretensão de poder constituir uma ajuda complementar interessante de um 
tratamento médico. 
 
A “LEI DAS ASSINATURAS” OU A FACE “MíSTICA” DA FITOTERAPIA 
 
As virtudes terapêuticas das plantas 
 
- Em África, as raparigas utilizam uma “planta mágica” Kigelia africana, para aumentar o 
tamanho e o volume dos seios e tratar a esterilidade. -No Norte da Europa, os Escandinavos 
desde tempos pré-históricos 
que tratam as doenças respiratórias com a Lobariapulmonaria. 
 
51 
- O salgueiro Salix sp., cura os reumatismos, e o castanheiro-da-Índia 
é suposto curar as hemorróidas. 
 
Estas quatro plantas medicinais foram utilizadas por diferentes civilizações, em épocas 
diferentes, para tratar diversas doenças. A descoberta das suas virtudes foi feita sem qualquer 
correlação. Contudo, possuem inegavelmente factores comuns. Estas quatro plantas foram 
descobertas graças à Lei das assinaturas”. 
 
A “lei das assinaturas” revela as virtudes das plantas 
 
*Os frutos da Kígelia africana têm aspecto fálico. 
*A Lobariapulmonaria é um líquen foliáceo que se assemelha a um 
lóbulo pulmonar. 
*O salgueiro cresce, frequentemente, em terrenos inundados e pantanosos e, como é facto 
conhecido, os reumatismos estão associados à humidade. 
*As raízes do castanheiro-da-índia assemelham-se a veias hipertrofiadas. 
 
Nestes quatro exemplos a ciência moderna confirma as virtudes terapêuticas evocadas pelas 
“assinaturas”. Até foi possível identificar e isolar os componentes químicos que traduzem a 
acção terapêutica da linguagem da doutrina das assinaturas para a linguagem da química dos 
medicamentos do século xx*A Kigelia africana contém esteróides cuja assinatura química é 
idêntica às das hormonas sexuais. 
*O salgueiro contém derivados salicílicos (como a aspirina). 
*Um ácido, próximo do ácido cetrátrico, conhecido pelo seu forte 
poder antibiótico, foi isolado a partir da Lobaria pulmonaria. 
*Os saponídeos anti- inflamatórios justificam as virtudes do castanheiro-da-índia. 
 
Qual é a “fórmula mágica” que permitiu descobrir as virtudes das diversas plantas? Como é que 
as civilizações “primitivas” chegaram às mesmas conclusões e aos mesmos resultados que os 
Ocidentais do século xx? Os nossos antepassados não dispunham nem de laboratórios, nem de 
aparelhos sofisticados, nem de cromatografia. 
52 
Quem formulou primeiro a “lei das assinaturas? 
 
Nunca descobriremos o inventor desta doutrina; ela surgiu provavelmente com os primeiros 
homens. Nem sequer conseguimos determinar que civilização ou que continente foi precursor 
em matéria de decifração dos sinais divinos da cura. 
 
Para os Europeus esta doutrina está ligada à medicina e à filosofia de Paracelso, que 
transformou a antiga regra na lei simula similitibus curantor (o semelhante cura-se pelo 
semelhante). Esta lei pretende que cada planta contém um sinal que indica a sua prescrição. 
Por exemplo, uma folha em forma de coração trata perturbações cardíacas, outra em forma de 
fígado e as flores de cor amarela são indicadas contra a icterícia. 
 
Por outro lado, Giambattista della Poria associou a botânica à astrologia e dedicou a sua obra 
Phytognomococa ao estudo e à descrição das assinaturas em relação com o cosmos. 
 
A base teórica desta lei pertence à concepção hipocrática e já era 
conhecida na Grécia antiga. Mas foi provavelmente no século xvi que a 
doutrina das “assinaturas” entrou no cânone do conhecimento médico e na filosofia ocidental. 
Foi também nessa época que os viajantes e conquistadores espanhóis descobriram que esta lei 
não pertencia apenas aos Europeus. No tempo de Paracelso a doutrina das “assinaturas” 
tornou-se no verdadeiro paradigma do conhecimento humano. 
 
A “lei das assinaturas” decifra os “sinais” das plantas 
 
É evidente que a época de Paracelso favorecia a redescoberta, a divulgação e a predisposição 
para a doutrina dos sinais. Em primeiro lugar porque o homem (e também o cientista) vivia 
com a consciência da omnipresença divina e o medo da morte. Virava-se para Deus e pedia-Lhe 
que levasse em conta os seus infortúnios. A certeza de que não estamos sós com as nossas 
doenças predominava nas mentalidades. 
 
Segundo a teoria dos alquimistas, e de Paracelso em particular, é a 
visão das relações entre micro- e macrocosmos que constitui a base importante da doutrina das 
“assinaturas”, porque: 
53 
“Existe uma correspondência entre o que acontece nos astros e o que acontece na terra, uma 
influência do céu sobre os objectos que constituem a Natureza.” 
 
Esta ideia teve um papel importante na filosofia do século xvi. A teoria das “assinaturas” está 
em sintonia com a visão que os alquimistas tinham da matéria, ou seja, com a concepção da 
transformação. É, com 
efeito, a Natureza que impõe um sinal na “matéria-prima” (amorfa) e a 
transforma em “matéria última”, que possui a forma característica associada às virtudes 
medicinais. 
 
Os alquimistas, e em particular Della Porta e Paracelso, desenvolveram toda uma teoria da 
cosmogonia dos sinais. Devemos lembrar que os 
princípios desta teoria são idênticos ou, pelo menos, quase idênticos, em 
todas as civilizações. 
 
Como identificar esses sinais 
 
Os sinais podem ser assimilados aos sintomas, às causas das doenças 
ou aos órgãos (sinais organolépticos e, eventualmente, aos processos fisiológicos) do corpo 
humano. 
 
A ficária (Ficaria sp.) é um bom exemplo de sinal “sintomático”: as 
suas raízes são inchadas, têm a forma de hemorróidas, e daí o seu nome corrente, erva-das-
hemorróidas. 
 
As plantas cuja aparência se assemelha à de uma serpente ou de um escorpião foram, durante 
muito tempo, utilizadas para neutralizar a acção dos venenos. Elas pertencem ao grupo dos 
sinais “causais” (ligados às causas das doenças). 
 
Em certas culturas, a utilização destes sinais ia ao ponto de tratar feridas feitas por flechas com 
plantas que serviam para o fabrico das flechas. 
 
Contudo, os sinais organolépticos eram provavelmente os mais frequentes. As plantas em 
forma de fígado (como a Repatica nobilis) ou de pulmão (como a Lobaria pulmonaria) estão 
presentes em todas as farmacopeias. 
54 
Para terminar, não podemos esquecer os sinais ligados aos processos fisiológicos. As plantas 
com suco branco era suposto estimularem a lactação, Nos índios, a pedra-vermelha eztetl tinha 
a capacidade de estancar as hemorragias. 
 
Quais são esses sinais? 
 
- É frequentemente a morfologia de uma planta (ou parte dela) que 
constitui o sinal: 
- As folhas da Hepatica nobilis (anémona-hepática) são recortadas 
em três lóbulos profundos com a forma de fígado. 
O talo da Lobaria pulmonaria lembra os alvéolos pulmonares. 
 
- As cores constituem a segunda grande classe de sinais: 
 
As plantas amarelas são, com frequência, utilizadas no tratamento da icterícia ou das afecções 
da vesícula biliar. 
 
- Estes dois sinais (a morfologia e a cor) estão, muitas vezes, presentes em simultâneo: 
* As folhas da pulmonária têm a aparência de alvéolos não só por 
causa da sua forma, mas também das suas manchas brancas. 
* Acor vermelha da parte inferior de uma folha de anémona-hepática reforça a semelhança 
com o fígado. 
 
- Mas o sabor e o aroma constituem, igualmente, sinais utilizados 
pelo homem. 
 
-Todas as partes de uma planta podem constituir sinais: a raiz (ficária, orquídeas), os talos 
(lianas), a flor (Sarothamnus), o fruto (Kigleya) e também o látex (Chelidonium majus). 
 
-Na tradição chinesa utilizou-se também a repartição anatómica dos 
sinais: os botões e as flores representavam as partes superiores do corpo, e as raízes as partes 
inferiores. 
 
-Os sinais podem estar ligados não apenas à planta, mas também à 
sua ecologia. O salgueiro e a rainha-dos-prados, utilizados como antipiréticos e para tratar o 
reumatismo, pertencem à classe de sinais 
55 
definidos pelo seu habitat, já que ambos crescem em terrenos habitualmente inundados. 
 
-O homem estudou frequentemente as capacidades específicas dos 
organismos a fim de os decifrar: 
*Assim, na América do Sul utilizava-se a pele de nandu contra os 
males do ouvido, por causa da grande dimensão das orelhas deste animal. 
*Considerando a coragem e a força do tigre, os Chineses utilizam 
o pó dos ossos deste animal como panaceia necessária para recuperar as forças do organismo, 
enfraquecido pela doença. 
*As flores da erva-de-são-joão (hipericão) são amarelas, mas se as 
desfizermos entre os dedos tornam-se vermelhas, o que lembra a 
reacção da pele às queimaduras do sol (as flores desta planta são utilizadas em inúmeros 
cremes cosméticos). 
 
Não devemos contudo esquecer que certos sinais nunca foram confirmados (por exemplo, a 
utilização da noz, que pela sua forma se assemelha ao cérebro, nunca demonstrou qualquer 
eficácia contra as dores de cabeça). 
 
- Para descobrir certos sinais o homem observou os animais, como 
é o caso da quelidónia, que, segundo uma tradição popular, é utilizada pelas andorinhas. 
- Os sinais ligados ao sistema reprodutor do homem (fálico, testicular 
ou vaginal) constituem uma grande parte dos afrodisíacos e também das plantas anti-sifilíticas. 
-Não devemos esquecer a categoria dos sinais linguísticos, em que o nome da planta nos indica 
as suas propriedades. Mas desde há muito que esta categoria parece secundária, já que o 
homem descobriu primeiro as características dos vegetais e só depois lhes atribuiu um nome. A 
aceitação da existência de sinais linguísticos exige obrigatoriamente a aceitação da existência 
de “nomes primários” (supostamente existentes antes do conhecimento). Por outro lado, 
devemos realçar que determinadas concepções psicolinguísticas (sobre as relações entre o 
cérebro, o espaço, o tempo e a língua) tentam explicar este fenómeno. 
56 
A fitoterapia decorre da “lei das assinaturas” 
 
O homem sempre procurou uma panaceia para curar os seus males. Para este efeito, a lógica 
da teoria das semelhanças assenta sobre a busca 
de uma planta que possua o maior número possível de sinais. É daí que derivam todos os 
estudos sobre as plantas que possuem a forma do corpo humano, como, por exemplo, a 
mandrágora e o ginseng. 
 
Iniciámos estas reflexões com o exemplo das “assinaturas” que foram confirmadas pela biologia 
molecular. Podemos também demonstrar que inúmeras “assinaturas” utilizadas no passado não 
têm qualquer poder terapêutico (ou talvez não tenham ainda pura e simplesmente revelado os 
seus segredos aos nossos laboratórios?). 
 
Quererá isto dizer que a doutrina das “assinaturas” não é credível? Que todas as plantas 
descobertas através desta lei são o resultado de um mero acaso? Ou tratar-se-ia talvez de 
“falsos sinais” (mal escolhidos ou mal interpretados) que não constituem o reflexo de uma 
teoria exacta? 
 
É certo que a doutrina das “assinaturas” foi uma hipótese para um 
trabalho de investigação que deu resultados muito interessantes. Ela permitiu a descoberta de 
inúmeras plantas medicinais, e não esqueçamos que Paracelso, grande partidário desta 
doutrina, está na origem das bases da química e da farmacologia modernas. Até os que 
ridicularizaram as 
“assinaturas” não podem ocultar a importância do contributo que esta teoria pode ter no campo 
da fitoterapia. 
 
ALGUMAS NOÇÕES SOBRE A QUÍMICA DAS PLANTAS 
 
Não lhe vamos fazer um curso teórico 
 
A utilização de fórmulas químicas num livro faz baixar a sua venda em 20%, e até o simples 
facto de se utilizarem palavras como “fenol” ou “flavonóide” pode desencorajar o leitor. 
 
Não pensamos, por isso, como o fazem muitos responsáveis do marketing dos laboratórios 
farmacêuticos, que uma fórmula ou um nome químico complicado (por exemplo, para-hidroxi-
meta-nitro-hidroxibenzoato de metilo) possa aumentar, graças ao seu efeito psicológico 
(placebo), a eficácia dos medicamentos. 
57 
Os leitores interessados no aspecto e na composição química dos remédios naturais podem 
consultar, se o desejarem, livros de fitoquímica ou 
de bioquímica, de que damos referências no fim desta obra. Limitar-nos-emos, nas linhas que 
se seguem, ao estritamente necessário e não lhe apresentaremos qualquer fórmula química 
rebarbativa. 
 
Verifique a composição química das plantas 
 
Os princípios activos das plantas podem ter um carácter químico muito variado e serem 
compostos por fenóis, flavonóides, antocianos, glícidos, lípidos, aminoácidos e proteínas, 
chiquímatos, poliacetatos, terpenos, esteróides, alcalóides, etc. 
 
Alguns deles são venenos terríveis. É o caso, por exemplo, da estricnina, da ergotamina, do 
curare, da cocaína... Parece-nos indispensável lembrar este facto, já que certos médicos e 
terapeutas têm uma deplorável tendê ncia para banalizar e subestimar o poder da fitoterapia. A 
composição química das substâncias de origem vegetal confirma não só a sua eficácia sobre o 
organismo humano, mas também o perigo que a sua má aplicação poderia representar. 
 
A guerra química das plantas entre si 
 
Perguntamo-nos frequentemente qual poderá ser o papel destas substâncias para os vegetais? 
Por que razão as plantas sintetizam estes princípios activos? Em inúmeros casos a ciência não 
tem capacidade para fornecer uma resposta a esta pergunta. Mas sabemos que algumas dessas 
substâncias activas têm um papel na “guerra química que as plantas travam entre si”. 
 
Por exemplo, a Cafluna vulgaris inibe, graças à síntese dos seus mediadores químicos, o 
desenvolvimento da Avenafatua e deste modo livra-se de um concorrente. O Eucalyptus 
globulus intoxica os seus concorrentes por meio de fenóis e terpenos, “utilizando” um pequeno 
coleóptero, o Paropsis atomaria, que come as suas folhas e ingurgita as substâncias 
58 
activas para mais tarde as libertar na proximidade de plantas das quais pretende livrar-se. 
 
A intensidade das “armas químicas” das plantas é tal que uma substância isolada a partir do 
látex, o Panthenium argentatum, inibe a acção das outras espécies numa concentração de 
O,000 1 %! Para se obter 20 g desta substância seria necessário utilizar 20 kg das suas raízes. 
 
Compreendemos, deste modo, a terrível eficácia de que dispõem as 
plantas para se defenderem das doenças causadas por bactérias ou fungos, e também dos seus 
diversos predadores: das lagartas aos mamíferos. 
 
A título de curiosidade, podemos acrescentar que esta acção constitui uma das hipóteses 
apresentadas para tentar explicar o desaparecimento dos dinossauros. Esta tese dá a entender 
que, no decurso da sua evolução, as plantas se foram aperfeiçoando quimicamente cada vez 
mais. Tornaram-se então tóxicas para os seus predadores e conseguiram sair vitoriosas dos 
dinossauros, que não conseguiram desenvolver mecanismos de desintoxicação. 
 
Esta teoria desenvolveu-se, mas desde os trabalhos de Alvarez que se 
admite geralmente a teoria da ocorrência de uma catástrofe cósmica como explicação para a 
sua extinção. Contudo, não se considera, actualmente, uma atitude séria pôr em dúvida o 
poder da acção biológica dos princípios activos inerentes à fitoterapia. 
 
As plantas também nos protegem 
 
As substâncias contidas nas plantas podem ter ainda outrasfunções biológicas. Explica-se que 
a grande quantidade de bioflavonóides contidos nas folhas de certas espécies funcionam como 
filtros contra as radiações ultravioletas e desempenharam um papel primordial durante a 
colonização da terra no período siluriano. É possível que estas substâncias venham ainda a ter 
um papel importante, no futuro, no que diz respeito à protecção do homem contra as radiações 
resultantes da destruição da camada de ozono. 
 
Segundo as últimas investigações americanas, a presença de fenóis garante uma protecção 
imunitária e também uma possibilidade de adap 
59 
tação. No caso das plantas que vivem em ecossistemas pobres em azoto, certas espécies 
utilizam componentes orgânicos para substituir este elemento. Os fenóis, segundo esta teoria, 
formam com as proteínas complexos acessíveis (contrariamente às proteínas que, só por si, são 
incapazes de fazê-lo) às plantas como fonte de azoto. 
 
Um dos autores desta obra trabalhou durante vários anos na investigação dos mecanismos de 
resistência das plantas às poluições atmosféricas e às doenças fúngicas. Pôde constatar que o 
aparecimento ou o desenvolvimento desta resistência são sempre acompanhados de um 
aumento importante dos teores em componentes fenólicos. Parece então que os princípios 
activos constituem um elemento-chave do sistema de defesa dos vegetais contra o stress 
ambiental e as suas diversas patologias. 
 
Os estudos farmacológicos sobre os flavonóides realçam a complexidade da sua acção sobre o 
organismo: a capacidade de libertar histaminas, a facilidade de amalgamação às plaquetas 
sanguíneas e a capacidade de bloquear os efeitos inflamatórios das toxinas do fígado, o efeito 
sobre o sistema enzimático (os flavonóides depositados nas folhas agem no sistema enzimático 
e inibem a acção dos parasitas). 
 
A descoberta da presença destas substâncias na superfície dos tecidos vegetais permite 
compreender melhor o sistema imunitário das plantas. 
 
São, por conseguinte, os vegetais que, em razão das substâncias activas de que dispõem, têm 
fortes possibilidades de substituírem, com eficácia, os antibióticos. Além disso, certos 
flavonóides têm, independentemente do seu poder antimicrobiano, um poder 
antiarteriosclerótico. 
 
A acção terapêutica das plantas 
 
O mistério da Natureza é tal que torna impossível substituir o poder terapêutico da planta por 
um dos seus princípios activos, isolado quimicamente. A razão deste fenómeno é simples: a sua 
acção terapêutica baseia-se, em geral, no efeito combinado de vários princípios activos. É o 
caso, em particular, da salva, que age através dos seus muitos componentes antibióticos e 
anti-sépticos, bem como dos seus taninos (acção adstringente). 
60 
Algumas noções sobre a combinação dos princípios activos das plantas 
 
É importante saber que uma planta possui sempre vários princípios activos. As espécies (mas 
também os diversos especimenes da mesma espécie) diferenciam-se pela estrutura química de 
alguns dos seus componentes e pela sua quantidade (que depende sobretudo de factores 
ecológicos). Contudo certos autores tentaram simplificar a classificação fitoterapêutica das 
plantas escolhendo os princípios que caracterizam as suas utilizações terapêuticas. A título 
indicativo, apresentamos alguns “tipos quimioterapêuticos”, com as suas espécies: 
 
Plantas com alcalóides 
 
Aconitum napeflus (acónito), Bryonia alba (briónia), Conium maculatum (cicuta), Cordyalis cava 
(cordiala tuberosa). Como podemos verificar, são plantas com uma forte acção, tóxicas, mas 
encontram-se neste grupo espécies mais utilizadas na terapia, como o 
Leonurus cardíaca (agripalma cardíaca). 
 
Plantas com vitaminas 
 
Petroselinum crispum (salsa cultivada), Ribes nigrum (groselha). 
 
Plantas com acção antibiótica 
 
Hieracium pilosella (pilosela), Plumbago europeaea (dentelária-da-europa). 
Plantas com heteróssidos sulfúricos 
 
Allium porrum (alho-porro). 
61 
Plantas com heteróssidos fenólicos 
 
Arctostaphyllos uva ursi (uva-de-urso). 
 
Plantas com flavonóides 
 
psella hursa pastoris (bolsa-de-pastor). 
 
Plantas com heteróssidos cumaríuicos 
 
Melilotus officinalis (trevo coroa-de-rei) 
 
Plantas com renunculóssidos 
 
Anemone nemorosa (anémona-dos-bosques) 
 
Plantas com antracenóssidos 
 
Rhamnus cathartica (escambroeiro). 
 
Plantas com taninos 
 
Fagiis sylvatica (faia). 
 
Plantas com princípios amargos 
 
Artenúsia absinlhum (absinto). 
 
Plantas com cardenólidos 
 
Digitalis lanata (digitália). 
 
Plantas com saponíssidos 
 
Beta vulgaris (beterraba). 
 
Plantas com essências e resinas 
 
Ocinium basilicum (manjericão). 
 
Plantas com glícidos 
 
Borago officinalis (borragem). 
 
Plantas com componentes inorgânicos 
 
Pulmonaria officinalis (pulmonária). 
62 
FITOTERAPIA DAS PLANTAS INFERIORES (Criptogamas) 
 
A maioria dos manuais de fitoterapia, bem como as obras sobre saúde relacionadas com 
plantas, preocupam-se apenas com as plantas superiores (pteridófitas, gimnospermas e 
angiospermas). Contudo, a imensa variedade de cogumelos, de algas e de líquenes ultrapassa 
o número de plantas correntemente utilizadas pelos terapeutas. 
 
Esta riqueza manifesta-se pelo número impressionante de espécies e pela sua profusão em 
substâncias bioquímicas. Estes organismos são pioneiros na preparação do terreno para outros 
organismos que lhes sucedem. Encontram-se frequentemente em estado de concorrência e 
travam uma “verdadeira guerra química” entre si. São dotados de extraordinárias capacidades. 
 
Houve tempos em que o homem procurou os seus remédios no mundo estranho dos cogumelos 
e das algas. É por esta razão que decidimos apresentar alguns deles, com as respectivas 
utilizações terapêuticas tradicionais. 
 
A MICOTERAPIA OU O TRATADO DOS COGUMELOs MEDICINAIS 
 
O Outono é o período por excelência dos cogumelos. Mas é evidente que os verdadeiros 
apreciadores de cogumelos não ligam muito a este pequeno pormenor, já que é possível 
cultivá-los praticamente todo o ano. 
 
1 Segundo os novos sistemas taxinómicos, os cogumelos já não são considerados plantas. 
Contudo, por razões práticas, inserimo-los neste capítulo. 
63 
De facto, existem espécies que aparecem nos primeiros dias da Primavera e outras que até 
existem no Inverno. Mas o Outono é a estação por excelência dos cogumelos. 
 
Quando os colhemos e provamos, negligenciamos quase sempre as suas propriedades 
medicinais. Contudo, no que diz respeito à sua composição bioquímica, os cogumelos são 
provavelmente os mais ricos e variados de todos os organismos vivos. 
 
Os cogumelos também são medicinais: uma tradição popular antiga 
 
As capacidades metabólicas dos cogumelos são ainda pouco conhecidas. Mas para dar uma 
ideia da sua força vital, basta lembrarmos que o Bovista gigantea pode atingir, apenas numa 
noite, o tamanho de uma abóbora grande e pesar 7 kg (conhece-se mesmo um exemplar com 
15 kg). Acrescentemos que o pó (composto em grande parte pelos esporos deste soberbo 
cogumelo) é utilizado na farmacopeia chinesa como expectorante. 
 
Lindley, biólogo americano, calculou que alguns cogumelos produzem 
60 milhões de células por minuto. A sua grande actividade e riqueza enzimática predestinava-
os a todos os tipos de enzimoterapia. Aliás, desde há muito que se utilizam os fermentos 
oxidados dos cogumelos, especialmente no tratamento da hipertensão. 
 
Desde a descoberta da penicilina que os investigadores se interrogam sobre o facto de os 
cogumelos superiores serem também dotados dos mesmos princípios activos. O estudo e a 
observação da sua vida confirmam esta hipótese. Constatou-se com frequência a não 
germinação dos grãos na proximidade imediata dos célebres círculos das bruxas. Estes locais 
eram assim chamados porque os cogumelos surgiam aí em grande quantidade, formando um 
círculo, que era considerado mágico por muitos povos. A morte das plantas vizinhas é o 
resultado provável da acção de uma substância comparável à dos antibióticos. 
 
As medicinas populares sempre lhes atribuíram propriedadesanti-infecciosas. Sabemos 
empiricamente que os esporos do Colybia radiata e os do Amonita inaurata, bem como dos 
cogumelos de tabuleiro, tomados em quantidade suficiente, curam as tosses rebeldes. As 
observações 
64 
populares sobre a acção desinfectante do pó do Polyporus sulfureus, do Polyporus umbellatus, 
do Polyporus frondosus e até do vulgar Boletus luteus foram confirmadas. 
 
Nas receitas antigas preconizava-se uma mistura composta do lactário apimentado para tratar 
a tuberculose pulmonar. Sabia-se também que o pó do Lycoperdônpirifórine curava os 
resfriados e as dores de garganta e o do BolletusfeIlus e do Russula delica reduzia as secreções 
excessivas em casos de bronquite. 
 
Já no século xix médicos não convencionais constatavam a existência de propriedades 
antibacterianas nos cogumelos. Assim, o Dr. Curtis propõe uma tintura de “agárico falóide” ou 
de “agárico bulbex” contra a 
cólera e contra a doença de Bright. As experiências confirmam o seu forte poder antibiótico 
contra bactérias tais como os estafilococos dourados e os bacilos de Koch. A clitocibina, 
extraída dos cogumelos Clilocybe candida e Clitocybe gigantea, foi a primeira substância isolada 
nos cogumelos superiores que confirmou as suas propriedades antibióticas. 
 
Depois da descoberta da estreptomicina, as investigações sobre as propriedades dos clitócibos 
e sobre as várias espécies de cogumelos caíram em desuso. Mas é provável que a crise que 
atravessam os antibióticos, bem como o regresso da tuberculose e das doenças infecciosas, 
façam renascer as investigações sobre as suas propriedades. Além disso, sabe-se que certas 
espécies, como o “tricólomo de São Jorge” (Tricholoma georgi), têm uma acção antibiótica 
comparável à dos mais potentes antibióticos sintéticos actuais. 
 
Propriedades antibióticas e doenças de civilização 
 
As propriedades antibióticas dos cogumelos não são as únicas virtudes destas espécies que 
podem ser utilizadas pela nossa sociedade. Muitos deles podem ter um papel importante no 
tratamento das doenças de civilização. Infelizmente abandonámos muito rapidamente as 
investigações sobre os cogumelos de tabuleiro (cultura) Agaricus campester, cujos resultados 
eram promissores no tratamento das alergias. 
 
Também é possível que certos cogumelos possam substituir vantajosamente as pílulas anti-
stress e os meios químicos inibidores do cansaço. 
65 
O célebre micólogo George Becker descreveu o caso de uma pessoa “que depois de mastigar e 
ingerir a cera branca espessa e amarga que recobre o políporo Ganodemia appIanatum viu 
desaparecer em poucos minutos o cansaço que a acometia”. Observou também que depois de 
comer dois silercas crus, Marasmius oreades, experimentou durante alguns minutos um 
sentimento de alegria e de leveza muito agradáveis. 
 
A medicina popular, por outro lado, utiliza o pó esporal (a porção de 
1 colher) de certos licoperdos (bexiga-de-lobo) para combater a sonolência e aumentar a 
pressão arterial. 
 
Remédios que não necessitam de preparação 
 
A incomparável vantagem da micoterapia reside no facto de a maioria dos remédios à base de 
cogumelos não exigir praticamente qualquer tipo de preparação. 
 
- o pó do Mucidula radicata, tomado tal qual, cura rapidamente todas 
as inflamações de garganta, incluindo as anginas! 
- O lactário apimentado é um notável antiblenorrágico (antibiótico e 
antigonocócico). As suas propriedades foram descobertas em 1930 por um micólogo amador de 
nome Bataille e foram posteriormente confirmadas por G. Becker. Antigamente os lenhadores 
do condado franco curavam-se destas doenças consumindo 2 a 3 destes cogumelos assados na 
grelha. 
 
-Os cogumelos do grupo lactário foram também utilizados como 
diuréticos para a gravela e para os cálculos urinários. O seu suco foi aproveitado com grande 
eficácia para eliminar as verrugas. 
 
À redescoberta dos lactários... 
 
As descobertas em etnobotânica eram divulgadas como notícias de sensação na imprensa 
especializada. A nota publicada por S. Berthoud em 
Les petites chroniques de la Science, em 1860, sobre a acção de um 
66 
cogumelo, provavelmente o Phallus impudico, é a este respeito muito evocadora: 
 
“ Trata-se de um cogumelo que possuiria uma propriedade que não 
possuem, infelizmente!, nem as nossas gentes simples nem a nossa farmacopeia, nem sequer 
as nossas águas, de curar essas doenças implacáveis que são a gota e o reumatismo. 
 
O cogumelo dos pobres... e dos ricos 
 
Este cogumelo, que existe em abundância no Norte da Ásia, no Cáucaso e até nas florestas da 
Europa (as que ainda merecem este nome), nasce sob camadas de folhas e detritos de ramos 
que a humidade, a fermentação e a acção do tempo transformam em humo, nas proximidades 
de aveleiras, de fusanos e de alfeneiros. 
 
De Junho a Agosto o criptogama - que na Rússia é chamado zemlianóe maslo (ou manteiga-da-
terra) - aparece primeiro sob a forma de uma bola subterrânea oblonga, de cor esbranquiçada 
e aveludada. Quinze dias depois esta bola rompe-se e dela nasce um cogumelo grande e sólido 
que não tarda em secar e em espalhar à sua volta, à medida que se vai reduzindo em pó, um 
cheiro acre que irrita a garganta. 
 
Os habitantes da Ucrânia colhem o zemlianóe maslo quando este se 
encontra ainda na sua forma ovóide, abrem-no e recolhem o seu muco em vasilhas e deitam 
manteiga ou gordura derretida, para o preservar do contacto com o ar. Utilizam-no com eficácia 
em fricções para curar os 
reumatismos de que muito frequentemente sofrem, devido à insalubridade das suas cabanas 
construídas na floresta e na proximidade de pântanos. 
 
E assim é no que diz respeito aos pobres! Para os ricos, secam-se em estufa os pés e os 
chapéus dos cogumelos manteiga-da-terra reduzidos a 
pó. Este pó é depois macerado em álcool e enviado para toda a Rússia, onde, segundo o Dr. 
Kalenitchenko, professor de Fisiologia da Universidade de Khárkov, é muito utilizado para curar 
radicalmente a gota e a hidropisia. 
67 
 
O cogumelo: um remédio universal 
 
Os nomes vulgares de certos cogumelos revelam a sua utilização terapêutica tradicional. Como 
podemos constatar lendo os manuais do século XIX: 
 
O políporo dos farmacêuticos’ (ou agárico) era utilizado, ainda 
há pouco tempo, contra a diarreia, em aplicação externa nas 
doenças dos olhos, nas manchas e nas erupções cutâneas, nas feridas e nas úlceras e também 
contra as hemorróidas.” 
 
Actualmente os camponeses suíços utilizam-no para purgar o gado. Em certas regiões da 
Europa ainda é utilizado contra os suores nocturnos dos tuberculosos. O agárico 
(Pol>porusfomentarius, assim chamado pelos cirurgiões) foi utilizado contra as hemorragias 
externas. 
 
Para a sua preparação: 
 
“... escolhem-se os mais jovens, separam-se dos tubos e da casca, depois de amolecidos 
durante algum tempo numa cave (ou noutro local fresco). Em seguida cortam-se em fatias que 
se batem com força com um maço de madeira, afim de as espalmar e esticar; molham-se de 
vez em quando, batem-se de novo e depois esfregam-se entre as mãos até adquirirem um 
certo grau de moleza e de doçura. “ 
 
O 6(lagárico” utilizado na homeopatia 
 
A homeopatia sempre o utilizou. Já Hal---mernann propunha a utilização da falsa-oronia. 
Devemos realçar que os médicos homeopatas empregam o nome Agaricus muscarius há muito 
tempo e erradamente, já que este cogumelo não é um agárico! Este remédio é utilizado para os 
espasmos musculares, os abalos, os tremores e a epilepsia. 
68 
A tintura obtida a partir destes cogumelos, depois de devidamente limpos, descascados e 
cortados em pequenos pedaços macerados em álcool, é um meio eficaz contra a tinha, o 
impetigo e as impigens. 
 
A propósito do hongo, esse remédio milagroso 
 
Quando se fala em micoterapia, deve mencionar-se o célebre hongo ou 
cogumelo-do-chá. A primeira informação sobre este misterioso organismo foi publicada em 
1913 pelo Dr. Lindau. Este médico alemão descobriu que os habitantes de Mitau, um porto no 
mar Báltico, consideravam como 
um remédio milagrosoum “cogumelo”, trazido pelos marinheiros do Extremo Oriente, onde era 
acompanhado de um verdadeiro ritual durante a sua preparação e consumo. 
 
A origem deste cogumelo permanece obscura. Será ele originário dos campos de arroz da 
China, do Peru ou da Europa? A sua cultura espalhou-se por muitas regiões. As investigações 
demonstraram que o hongo não é um simples cogumelo mas sim uma associação de 
microrganismos, de bactérias e de cogumelos. Infelizmente, os componentes do hongo são 
muito variáveis, e as suas propriedades estão em estrita relação com a forma como é cultivado. 
 
Nos anos 60, a Europa Ocidental apaixonou-se pelo hongo. Mas esta moda, bem como as 
investigações feitas em diversos laboratórios, foram rapidamente abandonadas. É contudo 
indiscutível que este cogumelo merece que nos interessemos de novo por ele. 
 
 
A TERAPIA PELAS ALGAS 
 
O mar parece ser uma fonte terapêutica ainda muito mal conhecida e 
pouco utilizada. Contudo muitos são os especialistas que pensam que a 
riqueza bioquímica dos organismos marítimos é mais importante do que os da terra. 
 
Devemos realçar que a utilização terapêutica das algas, salvo algumas excepções, é recente e 
que os nossos antepassados desenvolveram mais (excepto no Extremo Oriente) uma fitoterapia 
baseada nas plantas terres 
69 
tres. Além disso, relativamente aos organismos marítimos, os antigos 
interessaram-se mais por certas toxinas ou tinturas de origem animal, do que pelas algas. 
 
As algas são antibióticos naturais 
 
Há algumas décadas que certas substâncias são objecto de estudos aprofundados. Neles utiliza-
se o fenómeno do antagonismo bioquímico (os organismos libertam substâncias biologicamente 
activas para inibir o 
desenvolvimento de outros organismos) de certas espécies de algas, de modo a descobrir os 
princípios antibacterianos e antifúngicos. 
 
Descobriu-se que estes “antibióticos naturais” não só inibem a proliferação de certos 
organismos patogénicos mas também tornam as bactérias “menos agressivas”. A penetração 
das bactérias na célula hospedeira torna-se difícil e até impossível. 
 
Certos terapeutas invocam como argumento a origem marítima da vida para justificar a sua 
utilização na terapia. Esta estranha coincidência está associada à descoberta dos evolucionistas 
do século xix, que sublinhavam a grande semelhança entre a composição química da água do 
mar e a dos líquidos fisiológicos dos organismos, incluindo o do homem. 
 
Os bioquímicos, para grande espanto seu, redescobriram a unidade do mundo vivo. Constatou-
se, assim, que os ácidos biliares de inúmeros peixes são idênticos aos do homem. 
 
As algas: uma solução milagrosa contra os retrovírus? 
 
Nos tempos da SIDA, a ausência de um remédio antiviral constitui um dos maiores falhanços da 
medicina contemporânea. Deste ponto de vista, 
o mar e os seus produtos parecem propor-nos uma alternativa. As investigações mostraram 
que certas substâncias (derivados sulfÓnicos dos polissacáridos) provenientes das algas têm 
uma acção sobre os vírus da poliomielite e do herpes e podem ser utilizadas no tratamento 
destas doenças. 
 
Os extractos de um rodófito do Pacífico, o Schizymenia pacífiqua, têm uma acção inibidora 
sobre a transcriptase inversa (enzima-chave no fun 
70 
cionamento dos retrovírus) dos pássaros e dos mamíferos. Além disso, podem utilizar-se estes 
extractos de maneiras e em doses não nocivas para as outras enzimas. 
 
Serão as algas uma “solução milagrosa"contra as doenças causadas por retrovírus? É uma 
hipótese a investigar. Devemos acrescentar que a riqueza marítima das substâncias antivírus 
não se limita às algas e às plantas. Também existem outros organismos que nos oferecem 
meios de luta contra os vírus, nomeadamente as esponjas, como, por exemplo, uma 
espécie originária do mar das Caraíbias, a Tethyda crypta. 
 
Algumas algas medicinais: apanhe-as durante as férias 
 
É possível encontrar um equivalente para a fitoterapia clássica graças às algas. Apresentamos 
em seguida algumas “algas medicinais”. Devemos acrescentar que a sua maioria é acessível 
sob diversas formas de preparação. Algumas podem mesmo ser recolhidas durantes as férias à 
beira-mar. E a sua preparação é idêntica à das plantas superiores (decocções, tinturas-mãe, 
banhos, etc.) 
 
Alsidium helniinthochostor 
 
Musgo-da-córsega - Vermífugo - Estimula a glândula tiróide - Faz parte dos regimes de 
emagrecimento - Uso externo: sob a forma de cataplasmas, para tratar as papeiras. 
 
Ascophy11um nodosum 
 
Sargaço-negro - Espécie muito rica em iodo - Utiliza-se como o Fucus vesiculosus. 
 
Corraffina officinalis %Vermífugo - Hipoglicemiante - Diminui a taxa de colesterol - 
Anticoagulante. 
 
Cystoseira fibrosa 
 
Espécie aconselhada aos diabéticos, tem uma acção hipoglicemiante. Também faz baixar o 
colesterol. 
71 
 
Chondrus crispus 
 
Musgo-da-irlanda. Utiliza-se para tratar: o a arteriosclerose - as doenças respiratórias - as 
patologias gástricas (hiperacidez, inflamações intestinais, prisão de ventre) - o raquitismo 
(banhos). 
 
Dignea simplex 
 
No Japão é utilizada como vermífugo sob o nome de “kaninso”. 
 
Fucus vesiculosus 
 
Carvalho-marinho (também o Fucus platycarpus e o Fucus serratus) é uma espécie muito 
abundante em França, especialmente na Bretanha. Os seus princípios activos, a sua acção e a 
sua posologia são semelhantes aos da Laminaria digitata, mas o seu teor em iodo é muito mais 
elevado - Além disso tem propriedades hemostáticas e por isso é indicado contra as 
hemorragias externas. 
 
Gelidium sp. 
 
(Também Pterociadia sp.) Espécies utilizadas por via interna para 
perturbações gástricas (estados inflamatórios, prisão de ventre crónica). 
 
Hisikia fusiforme 
 
Faz parte de um prato japonês. Faz baixar a taxa de colesterol. 
 
Laminaria digitata, Chicote-das-bruxas 
 
(As suas propriedades são idênticas às da Alaria esculenta.) Esta alga 
é comum nas costas bretãs e normandas. Tem inúmeras virtudes curativas (é amplamente 
utilizada). É - remineralizante * reconstituinte estimulante da circulação sanguínea - Influencia 
favoravelmente a glândula tiróide. - É laxante e diurética (presença de manitol). - É também 
um estimulante geral do metabolismo celular. - É interessante em 
regimes de emagrecimento e - faz baixar o colesterol. - Em banhos é uma aliada eficaz contra 
os reumatismos e as perturbações circulatórias. 
72 
- Absorvida por via interna é descrita como uma “verdadeira panaceia”, e muitos autores 
aconselham-na para: - a arteriosclerose - as 
doenças dos olhos - a menopausa - a prisão de ventre - as neuroses o envelhecimento 
prematuro - a queda de cabelo - a astenia - o cansaço e - a convalescença. 
- Prepara-se por decocção: 50 g do talo seco para 1 litro de água fria. Deixar macerar durante 
6 horas, em seguida ferver durante um quarto de hora e deixar em infusão durante 15 minutos. 
Filtrar. Tomar 1 a 2 chávenas por dia. 
- Ou em tintura-mãe: 50 g da planta seca para meio litro de álcool a 50’. Deixar macerar 
durante ]0 dias. Tornar 20 a 40 gotas num pouco de água, 2 vezes por dia. 
- Para banhos: utilizar a planta seca. Existem no comércio preparações prontas a utilizar. 
 
As algas que pertencem ao género Laminaria (a que pertence esta espécie) fazem parte do 
prato japonês Kombu. 
 
Mas atenção: as espécies do género Laminaria contêm uma proporção importante de iodo, 
agem sobre as glândulas hormonais, e a sua acção anticoagulante exige que sejam utilizadas 
com prudência. É por isso preferível utilizá-las sob a prescrição de um especialista! 
 
Laminaria hyperborea, Laminária-de-clouston 
 
Idêntica à espécie anterior. 
 
Laminaria saccharina, Boldrié-de-neptuno 
 
Idem. 
 
Lithothaninium calcereum, “Maêrl” 
 
Recomendada para as acidoses gástricas (incluindo as úlceras), em 
decocção: 50 g do talo para 1 litro de água. Tomar 1 a 2 chávenas por dia. 
73 
 
Rhodymenia palmata, Sargaço-de-vaca 
 
A decocção provoca uma transpiração abundante. 
 
Spirulina maxíma e Spirulina platensis 
 
A primeira espécie,misturada com milho, constitui o célebre “tecuitlatl”, prato tradicional dos 
Astecas. A outra espécie é ainda consumida lia 
África negra. Estas duas espirulinas têm propriedades - antl-inflamatórias e - de 
emagrecimento, Constituem uma fonte importante de amlnoácidos. Encontram-se, 
frequentemente, na cozinha vegetariana, como tempero aromatizante dos pratos e saladas. 
 
Undaria sp. 
 
As espécies deste género fazem parte da cozinha oriental (”Wakame” no Japão, “Miyok” na 
Coreia, “Quindai-cai” na China). Demonstrou-se que o consumo desta espécie facilita a 
assimilação do cálcio (tem uma acção antialérgica notória). A Undariapinnatifida é - 
cardiotónica - certos autores aconselham-na nas curas antitabaco. Em tintura-mãe: tomar 30 a 
50 gotas por dia. 
 
OS LÍQUENES: UMA SIMBIOSE ENTRE AS ALGAS E OS COGUMELOS 
 
É a Lei das assinaturas” que faz surgir em grande plano a importância medicinal dos líquenes 
nas doenças dermatológicas (ainda agora, em várias línguas, a expressão “líquen” serve para 
designar sintomas) e também no que diz respeito a outras patologias. 
 
A “lei das assinaturas” impõe o tratamento 
 
-0 Lobaria pulmonaria, semelhante a um lóbulo pulmonar (o líquen-pulmonar, erva-dos-
pulmões), é utilizado no tratamento das afecções 
74 
das vias respiratórias. É interessante realçar que este líquen contém um ácido próximo do ácido 
cetrárico, dotado de um poder antibiótico. 
 
- O Parmelia sulcala é um líquen que se assemelha a um cérebro. Foi 
portanto utilizado contra as dores de cabeça. 
 
-O Pelligra canina, misturado com pirrienta, previne contra a raiva (daí o seu nome). 
 
-O líquen dos muros, o Xantharia parietina, foi utilizado como sucedâneo do quinino porque 
contém crisopicrina. 
- O Pertusaria amara é um excelente antipirético. 
 
Graças à lei das assinaturas” o homem descobriu um verdadeiro tesouro bioquímico. 
Actualmente conseguimos isolar cerca de 200 substâncias (princípios activos) liquénicas, e a 
lista está longe de ter acabado. 
 
E, para finalizar, os estudos dos Japoneses mostram que algumas destas substâncias têm 
propriedades antitumorais e que outras possuem factores inibidores das replicações virais. 
75 
AS PLANTAS EXÓTICAS 
 
OS CINCO CONTINENTES POSSUEM PLANTAS MEDICINAIS 
 
A maioria das plantas medicinais que apresentamos pertencem à flora da Europa. É certo que 
os outros continentes possuem também uma 
grande riqueza vegetal. Os nossos leitores podem encontrar informações sobre a flora africana, 
asiática, americana e australiana, se o desejarem. Infelizmente, é frequente as espécies 
apresentadas não estarem disponíveis em França. Além disso a utilização de algumas dessas 
plantas, presentes nas colecções botânicas francesas, está interdita. 
 
A flora tropical e a sua utilização terapêutica são, frequentemente, pouco conhecidas e até 
ignoradas. Segundo J. M. Watt (Plants potentially useful in mental health, Lloydia 1/1967), 
conhecem-se actualmente 200 espécies africanas que estão potencialmente disponíveis (fazem 
parte das farmacopeias locais) para o tratamento de doenças mentais. 
 
55 espécies africanas são antiepilépticas e 3 espécies têm uma acção antiamnésica (descoberta 
sem precedentes, que consideramos como quase excepcional). Trata-se das seguintes plantas: 
 
- Adenia lobata; 
- Adenia cissampeloides; 
- Gardenia neuberias. 
 
Para realçar a riqueza da flora exótica, apresentamos as plantas da família das cactáceas e dos 
aloés, cuja grande maioria pode ser comprada em França. São bem conhecidas e possuem um 
vasto leque de possibilidades terapêuticas. 
77 
 
O ALOÉS 
 
Aloe sp. A aparência desta planta engana os não especialistas que pensam que o aloés é um 
cacto. Na realidade é uma Liliaceae (actualmente classificada na família das Asphodelaceae). 
 
O gênero aloés está representado por cerca de 250 espécies. O maior 
(Aloe arborescens) pode atingir 5 metros de altura. 
O Aloe succotrina é um dos remédios mais antigos da humanidade. 
O seu suco, “aloana”, é conhecido desde há 3000 anos na Somália e no Egipto. 
 
Os poderes mágicos e terapêuticos do aloés remontam à noite dos tempos 
 
O aloés vem mencionado na Bíblia e faz parte dos remédios citados no papiro de Edwin Smith. 
No Egipto tem a reputação de preservar a 
vitalidade e a beleza. Estava presente durante as cerimónias funerárias e era considerado como 
um sinal divino da renovação da vida. As lendas atribuem-lhe um papel na preparação da 
mumificação dos corpos. Faz também parte das plantas secretas do Atharvaveda (um dos 
quatro Vedas). 
 
O aloés era conhecido dos Gregos, que o traziam da ilha de Socotra. Dioscórides menciona as 
suas virtudes relativamente à cicatrização de feridas, de arranhões e de chagas. Plínio, o 
Antigo, descreve, na sua 
História Natural a cura de Alexandre, o Grande, ferido por uma flecha. Hipócrates aprecia as 
suas capacidades para curar tumores. Esta “planta panaceia” foi redescoberta por Alberto, o 
Grande, que a introduziu na farmacopeia medieval. Era então largamente utilizada como 
remédio hepático. 
 
O aloés está presente no Codex de Meletios da medicina bizantina. Também está presente na 
farmacologia chinesa: Li Shih-Shen cita-o como 
tónico para as doenças do estômago e do aparelho digestivo. Os grandes viajantes 
portugueses, espanhóis e ingleses trouxeram novas espécies de aloés dos seus países de 
origem, bem como informações sobre as doenças para as quais eram prescritas. Foi assim que 
se descobriu o aloés do Cabo e o aloés do Natal. 
78 
Esta planta tem, nas culturas “primitivas”, um papel mágico. Em África, ela neutraliza a 
influência dos mortos que voltam à terra para perturbar o espírito dos vivos. Nos Camarões, ela 
protege as mulheres contra os acidentes que podem ocorrer ao cultivarem os seus jardins. No 
Mali, pendurado no tecto, afasta os espíritos e atrai a boa sorte. Os Mexicanos fabricam 
grinaldas de aloés para dar sorte. As jovens Maias besuntam o 
rosto com suco de aloés para atrair os rapazes. “A capacidade feronómica” (de atracção) foi 
observada e utilizada na África do Sul, onde os Afrikaaners e os Zulus afirmam que o “perfume 
do aloés é um potente perfume sexual”. 
 
Os poderes de cura do aloés 
 
As virtudes dos aloés são múltiplas: 
 
-São cicatrizantes em uso externo, colagogos, laxantes e purgativos 
em uso interno. 
- Têm uma sólida reputação no tratamento de queimaduras, até mesmo 
nas queimaduras causadas por irradiações. 
- Certas tribos da África do Sul utilizam-no no tratamento anti-sifilítico e antibiótico. 
- O Dr. Jefi`rey Bland, que estudou a influência do aloés no sistema 
digestivo, verificou que esta planta melhora o pH gástrico e permite uma melhor assimilação 
das proteínas. 
- A tradição africana e as investigações americanas atribuem ao aloés 
uma acção benéfica nas doenças dos olhos; o aloés foi utilizado em oftalmologia pelo Dr. 
Vladimir Filátov, autor da teoria sobre os bioestimuladores. 
- Finalmente, certos investigadores fazem prova da sua capacidade de 
diminuir os riscos das doenças coronárias. 
- É também prescrito na cirurgia bucal. 
 
É natural que uma planta como esta tenha suscitado inúmeras investigações, especialmente no 
que diz respeito ao estudo dos seus componentes fitoquímicos. Parece que a maioria das 
virtudes do aloés está ligada aos heteróssidos antracénicos (pelo menos uma quinzena, entre 
os quais a aloína) e a certas substâncias aromáticas. Os outros elementos (vitami 
79 
nas, enzimas, am inoácidos) não lhe são específicos, já que estão presentes em abundância no 
mundo vegetal. 
 
As diferentes espécies de aloés 
 
A grande riqueza das espécies do género aloés, bem como a existência de inúmeras diferenças 
bioquímicas, obrigam a identificá-los com rigor. Certas fontes demonstraram que os aloés de 
Curaçau não contêm aloína. Thomas Githeres, em Drug Plants of Africa, afirma que os aloés 
medicinais se resumem apenas a algumas espécies: o Aloe succotrina, o Aloe perryi e os aloés 
do Cabo (A. ferox, A. africana, A. plicatilis). 
 
Aqueles que podemosencontrar são provavelmente misturas de origem incerta. As plantas 
cultivadas são mais homogéneas e mais facilmente identificáveis, mas poderemos nós ter a 
certeza de que preservamos toda a riqueza bioquímica que se encontra nas espécies selvagens? 
A experiência demonstra que as monoculturas empobrecem os componentes genéticos das 
plantas, o que tem forçosamente repercussões na sua riqueza bioquímica. Sabemos assim que 
certos aloés selvagens contêm até 18% de aloína. 
 
Qual é a situação das plantas de cultura? 
 
Inúmeras espécies estão actualmente ameaçadas pelo homem, e a única forma de as 
preservarmos é cultivar aquelas que podemos aclimatar. 
O Aloe aIbida está em vias de extinção (o baixo nível de germinação das suas sementes é 
provavelmente um dos factores responsáveis desta situação). Restam apenas algumas 
centenas ou menos (certas fontes afirmam que existem apenas 200), de Aloe polyphy11a. Ora 
é praticamente impossível cultivá-lo fora dos seus locais naturais. 
 
O Jardim Botânico de Kew, a mais prestigiosa instituição nesta matéria, vai recorrer a 
manifestações para a sua protecção. 
 
Desconfiem do Aloe vera 
 
Existem actualmente muitos autores e (sobretudo) produtores que transpõem as virtudes 
tradicionais do Aloe succotrina para o Aloe vera (planta de cultura). Mas esta prática não é 
minimamente aceitável. 
80 
As diferenças bioquímicas entre as espécies vizinhas devem incitar o 
consumidor a uma certa reserva. Os produtos à base de aloés deveriam ser objecto de estudos 
sérios antes de serem vendidos como “produtos naturais”. A falta de dados e de comunicações 
sobre estes produtos leva-nos a aconselhar os leitores a cultivarem em vaso, nas suas casas, 
os seus 
próprios aloés e a confeccionarem eles próprios os seus produtos. 
 
Se o aloés foi objecto de estudo dos fármaco-botânicos, não devemos esquecer que inúmeros 
charlatães se serviram dele unicamente para ganhar dinheiro. O interesse de todos não será o 
de evitar que uma planta tão preciosa seja desacreditada através de simplificações rápidas, 
duvidosas e pouco credíveis? 
 
As receitas produzidas à base de aloés 
 
O sumo de aloés espremido 
 
Para obter 80 ml de solução aquosa de sumo de folhas frescas de aloés, Aloeferox, são 
necessários 20 ml de álcool a 95%. 
 
As folhas são conservadas em local fresco e à sombra, entre 12 e 14 dias. Em seguida deverão 
ser cuidadosamente lavadas com água quente. 
- Depois devem ser esmagadas, envolvidas em gaze e comprimidas. 
- A suspensão obtida deve então ser filtrada (com gaze ou papel de 
filtro). -Este produto filtrado deve ser aquecido durante 8 a ]0 minutos até 
atingir o ponto de ebulição e depois vertido num recipiente de decantação. Acrescente a 
quantidade de álcool necessária. Deixe esta mistura em local fresco e sem luz durante 14 dias, 
mexendo-a uma vez por dia. Para terminar, filtre. 
 
Creme de aloés para a protecção da pele 
 
Composição: 
 
* 6 g de cera de abelhas (branca) * 6 g de óleo de jujuba * 40 g de óleo de amêndoas-doces 
81 
20 g de tintura DI, feita de folhas bioestimuladas de aloés (todos os tipos de aloés, excepto os 
que não contêm aloína) 
 
-Misturar para obter um creme. 
 
AS CACTÁCEAS 
 
Esta família conta com cerca de 2000 espécies. A grande maioria cresce em terrenos tropicais e 
subtropicais das Américas, mas também se encontram algumas espécies em África, na Ásia e 
na Austrália. O Peru e o México possuem uma flora de cactáceas particularmente rica. Um 
grande número destas plantas possui um tecido especializado no armazenamento de água, já 
que crescem e vivem em terrenos desérticos. 
 
Têm frequentemente flores muito belas, adaptadas à polinização pelos insectos, pelos pássaros 
e pelos morcegos. As maiores, como o Carnegia gigantea, podem atingir uma altura de 20 
metros. 
 
As cactáceas caracterizam-se pela sua grande riqueza bioquímica em 
princípios activos, bem como pelo papel importante que têm na religião 
e na mitologia das culturas pré-colombianas. 
 
O Trichocereus pachanoi: planta mágica latino-americana 
 
O Trichocereus pachanoi é uma das plantas mágicas mais antigas da história da Humanidade. 
No Peru encontra-se nas imagens, nas pedras gravadas e nos têxteis da civilização chavín que 
existiu há mais de 3300 anos. Encontra-se também nos objectos das culturas nasca e inca. 
 
Durante milhares de anos, o Trichocereus panachoi esteve associado a diversos animais: ao 
veado, ao colibri e especialmente ao jaguar, que está intimamente associado ao xamanismo da 
América Latina. A igreja católica, desde a conquista espanhola, combateu as plantas mágicas, 
incluindo o Trichocereus, porque “é a planta usada pelo diabo para enganar os índios”. Mas, nos 
Andes, existe uma mistura estranha de catolicismo e de culturas indígenas, que lhe atribuiu o 
nome de “San Pedro”, nome muito significativo já que São Pedro possui as chaves do paraíso... 
 
No Peru e na Bolívia, o Trichocereus é actualmente utilizado para tratar certas doenças, 
principalmente as perturbações mentais e o alcoo 
82 
lismo. Serve também como meio de defesa contra todo o tipo de bruxarias, bem como para 
garantir o êxito e para adivinhar o futuro. Pensa-se também que esta planta é a guardiã da 
casa e que ela produz um assobio lúgubre que afasta os intrusos. 
 
Os xamãs distinguem 4 tipos de cactos Trichocereus, dependendo do número de lados que 
possuem. Os mais potentes possuem 4 (representam os 4 ventos, as 4 estradas), mas 
infelizmente são muito raros. 
 
Os talos dos cactos, que se podem comprar nos mercados, são cortados aos pedaços e fervidos 
em água durante 7 horas. Esta decocção é tomada com outras plantas, o PedilantInís 
tilhymaloides (Euphorbiaceae), o Isotoma longiflora (Campanulaceae) e o Neoromandia 
macrostibas (Amaranthaceae). Também se mistura, por vezes, com duas outras plantas 
alucinogéneas: a Brugmansia aurea e a Brugmansia sanguínea. 
 
Estudos químicos e psiquiátricos demonstraram o papel importante destes aditivos. No 
xamanismo - tal como os outros alucinogéneos - a 
“San Pedro” permite a separação entre a alma e o corpo, e as pessoas tratadas voam através 
das regiões cósmicas. Um dos primeiros oficiais espanhóis que assistiram a estes fenómenos 
descreveu-os da seguinte maneira: 
 
“Os magos índios tomam a forma que desejam e deslocam-se nos 
ares através de grandes distâncias num espaço de tempo muito curto. Vêem o que se passa, 
falam com o Demónio, que lhes responde por meio de pedras ou de outros objectos que eles 
veneram.5@ 
 
O Lophophora williamsi, “peyotl”: planta sagrada e alucinogénea 
 
O Lophophora williamsi, o “peyotI”, é provavelmente a planta sagrada americana mais bem 
conhecida. Tal como o “San Pedro”, e a despeito de vários séculos de luta por parte da igreja e 
da administração, esta planta é ainda muito utilizada pelos Mexicanos, e o comércio dos botões 
de mescal é ainda florescente nos mercados da América Central e do México. Todos os anos, 
após a estação das chuvas e da colheita do milho, organizam a festa do “peyoti” para 
comemorar esta planta, que permitiu ao 
83 
grande chefe Majakugay, há vários séculos, combater os seus inúmeros inimigos e fundar um 
império. Todos os objectos das tropas dispersas de Majakugay foram destruídos, e o deus 
transformou-os numa planta maravilhosa, que conhecemos sob o nome de Lophophora 
williamsi. 
 
O efeito psicológico do “peyotV’ é muito variável e depende das doses absorvidas, das 
condições físicas e do carácter receptivo do consumidor. Os seus efeitos alucinogéneos são 
muito fortes: provoca visões caleidoscópicas coloridas. Os outros sentidos, como o tacto e o 
gosto, também se alteram. 
 
A acção do Lophophora willianisi efectua-se em dois níveis sucessivos: 
 
- Primeiro, aguça a sensibilidade. -Numa segunda fase produz uma grande calma e um 
relaxamento muscular; a atenção desliga-se dos estímulos exteriores, para se tornar 
introspectiva e meditativa. 
 
O Lophophora williamsi contém cerca de 30 alcalóides (entre os quais a mescalina), e é fácil 
entendera importância que esta planta poderá ter no tratamento das doenças mentais. 
 
Outras cactáceas com efeitos alucinogéneos 
 
O Lophophora williamsi e o “San Pedro” não são as únicas cactáceas mágicas e alucinogéneas 
da cultura pré-colombiana. Grande parte das plantas alucinogéneas foi designada pelo nome de 
“falso peyotl”. 
 
- A Epithelantha micromeris, cujos frutos, os “xilitos”, são comestíveis, foi utilizada pelos índios 
Tarahomara. Os feiticeiros ingerem-na para obter visões mais claras e para comunicar com os 
outros feiticeiros. Os corredores utilizam-na como estimulante e para combater o cansaço. Os 
índios pensam que prolonga a vida e que faz enlouquecer as pessoas maldosas. 
- A Ariocarpus retusus, ou “falsa pedra”, foi utilizada pelos habitantes 
do Norte do México. 
- O maior cacto de todos, o Carnegia gigantea ou “saguaro”, apesar 
de não se conhecer a sua utilização pelos indígenas, contém alcalóides com efeitos 
psicotrópicos. 
84 
- O Pelcyphora asseliformis é também considerado como “falso peyotF’. 
- O Coryphanta compacta é um pequeno cacto respeitado no Norte do 
México por ser uma planta eleita pelos deuses. É também consumida pelos xamãs. -0 
Mamillaria senifis é alucinogéneo e cresce na América Central. 
 
Todas estas espécies contêm em abundância alcaloides anteriormente desconhecidos da 
ciência. 
 
A utilização terapêutica das cactáceas 
 
A utilização terapêutica das cactáceas não se limita aos seus efeitos psicotrópicos e à 
estimulação do sistema nervoso. 
 
- O Lophophora williamsi foi utilizado pelos índios norte-americanos como remédio para 
estancar as hemorragias. 
- O médico homeopata italiano Rubini foi o primeiro terapeuta a preconizar a utilização do 
Cereus grandiflorus. Prescreveu-o para as afecções orgânicas do coração e dos vasos 
sanguíneos e, como não tem uma acção depressiva sobre o sistema nervoso, prefere-o ao 
acónito, especialmente para os linfáticos e para os nervosos. Utiliza-o também como potente 
antipsoríaco (uso externo). 
 
* O suco do Cereus pode também ser utilizado como depilatório e 
para eliminar as verrugas. Em 1890, Jones descobriu a acção antinómica deste cacto e da 
digitália. A digitália foi prescrita para corações cansados, e o 
Cereus grandiflorus para a astenia do coração. 
* Sultano isolou o alcalóide que denominou “cactina”. Este alcalóide 
aumenta a energia do músculo cardíaco, faz subir a pressão sanguínea e activa os centros 
motores da espinal medula. 
* Segundo o Dr. Watson Williams, a parte mais rica em princípios 
activos é a flor. 
* Ele recomenda uma tintura obtida por maceração (durante 1 mês) 
dos talos e das flores em 500 ci de álcool e aconselha a sua utilização em doses de algumas 
gotas de 4 em 4 horas. 
85 
 
O Cereus fimbriatus e o Cereus moníliformis têm propriedades anti-reumatismais. O Cereus 
geonietrizans está indicado para as úlceras. 
 
No género Pereskia existem várias espécies terapêuticas: 
* O Pereskiaguamacho, produzido como goma utilizada nas afecções 
pulmonares catarrais. As folhas têm um sabor acre e utilizam-se em inalações e tisanas. As 
flores fornecem tisanas espessas, e os frutos são diuréticos. 
* O Pereskia bleo tem virtudes anti-sifilíticas e é também utilizado 
contra a febre amarela. 
* Os frutos do Pereskia aculeata têm uma acção anti-sifilítica e expectorante. 
 
O talo carnudo do Opuntia contém uma quantidade importante de mucilagem. É por esta razão 
que é utilizado como emoliente e para fazer amadurecer os tumores indolentes. 
* Segundo Faiveley aplica-se o talo do Opuntia vulgaris em todas 
as afecções inflamatórias e flegmónicas: herpes, erisipela, fleumatismos, furúnculos. O talo é 
cortado aos pedaços e esmagado e aplica-se cru ou aquecido em excelentes cataplasmas. 
* Contra a desinteria, aconselham-se as flores da Opuntia vulgaris. 
 
Os frutos da Opuntia brasiliensis são antiescorbúticos, os ramos 
são utilizados em cataplasmas e acalmam as dores ciáticas. O suco é utilizado nos edemas das 
pálpebras. 
 
As cactáceas também são comestíveis 
 
Muitas cactáceas dão frutos comestíveis, por exemplo, o Opuntia vulgaris (figo-da-barbárie) ou 
o Cereus thurberi dão frutos do tamanho de uma laranja. Também se comem os frutos do 
Cereus pruinosus, do Cereus triangularis e do Cereus giganteus. Com o Opuntia produz-se 
álcool. Certas espécies servem para a criação de cochonilhas. 
 
Para terminar, as cactáceas são reservatórios naturais de água nas 
regiões desérticas. 
86 
É difícil identificar e obter as espécies de forma fiável 
 
A utilização das cactáceas, tal como a de outras espécies vegetais, apresenta alguns 
inconvenientes. A primeira e maior dificuldade consiste em obter plantas cuja actividade seja 
uniforme. Na verdade, as condições específicas de vegetação, a época das colheitas, a latitude 
e a natureza dos solos alteram de forma significativa os processos de nutrição da planta, bem 
como a sua genética. Todos estes factores têm uma repercussão sobre o teor em alcalóides da 
planta. Assim, segundo Rouhier, os “peyotIs” do Texas, sendo mais tóxicos, dão menos visões 
coloridas do que os “peyotIs” de outras proveniências. 
 
Por outro lado, as leis do mercado fazem com que os produtos sejam frequentemente 
falsificados. Isto acontece especialmente com o Cereus grandiflorus. A matéria-prima vendida 
no mercado e que é suposto ser 
proveniente desta espécie não é senão uma variedade qualquer de Opuntia, com propriedades 
diferentes das que lhe são atribuídas. É por isso que é particularmente difícil determinar as 
espécies utilizadas pelos indígenas. Mesmo o “San Pedro”, que é bem conhecido, só há bem 
pouco tempo foi identificado com exactidão, pois durante muito tempo foi confundido com o 
Opuntia cy1indrica. 
As cactáceas são plantas resistentes... mas conseguirão resistir à civilização? 
 
As cactáceas são, por natureza, resistentes às condições difíceis: seca, amplitudes térmicas e 
poluição. A exploração indígena nunca ameaçou a sua existência, já que os índios colhem 
apenas uma parte e salvaguardam a quantidade necessária para a reconstituição da população 
vegetal. 
 
Contudo o entusiasmo dos coleccionadores e a moda dos medicamentos produzidos à base 
destas plantas constitui uma ameaça séria para este grupo. Assim, em 1976, a população de 
Pediocaclus knowIlonú não ultrapassou os 250. A polícia do Arizona estima que o contrabando 
de cactáceas representa um mercado de várias centenas de milhares de dólares. 
87 
Actualmente, cerca de 30% das espécies presentes nos Estados Unidos estão ameaçadas. 
Seremos nós privados desses “dons terapêuticos fabulosos” que nos legaram as civilizações 
pré-colombianas, antes mesmo de conhecermos todas as suas possibilidades? 
 
88 
OS REMéDIOS UNIVERSAIS DE ORIGEM VEGETAL E ANIMAL 
 
OS CHIFRES: a ciência confirma a eficácia dos remédios tradicionais dos Siberianos 
 
A utilização dos chifres fez parte durante muito tempo das receitas populares da Sibéria. É 
provável, aliás, que esta prática fosse proveniente da medicina chinesa. Quanto à farmacopeia 
de certos povos europeus, ela contém igualmente extractos de chifres. O Dr. Gilibert estudou a 
eficácia terapêutica dos chifres de alce para tratar a epilepsia, depois de a ter observado na 
Lituânia. As investigações contemporâneas confirmam os efeitos deste remédio popular. 
 
Os três tipos de chifres medicinais 
 
Os médicos russos distinguem três tipos de remédios à base de chifres, cujas propriedades são 
função da sua origem. 
 
A pantocrina 
 
A pantocrina foi isolada nos chifres em 1930 pelo professor Pavlenko. Desde então já foram 
publicadas várias obras sobre as propriedades desta 
89 
substância. A dita substância encontra-se em dois tipos de veado: o “sika” (Cervus nippon) e o 
“wapiti” (Cervus elaphus), dos quais quatro subespécies vivem na Sibéria. 
 
Para a sua extracção cortam-se os chifres sem magoar o animal, que vive em semiliberdade. A 
operação decorre durante o período intenso da sua actividade biológica. 
 
Depois de limpos, os chifres sãosecos, cozidos, pulverizados e colocados em solução alcoólica. 
A sua prescrição faz-se por meio de gotas ou 
de injecções intramusculares. 
 
Breckman e Dobriakov determinaram as suas condições de criação de modo a sistematizar e 
optimizar a pantocrina. Os investigadores russos e 
japoneses conseguiram identificar uma parte dos seus componentes. Estes constituem uma 
mistura muito complexa de substâncias inorgânicas e 
orgânicas, de aminoácidos (leucina, treonina, lisina, fenilalanina, isoleucina), de lípidos e de 
fosfolípidos (lecitina, lisoleticina, esfingomielina). 
 
Além disso, contêm substâncias específicas, tais como o he tacosan (C27H56), 6 colesteróides, 
glicóssidos, querâmidos, vestígios de magnésio, de ferro, de alumínio, de titânio, de cobre, de 
prata, de nátrio e de cálcio. 
 
A pantocrina é uma substância que parece não ter efeitos secundários. Possui capacidades 
antitóxicas e caracteriza-se por uma dupla acção sobre o sistema nervoso, simpático e central. 
 
A rantarina 
 
A rantarina é extraída dos chifres das renas (da Rangifer tarandus, que é a principal subespécie 
da Sibéria, e da Rangifer tarandus phylarchus). 
 
A sua composição é semelhante à da pantocrina, contudo contém um 
maior número de substâncias orgânicas e um menor número de compostos minerais. No 
entanto age de forma diferente, tem uma acção anti-inflamatória e possui propriedades anti-
stress. Certas investigações confirmam a sua acção antitumoral. 
 
A santarina 
 
A santarina é extraída dos chifres do antílope saiga (Saiga tatarica). Esta espécie é explorada 
pela farmacopeia chinesa. A santarina é um 
90 
tranquilizante e um antiespasmódico. É uma substância bastante interessante e que tem, sem 
dúvida, um futuro indiscutível porque não diminui as capacidades de trabalho dos indivíduos 
tratados. 
 
Possibilidades terapêuticas da pantocrina, da rantarina e da santarina 
 
Os investigadores testaram as possibilidades terapêuticas destas três substâncias. Os 
resultados são extremamente promissores no tratamento 
de doenças cardiovasculares, de hipotensão e também como adaptogéneos e em casos de 
neurastenia (incluindo a insónia). 
 
- A pantocrina tem um efeito antiarrítmico e pode também ser prescrita para as gastrenterites. 
A sua utilidade foi confirmada em operações cirúrgicas, em queimaduras e em fracturas. 
- A pantocrina (e sobretudo a santarina) age sobre a epilepsia e a 
hipertensão. 
- A rantarina e a pantocrina são estimulantes e tónicas. Melhoram as 
actuações físicas e mentais e agem, ainda, na coordenação, no cansaço, na irritabilidade e no 
apetite. Favorecem também a convalescença. 
- A rantarina e a pantocrina são prescritas na Rússia para tratar problemas geriátricos 
(hipertrofia da próstata, em períodos pré- e pós-operatórios e como adjuvante de diversos 
tratamentos). 
- Reconhecidas as suas propriedades sobre o sistema nervoso, a santarina 
é utilizada como tranquilizante. 
- Finalmente, estas substâncias são também indicadas para casos de 
perturbações sexuais. 
 
É espantoso que, não obstante todos estes dados (publicados nos jornais científicos), as 
substâncias extraídas dos chifres sejam tão pouco conhecidas, excepto no Japão. Certos 
biólogos britânicos, contudo, como, por exemplo, o célebre Thomas Huxley, interessaram-se 
pela pantocrina, mas as suas investigações não ultrapassaram a fase experimental. 
91 
 
ADAPTOGÉNEOS E BIOESTIMULADORES OU A BUSCA DA"PANACEIA” MODERNA 
 
O organismo possui grandes capacidades de adaptação às condições exteriores às quais é 
submetido. A homeostase é o resultado desta adaptação. Os teóricos da medicina definem a 
doença como um resultado da ruptura da homeostase, ou seja, do enfraquecimento destas 
capacidades de adaptação. 
 
A homeostase mantém-se por meio de reacções enzimáticas a nível 
molecular e de uma acção hormonal a nível do organismo. 
 
Todas as reacções bioquímicas têm um carácter de compensação (asseguram a manutenção do 
equilíbrio) ou um carácter exploratório (elas 
procuram” novas possibilidades metabólicas). 
 
O envelhecimento é entendido como uma perda das nossas faculdades de adaptação, já que 
para lutar contra os factores ambientais nocivos o organismo se desgasta imoderadamente. 
 
A busca de substâncias susceptíveis de aumentarem as nossas 
capacidades de adaptação parece ter um futuro promissor 
 
Esta busca não é uma novidade. As plantas “adaptogéneas” pertenciam à “classe imperial” da 
farmacopeia chinesa. A sua importância para a 
medicina moderna está ligada à independência da sua acção sobre os 
factores externos. 
 
Elas aumentam a resistência do nosso corpo contra a poluição química e electromagnética, 
contra as infecções, contra o abaixamento do teor de oxigénio na atmosfera e contra as 
condições extremas de pressão atmosférica e de temperatura. 
 
Parecem proteger-nos contra as depredações autodestrutivas a que o nosso organismo é 
submetido: os radicais livres, a oxigenação natural, os 
desgastes hidrolíticos, etc. 
 
Devemos realçar a diferença entre adaptogéneos e bioestimuladores. Estes últimos estimulam o 
sistema imunitário, que é apenas um dos nossos mecanismos de adaptação. 
92 
 
Esta busca é difícil 
 
A acção adaptogénea é o resultado de uma actividade complexa dos diferentes componentes 
orgânicos. Por este motivo é muito difícil estudá-los, sistematizá-los e garantir a repetitividade 
dos seus resultados. Pelo mesmo motivo é praticamente impossível obter adaptogéneos 
sintéticos. Acrescentemos que nas plantas “panaceia” uma classe de substâncias adaptogéneas 
está, por vezes, presente nas raízes e outra nas folhas (é o caso do Rhaponticum 
carthamoides). 
 
A acção terapêutica das plantas adaptogéneas 
 
A maioria dos adaptogéneos tem uma forte acção anabólica (comparável à dos esteróides). Eles 
favorecem as reacções enzimáticas, participando na síntese dos componentes 
macromoleculares, tais como as proteínas, os lípidos e os ácidos nucleicos. 
 
Não obstante a medicina asiática possuir o maior número de adaptogéneos (Schisandra 
chinensis, Panax ginseng, Centella asiatica, Angelica sinensis), conhecem-se e estudam-se cada 
vez mais plantas provenientes de outros continentes, por exemplo, a raiz de Cimicifuga 
racemosa (black cohosh root) da América do Norte, o Harpagophytum procumbens (raiz-do-
diabo) de África, as folhas de Turnera aphrodisiaca do deserto do México ou a casca da árvore 
Tabebuia impetiginosa. 
 
Vários adaptogéneos parecem ter também uma acção anticancerígena, como por exemplo, os 
cogumelos Lentinus edodes (shi-take), Ganoderma lucidum (cogumelo de Reischi) e Pachyma 
hoelen (hoelen). 
 
Devemos mencionar também a Rhodiola rosea, planta adaptogénea que pertence à 
farmacopeia europeia. Foi cultivada em França, em Inglaterra, em Itália e nos Países Baixos até 
ao final do século xvii (actualmente encontra-se em estado selvagem em França). A sua raiz 
(vendida sob o 
nome de Radix rhodiae) foi utilizada na Europa contra as dores de cabeça e como substituto do 
ginseng, demasiado caro nessa época. No Extremo Oriente era conhecida sob o nome de “raiz 
dourada” e era prescrita contra o cansaço. 
93 
As investigações contemporâneas confirmaram que a Rhodiola rosea age sobre o sistema 
imunitário e hormonal. Tem propriedades adaptogéneas de luta contra o stress físico e 
psicológico. Redescobriu-se o interesse da sua prescrição em casos de neurose, bem como em 
estados patológicos do sangue: por exemplo, para a leucocitose e para a hipo e hiperglicernias. 
Além disso, também se observaram efeitos benéficos desta planta em pacientes em tratamento 
citostático. 
94 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
Neste capítulo descreveremos os tratamentos preconizados na segunda parte deste livro: 
 
-Como utilizar as plantas e de que forma devem ser consumidas ou aplicadas sobre o corpo. 
- Como alimentar-se para melhorar o estado de saúde. Através de 
conselhos e de uma revisão das teorias existentes - por exemplo, o 
“crudivorismo” ou o vegetarianismo - de estudos sobrea germinação dos grãos, sobre o 
açúcar, o pão, as bebidas, bem como as suas indicações e contra-indicações. Falaremos 
também do jejum, recomendado em quase todas as afecções. 
- Como viver melhor graças a exercícios físicos (combinados com um 
bom repouso), ao relaxamento, aos exercícios respiratórios e aos 
inúmeros efeitos benéficos do riso. 
- Finalmente, para fechar o capítulo, examinaremos os remédios preconizados pelo padre 
Kneipp e pelo Dr. Bilz, praticados durante muito tempo e actualmente esquecidos pela medicina 
moderna ocidental: por exemplo, os duches terapêuticos e os banhos de todos os tipos (vapor, 
ar, sol, luz ... ). 
 
COMO UTILIZAR AS PLANTAS 
 
A INFUSÃO 
 
A preparação de uma infusão pode ser feita tanto para um consumo diário como à medida das 
tomadas. 
95 
*Aqueça água até ferver e depois junte-lhe as plantas: o equivalente 
para uma chávena serão 2 a 3 pitadas (cerca de 1 colher, de café). Para 1 litro, que representa 
geralmente o consumo diário, uma dezena de pitadas é suficiente. 
*Deixe a água tremer sem ferver, durante 2 a 3 minutos. Depois deixe 
em infusão durante 10 a 15 minutos, filtre e beba morna. Se o sabor da sua tisana for 
demasiado amargo, pode acrescentar um pouco de mel. Quando tiver de utilizar várias plantas 
para fazer a sua infusão, pode fazer a sua preparação por meio de saquinhos individuais. Neste 
caso a 
quantidade necessária deve, bem entendido, ser dividida pelo número de plantas. 
 
Se, por exemplo, utilizar 4 plantas diferentes para a sua preparação, a mistura para 1 litro de 
água comportará 2 a 3 pitadas de cada planta. Se o desejar, o seu farmacêutico-ervanário pode 
preparar-lhe estas misturas. 
 
A DECOCÇÃO 
 
É preferível preparar a sua decocção para 1 dia ou 2 de utilização. 
*Utilize uma dezena de pitadas de plantas (cerca de 3 colheres, de 
sopa) para 1 litro de água. 
*Deixe ferver em lume brando durante cerca de 20 minutos e em 
seguida deixe repousar a mistura durante meia hora e, se necessário, junte-lhe um pouco de 
mel. 
- A decocção pode beber-se fria ou aquecida antes de cada tomada. 
 
AS DECOCÇõES DO PADRE KNEIPP 
 
As decocções do padre Kneipp são utilizadas em banhos, cataplasmas ou compressas. 
FLORES DE FENO 91) 
 
Por “flores de feno” entendem-se os talos, as folhas, as flores e os grãos do feno. 
96 
Utilizam-se 1 a 2 punhados para 1 litro de água. Esta mistura deve ferver em lume brando 
durante 15 a 20 minutos. 
 
- Kneipp realça que os fenos secos ou frescos têm o mesmo valor. 
- Esta preparação é útil em cataplasmas, compressas ou banhos. 
 
Como alternativa, pode utilizar flores dos campos, dos prados e 
dos bosques. 
 
Palha de aveia 
 
Prepara-se fervendo a palha de aveia cortada, à razão de 2 punhados para 1 litro, durante 15 a 
20 minutos. 
- Esta mistura utiliza-se em compressas e em banhos. 
 
Decocção de cavalinha 
 
1 punhado para 1 litro de água. Deixe ferver durante 15 minutos. 
 
- O padre Kneipp recomenda vivamente a cavalinha, quer em tisana 
quer em banhos, compressas ou cataplasmas. 
- Esta planta tem uma acção remineralizante. 
 
AS CATAPLASMAS DE ARGILA 
 
Preparam-se com argila desfeita, verde ou branca, que se pode encontrar à venda no comércio. 
 
Coloque-a num recipiente e cubra-a de água. Quando apresentar uma 
consistência pastosa, estará pronta a utilizar. A argila é conhecida desde os tempos mais 
remotos. Tem os seus fervorosos defensores. As suas aplicações terapêuticas são muitas e 
variam em função da sua origem. Revela-se de uma eficácia notável em unguentos, 
cataplasmas, máscaras de beleza e compressas, 
- Para o padre Kneipp ela tem um papel importante no tratamento 
do lúpus e do cancro. É anti-inflamatória e limpa as úlceras pútridas e malignas. 
97 
- Aconselha-a também para dores de cabeça, de costas, para as 
luxações, os tumores e as inflamações. A sua acção antipútrita permite a aplicação em feridas 
abertas. 
 
A MACERAÇÃO 
 
Obtém-se deixando as plantas dentro de um líquido durante um período de tempo mais ou 
menos longo. 
 
Maceração em água 
 
* Encha um frasco de vidro com ‘/4 de plantas e o restante com água. 
* Deixe macerar durante 2 a 3 dias, se possível ao sol. 
* Agite o frasco de vez em quando. 
* Filtre, de modo a obter o suco. 
* Uma alternativa consiste em encher o frasco tal como descrevemos, 
aquecê-lo em banho-maria durante cerca de 1 hora e deixá-lo a repousar durante 24 horas. 
 
- Estes preparados são utilizados em banhos, cataplasmas ou misturadas com bebidas, à razão 
de 2 colheres, de café, por dia (em média). 
- Devemos acrescentar que este tipo de preparado tem um prazo de 
conservação muito curto e por conseguinte deve ser utilizado nos dias que se seguem à sua 
confecção. 
 
Maceração em álcool (alcoolatura) 
 
* Pode deixar macerar a planta directamente em álcool, que absorve 
deste modo os princípios activos da planta. As quantidades geralmente utilizadas são da ordem 
de 50 a 100 g para meio litro de álcool. 
* Pode também utilizar outros tipos de álcool, como o rum, o calvados 
ou o vodka. O tempo de “digestão” dos produtos activos é de alguns dias para as folhas, flores 
e rebentos, e de 2 a 3 semanas para as 
raízes e cascas. Filtre no final da operação. 
98 
 
Tintura-mãe 
 
- O preparado tem um protocolo semelhante ao anterior. É feito por 
laboratórios e destina-se à homeopatia. 
 
- A posologia destes preparados varia, segundo os casos, entre 20 a 
50 gotas diluídas em água ou sumo de fruta, 1 a 2 vezes por dia. 
 
Maceração em vinho 
 
O vinho é um suporte interessante. É preferível escolher um de muito boa qualidade e, de 
preferência, biológico. 
 
* A maceração em vinho fica pronta ao fim de um período de 5 a 6 
dias, ao fim do qual deve ser filtrada. A sua conservação é excelente. 
* A prescrição é da ordem de meio a 1 copo, de licor, por dia. 
 
Maceração em óleo 
 
* Deve utilizar um óleo virgem de primeira pressão a frio. Os óleos 
de azeitona, de cártamo e de germe de trigo são bons para este tipo de operação. Após 
terminar a maceração deve proceder à sua filtragem. 
 
- Este óleo pode ser tomado com vegetais crus e saladas, na porção 
de meia colher de sopa. Atenção: não utilize este óleo em cozeduras. 
 
- Para uso externo em massagens (especialmente dores musculares, reumatismos, lumbagos, 
tratamento da pele, etc.), os óleos de amêndoas-doces e de avelã são mais agradáveis. 
 
* Deixe macerar durante um período de 15 dias a 3 semanas, se possível ao sol. 
* Para acelerar o processo, pode aquecer esta mistura em banho-maria 
durante cerca de meia hora e deixá-la macerar durante 48 horas. Filtre no final da operação. 
99 
 
OS óLEOS ESSENCIAIS 
 
Definição e complexidade da sua estrutura química 
 
É impossível dar uma definição exacta dos óleos essenciais. Contudo, a mais adequada parece 
ser a seguinte: 
 
“Substâncias oleosas aromáticas, provenientes de fontes naturais, 
frequentemente vegetais, distiladas no vapor.” 
 
Não são corpos químicos simples e homogéneos. Contêm misturas de vários componentes, 
podendo alguns deles ser dominantes. Além disso, pode existir sinergia ou antagonismo entre 
eles. 
 
É inútil tentar reduzir a acção do óleo essencial a um dos seus componentes, mesmo que 
alguns deles sejam predominantes e que as propriedades do óleo possam ser bem definidas. A 
título de exemplo, o óleo essencial de cravo-de-cabecinha tem fortes propriedades antibióticas. 
As experiências realizadas no século xix por um dos fundadores da microbiologia, Robert Koch 
(Prémio Nobel), demonstraram que este óleo age sobre certas bactérias após um período de 
apenas 12 minutos de exposição e numa solução diluída a 1%! 
 
Tenta-se frequentemente reduzir o poder antibiótico dos óleos essenciais à quantidade dos seus 
componentes fenólicos. Mas o caso do óleo de cravo-de-cabecinha mostra bem que tal 
associação carece de uma justificação científica, já que este óleo tem efeitos superiores aos do 
fenol. Por este motivo é difícil determinar os inconvenientes associados à sua utilização, mesmo 
que, como é ocaso do Melaleuca alternifolia (que sabemos ser responsável de inúmeros 
eczemas alérgicos), se tenha conseguido isolar o factor causal (d-limenona). 
 
Cinco razões pelas quais os óleos essenciais não são estáveis 
 
A riqueza bioquímica dos óleos essenciais é, sem dúvida, uma das razões da sua eficácia, mas 
infelizmente é difícil e, muitas vezes, até impossível realizar investigações comparativas, bem 
como repetir os resultados. 
100 
O problema da garantia e da estabilidade dos óleos essenciais comercializados também se põe. 
A quantidade extraída depende do período de vegetação. Os estudos sobre o manjericão 
mostraram que ela aumenta significativamente nas folhas, no início, e isto até à floração, e que 
em seguida a quantidade baixa nas folhas e sobe nas flores. Depois da fecundação, ela volta às 
folhas (mas diminui em quantidade). É por este motivo que, ao longo do dia, a quantidade de 
óleo na planta varia, tal como a libertação do seu perfume. Foi possível constatar que esta 
variação diária é regular, a tal ponto que no século xviii R. Meusee criou um relógio vegetal 
aromático, composto de várias espécies de flores. As horas eram indicadas pelos aromas 
libertados ao longo do dia, cada espécie libertando o seu “perfume” em momentos bem 
específicos. 
O perfume dos óleos essenciais fornece particularidades multifacetadas. Existe em particular 
um mundo fascinante no qual os aromas têm um papel preponderante: é o que se utiliza 
quando nos 
servimos dos seus princípios voláteis para perfumar um quarto de 
uma casa. 
 
A composição química (quantitativa e qualitativa) está associada às condições ambientais, tais 
como a qualidade do solo, a atmosfera, a utilização de herbicidas e a presença de poluentes. 
Pode variar muito dentro da mesma espécie em função da sua origem (por exemplo, a 
diferença de quantidade de cetonas de Salvia officinalis pode variar de 1000%). Esta variação 
não se verifica apenas no que diz respeito à sua composição química, mas também à reacção 
do organismo receptor. A experiência confirma que a acção bacteriostática das várias raízes de 
um mesmo germe pode ter reacções diferentes num óleo essencial aparentemente sempre 
idêntico. A sua grande diversidade química torna impossível comparar o processo de acção dos 
produtos naturais com o dos extractos brutos ou de óleos purificados, e não é possível de modo 
algum ter uma garantia de estabilidade na sua produção. Outra dificuldade da homogeneização 
está ligada ao facto de os óleos não serem solúveis em água e ser necessária a sua utilização 
por meio de um solvente especial - um agente emulsionante que interfere no produto inicial. 
101 
 
 
Um pouco de história a propósito da origem dos óleos essenciais 
 
Apareceu primeiro a aromaterapia 
 
A utilização dos aromas de flores e de plantas é muito antiga. Todos os povos e todas as 
tradições utilizaram os “aromas”, com finalidades rituais ou terapêuticas. A Bíblia cita o hissopo, 
planta sagrada dos Hebreus 
- que a preparavam de uma maneira específica. 
 
A aromaterapia é a arte de recuperar ou de conservar a saúde utilizando a parte volátil ou 
olfactiva das plantas. 
 
Depois veio o embalsamamento 
 
O embalsamamento foi praticado por diversas culturas. Há 6000 anos os Egípcios sabiam 
extrair a essência das coníferas: a madeira de cedro era aquecida num recipiente de argila, 
cuja abertura era coberta por uma 
grade de fibras de lã. Bastava espremer a lã para libertar a essência de que esta ficava 
impregnada. 
 
A seguir vieram as destilações 
 
O desenvolvimento e o entusiasmo que os óleos essenciais tiveram ao 
longo dos séculos só foram possíveis graças à destilação. Este procedimento foi provavelmente 
descoberto por sábios árabes no início da Idade Média. A essência de alecrim foi uma das 
primeiras a ser isolada e extraída por Ramóri Luil (nascido em Maiorca em 1235). 
 
Em 1370, certos documentos relatam a existência de uma destilação obtida a partir do cedro, 
do alecrim e da terebintina, chamada “água da rainha da Hungria”. Mas só a partir do século xv 
se começou a praticar a destilação de plantas e de flores. Independentemente da água-
húngara, ninguém (à excepção de alguns alquimistas cujos trabalhos são ainda mal 
conhecidos) se interessava pelas partes oleosas das plantas que, ao separarem-se, boiavam à 
superfície das águas destiladas. Eram consideradas como impurezas, inutilizáveis na produção 
de “perfumes”. 
102 
E são finalmente mencionados 
 
O catálogo das especiarias de Francoforte, editado em 1450, não menciona nenhum óleo 
essencial. Um pouco mais de um século depois, em 
1587, existe um reportório de 59. A partir do início do século xvii a 
destilação é realizada em laboratórios, e a sua produção torna-se mais substancial. No século 
xviii começam a melhorar os rendimentos e passam a existir meios que irão permitir detectar e 
suprimir as fraudes, que se 
tornam frequentes. 
 
O século xix e o início do século xx trazem um melhor conhecimento dos óleos essenciais, 
graças às aplicações da química analítica e da fisiologia vegetal. Mas, apesar de ter conhecido 
uma fama incontestável, constata-se actualmente o pouco interesse que a ciência oficial tem 
por este tipo de investigação. A mais importante base de dados das investigações médicas, a 
Medline, relata apenas 57 trabalhos efectuados sobre os óleos essenciais durante os últimos 
três anos. 
 
As causas dos poderes dos óleos essenciais 
Os óleos essenciais estão entre os remédios mais potentes conhecidos. A sua eficácia reside na 
diversidade dos seus componentes químicos. A sua concentração em princípios activos confere-
lhes um poder excepcional. 
 
Deste modo, para extrair quantidades ínfimas, são necessárias grandes quantidades de 
matéria-prima. Para obter 500 g de essência de bergamota, por exemplo, são necessários 100 
kg de frutos; 300 kg de limões para 1 kg de essência; 1000 kg de flores de laranjeira para 1 
kg, e 200 kg de lavanda para 1 kg de essência. 
 
Certas plantas fornecem quantidades ainda mais ínfimas: para se obter 
5 g de essência de violeta, são necessários 100 kg de flores de violeta! A título de comparação, 
para uma decocção de violeta (20 g para 1 litro de água) utilizam-se 1000 vezes menos de 
matéria vegetal do que para produzir uma só gota (1 g) de óleo essencial. Mas este exemplo 
tem apenas um carácter demonstrativo, já que a diferença é também qualitativa (os princípios 
da decocção são diferentes dos princípios dos óleos essenciais). 
103 
Verifica-se que os óleos essenciais penetram facilmente no organismo através da pele. Esta 
propriedade é um meio precioso para veicular outros tipos de preparações medicinais. Os óleos 
são depois eliminados pelos rins e pelos pulmões, onde produzem a sua acção anti-séptica. 
Esta facilidade de penetração no corpo é frequentemente subestimada. 
 
O poder dos óleos essenciais sobre o organismo 
 
O seu poder, bem como a heterogeneidade da sua acção sobre o organismo, são as razões 
pelas quais é imperativo utilizá-los com prudência!!! A sua utilização deve ter em conta o óleo e 
o modo de administração: 
 
- Em uso externo, por inalação, lenço, compressas, máscara de argila, 
massagens, fricções, banhos curativos, gargarejos, champôs ou difusão no ar (por evaporação 
ou pulverização). 
- Por via interna, é necessário o aconselhamento de um terapeuta 
competente e não os utilizar puros, mas, de preferência, diluídos ou em cápsulas. 
 
A acção antibiótica dos óleos essenciais 
 
O poder anti-séptico dos óleos essenciais é conhecido desde há muito e foi confirmado pelos 
resultados das investigações contemporâneas. A sua acção antibiótica é inegável: em 133 óleos 
estudados, 105 demonstraram uma forte acção bactericida, bacteriostática e antifúngica. Além 
disso, a lista dos “óleos antibióticos” não terminou e enriquece-se constantemente. Entre as 
plantas africanas, o Schinus inollelin, espécie originária do Zimbabwe, tem um poder antibiótico 
quase excepcional sobre todos os micróbios examinados (20espécies de bactérias e 5 fungos). 
 
Esta acção antibiótica já foi realçada no início da microbiologia moderna. Em 1881, Robert Koch 
estudou a acção bactericida da essência de terebintina. Além disso, estudos efectuados no 
século xix confirmaram a acção particularmente forte das essências de canela, de orégão e de 
cravinho-da-índia (em emulsão ou vaporização). 
 
Contudo, pensa-se descobrir ainda as suas propriedades terapêuticas. Em 1893, M. G. Bertrand 
e Forne estudaram o poder bactericida do 
104 
Melaleuca viridi ra (”niauli”). Um século depois, em 1992, certos produtores reivindicam ter 
“descoberto” as suas propriedades medicinais. 
 
E, para terminar, notamos que são sempre os mesmos óleos os mais utilizados: de orégão, de 
tomilho, de gerânio, de canela, de cravinho, de canela-da-china, de lavanda, de limão, de 
zimbro, de laranjeira e de bergamota. 
 
As vantagens dos óleos essenciais 
 
Os investigadores surpreenderam -se (e continuam a surpreender-se) 
com a rapidez da sua penetração no organismo: 
-Já dissemos que bastam 12 minutos para o óleo de cravinho agir 
sobre certas espécies bacterianas. -Os vapores da essência de limão, em suspensão no ar, 
agem em 2 horas sobre os estafilococos. 
- As afecções das vias respiratórias são atacadas pelos óleos de 
eucalipto, de pinho, de mirta, de mirra ou de tomilho em menos de 
1 hora. 
 
Em 1936, Risler verificou que era possível prolongar a sua acção acrescentando- lhes elementos 
não voláteis, tais como resinas, o que lhes confere um tempo de acção extremamente longo. 
Este autor demonstrou assim que as misturas de óleos essenciais são muito mais activas do 
que quando estes são aplicados separadamente. 
 
Mas utilizem-nos com prudência! 
 
Independentemente do poder que as essências fornecem durante a sua utilização, deve evitar-
se misturá-las (salvo sob prescrição médica autorizada) com outros medicamentos. 
 
Verificou-se, por exemplo, que certos antibióticos diminuem o poder antibacteriano do óleo de 
erva-cidreira. Em contrapartida, este aumenta a 
toxicidade dos antibióticos. 
 
Finalmente, observou-se por diversas vezes a resistência dos microrganismos. É a utilização 
abusiva dos óleos essenciais que é responsável deste fenómeno. É também por esta razão que 
é necessário utilizá-los com cautela. 
105 
 
Outras acções dos óleos essenciais sobre o organismo humano 
 
Os óleos essenciais não se limitam a ter uma acção antibiótica. A riqueza deste grupo de 
remédios fitoterapêuticos é tal que não existe praticamente nenhuma patologia que não 
responda à sua administração. Apresentamos a sua utilização pormenorizada na 2.’ parte desta 
obra, consagrada ao tratamento de 267 afecções. 
 
Mas, de uma maneira geral, podemos afirmar que eles são notoriamente antiespasmódicos. Os 
óleos essenciais geram, em doses fortes, um mal-estar que pode ir até à paralisia dos 
movimentos espontâneos da musculatura lisa. Em altas diluições são estimulantes. 
 
As múltiplas virtudes terapêuticas dos óleos essenciais 
 
*Os óleos de menta, de mentol e de cânfora são antiespasmódicos e 
agem sobre o intestino e a vesícula biliar. 
*O tomilho age mais especificamente sobre os pulmões. 
*A mistura de mentol, timol, cânfora e cineol, utilizada em aerosol, 
é antitússica. Este fenómeno foi demonstrado nas cobaias submetidas a vapores de amoníaco e 
no homem submetido a vapores de ácido cítrico. 
*As propriedades cicatrizantes, anti-inflamatórias (as últimas investigações relatam a grande 
eficácia do Bupleurum frutescens), citofilácticas, tónicas, desintoxicantes e anti-reumatismais, a 
acção estimulante sobre as secreções gástricas, biliares e intestinais, os seus efeitos sobre o 
sistema circulatório são também frequentemente citados. 
*Também se demonstrou o seu poder anticolesterol (menta) e antiparasitário contra vermes e 
protozoários (até contra certos parasitas tropicais difíceis de combater). 
*As investigações realizadas em 1993 em São Paulo, no Brasil, demonstraram a acção 
preventiva do sabão à base de óleo essencial de Pterodonpubescens leguminoseae contra o 
Schistosomias mansoni, veiculado pelos ácaros. 
106 
Eles estimulam as defesas imunitárias e combatem as bactérias 
 
A outra vantagem dos óleos essenciais que não devemos negligenciar é que eles estimulam as 
defesas naturais do organismo. Quando, por exemplo, actuam sobre uma infecção, aniquilam 
os germes e têm um poder antibacteriano garantido. Não sendo meramente 
imunoestlmulantes, reforçam também o terreno e favorecem a reacção orgânica. 
 
Inúmeros trabalhos apontam o largo espectro da sua aplicação: podem ser utilizados em 
praticamente todas as afecções bronquíticas, gripes, sinusites, afecções urinárias e micoses. 
Mas o mais importante é que, graças ao seu poder de estimulação natural das defesas 
imunitárias, eles favorecem o regresso a um bom estado de saúde. 
 
Mas, prudência!... 
 
A aromaterapia é uma medicina activa que deve, contudo, ser utilizada com alguma precaução. 
Certos óleos essenciais podem apresentar inconvenientes, em particular a salva, o hissopo e a 
artemísia, que podem provocar crises de epilepsia. Devem ser manejados com prudência e ser 
prescritos apenas por terapeutas experimentados. 
 
O seu modo de preparação 
 
A destilação mais correntemente utilizada pratica-se em vapor de água. As plantas, depois de 
seleccionadas e limpas, são colocadas num alambique. A mistura é então aquecida, e o óleo 
essencial sobe à superfície, podendo ser recolhido no final desta operação. 
 
Modo de utilização 
 
Por via interna 
 
A posologia média é de 1 a 4 gotas, duas a três vezes ao dia, dependendo das essências. 
 
Não é necessário tomar quantidades importantes de óleos essenciais, tendo a sua utilização 
demonstrado que uma posologia regular de peque 
107 
nas quantidades dava com frequência melhores resultados. É preferível começar por doses 
fracas e aumentá-las progressivamente, sem contudo ultrapassar as doses indicadas pelo 
terapeuta. 
 
Certos óleos fenolados, tais como o de tomilho, de segurelha ou de orégão, devem ser tomados 
de preferência em preparações específicas, confeccionadas por um farmacêutico-ervanário. 
 
Em supositórios 
 
O seu farrnacêutico-ervanário pode preparar-lhe supositórios à base de óleos essenciais. 
 
Em fricções 
 
Fricções ou massagens podem ser executadas com óleos essenciais diluídos num óleo vegetal 
(de avelãs, amêndoas-doces, germe de trigo, etc.). A pele, por capilaridade, absorve os 
princípios activos, que penetram deste modo no organismo. 
 
Por vaporização 
 
A vaporização na atmosfera é uma forma interessante de sanear o ambiente e de o purificar de 
forma agradável. Os óleos essenciais perfumam a atmosfera regenerando simultaneamente o 
meio ambiente. 
 
Existem actualmente pequenos difusores de aromas, baratos e de fácil utilização. Como 
alternativa, pode colocar algumas gotas de essência num 
recipiente, previamente misturadas com álcool (10 a 20%, ou seja, 1 a 2 gotas para 10 gotas 
de álcool). Ao evaporar-se, esta mistura purifica a atmosfera. 
 
Esta utilização é um meio eficaz de prevenção contra os pequenos males do Inverno (essências 
de eucalipto, de tomilho, de pinho e de terebintina). 
 
Onde se podem encontrar os óleos essenciais? 
 
O seu farmacêutico-ervanário pode fornecer-lhe todos os óleos essenciais e aconselhá-lo 
quanto à sua administração. 
108 
Também existe uma gama importante à sua disposição nas lojas de dietética. 
 
É preferível utilizar óleos extraídos por vapor de água, se possível de qualidade biológica. 
Precauções na utilização 
 
É importante saber que os óleos essenciais não se dissolvem em água (não são hidrossolúveis). 
Terá de utilizar um diluente, por exemplo, álcool, óleo, “carvão de Belloc” (vende-se nas 
farmácias), um pedaço de açúcar ou de mel ou ainda incluí-los noutras preparações. 
 
Para os banhos, pode utilizar o álcool, numa proporção de 10 volumes de álcool para 1 volume 
de óleo essencial. Para fazer esta mistura pode também utilizar um gel de banho ou champô.N. B.: Nunca deixe os óleos essenciais ao alcance de crianças. 
 
A DRAGEIA 
 
A drageia envolve e protege a planta sem diminuir de modo algum a 
sua eficácia, apesar de muitos terapeutas tradicionalistas lhe preferirem a 
infusão ou a decocção. 
 
Uma cápsula está doseada de 250 a 400 mg. O invólucro é dissolvido pelos sucos gástricos, e a 
planta, ficando em contacto directo com as mucosas do estômago, é rapidamente assimilada 
pelo organismo. 
 
Esta modalidade fornece a possibilidade de seguir um tratamento fitoterapêutico de forma fácil 
e eficaz. Além disso, sendo cada drageia doseada com precisão, a sua ingestão é sempre 
idêntica, fácil e agradável. 
 
Certas plantas têm um sabor particularmente acre, como, por exemplo, a erva-moleirinha. 
Graças às cápsulas, podem ser facilmente ingeridas, o 
que nem sempre é o caso com a infusão, a decocção ou a maceração, que exigem, 
frequentemente, o recurso ao açúcar ou ao mel para alterar o seu sabor inicial. 
109 
 
COMO DEVE ALIMENTAR-SE PARA SALVAGUARDAR A SUA SAúDE 
 
A ALIMENTAÇÃO 
 
As teorias alimentares são variadas e antigas 
 
Certas teorias estão associadas a práticas religiosas ou a proibições alimentares, como é o 
caso, por exemplo, do catolicismo. De facto, esta religião prescreve a quaresma em 
determinados períodos, bem como a 
proibição do consumo de carne às sextas-feiras, e aponta os pecados capitais, entre os quais a 
gula tem um lugar importante. 
 
Hipócrates conhecia a importância da alimentação e preconizava: 
 
“Que a alimentação seja o teu medicamento.” 
 
E ainda: 
 
---Quando alguém desejar recuperar a saúde, é necessário perguntar-lhe se está pronto a 
suprimir as causas da sua doença; só então será possível ajudá-lo. “ 
 
Maimónides, médico, filósofo e rabino que viveu em Toledo no século xii enuncia as seguintes 
regras: 
 
“Come apenas quando sentires vontade. O homem sábio só come 
para acalmar a sua fome.” 
 
Cinco séculos antes da nossa era, os médicos chineses já tinham feito a aproximação entre a 
sobrealimemtação e a doença. No Neí Ching, que é um dos mais antigos tratados de medicina, 
é sob a forma de diálogos que um médico ensina ao seu imperador as regras que governam a 
vida: 
110 
- Nos tempos antigos - perguntava o imperador - o homem podia, ao 
que parece, viver até aos 100 anos; agora, gasta-se muito rapidamente e morre jovem, qual é 
a razão de ser assim? -Antigamente - responde o médico - os homens seguiam o Princípio. 
Eram sóbrios e levavam unia vida ordenada e regular; actualmente os homens são 
destemperados, bebem álcool e cometem abusos. Ainda neste nosso tempo, se o homem 
poupar as suas energias, pode viver de boa saúde e tornar-se centenário. 
 
A sua alimentação e o seu modo de vida têm consequências sobre a sua saúde 
 
Para os partidários de uma alimentação saudável, a cozedura e as diversas transformações dos 
alimentos implicam alterações de estrutura e 
perdas de nutrientes difíceis de avaliar. 
 
Deste modo, as experiências feitas no início do século por dois célebres investigadores, 
Simonsen e Pottenger, não deixam qualquer dúvida sobre as consequências que as 
modificações nos nossos hábitos alimentares podem implicar. 
 
No âmbito desta experiência, dois grupos de gatos foram alimentados de forma diferente: o 
primeiro com carne crua e leite cru; o segundo com 
carne cozida e leite fervido. Os gatos alimentados com carne crua permaneceram de boa saúde, 
enquanto os do outro grupo, alimentados com carne cozida, sofreram doenças, e as suas crias 
apresentaram taras e malformações, em particular ao nível do maxilar e do esqueleto. 
 
Não somos gatos, como é óbvio, mas é mais do que certo que não somos geneticamente 
capazes de nos adaptarmos a modificações importantes no nosso modo de vida. A nossa 
alimentação já não é semelhante à dos nossos antepassados, que era fundamentalmente crua e 
composta de frutos, bagas e raízes. 
 
Os alimentos desnaiurados que consumimos 
 
Actualmente, a nossa alimentação, devido à industrialização da agricultura e à notável 
transformação que tem sofrido graças à conservação, ao congelamento e aos pratos pré-
preparados, tornou-se barata (as despesas neste campo representam em média 20% a 25% do 
orçamento familiar). 
 
As prateleiras dos mercados e das grandes superfícies estão repletas de alimentos variados e 
abundantes. Mas estes sofreram alterações muito importantes durante as últimas décadas. 
Inúmeras substâncias químicas, destinadas a preservar as culturas contra a invasão de 
parasitas e de ervas daninhas, são utilizadas para aumentar o rendimento da produção. Estas 
substâncias concentram-se no vegetal, e os excedentes contaminam os solos e as camadas 
friáticas. 
 
Calcula-se um patamar de tolerância, considerado aceitável, que vai 
até um certo teor de contaminação, já que se considera que abaixo desse patamar as doses 
ingeridas não têm qualquer incidência sobre a saúde humana. Estas são calculadas em função 
de uma quantidade ingerida ao 
longo de uma vida e supõe-se que não apresenta riscos apreciáveis. Uma vez estabelecida esta 
quantidade limite, aplica-se-lhe um coeficiente de segurança e define-se assim a dose máxima 
admitida diariamente. 
 
Este tipo de cálculo deveria ser tranquilizador e pôr-nos ao abrigo de qualquer intoxicação pelos 
componentes de síntese que entram hoje em 
dia correntemente na nossa alimentação. No plano teórico, estes cálculos têm uma certa 
coerência. No plano prático, em contrapartida, podemos considerar que diversos poluentes 
alimentares, introduzidos através de técnicas modernas e industriais, representam uni “risco 
maior” para a 
saúde global das populações, quanto mais não seja porque somos incapazes de avaliar as 
reacções específicas de cada indivíduo. 
 
Escolha a qualidade e modere a quantidade 
 
Uma boa parte dos males de que sofremos está directamente ligada ao 
nosso modo de vida e, especialmente, à nossa alimentação. É por esta 
razão que nos parece especialmente importante insistir neste ponto. Se, por um lado, como 
afirmam muitos investigadores, devemos limitar a 
quantidade de alimentos que consumimos, devemos por outro lado estar atentos à sua 
qualidade. Por esta razão é útil evitar o consumo de pratos pré-preparados, congelados, 
cozinhados, etc., e que sofreram, além dos poluentes alimentares durante a sua cultura (ou 
criação, quando se trata de produtos de origem animal), manipulações para a sua 
transformação que recorrem a conservantes, corantes, emulsionantes, etc. 
112 
O consumidor, no final desta cadeia, compra, prepara e consome alimentos desnaturados. A 
nossa vitalidade e a nossa saúde sofrem as consequências, e perdemos a capacidade de fazer 
face às inúmeras agressões exteriores. 
 
As doenças de civilização cardiovasculares, cancros, diabetes, reumatismos, alergias, etc., 
proliferam (consequência de uma mistura judiciosa de stress, de condições de vida trepidantes 
e, para cúmulo, de uma alimentação inadequada, rica em gorduras animais e em colesterol ... 
). 
 
Conselhos para melhorar a sua alimentação 
 
Escolha bem os seus produtos 
 
É preferível escolher, se possível, produtos provenientes de agricultura biológica. Existem 
etiquetas que garantem a origem, por exemplo, a 
Ecocert, e que diminuem parcialmente os riscos. Como alternativa existem em muitos 
mercados pequenos agricultores que vendem directamente 
a sua produção aos consumidores e que utilizam geralmente muito menos 
produtos químicos, ou só os utilizam em caso de necessidade. 
 
Quando? Como? O que comer? 
 
O professor Bilz tinha este tipo de discurso: 
 
Quando deve comer? Quando sentir necessidade; o melhor é comer 
3 vezes por dia e nunca comer nem de mais nem à noite. 
 
Como deve o homem comer? Deve mastigar bem e durante um período o mais longo possível 
todos os alimentos. Por duas razões. A primeira, porque a saliva, tão importante no acto da 
digestão, mistura-se convenientemente aos alimentos e facilita o trabalho do estômago. Mas 
para conduzir até ao estômago alimentos bemtriturados e muito bem desfeitos é necessário ter 
bons dentes. Se quiser ter dentes sãos, lave-os várias vezes 
ao dia. Não tome bebidas nem alimentos demasiado quentes ou frios pois estes estragam os 
dentes e prejudicam a sua conservação. 
 
O que devemos comer? O homem deve comer alimentos fáceis de digerir, em particular: 
113 
- Frutos e legumes que a terra produz e que o sol faz amadurecer. -Cereais integrais: o trigo, 
com o qual se fabrica um pão de farinha 
grossa e que é tão alimentício e saboroso. É bom para a saúde porque o seu conteúdo tem 
glúten, situado no invólucro do grão. O pão também contém fósforo, magnésio e inúmeros 
minerais, indispensáveis ao bom equilíbrio corporal. Pela primeira vez, há cerca de 7000 anos, 
os homens colheram gramíneas selvagens e cultivaram-nas. 
 
Todos os cereais estão inscritos nas grandes civilizações e marcaram 
a consciência dos povos e a história da humanidade. Eles estão na base de tradições filosóficas 
e religiosas. O arroz, o trigo, a cevada, o milho painço, o trigo sarraceno, o centeio e o mais 
(em função das épocas e das 
regiões) participam na elaboração da estrutura do corpo e das células e têm uma influência 
directa nos comportamentos humanos. A sua cultura 
contribuiu para sedentarizar os nossos antepassados nómadas, transformando-os em 
cultivadores. 
 
A classificação dos alimentos de Shelton 
 
Para Shelton, as perturbações que se verificam no nosso estado de saúde decorrem de um 
desconhecimento da higiene alimentar, da sobrealimentação e de combinações erradas de 
alimentos. Shelton estabeleceu regras para as combinações alimentares. A sua observação dos 
animais selvagens permitiu-lhe constatar que estes comem sobriamente e não misturam 
variedades diferentes de alimentos no decurso de uma mesma refeição. Assim a sua 
classificação dos alimentos é a seguinte: 
 
* proteínas 
* xaropes, hidratos de carbono e outros açúcares 
* farináceos 
* frutos doces 
* gorduras 
* frutos ácidos 
* frutos semiácidos 
* legumes verdes 
* e, numa categoria à parte, os melões, já que estes não podem ser 
misturados com outros frutos nem com qualquer outro tipo de alimento. 
114 
 
Os dez mandamentos de Geffroy 
 
Geffroy, fundador da revista Vie Claire, preconizou as seguintes regras de alimentação: 
 
1. Evitar a sobrealimentação, devendo as restrições alimentares aplicar-se sobretudo à carne e 
aos subprodutos animais e, obviamente, ao álcool e ao tabaco. 
2. Evitar o hipertiroidismo e as radiações ionizantes, as temperaturas 
ambientes elevadas (o sobreaquecimento dos apartamentos). 
3. Exigir a não eliminação do germe e da base proteica do trigo na 
preparação das farinhas e a proibição do mazute para a sua cozedura. 
4. A proibição de utilizar, na indústria alimentar, aromatizantes, 
emulsionantes e outros produtos que ele desconfiava serem cancerígenos. 
5. A proibição da comercialização de óleos refinados, de gorduras 
hidrogenadas e de carne de animais alimentados com produtos adicionados de antibióticos. 
6. O regresso a processos razoáveis de cultura de frutos, de legumes 
e de cereais, de modo a não perturbar a sua composição aumentando o teor em produtos 
químicos, nitratos e potássio. 
7. Proibição de obrigar seres humanos a trabalharem em condições 
insalubres, sem luz e num ambiente viciado, de modo a que, por magia, desapareçam muitas 
patologias. 
8. Estimular a expressão activa da consciência e o desenvolvimento de 
faculdades tais como a memória e a intuição, que permitem ao 
homem ultrapassar a sua mediocridade. Quanto à vontade, esta desenvolve-se por meio de 
exercícios físicos, tal como os músculos. É simples, basta para tal, perante uma alternativa 
possível, fazer algo que tem de ser feito, ou não o fazer porque é cansativo. Qualquer acção 
que necessite de esforço deve ser privilegiada. Pretender escolher o caminho da boa saúde 
exige um esforço de vontade. 
9. Necessidade de optimismo e de auto-sugestão; reconhecer a influência que pode ter o 
pensamento sobre o corpo e vice-versa. 
10. Agir também sobre certas causas independentes da nossa vontade: 
as causas psicológicas, de origem psicossomática, tais como a angús- 
115 
tia, os medos, o stress e os desgostos, que geram reacções próprias a cada indivíduo e que têm 
por vezes origens ambientais. 
 
O crudivorismo 
 
O crudivirismo preconiza a exclusão da nossa alimentação de qualquer tipo de cozedura e a 
ingestão de alimentos no estado em que a natureza os produz. O instinto alimentar deve ser 
redescoberto, já que os nossos gostos e apetências foram pervertidos pela transformação dos 
alimentos e dos nossos métodos culinários. 
 
O exemplo de um animal doméstico que sempre comeu carne crua, e a quem se dá a provar 
carne cozinhada, e a come e pede mais é uma boa ilustração deste facto. Já se observava este 
fenómeno em volta dos acampamentos onde os alimentos eram cozidos e onde os animais 
selvagens, atraídos pelo cheiro, comiam os restos deixados pelos homens. Um outro fenómeno 
relacionado com este é o facto de este tipo de hábito criar dependências e, por conseguinte, se 
espalhar facilmente. É assim que trocamos de moradas de restaurantes ou de receitas 
culinárias. 
 
Para os adeptos do crudivorismo, só os alimentos produzidos naturalmente no nosso ambiente 
devem fazer parte das nossas ementas. 
 
Fomos geneticamente “programados” para os consumirmos assim mesmo, já que estamos 
fisiologicamente próximos dos nossos primos, os 
macacos, tendo em comum com eles 99% do nosso material genético. Entre o chimpanzé e o 
homem existem grandes semelhanças genéticas. Estas semelhanças deveriam inspirar-nos 
sobre o nosso tipo de alimentação. 
 
Este método preconiza uma alimentação que terá sido a do homem na sua origem. Alguns 
chamam-lhe alimentação paleolítica, pois exclui qualquer tipo de cozedura ou de 
transformação, qualquer adição de sal, de pimenta ou de açúcar (mas permanece contudo uma 
hipótese de escola). As alterações que decorrem da cozedura predispõem-nos ao consumo de 
alimentos cada vez mais modificados, como é o caso, por exemplo, do açúcar, do café e dos 
excitantes, o que contribui para o nosso desequilíbrio orgânico. 
116 
Para o Dr. Devernois de Bonnefon, o carácter recente das transformações que aplicamos aos 
nossos alimentos, graças à industrialização da agricultura e às diversas mutações ligadas à 
conservação e à preparação da nossa alimentação, têm por consequência o facto de o nosso 
organismo não conseguir adaptar-se a estas novas formas e técnicas alimentares. Deveríamos, 
por isso, questionar estas transformações, bem como as diversas misturas que fazemos no 
decurso de uma mesma refeição. 
 
As fibras cruas agem de uma forma específica sobre a flora intestinal e influenciam os 
microrganismos que a compõem. Elas estimulam a função das bactérias úteis e facilitam a 
eliminação das bactérias patogénicas. 
 
A acção enzimática da alimentação crua é importante: ela é viva e 
facilita a digestão e a boa assimilação dos princípios nutritivos. Daí a 
necessidade de uma alimentação em que o cru entre numa proporção importante, para nos 
protegermos contra as doenças degenerativas. A cozedura destrói as enzimas e priva o 
organismo destes preciosos aliados. 
 
A clorofila é um pigmento essencial, cuja função é a fotossíntese, e 
encontra-se em quantidades suficientes nos legumes verdes. Quando estes alimentos são 
ingeridos crus, têm poderes protectores espantosos sobre o nosso organismo. 
 
Os grãos germinados 
 
Constituem uma outra forma de consumir os cereais e as leguminosas. Muitos grãos prestam-
se admiravelmente, com efeito, a esta simples operação: basta colocar os grãos num prato ou 
num recipiente e cobri-los de água. Depois devem ser enxaguados, e deve mudar-se-lhes a 
água todos os dias. Ao fim de 2 a 3 dias os grãos começam a germinar e podem ser 
consumidos misturados em saladas. 
 
O príncipe Sadruddin Aga Khan lembra o seguinte: 
 
1’Para nos livrarmos dos hábitos alimentares suicidas das sociedades industriais e paragarantir 
aos habitantes do Terceiro Mundo uma quantidade de alimentos suficiente, trata-se de 
aprender a 
utilizar as tecnologias primárias que livram os primeiros da doença 
dos da fome. “ 
117 
 
Os grãos germinados têm um poder energético extraordinário. Constituem um alimento por si 
só e são ricos em vitaminas, enzimas e oligoelementos assimiláveis. Têm uma importância 
fundamental em todos os casos de carência e, além disso, não têm quaisquer contra-
indicações. 
 
Todos os grãos são excelentes: o trigo, a aveia, o centeio, o arroz, a cevada, o milho painço, 
bem como as leguminosas: grão-de-bico, lentilhas, feijões de todas as espécies, soja, etc. 
 
O pão na história 
 
A evolução do consumo do pão na história é interessante já que ela 
marca a diminuição progressiva do número de cereais utilizados pelo homem. Como alimento 
fabricado, é relativamente recente na história alimentar da humanidade e foi colocado em lugar 
de honra pelos ricos. Anteriormente consumiam-se essencialmente bolachas e papas. 
 
Rivalidade entre os cereais segundo as épocas 
 
- Para a Roma antiga o pão era um produto novo. Preferiam-lhe o trigo 
moído confeccionado em papas. -Na Antiguidade o pão de trigo fermentado era o mais 
utilizado. Não boiava à superfície da água e afundava-se, o que nos dá uma ideia da sua 
densidade. 
- Os Gregos, habituados ao pão de trigo, consideravam que o pão 
negro de centeio dos Macedónios e dos Trácios era detestável. 
- Os Romanos consideravam o centeio uma planta daninha. Só gostavam do pão de cevada. 
 
Durante muito tempo o pão foi considerado como um produto raro e 
caro, que era necessário consumir com moderação e parcimónia. Nas regiões alpinas coziam-no 
raramente por falta de lenha, e era conservado com um cuidado muito especial. Encontraram-
se pães conservados durante vários anos. 
 
- Mais perto de nós, os Anglo-saxões e os Latinos têm uma preferência 
acentuada pelo pão branco. -Os Alemães e os Eslavos preferem o pão negro. 
118 
Também se confeccionou pão de milho painço, aveia e bolota e até mesmo de leguminosas 
(sobretudo lentilhas). E foi por causa da noção de luxo associada ao pão de trigo que se 
expandiu o pão de batata. 
 
Crenças e doenças 
 
Para certos povos o pão era considerado um alimento “extraordinário”, uma dádiva dos céus. 
Basta verificar a importância que ele ocupa nos 
mitos, nos contos e nas crenças populares. O pão era utilizado para acalmar a fome e, em 
razão dos seus poderes benéficos, para combater as más influências graças às suas 
propriedades curativas. Os bolos que se confeccionam em memória do pão milagroso de Santo 
Emiliano, bem como os 
que se oferecem a Santa Agata no dia 5 de Fevereiro, constituem um bom exemplo deste 
fenómeno. 
 
Um ditado popular afirma que “aquele que deixar cair pão ao chão e por cima lhe passar saberá 
um dia o que é ter fome “. 
 
O poder estatal descobriu também a importância do pão, que é mencionado no Capitulário de 
Francoforte de 794, em documentos emanados de Carlos Magno: este imperador pretendia 
fixar um preço máximo para os cereais, independentemente da importância da colheita. 
 
As virtudes do pão 
 
Panificação e simbólica 
 
Segundo o historiador Henirich Edouard Jacob, a origem da primeira panificação situa-se a 
cerca de 4000 anos antes da nossa era. Foi o principal alimento dos povos da região do Nilo, e 
pensa-se que os primeiros trigos cultivados provinham da Abissínia. Mas é provavelmente do 
Egipto antigo que aprendemos a arte da panificação. 
 
A simbólica do pão reveste-se de um carácter muito particular. A segurança alimentar que 
oferecia a cultura do trigo foi o ponto de partida da evolução das técnicas e das ciências. Tem 
uma Influência importante na construção do pensamento abstracto. As antigas tradições 
sempre tiveram uma atitude de respeito para com os seus cereais. 
119 
 
Pão integral e pão branco.. Uma explicação necessária 
 
A operação de moagem pulveriza simultaneamente o farelo e o endosperma para fazer uma 
farinha integral. Desde há séculos que a farinha é peneirada de modo a fornecer farinhas cada 
vez mais brancas. Porque a imagem da brancura imaculada é imposta ao público como garantia 
de pureza e de boa saúde! 
 
Todavia tudo milita em favor do pão integral, na condição de este ser 
confeccionado com farinha biológica. Porque o pão integral cuja farinha provém de cultura 
industrial é mais perigoso do que benéfico, já que o 
farelo concentra os resíduos químicos utilizados na agricultura. 
 
O pão integral natural é mais rico em sais minerais e biocatalisadores. A celulose é um 
activador hepático. Graças à sua acção laxante, é um anti-séptico das vias biliares e intestinais. 
Além disso, a ingestão de farelo favorece a eliminação do colesterol e dos sais biliares e reduz 
as litíases, daí a sua importância na prevenção dos cálculos. 
 
O farelo facilita a digestão e combate a prisão de ventre 
 
De um ponto de vista alimentar é nitidamente preferível às outras fibras que se encontram nos 
vegetais. Estes contêm todos celulose em 
várias quantidades, mas o farelo tem um poder higroscópico várias vezes superior ao dos 
legumes. 
 
O professor Bernier considera que 20 g de farelo por dia são suficientes para tratar a prisão de 
ventre causada por inércia do cólon (a mais 
vulgar). Henri Charles Geffroy, fundador da revista Vie Claire, constata que a prisão de ventre, 
mesmo a mais rebelde, desaparece geralmente em 
alguns dias quando as pessoas que dela sofrem substituem o pão branco por pão integral. 
Realça também que este tem uma acção salutar sobre as 
perturbações digestivas, a obesidade, a hemoglíase e os problemas cardiovasculares 
decorrentes de uma má assimilação do glúten e do amido. 
 
Mas actualmente só os pães integrais confeccionados com farinhas biológicas respeitam estes 
critérios de qualidade. 
120 
 
As especiarias: devem ser consumidas com moderação 
 
Estas são, geralmente, muito controversas para todos os adeptos de uma alimentação 
saudável, pelo menos nas nossas regiões. Aconselham que sejam utilizadas com moderação. 
 
É também o caso do sal, cujo consumo não deve ser exagerado. 
 
O açúcar 
 
O açúcar na história 
 
O consumo de açúcar é um fenómeno relativamente recente. Os Gregos nem sequer tinham 
uma palavra para designar a caria-de-açúcar. Nearco, almirante ao serviço de Alexandre, o 
Grande, chamava-lhe o mel sem abelhas. 
 
600 anos antes da nossa era, os Persas descobriram uma técnica de refinação e de cristalização 
do suco da cana-de-açúcar, que, ao solidificar, não fermentava. 
 
O exército muçulmano foi o primeiro a constatar os malefícios do açúcar. Os oficiais do sultão 
falam do pouco entusiasmo para a guerra que demonstravam os soldados consumidores de 
açúcar, da sua falta de combatividade, de resistência física e de coragem. 
 
No século xvi, Léonard Rauwolf, botânico e viajante, descreve o 
fenómeno da dependência das guloseimas. 
 
Não se deixem tentar pela “açucarmania” 
 
A hipoglicemia (queda brusca da taxa de glicose no sangue), que se 
manifesta por múltiplas perturbações, é, para certos neuropsiquiatras, uma 
das causas principais das doenças mentais (psicose, paranóia, esquizofrenia) e tem a sua 
origem nas transformações efectuadas nos nossos hábitos alimentares. Para o Dr. Van Meer, 
investigador, a correlação entre o aparecimento da poliomielite e o consumo de açúcar não 
deixa quaisquer dúvidas. 
 
Combater o açúcar não é, contudo, uma coisa fácil. Este simboliza efectivamente, aos olhos do 
público, a doçura e a facilidade. Questionar 
121 
esta imagem, ou simplesmente lançar a dúvida e sugerir que o açúcar pode estar associado ao 
aparecimento de doenças, é insustentável. Como negar tantas ideias adquiridas e conseguir 
que as pessoas aceitem que quando dão uma guloseima ou açúcar às crianças estão a prepará-
las para que elas se tornem no futuro “açúcar-dependentes” e que isto constitui uma porta 
aberta para muitos problemas de saúde? 
 
Como todas as dependências, a “mania do açúcar” éuma droga difícil de abandonar. Ela 
predispõe e favorece outras dependências: do chocolate, do café, do chá, do tabaco (e, para 
algumas pessoas, predispõe à toxicomania). 
 
Nas crianças pequenas podemos constatar por vezes uma hipoglicemia funcional que faz com 
que não sejam capazes de assimilar o açúcar e o rejeitem. 
 
Para os médicos tradicionalistas orientais, o açúcar, sendo “Yin”, favorece as doenças “Yin”, ou 
seja, os cancros, as doenças cardiovasculares 
e as doenças mentais. Inúmeros investigadores ocidentais consideram também que o açúcar é 
o alimento privilegiado da célula cancerosa. 
 
Para o Dr. Tintera, existe apenas um único tipo de alergia: a alteração das glândulas supra-
renais pelo açúcar. O Dr. Tintera emite a hipótese de que o recrudescimento (apesar da 
vacinação sistemática) da tuberculose está ligada ao consumo de açúcar, que favorece o 
desenvolvimento das bactérias patogéneas. 
 
Finalmente, constata-se que o diabetes está em constante progressão: quanto mais os países 
consomem açúcar, mais os cidadãos desses países sofrem desta doença. Quanto à mortalidade 
em razão dos seus efeitos, esta aumenta nos países onde aumenta o consumo de açúcar. 
 
Dezoito consellios para lutar contra a hipoglicemia 
 
O Relatório da “United States Dietary Goals” (Metas dietéticas dos Estados Unidos) propõe o 
regime seguinte: 
 
-aumente os hidratos de carbono naturais; 
diminua as gorduras saturadas; 
- suprima os açúcares rápidos (ou reduza-os acentuadamente); -restrinja o uso do sal; -use e 
abuse de frutos e de legumes frescos, bem como de cereais 
integrais; 
122 
-evite a carne, diminua o consumo de manteiga e de leite (e, ainda, 
dos subprodutos lácteos, queijos, pastelaria, etc.); -abstenha-se de tomar café; -evite os 
excessos alimentares, não coma demais; 
- não coma quando se sentir contrariado, depois de uma emoção violenta, medos, desgostos... 
-evite comer pratos demasiado quentes ou gelados; -evite as cozeduras em fornos de 
microndas; -evite os grelhadores e os barbecues; 
- não coma quando não tiver vontade. É preferível saltar uma ou duas 
refeições a forçar-se (ou forçar uma criança) a comer; 
- não coma alimentos refinados continuamente (pão branco, açúcar, 
congelados, batatas fritas, conservas, produtos de charcutaria, enchidos, carnes frias, pratos 
cozinhados, manteigas cozinhadas, gorduras animais, pastelaria e, de uma maneira geral, 
todas as preparações alimentares pré-cozinhadas); 
- suprima as bebidas açucaradas: sodas, schweppes, coca-cola; 
- consuma com bom senso vinho, cerveja, álcool, café, chá; 
- evite consumir diversos tipos de alimentos numa mesma refeição; 
- de uma maneira geral, evite os aditivos, os produtos de síntese, os 
adoçantes, os aromatizantes e os conservantes. 
 
A título indicativo, apresentamos uma lista de alguns produtos que ingerimos com os nossos 
alimentos 
 
Os pesticidas vão parar ao seu prato 
 
O rendimento das colheitas duplicou desde a última guerra. Para que isto pudesse acontecer foi 
necessário utilizar dez vezes mais pesticidas. Os insectos e as ervas daninhas que estes 
produtos supostamente combatem tornam-se cada vez mais resistentes e adaptam-se de modo 
a lutar contra os pesticidas utilizados para a sua destruição. Por conseguinte é necessário 
utilizá-los em quantidades cada vez maiores e descobrir novos 
sem cessar. 
 
Entre os produtos utilizados encontram-se, nos insecticidas, organocloretos (das quais faz parte 
o célebre DDT), organofosfatos; nos herbicidas, fenoxil, dinitrofenol, ete.; nos fungicidas, 
guanidina, cicio-hexano, 
123 
carbamatos, etc. Alguns destes produtos, como, por exemplo, o DDT, foram proibidos na 
maioria dos países industrializados, mas continuam a ser vendidos nos países 
subdesenvolvidos. É por isso que certos produtos alimentares comprados nesses países e 
cultivados com a ajuda desses pesticidas aparecem, graças às importações, no cabaz das 
compras da dona de casa do Ocidente. 
 
Inúmeros estudos demonstraram que alguns destes produtos podiam ter efeitos na saúde dos 
indivíduos e ser genotóxicos, apesar de serem, em 
geral, rapidamente metabolizados. Trata-se, em particular, dos organocloretos que 
permanecem mais tempo nos tecidos. A toxicidade destes produtos revela-se frequentemente 
quando se encontram associados a outros, tais como a certas substâncias farmacêuticas. 
 
Os pesticidas atacam o esperma 
 
Devemos também lembrar que a utilização de pesticidas na agricultura é um dos factores que 
contribuíram para fazer baixar de forma notável a taxa de fertilidade do esperma masculino. 
Estudos escandinavos e belgas concluem a existência de uma redução de 30% na 
espermatogénese, fenómeno que se verificou nos últimos trinta anos. Para Ralph Doughtery, da 
Universidade da Florida, a densidade do esperma passou de 90 milhões de espermatozóides 
para 60 milhões. Quem é responsável: os bifenilos policloretos (BPC). Todas as amostras de 
esperma examinadas continham resíduos de pesticidas. 
 
O tratamento dos animais degrada a carne que consumimos 
 
No que diz respeito aos produtos de origem animal, o processo é idêntico. O animal é, primeiro, 
alimentado e engordado com ingredientes que contêm os produtos atrás referidos, e, além 
disso, para o proteger contra as doenças infecciosas, a sua alimentação é submetida a 
tratamentos preventivos. Todos estes comportam doses notáveis de antibióticos incorporados 
nos alimentos. Para além de combaterem as doenças infecciosas, estimulam o crescimento dos 
animais. A penicilina, a tetraciclina e a estreptomicina são utilizadas com nitrofuranos 
(sulfamidas). A tal ponto que existem criadores que se recusam a consumir os seus próprios 
animais e produzem outros animais reservados ao seu consumo pessoal. 
 
Não obstante a maioria destas substâncias serem eliminadas nos excrementos ou se 
degradarem no organismo, algumas podem fixar-se nos 
124 
tecidos do animal e causar, nos humanos sensíveis problemas de intolerância ou alergias. Além 
do mais suspeita-se que sejam cancerígenas. 
 
O QUE DEVEMOS BEBER? 
 
A água, esse elemento mal conhecido que nos sacia a sede desde os tempos mais remotos 
 
-O adulto, o adolescente e a criança devem saciar a sua sede com uma bebida: a áGUA. “ 
 
Era assim que começava um dos discursos pronunciados pelo prof Bilz. 
 
A água representa mais de 70% da superfície terrestre. É o principal componente do nosso 
corpo. A sua origem na terra remonta ao período pré-câmbrico (há 4 mil milhões de anos). É 
um elemento extraordinário, presente a todos os instantes da nossa vida e, contudo, tão mal 
conhecido. 
 
A água tem a faculdade extraordinária de se regenerar e recielar. Bebemos actualmente a 
mesma água que os primeiros seres vivos do nosso planeta bebiam. 
 
No nosso organismo ela está presente de duas maneiras: a água associada e integrada nas 
nossas células, e a água livre que circula na linfa e no sangue e assegura desta forma a 
nutrição e a eliminação dos detritos. 
 
Para o Dr. Eng. J. Giralt Gonzales, os aspectos das propriedades dinâmicas da água são 
desconhecidos, e ela não constitui apenas uma simples combinação de átomos de oxigénio e de 
hidrogénio, contendo outras substâncias em dissolução. 
 
A água é indispensável à vida 
 
Reduzir a água a propriedades químicas e físicas tem um significado muito limitado. A realidade 
é mais complexa e ultrapassa largamente todas as hipóteses actualmente emitidas. Ela é 
indispensável à vida e tem 
uma função de intermediário entre o meio ambiente e os seres vivos. 
125 
A água, no nosso organismo, participa no equilíbrio geral e é um dos factores essenciais na 
optimização das nossas defesas imunitárias. Se ela contiver elementos indesejáveis, estas 
ficam diminuídas e perturbadas. 
 
A água participa em todas as trocas corporais e é a base de todas as reacções físico-químicas. 
Serve como veículo para transmitir os elementos necessários à reconstituição do nosso corpo e 
à eliminação dos detritos. É o motor dos nossos intercâmbios extra e intracelulares.O culto da água em todas as grandes tradições 
 
Em todas as grandes tradições, a água é certamente o símbolo regenerador, mas também 
purificador, por excelência. Ela liberta o corpo e alma das suas impurezas. É indispensável e 
antecede todas as cerimónias tradicionais. Na Bíblia, este elemento está presente de forma 
quase permanente. No Deuteronómio 11:13-17, pode ler-se este trecho perfeitamente 
significativo: 
 
“Se obedecerdes às leis que hoje vos imponho amando o Senhor 
vosso Deus, servindo-O com todo o vosso coração e com toda a vossa alma, o Senhor 
derramará sobre a vossa terra a chuva no seu tempo, chuva de primavera e chuva de fim de 
outono, e farás a 
colheita do teu trigo, do teu vinho e do teu azeite. Fará crescer a erva no teu campo para o teu 
gado, e viverás na abundância. Cuidai para que o vosso coração não ceda à sedução e sejais 
infiéis a ponto de servir outros deuses e de lhes prestardes culto. A cólera do Senhor inflamar-
se-ia contra vós e Ele fecharia os céus: a chuva deixaria de cair, a terra recusar-vos-ia o seu 
fruto e vós desapareceríeis rapidamente da boa terra que o Senhor vos destina.1 
 
Desconfiem das águas minerais 
 
A alteração dos nossos hábitos relativamente ao consumo de água nos 
últimos vinte anos, derivada em parte da poluição das nossas camadas friáticas, fez com que o 
consumidor se tenha virado para as águas ditas 
126 
“minerais”. É importante realçar que se trata de águas medicinais que têm frequentemente 
virtudes específicas. 
 
Estas águas são muitas vezes fortemente mineralizadas e desaconselhamos vivamente o seu 
consumo sistemático. É aliás provavelmente por este motivo que cada vez existem mais 
pessoas com problemas de cálculos. 
 
Contudo, se desejarem beber uma água pouco mineralizada, existe um 
método: consiste em adaptar um aparelho de osmose inversa na torneira de água. Este tipo de 
aparelho tem a particularidade de libertar a água dos seus minerais, do calcário, dos pesticidas, 
dos microrganismos, etc. 
 
ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA E DIETA 
 
As refeições “fortificantes” não vos curarão 
 
A digestão exige que o organismo mobilize as suas forças. Este trabalho, sendo fácil para um 
corpo em bom estado de saúde, torna-se difícil para pessoas doentes, cansadas, perturbadas 
ou simplesmente contrariadas. Contrariamente ao que se pensa habitualmente, não se ajudam 
os 
doentes dando-lhes alimentos ditos “fortificantes”. Estes só fazem, na 
melhor das hipóteses, atrasar a cura e, na pior, acentuar as afecções e 
provocar recaídas. 
 
Um organismo que precisa de se defender mobiliza as suas forças contra a doença, por 
conseguinte restam-lhe poucas ou nenhumas para dedicar à digestão. Um doente que pretenda 
encontrar o caminho da saúde deve saber que não é através de excessos alimentares que 
encontrará um 
remédio para os seus males. 
 
Para Bilz: 
 
“Restringirmo-nos ou privarmo-nos de alimentos produz no nosso 
corpo as mais sólidas curas. “ 
127 
 
Alimentação alternativa de tendência vegetariana: redescubram o sentido de bem comer 
 
Muitas doenças, como já vimos, têm por origem erros alimentares. Estes erros estão 
entranhados em nós e foram frequentemente transmitidos de geração em geração, a ponto de 
se tornarem imperceptíveis e de já não os considerarmos como tal. 
 
Os legumes, os cereais, as leguminosas, as batatas, os frutos e as bagas devem ter uma parte 
importante na nossa alimentação. Se actualmente os 
vegetais não chegam para alimentar completamente os homens, é provável que antes de 
existir a agricultura compusessem o essencial da alimentação dos primeiros homens. 
 
O cansaço é o resultado de a nossa alimentação ser demasiado forte, mal mastigada, 
demasiado rica e abundante e não conter suficientes frutos frescos, que deveríamos consumir 
diariamente. 
 
Recentemente a medicina começou a relacionar os alimentos industriais com as doenças e 
perturbações que estes podem favorecer (pão branco e prisão de ventre; gorduras animais e 
colesterol, doenças cardiovasculares; açúcares e obesidade, diabetes; aditivos químicos e 
cancros e alergias, etc.). 
 
O JEJUM PARA DESINTOXICAR 
 
Tal como dissemos anteriormente, para fazer um jejum prolongado é preferível consultar um 
médico especialista ou um terapeuta nutricionista e seguir o tratamento sob a sua vigilância. 
 
Em contrapartida, o que toda a gente pode e deve é fazer jejuns de 24 a 36 horas. Estão ao 
alcance de todos, são benéficos e não têm qualquer perigo. Além do mais, como o período de 
dieta é muito curto, a realimentação não levanta qualquer problema. 
 
O hábito que é necessário vencer é a fome psicológica (que não tem nada a ver com a fome 
real), esse pequeno buraco no estômago que sentimos nas horas habituais das refeições. Tal 
sensação não dura muito, o que verificamos facilmente quando temos alguma obrigação ou 
trabalho que nos faz esquecer esse momento. 
128 
Para começar faça uma cura de frutos 
 
As pessoas que nunca jejuaram devem, de preferência, começar por uma cura de fruta. 
 
* Na véspera à noite coma uma refeição leve. 
* No dia seguinte de manhã coma fruta fresca, toranjas, laranjas ou 
maçãs. 
* Ao almoço varie a fruta se puder: peras, melão, fruta da época, etc. 
 
Cerca das 16.00 pode voltar a comer uma ou duas peças de fruta. Esta dieta é acompanhada 
de água fresca, à discrição, ou de infusões. À noite coma muito pouco. 
 
Este género de dieta pode praticar-se um dia por semana e, até, mais vezes, podendo ser 
eventualmente adaptada. É excelente e permite desintoxicar o organismo. É, em especial, 
recomendada após abusos alimentares (refeição copiosa, abuso de bebidas alcoólicas, etc.). 
 
Em seguida, jejue durante 24 a 36 horas 
 
Os benefícios do jejum são inúmeros e recomendáveis para todas as 
afecções. As únicas contra-indicações, para certos especialistas, são a 
diabetes e a tuberculose. 
 
As pessoas obesas podem jejuar, tal como as pessoas magras; e os jovens, tal como as 
pessoas idosas. 
 
Proceda da seguinte maneira: 
* Na véspera à noite coma uma refeição ligeira. No dia seguinte beba 
apenas água. Se por qualquer razão o jejum se tornar desagradável (o que significa que a 
desintoxicação se está a efectuar), interrompa-o com uma refeição de fruta fresca e recomece 
2 ou 3 dias depois. Na maioria dos casos, para jejuns de 24 a 36 horas, pode continuar a ter as 
suas ocupações habituais. 
* Para um jejum de 24 horas, alimente-se ligeiramente à noite, o que 
na realidade consiste apenas em “saltar o pequeno-almoço e o almoço,,. 
129 
Pode terminar este jejum com uma infusão de tomilho, de alecrim ou de outra planta qualquer. 
 
Depois de várias experiências o jejum torna-se tão simples, fácil e 
benéfico que certamente conseguirá converter muitos adeptos. 
 
* As pessoas com prisão de ventre crónica podem sentir, eventualmente, um certo mal-estar, 
mas sem qualquer gravidade: dores de cabeça, náuseas, etc. Para o evitar basta tomar na 
véspera uma compota de ameixas cozidas, à qual pode acrescentar 2 colheradas de farelo, e de 
manhã, fazer uma lavagem intestinal com água morna com um pouco de sal (ver também o 
tratamento natural contra a prisão de ventre). 
* Para jejuar durante 36 horas, proceda da mesma maneira e só volte 
a alimentar-se dois dias depois, à hora do almoço, mas faça apenas uma refeição ligeira (ou de 
fruta fresca). 
* Além de 36 horas é preferível jejuar sob a vigilância de um terapeuta 
competente. 
 
CONSELHOS PARA VIVER MELHOR E MAIS TEMPO 
 
DUAS REGRAS ESSENCIAIS PARA UMA BOA SAúDE 
 
1.’ regra: Vigie a sua saúde 
 
“Não se deve começar a pensar no corpo quando este está em 
sofrimento, mas, pelo contrário, começar a preocupar-se quando ele está saudável. Com efeito, 
é sempre mais simples evitar uma 
doença, por grave que seja, do que curar uma simples constipação. 
 
Bilz 
 
Encontra-se este princípio, tal como outros conselhos de temperança, em todos os grandes 
médicos da Antiguidade. 
130 
Quanto mais se vigia a saúde, tomando medidas de prevenção adequadas, menos se terá de 
intervirpara combater a doença. Mas, mesmo que esta apareça, o doente terá a capacidade de 
a enfrentar sozinho. 
2.’ regra: Procure um ambiente de qualidade e respire a plenos pulmões 
 
Já vimos, no capítulo que lhe foi dedicado, qual é o papel de uma 
alimentação saudável e restrita. Os problemas gerados pelo nosso mundo industrial aumentam 
constantemente e são responsáveis por novas 
patologias. A qualidade do nosso ambiente, mesmo escapando ao nosso 
poder de decisão, tem, por conseguinte, uma importância capital. Por este motivo deve-se 
absolutamente, tanto quanto possível, viver num ambiente saudável. 
 
Cinco conselhos para viver de uma forma saudável 
 
A respiração é a nossa necessidade primordial. A vida começa com a respiração e acaba com 
ela. A cada inspiração ingerimos ar, e a sua 
composição intervém directamente na totalidade do nosso metabolismo e do funcionamento do 
nosso corpo. O ar é a nossa necessidade primordial e, juntamente com a água, é totalmente 
indispensável. Podemos jejuar, privarmo-nos de certos alimentos na nossa alimentação, mas é 
impossível vivermos mais do que alguns minutos sem respirar, É por isso que, se 
seguir os conselhos que damos adiante, terá uma boa saúde. 
 
- Evite, se possível, viver nos grandes centros urbanos. As cidades médias ou as aldeias são 
sempre, no que diz respeito à qualidade do ar, preferíveis às megalópoles. 
 
- Viva num ambiente agradável. 
- Evite os materiais tóxicos. Inúmeros materiais intervêm no nosso ambiente próximo e podem 
ter repercussões sobre a nossa saúde. O escândalo recente do amianto é a prova disto. Existe 
actualmente a possibilidade de viver num ambiente aceitável. Encontram-se, hoje em dia, 
tintas e tratamentos não tóxicos à disposição do público, para a construção ou recuperação de 
casas. Para o chão é preferível utilizar a madeira, a tijoleira ou revestimentos naturais tais 
como as alcatifas de lã. 
131 
-Prefira as fibras naturais. As fibras naturais são, de longe, superiores aos tecidos artificiais que 
perturbam os campos magnéticos do corpo. Evite, se possível, roupas à base de tecidos 
sintéticos e prefira o algodão, a lã e a seda. 
 
- Evite usar constantemente sapatos isolantes (com solas de borracha, material sintético, etc.). 
 
O ENDURECIMENTO: 
 
SETE MANEIRAS DE VENCER A DOENÇA 
 
Segundo o professor Bilz e para o padre Kneipp, é indispensável tornar o corpo mais resistente, 
de modo a que este esteja apto a fazer face às 
variações climatéricas e seja capaz de enfrentar e de vencer a doença. Os seus conselhos 
continuam válidos: 
 
-Faça fricções diariamente com loções frias ou frescas em todo o 
corpo, durante um período prolongado. Se no início não suportar a 
água fria, habitue-se progressivamente, começando com água morna. 
 
-Não hesite em tomar banho na banheira: estes banhos tomam-se 
a uma temperatura de 25 a 30’ centígrados e duram entre 5 e 10 minutos. São imediatamente 
seguidos de duches frios com uma 
duração de 2 a 3 minutos, terminando com uma vigorosa fricção. -Aproveite os banhos de 
Verão, de mar ou de rio. 
- Ande descalço: o andar deve ser confortável e pode durar de alguns 
instantes a várias horas. Deve certificar-se de que os seus pés estão quentes. Ande no jardim 
ou na tijoleira. Uma das particularidades deste exercício é permitir ao corpo libertar-se da 
electricidade estática. 
- _na erva húmida: esta marcha é particularmente vivificante. É 
recomendada depois da chuva e também quando aparece o orvalho matinal. A sua duração é 
variável, pode durar de alguns instantes a 
30 minutos. -...Sobre as pedras húmidas. -... e na água, à beira do mar e dos rios. A água deve 
chegar até às canelas (quanto mais fresca for, mais benéfica será). Na falta de mar ou de rio, 
pode fazê-lo em casa, dentro da banheira. 
132 
PROCURE NOS EXERCíCIOS FíSICOS A DESCONTRACÇÃO E A EXPRESSÃO CORPORAL 
 
O exercício físico é indispensável ao bom funcionamento do nosso corpo. Este deve sempre 
adaptar-se à idade, ao físico e à personalidade de cada um. 
 
Caminhe ao ritmo da sua respiração 
 
Caminhar é o exercício físico por definição. Não tem contra-indicações e pode ser praticado por 
toda a gente. Não exige qualquer tipo de equipamento sofisticado nem qualquer infra-estrutura 
dispendiosa. Além disso, andar a pé ao ar livre favorece a oxigenação, a circulação sanguínea 
e a descontracção. 
 
Um exercício excelente que fornece bem-estar e descontracção é caminhar ao ritmo da 
respiração: o andar é lento, com o corpo relaxado, começando por uma expiração lenta e 
profunda, de modo a expulsar o ar 
dos pulmões. 
 
A inspiração efectua-se durante 3 ou 4 passos, conservando o ar nos 
pulmões durante 2 ou 3, e a expiração efectua-se, igualmente, durante 3 ou 4 passos. Este 
exercício deve adaptar-se ao ritmo da respiração e 
efectuar-se sem brusquidão. 
 
Cultive as benesses dos exercícios físicos 
 
Podem praticar-se inúmeras actividades físicas: andar de bicicleta, natação, jogging, desportos 
de equipa, ete. Contrariamente, todos os desportos violentos que buscam hipotéticas 
performances, ou as competições desportivas, estão proscritos. Desenvolvem apenas a 
agressividade e predispõem à violência. Para nos apercebermos disto basta constatar os danos 
e a violência que geram certas reuniões desportivas. Estas competições só existem porque 
geram lucros. Quanto aos desportistas de alto nível”, estes sofrem, frequentemente, as 
sequelas de um treino que os empurra para além das suas capacidades físicas. Eles são, para 
os 
promotores de espectáculos desportivos, meras ferramentas das quais 
133 
retiram o máximo de rentabilidade por todos os meios possíveis, incluindo o doping. 
 
Em contrapartida, quando um desporto é praticado como forma de descontracção ou de 
expressão corporal, respeitando os recursos físicos próprios de cada indivíduo, ele é sempre 
benéfico. 
 
O REPOUSO: INDISPENSÁVEL PARA O SEU BEM-ESTAR 
Se, tal como vimos, o exercício físico bem coordenado é indispensável ao corpo, o repouso 
também é muito salutar. 
 
O nosso corpo possui a faculdade de se auto-regenerar de forma natural. Possui também um 
elo específico que o mantém em estreita relação com o seu meio ambiente. Mas nós temos, por 
intermédio do nosso espírito, a possibilidade de influenciar as nossas reacções e as fases que as 
compõem. 
 
O segredo de um bom repouso: durma... naturalmente 
 
Existem diferentes tipos de sono que foram descritos por inúmeros investigadores. É simples 
consciencializarmo-nos deste facto, basta examinar os períodos e a intensidade do sono. A sua 
duração é variável em 
função dos indivíduos e da idade. Por isso, durante a infância e a adolescência, as necessidades 
são maiores. 
 
Constata-se que as perturbações do sono são cada vez mais frequentes. Contudo, o sono ocupa 
ou deveria ocupar um terço da nossa vida, do qual grande parte é feita de sonhos. 
 
Para que o nosso organismo possa recuperar o melhor possível, é necessário que o sono seja 
natural. Quando se recorre, para dormir, a 
soníferos, antidepressivos ou ansiolíticos, estes alteram as fases iniciais do sono. Estes 
medicamentos geram habituação e dependência. Ora o sono pode aprender-se e preparar-se. 
Para tal, antes de se deitar, faça exercícios de relaxamento, oiça música clássica e evite os 
espectáculos stressantes ou violentos na televisão, que favorecem as insónias. 
134 
Aprenda a descontrair-se e a relaxar 
 
Muitas vezes, é preciso pouca coisa para nos conseguirmos descontrair. As técnicas são 
variáveis em função dos indivíduos. As decorrentes do hatha-yoga já demonstraram a sua 
eficácia: treino autogéneo, sofrologia de Edgar Cayce, auto-hipnose, relaxamento Schultz, 
método Vittoz, stretching postural, Rebirth, etc. Todas elas visam o mesmo objectivo, que é o 
de nos predispor à descontracção. 
 
Um método muito simples 
 
Existe um método simples: deite-se de costas, em cima de um tapete no chão. Escolha um 
local silencioso e com pouca luz e vista-se confortavelmente. A posição deve ser agradável.Descontrair-se: um método para se conhecer melhor 
 
Com os olhos semicerrados comece por respirar calmamente, lentamente. Passe em seguida 
em revista todas as partes do seu corpo e todos os seus músculos. Visualizando interiormente 
as várias partes do seu 
corpo, descontraia-as mentalmente. Para tal pode utilizar frases do tipo: 
 
* “Estou calmo, calmo, calmo... descontraído, descontraído... o meu 
corpo está pesado, pesado... já não o sinto. Está a afundar-se no chão. Uma doce sensação de 
calor invade-me...” 
* Depois, comece pelo rosto: “0 meu rosto está descontraído, as minhas 
faces estão descontraídas, os meus lábios estão descontraídos.” A língua é importante: no 
início, deve atentar em deixá-la repousar tranquilamente na sua cavidade bucal. 
* Desta forma, cada vez que pensar num órgão ou num músculo, visualize-o descontraindo-o 
simultaneamente. 
 
Trata-se aqui apenas de um resumo de uma técnica que deu provas da sua eficácia. O que 
podemos esperar e obter do relaxamento acompanhado de exercícios respiratórios é, em 
primeiro lugar, um melhor autoconhecimento. Estar mais calmo, na vida quotidiana. Aumentar 
a nossa 
resistência física, a nossa memória, a nossa atenção, o controlo das nossas emoções e da dor. 
135 
 
Relaxamento e visualização criativa: positive-se e cure-se! 
*/* A LER E A MARCAR 
A importância do querer, a forma e a intensidade com as quais o 
 
formulamos, eis o que, sem contestação possível, constitui um dos factores de qualquer tipo de 
êxito. Não existe qualquer objectivo alcançado sem que previamente tenhamos formulado o 
nosso desejo. 
 
O derrotismo, a autodesvalorização, as imagens parasitas e negativas devem, numa primeira 
fase, ser identificados, examinados e controlados, para que possam, em seguida, ser 
transformados em imagens positivas. Um dos factores do mal-estar reside no sentimento de 
culpa e de falta de auto-estima que mantemos e que perturbam as nossas relações com os 
outros. 
 
A descontracção criativa é um meio de evolução. Para tal, comece a 
 
analisar as suas tensões e os seus pensamentos negativos. Anote-os e 
 
classifique-os por ordem de prioridade. Examine-os sem tentar combatê-los frontalmente; 
contorne-os e quando tiverem perdido alguma intensidade, transforme-os em imagens 
positivas. 
 
O nosso corpo tem a possibilidade de se curar a si mesmo da maioria das doenças. Os sintomas 
com que somos confrontados são sinais que o 
 
corpo nos envia de modo a alterarmos o nosso comportamento. 
 
Podemos assim encurtar o tempo de cicatrização das feridas, consolidar mais rapidamente 
fracturas, aumentar a eficácia de um tratamento médico e participar activamente na cura. 
 
A ajuda mais preciosa que podemos dar ao nosso corpo, quando este está doente, é imaginá-lo 
a curar-se, pouco a pouco, pormenorizando todas as fases dessa cura, e visualizá-lo, em 
seguida, de boa saúde, fazendo aquilo que gostaríamos que ele fizesse. 
 
Em casos de infecção, ajude a cura, visualize e ajude as suas células saudáveis a vencerem o 
mal. Elimine pouco a pouco o mal, erradique-o, volte incansavelmente a essa imagem. Arrefeça 
ou aqueça, conforme o 
 
caso, a parte do seu corpo que de tal necessita. Ao fim de um certo tempo e com um pouco de 
prática, verificará que pode perfeitamente visualizar uma parte do seu corpo e que o seu 
espírito concebe a forma como este se pode curar. 
 
Esta visualização criativa dá-lhe a possibilidade de canalizar a sua 
 
energia mental de modo a permitir ao seu corpo pôr em acção todos os 
 
mecanismos que activam a cura. 
 
136 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
A RESPIRAÇÃO E O RELAXAMENTO 
 
O homem, tal como todos os animais, respira instintivamente. É um 
 
acto indispensável que se faz e se pratica sem a intervenção do nosso 
 
intelecto, da nossa vontade ou da nossa reflexão. Sem respiração a vida pára. 
 
Aprenda a controlar a respiração por meio de exercícios 
 
Os exercícios respiratórios começam no momento em que fixamos a 
 
nossa atenção nesta função. O simples facto de pensarmos nela modifica o seu curso e o seu 
ritmo. 
 
Aperfeiçoaram-se inúmeras técnicas. Na índia, os yogues utilizam várias dezenas: cada uma 
delas tem uma acção específica, por exemplo, para ajudar a suportar o frio, o calor, a fome, a 
controlar os pensamentos, etc. Descreveremos apenas algumas que estão ao alcance de todos 
e que são fáceis de entender e de executar. Não comportam qualquer perigo, e os 
 
benefícios decorrentes são frequentemente imediatos. 
 
Salvo em casos bem específicos, a inspiração e a expiração fazem-se sempre pelo nariz. 
Começa-se pela expiração, que se efectua expulsando o mais completamente possível o ar dos 
pulmões, sem brusquidão e sem 
 
esforçar demasiado. A inspiração faz-se naturalmente, sem esforço, deixando o ar penetrar por 
si. A respiração é controlada, dirigida, mas de modo suave. Como dissemos antes, este 
exercício pode ser praticado em qualquer lado. Ajuda a 
 
descontracção, combate a agressividade, expulsa o stress e predispõe ao autocontrolo. 
 
Dois exercícios simples 
 
- Uma variante consiste em contar mentalmente o tempo de inspiração 
 
e de expiração; por exemplo, 3 para a inspiração, 2 para a retenção, 
3 para a expiração, 2 para o período em que os pulmões estão vazios. 
- Uma outra variante pode fazer-se ao caminhar. Neste caso, o ritmo 
 
da marcha adapta-se à respiração; por exemplo, 2 passos para a 
 
inspiração, 2 passos para a retenção, 3 passos para a expiração, 
2 passos para o período em que os pulmões estão vazios. 
 
137 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
Como é evidente, estes exercícios devem fazer-se o mais naturalmente possível e devem ser 
sempre agradáveis. Devem ser interrompidos se 
 
apresentarem algum desconforto. 
 
O canto ou a emissão de sons para esvaziar os pulmões 
 
Assemelha-se à oração, aos cantos litúrgicos, às melodias e canções de embalar que 
escutávamos quando éramos crianças e nos adormeciam. Um método simples consiste em 
emitir sons expirando profundamente e esvaziando totalmente os pulmões. Todas as letras do 
alfabeto servem, mas as vogais são particularmente indicadas. 
 
Escolha a sua música: o seu corpo está à escuta 
 
A Bíblia conta que o rei Saul, doente e deprimido na sua velhice, chamava David (que lhe 
sucedeu no trono de Israel) para que este lhe tocasse harpa. A história realça que o rei Saul 
melhorava. Todas as tradições falam da música e dos sons que eram utilizados na oração, na 
descontracção e para aliviar os doentes. 
 
A tradição chinesa, durante a dinastia de Chu (1030 a 480 a. C.) já falava das influências 
musicais, e, em 1980, foi criado um grupo de estudo das medicinas tradicionais chinesas de 
Hunan (na China). Os seus autores, musicólogos e musicoterapeutas, elaboraram uma série de 
cinco peças harmónicas, denominadas Música I Ching, para a saúde. (Estas músicas estão 
disponíveis na Livraria Chinesa de Paris.) 
 
Mas os Ocidentais não ficaram de mãos a abanar. Com efeito, existem muitos cientistas, 
médicos e terapeutas que trabalham sobre a influência sonora: o nosso corpo e as nossas 
células estão em constante vibração. Para Georges Lakhovski, tudo são vibrações, e a 
desordem orgânica e a 
 
doença perturbam essas vibrações. 
 
O nosso corpo, na sua totalidade, apreende, por conseguinte, as vibrações emitidas por esses 
sons. A música, quando é bem escolhida, permite-nos desligarmo-nos do ambiente. Existe 
todavia o risco de se tornar nociva, é preciso lembrá-lo, quando os sons são inadaptados, 
violentos, e de um ritmo que não corresponde às nossas realidades biológicas. É o 
 
caso em particular das músicas que se ouvem nos concertos de hard rock, nas rave-parties ou 
por intermédio dos walkmans. Muitos jovens começam, de facto, a sofrer os efeitos 
devastadores destas músicas. 
 
138 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
A osteofonia: faça vibrar a sua voz 
 
Este método utiliza a voz como ferramenta para reestruturar o corpo 
 
e o espírito. Ajuda a “colocar” em fase o timbre da voze a estrutura interna do ouvido e a 
alargar a tessitura para um espectro maior. É uma 
 
boa preparação para os cantores e actores que desejam desenvolver a “sua aura” e expressar-
se com maior facilidade. 
 
A osteofonia permite reencontrar o eixo fundamental de evolução, sintonizando-nos com as 
energias de base e evacuando as perturbações físicas e psíquicas. Ela entra no processo de 
limpeza dos stresses vibratórios. 
 
Visualize cores 
 
Podem utilizar-se as cores como suporte do relaxamento. A visualização efectua-se por 
inspiração, fixando uma cor, visualizando~a de olhos fechados e efectuando em simultâneo 
exercícios respiratórios. 
 
Cada estação permite igualmente contemplar as cores presentes na natureza e associar-lhes 
exercícios respiratórios e visualizações. Com um 
 
pouco de prática é possível sentir as cores e associá-las a sentimentos, cheiros ou a certas 
imagens mentais. 
 
O riso: uma terapia com mil virtudes benéficas 
 
“Se pretender estudar um homem, não dê atenção ao modo como 
 
se cala, fala, chora, ou até se comove com as ideias nobres. Observe sobretudo quando ele ri.” 
Dostoiévski 
 
O riso é um meio de expressão variável até ao infinito. Não nos rimos todos da mesma 
maneira, nem pelas mesmas razões. As expressões sobre o riso são inúmeras: rimo-nos até 
dilatar o baço, até dar murros nas coxas, à s gargalhadas, divertimo-nos, torcemo-nos a rir... 
 
Melhor do que tudo isto, rir é bom, é saudável, é convivial e, além do mais, trata e cura! O riso 
sob prescrição médica? Será preciso prescrever o riso? Existirá em breve um ensinamento do 
riso nas Faculdades de Medicina e, para cúmulo de tudo, exigiremos nós ser tratados pela 
“risoterapia”? 
 
139 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
O riso é uma terapia de direito próprio, a tal ponto que certas enfermeiras americanas nos 
hospitais colocam nas batas o slogan: 
 
---Atenção: rir é perigoso... para a sua doença.” 
 
Os seus benefícios fazem-se sentir tanto no plano físico como no plano psíquico. O riso faz 
trabalhar os músculos do rosto e atrasa o aparecimento das rugas. Os músculos das costas e 
do abdómen são estimulados. Favorece a eliminação de detritos, activa o fígado, o coração e o 
baço. Liberta endorfinas e, por conseguinte, tem uma acção sobre o stress, a angústia e a 
ansiedade. Todos os deprimidos deviam dar grandes gargalhadas. Os insatisfeitos, os nervosos 
e os bulímicos podem abusar do riso. 
O riso (quem o diria?) é nutritivo: é portanto recomendado a todos os que pretendem perder 
peso. 
 
O riso acalma os agressivos e os hipertensos e controla a dor! O riso é um verdadeiro 
medicamento, é o único que se aconselha a ultrapassar a dose prescrita. Então, não hesite. 
Ria!!! 
 
OS TRATAMENTOS ESQUECIDOS 
 
OS DUCHES TERAPÊUTICOS 
 
Os duches e afusões prescritos pelo padre Kneipp e pelo Dr. Bilz têm uma vantagem nos nossos 
dias: podem, com efeito, ser facilmente praticados. Todas as casas de banho estão equipadas 
com um duche de “telefone”. Além disso existem actualmente no mercado aparelhos de duche 
de pressão variável, que permitem aumentar a intensidade do jacto e, por conseguinte, a sua 
eficácia. Contudo os princípios de base enunciados pelos seus fundadores e demonstrados pela 
prática e pela experiência de inúmeros praticantes permanecem os mesmos. 
 
Todavia, acautele-se, já que as práticas hidroterapêuticas devem ser 
 
sempre personalizadas e adaptadas a cada um. O que significa que se deve interromper o 
tratamento em caso de reacção violenta ou de cansaço, e 
 
retomá-lo moderadamente no dia seguinte. 
 
140 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
Testados e adaptados pelo Dr. Bilz, os duches (afusões) de Kneipp fizeram a prova das suas 
virtudes. Este utilizava-os contra o esgotamento, o cansaço, o nervosismo, a prisão de ventre, 
as hemorróidas, a histeria, as psicoses, os tremores, a gota, a diabetes e a obesidade, bem 
como para as doenças cardíacas (afusão das pernas) e a fraqueza sexual (afusão das costas e o 
meio banho). 
 
A técnica de base preconizada 
 
Trata-se do duche ou do banho frio curto, de cerca de 1 a 2 minutos, sobre determinadas 
partes do corpo. A excitação assenta sobre as reacções cutâneas ao jacto de água fria. 
 
Todavia, para indivíduos frágeis e sensíveis, deve-se graduar o efeito e proceder por etapas, 
para que se habituem progressivamente. Por exemplo: no primeiro dia, água morna, no 
segundo, um pouco mais fria, etc. As temperaturas das nossas águas correntes são geralmente 
aceitáveis para estas práticas. 
 
Duche terapêutico do rosto 
 
* Com o corpo ligeiramente inclinado para a frente, as partes tratadas 
 
são a testa, os olhos, as faces e o queixo. 
* Utiliza-se um jacto suave. Passa-se de um olho para o outro várias 
 
vezes, e depois volta-se a passar na testa. O movimento é lento, circular. 
* Dura de 1 a 2 minutos. 
 
Duche terapêutico do peito 
 
* Pratica-se sobre o peito, em movimentos circulares e, em seguida, 
 
de baixo para cima, da direita para a esquerda e em ziguezague. 
* A duração deste duche é de 1 minuto (máximo 2). 
 
Duche terapêutico, da cabeça 
 
* Utiliza-se particularmente para as doenças dos olhos e dos ouvidos. 
* Com o corpo inclinado para a frente, vira-se o jacto para o topo da 
 
cabeça e todo o coro cabeludo, em movimentos circulares e rotativos. 
 
141 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
Duche terapêutico dos braços 
 
*Vivamente aconselhado em caso de constipações rebeldes e corrimento nasal. Estes duches 
acalmam também a dor e previnem contra os reumatismos e a gota. 
*Começa-se pelas mãos, e sobe-se até às axilas, passando pelo interior e pelo exterior dos 
braços. 
*Dura 1 minuto, em cada braço. 
 
Duche terapêutico das coxas 
 
*Começa-se pelo pé, subindo ao longo da perna. Em seguida começa-se pelo calcanhar e sobe-
se até aos rins. Volta-se a descer, em movimento lento. Em caso de dificuldade, deve-se pedir 
ajuda. 
*Quando o jacto se encontra na parte dianteira da perna, pode também 
 
duchar o ventre e o baixo-ventre, o que tem uma influência notável nos intestinos, combate a 
prisão de ventre e age favoravelmente nas 
 
dilatações do estômago e nos gases de origem nervosa. 
 
Duche terapêutico dos joelhos 
 
*Molham-se as pernas a partir do pé e até ao joelho. O Dr. Bilz 
 
comenta que, quanto mais extenso for, mais eficaz será. 
*Quando se chega ao joelho efectuam-se vários movimentos de rotação. O padre Kneipp dizia 
que era um meio excelente para facilitar o trabalho de parto e estancar as hemorragias. 
Repete-se a operação várias vezes em cada perna. 
* A duração é de 1 a 2 minutos, em cada perna. 
 
Duche terapêutico das costas 
 
- Parte da planta do pé e sobe até à base do crânio. O importante é 
 
a regularidade do movimento. Sobe-se ao longo de uma perna até à nádega, continua-se 
subindo pela borda externa das costas até ao 
 
ombro. O jacto é depois dirigido para a omoplata e volta-se a descer 
 
142 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
até à cintura. A projecção de água faz-se, em seguida, ao longo da coluna vertebral, de baixo 
para cima, depois de cima para baixo. Depois realiza-se a mesma operação no outro lado do 
corpo. Esta afusão fortalece o coração. A insistência nas partes lombares constitui um excelente 
meio de combater as hemorróidas. Deve ser evitada em caso de menstruação dolorosa ou 
demasiado abundante. 
 
Duche terapêutico rectal 
 
* Como todas as outras afusões, o duche rectal pratica-se quando o 
 
corpo está quente e, de preferência, de manhã, ao sair da cama. É relaxante e é útil em 
inúmeras afecções: reumatismos, insónia, doenças nervosas, abdominais, insuficiência 
hepática, impotência, hemorróidas, etc. 
* O ideal é praticá~lo sentado no bordo da banheira, ou sobre uma 
 
prancha atravessada, com as nádegas de fora, de modo a que o ânus fique bem acessível ao 
jacto do duche. A água pode ser fria (de preferência), fresca ou morna. 
 
Duche terapêutico fulgurante 
 
- Pratica-se em todo o corpo. Começa-se pela face interna, partindo 
 
dopé, subindo ao longo da perna, parando ao nível do umbigo, depois prossegue-se, da 
mesma maneira, sobre a outra perna. Sobe-se, em seguida, ao longo do peito. Desce-se pelo 
meio do corpo c 
 
sobe-se até ao pescoço. Procede-se do mesmo modo para o outro lado do peito. Em seguida 
efectua-se uma afusão completa das costas e dos braços. * 6 a 8 minutos são necessários para 
efectuar correctamente esta operação. * O Dr. Bilz lembrava que esta afusão só se devia 
aplicar a pessoas robustas (e bem preparadas) e endurecidas por outras aplicações. Deve-se, 
portanto, actuar de forma gradual. Recomenda-se aos obesos. O padre Kneipp recomendava-a 
para os casos difíceis. 
 
143 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
NOTA: todos os duches terapêuticos podem ser seguidos de fricções, com a ajuda de um pano 
grosso em linho ou de uma luva de crina. Por outro lado, as deslocações do jacto devem 
sempre ser 
 
executadas lentamente. 
 
OS BANHOS MEDICINAIS 
 
O banho dos pés derivativo 
 
* Faz-se com água fria. Mas as pessoas sensíveis podem começar com 
 
água morna (1 8'C). Durante todo o banho, devem esfregar-se os pés um contra o outro. 
Esfregam-se também as barrigas das pernas com a planta dos pés. A duração é de 3 a 5 
minutos. Este banho deve ser seguido de uma vigorosa fricção, até os pés ficarem quentes. 
* Uma segunda maneira de proceder consiste em meter os pés em água 
 
morna durante alguns minutos e terminar mergulhando-os em água fria durante alguns 
instantes. Termina-se a operação com uma vigorosa fricção. 
 
Os banhos de assento 
 
São provavelmente os mais célebres e mais úteis em casos de digestão difícil, afrontamentos, 
doenças abdominais e hemorróidas. Os seus efeitos salutares surgem, muitas vezes, 
rapidamente. Existem diversas formas de proceder: as descritas pelo padre Kneipp e retomadas 
pelo Dr. Bilz, bem como o banho de assento com fricções recomendado por Louis Kuhne. 
 
- Utilize um alguidar grande de plástico, mais prático do que o bidé 
 
tradicional porque permite um melhor contacto com a água. Para certos banhos as nádegas 
devem ficar dentro de água, e também as partes genitais e o baixo-ventre. 
 
144 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
Os banhos de assento Kneipp 
 
Fazem-se com decocções de cavalinha, de flores de feno” ou palha de aveia. 
 
* Deite a planta escolhida na água a ferver (um pequeno punhado para 
 
1 litro de água) e deixe-a ferver durante alguns instantes. Deite em seguida a decocção no 
alguidar e acrescente água quente suficiente. Este banho deve durar 15 minutos. 
* Todos os cinco minutos, alterne com um banho de assento frio que 
 
deve durar de 30 segundos a 1 minuto. 
 
Estes banhos são recomendados para as seguintes afecções: 
 
-0 banho de aveia, para a gota. -0 banho de cavalinha, para os reumatismos, nefrites, doenças 
dos 
 
rins, da bexiga e cálculos. -0 banho de feno, para as cólicas ou prisões de ventre difíceis. 
 
O banho de assento quente 
 
Utiliza-se para acalmar as dores, cãibras, espasmos da bexiga, dores intestinais, estomacais, 
etc. 
 
* A temperatura da água deve ser quente (30’ ou mais). A duração do 
 
banho é de 20 a 25 minutos. No fim do banho aplica-se uma loção fresca (ou um duche) nas 
partes tratadas. Termina-se com fricções manuais vigorosas, 
* Aconselha-se, durante este banho, a beber um pouco de água em 
 
pequenos goles. 
* Mas atenção: este banho deverá ser interrompido em caso de 
 
transpiração excessiva, palpitações, náuseas, etc. 
 
O banho de assento frio 
 
Este tem uma reputação de soberania em muitos casos. Para o Dr. Bilz, é um regulador da 
circulação sanguínea: deve por conseguinte aplicar-se em caso de corrimentos sanguíneos, 
clorose, problemas ligados ao baixo-ventre, em caso de digestão difícil e contra as 
sensibilidades excessivas às mudanças de temperatura. 
 
145 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
* Deve ser tomado, de preferência, de manhã. A única condição expressa é que o corpo esteja 
quente. É excelente contra a insónia e 
 
as doenças nervosas. 
* Dura de 1 a 5 minutos, mas pode ser prolongado para além deste 
 
período. 
 
O banho de assento com fricções (ou banho Kuhne) 
 
Utiliza-se o banho de assento com fricções para excitar os órgãos digestivos, os intestinos, os 
rins e, sobretudo, para provocar a excreção de substâncias mórbidas (segundo o autor). 
 
O nosso sistema nervoso deixa-se influenciar num único lugar do nosso corpo: as partes 
sexuais. Sempre segundo Kuhne, os banhos de assento praticados nestas partes fortificam os 
nervos condutores e transmissores da nossa força vital, já que é precisamente nestas partes 
que estes se encontram reunidos. Por conseguinte, têm uma acção sobre todo o nosso sistema 
nervoso. 
 
Kuhne afirmava também que a entrada de materiais estranhos, acumulados no nosso 
organismo, conduz à doença: uma digestão mal feita, os 
 
maus hábitos alimentares e os abusos permitem que as doenças penetrem nos nossos órgãos. 
 
O atrito e a afluência de substâncias estranhas não evacuadas produzem no corpo alterações de 
temperatura. O corpo é refrescado durante o 
 
banho, e a pele é aquecida. O doente não sente o frio mas, pelo contrário, um calor agradável. 
Quanto mais fria for a água, mais eficazes serão os 
 
banhos. Quanto ao seu número e duração, são variáveis conforme o estado da pessoa. Mas, 
regra geral, devem durar entre 10 e 60 minutos. 
 
O corpo não deve ficar em contacto directo corri a água. Se se utilizar um bidé, basta colocar 
uma prancha atravessada e sentar-se em cima da mesma. No caso de se utilizar um alguidar, 
deve colocar~se um pequeno banco, para que a água alcance a altura do banco, sem molhar a 
sua parte superior e sentar-se sem que as nádegas fiquem em contacto com a água. 
 
O recipiente deve estar cheio de água fria. Pega-se num pano grosso e lavam-se suavemente 
as partes sexuais. Não se deve esfregar, e de cada vez voltar-se a mergulhar o pano na água. 
As mulheres só 
 
146 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
devem lavar as partes exteriores dos lábios vaginais (como é óbvio, este banho não deve ser 
praticado durante o período menstrual). 
- Os homens devem lavar a ponta do prepúcio, mantendo-o entre o 
 
polegar e o indicador, sempre com a ajuda de um pano grosso. 
 
OS BANHOS DE VAPOR PARA TRANSPIRAR 
 
Actualmente é possível encontrar no comércio saunas aquecidas electricamente. Estes 
aparelhos, concebidos para uma ou mais pessoas, podem ser facilmente instalados em casa. Os 
seus preços variam em função dos aparelhos. Na maioria dos salões de desporto existem 
saunas, e alguns possuem mesmo hammams (vapor e calor húmido). 
 
A sauna é agradável, dilata os poros da pele e acelera o ritmo sanguíneo. Infelizmente, poucas 
casas estão equipadas com saunas. 
 
Comentários importantes sobre os banhos de vapor 
 
São desaconselhados, salvo indicação médica favorável: 
- em caso de temperatura alta; 
- doenças cardíacas; 
- insuficiência respiratória ou doenças dos pulmões. 
 
A sua duração oscila entre 15 e 60 minutos. Deve ser praticado enquanto for agradável; caso 
contrário, pára-se e recomeça-se no dia seguinte, eventualmente. 
 
Para acelerar a transpiração 
 
Existem contudo vários meios de transpirar de uma forma pouco dispendiosa, caso não se 
possua uma sauna e não exista nenhuma próximo de nós. 
 
Basta tomar um duche quente ou um banho quente de curta duração (5 minutos bastam), não 
secar o corpo, tomar antes e durante o 
 
banho infusões quentes de rainha-dos-prados, tomilho ou sabugueiro, beber água durante o 
banho e envolver-se, em seguida, num 
 
roupão húmido e deitar-se coberto. 
 
147 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
A CAMISA DE 4 (FLORES DE FENO” (SEGUNDO O PADRE KNEIPP) 
 
Esta camisa deve ser feita em pano grosso e deve ser ampla e comprida. Como alternativa 
pode utilizar um roupão velho. 
 
Mergulhe esta camisa numa decocção quente de flores de feno. Esprema-a e vista-a contra a 
pele. Proteja a sua cama com um 
 
pedaço de nylon e coloque dois cobertores parase tapar. Conserve a camisa durante 1 a 2 
horas. 
 
N. B.: A camisa deve ser agradável de vestir, caso contrário é melhor despi-Ia. 
 
Para as pessoas em bom estado de saúde, o Dr. Bilz recomenda aplicar todos os 15 dias um 
camisa fria de curta duração (4 a 5 minutos), procedendo da mesma maneira que para a 
camisa de flores de feno”. Apenas mudam a duração e a temperatura do líquido. 
 
Esta camisa fortalece o baixo-ventre, o fígado e os rins. 
 
O CINTURÃO DE NEPTUNO (COMPRESSA ABDOMINAL) 
 
Comentários do Dr. Bilz: “Se existissem remédios universais, a compressa corporal mereceria 
este nome. A compressa nocturna é extraordinariamente útil nas mais variadas doenças e 
perturbações da saúde. Para a tosse, constipação, afrontamentos, dores de cabeça, dores de 
dentes, inapetência, vertigens, inflamação dos olhos, difteria, pneumonia... numa palavra, 
todas as doenças agudas. 
 
Deve-se usar a compressa durante todo o período da doença, de alguns minutos a várias horas, 
com pequenas interrupções. 
 
Quase tudo cede à compressa corporal: hemorróidas, flatulência, doenças estomacais, gases... 
 
148 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
A acção das compressas corporais é maravilhosa nas doenças da mulher. Inúmeras doenças 
deste tipo foram curadas com compressas no corpo e banhos de assento. Para a insónia das 
crianças a compressa corporal é um remédio soberano.” 
 
Material 
 
- Um cinto de flanela suficientemente comprido e largo para dar duas 
 
voltas à cintura. 
- Dois panos de algodão cru. 
 
Proceda da seguinte maneira: 
 
Coloque na cama um plástico e um ou dois cobertores. Pegue num 
 
ou dois panos que mergulhará numa água a cerca de 20’. Esprema-os. Coloque-os, em seguida, 
sobre o seu corpo, ao nível do ventre e do baixo-ventre, incluindo as costas. Pegue em seguida 
no cinto de flanela e enrole-o em volta da cintura, de modo a segurar os panos. É preferível 
que os panos molhados ultrapassem ligeiramente, de 1 ou 2 cm, o cinto de flanela. Fixe o cinto 
com agrafos ou alfinetes-de-ama, e cubra-se. 
 
Comentários importantes 
 
- É preferível aplicar a compressa à noite, ao deitar. -Nunca a aplique no corpo se este estiver 
frio. Neste caso, aqueça-o 
 
previamente por meio de fricções, banhos quentes ou de vapor. -Nas pessoas robustas, 
habituadas às compressas corporais, pode utilizar-se água mais fria (15’) ou mesmo fria. O 
aquecimento dá-se neste caso mais depressa. Johanna Brandt preconiza a utilização de cubos 
de gelo colocados dentro dos panos; este modo de proceder deve ser efectuado com 
precaução. 
- Deve-se estar atento a que a compressa aqueça o corpo e que 
 
a sensação de frio desapareça rapidamente (em geral, ao fim de 1 a 
2 minutos). -Se pretender agir mais especificamente no estÔmago, coloque um 
 
pano húmido dobrado em quatro sobre este órgão. 
 
149 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
-Se retirar a compressa sem a renovar, faça uma fricção geral do 
 
corpo com água morna (a uma temperatura de cerca de 20’). 
- Durante o dia, as compressas devem ser mudadas de 2 em 2 ou de 
 
3 em 3 horas. -A acção da compressa é amplificada com uma alimentação ligeira, 
 
pobre e não excitante (veja o capítulo dedicado a este assunto). -As lavagens com água morna 
podem também favorecer a acção da 
 
compressa. 
- A compressa aplica-se o tempo que for necessário. Retire-a de tempos a tempos, para a 
renovar (de 2 em 2 ou de 3 em 3 horas). 
 
Como se verifica, o Dr. Bilz considerava esta compressa corporal uma ferramenta necessária 
aos seus tratamentos. É espantoso que ela tenha sido completamente esquecida pelos adeptos 
da actual medicina naturopática. 
 
As suas explicações a propósito da eficácia desta compressa eram as seguintes: “ Ela age ao 
nível dos milhões de vasos capilares que percorrem a pele. Quando o vaso se contrai com o 
frio, contém pouco sangue. A pele tem então um aspecto pálido, o seu toque é fresco: onde 
falta o sangue falta o calor. Se pelo contrário os vasos se dilatam, o que acontece com o calor, 
ficam cheios de sangue. Quanto mais o sangue correr vivamente na pele e para ela, menos ele 
provocará no interior acúmulos e, a partir daí, inflamações. Além disso, arrastará consigo as 
impurezas para a pele sob a forma de suor. 
 
A compressa húmida está mais fria do que a pele. No momento da sua aplicação, o sangue 
recua, por assim dizer, amedrontado, e os vasos capilares contraem-se. Todavia, 
imediatamente a seguir, o corpo envia mais sangue, porque está organizado para tal, aos locais 
cobertos pelo pano frio e húmido, de modo a aquecê-los vivamente. Ao mesmo tempo que a 
pele, os panos húmidos também aquecem. O calor é retido pela compressa. Daí resulta uma 
chegada contínua e vigorosa de sangue para os vasos capilares dilatados pelo calor, bem como, 
simultaneamente, um calor elevado nos locais por ela cobertos. Os órgãos internos nobres são 
libertos do excesso 
 
de sangue que os perturbava e podem assim curar-se.” 
 
150 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
OS BANHOS DE AR LIVRE E DE SOL: UM TRATAMENTO NATURAL QUE DEVE SER PRATICADO 
COM MODERAÇÃO 
 
Uma moda ridícula e nefasta exige que actualmente, para se ser bonito ou bonita e parecer 
saudável, o homem ou a mulher estejam bronzeados, tenham uma cor acobreada, de modo a 
responder aos critérios da nossa actual concepção de estética. Esta moda recente tem apenas 
cinquenta anos. 
 
Abusar do sol e querer a qualquer preço, após um curto espaço de tempo, ter uma pele 
trigueira pode implicar vários perigos, entre eles os 
 
temíveis “escaldões”, que ocasionam frequentemente graves queimaduras. Predispõem às 
rugas e ao envelhecimento da pele e são, além disso, responsáveis por inúmeras doenças 
cutâneas. Além disso favorecem a 
 
evolução dos cancros. 
 
Todavia o ar e o sol, tomados de modo sensato, são ainda um meio que faz parte dos 
tratamentos naturais possíveis. 
 
Théodore Hahn, no século passado, para grande sorte dos seus doentes, fazia-os tomar banhos 
de ar e de sol, duas vezes por dia, durante o Verão no vale da Goldach. Estes banhos eram 
acompanhados de loções quentes. Apresentamos abaixo os conselhos que ele dava e que nos 
parecem ser ainda actuais: 
 
“0 sol é medicinal e, como tal, deve ser utilizado com uma certa 
 
cautela e sobretudo sem abusos.” 
 
O Dr. Bilz procedia da seguinte maneira: “0 doente deve estar deitado naturalmente, nos dias 
quentes de Verão, num local iluminado pelo sol, pouco exposto ao vento, sobre um saco de 
palha ou um colchão, envolto num pano leve e com a cabeça protegida por um guarda-sol. Ao 
fim de uns instantes deve voltar-se. 
 
Quando o doente está transpirado, deve tomar duches frescos ou frios. Se o pano leve for 
insuficiente para causar transpiração, deve ser envolvido num cobertor de lã. Como estes 
banhos de sol servem sobretudo para o tratamento de doenças crónicas, devem ser utilizados 
com precaução e ser apropriados à doença e à pessoa. Devem ser prescritos por um médico 
naturista.” 
 
151 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
A FOTOTERAPIA: UMA CIÊNCIA EM MARCHA 
 
A luz medicinal 
 
O jornal científico Nature, no final do século xix, publicou um artigo sobre os trabalhos do Dr. 
NieIs Finsen, que valorizava a fototerapia no 
 
tratamento da varicela. 
 
NieIs Finsen isolou os seus pacientes num quarto onde a luz era velada por vidros e tecidos 
vermelhos. Observou que sob esta influência as 
 
pústulas supuravam menos e que, quando a doença acabava, as cicatrizes eram inexistentes ou 
pouco pronunciadas. A observação era importante devido aos estigmas que esta doença 
frequentemente deixa. Em vários países, em França e no Japão, existe um método que consiste 
em colocar no escuro os doentes com varicela ou com outras doenças com sintomas cutâneos. 
 
Finsen pensava que a eliminação de certos raios luminosos devia assegurar uma atenuação da 
inflamação. Depois das suas experiências com a 
 
varicela, procurou aplicar o seu método a outras doenças. Os microbiólogos já conheciam, 
nessa época, a acção antibacterianada luz sobre certas espécies de bactérias. 
 
Finsen tratou as dermatoses de origem bacteriana (como o lúpus) com 
 
a luz (solar ou eléctrica). Para a concentrar e simultaneamente diminuir a sua acção térmica, 
construiu um sistema óptico complexo. Graças a este 
 
aparelho, os raios solares eram projectados sobre a parte doente do corpo. A superfície exposta 
era reduzida e limitada no tempo. 
 
Numa primeira fase, Finsen utilizou unicamente a luz, depois besuntou a pele com loções para 
que esta ficasse mais flexível e a penetração dos raios se efectuasse em melhores condições. 
Os resultados obtidos foram significativos na maioria dos casos, tal como o testemunharam os 
jornais da época. Conseguiu curar “deformidades, mutilações graves, ulcerações extensas. Mas 
a fototerapia tem um campo bem mais vasto: a luz é o elemento regenerador e vivificante por 
excelência. Tudo na natureza sofre a sua influência benéfica”. Nessa época utilizaram-se 
também os banhos solares para ti-atar os reumatismos, a obesidade e a ma-nutrição. 
 
152 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
A luz permanece um grande mistério 
 
O papel da luz em diversos processos é mal conhecido. É certo que é um dos factores mais 
importantes da saúde. O médico alemão F. A. Popp dirigiu um grupo de investigadores que 
trabalhou sobre os problemas da estrutura física das substâncias cancerígenas. O 3,4-
benzopireno é uma substância conhecida pela sua forte acção cancerígena. K. Bauer, pioneiro 
das investigações alemãs sobre estas patologias, descreveu esta substância como sendo a mais 
fatal de todas as substâncias produzidas pelas sociedades industrializadas. 
 
Mas existe um facto muito surpreendente: o 1,2-benzopireno é uma 
 
substância muito próxima do 3,4-benzopirénio (a diferença entre as duas substâncias reside 
apenas na diferença de posição dos dois anéis aromáticos) que parece ser neutra, inofensiva e 
não cancerígena. Este facto é tanto mais surpreendente que entre as substâncias cancerígenas 
encontram-se substâncias muito variadas do ponto de vista químico e que não têm, do ponto 
de vista físico, nenhum denominador comum. 
 
Elucidar este mistério significaria compreender os mecanismos de desencadeamento do cancro 
 
Por que razão duas substâncias tão próximas uma da outra podem agir de uma forma tão 
diferente sobre o organismo? É evidente que se conseguíssemos determinar a razão de uma 
delas ser cancerígena conseguiríamos compreender, pelo menos em parte, os mecanismos de 
desencadeamento do cancro. 
 
O grupo dirigido por A. Popp descobriu que estas duas substâncias se 
 
distinguiam pelo espectro de luz que absorviam. O 3,4-benzopireno, substância cancerígena, 
absorve a luz ultravioleta numa faixa de cerca de 
800 mm. É exactamente este tipo de luz que é necessária à fotoactivação de uma célula, ou 
seja, para activar os mecanismos de auto-reparação do seu material genético. Será possível 
que as substâncias cancerígenas sejam as que privam a célula dos mecanismos necessários à 
sua auto-reparação? 
 
153 
DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS UTILIZADOS 
 
Desde a descoberta dos médicos alemães que o mundo da ciência se começou a interrogar 
seriamente sobre o papel da luz. Mesmo que este esteja longe de ter sido claramente 
demonstrado, é certo que estes dados devem ser levados em conta no que respeita à 
investigação das possibilidades da fototerapia, já que as células do nosso corpo necessitam de 
luz para se poderem proteger contra a destruição do seu património genético. Mas, por outro 
lado, está bem demonstrado o papel preponderante dos raios ultravioletas no processo de 
cancerização: devemos, por conseguinte, ser prudentes na sua utilização e proibir os 
bronzeamentos artificiais! 
 
154 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE 
 
ESQUECIDOS 
 
AS SANGUESSUGAS VÃO VOLTAR 
 
AOS NOSSOS HOSPITAIS? 
 
Existem muitos estudos que permanecem desconhecidos, apesar do seu 
 
grande interesse para a história da medicina e para a terapia. É infelizmente o caso da maioria 
das teses. O excelente estudo da Sr.’ Elisabeth Kind sobre A Escola Fisiológica de Broussais e a 
Utilização das Sanguessugas no Século xix está entre os trabalhos que mereciam uma 
publicação de grande tiragem. A autora descreve neste livro a utilização das sanguessugas ao 
longo da história. 
 
O tratamento pelas sanguessugas na história 
 
As sanguessugas fazem parte dos tratamentos médicos desde os tempos mais remotos (vêm 
mencionados na Bíblia sob o nome de “aluca”). A sua utilização foi redescoberta pelos Gregos, 
pelos Hindus, pelos Árabes e pelos Chineses. No século xvi, este animal foi estudado pelo 
grande naturista Conrad Gesner. 
 
A utilização das sanguessugas era muito vulgar na época das sangrias terapêuticas. Voltaram a 
ter o seu lugar na medicina graças à escola e à doutrina de Broussais. Foi a vitória da teoria de 
Pasteur que diminuiu a presença deste anelídeo nos hospitais. Contudo as investigações 
demonstraram a sua grande utilidade. Em 1884, Haycraft descobriu a hirudina e o seu poder 
anticoagulante. Sete anos depois, Heidenhain observou a 
 
155 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
acção do extracto de sanguessuga. Em 1895, Ledoux confirmou o seu 
 
poder anti~infeccioso ao constatar a imputrescibi 1 idade do sangue das sanguessugas. 
 
As sanguessugas segregam uma proteína com poderes medicinais 
 
Sali demonstrou que a injecção intravenosa de hirudina combatia a 
 
formação de coágulos durante a penetração de um corpo estranho por via intravascular. 
Demonstrou, assim, que não era à sangria local provocada pela sucção da sanguessuga que se 
deviam atribuir os efeitos terapêuticos, mas sim à penetração no organismo da proteína que ela 
segrega: a hirudina. 
 
Muitos autores confirmaram a sua eficácia nos tratamentos médicos e cirúrgicos. Assini, em 
1946, Durant utilizou a hirudina no tratamento de crises de asma. Bach descobriu as suas 
propriedades diuréticas e utilizou-as para a eclampsia. Mohard concluiu que: 
 
“as indicações da sanguessuga relacionam-se em primeiro lugar 
 
com as doenças do sistema venoso, em particular com as tromboses e as embolias, as flebites, 
as hemorróidas, as inflamações fleumonosas e os abcessos das amígdalas, bem como as 
inúmeras afecções oculares. Certas perturbações mentais são melhoradas, bem como as 
ocasionadas pela menopausa.” 
 
Diversos países utilizaram várias espécies: a Hirudo officinalis (espécie protegida) e a Hírudo 
trochina, na Europa; a Hírudo mysomelus no Senegal; a Hirudo granulosa, na índia, e a Hírudo 
sinica, na China. 
 
Actualmente as sanguessugas continuam a ser utilizadas em certos campos da medicina 
 
A utilização da sanguessuga pertence a uma arte terapêutica específica. 
O médico é, de facto, obrigado a escolher a frequência das aplicações, e 
 
também o local e o número de hirudíneas aplicadas. A hirudinoterapia 
 
156 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
comporta certas complicações, tais como, eventualmente, hemorragias ou 
 
a transmissão de doenças contagiosas. 
 
Actualmente, a indústria farmacêutica utiliza estes anelídeos para produzir a hirudina. As 
sanguessugas são ainda utilizadas actualmente num 
 
dos hospitais mais modernos de Nova Iorque, no serviço de microcirurgia pós-operatória. 
Outros hospitais (por exemplo, o Hospital Pellegrin de Bordéus) utilizam-nas em cirurgia 
cardiovascular e plástica. São também utilizadas nos reimplantes de dedos seccionados, quando 
o cirurgião não descobre veias pequenas. 
 
No passado as sanguessugas fascinavam, actualmente continuam a espantar-nos 
 
As sanguessugas fascinam o homem desde há séculos. Heródoto descreve a tarambola’ do 
Egipto que procura a sanguessuga de origem egípcia Ozobranchus quatrefagesi na goela dos 
crocodilos. Os viajantes contam que na Ásia vivem grandes sanguessugas “vampiras” que 
atacam os 
 
homens. Estas sanguessugas exóticas de grande dimensão, da família dos Haemapsidae, 
nidificam nas árvores ou nas ervas altas. Quando o homem passa na sua proximidade, atiram-se a ele às dezenas ou mais e fazem-lhe múltiplas sangrias, a tal ponto que o sangue continua 
a escorrer muito depois de se terem desligado da sua vítima. 
 
Os inúmeros caracteres biológicos dos hirudíneos permanecem desconhecidos. Os biólogos 
espantam-se com a sua extraordinária resistência ao jejum. Com efeito, as sanguessugas 
medicinais suportam privações de alimento durante 6 meses. Foram mesmo observados jejuns 
de 300 dias nas Hemiclepsis marginata. 
 
A sua capacidade de conservar o sangue é também espantosa. Durante semanas o sangue 
ingerido pelo animal não apresenta qualquer alteração: é possível desta forma observar corpos 
imunizantes e bactérias patogéneas assimilados pela sanguessuga juntamente com o sangue. 
São necessárias várias semanas e, por vezes, meses até começar a bemólise. 
 
‘ Tarambola: ave pernalta que vive à beira de água. 
 
157 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
As cinco principais indicações das sanguessugas 
 
No passado, as sanguessugas eram utilizadas em 3 ópticas diferentes (segundo o Tratado de 
Zoologia de Grasset): 
- Para efectuar sangrias importantes (a colocação simultânea de uma 
 
vintena de sanguessugas pode, em poucas horas, retirar meio litro de sangue). 
- Para uma sangria local numa região inflamada, de modo a acalmar 
 
os fenómenos dolorosos e congestivos. 
- Para uma sangria em locais suspeitos da formação de um coágulo (flebites). 
 
Eram particularmente aconselhadas nas partes do corpo onde não era 
 
possível colocar ventosas. -Graças à acção da hirudina, a sangria tem também uma acção anti-
infecciosa. Todavia o papel das bactérias simbióticas dos hirudíneos é ainda mal conhecido. 
Contudo a bactéria intestinal Pseudomonas hirudinis tem uma acção antibiótica particularmente 
eficaz contra o 
 
estafilococo dourado. 
- Por outro lado, existem inúmeros autores que afirmam a acção 
 
antialérgica (anti-histamínica) das hirudíneas. 
 
AS VENTOSAS NA TERAPIA MODERNA 
 
As ventosas foram abandonadas pela medicina moderna e substituídas por outros métodos 
terapêuticos, em particular pelos antibióticos e pelos medicamentos antálgicos. Podemo-nos 
interrogar se o abandono deste método não terá sido prematuro. Na verdade, quais são as 
razões (científicas ou técnicas) que motivaram o seu desaparecimento? Teria a medicina vivido 
um mito durante vários séculos? 
 
A crise que defrontam os métodos que as substituíram justificaria o 
 
retorno a esta terapia. Desta forma, nos Estados Unidos e na Europa central assiste-se ao seu 
regresso. Seria, por conseguinte, desejável lançar o debate sobre a utilidade das ventosas. 
 
158 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
Um inquérito médico prova a incontestável eficácia das ventosas 
 
Este debate é tanto mais necessário que se prevê que as ventosas serão provavelmente 
reutilizadas nos próximos anos. 
 
No catálogo da Biblioteca Interuniversitária de Medicina encontrámos apenas um único trabalho 
recente sobre esta matéria, datado de 1973. Contudo a excelente tese de doutoramento em 
Medicina de Alain Sonneville e algumas investigações históricas permitiram-nos encontrar 
respostas para várias perguntas sobre as ventosas. 
 
A. Sonneville fez um inquérito a 100 pacientes hospitalizados em 
 
diversos serviços, submetidos a uma terapêutica revulsiva por ventosa seca. Informou-se sobre 
os tipos de afecções para as quais estavam a ser aplicadas e os alívios resulantes em casos de 
dispneia, dores ou febres, bem como a influência dos modos terapêuticos que fizeram com que 
elas tivessem deixado de ser aplicadas. 
 
O efeito positivo sobre as dificuldades respiratórias é incontestável 
 
* 92% dos doentes sentiram, com efeito, um alívio imediato nas horas 
 
que se seguiram à aplicação de ventosas secas; * 32% observaram também uma diminuição 
da dor; * 26% observaram um abaixamento da temperatura. 
 
Entre as afecções tratadas com êxito, o inquérito de Sonneville enumera 55% de bronquites, 
7% de lumbagos, 25% de afecções gripais, 10% de asma, 8% de congestões pulmonares e 7% 
de pleurisias. 
 
Por outro lado, o mesmo inquérito interrogou 100 médicos de clínica geral franceses que 
tinham utilizado ventosas. As perguntas diziam respeito aos efeitos no plano funcional, sobre o 
aparelho broncopulmonar e circulatório (mecanismo meramente físico e mecanismo 
imunológico), sobre o aparelho neurológico e também as eventuais contradições e a 
 
necessidade de um estudo patogénico completo, fisiológico e anatómico, sobre as ventosas. 
 
Os médicos e os doentes ficam, na sua maioria, satisfeitos 
 
82% dos médicos estão persuadidos dos seus efeitos objectivos, enquanto 78% que utilizaram 
as ventosas com êxito acreditam nos seus 
 
159 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
efeitos subjectivos. Apenas 11 % pensam que os efeitos objectivos das ventosas são nulos. 
14% dos médicos ignoram o seu mecanismo de acção ‘ 
63% adiantam diversas hipóteses, entre as quais algumas não foram verificadas ou 
permanecem meras suposições. 70% consideram este método inofensivo, mas 26% evocam as 
suas diversas contra-indicações, em particular nos casos de hemoptise e de tuberculose. 6% 
observaram efeitos nocivos em afecções cardíacas e em perturbações da crase sanguínea. 
 
O inquérito revelou que os doentes tratados por ventosas se mostravam satisfeitos com os 
resultados dos tratamentos. Os médicos que as tinham preconizado também tinham ficado 
satisfeitos com os resultados obtidos. 
 
Por conseguinte, devemos deplorar que este método terapêutico tenha sido abandonado, sem 
que os mecanismos da sua acção no corpo tivessem sido analisados. 
 
Uma terapia já apreciada na Antiguidade 
 
As ventosas já eram utilizadas na Antiguidade. A história da revulsão torácica por meio de 
ventosas está ligada à da sangria e das sanguessugas. Os médicos da escola de Alexandria 
criticavam a utilização demasiado frequente da sangria e preconizavam a emissão localizada de 
sangue por meio de ventosas. Há 2000 anos, Asclépio da Bitínia aplicou ventosas secas e 
escarificadas. 
 
Segundo Próspero Alpinus, eram utilizadas pelos Egípcios para a 
 
extirpação de sangue viciado. Os médicos árabes reservavam-nas para tratar crianças com 
menos de 14 anos. 
 
Dioscórides preconizava a sua aplicação na região epigástrica em afecções hepatobiliares. 
 
Qual é a verdadeira acção das ventosas? 
 
Ao longo dos séculos diversas teorias propuseram uma explicação para o mecanismo das 
ventosas. A teoria depurativa ou desintoxicante foi provavelmente a primeira hipótese emitida 
ao longo da história. A experiência mais importante, inspirada nessa teoria, foi realizada por 
Bier. Foram efectuadas sucções por ventosas em dois grupos de cães nos quais tinha sido 
injectado veneno de cobra. Todos os animais submetidos à 
 
160 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
1 
 
sucção sobreviveram e desenvolveram uma patologia mínima, enquanto os animais picados e 
abandonados à s suas próprias defesas apresentaram perturbações convulsivas gravíssimas. 
 
Várias respostas não convincentes 
 
*A teoria derivativa ou descongestionante passiva baseia-se no 
 
fenómeno de um afluxo de massa sanguínea no território subcutâneo, libertando os órgãos 
profundos de uma estase nociva. 
*A teoria reflexa recorre a uma observação da diferença de reacção 
 
dos vasos sanguíneos sob a influência de uma excitação sensitiva. Segundo esta teoria as 
ventosas beneficiam o tecido pulmonar por meio de um impulso arterial acrescido e de uma 
estimulação periférica. 
*A teoria imunológica considera que a acção das ventosas implica a 
 
produção de anticorpos contra as proteínas eventualmente desnaturadas pelo extravasamento, 
ou contra as substâncias produzidas por catabolismo celular. Outros partidários desta teoria 
evocaram o 
 
fenómeno do choque coloidal ou peptónico. 
*A teoria sedativa considera em primeiro lugar a acção antálgica das 
 
ventosas. Ela recorre aos diversos fenómenos físicos, eléctricos e 
 
radioterapêuticos que podem inibir os reflexos.Deve acrescentar-se que os efeitos sedativos 
das ventosas foram observados desde a 
 
Antiguidade, muito antes da utilização farmacológica de substâncias calmantes. A sua acção 
antálgica não se limita às pontadas pneumónicas. Foi assinalada em inúmeros campos. É por 
esta razão que os cinesioterapeutas as utilizaram para aliviar algias, lumbagos ou torcicolos. 
 
Verificamos que foram propostas várias teorias para a acção das ventosas, todas elas mais ou 
menos criticáveis ou aceitáveis. Mas nenhuma delas foi capaz de dar uma explicação 
satisfatória. 
 
Três certezas científicas sobre a acção das ventosas 
 
Alain Sonneville, pela sua parte, não limitou as investigações a estudos estatísticos e 
bibliográficos. Para entender o modo como agem as ventosas fez uma série de experiências em 
animais e uma série de observações 
 
161 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
clínicas no homem. Estudou os factores hematológicos e biológicos. Examinou os parâmetros de 
tensão, as medições da numeração globular vermelha e branca, os valores espirométricos, tais 
como a ventilação máxima/minuto, o volume corrente, o volume expiratório máximo/segundo, 
os 
 
gases do sangue, as impressões deixadas pelas ventosas e os factores de coagulação por meio 
de trombociastogramas. 
 
Depois de efectuar estes estudos, propôs três processos diferentes de acção das ventosas: 
 
- um sistema reflexo imediato: melhoria funcional em caso de afecção 
 
infecciosa ou inflamatória, queda tensional moderada, leucopenia inicial, activação do sistema 
simpático; 
- um sistema humoral secundário: melhoria a longo prazo dos estados 
 
infecciosos e dispneicos, leucocitose tardia, libertação de substâncias humorais e de histamina; 
- e fenómenos acessórios. 
 
Uma alternativa aos antibióticos e aos antálgicos? 
 
Passaram-se vinte anos desde os estudos de Alain Sonneville. Actualmente estamos em plena 
crise dos antibióticos e dos calmantes. Por outro lado, o nosso conhecimento dos mecanismos 
imunológicos progrediu muito. Dispomos de técnicas e de investigações que há alguns anos 
eram inacessíveis. Talvez seja então o momento de retomarmos os estudos sobre as ventosas? 
 
Existem muitas terapias que tenham uma tal unanimidade, com 92% dos pacientes satisfeitos 
com a sua acção? 
 
Tentativa de explicação da terapia das ventosas mediante as teorias da medicina chinesa 
 
O dorso é percorrido por quatro meridianos. Também possui outros, conhecidos e utilizados em 
acupunctura e moxibustão (pontos de acupunctura aquecidos com a ajuda de cigarros de 
artemísia ou de cones de 
 
162 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
artemísia colocados sobre a pele). São estes os meridianos da “bexiga”, do ‘triplo aquecedor” e 
do “intestino delgado”. Todos estes meridianos são Yang, por oposição aos meridianos que lhes 
estão acoplados e que são chamados Yin (ex.: bexiga [Yang] acoplado ao dos rins [Yin] ... ). 
 
O meridiano da bexiga parte do ângulo interno do olho, sobe até à testa, passa por trás da 
cabeça e percorre as costas em duas linhas distintas, paralelas à coluna vertebral. Em seguida 
desce, ao longo da face interna da coxa terminando no dedo mindinho do pé. 
 
Este meridiano possui pontos, chamados Yu, que têm a particularidade de estarem em ligação 
activa com todos os órgãos do corpo. Estes pontos são aliás utilizados para expulsar o excesso 
de Yang (calor, dor, etc.). Desta forma temos uma relação com os rins, os pulmões (daí a 
relação da ventosa com as doenças causadas pelo frio), o fígado, a vesícula biliar... Entende-se 
melhor agora a importância que os médicos e os doentes atribuíam a esta terapia que lhes deu 
plena satisfação durante séculos. 
 
As indicações das ventosas são inúmeras 
 
Tosses, constipações, bronquites, doenças derivadas do frio, febres, lombalgias, reumatismos 
articulares, traqueítes, cansaço, nervosismo, perturbações digestivas, torcicolos... 
 
Como se colocam as ventosas? 
 
As ventosas assemelham-se a pequenos frascos de iogurte. Colocam- ~se, geralmente, entre 6 
e 24, conforme a afecção tratada e a corpulência do doente. Enrolado num pauzinho um pouco 
de al godão-em -rama, previamente embebido em álcool, incendeia-se no frasco já próximo da 
parte do corpo que vai ser tratada. Em seguida retira-se vivamente (1 segundo basta para 
efectuar o vazio no frasco), e coloca-se a ventosa sobre a pele. Recomeça-se a operação para 
todas as ventosas que se pretenda aplicar. 
 
- Através da acção de vácuo, a pele é atraída e incha ligeiramente no interior da ventosa. As 
ventosas ficam sobre a pele entre@ ]0 e 20 minutos. 
 
163 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
A LITOTERAPIA, OU TERAPIA PELOS MINERAIS 
 
Os minerais são um elemento importante na medicina tradicional. Realmente, o homem utilizou 
desde sempre as pedras para tratar certas doenças. 
 
As duas faces da litoterapia 
 
A litoterapia, tal como a fitoterapia, tem duas faces. Uma delas, “científica”, procura nos 
minerais uma fonte de microelementos, cuja acção pode ser demonstrada. A litoterapia 
científica demonstrou, por exemplo, a acção da dolomite. Este mineral deve o seu nome a um 
naturista e viajante suíço que lho atribuiu em honra de um geólogo francês, D. Dolomieu. A sua 
fórmula química é CaC03 Mgc03’ Nos anos 30 descobriu-se, graças aos trabalhos do Prof. 
Delbet, que em França as 
 
arterioscleroses e os cancros eram menos frequentes em terrenos ricos em dolomite. Explica-se 
assim o papel protector do magnésio na regulação enzimática e na permeabilidade das 
membranas celulares. 
 
De qualquer modo a litoterapia é pouco estudada pelos cientistas. 
O aspecto esotérico-místico, a sua segunda face, que procura a relação entre as partes do 
corpo humano e as pedras, é provavelmente uma das razões desta situação. É difícil encontrar 
um equilíbrio entre estas duas correntes de pensamento, apesar de a biologia electrónica e de a 
física moderna reconhecerem que os “amuletos de pedra”, desprezados pela medicina oficial 
cartesiana, podem influenciar o estado energético do organismo e ter um papel no equilíbrio 
saúde-doença. 
 
As pedras medicinais 
 
É interessante notar que a origem dos nomes de certas pedras está ligada às práticas médicas 
ancestrais. Assim a “nefrite” deve o seu nome à acção curativa do pó dessa variedade de jade 
nas doenças dos rins (do grego, nephros). Além disso, na quase totalidade das grandes 
tradições medicinais (e religiosas) encontram-se práticas nas quais a utilização das pedras 
preciosas era corrente. 
 
164 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
Também não é um acaso o facto de as investigações dos alquimistas sobre a “pedra filosofal” 
os ter levado a transmutar os metais em ouro e a tratar todas as doenças. 
 
Acreditava-e que as pedras protegiam o seu possuidor contra as grandes epidemias, e os 
amuletos orientais sobreviveram aos impérios orientais. 
 
- As pedras assírias serviram durante vários séculos para facilitar o 
 
parto. -0 beosar (produto mineral proveniente do estômago dos antílopes e 
 
das cabras) era um detector e um antídoto dos venenos. Os povos nómadas da Ásia Central 
utilizam-no até hoje. -0 berilo trata a rinite e protege contra os abortos. 
- O crisólito elimina a falta de ar e diminui os riscos das doenças 
 
respiratórias. 
- O quartzo foi apreciado porque prevenia e curava a cólera, as intoxicações digestivas, as 
enxaquecas e era um antídoto contra o arsénico. 
- A ametista foi utilizada para tratar as ulcerações. -0 jaspe permitia estancar as hemorragias. -
0 rubi era a pedra da juventude eterna e tinha a capacidade de 
 
regenerar os tecidos. 
- A safira é ainda utilizada nas doenças dos olhos. Alguns pretendem, 
 
até, que a sua radiação é tal que pode fazer desaparecer os cancros. 
 
-Os antigos médicos utilizavam o pó de coral misturado com azeite 
 
para curar problemas auditivos e de surdez. Quanto a Paracelso, este prescrevia o coral branco 
para tratar a epilepsia e as intoxicações. 
- O pó de pérolas misturado com leite preservavae permitia manter 
 
uma bela voz. Na índia, ainda hoje, esta preparação serve para lavar os olhos dos recém-
nascidos de modo a preveni-los contra futuros problemas oculares. 
 
Inúmeros investigadores pensam que o estado de saúde se caracteriza pelo equilíbrio 
energético do organismo. Avançam a hipótese de que os 
 
minerais estão em relação com as radiações cósmicas e têm um campo magnético semelhante 
aos dos diversos órgãos do corpo humano. Os campos magnéticos emitidos pelas pedras 
preciosas têm, por conseguinte, a capacidade de reequilibrar o campo magnético corporal. Esta 
teoria 
 
165 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
energoterapêutica explica por que motivo certos doentes se sentem aliviados quando estão na 
presença de pedras preciosas. Desta feita, os 
 
cristais de quartzo acalmam as personalidades stressadas e, além disso, teriam a capacidade 
de rearmonizar as emissões energéticas. 
 
QUADRO DAS RELAÇÕES ENTRE OS PLANETAS, OS óRGÃOS E AS PEDRAS 
 
Sol, Lua ou planeta 
 
órgão do corpo humano 
 
Pedra 
 
Sol 
 
Coração, circulação sanguínea. 
 
Diamante, rubi, crisólito, calcedónia (crisópraso e heliótropo). 
 
Lua 
 
Linfa, figado, estômago, garganta, mucosas. 
 
Esmeralda, opala, berilo (variedade de água-marinha), selenite, malaquite, pedra da Amazónia, 
coral branco, nefrite. 
 
Mercúrio 
 
Cérebro, sistema nervoso. 
 
Jaspe, crisólito, topázio, calcedónia (cornalina). 
 
Vénus 
 
Seios, góriadas. 
 
Esmeralda, ágata, pérola branca, coral rosa, berilo (variedade de água-marinha), safira, 
topázio, quartzo, turmalina. 
 
Marte 
 
Veias, góriadas, metabolismo geral. 
 
Rubi, diamante, granada, opala, espinela, hematite, coral vermelho. 
 
Júpiter 
 
Fígado, desenvolvimento celular, aorta. 
 
Safira, ametista, turquesa, lápis-lazúli e 
 
todas as pedras azuis. 
 
Saturno 
 
Ouvido, boca, dentes, baço, sistema ósseo. 
 
Ónix, pérola preta, calcedónia, ágata, espinela azul-marinho. 
 
úrano 
 
Sistema nervoso central. 
 
Alexandrite, âmbar, turquesa verde, zircónio, jacinto. 
 
Neptuno 
 
Olhos, cérebro, capacidades mentais. 
 
Turmalina, berilo (variedade de água-marinha), ametista, coral branco. 
 
Plutão 
 
Sistema imunitário. 
 
Granada. 
 
166 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
Quatro substâncias minerais com poderes de cura 
 
Entre as inúmeras substâncias minerais utilizadas em terapia, seleccionámos quatro que vos 
apresentaremos, a seguir, com mais pormenores. 
 
O MÚMIO, OU “BÁLSAMO DAS MONTANHAS” 
 
O múmio (múmia, mummy ou bálsamo das montanhas) é uma substância balsâmica que se 
encontra nas montanhas da Sibéria, nos Himalaias, no Irão e na Mongólia. Os cientistas 
confirmam que as propriedades do múmio, independentemente da sua origem, têm as mesmas 
características terapêuticas. 
 
As propriedades curativas ancestrais do “bálsamo das montanhas” 
 
Desde há mais de 2000 anos que os povos asiáticos o utilizam por via interna e externa para 
tratar entorses, asma, doenças gastrointestinais, diversos problemas respiratórios e a 
gangrena. Para os povos siberianos o múmio tem o mesmo papel que os antibióticos para os 
ocidentais. Ele fazia parte da farmacopeia de Avicena. 
 
Engelbert Kampfer, viajante, médico e naturista (a quem devemos também a descoberta do 
Gingko biloba), foi provavelmente também o 
 
primeiro europeu a descobrir e descrever os estranhos poderes do “bálsamo das montanhas”. 
Em 1717, Kampfer, convidado pelo xá da Pérsia, constatou que os habitantes do Golfo Pérsico 
consideravam o múmio, uma substância cara e preciosa, como uma dádiva dos céus. A sua 
utilização era estritamente reservada às pessoas próximas da família imperial. A descoberta, a 
verificação e a autenticidade dos novos jazigos eram 
 
acompanhadas de grandes festejos. O soberano cedia, por vezes (mas raramente), um pouco 
de múmio aos guerreiros nobres, feridos nas batalhas. 
 
Esta substância, na época de Paracelso, conheceu também uma voga excepcional. Finalmente, 
os Egípcios chamavam ao múmio “ensani”, o que significa “substância humana por excelência”. 
Engelbert Kampfer observou-lhe as capacidades curativas e no seu Ameonitum exoticarum 
 
167 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
descreveu a consolidação de fracturas em três dias, nas crianças, e num 
 
dia, nos pássaros feridos. 
 
Os Siberianos utilizam os animais para descobrir novos jazigos’ já que os mamíferos feridos 
procuram o múmio para se tratar. A mitologia siberiana associa a presença do “bálsamo das 
montanhas” aos mamutes, animais mágicos e omnipresentes nas crenças do Norte da Ásia. 
 
Em 1956, o Dr. Shakirov de Tachekent descobriu um jazigo muito rico 
 
de uma substância betuminosa que ele utilizava no tratamento de fracturas e para a 
regeneração tissular. Os institutos de investigação, tanto soviéticos como americanos, 
demonstraram a heterogeneidade dos múmios provenientes de diversas regiões. Actualmente 
só existem vinte locais de exploração. 
 
A riqueza da composição química do múmio 
 
Os químicos russos falam da existência de nove classes diferentes. Estas diferenciam-se pelas 
suas propriedades físicas: a estrutura granular, resinosa (chamada na Sibéria “manteiga de 
pedras”) ou líquida, a solubilidade na água e a composição química. De qualquer forma, todas 
as 
 
classes são suficientemente parecidas para terem sido repertoriadas num mesmo tipo. 
 
A análise química do múmio mostra a grande riqueza da sua composição. O “bálsamo das 
montanhas” contém proteínas, nove aminoácidos, esterídios, ácido hipúrico, ácido benzóico, 
resinas e compostos inorgânicos: sílica, alumínio, magnésio, cálcio, nátrio, potássio, manganês, 
níquel, cobalto, crómio, molibdeno, berílio, cobre, paládio, zinco, gálio, bário, fósforo e titânio. 
A riqueza química do múmio é tal que os químicos russos dizem que contém todos os 
elementos conhecidos. 
 
A controvérsia acerca da origem do múmio 
 
As teorias relativas à origem do múmio são muito controversas. A datação isotópica fornece 
uma hipótese que vai dos 800 milhões aos 
 
3 milhões de anos. Certas categorias de múmio contêm resíduos vegetais entre os quais uma 
parte é composta de restos de espécies cambricas. Outras amostras não contêm nenhuns 
vestígios de plantas. Além disso, os 
 
investigadores avançam várias hipóteses: seria de origem animal, vegetal, vulcânica ou mesmo 
cósmica? Quanto a certas teorias originais e, por 
 
168 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
vezes, muito fantasistas, essas são mais que muitas e pretendem que o 
 
múmio seria proveniente de restos de mamutes ou até de dinossauros. 
 
As incríveis proprieda(les do múmio 
 
As investigações e as experiências clínicas confirmam a grande capacidade regenerativa do 
múmio. Esta capacidade polivalente permitiria tratar com a mesma eficácia tanto a 
consolidação de fracturas como as 
 
doenças degenerativas. A imprensa russa menciona a eficácia do múmio em inúmeros casos 
reconhecidamente incuráveis. Todavia, até à data, ainda não foi apresentada nenhuma 
explicação cientificamente válida sobre o mecanismo do múmio. Os médicos ocidentais 
confirmaram também a sua forte acção bacteriostática. O múmio é por conseguinte um 
“antibiótico natural” por excelência. 
 
Finalizando, o múmio está, provavelmente, na origem dessa misteriosa pomada anti-
inflamatória utilizada pelos médicos do exército russo durante a guerra contra o Afeganistão. A 
grande surpresa dos médicos russos foi a de constatar as capacidades regenerativas do múmio 
em patologias que surgiam no seguimento de irradiações. Mas neste campo as investigações 
continuam em fase experimental. 
 
Um último comentário interessante: esta substância está disponível (e a preços acessíveis) em 
todos os países da Europa Central e Oriental. 
 
A 0ZOQUERITE: UMA CERA NATURAL 
 
O nome ozoquerite provém de duas palavras gregas: ozein (sentir) e keros (cera). A substância 
também é chamada “cera das montanhas” ou 
14 cera natural” e é comparável à cera de abelhas. Além disso é uma resina mineral com uma 
origemidêntica à do petróleo. 
 
O jazigos de ozoquerite, existem em diversas regiões do mundo: na Roménia, na Polónia, na 
Ucrânia (o maior jazigo do mundo encontra-se na Boristávia), na Áustria, na Eslovénia, nos 
Estados Unidos, no Tajiquistão e no Usbequistão. A ozoquerite da Escócia, de França (vale do 
Loire) e do País de Gales distingue-se das de outras proveniências e por este motivo é chamada 
elateríte ou “hatchetin”. 
 
A sua cor pode ir do amarelo-esverdeado ao castanho, passando pelo preto. É facilmente 
combustível, e o seu cheiro é semelhante ao da cerasina. 
 
169 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
É utilizada na indústria de cosméticos e de têxteis e pode substituir a cera 
 
de abelhas. 
 
A ozoquerite: uma penicilina mineral 
 
Avicena prescrevia-a para o tratamento de hemorragias, fracturas e 
 
dores de cabeça. Mas a ozoquerite está muito divulgada na medicina popular russa. Além disso, 
neste país esta substância é muito acessível e 
 
pouco dispendiosa. A sua grande reputação começou na ex-URSS em 
1942, quando foi utilizada pelos médicos do exército para tratar feridas e fracturas nos 
soldados. Descobriram-se então os seus poderes bactericidas e antibióticos, que são 
comparáveis e, por vezes, até superiores aos da penicilina. 
 
As indicações da ozoquerite 
 
A ozoquerite pode ser utilizada por via externa, oral, rectal ou vaginal. O seu mecanismo de 
acção é pouco conhecido. Durante o trata~ 
 
mento observa-se uma melhoria da circulação sanguínea (daí a sua 
 
utilidade no tratamento da arteriosclerose), mas também estimula a regeneração dos nervos 
periféricos e melhora as polinevrites. Na Ucrânia é prescrita na balneoterapia e nas curas 
termais. No tratamento de gastrites e de doenças intestinais os médicos russos prescrevem-na 
como 
 
terapia complementar. 
 
A série de experiências feitas no início dos anos 40 está na base da sua prescrição em 
ginecologia. Tem efeitos ostrogénicos e, por conseguinte, é utilizada em casos de insuficiência 
ovariana e em inflamações. 
 
Em pediatria é prescrita contra inflamações, broncopneumonias e 
 
poliomielite. Uma das suas vantagens, a não negligenciar, está ligada ao 
 
facto de não ter qualquer efeito secundário sobre o sistema imunitário das crianças. 
 
Referir, ainda, que a ozoquerite diminui as alterações dermatológicas ligadas à radioterapia. Em 
razão da sua acção vascular está indicada no 
 
tratamento de certas doenças corno as úlceras e os eczemas crónicos. 
 
As experiências russas demonstraram que quando é utilizada localmente aumenta a 
permeabilidade capilar e melhora a circulação. A sua 
 
170 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
acção fortemente anti-i n fiam atória é cada vez mais reconhecida pela medicina oficial. 
 
E, para finalizar, a ozoquerite opõe-se à decomposição da matéria viva, daí o fenómeno de 
conservação de animais pré-históricos encontrados em 
 
perfeito estado de conservação. O mais célebre é provavelmente o rinoceronte de Estarúnia, na 
Galícia (exposto no Museu de Zoologia de Cracóvia, na Polónia). 
 
O MISTÉRIO DA “PEDRA DAS SERPENTES” 
 
Quando se consultam os antigos jornais e publicações, encontram-se informações enigmáticas 
e misteriosas. 
 
Uma história enigmática 
 
Assim, na revista mensal Nature, de 1906, o Dr. A. Gartaz fez um comunicado sobre a pedra 
indiana das serpentes. Na índia os répteis são responsáveis, todos os anos, por várias dezenas 
de milhares de acidentes mortais. Os indígenas serviam-se deste talismã contra as mordeduras 
de serpentes e outros animais venenosos. As pedras eram preparadas pelos brâmanes e, 
segundo as crenças populares, eram dotadas de poderes sobrenaturais. Protegiam a vida dos 
encantadores de serpentes, frequentemente vítimas das mordeduras dos seus répteis. 
 
Faraday, no início do século, fez a análise química de uma delas, proveniente da região de 
Hyderabad. O seu primeiro comentário foi a 
 
constatação de que a pedra não passava de um fragmento de osso calcinado cheio de sangue e 
passado no lume. 
 
Por seu lado, o Dr. Watkins-Pitchford, de Pietermaritzburgo (África do Sul), testou a pedra de 
acordo com a directivas indianas. Aplicou-as no 
 
local da mordedura, depois de molhar previamente a ferida com um pouco de água. Mas os 
testes sul-africanos não confirmaram a sabedoria popular indiana. 
 
Seis perguntas continuam em suspenso 
 
A diferença entre as espécies de répteis sul-africanos e indianos e por Conseguinte entre os 
venenos seria, talvez, a causa? 
 
171 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
A pedra agiria apenas em pequenas doses de toxina? Seria ela eficaz apenas nos humanos (a 
experiência foi feita em coelhos)? 
 
A pedra, talvez, não tivesse suportado a longa viagem (nessa época eram necessárias várias 
semanas para ir da índia até África)? 
 
As pedras testadas, talvez, não fossem verdadeiras “pedras das serpentes”? 
 
A pedra seria uma mera crença, a última esperança que resta às pessoas mordidas por uma 
cobra? 
 
Seria, sem dúvida, interessante examinar de novo esta pedra misteriosa de modo a ficarmos 
definitivamente elucidados e sabermos enfim se esta “pedra das serpentes” tem algum poder 
terapêutico. 
 
O ÂMBAR: UM PRECIOSO MEDICAMENTO DESDE A ANTIGUIDADE 
 
Desde a mais recuada Antiguidade que o âmbar foi um dos medicamentos mais preciosos da 
farmacopeia europeia. 
 
A sua prestigiosa história 
 
DiócIes foi o primeiro médico grego, conhecido dos historiadores, a 
 
aconselhar a sua utilização em preparações médicas. Atribuía a esta pedra capacidades 
purgativas, anti-reumatismais e anti-hemorrágicas. 
 
Os naturistas gregos foram também os primeiros a tentar explicar a 
 
origem do âmbar. Para eles esta pedra provinha da urina de certos animais, em particular do 
lince. 
 
Dioscórides, Teofrasto e Galiano mencionaram o valor médico desse “ouro do norte”. Plínio, o 
Antigo, e Callistratus citam-no nas suas obras que descrevem os remédios que receitavam. 
Acreditava-se que o âmbar ajudava contra os males da garganta e protegia as amígdalas. Foi 
também prescrito como colírio associado a óleo de rosas e mel. Era, ainda, utilizado na 
preparação de um vinho para tratar a icterícia. Contudo, é difícil saber se o conhecimento 
antigo das virtudes do âmbar provinha das observações dos médicos gregos, romanos ou 
árabes. 
 
A tradição da Idade Média coloca o âmbar entre os seis medicamentos mais eficazes. Segundo 
Santa Hildegarda, o âmbar macerado em vinho ou 
 
172 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
cerveja trata as dores de estômago. No livro de Agrícola (1554), o âmbar em solução tem uma 
acção anti-hemorrágica e, no vinho, trata as doenças do estômago. Santa Hildegarda e 
Culperer aconselham-no para resolver problemas urinários. Os médicos dessa época utilizam-
no também para tratar os reumatismos, a epilepsia e também, segundo Alberto, o Grande, 
para... examinar a virgindade. 
 
Durante as grandes epidemias era utilizado em fumigação para prevenir contra a peste. Era por 
conseguinte um dos remédios mais caros nessa época. A sua utilização era reservada aos 
privilegiados, aos reis e aos papas. A Ordem dos Cavaleiros Teutónicos tentou monopolizar a 
sua 
 
exploração. A comercialização em territórios polacos e lituanos era aliás controlada por estes 
cavaleiros teutónicos. 
 
Actualmente as investigações recomeçam 
 
Actualmente, entre os célebres pacientes tratados com âmbar podemos citar Martin Luther 
King, que graças a este medicamento se livrou dos cálculos renais. Compreende-se, aliás, mal 
que esta pedra medicinal tão rica não tenha sido devidamente estudada. Mas ultimamente a 
sua grande capacidade de produção de iões negativos, bem como alguns dos seus 
 
componentes aromáticos, é objecto de investigações aprofundadas. 
 
O âmbar continua a ser utilizado na medicina popular de certas regiões da Polónia e dos Países 
Bálticos, como medicamento anti-reumatismal. Preparações homeopáticas de âmbar são 
comercializadas na Alemanha e na Polónia. Na Rússia os médicos utilizama vitamina D3, 
extraída do âmbar. 
 
Como se utiliza o âmbar? 
 
Ao longo dos séculos e de acordo com os autores, foram preconizadas diversas preparações. 
Seleccionámos algumas receitas, fáceis de preparar: 
 
- O âmbar jóia: @@)loea-se directamente em contacto com a pele, em 
 
medalhão, especialmente no Inverno durante o tempo frio. É particularmente recomendado a 
pessoas sujeitas aos inconvenientes derivados das mudanças de estação (resfriamentos, gripes, 
constipações, bronquites, tosse, dores de garganta, etc.). 
 
173 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
Macerado em vinho: escolha um vinho tinto de boa qualidade. Deixe macerar o âmbar durante 
24 horas e depois ferva-o. Esta preparação era especialmente utilizada para as dores de 
estómago (úlceras?), os cálculos renais e as hemorragias. óleo de âmbar: deixe macerar um 
pedaço de âmbar, durante 8 dias, num litro de azeite. Este azeite pode ser utilizado no tempero 
de saladas e outros vegetais crus. 
 
Esta preparação está mais indicada para combater o stress, a angústia e as depressões. 
 
A ESPELEOTERAPIA OU TERAPIA NO SUBSOLO 
 
A espeleoterapia é uma terapia baseada na acção curativa das caves e 
 
das formas subterrâneas. 
 
Nas grutas e nas minas de sal 
 
Desde 1949 que existe uma estação termal subterrânea na Áustria, na 
 
região de Salzburgo, perto de Badenstein. Nesta estação os médicos austríacos obtêm 
excelentes resultados no tratamento de afecções reumatismais (reumatismos degenerativos), 
perturbações da circulação e em certos casos 
 
de artrite. Por outro lado, na Hungria, na região de Braradala, o Dr. Dudech criou uma cura 
para asmáticos, situada a 50 metros abaixo do solo. 
 
As primeiras experiências de espeleoterapia datam do século xix. O Dr. Crogham, para tratar os 
seus pacientes tuberculosos, fazia-os passar cinco meses numa gruta do estado de Kentucky. 
 
As minas de sal têm um lugar muito especial na espeleoterapia. Já em 
 
1740, uma carta endereçada a Henry Baker, secretário da Royal Society, por John Mouney, 
médico inglês do exército russo, descrevia o perfeito estado de saúde dos mineiros que 
trabalhavam nas minas de sal de Wieliezka, perto de Cracóvia, na Polónia. Nessa época um 
naturista francês, Jean Étienne Guettard, dedicou uma obra completa a essa mina de sal. 
Actualmente a mina de Wieliczka está protegida e faz parte do patri174 
OS TRATAMENTOS INJUSTAMENTE ESQUECIDOS 
 
mónio mundial da UNESCO. Uma parte contém um museu, e a outra foi transformada em 
hospital onde, a 210 metros abaixo da terra, desde há trinta anos, são tratados com êxito casos 
de asma e todas as doe"cas respiratórias. 
 
A eficácia da espeleoterapia está relacionada com a especificidade do meio 
 
É difícil explicar o fenómeno curativo da espeleoterapia e, em particular, das minas de sal. 
Evoca-se a especificidade do clima, a estabilidade da pressão atmosférica, a ausência de 
alergénios e de microrganismos patogénicos, a presença de pequenas quantidades de 
movimentos impetuosos e os efeitos da ionização das pequenas partículas de sal. 
 
Como é evidente, todas estas condições favorecem uma boa ventilação dos pulmões, mas as 
investigações feitas na Rússia demonstram também a acção da espeleoterapia e das minas de 
sal no que diz respeito à estimulação directa do sistema imunitário do homem. Finalmente, 
todas as investigações sobre as diferentes formas de vida mostraram que estas beneficiam de 
um ecossistema bem particular, muito distinto dos outros ambientes. 
 
175 
O REDUCIONISMO, UMA ARMADILHA 
 
A EVITAR 
 
O 
 
reducionismo é a causa principal da crise do pensamento médico ocidental da nossa época. Se, 
por um lado, não nos é difícil entender que uma teoria que reduz os fenómenos complexos a 
um único factor seja sedutora, sabemos também que é a investigação científica que obriga os 
investigadores a tornarem-se reducionistas. Porque é impossível estudar a vida e a saúde em 
toda a sua complexidade e permanecer cientificamente credível. Este tipo de fenómeno é bem 
conhecido. 
 
COMO SE CHEGOU AO REDUCIONISMO 
 
NA MEDICINA? 
 
Em primeiro lugar escolhem-se os problemas acessíveis aos estudos e aqueles que têm a 
possibilidade de ser resolvidos. Não nos preocupamos com aqueles que, no estado actual dos 
nossos conhecimentos, não têm qualquer hipótese de solução, como sabemos de antemão. 
Considera-se que são inexistentes. Desta forma obtém-se uma caricatura do método 
cartesiano, pelo facto de se rejeitar tudo o que é duvidoso ou incerto. 
 
A ciência moderna só se preocupa com o acessível, cuja solução lhe parece possível. Além 
disso, considera-se que a realidade de laboratório, totalmente artificial, é idêntica à que se 
encontra na Natureza. Em seguida, pretende-se que o conhecimento do comportamento de 
algumas moléculas é suficiente para descrever todos os parâmetros dos organismos vivos. 
Esquece-se facilmente que, por exemplo, a física clássica (newtoniana) é incapaz de descrever 
sistemas compostos por... três bolas de bilhar e que a ciência moderna não consegue 
compreender o mecanis177 
O REDUCIONISMO, UMA ARMADILHA A EVITAR 
 
mo da formação... das bolhas de champanhe. Desta forma, a ciência, que deveria ser uma 
ferramenta de conhecimento do mundo, transforma-se na força criadora de um novo mundo 
que, infelizmente, está nos antípodas do mundo real. 
 
A medicina reduz os factos a uma causa única 
 
Podemos pensar que estas reflexões sobre a ciência moderna não têm nada em comum com os 
problemas de saúde que defrontamos diariamente. Mas a medicina é provavelmente o mais 
reducionista de todos os nossos conhecimentos. Além disso, é o mais hipócrita porque, 
contrariamente à física ou à biologia modernas, os médicos continuam à procura de meios 
milagrosos. Pretendem compreender a maioria dos problemas, que sã o muito mais 
complicados do que, por exemplo, a formação das bolhas de champanhe. 
 
A medicina é reducionista nas suas investigações sobre a causa das doenças ao tentar quase 
sempre limitá-la a um único factor. É também reducionista na investigação dos mecanismos 
patológicos e dos remédios, porque, se a doença é causada@ por um factor (microrganismo, 
carência de um elemento, gene, etc.), basta agir sobre esse factor único (antibiótico, 
suplemento alimentar, terapia genética) para recuperar a saúde. 
 
Pensamos que esta lógica é eficaz apenas em alguns casos raros. Nos restantes, para preservar 
a saúde, é indispensável agir sobre vários factores. O nosso principal conselho é, por 
conseguinte, vigiar as nossas condições de vida e agir de modo a proteger o nosso meio 
ambiente. 
 
LUTAR PARA QUE A MEDICINA NATURAL NÃO CONSTITUA UMA AMEAÇA PARA A NATUREZA 
 
“... a fauna e aflora selvagens constituem um elemento insubstituível dos sistemas naturais, 
que deve ser protegido contra a sobreexploração pelo comércio internacional.” 
 
O desaparecimento das espécies e o empobrecimento da riqueza natural são as consequências 
mais graves da actividade humana. Ninguém pode fornecer um número exacto das espécies 
animais e vegetais que 
 
178 
O REDUCIONISMO, UMA ARMADILHA A EVITAR 
 
vivem no nosso planeta, e ninguém tem a possibilidade de fornecer números sobre a extinção 
total de algumas delas. Contudo, as estimativas são muito pessimistas, já que os botânicos 
afirmam que todos os dias desaparecem uma ou duas espécies de plantas superiores. Do início 
dos anos 80 até ao final do século, 40 000 plantas superiores terão definitivamente 
desaparecido. 
 
Como foi possível chegar-se a esta situação? 
 
As principais causas desta situação foram a alteração do ambiente e a destruição dos habitat 
naturais. Todavia não devemos negligenciar o 
 
papel da colheita e da comercialização incontrolada das espécies selvagens. Com uma 
facturação de cerca de 30 mil milhões de francos, o tráfico relacionado com a fauna e a flora é 
considerado como a terceira actividade comercial ilícita, a seguir à das drogas e das armas. 
 
O transporte de plantas e de animais selvagens gera diversos problemas:em primeiro lugar, 
favorece a extinção das espécies. Em segundo lugar, a introdução de organismos novos na 
natureza do país destinatário tem consequências: podemos citar a tartaruga da Florida que 
constitui uma ameaça para a cístude (tartaruga) indígena de França, ou a rã sul-americana 
introduzida em Itália. Além disso, os organismos transplantados podem ser os vectores de 
diversas doenças (a tortue-salmonelose). Para finalizar, é importante realçar as condições 
cruéis de transporte, responsáveis pela mortalidade de 62% dos pássaros provenientes do 
Senegal e de 55 % dos provenientes do México. 
 
Qual é o papel da medicina natural neste tráfico indigno9 
 
O carácter ilícito, bem como a determinação difícil dos destinatários de certas orquídeas, 
cactáceas ou corais, tornam impossível avaliar o 
 
impacto da medicina natural na destruição das espécies ameaçadas. Todavia, desde o 
desaparecimento do “sifilon” - planta contraceptiva da Grécia antiga, cuja colheita intensiva 
ocasionou a sua completa extinção 
- sabemos com exactidão que a prática medicinal (mesmo dita natural) pode ser a causa 
directa da destruição total de uma espécie. 
 
179 
O REDUCIONISMO, UMA ARMADILHA A EVITAR 
 
Os historiadores das ciências e os botânicos dedicam uma grande parte das suas investigações 
à descoberta das plantas dos Antigos. Frequente- mente, não conseguem determiná-las nem 
inseri-ias no nosso sistema taxinómico. Estará esta dificuldade exclusivamente relacionada com 
as dificuldades linguísticas? É muito provável que, pelo menos em certos 
 
casos, seja o seu desaparecimento que torna a identificação impossível. 
 
As principais espécies de fauna ameaçadas 
 
Entre as espécies ameaçadas pelo mercado da medicina natural podemos até encontrar animais 
de grande porte. 
 
Desta forma, na medicina chinesa utilizam-se os ossos de tigre para tratar as úlceras, os 
reumatismos articulares e musculares, o paludismo, a febre tifóide e para aliviar as dores. O 
grande mercado de pó de osso 
 
(aplicado debaixo das unhas dos pés para queimaduras e erupções cutâneas) e as bebidas 
alcoólicas, fabricadas com ossos, são a principal causa da caça furtiva a este animal. Estima-se 
que no ano de 1991 mais de 30 000 garrafas de bebida de osso de tigre foram enviadas da 
China para Hong Kong, Singapura, Malásia, Tailândia e para todos as partes do mundo onde 
existe uma diáspora chinesa, particularmente na Europa Ocidental e nos 
 
Estados Unidos. O preço dos ossos varia muito: na fronteira chinesa, 1 kg pode valer até 270 
dólares (um tigre de pequeno porte tem um esqueleto de cerca de 7 kg). É por isso que em 
certas regiões a situação dos tigres se torna muito crítica devido à caça furtiva supostamente 
“medicinal”. Desta forma, o número de tigres no Parque Nacional de Ranthaombar, índia, é 
inferior a 14. 
 
Os efectivos mundiais de rinocerontes passaram de 80 000, nos anos 
 
70, para 11 000 actualmente. A caça furtiva de rinocerontes é a razão principal da sua 
progressiva extinção. Esta situação persiste apesar de mais de 100 países perseguirem os 
traficantes e os indivíduos que comercializam os cornos destes animais. A procura de cornos é 
muito grande porque a medicina tradicional chinesa utiliza-os contra as febres, a epilepsia, a 
malária, os envenenamentos, os abcessos e, especialmente, a impotência. Três anos de prisão 
e uma multa constituem a sanção para as pessoas que comercializam ou utilizam o corno de 
rinoceronte na 
 
180 
O REDUCIONISMO, UMA ARMADILHA A EVITAR 
 
Formosa (centro mundial deste tráfico). Mas as inúmeras apreensões efectuadas por diversos 
países, por exemplo, 21 chifres apreendidos ultimamente pela polícia belga a um comerciante 
de Bruxelas, mostram que os 
 
caçadores furtivos não hesitam em arriscar a sua liberdade. 
 
Por outro lado, a utilização de “castóreo”, sedativo nervoso, antiespasmódico, estimulante 
vascular e um dos seis remédios panaceia da Idade Média, foi provavelmente uma das causas 
da caça e do desaparecimento do castor na Europa. Graças à sua reimplantação podemos 
encontrá-lo em 
 
diversos rios da Europa Ocidental e Central. Infelizmente, existem provas de que este animal se 
tornou, de novo, alvo dos caçadores furtivos. 
 
A caça ilegal ameaça também a população de arganazes nos Cárpatos. A gordura deste animal 
é utilizada como remédio contra os reumatismos. 
 
Os ursos pretos asiáticos, os ursos dos coqueiros e os baribalas estão ameaçados pela 
comercialização da sua vesícula biliar. A Coreia do Sul é o centro mundial do comércio e do 
tratamento deste produto. As vesículas biliares são secas e reduzidas a pó e, em seguida, 
utilizadas em chá ou sob a forma de infusão para tratar as hemorróidas, as infecções 
intestinais, a hepatite e a icterícia. 
 
As serpentes são, frequentemente, também objecto de tráfico. Em certas culturas africanas os 
amuletos de pele de serpente protegem contra as 
 
doenças dos olhos. Na América Latina utilizam-nas para tratar as fracturas. Na Ásia são 
preconizadas contra os reumatismos. Na medicina grega a serpente é um dos componentes da 
célebre “grande teriaga”. Este medicamento foi utilizado na Europa durante mais de dez séculos 
como 
 
remédio contra as mordeduras de serpentes e contra a raiva, a peste e a varíola. Ao longo da 
história existiram outras substâncias que serviram para tratar as mordeduras de serpentes, em 
particular o corno do unicórnio marinho. Foi aliás por este nome que os Antigos designaram o 
narval, mamífero actualmente raro e ameaçado de extinção total. 
 
A utilização do almíscar, produzido por certos mamíferos e por um pequeno cervídeo, pela 
indústria de cosméticos e pela farmacopeia tradicional é uma ameaça para as populações. Ora a 
colheita do almíscar pode ser feita sem matar o animal, e existem na China unidades de 
produção especializadas nisso. Mas a procura desta misteriosa substância (o almíscar é 
composto de hormonas sexuais, de colesterol e de substâncias cerosas) é tão importante que a 
caça furtiva persiste, especialmente nos Himalaias 
 
181 
O REDUCIONISMO, UMA ARMADILHA A EVITAR 
 
e na Sibéria. Ele é depois revendido na Europa e na América, e é impossível distinguir do 
almíscar proveniente da caça furtiva o almíscar proveniente das unidades legais de produção. 
 
A abertura das fronteiras na CE agrava ainda mais a situação de diversos animais, entre os 
quais se encontram as víboras da Europa Central e Ocidental, que servem para confeccionar 
pomadas (certas serpentes são mesmo utilizadas vivas), os alces e os veados por causa dos 
seus cornos, que são utilizados depois de pulverizados. Na Checoslováquia existem vários 
“estabelecimentos turísticos” especializados em viagens a África, a Espanha, a França ou à 
Alemanha. Estes “turistas” de um género muito especial importam animais exóticos, em 
particular répteis, insectos e aranhas provenientes de África, e comercial utiliizam-nos em 
França ou na Alemanha. 
 
As principais espécies de flora ameaçadas 
 
Certas explorações medicinais põem em perigo inúmeras espécies vegetais. A Prunus africana é 
uma árvore africana cuja casca é utilizada para tratar problemas de micção nos homens idosos, 
entre os quais o 
 
tumor da próstata. infelizmente, a sua sobreexploração colocou em perigo a maioria das 
árvores. É desta forma que uma planta pode desaparecer antes mesmo de todas as suas 
virtudes terem sido descobertas. 
 
As florestas de teixos nos Himalaias foram, praticamente, destruídas desde que se conhecem as 
propriedades anticancerígenas das substâncias extraídas da casca desta árvore. Além disso, a 
publicação sobre a acção antitumoral do “taxoi” foi a causa directa da destruição de várias 
espécies de árvores na Europa graças a uma colheita selvagem, apesar de ser 
 
praticamente impossível isolar esta substância sem uma aparelhagem especializada. 
 
O Aloe polyphy11a (aloés espiralado) é uma planta originária das montanhas do Lesoto. A 
descoberta das suas propriedades medicinais gerou um tráfico internacional,e foram feitas 
tentativas do seu cultivo nos Estados Unidos. Infelizmente, este aloés só cresce no seu solo 
natal, onde é cada vez mais raro. 
 
182 
O REDUCIONISMO, UMA ARMADILHA A EVITAR 
 
O dragoeiro (Dracaena draco) das ilhas Canárias pode atingir uma 
 
idade de 6000 anos. Os habitantes destas ilhas utilizaram-no para mumificar os mortos e para 
tratar várias doenças (é fortemente imunoestimulante); a sua madeira também serve para 
fabricar violinos de grande qualidade. Esta árvore desapareceu totalmente de quatro das sete 
ilhas Canárias. Existem apenas cerca de 200 exemplares desta árvore no conjunto destas ilhas. 
Ainda será possível preservá-la? 
 
O que pode fazer a medicina natural para remediar esta situação? 
 
É certo que a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e de Flora 
Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), bem como a acção de organizações como a WWF 
ou TRAFFIC, melhoraram a situação de certas espécies. Mas uma acção meramente legislativa 
não tem capacidade para fazer face a todos estes problemas. É, por conseguinte, indispensável 
que certos princípios de deontologia profissional sejam aplicados pelos praticantes da medicina 
natural, de modo a evitar uma catástrofe que precipitaria a extinção de várias espécies. Apesar 
de ser difícil distinguir as plantas cultivadas das plantas selvagens, é sempre possível verificar e 
exigir certificados de proveniência. Porque o desaparecimento de espécies limita a riqueza 
natural e pode privar-nos, no 
 
futuro, de inúmeros novos medicamentos. 
 
Uma das forças da medicina natural é o seu paradigma holístico, ou seja, a sua visão da doença 
como um estado de desequilíbrio entre o corpo humano e a Natureza. De acordo com esta 
visão, é impossível tratar ou prevenir as doenças se, paralelamente, destruímos a Natureza. A 
aplicação de uma ética sobre as colheitas e a utilização das plantas medicinais deve, portanto, 
ser um dos principais dogmas do código de deontologia do médico naturista. 
 
Os praticantes de medicina natural rejeitam a vivissecção como base do conhecimento médico. 
Eles podem, por conseguinte, ter também um papel na acção de protecção dos primatas que 
são actualmente alvo de caça furtiva com o objectivo de investigações experimentais. 
 
183 
267, DOENÇAS E OS SEUS TRATAMENTOS* 
 
NATURAIS 
 
O asterisco que acompanha certos tratamentos assinala que estão amplamente explicados na 
parte “DESCRIÇÃO DOS TRATAMENTOS LITILIZADOS”, da página 97 à página 156. À mínima 
questão sobre a forma de aplicar qualquer um 
 
deles, não hesite em consultá-la! 
 
185 
SIMBOLISMOS VISUAIS QUE ACOMPANHAM CERTOS TRATAMENTOS 
*/* para ver com o livro 
-4 
 
14 0) 
 
Alififfinffição (p. 110) 
 
ÁRO/7/los * ~ pós, de assento) (p. 144) 
 
sonhos de vapor @@=0l (p, 147) 
 
c 
 
at ,qpl 
 
405m95 * compressás 11 
 
(p. 97) 
 
CIliturão de Noptuno (p. 148) 
 
DOMOS (111g10170 ~ 
 
Á0r8901.95 (p. 109) 
 
Falmacopela chinesa 
 
Altoteripla 
 
Gargorejos Ágochechos 
 
117fu.qão * Deco~o (pp. 95-96) 
 
jejum (P. 128) 
 
Ráscora 
 
óleos essenci.TIS (p. 100) 
 
;r1J7t1118-1nãO * (p. 99) 
 
Tratamentos descritos em pormenor nas páginas mencionadas 
 
186 
 
 
* Abcessos - furúnculos 
* Acidez de estômago (azia gástrica) 
* Ácido úrico (uremia) 
* Acne 
 
* Afrontamentos 
 
* Aftas 
 
* Albuminúria 
 
* Alcoolismo 
* Alergias e doenças ditas ambientais 
* Anemia 
* Anginas, dores de garganta 
* Ansiedade - angústia, medos 
* Apetite - falta de, perda de (anorexia) 
* Arteriosclerose, Angina de peito, Enfarte do miocárdio 
* Artrites 
* Artrose, Reumatismos articulares, Poliartrites 
 
* Asma 
 
* Astenia nervosa 
Abcessos - furúnculos 
 
Abcessos - furünculos 
*/* a corrigir 
Trata-se de vermelhidão frequentemente acompanhada de inchaço purulento e de dor, com 
diminuição de mobilidade e eventualmente febre. 
 
DIV90i 
 
475 * ZIMbro - Escablosa 
- Salsaparrilha 
 
1 drageia de cada planta, 3 vezes ao dia, antes das principais refeições. @ 
 
OU IMUSÃO ZIMbrO - Escablosa 
-” salsaparrilha 
 
1 pitada de cada planta para 1 chávena de água. Leve a ferver durante 1 minuto e deixe em 
infusão 10 minutos. 
- Beber 3 chávenas por dia, entre as refeições, durante uns 15 dias. 
 
óIOM OSSOMI.115 
 
ESSênCI.7 o& ZIMbrO 
 
2 ou 3 gotas, 2 vezes ao dia. 
- Cura de 15 dias (a repetir). 
 
c 
 
offipi ,wn,95 * IM Feno-grego + Endro 
 
Em meio litro de água deite 2 pitadas de cada planta e leve a ferver. Apague o lume e 
acrescente 3 boas pitadas de urtigas para fazer uma decocção. Deixe macerar 2 horas. 
 
Aplique em compressa. Repetir frequentemente. 
 
ou Cataplasmas da decocção de: 
 
F--no-grogo -i- Argíl27 
 
Outras cataplasmas possíveis: 
 
Foffias de Couve ou de Cebola (cort27d27 em 2) ou ArgIla 
* A borragem: as folhas frescas 
 
bem esmagadas e aplicadas nos abc&ssos em cataplasmas ajudam a amadurecê-los. 
* As virtudes desta planta foram 
 
descritas por Alberto, o Grande. Este considerava-a como “geradora de um bom sangue”. Os 
médicos da Idade Média também a utilizavam para tratar fraquezas cardíacas. 
* A brunela, tomada em decocção 
 
e aplicada em cataplasmas suprime os firúnculos e cura as feridas (Cefal p i no). 
* O saláo aplica-se com êxito (em 
decocção) nos panaríclos. 
 
8917h05 de lissento * 
 
- Banhos de assento frios, diários. 
 
188 
Abcessos - furúnculos 
 
UÇAO ÁRRIffiOS dO 1140p0.r * 
- Banhos de vapor completos, 2 vezes por semana. 
 
cilitulio de Neptu170 
 
Fálmacopelo C17117050 
 
A casca de “tse king”, G&rcis chinensís, misturada com tc17ang (canforeiro) GInnamornum 
camp17oia e com vinho chinês. Só se utiliza em aplicação externa, depois de macerada em 
vinho, à razão de 30 g para 1 garrafa, durante 8 dias. Aplique por meio de compressas, 1 ou 2 
vezes ao dia. Ou, ainda, em infusão: 30 g para 
1 litro de água. Leve a ferver durante 4 minutos e deixe em infusão durante 10 minutos. 
Aplique em compressas, 1 ou 2 vezes ao dia. A raiz de Ilyuen hoall Dap17i7& 
919~8. “Tse hoa” (Violeta, talos) víola patrínil 
O pó de 9eu lu” Ec171nops da17uricus. Estas 3 plantas preparam-se quer em infusão quer em 
maceração em vinho. Em Infusão: 10 g para 1 litro de água. Leve a ferver durante 2 minutos. 
Tomar 2 ou 3 chávenas por dia. Em maceração em vinho: 20 g de planta para 1 garrafa de 
vinho. Deixe macerar 8 dias e depois filtre. 
- Tomar 1 ou 2 pequenos copos, 
 
de licor, por dia. 
 
A1117701MOÇãO 
 
* Alimentação sóbria, supressão 
 
de carnes gordas, de pratos com molho, charcutaria, caça, manteigas cozinhadas, bebidas 
alcoólicas, papas de aveia. 
* Alimentos privilegiados: Alho 
 
cebola, germe de trigo (consu ma em abundância), todos os frutos, legumes frescos e 
cereais integrais. 
 
ou&” ã~Mentos 
 
* Para acelerar a maturação dos 
 
abcessos, aplicar cataplasmas de folhas de figueira Fícus carIc.7 (Moraceae). As virtudes desta 
árvore foram mencionadas na Bíblia, e o profeta Isaías utilizou-a para curar Ezequias. 
* Os figos também fazem parte da 
 
farmacopeia de Maimónides (médico, rabino e filósofo do século xii). As suas inúmeras 
utilizações foram descritas no Código de Melétios, monge bizantino do século IX. Estes frutos 
estão igualmente presentes na farmacopeia mediterrânica da Idade Média. 
* Dioscórides preconiza o “s.71 
 
viperuiW como antídoto. Este não é mais do que a carne de serpente cozida com figos, sal e 
mel. 
 
189 
Acidez de estômago (azia gástrica) 
 
Acidez de estômago (azia gástrica) 
 
A 
 
ia, acidez, dores de estômago, seguidas, por vezes, de vómitos. Pode @ser provocada por 
inúmeras doenças digestivas, bem como por uma alimentação ou uma mastigação insuficientes. 
 
Lembremos que todos os alimentos devem ser bem mastigados, que todas as refeições devem 
ser tomadas em posição sentada, num estado calmo: devem constituir um momento de 
descontracção. 
 
DIW0611 
 
479 * Énula-c.7mpana - Hortelã-pímenta 
 
* 1 drageia de cada planta, 2 vezes ao dia, de manhã. 
 
PrópolIS - Endro 
 
* 1 drageia de cada planta, 2 vezes ao dia, de tarde. 
 
ou11MUSJ0 * Énula-c,gmpana - Hortelã-pímenta , Endro 
 
1 pitada de cada planta para 1 chávena grande de água; leve a 
 
ferver 3 minutos e deixe em infusão 10 minutos. Tomar 3 chávenas por dia. Z 
 
õleos essenciais Lavanda 
 
2 gotas, 2 ou 3 vezes ao dia. Fazer curas de 10 dias, várias 
 
vezes ao ano. 
 
ÁS017hOS £fO OSSOIMO * 
 
Banhos de assento, com massagem do baixo-ventre, seguidos de fricção vigorosa 
(diariamente). 
 
ES/7/105 £f0 mpor * 
 
2 vezes por semana. 
 
Afusões * 
 
* Depois do duche: Afusão dos 
 
braços + coxas, alternadamente, 1 dia para cada. 
* Fulgurante: afusão rectal. 
 
CintUI*O de Nopt,1170 
 
- Pode ser experimentado. 
 
190 
Acidez de estômago (azia gástrica) 
 
Recol~ fitomIspêuticas Betóníc.7-ofikinal 
 
Em infusão: 15 g para 1 litro de água. Leve a ferver durante 2 minutos, deixe em infusão 
durante 10 minutos. Tomar 2 chávenas por dia, depois das refeições. É uma das plantas 
considerada panaceia na Idade Média. Era utilizada para tratar nada menos do que 40 doenças, 
das mais diversas. A sua eficácia foi demonstrada nos casos de catarro pulmonar e estomacal e 
de cólicas e nas doenças de rins e da bexiga. 
 
Camomíl27 (matrícárlá) e Camornila-romano 
 
* Em infusão: 15 g para 1 litro de 
 
água. Leve a ferver durante 1 minuto e deixe em infusão durante 10 minutos. 
* Tomar 2 chávenas por dia, entre 
 
as refeições. 
 
Centáurea-poquena 
 
* Em infusão: 10 g para 1 litro de 
 
água, 1 chávena antes de cada refeição. 
* Para suavizar o sabor particular, 
 
pode aromatizá-lo com uma mistura de endro ou de angélica. 
* Pode também macerar a planta 
 
em vinho. 
 
Hortélã-PIM--17ta 
 
Em infusão: 20 g para 1 litro de água; tomar 1 chávena de manhã e outra à noite. 
 
PIMpi17ela 
 
Em infusão: 10 g para 1 litro de água. Leve a ferver durante 3 minutos e deixe em infusão 
durante 10 minutos. Tomar 2 ou 3 chávenas por dia. Nos Alpes esta planta tem o nome comum 
de “bouquetine” ou “salsa-de-bode”, devido ao cheiro característico da sua raiz. 
 
Tanc173~ Trata-se do ‘Plai7tago major”, bem como de outras espécies de tanchagem 
(Plantagínac&ao Decocção de tanchagem: 20 g de raiz ou de folhas em 1 litro de água; tomar 4 
chávenas por dia (esta preparação pode ser feita com vinho branco puro ou cortado com água). 
A azia estomacal não é a única indicação para a utilização da tanchagem. As suas propriedades 
mucilaginosas e acistringentes foram aproveitadas (e podem continuar a sê-lo) nas patologias 
das vias respiratórias e digestivas. No século xix, nas regiões alpinas utilizava-se esta planta 
para tratar a disenteria. A tanchagem foi também utilizada em cataplasmas para tratar feridas, 
mordeduras de insectos e queimaduras. 
 
191 
Ácido úrico (urernia) 
 
Finalmente, certos médicos, como o Dr. Dubois, preconizavam a decocçâo de tanchagem, 
aplicada em uso externo, no tratamento de úlceras. 
O suco das folhas jovens misturado com mel (1 parte de mel para 5 partes de suco) é uma 
excelente bebida popular na Europa Central. 
 
J@JI A1,1k7entação * 
- Regime sóbrio (se possível vegetariano). 
 
* Evitar: todos os abusos alimentares, álcool, aperitivos, cerveja, bebidas gaseificadas, 
charcutaria, manteiga cozinhada, pratos com molhos, caça, especiarias, enchidos, vinagres, 
etc. Vigie o sal e o tabaco. 
* Alimentos privilegiados: levedura de cerveja, azeite, couve e lacticínios. 
 
jejum 
 
1 vez por semana ou, pelo menos, uma cura de fruta. 
 
CONSELHOS 
 
Ver também, na parte Descrição dos tratamentos utilizados: 
- Caminhar de pés descalços (p. 132). 
- Exercícios físicos (p. 133). -Repouso (p. 134). -Respiração (p. 13 7). 
 
Jw Acido Úrico (uremia) 
 
r E 
 
um aumento anormal da taxa de ureia no sangue. O ácido úrico ocasiona: cansaço, dores de 
cabeça, vertigens, náuseas, cãibras, for- migueiros e insensibilidade nas extremidades do 
corpo. 
 
É indispensável um acompanhamento médico. 
 
192 
Ácido úrico (uremia) 
 
LL(@@j 
 
* 1.8 semana: 1 drageia de cada 
 
planta, 2 vezes ao dia. 
 
Zímbro - AmíeIro-preto 
 
* 2.8 sernana: 1 drageia de cada planta, 2 vezes ao dia. 
 
Donto-dê-l&ãO - Bétula 
 
* Repetir. 
 
@ OU IMU5J0 
 
1.8 semana: 
 
Zímbro -i- Bétula 
 
* 2.8 semana: 
 
Dente-de-l&ão + Ami&iro-preto 
 
* 1 pitada de cada planta para 1 chávena de água. Leve a ferver durante 2 minutos e deixe em 
infusão 10 minutos. * Tomar 1 chávena de cada planta, 2 vezes ao dia. 
 
óleos essenciais * 
 
1 a 3 gotas de zimbro, 2 vezes ao dia, por períodos de 15 dias. Repetir. 
 
8917hos de assento * 
 
Banho de assento morno, acompanhado de massagem do ventre e do baixo-ventre. Este banho 
de assento deve ser seguido de fricções no corpo, vigorosas e mornas, com a ajuda de uma 
luva de tela ou de crina. 
 
SoMios de vapor * 
 
1 por semana (de curta duração, no início), de 20 a 30 minutos. 
 
AI1M0174a~ 
 
* A alimentação vegetariana é a 
 
mais recomendada, ou uma alimentação muito sóbria. (Beber de preferência apenas água.) 
* Contra-indicações: carnes vermelhas, em sangue, pratos com molhos, manteigas cozinhadas, 
salmouras, charcutaria, caça e bebidas alcoólicas. 
* Diminuição acentuada do consumo de sal. 
 
* Alimentos privilegiados: alho, 
 
cebola, limão. 
 
JOjUM 
 
* Refeição de fruta. 
* Jejum de 24 horas. Repetir. 
 
193 
Acne 
 
CONSELHOS 
 
- Dormir com as janelas abertas, se possível. -Andar a pé. -Caminhar de pés descalços. -Evitar 
preocupações e enervamentos. 
 
-Actividades desportivas devem ser praticadas com moderação. 
- Repouso. 
- Ver, eventualmente, Obesidade (página 479). 
 
Ame 
 
O 
 
corre especialmente na adolescência, deixa marcas no rosto, no pescoço, na nuca, no peito e 
nas costas. Estas marcas são pequenos nódulos desagradáveis, na extremidade dos quais se 
encontra um pequeno ponto escuro. A pele é geralmente gordurosa. 
 
MiMoffias rAquIleÃâ) - Amor-perfeito * 1.1 semana: 1 drageia, 2 vezes ao dia. * 2.1 semana: 1 
drageia de cada planta, ao acordar, e 1 drageia de cada, durante a manhã. 
 
GêniáUroa - Zk7bro 
 
* 2 vezes ao dia, a seguir ao almoço e ao jantar. Repetir, 
 
Devem fazer-se, várias vezes ao ano (no início de cada estação), curas de 3 semanas, de 
drageias de própolí s, ou de extracto líquido, 10 a 20 gotas, 2 ou 3 vezes ao dia. 
 
ou IMUSãO * 
 
Míl-foffias + Amor-perf&Ito Centául-ea + ZImbro 
 
1 pitada de cada planta para 1 
 
194 
Acne 
 
chávena de água, leve a ferver e deixe em infusão 15 minutos. A miMoffias (aquileia) não deve 
ser utilizada durante o período menstrual. 
 
ó1005 e55e17CARIS * (P~MeIMO dO rOStOj 
 
Loção de Leptoso&imum (Méial-euca alterolfolla) -,- Águ.?-d---rosgs (20 ml) * hamamélIs (20 
ml) * 25 g o& mistura de flores o& Lavanoa, MIl-foffias e Sabugu--lro 
 
Outros óleos: 
 
caioputo, Límão, Palma-rosa, Sâncalo 
 
comp/essas * Énula-camo.7na ,, Escabiosa ‘. c,9momí/,9 
 
* 1 pitada de cada planta para 1 chávena de água. Leve a ferver e deixe em infusão 10 
minutos. * Aplicar durante alguns minutos, de manhã e à noite. Termine com uma afusão do 
rosto. * Esta loção pode também servir como desmaquilhante. 
 
MIísca/0 Énuia-CaMpa170 + ESCabIOS.7 @@ + Algíla 
 
Fazer uma infusão com 2 pitadas de cada planta para 1 chávena de água. Leve a ferver e 
misture com a argila. 
 
- A infusão mistura-se com argila 
 
desfeita, de modo a fazer uma pasta homogénea. Esta máscara conserva-se 20 minutos, e 
deve repetir-se todos os dias (ou, pelo menos, 3 vezes por semana). Terminar com uma afusão 
do rosto. 
 
Outra máscara de argila: 
 
Lavanda + Argila verde 
 
* 4 ou 5 gotas de óleo essencial misturadas em 1 colher, de sopa, de óleo de amêndoas-doces, 
adicionadas a 1 copo de argila verde. Acrescentar água, de modo a obter uma pasta 
homogénea e untuosa. * Aplicar e conservar cerca de 20 minutos, 3 vezes por semana. 
 
n@@ ESIMIOS * 
 
* Cuidados rigorosos com a pele. 
* Loções totais seguidas de fricções diárias. 
 
8,7171105 dO MSOMO 
 
* Banhos de assento frios, todas 
 
as manhãs ao acordar. 
 
LÇApi ÁRY171;os de vapor * 
 
- Banhos de vapor, 2 vezes-por 
 
semana. 
195 
AfrontamentosA fusões * 
 
Afusão fulgurante. Afusão rectal, 3 vezes por semana, depois da toMette. 
 
C117M110 dO NOPtUI1O 
 
AllInenffiÇão * 
 
Alimentação sóbria, se possível vegetariana. Contra-indicaçô«: charcutaria, fritos, carnes 
gordas, gorduras animais, manteiga cozinhada, ovos (excepto ovo escalfado), queijos fortes, 
vinho, álcool, cerveja, pratos com molhos, especiarias (atenção ao sal), açúcares e pastelaria. 
* Alimentos aconselhados: legumes, fruta, cereais integrais (arroz integral, trigo sarraceno, 
etc.), pão integral, peixe, carnes magras e bem cozinhadas, papas de aveia (se não se retiver o 
regime vegetariano). 
* Alimentos privilegiados: alho, 
 
cebola, levedura de cerveja (a cada refeição), germe de trigo, 
* Atenção.*vigiar também as causas possíveis: dentição, doenças digestivas, obesidade, etc. 
@u J¥11177 
 
Deve, pelo menos, fazer uma dieta de fruta (2 vezes por semana). 
 
CONSELHOS 
 
Evitar a maquilhagem e as exposições ao sol. 
 
Afrontamentos 
 
v i 
 
gie especialmente a tensão arterial. Ver, eventualmente, Menopausa, p. 459. 
 
Drageias * Valeriana - Escabiosa - Nogueira (folhas) - Betónica Espinheiro-alvar 
 
2 drageias de cada, 1 vez por - 1 pita dia. cháve 
 
ou Infusão * Valeriana + Escabiosa + Nogueira (folhas) + Betõnica + Espinheiro-alvar 
 
da de cada planta para 1 na grande de água. Fer196 
Afrontamentos 
 
ver durante 3 minutos e deixar em infusão durante lOrninutos. 
- Beber 3 ou 4 chávenas por dia. 
 
óleos essenciais Bagas de Zimbro 
 
2 gotas, 3 vezes ao dia. 
 
O u -. 
 
Manjerona 
 
- 2 ou 3 gotas, 3 vezes ao dia. 
 
Banhos de assento * 
 
- Banhos de assento frios. 
 
Banhos de vapor 
 
vez por semana. 
 
Duches e afusões 
 
Da face e dos braços, alternando com as coxas e o peito. 
 
Alimentação 
 
* Alimentação sóbria. Mastigar 
 
bem. 
* Contra-indicações: bebidas alcoólicas, vinho, cerveja, café, chá, charcutaria, doces, carnes 
vermelhas, salmoura, fritos, etc. 
* Alimentos privilegiados: legumes frescos, cereais integrais, pão integral, fruta fresca, saladas, 
vegetais crus, levedura de cerveja, alho, cebola, couve, limões, laranjas. 
 
Jejum * 
 
* 1 dia por semana. * Praticar também cura, de 1 dia, de fruta. 
 
CONSELHOS 
 
-Caminhar'de pés descalços (ver Endurecimento, p. 132). -Banhos de ar livre e de sol (p. 15 1). 
- Cinturão de Neptuino (p. 148). 
 
197 
Aftas 
 
Aftas 
 
C 
 
onsultar também Boca (p. 261). Inflamação provocada por pequenos nódulos que cobrem o 
interior da boca. 
 
Escovar regularmente os dentes e lavar frequentemente a boca. 
 
~veias * 
 
Urz& - Cavalínha - SaIka 
 
1 drageia de cada, 2 ou 3 vezes ao dia. Cura de drageias de própolis-. 4 drageias por dia, 
durante 1 mês, ou, em solução, 10 a 20 gotas, 
2 a 4 vezes ao dia, durante 1 mês. Repetir. 
 
ou 117fusfo * Urz& - Cavalính.7 - Salva 
 
1 pitada de cada para 1 chávena grande de água. Ferver durante 
4 minutos e deixar em infusão durante um quarto de hora. Tomar 3 chávenas por dia. 
 
óleos essenCI.Tis Gravo-d&-cabecínha 
 
* 2 gotas, 3 vezes ao dia. Outros õleos essenciais: 
 
Mal7jerICãO, C8M0M170, LImão, Fúncho, Segureffia, Gorânío 
 
711MIMO-MãO * MIrra (15 1771) 
 
* Algumas gotas misturadas numa infusão de alecrim, 3 vezes ao dia. * Ou em vinho quente, 
para lava- gem da boca. * 2 ou 3 lavagens por dia. 
 
Mi LOVO_~M £47 bOCO 
 
Carva117o * Buxo (foffias) * Decocção: 2 pitadas de cada planta para meio litro de água. 
Ferver durante 20 minutos e deixar em infusão durante meia hora. * 3 ou 4 lavagens por dia 
(de preferência, depois das refeições). 
 
Hig10170 dos melmes 
 
Faça uma pasta de argila, acrescente-lhe 5 ou 6 gotas de essência de tomilho e obtém uma 
pasta dentífrica pronta a utilizar. 
 
198 
Aftas 
 
0817h05 dO OSSOMO * 
 
Banhos de assento (Kneipp), todos os dias. 
 
Á%1/71;05 dos 
 
Banhos dos pés derivativos (3 vezes por semana). 
 
ÁRO/MIOS de vapor * 
 
1 ou 2 vezes por semana, seguidos de uma fricção vigorosa. 
 
Afusios 
 
Afusão diária da face. 
- Afusâo fulgurante (3 vezes por 
 
semana). 
 
AlIMeIMOÇj0 
 
* Regime sóbrio. 
* Evitar: carnes gordas, manteiga 
 
cozinhada, especiarias, mostarda, doces, frutos secos, álcool, charcutaria, conservas, 
chocolate, fritos, etc. 
* Alimentos privilegiados: alho, 
 
cebola, levedura de cerveja, germe de trigo, cereais integrais, papas de aveia, frutos frescos 
lavados ou descascados, lacticínios, carnes grelhadas ou bem passadas, manteiga crua. 
 
JOJU177 
 
Cura de fruta e jejum, muito aconselhado. 
 
A L GumA s REcEirA s ürEis 
 
-As lavagens da boca com quintefõllo + erva-d"ão-lourenço (ou consolda-pequena) em infusão, 
várias vezes ao dia, curam as 
 
aftas: 10 g de cada planta para 1 litro de água. Ferver durante 
3 minutos e deixar em infusão durante 10 minutos. 
 
CONSELHOS 
 
Ver também: 
- Endurecimento (p. 132) 
- Respiração (p. 137). -Banhos de ar livre e de sol (p. 15 1). 
 
199 
Alburninúria 
 
Albuminúria 
 
igie as causas, que podem ser inúmeras. 
 
L&1J@I ~geios * 
 
Zimbro - salva 
 
* 1 drageia de cada, 2 vezes ao dia (de manhã). 
 
BétUla - TOMI1170 
 
* 1 drageia de cada, 2 vezes ao dia (de tarde). 
 
ou MAISão * 
 
Zírnbro - salva * Bétula + TOMi1170 
 
* 1 pitada de cada para uma chávena de água; leve a ferver durante 5 minutos e deixe em 
infusão durante 15 minutos. 
 
* Beber 4 chávenas por dia. 
 
ó10OS OSSO0CAVIS 
 
Zimbro - Sétilla 
 
- 1 ou 2 gotas de cada, alternadamente, 2 vezes ao dia. 
 
8317h05 dO 35501M0 * 
 
Frios ou banhos de assento com fricções (Kuhne). Diários. 
 
8a1717os de mpor * 
 
1 vez por semana, seguidos de uma fricção vigorosa. 
 
* Afusão do rosto + braços + pernas. 
* Afusão fulgurante. Alternadamente, 1 dia cada. 
 
AIAMOIMOP#O 
 
Alimentação sóbria, vegetariana se possível. Evitar: ovos, lacticínios, queijos, álcool, vinho, 
charcutaria, carnes gordas, pratos com molhos, caça, enchidos, crustáceos, moluscos, etc. 
Alimentos privilegiados: levedura de cerveja, legumes, frutos, saladas, cereais, carnes magras 
bem cozinhadas. 
 
JejUM 
 
1 vez por semana, mas também cura de fruta. 
 
200 
Alcoolismo 
 
outMS ã~Mentos secas de giesta, 8 g de barbas 
 
de milho e 10 g de bagas de Infusão ou decocçâo da seguin- zimbro. te mistura: rãbano 
silvestre, - Estas plantas podem também ser 
10 g para 2 litros de água, à qual tomadas separadamente, em inse acrescentam 15 g de 
flores fusão ou decocção. 
 
CONSELHOS 
 
Ver também: 
- Endurecimento (p. 132) 
- Exercícios físicos (p. 133) 
- Respiração (p. 137) 
 
Alcoolismo 
 
r E um dos flagelos da nossa época que favorece e predispõe a um grande 
 
número de afecções, doenças vasculares, artrites, reumatismos, gota, cancro, etc. Constitui 
também um factor agravante nos acidentes de viação. 
 
Tal como o tabagismo, o alcoolismo atinge todas as camadas da população. 
 
Foram feitos inúmeros estudos sobre as populações alcoólicas, frequentemente vítimas de 
carências. A carência em magnésio atinge-as especificamente, já que os alcoólicos eliminam 
esta substância mais facilmente do que os abstinentes. 
 
O Prof. Delbet demonstrou que a indústria agrícola e as grandes quantidades de adubos 
potássicos empobrecem os solos em magnésio e 
 
carenciam as culturas. Esta situação agrava-se em razão da transformação dos alimentos e do 
consumo de pão branco (que contém 5 a 6 vezes menos magnésio do que o pão integral). 
Quando um organismo está deficiente, procura aliviar este estado. Se este persiste, a ordem 
orgânica 
 
201 
Alcoolismo 
 
é perturbada, o instinto é enganado e a resistência enfraquecida. Podem então manifestar-se 
diversas perturbações: abuso de drogas, de medicamentos, de açúcares, acompanhadas de 
várias desordens indefiníveis, tais como cansaço geral, lassidão, instabilidade emocional, 
dificuldade em seguir o pensamento, etc. 
 
As curas de desintoxicação constituem um paliativo, uma ajuda momentânea e passageira que 
devern, para evitar recaídas, ser seguidas de uma vigilância séria. 
 
Existem diversasassociações que provaram a sua boa prática e eficáela: os “Alcoólicos 
Anónimos”, as “Cruzes de Ouro”, etc. Associaçoes como estas existem na maioria das cidades. 
 
D189eias * Tânchagem - Absínto - M//-folhas 
 
* 1 de cada, 3 vezes ao dia, durante uma semana, alternando com: 
 
Torment11178 -Angélica - Tancha~ * na outra semana; depois, recomeçar. * Própolis ou 
extracto líquido: 3 vezes ao dia durante 3 semanas. Várias vezes por ano. 
 
OU IMUSãO * 
 
O padre Kneipp aconselhava: 
 
Tanchagem - Absinto - M//-f0117aS 
 
* Alternando 1 semana de cada 
 
planta com: 
 
Tormentíffia - Angélica - TanC17-9geM 
* Em infusão: 1 pitada de cada 
 
planta para uma chávena de 
 
água. Leve a ferver e deixe em infusão durante 15 minutos. Tomar 3 ou 4 vezes ao dia. Estas 
infusões podem ser substituídas por drageias (ver acima). Recomendações formuladas pelo Dr. 
Bilz: “AqU&I&S qU& plelênOeM OeSintoxicar-so devem fazê-lo de Lima só V&Z & nunca mais 
tecome-Çar, poís poderíam tornar a ficar deoendenies.” 
 
SOMIOS dO .95501M0 * 
 
- Frios ou com fricções (Kuhne). 
 
BY17lios de vapor * 
 
Frequentes ou mesmo diários (constituem um excelente meio de desintoxicação); no início 1 ou 
2 por dia. Devem ser seguidos de um fricção fresca e vigorosa. 
 
202 
Alcoolismo 
 
A fusões * 
 
* Do rosto, das coxas, dos braços, 
 
fulgurante. 
* Várias vezes ao dia, se possível. 
* Use e abuse dos duches, afusões frescas ou frias todos os dias. 
 
Receitas Lf AtotelaPdUticas 
 
ÁS.7r0 
 
Esta planta tem uma forte acção vomitiva, comparável à da ipeca. Era utilizada antes da 
importação desta. O seu segundo nome, 
11 cabaret”, provf5m do facto de ser utilizada para fazer vomitar os bêbados. Tomar infusões 
de folhas frescas ou do pó do rizoma. 
 
ATENÇA01 Esta planta é perigosa o deve ser prescrita por um especialista. 
 
Erv.7~Mate 
 
Entre as plantas utilizadas no tratamento do alcoolismo, a erva-mate parece ser um dos 
remédios mais eficazes. A garantia de não produzir efeitos secundários e a sua acção suave 
tornam-na num precioso aliado. Mas, paradoxalmente, continua desconhecida como meio de 
luta contra a dependência etílica e os malefícios do álcool. 
 
A história da erva-mate é espantosa. Esta planta foi descoberta no final do século xvii pelos 
Jesuítas. A ciência classificou-a, graças à descrição de Auguste Saint-Hilaire, um século depois. 
Tal como inúmeras plantas pertencentes às civilizações pré-colombianas, a erva-mate está 
associada a uma cultura e a um cerimonial de colheita e de consumo. Esta bebida é o 
equivalente do chá na Ásia. Os colonizadores aperceberam-se rapidamente que se tratava de 
uma planta com virtudes excepcionais. No século xix, a bebida preparada à base de erva-mate 
era muito popular na Europa Ocidental. A colheita da erva-mate é um trabalho penoso mas 
simultaneamente uma aventura rocambolesca. Uma equipa, constituída por uma quinzena de 
“hervateiros” (nome dado aos colhedores de mate), dirigida por um chefe, parte para a colheita 
do 
11 chá do Paraguai”. Esta primeira busca consiste em encontrar u m a A rwwriá brasillensls, u 
m a árvore de grande porte que vive em simbiose com a erva-mate. Infelizmente, a sua 
hiperexploração é responsável pelo desaparecimento dos locais naturais desta planta. Mas o 
homem aprendeu a cultivar esta planta há um século, e ela continua a 
 
203 
Alcoolismo 
 
ser a bebida preferida de uma grande parte dos habitantes da América Latina. No Brasil as 
culturas de erva-mate cobrem uma superfície de 65 000 ha (a produção anual é de cerca de 
100 000 toneladas). As folhas de erva-mate contêm 
1,8% de cafeína, 9,3% de taninos, várias vitaminas (ainda mal identificadas), 20% de resinas e 
O,1% de óleos essenciais. A sua acção é múltipla. Ela é em primeiro lugar um forte estimulante 
cardíaco: dilata os vasos sanguíneos e combate o cansaço. O mate é também um antialcoólico 
notável. Mas grande parte das suas virtudes permanecem ainda desconhecidas. Vários autores 
científicos observaram que as populações consumidoras de mate estão protegidas contra os 
malefícios do alcoolismo que dizimam actualmente as populaçõ es indígenas. Esta situação 
provém do facto de os bebedores de mate consumirem menos etanoi e nunca caírem numa 
dependência alcoólica. Esta bebida, que tem um sabor muito agradável, merece ser 
redescoberta. 
* A infusão de erva-mate prepara-se tal como o chá. 
 
MeiMe17drO 
* Os seus princípios activos são 
 
utilizados como sedativo nervoso contra as dores nevríticas, 
 
as doenças mentais, a melancolia, a ansiedade e também para tratar o alcoolismo. 
 
ATENÇA01 Esta planta é tõxica. Só deve ser utilizada sob receita médica. 
 
Vi17C~XíCO 
 
Utilizam-se os rizomas (nome popular: raiz-de-asclepíades). 
O seu nome provém do facto de ter a capacidade de libertar os intestinos de certas 
substâncias. Era considerada como um antídoto de vários venenos e era até utilizada contra a 
peste. Mas, apesar da sua acção real (e do facto de continuar a fazer parte de certas 
preparações farmacêuticas), tais virtudes parecem exageradas. ATENÇÃO1 Esta planta é tõxica. 
Só deve ser utilizada sob receita médica. 
 
AliMeIM~O 
 
Uma alimentação saudável, de tendência vegetariana, rica em magnésio (pão integral, cereais 
integrais, frutos frescos, frutos secos, legumes, etc.). A proscrever: refeições ricas, pratos com 
molhos, charcutaria, carnes gordas, conservas, fritos, guloseimas, pastelaria. Quanto mais 
gorda e gastronómica for a 
 
204 
Alcoolismo 
 
alimentação, mais ela necessita de ser acompanhada, como é lógico, de vinho e bebidas 
espirituosas. Diminuiçã o do consumo de batatas. 
 
Alimentos privilegiados: papas de aveia (a aveia é utilizada devido às suas propriedades 
desintoxicantes), levedura de cerveja, germe de trigo, alho, cebola, salsa, couve. 
 
jejum 
 
É fortemente recomendado, tal como a cura à base de fruta. Aconselham-se as curas de uvas 
(biológicas), da é poca. 
 
Bebid,75 * 
 
O vinho é um remédio comprovado caso não se abuse dele de modo a criar dependência. 
O Cânone de Avicena dizia, a propõsIto do vinho que utilizava como remédio: 
 
Sob a designação de vinho entende-se o “verdadeiro vinho”, bebida fermentada preparada a 
partir de uvas secas ou de tâmaras. (Este vinho bastante espesso necessita de ser filtrado. O 
vinho da época de Avicena era semelhante aos vinhos gregos do tipo “Retsina”.) 
 
* As principais virtudes que este 
 
lho reconhecia oram as seguintes: reforça as vísceras, preserva a saúde geral e a digestão, 
conserva o corpo, regenera as fracturas e purifica os humores. Segundo Avicena, o vinho activa 
o funcionamento do fígado e ajuda-o em caso de obstrução. Influencia a formação dos ossos e 
ajuda, em doses moderadas, a “clarificar” o cérebro. Além disso, fornece uma boa disposição e 
permite vencer a melancolia. 
* O vinho branco leve é preferível, segundo Avicena, para as pessoas “excitadas” (nervosas) 
pois não causa dores de cabeça. Pode ser consumido misturado com mel (depois de macerado 
durante 2 horas). 
* O vinho branco pesado, quando é doce, é indicado para todos aqueles que pretendem 
engordar e recuperar as forças. Quanto mais agradáveis forem o aroma e o sabor do vinho, 
mais benéfico será para o organismo. Ajuda a digestão e a assimilaçâ o dos alimentos. Torna os 
humores mais móveis e participa no equilíbrio do corpo. 
* O vinho velho é como um bom 
 
médico, mas o vinho novo é como o fel e pode provocar desordens hepáticas. Se ficarmos 
doentes depois de ter bebido vinho, no dia seguinte devemos 
 
205 
Alcoolismo 
 
beber água fria, absinto e comer romãs. Para prevenir problemas desagradáveis ocasionados 
pelo excesso de bebida, Avicena recomendava que se tomasse (antes de beber vinho) um 
xarope de suco de couve branca, misturado em partes iguais com suco de romã verde, aos 
quais se acrescentava o dobro do volume de vinagre. É interessante assinalar a influência (e a 
concordância) dos conselhos de Avicena na medicina medieval. 
 
Citamos aqui alguns aforismos e conselhos da célebreEscola de Salerno (segundo o 1?egímon 
Sabítatís Saleiniatum, de Bleusen de Ia Martinière, em 1749. Editado pela Union Latine 
d'Éditions): 
* Sobro a escolha e as marcas de bons vinhos: 
 
Quanto ao vinho,- sobre a sua escolha, eis aqui a nossa doutrina.Bebam pouco,- mas que s&ja 
bom 
O bom Vil7170 é UM3 boa M&díCina, 
 
O mau vonho é um veneno. EVItar OS V11717OS faISIfICadOS POIS dão CabO do pWtO 
* Sobre os afeitos dos bons vinhos: 
 
Sempre aos me117ores vil717os dêem a vossa preferêncla, Produzem sempre os me117ores 
humores. Dêsprezem o vinho n&gro, espesso, sem transparência Est& envia ao cérebro vapores 
grosseiros; Carr&9a o &stômago causa uma sensação o& peso E torna nos suj&ltos a pr&guiça 
 
CONSELHOS 
 
- Cura de magnésio: 3 semanas várias vezes por ano, salvo em 
 
caso de insuficiência renal grave (em saquetas de 20 g, dissolvido em 1 litro de água de boa 
qualidade): meio copo de manhã, em jejum. Ver também: 
- Endurecimento, exercícios físicos, repouso, respiração, relaxamento - yoga (pp. 133 a 139). 
 
206 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
S 
 
ão inúmeras, e as suas manifestações podem ter diversas formas. As causas são múltiplas e, 
por vezes, iatrogé neas (envenenamento por medicamentos). 
 
Contudo, as alterações no modo de vida e no regime alimentar produzem sempre uma 
melhoria. 
 
Veja também as diversas formas de alergias e as suas manifestações sintomáticas (asma, asma 
dos fenos, etc.). 
 
INFLUÊNCIA DAS ALTERAÇõES NATURAIS 
 
DO AMBIENTE SOBRE A SAúDE 
 
A meteopatologia ou a biometeorologia 
 
As condições atmosféricas têm um papel importante na nossa saúde. Conhecemos desde 
sempre o “mal do vento”, que se caracteriza por astenia, irritabilidade ou, ainda, por dores 
reumatismais nos adultos e perturbaçõ es digestivas ou respiratórias nas crianças. 
 
A meteorologia age sobre a saúde 
 
Certos ventos são mesmo responsáveis por perturbações específicas, apesar de estas serem 
frequentemente difíceis de definir. 
 
* Assim a síndroma do vento suão perturba o cicio do sono e provoca 
 
insônias, pesadelos, enxaquecas e dores ao nível do tórax. 
* O mal do vento mistral ocasiona nevralgias e insónias. O vento 
 
sharav, em casos extremos, é responsável por anomalias hormonais, cortico-supra-renais ou 
hipertiroidismo. 
* Também foi observada a síndroma da trovoada: antes da trovoada os 
 
bebés lactentes têm diarreias, convulsões e uma agitação anormal. 
 
207 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
* No século xvi, o padre jesuíta d'Acosta descreveu o mal de “Puna” 
 
que dizimava as expedições espanholas durante a travessia dos recifes montanhosos. Os 
sintomas são comparáveis ao mal da montanha, com dificuldades respiratórias e aceleração do 
ritmo cardíaco. Foram descritos por Saussure durante a sua escalada ao cimo do monte Branco. 
Inúmeras observações feitas por viajantes e praticantes foram retomadas e estudadas pelos 
naturistas. (É provavelmente daí que decorrem as investigações feitas sobre os 
efeitos da electricidade do ar realizadas por Nollet, Franklin, Saussure e de Candolle.) Por outro 
lado, o desenvolvimento da aviação permitiu constatar que os pilotos estão sujeitos à mesma 
doença que os 
 
alpinistas, apenas muda a altitude em que surgem os sintomas (2000 metros para os alpinistas 
e cerca de 6000 para os aviadores). 
* A guerra trouxe novas constatações: o mal causado pelo “vento da 
 
bala” é responsável por hemorragias capilares. Sabe-se perfeitamente que o tempo pode 
agravar ou melhorar certas patologias. 
* O mistral e a tramontana provocam acessos de congestão e hemoptíses 
 
nos tuberculosos. Aliás, em certos casos, uma simples previsão meteorológica permite fazer um 
prognóstico sanitário. Nesta perspectiva, os investigadores gregos utilizam eficazmente o índice 
termo-higrométrico (medida da humidade e da temperatura diárias) para prever a mortalidade 
em Atenas. 
 
Por que razões reagirá o organismo desta forma? 
 
Quais são as causas das patologias meteorológicas? Incriminou-se a 
 
rnodificação da pressão atmosférica, os fenômenos eléctricos, as alterações na quantidade de 
oxigénio e de óxidos de carbono, bem como vários outros factores. Estas modificações 
(naturais) teriam o poder de modificar o nosso meio ambiente e a nossa homeostase. 
Paradoxalmente a explicação destes fenômenos biológicos é sempre vaga. Dispomos de 
inúmeras constatações, mas temos falta de explicações fisiológicas. Porque são raros os casos 
que se podem resumir a um fenômeno único, como é o caso do mal do mistral em que o vento 
é acompanhado de uma 
 
ionização positiva. (Neste caso um simples regresso a uma ionização negativa basta para curar 
o doente.) 
 
208 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
Quais são os mecanismos da acção do estado do tempo sobre as afecções? 
 
Devemos em primeiro lugar considerar a acção geral sobre o orgaIlisnio. 
 
- A acção directa das condições meteorológicas influencia as reacções 
 
fisiológicas. 
- A acção indirecta, por sua vez, modifica-as indirectamente, favorecendo a hipersensibil idade. 
 
Foi por este motivo que os investigadores se interessaram pelos efeitos dos climas continentais. 
Todavia as explicações propostas são variáveis: pensa-se alternativamente num 
enfraquecimento geral do organismo que favorece o aparecimento de infecções microbianas, o 
desenvolvimento de novas patologias bacterianas, uma falha do sistema enzimático, o 
 
desregulamento dos mecanismos de termorregulação, a modificação dos parâmetros físicos dos 
líquidos (a viscosidade), uma actividade anormal do sistema nervoso autónomo, alterações na 
permeabilidade das membranas celulares e a interrupção do funcionamento do metabolismo 
proteico. 
 
As estações agem sobre o corpo e sobre o espírito 
 
- Por outro lado, entre as várias meteo-sensibilídades, devemos mencionar, para além das 
alergias, as bronquites e as insuficiências respiratórias, as tuberculoses pulmonares e os 
enfartes. As condições atmosféricas intervêm também de uma forma predominante nas 
 
doenças vasculares cerebrais. Quanto ao aparecimento do reumatismo, este está relacionado 
com o frio, com a humidade e com a natureza dos solos. 
- Além disso, em muitos países observa-se um agravamento das doenças mentais por ocasião 
da Primavera. Certos investigadores até emitiram a hipótese de a criminalidade e o nascimento 
de esquizofrénicos serem sensivelmente mais elevados nos primeiros dias de Primavera. Outros 
estudos demonstraram que os acidentes no trabalho aumentam quando a temperatura 
ambiente é diferente da temperatura óptima para o organismo humano (entre 11 e 24'C). 
Aplica-se o mesmo comentário aos suicídios, mais frequentes no Inverno do que no Verão. 
 
209 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
Aliás o sol intervém de forma tão benéfica no nosso corpo que até a cárie dentária parece 
(segundo certas fontes) sofrer a influência dos 
 
raios de sol. 
 
- As doenças infecciosas têm, também elas, um carácter sazonal. Manifestam-se tanto sob a 
forma de epidemias como pela diversidade dos seus tipos. Na Europa Central as doenças 
infecciosas dividem-se em três categorias: 
* estivais (febre tifóide, poliomielite, disenteria); 
* hiberno-vernais (patologias rinofaríngicas, sarampo, varicela 
 
e varíola); 
* hibernais (escarlatina, difteria, gripe, pneumonia). 
 
- As condições atmosféricas podem fazer baixar o teor de ácidos gordos (que têm um papel 
protector) da pele, o que tem por efeito facilitar a penetração de bactérias patogénicas. 
 
- A observação dos fenómenos naturais demonstra que o ar seco e frio 
 
estimula a mucosa nasal, enquanto o ar húmido a inibe. Isto explica a razão de as doenças das 
vias respiratórias serem muito menos frequentes no Norte da Europa. 
 
-0 estado do tempo tem também uma influência apreciável sobre a 
 
taxa de anticorpos. Ele altera a composição hormonal (sobretudo supra-renal). O frio 
caracteriza-se pela excreção urinária de esteróides e por um aumento da resistênciaantibacteriana. 
 
A meteorologia: um meio de prevenir muitas doenças 
 
O conhecimento dos elementos meteorológicos permite neutralizar certos inconvenientes e tirar 
proveito de certos remédios elementares bem conhecidos, tais como a benéfica “mudança de 
ares”. 
 
A título indicativo, consulte o quadro que apresentamos adiante. Este mostra o aumento do 
número de certas patologias em relação com as 
 
perturbações climáticas sazonais nos vários meses do ano. 
 
210 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
MÊS 
 
Doenças de risco e fenórnenos patológicos 
 
Janeiro 
 
Aumento significativo das doenças cardíacas, de apoplexias, de úlceras pépticas, riscos de coma 
diabético, raquitismo, gripe, pneumonia, meningite cérebro-espinal, aumento da fragilidade 
capilar, riscos de deficiência em vitaminas A, Li e K, hipertensão. 
 
Fevereiro 
 
Fortes crises de arteriosclerose, de doenças cardíacas diversas, apoplexias, bronquites, úlceras 
pépticas, aumento de risco de comas diabéticos, doenças mentais, raquitismo, riscos de 
pneumonia, meningite cérebro-espinal, deficiência em vitaminas A, D e K, descalcificação, 
hipertensão, tuberculose e perda de fosfato. 
 
Março 
 
Reumatismos, doenças mentais, risco de tuberculose, meningite cérebro-espinal, varíola, 
fragilidade capilar acrescida, hipertensão, descalcificação e perda de fósfato. 
 
Abril 
 
Doenças mentais, risco de tuberculose, meningite, agravamento da fragilidade capilar. 
 
Maio 
 
úlcera duodenal, bócio, asma dos fenos, febre tifóide, poliomielite, risco de deficiências em 
vitamina B. 
 
Junho 
 
Asma dos fenos, febre tifóide, poliomielite, disenteria, deficiência em vitaminas B e C. 
 
Julho 
 
Apendicite, conjuntivite, febre tifóide, poliomielite, disenteria, deficiência em vitamina C. 
 
Agosto 
 
Propício às febres tifóides, asma, poliomielite, disenteria. 
 
Setembro 
 
Asma, cólera, disenteria, poliomielite. 
 
Outubro 
 
Reurnatisinos, escarlatina, gripe, hipertensão. 
Novembro 
 
úlcera do duodeno, acréscimo de casos de glaucomas, reumatismos, difteria, gripe, crises de 
hipertensão. 
 
Dezembro 
 
Bronquites, úlceras pépticas, aumento do risco de coma diabético, raquitismo, gripe, 
pneumonia, meningite cé rebro-espinal, possibilidade de dericiência em vitaminas A, D e K, 
hipertensão, acréscimo de leucócitos. 
 
211 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
INFLUÊNCIA DAS ALTERAÇõES ARTIFICIAIS 
 
DO AMBIENTE SOBRE A SAúDE 
 
Qualquer tipo de actividade utiliza energia e gera poluições que têm freq uentem ente 
repercussões nefastas, que só consideramos quando temos a possibilidade de as medir e 
identificar. Isto é possível quando as consequências se fazem sentir imediatamente, mas difícil 
quando estas só surgerri muito tempo depois. 
 
O nosso mundo está doente de poluição 
 
Certas espécies animais e vegetais, ditas bioindicadoras, apresentam uma sensibilidade 
particular e testemunham do desaparecimento de certas formas de vida. 
 
Quando uma indústria polui com os seus detritos (o que acontece com todas) e surge o 
escândalo à luz do dia, instaura-se um regateio entre os 
 
industriais aliados dos sindicatos da empresa que defendem o direito ao emprego. A vida, as 
alterações nos ecossistemas, as repercussões biológicas e as eventuais consequências sobre a 
saúde têm pouco peso face aos 
 
argumentos económicos. 
 
Caminhamos para uma diminuição da poluição? 
 
Os factores criadores de poluição acentuaram-se nos últimos anos, particularmente graças à 
intensificação da industrialização. O crescimento 
 
e a alteração do consumo dos indivíduos são em grande parte os factores responsáveis desta 
situação. E seria uma ilusão pensar que os progressos realizados fazem ou farão inverter este 
processo de degradação que constatamos na nossa vida quotidiana. 
 
O estado global de nosso meio ambiente, desde que tomámos consciência da sua degradação, 
não melhorou por isso. Alguns cientistas, desde os anos 30 (a escolha desta data, sabemo-lo, é 
puramente arbitrária, já que os primeiros trabalhos sobre os efeitos nocivos dos fumos datam 
do século xvii) começaram a avaliar os efeitos nefastos da industrialização sobre a Natureza. 
Apresentaram as suas reservas relativamente à poluição gerada pelas actividades humanas e 
acautelaram os poderes públicos. As 
 
212 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
primeiras medidas significativas foram tomadas nos anos 70, mas o estado do planeta continua 
todavia a degradar-se. 
 
Existem me(lidas possíveis de prevenção? 
 
As ineclídas preventivas são quase ínexístentes. Mesmo que um país tornasse a decisão de 
respeitar totalmente o seu meio arribiente (o que é impossível no nosso mundo 
industrializado), esta decisão teria poucas repercussões porque a poluição não tem em conta as 
fronteiras e estas, numa perspectiva proteccionista, não nos servem de nada. 
 
Quando sornos confrontados com uma poluição que nos obriga a agir de modo a neutralizá-la, 
limitá-la ou substituí-la por uma técnica “com efeitos nocivos aceitáveis”, o mal já está feito. 
Além disso, o que poderia à primeira vista parecer uma boa medida demonstra ser irrealista e, 
grande parte do tempo, apenas substituímos um tipo de poluição por outro, cujos efeitos ainda 
não se manifestaram. 
 
Tomar consciência (lo meio ambiente significa a(laptarmo-nos ou adaptá-lo às nossas 
necessida(les? 
 
O problema reside na percepção que o homem tem do seu meio ambiente. As outras espécies 
vivas, sejam elas animais ou vegetais, vivem em osmose com o seu meio ambiente. Uma 
espécie adapta-se e aclimata-se em função do seu meio: se não consegue encontrar o seu 
lugar, desaparece; pelo contrário, se as condiçõ es lhe são favoráveis ela persiste e prolifera. 
 
Para o homem a situação é muito diferente. Este adapta o meio ambiente à suas necessidades’ 
. Enquanto estas apenas exigiram a energia fornecida pela força dos animais, as repercussões, 
apesar de terem algumas consequências, perinitiram contudo um modus vivendi. O homem 
explorava a natureza em função das suas capacidades limitadas, e esta podia, mal ou bem, 
reconstituir-se. 
 
Com a chegada da era industrial, a relação de forças alterou-se em 
 
grande escala e a exploração dos recursos naturais acentuou-se ainda mais, aumentando 
paralelamente os seus efeitos desagradáveis. O raciocínio do homem fá-lo pensar que aquilo 
que não conseguiu resolver ontem 
 
1 As alterações feitas pelos animais também existem, mas têm um carácter limitado. 
 
213 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
estará ao seu alcance amanhã. Mas, no estado actual da situação, nada indica que os 
problemas para os quais não encontrámos uma resposta sejam resolvidos num futuro próximo. 
 
Além disso, o nosso sistema imunitário tem a capacidade de indentificar as substâncias 
patogénícas que encontramos e deveria neutralizá-las. É o 
 
que norrnalmente acontece. Mas quando somos confrontados com agentes tóxicos novos, que 
enganam as nossas defesas, o nosso organismo não consegue ídentificá-los, e estes são, assim, 
assimilados e armazenados. 
 
O progresso gera exclusão e inatlaptação 
 
Destas perspectivas decorrem dois sistemas de pensamento: 
- O primeiro consiste em afirmar que o homem, desde os tempos mais 
 
remotos, soube adaptar-se ao seu meio arribiente. 
- O segundo consiste em acreditar que o homem, no futuro, será capaz 
 
de encontrar a solução para os problernas que tem sido incapaz de resolver no passado. 
 
Este tipo de raciocínio optimista, que defende o progresso “a todo o custo”, não é sério e não 
resiste a uma análise profunda. Dizer que o 
 
homem vai conseguir adaptar-se é uma pura abstracção especulativa e 
 
revela mais do desejo do que da realidade observável que decorre dos factos. Basta, para 
ficaririos convencidos, enumerar as espécies que desapareceram ao longo desta última década 
e verificar que inúmeros rios e 
 
lagos perderam a totalidade ou uma grande parte da sua fauna aquática. 
 
Um outro aspecto que não se deve negligenciar e que é esquecido é que, longe deresolver os 
problemas do homem, a industrialização marginaliza socialmente os indivíduos mais fracos (os 
que não podem ou não sabem adaptar-se às condições sociais ou económicas) e exclui-os, 
perante a indiferença geral da colectividade (à excepção de algumas associações de caridade 
com meios limitados). Para estes problemas, e isto independentemente do tipo de governantes 
no poder, não foi ainda encontrada qualquer solução. A sociedade continua a produzir 
progresso e a 
 
acentuar o fenómeno da inadaptação e da exclusão. 
 
Quanto aos outros, aqueles que estão “provisoriamente” adaptados, têm consciência da 
precariedade da sua situação. Esta é uma das razões pelas quais os países ricos necessitam 
cada vez mais de drogas (legais ou 
 
ilegais) para os ajudarem a suportar o seu “mal-estar”. 
 
214 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
A POLUIÇÃO ELECTROMAGNÉTICA 
 
A fada boa da electricidade 
 
Uma das primeiras pessoas em França a apontar os riscos ligados a 
 
este tipo de poluição invisível, e por isso insidiosa, foi o Dr. Maschi. Como é o caso de todos os 
precursores, isto não só lhe valeu um grande número de transtornos e processos, como 
tarribém o ter sido, durante mais de vinte anos, excluído da ordem dos médicos. Actualmente 
toda a gente parece concordar, ou quase, e inúmeros cientistas admitem que a corrente 
eléctrica não é talvez tão anódina como normalmente se pensa. 
 
Com efeito, os responsáveis e os produtores de electricidade de todos os países fizeram crer ao 
público que a electricidade só tinha vantagens. Durante muito tempo ela só teve qualidades, a 
tal ponto que os publicitários, ao gabarem os seus méritos, apresentavam-na sob a imagem 
tranquilizadora de “fada boa do lar”. Mas, por detrás desta fada radiosa e dispensadora de 
tanto conforto e facilidade, esconde-se talvez uma terrível bruxa, pronta a fazer-nos pagar o 
cêntuplo por todas as vantagens que nos fornece. 
 
As investigações finalmente reveladas 
 
As primeiras investigações dissonantes datam de 1954. Foram efectuadas nos Estados Unidos. 
Na mesma época os Polacos também trabalharam sobre esta questão polémica. 
 
A evolução da técnica teve como resultado o facto de o conjunto de radiações 
electromagnéticas da atmosfera terrestre ter ficado “carregado” de forma considerável. Trata-
se de uma poluição ignorada, ocultada, mas 
 
cuja presença se torna cada vez mais evidente. 
 
Já nessa época se suspeitava que este tipo de poluição era responsável por certas patologias 
degenerativas tais como as leucemias ou a doença de Parkinson. 
 
Em 1976 um estudo americano apresentava os resultados de um relatório do Pentágono que 
realçavam que “os fornos de microndas poderiam produzir crises cardíacas, alterar o 
comportamento dos diplomatas e 
 
influenciar as pessoas submetidas a um interrogatório”. 
 
215 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
Milhões de dólares foram investidos neste tipo de investigação, tanto rio Ocidente como no 
Oriente. Mas com que finalidade? Esta questão continua actual. 
 
Em 1979, WertheIrner e Leeper observaram um excesso de mortalidade por doenças 
cancerosas em crianças que viviam em casas com campos magnéticos muito elevados. Três 
anos depois Milham realça que as pessoas que têm uma actividade associada à exposição a 
campos inagnéticos podem manifestar um risco acrescido de leucemia. 
 
Nos anos 80 e 90 foram realizados estudos epiderniológicos em pessoas que manifestavam 
exposiçoes não só residuais, mas tarribém profissionais. Na Suécia confirmaram que o aumento 
dos riscos relativos cresce proporcionalmente à frequência e aos níveis de exposição. Este 
estudo conclui “que os resultados trazem mais argumentos em favor de uma relação entre 
campos magnéticos e cancro do que contra ela”. Esta evidência é ainda mais acentuada no caso 
da leucemia infantil. 
 
As doenças desencadeadas pelos campos electromagnéticos 
 
O Prof. Cyrí1 W. Smith realça o papel fundamental das radiações não ionizantes nos processos 
vitais e os perigos potenciais que resultam da exposição regular às radiações 
electromagnéticas, mesmo de fraca potência. Estas favorecem o aparecimento do cancro, de 
leucemia, de alergias e de depressões. Estas doenças são agravadas ou desencadeadas pela 
maioria dos nossos sistemas e campos eléctricos, tais como os cabos de alta tensão, os fornos 
de microndas, as ondas de rádio, os radares e certas 
 
aplicações militares. Estes exemplos edificantes mostram a enorme complexídade dos 
problemas e dos fenómenos que podem resultar das consequências das actividades industriais. 
 
Localizar e conhecer o nível e o grau de exposição aos campos electromagnéticos do nosso 
meio ambiente é uma etapa indispensável para combatermos estes perigos com conhecimento 
de causa e nos mantermos afastados das suas fontes. 
 
Máquinas de costura efetos 
 
As mulheres grávidas que trabalham com máquinas de costura eléctricas arriscam-se a expor 
os seus fetos a radiações electromagnéticas, 
 
216 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
susceptíveis de provocar leticemia. Com efeito, a Dr.’ Claire Infânte-Rivard, da Universidade 
McGill de Montreal, recenseou um número importante de leucernias em crianças filhas de 
costureiras. Esta investigadora tinha primeiro atribuído este fenómeno ao pó e às fibras 
sintéticas. 
 
Campos magnéticos e cancro do cérebro 
 
“As pessoas que trabalham em instalações eléctricas duplicam o risco de contraírerri cancro do 
cérebro”, afirmam os investigadores da Universidade da Carolina do Norte. 
 
Os resultados mais significativos estabelecem uma relação de causa e 
 
efeito entre exposiçao e cancro do cérebro. Esta doença provocou 144 mortes entre os 140 000 
indivíduos que trabalhavam numa central eléctrica (foram escolhidos ao acaso para o 
estabelecimento da amostra analisada). 
 
Este risco alarga-se também a outros tipos de cancro, por exemplo, ao 
 
cancro do sangue. Com efeito, a exposição prolongada aos campos magnéticos duplica as 
“possibilidades” de desenvolver um tumor deste tipo. 
 
Por outro lado, na Bélgica, certos criadores de gado constataram o 
 
aparecimento de perturbações fisiológicas no gado depois da colocação de um cabo de alta 
tensão nos seus terrenos. Podemos também mencionar o teor anormal de astrocitomias em Los 
Angeles e o número elevado de cancros entre o pessoal da central telefónica Pacífic Bell; na 
Polónia e na Ucrânia, constata-se um aumento de leucemias crónicas e agudas, bem como 
casos de cancro em instaladores e técnicos de rádio e a multiplicação de arterioscleroses e 
também de problemas de esterilidade nos 
 
condutores de carros eléctricos. 
 
É possível preservarmo-nos da poluição electromagnética? 
 
É preciso, em primeiro lugar, medir os campos magnéticos do nosso 
 
meio ambiente para identificá-los e protegermo-nos. Existem diversos meios: 
 
- Aparelhos de medição; 
- Detecção efectuada por especialistas. Além disso, é necessário: 
* que a instalação eléctrica esteja bem feita; 
* que as tomadas estejam ligadas à terra; 
 
217 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
* que não existam perdas de corrente; 
* evitar ter nos quartos despertadores eléctricos, reduzir o número de 
 
tornadas e proceder de modo a que os candeeiros de cabeceira tenham uma iluminação 
mínima; 
* evitar as camas metálicas; 
* evitar as fibras sintéticas; 
* limitar o tempo passado diante de aparelhos de televisão, ecrãs de 
 
computador, evitar também os telemóveis, os microndas, etc. (ver o 
 
capítulo dedicado ao cancro, p. 279). A acumulação de electricidade estática provém do facto 
de estarmos permanentemente isolados da terra. Com efeito as nossas estradas são 
alcatroadas, os solos das nossas casas estão isolados e os nossos sapatos com sola de borracha 
isolam-nos do solo. Desta forma acumulamos electricidade sem podermos libertar-nos dela. 
 
* O primeiro método consiste em retomar o contacto com a terra, 
 
andando a pé, sempre que possível, de pés descalços sobre a terra, na erva húmida, etc. 
* Outromeio, contudo menos eficaz, é lavar, várias vezes, ao dia as 
 
mãos com água fria e agarrar, durante alguns instantes, na torneira com as duas mãos, o que 
permite fazer uma ligação à terra. Mas, como é óbvio, o melhor meio consiste em pen-
rianecermos, se possível, afastados de campos electromagnéticos. 
 
A irradiação alimentar 
 
É um outro aspecto da utilização da ionização destinada a proteger a nossa alimentação e a 
prolongar o seu tempo de conservação. 
 
Se nos é possível, quando compramos um produto alimentar, ler nas etiquetas os componentes 
químicos - conservantes, aromatizantes, adoçantes, emulsionantes e outros - que são 
necessários ao seu fabrico, é-nos muito mais difícil saber se o produto em questão foi tratado 
com raios ionizantes. Contudo, uma lei de 8 de Maio de 1970 torna obrigatória a 
 
indicação de qualquer produto que tenha sido sujeito a irradiação. Mas esta lei nunca é 
aplicada. A 15 de Novembro de 1989, o Parlamento Europeu, com a finalidade de proibir a 
irradiação dos alimentos frescos na CEE a partir de 1 de Janeiro de 1993, adoptou uma 
directiva. Mas a 
 
218 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
França ultrapassou esta directiva e continuou a irradiar os queijos “camembert” confeccionados 
com leite cru. Quanto à Alemanha, não obstante ter proibido a irradiação dos produtos 
destinados ao seu mercado interno, autoriza-a para os produtos destinados à exportação. 
 
As consequências da irratfiação 
 
- Em todos os casos, a permeabilidade das membranas celulares é afectada, os raios ionizantes 
dissociam as moléculas e libertam radicais livres. As batatas irradiadas, por exemplo, têm uni 
tempo de conservação mais longo, mas perdem a vitalidade, estão mortas. 
 
- Destrói a germinação e opõe-se à vida: os cereais tratados não germinam ou germinam muito 
mal. O estudo feito com raios infravermelhos mostra o aparecimento de deformações 
estruturais. Os açúcares e os amidos alteram-se. Quanto aos frutos, os processos são idênticos: 
a irradiação mata os micróbios, mas altera o teor de vitaminas e acarreta uma perda 
enzimática importante. 
 
Inúmeros produtos agrícolas, tanto em França como noutros países, são actualmente 
irradiados: frutos frescos, cebolas, alhos, frutos secos, aves, leite, etc. É, por conseguinte, 
preferível consumir apenas produtos de qualidade biológica ou comprados a pequenos 
produtores. 
 
Os metais são necessários, mas em doses altas são tóxicos 
 
O organismo tem necessidade de inúmeros metais para assegurar o seu 
 
funcionamento. Mesmo que só os utilizemos em quantidades infinitesimais, não podemos viver 
sem eles. Em contrapartida, certos metais podem estar na origem de graves perturbações 
orgânicas. Por exemplo, o cobre é um elemento necessário, mas, ingerido em quantidades 
importantes, torna-se nocivo. A toxicidade dos metais obriga-nos a utilizá-los com precaução 
nos complementos alimentares e nas amálgamas dentárias. 
 
As fontes de intoxicação podem ser variadas. Na Silésia, por exemplo, constataram-se vários 
casos de intoxicação em crianças que brincavam em 
 
parques infantis onde a areia de jogos continha doses anormais de chumbo. 
 
Por outro lado, devemos sempre ter em conta que não basta, em caso 
 
de carência, tomar apenas o elemento que falta para remediar a carência, já que vários 
factores podem ser responsáveis. Por exemplo, a anemia 
 
219 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
maligna é frequenternente o resultado, não de falta de vitamina B12 (ver “Cobalto” no quadro 
adiante), mas da incapacidade que o organismo tem de a assimilar. Ela só pode ser utilizada 
sob a forma de um complexo com 
 
uni factor interno (glicoproteina produzida pelas mucosas do estômago). 
 
O exemplo do zinco 
 
O caso do zinco demonstra bem a evolução dos nossos conhecimentos sobre o papel dos 
microelementos metálicos no nosso organismo. Em 
1869, Raulin descobriu que o zinco era necessário ao desenvolvimento do cogumelo Aspergilliís 
niger. Mas foi preciso quase um século para se 
 
descobrirem as consequências das carências desse metal e as suas funções no organismo. Em 
1961 demonstrou-se que uma carência em zinco é a causa de graves perturbações 
metabólicas, de anemia severa, de estagnação ponderal, do atraso no crescimento e de 
hipogonadismo. 
 
Os bioquímicos descobriram que este elemento é necessário ao funcionarnento de várias 
enzimas: desidrogenases, aldolases, peptidases, fosfatases, isomerases e transfosfiralases. 
Sabemos que ele participa no processo de sintetização proteica e de divisão celular. Continuam 
a ser estudadas as relações com os ácidos nucleicos. As graves consequências da sua 
 
carência e a sua múltipla acção retiram a atenção dos terapeutas. 
 
Utilizou-se primeiro o zinco para tratar certas patologias. A sua 
 
toxicidade não era ainda conhecida. Todavia, certos metais vitais são, em 
 
certas formas e em determinadas doses, fortemente tóxicos. As primeiras intoxicações 
causadas pelo zinco foram descritas nos mineiros e operários da indústria metalúrgica. A “febre 
do zinco” tem os sintomas seguintes: arrepios, febre, vómitos, cansaço, fraqueza, 
acompanhados de secura bucofaríngica. Contudo os efeitos tóxicos do zinco a longo prazo 
foram durante muito tempo ignorados. Além disso, casos de intoxicação próximos dos 
observados na indústria foram considerados como efeitos secundários do tratamento 
terapêutico pelo zinco. 
 
Actualmente a toxicidade dos sais e compostos de zinco é mais bem conhecida. A base de 
dados Medline comporta 74 publicações sobre este assunto. Inúmeras informações falam da 
sua toxicidade em animais de laboratório, também observada no meio natural. Para estas 
investigações utilizam-se culturas celulares in vitro (fibroplastas humanos) e estudam-se as 
zonas ecologicamente devastadas. A acção tóxica dos compostos de zinco é muito variada. 
 
220 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
Os metais: doenças de carência ou de excesso 
 
METAL 
 
Efeito de carência 
 
Efeito de excesso 
 
Crómio (Ci-) 
 
Metabolismo 
 
Desconhecido. 
 
anormal da glicose. 
 
Cobalto (Co) 
 
Anemia maligna, 
 
Insuficiência das artérias 
 
porque este metal 
 
coronárias e hipergIobulia. 
 
faz parte da 
 
Nos anos 1965-1966, no 
 
vitamina B,,, 
 
Canadá, acrescentou-se 
 
necessária à síntese 
 
sulfato de cobalto à cerda hemoglobina. 
 
veja (I mg para 750 ml) 
 
A falta de cobalto 
 
de modo a estabilizar a 
 
na alimentação dos 
 
espuma. Detectaram-se 
 
animais provoca 
 
então nos consumidores 
 
doenças que, 
 
casos de cardiomiopatia, 
 
outrora, dizimavam 
 
20 deles mortais. O pó de 
 
os rebanhos de 
 
cobalto provoca tumores 
 
ovelhas na Austrália. 
 
malignos nos músculos. 
 
Lítio (U) 
 
Depressão maníaca. 
 
Desconhecido. 
 
Magnésio (Mg) 
 
Convulsões. 
 
Parestesia. 
 
Manganês (Mn) 
 
Deformações ósseas. 
 
Inércia locomotora. 
 
Funcionamento 
 
A inalação de pó de óxido 
 
anormal das 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
METAL 
 
Efeito de carência 
 
Efeito de excesso 
 
Potássio (K) 
 
Doença de Addison. 
 
Selénio (Se) 
 
Necrose do figado. 
 
Cenurose nos anirriais, efeito desconhecido no homern. 
 
Sódio (Na) 
 
Doença de Addison. 
 
Cálcio (Ca) 
 
Deformação óssea, Tetania. 
 
Catarata. Cálculos da vesícula biliar. 
 
Ferro (Fe) 
 
Anemia. 
 
Hematocromatose (acompanhada de cirrose do fígado). Sideritose. 
 
Cádmio (Cd) 
 
Inflamação renal, doença “Itai Itai” (intoxicação crónica). Várias centenas de pessoas morreram 
dos efeitos desta intoxicação no Nordeste do Japão, numa região mineira (antigas minas de 
metais não ferrosos). O cádmio acumula-se nos rins e no figado. Este metal fragiliza também 
os ossos. 
 
Chumbo (Pb) 
 
Anemia. Encefalomielite. Neuropatia. 
 
222 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
óLEOS ESSENCIAIS, LEGIONELOSE E POLUIÇÃO 
 
MICROBIOLóGICA DO AR 
 
Uma doença misteriosa... 
 
A história começa corno um policial americano. Em 1976, durante uma reunião comemorativa 
do 58.O aniversário da Legião Americana, no 
 
Hotel BellevueStratford de Filadélfia, 182 antigos legionários, cidadãos arnericanos, são vítimas 
de uma estranha doença. A “nova” pneumonia causou a morte de 29 pessoas. A imprensa 
avançou a hipótese de um 
 
atentado “biológico” contra estes antigos mercenários. O FBI fez uma 
 
investigação pormenorizada, mas foi preciso um ano para se descobrir a 
 
solução deste mistério. 
 
Em Dezembro de 1977, a equipa de investigadores do Centro de Controlo de Doenças de 
Atlanta conseguiu isolar e determinar o bacilo incriminado. A “nova” bactéria recebeu o nome 
de Legionellapneumophila, e descobriu-se que o seu vector era o sistema de ar condicionado. 
 
A doença dos legionários seria realmente uma nova doença? Ou teríamos nós conseguido 
finalmente encontrar uma explicação para certas patologias pulmonares inexplicadas até 1977? 
Isto porque a análise de amostras de soro responsáveis por antigas pneumonias determinou a 
 
implicação da Legionellapneumophila na epidemia de febre de Pontiac em 1968, e também: 
 
-na morte de 14 pessoas entre as 81 contaminadas no Hospital de 
 
Santa Elizabeth, em Washington em 1965; -em 11 pneumonias, entre as quais 2 mortais, no 
mesmo hotel em 
 
Filadélfia, em 1974. Além disso, as epidemias ocorridas em diversos países mostram o 
 
carácter universal da legionelose: em hotéis de Itália, em 1980; em centros comerciais na 
Suécia, em 1979, em hotéis nos Estados Unidos, na Austrália, em Porto Rico, em hospitais 
franceses em 1989. Basta lembrar que todos os anos a legionelose atinge 400 000 pessoas nos 
Estados Unidos e que uma única epidemia num pequeno clube de golfe em Inglaterra provocou 
a morte de 43 pessoas, para compreendermos a importância desta doença. 
 
223 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
Desde 1976 descreverarri-se cerca de 30 espécies e 80 estereótipos diferentes de legionela. 
Contudo, a Legionella pneuniophila, estereótipo 1, é responsável por 90% das infecções. Mas as 
outras espécies também podem ser patogénicas. Além disso, o nosso conhecimento sobre este 
grupo de bactérias é ainda muito limitado. A capacidade patogénica da Legionella anisa só foi 
descoberta na Austrália em 1990, ou seja, catorze anos depois do início das investigações sobre 
a legionelose. 
 
A responsável finalmente descoberta 
 
A legionela é uma bactéria muito cornum. A investigação mostrou a 
 
sua presença em 64% de torneiras de água fria e em 75% de torneiras de água quente, em 
Paris. Os aerossóis e a transmissão de pequenas gotas contendo bactérias favorecem a 
contaminação. Os sistemas de climatizaçã o e humidificação do ar são as principais fontes de 
risco de legionelose. Mas não devemos contudo esquecer os riscos ligados aos simples duches e 
 
trabalhos de construção. 
 
A legionela vive em simbiose com o Flavobacteriutn breve ou Fischerella sp. Estes 
microrganismos assegurarn-lhe uma fonte de ferro. A legionela pode também sobreviver em 
períodos difíceis graças à sua 
 
simbiose (parasitismo?) com as arnibas. É uma bactéria muito resistente que consegue viver no 
seu meio, mesmo depois de um tratamento por meio de cloro, ozono, raios UV e calor. A 
utilização dos biostáticos, que se julga limitar o seu desenvolvimento, não forneceu resultados 
comprovativos. É por isso que os meios utilizados para a esterilização dos contentores de água 
dos climatizadores devem ser limitados, já que são tóxicos e serão posteriormente dispersos no 
meio ambiente pelo sistema de climatização. 
 
Os sistemas de ar condicionado são os culpados 
 
A doença dos legionários deve incitar os investigadores a trabalharem sobre a flora e a fauna 
dos reservatórios e dos sistemas de ar condicionado. Porque certas condições físicas, como a 
temperatura e a humidade, criam um ambiente ideal para a proliferação de bactérias. Desta 
forma, a análise biológica dos sistemas de ar condicionado pode inquietar todas as pessoas que 
trabalham em edifícios “modernos”, equipados com siste224 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
mas de clirriatização do ar. A análise mostrou que, além das bactérias do tipo legionela, cerca 
de 50 espécies de bolores e esporos (AspergilIus, Cl(ido,@I)orini@i, Alternaria, Mucor, 
Alirebasidiui7i, etc.), mais de 20 espécies de bactérias também vivem nos ares condicionados 
(Baciflus cereus, Baciffiíssubtilis, etc.), bem como amibas, do tipo Acanihamoeba e Nagleria, e 
algumas algas. 
 
Alguns destes microrganismos são susceptíveis de ter uma acção patogénica. Desta forma, 26 
casos de aspergilose invasiva forarri diagriosticados em pacientes imunodeprimidos, em 
tratamento no Serviço de Hematologia do Hospital Henri Mondor. A aspergilose parece ser uma 
das doenças microbiológicas iatrogénicas mais frequentes rios hospitais franceses. Por outro 
lado, certos organismos de “ecossisternas de ar condicionado” têm um papel de agentes 
patogénicos directos, e outros são 
 
responsáveis por patologias de origem alérgica. As arnibas poderri também ter um papel de 
“reservatórios de vírus” e, como já dissernos anteriormente, podem constituir um veículo para 
as legionelas. 
 
O Prof Ragnar Rylander da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, trabalha desde há anos 
sobre o papel das bactérias Gram-, diferentes da legionela, e das suas endotoxinas, nas 
doenças do ar condicionado. Os resultados mostram os perigos de diversas bactérias e das suas 
toxinas dispersas rio ar através dos sistemas de climatização. 
 
Como diminuir os riscos de contaminação pelos sistemas de ar condicionadrp? 
 
A patologia do ar condicionado provém essencialmente de uma concepção errada na instalação 
da climatização e está frequentemente associada ao sistema de hurnidificação. As soluções 
eficazes continuam, por conseguinte, nas mãos dos engenheiros e técnicos mais do que nas 
mãos dos médicos. Em certos casos é necessário conceber novamente e substituir totalmente o 
sistema de climatização. Trabalhos dispendiosos deste tipo permitiram deste modo eliminar os 
riscos rios edifícios da BBC em Londres. É certo que uma instalação e humidificação correctas, 
filtros eficazes, uma temperatura da água desfavorável à proliferação microbiana e limpezas 
regulares são as precauçõ es necessárias para diminuir estes riscos. 
 
225 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
O que é evidente é que é preferível não criar condições artificiais patogénicas. Mas, 
indiscutivelmente, a “escolha técnica” não está ao alcance de um indivíduo obrigado a trabalhar 
ou a tratar-se em locais climatizados. 
 
Os óleos essenciais podem resolver uma parte dos problemas? 
 
Faltam-nos dados sobre a acção antibiótica contra a legionela, mas 
 
existem estudos, infelizmente desconhecidos, sobre a desinfecção contínua do ar por meio de 
óleos essenciais. Como é óbvio, a dispersão de substâncias tão potentes exige uma certa 
prudência, mas esta solução deve ser encarada e, além disso, é facilmente aplicável. Em 1960, 
M. L. Joubert de Lyon estudou a desinfecção contínua. Por este meio demonstrou a eficácia dos 
aparelhos “aerolizores” (em relação aos brumizadores e pulverizadores), o que resultou na 
diminuição quantitativa dos germes patogénicos quando se utilizam aerosóis com óleos 
essenciais, bem como numa importante diminuição de bactérias. 
 
Observou também a atenuação da virulência destes microrganismos, mas, o que é mais 
importante, que a taxa de germes “saprófitos” (encarregados da defesa) permanecia estável. 
Quanto à acção broncodilatadora e apneizante, esta melhorava. Além disso, notou também a 
diminuição da poluição química do ar ambiente (como a do amoníaco, por exemplo). 
 
AS ALERGIAS ALIMENTARES E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS 
 
Certas doenças não respondem aos tratamentos clássicos. Sintomas diversos, tais como 
cansaço, dores de cabeça, dores abdominais e diarreias não parecem corresponder a uma 
doença com características bem determinadas. Perante casos deste tipo, um grande número de 
terapeutas classifica estas perturbações na categoria das patologias psicossomáticas. É certo 
que pode ser verdade para certos pacientes,mas outros apresentam simplesmente uma 
intolerância a uma substância alimentar, a um aditivo químico ou uma reacção ao contacto com 
um determinado produto. 
 
226 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
Quando se poderá suspeitar que as alergias têm uma origem alimentar? 
 
- Em casos de diarreias rias crianças: estas cólicas poderri por vezes 
 
ocorrer se a criança é alirrientada ao peito e a mãe abusa de produtos lácteos. 
- Dores de garganta repetidas, rinites (suspeitar também do tabaco e 
 
das poluições ambientais). 
- Sinusite. 
- Dores de cabeça. 
- Cansaço, ansiedade. 
- Doenças da pele tais corno eczema, psoríase (neste caso podern 
 
existir também alergias ao contacto com fibras sintéticas ou com produtos químicos). 
- Asma. 
- Reumatismos. 
 
Artrite, artrose, artrite reurnatóide (incluindo as inflamatórias). 
- Certas doenças gastrintestinais, inchaços. 
- Doenças card lovascu lares. 
- Hiperexeitabilidade. 
 
Instabilidade, stress, irritabilidade. 
- Insónia. 
 
Quais são os produtos suspeitos de causar alergias? 
 
O leite e os seus derivados (manteiga - queijo) 
 
Basta, muitas vezes, eliminá-los durante algum tempo para que a alergia desapareça, em 
particular em problemas nas crianças pequenas, mas 
 
também em casos de diarreias, prisão de ventre, doenças da pele, asma, rinites, sinusites e 
também nas doenças card iovascu lares e intestinais. 
 
Conhecem-se actualmente 20 substâncias alergizantes além dos antibióticos, todas elas 
contidas no leite. 
 
O mito de que os produtos lácteos contêm cálcio e são, por conseguinte, saudáveis só é 
alimentado pela publicidade e contradiz os factos. 
 
227 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
Os países onde existe inenos osteoporose são os que não consomem ou consomem poucos 
produtos lácteos (a China, os países africanos e certos 
 
países do Extremo Oriente). O Prof. Kervran dernonstrou que não bastava consurnir produtos 
lácteos para cobrir as necessidades em cálcio do organismo, e que estes tinham, muitas vezes, 
um efeito oposto. 
 
Certos produtos de origem animal 
 
Os ovos, os peixes, sobretudo os fritos. Esta alergia manifesta-se frequentemente à distância, 
veiculada unicamente pelo cheiro (a peixe frito). 
 
O glúten e os cereais 
 
Especialmente nas perturbações intestinais, na artrite, na artrose e rias poliartrites 
reurnatismais, bem como nas diversas alergias (à excepção do arroz). 
 
O açúcar, o café, o chá, o chocolate 
 
Estes podem, em certa medida, acentuar os fenómenos alergizantes e 
 
devem ser proscritos em todas as abordagens desintoxicantes. 
 
O que fazer para descobrir uma alergia? 
 
Para descobrir uma alergia alimentar, basta, muitas vezes, deixar de consumir o produto 
suspeito até se fazer sentir uma melhoria. Esta chega normalmente ao fim de alguns dias. Mas 
não se trata de uma regra absoluta: em certas alergias é necessário esperar mais tempo, às 
vezes algumas semanas. Além disso, os sintomas, no início, podem acentuar-se. Se isto 
acontecer, é porque existem fortes probabilidades de que o produto em questão seja o 
responsável desta situação. Se nada acontecer, volte a 
 
introduzir o elemento na sua alimentação e retire outro. 
 
Uma outra técnica consiste em jejuar alguns dias e voltar a introduzir os alimentos suspeitos de 
toxicidade, uns a seguir aos outros, espaçando 
 
228 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
a ingestão de cada um de alguns dias, o que permite observar o 
 
reaparecimento do sintoma e identificar a substância com uma margem de erro mínima. 
 
Existem testes de electroacupunctura (Võll, moraterapia) que permitern, na generalidade dos 
casos, diagnosticar as alergias e tratá-las. 
 
Quando o excesso de sensibilidade provém da acumulação de metais pesados, os testes de 
moraterapia, de Võll, do perfil proteico, e a análise 
 
do cabelo são tarribém de uma grande utilidade e podem orientar o tratarnento. A queloterapia 
permite, na maioria das vezes, corrigir estas situações. Em caso de intoxicações deste tipo, o 
alho tem virtudes desintoxicantes que tornam este boibo particularmente interessante. 
 
Em casos de artrite, artrose e patologias reumatóides tais como a 
 
poliartrite, existem motivos para se suspeitar que estas possam ter unia, 
 
origem alimentar. É importante intervir pr ioritariam ente neste factor. 
 
Como realçámos anteriormente, inúmeros investigadores começam a 
 
pensar que os alimentos, a sua escolha, a sua origem e a forma como são 
 
preparados, podem ter uma incidência sobre a nossa saúde. A assimilação 
 
e a utilização dos alimentos pelos nossos organismos são variáveis em 
 
função de parâmetros pouco ou mal conhecidos. 
 
Os outros alergizantes 
 
Os ácaros 
 
É uma das alergias mais frequentes. Está ligada à presença dos ácaros no meio ambiente. Estas 
alergias são cada vez mais nurnerosas e provêm das alterações no nosso modo de vida, 
particularmente do sobreaquecimento dos apartamentos que lhes permite viverem e 
reproduzirem-se em condições ideais. 
 
Os produtos cosméticos, de limpeza, lixívias, sabões 
 
A alergia é causada pela presença de certos diluentes e de certas 
 
substâncias aromáticas. 
 
229 
Alergias e doenças ditas ambientais 
 
ALGUNS TRATAMENTOS NATURAIS RECOMENDADOS 
 
EM CASOS DE ALERGIAS 
 
Receitas da medicina monãsticas, arte medicinal dos lrmàos de São João de Deus (Pato 0e17e 
Frateliii 
 
117fUSiO dS MIStUrO 
 
TanCha_Q0M (f0117as), Veróníca (érva), CavalInha (erv.7), Sempt----r,0íVa (erV8), Gal--Opse 
(--rva), GraMa (ríZOIn.7), Ácoro- Verdadelro (rizorna), TUSS11.7~ (f0117aS), Torment1117a 
(flZOMa), Bétula (f0117as), De17te-Oe-leãO (raIZ), 
 
ou 
 
Amor-perfeito (erv,9), Eufrasi.g~oficin.71 (erv.7) Erva-de-são~joão (erva), cava&7ha (erva), 
BÓIS-7-0é_Pastor (erv29), CoenIros (frutos), Urtíga (folhas), ArtemIsía (erva), Arnieiro-preto 
(casc.7), B&tó17iC.7 (erVa), Gr8Ma (riZO/77.7) 
 
Depois de misturar estas plantas em proporções iguais, deite uma colher desta mistura num 
copo de água a ferver. Cubra e 
 
deixe em infusão durante 3 horas. Em seguida filtre e aqueça ligeiramente. Tomar 3 copos por 
dia (20 minutos antes das refeições). 
 
ó1005 055e17C1215 * 
 
Berg-7mota, B010,O, Bélula, 
1-7ra17);9, AleCriM 
 
Em vaporização. 
 
ATENÇÃO: estas preparações dizem respeito apenas aos sintomas; o tratamento propriamente 
dito, tal como foi dito anteriormente, consiste em eliminar a (ou as) causa(s)! 
 
230 
Anemia 
 
Anemia 
 
E @iagnóstico médico indispensável, de modo a conhecer as causas exactas. Manifesta-se por 
diversos sintomas: pele macilenta e fria, rosto pálido, abatimento, palpitações ao mínimo 
esforço, vertigens, etc. 
 
ÁDroffoi ,as * CaValí17ha-Fucus VeSIGUIOSUS 
 
* 2 drageias de cada, no primeiro dia. 
 
Eleuterococo 
 
* 3 drageias, no segundo dia. Alternando com: 
 
Própolis 
2 drageias, no segundo dia. 
 
ou 117fus,10 * Cava11n17a + Alecrom + seglirelha + Salva 
1 pitada de cada planta para 1 chávena de água, deixar ferver 
5 minutos; deixar em infusão durante 10 minutos. Tomar 4 chávenas por dia, fora das 
refeições. Receitas da medicina monãstica, arte médica dos Irmãos de São João de Deus (Fata 
Sono FratelIV 
 
Ilifusão dS mistura 
 
Urtíga (folh&S, 100 9), Rosa (fruto loog) cássís (f0117as, 50 camomila (50 g) Dente-de-l&ão 
(raiz 50 g), 
 
Angélica - arGal9gélIC.7 (r.?IZ, ‘50 g), Grama (ri--oma, so g), Gentáurea (erva, 20 g) 
*Misturar as plantas. Uma colher 
 
para um copo de água a ferver. Deixe em infusão durante 20 minutos e filtre. 
*Tomar quente, 2 ou 3 vezes ao 
 
dia, depois das refeições. 
 
ó100.9 055017CARIS (@@ 7otr~17/à 
 
1 gota, 2 ou 3 vezes ao dia. 
- Cura de 15 dias, várias vezes 
 
ao ano. 
 
Outros õleos essenciais: 
 
Angélica, Manjeticão, Genoura, Limão, Funcho, 
1 aranja, Salsa 
 
7117NIO-MãO Urtiga (20 g de urtIyas coffiidaS /70 MêS dO Malo) 
-Introduzir as urtigas em meio litro de álcool a 450 durante 10 dias. Deite em seguida esta 
mistura numa garrafa opaca, e tome um copo pequeno ao deita r. 
 
231 
Anemia 
 
* Pode misturar esta tintura comuma tintura-mãe de raiz de dente-de-leão, sumo de alperce e vinho tinto. 
* Para meia garrafa de vinho tinto 
 
acrescente sumo de alperce, ou, melhor ainda, alperces frescos cortados em pequenos pedaços 
(cerca de 400 g). Acrescente em seguida 30 ml de tintura. 
* Tomar 2 ou 3 cálices, de licor, 
 
por dia. 
 
SO/7/705 dO áSSOIMO * 
 
Frios, diários, ou com fricções Kuhne. 
 
0M71705 dO V8POr * 
 
1 vez por semana, seguidos de fricções totais, frescas ou frias. 
 
Duches o 7fusios * 
 
- Alternadamente, 1 dia cada uma: -coxas + braços, no 1.O dia; -fulgurante, no dia seguinte 
‘seguida de uma fricção vigorosa. 
 
Alimelmação 
 
Deve ser simples e sóbria. Evitar: charcutaria, salmoura, conservas, caça, carnes gordas, fritos 
e tudo o que seja difícil de digerir. Consumir de preférència: frutos frescos, secos, legumes, 
legumes secos, saladas, cereais, 
 
arroz, aveia, azeite e óleos vegetais de primeira pressão a frio (milho, noz, caroços de uva, 
etc.) germe de trigo, levedura de cerveja, ovos, alho, cebola, mel, peixe, pão integral, 
lacticínios, queijos, etc. 
* Alimentos privilegiados: papas 
 
de aveia, levedura de cerveja, germe de trigo salpicado em cima dos alimentos, cebola, alho, 
couves e alface-de-cordeiro. 
* Papas de aveia o mais frequentemente possível. 
 
JejUJ 7 7 * 
 
1 vez por semana, no início. Cura de fruta: especialmente uvas, alperces, pêssegos, marmelos 
e quivis. 
 
OU~ fistOMOIMOS 
 
* Azeda comum o azeda-pequena Utilizar as folhas colhidas no momento da floração, secas e 
preparadas em decocção. As folhas também podem ser comidas em saladas. É a “planta 
medicinal” dos animais: as ovelhas doentes procuram-na. 
* Azeda-crespa 
 
O consumo desta espécie aumenta a taxa de hemoglobina e o número de glóbulos vermelhos. 
A raiz e as flores são excelentes remédios que facilitam o trabalho do estômago. 
 
232 
Anginas, Dores de garganta 
 
. CONSELHOS 
 
-Cura de magnésio. 
- Dormir de janela aberta. Ver também: 
- As regras para uma boa saúde (p. 130). 
- Endurecimento (p. 132). 
- Repouso (p. 134). 
 
Anginas, Dores de garganta 
 
A 
 
primeira fase começa, geralmente, com uma pequena dor de garganta, com dificuldade de 
engolir a saliva. Podem sobrevir dores violentas, respiração difícil, com pieira, espirros, 
zumbidos nos ouvidos, etc. A pele fica quente, o pulso torna-se mais acelerado e a temperatura 
sobe. 
 
Àolwffeias * L&"J, Espil71701r0 - M.7/V.7 
 
2 de cada, de manhã. 
 
l_av.?nda - Verbena 
 
2 de cada, de tarde. 
 
OU Infu.5J0 * EspInhelro -@- Malva Lavand.7 “ verbena 
 
Uma pitada de cada. Ferver durante 3 minutos e deixar em infusão durante 15. Acrescentar o 
sumo de meio limão. Adoçar com mel. Tomar 5 a 6 chávenas por dia. 
 
M 
 
G8137,91vios i R&sta-bol + ESPInh&1r0 Em decocção: 3 pitadas de cada para meio litro de 
água. Leve a ferver durante 20 minutos. Deixe em infusão 30 minutos. 
* Várias vezes ao dia. 
* Com uma infusão de: 
 
Sal14.7 (fOffids, 20 g), C.7177017711.7 @10 g), Hortélã-pImei71,7 ffioffias, lOg), Cr.gvo-de-
defui7to (flor&s, log) 
* Misturar as plantas e deitar 3 colheres numa chávena de água a ferver. Deixar em infusão 20 
minutos. Filtrar. 
 
233 
Anginas, Dores de garganta 
 
Utilizar em gargarejos, várias vezes ao dia. 
 
ó/005 055017CI.815 Mauli 
 
1 gota, 2 ou 3 vezes ao dia. 
 
117SAlaÇãO de OSSênCia d& Sálva-Euca11p10 Deitar algumas gotas num prato ou num difusor 
de aromas. 
 
Outros Meos essenciais: 
 
Carnomíla, 1_1@não, Eucaliplo, CtaVO-de-CabOCInha, ILOUrO, L a Va17da L@@J 8817hOS 
* Banho total a 300. Este banho 
 
total é seguido de um duche morno. 
* Duches e afusôes frescas da 
 
nuca. 
* Pode beber água fresca em goles pequenos durante os banhos. 
 
80/7/105 £05 ~ * 
 
* A mistura seguinte permite activar a transpiração: 
 
Lavanoa + Sábuqueiro + EucalIpto 
* 2 pitadas de cada para meio litro 
 
de água. Ferver durante 20 minutos. 
* Deitar numa bacia e acrescentar 
 
água quente. 
* Este banho de pés dura de 20 a 
 
30 minutos. Deve ser seguido de uma loção fresca ou morna com fricção. 
 
8917h05 dO V0POr * 
 
Este banho deve ser seguido de uma loção fresca com fricção. 
 
CI1MUrJO dO NOPN170 * 
 
F,11M8C0P81.7 C1,117eso 
 
* Raiz ou flores de “Yuen hoa”, “Dafne genkwa”: a planta deve ser fervida em vinagre 10 
vezes. Retira-se o vinagre e deixa-se macerar a planta em água durante uma noite. Em seguida 
deve secar ao sol. * 3 pitadas para uma chávena de água. Deixe ferver 10 minutos. Deixe em 
infusão durante 20 minutos. * Beber 2 ou 3 chávenas por dia. 
 
Receltas AtoterapéuMM5 oréqão- vulgar 
* Infusão de 15 g de planta em 
 
1 litro de água a ferver. Deixe em infusão 20 minutos. 
* Tomar, quente, 3 ou 4 chávenas 
 
por dia. 
* A sua acção pode ser reforçada 
 
com tomilho, camomila e salva. 
 
Salva-oricli7a1 ou Tom1117o~ 
- Vulgar 
* Infusão de 15 g de folhas cortadas finas em 1 litro de água fria. Leve a ferver e deixe 
repousar (para gargarejos). 
 
234 
Anginas, Dores de garganta 
 
* A salva era conhecida dos Gregos antigos. Chamavam-lhe então “chá da Grécia”. A sua 
infusão é ainda em certas regiões uma bebida muito popular. Linné dá-lhe o seu nome latino 
salvia que é um derivado de salvare (salvar), para realçar os seus efeitos benéficos. 
 
Tomilho erva~ursa 
* Infusão de 15 g de planta cortada em 1 litro de água fria. Deixe em infusão sem ferver. 
* Esta planta possui inúmeras virtudes. Na Sabóia era utilizada tradicionalmente (as 
extremidades floridas misturadas com amor-de-hortelão amarelo): preparava-se uma 
maceração que servia para coalhar o leite. (0 nome popular do amor-de-hortelão é “coalha-
leite”). 
 
Receitas da medicina monãstica, arte médica dos Irmãos de São João de Deus @Fate Sono 
,Frotelli) 
 
IMUsão do mistura T111a (1@7170reSCê17G1è7, 20 g), camomIla (10 g), 
 
Frainboesa ffiolhas, 10 g), Anis (fruto, 10 g), PIMP11701a (raIZ, 10 g), sé7/Va (f0117as, /o g), 
Hortelã-pÁrnenta (foffias, lOg) Misturar as plantas e da mistura deitar uma colher num copo de 
água a ferver. Deixar em infusão 30 minutos. Filtrar. Beber quente, 2 vezes ao dia, depois das 
refeições. 
 
OU~ tratamentos MO1V180118c05.1 CamomIla (1n8tr1@!ár13) e CamomIla-roma17.7 
 
10 9 de planta para 1 litro de água. Deixar em infusão sem ferver. Na Suíga também se utiliza 
para aromatizar a cerveja. 
 
Alimentação 
 
A alimentação deve ser fresca, pouco abundante, composta sobretudo de sopas de legumes, 
compotas, bebidas: infusões, sumos de fruta fresca. 
 
CONSELHOS 
 
Banhos de ar livre. 
 
Arejar bem os quartos. Se se é sujeito a anginas frequentes, deve-se mudar a alimentação, 
praticar o endurecimento (ver p. 132) e fazer, várias vezes ao ano, curas de drageias de 
própolis-elleuterococo, à razão de 4 por dia de cada, durante períodos de 4 semanas. 
 
235 
Ansiedade - angústia, medos 
 
Ansiedade - angústia, medos 
 
Pode caracterizar-se por estados de agitação geral, de excitação, entusiasmo, seguidos de 
estados de prostração ou abatimento. 
 
U ‘~gei (@I as 
 
Erva-cIdroíra - Alecrim 
 
* 2 de cada, de manhã. 
 
Erva-mo1eír1@717.? - Lúpulo 
 
* 2 de cada, de tarde. 
 
Cura de dragelas: 
 
Elouterococo 
 
4 drageias por dia, durante 4 a 
6 semanas. 
 
OU 117fUSãO 
 
Erva-cidrelra + Alecrim + Erva-moleIrínha + Lúpulo 
 
1 pitada de cada para uma chávena de água. Leve a ferver durante 3 minutos. Deixe em 
infusão durante 15 minutos. Tomar 4 chávenas por dia, repartidas ao longo do dia, uma delas 
ao deitar. 
 
óleos essenc1.915 
 
Lavanda 
 
2 gotas por dia. Utilizar também a lavanda num difusor de essências. 
 
U@@ Sanhos * 
 
* Todos os dias: banhos dos pés 
 
alternados com banhos dos braços, com uma decocçâo de: 
 
Erva-cíOreíra #- 13v317da + 
1 ouro 
 
* 2 pitadas de cada planta para meio litro de água. Leve a ferver durante 20 minutos e 
acrescente 3 ou 4 litros de água quente. * Estes banhos duram cerca de 
10 a 20 minutos e terminam com uma fricção fresca. 
 
ES17hos de essento 
 
* Banhos de assento, frios ou mornos, de 1 a 3 minutos. * 1 ou 2 vezes ao dia. 
 
ÁRonhos de vapor * 
- 3 vezespor semana, seguidos 
 
de uma fricção fresca e vigorosa. 
 
Afus~ * 
 
Afusões do rosto (diárias). Afusão fulgurante (diária) seguida de uma fricção vigorosa. Afusão 
rectal. 
 
236 
Apetite - falta de, perda de (anorexia) 
 
l@ @’ AI1M0I7M00 * 
* Não sobrecarregar o organismo. 
 
Escolher um regime sóbrio. Mastigar lentamente. 
* Evitar os excitantes: chá, café e 
 
estimulantes: álcool, vinho, cerveja, charcutaria, fritos, carnes gordas, enchidos, etc. 
* Alimentos privilegiados: levedura de cerveja, limão, laranja, salsa, couve, alface, abóbora, 
cebola, cereais integrais, pão integral. 
 
jejum * 
 
* Aconselha-se 1 vez por semana. 
 
* 1 dia da fruta. * Cura de fruta fresca. 
 
CONSELHOS 
 
Evitar os ruídos fortes, as contrariedades. 
 
Ver também: 
 
-Regras de uma boa saúde (p. 130). 
- Endurecimento (p. 132). 
- Exercícios fisicos (p. 133) 
- Respiração (p. 137). 
 
Apetite - falta de, perda de (anorexia) 
 
D 
 
evemos desconfiar das falsas perdas de apetite, que consistem em não comer nada às refeições 
e passar o dia a encher a barriga de cornida. Devemos por conseguinte evitar este erro que 
consiste em depenicar chocolate, doces, pastelaria, etc., entre as refeições. 
 
Para as verdadeiras perdas de apetite, vigiar as causas exactas e a 
 
prisão de ventre. 
 
As crianças não devem ser obrigadas a comer, nem ser castigadas, nem 
 
suplicar-se-lhes que corriam. 
 
237 
Apetite - falta de, perda de (anorexia) 
 
j@@j D~01.15 * 
 
1.a semana: 
 
BetónIca - C17icoria solvagem 
 
2 drageias de cada por dia. 
 
2.8 semana: 
 
EndrO - CentáUWa Manj--ron.7 
 
-2 drageias de cada por dia. 
- Alternadamente. 
 
Cura de dragelas, 2 ou 3 vezes 
 
ao dia: 
 
Géleia-real 
 
- 2 por dia, durante 30 dias. 
 
Alternadamente com: 
 
Eleuterococo 
 
2 a 4 por dia, durante 30 dias. 
 
ou Infusão * Betónica , C17icorla + Endro 
 
* 1 pitada de cada planta para uma chávena de água. Ferver durante 3 minutos. Deixar em 
infusão 
15 minutos. * Tomar 2 vezes ao dia. 
 
COntáUrOa + ManjêrOna 
 
* 1 pitada de cada planta para 1 litro de água. Ferver durante 3 minutos. Deixar em infusão 15 
minutos. Adoçar a gosto com mel ou açúcar amarelo. 
 
Tomar 2 ou 3 chávenas por dia, entre as refeições. 
 
ó1005 055017CATIS Orégãos 
 
1 ou 2 gotas, 2 vezes ao dia. 
 
Outros õleos essenciais: 
 
Alho, Garnomi7a, Cenoura, Alcaravia Coentros 
 
8217h05 0f05 ~ * 
 
Fazer uma decocção de: 
 
Salva + 1>erónIca 
 
* 2 pitadas de cada planta para meio litro de água, ferver durante 20 minutos, apagar o lume, 
acrescentar 2 pitadas de urtigas. Deixar em infusão 30 minutos. * Acrescentar a 3 ou 4 litros 
de água quente e tomar um banho dos pés durante 20 a 30 minutos. Terminar com uma afusão 
fresca dos pés e uma fricção vi- gorosa. 
 
00/7/705 dO .75501M0 
 
* Banhos de assento frios ou com fricções (Kuhne), diários. 
 
Ranhos de vapor * 
 
2 vezes por semana, seguidos de fricções frescas e vigorosas. 
 
238 
Apetite - falta de, perda de (anorexia) 
 
A fu~S * 
 
Duches diários de braços + coxas, alternando com afusão fulgurante. Afusão rectal, seguida de 
fricçôes vigorosas. 
 
Receitas fitoteIspêutic-15 Acoro- verdadeiro 
 
Infusão de 10 g de rizoma cortado fino para 1 litro de água a ferver. Deixe em infusão, meia 
hora; beber morna. Tomar duas chávenas por dia. * Na antiguidade esta planta era utilizada 
para as afecçôes pulmonares, hepáticas e ginecológicas. Para os povos ameríndios, a raiz de 
ácoro é considerada “fonte de juveritude”. Os idosos mastigavam as raízes (um pedaço 
equivalente a um dedo por dia) para se manterem jovens e saudáveis. 
 
ATENÇÃO1 Esta planta fresca é tõxica. 
 
A17gá#Ca-alIC.917géAW 
 
Infusão de 15 g de planta para 1 litro de água. Ferva durante 2 minutos e deixe em infusão 10 
minutos. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. É uma planta medicinal de origem nórdica, cultivada 
no século xvi. Espalhou-se por toda a 
 
Europa. Na época das grandes epidemias era um dos principais remédios contra a peste. Deve 
o seu nome à sua acção benéfica (planta dos anjos). A maceração alcoólica desta espécie é 
muito apreciada como bebida na região dos Cárpatos. 
 
Gei7clana-amarel.7 
* Infusão de 15 g de raiz cortada 
 
para 1 litro de água. Ferver e deixarem infusão durante 10 minutos. 
* Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. 
* Pode também ser preparada com 
 
vinho: 30 g de raiz macerada em 
1 litro de vinho branco durante 8 dias. Filtrar. 
* Pode também acrescentar a esta 
 
preparação 10 g de alecrim e 
10 g de salva. 
* Tomar 2 pequenos cálices por 
 
dia. É uma das plantas mais potentes com poder aperitivo. As propriedades da genciana já 
eram conhecidas de Teofrasto e de Dioscórides. Deve o seu nome a Gentius, último rei da Ilíria, 
que foi o primeiro a reconhecer o seu valor terapêutico. Para Dioscórides, a genciana é um 
antídoto contra as mordeduras de cobras o também um remédio para as doenças de estómago 
o do fígado. É certo que, independentemente da sua acção no sistema digestivo, a genciana 
fortalece o 
 
239 
Apetite - falta de, perda de (anorexia) 
 
organismo e ajuda-o a combater as infecções. Os habitantes das montanhas utilizam-na 
também em decocção para limpar feridas e partes inflamadas, pois é um bom anti-séptico. As 
folhas servem para o transporte de queijos. A aguardente de genciana tem propriedades 
vermífugas. 
 
0~ loceitas fitotelapêuticas 
 
As tisanas de plantas que possuem princípios amargos podem ser tomadas meia hora antes das 
refeições. 
 
Absínto-o,fícinal ou Art&inísía-Mutelína 
 
10 g para 1 litro de água. Deixar em infusão, sem ferver. Tomar 1 chávena por dia, fora das 
refeições, durante 3 semanas. Repetir. Os autores antigos tinham notado que o uso frequente 
de absinto podia provocar dores de cabeça e dos olhos. Vinho de absinto.- 30 g de folhas secas 
para 3 litros de vinho; filtrar após 24 horas. Consumir um copo por dia, só por receita médica. 
Esta planta é a base de um licor, o absinto, produzido desde 
1570. 
 
ATENÇA0I O uso prolongado e limoderado deste licor conduz à dependència o ao alcoolismo, 
descrito sob o nome de “absintismo”. 
 
Aftemísía comum 
 
*10 g de planta para 1 litro de água fria. Ferva e deixe em infusão. *Tomar 1 chávena, meia 
hora antes de cada refeição. 
 
C.3stan17eiro 
 
*50 g de casca para 1 litro de vinho branco; deixe macerar durante uma semana. Beber 1 copo 
antes das refeições. *Tomar 1 chávena, meia hora antes de cada refeição. 
 
Gentáurea pequena, CW71aUriUM 
 
*10 g de planta para 1 litro de água. Ferva e deixe em infusão. *Tomar 1 chávena, meia hora 
antes de cada refeição. *Pode utilizar-se como vinho medicinal: 2 litros de vinho para 
30 g de planta, acrescentar 10 g de camomila, o sumo de 3 laranjas, 30 g de casca de laranja 
amarga. Engarrafar, tapar e deixar macerar durante 3 semanas ao sol. Filtrar. *Tomar um copo 
antes de cada refeição. Esta planta é conhecida desde a Antiguidade pelas suas propriedades 
cicatrizantes. De acordo com a mitologia, o centauro Quíron utilizou-a para curar as 
 
240 
Apetite - falta de, perda de (anorexia) 
 
suas feridas durante o combate contra Hércules. 
 
Híssopo 
 
* 10 g de planta para 1 litro de 
 
água fria. Ferver e deixar em infusão. 
* Tomar 1 chávena, meia hora antes de cada refeição. 
* Desde 1754, também se utiliza 
 
em óleo essencial. Os talos foram utilizados em aspersórios nas cerimônias da igreja católica. 
 
ATENÇA01 O óleo essencial é opileptizante. 
 
Míl_folhas 
 
* Infusão de 15 g de planta para 1 
 
litro de água. Deixe repousar. 
* De acordo com a mitologia, 
 
Aquiles utilizou esta planta para tratar as suas feridas. 
* Tomar 1 chávena, meia hora antes das refeições. 
 
Hortelã-p~17ta 
* Tisana de 10 g de planta para 1 
 
litro de água fria. Deixar em infusão sem ferver. 
* Tomar 1 chávena meia hora 
 
antes de cada refeição. 
 
Trevo-de-água 
* 20 g de folhas para 1 litro de 
 
água fria. Ferva e deixe em infusão 15 minutos. 
* Beber uma chávena antes de 
 
cada refeição. 
* Pode ser tomada sob a forma de 
 
tintura-mãe (30 gotas para um copode água). * Para o padre Kneipp, esta planta constitui um 
excelente depurativo do sangue. Foi por vezes utilizada em substituição do lúpulo na 
preparação da cerveja. 
 
ZIMbro-COMUM 
 
* 20 g de bagas e de ramos preparados em tisana, em 1 litro de água a ferver. * Tomar 1 
chávena, meia hora antes de cada refeição. 
 
AI1M0I7MÇAO * 
 
* Alimentação sóbria. 
* Evitar: contrariamente ao que se 
 
pensa geralmente, os pratos supostamente fortificantes, tais como carnes gordas, bebidas 
alcoólicas, guisados, charcutaria e miúdos (vísceras), etc, 
* Preferir: legumes cozidos em 
 
água (ou no vapor), frutos frescos e secos, peixes, etc. 
* Alimentos privilegiados: leve- dura de cerveja, germe de trigo, 
 
nabo preto, rábano, laranjas, limôes, toranjas, quivis, uvas, alperces. 
* O gengibre é um estimulante do 
 
apetite. 
 
jejum 
 
Muito aconselhado (1 vez por semana), bem como a cura de fruta. 
 
241 
Arteriosclerose, Angina de peito, Enfarte do miocárdio 
 
Arteriosclerose, Angina de peito, Enfarte do miocárdio 
 
V@r Alergias (p. 207) - Cancro (p. 279). 
 
E indispensável um controlo médico. Verifique a sua tensão arterial, o teor de colestrol, etc. 
 
ÁVIw90i35 
 
A título indicativo, mas de preferéncia sob receita médica: 
 
EleuterOCOCO 
 
* 3 drageias por dia - 1.1 dia Erva-mo1è1@-1nha 
 
* 2 drageias por dia - 1.1 dia. aZIOlIdónía 
 
* 2 drageias por dia - 2.O dia * N.B.: o eleuterococo pode ser tomado sozinho durante um 
período prolongado (cura de 6 semanas), à razão de 6 drageias por dia. 
 
SaIV.7 - ESP11717&1r0 IlVar Alternadamente-. 
 
2 drageias por dia - 2.1 dia 
 
OU IMUSiO * Erva-molelrin17a + Salva + EspInheiro-alvar + QuelidónIa 
 
1 pitada de cada planta para uma chávena de água. Ferver durante 3 minutos. Deixar em 
infusão 15 minutos. Tomar 2 ou 3 chávenas por dia, fora das refeições, durante 3 semanas. 
Repetir. 
 
8.71711OS* 
 
Banhos dos pés derivativos morn@s, seguidos de fricções suaves. 
2 por semana, inicialmente. 
 
80/7/105 dO OSSOIMO 
 
Banhos de assento mornos. 
2 por semana, inicialmente. 
 
Afus~ * 
 
* Afusões das coxas e dos joelhos. * 1 de cada por semana, morno, inicialmente. 
 
;r/WtOMO/MOS 
 
COMP101M7MIOS 
 
Tanto quanto sabemos, não existem remédios fitoterapêuticos para 
 
242 
Arteriosclerose, Angina de peito, Enfarte do míocárdio 
 
tratar directamente esta doença. Todavia, certas plantas influenciam favoravelmente a cura, 
fazendo baixar a tensão arterial. 
 
Alcachofra 
 
* 250 g de folhas frescas (ou 100 g de folhas secas) para 1 litro de água fria. Ferver durante 3 
minutos. * Tomar uma chávena antes de cada refeição. 
 
Affio 
 
* 25 gotas de alcoolatura antes das refeições, por períodos de 2 dias entre os quais se faz um 
repouso de 2 dias. * Na antiguidade também era utilizada contra as mordeduras de cobras. 
 
Affio-dos-ursos 
 
* Consumir as folhas cortadas em saladas. 
 
C&17trântía 
 
* Tem as mesmas propriedades que a valeriana. Em Itália consornem-se as folhas em saladas. 
Graças à sua riqueza em vitamina C, é um excelente remédio contra o escorbuto. 
 
ESPM170h`0~alVar 
 
* 20 gotas de alcoolatura para um copo de água, 3 vezes ao dia. 
 
QUOlIdól71.9 
 
* Os seus princípios activos diminuem as contracções e a tensão arterial. Supõe-se que poderia 
ser utilizada para a arteriosclerose, mas não se conhece ainda muito bem a sua posologia. 
ATENÇÃO1 A quel111c16nia pode provocar graves Intoxicações. 
*0 suco de quelidónia é utilizado 
 
para eliminar as verrugas. 
*Misturada com água serve para 
 
tratar as oftalmias. 
 
Valeriana-ofícinal 
*Ferver lentamente 10 g de planta cortada em meio litro de água fria e deixar em infusão 10 
minutos. 
*Tomar 1 a 3 chávenas por dia. 
 
M117701M1~ 
 
* Os abusos, a má alimentação, a 
 
insuficiência de exercício físico, o stress, os ruídos, a poluição, o álcool, o tabaco, o aumento de 
peso são os factores directamente ou indirectamente responsáveis pelos acidentes 
cardiovasculares. 
* Alimentação pobre em collosterol: suprimir ovos, queijos fortes (c@?memb&1-t, bríe, etc.), 
fritos, carnes gordas, chocolate, gorduras animais, manteiga cozinhada, charcutaria, aparas e 
miudezas (vísceras), café, chá, pimenta (atenção ao sal), vinho, doces (pastelaria, etc.) 
cerveja, álcool e, como é óbvio, o cigarro. 
 
243 
Arteriosclerose, Angina de peito, Enfarte do miocárdio 
 
A alimentação vegetariana é o ideal. Alternativamente: carne magra, legumes verdes, peixes 
(brancos): linguado, carapau, pescada, azevia, etc.; iogurtes, lacticínios, um pouco de 
manteiga crua. Alimentos privilegiados: frutos e legumes frescos, saladas, limão, cebola, alho, 
óleo de milho, pão integral, cereais integrais, levedura de cerveja, germe de trigo, cenouras, 
papas de aveia. 
 
JejUM 
 
Deixar o estômago repousar é proporcionar uma segunda juventude ao seu coração. Cura da 
fruta. 
O jejum ou a cura de fruta devem ser praticados após todos os abusos alimentares. 
 
PARA EVItAR OS ACIdENtES CARdIOVASCULARES 
 
-Alimentação vigiada (os vegetarianos não sabem, na maioria das 
vezes, o que são as doenças card iovascu lares). 
- Desconfiar dos desportos violentos (sobretudo depois dos 40 anos 
 
de idade). 
- Estar especialmente atento ao excesso de peso. 
- Evitar os abusos alimentares, de bI@@bidas alcoólicas, de açúcar e 
 
pôr de parte o tabaco. 
 
- Evitar também os medicamentos de conforto e o abuso de todos 
 
os medicamentos. 
- O pão integral, os cereais integrais, a levedura de cerveja são 
 
excelentes alimentos preventivos dos acidentes cardiovasculares. 
 
CONSELHOS 
 
-Desporto moderado: marcha, hatha-yoga, etc. -Evitar preocupações, contrariedades, 
enervamentos. 
- Praticar exercícios respiratórios (ver p. 137). 
 
244 
Artrites 
 
Artrites 
 
v 
 
er também Alergias (p. 209) São inflamações nas articulações. Podem sobrevir no seguimento 
de inúmeras causas e devem ser vigiadas. 
 
M1171a1710(20 ml), Owei 
 
8.9 * RaIz do Aryélica (20 m@, Sabugueiro - ZIMbro Azeda-
crespa (20 m@, 
2 de cada, dia sim dia não, e: Can&1a (15 Mg, 
 
SãlSaCarríl17.7 - B0IónIC.7 Alcaçuz (10 m/) 
 
* 2 de cada, dia sim dia não. - Deitar as tinturas num frasco de * Alternadamente, 
semana sim, vidro opaco. Agitar com força. semana não. -Tomar 
algumas gotas num copo Cura de dragelias: de água quente, 3 vezes ao dia. 
- Durante 1 mês, 4 drageias por 
 
dia. -Rebentos de cássia em maceOU IMUSãO ração ou 
tintura-mãe (20 a 30 Sabugueiro + Zimbro + gotas, 2 ou 3 vezes ao dia). 
Salsaparr1117.7 -k BelónIca 
 
1 pitada de cada planta para 1 chávena, ferver durante 3 minutos e deixar em infusão 15 
minutos. Tomar 3 a 4 chávenas por dia. 
 
~ 
 
Zimbro 
 
1 a 3 gotas, 2 vezes ao dia. r[@]j rintíllw-mfe * 
 
Mistura de tinturas: 
 
Erva-de~são-joão (30 ml), Aipo (30 1771), 
 
As pessoas sujeitas ao artritismo, ao reumatismo, à gota e às contusões devem preparar a 
maceração seguinte, indicada por Chornei 
 
Ti-atado das Plantas Úsuais@. 
 
Meio litro de azeite virgem (pode ser substítuído por óleo de amêndoas-doces), 30 g de 
sabugueiro, um punhado de camomila (20 cabeças). Expor ao sol durante 8 a 10 dias ou, para 
activar a preparação, aquecê-la em banho-maria, em lume brando durante 30 minu245 
Artrites 
 
tos, e deixar repousar várias horas. 
 
Esta mistura utiliza-se tal qual, em fricção sobre as partes doentes ou misturada com álcool 
canforado para aquecimento. Chomei aplicava esta preparação para resolver inchaços, 
convulsões e tremores de origem nervosa. 
 
COMPIOSS.M 
O COM.VAM7,75 * 
 
Decocçâo de@ 
 
SabugueírO -@- Lav.Ind,9 
 
2 pitadas de cada planta para meio litro de água, ferver durante 20 minutos, deixar em infusão 
30 minutos. Aplicar em compressas, várias vezes ao dia. A cataplasma utiliza a mesma 
decocção, que se mistura com argila de modo a obter uma pasta homogénea. Repetir várias 
vezes ao dia. 
 
88/717OSdo .75S0J7t0 * 
 
Banhos de assento frios (ou mornos). 
 
0817h05 dre vapor * 
 
2 vezes por semana, seguidos de fricções frescas. 
 
A fusies * 
 
Diárias.- braços e coxas, alternadamente com fulgurante - afusão rectal. 
 
CI1MUIão de Neptu17o * 
 
AI1M0I7MÇãO 
 
A mais conveniente é a alimentaçâo vegetariana. 
 
Evitar: caça, carnes vermelhas, gorduras, gorduras animais, manteigas cozinhadas, fritos, 
charcutaria, pratos com molhos, pimentos, pimenta (atenção ao sal), vinho, cerveja, álcool, 
doces. 
 
Alimentos privilegiados.- levedura de cerveja, alho cru, cebola, alface, uvas, papas de aveia, 
cereais integrais, pão integral, legumes e frutos frescos. 
 
L@U Jejum * 
 
É provavelmente a terapêutica ideal e indispensável. 
 
Fazer também cura de fruta fresca. 
 
246 
Artrose, Reumatismos articulares, Poliartrites 
 
o Artrose, Reumatísmos artículares, Poliartrites 
 
Ver tarribém Alergias (p. 207), Reurnatismos (p. 538). 
 
V Estas afecções podem ser acompanhadas de febre, vermelhidão e deformação das 
articulações, que se tornam dolorosas. 
 
Sabemos actualmente que este tipo de afecção tem origens plurifactoriais. A artrose é uma 
patologia que afecta um grande número de indivíduos. Suspeita-se que acima dos 55 anos de 
idade os indivíduos sofrem de problemas articulares passageiros ou crónicos em proporções que 
atingem os 40%. 
 
Até há pouco tempo existiam poucos tratamentos fláveis, as dores eram associadas ao 
envelhecimento, a problemas decorrentes de fracturas, de erros alimentares, de factores 
hereditários, etc, 
 
Esta afecção caracteriza-se por uma limitação dos movimentos que surge após o aparecimento 
de dores. As deformações articulares são frequentes. As crises são geralmente agravadas pelo 
frio e a humidade e melhoram com o calor. 
 
Nota-se também que o envelhecimento favorece naturalmente a anquilose e a perda da 
mobilidade bem como as sobrecargas ponderais. 
 
São actualmente propostos diversos tratamentos pela medicina alopática. Os anti-infiamatórios, 
em particular, com os seus efeitos secundários bem conhecidos, deveriam ser reservados 
apenas aos momentos de crise aguda. 
 
A poliartrite reumatóide pode surgir após um choque emocional (ou agravar-se em resultado 
desse choque). 
 
Para o Dr. Polak, as dores da artrose não se devem, como geralmente se pensa, à cartilagem, 
mas sim aos espasmos musculares. É por isso que este médico afirma que as dores são sempre 
reversíveis tratando o músculo através da mioterapia. 
 
Quanto aos partidários da complementação alimentar, estes consideram que a vitamina C 
associada à vitamina E é um tratamento que favo- rece o restabelecimento do metabolismo e 
simultaneamente impede a sua deterioração. 
 
247 
Artrose, Reumatismos articulares, Poliartrites 
 
o~eA ‘75 * 
1@fl BéNIa - Fr&ixo - Ra1@7ha~oos-Pr-7dOS - AlqUOqU&17j& - Salguelro - HárPagó&ó 
 
1 ou 2 drageias de cada, 1 vez ao dia, por períodos de 3 semanas. Repetir. 
 
ou Infusão Sétula ><- Fr&lxo * Rainha-dos~pr-7dos -,- Alqu&quenje Salqu&Iro + Haroagófilo 
 
* 1 pitada de cada planta para 1 chávena de água. * Tomar 3 ou 4 chávenas ao dia. 
 
óleOS 055017CAW715 Bélu127, monta 
 
* 2 ou 3 gotas de cada, alternadamente com: 
 
N127U11 - PInho - ZíMbro 
 
* Cura de õleo de onagra : 4 a 6 cápsulas de cada por dia, durante períodos de 4 a 6 semanas. 
Repetir 3 vezes por ano. 
 
COffiPI.OSMOS 
 
As aplicações de cataplasmas de cebola, de folhas de couve crua e de argila são recomendadas. 
 
ÁRMI1OS OÇO OSSOIMO * 
 
Frios ou mornos, 2 ou 3 vezes por semana. 
 
Lovagens * 
 
3 por semana com uma infusão de camomila-. 10 a 12 cabeças de camomila para meio litro de 
água. Ferver, deixar arrefecer e aplicar. Conservar se possível durante cerca de 20 minutos. 
 
E5717hos de mpor * 
 
2 ou 3 por semana, seguidos de loções frescas. 
 
Duches O afi~ * 
 
O Dr. Bilz recomenda em particular aplicações frescas e de curta duração sobre a parte doente, 
várias vezes ao dia. 
 
Recoffim rItotelapéuticas 
 
GáSSI19 
 
* Demolhe a frio em meio litro de 
 
água 40 g de folhas secas de cássia. Aqueça em lume brando até ferver. Deixe em infusão um 
quarto de hora. 
* Beber 3 chávenas por dia (entre 
 
as refeições). 
Mistura de: 
 
Folhas de Cássía (80 g), Folhas de Frel)(o (40 g), Floies de Rainha-dos-Pr-7dos (150 9), Flores 
de urze 
 
248 
Artrose, Reumatismos articulares, Poliartrites 
 
* 1 colher, de sopa, desta mistura para uma chávena de água a fe rve r. * Tomar, de 
preferência, à noite. 
2) Flores o& Sábugue11-0 (309), 
 
V&rbe17a-oÀci@7a1 @1,5 g), Ma17j0r0n3 @10 g) 
* Misturar as plantas e acrescentar a meio litro de água a ferver. Deixar em infusão durante 20 
minutos. 
* Tomar 2 ou 3 chávenas por dia. 
 
3) cardo-bonto po g), 
 
Anémona pulsátil @15 g), Flores de Verbasco br.917C0 @15 g) 
 
* Ferver e deixar em infusão durante 30 minutos em 1 litro de água. 
* Tomar 2 vezes ao dia durante 6 
 
dias. Fazer uma pausa durante 
4 dias e recomeçar (a cura dura ao todo 20 dias). 
* Existe também uma preparaçao 
 
à base de cãssia e de “harpagophytum” pronta a utilizar que se encontra nas farmácias ou lojas 
de dietética. 
* Para um cientista alemão, o 
 
Dr. Hauschka, o bambu-cie-tabashir, utilizado há 2 ou 3 milénios no Extremo Oriente, facilita a 
reconstrução ó ssea. As farmácias e lojas de dietética vendem preparações ou tintura-mãe de 
bambu-de-tabashir. 
 
Ca Va15n17.7 
 
Recomendada graças à sua riqueza em sílica que favorece a assimilação do cálcio. 
 
Flores de Camomil.7 romana 
* Em infusão: 20 cabeças de 
 
camomila para 1 litro de água. Ferver e deixar em infusão 10 minutos. 
* Tomar 2 ou 3 chávenas por dia, 
 
durante períodos de 15 dias a 3 semanas. 
 
Pás de Coreja -@- Cáss/a UrtIgas + MIrlilo + CamomIla + Orégão + TOM11170 
* Em infusão, 2 ou 3 pitadas desta 
 
mistura para 1 chávena de água. Ferver e deixar em infusão 5 minutos. 
* Tomar 3 ou 4 chávenas ao dia. 
 
1?ai1717a-olos-prados 
* 1 grande colherada num copo de 
 
água a ferver- deixar em infusão durante 10 minutos. 
* Tomar 1 chávena durante 15 
 
dias, de 2 em 2 meses. 
 
Gemotelwpla 
* Um tratamento de base pode ser 
 
feito com: 
 
PInus montana, Ríbes nIgrum, WIS Vi171fOra (éM f.7rMáClá) 
* O sumo de luzerna pode ser 
 
tomado como complemento alimentar (30 g por dia). 
* Fazer uma decocção com uma 
 
mistura (partes iguais) de folhas de Freixo, de H~agophytum e de luzerna. Deitar 50 g de 
mistura em 1 litro de água. Ferver. 
* Beber 5 chávenas ao dia. 
 
249 
Artrose, Reumatismos articulares, Poliartrites 
 
Unção local de óleo de camomila canforada, enriquecida com louro e essência de manjerona. 
 
Alímonffipão * 
 
Num dossíordedicado à poliartrite, o Professor Seignalet, do laboratório de imunologia de 
Montpellier, comenta que as terapias clássicas têm efeitos limitados e que a remissão completa 
é rara e discutível. De facto, o tratamento deste tipo de patologia limita-se, na maioria das 
vezes, a uma acção sobre as dores. 
O tratamento que testou em doentes com poliartrite reumatóide dita evolutiva consiste em 
seguir um regime dietético. Em 85 doentes que tentaram este tratamento, apenas 46 
conseguiram segui-lo; as directivas fundamentais eram as seguintes: 
 
comer alimentos crus, de preferência biológicos; suprimir todos os produtos lácteos; suprimir 
os cereais, à excepção de pequenas quantidades de arroz. 
 
Os resultados positivos obtidos são particularmente interessantes porque, segundo diversos 
estudos, atingem-se quase 80% de 
 
resultados positivos, após um ano de alteração do regime alimentar inicial. Esta orientação 
alimentar deve ser feita de forma imperativa e sem qualquer tolerância e pode incluir peixe e 
carne crus. (Ver Alergias, p. 207). Alimentos privilegiados: Todos os alimentos crus, couves, 
beterraba, cenoura, frutos frescos e secos, cebola, alho, aipo, ba~ gas maduras de groselha, de 
cássia, etc. 
 
jejum 
 
É um excelente regenerador. 
* Praticar 1 ou 2 dias por semana. 
* Cura de fruta, especialmente de 
 
uvas, no Outono. 
 
OU&« fl~Mentos* As massagens, a electroterapia 
 
e a acupunctura podem complementar um tratamento. 
* A horneopatia, por seu lado, utiliza diversas substâncias, entre as quais Sulphur, Kalium carb, 
Bryonia alba, Arnica, Nux vomica, Medorrhinum, Thuya, em diluições que variam de 5 a 
30 CH. 
* A autornassagem das partes 
 
situadas próximo das zonas doentes permite também aliviar as dores, com óleo de sabugueiro 
do Dr. Chomel: 30 g de sabugueiro para meio litro de azeite 
 
250 
Artrose, Reumatismos articulares, Poliartrites 
 
(ou óleo de amêndoas-doces). Acrescentar 20 cabeças de camomila. Deixar macerar 8 dias ao 
sol ou aquecer a mistura em banho-maria durante 30 minutos 
 
para acelerar a preparação. Deixar repousar 2 dias, filtrar e misturar em partes iguais com 
álcool canforado. Fazer 1 ou 2 massagens por dia. 
 
RECEI7A ANrL4R7R0SE 
 
Esta receita é citada por inúmeros autores. Teria principalmente 
 
uma acção remineraiizante. Prepara-se da seguinte maneira: 
 
- Uma casca de ovo, de preferência biológico. Depois de retirar as 
 
aderências no interior, reduzi-ia a pó; espremer 2 limões. Deixar a casca dentro do sumo de 
limão durante toda a noite: esta dissolve-se, 
 
- Tomar 2 colheres, de sopa, por dia, se possível em jejum ou 
 
antes das refeições, durante 8 dias. Parar durante 4 dias e recomeçar. 
 
- A mesma preparação pode ser feita utilizando vinagre de cidra. 
 
O tempo de diluição e a posologia são idênticos. 
 
SOPA 
 
- 2 cenouras, 3 dentes de alho, salsa, 2 cebolas. Moa tudo. Acrescente 1 litro de água, ferva 
cerca de 10 minutos e deixe repousar meia hora. Beba esta mistura morna ao longo do dia. 
 
CONSELHOS 
 
As actividades devem ser adequadas a cada caso. Não devem de modo nenhum ser 
constrangedoras, mas devem, contudo, ser diárias de modo a não permitir que se instalem 
endurecimentos musculares prejudiciais. 
 
251 
Asma 
 
Asma 
 
P 
 
odem ser consideradas várias causas: alérgicas, respiratórias, nervosas, alterações no modo de 
vida, acção de certas substâncias odoríferas, etc. (ver também Alergias, p. 209). 
 
‘0189ei 
 
495 * 
 
Hor,@ - TassIlag&m 
 
2 drageias de cada, dia sim dia não, com: 
 
V.71kiána - Salva 
 
* 2 drageias de cada. * Seguir o tratamento durante 1 semana, alternando com: 
 
atlelidónl.? - ~basco-branco 
 
* 2 drageias de cada, dia sim dia não, com: 
 
V,glorIána - AngélIc.7 
 
* 2 drageias de cada. 
 
OU IMUSiO * Hwa 1 Tussíla_~ + V.71enana + SaIV.7 
 
* 1 pitada de cada planta para 
1 chávena grande de água. Ferver 2 minutos e deixar em infusão 15 minutos. * Beber 4 
chávenas por dia, durante 1 semana, alternando com.QU&IldónIg + Vorbasco-branco + 
Valáriána + A ngélIc.7 * 1 pitada de cada, ferver durante 
 
2 minutos e deixar em infusão 
15 minutos. 
- Tomar 4 chávenas por dia. 
 
ReceIMs lf rItotelopoutica-9 
 
Alcar.9via 
 
* Infusão de 10 g de planta para 1 
 
litro de água. 
* Tomar 1 chávena depois das refeições. É utilizada para a produção do kumm&l (álcool à base 
de cominhos). 
 
Angé1À@a-oo,s~bosqu&s 
 
15 g de raiz para 1 litro de água a ferver. Deixe em infusão 10 minutos. 
* Tomar meia chávena por dia. 
 
Arnica-da-montanha 
 
ATENÇÃO1 Este planta é perigosa em doses elevadas, por via oral. Provoca vertigens e 
vómitos. Só deve ser tomada sob aconsolhamento de um especialista. 
* A infusão e a decocção de flores 
 
faz-se à razão de 5 g para 1 litro de água; de folhas, 10 9 para 
 
252 
Asma 
 
1 litro de água; de raízes, 4 g para 1 litro de água. 
* Tomar 1 a 3 chávenas por dia, 
 
sob receita médica. 
* Antigamente, os habitantes dos 
 
Alpes utilizavam-na como tabaco, fumando as folhas ou aspirando-a pelo nariz como rapé. 
 
Aspéru127-odorífera 
* Infusão de 20 g de planta para 1 
 
litro de água. Não deixar em infusão mais de 8 minutos, de modo a evitar um gosto amargo. 
* Tomar 2 ou 3 chávenas por dia. 
* Esta planta pode também ser 
 
eficazmente utilizada para perfumar a roupa e preservá-la contra os insectos. Em certas regiões 
produz-se “ vinho de Maio”, uma excelente bebida preventiva obtida por maceração de 
aspérula em vinho branco. 
 
Assafétid.7 
 
Planta originária do Irão e do Afeganistâo e cultivada em França como planta ornamental. 
ATENÇA01 É uma planta abortival Tem também uma forte acção sedativa. 
 
Betóníca-oficInal 
 
Infusão de 20 g de planta para 1 litro de água. Ferver durante 2 minutos e deixar em infusão 
durante 10 minutos. Tomar 2 chávenas por dia, depois das refeições. 
 
Carnornila (matricárlá) e c.7morní127-rom.717.7 
* Infusão de 10 g de planta para 1 
 
litro de água a ferver. 
* Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. 
 
Catalpa 
 
As folhas e os frutos contêm uma substância chamada catalpina, útil no tratamento da asma e 
da tosse convulsa. 
* 10 g de folhas para 1 litro de 
 
água. Ferver durante 2 minutos e deixarem infusão 10 minutos. 
* Tomar 2 chávenas por dia. 
 
Drós&ra-de-fol17as-r&dondas 
 
* Infusão de 10 g de planta seca 
 
para meio litro de água a ferver. Deixar em infusão 10 minutos. 
* Beber 2 chávenas por dia. 
* Tintura-mãe*: 1 litro de álcool a 
 
700 para 200 g de planta. Tapar a garrafa e deixar macerar 2 semanas à temperatura 
ambiente. Agitar, 2 vezes por dia. 
* Tomar 15 gotas misturadas a 
 
água, 2 vezes ao dia. 
 
Efedra 
 
* Em infusão ou tintura-mãe. 
 
ATENÇÃO1 Não utilizar esta planta sem consultar um especialista. 
* Utilizam-se diferentes espécies 
 
de efedra na medicina asiática para tratar as afecçôes pulmonares. 
 
No Iraque, em cavernas do neanderthal, encontraram-se restos de efedra, provavelmente 
 
253 
Asma 
 
utilizada para cerimônias e oferendas funerárias. Os indios da América do Norte bebem-na em 
decocção, como estimulante e como suporte para a adivinhação. 
 
É17U13-CaMpa17a 
* Infusão da raiz: 30 9 de raiz para 
 
1 litro de água fria. Deixar macerar 12 horas, aquecer sem deixar ferver. 
* Beber uma chávena morna por 
 
dia que pode adoçar com mel. 
* Pode também ser tomada 
 
macerada em vinho branco durante pelo menos 1 semana, 
* Na Alsácia prepara-se o vinho 
 
11 reps” misturando a parte subterrânea seca da planta com mosto de uva preta fermentada 
durante o Inverno. 
 
Erv.?-cldrelra 
 
* Infusão de 10 g de planta para 1 
 
litro de água a ferver. 
* Beber 2 chávenas por dia, quente e adoçada com mel. 
* As folhas maceradas em vinho 
 
serviam antigamente para tratar as mordeduras de escorpião, de aranhas e de cães. 
 
Estr29Mónio 
 
* Utiliza-se sob a forma de cigarro 
 
ou em pó. ATENÇA01 Esta planta é tõxica. Não utilizar sem o conselho de um especialista. 
Encontrámos um trabalho sobre 
 
os efeitos antiasmáticos dos cigarros de estramónio, de beladona e de meimendro. Estas 3 
plantas pertencem à mesma família do tabaco. Estes cigarros foram considerados por 
Trousseau como “quase milagrosos”. Eles foram até há pouco tempo muito utilizados em 
França. O autor deste trabalho confirma que fumar estes cigarros tem um efeito calmante em 
ataques de asmas. 
 
M917j6eron.7 
* Infusão de 10 g de planta para 1 
 
litro de água a ferver. 
* Tomar 3 chávenas por dia durante 1 mês. Repetir. 
 
Menta 
* Infusão de 10 g de planta para 1 
 
litro de água a ferver. 
* Beber 2 chávenas por dia. 
 
Pímpínela 
* Infusão de 10 g de planta para 1 
 
litro de água. Ferver durante 3 minutos e deixar em infusão 10 minutos. 
* Tomar 2 ou 3 chávenas por dia. 
 
S.7114.7-OfIC117.71 
* Infusão de 10 g de planta para 1 
 
litro de água. 
* Tomar 3 chávenas por dia fora 
 
das refeições durante 3 semanas. Repetir. 
 
Ta17c17.7gem 
* Decocção de 20 g de raizes ou 
 
de folhas para 1 litro de água 
 
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Asma 
 
(ou eventualmente de vinho branco). 
*Beber 3 chávenas por dia durante 3 semanas. 
 
Tussilagem 
*Infusão de flores, 10 g para 1 litro de água a ferver. Deixar em 
 
infusão durante 15 minutos. 
*Beber em média 4 chávenas por 
 
dia, depois de filtrar a tisana de 
 
modo a retirar os detritos que podem irritar a garganta. Dioscórides aconselhava-a em 
fumigações para tratar doentes asmáticos. Plínio, o Antigo, era partidário de utilizar as

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