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– Diuréticos FISIOLOGIA Filtração do plasma na cápsula de Bowmann gerando o filtrado glomerular que vai para o túbulo contorcido proximal onde sofrera processos de secreção e reabsorção na alça de Henle, túbulo distal e ducto coletor onde haverá a excreção da urina. – TÚBULO PROXIMAL: O bicarbonato de sódio (NaHCO3), o cloreto de sódio (NaCI), a glicose, os aminoácidos e outros solutos orgânicos são reabsorvidos por meio de sistemas de transporte específicos na porção inicial do túbulo proximal. • Íons K+ são reabsorvidos via paracelular • A agua sofre reabsorção passiva por meio de via transcelular (mediada pela aquaporina 1 AQP1) e por uma via paracelular (mediada pela claudina-2) O TCP tem alta permeabilidade a água → osmolalidade do líquido no TP é mantida cte e o gradiente do lúmen tubular para o interstício circundante é muito pequeno. ALÇA DE HENLE: No limite entre as porções interna e externa da medula externa, o túbulo proximal desagua no ramo descendente delgado da alça de Henle. A água é extraída a partir do ramo descendente dessa alça por forças osmóticas encontradas no interstício medular hipertônico. • Porção descendente: canais abertos para água mas fechados para eletrólitos → REABSORÇÃO DE ÁGUA PARA A MEDULA RENAL → plasma • Porção ascendente: água impermeável e eletrólitos permeáveis → REABSORÇÃO DE ELETRÓLITOS PARA A MEDULA RENAL (Na+, 2Cl-, K+) No equilíbrio eletroquímico com a reabsorção de um cátion necessita-se reabsorver também um ânion ou então trocar um cátion por outro para não haver desiquilíbrio eletroquímico. Ao reabsorver 1 Na+ e 1 K+ é necessário reabsorver 2 ânions, no caso, 2 Cl-. Ao chegarem na medula renal os eletrólitos ficaram retidos na medula renal aumentando a densidade/osmolaridade → medula com maior necessidade água. O sistema de transporte do NaCl na membrana luminal do RAE é um cotransportador de Na+/K+/2Cl– (denominado NKCC2 ou NK2CL). Esse transportador é seletivamente bloqueado por agentes diuréticos, conhecidos como diuréticos “de alça”. – TÚBULO CONTORCIDO DISTAL: Apenas 10% do NaCl filtrado é reabsorvido no TCD. Há reabsorção de água e alguns íons, Na+ e Cl- em alguns canais específicos → HÁ SAÍDA DE ÍONS DO TÚBULO PARA O PLASMA ACOMPANHADO DE ÁGUA. O mecanismo de transporte do NaCl no TCD é um cotransportador de Na+/Cl– (NCC) eletricamente neutro e sensível aos tiazídicos. SISTEMA DE TÚBULOS COLETORES: O sistema de túbulos coletores, que conecta o TCD a pelve renal e ao ureter, consiste em vários segmentos tubulares sequenciais: o túbulo conector, o túbulo coletor e o ducto coletor (formado pela conexão de dois ou mais túbulos coletores). Na porção cortical do ducto coletor há alguns canais que irão responder a ALDOSTERONA que irá agir em determinados canais realizando a troca de sódio por potássio ou hidrogênio. Assim, haverá Na+ na urina e K+ e H+ no plasma, com ação da aldosterona há reabsorção de sódio e secreção de potássio e hidrogênio. Se processo de acontecer de forma exacerbada pode causar a hipocalemia ou alcalose. O mecanismo de reabsorção do NaCl do sistema de túbulos coletores difere dos mecanismos encontrados em outros segmentos tubulares. As células principais constituem os maiores locais de transporte de Na+, K+ e água, ao passo que as células intercaladas (α, β) são os principais locais de secreção de H+ (células α) ou bicarbonato (células β). Os diuréticos que atuam na parte proximal aumentam o aporte de Na+ a esse local e – intensificam a secreção de K+. Se o Na+ chega ao sistema coletor com um aníon que não pode ser reabsorvido tão facilmente quanto o Cl– (p. ex., HCO3 –), ocorre aumento do potencial no lúmen negativo e a secreção de K+ é intensificada. Esse mecanismo, combinado com o aumento da secreção de aldosterona devido a depleção de volume, constitui a base da maior parte da perda de K+ induzida por diuréticos. DIURÉTICOS DE ALÇA Principal: Furosemida FARMACOCINÉTICA: Os diuréticos de alça são absorvidos rapidamente. São eliminados pelos rins por filtração glomerular e secreção tubular. A absorção da torsemida oral é mais rápida (1 hora) do que a da furosemida (2 a 3 horas), sendo quase tão completa quando comparada com a sua administração intravenosa. A duração do efeito da furosemida é habitualmente de 2 a 3 horas. O efeito da torsemida dura 4 a 6 horas. A meia-vida depende da função renal. Como os diuréticos de alça atuam sobre o lado luminal do túbulo, a sua atividade diurética correlaciona-se com a sua secreção pelo túbulo proximal. MECANISMO DE AÇÃO: Age na alça de Henle especificamente no ramo ascendente espesso inibindo o cotransportador Na+, K+ e 2Cl- (responsável pela reabsorção de eletrólitos) → sem reabsorção → medula renal fica menos hiperosmolar → eletrólitos expulsos no ducto coletor junto com a água Logo: DIMINUI A OSMOLARIDADE MEDULAR gerando uma NATRIUSE/DIURESE AUMENTADA FARMADINÂMICA: Os diuréticos de alça inibem o NKCC2, o transportador luminal de Na+/K+/2Cl–, no RAE da alça de Henle. Ao inibir esse transportador, os diuréticos de alça reduzem a reabsorção de NaCl e também diminuem o potencial positivo no lúmen que deriva da reciclagem do K+. Esse potencial positivo normalmente impulsiona a reabsorção de cátions divalentes no RAE, e, ao reduzir esse potencial, os diuréticos de alça causam aumento na excreção de Mg2+ e de Ca2+. Foi também constatado que os diuréticos de alça induzem a expressão da cicloxigenase COX-2, que participa na síntese de prostaglandinas a partir do ácido araquidônico. Pelo menos uma dessas A pressão arterial depende de duas variáveis, o débito cardíaco e a resistência vascular periférica. PA = DC X RVP Enquanto o débito cardíaco é o volume sistólico (volume de sangue) vezes a frequência cardíaca. DC = DS X FC – prostaglandinas, a PGE2, inibe o transporte de sal no RAE e, portanto, participa nas ações renais dos diuréticos de alça. Os AINEs (p. ex., indometacina), que atenuam a atividade de COX-2, podem interferir nas ações dos diuréticos de alça ao reduzirem a síntese de prostaglandinas nos rins. O uso prolongado desses fármacos pode provocar hipomagnesemia significativa em alguns pacientes. Como a absorção intestinal de Ca2+ induzida pela vitamina D e a sua reabsorção renal induzida pelo PTH podem estar aumentadas, os diuréticos de alça geralmente não produzem hipocalcemia. Todavia, em distúrbios que causam hipercalcemia, a excreção de Ca2+ pode ser aumentada de modo proveitoso mediante tratamento com diuréticos de alça combinados com infusões de soro fisiológico. A furosemida aumenta o fluxo sanguíneo renal por meio das ações das prostaglandinas na rede vascular dos rins. • Eliminação de 15-25% de sódio filtrado • Via oral: usado principalmente como anti- hipertensivo com atuação em 1h • IV: usado para edema agudo de pulmão; atuação em até 30min EVENTOS ADVERSOS: perda excessiva de sódio (hipovolemia; hipotensão); hipocalemia e alcalose. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: com outros diuréticos; antiarrítmicos (hipocalemia); ototoxicidade (aminoglicosídeos); TIAZÍDICOS Principal: Hidroclorotiazida (HCTZ) MECANISMO DE AÇÃO: age no sítio do cloreto do túbulo contorcido distal inibindo o cotransportador Na+/Cl- → eliminação de sódio na urina (NATRIUSE) Tem efeito vasodilatador • Hipertensão não complicada • Menor eliminação de cálcio • Administrar de manhã • Risco reduzido de AVC e IAM por HAS FARMACOCINÉTICA: • Todos os tiazídicos podem ser administrados por via oral; contudo há algumas diferenças metabólicas. • A clorotiazida, fármaco original do grupo, NÃO É MUITO LIPOSSOLÚVEL e deve ser administrada em doses relativamente altas • A HCTZ é mais potente e deve ser usada em doses mais baixas • A CLOTALIDONA sofre absorção lenta e tem duraçãode ação mais prolongada • Todos os tiazídicos são secretados pelo sistema secretor de ácidos orgânicos no TP e competem com a secreção do ácido úrico para esse sistema → USO DE TIAZÍDICOS PODE REDUZIR A SECREÇÃO DE ÁCIDO ÚRICO E ELEVAR SEUS NÍVEIS SÉRICOS FARMACODINÂMICA: Os tiazídicos inibem a reabsorção de NaCl do lado luminal das células epiteliais no TCD, bloqueando o transportador de Na+/Cl– (NCC). Os tiazídicos aumentam efetivamente a reabsorção de Ca2+ (tanto no TP como TD). EVENTOS ADVERSOS: disfunção erétil, alcalose hipoclorêmica, hipocalemia, hiperglicemia, hiperuricemia. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: com outros diuréticos (de alça); – POUPADORES DE K+ Principal: Espironolactona Os diuréticos poupadores de potássio impedem a secreção de K+ ao antagonizar os efeitos da aldosterona nos túbulos coletores. Pode ocorrer inibição por antagonismo farmacológico direto dos receptores de mineralocorticoides (espironolactona, eplerenona) ou por inibição do influxo de Na+ através dos canais iônicos na membrana luminal (amilorida, triantereno). Por fim, a ularitida (urodilatina recombinante), que atualmente ainda se encontra em fase de investigação, atenua a captação de Na+ e a Na+/K+-ATPase nos túbulos coletores e aumenta a TFG por meio de seus efeitos vasculares. A nesiritida, que está comercialmente disponível apenas para uso intravenoso, aumenta a TFG e diminui a reabsorção de Na+ nos túbulos tanto proximais quanto coletores. FARMACOCINÉTICA: • A espironolactona é um esteroide sintético que atua como antagonista da aldosterona e tem sua ação inativada no fígado • A espironolactona tem início lento, exigindo vários dias para a obtenção de efeito terapêutico MECANISMO DE AÇÃO: ação na porção cortical do ducto coletor competindo com a aldosterona logo os cotransportadores Na+/(K+ ou H+) serão inibidos → Natriurese • Pouco efeito diurético • Prevenção de hipocalemia e alcalose • Aumenta a sobrevida de pacientes com IC EVENTOS ADVERSOS: hipercalemia, desconforto gastrointestinal, ação sobre receptores andrógenos e de progesterona → ginecomastia, distúrbios menstruais e atrofia testicular INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: com outros diuréticos; potássio (inibidores de ECA, Antagonistas dos receptores de angiotensina, antagonistas dos receptores B-adrenérgicos). INDICAÇÕES: uteis em estados de excesso de Mineralcorticoides ou hiperaldosteronismo;