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Traumatologia Forense III e IV Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD 1ª Edição Copyright © 2019, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Traumatologia Forense III e IV Para início de conversa… .................................................................. 04 1. Lesões por Arma Branca ....................................................... 05 Considerações Finais .......................................................................... 17 Referências ....................................................................................... 18 Para início de conversa… A traumatologia estuda as lesões e estados patológicos, imediatos ou tardios, produzidos por violência sobre o corpo humano, nos seus aspectos do diagnóstico, do prognóstico e das suas implicações legais e sócio-econômicas. Trata também das diversas modalidades de energias causadoras desses danos. Didaticamente classificam-se as energias vulnerantes pelos agentes. Os agentes mecânicos são classificados em formas puras e formas mistas de acordo com as características que imprimem a lesão. Formas puras envolvem agentes perfurantes, cortantes e contundentes. As lesões causadas por instrumentos perfurantes, de aspecto pontiagudo, alongado e fino, e de diâmetro transverso reduzido, apresentam-se com graves repercussões na profundidade do corpo da vítima. Nessa unidade você também vai conhecer a classificação médico-legal das asfixias, suas classificações (falta de suprimento de oxigênio, diminuição do transporte do oxigênio circulatório e tissular), a fisiopatologia e os sinais anatomopatológicos gerais das asfixias. 4 Odontologia Legal 1. Lesões por Arma Branca INSTRUMENTOS LESIVOS A característica mais comum, de onde advém o nome armas brancas, é o fato de que historicamente, na sua maioria, brilhavam, principalmente à noite (pareciam ser “brancas”), à diferença das armas de fogo da época, que, além de não reluzirem, projetavam fogo quando de seu acionamento. Podem ser agrupados conforme o quadro abaixo. CARACTERÍSTICAS DAS LESÕES Lesões Punctórias Produzidas por instrumentos perfurantes. Embora circulares, podem ser deformadas pelas linhas de força das fibras elásticas e musculares subcutâneas (ferida oval, triangular, em seta, em quadrilátero), seguindo as leis de Filhos e Langer, que não se cumprem no cadáver, mas apenas no vivo. Lesões Incisas São típicas dos instrumentos cortantes. Chama-se incisão apenas quando é cirúrgica. Apresenta-se mais profunda na parte central (corpo), superficializando-se nos extremos (cabeça e cauda, ou cauda de entrada e cauda de saída). A lesão incisa exibe bordas e vertentes regulares que se coaptam perfeitamente. Margens sem escoriações ou equimoses. Fundo sem trabéculas. INSTRUMENTO APLICAÇÃO DA ENERGIA MECANISMO FERIMENTO (LESÃO) EXEMPLO Perfurante sobre um ponto pressão-penetração punctório alfinete, agulha, sovela, prego Cortante uma linha deslizamento inciso navalha, gilete Perfurocortante ponto + linha pressão-deslizamento perfuroinciso faca, peixeira 5Odontologia Legal Perfurocortante linha + massa pressão-esmagamento cortocontuso machado, dente, foice, unha, facão Elementos especiais podem ser observados em alguns tipos de lesões incisas: ▪ Sinal do espelho (de Bonnet): Borrifo ou respingos de sangue no espelho nos casos de esgorjamento suicida. ▪ Inclinação da lesão de esgorjamento, para diferenciar suicídio (oblíqua) de homicídio (horizontal). ▪ Lesões de defesa: localizadas em antebraços (face dorsal e borda ulnar) e palma das mãos. Lesões Perfuroincisas Provocadas por instrumentos perfurocortantes com um ou dois gumes (faca-peixeira, adaga). Feridas mais profundas do que largas, que têm a maioria dos elementos das lesões incisas (bordas, margens, vertentes, fundo). Assumem forma de botoeira, com uma comissura aguda (gume) e outra arredondada (costas) ou as duas em ângulo agudo (instrumentos com dois gumes), ou estreladas, quando a “lâmina” tem mais de dois gumes. Por vezes há deformação do orifício de entrada, em face da movimentação da mão que empunha o instrumento, quer alargando ou ampliando a lesão, quando há inclinação maior na saída, quer mudando a forma, quando há rotação depois de fincada no corpo. As lesões perfuroincisas podem ser: ▪ penetrantes (entra em cavidade preexistente: pleural, pericárdica, peritoneal); ▪ perfurantes (penetram numa parte maciça do corpo, sem saída); ▪ transfixantes (atravessam um órgão ou uma parte do corpo); ▪ em fundo-de-saco (quando perfuram, atingem um obstáculo resistente e não penetram além do comprimento); 6 Odontologia Legal ▪ em acordeão ou em sanfona [Lacassagne] (quando a superfície do corpo é desprezível (parede de abdome), a lâmina produz uma lesão mais profunda que o seu próprio comprimento). Lesões Cortocontusas São lesões mistas, com algumas das características dos ferimentos incisos (efeito de cunha), mas produzidas pelo mecanismo das contusas, ou seja, pressão sem deslizamento. Quando, em acréscimo, o instrumento tem um gume afiado, pode provocar lesões que se assemelham mais às incisas. As lesões costumam ser muito devastadoras, decepando segmentos, fraturando ou seccionando ossos etc. Lesões por Arma de Fogo A Balística é uma parte da Física Aplicada que estuda os projéteis (sua trajetória, os meios que atravessam etc.) e as armas de fogo. Armas de Fogo As armas de fogo são instrumentos que utilizam a grande quantidade de gases produzidos pela queima instantânea de uma carga, constituída por um combustível seco (pólvora ou sucedâneo) como forma de propulsão dos projéteis. Essa queima ocorre somente na presença de “chama viva” (que 7Odontologia Legal era como se detonavam as armas de fogo antigas: canhões, bombardas, arcabuzes, bacamartes, garruchas etc., com o auxílio de um pavio aceso). Daí a necessidade de existir nos cartuchos uma segunda mistura combustível, capaz de se acender (inflamar) quando golpeada. Essa forma parte da espoleta ou escorva. As armas de fogo são compostas de três partes fundamentais: 1. A que se destina a segurar a arma: coronha (cabo) e armação (corpo); 2. Os mecanismos: o de disparo, constituído pelo percussor (agulha), acionado pelo gatilho (tecla) e o de extração, para expulsar a cápsula (estojo) uma vez deflagrada. 3. O cano, que é a peça essencial, constituída por um cilindro metálico, fechado em uma de suas extremidades e aberto pela outra. A extremidade fechada pode sê-lo pela própria fabricação (ex.: pica-pau e armas antigas) ou pelo cartucho quando este se aloja na câmara (parte de diâmetro ligeiramente maior). A extremidade do cano que dá continuidade à câmara é conhecida como “boca de carga”, ao passo que a outra extremidade, aquela através da qual o projétil abandona a arma, recebe o nome de “boca de fogo”. LESÕES PERFUROCONTUSAS. Tanto do ponto de vista forense quanto do ângulo criminalístico, os disparos podem ser efetuados a distâncias variáveis entre a boca de fogo do cano da arma e a vítima. 1. Disparos (tiros) apoiados ou encostados, à distância zero; 2. Disparos (tiros) próximos, à curta distância ou à “queima-roupa”, e 3. Disparos (tiros) a distância. Ferimento de Entrada do Projétil: É variável segundo a distância do disparo e conforme o projétil seja único ou múltiplo. Existem elementos que 8 Odontologia Legal são comuns a todo tipo detiro, independendo da distância entre a arma e a vítima: são os denominados efeitos primários do tiro. Designam-se como efeitos primários do tiro as ações mecânicas do projétil sobre o alvo e que, via de conseqüência, são próprios do orifício de entrada. É mister lembrar que esses efeitos independem da distância do disparo, ou seja, da distância entre a boca de fogo do cano da arma e o ponto de impacto sobre o alvo (corpo da vítima). Os efeitos primários do tiro compreendem: ▪ o ferimento perfurocontuso ou lacerocontuso, e ; ▪ as orlas. Já nos tiros a curta distância ou disparas à queima-roupa, isto é, aqueles desferidos contra o alvo situado dentro dos limites da região espacial varrida pelos gases e pelos resíduos da combustão do explosivo propelente expelidos pelo cano da arma, ocorrem a ação e deposição de alguns ou de todos esses elementos sobre o corpo ou sobre as vestes da vítima, constituindo-se, por contraposição, nos efeitos secundários do tiro. Os efeitos secundários do tiro podem ser utilizados para aquilatar a distância entre a boca de fogo do cano da arma e o alvo, e, eventualmente, a direção do cano da arma com relação à vítima. Esses efeitos estão sujeitos a uma grande variação, relacionada com o tipo e o estado de conservação da arma, com a qualidade da munição, bem como com a natureza e/ou a região do alvo atingido. Esses efeitos secundários do tiro compreendem as zonas de contorno, a saber: a. Zona de chamuscamento: ▪ Tem como responsável a ação superaquecida de gases que atingem e queimam o alvo. Provocam queimaduras dos pêlos, da pele e das vestes. b. Zona de esfumaçamento: ▪ Decorrente do depósito deixado pela fuligem na pele ou nas vestes; ▪ Facilmente removida com bucha, água e sabão. 9Odontologia Legal c. Zona de tatuagem: ▪ É mais ou menos arredondada nos tiros perpendiculares; ▪ A tatuagem varia de cor, forma, extensão e intensidade conforme a pólvora; ▪ É resultante da impregnação dos grãos de pólvora combusta (carvão) e incombusta; ▪ Pela análise desse halo, a perícia pode determinar a distância exata do tiro. Quanto maior a distância, os pontos de tatuagem ficam mais dispersos. Trajeto do projétil: é delineado pelo projétil principal e pelos projéteis secundários, sendo, portanto, único ou múltiplo. Tal trajeto pode ser: retilíneo ou com desvios; término em fundo cego ou no orifício de saída. Não há trajeto curvo. O estudo do trajeto tem importância clínica e médico-legal. Na clínica, porque auxilia na indicação terapêutica e, na médico-legal, porque indica possível presença, no interior do trajeto, de fragmentos das vestes, sangue e o próprio projétil. Orifício de Saída (OS): é produzido pelo projétil propriamente dito, isoladamente ou reforçado por outros corpos que a ele se juntem no decorrer do trajeto. A principal característica do orifício de saída é a ausência de orlas e zonas. Apresenta-se logo depois de produzido, com bordas evertidas, irregulares e diâmetro maior que o orifício de entrada. 10 Odontologia Legal Asfixia Classificação Médico - Legal das Asfixias Considerando, pois, que a falta de oxigênio é o pivô central da causa mortis por asfixia, a maneira como tal diminuição ocorre permite distinguir: ▪ Asfixias por Falta de Suprimento de Oxigênio ▪ Externo ▪ Interno ▪ Asfixias por Diminuição do Transporte de Oxigênio no Sangue ▪ Asfixias por Diminuição do Oxigênio Circulatório ▪ Asfixias por Diminuição do Oxigênio Tissular Vamos começar a falar da Asfixia por falta de Suprimento de Oxigênio. Veja a seguir! Asfixias por Falta de Suprimento de Oxigênio – (sinônimos: asfixias de aporte, asfixias mecânicas ou anóxias anóxicas) Por oclusão mecânica das vias respiratórias superiores. Podem se dividir em: EXTERNA e INTERNA. EXTERNA - Por oclusão dos orifícios respiratórios externos (travesseiros, sacos plásticos etc.): sufocação direta. ▪ Por constrição do pescoço: ▪ Pela força física do agente (com as mãos, prega do cotovelo, pés): esganadura. ▪ Com laço acionado pelo peso da própria vítima: enforcamento. ▪ Com laço acionado por força diversa do peso da vítima: estrangulamento. INTERNA - Corpos estranhos, tamponamento com lenços, toalhas etc.: engasgo. 11Odontologia Legal Por impedimento mecânico da excursão torácica: ▪ Compressão torácica (por ferragens, em acidentes, por entulhos, em desabamentos); limitação da excursão respiratória (crucifixão, suspensão pelos antebraços): sufocação ▪ Indireta. Por alterações qualitativas da mistura gasosa inspirada: ▪ Por meios gasosos que deslocaram o oxigênio: anidrido carbônico, monóxido de carbono, metano etc.: rarefação. ▪ Por meios líquidos (asfixia por submersão): afogamento. ▪ Por meios sólidos - substâncias granuladas (areia, terra, grãos, palha de arroz ou de café etc.) ou em pó (talco, farinha, caulim, cimento etc.): soterramento. Por alterações quantitativas da mistura gasosa inspirada, empobrecimento ou rarefação do oxigênio da mistura gasosa: diminuição da p02: ▪ Em ambientes fechados: confinamento. ▪ Em grandes altitudes: rarefação. ▪ Em perda de pressão em cabinas (avião): descompressão. Asfixias por Diminuição do Transporte de Oxigênio no Sangue - (sinônimos: asfixias de transporte ou anóxias anêmicas): ▪ Por diminuição da quantidade de hemoglobina: anemia aguda traumática. ▪ Por alteração química da hemoglobina, que perde a capacidade de transportar oxigênio: ▪ por monóxido de carbono (CO): intoxicação ou ▪ por substâncias metemoglobinizantes: envenenamento. 12 Odontologia Legal Asfixias por Diminuição do Oxigênio Circulatório - (sinônimos: asfixias de liberação) ▪ Alcalose gasosa por excesso de ácido carbônico + sódio = excesso de bicarbonato que facilita a captação de oxigênio por aumento da pC02 mas que dificulta a liberação do O2 em nível celular (fibrose e esclerose pulmonares, asma, enfisema). Asfixias por Diminuição do Oxigênio Tissular (sinônimos: asfixia de utilização ou anóxia histotáxicca) ▪ Impedimento da utilização do oxigênio que se encontra em concentrações normais, por inibição enzimática da cadeia de aceptores de hidrogênio no nível das mitocôndrias: intoxicação cianídrica (por cianuretos). Fisiopatologia das Asfixias Os sintomas, como é próprio, dependem da forma de apresentação e produção: o cérebro, o coração e a retina são os órgãos mais sensíveis à falta de oxigênio. O sintoma objetivo mais característico da hipóxia é a cianose, que ocorre quando existem mais de 5g de hemoglobina não oxigenada por 100 ml de sangue capilar. Nos casos de asfixia mecânica, reconhecem-se diversas fases, de duração variável segundo o mecanismo: ▪ fase anestésica: quando se verificam acufenos, fotopsias, dores, cefaléias e perda da consciência; ▪ fase convulsiva: apresenta características semelhantes às de uma crise epiléptica, inicialmente com convulsões tônicas, depois com convulsões clônicas; ▪ fase agônica: observam-se alguns movimentos incoordenados, de tipo automático ou reflexo, o coração tem sístoles isoladas, espaçadas, e ocorre incontinência de esfíncteres; 13Odontologia Legal ▪ fase terminal: com parada cardiorrespiratória, arreflexia, dilatação pupilar e morte. No campo da Medicina Legal, dois tipos de asfixias têm real significação: as asfixias mecânicas e as asfixias gasosas. Asfixia Mecânica Por Sufocação Obstrução dos orifícios oronasais; obstrução faríngea, laríngea ou traqueal por corpo estranho. ▪ Espasmo ou edema de glote. ▪ Compressão pela hipertrofia do timo ou da tireóide. ▪ Asfixia posicional (hiperfiexão do pescoço sobre o tórax, contenção de obesos algemados em viaturas de transporte de presos). ▪ Obstrução faringolingual pós-íctus ou durante o coma. Por Compressão Externa do Pescoço ▪ Por enforcamento. ▪ Por esganadura. ▪ Por estrangulamento. ▪ Por compressão anteroposterior do pescoço (entre dois bastões, garrote etc.). ▪ Por compressão bilateral (dispositivo automático de fechamento,E.G., Porta de elevador). ▪ Por compressão anterior (enforquilhamento passivo). Por Aspiração de Líquidos para o Sistema Respiratório ▪ Asfixia por submersão (completa ou incompleta); ▪ Asfixia por aspiração inspiratória (vômica, hematêmese, hemorragias, cistos pulmonares, hemorragias cervicais no esgorjamento etc.). 14 Odontologia Legal Por Alteração Biomecânica Músculo - Respiratória ▪ Poliomielite bulbar ou anterior aguda; curarização. ▪ Crucifixão, suspensão pelos antebraços. ▪ Compressão toracoabdominal. ▪ Contração muscular violenta (tétano, epilepsia etc.). Asfixia Gasosa ▪ Intoxicação por monóxido de carbono (CO). ▪ Intoxicação por cianetos (cianuretos). ▪ Asfixia por substituição do O2 (gás natural, dióxido de carbono). ▪ Asfixia por confinamento (consumo progressivo do O2). ▪ Asfixias pelas alturas (pressão parcial do O2 diminuída). SINAIS ANATOMOPATOLÓGICOS GERAIS DAS ASFIXIAS A síndrome geral das asfixias permite reconhecer: Sinais Externos Cianose: cor arroxeada (quando a quantidade de oxigênio é menor de 13,4 ml% N = 20); vê-se bem nos lábios, pavilhões auriculares, leitos ungueais e conjuntivas, de roxo a azul-escuro. A cianose cervicofacial de Le Dentut e torácica, conhecida como “máscara equimôtica de Morestin” (1911), de observação mais frequente na asfixia por compressão toracoabdominal, é acompanhada de equimoses externas ou petéquias amplamente disseminadas no rosto, pescoço e tórax superior. Equimoses subconjuntivais: decorrentes da estas e venosa, levando a aumento da pressão capilar local. Otorragias (pouco frequentes): por estase venosa. Petéquias hemorrágicas de Casper ou manchas de Tardieu: pontilhado externo nítido pela face, pescoço e tronco superior. 15Odontologia Legal Protrusão da língua: pode ser por causa mecânica externa, como nos casos de asfixia por constrição do pescoço, notadamente o enforcamento, ou por edema post mortem (como nos afogamentos). Cogumelo de espuma externo: nos orifícios oral e nasais, mais frequente nas asfixias por submersão, mas não é patognomônico, porquanto encontradiço em outras formas. Resulta da coexistência de movimentos respiratórios, mesmo que ineficazes,com extravasamento de secreções proteicas para o interior da luz da árvore respiratória. Escoriações ungueais típicas: como lesão de “defesa”, nos casos de constrição do pescoço. Sinais Internos Encéfalo: pontilhado hemorrágico difuso. Pulmões: congestão intensa e manchas de Tardieu disseminadas sobre as pleuras. Coração: com estase venosa, ventrículo esquerdo vazio e direito repleto de sangue, petéquias subepicárdicas, relacionadas com o aumento de pressão no sistema da veia cava superior. Vísceras abdominais: congestão generalizada, observa-se tanto na superfície como na profundidade do fígado e baço, como consequência de aumento da pressão nos sistemas das veias cavas, superior e inferior. No peritônio: que reveste os órgãos abdominais e nos mesentérios, é possível observar manchas de Tardieu pequenas, do tamanho de uma cabeça de alfinete, mas, por vezes, verificam-se derrames mais importantes, de até 0,5 em de diâmetro, conhecidos como manchas de Paltauff, mais frequentes nos casos de afogamento. Sangue: muito escuro, insaturação oxigenada, com fluidez aumentada. Poliglobulia por contração do baço, hiperglicemia e aumento da fosfatase alcalina sanguínea, das plaquetas e das granulações azurófilas dos leucócitos. Glândula tireóide: apresenta sinais de hiperfunção, com grande dilatação dos folículos. 16 Odontologia Legal Considerações Finais São exemplos de agentes perfurantes: alfinete, agulha, prego, furador de gelo; Os instrumentos de ação cortante agem por um gume mais ou menos afiado, por um mecanismo de deslizamento sobre os tecidos e, teoricamente, por uma atuação de sentido linear. São exemplos de agentes cortantes: navalha, gilete; Os agentes contundentes atuam por pressão, deslizamento e tração, podendo originar impressões na superfície cutânea. Apresentam superfície plana ou romba. São exemplos de agentes contundentes: cassetete, pau, chão, muro, pedra, cano, martelo. As formas mistas são vistas quando, na superfície vulnerante, se combinam as formas de um ou mais tipos puros, sendo representadas pelos agentes pérfuro-cortantes, pérfuro-contundentes e corto-contundentes. A ação Pérfuro-Cortante é produzida por agente que possui uma ponta (perfurante)na extremidade distal de uma lâmina, com um ou mais gumes (cortantes). As feridas perfuro-contusas são produzidas por um mecanismo de ação (agente) que perfura e contunde ao mesmo tempo. Estes ferimentos são produzidos quase sempre por projéteis de arma de fogo e a ação Corto- Contusa é produzida por um mecanismo de ação/agente que corta e contunde ao mesmo tempo. 17Odontologia Legal Referências VANRELL, Jorge Paulete. Odontologia legal & antropologia forense. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. FRANÇA, Genival Veloso. Medicina legal. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 18 Odontologia Legal Título da Unidade Objetivos Introdução Histórico e Desenvolvimento da Odontologia Legal e Documentos Odontolegais 1. Histórico e Desenvolvimento da Odontologia Legal 1.1 A Especialidade Odontologia Legal: Competências e Organização 1.2 Recomendações e Perfil para Atuação em Odontologia Legal 2. Documentos Odontolegais Referências A resposabilidade profissional e seus impactos nas perícias odontolegais Para início de conversa… 1. A responsabilidade civil na odontologia 2. Conselho Federal de Odontologia e os Conselhos Regionais 3. Cuidados legais na prestação de serviços 4. Regulação da prática de Perícias Odontolegais 5. Definição do trabalho do perito 6. Áreas de atuação da perícia odontolegal Sintese Referências _GoBack Traumatologia Forense I e II Para início de conversa… 1. Energias Lesivas Considerações Finais Referências Traumatologia Forense III e IV Para início de conversa… 1. Lesões por Arma Branca Considerações Finais Referências