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Ética e Moral Professora Esp. Alessandra Domingues Gomes Reitor Prof. Ms. Gilmar de Oliveira Diretor de Ensino Prof. Ms. Daniel de Lima Diretor Financeiro Prof. Eduardo Luiz Campano Santini Diretor Administrativo Prof. Ms. Renato Valença Correia Secretário Acadêmico Tiago Pereira da Silva Coord. de Ensino, Pesquisa e Extensão - CONPEX Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza Coordenação Adjunta de Ensino Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo Coordenação Adjunta de Pesquisa Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme Coordenação Adjunta de Extensão Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves Coordenador NEAD - Núcleo de Educação à Distância Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal Web Designer Thiago Azenha Revisão Textual Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Geovane Vinícius da Broi Maciel Jéssica Eugênio Azevedo Kauê Berto Projeto Gráfico, Design e Diagramação André Dudatt Carlos Firmino de Oliveira Vitor Amaral Poltronieri Martins 2022 by Editora Edufatecie Copyright do Texto C 2022 Os autores Copyright C Edição 2022 Editora Edufatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permi- tidoo download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP G633e Gomes, Alessandra Domingues Ética e moral / Alessandra Domingues Gomes. Paranavaí: EduFatecie, 2022. 103 p. : il. Color. 1. Filosofia. 2. Ética. 3. Moral. 4. Ética medieval. Ética moderna. I. Centro Universitário UniFatecie. III. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD : 23 ed. 170 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 UNIFATECIE Unidade 1 Rua Getúlio Vargas, 333 Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 2 Rua Cândido Bertier Fortes, 2178, Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 3 Rodovia BR - 376, KM 102, nº 1000 - Chácara Jaraguá , Paranavaí, PR (44) 3045-9898 www.unifatecie.edu.br/site As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site Shutterstock. AUTORA Prof.ª Especialista Alessandra Domingues Gomes ● Educação Especial – 2006 – ESAP – Faculdade Integrada do Vale do Ivaí. ● Educação Especial /Libras – 2010 - Faculdade Integrada do Vale do Ivaí. ● Gestão Educacional e organização publica – 2011 - Faculdade Integrada do Vale do Ivaí. ● Tutoria em EAD - Universidade Estadual de Londrina - 2016 ● Licenciatura em História – Unespar (2002 – 2005) ● Licenciatura em Filosofia – Unimes (2011 – 2013) ● Licenciatura em Pedagogia – Unimes (2013 – 2015) ● Licenciatura em Letras/Português – Uniasselvi (2018 -2020) CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/8765496270465438 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Sejam bem-vindos (as) Ao curso de Ética e Moral. A partir de agora estaremos refletindo e nos apropriando de temas tão relevantes para a sociedade contemporânea. Nosso tema de estudos ser a Ética e a Moral, perpassando pela filosofia antiga, média, moderna e contemporânea. Iniciaremos nossa experiência filosófica sobre Ética e Moral através da Primeira unidade. Nela será abordado temas como: O conceito de ética e o homem e sociedade, O conceito da ética e moral, A distinção entre ética e moral, os dilemas éticos, a pluralidade ética e as fontes de regras morais. Na Segunda unidade nosso foco de estudo será a Introdução aos conceitos da ética e violência, o estudo sobre os filósofos gregos do período clássico como: Sócrates, Platão e a tripartição da Alma e Aristóteles. Na Terceira unidade nosso objetivo de conhecimento será: O bem viver helenista, O conceito de cinismo, epicurismo e estoicismo. Ainda na terceira unidade, abordaremos a Ética medieval, Ética e cristianismo, a Ética moderna com foco na razão, desejo e vontade; e ainda o imperativo categórico de Espinosa a Kant e finalizaremos abordando sobre Liberdade e determinismo. Finalizaremos com a Quarta unidade refletindo sobre a filosofia contemporânea tendo como principais focos de estudo a Ética na contemporaneidade e suas perspectivas filosóficas, Consumismo, a Ética e a vida animal, Ética e o meio ambiente, finalizando com a Ética profissional sala de aula e conselho de classe. Enfim, chegamos ao final de um estudo filosófico tão importante para compreensão e vivência em nossa contemporaneidade. Espero que esta leitura seja prazerosa e reflexiva, e ainda que a mesma possa agregar conhecimento e um pensamento crítico sobre o mundo e a sociedade, seja no passado, presente e abrindo portas para o futuro. Muito obrigada e bons estudos! SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 3 Introdução a Moral e Ética UNIDADE II ................................................................................................... 27 Ética na Filosofia Grega Clássica UNIDADE III .................................................................................................. 50 Introdução a Ética no Período Medieval e Moderno UNIDADE IV .................................................................................................. 78 A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas 3 Plano de Estudo: ● Conceitos éticos e o homem em sociedade; ● Conceito de Ética e Moral; ● Distinção entre Ética e Moral e Dilemas Éticos; ● Pluralidade Ética e Fontes de Regras Morais. Objetivos da Aprendizagem: ● Apresentar a origem da ética e moral no seu contexto histórico e sua contribuição para a compreensão dos elementos que interferem no processo social através da busca do esclarecimento dos universos que tecem a existência humana: trabalho, relações sociais e cultura; ● Conceituar os termos moral e ética e sua importância dentro do desenvolvimento do homem enquanto indivíduo e ser social; ● Relacionar historicamente o desenvolvimento dos seres humanos e a importância da compreensão e aplicação da conduta ética e moral em sociedade; ● Distinguir ética e moral. UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Professora Esp. Alessandra Domingues Gomes 4UNIDADE I Introdução a Moral e Ética INTRODUÇÃO Seja muito bem vindo (a)! O presente trabalho é uma introdução ao conceito de ética e moral assim como suas diferentes perspectivas dentro da filosofia. Seu objetivo é introduzir os alunos no conceito e nos problemas filosóficos relacionados à ética e a moral. Este debate ao longo dos tempos adquiriu diferentes posicionamentos na forma de agir e pensar, criando assim um caráter filosófico que abriu discussões quanto a perspectiva dos valores morais e a aplicação dos conceitos éticos. Portanto, seu estudo busca contribuir para o conhecimento, assim como desenvolver um pensamento crítico e social baseado no estudo de pensadores que marcaram a filosofia em um contexto global, desde a idade antiga até a contemporaneidade. Este trabalho está pautado em conceitos como: o sentido da Ética e da Moral, o papel do homem em sociedade, a distinção entre esses valores, as fontes que levam a formação das regras morais e o pluralismo ético. A presente unidade foi escrita através de pesquisa de autores e filósofos que permeiam o estudo e a analise filosófica. Além da troca de informações e discussões que se dão na atualidade por meio de grupos de estudos, leitura de revistas, entrevistas, entre outras metodologias. Muito obrigada e bons estudos! 5UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 1. CONCEITOS ÉTICOS E O HOMEM EM SOCIEDADE Para iniciar nossos estudos sobre ética é importante relembrar sua origem. O conceito da palavra filosofia tem origem do grego philosophia, que significa “amizade ao saber” ou “a busca por saber”. De acordo com Japiassú (2006,p. 108), (...) nesse sentido se estabeleceu uma diferença de natureza entre a ciência e quanto saber específico, conhecimento sobre o domínio do real e a filosofia que teria um caráter mais geral, mais abstrato, mais reflexivo no sentido da busca por princípios que tornam possível o próprio saber. Já o estudo da filosofia tem origem na Grécia Antiga em meados do século VI a.C, tendo como necessidade a explicação do mundo de maneira racional, antes do surgimento da filosofia o homem explicava o mundo através dos mitos. É sobre filosofia, ética e moral que iremos estuda a partir da agora. O estudo da ética tem como objetivo introduzir os alunos a conceitos e problemas filosóficos relacionados a compreensão do mundo. A expansão desse estudo criou vários pensares e bases teóricas através de investigações lógicas e reflexões, discussões e hipóteses foram surgindo em vários segmentos do conhecimento das ciências humanas. Dentre eles, destacamos o estudo da Ética e Moral que são responsáveis por direcionar as ações humanas desde a idade antiga até os dias atuais, suas teorias e concepções. O estudo da ética necessita ser compreendido e aprofundado de maneira que não se generalize seu conceito, mas que busque o seu conhecimento através da análise de suas hipóteses e a reflexão sobre a importância da ética para consciência humana. 6UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Buscar a consciência desse processo se faz pelo estudo da ética, internalizando concepções, e compreendendo que seus valores estão enraizados na cultura de um povo, nos costumes de determinadas sociedades e assim gerar reflexões e valores distintos. Portanto, seu trabalho se faz útil e presente àqueles que querem conhecer a filosofia, compreendendo seus conceitos, pois o estudo da ética engloba o estudo das ações individuais e coletivas, valores políticos, estéticos, ética, os valores morais tem sido alvo de questionamentos e estudos na sociedade contemporânea. Esses saberes se fazem presentes em sociedade de maneira global, não é direcionado somente ao estudo das ciências humanas, mas está nos conflitos cotidianos, nas questões profissionais que buscam respostas e explicações para pensamentos, ações e reações diante dos valores humanos e sociais atuais. A concepção engloba o estudo de ações individuais e coletivas, valores políticos estéticos, religiosos e humanos. Está presente no âmbito familiar, profissional, igrejas, nas ruas, ambientes institucionais, nas mídias sociais, enfim, em todos os espaços que apresentem um ambiente sociopolítico. Pensar em ética não significa mudar o mundo, mudar pessoas, mas sim refletir sobre as ações humanas, compreender valores, intenções, internalizar conceitos e a partir deles se posicionar diante de concepções éticas, assumindo valores e condutas. Muitos filósofos e teóricos discutiram sobre ética, criaram conceitos, reflexões e teoria. Filósofos do período clássico como Sócrates, Aristóteles, Platão, foram grandes nomes da filosofia que discutiram sobre tema. Na filosofia contemporânea desapontam nomes de extrema importância para o debate ético e moral, entre eles podemos citar: Schopenhauer, Kant, Marx. Nietsche, Comte, Sartre entre outros. 1.1 O Homem em sociedade A ética se faz presente em todos os pensares, nas necessidades humanas nas relações familiares, de trabalho, sociais, religiosas, etc. O homem como centro desse saber sempre foi e será alvo de hipóteses, analises e reflexões que permeiam suas ações em sociedade. Viver de maneira ética significa fazer parte de um contexto no qual o indivíduo estará sempre sendo submetido a julgamentos externos, afinal a existência humana reflete em viver em comunidade, e assim fazer parte de um processo de observação e criticidade. O homem é um ser que vive em sociedade, assim a ética se faz necessária em uma relação em que se encontra duas ou mais pessoas. Suas ações são compartilhadas na vivencia com outros homens, interagindo diariamente com outros indivíduos, são inúmeros os questionamentos levantados por ele quanto ao conceito ético: como devo agir e me comportar diante de outros homens? qual a relação com o meio ambiente e meios social? 7UNIDADE I Introdução a Moral e Ética É difícil responder a tantas dúvidas no qual as respostas estão expressas e contextualizadas em discursos que levam a reflexões recorrentes sobre isso, no entanto nem sempre é possível chegar a conclusões pautadas numa verdade inquestionável, nem sempre é simples compreender a existência humana e seus inúmeros vieses. Aristóteles, filósofo grego, ao se referir à Ética afirma “o estudo da ética deve enfatizar o preparo do indivíduo para que o mesmo possa viver em sociedade. Há, portanto, um campo comum entre ética e política. A ética deve estabelecer o princípio de ação virtuosa; a política deve enfatizar os homens como um ser social procurando estabelecer os princípios de sua ação racional”. A vivência em sociedade acarreta no agir, pensar e repensar. Assim, o homem é o indivíduo que determina o que moral, o que é ética, virtude ou pecado, a ele cabe o princípio do que é bom ou mau para ele. O homem em sociedade tem como princípio uma ética antropocêntrica, pois será ele capaz de ter a percepção de sua existência, no qual Pitágoras cita que “o homem é a medida de todas as coisas”, apresentado em um mundo humano. O homem só pode se realizar e ser feliz em ligação e solidariedade com seus semelhantes, pois, “para amar o próximo é algo inerente a ele e que dele se erradia”. O amor é visto como uma força transcendental, é dela que o homem se fortalece para se relacionar com o mundo tornando-o como algo realmente seu. A ideia de que vivemos em sociedade, coletivamente parecer ser algo realmente óbvio, mas quando pensamos filosoficamente essas afirmações se tornam questionamentos a serem compartilhados. É possível fazer tal reflexão: Por que vivemos em sociedade ao invés de isolados? Segundo Aristóteles, a natureza humana tende a viver em sociedade, realizando seu próprio bem, ou seja, o homem vive em sociedade pela consciência que isso reflete no seu próprio bem, no seu sucesso, como uma condição obvia no qual o homem deixa exaltar seu instinto de sobrevivência. Assim, o homem busca alcançar a perfeição próximo a outros homens pois ele tende a ser naturalmente carente e será essa proximidade de outros homens que irá suprir essa falta. O Homem por si só e sua natureza humana é um ser carente, essa carência direciona os indivíduos para a busca por viver coletivamente, ou seja, essas relações e ações se fazem presentes através das relações afetivas, familiares, religiosas, profissionais, entre outras. Essa ação implica em resultados positivos ou negativos que estão pautados na grande maioria das vezes nas reações emocionais, determinando ações éticas ou na falta delas. 8UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Isso leva a entender que cada indivíduo se comporta de uma maneira a frente de seu meio social, tem reações exclusivas, esperadas ou conflitantes, o que não se pode deixar de destacar e que dentro desse turbilhão de sentimentos os princípios éticos serão colocados como prioritários ou não. É possível exemplificar através de ações como o casamento, diante das diversas situações que um casal é exposto, trair ou não é um questionamento ético ou ainda em um ambiente de trabalho, ter a promoção ou o reconhecimento esperado, nem sempre o resultado é fruto de trabalho e esforço, pode estar ligado a disputas individuais nas quais agir de forma antiética não deixa de ser uma possibilidade para alcançar o tão almejado sucesso. Mas porquê e para que ser ético? Será que o homem usa a ética como forma de ter reconhecimento na sociedade na qual pertence ou será que faz parte de uma ação na qual agir de forma ética seja o resultado de uma aprendizagem que se faz desde os primeiros anos de sua vida incluindo os ensinamentosque ele tem através da família, da escola, da igreja e disse ao meio social? Ser ético vai muito além de agir de acordo com as cobranças da sociedade, está relacionado a comportar-se de maneira correta priorizando sentir-se bem de acordo com suas ações, é responder anseios internos e assim viver em sua plenitude. Ser ético nem sempre terá como prêmio as conquistas mais esperadas, principalmente porque vivemos em uma sociedade que vive em constante disputa, em que o ser humano terá que viver com outros seres humanos. É nesse sentido que ele irá se deparar com ações nas quais não irá concordar, por entender não fazer parte de uma sociedade justa, mas servirá de exemplo para que ele não caia em erros e ações inerentes a uma sociedade nem sempre ética, mas que prioriza resultados acima de valores. Thomas Hobbes vai além do sentido ético no quanto à ação humana. Para ele, o homem já nasce mau ele não sabe viver em sociedade por isso muitas vezes se torna autoritário, com dificuldades de viver com outros homens e assim passa a ter ações consideradas errôneas. No entanto, isso é parte do seu caráter, ele por sua vez produz ações que não condizem com o princípio de ser um cidadão, de agir eticamente dentro dos padrões morais. Para Hobbes o homem tem o poder de querer alcançar todas as coisas e assim sim fará tudo para atingi-las, muitas vezes se impondo a outro homem pela força gerando a disputa, a competição, pois eticamente levar a outro a decepção, ao sofrimento não significa infringir a lei. A preocupação do homem é se manter dentro das regras de conduta e assim ser um indivíduo politicamente correto. 9UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Para ser ético, pois, é necessário ter algum tipo de fé. Isso não significa que se deve, necessariamente, possuir fé religiosa, mas que se deve acreditar em algum valor intangível, de alto significado moral, como bondade, caridade, sinceridade, honestidade (LISBOA, 2009, p. 131). Hobbes em sua obra leviatã diz "o homem é o lobo do homem". Esse pensamento se relacionado a defesa da Hobbes sobre a importância do contrato social, é através do contrato que os homens estipulam suas regras de vivência em sociedade, são imposições e sem elas o homem voltaria ao seu estado natural em uma luta incansável pela sobrevi- vência. Para ele, todo homem nasce igual sem princípios morais ou éticos, é sua vivência em sociedade que o fará praticar ou não esses valores, e ele se moldam de acordo com a cultura de um povo através dos tempos, nenhum valor é programado antecipadamente. Contrapondo ao pensamento de Hobbes, Rousseau argumenta em sua obra “Do Contrato Social” que, “O homem nasce naturalmente bom, é a sociedade que o corrompe”, ou seja, o homem é fruto do meio social no qual está inserido, ele é reflexo do meio social no qual faz parte. O convívio em sociedade, as relações humanas, a diversidade de problemas sociais e pessoais muitas vezes levam o homem a ações desmedidas. Principalmente injustiças e problemas sociais causam o descontentamento, a ira, a transgressão de valores resultando na inversão de valores e no corromper do homem. Assim sendo, o homem como um fruto social provoca ações injustas e antiéticas resultando em uma sociedade que causa insegurança e estranheza. A partir deste ponto de vista é possível compreender os motivos que acarretam o descontrole emocional, as ações muitas vezes livres das preocupações éticas, inseridas em um mundo frágil e desacreditado por parte daqueles que valorizam e entende que a ética é o princípio para alcançar mais justiça e igualdade. 10UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 2. CONCEITO DE ÉTICA E MORAL O estudo da ética está diretamente ligado ao comportamento humano. Definida como a ciência do ethos, palavra de origem grega. Segundo Japiassu (2006, p. 97), “é o conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento (instituições, afazeres etc.) e da cultura (valores, ideias ou crenças), característicos de uma determinada coletividade, época ou região”. A ética pode ser definida como o estudo das ações humanas ao longo dos tempos, seu comportamento, suas fundamentações e prática. Dessa forma, compreender a ética esta intrinsicamente ligado ao poder que os indivíduos tem de se relacionar em sociedade, dos conceitos criados de acordo com o tempo, os costumes e crenças, produzindo a partir desse contexto uma relação de valores e ações dentro de uma sociedade na qual irá pautar seus costumes e valores diante da humanidade. Quando compreendemos que a ética está relacionada com a cultura, costumes e crenças é possível compreender que valores éticos não são estáticos, mas passiveis de compreensão e adoção de práticas sociais diferenciadas de acordo com a história de cada sociedade ou indivíduo. Podemos exemplificar a cultura dos povos pré-colombianos Maias, povos esses de origem Olmeca que foram os primeiros habitantes da América Central, tinham em seus costumes os sacrifícios humanos, uma prática religiosa de adoração aos deuses nos quais prisioneiros de guerras ou uma virgem eram entregues a sacríficos, tendo seu coração retirado e entregue aos deuses adorados pelos Maias, geralmente relacionados com os elementos naturais, sendo uma forma de agradecimento e homenagem aos deuses. 11UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Se analisarmos a ação dos povos Maias na atualidade nos parece uma ação que foge dos nossos valores éticos, além da infração penal, mas de acordo com a cultura desses povos seria uma prática não só aceitável como também uma forma de sobrevivência religiosa. Para Aristóteles, a Ética é tem como princípio compreender e vivenciar o que é o “bem”, e seu significado para o homem. Pois a partir do conhecimento sobre o que é o bem, os indivíduos serão capazes de encontrar a felicidade segundo Aristóteles. Para o filosofo a felicidade não é um bem passageiro, mas sim uma conquista diária que se estende para vida inteira, sendo o homem dotado de razão e capaz de fazer suas próprias escolhas, se orientando para o bem. Na concepção aristotélica a boa ação é aquela própria do indivíduo que possui virtude e deriva de um discernimento acerca das opções práticas, no qual entram muitos fatores, entre os quais, a disposição inata, a educação e a experiência”. É tudo aquilo que está relacionado com o comportamento moral e sua ação no meio social, desta forma orientando a conduta dos seres humanos. Nomear algo como ético ou antiético está diretamente ligado com a forma de agir de um indivíduo em sociedade pois o homem deve agir de modo exemplar no que diz respeito aos valores morais e assim ter um comportamento socialmente bom do contrário resultará na transgressão de normas, o código ético. A ética está diretamente ligada em diversas áreas como direito, administração, medicina, no viver em sociedade, ética cristã entre outras. Na filosofia grega a ética estaria ligada a virtude e alcance da felicidade. Ela se fez presente na ética na antiguidade, principalmente nas discussões dos filósofos socráticos, ainda na idade média, ética moderna, ética contemporânea. A origem da ética tem berço na Grécia antiga no período conhecido como antropológico. A partir da filosofia socrática ela deixa de estar ligada as origens da natureza e passa a focar no modo de ser e no comportamento humano. Na Idade Média, sua base teórica está ligada a ética cristã no momento em que a igreja católica reina de maneira absoluta na sociedade em questão ditando normas, valores e regras. Assim a ética se baseia na obediência e na vontade das leis divinas em busca da salvação eterna. A ética moderna tem como foco o indivíduo que passa a fazer suas próprias escolhas e ações baseado no antropocentrismo. A ética contemporânea se mantém baseada nos seres humanos, no entanto, é focada nas escolhas próprias e pessoais relacionadas ao ambiente social. Assim, o existencialismo ganha espaçoem que o homem passa a ser responsável por suas escolhas atitudes e felicidade. 12UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Partindo do pressuposto que a ética é um objeto de investigação das ações humanas e os princípios que a norteiam, entendemos também em que uma sociedade tem sua cultura e a partir dela define valores, interpretações do bem e do mal, do certo e do errado. Essas interpretações levam o indivíduo a compreender sua ação através do mundo que o cerca. O comportamento humano é orientado por um conjunto de juízos norteado por sua realidade e o valor de suas ações. Portanto, o ser humano irá agir conforme esse conjunto de valores que são construídos culturalmente e a partir dele irá determinar o que é certo e errado, o desenvolvimento social de um indivíduo está diretamente relacionado ao seu cotidiano, sendo a ética responsável pela construção desse conhecimento norteada por um conjunto de valores. Dentro das mais diversas profissões encontramos o código de ética, este é um acordo estabelecido onde direitos e deveres estão presentes em empresas organizações instituições e categorias profissionais entre outras. Ela irá nortear a cultura, a função social e a missão de uma empresa estabelecida entre direitos e deveres nas mais diversas funções profissionais. Ela regulamenta o funcionamento de suas organizações assim como o comportamento de funcionários e seus membros, além da esfera empresarial, um código de ética pode ser previsto em governamentais e não-governamentais em categorias profissionais, partidos políticos e demais grupos que se orientam por uma postura social. Os códigos de ética são divididos entre direitos e deveres, tem como missão construir a identidade e o perfil de uma empresa, instituição ou grupo, visando assim uma base de respeito e conduta profissional. Alguns princípios estão presentes de forma constante em vários códigos, e entre eles podemos destacar: a necessidade de legitimidade, transparência na construção de valores, assédio moral ou sexual ou ainda profissional denúncia para questões de suborno e corrupção, a relação entre líderes, chefes e subordinados. Ao analisarmos sobre a atual situação da humanidade, podemos entender que vivemos um problema ético, o desafio de manter a razão moral em um momento histórico que desde sua contemporaneidade vem sendo marcado por guerras extermínio de pessoas, destruição do meio ambiente disputas políticas que perpassam os problemas da sociedade e se tornam problemas de autarquias particulares ou do interesse de pequenos grupos, e desta forma questões humanas são deixadas para um segundo plano e tudo isso passa a ser um problema ético pois a ética se pauta em questões humanas e sociais, cujo não existe o privilégio, onde não ocorre a exaltação de condições particulares mas prioriza as questões coletivas. 13UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Diferentes formações sociais e culturais instituíram um conjunto de valores éticos como padrões de conduta, de relações intersubjetivas e interpessoais, de comportamento social que pudessem garantir a segurança física e psíquica de seus membros e a conservação do grupo social (CHAUI, 2007, p. 258). Quando o homem pensa de forma ética, ele não se pauta somente na pergunta sobre o “que é o bem” e o “que é o mal”, ele irá buscar respostas para questões que são pautadas em princípios e noções que tem como como ponto de partida a concepção do ser humano. Já no século XXI, questões éticas ainda são pautadas em uma ordem religiosa, colocando a vontade de Deus a ordem superior a natureza humana como justificativa de atos e ações, é necessário analisar as ações e a própria consciência quando a reflexão se remete a questões éticas, é possível argumentar sobre algumas questões como a hierarquia de valores, a felicidade, o prazer, o dever e a justiça entre outros. Ainda sobre a ética, é possível afirmar que existem conteúdos e questões a um nível determinado universalmente, válido para todos os tempos e lugares? Talvez caiba ao homem elencar primeiramente as necessidades humanas, depois suas prioridades dentro de um contexto social e humano e por fim colocar essa ética em prática a partir do momento em que esse conceito ético humaniza e não somente se faz por uma questão de valores exigidos pela sociedade. 2.1 Moral O conceito de moral pode ser definido como um conjunto de regras que determinam o comportamento dos seres humanos, individualmente ou em grupo social. A princípio, um sujeito moral é aquele que age e pensa de maneira a valorizar o bem contra o mal, é aquele que não transgrede as regras e as leis determinadas pela sociedade. Esse julgamento não está errado, mas busca uma ação e explicação mais concreta no qual o sujeito irá questionar o que é certo e errado, e como foi definido como sendo o certo a fazer ou errado a não fazer, pautando assim as ações humanas. Partindo do pressuposto de que a moral é um conjunto de normas, transcrições e va- lores que regulamentam o comportamento de um indivíduo em sociedade será ela que definirá quais são os limites que o homem estabelece para suas ações e intervenções na realidade no seu convívio social. O senso moral é aquele que leva o indivíduo a ter um parâmetro de referência em respeito a liberdade do outro, assim como a responsabilidade e a consciência de que isso significa não fazer ao outro o que não gostaria que fizesse assim mesmo. A integridade moral de uma pessoa a leva a defender o exercício pleno de sua liberdade e a liberdade de outros, baseando-se respeito ao meio da qual está inserido. Isso significa que uma ação moral está intrinsecamente ligada a manutenção do ambiente natural, os bens públicos, os deveres sociais, bem como a defesa dos direitos das pessoas instituídos pela norma jurídica resultando em uma convivência harmônica. 14UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Historicamente o homem já nasce em um mundo cultural e com sistema de significados pré-estabelecido no qual lhe é imposto regras de comportamento desde seus primeiros anos de vida. Assim é possível entender que vivemos em uma sociedade com uma moral pré-constituída onde podemos distinguir o que é moral e imoral. As normas morais podem variar de acordo com seu tempo o seu lugar e o seu espaço, assim como as formas de relacionamento e práticas que são determinadas culturalmente por uma sociedade. Pois bem, como demonstra a própria história da humanidade, a moral não somente se originada religião, mas também é anterior a ela. Durante milênios, o homem primitivo viveu sem religião, mas não sem certas normas consuetudinárias que regulamentavam as relações entre os indivíduos e a comunidade e, ainda que em forma embrionária, já tinham caráter moral (VÁZQUEZ, 2008, p. 91). O tempo e as relações humanas são responsáveis pelas modificações nas normas de comportamento. Se analisarmos a história, essas mudanças ocorreram de forma muito mais lenta desde a idade antiga até o século XIX. Já no século XX, esse processo teve uma mudança muito significativa pois o comportamento do homem passou a ser pautado em ações, pensamentos e significações nas quais as mudanças individuais e sociais passaram a ser relacionadas nas necessidades humanas que tiveram como foco a liberdade de ação, a expressão as mudanças culturais, influenciadas por movimentos artísticos, intelectuais e tecnológicos resultando em uma drástica mudança no comportamento e nos valores humanos. Sendo a moral um conjunto de regras que orientam o comportamento humano é necessário a compreensão de que uso da moral depende da aceitação das normas e da conscientização de cada indivíduo. Não se pode relacionar a liberdade a não aplicação de normas, ou ainda o cumprimento de deveres a um processo moral e ético, no qual se cumpre o dever moral que não acontece de forma espontânea e natural, mas sim como uma espécie de castigo, o homem aplica o uso da moral nãopor compreendê-la ou ainda concordar com ela, mas como uma forma obrigatória de cumprir a lei. O comportamento moral quando funciona de forma consciente age de maneira livre e responsável, em que a natureza humana coloca a obrigatoriedade da moral como um ato naturalmente espontâneo, e não como um fardo social. Ser moral está muito além de uma questão unicamente de imposição social, mas está entranhado na consciência do agir de forma ética, no uso da empatia, no respeito com o grupo social no qual está inserido, desta forma o compromisso moral flui de maneira natural e prazerosa. Retomando o período da filosofia grega clássica é possível compreender que os sofistas rejeitavam a tradição mítica pois entendiam que os princípios morais são fruto das convenções humanas. 15UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Já Sócrates se contrapõe aos sofistas pois entende que esses princípios não estão nas convenções, mas são frutos da natureza humana assim é possível identificar que a virtude basicamente se identifica com a sabedoria e o vício com a ignorância. Ainda para Sócrates os conceitos morais estavam estabelecidos na racionalidade, baseado em definições próprias elas estariam assumidas como valores morais universais. A partir da Idade Média cujo os valores religiosos estavam intrínsecos em grande parte da sociedade, os valores teocêntricos do mundo valorizaram o sentido de bem e de mal, assim como buscavam como perspectiva a visão de vida após a morte, considerando que a identidade moral estava relacionada ao homem temente a Deus. Na Idade Moderna os valores racionais tomaram o lugar das explicações religiosas, o homem crítico, pensante, assim como os ideais iluministas, reforçaram a necessidade de uma consciência moral e o mundo baseado na busca pela razão. Os direitos do homem, tais como em geral têm sido enunciados a partir do século 18, estipulam condições mínimas do exercício da moralidade. Por certo cada um não deixará de aferrar-se à sua moral; reconhecer a unilateralidade dê seu ponto de vista. E com isso está obedecendo a sua própria moral de uma maneira especialíssima, tomando os imperativos categóricos dela como um momento particular do exercício humano de julgar moralmente. Desse modo, a moral do bandido e a do ladrão tornam-se irrepreensíveis do ponto de vista da moralidade pública, pois violam o princípio da tolerância e atingem direitos humanos fundamentais (GIANOTTI, 1992, p. 245). Na contemporaneidade, o homem tem mudado seu foco. Suas relações sociais estão voltadas para uma sociedade em constante mudança, nas quais as relações sociais, econômicas e culturais priorizam relações humanas como uma forma de viver harmoniosamente em sociedade, a moral tradicional não perdeu o seu valor, mas se enfraqueceu em muitos sentidos, pois os homens passaram a ter um controle maior de seus sentimentos e ações visualizando seus próprios objetivos. 16UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 3. DISTINÇÃO ENTRE ÉTICA E MORAL E DILEMAS ÉTICOS Ao analisarmos a diferença entre o princípio ético e moral podemos entender que a moral tem um caráter prático, imediato, restrito, histórico e relativo. Já ética é uma reflexão filosófica sobre a moral, procura justificar a moral, o seu objeto e guia a sua ação de forma a priorizar a vida humana de forma racional. Embora a ética e moral sejam vistas de forma semelhantes isso não é verdade. A ação de contribuir para que o homem tenha um caráter íntegro, moral, busca colocar esse entendimento em um caráter prático imediatista, pois faz parte da vida cotidiana da sociedade e dos indivíduos por se tratar de um conjunto de regras e normas nas quais dizem o que devemos ou não fazer. A ideia da noção do imediato se faz pelo fato de usarmos o conceito moral continuamente. Ao contrário da ética, que se faz por uma reflexão filosófica tendo um caráter racional sobre a moral. O intuito da moral é fundamentá-la e justificá-la priorizando regras que são efetivamente importantes, entendidas como uma conduta aceitável, aplicável a todos os seres humanos, entendendo a ética como um caráter universal. O estudo da ética é aquele que guia a ação: os motivos as causas princípios e circunstâncias assim como analisa suas consequências. 17UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 3.1 Dilemas éticos Os dilemas éticos são situações nas quais o indivíduo se vê a frente de fazer escolhas nas quais há duas opções diferentes e ainda as mesmas não estejam de acordo com as normas sociais das quais o indivíduo pertence. Quando uma pessoa se depara com um dilema ético é necessário entender que nenhum valor social fornecerá a resposta exata para se tomar tal decisão. Na disciplina de filosofia, os dilemas éticos tem como objetivo despertar a reflexão filosófica discutindo sobre valores, ética, códigos de conduta entre outros assuntos pertinentes. Os dilemas éticos podem estar presentes na vida pessoal, na vida profissional, contemplando várias situações da vida cotidiana. Quando o dilema ético sai da esfera teórica e parte para esfera prática, é o momento no qual cada um irá de fato colocar seus princípios éticos, seus valores morais, como condição de suas escolhas como por exemplo na vida profissional, no momento em que é necessário escolher entre o sucesso e os valores, podemos hipoteticamente considerar a questão de um suborno no ambiente profissional, no momento em que ele ocorre a negativa em aceitá-lo pode significar um retrocesso quanto ao sucesso na esfera profissional. No entanto quando a conduta ética falta a vida de um profissional, o significado de sucesso passa a ser muito subjetivo e questionável, pois sonhos e ambições não devem perpassar a valores morais. São inúmeras as possibilidades de dilemas éticos, essa situação de conflito pode ser exemplificada em alguns exemplos, entre eles: ● Dilema hipotético: se refere a situações criadas nas quais o indivíduo reflete sobre um tema, sendo essas situações possíveis de ocorrerem na vida real muitas vezes presentes na rotina diária. ● Dilema real: são situações conflitantes nas quais o indivíduo se vem em uma posição de escolher, de tomada de decisão. Nem sempre o indivíduo é protagonista desta situação, mas a sua tomada de decisão faz parte do contexto na qual o dilema se encontra, um exemplo seria uma denúncia de abuso sexual de alguém próximo, você não é parte do problema, mas poderá refletir e ser parte da busca pela solução. ● Dilemas abertos: Esse tipo de reflexão pode ser usado em ambientes escolares, no qual os alunos terão informações referentes a um determinado conflito e assim discutir sobre qual o melhor caminho a ser tomado, objetivando assim a reflexão sobre os valores e a tomada de decisão mais coerente a situação exposta. 18UNIDADE I Introdução a Moral e Ética ● Dilemas fechados: neste estudo de caso, a situação exposta é apresentada assim como a decisão já tomada por seus protagonistas. Neste caso o objetivo é levar o aluno a discussão e reflexão quanto a tomada certa ou não de tais decisões. ● Dilemas completos: neste caso, a situação compartilhada já apresenta todos os resultados possíveis não cabendo nenhum tipo de tomada de decisões, terá como objetivo apenas a exposição ou o conhecimento do caso. ● Dilemas incompletos: neste caso, o objetivo é incentivar o debate, despertar a permanência dos valores éticos e morais e o uso da imaginação e criatividade na situação apresentada, assim o aluno terá uma reflexão e uma aprofundamento de conhecimento muito mais completo e preciso. 19UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 4. PLURALIDADE ÉTICA E FONTES DE REGRAS MORAIS A palavra pluralismo vem sendo discutida ao longo dos tempos por teóricos e filósofos. De acordo com Japiassu (2006, p. 219): A palavra pluralismo tem origem Latina que significa doutrina que afirma a existência de uma pluralidade ou multiplicidade de seres individuais e autônomos, e que considera o real comomúltiplo, irredutível a uma substância ou princípio único, o mesmo a dois princípios apenas como um dualismo. Pluralidade ética se faz através de uma diversidade de culturas no qual o indivíduo aprende a ter valores éticos e morais, sendo esses apresentados de diferentes formas, ela tem como base uma compreensão de um mundo diversificado o que causa diretamente uma multiplicidade de pensamentos e ações. Pluralismo se refere a uma multiplicidade de normas, teorias e fundamentos filosóficos pautado em ideias, costumes e hábitos relacionados a cultura, desta forma entendemos que seus princípios não sejam estáticos pois culturalmente os valores morais podem sofrer mudanças ou transições. A partir de um contexto histórico, a pluralidade ética está relacionada ao contato dos indivíduos com diversas culturas, nas quais se aprende valores éticos e morais de distintas maneiras. Neste sentido ele será capaz de compreender seu próprio contexto histórico, assim como a realidade ao seu redor. Ela servirá de base para compreensão de um mundo que possui diversas realidades, compreendendo que uma verdade é diferente da outra. 20UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Na antiguidade, possuíamos um mundo mais harmonioso, sem mudanças bruscas e drásticas, dessa forma, os valores não se diversificavam, era como se vivêssemos em uma verdade universal, no entanto, o mundo está em constante transformação e hoje vivemos uma em uma sociedade cada vez mais plural, cercada por novidades, maneiras diferentes de agir, de pensar. Não temos mais um único mundo, uma única verdade, um único poder. O mundo está em constante movimento, globalizado, diversificado em sua cultura, seu modo de ser, de viver, na diversidade de religiões, entre outras mudanças. Primeiramente, a sociedade se divide em esfera pública e privada. A ética privada estará relacionada a ética comportamental, na sexualidade, nas relações familiares entre outras questões. A pluralidade ética, quando permeia os princípios privados podem ser compreendidos como por exemplo na ética voltada a sexualidade, ela irá contemplar questões como a valorização humana dos parceiros, o respeito, a convivência em comunhão entre parceiros, etc. Na esfera pública se dará as questões governamentais, das relações públicas, da ecologia, dos partidos, relações políticas internacionais entre outras. No conceito público os valores são diferentes assim como seus critérios de julgamento. A ética na política tende a aplicar uma ética de princípios, de estratégias, eficácia e responsabilidade. Esse princípio pressiona e organiza a política a partir de um projeto que perpassa partidos e governos, e sua responsabilidade abrange um conceito muito maior do que as forças partidárias, ele está presente diretamente nas políticas públicas, combinando diretamente com a ética dos princípios, das estratégias e eficácia, é uma ética que tem um compromisso com a responsabilidade pública. Podemos dizer que a pluralidade ética está relacionada com a cultura. A palavra cultura vem do verbo latino que significa cultivar, criar. Segundo Japiassu (2006, p. 63), "no sentido filosófico a cultura pode ser considerada como um feixe de representações de símbolos, de imaginário, de atitudes e referências suscetíveis de irrigar de modo bastante desigual, mas globalmente o corpo social". Para a autora Marilena Chauí natureza e cultura não se opõe, pois, os humanos são considerados seres naturais embora diferentes de animais e plantas. Todavia, sua natureza pode se apresentar de forma agressiva destrutiva por isso não deve ser deixada em liberdade, necessita ser educada cultivada de acordo com a sociedade na qual está inserido pois a cultura se forma pelos ideais de uma sociedade. No senso comum, ela define uma sociedade a partir de costumes mais refinados ou não, muitas vezes gerando conceitos como: aquele indivíduo não tem Cultura. A cultura está relacionada a diferentes situações nas quais o homem tem a capacidade de criar soluções para elas. 21UNIDADE I Introdução a Moral e Ética Analisando até a contemporaneidade presente e relacionando uma sociedade atual voltada as tecnologias criadas pelo próprio homem são possíveis pensar que ela vem transformando o modo de vida e a cultura de um local ou sociedade? As tecnologias tendem a mudar pessoas e valores, assim o homem também apresentará mudanças que ocorrem de forma móvel e fragmentada. É comum compreender esse processo de modernização e tecnologia como um processo sem fim. Essa modernidade de fato colabora na formação de um novo sujeito. Culturalmente esse indivíduo também poderá transformar o seu meio, seus hábitos, seus costumes criando uma transformação social, afinal em um período pós-moderno as mudanças econômicas, sociais e tecnológicas geraram uma grande instabilidade. A cultura de consumo que geram a ideia de um prazer instantâneo que não exigem muitos esforços são atrativos e imediatos. Esses atrativos de fato mudaram valores e conceitos em uma sociedade contemporânea. Os indivíduos se familiarizaram e se sentem confortáveis nessa nova realidade, entendendo ser alvo de um retrocesso na atual realidade tecnológica. É possível analisar este novo tempo de forma positiva ou negativa? É de conhecimento global que muitas inovações tecnológicas afetaram diretamente as relações humanas, como por exemplo: relações familiares, convívio social entre seus pares, entre outras ações, o que diretamente transformou conceitos morais estabelecidos por convenções de tradicional. Mas ao mesmo tempo é impossível não reconhecer os benefícios tecnológicos para a sociedade contemporânea. Eles proporcionaram qualidade para educação, facilidade de acesso a pesquisas, ao conhecimento. Facilitou as relações sociais no sentido da comunicação, da aproximação, da facilidade na troca de ideias, reflexões, assim como aproximou o conhecimento técnico e científico da sociedade, tornando este conhecimento possível e ao alcance de todos indiscriminadamente. Este pensamento está relacionado ao mundo globalizado, no entanto socialmente analisando é de conhecimento que as desigualdades sociais muitas vezes afastam este mundo tecnológico de milhares de cidadãos no Brasil e no mundo. 4.1 Fontes de regras éticas Os seres humanos desde seu nascimento pautam suas vidas através da educação recebida por seus pais, pela igreja, pela escola, pela sociedade na valorização das normas éticas e morais. Essas regras são importantes pois elas irão refletir na formação do ser humano, estão ligados ao desenvolvimento moral, social, ambiental e dentro de uma sociedade pautada em valores, é extremamente importante que os indivíduos saibam conduzir essas regras em sua vida pois nem sempre haverá uma regra específica para cada problema encontrado. 22UNIDADE I Introdução a Moral e Ética A natureza humana verdadeira: implica em apresentar o homem puro, verdadeiro que traria em si todas as virtudes de um caráter íntegro e correto todas as suas ações seriam ações éticas. A forma ideal universal e comum do comportamento humano: esta apresenta um caráter de verso ou ainda oposto aquilo que é apresentado quanto a ética universal uma espécie de segunda fonte das regras éticas. Busca refletida dos princípios do comportamento humano: sua explicação está relacionada à procura racional das razões da conduta humana buscando explicar o comportamento ético o que se define na busca de uma reflexão social. Legislação de cada país, de foros internacionais, ou mesmo o código de ética profissional de cada corpo social organizado: se refere a legislação de cada país assim como código de ética de empresas organizações ou meios profissionais Costumes: se refere a parte irracional, mas apela ao uso da razão. Ela entende que a moral não se restringe ao sentido lógico, mas também faz parte das paixões dos costumes e cultura. SAIBA MAIS Na atualidade, as FakeNews tomam conta das mídias sociais, televisão, revista, etc. No passado, essa prática já era comum, podemos citar por exemplo o plano Cohen que foi elaborado por Getúlio Vargas na década de 30 com o intuito de desestabilizar a ordem e assim chegar à tomada de poder. Essa tendência tem se espalhado nas redes sociais evidenciando o descompromisso com os valores éticos e morais. No vídeo abaixo, o professor e filósofo Mario Sérgio Cortella fala sobre o assunto de forma clara e pontual. Para saber mais acesse: https://www.youtube.com/watch?v=Vhxs7dfPsAw. Fonte: Fundação Dom Cabral. Site: https://www.fdc.org.br/sobreafdc/professores/cortella https://www.youtube.com/watch?v=Vhxs7dfPsAw https://www.fdc.org.br/sobreafdc/professores/cortella 23UNIDADE I Introdução a Moral e Ética REFLITA Especialmente os chamados homens de bem foram os que pareceram as moscas mais venenosas. Picam com toda inocência, mente com toda inocência. Como poderiam ser capazes de me fazer justiça? A citação acima é da obra “Assim falava Zaratustra” de Frederich Nietsche, nela o filosofo faz uma reflexão, sobre ética e justiça. Nesta obra Nietsche refletiu sobre a existência humana, o bem e o mal. Fonte: NIETZSCHE, F. Assim falava Zaratustra. Editora Lafonte. São Paulo, 2012. 24UNIDADE I Introdução a Moral e Ética CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho sobre o estudo filosófico da moral e ética, teve como objetivo desenvolver uma pesquisa que permita ao estudante uma reflexão sobre conceitos e valores, que possibilitem uma compreensão mais ampla na sua jornada de estudos trazendo uma compreensão teórica sobre o tema, e ainda desenvolver nas suas práticas educacionais uma discussão filosófica que lhe proporcione, reflexão e aprendizagem. Diante do presente trabalho, foi possível identificar que o estudo da filosofia contempla aspectos amplos que buscam uma compreensão racional quanto a existência do homem em sociedade e suas relações cotidianas nos grupos nos quais pertence. É possível concluir que as questões éticas e morais estão em todas as atividades do nosso cotidiano. Sua reflexão filosófica, a busca pelo conhecimento racional valorizando a cultura, a educação, a tradição e o comportamento humano de uma sociedade, nos faz compreender que o sentido ético é responsável pelas ações de um indivíduo em um grupo social. Sua resposta enquanto ser social está diretamente ligada aos direitos do homem e o julgamento que o mesmo irá fazer quanto à compreensão dos valores éticos e morais e a aplicação em sua vida. 25UNIDADE I Introdução a Moral e Ética LEITURA COMPLEMENTAR O lobo e o cordeiro La Fontaine A razão do mais forte vai sempre vencer é o que adiante vocês hão de ver. Num límpido regato um dia um cordeiro, sereno, bebia. Eis que surge um lobo faminto: — Como ousas sujar minha água? Diz o lobo com fingida mágoa: — Logo vais receber o castigo por assim desafiar o perigo. — Senhor — o cordeiro responde —, não te zangues: não vês que me encontro vinte passos abaixo de ti, e, portanto, seria impossível macular tua água daqui? — Tu a sujas — diz o bicho feroz. — Além disso estou informado que falaste de mim ano passado. — Como poderia te ter ofendido se não era nascido então, e o leite materno inda bebo? — Ora, ora, se não foste tu, com certeza foi teu irmão. — Não o tenho. — Então foi algum dos teus: pois que nunca me deixam em paz. Tu, teus pastores e cães; necessária a vingança se faz. E no fundo da floresta com toda tranquilidade O lobo devora o cordeiro sem outra formalidade. MORAL DA HISTÓRIA: Esta fabula, mostra o oprimido indefeso diante do opressor, que persegue inocentes com falsos pretextos, mas que a realidade se justifica quando sem motivo real, o lobo abate o cordeiro. Fonte: Fábula o Lobo e o Cordeiro. Disponível em: https://sites.google.com/site/ fabulasfabulosascommoral/livro-primeiro/o-lobo-e-o-cordeiro. Acesso em: 30 set. 2021. https://sites.google.com/site/fabulasfabulosascommoral/livro-primeiro/o-lobo-e-o-cordeiro https://sites.google.com/site/fabulasfabulosascommoral/livro-primeiro/o-lobo-e-o-cordeiro 26UNIDADE I Introdução a Moral e Ética MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Ética a Nicômaco Autor: Aristóteles. Editora: Editora Atlas. Sinopse: Esta é a principal obra de Aristóteles sobre a ética. Sua proposta neste livro foi examinar e argumentar sobre a felicidade, virtudes morais, justiça, coragem, sabedoria entre outros temas que são questões propostas quanto a ética. FILME/VÍDEO Título: O Advogado do Diabo Ano: 1997. Sinopse: Kevin Lomax (Keanu Reeves), advogado de uma pequena cidade da Flórida que nunca perdeu um caso, contratado John Milton (Al Pacino), dono da maior firma de advocacia de Nova York. Kevin recebe um salário e várias mordomias. No início, tudo parece correr bem, mas logo Mary Ann (Charlize Theron), a esposa do advogado, sente saudades de sua antiga casa e começa a testemunhar aparições demoníacas. No entanto o personagem está totalmente envolvido em seu trabalho, nas oportunidades financeiras e de visibilidade profissional. As questões éticas surgem quando Kevin deixa de priorizar sua família, seus valores, e passa a fazer qualquer ação que o leve aos seus objetivos. 27 Plano de Estudo: ● Introdução ao estudo sobre a relação dos conceitos éticos e violência; ● Ética na filosofia antiga; ● Ética socrática; ● A tripartição da alma para Platão e o viver mal por ignorância; ● A Ética Aristotélica. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar a relação entre os conceitos éticos e processo do desenvolvimento da violência, que resulta na violência social contemporânea; ● Compreender o que representou a Ética Socrática para a filosofia grega no período clássico e sua influência para sociedade do período moderno e contemporâneo; ● Estabelecer a importância dos estudos desenvolvidos por Platão, suas teorias, compreendendo a relação entre o corpo e alma de acordo com Platão; ● Conhecer a Ética Aristotélica e os conceitos desenvolvidos por Aristóteles. UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica Professora Esp. Alessandra Domingues Gomes 28UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 28UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica INTRODUÇÃO Seja muito bem-vindo (a)! Prezado (a) educando (a), é com muito prazer que daremos continuidade aos nossos estudos sobre a filosofia e suas mais diversas vertentes. Nossos estudos se iniciarão através dos conceitos sobre a ética na filosofia grega clássica, perpassando os conceitos filosóficos de Sócrates, Platão e Aristóteles. Ainda nesse sentido será abordada a ideia de violência e virtude de acordo com os conceitos filosóficos dos autores. Nossa abordagem filosófica continua ao refletirmos sobre a ética na filosofia antiga, priorizando as perspectivas dos filósofos gregos e seu legado quanto a importância da reflexão para a formação humana e social do indivíduo. Dando continuidade à nossa reflexão filosófica e nossos estudos teremos uma leitura sobre a visão socrática da ética, suas ideias, conceitos e sua contribuição para o estudo da ética nos vários períodos históricos. Assim continuaremos nossos estudos abordando a visão filosófica de Platão, filósofo presente no período clássico que faz uma inteligente e profunda reflexão quanto a relação entre o corpo e a alma e ainda a tripartição da alma. E por último, estaremos concluindo os estudos deste capítulo abordando sobre a Ética Aristotélica e seus aprofundamentos filosóficos conceituando seu legado junto ao conhecimento de mundo. Espero que tenham um momento de estudo satisfatório e que essa leitura possa colaborar no aprofundamento de seus estudos relacionando a importância da filosofia e seus conceitos éticos para a sociedade em seus mais diversos períodos. Muito obrigada e bom estudo! 29UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 29UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica 1. INTRODUÇÃO AO ESTUDO SOBRE A RELAÇÃO DOS CONCEITOSÉTICOS E VIOLÊNCIA Ao analisarmos os conceitos éticos desde a antiguidade até os dias atuais, é fácil perceber que no centro do conceito ético está violência. O sentido da violência pode ser muito amplo pois perpassa a violência física que está nas ruas, nas escolas, nas áreas de trabalho, lazer e entre as famílias. A violência moral e psicológica causa danos tão irreparáveis quanto as marcas físicas. Ao longo dos tempos, os esforços para controlar, evitar, diminuir seu fluxo tem sido intenso, mas tal ação não tem impactado em mudanças realmente consistentes. Cria-se leis, punições severas, mas os atalhos que a justiça proporciona aumenta a sensação de impunidade. O princípio da violência é fundamentado como exercício da força física e da coação psíquica, obrigando a alguém a fazer algo contrário a sim, a seus interesses e desejos, contrário ao seu corpo e consciência. 30UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 30UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica 1.1 Ética e violência A violência é uma forma abrupta e desorientada de obrigar outro a realizar algo contra a pessoa a agir contra sua vontade, sendo que os tipos de violência podem ser inúmeros como veremos abaixo: a) Violência física: Resulta da força física para saltar, ferir, matar, constranger, a realizar atos contra a própria vontade. b) Violência passiva: Também denominada como omissão. Está presente quando o indivíduo deixa de tornar as ações necessárias para salvar a vida ou evitar o sofrimento de outros. c) Violência indireta: É quando o ato em si não é violento, mas pode desencadear um efeito posterior violento, por exemplo: a destruição da camada de ozônio que pode causar câncer de pele. d) Violência simbólica: É uma das expressões de violência mais comuns e resulta na natureza psicológica que atua sobre a consciência. A violência existe quando as informações são manipuladas ideologicamente de uma maneira a levar aceitação sem críticas. e) Violência branca: É o tipo de violência que não apresenta tortura ou violência física. Muitas vezes não é possível conhecer seu agente causador, esta ação de violência não é prevista no código penal, o que muitas vezes não a caracteriza como violência. Um exemplo: a pobreza extrema muitas vezes atribuída a ordem natural, no entanto pode ser interpretado como descaso dos governantes, falta de planejamento econômico. Outro exemplo são crianças fora da escola privadas da educação. Estabelecer juízo de valores pode gerar uma série de avaliações sobre o mundo através das mais diversas situações. Assim, o juízo de valor, pode ser um caminho para constituição de avaliações sobre as coisas, pessoas e situações. Assim o juízo ético deve avaliar intenções e ações sendo o critério do certo e errado, onde ocorre a possibilidade de vivenciar culturas e sociedades diferentes também irão definir a violência de maneira particular. A violência está diretamente ligada com a falta de ética de um indivíduo, que não se utiliza de valores éticos que não segue padrões morais ou compreende seus valores. Na atualidade, as leis estão sendo desenvolvidas com a necessidade de priorizar valores éticos para sua formação, no entanto, na prática a violência e o distanciamento da ética estão cada vez mais presentes. A ética se encontra no nosso cotidiano através das redes sociais, jornais, revistas e, televisão entre outros meios de comunicação. 31UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 31UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica 1.2 Violência contra a mulher A Assembleia Geral das Nações Unidas de 1993 define como sendo violência contra mulher quando qualquer ato de violência de gênero que resulte ou possa resultar em danos físicos, sexual, psicológico ou de sofrimento para mulher, como por exemplo ameaça, coerção ou privação da liberdade em público ou na vida privada. A violência física é caracterizada quando alguém causa ou tenta causar dor por meio de força física de alguém como por exemplo arma ou instrumentos que possam causar lesões internas, externas ou ambas. A tendência atual de pesquisas mostra que a violência contra as mulheres é formada por diferentes fatores pessoais, situacionais e socioculturais, que se relacionados podem provocar abuso. Diversos são os fatores que apresentam relação com a violência entre eles destacamos as características pessoais do agressor como: ser homem, ter presenciado violência física na infância, ter sofrido abuso, pai ausente, consumo de bebidas e drogas. Quanto aos fatores físicos da relação se apresentam os conflitos conjugais e a relação de poder em que o controle masculino na relação se faz presente como no caso do controle financeiro, a tomada de decisões, entre outros. Um terceiro fator está relacionado com a comunidade, apresentando características como: pobreza, desemprego associação com a delinquência, isolamento de familiares e outras mulheres. O último se apresenta com os fatores da sociedade que tem como características normas sociais que concedem ao homem o controle sobre o comportamento feminino, associação da violência, solução de conflitos, conceito de masculinidade ligado a honra ou agressão papéis rígidos de ambos os sexos. A tendência atual quanto as pesquisas relacionadas a violência contra mulher mostram que ela ocorre devido a interação de diversos fatores pessoais e situacionais e socioculturais, levando ao abuso nos quais estão divididos em quatro categorias sendo eles: ● Fatores pessoais do agressor: ser homem, ter presenciado violência conjugal quando criança, ter sofrido abuso quando criança, pai ausente, consumo de bebidas alcoólicas ou drogas; ● Fatores de risco: conflito conjugal, controle masculino nas finanças e na tomada de decisões da família; ● Fatores da comunidade: pobreza, desemprego, associação a delinquência, isolamento das mulheres e famílias; ● Fatores da sociedade: normas socioculturais que concedam ao homem o controle sobre o comportamento feminino, aceitação da violência como forma de resolução de conflitos, conceito de masculinidade ligado a dominação honra ou agressão, papéis rígidos para ambos os sexos. 32UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 32UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica Outro fato importante em relação à violência contra mulher é porque muitas não reagem aos seus agressores entre: medo de represália, perda do suporte financeiro, preocupação com os filhos, dependência emocional, perda do suporte familiar e dos amigos, esperança na mudança de comportamento do homem. A legislação em defesa a agressão contra mulheres: no Brasil foi sancionada a Lei de 7 de agosto de 2006, a Lei 11.340 que ficou conhecida como “Lei Maria da Penha”, por Maria da Penha ser uma mulher nordestina que lutou durante anos para criação de uma legislação menos conivente com os agressores das mulheres. Esta lei cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra as mulheres. A Lei Maria da Penha (nº11340/2006) traz artigos de extrema importância nos quais podemos cita: Art. 2° - Toda mulher, independente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social. Art. 3° - Serão asseguradas as mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos a vida, a segurança, à saúde, alimentação, à educação, a cultura, a moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, a cidadania, a liberdade, a dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Art. 5° - Para os efeitos desta lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, e dano moral ou patrimonial. 1.3 Violência contra criançase adolescentes A criança até o século XIX, era vista como ser adulto, que poderia trabalhar e realizar todas as tarefas que um adulto desempenha assim como ser punida por seus atos caso infringisse alguma conduta moral. A violência física é a mais frequente forma de violência contra criança, a razão e que as crianças são indefesas e estão em desenvolvimento, o caráter disciplinador da conduta exercida por seus responsáveis ultrapassa o sentido de educar, variando de uma simples palmada ao espancamento e homicídios. Existem muitas divergências contra o método correto no processo educacional entre pais e filhos, no entanto, é percebido que na atualidade a tendência é desconsiderar qualquer forma de correção física mesmo que seja uma simples palmada, que em alguns países a mesma já é proibida por lei. As famílias menos favorecidas normalmente têm acesso facilitado aos serviços sociais, pois vivem em constantes e variadas intervenções nas suas vidas privadas devido às suas condições sociais, econômicas, por isso costumam ser mais notificadas quanto aos casos de violência e agressão. Já as famílias com maior poder aquisitivo costumam ser menos notificadas, pois ao procurarem serviços como o caso de médicos, psicólogos, tendem a solicitar uma maior discrição sobre o caso. 33UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 33UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica Os motivos que mais desencadeiam a violência são: consumo de drogas por parte do agressor, comportamento rebelde da criança e distúrbios comportamentais da criança. As agressões físicas são muito comuns em crianças e adolescentes, tendo como origem uma cultura que justifica que reforça a punição corporal como medida educativa, a negligência ao que tudo indica está associada a situações de pobreza e maus-tratos. No entanto, isso não significa uma regra pois na atualidade é muito comum encontrarmos famílias economicamente estáveis que promovem a violência contra crianças e adolescentes por diversos motivos, sendo que seu agressor geralmente usa como justificativa a desobediência, a rebeldia, o que normalmente é comprovado que as motivações são totalmente inexpressivas, que não refletem uma justificativa moral para tal violência e mesmo assim vale ressaltar que o responsável por uma criança ou adolescente deve promover a proteção e não há agressão. Em 1924, a união internacional do fundo para salvação de crianças estabeleceu, através da declaração de Genebra, a primeira tentativa de codificar os direitos elementares das crianças, sendo posteriormente ratificada pela liga das nações. Em 1948, a declaração universal dos direitos humanos das nações unidas reafirma o direito a cuidados e assistência especiais ao a essa parcela da sociedade. Em 1959 foi realizada a assembleia geral da ONU nas quais foram aprovadas leis em defesa dos direitos da criança, presente na constituição da declaração dos direitos da criança. Na Constituição Brasileira promulgada em 1988 foram estabelecidas leis de extrema importância nas quais preserva o direito da criança e do adolescente em relação à vida e a saúde: Art. 227 - É dever da família da sociedade e do Estado assegurar a criança e ao adolescente, com absoluta prioridade o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, a profissionalização, a cultura, a dignidade, ao respeito, a liberdade e a convivência familiar e comunitária além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Já 1990 foi sancionada a lei 8069, nas quais contemplam crianças e adolescentes, nas quais destacamos os seguintes artigos: Art. 3° - A criança e ao adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes a pessoa humana sem prejuízo da proteção integral de que se trata esta lei Art. 5° - nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência discriminação exploração violência crueldade e opressão punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. 34UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 34UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica 1.4 Violência contra idosos É considerado idoso toda pessoa com 60 anos de idade ou mais conforme estipulado pela lei 3561/1977. Entende-se como violência toda situação de vulnerabilidade física e ou mental, muitas vezes no caso dos idosos se apresentam através de estupro, maus cuidados de higiene, má nutrição, vestuário inadequado, escaras, impactação fecal, entre outros. É comum encontrarmos o abandono de idosos pois os mesmos necessitam de cuidados e atenção especial devido a sua fragilidade, doenças, limitações físicas, mentais, o que acaba acarretando aos seus responsáveis uma atenção especial. Nestes casos, é muito comum encontrarmos situações de abandono, e ainda condições de maus-tratos físicos, levando a vítima a desenvolver lesões e traumas. Outra questão é a violência psicológica na qual danos irreparáveis são causados, na maioria dos casos proveniente daqueles que deveriam garantir a segurança a saúde e o bem-estar do idoso, além do amor e da afetividade. As motivações que podem acarretar esta violência são inúmeras, entre elas o abuso de álcool e drogas por parte de quem cuida do idoso, histórico de violência familiar, a dependência financeira do idoso, é comum o responsável depende financeiramente do idoso levando a condições de violência também, o fato do idoso sofrer de depressão ou algum distúrbio mental ou psíquico que necessita de cuidados ainda mais específicos. A legislação contra violência e agressão a idosos é expressa através da Lei 8842/94 e 10741/3 que institui o estatuto do idoso. A Lei 8842/94 que regulamenta o Conselho Nacional do Idoso determina: a família, a sociedade e o estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania garantindo sua participação na comunidade defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida; O processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo ser objeto de conhecimento e informação para: o idoso não deve sofrer discriminação de qualquer natureza; o idoso deve ser o principal agente e destinatário das transformações a serem efetivados através desta política. Na Lei 10741/03 é possível destacar os seguintes artigos: Art. 3°- É obrigação da família da comunidade da sociedade e do poder público assegurar ao idoso com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, a saúde, alimentação, a educação, a cultura, ao esporte ao lazer ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar. Art. 4°- Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência discriminação violência, crueldade ou opressão e todo atentado aos seus direitos por ação ou omissão será punido na forma da lei (BRASIL, 2003, online). 35UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 35UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica Quando abordamos o tema violência na atualidade, nos deparamos com situações que afetam muitas pessoas ou grupos que se encontram em situação de vulnerabilidade, além de crianças, idosos, mulheres, a violência se estende a homossexuais, transexuais, a violência urbana, xenofobia, racismo, que geram discussões intermináveis, casos de abandono, de negligencia, de situações de risco que se fazem presentes cada vez mais na vida das pessoas, despertando tantos questionamentos relacionados aos deveres e obrigações, associados as políticas públicas e ao descaso quanto aos menos favorecidos. 36UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 36UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica 2. ÉTICA NA FILOSOFIA ANTIGA Ao estudarmos a Ética na filosofia antiga, observamos que ela está diretamente ligada com os princípios da moral e da ética. É comum ao homem em sua natureza pensar o bem e a felicidade relacionando-as com uma conduta regada a virtudes. A virtude é uma força expressa no caráter de cada indivíduo que consiste em promovero bem sendo guiado por valores racionais. Quando a conduta ética está relacionada a aquilo que deverá ser realizado pelo homem, o que é correto, o que é eticamente aceitável. Quando pensamos na filosofia na antiguidade, entendemos que a mesma tem uma relação muito direta com as virtudes éticas, políticas, sociais, ou seja, entre a conduta de um indivíduo e os valores tradicionais da sociedade Os filósofos antigos consideravam que a ética se posiciona entre nossas vontades e desejos e a nossa razão. A natureza humana é passional e o papel da ética é educar nosso caráter para seguirmos os preceitos da razão. Quando a vontade humana é abordada é de entendimento racional que a mesma deverá ser controlada a fim de dominar as paixões. Quando um ser passional se deixar levar pelos apetites e desejos, torna-se escravo deles, passa a desconhecer a moderação, o sentido da razão e o controle emocional. Portanto, a ética entendida como uma forma de educar o caráter de dominar impulsos e desejos a fim de orientar a sua vontade para o bem e a felicidade, assim a relação entre a virtude do sujeito e seus valores coletivos terá como produto um indivíduo virtuoso. 37UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 37UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica Na Grécia antiga durante o século V a. C, ocorria uma intensa reflexão a respeito das regras éticas e o convívio em sociedade, os gregos buscavam entender o comportamento humano no qual tinha como objetivo o estudo de uma forma de alcançar a felicidade e a plenitude. A ética estava diretamente relacionada à política e administração da polis campo, este direcionado aos homens, na vida privada se fazia presente a desigualdade, a falta de liberdade, num contexto no qual mulheres e escravos estavam destinados a submissão do homem, sendo assim a mulher era destinada a procriação e o escravo ao trabalho. O ser político, o viver numa Pólis, significa que tudo era decidido mediante palavras e persuasão, e não através de força e violência. Para os gregos forçar alguém mediante violência, ordenar ao invés de persuadir, eram modos pré-políticos de lidar com as pessoas, típicos da vida fora da pólis característicos do lar e da vida em família, na qual o chefe da casa intervia com poderes incontestes e despóticos. (ARENDT, 2007, p. 35-36) 38UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 38UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica 3. ÉTICA SOCRÁTICA Sócrates (470 a.C - 399 a C) marcou a filosofia, não por ser um dos primeiros filósofos, mas por seu legado, por sua constante busca pelo conhecimento, suas reflexões para encontrar o caminho da verdade. Sócrates questionava o que era a verdade? o que é o bem? O que é justiça? E assim se tornou um Marco da filosofia ocidental. Para Sócrates a reflexão era o ponto de partida, pois somente a partir do momento em que os questionamentos e as reflexões passavam a fazer parte da busca pelo conhecimento do homem seria possível chegar à verdade universais, das quais validaria uma verdade única para humanidade em qualquer tempo ou espaço. Para Sócrates, o homem deveria ter ciência da sua própria ignorância e a partir de então buscar o verdadeiro conhecimento, Sócrates percebeu que a sabedoria vinha principalmente da consciência de que o homem não é detentor de todo saber, e a partir daí surgiu a célebre frase tão conhecida por toda a humanidade: só sei que nada sei. Urge ter em mente que saber significa, para Kant, ciências, mais exatamente, ciências empíricas, porque ele limita a ciência a experiências e, neste espaço, a metafísica não é possível como ciência empírica, ou seja, as ideias de Deus, imortalidade e liberdade não podem ser conhecidas, segundo a estrutura do conhecimento científico ponto podem apenas ser pensadas, porque o conhecer não constitui toda a possibilidade. Não constitui toda a realidade do ser humano (NODARI, 2010, p. 130). 39UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 39UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica Em sua busca pela verdade pelo conhecimento, Sócrates chegou na fase chamada de maiêutica, para ele essa técnica tem como princípio trazer a luz, conceber a vida, chegar ao conhecimento. Sócrates defende que a verdade está no próprio homem, no entanto a dificuldade de encontrar essa verdade se faz pelo fato de que o homem vive envolto em falsas ideias, que atrapalha o desenvolvimento racional do homem. Sócrates não deixou nenhum escrito, tudo que sabemos sobre ele se faz através de Platão seu fiel discípulo. Os problemas éticos tiveram início desde a antiguidade. Na Grécia antiga muitos eram os questionamentos, as indagações quanto aos princípios éticos. Foi através de Sócrates conhecido como o pai da moral que a ética passou a ser mais sistematizada. Para ele não existiam normas e verdades universalmente válidas, pois a ética era vista de forma relativista ou subjetiva. No entanto, Sócrates defendeu a ideia de um saber universalmente válido advindo da essência humana que pode levar a uma moral universal. Esta essência humana está ligada a alma racional do homem, o homem de fato se sustenta pela razão e desta forma fundamenta as normas morais, com isso presume-se que a ética socrática é racionalista, ou seja, o indivíduo que age conforme a razão age corretamente. De acordo com os textos de Platão e Aristóteles, Sócrates andava pelas praças questionando as pessoas o que eram os valores pelos quais as orientavam ao agir. Gerando uma reflexão quanto ao pensamento racionalista de Sócrates sobre à formação dos valores éticos. O objetivo de Sócrates ao buscar resposta junto aos atenienses era levá-los a indagar não apenas quanto ao sentido dos costumes estabelecidos, ou seja, os valores éticos ou Morais da coletividade, mas também entender o caráter pessoal, e o que leva os seres humanos a respeitar ou não os valores coletivos. Sócrates questionava sobre a virtude e o bem. Buscava entender o que a sociedade considerava virtuoso e bom, assim como compreender se tem efetivamente consciência de suas ações, se essas ações de fato correspondem a um caráter virtuoso ou simplesmente fazem parte de uma conduta moral que deve ser seguida a fim de ter um reconhecimento em sociedade, como alguém eticamente correto. Em toda sociedade há uma moral constituída em momentos, lugares e tempos diferentes por isso, pode-se dizer que, no que se refere ao pensamento filosófico, a uma moral na sociedade antiga, uma moral medieval, uma moral moderna e uma moral contemporânea (SILVA, 2017, p. 94). 40UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 40UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica As questões socráticas entendem a ética como uma parte da filosofia que irá definir valores e obrigações. Para Sócrates, é um sujeito moral ou ético aquele que tem consciência de seus atos, quem estabelece suas ações de acordo com suas intenções e atitudes, que busca agir de maneira virtuosa, não como um processo de aceitação ou reconhecimento, mas como uma necessidade de agir de forma humanamente correta. As reflexões acerca do pensamento de Sócrates são encontradas nos escritos de vários pesquisadores. Conhecendo sobre Sócrates através das obras de Platão, é comum encontrarmos questionamentos como o que é considerado como coragem, justiça, amizade, amor. Desta forma analisar sobre os conceitos morais e éticos que sempre foram discutidos por Sócrates levam o interlocutor a refletir sobre essas questões. Sócrates passou sua vida buscando respostas para questões consideradas como virtuosas, além disso para Sócrates conhecer as causas e os fins de uma ação estabelece quais são os valores. A sabedoria humana de que Sócrates se diz mestre consiste na busca de justificação filosófica (isto é, de um fundamento) da vida moral. Este fundamento consiste na própria natureza ou essência do homem. À diferença dos Sofistas, Sócrates chega a estas conclusões: o homem é a sua alma. E por alma ele entendia a consciência, a personalidadeintelectual e moral (REALE e ANTISERI, 2007, p. 91). A ética socrática tem como objetivo chegar à felicidade que seria o objetivo do homem. Com isso há a necessidade de o homem conhecer-se, pois sem isso o homem não saberia o que significa o agir ético. De acordo com Sócrates, não basta o conceito ético individual, para que este conceito funcione de forma objetiva, é necessário vislumbrar a ética do coletivo. Assim, de acordo com Sócrates seria necessário obedecer às leis, que seria o limite entre o ser civilizado e a barbárie humana. Diante da busca incansável de Sócrates em elevar a educação como objetivo do homem, e ainda primando pela coletividade e o direito à educação para todos, e ainda seu entendimento que o bem comum, as leis devem ser colocadas acima dos interesses individuais levou Sócrates a julgamentos e condenações extremas. As ideias revolucionárias de Sócrates para o seu tempo resultaram em uma acusação de corrupção a juventude e do culto a outros deuses. Como punição foi condenado pelo tribunal de Atenas a beber cicuta, motivo esse que causou a sua morte. Assim, buscando conhecer um pouco mais sobre as reflexões de Sócrates, compreendemos que em sua ética defendeu a educação como necessária e uma forma do homem conhecer a si mesmo, entendeu a necessidade de priorizar o bem coletivo acima do individual, para ele o conhecimento era uma virtude, respeitar as leis é uma forma de garantir a ordem em sociedade. 41UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 41UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica 4. A TRIPARTIÇÃO DA ALMA PARA PLATÃO E O VIVER MAL POR IGNORÂNCIA Platão (428 a.C.-347 a.C.) foi filosofo grego, discípulo de Sócrates, foi um dos mais importantes filósofos do seu tempo. Assim como Sócrates, Platão acreditava que o homem deve ser um ser virtuoso, valorizando a verdade como para uma vida ética. Não era somente a política que lhe causava interesse, o mesmo aconteceu pela filosofia. No auge de sua mocidade, Platão encontra Sócrates, o questionador insaciável. Afirmações de Sócrates na qual dizia que nada sabia, e por isso perguntava incansavelmente, tinha como objetivo conhecer a si mesmo, elevar o autoconhecimento a outras pessoas. Daí nascia a necessidade de longos diálogos a busca pelo entendimento da consciência humana, a valorização da razão e a destruição por ideias frases e enganosas. Após a morte de Sócrates, Platão peregrinou por 12 anos, retornando Atenas em 387 a.C, já com 40 anos. Retomando suas teorias, Platão voltou a discutir sobre o sentido da ideia, que para ele seria muito mais do que um conhecimento verdadeiro, mas sim representa a realidade, a verdade, absoluta e eterna. Platão pertencia a uma família tradicional e aristocrata, era descendente do grande legislador Sólon. Desse modo, conhecia bem a política ateniense e a partir disso passou as interessar por ela assim como suas pretensões em participar. Ainda de acordo com Paviane: É óbvio que todos esses temas, além de suas especificidades estão relacionados com os conceitos de bem, justiça, sabedoria e outros. Para o dialético cada conceito depende de toda a filosofia, das grandes linhas da metafísica que a sustentam. Por isso, explicar de modo sistemático a ética platônica em seus conceitos fundamentais ou nos temas particulares requerem um esforço de análise, de articulação e de interpretação desafiador (PAVIANE, 2013, p. 33). 42UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 42UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica Platão foi responsável por grandes obras, nas quais influenciam a filosofia até os dias atuais, como um dos grandes filósofos que marcam a história da humanidade, entre suas obras podemos citar Protágoras, Apologia, Fedro, Timon, Banquete, e finalmente República. Na obra a República de Platão, o filósofo idealiza uma sociedade perfeita dividida em três classes em que se prioriza a capacidade intelectual de cada indivíduo. Para Platão a primeira camada estaria presa as necessidades do corpo, carregados pelo trabalho pela sobrevivência da humanidade no sentido físico. A segunda classe seria responsável pela defesa da sociedade, no caso os soldados. A última classe seria dos intelectuais, capacitados da razão que influenciariam a política, a reflexão e o pensamento individual e coletivo do homem. Em seus estudos Platão desenvolveu uma teoria baseada na tripartição da alma, esta seria dividida em: Alma Racional: seria correspondente a parte superior do corpo (cabeça), nela se concentra a parte racional, a figura do filósofo. É na alma racional que o homem tem o contato direto com o mundo das ideias nas quais permite a busca efetiva da verdade, a alma racional é imortal buscando assim um distanciamento do mundo real, da vida cotidiana e dos problemas domésticos. Para Platão, a parte racional deveria governar as outras partes, pois desta forma ela controlaria os sentimentos coléricos e apetitivos deixando a razão prevalecer sobre o homem. A razão quanto alma apetitiva seria responsável pelo controle e pela moderação. Quanto a alma racional o seu maior objetivo seria a prudência, levando os seres humanos assim a analisarem as causas e consequências de suas ações. Alma irascível: o que corresponde a parte mediana do corpo (peito), essa se caracteriza pela ira, enfurecimento, irritabilidade, mas também se caracteriza pela coragem como virtude. Alma irascível teria a responsabilidade de manter o corpo protegido. seria ela a responsável por estimular o corpo a se defender ou fugir em situações de perigo, em situações de fragilidade, em situações em que os sentimentos podem ser superiores a razão. A alma irascível só faz sentido enquanto o corpo está vivo. Alma apetitiva: Corresponde a parte inferior do corpo (baixo ventre), nela estaria concentrada a manutenção do corpo vivo, ela que causa sensações apetitivos como fome, sede, desejo sexual. Alma apetitiva é responsável pela nutrição, hidratação, e o desejo de se reproduzir. Seria ela a responsável em estimular o corpo através do desejo e do prazer, condições essas necessárias para que o corpo se sinta vivo. 43UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 43UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica 5. A ÉTICA ARISTOTÉLICA Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.). Nascido na Macedônia, aos 17 anos mudou-se para Atenas e passa a frequentar a academia de Platão. Aristóteles é um dos principais filósofos gregos, sua importância para filosofia é de fato marcante e única. Em suas obras discursou sobre política, ética, moral e outros Campos do conhecimento. Aristóteles também se dedicou a estudar a lógica, resultando em pesquisas sobre argumentação, linguagem, influenciando na filosofia contemporânea. Além do conhecimento intelectual, Aristóteles valorizava o conhecimento empírico, ou seja, as experiências de cada indivíduo. Aristóteles classificou as áreas do conhecimento de forma sistemática contemplando a lógica, a valorização do conhecimento empírico, considerando qualquer forma de conhecimento prático sobre o mundo. Para Aristóteles, a democracia era a forma mais justa de governo De acordo com seus estudos para que se chegasse a um bom resultado quanto ao conhecimento, era necessário classificar e separar os tipos de conhecimento através da lógica, ética, política, física, metafísica e estética. Aristóteles defendia a teoria da virtude, ou seja, para ele o princípio ético está diretamente ligado ao caráter da pessoa. Para Aristóteles, a ética tem um fim e este fim está diretamente ligado com a felicidade, sendo a felicidade o objetivo das ações humanas. 44UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 44UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica Aristóteles em sua obra Ética a Nicômaco, apresenta seu entendimento sobre as teorias éticas e morais. Para o filósofo existe a chamada justa medida, ou seja, os extremos morais, para Aristóteles seria como um ciclo vicioso, cujo em alguns casos ocorrerá o excesso e o outro a falta dos princípiosmorais. Assim a justa medida teria o papel de moderação entre os dois vícios levando a virtude. Ainda é possível encontrar a síntese das virtudes que faltaram a moral na Grécia clássica. Também se distingue vícios e virtudes relacionados pelo excesso ou pela falta de moderação, uma virtude é um sentimento ou uma conduta relacionada a coragem, a gentileza, ao agir humano. De acordo com Aristóteles a ética é um saber prático, no qual a ação e a finalidade do agir são inseparáveis. Um exemplo é dizer a verdade, que é uma virtude, que não devem se distinguir a fala, o falante, e o conteúdo falado para se chegar à virtude. Para Aristóteles, na práxis ética, que representa o saber prático, somos aquilo que fazemos e o que fazemos tem como finalidade ser uma prática boa ou virtuosa, no amor ao próximo, na empatia e tolerância. A tolerância é um valor que leva quem o cultiva a procurar compreender os comporta mentos alheios – em vez de julgá-lo de chofre, com base em um sistema moral fechado –, tendo em vista o estabelecimento de um juízo mais abalizado. A tolerância é um valor que inspira o respeito das diferenças pessoais e culturais, contanto que algumas fronteiras morais não sejam ultrapassadas (TAILLE, 2006, p. 19). As ações éticas, devem ser pautadas de acordo com Aristóteles, com as leis necessárias e universais, pois elas ocorreram de acordo com as leis que as regem e determinam o que deve acontecer. É possível exemplificar através das estações do ano, não deliberamos ou decidimos, pois, esta é regida pela natureza. Mas deliberamos por tudo aquilo que depende da nossa vontade e da nossa ação. Aristóteles então acrescenta a consciência moral, que distingue aquilo que ocorre conforme a natureza e o que ocorre por vontade, o necessário e por natureza e o possível por vontade. Ao longo dos séculos foi possível compreender que o homem busca todos os caminhos para viver e viver bem. Para Aristóteles, a felicidade é o resultado do saber viver, e ainda resultando que para se chegar na felicidade não existe um único caminho ou único conceito. 45UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 45UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica 5.1 A felicidade ética em Aristóteles Segundo Aristóteles o fim é o bem de todas as coisas, pois ele representa o sentido humano. De acordo com seus escritos o homem tem como único objetivo a eudaimonia (felicidade), no entanto este princípio só atingirá seu objetivo quando o homem praticar o bem a outros, pois somente praticando bem se alcança o bem e a felicidade. A felicidade seria um objetivo natural para os homens. Eudaimonia é uma palavra de origem grega, que busca a felicidade como meio de realização para a vida humana. Um bem que impede que desfrutemos de um bem maior é, na realidade, um mal. Com efeito, o mal e o bem, dizem se das coisas à medida que as comparamos entre si, e um mal menor é, na realidade, um bem. Por isso conduzidos pela razão, apeteceremos ou buscaremos tão somente o bem maior e o mal menor (SPINOZA, 2017, p. 341). Para Aristóteles, uma ação virtuosa livra o homem de vícios, de excessos ou falta deles resultando em uma ação prudente que será o caminho para felicidade. Aristóteles interpretava o eudaimonista como algo intelectual pois a sua finalidade na vida humana estava relacionada com a busca e a contemplação do conhecimento. No entanto este objetivo só atingirá seu ápice quando o homem buscar atingir a prudência, o conhecimento e a justa medida caminho este que levará a virtude. Virtude só alcançará o seu objetivo através do hábito na qual poderá desenvolver e exercitar este caminho. De acordo com Aristóteles, existem duas formas de excelência ou virtude, a intelectual e a moral. A intelectual é fruto do desenvolvimento através da instrução, o processo educativo e formativo, que está relacionada ao tempo e a experiência. A excelência moral é produto do hábito, é tudo aquilo que podemos alterar, transformar, ela vem através da prática. A virtude ou excelência moral está relacionada a ações e emoções, ao prazer e ao sofrimento, é a capacidade do homem de lidar com as emoções e ações, com o sofrimento. Assim será o domínio desse sentimento que resultará no atingir o alvo, ou seja, o meio termo. Portanto, o meio termo seria o equilíbrio entre o excesso e a falta, eu desafiar de nossas ações diante das nossas emoções, daí vem a necessidade do controle sobre a nossa capacidade racional, pois será o resultado do momento de reflexão e a escolha. 46UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 46UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica SAIBA MAIS Na atualidade a violência está presente nos grandes centros, nos interiores, em todas as partes. O texto abaixo é uma importante reflexão sobre o tema, abordando não só a questão da violência, mas o olhar social e as orientações sobre o tema. Fonte: GONÇALVEZ, L. A. O. Éticas, violências e direitos humanos. SciELO Livros, 2012. Disponível em: https://books.scielo.org/id/vfgfh/pdf/jaco-9788579820601-09.pdf. Acesso em: 10 nov. 2021. REFLITA Importante leitura sobre a questão da violência contra as mulheres no Brasil e as considerações sobre a Lei Maria da Penha nos últimos 15 anos, seus avanços e retrocessos. Fonte: SOLON, M. Quinze anos depois, as Marias da Penha ainda são muitas. Olhares podcast, 2010. Disponível em: https://olharespodcast.com.br/quinze-anos-depois-as-marias-da-penha-ainda-sao-muitas/. Acesso em: 14 nov. 2021. https://books.scielo.org/id/vfgfh/pdf/jaco-9788579820601-09.pdf https://olharespodcast.com.br/quinze-anos-depois-as-marias-da-penha-ainda-sao-muitas/ 47UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 47UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro (a) acadêmico (a), Chegamos ao final desta unidade e ao decorrer dela aprofundamos nossos estudos quanto a filosofia clássica grega, assim como os conceitos de violência e virtude relacionados aos princípios éticos filosóficos. Iniciamos nosso estudo através do conceito de violência e ética aprofundando em questões de violência na atualidade relacionadas a mulher, a criança ao idoso, compreendendo que essas reflexões perpassam ao aprofundamento desses grupos, podendo trazer uma reflexão muito mais aprofundada quanto ao conceito de violência e ética. Dando continuidade à nossas reflexões, abordamos ainda a questão ética filosófica na antiguidade, buscando compreender mais sistematicamente a ética dos mais ilustres filósofos clássicos: Sócrates, Platão e Aristóteles. Por fim, encerramos essa unidade exaltando a importância das reflexões éticas na antiguidade, entendendo que o estudo e aprofundamento desses conceitos tem como objetivo despertar a discussão quanto a filosofia e o conhecimento teórico relacionadas aos mais importantes pensadores do período. Sucesso e até o próximo capítulo. Obrigada! 48UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 48UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Violência e a história da desigualdade. Autor: Walter Scheidel Editora. Zahar; 1ª Edição (1 março 2017). Sinopse: Das primeiras sociedades humanas até hoje, a desigualdade econômica só diminuiu de forma significativa com rupturas violentas de larga escala. Sem guerras em massa, revoluções transformadoras, falência do Estado ou epidemias catastróficas nunca houve nivelamento real de renda ou riqueza ― os ricos continuaram ricos ou, como nas últimas décadas, ficaram ainda mais ricos, uma vez que sempre resistiram a mudanças profundas alcançadas pacificamente. C om a rgumentos sólidos, fundamentados por pesquisa detalhada e apresentada com fartura de dados, Walter Scheidel, historiador da Universidade Stanford, chega a uma conclusão ainda mais perturbadora: se atualmente os eventos de violência cataclísmica não parecem ser tão ameaçadores quanto antes, por outro lado as propostas econômicas para reduzir a desigualdade não estão surtindo efeito, e o desequilíbrio econômicoe social só tende a aumentar. LIVRO 2 Título: Apologia a Sócrates Autor: Platão. Editora: L&PM (pocket). Sinopse: O julgamento de Sócrates (469-399 a.C.) foi um dos fatos históricos mais importantes da Grécia Antiga e até hoje inspira escritores, artistas e filósofos. E m 3 99 a .C., Atenas estava se recompondo após a derrota para Esparta na Guerra do Peloponeso, tentando consolidar o ainda frágil regime democrático. O posicionamento crítico de Sócrates pareceu uma afronta aos costumes da cidade e ele foi in cri minado, julgado e condenado à morte por envenenamento sob as acusações de não cultuar os deuses da cidade, tentar introduzir novas divindades e corromper a juventude com suas ideias. As acusações não intimidaram o pensador, que decidiu conduzir a própria defesa, dando origem aos textos aqui reunidos, Êutifron, Apologia de Sócrates e Críton. São obras que partem da discussão filosófica, ma s assumem ramificações religiosas, p olíticas e é ticas, m ostrando p or que Sócrates passou para a História como fundador da tradição filosófica ocidental. Quem nos apresenta Sócrates é Platão (427- 347 a.C.), um dos seus mais dedicados discípulos, que revela o mestre à sua maneira, retratando o cidadão que os atenienses encontravam pelas ruas – um homem íntegro e coerente, cuja missão de vida era a busca do conhecimento e de sua aplicação. 49UNIDADE I Introdução a Moral e Ética 49UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica FILME/VÍDEO Título: Sócrates Ano: 1971. Sinopse: O filme lança um olhar sobre o julgamento do filósofo grego Sócrates, até sua morte. Aborda a trajetória do filosofo, suas expectativas e reflexões. O filme relata a trajetória de Sócrates na Grécia antiga desde seus tempos de discurso nas ágoras gregas até os fatos que culminaram na sua morte. FILME/VÍDEO 2 Título: Félon Ano: 2008. Sinopse: Um pai de família é condenado por homicídio culposo quando acidentalmente mata um ladrão que invadiu a sua casa, ameaçando a vida de seu filho e de sua esposa. O novo prisioneiro é sentenciado a passar três anos em um sistema penitenciário onde é submetido a espancamentos violentos, orquestrados pelo sádico chefe dos guardas da prisão. Tentando manter sua sanidade mental, ele percebe que tem que provar para todos que é forte o suficiente para sobreviver o período de sua pena. 50 Plano de Estudo: ● O bem-viver helenista, Cinismo, Epicurismo, Estoicismo; ● Ética Medieval; ● Ética e Cristianismo; ● Ética na Modernidade (Razão, desejo e vontade); ● De Espinoza ao Imperativo Categórico de Kant; ● Determinismo e Livre Arbítrio. Objetivos da Aprendizagem: ● Apresentar o conceito do bem-viver helenista, suas concepções; ● Compreender o conceito de cinismo, epicurismo e estoicismo e suas contribuições para filosofia; ● Conhecer os princípios da ética medieval; ● Entender a relação entre a ética medieval e o cristianismo; ● Compreender os conceitos apresentados na ética moderna; ● Conhecer a filosofia de Espinosa e Kant; ● Entender o princípio do determinismo e do livre arbítrio. UNIDADE III Introdução a Ética no Período Medieval e Moderno Professora Esp. Alessandra Domingues Gomes 51UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno INTRODUÇÃO Seja muito bem vindo (a)! Prezados alunos (as), sejam bem-vindos ao terceiro capítulos dos nossos estudos. Nesta unidade estaremos fazendo uma viagem entre o período medieval e moderno da filosofia. Iniciaremos nossos estudos abordando sobre os conceitos de helenismo, Cinismo, Epicurismo, Estoicismo. Buscando a compreensão dos seus significados e a importância para o desenvolvimento da filosofia. Após a apresentação do primeiro tópico do nosso capitulo, iremos realizar um estudo sobre o conceito de ética no período medieval, seus conceitos, importância, a moral crista e suas correntes filosóficas como a patrística e a escolástica, sua representação na sociedade medieval, o papel da igreja católica e a influência do cristianismo para sociedade da época, assim como o princípio da ética pautado na ideia do bem e do mal. Após essa passagem sobre o período medieval iremos nos aprofundar na ética da filosofia moderna, com o objetivo de conhecer seus maiores representantes na filosofia, seus conceitos de desejo, vontade, razão e o papel do homem nessa nova fase da sociedade. E para encerrar nosso capítulo, nosso foco de estudos será um aprofundamento nas ideias filosófica de Espinoza e Kant e os princípios da liberdade e do determinismo. Espero que essa leitura possa contribuir com o crescimento cientifico e intelectual e que a troca de informações e discussões dos diversos períodos perpassados possam trazer uma reflexão consistente e prazerosa. Muito obrigada e bons estudos! 52UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno 1. O BEM-VIVER HELENISTA, CINISMO, EPICURISMO, ESTOICISMO A filosofia helenística está ligada com as escolas e correntes filosóficas do período conhecido como helenismo. Relacionada com a chamada Cultura macedônica, a cultura Romana e o cristianismo. Alexandre, O Grande, tinha como objetivo não só garantir as conquistas territoriais, mas também levar a cultura grega aos povos conquistados. A filosofia helenística tinha como princípio alcançar a felicidade, uma felicidade plena, individual e interna. Suas principais influências estão nos filósofos Aristóteles e Platão. A filosofia helenística comtempla a lógica, a ética, a física, desconsiderando o conhecimento abstrato. Helenístico se refere a civilização que tem o grego como língua oficial a partir das conquistas de Alexandre o Grande em 336 a.C, insistente até o domínio sofrido pelos egípcios, em 30 a.C. com o helenismo a cultura ética ganha mais força. Com a expansão das fronteiras imperiais, Alexandre Magno levou a cultura grega para pontos distantes, o que garantiu adoção da cultura oriental no ocidente. Alexandre Magno ficou conhecido por ser um dos maiores conquistadores no mundo antigo. Sua expansão e seu domínio se estenderam por grande parte do mundo grego na antiguidade, incluindo Atenas e Esparta. No entanto Alexandre, O Grande, não se limitou apenas a conquista de riquezas e territórios. Seu império ficou caracterizado pelo investimento na cultura grega, recebendo o nome de helenismo ou período helenístico. 53UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno Devido a várias conquistas de Alexandre, o Grande, a cultura helenística absorveu o conhecimento de várias outras culturas, indo desde a Pérsia até a Índia. Assim a cultura helênica absorveu os valores das culturas conquistadas, tornando-se a base de formação da sociedade durante muitos séculos acumulando saberes científicos, filosóficos religiosos e literários. O império de Alexandre foi dividido, assim foi fundada em Alexandria, um avançado centro de estudos nos quais contavam com o aprofundamento da ciência, um museu, e uma biblioteca. Em especial a biblioteca de Alexandria foi de grande proporção quanto ao conhecimento e a cultura, atraindo intelectuais de várias partes do mundo. Embora tenha sido um dos maiores centros de estudo helenismo da época, no século VII, já estava totalmente destruída, sofrer vários danos entre eles um grande incêndio no século I a. C. 1.1 Cinismo O cinismo teve origem através de Antístenes, (445-365 a.C), era um discípulo de Sócrates que a partir de seus ensinamentos compreender o que fundamenta a existência humana é a virtude e não prazer, pois para ele o prazer afasta o indivíduo da felicidade plena. De acordo com a corrente filosófica na qual estuda o cinismo, o homem deve manter um total desprezo pelo prazer e pelos bens materiais. De acordo com Japiassu (2005, p. 46), a palavra cinismo vem do latim cynicus que significa "como um cão". Assim o termo cinismo está designado a corrente dos filósofos que se propuseram a viver sem conforto, sem luxúria, assim como os cães da cidade. Diógenes de Sinope, um dospensadores mais destacados desta escola levou ao extremo a tese socrática de que o ser humano deve conhecer a si mesmo e desprezar todos os bens materiais. O cinismo estabelecia uma perspectiva ética, uma vida simples de acordo com a natureza. Os seguidores do cinismo desprezavam aos ordenamentos sociais, eram associados a vida dos animais, circunstâncias consideradas degradantes para os povos gregos. No entanto a motivação desses filósofos estava relacionada com a filosofia, posicionamento este tocante com a cultura grega da antiguidade, se distinguindo filosoficamente pelos aspectos naturais e os costumes humanos. Assim, era comum encontrar filósofos adeptos do cinismo e identificá-los por possuírem apenas um manto como vestimenta, um bastão que os auxiliava nas caminhadas e uma sacola com donativos. A ideia de cinismo está associada a pessoas que não possuem apego material, que não correspondem as convenções sociais, considerando-se seres superiores. 54UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno A escola cínica tinha como diferencial não possuir ambiente de aulas com mestres transmitindo conhecimento. Não existia nenhuma estrutura de organização que os identificasse como escola, mas se identificavam apenas pelo modo de vida. Entre os principais filósofos podemos destacar: ● Antístenes (445-365 a.C), fundador do pensamento cínico sua obra estava focada na ética, na natureza e na lógica. ● Diógenes (412-323 a.C), discípulo de Antístenes, vivia em total desapego material tendo um modo de vida parecido com um mendigo, vivia de doações de alimentos, o que garantiu a sua sobrevivência ● Crates de Tebas (365-285 a.C), conhecido como o abridor de portas por visitar seus amigos sem anunciar, na qual ajudava a resolver os problemas familiares. Tendo origem em uma família rica abdicou de seus bens para dedicar-se ao cinismo. ● Hiparquia de Maronéia (350-310 a.C), propunha a vivência de uma vida moral, enfrentou muitos preconceitos durante sua vida pois o cinismo era inaceitável para uma mulher. ● Metrocles de Maroneia (sec.IV - sec. III a.C.), Irmão de Hipárquia, Metrocles, havia a informação de que Metrocles viu Diógenes sendo espancado por alguns jovens, a partir daí passou a andar com uma placa no peito, com o nome dos agressores de Diógenes. ● Mônimo de Siracusa (sec. IV a.C), AO ter contato com Diógenes, abandonou seu dono, por ser um escravo, atirando as moedas dele pelas ruas, depois disso foi descartado e passou a viver uma vida cínica. 1.2 Epicurismo Doutrina filosófica criada por Epicuro (341-271 a.C). Epicuro foi um dos maiores filósofos da Grécia antiga, nasceu na ilha de Samos na Grécia. Desde sua infância sempre se interessou pela filosofia. Na juventude viajou para Atenas onde se inspirou nos ensinamentos de Xenócrates, que sucedeu Platão na academia. Epicuro defendia a boa relação entre mestre e aluno, para ele deveria ser sempre positiva, embora Epicuro fosse pessimista. No ano de 306 a.C, fundou sua escola na qual recebeu o nome de Jardim cujo convivia com amigos e discípulos. Para Epicuro não existia vida após a morte, ele foi um dos primeiros a sugerir o que hoje conhecemos como a teoria de Darwin, a teoria da evolução. Sua teoria foi conhecida cerca de dois mil e trezentos anos antes da divulgação da teoria darwiniana. 55UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno Para corrente filosófica epicurista a política e a vida social teriam grande importância. Mas compreendia que as regras eram necessárias pois a partir delas estaria garantida a segurança e a ordem. Mesmo assim compreendia que os males do mundo, da sociedade jamais seriam findadas, por isso considerava de grande importância o estudo da filosofia, o debate, a convivência com aqueles que lhe eram queridos e importante. Está entre outras razões levaram ao entendimento de que a filosofia epicurista é baseada na amizade, como não acreditava na vida após a morte defendia que o homem deveria fazer de sua vida presente a melhor possível, uma vida prazerosa e feliz, assim como deveria desprezar grandes ambições e valorizar a vivência tranquila e saudável vivendo com o necessário. Para Epicuro o homem deve dar prazer e receber em troca. O epicurismo ainda defendia que um homem que busca um prazer pleno livre e moderado estará livre dos medos. Já o prazer exagerado, desnecessário e em demasia leva o sujeito a perder a concentração o que pode prejudicar a saúde mental e o seu bem espiritual. Para Epicuro a saúde mental era prioritária e necessária, ao contrário do que o senso comum defende que as doenças causadas pela mente são atuais, os escritos de Epicuro demonstram que desde o século IV a.C esta já era uma preocupação social. De acordo com Epicuro, o homem deve buscar prazer nas ações que realiza, valorização das amizades sinceras, evitando preocupações e dores desnecessárias. Para alcançar esses limites básicos da boa convivência, Epicuro defendia o distanciamento da vida social exacerbada, do luxo, da ascensão social, para ele a exposição exagerada era vista como um problema. Epicuro defendia que a morte não deveria ser vista com medo, mas parte da existência humana assim como a desvalorização das crianças e o abandono dos deuses da mitologia grega, pois esses possuíam muita influência na vida dos mortais prejudicando a sua essência. Assim, o pensamento epicurista evidência a importância do prazer, valorizando um prazer simples e humilde, assim como entendia que a ideia de ser bom está relacionada com a felicidade a liberdade e a tranquilidade. 1.3 Estoicismo Estoicismo foi uma corrente filosófica fundada a partir dos pensamentos de Zenão de Cício (336-263 a.C), tendo grande influência no período helenístico. Para os representantes do estoicismo toda realidade é uma realidade racional, sendo assim todos os seres, indivíduos e natureza fazem parte de uma realidade racional. 56UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno Os pensadores estoicos não reconhecem a existência de Deus. Segundo eles são os princípios racionais que regem a realidade, integrados à natureza, sendo assim não há existência de vida em nenhum outro lugar além do mundo em que vivemos após a nossa morte, nos dissolvemos neste mundo. Sendo assim o homem não tem poderes para mudar a ordem universal do mundo, por isso a importância do estudo da filosofia a fim de compreender e viver de forma mais plena segundo ela. Para Zenão, o dever está vinculado a ordem cósmica como um caminho para se chegar à felicidade esta felicidade está associada em viver conforme a natureza. Os estoicos defendiam uma existência física e moral, baseando-se nas virtudes. O homem deveria ser resistente ao sofrimento, ao perigo e ser corajoso, assim como manter a indiferença quanto aos bens materiais na terra. O pensamento estoico despreza sentimentos externos como a paixão e os desejos. Ele valoriza a fidelidade ao conhecimento e tudo aquilo que é controlado pelo próprio homem. Assim sendo, o caminho para a felicidade estará relacionado com a virtude, aquilo que traz o conhecimento e seus valores, destruindo todos os vícios, considerado um mal para o homem. Ainda determina para que o homem mantenha uma mente calma e racional, independente de seus acontecimentos levando ao entendimento que sua concentração dar a ele o poder do autocontrole, desprezando aquilo que não se pode controlar. A doutrina Estóica possui princípios que regem a sua existência. Para seus seguidores, é necessário valorizar a virtude como único caminho para felicidade, assim como o homem deve priorizar o conhecimento e a razão. Segundo os estoicos todo homem que prioriza o prazer prejudica sua sabedoria. O homem sábio valoriza aquilo que é realizado e não aquilo que é teoricamente prometido. O homem não deve valorizar os sentimentos externos pois tira dele a imparcialidade o tornando e racional. Ohomem sábio não questiona a ordem a sua volta, não reclama, mas aceita com paciência buscando apenas novos caminhos para modificar e controlar seu meio. Agindo assim de forma prudente e assumindo suas responsabilidades, pois para os estoicos tudo que acontece ao nosso redor tem uma causa e efeito, onde os indivíduos devem aceitar a vida como ela é. Podemos compreender o estoicismo como uma corrente filosófica que não se leva por crenças, paixões e sentimentos. Ela valoriza o lado racional de uma pessoa através das suas ações, o controle de seus desejos, dores, medo e prazer, qualquer ação que prejudique sua racionalidade deve ser evitada e esquecida. 57UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno 2. ÉTICA MEDIEVAL Com o fim da hegemonia do império romano do ocidente no século V, os reinos bárbaros perderam sua força. Neste momento o cristianismo passa a ser o protagonista no período medieval. A igreja católica parte em busca de difundir a fé cristã nos países no qual tem liderança religiosa. Com isso, surge o estoicismo que foi visto de forma positiva pelos cristãos refutando o materialismo. O clero passa adaptar as tradições da Cultura greco-romana aos ideais religiosos, ressaltando o sobrenatural. Assim, a igreja católica teve forte influência na concepção ética medieval orientando a ação humana para contemplação de Deus e a busca pela vida eterna. A visão teocêntrica, ou seja, Deus como centro do universo levou a igreja a sustentar-se pelos valores religiosos e a ideia do pecado, avaliando o bem e o mal e principalmente pela fé e a busca pela vida eterna. De acordo com a perspectiva cristã os valores contemplados pelo homem o remetem a ser temente a Deus. Durante muitos séculos a Idade Média foi vista como a idade das trevas, isso porque a dominação da igreja católica teria impedido o crescimento e desenvolvimento da razão transformando o período em um século atrasado, em um tempo de escuridão e sombras de acordo com os iluministas. A Filosofia tem uma coroa de três cabeças: são a Ética, a Lógica e a Física (segundo Platão, as três partes do ensino da Filosofia). Em suas mãos, um imenso rolo de papel, no qual se lê: “Toda sabedoria vem de Deus; somente os sábios podem fazer o que desejam”, sinal da preponderância da Filosofia, ainda que a serviço da Teologia (SANTOS e COSTA, 2015, p. 17). 58UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno No entanto com a valorização e predominância da igreja católica, determinou-se que este período se diferenciou dos outros devido a uma cultura teocêntrica, onde os filósofos que surgiram no período tiveram grande preocupação em relacionar o desenvolvimento com a doutrina cristã. Pensadores como Tertuliano, defendia que um conhecimento válido deveria estar diretamente ligado aos valores cristãos e que o pensamento cristão não poderia ser subordinado a razão. A religião era base para política, assim como era a referência de educação das massas, haja visto que as escolas não eram de acesso a todos, assim a educação e a ética estavam relacionadas a ideia do bem e do mal. Por isso, sua especulação antropológica estrutura-se em uma lógica constan- te. O homem é definido e estruturado em sua dualidade corpórea e espiritual. Em virtude de sua constituição ontológica, ele pertence contemporaneamente a dois mundos: o mundo inteligível, pela sua alma, “de natureza e de estirpe semelhante às potências celestes”, e o mundo sensível, pelo seu corpo. Por isso, foi criado composto de corpo e alma para participar dos bens inteligíveis e dos bens sensíveis (SANTOS e COSTA, 2015, p. 23). A filosofia medieval, associadas aos valores éticos buscou em sua prática relacionar a consciência cristã com a razão e a ciência. Entre as suas principais características podemos citar sua inspiração com a filosofia greco-romana, a busca pela União da fé e a razão, a exaltação da verdade divina. Alguns desses conceitos levaram a grandes importantes reflexões como a existência de Deus, a força do pecado, a busca pela salvação, assim como a vida após a morte, a liberdade entre outros temas. 59UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno 3. ÉTICA E CRISTIANISMO O período da filosofia cristã se estende do século I ao século XIV. Este período foi influenciado pelo cristianismo e predominou no ocidente principalmente na Europa, situando-se em duas épocas: A primeira no século V conhecido como filosofia patrística, e na sequência que vai do século X ao XIV que corresponde a filosofia Escolástica ou medieval. O maior debate no período conhecido como filosofia cristã é um embate entre a conciliação daquilo que chamamos de razão humana e também a revelação Divina. O conceito de filosofia na Idade Média se inicia tendo a igreja católica como sustentação para nova ordem política e ética do período. Para a história da filosofia o cristianismo apresentou o homem da antiguidade uma série de respostas para as inquietudes da vida humana do período. Essas respostas trouxeram novos questionamentos, uma nova forma de pensar a vida o que levou a contribuição para o desenvolvimento da filosofia e a teologia O cristianismo apresentavam inúmeros questionamentos entre eles destacamos: a criação do mundo, ou seja, a relação entre a existência do mundo através da criação e os questionamentos quanto a ciência; a relação com existência da pessoa humana, ou seja, as relações morais e éticas, o amor ao próximo, as relações com Deus e tudo que é divino; Divina da Lei Moral, ela é inata ao homem representando a consciência que o homem traz ao nascer, sendo assim é uma relação natural do divino com a sabedoria. Ela que permitia o homem a consciência quanto as suas ações e seu comportamento; a imortalidade da alma, a alma como sendo imortal não está sujeita a morte e nem a qualquer ciclo de reencarnação, pois a alma vive. 60UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno Segundo Rezende, 2005, os princípios estabelecidos pela ética cristã que representa uma igreja católica têm objetivo de tornar os ensinamentos da igreja como padrões ou forma de agir para a sociedade. A Bíblia sagrada foi o principal instrumento que representou este período, pois ela serviu de guia para que seus seguidores pudessem se orientar quanto à forma correta de agir com ética de acordo com a igreja católica, relacionadas a conduta do cidadão em sociedade e as normas que regulamentam esse agir. 3.1 Filosofia Patrística De acordo com Japiassu (2005), o termo patrística designa de forma genérica, a filosofia cristã dos primeiros séculos logo após seu surgimento, ou seja, a filosofia dos padres da igreja. Etimologicamente significa pai, nome dado aos padres da igreja ou santos padres. De acordo com Japiassu (2005), a patrística surge quando o cristianismo se difunde e consolida como religião de importância social e política, e a igreja se firma como instituição, formulando-se então a base filosófica da doutrina cristã, especialmente na medida em que está se opõe ao paganismo e as heresias que ameaçam sua própria unidade interna. Ainda segundo Japiassu (2005), a patrística representa a síntese da filosofia grega clássica com a religião cristã tendo seu início com a escola de Alexandria, que revelam pensamento influenciado pelo espiritualismo neoplatônico e pela doutrina ética do estoicismo. A filosofia patrística propõe uma formulação intelectual dos dogmas da criação, da relação de Deus com o homem, da alma humana, do destino, da existência, do mal, das três pessoas da santidade Trindade. Entre os seus representantes podemos citar Santo Agostinho. Agostinho nasceu no mês de novembro do ano de 354, em Tagaste, atual Argélia no norte da África. A filosofia surgiu em sua vida através da literatura e pela oratória. O período que compreende a filosofia patrística está entre a transição da antiguidade para o período medieval, esse período ficoumarcado pela mudança no pensamento da humanidade, sendo considerada como parte da filosofia medieval. Seu surgimento está presente em um período muito controverso no cristianismo. Os cristãos ainda sofriam perseguições. Os primeiros movimentos patrísticos foram firmados pela presença de padres apologistas com a missão de defender o pensamento cristão, entre eles podemos destacar Justino e Tertuliano. A importância deste período para a filosofia está no fato de que o sistema teológico cristão ganha mais notoriedade, exaltando os dogmas cristãos e a teologia. 61UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno A partir desse movimento filósofos importantes como Santo Agostinho passam a escrever sua história através de suas reflexões filosóficas. Estudiosos da filosofia da lógica e da retórica. Tornou-se um conceituado professor. Em suas teorias relacionou seus estudos com as doutrinas filosóficas gregas antigas que exaltavam o hedonismo e o ceticismo. Agostinho teve uma vida comum, envolveu-se com uma mulher e teve um filho aos 18 anos, mantendo um relacionamento considerado pela pecaminoso por 13 anos. Por volta dos 30 anos, Agostinho se encontrava espiritualmente desamparado, vivendo uma série de conflitos internos e com seus relacionamentos. Agostinho tinha uma relação muito próxima com seu filho, viviam uma cultura cada vez mais cristã, em que Agostinho optou pelo cristianismo como religião. Agostinho e seu filho foram batizados pelo bispo Ambrósio, no entanto as tragédias em sua vida ainda estavam por acontecer, logo após o batismo de seu filho o mesmo veio a falecer, pouco tempo depois a sua mãe também morreu. Após esses episódios de perdas e tristezas, dedicou-se inteiramente a igreja católica tornando-se bispo, cargo que ocupou até 430, ano de sua morte. A filosofia de Agostinho é muito ampla, perpassa as teologias do cristianismo. Ele discutiu temas como o tempo, a visão do bem e do mal, assim como a onipotência de Deus sobre o mal como ser supremo. Em suas teorias, ainda discutir sobre o livre-arbítrio entendendo que ao aproximar-se de Deus estaria próximo do bem, no entanto ao distanciar de Deus estaria próximo do mal, caminho oposto ao divino. Foi ele quem no princípio criou o mundo, povoado de seres visíveis e in- teligentes, e os criou totalmente bom. Entre esses seres não fez nenhum superior aos espíritos, que dotou de inteligência e os capacitou e habilitou para contemplar e possuí-lo, unindo-os pelos laços dessa sociedade por nós chamada cidade soberana e Santa. Nela o sustentáculo de sua existência e o princípio de sua felicidade é Deus mesmo, que para seus cidadãos é como que a vida e o alimento comum. Ele deu a natureza intelectual o livre arbítrio de sorte que, se voluntariamente abandonasse Deus, fonte de sua felicidade, em seguida cairia na mais perfeita miséria (AGOSTINHO, 2017, p. 627). Agostinho foi um dos maiores representantes da filosofia patrística, se tornando um dos maiores representantes da igreja, buscando assim a compreensão para as questões fundamentais sobre o cristianismo. 3.2 Filosofia Escolástica A escolástica teve seu início na Idade Média, sendo de extrema importância para o pensamento ocidental até os dias atuais. A escolástica tem sua origem na chamada idade das trevas, período da idade média assim conhecido pelo fato de o homem não estar diretamente ligado ao pensamento racional, embasado na razão, pois o principal foco de pensamento do homem medieval eram as questões relacionadas com o cristianismo, com a igreja, para a salvação da alma. 62UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno Foi no auge da idade média e do cristianismo que surgiu a escolástica. Considerada uma escola de pensamentos, suas reais características têm muito mais relação com um método filosófico aprimorado na idade média. Suas principais influências estão com os pensamentos de Aristóteles e Platão. A escolástica de fato em um primeiro momento não abandonou o platonismo, mas a partir do século XIV, o aristotelismo penetrou de forma profunda no pensamento escolástico. A intensificação com o convívio em sociedade, trouxeram várias obras de Aristóteles desconhecidas até então. De acordo com Cotrim e Fernandes, no período escolástico a busca pela harmonia entre fé e razão se tornou um problema básico na filosofia assim a Escolástica pode ser dividida em três fases: ● Primeira fase: Do século IX ao século XII confiança na perfeita harmonia entre fé e a razão. ● Segunda fase: Do século XVIII ao princípio do século XIV elaboração de grandes sistemas filosóficos merecendo destaque as obras de Tomás de Aquino tendo a harmonia entre fé e razão ocorrida parcialmente. ● Terceira fase: Do século XIV ao século XVI declínio da Escolástica marcada por disputas que realçam as diferenças entre fé e a razão. Os principais idealizadores e fundadores da Escolástica medieval, pautados nos ideais de Platão são: Santo Anselmo e Pedro Abelardo. Santo Anselmo foi considerado o verdadeiro fundador da Escolástica medieval. Para ele o principal intuito da compreensão humana segue o lema da fé, na busca da compreensão. Para ele é necessário crer para depois de fato entender pois a fé é condição necessária para compreensão racional de toda a verdade. Segundo Rezende (2005), Santo Anselmo parte do pressuposto de que não pode haver oposição entre a fé e a razão, manifestando grande confiança na capacidade da razão e do poder de demonstrar a verdade dos dogmas revelados. Embora detentor de uma profunda fé, Santo Anselmo foi considerado o verdadeiro racionalista. De acordo com Rezende (2005), assim como Santo Anselmo foi um dos fundadores da Escolástica medieval. Ele buscou de forma drástica explicar racionalmente as verdades da fé em que chegou a ultrapassar os limites aceitos pela ortodoxia ao submeter os dogmas as exigências críticas da dialética que ele sabia manejar com grande habilidade. Pedro Abelardo confrontava as posições contraditórias daqueles que eram autoridades reconhecidas pela igreja seria possível tanto confrontar uma tese quanto prová-la. 63UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno De acordo com Rezende (2005), Platão influenciou diretamente no pensamento de Santo Agostinho. No entanto, a filosofia de Aristóteles é o que caracteriza o pensamento de São Tomás de Aquino. Ele também trabalhou no sentido de cristianizar a filosofia relacionada as ideias de Aristóteles essa integração está presente na obra “Suma Teológica”. Rezende (2005), coloca que a filosofia tomista encontrou oposição por parte da igreja e das universidades medievais pois apresentou ideias que confrontavam ou dificultavam a conciliação com as ideias agostinianos, no entanto isso não impediu que a filosofia de São Tomás de Aquino tornar-se oficial pela igreja católica, a obra a Suma Teológica foi considerada a expressão mais alta e acabada da possível conciliação entre a fé e a razão. Rezende (2005), coloca que Santo Tomás representou o auge da Escolástica medieval pois apresentou perfeito equilíbrio entre a fé e a razão, a teologia e a filosofia, diferenciando-as, mas não as separando. Para ele, existe a distinção entre verdades da razão e da revelação, pois a razão humana é uma expressão imperfeita da razão divina. Por isso as verdades reveladas podem estar acima da capacidade da razão humana, mas nunca contrárias a ela. De acordo com Cotrim e Fernandes (2016), Santo Tomás de Aquino viveu grande parte do pensamento aristotélico em busca de argumentos que explicasse os principais aspectos da fé cristã entre os seus objetivos estavam de não contrariar a fé, organizando um conjunto de argumentos para demonstrar e defender o cristianismo. Entre os princípios básicos considerados de suma importância para São Tomás de Aquino destacam-se: ● Princípio da não-contradição o ser é ou não é: Não existe nada que possa ser ou não ser aomesmo tempo de acordo com o mesmo ponto de vista. ● Princípio da substância na existência dos seres: Podemos distinguir a substância (a essência propriamente dita de uma coisa sem a qual ela não seria aquilo que é) do acidente (a qualidade não-essencial, assessoria do ser). ● Princípio da causa eficiente: Todos os seres que captamos pelos sentidos são seres contingentes, isto é, não possuem em si próprio a causa eficiente de suas existências. Portanto para existir o ser contingente depende de outro ser que representa sua causa eficiente chamando o necessário. ● Princípio da finalidade: Todo ser contingente existe em função de uma finalidade, de uma razão de ser ponto enfim todo ser contingente possui uma causa final. ● Princípio do ato e da potência: Todo ser contingente possui duas dimensões: o ato e a potência. O ato representa a existência atual do ser aquilo que está realmente realizado e determinado. A potência representa a capacidade real do ser, aquilo que não se realizou, mas pode ser realizar. 64UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno 4. ÉTICA NA MODERNIDADE (RAZÃO, DESEJO E VONTADE) A Idade Moderna vai de meados do século XV ao século XVIII. Neste período ocorria uma série de mudanças principalmente nas sociedades europeias, relacionados com o renascimento com a razão, com o comércio capitalismo entre outros assuntos. De acordo com o Cotrim e Fernandes (2016), no plano econômico estava passagem do feudalismo para o capitalismo, no qual renasce o comércio e destacavam-se as rotas comerciais, o domínio do capital e a ascensão da burguesia. Paralelo a esses acontecimentos econômicos ocorria a centralização do poder político nas mãos dos Reis, formando os estados nacionais modernos entre eles destacam-se Portugal, Espanha, Inglaterra e França desenvolvendo-se assim neste período o absolutismo como forma de poder político. Assim como na parte social ocorreram grandes transformações no âmbito religioso também ocorreram grandes mudanças. Entre elas destacamos a reforma protestante com suas mudanças ou ajuste, a incorporação da nova mentalidade baseada no humanismo que rompia com o poder divino e exaltava o trabalho como fonte legítima de riqueza e felicidade. Ainda compreendia que a razão humana era o caminho para se compreender e chegar ao divino. Ainda neste mesmo período surgiram novas formas de investigação científica, desenvolvendo a ciência natural impulsionada pela razão que questionavam os princípios da Escolástica, os dogmas cristãos e seus princípios éticos. Assim a igreja perdia muita influência sobre seus estados possibilitando o crescimento do pensamento humanístico, da razão e a busca pelo conhecimento. 65UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno Através da ética moderna, é aprofundado o estudo sobre a moral, dever, a felicidade, e o agir do ser humano como virtude, o que é certo ou não no comportamento do homem. De acordo com Cotrim e Fernandes (2016), todos esses acontecimentos contribuíram para modificar, em várias regiões o modo de ser viver e perceber a realidade. Desse modo a visão teocentrismo, de Deus como centro de tudo, que havia predominado durante grande parte da Idade Média passou a ser substituída pelo antropocentrismo, que tem o ser humano como centro do universo, que valoriza a obra e a compreensão humana. Assim desenvolveu-se o racionalismo e a filosofia laica, não religiosa, que impulsionaram a capacidade da razão de intervir na humanidade, de organizar a sociedade e aperfeiçoar a vida. Assim como podemos destacar como principais características da filosofia moderna: antropocentrismo e humanismo, cientificismo, valorização da natureza, racionalismo(razão), empirismo(experiências), liberdade e idealismo, renascimento e iluminismo, filosofia laica. No período da Idade Moderna surgiram várias correntes filosóficas que se destacam até na atualidade. Algumas dessas tendências podem ser citadas como, o materialista de Hobbes, o empirismo Hume, a ética e o dever de Kant, o niilismo de Nietzsche. O período o que compreende a ética moderna tem como principais características: a preocupação em delimitar o bem e o mal; relacionados ao homem e a sociedade; a condição de prioridade entre descrição ética da razão ou dos sentimentos; o bem priorizado como individual e social; o homem como um meio para a sociedade ou para o fim dela. A razão é um elemento essencial que educa à vontade, orienta-se em direção ao bem e faz com que mantenha o equilíbrio fazendo com que a conduta humana não exceda os limites determinados pela razão. À vontade é livre e racional ela controla a natureza humana, está propensa a satisfazer os desejos. O desejo é algo que não suporta o tempo ele é imediato por isso a razão e o desejo nos combina com a primeira censura e determina limites para o segundo ponto, a razão não só censura eu desejo como também orienta à vontade, assim o livre-arbítrio depende da vontade e da razão pois é liberdade diz respeito à vontade e o arbítrio é produzido pela razão. Assim a razão é a capacidade da mente humana que permite chegar a conclusões a partir de suposições ou premissas. É um meio pelo qual os seres racionais propõem razões ou explicações para causa e efeito. A razão é particularmente associada a natureza humana ao que é único e definidor do ser humano. Ela permite identificar conceitos em abstração encontra coerência ou contradição entre as ações buscando formar novos conceitos de uma forma organizada. 66UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno A razão rege o mundo, a história universal transcorre racionalmente, mas a razão que se manifesta ou revela na história é a razão Divina absoluta, sendo ela a melhor maneira de organizar a realidade para que ela se torne compreensivo ela ordenou o nosso pensamento e deve ordenar as nossas ações. O desejo é uma atenção em direção a um fim considerado pela pessoa que possui este desejo como uma fonte de satisfação ponto quando coincide, o desejo é uma atitude mental que acompanha a representação do fim esperado. Enquanto elemento apetitivo, o desejo se distingue da necessidade fisiológica ou psicológica que o acompanha por ser o elemento afetivo do respectivo estado fisiológico ou psicológico ponto tradicional mente, o desejo pressupõe carência indigência. Todos os seres humanos possuem desejos, isso os torna seres finitos e imperfeitos ponto os desejos podem ser atitudes mentais proposicional ou acusativas quando se trata de uma atitude proposicional, trata-se de um desejo de um objeto. À vontade ou intencionalidade é a capacidade através da qual tomamos posição frente ao que nos aparece. Diante de um fato podemos desejá-lo ou rejeitá-lo ante um pensamento, podemos afirmar ou negá-lo, até mesmo suspeitar ou suspender o juízo. A vontade é a capacidade pela qual tomamos posição frente ao que desejamos. Um determinado fato pode ser desejado ou rejeitado. Diante de um pensamento o homem é capaz de afirmá-lo, nega-lo ou suspender seu juízo sobre ele. Neste período as mudanças quanto a ética ocorreu ao mesmo tempo em que as mudanças relacionadas com a economia e com a ciência. É importante lembrar que nesta mudança que envolve economia e capitalismo e trouxe o surgimento de uma nova classe social a burguesia, ela trouxe grande influência quanto a política e a economia e suas influências quanto ao estado moderno e ao poder centralizado. Neste sentido, é comum buscarmos relacionar o pensamento ético quando analisamos as questões relacionadas com economia e sociedade pois ambas se divergem e se relacionam no sentido de transformação da sociedade vigente. A partir do momento em que a fé, a religião, a igreja, perdem espaço para a razão a ciência e a economia são inúmeras as transformações ocorridas em sociedade. Thomas Hobbes foi o primeiro a descrever sobre a questão da ética. De acordo com Hobbes, os homenssão solitários por natureza, egocêntricos e possuem desejos e necessidades que buscam a realização imediata. Desta forma muitos homens se comportam de acordo com as normas aceitas, muitas vezes o seu comportamento irá resultar e contribuir para que o mesmo possa se manter em um patamar considerado feliz e rico. 67UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno No mesmo pensamento em que se pauta Hobbes, encontramos Espinosa que concorda com as suas ideias ao afirmar que os homens tendem a pensar em si mesmo e que seus desejos são conduzidos por suas paixões sem considerar outras pessoas ou seu futuro. David Home compreende que o princípio da moral é a utilidade, ação será boa e necessária se proporcionar a felicidade e satisfação para a sociedade de acordo com Home, e a utilidade agrada pois tende a promover a felicidade dos outros. Para ele muitas de nossas paixões estão relacionadas com a empatia, compreendendo que muitas vezes sofremos com os problemas alheios assim. De acordo com o pensamento de Rousseau, o homem é bom por natureza e seu espírito irá aprimorar-se ilimitadamente de acordo com as suas necessidades e com aquilo que o agrada, assim poderá transformar a sociedade e mudar a si mesmo desde que isso o contemple e o realize. Kant (2011), defende que o dever é o ponto central da moral, o homem deve reconhecer a existência de outros homens respeitando seus limites, reconhecendo e se comportando moralmente de acordo com uma Lei Universal. Hegel entende a ética como uma consciência do dever, formada por costumes, leis e normas da sociedade assim sendo, a pessoa se influencia pela vontade social que regula e normatiza o meio comum de acordo com valores e costumes da cultura de um povo em sociedade. Para ele, a ética ideal estaria vivenciada em um estado livre e de direito onde as leis e a consciência humana viveriam em harmonia. Segundo Nietzsche, o valor moral é um mecanismo que impede um indivíduo de chegar a valores superiores, nivelando a todos, assim a moral seria o maior de todos os perigos para ele o homem é capaz de transformar valores, todo sentimento que se intensifica no homem como sentimento de poder, à vontade, o desejo, seriam combustíveis para transformar homem ponto para ele o homem deve antes de tudo discutir o valor dos valores assim como o ambiente em que esses valores se desenvolveram e que muitas vezes se transformaram em sociedade. 68UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno 5. DE ESPINOSA AO IMPERATIVO CATEGÓRICO DE KANT Baruch de Espinosa, foi um dos principais filósofos racionais da idade moderna nascido em Amsterdam na Holanda, Espinosa nunca se preocupou com as questões econômicas pois vem de uma família bem estruturada. Desde criança, sempre mostrou interesse pelos estudos aprofundando suas pesquisas em várias áreas como teologia, filosofia, política, linguagens. Espinosa criticava os dogmas e a ostentação da igreja. Para ele as obras religiosas eram interpretações humanas sem uma fundamentação racional devido às suas críticas Espinosa foi expulso da sinagoga judaica. Espinosa escreveu sobre a ética falando sobre as suas teorias e seu pensamento racionalista radical. Para Espinosa o pensamento do homem reflete diretamente na sua maneira de viver. Espinosa escreveu sobre o homem e o conatus, palavra de origem Latina que significa esforço, força vital onde cada indivíduo busca perpetuar sua própria existência. Através da ideia do conatus, cada indivíduo busca atingir o necessário para garantir sua sobrevivência, o seu agir no mundo ele move o sistema corpo e mente buscando sua capacidade de agir sobre o mundo. Espinosa defende o que são os desejos que expressam a força de um indivíduo pois eles impulsionam o nosso corpo e a nossa mente. Este desejo seria o conatus direcionando para algo que lhe traga prazer se expressando através do desejo que se move através nas relações afetivas das amizades das relações de trabalho e etc. 69UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno É a passividade do corpo e do espírito que marcam a natureza do homem, para Espinosa Deus é a substância, única, infinita e eterna. Muitas vezes esse pensamento levou a entender que Espinosa seria ateu para ele tudo está em Deus, tudo é Deus. Espinosa foi um grande idealizador das questões divergentes como por exemplo Estado e igreja, de família judaica, ele contestou os dogmas do judaísmo, sendo até excomungado da sua igreja e deserdado de sua família, para ele ambas representavam campos divergentes, ou seja, política e religião não devem se misturar, o que para esse período era algo impensável, pois ambas andavam muito próximas. Em sua obra a ética, Espinosa baseia-se no método cartesiano, demonstrado à maneira dos geômetras, um pensamento racional. Para ele, Deus não é transcendental, alguém que está acima de todos em um local isolado controlando toda existência humana. Em sua filosofia ele defende que Deus é imanente, ou seja, Deus está em tudo Deus é tudo, Deus é a natureza, defende a ideia do panteísmo na qual compreende de Deus é tudo, diferente do pensamento de que Deus está em tudo. Se tudo é Deus, Espinosa esclarece que a natureza é Deus, é sua representação, Deus se manifesta nas leis naturais. Para Espinosa, não existe o livre arbítrio, o homem tem a sensação de sua existência para se sentir independente e livre, mas na verdade tudo é a natureza, e a natureza é Deus. 5.1 Immanuel Kant Immanuel Kant nasceu na Prússia Oriental no ano de 1724, de família tradicional e protestante sua vida foi marcada por suas reflexões quanto a religião. Foi um dos maiores pensadores da modernidade baseando-se no criticismo, ou seja, naquilo que podemos, ver, ouvir, falar, experimentar. Kant é um filósofo iluminista que teve como base combater a filosofia medieval, as amarras do antigo regime, indo contra uma filosofia que tira toda a liberdade dos indivíduos que não proporciona ao homem o direito de pensar e agir conforme sua natureza. Kant defendia a moral universal, ou seja, ela independe das religiões, do contexto social, das diversas situações ou crenças, ela será única para todos, se todos são humanos, então são racionais, igualando a moral para o mundo, um mesmo julgamento. Eu considero um mundo, um mundo moral desde que ele esteja em conformidade com todas as leis Morais (tal como ele pode ser de acordo com a liberdade dos seres racionais e como deve ser segundo as leis necessárias da moralidade). Este mundo é, por isso, simplesmente pensado como mundo inteligível pois fazemos dele abstração de todas as condições na moralidade e até de todos os obstáculos que nele se encontrarem abre parentes fraqueza ou corrupção da natureza humana...A ideia de um mundo moral tem, portanto, uma realidade objetiva, não como se ela se reportasse a um objeto de intuição inteligível, mas por sua relação com o mundo sensível, considerado somente um objeto da razão pura para o seu uso prático, ou seja, como corpos místicos dos seres racionais nele desde que o livre-arbítrio de cada ser sobre domínio das leis Morais tenha uma unidade sistemática universal tanto consigo quanto com a liberdade de qualquer outro (KANT, 2011, p. 510). 70UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno O imperativo kantiano fundamenta-se em condutas que devem ser seguidas para ser entendidas como corretas, entre elas destacamos: 1. Age de tal forma que uses a humanidade tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre ao seu tempo, como fim e nunca como meio; 2. Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal; 3. Age de tal maneira que tua vontade possa encarar a si mesma ao mesmo tempo como um legislador universal através de máximas. Assim, o imperativo de Kant torna-se um dever moral que deve ser pontualmente obedecido. De acordo com Kant, é necessáriocumprir o dever sempre pelo dever, ou seja, por aquilo que é correto a ser seguido. Para ele, é necessário que os indivíduos sejam imparciais e desinteressados respeitando o valor absoluto de cada ser racional nunca o reduzindo ou diminuindo outro ser humano. Kant formulou a ideia do imperativo categórico com a finalidade de analisar o que motiva a ação humana e compreender a moral e a ética. No ponto de vista de Kant, o homem parte do princípio da chamada lei universal, ou seja, a maneira pela qual um indivíduo age de acordo com princípios nos quais ele gostaria de vivenciar. Para Kant, quando partimos do princípio do dever que seria o valor supremo da moralidade, entende-se que atitude moral de um indivíduo deve ser livre de interesses. Ações serão corretas a partir do momento que se tornarem leis universais e seguidas pela sociedade. 71UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno 6. DETERMINISMO E LIVRE ARBÍTRIO De acordo com Japiassu (2005), liberdade é a condição daquele que é livre, que tem capacidade de agir por si mesmo, a autodeterminação, a independência, autonomia. Em um sentido político, a liberdade civil ou individual é o exercício, por um indivíduo, de sua cidadania dentro dos limites da lei e respeitando os direitos dos outros. Mais especificamente, a liberdade política é a possibilidade de o indivíduo exercer, em uma sociedade, os chamados direitos individuais clássicos, como direito de voto, liberdade de opinião e de culto, etc., devendo, contudo, responder ao abuso dessa liberdade nos casos determinados pela lei. Em um sentido ético, trata-se do direito de escolha pelo indivíduo de seu modo de agir, independentemente de qualquer determinação externa. É discutível do ponto de vista filosófico, se o homem teria realmente a liberdade em um sentido absoluto dados os condicionamentos biológicos, psicológicos e sociais que o limitam. Kant considera que a liberdade é a ação em conformidade com a Lei moral que nos outorgamos a nós mesmos. A liberdade implica na responsabilidade do indivíduo por seus próprios atos. Haverá sempre a possibilidade de escolha a partir da condição em que nos encontramos, porque o homem nunca é um ser acabado, pré-determinado. Historicamente o conceito de liberdade perpassa por várias épocas e pensadores com doutrinas variadas. É possível fazer uma concepção positiva e negativa da Liberdade. No sentido positivo de liberdade ela representa a posse de direitos tanto civis, políticos e sociais representando uma conquista de cidadania. Quanto ao sentido negativo ela pode representar a ausência de restrições ou de interferência 72UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno Quando analisamos no sentido ético a liberdade nos remete ao direito de escolha pelo indivíduo, pelo seu modo de agir, independentemente de qualquer determinação exterior. Desse modo, ela irá representar a ideia de não haver nenhum tipo de constrangimento quando o indivíduo afirmar ou negar algo, realizar ou enviar, a liberdade de escolha e de sentir. Para Kant (2011) a liberdade pode significar ser autônoma, dar assim mesmo as regras de sua vida a serem seguidas racionalmente. A liberdade também pode estar intimamente relacionada com a consciência moral. Quando alguma ação é julgada ela só terá sentido se esta ação foi praticada em liberdade. A coação para prática de alguma ação não representa uma consciência moral, pois o indivíduo não poderá decidir entre o bem e o mal, pois a decisão foi imposta por forças coercitivas. No entanto, quando podemos escolher livremente entre as ações e assim fazer uma escolha tornamo-nos responsáveis pelo que praticamos e assim ocorrer um julgamento moral por isso. De acordo com Japiassu o termo responsabilidade vem do latim “respondere”, o que significa estar em condições de responder pelos atos praticados, de justificá-los e assumimos. Será essa consciência moral que será julgada. E de entendimento geral que o ser humano é sempre livre ver, no entanto, ocorre a existência das determinações de origem externa, as sociais, e internas como desejos impulsos e etc. Assim, um indivíduo sempre possui a possibilidade de escolher e estabelecer uma ação mesmo estando sujeito a fatores internos e externos. Ora, eis quais são eles: em primeiro lugar, o corpo e os bens denominados corporais, tais como uma boa saúde, a integridade dos sentidos, a força, a beleza e outras qualidades das quais umas são inerentes às artes liberais, e por aí, mais desejáveis que outras de menor apreço. Em seguida, está o bem da liberdade. Sem dúvida, não existe verdadeira liberdade a não ser entre pessoas felizes, as quais seguem a lei eterna. Neste momento, eu refiro-me àquela liberdade dos que se julgam livres por não ter ninguém como senho- res seus; ou aquela que é desejada por todos os que aspiram a ser libertados de seus senhores (AGOSTINHO, 1997, p. 310). A liberdade é um valor social, a partir do instante em que um indivíduo age de maneira ética, a liberdade passa a ser vista como um valor a ser seguido, por exemplo respeitar o direito do silêncio para não incomodar outros, a partir do instante em que o indivíduo compreende a relação com o direito de terceiros ele vai entender que a liberdade não significa fazer tudo o que ele quer, mas sim ser livre dentro de um conceito ético. Neste sentido, a ideia do livre-arbítrio tem como entendimento o poder que cada indivíduo tem de escolher suas ações. O livre-arbítrio pode ter sentido em valores morais e científicos, na religião, no sentido psicológico, pautado no entendimento de que todos têm o direito de fazer o que quiser desde que suas escolhas não prejudiquem a outros. 73UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno De acordo com Santo Agostinho, o livre-arbítrio é a possibilidade de escolher entre o bem e o mal, enquanto a liberdade é o bom uso do livre-arbítrio. Desta maneira, é possível entender que o homem nem sempre será livre quando põe em uso o seu livre arbítrio, assim entende-se que o livre arbítrio está relacionado com a vontade. Na filosofia, o livre-arbítrio se opõe ao determinismo se por um lado o livre-arbítrio depende exclusivamente das escolhas de um indivíduo o determinismo depende de acontecimentos que são causados por fatores anteriores. Assim, para o determinismo as ações são determinadas pelas leis da natureza ou ainda por outras ações, sendo assim o ser humano não poderá ser responsabilizado por todos os seus atos. Desta maneira nem sempre o indivíduo será responsável pelo resultado de suas ações, pois muitos deles serão inerentes à sua vontade ocorrendo por forças externas ou outras. O determinismo implica em um conceito filosófico que defende que todos os fatos são baseados em causas, seja ela natural ou sobrenatural. Para o determinismo, as decisões e escolhas humanas não acontece unicamente com o livre-arbítrio, mas estão relacionadas com a casualidade. De acordo com o determinismo no universo tudo está limitado a leis imutáveis, ou seja, elas são determinadas pela natureza sendo assim a liberdade será uma mera ilusão. O determinismo poderá ser compreendido em: ● Pré-determinismo: as condições iniciais do universo serão responsáveis por acontecimentos presentes e futuros, serão eles a determinarem as causas de tudo. ● Pós-determinismo: Entende que a determinação dos fatos está no futuro todo acontecimento tem uma razão, um propósito regido de maneira divina que não pertence ao universo humano, mas sim a vontade suprema teleológica. ● Co-determinismo: as causas sem uma determinação prévia serão geradoras de novas realidades podendo transformar uma realidade em outra. A definição de determinismo em várias situações é vista como o oposto a liberdade. Entretanto quando ocorre um determinismo não absoluto ainda existe a possibilidade de escolha, atingindo a liberdade. Quando se discute livre-arbítrio edeterminismo a partir de um conceito religioso e cristão, entende-se que Deus é um fator determinante, pois nada pode fugir aos seus desígnios, no entanto o livre-arbítrio foi determinado por Deus para que o homem pudesse ser livre e decidir sobre suas ações. 74UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno SAIBA MAIS O mundo não é imutável e a escolha é nossa Há 2 mil anos a religião e a filosofia discutem o conceito de livre-arbítrio. Afinal somos realmente livres para fazer nossas próprias escolhas ou os fatores externos regem nosso destino? No século 20 a psicanálise veio complicar ainda mais o debate, quando Freud afirmou que o inconsciente influi em nosso comportamento de um jeito que não podemos prever. Um dos primeiros a escrever sobre o tema foi Santo Agostinho, no século 1. Seu conceito concentra-se na relação entre Deus e o homem, a quem caberia a opção de aceitar a bondade divina ou então viver no mal. Da ideia de Agostinho, permanece nas definições posteriores de muitos filósofos o caráter subjetivo da liberdade, ou seja, a noção de que está no homem o poder de decisão. No século 19, começaram a tomar as ideias existencialistas, em que a liberdade do indivíduo ocupa uma posição central. De modo geral, para os existencialistas (como o célebre francês Jean-Paul Sartre), o homem é livre para fazer suas escolhas e deve lidar com responsabilidade e consequências. Apesar das diversas correntes que apontam ser o livre-arbítrio apenas parcial ou mesmo impossível, é inegável que a discussão sobre o assunto ajudou a humanidade a questionar e até derrubar dogmas e teorias que justificavam o mundo como algo imutável e independente. Para saber mais acesse: https://super.abril.com.br/historia/livre-arbitrio/. https://super.abril.com.br/historia/livre-arbitrio/ 75UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno REFLITA A Assembleia dos ratos Um gato de nome Faro-Fino deu de fazer tal destroço na rataria de uma casa velha que os sobreviventes, sem ânimo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de fome. Tornando-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembleia para o estudo da questão. Aguardaram para isso certa noite em que Faro-Fino andava aos mios pelo telhado, fazendo sonetos à Lua. - Acho - disse um eles - que o meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe atarmos um guizo ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o guizo o denuncia e pomo-nos ao fresco a tempo. Palmas e bravos saudaram a luminosa ideia. O projeto foi aprovado com delírio. Só votou contra um rato casmurro, que pediu a palavra e disse: - Está tudo muito direito. Mas quem vai amarrar o guizo no pescoço de Faro-Fino? Silêncio geral. Um desculpou-se por não saber dar nó. Outro, porque não era tolo. Todos, porque não tinham coragem. E a assembleia dissolveu-se no meio de geral consternação. Interpretação e moral da história Em A assembleia dos ratos a fábula que aborda sobre a dificuldade de passar da teoria para a prática frisando a diferença entre o dizer e o fazer. Os ratos rapidamente concordam com a brilhante ideia de colocar no gato Faro-Fino um guizo para saber quando ele se aproxima. O único rato que vai contra a votação, identificado como casmurro, é aquele capaz de ver para além da decisão e pensar na implementação daquilo que foi votado. No entanto, afinal é ele que acaba por ter razão porque, na hora de executar o plano, nenhum rato se dispõe a fazer o serviço arriscado e colocar o guizo no pescoço do felino. O rato casmurro em minoria se revela como sendo o único do grupo com visão de futuro e senso prático. Fonte: LOBATO, M. A assembleia dos Ratos. Disponível em: https://www.culturagenial.com/fabulas-mon-teiro-lobato/ Acesso em: 28 nov. 2021. https://www.culturagenial.com/fabulas-monteiro-lobato/ https://www.culturagenial.com/fabulas-monteiro-lobato/ 76UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro (a) acadêmico (a), Chegamos ao final de mais uma unidade, e ao decorrer deste trabalho podemos conhecer um pouco mais sobre a filosofia ética no período medieval e moderno. São infinitas as possibilidades de leitura e aprofundamento sobre o tema, no entanto buscamos pontuar questionamentos relevantes que possam agregar conhecimento e reflexões sobre a importância do conhecimento ético nos mais distintos períodos. Nossos estudos se iniciaram abordando sobre os conceitos de helenismo, epicurismo, cinismo entre outros, buscando um aprofundamento sobre os principais pensadores do período e a importância dessas reflexões para o desenvolvimento do cristianismo no período medieval. Na mesma linha filosófica, ainda a abordagem foi sobre a filosofia medieval, as influências cristãs e a participação do homem junto a uma visão teocêntrica da humanidade. Dando continuidade as nossas reflexões, os estudos filosóficos passaram a contextualizar o período moderno da história, abordando sobre ética moderna, os conceitos de Espinosa e a imperativo de Kant, concluindo com um aprofundamento teórico sobre determinismo e livre arbítrio. Sucesso e até o próximo capítulo. Obrigada! 77UNIDADE III Introdução a Ética no Periodo Medieval e Moderno MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Sobre o Livre-arbítrio Autor: Santo Agostinho. Editora: Ecclesiae. Sinopse: Sobre Livre Arbítrio é um livro em três volumes escrito por Santo Agostinho no período de 387-395 d.C., em Roma, logo após ter sido batizado. Trata-se de uma profunda investigação filosófica a respeito da liberdade humana e da origem do mal moral, que se desenvolve brilhantemente na forma de um diálogo entre Agostinho e seu irmão na fé Evódio, posteriormente sagrado bispo de Upsala, na África. Com o passar dos séculos, a obra tornou-se leitura fundamental no campo da filosofia, não só porque explica racionalmente a origem do pecado, fundamentando-o no abuso da liberdade, mas também porque apresenta, no Livro II, uma prova inconteste da existência de Deus por via puramente racional. Praticamente nenhum comentador medieval ou posterior que tenha se lançado sobre essas mesmas questões prescindiu desta investigação de Santo Agostinho. Dado que são temas atemporais, também hoje se pode afirmar com segurança que a leitura de libero arbítrio é fonte certa para aprendizados valiosos e sempre novos. FILME/VÍDEO Título: Cidade de Deus Ano: 2002. Sinopse: O filme retrata o crescimento do crime organizado na Cidade de Deus, uma favela que começou a ser construída nos anos 1960 e se tornou um dos lugares mais perigosos do Rio de Janeiro no começo dos anos 1980. Para contar a trajetória deste lugar o filme narra a vida de diversos personagens e eventos que se entrelaçam no decorrer da trama. Tudo pelo ponto de vista do Buscapé, o protagonista-narrador que cresceu em um ambiente muito violento. Porém, encontra subsídios para não ser fisgado pela vida do crime. 78 Plano de Estudo: ● Ética na Contemporaneidade e suas perspectivas filosóficas; ● Consumismo; ● Ética e a vida animal; ● Ética e o meio ambiente; ● Ética profissional: Sala de aula e Conselho de Classe. Objetivos da Aprendizagem: ● Compreender o conceito de ética contemporânea e suas características; ● Entender o que é consumismo problematizando suas consequências para sociedade contemporânea; ● Refletir sobre a ética animal como forma de preservação a vida e respeito aos animais como seres vivos; ● Compreender a importância do meio ambiente e a importância da preservação e da sustentabilidade para sobrevivência da sociedade; ● Entender a importância da ética profissional para convivência no mundo do trabalho e a importância da ética no ambiente escolar desde a convivência diária até a prática do conselho de classe. UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas Professora Esp. Alessandra Domingues Gomes 79UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas INTRODUÇÃO Seja muitobem-vindo (a)! Bem-vindos a Quarta unidade da disciplina de ética. Nesta última unidade estaremos estudando as questões éticas na contemporaneidade. No primeiro capítulo, será abordado o conceito de ética na contemporaneidade, seus desdobramentos através do pragmatismo, marxismo, existencialismo e psicanálise. Dando sequência ao estudo sobre ética abordaremos o tema consumismo. O debate sobre o consumismo é bastante atual pois trata de questões muito amplas que perpassam desde a economia até o processo social do consumo desenfreado. No terceiro capítulo a abordagem se dá pela ética animal, o direito à vida a proteção e a dignidade, baseado em leis constitucionais que buscam de forma ampla mudar o pensamento e as ações dos homens em sociedade. A ética ambiental será o tema do quarto capítulo em que será explorada a importância do meio ambiente quanto a qualidade de vida, sustentabilidade e preservação da natureza. Encerro nossos estudos explorando outro tema muito polêmico que a ética profissional e seus desdobramentos quanto ao conselho de classe e a sala de aula. Espero que a presente leitura contribua para a formação acadêmica de todos, refletindo em um crescimento científico, social e intelectual. Muito obrigada e bons estudos! 80UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas 1. A ÉTICA NA CONTEMPORANEIDADE E SUAS PERSPECTIVAS FILOSÓFICAS A ética contemporânea teve início no século XIX e se estende até os dias atuais. Seu surgimento veio a partir de uma época em que ocorreram progressos científicos e técnicos, além de um desenvolvimento muito promissor das forças produtoras. Assim a observação e reflexão sobre a filosofia se tornam menos perceptíveis por fazerem parte de um período mais próximo a realidade vivenciada, o que não impede uma análise filosófica e crítica referente ao período. Foi no século XIX que a descoberta da historicidade ganhou presença quanto ao homem, sociedade, ciência e Arte. Neste sentido cresceu e materializou a ideia de progresso, de que a sociedade se aprimora com o tempo, que acumulam conhecimento, se tornam cada vez mais evoluída. Este período também foi de grande importância, pois além de valorizar as mudanças no sistema social, também passou a valorizar um novo comportamento social, princípios e bases. As principais correntes da ética contemporânea São o existencialismo, pragmatismo, a psicanálise, o marxismo, o neopositivismo e a filosofia analítica. 81UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas 1.1 Existencialismo O existencialismo é baseado na análise e no comportamento da existência humana. Esta corrente filosófica defende que primeiramente os seres humanos existem, e com o passar do tempo cada indivíduo exaltará a sua essência ou natureza. Kierkegaard é a base da origem do existencialismo. O existencialismo representa uma reação humanista contra a alienação. Kierkegaard refletiu sobre temas complexos como a morte, angústia, assuntos estes nos quais o filósofo não se ateve as discussões tradicionais que representam um posicionamento negativo e analisou que elas são condições básicas e necessárias para a vida humana, demonstrando de fato as características de um indivíduo. O filósofo teve em sua história uma defesa incessante quanto a palavra de Deus. No entanto para Kierkegaard a igreja acreditava na interpretação de uma religião tendenciosa e separava os indivíduos quanto à sua natureza. Kierkegaard entendeu que a filosofia negligenciou a existência humana, pois o existencialismo deveria ser estudado com mais profundidade visto que a compreensão sobre a angústia, a ironia e a repetição são primordiais para o entendimento do homem quanto um ser social. 1.2 Pragmatismo De acordo com Japiassu (2005), a palavra pragmatismo vem de origem grega que significa pragmáticos e do latim pragmático que ser prático. Pragmático é aquele que prioriza a praticidade, algo bem definido significa, fugindo do improviso, baseando-se na lógica, ou seja, algo só será verdadeiro se trouxer respostas e soluções imediatas. A formulação original veio por Charles Sanders Piercin. Em sua obra, a Crítica da Razão Pura, Kant disse que se por um lado todo experiência sem a forma de conceito é cega, o conceito sem o conteúdo da experiência é vazio. É possível exemplificar da seguinte maneira: Se Maria é conhecida por ser uma boa mãe, só será possível comprovar observando o comportamento futuro de Maria, do contrário ela só poderia dizer que Maria tem sido uma boa mãe. Assim o pragmatismo afirma que só podemos conhecer realmente alguém através de suas ações. O pragmatismo em seu conceito inicial tem a proposta de direcionar um pensamento, evitando que a razão se aproxime do abstrato, se afastando do objeto que é a realidade, a vida. Assim o pragmatismo se aproxima da ciência incluindo em suas ações a observação, a formulação de hipóteses, a reflexão e o resultado em si. Não observa no homem nenhuma segurança quando a realidade por correta, a verdade só seria afirmada a partir de uma longa observação. Para ele não existe uma verdade definitiva, contamos com conhecimento provisório. 82UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas 1.3 Psicanálise A reflexão sobre a psicanalise se inicia ressaltando que mesmo antes do trabalho tão marcante e de grande valor para psicanálise feito por Freud, alguns filósofos trabalharam este conceito, destacando sobre o processo não consciente. Assim é possível determinar que há uma relação entre filosofia e psicanálise. Entre os principais precursores que estudaram essa relação podemos apontar Schopenhauer no âmbito da filosofia e Freud como o maior psicanalista da história. Quando Freud passou a investigar sobre a histeria e os seus sintomas, o estudo sobre este caso passou a ser visto com seriedade, se referindo aos impactos psicológicos e sensíveis, se aprofundando sobre o estudo sobre a consciência, desde então Freud criou o chamado método catártico, que passou a dar forma a teoria psicanalítica de Freud. O então conhecido método catártico levou Freud a analisar e interpretar os sonhos dos pacientes. Assim é possível identificar que a psicanálise passou aprofundar um estudo no qual Schopenhauer e Nietzsche já haviam citado como processos não conscientes anteriores a psicologia e a psicanálise. Mesmo havendo esta relação entre psicanálise e filosofia, era de conhecimento que Freud não teria qualquer interesse em se aprofundar em desenvolver um método filosófico acerca da vida, visto que o interesse de Freud era na psicanálise e no conhecimento científico Ideias como o conceito de vontade desenvolvido por Schopenhauer, e o inconsciente de Freud mostraram algumas relações, isto porque para Schopenhauer a vontade é algo que está no sujeito mesmo antes que ele possa entender o mundo como um objeto. Para ele a vontade pode ser algo autodestrutivo pois é um querer essencial e inesgotável. Ela se coloca como independente e superior ao princípio da razão pois se apresenta como um desejo cego e instintivo. Para o filósofo o princípio da loucura estaria sobre algo que o indivíduo reprimiu. Assim é possível afirmar que a contribuição filosófica sobre esses conceitos foi de grande inteligência, além de colaborar com entendimento da consciência humana. No entanto, a contribuição inovadora de Freud diante da psicanálise deverá ser sempre exaltada pois sua abordagem psicológica e em científica trouxe vários conceitos a serem estudados e debatidos, sendo assim o estudo de ambas, embora com abordagens diferenciadas, podem se completar colaborando com a consciência dos seres humanos. 83UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas 1.4 Marxismo A ética vista como uma reflexão filosófica tem um papel fundamental quando busca por explicar a concepção da realidade humana. Assim, ela compreende o conceito da moral através de suasteorias. No que tange o marxismo, o papel da ética busca através de suas reflexões elaborar uma crítica as teorias e práticas religiosas, ao modo de produção capitalista, exaltando de fato a existência do homem como ser social e histórico. Quanto à ética e o marxismo, é possível compreender a ideia de termos o homem como ser social histórico, relacionando as suas necessidades básicas, sua sobrevivência em sociedade, com a ideia do papel do capitalismo e a força de trabalho do homem, e ainda a concepção de que esses valores andam em direção contrária, mas ao mesmo tempo estão alinhados no sentido de que, o capitalismo possui os meios de produção, no entanto a força de trabalho é necessária para que esses meios de produção possam gerar lucro. Então em um processo ético é possível analisar a ideia de que o homem enquanto possuidor dos meios de produção deva de forma ética, valorizar a força de trabalho daqueles que proporcionam o lucro para que ele possa continuar sendo o detentor dos meios de produção e do lucro. Agir de forma contrária a isso, através da exploração e do não reconhecimento da importância do homem enquanto o ser que produz, faz com que este indivíduo ande em mão contrária a efetivação da ética. Marx de fato não fez uma leitura direcionada aos conceitos éticos, no entanto a reflexão ética quanto a Marx está presente em suas reflexões e na tradição do seu contexto histórico. Primeiramente se coloca na fundamentação nas tradições marxistas se fundamentando em uma crítica cética, com base em ideias idealistas, especulativa e utilitária. Essas ideias são baseadas no hedonismo, ética religiosa entre outras questões. Em um segundo momento quando Marques faz uma crítica ao modo de produção em relação ao homem a natureza e a sociedade um pensar ético. De acordo com Marx a existência social do homem que irá determinar a sua consciência de acordo com as circunstâncias por ele vivenciadas. Por esse motivo a ética marxista não se pauta em conceitos abstratos, mas sim nas condições vivenciadas pelo homem. 84UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas 1.5 Neopositivismo Também relacionado com o positivismo lógico e empirismo lógico. Esta corrente filosófica foi constituída entre 1920 e 1930 por um grupo de filósofos que constituíram o círculo de Viena. Este movimento tem origem na filosofia ocidental, para esta teoria somente as observações verificáveis através de uma prova lógica podem ser consideradas verdadeiras. Para o neopositivismo a verdadeira filosofia é uma filosofia científica, com base nas estruturas das ciências empíricas. O surgimento do positivismo lógico ou neopositivismo se constituiu no círculo de Viena liderado por Moritz Schlick, neste grupo pertencia filósofos, cientistas renomados e importantes na época. Por volta de 1929, esta corrente já possuía vários seguidores, no entanto, após a morte Schlick e o avanço nazista durante a segunda guerra o neopositivismo perdeu forças chegando a total decadência nos anos 60. Os principais temas defendidos pelo neopositivismo era o: ● Verificacionismo, baseado na verificação de tudo o que era científico ou não como critério científico e filosófico, ou seja, uma observação só seria significativa se existisse um processo finito para concluir a sua verdade. ● O conhecimento analítico e sintético só é validado quando explicado por si mesmo, como por exemplo a matemática pura ou a lógica pura, são casos em que a verdade por si só explica todo seu conceito. Por exemplo um homem solteiro não é casado. ● A ciência unificada é outra característica do neopositivismo, nela é necessário entender e defender a ciência e diferenciá-la do que é metafísico ou religioso, buscando assim que todas as afirmações científicas pudessem ser expressas de maneira clara e objetiva. Nela acredita-se que todas as explicações devem ser científicas. As críticas neopositivismo surgiram quando alguns filósofos passaram a compreender que nem todos os princípios podem ser formulados e respondidos de forma consistente. Existem temas que não podem ser verificados de forma definitivo, o que não significa que não sejam verdades, esses questionamentos levaram ao enfraquecimento do movimento. 85UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas 2. CONSUMISMO O ato de consumir faz parte das necessidades vitais humanas, necessárias para sobrevivência como por exemplo: alimentar-se, vestir-se, abrigar-se. No entanto, o ato de consumir não se restringem somente as necessidades básicas de sobrevivência, mas também oferece condições para desenvolver a sociedade de uma forma mais abrangente. O ato de consumir pode ser estabelecido como uma forma consciente, mas também por sensações e necessidades que passam a fazer parte do desenvolvimento do ser humano e por sua sensibilidade, imaginação e transformação enquanto ser humano, um exemplo disso é o ato de alimentar-se, o alimento deixa de ser uma prática unicamente de sobrevivência quando o indivíduo passa a adquirir preferências, vontades, refinamentos quanto ao seu gosto alimentar. Neste caso ele passa a ser um consumo simbólico quando o indivíduo passa a dar significado a essa necessidade básica, sendo assim alimentar-se não é somente uma questão de sobrevivência, mas proporcionam satisfação física, intelectual, emocional, de acordo com sua existência em sociedade. Todas as esferas do consumo registram frontalmente esse formidável impulso de individualização. Sob esse aspecto, a evolução dos comportamentos alimentares é particularmente exemplar. Enquanto a oferta é mais variada e mais exótica, os cardápios, os horários, os lugares de refeição dependem de escolhas muito mais pessoais que de regras coletivas: hinos a hora da desestabilização do sistema das refeições e da alimentação desestruturada. Mesmo a relação com a moda se subjetivismo, os adultos compram aquilo de que gosta, o que lhes cai bem (LIPOVETSKY, 2010, p. 105). 86UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas O consumir seja através de alimentos, roupas, objetos pessoais entre outros envolve a relação com outros indivíduos no seu processo de formação. Faz parte do ato de consumir questões éticas, como por exemplo comprar apenas de empresas que não exploram a mão de obra do trabalhador, não adquirir produtos piratas, não consumir produtos que envolvam experiência com animais na sua formulação. Outra questão quanto ao consumo está na prática de não gerar o desperdício, agindo de acordo com as necessidades necessárias levando em conta a sustentabilidade do planeta gerando a consciência do consumidor. A ideia de consumir diversos produtos de diversas origens, muitas vezes está vinculado pelas propagandas expostas nas mídias. Por diversas vezes a sociedade se pauta pela preferência na leitura de determinadas revistas, jornais, blogs, que usam sua imagem para influenciar seus consumidores, causando assim a atração por determinados produtos, que são consumidos por diversas vezes, por estarem expostos nas mídias. Um exemplo é o uso de produtos de beleza, em que muitas mulheres adquirirem shampoos, cosméticos produtos para emagrecimento, pois suas propagandas estão nas mídias levando ao entendimento de que esses produtos também são consumidos por pessoas famosas e influentes aumentando assim as vendas de determinadas marcas. Consumir é preciso e deve ser uma atividade salutar como tantas outras que fazem parte do cotidiano humano. A questão é se estamos preparados para ser bons consumidores. O bom consumidor satisfaz suas necessidades essenciais permitisse a prazeres eventuais e, como mínimo de planejamento, ainda consegue, dentro de suas possibilidades, fazer algum nível de poupança para os tempos mais difíceis. Estes sempre viram: todos estamos sujeitos a marés da vida. Não existe ser humano que só tenha dias bons e vitórias intermináveis. Por isso, prepare-separa os dias em que a mar o mar não está para peixe faz parte da sabedoria do bem viver (SILVA, 2014, p. 26). A questão do consumismo perpassa a ideia de comprar além das necessidades básicas. Na atualidade o mundo da produção para o consumo investe em publicidade a fim de torná-lo conhecido. Essas propagandas têm em sua essência o objetivo de provocar artificialmente a necessidade da compra. Desta forma surge a sociedade de consumo na qual seduzem seus compradores através de anúncios, crediários, campanhas publicitárias onde o consumidor muitas vezes, mesmo não tendo condições financeiras para adquirir determinados produtos, vão além de suas capacidades financeiras para possuir tudo aquilo que é exposto nas mídias sociais. Esse tipo de ação gera o chamado consumo alienado, provocando desejos nunca satisfeito. Assim, a necessidade de consumir aquilo que o desejo alimenta perpassa a relação com as necessidades reais, levando as pessoas a comprarem além do necessário e muito além do que seu poder aquisitivo permite. 87UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas Muitos filósofos tendem a compreender a sociedade contemporânea consumista não como indivíduos que proporcionam atos alienados, mas observam o fenômeno do consumo como uma ação comum para os tempos atuais. Isso acontece devido as técnicas de marketing e os preços mais acessíveis a um maior número de pessoas. O francês Gilles Lipovetsky, que na sua essência não demoniza o consumo, mas entende que esta é uma nova fase mais intimista e personalizada. Ele ainda considera que o poder massificador da publicidade e os malefícios do hiperconsumismo através da ilusão de que a mercadoria trará a felicidade pode acarretar uma falsa sensação de que o consumo se converta no principal sentido da vida de uma pessoa. 88UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas 3. ÉTICA E A VIDA ANIMAL As questões éticas quanto aos animais tem sido alvo de muitas discussões, críticas, sugestões e reflexões nos últimos anos. Cientificamente falando, a ideia de que a sobrevivência humana, a cura para doenças, a evolução na estética, perpassam a consciência de que os animais também são seres vivos e necessitam de respeito e dignidade. Diante dessas reflexões e questionamentos muitos são os estudos, os debates sobre a preservação e respeito a vida animal. Nos últimos anos, pesquisas e debates levam ao entendimento de que é necessário respeito na relação entre pessoas e animais, a ética animal está relacionada com a existência, com a vida, com amor e dignidade. Para isso é necessário compreender a necessidade vitais dos animais, e assim objetivar o desenvolvimento de programas que perpassam a ideia de somente informações, mas que promovam discussões no âmbito científico, moral e ético, a fim de aumentar a tomada de decisões quanto ao respeito à vida. Analisando tempos passados é possível compreender que o status dos animais estavam relacionados ao valor das coisas como objetos inanimados. Nas últimas décadas este pensamento passou a ganhar um novo olhar. A vida dos animais passou a ter outro significado e valor, e a busca pela efetivação desses direitos evoluiu enquanto necessidade social, desenvolvendo ajuda humanitária e jurídica junto aos animais. 89UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas Assim leis foram criadas com o intuito de proteger os animais, no entanto mesmo com ações humanas que evoluíram moralmente e socialmente, eles ainda são vistos como propriedades e muitas vezes ignorados ou deixados à margem da sobrevivência e dignidade além do respeito à vida. De acordo com a Constituição Federal de 1988, através do decreto nº 24645, os animais passam a receber um cuidado legal específico, denominando atitudes que são consideradas cruéis como crimes, permitindo aos animais serem representados legalmente pelo ministério público. Ainda é possível estender esses cuidados citando a declaração universal dos direitos dos animais que foi proclamada pela UNESCO em sessão realizada em Bruxelas, na Bélgica, em 27 de janeiro de 1978 na qual cita entre os seus artigos o direito à vida no seu ambiente natural, o direito ao respeito, o direito a não exploração ao trabalho, o direito a atenção aos cuidados. Assim como o direito que fala sobre a não submissão, a maus-tratos e nem a atos cruéis, além do não abandono de um animal visto como um ato cruel e degradante. Portanto a ética busca uma reflexão crítica sobre diversos assuntos na qual determina como devemos agir e por quê. A ética animal se resume as ações e as decisões morais dos seres humanos. No entanto, é possível perceber que existe uma grande diferença entre o que é dito e o que é feito quanto a proteção e garantia de dignidade aos animais, em que muitas atitudes não correspondem as teorias moralistas descritas pelos humanos. Em períodos distintos encontramos olhares filosóficos diferentes, com perspectivas totalmente opostas de acordo com o período da história. Por volta do século XVII, visto por filósofos como Descartes, os animais eram como máquinas criadas por Deus para servir ao homem. Em outro período futuro surge a ideia da senciência animal, ou seja, ciência de que os animais sentem dor, amor, prazer, entre outras sensações. No entanto esta teoria não foi aceita, afinal os animais eram apenas máquina de uso dos seres humanos. O século XVIII não trouxe grandes diferenças em relação ao século XVII, filósofos como Kant aceitavam os animais como sencientes, mas acreditava que os seres humanos não teriam nenhuma obrigação moral quanto aos animais seguindo a ideia de que os mesmos existiam para contemplar as necessidades humanas. Eles não tratavam os animais como seres vivos que tinham necessidades de sobrevivência elas apenas se preocupavam em garantir os direitos de propriedade, não gerando aos humanos obrigações junto aos animais. 90UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas O filósofo Jeremy Benthan, compreendeu de forma humana, as necessidades dos animais mesmo reconhecendo a diferença entre ele, defendeu que os animais também são capazes de sofrer, sendo assim seria necessário que os humanos também tivessem obrigações morais junto aos animais. Benthan defendeu a ideia de que os animais não deveriam passar por sofrimentos desnecessários e que os humanos deveriam ter obrigações com seus animais. Assim surge o princípio do tratamento humanitário nos quais os animais passaram a ter direitos junto as leis vigentes, foram criadas leis específicas como a Lei nº 24645 que prever o direito animal junto ao estado e seus tutores, garantindo assim tratamento humanitário leis contra abuso ou crueldade contra animais, proteção e cuidados entre outras ações. 91UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas 4. ÉTICA E O MEIO AMBIENTE De acordo com Aranha (2009), a ética ambiental é o ramo que se aplica e trata das relações dos seres humanos com a natureza. Ela se dedica as questões da sustentabilidade e as consequências da exploração do homem contra os recursos naturais como por exemplo a poluição industrial, a poluição agrícola, o esgotamento dos recursos naturais, as agressões que provocam o desequilíbrio do ecossistema, desmatamento entre outras questões. Todos esses temas nos remetem para um total desequilíbrio quanto ao sistema natural, podendo essas ameaças trazer prejuízos irreparáveis para humanidade, para natureza, para os animais. Aranha coloca que até a segunda metade do século XX a ética antropocentrista que relacionavam o indivíduo e suas relações com os demais seres humanos, concebia a natureza como algo que estivesse a serviço do homem, podendo estar a seus serviços para ser explorada conforme suas necessidades. Assim a ética ambiental aumentou suas discussões quanto a prática dos valores éticos, comprometendo assim os indivíduosa terem uma obrigação moral e legal quanto à preservação da natureza e com o destino da humanidade. Aranha ressalta que mesmo com os inúmeros sinais de alerta, muitos seres humanos ainda duvidam de um possível desastre ambiental irreparável. Uma nova noção de responsabilidade se estendeu para comunidades, empresas, administrações, governos, nas quais é exigida a responsabilidade com relação à sustentabilidade. 92UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas Aranha ressalta que a ética ambiental deve ser pautada em um desenvolvimento sustentável, exigindo assim um comprometimento social e ambiental capaz de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer as gerações futuras. Assim a ONU cria uma comissão mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental. Historicamente o homem tem se deparado com vários desastres naturais o que é uma ameaça a sobrevivência na terra, isso muitas vezes acontece devido à degradação dos recursos naturais e a ação do homem que de forma desorganizada e irresponsável, colocando em risco o ecossistema com o objetivo de garantir a sobrevivência de indústrias que muitas vezes não tem responsabilidade com o meio ambiente, causando grandes desastres o que proporcionam a morte de animais, à extinção da fauna e da flora, prejudicando diretamente o desenvolvimento humano, causando danos irreparáveis a saúde e a sobrevivência do homem. 93UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas 5. ÉTICA PROFISSIONAL: SALA DE AULA E CONSELHO DE CLASSE Chamamos de ética profissional um conjunto de normas e ações que formam a consciência moral diante das suas representações quanto a conduta e a forma de agir. Muitas vezes a ética profissional pode ser compreendida como o cumprimento das obrigações dentro do ambiente de trabalho. No entanto este sentido é muito mais amplo, pois o conceito ético profissional está na forma de agir, de se orientar, é a consciência do dever e não somente o cumprimento da obrigação. Quando pensamos na ética profissional, estamos falando da consciência do cumprimento do dever de forma ampla, baseado na honestidade, na busca pela competência, a responsabilidade com a profissão, com os colegas de trabalho e com a sociedade. Para fortalecer essa conduta, temos o código de ética profissional. Este código se pauta em um conjunto de normas éticas que deve ser seguido no exercício profissional de cada indivíduo, ou de um grupo, normalmente este código é elaborado pelos conselhos que representam cada profissão em seu exercício. A partir do momento em que o código de ética profissional é estabelecido, deverá ser garantido no ambiente de trabalho, ações que irão contribuir para garantir o bom andamento das atividades profissionais favorecendo a organização harmoniosa e profissional. Nos ambientes escolares, o conceito ético é debatido diariamente por todos os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Abordar o assunto quanto a ética profissional e o ambiente escolar contribuir para o desenvolvimento da educação como um todo, priorizando desde os educandos e educandas e todos os profissionais que fazem parte do contexto escolar. 94UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas Uma primeira questão a ser de batida é a consciência de que a vida em sociedade necessita da criação de regras, valores e costumes que irão direcionar as relações em sociedade. A escola como um ambiente de aprendizagem requer regras e normas para facilitar a convivência entre os grupos. Essas relações devem ser pautadas no diálogo, na empatia, na cooperação, na prática dos valores aprendidos. É de suma importância refletir sobre o momento histórico vivenciado na atualidade, momento em que a educação busca de forma ampla efetivar seus valores, reafirmar as políticas educacionais nas quais o conhecimento científico não se sobreponha aos valores morais, mas que eles possam conjuntamente corroborar na formação cientifica, humana e cidadã dos educandos. A escola tem como princípio a aquisição do conhecimento científico, mas a prática dos valores éticos e morais pressupõe na ampla formação de cada uma das crianças e jovens para que no futuro, além de uma base científica que possa transformá-lo em um profissional competente, compreenda-se que é necessário formar também cidadãos e cidadãs com valores que garantam uma convivência cordial e ética em sociedade, que internalizem o valor do respeito, da igualdade, da honestidade, e do caráter enquanto ser humano. Para escola permear todo esse conhecimento e esses valores tem sido um grande desafio. Um ambiente escolar é formado por inúmeras pessoas com histórias, valores, e ações diversificadas. Neste contexto cabe aos educadores e a todos que fazem parte do processo de ensino-aprendizagem ter um comprometimento para que possa ser proporcionado a todos os alunos e alunas a melhor qualidade de ensino científico, educação e formação ética. Inúmeros são os desafios diários vivenciados em um ambiente escolar. São várias as dúvidas, as discussões, que perpassam entre todos aqueles que fazem parte da formação escolar de todos os alunos. Mas todas as discussões, dúvidas, reflexões e questionamentos surgem que diariamente são discutidos, refletidos e os caminhos a serem tomados definidos através do conselho de classe. O conselho de classe trata de assuntos didático-pedagógicos, fundamentado no projeto político pedagógico escolar e no regimento escolar. É no conselho em que professores, equipe pedagógica e direção irão se reunir para discutir, avaliar e tomar decisões que possam garantir o melhor caminho e resultado para cada um de seus alunos. As decisões tomadas em conselho são definidas conjuntamente com todos os envolvidos. 95UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas Normalmente em um ambiente escolar este processo de análise, tomada de decisão, prática das ações são divididos em três momentos. Primeiramente é contemplado o pré- conselho no qual ocorre as observações e possíveis encaminhamentos metodológicos. Em um segundo momento ocorre a discussão e reflexão sobre as questões pontuadas, em que os problemas são expostos e diagnosticados, e possíveis ações são definidas em conjunto, a fim de garantir a aprendizagem do aluno. Por fim ocorre os pós-conselho, momento no qual as ações previstas em conselho de classe são efetivadas. O objetivo de um conselho de classe e agir com uma ação educativa, pensando na formação de todos os alunos. É necessário que os envolvidos tenham um conhecimento sobre seus alunos desde o início do ano letivo, pois ao conhecer a realidade social em que eles vivem, é possível traçar metas que possam garantir o sucesso no decorrer do processo educacional assim como buscar metodologias que garantam a efetivação do conhecimento. Quando esses valores não são colocados em questão, o professor corre o risco de analisar o processo de conhecimento deste aluno sem compreender o seu contexto social, e com isso acabar executando uma ação meramente burocrática que cabe a sua função como professor, mas não estará analisando, refletindo e assumindo ações que possa de fato garantir o aprendizado e a formação de seu aluno. Assim, o conselho de classe é um momento no qual os professores, equipe pedagógica e direção poderão trocar informações e conhecimento individualizado referente a cada um de seus alunos e neste contexto poderá de fato assumir um posicionamento enquanto educador que busque a efetivação do conhecimento de seus alunos, e assim agindo de forma ética, de acordo com os valores pedagógicos por ele apreendido no decorrer de sua vida profissional para que no final possa chegar a um único objetivo que será sempre o sucesso científico e a formação social e cidadã de cada um de seusalunos e alunas. 96UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas SAIBA MAIS O episódio de hoje trata de um assunto polêmico: é ético fazer testes em animais para garantir a segurança dos produtos cosméticos utilizados pelos humanos? A animação Save Ralph, produzida pela organização Humane Society International, trouxe à tona essa questão e o Oxigênio resolveu investigar! Para entender melhor, a jornalista Rebecca Crepaldi e a bióloga Fernanda Capuvilla entrevistaram dois convidados: Victor Infante, Doutor em Ciências Farmacêuticas com ênfase em medicamentos e cosméticos pela USP, e Ana Carolina Figueira, Doutora em Ciências na área de Física Aplicada Biomolecular, também pela USP, e, atualmente, pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Espectroscopia e Calorimetria do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). A discussão, então, gira em torno da história da testagem em animais, do avanço da Ciência e da existência de testes alternativos para muitos experimentos! Acompanhe através do podcast que se encontra no link abaixo: Fonte: Ainda é necessário usar animais para testar cosméticos? Disponível em: https://www.oxigenio. comciencia.br/131-ainda-e-necessario-usar-animais-para-testar-cosmeticos/. Acesso em: 14 jan. 2022. https://www.oxigenio.comciencia.br/131-ainda-e-necessario-usar-animais-para-testar-cosmeticos/ https://www.oxigenio.comciencia.br/131-ainda-e-necessario-usar-animais-para-testar-cosmeticos/ 97UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas REFLITA CONSELHO DE CLASSE: EXPECTATIVAS PARA O CENÁRIO EDUCACIONAL EM 2022 Acompanhe uma importante reflexão sobre as expectativas quanto a educação e a prática dos conselhos de classe. O podcast aborda a questão da educação, as políticas educacionais, a valorização da educação e os índices sempre em evidencia nas políticas públicas e o sistema de avaliação, além das questões tecnológicas que abarcam as necessidades da educação no Brasil. Fonte: HENRIQUES, Ricardo. Conselho de Classe. CBN podcast. Disponível em: https://audioglobo.glo- bo.com/cbn/podcast/feed/838/ricardo-henriques-conselho-de-classe. Acesso em: 14 jan. 2022. https://audioglobo.globo.com/cbn/podcast/feed/838/ricardo-henriques-conselho-de-classe https://audioglobo.globo.com/cbn/podcast/feed/838/ricardo-henriques-conselho-de-classe 98UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro (a) acadêmico (a), Chegamos ao final da quarta e última unidade. Tivemos até aqui uma jornada de muita leitura e reflexão, onde podemos refletir sobre o sentido dá ética e seu posicionamento em sociedade, na qual prioriza as ações e reações dos seres humanos em seu meio social. Nesta unidade nossos estudos se iniciaram abordando sobre a Ética contemporânea e sua importância para o bom viver em sociedade, assim como as divergências, questionamentos, reflexões e ações que possibilitam o ser humano viver em sociedade respeitando os limites impostos por ela. No segundo capítulo podemos compreender a questão do consumo exagerado, os motivos que levam as pessoas a consumirem desenfreadamente muitas vezes perpassando suas condições econômicas e suas necessidades humanas, buscando a compreensão das consequências dessa ação. Continuando nossa leitura no terceiro e quarto capítulo tratamos de assuntos que são origem de discussões diárias em redes sociais, canais de informações, meios jurídicos entre outros. Nosso foco tratou da ética na natureza e o respeito ao meio ambiente e os animais, perpassando desde a consciência ética até as questões legais estabelecidas na legislação brasileira. Por fim chegamos ao quinto e último capítulo abordando sobre a ética no ambiente escolar, as ações do corpo docente e discente e as práticas dos conselhos de classe. Espero que essa leitura possa ter trazido conhecimento e reflexões sobre os temas relacionados, corroborando nas práticas acadêmicas durante a formação e nas práticas vindouras. Assim concluímos nossas quatro unidades de estudos. Desejo que estes momentos tenham sido prazerosos e que tenham colaborado para ampliar as questões filosóficas. Saudações e sucesso a todos (as)! 99UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Mentes Consumistas: Do consumo à compulsão das compras Autor: Ana Beatriz Barbosa Silva. Editora: Principium. Sinopse: Você acredita que a sua felicidade está no que você compra? Seus gastos já lhe causaram problemas financeiros? Se sua resposta foi sim, você pode sofrer de um problema cada vez mais comum - a compulsão por compras. O comprador compulsivo é insaciável. Seu prazer não está na posse dos objetos, mas no ato da compra em si. Com o estilo que a tornou um fenômeno editorial, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos no Brasil, a médica psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva volta suas atenções para a dinâmica da mente consumista, apontando soluções para lidar com a questão e alertando para a inversão de valores de uma sociedade que confunde consumo com promessa de felicidade. FILME/VÍDEO Título: Xingu Ano: 2011. Sinopse: Os irmãos Orlando (Felipe Camargo), Cláudio (João Miguel) e Leonardo Villas Bôas (Caio Blat) resolvem trocar o conforto da vida na cidade grande pela aventura de viver nas matas. Para isso, resolvem se alistar no programa de expansão na região do Brasil central, incentivado pelo governo. Com enorme poder de persuasão e afinidade com os habitantes da floresta, os três se tornam referência nas relações com os povos indígenas, vivenciando incríveis experiências, entre elas a eterna conquista do Parque Nacional do Xingu. 100 REFERÊNCIAS AGOSTINHO, S. A cidade de Deus, parte II. 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Na Segunda unidade, introduzimos um conhecimento teórico sobre a filosofia ética na Grécia antiga, apresentando o período clássico, os principais filósofos socráticos e a origem de suas heranças teóricas para o mundo contemporâneo, que nos influenciam até os dias atuais. O Terceiro capitulo foi dedicado a filosofia ética no período medieval e moderno, assim foi possível refletir sobre correntes filosóficas como o cinismo, estoicismo, epicurismo, os principais filósofos do período como Santo Agostinho, Kant, Espinosa, e ainda aborda temas tão atuais e relevantes, como livre arbítrio e determinismo. A Quarta e última unidade abordou temas contemporâneos muito relevantes e dis- cutidos como consumismo, ética animal, ética e o meio ambiente, e um assunto de grande expressividade para a licenciatura que fala sobre ética nas salas de aula e o conselho de classe, tema essa de grande debate e polêmica nos ambientes escolares. Assim, espero que a partir desses estudos e conhecimento adquirido você possa desenvolver suas habilidades e pensamento crítico quanto a educação, os valores éticos e filosóficos, desenvolvendo e evoluindo de forma brilhante no percorrer de sua caminhada. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada! +55 (44) 3045 9898 Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR www.unifatecie.edu.br UNIDADE I Introdução a Moral e Ética UNIDADE II Ética na Filosofia Grega Clássica UNIDADE III Introdução a Ética no Período Medieval e Moderno UNIDADE IV A Ética Contemporânea e suas Perspectivas Filosóficas