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1 Curso de Enfermagem em Saúde do Idoso MÓDULO III Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos na Bibliografia Consultada. 77 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores MÓDULO III CUIDADOS À SAÚDE DO IDOSO O cuidado à saúde do idoso carece de atenção de profissionais e cuidadores que tenham conhecimentos para abordagem do indivíduo em processo de envelhecimento. Portanto, o exercício de enfermagem oportuniza o cuidado integral e contextualizado, seja na área hospitalar ou no domicílio, tendo como parceiros o idoso, a família e o cuidador. Tais assuntos que serão abordados nesse módulo estão relacionados aos aspectos individuais e coletivos, a saber: o uso de medicamentos, a sexualidade, o climatério, a menopausa, a andropausa, as imunizações, as síndromes geriátricas, o luto e viuvez, e os maus tratos no envelhecimento. Assim, torna-se necessário conhecer de forma exaustiva as necessidades e as demandas das pessoas idosas para propiciar cuidados à saúde, que possibilitem a satisfação em viver bem e com qualidade de vida. Nesse sentido, busca-se promover a saúde e prevenir morbidades decorrentes de situações que podem levar ao declínio da capacidade funcional e a instalação da dependência parcial ou total. 11 MEDICAMENTOS E ENVELHECIMENTO Muitos agentes farmacológicos utilizados por pessoas idosas ao combate morbidades de longa duração podem trazer alguns danos à saúde associadas ao aparecimento de novas morbidades. Por sua vez, os idosos apresentam declínio da capacidade funcional na farmacocinética dos medicamentos em seu organismo. Tal farmacocinética refere-se à absorção, ao metabolismo, a distribuição e a excreção de substâncias farmacológicas. Tal afirmação decorre de estudos que apontam diferenças nas quatro etapas citadas quando se compara o organismo do jovem ao do idoso. (NASCIMENTO, 2002). Entretanto, sabe-se que o acúmulo das substâncias farmacológicas no organismo poderá provocar distúrbios metabólicos e tóxicos. 78 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores Além disso, tem-se o conhecimento de que a sobreposição de diversas morbidades no organismo possibilita a polifarmácia, que é consumo de diversos medicamentos, os quais podem apresentar interações medicamentosas e suscitar as reações adversas severas à saúde humana. Portanto, o uso de medicamentos deve ser criterioso quanto à dosagem, aos horários e sob prescrição médica, bem como ter conhecimentos das possíveis interações medicamentosas, seja por sinergismo ou antagonismo. Cabe ressaltar que nessa fase do ciclo vital a tendência para a automedicação aumenta especialmente os medicamentos por via oral. Em relação à farmacocinética dos medicamentos, Nascimento (2002) ressalta que na absorção pode apresentar as seguintes alterações: − Diminuição de células na mucosa gastrintestinal. − Diminuição do número de cílios absorventes. − Redução da motilidade gastrintestinal e da função esfincteriana. − Ampliação do tempo para que ocorra o esvaziamento gástrico. − Menor fluxo sangüíneo, retardando a absorção de substâncias. − Menor volume e hipoacidez da secreção gástrica. Na etapa da distribuição do medicamento após absorvido, que passa à circulação, poderá ser identificado: − Nível plasmático da droga elevado. − Alteração do volume da distribuição da droga, devido à composição corporal. − Redução do fluxo sangüíneo. − Aumento de fração livre no plasma, por redução de proteínas plasmáticas. − Aumento do risco da fração livre que se torna tóxica, sendo possível surgir os efeitos adversos e as interações medicamentosas. Na fase de metabolização, ou seja, da biotransformação da substância ativa em inativa pode o organismo apresentar: − Redução da função hepática. − Diminuição do glicogênio. 79 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores − Declínio da perfusão do sangue no fígado. − Disfunção hepática. E na fase da excreção, principalmente, por via renal: − Redução da filtração glomerular. − Redução da função de reabsorção e secreção tubular. (NASCIMENTO, 2002). As reações adversas mais comuns estão relacionadas ao sistema neurológico e digestório, os quais podem afetar a absorção e metabolização das substâncias ativas, que poderão alterar a resposta do organismo humano. O uso continuado de alguns diuréticos e de cortisona pode provocar a perda de potássio, elevando o risco de arritmias em pessoas que usam digitálicos. (NASCIMENTO, 2002). As morbidades associadas às possíveis reações adversas de medicamentos podem causar a demência, a confusão mental, as quedas acidentais, a depressão, as hemorragias, a úlcera péptica, a gastrite, a constipação intestinal, a insuficiência cardíaca congestiva (ICC), as arritmias, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), a insuficiência renal, a hipotensão ortostática, a doença de parkinson, o glaucoma, a hipertrofia prostática, entre outros. (SECOLI e DUARTE, 2005). Secoli e Duarte (2005) complementam que os principais problemas estão associados à administração, entre os quais se destacam: − Erros relacionados à dosagem e horários. − Uso errado de medicamento. − Automedicação. − Não adesão à prescrição médica e desconhecimento das interações e dos efeitos adversos dos medicamentos. − Medicamentos divididos e trocados com amigos. − Ingestão prolongada de alguns medicamentos. Entende-se que o uso indiscriminado e excessivo de medicamentos ocorre em quase todas as etapas do ciclo vital. No entanto, os idosos apresentam perfil 80 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores para automedicação, elevando os riscos para efeitos adversos e interações potencialmente perigosas. Ainda, complementa-se que os medicamentos com baixo risco podem causar alterações cognitivas tanto em jovens como em idosos. Para as pessoas idosas o risco aumenta devido ao declínio da capacidade funcional dos sistemas, a fragilidade e ao uso contínuo de diversos medicamentos. As alterações fisiológicas do envelhecimento são as responsáveis pela maior predisposição dos idosos às complicações clínicas e cirúrgicas, inclusive determina maior risco para mortalidade. (NASCIMENTO, 2002). Cabe salientar que alguns medicamentos potencializam as reações adversas e as interações medicamentosas, a saber: os anticolinérgicos, os anti-histamínicos, os antiparkinsonianos, benzodiazepínicos, opióides, e os antidepressivos tricíclicos. Orienta-se que caso tais medicamentos não sejam essenciais para a homeostase corporal, devem ser diminuídos ou suspensos antes de procedimentos cirúrgicos. (SECOLI e DUARTE, 2005). Portanto, cabem ao profissional enfermeiro e aos demais membros da equipe de saúde a orientação de alguns cuidados na administração de medicamentos à pessoa idosa, dando especial atenção a insulinoterapia: − Orientar as dosagens e os horários de cada medicação. − Orientar as reações adversas. − Explicar as possíveis interações medicamentosas. − Orientar o uso da medicação sob prescrição médica. − Orientar para evitar medicamentos sugeridos por vizinhos,amigos e parentes. − Orientar o uso do medicamento sempre do frasco original. − Orientar os cuidadores para a supervisão da administração dos medicamentos. − Orientar para trazer sempre consigo a receita médica, para avaliação mais precisa de todos os medicamentos utilizados. 81 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores − Orientar que todo sinal/sintoma decorrente do uso de medicação deve ser notificada ao médico. (NASCIMENTO, 2002). 12 SEXUALIDADE NA TERCEIRA IDADE A sexualidade na terceira idade apresenta estereótipos de diversos significados que se associam as disfunções ou insatisfações com o ato sexual. A aparência física contribui para uma atitude inibitória da atividade sexual. No entanto, estudos apontam que há um grande número de idosos com idade superior aos 65 anos que continuam a atividade sexual e relatam estar satisfeitos com o sexo e seu parceiro. (GAVIÃO, 2005). A atividade sexual regular ajuda a manter a habilidade no sexo. Com o processo de envelhecimento, sabe-se que há diminuição de resposta aos estímulos. No homem, a produção de espermatozóides e testosterona diminui após os 40 anos. Por sua vez, a mulher idosa perde a libido, enquanto o homem mantém a libido, mas apresenta disfunções na ereção e ejaculação. As alterações podem intervir no aspecto sexual, social e psicológico da pessoa idosa. Os homens idosos percebem algumas alterações, tais como: − Depressão. − Irritabilidade. − Falta de impulso sexual. − Ereção menos rígida. − Redução da força de ejaculação. − Percepção mais limitada da ejaculação. − Diminuição do volume do sêmen. − Maior tempo para outra ereção. − Orgasmo mais rápido. − Maior tempo de estimulação manual. (NOBILE, 2002; GAVIÃO, 20005). As pessoas idosas podem apresentar sentimentos de temor e ansiedade que resultam em interpretações negativas sobre a atividade sexual, as alterações na 82 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores estrutura genital e a resposta sexual. Tais sentimentos podem emergir quando detectado a impotência sexual e frigidez feminina. Segundo Nobile (2002), a impotência sexual pode agravar-se em pessoas com diagnósticos de problemas cardíacos, diabetes e hipertensão arterial. Por sua vez, nos casos de morbidade e de invalidez que possam trazer alterações na sexualidade, não se deve impedir a pessoa idosa que tenha uma vida sexual satisfatória e de realização pessoal (GAVIÃO, 2005). Segue algumas orientações às pessoas idosas para manter a satisfação com atividade sexual: − Orientar a regularidade da atividade sexual contínua. − Orientar a auto-estimulação antes do ato sexual. − Orientar as consultas periódicas ao ginecologista e urologista. − Incentivar a atividade física. − Estimular a alimentação equilibrada. − Orientar as medidas para diminuir o estresse e a ansiedade. − Orientar o uso de fantasias sexuais para maior estimulação. − Explicar as mudanças fisiológicas vindas com a idade. − Explicar as adaptações sexuais. Portanto, ao abordar a questão da sexualidade na velhice, surge também a preocupação com as doenças sexualmente transmissíveis. Soares et al. (2002) menciona que a pessoa idosa pode apresentar alterações sociocomportamentais, as quais tornam o idoso suscetível para doenças sexualmente transmissíveis, inclusive ao vírus da imunodeficiência humana. Os dados epidemiológicos apontam um aumento de idosos portadores da imunodeficiência humana. Diante desse comportamento de risco, destaca-se: a troca de parceiros entre os idosos, o consumo de álcool e drogas, a inexistência do uso da camisinha, entre outros. Os sinais e sintomas da imunodeficiência humana são: alteração do hábito intestinal (diarréia), alteração neurológica (perda da memória e redução da atividade intelectual), cefaléia, algia óssea e articular, fadiga e cansaço, hipertermia e calafrios, lesões cutâneas, linfonodomegalias, lesões na mucosa oral, perda de 83 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores peso, resfriados, tosse e sudorese noturna. Todavia, os idosos estão expostos às doenças sexualmente transmissíveis, e muitos sintomas supracitados podem ser ausentes, levando ao diagnóstico tardio e de sobrevida menor. A sexualidade é um aspecto importante à vida do indivíduo, seja ele jovem ou idoso. Para tanto, deve-se conhecer as alterações fisiológicas e psicológicas nessa etapa do ciclo vital. A qualidade de vida e a satisfação em viver da pessoa idosa dependem também da expressão sexual e afetiva. Tal expressividade facilita o atendimento holístico da pessoa idosa no contexto domiciliar. Entende-se que a sexualidade humana é uma prática imprescindível para a realização pessoal de todo ser humano, a qual se diferencia de acordo com as aptidões, valores e crenças de cada grupo social. Os profissionais de saúde são agentes multiplicadores das boas práticas de cuidado a saúde na sexualidade, em que abordam a temática entre os púberes nas escolas, portanto, devem extrapolar as fronteiras da escola discutir junto aos idosos, seja em consultas ou em grupos de terceira idade. Os profissionais podem contribuir para a desmistificação da sexualidade e para a idéia da universalização do atendimento holístico e humanizado na busca da qualidade de vida dessa população idosa. A seguir será abordado o climatério, menopausa e andropausa que são eventos que ocorrem com o processo de envelhecimento e influencia a sexualidade feminina e masculina. CLIMATÉRIO E MENOPAUSA O climatério é considerado o período de transição entre o final da vida reprodutiva plena e o início da senectude. O climatério pode ter o início aos 35 anos de idade e estender-se até os 65 anos. (FREITAS e PIMENTA, 2002). Estudos apontam cinco grupos principais de alterações psicológicas: aumento da irritabilidade, da agressividade, de “nervosismo” com um aumento da tensão interna e inquietude; distúrbios do sono para adormecer, despertar precoce, insônia, inquietude durante o repouso noturno e sono com interrupções freqüentes; depressão; declínio do rendimento mental, fadiga, perda de memória, dificuldade de concentração; e as alterações na sexualidade. (LIBERMAN, 2002). 84 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores A menopausa para a mulher traz mudanças pessoais e sociais, que podem iniciar após o climatério. A menopausa é a cessação total da menstruação e da função ovariana. Tal evento remete as mudanças fisiológicas: na pele, nas mamas e na mucosa genital, assim como apresenta alterações psicológicas: irritabilidade e alterações de humor. Alguns sinais e sintomas da menopausa: − Diminuição na produção de hormônios femininos. − Perda da libido. − Presença dos "fogachos" (palpitações, sensação de mal-estar, sensação de onda de calor, mãos edemaciadas e quentes, sensação de ardência na face). − Desaparecimento progressivo da ovulação. − Diminuição ou desaparecimento da menstruação. − Atrofia geniturinária. − Presença de dispaurenia. − Sudorese noturna. − Maior possibilidade do aparecimento da osteoporose, arteriosclerose, incontinência urinária aos esforços, entre outras doenças. (LIBERMAN, 2002). Entretanto, o evento do climatério e menopausa aumenta o risco de alterações cardiovasculares, sendo a principal causa de morte entre as mulheres. Tal afirmação é confirmada por meio de dados epidemiológicos em que a incidência de doenças cardiovasculares no sexo feminino somenteé inferior em idade reprodutiva ao comparar ao sexo masculino (FREITAS e PIMENTA, 2002). Corrobora-se com as autoras supracitadas (2002) de que o climatério é o momento decisivo para mulher proporcionar um envelhecimento saudável e com qualidade de vida, a partir da modificação do estilo de vida (tabagismo, sedentarismo, etilismo e alimentação), do controle dos fatores de risco, e se necessário um suporte psicológico. A reposição hormonal vem sendo discutida 85 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores amplamente pela medicina, ficando ao critério do médico a indicação dessa terapia hormonal. Bassit (2002) discute que as sociedades contemporâneas ocidentais caracterizam a maturidade feminina, indicando quais os eventos biológicos, psicológicos, sociais e culturais que são utilizados para distinguir esse período de vida. O assunto climatério e menopausa são discutidos na pluralidade de conceitos e definições em torno das diferenças psicossociais e culturais relatadas pelas mulheres de grupos sociais distintos e vivenciam essa etapa do ciclo vital agregado ao conhecimento científico. Nesse sentido, ao identificar a diversidade de experiências e vivências de mulheres idosas que relatam na sua subjetividade em grupos de terceira idade, contribuirá com o profissional para a orientação sobre o climatério e menopausa, sugerindo alternativas para promover a saúde física e mental da mulher em processo de envelhecimento. A pós-menopausa representa os anos que se sucedem da última menstruação que eleva os riscos à saúde da mulher com maior incidência de agravos de longa duração (cardiovasculares, osteoporose e demência). Com o aumento da expectativa de vida, as mulheres tendem a passar um terço de suas vidas nessa condição de pós-menopausa. Tal característica reforça o climatério como um período na vida das mulheres que deve ser dedicado à prevenção de doenças e à promoção da saúde mental e física. (ALDRIGHI et al., apud BASSIT, 2002). Esse período de pós-menopausa influencia a aparência física e feminilidade associada à representação do corpo feminino que tem significados distintos, pois está centralizado na perda do potencial de atração sexual, bem como na perda da fertilidade e da funcionalidade de seu corpo. A perda da juventude e dos atrativos sexuais pode ser um dos motivos de maior ansiedade e depressão para as mulheres, principalmente, as que tiveram algum poder e satisfação com sua aparência e/ou poder de atração sexual. Tal imagem identificada pela mulher idosa 86 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores possibilita as disfunções sexuais que desencadearam alterações comportamentais na atividade sexual junto do seu parceiro/cônjuge. (FREITAS e PIMENTA, 2002). Nessa perspectiva, a menopausa para algumas mulheres é considerada um período de exclusão dos valores que foram construídos na fase adulta. Essa exclusão se fundamenta na perda da capacidade de gerar filhos, das dificuldades para manter uma atividade sexual satisfatória e a constatação de que cônjuge e os filhos não necessitam de tantos cuidados. (BASSIT, 2002). Bassit (2002) menciona que a prescrição da terapia de reposição hormonal se apresenta como uma salvação para as mulheres que almejam juventude eterna e que buscam evitar os sintomas indesejáveis do climatério e da menopausa. Sabe-se que a terapia de reposição hormonal é capaz de retardar o processo de envelhecimento, mas o uso prolongado da terapia eleva o risco de câncer de colo de útero, de mama, entre outros. Portanto, a menopausa não deve sinalizar o fim da vida da mulher e do papel social que desempenha em sua família e comunidade, mas o início de uma segunda idade adulta, com perspectivas de desempenho de novos papéis sociais. Em relação à ausência de parceiros ou do cônjuge, Bassit (2002) indica que os profissionais de saúde podem sugerir alternativas que possam satisfazer a sexualidade da pessoa idosa, sejam os artefatos sexuais ou a masturbação. Como uma forma de produzir o prazer, os quais deveriam estar mais acessíveis a população, e não rodeados por tabus que a própria sociedade impõe. ANDROPAUSA A andropausa ou climatério masculino podem ser inadequados, visto que na menopausa ocorre a falência dos ovários e o fim do ciclo reprodutivo da mulher. No homem, a andropausa ocorre com o avançar da idade que diminui a produção de vários hormônios, principalmente, a testosterona que é caracterizada por deficiência. (BASSIT, 2002). 87 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores A testosterona facilita e promove o crescimento e a virilização do homem, estando associada às mudanças na composição corporal, como a distribuição de pêlos na face, tórax e na região púbica, aumento da massa muscular e funções sexuais. Existem grandes variações individuais na produção hormonal e variações com a idade. No sangue, a testosterona está circulando geralmente ligada às proteínas plasmáticas (BASSIT, 2002). Nobile (2002) ressalta que para o homem o envelhecimento físico pode agregar-se a falta de desejo sexual alinhado ao fator psicológico que provocará a redução da produção de testosterona, sendo denominado esse evento como andropausa. Por sua vez, a andropausa não é igual para todos os homens, mas todos experimentaram algumas diferenças na medida em que ocorre o processo de envelhecimento. Tal redução de testosterona ocorre de forma discreta nos homens que ultrapassam os 50 anos, sendo evidenciado como fisiológico e natural. Após os 40 anos, a testosterona começa a diminuir cerca de 1% ao ano. Portanto, a andropausa é o resultado das disfunções sexuais e dos problemas físicos provocados pela redução do nível de testosterona que atinge o sexo masculino com mais de 50 anos. (LIBERMAN, 2002). Neste período do envelhecimento, o homem é marcado por mudanças fisiológicas e psicológicas, mas com menor intensidade por causa da queda lenta e progressiva da testosterona, ao contrário do sexo feminino em relação à menopausa. Nessa fase, em 15% dos casos surgem sintomas como perda de interesse sexual, problemas de ereção, falta de concentração, queda de pêlos pubianos e aumento de peso, irritabilidade e insônia, entre outros. O medo de enfrentar desafios, seja na vida particular ou profissional, é um dos sintomas mais comum entre os homens. (FREITAS e PIMENTA, 2002). Além disso, a produção de testosterona pode ainda ser alterada por várias condições clínicas, tais como: uso de alguns medicamentos; obesidade; doenças hepáticas; doenças renais; doenças endócrinas, principalmente da tireóide e do pâncreas; por doenças coronarianas; depressão; tabagismo; e sedentarismo. Os sinais que surgem é a diminuição do desejo sexual associado ao declínio da 88 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores disposição mental e ao trabalho. O déficit de testosterona cerebral contribui para episódios depressivos, dando a sensação de que a vitalidade se perde a cada dia que passa. (BASSIT, 2002; NOBILE, 2002). Os sinais e sintomas decorrentes da andropausa: − Aumento da proporção de gordura corporal. − Diminuição da massa muscular. − Tendência à anemia. − Tendência à osteoporose. − Perda de interesse sexual. − Dificuldade de ereção. − Dificuldade de concentração. − Dificuldade na ejaculação. − Problemas de memória. − Apatia e depressão. − Queda de pêlos pubianos. − Aumento de peso. − Irritabilidade. − Insônia.(NOBILE, 2002). Estudos demonstram que a testosterona exerce significativa influência na libido e função sexual. A deficiência de testosterona avaliada em laboratório sugere- se a terapia de reposição hormonal que aumenta a ousadia, o interesse, o comportamento e o desempenho sexual. Tal terapia é indicada sob prescrição médica. Através da terapia de reposição hormonal masculina os níveis hormonais são restabelecidos, resultando na redução da irritabilidade, melhora da depressão e proporciona a vontade e desejo de ser novamente produtivo. O homem que faz o tratamento sente mais energia, força física, força mental e vida sexual mais satisfatória. (BASSIT, 2002; NOBILE, 2002). Nobile (2002) salienta que nessa área da sexualidade os profissionais de saúde não estão preparados para ter uma abordagem holística, respeitosa e 89 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores humanizada da disfunção sexual que ocorre com o processo de envelhecimento. Tornam-se extremamente necessárias discussões sobre a sexualidade na formação dos profissionais de saúde, para que amplie a atuação e resolubilidade nas questões inerentes à disfunção sexual de pessoas idosas. Entende-se que as discussões devem ocorrer, além das questões anatômicas, pois se inclui os aspectos psicológicos e sociais em torno dessa área temática, bem como ter o espaço para ouvir e falar sobre necessidades sexuais, que se considera como uma necessidade humana básica para todo ser humano. 13 PROGRAMA DE IMUNIZAÇÃO DO IDOSO A Organização Mundial de Saúde adotou um programa específico de imunização aos idosos, por conseguinte, no Brasil, este programa teve início em 1999, que abrangeu a proteção específica aos agravos: pneumonia pneumocóccica e tétano. A vacina contra influenza é aplicada em pessoas acima de 60 anos; a vacina de pneumococo tem indicações específicas; e a vacina dupla adulto que confere o componente antitetânico. Todas as vacinas são disponíveis na rede de atenção básica. (TONIOLO NETO, FRANÇA E HALKER, 2002; BRASIL, 2007). Complementa-se que com o processo de envelhecimento a função imune declina com o avançar da idade, sobrepondo a suscetibilidade aumentada para doenças infecciosas, auto-imunes e neoplasias (VEIGA, 2002). Entretanto, as discussões sobre o sistema imune no envelhecimento é ainda um campo muito vasto para investigações. O Programa Nacional de Imunizações tem por objetivo o controle, eliminação e/ou erradicação das doenças imunopreveníveis. O Ministério da Saúde preconiza meta de vacinação de 70% da população de idosos em cada município. Desde 1999, ocasião do Ano Internacional do Idoso, o Ministério da Saúde no Brasil decidiu focar investimentos na mobilização da população idosa para que desfrutasse dos benefícios das vacinações, dando início a uma importante parceria entre as Coordenações de Saúde do Idoso e de Imunizações. (BRASIL, 2007). 90 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores No Brasil, o programa está organizado de forma regionalizada, hierarquizada e descentralizada em esfera nacional, estadual, regional, municipal e local. Por sua vez, as coordenações nas diferentes esferas políticas devem estar estruturadas para elaborar e/ou adequar as normas e rotinas básicas do programa, implantar, acompanhar e avaliar as ações do programa e garantir os insumos básicos para que as ações sejam executadas. (BRASIL, 2007). A proteção específica da vacina contra a influenza decorre da rapidez com que o vírus se propaga, a magnitude e a gravidade das complicações que podem levar o idoso a hospitalização e óbito. Portanto, a campanha nacional visa prevenção de doenças que interferem nas atividades rotineiras da população idosa, buscando a redução da morbimortalidade e a garantia da qualidade de vida, bem- estar e inclusão social. Para o sucesso da campanha é necessário empenho e a interação dos profissionais de saúde, gestores e usuários para atingir a cobertura vacinal mínima de 70,0%. No início das aplicações de vacina contra influenza, mitos e desconfianças da população marcaram a introdução da vacinação. Na época, ainda eram recentes os investimentos em informação e mobilização social. Bem pouco se conhecia sobre os benefícios da vacinação dos idosos, numa sociedade que até então apenas reconhecia vantagens em imunizar as crianças e os jovens. No entanto, a persistência e o empenho dos profissionais de saúde e dos parceiros, garantiram o alcance das metas. (VEIGA, 2002). A saúde do idoso é resultado da interação entre saúde física, mental, independência financeira, capacidade funcional e suporte social. Segundo Brasil (2007, p. 3), após oito anos de campanhas nacionais de vacinação para idosos foram aplicadas 94.106.260 doses de vacina contra influenza, o Programa Nacional de Imunizações já identifica alguns importantes benefícios desta ação: a contribuição para um envelhecimento saudável e a influência direta na qualidade de vida dessas pessoas no campo da saúde preventiva e no surgimento de novas iniciativas da sociedade em prol da melhoria da assistência e da valorização da terceira idade. Ressalta-se que isto resulta da expressiva adesão desta parcela populacional às campanhas de vacinação. 91 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores A influenza (gripe) é uma doença infecciosa aguda de natureza viral, altamente contagiosa por trato respiratório e com maior intensidade ao final do outono e durante o inverno. A doença é tipicamente autolimitada e vista com pouca relevância, em sua forma não complicada, pois a cura ocorre espontaneamente em torno de uma semana. A morbidade dissemina-se rapidamente durante os surtos e epidemias tornando-se responsável por elevada morbimortalidade em grupos de maior vulnerabilidade, entre os quais se destacam os idosos institucionalizados. Portanto, é um dos processos infecciosos de maior morbimortalidade no mundo. (TONIOLO NETO, FRANÇA E HALKER, 2002). Para Brasil (2007) os idosos, em especial, aqueles institucionalizados e os portadores de doenças crônicas de base, são alvos de sérias complicações pela gripe, tais como: pneumonia primária viral pelo influenza, pneumonia bacteriana secundária, pneumonia mista, exacerbação de doença pulmonar ou cardíaca crônica e óbito. O vírus influenza é disseminado pelas vias respiratórias, quando os indivíduos infectados o transmitem por meio de perdigotos, que são gotículas expelidas pela boca e nariz ao falar, espirrar ou tossir. Apesar da transmissão entre os seres humanos ser a mais comum, já foi documentado a transmissão direta de animais (aves e suínos) para o homem. Como o vírus sobrevive no meio ambiente (mãos, tecidos, superfícies porosas entre outros), por tempo variável, a transmissão por meio de contato com superfícies contaminadas deve ser considerada e pode ser evitada por meio de práticas simples de higiene: lavando-se as mãos e arejando o ambiente. O período de transmissibilidade pode variar de dois dias antes e até cinco dias depois do início dos sinais e sintomas da gripe. (TONIOLO NETO, FRANÇA E HALKER, 2002). Todavia, a vacina é a melhor tecnologia disponível para a prevenção da influenza e suas conseqüências, proporcionando redução da morbidade, diminuição do absenteísmo no trabalho e dos gastos com medicamentos para tratamento de infecções secundárias. A vacinação ocorre na forma de campanhas de duas a 92 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivosautores quatro semanas. O período para a realização das campanhas ocorre anteriormente ao período de maior circulação do vírus na população. A vacina é classificada como uma das medidas farmacológicas de prevenção da influenza, juntamente com os antivirais, indicados como profiláticos para o controle de surtos em comunidades fechadas. Existem outras formas de prevenção da influenza, chamadas não farmacológicas, que incluem medidas que visam reduzir a transmissão da doença por meio de medidas como uso de lenços descartáveis ao tossir e espirrar, lavagem adequada das mãos e medidas de distanciamento social. A vacina também está disponível para a população indígena, presidiários e profissionais que trabalham em presídios e profissionais de saúde. (SILVESTRE, 2002; BRASIL, 2007). O Sistema de Vigilância Epidemiológica da Influenza (SVE/FLU), implantado no Brasil desde o ano 2000, tem como objetivos: monitoramento das cepas virais que circulam nas regiões brasileiras, resposta a situações inusitadas, avaliação do impacto da vacinação, acompanhamento da tendência de morbidade e de mortalidade associadas à enfermidade, produção e disseminação de informações epidemiológicas. Tal sistema prevê a detecção, a notificação, a investigação e o controle de surtos, independente da rede sentinela, em consonância com as normas atuais sobre a notificação compulsória de agravos com características de transmissibilidade no país. (BRASIL, 2007). Segundo o Brasil (2007, p. 6), o Sistema de Vigilância da Influenza Conta com uma rede de 53 unidades-sentinela. A maioria delas está localizada nas capitais de 25 estados das cinco regiões brasileiras e no Distrito Federal. O monitoramento da circulação dos vírus da influenza é uma atividade em escala mundial e atualmente mobiliza uma rede de 112 laboratórios em 83 países coordenados por centros de referência mundial vinculados à Organização Mundial da Saúde (OMS): Instituto de Pesquisas Médicas do Reino Unido, em Londres (Inglaterra); Centro de Controle de Doenças (CDC), em Atlanta (Estados Unidos); CSL Limited em Victoria (Austrália) e Instituto Nacional de Doenças Infecciosas em Tóquio (Japão). 93 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores Diante desse contexto, a prevenção primária traz benefícios aos idosos institucionalizados, na medida em que se observa: 30,0 a 40,0% de efetiva imunização contra o influenza; 50,0 a 60,0% de prevenção de intervenções hospitalares e do aparecimento de pneumonias; e 80,0% de redução de óbitos por essas morbidades. Para os idosos não institucionalizados: 58% de efetiva imunização contra influenza; e de 30,0 a 70,0% de prevenção de intervenções hospitalares e do aparecimento de pneumonias. Outros dados apontam redução em até 44,0% de consultas médicas, até 45,0% de absenteísmo no trabalho; até 25,0% de redução do uso de antibióticos. (SILVESTRE, 2002; BRASIL, 2007). Assim, a redução nas hospitalizações por pneumonias e doenças obstrutivas pulmonares crônicas é significativa para a manutenção de campanhas de vacinação, visto que a média de cobertura vacinal atinge 85,0% da população idosa, resultando em melhor qualidade de vida. 14 SÍNDROMES GERIÁTRICAS Litvoc e Derntl (2002) indicam a existência de síndromes geriátricas que estão relacionadas à dimensão biológica, tais como: a imobilidade, as quedas, a demência, a incontinência e a iatrogenia. Essas síndromes constituem riscos que podem contribuir para o declínio da capacidade funcional, o maior nível de dependência e a institucionalização. Esses aspectos, ainda, podem desencadear o isolamento social e comprometer a qualidade de vida do idoso. No que se refere ao isolamento social, Souza (2002) salienta que a saúde mental do idoso está associada à qualidade de vida, à medida que constitui o risco para instalação de doenças e incapacidades. INCONTINÊNCIA As alterações intestinais e urinárias podem apresentar-se durante todas as fases do ciclo vital. As alterações podem ocorrer por ingestão de alimentos, horários da alimentação, sedentarismo, o uso de medicamentos, ambientes diferentes do cotidiano, tensão emocional, falta de privacidade, entre outros. As principais queixas são: a constipação, a diarréia, a incontinência fecal e urinária. 94 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores As causas para as incontinências podem ser congênitas ou adquiridas. As incontinências adquiridas são resultantes de morbidades na região anal; por traumas provocados por acidentes de trânsito; por cirurgias na região do períneo e de fissurectomias; de cirurgias para tratamento de câncer; seqüelas de acidente vascular encefálico; diabetes; esclerose múltipla, e o próprio processo de envelhecimento, também podem causar incontinência fecal e urinária. A incontinência urinária e fecal é uma característica do processo de envelhecimento, acometendo principalmente, o sexo feminino. A incontinência fecal é a incapacidade de controlar a eliminação das fezes. Esse distúrbio compromete a qualidade de vida. A incontinência fecal predomina nas mulheres, principalmente, por causa do trabalho de parto e pela constipação. Entretanto, acima dos 70 anos, a incontinência fecal se manifesta igualmente nos dois sexos. Maciel (2002) define a incontinência urinária como perda de urina em freqüência e quantidade suficiente para gerar problemas de ordem social e higiênico. Além disso, a incontinência urinária e fecal predispõe as infecções perineais, provoca maceração e ruptura da pele, facilita a formação de úlceras de pressão, interrompe o sono, predispõe as quedas, induz o isolamento, a depressão e a institucionalização. Diante desse contexto, Faro (2005) menciona que se deve considerar e avaliar as queixas e as características de cada eliminação. Cabe ao enfermeiro investigar e propor cuidados de acordo com a capacidade funcional e nível de dependência do idoso: − Avaliar as preferências alimentares. − Propiciar a privacidade nas eliminações. − Avaliar o uso de medicamentos. − Estimular a hidratação. − Estimular a atividade física. − Manter a atenção quanto ao uso de laxantes, pois devem ser evitados. − Realizar a higiene perineal. − Realizar a higiene corporal. 95 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores − Manter as fraldas limpas e secas. − Estimular os exercícios de contração da musculatura perineal. − Estimular a reeducação vesical e intestinal. − Manter cuidados com a sonda vesical. − Orientar o autocateterismo. − Realizar a mensuração de resíduo urinário. IMOBILIZAÇÃO Leduc (2002) menciona que as pessoas idosas podem apresentar declínio da capacidade funcional acentuada, tornando-a fragilizada. Para o mesmo autor (2002) o idoso fragilizado é aquele com idade acima de 65 anos que depende de terceiros para as atividades da vida diária (AVD’s), institucionalizados, incapazes de se movimentar, fazem uso de múltiplos medicamentos e apresentam alterações laboratoriais. Tais idosos que apresentam essas características supracitadas podem estar confinados ao leito e desencadeiam diversas complicações, que o autor denomina de Síndrome da Imobilização. A falta de atividade física por sedentarismo ou pela impossibilidade física leva ao despreparo físico global tornando a pessoa idosa suscetível aos diversos fatores de risco tais como: aumento de pressão arterial, aumento do peso corporal e diminuição da flexibilidade. As causas da imobilidade são: as doenças osteoarticulares, cardiorrespiratórias, vasculares, musculares, neurológicas e psíquicas;a iatrogenia medicamentosa; e o déficit neurossensorial. Portanto, a imobilidade prolongada desencadeia a deterioração funcional de vários sistemas que acarretam complicações, reduzindo a satisfação com a qualidade de vida. (LEDUC, 2002). Ainda, o mesmo autor (2002) descreve as conseqüências, destacando: − Atrofia tegumentar e muscular. − Úlcera de pressão. − Dermatite. − Micoses. − Osteoporose. 96 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores − Artrose e anquilose. − Fraturas. − Hipertonia. − Trombose venosa profunda. − Embolia pulmonar. − Hipotensão postural. − Edema linfático. − Incontinência urinária e fecal. − Infecções do trato urinário. − Retenção urinária e hídrica. − Constipação e fecaloma. − Desnutrição. − Disfagia. − Insuficiência respiratória. − Pneumonias. − Depressão. − Déficit cognitivo. − Alterações do sono. − Resposta diminuída para insulina, glândula supra-renal, eritropoiese e síntese de vitamina D. − Diminuição na excreção de sódio, potássio e fosfato. (LEDUC, 2002). Frente ao fato exposto, entende-se que a imobilidade traz sofrimento para o idoso/família e cuidador, pois se tem o declínio da qualidade de vida e que inevitavelmente o desfecho será o óbito. Cabe aos profissionais da equipe interdisciplinar o empenho máximo para prescrição de medidas de prevenção de complicações e conforto ao idoso próximo de sua finitude. Complementa-se que na necessidade de mobilização e transporte da pessoa idosa, orienta-se aos trabalhadores de saúde as capacitações para adequarem as técnicas de movimentação e transferência do idoso, visando à prevenção de doenças e promoção da saúde. 97 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores ÚLCERA DE PRESSÃO A úlcera de pressão é uma das síndromes geriátricas que mais compromete o estado físico e funcional do tecido tegumentar da pessoa idosa. A formação da úlcera de pressão ocorre pela compressão prolongada da área corporal, preferencialmente, as proeminências ósseas sobre a superfície do colchão ou cadeira. Tal compressão reduz o fluxo sangüíneo, que por sua vez, diminui a nutrição celular. Outra forma de desenvolver a úlcera de pressão é por cisalhamento e fricção que pode causar as lesões. (MARINI, 2002; SAVONITTI e SGAMBATTI, 2005). Savonitti e Sgambatti (2005) define os três fatores externos para provocar a úlcera de pressão, são eles: − A pressão é o fator etiológico primário. O tecido mole comprime-se entre as saliências ósseas e superfície dura, provocando pressão nos capilares e ocorrendo isquemia localizada, seguida de necrose. O alívio da pressão sob o tecido ocorre pela mudança de decúbito. − Cisalhamento é uma força paralela ao plano da pele e perpendicular às protuberâncias ósseas, levando a oclusão dos capilares. A lesão resulta um hematoma, seguido de isquemia. O alívio do cisalhamento ocorre na reposição postural do indivíduo na cadeira ou na cama; − Fricção ocorre pelo atrito entre duas superfícies, podendo formar bolhas e abrasões superficiais na pele. Esse tipo de lesão acontece em movimentos voluntários ou involuntários. Santos (2005) ressaltam outros fatores externos que contribuem para o aparecimento das úlceras de pressão: umidade da pele; higiene; estar em superfície dura prolongadamente; colocação de comadre; sondas; agentes químicos e físicos. E os fatores internos: idade; raça; peso corporal; anemia; estado nutricional; imobilidade; infecção e hipertermia; fatores vasculares e neurológicos. Para as úlceras de pressão são descritos quatro estágios de progressão da lesão: 98 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores − Hiperemia – aparece após 30 minutos de isquemia localizada, reverte o eritema após uma hora de descompressão do tecido. − Isquemia – presente entre duas a seis horas de pressão, a lesão ainda é reversível. − Necrose – após várias horas de isquemia, sendo irreversível, de aspecto azulado e nodulação profunda. − Ulceração – ocorre em torno de duas semanas, podendo tornar-se mais profunda. (SAVONITTI e SGAMBATTI, 2005). Na avaliação da úlcera de pressão é importante identificar o tamanho, a profundidade, a exsudação, a cor, o odor e a dor. Assim que identificadas as características pode-se classificá-las de acordo com National Pressure Ulcer Advisory Panel: − Estágio I – presença de eritema com a pele intacta, persistente mesmo após o alívio da pressão. − Estágio II – perda parcial da espessura da pele, envolvendo a derme e epiderme. A úlcera é superficial e se apresenta como abrasão, bolha ou cratera rasa com crosta, ou seja, há interrupção da continuidade da pele. − Estágio III – perda da espessura da pele com necrose ou comprometimento subcutâneo. Apresenta-se como uma cratera profunda e azulada. − Estágio IV – perda da espessura da pele com destruição extensa, necrose ou comprometimento muscular, ósseo e de tendões/articulações. Podendo atingir outras cavidades. (MARINI, 2002; SAVONITTI e SGAMBATTI, 2005). Na figura 14 descrevem-se os locais mais comuns e as regiões mais freqüentes de aparecimento de úlceras. FIGURA 14 – Locais para aparecimento de úlceras de pressão (SAVONITTI e SGAMBATTI, 2005, p. 260) Cabe aos profissionais de saúde, a orientação aos cuidadores da importância da mudança de decúbito e da avaliação da pele do idoso. Alguns cuidados de enfermagem que devem ser individualizadas para prevenção e redução de úlceras de pressão: − Realizar a mudança de decúbito. − Realizar movimentos passivos. − Estimular movimentos ativos no leito. − Utilizar forro móvel. − Manter cabeceira elevada no máximo 30º. − Realizar massagem de conforto. 99 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 100 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores − Estimular exercícios no leito. − Proteger proeminências ósseas. − Promover a alimentação equilibrada. − Avaliar as características da pele. − Realizar a higiene corporal, evitando a fricção. − Realizar a higiene perineal. − Utilizar sabonete de pH neutro. − Utilizar fraldas. − Controlar o peso. − Realizar a hidratação da pele. − Promover a reabilitação. − Utilizar os curativos e coberturas, de acordo com a característica da lesão. − Evitar o uso de talcos ou soluções alcoolizadas. TRAUMAS E QUEDAS Paixão Júnior e Heckmann (2002) colocam que as quedas e traumas estão presentes em todas as fases do ciclo evolutivo do homem. Porém, apresentam maior gravidade seja física ou psicológica nas idades mais avançadas, que levam a situação de dependência parcial ou total do indivíduo idoso. O equilíbrio postural ortostático ocorre pelo sistema visual, vestibular e proprioceptivo. As causas das quedas devem ser avaliadas de acordo com: o ambiente em que ocorreu a queda; a história pregressa de quedas; e a intensidade do movimento durante a queda. Além dessa avaliação, pode ser utilizada a Escala de Coma de Glasgow que se avalia: a abertura ocular, a resposta verbal e a resposta motora. Sabe-se que para ocorrer às quedas e traumas são necessários diversos fatores de riscos combinados, destacam-se: − Realizar as atividades vigorosas e arriscadas que podem gerar a instabilidade postural interna ou externa, desencadeando a queda. − Ter a idade avançada. − Ter comprometimento cognitivo.101 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores − Ser do sexo feminino. − Estar na estação do inverno e dias frios. − Ter comorbidades. − Estar depressivo. − Ser ansioso. − Perda do equilíbrio. − Ter história pregressa de quedas. − Déficit do estado nutricional. − Ser consumidor de bebidas alcoólicas. − Ter instabilidade postural ortostática e quedas. − Acidentes de trânsito. − Queimaduras. − Toxicoses exógenas agudas. − Diminuição da resposta motora. − Uso de medicações. − Ambientes mal iluminados. − Tapetes soltos e escorregadios. − Ter dificuldade para deambular. − Ter objetos pelo chão, ocluindo passagem. (BODACHNE, 2002; PAIXÃO JÚNIOR e HECKMANN, 2002). As complicações decorrentes das quedas e traumas são: as lesões, as fraturas, as úlceras de pressão, a concussão, a contusão cerebral, o medo de quedas, o decúbito de longa duração, a redução nas atividades de vida diária, a dependência parcial ou total, a trombose venosa profunda, a síndrome da embolia gordurosa, e o óbito. (BODACHNE, 2002). Diante desse cenário de possíveis quedas e traumas, torna-se extremamente necessário a discussão e a orientação aos idosos e cuidadores, por meio da prevenção primária e secundária. O tratamento requer a avaliação interdisciplinar e a parceria do idoso, da família e do cuidador para que se tenha o sucesso do plano terapêutico. 102 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores DOR E CUIDADO PALIATIVO A dor é um evento complexo e subjetivo de cada indivíduo. Com o processo de envelhecimento há o declínio da sensibilidade à dor, que quando relatada deve- se dar especial atenção. Por sua vez, a dor é um sinal de que algo está errado no organismo, a qual pode associar-se ao aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial elevada. Considera-se dor crônica aquela com tempo superior a seis meses. Tal situação dolorosa gera sinais de desânimo, de depressão, de inapetência, de alterações do sono, e entre outros. O estado depressivo acentua a dor que piora o quadro de depressão. (CHIBA, 2002). Dentre as morbidades que desenvolve na terceira idade, destaca-se o sinal de algia em: artrites reumáticas, lombalgia, dores abdominais e torácicas, neoplasias, gota e infecções por herpes zoster. A angina de peito é a dor provocada pela falta de irrigação sangüínea ao músculo cardíaco. No câncer a algia pode ocorrer pela compressão nos tecidos devido ao crescimento do tumor, assim como pelo uso de quimioterapia que pode ocasionar a algia. Portanto, deve-se ter uma rigorosa avaliação da história e das características da dor para o diagnóstico de cada pessoa idosa, visto que a dor é subjetiva. (PIMENTA e TEIXEIRA, 2005). Burlá (2002) descreve os principais sinais e sintomas prevalentes para cuidados paliativos: − Fadiga. − Algia de forte intensidade. − Anorexia. − Dispnéia. − Constipação e diarréia. − Náusea e vômitos. − Tosse. − Confusão mental. − Tristeza e depressão. − Ansiedade, agitação e insônia. 103 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores − Disfagia. − Hemorragia. − Emagrecimento. − Lesões cutâneas. Os procedimentos cirúrgicos no tratamento da dor são indicados somente quando o tratamento clínico é insatisfatório. Toda pessoa é singular ao tratamento por responder de diversas formas às intervenções. A Organização Mundial de Saúde, em 1999, preconizou o controle da dor e os cuidados paliativos como prioridades no sistema de saúde pública. Tal prioridade emerge de modo a aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida através da humanização do atendimento. (CHIBA, 2002). No entanto, várias instituições de saúde têm investido na capacitação de equipes interdisciplinares para o tratamento da dor e dos cuidados paliativos ao cliente idoso. Para tanto, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Humanização, (PNH) visando à garantia do atendimento às necessidades dos indivíduos de forma holística pelas equipes interdisciplinares e pelos serviços administrativos. Segundo Chiba (2002) a humanização do cuidado busca observar todos os aspectos do processo doença-saúde, entre os quais o respeito aos temores, as crenças e as fragilidades da pessoa idosa e da família. Além disso, busca a integração da equipe de saúde com os clientes idosos, promove o declínio da ansiedade e angústia. Entretanto, o sofrimento humano pela dor precisa ser humanizado através do escutar e da empatia para entender as necessidades de atenção ao idoso, a família e ao cuidador. Portanto, a humanização por meio dos cuidados paliativos e da dor tem o desafio de cuidar com competência humana e científica, desvelando a qualidade de vida e a satisfação em viver. 104 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores 15 LUTO E VIUVEZ As sociedades contemporâneas apresentam dificuldades para pensar e discutir as questões relacionadas à morte e o morrer em todos os seus aspectos por ter múltiplos significados. (MGGOLDRICK, 1998). No entanto, as tecnologias avançadas crescem paralelamente a questão de que é possível fazer tudo, mesmo contra os desejos para impedir ou postergar a morte. Doll (2002) menciona que a velhice é uma fase da vida marcada por múltiplas e constantes perdas, sejam físicas, biológicas e sociais. As perdas mais significativas e dolorosas são de pessoas ao redor: amigos, familiares, pais, cônjuges e filhos que permite visualizar a finitude de uma vida. O luto é universal em todos os grupos sociais, tendo diferenças quanto aos rituais de passagem e aceitação da morte de alguém querido. Nos idosos, o luto pode omitir os sinais e sintomas para transtornos de ansiedade e depressão, já que o estado afetivo está alterado pela perda da pessoa querida. A morte de uma pessoa é um processo doloroso para qualquer etapa do ciclo vital. Entretanto, quando se tem um casal de idosos que viveram juntos muitos anos, o impacto do luto pode ser devastador, o qual poderá levar a depressão fatal. Comumente, ocorrem casos que após a morte de um dos cônjuges, o outro falece em menos de um ano. Contudo, a viuvez não pode ser entendida e representada como o fim da vida para quem fica. O apoio familiar, as atividades motivacionais e a rede de amigos são essenciais para promover a saúde e qualidade de vida. (MGGOLDRICK, 1998; JACOB FILHO e AMARAL, 2005). A situação de viuvez provoca a redução da motivação para viver, o autocuidado e o apetite. Como conseqüência, as defesas do organismo diminuem associando-se ao declínio do sistema imune pelo processo de envelhecimento, torna a pessoa idosa suscetível a infecção que aliada à idade avançada pode levar ao óbito. Após a passagem do luto, a pessoa idosa precisa encontrar a motivação, seja a conquista de novos amigos, ou atividade física como ocupação prazerosa, ou 105 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores trabalho voluntário para sentir-se útil para alguém, ou um curso que possibilite aprender coisas novas. A característica inicial do processo de luto acontece pelas relembranças da perda agregada ao sentimento de tristeza e choro. Posteriormente, as relembranças são intercaladas com cenas agradáveis e desagradáveis. É comum sentimentos de raiva, de hostilidade, de solidão, de agitação, de ansiedade, e de fadiga. As sensações como vazio no estômago e aperto no peitopodem ocorrer através de seus relatos. A duração é diferente para cada pessoa, denota-se a falta de interesse pelo mundo exterior. Com o passar do tempo, o choro, a ansiedade e a tristeza vão diminuindo e a pessoa vai se reorganizando em suas atividades. No entanto, o luto é um processo em longo prazo e com episódios de recaída. É importante salientar que a dor da perda é subjetiva, cada pessoa tem suas características e reações peculiares para extravasamento do seu emocional pela perda de alguém. (DOLL, 2002). Doll (2002) descreve que fica evidente que os rituais de luto dependem do contexto cultural, no qual as pessoas estão inseridas. Os sentimentos de luto são individuais e fortemente influenciados por elementos sociais e culturais. Em sociedades em que o casamento não é mais uma instituição eterna e indissolúvel, as questões da separação se tornam comuns e menos traumáticas. Na atualidade, a mulher não é mais dependente financeiramente do homem, por ter uma vida profissional, com convívio social e distribuição das tarefas dentro do lar. Acredita-se que tais modificações nas relações familiares oportunizarão uma passagem do luto pela perda do cônjuge menos traumática e saudável. A importância do tema luto e viuvez decorrem pelo grande número de mulheres viúvas que podem desenvolver agravos de longa duração associados aos distúrbios psíquicos e comportamentais, que desvela a vulnerabilidade maior, a qual merece atenção pessoal e profissional. 16 MAUS TRATOS NO ENVELHECIMENTO Na tentativa de estabelecer consenso, Bennett, Kingston e Penhale apud Machado e Queiroz (2002, p. 792) sugerem a proposta para considerar os níveis de 106 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores violência contra idosos segundo a dimensão de seu alcance: 1. O nível macro refere-se a atitudes abusivas no contexto social. Contempla a violência estrutural, que vai desde a discriminação contra a idade (ageism) até pensões e aposentadorias inadequadas, dificuldade de acesso a serviços sociais e de saúde e desrespeito em geral aos direitos constitucionais e legais do idoso. 2. O nível médio refere-se a atitudes, condutas e políticas que afetam o idoso na comunidade, incluindo-se condutas anti- sociais e o preconceito contra a velhice, que levam a população idosa a viver situações de marginalização e de discriminação. Contempla o modo pelo qual o idoso é tratado em geral pela comunidade, como por exemplo, os motoristas de ônibus que não param nos pontos e a violência que ocorre nas instituições de longa permanência. 3. O nível micro diz respeito aos conflitos que ocorrem no âmbito doméstico entre o idoso, seus familiares e cuidadores. Os maus-tratos aos idosos podem ser o: − Abuso físico: uso de força física que pode produzir dor ou incapacidade funcional. − Abuso psicológico: ação de infligir pena, dor ou angústia por expressões verbais ou não-verbais. − Abuso financeiro ou material: exploração imprópria ou ilegal e/ou uso não- consentido de recursos financeiros de um idoso. − Abuso sexual: contato sexual não-consentido. − Negligência: recusa ou falha em exercer responsabilidades no ato de cuidar do idoso. (GOLDIM, 2002; MACHADO e QUEIROZ, 2002). Os maus-tratos manifestam-se em um ou mais níveis supracitados, são independentes de raça, gênero ou classe social e ocorrem nos ambientes familiares e institucionais. É freqüente a ocorrência de várias formas de maus-tratos concomitantes. Machado e Queiroz (2002) mencionam que ocorre a omissão do Estado na oferta de serviços adequados de assistência à saúde do idoso e a falta de suporte médico-social à família, o que torna muito penoso o papel a ser exercido pelos 107 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores familiares. Assim como, a escassez de serviços intermediários no Brasil, como centros-dia, hospital-dia, atenção domiciliar, centros de convivência e serviços especializados para o atendimento de idosos e familiares, contribui para o surgimento de maus-tratos. Entretanto, é difícil conhecer com exatidão a extensão dos maus-tratos e negligência, devido ao silêncio e a ausência de denúncias por maus-tratos sofridos. Tal comportamento decorre de que existe a dependência física, emocional e financeira do idoso em relação a sua família que controla a aposentadoria, ou da instituição. Alguns fatores de risco relacionados ao idoso, família e cuidador: − Ciclos recorrentes de violência familiar em todas as etapas do ciclo evolutivo. − Problemas de saúde mental do cuidador, associados ou não ao consumo de álcool e drogas. − Incapacidade funcional do idoso e dependência total, aumentando o risco e a vulnerabilidade para maus-tratos e negligência. − Estresse causado pelo ato de cuidar, por questões financeiras e por falta de rede de apoio para suporte no cuidado ao idoso. − A dependência e o isolamento social do agressor. Abaixo segue a relação de indicadores de maus-tratos na velhice: − Condições que podem manifestar maus-tratos ou negligência. − Perda de peso. − Desnutrição. − Desidratação. − Palidez. − Olheiras. − Marcas, hematomas e queimaduras. − Lacerações, escaras e feridas. − Presença de úlceras de pressão. − Pouca higiene. 108 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores − Falta ou má conservação de próteses (afastada a hipótese de ausência de condição financeira). − Vestimenta descuidada. − Administração incorreta de medicamentos. − Acidentes inexplicáveis. − Lesões recorrentes e inexplicáveis. − Não-tratamento dos problemas médicos. − Uso errado da medicação. − Demora entre o aparecimento da lesão/doença e a busca de assistência médica. − História do idoso diferente da história do cuidador. A violência institucional é a forma de violência que é definida quando os níveis de cuidado estão com padrões abaixo do esperado institucionalmente: − Falta de privacidade. − Higiene precária. − Cuidado físico e qualidade de vida precária. − Condições de trabalho ruins. − Esgotamento dos cuidadores. − Abuso de certas drogas para dopar os idosos. − Desnutrição. − Contenção e tortura. − Número de óbitos elevado na instituição. − Manutenção em cárcere levando ao suicídio ou assassinato. (DAICHAM apud MACHADO e QUEIROZ, 2002). Por sua vez, o idoso que busca o atendimento pela emergência ou hospitaliza-se com sinais e sintomas de maus-tratos, sendo residente em uma instituição de longa permanência, o profissional deve contatar o Comitê de Proteção dos Direitos do Idoso da instituição hospitalar para que faça o contato com a família do idoso. Averigua-se a possibilidade de mudança de instituição ou até mesmo a 109 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores viabilidade do idoso morar com algum dos filhos. No caso de idosos asilados sem família, havendo suspeita de maus-tratos deve-se denunciar à Vigilância Sanitária, para que proceda a fiscalização e a possibilidade de mudança de instituição. (MACHADO e QUEIROZ, 2002). Machado e Queiroz (2002) identificam que o perfil da vítima é geralmente mulher, acima de 75 anos, com dependência física e mental. O agressor apresenta características de ser filho e dependente da vítima, possuir problemas mentais e ser dependente de álcool e drogas. Portanto, é de extrema relevância, a atuação do profissional de saúde na prevenção, identificação e tratamento de maus-tratos e negligência para com os idosos. Tal importância remete-seaos setores de emergência, ambulatórios e visitas domiciliares que constituem uma das principais portas de entrada das vítimas por maus-tratos e negligência. --------------- FIM DO MÓDULO III ---------------- 13 PROGRAMA DE IMUNIZAÇÃO DO IDOSO