Prévia do material em texto
AN02FREV001/REV 4.0 1 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE TRANSTORNO DE ANSIEDADE Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 2 CURSO DE TRANSTORNO DE ANSIEDADE MÓDULO I Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 3 SUMÁRIO MÓDULO I 1 INTRODUÇÃO 2 O QUE É TRANSTORNO DE ANSIEDADE? 3 TIPOS DE FOBIAS ESPECÍFICAS (FOBIAS MAIS COMUNS) 3.1 PERSONALIDADES PREDISPOSTAS À ANSIEDADE 3.2 TIPOS DE TRANSTORNO DE ANSIEDADE MAIS COMUNS 4 COMO SE DIAGNOSTICA TRANSTORNO DE ANSIEDADE 4.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA TRANSTORNO DE ANSIEDADE 4.1.1 Síndrome do pânico 4.1.2 Agorafobia 4.1.3 Transtorno de ansiedade social (fobia social) 4.1.4 Fobia específica (ou fobia simples) 4.1.5 Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) 4.1.6 Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) 4.1.7 Transtorno do estresse pós-traumático 5 CAUSAS DO TRANSTORNO DE ANSIEDADE MÓDULO II 5 SINAIS E SINTOMAS 5.1 SINAIS DE EXAUSTÃO 5.2 EXERCÍCIOS PARA CONTROLAR A ANSIEDADE 5.3 SINTOMAS DOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE 6 TIPOS DE TRANSTORNO DE ANSIEDADE 6.1 TRANSTORNO DE PÂNICO 6.2 AGORAFOBIA 6.3 TRANSTORNO DE ANSIEDADE SOCIAL (FOBIA SOCIAL) 6.4 FOBIAS ESPECÍFICAS 6.5 TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG) AN02FREV001/REV 4.0 4 6.6 TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO (TOC) 6.7 TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO (TEP) 6.8 COMORBIDADES QUE PODEM ESTAR ASSOCIADAS 6.9 TRANSTORNO DE ANSIEDADE NA CRIANÇA E NO ADOLESCENTE 6.9.1 Transtorno de separação 6.9.2 Transtorno de ansiedade generalizada 6.9.3 Transtorno de ansiedade social 6.9.4 Fobias específicas GLOSSÁRIO MÓDULO III 7 TRANSTORNO DE ANSIEDADE TEM TRATAMENTO? 7.1 TRATAMENTO DE TRANSTORNOS ANSIOSOS 7.1.1 Transtorno de pânico e agorafobia 7.1.2 Fobia específica (fobia simples) 7.1.3 Transtorno de ansiedade social (fobia social) 7.1.4 Transtorno obsessivo-compulsivo 7.1.5 Transtorno do estresse pós-traumático 7.1.6 Transtorno de ansiedade generalizada 7.1.7 Tratamento de transtornos ansiosos na criança e no adolescente 7.2 OS OPOSTOS DISTRAEM 7.3 POR QUE FAZER TERAPIA? 7.4 COMO SE PREVENIR 7.5 COMO VOCÊ PODE AJUDAR NO SEU TRATAMENTO 7.5.1 Marque um encontro (ou reencontro) com você 7.5.2 Aprenda a realmente viver um dia de cada vez GLOSSÁRIO MÓDULO IV 8 NEM TUDO É TRANSTORNO DE ANSIEDADE 8.1 SUPERSTIÇÕES SÃO DIFERENTES DE OBSESSÕES 9 TRANSFORMANDO ANSIEDADE EM ANSIEDADE PRODUTIVA 10 CASOS REAIS AN02FREV001/REV 4.0 5 11 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AN02FREV001/REV 4.0 6 MÓDULO I Alta Ansiedade Se marco uma entrevista às 2 1:15 já fumei 10 cigarros Se vou gravar uma faixa A mesa do estúdio está quebrada Não sei esperar, não sei esperar E a minha vida é um engarrafamento Se tenho uma festa às 10 8:30 já estou pronto Fico balançando os pés Sentado na beira da cama O tempo não passa pra mim Quero mais velocidade Várias coisas ao mesmo tempo Não quero esse bonde lento Cazuza 1 INTRODUÇÃO Este curso é sobre transtorno de ansiedade e suas manifestações. A ansiedade é algo muito presente na sociedade atual, pois as pessoas desejam “ser o melhor em tudo – mundo competitivo” e acabam sendo escravas de suas próprias metas ideais. Ser magra como as modelos internacionais, ter o carro mais potente, sucesso financeiro, isso acaba bloqueando as possibilidades de se aceitar e amar ao próximo, trazendo sensação de vazio, angústia e relações superficiais. Muitas vezes, nossa ansiedade impede o processo natural das coisas, gerando decisões impulsivas baseadas em percepções parciais, trazendo resultados nem sempre satisfatórios. O medo, por outro lado, faz parte de nosso DNA; ele nos preserva porque nos alerta para qualquer perigo real que esteja prestes a acontecer (chamado luta ou fuga), portanto é impossível viver sem nenhum grau de medo. Se você se rende AN02FREV001/REV 4.0 7 ao medo, evitando cada vez mais senti-lo, limita sua vida e outros medos surgem também. A coragem é algo que pode ser aprendido, desde que estejamos dispostos a enfrentar aos poucos o medo (aproximações sucessivas). A ansiedade é o medo sem fator desencadeante real (perigo próximo). No entanto, ela possui um limite: quando ele é ultrapassado, a ansiedade manifesta-se afetando o indivíduo como um todo (reações físicas, comportamentais e psicológicas), deixando a pessoa em estado de alerta constante. O que diferencia a ansiedade normal da ansiedade patológica (doença) é a sua intensidade. A ansiedade patológica deprime o sistema imunológico, ou seja, deixa o indivíduo predisposto a doenças (câncer, problemas intestinais, problemas cardíacos, entre outros). A alimentação rica em açúcares e cafeína (chocolate, café, chá preto e refrigerantes) também auxilia no aumento da ansiedade em indivíduos predispostos. Neste curso, buscaremos apresentar para você a origem da ansiedade, como identificar seu grau de manifestação e causas de sua permanência, bem como lidar com ela de modo apropriado (medicamentos, psicoterapia, exercícios físicos e outros) e usar de maneira construtiva sua ansiedade. 2 O QUE É TRANSTORNO DE ANSIEDADE? Ansiedade é algo bem democrático, pois não há ser humano (rico, pobre, culto, iletrado ou qualquer outra distinção que se possa fazer) que já não atenha experimentado de alguma forma. Ela é um estado de alerta que nos movimenta a ir ao encontro de algo. A ansiedade sob controle impulsiona a vida (estar em alerta pela chegada de um filho, o resultado de um concurso concorrido ou o início de um novo trabalho); a essa podemos chamar de ansiedade natural. A palavra ansiedade, originária do latim, deriva da raiz indo-europeia angh, que se refere a um sentimento de tormento e estrangulamento, à sensação de impotência do indivíduo que, preso numa armadilha, está prestes a perder o controle. Desde o começo, a palavra referiu-se a um estado interno terrível, e não a um perigo externo. A palavra alemã angstvem da mesma raiz, tendo o termo sido utilizado por Freud e pelos filósofos existencialistas (GERZON, 1997, p.32). AN02FREV001/REV 4.0 8 É importante sermos ansiosos com questões que valham a pena, como: o que posso fazer para deixar o planeta melhor para as próximas gerações, soluções para o sistema de saúde de nosso país, melhoria do relacionamento com minha família, amigos e colegas de trabalho. Isso proporciona a melhoria de vida para mim e para os que estão a minha volta. Lembrando que a ansiedade natural nos adverte a respeito de problemas reais de nosso cotidiano: ela me lembra de pegar carteira de motorista (CNH) ou o celular ao sair de casa, por exemplo. Ansiedade – Estado emocional desagradável e apreensivo, suscitado pela suspeita ou previsão de um perigo para a integridade da pessoa. As manifestações de ansiedade podem ser de ordem física (descargas automáticas: suores, taquicardia etc.) ou de ordem subjetiva (sentimentos de apreensão nem sempre suscetíveis de descrição cabal) (CABRAL E NICK, 2006, p.26). A pessoa que é ansiosa crônica está constantemente em estado de alerta, sempre com pressa, enfim, sempre acelerada. Vive sempre no futuro ou no passado, excetono presente. A ansiedade varia de pessoa para pessoa, é algo subjetivo que se apresenta de várias maneiras e com intensidades variadas abalando nossa sensação de bem-estar. O indivíduo sente-se agitado, nervoso, irritado e muitas vezes não consegue descrever o desconforto que sente, derivado do estresse, preocupação e tensão vivenciada. Portanto, é interessante buscar entender o seu tipo de ansiedade, o grau de comprometimento nas tarefas diárias e, se necessário, buscar ajuda especializada (psicólogo e psiquiatra). É importante destacar que, mesmo na literatura especializada, a palavra medo confunde-se com ansiedade. Vejamos: - o medo: está relacionado com um objeto ou situação real. Exemplo: ser vítima de um assalto ao sair do trabalho. A reação primitiva de luta ou fuga (descarga de adrenalina no sangue) é experienciada pela pessoa que é assaltada, por isso alguns reagem instantaneamente ou ficam totalmente paralisados e não conseguem explicar porque tiveram tais reações. - a ansiedade: normalmente sem fator desencadeante real, ou seja, imaginada como perigo. Exemplo: ao sair do trabalho serei assaltado? Em grau mais acentuado, pode restringir a vida, levando à crise do pânico ou outros transtornos de ansiedade. - a angústia: tem uma proporção maior. AN02FREV001/REV 4.0 9 De modo geral, pode considerar o termo sinônimo de ansiedade. Contudo, alguns intérpretes da terminologia psicanalítica têm querido encontrar certas tonalidades na definição do termo originalmente introduzido por Freud (Angst, que em alemão tanto significa ânsia como angústia), em seus estudos sobre a neurose. Segundo eles, angústia seria apenas manifestação superlativa da ansiedade, tal como, no campo da realidade objetiva, pavor é superlativo de medo (CABRAL E NICK, 2006, p. 25). Exemplo: sente-se um aperto no peito. Muitos pacientes vão se consultar com o cardiologista e descobrem que “não têm nada”, nada que podemos mensurar, mas que é sentido pelo paciente e lhe causa desconforto e até mesmo constrangimento em alguns casos. Adiante veremos que, para desenvolver transtorno de ansiedade, é necessário ter personalidade e componente genético predisposto a esta tendência. Para May (1971, p.32), “a ansiedade é, em suma, a forma contemporânea da peste branca – a maior destruidora da saúde e bem-estar humanos”, pois é notável a relação desta com problemas de relacionamento, estresse, depressão, baixa autoestima, doenças psicossomáticas (desencadeadas por questões emocionais) etc. Outros fatores que contribuem são: o ritmo da vida moderna, valores da sociedade e padrões de conduta variáveis. Existe uma pluralidade de modos de estar no mundo, de fazer parte do universo. Isso causa falta de direcionamento do que vem a ser certo ou socialmente aceitável como comportamento. Somos bombardeados por mensagens subliminares: a) consumismo: o ter em detrimento de ser, ou seja, valho não pelo que sou, mas pelo que possuo; b) materialismo (descrença na possibilidade de haver um Ser superior); c) gratificação instantânea (relacionamento casual, falta de perspectiva e de esperança); d) violência constante (nos lares, nas escolas – bullying, no trânsito, intolerância racial); e) instabilidade financeira (planos de saúde que, na busca de lucros excessivos, cortam benefícios e negam autorizações de exames, aumentando nossa sensação de insegurança, falta de vínculo e conectividade entre as pessoas e as instituições). AN02FREV001/REV 4.0 10 A sensação de vazio (incapacidade de realização) torna-se presente e, assim, as pessoas buscam incessantemente algo para preencher este espaço (trabalho em excesso, consumismo, fanatismo religioso). No entanto, o que conseguem é uma sensação passageira de bem-estar. May (1971, p. 32) menciona que “quando um grupo sofre contínua ansiedade sem tomar medidas eficazes, seus membros, mais cedo ou mais tarde, voltam-se uns contra os outros”. Portanto, a sociedade atual vive este caos. As revistas semanais de circulação nacional sempre têm como capa: corrupção, assassinatos, famosos instantâneos, divulgando uma realidade cruel de que já estamos anestesiados e não mais nos chocamos, a não ser quando somos atores principais (vítimas). Como o indivíduo vive em sociedade, isso se reflete em sua vida cotidiana e observa-se a prevalência de neuroses, perturbações emocionais e doenças psicossomáticas que têm como pano de fundo a ansiedade. “O valor que damos ao infortúnio é tão grande que, se dizemos a alguém ‘Como você é feliz’, em geral somos contestados” (PERCY, 2011, p.11). Isso está nas conversas informais dos mais variados lugares: fila de supermercado, sala de espera de consultórios, salões de beleza, sempre há alguém que respira e começa a reclamar de alguma coisa, aí surgem outros no ambiente que se motivam a dar continuidade ao tema, muitos contam fatos de sua vida pessoal a estranhos, e tudo isso acontece porque, sem perceber, temos o hábito de reclamar, e isso gera angústia e estresse. A grande questão é como interpretamos a realidade que nos cerca. O desafio à sociedade e à pessoa é enfrentar as transformações da era atual e futura com equilíbrio (valores morais, espirituais, aceitação de si e do outro) usando de maneira construtiva a ansiedade. Como falamos anteriormente, a ansiedade faz parte da vida. Mas o que diferencia a ansiedade normal da ansiedade patológica (doença – transtorno de ansiedade) é sua intensidade e comportamento de esquiva. De um modo geral, a ansiedade constitui um diferencial de personalidade. Enfim, todos possuem, mas o grau de manifestação varia de indivíduo para indivíduo. O transtorno de ansiedade, conforme Silva (2006) acomete indivíduos que têm personalidades já ansiosas. Portanto, ser ansioso é estar constantemente inquieto, preocupado, acelerado, tenso, independentemente do meio externo. AN02FREV001/REV 4.0 11 Estar ansioso é ter todas essas manifestações, acrescentadas as sensações físicas de sudorese, palpitações e náuseas. Quando o ser se une ao estar ansioso, verifica-se grande desconforto e sofrimento, configurando o transtorno de ansiedade. Devido à evitação da sensação de ansiedade intensa, surge o comportamento de esquiva, que leva a pessoa a evitar tudo àquilo que lembre o que ela teme, assim restringe suas atividades. É um transtorno muito comum na população, porém poucos são os que procuram tratamento, sendo comum procurar esconder-se das pessoas com quem convive. Entretanto, existem sinais sutis de que a vida dessas pessoas está em desequilíbrio. Vejamos as frases: “‘Estou aprisionado na rotina’; ‘Não tenho vida própria’; ‘Estou esgotado, simplesmente exausto’; ‘Me sinto só’” (COVEY, 2009). Essas são vozes de pessoas comuns, trabalhadoras, pais, chefes, que estão lutando para se adaptar às exigências atuais de que precisamos ser bons em tudo que fazemos e que o dia continua tendo somente 24horas e que não temos tempo a perder. Segundo Covey (2009), o ponto central para enfrentarmos com sucesso esses problemas é o rompimento com as antigas formas de pensar e se permitir “não ser tão perfeito”, diminuindo as expectativas irrealistas em relação a si próprio e aos outros, aumentando a satisfação e diminuindo as frustrações. Nas fobias específicas – medos exagerados – de insetos, gatos, de dirigir, as pessoas conseguem evitar contato e conseguem adiar um enfrentamento da situação por algum tempo. A ajuda especializada só é solicitada quando a pessoa tem prejuízos em várias áreas de sua vida (afetiva, social e profissional). A notícia boa é que, em 80% dos casos, é possível ter uma melhora significativa da qualidade de vida por meio do tratamento psicoterapêutico. O autoconhecimento reduz a ansiedade e também ajuda a assumir maiores riscos (por meio de técnicas terapêuticas), gerando maior tolerância a sensaçõesde ansiedade. A pessoa percebe que evoluiu gradualmente, começa a visualizar a possibilidade de sucesso e toma as rédeas de sua vida. AN02FREV001/REV 4.0 12 3 TIPOS DE FOBIAS ESPECÍFICAS (FOBIAS MAIS COMUNS) Provavelmente, você já deve ter ouvido alguém dizer que tem medo exagerado de insetos, mas o nome científico é entomofobia. Abaixo, temos a tabela das fobias mais comuns e quais são seus focos de medo, bem como é chamado cada um deles pelos profissionais de saúde mental. Esta tabela está descrita no livro “Mentes com medo: da compreensão à superação” (SILVA, 2006, p.120). Fobia Foco do medo Animais Ailurofobia Gatos Aracnofobia Aranhas Cinofobia Cães Entomofobia Insetos Ofidiofobia Cobras Ambiente natural Acrofobia Altura Amatofobia Poeira Frigofobia Clima frio Ceraunifobia Trovão Nictofobia Noite Fonofobia Ruídos altos Fotofobia Luz Pirofobia Fogo Sangue, injeção, ferimento Hemofobia Sangue Odinefobia Dor Poinefobia Punição Situação Apeirofobia Infinidade Claustrofobia Lugares fechados Topofobia Medo do palco Outros Ginofobia Mulheres Homofobia Homossexuais Cacorrafiofobia Fracasso AN02FREV001/REV 4.0 13 Logofobia Palavras Teofobia Deus Triscaidecafobia Número 13 3.1 PERSONALIDADES PREDISPOSTAS À ANSIEDADE Abaixo, você terá a oportunidade de ver o que funciona bem ou mal sobre as características de personalidade ansiosa, de acordo com Gerzon (1997). Outro fator a ser destacado é que os tipos de reação à ansiedade também derivam de fatores genéticos, de gênero (masculino e feminino) e culturais. Normalmente, variamos os tipos de personalidade ansiosa de acordo com a situação existente, mas tem a que predomina a maior parte do tempo. E não esqueça: ninguém mantém o equilíbrio perfeito todo o tempo. O que podemos é reconhecer nossas atitudes ansiosas e nos tornar mais tolerantes com as atitudes dos outros, pois a ansiedade é sentida e enfrentada de maneira diferente por cada um de nós. 1. Preocupado: “Estou preocupado com...” Esta frase é dita comumente por pessoas com uma atividade mental intensa as quais, para qualquer ação que tenham de realizar, estão pensando obsessivamente nos prós e contras, gerando mais incertezas. Outro fator marcante é a preocupação de como pode ser visto pelo outro, “o que vão pensar...” Existe uma necessidade elevada de agradar aos outros. Costumam ter problemas relacionados ao sono (insônia), problemas digestivos (úlceras e gastrites) e hormonais. Você se percebe preocupado? Utilize sua mente de forma mais positiva e produtiva: em vez de se preocupar, planeje, crie estratégias para alcançar suas metas, coloque tudo isso no papel e analise. Como tem tendência à introspecção, pratique ioga, meditação e técnicas de relaxamento. 2. Negador: “Depois eu penso nisso...”. Diferentemente do preocupado, que pensa o tempo todo, o negador adia as decisões que precisa tomar, procura sempre algo para se ocupar para afastar para longe de si a ansiedade. Nega a ansiedade por meio de uso abusivo de álcool, é “louco AN02FREV001/REV 4.0 14 por trabalho”, não tira férias nunca, come excessivamente, é fanático por esportes, religião, compras; alguns têm casos extraconjugais. Desperta nas pessoas um sentimento de inveja de que ele “sabe viver” sem se preocupar. O que não é resolvido acaba tomando proporções maiores e tendo resultados indesejados. As consequências são divórcio, demissão do emprego e saúde comprometida. Você se percebe negador? Utilize sua mente de forma mais positiva e produtiva: pensando de forma realista e colocando em prática. O negador é otimista e não se deixa abater pelas dificuldades; isso é algo positivo em sua personalidade. 3. Aflito: “O que vou fazer agora...”. A ansiedade do aflito é algo que se volta contra ele a ponto de ter sintomas físicos desconfortáveis, como: taquicardia, falta de ar, tontura. Sofre também com pânico, depressão e fobia. A dependência de outros ocorre com frequência e possui baixa autoestima. Não confia em si mesmo, em suas capacidades, evitando sempre situações que acredita que possam despertar sua ansiedade. Você se percebe aflito? Utilize sua mente de forma mais positiva e produtiva, com técnicas de visualização, auto-hipnose e outras que induzem o corpo ao autoequilíbrio. Tenha a consciência de que não detém as coisas à sua volta, que o ser humano tem suas limitações. Precisa elevar o grau de confiança em si mesmo, tendo papel mais ativo na vida, porque sabe que é responsável por suas escolhas. 4. Explosivo: “Vou resolver isso neste instante...”. O explosivo tem como característica básica querer modificar o mundo a sua volta para aliviar sua ansiedade. Transfere conflitos interiores para os que estão ao seu redor (filhos, patrões, cônjuges), culpando-os. Tende a analisar a realidade pelo prisma do 8 ou 80, preto ou branco, ou seja, não vendo que existem outras possibilidades. Assim, quer impor seu modo de agir e pensar aos outros por meio do poder econômico (dinheiro), posições de autoridade e até força física. Tem dificuldade de manter relacionamentos emocionais duradouros devido à “falta de travas”, perde a paciência com facilidade, esbraveja e responsabiliza os outros. AN02FREV001/REV 4.0 15 Você se percebe explosivo? Utilize sua mente de forma mais positiva e produtiva: precisa aprender a respeitar as opiniões e sentimentos alheios, tomar consciência que nem tudo depende de sua vontade, analisar a situação como um todo e pensar antes de agir. Algo bastante positivo nesta personalidade é a capacidade de tomar decisões e assumir responsabilidades. 5. Controlador: “Podemos resolver isso assim...”. Como o explosivo, o controlador deseja controlar tudo a sua volta para evitar a ansiedade. Tem como características a racionalidade, inteligência, autocontrole (mantém normalmente a calma e não age com impulsividade). Há preocupação com a sua imagem perante os outros, tem necessidade de aprovação e é ambicioso, perfeccionista e organizado. É bastante valorizado no trabalho, pois é responsável e comprometido com tudo que faz. Das personalidades ansiosas é a mais admirada. Você se percebe controlador? Utilize sua mente de forma mais positiva e produtiva, aceitando que há assuntos que fogem de sua responsabilidade e de seu controle, como o comportamento dos outros. O autocontrole é importante, mas a repressão emocional pode ser doentia. 6. Prestativo: “Deixa que eu ajudo você...”. O prestativo está sempre disposto a atender às necessidades das pessoas, independentemente de onde estejam. Já as suas necessidades são sempre deixadas de lado e desenvolve codependência com as pessoas. Decepciona-se se seu apoio ou sacrifício não é reconhecido. Recebe títulos de mãe exemplar, esposa maravilhosa, funcionária padrão. Quando, por exemplo, os filhos crescem e vão embora, a mãe com esse perfil sente-se deprimida e ansiosa (chamada de síndrome do ninho vazio). Pode sofrer de obesidade, depressões e alergias. Você se percebe prestativo? Utilize sua mente de forma mais positiva e produtiva, deixe de negligenciar sua vida (necessidades e desejos). Precisa reconhecer que, muitas vezes, o desejo de ajudar é para negar sua ansiedade. Nos relacionamentos, também AN02FREV001/REV 4.0 16 precisa colocar limites e defender suas opiniões. Tenha objetivos e metas pessoais. 3.2 TIPOS DE TRANSTORNO DE ANSIEDADE MAIS COMUNS Segundo Silva (2006), estes são os seguintes tipos mais comuns de transtornos de ansiedade: 1- Transtorno (síndrome) de pânico: caracterizado como medo do medo, ansiedade aguda e reações corporais intensas (coração acelerado, suor excessivo e sensação de morte próxima). Exemplo: medo de ter um ataque cardíaco. 2- Agorafobia: caracterizado como medode ter ataques em lugares dos quais seja difícil sair. Exemplo: sair de um show em que haja muitas pessoas. 3- Transtorno de ansiedade social (fobia social): caracterizado por medo exagerado de passar vergonha ou ser humilhado. Incomoda-se por pensar que possa estar sendo avaliado ou julgado por alguém. Exemplo: medo de falar em público. 4- Fobia específica (ou fobia simples): grande medo de objetos e situações que a pessoa percebe como ameaçadores. Exemplo: medo de dirigir. 5- Transtorno de ansiedade generalizada (TAG): caracteriza-se por ansiedade crônica por no mínimo 6 meses. Pensamento pessimista (vê sempre o lado negativo). Exemplo: vive constantemente cansado (tensão muscular crônica). 6- Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): pensamentos repetitivos ou rituais para alívio da ansiedade. Exemplo: checar repetidas vezes se fechou a porta. AN02FREV001/REV 4.0 17 7- Transtorno do estresse pós-traumático: caracteriza-se por ansiedade e outros sintomas que revivem o tormento de forma intensa. Exemplo: após sequestro relâmpago, relembra o que ocorreu o tempo todo. No segundo módulo, abordaremos de modo mais detalhado os tipos de transtorno de ansiedade mencionados acima. Você sabia? Que os transtornos mentais (depressão, estresse e ansiedade) são a terceira maior causa de afastamento do trabalho por mais de 15 dias no Brasil? É comum que as pessoas nem saibam que estão doentes. As causas geralmente estão relacionadas a violência (assaltos), trabalho (carga horária exaustiva), família (preocupação com pessoas próximas, filhos, pais, cônjuge) e problemas financeiros. As atividades que mais apresentam casos são: transporte aéreo (controladores de voo), extração de petróleo e fabricação de produtos têxteis, bancários, frentistas e comerciantes. Listados estão também os profissionais da saúde, educação e segurança (informação verbal)¹. FIGURA 1 FONTE: Stock Photos. Disponível em: <http://www.sxc.hu>. Acesso em: 21 nov. 2011 ¹ Notícia fornecida pelo Jornal Hoje, em São Paulo–SP, 23 de agosto de 2010. AN02FREV001/REV 4.0 18 4 COMO SE DIAGNOSTICA TRANSTORNO DE ANSIEDADE De acordo com Kaplan, Sadock e Grebb (1997), ao analisar um paciente aparentemente ansioso, é necessário fazer a diferenciação do que seja uma ansiedade normal de um estado de constante ansiedade que podemos chamar de ansiedade patológica. A ansiedade é um alerta a uma ameaça que pode ser interna ou externa, auxiliando o indivíduo a tomar as medidas necessárias para evitar ou amenizar as consequências, por exemplo: esquivar-se de um carro em alta velocidade. A ansiedade normal apresenta-se também nas etapas naturais da evolução do indivíduo, quando ele se depara com novas experiências: o bebê que se sente ameaçado com o distanciamento dos pais; para a criança, o primeiro dia da escola na educação infantil; para os adolescentes, a mudança do corpo e os relacionamentos amorosos; para os adultos, aproximação da velhice ou enfrentamento de uma doença. A ansiedade patológica (doentia), podemos dizer, é uma resposta inadequada em relação ao estímulo dado. Exemplo: ficar atormentado pela aproximação de um gato (ailurofobia). Não existe uma causa única, determinante para a ansiedade normal ou para os transtornos de ansiedade. Caso houvesse, seria muito simples resolver. Como a pessoa percebe, pensa e age frente aos fatos ao seu redor advém de suas vivências, personalidade e ambiente. Os transtornos ansiosos afetam os setores mais diversos da vida, deixando a pessoa “sem prazer em viver”, “sem alegria”. Esta vai fechando-se em seu mundo interior (evita passeios, eventos sociais, competição esportiva e evolução profissional) e isso é percebido pelas pessoas à sua volta: família, amigos e colegas de trabalho. Surge a famosa frase: “Fulano não é mais o mesmo”. No entanto, o indivíduo, às vezes, nem tem consciência disso. É interessante destacar que uma pessoa ansiosa pode sentir inquietação, enfim, incapacidade de ficar sentada ou parada por muito tempo. O corpo fala com reações do tipo: tamborilar os dedos na mesa, cruzar as pernas e ficar balançando e apertar as mãos. A concentração também fica alterada. Ela costuma elevar o perigo e diminuir sua real capacidade de enfrentar devido a sua baixa autoestima. “E quase AN02FREV001/REV 4.0 19 todos dizem algo como ‘Ninguém compreende como me sinto. Tenho tanto medo. Estou perdendo tanta coisa. Não tenho mais nenhuma autoestima’” (ROSS, 1995, p.11). 4.1 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA TRANSTORNO DE ANSIEDADE Os sintomas gerados por determinadas doenças são muito semelhantes com os transtornos de ansiedade. Por isso, o profissional precisa estar atento para poder diagnosticar o que realmente o seu paciente tem como doença. Vejamos alguns pontos (KAPLAN, SADOCK E GREBB, 1997): transtornos neurológicos: epilepsia, traumatismos cerebrais e síndromes pós-concussão; condições sistêmicas: doenças do coração (cardiopatias) e insuficiência pulmonar; problemas hormonais: tensão pré-menstrual, menopausa, hipertireoidismo e hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue); transtornos inflamatórios: lúpus e artrite; estados de deficiência: deficiência de vitamina B12 e pelagra; condições diversas: doenças febris e infecções crônicas; condições tóxicas: abstinência de álcool e drogas, cafeína e abstinência de cafeína e anfetaminas; transtornos psiquiátricos: esquizofrenia, mania e depressão, entre outros. Podem ser confundidos também: doença de Parkinson, doença pulmonar e dor crônica com crises de transtorno de pânico; síndrome de Sjogren ou doença grave com transtorno de ansiedade generalizada; AN02FREV001/REV 4.0 20 doença de Parkinson com fobia social; esclerose múltipla com transtorno obsessivo-compulsivo. Lembre-se: Para que o diagnóstico seja relacionado a quadro clínico (estado de saúde do paciente), é necessário verificar se o início se deu antes dos 35 anos, história familiar de presença de transtorno de ansiedade e condições de saúde do paciente. Outro fator a ser considerado é a questão cultural para a manifestação da ansiedade: umas vezes predominam os sintomas físicos e, em outras, os sintomas cognitivos. A seguir, critérios para diagnóstico de transtorno de ansiedade: 4.1.1 Síndrome do pânico O DSM-IV não determina o número mínimo de ataques de pânico nem sua frequência, mas que pelo menos um ataque seja prescindido de um mês de preocupação antes do último episódio, ou as implicações posteriores e também mudança de comportamento, de acordo com Kaplan, Sadock e Grebb (1997). Os critérios diagnósticos são: suor excessivo, respiração ofegante, coração acelerado, medo de morrer, de enlouquecer, sensação de formigamento, de estar distante de si, fraqueza, sufocação, pensamento catastrófico e desespero. Quatro ou mais sintomas intensificam-se e alcançam seu auge em 10 minutos. Geralmente os ataques são inesperados (vindos do nada) e recorrentes. Ou pode ser que tenha acontecido apenas uma crise de pânico seguida de antecipação incapacitante, medo de que possa voltar a acontecer outra crise. Só de viver sob essa “expectativa”, tem o mesmo efeito devastador de um ataque, segundo Ross (1995). O terror sem motivo é tão amedrontador para quem teve a experiência, mesmo que por uma única vez, que utilizam termos como: “a coisa” ou “aquilo”. As mulheres são mais acometidas por esse transtorno, que ocorre com igual frequência em centros urbanos e na área rural, contrariando a ideia de que ele surge devido à agitação dos grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. AN02FREV001/REV 4.0 21 É frequente que o transtorno de pânico se apresente com agorafobia. Entretanto, existe transtorno do pânico semagorafobia, mas a agorafobia sem pânico é rara. 4.1.2 Agorafobia É a ansiedade acerca de estar em locais ou situações de onde possa ser difícil (ou embaraçoso) escapar ou onde o auxílio pode não estar disponível (KAPLAN, SADOCK E GREBB, 1997). A evitação de determinados locais por medo de passar mal ou de ter ataque de pânico (para o paciente que tenha o transtorno de pânico associado) ou um desconforto semelhante a um ataque de pânico é fonte de preocupação constante para alguém que possui agorafobia. Ele pode ter crises em qualquer lugar (casa, túnel, rua), mesmo que nunca tenha estado em um túnel ou que no local que teme nunca tenha ocorrido um ataque de pânico, simplesmente porque ele acredita que é um lugar em potencial para que o ataque ocorra, portanto ele não vai. A agorafobia pode ser específica (passarelas, pontes, filas, elevadores) ou generalizada (sair de casa); ela impede muitas vezes de ir a eventos importantes, como formatura do filho ou o casamento de um amigo. Quando a pessoa não consegue utilizar meios de transporte (carros, ônibus ou trem), ou não consegue ficar só em casa, aumenta sua dependência das pessoas, provocando conflitos na família, que não consegue entender por que um indivíduo adulto age assim desta forma, ela, além de sofrer com sua ansiedade, sofre por se sentir culpada, “um fardo para a família”. A depressão e o alcoolismo contribuem em alguns casos para a piora do quadro. 4.1.3 Transtorno de ansiedade social (fobia social) Caracteriza-se por reações intensas de ansiedade conforme as quais a pessoa tem consciência de que seu medo é exagerado. Teme ser julgada pelos AN02FREV001/REV 4.0 22 outros ou ter de passar por humilhação ou situação vexatória. Para fins de entendimento, podemos chamar de timidez exacerbada (SILVA, 2006). Além disso, outras características das fobias devem estar presentes: uma reação intensa de ansiedade com manifestações autonômicas ao se defrontar ou permanecer na situação; a tentativa de evitá-la a todo custo; o reconhecimento de que o medo é irracional e excessivo; e o comprometimento das atividades sociais e ocupacionais (GENTIL E NETO, 1996. p.113) A insegurança e a ansiedade são naturais em situações sociais, como comer em um restaurante refinado, falar em público, encontros amorosos ou uma apresentação musical. A ansiedade motiva-nos a nos preparar para podermos ter um bom desempenho e não passar por situação constrangedora. A fobia social pode afetar o crescimento profissional do indivíduo, pois não conseguirá apresentar-se em público, outros não conseguem se alimentar ou tomar uma xícara de café, escrever na presença de estranhos ou participar de festas com os colegas de trabalho. A pessoa restringe muito seu círculo de amizades e convivência, não tendo, ao longo do tempo, novos amigos. Enfim, pode levar a uma vida de solidão (GENTIL E NETO, 1996). O medo é o mais tradicional espantalho que sempre usamos quando continuamos a fazer como sempre fizemos. Na meia-luz dos nossos automatismos. Na meia-lucidez do nosso sonambulismo crônico. É esse medo de ser, de se sentir ou de se ver diferente de todos e de si mesmo a primeira e a mais fundamental das resistências psicológicas (MEGIDO apud GAIARSA, 2004, p.28). 4.1.4 Fobia específica (ou fobia simples) De acordo com Silva (2006), medo persistente e irracional revelado pela presença ou antecipação de que pode ser exposto ao que teme. A exposição ao objeto ou situação temida leva a uma resposta imediata de ansiedade que pode chegar a provocar um ataque de pânico. Evitar ao máximo a situação indesejada faz com que a pessoa suba de escadas até o 11º andar, por exemplo, ao invés de utilizar o elevador. O indivíduo percebe que o medo que apresenta é AN02FREV001/REV 4.0 23 desproporcional, mas não consegue controlar-se. A fobia específica caracteriza-se por vários tipos: animal (cobra, barata, gato etc.); ambiente natural (alturas, trovões, relâmpagos e água); sangue, injeção, ferimentos; situacional (de voar, elevadores, locais fechados, de dirigir); outro tipo: que não se encaixam nas descrições citadas logo anteriormente. Destacamos entre as fobias específicas o medo de dirigir. Segundo Corassa (2006), ele é muito comum, fazendo com que as pessoas, mesmo possuindo veículo próprio, não dirijam (famosa síndrome do carro na garagem). Estas dispensam trabalhos importantes porque não dirigem em dia chuvoso, levam os filhos ao colégio de ônibus e andam sempre de ônibus ou táxi quando alguém da família (filhos, esposo, irmão ou amigo) não pode dirigir para elas. Sentem-se constrangidas ao aceitar carona, pois se percebem incompetentes. Se for homem, tende a sofrer ainda com o preconceito, pois em nossa sociedade, obrigatoriamente, o homem (visto como provedor) deve saber dirigir para levar sua família, esposa ou namorada aos mais variados lugares. Um fato intrigante é que grande parte destas pessoas que possuem carteira de habilitação foi aprovada pelo órgão competente, mas não se aprovam como motoristas. Normalmente, são pessoas responsáveis, organizadas, detalhistas, que não gostam de críticas e de cometer erros. O fóbico da direção incomoda-se com o que os vizinhos, colegas de trabalho ou família pensam a seu respeito quanto a não dirigir e entra em um círculo vicioso por não se permitir errar, portanto, evita treinar e, assim, não consegue o domínio do veículo. Quanto menos domínio, mais medo. O tratamento que dá resultados mais satisfatórios é antidepressivo e terapia cognitivo-comportamental. O uso de antidepressivos é comum devido à incidência de fobia e depressão. E a terapia auxilia a pessoa a entender seu medo e a realizar aproximações sucessivas ao seu objeto ou situação temida. No caso de dirigir, a pessoa começa por lugares conhecidos de pouco movimento, estando com alguém de sua confiança, até superar sua dificuldade de forma progressiva. AN02FREV001/REV 4.0 24 Dicas Livros para aprofundar o conhecimento a respeito do medo de dirigir: Dirigir sem medo – Cecília Cristina Bellina Sem medo de dirigir – Regina Pastore FIGURA 2 FONTE: Stock Photos. Disponível em: <http://www.sxc.hu>. Acesso em: 19 dez. 2011 4.1.5 Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) O transtorno de ansiedade generalizada é definido como preocupação excessiva sem foco específico (que persiste por no mínimo 6 meses). Preocupa-se com tudo: com as atividades diárias, família, trabalho, saúde, finanças, o clima, a situação atual do país etc. Existe a consciência por parte da pessoa e dos demais de que esta preocupação é exagerada. Mas é algo que ela não consegue controlar. A pessoa acometida por esse transtorno não consegue definir quando começou porque sempre teve um estado ansioso ao longo da vida. Estudos indicam que este transtorno acomete mais mulheres entre 20 e 30 anos que vivenciam um estado constante de tensão, pois acreditam que são mais predispostas a que aconteça algo de ruim. Exemplo: deixam de curtir uma viagem devido à preocupação excessiva com os possíveis acontecimentos, por exemplo, furar o pneu ou acidente. Isso é por causa da ansiedade antecipatória, que é um dos sintomas presentes nos transtornos ansiosos. Veremos com mais detalhes no próximo módulo (KAPLAN, SADOCK E GREBB, 1997) AN02FREV001/REV 4.0 25 É difícil a diferenciação entre ansiedade generalizada, depressão ou transtorno distímico, porque muitas vezes eles se apresentam juntos. Geralmente, a pessoa que possui este transtorno já se consultou com diversos especialistas: clínicos gerais, cardiologistas, gastroenterologistas etc., em busca de resolver os sintomas físicos: sudorese, taquicardia, tremores e irritabilidade. Isso acontece quando a pessoa passa a ter problemas em suavida pessoal e no trabalho. O estresse ambiental (em casa e/ou no trabalho) pode desencadear o transtorno em indivíduos predispostos geneticamente. Ou seja, que haja caso de depressão e ansiedade na família. As mudanças da vida, como divórcio, nascimento de um filho e demissão, também são fontes de ansiedade normalmente, mas para o indivíduo que possui ansiedade crônica é muito mais sofrido e desgastante. No entanto, como na maioria dos transtornos mentais, a causa não é conhecida nem única, porque pode existir um conjunto de fatores que influenciam. É importante descartar qualquer possibilidade de doença física (hipertireoidismo, alergias alimentares, tensão pré- menstrual) antes do diagnóstico de ansiedade generalizada (KAPLAN, SADOCK E GREBB, 1997). 4.1.6 Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) Até os anos de 1980, o transtorno obsessivo-compulsivo era tido como raro. Hoje, sabemos que ele é muito comum. A obsessão é um pensamento, sentimento, ideia ou sensação que invade a mente. A compulsão é um comportamento consciente (a pessoa percebe o caráter irracional) e recorrente de checar, verificar e contar. Ou seja, a obsessão faz com que a pessoa pense muito que é importante checar o gás antes de sair de casa. A compulsão faz com que a pessoa cheque várias vezes para ter a diminuição da ansiedade. Quando a pessoa não cede a este impulso, a ansiedade aumenta e ela checa repetidas vezes. Este transtorno é incapacitante, pois consome tempo. É comum ele estar associado à depressão, aproximadamente 75% dos casos, segundo Silva (2004). Como no exemplo acima, a pessoa, às vezes, deixa de sair de casa por ter se AN02FREV001/REV 4.0 26 atrasado muito com a checagem. Isso traz grande sofrimento e solidão para o indivíduo, pois ele tem consciência do caráter irracional das suas ações, mas não consegue mudar. Envergonha-se de suas atitudes e procura esconder-se das pessoas. A nossa mente está constantemente povoada pelos mais diversos pensamentos bons, ruins, inconsequentes, enfim, de todos os tipos. Muitos estão de acordo com nossos princípios e refletem como nos comportamos no mundo. Outros negamos até a nós mesmos. E se estes que negamos não conseguiram “desgrudar” de nossa mente podem gerar em nós ansiedade e, para evitá-la, podemos utilizar pequenos gestos que aliviam momentaneamente tal sensação. O diagnóstico diferencial são transtorno de Tourette (tiques motores e vocais), epilepsia e complicações pós-encefalíticas. Para que os pensamentos sejam considerados obsessivos, eles devem ser desagradáveis, intrusivos, indesejáveis e repetitivos. Quem os tem não os quer e, embora saiba que jamais concordaria com o conteúdo desses pensamentos obsessivos ou faria o que eles sugerem, sente uma pesada culpa por tê-los. [...]Mas ele também pode começar a remoer a preocupação de que, se está pensando naquilo, é porque talvez seja mesmo capaz de fazer aquilo. A partir daí, pode tentar fazer um esforço tremendo para não voltar mais a pensar naquilo e, pior, desenvolver comportamentos como evitar subir ou descer a escada junto com seu desafeto. (SILVA, 2004, p.8- 9) No TOC, como é popularmente conhecido, os rituais e as superstições estão fora de controle, trazendo sofrimento e prejuízos ao dia a dia do indivíduo. Mas pequenas manias (esquisitices) são algo normal que todos nós possuímos e que não caracterizam um transtorno. Vejamos, segundo Silva (2004): a) os desenhos animados retratam por meio de personagens famosos: tio Patinhas (conta sua fortuna o tempo todo), Penélope Charmosa (seu cabelo tinha que estar sempre impecável e seu carro extremamente limpo), Branca de Neve (após se perder, quando chega à casa dos anões, vai organizá-la). b) na vida real, existem celebridades com certas esquisitices em comum. Para David Beckham, as latas de Coca-Cola devem ser só em números pares. O famoso J.R.R. Tolkien, autor do filme “O senhor dos anéis”, deixou uma obra inacabada “O Silmarillion”, devido a constantemente revisá-lo e modificá-lo. Após sua morte, seu filho fez a publicação. AN02FREV001/REV 4.0 27 É importante ressaltar o quanto é necessário ter compreensão e carinho com as pessoas que são acometidas por esse transtorno, evitando piadas e que sejam vítimas de chacotas. Dica Filme: “Melhor impossível” (1997). FIGURA 3 FONTE: Stock Photos. Disponível em: <http://www.sxc.hu>. Acesso em: 19 dez. 2011 4.1.7 Transtorno do estresse pós-traumático O estresse pós-traumático advém de o paciente ter vivido um estresse emocional significativo, ou seja, traumático para qualquer indivíduo. Conforme Kaplan, Sadock e Grebb (1997), o transtorno pós-traumático consiste em: revivência do transtorno por meio de sonhos, recordações e pensamentos; evitação de coisas ou situações que lembram o trauma; hiperexcitação persistente (dificuldade para manter o sono, irritabilidade, resposta de sobressalto exagerada); é comum estar associado a depressão, ansiedade e dificuldades cognitivas (como falta de concentração e atenção). AN02FREV001/REV 4.0 28 E pode acontecer de estes sintomas aparecerem: agudo(menos de 3 meses); crônico (de 3 meses ou mais); com início tardio (6 meses após o evento traumático ter ocorrido). Outro fator é se causa sofrimento para a pessoa em nível social, ocupacional e familiar após o evento. Eventos que podem desencadear o transtorno de estresse pós-traumático: experiência de combate (ex-combatentes de guerra, policiais que enfrentam o crime organizado e pessoas que convivem com esta situação, como no caso dos moradores das favelas dos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo); agressão física (sofrida por moradores de rua, homossexuais, negros, violência doméstica e outras); estupro (principalmente quando ocorre por parte de pessoas que deveriam proteger a criança: pais, tios e avós); sérios acidentes (automobilísticos, aéreos, do trabalho, nincêndio em edifícios); sequestros (com cativeiro ou relâmpago). Destacamos a questão do sequestro, de acordo com Santos (2007), independentemente de ser o relâmpago ou o que tenha mantido em cativeiro a pessoa e seus familiares, amigos e testemunhas, que pode desenvolver transtorno do estresse pós-traumático. A pessoa que foi sequestrada é chamada de “vítima primária” e aqueles que são próximos a ela, como parentes e amigos, de “vítimas secundárias”. Como diagnóstico diferencial, Santos (2007) enfatiza que é preciso descartar a possibilidade de: transtorno de ajustamento (não tem gravidade de ameaça real); transtorno de estresse agudo (inicia os sintomas antes de 4 semanas após o evento estressor); AN02FREV001/REV 4.0 29 transtorno obsessivo-compulsivo; esquizofrenia; transtorno de humor. Ainda hoje, há uma preocupação com os autores do sequestro (que é válida), mas a vítima, com poucos dias, sai da mídia e fica confinada, em alguns casos, em seu “filme interior” de revivência do sofrimento. Precisamos buscar dar mais atenção a este fato. 5 CAUSAS DO TRANSTORNO DE ANSIEDADE Como já dissemos, as exigências são cada vez maiores e precisamos ter tempo para realizar trabalho de excelência, termos uma “rede de amigos”, alimentação saudável, ser um ser espiritualizado e ser pais presentes. Enfim, ter qualidade de vida. Isso é o ideal, mas algo que, pelo menos para a grande maioria das pessoas, ainda é sonho. Gerzon (1997) relata que, em sua prática clínica, percebeu que o pano de fundo de várias reclamações (nervosismo, angústia, autossabotagem, doença física, maus hábitos, dependência e baixa autoestima) aumentam a ansiedade. E acrescenta: “comecei a perceber que a felicidade e o sucesso na vida tinham relação direta com a capacidade de lidar com a ansiedade” (GERZON,1997, p.15). Enfim, saber filtrar aquilo com o qual vale a pena ter ansiedade, porque ela determina nossa personalidade e nosso caráter. As causas da ansiedade patológica (doença) estão relacionadas com disfunções de um ou mais dos seguintes sistemas (SILVA, 2006): sistema nervoso central e periférico: cérebro e as fibras que o conectam com o corpo todo; sistema endócrino: área responsável pelas funções reprodutivas, menstruação e a queima dos alimentos no organismo; AN02FREV001/REV 4.0 30 sistema imunológico: responsável por defender nosso organismo de vírus e bactérias. A ansiedade excessiva o deprime, deixando a pessoa exposta a doenças; sistema cardiovascular: responsável pelo coração e todos os vasos sanguíneos do corpo. Importante: O termo transtorno de ansiedade pode ser utilizado somente quando o principal sistema afetado for o sistema nervoso central e periférico. Os fatores que podem predispor o indivíduo a ter o transtorno de ansiedade, de acordo com Silva (2006), são: instabilidade fisiológica: a mente interfere no corpo como um todo. Por isso, quando a pessoa fica ansiosa, surge o medo, desencadeando uma descarga exacerbada de adrenalina (potencializa a capacidade muscular de luta ou fuga). Nem sempre o perigo é real. Na ansiedade patológica, o indivíduo vive em constante estado de alerta; fatores genéticos: quando há casos de transtorno na família, principalmente de pessoas próximas (pais, irmãos, tios), o indivíduo pode estar mais predisposto; ambiente familiar: segundo teorias comportamentais, “um indivíduo pode aprender a ter uma resposta interna de ansiedade, imitando as respostas ansiosas de seus pais (teoria de aprendizagem social)” (KAPLAN, SADOCK E GREBB, 1997, p.547).Pais perfeccionistas e superprotetores podem deixar a criança insegura, com medo de enfrentar coisas novas por medo de errar e decepcioná-los; tensão emocional (pressão): fatos tristes, como a morte do cônjuge ou de pessoas próximas, perda inesperada de emprego, ou mudanças positivas, como casamento, nascimento de bebê, progresso profissional (SILVA, 2006); visão de mundo: como a pessoa percebe o mundo a sua volta. As crenças irracionais (“isso só acontece comigo”, “estão me avaliando”), fraca confiança em si e visão negativa do mundo (SILVA, 2006); AN02FREV001/REV 4.0 31 alimentação rica em cafeína (refrigerante, chocolate, chá preto) e açúcares (SILVA, 2006). FIM DO MÓDULO I