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EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 1 Tutorial 9 – mod XIII Parto Pelve materna Canal do parto: constituído pela pelve óssea (sacro, cóccix, ilíaco esquerdo e direito) e pelos tecidos moles (cérvice e musculatura do assoalho pélvico) - Pequena pelve é a que tem expressão obstétrica: forma o trajeto duro do parto: limite superior tem estreito superior e embaixo o inferior, o estreito médio é área de menores diâmetros da pequena pelve, no nível das espinhas isquiáticas • Estreito superior: diâmetros de interesse: conjugata vera anatômica (anteroposterior, do promontório à borda superior da sínfise púbica: 11 cm), a conjugata vera obstétrica (anteroposterior, do promontório à face posterior da sínfise: 10,5 cm), a conjugata diagonalis (anteroposterior do promontório à borda inferior da sínfise: 12 cm, por ela consegue estimar medida de outras conjugatas) e o diâmetro transverso máximo (tranversal, dos dois pontos mais afastados da linha inominada do ilíaco: 13-13,5 cm). • Estreito médio: tem o diâmetro anteroposterior (12cm) e o transverso (10,5: biespinha isquiatica) • Estreito inferior: conjugata exitus (anteroposterior, da margem inferior da sínfise até o cóccix – quando mede em geral 9,5 cm – ou até a articulação sacrococcígea após retropulsão do cóccix – com 11 cm) e o diâmetro transverso bi-isquiático (11 cm). Na apresentação cefálica: começa com ligeira flexão, ai a cabeça vai fletindo gradualmente: substitui diâmetros maiores por menores, começa com occiptofrontal de 12cm, passando para suboccipitofrontalde 11 e por fim suboccipitobregmatico de 9,5 cm. 4 tipos de bacia: ginecoide, antropoide, androide e platipieloide: determinados pela relação da porção posterior do estreito superior (diâmetro transverso maximo) com a região anterior: pelve mais arredondadas, ovaladas ou triangulares. Planos da bacia: imaginários, traçados por alturas da escavação pélvica: Planos de Hodge: primeiro traçado pela borda superior do púbis e pelo promontório; segundo correspondente à borda inferior do púbis; terceiro na altura das espinhas isquiáticas; e quarto partindo da ponta do cóccix Planos de De Lee: ponto 0 na altura da espinha isquiática, outros planos são traçados a cada cm acima (-1, -2...) ou abaixo (+1, +2...). Pelvimetria clínica pode ser útil para qualitativamente identificar pelves com maior risco de distocia, mas a pelvimetria radiológica caiu em desuso pela ausência de associação fidedigna dos parâmetros com desfechos no nascimento. Parâmetros que ainda são utilizados: conjugata diagonalis (cujo valor se deduz 1,5 cm para obter a conjugata vera obstétrica, sendo favoráveis ao parto eutócico quando medem em torno de 12 e 10,5 cm, respectivamente, ou quando o promontório não é acessível), a conjugata exitus (favorável de 9-11 cm), o ângulo de abertura da arcada púbica (desfavorável se <90°, favorável se >90°) e o diâmetro bi-isquiático (favorável se 9 cm ou mais ou, subjetivamente, se as espinhas isquiáticas não estão muito aproximadas). Contratilidade uterina - Método mais usado para avaliar contratilidade uterina é tocografia: interpretação gráfica das contrações uterinas durante o TP, podendo ser feita externa ou internamente (invasiva). Avalia contração em relação a pressão ou tônus,intensidade, frequência, duração e forma de onda contrátil. - As contrações acontecem em toda a gestação: início são as ondas de Alvarez (2-4mmHg de intensidade a cada 1-3 minutos a partir da 9° semana: paciente não sente), contrações de Braxton Hicks da 13-30° semana (10- EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 2 15mmHg a cada 30 segundos), após 30° semana frequência se aproxima de 1 a cada 10 minutos: ritmo regular nas 2 ultimas semanas antes do parto. No TP ativo aumenta intensidade e frequência das contrações a medida que dilatação progride, até período expulsivo. Depois do parto tem contração rítmica para dequitação placentária e hemostasia. Mecanismo do parto - Teoria da menor resistência: apresentação fetal tem que se adaptar aos menores diâmetros possíveis a fim de transpor as dimensões e os contornos mais favoráveis que são alcançados durante o trajeto do parto 95 a 96% dos casos o parto se processa em apresentação cefálica fletida, ou apresentação de vértice. - Mecanismo do parto depende da morfologia e configuração da pelve (parte óssea e musculoaponeurotica), da apresentação e tamanho fetal, e da contratilidade uterina. PROCESSO DO PARTO E O PAPEL DO FETO - Trabalho de parto: aumento da atividade miometrial, mudança dos padrões contráteis de baixa frequência e intensidade, para modelo de concentração de alta densidade e frequência, com esvaecimento progressivo e dilatação do colo uterino. - Habilidade do feto em negociar o final de passar pela trajetória depende da interação de variáveis: Poder propulsor, fornecido pelas contrações uterinas. Mobilidade do passageiro (móvel-feto) Passagem (trajeto duro e mole do canal de parto) Tempos do mecanismo do parto ENCAIXAMENTO OU INSINUAÇÃO - Passagem da maior circunferência da apresentação pelo anel do estreito superior da pelve. Nulíparas acontece nas duas últimas semanas de gestação (insinuação estática) e nas multíparas após inicio do TP (insinuação dinâmica). - Encaixe x Morfologia da Pelve: morfologias ginecoide, androide e platipeloide geralmente o encaixamento se dá pelo diâmetro transverso, nas andropoides é pela posição posterior e direita. - Posições transversas a sutura sagital penetra estreito superior de maneira sinclitica (mesma distancia do púbis e promontório sacral) ou assinclitica (flexão lateral da cabeça do feto). Normal grau moderado de assinclitismo no TP, muito acentuado indica desproporção cefalopelvica. Assinclitismo posterior: obliquidade de Litzmann quando a sutura sagital está mais próxima da sínfise púbica com exposição maior do parietal posterior ao exame digital. Assinclitismo anterior: obliquidade de Naegele quando a sutura sagital está mais próxima do promontório com exposição maior do parietal anterior ao exame digital. FLEXÃO - Acontece quando encontra resistência do colo uterino, paredes pélvicas ou do assoalho pélvico. Importante para passagem do menor diâmetro cefálico pelo menor diâmetro da pelve: importante substituir diâmetro occipitofrontal por subocciptobregmatico (que é menor) DESCIDA - Desde o início do TP e acaba quando tem expulsão do feto: acontece por forças do TP e apagamento do segmento inferior uterino. Velocidade depende da resistência pélvica e intensidade das contrações. ROTAÇÃO INTERNA DA CABEÇA - Descida da cabeça em direção ao estreito médio da pelve: distende/dilata o conjunto musculoaponeurotico do diafragma pélvico. - Quando cabeça alcança músculos elevadores do anus faz movimento espiralado rodando o ápicefetal no sentido de menor resistência: com rotação interna da cabeça e pregressão no canal tem penetração dos ombros no estreito superior da bacia. DESPRENDIMENTO OU EXTENSÃO DA CABEÇA FETAL - Depois da rotação interna da cabeça a base do occipital será colocada sob arcada púbica: sutura sagital na direção anteroposterior. EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 3 - Movimento de extensão (deflexão): polo cefálico direciona desprendimento seguindo curvatura inferior do canal do parto, nuca se apoia na margem inferior da sínfise púbica e a cabeça vai passando e distendendo tecido vulvar: vulva se abre e períneo se alonga: couro cabeludo visível entre contrações. - Depois acontece movimento de bascula apoiado na margem inferior do púbis: permite passagem de occipital, bregma, fronte, nariz, boca e por fim mento pela fenda vulvar. RESTITUIÇÃO OU ROTAÇÃO EXTERNA DA CABEÇA FETAL - Depois da deflexão da cabeça e passagem dela pela vulva,ela retorna a posição anatômica correta em relação ao dorso fetal (esquerda ou direita): movimento passivo: por liberação das forças que estavam no polo cefálico pela pelve óssea e musculatura materna. SAÍDA DE OMBROS E EXPULSÃO - Desde a passagem no estreito superior da bacia os ombros estão com diâmetro biacromial no sentido obliquo direito ou transverso da bacia. Quando chega no assoalho pélvico sofrem movimento de rotação interno para orientar o biacromial para direção anteroposterior da saída do canal. - Ombro anterior se coloca sob arcada púbica e o posterior junto ao assoalho pélvico:impelindo cóccix materno para tras. Após desprendimento da cabeça continua descida do feto com transposição do ombro anterior pela arcada púbica (quando aparece pelo orifício vulvar) para depois se desprender. - Continua progressão para saída, e com tronco fletido lateralmente desprende o ombro posterior. - Comum a saída dos ombros precisar de ajuda manual: depressão suave da cabeça sem tração exagerada para não lesar plexo braquial, depois que passa ombro anterior sob sínfise faz elevação suave da cabeça para liberar o posterior e o resto do feto. EFEITOS DO MECANISMO DO PARTO Efeitos mecânicos: acomodação à área doestreito superior, com diminuição linear e volumétrica dos diâmetros fetais; insinuação e sinclitismo ou assinclitismo; rotação interna, desprendimento e rotação externa da apresentação; rotação interna e desprendimento dos ombros; desprendimento do resto do corpo fetal. Efeitos dinâmicos: apagamento e dilataçãocervical; formação e expansão do segmentoinferior do útero; dilatação da inserção cervical na vagina; dilatação de vagina, vulva e períneo; formação e ruptura da bolsa amniótica. Efeitos plásticos: bossa serossanguinolenta. Assistência ao parto Trabalho de parto: do início das contrações uterinas regulares associadas ao apagamento e a dilatação cervical até a expulsão do concepto e da placenta. Acompanha dependendo do grau da dilatação, além das contrações uterinas regulares e frequentes: nas sem risco prefere só na fase ativa, para ter TP menos longo, menor uso de ocitocina, menor taxa de cesárea e maior satisfação da paciente. No caso de fatores de risco gestacional como RCF, DMG e hipertensão admite no acompanhamento mesmo na fase latente, pelo risco de insuficiência placentar e comprometimento fetal. Avaliação da paciente Admissão hospitalar: diagnostico de trabalho de parto, identifica situações de risco materno e fetal, faz anamnese (idade, paridades, álcool, fumo, DMG e pré-eclâmpsia na história familiar, cálculo IG), avalia carteira de pré-natal, como tipagem sanguínea e sorologias de sífilis, hepatite B e HIV, fax exame físico geral (mamas) e obstétrico (PA, altura uterina, manobra de leopold, ausculta BCF antes durante e após uma contração, contratilidade uterina em 10 minutos, inspeção da vulva, exame especular se suspeita de RUPREME e placenta previa e toque vaginal bimanua para ver apagamento e dilatação, evita se tem ruptura de bolsa) - Sangramentos podem estar associados a placentação anômala, descolamento da placenta ou a micro lesões provocadas pela dilatação do colo do útero, pode ter eliminação de muco com raias de sangue na fase latente do parto, que seria o tampão mucoso. Perda de líquido amniótico associado a contrações uterinas já considera trabalho de parto independente do grau de dilatação cervical. EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 4 USG no TP: principalmente em pacientes obesas, na suspeita de apresentações incomuns, gemelaridade, aumento ou diminuição do volume de liq amniótico, diagnostico diferencia de placenta previa e descolamento prematuro de placenta, e avaliação de vitalidade fetal Admissão de parturiente - Internação hospitalar é indicada na fase ativa do TP: quando tem contração a cada 3-5 min (>2- 3contrações/10min) e dilatação cervical >4 cm, com colo fino e apagado. - Rotina precisa avaliar sinais vitais maternos, precisando registrar peso, PA, temperatura corporal e FC materna e fetal. - Enema e tricotomia perineal não tem benefício de fazer em rotina. Quando admitida em TP precisa fazer teste rápido para HIV e sífilis (mesmo que fez no 3° tri), já toxoplasmose e hepatite B faz nas suscetíveis. Fases clínicas do parto Primeiro período: de dilatação: intervalo entre início do TP até a dilatação completa: pega fase latente (até 4cm de dilatação do colo: lenta com padrão contrátil irregular) e ativa (dilatação rápida dos 4-10cm, padrão contrátil regular e doloroso, com fase de aceleração, aceleração máxima e desaceleração da dilatação) do TP. Segundo período: de expulsão: descida da apresentação e expulsão do feto: período entre dilatação completa e desprendimento do concepto. Subdividido em fase inicial (passiva: dilatação total do colo, sem sensação de puxo e polo cefálico alto na pelve) e ativa (dilatação total do colo, cabeça fetal visível, presença de puxos/esforços maternos ativos). Terceiro período: dequitação ou secundamento: período entre a expulsão do feto e a saída da placenta e membranas ovulares. Tem relação temporal inversa com quantidade de perda sanguínea materna. Quarto período: 1°h pós-parto: 1°h depois da expulsão da placenta: risco de complicações hemorrágicas Primeiro período do parto - Monitorização clínica da progressão do TP e vigilância da saúde fetal. Pode ter acompanhante de escolha durante todo período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato: lei desde 2005!!! Medidas não farmacológicas para alívio de dor: hipnose, ioga, técnicas de relaxamento e acupuntura. - Avaliação no 1° período: sinais vitais maternos a cada 1h, evitando decúbito dorsal pois pode provocar compressão aorto-cava pelo útero gravídico induzindo a hipotensão arterial e bradicardia fetal: síndrome da hipotensão supina. - Pacientes com maior chance de necessitar de cesariana e com maior risco de aspiração de conteúdo gástrico (obesas, diabéticas, via aérea difícil de intubar) mantem restrição de ingestão de líquidos. - Avaliação fetal no 1° período: faz pela ausculta intermitente do ritmo cardíaco fetal, pelo menos a cada 30 minutos. - Ausculta dos BCF faz com pinard ou sonar doppler antes, durante e depois das contrações (20s) para tentar ver alterações no ritmo cardíaco associados a contrações: se tem desaceleração suspeita ou bradicardia persistente (< 100 por > 3 minutos) faz cardiotografico intraparto: não indicado uso rotineiro de monitorização eletrônica fetal nas gestantes de baixo risco. PARTOGRAMA - Gráfico de acompanhamento do TP: curva de dilatação cervical tem aspecto sigmoide e divide em fase latente e ativa. O de escolha é o da OMS que considera apenas a fase ativa. - Com isso avalia evolução do TP, observando precocemente progressão lenta ou não evolução do TP: facilita identificação de TP disfuncional (diagnostico da disfunção se contrátil ou desproporção é clínico e confirma depois do exame físico). - Começa registro com um X, marcando dilatação cervical na linha de alerta. Altura da apresentação usa um círculo: referência são planos de De Lee VARIAÇÕES DE POSIÇÕES DE APRESENTAÇÃO CEFÁLICA EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 5 DILATAÇÃO E DESCIDA DA APRESENTAÇÃO A CADA 2H, DINÂMICA UTERINA A CADA HORA E BCF A CADA 30 MINUTOS - No 1°período é medido a progressão satisfatória principalmente pela dilatação do colo do útero, tendo menos importância a altura da apresentação fetal. - 2h após inclusão do partograma não tiver dilatação 1cm/h (no caso menos que isso) procura causas de disfunção pela avaliação do trajeto pélvico e altura uterina. - Correção de TP lento pode ser por amniotomia ou infusão de ocitocina: se não tiver sinais de desproporção cefalopelvica (bossa serossanguinea, edemade colo) e condição fetal não tranquilizadora (cardiotocografia grau II ou III), se tem sinais faz cesárea. Não faz ocitocina + amniotomia junto para não hiperestimular: faz uma e depois de 2h novo toque vaginal, dependendo faz outro. CESARIANA - Indica quando tem DCP (desproporção cefalopelvica) e condição fetal não tranquilizadora. Se já tem uma cesariana prévia a decisão é da paciente junto com a médica. RUPTURA UTERINA - Tríade clássica de dor, sangramento vaginal e CTG anormal. Segundo período do parto - Depois que tem completa a dilatação cervical começa os esforços expulsivos ou puxos. Precisa fazer toque vaginal para avaliar altura e variedade da apresentação: occipitoposteriores são associadas a períodos expulsivos prolongados e maior necessidade de parto instrumentado. - Nas que estão em uso de analgesia peridural esforços expulsivos não acontecem espontaneamente: pois são desencadeados por estímulos dolorosos. Maioria dos casos espera a rotação interna da apresentação fetal para que comece o atendimento ativo da expulsão da cabeça fetal. - Posição mais utilizada no 2° e 3° período de parto: Laborie Duncan, com decúbito dorsal, mesa de parto verticalizada ao máximo e flexão e abdução máximas das pernas e coxas: amplia estreito inferior e expõe suficientemente períneo e fenda vulvar, favorecendo manobras de episiotomia (procedimento cirúrgico: incisão no períneo) e instrumentalização quando necessário. Posições mais verticalizadas como cócoras são associadas a períodos expulsivos menos dolorosos ou maior tolerância a dor. - Depois de escolher a posição: antissepsia das mãos/antebraços, luvas e avental, em seguida faz antissepsia da região perineal e coxas da paciente, com colocação de campos esterilizados. - Para aproveitar máximo das contrações expulsivas (manobra de Valsalva: enche peito de ar, fecha a boca e faz força) que se originam de músculos estriados do abdômen que em parto estão submetidos a vontade do paciente: consegue intensificar esforços expulsivos. - Vitalidade do concepto rastreia por ausculta aos BCFs a cada 5 min: antes, durante e após contrações uterinas: essa fase pode ter compressão funicular e diminuição da perfusão fetal. - No desprendimento da cabeça evita deflexão súbita da apresentação, que pode fazer laceração de 3° e 4° grau, pela técnica de duas mãos que diminui risco de ruptura obstétrica do esfíncter anal. - Evita prensa abdominal durante deflexão do polo cefálico, sendo que o occipito nas apresentações anteriores é contido com a mão esquerda do parteiro, enquanto os dedos indicador e polegar da mão direita fazem pressão nos músculos elevadores do anus no períneo a esquerda e EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 6 direita em direção à linha média: tirar tensão sobre os músculos do esfíncter anal. - Se tiver circular frouxa de cordão umbilical desfaz deslizando cordão sobre a cabeça fetal, se circular apertada o cordão precisa ser seccionado entre duas pinças. - Se desprendimento dos ombros não acontece espontaneamente faz realizar episiotomia e segura cabeça fetal com ambas as mãos e traciona delicadamente para baixo, junto com flexão e abdução máximas dos mmii da parturiente, enquanto auxiliar faz pressão suprapubica contra ombro impactado: manobra de McRoberts: para liberar o ombro anterior e em seguida faz tração para cima que desprende o ombro posterior: depois de liberar ombros aplica ocitocina IM em dose única para diminuir perda sanguínea e prevenir hemorragia por atonia uterina. Cordão umbilical: clampeamento tardio, de 1-3 minutos depois do nascimento nos fetos que estão bem (apgar >7 no 1° minuto) melhora níveis de hb do RN. Quando sangue da mãe for Rh- ou HIV+ já pinça imediatamente para diminuir risco de transfusão materno-fetal. • Gasometria do sangue do cordão umbilical: coleta logo depois do clampeamento, preferencialmente da artéria (sangue venoso): avalia oxigenação fetal imediatamente antes do nascimento: diagnostico diferencial nos neonatos deprimidos. Duração média do 2° período de parto em primíparas cerca de 45 min. Se >60 min sem ausência de progressão de descida fetal avalia possíveis causas como sinais de DCP (desproporção cefalopelvica), se verifica hipocontratilidade uterina faz infusão de ocitocina ou aumenta gotejo. Se CTG anormal indica parto operatório (vaginal assistido por fórcipe, ventosa ou cesariana). Não precisa abreviar período expulsivo que esteja durando menos de 3h em nulípara ou menos de 2h em multípara. EPISIOTOMIA - Cirurgia sobre o assoalho pélvico com objetivo de facilitar ou encurtar o período expulsivo. Usa para tentar evitar ruptura obstétrica do esfíncter anal. Indicações: corpo perineal <3cm, condição fetal não tranquilizadora, macrossomia fetal, distocia de ombro, variedades posteriores da apresentação, parto instrumentado, apresentação pélvica, doenças maternas que impeçam puxos vigorosos. - Uso restritivo mostrou menor risco de morbidade relevante, incluindo laceração perineal posterior, necessidade de sutura de lacerações perineais ou complicações de cicatrização em 7 dias. Terceiro período do parto - Seria o descolamento, descida e desprendimento da placenta e membranas. Tem relação direta entre tempo de duração do período expulsivo com quantidade de perda sanguínea. Dura cerca de 5-6 minutos, 90% nos primeiros 15 minutos após o nascimento: demora mais nos partos prematuros. - Muitas mortes acontecem por complicação nesse período principalmente hemorragia pós-parto. - Manejo ativo: ocitocina 10UI IM imediatamente após nascimento (após desprendimento do ombro do RN), massagem uterina e tração controlada do cordão umbilical associada a contrapressão no corpo uterino acima da sínfise púbica. - Esse manejo ativo tem menos % de hemorragia puerperal do que expectante. - Depois da dequitação faz toque retal para ver se não teve lesão anal e intestinal. Repete antissepsia no períneo, troca os campos estéreis e luvas e faz revisão do trajeto pélvico: só é obrigatório no uso de fórcipe, fetos macrossomicos, sangramento aumentado, expulsão distócica ou abrupta. - Se necessário episiorrafia: mucosa vaginal suturada continua até carúncula himenal antes da sutura dos planos muscular e subcutâneo para facilitar fechamento e evitar permanência de vasos sangrantes (principal causa de hematoma na episiotomia), da carúncula a junção escamomucosa faz sutura com pontos separados com fios de ac poliglicolico. No final repete toque retal, confere tônus uterino e sinais vitais maternos. Quarto período do parto - 1° hora depois da saída da placenta: mantem paciente em observação por risco de complicações hemorrágicas: avalia sinais vitais, grau de contratura uterina (formação do globo de segurança de Pinard: para cicatrizar vasos locais) e a presença ou não de hemorragia. Causa mais comum de hemorragia pós-parto é a hipotonia uterina!!! Indução do trabalho de parto Estimulação artificial da dinâmica uterina antes do início espontâneo do trabalho de parto com objetivo de atingir parto vaginal. Faz quando risco materno/fetal de manter gestação são maiores que os benefícios, e quando não tem contraindicação de parto vaginal. - Tem risco aumentado de hemorragia materna intensa pós- parto quando comparado ao trabalho de parto espontâneo, além de aumento de risco de endometrite e histerectomia. Pode ser menos eficiente, mais longo e doloroso. - Contraindicações da indução de parto: contraindicações de parto por via vaginal: 2+ cesáreas previas com incisão baixa ou uma previa com incisão corporal, incisão uterina transmural previa, infecção herpética ativa, placenta previa, prolapso de cordão, situação fetal transversa, carcinoma invasivo de colo uterino, monitorização anteparto III - Avaliaçãoda condição fetal: antes do início da indução: cardiotocografia, perfil biofísico fetal, USG obstétrico, USG EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 7 doppler, amniocentese para determinar maturidade pulmonar fetal. - Indução de parto na gestação a termo não aumenta índices de cesariana. - Preditores de sucesso mais importantes são as condições do colo uterino: avalia pelo escore de Bishop: > 8 indica colo de útero favorável e < 6 não favorável (nesses casos probabilidade para parto vaginal é menor para parto induzido quando comparado ao espontâneo). ESCORE DE BISHOP Parâmetro 0 1 2 3 Dilatação 0 1-2 3-4 5- 6 Apagamento 0-30 40-50 60-70 80 Alt. da apr. -3 -2 -1/0 +1/ +2 Consistência do colo Endurecido Médio Amolecido Posição do colo Posterior Médio Anterior Técnicas de amadurecimento cervical (induzir o parto) DESCOLAMENTO DIGITAL DE MEMBRANAS - Libera intracervicalmente fosfolipase A2 e prostaglandina: estimula atividade uterina: aumenta probabilidade do parto espontâneo em 48h evitando indução formal do parto. - Técnica: inserção do dedo do examinador pelo canal cervical, passando orifício cervical interno, o mais alto possível, com rotação circunferencial para descolar as membranas do segmento uterino inferior. De acordo com revisão sistemática: precisaria de 8 descolamentos de membrana para evitar uma indução formal. MÉTODOS MECÂNICOS - São os mais antigos: incluem dilatadores higroscópicos, dilatadores osmóticos, sonda foley intracervical (+ utilizado por baixo custo, facilidade de conservação, reversibilidade, menor risco de efeitos colaterais sistêmicos, menor risco de taquissistolia no feto) e infusão salina extra amniótica. - Ação mecânica: ação direta no colo uterino e liberação das prostaglandinas endógenas. AMNIOTOMIA - Ruptura intencional das membranas isoladamente não é recomendado para indução do parto, usa quando Bishop > 4 e bolsa integra com uso junto com ocitocina. - Tem risco de infecção intrauterina aumentada quando faz amniotomia antes do início do trabalho de parto. MÉTODOS FARMACOLÓGICOS - Misoprostol (análogo sintético do PEG1) pode ser usado por via vaginal, sublingual ou oral no amadurecimento cervical e indução de parto. Melhor que a PEG2 no amadurecimento cervical e indução do parto a termo: > n° de partos vaginas em 12-24h e menor uso de ocitocina. - OMS considera o misoprostol oral a cada 2h como opção mais eficaz e segura para indução do parto: método de escolha nas mulheres com maior risco de infecção como nas rupturas de membranas. - Estudos que comparam o misoprostol oral e sonda Foley mostram que taxa de cesariana, corioamnionite, infecção puerperal ou neonatal são iguais, com tempo similar da indução ao parto. - Na cesariana previa com gestação a termo e colo desfavorável que querem parto vaginal usa a sonda foley de escolha, pois prostaglandinas aumentam risco de ruptura uterina. Ocitocina - Hormônio hipotalâmico, liberado pela neuro-hipofise de forma pulsátil. Induz produção de ac araquidonio pela decídua, que se transforma em PGF2alfa: potencializa efeito contrátil da ocitocina. - Dose é aumentada até que o TP progrida normalmente ou que contrações fortes ocorram a cada 2-3 minutos, podendo ser suspensa ou não após esse período (controvérsia na literatura). - Taquissistolia é aparecimento de contrações uterinas excessivas provocadas por ocitocina ou prostaglandinas: manejo é diminuição ou suspensão da infusão, que vai fazer relaxamento uterino pela curta meia vida do fármaco. - Riscos associados a infusão de ocitocina: intoxicação hídrica, hipotensão, hiperestimulação uterina com ou sem alteração da frequencia cardíaca fetal, ruptura uterina, descolamento de placenta e hiperbilirrubinemia neonatal. Uso prolongado é associado a hipotonia uterina pós-natal. - Em altas doses tem efeito vasodilatador e antidiurético: por similaridade estrutural com vasopressina. EMANUELA HANNOFF PILON – MEDICINA 202 8