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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA DEPARTAMENTO DE ESTUDOS LINGUÍSTICOS LITERÁRIOS Jean Henrique Thiesen Resenha crítica sobre o livro ‘’Teoria do conto’’ Nadia Gotlib. São Paulo, 1990, 52 p. No livro ‘’ Teoria do Conto’’, de Nadia Gotlib, conhecemos a forma como o conto se desenvolve, tanto quanto sua afirmação como gênero literário. Gotlib começa o livro destrinchando as diversas formas em que esse gênero fora se tornando importante durante a história. Nadia Gotlib e as estórias O livro é dividido em 5 capítulos. Sendo em cada um, tratado tópicos acerca de desenvolvimento, estruturação e criação do conto. O capítulo 1: A história da estória, trata-se de uma viagem em alguns dos contos e livros de contos mais famosos, alguns deles sendo, Mil e uma noites – Antoine Galland, e Odisséia – Homero. Temos ainda nesse capítulo a fase onde o conto criaria sua estética, saindo da oralidade e passando para escrita, criando assim alguns contrapontos, denunciados na pergunta que Gotlib faz (‘’) como pensar o conto desvinculado de um conjunto maior de modos de narrar ou representar a realidade? (’’) O conto: uma Narrativa No primeiro capítulo vemos sobre as acepções da palavra conto, vejamos Gotlib (1990, pg. 8) Para Julio Casares há três acepções da palavra conto, que Julio Cortázar utiliza no seu estudo sobre Poe: 1. relato de um acontecimento; 2. narração oral ou escrita de um acontecimento falso; 3. fábula que se conta às crianças para diverti-las Nesse trecho são citadas as influências que Gotlib teve para desenvolver no seu livro a estrutura de um conto. Vemos nesse capítulo as formas de criação das narrativas do conto, sendo elas verdadeiras ou falsas, não adotando critérios específicos. Revela-se aqui a problemática acerca da limitação dos gêneros. Limitações e dialogismos entre eles. Então aos poucos vai se delineando no capítulo as formas de classificação do conto e suas divergências entre contistas, forçando o conto a ter uma estrutura básica de gênero. Força essa que vai se mostrando ineficaz na produção de contos durante a história, pois alguns contistas superam essas ‘’barreiras’’ moldando o conto a sua vontade, fazendo ao invés da sua estrutura curta que é característica, fazendo contos longos, mas que não perdem a sua identidade de gênero. Conto: um gênero? Já nesse capítulo vemos as formas que o conto deve ou não tomar como gênero literário em contraponto com diversos outros que se assemelham em teoria, mas que diferem na prática e estrutura. Vemos então a ‘’teoria do efeito’’ (Edgar Alan Poe) que nada mais é do que ‘’a extensão do conto e a reação que ele consegue provocar no leitor ou o efeito que a leitura lhe causa’’. Sobre a brevidade do conto, podemos entender que nem todo conto tem que ser breve, mas a brevidade é uma característica importante do conto. Alguns contistas durante a história, ‘’passaram por cima’’ dessa brevidade, escrevendo contos grandes e que mesmo assim não fugiam ao que é considerado conto. Isso nos revela o quão importante é a delimitação de uma ‘’estrutura’’ para um gênero, tanto quanto ‘’quebrar’’ essas ‘’estruturas’’ faz a diferença para a história da literatura. O conto: uns casos Machado de Assis e seus famosos contos não poderiam ficar de fora do livro de Nadia Gotlib e aqui nesse capítulo contendo várias citações, mas a mais importante delas é sobre o conto ‘’A missa do galo’’, onde ela faz um escrutínio sobre as formas de enredo que Machado pratica eximiamente nesse conto. A forma com que Machado lido com os personagens e conduz a leitura é notadamente única. Ao concluirmos o livro, notamos que o conto em seu desenvolvimento sofreu diversas influências de gênero e estrutura, mesmo sendo um gênero quase sempre breve ainda lida com transformações sendo um dos mais praticados na idade contemporânea. Não é fácil tentar dissertar sobre um gênero tão antigo e abrangente, que extrapola a língua falada, Nadia Gotlib consegue nos fazer adentrar aos contos e suas demais estruturas em menos de 60 páginas, nos revelando diversos contistas famosos, exemplificando direto da fonte como se produz e se formula um conto. Referências Bibliográficas Gotlib, N, B.Teoria do Conto, São Paulo, 1990, 52 pg