Buscar

Senar-Na_PASO_Apostila_M1

Prévia do material em texto

Produção de 
alimentos em 
sistemas orgânicos
Carga horária: 35 h
Fotos
Banco de imagens do Senar
Shutterstock
Getty Images
iStock
Informações e contato
Senar Administração Central
SGAN 601 – Módulo K Edifício Antônio Ernesto de Salvo – 1º andar
Brasília – CEP 70830-021
Telefone: 61 2109-1300
https://www.cnabrasil.org.br/senar
2021– Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar
1ª. Edição – 2021
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos 
autorais (Lei nº 9.610).
Presidente do Conselho Deliberativo do Senar
João Martins da Silva Junior
Diretor Geral do Senar
Daniel Klüppel Carrara
Diretora de Educação Profissional e Promoção Social
Janete Lacerda de Almeida
Coordenadora do Núcleo de Educação a Distância
Ana Ângela de Medeiros Sousa
Equipe técnica Senar
Gabriel Zanuto Sakita
Larissa Arêa Sousa
Mateus Moraes Tavares
Presidente da ANATER
Ademar Silva Junior
Diretor Técnico
Wesley Passaglia
Gerente de Gestão de ATER e Formação
Leonardo Vieira Nunes
AGRADECIMENTOS ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento) por disponibilizar equipe técnica para validação do curso junto 
ao Senar, representado por Alexandre Alves Ferreira, Médico Veterinário, e 
Werito Fernandes de Melo, Coordenador de Metodologia e Capacitação, do 
Departamento de Desenvolvimento Comunitário (DDC/SAF/MAPA).
https://www.cnabrasil.org.br/senar
pg. 3Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Apresentação ........................................................................................................................................ 4
Módulo 1 – Produção de hortaliças em sistemas orgânicos ...................................................... 9
Aula 1 – Planejamento da produção de hortaliças orgânicas ...................................................................................12
Aula 2 – Solo, insumos e manejo na produção de hortaliças orgânicas ................................................................35
Aula 3 – Regularização da produção orgânica de hortaliças .....................................................................................67
Conclusão ...................................................................................................................................................................................79
Atividade de aprendizagem .................................................................................................................................................81
Módulo 2 – Produção de frutas em sistemas orgânicos ...........................................................88
Aula 1 – Planejamento da produção de frutas orgânicas e uso de variedades para cultivo orgânico ..........90
Aula 2 – Solo, insumos e manejo na produção de frutas orgânicas ..................................................................... 104
Aula 3 – Manejo na colheita e pós-colheita na produção de frutas orgânicas .................................................. 119
Conclusão ................................................................................................................................................................................ 127
Atividade de aprendizagem .............................................................................................................................................. 129
Módulo 3 – Produção animal em sistemas orgânicos ............................................................ 136
Aula 1 – As normas para a produção de animais em sistemas orgânicos ......................................................... 138
Aula 2 – Produção de alimentos para animais em sistemas orgânicos ............................................................... 160
Aula 3 – A criação dos animais de acordo com suas espécies .............................................................................. 175
Conclusão ................................................................................................................................................................................ 201
Atividade de aprendizagem .............................................................................................................................................. 203
Encerramento ................................................................................................................................... 210
Sumário
pg. 4Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Apresentação
Olá, que bom ter você aqui!
Este curso te ajudará a 
compreender como são 
produzidos os alimentos de 
origem vegetal e animal de 
forma orgânica.
Mas, antes de seguir em 
frente com o estudo das 
aulas, conheça como o 
curso está organizado.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. Sistema CNA/Senar
pg. 5Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Estrutura do curso 
O curso está dividido em três módulos. No primeiro e segundo módulos, serão abordados os 
requisitos para a produção vegetal, de hortaliças e frutas; já no terceiro, os conteúdos são 
voltados para a produção animal. A seguir, conheça o que será tratado em cada um deles:
Módulo 1 - Produção de hortaliças em sistemas orgânicos
No módulo 1, você vai compreender os procedimentos para planejar a produção de 
hortaliças, a comercialização, a colheita, o beneficiamento e a destinação da produção. 
Em relação às hortaliças, o manejo requer uma série de cuidados com o solo e com os 
manejos produtivos das plantas, o que inclui o controle fitossanitário. Esses conteúdos 
estão divididos em 3 aulas:
• Aula 1 - Planejamento da produção de hortaliças orgânicas
• Aula 2 - Solo, insumos e manejo na produção de hortaliças orgânicas
• Aula 3 - Regularização da produção orgânica de hortaliças
pg. 6Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Módulo 2 - Produção de frutas em sistemas orgânicos
No módulo 2, você irá conhecer os passos da produção de frutas: o planejamento 
dos pomares, a produção, os tratamentos pós-colheita, o beneficiamento e a 
comercialização das frutas orgânicas. Esses conteúdos estão distribuídos em 3 aulas:
• Aula 1 - Planejamento da produção de frutas orgânicas e uso de variedades de 
plantas para cultivo orgânico
• Aula 2 - Solo, insumos e manejo na produção de frutas orgânicas
• Aula 3 - Manejo na colheita e pós colheita na produção de frutas orgânicas
Módulo 3 - Produção animal em sistemas orgânicos
Por fim, no módulo 3, você saberá como é a produção animal no sistema orgânico, 
especificando a qualidade no manejo do solo e adubação, a produção orgânica de 
insumos e defensivos utilizados na produção de alimentos para os animais, bem 
como os locais onde os animais são criados. Além disso, apresentaremos os principais 
regramentos e modos da criação de aves, suínos, bovinos, caprinos, ovinos e peixes. O 
conteúdo do terceiro módulo também está distribuído em 3 aulas:
• Aula 1 - As normas para a produção de animais em sistemas orgânicos
• Aula 2 - Produção de alimentos para animais em sistemas orgânicos
• Aula 3 - A criação dos animais de acordo com suas espécies
pg. 7Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Quem sabe, compartilha
Nas aulas, você irá encontrar alguns diálogos entre Roberto, Vítor e Márcia, então, conheça cada 
um deles:
Roberto
O Roberto é um técnico de campo do Senar, e irá apoiar 
Márcia e Vítor sanando algumas dúvidas e compartilhando 
sugestões. 
Márcia 
A Márcia é uma produtora da agricultura familiar de 
hortaliças e frutas.
Vítor 
E Vítor cria galinhas e é um produtor de ovos orgânicos.
pg. 8Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Canal de podcast Um Giro no Agro
No AVA, após participar das atividades das aulas, você irá 
obter o selo de cada módulo e, com isso, poderá baixar e 
salvar áudios em seu computador para estudar os principais 
pontos tratados no conteúdo quando quiser. Eles serão 
trazidos no canal de podcasts Um Giro no Agro. Então, já 
sabe! No AVA,a somatória de conquistas lhe garante o selo do 
módulo e, com ele, você terá esse recurso em mãos!
Atenção! A participação nas aulas, dentro do AVA, é obrigatória para conseguir 
baixar os podcasts do canal Um Giro no Agro. Além disso, ao final de cada 
módulo, você encontrará a atividade de aprendizagem. Vale reforçar que você só 
terá acesso à apostila do módulo seguinte depois de respondê-la.
Para concluir o curso, as regras são simples: você deverá navegar por todas as 
telas, realizar as atividades de aprendizagem, e, depois de cumprir essas duas 
etapas, responder a pesquisa de satisfação. Portanto, organize-se e acesse o AVA!
Esperamos que este curso traga os conhecimentos necessários para que você se inspire e possa 
realizar a produção orgânica de alimentos, atendendo as normativas. 
Agora, siga em frente. 
Desejamos a você um ótimo curso!
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. Sistema CNA/Senar
Produção de 
hortaliças 
em sistemas 
orgânicos
Módulo 1
pg. 10Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Abertura do módulo 1
A produção orgânica, especialmente a de hortaliças, apresenta um grande potencial de 
crescimento, diante do aumento da demanda dos consumidores que visam ao consumo 
desses alimentos. 
A população utiliza vários nomes para se referir às hortaliças, 
dentre eles: verduras, legumes e hortifrutigranjeiros, que 
no ramo da Agronomia são chamados de olericultura. 
As hortaliças podem ser raízes, bulbos, tubérculos, hastes, flores, frutos e folhas que são 
utilizados como alimento de um conjunto de cerca de 100 espécies agrícolas; essas hortaliças são 
conhecidas como verduras e legumes. Elas são ricas em vitaminas, minerais e fibras, e contribuem 
para aumentar o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas por suas propriedades funcionais.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux e Tony Oliveira. Sistema CNA/Senar
pg. 11Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Neste módulo, você irá compreender as etapas da produção orgânica de hortaliças: como é 
realizado o planejamento, a implantação das hortas, os cuidados com os solos, os insumos, 
o manejo da produção, as colheitas e o beneficiamento das hortaliças orgânicas. Além 
disso, vamos compreender as normas legais relacionadas à produção orgânica no Brasil e o 
processo de certificação, ambos importantes para fortalecer o setor.
Leia a primeira aula do módulo, 
e vamos em frente!
Bons estudos!
Planejamento 
da produção 
de hortaliças 
orgânicas
Aula 1
pg. 13Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Vamos começar esta primeira aula analisando algumas 
vantagens e desafios sobre a produção orgânica de alimentos 
no Brasil. Em seguida, você terá oportunidade de conhecer 
elementos importantes que devem ser considerados no 
planejamento da produção de hortaliças orgânicas.
Nessa etapa de planejamento, é importante definir o 
objetivo da produção: se para o consumo familiar, para a 
comercialização ou para ambos. A partir disso, será possível 
estabelecer quais as espécies que serão utilizadas e todos 
os insumos necessários, desde o plantio até a colheita, e a 
destinação da produção. Além disso, é preciso saber se será 
preciso algum tipo de beneficiamento dos produtos, e devem 
ser identificadas as rotas de escoamento e canais 
de comercialização. Foto: Wenderson Araujo/Trilux. Sistema CNA/Senar
A produção orgânica de 
alimentos no Brasil, suas 
vantagens e os desafios
A agricultura orgânica, mesmo pequena quando comparada à agricultura convencional, 
apresenta um grande potencial, pois a demanda nacional por esses produtos tende a crescer. 
Dados divulgados pelo Ipea, em 2020, e considerando dados de 2000 a 2017, demonstram que 
o setor tem crescido anualmente cerca de 11%, impulsionado especialmente pela demanda dos 
países europeus, da América do Norte e da China.
Ipea
Instituto de Pesquisa 
Econômica Aplicada
pg. 14Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Márcia e Vítor conversaram sobre esse assunto; ambos 
são produtores de orgânicos e acompanham de perto 
esses dados.
Vale destacar que o conteúdo a seguir está disponível no 
seu Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), em formato 
de áudio.
Se você estiver conectado à internet e quiser ir direto para a 
página do portal EAD do Senar, clique no ícone ao lado.
Quem sabe, compartilha
Márcia: Oi, Vítor! Eu queria mesmo falar com você! Estava 
aqui pesquisando sobre a produção orgânica no Brasil, e 
descobri que, entre os anos dois mil e dois mil e dezessete, 
houve um crescimento médio anual de dezessete por cento 
no número de produtores orgânicos registrados no MAPA. 
Eu achei que éramos poucos, mas não paramos de crescer! 
A área ocupada pela produção orgânica tem crescido dois 
por cento ao ano.
Vítor: Olá, Márcia! Sim, é isso mesmo, o número de 
produtores orgânicos não para de crescer! Eu conheço 
dados de dois mil e dezoito que dizem que existem mais de 
vinte e duas mil propriedades certificadas e registradas no 
Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos do MAPA.
http://ead.senar.org.br/
pg. 15Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Márcia: Isso é incrível, não é, Vítor?! Em dois mil e 
dezessete, o Brasil era o décimo segundo entre os vinte 
países com maiores áreas de produção orgânica. Você 
sabia que somos o país que mais produz arroz orgânico na 
América Latina?
Márcia: É, realmente interessante, Vítor. Recentemente, eu 
vi um estudo do IPEA que fala que a demanda mundial por 
produtos orgânicos tende a aumentar. As pessoas estão se 
conscientizando mais em relação às questões ambientais e 
buscando uma alimentação orgânica; esses são os principais 
fatores que impulsionam o nosso setor.
Vítor: Nossa, que legal! Isso eu não sabia! E você sabe que 
nossa produção orgânica atende especialmente o mercado 
interno? Mas parte dos produtos brasileiros também são 
destinados à Europa e América do Norte.
Vítor: E também tem se defendido uma ampliação do 
conceito de saúde, você sabia? Como ela vai além da 
ausência de doença, a saúde incorpora a qualidade de 
vida física e mental das pessoas. Sabe como? Através 
do consumo de alimentos orgânicos, além de hábitos 
saudáveis, como as atividades físicas.
pg. 16Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Márcia: Outra coisa que está impulsionando nosso setor de 
produção orgânica é o período de isolamento da pandemia 
da COVID-dezenove. Esse período, inclusive, fortaleceu essa 
visão de saúde que você comentou. As pessoas estavam 
mais presentes em casa, e dedicaram uma atenção maior 
para a alimentação e para os produtos que consomem. Isso 
aumentou a busca por alimentos orgânicos.
Márcia: Realmente, Vítor, a agricultura orgânica está 
ganhando muito espaço na vida das pessoas. Foi ótimo 
conversar com você, até mais!
Vítor: Tudo isso que conversamos, Márcia, são razões pelas 
quais a agricultura orgânica tende a ganhar espaço no setor 
agrícola! Especialmente nas áreas consideradas periurbanas, 
porque elas estão localizadas mais próximas dos centros 
urbanos, e concentram a maioria dos consumidores.
Vítor: Até breve, Márcia!
pg. 17Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Interessantes os dados apontados por eles, não é mesmo? Mas é importante que você saiba que 
a agricultura orgânica apresenta diversos desafios para impulsionar a produção e conquistar 
mais produtores e consumidores. No Brasil, o grande desafio é a falta de insumos apropriados 
para serem utilizados, como por exemplo:
Fertilizantes 
orgânicos 
certificados
Defensivos agrícolas 
de origem biológica
Sementes e mudas 
de sistemas 
orgânicos
A qualidade da água disponível para a produção orgânica também é outro fator limitante, pois 
não depende apenas dos produtores orgânicos, mas sim de toda a comunidade. Além disso, a 
assistência técnica especializada na produção orgânica e a dificuldade em realizar a certificação 
desses produtos são apontados como desafios, especialmente para os pequenos produtores. 
Por essasrazões, este curso servirá para que você conheça um pouco mais sobre a agricultura 
orgânica e, assim, consiga enfrentar os desafios.
pg. 18Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Produção orgânica de hortaliças 
para consumo familiar e para a 
comercialização
A produção de hortaliças 
é caracterizada pelo uso 
intensivo de recursos: o 
solo, os insumos e a mão de 
obra. Essa produção possui 
grande importância social, 
pois gera renda e emprego 
no meio rural e nas cidades, 
sendo uma oportunidade 
para a agricultura familiar 
e para a utilização de 
pequenas áreas.
Cidades
Agricultura urbana e 
periurbana
Por esse tipo de agricultura apresentar, em geral, ciclo curto, e ser perecível em curto prazo, é 
necessário que o produtor organize e planeje muito bem as atividades que deverá desempenhar. 
Por isso, o primeiro passo é definir o objetivo da produção – se para atender o consumo familiar, 
para ser comercializado, ou para ambos.
pg. 19Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Isso é importante para definir quais os produtos que serão 
cultivados, e também a quantidade de cada um deles, já que 
essa informação irá determinar a área da propriedade rural 
que será ocupada.
Quando o destino da produção é a comercialização, é 
importante determinar como será feito o escoamento da 
produção a partir da demanda do mercado consumidor.
O conteúdo a seguir está disponível no Ambiente Virtual de 
Aprendizagem em um vídeo, na sessão Sistema orgânico 
em foco, e irá te apresentar como planejar o espaço da 
sua horta.
Se você estiver conectado à internet e quiser ir direto para 
a página do portal EAD do Senar, clique no ícone ao lado.
http://ead.senar.org.br/
pg. 20Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. 
Sistema CNA/Senar
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. 
Sistema CNA/Senar
Sistema orgânico em foco
Você já pensou em planejar o espaço da sua horta?
Hortas, quintais, jardins, hortos, pomar, terreiro, entre tantos 
outros, são formas de chamar aquele espaço para produzir 
suas hortaliças.
É importante planejar esse espaço onde serão cultivados 
os diferentes produtos, como a cenoura, alface, beterraba 
entre outros.
Você deve saber a área disponível para sua horta, e deixar 
tudo preparado para a produção com a formação dos 
canteiros.
É importante dimensionar as estruturas de tutoramento que 
servirão de condução para as plantas, como é muito comum 
no cultivo de tomate, berinjela e pimentão.
Você pode organizar os canteiros em vários formatos, 
como o retangular. Mas os formatos circulares estão se 
popularizando, principalmente entre os agricultores em 
pequena escala; são as chamadas Mandalas.
A forma circular possibilita organizar espaços, prevendo 
consórcios de plantas e animais.
O galinheiro instalado no centro da horta, por exemplo, 
facilita a ciclagem de nutrientes.
http://ead.senar.org.br/
pg. 21Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. 
Sistema CNA/Senar
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. 
Sistema CNA/Senar
Assim, os resíduos de planta podem ser fornecidos para os 
animais, e o esterco dos animais é utilizado como adubo na 
horta. Mas é importante realizar a compostagem!
Uma outra opção é a instalação de um minhocário, ou uma 
composteira, no lugar das aves. Mas, para escalas maiores de 
produção, as formas circulares não são viáveis.
Outro fator importante é criar caminhos para a passagem 
de máquinas, implementos, ferramentas e das pessoas que 
farão o manejo das hortas.
Para facilitar o manuseio da horta, é interessante construir 
canteiros que não sejam muito longos 
e largos.
É importante ter em mente que a distância entre um 
canteiro e o outro vai depender da escala de produção e dos 
equipamentos utilizados.
Em situações de produção em menor escala, recomenda-se a 
utilização de 30 a 50 centímetros para passagem 
de pessoas.
Enquanto a largura dos canteiros deve ficar entre 
90 centímetros a 1 metro e 20 centímetros.
Lembre-se do momento de escoamento, ou seja, a colheita e 
retiradas da horta, caso você necessite de ferramentas que 
utilizem maior espaço, como é o caso de carretinhas.
Cuidar do entorno da horta também é importante. Caso 
tenha animais domésticos, é recomendado que a área da 
horta seja cercada e isolada.
pg. 22Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. 
Sistema CNA/Senar
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. 
Sistema CNA/Senar
As fezes e urina de alguns animais, como gato e cachorro, 
podem contaminar suas hortaliças.
Outros animais, como bovinos e suínos, podem causar sérios 
danos às plantas, por isso, é importante protegê-las.
Ventos fortes também são um fator que prejudica sua horta. 
É importante evitar fortes correntes de vento. Se necessário, 
devem ser construídas barreiras verdes, utilizando árvores e 
arbustos ao redor da horta, desde que não comprometam a 
quantidade de luz nos canteiros.
Afinal, as hortaliças exigem a luz solar para se 
desenvolverem. A falta de luz nas plantas provoca o 
estiolamento dos tecidos, que seria um alongamento dos 
caules, comprometendo sua produção.
Por isso, é importante construir sua horta em um local que 
haverá exposição à luz solar durante o ano todo.
E, por fim, para toda produção vegetal é essencial a utilização 
de água de qualidade e quantidade suficiente para abastecer 
sua horta.
É recomendado instalar sistemas de irrigação. Para isso você 
precisaria analisar, de acordo com a cultura a ser implantada, 
as condições locais do terreno, da disponibilidade de água e 
dos recursos disponíveis para essa produção.
E uma última dica! Faça esse planejamento antes da 
introdução das plantas para não comprometer o seu 
desenvolvimento!
pg. 23Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Foto: Wenderson Araujo/Trilux, Sistema CNA/Senar
Os tipos de irrigação mais comuns a serem utilizados na produção orgânica de hortaliças 
são a irrigação por gotejamento e por aspersão, mas a irrigação pode ser feita, também, 
manualmente. Conheça cada uma delas:
Gotejamento
A irrigação por gotejamento é direcionada ao solo, 
próxima às raízes das plantas, e evita o desperdício 
de água. Entretanto, se não for bem planejada, pode 
promover o encharcamento dos solos e favorecer 
o desenvolvimento de fungos e bactérias de solo, 
problema grave para as hortaliças. Portanto, atenção!
Aspersão
A irrigação por aspersão promove a irrigação 
simulando uma chuva, que pode não ser interessante 
naqueles lugares onde a evapotranspiração é alta, 
pois haverá excessiva perda de água. É muito utilizada 
para a produção de mudas. Além disso, pode ser 
prejudicial para algumas plantas, pois pode promover a 
proliferação de fungos e bactérias nos frutos e folhas.
pg. 24Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Manualmente
Em pequenos espaços ou quando o objetivo da 
produção é para o consumo familiar, a irrigação 
é feita manualmente, essas regas devendo ser 
realizadas nas épocas mais frescas do dia, de manhã 
e no final da tarde.
Outro cuidado importante a ser considerado é o 
nivelamento do terreno. O recomendado é que as hortas 
estejam dispostas em um terreno que promova a drenagem 
da água, caso ocorram chuvas fortes.
Por tal razão, em áreas onde há essa possibilidade mais 
frequente e que apresenta solos mais argilosos, o ideal 
é fazer os canteiros mais altos em relação ao solo, para 
promover a drenagem do excesso de água, prejudicial à 
maioria das hortaliças.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. Sistema CNA/Senar
pg. 25Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Instrução 
Normativa 
nº 38/2011
Trata-se de uma 
Instrução Normativa 
do Ministério da 
Agricultura, Pecuária 
e Abastecimento
Em relação ao uso de sementes e mudas, a 
Instrução Normativa nº 38/2011 regulou tecnicamente o uso de 
sementes e mudas na produção orgânica, que foi retificada na 
Portaria nº 52/2021. Essa Portaria define queas sementes e 
mudas devem atender os requisitos da produção orgânica, ou 
seja, serem oriundas de sistemas orgânicos de produção. 
 
E atenção: pois todo o insumo utilizado, desde o 
substrato até a semente, a água e os fertilizantes, 
devem atender aos requisitos estabelecidos!
Portaria nº 52/2021
Trata-se de uma portaria assinada pelo Ministério da 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 
Como o mercado de produção de mudas não conseguiu 
atender a demanda, e os agricultores não tinham onde 
conseguir essas sementes, a Lei considerou que, se 
constatada indisponibilidade da cultivar de sementes e 
mudas oriundas de sistemas orgânicos de produção, o órgão 
certificador poderá autorizar a utilização de outros materiais 
existentes no mercado. 
Essas sementes e mudas devem ser preferencialmente 
produzidas sem tratamento, ou, no caso de tratamento, que 
sejam empregados produtos e substâncias autorizados na 
Legislação brasileira para a produção orgânica. Entretanto, é 
expressamente proibido utilizar sementes transgênicas na 
produção orgânica. 
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. Sistema CNA/Senar
pg. 26Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Desde 2011, muito se avançou no mercado de sementes e 
mudas adequadas à produção orgânica. As sementes podem 
ser também crioulas e certificadas, sendo, portanto, aptas para 
os produtores orgânicos. Existem, disponíveis no mercado, 
sementes produzidas conforme as regras da produção 
orgânica, tais como algumas linhas da Bionatur, Korin, a Isla, a 
Bejo sementes, a CATI, entre outras.
Crioulas
Essas sementes não sofreram alterações genéticas, e foram 
selecionadas por gerações pelos agricultores, ou seja, são 
aquelas que estão passíveis de serem reproduzidas na 
propriedade.
A Embrapa, a partir da crescente demanda dos produtores, 
vem pesquisando sobre o tema, e já desenvolveu uma 
cultivar de cenoura específica para produção orgânica: 
a cultivar BRS Paranoá. Ela apresenta bons resultados 
de produtividade, resistência a doenças de solo e boa 
aceitação dos consumidores. 
Cenoura BRS Paranoá - Foto: CARVALHO, Agnaldo. Embrapa.
pg. 27Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Planejamento, produção e 
destinação da produção de 
hortaliças orgânicas
Já planejamos a nossa horta; agora, temos que planejar a produção. Após serem estabelecidos 
os objetivos da comercialização e as espécies a serem implantadas, é hora de escolher as 
cultivares, tendo como base a colheita. 
É necessário considerar as espécies e a cultivares a serem 
utilizadas, pois devem estar adequadas à época de plantio. 
Além disso, a previsão da colheita dessas plantas nos indica 
quando é o momento de plantar. Diferentemente das frutas, as 
hortaliças apresentam ciclos curtos, o que permite ao agricultor 
fazer diversos plantios no mesmo espaço durante o ano. 
Para isso, é preciso averiguar quais são as cultivares que serão 
implantadas e como, pois, podem estar disponíveis na forma 
de sementes ou mudas. Elas variam muito.
Atualmente, são inúmeras as cultivares de alfaces aptas para 
a produção orgânica no Brasil. Algumas cultivares apresentam 
ciclos mais curtos; outras toleram temperaturas mais altas, 
possuem resistência a doenças de solo e resistência a viroses; 
por isso, é fundamental avaliar todas as características da 
cultivar antes de fazer o plantio. Foto: Wenderson Araujo. Sistema CNA/Senar
pg. 28Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
E, falando nas cultivares, veja a seguir o que o técnico Roberto complementa para a gente sobre 
esse assunto.
Algumas espécies, como a alface, a cenoura e o pepino, 
podem ser cultivadas durante todo o ano na maior parte 
das regiões brasileiras, desde que seja utilizada a cultivar 
adequada. Outras apresentam pouca resistência quanto a 
períodos extremos de calor e ou de frio, como, por exemplo, a 
beterraba que não tolera temperaturas muito altas. A maioria 
delas, como a salsinha, abobrinha e moranga, não toleram 
épocas mais frias, sendo limitante o seu cultivo em regiões do 
sul do Brasil na época de inverno, de junho a agosto. 
Mas o que tudo isso tem a ver com as colheitas? Para a definição do plantio, é recomendado 
considerar alguns aspectos. Conheça-os: 
Considerar quando 
se pretende colher.
Para onde você 
irá destinar o seu 
produto.
A mão de obra que 
terá disponível para 
essas atividades.
Prever os 
calendários de 
compra.
Fica a dica
pg. 29Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Para entender melhor, veja o exemplo da Márcia!
Eu faço entregas para a merenda escolar e tenho que fazer 
entregas diárias. 
 
Eu preciso planejar colheitas regulares e, para isso, os 
plantios são feitos em tempos intercalados, ou seja, planto 
um canteiro hoje, mais um canteiro na próxima semana, e 
assim todas as semanas eu tenho os produtos disponíveis 
para as entregas. Ah! Eu sempre calculo também a 
quantidade de mudas e sementes semeadas, conforme a 
demanda das entregas.
Por esse motivo relatado por Márcia, é importante conhecer a época recomendada de plantio e 
a duração do ciclo das culturas e suas cultivares para realizar o planejamento da produção. Veja 
na lista abaixo uma relação das épocas de plantio para algumas das hortaliças e plantas que 
podem ser utilizadas na horta.
Aplicando a 
técnica
pg. 30Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Época de plantio para as principais hortaliças
CULTURA FAMÍLIA ÉPOCA PLANTIO CICLO
Início DiasFim
1 1
11
6
Alface Compositae Ano todo
Ano todo
Ano todo
setembro
fevereiro
agosto
março
março
março
março
fevereiro
março
fevereiro
agosto
janeiro
julho
março
junho
abril
julho
junho
junho
junho
julho
março
Pepino
Couve-Flor
2 1
12 5
7 3
4 2
14 6
9 4
Almeirão Compositae
Alho Liliaceae
Beterraba Chenopodiaceae
Brócolis
Quiabo Malvaceae
Abobrinha Cucurbitaceae
3 2
13
8
5
10
Couve Brassicaceae
Cebola
Espinafre
Repolho
Moranga
Brassicaceae
2 Brassicaceae
2 Brassicaceae
3 Chenopodiaceae
4 Cucurbitaceae
4 Cucurbitaceae
5 Liliaceae
50
150
130
230
100
180
70
120
140
140
230
120
50
140
CULTURA FAMÍLIA ÉPOCA PLANTIO CICLO
Início DiasFim
16
23
Ano todo
Ano todo
março
agosto
agosto
março
setembro
setembro
agosto
setembro
março
setembro
setembro
março
julho
setembro
abril
maio
dezembro
março
abril
dezembro
abril
janeiro
fevereiro
junho
Aveia
Ervilha
17 8
24
21
19
26
Tomate Solanaceae
Feijão
Salsinha
Jiló
Feijão-de-Porco
18
25
15 7
22 10
20 9
27
28
Pimentão
Crotalária
Milho Gramineae
Feijão Vagem Leguminosae
Cenoura Umbelliferae
Mucuna
Ervilha Peluda
7 Gramineae
8 Solanaceae
8 Solanaceae
9 Umbelliferae
10 Leguminosae
10 Leguminosae
10 Leguminosae
10 Leguminosae
10 Leguminosae
10 Leguminosae
140
90
110
180
80
190
100
90
90
150
110
190
160
140
O agricultor deve atentar para o ciclo das plantas, que varia conforme a cultivar utilizada e época 
de plantio. Algumas plantas toleram bem um atraso na colheita, como batata doce e moranga. 
pg. 31Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Mas outras, como as folhosas, por exemplo, não toleram e 
devem ser colhidas antes do início do pendoamento. Caso 
iniciem o pendoamento, a formação da haste principal que irá 
dar suporte às flores, as folhas tendem a ficar mais amargas e 
perdem a qualidade para a comercialização. 
Fotos: Wenderson Araujo. Sistema CNA/Senar
Vamos a mais uma dica do Roberto!
Abóboras, chuchus, cenouras, entre outras, podem ficar 
mais tempo na horta, esperando o melhor momento de 
serem colhidas. Mas cuidado! Quanto mais tempo ficam 
na horta, mais suscetíveis ficam ao ataque de doenças. 
Por isso, o melhor é você planejar direitinho e colher na 
época indicada!
A colheita deve entrar no planejamento também, pois, em alguns casos, demanda mão de obra e 
alguns cuidados para ser comercializada. É necessário prever como os produtos serão colhidos e 
onde serão comercializados,para que então seja definido como esses produtos serão levados até 
o mercado consumidor. Essa etapa de cuidados pós-colheita é chamada de:
Fica a dica
pg. 32Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
beneficiamento
O beneficiamento pode ser dividido em seleção, limpeza, classificação, embalagem e 
resfriamento. Esses cuidados devem ser seguidos no beneficiamento de frutas e hortaliças. Veja 
mais sobre as etapas do beneficiamento:
Seleção e limpeza
A seleção é realizada no momento da colheita, quando os produtos são retirados da 
horta e alojados em caixas, que podem ser as mesmas utilizadas na entrega. 
A limpeza é a etapa que requer maiores cuidados, e compreende as atividades de 
retirada de terra das raízes e tubérculos, a retirada das folhas mais velhas das folhosas, 
a retirada das folhas de algumas raízes, como a cenoura e beterraba, entre outros. 
Esses cuidados fazem toda a diferença na aparência do produto a ser entregue para o 
consumidor e, por isso, são bem importantes e devem estar previstos no planejamento.
Classificação e embalamento
A classificação dos produtos e o embalamento são necessários para algumas 
espécies, como os pequenos frutos (tomate-cereja, por exemplo) que devem ser 
acomodados em caixas para não sofrerem esmagamento. Outros produtos requerem a 
colocação de embalagens plásticas, isopor ou caixas de papel, especialmente quando 
serão comercializados em supermercados, devidamente identificados com o logo da 
propriedade e os selos da certificação orgânica.
pg. 33Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Resfriamento e transporte
Quando o destino é a exportação ou o envio para áreas mais distantes, é necessário o 
cuidado com o resfriamento das hortaliças e o transporte.
Tome muito cuidado com o uso da água para a lavagem das 
hortaliças! Como a maioria delas é consumida in natura, o 
uso de águas inadequadas pode contaminar os produtos 
orgânicos e causar doenças graves, como a esquistossomose, 
cólera, disenteria e hepatite infecciosa.
E, para fechar o tema desta aula, veja mais uma técnica 
aplicada pela produtora Márcia!
Fotos Tony Oliveira/Trilux. Sistema CNA/Senar
Eu faço feira todos os sábados; preparo, um dia antes, as 
folhosas e algumas raízes, agrupadas em maços para facilitar 
a venda. Alguns cultivos – como o tomate, berinjela, repolho, 
cebola – eu armazeno soltos, nas mesmas caixas que utilizei 
na colheita, assim os meus clientes podem escolher quais 
desejam!
Aplicando a 
técnica
pg. 34Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Suas conquistas!
Ao concluir a leitura desta aula, você obteve a conquista da primeira fase de estudo, e está mais 
próximo de concluir o módulo. Olhe só!
Já pode seguir com a leitura em busca de todo conhecimento oferecido na aula 2!
Lembre-se de que, no AVA, você deve responder uma 
pergunta para conquistar sua recompensa e, assim, 
desbloquear a aula seguinte. O desbloqueio das aulas irá lhe 
garantir o selo do módulo, e somente na tela de conclusão 
você poderá baixar o áudio contendo o resumo no canal de 
podcast do Um Giro no Agro. 
 
Ele é um excelente recurso para rever todos os temas do 
módulo quando quiser!
Bons estudos!
Fica a dica
Solo, insumos 
e manejo na 
produção de 
hortaliças 
orgânicas
Aula 2
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. Sistema CNA/Senar
pg. 36Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Na aula anterior, você conheceu quais os elementos a serem 
abordados no planejamento da produção de hortaliças 
orgânicas; agora, iremos aprofundar o conhecimento em 
relação à produção desses produtos.
Partindo de exemplos reais e de estudos relacionados ao 
tema, você saberá como são executadas as práticas de 
manejo ecológico do solo, os diferentes tipos de adubação, 
insumos e defensivos agrícolas utilizados e permitidos pela 
Legislação na produção orgânica de hortaliças.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. Sistema CNA/Senar
O manejo do solo na produção 
orgânica de hortaliças
Um dos princípios da Agroecologia é a conservação e o uso sustentável dos solos. A produção 
orgânica entende que o solo é vivo, dessa forma, as práticas agrícolas devem favorecer a vida 
no solo. O uso do solo é intensivo em sistemas de produção de hortaliças orgânicas, por isso, o 
agricultor precisa estar sempre cuidando para que ele se mantenha em sua máxima qualidade:
pg. 37Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Algumas técnicas são recomendadas para um manejo 
adequado do solo, as chamadas práticas conservacionistas. 
É possível realizar práticas que favorecem o aporte de 
nutrientes ao solo, como o plantio de adubos verdes e 
o uso de cobertura vegetal sobre o solo, a ciclagem da 
matéria orgânica com a técnica da compostagem, a rotação 
de culturas e o rodízio de repouso de uma faixa de solo, 
chamado de pousio.
Física Química Biológica
Foto: Wenderson Araujo. Sistema CNA/Senar
pg. 38Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Leia o conteúdo a seguir, e saiba mais sobre a técnica da compostagem.
Compostagem
A compostagem é uma das melhores maneiras, mais econômicas e fáceis para o 
produtor garantir a oferta de matéria orgânica nos solos, e ainda promove o retorno dos 
nutrientes ao sistema produtivo, ou seja, sua reciclagem. 
Matéria orgânica
Na técnica da compostagem, a matéria orgânica é resultante da decomposição de 
resíduos animais ou vegetais pelos microrganismos decompositores, o que favorece o 
desenvolvimento das mais variadas formas de vida no solo. 
Nutrientes
A compostagem é responsável também pela disponibilização de muitos nutrientes para 
as plantas, além de contribuir para melhorar a estrutura dos solos, ou seja, a porosidade, 
a quantidade e disposição de ar no solo, a sua densidade e a capacidade de infiltração 
ou retenção de água. 
pg. 39Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Quem sabe, compartilha
Márcia: Olá, Roberto! Eu estou precisando melhorar a 
qualidade do solo para a produção das minhas hortaliças, 
e ouvi falar que a compostagem pode ser uma maneira de 
fazer isso. Você pode me explicar mais sobre ela?
Na conversa que vem a seguir, entre o técnico Roberto 
e a produtora Márcia, ele a ensina como realizar a 
compostagem na sua propriedade.
Este conteúdo está disponível no seu Ambiente Virtual de 
Aprendizagem (AVA), em formato de áudio.
Se você estiver conectado à internet e quiser ir direto para a 
página do portal EAD do Senar, clique no ícone ao lado.
Roberto: Claro, Márcia! A compostagem é um processo 
natural que ocorre nos solos, mas pode ser impulsionada 
pelo produtor para qualificar a produção de adubos 
orgânicos através dela. Uma composteira é a solução mais 
fácil e econômica, e pode ser fabricada em ambientes 
domésticos e no campo.
http://ead.senar.org.br/
pg. 40Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Márcia: Nossa, Roberto, então é mais fácil do que eu 
imaginava! Mas como faço para fazer uma composteira?
Márcia: Certo, Roberto. Tem mais alguma coisa que precisa 
ser considerada?
Roberto: O primeiro passo é encontrar um espaço onde 
possam ser amontoados os materiais a serem decompostos, 
seja na forma de pilha ou leira, dependendo do espaço 
que você tem disponível. Para escolher o local, você deve 
considerar principalmente a ocorrência de sol e sombra, 
proteção contra os ventos e uma boa drenagem, para que 
não haja excesso de água.
Roberto: Sim, Márcia! Temperatura, presença de oxigênio 
e umidade são fatores que vão influenciar o processo de 
decomposição dos materiais orgânicos. As temperaturas 
baixas diminuem a taxa de decomposição e aumentam o 
tempo para o material ser decomposto, assim como as altas 
temperaturas podem interferir negativamente na atividade 
dos microrganismos que realizam a decomposição.
pg. 41Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Márcia: E é preciso regar o composto?
Márcia: E o material utilizado para produzir o adubo? O que 
posso usar?
Roberto: É sim! É necessáriorealizar a rega do composto, 
mas não precisa deixar encharcado.
Roberto: Na compostagem, é possível utilizar uma 
infinidade de resíduos, como resíduos orgânicos 
domésticos, que são casca de frutas e verduras, restos das 
colheitas da horta, restos de podas, e principalmente os 
estercos produzidos pelos animais da propriedade. Mas é 
preciso intercalar esses resíduos e palhadas, para que haja 
aeração e drenagem na pilha de composto. A compostagem 
deve seguir a relação de setenta e cinco por cento de restos 
vegetais variados e vinte e cinto por cento de esterco, para 
que seja equalizada a relação carbono/nitrogênio.
pg. 42Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Márcia: Além disso, precisa ficar de olho em mais algum 
aspecto da composteira?
Márcia: Mas, Roberto, em quanto tempo mais ou menos o 
adubo fica pronto?
Roberto: É importante conferir a temperatura do interior 
do amontoado para que não haja temperaturas muito altas; 
o limite deve ser de setenta graus Celsius. Para diminuir 
a temperatura do interior e promover oxigenação, é 
recomendado revirar o composto e realizar irrigações.
Roberto: Esse tempo varia conforme as condições do local 
da compostagem, mas pode ser entre cento e vinte e cento 
e trinta dias. A textura do adubo é de terra de mato ou de 
pó de café, sem cheiro, e de cor preta. A temperatura da 
pilha, quando o composto estiver pronto, deve estar menor 
que trinta e cinco graus Celsius, e você vai observar que o 
volume da meda, como chamamos também a pilha, vai ser 
um terço do volume inicial.
pg. 43Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Márcia: Então, se a composteira estiver nessas condições, 
posso utilizar o adubo na minha horta?
Márcia: Muito obrigada, Roberto! Até mais!
Roberto: Isso mesmo, Márcia! Se tiver mais alguma dúvida, 
pode contar comigo!
Interessante a técnica explicada por Roberto, não é mesmo? Mas ainda existem outras práticas 
conservacionistas, e você pode conhecê-las melhor analisando mais algumas informações:
pg. 44Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Vermicompostagem
Um outro método é a vermicompostagem, que é um tipo 
de compostagem realizada por minhocas. A espécie mais 
utilizada é a Eisenia foetida, conhecida como a Minhoca 
da Califórnia. Os cuidados são muito semelhantes à 
compostagem, mas é necessária a construção de um 
local para que não haja fuga das minhocas. 
O composto resultante da vermicompostagem é 
de alta qualidade, pois apresenta uma quantidade 
de nutrientes balanceada, e apresenta pH próximo 
a 7, ou seja, neutro, o que é bem importante para a 
produção de hortaliças. 
pg. 45Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. Sistema
Cobertura Vegetal do solo
Em sistemas agrícolas, para ajudar a manter a estrutura 
do solo, recomenda-se deixar uma cobertura vegetal 
morta (palhada) – também chamada mulching – na 
superfície, que geralmente são as sobras de cultura 
ou as cascas. Essa cobertura protege o solo contra a 
erosão e dificulta o surgimento de plantas espontâneas, 
além de fazer uma proteção contra a insolação direta e 
o impacto da chuva. 
Essa camada também irá decompor e incrementar o 
solo com matéria orgânica. O mulching ajuda a evitar o 
contato da planta com o solo, evitando contaminações 
por fungos e bactérias. É recomendado para algumas 
culturas, como alface, pimentão, tomate, entre outras.
plantas 
espontâneas
As chamadas ervas 
daninhas.
pg. 46Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Adubação verde
A adubação verde consiste em uma técnica agrícola que 
se baseia na introdução de plantas que vão promover 
a melhoria do solo. Essas plantas são introduzidas em 
sistemas rotativos com as culturas cultivadas, e sua 
biomassa verde é incorporada ao solo.
Na adubação verde, é recomendado o uso de 
plantas leguminosas, pois estas têm a capacidade 
de captar nitrogênio da atmosfera e disponibilizar 
para as plantas. Alguns exemplos são os trevos, 
amendoim forrageiro, feijões como a mucuna, feijão 
de porco, crotalária. Muitas vezes, são utilizadas em 
consórcio com outros adubos verdes para que haja 
benefícios complementares.
pg. 47Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
As técnicas apresentadas vão fazer com que o solo permaneça 
com boa qualidade e se mantenha produtivo por mais 
tempo. Por isso, essas boas práticas são essenciais para a 
implantação de sistemas orgânicos de produção, não apenas de 
hortaliças, mas também de espécies frutíferas e de pastagens. 
A adubação na produção 
orgânica de hortaliças
A adubação é muito importante para qualquer 
atividade agrícola, e isso não é diferente na produção 
orgânica. Porém, é necessário se atentar para algumas 
particularidades que podem ser vistas na sessão a seguir, 
ou no AVA, em um vídeo muito interessante.
Se você estiver conectado à internet e quiser ir direto para a 
página do portal EAD do Senar, clique no ícone ao lado.
http://ead.senar.org.br/
pg. 48Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Sistema orgânico em foco
Alguns fatores são limitantes para a produção agrícola, como 
a acidez ou a alcalinidade.
O pH do solo varia entre 0 e 14. Abaixo de 7, será 
considerado ácido; próximo de 7, será neutro. De 7 para cima, 
será considerado básico ou alcalino.
O pH ideal para o cultivo seria entre 5,5 e 6,5. A maioria dos 
cultivares de hortaliças produzidas não tolera solos ácidos. 
Caso o solo esteja ácido, é necessário aplicar uma correção 
antes do plantio, chamada de Calagem.
O produto mais utilizado nessa correção do solo é o Calcário. 
Ele deve ser incorporado ao solo numa profundidade de até 
20 cm da superfície, pelo menos de 2 a 3 meses antes do 
plantio e do preparo dos canteiros.
A aplicação do calcário colabora para a disponibilidade da 
maioria dos macros e micronutrientes, além de diminuir o 
teor de alumínio, que é uma substância que pode causar 
intoxicação das plantas.
Após a calagem, devem ser analisados dois fatores:
• Quantidade disponível de nutrientes nos solos.
• E a necessidade nutricional das culturas a serem 
implantadas.
http://ead.senar.org.br/
pg. 49Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
A adubação pode ser um fator que limita a produção de 
hortaliças. Nos sistemas orgânicos de produção, não é 
permitido o uso de fertilizantes químicos, tais como o 
composto NPK, a ureia e outros.
Toda a fertilidade deve ser proveniente de minerais naturais 
e fertilizantes orgânicos. Esses fertilizantes orgânicos 
são substâncias que podem ser utilizadas em sua forma 
simples ou em uma forma composta, juntando-se a outras 
substâncias para enriquecimento.
Nas propriedades familiares, os estercos são as principais 
fontes de fertilizantes. Isso porque geralmente possuem 
produção vegetal e animal.
Os estercos frescos possuem uma série de microrganismos 
que podem causar doenças aos consumidores, ou até mesmo 
intoxicar a planta pelo excesso de alguns nutrientes.
Por isso, é importante realizar o processo de compostagem, 
e se certificar de que os adubos sejam provenientes de 
sistemas orgânicos de produção.
É possível ainda utilizar fosfatos naturais, calcário, torta de 
cacau ou de mamona, borra de café, cinzas, entre outros, 
desde que venham de sistemas orgânicos de produção.
E qual a melhor opção?!
De acordo com pesquisadores e técnicos, o enriquecimento do 
composto deve ser realizado de acordo com as exigências da 
cultura e a necessidade do solo. Por essa razão, é recomendada 
a análise química do solo antes de realizar a adubação.
pg. 50Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
A maioria das substâncias mencionadas consiste em fertilizantes minerais de uso permitido 
pela Portaria nº 52/2021. Eles são de origem natural e apresentam baixa solubilidade, como os 
fosfatos naturais, os calcários e os pós de rocha. 
Em alguns casos, podem ser utilizados os termofosfatos, sulfato de potássio, sulfato duplo de 
potássioe magnésio de origem natural, sulfato de magnésio, micronutrientes e guano, mas 
sempre em consulta com a certificadora e com a devida recomendação do técnico que fará a 
análise da situação química do solo.
Outro tipo de adubo permitido na produção orgânica são os biofertilizantes. Eles são o resultado 
da fermentação de estercos na forma líquida, em que podem ser adicionados outros compostos 
para torná-los mais completos. 
Portaria 
nº 52/2021 
Trata-se de uma 
portaria do MAPA.
Guano 
Fosfatos provenientes 
de excrementos de 
aves marinhas.
Eles são aplicados via foliar, mas em concentração muito 
diluída, caso contrário podem danificar os tecidos vegetais. 
Além de promover a fertilidade das plantas, ainda podem 
contribuir para o controle de pragas e doenças.
O biofertilizante mais comum é o resultado da fermentação de 
esterco e água. Mas o Roberto traz, a seguir, uma importante 
dica sobre o uso do bokashi! Veja só.
pg. 51Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
O bokashi possui diferentes formulações, mas é um 
biofertilizante produzido a partir de farelo de cereais, 
oleaginosas, farinha de osso, farinha de peixe e argila. A 
sua formulação pode variar, mas em todas as variações há a 
necessidade de inocular os microrganismos fermentadores que 
são retirados de terra de mato, inoculantes comerciais (EM®) 
ou soja fermentada. Existem várias empresas no mercado 
brasileiro que comercializam esses tipos de fertilizantes 
certificados para a produção orgânica. 
Muito bem, você aprendeu agora sobre o uso de 
biofertilizante, mas e como fica o manejo das plantas 
daninhas? Pois bem, é sobre isso que Roberto e Márcia 
conversaram e que você pode ler a seguir, mas não deixe de 
conferir o áudio dessa conversa no AVA! 
Se você estiver conectado à internet e quiser ir direto para a 
página do portal EAD do Senar, clique no ícone ao lado.
Fica a dica
http://ead.senar.org.br/
pg. 52Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Quem sabe, compartilha
Roberto: Olá, Márcia! Acabei de me dar conta de que, na 
nossa última conversa, não falamos sobre as ervas daninhas. 
As plantas daninhas são todas aquelas que nascem 
espontaneamente no solo e causam danos ou competem com 
as culturas agrícolas, seja por luz ou nutrientes.
Roberto: Sei sim, Márcia! Para o manejo das plantas 
daninhas, uma série de medidas de controle podem ser 
realizadas para diminuir ou eliminar a sua reprodução. A 
técnica mais comum de controle das plantas daninhas em 
hortas orgânicas é o método mecânico, que é a capina ou a 
retirada manual, sabe?
Márcia: Oi, Roberto! Eu estou começando a perceber 
algumas ervas daninhas na minha horta, que bom que você 
comentou! Sabe o que eu posso fazer para lidar com elas?
Márcia: Existem ferramentas que podem ajudar nesse 
trabalho, né?
pg. 53Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Roberto: Existem sim! São ferramentas adaptadas, 
inclusive, algumas motorizadas, como as enxadas rotativas.
Roberto: Existe também o método cultural, que dá mais 
condição para a cultura agrícola se desenvolver sadia e 
forte, assim, ela tende a ser maior e mais resistente do que 
a planta daninha.
Márcia: Além do mecânico, qual outro método eu posso 
usar, Roberto?
Márcia: Mas como seria isso, Roberto?
pg. 54Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Roberto: O método cultural pode ser realizado com a 
rotação de culturas e cultivos consorciados, onde se insere 
um conjunto de plantas que irá aproveitar melhor a área e 
reduzir espaços de entrelinhas, que são aqueles locais de 
maior crescimento das plantas daninhas.
Roberto: Sim, Márcia! O controle preventivo é essencial, 
porque tem objetivo de reduzir a introdução de propágulos, 
como sementes, bulbos, rizomas, que são estruturas de 
reprodução dessas plantas.
Márcia: E, Roberto, tem algum outro cuidado que eu deva 
tomar para controlar as plantas daninhas?
Márcia: Hum, certo! Alguma dica de como fazer isso?
pg. 55Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Roberto: Você precisa cuidar da limpeza das ferramentas 
utilizadas, com a compostagem correta dos adubos 
orgânicos, com a qualidade das sementes e o trânsito de 
animais e pessoas na horta.
Roberto: Os herbicidas químicos não são permitidos na 
produção orgânica. Mas existe uma série de herbicidas 
biológicos certificados que podem ser utilizados, desde que 
aprovados pela certificadora.
Márcia: Eu não notei se você falou sobre herbicidas 
químicos. Posso usá-los?
Márcia: Entendi, Roberto! Obrigada pela ajuda, assim vou 
conseguir eliminar as plantas daninhas da minha horta.
Roberto: Isso, Márcia! Espero que dê tudo certo. Se precisar 
de mais alguma coisa, me avise.
pg. 56Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
O manejo integrado em sistemas 
orgânicos de produção de 
hortaliças e defensivos utilizados 
na sua produção
A promoção da diversidade nos sistemas produtivos é um 
dos princípios da agricultura orgânica, e deve ser considerada 
sob todos os aspectos. Essa diversidade promove o controle 
natural de plantas daninhas, como vimos anteriormente, e 
também o controle de pragas e doenças. Por isso, é preciso 
estabelecer novos desenhos no agroecossistema e um 
manejo integrado dos sistemas orgânicos.
Um dos meios de promover a diversidade nos sistemas de 
produção é instalar sistemas consorciados entre plantas. A 
seguir, veja o relato de Márcia!
pg. 57Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Em minha horta orgânica, eu aproveito cada espaço. 
Eu cultivo os canteiros mesclando diferentes culturas 
intercaladas, como essa imagem que você acabou de ver. Além 
disso, eu aproveito as cercas da horta para plantar aquelas 
espécies que precisam de tutoramento, que é aquele apoio 
para que as plantas possam se desenvolver, as trepadeiras, 
sabe? Como o chuchu e feijões.
Exemplo de consórcio que beneficia ambos os cultivos é o estabelecimento de cultivos de alface 
e cenoura, ou alface e rabanete. O plantio de alface com cenoura ou rabanete deve ser no 
mesmo dia.
Ao mesmo tempo que a cenoura ou o rabanete aproveitam o crescimento embaixo do solo, as alfaces se 
desenvolvem acima do solo.
Aplicando 
a técnica
pg. 58Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Mas você pode estar se perguntando: não há competição das plantas? 
Os pesquisadores da Embrapa que analisaram esse sistema garantem que não, pois o ciclo 
da cenoura é de 90 a 120 dias, e o da alface é de cerca de 45 dias. Dessa forma, a colheita 
da alface será muito antes da colheita da cenoura, possibilitando que ela complete o ciclo e 
aproveite o espaço do solo para desenvolver suas raízes.
Algumas pesquisas demonstram que outras plantas podem ser cultivadas associadas, pois 
favorecem umas à outras, as chamadas plantas companheiras. Exemplos dessa relação de 
companheirismo podem ser: 
ALFACE BERINJELA HORTELÃ
É companheira da 
cebolinha e do pepino.
É companheira do feijão 
e da vagem.
É companheira da 
couve, entre outros.
CUCURBITÁCEAS - abóbora, pepino, melão, melancia, chuchu
Associam-se bem com as solanáceas, exemplo: pimentão e pimentas; com as 
leguminosas, exemplo: feijão; e com as gramíneas, exemplo: milho – chamados 
sistemas milpa. 
pg. 59Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Veja, a seguir, uma relação da disposição de plantas companheiras que podem ser colocadas em 
um mesmo canteiro:
Pepino Salsa Alface Beterraba Berinjela Brócolis Cebolinha Verde Repolho
Repolho Cenoura Repolho Cebola Alface Vagem Pimentão Tomate
A promoção da diversidade também pode facilitar os efeitos aleloquímicos, que são substâncias 
químicas que algumas plantas liberam, podendo afetar positivamente ou negativamente outras 
plantas. Por isso, a agricultura orgânica se aproveita dessas características, visando ao controle 
de pragas e doenças e também de plantas daninhas.
pg. 60Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Tiririca 
Cyperus rotundus L
Picãopreto
Bidens pilosa L
Como exemplo dessa relação de controle, está a mucuna 
preta, uma planta utilizada como adubação verde. Ela 
inibe o desenvolvimento da tiririca e do picão preto, ambas 
plantas daninhas que podem inviabilizar o cultivo de 
hortaliças e são muito presentes nas hortas brasileiras.
Algumas plantas possuem substâncias químicas que agem como repelentes para as pragas, e 
são recomendadas para o plantio ou a produção de inseticidas naturais. As principais pragas 
encontradas em hortas são os pulgões, lagartas, formigas e lesmas. 
O tagetes, ou cravo-de-defunto, é uma flor que possui ação 
repelente contra insetos e também contra nematoides de 
solo, sendo recomendado o plantio na horta. Além disso, 
ervas aromáticas, como a hortelã, sálvia e alecrim, também 
possuem ação repelente para alguns insetos, como as 
borboletas e formigas. Por isso, é sempre recomendado 
que haja o cultivo de flores e ervas aromáticas no entorno 
da horta, ou mescladas com a produção das hortaliças. 
Os extratos ou os óleos de algumas plantas também podem ser utilizados no controle, desde 
que diluídos e provenientes de sistemas orgânicos de produção.
Veja alguns exemplos de plantas repelentes e que podem ser utilizadas na produção orgânica 
de hortaliças.
pg. 61Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Nim e Cinamomo
Nim ou neem 
Azadirachta indica
Indicada no combate de traças, lagartas, pulgões, gafanhotos, etc., sendo uma das 
plantas de maior potencial no controle de pragas. 
Cinamomo 
Melia azedarach 
Tem ação e indicação semelhante ao Nim.
Fumo e Timbó
Fumo 
Nicotiana tabacum
É indicada para o controle de insetos como pulgões, lagartas, entre outros. A nicotina 
pode ser tóxica para os seres humanos e, por isso, algumas certificadoras exigem um 
período de carência para a aplicação. 
Timbó 
Ateleia glazioveana
Utilizada no controle de ácaros e de formigas. 
pg. 62Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Citronella e alho
Citronella 
Cymbopogon winterianus
Repelente para a maioria dos insetos.
Alho 
Allium sativum
Indicada no controle de insetos. Pelo seu cheiro e gosto forte, deve ser utilizada 
seguindo um período de carência.
Você sabia que existem ainda outras formas de controlar 
pragas na horta? Não deixe de conferir as orientações que o 
técnico Roberto fez para Márcia. No AVA, você pode ouvir 
essa conversa em áudio.
Se você estiver conectado à internet e quiser ir direto para a 
página do portal EAD do Senar, clique no ícone ao lado.
http://ead.senar.org.br/
pg. 63Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Quem sabe, compartilha
Márcia: Oi, Roberto, lembra que na última vez falamos sobre 
manejo das plantas daninhas? Agora, estou começando a ter 
problemas com pragas, e queria que você me ajudasse nisso.
Márcia: Acho que já ouvi falar sim. Elas também são 
chamadas de receitas, né? E eu posso usá-las livremente na 
minha horta?
Roberto: Olá, Márcia! Você já ouviu falar sobre o uso das 
caldas? Elas são produzidas a partir de partes das plantas, 
ou do óleo extraído delas mais água e um agente ligante, 
como o sabão.
Roberto: Isso, são as receitas, e, para usá-las, você tem que 
ter bastante cuidado, Márcia. Mesmo que sejam naturais, 
você deve cuidar com o período de carência e a procedência 
de todos os produtos utilizados no preparo dessas receitas, 
que devem ser estritamente orgânicos.
Márcia: Mas como posso saber se os produtos 
são orgânicos?
pg. 64Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Roberto: Atualmente, existem produtos registrados para 
serem utilizados no controle de pragas e doenças em 
sistemas orgânicos que seguem as normas contidas na 
Portaria número cinquenta e dois, de dois mil e vinte e 
um, do MAPA. Esses produtos podem ser adquiridos nas 
agropecuárias e em cooperativas, mas sempre devem 
ser utilizados a partir da recomendação técnica e da 
certificadora, quando for o caso.
Roberto: Existem sim. É possível utilizar alguns produtos 
químicos, como as caldas sulfocálcica e bordalesa, que são 
permitidas na agricultura orgânica, desde que observadas 
as quantidades permitidas em cada cultura. Mas, além 
desses, o controle biológico das pragas também é uma 
técnica importante que pode ser utilizada nos sistemas 
orgânicos, e são bem utilizadas em cultivos de frutas.
Márcia: E existem caldas feitas com produtos químicos que 
eu posso usar?
Márcia: Certo, Roberto! Muito obrigada pelas orientações!
Roberto: Imagina, conte sempre comigo!
pg. 65Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Embora tenhamos várias 
opções de manejo e 
de controle de plantas 
daninhas e pragas na 
horticultura, é importante 
consultar o técnico 
especialista na produção 
de hortaliças orgânicas. 
Além disso, a horticultura 
é uma atividade dinâmica e 
que exige dos agricultores 
constante observação e 
realização de testes.
Apresentamos algumas 
possibilidades de manejo, 
mas a produção de 
hortaliças orgânicas é tema 
de muitos estudos, e muitas 
técnicas novas surgem e 
outras são aprimoradas. Por 
isso, é sempre bom você se 
manter atualizado! 
pg. 66Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Suas conquistas!
Você concluiu a leitura desta aula, e obteve mais uma conquista. Parabéns!
Siga com a leitura da aula 3!
Lembre-se de que, no AVA, você deve responder uma pergunta para 
conquistar sua recompensa e, assim, desbloquear a aula seguinte. O 
desbloqueio das aulas irá lhe garantir o selo do módulo, e somente 
na tela de conclusão você poderá baixar o áudio contendo o resumo 
no canal de podcast do Um Giro no Agro.
Ele é um excelente recurso para rever todos os temas do módulo 
quando quiser!
Boa leitura!
Fica a dica
Regularização 
da produção 
orgânica de 
hortaliças
Aula 3
Foto: Wenderson Araujo. Sistema CNA/Senar
pg. 68Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Nesta última aula do módulo 1, você irá compreender o processo de certificação da produção 
orgânica de hortaliças no Brasil. Para isso, vamos elencar os tipos de sistemas de certificação 
e identificar os desafios e as vantagens da certificação orgânica para a produção olerícola no 
Brasil. Então, siga com a leitura!
O que é a regularização 
da produção orgânica e os 
diferentes sistemas existentes
Você já sabe a importância da certificação orgânica para a produção, certo? Mas como consegui-
la? Quais os passos a seguir para que a produção de hortaliças e de frutas produzidas seja 
certificada? Veja a dica do Roberto para os primeiros passos!
Primeiramente, é importante decidir qual 
é o tipo de certificação a ser utilizado. Na 
maioria dos casos, será preciso buscar 
uma instituição certificadora que tenha 
registro no MAPA e que seja credenciada 
pelo Instituto Nacional de Metrologia, 
Normalização e Qualidade Industrial. 
Entretanto, se o produtor já participa de 
uma associação, cooperativa ou grupo 
de agricultores, esse processo pode ser 
compartilhado com os colegas. 
MAPA 
Ministério da 
Agricultura, Pecuária 
e Abastecimento
Instituto 
Nacional de 
Metrologia, 
Normalização 
e Qualidade 
Industrial
Inmetro
Fica a dica
pg. 69Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
O produtor e seu grupo podem se cadastrar no MAPA para realizar a venda direta ao consumidor 
sem a certificação. De toda forma, todos os agricultores devem ter o registro no Cadastro 
Nacional de Produtores Orgânicos.
Atualmente, pelas modalidades previstas na Lei nº 10.831/2003, a certificação pode ser feita por 
três maneiras. Conheça cada uma delas:
Certificação por auditoria
É realizada por uma certificadora, que pode 
ser pública ou privada credenciada no MAPA. 
Ela deverá possuir o organismo de avaliação 
da conformidade (OAC) que irá fiscalizar e 
orientar os produtores para atender os critérios 
estabelecidos pela legislação brasileira.
Sistema Participativo de Garantia (SPG)
É realizado pela coletividade, quando 
os membros de um grupo (podem ser 
agricultores,técnicos, pesquisadores, etc.) 
se responsabilizam pela autenticidade da 
produção. Ela deve possuir, assim como a 
auditada, um organismo de regulamentação e 
fiscalização, que nesse caso é um Organismo 
Participativo de Avaliação da Conformidade 
(Opac) legalmente constituído, que responderá 
pela emissão do selo. 
pg. 70Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Controle Social na Venda Direta
Esse é um procedimento diferenciado para a certificação de agricultores familiares. Os 
agricultores devem fazer parte de uma Organização de Controle Social (OCS) que esteja 
cadastrada em um órgão fiscalizador.
Para todos os casos, é necessário que os produtores tenham um Plano de Manejo Orgânico 
atualizado, conforme o Capítulo IV da Portaria nº 52/2021.
Portaria 
nº 52/2021 
Trata-se de uma 
portaria do MAPA.
O conteúdo a seguir está disponível em um vídeo no AVA, 
na sessão Sistema orgânico em foco, e trata sobre o plano 
de manejo e a certificação orgânica.
Se você estiver conectado à internet e quiser ir direto para a 
página do portal EAD do Senar, clique no ícone ao lado.
http://ead.senar.org.br/
pg. 71Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Foto: Wenderson Araujo. 
Sistema CNA/Senar
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. 
Sistema CNA/Senar
Sistema orgânico em foco
Você sabe a importância do Plano de Manejo Orgânico?
O plano deve conter a relação de todos os insumos, das 
atividades, das pessoas envolvidas nessas atividades, e dos 
problemas e soluções encontrados para todos os cultivos da 
propriedade.
É uma ótima forma de gerenciar a produção agrícola e 
deixar tudo em ordem para receber as visitas frequentes dos 
organismos de controle.
É importante manter o Plano de Manejo Orgânico atualizado 
para que esses organismos consigam acompanhar suas 
atividades, agilizando o processo das certificadoras.
Por isso, é necessário que o agricultor anote todos os insumos 
utilizados na produção agrícola para as hortaliças, grãos, 
frutas e animais.
E quem pode autorizar o uso dos insumos permitidos na 
produção de hortícolas?
Isso mesmo! O Organismo de Avaliação da Conformidade, 
o OAC; o Organismo Participativo de Avaliação da 
Qualidade Orgânica, o Opac; ou a Organização de Controle 
Social, a OCS.
A autorização é feita por meio da avaliação da conformidade.
http://ead.senar.org.br/
pg. 72Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Foto: Wenderson Araujo. 
Sistema CNA/Senar
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. 
Sistema CNA/Senar
É muito importante consultar a instituição responsável pela 
fiscalização sempre que for utilizar um insumo diferente, para 
saber se é permitido ou não.
E é sempre bom lembrar que é possível que o agricultor migre 
seu sistema de produção convencional para um orgânico.
Basta cumprir o período de conversão, que é um período 
mínimo para que a propriedade ou partes dela se adaptem 
às práticas da produção orgânica, para que seus produtos 
possam ser classificados como orgânicos. É um período 
exigido pela lei brasileira.
E o que isso significa na prática?
Para a produção de hortícolas, cujas culturas são anuais, 
o manejo orgânico deve ser adotado por pelo menos doze 
meses.
Para produção de frutas, cujas culturas são geralmente 
perenes, a exigência mínima passa para dezoito meses.
Esse período é necessário para que a adaptação do sistema 
de produção possibilite a produção orgânica.
Mas atenção! Esse período pode mudar, conforme a 
determinação da OAC, da OCS ou da Opac, que podem exigir 
um período maior.
Assim, durante esse período de conversão, as famílias 
agricultoras podem comercializar seus produtos, mas eles 
ainda não estarão com a certificação de produtos orgânicos.
pg. 73Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Foto: Wenderson Araujo. 
Sistema CNA/Senar
Foto: Wenderson Araujo/Trilux. 
Sistema CNA/Senar
Nesse período, é importante aproveitar para que os 
agricultores e trabalhadores realizem capacitações.
Assim, estarão cientes de todos os processos e insumos 
permitidos pela legislação para a produção orgânica.
É um tempo de adaptação que os agricultores podem 
aproveitar para testar técnicas e utilizar novos insumos 
orgânicos que talvez nunca tenham usado, observando o seu 
comportamento no solo e nas plantas.
Mas é possível encurtar esse processo com a conversão 
parcial ou paralela da propriedade.
A Márcia, por exemplo, optou pela conversão total. Assim, 
todas as atividades realizadas na propriedade deverão seguir 
as normas da produção orgânica.
Mas, com a devida autorização da OAC, Opac ou da OCS, 
ela pode optar pela conversão parcial, iniciando a produção 
orgânica somente com a conversão da produção de 
hortaliças.
A instituição avalia as distâncias entre as áreas orgânicas e as 
não orgânicas, e como serão utilizados os insumos e a água 
da propriedade.
Somente após a autorização é que o agricultor poderá 
demarcar as áreas e seguir com a produção.
E é importante seguir a demarcação estabelecida para a horta 
orgânica. Os cultivos precisam ser visualmente diferentes.
pg. 74Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Foto: Wenderson Araujo. 
Sistema CNA/Senar
Então, quando a Márcia conseguiu estabelecer sua horta 
orgânica, ela abandonou o manejo convencional. Isso quer 
dizer que ela não pode alternar os estilos de produção.
Todos os insumos orgânicos devem ser armazenados em 
locais distintos, e, de preferência, os equipamentos devem ser 
exclusivos para o uso na produção orgânica.
Se não conseguir equipamentos exclusivos, é necessário 
que haja uma limpeza antes do uso nas áreas de produção 
orgânica.
Mas atenção! Pulverizadores precisam ser equipamentos 
exclusivos para utilização na produção orgânica.
A conversão parcial se torna mais possível quando a 
instituição percebe que o agricultor tem interesse em 
certificar toda a área produtiva.
Sendo assim, a instituição deverá solicitar que os agricultores 
registrem, no Caderno de Campo, todas as práticas 
realizadas nas áreas convencionais.
Visando às boas práticas de produção, eliminação dos 
transgênicos, a estimativa da produção em ambas as áreas 
e a previsão do tempo que levará para a conversão total da 
unidade de produção.
pg. 75Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Com a crescente demanda dos consumidores pela garantia na 
procedência dos produtos orgânicos, o MAPA identificou que 
triplicou o número de agricultores cadastrados em apenas 
7 anos. Além disso, em 2021, são 36 OAC credenciados, 
sendo 25 Sistemas Participativos de Garantia da Qualidade 
Orgânica (SPG) e 11 certificadoras por auditoria.
Na mesma tendência da produção orgânica no geral, 
a certificação orgânica de hortaliças apresenta muitas 
potencialidades no Brasil, mas também alguns desafios a 
serem superados. Assim, listamos alguns deles, presentes 
em documentos oficiais e que retratam um pouco do cenário 
da certificação dos orgânicos, no Brasil. 
Foto: Wenderson Araujo. Sistema CNA/Senar
Os desafios e as vantagens da 
certificação orgânica de hortaliças 
no Brasil
pg. 76Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Segurança ao 
consumidor
Boa 
Remuneração
Exigência na 
Qualidade
Fácil 
Comercialização
Segurança 
ao produtor
Vamos começar analisando algumas potencialidades:
Segurança ao consumidor, de que ele está adquirindo 
e consumindo alimentos produzidos em sistemas de 
produção orgânicos.
Boa remuneração, pois são agregados valores em torno de 
30% a mais do que os convencionais.
Mercado consumidor crescente e exigente quanto à 
qualidade e procedência.
Aceito em vários canais de comercialização, como feiras, 
supermercados, venda direta, entre outros.
Maior segurança para o produtor pela presença da 
certificadora ou da OAC, que o norteia quanto aos insumos 
que devem ou não ser utilizados na produção orgânica.
pg. 77Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Entretanto, nem tudo está resolvido! A regularização da produção orgânicano Brasil ainda 
enfrenta uma série de desafios, tais como:
Dificuldade em 
se adequar à 
complexidade 
técnica e à utilização 
de novos insumos.
As instruções 
normativas e demais 
regulamentações 
podem ser confusas 
e complexas para os 
agricultores, tanto 
na sua interpretação 
quanto na prática.
Altos custos da 
certificação, por 
isso, os sistemas 
participativos 
podem ser uma 
alternativa, pois têm 
custos mais baixos.
Dificuldade 
de encontrar 
insumos, como as 
sementes orgânicas 
e fertilizantes 
permitidos.
Cabe lembrar que a legislação para a produção orgânica no Brasil é muito recente, e a primeira 
lei que trata especificamente do tema só foi promulgada em 2003. De lá para cá, muito se 
avançou: houve a criação de inúmeras entidades responsáveis pelo processo de certificação; 
foram baixadas instruções normativas regulatórias; e foi fortalecida a estrutura do poder público 
para gerir a fiscalização e o cadastramento do setor. Além disso, a extensão rural e a pesquisa 
contribuem de várias maneiras para o enfrentamento dos problemas do campo, que são cada vez 
mais desafiadores. 
pg. 78Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Suas conquistas!
Você finalizou a leitura do módulo 1, e já pode seguir adiante para concluir o tema. Veja todo o 
seu percurso durante o estudo:
Lembre-se de que, no AVA, você deve responder uma 
pergunta para conquistar sua recompensa e, assim, 
desbloquear a aula seguinte. O desbloqueio das aulas irá lhe 
garantir o selo do módulo, e somente na tela de conclusão 
você poderá baixar o áudio contendo o resumo no canal de 
podcast do Um Giro no Agro. 
 
Ele é um excelente recurso para rever todos os temas do 
módulo quando quiser!
Avance para concluir o módulo!
Fica a dica
Conclusão
Módulo 1
pg. 80Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Chegamos ao fim do primeiro módulo do nosso curso! 
Nele, você aprendeu que o planejamento é uma etapa fundamental para a produção orgânica 
de hortaliças, pois permite estimar quais serão os insumos utilizados e qual será o período 
de colheita. 
Conheceu também as etapas que fazem parte desse importante momento do pré-plantio, como 
planificar o preparo da horta, desde a sua delimitação até a construção dos canteiros, a escolha 
das mudas e sementes. Além disso, é possível estimar quais serão os passos após a colheita, 
com a identificação do canal de comercialização e das necessidades do mercado consumidor, 
bem como do beneficiamento dos produtos. 
Você também pôde compreender quais são as especificidades da fase de produção orgânica 
das hortaliças, analisando os cuidados com o solo e a promoção de práticas conservacionistas 
que são fundamentais para o sucesso da produção. Viu também que, sem a adubação orgânica, 
não haveria produção de hortaliças orgânicas e as formas de manejo integrado das plantas, 
para assim promover a diversidade e algumas formas de controle de plantas daninhas, pragas e 
doenças de forma ecológica.
Por fim, você conheceu os principais tipos de processos de certificação, a importância do 
plano de manejo da produção orgânica e a necessidade do período de conversão, além das 
potencialidades e desafios da produção orgânica de hortaliças no Brasil. 
E lembre-se de que, na tela de conclusão do AVA, você 
poderá baixar sua recompensa por suas conquistas – o 
áudio contendo o resumo no canal de podcast do Um Giro 
no Agro, cujo tema é: Produção de hortaliças em sistemas 
orgânicos! Acesse e garanta a sua recompensa!
A seguir, você poderá analisar as questões da Atividade de Aprendizagem do módulo 1.
http://ead.senar.org.br/
Atividade de 
aprendizagem
Módulo 1
Fotos: Wenderson Araujo. Sistema CNA/Senar
pg. 82Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Que tal rever os principais assuntos abordados antes de testar os seus conhecimentos? 
No AVA, você pode acompanhar a revisão em um vídeo, não 
deixe de assistir!
E atenção! O conteúdo do módulo 2 só será liberado após a 
conclusão da atividade dentro do AVA. 
As respostas devem ser enviadas obrigatoriamente por lá. 
Dessa forma, você terá um feedback confirmando se você 
respondeu corretamente ou se deverá tentar novamente. 
Depois da segunda tentativa, a resposta correta será 
apresentada.
Se você estiver conectado à internet e quiser ir direto para a 
página do Portal EAD do Senar, clique no ícone ao lado.
Retrospectiva da produção orgânica
O primeiro passo para uma produção de hortaliças 
orgânicas é definir o objetivo da produção, os produtos e as 
quantidades.
A forma mais comum de canteiro nas hortas é a retangular, 
mas as circulares vêm conquistando espaço.
Para facilitar o manuseio, você não deve fazer canteiros muito 
longos e largos.
http://ead.senar.org.br/
http://ead.senar.org.br/
pg. 83Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
E o mais comum nas hortas é a irrigação por gotejamento, 
que é direcionada ao solo; e por aspersão, que simula uma 
chuva; mas também pode ser feita de forma manual.
Atenção ao nivelamento do terreno, pois a drenagem da 
água é importante para evitar erosão do solo em casos de 
fortes chuvas.
É recomendado que sementes e mudas sejam produzidas 
sem tratamento, ou, caso necessário, que o tratamento seja 
feito com produtos autorizados na legislação brasileira para a 
produção orgânica.
Com uma horta bem planejada, é preciso focar na produção!
Considere as espécies e as cultivares a serem utilizadas, pois 
elas devem estar adequadas à sua região e a época de plantio.
As hortaliças apresentam ciclos curtos, o que permite fazer, 
ao longo do ano, diversos plantios no mesmo espaço.
Para a definição do plantio, é recomendado considerar quando 
se pretende colher, e para onde irá destinar o seu produto.
A etapa de pós-colheita, ou beneficiamento, é dividida em 
seleção, limpeza, classificação, embalagem e resfriamento.
Explore as práticas conservacionistas do solo, como 
a compostagem, a vermicompostagem, a cobertura 
permanente do solo e a adubação verde.
A maioria das cultivares de hortaliças não tolera solos ácidos. 
A faixa ideal de pH varia de 5,5 a 6,5, e pode ser necessária a 
correção antes do plantio, a calagem.
pg. 84Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Não é permitido o uso de fertilizantes químicos; somente 
podem ser usados os orgânicos, minerais naturais e os 
biofertilizantes.
A técnica mais comum de controle das plantas daninhas é a 
capina ou a retirada manual. Herbicidas químicos jamais, pois 
não são permitidos por lei!
Fique ligado nos produtos para o controle de pragas e 
doenças, pois estão registrados na Portaria do MAPA 
número 52 de 2021.
Agora, vamos falar do Plano de manejo orgânico, ferramenta 
muito importante para o processo de certificação do produto 
orgânico.
Esse plano deve conter todos os insumos, as atividades e 
seus envolvidos, os problemas e soluções encontrados para 
todos os cultivos da propriedade.
A Lei número 10.831, de 2003, apresenta que a certificação 
pode ser feita por três maneiras.
Certificação por auditoria, o Sistema Participativo de 
Garantia e o Controle Social na Venda Direta.
Vale lembrar que é possível migrar de um sistema de 
produção convencional para um orgânico, cumprindo o 
período de conversão.
E, com a devida autorização, a conversão poderá ainda ser 
parcial.
pg. 85Módulo 1 – Produção de alimentos em sistemas orgânicos
Certo, agora que você reviu o tema, leia os enunciados com atenção, e analise a informação trazida em 
cada alternativa. 
Trouxemos as perguntas para cá. Assim, caso precise, antes de responder no AVA, você poderá rever o 
conteúdo estudado.
1. O amigo da produtora Márcia, Carlos, ouve muitas notícias sobre a produção orgânica e tem 
vontade de começar a sua horta sob o sistema orgânico. O técnico Roberto lhe comentou 
sobre as vantagens, mas o alertou para os desafios que poderá encontrar. Dentre as 
alternativas, identifique o desafio para a produção orgânica que Carlos poderá ter.
a. Promoção

Outros materiais