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Jean Bessa - XXIV MORFÃO – M1 JEAN BESSA - XXIV Jean Bessa – XXIV 2 CASO VOCÊ SE PERCA NESSE TANTO DE DOENÇA E REMÉDIO: Patologia Geral (Patogênese e EPF) ...........................................................................03 Patogênese e abordagem clínica de doenças infecciosas............................... 04 Exame parasitológico de fezes e coproculturas...............................................10 Protozooses (1, 2 e 3) ...............................................................................................16 Malária.............................................................................................................17 Babesiose.........................................................................................................23 Tripanossomíases (Chagas; Rangeliose Humana; Tripanossomíase)...............25 Leishmaniose...................................................................................................31 Toxoplasmose..................................................................................................35 Sarcocístose.....................................................................................................38 Giardíase.........................................................................................................39 Amebíase.........................................................................................................40 Amebas de vida livre.......................................................................................44 Balantidíase..................................................................................................... .47 P. entéricas oportunistas (Isosporíase; Ciclosporíase; Microsporidíase).........49 Tricomoníase e flagelados não patogênicos....................................................53 Fármacos das protozooses (malária, F1 e F2)..............................................................55 Malária............................................................................................................55 Cloroquina; Primaquina; Tafenoquina; Artemisina; Lumefantrina; Mefloquina Fármaco 1.......................................................................................................65 Benzonidazol; Nifurtimox; Antimonial – pentavalente; Anfotericina B; Pentamidina Fármaco 2.................................................................................................. .....73 Metronidazol; Sulfadiazina; Primetamina Helmintologia (1 e 2) ..............................................................................................76 Teníase / Cisticercose....................................................................................77 Equinococose / Hidatidose.............................................................................82 Himenolepsíase..............................................................................................83 Difilobotríase / Esparganose..........................................................................84 Helmintoses com Ciclo Pulmonar...................................................................85 Estrongiloidíase..............................................................................................86 Ascaridíase................................................................................................... ..88 Ancilostomíase...............................................................................................90 Enterobíase................................................................................................... .91 Tricuríase...................................................................................................... .92 Capilaríase.....................................................................................................93 Esquistossomose............................................................................................94 Fasciolose......................................................................................................98 Paragonimíase.............................................................................................. .99 Clonorquíase.................................................................................................100 Toxocaríase...................................................................................................101 Triquinelose..................................................................................................102 Lagoquilascaríase.........................................................................................102 Angiostrongilíase..........................................................................................103 Singamose.....................................................................................................103 Introdução às Filarioses................................................................................104 Filarioses Linfáticas (Microfilária; Loíase).....................................................105 Oncocercose................................................................................................106 Mansonelose................................................................................................107 Outras Filarioses (Dirofilaríase; Dracunlose) ...............................................108 Fármacos em helmintologia (1, 2 e 3) ........................................................................110 Fármaco 1.....................................................................................................111 Niclosamida; Mebendazol; Albendazol; Ivermectina; Nitazoxanida; Fármaco 2....................................................................................................115 Praziquantel; Oxamníquia; Dietilcarbamazina Jean Bessa – XXIV 3 PATOLOGIA GERAL JEAN BESSA - XXIV Jean Bessa – XXIV 4 PATOGÊNESE E ABORDAGEM CLÍNICA DE DOENÇAS INFECCIOSAS PARASITÁRIAS - PARASITOLOGIA. Dúvidas, anotações e dicas p/ prova : DOENÇAS INFECCIOSAS Ainda são um grande problema de saúde pública, apesar dos avanços terapêuticos São mais comuns em países em desenvolvimento O manejo das doenças depende de várias áreas do conhecimento. Para o diagnostico e manejo da doença infecciosa, é necessário sempre abordar o triângulo da doença, que consiste em: hospedeiro, patógeno e ambiente Características do ambiente • Temperatura, umidade e outras condições ambientais • Risco de exposição (viagens, condições sanitárias, trabalho ou ocupação). • Ciclo de vida (vetores, reservatórios e hospedeiros) ➔ Só há reservatórios e hospedeiros se o ambiente tiver condições adequadas para a sobrevivência ➔ Se não houver vetor, não há transmissão. • Relações biológicas (competição, predadorismo...) • Hábitos de vida ➔ Ectoparasitoses e as doenças por agentes microbianos são transmitidas mais em condições de superpopulação (atenção para: creches, presídios, assentamentos). • Ambiente hospitalar ➔ Infecções nosocomiais são + agressivas e sintomáticas, com maior chance de terem resistência aos antibióticos tradicionais). Características do hospedeiro • Microbiota • Estado imunológico • Comorbidades • Uso de medicações Características do patógeno • Via de entrada ➔ Vetorial ➔ Fecal-oral ➔ Por água ➔ Por via hematogênica (vertical) ➔ Sexual • Tropismo tecidual • Características reprodutivas • Características metabólicas • Estágio / Forma infectante • Fatores de virulência • Mecanismos de evasão ao sistema imune Jean Bessa – XXIV 5 CATEGORIAS DOS AGENTES INFECCIOSOS Agentes infecciosos humanos• Príons ou proteína priônica (proteínas que se comportam como infectantes) • Vírus (parasitas intracelulares obrigatórios) • Bactérias (extracelulares, intracelulares facultativas e obrigatórias) • Protozoários (extracelulares, intracelulares facultativos e obrigatórios) • Fungos (extracelulares e intracelulares facultativos) • Helmintos (extracelulares, multicelulares) • Ectoparasitas (extracelulares, extracorpóreos – se localizam: lúmen ou órgãos ocos) CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS Atual contexto epidemiológico • Doenças NEGLIGENCIADAS ➔ Negligenciadas por órgãos administrativos, corpo médico, promotores de saúde e pela população → não presta atenção nos elementos de prevenção e por isso a circulação na população continua → desconhecimento ou preconceito ➔ Prevalecem em condições de desigualdade socioeconômica ➔ Prevalência sempre alta • Doenças REEMERGENTES ➔ Reaparecimento de doenças que haviam praticamente sido eliminadas ou foram eliminadas (ex: sarampo) e que, por descuido, ressurgem, com ↑ de incidência nas ultimas 2 décadas ➔ Prevalência e incidência sempre baixas, surgem em picos • Pandemias RECORRENTES ➔ Associadas a questões de mutações ➔ Emergência de alta escala epidemiológica. • Doenças EMERGENTES ➔ Surgimento de novas doenças infecciosas ➔ Associadas a questões de mutações -de vírus e bactérias geralmente-. GEOGRAFIA MÉDICA E MEDICINA DE VIAGEM: subáreas da infectologia Geografia Medica → estudo da distribuição e da prevalência das doenças na superfície terrestre, bem como de todas as modificações que nelas possam advir por influencia dos mais variados fatores Medicina de Viagem → objetiva reduzir os riscos de morbidade e mortalidade associados a viagem. BIOTERRORISMO • Utilização de agentes infecciosos como arma biológica • O CDC classifica os patógenos em 3 categorias, de acordo com a eficiência na transmissão: ➔Capacidade reprodutiva e infectiva do patógeno Alta taxa de infecção ou reprodução no ser humano são mais importantes ➔Mecanismos de defesa existentes Endógenos: sistema imune Exógenos: vacinas ➔Risco de calamidade pública • As mais graves geralmente são transmitidas pela via respiratória ou água ou alimentos Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight Jean Bessa – XXIV 6 VIAS DE ENTRADA • Toda doença infecciosa é estudada inicialmente a partir de sua via de entrada. • Principais vias de entrada ➔ Respiratória (inalação) ➔ Digestiva (veiculada por alimentos ou água contaminados) ➔ Cutânea (contato ou uso de fômites) ➔ Sexual ➔ Vertical (transplacentária) ➔ Inoculação (vetorial → aracnídeo ou mosquito pica // direta → acidentes, uso de drogas...) • Características das primeiras defesas: ➔ Tipo e integridade de barreira epitelial Ex: Pele é muito mais especa que mucosas do trato respiratório e gastrointestinal, logo, é muito mais difícil patógeno entrar por via cutânea do que por via respiratória ou gastrointestinal. ➔ Presença de microbiota residente Quanto mais eficaz microbiota = menos chances de bactérias não residentes invadirem o tecido e desencadearem doenças ➔ Células imunes sentinelas Importante saber se individuo é imunossuprimido ou não pois isso pode afetar quantidade de células imunes presentes nos sítios ➔ Produção de muco Produção de fatores físicos, químicos e biológicos que promovem elementos de defesa (ex: muco e elementos de movimentação) ➔ Movimentação (cílios, peristalse) ➔Produção de moléculas antimicrobianas (enzimas, substancias bactericidas e /ou bacteriostáticas, imunoglobulinas) Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight FOMITES SÃO OBJETOS INANIMADOS QUE TRANSPORTAM MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS Jean Bessa – XXIV 7 VIAS DISSEMINAÇÃO DO PATÓGENO ➔ Proliferação local (em graus variados) Sinais inflamatórios locais (edema, rubor, exantema, enantema, dor em graus variados a depender do processo inflamatório que está sendo produzido) ➔Dispersão por contiguidade Pode ter comprometimento de órgãos adjacentes e resultar em comprometimento de outros Larva migrans literalmente salta entre órgãos próximos e onde pisar causa consequências ➔ Dispersão a distância: Intracelular Protozoários, vírus ou bactérias Entram dentro de uma célula que migra (ex: macrófago) → Essa célula anda pelo corpo → Acaba disseminando a doença para outras partes do corpo Vasos linfáticos Vasos sanguíneos Nervos periféricos Vírus da raiva Vírus Herpes Entram no nervo e seguem trajeto do nervo, podendo chegar ao SNC e causar consequências VIAS DE LIBERAÇÃO DOS PATÓGENOS ➔ Descamação epitelial (principalmente cutânea) ➔ Saliva e secreções respiratórias ➔ Fezes (incluindo secreção biliar) ➔ Urina e fluidos sexuais ➔ Sangue (vetor, transfusão ou inoculação direta) MECANISMO DE LESÃO TECIDUAL • Após a dispersão/ disseminação, os efeitos do patógeno sobre o tecido também influenciarão os aspectos clínicos. • Ação que patógeno exerce no tecido vai determinar o quanto de lesão isso provoca nos órgãos e quais serão as consequências funcionais. • O dano tecidual pelos patógenos ocorre por 3 mecanismos: ➔ Morte celular direta (por contato ou após penetração) Após penetração → Plasmodium da malária entra na hemácia e depois de alguns dias acabam destruindo- a ➔ Liberação de substâncias citotóxicas (toxinas, enzimas...) Efeito citolítico → Entram na célula, reproduzem e explodem célula para desencadear contagio Por contato → Endo e ecto prarasitas → Própria presença daquele patógeno na região pode desencadear Anóxia e causar morte celular ou a presença causar inflamação e lesão celular Alguns protozoários produzem enzimas que destroem células ➔ Indução de resposta imune exacerbada PADRÕES DE RESPOSTA IMUNE • Afetam tipo e duração do quadro clinico que paciente irá apresentar. • Dependem do tipo de patógeno e influenciam nas características clinicas das doenças infecciosas, havendo 5 padrões clássicos: ➔Inflamação supurativa / purulenta/ piogênica Mais associados a bactérias E em menor grau, a fungos ➔Inflamação crônica (inespecífica ou granulomatosa) Alguns podem produzir subst.. que desencadeiam resposta granuloma por corpo estranho ➔Reação citopática-citoproliferativa ➔Necrose tecidual Maciça com quadro aguda, fazendo diagnostico diferencial com quadro supurativo ➔Cicatrização Quadro crônico que leva a lesão tecidual// Não regeneração Jean Bessa – XXIV 8 4 PADRÕES DE PATOGÊNESE: ➔Espoliativa (consumptiva) Decorrente de helmintos do TGI (roubam nutrientes) e de ectoparasitas (espoliam sangue) Consumpção nem sempre está ligada a câncer, pode ser causada por ascaridíase com alta carga de helmintos parasitando hospedeiro por exemplo ➔ Anóxica Decorrente de obstrução de sistema vascular Helmintos desencadeiam efeito de massa obstrutiva Decorrente de formação de efeitos de massa Plasmodium falciparum pode levar a efeito de massa, levando a tromboembolia Bolos de vermes podem comprimir vasos levando ao fenômeno anóxico ➔ Tóxica (alérgica ou enzimática) Devido a efeito direto do patógeno + observado devido a pós-tratamento, principalmente ao utilizar medicamento Pode desencadear efeito alérgico Ex: Tratamento de neurocisticercose, importante ver se cistos estão em fase ativa ou não pois isso pode desencadear edema cerebral importante ➔ Física (irritativa, traumática ou mecânica) Irritação de mucosa pelos patógenos (Giárdia Lamblia) Lesão traumática direta (Ameba → associada a produção de enzimas, gerando toxicidade) Traumática: picada, entrada de larvas (Geohelmintos, larvas) Mecânica produzindo uma barreira e levando a obstrução de nutrientes = fenômeno espoliativo ANAMNESE Pontos a serem considerados ➔Grupos epidemiológicos imunomodulados(crianças, gestantes e idosos) Tem maior risco de apresentarem doenças mais sintomáticas e quadro clínico mais exacerbado, pior prognostico (doenças + agressivas) ➔Comorbidades (principalmente imunodeficiências secundárias) ➔Uso de medicações Podem causar imunodeficiência Podem afetar o órgão no qual o parasita vai se encontrar, agravando o quadro clínico ➔ Características dos vetores Sempre importante levanta-las, caso seja doença transmitida por vetor, pois não há como obter doença sem estar em contato com vetor dela contaminado. ➔Histórico de viagem recente ➔Atividade profissional ➔Condições socioeconômicas Os últimos 3 pontos se associam a: Características de vetores Podem dar indícios das condições de higiene e sanitarismo as quais o paciente está exposto Muitas das doenças parasitárias estão associadas a: locais de superpopulação humana = aumenta risco de precariedade de hábitos de higiene = aumenta risco de precariedade de doenças associadas a água e alimentos contaminados por via fecal Ex: só pode ter Tripanossomíase Americana se estiver em contato com uma mosca que só tem na África Contato com matas, florestas na profissão favorecem determinadas doenças parasitárias EXAME FÍSICO Pontos a serem considerados (apesar de serem doenças infecciosas) ➔Febre e achados consumptivos não são obrigatórios Doenças causadas por bactérias, vírus e fungos costumam serem febris Achados consumptivos são mais associados a helmintos que afetam TGI Jean Bessa – XXIV 9 ➔ Sinais de desidratação e / ou desnutrição devem ser pesquisados Maior parte dos parasitas são gastrointestinais → Afetam absorção de nutrientes pelo intestino delgado e de água e eletrólitos pelo intestino grosso, absorção de algumas vitaminas lipo e hidrossolúveis ➔Lesões cutâneas especificas podem sinalizar a via de entrada (picada de vetor, penetração de larva). Investigar procurando lesões especificas Lesões tipo nodos e ulceras cutâneas = menção a picadas de vetores Lesões circunginosas, pruríticas = padrão de deslocamento ou entrada de larvas Lesão inflamatória associada → Sinal de Romana, Chagoma de inoculação (Chagas aguda) PRINCIPAIS SD PARASITARIAS Síndrome de hepatoesplenomegalia febril ➔Diagnostico diferencial ➔Aumenta tamanho do fígado, do baço + sintomas associados + quadro febril mais baixo ➔4 doenças que cursam com ela: Malária crônica Doença de Chagas em sua forma aguda Leishmaniose visceral Esquistossomose mansônica, na transição de fase aguda e crônica (fase crônica cursa com diminuição do volume hepático por fibrose hepática) Síndromes diarreicas ➔Síndromes diarreicas altas estão mais associadas a desnutrição, deficiência de vitaminas lipossolúveis e risco de esteatorreia ➔Síndromes diarreicas baixas estão mais associadas a risco de desidratação. Síndrome ictérica febril ➔Pacientes que cursam com abscessos ou cistificação hepática (amebiano, hepática...) ➔Decorrente de hemólise (Malária, Babesia) Síndromes dermatológicas ➔Ulcera cutânea associada a Leishmaniose tegumentar ➔Lesões cirpinginosas associadas a Larvas Migrans ➔Entrada de larvas filarioides ➔Entradas de Esquistossomos Outras síndromes ➔Neucisticercose ➔Neurotoxoplasmose ➔Patógenos que afetam pulmão ➔Síndrome de Loeffler (ataca pulmão) ➔Larva migrans visceral (faz perda da visão) ➔Edema em menor grau – Filariose ➔Chagas crônica comprometendo coração e causando insuficiência cardíaca Jean Bessa – XXIV 10 EPF E COPROCULTURA PARASITOLOGIA Dúvidas, anotações e dicas p/ prova : O Exame Parasitológico de Fezes (EPF) não é uma única técnica, mas sim um conjunto de técnicas São várias técnicas porque na amostra de fezes, são encontradas variedades grandes de formas de patógenos: formas evolutivas de protozoários, de helmintos, além de vírus, fungos e bactérias. Usos: identificar um patógeno responsável por surtos, explicar casos com recidivas. Pode ter sua sensibilidade muito prejudicada pela forma com que é realizado. Muitos dos erros estão na orientação ao paciente É importante relatar os dados para o laboratorista, ele deve ser informado da suspeita diagnóstica e o que deve ser analisado, para que possa escolher a técnica adequada na amostra. Muitas formas podem ser identificadas no EPF, mas principalmente aquelas encontradas na região perianal e no bolo fecal. COLETA DA AMOSTRA Informações que devem ser passadas ao paciente. • Evitar contato com vaso sanitário. • Evitar contaminação com urina ou água. • Usar o frasco fornecido pelo laboratório. • Não fazer o uso de medicamentos como anti-helmínticos, antidiarreicos, antibióticos, sais de bário (coleta deve ser feita 2 dias antes ou 2 dias depois do uso), vaselina e óleos minerais. Alguns laxantes salinos podem ser utilizados. • As amostras múltiplas devem ser coletadas em 3 dias não consecutivos. Alguns protozoários e alguns vermes não são eliminados continuamente. Amostra: • Identificá-la, preferencialmente a lápis, com: nome, data e hora de coleta. • Solicitação médica do exame anexada. • Uso de conservantes (recomendado que não passe de 3 a 4 semanas de armazenamento) → MIF (mercúrio, iodo e formol) – desuso. → Formol 10% - proibição do mercúrio. → Formol tamponado. → SAF (acetato de sódio, ácido acético glacial, formol e água destilada) – trofozoítos em diarreias → Armazenar em geladeira (5-10 ºC) ou isopor com gelo. Cuidados fundamentais: • Usar luvas. • Trabalhar com calma, identificando corretamente. • Usar material descartável – evita falso-positivo. Jean Bessa – XXIV 11 EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES Os testes podem ser: • Qualitativos: indica presença ou ausência – maioria dos métodos. • Quantitativos: a principal metodologia é a Kato-Katz (metodologia de escolha para esquistossomose). Podem ser acopladas outras técnicas (geralmente aplicadas na pesquisa), como: • Imunoenzimáticos (EIA ou ELISA): → Entamoeba histolytica/díspar. → Giardia lamblia. → Cryptosporidium. • Imunofluorescentes – IFAs: → Cyclospora. → Isospora. • Proteína C Reativa (PCR): → Detecção e subtipagem. → Cryptosporidium. Escolha do método: • Métodos diretos: são aqueles em que se pega uma porção da amostra e a coloca na lâmina, analisando diretamente no microscópio. → Vantagem: rápida, simples, fácil execução. → Desvantagem: não analisa uma amostra suficiente para representar o todo. • Métodos de concentração: pega uma porção da amostra e tenta concentrá-la em uma porção menor. → Usadas formas específicas para formas leves, formas pesadas e larvas de helmintos. Atenção: • Algumas espécies de parasitas só podem ser evidenciadas por técnicas específicas. • Um resultado (-) não deve nunca ser conclusivo, recomenda-se a repetição do teste em nova amostra. • Produção de ovos, cistos e oocistos não é constante, podendo variar temporariamente. EXAME MACROSCÓPICO Inicialmente deve ser feita a análise macroscópica das fezes, na busca de elementos anormais (sangue, vermes adultos) e para descrever a consistência e o odor do bolo fecal. Feita a analise macroscópica é iniciada a analise microscópica. Aspecto das fezes: formadas, semiformadas, pastosas e líquidas Tamisação: peneiragem do bolo fecal → possível identificar vermes adultos nas fezes. → Pode ser encontrada proglote de tênia. As proglotes (principalmente gravidas) servem para identificação da espécie. Ela é descolorida utilizando ácido acético ou metoquina e injeta tinta nanquin no polo genital, o que facilita a visualização das ramificações (será visto melhor na aula de helmintos). Jean Bessa – XXIV 12 EXAME MICROSCÓPICO Exame direto: • Coloca a amostra em lâmina e adiciona corante (Lugol) e realiza a analise no microscópio.PROCESSOS DE CONCENTRAÇÃO – FORMAS PESADAS: • Sedimentação espontânea – diluição da amostra em água e deixa sedimentar (+ usada) → Hoffmann, Pons e Janer. → Lutz. • Sedimentação por centrifugação → Blagg ou Ritchie. → “Coprotest” Método de Hoffman: para o procedimento (d) tem referências que pedem 24h de sedimentação como um processo único e outras referências que diz ser necessário 2 horas apenas (trocando a água acima do sedimentado) + 2 horas de novo repouso (podendo haver uma nova troca de água + 2 h de novo repouso) Método Blagg ou Ritchie: não é tão utilizado, pois o éter e a formalina que são utilizados para forçar a sedimentação podem provocar alterações na amostra Jean Bessa – XXIV 13 PROCESSOS DE CONCENTRAÇÃO – FORMAS LEVES: • Flutuação espontânea (- utilizado) → Willis: Flutuação em salina 40%. • Centrifugo-flutuação (+ utilizado): → Faust: “Método do sulfato de zinco”. Ancilostomideos são encontrados de maneira muito fácil (e protozoários) Demonstração do método de Faust O coproplus é um fraco que possui uma série de filtros. O cap de vedação é removível e é possível pegar a amostra já filtrada. Ele pode ser utilizado para a coleta em dias não consecutivos. Jean Bessa – XXIV 14 PROCESSOS DE CONCENTRAÇÃO – LARVAS DE HELMINTOS: • Baermann Moraes → Larvas de Strongyloides são encontradas + facilmente (esquerda) • Rugai → menos complexo (direita) ➔ Leva-se em consideração o termohidrotropismo (tropismo por águas mornas) MÉTODO QUANTITATIVO – KATOKATZ: • É utilizada uma quantidade de fezes padronizada – há uma “forminha” que deve ser preenchida. ➔ As formas encontradas em todos os campos x 24 = quantidade de ovos/ g de fezes TÉCNICA DE GRAHAN (FITA DUREX): • Técnica muito utilizada para enterobios (oxiúros) – ovos raramente aparecem no bolo fecal. • Passa uma fita adesiva com a parte colante na região perianal e nessa fita ficam os ovos, os vermes adultos de enterobios – pode também ser utilizada para tênia. PESQUISA DE SANGUE OCULTO NAS FEZES: • Método clássico (oxidação do guáiaco): → A: (-) e B: (+) → Precisa de dieta isenta de carne 3 dias antes → Solicitar coleta seriada de 3 amostras de fezes frescas. • Teste imunológico – com Ac monoclonais anti-Hb humana: → Não precisa de dieta previa. → Solicitar coleta seriada de 3 amostras de fezes frescas. Jean Bessa – XXIV 15 INFORMAÇÕES RELEVANTES SOBRE O EXAME Informações importantes na solicitação: • Dados sociodemográficos: sexo, idade, escolaridade, ocupação, procedência. • Indicação clínica: sintomatologia, investigação diagnóstica, acompanhamento do tratamento, controle de cura, tratamento prévio ao diagnostico, rotina pré-natal/pré-operatória. Causas de negatividade no exame parasitológico: • Evitáveis – profissionais: → Treinamento. → Escolha do método (sensibilidade). → Inadequação do método. → Leitura parcial da lâmina. → Sobrecarga de trabalho. • Inevitáveis – biológicas: → Protozoários – períodos de negatividade. → Helmintos: infecção unissexual por espécimes machos; fêmeas sexualmente imaturas; após eliminação do verme adulto; carga parasitária leve; irregularidade na postura/eliminação. Laudo final: • Reportar todos os parasitas encontrados. → Sempre com os nomes científicos: grifados, ou em itálico, ou em negrito. → Colocar o estágio de diagnóstico identificado. • Para ausência de parasitos, reportar: → “Negativo – não foram visualizadas formas diagnósticas de parasitas”. → “Negativo – não foram visualizadas formas diagnósticas de parasitas, na amostra enviada”. • Reportar o(s) método(s) utilizado(s). • Reportar número de amostras analisadas: → Ex: “resultado positivo ou negativo e na Obs. o nº de amostras”. • Reportar parasitas que não foram diferenciados: → Ex: cistos de Entamoeba histolytica/díspar. COPROCULTURAS É muito utilizada para a identificação de bactérias, mas há algumas técnicas para potencializar o achado de larvas de Ancilostomatídeos e Strongyloides, sendo elas: • Método de Loos. • Método de Brumpt. • Método de Harada & Mori. Strongyloides em ágar sangue: • Se tiver larva, ela caminha no ágar e carrega as bactérias semeadas com ela. Para bactérias podem ser utilizados métodos específicos para identificação no bolo fecal: • Meios devem ser seletivos e diferenciais. → Meios BEM e MacConkey (baixa seletividade). → SS, Hektoen (média seletividade). → VB, Bismuto-sulfito (alta seletividade). • Uso de um caldo de pré-aquecimento. Jean Bessa – XXIV 16 PROTOZOOSES JEAN BESSA – XXIV Jean Bessa – XXIV 17 PROTOZOOSE 01 PARASITOLOGIA Dúvidas, anotações e dicas p/ prova : MALÁRIA Sinônimos: maleita, febre palustre, (im)paludismo, sezão. Agente etiológico: • Plasmodium falciparum. • Plasmodium vivax. • Plasmodium malariae. • Plasmodium ovale (exclusivo do continente africano). • Plasmodium knowlesi (zoonose, sudeste asiático) → não patogênico para o homem, mas pro macaco TRANSMISSÃO: • Principal forma: vetorial (mosquito do gênero Anopheles). • Formas incomuns (raras): - Transfusional. - Injetável (seringas contaminadas). - Acidental (acidentes laboratoriais). - Vertical (nesses casos, não há ciclo exo-eritrocítico, ou seja, o plasmódio já entra nas hemácias) CICLO BIOLÓGICO – HUMANO: • Esquizogonia → reprodução assexuada, portanto o ser humano serve de hospedeiro intermediário • Inicia-se com a inoculação de esporozoítos, os quais invadem várias células até alcançar os hepatócitos. • Uma vez nos hepatócitos, há a multiplicação por esquizogonia (exo-eritrocítica, pré-eritrocítica ou tissular) • Nos hepatócitos os esporozoítos se diferenciam em trofozoítos pré-eritrocíticos, ocorre a formação de esquizontes (acúmulos de merozoítos) por reprodução assexuada e ocorre a rotura dos esquizontes e liberação de merozoítos na corrente sanguínea. • Os merozoítos infectam os eritrócitos e inicia-se a fase de esquizogonia eritrocítica, momento em que ocorre a transformação em trofozoítos imaturos (forma de anel). Por várias roturas de hemácias, ou seja, por meio de vários ciclos de reprodução dentro dos glóbulos vermelhos, há a diferenciação desses trofozoítos em trofozoítos maduros ou em gametócitos. • Os gametócitos são as formas que serão ingeridas pelo mosquito. * Algumas espécies de Plasmodium apresentam os hipnozoítos → esquizontes contendo merozoítos em estado de latência, responsáveis pelas formas crônicas e pelas recidivas Jean Bessa – XXIV 18 CICLO BIOLÓGICO – INSETO VETOR: • Esporogonia → reprodução sexuada, portanto o inseto serve de hospedeiro definitivo • O inseto ingere tanto os trofozoítos maduros quanto os gametócitos. • No intestino do mosquito ocorre a formação dos gametas: o gametócito feminino origina 1 macrogameta, enquanto o gametócito masculino origina 8 microgametas. Ocorre a fusão de macrogameta e microgameta e forma-se o zigoto, por fecundação. • Após a formação do zigoto, ele se transforma em oocineto, o qual sofre encistamento (oocisto) e se multiplica no intestino. Após várias multiplicações ocorre a rotura e a liberação dos esporozoítos maduros, que vão migrar para o aparelho sugador (bico) do mosquito e, assim, reiniciar o ciclo. * A diferenciação dos gametas tem relação com o pH e a temperatura intestinal do mosquito PARTICULARIDADES Proteínas diferentes que desencadeiam ainteração entre o merozoíto e o eritrócito. - Glicoforinas: Plasmodium falciparum. - Proteínas do sistema Duffy: Plasmodium vivax. As diferentes espécies têm preferência por infectar estágios diferentes dos eritrócitos: - Reticulócitos: Plasmodium vivax. - Hemácias maduras: Plasmodium malariae. - Hemácias de todas as idades: Plasmodium falciparum. Jean Bessa – XXIV 19 INFECÇÃO ERITROCÍTICA Esse patógeno se alimenta de hemoglobina, sendo que quando digerida ela o heme, que é toxico pro patógeno devido à alta [Fe]. No corpo humano quando o heme é liberado ele é convertido em bilirrubina. Já na malária, o patógeno converte esse heme através de polimerização em pigmento malárico (hemozoína). Dependendo do tipo de espécie, há nomes específicos para esses grânulos de hemozoína: - Granulações de Schuffner: Plasmodium vivax e Plasmodium ovale. - Granulações de Maurer: Plasmodium falciparum. - Granulações de Ziemann: Plasmodium malariae. MORFOLOGIA Formas encontradas apenas no vetor: - Gametas (macrogameta e microgameta). - Oocisto (reservatório reprodutivo). - Oocineto. Formas encontradas no ser humano: - Formas extracelulares com capacidade de invasão: Esporozoítos. (ptn de invasão: circunesporozopita e ptn adesiva: trombospondina. Merozoítos (invade apenas o eritrócito). - Formas intracelulares (eritrocíticas) – formas de diagnóstico: Trofozoíto. Gametócito. - Formas de reservatório reprodutivo: Esquizonte/Criptozoito (tissular ou eritrocitário). Jean Bessa – XXIV 20 ALGUMAS DIFERENÇAS ENTRE AS ESPÉCIES: • Quando se trata de P. vivax, malariae e ovale, todas as 4 formas (trofozoíto imaturo, trofozoíto maduro, esquizonte e gametócito) são encontradas no sangue periférico. Já o P. falciparum, é encontrado no sangue periférico principalmente sob a forma de trofozoíto (maduro ou imaturo) e de gametócito, sendo que quase não é possível encontrar a forma esquizonte. IMUNOPATOGENIA Imunidade inata: • A proteína Duffy é importante para que o merozoíto do P. vivax entre no eritrócito, portanto indivíduos Duffy negativos são resistentes a essa espécie. • Pacientes heterozigotos para anemia falciforme estão protegidos de formas graves em áreas endêmicas, devido ao baixo nível de K+ intra-eritrocitário, o que não permite o desenvolvimento do patógeno. • Deficiência de glicose-6-fosfato-desidrogenase (antioxidante na hemácia) impede a parasitemia • Talassemias podem impedir o desenvolvimento de parasitas, porque a hemoglobina produzida não serve para metabolismo do parasita. Imunidade adquirida: • A imunidade adquirida natural é espécie-específica e estágio-específica. • Transferência passiva de IgG materno protege o RN nos 3 primeiros meses. • Premunição (imunidade alta após anos de exposição). - Ocorre porque o paciente tem a malária ativa, mas ela nunca chega a níveis parasitários que desencadeiam doença sintomática. - Essa imunidade é perdida após 1 ano sem exposição ou durante gestação. PATOGENIA O que causa as manifestações clinicas no paciente é o ciclo eritrocítico assexuado. Esse ciclo pode fazer aumento de transaminases, mas não gera um aspecto clinico chamativo com insuficiência hepática ou icterícia/colestase, por isso esse aspecto passa despercebido. A cada destruição dos eritrócitos parasitados ocorre uma liberação maciça de citocinas de fase aguda (principalmente TNF-alfa), o que desencadeia a febre. O P. falciparum possui um mecanismo de evasão imune, que é o sequestro dos eritrócitos nos capilares periféricos. Uma vez que esses eritrócitos estão sequestrados, eles não podem ser destruídos pelo sistema imune. O processo é mediado pela PfEMP1 Com o sequestro eritrocitário há o risco de formação de microtrombos nos capilares e nas vênulas, o que pode ocasionar isquemia por obstrução da microcirculação. É nítido a formação de microtrombos no P. falciparum – espécie que geralmente se associada à forma da malária mais grave (malária cerebral) –, porque ele forma rosetas que são aderências dos elementos sanguíneos, os quais desencadeiam a ativação da cascata de coagulação formando o microtrombos, sendo que a própria roseta pode entupir o vaso ocasionar a isquemia. O P. malariae faz um outro padrão de lesão, que é a formação de imunocomplexos, que depositam em vasos, e glomérulos podendo causar lesão vascular e renal (síndrome nefrótica) A anemia hemolítica é o principal elemento e ocorre devido a trauma direto. O merozoíto rompe a hemácia e infecta novas hemácias, dessa forma tanto as hemácias parasitadas quanto as hemácias próximas acabam desencadeando a liberação de citocinas. Essa lesão ativa a medula óssea para produzir mais hemácias, o que pode levar a distúrbios associados a eritropoiese, como por exemplo anemia ferropriva secundária. Jean Bessa – XXIV 21 Os sintomas agudos basicamente são febre e mal-estar, resultantes da liberação das citocinas no momento da ruptura do eritrócito. As formas graves também são decorrentes desse excesso de citocinas. QUADRO CLÍNICO • O período de incubação para começar o ciclo eritrocítico depende da espécie. • A fase inicial – o ciclo exo-eritrocítico – é inespecífica e muitas vezes assintomática. • O quadro clinico mais comum é o ataque paroxístico agudo (acesso malárico), que é auto-limitado. • Coincide com a rotura eritrocítica, que leva à liberação excessiva de citocinas inflamatórias. - Febre alta (até 41ºC, 2 a 6 horas). - Acompanha calafrios e sudorese (15 minutos a 1 hora). - A sudorese é intensa com o decorrer do tempo e acompanha fraqueza • Intermitência dos sintomas – não é apresentado por pacientes que já vivem em áreas endêmicas: - 48 horas (terçã): P. falciparum, P. vivax e P. ovale. - 72 horas (quartã): P. malariae. • A perda do sincronismo e os padrões de febre quartã e terçã não ocorrem se o tratamento for feito de maneira precoce, se o paciente estiver em fase de malária crônica ou se for um paciente de zona endêmica. • Formas crônicas: principal manifestação crônica é a hepatoesplenomegalia febril. - A produção crônica de citocinas leva a proliferação de células de Kupffer e a proliferação de macrófagos esplênicos, gerando uma síndrome mieloproliferativa reacional. Há um aumento na quantidade de macrófagos nesses dois órgãos e dessa forma, resulta em hepatoesplenomegalia associada a febre. FORMAS GRAVES E COMPLICADAS: • Cerebral: - Ocorre em 2% dos pacientes não imunes. - É mais comum na infecção por P. falciparum. - Forte cefaleia associada a febre, náuseas e vômitos, com evolução para coma. - Quando ocorre em crianças, pode haver convulsões • Renal: - Principalmente nas infecções por P. malariae, devido à deposição de imunocomplexos. - Ocorre principalmente em adultos não imunes. • Pulmonar: - Se manifesta por hemorragia alveolar, edema de pulmão e dano alveolar difuso. - É mais comum em gestantes. • Hipoglicemia: - Principalmente em crianças – associado a alterações hemodinâmicas decorrentes da hemólise. Jean Bessa – XXIV 22 DIAGNÓSTICO • Clínico: febre, principalmente cíclica, em indivíduos com situação predisponente. • Laboratorial: - Gota espessa ou esfregaço. - Sorológico. - Molecular. Na avaliação de sangue periférico a forma mais encontrada e mais característica é o trofozoíto em anel, mas, ele não permite o diagnóstico da espécie. Forma característica do P. falciparum: permite a distinção da espécie – gametócitos em formato de salsicha ou em formato de banana. Micrografia de placenta: as setas pretas mostram os patógenos no interior dos eritrócitos // as setas azuis mostram os patógenos sendo fagocitados por neutrófilos // * representa fibrina depositada na placenta. A DEMONSTRAÇÃO DO PARASITA EM SANGUE PERIFÉRICOÉ: • Diagnóstica (incluindo a diferenciação de espécies). • Prognóstica (proporcional à carga parasitária). OS MÉTODOS SOROLÓGICOS SÃO: • Diagnósticos espécie-específicos. • Diferenciadores entre fase aguda e convalescença. • De triagem (apesar de não diagnosticarem infecção mista). PROFILAXIA Os principais métodos profiláticos são: • Combate ao vetor. • Quimioprofilaxia: mefloquina (uma semana antes de viagem). • Educação em saúde. • Vacinação em processo de desenvolvimento. Jean Bessa – XXIV 23 BABESIOSE É de extrema importância, uma vez que faz diagnostico diferencial com a malária. É uma antropozoonose transmitida por carrapatos. Hospedeiro definitivo: carrapatos. Hospedeiros intermediários: homem e animais (bovinos, equinos e canídeos). Agente etiológico: Babesia ssp (B. microti é a principal espécie nos EUA). Há relatos no Brasil principalmente nas regiões Sul e Sudeste. CICLO: 1. Carrapato se alimenta de sangue do animal (ex.: rato) e inocula esporozoítos. Os esporozoítos dão origem a trofozoítos. 2. Trofozoítos dão origem aos merozoítos. 3. Merozoítos originam os gametas. 4. Gametas são ingeridos pelo carrapato, onde ocorre a fusão desses gametas, formando o oocineto. 5. O oocineto entra em esporogonia e há a formação de vários esporozoítos, os quais podem ser reinoculados nos animais reiniciando o ciclo. 6. Nesse momento o carrapato pode picar o ser humano e inocular os esporozoítos. 7. Ocorre novamente a transformação do esporozoíto em trofozoíto e posteriormente em merozoíto 8. Caso o paciente não seja tratado adequadamente e realize a transfusão sanguínea, essa se torna outra via de transmissão 9*. O oocineto pode infectar diretamente os ovários do carrapato. Jean Bessa – XXIV 24 TRANSMISSÃO: • Picada de carrapatos: sintomas aparentes até 6 meses após a picada. - É uma picada característica, devido a saliva imunogênica, gera um padrão de lesão em alvo, que são lesões eritematosas circunferenciais e concêntricas. • Transfusão sanguínea: sintomas aparentes entre 1 e 4 semanas. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: • Sintomas infecciosos inespecíficos iniciais. • Anemia hemolítica semelhante à malária. • Infecção auto-limitada em imunocompetentes: - Imunossuprimidos requerem hospitalização e apresentam maiores índices de mortalidade. - Esplenectomizados apresentam sintomas mais graves. DIAGNÓSTICO: • Detecção do parasita (gota espessa ou esfregaço). • Imunofluorescência: - Gera resultados falso-negativos em imunossuprimidos. - Gera resultados falso-positivos em outros quadros infecciosos que estimulam resposta de padrão Th2. A forma que permite o diagnóstico é o merozoíto na forma de cruz – conhecida como cruz de malta ou tétrade (letra C na segunda imagem). Jean Bessa – XXIV 25 PROTOZOOSES 02 PARASITOLOGIA Dúvidas, anotações e dicas p/ prova : TRIPANOSSOMÍASES Conjunto de parasitoses causadas por protozoários do gênero Trypanosoma, com mais de 150 espécies descritas (apenas algumas são patogênicas ao homem). São protozoários flagelados (subfilo mastigófora) Subdivisões (quanto ao local do desenvolvimento do patógeno no vetor e à transmissão): • Stercoraria: Desenvolvimento do parasita no intestino posterior de triatomíneos hematófagos (barbeiro) e transmissão através de contaminação com fezes do vetor. • Salivaria: Desenvolvimento e transmissão (pela picada da mosca com saliva infectada) nas porções anteriores do tubo digestivo de dípteros (moscas). O flagelo sai pela estrutura chamada cinetoplasto. As formas mais importantes são a A (promastigota), C (epimastigota), D (tripomastigota), F (amastigota) Jean Bessa – XXIV 26 DOENÇA DE CHAGAS Também chamada de tripanossomíase americana ou esquizotripanose. Foi descrita por Carlos Chagas, em 1909. No Brasil, é uma doença endêmica (quase nunca há surtos), com graves problemas médicos e sociais AGENTE ETIOLÓGICO Etiologia: Trypanossoma cruzi. Apresenta ciclo heteroxênico (c/ hospedeiro definitivo e intermediário), com ≠ formas evolutivas • Tripomastigota: forma infectante encontrada extracelularmente (sangue periférico) no hospedeiro e nas fezes do vetor. - Pode ser usada no diagnóstico. - Possui 2 variações morfológicas distintas: - Delgadas: + infectantes, sensíveis a anticorpos (parasitemia precoce) e macrofagotrópicas. É combatida pela imunidade adquirida → inicial - Largas: + capacidade de desenvolvimento no vetor, – sensíveis a anticorpos (parasitemia tardia) e miotrópicas. Tem resistência à imunidade adquirida → tardia • Esferomastigota: Encontrada no trato digestivo inicial. • Epimastigota: Encontrada no intestino posterior do inseto vetor. • Amastigota: Encontrada intracelularmente no hospedeiro e só aparece na fase aguda (+ importante) CICLO BIOLÓGICO Barbeiro pica o homem > defeca perto da lesão ou próximo à mucosas > nas fezes terá o tripomastigota > tripomastigota penetra na corrente sanguínea > órgãos alvo > transforma-se em amastigota > amastigota se reproduz por bipartição > transforma em tripomastigota > volta ao sangue periférico > barbeiro pica pessoa > pega o tripomastigota que passa por todas as fases e o ciclo começa de novo Jean Bessa – XXIV 27 TRANSMISSÃO Vetorial: Penetração da forma infectante (tripomastigota) na pele (lesões) ou mucosa. Transfusional: Sangue contaminado Congênita: Infecção placentária. Acidentes laborais/ trabalhistas: Pesquisadores e técnicos de laboratório e caçadores Transplante: Órgãos infectados. Oral: Amamentação e ingestão de alimentos contaminados (açaí e garapa) PROFILAXIA Melhoria das habitações rurais (casa de pau a pique) Combate ao inseto vetor Controle de bancos de sangue e órgãos transplantados Vigilância pré-natal Vigilância dos estabelecimentos de alimentação FASES CLÍNICAS Fase aguda Acontece associada a parasita inicial. Varia conforme o estado imunológico do hospedeiro Sintomática (crianças e imunossuprimidos) ou assintomática (+ comum) A forma sintomática pode ter óbito em 10% dos casos (meningocefalite ou miocardite aguda difusa). Manifestações locais: • Sinal de inoculação: Presente em 50% dos casos, 4-10 após a picada e regride após 1-2 meses → Sinal de Romanã: Na conjuntiva (CONJUNTIVITE) → Chagoma de inoculação: Na pele. • Formação do complexo cutâneo-linfonodal: linfadenite satélite Manifestações sistêmicas: • Febre • Edema • Adenomegalias • Hepatoesplenomegalia Fase Crônica Assintomática Também pode ser chamada de fase indeterminada ou latente. Dura de 10-30 anos Depende da carga parasitária, virulência do patógeno e estado imunológica do hospedeiro. Caracterizada por: • Sorológico e/ou parasitológico positivos (positividade para anticorpos ou patógenos) • Ausência de sintomas ou alterações morfofuncionais. Jean Bessa – XXIV 28 Diagnóstico laboratorial: • Sorológico: São necessárias 2 metodologias diferentes (+) - Imunofluorescência indireta - Hemaglutinação indireta - ELISA - *Reação de Guerreiro Machado (Reação de fixação do complemento): não é mais usada, pois gera muitos falsos (+). • Parasitológico: - Exame de sangue: gota espessa c/ coloração Giemsa - Inoculação de sangue em cobaia (não é rotina) - Xenodiagnóstico: barbeiro virgem em contato com o pct → tripomastigota nas fezes - Hemocultura - Métodos moleculares: Detectar material genético do protozoário • Imagem: Xenodiagnóstico. Fase Crônica Sintomática Sorológico (+) e o parasitológico (-) • Forma cardíaca Tríade sintomática: Síndrome Arritmica (lesão dos miocardiócitos do sistema de condução), Síndrome de insuficiência cardíaca (Miocardiopatia dilatada)e Síndrome Tromboembólica (lesão vorticiliar) - miocardiopatia dilatada (coração em moringa): ventrículo esquerdo, em especial, dilata. - lesão vorticilar (aneurisma de ponta): diminui a espessura do ventrículo e a ponta desse ventrículo sofre pressão do sangue que chega dos átrios, lesionando. - epicardite moniliforme: depósito de fibrina no saco pericárdico. - trombos intracardíacos - miocardiofibrose: destruição das fibras musculares, com fibrose. - infiltrado inflamatório linfoplasmocitário Lesão vorticiliar da pontinha do ventrículo. Essa lesão faz com que o sangue passe de um fluxo laminar para um fluxo turbilhonada, aumentando a chance de formação de trombos. Histopatologia da forma cardíaca da doença de chagas. Há destruição dos miocardiócitos, substituídos por fibrose. Os miocardiócitos restantes apresentam-se aumentados, além de infiltrado inflamatório. Jean Bessa – XXIV 29 • Forma digestiva O esôfago e colón são mais afetados, mas pode atingir estômago, canal anal, intestino delgado. - Adelgaçamento da parede do órgão e aumento do lúmen (↑ risco de perfuração do órgão) - Atrofia da mucosa (↓ absorção de nutrientes, caso o epitélio seja absortivo). - Perda de células ganglionares do plexo mioentérico - Hipertrofia de fibras nervosas - Miosite (inflamação) em diversos graus →Esofágica: - Distúrbios da motilidade (lesão de plexo nervoso) → gera acalasia esofágica (dis/odinofagia). - Hipertrofia de glândulas salivares e sialose (compensação para aumentar a lubrificação) - Perfurações (adelgaçamento da parede), com mediastinite (extremamente grave) - Predisposição ao câncer esofágico (metaplasia escamosa devido fricção contínua) →Intestinal: - Alteração do ritmo intestinal - lesão aos plexos nervosos (principalmente obstipação) - Perda de peso (Mucosa perde capacidade absortiva porque atrofia) - Perfurações devido ao adelgaçamento da parede, com peritonite (abdome agudo). - Obstrução intestinal aguda (acumulo de fezes, gerando volvo de sigmóide) • Forma neurológica Meningoencefalite tripanossomótica americana. Existem duas formas clínicas: - Aguda: Pode evoluir para a aguda grave (letal) (enfalite multifocal, com amastigotas) - Nervosa crônica.: Reativação da infecção do SNC em pacientes imunossuprimidos. Na foto A, inflamação do parênquima cerebral (encefalite). Na foto B, amastigotas. • Forma mista É o acometimento de vários órgãos. RANGELIOSE HUMANA Doença pouco patogênica ao humano, de curso benigno, bem menos sintomática que Chagas. É causada pelo Trypanosoma rangeli e transmitida pela pica do triatomíneo Rhodinus prolixus (se localiza nos mesmo locais que o vetor da Chagas). A importância clinica tem relação com a reação cruzada sorológica com Trypanosoma cruzi, que pode dificultar o diagnóstico de Chagas em regiões de sobreposição das doenças (sudeste e sul do Brasil) TRIPANOSSOMÍASE AFRICANA Também conhecida como doença do sono. É causada pelos parasitas Trypanosoma gambiense e Trypanosoma rhodesiense (mais grave). É transmitida pela picada da mosca Glossina palpalis (mosca tsé-tsé). Suspeita: presença de uma lesão cancroide em paciente viajante proveniente da África ou residente, apresentando: Febre; Adinamia; Rash cutâneo; Letargia; Cefaleia; Confusão mental; Mialgia difusa; Lesão cutânea secundária à picada inespecífica Jean Bessa – XXIV 30 CICLO BIOLÓGICO A diferença entre o ciclo da doença de Chagas é que o patógeno não vem pelas fezes do vetor, mas pela saliva. Além disso, não há amastigotas! Picada da mosca tsé-tsé contaminada > tripomastigota no sangue > multiplica-se > Tripomastigotas vão para o SNC, mas também permanecem no sangue > mosca pica paciente e se contamina > começa novo ciclo DIAGNÓSTICO Identificação do tripomastigota em sangue periférico. OBS: Não dá para diferenciar esse tripomastigota do da doença de Chagas. Em fase do sono, pode-se realizar exame do líquor, que apresenta pleocitose linfoplasmocitário (o líquor é praticamente acelular, nesse caso, as células aumentam muito, com células de Mott. Em A, tripomastigota. Em B, célula de Mott (não é patognomônico, mas é muito sugestiva) Jean Bessa – XXIV 31 LEISHMANIOSE O gênero Leishmania também são protozoários flagelados (filo Sarcomastigophora). Possui ciclo heteroxeno (hospedeiro definitivo e intermediário), formas promastigota e paramastigota nos hospedeiros invertebrados e forma amastigota no hospedeiro vertebrado. CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA Classificação clínica: L. donovani, L. tropica e L. braziliensis Classificação atual: Leishmania e Viannia - Leishmania: Leishmania Leishmania + nome da espécie - Viannia: Leishmania Viannia + nome da espécie. CICLO BIOLÓGICO Mosquito flebotomíneo pica o homem > inocula promastigota (forma infectante) > macrófago (célula alvo) fagocita promastigota > promastigota se transforma em amastigota > amastigota faz multiplicação binária > explode macrófago > vai para o sangue para infectar novas células > inseto pica homem doente > “chupa” o amastigota e começa novo ciclo No vetor: • Ingestão de sangue com macrófagos com amastigotas • Lise macrofágica e transformação em promastigotas (envoltas por membrana peritrófica secretada pelas células do estômago do vetor) • Migração para intestino (Viannia) ou para região anterior (Leishmania) transformando-se em paramastigota • Ocorre nova transformação em promastigotas metacíclicas (forma infectante), processo chamado de metaciclogênese No hospedeiro vertebrado: • Introdução de promastigotas, durante picada • Interiorização do parasita pelos macrófagos, processo facilitado pelo mecanismo imune “cavalo de Tróia”, clássico da Leishmaniose tegumentar (não se sabe se também ocorre na forma visceral) • No macrófago, ocorre transformação para a forma amastigota • A forma amastigota é a forma diagnóstica da doença Jean Bessa – XXIV 32 OPERAÇÃO CAVALO DE TRÓIA Quando a Leishmania entra no sangue, a primeira defesa é o neutrófilo (são atraídos por quimiocinas e LCF). No entanto, esse neutrófilo fagocita, mas não destrói o patógeno. Esse patógeno faz com que o neutrófilo secrete IL-8, recrutando mais neutrófilos e mais macrófagos. Os neutrófilos continuam fagocitando a Leishmania, mas como eles não conseguem destruí-la, entram em apoptose. Como a célula está em apoptose e não pode ficar livre nos tecidos, os macrófagos fagocitam esses neutrófilos com Leishmania. Assim, a Leishmania consegue infectar o macrófago, que é sua célula alvo. FORMA AMASTIGOTA Visualizada em esfregaços corados pelo método Romanovsly modificado (Giemsa, Leishman ou Panótico). São estruturas intracitoplasmáticas ovais, com núcleo grande e arredondado (microplasmócito). O cinetoplasto pode aparecer como pequeno bastonete avermelhado. MECANISMO DE EVASÃO IMUNE DA LEISHMANIA Complexo lipofosfoglicano (LPG): Inibe a ligação a frações opsonizantes do complemento (LPG não deixa que a leishmania seja opsonizada) Retarda a fusão para formação do fagolisossoma (retarda fusão do lisossoma com o fagossoma) Metaloprotease gp63: Cliva o complemento em frações menos imunogênicas (Forma C3bi: permite fagocitose, sem aumentar a atividade respiratória da célula e destruição da Leishmania) Degrada as enzimas lisossomais Jean Bessa – XXIV 33 FORMAS CLÍNICAS LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA → Ocorre em ambos os sexos e todas as faixas etárias, entretanto, na média do Brasil, predomina em indivíduos com mais de 10 anos (90% dos casos) e homens (74%). → Espécies de importância no Brasil: • L. (V) brazilienses (PRINCIPAL!) • L (V) guyanensis • L(V) lainsoni • L (V) shawi • L (V) naiffi • L (V) amazonensis Imunopatogenese: Como a Leishmania é um patógeno intracelular, a melhor maneira de ↑ a resposta imune é por Th1. • Resposta polarizada Th1 (resposta celular): forma cutânea localizada (Os fagócitos estão trabalhando mais intensamente, por isso a lesão é localizada) • Resposta polarizada Th2 (resposta humoral): forma cutânea difusa (Resposta humoral/anticorpos atuam de modo extracelular. A leishmania é intracelular. Logo, as manifestações são maiores) • Resposta mista Th1 e Th2: forma cutaneomucosa (tem hora que consegue destruir o patógeno, tem hora que não. Não há disseminação difusa tão pronunciada, mas as lesões localizada + severas) • Teste de Montenegro: Teste de intradermorreação para avaliação de resposta imune celular (Verificar se o paciente é + polo Th1 ou mais polo Th2; não é específico para doenças, só identifica o padrão de resposta do paciente/polo imune., variando a proteína estimuladora) - Reação: Polo Th1 - Não reação: Polo Th2 - Hiperreação: Mista Evolução clínica →Nódulo - Epiderme intacta, forte infiltrada de macrófagos, muitos parasitas. →Úlcera inicial - Úlcera superficial, forte infiltrado de linfócito, muitos macrófagos e muitos parasita →Úlcera estabilizada com lesão satélite - Úlcera profunda, processo inflamatório ativo na periferia, lesões satélites e poucos parasitos →Cicatriz - Leve depressão na pele, epiderme fina, fibrose da derme e ausência de parasita Profilaxia: • Medidas de proteção individual (Uso de EPIs) • Medidas de proteção coletiva (construção de casas a distancia mín. de 500 metros de floresta) Jean Bessa – XXIV 34 LEISHMANIOSE TEGUMENTAR ORIENTAL Histologicamente conhecida como “botão do Oriente”. As espécies de importância são: - L (L) tropica - L (L) major - L (L) aethiopica (responsável pelas formas difusas) O quadro clinico, diagnósticos, profilaxia e tratamento são iguais ao da americana. Muda a espécie e o vetor. Leishmanização: Inóculo de material infectante em área onde a cicatriz subsequente pode ser recoberta (ter amastigotas mesmo em cicatriz). Logo, é um pouco mais difícil de ser tratada. LEISHMANIOSE VISCERAL (CALAZAR) Conhecida também como calazar ou febre Dum-Dum. É uma doença crônica grave e de alta letalidade. Os fatores de risco são relacionadas com a imunossupressão Espécies responsáveis: - L (L) donovani - L (L) infantum - L (L) chagasi (responsável pelos casos americanos) Manifestações clínicas: • Leishmanioma: lesão cutânea decorrente da picada, que geralmente passa despercebido • Febre intermitente • Infecção de macrófagos viscerais, gerando: - Esplenomegalia* - Hepatomegalia* - Pancitopenia* e aplasia de medula óssea (anemia, sangramentos e predisposição à infecções) - Adenomegalia - Rins: Nefrite intersticial por imunocomplexos circulantes - Pulmões: Pneumonia intersticial com fibrose - Intestino delgado: Perda de superfície absortiva por hiperplasia da placa de Peyer Na esquerda, diminuição da polpa branca e aumento da polpa vermelha do baço (hiperplasia). Na direita, amastigotas nos macrófagos esplênicos (cordão de Billroth). Formas clínicas: • Assintomática • Aguda • Sintomática crônica (clássica): Hepatoesplenomegalia febril • Dérmica pós-calazar: Ocorre entre 6 m. - 5 anos após tratamento por infecção de L. donovani Diagnóstico e tratamento Mesmo da tegumentar e americana Profilaxia Diagnóstico e tratar doentes Sacrifício de cães domésticos com sorologia positiva (Há vacina e tratamento em outros países) Combater forma adulta do vetor Jean Bessa – XXIV 35 PROTOZOOSE 03 PARASITOLOGIA Dúvidas, anotações e dicas p/ prova : TOXOPLASMOSE Antropozoonose - distribuição mundial de impacto obstétrico-neonatal: Homem: hospedeiro intermediário. Gato: hospedeiro definitivo. Agente etiológico: Toxoplasma gondii. FORMAS BIOLÓGICAS: • Taquizoíto (trofozoíto ou forma proliferativa/livre): fase aguda, multiplicação rápida → forma d arco • Bradizoíto (cistozoíto): fase crônica, multiplicação lenta, cistos teciduais → forma d arco • Oocisto: forma de resistência, encontrada no hospedeiro definitivo (os maduros, ambientais, apresentam 2 esporocistos, cada um com 4 esporozoítos). CICLO BIOLÓGICO: No hospedeiro intermediário (homem) ele pode ocorrer através de 3 formas: • Ingestão de: - Oocistos maduros com esporozoítos (água e alimentos). - Cistos com bradizoítos (carne crua); - Taquizoítos (via vertical pelo leite) • Invasão de células e formação de vacúolo parasitóforo. • Endodiogenia/endopoligenia produzindo múltiplos taquizoítos (fase proliferativa/fase aguda) No hospedeiro definitivo: • Penetração em células intestinais • Endodiogenia (forma taquizoítos) OU merogonia/esquizogonia (forma merozoítos em merontes/esquizontes). • Merozoítos se transformam em formas sexuais imaturas (gametófitos ou gamontes), que amadurecem (macro e micro gametas). • Formação do zigoto e transformação em oocisto. • Liberação do oocisto maduro pela rotura da célula epitelial. Jean Bessa – XXIV 36 Um felino comprometido libera oocistos maduros nas fezes. As presas do felino se alimentam de água e alimentos contaminados com oocistos e funcionam como hospedeiro intermediário e na forma crônica eles geram cistos teciduais contaminados com bradizoítos. O felino se alimenta dessas presas e, ao ingerir carnes contendo cistos de bradizoítos, a forma se rompe e invade a célula intestinal e o ciclo se perpetua Animais que servem para consumo humano, como suínos, ovinos, caprinos, ingerem alimentos contaminados com oocistos maduros e desenvolvem a forma crônica com cistos de bradizoítos Com isso, o homem se alimenta de carne crua ou mal cozida contendo os cistos. Além disso, o oocisto maduro pode infectar água e alimentos, que levam à doença do homem. Mas também, o taquizoíto pode infectar o homem via leite materno, via transplacentária ou via transfusão sanguínea. O taquizoíto circulante no corpo humano forma a fase aguda. O indivíduo pode evoluir para a formação de cistos com bradizoitos, originando a forma crônica. FORMAS CLINICAS E MANIFESTAÇÕES Toxoplasmose congênita: • Primoinfecção ou reagudização materna, com transmissão fetal transplacentária. • Espectro clinico amplo: - 1º tri: aborto - 2º tri: aborto ou prematuridade (RN normal ou com malformações) - 3º tri: RN normal ou com alterações variáveis. • Síndrome/Tétrade de Sabin: - Coriorretinite. - Calcificações cerebrais (geralmente difusas). - Alterações do volume craniano (macro ou microcefalia). - Retardo no desenvolvimento neuropsicomotor. • Comprometimento de outros órgãos e sistemas. Toxoplasmose pós-natal: • Ganglionar ou febril aguda (principal forma, inespecífica). • Ocular: retinocoroidite aguda ou crônica. • Cerebroespinal/meningoencefálica: clássica dos imunossuprimidos, formando abscessos cerebrais. • Cutânea/exantemática: rara, podem rapidamente fatal. • Generalizada: rara, porém fatal (tanto em imunocompetentes, quanto em imunossuprimidos). TRANSMISSÃO A transmissão pode se dar por: • Ingestão: - Água ou alimentos contaminados com oocistos. - Carne crua ou malcozida com cistos de bradizoitos. • Congênita (risco crescente com o avançar da gestação). • Formas raras: - Ingestão de leite materno com taquizoítos. - Acidente laboratorial. - Transplante de órgãos infectados. Jean Bessa – XXIV 37 DIAGNÓSTICO O diagnostico clinico no adulto é difícil, na criança a síndrome/tétrade de Sabin é mais chamativa e o histórico gestacional é de extrema importância. Diagnóstico laboratorial: • Demonstração do parasita em materiaisbiológicos. - Taquizoítos em líquidos centrifugados (fase aguda). - Cistos com bradizoitos em histopatológico (fase crônica). • Sorológico – diagnóstico de escolha. - Toxoplasmose congênita = só com IgM fetal (+), porque a IgM materna não passa a barreira. - Reação de Sabin-Feldman (teste do corante): em desuso pela complicação técnica. - Hemaglutinação indireta: usado para levantamento epidemiológico - Imunofluorescência indireta e imunoensaio enzimático (ELISA): mais utilizados atualmente. - Eletroforese (imunoblot): relevância nas reativações de toxoplasmose. PROFILAXIA • Vigilância alimentar. • Controle da população de gatos e Cuidados com os dejetos de felinos. • Exame pré-natal para toxoplasmose e Tratamento das gestantes em infecção aguda. • Desenvolvimento de vacinas. Jean Bessa – XXIV 38 SARCOCISTOSE Doença causada pelos protozoários coccídeos heteróxenos Sarcocystis hominis (Hospedeiro intermediário: bovinos) e Sarcocystis suihominis (hospedeiro intermediário: suínos). FORMAS EVOLUTIVAS: • Meronte (esquizontes): presente no endotélio do hospedeiro intermediário. • Sarcocisto (cisto): presente nos músculos e outros tecidos do hospedeiro intermediário, composto por merozoítos (formas jovens) ou bradizoitos (formas infectantes). • Oocisto: presente nas fezes do hospedeiro definitivo, com esporozoítos. Expelida nas fezes. CICLO BIOLÓGICO O hospedeiro definitivo (homem), adquire a forma infectante a partir da ingestão de carne crua ou mal cozida de bovinos e suínos. Nessa carne será encontrado cistos contendo bradizoitos, os quais saem do cisto e penetram na célula intestinal formando o macro e microgameta, ocorre a fecundação com consequente formação do oocisto, forma que é liberada nas fezes. O oocisto é ingerido por bovinos e suínos e libera os esporocistos na célula endotelial, os quais geram os esquizontes. Os esquizontes liberam merozoitos, que penetram no musculo formando os cistos e se diferenciam na forma infectante (bradizoitos). Quando os bradizoitos estão se multiplicando no intestino é quando o paciente pode ter diarreia, mas ela é leve e inespecífica. Jean Bessa – XXIV 39 GIARDÍASE Causada por G. lamblia, G. duodenalis e G. intestinalis (empregados como sinônimos) Possui distribuição mundial. Epidemias podem ocorrer, principalmente, em instituições fechadas que atendam crianças, sendo o grupo etário mais acometido entre 8 meses e 10-12 anos. FORMAS PARASITÁRIAS E ASPECTOS MORFOLÓGICOS CLÁSSICOS Trofozoíto: Formato piriforme, com simetria bilateral a partir dos corpos medianos, disco adesivo suctorial ventral, dois núcleos e quatro pares de flagelos. Cisto: Formato oval, com 2 a 4 núcleos, fibrilas e corpos escuros em meia-lua. Forma de resistência. HABITAT Intestino delgado. O encistamento ocorre, principalmente, no ceco. Esse encistamento é uma forma de proteção, pois a Giardia sabe que vai sair de um ambiente úmido (corpo do hospedeiro), para um ambiente seco. TRANSMISSÃO e INCUBAÇÃO Oral-fecal. 1-4 semanas (média de 7-10 dias). IMUNOLOGIA A Giardia não lesiona diretamente a mucosa do intestino delgado. Apesar de uma imunidade protetora não ter sido demostrada, há evidencias de sua existência (natureza autolimitante da infecção, maior suscetibilidade de imunodeprimidos e menor suscetibilidade de indivíduos em áreas endêmicas). Provavelmente é imunidade da mucosa, com IgA. CICLO BIOLÓGICO Homem ingere alimento contaminado > no intestino delgado, reprodução assex. - bipartição > encistamento no ceco > nas fezes podem sair cisto e/ou trofozoíto > apenas o cisto contamina alimento e água > homem ingere alimento com cisto > cisto se desfaz no estomago > no intestino delgado adere à mucosa e recomeça o ciclo Jean Bessa – XXIV 40 PATOGÊNESE Atapetamento Viloso: Um monte de Giardia aderindo na mucosa, atrapalhando a absorção Lesão às vilosidades: Acontece raramente. QUADRO CLÍNICO • Assintomático • Agudo: Diarreia aguda, auto-limitada (fezes aquosas, mal cheiro, distensão abdominal e flatulência) • Crônico: Diarreia persistente com disabsorção e perda ponderal (2 ou mais semanas) Como a digestão diminui, os carboidratos acumulados são fermentados, causando diarreia explosiva e fétida AMEBÍASE e SARCODÍNEOS NÃO PATOGÊNICOS Etiologia: Entamoeba histolytica. Em 1977, a OMS assume a existência da Entamoeba díspar. → Igual a E. histolyitica, mas SEM diarreia de intestino grosso → Gera infecções assintomáticas (há relatos sintomáticos) Comum em áreas tropicais com baixas condições sanitárias. FORMAS PARASITÁRIAS E ASPECTO MORFOLÓGICO CLÁSSICO Trofozoíto invasivo de E. hystolytica: 1 núcleo com eritrócitos no citoplasma. E. hystolytica/ E. díspar: Cistos com 4 núcleos e corpo cromatoide em formado de bastonete. E. coli: Cistos com 8 núcleos. E. polecki: Cistos com 1 núcleo. E. gingivalis: Cistos desconhecidos/ ausentes. Jean Bessa – XXIV 41 HABITAT Intestino grosso. * A E. gingivalis vive na cavidade oral. * A diarreia padrão intestino grosso/ padrão baixo é causada pelo distúrbio da absorção de água e eletrólitos ➔ Diarreia aquosa que pode levar a desidratação PERÍODO DE INCUBAÇÃO 2-4 semanas. DIFERENÇAS ENTRE E. HISTOLYSTICA E E. DISPAR A E. hystolitica possui hemácias dentro, a E. díspar, não. OUTRAS AMEBAS ENCONTRADAS NO HUMANO: -E. hartmanni -Endolimax nana -Iodamoeba butschlii -Dientamoeba fragilis CICLO BIOLÓGICO Parece muito com o ciclo da Giardia. A diferença é que aqui é um patógeno de intestino grosso. Ameba prolifera no intestino grosso > encista > cisto contamina água e alimento > paciente contrai > ameba pode na corrente sanguínea, alcançando fígado, pulmões e cérebro (formas extra-intestinais). Quanto ↑ diarreica for as fezes do paciente = ↑chance de ter trofozoíto nas vezes (não dá tempo de encistar). No começo da doença, com as fezes bem formadas → cistos. Transmissão da clássica: Oral-fecal // Transmissão da E. gengivalis: Oral (mas sem cisto) Jean Bessa – XXIV 42 PATOGÊNESE Algumas bactérias anaeróbicas podem potencializar a virulência das cepas amebianas (podem ir junto pros vasos) A ameba apresenta efeito letal direto sobre a célula, através de lectinas e enzimas proteolíticas Diferente da Giardia, a ameba entra nas células. QUADRO CLÍNICO ➔ Formas assintomáticas ➔ Formas sintomáticas: → Intestinal: Diarreia com muito muco e sangue - Disentérica - Colite não-disentérica - Ameboma - Apendicite amebiana → Extra-intestinal: - Hepática aguda não supurativa - Abcesso hepático - Cutânea - Outros órgãos: pulmão, cérebro, baço, rim etc. ➔ O paciente apresenta disenteria clássica (mucossang. + cólicas e tenesmo). ➔ Colonoscopia → ulceração em aspecto de “botão de camisa” ou ameboma (reação granulomatosa) ➔ Complicações intestinais: → Perfuração intestinal com peritonite → Hemorragia → Estenose → Óbito Jean Bessa – XXIV 43 Sarcodíneos não patogênicos Jean Bessa – XXIV 44 AMEBAS DE VIDA LIVRE Conhecidas como amebas parasitárias facultativas ou oportunistas, causando meningoencefalite e ceratite. PRINCIPAIS ESPÉCIES: • Naegleria fowleri (meningoencefalite fulminante). • Acanthamoeba sp, com 8 espécies de interesse (ceratites e encefalite granulomatosa crônica). • Balamuthia mandrilaris (meningoencefalite). São amebas frequentemente encontradas em solo e nas águas de lagos e rios. A Naegleria fowleri apresentauma forma flagelada, o que facilita seu contato com banhistas. Ela entra pela mucosa nasal – gera um quadro de rinite e alterações olfatórias. Com sua migração para o SNC, via nervo olfatório, ocorre a destruição do sistema a partir da base do crânio, gerando alteração motora ocular, rico de AVC – há sinais de meningite. O parasita causa uma encefalite grave que pode levar a óbito, principalmente por atingir o tronco encefálico. A Balamuthia mandrilaris tem a forma de trofozoíto e cisto. Também entra pela mucosa respiratória, mas de maneira mais lenta e menos agressiva, sendo que ela também pode entrar por úlceras na pele e disseminar via hematogênica. Os elementos de meningoencefalite ou lesão cutânea são elementos mais brandos. O gênero Acanthamoeba também pode entrar pelo trato respiratório e por ulceras cutâneas, mas o mais comum é que ela entre pelo olho – principalmente em pacientes que fazem o uso de lentes de contato. Como o paciente não higieniza a lente de contato adequadamente é gerado um trauma na córnea, local em que a ameba entra e causa ceratite (inflamação da córnea). Após a entrada ela pode alcançar o nervo óptico, ascender até o SNC e causar meningoencefalite crônica. Jean Bessa – XXIV 45 Jean Bessa – XXIV 46 Jean Bessa – XXIV 47 BALANTIDÍASE Único protozoário ciliado patogênico ao ser humano → Balantidum coli FORMAS PARASITÁRIAS Trofozoíto: corpo recoberto com cílios e 2 núcleos (macro e micronúcleo). Cisto: Formato esférico, de parede lisa, com macronúcleo → Estrutura de resistência. HABITAT Intestino grosso. O balantídio é considerado invasor secundário, uma vez que não consegue penetrar mucosas íntegras Logo, precisa ter uma solução de continuidade (buraco) para ele conseguir entrar CICLO BIOLÓGICO Homem ingere alimento/ água contaminada > patógeno invade cólon desde que tenha alguma solução de continuidade > encistamento no inestino grosso > reprodução assexuada > homem defeca fezes com trofozoíto/ cisto > ciclo continua Nas fezes, podemos encontrar trofozoíto e cisto. Jean Bessa – XXIV 48 TRANSMISSÃO Oral-fecal. QUADRO CLÍNICO Sintomatologia semelhante à amebíase (diarreia, dor abdominal, meteorismo, anorexia e anorexia). Não há manifestações extra-abdominais. Jean Bessa – XXIV 49 PROTOZOOSES ENTÉRICAS OPORTUNISTAS Os filos responsáveis são o Apicomplexa e o Microspora. São protozoários entéricos oportunistas causadores de diarreias crônicas aquosas (porém podem comprometer outros órgãos), principalmente em indivíduos imunocomprometidos (doenças sugestivas de infecção por HIV). O diagnóstico é parasitológico (colorações acid-fast modificadas, como Kynouin e trocrômico) ou histopatológico, havendo, em alguns casos, testes sorológicos. O patógeno abriga no intestino delgado, mas o quadro clinico é de intestino grosso. Isso acontece porque o paciente imunocomprometido por HIV tem diminuição de tecido linfoide associada a mucosa, principalmente no intestino grosso, porque é nele onde há maior quantidade de GALT, devido à diminuição do GALT, a microbiota sofre Disbiose e gera essa diarreia de padrão de intestino grosso. Isosporíase/Isosporose: • Doença causada pelos protozoários coccídeos monóxenos Isospora belli e Isospora natalensis. • Habitat: intestino delgado e vesícula biliar (pacientes com SIDA). • Transmissão: oral-fecal. • Quadro clinico: - Mais grave em crianças e imunocomprometidos. - Caracteriza-se por diarreia aquosa crônica de longa duração, com desidratação e perda ponderal importante. • O humano infectado libera oocistos imaturos nas fezes, que contém esporoblastos, sendo que no ambiente de resistência ele amadurece formando o oocisto maduro infectante. O oocisto maduro (2 esporocistos com 4 esporozoítos cada) invade a mucosa intestinal e sofre multiplicação de maneira assexuada (merogonia ou esquizogonia) formando merozoítos, que dão origem aos gametas que fertilizam e originam o oocisto imaturo, que sai nas fezes reiniciando o ciclo. Jean Bessa – XXIV 50 Criptosporidiose: • Agente: protozoário coccídeo monóxeno Cryptosporidium hominis (C. parvum). • Habitat: microvilosidades das células epiteliais do trato gastrointestinal. • Transmissão: oral-fecal. • Quadro clinico: semelhante à isosporíase em crianças e imunocomprometidos • O oocisto possui 1 esporocisto contendo 4 esporozoítos dentro. Ele é eliminado pelas fezes e infecta o ambiente, principalmente água, a qual é ingerida pelo indivíduo. O oocisto libera os esporozoítos que infectam a célula intestinal, sendo que o esporozoíto dá origem ao trofozoíto, que se multiplica por reprodução assexuada, formando o meronte tipo 1 que libera os merozoítos. O merozoíto se transforma em meronte tipo 2 que origina os gametas, se fecundam e originam o oocisto, reiniciando o ciclo. - A reprodução forma 2 oocistos: o oocisto de parede espessa (forma lançada pelas fezes) e o oocisto de parede fina (associado a autoinfecção). Jean Bessa – XXIV 51 Ciclosporíase: • Doença causada pelo protozoário coccídeo Cyclospora cayetanensis. • Habitat: intestino delgado (jejuno). • Transmissão: oral-fecal. • Quadro clínico: náusea, anorexia, diarreia aquosa e cólicas. • Depois de ingerido o oocisto sofre desencistamento, passa pelas reproduções gerando o oocisto, mas ele só vai completar sua maturação no meio ambiente. Ele infecta água e alimentos, nesse processo ele completa seu processo de maturação e forma o oocisto maduro (2 esporocistos com 4 esporozoítos cada). Jean Bessa – XXIV 52 Microsporidíase: • Doença causada por protozoários intracelulares obrigatórios do filo Microspora. • Transmissão: oral-fecal ou inalatória. • Os mais importantes assinalados na tabela são os gêneros Enterocytozoon e Encephalitozoon intestinalis. • A forma ingerida ou inalada é o esporo chega na célula epitelial e forma uma estrutura chamada de túbulo polar, o qual injeta um conteúdo no esporo chamado de esporoplasma. O esporoplasma sofre reprodução assexuada (esporogonia ou esquizogonia), dentro da célula intestinal essa reprodução pode ser no meio do citoplasma (Enterocytozoon bleneusi) ou pode acontecer dentro do vacúolo parasitóforo (Encephalitozoon intestinalis). As estruturas assexuadas fecundam formando os esporos, que são liberados pelas fezes Jean Bessa – XXIV 53 TRICOMONÍASE E FLAGELADOS NÃO PATOGÊNICOS Causada por um protozoário patogênico polimorfo, Trichomonas vaginalis, de formato elipsoide Formas parasitárias: apenas trofozoíta. ASPECTO MORFOLÓGICO CLÁSSICO: • 4 flagelos anteriores livres e desiguais. • Membrana ondulante. • Axóstilo. • Núcleo elipsoide anterior, com dupla membrana e nucléolo. CARACTERÍSTICAS GERAIS Metabolismo: anaeróbio facultativo. Habitat: trato genital feminino baixo e gênito-urinário masculino (próstata, vesículas seminais, bexiga e uretra). Transmissão: doença sexualmente transmissível (alguns casos de forma neonatal, transmitida durante o parto). CICLO BIOLÓGICO Jean Bessa – XXIV 54 PATOGÊNESE: • Aumento do pH vaginal com depleção de microbiota lactobacilar. • Presença de substâncias para aderência e citotoxicidade (adesinas, cisteina-proteinases, integrinas, glicosidades e CDFs – cell-detaching factor). QUADRO CLINICO: • Mulher: formas assintomáticas a agudas (vulvovaginite e colpite, com corrimento bolhoso e fétido, dispareunia, disuria e poliuria). • Homem: tradicionalmente assintomática, podendo ocorrer uretrite com corrimento leitoso ou purulento e ardência. COMPLICAÇÕES: • Gravidez: rotura prematura de membranas amnióticas e parto prematuro, baixo peso aonascer e morte neonatal. • Fertilidade: risco de doença inflamatória pélvica. • Risco para HIV: resposta imune celular e lesão hemorrágica de mucosa. OUTROS TRICOMONATÍDEOS HUMANOS: • Trichomonas tenax: não patogênico, habitando cavidade oral. • Trichomonas hominis: não patogênico (porém observado em fezes diarreicas), habitando o intestino grosso. • Trichomonas fecalis: apenas um relato de caso, sendo incerto se o homem é seu hospedeiro. FLAGELADOS NÃO PATOGÊNICOS: • Paciente com diarreia pode apresentar flagelados nas fezes, sendo que eles apresentam características diferentes da T. vaginalis. •Pentatrichomonas hominis possui 5 flagelos e sua transmissão é via oral-fecal. • Retortamonas intestinalis apresenta 2 flagelos, não possui axóstilo nem membrana ondulante, também de transmissão via oral-fecal. Além disso sofre encistamento. • Enteromonas hominis possui a forma de cisto, não tem membrana ondulante, axóstilo e possui núcleo elipsoide. Transmissão fecal- oral. • Chilomastix mesnili apresenta 3 flagelos evidentes e múltiplos nucleos, sem axostilo e membrana ondulante, também forma cistos. Transmissao fecal-oral. Jean Bessa – XXIV 55 FARMACOLOGIA PROTOZOOSES JEAN BESSA - XXIV Jean Bessa – XXIV 56 FARMACOS P/ MALÁRIA PARASITOLOGIA Dúvidas, anotações e dicas p/ prova : FÁRMACOS ANTIMALÁRICOS Nenhum fármaco mata os esporozoítos, ou seja, não é possível prevenir a infecção. Os fármacos podem evitar a sintomatologia causada pela forma eritrocitária. Nenhum fármaco antimalárico é eficaz contra todos os estágios hepáticos e eritrocitários do ciclo vital VIAS FISIOLÓGICAS DOS PLASMÓDIOS: • Metabolismo do grupo heme: cloroquina, quinina, mefloquina e artemisininas. • Transporte de elétrons: primaquina, atovaquona. • Inibidores da tradução de proteínas: doxiciclina, tetraciclina e clindamicina. • Metabolismo de folatos: sulfadoxina-pirimetamina e proguanil. Fármacos que atuam contra os estágios eritrocíticos → TTO interrompe os sintomas. Fármacos que atuam como gametocídas → TTO bloqueia a transmissão da doença Fármacos que atuam sobre os hipnozoítos → TTO evita recaídas tardias Fármacos que atuam sobre esporozoítos → TTO que cura → NÃO EXISTE! Jean Bessa – XXIV 57 CLOROQUINA Fármaco de escolha para o P. vivax, P. ovale e P. malariae. Na África, na Ásia e na América do Sul o P. falciparum já é resistente a esse fármaco. Eficaz contra os estágios sanguíneos (ciclo eritrocítico assexuado) → reduz os sintomas O plasmódio possui dificuldade na síntese de aa, então ele tenta usar aa da célula que está infectando, portanto, para conseguir esses aminoácidos ele quebra a Hb. Essa quebra é realizada dentro do vacúolo digestivo do plasmódio, que é altamente ácido. A Hb é quebrada e libera seus aa, os quais são bombeados pelo transportador de membrana. Porém, durante a quebra, ocorre também a liberação de ferriprotoporfirina IX, que é um produto tóxico para as membranas do parasita que é polimerizada pelo plasmódio pra formar um produto atóxico, que é a hemozoína. Mecanismo de ação: • A cloroquina é uma base fraca (sem carga em pH neutro), então quando ela se difunde para o vacúolo digestivo do plasmódio (bastante ácido), se torna protonada (fica carregada) e não consegue mais sair, dessa forma, ela se acumula no vacúolo (aprisionamento iônico). Com isso, ela impede a polimerização da ferriprotoporfirina IX • Se a ferriprotoporfirina IX não é polimerizada, ela se acumula no vacúolo e leva a lesão oxidativa na membrana do parasita, causando a sua morte. * No caso do P. falciparum, ele utiliza o transportador de membrana PfCRT (transportador responsável por fazer o efluxo dos aminoácidos) para fazer o efluxo do fármaco. Portanto, os níveis de cloroquina dentro do vacúolo ficam muito baixos, por conta disso, a cloroquina possui uma baixa eficácia contra as cepas de P. falciparum que são resistentes. Farmacocinética: • Boa absorção TGI – sequestro para fígado, baço, rins, pulmões, tecidos contendo melanina. • Ligação às proteínas plasmáticas (60%) e metabolismo via CYP hepáticas. • Meia-vida terminal 30-60 dias. • Maioria dos pacientes afebril (24-48 h) e exame de gota espessa negativa (48-72 h). • Atividade anti-inflamatória – doenças crônicas (AR, LES). - Devido ao acumulo em lisossomos. Porém, nesses casos, são administradas em doses maiores. • Possui alta afinidade pela melanina, sendo captada por tecidos como a retina, rica em grânulos de melanina, responsável por sua toxicidade ocular (retinotoxicidade e os depósitos corneanos). - Ocorre principalmente em dosagens acima de 250 mg. - Exposição solar aumenta o risco de retinopatia. - Deve-se realizar exame oftalmológico de rotina. Jean Bessa – XXIV 58 Eventos adversos: • Cardio: hipotensão, vasodilatação, arritmias e PCR • SNC: confusão, convulsões • Prurido (em pacientes negros – devido a afinidade pela melanina). • Pode exacerbar psoríase e porfirias cutâneas. • Altas doses: vômitos, retinopatia, hipotensão e confusão mental. • Pode ser administrado com alimentos para diminuir irritação gástrica. • Utilizada por pacientes com ideação suicida (hipotensão severa e morte). PRIMAQUINA Atua sobre a forma hepática da malária por P. vivax e P. ovale, além de ter ação gametocida. Esse fármaco atua nas mitocôndrias do plasmódio - cadeia de transporte de elétrons. Os humanos também possuem cadeias de transporte de elétrons, mas o fármaco atua em uma proteína (ubiquinona) que não está presente na cadeia de transporte de humanos A cadeia de transporte de elétrons não é muito importante para o plasmódio em questão de fonte de ATP, porque sua fonte de ATP é a glicólise. A cadeia de transporte nos plasmódios é importante porque ela atua como aceptora de elétrons para uma enzima (diidro-orotato desidrogenase – DHOD), que é uma enzima chave na produção de intermediários na via das pirimidinas, essencial para a replicação. A DHOD converte o diidro-orotato em orotato e, nessa conversão, a enzima que era oxidada se torna reduzida (recebeu e-). Ela precisa doar os e- que recebeu para voltar ao seu estágio oxidado e manter o ciclo para a síntese das pirimidinas. A doação é feita para uma molécula que está associada a cadeia de transporte de elétrons, que é a ubiquinona. Mecanismo de ação: • A primaquina é metabolizada via CYP 2D6 e origina o metabólito chamado de quinona. • A quinona interfere na ubiquinona, a qual perde a capacidade de receber elétrons da DHOD. • O ciclo da síntese de pirimidinas é interrompido Farmacocinética Eficaz contra hipnozoítos Mesmo que o esquema terapêutico seja seguido, alguns pacientes podem ter recidiva, porque polimorfismos na CYP2D6 leva a falha no tratamento. Possui meia vida curta, de 7h. Os esquemas terapêuticos seguem regimes de 7 e 14 dias. Toxicidade ao sistema hematopoiético: • Esse fármaco possui um potencial muito grande de causar hemólise, além de mete-mioglobinemia. • Ocorre principalmente em pacientes com deficiência da G6PD. Essa enzima é importante para a síntese da glutationa (antioxidante importante para manter as hemácias mais resistentes ao estresse oxidativo). Portanto, nesses indivíduos com deficiência, haverá níveis reduzidos de glutationa e as hemácias se tornam muito suscetíveis ao estresse oxidativo. • Não pode ser administrada durante a gestação – risco de hemólise acentuada no feto. • Não deve ser administrada em pacientes com tendência a granulocitopenia (LES, AR). TAFENOQUINA Os esquemas da primaquina apresentam baixa adesão, o que pode se relacionar com o desenvolvimento de resistência. Além dofato do fármaco estar muito associado a hemólise. Por isso, está sendo implementado o uso da tafenoquina, que possui mecanismo de ação semelhante. Vantagens do esquema com a tafenoquina: • Meia vida de eliminação longa (em torno de 16 dias) – no caso de hipnozoítos (principalmente de P. vivax) uma dose única ou regimes mais curtos (em torno de 3 dias) pode ser suficiente para a cura radical. • Se acumula em eritrócitos e estudos em animais relataram que ela possui uma alta distribuição para o fígado (local onde estão os hipnozoítos). Requer CYP2D6 para o metabolismo, para a formação do metabólito quinona. Jean Bessa – XXIV 59 Efeitos adversos: náuseas, desconforto abdominal, diarreia, alteração de transanimases e creatina. Ela também tem um potencial importante de causar hemólise em indivíduos com deficiência de G6PD. No caso desse fármaco, a realização do teste quantitativo de G6PD é obrigatória, porque ela possui meia vida longa. O mecanismo de ação é similar ao da primaquina, mas ainda são citados outros, como: • Formação de radicais tóxicos, como peroxido de hidrogênio e hidroxila. • Inibição da polimerização de hematina. ARTEMISININA Derivados: artesunato e o artemeter. A artemisinina original é insolúvel, portanto, só pode ser utilizada por VO. É a primeira opção para o tratamento de P. falciparum. Mecanismo de ação: • Envolve a ligação do fármaco ao ferro ou ao ferro ligado ao heme. • Após a ligação o fármaco se torna ativo e age como se fosse um radical livre. • O fármaco faz alquilação e causa lesão em várias proteínas do parasita → morte do parasita. Farmacocinética Possui baixa toxicidade para o paciente. De alguma forma, ainda desconhecida, eles conseguem se concentrar em eritrócitos infectados. Meia vida curta (1 - 11 h) → coadministrar c/ 2º agente c/ mecanismo de ação diferente e meia-vida longa Atuam no ciclo eritrocítico, tanto na parte assexuada, quanto nos gametócitos. Pontos relevantes • São antimaláricos potentes e de ação rápida. • Atividade gametocida. • Recomenda-se associar a outros fármacos como primeira escolha para P. falciparum. - Artemeter/lumefantrina ou artesunato/mefloquina. • Não deve ser usada em quimioprofilaxia (meia-vida curta) e deve ser administrado com alimentos. • Apesar da ausência de evidencias robustas para o uso de terapia combinada em gestantes no 1º trimestre e crianças abaixo de 6 meses de idade diminui a morbimortalidade quando comparado com a quinina. • Terapia combinada deve ser utilizada, quando necessário, ao longo de toda a gestação, incluindo o 1º trimestre (seguimento da mãe e monitorização do bebê). Efeitos adversos • Náuseas, êmese e diarreia. • São neurotóxicos e cardiotóxicos em altas doses. Terapia Combinada • Artemeter/Lumefantrina ou Artesunato/Mefloquina • Segurança e eficácia semelhantes. • Artesunato/Mefloquina → vantagem de ter apenas uma administração diária, maior meia-vida da mefloquina e com apresentação pediátrica (cp degrada na água). • A Primaquina deve ser administrada em dose única no 1º dia do tratamento, na dose de 0,5 mg/kg → eliminação de gametócitos maduros circulantes na periferia, bloqueando assim a transmissão para os vetores, interrompendo o ciclo da doença. LUMEFANTRINA É um esquizonticida sanguíneo de ação prolongada e lenta que atua nos estágios intra-eritrocíticos assexuados do plasmódio. Possui mecanismo de ação semelhante a cloroquina – impede a polimerização da protoporfirina IX Coartem® (artemeter + lumefantrina) é ativo contra o estágio sanguíneo do P. vivax, mas não é ativo contra hipnozoitas. Possui meia vida de eliminação de 26 dias e sua excreção é praticamente fecal. Jean Bessa – XXIV 60 MEFLOQUINA Eficaz contra P. falciparum. Possui meia vida de 14 a 24 dias. Mecanismo de ação similar a cloroquina. Efeitos adversos: • Anormalidades da condução cardíaca (incluindo bradicardia e arritmias) e efeitos neuropsiquiátricos (incluindo sonhos vívidos/pesadelos, insônia, ansiedade, depressão, alucinações, convulsçoes e, raramente, psicose). ESQUEMAS TERAPÊUTICOS TRATAMENTO DE MALÁRIA POR P. VIVAX OU P. OVALE Essas são as 2 espécies com hipnozoítos → portanto, podem ter recaídas Utiliza-se Cloroquina (forma sanguínea) + Primaquina (forma hepática) Cloroquina por 3 dias (1º dia: 10 mg/kg dia → 2º dia: 7,5 mg/kg/dia → 3º dia: 7,5 mg/kg/dia) Primaquina por 7 dias (todos os dias → 0,5 mg/kg/dia) Jean Bessa – XXIV 61 TRATAMENTO PARA GESTANTES COM MALÁRIA POR P. VIVAX OU P. OVALE Gestantes e crianças com menos de 6 meses de idade não podem usar primaquina. No caso de infecções por P. vivax ou P. ovale, as gestantes devem usar o tratamento com cloroquina por três dias e cloroquina profilática (5 mg/kg/dose) semanalmente até um mês de aleitamento, para prevenção de recaídas. TRATAMENTO EM CASO DE RECORRÊNCIA ENTRE 5 E 60 DIAS Nesses casos são utilizados os derivados da artemisinina. Caso o paciente volte a apresentar malária por P. vivax do Dia 5 (D4) ao Dia 60, após início de tratamento, pode ter havido falha tanto da cloroquina quanto da primaquina, ou de ambos. Nesses casos, o ideal é utilizar um novo esquema que seja mais eficaz. O tratamento recomendado é o uso de artemeter/lumefantrina (Tabela 4) ou artesunato/mefloquina (Tabela 5) durante três dias (opção em caso de falha da cloroquina), e primaquina (0,5 mg/kg/dia) por 14 dias Jean Bessa – XXIV 62 TRATAMENTO PARA PACIENTES COM DEFICIÊNCIA DA G6PD Idealmente esses pacientes deveriam ser testados antes do uso de primaquina ou tafenoquina, fato que só acontece com o uso da tafenoquina. No caso da primaquina, o paciente deve ser alertado sobre a possibilidade de algumas manifestações como urina escura, icterícia, pele e olhos amarelos, tontura ou falta de ar. Pacientes deficientes devem ser tratados com cautela. No caso de um paciente com atividade enzimática abaixo de 30%, o regime de primaquina com dose semanal por oito semanas (0,75 mg/kg/semana) é recomendado desde que realizado sob supervisão médica em áreas com acesso a cuidados de saúde terciários. A dose de primaquina ajustada por peso (0,75 mg/kg/dia) deve ser iniciada no D4 após o tratamento com cloroquina (D1 ao D3). Jean Bessa – XXIV 63 Tratamento em Casos de Infecção por P. malariae O tratamento se assemelha ao tratamento do P. vivax – apenas cloroquina por 3 dias – porém, sem a necessidade de uso da primaquina. Tratamento em Casos de Infecção por P. falciparum ACT – Terapia combinada com derivado de artemisina Jean Bessa – XXIV 64 Tratamento em Infecção por P. falciparum em Gestante Segue o mesmo que o normal, porém SEM a Primaquina Tratamento em Infecção Mista por P. falciparum + P. vivax Nesses casos deve ser administrado artesunato IV ou IM, no mínimo 24h até que seja possível VO Jean Bessa – XXIV 65 FARMACO PROTOZOO 01 PARASITOLOGIA TTO DE CHAGAS Utiliza-se 2 fármacos: Benzonidazol e Nifurtimox (São nitroimidazólicos). MECANISMO DE AÇÃO Esses 2 fármacos possuem 1 grupo nitro. Para que esse grupo nitro seja funcional, ele precisa ser reduzido (receber e-). Essa transferência de elétrons ocorre por meio de uma nitrorredutase mitocondrial Esse grupo nitro ativo, se torna um radical aniônico altamente reativo. A transferência desses e- para, por exemplo, o oxigênio, pode gerar outros radicias, como o superóxido, hidroxila e peróxido de hidrogênio Todos esses radicais lesionam as biomoléculas do parasita, como lesão de membrana, inativação enzimática e lesão do DNA → mecanismo que mata os parasitas Além disso inibem a tripanotiona redutase (enzima de defesa anti-oxidante do parasita) * A resistência ao fármaco foi vista em parasitas que possuemredução da nitrorredutase mitocondrial, dificultando a redução dos fármacos. ESCOLHA DO TTO Embora o Benzonidazol seja semelhante ao Nifurtimox, a 1º escolha deve ser o Benzonidazol, e o Nifurtimox seja usado em casos de tolerância ao primeiro. EFICÁCIA DO TTO • Fase aguda: eficácia > 90-80% • Fase crônica: eficácia ≈ 50% (Depende do perfil do paciente e manifestação/forma clínica) BENZONIDAZOL (BZ) Efeitos adversos: • TGI e pele: dermatite, edema periorbital, linfoadenopatia, dor muscular e febre • Artralgia • Polineuropatia periférica: parestesias e polineurite • SNC: Vertigem • Depressão da medula óssea (raro): neutropenia, agranulocitose e purpura trombocitopênica (Guia recomenda após 3 semanas de uso, fazer hemograma pra verificar) Interações medicamentosas • Não usar com álcool (fármaco inibe a aldeído desidrogenase → acúmulo de aldeído) = ressaca • Não usar com anticoagulantes (potencializa o efeito devido inibição do metabolismo enzimático) Contraindicações • Gestante em fase crônica: risco de transmissão congênita é baixo > não tratar • Gestante em forma aguda grave: preferir a partir do 2º tri de gestação NIFURTIMOX Efeitos adversos: • TGI • Reumatológicos • Dermatológicos Interações medicamentosas • Não usar com álcool (fármaco inibe a aldeído desidrogenase, gerando acúmulo de aldeído). Paciente pode ter uma manifestação parecida com ressaca. Jean Bessa – XXIV 66 RECOMENDAÇÕES TERAPÊUTICAS POSOLOGIA O Nifurtimox só é fornecido sob demanda em casos de resistência ou intolerância ao benzonidazol. Não há necessidade de realizar controle sorológico pós-tratamento como critério de cura. A fase do sono ocorre quando o parasita invade o sistema nervoso do homem (destruição do parênquima > rebaixa o nível de consciência). Jean Bessa – XXIV 67 TRATAMENTO DE LEISHMANIOSE ANTIMONIAL PENTAVALENTE - Emprega-se o Antimonial pentavalente (Glucantime), via EV ou IM. - Dose diária: 10-20mg/antimonio/kg/dia - Tempo de tratamento mínimo de 20 dias e máximo de 40 dias. - Usa-se anfotericina em caso de falha de tto com antimonio Mecanismo de ação: - Atuam, em especial, nos amastigotas - Concentram-se dentro dos macrófagos - Prodrug model: antimonio pentavalente precisa ser reduzido para a forma trivalente, que pode se complexar com proteínas dedos de zinco ou com tripanotiona (deixa o patógeno suscetível ao estresse oxidativo, culminando na apoptose). - Active Sb model: alguns artigos falam que o antimônio pentavalente já teria atividade e se complexaria com a DNA tipoisomerase ou biomoléculas com resíduos de ribose, também gerando apoptose. Efeitos adversos: - Artralgia, mialgia, anorexia, náuseas, vômitos, plenitude gástrica, epigastralgia, pirose, dor abdominal, pancreatite, prurido, febre, fraqueza - Cefaleia, tontura, palpitação, insônia, nervosismo, choque pirogênico, edema e insuficiência renal aguda - Arritmias fatais ou morte súbita raras mas principalmente em terapias longas e altas doses (PRINCIPAL EFEITO!) Contraindicações: - Atravessa barreira placentária e existem evidencias de teratogenicidade e embriotoxicidade em ratos > NÃO USAR EM GESTANTE - Não usar em cardiopata, nefropata e hepatopata - Não usar em pacientes que usem β-bloqueadores e droga antiarrítmica ANFOTERICINA B - Pode-se usar Anfotericina B em casos de falha terapêutica com o antimônio. - Usa 1-1,5 mg/kg/dia durante 21 dias. Mecanismos de ação: - Liga com ésteres da membrana plasmática da Leishmania - Forma poros na membrana dos parasitas -Para leishmania visceral: 1-1,5mg/kg/dia por 21 dias, ou 3mg/kg/dia por 10 dias. - A droga é tóxica e associada com severos efeitos colaterais, mas não promove resistência. - É um fármaco pouco hidrossolúvel → não tem para adminitração oral, mas tem várias formulações para EV (Desoxicolato de anfotericina B; Anforetiricina B lipossomal que é menos nefrotóxica). Efeitos adversos da Anfotericina: - Renais: Ocorre em praticamente todos os pacientes. A filtração glomerular diminui em 40%; Azotemia ocorre em 80% dos pacientes; São reversíveis quando droga usada nas doses recomendadas. Associa-se que esses efeitos estão relacionados com vasoconstrição. - Pulmonares: Desconforto respiratório, dispenia e cianose; - Febre e calafrios: São mais frequente 1-3 horas depois da aministração (Recomenda pré tratamento com antipiréticos 2 horas antes) - Diminuição da PA - Anemia normalmente normocitica e hipocromica devido diminuição da produção de eritropoetina. Regride lentamente após interromper tratamento. Interações medicamentosas: - Evitar tomar com outros fármacos nefrotóxicos (cisplatina, pentamidina, aminoglicosídeos e ciclosporina) - Evitar tomar com depressores de medula óssea Jean Bessa – XXIV 68 Contraindicação: - Insuficiência renal - Pacientes com hipersensibilidade à anfotericina B ou algum componente da formulação PENTAMIDINA - Aplicação IM ou EV - Para entrar na célula: captação seletiva por transportadores (purina P2) - Fármaco hidrofóbico de carga positiva que interage com várias moléculas negativas, gerando agregação ribossômica, inibição da síntese de DNA e proteínas - Administração EV causa hipotensão, taquicardia, cefaleia, pancreatite e nefrotoxicidade (25%) - Hipoglicemiante: Ação toxica sobre células beta do pâncreas - Administração IM: Pode ter abcessos estéreis Contraindicações: - Gestação - Aleitamento - Criança menor de 1 ano - Diabetes Mellitus - Intolerância à glicose - Insuficiência renal, hepática e cardíaca - Hipersensibilidade a componentes da formulação Recomendações terapêuticas – Forma localizada Jean Bessa – XXIV 69 Jean Bessa – XXIV 70 Recomendações terapêuticas – Forma disseminada Jean Bessa – XXIV 71 Recomendações terapêuticas – Forma cutânea difusa Recomendações terapêuticas – forma mucosa / mucocutânea Jean Bessa – XXIV 72 Recomendações terapêuticas – forma visceral - chagasi Jean Bessa – XXIV 73 FARMACO PROTOZOO 02 PARASITOLOGIA TTO DE GIARDÍASE, AMEBÍASE E TRICOMONÍASE Uso do Metronidazol (principal representante do grupo dos Nitromidazólicos). Possui grupo nitro, grande responsável pela ação do fármaco. Espectro de ação: Protozoários e bactérias anaeróbicas Mecanismo de ação: Se dá em relação ao metabolismo energético dos protozoários e bactérias anaeróbicos. O metabolismo desses organismos depende da descarboxilação do piruvato em acetil CoA, dependente da enzima PFOR (não existe em organismos aeróbicos). Nessa reação de descarboxilação, gera-se e- que são recebidos pela Ferredoxina, que fica reduzida. Para que as Ferredoxinas sejam renovadas e o ciclo continue, elas precisem doar esses e- recebidos da PFOR. Essa doação pode ser pra um aceptor biológico (sulfatos, carbamatos etc) ou para o Metronidazol. O Metronizadol inativo (pró-fármaco) recebe esses elétrons e fica reduzido e ativo. Com isso, o grupo nitro do metronidazol, fica muito aniônico e reativo, fazendo com que o fármaco atue, lesionando DNA e outras biomoléculas do microorganismo. METRONIDAZOL Eficaz na tricomoníase, amebíase giardíase (trofozoítos) Benzonidazol (também é nitromidazólico): Doença de Chagas Atividade antibacteriana contra cocos anaeróbicos, bacilos gram (-) anaeróbicos, bacilos gram (+) positivos formadores de esporos. Preparações para VO, IV, intravaginal e tópica. ½ vida: 8 horas < 20% do fármaco se liga a proteínas plasmáticas Penetra bem nos tecidos e líquidos corporais, secreções vaginais,líquido seminal, saliva, leite materno e líquido cefalorraquidiano e placenta. Metabolização hepática menor que 50% → alguns metabólitos ainda conseguem ter atividade. Eliminação pela urina de 75% (urina avermelhada; não confundir com hematúria). EFEITOS ADVERSOS DO METRONIDAZOL TGI: Vômito; Diarreia; Desconforto abdominal; Náuseas, boca seca, gosto metálico na boca Cefaleia, tontura, vertigem e fraqueza SNC (raro - descontinuar uso): Encefalopatia; Convulsões; Falta de coordenação. Inibição da ALDH: evitar uso de álcool durante o uso do fármaco e após 3 dias (acúmulo do metabólito cetaldeído; sensação de ressaca): Taquicardia; Ansiedade; Rubor facial; Hipotensão; Arritmia Neutropenia temporária Urina vermelha/ acastanhada em alguns pacientes CONTRAINDICAÇÕES DO METRONIDAZOL Usar com cautela em pacientes com doença ativa no SNC (neurotoxicidade) Evitar durante o 1º trimestre de gestação INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS DO METRONIDAZOL Cimetidina: Inibe metabolismo microssômico > níveis plasmáticos do metronidazol podem aumentar Pacientes com doença hepática Fenobarbital, Rifampicina, Prednisona > diminuem níveis plasmáticos do metronidazol METRONIDAZOL + AGENTE LUMINAL O metronidazol possui absorção muito alta no intestino, fazendo com que a quantidade de fármaco no lúmen seja baixa, diminuindo a chance de eliminar microorganismos (cistos) presentes no lúmen. Importante em amebíases invasivas. Um dos agentes luminais é a Paromomicina (aminoglicosídeo não absorvível). Mecanismo de ação: Ligação com a unidade 30S do ribossomo (inibe a síntese proteica) Jean Bessa – XXIV 74 TTO DE TOXOPLASMOSE Uso de análogos de PABA (sulfadiazina) e análogos de folatos (trimetroprima, MTX e primetamina) Mecanismo de ação: Os fármacos aqui utilizados atuam inibindo a ação do ácido fólico, análogos do folato, impedindo essas substâncias para a formação de DNA, RNA e AA. Os medicamentos contém um grupo SULFA (análogos do PABA) que contém uma estrutura análoga ao substrato fisiológico da enzima e atuam como inibidores enzimáticos. As SULFAS são sempre usadas em associação com outro fármaco para que a inibição aconteça em etapas sequenciais das vias, para que a ação seja bactericida e bacteriostática. SULFADIAZINA + PRIMETAMINA Sulfonamidas – análogas ao PABA Nas bactérias para síntese de proteínas, é necessária a cadeia enzimática a partir da PIRIMIDINA + PABA. Como os medicamentos são análogos ao PABA, eles vão entrar no lugar deles para impedir a ação de uma enzima chamada DHPS. Análogas aos folatos (Trimetiprin, Metotrexato, Primetamina) Há uma segunda etapa que ocorre tanto em bactérias como em seres humanos e mamíferos envolvendo os folatos. Mas a inibição por parte dos fármacos é em concentração mais baixa do que a necessária para impedir a enzima em mamíferos. Jean Bessa – XXIV 75 SULFADIAZINA Rápida absorção no intestino delgado Distribuição pela albumina, assim atravessa a BHE e BP. ½ vida: 10h. Rápida excreção renal. Biotransformação: Hepático: sulfas são acetiladas – os produtos acetilados não possuem atividade antimicrobiana, podem formar precipitação em pH neutro ou ácido e formar cristais na urina. Efeitos adversos: cristalúria: assegurar ingestão adequada de líquido (1200ml pelo menos) // hipersensibilidade // e anemia hemolítica: 0,05% Contraindicações: gestantes a termo pode causar kernicterus, pois deslocam a bilirrubina para forma indireta. Também não pode usar em RN. Isso pode causar icterícia. PRIMETAMINA Distribuição: ligada a proteínas plasmáticas Lentamente eliminada do plasma: meia vida entre 85 e 100h Metabolizada no fígado e excretada na urina. Efeitos adversos: anemia, mas responde bem ao tratamento com ácido folínico // realizar controle hematológico // teratogenicidade Interações medicamentosas: metotrexato: supressão da MO; e dapsona: agranulocitose Contraindicações: hipersensibilidade; anemia megaloblástica; 1º tri de gestação; gestantes com infec. Na gestação: Jean Bessa – XXIV 76 HELMINTOLOGIA JEAN BESSA - XXIV Jean Bessa – XXIV 77 HELMINTOLOGIA 01 PARASITOLOGIA Dúvidas, anotações e dicas p/ prova : TENÍASE / CISTICERCOSE TENÍASE Causa: ingestão de carne com larvas (canjiquinha) dos cestódeos: Taenia solium: tênia do porco ou solitária Taenia saginata: tênia de vaca que parasitam o intestino delgado humano. CISTCERCOSE Causa: ingestão de ovos de T. solium eliminados nas fezes de pcts (Cysticercus cellulosae). Não há cisticercose por T. saginata (C. bovis). ESTRUTURAS DE INTERESSE MÉDICO: Escólex: cabeça Proglotes: jovens, maduras e grávidas. Ovos: esféricos, pequenos, com casca protetora (embrióforo) e embrião hexacanto ou oncosfera. Cisticerco: forma larvária cística, contendo liquido claro e o escólex invaginado. Jean Bessa – XXIV 78 APRESENTA OS ESTÁGIOS: Vesicular Coloidal Granular Calcificado Racemoso ou botrióide QUADRO CLÍNICO: Teníase: sintomas de expoliação e de toxemia → causada pelo verme adulto. Cisticercose: depende da quantidade, tamanho, localização e estágio dos cisticercos, além da resposta imune do paciente. Neurológica: epilepsia, hipertensão intracraniana e sintomas psiquiátricos. Outros órgãos: músculos, coração, ocular e outros. DIAGNÓSTICO: Clínico-epidemiológico, Parasitológico de fezes (ovos) e Imagenológico (cisticercose e seus estágios) PROFILAXIA: Tratamento dos doentes Saneamento básico e não ingerir carne bovina ou suína crua ou malpassada PADRÃO DE ESCÓLEX Jean Bessa – XXIV 79 ESCÓLEX: T. solium apresenta acúleos (espinhos) PROGLOTES MADURAS: T. saginata apresenta proglotes terminais maiores PROGLOTES GRAVÍDICAS: T. solium com padrão dendrítico e T. saginata com padrão dicotômica Jean Bessa – XXIV 80 Ovo: esférico a arredondado com acúleos em seu interior e com embrião hexacanto ou oncosfera, além de uma casca espessa e radiada CICLO: Teníase: o verme adulto através de seu escólex se prende a parede intestinal, começa a se reproduzir formando proglótides gravídicas e essas proglótides junto com os ovos saem nas fezes e devido a falta de saneamento os animais ingerem esses ovos e neles se devenvolve os cisticercos no tecido muscular. O indivíduo se alimenta dessa carne crua ou malpassada que causa a teníase. Cisticercose: pode ser que o homem ingira o ovo ou proglótide fazendo com que no seu corpo se desenvolva o cisticerco, desenvolvendo a cisticercose principalmente a nível de SNC. Jean Bessa – XXIV 81 CISTICERCOS Jean Bessa – XXIV 82 EQUINOCOCOSE / HIDATIDOSE (HUMANO) Agente etiológico: larvas do cestódeo Echinococcus sp. Causam lesões císticas no homem, principalmente fígado, de forma acidental. Geralmente são de cães e infecta o homem de fora acidental. FORMAS PARASITÁRIAS: Verme adulto: cestódeo pequeno no intestino delgado de carnívoros Ovo: encontrado nas fezes APENAS dos carnívoros Cisto hidático: larva encistada em vísceras CISTO HIDÁTICO: Membrana adventícea: camada fibrosa externa, resultante da reação do hospedeiro. Membrana anista ou hialina: camada intermediária, constituída por proteínas e mucopolissacarídeos. Membrana germinativa ou prolígera: camada interna c/ vesículas prolíferas - brotamento. Ponta de seta: membrana germinativa Seta: membrana hialina Asterisco: membrana adventícia CICLO BIOLÓGICO: Homem como hospedeiro acidental O canídeo se alimenta de carne crua com cistoshidáticos e aí vai se desenvolver no intestino e liberar os ovos pelo meio. O ser humano se infecta ingerindo os ovos que vem das fezes dos animais. Geralmente surge em crianças. Transmissão: ingestão de ovos infectantes Dx: clínico e imagenológico Profilaxia: higiene + educação sexual. QUADRO CLÍNICO: Hepática: hepatite colestática. Pulmonar: dispneia progressiva, tosse produtiva, hidatidoptose (vermes pelo escarro). Cerebral: sintomas de rápida evolução e dependem da localização Óssea: osteomielite e abcesso ósseo. Anafilaxia e choque, com potencial fatal. Jean Bessa – XXIV 83 HIMENOLEPSÍASE Agente etiológico: cestódeo pequeno Hymenolepsis nana (ou H. diminuta → ciclo heteróxeno) APRESENTA DOIS CICLOS: Monoxeno: mais frequente, conferindo imunidade ativa específica → somente o homem Heteroxeno: parasita insetos (pulgas e coleópteros), que podem ser ingeridos acidentalmente, liberando larvas cisticercóides e podendo ocorrer autoinfecção e hiperinfecção. CICLO Os ovos ingeridos liberam as larvas cisticercoides que se desenvolvem em vermes adultos que ficam no intestino que geram ovos que podem ser liberados pelas fezes. Ciclo monoxeno → homem ingere agua e alimentos com esse ovo → imunidade específica. Ciclo heterógeno → insetos ingerem esses ovos que liberam larvas e aí os seres humanos acabem ingeridos acidentalmente esses besouros com as larvas. QUADRO CLÍNICO: Sintomas gerais: agitação e irritabilidade Sintomas TGI: dor abdominal e diarreia H. diminuta: pouca manifestação clínica DIAGNÓSTICO: Clínico e EPF H. diminuta com ovos ↑ que o da H. nana e não possuem filamentos polares PROFILAXIA: Tratar doentes Medidas de higiene CICLO DA H. DIMINUTA: Ingestão de besouros principalmente dos tenébrios que é o besouro da farinha. Desenvolvimento do verme no intestino delgado. Jean Bessa – XXIV 84 DIFILOBOTRÍASE / ESPARGANOSE Agente etiológico: cestódeo Diphyllobothrium latum → parasita o intestino delgado humano, eliminando ovos operculados, que saem pelas fezes. Associado ao hábito de ingerir carne de peixe crua: tênia do peixe. CICLO: Ovos liberam larvas ciliadas (coracídeo) que são ingeridas por crustáceos (Cyclops e Diaptomus), os primeiros hospedeiros intermediários. Ocorre transformação em procercóides, que são ingeridas, junto aos crustáceos por peixes: truta e salmão. As larvas fixam-se aos músculos, transformando-se em larvas pelrocercóides/esparganos. Consumo humano desses peixes que lavam o surgimento desses vermes no intestino delgado. Jean Bessa – XXIV 85 Transmissão: ingestão de carne crua de peixe, contendo esparganos. Quadro clínico: anemia botriocefálica (deficiência de B12) Profilaxia: não ingerir carne de peixe crua. HELMINTOSES COM CICLO PULMONAR LOSS E LOEFFLER – CICLO DE LOSS OU CICLO PULMONAR Só podemos dizer que há esse ciclo, se houver transformação ou maturação de larvas no parênquima Larvas da circulação mesentérica, atraídas pelas concentrações de O2, rompem capilares pulmonares e alojam-se nos espações alveolares. Após maturação, ascendem a árvore respiratória, carregadas pelos movimentos ciliares e são deglutidas. Pode haver hemoptise discreta mas a maioria das vezes é assintomática Pode ocorrer focos de consolidação que são migratórios. Vasos mesentéricos >> pulmão >> deglutição >> estômago >> intestino delgado. Síndrome de Loeffler: Geralmente brando e efêmero com eosinofilia importante: Manifestações pulmonárias secundárias ao ciclo pulmonar: Tosse seca Broncoespasmo, pode estar associado ao quadro de insuficiência respiratória aguda e sibilante. Hemoptise discreta Imagens radiológicas de infiltrados intersticiais múltiplos e migratórios Jean Bessa – XXIV 86 PRINCIPAIS HELMINTOSES COM CICLO PULMONAR E SEUS AGENTES: Ancilostomíase: Necator americanus Ancilostomíase: Ancylostoma duodenale Estrongiloidíase: Strongyloides stercoralis Ascaridíase: Ascaris lumbricoides PRINCIPAIS DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS: Toxocara canis: larva migran visceral e ocular que podem acometer o pulmão. Paragonimus westermani: paragonimíase com órgão-alvo sendo o pulmão. Há algumas outras doenças de helmintos que podem comprometer o pulmão de forma direta ou indireta, assim as síndromes por elas realizadas são chamas de Síndrome de Loeffler Símile (pois são similares os originais). Mas só pode ser chamada de Síndrome de Loeffler se houver ciclo no pulmão. ESTRONGILOIDÍASE Ag. Etiológico: Strongyloides stercoralis e Strongyloides fuelleborni HABITAT: Intestino delgado (duodeno e jejuno proximal) Fixam-se a mucosa (lábios) ou migram pela luz intestinal FORMAS PARASITÁRIAS Fêmea partenogênica parasita (ovovivípara) com esôfago filarióide (1,7 – 2,5 mm) Fêmea de vida livre ou estercoral com esôfago rabditoide (0.8 -1,2 mm) Macho de vida livre com esôfago rabditoide (0,7 mm) Ovos (50 µmm, ovais) de parede fina e transparente Larva rabditoide (0,2 – 0,3 mm) Larva filarióide, forma infectante (0,35 – 0,50 mm) Jean Bessa – XXIV 87 CICLO BIOLÓGICO Monoxênico indireto (sexuado / vida livre) Fêmea libera ovos com larvas rabditóides diploides (fêmeas vida livre) e haploides (macho vida livre) No solo, formas adultas dimórficas acasalam, gerando ovos triploides, com larvas rabditóides. Larvas rabditóides se transformam em filarióides infectantes (L3) no solo L3 penetra na pele ou na mucosa do hospedeiro (hetero ou primo-infecção) Monoxênico direto (partenogênico): Fêmea libera ovos com larvas rabditóides triploides Larvas rabditóides se transformam em filarióides infectantes (L3) no solo (hetero ou primo-infecção) ou na pele na região perineal (autoinfecção externa) A transformação em forma infectante pode ocorrer, ainda, na luz intestinal (autoinfecção interna), principalmente em imunodeprimidos Interno ao hospedeiro definitivo: Larvas L3, ao penetrarem, atingem a circulação venosa ou linfática, chegando aos pulmões. No pulmão, ocorrerá maturação da larva L4, que romperá o alvéolo e ascenderá a árvores brônquica, sendo então, deglutida. Ao chegar no habitat, transforma-se em forma adulta e inicia a expoliação e produção de ovos. ESTRONGILOIDÍASE DISSEMINADA Forma grave, ocorrendo por hiperinfestação, principalmente resultante da autoinfecção interna: Grupos de risco: deficiência de imunidade celular (uso crônico de corticoides, receptores de transplante renal, neoplasias hematológicas, SIDA). Alta mortalidade: dificuldade diagnóstica (sintomas inespecíficos, atraso diagnóstico) e terapêuticas limitadas. Jean Bessa – XXIV 88 QUADRO CLÍNICO Não é uma doença de notificação compulsória Orientação a indivíduos imunodeprimidos Avaliação criteriosa com quimioprofilaxia (tiabendazol) em pacientes que serão submetidos a terapia imunossupressora. ASCARIDÍASE Ag. Etiológico: Ascaris lumbricoides (lombriga) HABITAT: Intestino delgado (jejuno e íleo) Fixam-se à mucosa (lábios) ou migram pela luz intestinal - raramente rompe Não penetra na pele O tamanho dos exemplares adultos depende: Nº de parasitas albergados Estado nutricional do hospedeiro Tamanho: Macho: 20 - 30 cm, posteriormente encurvada Fêmea: 30 - 40 cm, posteriormente reto Ovos Tamanho: 50 µm. Característica distintiva: cápsula espessa em razão da membrana externa mamilonada (mucopolissacarídeos, quitina, proteínas e lipídeos) Ovos inférteis: citoplasma granuloso e membrana fina Jean Bessa – XXIV 89 CICLO O ovo sai pelas fezes (ovo fértil), o homem contrai a doença pela ingestão de água ou alimento contaminado com o ovo. O ovo eclode liberando uma larva no intestino delgado, a qual migra para os vasos e faz ciclo pulmonar.Ocorre maturação no pulmão. Ascende o trato respiratório, é deglutida e o verme adulto alcança regiões de jejuno e íleo onde faz espoliações no hospedeiro. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Larvas: síndrome de Loeffler Vermes adultos: Ação espoliadora Ação tóxica Ação mecânica: obstrução intestinal, Localização ectópica Diagnóstico: pesquisa de ovos em fezes Controle: saneamento básico, educação em saúde, tto dos doentes Jean Bessa – XXIV 90 ANCILOSTOMÍASE Ag etiológico: Ancylostoma duodenale (dentes) e Necator americanus (lâminas cortantes) Habitat: intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo) CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS: Ancylostoma: 8-18 mm (macho menor que fêmea) Necator: 5-11 mm (macho menor que fêmea) Ovos: 60 µm, ovais, sem característica distintiva, com membrana simples CICLO Os vermes por reprodução sexuada geram o ovo, que vai sair nas fezes. Ao eclodir dá origem à larva rabditóides, a qual se transforma em filarioide. Penetra a pele do paciente (lesão cutânea) e ganha a corrente sanguínea, chega até o pulmão, amadurece, migra e alcança o TGI onde adquire a forma adulta e começa a espoliar o hospedeiro MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Cutâneas - penetração das larvas Pulmonares - ciclo pulmonar larvário Gastrointestinal - espoliadora, mecânica e tóx. DIAGNÓSTICO: EPF (ovos) Coprocultura (determina gênero por larva L3) Provas sorológicas – não é rotina CONTROLE Saneamento básico Educação em saúde e tto dos doentes LARVA MIGRANS CUTÂNEA Infestação por larva de verme em hospedeiro não definitivo Ancylostoma braziliense Ancylostoma caninum Jean Bessa - XXIV ENTEROBÍASE Cursa com diarreia de padrão baixo Afeta a função do intestino grosso – diarreia aquosa; clínica de desidratação Pcte apresenta queixas anais Ag. Etiológico: Enterobius vermiculares (oxiúros) HABITAT: Macho e fêmeas: ceco e apêndice cecal Oviposição: região anal CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS: Macho: menor (5 mm), cauda recurvada Fêmea: maior (1 cm), cauda pontiaguda e longa Ovos: 50 µm com formato de letra D, com dupla membrana CICLO O ovo sai pelas fezes, contamina água e alimentos, e o homem ingere esses ovos que eclodem no intestino delgado e migram para o grosso, onde se transformam em adultos. Manifestações clínicas: prurido anal noturno Diagnóstico: teste da fita gomada (graham) Controle: higiene pessoal e ambiental (roupas de cama e quartos) // tto dos doentes. Jean Bessa – XXIV 92 TRICURÍASE Ag. Etiológico: Trichuris trichiura Habitat: intestino grosso CARAC. MORFOLÓGICAS: Vermes adultos: 3 a 5 cm, macho menor que a fêmea Ovos: 50-55 µm com formato elíptico, com tripla membrana e poros salientes em ambas as extremidades, preenchidos por material lipídicos CICLO Transmissão oral fecal. Ovo sai pelas fezes, contamina água e alimentos, o homem ingere, ovo eclode e as larvas vão pra o intestino grosso onde amadurecem e formam vermes adultos, reiniciando o ciclo Manifestações clínicas: inespecíficas – paciente pode ter prolapso de reto Diagnóstico: pesquisa do ovo nas fezes Controle: mesmo da ascaridíase Jean Bessa – XXIV 93 CAPILARÍASE Ag etiológico: Capillaria hepática (forma hepática) e Capilaria philippinensis Transmissão: ingestão de ovos em alimentos contaminados (decomposição de carcaças animais infectadas) ou em víscera contaminadas (forma hepática) ou ingestão de carne de peixe crua ou mal cozida (forma intestinal) Diagnóstico: Difícil (clínico e biópsia hepática ou achado de ovos em fezes) Jean Bessa – XXIV 94 HELMINTOLOGIA 02 PARASITOLOGIA Dúvidas, anotações e dicas p/ prova : ESQUISTOSSOMOSE CONCEITOS Platelmintos são vermes achatados com aspecto de fita e geralmente não apresentam proglotes (segmentação) Doença infecciosa causada por vermes trematódeos com dimorfismo sexual A fêmea é maior e o macho menor A fêmea tem uma “fenda” ventral – dobras das laterais do corpo, formando o canal ginecóforo que abriga o macho São parasitas de vasos sanguíneos TAXONOMIA: • Classe: Trematoda. • Família: Schistomatidae (subfamília Schistosomatinae). ESPÉCIES DE IMPORTÂNCIA MÉDICA: Espécie Doença Ovo Eliminação Molusco S. haematobium E. vesical (hematúria do Egito) Esporão terminal Urina Molusco Bulinus S. japonicum E. japônica (moléstia de Katayama) Esporão lateral rudim. Fezes Molusco Bulinus S. intercalatum E. intestinal Esporão terminal Fezes Molusco Bolinus S. mekongi E. cambojana Esporão lateral rudim. Fezes Molusco Neotricula S. mansoni E. intestinal Esporão lateral Fezes Molusco Biomphalaria ➔ O S. haematobium e o S. japonicum são de grande importância devido a comparação com o S. mansone tanto pela clínica como pelo diagnóstico FORMAS EVOLUTIVAS: • Vermes adultos. • Ovo: ovalado, sem opérculo, com espículo voltado para trás. • Miracídio: larva de forma cilíndrica, ciliada, que penetra o molusco (*cídio *cílios) → lento • Cercária: larva maior, com cauda bifurcada, que penetra o homem (*cária *calda) → rápido • Esporocisto: forma sacular, contendo células germinativas, encontradas no caramujo Jean Bessa – XXIV 95 CICLO BIOLÓGICO O ciclo das espécies é praticamente o mesmo, a diferença é no local em que o verme se desenvolve, se é nos vasos do sistema urinário ou nos vasos do TGI. Jean Bessa – XXIV 96 ESQUISTOSSOMOSE MANSÔNICA Transmissão: penetração ativa de cercarias em pele e mucosa oral, formando os esquistossômulos. Migração para o sistema porta: via sanguínea ou transtissular. Imunidade: • Resposta predominantemente Th2. • Anticorpos contra paramiosina (antígeno candidato à vacina). Espectro clínico: • Fase pré-postural → geralmente assintomática, pode ser discretamente expoliativa • Fase aguda toxêmica → diretamente proporcional à quantidade de vermes adultos e de esquistossômulos que o individuo desenvolve, além do nível de resposta Th2 que o individuo desenvolve. • Fase crônica: → Diarreia mucossanguinolenta ou hematúria macroscópica. → Hepatoesplenomegalia (fibrose de Symmers). → Síndrome de hipertensão portal. → Ascite. Achados clínicos de relevância: • Expoliação pelo verme adulto. • Dermatite cercariana – pior na reinfecção. • Reação ao ovo (principalmente hepática – fibrose de Symmers/peripileflebite granulomatosa). • Erosões intestinais, por vezes, com fibrose. • Ascite, esplenomegalia e circulações colaterais. É uma doença decorrente da resposta inflamatória granulomatosa contra os ovos vivos do parasita. O ovo tem uma membrana interna (envelope de von Lichtenberg) que produz antígenos solúveis dos ovos, que desencadeiam resposta imune humoral e celular. Há reação granulomatosa nas fases aguda e crônica, ocorrendo imunomodulação mediada pela IL-10 (ausência de imunomodulação nas formas graves). Jean Bessa – XXIV 97 Jean Bessa – XXIV 98 Diagnóstico: • Clínico epidemiológico. • EPF ou de raspado anal. • Intradermoreação e provas sorológicas. Profilaxia: • Tratamento dos doentes e uso de cercaricidas tópicos. • Melhoria das condições sanitárias. • Combate ao molusco. FASCIOLOSE Trematódeo parasita de canais biliares de ovinos e caprinos, podendo parasitar, o homem O verme adulto tem aspecto foliáceo (“baratinha do fígado”) e é hermafrodita, produzindo ovos operculados, eliminados pelas fezes. Hospedeiro intermediário: caramujos do gênero Lymnaea (l.columela e L. viatrix) CICLO 1. Ovos não embrionados são liberados nos ductos biliares e excretados nas fezes. 2. Os ovossão embrionados na água. 3. Os ovos liberam miracídios, que invadem um caramujo (hospedeiro intermediário). 4. No caramujo, os parasitas passam por vários estágios de desenvolvimento (esporocistos, rédias e cercárias). 5. As cercárias são liberadas do caracol e se encistam como metacercárias na vegetação aquática ou em outras superfícies. 6. A fasciolíase é adquirida pela ingestão de plantas, especialmente agrião, contendo metacercárias. 7. Após a ingestão, as metacercárias se encistam no duodeno. 8. Migram da parede intestinal pela cavidade peritoneal até o parênquima hepático e para os ductos biliares, onde se transformam em adultos. TRANSMISSÃO Ingestão de água ou verduras (agrião) contaminadas com metacercárias. QUADRO CLÍNICO: Hepatite necrotizante pela migração do verme adulto Coledococistite crônica e fibrosante e cirrose hepática pela lesão causada pelo verme adulto. Dx difícil: clínico-epidemiológico Jean Bessa – XXIV 99 PROFILAXIA Controle dos moluscos Isolamento de pastos úmidos e impedimento à disseminação geográfica Tratamento em massa do animais Proteção do homem PARAGONIMÍASE Doença causada pelo trematódeo Paragominus (8 espécies patogênicas, sendo a principal o P. westermani), com comprometimento predominantemente pulmonar. Não é autóctone no país, contudo apresenta semelhança clínica e imagenológica com a tuberculose, merecendo diagnóstico diferencial com esta entidade endêmica. CICLO 1. Os ovos operculados são eliminados no escarro ou nas fezes, liberando o miracídio em ambiente apropriado, que infecta o primeiro hospedeiro intermediário (molusco – Thiara) 2. No molusco, há desenvolvimento em esporocisto e, posteriormente, em rédias, que liberam as cercárias. 3. As cercárias serão ingeridas pelo segundo hospedeiro intermediário (caranguejo de água doce ou camarão de rio), onde se transformarão em metacercárias. TRANSMISSÃO: Ingestão de crustáceos contaminados com metacercárias QUADRO CLÍNICO Relacionado à infecção pulmonar pelo verme adulto, simulando, clinicamente, a TB (porém, sem comprometimento do estado geral) Pode ter comprometimento extrapulmonar (pleural) Jean Bessa – XXIV 100 DIAGNÓSTICO Clínico epidemiológico e imagenológico Parasitológico de escarro PROFILAXIA - Controle dos hospedeiro intermediários (difícil, devido à diversidade existente). - Não ingerir crustáceos crus ou malcozidos - Tratamento dos doentes CLONORQUÍASE Doença causada pelo trematódeo Clonorchis sinensis, que ocorre, endemicamente, no continente asiático (Coreia, China, Japão, Vietnã e Taiwan) O quadro clínico é bastante variável, representado, principalmente, por manifestações inflamatórias e/ou obstrutivas biliares (colangite, coledocolitíase, pancreatite e colangiocarcinoma). CICLO - Ovos operculados são liberados nas fezes e são ingeridos por um molusco intermediário. - A larva miracídio passa por vários estágios (Esporocisto, rédia e cercaria) e a larva cercaria deixa o molusco, penetrando em peixes de água doce, transformando-se em metacercárias. - A infecção humana ocorre pela ingestão de carne de peixe malcozida, onde a metacercária ascende pela ampola de Vater DIAGNÓSTICO: Clínico- epidemiológico e parasitológico de fezes. PROFILAXIA: - Controle dos hospedeiros intermediários - Não ingerir peixes crus ou malcozidos -Tratamento dos doentes Jean Bessa – XXIV 101 TOXOCARÍASE Agente etiológico: Toxocara canis (pincipalmente) O homem não é o hospedeiro definitivo, e portanto, a larva irá perecer, porém acaba migrando pelos órgãos, gerando manifestações clínicas O homem se infecta ingerindo água ou alimentos contaminados com ovos. Diagnóstico: difícil (clínico e encontro da larva) CICLO 1 O ciclo de vida do Toxocara canis normalmente envolve cães; seres humanos só são infectados acidentalmente. Os ovos não embrionados são eliminados nas fezes dos cães (hospedeiro definitivo). 2. No ambiente, os ovos são embrionados e tornam-se infectantes. 3. Depois que os ovos são ingeridos pelo cão, eclodem no intestino e liberam oncosferas, que penetram na parede intestinal. 4. Nos cães mais jovens, as larvas migram até o pulmão e árvore brônquica; as larvas são expelidas pela tosse, engolidas e devolvidas ao intestino delgado, onde amadurecem. Fêmeas adultas põem ovos no intestino delgado. Embora cães mais velhos possam ser infectados da mesma maneira, é mais provável que as larvas se encistem nos tecidos. 5. Os estágios encistadas são reativados nas fêmeas durante a fase final da gestação e infectam os filhotes por via transplacentária ou transmamária. 6. Como resultado, os vermes adultos se estabelecem no intestino delgado dos filhotes (importante fonte de contaminação ambiental). 7. O T. canis também pode ser transmitido pela ingestão de hospedeiros de transporte. Os ovos ingeridos por pequenos mamíferos (p. ex., coelhos) eclodem em larvas, que penetram na parede intestinal e migram para vários tecidos onde se encistam. 8. O ciclo de vida é concluído quando os cães ingerem esses hospedeiros, e as larvas se transformam em vermes adultos que põem ovos no intestino delgado. 9–10. Os humanos são hospedeiros acidentais que são infectados pela ingestão de ovos infectados em solo contaminado ou hospedeiros de transporte infectados. Após a ingestão por seres humanos, os ovos eclodem em larvas. 11. As larvas penetram a parede intestinal e circulam por vários tecidos (como fígado, coração, pulmão, cérebro, músculo e olhos). Jean Bessa – XXIV 102 TRIQUINELOSE Ag. Etiológico: Trichinella spiralis Habitat: músculo estriado esquelético (mialgia intensa) Transmissão: ocorre através da ingestão da larva encistada no músculo de mamíferos domésticos ou silvestres Diagnóstico: difícil (clinico epidemiológico e por biópsia muscular) CICLO LAGOQUILASCARÍASE Helmintose causada pelo nematódeo Lagochilascaris minor, com crescente ↑ da incidência no Brasil Sugere-se que o homem contraia a doença acidentalmente ao ingerir carne crua ou malcozida de roedores silvestres CARACTERÍSTICAS Principal manifestação clínica é uma úlcera cutânea, de aspecto abscedado O diagnóstico é parasitológico, com achado de ovos típicos (ligeiramente ovais em formato de “tampinha de garrafa”), de raspado e/ou secreção das lesões cutâneas. Diagnóstico diferencial: BLECTH: blastomicose sul- americana, leishmaniose cutânea, esporo tricose, cromoblasto micose, tuberculose, hanseníase e CA de pele. Jean Bessa – XXIV 103 ANGIOSTRONGILÍASE Helmintose emergente causada pelos nematódeos: - Angiostrongylus cantonensis (meningite eosinofílica asiática) - Angiostrongylus costaricencis (angioestrongiloidíase abdominal americana). Tropismo por vasos mesentéricos e hepáticos, causando vasculite eosinofílica e inflamação granulomatosa. – simula apendicite Diagnóstico: clínico epidemiológico e histopatológico CICLO Heteróxeno, com moluscos como hospedeiro intermediário (Achatina fulica) Contágio por ingestão de moluscos, alimentos contaminados pelas secreções e/ou crustáceos. SINGAMOSE Helmintose causada pelo nematódeo Syngamus laringeus, que parasita laringe e brônquios. Paciente c/ tosse crônica, com escarro sanguinolento, principalmente à noite A transmissão ocorre pela ingestão de ovos em alimentos ou no interior de artrópodes Ovos semelhantes aos do ancilostomídeos (mas com dupla membrana), eliminados pelas fezes. CICLO Fazem ciclo pulmonar, ascendem a via respiratória, mas ao invés de serem deglutidos para chegarem no TGI, ficam presosnas paredes das vias respiratórias altas. Dimorfismo sexual. Ovos no escarro ou deglutidos e expelido nas fezes. Recontaminação. Associado a galináceos. Jean Bessa – XXIV 104 INTRODUÇÃO ÀS FILARIOSES Ordem Spirulida Existem 9 espécies importantes, mas para o Brasil as mais importantes são: W. bancrofti, O, volvulus, M ozzardi e D. immitis A dirofilaríase é uma zoonose que pode, acidentalmente, infectar o hospedeiro humano. Ordem Spirulida - Nematelmintos delgados com dimorfismo sexual (fêmea > macho) - Microfilária: forma embrionária - Larva: estágio originado da microfilária (L3 é infectante) CICLO Ciclo comum a todas às filárias, exceto na Dracunculus medinesis – que ocorre por ingestão de água com crustáceos contaminados com a larva L3. A distinção das espécies baseia-se em características das microfilárias: - Aspecto da extremidade anterior e posterior - Distribuição dos núcleos - Presença / ausência de bainha cuticular (membrana delicada, identificável em algumas espécies) Jean Bessa – XXIV 105 FILARIOSES LINFÁTICAS Sinônimo: Elefantíase Ag. Etiológico: - Wuchereria bacrofti (exclusiva das ampericas) - Brugia sp ( b. malayi e B. timori). Habitat: vasos e gânglios linfáticos, principalmente de MMII, escroto, mamas e MMSS. CICLO Jean Bessa – XXIV 106 MICROFILÁRIA (WUCHERERIA BANCROFTI): - Presença de bainha - Cauda com núcleos irregulares, não atingindo extremidade - Apresenta periodicidade noturna no sangue periférico, que coincide com o horário preferencial de hematofagismo do inseto vetor - Durante o dia encontra-se em capilares profundos, principalmente pulmonares, a noite vai para o sangue periférico. - Vetor: inseto Culex quinquefasciatus - As manifestações clínicas dependem da ação do verme adulto e da resposta imune do hospedeiro: Ação mecânica: linfagiectasia e linforragia Ação inflamatória: linfagiadenite e fenômenos alérgicos (os vermes estimulam resposta Th2 e eosinofílica) - A gravidade das manifestações clínicas não se relaciona com a microfilaremia, tem mais relação com a resposta imunológica do indivíduo - Elefantíase - fase crônica: edema, inflamação e fibrose em partes moles, com hipertrofia da epiderme. FORMAS CLÍNICAS - Assintomática / doença subclínica (danos em vasos linfáticos e hematúria microscópica) - Manifestações agudas: linfagite retrógrada (membros), adenite e sintomas gerais (febre, mal restar etc) - Manifestações crônicas: linfedema (incluindo elefantíase), hidrocele, quilúria - Eosinofilia pulmonar tropical (rara) com sintomas semelhantes À asma atópica DIAGNÓSTICO - Clínico-epidemiológico - Pesquisa de microfilárias (principalmente em sangue periférico) - Pesquisa de vermes adultos (histopatológico) - Pesquisa de antígenos circulantes (Detecção de anticorpos não é sensível, com alta possibilidade de reação cruzada) - Diagnóstico molecular PROFILAXIA: - Evitar o contato com o inseto vetor MEDIDAS DE CONTROLE: - Combate ao inseto vetor - Tratamento dos doentes (inclui a correção das alterações provenientes do parasitismo) LOÍASE (LOA LOA) Filariose endêmica na África, manifestando-se por: - Angiodema episódico (tumores de Calabar) - Compretimento ocular - Vetor: inseto tabanídeos (mutuca), do gênero Chrysops ONCOCERCOSE Sinônimo: cegueira dos rios Ag. Etiológico: Onchoceca volvulus Inseto vetor: Simulídeos Habitat dos vermes adultos no hospedeiro: - tecido subcutâneo, formando oncocercomas (no local da picada do inseto vetor) ou desencadeando dermatites - olho (câmaras anterior e posterior) Micorfilárias encontradas em tecidos (histopatológicos); lembrando que estar não possuem bainha. Jean Bessa – XXIV 107 CICLO FORMAS CLÍNICAS - Oncocercomas (nódulos sbcutâneos fibróticos) - Dermatite oncocercosa (migração da microfilária) - Eczema pruriginoso - Liquenificação – espessamento da pele - Hipopigmentação e atrofia da pele - Linfangioadenite - Cegueira DIAGNÓSTICO - Clínico epidemiológico (incluindo exame oftalmológico) - Pesquisa de microfilárias em retalho cutâneo - Histopatológico - Incubação de retalho cutâneo em soro fisiológico - Teste de Mazzotti: - Reação cutânea alérgica após administração de dietilcarbamazina - Não realizar em indivíduos com parasitismo evidente – pode ser letal MANSONELOSE Filariose endêmica na região do Amazonas, principalmente em tribos indígenas Ag. Etiológico: Mansonella ozzardi (m. perstans e M. streptocerca não ocorrem no Brasil) Insetos vetores: - Simulídeos (Brasil): Simulium amazonicum - Ceratopogonídeos (América Central e Caribe): Culicoides sp Habitat do verme adulto: - Serosas (principalmente mesentério) - Tecido subcutâneo (principal diagnóstico diferencial com oncocercose) Jean Bessa – XXIV 108 Microfilária: - Encontradas no sangue - Sem periodicidade - Não possuem bainha CICLO DIROFILARÍASE Zoonose causada pelo filarídeo Dirofilaria immitus, que pode infectar, acidentalmente, humanos. Habitat do verme adulto: - Cães: coração (VD) e artéria pulmonar - Humanos: vermes imaturos e mortos em granulomas pulmonares necróticos (nódulo pulmonar solitário) Microfilárias encontradas no sangue, sem periodicidade CICLO Jean Bessa – XXIV 109 DRACUNCULOSE Filariose endêmica na África, manifestando-se por lesão vésico-bolhosa e úlcera cutânea, com exteriorização do parasita, ao entrar em contato com água. A transmissão não é por vetor e sim por ingestão de água CICLO Jean Bessa – XXIV 110 FARMACOLOGIA HELMINTOLOGIA Jean Bessa – XXIV 111 FARMACO HELMINTO 01 PARASITOLOGIA Dúvidas, anotações e dicas p/ prova : NICLOSAMIDA CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS É preferido para o tratamento das infecções intestinais porque não produz efeito quando coexiste a neurocisticercose subclínica Usado no tto de infecção por T. saginata, T. solium, Hymenolepis nana e Diphyllobothrium latum. Não tem atividade contra forma larval de T. solium (cisticerco): não ultrapassa a BHE MECANISMO DE AÇÃO: Atua na respiração e no metabolismo de carboidratos → inibe a fosforilação do ATP na mitocôndria do parasita. Dessa forma, interfere-se na produção de energia do parasita, que morre por inanição. CARACTERÍSTICAS GERAIS: Absorção insignificante no TGI Ação sob os escólex e os segmentos dos cestódeos, mas não para ovos. Risco em pacientes infectados com T. solium, porque como não age sobre os ovos, eles podem continuar no corpo e provocar uma neurocisticercose → recomenda-se administrar um laxante Pode ser adm para crianças e mulheres grávidas. Evitar ingestão de álcool – aumenta a absorção do fármaco → efeitos adversos Minimamente absorvido – não são encontrados fármaco ou metabólitos sangue e urina Reações adversas leves e transitórias TGI: náuseas, vômito, dor, diarreias, gosto desagradável na boca, irritação oral, constipação. SNC e SNP: sonolência, dor de cabeça, tontura. Após 2 a 3 horas da adm. do cp mastigável (500mg) recomenda-se o uso de laxantes Teníase: dose deverá ser repetida 1 a 2 semanas após a primeira administração da dose única Jean Bessa – XXIV 112 BENZIDAZÓLICOS O tratamento deve destruir cisticercos viáveis, e não cisticercos em degeneração ou mortos. O 1º usado era o praziquantel, mas piorava sintomas neurológicos (controlados com corticoesteroide) Descobriu-se então o benzimidazólicos: ação sobre parasitas gastrointestinais e alojados em tecidos Exemplos: tiabendazol, mebendazole albendazol MECANISMO DE AÇÃO: Inibição da polimerização dos microtúbulos por sua ligação à b-tubulina, com maior afinidade pela b-tubulina parasitária que pelo mesmo alvo em outros eucariotos. Inibição da fosforilação oxidativa; transporte de glicose. ➔ MEBENDAZOL Biodisponibilidade sistêmica baixa (20%) – baixa absorção e metabolismo rápido. Não causa efeitos adversos significativos (não gera metabólitos tóxicos) Embriotóxico e teratogênico. Uso: ascaridíase, tricuríase, ancilostomose, enteróbios, teníase... Esquema: 2x ao dia com cp de 100 mg por 3 dias ➔ ALBENDAZOL Absorção aumenta 5x na presença de alimentos Metabolizado em sulfóxido de Albendazol (metabólito ativo) Tem boa distribuição nos tecidos (cistos). Efeitos adversos brandos e transitórios no tto de curta duração: diarreia, náuseas, vômitos. Tto prolongado (hidatidose) – disfunção hepática com altos níveis de AST e ALT, icterícia (raros) Diminui a contagem de leucócitos Embriotóxico e teratogênico: não recomendado para gestante principalmente no 1º tri Superior ao mebendazol para tratar helmintos alojados em tecidos (cisticercose; hidatidose). Glicocorticoides: Inicia antes do albendazol e é mantido após alguns dias pra reduzir os efeitos colaterais resultados de reações inflamatórias aos cisticercos em processo de destruição ou já mortos. Os glicocorticoides aumentam os níveis plasmáticos do sulfóxido de albendazol (potente ação anti- helmíntica) – usados para limitar os efeitos inflamatórios. ➔ IVERMECTINA 1970 – Streptomyces avermitilis Imobiliza parasitas → paralisia tônica da musculatura Ativa canais de cloro controlados por glutamato (invertebrados) e os induzidos por GABA (helmintos) Cestódeos e trematódeos não tem receptores com afinidade pra Ivermectina Eficácia excelente → Strongyloides stercoralis; Ascaris lumbricoides, larva migrans cutânea. Eficaz contra microfilárias, mas não contra vermes adultos → W. bancrofti, B. malayi, L. loa. Tratamento preferido pra: Estrongiloidíase e Oncocercose (sem ser o verme adulto) // Ascaridíase // Enterobiose // Filariose linfática – dose única anual (ivermectina+ ABZ/ 200ug/Kg/400mg) // Larva migrans cutânea Dose: cálculo por peso com cp de 6 mg Farmacocinética: absorção oral rápida e elevada, ½ vida longa (57h) e metabolismo por CYP 3A4 Jean Bessa – XXIV 113 Efeitos adversos: - Não atravessa BHE, mas quando consegue (pct com meningite) → cefaleia, ataxia e coma - Evitar uso em pcts em uso de barbitúricos, benzodiazepínicos e ac Valproico (rGABA) - Reação de Mazzotti: respostas inflamatórias ou alérgicas às microfilárias morrendo ➔ NITAZOXANIDA (ANNITA) Descrito inicialmente (1974 - Jean Francois Rossignol- Pasteur Institute) – anti-helmíntico veterinário com atividade contra nematódeos, cestódeos, trematódeos. Atividade: Giardia lamblia, Entamoeba histolytica, Cryptosporidium parvum, Cyclospora cayetanensis, Trichomonas vaginalis, Vittaforma corneae, Encephalitozoon intestinalis, Isospora belli, Blastocystis hominis, Balantidium coli, Ascaris lumbricoides, Trichuris trichura, Taenia saginata, Hymenolepis nana, and Fasciola hepática e bactérias anaeróbicas e vírus. INDICAÇÕES: Gastroenterites virais provocadas por rotavírus e norovírus; Helmintíases provocadas por nematódeos, cestódeos e trematódeos, como: Enterobius vermicularis, Ascaris lumbricoides, Strongyloides stercolaris, Ancylostoma duodenale, Necator americanus, Trichuris trichiura, Taenia sp e Hymenolepis nana; Amebíase, para tratamento da diarreia por amebíase intestinal aguda ou disenteria amebiana causada pelo complexo Entamoeba histolytica/díspar; Giardíase, para tratamento da diarreia causada por Giardia lamblia/Giardia intestinalis; Criptosporidíase, para tratamento da diarreia causada por Cryptosporidium parvum; Blastocistose, balantidíase e isosporíase, causadas, respectivamente, por Blastocistis hominis, Balantidium coli e Isospora belli. FARMACOCINÉTICA: Antiparasitário de amplo espectro! Rapidamente hidrolisada em tizoxanida (metabólito ativo) plasma esterases Biodisponibilidade alta 99% ligado a proteínas (evitar coadministração com outros fármacos com elevada taxa de ligação proteica para evitar competição) Alimento aumenta absorção em 2x do fármaco 500 mg de 12/12 h por 3 dias MECANISMO DE AÇÃO: Ação inibitória direta sobre a PFOR – enzima essencial para o metabolismo energético em anaeróbios Inibição da síntese da estrutura viral Inibição da polimerização da tubulina Jean Bessa – XXIV 114 OUTROS MECANISMOS DE AÇÃO: Mecanismo de ação anti-helmíntico: parecido com os benzimidazólicos. Mecanismo de ação anti-protozoário e bactérias anaeróbicas: semelhante ao metronidazol NTZ – inibidor não competitivo da PFOR EFEITOS ADVERSOS: TGI: dor abdominal, diarreia e vômitos SN: dor de cabeça, tremores, insônia Urina e esperma esverdeados Hiperidrose Redução de apetite CONTRAINDICAÇÕES: Doença hepática, doença renal, gravidez e lactação Jean Bessa – XXIV 115 FARMACO HELMINTO 02 PARASITOLOGIA Dúvidas, anotações e dicas p/ prova : ESQUISTOSSOMOSE CARACTERÍSTICAS GERAIS Vide tutoria OU aula do Denis * Emerith diz ser 6 espécies, o Denis diz ser 5 espécies CICLO NATURAL Vide tutoria OU aula do Denis RESPOSTA IMUNE A DC captura o antígeno do parasita e apresentam ao lyn T aux (Th0) baseado no contexto de citocinas como IL4, IL10 e TGF-B Th0 secreta IL4 e se diferencia em perfil Th2 Th2 secreta IL5 → estimula medula óssea a produção de eosinófilos (que tem receptor pra IgE) Th2 secreta IL4 → estimula troca de classe pra IgE (que reveste o helminto) IgE + Eosinófilo → degranulação em cima do helminto Th2 secreta IL9 → ativa mastócito, basófilos → mediadores inflamatórios Th2 secreta IL13 → aumenta motilidade intestinal, produção de muco... Todas essas citocinas leva a diferenciação de macrófagos em M2 → inibe Th1 e Th17 PRAZIQUANTEL (PZQ) A suscetibilidade do esquistossomo ao PZQ depende do estagio de maturação → menos eficaz contra os parasitas jovens, precisando de 3 a 4 semanas de infecção pra terem maior sensibilidade O macho é mais sensível ao PZQ do que a fêmea Jean Bessa – XXIV 116 MECANISMO DE AÇÃO Ativação de uma variação de canal de Ca Beta → leva ao influxo de cálcio → aumenta motilidade → o parasita entra em paralisia espástica com isso ele se desprende do vaso e é eliminado Lesão tegumentar → modificações na superfície do parasita expondo novos antígenos que facilita o reconhecimento pelo sistema imune EFICÁCIA Eficaz contra cestódeos e trematódeos (exceto a Fasciola hepática) Cura em 70-95% dos casos e redução >85% na contagem de ovos A cura é dada por 3 EPF sequencias no 4º mês após o tto ESQUEMA DE TRATAMENTO VO, dose única, 50mg/kg (adulto) e 60mg/kg (criança) EFEITOS ADVERSOS Leves e transitórios Frequência e intensidade variada de acordo com a carga parasitaria Eosinofilia, desconforto abdominal, diarreia, cefaleia, tontura e sonolência Neurocisticercose → exposição de antígenos – convulsões, distúrbios mentais, pleocitose do LCR CONTRAINDICAÇÕES Cisticercose ocular (reaçaõ inflamatória) Doença hepática grave Não se recomenda uso durante a gestação INTERAÇÕES Carbamazepina e fenobarbital → diminui a biodisponibilidade pois são indutores enzimáticos Cimetidina → aumenta a biodisponibilidade pois são inibidores enzimaticos Dexametasona → diminui a biodisponibilidade OXAMNIQUINA Se comparado com a oxamniquina, tem-se efeitos adversos, toxicidade e eficácia semelhante, mesma facilidade de apresentação e custo mais baixo Usado na década de 70 a 90 Mecanismo de ação: desloca os vermes ao fígado, onde morrem - esquistossomicida Apresentação:Cap c/ 250 mg de sal ativo ou solução de 50 mg/ ml (pediátrico) Prescrição: dose única de 20 mg/kg (criança) e 15 mg/kg (adulto) – 1 hora pós-refeição – repousar por pelo menos 3 horas após administrar para prevenir aparecimento de náusea e tontura Efeito adverso: sonolência, tontura, alucinação e convulsão Jean Bessa – XXIV 117 FILARIOSE DIETILCARBAMAZINA (DEC) Filaricida mais amplamente usado Atividade comprovada contra microfilarias e vermes adultos de W. bancrofti, B. timori, B. malayi e Mansonella streptocerca, e apenas contra a microfilaria de Onchocera volvulus Significante açaõ contra microfilarias → reduz a densidade das formas circulantes Vermes adultos degenerados em linfonodos biopsiados de pacientes tratados com DEC Alvo primário no tto de filariose → eliminação de microfilárias → Ruptura de transmissão pro mosquito Composto insípido, inodoro e resistente ao calor (sal de cozinha enriquecido) Absorção: TGI; ½ vida de 2-10 h Excreção renal → alcalinização da urina diminui a excreção do fármaco Metabólito → DEC-N-óxido é ativo MECANISMO DE AÇÃO Efeito direto sobre as microfilarias → dano a organelas e indução de apoptose, perda da bainha Estimula resposta imune e inflamatória → mecanismos não definidos Mecanismo de ação contra vermes adultos não esclarecido → inibe a polimerização dos microtúbulos Em 4 minutos de injeção EV o nº de microfilarias diminui em 60% Após 4 h de tto, 21% da microfilarias apresentam células aderidas a sua superfície Metabolismo do AA nas microfilarias e nas células endoteliais do hospedeiro → bloqueio de produção de LTs, PGE2, PGI2, TXA2 → vasoconstrição → amplificação de adesão endotelial → imobilização do parasita circulante → aumenta a aderência e atividade citotóxica de células hospedeiras ESQUEMA TERAPÊUTICO Apresentação pelo SUS: cp 50 mg 6 mg/kg/dia por 12 dias → podendo se subdividir a dose diária em 3 Pós-refeição Tto em massa: DEC + ABZ ou Ivermectina Já foi acrescentado ao sal de cozinha para controle CONTRAINDICAÇÕES Crianças < 2 anos Gestantes Filariose + Onchocerca volvolus → Reação adversa → usa-se ivermectina Filariose + Ascaris lumbricoides → Ascaris errático → usa-se Albendazol HAS ou doença renal grave e Oncocercose (resposta exacerbada) EFEITOS ADVERSOS Anorexia; Náusea; Vômito; Dor abdominal; Cefaleia; Mialgia Reação de hipersensibilidade → decorrente da morte de microfilárias (reação de Mazzotti) = cefaleia, exantema, dor articular, dor abdominal, aumento do tamanho e na sensibilidade dos gânglios, inchaço, lesões na pele até urticaria e febre CURA É monitorado por meio de 10 mL de sangue venoso coletado no horário de pico de parasitemia (noturna) e analisado pela técnica de filtração em membrana de policarbonato nos períodos de 30 a 90 dias após o tto com a DEC Jean Bessa – XXIV 118 Já foi 1/3 do quinto dos infernos JEAN DE BESSA MELO – TURMA XXIV DE MEDICINA - UNIEVANGÉLICA