Prévia do material em texto
Auditor Interno da Qualidade Conselho Regional do SENAI-CE Roberto Proença de Macedo Presidente Alexandre Pereira Silva Ricard Pereira Silveira Francisco Túlio Filgueiras Colares Pedro Jacson Gonçalves de Figueiredo Delegados das Atividades Industriais Álvaro de Castro Correia Neto Paula Andréa Cavalcante da Frota Pedro Jorge Joffily Bezerra Geraldo Bastos Osterno Júnior Suplentes dos Delegados das Atividades Industriais Cláudio Ricardo Gomes de Lima Representante do Ministério da Educação Samuel Brasileiro Filho Suplente do Ministério da Educação Elisa Maria Gradvohl Bezerra Representante da Categoria Econômica da Pesca do Estado do Ceará Eduardo Camarço Filho Suplente da Categoria Econômica da Pesca do Estado do Ceará Francisco Assis Papito de Oliveira Representante do Ministério do Trabalho e Emprego Célia Romeiro de Sousa Suplente do Ministério do Trabalho e Emprego Francisco Antônio Ferreira da Silva Representante dos Trabalhadores da Indústria do Estado do Ceará Antônio Fernando Chaves de Lima Suplente dos Trabalhadores da Indústria do Estado do Ceará Departamento Regional do SENAI–CE Francisco das Chagas Magalhães Diretor Regional Sebastião Feitosa de Freitas Filho Gerente do Centro de Treinamento e Assistência às Empresas – CETAE Auditor Interno da Qualidade 4ª Ed. atualizada e ampliada Fortaleza – Ceará 2020 2011 SENAI – Departamento Regional do Ceará Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida, desde que citada a fonte. SENAI/CE Centro de Treinamento e Assistência às Empresas – CETAE Núcleo de Educação a Distância – EAD Este trabalho foi elaborado por uma equipe cujos nomes estão relacionados na folha de créditos. Ficha Catalográfica SENAI. CE. Centro de Treinamento e Assistência às Empresas. S474KHS Auditores internos da qualidade/ SENAI-CE, Centro de Treinamento e Assistência as Empresas. __ 3. ed. atual. rev. ampl.___Fortaleza: SENAI/CE/CETAE, 2011. 102p; il. 1 Auditor Interno da Qualidade 2 Auditoria da Qualidade I Título CDU 658.562 CETAE – CE Centro de Treinamento e Assistências às Empresas Rua. Júlio Pinto, 1873 Jacarecanga 60035-010 - Fortaleza-Ceará Fone: (85) 3421-5200 Fax: (85) 3421-5215 e-mail:cetae-nac@sfiec.org.br SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 6 2 INSTRUMENTO DA QUALIDADE .................................................................. 8 3 TERMOS E DEFINIÇÕES USUAIS .............................................................. 10 4 AUDITORIAS ................................................................................................ 12 4.1 Classificação das auditorias ................................................................ 12 4.1.1 Classificação por tipo ....................................................................... 12 4.1.2 Classificação por propósito .............................................................. 13 4.1.3 Classificação por escopo ................................................................. 14 4.2 Auditorias realizadas pelo organismo certificador (3ª parte) ........... 14 5 ATIVIDADES DE AUDITORIA ...................................................................... 16 5.1 Planejamento da auditoria ................................................................... 16 5.1.1 Definir objetivos, escopo e critérios de auditoria .............................. 17 5.1.2 Preparar plano de auditoria .............................................................. 18 5.1.3 Analisar criticamente documentos .................................................... 21 5.1.4 Preparar lista de verificação (Checklist) ........................................... 22 5.2 Condução da auditoria ......................................................................... 23 5.2.1 Reunião de abertura ......................................................................... 23 5.2.2 Coleta de evidências ........................................................................ 25 5.2.3 Reunião de encerramento ................................................................ 33 5.3 Relato da auditoria ................................................................................ 34 5.4 Acompanhamento da auditoria ........................................................... 36 6 PRINCÍPIOS DE AUDITORIA ....................................................................... 37 7 AUDITOR INTERNO ..................................................................................... 39 7.1 As responsabilidades ........................................................................... 39 7.2 Características ...................................................................................... 41 7.3 Ética profissional .................................................................................. 42 8 ATITUDES E COMPORTAMENTOS DO AUDITOR .................................... 45 8.1 O auditor-líder interno .......................................................................... 47 8.2 A Equipe ................................................................................................ 48 8.3 O auditado ............................................................................................. 49 8.4 Conflitos entre auditor e auditado ....................................................... 49 9 AVALIANDO O AUDITOR ............................................................................ 53 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 54 ANEXOS .......................................................................................................... 55 1 INTRODUÇÃO O Sistema de Gestão da Qualidade de uma empresa é um programa integrado de atividades introduzido pela direção por iniciativa própria ou como resultado da pressão do mercado ou dos seus clientes. Em qualquer desses casos, a direção deverá ter à disposição um mecanismo para determinar a efetividade do seu sistema atual e identificar áreas que necessitem ações corretivas ou melhorias. Esse mecanismo é a Auditoria. O que é um Sistema de Gestão da Qualidade? Serve para estabelecer políticas e objetivos, e para atingir estes objetivos, para dirigir e controlar uma organização, no que diz respeito à qualidade. (NBR ISO 9000:2005) Essa auditoria pode ser da própria empresa, de um fornecedor atual ou potencial, ou de uma organização independente. Os resultados fornecem, além de uma verificação da adequação ao programa existente, uma comparação para que as melhorias possam ser desenvolvidas, implantadas e avaliadas. Tipicamente as auditorias são feitas para: a) confirmar se os elementos do Sistema de Gestão da Qualidade; cumprem com o conjunto de requisitos preestabelecidos; b) cumprir com os requisitos regulamentares para que o auditado possa realizar melhorias no sistema; c) confirmar se o sistema atingiu os objetivos da qualidade planejados; d) que a empresa ou organização possa registrar o seu Sistema de Gestão da Qualidade junto a um organismo certificador; e) avaliar um fornecedor antes que os preparativos contratuais sejam feitos; f) confirmar se o Sistema de Gestão da Qualidade do fornecedor está instalado; g) garantir que o Sistema de Gestão da Qualidade foi implementado e continua a cumprir com as especificações estabelecidas; h) verificar como oSistema de Gestão da Qualidade acompanha os indicadores de melhoria contínua; i) atender aos requisitos da ISO 9001 Versão 2008 – Requisito 8.2.2. 8 2 INSTRUMENTO DA QUALIDADE Somente há pouco tempo, as empresas perceberam a importância da Auditoria como ferramenta de aperfeiçoamento, ou feedback, de um Sistema de Gestão da Qualidade. Nesse contexto, ainda encontramos diversas falhas para a sua realização, tanto em nível de planejamento, como de recursos humanos ou de relacionamento entre as partes. Mesmo que o Sistema da Qualidade esteja bem documentado em todos os seus níveis, nem sempre o pessoal responsável pela implantação e operacionalização desses programas é adequadamente treinado. Por essa razão, cada ação deve ser cuidadosamente planejada, com acompanhamento efetivo da implantação das ações corretivas e preventivas identificadas como necessárias. As auditorias fornecem elementos ao gerenciamento da empresa que permitem tomadas de decisões para minimizar problemas e, consequentemente, custos, contribuindo para a qualidade de seus produtos ou serviços. Para que os resultados esperados das auditorias sejam obtidos, é essencial a formação adequada dos auditores nas técnicas específicas. Além disso, esses auditores devem seguir princípios como: conduta ética, apresentação justa, devido cuidado profissional, independência e abordagem baseada em evidência. Não podemos nos esquecer que a auditoria verifica se as ações implementadas estão de acordo com as planejadas. A decisão acerca da efetividade dessas ações quanto ao atendimento dos objetivos não está a cargo do auditor, mas sim do grupo diretivo ou gerencial que recebe e avalia os relatórios da auditoria. Assim, auditoria é uma atividade de obtenção de informações realizada de maneira a avaliar a necessidade quanto a introdução de melhorias ou ações corretivas. Não é, portanto, um elemento de “caça as bruxas” utilizado para se apontar culpados por erros ou problemas. Esse esclarecimento é de extrema importância para os auditados, uma vez que atitudes defensivas são prejudiciais ao fluxo de informações. 9 Um auditor interno tem que investigar o Sistema de Gestão da Qualidade. Caso haja constatação de não-conformidade, deve prová-las, tanto em relação aos objetivos do sistema quanto às normas da qualidade aplicáveis; detectar áreas de ineficiência; falar com os empregados sobre o sistema; e determinar, em seguida, se há necessidade de algumas medidas corretivas. As auditorias internas são poderosas para o exercício da melhoria contínua, pois forçam a organização a verificar periodicamente, e de forma metódica, o seu desempenho, fornecendo subsídios para melhorias com base nas evidências detectadas. É por meio da auditoria interna que as empresas são capazes de avaliar a eficácia de seus Sistemas de Gestão da Qualidade e de fazer recomendações para o aperfeiçoamento contínuo. Essas auditorias podem ser de rotina, ou provocadas por mudanças significativas no Sistema de Gestão da Qualidade da organização, na qualidade do processo, produto ou serviço, ou pela necessidade de acompanhar uma ação corretiva. Além dos seus méritos próprios, a auditoria interna constitui um requisito obrigatório da norma NBR ISO 9001:2008 (Requisito 8.2.2.) e, como tal, é uma tarefa que tem de ser executada de acordo com o procedimento documentado. 10 3 TERMOS E DEFINIÇÕES USUAIS Serão apresentados a seguir alguns termos com suas devidas definições, relacionados com a qualidade, a auditoria, o exame e a conformidade, os quais foram baseados na NBR ISO 9000:2005. TERMOS DEFINIÇÕES AÇÃO CORRETIVA Ação tomada para eliminar a causa de uma não-conformidade identificada ou outra situação indesejada. AÇÃO PREVENTIVA Ação tomada para eliminar a causa de uma potencial não-conformidade ou outra situação potencialmente indesejada. AUDITOR Pessoa com atributos pessoais demonstrados e competência para conduzir uma auditoria. ANÁLISE CRÍTICA Atividade realizada para determinar a pertinência, adequação e eficácia do que está sendo examinado para alcançar os objetivos estabelecidos. AUDITORIA Processo sistemático, documentado e independente para obter evidência da auditoria e avaliá-la objetivamente a fim de determinar a extensão na qual os critérios de auditoria são atendidos. COMPETÊNCIA Atributos pessoais e capacidade demonstrados para aplicar conhecimentos e habilidades. CONFORMIDADE Atendimento a um requisito. CONSTATAÇÕES DA AUDITORIA Resultados da avaliação da evidência da auditoria coletada, comparada com os critérios de auditoria. NOTA: As constatações da auditoria podem indicar conformidade ou não-conformidade com os critérios de auditoria, ou oportunidades de melhoria. CRITÉRIOS DA AUDITORIA Conjunto de políticas, procedimentos ou requisitos. NOTA: Os critérios de auditoria são usados como uma referência contra os quais é comparada a evidência de auditoria. ENSAIO Determinação de uma ou mais características de acordo com um procedimento. ESCOPO DA AUDITORIA Extensão e limites de uma auditoria. NOTA: Inclui geralmente a descrição das locações físicas, unidades organizacionais, atividades de processos, bem como período de tempo coberto. EVIDÊNCIA OBJETIVA Dados que apoiam a existência ou veracidade de alguma coisa. NOTA: A evidência objetiva pode ser obtida da observação, medição, ensaio, ou outros meios. INSPEÇÃO Avaliação da conformidade pela observação e julgamento; acompanha, se necessário, de medições, ensaios ou comparação com padrões. 11 TERMOS DEFINIÇÕES NÃO-CONFORMIDADE Não atendimento a um requisito. PLANO DE AUDITORIA Descrição das atividades e providências para uma auditoria. PROGRAMA DE AUDITORIA Conjunto de uma ou mais auditorias planejadas para um período de tempo determinado e direcionadas a um propósito específico. NOTA: Um programa inclui todas as atividades necessárias para planejamento, organização e realização da auditoria. VERIFICAÇÃO Comprovação, por meio de fornecimento de evidência objetiva de que os requisitos especificados foram atendidos. 12 4 AUDITORIAS 4.1 Classificação das auditorias As auditorias podem ser classificadas quanto ao: 1. Tipo – define a relação da equipe de auditoria com a empresa; 2. Propósito – define o seu objetivo; 3. Escopo – define a sua abrangência. É importante observar que as várias classes de auditoria requerem diferentes níveis de experiência e conhecimentos por parte do grupo de auditores e, ainda, implicam diferentes níveis de custos gerados por recursos materiais e humanos, tanto por parte dos auditores quanto dos auditados. Veremos a seguir cada uma delas detalhadamente. 4.1.1 Classificação por tipo 1. Auditoria de Primeira Parte É uma auditoria interna em que a organização avalia seu próprio sistema para benefício da administração da organização. Pode ser executada por auditores internos ou contratados. 2. Auditoria de Segunda Parte É uma auditoria externa que pode ser feita por um cliente, que avalia a qualidade do sistema da organização; ou por uma organização, que avalia o sistema do seu fornecedor ou subcontratado. Pode ser realizada por auditores do cliente, junto aos fornecedores/ subcontratados por auditores da organização. 13 Observação: Em algumas cadeias produtivas, como nas montadoras, auditorias aos fornecedores são tão frequentes que elas já exigem de seus fornecedores de peças certificação, evitando a existência de uma equipe de auditores só para desempenhar essa tarefa. 3. Auditoria de Terceira Parte É uma auditoria externa realizada por um organismo independente à qual a organização se submete, com a finalidade de obter uma recomendação a certificação, prêmios de qualidade, etc. O auditor de terceira parte não tem interesse direto nos resultados da auditoria.4.1.2 Classificação por propósito 1. Auditoria de Adequação Determina a extensão na qual o sistema documentado representado pelo manual da qualidade e pelos procedimentos atende adequadamente aos requisitos da norma. É realizada por meio da comparação entre os documentos do sistema da qualidade e os requisitos da norma com o objetivo de verificar se o sistema está sólido e se a auditoria de conformidade tem probabilidade de ser bem- sucedida, assim como realizada para obter informações necessárias para planejar a auditoria. É também conhecida como: Auditoria do Sistema, Auditoria de Documentação, Auditoria de Escritório, Análise Crítica da Documentação. 2. Auditoria de Conformidade ou de Implementação Tem o objetivo de verificar, por intermédio de exame e avaliação de evidências objetivas, se os elementos do Sistema da Qualidade estão entendidos, implementados e percebidos pelas pessoas da organização. 14 3. Auditoria de Processo Avalia o cumprimento de instruções e procedimentos operacionais. São realizadas em processos de produção e inspeção. Dá ênfase aos recursos materiais (máquinas, equipamentos, etc.) e humanos (pessoal de execução e do controle da Qualidade) envolvidos na execução. 4. Auditoria de Produto/Projeto/Processo São examinados todos os sistemas utilizados na produção de um determinado produto ou em um dado serviço ou no desenvolvimento de um projeto. Neste caso, o objeto da auditoria não é a organização como um todo, mas pode ser somente uma linha de produtos ou um projeto em particular, com a finalidade de atender um determinado contrato. 4.1.3 Classificação por escopo 1. Auditoria Completa – abrange todas as funções e atividades pertinentes ao Sistema de Gestão da Qualidade; 2. Auditoria Parcial – Limita-se a determinada função, área, linha de produto ou atividade específica; 3. Auditoria de Acompanhamento ou “Follow Up” – Tem como finalidade verificar a implementação e a eficácia de ações corretivas e/ou preventivas previamente estabelecidas. 4.2 Auditorias realizadas pelo organismo certificador (3ª parte) Podem ser da seguinte forma as auditorias realizadas pelo organismo certificador: 15 a) inicial abrange todo o escopo de certificação na qual é avaliada a conformidade com os critérios de certificação para determinar se o sistema pode ser certificado; b) manutenção abrange somente partes selecionadas do sistema de gestão da qualidade, são periodicamente realizadas para determinar se a certificação pode ser mantida; c) recertificação abrange uma seleção apropriada de elementos do sistema de gestão da qualidade, pois normalmente se considera o histórico de informações das auditorias de manutenção. É sempre realizada no final do período de certificação para determinar se o certificado pode ser reemitido. Observação: Uma auditoria não é uma atividade com característica de fiscalização. Visa somente a melhoria contínua do sistema e não tem nenhuma pretensão de punir. Deve ser programada com antecedência e os auditados devem ser informados sobre a data e os requisitos. 16 5 ATIVIDADES DE AUDITORIA O Programa de Auditoria tem quatro fases: Planejar, Conduzir, Relatar e Acompanhar. Estas fases do Programa de Auditoria podem ser representadas pelo ciclo abaixo. Observação: Essa representação é uma orientação didática para facilitar o entendimento das atividades de auditoria e a interação entre as etapas do processo. Esse ciclo está baseado no método Ciclo PDCA, utilizado na norma NBR ISO 9001. Nos itens seguintes explicaremos cada atividade de auditoria. 5.1 Planejamento da auditoria Metade da batalha em qualquer atividade empresarial bem-sucedida é o planejamento apropriado. Da mesma forma, só com uma preparação Planejar Conduzir Relatar Acompanhar O Ciclo de Auditoria 17 completa é que um auditor pode efetuar um exame minucioso de uma área ou de um setor. Para a atividade de planejamento teremos que realizar quatro passos, os quais veremos a seguir. 5.1.1 Definir objetivos, escopo e critérios de auditoria Identificar o escopo e os objetivos da auditoria em questão: por que está sendo realizada, o que se espera obter com o resultado, etc. Para ajudar a identificar o escopo e os objetivos de uma auditoria, considere as perguntas seguintes: a) o que eu vou auditar? b) por que a auditoria está sendo feita? c) que áreas serão auditadas? d) que informações são necessárias? e) qual é o padrão relativo ao qual vou fazer a auditoria? f) onde a auditoria começa e termina? g) em termos gerais, o que se espera verificar ou descobrir com a auditoria? Observação: Outra estratégia para a identificação do escopo e dos objetivos de uma auditoria consiste em rever a documentação existente (como o Manual da Qualidade, procedimentos relatórios de auditorias anteriores, ações corretivas pendentes e informações sobre o produto). O Plano da Auditoria deve ser suficientemente flexível para permitir que sejam feitas alterações, dando ênfase às informações obtidas durante a auditoria Podemos citar como exemplo de objetivos da auditoria: a) determinação da extensão da conformidade do sistema de gestão do auditado, ou partes dele, com o critério de auditoria; 18 b) avaliação da capacidade do sistema de gestão para assegurar a concordância com requisitos estatutários, regulamentares e contratuais; c) avaliação da eficácia do sistema de gestão em atingir seus objetivos especificados; d) identificação de áreas do sistema de gestão para potencial melhoria. Em relação ao escopo, podemos entender a abrangência e os limites da auditoria em termos de locais, partes da organização a serem cobertas e produtos ou serviços cobertos pelo sistema auditado. O critério da auditoria é usado como referência contra a qual a conformidade é determinada. Podem ser normas, documentação do Sistema de Gestão da Qualidade, especificação contratual, leis e regulamentos e outros. 5.1.2 Preparar plano de auditoria Para a elaboração do plano de uma auditoria é necessário o conhecimento prévio de alguns instrumentos e características da organização, tais como: a) Manual da Qualidade com o organograma e a matriz de responsabilidades; b) Tipologia industrial e fluxograma do processo produtivo para saber o que a empresa produz, como produz e quais tipos de equipamentos estão sendo utilizados; c) Legislação e registros pertinentes – licenciamentos, regulamentos e normas aplicáveis ao processo produtivo e ao produto; d) Exigências específicas para a área a ser auditada; e) Relatório das auditorias anteriores ou de inspeções, quando houver. 19 Quando a equipe de auditores é externa à empresa e desconhece a sua atividade, torna-se necessário que essas informações sejam colhidas por meio de um questionário prévio ao planejamento da auditoria. O Plano de Auditoria também levará em conta certos fatores logísticos, incluindo: a) equipamento necessário: algumas áreas requerem capacetes, óculos de proteção ou outro equipamento de segurança? b) recursos adicionais: existe necessidade de mais pessoas ou tempo do que tinha sido originalmente determinado? c) instruções para os auditores: todos os auditores devem ser informados a respeito do plano da auditoria e devem ser fornecidas as informações de referência a respeito das suas áreas específicas de auditoria. Este Plano de Auditoria deve seguir o que determina o procedimento documentado referente às auditorias internas e recomenda-se conter: a) os objetivos, o critério e o escopo da auditoria; b) data, local e hora em que a auditoria deve ser executada; c) identificação dos setores a serem auditados; d) identificação dos membros da equipe auditora. e) a identificação das pessoas que têm responsabilidadedireta; f) indicação dos documentos de referência; g) tempo de duração previsto em cada atividade; h) programação das reuniões de abertura e de encerramento; i) critérios de confidencialidade; j) data prevista para distribuição do relatório. Independente das circunstâncias de uma determinada auditoria, o plano tem que considerar todos os requisitos da norma apropriada. Se a auditoria o exigir, o auditor irá verificar se todos os elementos da norma estão sendo aplicados na organização. Um Plano de Auditoria Interna deve considerar os seguintes aspectos: a) a auditoria é “ de adequação” ou “de conformidade”? 20 b) a direção da empresa tem um objetivo particular para a auditoria? c) a auditoria é uma consequência de queixas de clientes ou de problemas com os processos? d) existem não-conformidades repetitivas ou ações corretivas ineficazes a se avaliar? A equipe de auditoria interna normalmente é formada por funcionários da própria empresa e gerida por um auditor-líder. Para cada auditoria, os auditores e os auditores-líder devem ser selecionados de acordo com as seguintes considerações: a) qual o tamanho e a composição ideal para cada equipe? b) o auditor tem um bom conhecimento geral do padrão e dos critérios do Sistema da Qualidade relativamente aos quais a auditoria deverá ser executada? c) o auditor tem conhecimento dos requisitos regulamentares para quaisquer produtos ou serviços fornecidos pela organização? (Ex: normas técnicas específicas para a área de atuação da empresa?) d) é exigida alguma disciplina específica para a auditoria que requeira conhecimento técnico? (Para auditar um procedimento operacional da empresa, o auditor deve ter alguma qualificação específica na área ou estar acompanhado por alguém que lhe dê o suporte técnico). e) auditor possui noções de gerenciamento? f) auditor possui bons conhecimentos linguísticos? g) conhece o vocabulário técnico? h) existem conflitos de interesses potenciais a serem considerados? i) qual seria a melhor maneira de utilizar os talentos de cada membro da equipe de auditoria? Fatores importantes que podem afetar o calendário do plano de auditoria interna incluem, por exemplo, mudanças na organização, na direção, nas políticas, nos procedimentos, no próprio Sistema da Qualidade e na tecnologia. Contudo, todos os processos da empresa devem ser auditados pelo menos uma vez ao ano. 21 Recomenda-se que os auditados sejam comunicados da realização da auditoria. A notificação deve conter: a) a data da auditoria; b) setor a ser auditado; c) quem serão os auditores; d) documentos que serão auditados; e) horários; f) solicitação de um responsável para acompanhar a sua realização. Se o auditado estiver em desacordo com quaisquer disposições no Plano da Auditoria, a objeção deve ser comunicada imediatamente ao auditor- líder. Cabe a este e ao auditado e, se necessário, ao cliente resolver o problema antes de executar a auditoria. 5.1.3 Analisar criticamente documentos É preciso analisar criticamente os documentos da qualidade do setor a ser auditado para assegurar uma boa compreensão da função e das atividades que serão avaliadas. A documentação pode incluir documentos e registros pertinentes ao sistema de gestão, e relatórios de auditoria anteriores. A ISO 19011:2002 recomenda que a análise crítica leve em conta o tamanho, a natureza e a complexidade da organização, e os objetivos e escopo da auditoria. Em algumas situações, esta análise crítica pode ser adiada até começar as atividades no local, se isto não for prejudicial à eficácia da realização da auditoria. Em outras situações, uma visita preliminar ao local pode ser realizada para se adquirir uma adequada visão geral das informações disponíveis. 22 5.1.4 Preparar lista de verificação (Checklist) A empresa pode ter como anexo ao procedimento de auditoria interna um modelo de checklist para orientar o auditor. Porém, quando flexibilizado pela organização, também poderá desenvolver a sua própria lista com base nos documentos da empresa. Uma lista de verificação deve conter: a) referência ao padrão com base em que a auditoria é efetuada; b) os tópicos do padrão; c) os elementos que necessitam ser investigados; d) os itens específicos do elemento que necessitam ser tratados; e) uma seção de comentários. Os questionamentos de um checklist de auditoria são elaborados com base nos requisitos da NBR ISO 9001 e na documentação referente ao Sistema de Gestão da Qualidade da empresa. Para elaborar um questionamento, basta transformar um requisito da Norma ou de um documento do SGQ em pergunta, de preferência aberta, ou seja, aquela cuja resposta não é simplesmente “SIM” ou “NÃO”. Exemplo: Afirmação: Devem ser realizadas auditorias semestralmente na empresa. Pergunta: De que maneira você me garante que são realizadas auditorias semestrais na empresa? O auditado terá que comprovar a realização das auditorias com evidências objetivas. Durante o desenvolvimento de uma lista de verificação para uma auditoria, inicie com uma breve descrição do escopo da auditoria e desenvolva as áreas-tópico, cobrindo o escopo e separando-as em seções trabalháveis. Quanto mais perguntas você puder agrupar junto à questão “dentro do padrão”, mais fácil será executar a auditoria e menos tempo será necessário para o processo. 23 Lembre-se de que os tópicos podem ter vários elementos e, por sua vez, os elementos podem ter vários itens que precisam ser cobertos. Os auditores devem ser cuidadosos para não transformarem a lista de verificação em “muleta”. Durante a auditoria, observe a operação inteira para verificar se há conformidade, incluindo os itens que possam não estar indicados na lista. 5.2 Condução da auditoria A execução da auditoria, propriamente dita, começa com uma breve reunião de abertura com as pessoas que serão auditadas; seguida pela auditoria individual (coleta de evidências) em cada setor e de acordo com o programa e a comunicação encaminhada. Depois, é feita uma reunião entre os auditores para lavrar as não-conformidades. Finaliza com uma reunião de encerramento. Apresentamos, a seguir, um roteiro para a reunião de abertura que pode servir também como um checklist, evitando qualquer esquecimento indesejado. Preparar sua pauta de reunião e segui-la, vai lhe proporcionar a segurança de que nenhum passo foi esquecido. 5.2.1 Reunião de abertura Na reunião de abertura: a) agradeça a presença; b) apresente-se, se for desconhecido para alguém do grupo. Se houver outro auditor, ele também deve ser apresentado; 24 c) passe uma lista de presença na qual deverá constar o nome e a função de cada um dos presentes. Essa lista pode ser a mesma para a reunião de encerramento; d) diga qual será o escopo da auditoria e quais documentos serão analisados; e) explique qual é o critério da auditoria quanto à verificação da documentação e das atividades e que várias pessoas serão entrevistadas. Assegure-se de que elas foram avisadas; f) lembre que se trata de uma auditoria ao sistema e não às pessoas e que irá verificar a conformidade; g) esclareça o que é uma não-conformidade maior e menor e faça uma observação de que, caso ocorram, devem ser encaradas como oportunidades de melhoria; h) esclareça dúvidas, se houver. Algumas vezes, essa é uma oportunidade para remanejamento de horários agendados. O auditor deve ser flexível desde que não comprometa o resultado da auditoria; i) agende o dia e a hora da reunião de encerramento; j) esclareça que todos os auditados deverão também estar presentes na reunião de encerramento (isto não é obrigatório); k) encerre a reunião de abertura. Observação: No dia marcado para a auditoria, o auditor designado para o setor deve se apresentar aoauditado, de preferência com alguns minutos de antecedência. É fundamental um breve bate-papo antes da auditoria para descontrair os auditados, dar tempo para que todos cheguem, acomodem-se e façam as apresentações. Esse procedimento é necessário mesmo quando já forem colegas de trabalho. Para quebrar o gelo, fale de esportes, do tempo e, na hora marcada, comece o seu “discurso” da auditoria. 25 5.2.2 Coleta de evidências Na conclusão da reunião de abertura, o ritmo se acelera quando se dá início à parte central da auditoria. É neste ponto do processo que os auditores se encaminham às estações de trabalho de vários setores para observar as atividades da qualidade. Essa é a hora de coletar as evidências objetivas por meio das entrevistas, excursões a departamentos e áreas e inspeções de documentos, produtos, procedimentos, etc. A auditoria nos postos de trabalho é feita por meio de observações (visual e auditiva) e perguntas aos auditados. Lembre-se de tudo que você aprendeu até agora sobre o que é uma auditoria da qualidade, qual o papel e a postura do auditor, como o auditado deve estar se sentindo nesse momento, quais serão as suas prováveis reações etc. Esse momento exige muito tato. Estão descritas abaixo algumas dicas para esta fase do trabalho: 1. Pratique a empatia Você vai entrar em contato com muita gente – clientes, fornecedores e colegas de trabalho; vai andar em campos estranhos e desconhecidos, muitas vezes enfrentar uma linguagem nova, gírias incompreensíveis e sistemas e procedimentos envoltos em mistérios. Por isso você precisa saber que é natural os auditados se colocarem na defensiva e que você pode conseguir mais resultados se procurar conjugar esforços, visando resolver os problemas, em vez de mostrar superioridade ou aspecto severo do descobridor de erros. Os conflitos diretos ou discussões intransigentes durante a auditoria devem ser evitados. Nessa relação, deve-se praticar a empatia com os auditados, procurando se sentir no lugar deles. Isso o deixará mais descontraído e facilitará a obtenção das informações necessárias. 2. Dê preferência para se comunicar com o auditado na linguagem dele Isto significa compreender a terminologia usada. Por exemplo, caso você vá realizar uma auditoria em uma construtora, deve procurar conhecer os 26 termos usados na indústria da construção civil. Caso realize auditoria numa área técnica, cheia de termos específicos, convém que os auditores usem a linguagem inerente ao setor auditado. 3. Mantenha a confidencialidade Esse é um elemento importante do processo de auditoria. Deixe claro que será mantido o total sigilo das informações recebidas e transmita, de alguma forma, a segurança de que os empregados não serão prejudicados por fornecerem respostas honestas, que podem contribuir para a melhoria do processo. 4. Material de trabalho Durante o processo de auditoria, o auditor deverá ter em mãos, pelo menos, a lista de verificação, o Plano da Auditoria e as normas de referência. A documentação da Qualidade a ser verificada (Manual da Qualidade, Procedimentos e Registros) deve ser requerida no setor que está sendo auditado. Os formulários de registros das não-conformidades, como podem ser preenchidos posteriormente, não devem necessariamente fazer parte da documentação do auditor nesse momento. O auditor deverá neste momento avaliar, junto ao auditado, a documentação relacionada e a execução das atividades, atendendo à lista de verificação (checklist), sem se prender somente a ela, e registrando as não- conformidades encontradas e as observações pertinentes. A técnica mais usada para desenvolver uma auditoria é a do rastreamento (do final para o início do processo ou vice-versa). As evidências objetivas devem ser examinadas quanto ao atendimento aos requisitos especificados. Auditores não podem decidir sobre a interrupção de qualquer trabalho. Quando o processo a ser auditado requerer uma paralisação temporária, esta deve ser negociada com o responsável pela área. Também deve ser dedicada atenção especial: Às instalações: a) Qual é o seu estado de limpeza e arrumação geral? b) Os equipamentos são adequados, e qual seu estado geral? 27 c) Existem algumas alterações recentes que possam afetar negativamente os resultados da auditoria? Aos documentos: a) As datas são lógicas e coerentes? b) Existem rasuras injustificadas? c) A idade do papel e da tinta são compatíveis com a suposta idade do documento? Ao pessoal: a) Os empregados parecem esgotados ou cansados? b) Apresentam sinais de alcoolismo? c) Como eles reagem às suas perguntas? d) Eles conhecem e executam os procedimentos relativos a sua função? e) Estão usando os EPIs adequados (quando aplicável)? f) Estão organizados? g) Eles agem prontamente para tomar medidas a respeito de uma não- conformidade? h) Estão atentos e encorajados a apresentarem ações preventivas? Nem todas as observações citadas acima estão explícitas em normas ou procedimentos de qualidade. Não podemos, por exemplo, registrar uma não-conformidade baseada na evidência objetiva de cansaço ou sinais de alcoolismo do operário. Contudo, o conjunto das constatações sinaliza o clima da organização e o padrão das condições de trabalho, que certamente influenciarão no critério do auditor. Em empresas de vigilância armada, recomenda-se exigir testes periódicos de teor alcoólico dos seus funcionários. A realidade atual da Construção Civil não nos permite ter ainda esse nível de exigência. O sucesso de qualquer auditoria interna depende da boa comunicação, além da experiência, conhecimento tecnológico e educação. O 28 auditor deve ter uma boa comunicação para minimizar a lacuna de entendimento que, frequentemente, encontra-se entre a alta direção e os funcionários, e entre os departamentos. Isso fará com que o processo de coleta de análise de dados seja mais tranquilo e que as informações sejam compartilhadas pelo pessoal certo no momento adequado. A comunicação é definida como o processo de transmissão e recepção de mensagens, ideias, opiniões e informações. É algo que fazemos diariamente. Durante a comunicação em uma auditoria, deverão ser considerados os seguintes fatores: a) conhecer o seu público; b) manter a mensagem simples; c) certificar-se de que a mensagem foi entendida; d) considerar o local e os fatores de regulação do tempo; e) usar o método mais eficaz. Durante a comunicação, é de responsabilidade do emissor certificar-se de que o receptor realmente se importa com a mensagem para poder compreender, confirmar e tomar uma atitude em relação a ela. Durante uma auditoria, isso poderá ser feito de acordo com a maneira como a auditoria se relaciona especificamente com a área e a função do receptor. Às vezes, os resultados mais eficazes podem ser alcançados quando os auditores se colocam na posição do entrevistado e adaptam as suas perguntas às responsabilidades e ao nível de conhecimento do entrevistado. Durante a condução da entrevista, um auditor deverá evitar barreiras de comunicação a todo custo, pois elas podem dificultar ou obstruir o processo de auditoria interna. Veja alguns exemplos: resmungo, caligrafia ilegível, não ser um bom ouvinte, falta de interesse, oferecer sinais confusos, ideias preconceituosas contra aquele que ouve ou fala, distrações externas, etc. Lembre-se de que você está lá para coletar o maior número de informações em um curto período e a qualidade da informação que receber dependerá das perguntas que você fizer. Durante a entrevista em uma auditoria interna, perguntas diretas usadas pela imprensa jornalística – como: “quem”, “o quê”, “onde”, “quando”, “por quê” e “como” – funcionam muito bem. Isto porque elas forçam uma 29 resposta, mas nem sempre são suficientes para conduzir adequadamente umaauditoria. Combinando estas perguntas com as solicitações específicas, “mostre- me como”, “mostre-me onde” ou “mostre-me o que você faz”, estará garantida a obtenção de uma resposta completa. As perguntas sistemáticas também devem ser feitas. Elabore e faça perguntas de tal forma a induzi-los seguir a mesma sequência do trabalho em um departamento. Mantenha a lógica e não passe de um assunto a outro inesperadamente. Na capacitação como auditor, você precisa se tornar um mestre na arte de incitar respostas. Às vezes as pessoas precisam de um pequeno encorajamento antes de fornecer informações. Você poderá fazer isso da seguinte forma: Exemplos de possíveis situações Possíveis perguntas e considerações para cada exemplo apresentado Oferecendo aos entrevistados uma situação hipotética “Vamos supor que....” “O que aconteceria se...?” Pedindo explicações “Desculpe-me, mas não compreendi. Você poderia explicar novamente, por favor?” Mantendo o silêncio O silêncio é uma ferramenta poderosa. Após receber uma resposta breve, você pode fazer um aceno com a cabeça mantendo-se em silêncio por um momento. Essa atitude normalmente motiva o funcionário a oferecer mais informações. Fazendo uma pergunta óbvia ou tola. Essas perguntas fazem com que o funcionário se sinta especialista, munindo-o de confiança para discutir o procedimento ou processo. Isso também serve de lembrete para que o auditor não faça suposições. Responda uma pergunta ainda não feita Após examinar um procedimento, faça um comentário como: “Eu entendo, este procedimento é feito da seguinte forma...”. Se você estiver errado, o funcionário lhe informará. No máximo, você poderá obter informação adicional. No mínimo, você receberá a confirmação. 30 Procure ser objetivo e direto ao fazer as perguntas de forma que, em uma única pergunta, você obtenha a evidência buscada. Por exemplo: No requisito 4.2.3, item a da NBR ISO 9001 a pergunta sugerida é: Auditor pergunta – Vocês aprovam os documentos do Sistema da Qualidade antes de serem emitidos? Auditado responde – Sim. Para obter a evidência, o auditor terá que fazer mais uma pergunta. Evite este passo solicitando já na primeira pergunta: “mostre-me os registros de aprovação dos documentos do Sistema da Qualidade”. Durante a realização da auditoria, as perguntas devem ser formuladas de modo a levantar dados a respeito do item que está sendo auditado. Embora a informação obtida durante a entrevista seja uma parte importante da auditoria, ela deverá ser verificada por outras fontes, como observações físicas, testes, medições ou registros de suporte. Bons conselhos: a) entreviste a pessoa que realiza o trabalho ao invés do supervisor; b) não use um tom complacente com os funcionários; c) use a mesma “linguagem” da pessoa que está sendo entrevistada; d) fale de maneira clara e cuidadosa; e) utilize expressão corporal adequada a situação: bom contato visual, aceno de cabeça em sinal de compreensão, etc. Recomendação: Após o término da auditoria individual, é necessário e aconselhável que haja uma reunião entre os auditores, ou que o auditor (se não estiver em equipe) tenha um local reservado para lavrar as não-conformidades. Os auditores deverão se certificar de que o documento relatório de não-conformidade (RNC) esteja correto, conciso e de fácil leitura. Ele deverá ser numerado em sequência e entregue ao auditado juntamente com o aviso de recebimento. Deverá também ser elaborado de forma que auditor, auditado e funcionário possam compreendê-lo facilmente. Os formulários para relatórios de não-conformidade devem descrever: 31 a) a área (departamento, setor etc.) da não-conformidade; b) a data da auditoria; c) a observação dos fatos que se relacionam com a não- conformidade; d) a explicação da não-conformidade com base no padrão que está sendo auditado; e) referências adequadas para permitir a localização; f) data para a implementação das ações corretivas. O RNC deve ser assinado tanto pelo auditor quanto pelo chefe do setor auditado, que às vezes é o próprio auditado. Isso irá confirmar se o auditado está ciente sobre a não-conformidade e que ele concorda que serão tomadas ações corretivas. O RNC poderá ser assinado pelo representante da auditoria durante o exame ou durante a reunião de encerramento. O próprio RNC pode conter campos para determinação e verificação da ação corretiva. Nesse caso, deve conter também: a) providências imediatas a respeito da não-conformidade; b) investigação da causa; c) plano de ação para resolução da não-conformidade; d) verificação da efetividade das ações. Após o reconhecimento de que a não-conformidade foi discutida, o auditado deverá combinar uma data limite para o cumprimento da implementação das ações corretivas. Não são exigidos dos auditores internos que conduzam as medidas de acompanhamento, a menos que seja solicitado pela direção. Observação: Existem dois tipos de não-conformidade: de escala maior e de escala menor. Normalmente esta classificação é aplicada nas Auditorias Externas. As de escala maior podem ser causadas devido a falta de documentação ou a uma inconsistência na implementação do Sistema da Qualidade. Essas não-conformidades podem: 32 a) prejudicar as outras operações dentro da companhia; b) colocar em perigo a certificação; c) afetar gravemente a qualidade do produto ou serviço; d) colocar a empresa em risco de perder seus clientes. Alguns exemplos de não-conformidades de escala maior são: a) falta de procedimentos documentados para requisitos exigidos pela NBR ISO 9001; b) falta de registros das evidências que demonstrem a eliminação das deficiências do sistema; c) as mudanças de projetos que foram implementados sem passar primeiramente pelos canais de aprovação adequados. Quanto as não-conformidades de escala menor, as discrepâncias ou lapsos existentes dentro da documentação do Sistema da Qualidade são pequenas. Elas não afetam a qualidade do produto/ serviço, e a maior parte delas é de fácil e rápida solução. Abaixo apresentamos alguns exemplos: a) desenhos isolados marcados com modificações de projeto ainda não autorizadas; b) documentação insuficiente com relação à experiência de treinamento; c) exemplos isolados de equipamentos com certificado de calibração vencido; d) ações corretivas de não-conformidade menor ainda pendentes, como constam nos relatórios levantados em auditorias internas. Um grande número de não-conformidades menores, quando detectadas dentro de um mesmo requisito, pode constituir uma não- conformidade de escala maior. Elas podem refletir erros sistemáticos e afetar a qualidade devido ao volume. As não-conformidades são citadas quando o processo não cumpre com o Manual da Qualidade, ou com o padrão de qualidade no qual o Sistema da Qualidade da empresa está sendo baseado. As não-conformidades 33 tipicamente ocorrem quando os procedimentos escritos não foram implantados adequadamente. Elas podem também ser causadas pela falta de: a) estrutura da organização; b) educação e treinamento; c) informação/ comunicação; d) apoio da administração; e) recursos; f) implantação dos processos definidos. Uma vez que uma não-conformidade é encontrada, ela deve ser informada ao auditado. Devem ser explicados claramente quais os requisitos que estão sendo infringidos, registrando-os em um Relatório de Não- Conformidade e Ação Corretiva (RNC). 5.2.3 Reunião de encerramento Uma vez que o processo de auditoria tenha sido completado, uma reunião de encerramento deve ser realizada entre a direção e o grupo da auditoria. É de bom senso fazer que as pessoas responsáveis pelas operações das áreas em questão participem da reunião. Normalmente, são os mesmos que participaram e assinaram a lista de presença da reunião de abertura.Essa reunião deverá ocorrer no último dia da auditoria, conforme o plano inicial, antes que o relatório final seja preparado. Nessa reunião, as observações e os resultados da auditoria deverão ser transmitidos à alta direção de forma compreensível. Antes de fechar a reunião, o grupo da auditoria deverá discutir sobre as suas descobertas e organizá-las de forma lógica durante a reunião. Isso também ajudará o auditor- líder na elaboração do relatório da auditoria. O auditor-líder conduz a reunião de encerramento e deverá ressaltar as observações, esclarecendo a importância de cada uma delas. O roteiro para a reunião de encerramento deve prever: 34 a) agradecimento à alta direção e a todos os participantes pela cooperação; b) a assinatura de todos na lista de presença da reunião de encerramento; c) relembrar o escopo da auditoria; d) reafirmar o padrão dentro do qual a auditoria foi realizada; e) apresentar as não-conformidades e as observações encontradas; f) a apresentação resumida das descobertas de cada um dos auditores; g) responder às perguntas; h) agradecimentos finais. Após o encerramento, o auditor-líder deve programar uma reunião com os auditores para a elaboração do relatório final da auditoria. Na ocasião, cada auditor deverá revelar as irregularidades encontradas para serem avaliadas e discutidas pelo grupo. As não-conformidades são classificadas, e o relatório final é elaborado e encaminhado à alta direção. Os registros da reunião de encerramento deverão ser mantidos, incluindo as minutas e a folha de presença. Assim que receber o relatório da auditoria, o grupo da alta direção da empresa deverá revisar as irregularidades apontadas e implementar ações para o aperfeiçoamento do sistema. 5.3 Relato da auditoria O relatório final registra os resultados da auditoria e será a única evidência formal da presença dos auditores nas instalações do auditado. É o documento no qual a equipe de auditores, sob a coordenação do auditor-líder, apresenta as evidências de conformidade e não-conformidade. O relatório é um instrumento que poderá ser utilizado pelos administradores da empresa auditada para divulgar sua situação em relação as questões pertinentes. O escopo do relatório deve atender ao objetivo da 35 auditoria, e os tópicos deverão estar de acordo com o plano estabelecido, sendo recomendável a anuência das partes envolvidas para quaisquer modificações na elaboração do relatório, de forma que não haja surpresas para nenhuma das partes. Quaisquer discussões mantidas após a reunião de encerramento e anteriores a distribuição do relatório da auditoria, deverão ser tratadas pelo auditor-líder para evitar que determinações conflitantes cheguem até a direção. Não existe uma regra para a elaboração de um relatório de auditoria, porém é recomendável que apresente os tópicos essenciais, quais sejam: a) escopo e objetivo da auditoria; b) os itens específicos da auditoria; c) os nomes dos membros do grupo de auditoria; d) setor do auditado; e) as datas da auditoria; f) as áreas ou departamentos que receberam a auditoria; g) uma lista dos cargos e das pessoas entrevistadas; h) uma lista de documentos de referência dentro dos quais a auditoria foi conduzida (exemplo: Manual da Qualidade do auditado, padrão do sistema, procedimentos, instruções de trabalho, registros); i) as descobertas do grupo de auditoria; j) a avaliação do grupo de auditoria com relação ao nível do cumprimento do recebedor da auditoria com o padrão do Sistema da Qualidade apropriado e quaisquer outros requisitos aplicáveis; k) número total das não-conformidades encontradas, juntamente com uma descrição de cada irregularidade e quaisquer recomendações para que se obtenham as ações corretivas; l) a avaliação do grupo de auditores sobre a eficiência do Sistema de Gestão da Qualidade quanto ao cumprimento, à política e aos objetivos da qualidade especificados. Embora muitas empresas ofereçam um modelo formal para o relatório de auditoria, algumas deixam que o grupo de auditoria, sob a coordenação do auditor-líder, faça o seu próprio design. 36 Os relatórios de auditoria são sempre utilizados como pesquisa e como base para se iniciarem as ações preventivas ou corretivas pelo auditado, ou pela direção. Os resultados da auditoria oferecem evidência objetiva e orientação inequívoca em relação às mudanças e aperfeiçoamentos que possam ser necessários em um Sistema da Qualidade. Contanto que os resultados da auditoria sejam objetivos e imparciais, eles podem estimular e direcionar decisões sem preconceitos. Eles podem também influenciar a decisão de efetuar a auditoria de fornecedores externos. Os relatórios de auditoria podem também ser úteis na tomada de decisões financeiras rentáveis relacionadas a melhoria contínua. Sempre interessa a direção que os recursos da organização sejam utilizados da forma mais eficiente. Em se tratando da qualidade, a direção deve otimizar o custo em relação a Qualidade oferecida. As informações apresentadas no relatório devem auxiliar a direção na tomada de decisões para aprimorar a Qualidade da maneira mais rentável possível. Uma vez que o relatório da auditoria tiver sido entregue e aceito, o processo da auditoria será considerado completo. 5.4 Acompanhamento da auditoria Vencido o prazo da data limite para o cumprimento da implementação das ações corretivas, o líder da equipe auditora ou outro auditor designado deve conduzir as medidas de acompanhamento (follow-up), ou seja, analisar criticamente as evidências documentais coletadas a fim de verificar se a ação corretiva foi tomada, se é eficaz e se foi documentada e comunicada a todas as partes interessadas. O ciclo de auditoria só é concluído quando as ações identificadas forem satisfatoriamente realizadas e, além disso, possam ser consideradas eficazes. Cabe ao auditor designado verificar se ações corretivas são adequadas a não conformidade e se o prazo determinado é sensato para a conclusão das ações. 37 6 PRINCÍPIOS DE AUDITORIA A norma NBR ISO 19011:2002 traz no seu requisito 4 os princípios de auditoria que detalham bem as características. A auditoria é caracterizada pela confiança em alguns princípios, os quais fazem-na uma ferramenta eficaz e confiável em apoio a políticas de gestão e controles, fornecendo informações sobre as quais uma organização pode agir para melhorar seu desempenho. A aderência a estes princípios é um pré-requisito para se fornecer conclusões de auditoria que são relevantes e suficientes, e para permitir que auditores independentes cheguem a conclusões semelhantes em circunstâncias semelhantes. Os princípios seguintes estão relacionados a auditores. a) Conduta ética: o fundamento do profissionalismo Confiança, integridade, confidencialidade e discrição são essenciais para auditar. b) Apresentação justa: a obrigação de reportar com veracidade e exatidão Constatações, conclusões e relatórios refletem verdadeiramente e com precisão as atividades da auditoria. Obstáculos significativos encontrados durante a auditoria e opiniões divergentes não resolvidas entre a equipe de auditoria e o auditado são relatados. c) Devido cuidado profissional: aplicação de diligência (rapidez, presteza, esforço) e julgamento na auditoria É preciso praticar o cuidado necessário considerado a importância da tarefa que eles executam e a confiança colocada neles pelos clientes de auditoria e outras partes interessadas. Ter a competência necessária é um fator importante. 38 Outros princípios se relacionam à auditoria, que é por definição independente e sistemática. d) Independência: a base para a imparcialidade da auditoria e objetividade das conclusões de auditoria Auditores são independentes da atividade a ser auditada e são livres de tendênciae conflito de interesse. Auditores mantêm um estado de mente aberta ao longo do processo de auditoria para assegurar que as constatações e conclusões de auditoria serão baseadas somente nas evidências. e) Abordagem baseada em evidência: o método racional para alcançar conclusões de auditoria confiáveis e reproduzíveis em um processo sistemático de auditoria A evidência da auditoria é baseada nas amostras das informações disponíveis, uma vez que uma auditoria é realizada durante um período finito de tempo e com recursos finitos. O uso apropriado de amostragem está intimamente relacionado com a confiança que pode ser colocada nas conclusões de auditoria. Estes princípios orientam os demais requisitos da Norma NBR ISO 19011. 39 7 AUDITOR INTERNO 7.1 As responsabilidades O papel do auditor interno no contexto da implantação do Sistema da Qualidade é fundamental, pois, por intermédio da auditoria interna, podem ser observadas as conformidades do sistema e as oportunidades de melhoria. O auditor estabelece uma relação de ajuda, devendo atuar imparcialmente, cujo objetivo é a melhoria contínua do SGQ1. É com o auditor que começa a investigação do funcionamento de um Sistema da Qualidade. Por ser um avaliador e ter a missão específica de percorrer o Sistema da Qualidade e verificar as áreas de conformidade, pode encontrar áreas de não-conformidade. As auditorias são um instrumento de gestão para assegurar que o pessoal, os procedimentos e as instruções documentadas do Sistema da Qualidade estejam funcionando conforme o plano. Compete ao auditor: a) verificar, com competência, se os elementos do Sistema da Qualidade existem e foram adequadamente implementados; b) comunicar claramente os resultados da auditoria e não ultrapassar os limites do objetivo da auditoria. Os auditores internos devem: a) documentar todas as observações; b) comunicar as conclusões da auditoria; c) confirmar a eficácia das ações corretivas, caso solicitado; d) responder pelos documentos da auditoria; e) ser discretos a respeito de informações privilegiadas; f) ser objetivos e imparciais; g) reunir e examinar dados dos quais possam ser tiradas conclusões a respeito do Sistema da Qualidade; 40 h) comunicar quaisquer obstáculos importantes encontrados durante a realização da auditoria; i) estar atentos a quaisquer indícios ou provas que possam afetar as conclusões e dar origem potencial a auditorias mais amplas; j) agir de forma honesta e ética; k) familiarizar-se antecipadamente com o material do trabalho; l) conhecer o máximo possível sobre o auditado e seus processos; m) controlar a auditoria; n) ajudar em áreas em que haja um mal-entendido ou uma má compreensão; o) escutar o que o auditado está dizendo; ser um bom ouvinte; p) obter evidências objetivas; q) ser conciso: usar perguntas curtas que vão direto ao assunto. Ao realizar uma avaliação, os auditores devem ser capazes de responder a perguntas importantes como: a) o pessoal da área, setor auditado, conhece, compreende e usa os documentos e procedimentos que definem os elementos requeridos do Sistema da Qualidade? b) documentos, registros e outros dados usados para descrever o Sistema da Qualidade são eficazes para o alcance das metas de qualidade planejadas? c) os documentos e registros correspondem ao que está ocorrendo na prática? Como você pode ver, as responsabilidades do auditor são profundas e amplas. Portanto, antes de empreender uma auditoria, o auditor tem que avaliar os requisitos de cada trabalho à luz da sua capacidade de completar a tarefa. Um auditor deve ser entusiástico, imparcial e ter confiança nas suas aptidões. 1 Sistema de Gestão da Qualidade 41 7.2 Características Além da experiência e das aptidões pessoais, os traços pessoais são o que dão destaque aos auditores excepcionais. Durante o processo de auditoria, os auditores devem ser profissionais, independentes, objetivos e honestos. Isso é particularmente importante para os auditores internos, que muitas vezes têm conhecimento de informações confidenciais da empresa. Como auditor, você deve ser realista e compreender que o pessoal lhe dispensa o seu tempo e deve estar preparado para enfrentar sentimentos de ceticismo. Depende de você o estabelecimento de uma atmosfera de confiança e de comunicação franca. Enfatize o fato de que você está fazendo uma auditoria do sistema e não das pessoas. Um auditor também precisa lidar bem com a pressão e o estresse, reagindo sempre com maturidade e mantendo-se calmo em situações potencialmente explosivas. Trate as críticas com ponderação e respeite as diferenças de opinião sem, contudo, permitir que comprometam a avaliação da auditoria. Mais que qualquer outro obstáculo, o auditor “sofrerá” a experiência da rejeição pelos demais. Na maioria das vezes, esta rejeição resultará da pressa das pessoas e não do deliberado esforço para sabotar a auditoria. Tenha paciência e procure quebrar as resistências. Desde o contato inicial, o auditor deve estabelecer um relacionamento amigável e informativo, demonstrando calma, educação e esclarecendo qual a função a ser desempenhada. Demonstre ética e respeito ao se dirigir ao auditado, esforçando-se para desmistificar o paradigma “Auditor (agressor) X Auditado (agredido)”. Ao fazer juízo, fundamente a sua decisão nas provas e não em reações emotivas ou “palpites“. Em outras palavras, o auditor deve ser imparcial, evitando a influência de terceiros ou qualquer inclinação sentimental, a fim de não fornecer informações incompletas ou exagerar a realidade do fato. O auditor deve ter uma boa aparência, vestir-se de modo adequado ao local a ser auditado. 42 Um auditor deve ser capaz de analisar uma situação rapidamente e compreender operações complexas de um ponto de vista amplo, compreendendo, simultaneamente, o funcionamento minucioso de unidades individuais dentro da organização global. Não há um “jeito certo” para se realizar uma auditoria. Tudo depende da situação, do que se está tentando realizar e do problema a ser enfrentado. Aconselha-se, assim, ao auditor a flexibilidade de mudar, adaptar, recuar e avançar, dominar e ceder, dependendo de qual dessas atitudes, a seu ver, o conduzirá a suas metas. Um auditor deve ser: a) diplomático b) profissional c) assertivo d) comunicativo e) honesto f) indagador g) observador h) ativo i) imparcial 7.3 Ética profissional O exercício da auditoria interna está sujeito a princípios de ética profissional que o auditor tem o dever de observar, cumprir e fazer cumprir fielmente nas suas relações com a organização, com o público em geral, com os órgãos e as autoridades governamentais, com as entidades de classe e com seus colegas de profissão. Vejamos quais os postulados básicos da ética profissional dos auditores. 43 1. Atitude profissional O auditor deve concentrar suas atividades profissionais no exercício da auditoria, nela compreendida as funções que, por definição e tradição, lhe são atribuídas pelos usos reconhecidamente aceitos, abstendo-se de praticar atos ou participar, por qualquer forma, de outras atividades incompatíveis com seus postulados fundamentais. 2. Independência de atitudes e decisão Mesmo quando tiver vínculo empregatício com a organização para a qual presta serviços, o auditor atenderá aos princípios de ética e observará as normas técnicas e os padrões de auditoria, como norma de conduta profissional. No desempenho de suas atividades, o auditor agirá sempre com absoluta independência e não poderá, direta ou indiretamente, receber proventos ou recompensas de qualquer natureza de pessoas interessadasem seu trabalho, exceto seu salário e demais vantagens oficiais concedidas. 3. Intransferibilidade de função A qualificação do auditor é individual e intransferível e não se estende a seus subordinados. No exercício da atividade profissional, o auditor agirá em seu nome pessoal, assumindo inteira responsabilidade técnica pelos serviços de auditoria por prestados e, em nenhuma hipótese, permitirá que outra pessoa o faça em seu nome, salvo preposto de sua oficial indicação, igualmente qualificado, quando então responderá solidariamente pelos respectivos atos. 4. Integridade pessoal Praticará ato de descrédito à realização da auditoria o auditor que: 1. Omitir fato importante, dele conhecido, mas não evidenciado nos registros, cuja revelação seja necessária para evitar interpretações ou conclusões errôneas; 2. Dissimular ou deixar de relatar irregularidades, informações ou dados incorretos que estejam contidos nos registros e que sejam de seu conhecimento; 44 3. Negligenciar efeitos graves na execução de qualquer trabalho profissional e no seu respectivo relato; 4. Desprezar ou negligenciar a coleta de informações suficientes para elaborar e sustentar seus pronunciamentos, de forma a invalidar ou enfraquecer as eventuais dúvidas existentes; 5. Formular opiniões, fornecer informações ou documentos que não traduzam adequadamente a expressão do seu melhor juízo e que, de qualquer forma, ocultem ou desvirtuem os fatos, induzindo interpretações errôneas. O trabalho do auditor é restrito ao escopo do Sistema da Qualidade no que diz respeito aos Requisitos da NBR ISO 9001: 2000 e aos procedimentos e instruções do Sistema de Gestão da Qualidade estabelecidos pela empresa. Não confundir, portanto, com outros tipos de auditorias, tais como fiscal, contábil, tributária, trabalhista etc. 45 8 ATITUDES E COMPORTAMENTOS DO AUDITOR No processo de Auditoria tem o auditor-líder, a equipe auditora e o auditado. Durante o processo de auditoria, o auditor deve assumir uma determinada atitude para propiciar o alcance dos objetivos pretendidos. Da mesma forma, deve seguir alguns comportamentos preestabelecidos, de acordo com estudos e experiências anteriores. Assim, o auditor deve: a) imprimir um ritmo à auditoria, adaptando-se à capacidade do auditado; b) evitar ter ideias e opiniões preestabelecidas e fazer comparações. Os fatos devem prevalecer perante suas opiniões; c) evitar, em qualquer hipótese, entrar em discussão com os auditados e muito menos interferir na execução das atividades; d) evitar relacionar pessoas com não-conformidades ou com deficiências; e) mostrar respeito pelo profissional que está sendo auditado, pois o fato de ser um auditor não o coloca em posição superior. Em qualquer auditoria todos aprendem alguma coisa; f) evitar se mostrar impaciente ou aborrecido ao longo da auditoria, não importando o quão maçante ela possa ser; fornecer as explicações necessárias e importantes sem, contudo, comprometer o cumprimento do horário estabelecido; g) ser flexível quando necessário; h) fazer as perguntas, durante as entrevistas, de modo claro e preciso e estar certo de que elas foram entendidas pelo auditado; evitar usar linguagem muito técnica, de difícil entendimento; i) realizar as verificações sempre nos locais em que os trabalhos são desempenhados; j) comprovar pessoalmente as informações verbais recebidas; k) utilizar uma linguagem direta para a exposição das conclusões da auditoria; 46 l) estar seguro das suas conclusões antes de registrar uma não- conformidade; m) seguir a orientação do auditor-líder; n) direcionar as críticas, quando pertinentes, aos fatos e nunca às pessoas. LEMBRE-SE Prever, ao máximo, as situações possíveis. Só quem está bem preparado pode fazê-lo; Persuadir e não impor. Mostrar ao auditado os riscos da não- conformidade para o Sistema da Qualidade e, portanto, a necessidade de correções no sistema; Motivar as pessoas para a melhoria, mostrando ao auditado que a identificação de não-conformidades tem como objetivo proporcionar melhorias ao sistema e não punir; Manifestar-se baseado na ética e na confiança. Não analisar as pessoas e sim os fatos. Ser claro em suas explicações e não ter medo de falar a verdade; Buscar objetividade e obter dados reais. Evitar opiniões pessoais e só se basear em fatos que possam ser evidenciados (evidência objetiva); Evitar apresentar surpresas ao auditado, discutindo de imediato as não-conformidades encontradas, procurando esclarecer todos os pontos durante o processo de auditoria. Enfatizamos aqui que durante a realização de uma auditoria é essencial que o auditor se lembre de que não tem a missão de buscar defeitos. O papel é reunir provas objetivas para verificar se o Sistema da Qualidade da empresa foi ou não devidamente implantado e se está funcionando eficazmente. Pode-se levantar esse tipo de prova por meio de observações das atividades relacionadas com a qualidade dos produtos, dos registros e documentos, de entrevistas com o pessoal operacional, supervisores, chefes 47 de departamento e da consideração de questões anteriores relacionadas com a qualidade. 8.1 O auditor-líder interno O Sistema de Gestão da Qualidade cabe ao Auditor-Líder, que tem a responsabilidade final por todos os aspectos da auditoria e deve ser autorizado a ter a última palavra nas decisões relativas à forma como a auditoria será conduzida. Contudo, o auditor interno é quem irá definir o resultado das áreas por ele auditadas. O auditor-líder também deve ter experiência de gestão e capacidade de auditorias comprovadas. No contexto das auditorias internas, ele é o coordenador da equipe. O auditor-líder interno é responsável pela elaboração do plano de auditoria, pela escolha dos membros da equipe, pela representação da equipe de auditoria perante a direção do auditado e pela apresentação do relatório final. Compete igualmente ao auditor-líder: a) estabelecer os parâmetros de cada auditoria; b) cumprir as especificações apropriadas e os requisitos da norma, para a auditoria em questão; c) programar a auditoria, reunir documentos de trabalho e orientar a equipe de auditores; d) examinar a adequação dos documentos correlatos à auditoria; e) comunicar aos envolvidos a agenda da auditoria; f) notificar prontamente o auditado a respeito das não-conformidades graves; g) assinalar quaisquer obstáculos significativos descobertos durante a auditoria; h) comunicar os resultados da auditoria de modo claro e conciso, logo que possível; i) submeter o relatório final sobre a auditoria. 48 O auditor-líder trabalha em conjunto com a equipe de auditoria para garantir que os objetivos sejam atingidos. Em muitas organizações, o papel do auditor-líder é exercido pelo representante da direção. Qualificação do Auditor Interno O auditor interno deve ter recebido treinamento específico em auditoria, com ênfase na abordagem de processos e nos oito princípios da Qualidade. É recomendável possuir, no mínimo, 1 (um) ano de experiência na empresa. Caso a organização queira estabelecer outros critérios de qualificação mais adequados, é necessário incluí-los em seu procedimento de auditoria interna. 8.2 A Equipe A equipe é composta de funcionários com qualificação em auditoria interna e com as características apresentadas no capítulo 6 desta apostila. O tamanho e a estrutura da equipe variam de acordo com a dimensão da empresa. O número mínimo deve ser de dois participantes, já que o auditor não pode auditar o seu próprio trabalho. Para o dimensionamento da equipe, devem ser levados em consideração aspectos como: a) número total de funcionários; b) percentual de funcionários executando o mesmo tipo de trabalho. Quando há várias equipes ou pessoasseguindo o mesmo Procedimento da Qualidade, o número de auditores necessários tende a diminuir; c) número e distância das instalações; 49 d) rotatividade de pessoal. Empresas com alta rotatividade requerem mais frequência nos treinamentos e acompanhamento das auditorias. 8.3 O auditado Podemos dizer que a organização auditada é o auditado. Por exemplo, uma empresa que solicite uma auditoria de seu próprio sistema de qualidade, relativamente a uma norma, é um auditado, assim como um fornecedor cujo sistema de qualidade esteja sendo auditado por um cliente. Quando a auditoria interna é feita por profissionais que não têm ligação funcional com a empresa, a direção do auditado deve: a) explicar as metas e o objetivo da auditoria ao pessoal apropriado; b) selecionar as pessoas que vão servir de anfitriões ou guias dos membros da equipe de auditoria; c) ter todos os recursos à disposição da equipe de auditoria para que o processo funcione tranquilamente; d) assegurar que todas as instalações e materiais relevantes estejam acessíveis quando solicitados pelos auditores; e) trabalhar em conjunto com os auditores para que os objetivos da auditoria sejam alcançados; f) decidir quando e como devem ser executadas as ações corretivas. 8.4 Conflitos entre auditor e auditado A eficácia de uma auditoria depende, principalmente, de como as pessoas se apresentam e se comunicam entre si. Imagine o cérebro humano como um computador especial. Somos nós que o ligamos, selecionamos, filtramos e veiculamos as informações. É nossa 50 responsabilidade repassar dados confiáveis e com qualidade para aqueles que nos cercam. No Sistema da Qualidade as coisas funcionam da mesma maneira, envolvendo fortemente a comunicação. Auditor e auditado precisam buscar afinidades, livrando-se dos conflitos que geralmente são criados durante uma auditoria. Para a realização de uma boa auditoria, é necessário ficar atento, basicamente, ao que a norma solicita. Porém, a capacidade de ouvir, falar e conduzir uma auditoria depende da experiência técnica e da imagem que se projeta. Os diagnósticos variam de acordo com o comportamento, tanto dos auditores quanto dos auditados. Sentimentos de medo, tensão e, até, estresse são fatores que podem atrapalhar o desempenho de uma auditoria, podendo gerar resultados bastante negativos. Já o auditor externo, além de ser um profissional altamente preparado para exercer essa profissão, precisa, entre outras coisas, saber ouvir, falar e motivar o auditado. A capacidade de conduzir uma auditoria requer flexibilidade e boa constituição psicossomática, técnica e cultural. Todo auditor deve, apenas, avaliar se o sistema está ou não bem implementado. Esta é sua tarefa. O modo como auditor e auditado se relacionam é fundamental, pois se trata de uma situação diferente do dia-a-dia do funcionário. A empatia está atrelada a comunicação. Como é o auditor que “invade o território”, cabe a ele ser prudente em sua apresentação, não deixando em momento algum vestígios de dúvidas, insatisfação e má compreensão em relação às respostas do auditado. Os problemas de conflitos gerados durante uma auditoria podem deixar o auditado inseguro e tenso. É num momento como esse que o auditor deve ser perspicaz e ágil para não criar uma situação difícil entre ambos. Quando o auditor não se comportar devidamente, ele introduz um ruído na comunicação, e o auditado, ao perceber, fica constrangido. É comum, durante uma auditoria, que o auditado transpire, gagueje, questione demais o auditor (consumindo tempo para poder se proteger) e, até mesmo, apele para o humor. Há casos de auditados que nem comparecem no dia da auditoria. 51 Por outro lado, existe para o auditor o medo de perder o emprego ou, por uma questão social, sentir-se mal diante de seus colegas se algo de errado acontecer, ou achar que, por sua causa, a empresa não foi certificada. Por sua própria dinâmica, a auditoria é um campo propício ao surgimento de discordâncias que podem evoluir para o “lado pessoal”. Portanto, o mínimo que as partes devem fazer é tomar bastante cuidado para que as diferenças de opinião tomem esse rumo. Apesar de frequentes, os problemas de relacionamento entre auditor e auditado, geralmente, não são tratados com a seriedade e a importância devidas. Apresentaremos a seguir alguns dos motivos que normalmente causam problemas, com o objetivo de orientar os participantes a evitá-los ou, pelo menos, minimizá-los. 1. Problemas causados pelo auditor A melhor forma de entender o que estamos falando é se colocando na posição oposta ao causador dos problemas. Então, o que você sentiria sendo auditado por alguém que: a) não define ou entende bem o objeto da auditoria? b) não prepara bem a auditoria, em termos de conteúdo e desenvolvimento ao longo do tempo? c) não tem capacidade adequada para o trabalho de auditoria? d) não tem tempo suficiente para a condução da auditoria? 2. Problemas causados pelo auditado Embora não seja frequente nas auditorias internas, o auditor pode enfrentar obstruções a seu trabalho por parte da área ou do setor auditado. Caberá ao auditor, com tato, porém com firmeza, tomar atitudes necessárias para contornar essas dificuldades. Como no item anterior, vale a pergunta: o que você sentiria auditando alguém que: a) retardasse o início da auditoria? b) fizesse um longo discurso de boas vindas? c) alegasse a ausência de pessoas envolvidas? d) desse longas explicações para tudo? 52 e) desviasse a atenção para atividades, documentos ou pessoas que não atendam aos requisitos especificados? f) tratasse-o rispidamente com o intuito de intimidá-lo? g) levantasse dúvidas sobre sua competência? Existem algumas situações consideradas particulares durante uma auditoria para as quais você deverá estar preparado. Para tanto, reflita como se comportar diante de: a) informações espontâneas por parte dos auditados; b) conflitos políticos internos; c) divagações de ambas as partes; d) informações ocultas ou camufladas. Surgindo algum dos problemas mencionados, respire fundo e observe as seguintes recomendações: a) escute atentamente até o final – o interlocutor se valoriza e a objeção minimiza; b) transforme a objeção em questão – reduzindo o grau de dramatização da objeção e buscando a fundamentação; c) identifique a origem (causa) da objeção, ampliando o debate sobre o assunto; d) mantenha o equilíbrio emocional – o objetivo não é vencer, mas, sim, conhecer; e) seja conciso e claro – a argumentação junto ao auditado (resposta), se existir e for fundamentada, deve estabelecer um clima de transparência e objetividade. Para finalizar este capítulo, lembraremos a principal característica que o auditor deve possuir e que serve também para o auditado, já que o bom andamento dos trabalhos é de interesse geral: o bom senso. Sem ele não há, em qualquer área, quem faça um bom trabalho, crie boas relações e evolua na vida. 53 9 AVALIANDO O AUDITOR A organização, por intermédio do Representante da Direção, ou do responsável pelo Procedimento de Auditoria Interna ou mesmo de Auditores experientes, deve avaliar continuamente a atuação dos seus auditores e auditores-líder. Isso pode ser feito observando regularmente os membros da equipe de auditoria, os relatórios de avaliação ou usando outros métodos. Rastreando o desempenho de cada auditor, pode-se identificar seus pontos fortes e fracos. Isso permitirá selecionar os mais adequados para cada auditoria, ao mesmo tempo em que serão identificadas as necessidades de formação suplementar que ajudariam a elevar as aptidões ao nível desejado. Para assegurar um padrão uniforme nas auditorias do Sistema da Qualidade, a organização deverá estabelecer métodos para medir e comparar o desempenho de cadaauditor, de forma a alcançar um padrão uniforme entre eles. Por exemplo, se forem usados diferentes auditores para avaliar a mesma área sob as mesmas condições, então os seus relatórios sobre a auditoria devem apresentar resultados muito parecidos. Se não for assim, as suas necessidades de formação devem ser reexaminadas. Alguns métodos que poderão ser considerados para o alcance de padrões uniformes incluem: a) comparação do desempenho; b) capacitação; c) intercâmbio de auditores entre equipes de auditoria; d) realização de avaliações regulares de desempenho. A partir dessas avaliações, os responsáveis pela avaliação, devem ser capazes de saber qual a formação que os auditores necessitam para se aperfeiçoar. 54 REFERÊNCIAS AMBROZEWICZ, P. H. L. Formação de auditores: princípios e processos. Curitiba: SENAI Paraná, 2003. MANUAL DE APOIO DO CURSO DE AUDITOR LÍDER DE GESTÃO DA QUALIDADE IRCA ISO 9001. REVISÃO 05 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9000: Sistemas de gestão da qualidade – Fundamentos e Vocabulário. Rio de Janeiro, 2005. ______. NBR ISO 19011. Diretrizes para Auditorias de Sistemas de Gestão da Qualidade e/ou Ambiental. Rio de Janeiro, 2002. ______. NBR ISO 9001: Sistemas de Gestão da Qualidade – Requisitos. Rio de Janeiro, 2008. 55 ANEXOS 56 Abaixo anexamos a norma ABNT NBR ISO 9001:2008 versão comentada, para fins de treinamento, para auxiliar na compreensão, entendimento e execução das atividades realizadas durante o curso. ABNT NBR ISO 9001:2008 – Sistemas de Gestão da Qualidade - Requisitos Introdução 0.1 Generalidades Convém que a adoção de um sistema de gestão da qualidade seja uma decisão estratégica de uma organização. O projeto e a implementação de um sistema de gestão da qualidade de uma organização são influenciados por a) seu ambiente organizacional, mudanças neste ambiente e os riscos associados com este ambiente; b) suas necessidades que se alteram; c) seus objetivos particulares; d) os produtos fornecidos; e) os processos utilizados; f) seu porte e estrutura organizacional. Não é intenção desta norma impor uniformidade na estrutura de sistemas de gestão da qualidade ou uniformidade da documentação. Os requisitos do sistema de gestão da qualidade especificados nesta norma são complementares aos requisitos para produtos. As informações identificadas como "NOTA" se destinam a orientar o entendimento ou esclarecer o requisito associado. Esta norma pode ser usada por partes internas ou externas, incluindo organismos de certificação, para avaliar a capacidade da organização de atender aos requisitos do cliente, os estatutários e os regulamentares, aplicáveis ao produto e aos seus requisitos. 57 Os princípios de gestão da qualidade declarados na ABNT NBR ISO 9000 e NBR ISO 9004 foram levados em consideração durante o desenvolvimento desta Norma. 0.2 Abordagem de Processo Esta Norma promove a adoção de uma abordagem de processo para o desenvolvimento, implementação e melhoria da eficácia de um sistema de gestão da qualidade a fim de aumentar a satisfação do cliente pelo atendimento aos seus requisitos. Para uma organização funcionar de maneira eficaz, é necessário determinar e gerenciar diversas atividades interligadas. Uma atividade ou conjunto de atividades que usa recursos e que é gerenciada de forma a possibilitar a transformação de entradas em saídas pode ser considerada um processo. Freqüentemente a saída de um processo é a entrada para o seguinte. A aplicação de um sistema de processos em uma organização, junto com a identificação, interação entre eles, e sua gestão para produzir o resultado desejado, pode ser referenciada como “abordagem de processo”. Uma vantagem da abordagem de processo é a possibilidade de controlar continuamente a ligação entre os processos individuais, bem como sua combinação e interação. Quando usada em um sistema de gestão da qualidade, esta abordagem enfatiza a importância de: a) entendimento, atendimento dos requisitos; b) necessidade de considerar os processos em termos de valor agregado; c) obtenção de resultados de desempenho e eficácia de processos; d) melhoria contínua de processos baseada em medições objetivas. O modelo de um sistema de gestão da qualidade, baseado em uma abordagem de processo, conforme mostrado na figura 1, ilustra as ligações apresentadas nos requisitos 4 a 8 da NBR ISO 9001. Esta ilustração mostra 58 que os clientes desempenham um papel significativo na definição dos requisitos como entradas. O monitoramento da satisfação do cliente requer a avaliação de informações relativas à sua percepção. Este modelo abrange todos os requisitos da Norma, mas não apresenta processos em um nível detalhado. Adicionalmente, pode ser aplicada metodologia conhecida como "Plan- Do-Check-Act" (PDCA) para todos os processos. O modelo PDCA pode ser descrito resumidamente da seguinte forma: Plan (planejar): estabelecer os objetivos e processos necessários para gerar resultados de acordo com os requisitos do clientes e com as políticas da organização; Do (fazer): implementar os processos; Check (checar): monitorar e medir processos e produtos em relação às políticas, aos objetivos e aos requisitos para o produto e relatar os resultados; Act (agir): executar ações para promover continuamente a melhoria do desempenho do processo. Figura 1 - Modelo de um sistema de gestão da qualidade baseado em processo CLIENTES Realização do produto Produto Gestão de recursos Medição análise e melhoria Responsabilidade da direção Melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade CLIENTES Entrada Saída Legenda: Atividades que agregam valor Fluxos de informação R eq ui si to s Sa tis fa çã o 59 0.3 Relação com a norma ABNT NBR ISO 9004 As NBRs ISO 9001 e ISO 9004 são normas de sistema de gestão da qualidade, as quais foram projetadas para se complementarem, mas podem, também, ser usadas independentemente. A NBR ISO 9001 especifica requisitos para um sistema de gestão da qualidade que podem ser usados pelas organizações para aplicação interna, para certificação ou para fins contratuais. Ela está focada na eficácia do sistema de gestão da qualidade em atender aos requisitos dos clientes. À época da publicação desta Norma Brasileira, a NBR ISO 9004 estava em revisão. A nova edição fornece orientação para atingir sucesso sustentado para qualquer organização em um ambiente complexo, exigente e de constante da mudança. Esta última versão provê um foco mais amplo sobre gestão da qualidade do que a antecessora, a 9001; ela contempla as necessidades e expectativas de todas as partes interessadas e sua satisfação, por meio da melhoria contínua e sistemática do desempenho da organização. Entretanto, não se destina ao uso para certificação, regulamentar ou contratual. 0.4 Compatibilidade com outros sistemas de gestão Durante o desenvolvimento desta Norma, as prescrições da NBR ISO 14001:2004 foram consideradas para aumentar a compatibilidade entre as duas normas em benefício da comunidade e dos usuários. Esta norma não inclui requisitos específicos para outros sistemas de gestão, tais como aqueles específicos à gestão ambiental, gestão de segurança e saúde ocupacional, gestão financeira ou de risco. Entretanto, possibilita a uma organização o alinhamento ou a integração de seu próprio sistema de gestão da qualidade com requisitos relacionados. É possível a uma organização adaptar os sistemas de gestão existentes para estabelecer um que cumpra com os requisitos desta Norma. 60 1. Escopo 1.1 Generalidades Esta Norma especifica requisitos para um sistema de gestão da qualidade, quando uma organização: a) necessitademonstrar sua capacidade para fornecer produtos que atendam de forma consistente aos requisitos do cliente e aos estatutários e regulamentares aplicáveis; b) pretende aumentar a satisfação do cliente por meio da aplicação eficaz do sistema, incluindo processos para melhoria contínua do sistema e a garantia da conformidade com requisitos do cliente, estatutários e regulamentares aplicáveis. NOTA 1: Nesta Norma, o termo "produto" aplica-se apenas para Produto pretendido ou requerido por um cliente, Qualquer resultado pretendido resultante dos processos de realização do produto. NOTA 2: Requisitos estatutários e regulamentares podem ser expressos como requisitos legais. 1.2 Aplicação Todos os requisitos desta Norma são genéricos e aplicáveis, ao menos se pretende, às organizações, independente do tipo, do porte e do produto que fornecem. Quando algum(ns) requisito(s) desta Norma não puder(em) ser aplicado(s), devido à natureza de uma organização e seu produto, ele(s) pode(m) ser considerado(s) para exclusão. Quando forem efetuadas exclusões, alegações de conformidades com esta Norma não serão aceitáveis, a não ser que as exclusões estejam limitadas aos requisitos contidos na Seção 7 e que tais exclusões não afetem a capacidade ou responsabilidade da organização de fornecer produto que 61 atenda aos requisitos do cliente e requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis. 2. Referência normativa O documento relacionado a seguir é indispensável à aplicação deste documento. Para referências datadas, aplicam-se somente as revisões citadas. Para referências não datadas, aplicam-se as mais recentes do referido documento (incluindo emendas). ABNT NBR ISO 9000:2005, Sistemas de Gestão da Qualidade - Fundamentos e vocabulário. 3. Termos e definições Para os efeitos deste documento, aplicam-se os termos e definições da NBR ISO 9000. Ao longo do texto desta Norma, nos locais em que aparecer “produto”, entenda também como “serviço”. 4. Sistema de gestão da qualidade 4.1 Requisitos gerais A organização deve estabelecer, documentar, implementar e manter um Sistema de Gestão da Qualidade, e melhorar continuamente a sua eficácia de acordo com os requisitos da norma. A organização deve: a) determinar os processos necessários para o sistema de gestão da qualidade e sua aplicação por toda a organização (ver 1.2), b) determinar a sequência e interação desses processos, c) determinar critérios e métodos necessários para assegurar que a operação e o controle desses processos sejam eficazes, 62 d) assegurar a disponibilidade de recursos e informações necessárias para apoiar a operação e o monitoramento desses processos, e) monitorar, medir onde aplicável e analisar esses processos, e f) implementar ações necessárias para atingir os resultados planejados e a melhoria contínua desses processos. Esses processos devem ser gerenciados pela organização de acordo com os requisitos desta Norma. Quando uma organização optar por terceirizar algum processo que afete a conformidade do produto em relação aos requisitos, a organização deve assegurar o controle desses processos. O tipo e a extensão do controle a ser aplicado a esses processos terceirizados devem ser definidos dentro do sistema de gestão da qualidade. NOTA 1 – Os processos necessários para o sistema de gestão da qualidade acima referenciados incluem processos para atividades de gestão, provisão de recursos, realização do produto e medição, análise e melhoria. NOTA 2 – Um “processo terceirizado” é um processo que a organização necessita para seu sistema de gestão da qualidade, e que a organização escolhe para ser executada por uma parte externa. NOTA 3 – Assegurar que o controle sobre os processos terceirizados não exima a organização da responsabilidade de estar conforme com todos os requisitos do cliente, estatutários e regulamentares. O tipo e a extensão do controle a ser aplicado ao processo terceirizado podem ser influenciados por fatores como: a) impacto potencial do processo terceirizado sobre a capacidade da organização de fornecer produto em conformidade com os requisitos; b) o grau no qual o controle do processo é compartilhado; c) a capacidade de atingir o controle necessário por meio da aplicação de 7.4. 63 Comentários: A organização deve determinar os processos necessários para o SGQ (que incluem atividades relacionadas aos assuntos: Responsabilidade da Direção, Gestão de Recursos, Realização do Produto, Medição Análise e Melhoria e os processos de gestão da Documentação), monitorá-los e, quando aplicável, medi-los (a medição deve ser apropriada e definida sempre considerando a condição de agregar valor ao SGQ). Este requisito foi revisado a fim de melhorar o entendimento. 4.2. Requisitos de documentação 4.2.1. Generalidades A documentação do sistema de gestão da qualidade deve incluir a) declarações documentadas de uma política da qualidade e dos objetivos da qualidade, b) um manual da qualidade; c) procedimentos documentados e registros requeridos por esta Norma, e d) documentos, incluindo registros, determinados pela organização como necessários para assegurar o planejamento, a operação e o controle eficazes de seus processos. NOTA 1 – Onde o termo “procedimento documentado” aparecer nesta Norma, significa que o procedimento é estabelecido, documentado, implementado e mantido. Um único documento pode cobrir os requisitos para um ou mais procedimentos. Um requisito para um procedimento documentado pode ser coberto por mais de um documento. NOTA 2 – A abrangência da documentação do sistema de gestão da qualidade pode diferir de uma organização para outra devido a) ao porte da organização e ao tipo de atividades; b) à complexidade dos processos e suas interações; c) à competência do pessoal. 64 NOTA 3 – A documentação pode estar em qualquer forma ou tipo de meio. Comentários: Este requisito explicita a documentação necessária para o sistema de gestão da qualidade. Portanto, conforme mencionado na nota 1, deixa claro que um mesmo procedimento pode abranger um ou mais requisitos. Por exemplo: um mesmo procedimento abrangendo o requisito 4.2.3 – Controle de documentos e 4.2.4 – Controle de Registros. 4.2.2. Manual da Qualidade A organização deve estabelecer e manter um Manual da Qualidade que inclua a) o escopo do sistema de gestão da qualidade, incluindo detalhes e justificativas para quaisquer exclusões (ver 1.2), b) os procedimentos documentados estabelecidos para o sistema de gestão da qualidade, ou referência a eles, e c) uma descrição da interação entre os processos do sistema de gestão da qualidade. Comentários: esse item não sofreu alterações com a revisão da norma. O Manual da Qualidade deve estar documentado e conter os princípios do gerenciamento do Sistema de Gestão da Qualidade de um produto ou serviço. Portanto, é esperado que esse documento declare as práticas existentes na organização. Evidentemente, as práticas declaradas devem contemplar pelo menos, os requisitos estabelecidos na norma ISO 9001. Considerando que as empresas podem fornecer produtos ou serviços diferenciados, é importante esclarecer a qual produto ou serviço se refere o Sistema da Qualidade descrito neste documento. Esta definição é denominada “escopo do Sistema de Gestão da Qualidade”. No Manual da Qualidade deve ser possível verificar a visão completa do Sistema de Gestão da Qualidade. É obrigatório que sejam identificados os 65 processos que influenciam necessários para o Sistema de Gestão da Qualidade e a forma que eles interagem. 4.2.3. Controle de documentos Os documentos requeridos pelo sistema de gestão da qualidade devem ser controlados. Registros são um tipo especial de documento e devem ser controladosde acordo com os requisitos apresentados em 4.2.4. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir os controles necessários para: a) aprovar documentos quanto à sua adequação, antes da sua emissão, b) analisar criticamente e atualizar, quando necessário, e reaprovar documentos; c) assegurar que alterações e a situação da revisão atual dos documentos sejam identificadas, d) assegurar que as versões pertinentes de documentos aplicáveis estejam disponíveis nos locais de uso, e) assegurar que os documentos permaneçam legíveis e prontamente identificáveis; f) assegurar que documentos de origem externa determinados pela organização como necessários para o planejamento e operação do sistema de gestão da qualidade sejam identificados e que sua distribuição seja controlada, e, g) evitar o uso não pretendido de documentos obsoletos e aplicar identificação adequada nos casos em que eles forem retidos por qualquer propósito. Comentários: Este requisito pede um procedimento documentado. Os controles definidos para os documentos da Qualidade devem assegurar que estes estejam disponíveis nos locais de uso devidamente aprovados e nas versões pertinentes. 66 O controle de documentos também deve incluir os de origem externa como normas, leis, manuais de referência, etc. Houve uma revisão na letra f para esclarecimento, pois a empresa deve controlar documentos externos que são determinados por ela. 4.2.4. Controle de Registros Registros estabelecidos para prover evidência de conformidade com os requisitos e da operação eficaz do sistema de gestão da qualidade devem ser controlados. A organização deve estabelecer um procedimento documentado para definir os controles necessários para a identificação, armazenamento, proteção, recuperação, retenção e disposição dos registros. Registros devem permanecer legíveis, prontamente identificáveis e recuperáveis. Comentários: Este requisito pede um procedimento documentado para controle dos registros da qualidade. A norma NBR ISO 9000 define registro como documento que apresenta os resultados obtidos ou fornece evidências de atividades realizadas (3.7.6), ou seja, é uma evidência objetiva de que a atividade planejada foi realizada. Essas informações podem estar contidas em meio físico (papel), eletrônico (computador), ou outros (filmagens, gravações etc.) de forma legível e prontamente identificável e recuperável. Não é aceito documento em que a não legibilidade comprometa a informação. Devem ser estabelecidas rotinas que assegurem a disponibilidade das informações contidas nos registros pertinentes, quando necessárias. Com a revisão da norma, foi extinto o termo tempo e ficou apenas retenção. Dessa forma, a empresa fica livre para definir o “tempo de retenção” permanecendo a obrigação de definir método de retenção dos registros. Recomendamos que neste requisito a empresa observe adequadamente suas necessidades e não esqueça de prever dentro do 67 procedimento documento nenhum registro obrigatório ao atendimento dos requisitos desta Norma. 5. Responsabilidade da direção 5.1. Comprometimento da direção A alta direção deve fornecer evidência do seu comprometimento com o desenvolvimento e com a implementação do sistema de gestão da qualidade, e com a melhoria contínua de sua eficácia a) comunicando à organização da importância de atender aos requisitos dos clientes, como também aos requisitos estatutários e regulamentares, b) estabelecendo a política da qualidade, c) assegurando que os objetivos da qualidade são estabelecidos, d) conduzindo as análises críticas pela alta direção, e e) assegurando a disponibilidade de recursos. Comentários: A alta direção deve assegurar o desenvolvimento, a implementação e a manutenção do Sistema de Gestão da Qualidade da organização, bem como a melhoria de sua eficácia e gerenciá-lo, considerando os oito princípios de Gestão da Qualidade, como vimos no item 7.2 desta apostila. Baseado nestes princípios, a alta direção deve demonstrar ao longo do sistema o atendimento aos seguintes itens: requisitos dos clientes, entendimento das necessidades e expectativas atuais e futuras dos clientes, promoção de políticas e objetivos da qualidade para garantir a conscientização e o envolvimento das pessoas na organização, incentivar a melhoria contínua em todos os processos da empresa e aumentar a satisfação do cliente. 68 5.2. Foco no Cliente A alta direção deve assegurar que os requisitos do cliente sejam determinados e atendidos com o propósito de aumentar a satisfação do cliente (ver 7.2.1 e 8.2.1). Comentários: Neste item a norma reforça a importância da determinação dos requisitos do cliente e o seu atendimento com o propósito de aumentar a satisfação. Entende-se como clientes, a empresa, pessoa contratante, usuários finais; investidores ou setor público que tenham um interesse específico na empresa etc. Lembre-se: o futuro da organização depende do entendimento e do atendimento aos requisitos do cliente. 5.3. Política da qualidade A alta direção deve assegurar que a política da qualidade a) seja apropriada ao propósito da organização, b) inclua um comprometimento com o atendimento aos requisitos e com a melhoria contínua da eficácia do sistema de gestão da qualidade, c) proveja uma estrutura para estabelecimento e análise crítica dos objetivos da qualidade, d) seja comunicada e entendida por toda a organização, e e) seja analisada criticamente para a continuidade de sua adequação; Comentários: A alta direção deve estabelecer a política da qualidade assegurando que seja a mais apropriada aos propósitos da empresa e reforce a garantia da melhoria contínua. Deve ser coerente com a visão e a estratégia da alta direção visando o alinhamento de todos os processos. É importante analisá-la periodicamente para fazer a adequação quanto às determinações e processos da organização. 69 Entende-se como propósito da organização como as políticas e estratégicas da empresa. 5.4. Planejamento 5.4.1. Objetivos da qualidade A alta direção deve assegurar que os objetivos da qualidade, incluindo aqueles necessários para atender aos requisitos do produto (ver 7.1.a), sejam estabelecidos nas funções e nos níveis pertinentes da organização. Os objetivos da qualidade devem ser mensuráveis e consistentes com a política da qualidade. Comentários: Os objetivos da qualidade são estabelecidos pela alta direção e devem ser desenvolvidos a partir da política da qualidade e dos requisitos relacionados ao produto. Devem ainda ter meta e estrutura para facilitar a medição, a análise e o acompanhamento. Porém, se a meta não for alcançada, ações devem ser tomadas. Periodicamente, a intervalos planejados, analisam-se os objetivos da qualidade de forma a garantir a contínua adequação. 5.4.2 Planejamento do sistema de gestão da qualidade A alta direção deve assegurar que: a) o planejamento do sistema de gestão da qualidade seja realizado de forma a satisfazer os requisitos citados em 4.1, bem como os objetivos da qualidade, e b) a integridade do sistema de gestão da qualidade seja mantida quando mudanças no sistema de gestão da qualidade são planejadas e implementadas. 70 Comentários: O planejamento do Sistema de Gestão da Qualidade é de responsabilidade da alta direção e deve incluir processos envolvidos dentro da organização, objetivos da qualidade, requisitos da organização, necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas, avaliação de requisitos estatutários e regulamentares etc. Quando mudanças ocorrem dentro do Sistema de Gestão da Qualidade, deve-se planejá-las e implementá-las de forma a não comprometer o sistema. 5.5 Responsabilidade, autoridade e comunicação 5.5.1. Responsabilidadee autoridade A alta direção deve assegurar que as responsabilidades e autoridades sejam definidas e comunicadas em toda a organização. Comentários: A organização deve determinar as responsabilidades e autoridades das competências relacionadas a conformidade com o produto de forma a assegurar a implementação e manutenção do SGQ. A determinação das autoridades e as responsabilidades podem ser feitas ao longo da documentação ou definidas em algum documento específico como, por exemplo, descrição de cargo. 5.5.2. Representante da direção A alta direção deve indicar um membro da administração da organização que, independentemente de outras responsabilidades, deve ter responsabilidade e autoridade para: a) assegurar que os processos necessários para o sistema de gestão da qualidade sejam estabelecidos, implementados e mantidos; b) relatar à alta direção o desempenho do sistema de gestão da qualidade e qualquer necessidade de melhoria; 71 c) assegurar a promoção da conscientização sobre os requisitos do cliente em toda a organização. Nota: A responsabilidade de um representante da direção pode incluir a ligação com partes externas em assuntos relativos ao sistema de gestão da qualidade. Comentários: Este requisito foi revisado para esclarecer que o representante da direção deve ser um membro da administração da empresa que tenha autoridade para gerenciar, monitorar, avaliar e coordenar o Sistema de Gestão da Qualidade. É recomendável que o responsável tenha conhecimento da estrutura organizacional e dos processos envolvidos na organização e se reporte à alta direção para relatar o desempenho da eficácia e eficiência do SGQ como também eventuais problemas. 5.5.3 Comunicação interna A alta direção deve assegurar que sejam estabelecidos, na organização, os processos de comunicação apropriados e que seja realizada a comunicação relativa à eficácia do sistema de gestão da qualidade. Comentários: A organização deverá assegurar as informações e determinar a forma de comunicação entre os vários níveis e funções sobre a eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade. As informações incluem a Política da Qualidade, atendimento aos requisitos do cliente, resultados dos objetivos da Qualidade e do monitoramento da satisfação do cliente, etc. O gerenciamento dessas informações deve auxiliar na melhoria do desempenho da organização e envolve diretamente as pessoas na organização. 72 5.6 Análise crítica pela direção 5.6.1 Generalidades A alta direção deve analisar criticamente o sistema de gestão da qualidade da organização, a intervalos planejados, para assegurar sua contínua adequação, suficiência e eficácia. Essa análise crítica deve incluir a avaliação de oportunidades para melhoria e necessidade de mudanças no sistema de gestão da qualidade, incluindo a política da qualidade e os objetivos da qualidade. Devem ser mantidos registros das análises críticas pela direção (ver 4.2.4). 5.6.2 Entradas para a análise crítica As entradas para a análise crítica pela direção devem incluir informações sobre a) resultados de auditorias, b) realimentação de cliente, c) desempenho de processo e conformidade de produto, d) situação das ações preventivas e corretivas, e) ações de acompanhamento sobre as análises críticas anteriores pela direção, f) mudanças que possam afetar o sistema de gestão da qualidade, g) recomendações para melhoria. 5.6.3 Saídas da análise crítica Incluir quaisquer decisões e ações relacionadas a: a) melhoria da eficácia do sistema de gestão da qualidade e de seus processos; b) melhoria do produto em relação aos requisitos do cliente, c) necessidade de recursos. 73 Comentários: A alta direção deve desenvolver atividade para analisar criticamente o Sistema de Gestão da Qualidade a intervalos planejados a fim de assegurar a eficácia e eficiência do sistema, agir quando o planejado não for realizado e reavaliar as ações tomadas. É recomendável que as saídas das análises críticas forneçam dados para serem usados no planejamento da melhoria do desempenho da organização. Uma boa análise crítica depende da qualidade das informações que são trazidas. 6. Gestão de recursos 6.1. Provisão de recursos A organização deve determinar e prover recursos necessários para: a) implementar e manter o sistema de gestão da qualidade e melhorar continuamente sua eficácia, e b) aumentar a satisfação de clientes mediante o atendimento aos seus requisitos. Comentários: A alta direção deve assegurar que os recursos essenciais para a implementação da estratégia e para atingir os objetivos da organização sejam identificados e tornados disponíveis. Convém que sejam incluídos recursos para a operação e a melhoria do Sistema de Gestão da Qualidade, bem como a satisfação dos clientes e outras partes interessadas. Recursos podem ser: pessoas, infraestrutura, ambiente de trabalho, informação, fornecedores e parceiros, recursos naturais e financeiros. 74 6.2 Recursos humanos 6.2.1 Generalidades As pessoas que executam atividades que afetam a conformidade com os requisitos do produto devem ser competentes, com base em educação, treinamento, habilidade e experiência apropriados. NOTA: A conformidade com os requisitos do produto pode ser afetada direta ou indiretamente pelas pessoas que desempenham qualquer tarefa dentro do sistema de gestão da qualidade. Comentários: A nota alerta a direção para melhorar a eficácia e a eficiência da organização, incluindo o Sistema de Gestão da Qualidade, por meio do envolvimento e do apoio de pessoas. Como ajuda para atingir seus objetivos de melhoria do desempenho, convém que a organização encoraje o envolvimento e o desenvolvimento de seu pessoal da seguinte forma: a) proporcionando treinamento contínuo e planejamento de carreira; b) definindo responsabilidades e autoridades; c) estabelecendo objetivos individuais e de equipe; d) gerindo o desempenho de processos e avaliando resultados; e) facilitando o envolvimento no estabelecimento de objetivos e na tomada de decisão; f) reconhecendo e recompensando; g) facilitando a comunicação da informação de forma aberta e nos dois sentidos; h) realizando continuamente análises críticas das necessidades de seu pessoal; i) criando condições para encorajar a inovação; j) assegurando trabalho em equipe eficaz; k) comunicando sugestões e opiniões; l) usando medidas de satisfação do seu pessoal; 75 m) investigando por que as pessoas ingressam e deixam a organização. Este requisito esclarece a abrangência da necessidade da competência: todos envolvidos no sistema da qualidade. 6.2.2. Competência, treinamento e conscientização A organização deve: a) determinar a competência necessária para as pessoas que executam trabalhos que afetam a conformidade com os requisitos do produto; b) onde aplicável, prover treinamento ou tomar outras ações para atingir a competência necessária; c) avaliar a eficácia das ações executadas; d) assegurar que o seu pessoal está consciente quanto à pertinência e importância de suas atividades e de como elas contribuem para atingir os objetivos da qualidade; e) manter registros apropriados de educação, treinamento, habilidade e experiência. Comentários: A direção deve assegurar que as competências necessárias estejam disponíveis para a operação eficaz e eficiente da organização e que seja considerada a análise das necessidades das competências atuais e esperadas, em comparação com as já existentes. Considerações quanto à necessidade de competências incluem fontes como: a) demandas futuras relacionadas a planos e objetivos estratégicos e operacionais; b) antecipação das necessidades de sucessão de gerentes e da força de trabalho; c) alterações emprocessos, ferramentas e equipamentos da organização; 76 d) avaliação da competência individual das pessoas para realizar atividades definidas. Para o atendimento a este requisito, é necessário que seja assegurado um equilíbrio entre a qualificação das pessoas que executam e as atividades que afetam a conformidade com os requisitos do produto. Além disso, é importante que os documentos do Sistema de Gestão da Qualidade e o treinamento fornecido ao pessoal sejam compatíveis com a função e a qualificação. A NBR ISO 9001:2008 refere-se à competência como sendo o resultado de educação (grau de instrução), treinamento, habilidade e experiência. Assim sendo, é necessário definir os requisitos de competência para todas as funções ou cargos que influenciam o Sistema de Gestão da qualidade da empresa. Este requisito reforça o foco na competência e nas ações para garantir a competência. 6.3. Infra-estrutura A organização deve determinar, prover e manter a infra-estrutura necessária para alcançar a conformidade com requisitos do produto. A infra- estrutura inclui, quando aplicável: a) edifícios, espaço de trabalho e instalações associadas; b) equipamentos de processo (tanto materiais e equipamentos quanto programas de computador); c) serviços de apoio (como sistemas de transporte, comunicação ou informação). Comentários: Este trecho da norma afirma ser necessário que a direção defina a infraestrutura necessária para a realização dos produtos, considerando também as necessidades e expectativas das partes interessadas. A infraestrutura inclui recursos como instalações, espaço de trabalho, ferramentas e equipamentos, serviços de apoio, tecnologia de informação e de comunicação e de meios de transporte. Normalmente, os requisitos de 77 infraestrutura estão definidos e disponíveis nas organizações (laboratórios de ensaio, equipe de manutenção, sistemas de informação etc.). Porém, a natureza desses recursos varia muito de uma organização para outra. Uma indústria normalmente necessita de equipes de manutenção para funcionar adequadamente, já uma lavanderia requer serviço de transporte para entrega do serviço realizado. Em outras situações, a infraestrutura necessária varia em função do tipo de produto ou serviço a ser desenvolvido. 6.4. Ambiente de trabalho A organização deve determinar e gerenciar o ambiente de trabalho necessário para alcançar a conformidade com os requisitos do produto. NOTA: O termo “ambiente de trabalho” se refere àquelas condições sob as quais o trabalho é executado, incluindo fatores físicos, ambientais e outros (tais como ruído, temperatura, umidade, iluminação e condições metereológicas). Comentários: O ambiente de trabalho é, sem sombra de dúvida, fator determinante da qualidade dos produtos e serviços. Fatores como nível de ruído (escolas), higiene (hospitais), limpeza (restaurantes) e motivação da equipe (organizações em geral) podem determinar resultados indesejados. Por isso as empresas devem determinar as condições ambientais que podem influenciar na qualidade de seus produtos ou serviços e definir condições adequadas para gerenciá-las. A pesquisa de clima organizacional, o programa 5S, os programas de prevenção de acidentes e as diretrizes das instruções de trabalho são ferramentas úteis para o gerenciamento de tais condições. A nota foi incluída para facilitar a compreensão do requisito. 78 7. Realização do produto 7.1. Planejamento da realização do produto A organização deve planejar e desenvolver os processos necessários para a realização do produto. O planejamento da realização deve ser consistente com os requisitos de outros processos do sistema de gestão da qualidade (ver 4.1). Ao planejar a realização do produto, a organização deve determinar, quando aproriado: a) objetivos da qualidade e requisitos para o produto, a) a necessidade de estabelecer processos e documentos e prover recursos específicos para o produto; b) verificação, validação, monitoramento, medição, inspeção e atividades de ensaio requeridos, específicos para o produto, bem como os critérios para a aceitação do produto; c) os registros necessários para fornecer evidência de que os processos de realização e o produto resultante atendem aos requisitos (ver 4.2.4). A saída deste planejamento deve ser em uma forma adequada ao método de operação da organização. NOTA 1: Um documento especificando os processos do sistema de gestão da qualidade (incluindo os processos de realização do produto) e os recursos a serem aplicados a um produto, empreendimento ou contrato específico pode ser referenciado como um plano da qualidade. NOTA 2: A organização também pode aplicar os requisitos apresentados em 7.3 no desenvolvimento dos processos de realização do produto. Comentários: Convém que a alta direção assegure a operação eficaz e eficiente dos processos de realização e de apoio, bem como a rede de processos associada para garantir a satisfação das partes interessadas. Para que uma organização 79 forneça determinado produto ou execute um serviço, deverá planejar. Normalmente, o resultado do planejamento é um cronograma físico-financeiro detalhado, com o orçamento e a documentação necessária, que compreende projetos, memoriais descritivos e instruções de trabalho necessárias para a realização das tarefas. Convém que a organização implemente um processo de controle eficaz e eficiente a fim de assegurar que as alterações no produto ou processo beneficiem a organização e satisfaçam as necessidades e expectativas dos interessados. É recomendável que as mudanças sejam identificadas, registradas, avaliadas, analisadas criticamente e controladas para compreender seu efeito sobre outros processos e as necessidades e expectativas dos clientes e de outras partes interessadas. 7.2. Processos relacionados a clientes 7.2.1. Determinação de requisitos relacionados ao produto A organização deve determinar a) os requisitos especificados pelo cliente, incluindo os requisitos para entrega e para atividades de pós-entrega, b) os requisitos não declarados pelo cliente, mas necessários para o uso especificado ou pretendido, onde conhecido, c) requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis ao produto, e d) quaisquer requisitos adicionais considerados necessários pela organização. NOTA: Atividades pós-entrega incluem, por exemplo, ações sob condições de garantia, obrigações contratuais, tais como serviços de manutenção e serviços suplementares, como reciclagem e descarte. Comentários: Os requisitos relacionados ao produto podem ter origens diversas. Tipicamente, na atividade comercial, o cliente os manifesta (ex.: reforma da cozinha de sua casa). Porém, existem outros não declarados, mas estão 80 implícitos, como ausência de barulho. Esses requisitos são identificados pela empresa em pesquisa de satisfação de cliente e repassados às práticas atuais, normalmente por meio dos documentos do Sistema de Gestão da Qualidade. Os requisitos estatutários e regulamentares são normalmente definidos nas atividades de planejamento do processo. Já os específicos de determinadas atividades são definidos arbitrariamente por algumas empresas. 7.2.2. Análise crítica dos requisitos relacionados ao produto A organização deve analisar criticamente os requisitos relacionados ao produto. Esta análise crítica deve ser realizada antes da organização assumir o compromisso de fornecer um produto para o cliente (por exemplo, apresentação de propostas, aceitação de contratos ou pedidos, aceitação de alterações em contratos ou pedidos) e deve assegurar que a) os requisitos do produto estejam definidos, b) os requisitos de contrato ou de pedido que difiram daqueles previamente manifestados estejam resolvidos, e c) a organização tenhaa capacidade para atender aos requisitos definidos. Devem ser mantidos registros dos resultados da análise crítica e das ações resultantes da análise crítica (ver 4.2.4). Quando o cliente não fornecer uma declaração documentada dos requisitos, a organização deve confirmar os requisitos do cliente antes da aceitação. Quando os requisitos do produto forem alterados, a organização deve assegurar que os documentos pertinentes sejam revisados e que o pessoal pertinente seja conscientizado sobre os requisitos alterados. NOTA: Em algumas situações, como vendas pela Internet, uma análise crítica formal para cada pedido é impraticável. Nesses casos, a análise crítica pode compreender as informações pertinentes ao produto, como catálogos ou material de propaganda. 81 Comentários: O principal objetivo deste requisito é assegurar que as empresas não assumam compromissos impossíveis de cumprir. Neste sentido, são considerados três momentos distintos: apresentação de propostas, aceite de pedidos ou contratos e alteração de contratos. Para tal é necessário analisar propostas, pedidos, contratos e/ ou alteração e certificar-se de que os requisitos estão devidamente definidos, que as divergências estão resolvidas e que é possível atendê-los. Nas situações de alterações de contrato, a organização deve estabelecer processos que assegurem a comunicação das alterações acordadas para os diversos setores da empresa. 7.2.3. Comunicação com o cliente A organização deve determinar e implementar providências eficazes para se comunicar com o cliente em relação a a) informações sobre o produto, b) tratamento de consultas, contratos ou pedidos, incluindo emendas, e c) realimentação do cliente, incluindo suas reclamações. Comentários: A comunicação com o cliente deve ser planejada de forma que os canais de comunicação sejam estabelecidos e conhecidos por ambas as partes. Isso não implica ter um único canal de comunicação. Informações sobre o produto poderiam ser disponibilizadas pelo setor de vendas e, quando necessário, envolver a engenharia. Tratamento de consultas, contratos e pedidos podem envolver o setor de orçamentos, planejamento, compras e produção. Entretanto, a realimentação do cliente pode se estabelecer por meio de comunicação pelo site da empresa, pelo gerente da qualidade, assistência técnica, pesquisa de satisfação, etc. 82 7.3. Projeto e desenvolvimento 7.3.1 Planejamento de projeto e desenvolvimento A organização deve planejar e controlar o projeto e desenvolvimento de produto. Durante o planejamento do projeto e desenvolvimento, a organização deve determinar a) os estágios do projeto e desenvolvimento, b) a análise crítica, verificação e validação que sejam apropriadas para cada estágio do projeto e desenvolvimento, e c) as responsabilidades e autoridades para projeto e desenvolvimento. A organização deve gerenciar as interfaces entre os diferentes grupos envolvidos no projeto e desenvolvimento, para assegurar a comunicação eficaz e a designação clara de responsabilidades. As saídas do planejamento devem ser atualizadas apropriadamente, na medida em que o projeto e o desenvolvimento progredirem. NOTA: Análise crítica de projeto e desenvolvimento, verificação e validação têm propósitos distintos. Estas atividades podem ser conduzidas e registradas separadamente ou em qualquer combinação, na forma adequada para o produto e a organização. Comentários: O desenvolvimento do projeto de produto envolve diversas fases que necessitam ser planejadas. Isso implica identificar as diversas etapas que compõem o projeto e definir prazos e responsabilidades para a execução. Normalmente, vários grupos se envolvem no desenvolvimento de projetos, e a interface entre eles precisa ser bem gerenciada. Isso implica estabelecer meios de comunicação que assegurem uma coordenação adequada. Normalmente, a conclusão de uma determinada etapa é o início de outra, de tal forma que, se a primeira etapa for alterada, as demais devem se adequar às mudanças ocorridas. A nota acima esclarece uma dúvida comum na interpretação do requisito. 83 7.3.2. Entradas de projeto e desenvolvimento As entradas relativas a requisitos de produto devem ser determinadas e registros devem ser mantidos (ver 4.2.4). Essas entradas devem incluir a) requisitos de funcionamento e de desempenho, b) requisitos estatutário e regulamentares aplicáveis, c) onde aplicável, informações originadas de projetos anteriores semelhantes, e d) outros requisitos essenciais para projeto e desenvolvimento. As entradas devem ser analisadas criticamente quanto à suficiência. Requisitos devem ser completos, sem ambigüidades e não conflitantes entre si. Comentários: As entradas de projetos consistem na seleção de um conjunto de requisitos que faça parte do produto projetado. São de ordens diversas e envolvem, além dos requisitos do cliente, os estatutários e regulamentares aplicáveis (ex. normas das companhias telefônicas). Algumas organizações mantêm um registro de informações relevantes no desenvolvimento de projetos anteriores. A definição das entradas pode se dar em diversos estágios, sendo necessário o detalhamento no momento anterior à realização de determinada fase. 7.3.3. Saídas de projeto e desenvolvimento As saídas de projeto e desenvolvimento devem ser apresentadas em uma forma adequada para a verificação em relação às entradas de projeto e desenvolvimento, e devem ser aprovadas antes de serem liberadas. As saídas de projeto e desenvolvimento devem a) atender aos requisitos de entrada para projeto e desenvolvimento, b) fornecer informações apropriadas para aquisição, produção e prestação de serviço, 84 c) conter ou referenciar critérios de aceitação do produto, e d) especificar as características do produto que são essenciais para seu uso seguro e adequado. NOTA: Informações para produção e prestação de serviço podem incluir detalhes para preservação do produto. Comentários: As saídas são os documentos resultantes das atividades de projeto. São exemplos os projetos arquitetônicos, memorial descritivo, dentre outros. Esses documentos contêm a essência do projeto e devem ser aprovados antes da emissão. Os documentos resultantes do projeto devem ser analisados criticamente em relação aos dados de entrada antes da aprovação, pois eles são a fonte básica para a produção. Uma das informações necessárias é o limite de aceitação dos produtos. 7.3.4. Análise crítica de projeto e desenvolvimento Análises críticas sistemáticas de projeto e desenvolvimento devem ser realizadas, em fases apropriadas, de acordo com disposições planejadas (ver 7.3.1) para a) avaliar a capacidade dos resultados do projeto e desenvolvimento em atender aos requisitos, e b) identificar qualquer problema e propor ações necessárias. Entre os participantes dessas análises críticas devem estar incluídos representantes de funções envolvidas com o(s) estágio(s) do projeto e desenvolvimento que está(ão) sendo analisado(s) criticamente. Devem ser mantidos registros dos resultados das análises críticas e de quaisquer ações necessárias (ver 4.2.4). Comentários: As atividades de análise crítica de projeto implicam em avaliação multidisciplinar de um determinado resultado de projeto, contêm orientações 85 para melhorias de projeto. Em uma abordagem multidisciplinar, poderiam ser apontadas dificuldades para aquisição de materiais propostos, execução e/ ou comercialização de soluções propostas etc. Para não haver imprevistos, as análises devem ser planejadas, ou seja, é preciso definir quais delas serão realizadas e em que momento. Normalmente são registradas em atas de reunião. 7.3.5. Verificação de projeto e desenvolvimento A verificação deve ser executadaconforme disposições planejadas (ver 7.3.1), para assegurar que as saídas do projeto e desenvolvimento estejam atendendo aos requisitos de entrada do projeto e desenvolvimento. Devem ser mantidos registros dos resultados das análises críticas e de quaisquer ações necessárias. Comentários: É tipicamente uma atividade de inspeção de projeto, na qual é avaliado se a solução encontrada é tecnicamente viável e atende aos requisitos de entrada da etapa em análise. A verificação pode ser evidenciada com o auxílio de registros de cálculos e/ ou checklist de verificação. 7.3.6. Validação de projeto e desenvolvimento A validação do projeto e desenvolvimento deve ser executada conforme disposições planejadas (ver 7.3.1), para assegurar que o produto resultante seja capaz de atender aos requisitos para aplicação especificada ou uso intencional, onde conhecido. Onde for praticável, a validação deve ser concluída antes da entrega ou implementação do produto. Devem ser mantidos registros dos resultados de validação e de quaisquer ações necessárias (ver 4.2.4). Comentários: A validação de projeto tem o objetivo de demonstrar que a solução proposta é capaz de atender às expectativas e necessidades do cliente. 86 Diferente da verificação de projeto que se limita a comprovar se o projeto atende ao que foi solicitado, a validação põe em cheque o uso pretendido. Portanto, o que se deseja saber é se a solução apresentada atende ao uso pretendido. 7.3.7. Controle de alterações de projeto e desenvolvimento As alterações de projeto e desenvolvimento devem ser identificadas e registros devem ser mantidos. As alterações devem ser analisadas criticamente, verificadas e validadas, como apropriado, e aprovadas antes de sua implementação. A análise crítica das alterações de projeto e desenvolvimento deve incluir a avaliação do efeito das alterações em partes componentes e no produto já entregue. Devem ser mantidos registros dos resultados da análise crítica de alterações e de quaisquer ações necessárias (ver 4.2.4). Comentários: As alterações em projetos podem ter um impacto significativo no desempenho dos produtos. Por isso, antes de realizá-las, é necessário que seja feita uma análise crítica para identificar a abrangência. É comum que as organizações desenvolvam checklist para análise crítica de alteração de projeto. 7.4. Aquisição 7.4.1. Processo de aquisição A organização deve assegurar que o produto adquirido está conforme com os requisitos especificados de aquisição. O tipo e a extensão dos controles aplicados ao fornecedor e ao produto adquirido devem depender do efeito do produto adquirido na realização subseqüente do produto ou no produto final. A organização deve avaliar e selecionar fornecedores com base na sua capacidade de fornecer produto de acordo com os requisitos da 87 organização. Critérios para seleção, avaliação e reavaliação devem ser estabelecidos. Devem ser mantidos registros dos resultados das avaliações e de quaisquer ações necessárias, oriundas da avaliação (ver 4.2.4). Comentários: A organização deve assegurar que o produto (ou serviço) adquirido está em conformidade com os requisitos especificados. O tipo e a extensão dos controles aplicados ao fornecedor e ao produto devem ser proporcionais ao impacto que este causará no produto subsequente (etapa de produção), ou no produto final. A organização deve selecionar e avaliar os fornecedores com base em critérios para verificar sua capacidade em fornecer produtos de acordo com os requisitos especificados, devendo ser feita prévia comunicação. Os critérios para seleção, avaliação, incluindo reavaliação dos fornecedores, devem ser estabelecidos pela organização. Os registros dos resultados das avaliações e/ou de quaisquer ações necessárias resultantes do processo de avaliação precisam ser mantidos. 7.4.2. Informações de aquisição As informações de aquisição devem descrever o produto a ser adquirido e incluir, onde apropriado, a) requisitos para a aprovação de produto, procedimentos, processos e equipamento, a) requisitos para a qualificação de pessoal, e b) requisitos do sistema de gestão da qualidade. A organização deve assegurar a adequação dos requisitos de aquisição especificados antes da sua comunicação com o fornecedor. Comentários: As informações relacionadas à aquisição de produtos devem descrever o produto a ser adquirido e incluir, quando necessário, os requisitos: 88 a) para a aprovação destes produtos, de processos, de procedimentos ou equipamentos; b) para qualificação de pessoal envolvido no processo; c) do sistema de gestão da qualidade (procedimentos, registros, controles, etc.). A organização deve assegurar a adequação dos requisitos de aquisição, por ela estabelecidos, antes de comunicá-los ao fornecedor. 7.4.3. Verificação do produto adquirido A organização deve estabelecer e implementar inspeções ou outras atividades necessárias para assegurar que o produto adquirido atende aos requisitos de aquisição especificados. Quando a organização ou seu cliente pretender executar a verificação nas instalações do fornecedor, a organização deve declarar, nas informações de aquisição, as providências de verificação pretendidas e o método de liberação de produto. Comentários: A organização deve estabelecer e implementar inspeções ou outros meios necessários para assegurar que o produto atende aos requisitos de aquisição especificados. Quando a organização pretender executar a verificação nas instalações do fornecedor, deverá declarar, nas informações de aquisição, os meios de verificação pretendidos, bem como o método para a liberação do produto. 89 7.5. Produção e prestação de serviço 7.5.1. Controle de produção e prestação de serviço A organização deve planejar e realizar a produção e a prestação de serviço sob condições controladas. Condições controladas devem incluir, quando aplicável, a) a disponibilidade de informações que descrevam as características do produto, b) a disponibilidade de instruções de trabalho, quando necessárias, c) o uso de equipamento adequado, d) a disponibilidade e uso de equipamentos de monitoramento e medição, e) a implementação de medição e monitoramento, f) a implementação de atividades de liberação, entrega e pós-entrega do produto. Comentários: A organização deve planejar e realizar a produção e o fornecimento de serviço sob condições controladas, o que pode incluir: a) a necessidade de prestar informações que descrevam as características do produto; b) instruções de trabalho que descrevam, de forma legível, como um serviço ou parte dele deve ser executado; c) os equipamentos adequados à produção e ao fornecimento do serviço; d) a disponibilidade dos equipamentos necessários para monitoramento e medição, o uso destes dispositivos e a implementação dos monitoramentos e medições (considerando que este último pressupõe a utilização de indicadores); e) a implementação de atividades de controle para liberação do produto, entrega, bem como atividades pós-entrega (pós-venda, tais como: suporte técnico, assistência técnica, serviço de 90 atendimento ao consumidor, entre outros específicos que se façam necessários). 7.5.2. Validação dos processos de produção e prestação de serviço A organização deve validar quaisquer processos de produção e prestação de serviço onde a saída resultante não possa ser verificada por monitoramento ou medição subseqüente e, como conseqüência, deficiências tornam-se aparentes somente depois que o produto estiver em uso ou o serviço tiver sido entregue. A validação deve demonstrar a capacidade desses processos de alcançar os resultados planejados. A organização deve estabelecer providências para esses processos, incluindo, quandoaplicável, a) critérios definidos para análise crítica e aprovação dos processos, b) aprovação de equipamento e qualificação de pessoal, c) uso de métodos e procedimentos específicos, d) requisitos para registros (ver 4.2.4), e e) revalidação. Comentários: Os processos de produção e fornecimento do serviço devem ser validados quando as saídas resultantes destes processos não possam ser verificadas por monitoramento ou medição subsequente (ver 7.5.1). A organização deverá garantir que os métodos de validação utilizados demonstram a capacidade dos processos em atingir os resultados planejados e, quando necessário: a) definir critérios para análise crítica e aprovação dos processos; b) promover a aprovação de equipamentos e qualificação de pessoas envolvidas que possam afetar a validação dos processos de produção e fornecimento dos serviços; c) definir a utilização de métodos e procedimentos específicos para a validação dos processos e fornecimentos de serviços em questão; 91 d) definir quais os registros serão gerados (ver 4.2.4), bem como considerar as questões relacionadas à revalidação destes processos. 7.5.3. Identificação e rastreabilidade Quando apropriado, a organização deve identificar o produto pelos meios adequados ao longo da realização do produto. A organização deve identificar a situação do produto no que se refere aos requisitos de monitoramento e de medição ao longo da realização do produto. Quando a rastreabilidade for um requisito, a organização deve controlar e registrar a identificação unívoca do produto e manter registros (ver 4.2.4). NOTA: Em alguns setores de atividade, a gestão da configuração é um meio pelo qual a identificação e a rastreabilidade são mantidas. Comentários: A organização deverá, quando considerar apropriado, promover a identificação dos produtos ao longo do processo de realização do produto. Deve ser identificada a situação do produto a fim de serem aplicados os devidos controles realizados por meio de monitoramentos e medições durante o processo de realização do produto. Nos casos em que a rastreabilidade é um requisito (armas, medicamentos, etc.), a organização deverá controlar e registrar a identificação unívoca (única) do produto e manter seus registros de maneira adequada (ver 4.2.4). 7.5.4. Propriedade do Cliente A organização deve ter cuidado com a propriedade do cliente enquanto estiver sob o controle da organização ou sendo usada por ela. A organização deve identificar, verificar, proteger e salvaguardar a propriedade do cliente fornecida para uso ou incorporação no produto. Se qualquer propriedade do 92 cliente for perdida, danificada ou considerada inadequada para uso, a organização deve informar ao cliente este fato e manter registros (ver 4.2.4). NOTA: Propriedade do cliente pode incluir propriedade intelectual e dados pessoais. Comentários: Quando alguma propriedade do cliente (incluindo propriedade intelectual), estiver sobre a guarda e controle da organização, ou por ela estiver sendo usada, a empresa deverá garantir-lhe o devido cuidado. Devido cuidado significa que, quando necessário, a organização deverá manter a identificação adequada, promover verificação quando aplicável, proteger e salvaguardar a propriedade do cliente para uso, ou ainda para incorporação no produto a ser produzido. Em caso de perda ou dano de qualquer propriedade do cliente, ou de ser considerada inadequada para uso, a organização deve informar imediatamente ao cliente e manter os registros adequados (ver 4.2.4). 7.5.5. Preservação do produto A organização deve preservar o produto durante o processamento interno e entrega no destino pretendido, a fim de manter a conformidade com os requisitos. Quando aplicável, a preservação deve incluir identificação, manuseio, embalagem, armazenamento e proteção. A preservação também deve ser aplicada às partes integrantes de um produto. Comentários: Com base nos requisitos legais e contratuais pertinentes, a organização deverá preservar a conformidade do produto durante os processos internos e a entrega no destino pretendido. A preservação pode ser entendida também como identificação, cuidados no manuseio, embalagens adequadas (incluindo tipo, embalagens primárias e/ou secundárias, empilhamento máximo, etc.). A preservação deve 93 ser considerada também para as partes integrantes de um único produto, como por exemplo peças e componentes de um motor. 7.6. Controle de equipamento de monitoramento e medição A organização deve determinar o monitoramento e a medição a serem realizados e equipamentos de monitoramento e medição necessários para fornecer evidência da conformidade do produto com os requisitos determinados. A organização deve estabelecer processos para assegurar que o monitoramento e a medição possam ser realizados e sejam executados de maneira consistente com os requisitos de monitoramento e medição. Quando necessário, para assegurar resultados válidos, o equipamento de medição deve a) ser calibrado ou verificado, ou ambos, a intervalos especificados ou antes do uso, contra padrões de medição rastreáveis a padrões de medição internacionais ou nacionais; quando esse padrão não existir, a base usada para calibração ou verificação deve ser registrada (ver 4.2.4), b) ser ajustado ou reajustado, quando necessário, c) ter identificação para determinar sua situação da calibração, d) ser protegido contra ajustes que invalidariam o resultado da medição, e) ser protegido contra dano e deterioração durante o manuseio, manutenção e armazenamento. Adicionalmente, a organização deve avaliar e registrar a validade dos resultados de medições anteriores quando constatar que o dispositivo não está conforme com os requisitos. A organização deve tomar ação apropriada no equipamento e em qualquer produto afetado. Registros dos resultados de calibração e verificação devem ser mantidos (ver 4.2.4). Quando programa de computador for usado no monitoramento e medição de requisitos especificados, deve ser confirmada a sua capacidade 94 para atender à aplicação pretendida. Isto deve ser feito antes do uso inicial e reconfirmado, se necessário. NOTA: A confirmação da capacidade do programa de computador para atender à aplicação pretendida incluiria, tipicamente, sua verificação e gestão da configuração para manter sua adequação ao uso. Comentários: De acordo com os processos, incluídos os requisitos normativos aplicáveis, tais como Normas de Regulamentação (NBRs) e/ou outros requisitos da própria organização, determina os monitoramentos e as medições a serem realizadas, bem como os equipamentos (dispositivos) que serão utilizados para sua realização a fim de evidenciar a conformidade do produto com os requisitos estabelecidos (ver 7.2.1). Os monitoramentos e medições devem acontecer por meio de processos estabelecidos pela organização que visem assegurar sua realização, e são executados coerentemente conforme os requisitos de medição, considerando questões como disponibilidade de equipamentos, capacidade técnica e pessoal qualificado para realizar os monitoramentos e as medições e ainda interpretação e análise dos resultados. Para assegurar que os resultados sejam confiáveis, o equipamento de medição e monitoramento deverá ser, quando aplicável: calibrado ou verificado a intervalos planejados (periodicamente) com base em padrões nacionais ou internacionais, ou, no caso de inexistência destes, a base de calibração/verificação deverá ser registrada. Os equipamentos deverão ser ajustados ou reajustados quando necessário (normalmente de acordo com a recomendação do fabricante ou de acordo com as características de uso). Os equipamentos deverão ainda ser identificados quanto à situação de calibração, que normalmente inclui: datada última calibração, condições, método e padrões de calibração, identificação do laboratório ou outro prestador do serviço de calibração, data da próxima calibração, etc. Os equipamentos devem ser protegidos contra ajustes acidentais ou não, que possam alterar a calibração/ verificação do equipamento e invalidar os 95 resultados das medições e ainda estar protegidos contra danos, processos de deterioração, etc. durante o uso, manutenção ou guarda. Quando for constatado que um equipamento de medição ou monitoramento não estiver de acordo com os requisitos, os resultados das medições anteriores devem ter sua validade avaliada e registrada. As ações corretivas necessárias devem ser tomadas tanto para o equipamento, como para qualquer produto afetado. Conforme o item 4.2.4, os registros dos processos e resultados de calibração e verificação devem ser mantidos. 8. Medição, análise e melhoria 8.1. Generalidades A organização deve planejar e implementar os processos necessários de monitoramento, medição, análise e melhoria para a) demonstrar a conformidade aos requisitos do produto, b) assegurar a conformidade do sistema de gestão da qualidade, e c) melhorar continuamente a eficácia do sistema de gestão da qualidade. Isto deve incluir determinação dos métodos aplicáveis, incluindo técnicas estatísticas, e a extensão de seu uso. Comentários: O Sistema de Gestão da Qualidade da organização deve contemplar o planejamento para medições, análises e melhorias de modo que: o atendimento aos requisitos de conformidade do produto (planejados conforme requisito 7.1) possa ser demonstrado e seja assegurado que o Sistema de Gestão da Qualidade esteja de acordo com as disposições planejadas e gerando melhorias contínuas (conforme planejamento previsto no requisito 4.1). 96 8.2. Monitoramento e medição 8.2.1 Satisfação do cliente Como uma das medições do desempenho do sistema de gestão da qualidade, a organização deve monitorar informações relativas à percepção do cliente sobre se a organização atendeu aos requisitos do cliente. Os métodos para obtenção e uso dessas informações devem ser determinados. NOTA: Monitoramento da percepção do cliente pode incluir a obtenção de dados de entrada de fontes, tais como pesquisas de satisfação do cliente, dados do cliente sobre a qualidade dos produtos entregues, pesquisa de opinião dos usuários, análise de perda de negócios, elogios, reivindicações de garantia e relatórios de revendedor. Comentários: Neste requisito, podemos observar na nota que foi inserida a citação de análise de perda de negócios, reivindicações de garantia e relatórios de vendedor como alternativas que até então eram pouco exploradas, já que a maioria das organizações restringia-se a fazer pesquisas de satisfação de clientes. Tais alternativas podem trazer contribuições significativas quando adequadamente utilizadas para a tomada de decisões relativas à gestão do negócio. 8.2.2. Auditoria interna A organização deve executar auditorias internas a intervalos planejados para determinar se o sistema de gestão da qualidade a) está conforme com as disposições planejadas (ver 7.1), com os requisitos desta Norma e com os requisitos do sistema de gestão da qualidade estabelecidos pela organização, e b) está mantido e implementado eficazmente. Um programa de auditoria deve ser planejado, levando em consideração a situação e a importância dos processos e áreas a serem 97 auditadas, bem como os resultados de auditorias anteriores. Os critérios da auditoria, escopo, freqüência e métodos devem ser definidos. A seleção dos auditores e a execução das auditorias devem assegurar objetividade e imparcialidade do processo de auditoria. Os auditores não devem auditar o seu próprio trabalho. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir as responsabilidades e os requisitos para planejamento e execução de auditorias, estabelecimento de registros e relato de resultados. Registros das auditorias e seus resultados devem ser mantidos (ver 4.2.4). A administração responsável pela área que está sendo auditada deve assegurar que quaisquer correções e ações corretivas necessárias sejam executadas, em tempo hábil, para eliminar não-conformidades detectadas e suas causas. As atividades de acompanhamento devem incluir a verificação das ações executadas e o relato dos resultados de verificação (ver 8.5.2). NOTA: ver ABNT NBR ISO 19011 para orientação. Comentários: As auditorias internas representam um dos requisitos de maior importância do Sistema de Gestão da Qualidade por ter o objetivo de apresentar a situação geral da organização quanto aos requisitos e ao escopo a que se propõe. Nesta versão, a Norma prevê claramente o registro das auditorias e seus resultados. 8.2.3. Medição e monitoramento de processos A organização deve aplicar métodos adequados para monitoramento e, onde aplicável, para medição dos processos do sistema de gestão da qualidade. Esses métodos devem demonstrar a capacidade dos processos em alcançar os resultados planejados. Quando os resultados planejados não forem alcançados, correções e ações corretivas devem ser executadas, como apropriado. 98 NOTA: Ao determinar métodos adequados, é recomendável que a organização considere o tipo e a extensão de monitoramento ou medição apropriados para cada um dos seus processos em relação aos seus impactos sobre a conformidade com os requisitos do produto e sobre a eficácia do sistema de gestão da qualidade. Recomendamos que a organização verifique seus objetivos da qualidade a fim de complementar com as medições adequadas dos processos. E que tenha em mente sempre a visão de medição para agregar valor ao SGQ. Comentários: Os processos do Sistema de Gestão da Qualidade devem ser monitorados ou medidos de modo a satisfazer o planejamento previsto nos requisitos 4.1 e 5.4.2. 8.2.4. Medição e monitoramento de produto A organização deve monitorar e medir as características do produto para verificar se os requisitos do produto foram atendidos. Isto deve ser realizado em estágios apropriados do processo de realização do produto, de acordo com as providências planejadas (ver 7.1). Evidência de conformidade com os critérios de aceitação deve ser mantida. Os registros devem indicar a(s) pessoa(s) autorizada(s) a liberar o produto para entrega ao cliente (ver 4.2.4). A liberação do produto e a entrega do serviço ao cliente não devem prosseguir até que todas as providências planejadas (ver 7.1) tenham sido satisfatoriamente concluídas, a menos que aprovado de outra maneira por uma autoridade pertinente e, quando aplicável, pelo cliente. Comentários: Este requisito trata da medição e do monitoramento do produto de modo que a organização assegure o atendimento ao que foi planejado de acordo com o requisito 7.1 e controlado de acordo com o requisito 7.5. 99 8.3. Controle de produto não conforme A organização deve assegurar que produtos que não estejam conformes com os requisitos do produto sejam identificados e controlados para evitar seu uso ou entrega não pretendidos. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir os controles e as responsabilidades e a autoridade relacionadas para lidar com produto não conforme. Onde aplicável, a organização deve tratar os produtos não conformes por uma ou mais das seguintes formas: a) execução de ações para eliminar a não-conformidade detectada; b) autorização do seu uso, liberação ou aceitação sob concessão por uma autoridade pertinente e, onde aplicável pelo cliente; c) execução de ação para impedir o seu uso pretendido ou aplicação originais. d) execução de ação apropriada aos efeitos, ou efeitos potenciais, da não conformidade quando o produto não conforme for identificadoapós entrega ou início do uso do produto. Quando o produto não conforme for corrigido, este deve ser submetido à revalidação para demonstrar a conformidade com os requisitos. Devem ser mantidos registros sobre a natureza das não- conformidades e quaisquer ações subseqüentes executadas, incluindo concessões obtidas (ver 4.2.4). Comentários: Uma vez realizados os controles sobre os resultados de conformidade do produto, a Norma requer que a organização tenha controle sobre aqueles resultados diferentes do que era esperado no que se refere à conformidade do produto. 8.4. Análise de dados A organização deve determinar, coletar e analisar dados apropriados para demonstrar a adequação e eficácia do sistema de gestão da qualidade 100 pode ser feita. Isto deve incluir dados gerados como resultado do monitoramento e da medição e de outras fontes pertinentes. A análise de dados deve fornecer informações relativas a a) satisfação de clientes (ver 8.2.1), b) conformidade com os requisitos do produto (ver 8.2.4), c) fornecedores (ver 7.4). Comentários: Neste trecho, a Norma coloca simplesmente que a organização deve analisar os dados cuja identificação está estabelecida nos requisitos 8.2.1. Satisfação do Cliente, 8.2.3. Medição e monitoramento de processos, 8.2.4. Medição e monitoramento de produto e 7.4. Aquisição. 8.5 Melhoria 8.5.1. Melhoria contínua A organização deve continuamente melhorar a eficácia do sistema de gestão da qualidade por meio de uso da política da qualidade, objetivos da qualidade, resultados das auditorias, análise de dados, ações corretivas e preventivas e análise crítica pela direção. Comentários: Com este requisito, a organização completa o ciclo PDCA, tomando ações capazes de gerar a melhoria contínua em seu Sistema de Gestão da Qualidade com base nas diretrizes previamente estabelecidas e nos dados coletados a partir da implementação e dos controles aplicados. 8.5.2. Ação corretiva A organização deve executar ações para eliminar as causas de não- conformidades, de forma a evitar sua repetição. As ações corretivas devem ser apropriadas aos efeitos das não-conformidades detectadas. 101 Um procedimento documentado deve ser estabelecido definindo os requisitos para a) análise crítica de não-conformidade (incluindo reclamações de clientes), b) determinação das causas de não-conformidades, c) avaliação da necessidade de ações para assegurar que aquelas não-conformidades não ocorram novamente, d) determinação e implementação de ações necessárias, e) registro dos resultados de ações executadas (ver 4.2.4), e f) análise crítica da eficácia da ação corretiva executada. 8.5.3. Ação preventiva A organização deve executar ações para eliminar as causas de não- conformidades potenciais, de forma a evitar sua ocorrência. As ações preventivas devem ser apropriadas aos efeitos dos problemas potenciais. Um procedimento documentado deve ser estabelecido definindo os requisitos para a) determinação de não-conformidades potenciais e de suas causas, b) avaliação da necessidade de ações para evitar a ocorrência de não-conformidades, c) determinação e implementação de ações necessárias, d) registros de resultados de ações executadas, e e) análise crítica da eficácia da ação preventiva executada. SENAI/CE CETAE – Centro de Treinamento e Assistência às Empresas Fátima Neves Coordenação Atualização Kassandra Maria de Araújo Morais SENAI/CE Heloisa Beatriz Cordeiro Moreira SENAI/CE Maria Rosendo Brandão SENAI/CE Sâmia Coelho Macedo SENAI/CE Thomas Edson Lima Torres SENAI/CE Michelle Lima Ribeiro Elaboração Ana Saba Revisão Gramatical