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TRANQUILIZANTES MAIORES 
MECANISMO DE AÇÃO
Inúmeras pesquisas têm demonstrado que estes medicamentos induzem alterações no funcionamento da neurotransmissão dopaminérgica; o mecanismo se estabelece por bloqueio do receptor pós­-sináptico, tornando-o incapaz de responder ao neurotransmissor endógeno, a dopamina, presente, em particular, nos sistemas nigroestriatal, mesocortical e mesolímbico. Atuam também em receptores dopaminérgicos pré­-sinápticos, os quais são responsáveis pela regulação da síntese e pela liberação do neurotransmissor. O bloqueio dos receptores dopaminérgicos promove aumento da produção e da liberação da dopamina, na tentativa de vencer o bloqueio. Este efeito faz com que haja um incremento na degradação enzimática da dopamina e, consequentemente, aumento na concentração dos metabólitos da dopamina cerebral (ácido homovanílico, HVA; e ácido di­hidroxifenilacético, DOPAC), sem alterar os níveis de dopamina; ocorre, então, aumento na taxa de renovação (turnover) do neurotransmissor
CONTRA-INDICAÇÃO E INDICAÇÃO
contra-indicação
A administração de epinefrina é contraindicada quando se faz uso dos derivados fenotiazínicos, uma vez que os receptores alfa­-adrenérgicos estão bloqueados. Quando se empregam anestésicos epidurais, também são contraindicados, pois potencializam a atividade hipotensora dos anestésicos locais. Os tranquilizantes maiores, por diminuírem o limiar convulsivo, não devem ser usados para o controle de convulsões e nem em animais epilépticos. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) a partir de 2008 passou a monitorar a presença de resíduos de clorpromazina e acepromazina em produtos de origem animal (carne bovina, suína e equina). Isso ocorreu porque as agências internacionais (como European Medicines Evaluation Agency, EMEA; e Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives, JECFA) alertaram que os resíduos de clorpromazina na carne dos animais têm risco potencial para a saúde do consumidor, pois podem causar hipotensão ortostática, icterícia obstrutiva, leucocitose, leucopenia e reações dermatológicas no ser humano. Assim, alguns países baniram o uso de clorpromazina em animais produtores de alimento e estabeleceram limite máximo de resíduos (LMR) para outros, como azaperona e acepromazina.
Indicação
Os tranquilizantes maiores em Medicina Veterinária são usados principalmente como medicação pré-­anestésica, como potencializadores da analgesia (neuroleptoanalgesia) e como antieméticos. Quanto à utilização dos antipsicóticos em transtornos comportamentais, estes são pouco empregados, uma vez que com sua administração visando à diminuição, por exemplo, do comportamento agressivo, observa­-se a ocorrência de catalepsia (imobilidade com aumento do tônus muscular e postura anormal), enquanto os reflexos são mantidos, inclusive aquele relacionado à mordida. Outro motivo que inviabiliza o uso dos antipsicóticos para o controle de agressividade é o fato de que estes medicamentos, além de não causarem a supressão de respostas instintivas, promovem a diminuição de resposta aos comportamentos aprendidos; portanto, o animal sob o efeito destes medicamentos mais rapidamente responde agressivamente ao estímulo ou à situação aversiva. Além disso, os antipsicóticos propiciam o aparecimento de sinais extrapiramidais devido ao bloqueio de receptores dopaminérgicos, sendo comumente observados, nestes animais, tremores, rigidez muscular e alteração da locomoção. Verifica-­se, ainda, que alguns antipsicóticos, particularmente a acepromazina, podem induzir ao aparecimento de crises convulsivas em animal suscetíveis, como, por exemplo, naqueles que apresentam epilepsia.
TRANQUILIZANTES MENORES 
MECANISMO DE AÇÃO 
Os benzodiazepínicos atuam em receptores do ácido γ­aminobutírico (GABA) no cérebro. O GABA é o principal transmissor inibitório do SNC, existindo em quase todas as regiões do encéfalo, embora em concentrações variáveis. Há três tipos de receptores GABAérgicos: GABAA, GABAB e GABAC. Os receptores GABAA e GABAC são receptores ionotrópicos, e o receptor GABAB é metabotrópico, isto é, é um receptor ligado a uma proteína G, o qual abre canais iônicos através de segundos mensageiros. Os receptores GABAA e GABAC estão acoplados aos canais de cloro, cuja abertura reduz a excitabilidade da membrana neuronal. Os receptores GABAC têm distribuição mais localizada, estando mais concentrados na retina. Os benzodiazepínicos são considerados agonistas dos receptores GABAA, assim com os barbitúricos, o etanol, o mucimol, entre outros; são antagonistas desses receptores o flumazenil, a bicuculina e a picrotoxina. Os agonistas de receptores GABAB são o baclofeno e o γ­hidroxibutirato (GHB, uma droga de abuso); o faclofeno é um antagonista desses receptores. 
O receptor GABAA é constituído de cinco subunidades simetricamente dispostas, formando um poro central de condução do ânion cloreto). Os benzodiazepínicos ligam­-se em locais distintos daqueles do GABA sobre oreceptor GABAA; enquanto locais de ligação do GABA estão situados entre as subunidades α e β, os dos benzodiazepínicos estão situados entre as subunidades α e γ. Os benzodiazepínicos, ao se ligarem ao receptor do GABAA, abrem o canal de cloreto. A entrada do íon para dentro do neurônio promove a hiperpolarização da membrana pós­sináptica, impedindo a passagem do estímulo nervoso. 
AGONISTAS DE α2-ADRENORRECEPTORES
Os agonistas de receptores α2 ­adrenérgicos são: xilazina (Figura 14.4), detomidina, medetomidina, dexmedetomidina (enantiômero dextrógiro da medetomidina) e romifidina; são mais comumente empregados nas espécies canina, felina e equina. A xilazina, um medicamento com propriedades tranquilizante, relaxante muscular de ação central e analgésica, foi sintetizada na Alemanha em 1962. É o membro mais antigo desta classe de medicamentos usados em Medicina Veterinária. Os efeitos destes medicamentos são consequência de sua atuação como agonistas em α2 ­adrenorreceptores tanto centrais como periféricos e, portanto, apresentam efeitos farmacológicos qualitativamente similares
Farmacocinética
Dentre os componentes desta classe de medicamento, têm sido mais amplamente estudadas as características farmacocinéticas da xilazina. Após a administração pelas vias parenterais, a xilazina é rapidamente distribuída pelos vários tecidos, em particular o SNC, e biotransformada. Os ruminantes são mais sensíveis aos efeitos da xilazina e especula-­se que isto seja consequência da atividade de um ou mais metabólitos ativos formados por estas espécies animais. A principal via de eliminação é a renal. Em função da similaridade da estrutura química da xilazina com aquela da lidocaína, especula­-se a respeito do possível efeito anestésico local produzido pela xilazina
Farmacodinâmica 
Xilazina, detomidina, medetomidina, dexmedetomidina e romifidina são agonistas de receptores α2 ­adrenérgicos localizados pré­-sinapticamente, os quais, quando estimulados, impedem a liberação de norepinefrina através da inibição do influxo de íons Ca ++ na membrana neuronal. A estimulação destes receptores no SNC promove efeito hipotensor e tranquilizante; este último é resultado da diminuição da atividade da projeção noradrenérgica ascendente da formação reticular. 
Os α2 ­adrenorreceptores centrais são similares aos periféricos, porém na musculatura lisa vascular estes receptores têm localização pós-­sináptica e, quando estimulados, promovem vasoconstrição. 
efeitos:
Os efeitos sobre o SNC observados quando da administração dos agonistas de α2-adrenorreceptores são: sedação, hipnose, relaxamento muscular, ataxia, analgesia, depressão do centro vasomotor e aumento tanto do tônus vagal como da atividade dos barorreceptores. Os efeitos periféricos são caracterizados por: bradicardia; bloqueio cardíaco de segundo grau; inicialmente aumento transitório da pressão arterial, seguido de queda moderada; aumento da pressão venosa central; redução da frequência respiratória e do volume corrente; relaxamento da musculatura do trato respiratório superior.Outros efeitos dos agonistas de adrenorreceptores incluem: diminuição da secreção de hormônio antidiurético e consequente diurese aumentada; hiperglicemia; hipoinsulinemia; tanto aumento como diminuição da motilidade gastrintestinal; aumento da resistência vascular e do consumo de oxigênio do trato gastrintestinal; efeito ocitócico em bovinos, porém não em éguas prenhes; salivação; piloereção, transpiração, prolapso peniano, tremor muscular leve e abaixamento da cabeça em equinos.
INDICAÇÃO
Os agonistas de α2 ­adrenorreceptores são usados para a contenção de animais, promoção de analgesia e de miorrelaxamento de ação central e como agente pré­anestésico. Estes medicamentos potencializam os efeitos dos anestésicos de maneira mais eficiente que os tranquilizantes maiores (neurolépticos); podem ser usados isoladamente ou associados a outros medicamentos pré­anestésicos, a fim de reduzir seus efeitos colaterais, como, por exemplo, com os tranquilizantes maiores (acepromazina) e, ainda, na neuroleptoanalgesia