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Ana Laura Gomes T9 1 Termos Desconhecidos Caso 1: Hipotireoidismo Congênito ▪ Livedo Reticular: resposta vasoespástica fisiológica ao frio ou a doenças sistêmicas, caracterizando-se por um padrão de descoloração cianótica, ou eritemato-cianótica, que assume um aspecto rendilhado. ▪ Mixedema: edema duro e com aspecto de pele opaca. Caso 2: Fibrose Cística ▪ Teste do Suor: mede a concentração de sódio (sal) e cloro no suor do paciente, sendo a dosagem de cloro a mais precisa. Útil na investigação de fibrose cística. Caso 3: Anemia Falsiforme e Infecção associada (Sinusite?) ▪ Rinorreia Hialina: saída de secreção transparente pelo nariz; ▪ Hidroxiureia: medicamento usado na doença falciforme; ▪ Retração de Fúrcula: afundamento da região do pescoço. Ideia Central: Erros Inatos do Metabolismo. − Teste do Pezinho − Hipotireoidismo Congênito − Fibrose Cística − Anemia Falciforme Objetivos: 1) Descrever o hipotireoidismo congênito (Focar em QC, DX, DX diferenciais e TTO). 2) Discorrer acerca da Fibrose Cística (QC, padrão de herança e mutação, DX, DX diferenciais e TTO); 3) Elencar a respeito da anemia falciforme (Definição, Fisiopato, DX, TTO nas crises falcêmicas e complicações); 4) Entender a importância da triagem neonatal e as doenças detectadas por esta triagem; 5) Descrever os marcos de desenvolvimento; REF: Tratado de Endócrino, MS, Doença Falciforme Protocolo MS, Diretriz de Fibrose Cística. DEFINIÇÃO O hipotireoidismo caracteriza-se pela diminuição dos níveis séricos dos hormônios tireoidianos, sendo classificado como: a) primário - quando a deficiência dos hormônios tireoidianos ocorre devido à incapacidade parcial ou total de síntese hormonal pela glândula tireoide; b) central - causado por diminuição da produção e/ou bioatividade do TSH como resultado de disfunção hipotalâmica ou hipofisária. O Hipotireoidismo Congênito é a doença congênita mais comum do sistema endócrino e a principal causa de deficiência mental passível de prevenção no mundo. Mesmo quando diagnosticado precocemente, se não tratado e acompanhado de forma adequada, pode levar a complicações irreversíveis, como prejuízos no desenvolvimento mental e no crescimento. A glândula tireoide é responsável pela síntese e liberação dos hormônios tireoidianos, os quais são essenciais para o crescimento, desenvolvimento e metabolismo dos diversos órgãos e sistemas fisiológicos. EPIDEMIOLOGIA ▪ 1:1500 a 1:4000 incidência mundial do HC primário; ▪ Maior em hispânicos e menor em negros; ▪ Brasil: 1 caso para cada 2.595 – 4.795 nascidos vivos; ▪ Maioria dos casos: hipotireoidismo primário ▪ Causas: duas categorias principais: disgenesia tireoidiana (85% dos casos) e hishormonogênese (15% restantes); ETIOLOGIA − Maioria dos casos: hipotireoidismo primário; − Disgenesia tireoideana (85% dos casos); o Agenesia o Hemiogênese; o Hipoplasia; o Ectopia da tireoide − Hishormonogênese (15%) – mutações deletérias em moléculas-chave da síntese dos hormônios tireoideanos QUADRO CLÍNICO: ▪ O HC não tratado pode causar severas alterações no desenvolvimento da criança, nanismo e incapacidade intelectual grave, sendo que o comprometimento da função cognitiva pode ser irreversível. ▪ O prognóstico depende, fundamentalmente, do tempo decorrido para início do tratamento, da gravidade do hipotireoidismo e da adequada manutenção dos níveis hormonais Ana Laura Gomes T9 2 ▪ Quadro clínico se estabelece lentamente, em semanas ou meses, e a maioria dessas observações é inespecífica. ▪ Um dos primeiros sinais é a icterícia neonatal prolongada. À medida que o tempo passa sem diagnóstico realizado, a criança apresenta-se letárgica, com choro rouco, engasgos frequentes, constipação, macroglossia, hérnia umbilical, fontanela ampla, hipotonia, movimentos lentos e pele seca. ▪ Poucos recém-nascidos apresentam bócio ao nascimento DIAGNÓSTICO ▪ Os testes de triagem neonatal para HC não são diagnósticos e a confirmação deve ser realizada pela dosagem de TSH e T4 total ou livre com a maior brevidade possível, em amostra de sangue venoso. A realização dos exames nessa sequência permite a detecção de mais de 99% dos casos. Pacientes com valores de TSH acima de 10 mUI/L e T4 livre ou T4 total baixos confirmam o diagnóstico do HC primário e o tratamento deve ser iniciado. ▪ Nas crianças a termo e aparentemente saudáveis, a triagem neonatal deve ser realizada 48 horas após o nascimento ou até o 5º dia de vida, após a diminuição do pico fisiológico do TSH e do hormônio materno ter sido excretado e metabolizado = evitar falsos negativos. ▪ O exame de raios X simples do joelho do feto pode ser realizado para avaliar a gravidade do hipotireoidismo intrauterino, pela presença ou ausência das epífises femoral ou tibial Pré-termo: realizar 3 ao 5 dia, depois com 30 dias ou após alta da unidade No Quadro 2, estão os valores de referência dos exames referidos entre 4 e 30 dias de vida. DIAGNÓSTICO ETIOLÓGICO: ▪ Investigar a causa ▪ Inicia com USG cervical, de preferência com Doppler ou cintilografia + dosagem de tireoglobulina. ▪ A impossibilidade de realizar exames para determinar etiologia não deve atrasar o início do tratamento. ▪ Rx para avaliar idade óssea DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS ▪ Atireose (ausência completa do tecido tiredoideu) ▪ Ectopia (localização da glândula fora da topografia habitual) ▪ Hipoplasia (desenvolvimento incompleto da glândula tireoide, tecido menor que o normal) ▪ Disormoniogênese (defeito na síntese de hormônios: NIS, Pendrina, Tireoperoxidase, Duox, Tireoglobulina) ▪ Hipotireoidismo transitório ▪ Fibrose cística (pode cursar com icterícia neonatal) TRATAMENTO ▪ O tratamento do HC deve ser feito com levotiroxina. Com boa absorção por via oral e, com meia-vida de aproximadamente sete dias, a levotiroxina é administrada em dose única diária. ▪ É importante que o tratamento seja iniciado o mais precocemente possível, idealmente nos primeiros 14 dias de vida, após coleta de Bsangue para exames confirmatórios; ▪ O tratamento inicia-se com a dose-padrão de 10-15 mcg/kg via oral, uma vez por dia, e esta deve ser ajustada periodicamente de acordo com os controles laboratoriais; ▪ Em RNs e lactentes, o comprimido de levotiroxina deve ser triturado, misturado com um pouco de água ou leite materno e administrado com uma colher. Não diluir na mamadeira. A dose pode ser administrada pela manhã ou pela tarde, de preferência antes das refeições. Se a criança vomitar logo em seguida, recomenda-se repetir a dose. DEFINIÇÃO A fibrose cística (FC) é uma doença genética autossômica recessiva caracterizada pela disfunção do gene CFTR (regulador de condutância transmembrana de fibrose cística) que codifica uma proteína reguladora de condutância transmembrana de cloro. Trata-se de uma doença multissistêmica que ocorre mais frequentemente em populações descendentes de caucasianos. EPIDEMIOLOGIA ▪ Doença genética autossômico-recessiva mais frequente em populações de origem Caucasiana; ▪ Principal causa de pancreatite crônica em crianças; ▪ Afeta cerca de 70.000 pessoas em todo o mundo; ▪ Na União Europeia, 1 em cada 2.000 a 3.000 recém nascidos são afetados por FC; ▪ Nos EUA, esta frequência é de 1 em cada 3.500; ▪ No Brasil, estima-se que a incidência de fibrose cística seja de 1:7576 nascidos vivos; porém, apresenta diferenças regionais, com valoresmais elevados nos estados da região Sul; Ana Laura Gomes T9 3 ▪ Os avanços diagnósticos e no tratamento proporcionaram maior sobrevida e qualidade de vida mudando drasticamente o cenário da doença; ▪ Atualmente o Brasil dispõe de um programa de ampla cobertura parar a triagem neonatal dessa doença e centros de referência distribuídos na maior parte dos estados para seguimento desses indivíduos; ▪ Antigamente era confinada à faixa pediátrica, entretanto notou-se um aumento de pacientes adultos com fibrose cística (mais diagnósticos e maior expectativa de vida com novos TTOs); ▪ Ainda se observa grande heterogeneidade no acesso aos métodos diagnósticos e terapêuticos para pacientes com fibrose cística entre as regiões brasileiras. ETIOLOGIA A causa da fibrose cística são 2 mutações no gene que produz uma proteína chamada regulador da condutância transmembrana da fibrose cística (RTFC), que regula o transporte de cloreto de sódio e bicarbonato através das membranas epiteliais. FISIOPATOLOGIA ▪ Com a célula epitelial com CFTR mutante o canal não funciona; ▪ O cloro não é expelido da célula; ▪ O sódio é reabsorvido em maior quantidade pela célula, e a água vai junto; ▪ Não há sódio e água para fluidificar as secreções glandulares; ▪ Formação de secreções espessas; ▪ Acometimento de sistemas em decorrência de secreções espessas. QUADRO CLÍNICO ✓ Pulmonar − Acúmulo de muco nas vias aéreas, gerando tosse persistente, com expectoração de muco espesso; − Sibilância sem resposta a broncodilatador; − Infecções recorrentes (Pseudomonas aeruginosa); − Febre baixa; − Redução de função pulmonar; − Rinossinusites crônicas; − Otite média; − Pneumonia de repetição; − Alterações no fluxo de ar evidenciadas na espirometria. ✓ Intestinal − Má digestão intestinal; − Distensão abdominal; − Alterações de motilidade; − Diarreia crônica/esteatorreia (não tem lipase); − Má absorção de nutrientes (podendo levar a desnutrição e atraso no desenvolvimento); − Baixo peso; − Vômitos; − Deficiência de enzimas pancreáticas (obstrução dos ductos) – podendo levar a quadro de pancreatite; − Íleo meconial (comum na infância, obstrução por muco espesso). DIAGNÓSTICO Triagem neonatal positiva (duas dosagens positivas num intervalo de 30 dias), realiza-se o TESTE DO SUOR. A dosagem de cloreto por métodos quantitativos no suor > ou igual a 60mmol/l, em DUAS AMOSTRAS, confirma o DX. Ana Laura Gomes T9 4 OBS: A triagem neonatal para FC identifica os recém nascidos com alto risco de ter a doença, mas não confirma o DX. Pode ocorrer também resultados falso positivos. A triagem neonatal negativa não exclui o DX. O paciente diagnosticado deve ser encaminhado para o centro de referência de FC Imediatamente após o diagnóstico, pois a fibrose cística exige manejo multidisciplinar precoce, visando manter o estado nutricional normal e tratar as infecções respiratórias em tempo oportuno. Testes Complementares: ▪ RX tórax; ▪ Espirometria. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL − Bronquiectasias; − Pneumonias; − Asma; TRATAMENTO Programa interdisciplinar vigoroso e contínuo: ✓ TTO precoce retarda progressão de lesões pulmonares, melhora o prognóstico e eleva a sobrevida. Objetiva promover a eliminação de secreções ✓ Inalação de solução salina hipertônica em curto prazo (NaCl 7% 4x ao dia); ✓ Previnir broncoconstricção com o uso de Broncodilatadores (salbutamol em IPD 30-60 min antes da inalação de NaCl); ✓ Avaliar mucolíticos ou fisioterapia; ✓ Seguimento com espirometria 2x/ano e RX tórax a cada 2-3 anos. Controle de Infecções Pulmonares ✓ ATB em sinais de infecção ativa; ✓ Azitromicina, Tobracinina, Penicilina; Cefalosporinas, Ciprofloxacino...9 Garantir Nutrição Adequada ✓ Repor enzimas pancreáticas; Evitar Obstrução Intestinal DEFINIÇÃO ▪ A doença falciforme (DF) é uma das enfermidades genéticas e hereditárias mais comuns no mundo. ▪ Decorre de uma mutação no gene que produz a hemoglobina A, originando outra, mutante, denominada hemoglobina S, de herança recessiva. Existem outras hemoglobinas mutantes, como, por exemplo, C, D, E etc. Em par com a S, integram o grupo denominado DF. ▪ A mais conhecida é a SS, que inicialmente se denominou anemia falciforme (SS). ▪ Apesar das particularidades que as distinguem, todas essas combinações têm manifestações clínicas e hematológicas semelhantes, por isso, universalmente, as condutas são iguais para todas, levando‑se em consideração apenas o curso mais ou menos severo de cada uma delas. ▪ Entre essas associações para a DF, a de maior manifestação clínica é identificada como anemia falciforme (AF), determinada pela presença da hemoglobina S em homozigose (ss), ou seja, a pessoa recebe de cada um dos pais um gene para hemoglobina S. Essa combinação é a que se denomina anemia falciforme. ▪ A presença de apenas um gene para hemoglobina S, combinado com outro para hemoglobina A, possui um padrão genético AS (heterozigose), que não produz manifestações da DF, sendo o indivíduo identificado como portador de traço falciforme (TF). EPIDEMIOLOGIA − Mais comum em afrodescendentes; − Cerca de 500 mil crianças por ano na África; − No Brasil, o PNTN passa por uma reformulação para melhoria de dados em relação à DF. ETIOLOGIA Mutação no gene que produz a hemoglobina A, originando outra, mutante, denominada hemoglobina S, de herança recessiva. CLASSIFICAÇÃO − Anemia falciforme com crise − Anemia falciforme sem crise − Transtornos falciformes heterozigóticos duplos FISIOPATOLOGIA − A mutação determinante do gene da HbS é decorrente da substituição de uma base nitrogenada, a adenina (A), por outra, a timina (T), no sexto códon do gene beta. Assim, de GAG passa para GTG, provocando a substituição do ácido glutâmico pela valina na cadeia beta. Ana Laura Gomes T9 5 − A substituição de um único aminoácido na cadeia beta leva a hemoglobina S a assumir uma configuração diferente, que altera a forma redonda das hemácias, e faz com que assumam a forma de foice ou lua crescente. − O fenômeno de afoiçamento das hemácias é responsável por todo o quadro fisiopatológico. As hemácias, quando assumem essa forma, apresentam maior rigidez e vivem na circulação sanguínea em média 10 dias, muito menos que o tempo médio usual de 120 dias, estando mais sujeitas à destruição. Isso resulta em anemia crônica intensa. − Os sinais clínicos observados são decorrentes da forma afoiçada das hemácias. Esse formato influencia intensamente no fluxo do sangue da microcirculação, pois a irregularidade da superfície de contato das hemácias alteradas permite reações químicas interativas entre estas e as células endoteliais, fazendo‑as aderir à parede do vaso sanguíneo. − As consequências da aderência são caracterizadas pela vaso oclusão, com redução do fluxo do sangue nos capilares, causando estases venosa e hipóxia, que acarretam crises agudas intensamente dolorosas e lesão tecidual orgânica crônica e progressiva. QUADRO CLÍNICO ▪ Vai depender da intensidade da doença; ▪ Pode ser assintomático; ▪ Anemia crônica intensa; ▪ Crise álgica (principal) em decorrência da vaso oclusão; ▪ Palidez; ▪ Icterícia; ▪ ↑ bilirrubinas; ▪ Destruiçãodo baço; ▪ Infecções recorrentes; ▪ Dor óssea (oclusão); ▪ Cansaço; ▪ Fadiga; ▪ Priaprismo (ereção prolongada e dolorosa em decorrência da oclusão dos corpos cavernosos do pênis); ▪ Crises falcêmicas (crise aplástica, crise de sequestro esplênico e síndrome torácica aguda – falta de ar, febre e dor torácica); DIAGNÓSTICO − Quando a detecção da DF se faz nos testes de triagem neonatal, o diagnóstico possibilita o início de cuidados específicos exigidos por uma enfermidade degenerativa, considerando‑se que a precocidade e a integralidade da atenção podem ser determinantes na limitação dos agravos; − Exige‑se que essa coleta aconteça após 48 horas da primeira alimentação do recém‑nascido, e até o quinto dia útil de vida da criança; − É realizada a eletroforese de hemoglobina; − Realizado o diagnóstico, e efetivadas as condutas com relação aos − familiares preconizados pelo PNTN, as crianças devem ser encaminhadas para o centro de referência de sua região, a fim de serem cadastradas e ter início a assistência especializada. − Nesse centro, devem ser reforçadas todas as informações sobre a doença e seu caráter hereditário, além de se iniciarem as principais medidas de profilaxia, como a penicilina e vacinas e o uso contínuo de ácido fólico, e de se estabelecer o vínculo com a UBS local, de acordo com a organização da rede; − Até o quinto ano de vida, período de maior ocorrência de óbitos e complicações graves, os cuidados profiláticos representam a essência do tratamento. Detecção tardia da DF O diagnóstico da DF pode ter origem nas UBS, por solicitação médica ou em outras diversas situações: − Na doação de sangue, cuja legislação prevê o rastreamento da HbS, nos hemocentros e unidades de coleta nos estados e municípios; − Nos exames solicitados em consultórios particulares e/ou hospitais do setor privado; − Nos exames solicitados para a gestante no pré‑natal, conforme determinado na Estratégia da Rede Cegonha. A metodologia para o diagnóstico é a eletroforese da hemoglobina, em suas diferentes metodologias. O diagnóstico tardio é, portanto, aquele realizado no período pós‑neonatal e destinado às pessoas em qualquer faixa etária. Tem sido frequente o diagnóstico em adultos já na vida reprodutiva, após a maior visibilidade que a doença alcançou nos últimos anos, DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ▪ Anemia ferropriva; ▪ Anemia de doença crônica; ▪ Talassemias; ▪ Trombose. TRATAMENTO − Prevenção de crises e complicações: A hidroxiureia (HU) atua na inibição da enzima ribonucleotídeo redutase. Leva a aumento da produção de HbF, da hidratação do glóbulo Ana Laura Gomes T9 6 vermelho e da taxa hemoglobínica, além de diminuição da hemólise, maior produção de óxido nítrico (vasodilatador) e diminuição da expressão de moléculas de adesão. Até o momento, a HU é considerada a terapia medicamentosa mais eficaz da DF. A HU deve ser usada indefinidamente pelos pacientes de que dela necessitam. Estudos apontam que os benefícios do tratamento superam os riscos, uma vez que o uso da HU reduz em 40% o risco de óbito pela e diminui significativamente o número anual de episódios álgicos agudos em adultos. Além disso, reduz em cerca de 50% as necessidades transfusionais e o número de episódios de síndrome torácica aguda − A prescrição de HU para a população pediátrica tem demonstrado claros benefícios, e o medicamento parece ser bem, podendo prevenir tanto o infarto esplênico quanto as manifestações neurológicas (convulsões, paralisias, distúrbios da fala, cegueira transitória e alterações da consciência). − A terapia com HU apresenta risco de toxicidade hematológica, necessitando de monitorização rigorosa das contagens de células sanguíneas (neutropênico e trombocitopênico). Além disso, o potencial carcinogênico e teratogênico do fármaco deve ser considerado. − Prevenção de infecções Pacientes com doença falciforme são frequentemente acometidos por asplenia funcional (ausência da função normal do baço), com consequente aumento da susceptibilidade a infecções por bactérias com parede celular. O Streptococcus pneumoniae é responsável por 70% das infecções nessa população. As infecções são mais frequentes e graves em crianças com menos de 5 anos, podendo se apresentar de maneira fulminante e levar à morte em menos de 24 horas. O risco de meningite pneumocócica é estimado em 600 vezes maior do que na população em geral, e a frequência de bacteremia é estimada em até 300 vezes maior que o esperado para a idade; 90% dos casos ocorrem nos três primeiros anos de vida − A eficácia da profilaxia de infecções bacterianas com penicilina oral (V ou C benzatina) em crianças com DF foi demonstrada em estudo randomizado controlado por placebo e duplo-cego. Nesse estudo, em que foram incluídas 215 crianças HbSS de até 3 anos de idade, observou-se redução da incidência de bacteremia por Streptococcus pneumoniae em 84% com a administração de duas doses ao dia; além disso, nenhuma morte por septicemia causada por esse agente ocorreu no grupo tratado, enquanto no grupo placebo ocorreram três óbitos. – a partir do 2 ou 3 mês. − Tratamento adjuvante: Outros medicamentos usados na prevenção de complicações e no tratamento de intercorrências incluem ácido fólico (uso contínuo), analgésicos e anti- inflamatórios. Quelantes de ferro podem ser indicados para tratamento da sobrecarga de ferro. − Tratamento não medicamentoso: O Transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) é o único tratamento curativo da doença falciforme. Conforme recomendação da CONITEC, o Ministério da Saúde estabeleceu a indicação do TCTH alogênico aparentado mieloablativo de sangue de cordão umbilical, de sangue periférico ou de medula óssea o para tratamento da doença falciforme. Pacientes homozigotos SS ou S beta em uso de HU e com complicações graves não infecciosas relacionadas a vasoclusão são potencialmente candidatos ao procedimento e devem ter os irmãos avaliados quanto à compatibilidade. Na presença de doador compatível, os familiares devem ser informados sobre essa possibilidade terapêutica; havendo consentimento, o paciente deverá ser encaminhado para concluir a avaliação em centro transplantador. Outros medicamentos: − Crizanlizumabi (crise álgica); − Voxelotor (estabilização da Hb oxigenada). COMPLICAÇÕES: ▪ Infecções de repetição; ▪ complicações pulmonares; ▪ neurológicas; ▪ renais; ▪ hepatobiliares; ▪ oculares; ▪ priapismo; ▪ úlceras de perna. A triagem neonatal a partir da matriz biológica, “teste do pezinho”, é um conjunto de ações preventivas, responsável por identificar precocemente indivíduos com doenças metabólicas, genéticas, enzimáticas e endocrinológicas, para que estes possam ser tratados em tempo oportuno, evitando as sequelas e até mesmo a morte. Além disso, propõe o gerenciamento dos casos positivos por meio de monitoramento e acompanhamento da criança durante o processo de tratamento. A triagem neonatal contempla o diagnóstico presuntivo, o diagnóstico de certeza, o tratamento, o acompanhamento dos casos diagnosticados e a incorporação e uso de tecnologias voltadas para a promoção, prevenção e cuidado integral. − Doenças graves/alta prevalência; − Sem sinais aparentes ao nascimento; − Métodos DX consagrados; − Doenças com prognóstico melhorado com TTO precoce. Ana Laura Gomes T9 7 Orientações ▪ Cabe à equipe de enfermagem da maternidade, das casasde parto, e das Equipes Multidisciplinares de Saúde alertar e orientar a puérpera e familiares sobre a necessidade de realização do teste de triagem neonatal no ponto de coleta da Atenção Básica adstrito à sua residência, quando a coleta não for realizada naquele local. ▪ Na atenção ao pré-natal, cabe esclarecer e orientar a população e a gestante sobre como e onde realizar o “teste do pezinho”, de acordo com a rede de coleta organizada em seu estado, preconizando a necessidade dessa ser realizada até o 5º dia de vida do bebê. ▪ É necessário orientar a família a respeito da importância do exame e informar que eles têm direito aos resultados. Estes deverão ser apresentados ao pediatra, que fará a transcrição na caderneta de saúde da criança, documento importante para acompanhar a saúde, o crescimento e o desenvolvimento, do nascimento até os nove (09) anos de idade. Período Ideal ▪ Recomenda-se que o período ideal de coleta da primeira amostra esteja compreendido entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê devido às especificidades das doenças diagnosticadas atualmente. ▪ Deve ser considerada como uma condição de exceção toda coleta realizada após o 28º dia de vida, mesmo que não recomendada, por se tratar de um exame fora do período neonatal ▪ Crianças que não tenham realizado o “teste do pezinho” no período neonatal, devem ser avaliadas pelo serviço médico, para orientação e investigação diagnóstica específica, se necessário. DOENÇAS O Programa Nacional de Triagem Neonatal tem em seu escopo seis doenças: 1) Fenilcetonúria 2) Hipotireoidismo Congênito 3) Doença Falciforme e outras hemoglobinopatias 4) Fibrose Cística 5) Hiperplasia Adrenal Congênita 6) Deficiência de Biotinidase. É importante que o acompanhamento e tratamento dos pacientes detectados sejam baseados nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas publicados pelo Ministério da Saúde, para cada uma das doenças: Fui No Hospital Diagnosticas Falência Hepática Duvidosa (http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/component/content/ article?id=9315). MARCOS IMPORTANTES − Sugar quando nasce; − Não acompanha; − Quando ele senta; 6-8 meses − Quando firma o pescoço, tronco, cabeça; 3 meses − Engatinhar; 8 meses − Andar. 10 meses Considerações 1) Um desenvolvimento normal não é garantia contra uma deterioração mental no futuro. 2) Pelo desenvolvimento não é possível predizer a futura inteligência ou sucesso. 3) Desenvolvimento motor acelerado não indica superioridade mental; no entanto, uma consistente e significativa aceleração na linguagem antes dos 2 anos de idade é um dos mais frequentes sinais de inteligência superior. 4) As idades críticas para a avaliação do desenvolvimento são: 3, 8 e 10 meses; nos casos duvidosos, fazer acompanhamento atento e não fazer prognóstico nem Ana Laura Gomes T9 8 começar fisioterapia intempestiva antes de ultrapassar a barreira dos 9 meses, quando já se pode notar a tendência evolutiva, que se torna especialmente nítida após o 1º aniversário.