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<p>Testes de Triagem Neonatal GIOVANNA LOPES Triagem neonatal TRIAGEM NEONATAL A triagem neonatal é uma ação preventiva que desempenha um Teste pezinho papel crucial no diagnóstico de diversas doenças congênitas, tanto sintomáticas quanto assintomáticas, durante o período neonatal. Teste coraçãozinho permite intervenções oportunas, possibilitando o início de tratamentos específicos e a redução ou eliminação das sequelas associadas a cada doenca Teste olhinho Teste orelhinha Importância da Triagem Neonatal: Teste da linguinha MS SBP recomenda 1. Permite o diagnóstico precoce de doenças antes que os sintomas se 2. Facilita a introdução tratamentos necessários antes que as complicações ocorram. 3.Contribui para melhorar prognóstico e a qualidade de vida dos bebês. Realização da Triagem 7 TESTE DO 1. A coleta ideal deve ocorrer entre e o dia de vida do bebê. Triagens Neonatais 2. Todos os recém-nascidos devem passar pela triagem neonatal Triagens Neonatais de 3. Os resultados devem ser comunicados às famílias de forma clara e 1. Triagens neonatais a. Teste do reflexo vermelho Teste do olhinho Triagem auditiva Teste da orelhinha compreensível. Deve ser realizado antes da alta da maternidade Deve ser realizada na maternidade entre 24 e 48h depois do nascimento no durante o mês de vida Não realizado ( Realizado em ( ) Não realizado ( Realizado em: Olho Direito: Normal Alterado Testes: ( ) Emissão Evocada Olho Esquerdo: ( Normal Alterado ( ) Potencial Evocado Auditivo de Tronco Observação Encaminhamento: Ouvido direito: ( ) Normal ( ) Alterado Ouvido esquerdo: ( ) Normal ( Alterado b. Triagem de cardiopatia critica E Oximetria de pulso Teste do Conduta: PARTE REGISTROS DO Realizado na maternidade após 24h de PARA CUIDADORES ACOMPANHAMENTO DA CRIANÇA ( Não realizado ) Realizado em: d. Triagem biológica Teste do pezinho Resultado: ( ) Normal ( )Alterado Idealmente realizado entre dia DA Observação Encaminhamento: ( Não realizado ( Realizado em: Registrar os testes na caderneta de Atenção: saúde da criança Lembre-se de que a precisão dos testes depende de vários fatores, como a qualidade da amostra coletada, idade gestacional, alimentação do bebê e histórico Consulta da Mês médico. Consulta do 1° Mês Data A triagem neonatal é uma ferramenta essencial para Esta deve realizada no de vida por médico ou no domicilio ou na unidade de saúde garantir a saúde dos recem-nascidos e prevenir 1. Medidas: PC*: cm Peso*: g Comprimento*: cm complicações futuras. nos gráficos para Prematuros 86 para 87 90 2. Triagem neonatal Testes Realizado Resultado Encaminhado Não Si mal Alterado SSE Pezinho Orelhinha Exame autidivo Olhinho Reflexo olho vermelho Coraçãozinho AB-Atenção Básica: CER-Centro Especializado em SSA Serviço de Saúde Auditiva: SSE Serviço de Saúde especializado (Oftalmológico Auditivo Outros).</p><p>Ampliada a triagem de doenças diagnosticadas em "teste do Segundo a lei 14.154, de 26 de maio de 2021, que pezinho" aperfeiçoa o Programa Nacional de Triagem Neonatal por meio do estabelecimento de rol mínimo de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, são condições, dentre outras, incluídas na etapa 1 de sua implementação: (A) galactosemia e (B) fibrose cística e distúrbios ciclo da ureia. (C) aminoacidopatias e hipotireoidismo congênito. X deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita. (E) distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos e doenças Lei 14.154 de 26 de maio de 2021 Etapa 1 Os testes para rastreamento de doenças no RN serão disponibilizadas pelo no âmbito do PNTN, na forma da Fenilcetonuria e outras hiperfenilalaninemias regulamentação elaborada pelo MS, com implementação de forma escalonada, de acordo com a seguinte ordem de Hipotireoidismo congênito progressão: etapa 1 Doença falciforme e outras hemoglobinopatias etapa 2 Fibrose cística III etapa 3 IV etapa 4 Hiperplasia adrenal congênita V etapa 5 Deficiencia de biotinidase Toxoplasmose congênita Etapa 2 Galactosemias Etapas 3,4 e 5 Aminoacidopatias Disturbios do ciclo de ureia Etapa 3 Disturbios da betaoxidação dos ácidos graxos doenças lisossômicas Acidemias Etapa 4 TESTE DO PEZINHO imunodeficiências primárias Fenilcetonúria Etapa 5 Hipotireoidismo Congênito Triagem Falciforme e outras hemoglobinopatias Neonatal atrofia muscular espinhal Fibrose Hiperplasia Adrenal Congênita Manual Técnico DIAGNÓSTICO DA Deficiência de Biotinidase Triagem inicial FAL sangüinea em papel filtro DIAGNÓSTICO DO HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO ALTERNATIVA 1 Até 4.0 mg% Acima de 10,0 mg% Entre e 10,0 mg% RESULTADO RECONVOCAR Triagem inicial ONVOCAR NORMAL CONSULTA TSHneo em papel filtro Até 4,0 mg% Entre 4.1 e 10,0 mg% Acima de 10,0 mg% Até Acima de 20,0 mUl/ml RESULTADO RECONVOCAR RECONVOCAR RESULTADO RECONVOCAR NORMAL HIPERFENIL CONSULTA NORMAL e COLETAR SORO TSH T4 livre SORO CONSULTA</p><p>TESTE DO PEZINHO DOENÇAS DETECTADAS Hipotiroidismo congênito Fenilcetonúria Fibrose Cistica Anemia Falciforme e outras Hipoplasia Adrenal Congênita (forma comum) Doenças dos aminoácidos (15 tipos) Galactosemia de Biotinidase de G6PD Sifilis do Rubéola Citomegalovirus HIV (AIDS) NORMAL Figura Teste do reflexo vermelho realizado no Figura Teste do reflexo vermelho realizado no ambulatório conscientizar os pais e ponsáveis de que o TRV não substitui o exame Figura 3. Reflexo vermelho presente (simétricos) em oftalmológico que todo bebê deve ser subme- ambos os olhos: Reflexo normal em ambos os olhos Cortesia Dra Nilva M tido se não nos primeiros seis meses de no CAUSAS DE TRV ALTERADO: catarata congênita glaucoma congênito retinoblastoma leucoma inflamações intraoculares da ret e vítreo retinopatia da prematuridade (ROP) no estágio 5 descolamento de retina Figura 5. Reflexo vermelho duvidoso (assimétricos). vascularização fetal persistente e hemorragia vítrea Estrabismo: reflexo brilhante e mais claro no OE estrábico Figura 4. Leucocoria no olho direito Figura 6. Reflexo vermelho duvidoso (assimétricos). Reflexo do disco óptico do OE</p><p>TRV NORMAL não exclui a presença de catarata parcial ou de desenvolvimento ou mesmo de retinoblastoma em fase inicial. diagnóstico precoce é fator primordial para se preservar a visão e seu Assim, pais e Pediatras devem Teste ser alertados da necessidade de exame oftalmológico precoce Protetização Terapia fonoaudiológica Avaliação audiológica Otorrinolaringologista Triagem Com risco Sem risco completa Passa Falba Passa Falha Monitoramento Reteste Reteste acompanhamento Acorda com sons fortes Passa Passa Falha Acalma com sons moderadamente fortes e Monitorament 3 meses acompanhamento Alta/acompanhamento Diagnóstico músicas 3 4 meses Presta atenção nos sons e vocaliza Sem perda Com perda Localiza a fonte sonora; Monitoramento 6 8 meses acompanhamento Acompanhamento balbucia sons, ex.: "dada" Aumenta a frequência do balbucio e inicia a 12 meses das primeiras palavras; Teste do entende ordens simples, ex.: "dá tchau" 18 meses Fala, no mínimo, seis palavras Oximetria Normal com 2 anos Produz frases com duas palavras 24 a 48 horas de vida) Igual ou maior que 95% 3 anos Produz sentenças Fonte: OMS, 2006. Obs.: Considerar a idade corrigida no caso de recém-nascidos prematuros.</p><p>96 Oximetria Normal Saturação de Oxigênio Pulso Igual ou maior a 95% 144 da TESTE DO a eximetria de pulso na mão direita (MSD) em um entre 24 48 horas de vida nascidos com entre 90 94% ou entre MSD 4% entre MSD MMI 3% Repetir após 1 hora entre 94% ou MMI 4% entre MSD MMI 3% após hora entre 90 9636 ou 95% SpO2 89% entre MSD MMI 3% TESTE POSITIVO Realizar avaliação neonatal e cardiológica TESTE NEGATIVO completa (exame e ecocardiograma) Seguimento neonatal de rotina Não dar alta até esclarecimento de Avaliação da Lingua (BTAT) Aspectos Escore QUAL PARÊNCIA DA PONTA DA LINGUA? ONDE DA LINGUA ESTA FIXADO NA GENGIVA Fixado margem QUANTO LINGUA CONSEGUE ELEVAR (DURANTE CHOROI? Elevação Elevação complete da lingua em Com amamentação amamentação PROJEÇÃO DA Ponta da lingua da Ponta sobrea pode estender sobre labio</p><p>Doenças o tratamento consiste basicamente em uma dieta com baixo teor de FAL mantendo-se os níveis adequados desse aminoácido para permitir cresci- mento e desenvolvimento normais do indivíduo. A instituição de uma dieta isenta de FAL causaria um dano ainda maior do o Programa Nacional de Triagem Neonatal tem em seu escopo seis doen- que a Fenilcetonúria propriamente dita, ou seja, a Síndrome da Deficiência de ças: Fenilcetonúria, Hipotireoidismo Congênito, Doença Falciforme e outras Fenilalanina, que é caracterizada por eczema grave, prostração, ganho de peso hemoglobinopatias, Fibrose Cística, Hiperplasia Adrenal Congênita e Defi- insuficiente, desnutrição, além de deficiência mental e crises convulsivas. ciência de Biotinidase. É importante que acompanhamento e tratamento o tratamento preconizado deverá ser mantido por toda a vida. Estudos re- dos pacientes detectados sejam baseados nos Protocolos Clínicos e Diretri- alizados em todo mundo sugerem que a suspensão da dieta pode resultar zes Terapêuticas publicados pelo Ministério da Saúde, para cada uma das em deterioração intelectual e comportamental, sendo, portanto, aconselhável doenças: a manutenção da dieta por toda a vida. article?id=9315). A dieta utilizada hipoproteica, suplementada por uma fórmula de ami- noácidos isenta de Fenilalanina (FAL). Como os alimentos que são fontes Fenilcetonúria importantes de proteína (principalmente os ricos em FAL) são eliminados da A Fenilcetonúria (PKU) é um dos erros inatos do metabolismo, com padrão dieta, as quantidades de aminoácidos essenciais (com exceção da FAL) passam de herança autossômico recessivo. o defeito metabólico gerado, frequente- a ser controladas por meio do fornecimento dessa fórmula especial. Essa repo- mente causado pela enzima Fenilalanina Hidroxilase, leva ao acúmulo do sição permitirá que paciente tenha desenvolvimento, tanto somático quanto aminoácido Fenilalanina (FAL) no sangue ao aumento da Fenilalanina e da neurológico, adequado, apesar da importante restrição dietética que lhe será excreção urinária de Ácido Fenilpirúvico. Foi a primeira doença genética a ter imposta. tratamento estabelecido com terapêutica dietética específica. Esse produto normalmente é liofilizado e deverá ser reconstituído de acordo Sem a instituição, por meio de programas de Triagem Neonatal, do diagnós- com a quantidade a ser consumida, seguindo as orientações do nutricionista tico precoce e do tratamento antes dos 3 meses de vida, a criança afetada pela da equipe que acompanha caso. A dieta é individualizada, sendo especial- Fenilcetonúria apresenta um quadro clínico clássico, caracterizado por atra- mente calculada para cada paciente, pois a tolerância à FAL varia de acordo global do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM), deficiência mental, com a idade, com o peso do afetado e também com grau de deficiência enzi- comportamento agitado ou padrão autista, convulsões, alterações eletroence- mática. Em termos gerais, a dieta deve conter entre 250 mg e 500 mg de FAL/ falográficas e odor característico na urina. Os pacientes cujo diagnóstico foi dia, quando normal de ingestão diária para um indivíduo não fenilcetonúri- feito no período neonatal e foram submetidos à terapia dietética adequada não CO é de 2.500 mg de FAL/dia. apresentarão quadro clínico acima descrito. A fórmula de aminoácidos isenta de fenilalanina está inserida no Compo- nente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), sendo sua aquisição São conhecidas três formas de apresentação metabólica, que são classifica- e disponibilização de responsabilidade das Secretarias de Estado da Saúde. A das de acordo com o percentual de atividade enzimática encontrado: liberação dos quantitativos necessários a cada paciente está vinculada à pres- Fenilcetonúria Clássica atividade da enzima fenilalanina hidroxilase crição da equipe de atendimento multidisciplinar, formada por, no mínimo, praticamente inexistente, menor que 1% e, consequentemente, níveis de um pediatra e um nutricionista. fenilalanina plasmática superiores a 20 mg/dL; Logo após diagnóstico, acompanhamento, tanto clínico quanto labora- Fenilcetonúria Leve atividade da enzima entre 1% e 3%, resultando em torial, deve ser frequente até o primeiro ano de vida, para que a mãe receba níveis plasmáticos de fenilalanina entre mg/dL e 20 mg/dL; informações seguras sobre a dieta. As transgressões alimentares refletem di- Hiperfenilalaninemia Transitória ou Permanente atividade enzimática retamente nos resultados dos exames de controle e no desenvolvimento da superior a 3%, levando a níveis de fenilalanina entre 4 mg/dL e 10 mg/ criança. dL. Nesse caso, não deve ser instituída qualquer terapia, pois essa é consi- Os objetivos a serem alcançados em relação ao tratamento são os seguintes: derada uma condição benigna que não resulta em sintomatologia clínica. manter a normalização dos parâmetros neuropsicomotores nos pacientes Deve ser dedicada uma atenção especial às crianças do sexo feminino que com diagnóstico precoce e instituição do tratamento adequado antes dos apresentam quadro de Hiperfenilalaninemia Permanente. Estudos mostram 3 meses de vida; que, numa eventual gravidez, as quantidades aumentadas da FAL materna desenvolvimento pôndero-estatural adequado para a idade do paciente, podem levar a um aumento de 21% na incidência de deficiência mental, 24% apesar da restrição dietética imposta; de microcefalia e 13% de baixo peso ao nascimento, na prole. Essas meninas, melhoria gradual das alterações neuropsicológicas observadas nos pacien- quando na idade fértil, deverão ser submetidas à dieta fornecida aos pacientes tes cujo tratamento inicia-se a partir de 3 meses de idade (pacientes não fenilcetonúricos para que sejam mantidos níveis menores ou iguais a mg/dL submetidos à Triagem Neonatal). ainda antes da concepção, e que deverão perdurar por toda a gestação. Existem casos de Hiperfenilalaninemias atípicas (de 1% a 3% do total de posi- tivos), causadas por deficiência no cofator da tetrahidrobiopterina (BH4). Esses Hipotireoidismo Congênito afetados têm um prognóstico pion porque apresentam um quadro clínico mais Hipotireoidismo Congênito (HC), considerado uma emergência pediatri- intenso, além do tratamento dietético ser de pouca valia para a maioria deles. causado incapacidade da glândula tireoide do recém-nascido em pro- diagnóstico estabelecido pelos programas de Triagem Neonatal é o ideal, duzir quantidades adequadas de hormônios que resulta numa pois permitirá tratamento precoce, qual evitará desenvolvimento do qua- redução generalizada dos processos metabólicos. dro clínico. A Triagem Neonatal é realizada a partir da dosagem quantitativa da A doença pode ser classificada em: Fenilalanina (FAL) sanguínea em amostras colhidas em papel-filtro. primária quando a falha ocorre na glândula tireoide; Recomenda-se que a coleta seja feita somente após 48 horas do nascimento, secundária quando ocorre deficiência do hormônio estimulador da ti- pois, para que aumento da FAL possa ser detectado, é fundamental que a reoide (TSH) hipofisário; criança tenha ingerido uma quantidade suficiente de proteína. Nos casos de terciária quando ocorre deficiência do hormônio liberador da tireotrofi- pré-termo, de baixo peso ao nascer ou gravemente enfermos, na (TRH) hipotalâmico; devem ser colhidas três amostras, conforme o protocolo de coletas especiais, independentes dos resultados. resistência periférica à ação dos hormônios diagnóstico da nas formas clássica ou leve, é feito pelo Em regiões onde a deficiência de iodo não é endêmica, Hipotireoidismo resultado da dosagem de fenilalanina com valores superiores a 10 mg/dL Congênito geralmente é causado por agenesia ou por ectopia da pelo menos duas amostras laboratoriais distintas. Além disso, para que sejam glândula tireoide. Esses são casos de etiologia considerada esporádica. descartadas as formas variantes, os cofatores da Biopterina (BH4) também Entre as principais formas de hipotireoidismo congênito permanente primá- devem ser pesquisados. rio (T4 baixo e TSH elevado), destacamos as seguintes causas: diagnóstico molecular para a identificação da mutação causadora do defei- por disgenesia tireoidiana com ectopia (85% dos casos) to genético é possível. Ele permitirá diagnóstico pré-natal para famílias dos afetados, além da identificação dos portadores (heterozigotos). A genotipagem por tireoidiana decorrente de mutações recessivas cau- também favorecerá a correlação entre a gravidade clínica e a instituição da sando falhas na síntese de T4 (15% dos casos, comum em populações melhor terapêutica para cada caso. consanguíneas)</p><p>As crianças não submetidas a Programas de Triagem Neonatal e, conse- Doença Falciforme e Outras Hemoglobinopatias quentemente, não tratadas precocemente, terão crescimento e desenvolvi- A Doença Falciforme (DF) é uma afecção genética com padrão de herança mento mental seriamente comprometidos. autossômico recessivo, causada por um defeito na estrutura da cadeia beta da o quadro de manifestações clínicas inclui: hipotonia muscular, dificuldades hemoglobina, que leva as hemácias a assumirem forma de lua minguante, respiratórias, cianose, icterícia prolongada, constipação, bradicardia, anemia, quando expostas a determinadas condições, alta, baixa tensão de oxi- sonolência excessiva, livedo reticularis, choro rouco, hérnia umbilical, alarga- gênio, infecções As alterações genéticas (mutação) nessa proteína (hemo- mento de fontanelas, mixedema, sopro cardíaco, dificuldade na alimentação globina) são transmitidas de geração em geração (padrão de herança familiar). com deficiente crescimento pôndero-estatural, atraso na dentição, retardo na Padrão: a hemoglobina predominante em humanos adultos é chamada de maturação óssea, pele seca e sem elasticidade, atraso de desenvolvimento neu- hemoglobina A (padrão Hb AA). A hemoglobina predominante em humanos ropsicomotor e retardo mental. recém-nascidos é a Hemoglobina F (padrão Hb FA). Já a maioria das crianças que tem diagnóstico precoce estabelecido não deverá apresentar sintomatologia clínica, desde que a terapia de reposição Hemoglobinopatias: As hemoglobinopatias podem ser resultantes de muta- hormonal seja iniciada no tempo oportuno. o momento ideal para diagnós- ções que afetam os genes reguladores promovendo um desequilíbrio no con- tico do Hipotireoidismo Congênito é, sem dúvida, período neonatal, pois teúdo quantitativo das cadeias e consequentemente nos tipos é sabido que a partir da segunda semana de vida a deficiência de hormônios normais de hemoglobina, causando as talassemias. Também podem ser origi- tireóideos poderá causar alguma lesão neurológica. nadas de alterações envolvendo genes estruturais que promovem a formação de de hemoglobinas com características bioquímicas diferentes das É importante ressaltar que a triagem neonatal pode deixar de diagnosticar hemoglobinas normais, denominadas hemoglobinas variantes. As hemoglo- alguns casos mais raros de Hipotireoidismo Congênito. É o que acontece com o Hipotireoidismo Pituitário Hipotalâmico, doença compensada (T4 dentro binas variantes mais frequentes são a hemoglobina S (Hb S) e hemoglobina dos valores de referência, TSH elevado) ou aumento tardio do TSH, que são C (Hb indivíduo heterozigoto é popularmente conhecido como "traço muito raros (em torno de 2 a 3 por 100.000). falcêmico" ou "traço falciforme" (Hb AS). Poderão também ser identificadas outras hemoglobinas variantes (Hb D, Hb E, Hb Hasharon, etc.) com ou sem Após o resultado positivo inicial no Programa de Triagem Neonatal, deve significado clínico. Nos procedimentos de triagem neonatal em recém-nasci- ser realizada a dosagem do T4 (total e livre) e do TSH em amostra de sangue dos, é possível identificar de forma diferenciada os indivíduos heterozigotos venoso, para que haja a efetiva confirmação diagnóstica. Seguindo essa es- (Hb FAS) dos indivíduos homozigotos, ou seja, doentes (Hb FS). tratégia, a média de detecção dos casos suspeitos estará ao redor de 90%. Os 10% restantes não são detectáveis por TSH até a idade de 2 a 6 semanas. Cabe o termo doença falciforme (DF) é usado para definir as hemoglobinopatias ressaltar que esses últimos serão menos gravemente afetados. nas quais fenótipo predominante é o da Hb mesmo quando associada Para que a etiologia seja estabelecida, é indicada a realização de exames de a outra hemoglobina variante (Hb Var). Os tipos de DF mais frequentes são ultrassonografia ou cintilografia com captação tireóidea de iodo radioativo, Hb SS, a S-beta Talassemia e as duplas heterozigoses Hb SC e Hb SD. Essas pois, na maioria das vezes (85%), a origem do problema está na própria glân- variações causadas por heterozigoses compostas podem apresentar quadros dula tireoide. clínicos variados. Se o tempo de espera para a realização dos exames confirmatórios significar o paciente afetado apresenta as seguintes alterações clínicas: anemia he- atraso no início da terapia de reposição hormonal, estes só deverão ser efetua- molítica, crises vaso-oclusivas, crises de dor, insuficiência renal progressiva, dos após os dois anos de vida da criança, quando então a medicação poderá ser acidente vascular cerebral, maior susceptibilidade a infecções e sequestro es- temporariamente suspensa sem maiores prejuízos para os casos que forem plênico. Podem ocorrer também alterações no desenvolvimento neurológico, positivos. com provável etiologia vaso-oclusiva de sistema nervoso central. Fibrose Cística sonográfica. A íleo meconial envolve distensão abdominal, impos- sibilidade de evacuação e vômitos. Eventualmente, mesmo os adultos podem A Fibrose Cística (FC) ou Mucoviscidose, como também é conhecida, é uma apresentar um quadro semelhante a esse. Dentre os demais sintomas podem das doenças hereditárias consideradas graves, determinada por um padrão de estar incluídos: esteatorreia, dificuldade de ganho de peso, problemas respira- herança autossômico recessivo e afeta especialmente os pulmões e o pâncreas, tórios, perda de sal pelo suor, dor abdominal recorrente, icterícia prolongada, edema hipoproteinêmico, pancreatite recorrente, cirrose biliar, acrodermatite num processo obstrutivo causado pelo aumento da viscosidade do muco. Nos enteropática e retardo no desenvolvimento somático. pulmões, esse aumento na viscosidade bloqueia as vias aéreas propiciando a o curso clínico da doença se caracteriza por períodos de remissão e períodos proliferação bacteriana (especialmente pseudomonas e estafilococos), o que leva de exacerbação, com aumento da frequência e gravidade das exacerbações com à infecção crônica, à lesão pulmonar e ao óbito por disfunção respiratória. No passar do tempo. pâncreas, quando os ductos estão obstruídos pela secreção espessa, há uma Sintomas mais graves e complicações incluem a desnutrição, diabetes, a perda de enzimas digestivas, levando à má nutrição. insuficiência hepática e a osteoporose. No trato gênito urinário, observa-se Essa afecção apresenta um índice de mortalidade muito elevado, porém, nos puberdade tardia, azoospermia em até 95% dos homens, e infertilidade em últimos anos, prognóstico tem melhorado muito, mostrando índices de 75% 20% das mulheres. de sobrevida até final da adolescência e de 50% até a terceira década de vida. Diante de uma doença com um prognóstico tão grave e cuja sintomatologia Estudos anteriores demonstram que apenas 10% dos pacientes ultrapassavam manifesta-se geralmente em torno dos primeiros anos de vida, os programas os 30 anos de idade. de triagem neonatal são de importância fundamental para seu acompanha- mento adequado. diagnóstico presuntivo é estabelecido com a análise dos Muitas crianças com Fibrose Cística não apresentam nenhum sinal ou sin- níveis da tripsina imunorreativa (IRT). A análise do IRT só deve ser realizada toma da doença ao nascimento. Isso pode perdurar por semanas, meses ou em amostras colhidas com até 30 dias de vida do RN, pois após esse período, mesmo anos. Cerca de 5% a 10% dos pacientes afetados nascem com obstru- os resultados não são confiáveis como testes de triagem. exame confirmató- ção intestinal por a qual pode ser visualizada já na avaliação ultras- rio dos casos suspeitos é a dosagem de cloretos no suor "Teste de Suor". A quantidade anormal de sal nas secreções corporais, especialmente no pul- mão e no pâncreas, leva a uma perda pelo suor, fato que é característico da doença em bebês e crianças maiores. Quando a análise do teor de cloro no suor mostrar níveis alterados e quadro clínico compatível, pode-se estabelecer diagnóstico de Fibrose Cística, pois apenas de 1% a 2% dos pacientes apre- sentam níveis padrão de cloro no suor. o tratamento do paciente com Fibrose Cística consiste em acompanhamen- to médico regular, suporte dietético, utilização de enzimas pancreáticas, suple- mentação vitamínica (vitaminas A, D, E. K) e fisioterapia respiratória. Quando em presença de complicações infecciosas, é indicada a antibioticoterapia de amplo espectro. Além do esquema vacinal habitual, as crianças devem receber também imunização antipneumocócica e</p><p>Hiperplasia Adrenal Congênita Forma clássica não perdedora de sal (virilizante simples) Os sinais de virilização, em ambos os sexos, ocorrem de forma semelhante A denominação Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) engloba um conjunto ao descrito na forma perdedora de sal e, nos recém-nascidos do sexo feminino, de síndromes transmitidas de forma autossômica recessiva, que se caracteri- há virilização da genitália externa. Sem diagnóstico e tratamento precoces, zam por diferentes deficiências enzimáticas na síntese dos esteroides adrenais. ambos os sexos apresentarão virilização pós-natal, caracterizada por clitorome- Nos diversos grupos étnicos as deficiências enzimáticas mais comuns em galia, aumento peniano, pubarca precoce, velocidade de crescimento aumen- HAC são: 21-hidroxilase, que responde por cerca de 95% dos casos, e 11-be- tada e maturação acelerada, resultando em baixa estatura final. Como ta-hidroxilase, encontrada em aproximadamente 5% dos casos. Ambas estão nessa forma não há deficiência mineralocorticoide com repercussão clínica, os envolvidas na rota de síntese do cortisol e da aldosterona. Na população bra- do sexo masculino são frequentemente identificados em idade tardia, por sinais de hiperandrogenismo. sileira, a deficiência da 21-hidroxilase também é a mais frequente, seguida da 17-alfa-hidroxilase, sendo a 11-beta-hidroxilase muito rara. diagnóstico presuntivo da HAC na triagem neonatal é realizado pela Forma não clássica (de início tardio) quantificação da 17-hidroxi-progesterona (17-OHP), seguido de testes confir- matórios no soro. Essa forma de apresentação é cerca de 15 vezes mais frequente do que a forma clássica de HAC, e as manifestações podem aparecer na infância, ado- As manifestações clínicas na HAC dependem da enzima envolvida e do grau lescência ou idade adulta. No devido ao hiperandrogenismo, de deficiência enzimática (total ou parcial). A apresentação clínica pode se a apresentação pode se dar por aumento discreto do clitóris, pubarca precoce, expressar por insuficiência glicocorticoide, insuficiência mineralocorticoide, ciclos menstruais irregulares, hirsutismo e infertilidade. No sexo masculino, excesso de andrógenos ou ainda por insuficiência de andrógenos. por ser oligossintomático, quadro costuma não ser diagnosticado. Alguns pacientes podem ainda ser assintomáticos, os quais geralmente são diagnosti- Na deficiência da 21-hidroxilase existe um espectro de manifestações clíni- cados na investigação dos familiares de um caso cas que podem ser divididas em três formas: forma clássica perdedora de sal, forma clássica não perdedora de sal e forma não clássica. Manifestações clínicas em Forma clássica perdedora de sal Em recém-nascidos do diagnóstico da forma clássica da de- ficiência da 21-hidroxilase é suspeitado pela presença de virilização da genitália Constitui a forma clínica mais comum da deficiência da 21-hidroxilase externa, que pode inclusive se assemelhar à genitália masculina, sem (70%-75% dos casos de forma clássica). Nos recém-nascidos do sexo femi- Já em recém-nascidos do sexo masculino, como em geral a macro- nino, há virilização da genitália externa (aumento de clitóris, fusão labial em genitossomia não é evidente ao nascimento, diagnóstico clínico é dependen- te do grau de deficiência mineralocorticoide. A forma perdedora de sal apre- graus variáveis e formação de seio urogenital), decorrente do excesso de andró- senta-se nos primeiros dias de vida, mais frequentemente a partir da segunda genos durante a vida intrauterina. No sexo masculino ocorre a diferenciação semana, com desidratação, hipotensão, taquicardia, vômitos, perda de peso, normal da genitália externa na vida intrauterina, embora também sejam des- letargia, hiponatremia e hiperpotassemia. A forma não perdedora de sal (viri- critos casos com macrogenitossomia ao nascimento. A deficiência mineralo- lizante simples) apresenta-se mais tardiamente, com pubarca precoce, veloci- corticoide se manifesta precocemente (em geral a partir da semana), com dade de crescimento aumentada ou maturação óssea acelerada, podendo apre- crise adrenal: depleção de volume, desidratação, hipotensão, hiponatremia e sentar, mais tardiamente, sinais de virilização, tais como engrossamento da hiperpotassemia e, se não tratada, pode evoluir para óbito. aumento da massa muscular e crescimento clitoriano e peniano pós-natal. Deficiência de Biotinidase Pacientes diagnosticados em período sintomático, frequentemente apresen- tam atraso do desenvolvimento e risco de desenvolverem sequelas auditiva, A Deficiência de Biotinidase (DBT) é uma doença metabólica hereditária na visual e de funções nervosas superiores irreversíveis, ao contrário do que se qual há um defeito no metabolismo da biotina. Como consequência, ocorre observou nos pacientes diagnosticados no período neonatal. uma depleção da biotina endógena devido a uma incapacidade do organismo Os pacientes com testes de triagem alterados (parcial ou total), identifica- fazer a sua reciclagem ou de usar a biotina ligada à proteína fornecida pela dos pela análise da enzima biotina, serão classificados como suspeitos até dieta. Assim, como a maioria dos erros inatos do metabolismo, essa doença a confirmação ou não do diagnóstico, que será estabelecido a partir do teste apresenta uma herança autossômica recessiva, com mais de 140 mutações quantitativo da atividade de biotinidase, podendo ser complementado com descritas. estudo genético-molecular. Classificação: o tratamento medicamentoso é muito simples, de baixo custo e consiste na Deficiência profunda de biotinidase: atividade enzimática menor que 10% utilização de biotina em doses diárias, de acordo com a subclassificação da considerando o limite inferior de referência para indivíduos não portado- deficiência de biotina, baseada no teste quantitativo. res de deficiência de biotinidase; Deficiência parcial de atividade enzimática entre 10% e 30%, considerando limite inferior de referência para indivíduos não portado- res de deficiência de biotinidase; Sem deficiência de biotinidase: atividade enzimática acima de 30%, con- siderando limite inferior de referência para indivíduos não portadores de deficiência de biotinidase. Clinicamente, manifesta-se a partir da sétima semana de vida, com dis- túrbios neurológicos e cutâneos, tais como crises epiléticas, hipotonia, mi- crocefalia, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, alopécia e dermatite eczematoide. Nos pacientes com diagnóstico tardio observam-se distúrbios visuais, auditivos, assim como atraso motor e de linguagem.</p>