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Sumário 
 
ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA SAÚDE DA FAMÍLIA .......................................... 5 
CONHECIMENTO INTERDISCIPLINAR .............................................................................. 6 
OBJETO DE AÇÃO DO FISIOTERAPEUTA ......................................................................... 8 
COMPETÊNCIAS DO FISIOTERAPEUTA NA ESF ............................................................. 9 
HABILIDADES NECESSÁRIAS PARA O DESENVOLVIMENTODAS 
COMPETÊNCIAS ..................................................................................................................... 9 
ATENDIMENTO NAS UNIDADES DE SAÚDE DA FAMÍLIA ......................................... 10 
ATIVIDADES EM GRUPOS OU PROCEDIMENTOS COLETIVOS.................................. 12 
ESCOLA DE POSTURA ......................................................................................................... 12 
COMO PODE SER FEITA A ESCOLA DE POSTURA? ...................................................... 15 
EXERCÍCIO AQUÁTICOS EM GRUPOS ............................................................................. 17 
COMO PODEM SER FEITO OS EXERCÍCIOS AQUÁTICOS EM GRUPOS? .................. 19 
SUGESTÕES DE CONDUTAS FISIOTERAPÊUTICAS UTILIZADAS ............................. 19 
ESCOLA DE REEDUCAÇÃO DO ASSOALHO PÉLVICO (ERAP) ................................... 20 
COMO PODE SER FEITA E SUGESTÕES DE TÉCNICAS UTILIZADAS ....................... 22 
CAMINHADAS TERAPÊUTICAS ........................................................................................ 23 
ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NOS CICLOS DA VIDA .................................................. 25 
SAÚDE DA CRIANÇA ........................................................................................................... 26 
PUERICULTURA ................................................................................................................... 27 
TRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR ............................... 30 
PREVENÇÕES DAS DPOC E AFECÇÕES RESPIRATÓRIAS ........................................... 30 
O QUE FAZER E SUGESTÕES DE COMO FAZER ............................................................ 31 
PREVENÇÕES DE ALTERAÇÕES POSTURAIS NAS CRIANÇAS .................................. 31 
 
 
PREVENÇÃO DE ACIDENTES EM CASA .......................................................................... 34 
PREVENÇÃO DE QUEDAS E ACIDENTES ........................................................................ 34 
CONTROLE DA OBESIDADE INFANTIL ........................................................................... 35 
ESTIMULAR O ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO ATÉ OS SEIS MESES ....... 37 
SAÚDE DO ADOLESCENTE, DO JOVEM E SAÚDE ESCOLAR ..................................... 39 
CUIDADOS COM A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA ................................................... 40 
DSTS/AIDS E SAÚDE REPRODUTIVA ............................................................................... 41 
SAÚDE DA MULHER ............................................................................................................ 42 
ACOMPANHAMENTO À GESTANTE ................................................................................. 43 
PRIMEIRO TRIMESTRE ........................................................................................................ 43 
SEGUNDO TRIMESTRE ........................................................................................................ 44 
ATIVIDADES FÍSICAS PARA AS GESTANTES ................................................................ 44 
TERCEIRO TRIMESTRE ....................................................................................................... 47 
CLIMATÉRIO ......................................................................................................................... 48 
DISFUNÇÕES COMUNS DA MULHER .............................................................................. 48 
SAÚDE DO IDOSO ................................................................................................................. 49 
ALTERAÇÕES DE BARREIRAS ARQUITETÔNICAS E ADEQUAÇÃO DO 
MOBILIÁRIO VERSUS QUEDAS E FRATURAS NA TERCEIRA IDADE ...................... 51 
GINÁSTICA LABORAL......................................................................................................... 63 
CONSELHOS MUNICIPAIS DE SAÚDE, PARTICIPAÇÃO SOCIAL E DIREITOS E 
DEVERES ................................................................................................................................ 69 
VISITAS DOMICILIARES ..................................................................................................... 70 
ORIENTAÇÕES AOS CUIDADORES E/OU AOS FAMILIARES ...................................... 71 
REINSERÇÃO ÀS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA E À SOCIEDADE .......................... 71 
ADEQUAÇÃO DO LAR E DO MOBILIÁRIO ...................................................................... 71 
 
 
ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NA PREVENÇÃO DOS FATORES DE RISCOS ........... 72 
PÉ DIABÉTICO ....................................................................................................................... 75 
PROBLEMAS COMUNS NOS PÉS ....................................................................................... 75 
TABAGISMO .......................................................................................................................... 77 
ALCOOLISMO ........................................................................................................................ 78 
HANSENÍASE ......................................................................................................................... 79 
DST/AIDS ................................................................................................................................ 80 
DROGAS ILÍCITAS ................................................................................................................ 80 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 83 
 
 
 
 
 
5 
 
ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA SAÚDE DA FAMÍLIA 
 
A Fisioterapia é a ciência do movimento em todas as suas formas de expressão e 
potencialidades, e visa o restabelecimento máximo da capacidade funcional do 
indivíduo. O fisioterapeuta é o profissional que cuida da saúde da população com ênfase 
no movimento e na função, prevenindo, tratando e recuperando disfunções e doenças, 
para a melhoria da qualidade de vida do indivíduo. 
Historicamente a Fisioterapia tinha suas ações voltadas, quase que 
exclusivamente, para o tratamento e a reabilitação, tendo a doença como enfoque. A 
partir da nova concepção de saúde enquanto qualidade de vida e não mais restrita à 
ausência de doença, o fisioterapeuta inseriu-se no sistema de Atenção Básica numa nova 
perspectiva de atuação na promoção de saúde e prevenção de doenças e não só no 
tratamento e reabilitação. Embora esta premissa não revele uma realidade nacional. 
Casos pontuais estão sendo desenvolvidos, ações voltadas para a saúde da população na 
atenção primária, com o apoio dos gestores locais de saúde, revelam que esta inserção 
está em construção, e cada vez mais o fisioterapeuta conquista seu espaço na 
consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). 
O fisioterapeuta na Estratégia de Saúde da Família (ESF) vem buscando definir 
melhor o seu objeto de atuação nesta área, tornando a Fisioterapia mais acessível para a 
população e colaborando para uma saúde mais integral. 
Para consolidação do Programa Saúde da Família (PSF) faz-se necessária uma 
adequação dos profissionais de saúde à nova estratégia, considerando-se a integralidade 
como eixo estruturale a saúde vista em sua positividade. 
A Fisioterapia historicamente admitiu como objeto de trabalho o indivíduo 
doente, porém, com sua inclusão gradual no PSF também se torna corresponsável pela 
mudança na abordagem. 
A Fisioterapia é uma profissão nova, relativamente a outras profissões da área da 
saúde e, ainda hoje, o acesso da população à assistência fisioterapêutica é limitado, e o 
conhecimento de qual seja sua atuação, até mesmo entre outros profissionais da área de 
saúde, parece ser relativamente restrito. 
Com a implantação do PSF é que se viu a necessidade e importância da inserção 
do fisioterapeuta na equipe, visando maior promoção e prevenção da saúde, melhorando 
assim a qualidade de vida. Neste contexto, verificamos a importância da inserção do 
 
6 
 
profissional fisioterapeuta como agente multiplicador de saúde, desenvolvendo suas 
atividades, em interação com uma equipe multiprofissional e de forma interdisciplinar, 
nas Unidades Básicas e de Saúde da Família 
 
CONHECIMENTO INTERDISCIPLINAR 
 
 
A inserção do fisioterapeuta nos serviços de atenção primária à saúde é um 
processo em construção, associado, principalmente, à criação da profissão, rotulando o 
fisioterapeuta como reabilitador, voltando-se apenas para uma pequena parte de seu 
objeto de trabalho, que é tratar a doença e suas sequelas. Essa lógica de 
conceitualização, durante muito tempo, excluiu da rede básica os serviços de 
fisioterapia, acarretando uma grande dificuldade de acesso da população a esse serviço e 
impedindo o profissional de atuar na atenção primária. 
A incorporação da Fisioterapia nas equipes do PSF teve como pioneiro o 
município de Camaragibe (PE) que, a partir de dezembro de 1994, criou o Núcleo de 
Reabilitação voltado para o atendimento ambulatorial (Quintas). As cidades de Sobral 
(CE), Paracambi (RJ), Vitória (ES), Volta Redonda (RJ), São Pedro da Aldeia (RJ), 
entre outras, também incorporaram a Fisioterapia ao PSF. 
Portanto, mais do que recuperar e curar pessoas é preciso criar condições 
necessárias para que a saúde se desenvolva. E quem poderia ser mais indicado do que o 
profissional que se dedica ao estudo e a investigação do movimento humano, das 
funções corporais, do desenvolvimento das potencialidades, atividades laborativas e da 
vida diária, entre outros? E tudo isso privilegiando a utilização de recursos da natureza e 
do próprio corpo humano. Percebe-se que o profissional de Fisioterapia tem 
potencialidades para trabalhar com a tecnologia principalmente humana, aliada a uma 
mesma criatividade de desenvolver ações eficientes e efetivas. Espera-se que em um 
futuro bem próximo ele possa conquistar este espaço com dignidade e competência. 
As atividades que os fisioterapeutas vêm realizando na Estratégia da Saúde da 
Família são desenvolvidas na Unidade Básica de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da 
Família e em domicílio, são: 
• reconhecimento da área descentralizada; 
• levantamento epidemiológico; 
 
7 
 
• potencialidades da comunidade; 
• grupos de hipertensos e diabéticos; 
• atenção ao pé diabético; 
• grupos de mães de crianças com infecção respiratória aguda (IRA); 
• grupo de prevenção de incapacidades em hanseníase; 
• grupo de mães de crianças com problemas neurológicos; 
• grupo de idosos; 
• atuação no climatério; 
• atuação na saúde das crianças; 
• estimulação essencial em crianças com atraso no desenvolvimento 
neuropsicomotor; 
• atuação nas creches, igrejas e em escolas; 
• reeducação postural global; 
• busca de novos casos de hanseníase; 
• acompanhamento de pacientes acometidos pela hanseníase (tratamento de 
sequelas); 
• grupo de mulheres; 
• resgate dos cuidadores dentro do ambiente familiar; 
• atendimento domiciliar; 
• direitos e deveres do cidadão; 
• orientações de saúde em geral, não só relacionada à fisioterapia; 
• entre outras. 
 
Observa-se que 67% destas atividades estão relacionados à promoção da saúde, 
prevenção de doenças ou estão sendo realizados de maneira coletiva enquanto que 24% 
estão relacionados ao modelo individual e curativo. Os fisioterapeutas enfatizam que as 
atividades “individuais” realizadas nos domicílios estão sempre associadas com 
abordagem à família e também envolvendo ações de prevenção e promoção de saúde. 
Isso nos mostra que o Fisioterapeuta está realizando um percentual maior de ações 
coletivas e promotoras de saúde, que são as prioridades da Estratégia da Saúde da 
Família. 
Estão entre outros relacionados abaixo o grupo de posturas, grupo de gestantes e 
o atendimento individual, principalmente: trabalhadores vítimas de acidentes 
 
8 
 
relacionados ao trabalho – lesões por esforço repetitivo (LER)/doença osteomuscular 
relacionada ao trabalho (DORT) –, possibilitando sua reabilitação e reintegração, bem 
como aos de outros riscos ambientais que incluem normatização e fiscalização; crianças 
em idade escolar sob risco ergonômico das escolas; portadores de deficiências físicas; 
pessoas diabéticas e hipertensas; incapacitados em hanseníase; pacientes acamados; 
usuários de próteses e órteses; gestantes; casos frequentes (> incidência) de IRAs. 
Percebe-se que a presença do profissional de Fisioterapia na área de saúde 
pública – que deixa seu locus tradicional de atuação como o consultório, o ambulatório, 
o hospital, e a clínica para atingir clientelas especiais que necessitam de atendimento 
em seu próprio domicílio – se traduz em um novo modelo de atenção que privilegia a 
promoção, a prevenção e a recuperação da saúde da população coletiva. 
 
OBJETO DE AÇÃO DO FISIOTERAPEUTA 
 
Movimento humano visando à saúde funcional do indivíduo na promoção e 
recuperação da saúde, prevenção de doenças e agravos e reabilitação. 
 
Objetivo geral 
 
Promover a qualidade de vida do indivíduo, em todos os ciclos de vida, tendo a 
integridade do movimento como essência e expressão desta, por meio de cinesioterapia, 
recursos físicos e naturais na ESF. 
 
Objetivos específicos 
São objetivos específicos do fisioterapeuta: 
• trabalhar a promoção de saúde visando à integridade do movimento 
baseado na realidade das necessidades do território (patologias dos principais ciclos de 
vida); 
• prevenir distúrbios cinéticos – funcionais em todos os ciclos da vida 
humana; 
• tratar e reabilitar as principais alterações do movimento mais incidentes 
no território; 
• realizar atendimento domiciliar a pessoas restritas ao leito prestando 
 
9 
 
assistência fisioterapêutica e orientando os familiares quanto aos cuidados. 
 
COMPETÊNCIAS DO FISIOTERAPEUTA NA ESF 
 
São competências do fisioterapeuta: 
• capacidade para elaborar planos e projetos que produzam impacto na 
população; 
• capacidade para realizar ações para a promoção da saúde; 
• capacidade de trabalhar em equipe interdisciplinar; 
• capacidade para realizar ações educativas voltadas para a comunidade; 
• capacidade para articulação intersetorial das estratégias para intervir 
sobre os problemas de saúde; 
• capacidade de desenvolver ações, individuais e coletivas, de prevenção 
de doenças; 
• capacidade para desenvolver ações de recuperação e reabilitação das 
doenças identificadas nos ciclos de vida bem como envolver a família no processo de 
tratamento e reintegração social. 
 
HABILIDADES NECESSÁRIAS PARA O DESENVOLVIMENTODAS 
COMPETÊNCIAS 
 
São habilidades necessárias ao fisioterapeuta: 
• promover ações coletivas que causem impacto positivo na saúde da 
população; 
• realizar o reconhecimento do território a ser trabalhado
 para o diagnóstico da área; 
• realizar diagnóstico das necessidades e organizar a demanda a partir do 
diagnóstico da área; 
• atuar na prevenção e no tratamento de agravos à saúde; 
• promover a conscientização da população para a mudança do enfoque 
ao tratamento medicamentoso para o tratamento por meio de recursos físicos 
visando à diminuição do custo de medicamentos; 
• intervirnas atividades individuais consideradas prioritárias para o 
 
10 
 
desempenho funcional do indivíduo; 
• adaptar ações e instrumentos terapêuticos de acordo com recursos 
disponíveis na comunidade; 
• atuar junto aos diversos grupos etários considerando suas especificidades 
com atividades de promoção à saúde e prevenção, por meio de ações coletivas e 
individuais; 
• intervir em especialidades como traumato-ortopedia, ginecologia, 
obstetrícia, urologia, cardiorrespiratória, neurologia, reumatologia e pediatria; 
• envolver demais membros da equipe, familiares e cuidadores no processo 
terapêutico; 
• tratar e reabilitar as doenças do movimento mais incidentes e/ou 
prevalentes no território ou encaminhar às clínicas de referência; 
• sensibilizar e motivar a equipe de saúde, a família e a comunidade para 
reintegração social das pessoas com incapacidades; 
• desenvolver um modelo de referência e contrarreferência para a atenção 
secundária e terciária para dar continuidade à atenção do indivíduo; 
• estimular e contribuir para a participação popular nos conselhos locais 
de saúde; 
• realizar ações buscando parcerias para intervenção de problemas de 
saúde e enfrentamento destes; 
• participar das reuniões de roda de equipe de saúde da família; 
• organizar o processo de trabalho de acordo com a demanda da área de 
discussão na equipe de saúde da família para planejamento das ações que possam ser 
desenvolvidas no território ou dar continuidade ao trabalho já desenvolvido; 
• realizar e/ou atualizar o cadastro das pessoas que se encontram restritas 
ao leito; 
• realizar visitas domiciliares às pessoas que se encontram restritas ao 
leito, juntamente com os demais membros da equipe de saúde da família, para conhecer 
a realidade destas, elaborar e aplicar um plano de cuidados. 
 
ATENDIMENTO NAS UNIDADES DE SAÚDE DA FAMÍLIA 
 
Na Unidade de Saúde da Família é onde acontece a triagem dos casos, ou seja, o 
 
11 
 
acolhimento. O usuário deverá ter no mínimo orientações de como proceder ou de 
aonde deverá ir para solucionar seus problemas. Os casos mais complexos serão 
encaminhados para a Atenção Secundária (Centro de Reabilitação Municipal ou para 
Policlínica), devendo sempre solicitar a contrarreferência (Integração entre os Níveis 
de Hierarquia). Este usuário saindo da fase mais aguda deverá voltar à Unidade e ser 
inserido em algum grupo. 
É importante salientar que o tratamento deverá ser feito de forma integral e 
interdisciplinar, devendo atender às necessidades deste usuário. Os níveis de hierarquia 
deverão se complementar e trabalhar de forma integrada e harmônica. 
As atividades em grupos ou procedimentos coletivos (EP, ERAP, caminhadas 
e/ou hidroterapia) terão sempre preferência, por dar um sentido mais equânime às 
ações, mas casos específicos deverão também ter sua devida atenção. 
É nas Unidades de Saúde que o fisioterapeuta terá o contato com a Equipe de 
Saúde, para trocar informações e receber as demandas de usuários que precisarão de 
cuidados nos domicílios e/ou ser encaminhados para alguma atividade em grupo. 
Os atendimentos domiciliares acontecerão sempre que os usuários estiverem 
acamados e/ou restritos aos lares. O fisioterapeuta precisará orientar a família quanto 
aos melhores cuidados, e sempre que possível atender com o objetivo do pronto 
restabelecimento, para que este usuário possa ir à Unidade e/ou participar dos grupos, e 
que haja também uma pronta reinserção à sociedade. Nesta situação é que o profissional 
de Saúde Pública entrará em ação observando a família em seu habitat natural e 
exercendo seu papel social. 
O fisioterapeuta deverá ter pleno acesso às escolas, igrejas, creches e às demais 
instituições, para que sejam realizadas as Educações em Saúde. Deverão ser abordados 
temas relacionados à Saúde de forma geral, principalmente temas levantados pela 
própria população. 
Os usuários, ao serem instruídos, deverão ser estimulados a serem propagadores 
de saúde, ou seja, passarem as informações colhidas para todos os familiares e amigos. 
Desta forma poderemos alcançar a todos. 
Na própria Unidade de Saúde poderá ser feita a Saúde Educativa, na sala de 
espera, é importante que o conhecimento seja passado de forma interativa, devendo este 
profissional não passar a imagem de “todo poderoso do conhecimento”, mas ouvir e 
apurar o conhecimento popular. 
Desta forma aumentaremos o vínculo com a comunidade e conseguiremos a sua 
 
12 
 
confiança. Pondo em prática as diretrizes da Estratégia da Saúde da Família. 
 
ATIVIDADES EM GRUPOS OU PROCEDIMENTOS COLETIVOS 
 
São procedimentos realizados em grupos, objetivando não apenas resolver os 
problemas da saúde da comunidade, mas também integrá-los e criar vínculo com a 
Equipe de Saúde. A nova concepção de saúde preconiza a realização de atividades que 
visem à saúde de todos, e não à doença de alguns. A criação apenas de grupos de 
hipertensos diabéticos ou de outras patologias acaba por excluir aqueles que se 
encontram no primeiro nível de prevenção (pré-morbidade), desrespeitando o que está 
escrito na nossa Lei Magna, no seu Artigo 5º: 
 
Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. 
 
São benefícios das atividades em grupos ou procedimentos coletivos: 
• resolutividade nos atendimentos; 
• maior socialização entre os moradores; 
• maior integração da comunidade; 
• criação de vínculos com a equipe de saúde; 
• maior abrangência pela equipe dos problemas de saúde da área; 
• equidade no atendimento à população, abrangendo todos adscritos, 
independente de estarem doentes ou não, atingindo em uma só estratégia todos os níveis 
de prevenção (primário, secundário e terciário). 
 
São exemplos de atividades em grupos ou procedimentos coletivos: 
• escola de postura; 
• exercícios aquáticos em grupo; 
• escola de reeducação do assoalho pélvico; 
• caminhadas terapêuticas. 
 
ESCOLA DE POSTURA 
 
13 
 
 
Faz parte do trabalho do fisioterapeuta orientar a população sobre os cuidados 
com a postura corporal, atuando na prevenção de alterações na coluna vertebral. A 
atuação poderá ocorrer no PSF, por meio de atividades em grupo que, além de 
contribuir para a diminuição da demanda por atendimentos individuais, será um fator 
importante na adesão ao tratamento. 
Desde que assumiu a postura ereta, o maior desafio do homem tem sido ficar 
em pé sem forçar suas estruturas ósseas ou articulações. Na luta contra a gravidade o 
corpo se defende como pode para compensar deficiências de equilíbrio ou dores. Vários 
são os fatores que podem afetar a postura, dentre eles os maus hábitos posturais de 
repouso, de trabalho e lazer. Não existe um padrão postural que possa ser 
denominado normal, pois, a postura de cada pessoa tem características que são 
unicamente suas. 
A Escola de Postura hoje é desenvolvida por todos os fisioterapeutas na maioria 
de suas áreas de atuações, sendo um método pedagógico e terapêutico de treinamento 
postural composto de informações teóricas, que proporcionam um maior conhecimento 
sobre o corpo enfocando as estruturas anatômicas, fisiológicas e 
biomecânicas, necessárias para a educação postural e adoção de novos hábitos 
de posturas e práticas de exercícios terapêuticos de flexibilidade, treino de relaxamento 
objetivando melhor controle de estresse e diminuição da tensão muscular. 
Nas últimas duas décadas, estudos estatísticos demonstram uma mudança 
importante no quadro de doenças com o aumento na incidência das doenças crônicas e 
degenerativas. A Fisioterapia apresenta uma missão primordial, de cooperação, 
mediante a nova realidade de saúde que se apresenta, por intermédio da aplicação de 
meios terapêuticos físicos, na prevenção, eliminação ou melhora de estadospatológicos 
do homem, na promoção e na educação em saúde. 
É importante salientar que a Escola de Postura realizada na Estratégia de Saúde 
da Família deverá receber não só usuários com afecções na coluna vertebral, mas sim a 
todos os usuários. Dando um sentido equânime às ações. 
 
OBJETIVOS GERAIS 
 
São objetivos gerais da Escola de Postura: 
 
14 
 
• estimular práticas resolutivas, racionalizando e/ou eliminando o uso de 
medicamentos e ações intervencionistas desnecessárias; 
• acolher e incluir o usuário, promovendo a otimização dos serviços e, 
consequentemente, o fim da fila de espera; 
• promover ações intersetoriais, atendimento multiprofissional e a 
interdisciplinaridade; 
• incentivar os usuários às práticas promocionais da saúde; 
• promover atividades como: cafés saudáveis, almoços e jantares 
dançantes, com objetivo de socializar, integrar e aumentar o vínculo dos usuários com 
os profissionais da saúde; 
• proporcionar aos usuários um atendimento mais humanizado; 
• estimular a corresponsabilidade e o protagonismo dos sujeitos, ou seja, 
fazer com que o usuário assuma o seu papel na construção de um Sistema de Saúde 
mais justo. 
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
São objetivos específicos da Escola de Postura: 
• busca ativa de alterações posturais; 
• conscientizar a sociedade da importância de adotar uma boa postura para 
que se tenha uma melhor qualidade de vida; 
• identificação precoce de patologias da coluna vertebral em crianças e 
adolescentes; 
• promover a tomada de consciência corporal nas atividades da vida diárias, 
no lazer e nas atividades laborais; 
• prevenir e tratar as possíveis causas de problemas da coluna ligados a 
fatores posturais; 
• capacitar o indivíduo com dores na coluna vertebral e alterações posturais, 
para o autocuidado por meio da orientação postural, de exercícios terapêuticos que 
visem à prevenção da dor, minimizando e/ou inibindo o agravamento dos desvios 
posturais, tornando-o multiplicador de saúde da coluna vertebral; 
• promover a conscientização da população para a mudança do enfoque do 
tratamento químico para o tratamento através de recursos físicos, visando à diminuição 
 
15 
 
dos custos de medicamentos e a redução de danos aos usuários causados pelo excesso 
dos mesmos; 
• mostrar as possíveis causas de dor nas costas e ensinar como podemos 
evitar (dicas de postura) e/ou tratar da melhor forma possível. 
 
COMO PODE SER FEITA A ESCOLA DE POSTURA? 
 
As aulas podem ser ministradas semanalmente, pelo período de uma hora, onde 
são abordados temas como: mecanismo da dor, anatomia e fisiologia do movimento, a 
importância da atividade física como prevenção para problemas da coluna e da saúde, a 
obesidade e o estresse como possíveis fatores causais e/ou agravantes da dor nas 
costas, reeducação postural, alterações ergonômicas nos lares e no trabalho. São 
ensinados exercícios e alongamentos para que sejam feitos em casa diariamente, além 
de autoposturas que ajudem aliviar o quadro álgico e dar propriocepção (consciência 
corporal) aos usuários. 
A duração é de três a seis meses dependendo da evolução dos usuários. 
As turmas são formadas de 10 a 15 usuários, previamente selecionados, após 
avaliações cinesiofuncionais. 
Aqueles que já apresentam afecções da coluna e estão em agudização serão 
encaminhados para o Centro de Reabilitação e tratados com técnicas específicas, 
definidas pelo fisioterapeuta, objetivando a eliminação desta fase, de acordo com a 
necessidade. Depois da alta e/ou melhora do quadro álgico, estes usuários passam a 
participar com o grupo na Escola de Postura. 
As atividades deverão ser realizadas, próximo às Unidades de Saúde da Família 
onde estão adscritos os usuários, com intuito de facilitar o acesso. O ideal é que sejam 
em um espaço grande, por exemplo, em quadras escolares, igrejas ou praças, isto poderá 
ser organizado pelo Fisioterapeuta, através de parcerias, promovendo também uma das 
diretrizes do SUS, que é a intersetorialidade. 
Ao final de cada aula deverão ser distribuídos folhetos informativos, contendo 
orientações e gravuras com posturas adequadas durante as atividades da vida diária, e 
como agir em casos de emergências (crises de coluna), antes de o profissional aplicar os 
primeiros socorros. Nestes folhetos podem ser acrescentadas noções de SUS (direitos 
e deveres do cidadão), para que o usuário aprenda a exercer a sua cidadania. 
 
16 
 
Vários profissionais da equipe podem ser solicitados a ministrar palestras 
educativas (educação em saúde), com objetivo de aproximar a sociedade dos mesmos e 
dando integralidade ao tratamento. Dentre estes, dentistas, médicos, enfermeiros, 
nutricionistas, assistentes sociais, educadores físicos e outros. 
Podem ser realizados cafés saudáveis mensalmente com o objetivo de criação de 
vínculos e integração social com a comunidade, aproveitando-se as oportunidades para 
as palestras educativas. 
São sugestões de técnicas fisioterapêuticas que poderão ser usadas: 
• alongamento global; 
• cinesioterapia global; 
• manipulação e mobilização vertebral (técnicas osteopáticas, maitland, 
mulligan, mobilização neural e outras); 
• pompage, trações e massagens terapêuticas; 
• reeducação postural global pelo reequilíbrio proprioceptivo muscula 
RPG/RPM); 
• o uso do gelo sempre que houver quadro álgico, inflamatório e espasmos 
musculares; 
• orientações às AVDs (atividades de vida diárias) e às AVPs 
(atividades de vida profissionais); 
• relaxamento; 
• conscientização diafragmática e reeducação respiratória. 
 
Os materiais utilizados são: 
• colchonetes; 
• thera-band; 
• aparelho de som; 
• panfletos contendo orientações. 
 
São parte do público-alvo: 
• usuários previamente avaliados pelo fisioterapeuta, para que haja um 
controle; 
• aqueles que estiverem em crise de coluna (fase aguda), serão 
encaminhados para o Centro de Reabilitação, por não fazerem parte deste nível de 
 
17 
 
hierarquização, após saírem da fase aguda serão encaminhados para as Unidades de 
Saúde da Família, avaliados pelo fisioterapeuta responsável e então encaminhados para 
Escola de Postura; 
• todos os usuários que não estiverem sentindo nenhum tipo de dor, com 
objetivo de prevenção da dor nas costas e a promoção de saúde; 
• escolioses; 
• espondilartroses; 
• abaulamento, protusão e hérnias discais (fora da fase aguda); 
• lombalgias e lombociatalgias (fora da fase aguda); 
• cervicalgias e cérvico-braquialgias (fora da fase aguda); 
• hiper lordoses e hiper cifoses; 
• e outras. 
 
EXERCÍCIO AQUÁTICOS EM GRUPOS 
 
Existe um local para a terapia e recreação que fornece benefícios físicos, 
psicológicos e sociais para todos aqueles que sofrem de uma deficiência. A água é um 
meio maravilhoso para os exercícios e oferece oportunidades estimulantes para os 
movimentos que não estão dentro dos programas tradicionais de exercícios e em solo. 
Forças diferentes agem na água. A turbulência da água pode ser apreciada de uma forma 
que não é possível no ar, e o peso da água significa que ela pode ser empurrada e 
utilizada como resistência com que cada indivíduo pode trabalhar. Nela o corpo está 
simultaneamente sob ação de duas forças – gravidade (ou impulso para baixo) e 
empuxo (para cima) – que fornecem a possibilidade de exercícios tridimensionais, que 
não são possíveis no ar, e permitem a ocorrência de atividades de movimento sem a 
sustentação de peso, antes mesmo que elas sejam possíveis no solo. O tratamento 
precoce em uma situação de alívio de peso é possível (um indivíduo com nível d’água à 
altura do pescoço tem seu peso diminuído em 90%), e o calor e a sustentação da água 
fornecem efeitos benéficos. Maior percepção da rotação com a necessidade de controlá-
la exige equilíbrio e coordenações consideráveis, bem como um trabalho muscular 
preciso (CAMPION, 2000). 
 
OBJETIVOS GERAIS 
 
18 
 
São objetivos geraisdos exercícios aquáticos em grupo: 
• propiciar aos usuários do Programa de Saúde da Família (PSF) maior 
integração social, combatendo o isolamento em que muitos vivem, incentivando a troca 
de experiências, de saberes populares e estimulando a diversidade de saberes; 
• introduzir hábitos de vida saudável (mudanças do estilo de vida) aos 
usuários por meio de atividade física, educação em Saúde e “cafés saudáveis”; 
• resgatar e/ou melhorar a autoestima, autoconfiança e a cidadania; 
• promover a conscientização da população para a mudança do enfoque do 
tratamento químico para o tratamento por meio de recursos físicos, visando à 
diminuição dos custos com medicamentos e a redução de danos aos usuários causados 
pelo excesso dos mesmos. 
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
São objetivos específicos: 
• melhorar a consciência corporal, equilíbrio e estabilidade do tronco; 
• melhorar a musculatura respiratória; 
• aumentar a força e resistência muscular em casos de fraqueza 
excessiva; 
• promover relaxamento muscular por meio da vasodilatação causada pelo 
calor; 
• reduzir a sensibilidade à dor e aliviar espasmos musculares; 
• manter ou aumentar a facilidade do movimento articular, através da 
diminuição da viscosidade do líquido sinovial promovido pelo calor; 
• reeducar músculos paralisados; 
• melhorar o condicionamento cardiovascular e respiratório; 
• reduzir edemas de extremidades; 
• prevenir a incidência de osteoporose; 
• encorajar à prática das atividades funcionais; 
• aumentar o metabolismo corporal (10% a cada 1º C de elevação 
corporal), e o débito cardíaco; 
• estimular a propriocepção (percepção das partes do corpo no espaço e 
no tempo) corporal. 
 
 
19 
 
COMO PODEM SER FEITO OS EXERCÍCIOS AQUÁTICOS EM 
GRUPOS? 
 
As atividades poderão ser realizadas duas ou três vezes por semana, durante uma 
hora, com cada grupo, ou seja, cada Unidade de Saúde. O tratamento pode ser 
ministrado em qualquer piscina, claro que isto será definido pelo fisioterapeuta, ele que 
fará as avaliações e definirá para quem esta atividade será adequada. 
Os usuários deverão levar toalha e, ao término das atividades, devem se enxugar 
para manter os locais externos à piscina secos e seguros para todos. É necessário que se 
os acessórios e bijuterias sejam retirados antes de entrar na piscina. As atividades serão 
realizadas com no máximo 15 usuários por grupo. 
Serão realizadas outras atividades além do tratamento, como: 
• palestras educativas abordando assuntos sobre problemas de saúde geral, 
hábitos saudáveis, cidadania e melhoria da qualidade de vida, envolvendo equipe 
multiprofissional; 
• encontros mensais (cafés saudáveis), visando à integração social, a 
criação de vínculos, maior humanização no atendimento, a troca de experiências sempre 
estimulando a diversidades de saberes. 
 
 
SUGESTÕES DE CONDUTAS FISIOTERAPÊUTICAS UTILIZADAS 
 
O usuário é previamente avaliado nas Unidades de Saúde da Família, quanto à 
parte cinésio-funcional e será encaminhado ou não, dependendo do que o fisioterapeuta 
achar melhor, por ser este profissional especialista neste assunto. Devem ser feitas: 
• aferição de sinais vitais (PA, FC, FR) serão feitas antes das atividades e 
anotadas para servir de parâmetros de alta; 
• fase de aquecimento; 
• fase de alongamento de grupos musculares específicos a 
cada necessidade do usuário; 
• exercícios pliométricos; 
• fase de desaquecimento; 
• fase de relaxamento e Educação em Saúde. 
 
20 
 
 
Os materiais utilizados são: 
• aparelho de som; 
• aquecedor de piscina, se possível; 
• lona para cobertura da piscina (dias chuvosos); 
• macarrões (flutuadores); 
• coletes cervicais e lombares; 
• palmares de mão. 
 
Fazem parte do público-alvo: 
• hipertenso; 
• diabetes mellitus; 
• obesidade; 
• gonartrose, coxartroses e espondilartroses; 
• pós-operatório de cirurgias de joelho, quadril, tornozelo; 
• estresse; 
• sequelas de patologias neurológicas; 
• DPOC e outras. 
 
ESCOLA DE REEDUCAÇÃO DO ASSOALHO PÉLVICO (ERAP) 
 
A Escola de Reeducação do Assoalho Pélvico (ERAP) objetiva prevenir e tratar 
disfunções uroginecológicas e obstétricas relacionadas à mulher. Tendo a Incontinência 
Urinária (IU) como o distúrbio mais comum. Sendo um sintoma multifatorial, onde 
inúmeras patologias podem provocá-la. 
Para a International Continence Society (ICS), a incontinência é uma condição 
na qual há perda involuntária da urina, constituindo um problema social e de higiene, 
que traz sérias repercussões à qualidade de vida da mulher. Ela é um problema de saúde, 
social e econômico da maior importância. Atingindo mais as mulheres por razões 
anatômicas, pois, a uretra é mais curta (3 a 4 cm), por razões vasculares e tróficas 
(GROSSE; SENGLER, 2002). 
A IU é queixa notadamente comum entre meninas, mulheres nulíparas e também 
entre idosas. Relaciona-se às questões fisiológicas específicas da mulher como 
 
21 
 
enfraquecimento e deslocamento do assoalho pélvico. No entanto, esta disfunção atinge 
diversas outras áreas da vida, comprometendo a qualidade de vida dessas mulheres. De 
fato, os efeitos psicossociais da IU podem ser mais devastadores do que as 
consequências sobre a saúde, com múltiplos e abrangentes efeitos que influenciam as 
atividades diárias, a interação social e a autopercepção do estado de saúde. 
Os custos da incontinência urinária são difíceis de quantificar. O custo de 
pacientes internados varia em 700 milhões de reais. Os custos com medicamentos, 
cirurgias e reeducação chegam a 1 bilhão de reais. Enfim, o custo psicológico e moral 
são incalculáveis (GROSSE; SENGLE, 2002). 
Todas as pesquisas confirmam que, pelo menos, 70% das mulheres atingidas por 
diversos distúrbios miccionais nunca falaram do seu problema ao médico. Ao agir sobre 
as forças de retenção ativas dependentes da vontade (musculatura estriada do AP) a 
reeducação perineal buscam-se dois objetivos principais: restabelecer a continência e 
prevenir a deterioração da estética pélvica da mulher (GROSSE; SENGLE, 2002). A 
função destes músculos é sustentar as vísceras em posição vertical, além da manutenção 
da continência urinária. Para tanto, esses músculos necessitam estar fortes e em perfeitas 
condições. 
 
OBJETIVOS GERAIS 
 
São objetivos gerais da ERAP: 
• melhorar a qualidade de vida; 
• evitar cirurgias desnecessárias; 
• devolver à mulher sua autoestima; 
• diminuir gastos aos cofres públicos; 
• quebrar paradigmas, ou seja, mudar a concepção de que com o 
envelhecimento seja normal ter IU; 
• acrescentar à saúde da mulher o olhar fisioterapêutico, ou seja, o olhar 
funcional; 
• oferecer à mulher uma possibilidade de se cuidar e integrá-la a 
sociedade; 
• melhorar a qualidade da vida sexual destas mulheres, restabelecendo 
e/ou melhorando sua vida conjugal. 
 
22 
 
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
São objetivos específicos da ERAP: 
• melhorar a contração da musculatura do períneo, tornando-a mais potente 
(forte e rápida), ajudando na compressão da uretra contra a sínfise púbica, aumentando a 
pressão intrauretral no momento do aumento da pressão intra-abdominal, hipertrofiando 
e aumentando o volume da 
musculatura pélvica. Dessa forma, o suporte estrutural dessa região ficará mais 
eficiente impedindo a descida da uretra quando houver aumento da pressão intra-
abdominal, diminuindo assim incontinência urinária de esforço em mulheres; 
• promover a tomada de consciência corporal
 restabelecendo as disfunções dos músculos do assoalho da pelve; 
• reeducar os MAPs nos casos de incontinência urinária restaurando sua 
função, evitando assim cirurgias desnecessárias; 
• preparar o paciente no pré e no pós-operatório através de exercícios 
terapêuticos; 
• prevenir as recidivas de perineoplastia; 
• promover mobilidade, flexibilidade, restabelecer o tônus e coordenação 
do MAP com liberação do diafragma. 
 
COMO PODE SER FEITA E SUGESTÕESDE TÉCNICAS 
UTILIZADAS 
 
As usuárias selecionadas serão submetidas a um questionário de qualidade de 
vida que será passado na primeira aula. As aulas de ERAP poderão ser realizadas 
semanalmente em um espaço físico adequado, onde a mulher possa se sentir à vontade e 
possa realizar os exercícios com privacidade, com duração média de uma hora. Estas 
serão compostas de orientações sobre a anatomia e fisiologia da mulher, prevenção e 
tratamento da IU, exercícios perineais e melhora da qualidade de vida. 
Os exercícios pélvicos serão realizados nas posições: sentada, decúbito ventral, 
decúbito dorsal, em quatro apoios, em pé e caminhando. Com contrações das fibras 
rápidas (brancas ou fásicas) (contrair/relaxar) e contrações lentas (vermelhas), com 
 
23 
 
cinco vezes de repetição. Estas contrações serão realizadas nas mais variadas posições 
com intuito de mostrar para as usuárias que elas podem contrair o AP em qualquer 
momento ou posição em sua vida diária. Ao final das dez aulas, estas serão submetidas 
novamente ao mesmo questionário, para que tenhamos um parâmetro de melhora ou 
não, da qualidade de vida. 
Serão utilizados colchonetes, thera band, bolas de bobath, aparelho de som, 
folhetos educativos e material didático. 
Fazem parte do público-alvo, a princípio, todas as usuárias adstritas nas 
Unidades de Saúde da Família, de todas as faixas etárias, priorizando aquelas que 
apresentarem algum tipo de distúrbio. 
 
CAMINHADAS TERAPÊUTICAS 
 
Caminhada é indiscutivelmente um dos exercícios aeróbicos mais adequados para 
os adultos, especialmente idosos e indivíduos portadores de doenças cardíacas e 
metabólicas (diabetes, obesidade e excesso de triglicérides no sangue). Algumas 
vantagens podem ser conseguidas com esta estratégia, entre elas: 
• produz os mesmos benefícios da corrida, do ciclismo e da natação, se 
tratando de efeitos aeróbicos; 
• é considerada a prática mais segura de exercícios aeróbicos, do ponto 
de vista cardiovascular e funcional; 
• apresenta índices quase inexistentes de lesões osteoarticulares e 
cardíacas; 
• apresenta maior índice de aderência em exercícios para prevenção de 
problemas e promoção da saúde; 
• é uma atividade física fácil de ser executada, exigindo muito pouco em 
termos de equipamentos, podendo ser praticada o mais próximo de nossas residências 
ou trabalho (custo zero); 
• podendo ser realizada individualmente ou de forma coletiva. 
 
OBJETIVOS GERAIS 
 
São objetivos gerais das caminhadas terapêuticas: 
 
24 
 
• estimular práticas saudáveis; 
• fomentar a mudança do estilo de vida; 
• integração social; 
• acompanhamento e monitoramento de perto dos usuários com diabetes 
mellitus, hipertensos e obesos; 
• incentivar a participação de todos os usuários, aproveitando este espaço 
para a Saúde Educativa. 
 
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
São objetivos específicos das caminhadas terapêuticas: 
• fortalecer membros superiores (se houver movimento de braços durante a 
caminhada); 
• fortalecer membros Inferiores; 
• recondicionamento cardiorrespiratório; 
• recondicionamento físico; 
 
• perda de peso; 
• alongamento muscular; 
• e outros. 
 
COMO PODE SER FEITA? 
 
A princípio, os usuários deverão ser avaliados pela Equipe de Saúde. Estando 
aptos sob o ponto de vista clínico e cinético-funcional eles começarão as atividades. 
O ideal é que seja em um lugar seguro sem a presença de riscos à integridade 
física, para que possam relaxar e aproveitar ao máximo a caminhada. 
Nossas caminhadas são realizadas em um campo de futebol, isso é importante 
porque temos usuários com faixas etárias heterogêneas, assim conseguimos mantê-los 
juntos. 
Mensalmente poderão ser realizados cafés da manhã saudáveis com objetivo de 
integração e criação de vínculos. 
 
25 
 
 
Sugestões de técnicas utilizadas 
 
É interessante aferirmos os sinais vitais de todos antes de começarmos as 
caminhadas, para acompanhamento e para servir de parâmetros para o nosso trabalho. 
O aquecimento e o alongamento antes das atividades também são importantes, 
para prevenir possíveis lesões que porventura poderão surgir. 
É importante que as atividades sejam iniciadas de forma lenta e gradual. 
Salientamos que as atividades tenham sua fase de aquecimento, alongamento, atividade 
principal, desaquecimento e relaxamento. 
No final das atividades é importante a Educação em Saúde com a abordagem de 
diversos temas, inclusive levantados pelos próprios usuários. 
Os materiais utilizados são: 
• calçados adequados à caminhada; 
• roupas leves e confortáveis; 
• protetor solar; 
• chapéu ou boné para proteger do sol; 
• e outros. 
Formam o público-alvo: 
• a princípio todos os usuários que estiverem dispostos a fazerem uma 
atividade física e sair do sedentarismo; 
• hipertensos; 
• diabéticos; 
• obesos; 
• dislipidemias; 
• osteoporose; 
• e outros. 
 
 
ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NOS CICLOS DA VIDA 
 
O fisioterapeuta desenvolve atividades efetivas em todos os níveis de atenção à 
saúde, no entanto, devido a aspectos de ordem político-econômica e organizacional, a 
 
26 
 
função do mesmo é pouco divulgada e subutilizada, contudo, paulatinamente 
experiências isoladas em algumas regiões brasileiras mostram que a inserção deste 
profissional enriquece e desenvolve ainda mais os cuidados de saúde da população. 
Está entre as principais atribuições do PSF a atenção à criança, ao adolescente, à 
mulher, ao adulto, ao trabalhador, ao idoso e assistência às doenças como hipertensão, 
diabetes, tuberculose e outras, havendo para cada programa ações específicas de atenção 
à saúde. A Fisioterapia oferece suporte adequado em nível de atenção primária 
complementando de forma integrada estes programas. 
 
SAÚDE DA CRIANÇA 
 
Mais da metade das mortes de menores de um ano ocorre nos primeiros seis 
dias, isto poderia ser evitado por uma boa assistência ao pré-natal e ao parto, acesso da 
mãe à informação e controle social dos serviços públicos. Mas os cuidados não devem 
ser apenas durante a gestação. Após o nascimento a mãe deve continuar tendo toda 
atenção necessária, principalmente se o bebê nascer prematuro ou com peso abaixo de 
2,5 mil g. 
A criança que nasce antes de completar os nove meses de gestação requer 
cuidados especiais, pois está com a saúde fragilizada – chamada também como 
imaturidade orgânica. 
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, as afecções perinatais são 
responsáveis por 60% das mortes de crianças. 
Mas as organizações e a sociedade precisam colaborar, pois é preciso investir no 
desenvolvimento das crianças, desde a gestação, para que elas não só sobrevivam, mas 
vivam plenamente. 
As soluções para evitar a morte de crianças podem ser encontradas na família, na 
comunidade, no serviço de saúde ou a partir da formulação de políticas públicas de 
saúde nos Conselhos. Pode ser também a soma de esforços intersetoriais de governo e 
sociedade. Cada localidade tem o poder de descobrir e prevenir as causas pelas quais 
adoecem ou morrem as crianças, e assim diminuir o sofrimento humano. 
A Fisioterapia tem a missão, juntamente com as outras áreas de saúde, de atuar e 
intervir de forma organizada e pautada nas normas e diretrizes do SUS. Desta forma 
mostraremos agora algumas situações em que a Fisioterapia poderá somar esforços. 
 
27 
 
 
PUERICULTURA 
 
A Pediatria atende a criança, isto é, o ser humano em seu período de 
desenvolvimento – da fecundação à puberdade. A Fisioterapia associa-se à pediatria 
tratando e prevenindo as alterações do crescimento e desenvolvimento. 
Na Estratégia de Saúde da Família toda a Equipe de Saúde deverá fazer parte no 
atendimento à criança (médicos, enfermeiros, nutricionistas, dentistas, fonoaudiólogos e 
fisioterapeutas). 
A Fisioterapia deverá ser inserida na Equipe que faz a Puericultura, por ser ela a 
profissão especialista em movimento, com objetivos de detectarprováveis alterações e 
em seguida começar o tratamento necessário (estimulação). 
Em casos de crianças que tiveram um parto complicado começaremos logo que 
puder a Estimulação Precoce, não esperando as consequências negativas do parto 
aparecerem. 
 
OBJETIVO GERAL 
 
Acompanhar numa ação articulada com os demais profissionais da Equipe de 
Saúde da Família, intervindo nos distúrbios neuropsicomotores. 
As Fases de Atendimento da Fisioterapia na Puericultura são: 
• neonatal = período até o primeiro mês; 
• infância: 
▪ lactente = 1 mês até 2 anos; 
▪ pré-escolar = 2 a 7 anos; 
▪ escolar = 7 a 10 anos. 
▪ 
A Fisioterapia atuará juntamente com a Equipe em todas estas fases: 
• Crescimento: 
▪ aumento físico que é mensurável diretamente. 
▪ exemplo: peso, tamanho. 
▪ exemplo de alteração: nanismo. 
• Desenvolvimento: 
 
28 
 
▪ ganho de aptidão, capacidade de realização de 
funções e resolução de problemas. 
▪ exemplo: falar, andar. 
▪ exemplo de alteração: atraso no desenvolvimento neuropsicomotor 
(ADNPM). 
 
As características intrínsecas da criança associam-se à informação genética 
herdada pelos pais, bem como as alterações aleatórias dos seus genes e cromossomos. 
Os eventos mais intensos do crescimento e do desenvolvimento ocorrem antes do 
nascimento, sendo predominantemente somáticos. As influências ocorrem desde a fase 
uterina, sofrendo influências sociais, psicológicas e ambientais, como o uso de drogas. 
A interação complexa entre o ambiente, a genética e as características físicas (fenótipo) 
modela o indivíduo desde sua fase embrionária até o final de sua vida. Como exemplo 
da importância do ambiente no desenvolvimento infantil tem-se os estudos que 
demonstram que a falta de motivação da criança pode influenciar de maneira negativa na 
aquisição dos marcos. Em estudos realizados no Irã, verificou-se que em orfanatos onde 
as crianças permaneciam todo o primeiro ano de vida dentro de berços forrados nas 
laterais para evitar acidentes, sendo retirados somente para o banho, o sentar apresentou-
se somente na idade de 21 meses, e em 15% o andar só ocorreu aos três anos de idade. 
Daí a importância do acompanhamento das fases de crescimento, já que falamos em 
Atenção Primária à Saúde. 
Poderemos usar como parâmetros para acompanhamento a tabela a seguir. 
 
TABELA DESENVOLVIMENTO MOTOR GROSSEIRO (DE ZERO A 36 
MESES) 
 
Meses Parâmetros 
0 - 3 Movimentos reflexos amplos e bruscos (padrão flexor predomina). Criança (cç) 
começa a sustentar a cabeça. 
 
29 
 
 
3 - 6 
Começa o padrão extensor com a liberação dos membros superiores. Cç começa a 
rolar primeiro em bloco e depois dissociando. Em DV apoia os antebraços 
estendendo o tronco. Arrasta homolateralmente e arrasta cruzado. Faz 
transferência de peso, em DV podendo alcançar objetos à sua frente. 
 
6 - 8 
Senta apoiando as mãos na frente do corpo e depois com maior equilíbrio de 
tronco podendo apoiar as mãos do lado. Fica de 4 apoios transferindo o peso para 
frente e para trás (início do engatinhar). 
Começa a engatinhar com 8 meses (+/-) 
 
 
8 - 12 
Senta-se com total estabilidade e levanta-se segurando em algum apoio. Dá os 
primeiros passos com auxílio, fica em postura de urso. Depois fica em pé sem 
apoio por alguns segundos e engatinha com rapidez. Começa a dar alguns passos 
com pouco equilíbrio e a base de sustentação aumentada. Anda para frente 
empurrando móveis 
ou carrinhos. 
12 - 18 Diminui a base de sustentação durante a marcha. Começa a subir e descer 
escadas em gatas ou urso. Anda bem para os lados e 
para trás. 
18 - 24 Saltita nos dois pés e posteriormente num pé só. Sobe e desce 
escada com auxílio, começa a correr. 
24 - 36 Corre e saltita com maior equilíbrio, sobe e desce escadas sem 
auxílio. 
 
TABELA DESENVOLVIMENTO MOTOR FINO (DE ZERO A 36 MESES) 
 
Meses Parâmetros 
0 - 3 Possui o reflexo de preensão, percebe objetos na linha média e além dela para os 
lados. 
3 - 6 Acompanha objetos com os olhos e cabeça, tenta agarrá-lo. Leva a mão ou 
objeto à boca, passa objetos de uma mão a outra, 
descobre o próprio corpo. 
6 - 8 Faz pinça fina, bate palmas e dá adeus. 
 
30 
 
 
TRANSTORNO DO DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR 
 
Deve-se realizar atendimento individual e coletivo em crianças nas Unidades de 
Saúde da Família. 
Como fazer: 
• detectar precocemente distúrbios no desenvolvimento psicomotor da 
criança; 
• realizar estimulação precoce e assistência fisioterapêutica em crianças 
com transtornos do desenvolvimento neuropsicomotor; 
• orientação quanto aos cuidados domiciliares realizados pela mãe e/ou 
responsáveis; 
• visita de acompanhamento feito pelo agente comunitário de saúde; 
• referência para atenção secundária (clínicas, centro de reabilitação) nos 
casos que necessitem de maior acompanhamento; 
• formação de grupos de atendimento coletivo, orientação para pais e 
cuidadores. 
 
PREVENÇÕES DAS DPOC E AFECÇÕES RESPIRATÓRIAS 
 
Cuidados simples, como evitar o contato com pessoas gripadas ou a circulação 
em ambientes fechados, com grande concentração de pessoas, ajudam a prevenir as 
doenças respiratórias, especialmente no inverno. Das infecções virais, a mais importante 
é a provocada pelo vírus da influenza ou gripe. 
O vírus da gripe permanece vivo no meio ambiente por algum tempo. Quando 
8 - 12 Libera o dedo indicador, atira o objeto para o adulto buscar, 
aponta e manipula objetos minuciosamente. 
12 -18 Imita a mãe, come sozinha com uma colher, despe-se sozinha, 
rabisca o papel com lápis. 
18 - 24 Arruma objetos, desembrulha coisas, constrói uma torre com 
quatro cubos (modulação do movimento), se concentra para brincar. 
24 - 36 Vira a página de um livro, sabe usar uma tesoura, rabisca o 
papel num espaço delimitado. 
 
31 
 
uma pessoa infectada por ele tosse ou espirra, elimina gotículas que contêm o vírus, e 
este pode se depositar em superfícies porosas, em móveis e em corrimão de escadas, 
entre outros. As pessoas não doentes podem se contaminar com o vírus ao tocar nestas 
superfícies, levando a mão à boca, nariz e olhos. 
A orientação é de que as pessoas tenham higiene das mãos, lavando-as ao chegar 
em casa ou após contato com outras pessoas; e as crianças ao chegarem da escola. 
 
O QUE FAZER E SUGESTÕES DE COMO FAZER 
 
Deve-se realizar atendimento individual e coletivo em crianças nas Unidades de 
Saúde da Família. 
As sugestões de como fazer são as seguintes: 
• realizar atendimento individual e coletivo em crianças com asma, IRA, 
para intervir e prevenir crises; 
• realizar ações coletivas envolvendo os pais, familiares e responsáveis na 
questão da educação e controle ambiental; 
• realizar um trabalho com grupo de Asma e DPOC (esclarecimento sobre 
a doença e atuação no organismo, orientar familiares sobre exercícios e toalete 
brônquica para diminuição de crises). 
 
PREVENÇÕES DE ALTERAÇÕES POSTURAIS NAS CRIANÇAS 
 
Grande parte dos casos de desvios posturais em adultos tem origem na infância 
das pessoas afetadas, e no fato de que seus pais, professores e responsáveis não deram a 
devida importância ao modo como elas se sentavam, caminhavam, e, mesmo, à sua 
posição enquanto dormiam. 
Enquanto eram crianças, essas pessoas adotaram posturas erradas. Como não 
foram corrigidas ou alertadas sobre isso, e muito menos tratadas de modo conveniente, 
elas formaram vícios posturais que, com o seu desenvolvimento físico e ao longo de 
suas vidas, transformaram-se em problemas bem mais graves, como escolioses, 
hiperlordoses e hipercifoses, por exemplo, que hoje são comuns em grande parte da 
população brasileira. 
A boa postura é basicamente a melhor forma de manter o equilíbrio do 
corpo, e este equilíbrio permite que todos os órgãos funcionem com o menor esforço 
 
32 
 
muscular possível. A postura é também uma adaptação de cada pessoa ao seu meio 
social e às necessidades e tarefas do seu diaa dia. Assim, é na infância, quando o corpo 
se desenvolve rapidamente, que costumam surgir os primeiros problemas relacionados à 
postura. 
As causas mais comuns para a má postura adotada pela criança têm relação direta 
com suas características físicas. Durante a fase de crescimento, por exemplo, é comum 
vermos jovens que tendem a curvar-se sobre o próprio corpo em busca de um equilíbrio 
melhor; de garotas que (envergonhadas) passam a andar encolhidas para esconder os 
seios em desenvolvimento; de jovens obesos que, esforçando-se para sustentar o peso de 
seus corpos, desenvolvem diversos tipos de desvios posturais, etc. 
Por outro lado, na maior parte de nossas comunidades, é comum constatarmos a 
inadequação do mobiliário escolar às necessidades das crianças, o que provoca o 
surgimento de diversos vícios posturais e agrava os problemas de postura porventura já 
existentes. Como exemplos dessa inadequação, podemos citar as carteiras que não 
permitem a aproximação da cadeira, o que obriga a criança a inclinar-se para frente, 
curvando a coluna. Outro ponto bastante comum, apesar de hoje haver maior 
conscientização a respeito, é o excesso de peso que as crianças são obrigadas a levar 
para a escola em suas mochilas. Não se deve esquecer, também, os autênticos exercícios 
de contorcionismo que as crianças de várias escolas são obrigadas a fazer por conta da 
iluminação deficiente e da má acústica nas salas de aula, o que as obriga a procurarem 
os melhores pontos de escuta e focos de luz para melhor acompanharem as aulas. 
Como tantas outras doenças bastante comuns em nosso meio, sempre será mais 
fácil prevenir do que remediar os problemas de coluna. Assim, a ênfase deste curso 
recairá sobre os cuidados posturais preventivos durante a infância e a adolescência, 
seguindo as diretrizes da Atenção Básica (Prevenção e Promoção da Saúde). As 
comunidades devem ser alertadas quanto à atenção que este assunto merece – tanto por 
parte dos pais e responsáveis quanto dos professores – para que possam ter uma atuação 
efetiva na formação de bons hábitos nos jovens, corrigindo ambientes, mobiliários, 
condutas e até mesmo preconceitos que porventura estejam prejudicando aqueles que ali 
vivem. 
As aulas sobre anatomia e fisiologia da coluna vertebral poderão ser 
apresentadas nas escolas, igrejas ou na própria Unidade de Saúde da Família. Cartazes 
poderão ser apoiados em suportes, poderão ser mostrados modelos em plástico (ou 
outros materiais) do esqueleto humano, pois a visualização ajuda as pessoas a 
 
33 
 
compreender melhor as funções da coluna. 
É importante mencionar que também os fatores genéticos podem influenciar a 
postura e os seus desvios, de modo que os pais e profissionais de saúde devem ficar 
atentos a qualquer sinal de desvio de coluna já nos recém-nascidos. 
Pais e responsáveis devem ser conscientizados quanto ao fato de que são em 
grande parte responsáveis pela formação de bons hábitos posturais em seus filhos. Neste 
sentido, quanto maior for sua atenção sobre tudo o que diz respeito à postura da criança, 
mais cedo poderá ser detectado algum problema, e mais fácil e eficaz será a sua 
correção. 
À primeira vista, alguns cuidados podem parecer irrelevantes a pessoas que não 
conhecem as consequências, por exemplo, do uso contínuo de calçados apertados. Por 
isto, as palestras podem servir de ponto de partida para que a comunidade seja levada a 
analisar vários itens (aparentemente “sem importância”) no que diz respeito à questão 
postural, mas que podem comprometer a saúde atual e futura das crianças. Estes 
cuidados incluem a atenção quanto à posição em que a criança dorme, senta, caminha 
etc., passando com ênfase pelo modo como costuma assistir à TV, momento em que 
passa muitas horas em frente ao aparelho, nem sempre nas posições mais 
recomendáveis para a saúde de sua coluna. 
Também os professores podem identificar os desvios posturais que ocorrem em 
seus alunos, pois passam boa parte do dia com eles. Até por este motivo, os professores 
podem ajudar a prevenir o problema de modo bastante eficaz. São cuidados simples, 
como observar se a criança adota uma postura inadequada, ou esclarecer aos alunos 
sobre a importância de uma boa postura para a saúde e para a aparência de todos os 
seres humanos. Além disso, os professores devem ter sempre em mente que a criança 
não pode carregar mais do que 10% do seu peso corporal (quem pesa até 30 Kg deve 
carregar, no máximo, 3 Kg). Isto implica fazer um planejamento racional das aulas e das 
tarefas a serem ministradas a cada dia, para evitar que as crianças sejam obrigadas a 
carregar mochilas muito pesadas, ou a de armários nas escolas também pode ser 
sugerida. 
Os professores devem trabalhar em parceria com os pais, alertando-os no caso de 
detectarem algum desvio postural na criança; quanto aos pais, estes devem procurar um 
profissional de saúde capaz de avaliar e de indicar o tratamento mais adequado para 
corrigir o problema de seus filhos. O esporte é um grande aliado na luta contra os 
vícios posturais. As crianças que os praticam desde cedo melhoram sua coordenação 
 
34 
 
motora, fortalecem a musculatura, aprendem a lidar com o próprio corpo de uma 
maneira mais segura, além de desenvolverem numerosos valores éticos fundamentais 
para sua vida em sociedade. Tudo isto faz parte de uma vida digna e saudável desde a 
infância. Neste sentido, a qualidade de vida também depende de uma boa postura (em 
todos os sentidos). 
 
PREVENÇÃO DE ACIDENTES EM CASA 
 
O fisioterapeuta e/ou a Equipe de Saúde poderão atuar de forma preponderante 
por meio da Saúde Educativa. Temas relacionados a acidentes dentro do próprio lar 
poderão ser abordados levando-se em consideração os aspectos apresentados a seguir. 
 
PREVENÇÃO DE ACIDENTES COM ÁLCOOL 
 
Cerca de 150 mil pessoas sofrem queimaduras graves por acidente com álcool 
líquido. Deste total, 45 mil são crianças. Em fevereiro de 2002, a Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (ANVISA) proibiu a comercialização deste álcool. No entanto, 
alguns fabricantes conseguiram liminar na justiça este produto continua sendo vendido. 
Nos primeiros seis meses desta medida os acidentes, principalmente em 
crianças, diminuíram cerca de 60%. Pesquisas mostram que uma garrafa de plástico 
pode explodir e funcionar como uma bomba. 
O tratamento de uma pessoa queimada dura em torno de três meses e custa em 
média R$ 1,2 mil. Portanto, alguns cuidados precisam ser tomados, como por exemplo, 
dar preferência ao álcool em gel e manter longe do acesso das crianças. 
 
PREVENÇÃO DE QUEDAS E ACIDENTES 
 
Você sabia que acidentes são a principal causa de mortalidade de 1 a 14 anos 
no Brasil? A boa notícia é que 90 % dos casos podem ser evitados. 
Alguns cuidados no banheiro, por exemplo: 
• um simples descuido pode provocar morte por afogamento (supervisione 
a criança ao tomar banho); 
• para evitar queimaduras, examine a temperatura da água com o dorso 
da mão, antes do banho; 
 
35 
 
• mantenha medicamentos e produtos de higiene fora do alcance das 
crianças, e em armários trancados; 
• utensílios e aparelhos afiados devem ficar fora do alcance; 
• a criança pode se afogar em vasos sanitários com comprimento de 
apenas 2,5 cm estando com água. Mantenha-os fechados; 
• ao escolher brinquedos, observe a idade adequada e o selo do 
INMETRO; 
• cuidado com sufocação dentro do berço; 
• cuidado com escadas (instale portões, telas e redes de segurança); 
• cuidado com quinas afiadas dos móveis. 
Cuidados simples poderão evitar acidentes sérios. É o nosso papel como 
profissionais de saúde pública orientar e esclarecer a população, visando à integridade 
plena de nossas crianças. 
 
CONTROLE DA OBESIDADE INFANTIL 
 
A definição de obesidade é muito simples quando não se prende a formalidades 
científicas ou metodológicas. O visual do corpo é o grande elemento a ser utilizado.O 
ganho de peso na criança é acompanhado por aumento de estatura e aceleração da idade 
óssea. No entanto, depois, o ganho de peso continua e a estatura e a idade óssea se 
mantêm constantes. A puberdade pode ocorrer mais cedo, o que acarreta altura final 
diminuída, devido ao fechamento mais precoce das cartilagens de crescimento. 
É consenso que a obesidade infantil vem aumentando de forma significativa e 
que ela determina várias complicações na infância e na idade adulta. Na infância, o 
manejo pode ser ainda mais difícil do que na fase adulta, pois está relacionado a 
mudanças de hábitos e disponibilidade dos pais, além de uma falta de entendimento da 
criança quanto aos danos da obesidade. 
De acordo com relatos da Organização Mundial da Saúde, a prevalência de 
obesidade infantil tem crescido em torno de 10% a 40% na maioria dos países europeus 
nos últimos dez anos. A obesidade ocorre mais frequentemente no primeiro ano de 
vida, entre cinco e seis anos e na adolescência. 
A obesidade está presente nas diferentes faixas econômicas no Brasil, 
principalmente nas faixas de classe mais alta. A classe socioeconômica influencia a 
 
36 
 
obesidade por meio da educação, da renda e da ocupação, resultando em padrões 
comportamentais específicos que afetam ingestão calórica, gasto energético e taxa de 
metabolismo. Entretanto, à medida que alimentos saudáveis, incluindo peixes, carnes 
magras, vegetais e frutas frescas, estão menos disponíveis para indivíduos de condições 
mais restritas, a relação entre obesidade e baixa classe socioeconômica é observada em 
países em desenvolvimento. 
A quantidade total de gordura, o excesso de gordura em tronco ou região 
abdominal e o excesso de gordura visceral são três aspectos da composição corporal 
associados à ocorrência de doenças crônico-degenerativas. O aumento do colesterol 
sérico é um fator de risco para doença coronariana, e esse risco é ainda 
maior quando associado à obesidade. O sobrepeso triplica o risco de 
desenvolvimento e diabetes mellitus. Assim como a obesidade, o nível de colesterol 
aumentado, o hábito de fumar e a presença de hipertensão arterial sistêmica, diabetes 
mellitus e sedentarismo são fatores de risco independentes para doença coronariana. A 
obesidade é fator de risco para dislipidemia, promovendo aumento de colesterol, 
triglicerídeos e redução da fração HDL colesterol. A perda de peso melhora o perfil 
lipídico e diminui o risco de doenças cardiovasculares. A aterosclerose tem início na 
infância, com o depósito de colesterol na íntima das artérias musculares, formando a 
estria de gordura. 
O exercício é considerado uma categoria de atividade física planejada, 
estruturada e repetitiva. A aptidão física, por sua vez, é uma característica do indivíduo 
que engloba potência aeróbica, força e flexibilidade. O estudo desses componentes pode 
auxiliar na identificação de crianças e adolescentes em risco de obesidade. A criança e 
o adolescente tendem a ficar obesos quando sedentários, e a própria obesidade poderá 
fazê-los ainda mais sedentários. A atividade física, mesmo que espontânea, é importante 
na composição corporal, por aumentar a massa óssea e prevenir a osteoporose e a 
obesidade. 
Hábitos sedentários, como assistir televisão e jogar vídeo game, contribuem para 
uma diminuição do gasto calórico diário. Estudos demonstraram uma diminuição na 
taxa de metabolismo de repouso enquanto as crianças assistiam a um determinado 
programa de televisão, sendo ainda menor nas obesas. Então, além do gasto metabólico 
de atividades diárias, o metabolismo de repouso também pode influenciar a ocorrência 
de obesidade. O aumento da atividade física, portanto, é uma meta a ser seguida, 
acompanhado da diminuição da ingestão alimentar. Com a atividade física, o indivíduo 
 
37 
 
tende a escolher alimentos menos calóricos. Deve-se prevenir a obesidade infantil com 
medidas adequadas de prescrição de dieta na infância desde o nascimento, além de se 
estudar mais sobre programas de educação que possam ser aplicados no nível primário 
de saúde e nas escolas. 
 
ESTIMULAR O ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO ATÉ OS 
SEIS MESES 
 
É imprescindível que os profissionais de saúde tenham o mesmo discurso em 
relação ao aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade do bebê, inclusive 
o fisioterapeuta. Todo bebê, enquanto está na barriga da mãe, recebe dela tudo o que 
precisa para o seu crescimento. Mas, depois que ele nasce o leite materno é a sua fonte 
de vida e é o que ele precisa para crescer forte e feliz! Veja as vantagens do aleitamento 
materno: 
• é o melhor alimento para o bebê; 
• é de fácil digestão; 
• protege o bebê contra várias doenças; 
• transmite amor e carinho, fortalecendo a relação entre mãe e filho; 
• não precisa ferver ou coar, nem esfriar; 
• está sempre pronto, em qualquer hora e lugar, na temperatura ideal; 
• reduz o risco de câncer de mama e ovários; 
• é de graça. 
 
Dicas para uma amamentação saudável para o bebê e para a mamãe 
 
Confira, agora, algumas dicas para ter uma amamentação saudável: 
• não existe leite fraco – nos primeiros dias da amamentação sai um leite 
transparente ou amarelado que é chamado colostro. Ele sai em pouca quantidade, mas é 
suficiente para as necessidades do bebê, funcionando como uma vacina que protege a 
criança contra doenças. Todo leite materno é forte e adequado para o crescimento e 
desenvolvimento e tem tudo que o bebê precisa até os seis meses de vida; 
• quanto mais o bebê mama, mais leite a mãe produz – sugar o peito é o 
que estimula a produção de leite. Por isso, não dê ao seu filho chás, água, sucos ou outro 
 
38 
 
leite, nos primeiros seis meses de vida, sem antes falar com o profissional de saúde. 
Começar a amamentar já na sala de parto facilita a descida do leite. Procure manter o 
bebê ao seu lado, do nascimento até a alta do hospital. A criança que mama no peito 
várias vezes, dia e noite, de acordo com a sua vontade, não necessita de mais nada, 
apenas de uma leve limpeza na boca que pode ser feita até com a própria fralda limpa. O 
leite materno é o alimento mais completo e tem ação protetora contra diversas doenças. 
Quanto mais tempo o bebê mamar, melhor será a formação do arco dentário, o que fará 
com que seus dentes cresçam sem problemas de alinhamento. Assim, será evitada no 
futuro a necessidade de utilização de aparelho ortodôntico, colaborando, desta forma, 
para respiração e fala corretas – prevenindo pneumonias, amigdalites e outras doenças; 
• coloque o bebê na posição correta para mamar – para que o bebê sugue 
bem, ele deve estar com o corpo totalmente voltado para a barriga da mãe, de modo a 
poder abocanhar não só o mamilo (bico do peito), mas grande parte da aréola (parte 
escura do seio em volta do bico). Deste modo, com a boca bem aberta, a criança pega o 
peito corretamente, o leite sai em quantidade suficiente, o bebê engole tranquilamente e 
a mãe não sentirá dor. 
 
Observando sempre a postura 
 
No momento da amamentação, é importante observar a postura: 
• cuide corretamente das mamas – para evitar rachaduras, não lave os 
mamilos antes e depois das mamadas. Basta o banho diário, evitando o uso de sabonetes 
nos mamilos. O próprio leite protege a pele, evitando infecções. Não use pomadas ou 
cremes nos mamilos. Troque o sutiã, se este estiver molhado; 
• retire o leite quando necessário (ordenha) – evite que a mama fique muito 
cheia e pesada. Se isto acontecer, tire o seu leite da seguinte forma. 
• pegue um vidro com tampa e ferva-o por 10 a 20 minutos; 
• não seque o vidro, só escorra; 
• lave bem as mãos até o cotovelo e escove as unhas (que devem ser 
curtas) com água e sabão; 
• seque com toalha limpa; 
• procure um lugar limpo e tranquilo, longe de animais. Não fume ou 
converse. Sinta-se relaxada; 
 
39 
 
• faça massagens circulares em volta dos seios, com a ponta dos dedos; 
• segureo vidro bem perto da mama; 
• coloque os dedos onde termina a aréola (parte escura em volta do bico), 
aperte e solte com cuidado até o leite sair; 
• feche bem o frasco e não deixe o vidro com seu leite encostar-se a outros 
alimentos; 
• se usar bomba de leite, ferva antes de usar e não deixe o leite cair na pera 
de borracha; 
• na falta de geladeira, o leite poderá ser guardado por duas horas em local 
fresco e dado ao bebê de copinho ou colher, quando a mãe não estiver em casa. 
• no congelador por cinco dias; 
• no freezer por 15 dias. 
 
SAÚDE DO ADOLESCENTE, DO JOVEM E SAÚDE ESCOLAR 
 
Saúde e Prevenção nas Escolas é um projeto dos ministérios da Saúde e da 
Educação, que conta com o apoio da Organização das Nações Unidas para a 
Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e do Fundo das Nações Unidas para a 
Infância (UNICEF). Representa um marco na integração saúde-educação e destaca a 
escola como o melhor espaço para a articulação das políticas voltadas para adolescentes 
e jovens, principalmente por poder contar com a participação dos sujeitos desse 
processo: estudantes, famílias, profissionais da educação e da saúde. Nos últimos anos, 
diferentes iniciativas entre saúde e educação estudaram maneiras de fazer prevenção 
eficiente com jovens nas escolas. O objetivo central é a promoção da saúde sexual e da 
saúde reprodutiva, visando reduzir a vulnerabilidade de adolescentes e 
jovens às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), à infecção pelo HIV, à AIDS e 
à gravidez não planejada, por meio de ações nas escolas, nas Unidades Básicas de 
Saúde e PSF. 
Seguindo a premissa de descentralização, a Saúde e Prevenção nas Escolas vêm 
realizando esforços para incentivar estados e municípios a assumir e preservar a 
qualidade dos serviços de ações destinadas à prevenção das DSTs/AIDS e uso de 
drogas para o público-alvo do projeto. 
A participação dos profissionais da Estratégia de Saúde da Família se faz 
 
40 
 
necessária nesta abordagem; como agentes sociais, deveremos participar ativamente. 
Neste novo papel social, o fisioterapeuta participará da Educação em Saúde 
realizada nas escolas e também na captação de casos relacionados às patologias citadas 
anteriormente. 
 
CUIDADOS COM A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA 
 
A gravidez precoce está se tornando cada vez mais comum na sociedade 
contemporânea, problema esse que vem preocupando o Ministério da Saúde, pois os 
adolescentes estão iniciando a vida sexual mais cedo. A gravidez na adolescência 
envolve muito mais do que problemas físicos, pois há também problemas emocionais, 
sociais, entre outros. Uma jovem de 14 anos, por exemplo, não está preparada para 
cuidar de um bebê, muito menos de uma família. Com isso, entramos em outra 
polêmica, o de mães solteiras; por serem muito jovens, os rapazes e as moças não 
assumem um compromisso sério e na maioria dos casos quando surge a gravidez um 
dos dois abandona a relação sem se importar com as consequências. Por isso, o número 
de mães jovens e solteiras vem crescendo consideravelmente. 
Mas o que acontece é que muitos pais acham constrangedor ter um diálogo 
aberto com seus filhos, essa falta de diálogo gera jovens mal instruídos, que iniciam a 
vida sexual sem o mínimo de conhecimento. Alguns especialistas afirmam que quando 
o jovem tem um bom diálogo com os pais, quando a escola promove explicações sobre 
como se prevenir, o tempo certo em que o corpo está pronto para ter relações e gerar um 
filho, há uma baixa probabilidade de gravidez precoce e um pequeno índice de doenças 
sexualmente transmissíveis. O prazer momentâneo que os jovens sentem durante a 
relação sexual transforma-se em uma situação desconfortável quando descobrem a 
gravidez. 
É importante que quando diagnosticada a gravidez, a adolescente comece o pré-
natal, receba o apoio da família (em especial dos pais) e tenha auxílio de um 
profissional da área de saúde. Dessa forma, ela terá uma gravidez tranquila, terá 
perspectivas mais positivas em relação a ser mãe, pois muitas entram em depressão por 
achar que a gravidez significa o fim de sua vida e de sua liberdade. 
É muito importante que haja diálogo entre os pais, os professores e os próprios 
adolescentes, como forma de esclarecimento e informação. Neste contexto social a 
participação dos Profissionais de Saúde da Estratégia de Saúde da Família 
http://www.brasilescola.com/biologia/gravidez-adolescencia.htm
 
41 
 
terá grande responsabilidade e contribuirá para a diminuição dos casos e 
acompanhamento dos já existentes. 
 
DSTS/AIDS E SAÚDE REPRODUTIVA 
 
O Ministério da Saúde, no documento “Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos: 
uma Prioridade do Governo” apresenta entre suas propostas e diretrizes a atenção à 
saúde sexual e à saúde reprodutiva de adolescentes e jovens. Tal prioridade consolida-
se por meio da articulação entre as diversas áreas que envolvem o tema e norteia a 
formulação e a implementação de ações relativas à saúde sexual e à saúde reprodutiva 
dos adolescentes e jovens de ambos os sexos. 
A saúde sexual e a saúde reprodutiva de adolescentes e jovens têm sido foco de 
inúmeros e profundos debates, questionamentos e controvérsias. A garantia dos direitos 
sexuais e dos direitos reprodutivos dessa população é uma questão de direitos humanos 
e propicia o pleno exercício do direito fundamental à saúde. 
O Ministério da Saúde, pautado nessa perspectiva, lança o “Marco Teórico e 
Referencial: Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva de Adolescentes e Jovens”, documento 
que agrega e discute os marcos legais, nacionais e internacionais, sobre saúde sexual e 
saúde reprodutiva, bem como a garantia de direitos. O marco fundamenta-se na 
produção do conhecimento sobre saúde e sexualidade, de adolescentes e jovens, 
existente no Brasil e no exterior e nas experiências políticas de muitos sujeitos sociais, 
com uma expressiva participação juvenil, cujos esforços têm se voltado para a garantia 
dos direitos de adolescentes e jovens no país. 
O objetivo deste documento é oferecer subsídios teórico-políticos, 
normativos e programáticos, que orientem a implementação de ações voltadas à saúde 
sexual e à saúde reprodutiva de adolescentes e jovens. Destina-se, especialmente, a 
todos os gestores do SUS, como também a outros setores das políticas públicas voltados 
à adolescência e à juventude. Ele deverá orientar as ações para a atenção à saúde sexual 
e à saúde reprodutiva de adolescentes e jovens, como parte das estratégias de 
implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e 
Jovens. 
A promoção dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos envolve: a promoção 
do bem-estar de adolescentes e jovens; o estímulo à educação, inclusive como condição 
para a saúde sexual e reprodutiva; o envolvimento de jovens no planejamento, na 
 
42 
 
implementação e na avaliação das atividades que a eles se destinam, com destaque para 
a educação, a saúde sexual e a saúde reprodutiva. 
Este marco expressa o compromisso do Governo Brasileiro com a superação 
das desigualdades e com a garantia dos direitos humanos de adolescentes e jovens no 
país, a partir de um amplo e profícuo debate. 
Baseado em tudo que foi supracitado, o fisioterapeuta, como profissional 
integrante da área de saúde, deverá ter a sua parcela de contribuição, participando 
ativamente da elaboração de estratégias que efetivem as diretrizes do Ministério da 
Saúde. 
As estratégias sugeridas são: 
• participar da formulação de políticas públicas no campo da saúde para 
reduzir a incidência do HIV/AIDS e outras DSTs, e a vulnerabilidade da população 
brasileira a esses agravos; 
• promover a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/AIDS; 
• reduzir os estigmas e os demais impactos sociais negativos do HIV/AIDS 
e outras DSTs, por meio de ações pautadas pela ética, pelo respeito às diversidades 
sexual, racial, étnica, social, econômicae cultural e pelo compromisso com a promoção 
e atenção à saúde, em consonância com os princípios e diretrizes do SUS, contribuindo 
para a resposta global à epidemia. 
 
SAÚDE DA MULHER 
 
Quanto à saúde da mulher, o fisioterapeuta atua na prevenção de câncer, por 
meio do papanicolau e autoexames das mamas, orientando quanto ao diagnóstico 
precoce; realiza também procedimentos ou técnicas fisioterápicas a fim de evitar 
complicações da histerectomia e da mastectomia, incluindo drenagem linfática como 
forma de tratamento. 
Será realizada avaliação e diagnóstico fisioterapêutico na saúde da mulher: o 
Diagnóstico fisioterapêutico ou fisiodiagnóstico é compreendido como a avaliação 
funcional, sendo esta um processo pelo qual, por meio de metodologias e técnicas 
fisioterapêuticas, são analisados e estudados os desvios físico-funcionais intercorrentes, 
na sua estrutura e no seu funcionamento, com a finalidade de detectar e parametrar as 
alterações apresentadas, considerando os desvios dos graus de normalidade para os de 
anormalidade. Também pode ser aceito como déficit orgânico e/ou funcional 
 
43 
 
consequente de uma afecção de base que os recursos fisioterapêuticos podem abolir, 
diminuir a intensidade ou diminuir a velocidade de progressão da deterioração e é 
descrito de forma generalizada, sucinta e precisa, como resultado da síntese da 
avaliação fisioterapêutica. 
 
ACOMPANHAMENTO À GESTANTE 
 
Nos grupos de gestantes, o fisioterapeuta atua no condicionamento físico, aliado 
a exercícios respiratórios e de relaxamento, manipulação, além da orientação à gestante 
sobre como proceder no pré e no pós-parto. O acompanhamento da gestante será 
realizado de diferentes formas nos trimestres gestacionais. 
 
PRIMEIRO TRIMESTRE 
 
Acompanhamento e orientações sobre os ajustes fisiológicos da gravidez: 
• sistema cardiovascular; 
• sistema respiratório; 
• mamas; 
• pele; 
• sistema gastrointestinal; 
• sistema nervoso; 
• sistema urinário; 
• sistema locomotor. 
 
Na ERAP para gestante, devem-se realizar todos os exercícios, respeitando a 
limitação de cada uma e fazendo adaptação com exceção dos exercícios, adaptando com 
o uso de bola de Bobath. O local onde serão realizadas as sessões deve ser devidamente 
preparado para dar conforto e tranquilidade às gestantes, e equipados, a fim de facilitar 
os exercícios de fortalecimento muscular, com materiais como colchonetes, almofadas, 
rolos acolchoados, bastões ou barras, bolas suíças de tamanhos diferentes, faixas 
elásticas do tipo thera band, as quais possuem resistências diferentes, entres outros 
utensílios. A sessão deve ser realizada regularmente, com um mínimo de duas vezes na 
semana. 
 
44 
 
 
SEGUNDO TRIMESTRE 
 
A gestante continuará realizando a ERAP semanalmente, porém daremos ênfase 
aos tópicos a seguir: 
• incentivar o cuidado com as mamas e estimular a amamentação – as 
estatísticas comprovam que cerca de 87% das mães com classe social 1 amamentam 
seus bebês duas vezes mais que aquelas com classe social 5 (43%). Sendo assim, deve-
se ratificar sobre os benefícios da amamentação para mãe e para o bebê. Deve ser 
indicado um bom sutiã de apoio na medida correta ao tamanho do conteúdo. Cuidado 
com os mamilos, com o enrijecimento mamário, com o uso de exercícios, a orientação 
quanto ao não uso de óleos sobre o mamilo. Massagens mamárias da periferia em 
direção ao centro; 
• prevenção de dor nas costas e cintura pélvica (50% das gestantes 
apresentam algias nas costas), o simples conhecimento do uso prudente das costas é um 
direito de toda mulher; serão sugeridas adaptações no deitar, no levantar, sentar, ficar 
em pé e caminhar, abaixar e erguer pesos; 
• prevenção da síndrome do túnel do carpo, visto que há uma diminuição 
da função nervosa sensorial e motora causada pela compressão do nervo mediano ao 
passar pelo retináculo dos flexores (túnel carpal) em virtude do aumento de retenção 
hídrica (edemas) com o agravamento no 3º trimestre da gravidez. O fisioterapeuta 
poderá utilizar recursos como: crioterapia em posição de drenagem, ultrassom e 
cinesioterapia; 
• nos distúrbios circulatórios que são comuns na gravidez devido à 
retenção hídrica e compressão dos gânglios linfáticos, as mulheres deverão estar cientes 
que ficar em pé ou sentada por longos períodos com a perna pendente ou joelhos 
cruzados é muito nocivo. A dorsiflexão e flexão plantar frequente por pelo menos três 
segundos de cada vez, provocam um retorno venoso mais eficiente. O erguimento dos 
pés da cama com tijolos é sugerido com frequência. Serão feitas caminhadas dentro ou 
fora d’água. 
 
ATIVIDADES FÍSICAS PARA AS GESTANTES 
 
 
45 
 
Durante a gravidez, como em outras fases da vida, a prática de alguma atividade 
física, de maneira regular e adequada, constitui um dos melhores caminhos para uma boa 
manutenção da forma física, estabelecimento e progressão do ciclo gravídico-puerperal, 
assim como uma boa recuperação no puerpério imediato. O próprio trabalho de parto será 
beneficiado se a mulher praticar exercícios regularmente durante a gravidez. A prática de 
atividades físicas promove ainda o alívio da sintomatologia dolorosa e dos desconfortos, 
que possam surgir com a gestação e elevam a autoestima da grávida, possibilitando uma 
recuperação mais curta e favorecendo um retorno às atividades do cotidiano e trabalhista 
mais precocemente. 
A gestante, ao ser encaminhada para um acompanhamento fisioterapêutico, deve 
passar por uma avaliação completa e pormenorizada, composta por uma entrevista ou 
anamnese e um exame físico, realizados pelo fisioterapeuta, antes do início dos 
atendimentos. Na anamnese serão coletadas as informações pessoais sobre a gestante e 
sua família, os dados da gestação atual, sintomas relacionados à gravidez e seus ajustes, 
além da aferição dos sinais vitais. No exame postural, poderá observar a gestante em 
várias posturas, durante a realização de alguns movimentos e também ao caminhar, 
detectando assim as principais dificuldades da gestante para então elaborar uma conduta 
fisioterapêutica de maneira a aliviá-las. 
 
Caminhada (conduta no solo) 
 
A sessão é iniciada com uma caminhada de cinco minutos, a qual prepara o 
sistema cardiorrespiratório, os músculos e articulações dos membros inferiores e 
superiores para o exercício. Deve ser realizado também um alongamento dessas cadeias 
musculares. Essa primeira etapa dura em média de 10 a 15 minutos, sendo chamada de 
série metabólica. Em seguida, tem início a etapa conhecida como série principal, a qual 
é composta por exercícios respiratórios para as fases do trabalho do parto, e exercícios 
para o fortalecimento e tonicidade de todos os grupos musculares, principalmente as 
musculaturas do assoalho pélvico e do abdômen, que são os grupamentos mais 
solicitados no parto, tendo duração de 20 a 25 minutos. A sessão termina com um 
relaxamento, que visa aliviar as tensões musculares ainda existentes, desaquecimento do 
corpo e regularização das frequências cardíaca e respiratória, durando cerca de 10 a 15 
minutos. 
 
 
46 
 
Hidroterapia 
 
A água possui propriedades físicas peculiares que a transformam em um meio 
terapêutico muito eficiente e seguro para realização da sessão. O empuxo e a pressão 
hidrostática, juntos, reduzem o peso corpóreo da gestante, auxiliam o retorno venoso e 
condicionam o coração, diminuindo assim os riscos de lesão musculoesquelética e os 
edemas gravitacionais. Além disso, os músculos respiratórios precisarão trabalhar 
contra a soma das pressões hidrostática e intra- abdominal, melhorando assim o 
condicionamento e tonicidade dessa musculatura e a capacidade inspiratória da gestante. 
A conduta na água é semelhante à conduta no solo. Ela começa com uma 
caminhada dentro da piscina, que dura em média cinco minutos, e alongamento dos 
grupos musculares completando assim 10 a 15 minutos de aquecimento;depois são 
realizados os exercícios direcionados ao fortalecimento de grupos musculares 
específicos, além de exercícios respiratórios e de reeducação postural. Essa segunda 
etapa dura em média 35 minutos. Ao final da sessão, deve ser feito também um 
relaxamento, que tem o objetivo de promover a estabilização das frequências cardíaca e 
respiratória, além de relaxar as musculaturas ainda sob tensão, durando cerca de 10 
minutos. 
Na piscina, assim como no solo, são também utilizados alguns materiais, como 
flutuadores, caneleiras, colete lombar e colar cervical, para facilitarem os exercícios de 
fortalecimento muscular, eles tornam as sessões mais prazerosas e divertidas para a 
gestante. Cada sessão tem uma duração de 45 a 60 minutos, não devendo ultrapassar 
uma hora, evitando-se assim a fadiga da grávida. 
Os benefícios da hidroterapia são: 
• alívio da sintomatologia dolorosa (lombalgia); 
• melhora da circulação de retorno tanto linfática quanto venosa, 
auxiliando na redução de edemas; 
• promove uma reeducação postural, já que a gestação altera a posição do 
centro de gravidade da mulher; 
• melhora o tônus muscular; 
• promove um melhor relaxamento; 
• melhora a função intestinal; 
• melhora o condicionamento do aparelho cardiorrespiratório; 
 
47 
 
• facilita o trabalho de parto, tornando mais efetivo e menos doloroso; 
• promove uma recuperação mais rápida do parto; 
• aumenta a autoestima da gestante, proporcionando um bem-estar físico e 
emocional. 
 
TERCEIRO TRIMESTRE 
 
Com a aproximação do parto deveremos estar atentos ao nível de ansiedade 
destas gestantes, pois, sabemos que cada mulher tem seus temores, esperanças e anseios 
diferentes sobre este momento. Embora seja errado generalizar, os levantamentos 
mostram que as mulheres da classe média têm maior probabilidade de pedirem um 
parto natural, enquanto futuras mães da classe mais baixa, não estão muito 
preocupadas com isso; elas tendem a ver o parto como um meio para um fim e preferem 
um parto mais confortável, indolor e seguro, ou seja, acreditam que a cesariana 
corresponde a estas expectativas. 
O fisioterapeuta deverá dar todo seu apoio a esta gestante, mostrar-lhe 
todas as vantagens de um parto natural, tanto para a mãe como para o bebê. 
Humanizando cada vez mais este momento e desmistificando todas as dúvidas que esta 
gestante tiver. 
Além de todos os exercícios da ERAP para Gestante, nesta fase será 
intensificado o trabalho de preparação para o parto, para que a mulher se sinta segura e 
saiba todo o processo fisiológico gestacional: 
• relaxamento; 
• imaginação; 
• respiração; 
• como enfrentar as contrações; 
• posições para o parto; 
• massagem para o parto; 
• massagem do períneo. 
 
Puerpério 
 
Logo após o período do nascimento do bebê, o corpo da mãe começa o período 
 
48 
 
de recuperação. Na medida em que se move, fala e sorri, ela irá perceber uma falta 
quase que completa de controle da musculatura abdominal. A mulher pode apresentar 
vários tipos de queixas, como incapacidade de controlar a urina, dor abdominal, 
exaustão, dos quais o fisioterapeuta deverá levar a sério e avaliar de modo adequado. 
Pequenos incômodos podem ser resolvidos com tratamento físico, empatia e 
compreensão. 
Observar o estado físico no pós-parto com ênfase nos músculos abdominais, 
assoalho pélvico, pernas, costas e seios. Será realizado fortalecimento desta 
musculatura, acrescido de dicas de postura e de amamentação. 
 
 
CLIMATÉRIO 
 
As alterações mais frequentes são: 
• ondas de calor e suores noturnos; 
• irritação vaginal (vaginite atrófica); 
• distúrbio urinário – atrofia, inflamação, infecção da vagina pode ter 
efeito secundário na uretra e bexiga, podendo haver atrofia da uretra, trigono e 
ligamentos de apoio conjuntos. Estes fatores devem ser levados em consideração, visto 
que a mulher pode apresentar várias queixas como cistite, uretrite, frequência, disúria, 
urgência ou incontinência urinária. Estas mulheres deverão ser submetidas à avaliação 
uroginecológia e encaminhadas para ERAP; 
• distúrbios psicológicos e emocionais; 
• alteração da sua sexualidade – estas mulheres deverão ser submetidas à 
avaliação uroginecológia e encaminhadas para ERAP; 
• osteoporose – as mulheres serão avaliadas, orientadas e encaminhadas 
para realização de caminhadas e/ou para outros especialistas. 
Quanto à violência contra a mulher e prevenção de colo de útero, será realizado 
um trabalho de captação, Educação em Saúde e apoio à Equipe das USFs. 
 
DISFUNÇÕES COMUNS DA MULHER 
 
São disfunções comuns nas mulheres: 
 
49 
 
• anosgarmia/disorgasmia, dispareumia, vaginismo – após a avaliação 
uroginecológica, a usuária será encaminhada para ERAP (promover a conscientização 
corporal) e Terapia Comportamental (psicólogo). Não havendo melhora no quadro será 
encaminhada para Atenção Secundária (Centro de Reabilitação Fisioterapêutica); 
• dor endopélvica (endometriose), dismenorreia, tensão pré-menstrual – a 
usuária passará por avaliação uroginecológia, serão ensinadas técnicas de relaxamento, 
exercícios respiratórios (conscientização diafragmática), Eletroestimulção Transcutânea 
(TENS), infravermelho e, conforme a necessidade, será encaminhada para ERAP com 
objetivo de adquirir consciência e um controle corporal. 
 
SAÚDE DO IDOSO 
 
A Política Nacional do Idoso tem como base de sustentação “que os programas 
de Promoção da Saúde para idosos devem estar voltados para a prevenção de doenças e 
deficiências, a manutenção das funções físicas e cognitivas e a participação constante em 
atividades sociais e produtivas”. A fisioterapia reabilitativa pertence à terceira fase de 
assistência à saúde, ou seja, a prevenção terciária. Deve fazer parte integrante das 
atenções primária e secundária, pois hoje em dia, a fisioterapia preventiva assume papel 
cada vez mais importante. 
Os objetivos da fisioterapia podem ser um desafio quando voltados para as 
pessoas idosas que apresentam problemas complexos, ligados aos processos do 
envelhecimento, doenças crônico-degenerativas e aos fatores ambientais. 
A partir da análise da mudança do perfil epidemiológico da população, verifica-
se a necessidade de uma atuação ampla da rede de atenção básica, além do campo das 
doenças infecciosas, mas também nas áreas crônico-degenerativas e traumáticas. Para 
tanto, é importante uma redefinição nos aspectos de espaço físico e no perfil dos 
profissionais que irão atuar na equipe de saúde, no sentido de promoção, prevenção, 
educação, controle social e reabilitação desta nova demanda que se apresenta (KATO et 
al., 1994). 
Nas últimas duas décadas, estudos estatísticos demonstram uma mudança 
importante no quadro de doenças com o aumento na incidência das doenças crônicas e 
degenerativas (CORRÊA, 1995). Estas mudanças no perfil epidemiológico da 
população se devem, principalmente, ao aumento da expectativa média de vida da 
 
50 
 
população. 
O envelhecimento da população é um dos maiores desafios das últimas décadas. 
Embora a velhice não seja sinônimo de doença, com a idade aumenta o risco de 
comprometimento funcional e perda de qualidade de vida. A avaliação funcional dos 
idosos, com acompanhamento do profissional fisioterapeuta, torna-se essencial para 
estabelecer um diagnóstico, um prognóstico e um julgamento clínico adequados, que 
subsidiarão as decisões sobre os tratamentos e cuidados necessários com o idoso 
(CIANCIARULLO et al., 2002). 
A fisioterapia apresenta uma missão primordial, de cooperação, mediante a nova 
realidade de saúde que se apresenta, através da aplicação de meios terapêuticos físicos, 
na prevenção, eliminação ou melhora de estados patológicos do homem, na promoção e 
na educação em saúde. 
O processo de envelhecimento recebe influência de vários fatores a que o ser 
humano se sujeita no decorrer de sua vida. Estas alterações variam de um indivíduo parao outro e são influenciadas, tanto pelo estilo de vida quanto por fatores genéticos. O 
envelhecimento traz, para os indivíduos, alterações progressivas, quer nos aspectos 
funcionais, quer nos motores, psicológicos e sociais. Dentre as modificações 
provenientes do envelhecimento destaca-se a diminuição da capacidade funcional do 
indivíduo, ocasionada principalmente pelo desuso físico e mental. Atividades 
preventivas e de reabilitação no âmbito da fisioterapia, realizadas nas unidades de 
saúde, são imprescindíveis para manter ou resgatar a autonomia de idosos e poderão ter 
grande impacto na saúde desta população. 
A prática regular de exercícios físicos é estratégia preventiva, primária, atrativa e 
eficaz para manter e melhorar o estado de saúde física e psíquica em qualquer idade, 
tendo efeitos benéficos diretos e indiretos para prevenir e retardar as perdas funcionais 
do envelhecimento, reduzindo o risco de enfermidades e transtornos frequentes na 
terceira idade, tais como as coronariopatias, a hipertensão, a diabetes, a osteoporose, a 
desnutrição, a ansiedade, a depressão e a insônia. 
Em relação à recuperação da força muscular em idosos, estudos têm 
demonstrado que ela pode ser conseguida mediante programas de condicionamento 
físico, de força e resistência, de alta ou baixa intensidades. 
Os ossos e músculos respondem bem ao estresse físico, tornando-se maiores e 
mais fortes. Exercícios físicos provocam tensão física no corpo, ajudam a estimular o 
crescimento ósseo, preservar a massa óssea e, consequentemente, auxiliam na 
 
51 
 
prevenção e tratamento da osteoporose. 
O fisioterapeuta tem um papel importante como instrumento integralizador no 
processo de promoção do envelhecimento saudável. Além de ser responsável pela 
educação do paciente em corrigir sua postura, evitar quedas e excesso de atividades 
físicas, que possam potencialmente resultar em fraturas ósseas indesejáveis, também são 
responsáveis pela prescrição de um programa de condicionamento físico específico para 
cada indivíduo. 
Objetiva-se com o tratamento fisioterápico, aliado a exercícios físicos, a melhora 
do equilíbrio e da marcha, o fortalecimento da musculatura proximal dos membros 
inferiores, a melhora da amplitude articular, o alongamento e aumento da flexibilidade 
muscular, entre outros. Idosos que se mantêm em atividade, minimizam as chances de 
cair e aumentam a densidade óssea evitando fraturas, conforme transcorrido 
anteriormente. 
 
ALTERAÇÕES DE BARREIRAS ARQUITETÔNICAS E ADEQUAÇÃO 
DO MOBILIÁRIO VERSUS QUEDAS E FRATURAS NA TERCEIRA IDADE 
 
As quedas entre pessoas idosas constituem um dos principais problemas clínicos 
e de saúde pública devido à sua alta incidência, às consequentes complicações para a 
saúde e aos altos custos assistenciais. Aproximadamente 30% das pessoas de 65 anos 
ou mais caem pelo menos uma vez a cada ano (TINETTI, 1994). 
As consequências das quedas para os idosos podem ser bastante limitadoras e, 
em alguns casos, até fatais. Os principais problemas decorrentes são fraturas, lesões na 
cabeça, ferimentos graves, ansiedade, depressão, o chamado "medo de cair" (medo de 
subsequentes quedas), que também pode acometer idosos que nunca caíram. Entre 
idosos que sofrem quedas, 3% a 5% apresentam fraturas graves a cada ano (TINETTI, 
1994). 
As quedas, além de produzirem importante perda de autonomia e qualidade de 
vida entre idosos, podem também repercutir entre seus familiares, que devem se 
mobilizar em torno de cuidados especiais, adaptando toda sua vida em função da 
recuperação ou adaptação do idoso após a queda. Atividades de prevenção e de 
promoção de saúde no âmbito da Atenção Primária, realizadas nas Unidades de Saúde 
da Família, são imprescindíveis para evitar e/ou diminuir as quedas, mantendo assim a 
 
52 
 
autonomia de idosos que poderão ter grande impacto na saúde desta comunidade. 
O investimento na saúde e educação da atual população de idosos e a 
compreensão da morbidade são apresentados como alternativas capazes de minimizar, 
em um município com recursos financeiros escassos, o impacto do envelhecimento 
populacional sobre a qualidade de vida. Além disso, constitui-se em política sanitária 
indispensável, não só porque as quedas afetam de maneira desastrosa a vida dos idosos 
e de suas famílias, mas também drena montante expressivo de recursos econômicos no 
tratamento de suas consequências. 
Frente a esse quadro, devem ser traçadas estratégias de prevenção para diminuir 
o número de sequelas e danos subsequentes. Para que sejam eficazes, é preciso, 
inicialmente, que haja uma minuciosa identificação dos fatores de risco que aumentam a 
incidência desses eventos, em particular, daqueles seguidos por fraturas. 
 
Objetivo geral 
A proposta preventiva visa melhorar a qualidade de vida destes idosos, visto que 
as quedas trazem inúmeras consequências, podendo, em casos mais graves; levar o 
idoso a óbito. 
 
Objetivos específicos 
 
São objetivos específicos da prevenção a quedas envolvendo idosos: 
• identificar os possíveis fatores de riscos modificáveis; 
• tratar os fatores etiológicos e comorbidades presentes; 
• identificação precoce dos idosos com maior chance de sofrerem queda; 
• ajudar os usuários a superarem as constantes ameaças ao seu equilíbrio, 
não só melhorando suas capacidades funcionais como também lhes conscientizando de 
suas limitações; 
• 
• sugerir algumas alterações em seus lares para lhes conferir maior 
segurança, para que não venham a sofrer quedas; 
• realizar palestras (Educação em Saúde) abordando temas relacionados a 
tais questões; 
• fomentar a participação da Equipe para que haja integralidade nas ações; 
 
53 
 
• buscar parcerias (intersetorialidade) quando necessário; 
• acolher os idosos que já apresentarem sequelas de quedas e cuidar para 
que não haja a recorrência; 
 
• sensibilizar o gestor para a necessidade de realização de políticas 
públicas preventivas mais resolutivas; 
• mostrar ao gestor que tais estratégias podem não só melhorar a qualidade 
de vida de nossos idosos como também diminuir gastos com medicamentos e cirurgias, 
que poderiam ser evitadas. 
 
Estatísticas de acidentes com idosos 
 
As estatísticas são as seguintes: 
• segundo o Sistema Único de Saúde (SUS), um terço dos atendimentos 
por lesões traumáticas nos hospitais do país ocorrem com pessoas com mais de 60 
anos; 
• 75% acontecem dentro de casa; 
• 34% das quedas provocam algum tipo de fratura; 
• 46% acontecem no trajeto entre o banheiro e o quarto, principalmente à 
noite; 
• estima-se que, em 2025, o Brasil contará com 31,8 milhões de habitantes 
com 60 ou mais anos de idade e que ocupará o 6º lugar, no mundo, em contingente de 
idosos. 
 
Alterações comuns nos idosos que predispõem as quedas 
 
São as seguintes: 
• alterações neurológicas – acidente vascular encefálico e ataque isquêmico 
transitório, parkinsonismo, confusão, convulsões, insuficiência vertebrobasilar, 
hipersensibilidade de seio carotídeo, distúrbios cerebelares, neuropatia e demência; 
• cardiovascular – infarto do miocárdio, hipotensão ortostática e arritmia; 
• gastrointestinal – sangramento, diarreia e síncope de defecação; 
 
 
54 
 
• metabólico – hipotireoidismo, hipoglicemia, anemia, 
desidratação, hiponatremia genitourinário, síncope miccional, incontinência; 
• musculoesquelético – artrite, miosite, deformidade espinhal, fraqueza 
muscular, descondicionamento; 
• psicológica – depressão, ansiedade, induzido por droga; 
• estados patológicos atribuíveis a diuréticos – anti-Hipertensivos, 
cardiotônicos, hipnóticos, sedativos e psicotrópicos. 
 
TABELA DE AFECÇÕES COMUNS NA SENESCÊNCIA 
Presbiacusia A presbiacusia é um declínio na acuidade auditiva com o envelhecimento, 
pode levar à queda quando o indivíduo é incapaz de ouvir os ruídos que 
alertam para a aproximação de um automóvel, por exemplo, e, portanto,não tem tempo suficiente para evitar um acidente. Comprometimento da 
discriminação da fala. Aumento no limite para tons puros (os sons de alta 
frequência são afetados predominantemente). 
Acúmulo excessivo de cera. 
Acuidade visual O declínio da acuidade visual é uma das causas mais significativas. Com 
o envelhecimento, o tamanho e resposta das pupilas diminuem. Ao entrar 
em um recinto escuro ou sair à noite, o indivíduo idoso tem risco de 
quedas aumentado, pois o tempo necessário para que o olho 
senescente atinja um nível de sensibilidade à luz igual ao de uma pessoa 
jovem está prolongado. Por consequência, indivíduos mais velhos 
precisam de iluminação adequada para andar com segurança. Com o 
envelhecimento, a lens se torna mais opaca, levando à intolerância do 
brilho forte e a um declínio na percepção da profundidade. A alteração da 
percepção de profundidade pode levar a quedas associadas com subir e 
descer escadas. Como a lens fica amarelada com o envelhecimento, 
isto resulta em uma filtração do espectro verde-azulado. 
 
Fraqueza muscular 
A fraqueza muscular é sugerida por uma incapacidade do paciente para 
andar sobre seus calcanhares ou artelhos, levantar-se de uma cadeira ou 
após abaixar-se sem utilização dos braços ou segurar-se no assento da 
cadeira. Frequentemente associada com quedas e tropeços. Pode ocorrer 
debilidade muscular difusa em apenas de quatro a seis semanas de 
 
55 
 
repouso absoluto no leito. 
Instabilidade 
postural 
A instabilidade postural aumenta com o envelhecimento e se manifesta 
por uma perda de reflexos de correção e um aumento na oscilação do 
corpo. A manutenção da estabilidade postural é uma função complexa, 
que requer integração central apropriada de sensações visuais, 
vestibulares e proprioceptivas, todas sofrendo declínio funcional com o 
envelhecimento. O tempo da reação também aumenta, aumentando o 
intervalo entre a percepção do perigo e a ação para evitá-lo. 
Sistema 
 nervoso 
Tempo de reação mais lento, consciência sensorial diminuída para toques 
leves, vibração, temperatura, oscilação do corpo aumentada, 
comprometimento dos reflexos de proteção. 
Doença 
cerebrovascular e 
neurológica 
Um acidente vascular encefálico franco ou um episódio isquêmico 
transitório podem provocar uma queda devido à perda de função motora 
ou sensorial em uma extremidade inferior, alteração súbita da percepção 
visual, alterações no nível de consciência ou convulsão. A doença 
cerebrovascular que envolve a circulação posterior (cerebelar) dá origem 
à tontura e ataxia, estas podem predispor as quedas. 
Demência Nos indivíduos idosos com demência aguda ou crônica, a frequência de 
quedas aumenta devido à falta de percepção de perigos ambientais das 
próprias capacidades do indivíduo. 
Parkinson A doença de Parkinson é comum e associada com distúrbios de marcha e 
do equilíbrio postural. Os pacientes parkinsonianos são mais lentos ao 
reagir a perigos ambientais, levando a quedas. 
Hipotensão 
ortostática 
A hipotensão ortostática é uma queda de 20 mmHg na PA sistólica ou de 
10 mmHg na PA diastólica. Pacientes diabéticos frequentemente são 
acometidos por quadros de hipotensão ortostática, secundária à 
disfunção do sistema nervoso autônomo. 
 
56 
 
Arritmia Quando ocorre uma queda abrupta, com ou sem perda da consciência, ou 
que é precedida por tontura ou palpitações, sugere uma arritmia cardíaca. 
Estes tipos de quedas estão, às vezes, associados com exercícios ou com 
ficar em pé, se o paciente apresenta uma estenose aórtica que provoca 
uma redução de perfusão cerebral. Uma queda pode ser o primeiro 
indício de um infarto agudo do miocárdio, sendo que ataques cardíacos 
silenciosos em pacientes idosos são comuns, principalmente nos 
diabéticos. 
Quedas Toda queda precisa ser considerada como possível sinal de uma doença 
importante iminente. As quedas podem ser provocadas por qualquer 
doença aguda ou crônica que resulte em fraqueza ou tontura. Nos casos 
de infarto agudo do miocárdio, acidentes vasculares encefálicos, ou 
sangramento gastrointestinal, que podem apresentar primeiramente 
como uma queda. 
Convulsão Pacientes com histórico de epilepsia ou de acidente vascular encefálico 
recente, e aqueles que recebem certas drogas, estão em risco para o 
desenvolvimento de convulsões, com episódios de síncope. A 
possibilidade de convulsão deve ser sempre considerada se existe uma 
razão para se suspeitar de que o paciente tem tido quedas repetidas, não 
percebidas, com micção involuntária, ou tem uma história de acidente 
vascular encefálico prévio. 
Marcha 
comprometida 
Muitas alterações artríticas e neuromusculares patológicas podem 
prejudicar a marcha e aumentar o risco de queda. Na doença de 
Parkinson é afetado muito a estabilidade postural, e assumem uma 
postura fletida, inclinada para frente e uma marcha arrastada, levantando 
ligeiramente os pés do solo. Outro fator é a fraqueza muscular secundária 
à hiper e hipotireoidismo, polimialgia reumática e osteoartrite do joelho 
contribuem para uma marcha lenta, cautelosa e fixa, acompanhada de 
gingado, dificuldade para subir escadas e propensão a sofrer uma queda. 
O profissional que está acompanhando deve inspecionar rotineiramente 
os pés dos pacientes para investigar anormalidades, como esporões, 
calos e joanetes, que podem levar ao comprometimento da marcha e 
predisposição a quedas. 
 
57 
 
Drogas Pessoas idosas que recebem terapêutica medicamentosa caem mais 
frequentemente do que as que não recebem. O uso de múltiplos 
medicamentos associados a múltiplas doenças, e a suscetibilidade à 
toxidade por drogas relacionadas à idade leva a coordenação deficiente, 
confusão e arritmias cardíacas. O uso crônico de esteroides pode 
provocar osteoporose, uma razão importante para fratura de quadril e 
queda. 
Fatores 
psicológicos 
Pacientes idosos não aceitam o declínio das suas capacidades sensoriais e 
motoras, e tendem a sofrer quedas como um resultado da superestimação 
de suas capacidades de realizar as atividades da juventude. Para manter 
uma imagem de capacidade e independência, uma pessoa idosa pode se 
recusar a usar um dispositivo de apoio ou de aceitar assistência para 
realizar atividades como levantar da cama ou ir ao banheiro. Um grande 
número de quedas acontece quando há um período de estresse 
emocional transitório. Como resultado, os pacientes se tornam raivosos, 
ansiosos, desorientados ou deprimidos, e menos atentos aos perigos 
ambientais. Pessoas idosas com depressão frequentemente se tornam 
confusas e desorientadas e com falta de percepção do ambiente. 
Causas extrínsecas 
das quedas 
Existem muitos obstáculos ambientais que podem predispor o paciente a 
cair. Na comunidade, a maioria das quedas ocorre na própria residência 
dos pacientes. As atividades rotineiras relacionadas a quedas incluem 
sentar ou levantar de camas e cadeiras; tropeçar em objetos da casa, ou 
revestimentos do assoalho, como tapetes, carpetes e soleiras de portas e 
escorregar em superfícies molhadas, ou usando calçados inadequados ou 
descendo escadas. Nos hospitais e casas de repouso, o lugar mais comum 
de quedas é o quarto do paciente. A maioria destas quedas acontece à 
beira da cama, quando o paciente está se deitando ou levantando. O 
banheiro é um local que oferece um grande risco em instituições, pelo 
fato de os pacientes entrarem ou saírem do banheiro sozinhos, com 
pressa de chegarem ao vaso sanitário ou escorregarem no chão 
molhado. Cadeiras normais e cadeiras de rodas estão implicadas em 
episódios de queda por causa de equipamento inapropriadamente 
planejado, ou de técnicas ruins de transferência, quando o paciente está 
 
58 
 
 
 
 
se sentando ou levantando. A queda sobre a cadeira que é difícil de ver, 
tropeçar nos pés das cadeiras ou em suportes para os pés de cadeiras de 
rodas e cair sobre as grades da cadeira de rodastravadas ao levantar são 
outras causas de quedas. 
Superfície 
Do solo 
Assoalhos escorregadios (assoalhos muito polidos/encerados), tapetes 
soltos, carpete muito espesso, tacos soltos. 
Iluminação Brilho excessivo. 
Escadas Falta de corrimão, pouca iluminação, degraus altos, escada rolante. 
Banheiro Chão escorregadio, banheira ou chuveiros escorregadios, falta de barras 
de apoio, assentos sanitários baixos. 
Quarto Cama alta, cama muito longe do banheiro, tapetes soltos, rodas de cama 
que não travam. 
Outros cômodos Assoalhos escorregadios, cadeiras em altura incorreta, falta de descanso 
de braço nas cadeiras, quinas, prateleiras muito altas. 
Pessoal Roupas desajustadas (barras compridas ou descosturadas), sapatos 
inapropriados ou muitos gastos, outras causas, raízes de árvore, Subir em 
ônibus, farol de pedestre muito rápido, animais domésticos. 
 
59 
 
TABELA TABELA DE CAUSAS EXTRÍNSECAS DE QUEDAS 
TABELA CONSEQUÊNCIAS MAIS COMUNS EM IDOSOS QUE 
SOFRERAM 
 
QUEDAS 
Síndrome do 
imobilismo 
É quando a pessoa idosa precisa ficar imobilizada, devido a uma queda, 
resultando em uma fratura. O repouso beneficia a região lesada, mas 
seu prolongamento prejudica o resto do organismo. As complicações 
afetam sistemas como o cardiorrespiratório, vascular, endócrino, 
gastrointestinal, urinário, muscular, esquelético e neurológico. Sendo 
que estas complicações podem ser aumentadas dependendo dos fatores 
pré-existentes de cada paciente. 
Fratura do 
úmero proximal 
Ocorre comumente com uma queda com a mão estendida. 
Fratura de 
Colles 
No ano de 1814, Abraham Colless descreveu esta 
fratura da extremidade distal do antebraço, que ocorre devido à queda 
sobre o braço estendido. 
Fratura de 
fêmur 
É comum entre idosos, possui elevados índices de mortalidade e 
morbidade, e grande custo financeiro. Quanto à sua incidência, a 
fratura do fêmur aumenta com a idade, a partir dos 50 anos; é duas 
vezes mais frequente nas mulheres. Estas fraturas da extremidade 
superior do fêmur são menos frequentes do que as fraturas vertebrais, 
no entanto trazem maior morbidade e mortalidade. De 80% a 90% das 
fraturas de fêmur ocorrem por consequência de queda. No idoso, a 
massa muscular e de tecidos moles em torno dos quadris costuma estar 
diminuída, de modo que o quadril é menos capaz de resistir ao 
impacto da queda. 
Fratura 
intertrocantérica 
São fraturas geralmente provocadas por quedas, normalmente ao nível 
do solo. Estas fraturas são classificadas de acordo com o número de 
fragmentos ósseos. 
Fratura de 
vértebra 
Esta lesão normalmente é provocada por uma atividade que aumenta a 
carga compressiva sobre a coluna (por exemplo, levantar um peso, 
inclinar-se para frente, pisar em falso ao andar ou por uma queda). 
 
60 
 
FIGURA SALA IDEAL 
 
A sala ideal contém tapete antiderrapante, apoio, sem obstáculos na frente, sem 
mesa de centro, altura do sofá adequada. 
 
 
http://envelhecerevida.blogspot.com.br/p/dicas-importantes.html 
 
As recomendações são as seguintes: 
• não deixar objetos no chão que possibilitem tropeçar, gavetas abertas e 
móveis no meio do caminho; 
• cuidar com a exposição e comprimento de fios do telefone; 
• adequar a iluminação ambiental; 
• deixar fios elétricos presos (TV, lâmpadas), não expostos sobre locais de 
tráfego de pessoas; 
• deixar sempre uma luz acesa à noite. 
• usar barras de apoio no banheiro; 
• usar tapetes fixos no box do banheiro; 
• usar, se possível, sabonete líquido. 
 
 
 
FIGURA IMAGENS DE BANHEIROS COM CORRIMÃO, TAPETE 
http://envelhecerevida.blogspot.com.br/p/dicas-importantes.html
 
61 
 
ANTIDERRAPANTE E ALTURA IDEAL DOS APARELHOS SANITÁRIOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://envelhecerevida.blogspot.com.br/p/dicas-importantes.html 
 
Deve ser dada atenção também às recomendações para o vaso sanitário ideal: 
adapte o banheiro, este é o local que deve receber o maior cuidado, pois é onde se 
costumam concentrar o maior número de acidentes com idosos. 
 
FIGURA ALTURA DO VASO SANITÁRIO 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://fisiomovimento.com.br/cont-casa-segura-banheiro-parte-1/ 
 
Na cozinha e área de serviço ideal, deve-se evitar subir em cadeiras para 
molhar plantas ou pegar objetos no armário. 
 
http://envelhecerevida.blogspot.com.br/p/dicas-importantes.html
http://fisiomovimento.com.br/cont-casa-segura-banheiro-parte-1/
 
62 
 
FIGURA ADEQUAÇÃO E COLOCAÇÃO DE CORRIMÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://fisiomovimento.com.br/cont-casa-segura-banheiro-parte-1/ 
 
Quanto às recomendações para o quarto ideal: 
• orientar para que o idoso levante sempre lentamente; 
• cobertores e colchas curtas; 
• adaptar o tamanho da cama. O idoso deve colocar facilmente os dois 
pés no chão. 
 
O quarto ideal contém apoios, sem tapetes escorregadios, altura adequada da 
cama e Iluminação. 
Com relação às escadas seguras, elas devem ter: 
• corrimões fixos; 
• escadas com degraus do mesmo tamanho e sinalizados (colocar borda 
antiderrapante). 
 
Outras recomendações para evitar quedas de idosos são: 
• evitar andar só de meias, usando chinelos e sapatos bem ajustados sobre 
assoalho de madeira ou lajotas, pisos molhados, úmidos ou encerados; 
• estimular o uso de bengala para os idosos; 
• procurar sempre estar em contato com um profissional da área de saúde; 
• praticar exercícios, sob orientação profissional, prevenindo ou 
amenizando a fraqueza muscular. 
 
SAÚDE DO ADULTO E DO TRABALHADOR 
http://fisiomovimento.com.br/cont-casa-segura-banheiro-parte-1/
 
63 
 
 
No que diz respeito à saúde ocupacional, o fisioterapeuta pode atuar junto da 
equipe de saúde, levando orientações e promovendo alterações ergonômicas, 
especialmente nas pequenas e médias empresas na área de abrangência da Unidade de 
Saúde da Família. 
O reconhecimento do papel do trabalho na determinação e evolução do processo 
saúde-doença dos trabalhadores tem implicações éticas, técnicas e legais, que se 
refletem sobre a organização e o provimento de ações de saúde para esse segmento da 
população, na rede de serviços de saúde. 
Nessa perspectiva, o estabelecimento da relação causal ou do nexo entre um 
determinado evento de saúde – dano ou doença individual ou coletivo, potencial ou 
instalado, e uma dada condição de trabalho constitui na condição básica para a 
implementação das ações de Saúde do Trabalhador nos serviços de saúde. 
De modo esquemático, esse processo pode ser iniciado pela identificação e 
controle dos fatores de risco para a saúde, presentes nos ambientes e condições de 
trabalho e/ou a partir do diagnóstico, tratamento e prevenção dos danos, lesões ou 
doenças provocados pelo trabalho, no indivíduo e no coletivo de trabalhadores. 
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os objetivos da saúde no 
trabalho incluem em seu amplo espectro: [...] o prolongamento da expectativa de vida e 
minimização da incidência de incapacidade, de doença, de dor, e do desconforto, até 
melhoramento das habilidades em relação ao sexo e idade, incluindo a preservação das 
capacidades de reserva e mecanismos de adaptação, a provisão de realização pessoal, 
fazendo com que pessoas sejam sujeitos criativos; o melhoramento da capacidade 
mental e física e da adaptabilidade a situações novas e mudanças das circunstâncias de 
trabalho e de vida [...]. (OMS, 1975). 
 
GINÁSTICA LABORAL 
 
A Ginástica Laboral consiste em exercícios específicos que são realizados no 
próprio local de trabalho atuando de forma preventiva e terapêutica sem levar o 
trabalhador ao cansaço, por ser de curta duração e trabalhar mais no alongamento e 
compensação das estruturas musculares envolvidas nas tarefas operárias diárias. 
A Ginástica Laboral traz os seguintes benefícios para a empresa: 
 
64 
 
• redução dos custos de assistência médica; 
• aumento da produtividade e da eficiência do colaborador; 
• melhora do ambiente de trabalho;• diminuição da rotatividade de empregados; 
• maior proteção legal à empresa contra possíveis processos de 
empregados por distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORTs); 
• diminuição do número de acidentes no trabalho; 
• melhora a imagem da empresa; 
• melhora a integração no trabalho; 
• elevação da moral da empresa por parte dos empregados; 
• redução do absenteísmo causado por DORTs. 
O resultado disso é o aumento da produtividade e dos lucros da empresa. 
 
A Ginástica Laboral traz os seguintes benefícios para os funcionários: 
• melhora o retorno venoso; 
• favorece a conscientização corporal; 
• diminui a tensão muscular desnecessária; 
• diminui o esforço na execução das tarefas diárias; 
• melhora a condição do estado de saúde geral e psicológico; 
• favorece mudança na rotina; 
• mostra a preocupação da empresa com seus funcionários; 
• melhora a capacidade de concentração no trabalho; 
• favorece o contato pessoal; 
• promove a integração social; 
• favorece o relacionamento; 
 
TABELA MODALIDADES DE GINÁSTICA LABORAL 
 
Preparatória Ginástica com duração de 10 a 15 minutos, realizada antes do início da 
jornada de trabalho. Tem como objetivo principal preparar o 
trabalhador, aquecendo os grupos musculares que serão solicitados nas 
suas tarefas e despertando-os para que se sintam mais dispostos ao 
 
65 
 
iniciar o trabalho. 
Compensatória Ginástica com duração de cinco a oito minutos. É realizada durante a 
jornada de trabalho, interrompendo a monotonia operacional, 
aproveitando as pausas para executar exercícios específicos de 
compensação aos esforços repetitivos, às posturas inadequadas 
solicitadas nos postos operacionais. 
Relaxamento Ginástica baseada em exercícios de alongamento. É realizada 
após o expediente, com objetivo de oxigenar as estruturas musculares 
envolvidas na tarefa diária, evitando o acúmulo de ácido lático e 
prevenindo as possíveis instalações de lesões. 
 
CREFITO-2 – Regulamenta a ginástica laboral 
 
De acordo com as prerrogativas legais, o CREFITO-2 baixa atos 
complementares à Resolução COFFITO 259/2003; criando a Resolução CREFITO-2 nº 
22/2007, que trata do uso da Ginástica Laboral e outros procedimentos. 
Para atender as demandas que surgiram no CREFITO-2 a respeito da Ginástica 
Laboral e outros procedimentos utilizados pelo fisioterapeuta no âmbito da Assistência 
Fisioterapêutica do Trabalho – área desbravada de forma pioneira no mundo 
empresarial com crescente abertura de mercado de trabalho e consolidação da 
importância deste profissional na equipe da saúde do trabalhador –, a resolução a 
seguir, que respalda ainda mais a utilização desta importante ferramenta de trabalho do 
fisioterapeuta, foi editada. 
 
DISPÕE SOBRE A INTERPRETAÇÃO DO ISPOSTO NO ARTIGO 1º E 
INCISOS DA RESOLUÇÃO COFFITO 259/2003. 
O Plenário do CONSELHO REGIONAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA 
OCUPACIONAL DA 2ª REGIÃO - CREFITO-2, no exercício de suas atribuições 
legais e regimentais, na 234ª Reunião Plenária, realizada no dia 09 do mês de Julho de 
2007, na sua Sede Institucional, situada à Rua Moraes e Silva, nº 129, Tijuca, Rio de 
 
66 
 
Janeiro - RJ, em conformidade com as competências previstas na Lei Federal nº 
6316/1975 e na Resolução COFFITO nº 182/1997 e considerando: 
- O Disposto Na resolução COFFITO N 259/2003; 
- O artigo terceiro da Lei Estadual do Rio de Janeiro número 4474/2004; 
- A necessidade de dar efetividade e praticidade ao disposto nos diplomas 
legais que cuidam da matéria, 
Resolve: 
Art. 1º - Para os efeitos de cumprimento do disposto na resolução COFFITO 
259/2003 e da lei estadual 4474/2004 fica entendido que procedimento profissional 
titulado como Cinesioterapia Descompensatória do Trabalho, Ginástica Laboral, 
Cinesiologia Laboral ou Cinesioterapia Laboral corresponde a um único ato técnico 
profissional de mesma espécie metodológica diagnóstica, preventiva e terapêutica de 
uso do Fisioterapeuta no âmbito da assistência Fisioterapêutica do trabalho. 
Art. 2º - Os casos omissos serão deliberados pelo plenário do CREFITO-2. Art. 
3° - Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. 
Rio de Janeiro, 09 de Julho de 2007. Denise Flávio de Carvalho Botelho Lima 
Diretora Secretária 
Dra. Rita de Cassia Garcia Vereza Presidente 
CREFITO 2 
 
ERGONOMIA 
 
Deriva dos termos ergon (que significa trabalho) e nomos (que significa normas, 
leis naturais). Pode-se entender como a ciência da configuração do trabalho ao 
homem. O início da história da Ergonomia remonta à criação das primeiras ferramentas, 
quando o homem pré-histórico provavelmente escolheu uma ferramenta que melhor 
se adaptasse à forma e movimentos de sua mão. 
Várias são as definições da Ergonomia. Alguns autores a classificam como 
ciência, outros como tecnologia. Alguns destacam os aspectos sistemáticos e 
comunicacionais, enquanto outros focalizam a questão da adaptação da máquina ao 
homem. 
De acordo com a Ergonomics Research Society (1949): Ergonomia é o estudo 
do relacionamento entre o homem e seu trabalho, equipamento e ambiente e, 
particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na 
 
67 
 
solução dos problemas surgidos desse relacionamento. 
Já para Wisner (1987): Ergonomia é o conjunto dos conhecimentos científicos 
relacionados ao homem e necessários à concepção de instrumentos, máquinas e 
dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e 
eficiência. 
Esse conceito foi, com as devidas adaptações, utilizado na redação do item da 
Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM). Mais tarde 
(1994), o mesmo autor reformula sua definição, colocando o saber do trabalhador no 
mesmo nível do saber tecnocientífico e como condição indispensável para o sucesso da 
ação ergonômica. 
A ergonomia pode contribuir para solucionar um grande número de problemas 
sociais relacionados com a saúde, segurança, conforto e eficiência. Muitos acidentes 
podem ser causados por erros humanos. Estes incluem acidentes com guindastes, 
aviões, carros, tarefas domésticas e muitas outras. Analisando-se esses acidentes pode-
se chegar à conclusão que são devido ao relacionamento inadequado entre operadores e 
suas tarefas. A probabilidade de ocorrência dos acidentes pode ser reduzida quando se 
consideram adequadamente as capacidades e limitações humanas durante o projeto do 
trabalho e de seu ambiente. 
Muitas situações de trabalho e da vida cotidiana são prejudiciais à saúde. As 
doenças do sistema musculoesquelético e aquelas devido ao mau projeto e ao uso 
inadequado de equipamentos, sistemas e tarefas. A ergonomia pode contribuir para 
reduzir esses problemas. Reconhecendo isso, muitos países já obrigam os serviços de 
saúde a empregar ergonomistas. 
 
ESCOLA DE POSTURA (EP) 
 
A Escola de Postura poderá ser outra estratégia utilizada em empresas, 
indústrias ou outros setores do trabalho. 
Como sabemos, a dor nas costas afetará cerca de oito em cada dez indivíduos, 
segundo a OMS, em algum episódio de suas vidas. 
Baseada nestas estatísticas, a EP poderá servir como abordagem bastante 
efetiva e resolutiva para sanar tais intercorrências. 
Nos setores de trabalho a EP deverá ter características diferentes daquela feita 
junto à comunidade. 
 
68 
 
Os objetivos e benefícios para o empregado e para as empresas serão 
semelhantes aos da Ginástica Laboral (vide Ginástica Laboral). 
É importante que o fisioterapeuta tenha sensibilidade para detectar quais serão as 
reais necessidades dos usuários, sem se contrapor às regras do setor de trabalho. 
 
SAÚDE DA COMUNIDADE 
 
A marca principal do Programa de Saúde da Família (PSF), fundamentada na 
Promoção da Saúde, é a mudança de foco que passa a ser a saúde e não mais a doença. 
Pensar a saúde, não como a simples ausência da doença, mas como produto da 
qualidade de vida, socialmente determinada,implica, necessariamente, a superação do 
paradigma da biomedicina organicista e a incorporação de um novo referencial que 
considere os aspectos históricos, culturais e sociais que interferem no modo como deve 
ser prestada a Atenção à Saúde. Nesse novo olhar, o indivíduo só pode ser 
compreendido na sua totalidade se estendermos esse olhar para a família com a qual 
ele convive, a moradia como núcleo de elementos favoráveis ou desfavoráveis à sua 
saúde e o cenário da comunidade e da sociedade, que influenciam do ponto de vista 
social e cultural a adoção de determinados modos de vida. 
Com o desenvolvimento do PSF, novas profissões começam a rever a 
“interdisciplinaridade” do PSF nas intervenções; visto que a complexidade das causas 
de morbimortalidade não podem ser vistas somente pelo ângulo de dois ou três 
profissionais da Saúde. Nasce, assim, a necessidade de realizar ações mais 
complexas, englobando diferentes saberes, sejam estes oriundos de outras 
categorias de profissionais de Saúde ou ainda de outros setores e, principalmente, o 
saber popular. 
Dessa forma, a inclusão de outros profissionais de Saúde, como o fisioterapeuta, 
nas equipes do PSF é fundamental para ratificar a integralidade e equidade do SUS. O 
fisioterapeuta não pode estar apenas no centro especializado, distante da comunidade. 
Ele tem que estar também próximo, para que a população tenha mais facilidade de 
acesso, com menores deslocamentos e menores gastos com transporte. 
As ações do fisioterapeuta na atenção primária não devem ser restritas às 
Unidades de Saúde da Família, mas abranger todo o “território”, como as escolas, 
indústrias, associações de moradores, creches, ou seja, toda comunidade. 
 
69 
 
 
CONSELHOS MUNICIPAIS DE SAÚDE, PARTICIPAÇÃO SOCIAL E 
DIREITOS E DEVERES 
 
Conselho de Saúde é órgão colegiado, deliberativo e permanente do Sistema 
Único de Saúde (SUS) em cada esfera de governo, integrante da estrutura básica do 
Ministério da Saúde, das Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, com composição, organização e competência fixadas na Lei nº 8.142/90. O 
processo bem sucedido de descentralização tem determinado a ampliação dos 
Conselhos de Saúde que ora se estabelecem também em Conselhos Regionais, 
Conselhos Locais e Conselhos Distritais de Saúde, incluindo os Conselhos Distritais 
Sanitários Indígenas, sob a coordenação dos Conselhos de Saúde da esfera 
correspondente. O Conselho de Saúde consubstancia a participação da sociedade 
organizada na administração da Saúde, como Subsistema da Seguridade Social, 
propiciando seu controle social. 
Atua na formulação e proposição de estratégias e no controle da execução das 
Políticas de Saúde, inclusive em seus aspectos econômicos e financeiros. 
A criação dos Conselhos de Saúde é estabelecida por lei municipal, estadual ou 
federal, com base na Lei nº 8.142/90. 
Na criação e reformulação dos Conselhos de Saúde, o Poder Executivo, 
respeitando os princípios da democracia, deverá acolher as demandas da população, 
consubstanciadas nas conferências de saúde. 
A participação da sociedade organizada, garantida na legislação, torna o 
Conselho de Saúde uma instância privilegiada na proposição, discussão, 
acompanhamento, deliberação, avaliação e fiscalização da implementação da Política de 
Saúde, inclusive em seus aspectos econômicos e financeiros. A legislação estabelece, 
ainda, a composição paritária de usuários, em relação ao conjunto dos demais 
segmentos representados. O Conselho de Saúde será composto por representantes de 
usuários, de trabalhadores de saúde, do governo e de prestadores de serviços de saúde, 
sendo o seu presidente eleito entre os membros do Conselho, em Reunião Plenária. 
Só apresentamos as normativas iniciais da Resolução 333 de 4 de dezembro de 
2003, que ratifica e explica a Lei 8142/90. 
É de suma importância que o fisioterapeuta tenha representatividade neste órgão, 
 
70 
 
para exercer o seu papel social na construção de um SUS mais equânime e íntegro. 
Nos Conselhos Municipais é onde são definidas as diretrizes para elaboração dos 
planos de saúde e sobre eles deliberar, conforme as diversas situações epidemiológicas 
e a capacidade organizacional dos serviços e também serem encaminhados ao Poder 
Legislativo, propor a adoção de critérios definidores de qualidade e resolutividade, 
atualizando-os em face do processo de incorporação dos avanços científicos e 
tecnológicos, na área da Saúde, enfim, os critérios norteadores para o Controle Social e 
a Participação Popular nos caminhos em que a Saúde deste município deve seguir. 
 
 
VISITAS DOMICILIARES 
 
O atendimento domiciliar deve ser estruturado considerando alguns fatores como 
as condições sociais e econômicas, equipamentos necessários, identificação do cuidador 
do paciente em casa e o envolvimento no programa. O considerável efeito psicológico 
que as visitas do fisioterapeuta surtem na vida e no cotidiano dos pacientes com 
doenças, uma vez que, além da reabilitação física, estes pacientes desenvolvem a 
sensação de segurança e confiança. O Programa de Saúde da Família (PSF) e o 
homecare põem em evidência o atendimento em domicílio por parte de equipes de 
saúde. O Ministério da Saúde (MS) assume, desde a Constituição de 1988, o 
compromisso de reestruturar o modelo de atenção no Brasil, partindo de um referencial 
de saúde com direitos de cidadania, pressupondo a organização de serviços cada vez 
mais resolutivos, integrais e humanizados. As políticas municipais têm se organizado a 
partir do Programa de Saúde da Família (PSF), proposta que se insere no nível da 
atenção básica e que persegue o objetivo final de promover a qualidade de vida e bem-
estar individual e coletivo, por meio de ações e serviços de promoção, proteção e 
recuperação da saúde. 
O atendimento domiciliar é imprescindível ao trabalho de atenção primária do 
profissional fisioterapeuta, pois é quando nos deparamos com a realidade das pessoas, 
verificando suas atividades de vida diária, suas limitações e a partir daí proceder aos 
encaminhamentos e orientações pertinentes a cada caso. 
As visitas domiciliares devem ter uma abordagem familiar, não centrada no 
indivíduo acometido por alguma doença, mas compartilhar a responsabilidade da 
 
71 
 
intervenção com todos os membros, buscando soluções mais eficientes e próximas da 
realidade da família. Dessa forma, a Saúde Pública é uma alternativa viável para o 
trabalho do fisioterapeuta, pois o fisioterapeuta é capaz de atuar desde a atenção básica 
até a reabilitação propriamente dita, participando efetivamente na transformação social 
que se faz necessária na saúde. 
 
ORIENTAÇÕES AOS CUIDADORES E/OU AOS FAMILIARES 
 
A família terá uma grande parcela de contribuição na recuperação dos usuários 
doentes. O fisioterapeuta deverá orientar todos os familiares e mostrar a importância 
desta colaboração. 
Em cidades que existirem os cuidadores, as chances de uma recuperação mais 
rápida e com qualidade deverá ocorrer, por ter uma pessoa diretamente ligada a este 
restabelecimento. 
 
REINSERÇÃO ÀS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA E À SOCIEDADE 
 
O fisioterapeuta terá uma grande importância juntamente com a Equipe de Saúde 
na reinserção às AVDs e à sociedade dos usuários acamados, restritos ao lar ou afastados 
do trabalho devido a acidente de trabalho. 
O social interfere de maneira direta na saúde e o fisioterapeuta deverá estar 
atento a esses detalhes. Tentando diagnosticar os problemas, usando uma visão mais 
ampla e menos linear, sobre todos os aspectos. 
O olho clínico dará lugar ao olhar social, e as técnicas fisioterapêuticas darão 
lugar às estratégias solidárias. 
Mais que um profissional da Saúde, um profissional do povo. 
 
ADEQUAÇÃO DO LAR E DO MOBILIÁRIO 
 
Nas Visitas Domiciliares (VD), podem ser utilizadas adequações dos 
mobiliários, alterações arquitetônicas e/ou a adaptaçõesde estruturas simples que 
possam auxiliar aos usuários que tenham dificuldades de realizar suas AVDs. 
A simples colocação de tubos de PVC já melhora as condições de marcha de 
 
72 
 
um usuário com sequela de AVC. 
Estas e outras ideias deverão ser colocadas em prática, usando a criatividade e o 
conhecimento biomecânico que é peculiar ao Fisioterapeuta. 
 
ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NA PREVENÇÃO DOS FATORES DE 
RISCOS 
 
A expressão "fator de risco" refere-se a um conceito que vem ganhando 
importância crescente no campo das doenças crônicas não transmissíveis. Estas 
afecções caracterizam-se, geralmente, por uma etiologia multifatorial e pelo incipiente 
estado do conhecimento sobre os mecanismos etiológicos e fisiopatológicos que levam 
ao seu surgimento e desenvolvimento, o que dificulta uma intervenção sistemática e 
coerente em nível de saúde pública. Entretanto, estudos epidemiológicos têm mostrado 
consistentemente uma relação entre determinados fatores e determinadas doenças. Além 
disto, tem-se verificado que a remoção ou reversão da exposição a estes fatores implica 
na redução da mortalidade e/ou da prevalência e/ou o surgimento mais tardio das 
patologias em estudo. 
As doenças crônicas não transmissíveis constituem uma das principais causas de 
morte nos países desenvolvidos e nas grandes cidades brasileiras. Entre essas doenças 
estão as cardiovasculares, os cânceres, o diabetes mellitus, as doenças respiratórias 
crônicas. Tem sido observado aumento na mortalidade por câncer nos Estados Unidos e 
no Brasil. 
Entre as doenças cardiovasculares, vem-se percebendo um declínio, nos últimos 
anos, na mortalidade relativa à doença isquêmica do coração (DIG), e à doença 
cerebrovascular, que, entretanto, não abala a posição deste grupo de doenças como um 
dos principais componentes da morbimortalidade. Apesar de ainda estar em discussão o 
que realmente levou a essa queda nas taxas, tem-se atribuído tal fato basicamente à: 
a) diminuição da exposição aos fatores de risco, como o consumo de 
cigarros e a ingestão de gorduras animais; 
b) melhorias no diagnóstico, tratamento e cobertura dos serviços de saúde em 
relação à hipertensão e outras doenças cardiovasculares. 
 
Desta maneira, a intervenção sobre as doenças crônicas não transmissíveis tem 
 
73 
 
como uma de suas vertentes a remoção ou diminuição da exposição a fatores de risco, 
apesar da existência de questionamentos sobre a real efetividade das tentativas de 
intervenção já realizadas. Nas últimas décadas, o exercício físico tem sido incorporado 
como uma das principais terapêuticas para esses pacientes, associados ao tratamento 
medicamentoso e às modificações de hábitos alimentares e comportamentais. A 
fisioterapia apresenta objetivos profiláticos e terapêuticos, visando reduzir o impacto 
físico e psicossocial das condições incapacitantes e limitantes que acometem o 
indivíduo, objetivando assim restaurar e aumentar a capacidade funcional, de modo que 
se obtenha considerável qualidade de vida e do prognóstico e envolve também atividade 
sexual, retorno ao trabalho, atividades recreativas. 
A prática regular de exercícios físicos pode, portanto, produzir mecanismos 
adaptativos, que resultam no estabelecimento de uma nova situação de equilíbrio dos 
processos homeostáticos, amenizando ou eliminando os efeitos desencadeados pelas 
doenças cardiovasculares. 
Os efeitos fisiológicos do exercício físico podem ser classificados em agudos 
imediatos, agudos tardios e crônicos. Os efeitos agudos, também denominados 
respostas, são aqueles que acontecem em associação direta com a sessão de exercício e 
podem ser subdivididos em imediatos ou tardios. Os efeitos agudos imediatos são 
aqueles que ocorrem nos períodos pré-imediatos, per e pós-imediato rápido (até alguns 
minutos) ao exercício físico e podem ser exemplificados pelo aumento de frequência 
cardíaca e da pressão arterial sistólica e pela sudorese normalmente associados ao 
esforço. Por outro lado, os efeitos agudos tardios são aqueles observados ao longo das 
primeiras 24 ou 48 horas (às vezes até 72 horas) que se seguem a uma sessão de 
exercício e podem ser identificados na discreta redução dos níveis tensionais 
(especialmente nos hipertensos), na expansão do volume plasmático, na melhora da 
função endotelial e no aumento da sensibilidade insulínica nas membranas das células 
musculares. Por último, os efeitos crônicos, também denominados adaptações, são 
aqueles que resultam da exposição frequente e regular a sessões de exercício, 
representando os aspectos morfofuncionais que diferenciam um indivíduo fisicamente 
treinado de outro sedentário. Alguns dos exemplos mais típicos dos efeitos crônicos do 
exercício físico são: a bradicardia relativa de repouso, a hipertrofia ventricular esquerda 
fisiológica e o aumento do consumo máximo de oxigênio. Hipertensos fisicamente 
treinados, especialmente quando por meio de exercícios predominantemente aeróbios e 
dinâmicos, tendem a apresentar uma redução modesta, porém clinicamente relevante, 
 
74 
 
dos seus níveis tensionais. 
Exercício físico regular também tem se mostrado uma estratégia eficaz para 
reduzir complicações clínicas decorrentes da hipertensão arterial, tais como o acidente 
vascular encefálico. Esses achados não são universais e parecem apresentar uma alta 
variabilidade interindividual. Essas alterações já podem ser observadas com algumas 
poucas sessões e são mais evidentes nas primeiras 16 horas seguintes ao exercício, 
muito embora apenas recentemente se comece a esclarecer os mecanismos fisiológicos 
associados a esse efeito agudo tardio, que é denominado hipotensão relativa pós-
exercício. Estudos futuros são necessários para esclarecer esse e muitos outros 
aspectos importantes da interação de exercício físico e hipertensão arterial. 
Há consenso de que o exercício físico regular – predominantemente dinâmico ou 
estático – contribui para a redução da pressão arterial em hipertensos, tanto por um 
componente agudo tardio como pelo efeito crônico da repetição periódica e frequente 
do exercício físico. O conhecimento dessa complexa interação – exercício físico e 
hipertensão arterial – pode contribuir para o melhor uso desse potente e barato 
instrumento de aprimoramento da saúde. 
A garantia de saúde para todos, preconizada na Constituição Federal de 1988, 
está diretamente relacionada à implantação e implementação do SUS e ao cumprimento 
de seus princípios e diretrizes por todos os profissionais e órgãos envolvidos. 
Vislumbrando a possibilidade do acesso pleno à saúde pela população, e a 
concretização das propostas das Políticas de Saúde do país, faz-se imprescindível uma 
transformação radical do modelo de atenção vigente, em prol de uma concepção mais 
ampla de saúde, e, sobretudo, torna-se indiscutível a urgência da necessidade de 
capacitação efetiva dos recursos humanos para que o processo de reorganização da 
atenção básica em saúde, propostas pelo Ministério da Saúde, venha a tornar-se uma 
realidade indefectível. No entanto, esta conquista depende do trabalho de profissionais 
capacitados, que saibam dos condicionantes e determinantes do processo saúde/doença, 
com a compreensão que a promoção de 
saúde é resultante de um trabalho articulado, envolvendo órgãos federal, 
estadual, municipal, institucional e a comunidade – e, principalmente, profissionais 
conhecedores da realidade do sistema de saúde vigente e suas necessidades. Os serviços 
prestados pelo SUS, muitas vezes, são caracterizados como uma proposta de saúde 
pobre, para uma população pobre. A inserção do fisioterapeuta, bem como de outros 
profissionais da área da saúde nos programas de saúde, principalmente no PSF, 
 
75 
 
reverterá este conceito equivocado, pois irá aumentar a eficácia e a resolutividade dos 
problemas de saúde, através de uma equipe qualificada e apta para promover saúde. 
Nos hipertensose diabéticos, além de orientações para o autocuidado, 
monitoramento frequente da pressão arterial e as caminhadas, o papel do fisioterapeuta 
é importante naqueles usuários cujas condições clínicas ou outras complicações exijam 
um acompanhamento especial. Nos casos de diabetes mellitus, o trabalho em grupo 
traz benefícios para esses indivíduos, promovendo a saúde através de orientações 
quanto aos cuidados a serem tomados em relação a alterações de sensibilidade, 
especialmente nos membros inferiores, importância dos cuidados com a alimentação e 
da realização de atividade física frequente. Nos grupos, podem ser realizados exercícios 
respiratórios, de reequilíbrio muscular, proprioceptivos, equilíbrio e coordenação 
motora, além da hidroterapia, onde for possível. 
 
PÉ DIABÉTICO 
 
Os portadores de diabetes mellitus (tipo 2) necessitam dar atenção especial a 
uma parte do corpo que talvez os leigos considerem incomum: os pés. O diabetes 
mellitus é um dos principais problemas de Saúde na América Latina e no Caribe, 
afetando quase 19 milhões de pessoas, segundo a Organização Pan-Americana de 
Saúde. E é um fator de risco importantíssimo para doenças do aparelho circulatório, 
entre eles, o pé diabético. 
O diabetes é uma doença séria que pode causar muitos problemas nos pés, 
levando até a amputação. No entanto, temos boas notícias. Muitos desses problemas 
podem ser evitados. 
 
PROBLEMAS COMUNS NOS PÉS 
 
Os nervos são responsáveis pela sensibilidade. Os nervos em seus pés permitem 
sentir dor, temperatura e o chão, proporcionando equilíbrio. Quando os nervos dos pés 
são lesados pelo diabetes, você não consegue sentir dor ou a temperatura. Pode ser 
difícil manter o equilíbrio. Lesões nos nervos são consequências dos altos níveis de 
açúcar no sangue. 
Como posso saber se tenho lesão nos nervos? 
 
76 
 
• Você tem a sensação de adormecimento e comichão nos pés? 
• Seus pés parecem queimar e você sente dores nos pés à noite? 
• Os ferimentos em seus pés não doem? 
Como prevenir complicações: 
• diagnóstico precoce; 
• monitorização constante e controle adequado da glicemia; 
• orientação e educação permanentes; 
• fisioterapia; 
• apoio psicológico para o usuário e seus familiares; 
• uso de calçados adequados ou órteses sob medida (em casos 
selecionados). 
 
Cuidados com os pés: 
• examine seus pés todos os dias; 
• examine todos os dedos e verifique se têm feridas; 
• verifique se têm infecções; 
• mudança de Coloração; 
• lave os pés todos os dias; 
• use água morna e sabonete suave; 
• seque com toques de toalha; 
• aplique creme ou óleo; 
• cuidado com as unhas; 
• sapatos e meias. 
 
O que não se deve fazer? 
• as meias não devem ser excessivamente apertadas ou grandes; 
• não use meias com furos ou que tenham sido remendadas; 
• não utilize chinelos de dedo; 
• não use sapatos abertos ou com salto. Quanto aos exercícios físicos: 
• exercícios e atividades físicas aumentam a circulação sanguínea nos pés 
e podem auxiliar no controle dos níveis de açúcar no sangue e do peso nos obesos, 
assim como manter as articulações saudáveis; 
• caminhar é o melhor exercício (consulte um profissional de saúde antes 
 
77 
 
de iniciar um programa de exercícios); 
• use calçados adequados e confortáveis para caminhar; 
• caminhe em superfícies planas; 
• não caminhe quando tiver dor ou feridas nos pés. 
 
Com relação à dieta saudável: 
• uma dieta saudável pode auxiliar na cicatrização de feridas; 
• hábitos alimentares adequados também auxiliam no controle dos níveis 
de açúcar sanguíneo, do peso e de problemas nas articulações, 
• coma alimentos com altos teores de proteína e baixos teores de gordura; 
• evite alimentos contendo muito açúcar; 
• não fume. 
 
Mais alguns cuidados que precisam ser tomados: 
• consulte o profissional de Saúde da sua Unidade de Saúde da Família 
regularmente; 
• mantenha o açúcar sanguíneo em níveis normais; 
• sempre peça ao profissional de Saúde para examinar os seus pés; 
• informe ao profissional de Saúde sobre quaisquer alterações ou 
sintomas nos pés. 
 
TABAGISMO 
 
O tabagismo representa um dos mais graves problemas de saúde pública, 
configurando uma epidemia que compromete não só a saúde da população, como 
também a economia do país e o meio ambiente. O berço no qual se disseminou a 
nicotina conduzida pelo tabaco foi a América. Em suas cerimônias religiosas, os 
índios aspiravam o fumo do tabaco, e quando Colombo chegou às Américas, seus 
companheiros navegadores conheceram o tabaco e levaram a planta para a Europa. 
Estima-se que, na atualidade, há no mundo 1,3 bilhão de fumantes, dos 
quais 80% vivem em países em desenvolvimento. No Brasil, estão em torno de 25 
milhões. Os fumantes passivos são cerca de 2 bilhões, dos quais 700 milhões são 
crianças. Sabe-se que são fumados 20 bilhões de cigarros por dia no mundo, perfazendo 
 
78 
 
um total de 200 toneladas de nicotina diariamente. A cada ano, o tabaco mata cerca de 3 
milhões de pessoas em todo o mundo e este número tende a ser crescente. Segundo a 
Organização Mundial de Saúde, se esta tendência não for revertida, nos próximos 30 a 
40 anos (quando os fumantes jovens de hoje atingirem a meia idade), a epidemia 
tabagística será responsável por 10 milhões de mortes por ano, sendo que 70% em 
países em desenvolvimento. No Brasil, estima-se atualmente que, a cada ano, o cigarro 
mata precocemente cerca de 80 mil pessoas, ou seja, cerca de oito brasileiros a cada 
hora. 
O cigarro pode causar neoplasia maligna do pulmão, estômago, esôfago, boca e 
até bexiga; responsável por um dos grandes fatores de risco das doenças coronarianas e 
acidentes vasculares cerebrais. Dentre outras patologias, a osteoporose também está 
relacionada, e a impotência sexual masculina é sempre a mais referida entre fumantes. 
As informações educativas, proibição de propagandas do tabaco, proibição de 
fumar em locais públicos, elevação do preço dos produtos do tabaco e o tratamento dos 
fumantes têm sido os grandes responsáveis pela diminuição de fumantes no nosso país, 
principalmente entre jovens adultos e de melhor classe social. O tratamento ideal, hoje, 
para os que pretendem parar de fumar é a associação da reposição de nicotina 
(adesivos), uso da droga bupropiona, e a terapia em grupo (abordagem cognitivo-
comportamental do fumante). 
Há consenso de que o êxito dos programas de controle de tabagismo depende da 
conscientização da população. É fundamental que os profissionais de Saúde estejam à 
frente destas campanhas e motivados nesta luta. 
 
 
ALCOOLISMO 
 
A literatura indica que o consumo moderado de bebidas alcoólicas é fator de 
proteção para mortalidade por todas as causas, principalmente por seu efeito redutor 
sobre as doenças cardiovasculares. Já o consumo abusivo traz inúmeras consequências 
negativas para a saúde e qualidade de vida, aumentando a frequência de morbidades que 
causam morte ou limitações funcionais, como cirrose, alguns tipos de câncer, acidente 
vascular cerebral, violências, transtornos mentais, entre outros. 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que a mortalidade e as 
 
79 
 
limitações funcionais causadas pelo uso abusivo de álcool são maiores que aquelas 
produzidas pelo tabagismo. O alcoolismo, por si só, também é considerado uma doença. 
Estudo multicêntrico brasileiro mostra prevalência entre 7,6% e 9,2%. Outra pesquisa 
realizada no país mostra prevalência de 12,4% entre pacientes hospitalares. Estudo 
realizado na Coreia do Sul mostrou prevalência de consumo abusivo de 16% para 
homens e 2% para mulheres, enquanto uma pesquisa na Nova Zelândia indicou 
prevalência de 9,9% entre sujeitos idosos. 
O consumo abusivo de álcool também provoca, direta ou indiretamente, custos 
altos para o sistema de saúde, pois as morbidades desencadeadas por ele são caras e de 
difícil manejo. Além disso, a dependência do álcool aumentao risco para transtornos 
familiares. 
Baseado em tudo que foi supracitado, faz-se necessário um enfrentamento de 
todos nós profissionais de Saúde, da sociedade e dos governantes. 
 
HANSENÍASE 
 
Em indivíduos portadores de hanseníase, o fisioterapeuta atua na fase inicial, 
promovendo o autocuidado para que sejam evitadas complicações, inclusive as que 
levam às limitações físicas. O acesso precoce à fisioterapia reduz a possibilidade de 
progressão das lesões, e no caso de hospitalização também é responsável pela redução 
da permanência no leito, o que representa maior rotatividade e resolutividade. 
O que fazer: 
→ grupo destinado à prevenção e tratamento coletivo de pessoas 
com hanseníase que estejam em tratamento ou já receberam alta por cura. 
→ este trabalho visa à promoção do autocuidado como instrumento 
importante para a prevenção de incapacidades físicas na hanseníase. São 
feitas reuniões mensais com o maior número de pacientes para que se possam 
esclarecer dúvidas sobre a doença, ensinar os exercícios preventivos, bem 
como promover a sensibilização em relação ao tratamento. 
 
Como fazer: 
→ oficinas de prevenção de incapacidades – são realizadas 
atividades coletivas que abordam temas gerais sobre a doença, tratamento 
 
80 
 
e autocuidado, por meio de aulas práticas sobre os exercícios de 
prevenção de incapacidades. Em algumas unidades dispomos da terapia 
comunitária que nos complementam na questão do trabalhar a autoestima 
e diminuição do estigma da doença. 
 
Com quem fazer: fisioterapeutas, enfermeiros, agente comunitário de saúde. 
 
DST/AIDS 
 
Sendo DST/AIDS doenças que assolam a sociedade nos aspectos 
biopsicossociais, onde todos estão sujeitos a elas, surge a necessidade de desenvolver a 
conscientização da população quanto a sua existência, bem como sua prevenção. O 
fenômeno da AIDS, uma vez contraído, caracteriza-se pela Deficiência do Sistema 
Imunológico, desenvolvendo em sua evolução diversas complicações para a saúde vital 
dos portadores do vírus. O fisioterapeuta visa colaborar interdisciplinarmente, buscando 
o bem-estar do portador e auxiliá-lo a enfrentar, melhorando a sobrevida do paciente e 
diminuindo os desafios desta doença. 
 
DROGAS ILÍCITAS 
 
O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e persistente ameaça à 
humanidade e à estabilidade das estruturas e valores políticos, econômicos, sociais e 
culturais de todos os estados e sociedades. 
Suas consequências infligem considerável prejuízo às nações do mundo inteiro, 
e não são detidas por fronteiras: avançam por todos os cantos da sociedade e por todos os 
espaços geográficos, afetando homens e mulheres de diferentes grupos étnicos, 
independentemente de classe social e econômica ou mesmo de idade. 
Questão de relevância, na discussão dos efeitos adversos gerados pelo uso 
indevido da droga, é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes conexos, 
geralmente de caráter transnacional, com a criminalidade e a violência. Esses fatores 
ameaçam a soberania do país e afetam a estrutura social e econômica interna, exigindo 
que o governo adote uma postura firme de combate a tais ilícitos, articulando-se 
internamente e com a sociedade, de forma a aperfeiçoar e otimizar seus mecanismos de 
 
81 
 
prevenção e repressão e garantir o envolvimento e a aprovação dos cidadãos. 
Um fator agravante é a tendência mundial sinalizadora de que a iniciação do 
indivíduo no uso indevido de drogas tem sido cada vez mais precoce e com utilização 
de drogas mais pesadas. Estudos realizados no Brasil a partir de 1987, pelo Centro 
Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), confirmam o 
aumento do consumo de substâncias psicoativas entre crianças e adolescentes no país. 
Segundo levantamento realizado pelo CEBRID, em 1997, o percentual de adolescentes 
do país que já consumiram drogas entre 10 e 12 anos de idade é extremamente 
significativo: 51,2% já consumiram bebida alcoólica; 11% usaram tabaco; 7,8% 
solventes; 2% ansiolíticos; e 1,8% anfetamínicos. 
Além disso, o uso indevido de drogas constitui fator de elevação do número de 
casos de doenças graves como a AIDS e as infecções causadas pelos vírus B- HBV e C-
HCV da hepatite, em decorrência do compartilhamento de seringas por usuários de 
drogas injetáveis. Entre 1986 e 1999, a proporção de usuários de drogas injetáveis 
(UDI), no total de casos de AIDS notificados ao Ministério da Saúde, cresceu de 4,1% 
para 21,7%. No início dos anos 90, esse percentual chegou a 25%. 
Ao organizar e integrar as forças nacionais, públicas e privadas, o Sistema 
Nacional Antidrogas observa a vertente da municipalização de suas atividades, buscando 
sensibilizar estados e municípios brasileiros para a adesão e implantação da Política 
Nacional Antidrogas, em seu âmbito. 
Sendo o Município a célula-mater da organização político-administrativa do 
Estado Brasileiro, torna-se capital o papel que o atual momento histórico lhe reserva, 
pois é neste que os fundamentos da Constituição Federal – de cidadania, dignidade da 
pessoa humana, valores sociais do trabalho e livre iniciativa – podem ser aplicados, à 
máxima eficácia. É nele que reside a juventude, para com a qual há de se buscar o 
resgate ético da dívida criada pelas gerações que a antecederam, por haverem permitido 
a sua vulnerabilidade às drogas. 
Sem dúvida, a melhor forma de levar a mensagem antidrogas ao jovem é 
municipalizando as ações de prevenção contra as drogas. Isso significa levar ao 
município a ação de conversa face a face, de aconselhamento olho no olho, onde avulta 
de importância a organização de um Conselho Municipal Antidrogas. 
Com a municipalização, viabiliza-se a necessária capilaridade do Sistema dentro 
do território nacional e se potencializam as possibilidades de participação da sociedade 
civil organizada nas ações antidrogas desenvolvidas no país. 
 
82 
 
Neste contexto de Políticas Públicas, o fisioterapeuta poderá contribuir de forma 
incisiva, emprestando seus conhecimentos de Saúde Pública e exercendo o seu papel de 
cidadão. 
 
 
 
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