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DESIGN DO MOBILIÁRIO Laila Janna Canto Tavares Materiais empregados em um projeto mobiliário Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir o comportamento dos materiais e as suas possibilidades de uso. Identificar os materiais mais adequados para cada tipo de móvel e ambiente. Descrever o uso de ferragens e acessórios adequados para cada tipo de móvel e ambiente. Introdução A maioria dos móveis produzidos antes do século XX era confeccionada por artesãos locais e a partir de materiais como madeira. Porém, com a Revolução Industrial, novos materiais e novos processos construtivos impulsionaram o desenvolvimento tanto de novos modelos quanto de novas formas de construção do mobiliário. As diversas possibilidades encontradas pelos designers também contribuíram para o surgimento de grandes novidades nesse ramo, especialmente com o desenvolvimento da tipologia industrial e de novos materiais de construção, como o ferro, o aço, o vidro, o concreto armado, etc. Neste capítulo, você vai estudar os materiais e seus usos no processo de desenvolvimento do design do mobiliário a partir da Revolução In- dustrial. Você vai identificar os materiais mais adequados para cada tipo de móvel e ambiente, além de verificar as ferragens e os acessórios mais adequados para cada tipo de móvel e ambiente. O comportamento dos materiais e as suas possibilidades de uso Nesta seção, você vai analisar alguns tipos mais comuns de materiais usados na fabricação de móveis e as suas principais características. Madeira Segundo Mello (2007 apud CABRAL et al., 2016), algumas características são relevantes nas construções em madeira, como trabalhabilidade, excelente relação entre peso e resistência mecânica, benefi ciamento com baixo consumo energético, reaproveitamento e renovabilidade. Outra característica relevante reside no fato de a madeira apresentar resistência em relação à densidade, superando o aço e o concreto. Com relação ao teor de umidade, a madeira apresenta comportamento semiporoso, podendo absorver ou perder umidade de acordo com as condições do meio. Já a densidade, ou peso específi co — a quantidade de massa contida na unidade de volume, ou a relação entre peso e volume de uma amostra —, tem relação direta com o tipo de madeira. Um ponto importante a citar sobre a densidade é que varia de acordo com o grau de umidade (MELLO, 2007 apud CABRAL et al., 2016). Quando comprimida ou tracionada na direção da fibra, a madeira pode ser amassada ou esmagada; porém, quando a carga for aplicada perpendicularmente, acaba por resistir menos ao cisalhamento na direção da sua fibra. Ainda, a madeira expande ou contrai perpendicularmente a sua fibra conforme mudanças no nível de umidade (CHING; BINGGELI, 2013). Veja, a seguir, os tipos de madeira. Madeira compensada: material que possui inúmeras lâminas finas dispostas entre si em ângulos retos na direção da fibra, dando resistência em ambas as direções. Já a madeira aglomerada é feita a partir de uma colagem de pequenas partículas de madeira sob calor ou pressão. Esse último modelo é bastante utilizado em painéis decorativos e armários (CHING; BINGGELI, 2013). Medium Density Fiberboard (MDF): chapa de fibras de madeira agluti- nadas com resinas sintéticas submetidas a temperatura e pressão. Substitui as chapas de aglomerado e a madeira maciça. A distribuição uniforme da fibra em toda a sua espessura permite a incorporação de novas tecnologias. Sua usinabilidade é explorada no móvel torneado. No móvel retilíneo, o MDF é aplicado na parte frontal, enquanto a chapa dura é empregada nos fundos e o aglomerado nas prateleiras e laterais. Materiais empregados em um projeto mobiliário2 Medium Density Particleboard (MDP): é formado por três camadas de chips ou cavacos de madeira, geralmente pinus, sendo as duas camadas externas de pequena gramatura e a interna de gramatura maior. Essa separação dos cavacos confere estabilidade dimensional, isolamento acústico e resistência a empenamentos e deformações. Pode ser bas- tante utilizado em móveis retilíneos, como mesas, armários, balcões e, principalmente, onde há necessidade de resistência mecânica. Madeira reflorestada: obtida de espécies que apresentam um ciclo de crescimento rápido no solo e clima brasileiros. Apresenta período de abate bem menor em relação aos praticados em seus hábitats originais e abastecimento por volume de plantação de manejo sustentável. As qualidades podem ser manipuladas (clonagem), e os defeitos podem ser contornados por vias tecnológicas. Tratamentos químicos enobrecem o uso das madeiras comuns de pinus. As ripas e cavacos são utilizados na fabricação de painéis de compensado e aglomerado. O eucalipto reflorestado, além da obtenção de celulose, destina-se à fabricação de painéis de chapa dura e painéis sarrafeados para o segmento de móveis, conforme leciona Teixeira (2000). Madeira plástica: é composta de matéria-prima proveniente do lixo plástico reciclado, adicionado de aditivos que conferem ao produto características mecânic as e físico-químicas distintas de cada material isoladamente, além de propriedades iguais ou até melhores do que as da madeira natural. Em alguns casos, adiciona-se, inclusive, serragem da própria madeira (AMARAL, 2009 apud CABRAL et al., 2016). A durabilidade dos plásticos é uma das razões que fazem com que estes sejam altamente utilizados, consequência da sua estabilidade estrutural, podendo levar séculos para a degradação. Se a durabilidade pode ser uma vantagem, por outro lado, o plástico pode representar um sério problema ecológico se descartado de forma incorreta (PIATTI; RODRIGUES, 2005 apud CABRAL et al., 2016). A madeira plástica pode apresentar vantagem econômica referente a gastos com manutenção, pois não precisa ser envernizada ou lixada, uma vez que o material vem com pigmentação de fábrica. Suporta aparafusamento, colagem, enceramento e pintura e pode ser manuseada com os mesmos equipamentos empregados na madeira natural (serras, plainas, furadeiras e outros), além de poder ser higienizada simplesmente com água e sabão, embora suporte produtos químicos mais agressivos. Além disso, a madeira plástica é impermeável, não sofre corrosão nem ação de pragas, fungos ou bactérias, não apodrece e nem 3Materiais empregados em um projeto mobiliário libera farpas. Possui aparência muito similar à da madeira natural, sendo boa isolante térmica e podendo atingir uma grande durabilidade. A grande desvantagem da opção pelo uso da madeira plástica é o alto valor de investimento inicial, devido ao fato de o material ser desenvolvido com tecnologia de ponta não muito acessível, o que muitas vezes dificulta inclu- sive a entrada dela no mercado, tendo no Brasil uma produção em boa escala somente nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. O alto custo da coleta seletiva e o desconhecimento da produção de materiais reciclados por parte da população acabam tornando o mercado desses materiais menos requisitado, segundo Cabral et al. (2016). Laminados Os laminados são uma espécie de revestimento para móveis e pisos bastante usual, aplicado a uma estrutura tanto de MDF como de MDP. Os laminados naturais em madeira são uma opção mais em conta, com uma durabilidade e resistência superior à dos laminados de alta e baixa pressão. A composição de laminados de alta pressão apresenta três camadas: overlay, uma espécie de filme de proteção; película melamínica pura, aplicada sobre o papel decorativo, que oferece maior proteção ao desgaste; um substrato, composto por papel kraft e resina. Os laminados de baixa pressão possuem papel decorativo melamínico com o substrato, que pode ser MDF, MDP ou aglomerado. Laminado de alta pressão: resistente a impactos, riscos e manchas, exceto a calor; possui uma grande variedade de cores que remetem a madeira, metal ou pedra, brilhante ou fosca. Laminado de baixa pressão: menos resistente do que o laminado de alta pressão; pode-se aumentar a resistência aplicando-se uma resina; utilizado em tampos de mesa e em caixas de móveis de cozinha. Lâmina de madeira natural: fatias de peças de madeira maciça aplicadas sobre chapas; aplicação artesanal; mais barata. Fita de borda: acabamento e refinamento do móvel; torna a peça mais resistente; aplicação em placas juntamente com as lâminas. Materiais empregados em um projeto mobiliário4 Metal É resistente tanto à compressão quanto à tração. Uma característica interessante desse material é que o metal é dúctil, ou seja, de fácil manuseio, podendo ser transformado em fi os e martelado até diminuir sua espessura. O metal pode ser aparafusado com ou sem porca, rebitado ou soldado. Metais podem ser fortes dependendo do seu peso e método de constru- ção. O aço inoxidável resiste à ferrugem. Outros metais podem precisar de revestimentos ou acabamentos para evitar ferrugem ou oxidação; alguns revestimentos de cobre e latão são muito finos. O ferro, por sua vez, precisa de um revestimento protetor para evitar ferrugem (CHING; BINGGELI, 2013). O metal mais utilizado pelos designers no desenvolvimento de móveis é o alumínio. Suas vantagens são maior resistência, leveza, maleabilidade, flexibilidade e fácil manipulação, além de seu melhor acabamento. O alumínio, na década de 1880, ainda era considerado um material muito caro, tendo seu valor de mercado reduzido a partir do desenvolvimento da eletricidade. Foi a partir do século XX, na Áustria, que foram feitas as primeiras aplicações do alumínio em decorações de móveis, em pernas, braços e parafusos. Um exemplo é o mobiliário Bentwood, do arquiteto e designer Otto Wagner, de 1906, nos quais o emprego de alumínio nas cadeiras variava de acordo com sua hierarquia de uso. Outra aplicação desse material veio no ano seguinte, em 1907, por Hans Christiansen, como decorativo de portas e armários. Somente a partir de 1920 desenvolveu-se uma maior variedade de aplicações. Para a indústria moveleira da Europa e da América do Norte, o alumínio não era considerado estimulante de grandes possibilidades econômicas, como já exemplificava John Gloag em 1944 (EDWARDS, 2001). A justificativa dada era a de que a indústria de móveis deveria ser refeita para fabricar metais, sendo utilizado em grande parte das vezes em hospitais, instituições e locais de trabalho, sob um entendimento comum de suas propriedades simbólicas. Apesar de primeiramente exibido na França, em 1921, foram os norte-america- nos os responsáveis pela maior inserção desse material no mobiliário de interiores. No final da década de 1920, a fábrica Alcraft Alcoa, em Buffalo, produziu cadeiras de alumínio jateadas com areia, envernizadas e depois revestidas duas vezes com esmalte. As cores padrão eram nogueira, mogno, carvalho e duas variedades de verde, bem como um acetinado prata. Esse novo material era mais aceito quando apresentado como algo de estilo inovador, mas foi somente a partir de 1934, com projetos de renomados arquitetos, entre eles Frank Lloyd Wright, que o material passou a ser mais presente e mais aceito esteticamente (EDWARDS, 2001). 5Materiais empregados em um projeto mobiliário Plástico O plástico possui inúmeros tipos e variações no mercado. Não é tão forte, mas pode ser reforçado com fi bra de vidro, podendo se tornar estruturalmente estável com facilidade e ter formas rígidas. Os móveis em plástico geralmente são peças únicas, sem juntas ou conexões. Móveis feitos de outros materiais frequentemente contêm partes de plástico. A maioria dos plásticos são feitos de óleo; entretanto, podemos encontrar alguns modelos feitos de soja e outros materiais. Alguns plásticos arranham com facilidade e são afetados por produtos químicos ou produtos de limpeza. Plásticos são frequentemente feitos para parecerem com outros materiais, como madeira esculpida. Nesses casos, o acabamento às vezes se desgasta, revelando a base de plástico por baixo (CHING; BINGGELI, 2013). Vidro O vidro é uma substância inorgânica, homogênea e amorfa, obtida por meio do resfriamento de uma massa em fusão. As suas principais qualidades são a transparência e a dureza. O vidro se distingue de outros materiais por várias características: não é poroso nem absorvente e é ótimo isolador (dielétrico). Possui baixo índice de dilatação e condutividade térmica e suporta pressões de 5.800 a 10.800 kg/cm2. Veja, a seguir, alguns tipos de vidro. Vidro laminado: o vidro laminado é composto por duas ou mais chapas de vidro intercaladas com uma ou mais películas de material plástico denominado Polivinil Butiral (PVB), ou com a aplicação de resina entre os vidros. Vidro temperado: trata-se de um vidro que foi submetido a um tratamento térmico de têmpera, no qual o vidro é aquecido de forma controlada, elevando-se sua temperatura a aproximadamente 700°C ; em seguida, ele é resfriado bruscamente, o que provoca tensões internas que tornam o vidro até cinco vezes mais resistente a choques mecânicos e, também, aumenta sua resistência a choques térmicos, mantendo as características de aparência, transmissão luminosa e composição química. A têmpera pode ser realizada por meio de um processo vertical ou horizontal. Vidro serigrafado: existem dois tipos de processos para a fabricação de vidros serigrafados: o processo a frio e o processo a quente. O processo de fabricação a frio consiste na aplicação de tinta ao vidro, geralmente por meio de telas serigráficas, cuja cura é feita utilizando Materiais empregados em um projeto mobiliário6 luz ultravioleta (UV). Já no processo de fabricação a quente, é feita a aplicação de esmalte cerâmico, composto por fundente à base de vidro e corantes; em seguida, o vidro passa pelo processo de têmpera para que haja a fundição do esmalte ao vidro. Portanto, todo vidro serigrafado fabricado a partir desse processo deve ser temperado. Vidro acidado: o vidro acidado é fabricado a partir da aplicação de uma solução ácida no vidro que ataca sua superfície de forma controlada, tornando-a fosca. O vidro pode ser acidado por completo ou parcialmente, inclusive criando desenhos, texturas, letras ou formas geométricas. Os vidros acidados são de fácil limpeza, por não acumularem gordura. Vidro jateado: o processo de jateamento se dá por meio de jato de areia ou laser aplicado sobre a superfície do vidro; a sua função, assim como no vidro acidado, consiste em tornar o vidro fosco. É possível jatear o vidro por completo ou parcialmente, criar desenhos, texturas, letras ou formas geométricas. Porém, o vidro jateado pode acumular gordura, dificultando a limpeza. Vidro espelhado: o vidro espelhado ou, simplesmente, espelho é produzido a partir da deposição de metais como prata, alumínio ou cromo sobre uma das faces do vidro. Em seguida, esse metal é protegido por camadas de tinta, que evitam a corrosão da camada metálica e, por consequência, o surgimento de manchas pretas. A espelhação do vidro à base de prata é um dos métodos mais difundidos no mundo, conforme aponta Pinheiro (2007). Acrilato ou acrílico O acrílico tem menor resistência à tração e menor rigidez que o vidro e o policarbonato. A resistência à tração diminui gradualmente com o aumento da temperatura. Possui boa resistência ao impacto e, na quebra, a chapa acrílica não estilhaça como o vidro — ela quebra em pedaços não cortantes. É um material sensível ao entalhe. O acrílico tem boa resistência à água, aos álcalis e às soluções aquosas de sais inorgânicos. Mesmo que diluídos, os ácidos cia- nídrico e fl uorídrico atacam o acrílico, assim como os ácidos sulfúrico, nítrico e crômico concentrados. Os solventes à base de hidrocarbonetos clorados e monômeros de metil metacrilato atacam o acrílico fortemente. Laca A laca é feita com a matéria-prima de casulos de um tipo de inseto, o Laccifer lacca, existente na Índia e nas áreas tropicaisda região. Para ser utilizada no 7Materiais empregados em um projeto mobiliário acabamento em marcenarias, a goma laca sofre um processo de purifi cação que, conforme o grau, proporciona maior ou menor transparência à substância. Trata-se de uma resina natural para ser dissolvida na fabricação do mais famoso verniz para madeira. Ela é atóxica, seca rapidamente, e várias demãos podem ser aplicadas em um único dia. Propicia acabamento sofi sticado nas versões brilhantes e foscas; possui uma infi nidade de cores e pode ser aplicada em metal, ferro, MDF, entre outros materiais. Polímeros Os polímeros, diferentemente das substâncias químicas de baixa massa mo- lecular, são produtos heterogêneos, pois podem apresentar uma mistura de moléculas de diferentes massas moleculares, apresentando, portanto, polimo- lecularidade. A utilidade de alguns polímeros depende, principalmente, de suas propriedades elétricas, as quais os tornam adequados para isolamento elétrico, em capacitores dielétricos ou radomes de micro-ondas. Os plásticos obtidos de materiais poliméricos sintéticos (derivados de petróleo) são inerentemente muito resistentes ao ataque da natureza. O maior grupo de polímeros utilizados em embalagens e materiais dessa natureza são as poliolefinas, que são resistentes à peroxidação, à água e a micro-organismos, sendo duráveis durante o uso. Já a celulose é empregada na fabricação de papel, de tecidos e como matéria-prima na fabricação da seda artificial, de explosivos, de colódio, de celuloide, etc. PMMA Polímero amorfo e transparente, uma vez que os grupos metila e éster, dis- tribuídos aleatoriamente ao longo da cadeia molecular, impedem a sua cris- talização. Assim, o PMMA é um material duro, rígido e transparente. Além disso, em relação à maioria dos termoplásticos, apresenta excelente resistência a intempéries. A resistência desse polímero ao impacto é inferior a muitos outros termoplásticos, como acetato de celulose, ABS, policarbonato, etc., mas é superior em relação ao poliestireno cristal. O PMMA apresenta uma série de vantagens: é mais estável no envelhecimento e amarelamento; absorve menos umidade; é resistente à hidrólise alcalina. Materiais empregados em um projeto mobiliário8 O PMMA não apresenta boa resistência à abrasão, mas a sua resistência é suficiente para uso em letreiros luminosos, lanternas de automóveis e outras aplicações semelhantes. Muitos materiais orgânicos, como os álcoois alifáticos, mesmo sendo não solventes, podem causar microfissuras interligadas e até mesmo rachaduras. Bambu, rattan e vime Materiais fortes para o seu peso e resistentes à água. O rattan, proveniente de cipós parecidos com trepadeiras, é forte e durável, de alta qualidade, de cor clara e livre de manchas escuras. O bambu se assemelha ao rattan, mas é oco, não sólido; é menos fl exível, ou seja, tem capacidade de fl exão limitada. Já o vime é uma técnica de construção, não um material. Móveis de vime podem ser feitos de rattan, cana, salgueiro, bambu ou galhos fl exíveis. Materiais de estofamento Algodão: fibra vegetal com baixa elasticidade e flexibilidade. É com- bustível e amassa com facilidade. Seu uso é principalmente residencial. Linho: derivado do caule da planta com o mesmo nome. Extremamente forte, tende a ser quebradiço e amassar com facilidade. É mais resistente ao mofo do que o algodão. Para uso profissional e residencial. Rami: fibra natural lustrosa e muito forte. Dura, quebradiça e não elástica. Frequentemente misturada com linho e algodão. Para uso profissional e residencial. Seda: produzida pelo bicho-da-seda. É a mais forte de todas as fibras naturais. É resistente a solventes, mas degrada com facilidade com a exposição ao sol. Comumente utilizada apenas em moradias. Raiom: fabricado a partir da polpa de madeira. Pode ser misturado com outras fibras e aceita bem corantes. Para uso profissional e residencial. Couro: material de origem animal, mais precisamente de sua camada de pele, que, quando transformada em um material estável, é utilizada na confecção de calçados, bolsas, materiais diversos e, inclusive, como revestimento de alguns tipos de mobiliários. O couro bovino é utilizado na fabricação de móveis, sendo considerado um material resistente, de boa qualidade e de fácil adaptabilidade. Essa pele é composta de três camadas: a flor, onde são eliminados os pelos e que constitui a parte nobre do couro; a vaqueta, utilizada em artigos finos, como forrações, e 9Materiais empregados em um projeto mobiliário as raspas de colágeno, que seguram a gordura e os músculos do animal, conforme leciona Conceição (2001). Acrílico: imita a seda ou a lã, aceita bem corantes e pode amassar. Uso em exteriores. Vinil: simula o couro ou a camurça. Durável e fácil de limpar; porém, não é sustentável. Uso profissional e residencial. Poliéster: não amassa, é resistente à abrasão, tem estabilidade dimen- sional e resiste ao amasso. Uso profissional. Crypton: processo de tratamento de diversos tecidos, como algodão, linho, seda, lã, acrílico, raiom e poliéster, para aumentar sua durabilidade e resistência a manchas e à umidade. Tecidos especiais: fibras elastométricas (spandex) que retornam às suas formas originais. Uso comercial. Materiais mais adequados para cada tipo de móvel e ambiente Cada material ou design aplicado ao mobiliário corresponde a uma necessi- dade. Ching e Binggeli (2013) mostram alguns exemplos de mobiliários por ambiente e de como utilizá-los. A partir disso, podemos relacionar o melhor uso de material para cada tipo de mobiliário, conforme você verá a seguir. Cadeiras, bancos e banquetas Materiais predominantes: estrutura em madeira, plástico, alumínio ou acetato; alumínio, madeira ou plástico em sua base (giratória ou não), rodízios e braços; tecidos para seu estofamento conforme necessidade. Cadeiras escrivaninha: projetadas para serem flexíveis e móveis; mecanismos giratórios com rodízios; com apoio de braços. Cadeiras executivas: frequentemente projetadas como símbolos de status; permitem ao usuário se reclinar para trás; giratórias; não são adequadas para longo uso ao computador Cadeiras de empilhar e de dobrar: utilizadas para grandes agrupa- mentos de pessoas ou como assentos auxiliares; são leves e moduladas; frequentemente fabricadas em aço, alumínio ou plástico; algumas es- tão disponíveis com apoios para braços e têm assentos e espaldrames forrados; algumas têm mecanismos de conexão para serem utilizadas em fileiras. Materiais empregados em um projeto mobiliário10 Cadeiras de restaurante: devem ser resistentes; o nível de conforto costuma ser escolhido conforme o tipo de serviço. As cadeiras com braços devem ser coordenadas com a altura dos tampos de mesa; o tamanho da cadeira afeta os padrões de assento. Cadeiras de aproximação: geralmente mais leves e menores do que as poltronas; espaldrames verticais para estudar e fazer refeições. Cadeiras sem suporte de braços: para relaxar em uma posição parcial- mente inclinada; muitas vezes são reguláveis; devem ser fáceis de sentar e levantar, nem muito baixas e nem muito macias; devem dar suporte adequado às costas. Destinam-se também a visitantes ao escritório ou para uso rápido; geralmente têm tamanho pequeno. Bancos: devem ser selecionados de acordo com a sua estabilidade e facilidade de movimento, bem como sua aparência. Banquetas: assentos longos e geralmente estofados voltados para mesas múltiplas; permitem que sejam deslocados ao longo da mesa e reunidos para acomodar tamanhos variáveis de grupos. A Figura 1 traz alguns exemplos de cadeiras e bancos. Figura 1. Cadeiras e bancos. Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 328). Estofados e poltronas Materiais predominantes: estrutura interna em madeira; estofamento em couro ou tecido podendo ou não conter aplicações em plástico; plás- tico, madeira ou alumínio em sua base; braços ouestruturas externas aparentes em alumínio ou madeira. 11Materiais empregados em um projeto mobiliário Assentos para auditórios: fornecem absorção acústica, além da função de se sentar. Há exigências para prevenção de incêndio quanto aos materiais e à disposição dos assentos. Poltronas: servem para descansar, conversar ou ler; são completamente estofadas; fabricadas em madeira, plástico, aço ou uma combinação de materiais (Figura 2). Sofás: projetados para acomodarem duas ou mais pessoas; geralmente são estofados; curvos, retos ou angulares; com ou sem braços. Conjunto de sofá: sofá dividido em partes que pode ser montado de diferentes maneiras. Namoradeira: pequeno sofá com apenas dois lugares. Figura 2. Poltrona. Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 326). Mesas Materiais predominantes: estrutura em madeira, alumínio, MDF ou MDP revestido com laminado ou laca; tampo de vidro, madeira, alumínio, plástico, MDF ou MDP revestido com laminado ou laca. Mesas: as mesas são superfícies planas e horizontais sustentadas pelos pisos e devem seguir atributos de força, estabilidade, tamanho, formato e altura; fabricação em materiais duradouros (Figura 3). Seu tampo pode ser de madeira, vidro, plástico, pedra, metal, azulejo ou concreto. O acabamento da superfície deve ser duradouro e ter boa resistência ao Materiais empregados em um projeto mobiliário12 desgaste. A cor e a textura da superfície devem ter refletância de luz adequada à tarefa visual. O sSeu tampo pode ser sustentado por pernas, cavaletes, bases sólidas ou gaveteiros, podendo estar embutido, ser bai- xado de estantes de parede ou se apoiar em pernas ou suportes retráteis. Figura 3. Mesas. Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 332). Camas Materiais predominantes em seu uso: estrutura interna em madeira ou metais como ferro; estofamento em tecido forrado e acolchoado, podendo ou não conter aplicações em plástico; plástico, madeira ou alumínio em sua base. Camas: as camas consistem em dois componentes: colchão e base ou estrutura de apoio (box), também podendo conter cabeceiras. A Figura 4 traz o exemplo de um sofá-cama. 13Materiais empregados em um projeto mobiliário Figura 4. Sofá-cama: sofá projetado para ser transformado em cama. Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 336). Roupeiros e armários Materiais predominantes em seu uso: Estrutura em madeira, metais como ferro ou alumínio, MDF ou MDP revestido com laminado ou laca; portas de madeira, MDF ou MDP revestido com laminado ou laca, metais como ferro ou alumínio, vidro comum ou espelhado e acetato. Roupeiros: móveis embutidos podem ajudar a manter as linhas de um dor- mitório limpas e evitar que o ambiente fi que atravancado. Armários: móveis com portas frontais e, frequentemente, gavetas na base. As secretárias ou escrivaninhas e cômodas altas com pernas têm frentes que se abrem para baixo para criar uma superfície com gavetas na parte inferior. Armazenagem: prateleiras, gavetas e armários fechados, suspensos no teto, instalados na parede ou sobre o piso, como móveis independentes. As unidades podem ter frentes abertas ou portas com ou sem vidraças, ou mesmo persianas. Materiais empregados em um projeto mobiliário14 A Figura 5 traz exemplos de armários. Figura 5. Exemplos de armários. Fonte: Ching e Binggeli (2013, p. 338). Ferragens e acessórios adequados para cada tipo de móvel e ambiente As características de forma e construção da peça de mobiliário são determi- nadas pela organização espacial da forma, pela interconexão dos principais componentes estruturais e pela estrutura arquitetônica do produto. A modu- laridade aumenta o aspecto funcional na composição do projeto. Devido ao método de ligação de certos componentes estruturais, os móveis podem ser divididos em não desmontáveis, como blocos únicos, ou desmon- táveis, com possibilidades de repetidas desmontagens e remontagens. Podem ser do tipo caixa ou armação, conforme veremos a seguir. O mobiliário do tipo caixa é construído principalmente a partir de um conjunto de painéis ou chapas, com espessura menor do que a largura e o com- primento. Também pode contar com ripas e molduras, em termos de estrutura. Normalmente, as chapas são posicionadas de tal maneira que fecham o espaço por cinco ou seis lados, formando um caixote. A posição dessas chapas umas em relação às outras pode variar, podendo ser do tipo mesa, quando as chapas superior e inferior do móvel são colocadas em cima e embaixo das chapas laterais, respectivamente, ou do tipo prateleira, quando as chapas inferior e superior são colocadas entre as chapas laterais. Essa peça de mobília pode ser apoiada em pés, suspensa ou embutida. 15Materiais empregados em um projeto mobiliário Dependendo da construção e das características tecnológicas, os móveis tipo caixa podem ser: módulos, nos quais a estrutura, as dimensões externas e a funcionalidade permitem configuração vertical ou horizontal; blocos, construídos a partir de elementos de dimensões unificadas e soluções de construção que permitem diferentes propósitos e dimensões em uma peça única. A mobília tipo caixa (Figura 6) pode ser monofuncional ou multifuncional, o que permite usá-la de diferentes formas, por exemplo: guarda-roupa; estante de biblioteca; cômoda; buffet (um tipo de cômoda destinado a servir refeições ocasionais); armário suspenso (armário aéreo); unidade de parede (um conjunto de móveis que cumpre todas as funções de armazenamento); conjunto embutido (conjunto de móveis de parede, geralmente fechado, usado para armazenamento). Figura 6. Exemplos de mobília tipo caixa. Fonte: Smardzewski (2015, documento on-line). Materiais empregados em um projeto mobiliário16 O mobiliário do tipo armação é feito de elementos alongados formando pequenas seções transversais, na forma de quadrado, retângulo, triângulo, círculo, oval, etc., sem fechar um espaço; por exemplo: cadeiras, poltronas, mesas e canteiros de flores. A forma das seções transversais desses elementos distingue a mobília do tipo armação em: móveis em bloco, nos quais a seção transversal dos elementos é um polígono; móveis em haste, que são construídos com elementos circulares, elíp- ticos, ovais ou similares a seções transversais circulares. Dependendo de como o assento ou bancada é suportado, podemos distin- guir os móveis do tipo armação nos seguintes formatos, também mostrados na Figura 7. Tábua: uma estrutura do tipo tábua é obtida principalmente por meio de cortes de madeira em forma de tábua ou colando frisos na direção da largura do móvel, cortando posteriormente na forma desejada. A base do mobiliário é constituída por elementos do tipo tabuleiro, cuja largura é várias vezes superior à espessura. Cruz: móveis com estruturas cruzadas são feitos com barras ou hastes unidas por dobradiças e corrediças. Normalmente, essa construção permite dobrar e desdobrar a peça tanto na direção da largura do assento quanto na direção de sua profundidade. Isso permite que o assento seja feito de materiais têxteis ou de couro. Com anteparo: a estrutura com anteparo, ao contrário da construção cruzada, na grande maioria dos casos, é inseparável, graças à junção permanente das pernas ou pés com o tampo ou encosto. Graças a essas características geométricas, a rigidez e a resistência dos móveis com anteparo são muito maiores do que em estruturas diferentes. Sem anteparo: a estrutura sem anteparo se distingue pelo fato de que a base do móvel — os pés ou pernas — é ligada diretamente ao assento (no caso de uma cadeira) ou tampo (em uma mesa). A montagem sem anteparo geralmente desvia o eixo vertical, fazendo com que momentos de flexão muito grande trabalhem as juntas, podendo causar danos às conexões dos elementos. 17Materiais empregados em um projeto mobiliário Quadro e armação: esse tipo de mobiliário apresenta uma arma- ção sob o assento ou bancada, na qual as pernas sãofixadas, e o encosto em forma de quadro (no caso das cadeiras). Normalmente, o quadro é feito de elementos dobrados e conectados na direção do seu comprimento, como seções de metal. As pernas são geralmente conectadas sob o assento usando parafusos. No entanto, deve-se notar que esse método de conexão de componentes não fornece rigidez e resistência. Juntas de parafuso pertencem ao grupo de juntas semirrígidas. Portanto, esses móveis têm melhores propriedades mecânicas do que os articulados, mas, ao mesmo tempo, piores do que as armações fixas. Com o passar do tempo, a resistência das juntas diminui devido à deformação do furo pelo parafuso e às mudanças na umidade da madeira. Coluna: a estrutura do tipo coluna distingue-se por ter o assento ou tampo apoiado sobre uma ou duas colunas, feitas em forma de troncos de madeira ou materiais variados, de formato oval ou tipo hastes, molduras ou tábuas. Normalmente, o móvel tipo coluna permite mudar a altura do assento ou da bancada. Suporte: no mobiliário com estrutura tipo suporte, o assento ou ban- cada é anexado em submontagens que se assemelham a prateleiras. Normalmente, utilizam-se molduras ou anteparos conectados ao assento com parafusos. Abaixo do assento ou da bancada, os quadros laterais são conectados um ao outro usando anteparos na frente e atrás. Se não forem utilizados parafusos, a rigidez e a resistência desses móveis correspondem à rigidez e à resistência dos móveis com anteparos. Estrutura de uma peça: é criada principalmente a partir de tec- nologias de injeção de materiais plásticos ou fibrosos. Em móveis de madeira e materiais à base de madeira, a tecnologia de flexão e colagem simultânea de várias camadas finas de madeira folheada é mais comumente usada. Materiais empregados em um projeto mobiliário18 Figura 7. Mobiliário do tipo armação: a) tábua; b) em cruz; c) com anteparo; d) sem anteparo; e) quadro e armação; f) coluna; g) suporte; h) uma peça. Fonte: Smardzewski (2015, documento on-line). A construção de uma peça de mobiliário é feita por meio do planejamento de ligações apropriadas entre os seus elementos. A escolha do tipo certo de articulações para a peça de mobiliário projetada depende principalmente do tipo e da forma da construção, devendo garantir rigidez e força, bem como facilidade de realização, em termos tecnológicos. Um fragmento da estrutura cujas partes são unidas usando conectores, interfaces e/ou cola é chamado de junta. O elemento de uma junta que conecta duas partes é chamado de conector, enquanto uma interface se refere a fragmentos de partes conectadas. A qualidade das juntas de móveis é geralmente determinada pela atribuição de características como confiabilidade, resistência e rigidez. A confiabilidade das articulações é caracterizada por vários indicadores mensuráveis. Porém, normalmente, a validade da garantia de um produto é determinada com base na intuição do designer, e não em uma análise estatística pragmática, conforme aponta Smardzewski (2015). 19Materiais empregados em um projeto mobiliário As juntas com conectores mecânicos formam um grande grupo de nós estruturais separáveis e inseparáveis feitos de metal e plástico. Atualmente, as mais representativas são as articulações, com conectores como grampos, pregos, parafusos, ganchos e juntas excêntricas. As juntas contêm interfaces moldadas em partes específicas dos ele- mentos de mobiliário, o que assegura a sua ligação independente com ou sem o uso de cola como conector. Formadas e aperfeiçoadas por gerações, elas fornecem a inseparabilidade da construção e, portanto, rigidez e resistência satisfatórias. Devido ao sistema mútuo de elementos unidos, essas juntas são aplicadas no design de móveis do tipo armação, móveis do tipo caixa e estruturas de rolamentos de móveis estofados, conforme leciona Smardzewski (2015). Devido à facilidade de realização e, na maioria dos casos, à possibilidade de desconectar os elementos, os conectores mecânicos são amplamente uti- lizados na construção de móveis. Os grampos permitem fácil montagem, o que não requer qualquer preparação adicional dos elementos antes da união. O uso de grampos nos desenhos de móveis tipo caixa, em comparação com móveis estofados e de armação, é bastante limitado e se resume a fixar as partes traseiras. Em móveis estofados, os grampos são usados para conectar a maioria dos elementos das molduras e para prender as tampas às molduras de estofamento. Parafusos com porcas e parafusos para metal são usados principalmente para a fixação de acessórios de metal e plástico. Para a ligação de elementos de madeira, devem ser usadas apenas espécies duras de madeira ou materiais à base de madeira de alta densidade. Cargas de flexão e forças transversais produzem altas pressões do núcleo dos parafusos nas laterais dos furos nos elementos unidos, o que, consequentemente, aumenta a folga do furo e reduz a resistência de toda a estrutura. Ao aparafusar peças de madeira ou metal a elementos de madeira nas peças de mobiliário, devem ser usados parafusos específicos para madeira. Antes de encaixar esse tipo de conector, a fim de evitar rachaduras no material, recomenda-se fazer furos com um diâmetro menor do que o diâmetro do núcleo do parafuso, conforme sugere Smar- dzewski (2015). A Figura 8 mostra alguns tipos de conectores mecânicos. Materiais empregados em um projeto mobiliário20 Figura 8. Conectores mecânicos: (a) grampo; (b) prego; (c) parafusos para madeiras; (d) juntas excêntricas; (e) parafuso com porca cega; (f) parafuso com porca; (g) parafusos para metais; (h) parafusos confirmat; e (i) parafusos para placas de aglomerado. Fonte: Smardzewski (2015, documento on-line). Sistemas de fixação e montagem Emendas: os tipos mais comuns de emendas (Figura 9) são as de topo (butt joints), as emendas biseladas (scarf joints) e as emendas dentadas ( finger joints). As emendas de topo são as mais simples emendas longitudinais e, apesar de não desperdiçarem madeira, não apresentam resistência mecânica considerável, não sendo assim recomendáveis. As emendas biseladas surgiram como uma boa alternativa para suprir as limitações de resistência das emendas de topo, sendo consideradas as mais resistentes emendas longitudinais. Contudo, do ponto de vista da produção, esse tipo de emenda é muito dispendioso, uma vez que, para atingir uma boa proporção da resistência da madeira maciça, é necessário que o corte apresente uma baixa inclinação, conferindo um consumo excessivo de madeira e adesivo (MACÊDO; CALIL JUNIOR, 1999 apud RAMOS, 2013). Figura 9. Tipos de emendas. Fonte: Ramos (2013, documento on-line). 21Materiais empregados em um projeto mobiliário Encaixes: na confecção de móveis, são utilizados os mais variados tipos de encaixes (Figura 10). A resistência do móvel depende muito das proporções empregadas nos encaixes das peças, havendo sempre uma relação direta entre a largura e a espessura das madeiras. Em geral, não devem aparecer nos montantes das peças. Nesse caso, utilizam-se as espigas com talão, que, além de oferecerem maior resistência à união das peças, apresentam também melhor acabamento (SENAI-SP, 2005 apud RAMOS, 2013). Nas estruturas de móveis de madeira maciça, são utilizados encaixes de meia madeira, rebaixo, ranhura, cavilhas, malhete reto e espigas (SENAI-RS, 1995 apud RAMOS, 2013). Figura 10. Tipos de encaixe. Fonte: Ramos (2013, p.109). Materiais empregados em um projeto mobiliário22 Elementos de fixação, articulação e trilhos Fixação: o sistema de união de peças utilizado atualmente se baseia na utilização de elementos que recebem furações para a fixação de seus elementos. Esse sistema de montagem, desmontagem e remon- tagem do móvel permitiu maior mobilidade e uma simplificação de operações (FRANCO, 2010 apud RAMOS, 2013). Boch (2007 apud RAMOS, 2013) complementa que a desmontabilidade vem sendo cada vez mais um fator primordial para a comprae venda de móveis, pois garante vantagens como transporte facilitado, agilidade de produção, padronização de peças, redução de espaços na fábrica e em depósitos, e, consequentemente, preços mais acessíveis. Cavilha: acessório cilíndrico e estriado em madeira ou plástico (Fi- gura 11); pode ou não utilizar cola. A cola é utilizada junto a elas para permitir melhor aderência e tornar a montagem definitiva, sendo que a peça não poderá ser desmontada. A ausência de cola permite que o móvel seja desmontado posteriormente. Esse tipo de fixação é um dos mais empregados na indústria moveleira e muito utilizado em gavetas (BOCH, 2007 apud RAMOS, 2013). Figura 11. Cavilhas de madeira e de plástico e móvel com cavilha. Fonte: Adaptada de Ramos (2013). Parafusos: são atualmente utilizados nos móveis de padrão mais ba- rato, como a alternativa de menor custo para a união dos elementos; raramente usam buchas de expansão (Figura 12). Não são uma solução adequada, principalmente para aglomerado, pois podem comprometer o desempenho do material e do móvel. Já os pregos, mesmo não sendo 23Materiais empregados em um projeto mobiliário apropriados, são utilizados até em móveis de alto padrão, principal- mente em fundos de chapa dura, pois garantem maior rigidez ao móvel (FRANCO, 2010 apud RAMOS, 2013). Figura 12. União entre peças por meio de parafusos. Fonte: Adaptada de Ramos (2013). Sistemas tipo rotofix (minifix ou girofix): são compostos por uma haste e um tambor, sendo a montagem feita com um giro no tambor que trava a haste; permitem a montagem de duas ou três peças simul- taneamente (Figura 13). Há também os parafusos de união, que são acessórios utilizados para a junção de módulos de um móvel. Esses dois tipos de acessórios possibilitam a desmontagem quantas vezes forem necessárias, conforme leciona Ramos (2013 apud BOCH, 2007). Materiais empregados em um projeto mobiliário24 Figura 13. Sistema rotofix. Fonte: Adaptada de Ramos (2013). Articulação: os tipos de articulação mais comuns são as chamadas dobradiças. O sistema de dobradiças é composto por um calço e um caneco, ou copo, no qual é utilizado um sistema de pressão. É usado em portas, sendo que o calço é fixo à lateral, enquanto o caneco é preso à porta. Conforme o modelo da dobradiça e do calço, pode-se obter vários padrões de recobrimento sobre laterais e divisões, bem como diversos ângulos de abertura (BOCH, 2007 apud RAMOS, 2013). Das dobradiças convencionais às dobradiças de caneco, passando pelos pistões a gás, o mobiliário evoluiu junto com as ferragens, possibilitando novas construções funcionais, como portas que param em qualquer posição, design simples e atraente, amortecimento integrado e sofisticação (Figura 14). Essas são características que fazem dos articuladores itens de diferenciação na produção de móveis de qualidade (Ramos, 2013). 25Materiais empregados em um projeto mobiliário Figura 14. Dobradiças e articuladores para móveis. Fonte: Adaptada de Ramos (2013). Sistemas para portas de correr (trilhos): os sistemas construtivos, anteriormente, eram feitos por meio do contato das laterais das gavetas com um perfil de madeira fixado no móvel, ou de um canal executado na parte central da lateral que corresse naquele perfil. Por volta dos anos 1980, o perfil de madeira passou a ser substituído por perfil plástico fixado na lateral do móvel por pressão; posteriormente, na década de Materiais empregados em um projeto mobiliário26 1990, por corrediças metálicas; atualmente, surgiram trilhos metálicos telescópicos, utilizados principalmente nos móveis de padrão elevado (FRANCO, 2010 apud RAMOS, 2013). Figura 15. Corrediças. Fonte: Adaptada de Ramos (2013). 27Materiais empregados em um projeto mobiliário CABRAL, S. C. et al. Características comparativas da madeira plástica com a madeira convencional. Revista Científica Vozes dos Vales, nº. 10, ano V, out. 2016. Disponível em: <http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2016/09/Stenio22.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018. CHING, F. D. K.; BINGGELI, C. Arquitetura de interiores ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Book- man, 2013. CONCEIÇÃO, C. M. O couro no Brasil. 2001. 31 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós- -graduação) — Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.avm.edu.br/monopdf/22/CLAUDILENA%20MURRO%20DA%20CONCEI- CAO.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018. EDWARDS, C. Aluminium furniture, 1886-1986. The changing applications and reception of a modem material. Journal of Design History, v. 14, nº. 3, p. 207-225, 2001. Disponível em: <http://www.arch.mcgill.ca/prof/sijpkes/aaresearch-2012/12-student-files/aluminum- -history.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018. PINHEIRO, F. C. Evolução do uso do vidro como material de construção civil. 2007. 64 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Civil) — Universidade São Francisco, Itatiba, 2007. 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Materiais empregados em um projeto mobiliário28 Leituras recomendadas ARTIGAS, L. V. Fibrocimento. Universidade Federal do Paraná, 2013. Disponível em: <http://www.dcc.ufpr.br/mediawiki/images/0/0d/TC034_fibrocimento.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018. ATELIER MORITO EBINE. Goma-Laca. 2018. Disponível em: <http://moritoebine.com/ pdf/gomalaca.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018. MORASSI, O. J. Polímeros termoplásticos, termofixos e elastômeros. São Paulo, 2013. Disponível em: <https://www.crq4.org.br/sms/files/file/apostila_pol%C3%ADmeros_0910082013_ site.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018. SILVA, A. L. B. B.; SILVA, E. O. Conhecendo materiais polímeros. Universidade Federal de Mato Grosso, 2003. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/ texto/ea000223.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018. 29Materiais empregados em um projeto mobiliário Conteúdo: