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2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Anotações Econômica I 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Conceitos básicos e definições Geologia Econômica – disciplina que cobre todos os aspectos pertinentes a descrição e compreensão dos recursos minerais e capacita os geólogos para trabalhar com os minerais e as indústrias relacionadas. (Robb, 2004) Ramo da geologia que estuda a gênese dos depósitos minerais, enfatizando suas relações espaço-tempo com as feições geológicas observadas na crosta terrestre. ⇒ Também conhecida como metalogenia e que abordará conceitos de mineralogia, petrologia, geoquímica, geologia estrutural, geofísica, hidrogeologia, vulcanologia, sedimentologia. Brasil e os bens minerais Exportador: Nióbio (1º); Ferro (2º); Vermiculita (3º); Grafita (3º); Vanádio (4º); Bauxita (5º); Caulim (7º); Atende a demanda interna e exporta: Estanho; Níquel; Magnesita; Manganês; Cromo; Ouro; Rochas ornamentais; Autossuficiente: Calcário; diamante industrial; Tungstênio; Talco; Produz e depende de importação: Cobre; enxofre; titânio; Fosfato; Diatomito; Zinco; Possui dependência externa: Carvão metalúrgico; Potássio; Terras raras; ❗ China é um grande produtor e consumidor de bens minerais. A produção mineral no Brasil é composta por 80% metálicos, sendo dentro desse valor 72,8% ferro, seguido por cobre 7,9% e ouro 10,5%. ⇒ MG e PA representam 89,4% da produção do BR. Potencial mineral do território brasileiro: mapa do Brasil dividido em duas grandes porções: embasamento pré-cambriano e cobertura fanerozoica. ⤷ Maior parte das áreas de exploração estão sobre o embasamento pré-cambriano. Depósito mineral: são acumulações ou concentrações anômalas locais de rochas ou minerais de interesse econômico. (Cavalcanti Neto e rocha, 2010). Qualquer concentração mineral de grande porte que se acredita que possa ser explorada ou que é explorada economicamente. (Biondi, 2015). Concentração anômala: quando a concentração das substâncias minerais estão em concentrações acima daquelas observadas na composição média da crosta terrestre, ou seja, acima do seu CLARKE. Ocorrência mineral: depósito cujo aproveitamento econômico não é viável. (Cavalcanti Neto e Rocha, 2010). Condições mínimas para formação de depósitos minerais Duas etapas: ⠀⠀⠀ Econômica I – processos relacionados ao sistema endógeno. Econômica II – processos relacionados ao sistema exógeno. Conceitos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Jazida mineral: ocorrência de minério em quantidade, teor e características físico-químicas (reservas) que, junto com condições suficientes de infraestrutura e localização, permitem a sua exploração econômica. (glossário CPRM). ⤷ O que hoje é uma jazida, amanhã pode ser uma ocorrência mineral e vice versa; essas definições não dependem só do teor. Minério: mineral ou rocha contendo mineral(is) de interesse econômico, possível(is) de ser extraído e processado economicamente. Mineral de minério: mineral que possui o elemento de interesse econômico. Mineral de ganga: os minerais sem valor econômico, naquele local, que estão associados ao minério. Geralmente, a ganga é prejudicial à economicidade da lavra por diminuir o teor, dificultar a extração ou o beneficiamento do minério; ⤷ Os minerais de ganga normalmente são minerais translúcidos, já os minerais de minério tendem a ser opacos. Fluido hidrotermal: do grego hydro = água; thermos = quente; qualquer tipo de água: meteorica, oceânica, de minerais etc. não importa a origem, a partir do momento que é aquecido (seja por gradiente geotérmico ou por intrusões, ou ainda de outra maneira, esse fluido será considerado hidrotermal). Fluido hidatogênico: são fluidos quentes de origem não magmática capazes de depositar metais. (Biondi, 2015). ⤷ Como há certa dificuldade em determinar a origem dos fluidos, esse termo não será usado nas aulas de G.E. Depósitos singenéticos: do grego syn = igual, síncrono; são depósitos em que a mineralização está geneticamente relacionada a rocha que a está encaixando. (exemplo: BIF). Depósitos epigenéticos: aqueles em que a mineralização é desvinculada ao processo de formação da rocha encaixante. (exemplo: rocha fraturada, preenchida por sulfetos). Alteração hipogênica: alteração que se forma abaixo da superfície, dentro da crosta; alteração hidrotermal. Alteração supergênica: alteração que se forma acima da crosta. Alteração intempérica; ⇒ Estoque: minerais; fluidos-aquosos, fusões silicáticas; cátions, ânions (íons = associados dos fluidos ou as estruturas dos minerais). Para conseguir o estoque é necessário energia (calor) para remobilizar os elementos; depois esses elementos têm que se concentrar; ⇒ Armadilhas: ebulição; mudança de pH, mudança de Eh; mistura de fluidos; reação com rochas; saturação; mudança de fácies; mudança de temperatura; ❗ O que é considerado mineral de minério em um determinado depósito, pode não ser mineral de minério em outro. Condições mínimas para formação de um depósito mineral 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Depósito de sulfeto maciço → cobre, zinco, chumbo → associado a um ambiente vulcanogênico. Fonte: Robb, 2004. Associado a dorsais mesoceânicas → magmatismo de fundo oceânico + água do mar fria (densa) (levemente alcalina e rica em sulfatos). Crosta oceânica fraturada (processos de expansão do assoalho oceânico); água do mar percola pelas fraturas da crosta. Gradiente geotérmico elevado em função do magmatismo; água é aquecida; aumenta a capacidade de solubilizar/lixiviar metais presentes na crosta. Água → se aquece → carrega metais → se torna menos densa → ascende novamente em direção a crosta/assoalho oceânico. Durante o aquecimento da água e lixiviação das rochas, o fluido hidrotermal se torna ácido, com caráter redutor, rica em sulfeto e em metais, principalmente ferro e cobre. Quando a água aflora e entra em contato com a água do mar fria, ocorre a mudança de temperatura, pH, Eh e o fluido hidrotermal perde a capacidade de carga quase que instantaneamente e então precipita os metais que se enriqueceu e deposita sulfetos maciços. ⤷ Depósitos ricos em cobre e zinco. ⤷ Conhecidos como depósitos do tipo CHIPRES associado a dorsal mesoceânica. Depósito de sulfeto maciço tipo vulcanogênico (VMS) 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Formação de Minério Fonte: modificado de Robb, 2004. Limites bem definidos entre os tipos de rochas. Fonte: modificado de Robb, 2004. Processos metalogenéticos, limites são bem irregulares, mostrando que o hidrotermalismo se sobrepõem e ocorre em conjunto com os outros processos. Tipos de metamorfismo 4 tipos de metamorfismo: ⤷ Metamorfismo de impacto (bombardeamento de meteoritos). ⤷ Metamorfismo de contato: recristalização das rochas encaixantes em função da temperatura. Esse processo não é interessante para a geologia econômica pois não gera mineralização. ❗ O que gera mineralizações é a troca de fluido entre a intrusão e a encaixante, que por definição não é um metamorfismo e sim um METASSOMATISMO (depósitos gerados pelo hidrotermalismo, não pelo metamorfismo). São gerados os depósitos escarníticos (gerados pela interação entre o fluido e as rochas encaixantes). ⤷ Metamorfismo de fundo oceânico: ocorre serpentinização da crosta oceânica, onde há interação da água do mar com as rochas da crosta. Por definição não é um metamorfismo, pois há troca de matéria entre as rochas do fundo oceânico e a água do mar. Também ocorre processosde METASSOMATISMO. ⤷ Metamorfismo regional: é por definição, um processo metamórfico. Ambiente de colisão/subducção de placas, aumento de temperatura e pressão, ocorre reequilíbrio mineralógico das rochas. Geração de depósitos de rochas e minerais industriais. Por processos ígneos, hidrotermais e metamórficos: morfologia e principais texturas associadas ao minério ❗ Contato e fundo oceânico → associado a geração de depósitos do sistema hidrotermal. ❗ Regional → geração de depósitos de grafita; silicatos de alumínio; mármores e quartzitos; rochas ornamentais. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⤷ Metamorfismo dinâmico: ao longo das zonas de deformação mais intensas pode haver percolação de fluidos, onde esses podem ter origem variada e nessas zonas associadas a deformação haverá também a formação de depósitos minerais. ❗ Principal mecanismo de geração desses depósitos é a deformação gerada, e não o metamorfismo em si. Guilbert e Park (1986) → clássicos Jebrak et Marcoux (2008) * preferido pela professora ⤷ Classificam os depósitos mais relacionados com o tipo de ambiente, tipo de rocha. Robb (2004); Biondi (2015) ⤷ Classificação mais relacionadas aos processos. Essa classificação é, de uma forma, mais simples. Os sistemas hidrotermais é classificado por Biondi como sistema hidatogênico, pois em sua concepção os fluidos hidrotermais têm origem magmática, e os fluidos que apresentam origem diversa, ele classifica como hidatogênico. Não é adotado uma classificação específica, entretanto a matéria seguira uma ordem de classificação conforme Guilbert e Park. Detalhando os processos mineralizadores em cada um dos domínios, tem-se: Agentes mineralizadores em um ambiente de magmatismo: A cristalização fracionada como sendo um mecanismo formador de mineralizações. Esse processo de cristalização faz com que haja acumulação residual de fluidos e elementos incompatíveis (raio iônico muito grande; não entram com facilidade na estrutura dos minerais; acumulados preferencialmente em minerais crustais). Esses fluidos finais podem ser exsolvidos, liberados do magma (em fases finais de cristalização) e então gerar mineralizações nessa transição entre o magmatismo e o hidrotermalismo (depósitos do sistema magmato-hidrotermal). Pode haver processo de metamorfismo, que implicará na desidratação mineral (principalmente no metamorfismo de alto grau), então esses fluidos gerados a partir da desidratação metamórfica podem percolar através de fraturas, descontinuidades na crosta e gerar sistemas hidrotermais. Pode haver mudanças físico-químicas de fluidos que implicarão na perca de capacidade de carga desses fluidos (aborda tanto ambiente de sedimentação como de precipitação de minério hidrotermal). Também há os processos de sedimentação física, precipitação química e precipitação biológica capazes de gerar depósitos minerais. Classificação dos depósitos minerais ❗ se observa tanto para litologia, como ambiente e os processos que estão associados. Processos Mineralizadores 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Estudo da forma dos depósitos minerais. Está ligado a identificação da estrutura da rocha (feições globais, que independem dos minerais que formam a rocha e que dão evidências de formação). ⇒ Quais fatores controlam a morfologia das mineralizações? ⤷ Natureza e propriedade das encaixantes (principal fator) (porosidade, permeabilidade, composição química etc.). ⤷ Natureza e magnitude dos processos mineralizadores. ⤷ Processos magmáticos que podem gerar mineralizações: o que vai condicionar a morfologia de uma mineralização dentro do contexto magmático é 1) profundidade da câmara magmática está inserida, a 2) fluidez, teor de voláteis, que vão permitir que a câmara ascenda mais ou menos na crosta, e 3) gradiente geotérmico. Tudo dependerá da magnitude e dos processos mineralizadores. Exemplo: mineralizações filonianas, que ocorrem em um nível crustal mais raso, está mais sujeito a condicionantes dentro de um contexto rúptil, onde a porosidade e permeabilidade das rochas é maior do que, por exemplo, na região onde há predomínio de ambiente de deformação dúctil. ⤷ A geometria, a textura, estrutura dos veios é completamente diferente. Termo que é sinônimo para veios. Filão = Veios. Filão pode ser utilizado com caráter metalogenético, entretanto não é sinônimo de mineralização. Por exemplo: pode existir um veio de quartzo que não seja mineralizado. Principais características: ⤷ São estruturas bastante desenvolvidas em duas dimensões, mas geralmente com espessura bem reduzida. ⤷ São depósitos epigenéticos (estruturas geradas tardiamente em relação a encaixante). ⤷ Controle estrutural bastante definido. ⤷ Definição dos parâmetros estruturais. Geralmente as mineralizações estarão associadas a deformações distensionais da crosta (falhas, zonas de rift, cisalhamento, sítios transtensivos) ❗ Mineralização filoniana e geologia estrutural são indissociáveis, onde a compreensão de uma passa necessariamente pela outra. Encaixantes e fluidos de natureza variada. Morfologia dos depósitos minerais Depósitos Filonianos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Outras informações podem ser extraídas dos veios e auxiliam na compreensão dos processos metalogenéticos e as texturas e estilos de preenchimento auxiliam na compreensão desses processos. Descrição das estruturas: Em contexto rúptil (maior parte dos depósitos em veios se encontram nesse contexto); Zona de transição. Em contexto dúctil (menos comum e menos frequente); Observar os aspectos: controle estrutural (se nítido ou não); se há ou não reação com a rocha encaixante; ⇒ STOCKWORDS: Veio que não apresenta origem relacionada a deformação tectônica, mas sim aos processos de exsolução de fluidos durante as fases finais de rochas graníticas. “quando ocorre a exsolução dos fluidos/voláteis, gerando um sistema hidrotermal, esse processo faz com que haja aumento de volume do fluido que antes estava dissolvido no magma, e esse processo gera fraturamento na região de cúpula do granito, e pode gerar também fraturamento nas rochas encaixantes.” Padrão irregular de fraturamento, grande concentração (veios, vênulas), geralmente são preenchidos por minerais hidrotermais. ⤷ Mineralização bem comum em depósitos tipo pórfiro. ⤷ São controlados pela estratigrafia. ⤷ Podem ser singenéticos ou epigenéticos. ⤷ Não necessariamente possuem geometria tabular, mas estão contidos dentro de um estrato, podendo ser continuo ou descontinuo. ❗ Na literatura inglesa utiliza-se o termo “strata binding”. É necessário descrever o controle estratigráfico da mineralização em relação aos demais litotipos e descrever a geometria da mineralização dentro do estrato. O mais comum é que esses depósitos se associem a rochas sedimentares ou vulcânicas. No caso das rochas sedimentares, principalmente quando as mineralizações estão associadas a níveis mais arenosos (porosos), podem apresentar continuidade lateral extensa. Existem depósitos que não possuem um controle estratigráfico bem definido, é uma mistura de controle estrati e estrutural. O que acarreta geometrias complexas, que podem receber a denominação de “AMAS”. Depósitos Estratiformes 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Geralmente são depósitos epigenéticos; apresentam controle misto (estratigráfica e estrutural); Feições que são observadas em bacias sedimentares que contêm rochas deformadas, e frequente em rochas carbonáticas, não tantopela deformação mas pelos processos de dissolução da rocha. Também nos escarnitos, que são depósitos gerados pela reação entre os fluidos exsolvidos de uma intrusão ígnea com rochas carbonáticas. São geometrias, que assim como as filonianas, também apresentam maior expressão em duas dimensões. Podem estar preenchidas por brechas mineralizadas ou rocha magmática, como por exemplo rochas alcalinas portadoras de diamantes. A formação dessas estruturas pode estar associada a explosões vulcânicas, ou freatomagmáticas, podem também ser de origem cárstica quando associadas a rochas carbonáticas. Ou seja, são: ⤷ São depósitos epigenéticos. ⤷ Mineralizações principalmente de origem magmática. ⤷ Geometria cilíndrica no eixo maior. ⤷ Frequentemente preenchidas por rochas alcalinas ou brechas. ⤷ Pode ocorrer associado ao relevo cárstico. Em afloramentos são estruturas de difícil identificação. Brechas mineralizadas São estruturas que estão associadas a níveis estruturais superficiais (dentro do domínio rúptil), sendo dividido em dois grupos principais de brechas, sendo 1) brechas de dissolução e 2) brechas de ruptura (mecânica). Depósitos Chaminé ou pipe 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⇒ Brecha de cominuição: é caracterizada por fragmentos angulosos, de tamanho variado (heterogêneo), pode ter ou não farinha de rocha como matriz. ⇒ Brecha de colapso: onde haverá material preenchendo porosidade dentro de uma rocha. Essa estrutura pode ocorrer nos mais variados litotipos e a origem dessa estrutura é tectônica (colapso por gravidade). Podem ser materiais com grau de arredondamento e seleção bastante variado. Como diferenciar uma brecha de colapso de uma de cominuição? Na de cominuição se vê uma relação genética entre a geração do material de preenchimento e a falha que a gerou, e na de colapso, se tem uma brecha onde a parede/limite externo é bem marcado e o material preenche a estrutura sem deformação ou interação com as paredes. ⇒ Brecha hidráulica: gerada durante a exsolução de fluidos associados principalmente a cúpulas de intrusões graníticas, ou as vezes a ascensão de fluidos hidrotermais em níveis crustais mais rasos e em ambiente vulcânico. A exsolução do fluido faz com que ele aumente de volume, gere fraturamento das paredes da estrutura pela qual o fluido percola. Geralmente não tem mobilização muito grande dos fragmentos. São comuns em cúpulas graníticas e em regiões de vulcanismo com sistema hidrotermal relevante. ⇒ Brecha de explosão: é caracteristica de ambiente vulcânico, apresenta características semelhantes a brecha de cominuição entretanto a diferença é que nesta haverá fragmentos de rocha ígnea em meio a uma matriz também ígnea. ⇒ Brecha de fluidização: é gerada pela circulação de fluidos, principalmente densos, carregados de fragmentos, que são comuns em pipes de rochas alcalinas. ⇒ Brecha de dissolução: de origem química, de certa forma também está no mesmo contexto das brechas de colapso, a diferença é que na de colapso a abertura dos espaços está associado ao processo tectônico (sítios distensivos), e na de dissolução, a origem da estrutura é química, associada a relevos cársticos. Texturas são feições que descrevem as características dos minerais constituintes das rochas. Forma, dimensão, estrutura interna, tamanho, articulação, tipo de contato etc. Qual a relevância? É muito relevante fazer a diferenciação entre os minerais, essa caracterização dos minerais, para que se possa montar a história de formação de um depósito. Qual a diferença entre textura e estrutura? “Estrutura é toda a feição petrográfica na escala macroscópica, desde escala de amostra de mão, também chamada escala mesoscópica, até a escala de afloramento e maior determinada pela organização de homogeneidades e de heterogeneidades texturais e/ou composicionais, bem como de superfícies de descontinuidade física. As estruturas dividem-se em primárias e secundárias: ⤷ estrutura primária - estrutura desenvolvida com a formação da rocha sedimentar ou ígnea; ⤷ estrutura secundária - estrutura decorrente de deformação ou metamorfismo da rocha. Exemplos de estruturas primárias: estratificação, estratificação cruzada, marcas de onda, estrutura miarolítica. Exemplos de estruturas secundárias: dobra, clivagem de crenulação, xistosidade, fratura, bandas metamórficas” (CPRM, 2018). “A textura de uma rocha refere-se ao tamanho, forma, disposição, contatos e arranjo ou organização de seus componentes minerais e, se existirem, vítreos. Textura dos minerais de minério e ganga 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski A escala de estudo das texturas é, preferencialmente, microscópica. O estudo e interpretação da textura de uma rocha envolve níveis de abordagem distintos, mas inter-relacionados: elementos texturais intragranulares e intergranulares, ou seja, feições texturais internas de um grão ou cristal, como zonação, inclusões, exsoluções,.. e feições texturais entre grãos ou cristais, como tipos de contatos entre grãos e padrões, em tamanhos e formas, de organização dos componentes minerais associados. Exemplos de texturas: rudítica, granoblástica, porfirítica, fanerítica, microcristalina, perlítica etc.” (CPRM, 2018). Morfologia dos veios de quartzo (Vearncombe, 1993) ⤷ Drusa ⤷ Textura de quartzo em pente ⤷ Textura coliforme ⤷ Texturas de preenchimento → crak and seal → abertura e selamento concomitante da estrutura. Guarda informações dos processos de deformação. Feições indicativas de preenchimento de espaços vazios significam o que em termos de processos? Se existe um mineral preenchendo uma cavidade vazia, indica que algo ocorreu, algum fluido percolou por aquele espaço para que ele pudesse se cristalizar. Tem relação principal com a porosidade e a permeabilidade da rocha. ⤷ Porosidade primaria → associada a processo de sedimentação, por exemplo. ⤷ Porosidade secundária → associado a fraturamento etc. ❗ Indica circulação de fluidos hidrotermais. Associadas a porosidade secundária: ⤷ Textura em “esponja” ou vug texture. Comum em epissienitos (mineralização de U) e albititos (sódica). Porosidade secundária pode ser formada por dissolução ou deformação, e podem ser preenchidas total ou parcialmente. Dissolução. Fonte: Taylor, 1992. Deformação. Fonte: Borgo. Minerais euédricos comuns em cavidades: Silicatos: quartzo (qtz) e feldspato (fsp). Outros: cassiterita (cst) e fluorita (fl). Sulfetos: Galena (gn), esfalerita (sp) e calcopirita (ccp). Exceções: pirita (py), arsenopirita (apy), calcita (cal) e siderita (sd). ⤷ São minerais que geralmente podem se cristalizar com hábitos euédricos mesmo a partir de substituição de outros minerais, e não necessitam estar em uma cavidade para se formar com habito euédrico. ⤷ Textura laminada/bandada, comum de minerais de sílica. ⤷ Textura costiforme. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⤷ Cristais zonados (pode ter inclusões fluidas). Outras texturas: ⤷ Hábito dendrítico e esqueletal. São indicativas de um fluido que se supersaturou muito rápido e acarretou na cristalização desses minerais. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Minerais de minério: Uma diferença significativa entre mineral de minério e mineral de ganga, é o fator que a maioria dos minerais de ganga, são minerais formadores de rocha (silicáticos, carbonáticos etc.), são minerais que em sua grande maioria são transparentes ou translúcidos, onde os minerais de minério são em sua grande maioria, opacos. ⇒ Identificação dos minerais Feita com base nas propriedades físicas dos minerais. ⤷ Ópticas: decorrentes da incidênciada luz. ⤷ Cor; ⤷ Brilho; (não muito uteis para minerais de minério). ⤷ Embaçamento (oxidação da superfície do mineral que pode implicar na alteração da cor original do mineral). ⤷ Cor de traço; (propriedade bastante útil). ⤷ Radioatividade: restrito aos minerais portadores de elementos pesados que possuem núcleos instáveis. ⤷ Magnetismo: capacidade de alguns minerais de serem atraídos pelo campo magnéticos de um ima. ⤷ Densidade: determinada pelo razão entre o peso e o volume de um mineral. ⤷ Mecânicas: diretamente associado ao arranjo atômico dos minerais (distância das ligações químicas, tipo de ligação química etc.). ⤷ Dureza (escala de Mohs); Unha com dureza aproximada de 2,5. Moeda de cobre com dureza aproximada de 3,5. Canivete com dureza aproximada de 5,5. Vidro com dureza aproximada de 5,5. ⤷ Clivagem ⤷ Fratura Forma sequência de testar as propriedades para poupar tempo na identificação. Informações complementares: Chave de identificação mineral principais grupos e características diagnósticas 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Fluidos mineralizadores O que é fluido? Toda substância capaz de fluir ou escoar, ou seja, substâncias que se deformam continuamente quando submetidas a uma tensão de cisalhamento, não importa quão pequena possa ser essa tensão. ⤷ Pode estar falando de um liquido, gás ou até mesmo substâncias em estado sólido. Ex.: água (liq), geleiras (soli), magma (viscoso). Qual a importância de se compreender a natureza, a origem e as características dos fluidos mineralizadores? Eles contribuem ativamente nas formações dos depósitos minerais. Depósitos formados a partir de processos: ⤷ Ígneos: fala-se de magma (fundido silicático). ⤷ Hidrotermais: fala-se de água aquecida. ⤷ Sedimentar/intempérico: fala-se de água (processo químico etc.) ❗ Na maior parte dos processos o fluido mineralizador é a água. ⇒ Fluido hidrotermal: fluido aquoso de origens diversas, aquecidos (50-450ºC) e que contém solutos (cátions, aníons e coloides), os quais podem ser precipitados quando o fluido experimentar mudanças nas condições físico-químicas vigentes. O que é necessário para ter um fluido hidrotermal? Inicialmente se necessita de uma fonte de calor e uma fonte de fluido (podem ter a mesma origem ou origens distintas). Quais as fontes de calor mais comum na crosta? ⤷ Sistemas magmáticos ⤷ Gradiente geotérmico ⤷ Decaimento radioativo ⤷ Reações metamórficas Fonte de fluido: ⤷ Marinho ⤷ Juvenil ⤷ Meteórico ⤷ Conato ⤷ De reações metamórficas ou misto E como esses fluidos vão gerar depósitos? Através da interação com as rochas da crosta terrestre. A circulação dos fluidos implicara em modificações das mais variadas natureza, sendo elas: ⤷ Mineralógica. ⤷ Texturais e estruturais. ⤷ De porosidade. ⤷ Isotópicas. Origens, características, agentes ligantes, circulação na crosta etc. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski São os fluidos gerados a partir da exsolução de elementos voláteis a partir de um magma. Vão ser compostos por: ⤷ Voláteis (principalmente água e CO2) e minerais (principalmente quartzo, albita e feldspato potássico) de baixa temperatura de cristalização dissolvidos. ⤷ Elementos comuns: cloro (Cl-, HCl), enxofre (H2S, HS-, SO4-), carbono (CO2, HCO3-). Os elementos comuns que estão associados a esses fluidos irão atuar como agentes de transporte dos elementos de interesse econômico, ou seja, vão atuar como ligantes e vão favorecer o transporte dos metais. ⤷ Elementos LILE: Li, Be, B, Rb e Cs; Metais: Cu, Mo, Pb, Zn, Au, Ag, Sn, W, U, entre outros. Elementos de grande raio iônico e baixa carga, ou seja, elementos incompatíveis. Esses elementos têm dificuldade de entrar na estrutura dos minerais, e vão sendo acumulados residualmente nas fases finais de cristalização e geralmente são exsolvidos junto aos fluidos hidrotermais. A figura sintetiza o comportamento dos magmas em relação a geração dos sistemas hidrotermais. Se observa magmas menos diferenciados, de natureza máfica, com composição básica – ultrabásica, esses magmas não vão gerar sistemas hidrotermais com água. Podem exsolver voláteis mas principalmente gás carbônico. Não se observa fluidos magmáticos aquosos sendo exsolvidos de magmas de natureza máfica. Podem gerar fases imiscíveis ricas em sulfetos ou ricas em silicatos, a depender da composição. Conforme aumenta o grau de diferenciação dos magmas (teor de sílica), se observa uma transformação das fases hidrotermais exsolvidas. Magmas félsicos (mais ácidos), eles tem percentual de água maior associado, gerando salmoura aquosas, podendo ter teor diferenciado de CO2, e observasse o registro dessas características dos fluidos associados principalmente as inclusos fluidas. Pegmatitos → estão na transição entre a cristalização magmática e a geração de sistemas hidrotermais. São fluidos gerados pela compactação dos sedimentos. Os sedimentos vão sendo acumulados nas bacias de sedimentação e a depender das condições paleoambientais pode haver acumulo de água nos poros desses sedimentos. Fluidos magmáticos (juvenis) Fluidos bacinais ou conatos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Observa-se a geração de fluidos em dois momentos durante a compactação: ⤷ Pelo processo de compactação, que independe da temperatura. ⤷ Água adsorvida nas estruturas dos minerais, principalmente nos argilominerais. Não é uma água estrutural (hidroxila ligada aos minerais). Quanto de água/fluido um sedimento acumula? 1 m3 de sedimento seco comporta até 3500 L/m3 (folhelho). 300 m de soterramento cerca de 75% dos fluidos são expulsos. Bacias de sedimentação tem potencial para formar sistemas hidrotermais bastante volumosos, com uma diversidade grande de sedimentos, com composições distintas, e a interação desses fluidos com esses sedimentos tem potencial para formar sistemas hidrotermais bastante salinos e carregados em metais. Os fluidos bacinais vão ter composições que vão depender das características dos sedimentos, da composição da alternância de camadas que eles circulam. As temperaturas variam de 90 a 120ºC. é possível encontrar até 40% de compostos dissolvidos, sendo eles principalmente íons HCO3-, Cl- e elementos mais solúveis Na, Ca, Mg, Sr, Ba e hidrocarbonetos. São aqueles fluidos gerados a partir das reações do metamorfismo, principalmente a desidratação mineral, esse processo vai ser observado principalmente associado ao metamorfismo regional (alto grau), principalmente durante o metamorfismo progressivo. Esse processo de desidratação vai disponibilizar principalmente água e gás carbônico para o sistema hidrotermal, ou seja, os fluidos metamórficos vão ser compostos principalmente por água e CO2. As temperaturas dos fluidos metamórficos entre 180 a 600ºC. Os fluidos vão ser formados principalmente por H2O, CO2, se houver presença de matéria orgânica pode haver a liberação de metano (CH4), He, H2,N2,B, I. Limite da zona dúctil e rúptil da crosta como sendo um local potencial para deposição de metais associados aos fluidos metamórficos. Fluidos metamórficos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Fluidos de origem marinha ou oceânica, que nada mais é água do mar que foi aquecida. A água do mar é aquecida em regiões vulcânicas (vulcanismo ativo). A água aquecida nessas regiões vão ser consideradas fluido hidrotermal. Dorsais mesoceânicas, arco de ilhas (subducção). 500.000 milhões de tonelada/ano de água (Pomerol, 2013). Importante mecanismo de reciclagem dos elementos no manto, porque as rochasda crosta são geradas a partir das fusões mantélicas e esse fluido de origem hidrotermal está lixiviando elementos de interesse econômico e trazem esses elementos para o ambiente marinho e formando depósitos. Fumarolas negras: são exalações de mais alta temperatura e mais carregadas em metais. Fumarolas brancas: possuem temperaturas pouco menores, e tendem a precipitar sulfatos. Se considera água meteorica todo fluido de qualquer origem que estiveram em equilíbrio com a atmosfera. O que significa dizer que o fluido esteve em equilíbrio? Significa dizer que esse fluido evaporou, formou uma nuvem, condensou e precipitou em forma de chuva. E como atestar que se um fluido esteve em equilíbrio com a atmosfera? Principalmente em função de sua composição isotópica. Esse processo modifica a razão isotópica do oxigênio e do deutério, pois a cada evento de precipitação os isótopos ficam mais pesados e se enriquece em isótopos mais leves, então as águas meteóricas terão uma composição isotópica mais leve que a água do mar. Fluidos marinho-oceânico Água meteórica 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Essa água durante o processo de equilíbrio com a atmosfera, ela dissolve O2, N2, CO2 e traços de gases nobres. Esse processo de solubilização do gás carbônico faz com que a água se torne levemente acida e tenha íons HCO3- (bicarbonato), SO42- Cl- e metais, que vão atuar como ligantes, entretanto são observados em baixa concentração, em função da origem dessa água (espécie de destilação da água). Do ponto de vista metalogenético essa água não tem um potencial grande de formar depósitos. Se observa uma influência maior dessa água nos sistemas supergênicos, que são sistemas mineralizadores associados aos processos de intemperismo, onde a água meteorica vai agir como agente de intemperismo químico. Sistemas epitermais. Elementos crustais são solubilizados através de reações de hidrolise, dissolução e oxidação. O equilíbrio térmico e químico dessas águas meteóricas com as encaixantes, no processo de circulação dentro da crosta pode gerar fluidos hidrotermais. A permeabilidade que irá permitir a circulação dos fluidos, e ela pode ou não estar associada a uma porosidade primaria ou secundária da rocha. Do ponto de vista metalogenético, se um fluido interage menos com a rocha, esse fluido se carrega menos em elementos que tenham valor econômico. Fluxos dos fluidos Capacidade de transporte dos fluidos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski É necessário que os elementos de interesse econômico sejam solubilizados e estejam disponíveis para que sejam transportados. É necessário solubilizar os elementos de interesse econômica, para a geração dos depósitos minerais. As reações de solubilização são endotérmicas, que são reações que precisam de energia térmica para que a reação se processe. Exceções: carbonatos e sulfatos. Isso se dá devido o tipo de estrutura dos minerais. Quanto mais sal tiver na água, maior será a capacidade de solubilização dos metais, quanto maior a temperatura, mais sal terá dissolvido na água e mais elementos de interesse o fluido consegue transportar. O que é necessário para que um fluido transporte metais? Temperatura e ligantes. Esses ligantes serão, principalmente, os complexos aniônicos, os oxianions, aquelas estruturas que têm um déficit de carga negativo. O tipo de ion complexo vai influenciar no tipo de elemento que esse fluido pode transportar. Dependendo da constituição desses íons complexos e do desbalanço de carga, eles irão se organizar tridimensionalmente de formas variadas. Ex.: Isso influencia na estabilidade desses complexos metálicos. O complexo metálico é essa organização dos íons, cátions metálicos que irão se ligar a moléculas neutras ou preferencialmente aos aníons complexos que farão o transporte desses metais. Os principais ligantes, do ponto de vista metalogenético são os íons cloreto (Cl-), os hidrogenossulfetos (HS- (S2-)) ou bissulfeto e as hidroxilas ou íons hidróxidos (OH-). Quando o enxofre está presente neste ligante, usa-se a terminologia tio... ex.: tiocomplexo de ouro (Au(HS)2). Os cátions moles preferencialmente se ligam com enxofre e os cátions duros preferencialmente se ligam com o oxigênio. Elementos com comportamento intermediário, que serão transportados preferencialmente pelo Cloro, íons cloreto. São principalmente os metais de transição bivalentes. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Há uma tendencia geral de que os metais duros irão ocorrer mais associados ao ambiente exógeno e seus processos, justamente pela dependência da existência de hidroxilas (que está presente no ambiente aquoso). Assim como os cátions moles têm uma tendencia a serem observados aos processos endógenos. Não é uma regra, e sim uma tendência. A estabilidade dos complexos dependem da temperatura, pH, eH e atividade ligante. E quanto de metal é necessário para formar um deposito? Tudo depende do contexto, do tipo de depósito e do elemento. Exemplo da substituição do Chumbo. A concentração dos metais nos fluidos, irá depender da origem desses metais e dos processos de disponibilização desses elementos nos fluidos. Por exemplo, nos sistemas pórfiros e escarníticos, boa parte dos metais vem do magma. Já abordados: ⤷ Mistura de fluidos. ⤷ Mudanças nas condições físico-químicas. ⤷ Mudanças na atividade/disponibilidade dos ligantes. Situações em que essas armadilhas propiciam a precipitação dos metais, dos depósitos minerais e como elas ocorrem. Mistura de fluidos – mudanças nas condições físico- químicas. Mineralizações de uranio: elementos de múltiplas valências. É solúvel em ambiente oxidante e imóvel em ambiente redutor. Depósitos vulcanogênicos maciços: mudança de temperatura, principalmente, mistura de fluidos com temperaturas diferentes mas também com quimismos e condições físico-químicas distintas. Reações fluido-rocha - a reação do fluido com a rocha irá gerar alteração hidrotermal, essa modificação provoca mudanças físico-químicas no fluido e pode implicar na precipitação mineral. Separação de fases/imiscibilidade de fluidos – é um fator fortemente influenciado pela pressão. Sistemas com água e CO2. A separação da fase gasosa da água faz com que automaticamente esse fluido perca capacidade de carga e precipite os metais, observado em zonas de falha., Fatores que controlam a precipitação dos solutos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⤷ Modelo de válvula de falha. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Alteração hidrotermal A passagem dos fluidos hidrotermais pela crosta é marcada pelo desenvolvimento de uma assembleia de minerais diferente da assembleia mineral original da rocha, e que reflete a composição química desse fluido, e também a composição química da rocha. Alterações físico-químicas nas rochas através das quais circulam fluidos hidrotermais. A busca por equilíbrio química gera dissolução e precipitação mineral, implicando transformações minerais e reequilíbrio as novas condições físico-químicas. Quais fatores geram desequilíbrio químico? ⤷ Composição do fluido. ⤷ Concentração dos elementos – o teor de água, de CO2, de enxofre, os ligantes presentes no fluido, a atividade química desses elementos (H+, CO2, O2, H2S e SO2). ⤷ Natureza das encaixantes. ⤷ Relação fluido-rocha: proporção de fluido que compõem o sistema hidrotermal em relação ao volume de rocha que esse fluido está reagindo (0,1 – 4). Como notar o desequilíbrio fluido rocha? Através de feições macro ou até microscópicas. ⤷ Desequilíbrioquímico fluido vs encaixante. ⤷ Dissolução - precipitação – processo que leva a decomposição total de um mineral em seus íons constitutivos ou a precipitação dele, a depender das condições físico-químicas e da saturação iônica. Solubilidade do silicatos e carbonatos é inversamente proporcional. Quais são os principais mecanismos de alteração hidrotermal das rochas? ⤷ Hidrolise. ⤷ Hidratação/desidratação. ⤷ Oxidação-redução. ⤷ Metassomatismo alcalino-alcalino terroso. Tipos, condições e minerais característicos. . 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⤷ Carbonatação/descarbonatação. ⤷ Silicificação. ⤷ Silicação. ⇒ Hidrolise Principal mecanismo de alteração dos silicatos, pois estes possuem predominantemente ligações covalentes. A alteração ocorre onde os íons H+ que são gerados a partir da dissociação da molécula da água, esses íons possuem um raio iônico muito pequeno e um potencial iônico muito grande e conseguem entrar nas estruturas dos silicatos de forma eficiente e deslocam os cátions das estruturas dos minerais. ⇒ Hidratação/desidratação Adição ou remoção de água da estrutura dos minerais, sob a forma de grupamentos OH ou adsorção de água no reticulo cristalino. Implicação metalogenética: observa-se o aumento ou redução de volume. Em alguns casos essa diferença de volume é significativa. ⇒ Oxidação-redução Agente oxidante recebe elétrons, e agente redutor doa elétrons. O principal agente oxidante na natureza é o oxigênio. Esses processos vão ser importantes em que tipos de minerais? Precisa ter elementos que tenham mais de uma valência (Ferro férrico e ferroso, enxofre, sistemas contendo metais de transição). Implicação metalogenética ? ⇒ Metassomatismo alcalino-alcalino terroso É o processo de troca catiônica ou de adição de metais alcalino ou alcalino-terrosos aos minerais, principalmente o K+, Na+ e Mg2+. Esses cátions podem vir do fluido, podem ser extraídos das rochas por processo de alteração. ⇒ Carbonatação/descarbonatação É a adição ou remoção de íons carbonatos, grupamento CO2, da estrutura dos minerais. ⇒ Silicificação É a adição de sílica a uma determinada rocha, ou a cristalização de minerais da família do quartzo a partir da alteração de outros minerais (principalmente silicáticos). 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⇒ Silicação É o inverso do que ocorre na silicificação. É o processo de conversão do quartzo em minerais silicáticos ou substituição do quartzo por minerais silicáticos. Retomando... O que define o tipo de alteração hidrotermal? O desequilíbrio entre o fluido e a rocha depende da ⤷ Composição do fluido. ⤷ Concentração, atividade e potencial químico dos seus elementos constituintes, da composição da rocha encaixante e da relação fluido rocha. Esses dois primeiros parâmetros determinam o tipo de alteração hidrotermal. ⇒ Produtos da alteração hidrotermal Processo de hidrolise é o principal mecanismo de alteração hidrotermal, onde esse processo libera metais alcalinos e alcalinos terrosos para o fluido fazendo com que o metassomatismo alcalino também tenha uma importância nos processos hidrotermais. Implicação metalogenética = disponibilização de cátions permitira trocas iônicas, maior ou menor grau de hidrolise afeta o pH das soluções. Se íons H+ estão sendo removidos da solução, observa-se uma alcalinização do fluido e se houver aumento da concentração dos íons H+ observa-se uma acidificação do fluido. É a alteração de mais alta temperatura dentre as outras, e será observada nas rochas ígneas, principalmente nas porções mais internas dos plútons. Pode ocorrer ainda durante o curso de cristalização da rocha. Esta associada ao metassomatismo potássico (K+) e o principal produto de alteração observado vai ser a substituição do plagioclásio e dos minerais máficos por: ⤷ Feldspato potássico (principalmente o microclinio) e biotita e adulária. Essa substituição dos plagioclásios e minerais máficos por feldspatos e biotita ela vai acontecer principalmente no intervalo de temperatura entre 600 e 450ºC. A biotita apresenta coloração verde, e não castanha como de costume. Geralmente acompanhada por sulfetos como calcopirita, pirita e molibidenita. Alteração potássica 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski É uma alteração uma se tem uma predominância do metassomatismo alcalino (presença de metais alcalinos e alcalinos terrosos no fluido) com menor influência das atividades do íon H+, ou seja, menor taxa de hidrolise dos minerais silicáticos. Alteração que implica na adição de H2O e CO2, que pode ou não conter S na sua constituição. Observa-se um metassomatismo dos íons H+ restrito, baixa taxa de hidrolise (indica baixa relação fluido rocha). Minerais típicos: epidoto, clorita, carbonatos, albita, K- feldspato e pirita. Equivalente ao metamorfismo fácies xisto verde. Pode ser uma alteração pervasiva ou uma alteração seletiva. Pervasiva = alteração disseminada, se estendendo por porções da rocha independente da composição mineralógica desse protólito. Ou seja, o fluido é efetivo nesse processo de alteração hidrotermal. Seletiva = É uma alteração bastante comum, e é resultante da interação dos íons H+ com os minerais silicáticos, principalmente os feldspatos. Observa-se uma conversão progressiva dos minerais do protólito em sericita* (mica branca de granulação fina) + quartzo. Em menor temperatura, esse metassomatismo potássico ele vai gerar muscovita ou sericita. Separação entre alteração fílica e as alterações argilícas. Paragênese típica = quartzo – sericita e pirita (QSP). Observa-se a formação de argilominerais devido ao intenso metassomatismo H+ e lixiviação ácida. Argilominerais presentes nessa face de alteração = pirofilita e a caulinita. As temperaturas dessa alteração ocorrem entre 100 e 300ºC ⤷ Alteração argílica intermediaria = o plagioclásio é substituído por sericita + quartzo e eventualmente sulfetos (pirita). Feldspato potássico é preservado nessa alteração. ⤷ Alteração argílica avançada = o feldspato-K também é substituído por quartzo e mica branca. Não se vê feldspato original ou pretérito na constituição dessa zona hidrotermal. Associado ao sistemas pórfiros, epitermais. Alteração propilítica Alteração fílica ou sericítica Alteração argílica 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Qualificar a alteração com relação a: ⤷ Intensidade = forte; moderada; fraca. Usar sempre o protólito/rocha original como parâmetro de comparação para determinar essa intensidade. ⤷ Distribuição = local; regional; estratiforme; controlada pela deformação. ⇒ Em escala mesoscópica e macroscópica. ⤷ Textura = forma; tamanho dos minerais; seletiva/pervasiva; halo em veios. Deve se ordenar a assembleia mineral como se faz para as rochas ígneas e metamórficas, começando do mineral mais abundante indo para os demais. Descrição da alteração hidrotermal e qualificação 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Indicadores metalogenéticos Os indicadores metalogenéticos são elementos e informações que permitem rastrear os processos metalogenéticos e entender como um determinado deposito se formou. “Dados multiescala necessários à compreensão dos processos metalogenéticos responsáveis pela formação de um depositomineral” Indicadores metalogenéticos Vão remeter, de certa forma, da origem e das características dos fluidos responsáveis pela formação de um determinado deposito mineral. ⤷ Características associadas a um fluido mineralizador = P; T; composição; origem; O objetivo é rastrear e recuperar as informações relativas a esses parâmetros. Métodos utilizados para rastrear essas informações: ⤷ Pressão = geobarômetros ⤷ Temperatura = geotermômetros ⤷ Composição = paragênese; inclusão fluida; ⤷ Origem = isótopos estáveis; inclusão fluida; Por onde começar a realizar a análise? Pela petrografia. É a técnica mais básica e fundamental para obtenção dos indicadores metalogenéticos. Metalografia = é a descrição dos minerais opacos com a finalidade de caracterizar as rochas, as mineralizações, os depósitos minerais. “A metalografia está para a metalogenia, assim como a petrografia está para a geologia” Picot e Joahn, 1978. ❗ Trabalhar em multiescala. Primeira etapa para obtenção desses indicadores metalogenéticos é fazer uma analise conjunta da petrografia e da metalografia, visando a obtenção das paragêneses minerais e da sucessão ao longo do tempo. Relembrando... paragênese são assembleias minerais que se cristalizaram em equilíbrio a partir dos mesmos processos geológicos e metalogenéticos. Não há como medir de forma direta as temperaturas de cristalização mineral, a temperatura dos fluidos a partir dos quais os minerais se cristalizaram. Se pode utilizar informações obtidas a partir da composição química de alguns minerais, da associação paragenética, para estimar as temperaturas de cristalização. Geotermômetros são aquelas informações que remetem as condições térmicas vigentes durante a cristalização mineral. Geotermômetros obtidos a partir de três fontes distintas, sendo elas: ⤷ Inclusões fluidas = constituem geotermômetros mais robustos e de mais fácil aquisição. ⤷ Isótopos estáveis. ⤷ Química mineral. A primeira etapa de utilização dessas técnicas é a petrografia. Após, outras técnicas analíticas são utilizadas como a microtermometria (inclusões fluidas), analises de isótopos (isótopos estáveis) e analise em microssonda eletrônica (química mineral), Paragênese e sucessão mineral, geotermômetros, geobarômetros, inclusões fluidas, isótopos estáveis e radiogênicos Geotermômetros 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski obtendo a T mínima, a concentração isotópica e a concentração dos elementos químicos, respectivamente. ⇒ Geotermometria das inclusões fluidas = “representam o registro de um fluido homogêneo aprisionado em um sistema fechado e de volume constante ao longo do tempo geológico e constitui a base interpretativa dos estudos de inclusões fluidas” Roedder, 1984. Métodos de analise ⇒ Geotermometria via isótopos estáveis = “o fracionamento isotópico entre dois minerais é diretamente proporcional a diferença de massa entre os isótopos e inversamente proporcional ao quadrado da temperatura, tendendo a zero à T > 800ºC” Figueiredo, 2000. Medido em pares de minerais em equilíbrio. Não há fracionamento isotópico em sistemas de alta temperatura. Quanto menor a temperatura, maior o grau de fracionamento. ⇒ Geotermômetros minerais = “a partição de elementos químicos entre alguns pares minerais é termicamente controlada, assim como a acomodação de alguns elementos na estrutura de minerais específicos”. Utiliza-se a composição mineral para determinar a temperatura. Alguns exemplos: ⇒ Geobarômetros = estimativa das pressões vigentes no durante a cristalização mineral. Métodos de analise ⤷ Inclusões fluidas – petrografia – microtermometria em IF a partir de líquidos imiscíveis. ⤷ Química mineral – petrografia – concentração química. Geobarômetros 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski A utilização dos isótopos estáveis se baseia no fato de que os elementos químicos podem ocorrer em diferentes condições de oxidação. Assim como esses elementos podem ocorrer em diferentes estados de oxidação, esses diferentes isótopos estáveis de um mesmo elemento pode apresentar apenas isótopos estáveis, radiogênicos ou ambos. Exemplo: O mais leve é sempre o mais abundante. É necessario que o elemento apresente mais de um isotopo, que tenha versatilidade a ponto de constituir fluido e diferentes estruturas minerais, e que tenha isotopos raros suficientemente abundantes a ponto de serem analisados. ⇒ Isótopos de H e O = a exceção dos minerais metamórficos, todos os demais se cristalizam a partir de um fluido, seja uma fusão silicática ou um fluido aquoso. Padrão SMOW e V-SMOW. Minerais que estavam em equilíbrio com o fluido. ⇒ Isótopos de carbono = padrão (PDB) – fóssil de Belemnite da Fm. Pee Dee. ⇒ Isótopos de Enxofre = padrão (CDT) – Canion Diablo Troilite. ⇒ Isótopos radioativos – premissas Isótopos estáveis 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⤷ Processo de decaimento constante = tempo de meia vida. ⤷ Datação geocronológica. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Conteúdo P2 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski SEMANA 7 SEM VÍDEO. PEGAR ANOTAÇÕES 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Processos mineralizadores relacionados ao magmatismo básico-ultrabásico São depósitos relacionados ao resfriamento e a cristalização do próprio magma. O minério está intimamente relacionado com a cristalização magmática. Todos os magmas estão aptos a formas depósitos minerais relacionados ao magmatismo, a cristalização do magma? Não. ⇒ Magmas básicos e ultrabásicos = empobrecidos em sílica, anidros (que não tem capacidade de formar um sistema hidrotermal importante). Tem mineralizações associadas a elementos compatíveis, ou seja, os elementos que têm afinidade pela estrutura cristalina, que rapidamente entram na estrutura cristalina, substituindo aqueles elementos de mais alta temperatura, como Mg e Fe, por exemplo. Esses elementos que possuem raio iônico pequeno e carga moderada. Rochas básicas e ultrabásicas são aquelas que possuem teor de sílica inferior a 52% e 45%, respectivamente. Na maioria das situações são rochas insaturadas em sílica, que não apresentam quartzo em sua composição. Fonte: Teixeira, 2001. A classificação em máfica ou ultramáfica está relacionada a composição mineralógica da rocha. Tem-se os minerais félsicos e máficos, e existe uma classificação do índice de cor de cunho mais geral, que se refere a coloração do mineral, onde os de cor clara são félsicos e escuros, máficos. Uma definição mais completa, adotada por Lemetri, no qual os minerais máficos são aqueles com densidade superior a 2,89 g/cm³ (px, olivina, minerais ferromagnesianos etc.). Entretanto nessa classificação, dentro dos máficos, haverá minerais que não necessariamente são escuros, mas que são máficos por conta de sua densidade, como o zircão, carbonatos, flogopita etc. Via de regra as rochas básicas são rochas máficas do ponto de vista mineralógico, mas nem sempre as rochas ultramáficas será ultrabásicas, necessariamente. Outros fatores que influenciam na geração de rochas básicas-ultrabásicas? O que são? estáveis Magmatismo básico-ultrabásico: Magmas anidros. Sem sistema hidrotermal associado. Mineralizados basicamente com elementos compatíveis. Revisão 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Temperatura de fusão. Temperaturas maiores vão gerar rochas de natureza máfica, pois haverá taxas de fusão parcial mais altas, e isso permitea extração de componentes de maior temperatura. O aumento do conteúdo de água, diminui a temperatura de fusão, e o aumento na pressão também favorece o aumento de temperatura, assim favorecendo as taxas de fusão mais elevadas. Outros fatores que influenciam no estilo do magmatismo, está ligado a viscosidade, onde quanto maior for o teor de sílica, maior será a viscosidade, consecutivamente maior será a dificuldade em acender na crosta. ❗ Bibliografia indicada para revisão: Gill; Para Entender a Terra; Decifrando a Terra; Quando se fala de processos metalogenéticos ligados ao magmatismo, o grande mecanismo formador de depósitos minerais está relacionado a fusão parcial, sem isso não há processos metalogenéticos associados ao magmatismo. O que vai influenciar na fusão parcial é a temperatura. Quanto mais baixa a temperatura, observa-se magmas de natureza mais félsica (ácida), e quanto maior a temperatura de fusão, mais máfica (básica) será a composição da rocha. De que forma isso influencia no potencial metalogenético de um magma? Concentração dos elementos compatíveis ou incompatíveis x taxa de fusão parcial Conforme o gráfico, com taxas de fusão parcial muito baixas, se tem a extração dos elementos litófilos dos elementos incompatíveis, seja da crosta ou do manto. Então, o primeiro liquido gerado extrai esses elementos incompatíveis. Uma vez esgotada a fonte desses elementos, serão necessárias taxas de fusão cada vez mais elevadas para que ocorra a extração dos elementos calcófilos compatíveis ou calcófilos incompatíveis. Os elementos calcófilos incompatíveis são o Cu e os EGP (grupo do paládio, que inclui o paládio, platina e ródio). Os elementos calcófilos compatíveis são o Ni e o grupo do Irídio dentro dos EGP que inclui o rutecio, irídio e ósmio. Então taxas de fusão parcial mais baixa vão extrair elementos incompatíveis e taxas de fusão parcial mais altas vão extrair elementos compatíveis ou elementos calcófilos incompatíveis. A taxa de fusão parcial além de influenciar no tipo de elementos de interesse econômico que será extraído, terá uma influencial também na composição desses magmas. Processos metalogenéticos Fusão parcial 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski No domínio das temperaturas de fusão parcial mais altas, observa-se mudanças na composição desses magmas. Taxas de fusão parcial de até 20% vão gerar líquidos de composição basáltica, se observará proporções distintas de olivinas, ortopx e clinopx a depender da taxa de fusão parcial. Se houver uma taxa de fusão parcial maior, se observará uma participação maior da olivina nos basaltos, do que aqueles gerados a partir de taxas de fusão menores. Quando as taxas de fusão ficam em torno de 30% observa-se uma componente magnesiana mais importante associado ao liquido magmático que está sendo gerado. Taxas de fusão parcial mais altas favorecem a extração de magnésio da fonte. Os magmas toleiíticos, de composição picrítica, são magmas que tem teores de até 18% de oxido de magnésio em sua composição. Taxas de fusão parcial acima de 40% passam a gerar líquidos compostos basicamente por ortopx e olivina, que são minerais de maior temperatura de cristalização na série de Bowen, que possuem pouca sílica em suas estruturas cristalinas. Se tem os magmas de composição Komatiítica com taxas de fusão parcial entorno de 50%. Qual a diferença do ponto de vista composicional? Os basaltos, basaltos picríticos (rico em Mg) com até 12% de oxido de magnésio. Os picrítos variando de 12 a 18% de oxido de magnésio e os komatiítos com teores acima de 18%, mas geralmente eles possuem próximo de 30% de oxido de magnésio. Qual a relevância do percentual de oxido de magnésio nesses magmas? Qual a implicação disso do ponto de vista metalogenético? O oxido de magnésio e o níquel possuem um comportamento geoquímico semelhante, uma correlação positiva. Magmas mais magnesianos associados a taxas de fusão parcial mais alta tem uma capacidade de extração de níquel maior que os magmas gerados por taxas de fusão parcial menores. Há uma implicação do ponto de vista temporal também, pois as mineralizações de níquel estão restritas em sua maioria ao arqueano e o inicio do paleoproterozóico. É um processo de diferenciação magmática, associado a cristalização progressiva dos minerais a partir de um magma parental. Cristalização fracionada 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski É um processo que ocorre em todas as rochas magmáticas. Entretanto podem ocorrer situações distintas a depender da composição desse magma. Por exemplo, um magma básico-ultrabásico, que é de mais alta temperatura, esse liquido magmático terá uma densidade específica e os minerais que se cristalizam a partir desse magma terão outra densidade. No caso de um magma básico, a densidade do liquido magmático em torno de 2,65g/cm³ e a olivina por exemplo, tem uma densidade de 3,3g/cm³. Com o magma menos denso, o cristal de olivina se deposita no fundo da câmara magmática. Isso forma as rochas cumuláticas. Se observa cristais euédricos de olivina, em contato, de forma que foram depositados um sobre o outro, e depois o liquido residual, com composição diferenciada, vai preencher o espaço restante entre os cristais de olivina. Pode ocorrer a expulsão do liquido residual da câmara magmática, por fraturas por exemplo, e então se observa um processo que se chama filter pressing (filtragem por pressão). Começa a ter uma segregação das fases minerais mais densas, se tem um liquido residual de uma composição distinta da composição primaria, e em função da presença de fraturas e modificações na estrutura da câmara magmática, o liquido pode ser direcionado para a superfície e extravasar na forma de lava ou pode ser direcionado e vir a formar uma nova câmara magmática, que já terá uma composição distinta de onde o liquido foi diferenciado. Através do processo de cristalização fracionada, se tem a evolução dos magmas e a tendencia de que eles tenham cada vez mais uma composição mais rica em minerais félsicos, um magma com uma composição cada vez mais acida. Também é possível observar um processo contrário dentro das câmaras magmáticas, onde minerais menos densos que se cristalizam, e podem “boiar”. Esse fato faz com que o liquido se torne mais denso, relativo ao original. Acontece por exemplo quando se tem a formação de complexos anortositícos, compostos praticamente por feldspatos. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⤷ rico em fosforo e ferro = pode cristalizar apatititos, magnetititos e neosonitos. É comum haver vários pulsos de magmas se misturando dentro da câmara magmática, e esse mistura pode contribuir para a geração de depósitos minerais. Formação dos cromititos: a mistura de magmas é o principal processo responsável pela geração dessas camadas monominerálicas ricas em cromitito. O que acontece = durante o curso da cristalização do magma, se tem a linha curva no diagrama que representa a cristalização normal de um liquido sem a influência de novos pulsos magmáticos (geração de camadas cumuláticas). Quando ocorre a mistura de líquidos magmáticos dentro da câmara, que já está com o processo de cristalização em curso, a uma mudança brusca nas condições de cristalização e no quimismo do magma, então a cristalização dos cromititos é favorecida pela mistura. Essa separação ocorre em função do quimismo e das funções físico-químicas dos magmas. Mesmo principio observado quando se mistura água e óleo. Líquidos silicatados e sulfetados, vão ser miscíveis apenas nas condições mantélicas, com condiçõesde temperatura e pressão bem elevadas. São condições que estão relacionadas a composição dos líquidos. Se houver baixo teor de oxido de ferro junto ao liquido silicatado, haverá miscibilidade das fases. Se o concentração de oxido de ferro sobe, o liquido já começa a se tornar imiscível. Com sulfeto é a mesma coisa. A partir do momento que começa a ascender na crosta, a pressão ligada a esse processo de ascensão faz com que o enxofre se desmisture, e como o ferro é um elemento siderófilo, entretanto ele tem afinidade Misturas de Magmas Separação de líquidos imiscíveis 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski com o enxofre, parte do ferro é carregado quando o enxofre se desmistura do liquido. Se observa então a formação de um liquido silicatado e um liquido rico em oxido de ferro. Se observa também a separação de líquidos silicatados e ricos em óxidos. E isso ocorre a depender da pressão e da composição desse liquido, mas principalmente por conta da composição. Quanto mais enriquecido em óxidos de ferro (quanto mais oxidante), mais imiscível o liquido será. Nos complexos anortosíticos, quando há separação do feldspato, há geração de um liquido residual enriquecido em ferro e titânio, e com a concentração do ferro muito elevada, ocorre a separação de uma fase oxido e uma fase silicatada. Então se observa bolsões de composição monominerálica, ricos em magnetita titanifera, ou níveis ricos em magnetita e ilmenita, a depender da composição do liquido. Da mesma forma um liquido silicatado e um liquido carbonatítico, conforme ocorre a cristalização fracionada, esse magma residual vai se enriquecendo nos magmas carbonatíticos e conforme a temperatura vai diminuindo, a depender da composição do liquido, se observa uma maior ou menor imiscibilidade. Para líquidos mais enriquecidos em sódio, se tem uma miscibilidade menor. Por exemplo, em um liquido onde tenha uma concentração menor de Na em relação ao percentual de silício e alumínio, ele tem uma faixa de miscibilidade maior. ❗ No gráfico = o campo acima da linha se tem o campo de imiscibilidade, e abaixo da linha, o campo de miscibilidade do liquido. Quanto maior a temperatura, menor a miscibilidade, e quanto maior a pressão, maior a miscibilidade. Com a diminuição da temperatura, e a diminuição da pressão (ascensão do liquido) ocorre a separação de um liquido silicatado e um liquido carbonatítico. Se observa essas intrusões alcalino-carbonatíticas em níveis crustais mais rasos, porque a pressão influencia bastante na imiscibilidade dos fluidos. E como se sabe que esses processos ocorrem? Porque fica registrado nas rochas e minerais, a presença dos líquidos imiscíveis. Na imagem se vê um cristal de olivina, onde dentro dele se tem uma espécie de bolha rica em enxofre. Nessa outra imagem se ve um cristal de olivina, onde dentro desse cristal tem um clinopx, e dentro dele, bolhas/gotículas de enxofre ou de sulfeto associado. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski E nesse outra imagem, um testemunho de sondagem, de um flogopítito, com glóbulos de calcita. E se observa também alguns xenólitos de composição dunítica dentro da rocha. Essa imiscibilidade se observa nos sistemas silicato – sulfeto, principalmente nas rochas básicas e ultrabásicas, nos sistemas silicato – óxido, principalmente nos complexos anortosíticos, e nos sistemas silicato – carbonatitos, onde se observa essa imiscibilidade nos complexos alcalinos carbonatíticos. RETOMADA DE FATORES CRÍTICOS NOS SISTEMAS MINERALIZADORES MAGMÁTICOS ⇒ Taxa de fusão parcial = influencia na composição dos magmas e na extração de elementos mais ou menos compatíveis. ⇒ Teor de água e voláteis nos magmas = nos sistemas hidratados se observa mineralizações associadas a evolução do sistema hidrotermal. ⇒ Cristalização fracionada e processos de diferenciação = importante tanto nos sistemas anidros como nos hidratados. Tem implicação direta na diferenciação magmática, e influencia diretamente na extração dos elementos incompatíveis e facilita a geração de líquidos imiscíveis. ⇒ Mistura de magmas = processo importante na formação de algumas mineralizações, principalmente de cromita. ⇒ Separação de líquidos imiscíveis. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Magmatismo básico-ultrabásico O que define um magma alcalino? (apresentado pela docente Eleonora Vasconsellos). Pela definição de Fitton e Upton, 1987, rochas alcalinas “são aquelas com alta concentração de álcalis (Na + K) que podem ser acomodados apenas em feldspatos, aparecendo o excesso como feldspatóides, piroxênios sódicos, anfibólios sódicos e outras fases ricas em álcalis. Estas rochas são, entretanto, deficientes em sílica e/ou alumina com respeito aos álcalis e terão nefelina e/ou acmita na norma...” No diagrama TAS se observa na linha horizontal (eixo x) a classificação apenas com o teor de sílica das rochas, onde a partir dessa porcentagem uma rocha será classificada como ultrabásica, básica, intermediaria ou acida. O diagrama TAS relaciona a porcentagem de sílica com os óxidos de Na e K. mas dentro do diagrama, onde ficam as rochas alcalinas? Pensando na insaturação de sílica ou de alumina, pode-se ver a partir do organograma abaixo, que o excesso de álcalis é com relação a 1/6 de sílica da rocha, não com relação o total de sílica. Uma rocha ígnea terá que ter 6 vezes o valor de sílica com relação ao total de sódio mais potássio para que ela tenha feldspatos, e se sobrar sílica, ela terá quartzo. Se não houver esse valor de 6 vezes o teor de Na+K, a rocha é insaturada, e formará minerais insaturados. Seguindo o organograma, onde não há excesso de sílica, se tem dois grupos que são de rochas alcalinas. Se a rocha, além da insaturação em sílica, tiver insaturação no total de alumina, ela será a rocha mais alcalina de todas, e é classificada no grupo das rochas Agpaíticas e terá feldspatóides pela insaturação em sílica, e terá anfibólios e piroxênios alcalinos pela insaturação em alumina. A rocha pode ser insaturada em sílica, mas não ser insaturada em alumina, então será classificada como rocha Miasquítica. Ela terá feldspatóides, mas não terá anfibólios e piroxênios sódicos. Existem também rochas alcalinas que não são insaturadas em sílica, e serão apenas insaturadas em alumina (seguindo o outro caminho do organograma). São chamadas de fracamente alcalinas e são rochas Equiríticas. Nesse grupo entram até rochas acidas (podem entrar granitos, riolitos etc. que possuem piroxênio ou anfibólio sódico). Se a rocha não for insaturada nem em sílica e em alumina, ela não é considerada uma rocha alcalina. Rochas alcalinas – kimberlitos diamantíferos e complexos alcalino carbonatítico 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Rochas fortemente alcalinas = super insaturadas. Rochas alcalinas = insaturadas. Rochas subalcalinas = saturadas, mas podem ou não ser alcalinas a depender da insaturação em alumina. Voltando para o organograma, o grupo das rochas Agpaíticas representam toda a parte de cima do diagrama TAS, no grupo das rochas Miasquíticas, também estão na porção de cima do diagrama, mas que não tem anfibólio e piroxênio sódico. No grupo das Equiríticas, estão sobre a linha de saturação ou na porção de baixo do diagrama TAS. Outra classificação que se faz e que pode ser usada para a classificação da rocha alcalina, e a do diagrama QAPF, que é um diagrama modal (porcentagem de minerais). Na porção debaixo do diagrama, onde se representam os feldspatóides, todas as rochas são insaturadas em sílica e são alcalinas. Os principais grupo de rochas alcalinas quesão usadas atualmente são todas que estão no diagrama TAS, classificadas como insaturadas em sílica e/ou alumina, as rochas ultrapotássicas que não estão no diagrama TAS que são os lamprófiros, Lamproitos e os Kimberlitos. E um grupo muito particular que são os carbonatitos, que são classificados como rochas alcalinas por possuírem teores de sílica muito baixo e teores de Na + K relativamente altos, e sua formação normalmente esta associada a uma imiscibilidade a partir de um magma silicático – alcalino que em níveis mais rasos/crustais, esse magma se separa em magma silicático e carbonatítico e essas rochas acabam se formando. Apresentado pelo Geólogo José Ricardo Pisani – especialista em prospecção e pesquisa de diamantes no Brasil. A figura representa onde o diamante é formado. O campo de estabilidade do diamante está localizado a aproximadamente 140 quilômetros de profundidade, geralmente em áreas de espessamento de crosta, ou seja, em zonas cratônicas mais estáveis, sem muita perturbação. O campo de estabilidade do diamante desaparece muito facilmente. Kimberlitos diamantíferos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Na figura é possível observar porque existem kimberlitos sem a presença do diamante, pois estes não atingiram a zona de estabilidade o diamante (kimberlitos estéreis). Conforme a animação apresentada, com a fusão parcial do manto, o magma kimberlítico, esse magma ascende pela crosta, alcança a camada da litosfera que tem diamantes e carrega os diamantes consigo (diamantes = xenocristais). Ao adentrar na crosta, o magma encontra porções mais resistentes e devido a presença de muitos voláteis, a câmara magmática sofre expansão o que acarreta numa explosão, formando muitas brechas etc. e dessa forma a câmara magmática vai ascendendo, repetindo esses processos ao encontrar novas zonas de resistência, até que ele alcança a superfície e ocorre a explosão do conduto, liberando todos os gases para a superfície, e em função de ter muitos voláteis, todo esse processo de desgaseificação vai ocorrendo e a diatrema kimberlítica vai se formando, os xenólitos de crosta vão caindo para dentro do conduto, e na sequencia a cratera evolui. O perfil kimberlítico clássico, onde o kimberlito pode ter de 2 a 2,5 km da raiz até a cratera, e a depender do tamanho da erosão, pode-se ter diversos tamanhos do corpo kimberlítico. No Brasil, os kimberlitos existentes encontram-se na porção da raiz. São mais complexos, menores, com mais xenólitos crustais etc. São eles o Brauna 3, Catalão 1, Três Ranchos 4, Maravilha 1 e Carolina. Devido a erosão dos kimberlitos, os diamantes podem se depositar em terraços aluvionares, ou seja, são de depósitos secundários. E no caso do Brasil, boa parte de ocorrências são desses depósitos aluvionares/coluvionares. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Áreas em amarelo que mostram onde se encontram as principais ocorrências de diamante no Brasil, e em vermelho, os kimberlitos conhecidos pelo estudo feito pela CPRM. Colocando em uma ordem estratigráfica, os kimberlitos mais antigos estão na Bahia, na chapada diamantina, Salvador com 1.15 Ma (mesoproterozoico). Na sequência tem os kimberlitos do neoproterozoico, da Provincia Brauna com 642 Ma., seguido pelo kimberlito Pimenta Bueno Field, do paleozoico, e os do mesozoico de Juína, Paranatinga, Três Ranchos/Catalão, Canastra Field, Coromandel Field e Maravilha que estão sobre o alinhamento 125. Conclusão Ariadne: Concluindo o assunto referente ao depósitos de diamantes relacionados ao magmas kimberlíticos, essas rochas se alteram muito facilmente e podem gerar depressões nas encaixantes, onde ao invés de se observar domos, estruturas cilíndricas que caracterizem os pipes, quando se observa fotografias aéreas entre outros, é possível encontrar lagos ao invés de domos/pipes kimberlíticos. Uma forma de pesquisar, prospectar esses pipes kimberlíticos é utilizar alguns minerais rastreadores que são aqueles que são indicadores da presença de rochas mantélicas, e que geralmente se associam aos kimberlitos diamantíferos. São os minerais mantélicos: Granada – minerais comuns no manto e que são observadas nas fácies eclogito, indicando metamorfismo de alta grau; Cromo diopsídio; ilmenita com magnésio em sua composição. É um mineral de titânio e só vai admitir a presença de magnésio em sua estrutura em condições mantélicas (é trazida do manto juntamente com o diamante); Espinélio com cromo em sua composição. Os complexos alcalino-carbonatíticos são associações entre rochas alcalinas de composição predominantemente silicática juntamente com rochas carbonatíticas geradas a partir de magmas carbonatados. São rochas ricas em sódio, em potássio e os processos de cristalização fracionada e de filter pressing fazem com que esses magmas Complexos alcalino- carbonatíticos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski experimentem processos de diferenciação até que em um determinado momento eles atingem a imiscibilidade e vão gerar líquidos de fase silicatada e fase carbonatadas. O que é um carbonatito? Por definição é uma rocha ígnea, composta principalmente por carbonatos (calcita, ankerita ou dolomita desde que componham mais do que 50% do volume da rocha), e juntamente com os carbonatos terão px, anfibólios sódicos, flogopita, apatita e magnetita. São magmas extremamente fluidos, ricos em voláteis que tem grande capacidade de interação com as rochas encaixantes (que geralmente são rochas máficas, ultramáficas cumuláticas e que tem uma suscetibilidade muito grande a alteração hidrotermal). Possui elevados teores de elementos incompatíveis Sr (estrôncio), Ba (bário), P (fosforo), ETRL. Esses magmas possuem coloração escura, mas quando se resfriam, apresentam coloração esbranquiçada. Quais são as rochas alcalinas aos quais os carbonatitos se associam? Há uma variedade grande de rochas alcalinas, mas em sua maioria são rochas compostas predominantemente por piroxênios, olivinas e feldspatóides (magmas insaturados em sílica). As principais rochas observadas juntamente nos complexos alcalino-carbonatíticos vão ser as rochas da sequência ijolitica, que são os melteigitos-ijolitos- urtitos. Nefelinitos (nefelina + cpx ± ol). Melteigitos (px > nefelina). Ijolito (30-70% nefelina + px). Urtitos (nefelina > 70% + px). Série ijolitica = tem-se os melteigitos, rochas com 70- 90% de cpx, os clinoprixenitos (jacupiranguito). São rochas que tem praticamente só clinopiroxênio em sua composição. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Série bebedourítica = são rochas formadas a partir de magmas enriquecidos em ferro e magnésio (magmas máficos e ultramáficos), que terão a olivina e diopsídio na sua composição, mas são ricos também em fosforo e ricos em ferro. São rochas cumuláticas compostas por quantidades relativamente similares de diopsídio, olivina, apatita ou magnetita + peroviskita (a depender do teor de titânio). Série foscorítica = também apresentam um percentual elevado de olivina, são magmas derivados de líquidos de composição dunítica, peridiotítica, conforme as olivinas vão se cristalizando nas sequencias cumuláticas, o liquido vai se enriquecendo residualmente em magnetita (Fe) e apatita (P), e é capaz de gerar então os foscoritos. São rochas cumuláticas, ultramáficas, que apresentaram percentuais diferenciados de olivina, magnetita e apatita em sua composição. Neosonitos = a partir do momento que toda a olivina é cristalizada, se deixa de observar a presença de foscoritos e se observa os neosonitos, que também são comuns nos complexos anortosíticos.Série carbonatítica = como se observa e se constata a presença dos líquidos carbonatíticos, através da presença de glóbulos de calcita em meio as rochas duniticas, foscoríticas. Então a partir do momento que ocorre a imiscibilidade dos líquidos carbonatados, se observa a geração dos carbonatitos propriamente ditos. Pode haver cálcio-carbonatito, magnésio-carbonatito e ferro-carbonatito, isso levando em consideração os teores de Mg, Fe e Ca. Existem também os natrocarbonatitos, que são ricos em sódio (Na), e são relativamente raros. A nomenclatura utilizada para se referir aos magmas carbonatíticos, sendo os carbonatitos cálcicos sendo chamados de sovito, e os carbonatitos magnesianos sendo chamados de beforsito. Os minerais comumente associados ao carbonatitos são os carbonatos (calcita, dolomita, ankerita), flúor carbonatos de ETR (mineral de minério presente na constituição da rocha), alguns silicatos que em sua grande maioria são considerados minerais de ganga na explotação. Pode haver alguns sulfetos associados aos carbonatitos, mas geralmente estão presentes em pequenas quantidades e não são explotados. Nenhum carbonatito é explotado em função dos sulfetos, mas sim em função dos seus óxidos e principalmente em função dos fosfatos. Obs.: os carbonatos normalmente são subprodutos da explotação dos outros minerais de interesse econômico. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Os carnotitos geralmente tem um percentual pequeno em relação ao volume do complexo de forma geral. Esses complexos possuem uma morfologia arredondada, circular, o que facilita o reconhecimento por exemplo por apresentar padrão de drenagem radial, que não é comum na natureza. São rochas encaixadas em rochas máficas- ultramáficas, sienitos, foscoritos. E porque esses complexos alcalinos-carbonatíticos apresentam geometria cilíndrica com concentração das rochas carbonatíticas na porção central? Em um modelo idealizado de uma intrusão alcalino- carbonatítica. São intrusões que geram domos vulcânicos, e se observa na porção central da estrutura vulcânica, a colocação das rochas cada vez mais diferenciadas. Se observa, no caso da figura abaixo, se tem rochas ijolotos, que são cortados por urtitos, que são cortados por sovitos. Esses magmas básicos, ultrabásicos que vão gerar essas intrusões alcalino-carbonatíticas. De acordo com o modelo proposto pelo professor Pedro Cordeiro, se observa múltiplas câmaras magmáticas. O processo de fusão gera câmaras magmáticas a profundidades maiores, onde essas rochas cumuláticas ricas em olivina começam a se formar, e começa a ver uma diferenciação do magma residual, e esse magma pode ascender pela crosta através de descontinuidades e formar diques de composição picrítica, ou mesmo derrames de lava picrítica, ou esse magma residual pode formar uma outra câmara magmática, continuar o processo de cristalização fracionada e diferenciação dos líquidos magmáticos. Conforme o magma vai ascendendo, a pressão diminui, a temperatura também diminui e isso favorece a geração dos líquidos imiscíveis. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Se observa nas múltiplas câmaras magmáticas rochas cada vez mais diferenciadas, e é possível ver resquícios do início do processo de geração de líquidos imiscíveis, presença de xenólitos de composição principalmente dunítica ou piroxênítica, justamente por conta desse processo sequenciado de formação de câmaras magmáticas e diferenciação do liquido que leva consigo parte dos minerais cristalizados na câmaras magmáticas anteriores. E quanto mais rasas essas intrusões, mais diferenciado vai ser o magma, se forma o liquido imiscível e se observa essas associações de rochas de composição ijolitica, urtítica, com rochas carbonatíticas. Se observa também o extravasamento desses magmas carbonatíticos na superfície. Porque não se encontra com muita frequência no registro geológico a presença dessas lavas carbonatíticas preservadas? No processo de múltiplas intrusões, se observa geometrias bastante complexas nos sistemas alcalinos-carbonatíticos, e se nota nos contatos entre as rochas da sério ijolitica e da série carbonatítica halos de alteração hidrotermal, que são de fenitização, em função da reação dos líquidos com as rochas encaixantes. O magmatismo alcalino está associado a processos de metassomatismo do manto, que são observados em situações como nas regiões onde há subducção de placas, em plumas mantélicas, e o principal ambiente onde se encontrará esses complexos está associado a zonas de rifte, porque na grande maioria dos casos, principalmente em ambiente intracontinental, eles estarão associados a presença das plumas as quais tem a capacidade de trazer parte do manto metassomatizado, xenólitos. E nas zonas orogênicas, onde há subducção de placas, pode-se observar os processos de metassomatismo do manto e um caráter mais alcalino do magmatismo associado a esse ambiente. Os minerais de minério presentes nesses complexos são os pirocloro como sendo a maior fonte de nióbio explotado atualmente (o BR é um dos maiores produtores de Ni). A apatita extraída pelo P (fosfato), a monazita, xenotima e outros portadores de ETR, e a bastnaesita que é um flúor carbonato de ETR. Ambiente geotectônico dos complexos álcali-carbo 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Processos metalogenéticos relacionados ao magmatismo intermediário a ácido São rochas que tem o quartzo, feldspato potássico e o plagioclásio como sendo os principais elementos constituintes dessas rochas. Se observa a biotita e anfibólio como sendo os principais minerais máficos que vão compor as rochas, e composições que variam desde dioritos até granitos (no sentido amplo da palavra), tudo a depender do teor de sílica. São rochas predominantemente félsicas. Em alguns domínios se observará a presença de dioritos e andesitos, que estão no limite de transição entre as rochas félsicas e máficas do ponto de vista mineralógico, mas do ponto de vista composicional a delimitação dessas rochas estão dentro do domínio das rochas intermediarias. Retomando... condicionantes de fusão: Se tem um magmatismo ácido que tem um comportamento totalmente diferente de um magmatismo básico. magmatismo básico: → fluxo de lava bem fluido; → magmatismo volumoso ; → pouco liberação de gases e voláteis; magmatismo ácido: → magma viscoso; → ricos em voláteis (que prova eventos catastróficos) e fluidos; O que condiciona o magmatismo? A geotectônica faz um pouco como a geologia econômica, se apropria de conhecimento de várias outras áreas da geologia e correlaciona todas essas informações e traduz em processos. Ela ajuda a compreender quais são as condicionantes do magmatismo, e terá dois grandes domínios dentro desse contexto geotectônico. ⇒ Tectônica distensiva – Ambiente extensional Associada a uma tectônica distensiva, observa-se rupturas com a instalação de riftes (geração de oceanos), ocorrência dos ciclos de Wilson com o processo inicial de rifteamento, que pode ser intra continental ou intra oceânico. Sistemas hidrotermais 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Em um ambiente intra continental se observa uma serie de processos que implicam em magmatismo, com ocorrência complexos máficos-ultramáficos acamadados, complexos alcalino-carbonatíticos, basaltos de platô (derrames associados a províncias ígneas de grande dimensão). Os processos metalogenéticos e os depósitos associados a esse estilo de magmatismo em ambiente de rifte já foi visto anteriormente.O que entra de novo nesse ambiente é o magmatismo anorogênico, onde um ambiente de ruptura que gera esse tipo de magmatismo que pode ser pelo processo de rifte em si ou uma fase de colapso de um ambiente compressivo. Quando há a construção de um orógeno, onde ele está sendo comprimido, se observa processos orogênicos – magmatismo orogênico associado a essa tectônica compressiva, e a partir do momento que cessa a força compressional, se tem um alivio de tensão e o colapso do orógeno. Durante o momento de colapso desse orógeno se observa magmatismo anorogênico. Foi visto anteriormente também, depósitos associados a dorsais mesoceânicas, os depósitos de cromita podiforme, que são formados durante a construção da crosta oceânica, no ambiente da dorsal mesoceânica quando o magma basáltico está extravasando no assoalho oceânico e gerando essa crosta oceânica. As cromitas serão formadas no contexto da dorsal mesoceânica, e para preservar e viabilizar a explotação desses depósitos é necessário que a placa oceânica entre em colisão com a crosta continental, mas é necessário que ao invés dela ser subductada (em direção ao manto), que ela seja obductada, ou seja, que seja colocada em cima da crosta continental, e preservando a sequência ofiolítica (que nada mais é do que os estratos que compõem a crosta oceânica, e a cromita compõem um desses estratos). ⇒ Tectônica compressiva – Ambiente compressivo Dentro do ambiente colisional se tem três tipos distintos de colisão que são os ambiente de subducção, que estão associados ao processo de abertura ou fechamento de um oceano. Esse processo de subducção pode ocorrer a partir de subducção de crosta oceânica sob crosta oceânica, formando arco de ilhas (insulares e retroarco). E pode ocorrer também com subducção de crosta oceânica e crosta continental, onde se observa a construção de um arco magmático continental. Existe diferença do ponto de vista metalogenético e magmatismo os dois tipos de subducção? Sim, onde na subducção CO-CO terá um magmatismo toleítico e se observa a presença de basaltos alcalinos e uma participação pouco expressiva de magmatismo cálcio- alcalino, isso porque se tem CO interagindo com CO, onde nela se tem rochas de composição basáltica, gabros, peridotitos, ou seja, rochas básicas 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ultrabásicas. Se espera então um magmatismo de natureza básica e ultrabásica. O vulcanismo nesse ambiente também é um vulcanismo de caráter básico a intermediário, os processos de cristalização fracionada e de diferenciação podem gerar magmas de natureza intermediaria. A depender da velocidade de subducção da placa, se observa na porção de trás do arco a instalação de uma bacia de retroarco de um contexto extensional com vulcanismo bimodal. Na subducção CO-CC se observa um magmatismo cálcio-alcalino, que significa um magmatismo não toleítico. Se observa a interação entre a CC e a CO, onde se tem rochas de composição básica ultrabásica e processos de fusão associados a CC que pode apresentar rochas metamórficas, ígneas e sedimentares que podem modificar o potencial metalogenético dos magmas nesse contexto cálcio- alcalino. O vulcanismo que se observa, associados aos arcos magmáticos é o vulcanismo intermediário, e os processos de cristalização fracionada e de diferenciação do magma desde sua geração até a sua extrusão, permitirá a diferenciação e a geração de magmas de natureza mais acida. No ambiente colisional, se tem a interação de crosta continental com crosta continental. Os litotipos de composição básica ultrabásica já não estão mais presentes nesse ambiente para serem fundidos e fornecerem elementos dessa natureza para esses magmas. Se observa magmas ácidos, de natureza peraluminosas (refusão de material sedimentar ou metassedimentar) e de magmas de natureza mais alcalina, tanto associado a refusão do material crustal como também na fase de colapso dos orógenos, o magmatismo anorogênico. Nesse contexto se observa grandes zonas de deformação, sutura na crosta, e os depósitos associados a zonas de cisalhamento vão ocorrer também. A depender do material que está sendo fundido, se observará magmas com composições distintas, com a paragênese e potencial metalogenético distintos. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Se há fontes distintas sendo fundidas, se observa minerais diferentes participando do processo de fusão. Quando se pensa em fusão de CO-CO, com presença de rochas básicas ultrabásicas, se estará no domínio dos anfibolitos (minerais anidros em sua constituição – olivina, px, e anfibólio resultantes do processo de hidratação). Um mineral mais hidratado presente na constituição da crosta oceânica, é o anfibólio, que tem certo grau de hidratação mas é baixo. Então se espera magmas com baixo percentuais de água associados a fusão dessa fonte de composição media anfibolítica. A biotita já é um mineral mais hidratado, e ao fundir rochas que tenham biotita em sua composição se espera um percentual de água um pouco mais elevado do que dos magmas gerados a partir de fontes anfibolíticas. Quando se pensa em uma fonte sedimentar ou metassedimentar, se tem uma grande variação mineralógica nesse ambiente, com a presença de minerais muito mais hidratados (muscovita, argilominerais, sericita). O impacto disso do ponto de vista do processo magmático , é que magmas mais hidratados tem uma viscosidade maior assim como o percentual de sílica, que também impacta na viscosidade dos magmas. Magmas mais fluidos tem uma capacidade maior de ascender na crosta, mas isso não se relaciona apenas com a viscosidade mas também ao momento que esse magma irá atingir os sólidos, ou seja, aquele momento que o magma está tão cristalizado que ele não consegue mais se movimentar ao longo da crosta. Qual a implicação metalogenética desse dinamismo do magma e variação da composição do percentual de água? Primeiro, a presença de água implica em geração de um sistema hidrotermal, quanto mais água, maior é o volume do sistema hidrotermal. Quando a relação fluido/rocha é maior, se observa um sistema hidrotermal mais efetivo. Esse volume impacta também na capacidade que os fluidos têm de coletar metais do magma, além da relação com o volume do sistema hidrotermal, mas também com o momento que esses fluidos são exsolvidos do magma. Implicações metalogenéticas: 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⤷ Geração de sistemas hidrotermais; ⤷ Coleta de metais e elementos de interesse econômico do magma; Em que momento os voláteis serão exsolvidos e como fazem a coleta dos metais? Pode haver dois processos de exsolução: ⤷ First boiling = traduzindo, primeira ebulição. Está relacionada com modificações na pressão. Exemplificando, um plútons que vem ascendendo pela crosta, a solubilidade dos gases/voláteis nos magmas é condicionada pela pressão, a partir do momento que a pressão diminui a capacidade de manutenção dos voláteis solubilizados também cai, então essa fase volátil é exsolvida. É um processo observado dentro dos plútons em ascensão dentro da crosta, e vai variar o momento de exsolução para cada composição magmática e vai depender do volume de voláteis que estão solubilizados no magma. ⤷ Second boiling = traduzindo, segunda ebulição. Existe uma condição isobárica, ou seja, um plútons que já está estacionado, já não ascende mais pela crosta devido a sua viscosidade ou outras condicionantes. Esse processo de ebulição está associado ao avanço da cristalização dos minerais do magma. Conforme o grau de cristalização do magma aumenta, os voláteis vão ficando cada vez mais restrito no magma e sob pressãomaior, e em algum momento essa pressão excede a capacidade de manutenção desses voláteis solubilizados e ocorre a exsolução dessa fase. Como esses dois processos atuam dentro do contexto metalogenético? O first boiling ocorre por redução da pressão durante a ascensão do plúton, onde se tem encaixantes frias, com condição de temperatura menor que dá intrusão, num cenário com profundidades inferiores a 10 km dentro do domínio rúptil da crosta. Então o processo de exsolução dos fluidos ocorre de maneira brusca, o fluido que está dissolvido na fusão insaturada ocupa um volume menor do que quando ocorre a exsolução dos voláteis, e esse processo gera fraturamento tanto da região de cúpula como das encaixantes, então os fluidos e voláteis circulam pelas fraturas e podem gerar alteração hidrotermal ou haver precipitação rápida dos minerais de interesse econômico gerando feições do tipo stockwork (comentada nas aulas anteriores). Via de regra, o processo de first boinling pode gerar hidrofraturamento e é bastante comum observar a presença de hidrofraturamento associado (tudo depende da quantidade de voláteis que estão sendo exsolvidos). Ou seja, um volume muito maior de voláteis vai gerar um hidrofraturamento mais significativo. Um magmatismo com menos voláteis vai gerar um fraturamento mais tímido, podendo estar restrito apenas ao plúton. Então tudo depende do volume de fluidos que está envolvido, mas no contexto de redução de pressão durante a ascensão que geralmente se observa o hidrotermalismo por fraturamento associado. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski O second boiling se tem um plúton que está estacionado, por isso ele está em condição isobárica – condição de igual pressão, e a depender da profundidade que esse plúton estaciona pode haver uma pressão confinante/litostática muito grande e ela pode inibir o hidrofraturamento, pois para ocorrer o hidrofraturamento a pressão interna gerada pela expansão, o aumento de volume dos voláteis precisa superar a pressão das encaixantes para que possa ocorrer o fraturamento. Se a pressão confinante for muito alta, o plúton estiver muito profundo, isso não acontece. Então o que se observa é a presença desses voláteis confinados em meio aos cristais, lembrando que a exsolução ocorre por avanço no processo de cristalização, e então os voláteis que são exsolvidos na massa de cristais que já se encontra em fase avançada de cristalização, esse processo de exsolução pode gerar micro fraturamento dentro do plúton e então os voláteis podem migrar pelas micro fraturas e canais até a região de cúpula, ou ficar aprisionados em meio aos cristais e interagir localmente com os minerais. As implicações dessa segunda ebulição, onde se o plúton estiver estacionado em um porção mais rasa da crosta, isso pode desencadear uma erupção vulcânica (estudos mostram que o second boiling é o gatilho de muitas erupções). Ou em caso de não haver a comunicação da câmara magmática e a superfície, pode se observar a formação de pegmatitos na região de cúpula granítica, e nesse caso esses pegmatitos vão formar bolsões na porção de cúpula da câmara. Terá rede de micro fraturas e bolsões pegmatíticos na região de cúpula desses granitos. Tudo depende da profundidade, das condições em que ocorre esse fraturamento. E do ponto de vista metalogenético, qual a implicação do first ou second boiling? se tem elementos que tem graus de compatibilidade distintos, o fluido com a essa fase rica em voláteis que é exsolvida durante a ebulição que coleta enxofre, que tem um grande grau de incompatibilidade, ele pode coletar metais calcófilos, siderófilos que estejam presentes nesse magma. Se a primeira ebulição ocorre em um momento precoce, se observa a coleta de metais, e isso pode ser estratégico do ponto de vista metalogenético. Quando se tem metais com um certo grau de compatibilidade e o plúton não experimenta o processo de ebulição precoce na ascensão, esses elementos vão ser acomodados na estrutura dos minerais silicáticos, e não haverá disponibilidade desses elementos quando ocorrer o second boiling e esse fluido será empobrecido nesses metais. Compatibilidade vs. Incompatibilidade 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Dentro dos elementos incompatíveis, considerando todo o grupo dos elementos litófilos, há graus distintos de compatibilidade desses elementos. Há os elementos de grande raio iônico, mas com baixa carga, são os elementos que são incorporados nos sítios cristalinos dos minerais mais polimerizados como os feldspatos, as micas, alguns ciclo silicatos, soro silicatos, que conseguem incorporar facilmente esses elementos litófilos de grande raio iônico. Há os elementos litófilos de pequeno raio iônico mas que tem carga muito grande, e apesar do ponto de vista raio iônico, esses elementos terem tamanhos que são similares ao tamanho do Ca, Mg, Fe que são elementos que entram facilmente na estrutura de qualquer mineral silicático, eles possuem uma carga muito elevada, onde os ETR são trivalentes, Zr, Hr, Ti que são tetravalentes etc. então são elementos que precisam de uma compensação de carga muito grande, para que possam entrar na estrutura dos minerais. Deve se lembrar das regras de Goldschmidt para substituição dos elementos. Existem alguns elementos que tem múltiplas valências, como no caso do uranio, estanho e alguns metais. Esses elementos que possuem múltiplas valências eles serão influenciados pela condição de oxirredução desses magmas (no caso de magma se fala em fugacidade de oxigênio e não em Eh em ambiente superficial), então a depender da fugacidade de oxigênio, da condição mais oxidante ou redutora pode se observar impacto no comportamento desses elementos que apresentam múltiplas valências. No caso do estanho, ele pode ser bivalente Sn2+ ou tetravalente Sn4+. O bivalente está em seu estado reduzido e o tetravalente está em seu estado oxidado. Mineralizações de estanho associados a magmas do tipo S (redutor). Além do estado de oxidação desses magmas, há outros fatores que afetam essa compatibilidade e incompatibilidade dos elementos, e a composição do fluido hidrotermal influencia e o momento em que esses elementos serão coletados por esses fluidos também influencia o potencial metalogenético. Exemplo de sistemas mineralizados com Cu, Mo e W Se tem as mineralizados de Cu associadas aos magmas do tipo I, que possui uma condição de fugacidade de oxigênio mais elevadas. Tem as mineralizações de volfrâmio (W) associadas aos magmas de derivação sedimentar, que tem um caráter mais reduzido. E terá as mineralizações de molibdênio em uma situação intermediaria. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Os magmas menos hidratados, de natureza cálcio alcalina, que ascendem até a níveis crustais mais rasos, eles ascendem com uma taxa de cristalização muito baixa, e eles irão experimentar o processo de ebulição por modificação na pressão. Nesse momento o fluido que será gerado é um fluido com uma salinidade relativamente alta, e o Cu tem uma afinidade com o fluido cloretado muito maior que a estrutura cristalina. Então no momento de formação desse sistema hidrotermal, no momento de exsolução desses fluidos, esses íons cloreto coletam esses íons cobre presentes no magma e então o sistema hidrotermal tem potencial para mineralizar as rochas com cobre. O molibdênio tem uma afinidade muito pequena com os íons cloreto, e é pouco influenciado pela presença deles, então o molibdênio vai se manter no fundido, e então ele será incorporado na estrutura dos minerais silicáticos e se observa a mineralização de cobre com o molibdênio como sendo um subproduto. Nooutro extremo se tem magmas de derivação sedimentar, com caráter reduzido, então o molibdênio presente no magma será assimilado na estrutura dos minerais silicáticos, ao ponto que o volfrâmio vai ficando acumulado residualmente, e esses plútons são os que ascendem pouco na crosta por conta da viscosidade e teor de água, e geralmente irão experimentar apenas o processo de ebulição second boiling. No momento da segunda ebulição o volfrâmio é coletado pelo fluido, e ele compõem esse sistema hidrotermal formando uma mineralização de volfrâmio com molibdênio subordinado. São sistemas complexos, que envolvem vários fatores e parâmetros que podem influenciar no potencial metalogenético. Há uma serie de condicionantes geoquímicas, petrogenéticas, a salinidade do fluido influencia, o momento da exsolução também influencia etc. Na figura acima se tem a relação estado de oxidação x ambiente geotectônico. O ambiente de CC, os magmas que serão gerados, os processos que vão envolver CC tem uma tendencia a serem mineralizados com elementos altamente incompatíveis, principalmente volfrâmio e estanho que dependem dessa natureza reduzida do magma. O molibdênio está associado a esse ambiente, esses magmas de retrabalhamento crustal mas precisa do contexto oxidante do magma para que seja incompatível e não seja assimilado na estrutura dos demais minerais. Os depósitos de cobre que podem uma maior ou menor participação do molibdênio estão na transição entre o material crustal de composição mais básica, primitiva e de material de concentração mais evoluída que é justamente o ambiente de arco magmático onde há mistura de material mantélico com crustal. E nos ambientes de arco de ilha terá principalmente as mineralizações de cobre e ouro associados a um ambiente oxidante e mais rico em ferro. A uma linha que separa a serie da magnetita da serie da ilmenita, esses dois minerais indicam a natureza oxidante e redutora dos magmas. Então os magmas que apresentam magnetita em sua composição são oxidantes, tem potencial para geração de mineralizações em Cu e Au e as rochas que não 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski apresentam magnetita em sua composição, não necessariamente se identificará a ilmenita, mas a ausência de magnetita pode ser indicativa do contexto reduzido. Nessa outra figura também se tem a condição de oxidação do magma, mas há outros elementos diferentes da figura anterior. Se tem magmas aluminosos, magmas com composição normais de alumínio e magmas insaturados em alumínio. Quanto mais diferenciados (ácidos) os magmas, maior a tendencia com a mineralização de elementos incompatíveis. No contexto de rochas relativamente insaturadas, no domínio dos plagiogranitos e gabros se observa mineralizações de Au, sistemas pórfiros mineralizados exclusivamente com ouro, ou pode haver uma participação do cobre e ainda no contexto de magmatismo de tendencia alcalina, pode-se observar mineralização de Cu, Au e Fe associados aos sistemas oxidados que seriam os sistemas do tipo IOCG. Conforme aumenta um pouco o percentual de sílica nos magmas, se entra no domínio dos tonalitos, granodioritos, onde se observa as mineralizações de cobre com ouro e molibdênio e se pode ter veios associados a esses sistemas que podem conter zinco, prata, chumbo, minerais que se cristalizam em mais baixa temperatura, e que serão esperados nas porções mais distais desses sistemas. No domínio dos magmas bastante diferenciados, ricos em elementos incompatíveis, que são os depósitos associados aos elementos litófilos, se terá as mineralizações de estanho e volfrâmio no contexto redutor e as mineralizações de molibdênio associado ao contexto mais oxidante. E esse é o domínio dos sistemas do tipo GREISEN. Depósitos que se associam ao plutonismo félsico: Sistemas do tipo greisens ⤷ Sistemas IRGS – intrusion-related gold systems ⤷ Sistemas IOCG – iron oxide copper gold deposits ⤷ Pegmatitos ⤷ Sistemas pórfiros Esses cinco sistemas vão se associar ao plutonismo félsico. Relacionando o tipo de magmatismo com o ambiente tectônico, se tem: ⇒ Ambiente extensional – Tectônica distensiva No ambiente de rifte, intracontinental onde se observa o magmatismo anorogênico (magma tipo A), se observa intrusões mineralizadas com estanho, uranio, nióbio, ETR e flúor. E os depósitos que irão se associar a esse magmatismo são do tipo greisen, e os sistemas do tipo IOCG. Tipos de depósitos associados ao plutonismo félsico 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⇒ Ambiente colisional – Tectônica compressiva Tipo CO-CO = Se tem, dentro do contexto de arco de ilhas, se observa os sistemas pórfiros mineralizados com cobre e ouro, ou mineralizados exclusivamente com ouro associados a granitos de derivação mantélica. Se observa sistemas IOCG, que se associam ao ambiente de subducção e bacias oceânicas que tem magmatismo e vulcanismo associado. Tipo CO-CC = se observa os sistemas pórfiros, mineralizados com cobre e podem ter participação do molibdênio e ouro. Os equivalentes vulcânicos desses sistemas pórfiros são os sistemas epitermais mineralizados com ouro e prata. Se observa também os sistemas relacionados a intrusão, os IRGS, e pode haver alguns pegmatitos associados mas são raros e vão portar minerais industriais. Tipo CC-CC = esse tipo que conterá os depósitos pegmatíticos de interesse econômico, que são mineralizados com gemas, com lítio, berilo. Eles também possuem os minerais industriais, mas tem uma diversidade muito maior de minerais associados e minerais de interesse econômico. Os sistemas do tipo greisen associados a magmas do tipo S. São rochas graníticas que foram submetidas a uma alteração hidrotermal denominada greisenização. É uma alteração hidrotermal bastante especifica. O sistema mineralizador e o sistema hidrotermal desses granitos se concentram na região de cúpula, onde os fluidos interagem com as rochas da cúpula granítica e a rocha encaixante imediatas, e em caso das rochas encaixantes serem carbonáticas, pode se observar a formação de sistemas skarníticos (decorrente da interação dos fluidos graníticos com as rochas carbonáticas). Alteração do tipo greisen = é uma alteração hidrotermal definida pela paragênese muscovita + quartzo e contém outros mineras associados que são minerais portadores de flúor e boro em sua estrutura (fluorita, topázio, turmalina). Sistemas Greisen 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski É uma alteração potássica, que está em uma posição intermediaria entre a alteração potássica e fílica. Se processa em uma temperatura entre 600ºC e 400ºC, e se observa a substituição dos minerais, principalmente da biotita e dos feldspatos do granito pela muscovita. Outros minerais que podem se associar a essa paragênese de alteração são micas litiníferas (lepidolita e flogopita) e berilo. O que difere a alteração greisen da alteração fílica? A greisenização além de ter muscovita e quartzo em sua paragênese, apresenta os minerais de flúor e boro associado. Outro aspecto em relação as alterações do tipo greisen e fílica é a ausência de pirita na alteração do tipo greisen (sulfetos são bem pouco comuns) ao passo de que na alteração fílica se tem uma associação muscovita + quartzo + pirita. E a muscovita da alteração tipo greisen é de granulação grossa, diferente da alteração fílica que é uma mica branca de granulação fina que por geralmente se usa a denominação sericita para se referir as micas brancas que não é possível identificar. Esse processo de substituição dos feldspatos e biotita por muscovita faz com que o sódio dos plagioclásios seja disponibilizado para o fluido, parte da sílicadesses minerais também é disponibilizada para o fluido hidrotermal e então pode se observar uma fase de albitização, assim como também algum grau de silicificação mas geralmente essa sílica disponibilizada para o fluido ela vai ser observada em forma de veios de greisen que podem ter algum quartzo associado. Essas alterações são tardias, posteriores a alteração greisen e se observa uma sobreposição, transição das alterações hidrotermais, onde na porção central do plúton se observa o granito inalterado, uma porção dele, mais próxima a região de cúpula, que estará albitizada ou microclinizada, a depender da evolução do fluido, e na parte superior a alteração do tipo greisen. Alteração do tipo greisen associada a dois contextos geotectônicos = ambiente anorogênicos e nos ambientes colisionais. O granitos que portam essas mineralizações, assim como a especialização metalogenética desses granitos também é diferenciada. ⇒ Ambientes anorogênicos (rift intracontinental) Se observara complexos alcalinos anelares, que são típicos desse ambiente. Intrusões félsicas peraluminosas (excesso de alumínio). Se observara diferença textural, onde os granitos desse ambiente apresentam textura rapakivi (fenocristais de felds-K). Enriquecidos em Sn, W, Be, Zn e F. O estilo das mineralizações são tipo filoniano, disseminado e stockwork. ⇒ Ambiente de colisão continental Se observa intrusões félsicas peraluminosas (com excesso de alumínio). Se observara diferença textural, onde os granitos desse ambiente são a duas micas, que vão conter a muscovita e biotita como filossilicato originais da rocha. Enriquecidos em Nb, Ta, Li, Be, P, F e Rb. O estilo das mineralizações são tipo filoniano e disseminado. Minerais de minério do tipo greisen = wolframita, scheelita cassiterita. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski O que vai determinar o estilo da mineralização no sistema do tipo greisen é a relação entre a pressão litostática, que é a pressão confinantes das rochas que estão confinando a intrusão, e a pressão de fluidos exercida de dentro para fora da intrusão. Então são duas pressões, uma interna e outra externa e a depender da relação entre as duas pressões se observa estilos de mineralizações diferenciados. 1 – quando a pressão de fluido for muito maior que a pressão litostática, ou seja, quando as intrusões forem um pouco mais rasas na crosta, se observa explosões vulcânicas ou pipes de brecha. Então se terá rochas com esse aspecto = rochas com aspecto de brecha, que pode ou não ser cimentada com minério, típicos do ambiente mais raso. 2 – pressão do fluido um pouco maior que a pressão litostática, ocorrerá um certo grau de fraturamento, que vai influenciar tanto a região de cúpula como as encaixantes, e aí se observará principalmente minério com o estilo filoniano. Nesses dois casos, onde a pressão do fluido é maior que a pressão litostática, se observa a formação de exogreisen, ou seja, greisen que afetam tanto a região de cúpula quando as encaixantes, e quando esses fluidos forem portadores de outros metais como cobre, chumbo e zinco, se observa um zoneamento desses metais conforme se afasta da região de cúpula da intrusão. 3 – pressão de fluido igual a pressão litostática, se observa um microfraturamento, um padrão de fraturamento bastante tímido, e o minério irá ocorrer principalmente na forma disseminada mas pode também ser filoniano e esse padrão pode lembrar um 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski padrão tipo stockwork em função da rede de microfraturas. 4 – pressão de fluidos é menor que a pressão litostática, os fluidos ficarão retidos no espaço entre os cristais, e irão interagir de forma mais efetiva com os minerais, e se observará uma greisenização mais intensa, uma alteração hidrotermal melhor desenvolvida e o minério irá ocorrer principalmente na forma disseminada. Esses depósitos são depósitos que se formam na região apical da cúpula granítica, e há algumas feições que são características, e essas não se observa apenas para o sistema greisen mas também para os sistemas pórfiros e IRGS. Na região de cúpula haverá cavidades miarolíticas, texturas unidirecionais de solidificação e lentes pegmatíticas. UST – são feições, onde o tipo de cristalização do mineral ocorre da borda dos veios, da região de cúpula, em direção a base da camada. Cavidade miarolítica – são bolhas de voláteis e fluidos na região de cúpula que são estruturas circulares. Lentes pegmatíticas – são feições similares as cavidades miarolíticas, são bolsões e camadas dentro da região de cúpula onde se observa uma granulação dos minerais muito maior que a da encaixante. São mineralizações também do tipo apical, que se formam na região de cúpula dos granitos, estão associados a ambientes orogênicos principalmente arcos magmáticos e intrusões de derivação ígnea (tipo I). As intrusões, são intermediarias a acidas que são metaluminosas, ou seja, são intrusões que não tem um excesso de alumínio e isso se traduz pela Sistemas IRGS 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski presença da hornblenda com alguma biotita como sendo os minerais máficos predominantes nas intrusões. Bolsões de pegmatitos e aplitos são comuns associados a esses sistemas, e a diferença do ambiente de greisen é que lá havia intrusões de caráter reduzido e neste é uma transição entre os granitos geradores do tipo greisen e granitos oxidados gerados dos sistemas pórfiros. Então há uma fugacidade de oxigênio intermediaria no caso dos sistemas relacionados a intrusão. Se observa um baixo volume de sulfetos, geralmente inferior a 5% do volume total da rocha e os sulfetos geralmente são a pirita, pirrotita e arsenopirita. Mais ou menos no mesmo contexto dos sistemas tipo greisen, se observa mineralizações que se concentram dentro da intrusão na região de cúpula, também pode se observar mineralizações próximas e distais, tudo vai depender da condição de exsolução dos fluidos durante a formação do sistema hidrotermal. A forma como o quimismo e a composição do magma influencia nesses sistemas: Sistemas mineralizados com estanho (Sn) associado aos magmas mais ácidos. Os sistemas mineralizados com tungstênio (W) associado a uma acidez intermediaria. Os sistemas mineralizados com cobre e ouro (Cu-Au) ou ouro e bismuto (Au-(Bi)) em uma situação já mais próxima da composição intermediaria do ponto de vista acidez. O teor de alumínio também vai influenciar, onde se tem as mineralizações de estanho (Sn) e de volfrâmio (W) associados aos magmas com excesso de alumínio, ao passo que as mineralização de cobre e de ouro estão associados aos magmas metaluminosos. Relação de fugacidade do oxigênio desses magmas e rochas, e se vê que em sistemas oxidados vão conter as mineralizações de cobre e ouro, o tungstênio pode ser observado em ambas as situações e os sistemas mineralizados exclusivamente com ouro estão em um contexto mais redutor, assim como as mineralizações de estanho. Do ponto de vista geometria, esses sistemas relacionados a intrusão são bem complexos e que vão gerar mineralizações com estilos bastante diferenciados. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Mineralizações em veios, que podem ser do tipo paralelo, stockwork. Pode se observar brechas, geradas por processos tectônicos, por fraturamento hidráulico ou até mesmo pelo processo de vulcanismo. Também se observa mineralizações disseminadas, tanto na região de cúpula como associada a alteração hidrotermal na margem dos veios. Pode se observar sistemas escarníticos quando as intrusões se colocarem em meio a rochascarbonáticas e também se observa veios distais a depender do padrão de fraturamento. São sistemas relativamente complexos do ponto de vista metalogenético, com uma diversidade muito grande. São sistemas que tem alteração hidrotermal bastante restrita com: ⤷ Alteração potássica – na porção mais interna do plúton. ⤷ Alteração sericítica (qtz-ser-py) QSP / fílica ⤷ Silicificação ⤷ Alteração argílica avançada A zona de alteração se associava geralmente a alteração sericítica (QSP). 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Conteúdo P3 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Processos metalogenéticos relacionados ao magmatismo intermediário a ácido: ⇒ Sistemas pórfiros-epitermais No sistema pórfiro, se tem magmas gerados a partir de fontes com biotita ou anfibólio. Esses magmas são mais anidros e tem uma composição, principalmente, tonalítica, granodiorítica o que faz eles terem uma capacidade de ascensão muito grande dentro da crosta em função da viscosidade, da temperatura e do grau de hidratação. Esses plútons geradores do sistemas pórfiros, e consequentemente do sistema hidrotermal responsável pela mineralização nos sistemas epitermais, eles se instalam em profundidades em torno de 2 a 4 km na crosta, geralmente. Esse magmatismo é bastante volumoso, onde se tem a subducção da placa oceânica por sobre a placa continental e a desidratação dessa placa gera fusão parcial, já em um volume muito grande de magma, se observa múltiplas intrusões e algumas dessas podem ser portadoras de metais de interesse econômico. Então se tem magmatismo estéril, mas também magmatismo que traz mineralização associada. Como esses plútons ascendem até níveis crustais rasos, eles experimentam a primeira ebulição, e como as rochas encaixantes são relativamente frias em um contexto essencialmente rúptil, se observa um fraturamento intenso dessas rochas tanto na região de cúpula granítica quanto da encaixante. Então esse sistema hidrotermal vai circular nessas fraturas, vai interagir com as rochas da região de cúpula com as rochas encaixantes, vai alterar essas rochas e vai mineraliza-las. As exalações vulcânicas, gases que são expelidos e escapam dessa região de cúpula que estão associados ao magmatismo volumoso, eles vão interagir com o lençol freático na região rasa da crosta e também com as rochas presentes nesse ambiente e vai gerar um outro sistema hidrotermal associado ao ambiente epitermal. Não necessariamente é preciso observar vulcanismo para se ter um sistema epitermal, é possível observar esses sistemas associados diretamente ao vulcanismo, o qual está conectado com o processo de magmatismo relacionado a subducção da placa oceânica, mas se pode observar em regiões mais distais a canalização desses voláteis e que vão gerar alteração hidrotermal e mineralização. A depender dessa condição proximal ou distal, se observa sistemas hidrotermais mineralizadores com características distintas. Os sistemas pórfiros vão ser mineralizados principalmente com Cu (cobre). Mo e Au podem ser subproduto desse sistema mineralizado com cobre, mas em algumas situações se observa sistemas pórfiros com Mo, onde o Cu e o Au são subprodutos. Au (ouro) e Ag (prata) e parte do Cu vão ser responsáveis pela mineralização no sistemas vulcânicos (epitermal). Em algumas situações há uma alta sulfetação , e então as mineralizações de Cu e Au predominam, e nos sistemas de baixa sulfetação, o Au Sistemas Pórfiros-epitermais, IOCG e pegmatitos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski e a Ag são os principais elementos de interesse econômico. ⇒ Sistemas pórfiros É o sistema mineralizador que vai ser gerado a partir da exsolução dos fluidos, em consequência da primeira ebulição, e é justamente a interação desses fluidos com a encaixante que vai viabilizar a formação dos depósitos do tipo pórfiro. É dentro desse sistema que irá se observar com mais frequência a presença dessas estruturas geradas em decorrência do hidrofraturamento da primeira ebulição. Premissas Quais as feições que são necessárias identificar em campo para poder enquadrar um sistema como do tipo pórfiro? ⤷ Grande volume de rochas hidrotermalizadas e mineralizadas. As múltiplas intrusões mantem a temperatura na região do entorno do plúton relativamente alta, há uma alimentação relativamente constante de fluidos dos novos pulsos que chegam e que alimentam esse sistema hidrotermal, e apesar de serem intrusões relativamente anidras quando comparadas a intrusões de derivação sedimentar, essa caracteristica do magmatismo associado a subducção faz com que os sistemas pórfiros tenham um sistema hidrotermal significativo. Em função disso, esses depósitos são de grande porte. ⤷ É necessário apresentar uma relação espacial e genética entre os plútons e a mineralização. Neste caso refere-se a plútons no plural, pois geralmente se tem diversas fácies associadas a esse magmatismo e nesse conjunto de intrusões, ao menos uma dessas intrusões é porfirítica e é a causativa do sistema mineralizador. A grande maioria dos plútons contribui com fluidos, temperatura, fraturamento hidráulico mas nem todas necessariamente contribui com a mineralização. ⤷ A mineralização ocorre tanto disseminada com associada a veios e vênulas. Os sistemas pórfiros possui uma classificação desses veios, onde eles são formados em momentos distintos da evolução do deposito, geram veios e vênulas com características distintas e a identificação desse conjunto de veios ajuda na identificação de um sistema do tipo pórfiro. Exemplificando: ⤷ Veios com padrão do tipo stockwork 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Estilo de alteração hidrotermal nos sistemas pórfiros ⤷ Sistema de alteração zonado ⤷ Geometria concêntrica Quando diz concêntrica, não se refere necessariamente a depósitos com geometria circular. Eles podem ser alongados, ovoides, ou completamente assimétricos. Quando se diz concêntrica, se refere a um sistema de alteração que é centrado na porção interna do plúton causativo do sistema hidrotermal e da mineralização. Na região central do plúton se observa uma zona de alteração potássica, de mais alta temperatura, e que na verdade é uma alteração tardimagmatica e está associada a fase final de cristalização do plúton, não é exatamente um sistema hidrotermal, mas ainda tem magma se cristalizando, e essa alteração potássica no sistema pórfiro vai ser caracterizada principalmente pela presença de biotita e feldspato potássico (principalmente o ortoclásio mas pode ser convertido a microclinio). Na sequência da zona de alteração potássica (destaca em traço preto mais forte nas figuras anteriores), se observa uma zona de alteração fílica, que já é uma zona de alteração de temperatura um pouco menor (inferior a 400ºC) e a paragênese típica da alteração fílica no sistema profiro é a paragênese QSP (quartzo + sericita + pirita). Neste caso não se observa fluorita, turmalina, topázio associado a essa alteração como é observado no sistema greisen. E geralmente a sericita presente é de granulação mais fina, mas localmente pode vir a apresentar uma granulação maior. A mineralização vai estar disseminada na zona de alteração fílica. E na porção mais externa do deposito se observa a zona de alteração propilítica, e a clorita, epidoto, 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski carbonatos, albita e eventualmente adularia fazem parte dessa paragênese. Essa alteração acontece desde a instalação do plúton, antes da geração do sistema hidrotermal, porque a modificação térmica causada pela intrusão já gera modificação nasencaixantes. Então quando se tem uma modificação associada a um baixo volume de fluidos, se observa uma alteração propilítica. É possível observar que a mineralização obedece um zoneamento que de certa forma respeita o limite das zonas de alteração hidrotermal. Zona de alteração potássica representada pelo tracejado preto escuro, e a zona fílica pelo tracejado com pontos, e a zona de mineralização chamada de halo piritoso, destacado em azul claro, coincide espacialmente com a zona de alteração fílica. Entre essas duas zonas de alteração, há uma região mais rica em minério que vai ficar justamente no limite entre a zona de alteração potássica e fílica, onde é possível encontrar até 3% de pirita disseminada, 2-3% de calcopirita e os teores mais importantes de molibdênio presentes nesses depósitos vão estar associados a essas zonas de transição entre as alterações. Estilo da mineralização do sistema pórfiro As zonas de alteração potássica e propilítica possuem mineralização de baixo teor. Na zona de alteração propilítica é possível encontrar um sistema de veios polimetálicos, no contexto distal, e esses veios podem ser mineralizados principalmente com chumbo (Pb), zinco (Zn) e prata (Ag). As vezes pode se observar mineralizações em veios polimetálicos, e outras os elementos de interesse da figura abaixo no sistema epitermal. Tudo vai depender da natureza e da composição das rochas encaixantes. A mineralização vai ocorrer disseminada nas zonas de alteração hidrotermal, então se observará os sulfetos disseminados na rocha hidrotermalizadas e também associados aos veios. E esses veios no sistema pórfiro apresentam um padrão bastante específico. ⤷ Veios em padrão stockwork E quando se fala em mineralização nos sistemas pórfiros, se fala em quais teores? ⤷ Cu – 0,2 a 2% ⤷ Mo 0,01 a 0,5% ⤷ Au até alguns ppm Diferentes gerações de veios no sistema pórfiro: Diferentes gerações e diferentes classificações presentes na figura abaixo 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Figura a) veio do tipo A, cortado pelo veio do tipo B, cortado pelo tipo D. Nos veios do tipo a no sistema pórfiro são veios que contêm principalmente a calcopirita e apresentam uma geometria anastomosada, pois esses veios ainda estão associados a fase tardi magmática de alteração (potássica) e então o sistema ainda tem uma temperatura muito elevada, uma plasticidade muito alta, então os veios são mais sinuosos. Na sequência os veios do tipo A são cortados por veios do tipo B, que apresentam trilhas de molibdenita e quartzo na sua composição, podem apresentar bordas de feldspato potássico (assim como os veios do tipo A), e apresentam uma geometria mais retilínea, estando em um contexto mais rúptil em relação aos veios do tipo A. E os veios do tipo D eles terão principalmente pirita e quartzo em sua composição, e um halo de alteração fílica com sulfeto disseminado. E os minerais de minério que serão observados tanto na mineralização disseminada quanto dentro dos veios são principalmente a calcopirita (ccpy), secundariamente a bornita (bor) no caso das mineralizações de cobre (Cu). Também se observa o ouro (Au) livre e a molibdenita. A cara desses veios em campo: 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Dando uma olhada em números São depósitos com teores de cobre relativamente baixos. O molibdênio também tem um teor bastante baixo (podendo ser subproduto), mas o que chama atenção é com relação as idades de mineralização desses sistemas, onde o mais antigo apresentado na tabela, são os depósitos com 200 Ma +- (Jurássico inferior) os demais são todos mais jovens. Na tabela há alguns sistemas pórfiros mineralizados exclusivamente com ouro associado as intrusões mais básicas, gabros e plagiogranitos. E duas exceções com idades do arqueano. ❗ Para reflexão: por que a maior parte dos sistemas pórfiros ocorrerem do mesozoico em diante? Mapa que apresenta a distribuição dos sistemas pórfiros, e é possível observar uma relação espacial com as zonas orogênicas. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Sistemas pórfiros-epitermais Já foi visto o que ocorre no ambiente no entorno das intrusões relativamente rasas na crosta, e agora veremos o que acontece na interface entre a região de cúpula das intrusões e a superfície desse ambiente subaéreo. Haverá situações me que o sistema plutônico se comunica com o sistema vulcânico e se observará rochas vulcânicas, processos eruptivos associados ao extravasamento desse magma, mas essa não é uma condicionante necessária para o desenvolvimento de um sistema hidrotermal. Quando esse sistema vulcânico existe, se tem uma conexão mais direta, uma ascensão desses gases/voláteis e uma interação que propicia a geração de um sistema mais oxidante e isso tem um impacto significativo nas características físico-químicas desse sistema hidrotermal. Quando esse sistema está associado a um sistema vulcânico se observa temperaturas mais elevadas associadas a essas exalações, e se observa também sistemas periféricos de menor temperatura, exalações em regiões um pouco mais distais com temperaturas menores, com composições distintas e isso impacta na composição do sistema hidrotermal, nas texturas, estruturas associadas ao minério e impacta também no potencial metalogenético desses sistemas proximais e nos mais distais. Sistema epitermal = são sistemas mineralizadores que são gerados a partir da instalação de células convectivas, o fluido que circulará nessas células convectivas são água meteorica, ou seja, o lençol freático que está presente nessa região superficial da crosta. O motor térmico desse sistema convectivo é o magmatismo, tanto o plutonismo quando o vulcanismo que geram uma anomalia no gradiente geotérmico, então a água meteorica ela percola fraturas, a porosidade dessa rocha, se aquece, interage com os gases, com um fluidos, com as exalações desse sistema plutônico, magmático, se modifica e então se observa na superfície uma série de processos, de feições que são típicas e que são indicativas da presença desses sistemas hidrotermais. A vantagem no sistema epitermal é que se pode observar, ir a campo e observar esses sistemas se formando, esses processos interagindo com as rochas, observar os produtos que estão sendo formados a partir da interação dos gases vulcânicos com essas rochas do lençol freático. Então se tem inúmeros campos hidrotermais nessas regiões de rifte, de tectônica ativa, nos arcos vulcânicos principalmente. Os processos que se observar nesses campos hidrotermais são “piscinas” de lama borbulhantes, resultantes da interação do fluido hidrotermal com as Sistema epitermal são sistemas mineralizadores gerados a partir de células convectivas, nas quais circula água meteorica que interage com os gases e vapores magmáticos, alterando e mineralizando as rochas subsuperficiais. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski encaixantes, essa solubilização das encaixantes, se observará fumarolas, solfataras (que são exalações ricas em enxofre que precipitam enxofre nativo), lagos ácidos, fontes termais, e os gêiser que nada mais são do que o extravasamento na superfície de um sistema hidrotermal sob pressão. Esse fluido vem canalizado em subsuperfície e quando chega próximo a superfície o sistema sofre boiling e se observa uma mistura de água e vapor d’agua associada a mudança brusca de pressão. São processos que ocorrem de forma repetida, são sistemas que tem uma duração relativamente longa, e que vão modificar a composição dessas rochasna interface entre o sistema plutônico e a superfície e vão mineralizar essas rochas. Vai se observar uma alteração hidrotermal e uma mineralização associada a esses processos. E qual o potencial metalogenético dos sistemas epitermais? Como exemplo, o vulcão Galeras, na Colômbia, é o vulcão mais ativo do país. Pesquisadores identificaram que cerca e 20 kg são acumulados de ouro por ano, no interior do edifício vulcânico. Esse ouro ainda não é usado devido ao fato de não haver possibilidade de acesso por conta do vulcanismo ativo. Estilo de alteração hidrotermal O que se observa no sistema hidrotermal, é que se tem dois termos extremos com os sistemas de baixa sulfetação e os sistemas de alta sulfetação. Os de baixa sulfetação estão associados a condições de pH neutro a levemente alcalino e também a condições redutoras, e isso refletirá na mineralogia e na paragênese de alteração hidrotermal. Nas situações de pH neutro os minerais que vão compor esse sistema hidrotermal são principalmente a esmectita (argilomineral que possui metais em sua composição (Mg)), illita em paragênese com a esmectita ou clorita associada a esmectita, ou seja, argilominerais que caracterizam aquela alteração argílica intermediaria. Pode se observar a presença de epidoto e clorita, e a temperatura desse sistema hidrotermal é que vai determinar se a paragênese vai ser formada somente por esmectita, pela associação illita-esmectita, ou se observará epidoto ou biotita associada. Então nos sistemas de mais baixa temperatura, essas três paragêneses são as mais comuns. Nos sistemas de mais alta temperatura se observará illita, clorita, epidoto e biotita. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Nos sistemas de alta sulfetação, ou seja, nos sistemas onde há uma atividade de enxofre bastante significativa, um volume grande de enxofre nesse sistema, e um ambiente oxidante, se observa o enxofre reagindo com a água nesse ambiente e formando ácido sulfúrico, juntamente com gás sulfídrico e um volume significativo de ácido clorídrico e a junção do enxofre e do ácido clorídrico nesse sistema hidrotermal faz com que o pH se reduza significativamente. Então se observará pHs desde 5 até menores que 1 quando o enxofre e o ácido clorídrico ocorrem de forma associada. Nos sistemas de pH neutro e baixa sulfetação, o gás carbônico é o principal elemento que vai compor, que vai interagir com esses fluidos meteóricos e então se observa a formação de ácido carbônico, que é um ácido fraco, que tem um baixo potencial de redução do pH desse fluido. Nos sistemas de pH ácido, se observa uma paragênese distinta, com a presença de alunita, que é um sulfato e denota bastante o caráter oxidante do sistema hidrotermal rico em enxofre, e se observa também jarosita, halloysita, caulinita, e a presença da caulinita por si só não é indicativa de um pH ácido. E também os minerais dickita, pirofilita, diásporo, topázio, anatásio e rutilo, e novamente terá uma variação da paragênese em função da temperatura. A alunita é uma constante nesse sistema de alta sulfetação, ela é estável em diferentes faixas de temperatura, a jarosita, halloysita e anatásio são típicos de ambiente de baixa temperatura. A caulinita também vai estar associada a esses fluidos com até 200ºC. A pirofilita já é indicativa de um ambiente de alta temperatura, superiores a 200ºC essa mineral será o argilomineral predominante, assim como o diásporo e o topázio também são característicos de alta temperatura. E a definição dessa paragênese de alteração ela é de extrema importância para caracterizar se é um sistema de alta sulfetação ou baixa sulfetação e se o fluido gerador dessa alteração era de baixa temperatura, inferior a 200ºC, ou de alta temperatura. Existe uma diferença entre esses dois sistemas do ponto de vista espacial. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Na figura acima, há sistemas exalativos, que tem uma conexão mais direta com o magmatismo, geralmente esses sistemas são ricos em enxofre e ácido clorídrico, então nesses sistemas proximais se observa os sistemas epitermais de alta sulfetação. E nos sistemas de mais distais, se observa sistemas de baixa sulfetação associados principalmente pela interação da água meteorica com gás carbônico e com cloretos. Outra diferença entre os dois sistemas é que no sistema de baixa sulfetação os fluidos podem experimentar um segundo episodio de ebulição, então as vezes a depender da natureza das encaixantes os fluidos circulam de forma mais confinada, sob pressão, e então quando ocorre uma diminuição brusca da pressão, seja por que os fluidos se aproximam da superfície ou por encontrar uma camada com porosidade diferente, ou estruturas que permitem o alivio de pressão do fluido, se observa o fraturamento hidráulico. E isso geralmente não acontece nos sistemas de alta sulfetação, porque se tem fluidos mais ácidos, com alteração zoneamento de alteração argílica intermediaria nessas porções mais distais do sistema epitermal e nas regiões de interação com os fluidos mais ácidos, se observa a paragênese de alteração associada a alteração argílica avançada, quando o ácido sulfúrico e o ácido clorídrico ocorrerem no mesmo sistema o pH é menor que 1, e se observa a formação da textura do quartzo em esponja, chamado vuggy quartz. No sistema de alteração alteração argílica avançada se tem um fluido quimicamente agressivo, o único elemento que permanece insolúvel nesses pH mais ácidos é a sílica, então todos os demais elementos são solubilizados e são lixiviados com o fluido, e então esse processo gera uma porosidade secundária muito grande nas rochas encaixantes. Então o fluido desses sistemas ácidos dificilmente circula confinado sob pressão, então ele permeia ao longo dessas encaixantes que foram extremamente alteradas pelo fluido quimicamente agressivo do sistema de alta sulfetação. A interação desses fluidos impacta diretamente nas texturas observadas nos depósitos. Nos sistemas de baixa sulfetação se observa brechas, e muitas vezes se observa inúmeras gerações de brecha, então se vê brechas com clastos de brecha. Também se observa veios e planos de abertura preenchidos por minerais com bandamento composicional, principalmente a sílica ou jaspe. Se observa com frequência cavidades preenchidas por quartzo, com texturas de preenchimento de cavidade (crustiforme, coloforme, drusiforme), textura calcita lamelar e quando há essa textura e brechas associadas necessariamente se está em um sistema que experimentou o processo de boiling. E também se vê nessas zonas de baixa 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski sulfetação zonas cimentadas por sílica, formando as chamadas sílica sínter. E no ambiente de alta sulfetação se observa principalmente textura em esponja (vuggy quartz), e veios maciços ou bandados de pirita e enargita. Feições em campo – baixa sulfetação Brecha preenchida por quartzo com textura drusiforme. Veios com textura coloforme. Sílica sínter em formação. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Sílica sínter em ambiente epitermal fóssil. Calcita lamelar. Veios bandados/mineralizados. Stockwork em sistema epitermal. Feições em campo – alta sulfetação Quartzo em textura esponja – vuggy quartz. Bonanza = porções de minério de altíssimo teor. Estilo de mineralização O que vai controlar o estilo da mineralização, as paragêneses de minério nesse ambiente de baixa sulfetação e de alta sulfetação? Se tem o enxofre reduzido em função desse caráter mais redutor do ambiente de baixa sulfetação, e então o minério vai ser composto principalmente por sulfetos oumetais na forma nativa. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski É um ambiente de baixa atividade de enxofre, e pouco S presente vai ser observado minério com aqueles elementos que são essencialmente calcófilos, e os elementos que não são calcófilos vão ser observados na forma nativa ou na forma de sulfosais. No caso do minério oxidado se tem uma alta atividade de enxofre, então se observa minerais formados com enxofre em sua forma tetravalente (S4-) e sulfetos que tem uma concentração maior de enxofre quando comparado com os sulfetos do ambiente de baixa sulfetação. Então se tem principalmente pirita, eléctron (liga de ouro), ouro livre, esfalerita, galena e arsenopirita. Então em um ambiente de baixa sulfetação os principais elementos de interesse econômico são o ouro (Au), prata (Ag), zinco (Zn) e chumbo (Pb) e pode se observar também antimônio (Sb), arsênio (As), selênio (Se) e mineralizações de mercúrio (Hg) associado a esse ambiente. No caso dos ambientes de alta sulfetação os minerais de minério são principalmente a enargita, calcopirita, bornita pode estar presente também, a tennantita, covelita, ouro livre e também teluretos. Então os principais elementos de interesse são o cobre (Cu), ouro (Au), prata (Ag) e arsênio (As), juntamente com telúrio (Te), bismuto (Bi) e eventualmente o estanho (Sn) que não vai ser observado no ambiente de baixa sulfetação. Distribuição de depósitos no mundo 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Sistemas IOCG IOCG = Iron Oxide Copper Gold. São depósitos de ferro, cobre e ouro (Fe-Cu-Au) que podem conter elementos terras raras (ETR) e uranio (U). Esses sistemas IOCG são sistemas hidrotermais que são mineralizados com oxido de ferro, então necessariamente terá oxido de ferro, magnetita e hematita, em detrimento da presença de sulfetos de ferro como se observa, por exemplo, nos sistemas pórfiros, e mineralizações de cobre, principalmente calcopirita e bornita. Esse sistema mineralizador foi descoberto a pouco tempo, então ele está em desenvolvimento, e as condicionantes, as premissas desse sistema estão em discussão. Primeiro depósito dessa escala foi descoberto na Australia em Olympic Dam (1975). As condições para que se possa classificar um depósito mineral como pertencente ao sistema IOCG: ⤷ Primeiro de tudo precisa ter a presença de ferro na forma de oxido, magnetita ou hematita, e a presença de cobre, este com ou sem ouro associado. ⤷ A mineralização pode acontecer em forma de veios, brechas ou na forma de substituição como por exemplo nos sistemas escarníticos, mas geralmente se tem mais de um estilo de mineralização. ⤷ Os óxidos de ferro são abundantes, em alguns casos podem chegar a 50% do volume do deposito, e se observa a magnetita como sendo o oxido de ferro mais frequente e associado aos ambientes mais profundos na crosta, e a hematita vai compor esses sistemas IOCG mais rasos, mais próximos da superfície. ⤷ Esses óxidos de ferro tem baixo percentual de titânio, um conteúdo de oxido de titânio (TiO2) bastante baixo associado. ⤷ Não necessariamente vai se constatar em campo uma relação espacial entre a mineralização, o sistema hidrotermal e o magmatismo. Então nos sistemas pórfiros, epitermais, greisen, se falava de depósitos com uma relação espacial, temporal e genética com o magmatismo causativo. Nos sistemas IOCG essas relações não são muito claras. ⤷ A sílica é muito pouco abundante no sistema hidrotermal desses depósitos IOCG, então veios de quartzo são raros. Amostra do depósito IOCG – Australia. Como se formam os sistemas/depósitos IOCG? Na figura há uma comparação entre os depósitos IOCG e pórfiro porque ambos formam depósitos de classe mundial mineralizados com cobre (Cu). Mas se observa que eles apresentam diferenças em termos de contexto geotectônico, estilo de magmatismo, profundidade etc. Na figura, o que chama atenção é o fato de que no sistema pórfiro se tem a mineralização na região apical do plúton causativo do sistema hidrotermal e do 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski sistema mineralizador, enquanto nos sistemas IOCG não se observa essa relação espacial entre o magmatismo e a mineralização. Outra questão que chama atenção é a profundidade desse magmatismo, onde no sistema pórfiro tem intrusões mais rasas (2-4km) e nos sistemas IOCG o magmatismo geralmente está mais profundo, entre 6- 15km. Então essas intrusões que se associam aos sistemas IOCG estão mais profundas, e isso impacta diretamente na pressão litostática sobre a pressão de fluidos, então se tem uma pressão confinante muito elevada e isso faz com que esses fluidos hidrotermais sejam canalizados ao longo de descontinuidades da crosta, então são fluidos que circulam canalizados e ai nos sistemas IOCG se observa que as zonas de cisalhamento, os falhamentos mais profundos desempenham um papel significativo na evolução/geração desses sistemas hidrotermais. Comparando as características de cada sistema Ambos os sistemas estão associados ao magmatismo de caráter oxidante, ou seja, da serie magnetita, mas se vê uma diferença na composição desse sistema magmático, então no sistema pórfiro há uma magmatismo alcalino de alto potássio enquanto no sistema IOCG o magmatismo tem uma tendencia mais alcalina e isso se deve ao contexto geotectônico que esses depósitos se formam, onde o magmatismo do sistema pórfiro ocorre em ambiente de arco magmático, ou seja, zonas de subducção do tipo CO- CC, enquanto o sistema IOCG vai ocorrer em ambiente anorogênico, ou seja, em zonas de rifte, e ambientes colisionais principalmente no contexto extensional dentro do ambiente colisional. A composição das intrusões também varia, nos sistemas pórfiros se tem tonalitos a granodioritos enquanto para os sistemas IOCG são esperadas intrusões de natureza mais máfica, mais ricas em ferro viabilizando então o aporte de um volume significativo de ferro para esses depósitos. E outra diferença significativa está na composição do sistema hidrotermal, já que nos sistemas hidrotermais no ambiente de depósitos pórfiros vai ter fluidos ricos em água (H2O) enquanto nos sistemas IOCG os fluidos serão ricos em gás carbônico (CO2). Estilo hidrotermal dos sistemas IOCG Se tem fluidos quentes, que variam entre 400 a 600ºC, são fluidos pobre em enxofre (o que é mais uma diferença significativa entre esse sistema e os pórfiros), por conta disso o ferro acaba se cristalizando na sua forma oxidada, na forma de hematita ou magnetita. O pH desses fluidos tem uma tendencia acida, são fluidos extremamente oxidantes e que possuem uma salinidade elevada chegando a 50% de cloreto de sódio equivalente na composição desses fluidos. Se observa que há dois modelos dentro desse sistema IOCG, com um modelo que evoca a participação de fluidos hidrotermais de origem magmática e um segundo modelo que evoca uma mistura de fluidos e parte desses fluidos seriam fluidos superficiais que interagiram com sequencias evaporíticas para justificar a salinidade elevada. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Nos modelos de derivação magmática o fluido tem uma origem ígnea, se observa mistura com fluidos superficiais ou fluidos bacinais, mas a maior parte do sistema hidrotermal é composto por fluido magmáticos. E nos modelos que não evocam essa relação com o magmatismo, se observa a origem do sistema hidrotermal relacionado a fluidos superficiais, a salmoura de origem superficial ou de origem metamórfica, fluidos metamórficos liberados do ambiente profundo que se misturam com esses fluidos superficiais que interagiram com rochasevaporíticas. Independente da origem dos fluidos se observa um zoneamento hidrotermal nesse sistema. O sistema IOCG em profundidade se caracterizam pela alteração sódica intensa, então se observa verdadeiros albítitos, mas nota-se que não é uma albitização das rochas mas sim uma alteração sódica pervasiva, as rochas são convertidas a albítitos. Depois há uma transição para uma zona de alteração potássica de maior temperatura onde se tem a presença da actinolita e de clinopiroxênio ou de biotita e K-feldspato. A mineralização contendo óxido de ferro e cobre vai se associar espacialmente a zona de alteração potássica do tipo 1. Essa alteração potássica do tipo 1 conforme o sistema vai perdendo temperatura e vai se aproximando da superfície esse sistema vai se tornando cada vez mais oxidante e então sai da zona de estabilidade da magnetita e passa a se observar a hematita como sendo a fase mineral estável associada a essa alteração k-feldspatíca, essa alteração hidrotermal transiciona para uma alteração hidrolítica, então se deixa de ter um metassomatismo potássico para se observar um metassomatismo hidrolítico, e então se tem a presença da sericita, muscovita ou da clorita, depende da composição das encaixantes e da composição do fluido hidrotermal associados a hematita. Na porção de metassomatismo hidrolítico se observa as mineralizações de cobre e de ouro. Então no caso apresentado na figura anterior se tem a calcopirita e a bornita associadas a óxido de ferro e a ouro. Independe do modelo o zoneamento é o mesmo, se tem variações desse sistema a depender da composição das encaixantes, da menor ou maior influência desses fluidos superficiais. Então cada deposito tem uma particularidade na evolução desse sistema hidrotermal, mas geralmente esses sistemas têm esse zoneamento e a depender do nível estrutural que se observa as mineralizações se encontra uma porção distinta desse sistema hidrotermal e o estilo de mineralização compatível com esse ambiente hidrotermal no qual esses minerais se precipitaram e também compatível com a temperatura e a evolução desse fluido hidrotermal. A depender da profundidade que esses sistemas se formam e da composição das encaixantes se observa 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski mineralizações distintas. A figura acima mostra isso, e apresenta quatro depósitos que são classificados e que são aceitos como IOCG, o Ernest Henry, Starra e Olympic Dam ficam na Australia e Salobo fica na província mineral de Carajás. Ernest Henry e Starra mais condicionados a circulação desses fluidos através das falhas, onde as encaixantes não são muito impermeáveis e não permitiram uma interação maior desses fluidos e a mineralização se forma de forma alongada respeitando a geometria dessa zona de cisalhamento. Salobo que está em uma sequência metavulcano sedimentar que já mostra uma permeabilidade distinta, então o fluido permeou as camadas e o depósito tem uma geometria diferencia quando comparada com as demais. E o Olympic Dam é um depósito superficial raso, e se observa uma transição no estilo da mineralização, onde nos ambientes profundos a magnetita é que vai ser o óxido de ferro comum e no ambiente mais raso, a hematita é o óxido de ferro mais comum. Assim como cada um desses depósitos está associado a um nível hidrotermal distinto. Estilo da mineralização dos sistemas IOCG Haverá mineralizações associadas a veios, brechas e também substituições contendo: Cobre = calcopirita e bornita Ouro e prata na forma nativa Uranio na forma de pechblenda e coffinita ETR na estrutura da monazita, xenotima, bastanaesita e floencita. Aspecto brechoide da mineralização. Como as rochas encaixantes estão muito hidrotermalizadas, geralmente elas possuem um aspecto mais maciço sendo difícil identificar essa textura brechoide das mineralizações no sistema IOCG. Essas brechas geralmente têm uma origem tectônica nos sistemas IOCG. A tectônica tem um papel muito importante, um controle estrutural muito grande sobre a mineralização. Alguns dados sobre os sistemas IOCG, os indicados em vermelho são os sistemas classificados e aceitos, os demais apresentam condicionantes ou feições que destoam um pouco o modelo original 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Sistemas Pegmatíticos Conteúdo apresentado pelo professor Dr. Vinicius Anselmo carvalho Lisboa – IFPB Apresentação : Pegmatitos e a Província Pegmatítica da Borborema. O que são os pegmatitos? São rochas ígneas formadas por meio da cristalização a partir do magma. Essas rochas apresentam textura fanerítica, tendo como principal caracteristica a granulação extremamente grossa, na qual os cristais podem ter tamanhos centimétricos a métricos (Johnston Jr., 1945). ❗ Textura pegmatítica e pegmatitos não são a mesma coisa. São rochas ígneas, a maioria de composição granítica, que se diferenciam das demais rochas ígneas por apresentarem: ⤷ Granulometria extremamente grossa e variável. ⤷ Abundância de cristais com habito variado, esqueletal, gráfico ou outros hábitos de crescimento fortemente direcionais. ⤷ Zoneamento espacial de associações minerais, incluindo zonas monominerálicas. Se uma rocha apresentar uma dessas características ela pode ser considerada como um pegmatito, mas normalmente os pegmatitos apresentam todas as características. Com relação a composição média dos pegmatitos, é visto a dificuldade de se coletar e fazer analise geoquímica de rocha total que sejam considerados como representativas para os pegmatitos em função da granulometria do tamanho dos cristais. Mas em um dos pegmatitos mais estudados do mundo, o pegmatito Tanco (não sei se escrevi certo), no Canadá. Devido ao grande volume de exploração e de estudos é possível fazer modelagem e planos de amostragem onde se faz a análise química e com isso é possível considerar como representativo desses magmas pegmatíticos. É possível notar os pegmatitos representam magmas bastante evoluídos, com alto teor de sílica, de composição granítica em sua grande maioria, peraluminosos com enriquecimento em alguns elementos que não são tão comuns assim nos granitos “padrão”, por exemplo, elementos hsf, ETR, e álcalis raros. Então isso denota que um magma pegmatítico é um magma um pouco diferenciado em relação aos demais. Com relação ao mecanismo de formação dessas rochas existem algumas ideias e vários debates acerca de qual a forma de como esses magmas são formados, gerados e sua evolução. O modelo mais aceito é onde os pegmatitos estão geneticamente relacionados com os granitos, e é o modelo apresentado a seguir. Mecanismo de formação = o modelo mais aceito para a formação dos pegmatitos sugere que esses corpos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski representam fusões residuais derivadas da evolução e cristalização de magmas graníticos, com a concentração progressiva de elementos incompatíveis, ETR e voláteis (e.g. Jahns and Burnham, 1969; London, 2008, 2018; Simmons & Webber, 2008). Partindo desse princípio, se teria na crosta uma intrusão granítica, onde o magma ascenderia na crosta, reagindo com as rochas encaixantes. E com a ascensão do magma e a colocação da intrusão na crosta, se tem uma interação entre a rocha encaixante e a rocha ígnea e geração de fraturas nas rochas encaixantes. Conforme o magma vai sendo resfriado, se percebe a presença de bolsões de magma, enriquecido em elementos voláteis e elementos incompatíveis além de novas fraturas. Com o avanço da cristalização o magma residual é forçado a migrar para fora da câmara magmática, podendo preencher algumas das fraturas adjacentes a câmara magmática. Nos trabalhos experimentaisdo professor Allan M. Rubin (1995), foi provado a partir de modelagem numérica que é possível esse magma residual, enriquecido em todos os elementos anteriormente citados, migrar para fora do plúton e preencher as fraturas sem que o volume do magma residual se cristalizasse de forma instantânea. O autor percebeu que existe uma influência térmica da intrusão granítica nas rochas encaixantes, que modifica o gradiente geotérmico convencional, então essa influência permite a migração do magma residual sem que houvesse uma cristalização rápida desse magma. Então Becker definiu de fato essa influência e proposto que um magma granítico com cerca de 1 mil km³ provoca na encaixante uma alteração térmica que é capaz de os diques migrem por até 10 km de distância em relação a fonte. Compreendendo a possibilidade de migração dos pegmatitos para longe da câmara magmática sem que haja cristalização de forma rápida, o magma preenche as fraturas e começa a diminuir a sua temperatura e cristalizar. Pelo fato de estar enriquecido em elementos incompatíveis e voláteis a formação de bolsões que permitem a cristalização de algumas fases minerais raras nesses corpos pegmatíticos, e ao final, quando o conjunto magmático atingir a temperatura de cristalização se tem a formação dos diques pegmatíticos que podem portar minerais acessórios ricos em elementos incompatíveis e ETR, onde vários tem valor econômico agregado, dando origem aos pegmatitos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Modelos numéricos e matemáticos confirmam essa influência térmica da intrusão de um corpo ígneo, onde ele modifica o posicionamento das isotermas que estão ao redor do corpo ígneo e também influencia diretamente nas rochas encaixantes e o que se percebe também é que se confirma a ideia de que os pegmatitos e os magmas residuais se posicionam superiores dos plútons graníticos, na porção apical da câmara magmática e os pegmatitos são extrações extremamente fracionadas sobre tudo os que estão mais longe da intrusão. Com relação a afinidade geoquímica dos pegmatitos, conforme Cerny (1991), com base no conteúdo de ETR , se dividiu os pegmatitos em duas famílias distintas: LCT (Li-Cs-Ta) e NYF (Nb-Y-F). O principal feito desta classificação é conseguir relacionar cada família com um tipo de granito gerador. Uma atualização em 2005, onde se reafirma as principais diferenças entre as duas famílias de pegmatitos (LCT e NYF), relacionando com os granitos que podem gera-los e qual o tipo de ambiente geotectônico. Os pegmatitos LCT são associados a granitos do tipo S, peraluminosos e se colocam em eventos orogenéticos sobretudo em estágios mais tardios. Já os pegmatitos NYF são, em sua maioria, metaluminosos, e se associam bastante com granitos do tipo A e em ambientes anorogênicos. Especificamente para os pegmatitos da família LCT, Cerny propõem em seu estudo de 1991, um modelo de zoneamento químico levando em consideração o granito fonte. Se percebeu nas regiões mais próximas ao granito fonte se tem os pegmatitos menos fracionados e provavelmente estéreis, e a medida que se afasta da câmara magmática os pegmatitos vão se tornando cada vez mais fracionados e enriquecidos em elementos e minerais que podem ser minerais de minério. Após os pegmatitos estéreis, se tem os pegmatitos ricos em feldspato (utilizados na indústria cerâmica), na sequência um pouco mais distante aparecem os pegmatitos ricos em berilo, espodumênio, petalita até as camadas miarolíticas (porções mais rasas). 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski O que se percebe geralmente, é que todos os pegmatitos que há um crescimento exponencial do tamanho dos cristais quando se sai da borda para a região mais central dos pegmatitos. Então conforme aumenta a granulação em direção ao centro dos corpos pegmatíticos, o aparecimento da mineralogia acessória segue a mesma ordem. Se há zoneamento dos minerais, reflete um zoneamento químico do magma onde os minerais foram cristalizados. Na região de borda dos pegmatitos a composição química predominante seria Fe, Nb e K e então haverá cristalização de minerais que possuem esses elementos químicos enquanto nas porções centrais haverá a aparição de minerais compostos por manganês, tântalo, sódio, lítio e césio. E esse zoneamento químico pode refletir na coloração dos minerais, como por exemplo a turmalina bicolor. Com relação a importância econômica os pegmatitos são conhecidos como rochas estratégicas pois são fontes quase que exclusivas de alguns ETR, além disso tem um alto potencial para gemas além de ser uma fonte importante de minerais indústrias. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Processos metalogenéticos relacionados ao Os sistemas escarníticos são depósitos gerados a partir da interação entre os fluidos e o calor oriundo de rochas intrusivas ou vulcânicas com rochas encaixantes imediatas. O que é necessário para observar a formação dos sistemas escarníticos? Intrusões que podem ter composições bastante variadas em meio a rochas carbonáticas, que podem ser mármores, calcários, margas etc. Então a depender do percentual de carbonato associado as encaixantes, ira se observar sistemas mais bem desenvolvidos. Quanto mais puras forem as rochas carbonáticas, mais efetiva vai ser a reação dos fluidos magmáticos com essas encaixantes e mais extenso serão os sistemas escarníticos. Mas a extensão depende também de outros fatores como volume, porosidade etc. Basicamente é necessário uma intrusão que exsolva, gere um sistema hidrotermal e interaja com a encaixante carbonática. Se observa que há um zoneamento desse sistemas hidrotermais, com a formação de sistema escarníticos proximais, sistemas escarníticos distais a depender da especialização metalogenética desses plútons e a formação de veios e depósitos associados a metais base, principalmente chumbo e zinco que são os que são encontrados mais distais em relação a intrusão. Então de forma geral, os skarns ou escarnitos, são rochas cálcio-silicáticas formadas pela substituição de rochas carbonáticas por processos de metassomatismo de contato relacionado a intrusões ígneas. O que condiciona a formação dos escarnitos é a composição das encaixantes e do plúton. A depender da fonte geradora do magma vai se observar magmas mais ou menos hidratados, de maior ou menor temperatura, tudo isso influencia no desenvolvimento do sistema escarnítico. Sistemas hidrotermais mais volumosos tem uma capacidade maior de interação, com temperatura maior tem uma capacidade de reação diferentes dos de menor temperatura e ao mesmo tempo a composição da encaixante também influencia de forma significativa. A porosidade e a permeabilidade também influenciam, se o sistema é mais poroso a circulação dos fluidos é facilitada, ao mesmo tempo que se há uma permeabilidade muito grande os fluidos podem circular muito rapidamente e não ter uma capacidade de interação muito alta, então a depender das condições de geração desse sistema hidrotermal, do grau de fraturamento das encaixantes se observa sistemas hidrotermais com maior tempo de permanência, de ação e reação com as encaixantes ou menor. E a reatividade também é uma condicionante importante para formar esses sistemas. As intrusões podem se colocar nas mais variadas encaixantes mas os sistemas escarníticos estão concentrados no contato com rochas carbonáticas, onde há um quimismo bastante diferenciado entre o fluido hidrotermal e a encaixante. Quando se pensa em metamorfismo de contato, em metassomatismo associado a colocação de intrusões se costuma pensar em halos de alteração que se formam nas bordas das intrusões e que são facilmenteTermometamorfismo / metassomatismo – sistemas escarníticos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski identificados. Entretanto foi difícil encontrar imagens que representem esses halos de ação termal, esse metamorfismo de contato, e as imagens representativas são de uma cadeia de montanhas em Montana, nos EUA, onde há um sill de composição básica e é possível observar em grande escala os halos de coloração mais clara resultante do metamorfismo de contato do sill com as encaixantes. Quando se pensa em sistemas escarníticos, o que se encontra: Metarritimito da formação Goutuba (Gr. Açungui). Intercalações de níveis arenosos, níveis carbonáticos, camadas de marga. E em meio a esses metarritimitos há um grande sill de rocha gabróica e intrusões de composição félsica que geraram uma anomalia termal e um sistema hidrotermal que interagiu com esses metarritimitos e o que se observa em campo é a substituição da mineralogia original dos metarritimitos por granadas, quartzo mais microclinio, epidoto mais hematita, clorita e biotita, camadas ricas em granadas, piroxênios. Há uma substituição mineralógica sem que haja mudança na textura e na estrutura da rocha. Outro exemplo que se tem uma alternância de camadas de composição arenosa e carbonáticas. Se nota que a circulação do fluido e as mudanças mineralógicas aconteceram preferencialmente ao longo das camadas carbonáticas, onde se tem uma mineralogia formada preferencialmente por piroxênios e nas camadas arenosas há basicamente uma recristalização em função da mudança de temperatura, mas muita pouca transformação mineralógica em função da pouca reatividade do fluido com essas camadas. Nos sistemas escarníticos necessariamente a reação acontece em função da diferença de quimismo entre o fluido magmático e as camadas carbonáticas. Os minerais encontrados associados a essas transformação mineralógicas são principalmente granadas (grossularia e andradita mais comuns), quando houver mármores rodocrossitícos ou margas rodocrossitícas pode se observar a formação de spessartina (granada de Mn). Os piroxênios mais 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski comuns são o diopsídio e a hedenbergita, mas pode se observar a formação de johannsenita (Mn). Pode se observar formação de olivinas como forsterita (Mg), como fayalita e tefroita e se vê também a formação de alguns piroxênoides, principalmente a wollastonita (CaSiO3). Os anfibólios também são muito comuns nos sistemas escarníticos, principalmente a tremolita (Ca e Mg), hornblenda com certa frequência. Epidotos também são muito comuns, principalmente a alanita, epidoto, clinozoisita. Se observa a formação de plagioclásio, de scapolita e outros. E de onde vem esses minerais se estamos falando de uma rocha carbonática? São reações possíveis, como por exemplo nas reações de: São reações possíveis e bastante comuns associadas aos sistemas escarníticos. E o que controla a formação desses minerais? As mesmas condicionantes de metamorfismo de rochas carbonáticas. O diagrama de Winkler que demonstra bem como o quimismo e as condições físico-químicas vão determinar as paragêneses de alteração hidrotermal, metassomatismo, não de reação metamórfica. Como exemplo do diagrama, em condições de pressão e temperatura de até 450ºC, a depender da pressão de CO2 no ambiente, a dolomita e o quartzo são estáveis, então por exemplo uma marga que tem quartzo e dolomita em associação na rocha, a paragênese permanece estável até cruzar o limite de temperatura onde a dolomita reage com o quartzo para formar talco + calcita. Em sistema de alta temperatura a calcita reage com o quartzo para formar wollastonita. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Quando se olha o que acontece nas condições de pressão de CO2 mais elevadas, que é o que acontece nos sistemas escarníticos, se vê que nas temperaturas mais baixas esse talco e calcita reagem, desestabilizando para formar tremolita, e ela possui uma condição de estabilidade relativamente pequena e conforme aumenta a pressão de CO2 a tremolita reage com a calcita e forma diopsídio, como se observa na linha 5 e 7 do diagrama. Então conforme aumenta a temperatura, o diopsídio é a fase estável, até que atinge temperaturas superiores a 540ºC, quando se observa a transformação desse mineral em forsiterita. Então quanto maior a temperatura, mais anidra é a fase mineral gerada. Na fase de metamorfismo retrogrado, quando há a redução de temperatura, se observa o retorno das reações anteriores. O que se observa nos sistemas escarníticos é que em um primeiro momento (1) ocorre a colocação do plúton, da intrusão, que vai gerar uma anomalia térmica mas assim é um sistema fechado, o plúton não exsolveu os seus fluidos. Então ele causa uma anomalia térmica e se observa uma primeira fase de termometamorfismo ou metamorfismo térmico, quando ocorrer o boiling, seja na primeira ebulição ou a segunda, tudo vai depender do contexto em que essas intrusões estão se formando e se colocando na crosta. Se observa uma fase de metassomatismo (2), inicialmente com temperaturas mais altas, até chegar no ápice de temperatura desse sistema hidrotermal que varia entre 600-700ºC a depender do magmatismo, da profundidade dos sistemas, e então se observa uma diminuição de temperatura ao longo do tempo, que se associa a fase retrograda (3) do sistema metassomático. Então quando se observa para as reações do diagrama de Winkler, conforme a temperatura aumenta e a pressão de CO2 nesse sistema se observa as reações se processando em direção a cristalização de forsiterita ou da paragênese forsiterita ou diopsídio, e quando volta a diminuir a temperatura se observa o metamorfismo retrogrado, a substituição das paragêneses por tremolita, actinolita, clorita, epidoto etc. tudo vai depender do quimismo desses fluidos, até onde se volta nas reações e estabilizar a paragênese associada a pressão de CO2 e a presença de sílica e de outros elementos no fluido. O que acontece do ponto de vista processo, há uma fase de termometamorfismo onde a perturbação térmica causada pela intrusão vai implicar em recristalização dos minerais da encaixante e eventualmente pode se observar reações de desidratação metamórfica e então os fluidos vão ser expulsos, e então se vê uma paragênese distinta da original depois das reações de termometamorfismo em função dessa desidratação mineral. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Na sequência, quando ocorre a ebulição do plúton esse sistema hidrotermal começa a interagir com as encaixantes de forma diferenciada, então onde há rochas encaixantes carbonáticas se observa a formação de sistemas escarníticos e onde há encaixantes com outras composições, principalmente rochas de natureza silicática se observa a formação dos hornfels. Então se tem durante essa fase progradacional a expulsão de água magmática associada a esse plúton. Em algumas situações é possível observar um influxo do sistema hidrotermal dentro da encaixante, e então a formação de endoescarnitos. E na fase de diminuição de temperatura desse sistema hidrotermal, ocorre invasão de água meteorica nos sistemas mais rasos, a diminuição de temperatura, a mistura de fluidos com quimismo diferenciado e em função dessa mistura de fluidos se observa a precipitação do minério associada a essa fase retrograda do sistema escarnítico. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski O fluido desse sistema hidrotermal são fluidos que incialmente tem temperaturas bastante elevadas, chegando até a 700ºC e nas fases finais de evolução desse sistema hidrotermal as temperaturasjá são bem mais baixas, em torno de 200ºC. A pressão varia de 0,3-3 Kbars, isso significa intrusões que variam desde intrusões rasas até mais profundas, em torno de 12 km de profundidade. Depois disso a pressão litostática já começa a influenciar na presença dos carbonatos em ambiente crustal profundo. E haverá salinidades em torno de 10-45% de cloreto de sódio equivalente (wt% NaCleq), então sistemas variando de pouco salinos até moderadamente salinos. Quando compara a evolução desse sistema hidrotermal com a evolução do sistema escarnítico então se tem durante a fase progradacional fluidos magmáticos atuando, fluidos esses que vão sendo transformados a partir das reações com as encaixantes e na fase retrogradacional se pode ter uma influência maior ou menor de fluidos meteóricos a depender da profundidade que esses plútons se instalam. Quando mais raso, maior a influência dos fluidos meteóricos na fase retrogradacional do sistema escarnítico. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Na fase de termometamorfismo é que se observa a recristalização térmica, e não só das rochas carbonáticas mas também das rochas silicáticas que estão no entorno das intrusões. e não se observa mineralização associada a esse estágio, então o principal produto disso é a transformação granulométrica e eventualmente a desidratação metamórfica, dependendo das condições de pressão e temperatura em que ocorre esse termometamorfismo. As rochas carbonáticas normalmente têm uma granulação muito fina, e na imagem abaixo se vê cristais de carbonato centimétricos, subcentimétricos mostrando então que houve uma recristalização em função da temperatura. Isso ocorre com carbonatos, arenitos, principalmente com rochas de granulação fina. e como se atesta se essa granulação grossa é resultante desses processos de recristalização térmica? em função do tipo de contato entre os minerais. Quando uma rocha experimenta a recristalização térmica e se observa o contato poligonizado entre os minerais, que geralmente formam ângulos de 120º entre os minerais, mas o hábito do mineral também influencia, onde em alguns casos os ângulos se aproximam de 120º e em outros já variam um pouco, mas se nota que houve um processo de recristalização, uma poligonização dos contatos entre os minerais. Essa é a principal feição que vai ilustrar esse processo de recristalização térmica. Quando o sistema hidrotermal é exsolvido e começa a interagir com as encaixantes se observa a adição de sílica (Si), de alumínio (Al) e de ferro (Fe) principalmente nos sedimentos carbonáticos, então a transformação mineralógica se deixa de ver carbonatos e começar a observar granadas, piroxênio, olivina. Então nesse sistema de mais alta temperatura, essa adição de elementos vai cristalizar principalmente esses minerais. Se observa também a adição de cálcio (Ca), magnésio (Mg) e gás carbônico (CO2) ao fluido que é decorrente dessas transformações mineralógicas, de acordo com as reações apresentadas anteriormente. Não se observa a mineralização de sulfetos, então não há mineralização sulfetada associada a essa fase progradacional mas a scheelita, que é um wolframato de cálcio, já pode ser observada nos sistemas escarnitos com tungstênio e a magnetita pode começar a se formar nessa fase progradacional nos escarnitos mineralizados com ferro. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski E as feições observadas nessa fase progradacional é uma mistura, uma superposição de wollastonita com diferentes porções de granada e piroxênio (a - esquerda). Se tem a intrusão de um andesito porfirítico (a - direita) e a presença do escarnito na fáceis granatifera, em contato com a intrusão andesítica, e nas fotos abaixo (a e b) se vê também amostras da porção (a) que é rica em granada, de coloração avermelhada (que é característica do contexto proximal). Quando o sistema começa a perder temperatura, começa haver invasão meteórica, reações de reequilíbrio em função da menor temperatura e da maior condição de hidratação, se observa a substituição desses minerais de mais alta temperatura como a granada, piroxênio, olivina por minerais como epidoto, clorita, calcita, plagioclásio onde eles substituem principalmente a granada, a tremolita e actinolita juntamente com o talco são os principais substitutos dos piroxênios e das olivinas. Nessa fase em que há uma mistura de fluido, uma mudança no quimismo hidrotermal, uma redução de temperatura é que se observa a principal fase de mineralização associadas aos sistemas escarníticos. Se nota a precipitação de sulfetos, de metais base nas porções mais distais do depósito e também a precipitação de metais preciosos como prata (Ag) e ouro (Au) associados a esses sistemas. Os tipos de feições encontradas são as de vestígios das fases de mais alta temperatura sendo substituídos por minerais mais hidratados e de baixa temperatura. Na imagem C se observa uma porção central rica em granada margeada por essa fase de alteração retrogradacional formada principalmente por epidoto (coloração esverdeada). Observe que nessa fase progradacional é que se observa a cristalização dos sulfetos. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski A figura abaixo representa como esse sistema escarnítico se comporta quando se tem encaixantes com composições distintas, onde na base da figura se tem um arenito, seguido por uma intercalação de lâminas de folhelho e calcários, seguido por uma camada de folhelho, depois um arenito carbonático, em cima com uma camada de calcário, seguido por uma camada de folhelho e selado por um derrame de basalto. A intrusão corta todo os litotipos, e o que se observa é a ação térmica da recristalização em função do termometamorfismo desses arenitos gerando quartzitos com uma granulometria mais grossa, então até onde vai a extensão dessa influência termal da intrusão e se observa uma recristalização, e então terá feições, geometrias, minerais com contatos poligonizados indicando o processo de recristalização térmica (como na foto ao lado), mas não se observa influencia do sistema hidrotermal, uma transformação mineralógica desse quartzito em função da presença dos fluidos hidrotermais. Na camada de cima onde há intercalação de folhelho e carbonato, se observa feições como a foto ao lado, então se encontra geometrias tabulares associados a esses estratos carbonosos enquanto nas camadas de folhelho e arenito não se observa uma transformação mineralógica significativa. Na porção mais proximal pode se observar a formação de escarnitos maciços, e nas porções intermediarias, distais se observa essa geometria e mineralogia diferenciada em função da reatividade das diferentes camadas. Na camada de folhelho não se observa uma interação muito grande, mesmo porque não há uma circulação muito grande dos fluidos nessas camadas, e se encontra os hornfels então pode haver alguma modificação mineralógica mas pouco extensa e expressiva. Na camada sobreposta se tem um arenito impuro, que contêm um pouco de carbonato associado. Se percebe que a extensão do sistema escarnítico é bem restrita, e se limita basicamente a porção proximal com algumas geometrias do tipo venular, bolsões associadas a porções mais ricas em carbonato dentro da camada de arenito impuro. Na camada de calcário e observa a formação mais expressiva desse sistema escarnítico, se observa uma gradação da mineralogia, na porção proximal se nota uma mineralogia muito mais rica em granada do que em piroxênio, conforme se afasta da intrusão há uma predominância maior do piroxênio em detrimento da granada e no fronte de reação do fluido hidrotermal com esses mármores (pois já passaram pelo processo de recristalização) se nota a presença de wollastonita. Do ponto de vista de zoneamento setem muito mais granada no sistema proximal, uma predominância do piroxênio na porção intermediaria e uma predominância da wollastonita nos sistemas mais distais na transição para o mármore associada a recristalização, que é chamado de fronte de marmorização. Na porção mais proximal se tem um caráter mais oxidante e na porção mais distal um caráter mais redutor desse ambiente escarnítico e isso se reflete na coloração dos minerais, onde as granadas no sistema proximal são ricas em Fe3+ e apresentam coloração avermelhada, e em porções mais distais essas granadas tendem a ter tonalidades cada vez mais claras assim como os piroxênios. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Esta outra figura mostra uma outra zonalidade dos escarnitos e é possível observar melhor essa zonalidade. Há o fronte de marmorização, a direita da figura, que é onde a rocha passou pelo processo de recristalização térmica associada a primeira fase. Na zona proximal se tem a predominância de granada, na zona intermediaria a predominância de piroxênio e na zona distal a wollastonita. Na fase retrograda se observa uma presença mais marcantes dos anfibólios associados a substituição dos minerais da zona proximal (zona 1) e intermediaria e uma predominância maior da calcita, clorita e epidoto principalmente associada a essa porção mais distal da zona intermediaria (zona 2) e da zona mais distal (zona 3). Da mesma forma as diferentes mineralizações nos sistemas escarníticos também vai respeitar uma certa zonalidade, onde nos sistemas mineralizados com cobre os sulfetos vão estar sobrepostos a mineralogia da zona proximal, se observa uma predominância da calcopirita e adentrando a zona intermediaria se observa um percentual equivalente de calcopirita e de pirita ou pirrotita, mostrando que há uma redução de fugacidade em direção à zona mais distal. Nos sistemas mineralizados com chumbo e zinco os minerais vão se cristalizar de forma distal e muitas vezes fora da zona hidrotermal desse sistema escarnítico, então se observa principalmente filões de esfarelita e galena, que vão ser observadas principalmente no fronte de marmorização pois são sulfetos associados a cristalização em mais baixa temperatura, então quando os fluidos finais deixam o sistema escarnítico aí então vão precipitar esses sulfetos fora, em outros domínios. Nos sistemas escarníticos com volfrâmio, a scheelita começa a se cristalizar nas fases tardias dessa região proximal associada a essa zona de alteração progradacional mas maior volume de mineralização esta associado a zona intermediaria, associada a fase retrogradacional do sistema. E os escarnitos mineralizados com ferro, a magnetita também começa a se formar nas fases finais dessa fase progradacional e ela vai ser observada em toda a extensão do deposito. A mudança da coloração da granada se deve a mudança na condição de oxidação onde há uma fugacidade de oxigênio maior nas proximidades da intrusão e uma condição cada vez mais redutora nas porções distais, então há uma mudança na proporção granada-piroxênio e há uma mudança na coloração dos dois minerais em função da substituição do ferro trivalente na estrutura desses minerais pela presença do ferro bivalente. As granadas nos endoescarnitos costumam ser vermelhas, bem intensas. Nos escarnitos proximais também são de coloração avermelhada, e conforme vão se afastando da intrusão esses minerais vão adquirindo colorações cada vez mais claras, denotando a mudança de condição de oxidação em função da distancia da intrusão. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Do ponto de vista metalogenético assim como nos sistemas pórfiros e do tipo greisen, se tem os metais diretamente relacionados ao magma. Então os fluidos de origem magmática são responsáveis pelo aporte dos metais que vão mineralizar esses sistemas escarníticos. Então o potencial metalogenético do sistema escarnítico está diretamente direcionada ao potencial metalogenético do magma. Então magmas de condição oxidante serão portadores de cobre (Cu), magmas de composição mais rica em ferro (Fe) serão portadores principalmente de ouro (Au) e também de ferro e magmas de condições mais redutoras, mais diferenciados e ricos em sílica serão portadores de mineralizações de elementos incompatíveis, principalmente tungstênio e estanho. A concentração de ferro e de metais alcalinos e alcalinos terrosos também influencia no potencial metalogenético dos depósitos escarníticos mas porque influencia na composição dos sistemas magmáticos. Se observa que há uma variação na distribuição dos elementos de interesse econômico. Então os sistemas escarníticos mineralizados com cobre são os mais oxidados, e os sistemas mineralizados com ouro, molibdênio (Mo), volfrâmio (W) são aqueles de contexto mais reduzido. E para sintetizar as informações, foi feito o quadro abaixo com os principais elementos de interesse econômico que são explotados nos sistemas escarníticos. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski E em quais ambientes geotectônicos se observa a formação dos sistemas escarníticos? Nos mais variados. Pode se observar os sistemas escarníticos associados a um magmatismo orogênico. Então nos ambientes de rifte intracontinental se tem magmas de natureza alcalina que pode formar depósitos do tipo greisen de estanho e também de tungstênio, e pode se observar os escarnitos relacionados a esses sistemas greisen. No caso da tectônica compressiva, nos ambientes de arcos de ilha magmatismo de natureza mais máfica, a possibilidade de sistemas pórfiros mineralizados exclusivamente com ouro ou com ouro e secundariamente com cobre e nesse contexto é possível observar a formação de sistemas escarníticos associado aos pórfiros mineralizados com ouro. No ambiente de arco magmático continental onde se tem magmatismo cálcio alcalino e um ambiente com condições especificas para a formação dos sistemas pórfiros mineralizados com cobre e secundariamente com molibdênio, se observa a formação de sistemas escarníticos nesse contexto de magmatismo de arco continental. E nos ambientes de colisão continental se observa também os sistemas escarníticos associados aos magmas de derivação sedimentar e que tem potencial para formação de depositos de estanho e tungstênio principalmente. Há uma restrição da profundidade, então os sistemas escarníticos não são muito comuns em ambientes profundo da crosta, então em profundidades menores que 12 km associados a essas intrusões peraluminosas se observa a formação dos equivalentes escarníticos, desde que haja encaixantes de composição carbonática. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Processos metalogenéticos relacionados ao Nas primeiras aulas foi visto as figuras abaixo, falando sobre a diferença entre os processos geológicos e os processos metalogenéticos. Há três tipos de grupos de rochas: ígneas, sedimentares e metamórficas mas quando se vê os processos metalogenéticos se tem três grupos de processos: processos ígneos, hidrotermais e os sedimentares/intempéricos. As reações que se processam dentro do sistemas metamórficos são reações que se processam em um sistema fechado, então em teoria não há adição nem perda de elementos nesses processos de transformação mineralógica, é apenas um reequilíbrio frente as novas condições de pressão e temperatura. O que se observa em relação a formação de depósitos minerais é que há sistemas abertos, então mesmo os sistemas onde há fluidos de origem metamórfica gerando depósitos minerais, como é o caso dos depósitos de ouro, o fluido temorigem metamórfica mas ele não circula em um sistema fechado. Esses veios vão se formar e meio a rochas metamórficas porque se está falando de processos colisionais. Então ambiente profundo na crosta onde se terá um ambiente metamórfico mas os fluidos que estão gerando os depósitos, eles migram ao longo das descontinuidades da crosta mas num sistema aberta, então ele sai do ambiente metamórfico e vai mineralizar outras porções da crosta. Então ele gera um sistema hidrotermal de origem metamórfica. Quando se fala em metamorfismo de fundo oceânico, na verdade ocorre um metassomatismo de fundo oceânico pois há interação da água do mar com as rochas da crosta oceânica, então é um sistema aberto. Quando se fala em metamorfismo de contato há uma ação termal, uma recristalização das rochas em função da energia térmica dissipada pela intrusão mas a geração dos depósitos está relacionada ao processo de metassomatismo de contato. Apenas o metamorfismo regional vai formar depósitos minerais, e então se tem principalmente depósitos de: • Grafita • Silicatos de alumínio • Mármores e quartzitos • Rochas ornamentais Quando se fala em metamorfismo progressivo ou metamorfismo de regional se refere a ambiente colisional, pode ser ambiente de subducção ou pode ser de colisão continental propriamente dito. Então o grau metamórfico, a intensidade dessas transformações mineralógicas estão diretamente relacionadas com o contexto que esses processos Metamorfismo progressivo e à deformação Metamorfismo progressivo 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ocorrem e eles vão impactar diretamente no grau metamórfico que é determinado em função da presença de minerais índices. Então se há clorita, anfibólio, granada, silimanita, estaurolita, consegue se determinar faixas de temperatura e pressão nas quais aquela paragênese foi formada, nas quais aquela rocha foi formada. Então se tem diferentes tipos de rochas metamórficas, ardósias, filitos, xistos, gnaisses, granulitos (rocha formada por minerais essencialmente anidros piroxênios, granadas, de alta temperatura e pressão). E após os gnaisses se tem a fusão parcial dessas rochas, gerando então os migmatitos que já estão na transição entre a geração do magma, nesse ambiente metamórfico e o ambiente magmático. Há um zoneamento vertical na formação dessas rochas, desses diferentes litotipos, desses minerais índices dos graus metamórficos mais elevados eles estão relacionados ao aumento da profundidade, da temperatura nesses níveis crustais mais profundos. Então se tem nas regiões de subducção de placa isotermas que vão delimitar as zonas de graus metamórficos distintos, então em um ambiente mais superficial se observa a geração de ardósias, filitos, e conforme se aprofunda na crosta é que aparecem as rochas com texturas e minerais índices de condições de metamorfismo mais intensas. Nos ambientes crustais bastante profundos vai haver a geração das rochas granulíticas, onde haverá os minerais mais desidratados e é justamente esse processo de desidratação relacionado ao aumento da temperatura e pressão desses sistemas colisionais e orogênicos, é que vão gerar o fluidos mineralizadores das zonas de cisalhamento. Há dois locais importantes para a geração de fluido nesse ambiente colisional, na transição entre a fácies xisto verde e a fácies anfibolito e na transição entre a fácies anfibolito e a fáceis granulito, em profundidades maiores que 30 km onde se tem uma devolatilização importante das rochas, gerando bastante agua na transição entre a fácies xisto verde para a fácies anfibolito em função da desidratação mineral e gerar uma elevada quantidade de CO2 nessa transição entre a fácies anfibolito e a fácies granulito. E é justamente a interação desses fluidos com as descontinuidades da crosta é que vão permitir a formação dos depósitos de ouro orogênico. Esses são os mesmos fluidos que vão diminuir a temperatura de fusão da base da crosta e que vão gerar os magmas que vão dar origem aos sistemas pórfiros e epitermais. Então é nesse contexto orogênico que se observa a formação desses sistemas pórfiros, greisen e ouro orogênico, tudo vai depender da interação desses fluidos com a crosta e a presença de descontinuidades que permitam esses fluidos da desidratação/devolatilização das rochas ascenda e precipite veios mineralizados. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Sobre o fluxo dos fluidos na crosta, onde nesse ambiente crustal mais profundo se tem uma pressão litostática muito alta, então não há uma porosidade muito elevada nas rochas e é justamente a presença dessas descontinuidades crustais profundas que vão permitir que esses fluidos da desidratação ascendam e venham a formar depósitos minerais nas regiões crustais menos profundas. Não se está no domínio da crosta onde há a circulação dos fluidos por processos convectivos, então são fluidos que migram unidirecionalmente em um fluxo ascendente. Fluidos associados a uma permeabilidade hidráulica nessas rochas e não há uma permeabilidade intrínseca. Conforme aumenta a pressão litostática, a tendencia é que a porosidade das rochas diminua significativamente. Há uma relação direta com a transição de fácies entre fáceis xisto verde e fácies anfibolito onde se deixa de observar a presença do xisto para se observar a presença de rochas mais cristalinas, com uma porosidade menor associada. Depósitos minerais associados ao metamorfismo ⇒ Grafita A grafita é um mineral que difere do diamante, ambos são constituídos essencialmente por átomos de carbono, mas se diferem em seu arranjo cristalográfico e o tipo de ligação química entre esses átomos de carbono. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski O diamante é formado essencialmente por ligações covalentes, com arranjo tridimensional de átomos de carbonos ligados por ligações covalentes. E no caso da grafita, se tem os átomos de carbono em um arranjo em folhas, então são estruturas hexagonais formadas por ligação covalente, mas entre essas folhas se observa ligações do tipo van der waals, que são ligações fracas, então isso faz com que a grafita tenha uma clivagem basal excepcional assim como as micas. Em função dessa estrutura ela apresenta uma inercia química muito grande, em função da composição, é um material de baixíssima dureza então ele tem uma aplicação como lubrificante solido. É um mineral que tem uma boa condutividade elétrica e a associação dessas três propriedades (inercia química, condutividade e resistência térmica (funde a quase 4.000 ºC)), então faz com ele tenha uma aplicabilidade bastante ampla na indústria de refratários, lubrificantes, confecção de eletrodos de carbono, fibras de carbono, usado também para retardamento dos neutros em reatrores etc. O que nos interessa mesmo é o processo de formação da grafita. É um processo extremamente simples, depende da presença de matéria orgânica e do metamorfismo dessa matéria. A depender das condições de metamorfismo se observa diferentes tipos de grafita, podendo ter: ⤷ Grafita amorfa ou criptocristalina, que é a grafita que vai ser gerada em condições de metamorfismo de grau baixo a médio, com temperaturas inferiores a 400ºC. ⤷ Grafita Flaky, que é uma grafita lamelar, bem cristalizada, com alto teor de pureza, próximo de até 80% de carbono na estrutura. Se forma em condições de temperatura mais elevadas, acima de 400ºC, com metamorfismo de fácies anfibolito com transição para fácies granulito. ⤷ Grafita Lump, que é a grafita com maior grau de cristalinidade, com maior teor de pureza, com mais de 90% de carbono em sua estrutura. Essa grafita é mais rara que as demais e acredita-se queela seja formada a partir do metamorfismo do petróleo. A grafita geralmente ocorre na forma de veios, principalmente a lamelar e flake que tem maior pureza e qualidade. A diferença entre elas está no grau de cristalinidade, como pode se ver na imagem abaixo ⇒ Silicatos de alumínio (Al2SiO5) Há três silicatos de alumínio, três polimorfos. A cianita, silimanita e a andalusita. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Esses minerais se formam em condições de metamorfismo médio a alto e cada um desses minerais é indicativo de condições de pressão e temperatura distintas. A cianita é formada em condição de menor temperatura e pressões variadas. A andalusita é formada em condições de pressão baixa a moderadas para faixa de temperaturas intermediarias. E a silimanita formada em condições de alta temperatura e faixa de pressão bastante variada. A andalusita é a mais comum das três e esses polimorfos dos silicatos de alumínio são transformados termicamente em mulita que é um material refratário. A geometria desses depósitos depende das características do protólito, então a distribuição do alumínio dentro das camadas do protólito em caso de rochas metassedimentares, e vai depender também da deformação que acompanha esse metamorfismo então podem ser depósitos estratiformes, com geometrias complexas etc. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Processos metalogenéticos relacionados à Os depósitos de ouro orogênico também conhecidos como lode gold. Antes esses depósitos eram chamados de filonianos, e na verdade a denominação de depósito filoniano se refere a uma geometria, uma morfologia do depósito mas quando não se tinha muito conhecimento da gênese desses depósitos todos os depósitos filonianos eram entendidos como pertencente ao mesmo modelo. Quando as pesquisas avançaram e foram desenvolvidos equipamentos e técnicas analíticas que permitiam entender melhor a origem dos fluidos, foi necessário separar. Então se tem depósitos filonianos associados a sistemas magmáticos e associados a sistemas orogênicos. Os lode gold podem ocorrer em níveis crustais distintos e correspondem atualmente a cerca de 1/3 do ouro minerado. São filões que tem podem ter alguns metros de largura, e que podem se estender a alguns quilômetros e que geralmente tem teores bem expressivos, com ouro livre, prata livre associada. Os depósitos de ouro foram separados em níveis, e esses depósitos são encontrados em ambientes epizonal, mesozonal e hipozonal, relacionado com a profundidade, onde os epi são os mais rasos, os mesos são intermediários e os hipos são os mais profundos. Como diferenciar o ouro da pirita, por exemplo. Caso haja um veio com pirita fina disseminada e o ouro também, a diferença é que quando se muda o ângulo de incidência da luz sobre a amostra o ouro nunca para de brilhar já a pirita precisa que a luz incida sobre a facie do mineral para que apresente o brilho metálico. Os depósitos de ouro orogênico, são depósitos de ouro – obviamente – que se associam a rochas deformadas e metamorfizadas e que vão concorrer nas adjacências de grandes zonas de descontinuidades crustais. Os fluidos mineralizadores têm origem no metamorfismo progressivo, então necessariamente o metamorfismo precisa ser um metamorfismo regional e precisa atingir pelo menos fácies anfibolito e preferencialmente fácies granulito pois é justamente nessas transições que se observa a geração dos fluidos importantes para esse sistema metalogenético. Quando se fala sobre a formação nas adjacências de grandes descontinuidades crustais se fala de depósitos que não estão diretamente associados a zona de falha principal mas que vão estar nas estruturas secundarias, até mesmo terciarias, a uma distância de até 5 km da estrutura. Essas descontinuidades crustais são importantes, pois são fluidos que tem origem no metamorfismo progressivo, se observa a formação de um grande volume de fluidos na transição de fácies xisto verde para a fácies anfibolito. Deformação – ouro orogênico 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Nesse ambiente de domínio da fácies xisto verde se tem o domínio rúptil da crosta, onde as temperaturas vão até próximo de 400ºC então se tem feldspatos, minerais máficos se comportando de forma essencialmente rúptil. Então no ambiente rúptil da crosta se tem a manutenção de porosidade preexistente e se observa a criação de porosidade secundária associada entre outros fatores, a deformação dessas rochas. Quando adentramos o domínio dúctil da crosta, se entra no domínio da fácies anfibolito, com temperaturas superiores a 450ºC então se observa uma deformação plástica do feldspato, com o quartzo e o feldspato se deformando plasticamente. Se observa então uma deformação essencialmente dúctil dos materiais presentes. Na fácies anfibolito inferior, com temperaturas superiores a 700ºC os piroxênios começam a mostrar uma deformação mais plástica e quanto mais profundo na crosta maior a tendencia de deformação dúctil de todos os minerais presentes na crosta. Na fácies granulito inclusive as olivinas se transformam de forma plástica. Então se observa uma transformação mineralógica, da fácies xisto verde onde já um predomínio das cloritas, muscovita, biotita, esses minerais são desidratados, são convertidos em anfibólios, tremolita, hornblenda a depender da profundidade de temperatura e na transição da fácies a anfibolito para granulito esses minerais são novamente desidratados e são convertidos a piroxênios, olivinas que são minerais essencialmente anidros e também ocorre a devolatilização do carbonato e esses fluidos vão se misturando. Quando um fluido percola ao longo das descontinuidades, falhas profundas, ele experimenta várias mudanças de natureza físico-química que vão acarretar a precipitação do minério. Circulação de fluidos na crosta É importante relembrar que quando os fluidos ascendem nessa transição do ambiente dúctil para o ambiente rúptil da crosta se observa uma mudança drástica de temperatura, onde se sai de temperaturas da ordem de 500-600ºC para temperaturas inferiores a 400ºC. Esses fluidos experimentam uma redução brusca de temperatura e vão experimentar também uma redução brusca e pressão, uma mudança no caráter dessa rochas. Além da mudança brusca estrutural associada as rochas do domínio rúptil e do domínio dúctil da crosta 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski se tem a ocorrência de terremotos, a dissipação rápida de energia associada a essas falhas crustais profundas e isso também causa uma mudança brusca de pressão que pode acarretar na desmistura desse fluido que era homogêneo e essa mudança brusca diminui a solubilidade do CO2 e então se observa a precipitação dos minerais hidrotermais e do minério associado ao fluido. Como esse processo é recorrente, então se observa sucessivos eventos de ruptura desse plano de falha e o preenchimento sucessivo de minerais e um zoneamento associado ao preenchimento do veio. As características desses fluidos mineralizadores desse sistemas orogênicos são aquocarbonicos aonde a água vem da desidratação mineral e o carbono vem da devolatilização mineral. Pode se observar também uma certa quantidade de enxofre associado a esse fluido quando as rochas que estão sendo transformadas nessas mudanças de fácies metamórficas quando tiverem enxofre em sua estrutura. Os fluidos têm temperaturas que variam entre 200- 450ºC principalmente os fluidos mineralizadores na fácies xisto verde que é o local onde se encontra com maior frequência a formação de minério porque justamente nesta transição de fácies se observa a queda bruscade pressão e temperatura e esses mecanismos fazem que o fluido precipite minério principalmente na zona rúptil da crosta, na fácies xisto verde. Esses fluidos podem ter de 5-20% de CO2 em sua constituições, podem apresentar metano (CH4) ou gás nitrogênio (N2), vai depender principalmente da presença da matéria nessas rochas que estão sendo metamorfizadas. O pH desses fluidos varia de neutro a levemente ácido, entre 5,5-7, e eles tem um caráter reduzido justamente em função do ambiente de metamorfismo onde se tem rochas sedimentares ricas em carbono, em matéria orgânica e que fazem com que esse ambiente de forma geral seja um ambiente com uma tendencia mais redutora do que oxidante. A salinidade desses fluidos podem apresentar teores de cloreto de sódio (NaCleq) bastante baixos, entre 3- 7% do volume do fluido. Então como o fluido transporta metais se ele tem salinidade baixa? Metais duros são transportados por ligantes duros e metais moles são transportados por ligantes moles, então o ouro, a prata, cadmio são metais moles e que serão transportados principalmente pelos íons hidrogeno sulfetos. Então se tem um fluido de baixa salinidade, não há abundância de íons cloreto mas pode haver nesse fluido enxofre que vai ser coletado durante o processo de metamorfismo de rochas que tem matéria orgânica, sulfetos, sulfatos que estão sendo recristalizados e o S é que vai fazer o transporte do ouro e da prata principalmente, e do mercúrio também. São os três metais observados nesses veios associados a zonas de cisalhamento. O ouro vai ser transportado principalmente por complexos bissulfetados (Au(HS)2) assim como a prata e o mercúrio vão ser transportados na forma de complexos tiossulfetados. No ponto de vista caracterização da origem desses fluidos através da análise de isótopos é possível determinar que eles não tem uma origem metamórfica tão pouco conata, bacinal. E por que não é possível afirmar que eles tem origem metamórfica? Pois a composição de isótopos de 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski oxigênio dos fluidos associados ao depósitos de ouro orogênico tem razões isotópicas de oxigênio que variam de +7 (conforme tabela abaixo) até mais ou menos 13, que é justamente a zona de sobreposição da água magmática em relação a composição isotópica da água metamórfica. Então são necessárias outras características além da composição isotópica para determinar a origem desses fluidos. A salinidade e o caráter redutor desses fluidos, a composição é de extrema importância. O que acontece com esses fluidos quando eles circulam na crosta? Eles vão experimentar mudanças de temperatura, pressão, principalmente mas mudanças de fácies, e como isso influencia na estabilidade desses fluidos? No gráfico acima se tem a solubilidade do gás carbônico em água, em diferentes condições de pressão. Nota-se que a solubilidade de CO2 em água a 1 atm é extremamente baixa e quando se passa de 75 atm esse solubilidade passa a ser muito mais expressiva. Então, com o aumento da pressão há um aumento da solubilidade do CO2 nos fluidos, e o inverso também é valido. Quando o fluido experimenta uma mudança de diminuição de pressão esse CO2 é desmisturado do fluido e se observa precipitação. Da mesma forma a mudança de temperatura influencia na estabilidade do fluido, onde no gráfico se tem temperaturas baixas então não é possível observar a estabilidade do CO2 em relação a temperatura porque os sistemas apresentam temperaturas maiores do mostra no gráfico, mas a mudança de temperatura também está associada a precipitação do minério. A salinidade influencia na precipitação do minério? Sim. 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Os fluidos com menor salinidade tem uma capacidade maior de solubilização de CO2 do que fluidos mais salinos. Não é atoa que esses fluidos gerados no metamorfismo são aquocarbonicos, pois são menos salinos, assim solubilizando mais CO2, um elemento que está disponível nesse ambiente de desidratação, devolatilização mineral. Então se houver uma mudança na salinidade desse fluido, por exemplo uma mistura do fluido com um fluido salino ou a interceptação de uma camada evaporítica, que mude a salinidade do fluido, a uma diminuição de solubilidade de CO2 então desestabiliza o fluido e ocorre precipitação mineral. O pH e o Eh também influenciam de forma significativa na estabilidade desses fluidos, lembrando que os íons hidrogeno sulfeto (Au(HS)2) e os sulfetos vão ser gerados a partir da dissociação do ácido sulfídrico que é um ácido fraco que se dissocia em mais de uma etapa, então quanto mais acido for o fluido maior é a tendencia do retorno da estrutura do ácido sulfídrico, menor a disponibilidade dos íons capazes de transportar metais, assim como a fugacidade de oxigênio também vai interferir, então se tem a manutenção dos íons hidrogeno sulfetos em ambiente redutor, a partir do momento que esse ambiente for oxidado esse íon vai se transformar em íon sulfato e esse íon tem um capacidade de transporte de ouro praticamente muito pequena. Então se houver oxidação do ambiente se observa precipitação mineral. Se houver mudança do pH no ambiente se observa a precipitação mineral, principalmente havendo acidificação desse ambiente ou uma alcalinização excessiva. Nesses sistemas há mineralizações em diferentes profundidades, a maior parte dos depósitos se concentra na região mesozonal, entre 3-15km de profundidade dentro do domínio da fácies xisto verde. Pode se observar alguns depósitos hipozonais, nesse ambiente associado a fácies anfibolito entretanto eles são menos comuns. A um zoneamento metálico, ouro e arsênio são mais comuns no ambiente hipozonal. Ouro e arsênio (As) ou ouro e antimônio (Sb) vão ser observadas a depender da profundidade dentro da fácies xisto verde. E no ambiente epizonal praticamente não se observa depósitos de ouro orogênico mas pode se observar a 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski presença de veios mineralizados com mercúrio ou mercúrio e antimônio. Então se tem um zoneamento metálico a depender da profundidade em que esses depósitos se formam. Controle Estrutural Esses depósitos apresentam um controle tectônico importante e a geometria dos veios vai depender do nível estrutural em que eles se encontram, das características das encaixantes e também do estilo de deformação. Então pode ter veios associados a zonas de cisalhamento, pode haver veios extensionais associados a ambiente de falha, pode haver veios associados dentro do contexto de cisalhamento associado aos sítios de abertura. Então é fazer uma analise estrutural, determinar a posição dos tensores, fazer a análise dos sítios de abertura pois é justamente nesses sítios que preferencialmente se encontra minério. Quando se pensa no controle estrutural, é importante lembrar que o estilo da tectônica mudou ao longo do tempo geológico, onde no arqueano, no proterozoico se tinha uma crosta muito mais quente, uma dinâmica muito mais intensa dessas deformações, gerações e consumos de placas tectônicas que começa a mudar a partir do mesoproterozoico e se estabelece do neoproterozoico em diante e então se percebe no registro geológico a ocorrência recorrente desses ciclos de Wilson. Se observa uma diferença significativa nos depósitos orogênicos do Arqueano e Paleoproterozóico em relação ao depósitos Fanerozoicos. E qual a diferença que se observa? Condicionantes dos depósitos Os depósitos de ouro orogênico do arqueano e do paleoproterozóico estão associados aos terrenos do tipo Greenstone Belts que nada mais são os ambientes orogênicos do arqueano e paleoproterozóico.As mineralizações vão estar hospedadas em sequencias vulcânicas, intrusões subvulcânicas, nas formações ferríferas bandadas (BIF), todas as sequencias metamorfizadas em fácies xisto verde preferencialmente. São rochas principalmente vulcânicas e formações ferríferas que vão hospedar essa mineralização. Os depósitos de ouro orogênico do Fanerozoico eles estarão associados a arcos magmáticos, as zonas de subducção principalmente neste ambiente continental e nas zonas de colisão continental. Os depósitos vão estar hospedados principalmente em sequencias metassedimentares clásticas. Então os depósitos de ouro orogênico que são encontrados nas sequencias o tipo Greenstone Belts estão associados justamente ao processo de cratonização dos terrenos antigos por isso esses 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski depósitos estão preservados. Já os depósitos Fanerozoicos mostram no registro geológico sequencias sedimentares importantes que geralmente estão na região mais superficial da crosta e que vão atuar como principais encaixantes dessas zonas de cisalhamento dos depósitos de ouro orogênico. Há um número muito menor de depósitos associados a rochas ígneas, tanto subvulcânicas quanto vulcânicas. ⇒ Veios Depósitos do tipo venular. São chamados de Mother- lode, que são os veios principais. Essa terminologia é aplicada para veios mineralizados com ouro e prata. Há uma sequência de veios extensionais associados a essa zona principal. Isso acontece em função da dinâmica do cisalhamento, em função do posicionamento dos tensores a geração da falha principal e então há sítios de abertura que podem estar deformados. Geralmente esses veios são preenchidos por quartzo ou quartzo e carbonato e se observa halos de alteração hidrotermal pouco expressivos nesse sistema. Pode haver veios subparalelos, que são denominados como Sheeted-veis. E pode haver veios paralelos ao acamamento. O controle das mineralizações é principalmente estrutural mas secundariamente pode se observar uma influência da estratigrafia na formação desses depósitos quando há sequencias metassedimentares, mas mesmo quando há o controle estratigráfico pode observar veios cortando essa estratigrafia ou controlando a circulação de fluido que geram mineralizações. Estilo dos depósitos 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski ⇒ Brechas Depósitos associados a brechas, tectônica e de natureza hidráulica (apesar de serem menos comuns). O processo de desmistura das fases dentro dos fluidos também pode gerar algum fraturamento mas isso vai ser observado principalmente nos níveis crustais mais rasos, onde o comportamento é essencialmente rúptil. ⇒ Substituições É um estilo bastante comum e é associado exclusivamente aos depósitos de ouro orogênico do paleoproterozóico e do arqueano que são os depósitos formados por substituição nas formações ferríferas bandadas (BIF). O que acontece é que nos BIFs há uma alternância entre lâmina e camadas ricas em sílica e camadas ricas em ferro. Há um fluido que transporta ouro nos complexos tiossulfetados, o ferro tem afinidade com o enxofre maior que o ouro, então quando o fluido encontra uma camada rica em ferro ele larga o ouro para pegar o ferro e precipita na forma de pirita ou de arsenopirita e o ouro é precipitado na forma metálica. No ponto de vista mineralogia se tem como principais minerais de ganga o quartzo e o carbonato, são típicos dessas mineralogias de veios nesse ambiente orogênico. Pode observar em menor proporção muscovita, clorita, turmalina e scheelita, e a presença desses outros elementos vai depender do contexto em que o fluido foi gerado e as rochas que estão sendo permeadas por esse fluido. Mineralogia 2022 Geologia Econômica I UFPR Geologia Milena Coraleski Nesse ambiente de ouro orogênico há baixo percentual de sulfeto, entre 5-10% no volume dos veios e nos halos de alteração se observa sulfetos. A mineralogia dos minerais opacos e dos minerais de alteração esta diretamente relacionada com a profundidade que os veios ocorrem pois há condições de T e P diferentes. Então não se espera encontrar minerais estáveis apenas na fácies xisto verde e anfibolito. A mineralogia dos veios é compatível com o ambiente metamórfico em que os veios se formaram. Na fáceis anfibolito se observa hornblenda, diopsídio etc. Na fáceis xisto verde se observa clorita, biotita, carbonatos etc. Os minerais opacos vão depender da condição de oxidação e redução do ambiente. Então na fácies xisto verde em condições um pouco menos reduzidas pode se observar a presença de hematita, magnetita e rutilo. Quando as condições forem um pouco mais redutoras se observa o predomínio da pirita. Já na fácies anfibolito predominam condições mais reduzidas, então o mineral de ferro presente vai ser a ilmenita e o principal sulfeto presente vai ser a pirrotita em lugar da pirita. A arsenopirita é um mineral bem comum nesses veios. Do ponto de vista estilo, se observa as brechas no ambiente mais rúptil da crosta. Os veios que vão ocorrer desde a fácies xisto verde até a fáceis anfibolito, veios laminados tem uma tendencia maior de serem observados na fácies anfibolitos assim como as disseminações de ouro também são mais comuns nessas regiões de grau metamórfico mais elevado. O zoneamento hidrotermal não é muito importante. Se observa halos de alteração que tem dimensões centimétricas até algumas dezenas de metros mas não é um zoneamento importante. Geralmente se observa quartzo ou quartzo e carbonato na constituição do veio. É possível observar carbonato e clorita e sericita ou clorita somente a depender a composição do fluido e como ele interage com a encaixantes.