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1
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
PESQUISA EM EDUCAÇÃO 1
SABRINA MACIEL FERNANDES DE ALMEIDA
PRÉ-PROJETO DE PESQUISA
Brasília - DF
2020.1
2
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
PESQUISA EM EDUCAÇÃO 1
Sabrina Maciel Fernandes de Almeida
Altas Habilidades na educação inclusiva: crianças com AH/SD
realmente possuem necessidades educacionais especiais?
Pré-projeto de pesquisa apresentado
como trabalho final da disciplina
Pesquisa em Educação 1 (cód.
TEF0103), sob a orientação do Prof.
Dr. Hélio José Santos Maia.
Brasília – DF
2020.1
3
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO – TEMA E ESTADO DA ARTE 4
2. JUSTIFICATIVA 7
3. OBJETIVOS 8
3.1 GERAL 8
3.2 ESPECÍFICOS 8
4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 8
5. CRONOGRAMA 9
REFERÊNCIAS 10
4
1. INTRODUÇÃO – TEMA E ESTADO DA ARTE
Quando se trata de Altas Habilidades e Superdotação, é possível citar
diversas teorias e definições. O conceito formal adotado no Brasil é legalmente
estabelecido pelo Ministério da Educação e pela Política Nacional de Educação
Especial na perspectiva da Educação Inclusiva e considera com altas
habilidades/superdotação os alunos que:
“Demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas,
isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade
e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na
aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse" (BRASIL,
2008, p. 15)
Além disso, o conceito é amparado por diversas outras resoluções e documentos
oficiais. A temática também é foco de investigação para diversos pesquisadores, e
dentre os estudos mais relevantes na área, estão o Modelo das Inteligências
Múltiplas de Gardner, que aponta para a existência de, no mínimo oito inteligências e
os Três Anéis de Renzulli, que muito contribui na literatura por argumentar sobre os
comportamentos de superdotação e diferenciar seus tipos, além da Teoria da
Desintegração Positiva de Dabrowski e o modelo WICS de Sternberg. É válido
salientar que esses estudos, embora apresentem modelos diferentes, não se
excluem, ao contrário, eles se completam.
Como expõe Dóra Simonetti, sócia fundadora da ABAHSD, as Altas
Habilidades podem ser discutidas a partir de diversas perspectivas, como por meio
da neurobiologia que dá maior valor aos mecanismos cerebrais; da psicopedagogia
social que busca respostas em fatores psicológicos, educacionais e sociológicos ou
então da genética, que por sua vez, ressalta o papel dos genes. A autora também
argumenta sobre as dificuldades em escolher um único conceito de superdotação,
mas alerta que elas “não se relacionam somente nas diferentes concepções sobre o
conceito em si mesmo mas, no que pode ser incluído no seu âmbito.”
Embora já existam vários suportes conceituais e literaturas disponíveis, o
sobressalto é, na maior parte das vezes, mérito da concepção originada no seio do
imaginário popular e a soberania é do desconhecimento, que apoiados em visões
5
místicas, configuram o indivíduo superdotado como gênio perfeito e completamente
independente.
A identificação de AH/SD também pode ser um problema ao mesmo tempo
que pode desembocar em outras dificuldades, pois às vezes essa condição não é
percebida e na maior parte, quando notada, não é levada em consideração ou o
posicionamento adotado é aquele cercado pelos mitos. Outras vezes, quando
considerada, causa dúvidas sobre formas de contribuições positivas.
“Em muitas ocasiões, os professores percebem em sala de aula
alunos com “diferenças” e que, por não terem maiores informações
sobre eles, não sabem como ensiná-los e possuem muitas dúvidas
em como ajudar esses estudantes em suas classes. Esses são alunos
que, geralmente, concluem suas tarefas antes do previsto; fazem
muitas perguntas e/ou contribuições; têm ideias diferenciadas e, por
vezes, podem fugir do assunto abordado, dificultando o andamento
da aula conforme o planejado pelo professor; podem corrigir o que o
professor escreve ou fala; são muito curiosos; apresentam trabalhos
ou propostas muito criativas, dentre outras atitudes que, na maioria
das vezes, são associadas a problemas de comportamento. Ou,
então, podem ser os mais quietinhos da sala, mas que sofrem com
os apelidos que lhes dão, tais como: “nerd”, gênio da lâmpada
quebrada, Einstein de araque, e muitos outros.” (PAVÃO; PAVÃO;
NEGRINI, 2018, p.95)
Embora não carreguem diagnósticos como outras crianças integradas na educação
inclusiva, esses alunos também possuem necessidades educacionais especiais e
podem ser melhor reconhecidos através de alguns indicadores, mesmo que os
processos de reconhecimento das AH/SD não contemplem a totalidade das suas
potencialidades e supervalorizem determinadas áreas.
Dessa forma, deve-se especial atenção à prática profissional educativa, que
por vezes também é afetada e se reflete em concepções vagas desprendidas de
referenciais teóricos, dificultando o reconhecimento das próprias Altas Habilidades e
superdotação, bem como das crianças e alunos que as apresentam, resultando na
carência de atendimento especial para as suas necessidades e prejudicando o apoio
pedagógico para elas, que consequentemente lesa seus desenvolvimentos.
6
2. JUSTIFICATIVA
As Altas Habilidades estão cercadas por representações e noções
equivocadas se analisadas a partir do senso comum. Há uma visão mística que
maquia as necessidades educacionais especiais de alunos superdotados e os
transformam em seres inalcançáveis, auto suficientes em todas as suas tarefas,
livres de obrigações e limites e isentos de afeto. Mesmo cientificamente também
existem controvérsias e problemáticas pautadas em recursos prescritivos e
academicistas.
Em contraponto a essa ideia e “teoria da genialidade”, a realidade desses
sujeitos é muito diferente e diversa mesmo dentro do grupo de pessoas com essa
mesma condição. A superdotação não necessariamente indica que o indivíduo
possui QI acima da média, QI acima da média em todas as áreas ou que eles
saibam tudo sobre todas as coisas. Como expõe Pavão, Pavão e Negrini (2018) a
partir dos estudos de Renzulli, “Compreende-se que esses sujeitos podem não
possuir um desempenho elevado em todos os momentos da sua vida, mas
em épocas diferentes e situações semelhantes” e que “existem também outras
características que se evidenciam nesses sujeitos, de acordo com suas áreas de
interesse e com seu tipo de superdotação.’’
É necessário que esse muro construído pela falta de informações e o
preconceito, no real sentido de ideia pré concebida sobre a temática, sejam
derrubados, uma vez que esses fatores cooperam para o engessamento das
perspectivas e consequente carência de contribuições para essa esfera no âmbito
da educação inclusiva. É preciso dar visibilidade às Altas Habilidades e divulgar
conhecimentos sobre elas e sobre sua importância para então torná-las
verdadeiramente viáveis.
Além de informar e viabilizar, o presente estudo é realizado a fim de
acrescentar colaborações na identificação de AH/SD, atendimento das necessidades
educacionais e pedagógicas, acolhimento e compreensão de crianças com Altas
Habilidades e assim, permitir o estímulo e continuidade de suas habilidades, uma
vez que experiências educacionais bem planejadas e condições específicas para
7
esses indivíduos, além de serem direitos, podem influenciar e modificar
positivamente o comportamento da superdotação.
3. OBJETIVOS
3.1 GERAL
O objetivo geral deste projeto é informar sobre as Altas Habilidades e dar a
ela visibilidade, expondo a importância de sua inserção e permanência na
educação inclusiva pelas suas necessidades especiais.
3.2 ESPECÍFICOS
● Compreender o conceito de Altas Habilidades
● Desmistificar a superdotação
● Expor a necessidade de educação especial e inclusiva e apoio pedagógico
para crianças superdotadas.
● Salientar a importância do estímulo
4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para o desenvolvimento deste projeto, durantetodo o processo será utilizado
um único enfoque: o qualitativo. A pesquisa será realizada a partir de revisões de
literatura a fim de esclarecer a temática, desenvolvê-la e apresentar argumentos
teóricos que sustentam e legitimam a necessidade de apoio pedagógico para
crianças superdotadas e laudadas com Altas Habilidades.
A metodologia qualitativa permitirá a construção dos dados e elaboração dos
significados da presente investigação. Dessa forma, além da análise bibliográfica,
este projeto contará com uma seção dedicada a entrevistas semiestruturadas, que a
8
princípio, devido ao contexto pandêmico, serão realizadas de maneira on-line
através de formulários criados com a própria plataforma Google e orientadas de
maneira síncrona, com videochamada pela plataforma Google Meet ao mesmo
tempo do preenchimento do questionário, sendo possível assim, responder dúvidas
e coletar mais dados subjetivos.
Os convidados para as entrevistas serão a) jovens superdotados que já
passaram pela experiência de educação especial para Altas Habilidades e b)
crianças superdotadas que estão em plena experiência de educação para Altas
Habilidades. Os dois grupos de entrevistados contarão com indivíduos residentes do
DF e que participaram do acolhimento nas salas de recursos de Planaltina - DF nas
diversas áreas de habilidades, a fim de colocar a pesquisa mais próxima da
realidade da autora, que também já foi aluna de altas habilidades nas mesmas
condições.
O objetivo das entrevistas é evidenciar na prática e a partir de histórias reais
como a educação inclusiva e o reconhecimento são importantes no processo de
desenvolvimento dos jovens e apresentar como as crianças se sentem dentro de
espaços educacionais que acolhem e reconhecem suas necessidades educativas
em comparação a como se sentiam antes de serem reconhecidas e em ambientes
nos quais ainda não têm reconhecimento.
Tanto a primeira etapa de pesquisa literária quanto a segunda, com
participação de casos reais, permitirão evidenciar as mudanças e contribuições
positivas da identificação; estímulo e acolhimento de alunos com Altas Habilidades e
superdotação e a importância do reconhecimento de suas necessidades
educacionais especiais dentro da educação inclusiva.
5. CRONOGRAMA
Etapas
Ano X
1º sem. 2º sem.
9
1. Revisão bibliográfica X X X X
2. Definição da pesquisa/objetivos X X
3. Elaboração do instrumento de
pesquisa/Coleta de dados
X X
4. Análise e discussão dos dados X X
5. Elaboração do relatório para de
pesquisa
X X X
6. Exame de Qualificação X
7. Redação final do TC X X
8. Defesa X
8. Redação de artigos X X
REFERÊNCIAS
Artigo de autoria de Dóra Cortat Simonetti - ABAHSD - Associação Brasileira para
Altas Habilidades/Superdotados. Disponível em:
<https://www.fcee.sc.gov.br/informacoes/biblioteca-virtual/educacao-especial/naah-s
>. Acesso em: 05 mai. 2021
BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política
Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília:
MEC/SEESP, 2008.
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Básica. Resolução
CNE/CEB 2/2001. Diário Oficial da União,
Brasília, 14 de setembro de 2001. Seção 1E, p. 39-40.
https://www.fcee.sc.gov.br/informacoes/biblioteca-virtual/educacao-especial/naah-s
10
DUARTE, Mirelle Melo Ferreira (org.). Cartilha sobre Altas
Habilidades/Superdotação. 2020. Colaboração: Área Técnica da FADERS –
Acessibilidade e Inclusão. Disponível em:
<http://www.faders.rs.gov.br/cartilha-sobre-altas-habilidades-superdotacao>. Acesso
em: 25 mar. 2021.
HAZIN, Izabel; GOMES, Ediana; MAGALHÃES, Priscila. Inclusão no ensino superior:
Desafios e possibilidades. São Paulo: PAMQEG, 2019. Disponível
em:
<https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://arquivos.info.ufrn.br/
arquivos/20191022076c536389599bf7f457aabe6/cartilha_altas_habilidadesF.pdf&ve
d=2ahUKEwiJw9rSvsrwAhUWCrkGHXuMCnIQFjAFegQIFBAC&usg=AOvVaw3194M
2VtrMCw9QhbiCPssw>. Acesso em: 01 mai. 2021.
PAVÃO, Ana Cláudia Oliveira; PAVÃO, Sílvia Maria de Oliveira; NEGRINI, Tatiane
(org.). Atendimento educacional especializado para altas habilidades/superdotação.
Santa Maria: Facos-Ufsm, 2018. 232 p. Disponível em:
<https://repositorio.ufsm.br/handle/1/18762>. Acesso em: 1 abr. 2021.
Virgolim, Angela M. R. Altas habilidade/superdotação: encorajando potenciais /
Angela M. R. Virgolim - Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação
Especial, 2007.
70 p.: il. color. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/33071>
http://www.faders.rs.gov.br/cartilha-sobre-altas-habilidades-superdotacao
http://arquivos.info.ufrn.br/arquivos/20191022076c536389599bf7f457aabe6/cartilha_altas_habilidadesF.pdf
http://arquivos.info.ufrn.br/arquivos/20191022076c536389599bf7f457aabe6/cartilha_altas_habilidadesF.pdf
http://arquivos.info.ufrn.br/arquivos/20191022076c536389599bf7f457aabe6/cartilha_altas_habilidadesF.pdf
http://arquivos.info.ufrn.br/arquivos/20191022076c536389599bf7f457aabe6/cartilha_altas_habilidadesF.pdf
https://repositorio.ufsm.br/handle/1/18762
http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/33071

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