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CONTABILIDADE AMBIENTAL 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Lizete Farias 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula vamos estudar o conceito de Contabilidade Ambiental e as 
relações com temas importantes que circunscrevem as questões ambientais 
modernas. A partir disso, vamos compreender o que são impactos ambientais e 
quais são as consequências desse termo em relação principalmente à 
formulação de políticas públicas no Brasil e no mundo. 
A partir disso, vamos entender o que significa um SGA ou Sistema de 
Gestão Ambiental e quais são os padrões de certificação que se relacionam a 
esse sistema. Dentro desse contexto, veremos, afinal, do que se trata a 
valoração ambiental, assunto polêmico que divide opiniões dentro do mundo das 
organizações socioambientais. Esse assunto, inclusive, será objeto do nosso 
fórum de discussão. 
Na prática, vamos nos deparar com uma entrevista sobre relatos 
integrados, assunto importante e relacionado ao novo campo que é a 
Contabilidade Ambiental. 
Vamos iniciar nossos estudos, então, a partir de um recorte sobre um 
determinado período da nossa história, o século XIX, mostrando os números da 
devastação em termos de bens naturais. O olhar clínico sobre os números, ou 
seja, o olhar contábil permite hoje uma importante reflexão sobre os caminhos 
do meio ambiente em nosso país. 
CONTEXTUALIZANDO 
Leia o trecho a seguir, extraído da obra Saudades do matão: 
Além das atividades agrícolas e da ocupação urbana a exploração da madeira respondia 
de modo decisivo pela devastação da floresta. A partir da vinda da Família Real para o Brasil, no 
século XIX, passou a haver grande empenho do Governo Imperial em estimular a exportação de 
madeiras nobres para a Europa. Na Exposição de Vienna, realizada em 1873, o Brasil recebeu 
dois grandes diplomas de honra: um pelo café (plantado sobre os escombros da floresta), e outro 
dado à Companhia Florestal Paranaense, que levou para a exposição, entre outras amostras, 
um pinheiro (Araucaria angustifolia) de 33 metros de altura, que foi remontado com a ajuda de 
grandes andaimes (da mesma madeira). O objetivo dessa exposição era mostrar aos europeus 
as vantagens desta extraordinária árvore que produzia tábuas, nós, frutos, resina e carvão. [...] 
A análise dos registros das exportações brasileiras ao final do século XIX fornece informações 
importantes para dimensionar as consequências do extrativismo predatório. Em 1870, por 
exemplo, as exportações de ervas medicinais, jacarandá, erva-mate, castanha-do-pará e 
borracha competiam com o cacau, o café, o açúcar, o algodão e o fumo. [...] Em alguns casos, o 
uso de plantas brasileiras chegava a extremos. O Brasil abastecia a Europa, por exemplo, de 
plantas para curtume – plantas taníferas – que consumiam quantidades significativas de 
vegetação de mangue, além de árvores como barbatimão, angico vermelho, cambuí, monjolo, 
 
 
3 
canafístula, ingá-graúna, garapiapunha, maricá. Nesse período, avaliava-se a retirada anual de 
mangue branco, apenas na região de São Paulo, em aproximadamente 3,7 milhões de metros 
quadrados. [...] Entre as madeiras, merecem destaque, no período de 1901/1905, as exportações 
de jacarandá (15.295 toneladas), pau-brasil (1337 toneladas) e cedro (1895 toneladas), mas o 
pinheiro-do-paraná ultrapassa largamente esses números. No mesmo período, foram exportados 
cerca de 150 mil pranchões e 212 mil tábuas de pinho. [...] A fauna tampouco foi poupada desse 
voraz mercado... Nas exportações, o óleo de baleia tinha destaque. Entre 1898 e 1903, apenas 
em Caravelas, no sul da Bahia, foram capturadas 508 baleias para extração de óleo... Nos 
primeiros anos do século XX, o Brasil exportou 2750 quilos de casco de tartaruga para Alemanha, 
Inglaterra e França. Apenas no ano de 1905, foram exportados 118 mil quilos de peles de veados 
e 85 quilos de plumas de garça, selecionadas entre as mais bonitas da cabeça do macho [...]. 
Essa forma de exploração sutil e interessante deixou profundas marcas na floresta e facilitou a 
degradação e a devastação absoluta das áreas naturais, cada vez mais alteradas e modificadas 
pela ação humana. (Adaptado de Urban, 1998, p. 37-58). 
TEMA 1 – ABORDAGENS INICIAIS SOBRE CONTABILIDADE AMBIENTAL 
A partir do texto do livro da jornalista Teresa Urban, uma das grandes 
ambientalistas brasileiras, que mostra um pequeno recorte de um registro 
histórico sobre a riqueza de bens naturais que foram retirados de nosso país 
desde os primórdios da nossa colonização, começamos a delinear o conceito de 
contabilidade ambiental e a sua importância para o momento atual não somente 
no Brasil, mas no mundo inteiro. Sem o trabalho paciente de alguém com os 
olhos de “contador”, o resgate do tamanho da devastação dos nossos bens 
naturais não teria acontecido. 
Segundo Antonovcz (2014), a contabilidade ambiental tem por objetivo 
registrar e controlar as atividades realizadas por uma empresa a partir de uma 
visão menos abrangente em termos dos aspectos monetários e mais analítica 
em relação aos efeitos das atividades incorridas ou a incorrer que possam 
resultar em consequências para o ambiente, além da forma como isso será 
refletido pela contabilidade em seus ativos, passivos ou mesmo em seu 
patrimônio líquido. 
Na linha de pensamento da autora, podemos dizer então que se trata de 
uma nova forma de olhar para os chamados custos ambientais, os quais, por sua 
vez, vão alterar as formas de desempenho e tomadas de decisão. Nesse caso, 
é importante ressaltar que não se trata de estudar fenômenos biológicos, 
geográficos, geológicos, entre outros, que competem às ciências específicas, 
mas, sim, como cada um dos elementos que os compõem influencia e recebe 
influências em razão das movimentações patrimoniais das organizações (Garcia; 
Behr, 2012). 
 
 
4 
Segundo Carvalho (2012), o marco teórico de inserção da contabilidade 
nas premissas do desenvolvimento sustentável está contido no Capítulo 8, letra 
d, da Agenda 21, que descreve sobre a “[...] necessidade de que países e 
organismos internacionais desenvolvam um sistema de contabilidade que 
integre as questões sociais, ambientais e econômicas” (Carvalho, 2011, citado 
por Ferreira, 2003, p. 14). 
Em 1992, o International Accounting and Reporting Issues, elaborado em 
ONU (Carvalho, 2012), teve como recomendação final que “contabilidade 
ambiental, tanto em nível macro como microeconômico, deveria incluir na 
identificação de uma atividade sua mensuração e comunicá-la ou evidenciá-la”, 
ou seja, que todos os custos, inclusive os ambientais, fossem inseridos. 
O marco teórico no âmbito brasileiro referente à contabilidade ambiental 
foi na edição da NPA 11 – Balanço e Ecologia pelo Instituto Brasileiro de 
Contabilidade (IBRACON), em 1996, que estabeleceu os princípios entre a 
contabilidade e o meio ambiente, recomendando, desta forma, a adoção de 
registros específicos dos Ativos e Passivos Ambientais. 
No entanto, somente em 1998, segundo Tinoco e Kraemer (2004), com a 
finalização do relatório financeiro e contábil sobre o Passivo e custos ambientais 
pelo Grupo de Trabalho Intergovernamental das Nações Unidas de Especialistas 
em Padrões Internacionais de Contabilidade e Relatórios (United Nations 
Intergovernmental Working Groups of Expert on International Standards of 
Accounting and Reporting – ISAR), a contabilidade ambiental passa a ser vista 
como um novo ramo da ciência contábil. 
Portanto, de forma mais clara, a finalidade da contabilidade ambiental é 
definida como a medição e quantificação dos recursos ambientais utilizados 
pelas empresas, bem como os impactos causados por estas sobre esses 
recursos e sobre o ambiente de maneira geral (Ribeiro; Lisboa, 2000). Nesse 
caso, por recursos ambientais, do ponto de vista contábil, são entendidos os 
recursos passíveis da exploração da empresa (matéria-prima, energia, 
alimentação,ar puro, paisagem, aterros para depósito de resíduos, etc.) 
Em vigor desde 1º de janeiro de 2006, a NBC T 15, aprovada pelo 
Conselho Federal de Contabilidade (CFC), por meio da Resolução n. 1.003, de 
19 de agosto de 2004, estabelece “procedimentos para evidenciação de 
informações” de natureza social e ambiental, com o objetivo de demonstrar à 
sociedade a participação e a responsabilidade social da entidade, devendo ser 
 
 
5 
divulgada como informação complementar às demonstrações contábeis, não se 
confundindo com as notas explicativas. Desta forma, a Contabilidade Ambiental 
passa a identificar, avaliar e evidenciar eventos econômico-financeiros 
relacionados com questões ambientais e assume a função de instrumento de 
comunicação entre empresas e sociedade. 
Segundo Tinoco e Kraemer (2011), a contabilidade ambiental proporciona 
vantagens de identificar e alocar custos ambientais, permitindo controlar a 
redução de recursos, gerando demonstrativos sobre a eficiência e a viabilidade 
econômica das ações ambientais e, consequentemente, a contínua correção de 
ações ambientais. 
Os autores ainda discriminam as vantagens da utilização da contabilidade 
ambiental para as empresas: identificar, estimar, alocar, administrar e reduzir os 
custos, particularmente os tipos ambientais, de maneira que as decisões de 
investimentos estejam baseadas na relação custo-benefício; controlar o uso e os 
fluxos da energia e dos materiais, possibilitando sua redução; proporcionar a 
informação mais precisa e detalhada para suportar o estabelecimento e a 
participação em programas voluntários, com custos efetivos para melhorar o 
desempenho ambiental, em ações ambientais; informação mais precisa e mais 
detalhada para a medida e o relatório de desempenho ambiental, melhorando, 
assim, a imagem da companhia junto aos stakeholders, como clientes, 
comunidades locais, empregados, Governo e fornecedores, contribuindo para a 
sociedade em geral. 
Além disso, como retribuição à sociedade, a contabilidade ambiental 
permite o uso mais eficiente de recursos naturais, incluindo a energia e a água; 
reduz os custos externos relacionados à poluição da indústria, como os custos 
da monitoração ambiental; fornece informações ambientais para a tomada de 
decisão; fornece a informação ambiental e industrial do desempenho, que pode 
ser usada no contexto mais extenso das avaliações do desempenho e de 
condições ambientais nas economias e em regiões geográficas. 
TEMA 2 – SURGIMENTO DO IMPACTO AMBIENTAL E CONSEQUÊNCIAS 
AMBIENTAIS 
Agora que tivemos uma breve contextualização acerca do conceito de 
contabilidade ambiental e de sua importância, vamos olhar outro relevante tema, 
 
 
6 
diretamente relacionado com o que foi exposto, que se trata do surgimento dos 
impactos ambientais e Das consequências em relação a nossa sociedade. 
Nesse contexto, podemos delimitar um marco inicial, a Revolução 
Industrial, a partir de 1762, que trouxe gradativamente o incremento das 
atividades industriais e o advento de novas tecnologias para atender ao grau 
crescente das necessidades humanas. Mas essas atividades não contribuíram 
somente para a evolução da humanidade, uma vez que são apontadas 
atualmente como uma das maiores causas da probabilidade da falência do 
sistema natural do planeta. Segundo Steffen et al. (2015), essas transformações 
são comparadas às forças geofísicas que dão forma ao planeta Terra, tamanho 
o impacto com que agem na modificação dos sistemas naturais. Dentro desse 
aspecto, é importante relembrar que o conceito de impacto ambiental é a 
alteração da qualidade ambiental de um determinado ambiente natural 
(Sánchez, 2008). 
Foi no mundo pós-grandes guerras, já no século XX, particularmente a 
partir da Segunda Guerra Mundial, com a necessidade da reorganização das 
economias e o surgimento dos parques industriais das grandes potências da 
época, que o extrativismo dos recursos naturais do planeta aumentou 
significativamente. É em função desse processo intenso de extração, que 
acabou também por gerar grandes tragédias ambientais, que as discussões 
sobre impactos ambientais pertinentes ao modelo econômico vigente 
começaram a surgir no início da década de 1960, juntamente com outros 
movimentos de contracultura, como os pacifistas, os hippies e as feministas. 
Historicamente, os eventos abaixo, dentre tantos outros, foram 
acontecimentos marcantes no século XX que induziram as grandes 
organizações a buscarem medidas de prevenção aos altos impactos ambientais 
causados ao meio ambiente: 
• Londres, 1952, ocorrência do big smoke ou grande nevoeiro, originado 
pela queima descontrolada de carvão e lenha durante cinco dias do mês 
de dezembro, que deixou cerca de 15 mil pessoas doentes e ultrapassou 
7 mil mortes. 
• Japão, 1956, mais precisamente na Baía de Minamata, descobriu-se que 
a indústria a Chiso Corporation despejava rotineiramente seus rejeitos nas 
águas que banhavam o município de Minamata, contaminando a vida 
marinha e, consequentemente, as pessoas que viviam da pesca. Foi 
 
 
7 
denominado então Desastre de Minamata o envenenamento de centenas 
de pessoas por mercúrio, o que ocasionou a morte de mais de 900 delas. 
A companhia, até hoje, ainda se vê envolta em batalhas judiciais 
indenizatórias. 
• Em 1962, Rachel Carson lançou, nos Estados Unidos, o livro Silent spring, 
relatando os perigos causados pelos inseticidas e pesticidas na planície 
do rio Mississipi. O nome do livro, Primavera silenciosa, é uma alusão aos 
ambientes em silêncio do rio causados pela morte da fauna. 
Ao encontro, portanto, desses desafios com que a sociedade global 
começou a ter que lidar, ocorreu o desenvolvimento da AIA – Avaliação de 
Impacto Ambiental, a partir de estudos realizados nos Estados Unidos da 
América (EUA), com a promulgação do National Environmental Policy Act – 
NEPA (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente) em 1969 (Rocha et al., 2005; 
Sánchez, 2008). Esse instrumento passou a exigir para todos os 
empreendimentos com potencial poluidor o cumprimento de requisitos em 
relação ao meio ambiente para que fossem certificados quanto a sua viabilidade 
ambiental (Rocha et al., 2005). 
Nesse sentido, a lei da política nacional do meio ambiente norte-
americana acabou servindo como modelo para novas legislações ambientais 
similares em todo o mundo, sendo considerada como um marco em termos de 
regulamentação ambiental no mundo (Rocha et al., 2005; Sánchez, 2008). 
O passo seguinte, ou seja, a institucionalização da AIA em nível mundial 
concretizou-se a partir dos resultados obtidos após a Conferência das Nações 
Unidas Sobre Meio Ambiente de 1972, na Suécia, na qual foi votado um conjunto 
de recomendações, dentre as quais um plano relativo à avaliação do meio 
ambiente mundial (Sánchez, 2008). 
Em 1992, na Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Meio 
Ambiente e Desenvolvimento de 1992, no Rio de Janeiro, a ECO/92 ou Rio/92, 
a Avaliação de Impacto Ambiental se tornou um princípio ambiental 
consubstanciado em tratados internacionais (Princípio 17 da Declaração do 
Rio/92). 
A AIA foi formalmente introduzida no Brasil pela Política Nacional de Meio 
Ambiente, Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981, que elegeu, dentre as ações 
preventivas, a Avaliação de Impactos Ambientais e o licenciamento para a 
instalação de obras ou atividades potencialmente poluidoras. 
 
 
8 
De forma distinta aos países desenvolvidos que implantaram a AIA em 
resposta a pressões sociais e ao avanço da consciência ambientalista, no Estado 
brasileiro ela foi adotada devido à exigência dos organismos multilaterais de 
financiamento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e o 
Banco Mundial – BIRD (Sánchez, 2008). 
Seis anos mais tarde, as definições, as responsabilidades, os critérios 
básicos e as diretrizes gerais sobre a AIA foram disciplinados pela ResoluçãoConama 001/1986 (Assunção, 2010). 
TEMA 3 – SISTEMA GESTÃO AMBIENTAL 
Como já vimos, foi a partir da década de 1950 que os problemas 
ambientais em nível mundial começam a se tornar preocupantes, e, dentre os 
mais recentes, dos quais podemos acompanhar quase cotidianamente os 
efeitos, há um destaque para o aumento de temperatura da Terra, a destruição 
da camada de ozônio, o esgotamento acelerado dos recursos naturais, assim 
como a escassez hídrica. São desafios que têm pressionado as empresas a 
alterarem seus sistemas internos de gestão e, consequentemente, seus 
processos de produção no sentido de reduzir custos e adequar seus produtos às 
condições e necessidades desse novo tipo de mercado, que considera as 
questões ambientais mais urgentes. 
Uma estratégia ambiental adequada é expressa por uma política 
ambiental, ou seja, a forma de condução dos negócios de uma empresa no 
tocante aos aspectos ambientais. Esse é considerado o marco inicial para que 
as empresas integrem, portanto, esses aspectos ambientais às suas operações. 
Dentre as ferramentas para assegurar e atingir esses objetivos estão os 
Sistemas de Gestão Ambiental (SGAs), que ajudam a controlar e aperfeiçoar o 
desempenho ambiental de acordo com a política ambiental da empresa. 
No Brasil, a Resolução CONAMA n. 306, de 5 de julho de 2002, descreve 
que o SGA é que determinará a gestão ambiental, ou seja, a condução, a direção 
e o controle do uso dos recursos naturais, dos riscos ambientais e das emissões 
para o meio ambiente (MMA, 2002). 
Em termos empresariais, corroborando o que dissemos acima, o Sistema 
de Gestão Ambiental pode então ser definido como a gestão empresarial que se 
orienta para evitar, na medida do possível, problemas para o meio ambiente, 
com o objetivo de alcançar um desenvolvimento sustentável. 
 
 
9 
É importante ressaltar que o SGA está vinculado às normas elaboradas 
pelas instituições públicas, como as prefeituras, os governos estaduais e federal, 
acerca do meio ambiente, em que estão estabelecidos os limites aceitáveis de 
todos os atos que tenham potencial poluidor, por exemplo a emissão de 
substâncias tóxicas, a alocação de resíduos, o despejo de substâncias em rios 
e mananciais etc. 
De acordo com Seifert (2010), um sistema de gestão ambiental integra 
em seu conteúdo, além da política ambiental, o planejamento ambiental, bem 
como o gerenciamento desse conjunto. A política ambiental será implantada a 
partir de um estudo prévio, ou seja, a partir do planejamento ambiental, o qual 
visa à adequação do uso, do controle e da proteção do ambiente às aspirações 
sociais e/ou governamentais expressas formal ou informalmente na política 
ambiental. Esse planejamento é feito por uma coordenação que compatibilizará 
e fará as devidas articulações para a implantação de projetos que necessitem de 
intervenções estruturais e não estruturais. 
Ao final desse processo é que podemos dizer que terá início o 
gerenciamento ambiental, ou o conjunto de ações destinado a regular uso, 
controle, proteção e conservação do meio ambiente e a avaliar a conformidade 
da situação corrente com os princípios doutrinários estabelecidos pela política 
ambiental. 
Segundo Barbieri (2007), a abordagem ambiental na empresa pode ser 
de três tipos, e o primeiro está relacionado ao controle da poluição, de acordo 
com o qual os esforços organizacionais são orientados para o cumprimento da 
legislação ambiental e o atendimento das pressões da comunidade, mostrando-
se marcadamente reativo, vinculado, pois, exclusivamente à área produtiva. 
Num segundo momento, que pode ser também concomitante ao processo 
anterior, a internalização das questões ambientais na empresa pode ser 
preventiva, na qual a organização objetiva utilizar eficientemente os insumos, e 
a preocupação ambiental começa a se expandir para toda a organização. 
Num último estágio, a empresa então assume as variáveis ambientais 
relativas ao seu negócio como integrantes da sua estratégia, disseminando 
esses valores para toda a organização. 
O processo de implantação e adoção de um SGA não é tarefa fácil entre 
as empresas, e nesse sentido apontamos as dificuldades mais frequentes: 
• Controle ambiental nas saídas; 
 
 
10 
• Integração do controle ambiental nas práticas e nos processos industriais; 
• Integração do controle ambiental na gestão administrativa. 
De qualquer forma, é inegável que implantação do SGA é fator de 
vantagem competitiva que propicia às empresas melhor sua imagem no 
mercado, aspecto bastante importante pelo aumento da consciência ambiental 
e das exigências dos consumidores. 
TEMA 4 – PADRÕES AMBIENTAIS DO SISTEMA DE GESTÃO 
Os primeiros sistemas de gestão ambiental foram desenvolvidos na 
década de 1980, depois dos graves acidentes ecológicos de nível mundial que 
continuaram acontecendo por toda a segunda metade do século XX até os dias 
de hoje. Ffora Londres, em 1952, e Minamata, em 1956, outros graves desastres 
deixaram seus registros na história ambiental do planeta. Em dezembro de 1984, 
a cidade de Bhopal, na Índia, foi contaminada por 40 km2 de gás tóxico; em abril 
de 1986 ocorreu o maior acidente nuclear, na Usina Nuclear de Chernobil, 
localizada na Ucrânia, então parte da União Soviética; e no Brasil, em 1987, em 
Goiânia, um aparelho de radioterapia contendo cloreto de césio foi roubado de 
uma clínica. Além disso, tivemos o desastre de Mariana, em 2015, em Minas 
Gerais. 
Desastres de grandes proporções, em que muitas pessoas morreram, 
foram necessários para que as grandes corporações tomassem consciência dos 
riscos de suas atividades e adotassem normas mais rígidas com relação ao uso 
e à exploração do meio ambiente para prevenir eventuais calamidades. É neste 
contexto histórico que na década de 1990 surge a série de normas ISO 14000, 
como um marco de auxílio na busca da implantação de uma gestão ambiental 
efetiva nas empresas, sendo aplicada às atividades industriais, extrativas, 
agroindustriais e de serviços. A certificação ambiental a que se refere a ISO em 
questão pode ser relacionada às instalações da empresa, às linhas de produção 
e também aos produtos desde que satisfaçam os padrões de qualidade 
ambiental. 
As normas ISO 14001 estão relacionadas à padronização de processos, 
e não ao estabelecimento de parâmetros de desempenho ambiental, os quais, 
por sua vez, são atribuíveis unicamente à legislação ambiental, por isso 
 
 
11 
apresentam os elementos necessários à construção de um sistema, um SGA, 
que alcance as metas ambientais estabelecidas pela organização. 
A norma contém os seguintes direcionamentos: 
• Requisitos gerais; 
• Política ambiental; 
• Planejamento da implantação e operação; 
• Verificação e ação corretiva; 
• Análise crítica pela administração. 
Isso significa que devem ser identificados os aspectos do negócio da 
empresa que impactam o meio ambiente a partir da compreensão da legislação 
ambiental relevante à sua situação. O próximo passo é preparar objetivos para 
melhoria e um programa de gestão para atingi-los, com análises críticas 
regulares para melhoria contínua. 
Em termos de padrões de sistemas ambientais de gestão, a ISO 14001 é 
apenas um dos muitos instrumentos disponíveis que podem auxiliar as 
organizações a evoluir no que se refere às questões ambientais. Atualmente, as 
empresas têm buscado implantar os SIGs – Sistemas Integrados de Gestão que 
contemplam a integração dos processos de Qualidade com os de Gestão 
Ambiental e/ou com os de Segurança e Saúde no Trabalho, dependendo das 
características, atividades e necessidades da organização. 
Atuar com um sistema integrado de Gestão da Qualidade (ISO 9001), 
Gestão Ambiental (ISO 14001) e Gestão da Segurança e Saúde Ocupacional 
(OSHAS 18001) permite que a empresa conheça e controle grande parte dessas 
variáveis micro e macroambientais, além de ter condições de retroalimentaressas informações, tornando-se muito mais eficiente e competitiva do que seus 
concorrentes. 
Figura 1 – IMS – integrated management system (sistema integrado de gestão) 
 
Créditos: Boris15/Shutterstock. 
 
 
12 
A ISO 9001 – Sistema de Gestão da Qualidade é a norma que permite às 
organizações verificar a consistência de seus processos, medi-los e monitorá-
los com o objetivo de aumentar a sua competitividade e, com isso, assegurar a 
satisfação de seus clientes. O objetivo é prover confiança de que o fornecedor 
poderá gerar, de forma consistente e repetitiva, bens e serviços de acordo com 
o que o cliente especificou. 
A OHSAS 18001 – Sistema de Gestão de Saúde e Segurança 
Ocupacional é a norma que comprova que a empresa se preocupa com a saúde 
e a segurança de seus colaboradores, deixando claro para seus parceiros de 
negócios e autoridades locais que adotou um sistema de gestão voltado para 
saúde e segurança no trabalho. 
Muitas das empresas já estão incluindo a questão da responsabilidade 
social (SA 8000, ISO 16001, ISO 26000) no seu SGI: 
• NBR 16001: concebida com base nas três dimensões da sustentabilidade 
– econômica, social e ambiental – estabelecendo os requisitos para a 
implementação de um sistema de gestão de responsabilidade social 
(SGRS) passível de integração com outros sistemas de gestão. Um SGRS 
eficaz permite promover a cidadania, o desenvolvimento sustentável e a 
transparência das atividades da organização. A certificação na norma 
NBR 16001 possui acreditação do INMETRO. 
• ISO 26000: é uma guia sobre responsabilidade social que permite a 
orientação de organizações em diferentes culturas, sociedades e 
contextos. Aborda temas que englobam desde direitos humanos, práticas 
de trabalho, meio ambiente e governança até questões de implantação. 
Não é certificável ainda. 
• SA 8000: Social Accoutability 8000 (SA 8000) é a norma estrangeira de 
responsabilidade social mais conhecida (SAI, 2008). Tal norma, voluntária 
e certificável, enfoca as relações trabalhistas e certifica o desempenho 
das empresas em oito áreas com base nos direitos humanos postulados 
pela Organização Internacional do Trabalho (OIT): trabalho infantil, 
trabalho forçado, saúde e segurança, liberdade de associação e direito à 
negociação coletiva, discriminação, práticas disciplinares, horário de 
trabalho, sistemas de gestão, remuneração. 
 
 
13 
A diversidade de sistemas de certificações reforça as evidências dos 
imensos desafios ambientais que as empresas têm, e por isso estas devem 
buscar a melhoria contínua dos seus sistemas e processos, unindo a 
necessidade de proteção do meio ambiental à satisfação das expectativas dos 
clientes e consumidores. 
TEMA 5 – VALORAÇÃO ECONÔMICA DO MEIO AMBIENTE 
Até aqui, pudemos ter uma ideia da complexidade de elementos e fatos 
que vão se circunscrevendo ao campo da contabilidade ambiental. Dentre esses, 
mais um se soma, atingindo diretamente os profissionais dessa área e das 
ciências econômicas, de uma forma geral, relacionado à determinação do valor 
econômico de um recurso ambiental, ou seja, o modo de estimação do valor 
monetário deste em relação aos outros bens e serviços disponíveis na economia. 
Em relação a esse aspecto, percebemos que, durante muito tempo, a 
economia de mercado não considerou os impactos de suas atividades sobre o 
meio ambiente, dificultando a conexão entre sistemas ecológicos e o sistema 
econômico, impondo externalidades tanto ao ambiente como à sociedade 
(Costanza et al., 2012). 
O que acontece é que quando os custos da degradação ecológica não 
são pagos por aqueles que a geram, esses custos se tornam externalidades para 
o sistema econômico, ou seja, custos que afetam terceiros sem a devida 
compensação. 
Atividades econômicas têm sido desse modo, planejadas sem levar em 
conta essas externalidades ambientais, e, por conseguinte, nossos os padrões 
de consumo têm sido modelados sem a internalização dos custos ambientais, 
resultando num padrão de apropriação do capital natural em que os benefícios 
são providos para alguns usuários de recursos ambientais sem que estes 
compensem os custos incorridos por usuários excluídos. Dentro do conceito de 
desenvolvimento sustentável, portanto, há uma grande probabilidade de as 
gerações futuras arcarem negativamente com os altos custos que essas 
decisões podem implicar. 
Os argumentos acima, segundo diversos autores, justificariam a 
necessidade de valorar corretamente os bens e serviços do meio ambiente, 
entendidos no desempenho das funções: provisão de matérias-primas, 
capacidade de assimilação de resíduos, amenidade, estética e recreação, 
 
 
14 
biodiversidade e capacidade de suporte às diversas formas de vida no planeta 
Terra. Além disso, esses valores, apropriadamente estimados, devem ser 
integrados às decisões sobre a política econômica e ambiental e aos cálculos 
das contas econômicas nacionais. 
Várias abordagens têm sido desenvolvidas ao encontro dessas 
premissas, e dentre essas a que mais se sobressai é o pagamento por serviços 
ambientais (PSA), por ser uma forma de conversão de valores de mercado em 
programas de incentivo aos agentes locais que promovem serviços ambientais, 
mediante compensação dos impactos ambientais gerados pelas atividades 
humanas (Engle et al., 2008). 
Um esquema de PSA consiste no estabelecimento de transferências 
financeiras de beneficiários de serviços ambientais para os que, devido a 
práticas que conservam a natureza, fornecem esses serviços de forma segura e 
bem definida, por meio de uma transação voluntária (Wunder, 2006). Trata-se, 
portanto, de um instrumento econômico que busca recompensar todo aquele 
que, em virtude de suas práticas de conservação, proteção, manejo e 
recuperação de ecossistemas, mantém ou incrementa o fornecimento de um 
serviço ecossistêmico (FGBPN, 2017). O objetivo é criar uma estrutura de 
incentivo condizente com o princípio do protetor recebedor, que visa 
recompensar agentes que preservam recursos naturais como forma de estimular 
essas ações e compensar eventuais perdas financeiras decorrentes da não 
maximização da utilização presente dos recursos naturais, preservando-os para 
gerações futuras (Fiorillo, 2010). 
Outra abordagem refere-se ao Protocolo de Quioto, tratado 
complementar à Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do 
Clima que entrou em vigor em 2005 e constitui-se num marco para a definição 
de instrumentos de incentivo econômico, estimulando a criação de mercados 
para serviços ambientais. 
Nesse cenário, a precificação de carbono nada mais é do que atribuir um 
custo aos impactos gerados pelo aumento de gases de efeito estufa na 
atmosfera (GEE), causado por queima de combustíveis fósseis e mudanças no 
uso da terra para a produção dos insumos, manufatura, distribuição e consumo 
desses produtos, modelo de produção e consumo que dá sinais de ruptura diante 
da maior ameaça de todos os tempos: o aquecimento global. 
 
 
15 
Hoje se discutem duas formas de precificação do carbono, que são os 
esquemas de comércio de emissões (cap and trade) e a tributação, que 
consistem em importantes incentivos, estimulando as empresas e as pessoas a 
reduzirem suas emissões à medida que tornam as atividades intensivas em 
emissões de carbono mais caras e as tecnologias limpas, mais acessíveis. 
Especificamente em relação a esse tema, você pode se aprofundar mais 
junto ao site do Ministério do Meio Ambiente, disponível em: 
<http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/protocolo-de-
quioto>. 
É importante colocar que a precificação dos serviços ambientais é uma 
discussão bastante polêmica dentro das organizações socioambientais no 
território brasileiro. Muitas organizações e movimentos sociais têm uma visão 
crítica ao crescente processo de mercantilização da natureza e consideram 
serem expressas em falsas soluções as propostas paraos atuais problemas 
ambientais. 
Por isso, é necessário se atentar a um risco que vai além dos meros 
cálculos para o estabelecimento de preços aos serviços ecossistêmicos, ou seja, 
a possibilidade real de desconsiderar contextos sociais, culturais e ecológicos, 
demonstrando a discrepância entre o preço de algo e o seu real valor, 
principalmente quando falamos de comunidades pobres e indígenas que 
dependem da terra para sua subsistência. 
Nesse aspecto, a precificação pode se configurar como uma armadilha e 
exige, portanto, uma postura ética para que se obtenha justiça social aos menos 
favorecidos. 
TROCANDO IDEIAS 
De todos os temas que vimos em nossa aula, sem dúvida o mais polêmico 
é aquele relacionado à valoração do meio ambiente, porque expõe a fragilidade 
das nossas instituições em proteger o que temos de mais precioso, que são os 
bens naturais, que permitem a nossa vida no planeta. Segundo as críticas mais 
fortes, uma “contabilização verde” serviria, antes de tudo e principalmente, para 
atrasar a transição necessária que nos levaria para longe de um modelo de 
desenvolvimento baseado em crescimento econômico por meio da destruição da 
natureza. Uma discussão sobre esse tema também envolve um debate sobre o 
nosso modelo de desenvolvimento: será que é o mais adequado para um país 
 
 
16 
que tem um potencial tão grande em bens da natureza? Ainda segundo o que 
vimos em aula, os grandes desastres ambientais continuam acontecendo: 
lembremos a tragédia de Mariana e vemos que a mudança para um modelo mais 
inclusivo social e ambientalmente parece ainda bastante longe de acontecer. O 
que você acha? 
NA PRÁTICA 
Leia o texto abaixo, extraído do site do BNDES. 
Relato integrado: quais as vantagens? 
Nova tendência no âmbito dos relatos corporativos, o relato integrado foi criado pelo 
International Integrate Reporting Council (IIRC), uma aliança internacional de reguladores, 
investidores, empresas, organismos de normalização, profissionais de contabilidade e ONGs. 
Partindo do entendimento de que a comunicação sobre a criação de valor é o próximo passo 
na evolução dos relatórios corporativos, o IIRC lançou seu primeiro framework em 2013 e conta 
com a adesão de uma lista extensa de empresas em todos os continentes. 
Conversamos por e-mail com Richard Howitt, CEO do IIRC, que está no Brasil nesta semana, e 
Vania Borgerth, coordenadora da Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato 
Integrado, para entender melhor os benefícios dessa nova forma de relatar. 
Como você descreveria o relato integrado e suas principais vantagens? 
Richard Howitt: O relato integrado é uma abordagem nova, mais concisa e adequada às 
empresas na elaboração de relatórios corporativos. Não se trata apenas de elaborar os 
relatórios, mas de aprimorar o sistema de comunicação corporativo existente. Ele possibilita 
que a empresa use seus relatórios para incentivar a criação de valor em longo prazo para o 
próprio negócio, considerando o mundo interconectado e multicapital do qual as empresas hoje 
fazem parte. Também não é apenas sobre relatos, mas uma mudança de mentalidade em 
relação à estratégia de negócios. Relatos integrados são uma mudança radical no modelo de 
negócio fragmentado e baseado em silos. Eles estabelecem a ligação indispensável com o 
comportamento corporativo e a alocação de capital por meio daquilo que chamamos 
“pensamento integrado”. 
[...] Para a economia em geral, o relato integrado sustenta a estabilidade financeira, 
restaurando a confiança nos negócios e atingindo o desenvolvimento sustentável. Cada vez 
mais as empresas estão descobrindo que o relato integrado oferece uma compensação vital à 
influência da instabilidade financeira, da sobrecarga de informações e da visão de curto prazo 
na tomada de decisões do mercado de capitais que atingiu os mercados financeiros globais 
nos últimos anos. 
Basicamente, relatos integrados propiciam empresas melhores em um mundo melhor. Se 
qualquer indivíduo ou organização compartilha dessa visão para uma abordagem mais ampla e 
de longo prazo para o negócio, torna-se um “defensor” dos relatos integrados em sua empresa, 
organização ou país. Juntos tornaremos o relato integrado a norma padrão global. 
Qual a diferença entre relato integrado e relatório integrado? 
Vania Borgerth: "Relato" está relacionado ao processo de reportar, enquanto "relatório" está 
relacionado ao produto final dessa atividade. O relato integrado trata exatamente do processo, 
considerando que, se a integração não estiver presente no processo, o relatório final será 
apenas uma "colcha de retalhos", com informações sendo apresentadas de forma combinada, 
mas sem qualquer relação entre elas. 
O relato integrado é auditado? 
VB: Ainda não existe uma "norma" de auditoria de relato integrado. Por isso, atualmente, 
empresas de auditoria e/ou consultorias especializadas dão conforto do tipo negative 
assurance para relatórios de sustentabilidade. Isso significa que a entidade asseguradora está 
atestando que, no processo de sua análise, “não encontrou nada que venha a desabonar a 
informação fornecida". O regulador internacional, no entanto, está preparando uma norma de 
auditoria de relato integrado. No futuro, então, os auditores poderão emitir opinião sobre o 
relato integrado com o mesmo nível de rigor hoje verificado para os relatórios contábeis 
(Adaptado de BNDES, 2017). 
 
 
17 
A entrevista sobre relatos integrados mostra a nova tendência no âmbito 
dos relatos corporativos, que é de incentivar a criação de valor em longo prazo 
para o próprio negócio, considerando o mundo interconectado e multicapital do 
qual as empresas hoje fazem parte. Portanto, relatos integrados sustentam a 
estabilidade financeira, restaurando a confiança nos negócios, e buscam atingir 
o desenvolvimento sustentável. Para isso, é preciso compreender quais são os 
principais temas que afetam as empresas em termos socioambientais, o que se 
relaciona diretamente com os assuntos vistos em nossa aula. 
FINALIZANDO 
Nesta aula partimos da contextualização de um recorte do livro de Teresa 
Urban, importante personagem do movimento ambientalista, falecida em 2013. 
No livro, para suas reflexões, Teresa se utiliza de um gama de informações de 
natureza contábil. Com essa reflexão inicial, definimos o conceito de 
contabilidade ambiental, estabelecendo as relações com temas importantes que 
delimitam as questões ambientais modernas. 
Em seguida, olhamos alguns marcos importantes ao longo da nossa 
história para podermos compreender o que são impactos ambientais e quais as 
consequências desse termo em relação principalmente à formulação de políticas 
públicas no Brasil e no mundo. 
A partir disso, pudemos avançar em direção às questões de gestão das 
empresas em termos ambientais, aprendendo sobre o que é um SGA ou Sistema 
de Gestão Ambiental e quais são os padrões de certificação que se relacionam 
a esse sistema. 
Por fim, deparamo-nos com uma discussão bastante atual sobre a 
valoração ambiental, assunto polêmico que divide opiniões dentro do mundo das 
organizações socioambientais. 
Na prática, lemos com uma entrevista sobre relatos integrados, nova 
tendência no âmbito dos relatos corporativos. 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
ANTONOVZ, T. Contabilidade ambiental. Curitiba: InterSaberes, 2014. (Série 
Gestão Financeira). 
ASSUNÇÃO, F. N. A.; BURSZTYN, M. A. A.; ABREU, T. L. M. Participação social 
na avaliação de impacto ambiental: lições da experiência da Bahia, Confins, n. 
10, 2010. 
BARBIERI, J. C. Organizações inovadoras sustentáveis. In: BARBIERI, J. C.; 
SIMANTOB, M. A. (Org.). Organizações inovadoras sustentáveis: uma 
reflexão sobre o futuro das organizações. São Paulo: Atlas, 2007. 
BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social. Relato 
integrado: quais as vantagens? – Entrevista. Disponível em: 
<https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/conhecimento/noticias/noticia/r
elato-integrado>.Acesso em: 23 abr. 2019. 
COSTANZA, R. et al. The value of the world’s ecosystem services and natural 
capital. Nature, 387 (6630), p. 253-260, 1997. 
ENGLE, N. L. et al. Integrated and adaptive management of water resources: 
tensions, legacies, and the next best thing. Ecology and Society, v. 16(1), n. 1, 
2011. 
FIORILLO, C. A. P. Curso de direito ambiental brasileiro. São Paulo: Saraiva, 
2010. 
FGBPN – Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Guia para 
formulação de políticas públicas estaduais e municipais de pagamento por 
serviços ambientais. Curitiba: FGBPN, 2017. 
GARCIA, F. T.; BEHR, A. Análise da interação da contabilidade ambiental e o 
desenvolvimento sustentável nos engenhos de beneficiamento de arroz de Santa 
Maria/RS. REUNIR – Revista de Administração, Contabilidade e Sustentabilidade, 
v. 2, n. 2, Edição Especial Rio +20, p. 21-38, ago. 2012. 
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Resolução CONAMA n. 306, de 5 de julho 
de 2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 jul. 2002. Disponível em : 
<http://www2.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=306>. Acesso em: 
23 abr. 2019. 
 
 
19 
RIBEIRO, M. de S.; LISBOA, L. P. Passivo ambiental. Revista Brasileira de 
Contabilidade, Brasília, ano 29, n. 126, p. 08-19, nov./dez. 2000. 
ROCHA, E. C.; CANTO, J. L.; PEREIRA, P. C. Avaliação de impactos ambientais 
nos países do MERCOSUL. Ambiente & Sociedade, v. 8, n. 2, 2005. 
SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São 
Paulo: Oficina de Textos, 2008. 495 p. 
STEFFEN, W. et al. Planetary boundaries: guiding human development on a 
changing planet. Science (80-.), 347. Disponível em: 
<https://doi.org/10.1126/science.1259855>. Acesso em: 23 abr. 2019. 
URBAN, T. Saudades do matão. Curitiba: UFPR, 1998. p. 37-58. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTABILIDADE AMBIENTAL 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Lizete Farias 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Em nossa aula vamos conhecer sobre o Sistema de Contas Nacionais e 
a sua relação com a contabilidade ambiental. Na sequência, vamos aprender 
sobre Ativos Ambientais, Passivos Ambientais, Custos, Despesas e Receitas 
Ambientais. Esses elementos são necessários para compreendermos como 
estão estabelecidos e como se inter-relacionam. De posse desses conceitos, 
veremos como se estrutura um Plano de Contas Ambiental. 
Na prática, vamos conhecer o exemplo de Belo Monte, empreendimento 
polêmico em termos ambientais, sociais e econômicos. Nesse exemplo, então, 
vamos nos deparar com os Passivos Ambientais decorrentes desde a sua 
implantação. 
Para darmos início, vamos ler o texto de Ricardo Abramovay, renomado 
pesquisador sobre economia verde, que traz informações sobre para onde 
caminha a economia global, sinalizando importantes mudanças que se refletirão, 
certamente, na contabilidade ambiental. 
CONTEXTUALIZANDO 
Leia o trecho a seguir, publicado na página do Valor Econômico: 
Economia global 
Quanto pesa a economia global? Para a sabedoria econômica convencional, a 
pergunta é completamente esdrúxula. Faz parte das primeiras lições da disciplina a ideia de 
que a única forma de comparar banana, ferro, computador e restaurante é por meio daquilo 
que se paga pelos produtos e pelos serviços. O que há de comum ao mundo das mercadorias 
é que elas são escassas e é da escassez que decorrem seus preços. Dizer que a soma dos 
bens e serviços produzidos no mundo em 2017 sobe a US$ 78 trilhões ou que o produto médio 
anual per capita é de quase US$ 10 mil faz todo o sentido. Mas qual o peso daquilo que está 
na origem das utilidades de que desfrutamos, esta não é uma pergunta que integra a tradição 
mais consagrada da ciência econômica. 
Esta tradição vem sendo contestada, já há algumas décadas, sob o ângulo científico, 
por meio da ecologia industrial. A base desta contestação é que apesar de sua inegável 
importância, o valor de mercado dos bens não é capaz de sinalizar adequadamente o uso que 
deles fazem as sociedades humanas. As 23 conferências climáticas realizadas até hoje e as 
dezenas de tentativas de taxar a emissão de gases de efeito estufa ainda não conseguiram 
incorporar ao sistema de preços os danos provocados pelas mudanças climáticas. O que se 
paga pelos antibióticos não inclui o excesso em seu consumo (sobretudo pelas criações 
estabuladas) e os estragos provocados pela crescente resistência que sua descarga no 
ambiente vem causando. 
Mas este raciocínio aplica-se também aos materiais básicos que compõem a riqueza. 
Que a melhoria nos padrões de vida conduza a maior consumo de materiais, é intuitivo, que 
se trate do local onde as pessoas moram, daquilo que comem, de seus deslocamentos ou das 
infraestruturas de que dependem. Mas é fundamental ampliar a eficiência no uso destes 
materiais. É para isso que foi formado, em 2007 o Painel Internacional de Recursos, por parte 
do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. 
A palavra que o define, decoupling, pode ser traduzida como desacoplamento, ou 
descasamento: trata-se de alcançar mais riqueza sobre a base da extração e do uso de cada 
 
 
3 
vez menos materiais. Da mesma forma que o mundo se esforça hoje para descarbonizar a 
vida econômica, é fundamental igualmente satisfazer as necessidades humanas usando 
menos materiais por unidade de riqueza oferecida. 
Os especialistas reunidos pelo Painel trabalham em torno de quatro famílias de 
materiais: biomassa, combustíveis fósseis, minerais metálicos e minerais não metálicos. Seu 
primeiro relatório, lançado em 2011 mostrava que, em meados da primeira década do milênio, 
o peso destes quatro materiais chegava a 60 bilhões de toneladas. Cada ser humano em 
média consumia, anualmente, nada menos que nove toneladas de materiais. Só que a 
distribuição deste consumo era altamente desigual. A “pegada material” (material footprint) da 
Índia era de quatro toneladas. A do Canadá subia a 25 toneladas per capita. [...] 
O Painel acaba de lançar seu último relatório e [...] O consumo dos quatro materiais 
estudados pelo Painel atinge 88,6 bilhões de toneladas ao final de 2017. O consumo per capita 
pulou de nove para 11,4 toneladas em uma década. Embora o grande aumento tenha sido na 
Ásia, o que reflete vitórias importantes na luta contra a pobreza na China e na Índia, é 
fundamental destacar que o norte-americano médio usa anualmente 30 toneladas e o europeu 
20 toneladas de materiais. Americanos e canadenses consomem dez vezes mais materiais 
per capita que os habitantes da África ao Sul do Sahara. 
[...] Quais as consequências destas informações para o crescimento econômico? O 
relatório destaca países (Japão, Alemanha, Áustria, Finlândia, Bélgica e Reino Unido), que já 
incluem a pegada material de suas economias no sistema de contas nacionais. Sobre esta 
base o Japão elabora indicadores e metas para chegar a uma “sociedade saudável sob o 
ângulo de seu ciclo material”. A Áustria quer aumentar a eficiência no uso de recursos em 50% 
entre 2008 e 2020. [...] 
Até aqui, não há por parte nem do Governo nem das principais organizações 
empresariais brasileiras qualquer sinal de que o crescimento econômico, cujo retorno os 
brasileiros desejam em 2018, tenha a orientação estratégica que norteia a transição dos 
países acima mencionados. Sem isso, o crescimento pode até vir, mas vai ampliar nossa 
distância da fronteira tecnológica e cultural do mundo atual. (Adaptado de Abramovay, 2018) 
TEMA 1 – CONTAS AMBIENTAIS 
O texto da seção anterior é de um importante economista, Ricardo 
Abramovay, reconhecidamente um especialista em Economia Verde, e aponta a 
importância do tema que vamos abordar, relacionado às contas ambientais. Na 
contramão dos países em desenvolvimento, o Brasil ainda não se pauta por 
incluir a questão ambiental em seu sistema de contas ambientais. Vamos 
detalhar, então, do que se trata esse importante tema. 
Como é possível observar no texto do professor Abramovay, háuma 
crítica por parte da economia verde em relação ao Sistema de Contas Nacionais 
pautada pela busca de modificar esse sistema e seus principais 
macroindicadores econômicos, para incorporar a exaustão e a degradação dos 
recursos naturais utilizados ao processo econômico (ONU, 1993; IUCN, 1996). 
Na sua grande maioria, sem dúvida, esse movimento está ancorado nas 
incontáveis iniciativas para remodelar a agenda de desenvolvimento da nossa 
sociedade, no sentido de provocar mudanças no funcionamento da economia 
global na direção de uma releitura do paradigma econômico, que está baseado 
na concentração de riqueza, no consumo de massa e na exploração imprudente 
de recursos não renováveis. 
 
 
4 
É nesse contexto, ou seja, nessa inter-relação entre a economia e o meio 
ambiente que surge, portanto, essa crítica, por parte dos economistas que 
defendem a economia verde, de que o atual Sistema de Contas Nacionais (SCN) 
não considera os impactos de uma enorme gama de atividades que afetam 
significantemente a vida no planeta (Diaz, 2003). Desta forma, entendem esses 
críticos, as contas nacionais geram indicadores inconsistentes do ponto de vista 
da sustentabilidade do desenvolvimento. 
Historicamente, a política macroeconômica adotada pela maior parte dos 
governos e instituições monetárias do mundo tem se baseado em informações 
quantitativas sobre a economia fornecidas pelos Sistemas de Contas Nacionais. 
Esses sistemas de contabilidade se constituíram no modelo macroeconômico 
desenvolvido por John Maynard Keynes, como resposta à depressão dos anos 
1930 para suprir a necessidade de se conseguir dados confiáveis sobre a 
atividade econômica das nações europeias, durante a II Guerra Mundial. 
O Produto Nacional Bruto (PNB), o Produto Interno Bruto (PIB) e o 
Produto Interno Líquido (PIL) foram então estabelecidos como as principais 
medidas de renda dos SCN e, desde então, possuem uma relevância 
mundialmente reconhecida. No entanto, em decorrência do processo de 
degradação acelerado que o planeta atravessa, esses indicadores têm sido alvo 
de críticas profundas que destacam suas falhas e deficiências, principalmente 
pelo fato de ignorarem a contribuição dos recursos naturais no processo 
produtivo. 
Diaz (2003) delimita importantes aspectos dessa discussão quando 
questiona, por exemplo, as questões relacionadas ao Produto Interno Bruto 
(PIB), o qual aumenta quando o país reduz seus estoques de recursos naturais. 
Nesse caso, um surto de expansão da atividade económica faz crescer o PIB, 
mas, de forma simultânea, também promove a degradação ambiental, com 
custos que geralmente não são registrados. 
Diaz (2003) ainda cita outros exemplos que são computados como 
incremento do PIB, tais como os custos resultantes dos danos à saúde humana 
causados por um aumento da poluição produzido por surto econômico, 
aumentos de gastos em médicos, remédios e hospitais provocados pelo 
aumento de poluição, os quais são tratados como se representassem elevação 
de bem-estar social. Além disso, também provocam aumentos no PIB os gastos 
no controle da poluição e na regeneração ambiental pelo desmatamento 
 
 
5 
realizado na Amazônia por empreendimentos agropecuários incentivados pelo 
financiamento de instituições públicas. 
Os questionamentos focalizam-se na distinção entre a verdadeira geração 
de renda e o consumo do capital natural, pois uma economia cujo crescimento 
está ancorado na exploração de recursos naturais pode ter rendas 
superestimadas. Consequentemente, percebemos que o sistema gera 
indicadores inconsistentes, que afetam a capacidade da economia de produzir 
numa base contínua do ponto de vista da sustentabilidade ambiental. 
De acordo com as críticas de Claude (1997) e Harrison (1997) na 
perspectiva ambiental, o SCN e seus macroindicadores econômicos apresentam 
três deficiências relacionadas ao tratamento dos recursos naturais exauridos ou 
degradados no processo econômico de produção: 
• A primeira falha é de natureza teórica e corresponde à ausência de 
distinção entre os conceitos de renda e capital; 
• A segunda é não considerar o esgotamento e a degradação dos recursos 
naturais como depreciação; 
• A terceira, tratar de maneira insatisfatória os custos de proteção ambiental 
ou as despesas defensivas. 
É a partir desse cenário que as Nações Unidas, com base nas pesquisas 
e nos debates iniciados na década de 1980, propuseram a revisão do SCN e a 
implantação do Sistema de Contabilidade Econômica e Ambiental Integrada 
(System of Integrated Environmental and Economic Accounting – SEEA), que 
reúne as experiências de vários países em contas ambientais e constitui, 
atualmente, um dos avanços mais significativos para estabelecer a vinculação 
entre o sistema econômico e o ambiente natural, na busca da sustentabilidade 
ambiental (Diaz, 2003). 
TEMA 2 – ATIVOS AMBIENTAIS 
Vimos, no tema anterior, que está em curso um debate amplo sobre os 
principais critérios para mensuração do que, em síntese, é a riqueza de um país 
e que fundamenta de forma importante o surgimento da contabilidade ambiental. 
Agora, daremos prosseguimento à compreensão sobre o que constitui os 
registros e eventos ambientais, que buscam consolidar os dados da posição 
ambiental das empresas, como descrito por Antonovz (2014). 
 
 
6 
Vamos olhar, então, o conceito de Ativo Ambiental, relembrando que, 
segundo Tinoco e Kraemer (2011), Ativos são os recursos que são controlados 
por uma organização e dos quais se esperam resultados econômicos futuros. 
Portanto, Ativos Ambientais são os bens adquiridos pela empresa que 
visam ao controle, à preservação e à recuperação do meio ambiente, os quais 
são diferentes para cada tipo de organização pois estão relacionados 
diretamente aos vários processos operacionais das distintas atividades 
econômicas, devendo compreender todos os bens utilizados no processo de 
proteção e conservação do meio ambiente (Tinoco; Kraemer, 2011). 
Segundo Neves (2006), esses Ativos podem estar na forma de Capital 
Circulante ou Capital Fixo. Nesse caso, o Capital Circulante (Capital de Giro) é 
o montante aplicado para a realização da atividade econômica da empresa, 
composto pelas disponibilidades e pelos Ativos realizáveis a curto e longo prazo. 
A Norma Brasileira de Contabilidade NBC TE XXX, que tem como objetivo 
definir os conceitos e os critérios para a contabilização de eventos e transações 
que reflitam as interações da entidade com o meio ambiente, apresenta a 
seguinte discriminação dos elementos do Ativo Ambiental: 
Quadro 1 – Elementos do Ativo Ambiental 
Norma Brasileira de Contabilidade NBC TE XXX 
Ativos 
Ativos 
Circulantes 
Ambientais 
Estoques de insumos (bens e serviços) que serão utilizados no processo 
operacional, ou ao final deste, com o objetivo de reduzir ou eliminar a 
produção de poluentes ou, ainda, aqueles com a finalidade de recuperar 
danos ambientais. 
Estoques 
Operacionais 
Ambientais 
Devem ser segregados entre ambientais, reciclados e reutilizados, 
visando proporcionar maior transparência sobre a relação da entidade 
com o meio ambiente. 
Ativos Não 
Circulantes 
Formados por contas de Investimento Ambiental, Imobilizado Ambiental e 
Intangível Ambiental. 
Ativos Não 
Circulantes 
Ambientais 
Aqueles associados com a proteção e a recuperação ambiental cuja 
realização se dará no longo prazo. 
Investimentos 
Ambientais 
Aplicação de recursos na aquisição de áreas de conservação de recursos 
naturais com o objetivo específico de promover a preservação da fauna e 
da flora. Se mudada a intenção, o ativo tem que ser reclassificado. 
Imobilizado 
Ambiental 
Itens utilizados ao longo de vários períodos especificamente para tratar 
os poluentes oriundos do processo operacional da entidade, durante a 
operação ou após o final desta. Pode incluir, também, os ativos de longa 
duração, destinados, exclusivamente, à recuperaçãode áreas 
degradadas pela entidade em períodos anteriores, enquanto estiverem 
em atividade. 
Intangíveis 
Ambientais 
Itens incorpóreos controlados pela entidade capazes de produzir fluxos 
de caixa futuros e que estejam vinculados à interação com o meio 
ambiente 
Fonte: NBC, 2012. 
 
 
7 
A importância da identificação dos Ativos Ambientais está na sua 
utilização em negociações, avaliações, transferências, fusões e aquisições entre 
empresas desde que comprovada a sua viabilidade legal, a sustentabilidade e a 
adequação das atividades, o que é extremamente relevante para a valorização 
financeira do empreendimento. 
Além disso, a demonstração dos Ativos na contabilidade ambiental torna-
se um elemento fundamental para identificar, avaliar e quantificar os custos e 
gastos ambientais que necessitam de atenção em curto, médio ou longo prazo, 
assim como relacionar os investimentos necessários. 
TEMA 3 – PASSIVOS AMBIENTAIS 
Outro aspecto importante ligado às questões ambientais e, portanto, 
inserido no escopo da contabilidade ambiental se refere ao Passivo Ambiental, 
ou seja, os danos ao meio ambiente causados por empresas que têm, 
consequentemente, obrigação de repará-los. De forma objetiva, podemos dizer 
que Passivo Ambiental é todo tipo de impacto causado ao ambiente por um 
determinado empreendimento e que não tenha sido reparado ao longo de suas 
atividades. Como exemplos, tem-se desde o descarte incorreto de lixo a emissão 
de gases poluentes, lançamento de produtos químicos em ambientes aquáticos, 
contaminação do solo ou de águas subterrâneas, alterações realizadas nas 
paisagens devido às construções de estradas e projetos de mineração. 
Na teoria da contabilidade, Passivo, de acordo com Braga (2007), é 
denominado exigibilidade e representa uma obrigação de uma entidade para 
com outra que em algum momento deve ser liquidada. Adequando esses 
conceitos à contabilidade ambiental, Kraemer (2003) conclui que Passivos 
Ambientais são “as obrigações contraídas pela empresa perante terceiros, que 
origina um gasto ambiental (ativos, custos, despesas etc.)”. 
De acordo com Ribeiro (2006), há três tipos de obrigações provenientes 
dos passivos ambientais: 
• Obrigações de natureza legal são aquelas em que a empresa tem uma 
obrigação presente legal como consequência de um evento passado, que 
é o uso do meio ambiente (água, solo, ar etc.) ou a geração de resíduos 
tóxicos. Surge de um contrato, legislação ou outro instrumento de lei. 
 
 
8 
• Obrigações construtivas são aquelas que a empresa se propõe a cumprir 
espontaneamente, excedendo as exigências legais. Isso pode ocorrer 
principalmente quando a empresa estiver preocupada com sua reputação 
na comunidade em geral ou consciente de sua responsabilidade social, 
usando os meios disponíveis para proporcionar o bem-estar da 
comunidade. 
• Obrigações justas, ou seja, refletem a consciência de responsabilidade 
social. A empresa as cumpre em razão de fatores éticos e morais. 
O levantamento do Passivo Ambiental de uma empresa deve ser 
realizado por equipe especializada para que possa ser realizada a sua 
contabilização. Essa etapa de levantamentos pode incluir questões desde 
trabalhos de campo, análises de cunho laboratorial – no caso de contaminações, 
na sua grande maioria –, enfim, tudo o que for pertinente à caracterização 
ambiental e seus processos causadores. A partir disso é que o seu valor poderá 
ser estimando, sendo provisionado um valor, com todos os detalhes dessa 
estimativa em notas explicativas (Tinoco; Kraemer, 2011). 
TEMA 4 – RECEITAS, DESPESAS E PERDAS DE NATUREZA AMBIENTAL 
Ainda dentro do universo que abrange as contas contábeis das empresas, 
no tocante à sua situação ambiental, é necessário discriminar o que são as 
receitas, as despesas e as perdas ambientais. Nesse sentido, os custos 
ambientais fazem parte do total de custos de uma entidade e consistem no 
conjunto de gastos monetários incorridos em uma instituição. 
Conforme Antonovz (2014, citada por Santos 2001), entende-se por 
despesas ambientais todos os gastos relacionados direta ou indiretamente ao 
gerenciamento ambiental do processo produtivo, ou mesmo aqueles decorrentes 
de atividades voltadas ao meio ambiente. Nesse caso, ainda conforme citado 
pela autora acima, representam amortização, exaustão e depreciação, aquisição 
de insumos para controle, redução ou eliminação de poluentes, tratamento de 
resíduos de produtos, disposição dos resíduos poluentes, tratamento de 
recuperação e restauração de áreas contaminadas, mão de obra utilizada nas 
atividades de controle e preservação e recuperação do meio ambiente. 
Braga (2007) considera que despesas ambientais são todos os gastos 
envolvidos com o gerenciamento ambiental, aplicados de forma indireta, 
 
 
9 
consumidos no período e incorridos na área administrativa, apontando como 
exemplos todos os gastos relativos a horas de trabalho e insumos necessários 
aos processos de definição e manutenção de programas e políticas ambientais, 
seleção e recrutamento de pessoal para gerenciamento e operação do controle 
ambiental, compra de insumos e equipamentos antipoluentes, pagamento das 
compras realizadas para a área ambiental, recepção dos itens ambientais 
adquiridos, estocagem dos insumos utilizados no controle ambiental, 
treinamentos específicos para a proteção ambiental e auditoria ambiental. 
No caso das receitas ambientais, Tinoco e Kramer (2011) as definem 
como aquelas decorrentes de prestação de serviços especializados em gestão 
ambiental, venda de produtos elaborados de sobras de insumos do processo 
produtivo, como sucatas e sobras, venda de produtos reciclados e receita de 
aproveitamento de gases e calor. Os autores também listam as reduções do 
consumo de matérias-primas, de energia, de água bem como ganhos intangíveis 
àqueles sobre a conquista de mercado que empresa passa a obter a partir do 
momento em que a opinião pública reconhece suas ações e começa a dar 
preferência a seus produtos. 
Em relação às perdas ambientais, Ribeiro (2010) as descreve como 
aquelas que refletem os gastos incorridos sem uma contrapartida em benefícios, 
ou seja, não proporcionam benefícios para as empresas. O autor explica ainda 
que os gastos podem ser classificados como normais, ou seja, aceitáveis e até 
previsíveis dentro do planejamento da empresa, ou anormais, que são os que 
acontecem inesperadamente, de volume relevante e na maioria das vezes por 
subestimação dos riscos. 
Um exemplo bastante simples e comum sobre perdas ambientais é o caso 
de multas ou penalidades por inadequações das atividades à legislação. 
Por fim, Antonovz (2014) aponta uma questão relevante em relação ao 
tema apresentado, que é o fato de que segregar esses elementos não é uma 
tarefa muito fácil, uma vez que apresentam elementos que são de natureza 
intangível, por exemplo a reputação e a imagem de uma empresa. Atualmente, 
diz a autora, o que é realmente mensurado são os aspectos de mais fácil 
identificação, aqueles sujeitos a fatores externos, quando se conhecem os 
impactos gerados pela incorreta utilização dos bens naturais ou mesmo aqueles 
gerados por um gerenciamento ambiental inadequado. 
 
 
10 
TEMA 5 – PLANO DE CONTAS AMBIENTAIS 
A partir de tudo o que vimos, podemos definir do que se trata um Plano 
de Contas, ou seja, o registro adequado e justo das operações realizadas numa 
organização empresarial de forma objetiva, clara para poder representar as 
devidas contas dos registros das transações econômicas realizadas ou dos fatos 
geradores (Ferreira, 2006). 
Segundo Kramer (2000), o Plano de Contas terá como contribuição dentro 
da contabilidade de gestão ambiental um uso mais eficiente de recursos naturais, 
como a água (geração de energia); a redução dos custos externos relacionados 
à poluição da indústria, como os custos monitoramento ambiental; o 
fornecimento deinformações para a tomada de decisão, melhorando a política 
pública e o fornecimento de informação ambiental industrial do desempenho 
(Kraemer, 2000). 
 
 
Créditos: isak55/Shutterstock. 
O Quadro 1 mostra um exemplo de como os elementos ambientais podem 
ser estruturados dentro de um Plano de Contas: 
 
 
 
11 
Quadro 2 – Plano de Contas 
 
Fonte: Adaptado de Tinoco; Kraemer, 2011. 
Conclui-se, então, que um Plano de Contas que envolva as atividades 
relacionadas ao meio ambiental não é, e não pode ser, um agrupamento de 
informações recolhidas daquilo que apenas estiver ao alcance rápido do banco 
de dados da contabilidade geral de forma a preencher algum relatório. Muito pelo 
contrário, o Plano de Contas deve ser cuidadosamente planejado com atenção 
à segregação de todas as informações e com visão e preocupação de gerar 
 
 
12 
dados para o futuro uso em análises e geração de indicadores contábeis de meio 
ambiente. 
TROCANDO IDEIAS 
O texto do professor Abramovay apontou que os países mais 
desenvolvidos andam “a galope” para incluir a pegada material de suas 
economias no sistema de contas nacional. No entanto, no Brasil, país com 
imenso potencial de desenvolvimento a partir de seus bens naturais, a discussão 
é incipiente. O que acha? Quais são os desafios que essa mudança impõe? Qual 
é o papel do “contador ambiental”? 
NA PRÁTICA 
Um dos tópicos incluídos em um Plano de Contas Ambientais se relaciona 
aos Passivos Ambientais das empresas. A seguir, segue um recorte sobre os 
passivos ambientais, sociais e econômicos que a empresa Norte Energia, com 
seu projeto mais controverso e de impacto ambiental altíssimo, tem transferido 
à sociedade brasileira. Veremos ao longo do trecho os aspectos tangíveis – 
multas, compensações etc. – e os intangíveis, dos quais também falamos em 
nossa aula, que se referem aos direitos das populações tradicionais que foram 
violados desde a constituição do projeto, bem como a reputação da empresa, 
fora os ecossistemas que foram perdidos ou modificados de forma irreversível. 
Além disso, estão implícitos os altos custos em medidas judiciais realizadas pela 
Norte Energia para barrar as ações que têm se acumulado. Esse sem dúvida é 
um caso extremo em que a Contabilidade Ambiental revela a sua importância 
em demonstrar o tamanho dos passivos ambientais impostos à empresa e à 
sociedade. Quem pagará essa conta? 
Belo Monte, um legado de violações 
A Licença de Operação de Belo Monte completa um ano e, para marcar a data, publicamos o 
seguinte balanço dos passivos, pendências e dívidas da usina junto ao Xingu e seus povos. 
Indígenas isolados ameaçados, sistema de saneamento básico em Altamira (PA) 
incompleto –  jogando esgoto diretamente em rios e igarapés – hospital fechado, ribeirinhos 
expulsos de suas casas –  lutando para recuperar seus modos de vida – Terras Indígenas 
desprotegidas e o rio Xingu definitivamente transformado. 
Um ano após a emissão da Licença de Operação (LO) da hidrelétrica de Belo Monte 
e o barramento definitivo do Xingu, o legado da maior usina hidrelétrica construída na 
Amazônia está erguido sobre graves violações aos direitos humanos e ao meio ambiente. A 
usina encerra 2016 com três tentativas de suspensão da LO na Justiça, suspeita de 
 
 
13 
superfaturamento de R$ 3,384 bilhões nas obras e inadimplente nas principais obrigações 
socioambientais. [...] 
Durante o primeiro semestre deste ano, Belo Monte recebeu multas administrativas 
que chegaram ao valor total de R$ 35,3 milhões. Foram as maiores infrações impostas pelo 
Ibama à empresa Norte Energia desde a emissão da primeira licença ambiental, em 2010. 
A concessionária foi multada em R$ 27,3 milhões pela morte de 16,2 toneladas de 
peixes durante o processo de enchimento do reservatório principal, entre novembro de 2015 
e fevereiro de 2016. A essa multa se somam outras duas punições publicadas entre janeiro e 
fevereiro, no valor de R$ 8 milhões, também por causa da morte massiva de peixes. 
[...] 
A Norte Energia, além de responsabilizada por crime ambiental, também foi multada 
em meio milhão de reais, em janeiro deste ano, por apresentar informações falsas em 
relatórios para o Ibama sobre a quantidade de trabalhadores contratada para realizar o 
resgate da fauna aquática. Essa equipe tinha como uma das principais funções fazer o 
salvamento dos peixes aprisionados em bolsões d’água após a redução da vazão. 
Ao longo dos seis anos de licenciamento, a Norte Energia já recebeu Autos de 
Infração que culminaram com a aplicação de multas ambientais no montante de mais de 60 
milhões de reais em decorrência de diversas infrações, crimes ambientais, reporte de 
informações falsas, entre outras irregularidades constatadas pelos analistas ambientais do 
Ibama que acompanham a obra. 
[...] 
Dentre o conjunto de descumprimentos, os mais graves, sem dúvida, têm a ver com a 
população que ainda luta pelo respeito do direito de ser reassentada próxima ao rio Xingu, em 
condições dignas e com possibilidades reais de reconstrução de suas vidas, redes sociais e 
atividades econômicas. 
Para poder barrar o rio Xingu e encher o lago do reservatório principal da usina de 
Belo Monte, a Norte Energia removeu compulsoriamente mais de cinco mil famílias que 
residiam tanto na cidade de Altamira como nas ilhas e nas margens do rio Xingu. [...] 
[...] 
Assim, em decisão de setembro de 2016, a Norte Energia foi obrigada a pagar R$ 60 
mil pelo descumprimento da conclusão dos sistemas de abastecimento de água e 
esgotamento sanitário até o dia 30 de outubro de 2016, e a partir desta data, ficou estabelecida 
multa de R$ 40 mil por dia até a operação dos sistemas de saneamento básico em todo o 
perímetro urbano de Altamira. Segundo MPF, a empresa não cumpriu a decisão. [...]. 
(Adaptado de Instituto Socioambiental – ISA, 2016) 
FINALIZANDO 
Iniciamos nossa aula a partir do texto de Ricardo Abramovay, o qual 
trouxe uma série elementos que reforçam a tese de que o valor de mercado dos 
bens não é capaz de sinalizar adequadamente o uso que deles fazem as 
sociedades humanas. Mesmo assim, há uma série de países que têm caminhado 
nessa direção, situação diferente do Brasil. 
O texto propiciou um olhar com mais cuidado do Sistema de Contas 
Nacionais e do movimento atual pela modificação desse sistema em prol de 
incorporar a exaustão e a degradação dos recursos naturais utilizados no 
processo econômico. 
 
 
14 
Na sequência, aprendemos sobre os ativos ambientais, bens adquiridos 
pela empresa que visam a controle, preservação e recuperação do meio 
ambiente. Também aprendemos sobre os Passivos Ambientais, ou seja, o 
impacto causado ao ambiente por um determinado empreendimento e que não 
tenha sido reparado ao longo de suas atividades. 
Ainda dentro do universo que abrange as contas contábeis das empresas 
no tocante à sua situação ambiental, examinamos os conceitos de receitas, 
despesas e perdas ambientais. Por fim, pudemos nos deparar com a 
estruturação de um Plano de Contas Ambiental. 
Para a nossa compreensão prática, escolhemos um dos tópicos incluídos 
no Plano de Contas Ambientais: os Passivos Ambientais das empresas e como 
se articulam no caso da hidrelétrica de Belo Monte. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
ABRAMOVAY, R. A economia global, cada vez mais pesada. Valor Econômico, 
3 jan. 2018. Disponível em: <http://ricardoabramovay.com/a-economia-global-
cada-vez-mais-pesada/>. Acesso em: 25 abr. 2019. 
ANTONOVZ, T. Contabilidade ambiental. Curitiba: InterSaberes, 2014 (Série 
Gestão Financeira). 
BRAGA, C. (Org.). Contabilidade ambiental: ferramenta para gestão da 
sustentabilidade. São Paulo: Atlas, 2007. 
CFC – Conselho Federal de Contabilidade. NBC TE XXX: Interação da entidade 
com o meio ambiente. Disponível em: <https://cfc.org.br/wp-
content/uploads/2016/02/NBC_TE_INTERACAO_DA_ENTIDADE_MEIO_AMBI
ENTE.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2019. 
CLAUDE, M. Cuentas pendientes:estado y evolución de las cuentas del medio 
ambiente en America Latina. Fundación Futuro Latinoamericano, 1997. 
DIAZ, M. del C. V.; AMIN, M. M. Sistemas de Contas Ambientais (SCN): a 
inclusão da exaustão e degradação dos recursos naturais nas estimativas 
econômicas. In: Encontro de Sociedade de Economia Ecológica – EcoEco 
Anais. Caxias do Sul, 2003. 
FERREIRA, A. C. de S. Contabilidade ambiental: uma informação para o 
desenvolvimento sustentável. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 
HARRISON, A. Introducing natural capital into the SNA. In: AHMAD, Y. J., 
ELSERAFY, S., LUTZ, E. (Ed.). Environmental accounting for sustainable 
development. Washington, D.C.: The World Bank/Unep, 1989. p. 19-25. 
Resources 14, p. 14-16. 1999. 
ISA – INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Belo Monte, um legado de violações. 
Medium. Disponível em: <https://medium.com/hist%C3%B3rias-
socioambientais/belo-monte-um-legado-de-viola%C3%A7%C3%B5es-
43ea35c973b8>. Acesso em: 25 abr. 2019. 
KRAEMER, M. E. P. Passivos ambientais. Monografias. Disponível em: 
<https://www.monografias.com/pt/trabalhos/passivo-ambiental/passivo-
ambiental.shtml>. Acesso em: 25 abr. 2019. 
 
 
16 
_____. Contabilidade ambiental. Relatório para um futuro sustentável, 
responsável e transparente. Ambiente Brasil. Disponível em: 
<https://ambientes.ambientebrasil.com.br/gestao/artigos/contabilidade_ambient
al:_relatorio_para_um_futuro_sustentavel,_responsavel_e_transparente.html>. 
Acesso em: 25 abr. 2019. 
RIBEIRO, M. S. Contabilidade ambiental. São Paulo: Saraiva, 2006. 
TINOCO, J. E. P; KRAEMER, M. E. P. Contabilidade e gestão ambiental. 3. 
ed. São Paulo: Atlas, 2011. 
UN – United Nations. Department for Economic and Social Information and Policy 
Analysis Statistical Division. Handbook of National Accounting: Integrated 
environmental and economic accounting, interim version. New York, 1993. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTABILIDADE AMBIENTAL 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Lizete Farias 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, iremos nos deparar com a importância da contabilização 
ambiental por meio de suas várias perspectivas em termos de eventos e 
atividades ambientais. Inicialmente, aprenderemos a relação entre os eventos 
ambientais, bem como as suas consequências em termos financeiros, tanto no 
âmbito das grandes tragédias naturais como no âmbito das empresas. 
A seguir, veremos como os eventos que ocorrem numa entidade podem 
ser contabilizados ou não financeiramente e, com isso, na continuidade, vamos 
entender sobre a natureza das informações ambientais, no tocante ao setor 
empresarial e ao público. Nesse sentido, olharemos também os setores 
produtivos que impactam o meio ambiente por meio das suas atividades. 
Compreendendo esses elementos, iremos então discorrer sobre o conceito de 
investimento ambiental em suas diversas nuances e sua importância, 
especialmente no mundo corporativo. 
Por fim, vamos entrar em um tema que tem uma implicação real em 
termos de custos contábeis, mas também em termos subjetivos, pois, afinal, 
quanto custa e para quem custa preservar o meio ambiente? 
Como base para nossa discussão, vamos iniciar nossa aula com um texto 
que demonstra a importância da visão de futuro e perspectivas de longo prazo 
para que possamos ver a necessidade da inserção da contabilização ambiental 
em eventos ambientais. 
Vamos à nossa aula! 
CONTEXTUALIZANDO 
Em 1997, estive em Nova Orleans para conversar com o prefeito sobre 
a preparação da cidade para os efeitos de mudança climática. Meu 
papel como ambientalista era convencer os governos a pôr em prática 
as mudanças que eu queria ver no mundo: mais precisamente, eu 
pretendia que o Corpo de Engenheiros do Exército Americano 
acelerasse o projeto de recuperação de áreas pantanosas próximas ao 
Mississipi. As áreas pantanosas são as esponjas da natureza. Se 
eliminarmos os pântanos, estaremos eliminando a capacidade de um 
ecossistema conviver com a água em excesso proveniente de uma 
tempestade. Qualquer pessoa que tivesse estudado a situação 
compreenderia que os pântanos eram fundamentais para a 
sobrevivência de Nova Orleans. Nós temos de protegê-los. Eu estava 
propondo um projeto de reconstrução dos diques da cidade e, ao 
mesmo tempo, de recuperação das áreas pantanosas. Ao pousar em 
Nova Orleans, vi fumaça. A estação de tratamento de água da cidade 
estava pegando fogo. Corri imediatamente para o gabinete amplo e 
luxuoso do prefeito, achando que nosso encontro seria breve por causa 
do sinistro. Mas ele estava lá, sem preocupação com o incêndio. 
 
 
3 
Recebeu-me brincando: “Aqui , bobagens desse tipo acontecem a toda 
hora”. Tentei convencê-lo. Imagine a mesa de sua cozinha cheia de 
esponjas de lavar pratos. Derrame um copo d’água e nada vai cair no 
piso. Agora retire a metade das esponjas – é o que Estados Unidos 
vem fazendo nos últimos 200 anos; o país vem destruindo suas áreas 
pantanosas. Imagine que graças às tendências das mudanças 
climáticas, o copo d’água se transforme numa jarra, já que as 
temperaturas mais altas aumentam a frequência e a gravidade de 
tempestades como as que se verificam no Golfo do México. Quando 
você derrama o conteúdo da jarra na mesa, a água cai no chão. As 
áreas pantanosas prestam um serviço essencial e, quando são 
destruídas, as catástrofes são apenas uma questão de tempo. 
Expliquei a teoria, mostrei-lhe os mapas das ameaças que pairavam 
sobre Nova Orleans e apresentei a proposta de financiamento que eu 
pretendia que ele apoiasse. Ele sorriu e disse que, em breve, sua 
equipe entraria em contato comigo. (...) Nunca mais ele ou alguém da 
sua equipe entraram em contato comigo. Aí chegou o Katrina. Era um 
furacão de grau 5, agravado pela água aquecida do Golfo do México. 
O sistema de diques falhou desastrosamente, e as áreas pantanosas 
não conseguiram enfrentar a tempestade. Era setembro de 2005.(...) 
Ao ver pessoas correndo para os telhados, corpos flutuando, entendi 
que nós, ambientalistas , não podemos continuar fazendo o que 
estamos fazendo.(...) Precisamos lutar por uma sustentabilidade mais 
abrangente , que leve em conta nossa sustentabilidade social, 
econômica e cultural, em vez de apenas o ambiente circundante. (...) 
Por causa de suas preocupações de curto prazo, o setor empresarial 
perdeu bilhões de dólares quando ocorreu o Katrina (Werbach, 2010, 
p. 1-3). 
TEMA 1 – CONTABILIZAÇÃO DE EVENTOS AMBIENTAIS 
 O texto que lemos em nossa contextualização nos remete ao fato trágico 
em que , em 2005, a cidade de Nova Orleans foi especialmente atingida por um 
dos eventos ambientais mais avassaladores das últimas décadas, o furacão 
Katrina. O Katrina foi uma tempestade tropical, com ventos que alcançaram mais 
de 280 km/h, fazendo com que mais de um milhão de pessoas fossem 
evacuadas. Os prejuízos econômicos estimados foram de cerca de dois bilhões 
de dólares, com 1836 mortes diretas, e que ainda paralisou uma grande parte da 
extração de petróleo e gás natural dos Estados Unidos. 
No Brasil, um evento ambiental trágico dos mais importantes da nossa 
história foram os deslizamentos de terra na região serrana do Rio de Janeiro, em 
janeiro de 2011. Causado por um fenômeno raro que combina fortes chuvas com 
condições geológicas específicas da região, agravado pela ocupação irregular 
do solo e a falta de infraestrutura adequada para enfrentar o problema, o referido 
evento deixou em torno de 900 pessoas mortas e mais de 35 mil pessoas 
desabrigadas. 
De maneira igualmente trágica, aprendemos com essas catástrofes que 
as operações que dizem respeito às atividades destinadas a preservar e proteger 
 
 
4 
o meio ambiente não têm sido contabilizadas – na maioria das vezes porque 
simplesmente não são feitas, seja por desconhecimento ou descaso – e, 
portanto, não há como perceber a importância e a magnitude dessas ações em 
situações dessa natureza, que atingem não somente pessoas em contextosocial 
mais vulnerável, mas também às empresas dos mais diferentes portes e tipos de 
operações. Eventos ambientais, portanto, não somente do tipo do Katrina e de 
grandes tempestades tropicais, mas também das grandes secas, inundações 
etc., demonstram a importância da contabilidade ambiental, ou seja, do registro, 
em termos monetários, das transações entre unidades econômicas que podem 
ser consideradas ambientais decorrentes do impacto dessas situações. 
Num contexto mais amplo, então, utilizamos a definição de Tinoco e 
Kraemer (2011) para eventos ambientais como aqueles relacionados a 
atividades de diversos setores “que afetam o patrimônio e a continuidade das 
empresas, a qualidade de vida das pessoas, da fauna, da flora, dos rios e mares 
e que, por conseguinte, devem ser objeto de registro, acumulação, mensuração, 
avaliação e divulgação pela contabilidade empresarial” (Tinoco; Kraemer, 2011, 
p. 42). 
Tanto no caso de Nova Orleans como na tragédia da região serrana, as 
atividades que deflagram ou mesmo potencializaram o tamanho da destruição 
estavam relacionadas à ocupação indevida de áreas sensíveis e à destruição de 
ecossistemas importantes que fragilizam mais ainda essas áreas. Mas, é 
importante frisar que essas atividades também podem estar relacionadas aos 
processos de gestão interna de uma empresa, como exemplo, eventos 
ambientais são inerentes ao processo produtivo. 
De qualquer forma, em todos esses casos, na linha de pensamento 
proposta por Martins e De Luca (1994), as informações a serem divulgadas pela 
contabilidade devem trazer os investimentos realizados, tanto em nível de 
aquisição de bens permanentes de proteção a danos ecológicos, como 
despesas de manutenção ou correção de efeitos ambientais do exercício em 
curso, de obrigações contraídas em prol do meio ambiente, e até de medidas 
físicas, quantitativas e qualitativas, empreendidas para sua recuperação e 
preservação. Por outro lado, ressaltam os autores anteriormente citados, há 
dificuldades práticas, do dia a dia, destacando-se a separação das informações 
de cunho ambiental, visto que muitas vezes exigem conhecimento de outras 
 
 
5 
disciplinas específicas e que, portanto, dificultam a correta qualificação para os 
relatórios contábeis. 
Teoricamente, nos dizem Martins e De Luca (1994), parece ser fácil seu 
entendimento e sua aplicação, mas na prática são encontradas várias 
dificuldades as quais impedem o seu uso. Dentre essas, a principal é a 
segregação das informações de natureza ambiental das demais informações 
gerais da empresa, bem como sua correta classificação e avaliação contábil. 
Como encontramos em Bergamini Júnior (1999), ainda se pode apontar outros 
fatores que dificultam o processo de implementação da contabilização de 
eventos ambientais: 
• Ausência de definição clara de custos ambientais: qual o limite entre custo 
e investimento? 
• Dificuldade em calcular um passivo ambiental efetivo; 
• Problema em determinar a existência de uma obrigação no futuro por 
conta de custos passados; 
• Falta de clareza no tratamento a ser dado aos "ativos de vida longa", por 
exemplo, no caso de uma usina nuclear; 
• Reduzida transparência com relação aos danos provocados pelas 
empresas em seus ativos próprios, dentre outros. 
Além disso, definir atividades e eventos ambientais em termos contábeis 
ainda não é tarefa das mais fáceis, pois, segundo relatório da ONU (2016), as 
classificações tradicionais de atividades econômicas e produtos não são 
capazes ainda de identificar as atividades econômicas, produtos e produtores 
que são característicos do meio ambiente (ONU, 2016). 
Nesse sentido, a tabela a seguir relacionada à estrutura da Classification 
of Environmental Activities – CEA (ONU, 2016) fornece minimamente uma visão 
geral dos grupos e das classes das atividades ambientais que são passíveis de 
serem contabilizadas: 
 
 
 
6 
Tabela 1 – Grupos e classes das atividades ambientais 
Grupo Classes 
I: Proteção 
Ambiental (PA) 
1 Proteção do ar e do clima ambiente 
2 Gestão de águas residuais 
3 Gestão de resíduos 
4 Proteção e remediação de solo, água subterrânea e superficial 
5 Diminuição de ruído e vibrações (excluindo proteção no local de trabalho) 
6 Proteção da biodiversidade e das paisagens 
7 Proteção contra radiação (excluindo a segurança externa) 
8 Pesquisa e desenvolvimento para proteção ambiental 
9 Outras atividades de proteção ambiental 
II: Gestão de 
Recursos (GR) 
10 Gestão de recursos minerais e energéticos 
11 Gestão de recursos madeireiros 
12 Gestão de recursos aquáticos 
13 Gestão de outros recursos biológicos (excluindo recursos madeireiros e 
aquáticos) 
14 Gestão de recursos hídricos 
15 Atividades de pesquisa e desenvolvimento para gestão de recursos 
16 Outras atividades de gestão de recursos 
Fonte: Sistema de Contas Ambientais, ONU, 2016 
Como podemos perceber, em cada um desses campos há a possibilidade 
de uma subdivisão em diferentes categorias, por exemplo, as atividades de 
proteção ambiental como a própria CEA especificam. Essas atividades têm como 
objetivo principal a prevenção, redução e eliminação da poluição e outras formas 
de degradação do meio ambiente, incluindo, mas não se limitando, a prevenção, 
redução ou tratamento de resíduos e águas residuais; prevenção, redução ou 
eliminação de emissões na atmosfera; tratamento e descarte de solo e água 
subterrânea contaminada; prevenção ou redução dos níveis de ruído e vibração; 
proteção da biodiversidade e das paisagens, inclusive de suas funções 
ecológicas; monitoramento da qualidade do meio ambiente natural (ar, água, 
solo e água subterrânea); pesquisa e desenvolvimento sobre proteção 
ambiental; e atividades de administração pública, treinamento e ensino 
orientadas para a proteção ambiental. 
Já as atividades de gestão de recursos dizem respeito àquelas em que o 
objetivo principal é preservar e manter o estoque de recursos naturais e, 
consequentemente, salvaguardá-lo contra a depleção. Essas atividades incluem, 
mas não estão limitadas à redução de retiradas de recursos naturais (inclusive 
por meio de recuperação, reutilização, reciclagem e substituição de recursos 
naturais); restauração de estoques de recursos naturais (aumentos ou recargas 
de estoques de recursos naturais); administração pública de recursos naturais 
 
 
7 
(inclusive monitoramento, controle, vigilância e coleta de dados); e produção de 
bens e serviços utilizados para gerir ou conservar recursos naturais. 
Esses aspectos nos mostram que a categorização e a descrição de todas 
as atividades relacionadas ao meio ambiente podem ser exaustivas e exigem 
uma atenção especial caso a caso, com base na estrutura de negócio da 
empresa e seus processos. 
TEMA 2 – DESCRIÇÃO DOS EVENTOS ECONÔMICOS 
Com base nas situações descritas no tema anterior, percebemos então 
que nem todos os eventos que ocorrem numa entidade, ou por meio dela, são 
contabilizados, ou pela incapacidade de mensuração devido à grande 
magnitude, ou seja, pelo desconhecimento das categorias de atividades na qual 
devem ser inseridas. De todo jeito, há uma concordância em termos acadêmicos 
que um evento ambiental se torna uma transação contábil quando sua ocorrência 
muda o ativo, o passivo ou o patrimônio líquido de uma entidade. 
Além dos exemplos que vimos, ainda podemos nos referir ao caso da 
empresa Samarco – no tocante ao desastre de Mariana; à empresa British 
Petroleum, no desastre ambiental que ocorreu no Golfo do México, em 2010, e 
também da empresa Volkswagen “em relação aos escândalos de emissão de 
gases que abalaram a empresa nos últimos anos, depois que ficou conhecido 
que carros da marca tinham softwares específicos que detectavam quando 
estavam sendo testados e reduziam as emissões de gases poluentes” (Exame, 
2018)1. 
Saiba mais 
Entenda mais sobre os casos citados nos links a seguir: 
Meneguetthi, D.Quais as consequências do desastre Mariana (MG)? Super 
interessante, 1 nov. 2017. Disponível em: <https://super.abril.com.br/mundo-
estranho/quais-as-consequencias-do-desastre-de-mariana-mg/>. Acesso em: 
27 ago. 2019. 
BP promete limpar vazamento de óleo na Costa dos EUA. BBC, 3 maio. 2010. 
Disponível em: 
 
1 Disponível em: <https://exame.abril.com.br/negocios/volkswagen-um-escandalo-que-vai-
outro-que-vem/>. Acesso em: 27 ago. 2019. 
 
 
8 
<https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/05/100503_vazamentobplimpe
zafn>. Acesso em: 27 ago. 2019. 
Escândalo do Diesel faz Volkswagen guardar mais de 300 mil carros comprados 
nos EUA. Proclima, 30 mar. 2018. Disponível em: 
<https://cetesb.sp.gov.br/proclima/2018/03/30/escandalo-do-diesel-faz-
volkswagen-guardar-mais-de-300-mil-carros-recomprados-nos-eua/>. Acesso 
em: 27 ago. 2019. 
Em cada um dos casos descritos anteriormente, houve grande impacto 
financeiro nas empresas por terem desconsiderado riscos de natureza 
socioambientais que poderiam afetar significativamente – e afetaram, 
comprovadamente – os empreendimentos ou investimentos de diferentes 
maneiras, como atrasos significativos em projetos internos, aumento de custos 
e cronograma e em alguns casos mais críticos a revogação de licenças, aos 
quais resultam em erosão direta do valor presente líquido. 
Nesse aspecto, podemos então concordar com Lima e Veigas (2002), que 
explicam que é necessário se fazer distinção entre objeto e atributo, ou seja, o 
objeto não é mensuração da poluição, mas o impacto econômico que as suas 
externalidades podem provocar. 
Dificuldades a mais nessa contabilização são apontadas por Tinoco e 
Kraemer (2011), ao dizerem que a grande maioria das legislações tributárias e 
comerciais de diversos países, inclusive o Brasil, só permitem registros, 
reconhecimento e evidenciação das provisões ambientais nas demonstrações 
contábeis quando utilizadas para pagar indenizações decorrentes de danos 
causados ao meio ambiente, ou quando existirem fortes evidências de danos 
que terão de ser ressarcidos ou indenizados. 
Desta forma, as demonstrações contábeis ambientais irão compor de 
forma parcial as demonstrações da contabilidade financeira, principalmente 
aquelas demonstrações ambientais que forem opcionais e optativas do balanço 
social ou ambiental, utilizados para uma gestão interna, para o controle de riscos 
ambientais, para a busca de parceiros sociais, sejam eles clientes, empregados, 
organizações ecológicas, comunidade, acionistas, bancos etc. 
TEMA 3 – CONTABILIZANDO O MEIO AMBIENTE 
 
 
9 
Na continuidade dos elementos que foram apresentados nos temas 
anteriores, podemos perceber, cada vez mais, a importância de contabilizar as 
informações ambientais, não apenas no âmbito empresarial, mas também em 
relação às contas públicas. 
Por meio da transmissão de informações é que se tem o registro de quais 
instituições, sejam elas governamentais ou privadas, estão preocupadas com a 
degradação do meio ambiente e quais não. Uma consequência direta é em 
relação aos consumidores que passam então a optar por comprar produtos 
apenas de empresas que exerçam a responsabilidade social, ou ainda em 
relação aos financiamentos dos bancos serem concedidos apenas para as 
ambientalmente corretas. 
Nesse sentido, apontamos o contador, então, assumindo o papel de 
investigador das práticas nas empresas, na medida em que observam e 
evidenciam a responsabilidade social com o meio ambiente e a comunidade em 
que estão inseridas, com base na evidenciação contábil de crescimento 
patrimonial conquistado por meio da destruição e poluição. Indo mais além, 
podemos dizer que a contabilização dos eventos que envolvem a sociedade e o 
meio ambiente possibilita mensurar as políticas empresariais, demonstrando o 
comprometimento com o desenvolvimento sustentável. 
Essa linha de pensamento é concordante com Ferreira (2009), ao 
entender que a Contabilidade Ambiental não é outra Contabilidade; assim, todos 
os eventos econômicos ou fatos contábeis relativos a ações realizadas pela 
Entidade que, por consequência, causem impacto ao meio ambiente, devem ser 
reconhecidos e registrados pelo sistema contábil. 
As atividades de cunho ambiental, de acordo com Wernke (2001, p. 46), 
passaram a ser, mercadologicamente, estratégicas por uma razão fundamental, 
“influenciam substancialmente a continuidade da empresa, em decorrência do 
significativo efeito que exercem sobre o resultado e a situação econômico-
financeira”. 
A seguir, destacamos alguns setores produtivos cujos produtos impactam 
o meio ambiente relacionados às atividades de setores operacionais, afetando 
não somente o patrimônio, mas a própria continuidade das empresas, bem como 
a qualidade de vida das pessoas, da fauna, da flora, dos rios e mares, e que, por 
isso, devem ser objeto de registro, acumulação, mensuração, avaliação e 
divulgação: 
 
 
10 
Tabela 1 – Setores produtivos 
TIPOS CARACTERÍSTICAS IMPACTOS 
SOCIOAMBIENTAIS 
Oficinas manufatureiras; oficinas 
de usinagem; trabalhos de 
manufatura sob encomenda; 
panificadoras; lapidação e 
joalheria; empresas 
assemelhadas. 
Trabalhos de artesanato industrial 
sob encomenda e sem estocagem 
de produtos acabados. Micro, 
pequenas e médias empresas 
produtoras de: artefatos industriais 
de pequeno porte. 
Baixíssimos impactos de 
produtos, processos e 
instalações. 
Indústria segmento misto: Produtoras de bens de consumo 
duráveis; materiais de construção; 
serralheria; confecções de roupas 
de vestuário; empresas têxteis; 
higiene e cosméticos; malharias. 
Impactos de produtos, 
processos e instalações 
são altos. 
Indústria bens de consumo não 
duráveis 
Empresas pertencentes a setores 
econômicos como: acessórios para 
veículos e autopeças; alimentos; 
eletroeletrônicos; embalagens de 
plásticos; metalurgia; móveis 
(móveis de metal; organizações do 
setor moveleiro, usuário de madeira 
certificada ou não); máquinas e 
equipamentos; química; e 
atividades correlatas. 
Os impactos 
socioambientais são altos 
e precisa ser 
sistematizado. Há 
necessidade de 
certificação internacional 
do tipo selo verde e/ou 
equivalentes instituídos 
pela SA 8000, AA 1000 e 
equivalentes. 
Indústria de bens de consumo 
duráveis 
Pertencentes a setores econômicos 
como: artefatos de concreto; 
cerâmica para construção civil; 
cerâmica para uso diversos; 
construção pesada; curtumes; 
couros e calçados; calçados de 
plásticos; plásticos e borracha; 
agronegócios (produção e 
comercialização de produtos 
agrícolas e pecuários); mineração. 
Atividades correlatas de 
altíssimo impacto 
socioambiental. 
Fonte: Adaptado de Tachizawa, 2007 
TEMA 4 – INVESTIMENTOS AMBIENTAIS 
O termo investimento pode ter diferentes significados. Por exemplo, para 
a área de finanças, na qual investimento pode ser o total do ativo menos o 
passivo de funcionamento; já em relação à análise de balanço, representa 
participações em empresas. Outro significado mais usual se refere a toda 
aquisição de ativos visando a benefícios futuros. 
Desta forma, quando nos referimos aos investimentos ambientais, 
podemos entender que há certa convergência desses diferentes significados. 
 
 
11 
Em termos práticos, os investimentos ambientais de uma empresa são os gastos 
incorridos, e a incorrer, para aquisição de ativos que tenham relação com os 
processos de preservação, controle e recuperação do meio ambiente, visando a 
benefícios futuros. Os gastos podem representar ativos de vida curta, como 
insumos para o processo produtivo, ou ativos de vida longa, como aquisição de 
máquinas para preservar, controlar, e recuperar o meio ambiente. 
As organizações têm avançado significativamente com o decorrer dos 
anos em seus investimentos ambientais. Uma forte razão para isso, de acordo 
com Chen, Lai e Wen (2006), deve-se à influência dasnormas internacionais e 
as legislações ambientais cada vez mais rigorosas, e também pela ligação que 
se estabeleceu entre essas ações socialmente responsáveis, com o 
desenvolvimento econômico-financeiro dessas empresas, desencadeando 
vantagens competitivas. 
Salienta-se, ainda, a questão reputacional e de imagem, numa 
concordância ao que diz Tinoco e Kraemer (2011), acerca de que as medidas 
preventivas relacionadas ao meio ambiente, além de ajudarem a evitar 
problemas legais futuros, contribuem para a melhoria da imagem da empresa 
perante a opinião pública. 
Nesse contexto, soma-se, atualmente, o conjunto de princípios, acordos 
voluntários que estão a compor a governança socioambiental no mercado 
financeiro, gradualmente desenvolvida nos últimos 20 anos e que tem causado 
alterações na maneira de investimentos, passando a considerar os impactos 
ambientais relacionados à forma de gestão de negócios. Destacam-se os 
Princípios para Investimentos Responsável – PRI –, um conjunto das melhores 
práticas globais para o investimento responsável que tem por base, 
principalmente, incluir as questões de Environmental, Social and Corporate 
Governance – ESG – nas análises de investimento e nos processos de tomada 
de decisão. 
Os tipos de investimentos podem ser bastante variáveis, desde 
investimentos em tecnologias, matérias-primas e processos de prevenção, 
contenção, diminuição ou eliminação de aspectos poluentes ou que representam 
riscos ao meio ambiente, à saúde pública ou dos trabalhadores em uma 
perspectiva de geração de benefícios econômicos e valorização dos 
empreendimentos, assim como ao estabelecimento de diferenciais de mercado 
vinculados com a responsabilidade social e ambiental das empresas. 
 
 
12 
TEMA 5 – CUSTOS DE PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE 
Há, sem dúvida, um lado de certa forma subjetivo, ou que não é passível 
de mensuração dentro da gestão de uma empresa em relação aos custos de 
preservação do meio ambiente. 
Nessa perspectiva, podemos refletir sobre o que significam realmente os 
custos de preservação do meio ambiente com base em nossa reflexão inicial 
sobre o comportamento dos dirigentes de Nova Orleans e do Brasil, bem como 
os dirigentes das empresas que foram citadas ao longo da nossa aula. 
Além disso, é necessário reconhecer que há uma crise ambiental que tem 
afetado a todos os seres vivos da biosfera e que se relacionada diretamente aos 
serviços ambientais fornecidos pela natureza. Entre esses serviços, muitos dos 
quais não temos sequer noção, estão àqueles relacionados à regulação do clima, 
provimento de recursos hídricos, ciclagem de nutrientes, elementos culturais, 
beleza cênica, recursos genéticos, entre tantos outros. 
Infelizmente, o aumento da complexidade civilizatória tanto em termos de 
crescimento de urbanização desordenada e de padrões de consumo 
insustentáveis em conjunto com outros tantos fatores de igual ou maior 
complexidade se tornam um imenso desafio para a manutenção dos 
ecossistemas e, consequentemente, sobre o provimento dos serviços 
ambientais. Os estudos até então realizados vêm demonstrando que essas 
perdas serão contabilizadas em grupos de maior fragilidade econômica, como 
as populações mais pobres. 
No documento elaborado pela ONU chamado Avaliação Ecossistêmica do 
Milênio ou Millennium Ecosystem Assessment” (Millennium Ecosystem 
Assessment, 2005), dados apresentam que cerca de 60% dos serviços 
ambientais que garantem o bem-estar humano estão degradados e sob pressão, 
como resultado da contínua destruição e sobre-exploração dos recursos naturais 
e da biodiversidade. 
É notório, portanto, que o bem-estar da sociedade depende 
significantemente dos serviços ambientais fornecidos pela natureza, que incluem 
a regulação do clima na Terra, a formação dos solos, o controle contra erosão, 
o armazenamento de carbono, a ciclagem de nutrientes, o provimento de 
recursos hídricos em quantidade e qualidade, a manutenção do ciclo de chuvas, 
a proteção da biodiversidade, a proteção contra desastres naturais, elementos 
 
 
13 
culturais, a beleza cênica, a manutenção de recursos genéticos, entre muitos 
outros. Mas nessa discussão também tem que ser considerada a falta de 
ordenamento do crescimento das cidades, padrões de consumo que vão contra 
os limites do planeta, dietas alimentares que têm se transformado 
sucessivamente ao longo da história da civilização, a densidade populacional, 
dentre uma gama bastante diversificada de fatores que se tornam “desafio para 
a manutenção da biodiversidade e dos ecossistemas, o que pode causar graves 
consequências nesse provimento de serviços ambientais” (MMA, 2011, p. 11). 
Neste sentido, como está descrito em MMA (2011), para que esses 
processos sejam revertidos é preciso que os ecossistemas tenham sua proteção 
e/ ou recuperação garantida. Somente dessa forma serão garantidos os serviços 
ambientais tão importantes para a nossa vida no planeta, a exemplo da captura 
de carbono, a manutenção dos ciclos hídricos e a proteção da biodiversidade e 
das belezas cênicas para a sociedade (MMA, 2011, p. 8). 
Esse cenário permeia o dia a dia da contabilidade ambiental, tanto no 
setor empresarial como no setor governamental. 
De forma mais prática, adaptando de Hansen e Mowen (2001), podemos 
compreender que os custos de preservação do meio ambiente podem ser vistos 
de três maneiras: 
• Aqueles que são envolvidos em atividades que objetivam resolver o 
problema ambiental em sua raiz, isto é, evitar o surgimento da poluição 
ou pelo menos proteger o meio ambiente da poluição gerada pelo 
processo produtivo. Nesse caso, vinculam-se à operação de 
equipamentos que amenizam ou eliminam poluição, compra de 
equipamentos para proteção da natureza, como filtros, reciclar resíduos 
tóxicos e sucatas etc. 
• Custos relacionados ao processo de controle, ou seja, objetivam 
supervisionar, controlar, administrar, planejar os processos de 
preservação e recuperação. Atividades como auditar processos 
ambientais, inspecionar produtos, desenvolver medidas de desempenho 
ambiental, testar contaminação, verificar desempenho ambiental de 
fornecedores, medir níveis de contaminação, executar estudos 
ambientais, desenvolver sistemas de gestão ambiental, obter certificado 
ISO 14001 etc. exemplificam esse grupo. 
 
 
14 
• E os custos relacionados aos processos de recuperação: conjunto de 
atividades que objetiva trabalhar determinado local para recuperá-lo da 
poluição, para limpá-lo do agente poluidor, restaurá-lo para voltar a ter 
valor de uso. Quando certa empresa incorre em muitos gastos com essas 
atividades, significa que seus produtos e serviços estão sendo 
processados com ineficiências, pois quando a atividade fim da empresa 
exige desembolsos para reverter determinado local à sua situação natural 
para possibilitar, novamente, o seu uso, indica que há desperdícios 
embutidos nos poluentes. Esse grupo deveria ser o menos representativo 
do total dos gastos ambientais incorridos. Gastos como limpar lago 
poluído, limpar manchas de petróleo, limpar solo contaminado, indenizar 
danos pessoais (relacionado ao meio ambiente), restaurar terra ao estado 
natural etc. exemplificam as atividades do processo de recuperação. 
TROCANDO IDEIAS 
Com base em tudo o que vimos em aula, principalmente questões 
relacionadas aos eventos ambientais de origem climática e suas consequências 
para a sociedade em geral, a grande variedade e complexidade de termos e 
conceitos ambientais, como você se posiciona diante de tudo isso? Quais as 
dificuldades em termos de gestão empresarial acerca de contabilizar o meio 
ambiente? Por que a empresa Natura tem investido nesse processo e outras 
ainda são relutantes? Como você percebe o caráter subjetivo, ou seja, aquilo 
que é difícil de mensurar, como a vida, dentro da contabilização ambiental? 
NA PRÁTICA 
 O dano ambiental agoratem preço definido 
Ao longo de um período de quase dois anos, encerrado em março, 11 
funcionários da fabricante de cosméticos Natura, orientados por 
profissionais da consultoria PwC, mapearam e esmiuçaram 962 
processos da extração de matérias-primas até a produção e 
distribuição dos mais de 2 500 produtos da empresa. Nessa fase, o 
objetivo era reunir um volume significativo de informações que 
permitissem calcular, com o máximo de precisão, o impacto ambiental 
de cada uma dessas atividades. Para mensurar os efeitos no meio 
ambiente dos 2,5 milhões de catálogos que chegam a cada 20 dias às 
mãos dos milhares de vendedoras da empresa no Brasil, foi preciso 
obter dados como o consumo de água da gráfica em que são 
impressos e o volume de gases de efeito estufa e de outros poluentes 
atmosféricos e hídricos liberados nesse processo, entre outros 
indicadores. 
O levantamento serviu para que a Natura, pela primeira vez, aferisse o 
valor — em dinheiro — do impacto provocado pela sua operação 
http://www.exame.com.br/topicos/cosmeticos
 
 
15 
durante o ano de 2013. Resultado: um dano ambiental de 132 milhões 
de reais (numa extrapolação que considera o uso dos produtos pelos 
consumidores, essa conta sobe para 587 milhões de reais).A 
companhia chegou a esse número ao estimar — e não há nada de 
trivial nessa conta — quanto suas intervenções na natureza prejudicam 
de diferentes maneiras o bem-estar da população e, em última 
instância, representam custos financeiros para a sociedade. Os 
exemplos vão desde gastos com saúde decorrentes da poluição 
atmosférica e hídrica gerada pela empresa até a desvalorização 
imobiliária provocada na região em que há um lixão. A Natura é a 
primeira empresa no Brasil e do setor de cosméticos no mundo a fazer 
essa conta e torná-la pública. Calcular a tal “pegada ambiental” não é 
mais novidade. O desafio, agora, é estimar um preço ao dano causado. 
A Natura seguiu os passos da pioneira Puma, marca de artigos 
esportivos que fomentou o desenvolvimento da metodologia com a 
PwC e a Trucost, consultoria inglesa, e se dispôs a testá-la em 2011. 
Na época, os executivos da companhia fizeram o cálculo para toda a 
sua cadeia de produção e declararam ter provocado danos à natureza 
no valor de 145 milhões de euros por ano.(...)Não há dados precisos 
sobre o número de empresas mundo afora que tenham divulgado o 
cálculo de seus impactos, mas especialistas afirmam que o grupo ainda 
é restrito e inclui nomes como o da farmacêutica dinamarquesa Novo 
Nordisk e da companhia de água britânica Yorkshire Water. 
Emissões 
Na Natura, o cálculo revelou que 55% dos impactos ambientais 
provocados pela empresa também acontecem nas etapas de extração, 
processamento e transporte das matérias-primas, e esses danos se 
traduzem, sobretudo, em emissões de gases causadores do efeito 
estufa. Muitos dos insumos usados nos cosméticos são de origem 
vegetal e, por isso, menos intensivos sob a ótica das emissões, mas a 
empresa ainda é refém de uma série de matérias-primas sintéticas de 
origem fóssil. Por ora, os executivos da empresa ainda estão 
estudando o que fazer com os muitos dados que vieram à tona com o 
cálculo e se preparando para entregar a mesma conta relativa aos anos 
de 2014 e 2015. O exercício matemático já revelou que, se ao longo 
dos últimos anos a Natura não tivesse conduzido vários esforços para 
reduzir sua pegada de carbono, com medidas como a adoção de 
plástico verde nas embalagens e de álcool orgânico nas fórmulas, o 
tamanho do estrago teria sido 24% maior — 164 milhões de reais. Não 
são números bonitos. Mas sem conhecer a realidade é impossível 
transformá-la (Adaptado de Herzog, 2016). 
A empresa Natura, sem dúvida, é uma empresa ícone em termos de 
inovação e sustentabilidade empresarial. O texto anterior se refere ao início do 
movimento que ela tem apresentado em seus relatórios de sustentabilidade, 
desde então, como a sua contabilidade ambiental. Os números apresentados 
servem como balizadores para os investimentos ambientais dentro da empresa, 
bem como a aplicação em projetos sociais nas regiões onde atua. Mostra o grau 
de integração entre as equipes que lá trabalham, além da sustentabilidade 
ambiental inserida como visão de futuro e planejamento estratégico. 
http://www.exame.com.br/topicos/natura
 
 
16 
FINALIZANDO 
Começamos nossa aula com o texto retirado do livro Estratégia para 
Sustentabilidade, que revelou a importância de uma sustentabilidade social, 
econômica e cultural, cenário no qual a contabilidade ambiental tem um papel 
importantíssimo. Com base nisso, direcionamo-nos, então, a compreender a 
importância do registro, em termos monetários, das transações entre unidades 
econômicas que podem ser consideradas ambientais decorrentes do impacto 
dessas situações. Aprendemos o conceito, então, de eventos ambientais como 
aqueles relacionados a atividades de diversos setores "que afetam o patrimônio 
e a continuidade das empresas, a qualidade de vida das pessoas, da fauna, da 
flora, dos rios e mares e que, por conseguinte, devem ser objeto de registro, 
acumulação, mensuração, avaliação e divulgação pela contabilidade 
empresarial". 
A seguir, entendemos que nem todos os eventos que ocorrem numa 
entidade, ou por meio dela, são contabilizados, ou pela incapacidade de 
mensuração devido à grande magnitude, ou seja, pelo desconhecimento das 
categorias de atividades na qual devem ser inseridas. Olhamos os exemplos das 
empresas Samarco, British Petroleum e Volkswagen, em que a ocorrência de 
um grande impacto financeiro nas empresas por haverem desconsiderado riscos 
de natureza socioambientais afetaram os empreendimentos ou investimentos de 
diferentes maneiras, resultando em erosão direta do valor presente líquido. 
Na sequência, pudemos avançar então na compreensão da 
contabilização ambiental e o que isso significa para as instituições, sejam elas 
governamentais ou privadas. 
Também entendemos sobre as diversas formas de investimentos 
ambientais e, por fim, fizemos uma reflexão prática, mas também filosófica em 
relação aos custos da preservação ambiental. 
E em nossa prática, refletimos sobre o exemplo da empresa Natura que, 
desde 2011, passou a mapear e esmiuçar os seus processos da extração de 
matérias-primas até a produção e distribuição dos produtos da empresa. 
 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
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BNDES, Rio de Janeiro: v. 6, n.11, junho 1999. 
BP PROMETE limpar vazamento de oleo na costa dos EUA. BBC, 3 maio. 2010. 
Disponível em: 
<https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/05/100503_vazamentobplimpe
zafn>. Acesso em: 27 ago. 2019. 
BRASIL. Pagamentos por Serviços Ambientais na Mata Atlânica: lições 
aprendidas e desafios. Fátima Becker Guedes e Susan Edda Seehusen; 
Organizadoras. Ministério do Meio Ambiente – MMA. Brasília: MMA, 2011. 
CHEN, Y. S.; LAI, S. B.; WEN, C. T. The Influenceof Green Innovation 
Performance on Corporate Advantage in Taiwan. Journal of Business Ethics, 
v. 67, pp. 331-339, 2006. 
CONTABILIDADE AMBIENTAL. Passei Direto, S.d. Disponível em: 
<https://www.passeidireto.com/arquivo/53318706/contabilidade-ambiental>. 
Acesso em: 27 ago. 2019. 
ESCANDALO DO DIESEL faz Volkswagen guardar mais de 300 mil carros 
comprados nos EUA. Proclima, 30 mar. 2018. Disponível em: 
<https://cetesb.sp.gov.br/proclima/2018/03/30/escandalododieselfazvolkswagen
-guardar-mais-de-300-mil-carros-recomprados-nos-eua/>. Acesso em: 27 ago. 
2019. 
FERREIRA, A. C. de S. Contabilidade ambiental – Uma informação para o 
desenvolvimento sustentável. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 
HANSEN, D. R.; MOWEN, M. M. Gestão de Custos. South-Western College 
Publications, 2001. 
MARTINS, E.; DE LUCA, M. M. M. Ecologia via contabilidade. Revista Brasileira 
de Contabilidade. CFC, ano 23, n. 86, mar.1994. 
MENEGUETTHI, D. Quais as consequências do desastre Mariana (MG)? Super 
interessante, 1nov. 2017. Disponível em: <https://super.abril.com.br/mundo-
estranho/quais-as-consequencias-do-desastre-de-mariana-mg/>. Acesso em: 
27 ago. 2019. 
 
 
18 
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Synthesis. Island Press, Washington, DC, 2005, p. 68. 
ONU — Organização das Naçoes Unidas. Sistema de contas ambientais 2012 
Marco Central. Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe 
(CEPAL). 2016. 
TACHIZAWA, T.; ANDRADE, O. B. de. Responsabilidade Socioambiental no 
Contexto das Micros e Pequenas Empresas. SEGeT – Simpósio de Excelência 
em Gestão e Tecnologia. Gestão ambiental e social. Anais. Rio de Janeiro, 
2007. Disponível em: 
<https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos07/759_759_artigo_SEGET.pdf>. 
Acesso em: 27 ago. 2019. 
TINOCO, J. E. P.; KRAEMER, M. E. P. Contabilidade e Gestão Ambiental. 3. 
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WERBACH, A. Estratégia para Sustentabilidade. Amterdã : Editora Elsevier, 
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WERNKE, R. Custos ambientais: uma abordagem teórica com ênfase na 
obtenção de vantagem competitiva. Revista de Contabilidade do Conselho 
Regional de São Paulo. São Paulo – SP: ano 5, n.15, pp. 40-49, mar. 2001. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTABILIDADE AMBIENTAL 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Lizete Farias 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula vamos aprofundar nossos conceitos sobre sustentabilidade e 
a sua relação por meio de diferentes contextos e atores. Primeiro, vamos 
compreender quais as principais questões do ponto de vista da sustentabilidade 
ambiental, quais os temas que estão presentes no dia a dia da nossa sociedade, 
inclusive com base em um ponto de vista histórico. A ética, nesse contexto, surge 
quase de forma natural, por isso veremos quais as implicações no tocante à 
responsabilidade ambiental. 
Na sequência, veremos como um ator importante, que é o setor 
empresarial, tem se posicionado no tema da sustentabilidade e como isso se deu 
ao longo das últimas décadas. 
A seguir, aprofundaremos a nossa compreensão sobre Desenvolvimento 
Econômico e meio ambiente, aprendendo a distinção entre Economia Ambiental 
e Economia Verde. 
Por fim, vamos então discutir sobre o conceito de desenvolvimento 
sustentável, aprendendo que não há uma definição única. 
E, para dar início à nossa aula, na qual falaremos sobre o tema da 
sustentabilidade, partiremos do recorte de dois relatórios da Oxfam sobre o 
cenário brasileiro dos últimos em termos sociais. Se queremos um mundo mais 
sustentável, precisamos compreender qual cenário precisamos realmente 
transformar. Vamos à nossa aula! 
CONTEXTUALIZANDO 
Neste momento, o 1% mais rico da população mundial possui a mesma 
riqueza que os outros 99%, e apenas oito bilionários possuem o 
mesmo que a metade mais pobre da população no planeta. Por outro 
lado, a pobreza é realidade de mais de 700 milhões de pessoas no 
mundo. Trata-se de uma situação extrema. A desigualdade e a pobreza 
não são inevitáveis. São, antes de mais nada, produtos de escolhas 
políticas injustas que refletem a desigual distribuição de poder nas 
sociedades. Mudar essa realidade requer novas escolhas políticas, 
reiteradas ao longo do tempo, e sustentadas por uma sociedade com 
igual acesso à democracia. Entre 1990 e 2013, quase um bilhão de 
pessoas deixaram a condição de pobreza, ou seja, passaram a viver 
com mais de US$ 1,90 por dia – critério que, apesar de usual, é pouco 
ambicioso. Calcula-se que outras 200 milhões de pessoas poderiam 
ter tido igual destino se, no mesmo período, o crescimento médio da 
renda dos mais pobres fosse superior ao crescimento médio da renda 
dos mais ricos, reduzindo as distâncias entre a base e o topo da 
pirâmide social. Em setembro de 2015, os países reunidos na 70ª 
Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) 
acordaram uma nova agenda de desenvolvimento até 2030 – os 
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – reforçando o 
 
 
3 
compromisso de erradicação da pobreza no mundo. Um dos grandes 
avanços nessa agenda em relação aos Objetivos de Desenvolvimento 
do Milênio (ODM) é o estabelecimento de um objetivo para redução de 
desigualdades econômicas, o ODS 10, que prevê medidas para uma 
economia mais inclusiva até 2030. Trata- se de um objetivo que requer 
grande ambição prática e compromisso político. 
A roda da redução de desigualdades parou no Brasil. 
Entre 2017 e 2018, houve uma conjunção de indicadores negativos que 
contam a triste história de um grave recuo do progresso social no país. 
São retratos recentes de um processo que teve início há mais tempo e 
que não mostra sinais de reversão. Tendo-se em conta os últimos cinco 
anos, houve aumento da proporção da população em condição de 
pobreza, do nível de desigualdade de renda do trabalho e dos índices 
de mortalidade infantil . O coeficiente de Gini de renda domiciliar per 
capita, índice que mede a desigualdade de renda no país e que vinha 
caindo desde 2002, estagnou entre 2016 e 2017. Considerando o 
Objetivo de Desenvolvimento Sustentável – ODS 10, que preconiza a 
“redução de desigualdades dentro dos países e entre eles”, o Brasil 
caminha a passos largos para trás. Entre 2016 e 2017, os 40% mais 
pobres tiveram variação de renda pior do que a média nacional. (...) 
Nesse mesmo período, mulheres e a população negra tiveram pior 
desempenho de renda do que homens e a população branca, 
respectivamente, o que significou um recuo na equiparação de renda. 
(...) Tal cenário é a marca de uma crise econômica, fiscal e política que 
vivemos desde fins de 2014. Houve retração geral da renda nacional 
desde então, produto da recessão que praticamente fez dobrar o 
desemprego no país, de 6,8% em 2014 para 12,7% em 201714. Tal 
movimento afetou muito mais os pobres, as mulheres e a população 
negra. (Oxfam, 2017) 
TEMA 1 – QUESTÕES AMBIENTAIS LIGADAS À SUSTENTABILIDADE 
Há muitos elementos em jogo quando falamos de meio ambiente e 
sustentabilidade: desde o comportamento das empresas em relação à 
apropriação dos recursos naturais, o papel das instituições que nos governam, 
até os nossos atos enquanto cidadãos comuns que integram a sociedade. 
Por isso, julgamos interessante e oportuno trazer esse breve recorte de 
dois relatórios feitos pela Oxfam International (<https://www.oxfam.org.br/>), em 
2017 e 2018, uma confederação de 20 organizações e mais de 3000 parceiros, 
que atua em mais de 90 países na busca de soluções para o problema da 
pobreza, desigualdade e da injustiça, por meio de campanhas, programas de 
desenvolvimento e ações emergenciais. No texto, podemos ter uma ideia do 
quão grande são as desigualdades existentes no nosso país, desigualdades 
essas que impactam significativamente a condição dos recursos naturais. Além 
disso, o texto também faz uma menção aos Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável, uma renovação ou mesmo ampliação de compromissos outrora 
assumidos por meio dos Objetivos do Milênio, ainda inconclusos, agora 
intitulados Agenda 2030. 
 
 
4 
Partindo desse cenário, vamos entender por que precisamos, de forma 
urgente, avançar na direção de uma sustentabilidade ambiental. 
Começaremos com um pouco de história. É de compreensão usual que a 
Terra teve sua evolução determinada pelas forças geológicas desde sua origem, 
há cerca de 4,5 bilhões de anos, as quais incluem transformações significativas 
em sua crosta e atmosfera, mas, com o início da Revolução Industrial, na 
segunda metade do Século XVIII, um novo agente de mudança se somou às 
transformações geológicas: o homem. A partir do final da Segunda Grande 
Guerra Mundial, no entanto, o desenvolvimento da sociedade humana passou a 
gerar implicações negativas no ecossistema terrestre num crescimento 
exponencial de degradação. (Marques, 2015) 
Uma das expressões máximas dessas advertências foi seguramente a 
configuração de um novo período geológico, o Antropoceno, caracterizado pelofato de que o homem passa também a contribuir de forma expressiva como um 
agente geológico de transformação da paisagem global (Artaxo, 2014). 
Também é importante relembrar algo que já comentamos, brevemente, 
em nossas aulas anteriores, acerca do programa de pesquisas sobre mudanças 
ambientais, que teve como objetivo avaliar a situação dos principais 
ecossistemas do mundo, com o apoio das Naçoes Unidas, chamado Avaliação 
Ecossistêmica do Milênio ou Millennium Ecosystem Assessment. Os primeiros 
resultados, divulgados no ano de 2005, deram o alerta inicial sobre o impacto 
negativo irreversível de de’predação dos nossos recursos naturais, indicando 
que a situação constatada tende a se agravar significativamente nos próximos 
50 anos (Millennium Ecosystem Assessment, 2005). 
Mais recentemente, cientistas líderes enumeraram nove outros limites 
planetários que não devem ser cruzados para que a Terra permaneça habitável 
para humanos e muitas outras espécies. Essas calamidades inter-relacionadas 
incluem (Steffen et al., 2015): 
1. Mudanças climáticas; 
2. Perda de ozônio estratosférico; 
3. Acidificação dos oceanos; 
4. Ciclos biogeoquímicos de nitrogênio e fósforo; 
5. Mudanças na integridade da biosfera associadas à perda de 
biodiversidade; 
6. Mudanças no uso do solo; 
 
 
5 
7. Uso de recursos hídricos; 
8. Carga de partículas de aerossóis na atmosfera; 
9. Introdução de entidades novas e poluição química. 
O cenário descrito anteriormente, na realidade, fala sobre os sintomas da 
“insustentabilidade ambiental” com as quais temos que nos deparar sobre os 
impactos globais que pautam as manchetes e, por conseguinte, o dia a dia das 
empresas. 
Sabemos ainda que as previsões acerca das pressões sociais e 
econômicas revelam tendências de aumento crescente nas próximas décadas. 
A compreensão dessa realidade é necessária e urgente para que possa 
contribuir para a criação de um sistema de governança global que nos permita 
superar esses desafios. 
TEMA 2 – ÉTICA E RESPONSABILIDADE AMBIENTAL 
Diante de condições tão desiguais em termos sociais e ambientais no 
mundo e em nosso país, a ética e a responsabilidade ambiental são temas com 
uma grande sinergia. Além disso, é importante destacar, como temos visto por 
meio do percurso das aulas, quão importantes são os trabalhos do contador 
ambiental. Trabalho este que envolve análise de dados diversos, incluindo, num 
sentido mais amplo, os aspectos filosóficos que referem à tomada de decisões 
na contabilização ambiental. Por isso, é imprescindível falarmos de ética e 
responsabilidade ambiental, uma vez que o contador pode vir a enfrentar dilemas 
circunscritos aos conceitos de dever, direito, justiça e responsabilidade quando 
abordar as questões ambientais. 
Mas, afinal, do que falamos quando pensamos em ética? 
Em Ribeiro (2017), encontramos que a palavra ética tem origem grega – 
ethos – e está relacionada aos costumes, aos hábitos dos homens ou, ainda, 
Ethos é o lugar em que habitamos, é a nossa casa. Uma das possíveis definições 
de ética seria ainda, segundo Ribeiro (2017), a de que é uma parte da filosofia 
e, portanto, também pertinente às ciências sociais, que lida com a compreensão 
das noções e dos princípios que sustentam as bases da moralidade social e da 
vida individual. Em suma, podemos dizer que se trata de uma reflexão sobre o 
valor das ações sociais consideradas tanto no âmbito coletivo como no âmbito 
individual. 
 
 
6 
Nesse caso, a ética também é uma reflexão acerca da influência que o 
código moral estabelecido exerce sobre a nossa subjetividade, como lidamos 
com isso, se aceitamos de forma integral ou não esses valores normativos e até 
que ponto conferimos efetivo valor a tais códigos. Em relação ao meio ambiental, 
podemos entender como uma ética ambiental aquela que advém da necessidade 
de reexaminarmos nossos valores e princípios em razão dos problemas 
ambientais e da necessidade de compreendermos as razões que definem a 
relação do homem com a natureza. 
Segundo Cortella (2010), é impossível pensar em ética se não pensarmos 
nas nossas relações, seja com outras pessoas seja com o mercado profissional. 
Segundo ele, a ética seria a perspectiva para olharmos os nossos princípios e 
os nossos valores para existirmos juntos. Nesse sentido, ao olharmos para as 
questões empresariais, o autor diz que ainda devemos demarcar aquelas que 
dizem “fazemos qualquer negócio” daquelas que dizem “não fazemos qualquer 
negócio”. Essa é uma boa reflexão, portanto, ao contador ambiental. 
Cortella (2010) reforça que as empresas que sustentam o princípio de que 
não se submetem são aquelas que têm capacidade de desenvolver 
conhecimento e tecnologia para gerar vida e não a diminuir. O filósofo afirma que 
a ética é um conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três 
grandes perguntas da vida humana: Quero? Devo? Posso? Isso seria algo que 
não nos dá conforto, mas sim algo que nos coloca dilemas (Cortella, 2010). 
Essa reflexão, numa forma mais prática, pode ser contextualizada por 
meio do que entendemos por uma produção sustentável com base em nossa 
responsabilidade na manutenção dos recursos naturais. Por meio dessa ótica, é 
possível compreender que cada produto extraído da biodiversidade apresenta 
determinadas características não somente ecológicas e etno-botânicas distintas, 
mas também relacionadas à sua forma de extração da natureza, em especial à 
absorção de trabalho, manutenção de estoque, desenvolvimento de mercado, 
validade e bem como a origem da organização socioeconômica. 
Concluindo, a ética, de forma inerente, está ligada à conservação 
ambiental e à valorização social por meio de parcerias estabelecidas entre 
empresas, comunidades locais e consumidores. Devemos analisar 
cautelosamente a realidade de nosso planeta, pois esse trabalho somente se 
legitima se contribuir para um desenvolvimento sustentável em escala global. 
 
 
7 
TEMA 3 – SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL 
O cenário descrito nos temas anteriores desta aula conduz a falarmos 
mais especificamente de um ator importante em termos de sustentabilidade, que 
é o setor empresarial. A partir dos anos 1990, as questões ambientais passaram 
a integrar o mundo dos negócios, mostrando a capacidade da criação de valor 
para clientes, acionistas e outras partes interessadas. Podemos, inclusive, dizer 
que o movimento da globalização reforçou a necessidade das empresas de 
incorporar a dimensão socioambiental nos seus planejamentos e estratégias de 
negócios. Como consequência disso, as empresas buscaram e buscam, cada 
vez mais, associar suas marcas a projetos, iniciativas e parcerias com ONGs, 
associam-se aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, implantam as 
ISOs, divulgam suas ações por meio de relatórios de sustentabilidade. 
A ideia de sustentabilidade, como dissemos anteriormente, começou em 
grande parte com a preocupação ambiental, que acabou por envolver as 
dimensões econômica e social e, a partir dos anos 1990, passou a incluir a 
responsabilidade social empresarial. 
Um dos conceitos mais inovadores e que causou profundas 
transformações no mundo corporativo foi o Triple Botton Line, ou Tripé da 
Sustentabilidade. Criado nos anos 1990 por John Elkington, cofundador da 
organização não governamental internacional SustainAbility, representa a 
expansão do modelo de negócios tradicional [...] para um novo modelo que 
passa a considerar o desempenho ambiental e social da companhia, além da 
financeira (Elkington, 2012). 
No auge do crescimento da América Corporativa, mas também do 
acirramento do debate ambiental, John Elkington se esforçou para medir a 
sustentabilidade empresarial em meados da década de 1990. 
Essa estrutura, que de certa forma se constitui numa espécie de 
contabilidade (não é à toa que é usual se usar o termo accountability), e que está 
além das medidas tradicionaisde lucros, oferece um retorno sobre investimento 
e valor ao acionista ao incluir as dimensões ambiental e social. Diz respeito ao 
desempenho nas dimensões inter-relacionadas de lucros, pessoas e o planeta 
se constituindo assim numa ferramenta importante para apoiar as metas de 
sustentabilidade. 
 
 
8 
Essa “contabilidade” incorpora três dimensões de desempenho: social, 
ambiental e financeira, o que a torna diferente das estruturas de relatórios 
tradicionais, pois inclui medidas ecológicas (ou ambientais) e sociais que podem 
ser difíceis de atribuir aos meios de medição apropriados. As dimensões Triple 
Botton Line também são comumente chamadas de três Ps: pessoas, planeta e 
lucros, ou 3Ps. 
Numa síntese, pode-se dizer que o tripé da sustentabilidade busca captar 
a essência da sustentabilidade empresarial medindo o impacto das atividades 
de uma organização no mundo, incluindo tanto sua rentabilidade e os valores 
dos acionistas quanto seu capital social, humano e ambiental. Desta forma, 
portanto, quando falamos em sustentabilidade empresarial, referimo-nos ao 
conjunto de ações adotadas pelas empresas com o objetivo de atuar de maneira 
consciente. 
Hoje ainda são discutidos novos pilares, como a questão cultural, 
tecnológica, mesmo esses avanços. No entanto, não tem sido suficiente para 
que o mundo possa mudar a direção para longe do processo destrutivo para o 
qual tem caminhado (Guimarães, 2009). 
A competividade das empresas é um dos grandes questionamentos 
quando se aborda os temas sociais e ambientais, existindo o predomínio de uma 
visão clássica na qual incorporar os aspectos sociais e ambientais para além da 
obrigação legal eleva os custos, reduzindo o lucro a ser obtido. Nesse sentido, 
as discussões acerca do conteúdo e extensão da responsabilidade social nos 
negócios tem sido, de certa forma, até exaustivo para que se contraponha 
desempenho econômico ao social e ambiental. Do ponto de vista ético, as 
empresas devem buscar lucros de longo prazo, obedecendo às leis e 
regulamentações, considerando o impacto não mercadológico de suas decisões, 
buscando também maneiras de melhorar a sociedade com base em uma 
atuação com responsabilidade e sustentabilidade dos negócios. 
Dentro do modelo econômico capitalista, a sustentabilidade é uma nova 
forma de fazer negócios, que tem como pressuposto o novo papel da empresa 
na sociedade. Um modelo de negócios orientado por esses pressupostos se 
alinha às perspectivas de longo prazo, incluindo a visão e demandas das partes 
envolvidas, permitindo que os princípios da ética e a transparência precedam a 
implementação de processos, produtos e serviços. 
 
 
9 
TEMA 4 – DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO EM RELAÇÃO AO MEIO 
AMBIENTE 
Outra discussão importante que atravessa o debate da sustentabilidade é 
a discussão acerca do desenvolvimento econômico e o meio ambiente. O 
pensamento tradicional econômico entende que é possível esgotar determinada 
classe de recurso natural, movendo-se imediatamente para outro, sem que isso 
se torne um impeditivo para a vida no planeta. A ideia por de trás desse conceito 
é a de que o investimento compensaria as gerações futuras pelas perdas de 
ativos causados pelo consumo e produção correntes, pensamento ainda 
predominante na visão econômica tradicional (Foladori, 2001). 
Dois aspectos centrais, a finitude dos recursos e o crescimento ilimitado 
da economia, permeiam a discussão das correntes metodológicas, a Economia 
Ambiental e a Economia Ecológica, que buscam interpretar o problema 
ambiental e determinar ações que busquem resultados eficientes, partindo de 
considerações acerca das características de tais recursos. 
O debate entre essas duas correntes é a visão de como o sistema 
econômico e seus modos de produção afetam o sistema natural e, por sua vez, 
se os impactos oriundos da degradação ambiental restringiriam, ou não, o 
crescimento econômico. 
Inicialmente, é importante relembrar que, quando se fala em Economia 
Ambiental, essa não é uma abordagem no tocante aos problemas oriundos da 
degradação ambiental, mas sim a interpretação de uma escola de pensamento 
econômico, a saber, a neoclássica, desenvolvida pelo economista britânico John 
Maynard Keynes, a qual passou a incorporar o meio ambiente como objeto de 
estudo. 
A Economia Ambiental tem como base os mesmos pressupostos da teoria 
neoclássica e concentra a sua análise sobre a escassez de bens e serviços. 
Portanto, os bens – tudo aquilo que pode satisfazer as necessidades humanas 
– são valorados segundo a sua abundância ou não: quando escassos, são 
considerados bens econômicos e quando abundantes são bens não 
econômicos. 
Dentro dos pressupostos da Economia Ambiental, está presente o 
conceito de externalidade, que diz respeito à definição de quem pertence, afinal, 
os custos dos efeitos das atividades econômicas que recaem sobre terceiros. 
 
 
10 
Dentre as várias definições de externalidades, utilizamos a apresentada 
por Longo (1983), que explica que “uma externalidade é uma imposição de um 
efeito externo causado a terceiros, gerada em uma relação de produção, 
consumo ou troca”, podendo ser classificadas como externalidades positivas ou 
negativas. No caso de externalidades negativas, os exemplos são aquelas 
atividades que geram custos para os demais agentes envolvidos, como a 
poluição atmosférica, dos rios, oceanos, desmatamento ilegal, poluição sonora. 
 Já as externalidades positivas são aquelas que acontecem quando existe 
um beneficiamento sobre os terceiros, ainda que involuntário. Investimentos 
realizados por corporações em projetos que fortaleçam a infraestrutura local, 
como manutenção de estradas rurais nas quais essas empresas estejam 
estabelecidas, ou ainda voltados à questão energética, tecnológica, programas 
sociais beneficiando comunidades são exemplos dessas externalidades. 
A Economia Ecológica ou Economia Verde é o modelo que surge como 
resposta à corrente da economia ambiental e que busca integrar a análise de 
ecossistemas aos sistemas econômicos. Em May (2003), encontramos essa 
definição: “Campo de conhecimento transdisciplinar, desenvolvido a partir do 
reconhecimento de que, de um lado, o sistema socioeconômico baseia-se e 
depende dos sistemas naturais e, de outro lado, ele interfere e transforma o 
funcionamento destes últimos” (May, 2003, p. 12). 
Nessa escola, a economia é como um processo aberto dentro de um 
sistema maior, o ecossistema Terra, e por isso não deve ser analisada em si 
mesma, mas sim com base nas suas inter-relações com os ciclos 
biogeoquímicos que ocorrem no planeta (Foladori, 2004). 
De acordo com a definição apresentada pelo Programa das Nações 
Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), “uma Economia Verde é a que resulta 
em melhora do bem-estar humano e da equidade social, enquanto reduz 
significativamente riscos ambientais e a escassez ecológica” com três 
características fundamentais: 
 Crescimento em renda e emprego devem ser baseados em investimentos 
públicos e privados que reduzem emissões de carbono e poluição; 
 Aumento da eficiência energética e de recursos; 
 Redução da perda de serviços da biodiversidade e dos ecossistemas. 
 
 
11 
Ambas correntes de pensamento econômico apresentam diferenças que 
divergem, afinal, acerca do entendimento do que é o mundo. 
Em relação à Economia Ambiental, um dos seus aspectos mais 
controversos e objeto de crítica é o ponto sobre a abordagem do processo 
produtivo. Sob a ótica desse ponto de vista, não há o esgotamento de recursos 
naturais, tudo é solucionável pelo alto avanço tecnológico. De acordo com esse 
ponto de vista, por exemplo, caso houvesse uma seca ou inundação 
generalizada que causasse um colapso em termos de agricultura, em que 
mesmo assim o Produto Interno Bruto (PIB) se mantivesse com base no 
crescimento de outros setores da economia, não se teria um problema deordem 
econômica. 
Em relação à Economia Verde, as críticas também são duras, 
principalmente em relação a duas questões: primeiramente, a inclinação em 
privatizar os serviços ambientais; segundo, o fato de que não parecem realmente 
se ter perspectivas de mudanças na questão de preservação e degradação do 
planeta sem uma mudança no modelo de desenvolvimento atual. 
Diante dessas duas correntes, nas quais ambas têm aspectos 
contraditórios entre si, a questão posta seria a seguinte: que outros caminhos 
seriam possíveis para superar a dicotomia entre meio ambiente e 
desenvolvimento econômico? 
TEMA 5 – DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 
Com base no que vimos nos textos anteriores, podemos então discutir 
sobre o conceito de Desenvolvimento Sustentável, apresentado em 1987, no 
célebre Relatório Brundtland pela Comissão Mundial da ONU sobre Meio 
Ambiente e Desenvolvimento. Naquela época, esse conceito foi definido como 
“o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer 
a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” (ONU, 
1988, p. 46). 
O termo sustentabilidade se consolidou como um princípio da sociedade, 
ou seja, que mantém as características necessárias para um sistema social justo, 
ambientalmente equilibrado e economicamente próspero por um período de 
tempo longo e indefinido; no entanto, isso não tem acontecido. 
Outras correntes de pensamento como propostas de Desenvolvimento 
Sustentável também surgiram e, dentre elas, a corrente do Ecodesenvolvimento, 
 
 
12 
proposta pelo pensador Ignacy Sachs (2002), na qual, segundo o pensador, há 
a possibilidade de se constituírem novos “estilos de desenvolvimento” baseados 
no potencial ecológico das diferentes regiões e na capacidade própria dos povos 
do Terceiro Mundo. Sachs (2002) defendeu uma nova ética da natureza 
agregando a proposta de ações, como a introdução de tecnologias apropriadas 
e a orientação do sistema educativo para propiciar os conhecimentos 
necessários ao manejo ecologicamente correto dos recursos, repudiando a 
dependência cultural e técnica. 
De acordo com Pierri (2002), apesar da ampla divulgação que obteve, não 
atraiu nem o interesse nem a força necessários para convencer da urgência e 
viabilidade da proposta. Segundo a autora, a proposta do eco desenvolvimento 
é humanista e crítica, porém, a crítica é limitada, de tal modo que, ao mesmo 
tempo em que anima movimentos sociais a favor de certas mudanças, limita o 
horizonte ideológico dessas lutas ao sugerir que as soluções podem existir 
dentro dos mecanismos do mercado, ao qual pretende descentralizar, 
incentivando as pequenas empresas e reduzindo as escalas de produção, bem 
como “civilizar” com regulamentações que atendam aos imperativos ecológicos 
e às necessidades sociais da maioria. 
Outra proposta que, segundo Pierri (2002), realmente contemplaria uma 
visão humanista, crítica e profunda, seria enunciada pela Fundação Bariloche, 
por meio do Modelo Mundial Latino-americano, no qual o eco desenvolvimento 
teria como objetivo fundamental satisfazer pelo menos as necessidades 
humanas básicas de toda a sociedade, administrando os recursos e zelando pelo 
meio ambiente. Essa concepção repudiaria a tese dos limites físicos ao 
desenvolvimento como absolutos e diz que, nas escalas temporais e espaciais 
que importam atualmente para a humanidade, os limites operantes são sócio-
políticos e não físicos; a crise não está no futuro, mas no presente, posto que a 
maioria dos seres humanos vive na pobreza. Pierri (2002) descreve que os 
elementos básicos dessa nova sociedade seriam: equidade em todos os níveis, 
não consumismo (no sentido de que a produção e o consumo sejam 
determinados pelas necessidades sociais e não pelo lucro privado), e o 
reconhecimento de que essas necessidades podem ser definidas de modo 
diferente segundo as diferentes culturas. 
Vemos, portanto, que o debate do Desenvolvimento não aponta para 
apenas um modelo de desenvolvimento possível e, por isso, exige profundidade 
 
 
13 
na sua discussão, representando uma alternativa que busca responder às 
relações entre sociedade e meio ambiente, que eminentemente são estreitas e 
interdependentes. 
TROCANDO IDEIAS 
Vimos questões importantes ao longo da aula que nos levam a questionar 
para onde caminhamos dentro do modelo atual de desenvolvimento econômico 
proposto. Você concorda com isso? Como pensar a implantação de um cenário 
mais justo social e ambiental num planeta, e em especial, nosso país, com tantas 
dificuldades socioambientais? Você conhece algum exemplo, em sua 
comunidade ou cidade, que tem buscado alternativas ao atual modelo? 
NA PRÁTICA 
Por mais que a mente humana tenha se tornado tão engenhosa em 
seu curto e recente período na linha do tempo da Terra, não há como 
comparar com os 3,8 bilhões de anos de evolução da natureza. Se 
existe um lugar onde o ser humano pode encontrar boa parte das 
respostas e soluções para problemas ligados à vida de qualidade, é 
neste formidável laboratório a céu aberto, que está em permanente 
trabalho de desenho e redesenho. Felizmente, tem crescido a 
percepção de que é possível encontrar muitas respostas nas Soluções 
baseadas na Natureza – expressão cunhada entre os anos de 2009 e 
2010 pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, 
na sigla em inglês). Mas o que são exatamente as Soluções baseadas 
na Natureza? Segundo a IUCN, trata-se das intervenções que utilizam 
a natureza e as funções naturais de ecossistemas saudáveis para 
enfrentar alguns dos desafios mais urgentes do nosso tempo. Esse tipo 
de solução ajuda a proteger o ambiente, mas também proporciona 
inúmeros benefícios econômicos e sociais. (...) As SbN valem-se de 
atributos e processos do sistema complexo da natureza, como sua 
habilidade de armazenar carbono e regular o fluxo hídrico, com o 
objetivo de alcançar determinados resultados. Por exemplo, reduzir o 
risco de desastres, melhorar o bem-estar humano e promover a 
economia verde e socialmente inclusiva. Com isso, podem transformar 
os desafios sociais e ambientais em oportunidades inovadoras, 
fazendo do capital natural uma fonte de prosperidade. 
[...] um dos casos de SbN selecionados busca aproveitar os ativos da 
própria natureza para criar produtos de limpeza sem o uso excessivo 
de água e com transparência na relação com o consumidor. Lançada 
neste ano por Marcelo Ebert, a YVY é uma marca de produtos de 
limpeza formulados com ingredientes de origem natural, sem a 
utilização de petroquímicos, cloro e fosfatos. “Esta marca é resultado 
de dez anos de desenvolvimento de soluções em limpeza para 
empresas e indústrias”, explica Ebert. “Nossa proposta é mostrar que 
é possível limpar de verdade com ingredientes vindos da natureza, sem 
precisar de uma quantidade excessiva de produtos.” A base dos 
ingredientes da YVY é o terpeno, composto encontrado em sementes, 
flores, folhas, raízes e madeira de plantas. Na natureza, o terpeno é 
responsável pela assepsia e pelo equilíbrio químico do meio. Com o 
uso da tecnologia desenvolvida pela YVY, pode-se extrair blends 
bactericidas, assim como especializados em solvência e neutralização 
 
 
14 
de odores. A esses blends são acrescentados óleos essenciais, que 
farão o papel de fragrância dos produtos. “Como os produtos da YVY 
são formulados apenas com ingredientes de origem natural, a chance 
de uma intoxicação ou de que você desenvolva um processo alérgico 
durante o uso é significativamente menor”, argumenta Ebert. “Além 
disso, evitamos a poluição da água e a contaminação de organismos 
aquáticos por substâncias petroquímicas.” Além da composição 
química natural, os produtos da YVY não consomem água e outros 
recursos desnecessariamente, já que as embalagens, em formato de 
cápsulas recicláveis e usadas com borrifadores permanentes, contêm 
a quantidade exata do produto superconcentrado. O modelo de 
negóciosde YVY também é inovador para o setor. Por meio de um 
sistema de assinaturas, os clientes da marca recebem mensalmente 
cerca de 1 quilo de produtos de limpeza, entre desinfetantes, 
detergentes e outros, o que equivale a 15 quilos caso produtos 
convencionais fossem adquiridos. (P22_ON, S.d.) 
O texto busca mostrar que, apesar da imensa destruição das nossas 
bases ambientais que sustentam não somente as atividades econômicas como 
o bem-estar das pessoas e a vida de todas as espécies, há uma busca por parte 
de determinados setores produtivos em obter soluções que amparem um 
desenvolvimento sustentável em termos ambientais, mostrando o exemplo real 
da empresa TerpnOil. Na linha do que vimos em aula, o texto também mostra as 
novas tendências em direção a um tipo de economia circular, que é restauradora 
e regenerativa por sua própria essência, provendo uma maior produtividade dos 
recursos, objetivando reduzir os desperdícios. As SbN também apoiam os 
conceitos de crescimento verde e de economia verde, como vimos ao longo da 
nossa aula. 
FINALIZANDO 
Começamos nossa aula com base na leitura de um texto bastante 
expressivo sobre o cenário de desigualdade no planeta e no Brasil. O texto 
proporcionou a base para entendermos as principais questões do ponto de vista 
da sustentabilidade ambiental, quais os temas que estão presentes no dia da 
nossa sociedade atual, inclusive com base em um ponto de vista histórico. 
Na sequência, vimos a ética e sua relação com responsabilidade 
ambiental fundando um compromisso inalienável do contador ambiental. Após, 
aprendemos o que é sustentabilidade empresarial com base em um conceito 
inovador, o Tripple Botton Line, que trouxe profundas mudanças a esse setor a 
partir dos anos 1990. 
 
 
15 
Aprendemos a diferença entre Economia Ambiental e Economia Verde, 
que são as diferentes correntes que têm fundamentado a discussão sobre 
Desenvolvimento Econômico e meio ambiente. 
Por fim, aprendemos sobre o conceito de Desenvolvimento Sustentável 
com base em diferentes modelos de pensamento. 
Em nossa prática, vimos o caso da empresa TerpenOil, um modelo – 
dentre tantos outros já existentes – de produção baseado em soluções da 
natureza, evidenciando que a transformação do nosso modelo atual produtivo 
poluente é possível, além de urgente e necessária. 
 
 
 
 
16 
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CONTABILIDADE AMBIENTAL 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Lizete Farias 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Em nossa aula vamos acrescer mais elementos para pensar a 
Contabilidade Ambiental envolvendo a nossa sociedade e sua gestão. 
Inicialmente, vamos analisar a importância da divulgação e transparência das 
informações socioambientais. Será que o cidadão comum tem acesso e 
compreensão sobre as decisões que impactam a sua vida em nível 
governamental? Vamos entender esse ponto. No mesmo sentido, também 
iremos compreender a forma como as empresas estão evidenciando as 
informações ambientais sobre suas operações. Na sequência, iremos analisar o 
que é um balanço ecológico, e como isso se relaciona à contabilidade ambiental. 
Por fim, vamos estudar os Estudos de Impacto Ambiental (EIA), o que são 
e como são se constituem, assim como o Rima (Relatório de Impacto Ambiental) 
que é forma comunicar à sociedade as conclusões do EIA. 
E para dar início a este encontro, partiremos de um texto que mostra a 
relação entre a responsabilidade socioambiental e a transparência de um 
importante banco público, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e 
Social – BNDES, no caso da hidrelétrica de Belo Monte. 
Vamos começar! 
CONTEXTUALIZANDO 
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é legalmente 
corresponsável pelos impactos socioambientais da usina hidrelétrica (UHE) Belo Monte. 
Financiador de aproximadamente 80% dos custos do empreendimento, estimados em R$ 28,9 
bilhões, o banco viabilizou a construção da UHE, ao emprestar ao consórcio Norte Energia S.A. 
o valor total de R$ 25,4 bilhões, entre dois empréstimos-ponte (de R$ 1,1 bilhão e R$ 1,8 bilhão, 
respectivamente) e o financiamento principal, de R$ 22,5 bilhões, por um prazo total de 30 anos. 
O financiamento de Belo Monte não só é o maior da história do banco para um único projeto, 
como é, sem dúvida, um dos mais arriscados que já operou. [...] O empréstimo de longo prazo 
prevê investimentos em ações ambientais e sociais (relacionadas ao Projeto Básico Ambiental - 
PBA e ao cumprimento de outras condicionantes de licenças ambientais) na ordem de R$ 3,2 
bilhões, assim como a destinação pelo empreendedor de R$ 500 milhões ao Plano de 
Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRSX). Quando o BNDES assinou o 
empréstimo principal com a Norte Energia, ela já tinha acumulado R$ 7 milhões em multas, 
impostas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis 
(IBAMA), devido ao descumprimento de condicionantes socioambientais; era ré em pelo menos 
15 ações judiciais do Ministério Público Federal (MPF), em 21 ações propostas pela Defensoria 
Pública e em 18 ações de organizações da sociedade civil, que questionavama legalidade das 
autorizações ambientais existentes, apontavam irregularidades nos processos de 
reassentamento, ou levantavam demandas por reconhecimento de impactos. [...] Desde o início 
do envolvimento do BNDES em Belo Monte, houve diversos pedidos por parte de organizações 
da sociedade civil para acessar as informações básicas sobre o processo de tomada de decisão 
do banco com relação ao gerenciamento dos riscos socioambientais inerentes ao 
 
 
3 
empreendimento, a grande maioria das vezes sem sucesso, a despeito da Lei de Acesso à 
Informações (Lei nº 12.527/2011), que obriga as entidades públicas a prestarem informações, a 
qualquer cidadão, sobre suas atividades. Em praticamente todos os requerimentos, o BNDES 
tem recusado o acesso às informações solicitadas, utilizado argumentos sobre o sigilo bancário 
– mesmo em casos relativos exclusivamente a dados sobre cumprimento de obrigações 
socioambientais do beneficiário do empréstimo. [...] A ausência de informação primária de fontes 
independentes relativas ao atendimento e à efetividade das medidas de mitigação é o principal 
desafio do licenciamento ambiental e do acompanhamento de obras de alto risco socioambiental 
para o BNDES. [...] Belo Monte é um caso emblemático para análise e debate público sobre 
importantes aspectos da atuação do BNDES como instituição financeira pública. [...] A atual 
política de responsabilidade socioambiental do BNDES não foi capaz de identificar e equacionar 
adequadamente os riscos socioambientais de Belo Monte, nem durante sua fase de análise 
prévia, nem ao longo de sua execução e do acompanhamento do financiamento pelo banco. Ao 
aprovar a concessão do financiamento, a diretoria do banco subestimou os problemas desse 
megaempreendimento, como, por exemplo, os impactos sobre as comunidades pesqueiras e 
tradicionais no entorno da UHE. Se todos esses problemas ocorrem em um caso que deveria ser 
exemplo de aplicação da política de responsabilidade socioambiental do BNDES, então, o que 
podemos esperar de sua aplicação e eficiência em casos de menor visibilidade? (ISA, 2015). 
TEMA 1 – DIVULGAÇÃO E TRANSPARÊNCIA DAS INFORMAÇÕES 
SOCIOAMBIENTAIS 
Com base em nosso texto inicial, podemos ver que a questão da 
divulgação e da transparência é um elemento urgente e necessário quando se 
trata de informações socioambientais, mas que ainda representa um problema 
no âmbito do cidadão comum, ou seja: nem todas as informações públicas estão 
disponíveis para nossa análise e compreensão. Nesse sentido, é senso comum 
que não somente as atividades empresariais, mas também os serviços públicos 
influenciem o desenvolvimento da sociedade, influência essa que se manifesta 
pela forma de condução das políticas pública e pelo impacto causado pelos 
processos produtivos, seja positiva ou negativamente. 
As informações no Brasil são disponibilizadas para a sociedade através 
do Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (Sinima), instituído 
como um instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente em 1981 (Brasil, 
2019). O Sinima é uma plataforma elaborada com vistas à integração e 
compartilhamento de informações entre os diversos sistemas que já existem, ou 
que vão ser construídos no âmbito do Sisnama (Lei n. 6.938/81), segundo a 
Portaria n. 160, de 19 de maio de 2009, que atua sob a forma de três eixos 
estruturantes (Brasil, 2019): 
• Inventário de dados: tem por finalidade divulgar uma listagem com todas 
as bases de dados produzidas pelo Ministério do Meio Ambiente; 
 
 
4 
• Indicadores ambientais: estatísticas selecionadas que representam ou 
resumem alguns aspectos do estado do meio ambiente, dos recursos 
naturais e de atividades humanas relacionadas. 
• Plano de Dados Abertos (PDA-MMA): representa o instrumento de 
planejamento, coordenação e disseminação das informações 
sistematizadas para diferentes tipos de usuários, orientando as ações de 
racionalização, implementação e promoção de abertura de dados, 
incluindo os geoespacializados, permitindo com isso maior transparência 
das informações e reutilização dos dados públicos pela sociedade. 
Por outro lado, ainda que não houvesse exigência legal quanto à 
divulgação das informações ambientais, as instituições são contínua e 
crescentemente instadas a informarem sua política ambiental, por meio das mais 
recentes normas e sistemas de gerenciamento ambiental, além de Relatórios de 
Impactos Ambientais, como veremos em nossa aula. 
Outro instrumento jurídico de grande importância, citado no texto da nossa 
contextualização, é a Lei da Transparência, que entrou em vigor em maio de 
2012, permitindo que todo cidadão tenha direito de acessar as contas de 
qualquer repartição federal, estadual ou municipal. 
Saber o que acontece com o dinheiro público é um grande avanço, e os 
efeitos se farão sentir à medida que os diversos atores sociais e a cidadania em 
geral passem a utilizar desse instrumento legal, pois sabemos que não basta ter 
informações sobre o dinheiro público, pois é igualmente importante saber o que 
acontece exatamente com o dinheiro do público. Exatamente no caso do BNDES 
e de Belo Monte, a sociedade civil exige saber que, além do financiamento, é 
preciso saber, cada vez mais, como e a que custo foi efetivado esse empréstimo, 
ou seja, é preciso conhecer o processo. Vemos então a importância da pressão 
da opinião pública, que pode influenciar significativamente governos e empresas 
na construção de estratégias de investimentos, o que inclui necessariamente a 
demanda por transparência em todos os âmbitos da vida em sociedade. 
É dessa forma que, como bem nos ensina o Instituto Ethos (2010), 
a transparência, como princípio ético, delimita os espaços das 
informações de tudo aquilo que, no plano empresarial afetem 
significativamente os interesses dos diversos públicos envolvidos. Por 
sua vez esse público, sem dúvida, bem informado, tem as melhores 
condições de analisar os riscos a que estão submetidos. 
 
 
5 
Ainda segundo o Instituto Ethos (2010) a transparência só é completa 
quando envolve a franqueza, ou seja, é preciso expor, na comunicação 
institucional, tanto os dados positivos como os negativos relativos a 
desempenho, tais como problemas identificados e pendentes de solução, metas 
estratégicas não alcançadas, além de variações negativas em alguns 
indicadores operacionais ou financeiros. Quedas de produção, vendas e 
margens de lucro são exemplos comuns de variações negativas; até há alguns 
anos, essas estatísticas raramente seriam citadas nos informes distribuídos 
pelas empresas envolvidas. 
Quando lemos um relatório anual e só encontramos fatos positivos, 
dificilmente escapamos de dúvidas: se os fatos estão sendo escondidos, se há 
problemas ignorados, e assim por diante. 
Em termos de visibilidade, as empresas modernas estão expostas por um 
incomparável instrumental de comunicação, que começa pelos profissionais 
especializados, como o de relações com investidores (RI). Há também 
sites bem-estruturados, com Relatórios Anuais e/ou de Relatório de 
Sustentabilidade, que direcionam informes sobre o exercício, em retrospectiva 
completada pela análise das tendências e perspectivas, com relação a todos os 
aspectos da atividade empresarial – legal, administrativo, operacional e 
econômico-financeiro (Ethos, 2010). 
A partir dessa realidade, se percebe que os relatórios anuais publicados 
são os veículos mais completos de comunicação em qualquer tipo de entidade, 
porque abrangem um exercício completo e todas as atividades básicas 
desenvolvidas. Por isso, as informações contidas devem ir além do que a lei e 
os regulamentos impõem, incluindo qualquer dado que, embora não obrigatório, 
possa afetar os interesses do leitor. Por isso, empresas, instituições 
governamentais, e mesmo membros da sociedade civil buscam divulgar suas 
ações de forma clara e transparente, de modo que seus valores sejam 
percebidos comopositivos pela sociedade, buscando garantir sua longevidade. 
De outra forma, tornam-se frágeis, sem competitividade, e ficam suscetíveis a 
riscos de imagem e reputação. 
TEMA 2 – FORMAS DE EVIDENCIAÇÃO 
A transparência das operações socioambientais, incluindo aí o mercado 
financeiro, é um tema cada vez mais importante nos dias de hoje, pois permite 
 
 
6 
aos cidadãos comuns terem conhecimento dos impactos que afetam a natureza, 
assim como da qualidade de suas vidas. Dado que a contabilidade está 
relacionada de forma inerente ao patrimônio, há a necessidade de se registrar e 
prestar informações de todos os fatos referentes ao meio ambiente, uma vez que 
esse patrimônio pertence à sociedade. Além disso, é dever do contador ter uma 
compreensão sobre as questões ambientais, para relatá-las adequadamente, 
aproximando a linguagem contábil da linguagem dos ambientalistas. 
Atualmente, no caso do Brasil, têm sido utilizadas três importantes formas 
de evidenciar as informações perante organismos internacionais, mercado 
financeiro e ONGs: Balanço Social, relatórios de sustentabilidade no modelo GRI 
e indicadores Ethos. 
2.1 Balanço Social 
O Balanço Social é um demonstrativo, através do qual as empresas 
podem apresentar à sociedade informações sobre seus investimentos internos 
e externos, nas ações de responsabilidade social empresarial. Esse modelo foi 
lançado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), em 
1997 (Ibase, 2019), constituindo-se de planilhas nas quais são apresentados 
indicadores quantitativos referentes a informações sobre investimentos 
financeiros, sociais e ambientais, coletáveis no sistema contábil e de gestão de 
pessoas da empresa. Em relação à forma como a empresa faz a gestão das 
ações de responsabilidade social, os resultados são apresentados por meio de 
indicadores qualitativos, de múltipla escolha. 
Os indicadores para divulgação são apresentados em sete grupos, na 
forma de um modelo que, segundo o próprio Ibase, é essencialmente uma 
ferramenta de transparência e prestação de contas. Nesse sentido, as 
empresas que fizerem a opção por divulgá-lo entendem que o estão fazendo 
para apresentar suas ações periodicamente à sociedade, e como elas estão 
evoluindo em temas relevantes, como educação, saúde, promoção da 
diversidade, preservação do meio ambiente, contribuições para a melhoria da 
qualidade de vida e de trabalho dos funcionários, participação em projetos 
comunitários, erradicação da pobreza e criação de postos de trabalho. O modelo 
Ibase, por fim, não exige nenhuma metodologia específica para levantamento de 
dados nem que as informações passem por uma auditoria prévia (Ibase, 2019). 
 
 
7 
2.2 Relatórios de sustentabilidade do Global Reporting Initiative (GRI) 
O Global Reporting Initiative (GRI) é uma rede de empresas e 
organizações sociais responsável pelo desenvolvimento de um padrão 
internacional para relatórios de sustentabilidade de empresas. O objetivo é fazer 
com que os relatórios de sustentabilidade se orientem por padrões de qualidade 
técnica, credibilidade e relevância. São integrantes dessa rede, além de 
empresas globais, organizações da sociedade civil, organizações de 
trabalhadores e instituições profissionais. 
O relatório segundo o modelo GRI é visto muito mais como uma 
ferramenta de gestão corporativa constituída por um diagnóstico a partir de uma 
série de indicadores previamente estabelecidos pelo modelo. 
O GRI não é uma certificação, mas um acordo voluntário e interno, focado 
na publicação de práticas e ações relacionadas aos principais impactos da 
empresa nos pilares ambiental, social e econômico – pilares que formam o Tripé 
da Sustentabilidade. Além disso, objetiva abordar temas que sejam prioritários e 
relevantes, não só para a empresa, mas também para os seus stakeholders, ou 
públicos envolvidos e prioritários. 
2.3 Indicadores Ethos 
Desenvolvidos em 2000 pelo Instituto Ethos, os indicadores são 
considerados, além de uma forma de evidenciação, também uma ferramenta de 
gestão que visa apoiar as empresas na incorporação da sustentabilidade e da 
responsabilidade social empresarial (RSE) em suas estratégias de negócio, de 
modo que venha a ser sustentável e responsável (Instituto Ethos, 2019). 
Os indicadores são apresentados na forma de um questionário: a 
empresa realiza ela mesma o autodiagnóstico da sua gestão, em um sistema 
totalmente on-line. Além disso, podem ser integrados com os relatórios da Global 
Reporting Initiative (GRI), bem como com a Norma de Responsabilidade Social 
ABNT NBR ISO 26000. 
2.4 Relato Integrado 
Apesar de ainda não ser um modelo amplamente utilizado, é importante 
trazermos algumas considerações sobre o Relatório Integrado (RI). Esse modelo 
é a tendência mais atual de apresentação de informações relacionadas às 
 
 
8 
empresas e suas operações, sendo uma das suas características a estrutura 
concisa das informações e a exposição da forma como a empresa atua a sua 
cadeia de valor. O Relato Integrado busca mostrar a governança, a gestão e o 
modelo de negócios a partir de riscos e oportunidades, pensando no 
desempenho da organização. 
2.5 Ferramentas 
Esse conjunto de ferramentas nos mostra que não há uma única forma de 
apresentação de informações à sociedade, uma vez que as empresas são 
regidas e orientadas segundo o seu modelo de gestão, que por sua vez busca 
atender a um nicho de mercado. Além disso, o suporte para cada uma dessas 
ferramentas é realizado por organizações diferentes: para os Relatos Integrados, 
a assistência é a International Integrated Reporting Council (IIRC); para os 
Relatórios de Sustentabilidade, é a Global Reporting Initiative (GRI), referência 
na orientação de padrões e princípios de qualidade e abrangência do relatório; 
no caso do Balanço Social, a orientação vem do Instituto Ethos de 
Responsabilidade e/ou, complementarmente, pelo Instituto Brasileiro de 
Análises Sociais e Econômicas (Ibase). 
Concluindo, podemos dizer efetivamente que as formas de relato 
comunicam as ações de forma transparente, com compromissos e metas que 
são adotadas pelas companhias, que já compreenderam a importância 
estratégica dessas comunicações, haja vista que a globalização tem tornado os 
consumidores cada mais conscientes do papel das empresas em prol da 
sustentabilidade. 
TEMA 3 – BALANÇO ECOLÓGICO E CONTABILIDADE AMBIENTAL 
No tema anterior, pudemos entender quais as são as formas usuais com 
que as empresas relatam os aspectos pertinentes ao seu desempenho 
operacional. Vimos que todas essas formas incluem os aspectos ambientais, que 
também podem ser chamados de “ecológicos“, lembrando que a ecologia é a 
parte da Biologia que se preocupa com o estudo das relações estabelecidas 
entre os seres vivos, e destes com o meio ambiente em que vivem. 
Dessa maneira, podemos assumir que o Balanço Ecológico pode ser 
entendido como o aspecto da contabilidade ambiental que está relacionado aos 
 
 
9 
gastos da empresa na apropriação de recursos ambientais para o 
desenvolvimento de suas operações e/ou processos produtivos. 
 Existem atualmente diversas ferramentas que podem auxiliar empresas 
a comporem as informações que subsidiarão o levantamento das informações 
para o Balanço Ecológico. Dentre elas, estão os indicadores do GRI, como vimos 
anteriormente. Quadro 1, seguem alguns exemplos desses indicadores. 
Quadro 1 – Exemplos de indicadores 
EN3 Consumo de energia direta discriminado por fonte de energia primária 
EN4 Consumo de energia indireta discriminado por fonte primária 
EN8 Total de retirada de água por fonte 
EN9 Adic. Fontes hídricas significativamente afetadas por retirada de água 
EN10 Adic. Percentual e volume total de água reciclada e reutilizada 
EN13 Adic. Habitats protegidos ou restaurados 
EN20 NOx, SOx e outras emissões atmosféricas significativas, por tipo e pesoEN21 Descarte total de água, por qualidade e destinação 
EN22 Peso total de resíduos, por tipos e métodos de disposição 
EN28 
Valor monetário de multas significativas e número total de sanções 
não monetárias resultantes de não conformidade com leis e 
regulamentos 
Fonte: GRI, 2019. 
A norma ISO 14000 traz vários documentos que podem contribuir para o 
Balanço Ambiental, como ISO 14001 e 14004, que estabelecem padrões de 
gestão ambiental; 14010, 14011 e 14012, que estabelecem padrões de auditoria 
ambiental, e 14031, que trata da avaliação de desempenho ambiental. 
Para a escolha do melhor método de levantamento das informações para 
compor o Balanço Ecológico, o primeiro passo é realizar uma avaliação dos 
impactos atuais, potenciais, positivos e negativos que as atividades produtivas 
têm em toda a cadeia de valor. A partir desse diagnóstico, os indicadores a 
serem escolhidos devem expor, de forma clara e objetiva, qual a relação entre 
as atividades relacionadas ao processo operacional da empresa e uma 
 
 
10 
promoção positiva para um desenvolvimento sustentável. Além disso, esses 
indicadores devem ser passíveis de serem monitorados ao longo do tempo. 
Muitas vezes, o maior impacto social e ambiental de uma organização 
pode estar além do escopo dos ativos que detém ou controla. Por isso, é 
recomendável que a contabilidade considere toda a cadeia de valor – desde a 
base de abastecimento e logística de entrada, passando pela produção e 
operações, até a distribuição, uso e fim da vida dos produtos – como o ponto de 
início para a avaliação do impacto e a definição de prioridades. 
TEMA 4 – ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL (EIA) 
Os temas anteriores de nossa aula trouxeram questões importantes sobre 
transparência e suas ferramentas de divulgação, assim como os elementos 
ambientais que compõem um Balanço Ecológico. Além disso, vimos como é 
decisiva a participação da sociedade em todos esses processos. 
É a partir desse cenário que agora podemos abordar alguns aspectos dos 
Estudos de Impacto Ambiental (EIA), os quais, sem dúvida, contribuem para a 
efetivação de uma perspectiva de desenvolvimento verdadeiramente 
sustentável. Seja em empreendimentos da iniciativa privada ou do governo, o 
EIA permite uma análise da viabilidade ou não de uma atividade, encontrando 
ao mesmo tempo alternativas que podem ser adotadas para minimizar os 
impactos negativos ao meio ambiente. 
Adotados em vários países, o EIA de impacto ambiental tem a função de 
ser um mecanismo de proteção e defesa do meio ambiente, fator de importância 
que levou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento Sustentável, Rio-92, dispor o Princípio n. 17 da Declaração da 
Conferência da ONU do Rio de Janeiro (Ramid; Ribeiro, 1992): 
Princípio 17. – A avaliação de impacto ambiental, como instrumento 
nacional, deve ser empreendida para atividades planejadas que 
possam vir a ter impacto negativo considerável sobre o meio ambiente 
e que dependam de uma decisão da autoridade nacional competente. 
O desenvolvimento de um Estudo de Impacto Ambiental deve ocorrer 
antes da execução de uma grande obra ou empreendimento. De uma maneira 
geral, deve ser dividido em duas etapas: o diagnóstico, quando são considerados 
todos os efeitos positivos e negativos associados ao projeto, como um todo; o 
prognóstico, que avalia alternativas durante a implantação; e o desenvolvimento 
 
 
11 
do projeto, visando gerar o menor número possível de efeitos sociais e 
ambientais negativos, tornando-os aceitáveis pela sociedade, que deve 
participar da decisão. 
De acordo com o art. 2° da Resolução Conama 237/1997, a elaboração 
de estudo de impacto ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto 
Ambiental (Rima), a serem submetidos à aprovação do órgão estadual 
competente, e do Ibama em caráter supletivo, devem ser realizados para o 
licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente. Ela vale para os 
seguintes casos (Conama, 1986): 
I – Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; 
II – Ferrovias; 
III – Portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos; 
IV – Aeroportos, conforme definidos pelo inciso 1, artigo 48, do 
Decreto-Lei nº 32, de 18.11.66; 
V – Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários 
de esgotos sanitários; 
VI – Linhas de transmissão de energia elétrica, acima de 230KV; 
VII – Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais 
como: barragem para fins hidrelétricos, acima de 10MW, de 
saneamento ou de irrigação, abertura de canais para navegação, 
drenagem e irrigação, retificação de cursos d’água, abertura de barras 
e embocaduras, transposição de bacias, diques; 
VIII – Extração de combustível fóssil (petróleo, xisto, carvão); 
IX – Extração de minério, inclusive os da classe II, definidas no Código 
de Mineração; 
X – Aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos 
tóxicos ou perigosos; 
Xl – Usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de 
energia primária, acima de 10MW; 
XII – Complexo e unidades industriais e agroindustriais (petroquímicos, 
siderúrgicos, cloro químicos, destilarias de álcool, hulha, extração e 
cultivo de recursos hídricos); 
XIII – Distritos industriais e zonas estritamente industriais – ZEI; 
XIV – Exploração econômica de madeira ou de lenha, em áreas acima 
de 100 hectares ou menores, quando atingir áreas significativas em 
termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental; 
XV – Projetos urbanísticos, acima de 100 ha ou em áreas consideradas 
de relevante interesse ambiental a critério da SEMA e dos órgãos 
municipais e estaduais competentes; 
XVI- Qualquer atividade que utilizar carvão vegetal, derivados ou 
produtos similares, em quantidade superior a dez toneladas por dia; 
XVII – Projetos Agropecuários que contemplem áreas acima de 1.000 
ha ou menores, neste caso, quando se tratar de áreas significativas em 
termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental, 
inclusive nas áreas de proteção ambiental. 
O EIA na Legislação Federal, portanto, é referente a um projeto específico 
a ser implantado em determinada área ou meio, e para tal é um estudo prévio 
que serve de instrumento de planejamento e subsídio à tomada de decisões 
políticas na implantação da obra. Além disso, um EIA é interdisciplinar, ou seja, 
 
 
12 
deve ser realizado por uma equipe de diferentes profissionais, de diferentes 
áreas abrangidas, independentemente do proponente do projeto. 
Dentro da perspectiva da legislação, a responsabilidade de cada membro 
da equipe multidisciplinar, ou da equipe como um todo (sendo ou não pessoa 
jurídica), também é especificada, pois nesse aspecto a conduta dos profissionais 
que atuam em um EIA pode configurar crime de falsidade ideológica. Um 
exemplo seria a omissão de documentos importantes para o processo decisório. 
Nesses casos, a pena pode ser de reclusão e/ou multa. 
Os estudos são realizados de forma a apresentar a compartimentação do 
meio ambiente, ou seja, os meios físico, biológico e socioeconômicos, com um 
roteiro que contempla desde informações sobre a localização do 
empreendimento e sua área de influência, até a caracterização, com 
planejamento, implantação, operação e desativação completa. Numa segunda 
etapa, é realizado o Diagnóstico Ambiental, que definirá um cenário ambiental 
da área antes da implantação do empreendimento, além da Qualidade Ambiental 
da região, de forma a especificar as interações e inter-relações entre os 
componentes bióticos, abióticos e antrópicos do sistema. Somente a partir disso 
é que são realizadas as Análises dos Impactos Ambientais nas diferentes fases 
do projeto. Por fim, após essa análise, serão propostas Medidas Mitigadoras – 
medidas que minimizam os impactos adversos – constando sua natureza, 
período de adoção, prazo de duração, fator ambiental a que se destinam, e quem 
deve ser responsávelpela sua implantação. 
É importante ressaltar que todos os documentos gerados pelos Estudos 
de Impactos Ambientais são públicos, estando acessíveis a qualquer cidadão e 
devendo conduzir à prevenção de danos e riscos ambientais não toleráveis, 
exatamente ao encontro da execução da Política Ambiental brasileira. 
TEMA 5 – RELATÓRIO RIMA 
Após a elaboração do EIA, é elaborado o Relatório de Impacto Ambiental 
(Rima), que deve apresentar uma linguagem simples e objetiva, formalizando 
para o Poder Público e a sociedade as conclusões obtidas por meio dos Estudos 
de Impacto Ambiental. Dessa forma, o EIA apresenta uma abrangência maior, 
de forma a englobar o Rima em seu conteúdo, ressaltando-que é ilegal 
estabelecer parte transparente das atividades (o Rima) e partes que não serão 
publicadas. 
 
 
13 
A linguagem para apresentação deve ser objetiva, concisa e clara, 
permitindo a compreensão de informações complexas que foram elaboradas 
para o EIA; ou seja, o formato deve ser adequado aos seus leitores, para que 
entendam as vantagens e desvantagens do projeto, bem como todas as 
consequências ambientais de sua implementação. 
Segundo a legislação vigente, ou seja, a Resolução Conama n. 001/1986, 
o Rima deve conter os seguintes itens (Conama, 1986): 
I – Os objetivos e justificativas do projeto, sua relação e compatibilidade 
com as políticas setoriais, planos e programas governamentais; 
II – A descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e 
locacionais, especificando para cada um deles, nas fases de 
construção e operação a área de influência, as matérias primas, e mão-
de-obra, as fontes de energia, os processos e técnica operacionais, os 
prováveis efluentes, emissões, resíduos de energia, os empregos 
diretos e indiretos a serem gerados; 
III – A síntese dos resultados dos estudos de diagnósticos ambiental 
da área de influência do projeto; 
IV – A descrição dos prováveis impactos ambientais da implantação e 
operação da atividade, considerando o projeto, suas alternativas, os 
horizontes de tempo de incidência dos impactos e indicando os 
métodos, técnicas e critérios adotados para sua identificação, 
quantificação e interpretação; 
V – A caracterização da qualidade ambiental futura da área de 
influência, comparando as diferentes situações da adoção do projeto e 
suas alternativas, bem como com a hipótese de sua não realização; 
VI – A descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas 
em relação aos impactos negativos, mencionando aqueles que não 
puderam ser evitados, e o grau de alteração esperado; 
VII – O programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos; 
VIII – Recomendação quanto à alternativa mais favorável (conclusões 
e comentários de ordem geral). 
TROCANDO IDEIAS 
Em janeiro de 2019, o então presidente em exercício, Hamilton 
Mourão, publicou um decreto que altera a regulamentação da Lei de Acesso à 
Informação (LAI), prevendo que a classificação “ultrassecreta” de dados poderá 
ser delegada a altos cargos, comissionados com o DAS 6, e também a dirigentes 
máximos de autarquias, fundações, empresas públicas e de sociedades de 
economia mista. Considerando o que vimos em aula, como você classificaria 
essa decisão? Qual o impacto que isso pode causar em relação às questões 
socioambientais? Tome como exemplo uma área que tem um grande depósito 
de um bem mineral, ou ainda os casos de desmatamento da Floresta Amazônica. 
 
 
14 
NA PRÁTICA 
Leia o artigo "Johnson & Johnson é condenada a pagar US$ 5 bi por talco 
com amianto", produzido pelo New York Times e publicado pelo Estadão em 
13/07/18, e disponibilizado em <https://economia.estadao.com.br/noticias/nego
cios,johnson-e-johnson-e-condenada-a-pagar-us-5-bi-por-talco-com-
amianto,70002401624> (acesso em: 9 set. 2019). 
O exemplo da Johnson & Johnson vem ao encontro de tudo o que vimos 
em aula acerca da importância da transparência das informações, com as 
consequências não somente ambientais, mas também sociais dos processos 
produtivos das indústrias. Além disso, aponta uma tendência de cunho 
irreversível: a demanda e a capacidade da população de exigir cada vez mais os 
seus direitos. 
FINALIZANDO 
Começamos a nossa aula estudando a importância da divulgação e da 
transparência em relação às informações de cunho socioambientais que 
envolvem os projetos de desenvolvimento sustentável. Na sequência, 
aprendemos sobre as formas mais atuais de evidenciação e divulgação, a saber: 
modelo Ibase, ou Balanço Social, relatório de sustentabilidade no modelo GRI, 
e Indicadores Ethos. Depois, conhecemos o Relato Integrado, que já havia sido 
mencionado em nossas aulas anteriores. Aprendemos também sobre o Balanço 
Ecológico e sobre o EIA-Rima, e seu respectivo relatório de comunicação à 
sociedade. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Informações ambientais. Disponível em: 
<http://www.mma.gov.br/informacoes-ambientais.html>. Acesso em: 8 set. 2019. 
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n. 01, de 23 de 
janeiro de 1986. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 fev. 1986. 
DISCOVER the GRI Standards. GRI – Global Reporting Initiative. Disponível em: 
<https://www.globalreporting.org/standards/getting-started-with-the-gri-
standards/>. Acesso em: 8 set. 2019. 
GUIA de elaboração do balanço social e relatório de sustentabilidade. Instituto 
Ethos, 2007. Disponível em: <https://www.ethos.org.br/cedoc/guia-de-
elaboracao-do-balanco-social-versao-2007/#.XF6FnFxKg2w>. Acesso em: 8 
set. 2019. 
IBASE e BS. Ibase. Disponível em: <http://ibase.br/pt/balanco-social/>. Acesso 
em: 8 set. 2019. 
ISA – Instituto Socioambiental. Dossiê Belo Monte, 2015. Disponível em: 
<https://www.socioambiental.org/pt-br/dossie-belo-monte>. Acesso em: 9 set. 
2019. 
JOHNSON & JOHNSON é condenada a pagar U$5 bi por talco com amianto. 
Estadão, 13 jul. 2018. Disponível em: <https://economia.estadao.com.br/noticia
s/negocios,johnson-e-johnson-e-condenada-a-pagar-us-5-bi-por-talco-com-
amianto,70002401624>. Acesso em: 8 set. 2019. 
RAMID, J.; RIBEIRO, A. Declaração do Rio de Janeiro. Estudos Avançados, v. 
6, n. 15, 1992. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ea/v6n15/v6n15a13.pdf>. 
Acesso em: 8 set. 2019. 
VALORES, transparência e governança. Instituto Ethos, 2013. Disponível em: 
<https://www.ethos.org.br/conteudo/gestao-socialmente-responsavel/valores-
transparencia-e-governanca/#.XF6FQlxKg2w>. Acesso em: 8 set. 2019. 
 
 
 
https://www.socioambiental.org/pt-br/dossie-belo-monte
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTABILIDADE AMBIENTAL 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Lizete Farias 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Vamos começar nossa aula conhecendo sobre indicadores ambientais e 
socioeconômicos do desenvolvimento sustentável e para isso vamos examinar 
o que é a Agenda 2030. 
Depois iremos aprender sobre os indicadores de ecoeficiência, conceito 
que foi delineado antes de 1970, diante da necessidade de as empresas 
caminharem no sentido da eficiência ambiental. 
Também iremos ver sobre a Avaliação de Impacto Ambiental, ou seja, 
como medimos o ônus e os benefícios de empreendimentos que são 
implantados para o desenvolvimento. Para isso, vamos compreender o que é 
Impacto Ambiental. 
Na sequência veremos o que são os créditos de carbono e a auditoria 
ambiental: afinal, o que esses temas distintos têm a ver com a Contabilidade 
Ambiental? 
Em nossa prática vamos nos deparar com alguns elementos iniciais sobre 
a tragédia devido ao rompimento da Barragem de Brumadinho em janeiro de 
2019. Para iniciar as nossas discussões apresentaremos a Agenda 2030 e seus 
ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). 
CONTEXTUALIZANDO 
Agenda 2030 
Esta Agenda é um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para 
a prosperidade. Ela também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. 
Reconhecemos que a erradicação da pobrezaem todas as suas formas e 
dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito 
indispensável para o desenvolvimento sustentável. 
(...). Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas que 
estamos anunciando hoje demonstram a escala e a ambição desta nova Agenda 
universal, eles se constroem sobre o legado dos Objetivos de Desenvolvimento 
do Milênio e concluirão o que estes não conseguiram alcançar. Eles buscam 
concretizar os direitos humanos de todos e alcançar a igualdade de gênero e o 
empoderamento das mulheres e meninas. Eles são integrados e indivisíveis, e 
equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a 
social e a ambiental. Os Objetivos e metas estimularão a ação para os próximos 
15 anos em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta: 
 
 
3 
 
Fonte: ONU, 2019. 
(...). Encontramo-nos num momento de enormes desafios para o 
desenvolvimento sustentável. Bilhões de cidadãos continuam a viver na pobreza 
e a eles é negada uma vida digna. Há crescentes desigualdades dentro dos e 
entre os países. Há enormes disparidades de oportunidades, riqueza e poder. A 
desigualdade de gênero continua a ser um desafio fundamental. O desemprego, 
particularmente entre os jovens, é uma grande preocupação. Ameaças globais 
de saúde, desastres naturais mais frequentes e intensos, conflitos em ascensão, 
o extremismo violento, o terrorismo e as crises humanitárias relacionadas e o 
deslocamento forçado de pessoas ameaçam reverter grande parte do progresso 
do desenvolvimento feito nas últimas décadas. O esgotamento dos recursos 
naturais e os impactos negativos da degradação ambiental, incluindo a 
desertificação, secas, a degradação dos solos, a escassez de água doce e a 
perda de biodiversidade acrescentam e exacerbam a lista de desafios que a 
humanidade enfrenta. A mudança climática é um dos maiores desafios do nosso 
tempo e seus efeitos negativos minam a capacidade de todos os países de 
alcançar o desenvolvimento sustentável. Os aumentos na temperatura global, o 
aumento do nível do mar, a acidificação dos oceanos e outros impactos das 
mudanças climáticas estão afetando seriamente as zonas costeiras e os países 
costeiros de baixa altitude, incluindo muitos países menos desenvolvidos e os 
pequenos Estados insulares em desenvolvimento. A sobrevivência de muitas 
sociedades, bem como dos sistemas biológicos do planeta, está em risco. 
(...) A nova Agenda define um vasto leque de objetivos econômicos, 
sociais e ambientais. Ela também promete sociedades mais pacíficas e 
 
 
4 
inclusivas. E define também, fundamentalmente, meios de implementação. 
Refletindo a abordagem integrada pela qual optamos, existem interconexões 
profundas e muitos elementos transversais através dos novos Objetivos e metas. 
Fonte: adaptado de <https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/>. Acesso em: 27 ago. 
2019) 
TEMA 1 – INDICADORES AMBIENTAIS E SOCIOECONÔMICOS DO 
DESEMPENHO SUSTENTÁVEL 
O texto acima refere-se à introdução dos objetivos de desenvolvimento 
sustentável (ODSs), acordados em assembleia geral das nações unidas, em 
setembro de 2015. Este novo formato de agenda de desenvolvimento da ONU, 
e é agora denominada Agenda 2030. Compreende um conjunto de 17 Objetivos 
e 169 metas construídos sobre o escopo dos Objetivos de Desenvolvimento do 
Milênio (ODMs). 
Os ODS, como são chamados, se constituem em uma “nova agenda 
universal” (UN, 2015), definindo as prioridades e aspirações de desenvolvimento 
sustentável global para 2030 e buscando mobilizar os esforços globais ao redor 
de uma série comum de objetivos e metas. 
A grande discussão em torno da Agenda 2030 é como mensurar a 
sustentabilidade para que não se torne um conceito subjetivo, temática que traz 
à tona o tema da construção de indicadores: instrumentos que permitem 
mensurar as modificações nas características de um sistema – e que permitem 
avaliar a sustentabilidade de diferentes sistemas. 
Nesse contexto, desde que a sociedade reconheceu a importância de 
planejar o crescimento econômico, social e ambiental de forma sustentável, tem-
se discutido quais os métodos eficazes de monitoramento e avaliação desses 
pontos. 
Os indicadores de desenvolvimento sustentável, portanto, permitem 
mensurar quantitativamente e qualitativamente um objeto de estudo, sendo 
passíveis de padronização, comparação com regiões, áreas ou países. Surgiram 
na Conferência Mundial de Meio Ambiente (Rio-92), com o objetivo de definir 
padrões que considerassem aspectos ambientais, econômicos, sociais, éticos e 
culturais. 
 
 
5 
Desde aquela época tinham como objetivo tornarem-se ferramenta de 
transmissão de informações, de modo a contribuir para a identificação do 
progresso de pontos em análise e traçar medidas futuras, auxiliando na tomada 
de decisão para formação de políticas públicas, bem como em estratégias de 
ação na gestão de governos. 
A definição de indicadores não é uma tarefa fácil, eles precisam ter 
determinadas características, como: relevância social, validade, confiabilidade, 
cobertura, sensibilidade, especificidade, inteligibilidade de sua construção e 
comunicabilidade, factibilidade para obtenção e periodicidade na atualização, 
entre outros aspectos. 
De acordo com IBGE (2015), no Brasil, o trabalho de construção dos 
indicadores foi inspirado no movimento internacional liderado pela 
Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (CDS) das Nações Unidas 
(Commission on Sustainable Development), que reuniu governos 
nacionais, instituições acadêmicas, organizações não governamentais e 
especialistas que aplicaram dimensões na questão da sustentabilidade 
como forma de auxiliar sua análise, sendo elas: 
 Dimensão ambiental: aborda a inclusão do capital natural no sistema 
capitalista, isto é, a melhoria da qualidade ambiental que deve ser 
buscada incessantemente pela sociedade para que as novas gerações 
possam usufrui-las de forma satisfatória. 
 Exemplo de indicadores ambientais utilizados pelo IBGE: uso de 
fertilizante, desflorestamento na Amazônia Legal, áreas protegidas, 
qualidade das águas interiores, balneabilidade etc. 
 Dimensão institucional: está referida à orientação política para que as 
mudanças sejam implementadas na sociedade em forma de ciência, 
tecnologia de processo e produtos, e a forma atuante do poder público 
quanto à fiscalização e proteção do meio ambiente. 
Exemplos: Ratificação de acordos globais, legislação ambiental, acesso à 
internet; patrimônio cultural etc. 
 Dimensão social: relacionada à satisfação das necessidades humanas 
quanto à melhoria da qualidade de vida e justiça social. Os objetivos aqui 
se constituem à redução das desigualdades sociais, como a criação de 
postos de trabalho que possibilitem condição de sobrevivência humana 
dentro dos padrões mínimos de atendimento às necessidades básicas. 
 
 
6 
Exemplo dos indicadores IBGE: taxa de crescimento da população, taxa 
de frequência escolar, taxa de alfabetização, coeficiente de mortalidade 
etc. 
 Dimensão econômica: os indicadores da dimensão econômica analisam 
o desempenho econômico e sua influência dos aspectos de 
sustentabilidade, buscando uma mudança gradativa em busca da 
almejada sustentabilidade. 
 Exemplos: participação de fontes renováveis na oferta de energia, 
reciclagem, vida útil das reservas de petróleo e gás etc. 
Saiba mais 
Você pode se aprofundar sobre os indicadores de Desenvolvimento 
Sustentável conhecendo inclusive a sua evolução desde o lançamento a partir 
do site:<https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/ids/tabelas#1>. Acesso em: 27 
ago.2019. 
De forma sintética, pode-se entender os indicadores de desenvolvimento 
sustentável como instrumentos essenciais para guiar a ação e subsidiar o 
acompanhamento e a avaliação do progresso alcançado rumo ao 
desenvolvimento sustentável. Eles têm grandeimportância, mais pelo que 
apontam do que pelo seu valor absoluto, e são mais úteis quando analisados em 
conjunto, além disso, viabilizam o acesso integrado à informação já disponível 
sobre os temas relevantes para o desenvolvimento sustentável e apontam a 
necessidade de geração de novas informações. 
TEMA 2 – INDICADORES DE ECOEFICIÊNCIA 
Como vimos no tema anterior o conjunto de indicadores de 
desenvolvimento sustentável norteiam a construção de políticas públicas para 
que sociedade brasileira alcance um desenvolvimento mais justo do ponto vista 
ambiental, social e econômico. Nessa direção surge o conceito de ecoeficiência, 
delineado antes de 1970, por meio do surgimento da compreensão da eficiência 
ambiental (Freeman et al., 1973). 
A consolidação e efetiva definição da nomenclatura ecoeficiência ocorreu 
em 1990, por Schaltegger e Sturm (Cunha, 2016), que trouxeram a referida 
definição e realizaram a conexão do tema do desenvolvimento sustentável e os 
 
 
7 
negócios empresariais, voltada para a utilização mais eficiente dos recursos 
naturais. 
De acordo com Li et al. (2012), a ecoeficiência é uma ferramenta que 
viabiliza a criação de mais valor com menos impacto ambiental, por isso é 
utilizada nas organizações como instrumento de apoio de decisões de 
investimento alternativo e estratégias de produção, conectando-se à melhoria da 
competitividade e melhor ambiente desempenho (Cunha, Op. Cit). 
Em outras palavras, ecoeficiência é o “aspecto da sustentabilidade que 
relaciona o desempenho ambiental de um sistema de produto ao valor do 
sistema de produto” (ISO, 2012). 
Nessa definição, o sistema de produto representa o escopo da avaliação 
de ecoeficiência, definindo quais etapas da produção deste produto serão 
avaliadas. Nesse sentido, portanto, a dimensão ambiental é representada pelo 
“desempenho ambiental de um sistema de produto” e a dimensão econômica 
pelo “valor do sistema de produto”. 
Ainda de acordo com as diretrizes da WBCSD – Conselho Empresarial 
Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (2000), uma organização se torna 
ecoeficiente por meio de sete práticas: 
1. Na redução da intensidade de materiais nos produtos e serviços; 
2. Na minimização do grau de energia nos produtos e serviços; 
3. Na redução da dispersão de qualquer tipo de material tóxico; 
4. Na promoção da reciclagem; 
5. Na maximização do uso sustentável dos recursos renováveis; 
6. No acréscimo a durabilidade dos produtos da empresa; 
7. Na ampliação da intensidade de uso nos produtos e serviços. 
Estas práticas se configuram em um modelo de produção sustentável, 
com menos pressão ao meio ambiente. Os indicadores de ecoeficiência são 
elementos importantíssimos na medida em que permitem o rastreamento do 
progresso alcançado em atingir as metas de desempenho ambiental 
estabelecida por uma organização e permitem a comparação do desempenho 
ambiental entre duas organizações ou entre dois setores de uma mesma 
organização. 
O WBSCD aponta que a definição para utilização de indicadores deve 
incluir o fato de que os mesmos devem ser relevantes e significativos na proteção 
do meio ambiente e da saúde humana e/ou na melhoria da qualidade de vida; 
 
 
8 
fornecer informação aos tomadores de decisão, com o objetivo de melhorar o 
desempenho da organização; reconhecer a diversidade inerente a cada negócio; 
apoiar o benchmarking e monitorar a evolução do desempenho bem como ser, 
por fim, claramente definidos, mensuráveis, transparentes e verificáveis. 
Alguns exemplos de indicadores de ecoeficiência que podem ser 
utilizados pelas organizações de uma forma geral são: o consumo de energia, o 
consumo água, potencial de risco, toxicidade potencial das substâncias 
utilizadas e emissões, quantidade efluentes e resíduos gerados. 
Ecoeficiência é uma estratégia importante dentro das empresas, pois a 
tendência é que os recursos naturais sejam, cada vez mais, protagonistas dos 
custos elevados. Evidentemente que quaisquer estratégias de ecoeficiência nos 
processos industriais podem demandar investimentos, mas o desafio das 
empresas é encarar esse “custo” como um investimento necessário, não só para 
o futuro, mas para o presente. 
Ressalta-se que há uma forte demanda da sociedade para que as 
empresas rumem nesse mesmo sentido para reduzir o impacto das atividades 
empresariais no meio ambiente. 
TEMA 3 – AVALIAÇÃO DO IMPACTO AMBIENTAL 
Os temas anteriores nos mostram a importância da mensuração do 
desenvolvimento sustentável por meio de indicadores nos diferentes âmbitos da 
vida em sociedade, ou seja: tanto em relação à gestão pública, quanto na gestão 
empresarial. Esse debate inclui o ônus e os benefícios de projetos de 
desenvolvimento, por isso é atravessado pela avaliação de impacto ambiental, 
que passou a desempenhar o papel de instrumento de negociação entre atores 
sociais e de indicador dos processos de degradação. 
A história ambiental recente brasileira tem mostrado que muitos dos 
projetos submetidos ao processo de AIA (Avaliação de Impacto Ambiental) são 
polêmicos e, muitas vezes, têm consequências desastrosas, não somente para 
os ecossistemas, mas para a vida das comunidades. 
Desta forma, mensurar de forma mais adequada possível esses impactos 
é uma tarefa que cabe aos profissionais que compõem a equipe contratada para 
desenvolver a avaliação, que como vimos anteriormente, também está 
submetida aos rigores das leis. 
 
 
9 
Para entendermos essa dificuldade, devemos compreender o que é um 
Impacto Ambiental, segundo a Resolução CONAMA n. 001/86: uma alteração 
das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente causada por 
qualquer forma de matéria ou energia, resultante das atividades humanas que, 
direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da 
população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas 
e sanitárias do meio ambiente; a qualidade dos recursos ambientais. 
Para dar início ao levantamento dos impactos são estabelecidas as áreas 
de abrangência e influência em que deverá ser realizado o diagnóstico dos meios 
atingidos. De posse desses elementos, que incluem visitas em campo, é que 
acontecerá a definição e análise de impactos para todas as fases do 
empreendimento e a qualificação em função de seus principais atributos, como 
veremos na sequência. 
Os impactos são definidos, portanto, a partir dos seguintes aspectos 
(Kapusta, 2009, Surehma/Gtz, 1992; Sánchez, 2013): 
a. Quanto à natureza: impactos podem ser positivos, quando acarretam 
melhorias em termos de qualidade ambiental preexistente, ou negativos, 
quando comprometem essa qualidade; 
b. Forma de incidência: indica se o impacto afeta de forma direta ou indireta 
o meio ambiente; 
c. Área de abrangência: impactos locais, quando ocorre no próprio local do 
empreendimento, ou ainda na ADA (Área Diretamente Afetada); regional 
(R), quando se propaga para fora desse local, na AID (Área de Influência 
Direta); ou, estratégicos (E), quando se interligam com estratégias de 
desenvolvimento local e/ou regional, podendo atingir a AII (Área de 
Influência Indireta); 
d. Duração ou temporalidade: tempo de duração do impacto na área em 
que se manifesta, podendo ser temporário quando o impacto cessa a 
manifestação de seus efeitos em um horizonte temporal definido, ou 
permanente, quando apresenta seus efeitos estendendo-se além de um 
horizonte temporal definido ou conhecido. 
e. Reversibilidade: O impacto passível de ser revertido na sua tendência ou 
os efeitos decorrentes das atividades do empreendimento, levando-se em 
conta a aplicação de medidas para sua reparação (no caso de impacto 
negativo) ou com a suspensão da atividade geradora do impacto. Os 
 
 
10 
impactos irreversíveis estão relacionados ao fato de que, mesmo com a 
suspensão da atividade geradora do impacto, não é possível reverter a 
sua tendência.f. Cumulatividade e sinergia: a classificação de um impacto em relação a 
este atributo considera a possibilidade de ocorrência de interação 
cumulativa e/ou sinérgica com outros impactos, considerando as 
atividades previstas para o empreendimento em questão. Nesse sentido, 
uma vez identificada a possibilidade de interação cumulativa e/ou 
sinérgica, é conferida ao impacto a qualificação presente. Por outro lado, 
quando não é prevista a ocorrência destas interações o impacto recebe a 
qualificação ausente. 
A avaliação ainda compreende uma análise em função da magnitude, ou 
seja, aquilo que define a grandeza de um impacto em termos absolutos, ou 
ainda, a medida de alteração de um atributo ambiental, em termos quantitativos 
ou qualitativos, adotando-se uma escala nominal de fraco, médio, forte ou 
variável. 
A terminologia que vimos acima é usualmente utilizada em todos os 
Estudos de Impacto Ambiental no Brasil, com pequenas adaptações em função 
do perfil e experiência profissional da equipe. 
Uma observação importante que merece registro acerca do atual contexto 
sobre a realização das avaliações de impacto ambiental é que muitos estudos 
se tornaram alvo de grandes controvérsias perante a sociedade civil, pois foi 
subestimados grande parte dos impactos potenciais, dificultando a realização de 
comparações e, portanto, sem valoração objetiva com relação à magnitude dos 
impactos. 
Esses estudos subdimensionados trazem uma série de consequências 
para as empresas que pretendem instalar novos empreendimentos, dentre elas, 
perdas financeiras e de imagem. O caso mais recente é a tragédia de 
Brumadinho, como veremos em nossa prática. 
TEMA 4 – CERTIFICADOS NEGOCIÁVEIS: CRÉDITOS DE CARBONO 
Após compreendermos a complexidade da avaliação dos impactos 
ambientais decorrentes da implantação de empreendimentos, é necessário 
mencionar que existem oportunidades de mitigação e de compensação. 
 
 
11 
Os créditos de carbono são uma oportunidade relacionada ao maior 
impacto ambiental na história da nossa civilização: as mudanças climáticas. 
Nesse contexto, que interfere cada vez mais na nossa vida, que o Painel 
Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) tem trazido um amplo 
repertório de evidências que aponta a relação entre atividades antrópicas e o 
aumento da concentração de Gases de Efeito Estufa (GEEs) na atmosfera – e, 
consequentemente, o aquecimento global. 
Há um consenso na comunidade científica de que deve prevalecer, o 
“princípio da precaução”, ou seja: o fato de não existir uma ausência de certeza 
absoluta em relação a determinado fenômeno não deve ser um impeditivo para 
a adoção de medidas de proteção contra possíveis problemas no futuro. 
De toda forma, uma maior conscientização sobre os efeitos da 
concentração de GEEs na atmosfera tem incentivado políticas públicas e 
privadas com o objetivo de reduzir as emissões de gases-estufa. A criação dos 
mercados de carbono tem esse papel, ou melhor, é um dos mecanismos que 
busca resolver problemas ambientais por meio de ferramentas econômicas sem 
que, para isso, sejam adotadas medidas fiscais. 
Pode-se afirmar que os créditos de carbono são uma espécie de 
mercadoria ambiental de empresas que reduzem suas emissões de gases, 
atenuando o efeito estufa e podendo vender no mercado financeiro, em que para 
cada tonelada de CO² deixado de ser “enviado” para atmosfera, é feito um 
“crédito de carbono”. No caso dos outros gases, usualmente é realizada uma 
equivalência de carbono para quantificação dos créditos (Brasil, 2012). 
Os créditos de carbono se tornam commodities negociados com preços 
estabelecidos pelo mercado internacional, o que de certa forma faz com tenham 
grande variação de preço. 
O mercado de créditos de carbono possui dois sistemas: o Mercado 
Regulado e o Mercado Voluntário. 
O Mercado Regulado está baseado sistema denominado Mecanismo de 
Desenvolvimento Limpo (MDL), criado pelo Protocolo de Kyoto (realizado em 
1997 e que implantou, entre outras coisas, metas de redução de carbono para 
os países). O MDL, que ficou limitado aos setores de transportes, florestal e 
energético, determina a criação de procedimentos rigorosos de registro público 
para a qualificação de projetos de redução de carbono, ou seja, é uma 
regulamentação do processo de obtenção dos créditos de CO2. 
 
 
12 
Essas iniciativas ganham um título chamado de Redução Certificada de 
Emissão (CER) para cada tonelada de CO2 reduzida, que podem ser 
negociados. 
No ambiente externo, as transações são feitas entre países, com o 
objetivo de alcançarem suas metas, já no ambiente interno, em leilões da 
BM&FBovespa (IPAM, 2017). 
O Mercado Voluntário é menos burocrático. As organizações da 
sociedade civil, empresas, governos ou cidadãos podem, voluntariamente, tomar 
a iniciativa de reduzir as emissões. 
Nesse caso, os créditos gerados são auditados por entidades 
independentes. A compra e a venda podem ser feitas diretamente pelos atores 
citados acima ou em mercados internacionais, como o Chicago Climate 
Exchange. 
A situação do mercado brasileiro até janeiro de 2019 se mantém 
indefinida, uma vez que o governo de Jair Bolsonaro manifestou inicialmente a 
decisão de sair do Acordo de Paris (COP-21), realizado em 2015. Esse acordo 
aumentou as metas de redução de emissão de todos os países, com o objetivo 
de acelerar a mudança global para uma economia de baixo carbono. 
Para concretizar essas metas, a principal ferramenta utilizada deve ser a 
substituição de energia fóssil por energia limpa e, nesse cenário, o Brasil 
ganharia terreno, literalmente. 
TEMA 5 – AUDITORIA AMBIENTAL 
Chegamos ao fim das nossas aulas. Vimos a complexidade que envolve 
as questões ambientais, um ambiente em que existe um limite tênue, inexorável 
a todos os campos da nossa vida em sociedade, e por isso, há a relevância da 
Contabilidade Ambiental. 
Nesse cenário, a auditoria ambiental se soma à ferramentas que o 
contador utiliza, à medida em que se constitui um processo sistemático e 
documentado de verificação, executado para obter e avaliar, de forma objetiva, 
evidências de auditoria para determinar se as atividades, eventos, sistemas de 
gestão e condições ambientais específicos ou as informações relacionadas a 
estes estão em conformidade com os critérios de auditoria para comunicar os 
resultados deste processo ao cliente (ABNT, 2015). 
 
 
13 
É pela auditoria que não somente identificamos situações de risco e 
infrações que desviam o cumprimento das normas, mas também, os pontos 
fortes do sistema operacional. Se constitui então, em uma ferramenta de gestão 
ambiental e não de controle. 
A auditoria ambiental não estabelece as normas e padrões a serem 
seguidos e a tecnologia necessária para tal, mas sim, avalia se as normas 
existentes estão sendo observadas pela operação, se a empresa possui uma 
política ambiental e se é capaz de melhorar o seu desempenho ambiental 
constantemente (melhoria contínua). 
Conforme aprendemos anteriormente, quando estudamos os aspectos 
históricos, foi o aumento da gravidade e das consequências dos acidentes 
ambientais que fizeram com que as empresas realizassem processos de 
verificação, ou seja, de auditorias ambientais com mais frequência. 
Historicamente, as auditorias iniciaram nos Estados Unidos, 
primeiramente com a efetivação de auditorias voluntárias na década de 1970, 
que consistiam em análises críticas do desempenho ambiental ou verificação de 
conformidades para que os riscos dos investidores frente à possíveis ações 
legais fossem minimizadas. 
No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) 
apresentou, em dezembro de 1996, as normas NBR ISO 14010, 14011 e 14012, 
relacionadas à auditoria ambiental, que em 2002 foram substituídas pela norma 
ABNT NBR ISO 19011: 2002, atualizada em 2012. 
Saiba mais 
É interessante navegar pelo site da ABNT paracompreender a variedade 
de possibilidades acerca do mundo da normatização. 
 
 
Fonte: ABNT, 2019. 
As principais características da Auditoria Ambiental são: 
 feitas por profissionais que conhecem o assunto a ser auditado; 
 realizadas por pessoas que não estão envolvidas na atividade auditada; 
http://www.abnt.org.br/
 
 
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 podem ter escopo variado, havendo necessidade de definição de sua 
abrangência; 
 dela participam três personagens bem definidos: o cliente, o auditado e o 
auditor. 
A Tabela 1 apresenta um resumo dessas principais características: 
Termos Def inições 
Critério de auditoria conjunto de pol í t icas, procedimentos 
ou requis itos ao qual é comparada a 
evidência de audi tor ia; 
Evidência de auditoria regis tros, apresentação de fatos ou 
outras informações ver i f icáveis, 
per t inentes aos cr i tér ios de auditor ia; 
Constatação de auditoria resul tados da aval iação comparat iva 
entre a evidênc ia de audi tor ia 
coletada e os cr i tér ios de audi tor ia; 
Conclusão de auditoria resul tado de uma audi tor ia, 
apresentado pela equipe de auditor ia 
após levarem cons ideração os 
objet ivos da audi tor ia e todas as 
constatações de audi tor ia; 
Cliente da auditoria organização ou pessoa que sol ic i tou 
uma auditor ia; 
Auditado organização que está sendo audi tada; 
Auditor pessoa com a competênc ia para 
real izar uma auditor ia; 
Equipe de auditoria um ou mais audi tores que real izam 
uma auditor ia, apoiados, se 
necessár io, por espec ia l is tas; 
Especialista pessoa que fornece conhec imento ou 
exper iênc ia específ icos para a equipe 
de auditor ia, mas não atua como um 
auditor ; 
Programa de auditoria conjunto de uma ou mais auditorias planejado 
para um período de tempo específico e 
direcionado a um propósito específico; 
Plano de auditoria descrição das atividades e arranjos para uma 
auditoria; 
Escopo de auditoria abrangência e limites de uma auditoria; 
Competência Atributos pessoais e capacidade 
demonstrados para aplicar conhecimentos e 
habilidades. 
Fonte: ABNT, 2015 
Pode-se afirmar que a Auditoria Ambiental, além de ser um instrumento 
técnico, busca melhorar as relações de parceria, envolvimento e confiança da 
organização com os seus públicos envolvidos e o comprometimento com o 
desenvolvimento sustentável, a submissão à legislação e a melhoria nas 
relações de trabalho. 
 
 
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TROCANDO IDEIAS 
Em nossa aula vimos sobre os indicadores e ferramentas, como a 
Auditoria Ambiental, que servem para dar rumo ao Desenvolvimento 
Sustentável. 
No entanto, na prática não parece que é isso o que acontece. 
Em 2015 houve a tragédia ambiental que afetou a cidade de Mariana, em 
Minas Gerais, e que era para ter servido de exemplo para evitar tragédias como 
a de Brumadinho, ocorrida em 25 de janeiro de 2019. 
No caso de Mariana, o Ministério Público apontou falhas e omissões no 
processo de licenciamento ambiental para as operações da Samarco, que não 
teriam considerado riscos potenciais de rompimento e impacto ambiental. 
Na perspectiva desta aula, responda: Que ensinamentos essas tragédias 
nos trazem? 
NA PRÁTICA 
“A VALE FOI ALERTADA sobre falhas nos procedimentos de 
controle e manutenção da barragem que se rompeu em Brumadinho, 
mas omitiu as informações para a população. Em seu Relatório de Impacto 
Ambiental, apresentado em 2017, a empresa cortou uma tabela importante que 
alertava para os riscos, produzida para um relatório de 2015. O documento de 
2015 é o mesmo que serviu de base para a versão mais recente, de 2017, 
apresentado sem as informações sobre os riscos da barragem. 
Os problemas na barragem foram identificados por uma consultoria 
contratada pela mineradora, a empresa Nicho Engenheiros Consultores Ltda., 
uma firma de Belo Horizonte com atuação nesse mercado desde 1990. 
O Intercept conversou com o dono da Nicho, o engenheiro Sérgio Augusto da 
Silva Roman, que assinou o estudo de impacto de Brumadinho como 
responsável técnico. 
A Vale precisava dos laudos para expandir a mineração em Brumadinho. 
Questionado sobre a ausência das informações na versão divulgada ao público 
geral em 2017, Sérgio Roman diz que “não foi por omissão, mas porque não 
cabia mesmo”. Perguntado por que não cabia esse tipo de informação mesmo 
depois da tragédia ocorrida em Mariana, em 2015, o engenheiro justificou 
assim: “A população não ia entender porcaria nenhuma”. O documento é o 
 
 
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Estudo de Impacto Ambiental (EIA), exigido de qualquer empreendimento que 
afete o meio ambiente. A papelada é a base dos processos de licenciamento. 
É a partir do documento e de vistorias próprias e eventuais pedidos de 
esclarecimentos que os órgãos de controle ambiental autorizam obras ou, se 
for o caso, determinam o cumprimento de “condicionantes” – medidas práticas 
que devem ser tomadas para que, aí sim, as licenças necessárias sejam dadas 
pelo governo. É um processo lento, geralmente proporcional ao tamanho do 
empreendimento. Entre as mais de duas mil páginas redigidas a partir do 
trabalho de uma equipe de 27 profissionais, a Nicho listou falhas de segurança 
nas barragens da Vale em Brumadinho. Os problemas afetavam diretamente a 
Barragem I, a maior do complexo do Córrego do Feijão, justamente a que 
estourou no dia 25 despejando uma quantidade equivalente a 4.800 piscinas 
olímpicas lotadas de lama tóxica sobre funcionários da própria Vale e 
residências espalhadas na zona de mineração da empresa (...). Dois anos 
depois do primeiro estudo, em maio de 2017, a Vale e a Nicho apresentaram 
aos órgãos ambientais uma nova versão do documento, agora já batizado como 
Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Não era de fato um novo relatório. Era 
apenas uma versão resumida do estudo feito anteriormente, com as mesmas 
conclusões e uma capa mais bonita. Em vez de 2.114 páginas, eram 238. Como 
a Vale explica, esse novo relatório “trata das principais conclusões sobre a 
região e o empreendimento, sendo apresentadas de forma resumida e clara 
para que a população entenda o projeto, bem como as consequências 
ambientais de sua implementação”. 
E sugere que as pessoas interessadas leiam o Estudo de Impacto 
Ambiental, com suas mais de duas mil páginas cheias de jargões do mundo da 
mineração – mas que só ficaria disponível para consulta pública, segundo a 
própria Vale, depois da aprovação do empreendimento pelos órgãos 
competentes. A divulgação de estudos de impacto ambiental antes da 
aprovação do empreendimento é vetada por uma resolução do Conselho 
Nacional de Meio Ambiente, de 1986. Faria falta a leitura completa, porque, no 
resumo, a Vale e a Nicho esqueceram de informar à população sobre as 
observações críticas feitas pela equipe de especialistas aos procedimentos de 
controle e manutenção das barragens. 
 
Fonte: adaptado de <https://theintercept.com/2019/01/28/vale-sabia-problemas-barragem-
brumadinho/>). Acesso em: 27 ago.2019. 
 
 
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Comentário: O texto mostra uma parte importante do que vimos em aula 
sobre estudos de Impacto Ambiental e permite uma reflexão sobre como as 
ações de fiscalização, monitoramento e o fornecimento de informações relativos 
aos riscos da Barragem de Brumadinho foram subestimadas pelo poder público 
e como isso foi um dos fatores que contribuíram para a tragédia. 
Nesse sentido, pode-se refletir se os projetos de desenvolvimento que 
temos no país realmente estão conduzindo para a sustentabilidade social e 
ambiental, e ainda, de quem e para quem são os ganhos desse projeto. 
FINALIZANDO 
Começamos nossa aula a partir da apresentação dos ODS – Objetivos do 
Desenvolvimento Sustentável e dessa ambiciosa agenda. Pudemos entender o 
contexto de criação e a importância dos indicadores ambientais e 
socioeconômicos do desenvolvimento sustentável. 
Na sequência, aprendemos sobre o que são os indicadores de 
ecoeficiência, elementosimportantíssimos, à medida em que permitem o 
rastreamento do progresso alcançado em atingir as metas de desempenho 
ambiental estabelecidas por uma organização. 
Após esses temas, vimos sobre um ponto delicado que atravessa as 
discussões do meio ambiental, principalmente devido às tragédias que o nosso 
país tem sofrido nos últimos anos, que esse refere à Avaliação de Impacto 
Ambiental. 
Após compreendermos sobre o que são impactos ambientais, pudemos 
olhar que também existem oportunidades, e por isso, nos dedicamos a discutir o 
que são os créditos negociáveis. 
Ao final, discutimos sobre a Auditoria Ambiental, ferramenta útil para a 
Contabilidade Ambiental. 
Na prática, apresentamos uma reportagem que traz elementos para 
refletirmos sobre os EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu 
respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), a partir da tragédia do 
rompimento da Barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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2015. Sistema de Gestão ambiental – Requisitos com Orientações para uso. Rio 
de Janeiro, 2015. 
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carbono. 2012. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/meio-
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Acesso em: 27 ago.2019. 
CUNHA, J. G. M. C.; TORATO, U. Proeminências da ecoeficiência: uma revisão 
sistemática das produções internacionais de alto impacto. Revista Livre de 
Sustentabilidade e Empreendedorismo, v. 1, p. 3-27, 2016. 
FREEMAN, M.A., R.H., H., & A.V., K. 1973. The Economics of Environmental 
Policy. John Wiley & Sons, New York. 
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Indicadores de 
desenvolvimento sustentável: Brasil: 2015.: Rio de Janeiro. Editora: IBGE. 
Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/pt/biblioteca-
catalogo?view=detalhes&id=294254>. Acesso em: 27 ago.2019. 
INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANTARDIZATION. ISO 14045: 
2012 - Environmental management - Eco-efficiency assessment of product 
systems - Principles, requirements and guidelines. Genebra, 2012. 38 p. 
IPAM, Amazônia. O que é e como funciona o Mercado de Carbono? 2017. 
Contribuição de conteúdo por Ricardo Rettmann. Disponível em: 
<http://ipam.org.br/cartilhas-ipam/o-que-e-e-como-funciona-o-mercado-de-
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KAPUSTA, S; RODRIGUEZ, M. Análise de Impacto Ambiental. Porto Alegre: 
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Technol. 61 (1), 59-62. 
SÁNCHEZ, L. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. 2. ed. 
São Paulo: Oficina de Textos, 2013. 
https://biblioteca.ibge.gov.br/pt/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=294254
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SUREHMA/ GTZ. Manual de Avaliação de Impactos Ambientais (MAIA). 
Secretaria Especial do Meio Ambiente, Curitiba: 1992. 
WBCSD - World Business Council for Sustainable Development. Eco-
Efficiency. 2000. Disponível em: 
<http://wbcsdservers.org/wbcsdpublications/cd_files/datas/capacity_building/ed
ucation/pdf/EfficiencyLearningModule.pdf>. Acesso em: 27 ago.2019. 
 
 
	Conversa inicial
	Contextualizando
	Trocando ideias
	Na prática
	Emissões
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS
	Conversa inicial
	Contextualizando
	Na prática
	Leia o artigo "Johnson & Johnson é condenada a pagar US$ 5 bi por talco com amianto", produzido pelo New York Times e publicado pelo Estadão em 13/07/18, e disponibilizado em <https://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,johnson-e-johnson-e-conde...
	O exemplo da Johnson & Johnson vem ao encontro de tudo o que vimos em aula acerca da importância da transparência das informações, com as consequências não somente ambientais, mas também sociais dos processos produtivos das indústrias. Além disso, apo...
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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