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FACULDADE INTERCULTURAL DA AMAZÔNIA
CURSO TECNICO EM TRANSAÇÕES IMOBILIARIAS
Resenha Crítica
Operações Imobiliárias
Belém/PA
2021
David Salomão Pinto Castanho Bizarro
Matrícula nº 20211136, Turma TEC-TTI04
Resenha Crítica
Operações Imobiliárias
Resenha Crítica sobre o material da disciplina, prova de
avaliação de tipo teórica, apresentada como requisito de
atividade referente à disciplina de Operações Imobiliárias
do Curso Técnico em Transações Imobiliárias da
Faculdade Intercultural da Amazônia, Campus de
Belém/PA.
Professor: Sidney Andrey Nascimento Cavalcante
Belém/PA
2021
Sumário
1. Introdução 3
2. Desenvolvimento 4
3. Conclusões 14
Referências 16
3
1. Introdução
A atividade de corretagem de imóvel historicamente sempre esteve vista como
uma atividade meio de simples mediador de negócios, a abrangência e
competências especificas dessa atividade muitas vezes tem sido desenvolvida por
pessoas sem nenhum preparo académico, sendo efetivadas por meio de sorte e
conhecimento.
O objetivo deste trabalho foca-se numa reflexão da utilidade da profissão de
corretor de imóveis na sociedade moderna, sua potencialidade para combate à
sonegação fiscal e tributária, os efeitos da sua prestação de serviços como ação
preventiva aos potenciais prejuízos em negócios imobiliários simplesmente
causados pela ausência de mudanças de postura social na valorização do trabalho
de profissional habilitado.
Para desenvolvimento deste trabalho usou-se como tema principal a necessidade
de exclusividade de corretagem de imóveis no mercado somente para profissionais
habilitados em conformidade com a Lei nº 6530/78, reportando de forma simples
outros assuntos interligados ou correspondentes para consolidar a ideia base. Estes
assuntos receberam abordagem detalhada na sala de aula por interação discursiva
pela docência, atenuando de certa forma certas lacunas no material de estudo da
disciplina de Operações Imobiliárias cuja exposição se entende carente de conteúdo
ligando as interfaces de vários temas para consciencializar o discente das situações
presentemente encontradas que envolvem o exercício de ofício da profissão.
Uma exposição da estrutura existente no Brasil da profissão e seus pontos
críticos serão objeto deste trabalho, para apresentar uma reflexão de melhorias e
desafios enfrentados, e pontuar que graças à atuação ativa dos órgãos de classe
por lobby política se tem conseguido melhorar a regulamentação e a exigência de
habilitação profissional, medidas que permitem tirar do amadorismo a
profissionalização de uma atividade importante e muito comum em nossas cidades.
4
2. Desenvolvimento
Em paralelo aos Estados Unidos da América, por exemplo, praticamente
impensável que qualquer transação imobiliária não seja efetivada envolvendo
intermediação de profissional corretor de imóveis, e nesta circunstância de patamar
de consciência da sociedade não há mais necessidade de garantir o direito da
profissão por força de lei. No Brasil, os primeiros passos vieram pelo esforço de
movimentação dos sindicatos pela regulamentação da profissão que adquiriram
incentivo em consequência da explosão do setor imobiliário, contudo as mudanças
de pensamento na sociedade moderna para inserção no mercado de negócios está
exigindo qualificação, e em contra senso alguns os hábitos e costumes retrogrados
não abandonam o cotidiano, mesmo quando disponível informação por ferramentas
tecnológicas de pesquisa que apontam ao entendimento para riscos de prejuízos por
postura social equivocada. Estas pontuações constam expressas em excertos na
referência adotada no estudo (De Moraes, 2021, pág. 7-8), as quais serão objeto de
análise e desenvolvimento como base em acontecimentos ocorridos e atuais
propostas de mudanças:
“(...) mobilizando outros segmentos dentro da própria atividades, em
razão do surgimento das empresas imobiliárias que, como pessoas
jurídicas, estavam a exigir atenção do poder público. Como fruto desta
exigência, conscientização e organização, surgiu em 27 de Agosto de
1962 a Lei 4.116, dispondo sobre a regulamentação do exercício da
Profissão de Corretor de Imóveis.”
“Desde o longínquo ano de 1927 quando se formou o primeiro sindicato de
corretores de imóveis, muita coisa mudou. A Lei nº 4.116 foi importante
na sua época. A Lei nº 6.530 incrementou a atividade, mas já não é
satisfatória estando a reclamar sua substituição para se adequar aos
novos tempos.”
“Atualmente a atividade de corretagem está passando por uma
transformação substancial com o objetivo de adequar o profissional às
novas formas de trabalhar, em que a qualificação profissional torna-se um
ingrediente básico. Aqueles que quiserem prosperar, deverão estar
atentos às mudanças e às exigências da sociedade.”
Desde a arguição de inconstitucionalidade da primeira lei que regulamentava a
profissão de corretor de imóveis, por ausência de matriz curricular como qualquer
nascimento de profissão, que persiste uma parte da sociedade enxergando de forma
errónea os processos dentro do mercado imobiliário, e mesmo após a exigência de
5
formação técnica pela atual lei de regência da profissão que não enxergam o
trabalho do profissional por detrás da negociação, e sem alteração incisiva de
mudança na legislação que promova uma mudança cultural, a sociedade em geral
não tomará a corretagem como trabalho personalizado, distinto e indispensável.
Quanto à sociedade consciente da mudança e que partilha a perceção de segurança
quando o serviço é cumprido por profissional habilitado, certamente não passa
despercebido que o sistema COFECI/CRECI desde 1976 se movimenta por lobby
político para mudanças na lei de regulamentação, entre mudanças atuais tentadas
está a inserção da figura de corretor de nível superior em discussão pelo projeto-lei
nº 774/2015 de deputado do PT, no entanto, outras opiniões colocam essa mudança
como não principal para os profissionais, e sim a exclusividade da corretagem de
imóveis como forma de evitar supostos profissionais ou pessoas não habilitadas.
Decorre que a presença do corretor de imóveis ainda é erroneamente equivocada
devido à interpretação de simples profissionais que somente possuem capacidade
de medição para aproximação das partes por entenderem as necessidades junto
com o propósito de facilitar a geração de negócio, contudo essa parte sociedade por
não entender direito o trabalho do profissional infelizmente também entende que
basta repassar a escritura do imóvel no cartório para não haver quaisquer problemas.
Não obstante essa ideologia equivoca se tornou acentuada com as ferramentas
tecnológicas facilitadoras de anúncio pela internet - aplicativos de mercado
imobiliário “Tinder dos imóveis” ou “Uber da imobiliária”, que por permitir grau de
relacionamento sem encontro de barreiras na sociedade confunde mais a resolução
de interesses comuns com os serviços de confiança, estes sim seguros no direito
infraconstitucional e sempre sob orientação de profissional qualificado.
Valendo esclarecer ainda que os corretores de imóveis na maioria das vezes
detêm informações sobre potenciais investidores ou interessados dentro do público
alvo para cada imóvel ofertado, tornando as transações imobiliárias eficazes. Com
efeito, essa condição se adquire com o prática de ofício comercial, até que se
adquire carteira de clientes rotativa facilmente pela prática natural, este afinamento
vem progressivo através do alinhamento de percepções e ideais dentro do ciclo de
relacionamento com o cliente, observando detalhes de postura, comportamento e
6
atração aos diferentes estímulos visual, auditivo ou sinestérico, para potencializar o
atendimento sem manter uma postura rígida e se tornar referência profissional.
Na maioria dos casos alguns interessados em negócios de imóveis buscam a
economia do profissional especializado sem atender aos riscos de negócio com
vários enredos possíveis, assim ninguém fica disponível para esclarecer dúvidas e o
sinónimo de segurançafica comprometida, sem disponibilidade de reclamar do
serviço sem atuação profissional, somado não apenas riscos na documentação
como também prejuízos financeiros, exemplo simples: pela prestação de suporte
técnico à documentação o corretor de imóveis alerta o cliente de eventuais dívidas
existentes averbadas na matrícula do imóvel, ou descumprimento contratual com
risco na garantia de alienação fundiária, etc., tal como apontou o antigo Presidente
do CRECI/AM em entrevista para o Portal “A Crítica” em 10/01/2013:
“Por vezes negligenciado na hora de comercializar imóveis, o corretor é
uma peça fundamental neste tipo de transação. É ele a quem dá as
garantias para o comprador e para o vendedor de que o negócio é
lícito e livre de futuros problemas com a justiça.”
“É o corretor de imóveis que investiga a vida pregressa dos envolvidos,
pesquisando se há, por exemplo, algum entrave na justiça que possa
por em perigo a posse do imóvel ou do terreno. É ele que faz uma
avaliação do preço do terreno/imóvel e bate o martelo no real preço a
ser pago. O corretor se torna co-responsável pelo negócio”.
”Além disso, o corretor também verifica todo o contrato antes de ser
assinado, checa com a construtora e a distribuidora se não há
qualquer impedimento para a venda/compra do imóvel, e verifica a
validade dos cheques com os bancos.”
Oportuno dizer que, entre as tarefas prévias à aquisição de imóvel usado, o
corretor de imóveis analisa variada documentação com o maior cuidado,
nomeadamente, junto do cartório de registro de imóveis (peça da escritura, matrícula
do imóvel, certidão negativa com historicidade de anos), da prefeitura (certidão
negativa da situação fiscal e enfitêutica) e da justiça (certidão negativa de protesto,
executivos fiscais, outras certidões do vendedor e eventualmente do cônjuge),
simplesmente para assegurar a eficácia prática e dar garantias do negócio.
Também existe uma maior exigência de informação e os casos comuns de queixa
na aquisição de apartamento envolvem a perturbação do sossego, porque o corretor
que intermedeia o negócio não faz alertas, por exemplo: existência de uma feira livre
http://www.publicidadeimobiliaria.com/2013/01/consultar-um-corretor-na-hora-da-compra.html
7
ao fim de semana fazendo o interessando acordar antes de 06h para conseguir tirar
o carro da garagem; clínica veterinária nos fundos como fonte de latidos e uivos; etc.
A situação de omissão configura afronta ao código de ética, e viabiliza o processo de
responsabilidade civil por perdas e danos, tendo em vista que o corretor necessita
estar inteirado de todos os detalhes do negócio até a vizinhança envolvente.
Os critérios de segurança que o profissional em corretagem de imóveis encontra
empenhado em conseguir o imóvel ideal envolve conhecer os principais aspetos
sociais e económicos do mercado imobiliário, as necessidades e as vantagens de
cada localização chamados fatores de depreciação e valorização, tais como: acesso
aos meios de transporte, serviços públicos no entorno - escola, hospital, delegacia,
etc., modalidades de financiamento adequadas ao cliente em encontro à capacidade
económica por forma a evitar transtornos futuros; como exemplo: a compra de
imóvel para fins de locação num local de referência antigo por preço de mercado alto
(prazo longo para retorno do investimento) existindo alternativas noutros locais com
potencial em crescimento e por preço equitativo que somado aos motivos de
planejamento urbanístico e mobilidade se tornam mais favoráveis do que anterior.
As modificações posteriores desde a nova regulamentação da profissão pela Lei
nº 6.530/78 foram benéficas à atividade de corretagem, e como prova disso na
alteração do Código Civil de 2002 ficaram estabelecidas as responsabilidades civis,
deveres e direitos aos corretores de imóveis no exercício. Outra circunstância
valorativa também no passado recente envolve a regulamentação das avaliações
após disputa judicial entre os sistemas IBAPE-CONFEA/CREA e COFECI/CRECI,
finalizada em 2012 no STF1 e em linhas gerais concluiu pela disponibilidade de atos
para ambos, o que consequentemente agrega maior valorização aos profissionais de
transações imobiliárias. Caminhando nesse sentido, após pronunciamento favorável
no TRF-1 , o COFECI editou a Resolução 1.066/2007 para disposição na matéria de
funcionamento do CNAI - Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários, bem como
elaboração de PTAM - Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica.
1(ARE 708.474 AgRe, Relatora: Ministra CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em 16/10/2012, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-220 DIVULG 07-11-2012 PUBLIC 08-11-2012)
8
Em ponto de argumentação não existe discordância entre avaliações de cada
profissão por atuação em área diferente, inclusive porque o campo de atuação dos
profissionais está claramente delimitado, o que existe são métodos de avaliação
pela norma técnica da ABNT NBR 14.653 por meio da qual cada avaliador estima
um valor de determinado bem, sendo essa estimativa denominada avaliação
imobiliária. Enquanto os corretores elaboram parecer técnico exclusivamente com
conhecimento do mercado imobiliário para externar o preço do imóvel, os
engenheiros determinam o valor da construção por meio do manejo de cálculos e
conhecimento de diferentes materiais ou formas construtivas da edificação, aspectos
que necessitam da participação de engenheiros florestais, agrônomos, civis, ou
outros com conhecimento adquirido.
Em todo o caso, essa perspetiva de avaliação atenta para os corretores de
imóveis serem os únicos profissionais capacitados para estimar
adequadamente os valores mercadológicos dos imóveis para locação ou
venda. Também a corretagem de imóveis de terceiros para intermediação consta
de forma implícita como instituto de exclusividade nos artigos 722 e seguintes do
Código Civil, especialmente o disposto no Artigo 729, atribuindo responsabilidade
civil total aos corretores no exercício da sua atividade, sendo circunstância no direito
civil que numa perspetiva de atividade económica da sociedade prestigia a profissão,
porque mais responsabilidade implica um maior segmento de segurança e com isso
maior busca pelo serviço prestado.
Por outro lado, um caso recente de divulgação nas redes sociais que veiculava
notícia de decisão pela 5ª Turma do STJ2 de que empregados de construtoras
poderão vender imóveis sem registro no CRECI, permitindo o exercício de corretores
livres desde que a comercialização seja envolvendo imóveis de próprios ou com
vínculo trabalhista, por sequência formal também poderia atuar quem por mandato
público concedido pela pessoa do exercício de direito conforme Artigo 653 do
Código Civil. No mérito a decisão do STJ não enquadra as condições de
contravenção penal pelo exercício ilegal da profissão de corretor de imóveis, por ser
funcionária com vínculo na construtora, realizando atividade de venda de imóveis
2(STJ - RHC: 93689 DF 2018/0002987-2, Relator: Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Data de Julgamento:
13/12/2018, T5 - Quinta Turma, Data de Publicação: DJe 04/02/2019)
9
somente dessa construtura, inclusive sem existir intermediação de imóveis de
terceiros, fato que dispensa a inscrição no conselho de classe, e por não existir
intermediação imobiliária de terceiros não é compatível com a fiscalização da
atividade pelo conselho.
Em sentido contrário, a função do corretor de imóveis é indispensável para o
andamento do processo perante o cartório para estudo da documentação, o
financiamento no banco, etc., também na área comercial para estudo das tendências
de mercado, e eventual administrativa se tiver participação numa incorporadora
assumindo o planejamento da cadeia de negócio. Sem ressalva é essencial a
atuação do corretor de imóveis para ser mediador dos interesses das partes que
envolvem o negócio enquanto mercadoria no âmbito imobiliário, além de medida
salutar, atende ao caráter profissionalizante do sistema contemporâneo de serviços
prestados por profissionais.Os tempos mudaram e não mais subsiste o
conhecimento empírico que cedeu espaço ao conhecimento técnico e científico,
sendo uma afronta e uma incoerência com a atualidade a admissão de leigos nas
esferas profissionais sem qualquer preparação para desenvolvimento de qualquer
profissão, por isso existem os conselhos de classe que determinam as formalidades
para a representação dos profissionais em exercício.
Assim uma importante modificação ainda necessária na legislação envolveria o
instrumento de reserva exclusiva no mercado e na comercialização de imóveis,
representada pela exclusividade do negócio aos profissionais de corretagem de
imóveis, beneficiando não apenas os profissionais de corretagem como também
toda a sociedade, visto ainda subsistir numa forma opcional certa prática por outros
profissionais enquadrados como corretores livres, e cuja conceituação pode ser
facilmente encontrada na citação (De Moraes, 2021, pág. 7-8):
“Corretores livres - São aqueles profissionais que atuam como
intermediários em negócios próprios de suas atividades e que podem
ser coisas móveis, imóveis, bens ou serviços, promovendo a aproximação
das partes e tendo direito à remuneração pelo trabalho prestado. Algumas
dessas atividades ainda não têm nenhuma legislação específica e por
isso mesmo qualquer pessoa, desde que tenha capacidade jurídica de
fato, poderá praticar o serviço.”
10
Embora esteja regulamentada a profissão de corretor de imóveis e que possa
contribuir de forma valorativa na desburocratização dos negócios imobiliários com
garantia de segurança, a batalha pela exclusividade do mercado ainda é travada e
exercida sem a devida precaução por profissional não habilitado. Por outro lado, os
corretores de imóveis têm responsabilidade civil como determina o Artigo 723,
Parágrafo Único do Código Civil, pela satisfação da mediação entre ambas as partes
que participam da transação imobiliária sob pretexto de indemnização ao cliente
prejudicado em perdas e danos cujos valores ascendem aos recebidos em
honorários, portanto, em bom senso e por lógica de profissional que pretende
manter-se no mercado, não existe qualquer interesse em participar de fraudes ou
esquemas de sonegação ou lavagem de dinheiro, justamente porque a profissão é
fiscalizada não só pelo COFECI/CRECI - órgão fiscalizar e normatizador, como
também pelo Estado através do Ministério Público Estadual, pelos municípios
através do PROCON, e por fim, pela Receita Federal que investiga fraudes fiscais e
tributárias por vezes em conjunto com Polícia Federal, Ministério Publico Federal,
entre outros, tal como ocorreu nas operações conjuntas chamadas “Lava Jato”3,4,
“Frater”5, “Cabala”6 noticiadas nos canais de mídia com situações de corrupção,
tráfico de drogas e fraude a financiamento, envolvendo a lavagem de dinheiro no
mercado imobiliário e construção civil, e no caso último pela inclusão da vantagem
indevida no valor venal dos imóveis por ser o ponto de estimativa que poder público
realiza sobre o preço de determinados bens.
O ponto fulcral atualmente com maior necessidade de mudança envolve a
instituição de exclusividade de comercialização para os corretores de imóveis, uma
concentração de esforços para que legislação infraconstitucional seja modificada,
tanto na Lei nº 6.015/73 como na Lei nº 6.530/78 com relação aos registro de
imóveis para que os atos de transação tenham intermediação ou participação
técnica por profissional habilitado, criando segurança dos negócios imobiliários que
acontecem por vezes com inúmeras irregularidades, envolvendo tanto problemas de
3https://epoca.oglobo.globo.com/tempo/noticia/2016/01/nova-fase-da-lava-jato-mira-na-oas-mas-pode-acertar-
lula.html
4https://epoca.oglobo.globo.com/tempo/noticia/2015/02/forca-tarefa-da-lava-jato-caca-o-bmisterioso-doleirob-que-
guarda-o-dinheiro-do-petrolao.html
5https://oglobo.globo.com/politica/pf-apura-uso-de-imobiliaria-acougue-igreja-para-lavagem-de-dinheiro-do-
trafico-22418267
6https://oglobo.globo.com/politica/pf-desarticula-esquema-de-desvio-de-dinheiro-da-caixa-economica-19187025
https://epoca.oglobo.globo.com/tempo/noticia/2016/01/nova-fase-da-lava-jato-mira-na-oas-mas-pode-acertar-lula.html
https://epoca.oglobo.globo.com/tempo/noticia/2016/01/nova-fase-da-lava-jato-mira-na-oas-mas-pode-acertar-lula.html
https://oglobo.globo.com/politica/pf-apura-uso-de-imobiliaria-acougue-igreja-para-lavagem-de-dinheiro-do-trafico-22418267
https://oglobo.globo.com/politica/pf-apura-uso-de-imobiliaria-acougue-igreja-para-lavagem-de-dinheiro-do-trafico-22418267
https://oglobo.globo.com/politica/pf-desarticula-esquema-de-desvio-de-dinheiro-da-caixa-economica-19187025
11
direito civil bem como direito tributário, permitindo quiçá alívio do sistema judiciário
em demandas envolvendo os temas, e também a reserva exclusiva no mercado de
fato e de direito sobre a comercialização de imóveis.
Em termos de atividades profissionais paralelas que intervêm na exclusividade
verifica-se a exigência de profissional habilitado pelo Artigo 225, Parágrafo 3º, e
Artigo 176, Parágrafos 3º e 5º, da Lei nº 6015/1973 - registros públicos, para
estabelecer as coordenadas dos vértices definidores dos limites de imóveis rurais
com georreferenciamento no sistema geodésico e precisão posicional estabelecida
pelo INCRA. Ora, essa exigência de habilitação profissional não é mais do que um
credenciamento no INCRA, observada as atribuições concedidas pelo sistema
CONFEA/CREA pela decisão PL-2087/2004 para disciplinar a certificação de
imóveis rurais em conformidade com o disposto na Lei nº 6015/1973.
Por critério análogo, estando exclusivo o parecer opinativo mercadológico quanto
à comercialização imobiliária aos profissionais apenas abrangidos pelos Artigos 2º e
3º, da Lei nº 6530/78, conquistado na condição legal de coexistir pacificamente, sem
subalternidade ou subordinação, em relação aos avaliadores inscritos no sistema
IBAPE-CONFEA/CREA, isso permite a obtenção de alavanca para se obter a
reserva exclusiva de mercado como garantia aos corretores de imóveis intermediar
ou apenas participar nas transações, observando o objetivo da atividade ser
aproveitada para evitar as bolhas imobiliárias como a especulação de valores e
combate à sonegação fiscal e tributária incidentes em transações, outras motivadas
como o lucro fácil de construtoras em conjunto com a disponibilidade de crédito e
subsídios para o segmento imobiliário que depois facilitam a intermediação
imobiliária por empregados sem devida qualificação profissional, entre outras
questões relacionadas ao tema.
Numa perceção de mercado imobiliário a importância do profissional de corretor
está ainda mal aproveitada pela legislação infraconstitucional, em primeiro aspeto
deve observar-se a obrigação pelo COFECI através da Resolução nº 1336/2004 aos
corretores estarem cadastrados no COAF, figurando a obrigação de informar as
transações acima de R$ 100.000,00 (cem mil reais), de manter em arquivo o
cadastro dos intervenientes envolvidos nos negócios imobiliários, inclusive que
12
podem ser suspeitas de oriundas de crime de lavagem de dinheiro, somado a isso o
COFECI pela Resolução nº 1256/2012 normatiza a respeito da obrigatoriedade de
arquivamente da documentação dos empreendimentos no CRECI referentes a
lançamentos imobiliários e suas respectivas incorporações. Em segundo aspecto,
caso todas as transações sem exceções fossem intermediadas por contrato de
serviços (compra ou venda, locação ou permuta) ou simplesmente partipativas na
Declaração sobre Operações Imobiliárias - DOI por parecer de conformidade técnica
dentro da competência do corretor de imóveis prévio a qualquer registro no cartório,
isso implicaria não só o fim ao exercício ilegal da profissão como também garantiria
que os órgãos públicos de arrecadação envolvidos (Receita Federal, Estado e
Município) receberiam a devida apuração dos impostos incidentes na operação pelo
dever de ofício de conformidade do corretorde imóveis, o que implicaria na redução
para praticamente zero da sonegação de impostos nas transações imobiliárias
(arrecadação de qualidade) observando que atualmente o valor da operação
imobiliária é informado pelas partes, na ausência segue o valor de base ao cálculo
sobre o imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis – ITBI ou o imposto sobre
Transmissão "Causa Mortis" e Doação de Quaisquer Bens e Direitos – ITCD, cujo
nem sempre corresponde ao valor mercadológico.
Enfim, relativamente à atividade de corretagem de imóveis vários projetos de leis
tramitam no congresso para beneficio da atividade buscando valorização do trabalho
do corretor de imóveis, e noutros casos buscam regulamentar casos omissos na
legislação, tais como os projetos de lei dos deputados Edmar Arruda do PSC, Daniel
Silveira do PSL, Alberto Fraga e Onofre Agostini do DEM (projeto-lei 1809/2011,
estando outros apensados).
Entre essas mudanças propostas deve dar-se relevância aos projetos-lei nº
6274/2013 e 4295/2020 (apensado ao PL-1809/2011) que trata de obrigação para os
cartórios informarem na escritura pública o corretor de imóveis, ou imobiliária que
intermediou o negócio, ou informação de intermediação sem corretor, como forma
de reforçar a segurança jurídica no negócio imobiliário, para dar mais prestígio ao
profissional pela garantia da prestação de serviço com qualidade, evitando assim os
falsos profissionais, e possibilitando uma melhor fiscalização dentro da ética
profissional, normas técnicas, entre outros.
13
Outras propostas seguem a mesma ideologia, e replicam o objetivo, como é o
caso dos projetos-lei nº 1809/2011 e 4455/2016 (apensado) que tratam da obrigação
de constar em contratos envolvendo transações imobiliárias, bem como nas
escrituras públicas de compra e venda, a devida assinatura da pessoa física ou
pessoa jurídica discriminando o número de registro no CRECI e o instrumento de
formalização do negócio jurídico.
Obviamente que essas mudanças feitos pelo congresso começam pelo lobby
político ou interesses comuns aos parlamentares que apreciando a situação podem
fazer propostas de alteração na lei com interesse à categoria. Sem mais nada na
questão, espera-se a força necessária aos órgãos de classe, o sistema
COFECI/CRECI, aos sindicados e associações de corretores de imóveis, para fazer
lobby junto do nosso presidente e seus parlamentares de apoio, e talvez assim o
Presidente da República, Câmara e Senado possam assistir ao clamor da categoria.
14
3. Conclusão
Após levantamento da historicidade da profissão de corretor de imóveis entende-
se que ao longo do tempo foi percorrido um caminho considerável para consolidação
no mercado e aperfeiçoamento, as melhorias já existentes e as que ainda precisam
ser implementadas são desafios que ainda não se encerraram. Algumas mudanças
substanciais constam no Projeto-Lei nº 1809/2011 com outros projetos apensados,
atualmente em tramitação na câmara de deputados, suas propostas de alterações
incidem em dois artigos da Lei nº 6530/78 que colocam o reconhecimento de técnico
superior e a obrigação dos cartórios registrarem o agente intermediário responsável
nos negócios de transações imobiliárias, bem como a discriminação do instrumento
jurídico responsável pela prestação de serviços profissionais. Caso sejam aprovados
entende-se serem favoráveis não só para reforçar a segurança jurídica nos negócios
imobiliários, como incentiva ao prestígio do profissional pela garantia da prestação
de serviço com distinção, evitando assim os falsos profissionais, e possibilitando
uma melhor fiscalização dentro da ética profissional, normas técnicas, entre outros.
A primordial modificação necessária na legislação envolve o instrumento de
reserva exclusiva no mercado e na comercialização de imóveis, representada pela
exclusividade do negócio aos profissionais de corretagem de imóveis. Para efeitos
de alavanca poderia utilizar-se a perspetiva exclusiva de avaliação concedida para
os corretores de imóveis como os únicos profissionais capacitados para estimar
adequadamente os valores mercadológicos dos imóveis para locação ou venda.
Tomando essa perceção à potencialidade no mercado imobiliário, a importância
dessa atribuição exclusiva dos profissionais de corretagem de imóveis está mal
aproveitada pela legislação infraconstitucional, observando que o procedimento atual
de declarações sobre operações imobiliárias no cartório pelos interessados ainda
permite uma sonegação fiscal ou tributária. Para essa possibilidade observam-se
outros aspectos que envolvem as obrigações estabelecidas pelo COFECI através
das Resoluções nº 1066/2007, 1346/2004 e 1256/2012, especialmente: a) satisfazer
critérios para registro no CNAI e elaboração de PTAM; b) efetuar cadastro no COAF
e informar as transações acima de R$ 100.000,00 (cem mil reais); c) arquivar a
documentação de empreendimentos como lançamentos imobiliários e respectivas
15
incorporações; sendo circunstâncias que conferem respaldo técnico adequado para
a exigência de acompanhamento de parecer mercadológico junto da documentação
em cartório para dentro da competência de corretor de imóveis os órgãos públicos
procederem com a apuração de impostos incidentes nas operações imobiliárias para
garantia de arrecadação, atendendo que o valor declarado pelos interessados nas
transações nem sempre corresponde ao valor mercadológico, noutros casos o valor
de base encontra-se desfasado em relação à realidade de mercado quando usado o
cálculo pelo imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis – ITBI ou pelo imposto
sobre Transmissão "Causa Mortis" e Doação de Quaisquer Bens e Direitos – ITCD.
A busca pela valorização profissional na sociedade também precisa ser uma meta
constante, a profissionalização da atividade se faz necessária para acompanhar as
mudanças tecnológicas, todavia a peneiração entre profissionais e amadores precisa
ocorrer urgentemente dentro do mercado imobiliário, até porque mesmo no período
após pandemia a constituição de patrimónios tem-se modificado, hoje o mercado
exige corretores capacitados para inúmeras atividades, inclusive se adequar à área
imobiliária que também passa por transformações devido às mudanças sociais.
Entre mudanças tem surgido o assistente de fundo imobiliário, em consequência das
incertezas no cenário econômico conjugada com a alta de juros e a migração dos
investidores para renda fixa, e que buscam uma classe de segmento chamada
Certificados de Recebíveis Imobiliários - CRIs (fundos imobiliários de papel), isto é,
títulos de renda fixa com lastro em crédito imobiliário emitido por securitizadoras.
Este segmento hoje figura o mais representativo com 39% de peso entre todos do
Índice de fundos imobiliários - Ifix, as mudanças são confirmadas pelo gestor da
Mauá Capital em entrevista para o “Valor Investe” em 01/11/2021, conforme citação:
“As cotas dos fundos de papel se valorizaram porque muitos cotistas
migraram dos fundos de tijolo, como são chamados os fundos
imobiliários que investem em imóveis físicos, como galpões logísticos,
lajes corporativas ou shoppings, para esses produtos, para se proteger
durante o cenário mais duro da pandemia de covid-19.”
Outra profissão são os assistentes de arrematação em leilões, onde se consegue
uma comissão a partir de 10%, e cujo ofício apenas exige o conhecimento do valor
mercadológico do imóvel em relação ao valor arrematado para assim conseguir
oportunidades de negócio caso se dispunha de carteira de potenciais interessados.
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Referências
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FIAMA - Faculdade Intercultural da Amazônia, Belém/PA, 2021.
Pinto, Ricardo José Vieira de Magalhães. Noções de Operações Imobiliárias. Curso de Formação
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Presidência da República Federativa do Brasil. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Institui o
Código Civil. Publicado no Diário Oficial da União de 11/01/2002. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406compilada.htm
Presidência da República Federativa do Brasil. Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973: Dispõe
sobre os registros públicos, e dá outras providências. Publicado no Diário Oficial da União de
31/12/1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6015compilada.htm#(%20*%20)
Congresso Nacional. Projeto de lei nº 1809/2011: Altera o art. 3º da Lei nº 6.530, de 12 de maio de
1978, que regulamenta a profissão de Corretor de Imóveis, obrigando a inserção do nome do corretor
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Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=512027
Conselho Federal de Corretores de Imóveis. Resolução nº 1336/2014: Altera a Resolução COFECI
nº 1168/2010 em conformidade com a nova redação da Lei nº 9613/98 em face da edição da Lei nº
12683/12. Disponível em: https://intranet.cofeci.gov.br/arquivos/legislacao/resolucao1336_2014.pdf
Conselho Federal de Corretores de Imóveis. Resolução nº 1256/2012: Torna obrigatório o
arquivamento no CRECI de documentos referentes a lançamentos imobiliários e respectivas
incorporações e dá outras providências. Publicado no Diário Oficial da União de 02/07/12. Disponível
em: https://intranet.cofeci.gov.br/arquivos/legislacao/resolucao1256_2012.pdf
Conselho Federal de Corretores de Imóveis. Resolução nº 1066/2007: Estabelece nova
regulamentação para o funcionamento do Cadastro Nacional de Avaliadores Imobiliários, assim como
para elaboração de Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica e dá outras providências. Publicado
no Diário Oficial da União de 29/11/2007 (com Ato Normativo-Cofeci nº 001/2011). Disponível em:
https://intranet.cofeci.gov.br/arquivos/legislacao/resolucao_1066_07_ato_normativo.pdf
Conselho Federal de Engenharia e Agronomia. Decisão PL-2087/2004 - Sessão Plenária Ordinária
1324: Reformulação da Decisão PL-0633/2003 do CONFEA. Disponível em:
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Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR 14653: Avaliação de Bens. Comitê da
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Processo Penal. Recurso em Habeas Corpus. Pedido de Extensão. 1. Trancamento da Ação Penal.
Exercício Ilegal da Profissão. Atipicidade Reconhecida. Peticionário na mesma situação fática e
processual. art. 580 do CPP. 2. Pedido de extensão deferido. Legislação: LEG-FED, DEL-003689,
Ano-1941, CPP-41, ART-00580. RECTE.: Direcional Engenharia S/A; REQDO.: Ministério Público do
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Redação realizada por João Teodoro da Silva e veiculada por ConJur. Notícia publicada em
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ao-vender-imovel
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mercado-da-corretagem-de-imoveis-na-mira-do-conselho-administrativo-de-defesa-economica---cade
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11/01/fundos-imobiliarios-de-papel-sao-agulha-no-palheiro-da-categoria-mas-vale-comprar.ghtml
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assistente de arrematação. Redação realizada por Letícia Camarho e veiculada por SeuDinheiro.
Notícia publicada em 29/10/2021. Disponível em: https://www.seudinheiro.com/2021/patrocinado/
empiricus/melhor-trabalho-do-mercado-imobiliario-paga-21-mil-pode-ser-feito-de-qualquer-lugar-nao-
tem-concorrencia-como-se-tornar-assistente-de-arrematacao-brdlc137/
https://www.conjur.com.br/2018-dez-19/joao-teodoro-permitir-corretor-registro-creci-imoral
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https://www.conjur.com.br/2018-mai-21/farias-historico-importancia-combate-lavagem-dinheiro
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https://www.conjur.com.br/2013-ago-28/quem-faz-propaganda-imovel-nao-inscricao-creci
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https://valorinveste.globo.com/produtos/fundos-imobiliarios/noticia/
https://www.seudinheiro.com/2021/patrocinado/
	Sumário
	1. Introdução
	1. Introdução
	2.Desenvolvimento
	3.Conclusão
	Referências
	República Federativa do Brasil. Supremo Tribunal J
	República Federativa do Brasil. Supremo Tribunal F

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