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Dados	Internacionais	de	Catalogação	na	Publicação	(CIP)	Elaborado	por	Sônia	Magalhães	Bibliotecária	CRB9/1191
F811	2016
Editora	e	Livraria	Appris	Ltda.	Rua	José	Tomasi,	924	-	Santa	Felicidade	Curitiba/PR	-	CEP:	82015-630	Tel:	(41)	3156-4731	|	(41)	3030-4570	http://www.editoraappris.com.br/
Editora	Appris	Ltda.
1ª	Edição	–	Copyright©	2015	dos	autores
Direitos	de	Edição	Reservados	à	Editora	Appris	Ltda.
Nenhuma	parte	desta	obra	poderá	ser	utilizada	indevidamente,	sem	estar	de
acordo	com	a	Lei	nº	9.610/98.
Se	incorreções	forem	encontradas,	serão	de	exclusiva	responsabilidade	de	seus
organizadores.
Foi	feito	o	Depósito	Legal	na	Fundação	Biblioteca	Nacional,	de	acordo	com	as
Leis	nºs	10.994,	de	14/12/2004	e	12.192,	de	14/01/2010.
FICHA	TÉCNICA
EDITORIAL Sara	C.	de	Andrade	Coelho	Marli	Caetano	Augusto	V.	de	A.	Coelho
ASSESSORIA	EDITORIAL Bruna	Fernanda	Martins
COMITÊ	EDITORIAL Andréa	Barbosa	Gouveia	-	Ad	hoc.	Edmeire	C.	Pereira	–	Ad	hoc.	Iraneide	da	Silva	–	Ad	hoc.	Jacques	de	Lima	Ferreira	–	Ad	hoc.	Marli	Caetano	–	Análise	Editorial
DIREÇÃO	–	ARTE	E	PRODUÇÃO Adriana	Polyanna	V.	R.	da	Cruz
DIAGRAMAÇÃO	|	CAPA Andrezza	Libel	de	Oliveira
CAPA Carlos	Yanke
REVISÃO Fernanda	Schimanski	Bernardes
WEB	DESIGNER Carlos	Eduardo	H.	Pereira
GERENTE	COMERCIAL Eliane	de	Andrade
LIVRARIAS	E	EVENTOS Estevão	Misael	|	Milene	Salles	
ADMINISTRATIVO Selma	Maria	Fernandes	do	Valle
CONVERSÃO	PARA	E-PUB Estevão	Misael
COMITÊ	CIENTÍFICO	DA	COLEÇÃO	CIÊNCIAS	DA	COMUNICAÇÃO
DIREÇÃO	CIENTIFICA Francisco	de	Assis	(Fiam-Faam,	SP,	Brasil)
CONSULTORES Ana	Carolina	Rocha	Pessôa	Temer	(UFG,	GO,	Brasil)
Antonio	Hohlfeldt	(PUCRS,	RS,	Brasil)
Carlos	Alberto	Messeder	Pereira	(UFRJ,	RJ,	Brasil)
Cicilia	M.	Krohling	Peruzzo	(Umesp,	SP,	Brasil)
Janine	Marques	Passini	Lucht	(ESPM,	RS,	Brasil)
Jorge	A.	González	(CEIICH-UNAM,	México)
Jorge	Kanehide	Ijuim	(UFSC,	SC,	Brasil)
José	Marques	de	Melo	(Umesp,	SP,	Brasil)
Juçara	Brittes	(UFOP,	MG,	Brasil)
Isabel	Ferin	Cunha	(UC,	Portugal)
Márcio	Fernandes	(Unicentro,	PR,	Brasil)
Maria	Aparecida	Baccega	(ESPM,	SP,	Brasil)
Editora	e	Livraria	Appris	Ltda.	Rua	General	Aristides	Athayde	Junior,	1027	–	Bigorrilho	|	Curitiba/PR	–	CEP:	80710-520	Tel:	(41)	3156-4731	|	(41)	3030-4570	|	http://www.editoraappris.com.br/
Aos	meus	pais,	Marcos	e	Cila,	pelo	amor,	confiança	e	apoio	incondicional	ao
longo	desses	26	anos	de	minha	vida.	Sem	vocês,	jamais	teria	conseguido
concluir	esta	etapa	tão	desafiadora.
Ao	meu	irmão,	Kiko,	meu	melhor	amigo,	parceiro	e	conselheiro.	Deus	não
poderia	ter	me	concedido	um	irmão	melhor.
À	minha	prima,	Anna	Isabel,	uma	das	pessoas	mais	incríveis	que	conheci	na
minha	vida.	Anna,	você	sabe	o	porque	este	livro	é	dedicado	a	você.	Obrigado.
Por	fim,	dedico	aos	meus	avôs.	Vô	Dito,	Vô	Jorge,	Vó	Tarcília	e	a	inesquecível
Vó	Isabel,	que	ainda	cuida	dos	seus	filhos,	netos	e	bisnetos	lá	do	céu.
AGRADECIMENTOS
Agradeço	ao	professor	Dimas	A.	Künsch,	meu	orientador,	pela	sua	paciência,
compreensão,	dedicação	e	conselhos.	E,	claro,	por	sempre	ter	aguentado	minhas
crises	de	ansiedade	com	alegria	e	bom	humor.	Muito	obrigado,	professor.
Ao	professor	Cláudio	Novaes	Pinto	Coelho,	fã	de	Dream	Theater	e
TransAtlantic,	pelas	aulas	inspiradoras	e	contribuições	valiosas	para	esta
pesquisa.	Suas	ideias	foram	essenciais	para	que	eu	atingisse	o	objetivo	desejado.
À	professora	Patrícia	Rangel,	por	ter	colaborado	com	críticas	e	apontamentos
fundamentais	para	o	desenvolvimento	do	trabalho.	Sou	extremamente	grato	pela
valiosa	ajuda.	Obrigado.
Ao	professor	Celso	Unzelte,	colega	de	mestrado,	por	ter	aceitado	o	convite	de
escrever	o	prefácio	deste	livro	e	também	contribuído	para	o	desenvolvimento	da
pesquisa.	É	a	realização	de	um	sonho	a	publicação	do	livro	com	o	prefácio	feito
por	um	dos	maiores	jornalistas	esportivos	do	Brasil.
Meu	muito	obrigado	a	todos	vocês.
Para	Mané	Garrincha,	o	espaço	de	um	pequeno	guardanapo	era	um	enorme
latifúndio.
(Armando	Nogueira)
APRESENTAÇÃO
A	primeira	lembrança	de	minha	vida	é	relacionada	ao	esporte.	Em	1994,	quando
tinha	apenas	4	anos,	lembro-me	de	um	primo	falando	sobre	o	pênalti	perdido	por
Palhinha,	na	época	jogador	do	São	Paulo	Futebol	Clube,	na	final	da	Copa
Libertadores	da	América.	Quatro	anos	depois,	em	1998,	comemorei,	de	fato,
meu	primeiro	título	com	a	volta	de	Raí	para	o	Tricolor	paulista.	Ainda	nesse	ano,
comecei	a	acompanhar	mais	de	perto	um	atleta	alto	e	magrelo,	com	uma
camiseta	amarela,	cabelo	encaracolado	e	que	empunhava	uma	raquete.	Atendia
pelo	nome	de	Gustavo	Kuerten.	Guga	ajudou	a	despertar	o	que	seria	uma	das
minhas	maiores	paixões	nesta	vida,	e	influenciou,	indiretamente,	no	meu
ingresso	profissional	ao	mundo	esportivo.
Criei	um	blog	sobre	tênis	e	uma	conta	no	Twitter.	Assistia	a	inúmeras	partidas	e
fazia	comentários	pontuais	na	rede	social	digital.	Ali	também	colocava
resultados	de	jogos	e	notícias	sobre	outras	modalidades.	Pouco	tempo	depois,
graças	a	uma	combinação	de	fatores,	ingressei	de	vez	no	mercado	esportivo,
como	estagiário	na	Confederação	Brasileira	de	Tênis.	Claro	que,	com	outras
funções	e	uma	responsabilidade	inegavelmente	maior,	aliei	a	minha	paixão	com
o	trabalho.	Assistir	tênis	era	trabalho,	assim	como	escrever	e	divulgar	resultados.
Com	o	passar	dos	anos,	fui	tendo	outras	experiências,	trabalhei	em	torneios
profissionais	de	tênis,	na	Copa	do	Mundo	pela	Adidas	e	também	realizei	o	sonho
de	trabalhar	na	ESPN.
Apesar	ainda	da	pouca	idade,	as	experiências	profissionais	juntamente	com	os
estudos	realizados	me	credenciaram	para	uma	pesquisa	completa	e	preocupada
com	o	presente	e	futuro	do	jornalismo	esportivo,	em	especial	do	praticado	na
internet.	Ao	longo	dos	anos,	tem	sido	recorrente	ouvir	sobre	a	crise	financeira	e	a
má	qualidade	da	produção	jornalística,	e	meu	objetivo	principal	com	este	livro
sempre	foi	apontar	o	que	está	sendo	produzido	e	gerar	um	debate	sobre	os
caminhos	que	a	profissão	está	tomando.	Não	falo	sobre	modos	de	escrita,	falo
sobre	os	padrões	que	estão	sendo	executados,	as	prioridades	–	como	a	agilidade
para	redigir	ao	invés	de	checar	os	fatos	–,	a	importância	dos	vídeos	e	as	diversas
maneiras	que	os	jornalistas	utilizam	para	alavancar	a	audiência.	Tudo	isso
influencia	no	resultado	final	e,	consequentemente,	no	trabalho	do	profissional	de
comunicação.	Aliás,	é	ou	não	é	preocupante	o	fato	de	uma	agência	americana
estar	criando	robôs	para	redigir	notas	curtas	e	enviar	para	seus	clientes?
No	mercado,	muitos	reclamavam	dos	salários	baixos,	das	constantes	demissões,
da	desvalorização	do	profissional	como	um	todo.	Ao	ingressar,	o	jornalista	entra
em	uma	espécie	de	linha	de	produção	e	é	rapidamente	adaptado	ao	sistema,	de
certo	modo,	engessado	–	e	aqui	me	incluo	também.	Poucos,	porém,	procuravam
fazer	uma	autorreflexão	do	que	está	sendo	produzido,	e	foi	nesse	momento	que
passei	a	questionar	inclusive	o	meu	próprio	trabalho.
A	ideia	de	pesquisar	surgiu	em	meio	a	esses	pensamentos.	Com	a	ajuda	das	aulas
ministradas	durante	o	mestrado,	a	leitura	de	autores	clássicos,	como	Adorno	e
Horkheimer,	Guy	Debord,	Walter	Benjamin,	entre	outros,	contribuiu
imensamente	para	o	resultado	final,	que	é	a	publicação	deste	livro.	Algumas
adaptações	foram	feitas	para	facilitar	a	compreensão	dos	leitores.	A	intenção
com	esta	obra	é	gerar	uma	leitura	agradável	para	todos	aqueles	que	se	interessam
pelo	jornalismo	esportivo,	seja	um	profissional	da	área	ou	não.	Espero	que
gostem!
O	autor
PREFÁCIO
Mais,	até,	do	que	outros	assuntos,	o	esporte	—	no	Brasil,	em	especial	o	futebol
—	é	capaz	de	render	notícias	todo	dia,	toda	hora,	todo	minuto.	Quando	não	tem
competição	tem	algum	atleta	contundindo-se,	despedindo-se	dos	campos	ou
quadras,	envolvendo-se	em	casos	de	doping	ou	em	transações	milionárias,	além
de	qualquer	outro	personagem	(incluindo	aí	técnicos,	dirigentes,	até	torcedores)
ligado	aos	mais	variados	tipos	de	escândalo.	Nesse	sentido,	a	tradicionalmente
chamada	“editoria	de	esportes”	tem	dialogado	cada	vez	mais	com	as	de	política,
economia,	polícia,	além	de	artes	e	espetáculos,	uma	das	molas-mestrasdo
presente	trabalho,	ao	relacionar	a	cobertura	esportiva	com	o	entretenimento.
Veículos	impressos,	porém,	como	os	jornais	(diários)	e	as	revistas	(semanais	ou
mensais),	e	mesmo	as	mídias	eletrônicas	mais	tradicionais,	como	o	rádio	e	a
televisão,	apesar	de	sua	maior	agilidade,	já	não	dão	conta	dessa	empreitada.	Em
plena	Era	do	Acesso	(na	definição	de	Jeremy	Rifkin,	um	dos	autores	aqui
analisados),	as	pessoas,	com	seus	aparelhos	móveis,	estão	de	certa	forma	em
todos	os	lugares.	Além	de	falar	de	tudo	e	de	todos,	os	tablets	e	celulares
fornecem	informação	onde	e	quando	seus	proprietários	quiserem.	Uma	era,
enfim,	de	onipresença,	de	ubiquidade,	termo	que	tomo	emprestado	de	outra
autora,	Lucia	Santaella.
Nesse	novo	mundo	em	termos	de	comunicação,	como	é	feita	a	produção	do	tipo
de	jornalismo	dito	esportivo	no	ambiente	aqui	chamado	de	internet?	Que
recursos	os	jornalistas	utilizam	em	suas	reportagens?	Como	o	processo	de
mercantilização	da	notícia	e	a	espetacularização	do	esporte	acabam
influenciando	essa	maneira	de	fazer	jornalismo,	cujo	desafio	de	despertar	a
atenção	do	leitor	cresce	na	mesma	proporção	de	sua	demanda	–	a	cada	dia,	a
cada	hora,	a	cada	minuto?	São	essas	as	perguntas	que	Marcelo	Bechara	se
propõe	a	responder.	E	o	faz	muito	bem.
Mais	que	isso:	a	partir	do	estudo	de	caso	da	cobertura	de	três	jogos	do	Brasil	na
Copa	do	Mundo	que	o	País	sediou	em	2014,	feita	por	três	sites	diferentes,	e	com
a	ajuda	dos	conceitos	de	sociedade	do	espetáculo,	de	Guy	Debord,	e	indústria
cultural,	de	Adorno	e	Horkheimer,	ele	observa	as	técnicas	utilizadas	pelos
jornalistas	para	representar	o	evento	esporte	como	um	espetáculo.	Entrevista,
ainda,	três	profissionais	da	área	(entre	os	quais	tive	a	honra	de	ser	incluído),
oferecendo	um	panorama	das	dificuldades,	tanto	ideológicas	quanto	práticas
(nesse	caso,	especificamente	financeiras),	de	se	fazer	um	jornalismo	melhor.
Aquele	jornalismo,	enfim,	que	sonhamos	um	dia	fazer,	na	internet	ou	fora	dela,
no	esporte	ou	em	qualquer	outra	editoria.
Celso	Unzelte
Sumário
INTRODUÇÃO	
CAPÍTULO1
O	ESPETÁCULO	DO	FUTEBOL	NO	JORNALISMO	ESPORTIVO	NA
INTERNET	
1.1.	A	Produção	do	Jornalismo	Esportivo	On-line	
1.2.	Jornalismo	na	Sociedade	do	Espetáculo	
1.3.	O	Espetáculo	Futebol	
1.4.	A	Reprodução	do	Espetáculo	no	Jornalismo	Esportivo	na	Internet	
1.4.1.	Estreia	na	competição:	Brasil	3x1	Croácia	
1.4.2.	Oitavas	de	final:	nos	pênaltis,	Brasil	vence	Chile	
1.4.3.	Semifinal:	Brasil	é	humilhado	pela	Alemanha	
1.5.	Da	Cultura	da	Imagem	para	a	Cultura	do	Visual	
1.6.	Texto	ou	vídeo?	Quem	complementa	quem?	
CAPÍTULO	2
AS	TÉCNICAS	DE	REPRODUÇÃO	E	O	ESPETÁCULO	NO
JORNALISMO	ESPORTIVO	NA	INTERNET	
2.1.	O	Calendário	Esportivo	e	as	Pautas	no	Jornalismo	
2.2.	Reprodução	de	Notícias	
2.2.1.	Agências	de	Notícias	
2.2.2.	Assessorias	de	Imprensa	
2.3.	Indústria	Cultural	
2.4.	O	Espetáculo,	a	Indústria	e	a	Reprodução	
CAPÍTULO	3
A	PRODUÇÃO	DO	JORNALISMO	ESPORTIVO	DIGITAL	NA
ATUALIDADE	
3.1.	O	Jornalismo	Esportivo	On-line	na	Atualidade	
3.1.1.	Ritmo	Acelerado	nas	Redações	
3.1.2.	A	Construção	do	Relato	da	Partida	de	Futebol	
3.1.3.	Caça-Cliques	
3.1.4.	A	Vida	Privada	dos	Atletas	Celebridades	
3.2.	Liquidez	das	Notícias	
3.3.	A	Pressão	Econômica	na	Produção	do	Jornalismo	Esportivo	
3.3.1.	Publicidade:	Única	Fonte	de	Renda	do	Jornalismo	On-line	
3.4.	A	Era	do	Acesso	135
CONSIDERAÇÕES	FINAIS	
REFERÊNCIAS	
INTRODUÇÃO
O	esporte	faz	parte	da	cultura	mundial.	O	futebol,	especificamente,	está	presente
no	cotidiano	dos	brasileiros	e	muito	de	uma	personalidade	pode	ser	descrita	por
meio	desse	esporte.	A	área	do	jornalismo	esportivo	é	uma	das	mais	desejadas
pelos	estudantes	de	Comunicação,	pois	une	a	paixão	de	infância	com	a	profissão
escolhida.	Em	2014,	o	Brasil	teve	o	privilégio	de	sediar	novamente	uma	Copa	do
Mundo	de	Futebol	após	64	anos,	e	a	produção	de	informação	esportiva	nunca
esteve	em	tamanha	evidência.	O	assunto	predominou	em	todas	as	redações	e
noticiários	do	País,	inclusive	aqueles	cujo	foco	é	direcionado	para	outros	temas,
como	política	e	cultura.	O	futebol	se	tornou	o	principal	tema	e	ganhou	ainda
mais	destaque	no	cenário	mundial.
O	progresso	tecnológico	proporcionou	inúmeras	formas	de	criar	uma	reportagem
no	ambiente	on-line.	Vídeos,	imagens	em	movimentos	(ou	gifs),	áudios,
hyperlinks;	tudo	sem	restrição	na	quantidade	de	palavras	e	com	a	possibilidade
de	edição	após	a	publicação.	Essas	são	algumas	características	e	recursos	do
jornalismo	no	ambiente	digital.	Embora	tenha	facilitado	o	trabalho	de	muitos
jornalistas,	as	mudanças	também	trouxeram	consequências	negativas,	como	a
agilidade	necessária	para	redigir	a	notícia	e	colocá-la	no	ar,	o	que,	às	vezes,
impossibilita	o	repórter	de	checar	informações	e	revisar	o	conteúdo.	Isso	posto,
esta	pesquisa	propõe	estudar,	como	tema	central,	a	produção	do	jornalismo	na
internet.	Consiste	em	observar	os	meios	utilizados	pelos	jornalistas	para	elaborar
uma	matéria	no	ambiente	on-line	e	torná-la	atraente	para	os	leitores,	por	meio
das	ferramentas	disponibilizadas,	tanto	para	o	texto,	como	para	a	inserção	de
vídeos.	A	questão	é	compreender	como	o	espetáculo	se	produz	na	notícia	e	quais
os	recursos	e	mecanismos	são	utilizados	na	espetacularização	da	informação	–	o
que	se	tornou	uma	das	características	mais	marcantes	do	jornalismo	esportivo
on-line.
Para	a	análise,	escolhi	os	relatos	–	texto	que	descreve	como	foi	a	partida,
publicado	segundos	depois	do	apito	final	–	de	três	jogos	da	Copa	do	Mundo	de
2014.	Brasil	x	Croácia,	duelo	realizado	no	dia	12	de	junho	de	2014	em	São
Paulo/SP,	marcou	a	estreia	da	equipe	nacional	na	maior	competição	de	futebol
entre	países	e	inaugurou	o	torneio	em	solo	brasileiro,	que	aqui	não	era	realizado
desde	1950.	O	segundo	confronto	escolhido	foi	Brasil	x	Chile,	que	aconteceu	na
cidade	de	Belo	Horizonte/MG,	em	28	de	junho	de	2014,	válido	pelas	oitavas	de
final	da	Copa,	e	que	ficou	marcado	pelo	sofrimento	da	Seleção	Brasileira,
avançando	às	quartas	de	final	na	disputa	de	pênaltis.	O	terceiro	e	último	texto
selecionado	foi	sobre	o	maior	vexame	da	história	do	time	nacional,	a	derrota	por
7	a	1	para	a	Alemanha,	na	semifinal	da	Copa	do	Mundo,	realizado	no	dia	8	de
julho	de	2014,	novamente	na	cidade	de	Belo	Horizonte,	que	encerrou	o	sonho	do
hexacampeonato.
Os	relatos	escolhidos	são	de	quatro	diferentes	websites:	GloboEsporte.com,	por
pertencer	ao	maior	grupo	de	comunicação	do	País	e	ser	referência	para	o
jornalismo	esportivo	em	todos	os	aspectos;	ESPN.com.br,	que	carrega	uma	das
marcas	esportivas	mais	famosas	do	mundo	e	toda	a	credibilidade	necessária	para
fazer	um	jornalismo	de	qualidade	–	no	entanto,	a	filiação	brasileira	sofre	com	a
concorrência	financeira	da	rival	e	isso	a	prejudica	na	produção	de	conteúdos;	e
GazetaEsportiva.net,	um	dos	nomes	mais	tradicionais	no	jornalismo	esportivo	no
Brasil,	que	possui	uma	agência	de	notícias	que	colabora	para	diversos	sites,	mas
deixou	de	ser	referência	no	cenário,	principalmente	pela	falta	de	poder	financeiro
frente	aos	concorrentes.	O	outro	portal	escolhido	foi	o	da	Folha	de	S.Paulo	–
folha.com.br	–,	por	não	ser	especializado	totalmente	em	esportes	e	trazer	uma
visão	distinta	e	mais	séria	nos	conteúdos.	Estas	quatro	plataformas	digitais
demonstram	diferenças	bastante	perceptíveis	quanto	à	produção	de	matérias
sobre	os	jogos,	e	cada	site	possui	recursos	distintos.
Nesta	busca	de	estudar	os	processos	da	produção	do	jornalismo	esportivo	na
internet,	trago	duas	hipóteses	que	procuram	colaborar	para	a	compreensão	do
problema	de	pesquisa	proposto.	A	primeira	é	a	de	que	os	atuais	mecanismos	de
produção	de	notícia	jornalística	esportiva	digital	colaboram	e	acentuam	a
combinação	entre	informação	e	entretenimento.	Com	a	ajuda	dos	conceitos	de
Debord	e	Adorno	e	Horkheimer,	observei	as	técnicas	utilizadas	pelo	jornalista
para	representar	o	espetáculo	do	evento,	da	partida	de	futebol,	o	mais	fielmente
possível	em	uma	reportagem,	também	investiguei	os	recursos	que	tornam	a
reportagem	mais	atraente	e	desperte	a	atenção	dos	consumidores,	além	de	se
tornaruma	forma	de	entretenimento	para	o	leitor.
A	outra	hipótese	trabalha	com	a	ideia	do	ritmo	acelerado	e	a	pressão	para
publicar	a	notícia	o	mais	rápido	possível.	Em	vista	da	concorrência	e	a	alta
demanda	dos	portais	eletrônicos,	os	editores	exigem	dos	repórteres	rapidez	para
finalizar	uma	matéria	e	publicá-la	em	questão	de	minutos,	o	que	implica	em
certa	alteração	nos	modos	de	fazer	jornalismo,	já	que	com	a	internet,	no	geral,
primeiro	publica-se	o	conteúdo	para	depois	revisá-lo.
O	primeiro	capítulo	deste	livro	aborda,	principalmente,	a	questão	do	espetáculo
no	jornalismo	esportivo.	Com	um	estudo	detalhado	das	reportagens	sobre	as
partidas,	observei	os	meios	de	reproduzir	o	espetáculo	do	futebol	em	matérias
jornalísticas	e	como	os	repórteres	fazem	isso.	Busquei	compreender	também	a
relação	entre	informação	e	espetáculo,	se	este	suplanta	na	produção.	Os
principais	referenciais	teóricos	para	esta	parte	são	Guy	Debord,	com	a	Sociedade
do	Espetáculo,	o	autor	Cláudio	N.	P.	Coelho,	através	das	aulas	ministradas	sobre
o	tema	e	as	obras	Teoria	Crítica	e	Sociedade	do	Espetáculo	(2014)	e
Comunicação	e	Sociedade	do	Espetáculo	(2006),	Adorno	e	Horkheimer,	no	que
se	trata	de	indústria	cultural,	Eduardo	Galeano	para	falar	de	futebol,	e	também
busquei	fundamentos	no	espanhol	Josep	Català	para	debater	as	questões	das
mudanças	da	cultura	da	imagem	para	a	cultura	visual	e,	consequentemente,
discutir	sobre	a	importância	do	vídeo	nas	reportagens	on-line.
O	segundo	capítulo	envolve	outra	questão	frequente	no	jornalismo	esportivo	na
internet.	Muitos	portais	são	abastecidos	por	agência	de	notícias	–	o	website
assinante	recebe	o	material	da	agência	e	tem	apenas	o	trabalho	de	publicá-la	em
sua	plataforma	para	suprir	a	enorme	demanda.	Os	relatos	da	GazetaEsportiva.net
podem	ser	encontrados	em	diversos	sites,	por	fazerem	parte	da	agência	Gazeta
Press,	uma	das	maiores	do	Brasil.	Este	ponto	pode	ser	comparado	com	os	press-
releases	enviados	pelas	assessorias	de	clubes	e	jogadores.	A	maioria	das
empresas	recebe	e	reproduz	a	mesma	notícia,	tendo	apenas	que	publicar	ou
editar	determinadas	informações.	Para	referencial	teórico,	a	base	consiste	em
Theodor	W.	Adorno	e	Max	Horkheimer,	com	os	conceitos	sobre	a	indústria
cultural,	e	Walter	Benjamin,	com	as	técnicas	de	reprodução.
Para	finalizar,	o	terceiro	e	último	capítulo	aborda	questões	sobre	o	momento	em
que	se	encontra	o	jornalismo	esportivo	na	internet,	traçando	uma	espécie	de
panorama	geral.	Com	base	teórica	em	Zygmunt	Baumann,	faço	o	debate	sobre	a
liquidez	das	notícias	que,	em	poucas	horas,	já	se	tornam	antigas,	a	necessidade
da	atualização	quase	que	em	tempo	real	de	todo	o	portal,	a	agilidade	para	redigir
uma	matéria	e	publicá-la,	com	poucos	minutos	para	a	essencial	checagem.	Uso
Edgar	Morin	e	Patrícia	Rangel	para	buscar	compreender	o	tratamento	dos
jogadores	que	se	transformam	em	celebridades	e	influenciam	inúmeras	matérias
sobre	a	vida	pessoal.	Uso	também	Jean	Baudrillard	para	tratar	a	questão	da
publicidade	como	única	fonte	de	renda	para	o	jornalismo	on-line.	Com	o	uso	de
Jeremy	Rifkin	questiono	como	o	leitor	já	não	quer	mais	pagar	pela	informação	e
sim	apenas	ter	o	acesso	à	mesma.	Isto	se	tornou	um	desafio	para	rentabilizar	os
websites	e	influencia	na	escolha	de	pautas	cada	vez	mais	apelativas,	com	o
intuito	apenas	de	gerar	audiência.
A	metodologia	utilizada	para	escrever	este	livro	tem	como	principal	estratégia	a
pesquisa	bibliográfica	de	autores	que	conversam	com	o	tema	proposto	e	que
possibilitam	diversas	visões	e	ideias	a	respeito	da	produção	do	jornalismo
esportivo.	É	interessante,	e	ao	mesmo	tempo	curioso,	como	outros	assuntos
podem	ser	aplicados	ao	esporte,	embora	tenham	sido	escritos	em	épocas	que	o
jornalismo	era	bastante	diferente	do	padrão	atual.	Foi	um	desafio	trabalhar	com
textos	clássicos	e	aplicar	os	conceitos	nos	modos	de	produção	do	século	XXI.
As	entrevistas	com	profissionais	da	área	foram	fundamentais	para	o
desenvolvimento	de	ideias.	Jornalistas	renomados,	professores	acadêmicos	e
editores	das	plataformas	digitais	colaboraram	para	se	chegar	aos	resultados
alcançados.	Como	forma	de	compreender	o	funcionamento	da	produção	de
informação	esportiva,	as	entrevistas	demonstraram	preocupação	com	os	métodos
de	criação	de	conteúdo,	os	objetivos	desejados	pelas	empresas	de	comunicação,
e	também	com	a	visão	de	cada	profissional	sobre	o	momento	do	jornalismo	de
esportes.
Para	encerrar,	o	principal	objetivo	deste	livro	é	gerar	uma	reflexão	sobre	a
produção	do	jornalismo	esportivo	na	internet	e	quais	os	rumos	ela	tem	seguido
para	dar	o	retorno	necessário	às	empresas	de	comunicação.	Se	a	informação
ainda	é	o	principal	a	ser	vendido	ou	se	a	notícia	tornou-se	mais	um	produto	do
entretenimento.	Desde	o	início	do	trabalho,	a	minha	principal	ideia	foi	encontrar
uma	maneira	de	colaborar	com	estudos	para	a	discussão	do	jornalismo	esportivo
e	agregar	conhecimento	na	área	acadêmica.
Capítulo1
O	ESPETÁCULO	DO	FUTEBOL	NO	JORNALISMO	ESPORTIVO	NA
INTERNET
1.1.	A	Produção	do	Jornalismo	Esportivo	On-line
O	modo	de	fazer	jornalismo,	seja	na	internet,	no	rádio	ou	na	TV,	requer	atenção
aos	princípios	básicos	da	profissão,	independentemente	da	plataforma.	A	criação
de	uma	matéria	esportiva	passa	pelas	mesmas	etapas	de	produção	de	uma
reportagem	política	ou	econômica,	por	exemplo.	No	primeiro	momento,	é
preciso	definir	a	pauta.	Em	seguida,	apurar	os	fatos	–	é	necessário	checar	a
vericidade	de	qualquer	informação	obtida	–	e,	para	finalizar,	a	redação	e	a	edição
da	matéria.	No	universo	digital,	a	rapidez	para	publicar	interfere	nesta	última
fase,	mas	nem	por	isso	o	texto	pode	conter	erros	na	elaboração	da	matéria,	como
apresentar	notícias	sem	aprofundamentos,	sem	contextualização,	ou	ainda,	erros
gramaticais.	Não	há	fórmula	exata	para	que	os	erros	sejam	evitados,	assim	como
todas	as	partes	do	processo	de	criação	de	reportagens	têm	a	mesma	importância.
A	profissão	do	jornalista	exige	estudo,	dedicação,	atenção	e	experiência.
O	jornalismo	esportivo	digital	tem	perdido	profundidade	em	sua	produção.
Jornalistas	e	leitores	têm	se	contentado	com	o	superficial,	de	leitura	rápida	e	fácil
compreensão.	Os	recursos	literários	estão	cada	vez	mais	escassos	no	meio
esportivo,	aparecendo	poucas	vezes	em	algumas	colunas	e	reportagens	especiais.
Dimas	Künsch	discute	este	modelo	moderno	de	produção	de	informação.	Para	o
autor,	a	produção	se	torna	uma	espécie	de	videogame.	Ele	diz:
Exemplo	clássico	de	insucesso	e	reprovação	do	modelo	tido	por	moderno	de
informação	da	atualidade	–	o	jornalismo	que	se	contenta	“com	o	rapidinho,	o
superficial	e	o	perfunctório”	(José	Hamilton	Ribeiro)	–,	a	cobertura	da	Guerra	do
Golfo	mostrou	até	onde	pode	chegar	um	jornalismo	que	“deixa	de	ser	o	quarto
poder,	investigativo,	de	precisão,	literário”,	tudo,	para	se	transformar	numa
espécie	de	videogame,	regido	pela	lei	da	eficiência	técnica	e	tecnológica
movendo-se	no	nível	das	generalidades.	Perdem	os	leitores	e	perde	a	sociedade,
quando	a	imprensa	despreza	o	trabalho	sério	de	aprofundamento	dos	fatos	e
situações	que	tecem	o	“espetáculo	dramático	do	nosso	tempo”	(KÜNSCH,	2000,
p.	102).
A	imprensa	tem	desprezado	técnicas	consideradas	essenciais	para	a	produção	de
um	conteúdo	de	boa	qualidade.	Ao	optar	pelo	superficial	e	rápido	–	e	também
por	conta	da	demanda	que	o	ambiente	on-line	exige	–,	o	jornalista	pula	etapas
que	agregam	valor	a	reportagem,	como	é	o	caso	da	investigação	dos	fatos	e	a	ida
ao	local	do	evento	para	compreender	o	máximo	possível	as	dimensões	humanas,
os	contextos	e	os	personagens	dos	fatos	e	situações	a	serem	reportados.	No
jornalismo	esportivo,	grande	parte	dos	repórteres	escreve	sobre	as	partidas	de
dentro	da	redação,	bem	longe	do	local	de	jogo.	Alguns	veículos	de	comunicação
só	enviam	seus	profissionais	aos	estádios	em	jogos	especiais,	como	finais	de
campeonato	ou	clássicos	regionais.	É	inegável	a	importância	de	estar	no	local	do
confronto	para	se	ter	a	perspectiva	do	acontecimento	e	a	diferença	que	estar
presente	assume	na	produção	do	texto.
Künsch	cita	Cremilda	Medina	para	apontarcomo	o	jornalista	está	distante	da	rua
–	que	é	uma	parte	do	seu	processo	de	trabalho	–	e	distante	de	um	espaço
privilegiado	do	cotidiano,	dos	embates	ideológicos,	da	experiência.	O	autor
afirma	que:
Indo	à	rua,	o	repórter	“pode	flagrar,	com	perplexidade,	que	o	acontecimento
social	está	correndo	à	parte	das	pautas	jornalísticas,	sua	ideologia	ou	didatismo
opinático	[...]	a	autora	vê	que	a	rua,	“cenário	das	grandes	sacudidas
paradigmáticas	ou	ideológicas”,	está	ficando	“cada	vez	mais	distante	da	oficina
jornalística”.	Esta,	“claustrofobicamente,	se	encerra	no	ágil	maquinário
contemporâneo	e	nas	mediações	tecnológicas	da	informação	pronta	para
consumir”	(KÜNSCH,	2000,	p.	109).
Ao	se	distanciar	da	rua	e	deixar	de	lado	a	experiência	de	absorver	ideologias	e
sentimentos	que	agregam	ao	trabalho,	o	jornalista	segue	para	o	caminho	mais
racional,	com	pouca	profundidade,	mas	em	matérias	baseadas	em	dados
estatísticos,	gráficos	e	infográficos	que	reforçam	as	análises	da	partida	ou	dos
jogadores.	O	professor	Igor	Fuser,	na	obra	A	Arte	da	Reportagem	(1996),	atribui
esta	tendência	ao	jornalismo	moderno	e	objetivo.	Fuser	diz:
Em	nome	de	um	jornalismo	“moderno”	e	“objetivo”,	desprezou-se	a	reportagem
–	em	especial,	a	reportagem	em	profundidade	–	para	dar	lugar	a	um	enfoque	que
privilegia	as	estatísticas	como	medida	suprema	da	verdade.	Pesquisas	de	opinião
substituem	a	realidade	viva,	perturbadora,	contraditória.	Infográficos	ocupam	o
lugar	dos	textos.	Os	problemas	urbanos	se	resumem	à	quilometragem	dos
congestionamentos,	aos	decibéis	de	barulho	e	às	medições	da	poluição	do	ar.
Taxas	de	inflação	e	de	desemprego	bastam	para	retratar	a	situação	do	povo,
supõe-se.	Quando	se	fala	em	crimes,	a	fórmula	favorita	é:	47	mortos,	o	fim	de
semana	foi	o	terceiro	mais	violento	do	ano.	Mortos	sem	nome,	sem	história.	A
vida,	nas	páginas	dos	jornais,	é	previsível	e	insossa	como	um	sanduíche	fast-
food.	O	ser	humano	se	tornou,	quando	muito,	um	detalhe	–	que	na	maioria	das
vezes,	só	serve	para	atrapalhar,	como	na	manchete	de	primeira	página	que	dizia:
“Passeata	dos	sem-terra	tumultua	o	trânsito”	(FUSER,	1996,	p.	15).
Este	jornalismo	moderno,	baseado	em	números,	tem	se	popularizado	também
entre	os	leitores,	a	ponto	de	as	emissoras	investirem	em	departamentos	de
estatísticas,	como	é	o	caso	da	ESPN	Internacional.	A	matriz	americana	possui
uma	repartição	que	coleta	dados	de	todos	os	jogadores	e	times,	em	especial	dos
esportes	americanos,	mas	também	dos	esportes	populares	ao	redor	do	mundo.
Diversas	matérias	são	originadas	a	partir	dos	números	reunidos.	A	ESPN	Brasil
anunciou,	no	final	de	dezembro	de	2015,	o	Data	ESPN,	um	departamento	que,
baseado	em	dados,	analisa	o	desempenho	tático	dos	times	de	futebol	e	também
mapeia	a	movimentação	dos	jogadores	em	campo,	sob	a	forma	de	um	mapa	de
calor	que	demonstra	as	partes	do	campo	em	que	o	atleta	mais	permaneceu	no
gramado.
Grande	parte	de	matérias	publicadas	são	sustentadas	pelos	dados	estatísticos,
com	gráficos	e	imagens	que	reforçam	a	importância	desses	departamentos.	A
reportagem	se	torna	mais	racional	com	a	informação	direta,	sem	profundidade,
uma	vez	que	o	jornalista	recebe	o	material	por	e-mail	quase	pronto	para	ser
publicado,	basta	distribuir	os	números	em	poucos	parágrafos	e	já	se	tem	uma
matéria	finalizada.
Cremilda	Medina	trabalha	a	ideia	de	que	investir	somente	em	tecnologia	não
desenvolverá	a	capacidade	do	jornalista	de	compreender	melhor	o	universo	ao
seu	redor.	Para	a	autora,	é	preciso	qualificar	mais	a	inteligência	humana	e,	com
isso,	progredir	em	todas	as	partes	do	processo	de	produção	de	jornalismo
esportivo.	Medina	diz:
Investindo	não	só	em	tecnologia,	mas	sobretudo	na	inteligência	humana,	um	dia
talvez	teremos	um	pouco	mais	de	satisfação,	ao	compreender	melhor	o
espetáculo	dramático	do	nosso	tempo.	Nesse	dia,	saberemos	pautar	melhor,
fundamentar	melhor	a	pauta,	observar	com	mais	acuidade	o	que	se	passa	à	nossa
volta,	dialogar	criativamente	com	o	outro,	transpor	essa	vivência	para	um	relato
de	cena,	não	um	relato	burocrático-descritivo,	atingir	ou	simplesmente	tocar	o
triálogo	da	comunicação,	fundir	numa	polifonia	e	polissemia	a	palavra
reveladora	das	fontes	de	informação,	dos	interlocutores	sociais	e	do	próprio
mediador	ou	regente.	Então,	dormiremos	com	a	consciência	um	pouco	mais
serena:	o	povo	terá,	da	parte	do	jornalista,	a	cosmovisão	que	ele	merece	nessa
luta	para	que	todos	sejamos	humanos	(MEDINA,	1996,	p.	26-27).
A	dependência	da	tecnologia	para	produzir	reportagens	tornou-se	ainda	mais
evidente	com	o	avanço	do	digital.	Na	produção	do	jornalismo	esportivo	na
internet,	a	superficialidade	nas	reportagens	faz	parte	da	criação,	até	como
consequência	da	agilidade	necessária	para	qualquer	jornalista	que	trabalhe	em
redações	de	portais	eletrônicos.	Os	números	são,	em	geral,	os	principais
argumentos	para	qualquer	matéria	analítica.	Por	conta	também	da	contenção	de
custos,	as	empresas	não	enviam	mais	seus	repórteres	para	a	rua	em	busca	de
novas	matérias	–	ou	para	aprofundá-las	–	e	se	mostram	satisfeitas	com	o
superficial	ou	com	a	ideia	de	que	somente	os	números	já	são	em	grande	parte
suficientes	para	se	compor	uma	reportagem.	Como	lembra	Medina,	a	polifonia,
tão	importante	na	criação	de	uma	matéria,	é	esquecida.	A	superficialidade	não
aparece	só	no	texto,	mas	no	grau	de	investigação,	de	apuração,	e	até	nas	pautas.
Tornou-se	comum	o	relato	de	uma	partida	de	futebol	ser	redigido	com	o	uso	da
televisão,	por	mais	perto	que	o	estádio	seja	da	redação.	O	relato	se	transformou
em	uma	fria	descrição	sobre	o	jogo.	Não	importa	se	o	local	está	a	minutos	de
distância	ou	em	outro	continente,	a	reportagem	nos	sites	esportivos	é	algo
prático,	sem	detalhes,	sem	emoção.	Esta,	aliás,	tem	aparecido	somente	nos
vídeos	inseridos	nas	matérias.	As	palavras	pouco	descrevem	o	clima,	a	euforia
da	torcida,	os	detalhes	da	noite	de	futebol.	O	relato	todo	é	baseado	em	imagens
de	TV,	e	o	jornalista	não	consegue	viver	a	experiência	do	evento.
Edvaldo	Pereira	Lima,	na	obra	Páginas	Ampliadas	(1993),	fala	sobre	como	o
repórter	precisa	ir	ao	encontro	da	pauta,	do	que	precisa	descobrir	e	se	envolver.
Este	pensamento	conversa	tanto	com	a	superficialidade	apontada	por	Cremilda,
quanto	por	Künsch	e	Fuser.	Lima	aponta	como	fugir	da	superficialidade.
O	tempo	de	captação	livra-se	da	imposição	do	cronograma	curto	e,	batendo	na
mesma	tecla	do	realismo	social,	o	repórter	vai	ao	encontro	do	universo	que	tem
de	cobrir,	mistura-se	com	ele,	confunde-se	até	onde	seja	possível,	para	captar
pelo	cérebro	e	pelas	entranhas,	pela	emoção	e	pela	razão,	as	componentes
lógicas	e	subjetivas	da	vida	que	o	trespassa	e	pela	qual	tem	de	atravessar	com
presença	e	envolvimento	para	retratá-la.	O	repórter	e	o	fotógrafo,	ambos	na
mesma	missão	de	observação	participante	por	um	prazo	geralmente	dilatado	de
captação	(LIMA,	1993,	p.	171).
Foi	na	produção	do	jornalismo	esportivo	na	internet	que	este	distanciamento,	a
frieza	na	redação,	se	acentuou	nas	reportagens.	Dá-se	a	impressão	de	que
reportagens	com	contexto	e	aprofundamento	aparecem	somente	em	ocasiões
especiais,	ou	quando	a	equipe	de	reportagem	de	determinada	TV	irá	cobrir	o
evento	e,	com	isso,	o	veículo	envia	uma	equipe	para	produzir	material	para	o
portal	eletrônico.
Muniz	Sodré	e	Maria	Helena	Ferrari	apontam	a	reportagem	como	o	conto
jornalístico	e	para	a	intensidade	que	ela	pode	transmitir,	indo	além	da	notícia
rasa	e	curta.	Uma	coisa,	esta	última,	cada	vez	mais	habitual	no	jornalismo
esportivo	na	internet.	Os	autores	afirmam:
Pode-se	dizer	que	a	reportagem	é	o	conto	jornalístico	-	um	modo	especial	de
propiciar	a	personalização	da	informação	ou	aquilo	que	também	se	indica	como
“interesse	humano”.	[…]	A	reportagem	amplia	a	cobertura	de	um	fato,	assunto
ou	personalidade,	revestindo-os	de	intensidade,	sem	a	brevidade	da	forma-
notícia	(SODRÉ;	FERRARI,	1986,	p.	75).
Ao	mesmo	tempo	em	que	a	internet	propicia	inúmeros	recursos	para	enriquecer
uma	matéria,	as	atividades	importantes	e	básicas	para	a	prática	do	bom
jornalismo	são	atropeladas	por	esta	nova	tendência	do	jornalismomoderno,
apontada	por	Fuser,	cujo	foco	é	mais	objetivo	e	racional,	fundamentado	em
dados	estatísticos,	vídeos	e	imagens	de	atletas	celebridades.
No	jornalismo	escrito,	impresso	ou	on-line,	a	estrutura	narrativa	obedece
ordinariamente	às	técnicas	de	lide	e	pirâmide	invertida,	acrescida	mais	com	os
diversos	recursos	que	o	ambiente	digital	disponibiliza	como	vídeos,	áudios	e
imagens.	A	informação	principal	precisa	estar	no	primeiro	parágrafo,	para	que	o
leitor	não	precise	ler	todo	o	conteúdo	e	procurar	o	que	realmente	de	fato	se
noticia.	Historicamente,	esse	esqueleto	tornou-se	uma	regra	essencial	nos	textos
jornalísticos.
Celso	Unzelte	trabalha	a	ideia	do	lide	juntamente	com	a	pirâmide	invertida.	Para
o	autor,	é	a	maneira	de	antecipar	a	ideia	central	da	reportagem.	Unzelte	diz:
A	lógica	do	lide,	de	antecipar	o	que	é	mais	importante,	está	presente	também	na
pirâmide	invertida.	Esta	se	refere	não	somente	às	primeiras	linhas,	mas	ao	texto
como	um	todo,	e	nada	mais	é	do	que	a	ordenação	dos	fatos	a	partir	do	mais	para
o	menos	importante	[...]	como	se	as	informações	estivessem	dispostas	em	um
funil,	ou	em	uma	pirâmide	invertida	(UNZELTE,	2009,	p.	31).
A	lógica	da	pirâmide	invertida	constitui	praticamente	uma	obrigação	no
ambiente	on-line.	A	disputa	por	audiência,	tema	que	será	discutido	mais	adiante,
faz	com	que	o	redator	coloque	os	dados	mais	relevantes	logo	no	início	do	texto,
mesmo	que	para	isso,	de	certo	modo,	a	continuação	da	reportagem	fique	vazia.
Heródoto	Barbeiro	e	Patrícia	Rangel,	no	entanto,	alertam	para	que	toda	a	matéria
seja	criativa,	que	uma	linha	“puxe	a	outra”,	que	um	parágrafo	impulsione	a
curiosidade	do	leitor	para	ler	o	restante	do	trabalho.	Ressaltam,	ainda,	que	a
informação	no	lide	direcionará	o	texto:
Um	texto	atraente	contém	o	máximo	de	informações	relevantes	distribuídas	de
maneira	clara	e	criativa.	Cada	linha	chama	a	leitura	da	próxima,	cada	parágrafo
desperta	o	interesse	pelo	seguinte.	A	primeira	informação	é	aquela	que	vai
direcionar	o	texto	e	nela	o	jornalista	opta	pelo	último	acontecimento	que
interferiu	diretamente	no	desenvolvimento	do	fato	(BARBEIRO;	RANGEL,
2006,	p.	52).
Não	se	pode	deixar	de	lado	os	padrões	técnicos	e	éticos	da	produção	jornalística.
Em	qualquer	área,	o	repórter	precisa	ter	compromisso	com	a	verdade,	com	a
apuração	dos	fatos,	com	a	redação	e	também	com	a	sociedade.	A	missão
jornalística	de	informar	com	autenticidade	os	acontecimentos	deve	prevalecer
em	qualquer	segmento	e,	obviamente,	não	é	diferente	com	o	esporte.	Por	mais
entretenimento	que	possa	ser,	o	jornalismo	esportivo	tem	seu	grau	de	seriedade.
O	tema	política	frequentemente	é	encontrado	nos	cadernos	esportivos,	com
eleições	de	clubes,	confederações	e,	como	tem	aparecido	com	mais	regularidade,
corrupções	nas	instituições,	como	a	que	ocorreu	na	Federação	Internacional	de
Futebol	Associados	(FIFA),	em	2015,	com	a	renúncia	do	presidente	Joseph
Blater,	acusado	de	receber	propina	para	escolher	as	futuras	sedes	das
competições	internacionais,	e	a	da	Confederação	Brasileira	de	Futebol	(CBF),
em	que	Ricardo	Teixeira	se	retirou	do	cargo	de	presidente	e	seu	sucessor,	José
Maria	Marin,	também	renunciou	após	diversas	acusações	de	desvio	de	dinheiro
nas	negociações	para	as	partidas	de	futebol	da	Seleção	Brasileira.
No	ano	de	2013,	durante	a	Copa	das	Confederações,	realizada	no	Brasil	um	ano
antes	da	Copa	do	Mundo,	as	manifestações	populares	tomaram	conta	do	país
inteiro,	inclusive	durante	as	partidas	de	futebol	da	equipe	nacional.	Era
impossível	um	portal	de	conteúdo	esportivo	não	noticiar	o	que	acontecia	naquele
momento.	O	viés	era	muito	mais	político-econômico	do	que	a	atuação	em	campo
ou	a	convocação	da	Seleção	Brasileira.	Porém,	a	relevância	inegável	do	tema	o
elevava	à	condição	de	destaque	de	sites	especializados	em	esportes,	como
ESPN.com.br	e	Globoesporte.com.	Sobre	esta	conduta,	ainda	em	Barbeiro	e
Rangel,	lemos	que:
A	ética	no	jornalismo	esportivo	tem	a	mesma	importância	do	que	qualquer	outra
área,	uma	vez	que	ela	baliza	as	ações	humanas,	critica	a	moralidade	e	se
constitui	em	princípios	e	disposições.	Ela	baliza	os	parâmetros	do	que	é	virtuoso,
justo,	digno,	honesto,	solidário,	enfim,	um	conjunto	de	valores	que	buscam
melhorar	a	sociedade	humana.	A	ética	é	uma	percepção	do	mundo	dinâmico,
uma	vez	que	a	sociedade	se	altera	constantemente,	e	é	preciso	identificar	onde
estão	os	atributos	virtuosos	(2006,	p.	113).
O	repórter	precisa	ter	a	clara	noção	de	que	é	jornalista,	antes	de	definir	um	tema
como	sua	especialidade.	Ele	precisa	estar	apto	para	cobrir	qualquer	tipo	de
situação	e	saber	que	a	construção	básica	da	notícia	é	bastante	similar.	Não	é
muito	ético,	embora	tenha	se	tornado	prática	comum	na	internet,	matérias
superficiais,	com	títulos	que	servem	como	“isca”	para	instigar	o	leitor	a	clicar	na
nota	e	gerar	um	ponto	de	audiência.	É	preciso	ter	comprometimento	e
responsabilidade	para	com	toda	a	sociedade.	O	jornalista	tem	uma	função	social
importante.	A	notícia	necessita,	em	resumo,	de	apuração	e	redação,	de	maneira
que	informe,	oriente	e,	na	medida	do	possível,	agrade	o	leitor.
É	inegável	que	a	internet	mudou	algumas	formas	da	produção	do	jornalismo,
como,	por	exemplo,	a	possibilidade	de	editar	após	a	publicação	do	conteúdo,	um
dos	maiores	impactos	neste	novo	universo.	A	imposição	da	agilidade,	a
enxurrada	de	notícias	que	entram	no	ar	em	minutos,	tudo	isso	veio	com	o
progresso	da	tecnologia.	Mostrarei	como	tudo	isso	interfere	na	produção	do
jornalismo	esportivo	na	internet.	Em	especial,	neste	capítulo,	como	os	repórteres
reproduzem	o	espetáculo	de	uma	partida	de	futebol	em	uma	reportagem,	com
recursos	que	a	internet	disponibiliza	para	enriquecer	a	matéria.	E,	claro,	atento
aos	padrões	jornalísticos	presentes	nos	portais	que	constituem	o	objeto	de	estudo
deste	livro.	Espetacularizada	ou	não,
[...]	jornalismo	é	notícia.	Ela	é	a	razão	de	ser	do	jornalista.	E	do	jornalismo.
Construída	com	inteligência,	com	conhecimento	do	assunto,	com	encadeamento
de	ideias,	coisas	que	exigem	bons	profissionais	(COELHO,	2003,	p.	47).
1.2.	Jornalismo	na	Sociedade	do	Espetáculo
A	sociedade	do	espetáculo,	um	tema	desenvolvido	por	Debord,	cuja	obra	foi
publicada	pela	primeira	vez	em	1967,	se	mostra	cada	vez	mais	presente	nos
padrões	de	vida	das	sociedades	capitalistas,	cujos	métodos	de	produção	têm	se
transformado	com	os	constantes	progressos	tecnológicos.	O	crescimento	da
ciência	e	de	novas	técnicas	permite	novos	meios	de	fabricação	de	conteúdos,	que
atingem	todo	o	mundo	globalizado	e	contribuem	para	o	aparecimento	de
tendências	entre	a	população.
Antes	de	me	aprofundar	no	assunto,	é	preciso	entender	o	conceito	elaborado	por
Debord,	que	afirma	que
toda	a	vida	das	sociedades	nas	quais	reinam	as	condições	modernas	de	produção
se	anuncia	como	uma	imensa	acumulação	de	espetáculos.	Tudo	o	que	era
diretamente	vivido	se	afastou	em	uma	representação	(1991,	p.	9).
Ao	associar	as	palavras	espetáculo	e	representação,	Debord	critica	o	capitalismo
e	aponta	uma	separação	entre	o	existente	e	o	representado.	Há	um	conflito	entre
a	imagem	retratada	e	as	experiências	vividas.	Estas,	em	muitos	casos,	são
substituídas	por	imagens	que	procuram	reproduzir	a	experimentação	da	prática
em	si,	esvaziando-a.	A	relação	social	entre	as	pessoas	acaba	por	ser	medida	pelas
imagens,	possuidoras	de	significados	expressivos	nos	dias	atuais.	Debord	diz
ainda:
O	espetáculo	apresenta-se	ao	mesmo	tempo	como	a	própria	sociedade,	como
uma	parte	da	sociedade	e	como	instrumento	de	unificação.	Enquanto	parte	da
sociedade,	ele	é	expressamente	o	sector	que	concentra	todo	o	olhar	e	toda	a
consciência.	Pelo	próprio	facto	de	este	sector	ser	separado,	ele	é	o	lugar	do	olhar
iludido	e	da	falsa	consciência:	e	a	unificação	que	realiza	não	é	outra	coisa	senão
linguagem	oficial	da	separação	generalizada.	(DEBORD,	1991,	p.	10).
O	espetáculo	aparece	em	todas	as	partes	da	sociedade.	Todo	ato	quase	que
necessariamente	passa	a	ser	um	espetáculo.	Todo	modo	de	produção	segue	esta
linha	essencial	nos	padrões	da	sociedade	capitalista,	pois	a	representaçãose
torna	a	imagem	da	economia.	Para	sobreviver	de	acordo	com	as	normas
econômicas,	o	espetáculo	precisa	estar	inserido	em	uma	sociedade,	uma	vez	que
esta	concentra	todo	o	seu	olhar	e	o	consome	de	forma	alienada.
A	maneira	de	produção	se	faz	presente	em	todas	as	empresas	do	mundo
globalizado.	No	jornalismo	não	é	diferente.	No	caso	desta	obra,	em	específico
para	o	jornalismo	esportivo,	os	mecanismos	de	criação	de	conteúdo	se	dão	de
modo	semelhante	aos	de	qualquer	outra	empresa,	que	tem	como	objetivo
principal	atingir	o	maior	número	de	vendas	de	seu	produto,	lógica	básica	do
sistema	capitalista.	Um	veículo	de	comunicação	on-line	publica	uma	enorme
quantidade	de	notícias	em	poucos	minutos.	Como	não	possui	a	restrição	do
limite	físico,	diferentemente	do	impresso,	toda	e	qualquer	novidade	pode	ser
transformada	em	matéria	e	publicada.	Inclusive,	novas	pautas	surgiram	por	conta
desta	possibilidade,	que	depois	se	transformou	em	necessidade,	e	também	por
conta	da	espetacularização	dos	temas	jornalísticos,	que	contribuíram	para	mudar
os	rumos	de	produção	de	informação	esportiva	digital,	tema	que	será	abordado
mais	adiante.
Ainda	a	respeito	da	fabricação	em	série,	o	jornalismo	como	um	todo	está
inserido	no	conceito	de	indústria	cultural,	estudado	na	Escola	de	Frankfurt	por
Adorno	e	Horkheimer,	que	afirmam:
[...]	a	técnica	da	indústria	cultural	levou	apenas	à	padronização	e	à	produção	em
série,	sacrificando	o	que	fazia	a	diferença	entre	a	lógica	da	obra	e	a	do	sistema
social.	Isso,	porém,	não	deve	ser	atribuído	a	nenhuma	lei	evolutiva	da	técnica
enquanto	tal,	mas	à	sua	função	da	economia	actual	(ADORNO;
HORKHEIMER,	1947,	p.	57).
A	padronização,	no	caso	específico	do	tema	investigado,	pode	ser	refletida	na
quantidade	de	conteúdos	parecidos	encontrados	nos	jornalismo	esportivo	digital.
Tudo	é	planejado	de	acordo	com	o	poder	financeiro,	desde	os	gastos	até	o
retorno	do	investimento.	O	planejamento	interfere	em	todas	as	etapas	da
produção	e	também	na	definição	da	pauta.	A	agenda	só	será	estabelecida	em
definitivo	após	a	mensuração	detalhada	dos	possíveis	resultados	que	cada
matéria	pode	alcançar.	E,	pode-se	dizer,	quanto	mais	espetacularizada	a	notícia,
maior	a	probabilidade	de	o	objetivo	ser	atingido.
A	relação	entre	espetáculo	e	notícia	é	mais	um	produto	do	desenvolvimento
histórico	do	capitalismo.	Os	trabalhadores,	dominados	pelo	sistema,	contribuem
para	o	progresso	destes	mecanismos,	e	para	acentuar	o	vínculo	entre	a	vida	real	e
a	reprodução	do	espetáculo.	O	espetáculo	tem	o	poder	de	transformar	uma
simples	informação	em	uma	história,	uma	narrativa,	que	provoque	a	curiosidade
dos	espectadores,	seja	uma	reportagem	escrita,	com	fotografias,	ou	na	televisão,
ou	ainda	no	caso	do	digital,	que	permite	os	três	tipos	de	plataformas	em	uma	só
matéria.	Para	ajudar	na	compreensão	do	tema	da	espetacularização,	recorro	a
Cláudio	Coelho,	que	diz:
O	espetáculo	confirma	o	caráter	mercantil	das	relações	sociais	capitalistas;	a
lógica	da	separação	é	um	componente	essencial	das	relações	sociais	capitalistas.
O	capitalismo	é	fruto	de	um	processo	histórico	que	separou	os	trabalhadores	dos
meios	de	produção	e	tornou	possível	a	transformação	da	força	de	trabalho	em
mercadoria	(COELHO,	2006,	p.	16).
Hoje,	com	o	avanço	tecnológico	dos	dispositivos	móveis,	a	facilidade	de	se
registrar	uma	imagem	ou	um	acontecimento,	juntamente	com	as	redes	sociais
digitais	para	a	divulgação,	contribui	para	que	qualquer	indivíduo	possa	ser	o
comunicador,	o	produtor	de	conteúdo.	Reportar	um	evento	nunca	esteve	tão
fácil,	e	isso	influencia	diretamente	na	atividade	jornalística.	Uma	pessoa	comum
pode	exercer	o	papel	do	jornalista	mesmo	que	de	forma	amadora,	ou	dar	origem
a	uma	pauta	com	uma	foto	ou	filmagem	de	tal	fato.	Ou	seja,	a	força	de	trabalho,
que	antes	era	uma	mercadoria,	já	deixou	de	ser,	em	alguns	casos.	Este	é	um	dos
motivos	que	colaboram	para	o	enfraquecimento	da	profissão	de	jornalista,	tanto
do	ponto	de	vista	econômico	quanto	técnico.	Além	disso,	produzir	informação
não	significa	ser	jornalista.	Os	veículos	se	apropriam	de	fotos	e	filmagens
amadoras	e	não	pagam	nada	por	isso,	o	que	permite	o	rebaixamento	da	força	de
trabalho,	em	termos	financeiros.	Já	não	é	mais	raro	encontrar	reportagens	que
tiveram	origem	de	vídeos	ou	fotos	registradas	por	cidadãos	comuns,	ou	uma
mensagem	numa	rede	social	que	se	torna	motivo	para	uma	pauta	e	se	desdobra
em	inúmeras	matérias,	caso	tenha	a	repercussão	desejada.	Inclusive,	em
programas	tradicionais	da	televisão	brasileira,	como	o	Jornal	Nacional	da	TV
Globo,	já	virou	prática	habitual	reportagens	com	imagens	registradas	por
cinegrafistas	amadores.
O	jornalismo	esportivo	no	ambiente	on-line	é	como	qualquer	outro	produto.	A
notícia	é	a	base	da	sustentação	de	um	veículo	de	comunicação,	e	é	a	partir	dela
que	a	empresa	tem	noção	de	sua	grandeza	e	potencial.	A	audiência	da	notícia
reflete	diretamente	no	faturamento.	É	ela	que	mede	o	poder	de	barganha	das
companhias	no	momento	de	negociar	publicidade	e	patrocínios.	O	mundo
espetacularizado	possibilita	novos	caminhos,	que	contribuem	para	prender	a
atenção	do	público.
1.3.	O	Espetáculo	Futebol
Ninguém	conseguiu	até	hoje	explicar	de	modo	convincente	como	o	futebol	se
tornou	o	esporte	mais	popular	do	planeta,	e	nenhum	torcedor	conseguiu	explicar
sua	paixão	pelo	clube	que	apoia.	O	mais	impressionante	deste	esporte	é	a	sua
capacidade	de	atingir	todas	as	classes	sociais	e	se	transformar	em	um	dos
produtos	mais	midiáticos	da	sociedade	contemporânea.
O	esporte	da	bola	redonda	sempre	atraiu	multidões.	As	primeiras	partidas	não
impunham	limites	de	jogadores	por	equipes	e	o	tempo	não	era	cronometrado.	O
futebol	chegou	a	ser	condenado	pelos	reis	britânicos	no	início	do	século	XIV.	O
jornalista	Eduardo	Galeano	relembra	que,	“em	1349,	Eduardo	III	incluiu	o
futebol	entre	os	jogos	estúpidos	e	de	nenhuma	utilidade,	e	há	éditos	contra	o
futebol	assinados	por	Henrique	IV”	(2013,	p.	30).	Entretanto,	todas	as	tentativas
de	conter	a	proliferação	desse	esporte	foram	em	vão.
O	futebol	começou	a	se	profissionalizar	em	1904,	com	a	criação	da	FIFA,	a
Federação	Internacional	de	Futebol	Associado.	No	Brasil,	os	clubes	começaram
a	se	profissionalizar	na	década	de	1930,	mais	especificamente	a	partir	de	1933,
mas	foi	com	o	carioca	João	Havelange,	que	assumiu	a	presidência	da	FIFA	na
década	de	1970,	que	o	futebol	virou	alvo	favorito	de	grandes	empresas	em	busca
da	exposição	de	marca,	empresários	de	atletas	envolvidos	em	transações
milionárias	e	concorrência	acirrada	entre	os	canais	de	televisão	para	obter	os
direitos	de	transmissão,	os	clubes	dispostos	a	pagar	salários	exorbitantes	aos
jogadores,	além	de	executar	planos	de	“sócio	torcedor”	com	a	finalidade	de
rentabilizar	a	paixão	do	fã	e	não	somente	com	a	venda	de	ingressos.	Galeano
reforça	isso	ao	afirmar	que
[...]	o	jogo	se	transformou	em	espetáculo,	com	poucos	protagonistas	e	muitos
espectadores,	futebol	para	olhar,	e	o	espetáculo	se	transformou	num	dos
negócios	mais	lucrativos	do	mundo,	que	não	é	organizado	para	ser	jogado,	mas
para	impedir	que	se	jogue	(2013,	p.	10).
Com	o	passar	dos	anos	e	o	crescimento	exponencial,	o	futebol	deixou	de	ser
apenas	um	esporte	e	começou	a	ser	visto	como	um	produto	de	entretenimento.
Os	veículos	de	comunicação	veem	no	futebol	uma	das	principais	mercadorias	a
serem	exploradas	e	vendidas.	No	papel,	na	TV	ou	nos	websites,	grande	parte	da
audiência	deve-se	às	notícias	relacionadas	ao	futebol.	A	disputa	por	direitos	de
transmissão	é	uma	das	brigas	mais	valorizadas	entre	os	veículos	de
comunicação.	No	Brasil,	esta	briga	se	acirrou	com	a	criação	do	Clube	dos	13¹,
organização	que	reunia	as	principais	agremiações	do	País	para	discutirem	os
valores	a	serem	recebidos	pelas	transmissões	na	TV.
Para	Celso	Unzelte,	o	fator	determinante	para	a	transformação	do	futebol	em
espetáculo	foi	o	momento	em	que	o	descobriram	como	fonte	de	movimentação
financeira.	Um	dos	principais	responsáveis	por	esta	mudança	foi	João
Havelange,	que	presidiu	a	FIFA	de	1974	até	1998	e,	para	se	manter	no	poder	por
tantos	anos,	realizouuma	política	de	inserção,	que	dava	vaga	na	Copa	para
países	que	até	então	ficavam	de	fora	da	competição.	Em	1982,	no	Mundial	da
Espanha,	o	torneio	foi	disputado	com	20	seleções	nacionais,	quatro	a	mais	do
que	as	anteriores.	Em	1998,	na	França,	32	equipes	participaram	da	Copa,	número
que	permanece	até	os	dias	de	hoje.	Unzelte,	em	entrevista	ao	autor,	diz:
O	que	determina	a	espetacularização	do	futebol	é	a	entrada	do	capital	[...],	faz
parte	de	uma	indústria	do	lazer.	Um	marco	disso	é	a	entrada	de	João	Havelange
na	Fifa	em	1974.	O	Havelange	se	baseia	na	universalização	do	futebol.	[...]	Ele
briga	por	mais	representatividade	desses	continentes	(África	e	Ásia)	por	motivos
políticos,	já	que	ele	precisa	de	votos	para	se	manter	no	poder.	Também	começam
os	primeiros	acordos	com	grandes	empresas.	Em	1974,	a	Copa	da	Alemanha	é
um	marco,	fecham-se	grandes	contratos	de	direitos	de	transmissão.	Ali	começa
essa	espetacularização	do	futebol,	essa	mercantilização	do	futebol,	que	está
atingindo	o	auge	no	século	XXI,	se	descobre	o	futebol	como	uma	fonte	de
grandes	contratos,	de	movimentação	de	dinheiro,	além	do	dinheiro	de	bilheteria.
(UNZELTE,	2009)
Em	2014,	os	clubes	brasileiros	de	futebol	renegociaram	as	cotas	de	transmissão
com	a	emissora	oficial	das	competições,	a	Rede	Globo	de	Televisão.	Os
números,	aproximadamente,	chegam	ao	valor	de	R$	900	milhões²,	e	está	entre	as
cinco	maiores	receitas	de	TV	do	mundo.	É	um	investimento	altíssimo,	porém
com	um	retorno	bem	plausível	de	ser	atingido,	já	que	a	paixão	do	telespectador
pelo	esporte	dificilmente	cairá.	Há	questionamentos	sobre	a	qualidade	do	futebol
praticado	nos	torneios	profissionais	brasileiros,	o	que	acarretou	em	uma	queda
de	audiência	nos	jogos	transmitidos	no	meio	da	semana.	De	certo	modo	é
preocupante,	mas	já	existem	reuniões	entre	dirigentes,	jogadores	e	a	Rede	Globo
para	procurar	alternativas	e	melhorar	o	produto.	Mesmo	quando	em	baixa,	ainda
é	algo	extremamente	valorizado	em	uma	grade	de	televisão,	aberta	ou	fechada,
uma	vez	que	garante	um	bom	número	de	audiência.	Eduardo	Galeano	discute	a
perda	da	qualidade	do	esporte	praticado,	logo	quando	se	transforma	em
mercadoria.	O	uruguaio	afirma	que
[...]	ao	mesmo	tempo	em	que	o	esporte	se	tornou	indústria,	foi	desterrando	a
beleza	que	nasce	da	alegria	de	jogar	só	pelo	prazer	de	jogar.	Neste	mundo	do	fim
do	século,	o	futebol	profissional	condena	o	que	é	inútil,	e	é	inútil	o	que	não	é
rentável	(2013,	p.	10).
O	produto	futebol	virou	refém	dos	principais	investidores.	São	eles	que	planejam
o	calendário	de	jogos	e	influenciam	diretamente	nas	finanças	dos	clubes,	em
algumas	transações	de	jogadores.	O	futebol	se	tornou	um	espetáculo	tão	grande
que	está	em	evidência	todos	os	dias.	Nos	jornais	digitais,	a	pauta	do	caderno	de
esportes	gira	em	torno	da	programação	dos	clubes.	Geralmente,	os	jogos
acontecem	às	quartas-feiras	e	aos	domingos.	Nestes	dias,	as	matérias	são	sobre
os	jogos.	No	dia	seguinte,	a	repercussão	do	resultado	da	partida,	e,
posteriormente,	sobre	o	próximo	duelo.	É	uma	rotina	de	pautas	muito	parecidas
ao	longo	dos	torneios.	Um	ciclo	vicioso.	Este	excesso	de	midiatização	é	uma
característica	da	sociedade	do	espetáculo,	como	demonstrado	por	Debord:
O	espetáculo	nada	mais	seria	que	o	exagero	da	mídia,	cuja	natureza,
indiscutivelmente	boa,	visto	que	serve	para	comunicar,	pode	às	vezes	chegar	a
excessos.	Frequentemente,	os	donos	da	sociedade	declaram-se	mal	servidos	por
seus	empregados	midiáticos	(2003,	p.	171).
O	jornalismo	esportivo	tem	sofrido	constantes	críticas	sobre	a	maneira	com	que
tem	conduzido	as	coberturas	dos	eventos.	Direcionado	pela	audiência,	a
produção	de	informação	esportiva	na	internet	tem	tentado	de	todas	as	formas
reproduzir,	na	matéria,	o	espetáculo	que	se	tornaram	os	jogos	de	futebol.	Quanto
mais	próximo	chegar	disto,	mais	conteúdo	disponível	o	leitor	terá	para	se
entreter	nas	reportagens.
O	espetáculo	naturalmente	atrai	os	olhares	de	todos	e	é	neste	caminho	que	o
jornalismo	esportivo	na	internet	procura	seguir.	Os	progressos	tecnológicos
contribuem	para	estes	métodos	de	reportagem.	O	produto	precisa	ser
interessante,	de	qualidade	e	atraente	para	ser	vendido,	como	qualquer	outro.	A
seguir,	demonstrarei,	detalhadamente,	o	relato	de	uma	das	partidas	mais
midiáticas	da	Copa	do	Mundo	de	2014,	por	três	diferentes	sites.	Analisarei	toda
a	produção,	a	forma	com	que	a	notícia	foi	elaborada,	as	imagens,	vídeos.	Tudo	o
que	foi	feito	para	tentar	exibir	o	espetáculo	acontecido.
1.4.	A	Reprodução	do	Espetáculo	no	Jornalismo	Esportivo	na	Internet
Ao	relacionar	futebol	e	espetáculo,	é	impossível	não	recorrer	ao	maior	evento
que	reúne	estes	dois	elementos:	a	Copa	do	Mundo.	Realizada	no	Brasil,	após	64
anos,	a	competição	que	conta	com	a	participação	de	32	países	movimenta	toda	a
economia	do	país-sede.	Os	números	do	impacto	nas	finanças	podem	chegar
próximo	aos	R$	30	bilhões³,	ou	quase	1%	do	Produto	Interno	Bruto	(PIB),	de
acordo	com	os	estudos	da	Fundação	Instituto	de	Pesquisas	Econômicas
(Fipe/USP).
A	dimensão	da	Copa	do	Mundo	tomou	proporções	exorbitantes.	A	junção	da
paixão	do	povo	pelo	esporte	com	o	espetáculo	do	evento	de	futebol	se
transformou	em	um	dos	produtos	com	mais	potencial	a	ser	explorado
economicamente,	em	todas	as	esferas	comerciais.	Com	o	jornalismo	esportivo	na
internet	não	é	diferente	–	a	atividade	consiste	na	tentativa	de	reproduzir	o
espetáculo	nas	páginas	virtuais,	seja	com	palavras	ou	com	imagens	e	vídeos.	O
importante	é	atrair	o	leitor	a,	pelo	menos,	clicar	na	matéria	e	contabilizar	como
audiência	ao	final	do	dia.
[...]	os	jornais	diários	e	as	revistas	semanais	fazem	um	jornalismo	cada	vez	mais
preocupado	com	o	sucesso	de	mercado,	regulado	por	parâmetros	e	metas
mercadológicas.	Alguns	desses	veículos	sofreram	grandes	reestruturações	e
passaram	a	adotar	sistemas	de	controle	de	produtividade	e	produziram	manuais
de	redação	para	orientar	seus	profissionais	a	seguirem	um	padrão	de	trabalho
(MARQUES,	2006,	p.	35).
Após	a	leitura	de	Marques,	mostro	como	a	estrutura	da	notícia	na	web	precisa
ser	concisa	e	não	muito	longa.	Resultado	de	pesquisa	entre	os	leitores,	a
informação	principal	aparece	logo	no	primeiro	parágrafo.	Para	tornar	mais
agradável	a	leitura	na	tela	do	computador,	tablet	ou	smartphone,	há	o	uso	de
diversas	imagens,	vídeos	e	infográficos,	tudo	para	não	deixar	a	leitura	tão
carregada	e	pesada.	Se	há	muita	informação,	pode-se	desdobrar	em	outras
notícias	e	publicar	aos	poucos,	o	que	até	contribui	para	a	quantidade	de	matérias
que	entram	no	ar,	algo	muito	valorizado	no	meio	on-line	e	que	será	aprofundado
mais	adiante.
O	que	mais	valoriza	o	relato	de	uma	partida	de	futebol	é	o	vídeo	com	todos	os
lances	do	confronto.	Ser	detentor	dos	direitos	de	transmissão	coloca	o	veículo	à
frente	de	quase	todos	os	concorrentes	que	não	podem	postar	as	filmagens.	Além
de	atrair	o	leitor,	o	vídeo	contribui	para	o	fã	de	esporte	permanecer	na	notícia	por
mais	tempo.	Este	artifício	também	é	contabilizado	no	momento	de	negociação	de
publicidade.	O	repórter,	portanto,	não	faz	isso	pensando	apenas	na	qualidade
jornalística,	mas	em	colaborar	financeiramente	para	o	crescimento	da	empresa.
O	ato	de	colocar	vídeos,	áudios	e	imagens	é	uma	das	funções	mais	cobradas	na
redação	nos	dias	atuais,	podendo	ser	considerado	uma	regra.	Alguns	editores-
chefes	chamam	isso	de	“rechear”	a	nota.	Em	outras	palavras,	esta	prática
consiste	em	colocar	o	máximo	de	conteúdo	de	entretenimento	disponível	para
prender	a	atenção	do	leitor	pelo	máximo	de	tempo	possível,	o	que	permitirá	que
este	navegue	pelo	website	por	longos	minutos.	Marques	ressalta	essas
características	na	fusão	notícia	e	mercadoria:
A	transformação	do	jornal	e	da	notícia	em	mercadoria	ocorreu	paralelamente	ao
aumento	da	importância	do	setor	comercial	na	empresa	jornalística.	Cada	vez
mais	as	diretrizes	comerciais	da	empresa	determinam	não	só	o	espaço	das
matérias	redacionais,	mas	diversas	estratégias	comerciais,	ao	criar	promoções	de
distribuição	de	outros	produtos,	como	dicionários,	coleções	temáticas	e	outros
brindes,	com	a	finalidadede	alavancar	os	índices	de	tiragem	e	circulação
(MARQUES,	2006,	p.	37).
Depois	de	traçada	a	busca	pela	compreensão	do	jornalismo	esportivo	na	internet
na	atualidade	e	estudado	como	a	relação	entre	notícia	e	mercadoria	está	cada	vez
mais	intensa,	chegou	o	momento	de	observar,	na	prática,	como	os	métodos
foram	aplicados	na	construção	das	matérias	sobre	os	três	jogos	da	Seleção
Brasileira	na	Copa	do	Mundo	de	2014	escolhidos	para	esta	pesquisa.
1.4.1.	Estreia	na	competição:	Brasil	3x1	Croácia
Assim	como	em	2006,	na	Copa	do	Mundo	da	Alemanha,	o	Brasil	enfrentou	a
Croácia	na	primeira	rodada	da	competição,	com	62.103	torcedores	presentes	nas
arquibancadas	da	Arena	Corinthians,	em	São	Paulo/SP.	O	duelo	foi	marcado	pela
emoção	dos	espectadores	e	jogadores	que	cantaram	o	Hino	Nacional	a	capela,
mesmo	após	o	término	do	trecho	executado	pelo	sistema	de	som,	e	do
nervosismo	da	equipe	brasileira,	principalmente	após	sair	atrás	no	placar,	com
gol	contra	anotado	pelo	lateral-esquerdo	Marcelo.
Aos	poucos,	os	comandados	do	treinador	Luís	Felipe	Scolari	se	soltaram	e	viram
Neymar	empatar	o	jogo	e,	na	sequência,	virar	a	partida	com	mais	um	gol	do
camisa	10,	de	pênalti.	Aos	45	minutos	da	etapa	final,	o	meia	Oscar	fez	o	terceiro
tento	e	liquidou	a	partida	para	a	Seleção	pentacampeã	mundial.
Maior	referência	nacional	no	jornalismo	esportivo	na	internet,	o
GloboEsporte.com,	pertencente	às	Organizações	Globo,	contou	com	a	garantia
de	ter	os	direitos	econômicos	de	publicar	vídeos	com	os	melhores	momentos	da
partida.	O	título	do	relato	do	jogo	é	publicado	propositalmente	com	todas	as
letras	maiúsculas,	para	destacar:	“TÁ	ESCRITO:	NEYMAR	DECIDE	COM
ERRO	DE	ÁRBITRO,	E	BRASIL	VIRA	SOBRE	A	CROÁCIA”⁴	(sic)	.	Entre	o
título	e	a	resenha,	com	o	maior	grau	de	destaque	de	toda	a	página,	está	a	seção
de	vídeos.	São	20	filmagens	à	disposição	do	leitor,	com	todos	os	lances	e
melhores	momentos	do	confronto.	É	a	parte	que	mais	interessa	aos	internautas,
pois	diferente	de	anos	anteriores,	ele	não	precisa	esperar	o	programa	televisivo
para	rever	os	gols	e	as	jogadas.	Está	tudo	disponível	quase	simultaneamente	ao
que	acontece	no	gramado,	em	tempo	real.	A	imagem	em	movimento	substitui	a
necessidade	de	ler	todo	o	texto	para	se	ter	noção	de	como	foi	a	partida.	Não	à
toa,	o	GloboEsporte.com	inseriu	o	botão	“Expandir	a	crônica	completa”,	já	que
percebeu	que	a	matéria	não	era	completamente	visualizada,	principalmente
quando	havia	a	inserção	de	vídeos.
IMAGEM	1	-Bloco	de	vídeos	no	topo	da	página,	do	GloboEsporte.com
O	conteúdo	escrito	do	website	se	difere	um	pouco	dos	concorrentes	que	serão
analisados,	mais	adiante,	por	demonstrar	mais	liberdade	literária,	embora	ainda
contenha	a	principal	informação	no	parágrafo	inicial,	como	prega	os	padrões	do
jornalismo,	da	pirâmide	invertida.	O	repórter	abre	com	a	letra	de	uma	música	–
quase	como	se	fosse	um	linha	fina	–	eleita	a	preferida	dos	atletas	brasileiros.	A
seguir,	redige	os	dois	leads	com	o	resultado	e	o	autor	do	gol	–	a	parte	essencial.
Com	a	crônica	expandida,	ele	alterna	entre	texto	e	imagens.	Ao	todo,	são	seis
fotos	do	duelo,	o	que	contribui	para	deixar	a	leitura	mais	agradável,	com	pausas
e	menos	cansativa.	Além	disso,	há	a	inserção	de	outros	oito	links	para
redirecionar	o	leitor	a	outras	matérias	dentro	do	próprio	site,	na	área	denominada
de	“Saiba	Mais”.
IMAGEM	2	-	Botão	de	“Expandir	Crônica”	do	GloboEsporte.com
O	ESPN.com.br	possui	uma	particularidade	interessante	–	a	TV	ESPN	transmitia
os	jogos	da	Copa	do	Mundo,	mas	não	era	a	detentora	oficial	dos	direitos	e	isso
refletia	diretamente	no	site	da	companhia.	A	plataforma	digital	só	podia	colocar
os	vídeos	com	os	gols	por	um	período	de	24	horas	após	o	encerramento	da
partida.	Logo	após,	era	obrigado	a	retirá-los	do	ar.	A	reportagem	da	partida	foi
intitulada	“Neymar	garante	o	primeiro	passo:	3	a	1	na	Croácia”⁵	e,	mesmo	na
obrigação	de	excluir	a	filmagem,	não	foi	enriquecida	com	imagens.	Há	apenas
uma	foto	no	final	da	matéria,	e	uma	enquete	para	o	internauta	votar	quem	foi	o
melhor	jogador	da	partida.	O	texto	tem	caráter	mais	sério	e	informativo,	com	a
descrição	completa	do	embate.	Existe	também	uma	seção	“Saiba	Mais”	com
cinco	reportagens	relacionadas	ao	jogo	e	à	Copa.
IMAGEM	3	-	Matéria	do	ESPN.com.br,	já	sem	a	foto,	após	as	24h
Dentre	os	sites	escolhidos,	o	GazetaEsportiva.net	é	o	que	possui	o	menor	poder
financeiro	e	isso	reflete	em	sua	plataforma	digital.	Sem	ter	os	direitos	de
qualquer	tipo	de	filmagem,	a	reprodução	do	espetáculo	em	suas	reportagens	fica
bastante	prejudicada.	Em	um	mundo	em	que	a	cultura	do	visual	se	torna	cada
vez	mais	forte,	o	fato	de	colocar	apenas	fotos	–	três,	na	ocasião	–	transmite	uma
impressão	um	pouco	arcaica.	A	matéria	carrega	o	título	de	“Com	pênalti
polêmico	e	dois	de	Neymar,	Brasil	supera	gol	contra	e	vira” 	e	uma	de	suas
características	principais	é	o	subtítulo	“O	Jogo”,	em	que	os	autores	redigem	os
acontecimentos	da	partida	dando	o	minuto	em	que	cada	jogada	aconteceu,	com
inúmeros	detalhes.
Outro	fator	que	chama	a	atenção	no	site	GazetaEsportiva.net	é	a	quantidade	de
publicidade	ao	longo	de	toda	a	nota.	No	parágrafo	inicial,	onde	normalmente	há
uma	imagem	ou	vídeo,	é	colocado	uma	propaganda.	Ao	final	da	reportagem
novos	anúncios	aparecem	e	existe	outra	propaganda	que	acompanha	a	barra	de
rolagem	ao	longo	de	toda	a	extensão	da	matéria.	Um	dos	motivos	para	esse
volume	de	publicidade	no	texto	é	justamente	por	ser	a	única	opção.	Ao	não	ter
vídeos,	as	inserções	se	resumem	a	pop-ups	e	banners	ao	longo	da	escrita.
IMAGEM	4	-	Matéria	do	GazetaEsportiva.net,	sem	fotos	e	com	propaganda
Como	forma	de	buscar	um	olhar	diferente,	não	somente	de	portais	que	vivem
exclusivamente	do	esporte,	optei	por	observar	também	os	relatos	dos	jogos
produzidos	pela	Folha	de	S.Paulo	em	seu	website,	um	dos	maiores	veículos	de
comunicação	do	País	e	uma	referência	quando	discutimos	a	produção	do
jornalismo.
Logo	após	o	título	da	reportagem,	há	uma	surpresa	ao	encontrar	uma	imagem
intitulada	“A	Opinião	da	Folha	e	de	Dan	Stulbach	–	ator,	apresentador	e	diretor
de	teatro”,	e	uma	foto	do	rosto	do	profissional	de	artes.	Dan	é	uma	celebridade
que	gosta	de	futebol.	Atualmente,	é	apresentador	dos	canais	ESPN,	mas	na
época	da	Copa,	Dan	era	conhecido	por	atuar	em	novelas	e	ter	participações
especiais	esporádicas	em	alguns	programas	esportivos.	Na	reportagem,	ele	faz
comentários	pontuais	sobre	a	atuação	de	alguns	jogadores	e	dá	notas	para	todos
os	atletas,	inclusive	da	equipe	adversária.	As	notas	podem	ser	comparadas	às
dadas	pelo	site	Folha	de	S.Paulo,	que	aparecem	em	preto,	ao	lado	das	pontuações
do	ator.
O	relato	é	feito	de	forma	mais	séria,	não	há	a	inserção	de	vídeos,	mas	há	uma
galeria	com	44	fotos	da	partida,	com	todos	os	lances	e	até	o	aquecimento	dos
jogadores	antes	do	confronto.	A	galeria	serve	como	uma	divisão	na	reportagem,
que	começa	com	as	principais	informações	do	duelo.	O	resultado,	os	autores	dos
gols	e	os	personagens	principais	já	aparecem	logo	nos	dois	primeiros	parágrafos.
Nos	seguintes,	estão	dois	dados	estatísticos	interessantes	e	relevantes	para	a
situação.	Esta	primeira	parte	da	matéria	é	uma	espécie	de	resumo,	que	contém	a
programação	da	Seleção	Brasileira	para	os	dias	seguintes.	Basta	ler	os	sete
curtos	parágrafos	para	que	o	leitor	fique	informado	de	tudo	que	aconteceu	no
jogo,	e	o	que	está	por	vir.
Assim	como	a	GazetaEsportiva.net	costuma	fazer,	o	portal	Folha	de	S.Paulo	–
www.folha.com.br	–	coloca	o	subtítulo	“O	Jogo”	para	descrever	lance	a	lance	da
estreia	brasileira	na	competição	mundial,	com	as	principais	chances,	os	gols,
entre	outros	acontecimentos.	Não	chega	a	ser	tão	detalhado	como	a
GazetaEsportiva.net,	é	mais	direto,	com	parágrafos	mais	curtos,	alguns	com
apenas	duas	linhas,	mas	o	suficiente	para	que	o	leitor	consiga	saber	o	que	é
importante.
Há	a	inclusão	de	apenas	uma	matéria	relacionada	ao	longo	do	texto,	ainda	na
primeira	parte,	em	formato	de	hyperlink.	Ao	citar	que	Neymar	marcou	dois	gols
na	partida,	o	leitor	pode	clicar	nesta	parte	azul	do	texto,	que	será	redirecionadopara	uma	reportagem	que	mostra	os	maiores	artilheiros	da	Seleção	pentacampeã
mundial.
De	modo	geral,	o	relato	do	site	Folha	de	S.Paulo	demonstra	um	perfil	mais
pragmático,	com	caráter	informativo	e	objetivo.	O	veículo	não	tem	direitos	de
transmissão	em	vídeo	na	internet.	O	que	destoa,	até	mesmo	do	perfil	da	escrita,	é
a	inclusão	dos	comentários	de	uma	celebridade.	O	ator	pode	ter	seu	repertório	e
conhecimento	esportivo,	mas	é	mais	uma	maneira	de	entreter	o	leitor	e	“vender	a
notícia”,	do	ponto	de	vista	que	um	ator	famoso	tem	com	o	público.
IMAGEM	5	-	A	opinião	do	ator	e	celebridade	Dan	Stulbach,	no	site	da	Folha	de
S.Paulo.⁷
1.4.2.	Oitavas	de	final:	Nos	pênaltis,	Brasil	vence	Chile
O	confronto	das	oitavas	de	final,	entre	Brasil	e	Chile,	foi	um	dos	mais
dramáticos	de	toda	a	competição.	Realizado	na	ensolarada	tarde	de	sábado	do
dia	28	de	junho	de	2014,	o	duelo	aconteceu	no	estádio	Mineirão,	em	Belo
Horizonte/MG,	com	57.714	presentes	nas	arquibancadas.	Os	brasileiros
comemoraram	o	primeiro	gol	da	partida	logo	aos	18	minutos	da	etapa	inicial,
convertido	pelo	zagueiro	David	Luiz,	após	escanteio	cobrado	por	Neymar.	O
Chile	empatou	14	minutos	depois,	com	o	atacante	Alexis	Sanchez,	em	falha	da
zaga	do	time	de	camisa	amarela.	O	jogo	permaneceu	com	o	mesmo	placar	por
todo	o	tempo	regulamentar	e	prorrogação,	o	que	levou	a	decisão	para	os	pênaltis.
Nas	cobranças,	o	Brasil	venceu	por	3	x	2,	com	a	consagração	do	goleiro	Júlio
César	como	grande	herói	da	classificação.	O	que	se	viu	depois	do	triunfo	foram
jogadores	extremamente	emocionados,	ajoelhados,	com	lágrimas	nos	olhos,	e	o
mesmo	é	válido	para	os	torcedores,	que	entraram	no	estado	mais	elevado	de
euforia	e	alegria	até	aquele	momento	da	Copa.
A	tarefa	para	o	jornalista	não	era	das	mais	fáceis.	Na	reportagem,	não	basta
apenas	informar,	o	propósito	vai	muito	além	disso.	É	preciso	tentar	reproduzir
com	toda	a	riqueza	de	detalhes	e	recursos	disponíveis	o	que	foi	o	espetáculo	da
partida.	Desde	a	execução	dos	hinos	até	a	comemoração	final	dos	atletas	e
torcedores.	O	repórter	tem	a	missão	de	transmitir	as	emoções	da	partida	ao	leitor
que	não	pode	assisti-la	ou	para	aquele	que	assistiu	e	quer	reviver	e	relembrar	os
momentos	mais	importantes.
No	GloboEsporte.com,	a	estrutura	é	a	mesma	que	o	anterior.	Em	caixa	alta,	o
texto	é	intitulado	“JÚLIO	CÉSAR	PEGA	DOIS	PÊNALTIS,	CHILE	BATE	NA
TRAVE,	E	BRASIL	VAI	ÀS	QUARTAS”⁸	(sic).	Logo	embaixo,	o	bloco	de
vídeos.	Desta	vez,	são	24	vídeos	disponíveis	para	o	espectador,	inclusive	uma
filmagem	do	pré-jogo	que	resume	os	principais	passos	das	classificações	de
ambas	as	equipes.	O	relato	começa	com	dois	parágrafos,	que	descrevem	o
resultado	final	e	os	personagens	da	partida,	além	de	uma	simples	frase	do	goleiro
Júlio	César,	considerado	o	herói	do	confronto.	Percebe-se	independentemente	do
grau	de	importância	da	partida,	o	botão	“Expandir	a	crônica	completa”	sempre
presente,	o	que	reforça	como	as	imagens	ganharam	uma	relevância	muito
grande.	Há	a	inserção	de	nove	fotografias,	todas	retratando	as	diferentes
emoções,	comemorações	e	dramas	ao	longo	dos	120	minutos.	As	imagens
intercalam	obrigatoriamente	com	o	texto	para	que	haja	uma	pausa	para	o	leitor	e
não	fique	tão	massivo.	Há,	ainda,	mais	um	vídeo	com	outros	lances.	Além	disso,
o	jornalista	também	descreve	a	partida	em	forma	de	tópicos,	dividindo	os
momentos-chave.	Isto	facilita	a	busca	por	algo	específico	que	o	fã	eventualmente
queria	procurar.
O	ESPN.com.br,	por	conta	dos	contratos	de	transmissão,	retirou	o	vídeo	com	os
melhores	momentos	e	colocou	uma	fotografia	da	defesa	decisiva	do	goleiro
brasileiro	Júlio	César.	Mais	três	imagens	foram	inseridas	na	reportagem.	Há	um
detalhe	interessante	nesta	matéria	–	como	alternativa	para	agradar	o	fã	do	esporte
e	tentar	reproduzir	um	pouco	do	espetáculo:	foram	inseridos	três	vídeos,	sendo
um	não	relacionado	diretamente	com	o	confronto,	com	o	título	“Angústia,	festa	e
pegação:	Vila	Madalena	lota	de	belas	mulheres,	gringos	e	famosos	durante	jogo
do	Brasil”.	Este	é	um	bom	exemplo	de	como	o	jornalismo	esportivo	na	internet
utiliza	todos	os	recursos	possíveis	para	prender	o	leitor	na	matéria.	Os	outros	são
comemorações	de	torcedores	brasileiros	fora	do	estádio	após	a	classificação
épica.	Mais	um	momento	do	espetáculo	Copa	do	Mundo	junto	com	o	jornalismo.
IMAGEM	6	-	Vídeo	inserido	ao	longo	da	matéria	do	GloboEsporte.com.
A	imprensa	contemporânea	se	diferencia	bastante	da	imprensa	de	algumas
décadas	atrás,	quando	os	grandes	jornais	se	importavam	mais	com	a	“missão”
jornalística	de	formação	de	uma	opinião	pública,	obviamente	com	base	na
perspectiva	política	de	cada	jornal,	ao	contrário	do	que	acontece	na	atualidade,
em	que	predomina	o	padrão	jornalístico	de	prestação	de	serviço.	Esse	conceito
de	“missão”	foi	deixado	de	lado	e	substituído	pela	preocupação	da	empresa
jornalística	em	atingir	melhores	resultados	econômicos.	Houve,	dessa	maneira,
uma	significativa	transformação	da	imprensa	escrita	e	da	notícia	em	uma
mercadoria	específica	que	deve	ser	vendida	em	dois	mercados	diferentes:	dos
anunciantes	e	dos	leitores	(MARQUES,	2006,	p.	33).
As	diferenças	da	qualidade	da	notícia	dependem	diretamente	da	situação
financeira	do	veículo	de	comunicação.	É	a	mesma	lógica	de	uma	mercadoria	de
determinada	empresa	–	se	o	investimento	é	alto,	as	chances	de	um	retorno
econômico	são	bastante	prováveis.	Ainda	no	site	do	ESPN.com.br,	há	diversos
links	de	outras	matérias	espalhados	ao	longo	da	reportagem,	do	bloco	“Saiba
Mais”.	Ao	todo,	são	nove	links	de	notícias.
IMAGEM	7	-	Vídeo	com	assunto	não	relacionado	ao	jogo	no	ESPN.com.br¹
O	GazetaEsportiva.com.br	publicou	o	relato	com	o	título	“Brasil	sofre	e	só	vence
o	Chile	nos	pênaltis	para	ir	às	quartas”.	De	novo,	há	uma	propaganda	junto	com
o	parágrafo	inicial.	Já	no	primeiro	lead,	são	apresentadas	as	informações	como
os	autores	dos	gols	e	quem	converteu	e	errou	as	penalidades.	Antes	mesmo	do
subtópico	“O	jogo”,	o	repórter	faz	um	resumo	da	dramaticidade	da	partida.
Depois,	traça	um	histórico	dos	confrontos	entre	Brasil	e	Chile	em	campeonatos
mundiais	profissionais,	além	da	data	do	próximo	jogo	da	Seleção	de	Felipão.	O
repórter	utiliza	apenas	três	imagens	para	ilustrar	os	momentos	do	confronto	e
descreve	detalhadamente	o	que	aconteceu	na	partida	no	“O	Jogo”.	Diferente	da
ESPN,	a	matéria	da	GazetaEsportiva.net	não	coloca	nenhum	vídeo	de	assuntos
relacionados	à	Copa,	que	poderiam	prender	o	leitor	à	nota.
Desta	vez,	o	portal	Folha	de	S.Paulo	não	colocou	a	opinião	de	nenhuma
celebridade	ou	jornalista	em	específico.	A	matéria,	assim	como	a	da	partida
anterior,	não	foi	assinada	por	nenhum	profissional.	Intitulada	“Júlio	César	pega
dois	pênaltis,	Brasil	supera	Chile	e	vai	às	quartas	na	Copa”,	a	reportagem
apresenta,	logo	após	o	título,	uma	alternativa	muito	interessante	para	quem	não
possuiu	o	direito	de	publicar	os	vídeos:	uma	fotomontagem	com	a	trajetória	que
a	bola	percorreu	na	penalidade	que	deu	a	vitória	ao	Brasil.	Com	uma	linha	–	ou
flecha	–	amarela,	a	bola	sai	da	marca	de	cal,	bate	na	trave	esquerda	de	Júlio
César	e	vai	para	o	lado	oposto,	longe	do	gol.	Nas	reportagens	analisadas,	é	a
única	vez	que	uma	fotomontagem	aparece,	e	é	válido	dizer	que	é	uma	opção	bem
pensada	e	elaborada.
O	texto	segue	bem	a	cartilha	do	jornal,	com	caráter	informativo	e	parágrafos	não
muito	longos.	Destaque	para	a	inserção	de	mais	hyperlinks	do	que	na	anterior,
que	redirecionam	para	outras	matérias	relacionadas	e	um	trecho	da	coluna	do
jornalista	Clóvis	Rossi.	Antes	da	galeria	de	fotos,	que	contém	dez	imagens,	há	o
subtítulo	“Freguesia”	com	dados	históricos	e	até	econômicos	que	envolvem	as
duas	seleções;	após	a	galeria,	aparece	“O	Jogo”	e	todo	o	relato	com	os	detalhes
da	partida,	até	mais	um	subtítulo,	“Prorrogação”,	que	serve	como	uma	espécie	de
pausa	para	a	leitura	não	ficar	muito	cansativa	e	encerrar	a	notícia.
IMAGEM	8	-	Fotomontagem	a	Folha	de	S.Paulo,	com	o	trajeto	da	bola
1.4.3.	Semifinal:	Brasil	é	humilhado	pela	Alemanha
O	dia	8	de	julho	de	2014	não	será	esquecido	facilmente	pelos	torcedores
brasileiros.A	Seleção	Brasileira	entrou	em	campo	com	os	jogadores	Júlio	César
e	David	Luiz	segurando	uma	camiseta	de	Neymar,	que	sofrera	uma	lesão	na
partida	anterior	–	contra	a	Colômbia	–	e	ficou	sem	condições	físicas	de	jogar	o
restante	da	competição.	O	local	do	embate	era	novamente	a	cidade	de	Belo
Horizonte,	no	estádio	Mineirão,	completamente	lotado.	A	expectativa	de	um
duelo	épico	era	enorme.	O	Brasil	não	disputava	uma	semifinal	de	Copa	do
Mundo	desde	2002,	e	a	Alemanha	se	mostrava	favorita	pelas	belas	atuações
durante	sua	campanha.	Entretanto,	o	sonho	do	hexacampeonato	começou	a
desmoronar	já	aos	onze	minutos	do	apito	inicial.	Thomas	Müller	abriu	o	placar
para	os	europeus	na	primeira	falha	–	de	várias	–	da	zaga	formada	por	David	Luiz
e	Dante.	Em	seguida,	foi	um	festival	de	gols	alemães	e	o	maior	vexame	da
história	do	futebol	brasileiro,	muito	maior	do	que	a	derrota	para	o	Uruguai,	na
decisão	da	Copa	do	mundo	de	1950,	quando	perdeu	apenas	por	2	x	1.
Mais	uma	vez,	o	desafio	do	repórter	em	transmitir	em	palavras	e	vídeos	tudo	o
que	aconteceu	é	enorme.	Se	na	vitória	contra	o	Chile	a	felicidade	e	a	sensação	de
alívio	dominavam	os	corações	do	torcedor	brasileiro,	desta	vez	esses	mesmos
corações	foram	tomados	pelo	sentimento	de	vergonha.	Ou	até	mesmo	o	de	viver
um	pesadelo.	O	sonho	de	conquistar	o	hexacampeonato	em	casa	e	apagar	o
fantasma	de	1950	foi	transformado	em	uma	tragédia.	Esta	questão	foi	bastante
explorada	em	todas	as	reportagens	selecionadas	sobre	o	jogo.
O	GloboEsporte.com	tem	o	seguinte	título:	“BRASIL	SOFRE	GOLEADA	DA
ALEMANHA	EM	VEXAME	HISTÓRICO	E	DISPUTARÁ	3º	LUGAR”¹¹	(sic).
Das	três	reportagens	estudadas,	esta	é	a	que	mais	possui	vídeos	dos	momentos
do	jogo:	são	25,	com	pré-jogo,	lances	e	gols,	além	de	seis	fotografias	que	variam
desde	o	choro	do	pequeno	torcedor,	o	Hino	cantado	com	a	camiseta	de	Neymar
em	mãos	por	Júlio	César	e	David	Luiz	e	a	comemoração	dos	atletas	alemães	nos
sete	tentos.	Estruturalmente,	o	padrão	é	exatamente	o	mesmo	que	os	anteriores.
Temos	o	bloco	“Saiba	Mais”,	os	subtópicos	que	guiam	o	que	será	descrito	a
seguir,	além	da	opção	de	expandir	a	crônica	completa	ou	somente	ler	os	dois
parágrafos	iniciais	que	resumem	o	que	representou	aquela	tarde	de	terça-feira.
De	modo	geral,	os	relatos	do	GloboEsporte.com	possuem	uma	liberdade	muito
maior	no	ato	de	redigir	o	texto.	Sem	esquecer	o	caráter	informativo	de	uma
matéria	jornalística,	os	repórteres	buscam	um	estilo	diferenciado	do	que	estamos
acostumados	a	ver	em	reportagens	sobre	jogos	de	futebol.	Procuram	uma
maneira	um	pouco	diferente	de	descrever	a	partida.	Não	ficam	presos	em	relatar
lance	a	lance,	ou	presos	ao	relógio,	minuto	a	minuto.	É	mais	um	formato	de
crônica,	de	fato.	Em	alguns	momentos,	têm-se	até	uma	dose	de	opinião.
IMAGEM	9	-	Fotos	inseridas	ao	longo	da	matéria	Brasil	x	Alemanha,	no
GloboEsporte.com
O	ESPN.com.br	buscou	alternativas	interessantes	e	bem	válidas	para	suprir	a
ausência	de	vídeos	com	os	melhores	lances	do	triunfo	alemão.	Foram	colocadas
duas	entrevistas,	ainda	no	campo,	com	o	goleiro	Júlio	César	e	o	zagueiro	David
Luiz,	ambos	muito	emocionados.	A	entrevista	do	jogador	de	linha	teve	uma
repercussão	enorme.	Um	dos	mais	idolatrados	pela	torcida	naquela	época,	David
Luiz	afirmou	que	“gostaria	de	dar	um	pouco	de	alegria	ao	povo	brasileiro,	que	já
sofre	bastante”.	A	reportagem	tem	quatro	fotos	e	dois	blocos	“Saiba	Mais”.	Há
mais	uma	curiosidade:	um	vídeo	exclusivo	do	jogador	Neymar	ao	final	da
reportagem	com	a	legenda	“EXCLUSIVO:	Neymar	é	flagrado	caminhando	e
simulando	cabeceio	na	sua	casa	no	Guarujá”.	A	duração	é	de	apenas	45	segundos
e	não	tem	nada	de	importante.	É	apenas	mais	uma	tentativa	de	prender	o	leitor	na
nota.	Se	nos	outros	relatos	havia	apenas	um	quadro	de	“Saiba	Mais”,	neste	há
dois	blocos,	com	um	total	de	oito	links	de	matérias	relacionadas	à	Copa.
IMAGEM	10	-	MAIS	UM	VÍDEO	COM	ASSUNTO	NÃO	RELACIONADO
AO	JOGO,	NO	ESPN.COM.BR.¹²
Diferente	do	ESPN.com.br	que	busca	todo	tipo	de	novidades	para	entreter	o
público,	o	GazetaEsportiva.net	peca	no	quesito	inovação.	Mais	uma	vez,	a
reportagem	é	composta	somente	por	palavras	e	imagens	–	três	no	total.	Não	há
qualquer	outro	link	que	redirecione	para	outras	matérias	pelas	quais	o	leitor
possa	ter	interesse,	como	repercussão	da	derrota,	entrevista	com	os	jogadores	ou
apenas	a	reação	dos	torcedores.	Neste	caso,	apenas	uma	das	imagens	é	com	um
torcedor	com	os	olhos	cheios	de	lágrimas.	É	interessante	observar	que	a	estrutura
antes	do	subtópico	“O	jogo”	é	praticamente	a	mesma	nos	textos	anteriores:	de
quatro	a	cinco	parágrafos,	no	máximo,	e	uma	foto	para	dividir	a	reportagem.	Na
parte	seguinte,	há	a	descrição	minuciosa	da	partida,	com	todos	os	lances,
redigidos	em	detalhes.
IMAGEM	11-	Imagens	na	matéria	do	GazetaEsportiva.net	e	o	subtítulo	“o	jogo”
Na	reportagem	da	pior	derrota	brasileira	de	todos	os	tempos,	o	site	da	Folha	de
S.Paulo	não	colocou	fotomontagem	ou	qualquer	comentário	de	alguma
celebridade,	como	fez	nos	relatos	anteriores.	A	matéria	é	categórica,	como
manda	o	jornalismo	sério	diante	de	qualquer	catástrofe.	Intitulada	“Brasil	é
massacrado	pela	Alemanha	e	sofre	sua	pior	derrota	na	história”,	a	primeira	parte
da	reportagem,	antes	da	galeria	de	imagens	e	do	subtítulo	“O	Jogo”,	está
recheada	de	dados	históricos	do	desastre	acontecido	em	Belo	Horizonte.	Há,
também,	como	no	texto	anterior,	uma	chamada	para	um	dos	colunistas	do	portal
–	na	ocasião,	para	a	leitura	da	opinião	de	Juca	Kfouri.	Pode-se	relacionar	que,
nas	duas	partidas	mais	dramáticas	da	Seleção	até	o	momento	–	vitória	nos
pênaltis	contra	o	Chile	e	derrota	vergonhosa	para	a	Alemanha	–,	o	portal	optou
por	produzir	material	com	um	jornalista	respeitado,	com	trabalho	de	muitos	anos
no	esporte	e	no	ambiente	jornalístico,	e	não	um	ator	“global”,	como	foi	o	caso
Brasil	x	Croácia,	com	Dan	Stulbach.
A	galeria	de	imagens	possui	59	fotos,	a	maior	de	todas	as	três	reportagens
analisadas,	com	fotografias	do	aquecimento	pré-jogo,	os	lances,	as
comemorações	dos	jogadores	alemães	e	também	das	inúmeras	expressões	de
tristeza	da	torcida	brasileira.	Novamente,	a	galeria	serve	como	um	divisor,	uma
passagem	do	primeiro	bloco,	o	resumo	das	principais	informações	com	o
subtítulo	“O	Jogo”,	com	todos	os	momentos	da	partida.
1.5.	Da	Cultura	da	Imagem	para	a	Cultura	do	Visual
O	jornalismo	na	internet	disponibiliza	ao	redator	inúmeros	recursos	para	tornar	a
notícia	mais	atraente.	Em	alguns	casos,	é	possível	dizer	que	o	foco	já	não	está
mais	no	texto.	Um	dos	mecanismos	mais	utilizados,	e	que	já	se	tornou	prática
comum,	é	a	possibilidade	de	colocar	vídeos	sobre	as	reportagens,	tanto	que
muitos	ocupam	a	principal	posição	de	destaque,	no	topo	da	matéria,	que
costumava	pertencer	às	fotografias.	No	relato	sobre	uma	partida	de	futebol,	o
vídeo	com	os	melhores	momentos	do	jogo	se	torna	quase	tão	importante	quanto
o	próprio	texto	e,	consequentemente,	interfere	na	maneira	de	produção	do
jornalismo	esportivo	digital,	visto	que,	em	alguns	casos,	as	palavras	só	servem
de	apoio	para	este	recurso.	É	válido	lembrar	o	que	foi	dito	no	item	anterior,	sobre
o	que	o	portal	GloboEsporte.com	fez	ao	colocar	o	botão	“expandir	crônica”.
Para	aprofundar	este	estudo,	me	apoio	no	professor	espanhol	Josep	Maria	Català,
que	explica	este	fenômeno	como	transição	da	“cultura	de	imagem”	para	a
“cultura	do	visual”.	Nesse	processo,	as	imagens	em	movimento,	como	trabalha	o
autor	europeu,	prevalecem	em	relação	àquelas	estáticas,	ou	as	fotografias.	De
modo	simplificado	e	adaptado	para	o	jornalismo	esportivo	on-line,	é	a	mudança
da	fotografia	para	o	vídeo.	Català	diz:
La	era	de	la	imagen	cerrada	há	concluido,	pero	no	por	obra	y	gracia	simplemente
de	la	introducción	en	las	imágenes	de	un	movimiento	que	les	confiere	una
duración,	sino	porque	ha	subido	a	la	superfície	la	antítesis	entre	la	proverbial
fijeza	de	las	representaciones	visuales	y	la	nueva	dimensión	temporal	que
penetraba	en	las	mismas	con	el	cine	y	que	el	proprio	paradigma	de	la	imagen
cinética	se	encargo,	en	su	momento,	de	ocultar	(CATALÀ,	2005,	p.	45).
O	autor	indicao	cinema	como	um	dos	motivos	para	essa	transformação.	Os
costumes	têm	mudado	constantemente,	e	somente	a	fotografia	não	satisfaz	toda	a
curiosidade	do	espectador.	Após	o	jogo	de	futebol,	o	leitor	procura	vídeos	para
assistir	pela	primeira	vez	ou	rever	os	lances	da	partida.	É	comum	encontrar
comentários	insatisfeitos	dos	usuários	quando	o	vídeo	do	duelo	não	está	inserido
no	relato,	mesmo	que	o	veículo	de	comunicação	não	possua	os	direitos	de
transmissão.
Os	canais	ESPN	e	Globo	foram	as	emissoras	oficiais	da	Copa	do	Mundo	do
Brasil,	portanto	os	sites	das	empresas	disponibilizam	os	vídeos	com	cada	jogada
importante	da	decisão	no	relato	do	portal.	Além	disso,	as	imagens	em
movimento,	termo	utilizado	por	Català,	estão	posicionadas	antes	do	texto,	como
é	o	caso	do	GloboEsporte.com,	o	único	que	possui	os	direitos	de	transmissão	por
tempo	ilimitado	e	para	todos	os	fins.	Diferentemente	dos	demais,	o
GazetaEsportiva.net	não	possui	nenhum	vídeo	em	suas	reportagens	sobre	a
competição,	já	que	não	faz	parte	de	nenhuma	emissora	detentora	dos	direitos	de
imagem,	o	que,	inevitavelmente,	prejudica	a	audiência	do	site	em	relação	aos
concorrentes.	O	portal	Folha	de	S.Paulo	também	não	tinha	os	direitos	de
transmissão	ou	de	colocar	vídeos	nas	reportagens,	mas	sempre	publicava	uma
galeria	de	imagens	na	notícia,	ao	centro,	dividindo	a	reportagem	em	duas	partes.
É	importante	explicar	que,	para	Català,	a	sociedade	passou	por	outras	duas	fases
antes	de	atingir	a	“cultura	do	visual”.	A	primeira	foi	a	“cultura	textual”,	em	que,
ao	adaptar	para	a	produção	de	informação	esportiva	digital,	o	foco	se
concentraria	totalmente	no	texto,	a	fotografia	apareceria	como	mera	coadjuvante.
Em	seguida,	a	sociedade	evoluiu	para	“cultura	da	imagem”	até	se	encontrar	no
estágio	atual,	a	já	citada	“cultura	do	visual”.	Todo	esse	pensamento	parte	da
teoria	de	imagem	complexa,	elaborada	pelo	professor	espanhol,	um	conceito
difícil	de	ser	dissociado	do	conceito	de	“cultura	do	visual”,	já	que	ambos
permitem	diversas	interpretações	e	significados.
No	jornalismo	esportivo	on-line,	não	são	apenas	os	vídeos	que	podemos	avaliar
como	fazendo	parte	desta	cultura.	Há	uma	série	de	inovações,	além	dos	filmes,
que	podem	ser	consideradas	imagens	em	movimentos,	como	os	infográficos.
Antes	de	me	aprofundar,	recorro	a	Català,	que	diz:
Nos	encontramos,	por	lo	tanto,	ante	una	eclosión	del	movimiento:	movimiento
de	las	imágenes,	tanto	interna	como	externamente,	movimiento	de	la	mirada
dentro	de	la	imagen	y	entre	las	imágenes,	movimiento	de	la	cognición	a	través
de	cadenas	de	significados	(2005,	p.	47).
O	professor	espanhol	alerta	para	uma	explosão	de	imagens	em	movimento	que
se	desdobram	em	diversos	significados.	Para	exemplificar	melhor	e	não	me
prender	apenas	aos	vídeos,	faço	o	uso	do	infográfico,	que	é	um	modo	de
representação	gráfica	interativa	e	permite	ao	jornalista	colocar	fotos,	ilustrações,
vídeos,	áudios,	narrações,	além	do	texto.	De	maneira	resumida,	abrange	todos	os
recursos	que	o	meio	digital	disponibiliza	para	a	produção	de	informação
esportiva	na	internet.	Com	base	em	Català,	podemos	dizer	que	são	vários
significados	em	uma	só	reportagem.
Antes	de	estudar	as	matérias	sobre	os	jogos	escolhidas	para	esta	pesquisa,	é
necessário	observar	um	dos	mais	belos	infográficos	produzidos	ainda	com	o
tema	Copa	do	Mundo,	publicado	pelo	ESPN.com.br	um	ano	depois	da
vergonhosa	derrota	da	Seleção	Brasileira	contra	a	Alemanha,	o	famoso	7	a	1.
IMAGEM	12	-	A	imagem	inicial	do	Infográfico	sobre	a	derrota	de	7	a	1¹³
O	infográfico	é	intitulado	“O	Fim	do	Sonho	do	Hexa”	tendo,	ao	lado	do	título,
uma	ilustração	do	técnico	do	Brasil,	Felipão,	um	dos	vilões	do	fracasso	na
campanha	da	equipe	nacional.	Assim	que	aberto,	a	música	de	fundo	dá	o	tom	do
clima	que	seguirá	por	toda	a	reportagem.	Um	dos	grandes	diferenciais	é	a
inserção	de	áudios	com	as	opiniões	de	jornalistas	da	TV	ESPN	sobre	a	derrota	e
a	torcida	cantando	o	Hino	Nacional,	além	de	trechos	de	entrevistas	do	treinador
brasileiro	e	de	seu	auxiliar,	Carlos	Alberto	Parreira.	São	comentários	que
demonstram	a	gravidade	do	revés;	já	os	dos	comandantes	apontam	para	uma
certa	arrogância.	Em	outro	momento,	eles	assumem	a	culpa	pela	eliminação.
O	infográfico	mostra	os	problemas	e	os	principais	personagens	que	colaboraram
para	o	fiasco	da	Seleção	pentacampeã	mundial	na	competição,	como	a
dependência	excessiva	do	atacante	Neymar,	que	se	contundiu	no	duelo	contra	a
Colômbia	e	não	enfrentou	a	Alemanha.	Aborda	a	questão	emocional	dos	atletas
brasileiros	e	como	isso	afetou	nas	partidas	decisivas.
IMAGEM	13	-	Os	motivos	do	vexame	brasileiro	na	Copa¹⁴
Ao	final,	a	reportagem	lista	todos	os	possíveis	motivos	para	o	insucesso	da
campanha,	sempre	acompanhada	pelos	áudios	de	fundo,	e	dá	a	opção	para	o
leitor	votar	qual	a	razão	e	compartilhar	nas	redes	sociais.	A	produção	de	um
infográfico	é	bastante	trabalhosa,	mas	é	um	meio	de	atrair,	e	muito,	a	atenção
dos	usuários,	pois	é	a	junção	de	informação	e	entretenimento,	com	todas	as
ferramentas	acessíveis	aos	jornalistas.	É	a	perfeita	reprodução	do	espetáculo	em
forma	de	matéria.	No	entanto,	por	conta	da	quantidade	de	demanda	e	tempo,	os
infográficos	ainda	não	são	frequentes	no	portais	eletrônicos.
IMAGEM	14	-	Última	imagem	do	infográfico	do	ESPN.com.br
Na	produção	de	jornalismo	esportivo	na	internet,	as	filmagens	atraem	grande
parte	do	interesse	do	leitor.	Nos	títulos,	é	comum	inserir	“Veja	o	vídeo”	para
exibir	que	há	imagens	gravadas	sobre	determinado	fato.	Além	da	questão	de
credibilidade,	os	vídeos	são	extremamente	importantes,	não	somente	quando	se
referem	à	quantidade	de	cliques	que	podem	alavancar,	mas	ao	tempo	que	cada
usuário	permanece	no	site.	Tudo	isso	é	devidamente	contabilizado	pelos
responsáveis	por	gerar	lucro	para	a	plataforma.
Ao	observar	como	foi	feita	a	disposição	dos	vídeos	nas	reportagens	escolhidas
dos	três	jogos	da	Seleção	Brasileira,	é	nítida	a	importância	que	estes	ganharam
no	ambiente	jornalístico	digital.	No	GloboEsporte.com,	detentor	dos	direitos	de
transmissão	por	tempo	ilimitado,	todas	as	filmagens	são	colocadas	no	topo	da
página,	antes	da	crônica	e	das	fotos.	São	todos	os	lances	e	jogadas	da	partida,	em
que	o	leitor,	principalmente	aquele	que	não	pôde	assistir	ao	jogo,	tem	a
possibilidade	de	rever	os	melhores	momentos.	Isto	acontece	nas	três	matérias	do
portal	e	em	todas	as	outras	que	possuem	as	imagens	em	movimento.
IMAGEM	15	-	novamente,	o	bloco	de	vídeos	do	GloboEsporte.com	no	topo	da
página
Já	o	ESPN.com.br,	enquanto	tinha	os	direitos	de	publicar	os	vídeos	–	apenas	por
24	horas	–,	colocava,	logo	no	topo,	antes	da	parte	escrita,	um	compilado	com
todos	os	momentos	importantes	da	partida.	Assim	que	o	prazo	se	encerrava,	uma
imagem	estática,	ou	foto,	ocupava	o	local	onde	estava	a	filmagem.	Isso	pode,
sem	dúvida,	ser	considerado	um	exemplo	que	exprime	muito	bem	o	pensamento
de	Català,	à	respeito	da	mudança	da	“cultura	da	imagem”	para	a	“cultura	do
visual”.	É	evidente	que	a	imagem	estática	ocupa,	quando	muito,	um	segundo
plano,	não	sendo	mais	essencial	para	uma	reportagem	esportiva	eletrônica.
IMAGEM	16	-	A	fotografia	substitui	o	vídeo,	no	topo	da	página,	após	24	horas
Como	já	mencionado	anteriormente,	o	GazetaEsportiva.net	não	possui	direitos
de	transmissão	dos	jogos	da	Copa	do	Mundo.	Por	este	motivo,	a	plataforma	não
tem	nenhum	vídeo	com	os	lances	dos	duelos	da	competição.	É	inegável	o	quanto
essa	ausência	é	prejudicial	para	o	veículo	de	comunicação.	Por	não	ter	o	recurso
disponível,	a	reprodução	do	espetáculo	do	evento	em	forma	de	reportagem	fica
afetada	e	perde	em	quantidade	de	informação	para	os	concorrentes.
A	produção	do	jornalismo	esportivo	na	internet	evidencia	o	momento	em	que	a
sociedade	está	inserida.	O	comportamento	do	internauta	reflete	como	ele	está
habituado	à	cultura	visual.	O	GazetaEsportiva.net,	recentemente,	reformulou
completamente	o	portal	e	incluiu	uma	seção	exclusiva	para	vídeos.	Embora
ainda	continue	impossibilitado	de	publicar	lances	de	jogos,	o	site	traz	diversas
entrevistas	coletivas	e	exclusivas,	algunsgols	que	pertencem	a	emissoras
estrangeiras,	além	das	matérias	que	foram	ao	ar	na	TV	Gazeta.	É	um	meio
encontrado	pela	empresa	de	entregar	conteúdo	também	neste	formato.
Como	resultado	das	análises	apresentadas	no	decorrer	deste	capítulo,	podemos
afirmar	que	a	reprodução	do	espetáculo	na	informação	esportiva	digital	está
diretamente	relacionada	com	a	“cultura	do	visual”.	A	inserção	de	imagens	em
movimentos	faz	parte	da	espetacularização	da	notícia.	Atualmente,	desassociar
um	vídeo	de	uma	reportagem	sobre	jogo	de	futebol	é	quase	impossível.	Mais	que
o	relato,	o	leitor	espera	assistir	aos	gols	e	principais	lances	do	duelo.	É	missão	do
jornalista	transmitir,	na	reportagem,	toda	a	emoção	do	espetáculo	que	o	futebol,
e	o	esporte	no	geral,	proporcionam.
É	evidente	que	com	o	universo	digital	o	jornalismo	esportivo	ganhou	inúmeras
formas	de	reproduzir	o	espetáculo	dos	eventos	do	futebol	nas	reportagens.	Com
o	progresso	da	tecnologia,	surgem	novos	métodos	que	colaboram	para	o
enriquecimento	e	qualidade	das	notícias.	Em	veículos	de	comunicação	com
maior	poder	aquisitivo,	as	atividades	jornalísticas	cumprem	bem	seus	objetivos.
O	imediatismo	e	a	velocidade	para	se	produzirem	conteúdos,	entretanto,	fazem
com	que	o	jornalista	fique	exposto	a	possíveis	informações	erradas,	textos	mal
redigidos	e	inúmeros	outros	problemas	com	os	quais	costuma-se	lidar
diariamente	nas	redações,	tema	que	será	abordado	nos	capítulos	seguintes.
Embora	encontre	estas	dificuldades,	o	jornalismo	digital	se	mostra
profundamente	mergulhado	na	espetacularização	da	sociedade	e	nos	conceitos	de
indústria	cultural.	O	mecanismo	de	produção	tem	se	mostrado,	em	geral,	eficaz
em	representar	o	que	acontece	na	sociedade	cada	vez	mais	espetacularizada,	na
linha	do	pensamento	crítico	feito	por	Guy	Debord.
Outro	fator	que	se	mostra	mais	determinante	no	jornalismo	digital	atualmente	é	a
presença	maciça	de	publicidade	nas	matérias,	conforme	mostrarei	mais	adiante.
Em	forma	de	banners,	pop-ups,	entre	outros,	a	publicidade	é	a	principal	fonte	de
renda	para	os	veículos	de	comunicação	e	se	tornou	um	fator	decisivo	na	escolha
de	pautas.	Com	o	reforço	das	ideais	de	Baudrillard	(1989),	é	possível	dizer	que	a
propaganda	procura	mostrar	as	características	de	seu	produto	e,	em	busca	deste
objetivo,	se	tornou	comum	financiar	matérias	para	exibir	o	item	a	ser	vendido.
Ao	entrar	com	o	dinheiro,	jornalismo	e	publicidade,	trilham	o	mesmo	caminho.
A	produção	de	informação	esportiva	na	internet	tem	se	expandido	conforme	a
progressão	dos	recursos	tecnológicos	que	facilitam	o	trabalho	dos	jornalistas	no
momento	de	elaborar	a	matéria.	É	preciso	adiantar,	a	partir	de	uma	simples
observação	do	fenômeno,	que	se	faz	necessário	saber	dosar	a	quantidade	de
imagens	e	vídeos,	sem	esquecer	que	o	elemento	principal	da	reportagem
continua	sendo	o	texto.	Embora	o	vídeo	ocupe	a	posição	de	destaque,	no	topo	da
reportagem,	o	repórter	não	pode	deixar	de	escrever	com	qualidade	e	atenção
necessária.	Por	mais	que	a	publicação	seja	urgente,	a	prioridade	deve	ser	sempre
a	informação	correta.
1.6.	Texto	ou	vídeo?	Quem	complementa	quem?
A	escrita	sempre	serviu	de	base	e	referência	para	o	jornalismo.	Nos	primeiros
anos	de	produção	digital,	o	conteúdo	era	similar	ao	do	impresso,	com	a	grande
diferença	da	velocidade.	Agora,	com	o	progresso	das	tecnologias	e	diferentes
plataformas	disponíveis	para	produzir	material,	é	possível	que	a	base	da
produção	do	jornalismo	esteja	no	início	de	uma	transição.
Mostrei	que	o	vídeo	ganha	cada	vez	mais	destaque.	Ele	já	ocupa	o	topo	da
reportagem,	que	anteriormente	pertencia	à	fotografia,	sendo	o	primeiro	alvo	a	ser
atingido	pelo	olhar	do	leitor.	Em	uma	notícia	sobre	uma	partida	de	futebol,	é
quase	inadmissível	a	ausência	do	vídeo	com	os	principais	lances	do	jogo.	Caso
seja	impossível	por	motivos	de	direitos	de	transmissão,	é	inegável	que	o	website
perderá	audiência	para	o	concorrente.	Para	suprir	esta	dificuldade,	há	cada	vez
mais	a	inserção	de	vídeos	com	temas	relacionados	direta	ou	indiretamente,	como
demonstrado	nas	matérias	sobre	as	partidas	da	Copa	do	Mundo.	É	possível
também	perceber	como,	vez	ou	outra,	via	galerias	de	imagens	(quase)	em
movimento,	infográficos	e	outros	recursos,	busca-se,	com	sofreguidão,	substituir
a	eventual	ausência	de	vídeos.	Após	detectar	este	fato,	surge	o	questionamento:	o
texto	complementa	o	vídeo	ou	o	vídeo	complementa	o	texto?
A	opção	“expandir	crônica”	do	GloboEsporte.com	deixa	evidente	como	o	texto
não	é	mais	a	prioridade	para	o	leitor.	Assistir	aos	vídeos	e	ler	os	primeiros
parágrafos,	com	as	informações	principais,	já	satisfaz	grande	parte	do	público.	O
UOL,	maior	portal	de	notícias	do	Brasil,	adicionou,	recentemente,	o	botão	“ler
matéria	completa”,	nos	moldes	do	GloboEsporte.	Um	forte	indício	de	como,
cada	vez	menos,	o	texto	precisa	ser	extenso	e	completo,	principalmente	quando
há	uma	reportagem	em	vídeo	inclusa.
Como	parte	da	pesquisa	para	compreender	melhor	este	acontecimento,	observei
que	o	website	da	ESPN	americana	adiciona	vídeos	praticamente	em	todas	as
suas	reportagens.	São	os	melhores	momentos	das	partidas,	entrevistas,
comentários,	trechos	de	programas	com	análises	ou,	simplesmente,	lances	do
jogo	mais	recente,	com	um	detalhe	importante:	o	vídeo	abre	automaticamente,
sem	a	necessidade	de	apertar	o	play.	Logo	que	a	página	abre,	o	vídeo	inicia-se
sozinho.	Ou	seja,	o	leitor	é	impactado	pelo	vídeo	assim	que	abre	a	matéria.	A
interpretação	possível	da	empresa	é	que	o	usuário	clica	na	matéria	para	assistir	à
filmagem.	A	opção	inicial	é	de	parar,	dar	pause,	e	não	o	start,	como	na	maioria
dos	casos.
O	portal	digital	do	canal	americano	Fox	Sports	também	trabalha	com	a	inserção
de	vídeos	em	quase	todas	as	suas	reportagens.	Não	é	igual	ao	ESPN.com.br,	que
coloca	em	todo	o	conteúdo	produzido,	mas	a	grande	maioria	conta	com	as
filmagens,	com	trechos	de	programa,	jogadas	e	outras	imagens	para	entreter	o
público.	É	uma	tendência	que	deve	atingir	o	mercado	on-line	brasileiro,	em	que
os	vídeos	ganham	cada	vez	mais	importância	no	cenário	atual.
Em	entrevista	para	este	autor,	o	editor	do	ESPN.com.br,	Ricardo	Zanei,	confirma
que	tem,	como	referência,	o	portal	da	parceira	americana	e	que	a	direção	da
produção	do	jornalismo	praticado	pelo	veículo	aponta	para	o	mesmo	rumo	da
emissora	dos	Estados	Unidos.	A	versão	brasileira,	que	já	contém	uma	seção
exclusiva	para	vídeos,	deve	ficar	ainda	maior	neste	aspecto:
É	um	caminho	que	tendemos	a	ir.	Em	breve,	teremos	uma	área	de	vídeo	muito
maior	no	nosso	site,	mas	ainda	não	sei	se	o	vídeo	é	tão	importante	quanto	o
texto.	A	gente	vai	ter	mais	esse	caminho	da	ESPN,	por	ser	essa	indicação	global,
mas	acho	que	existem	momentos	que	o	vídeo	por	si	só	fala	muito	melhor,	conta
muito	melhor	que	um	texto.	Mas	o	vídeo	pode	ser	um	complemento	do	texto,
que,	para	mim,	ainda	é	o	principal.	Assim	como	acho	que	esses	vídeos	que
contam	toda	a	história,	podem	ter	um	ou	dois	parágrafos	como	uma	espécie	de
legenda.	Mas,	respondendo	sua	pergunta	objetivamente,	ainda	não	tenho	uma
resposta	(se	o	vídeo	complementa	o	texto	ou	texto	complementa	o	vídeo).	Acho
que	o	vídeo	tem	muitos	momentos	em	que	é	o	mais	importante	que	o	texto,	e	o
texto	é	mais	importante	que	o	vídeo.
Percebe-se	nesta	entrevista	que	se	trata	ainda	de	um	fenômeno	bastante	recente,
mas	podemos	ter	a	certeza	de	que	o	vídeo	ganha	cada	vez	mais	força.	Os	portais
internacionais	já	dão	um	foco	cada	vez	maior	para	os	vídeos,	enquanto	os
nacionais	pretendem	ampliar	este	setor.	É	possível	encontrar	reportagens	em	que
o	texto	é	um	mero	complemento,	com	apenas	um	lide	bem	informativo	e
resumido,	quase	como	se	fosse	uma	legenda	estendida,	um	apêndice.
A	relação	entre	texto	e	vídeo	é	diferente	dependendo	do	tipo	de	notícia.	Não	é
necessário	desenvolver	um	texto	bom,	se	já	existe	uma	vídeo-reportagem	que
reúne	todas	as	informações	de	forma	clara,	concisa	e	didática.	No	entanto,	se	é
um	vídeo	amador,	com	uma	resolução	de	baixa	qualidade,	a	explicação	textual	se
mostra	necessária.	É	o	caso	também	se	o	veículo	de	comunicação	não	possui	os
direitosde	transmissão,	tendo	que	usar	uma	filmagem	amadora	ou	até	mesmo
estar	impossibilitado	de	publicar	qualquer	vídeo,	dependendo	apenas	das
palavras.	É	o	exemplo	de	ocasião	em	que	o	texto	complementa	o	vídeo	e	até
torna-se	mais	importante	que	a	própria	imagem,	uma	vez	que,	sem	o	texto,	o
leitor	não	iria	conseguir	compreender	todo	o	conteúdo.	Portanto,	a	dependência
varia	de	um	caso	para	o	outro.
Capítulo	2
AS	TÉCNICAS	DE	REPRODUÇÃO	E	O	ESPETÁCULO	NO
JORNALISMO	ESPORTIVO	NA	INTERNET
2.1.	O	Calendário	Esportivo	e	as	Pautas	no	Jornalismo
Um	dos	maiores	benefícios	que	a	internet	trouxe	para	o	mundo	do	jornalismo	foi
a	não	preocupação	com	o	limite	do	espaço	físico	para	o	registro	de	matérias.
Diferente	dos	cadernos	impressos,	o	website	tem	a	vantagem	de	publicar	quantas
notícias	se	mostrarem	necessárias.	São	inúmeras	seções	que	facilitam	o	leitor	a
procurar	aquilo	que	lhe	interessa.	Pelo	fato	de	o	volume	de	notícias	ser
gigantesco,	é	preciso	dividir	o	portal	em	temas	para	torná-lo	minimamente
organizado.
A	demanda	de	conteúdo	nos	sites	especializados	em	esportes	é	enorme,	e	todo
veículo	de	comunicação	expressivo	procura	ao	menos	registrar	tudo	que
acontece	no	meio.	É	uma	das	obrigações	do	jornal.	Mesmo	que	o	portal	não	dê
muito	destaque,	é	importante	ter	a	matéria,	ainda	que	redigida	de	maneira
simples	para	atrair	os	diversos	nichos	de	leitores	que	o	meio	esportivo
proporciona.
O	futebol,	por	motivos	óbvios,	é	o	que	atrai	a	maior	audiência	e	corresponde	a
aproximadamente	80%	a	90%	do	conteúdo	produzido	pelos	sites	esportivos.	Ou
seja,	a	imensa	maioria	das	reportagens	publicadas	é	sobre	futebol.	Um	número
que	chega	a	ser	espantoso	e	que,	definitivamente,	reflete	nas	reuniões	de	pautas.
O	foco	é	o	futebol	e	com	certa	justiça.	No	entanto,	o	que	esta	pesquisa	pretende
mostrar	neste	capítulo	é	como	a	obsessão	pelo	esporte	mais	popular	do	planeta
influencia	negativamente	nas	pautas	jornalísticas.
O	calendário	futebolístico	brasileiro	concentra	seus	jogos	duas	vezes	por
semana,	geralmente	as	quartas	e	aos	domingos.	Nos	dias	que	antecedem	o	duelo,
o	roteiro	de	matérias	preocupa-se	em	cobrir	os	treinos	das	equipes	e	especular	as
escalações.	São	inúmeras	reportagens	sobre	quem	joga	ou	não,	quem	treinou	e	as
variações	táticas	do	técnico,	entre	outras	pautas	similares.	Já	não	é	mais
novidade	a	possibilidade	de	assistir	aos	treinos	ao	vivo	tanto	pela	TV	quanto	on-
line,	na	tela	de	computadores,	tablets	ou	celulares.	Se	não	é	possível	transmitir,
há	a	narração	em	tempo	real	por	escrito	com	pequenas	informações	de	minuto	a
minuto	sobre	tudo	que	acontece.
No	dia	da	partida,	todo	o	esforço	se	centra	no	momento	do	confronto,	quando	é
feito	o	relato	do	jogo,	que	detalha	as	ações,	como	gols,	faltas,	lances	importantes
e	atuações	dos	atletas.	Logo	após	o	apito	final,	assim	que	o	texto	é	publicado,
segue-se	para	a	fase	seguinte:	repercussão.	É	momento	de	colher	as	informações
do	pós-jogo,	a	opinião	de	especialistas,	o	impacto	do	resultado	nos	torcedores,	as
entrevistas	dos	jogadores	e,	assim,	já	preparar	as	matérias	novamente	sobre	o
próximo	duelo.	Esta	é,	de	maneira	resumida,	a	rotina	do	jornalista	que	cobre	o
futebol	diariamente.
O	professor	e	jornalista	Celso	Unzelte	define	esta	agenda	como	agenda	da	mídia.
Segundo	ele,	em	entrevista	ao	autor,	a	receita	ideal	é	encontrar	o	equilíbrio	entre
o	hard	news	e	as	reportagens	investigativas	ou	memórias	do	esporte,	para
também	surpreender	o	leitor.	Ele	comenta	que,	para	se	conseguir	fazer	isso,	é
necessário	investimento,	e	muitos	veículos,	no	entanto,	não	estão	dispostos	a
gastar	para	isso.
É	a	tal	da	agenda	da	mídia.	A	gente	tem	que	dar	para	o	leitor	aquilo	que	ele
espera,	mas	também	surpreendê-lo.	O	consumidor	de	notícias	do	esporte	é	muito
conservador.	Mesmo	no	tempo	da	Placar,	algumas	coisas	tinham	que	ter,	como
tabelas,	fichas	técnicas,	a	cobertura	dos	jogos	em	si.	Isso	é	parte	de	uma	receita.
Há	espaço	para	uma	reportagem	investigativa,	projeto	de	memória.	Há	espaço
para	abordagens	diferentes,	agora	é	difícil.	Realmente	no	esporte	é	difícil	fazer
algo	diferente	do	que	o	cara	quer	saber,	quem	fez	os	gols,	quem	jogou,	frase	do
técnico,	provocações.	Isso	é	algo	que	leitor	de	esporte	já	espera.	O	ideal	é
equilibrar	essa	receita.	Dar	o	que	o	cara	quer,	mas	também	surpreendê-lo.	Mas
dar	além	do	mesmo	requer	um	investimento.
Pode-se	dizer	que	há	certos	vícios	no	jornalismo	esportivo	que	são	prejudiciais
para	a	sua	produção.	Uma	reportagem	investigativa,	por	exemplo,	pode	acarretar
em	vários	desdobramentos,	mas	não	há	interesse	em	continuar	a	desvendar	o
problema	se	não	há	o	retorno	em	audiência.	Além	da	sociedade,	quem	perde	é	o
próprio	jornalismo	esportivo,	que	prefere	se	manter	naquilo	que	já	garante	um
número	significativo	de	retorno,	em	vez	de	oferecer	novos	produtos	e
conscientizar	os	leitores	sobre	a	importância	da	nova	pauta.
Todos	os	portais,	no	geral,	trabalham	dessa	maneira,	pois	de	certo	modo	são
reféns	do	calendário	e	não	há	como	fugir	do	mecanismo.	Este	é	um	dos	motivos
de	se	encontrar	reportagens	bastante	parecidas	em	outros	websites.	Existe
também	mais	uma	razão	importante	que	contribui	para	a	similaridade	de	pautas
entre	concorrentes:	as	coletivas	de	imprensa.
Os	atletas	que	atingem	o	sucesso	na	profissão,	em	especial	os	jogadores	de
futebol,	se	tornam	e	se	comportam	como	celebridades.	Conseguir	uma	entrevista
exclusiva	é	algo	para	poucos	privilegiados	jornalistas.	Aqui,	podemos	colocar
uma	parcela	de	responsabilidade	nos	clubes,	que	protegem	seus	atletas	como	se
fossem	intocáveis	e	até	os	proíbem	de	participar	de	reportagens	para	os	jornais.
Para	resolver	este	problema,	a	solução	encontrada	é	a	coletiva	de	imprensa,	em
que	se	reúne	o	maior	número	de	repórteres	de	diferentes	veículos	de
comunicação	e	coloca-se	o	jogador	disponível	para	a	entrevista.	Todos	têm	o
direito	de	reproduzir	as	respostas.	A	pergunta	de	um	repórter	vale	para	todos	os
outros.	A	resposta	do	jogador	é	transmitida	a	todos	os	canais	e	em	todas	as
plataformas.	Não	existe	exclusividade	nas	coletivas	de	imprensa.	É	para	poupar
o	estresse	de	expor	vários	atletas	às	entrevistas	e	estes	ficarem	sujeitos	a
possíveis	polêmicas.	Este	é	um	dos	grandes	–	talvez	o	principal	–	motivos	para
se	encontrar	as	mesmas	pautas	em	quase	todos	os	portais	de	esporte.	Com	as
redes	sociais	digitais,	algumas	coletivas	são	transmitidas	on-line	e	o	simples
torcedor	tem	acesso	ao	mesmo	conteúdo	dos	jornalistas.
Em	paralelo	ao	futebol	–	tanto	nacional	quanto	internacional	–	outros	esportes
acontecem	simultaneamente	e	exigem	uma	cobertura	da	mídia.	Para	se	ter	uma
leve	percepção	da	demanda,	o	site	GazetaEsportiva.net	possui	onze	seções
destinadas	somente	as	outras	modalidades,	como,	entre	outras,	basquete,	vôlei	e
atletismo.	Para	melhor	exemplificar	a	quantidade	de	conteúdo,	utilizo	o	tênis.	A
modalidade	teve,	ao	menos,	66	torneios	profissionais	na	categoria	masculino	no
ano	de	2015,	fora	os	campeonatos	femininos	e	outros	eventos	considerados	de
menor	importância	pela	mídia.	A	temporada	começa	já	no	primeiro	dia	de
janeiro	e	se	estende	até	o	fim	de	novembro.	São	competições	em	que	participam
nomes	como	o	do	suíço	Roger	Federer,	o	sérvio	Novak	Djokovic	e	o	espanhol
Rafael	Nadal.	Não	existe	a	possibilidade	de	deixar	de	fora	os	resultados	destes
tenistas	nos	noticiários	esportivos.	São	fenômenos	que	atraem	os	olhares	dos
amantes	do	esporte	e	envolvem	bastante	dinheiro	no	circuito,	mesmo	que	o	tênis
tenha	um	alcance	muito	menor	que	o	do	futebol.
O	GloboEsporte.com	possui	16	subdivisões,	além	de	uma	home	para	cada	time
de	futebol	e	também	de	lutas.	O	portal	disponibiliza	de	setoristas	que
acompanham	diariamente	os	clubes	da	primeira	e	segunda	divisão	do	futebol
brasileiro,	com	informações	sobre	treinamentos,	bastidores	e	algumas	entrevistas
exclusivas.	Já	é	prática	comum	a	transmissão	dos	treinos	das	principais	equipes,
com	poucos	vídeos	e	pequenos	textos,	quase	que	apenas	citando	o	que	está
acontecendo	no	campo	naquele	exato	momento.	É	uma	diferença	bastante
considerável	em	relação	aos	concorrentes,	já	quetransmite	confiança	aos
seguidores	pelo	fato	de	estarem	presentes	nos	locais	de	reportagens	todos	os
dias.	Há	também	uma	página	específica	para	os	importantes	clubes	europeus,
haja	vista	a	relevância	que	o	futebol	europeu	tem	ganhado	a	cada	dia	no	Brasil.
É	válido	mencionar,	até	pelo	importante	crescimento,	que	o	GloboEsporte.com
possui	uma	homepage	apenas	para	o	seu	jogo	on-line,	Cartola	FC.	O	game
consiste	em	escalar	hipoteticamente	os	jogadores	que	atuarão	na	próxima	rodada
do	Campeonato	Brasileiro,	onde	cada	atleta	receberá	uma	nota	dependendo	da
sua	atuação	em	campo.	O	usuário	precisa	estar	ciente	de	tudo	o	que	acontece	nos
clubes,	pois	precisa	saber	qual	atleta	jogará	no	final	de	semana	a	fim	de	marcar	o
máximo	de	pontos	possível,	já	que	disputa	um	ranking	e	concorre	a	prêmios.	Por
este	motivo,	o	portal	tem	feito	matérias	sobre	quais	são	as	boas	opções	a	serem
escaladas	nos	duelos	futuros,	o	rendimento	de	cada	um,	quem	está	machucado
ou	quem	retornará.	É	uma	maneira	interessante	de	produzir	novos	conteúdos	e
atrair	mais	leitores	para	o	site.
O	ESPN.com.br	é	conhecido	por	noticiar	os	esportes	americanos,	como	NBA	e
NFL,	mas	tem	impressionantes	23	divisões	destinadas	exclusivamente	aos	outros
esportes.	O	portal	se	destaca	por	contar	com	famosos	colunistas	e	textos
opinativos.	A	equipe	de	repórteres	do	site	não	é	suficiente	para	abastecer	todas	as
seções	da	plataforma,	por	isso	o	uso	de	agência	de	notícias,	como	a	Gazeta	Press
e	outras	internacionais,	se	faz	bastante	necessário.	Além	de	utilizar	matérias	da
TV	ESPN,	o	portal	também	tem	seus	próprios	programas	produzidos
exclusivamente	para	o	site,	em	vídeos.
De	acordo	com	o	editor	do	portal,	Ricardo	Zanei,	cerca	de	85%	das	reportagens
produzidas	são	relacionadas	ao	futebol.	Ele	ainda	explica	que	grande	parte	deste
fato	deve-se	à	fama	que	a	TV	ESPN	tem	em	transmitir	todos	os	campeonatos
internacionais.	Zanei	ainda	aponta	para	um	dado	interessante:	a	quantidade	de
matérias	sobre	futebol	nacional	é	inferior	ao	conteúdo	de	futebol	internacional.
Em	entrevista	ao	autor,	ele	diz:
Quando	entrei	na	ESPN,	no	dia	8	de	outubro	de	2012,	algo	entre	92	e	95%	do
conteúdo	do	site	era	relacionado	ao	futebol,	tanto	nacional	quanto	internacional.
Destes	95%,	uns	60%	era	futebol	internacional	e	uns	35%	de	futebol	nacional.
Nós	temos	esse	compromisso	pesado	de	futebol	internacional	pela	identificação
da	ESPN	como	um	canal	de	transmissões	de	futebol	internacional.	A	ESPN	tem
os	direitos	de	todas	as	ligas,	menos	a	Champions	League.	A	gente	passa
inúmeros	jogos	de	todos	os	campeonatos	na	ESPN	e	isso	reflete	no	conteúdo	que
nós	temos	que	produzir.	Hoje,	gira	em	torno	de	85%	de	conteúdo	de	futebol.
Temos	outras	frentes	como	NBA,	NFL,	a	gente	ataca	de	forma	tímida	os	esportes
olímpicos,	por	ter	os	direitos	de	transmissão	de	Olimpíadas.	Tem	outros	nichos
que	não	representamos	muito	bem.	Hoje,	eu	diria	que	o	futebol	corresponde
entre	82	e	85%	do	site,	mas	também	tem	um	lance	sazonal.	Agora	com	a	NFL,
NBA	(em	andamento),	pode	até	reduzir	aos	80%	porque	estes	esportes	ganham
bastante	espaço.
Além	de	observar	a	quantidade	de	matérias	com	o	tema	futebol	que	é	produzida,
chega	a	ser	curioso	que	assuntos	como	o	futebol	americano	(NFL)	e	o	basquete
americano	(NBA)	ganhem	tamanha	relevância.	Ainda	mais	quando	se	fala	de
futebol	americano,	em	que	as	regras	são	desconhecidas	da	maioria	dos
brasileiros.	É	surpreendente	como	isto	influencia,	mesmo	que	modestamente,	na
criação	de	pautas,	ganhando	até	mais	espaço	do	que	os	esportes	olímpicos,	que
estão	a	poucos	meses	de	ser	o	foco	principal,	nos	Jogos	Olímpicos	de	2016	do
Rio	de	Janeiro.	Claramente,	é	uma	proposta	da	empresa	ESPN	que	tem	dado
certo.
A	página	virtual	da	Folha	de	S.Paulo	possui	15	subdivisões	no	Caderno	de
Esportes	digital,	mas	com	diferenças	significativas	em	relação	aos	sites	citados
anteriormente.	Embora	publique	notícias	dos	principais	jogos	internacionais,	a
página	não	possui	uma	seção	exclusiva	para	futebol	europeu,	como	os
concorrentes.	Além	de	o	foco	ser	muito	maior	no	esporte	nacional,	o	que	mais
desperta	atenção	é	a	presença	de	seções	intituladas	de	“Corrupção	no	Futebol”,
“Desemprego	no	Futebol”,	“Rio	2016”	e	“Tudo	Sobre	o	Rio	em	Transformação”.
Estes	temas	vão	além	do	esporte	como	uma	simples	competição,	eles	envolvem
questões	sobre	lavagem	de	dinheiro,	comissões	irregulares	em	transações
milionárias	e,	claro,	questões	sociais	que	impactam	fortemente	a	sociedade,
como	o	assunto	do	desemprego	e	as	transformações	que	a	cidade	do	Rio	de
Janeiro	vem	sofrendo	para	receber	as	Olimpíadas	de	2016.	A	escolha	destes
tópicos	reforça	o	caráter	de	ir	adiante	do	esporte	praticado,	reflete	uma	postura
mais	séria	e	de	cunho	social	do	jornalismo	praticado	por	este	veículo	de
comunicação.
Após	observar	a	estrutura	de	cada	site,	constatei	que	a	todo	instante	novas
matérias	são	publicadas	nos	portais	eletrônicos.	A	necessidade	de	se	ter	um
website	completo,	com	notícias	sobre	as	mais	diversas	modalidades,	é	um
desafio	constante	para	repórteres	e	editores.	Embora	a	enorme	quantidade	de
trabalho	seja	evidente,	os	veículos	possuem	equipes	relativamente	pequenas	para
abordar	todos	os	assuntos,	visto	que	muitos	deles	se	encontram	com	dificuldades
financeiras	e	seria	necessário	montar	uma	redação	gigantesca	para	conseguir
cobrir	o	cenário	esportivo	por	completo.	Com	tantas	obrigações	a	serem
cumpridas	e	novidades	a	serem	registradas,	a	produção	do	jornalismo	esportivo
na	internet	procura	apoio	na	relação	com	as	agências	de	notícias,	que	possuem
um	papel	indispensável	e	praticamente	obrigatório	para	os	jornais	digitais,	como
mostrarei	no	item	a	seguir.
2.2.	Reprodução	de	Notícias
A	reprodução	de	produtos	está	longe	de	ser	algo	inovador	ou	fora	do	comum	no
mundo	capitalista.	Isto	acontece	também	com	serviços.	As	empresas	procuram
estar	próximas	à	concorrência	com	produtos	ou	serviços	similares	para	não
perderem	em	participação	de	mercado.	Essa	lógica	cabe	perfeitamente	ao	mundo
da	comunicação.	Um	jornal	jamais	deixará	de	publicar	uma	notícia	polêmica	ou
um	assunto	relevante,	mesmo	que	o	furo	tenha	sido	do	veículo	concorrente.	Já
Walter	Benjamin	chamava,	em	seu	tempo,	a	atenção	para	a	dinâmica	desses
processos:
A	obra	de	arte,	por	princípio,	foi	sempre	suscetível	de	reprodução.	O	que	alguns
homens	fizeram	podia	ser	refeito	por	outros.	Assistiu-se,	em	todos	os	tempos,	a
discípulos	copiarem	obras	de	arte,	a	título	de	exercício,	os	mestres	reproduzirem-
nas	a	fim	de	garantir	a	sua	difusão	e	os	falsários	imitá-las	com	o	fim	de	extrair
proveito	material	(BENJAMIN,	1975,	p.	11).
Ao	aplicar	seu	conceito	às	obras	de	arte,	o	pensador	alemão	deixa	claro	que	todo
produto	está	sujeito	à	reprodução.	Não	importa	quem	é	o	idealizador,	a	peça	será
refeita	por	outros	profissionais	em	algum	momento.	A	reprodução	está	presente
em	todos	os	níveis	de	hierarquia	na	sociedade	capitalista,	e	é	através	dessa
duplicação	que	os	produtos	e	serviços,	na	visão	de	Benjamin,	acabam	por	atingir
todas	as	camadas	sociais.	Este	é	um	dos	pontos	positivos,	segundo	o	autor,	uma
espécie	de	democratização	dos	produtos	da	indústria	cultural,	e	é	inegável	que
seja.	Quanto	maior	o	número	de	pessoas	impactadas	por	novos	conhecimentos	e
informações,	muito	melhor	será	para	a	sociedade	e	também	para	a	empresa
criadora,	que	verá	um	alcance	e	um	campo	muito	amplo	para	explorar	seu
comércio.
Já	na	comunicação,	em	especial	no	jornalismo	esportivo,	a	reprodução	de
conteúdo	tornou-se	muito	comum,	e	a	internet	colaborou	para	a	propagação
dessa	técnica.	Se	tal	website	divulga	uma	reportagem	forte	e	que	pode	acarretar
consequências	no	meio	futebolístico,	por	exemplo,	em	poucos	minutos	os
concorrentes	também	reproduzirão	a	nota,	e	nem	sempre	com	os	devidos
créditos,	por	mais	antiético	que	isto	seja.	A	tecnologia	permite	a	atualização
constante	dos	fatos	e,	logo	depois	desta	etapa,	começa	a	corrida	pelos	furos	do
desdobramento	da	manchete	principal.	É	a	multiplicação	da	reprodução.	Nessa
linha	de	pensamento,	faço	o	uso	novamente	de	Benjamin,	que	afirma:
Com	o	advento	doséculo	XX,	as	técnicas	de	reprodução	atingiram	tal	nível	que,
em	decorrência,	ficaram	em	condições	não	apenas	de	se	dedicar	a	todas	as	obras
de	arte	do	passado	e	de	modificar	de	modo	bem	profundo	os	seus	meios	de
influência,	mas	de	elas	próprias	se	imporem,	como	formas	originais	de	arte
(BENJAMIN,	1975,	p.	12).
É	um	cenário	corriqueiro	no	jornalismo	esportivo	na	internet	–	a	busca	pelo	furo,
pela	informação	privilegiada,	a	reportagem	mais	completa	–,	é	quase	uma
obsessão	e	gera	inúmeras	notícias	sobre	o	mesmo	tema.	Algumas	são
superficiais	e	colocadas	no	ar	somente	para	gerar	volume	ou	para	demonstrar	aos
leitores	que	uma	determinada	informação	do	concorrente	também	está	presente
no	site.
A	enxurrada	de	conteúdo	sobre	o	assunto	gera	uma	confusão	para	os
consumidores.	Em	um	primeiro	momento,	o	jornalista	responsável	pela
mensagem	principal	se	perde	no	meio	do	caos	de	notícias	e,	sem	os	devidos
créditos,	vê	o	seu	trabalho	e	esforço	serem	desvalorizados	ou	superados	por	mais
de	um	repórter,	que	não	teve	nem	a	metade	do	empenho	para	averiguar	novos
fatos.	Segundos	após,	algumas	matérias	se	contradizem	em	relação	ao	tema,	com
informações	desencontradas.	Isto	é	frequente	no	esporte,	uma	vez	que	as
especulações	sobre	as	contratações	de	jogadores	acontecem	ao	longo	de	todo	o
ano.	E,	ainda	sem	a	devida	apuração,	há	a	reprodução	de	muitas	notícias	sem
fundamento.	Benjamin	já	questionava	a	desvalorização	da	obra	de	arte	por	parte
das	técnicas	de	reprodução	e	ainda	chamava	a	atenção	para	a	perda	de
autenticidade	da	obra,	como	vemos	no	trecho	a	seguir:
Pode	ser	que	as	novas	condições	assim	criadas	pelas	técnicas	de	reprodução,	em
paralelo,	deixem	intacto	o	conteúdo	da	obra	de	arte;	mas,	de	qualquer	maneira,
desvalorizam	seu	hic	et	nunc.	Acontece	o	mesmo,	sem	dúvidas,	com	outras
coisas	além	da	obra	de	arte,	por	exemplo,	com	a	paisagem	representada	na
película	cinematográfica;	porém,	quando	se	trata	da	obra	de	arte,	tal
desvalorização	atinge-a	no	ponto	mais	sensível,	onde	ela	é	vulnerável	como	não
são	os	objetos	naturais:	em	sua	autenticidade	(BENJAMIN,	1975,	p.	13-14).
No	caso	das	obras	de	arte,	de	que	trata	Benjamin,	o	artista	vê	seu	produto
desqualificado	por	conta	da	multiplicação	de	sua	reprodução	ou	propagação.	O
autor	ainda	utiliza	como	exemplo	as	paisagens	do	cinema,	e	neste	campo
podemos	fazer	uma	menção	às	imagens	no	âmbito	jornalístico.	O	fotógrafo
registra	o	momento	de	uma	partida,	disponibiliza	as	imagens	nas	agências	ou	site
pessoal	e,	em	questão	de	minutos,	a	foto	está	em	todos	os	portais	e	capas	de
jornais.	Obviamente,	este	é	o	trabalho	do	profissional	de	fotografia,	mas	vale	a
menção	às	redes	sociais	digitais	como	forma	de	reprodução.	A	imagem	é
compartilhada	por	milhões	de	usuários,	quase	sempre	sem	os	créditos	e	muito
menos	com	o	pagamento	dos	direitos	autorais.	O	mesmo	acontece	com	as
notícias.	Os	próprios	veículos	de	comunicação,	entretanto,	divulgam	esses
conteúdos	em	suas	redes	oficiais	eletrônicas	e	colaboram	para	a	disseminação	da
informação.	É	claro	que	é	mais	um	meio,	corretamente	utilizado,	para	se
aproximar	do	leitor,	mas	é	importante	observar	que	no	Facebook,	por	exemplo,	o
sucesso	de	uma	publicação	é	medida	pela	quantidade	de	compartilhamentos	da
matéria,	ou	seja,	mais	uma	ferramenta	de	reprodução.
Para	dar	uma	breve	noção	da	importância	das	redes	sociais	digitais	para	os
websites,	basta	citar	o	que	acontece	com	o	ESPN.com.br,	de	acordo	com
informações	prestadas	pelo	editor	Ricardo	Zanei,	em	entrevista	a	este
pesquisador:	cerca	de	60%	da	audiência	do	site	tem	origem	através	do	Google	e
Facebook,	aproximadamente	30%	para	cada.	Já	o	Twitter,	rede	de	menor
expressão,	atrai,	em	média,	6%,	podendo	chegar	até	10%,	dependendo	da
matéria.¹⁵	E	é	válido	lembrar	que	cada	plataforma	possui	uma	ferramenta	para
compartilhar	e	reproduzir	conteúdo,	o	que	pode	elevar	ainda	mais	estes	números.
O	jornalismo	na	internet	apresenta	diversas	técnicas	de	multiplicação,	como
apontado.	Algumas	são	mais	efetivas,	outras	menos,	mas	todas	com	a	função
principal	de	elevar	os	números	de	audiência	do	veículo.	Para	se	ter	um	portal
eletrônico	esportivo	completo	que	cubra	hard	news,	porém,	é	quase	impossível
não	estabelecer	uma	relação	com	as	agências	de	notícias,	assunto	que
aprofundarei	no	item	a	seguir.
2.2.1.	Agências	de	Notícias
As	agências	de	notícias	têm	um	papel	fundamental	na	produção	do	jornalismo
esportivo	na	internet.	Elas	são	responsáveis	por	produzir	uma	multiplicidade	de
conteúdos	e	disponibilizá-los	para	seus	clientes.	São	notícias,	imagens,
fotografias	do	dia	e	acervos,	entre	outros	serviços.	A	Gazeta	Press,	uma	das
maiores	do	Estado	de	São	Paulo,	voltada	para	o	esporte,	além	dos	produtos	já
citados,	oferece	charges,	infográficos,	tabelas	de	campeonatos,	curiosidades,
comentários	em	tempo	real	e	até	entrevistas	e	reportagens	especiais.
Uma	das	empresas	pioneiras	no	ramo	da	comunicação	no	Brasil,	o	Estado	de
S.Paulo,	por	meio	de	sua	a	Agência	Estado,	têm	em	seu	leque	de	serviços,
informações	e	dados	não	apenas	no	campo	dos	esportes,	mas	em	quase	todas	as
áreas	sociais,	com	foco	especial	no	setor	econômico.	Oferece	acervo	de	fotos,
notícias,	inclusive	um	tipo	de	software	com	transmissão	em	tempo	real	das
novidades	e	matérias	do	mercado	financeiro.	No	próprio	website,	a	empresa
afirma	ter	mais	de	12	mil	usuários	em	base	no	AE	Broadcast,	nome	do	software
desenvolvido.	Como	mais	um	diferencial:	também	oferece	a	criação	de	eventos
para	a	discussão	de	temas	relevantes	para	a	sociedade.	Ou	seja,	vai	além	do
virtual.
Em	um	período	de	desconfianças	sobre	o	futuro	do	jornalismo	e	de	intenso
debate	sobre	como	torná-lo	mais	rentável,	Unzelte	aponta	as	agências	de	notícias
como	um	dos	últimos	redutos	de	negócios	lucrativos	para	os	veículos	de
comunicação.	Em	entrevista	ao	autor,	ele	diz	que:
As	agências	de	notícias	são,	inclusive,	o	último	reduto	de	negócios,	como,	por
exemplo,	o	Estadão.	Eu	acho	que	é	mais	fácil	acabar	a	versão	impressa	do	jornal
O	Estado	de	São	Paulo	do	que	a	agência	de	notícias.	Agência	de	notícias	ainda	é
um	escoadouro	de	negócios,	seja	para	o	impresso	ou	não.	Elas	também	vendem
notícias	para	os	impressos.	Mas	eu	acho	que	elas	ainda	terão	uma	sobrevida	que
o	impresso	não	terá.
As	agências	de	notícias	têm	buscado	novas	alternativas	para	satisfazer	seus
clientes.	O	próprio	software	é	um	exemplo	disso.	Já	o	jornal	impresso	encontra
enormes	dificuldades	financeiras,	tanto	que	o	Caderno	de	Esportes	do	jornal	o
Estado	de	S.Paulo	encerrou	as	atividades	nos	dias	da	semana,	aparecendo	apenas
aos	domingos.	Na	página	virtual,	entretanto,	a	seção	continua.
O	papel	das	empresas	que	distribuem	e	vendem	informações	é	imprescindível.
Grandes	sites,	como	ESPN.com.br	e	Terra.com.br,	são	abastecidos	por	agências
e	evidenciam	a	importância	delas	na	questão	de	suprir	as	demandas.	Há	alguns
lados	negativos,	sob	o	ponto	de	vista	jornalístico,	no	entanto.	Quanto	mais	os
portais	se	tornam	dependentes	dessas	empresas,	mais	matérias	similares	(ou	até
iguais)	sobre	o	mesmo	assunto	aparecem.	Ou	seja,	contribui	para	a	similaridade
de	pautas,	uma	espécie	de	culto	à	mesmice.	Grande	parte	destas	notícias	é
conhecida	como	commodities.	É	uma	matéria	razoavelmente	superficial,	que
contém	uma	informação	de	certo	ponto	relevante,	mas	não	o	suficiente	para	ser	o
grande	destaque	de	um	portal.
A	matéria	intitulada	“Novatos	do	São	Paulo	se	dizem	prontos	para	enfrentar	o
Atlético-PR”,	por	exemplo,	pode	ser	encontrada	exatamente	igual	no
ESPN.com.br	e	no	Terra.com.br.	Ambas	pertencem	à	Gazeta	Press	e	ocupam	um
dos	destaques	na	seção	dedicada	para	o	São	Paulo	Futebol	Clube.	O	interessante
a	ser	analisado	é	a	parte	do	texto.	A	única	intervenção,	em	termos	de	edição,
ocorre	nas	imagens	e	nos	vídeos.	O	portal	ESPN,	como	forma	de	enriquecer	e
diferenciar	a	nota,	coloca	junto	um	vídeo	com	a	entrevista	coletiva	dos	dois
atletas	da	equipe.	Já	o	Terra.com.br	não	faz	nenhuma	alteração:	apenas	reproduz
a	nota	tal	como	a	recebeu.
IMAGEM	17	-	As	matérias	dos	portais	ESPN,	à	esquerda,	e	do	Terra,	à	direita,
sobreo	mesmo	assunto	e	mesmo	texto.	O	vídeo	as	diferencia¹
O	episódio	comentado	anteriormente	não	deixa	de	ser	algo	muito	algo	trivial
atualmente.	Todos	os	dias	o	leitor	se	depara	com	conteúdos	semelhantes	ou
iguais	em	várias	plataformas	digitais.	Ele	já	se	acostuma	com	aquilo	que	é
corriqueiro,	com	o	que	lhe	é	oferecido	constantemente.	Ao	experimentar	o	novo,
ou	ao	se	deparar	com	a	tentativa	de	surpreendê-lo,	pode	adotar	uma	postura	mais
crítica.	Benjamin	traz	esta	ideia	ao	afirmar	que	o	espectador	prefere	o	que	é
convencional,	o	que	é	bastante	conhecido	e,	como	consequência,	é	mais	fácil	de
ser	apreciado.	O	filósofo	alemão	diz:
As	técnicas	de	reprodução	aplicadas	à	obra	de	arte	modificam	a	atitude	da	massa
com	relação	à	arte.	Muito	retrógrada	face	a	um	Picasso,	essa	massa	torna-se
bastante	progressista	diante	de	um	Chaplin,	por	exemplo.	O	caráter	de	um
comportamento	progressista	cinge-se	a	que	o	prazer	do	espectador	e	a
correspondente	experiência	vivida	ligam-se,	de	maneira	direta	e	íntima,	à	atitude
do	aficionado.	Essa	ligação	tem	uma	determinada	importância	social.	Na	medida
em	que	diminui	a	significação	social	de	uma	arte,	assiste-se,	no	público,	a	um
divórcio	crescente	entre	o	espírito	crítico	e	o	sentimento	de	fruição.	Desfruta-se
do	que	é	convencional,	sem	criticá-lo;	o	que	é	verdadeiramente	novo	critica-se	a
contragosto	(BENJAMIN,	1975,	p.	27).
O	pensamento	de	Benjamin	ajuda	a	entender	o	comportamento	ou	a	agenda	da
mídia	na	reprodução.	Ao	comparar	Picasso	com	Chaplin,	o	autor	reforça	como	a
população	reage	de	forma	diferente	ao	experimentar	a	novidade.	É	cômodo
continuar	a	produzir	o	que	já	dá	certo	resultado.	O	conceito	é	aplicável	ao
jornalismo	esportivo	na	internet.	O	meio	ocupa-se	em	dar	o	que	o	leitor	já	espera
receber	e	encontra	rejeição	no	momento	de	inovar.
Paralelo	às	sugestões	de	pautas,	levantei	mais	um	quesito	na	relação	entre	o
jornalismo	esportivo	e	a	reprodução	de	notícias.	Conforme	visto	nas	reportagens
iguais	nos	site	Terra.com.br	e	ESPN.com.br,	o	trabalho	do	jornalista	começa	a
ser	desvalorizado.	A	partir	do	momento	em	que	apenas	se	recebe	o	conteúdo	e	o
publica,	sem	ao	menos	editar	ou	até	revisar,	perde-se	a	essência	da	profissão.
Não	à	toa,	a	agência	norte-americana	Associated	Press	começou	a	desenvolver
softwares	para	elaborar	textos	na	sua	cobertura	esportiva.	A	matéria	é	toda
construída	por	uma	espécie	de	tecnologia,	um	“robô”	como	definiu	a	empresa
americana,	e	contém	apenas	as	informações	primordiais,	pois	o	computador	não
tem	a	capacidade	de	observar	uma	partida	e	narrá-la	com	palavras.	Apenas
constrói	com	base	nos	números.	Para	uma	partida	da	NBA,	a	liga	de	basquete
americana,	a	matéria	traria	a	equipe	vencedora,	o	placar,	quem	foi	o	cestinha	e
outros	destaques	do	duelo.
A	AP,	como	é	mundialmente	conhecida,	afirmou	que	um	dos	motivos	para	esse
projeto	é	o	fato	de	várias	notícias	serem	de	interesse	de	veículos	regionais	e	de
menor	expressão.	Por	isso,	não	seria	economicamente	viável	contratar	mais
jornalistas	para	realizar	essa	função.	O	redator,	portanto,	perde	espaço	no
mercado	para	o	computador,	mesmo	que	o	texto	seja	raso.
A	relação	entre	agência	de	notícias,	jornalistas	e	empresas	não	se	restringe	ao
que	será	publicado.	A	agência	se	mostra	necessária	para	todos	os	portais	que
cobrem	hard	news.	Na	opinião	de	Ricardo	Zanei,	é	praticamente	impossível	ter
um	jornal	que	trabalhe	com	os	commodities	e	que	não	seja	parceiro	de	um
veículo	de	notícias.	Isto	ocorre	principalmente	pelo	fato	de	o	mercado
demonstrar	que	é	cada	vez	menos	viável	manter	uma	redação	grande,	com	vários
profissionais,	enquanto	o	enxugamento	nos	veículos	é	o	que	mais	tem	acontecido
e	se	tornado	comum.	Para	o	editor	do	site	da	ESPN,	no	entanto,	a	reprodução	de
conteúdo	através	das	agências	não	desvaloriza	o	trabalho	do	jornalista.	Ele
enxerga	uma	possibilidade	de	entregar	uma	pauta	melhor	do	que	a	enviada,
principalmente	do	ponto	de	vista	mais	analítico,	e	também	uma	forma	de	tapar
os	buracos	das	atividades	cotidianas	do	mundo	esportivo.	Em	entrevista	ao	autor,
ele	diz:
Acho	importante	as	agências	de	notícias	para	a	produção.	Não	vejo	como
desvalorizar	a	profissão	do	jornalista,	mas	nos	ajuda	na	produção	do	que
chamamos	de	commodities.	Por	exemplo,	em	um	treino	do	São	Paulo	Futebol
Clube.	O	Osório	escala	o	Ganso	de	titular.	Essa	notícia	você	vai	ver	no	ESPN,	no
UOL,	no	GloboEsporte.com,	no	site	do	São	Paulo,	inclusive.	Você	tendo	uma
agência	de	notícias	ela	te	cobre	essas	notícias	mais	comuns.	Ela	consegue	te	dar
um	volume	de	notícias	que	você	precisaria	de	uma	redação	muito	maior	para	ter.
O	ideal,	claro,	é	que	a	gente	produzisse	todo	esse	noticiário,	que	tivesse	essa
redação	gigantesca,	tivesse	10	pessoas	responsáveis	por	clubes	A,	B	e	C.	Mas	o
mercado	nunca	conseguiu	absorver	dessa	forma.	Estou	no	mercado	há	16	anos	e
sempre	teve	buracos.	A	agência	de	notícias	ajuda	a	tampar	esses	buracos	com	as
notícias	do	dia	a	dia.	O	que	eu	acho	que	a	gente	tem	que	prestar	muita	atenção	é
que	se	a	agência	está	dizendo	que	o	Ganso	foi	escalado	pelo	Osório,	o	que	posso
fazer	é	“O	que	isso	significa”?	O	que	muda?	O	que	que	o	time	ganha?	Posso
analisar	essa	notícia,	fazer	algo	muito	mais	aprofundado,	posso	pegar	essa
notícia	e	fazer	algo	mais	analítico	em	cima	dessa	notícia	que	recebo	deles.	Acho
que	isso	pode	ser	um	caminho	de	uso	para	a	agência	de	notícias,	claro	com	os
devidos	créditos	pela	escalação,	mas	você	traz	o	seu	lado	de	análise,	de	visão,
para	compor	aquilo	e	fazer	algo	mais	saboroso	para	o	leitor.	Justamente	como	eu
disse,	você	vai	ver	a	mesma	notícia	em	todos	os	sites	e	precisa	de	um	diferencial.
Para	que	eu	vou	ter	uma	agência	de	notícias	se	todos	os	sites	terão	a	mesma
coisa?	Eu	acho	que	você	tem	que	aproveitar	a	agência	de	uma	maneira
inteligente	e,	claro,	eles	também	fazem	matérias	muito	boas	e	a	gente	usa	na
íntegra.	Não	desvaloriza	a	profissão,	só	que	é	algo	que	tem	que	ser	usado	com
inteligência.
É	claro	que	em	um	cenário	ideal,	sem	a	correria	do	dia	a	dia,	o	correto	é	mesmo
pegar	uma	nota	oriunda	de	uma	agência	e	transformá-la	em	algo	mais
interessante	para	o	leitor.	Analisá-la,	ressaltar	a	importância	daquela	informação
para	determinado	time,	ilustrar	com	números,	valorizar	a	reportagem,	dar
credibilidade.	Porém,	não	é	o	mais	comum.	Refém	da	pressão	para	publicar	o
material	o	mais	rápido	possível,	o	que	mais	acontece	é	o	jornalista	subir	a	nota,
alterando	pouquíssimas	palavras	e	incluindo	uma	foto	ou,	no	máximo,	um	vídeo.
A	matéria	da	Gazeta	Press/GazetaEsportiva.net,	“Mesmo	no	São	Paulo,	Pato
pode	fazer	o	gol	do	hexa	corintiano”,	é	rapidamente	encontrada	em	vários	outros
portais,	como	Yahoo	Esportes,	FoxSports	e	inclusive	no	ESPN.com.br.	Este
último	é	o	único	que	faz	uma	alteração	dentre	os	citados,	tanto	no	título	quanto
no	primeiro	parágrafo,	em	que	corta	algumas	frases	e	deixa	o	texto	mais	enxuto.
Mas	não	há	outras	diferenças,	a	não	ser	a	foto	do	jogador,	em	que	cada	jornal
utiliza	uma	diferente.	Passa-se	a	impressão,	mais	uma	vez,	de	que	vale	uma	nota
publicada,	para	transmitir	a	sensação	de	ter	mais	volume,	do	que	o	conteúdo	em
si.
A	mesma	lógica	da	reprodução	de	notícias	vale	para	os	veículos	que	também
necessitam	das	fotografias	enviadas	por	essas	empresas.	O	processo	é	muito
similar:	basta	apenas	fazer	o	download	da	imagem,	colocar	os	créditos	–	com	o
nome	do	fotógrafo	ou	apenas	o	da	agência	–	e	publicar.	Porém,	como	a
quantidade	de	fotos	é	muito	maior	que	a	de	matérias,	a	repetição	de	uma	mesma
imagem	por	vários	sites	é	menor.	O	fotógrafo	registra	um	momento	diversas
vezes,	e	o	repórter	ou	editor	tem	a	opção	de	escolher	qual	se	encaixa	melhor	ao
texto	e,	em	outros	casos,	pela	orientação	da	empresa	em	que	trabalha.
Infelizmente,	pelos	rumos	que	o	mercado	jornalístico	tem	tomado,	a	dependência
de	agências	de	notícias	é	cada	vez	maior	e	mais	necessária.	Cerca	de	50%	a	60%
do	conteúdo	do	site	da	ESPN	tem	origem	nas	agências.	O	portal	Terra,	após
demitir	80%	de	sua	equipe,	tornou-se	basicamente	um	reprodutor	de	conteúdo.
Um	dos	únicos	que	consegue	fugir	e	se	diferenciaré	o	GloboEsporte.com,	que
não	revelou	quanto	de	sua	produção	tem	origem	em	outras	empresas,	mas	se
destaca	por	ter	uma	redação	maior	que	a	dos	outros	veículos,	o	que	contribui
para	se	ter	uma	quantidade	expressivamente	maior	de	criação	própria.
É	este	um	dos	pontos	em	que	questiono	o	quão	benéfico	é	para	o	jornalismo
esportivo	a	reprodução	de	informação.	Vale	a	pena	ter	o	máximo	de	conteúdo
possível	no	website	ao	mesmo	tempo	em	que,	para	isso,	a	profissão	se	torna	tão
desprestigiada?	É	equivocado	dizer	que	é	a	agência	de	notícias	a	única	fonte	para
esse	modelo	de	reprodução	da	informação	esportiva.	As	assessorias	de	imprensa
também	são	famosas	por	contribuir	com	essa	técnica.
2.2.2.	Assessorias	de	Imprensa
Atualmente	as	assessorias	de	imprensa	se	tornaram	uma	parte	essencial	para	o
funcionamento	do	jornalismo	esportivo.	Essas	empresas	representam	clubes	ou
atletas	para	os	meios	de	comunicação.	Para	um	repórter	conseguir	uma	entrevista
com	tal	jogador	ou	dirigente	é	preciso,	obrigatoriamente,	contatar	o	assessor.	Ou
seja,	nos	dias	de	hoje,	vale	mais	ter	o	contato	do	assessor	do	que	o	do	atleta	a	ser
entrevistado.	Mas	para	esta	pesquisa	abordarei	somente	um	dos	papéis	do
profissional	de	assessoria	e	a	relação	com	a	reprodução	de	notícias.
Por	diversos	motivos,	conseguir	uma	fala	de	esportistas	em	geral,	principalmente
de	jogadores	de	futebol,	se	tornou	algo	bastante	difícil.	Como	solução	e	para
manter	o	cliente	na	mídia,	o	assessor	escreve	um	texto	–	o	press-release	–	com
falas	do	jogador	e	o	envia	por	e-mail	para	toda	a	imprensa	especializada.	Os
jornais	só	têm	o	trabalho	de	“copiar	e	colar”	a	matéria	e	publicá-la.	E	é	nesta	fase
que	comparo	o	assessor	às	agências	de	notícias.	Para	o	jornalista,	é	a	mesma
lógica.	Quase	não	há	diferenciação	entre	um	e	outro,	quando	se	refere	ao
mecanismo	de	trabalho.	Ele	não	precisa	pesquisar,	buscar	entrevistas	e	nem	ao
menos	escrever.	No	máximo	edita	poucas	palavras	ou	retira	o	patrocinador	que
aparece	no	texto.	É	inevitável	dizer	que	isso	prejudica	e	desvaloriza	o
profissional	de	jornalismo.	Muitos,	porém,	são	reféns	desse	mecanismo	que	se
instalou	tornando-se	habitual.
Nesta	linha	de	raciocínio,	pode-se	conectar	com	o	assunto	de	pautas,	pois	são
raros	os	veículos	que	deixam	de	reproduzir	o	material.	Isto	acontece	até	mesmo
por	uma	necessidade	de	se	ter	as	frases	do	atleta.	A	Triple	Comunicação,
empresa	de	assessoria	de	jogadores	de	futebol,	dispara	suas	matérias	para	o	e-
mail	de	cerca	de	1.500	jornalistas,	contabilizando	apenas	os	estados	do	Rio	de
Janeiro	e	São	Paulo.¹⁷
É	interessante	observar	que	o	assessor	de	imprensa	faz	o	papel	do	repórter	em
diversos	casos.	Ele	desenvolve	ou	sugere	a	pauta,	busca	dados	históricos,
estatísticas,	traça	curiosidades	e	redige	toda	a	reportagem.	Novamente,	o
jornalista	pouco	tem	a	fazer	ou	acrescentar,	a	não	ser	publicar	a	nota.	Na
internet,	é	algo	corriqueiro.	Após	o	término	de	uma	partida,	a	redação	já	aguarda
o	press-release	com	a	opinião	do	atleta	e	o	publica	logo	que	recebe.	Pode-se
considerar	que	isso	se	tornou	um	processo	automático	para	os	profissionais	de
comunicação	no	meio	digital.	É	como	define	Sergio	Luci,	proprietário	da	Triple
Comunicação,	destacando	ainda	o	fato	da	reprodução	completa	do	texto.	Em
entrevista	para	este	pesquisador,	ele	diz:
Nossos	materiais	têm	como	objetivo	sugerir	pautas	aos	veículos	de
comunicação.	Criamos	textos	com	dados	interessantes	de	nossos	clientes	para
que	os	jornalistas	possam	elaborar	reportagens	sobre	os	jogadores.	Uma	das
grandes	vantagens	desses	materiais	é	que	inserimos	as	frases	dos	atletas,	o	que
acaba	dando	uma	importância	maior	para	os	releases.	Alguns	veículos	se
baseiam	nesses	materiais	e	elaboram	reportagens	interessantes.	Outros,	porém,
repercutem	os	textos,	praticamente,	na	íntegra.
Entre	outros	motivos	para	que	isso	aconteça	é	a	já	comentada	enorme	demanda
que	o	repórter	esportivo	do	meio	digital	tem	em	seu	cotidiano.	A	impressão
transmitida	às	vezes	é	que	qualidade	virou	sinônimo	de	quantidade	para	muitos
portais	eletrônicos.	Por	isso,	as	técnicas	de	reprodução	se	mostram	tão
importantes	para	o	jornalismo	esportivo	na	internet.	Benjamin,	em	seu	tempo	e
com	suas	preocupações	específicas,	já	nos	ajudava	a	entender	o	que	acontece
hoje,	no	campo	do	jornalismo	esportivo	na	internet:
A	massa	é	matriz	de	onde	emana,	no	momento	atual,	todo	um	conjunto	de
atitudes	novas	com	relação	à	arte.	A	quantidade	tornou-se	qualidade.	O
crescimento	maciço	do	número	de	participantes	transformou	o	seu	modo	de
participação.	O	observador	não	deve	se	iludir	com	o	fato	de	tal	participação
surgir,	a	princípio,	sob	forma	depreciada.	Muitos,	no	entanto,	são	aqueles	que,
não	havendo	ainda	ultrapassado	esse	aspecto	superficial	das	coisas,
denunciaram-na	vigorosamente	(BENJAMIN,	1975,	p.	31).
A	fala	de	Benjamin	se	mostra	muito	atual	ao	momento	em	que	o	jornalismo
esportivo	na	internet	se	encontra.	As	plataformas	concorrentes	não	brigam
apenas	atrás	de	furos	ou	novas	pautas,	elas	buscam	ter	o	maior	leque	possível	de
notícias	sobre	todos	os	esportes,	ainda	que	isso	signifique	perda	da	qualidade	do
conteúdo.	O	crescimento	do	jornal	influencia	diretamente	nos	modos	de
produção.
Outra	empresa	de	assessoria	de	imprensa	esportiva,	a	DGW	Comunicação	possui
grande	parte	do	seu	foco	no	tênis,	que	revela	um	apelo	muito	menor	do	que	o
futebol	na	mídia.	No	entanto,	a	base	de	clientes	consiste	em	850	jornalistas
cadastrados	para	receberem	o	material.	Do	total,	aproximadamente	60%	abrem	o
press-release	e	o	publicam	tal	como	recebido	da	empresa.	Do	ponto	de	vista	do
assessor,	quanto	mais	o	conteúdo	dele	for	publicado,	mesmo	que	igual,	em
vários	sites,	melhor	para	ele	e	consequentemente	para	seu	cliente.	Já	do	lado	do
repórter,	voltamos	à	questão	da	desvalorização	do	trabalho,	visto	que	não	requer
muitas	habilidades	para	“copiar	e	colar”,	em	resumo.	É	preciso	mencionar,
ainda,	que	muitos	desses	e-mails	são	de	jornalistas	da	mesma	empresa,	mas	que
precisam	dos	informativos	para	se	manter	atualizados	sobre	o	que	acontece	em
outros	esportes	e	também	como	ideias	de	possíveis	pautas.
Uma	das	preocupações	das	agências	de	informação	esportiva	é	ter	à	disposição
fotografias	com	os	atletas	para	serem	acrescentadas	às	reportagens	como	forma
de	enriquecê-las,	assunto	este	já	debatido	neste	livro.	As	assessorias	de	imprensa
também	fazem	o	mesmo,	com	a	intenção	de	divulgar	seu	cliente	e	os
patrocinadores,	que	geralmente	possuem	as	logomarcas	em	camisetas	ou	placas
expostas	claramente	nas	fotografias.	As	fotos	são	a	grande	oportunidade	de
utilizar	o	produto	(jogador)	para	expor	os	investidores.	Esta	ação	evidencia,
inclusive,	como	mais	um	modelo	de	negócio	no	campo	do	jornalismo	esportivo	e
na	internet	ganha	força,	com	a	não	restrição	do	espaço	físico	para	a	publicação.
Alguns	clubes	de	futebol	possuem	seu	próprio	canal	de	divulgação	de	fotos,
como	é	o	caso	do	Sport	Club	Corinthians	Paulista,	que	contratou	um	fotógrafo
que	fica	responsável	por	registrar	as	atividades	de	treino,	bastidores	e	de	jogo,
certificando-se	de	que	os	patrocinadores	apareçam	em	praticamente	todas	as
imagens.
Uma	das	respostas	para	este	fenômeno	da	reprodução	é	a	imersão	completa	do
jornalismo	esportivo	na	internet	nos	padrões	da	indústria	cultural,	como
descrevem	Adorno	e	Horkheimer.	Não	importa	a	qualidade,	desde	que	se	tenham
bons	números	de	vendas.	Ou,	no	caso	do	digital,	de	audiência.
2.3.	Indústria	Cultural
Já	desde	o	século	XIX	e,	crescentemente,	o	jornalismo	se	tornou	um	produto	da
indústria	cultural	e	há	alguns	anos	tem	a	sua	qualidade	e	intenções	questionadas,
visto	pelo	reflexo	de	constantes	demissões	no	setor.	Não	é	novidade	que	a	notícia
é	mercadoria,	o	produto	dos	veículos	de	comunicação	que	precisa	ser	vendido.	E
quanto	mais	produto	se	oferece,	maior	a	chance	de	ele	ser	consumido.	Para
colaborar	com	este	mecanismo,	as	agências	e	assessorias	são	vitais	para	manter
este	leque	de	opções	de	informação.
Como	forma	de	entender	melhor	a	lógica	em	que	a	produção	do	jornalismo
esportivo	on-line	pode	ser	encaixada,	recorro	novamentea	Adorno	e
Horkheimer,	que	afirmam:
O	cinema	e	o	rádio	não	precisam	mais	se	apresentar	como	arte.	A	verdade	de	que
não	passam	de	um	negócio,	eles	a	utilizam	como	uma	ideologia	destinada	a
legitimar	o	lixo	que	propositalmente	produzem.	Eles	se	definem	a	si	mesmos
como	indústrias,	e	as	cifras	publicadas	dos	rendimentos	de	seus	diretores	gerais
suprimem	toda	dúvida	quanto	à	necessidade	social	de	seus	produtos	(ADORNO;
HORKHEIMER,	1985,	p.	114).
Os	dois	pensadores	alemães	questionam	o	papel	do	cinema	e	do	rádio.	Para
ambos,	em	seu	tempo,	esses	meios	deixaram	de	ser	uma	arte	para	se	tornarem
propriamente	um	negócio.	Como	consequência,	o	valor	do	conteúdo	deixou	de
ser	primordial.	A	mesma	ideologia	serve	para	o	jornalismo	esportivo	na	internet.
A	produção	visa	à	audiência,	tem	como	objetivo	primeiro	e	mais	importante
obter	o	maior	número	possível	de	leitores	em	cada	matéria.	Cada	reportagem
elaborada	tem	como	objetivo	principal	atrair	o	máximo	de	cliques.	Faz-se	o
necessário	para	atingir	esta	meta,	e	não	necessariamente	algo	para	se	garantir
maior	qualidade.
As	técnicas	de	reprodução	descritas	anteriormente	ganham	ainda	maior
relevância	sob	a	ótica	da	indústria	cultural.	Inserido	neste	universo,	o	jornalismo
cria	notícias	como	se	fosse	uma	fabricação	de	mercadorias	em	série.	O	processo
é	mecânico.	O	jornalista	recebe	a	notícia	via	agência,	faz	pouca	ou	nenhuma
alteração	e	a	publica.	Este	ciclo	se	estende	ao	longo	de	todo	o	dia,	praticamente.
Recebem	o	material	e	o	colocam	no	ar.	É	automático,	como	se	fosse	uma	linha
de	produção	de	uma	empresa	de	sapatos,	por	exemplo.	Quase	não	requer	um
trabalho	intelectual,	uma	vez	que	o	texto	vem	pronto,	bastando	apenas	publicá-
lo.	É	um	ponto	gravíssimo	no	que	diz	respeito	ao	valor	do	trabalho	do
profissional	de	comunicação.	Em	Adorno	e	Horkheimer,	uso	o	seguinte	trecho:
Os	interessados	inclinam-se	a	dar	uma	explicação	tecnológica	da	indústria
cultural.	O	fato	de	que	milhões	de	pessoas	participam	dessa	indústria	imporia
métodos	de	reprodução	que,	por	sua	vez,	tornam	inevitável	a	disseminação	de
bens	padronizados	para	a	satisfação	de	necessidades	iguais.	O	contraste	técnico
entre	poucos	centros	de	produção	e	uma	recepção	dispersa	condicionaria	a
organização	e	o	planejamento	pela	direção.	Os	padrões	teriam	resultado
originariamente	das	necessidades	dos	consumidores:	eis	por	que	são	aceitos	sem
resistência	(ADORNO;	HORKHEIMER,	1985,	p.	114).
A	indústria	cultural	influencia	de	tal	maneira	o	jornalismo	esportivo	ao	ponto	de
os	métodos	de	reprodução	ditarem	toda	a	agenda	de	pautas	e	reportagens	que	são
criadas	ao	longo	da	semana.	Os	milhões	de	leitores	esperam	encontrar	quase	o
mesmo	produto	em	todos	os	portais.	O	veículo	de	comunicação	estuda	esse
comportamento	do	consumidor	e	procura	satisfazê-lo	em	suas	necessidades
semelhantes.	Ter	um	objeto	fora	do	padrão	é	sair	da	zona	de	conforto,	tanto	do
jornal	quanto	do	fã	de	esporte.
Embora	uma	reportagem	com	conteúdo	diferente	seja	necessária,	as	notícias
cotidianas	são	as	que	seguram	a	audiência	média	dos	jornais	eletrônicos.	É	mais
cômodo	entregar	aos	clientes	o	que	será	facilmente	digerido,	ou,	em	outros
termos,	aquilo	com	que	ele	já	está	acostumado.	Esta	é	uma	das	características	da
relação	entre	cultura	de	massa	e	indústria	cultural.
O	que	é	novo	na	fase	da	cultura	de	massas	em	comparação	com	a	fase	do
liberalismo	avançado	é	a	exclusão	do	novo.	A	máquina	gira	sem	sair	do	lugar.
Ao	mesmo	tempo	que	já	determina	o	consumo,	ela	descarta	o	que	ainda	não	foi
experimentado	porque	é	um	risco.	É	com	desconfiança	que	os	cineastas
consideram	todo	manuscrito	que	não	se	baseie,	para	tranquilidade	sua,	em	um
best-seller	(ADORNO;	HORKHEIMER,	1985,	p.	126).
A	exclusão	do	novo	é	uma	peculiaridade	da	produção	pós-modernista.	Pautas	são
criadas	com	o	objetivo	de	ser	uma	novidade,	mas	não	necessariamente	é	algo
novo,	que	nunca	foi	feito.	Ao	invés	disso,	o	conteúdo	é	quase	o	mesmo	de
sempre,	mas	com	a	internet,	os	mecanismos	de	produção	dão	o	tom	e	a	sensação
de	inovação.	Adorno	e	Horkheimer	comentam	o	fato	de	cineastas	preferirem
trabalhar	com	best-seller	a	inovar,	pelo	claro	motivo	de	ter	o	retorno	financeiro
garantido.
Enfim,	o	jornalismo	esportivo	eletrônico	está	imerso	nos	padrões	da	indústria
cultural.	Toda	a	produção	é	tratada	como	uma	mercadoria	que	precisa	atingir	os
números	de	audiência	e	ser	economicamente	viável,	um	dos	grandes	desafios	dos
jornais	atualmente.
2.4.	O	Espetáculo,	a	Indústria	e	a	Reprodução
Quando	me	refiro	ao	pensamento	de	Adorno	e	Horkheimer	sobre	a	indústria
cultural	é	quase	impossível	não	o	relacionar	ao	conceito	de	sociedade	do
espetáculo,	de	Guy	Debord.	Pode-se	afirmar	que	as	duas	teorias	andam	juntas,
uma	ao	lado	da	outra,	e	ambas	podem	ser	aplicadas	à	produção	do	jornalismo
esportivo	na	internet.
Antes	de	aprofundar	e	demonstrar	de	que	maneira	o	espetáculo,	a	indústria
cultural	e	as	técnicas	de	reprodução	afetam,	em	conjunto,	a	criação	de	conteúdo
digital,	faço	o	uso	de	Cláudio	Novaes	Pinto	Coelho	que,	em	seu	livro	Teoria
Crítica	e	Sociedade	do	Espetáculo,	realça	bem	a	ligação	entre	Indústria	Cultural
e	Sociedade	do	Espetáculo:
Adorno	e	Horkheimer	desenvolveram	o	conceito	de	indústria	cultural	para	a
compreensão	do	processo	de	mercantilização	da	sociedade	capitalista,	que
alcançou	a	produção	cultural	com	o	desenvolvimento	de	técnicas	de	reprodução
em	larga	escala	sob	o	controle	de	grandes	conglomerados	comunicacionais.
Debord	desenvolveu	o	conceito	de	sociedade	do	espetáculo	para	a	compreensão
do	processo	de	articulação	entre	o	acúmulo	de	capital,	por	intermédio	da
produção	e	do	consumo	de	mercadorias	em	larga	escala,	e	o	acúmulo	de
espetáculo,	por	intermédio	da	produção	e	do	consumo	de	imagens	em	larga
escala.	Os	conceitos	procuram	compreender,	portanto,	a	mesma	realidade
(COELHO,	2014,	p.	58).
Coelho	reforça	como	a	indústria	cultural	e	a	sociedade	do	espetáculo	partem	do
princípio	do	acúmulo	de	capital,	seja	em	forma	de	mercadorias	ou	em
espetáculo,	através	de	imagens.	Conforme	argumentei	ao	longo	deste	capítulo,
uma	das	principais	características	do	jornalismo	esportivo	digital	atual	é	a
constante	publicação	de	conteúdo,	inúmeras	notícias	postadas	em	pouco	tempo,
a	alta	demanda	exigida	no	dia	a	dia.	Se	aplicar	este	contexto	às	teorias	de
Adorno	e	Horkheimer	e	Debord,	o	jornalismo	na	internet	oferece	aos	leitores	um
grande	acúmulo	de	informação.	Em	outras	palavras,	em	um	cenário	mais
comercial,	os	veículos	de	comunicação	oferecem	produtos	aos	seus	clientes	a
todo	o	momento,	dos	mais	diversos	gostos,	tipos	e	formatos.	Para	facilitar	este
mecanismo,	a	tecnologia	da	internet	possibilita	ao	leitor	salvar	as	reportagens
para	serem	lidas	posteriormente,	como	forma	de	guardar	o	produto	para	ser
consumido	assim	que	possível.	O	Twitter	permite	uma	opção	que,	apenas	com
um	clique,	o	usuário	salva	todas	as	matérias	que	não	conseguiu	ler	em	uma	aba
denominada	“favoritos”.	As	notícias	ficam	à	disposição	por	tempo	ilimitado.	A
tecnologia	se	adequa	aos	métodos	de	fabricação.
A	questão	das	técnicas	de	reprodução	apenas	reforça	esta	acumulação	de
mercadorias,	já	que	disponibilizam	novos	caminhos	para	alcançar	o	cliente,
como	divulgar	a	informação	nas	redes	sociais	digitais	e,	através	das	ferramentas
de	compartilhar	–	do	Facebook,	por	exemplo	–,	propagar	o	conteúdo.	Inclusive,
os	desdobramentos	de	notícias	e	a	divisão	de	uma	informação	em	várias	notas,
todas	estas	práticas	colaboram	para	este	acúmulo	de	capital.
Walter	Benjamin	tinha	uma	visão	de	certa	forma	positiva	em	relação	às	técnicas
de	reprodução.	Ele	entendia	que	a	reprodução	da	arte,	do	cinema	e	das
fotografias	poderia	ampliar	a	percepção	da	realidade.	No	entanto,	o	autor	alerta
para	a	perda	da	aura	da	arte	ao	sofrer	inúmeras	mutações	para	impactar	o
máximo	de	público	possível.	No	trecho	a	seguir,	mostro	também	como	Benjamin
trabalha	a	ideia	de	a	imagem	fugir	da	própria	realidade,	o	que	lembra	os
conceitos	de	Debord:
A	reprodução	do	objeto,	tal	como	a	fornecem	o	jornal	ilustrado	e	a	revista
semanal,	é	incontestavelmente	uma	coisa	bem	diversade	uma	imagem.	A
imagem	associa	de	modo	bem	estreito	as	duas	feições	da	obra	de	arte:	a	sua
unidade	e	a	sua	duração;	ao	passo	que	a	foto	da	atualidade,	as	duas	feições
opostas:	aquelas	de	uma	realidade	fugidia	e	que	se	pode	reproduzir
indefinidamente.	Despojar	o	objeto	de	seu	véu,	destruir	a	sua	aura,	eis	o	que
assinala	de	imediato	a	presença	de	uma	percepção,	tão	atenta	àquilo	que	“se
repete	identicamente	pelo	mundo”,	que,	graças	à	reprodução,	consegue	até
estandardizar	aquilo	que	existe	só	uma	vez	(BENJAMIN,	1975,	p.	15).
No	universo	on-line	atual,	o	jornalismo	precisa	estar	preparado	para	todas	as
plataformas,	ter	o	website	em	versões	mobile,	para	smartphones	e	tablets.	A
mesma	notícia	no	portal	principal	acessada	através	de	um	computador	precisa
estar	nestes	outros	meios.	Com	a	alta	demanda	exigida	para	distribuir
informações	em	todas	as	formas	e	a	pressão	pela	agilidade,	a	reprodução	pode
acarretar	em	uma	queda	na	qualidade	do	material	produzido.	A	repetição	é
incessante.	Com	os	celulares	que	fotografam	e	filmam,	qualquer	indivíduo	pode
ser	um	produtor	de	conteúdo	e	publicar	–	além	de	compartilhar	–	nas	redes
sociais	e	outros	meios.	Todo	este	processo	pode	destruir	a	aura	do	objeto
original.
Essa	mesma	lógica	pode	ser	aplicada	quando	me	refiro	à	imagem.	Para	Debord,
a	sociedade	do	espetáculo	se	preocupa	mais	com	a	categoria	quantitativa	do	que
com	o	qualitativo,	e	a	perda	de	qualidade	é	evidente,	como	ele	afirma:
A	tão	evidente	perda	da	qualidade,	em	todos	os	níveis,	dos	objetos	que	a
linguagem	espetacular	utiliza	e	das	atitudes	que	ela	ordena	apenas	traduz	o
caráter	fundamental	da	produção	real	que	afasta	a	realidade:	sob	todos	os	pontos
de	vista,	a	forma-mercadoria	é	a	igualdade	confrontada	consigo	mesma,	a
categoria	do	quantitativo.	Ela	desenvolve	o	quantitativo	e	só	pode	se	desenvolver
nele	(DEBORD,	1997,	p.	28).
As	visões	de	Benjamin	e	Debord	se	complementam	quando	relaciono
“qualitativo”	e	“destruir	sua	aura”.	Na	produção	do	jornalismo	esportivo	na
internet	a	quantidade	tem	sido	o	principal	ponto	de	exigência	dos	veículos	de
comunicação.	Uma	rápida	observação	mostra	que	é	comum	o	ESPN.com.br
publicar	em	seu	perfil	oficial	no	Twitter	cerca	14	novas	matérias	no	prazo	de	60
minutos.	Em	tese	são	as	mais	importantes,	fora	as	outras	que	não	foram
divulgadas	nesta	mídia.	É	um	verdadeiro	acúmulo	de	notícias.
Neste	cenário	de	fabricação	em	série	de	mercadorias,	há	um	esvaziamento	da
conduta	do	profissional	de	comunicação,	que	se	preocupa	mais	com	o	lado
mercadológico,	tendo	a	audiência	como	meta	fundamental.	Este	“vazio”	tem
como	consequência	a	entrega	de	um	produto	sem	muitos	aspectos	positivos.	Não
à	toa,	a	peculiaridade	em	questão	refere-se	a	mais	um	traço	da	indústria	cultural.
Adorno	e	Horkheimer	afirmam	que
[...]	o	tipo	de	experiência	que	personalizava	as	palavras	ligando-as	às	pessoas
que	as	pronunciavam	foi	esvaziado,	e	a	pronta	apropriação	das	palavras	faz	com
que	a	linguagem	assuma	aquela	frieza	que	era	própria	dela	apenas	nos	cartazes	e
na	parte	de	anúncio	dos	jornais	(1985,	p.	155).
O	pensamento	de	Debord,	Benjamin,	Adorno	e	Horkheimer	encontram-se
exatamente	no	ponto	de	esvaziamento	da	informação.	Ou,	em	outras	palavras,	na
perda	da	qualidade	do	produto.	Ao	aplicar	essas	teorias	à	produção	do
jornalismo	esportivo	on-line,	confirma-se	e	evidencia-se	a	automatização	do
processo	de	fabricação	de	notícias,	o	que	de	maneira	inevitável	desvaloriza	o
profissional	de	comunicação.	É	possível	afirmar	que	este	esvaziamento	da
notícia	tornou-se	uma	característica	do	jornalismo	da	indústria	cultural.
Todo	o	funcionalismo	do	jornalismo	esportivo	digital	está	diretamente
relacionado	à	quantidade	de	capital	financeiro	que	cada	veículo	de	comunicação
possui.	O	resultado	é	a	representação	que	a	empresa	consegue	ter	diante	de	seus
consumidores.	O	capital	determina	o	tipo	da	imagem	que	será	transmitida	aos
leitores,	e	o	espetáculo	está	intrínseco	neste	sistema	da	indústria	cultural.	Como
disse	Debord,	“o	espetáculo	é	o	capital	em	tal	grau	de	acumulação	que	se	torna
imagem”	(1997,	p.	25).	A	reprodução	é	um	dos	mecanismos	mais	poderosos
dessa	acumulação.
O	francês	Pierre	Bourdieu	estabelece	que	o	campo	jornalístico	está	totalmente
dominado	pela	lógica	comercial.	Para	exemplificar	seu	pensamento,	o	autor
utiliza	a	audiência	da	televisão	e	como	ela	exerce	sua	influência	no	segmento.
Bourdieu	diz:
O	campo	jornalístico	age,	enquanto	campo,	sobre	os	outros	campos.	Em	outras
palavras,	um	campo,	ele	próprio	cada	vez	mais	dominado	pela	lógica	comercial,
impõe	cada	vez	mais	suas	limitações	aos	outros	universos.	Através	da	pressão	do
índice	de	audiência,	o	peso	da	economia	se	exerce	sobre	a	televisão,	e,	através
do	peso	da	televisão	sobre	o	jornalismo,	ele	se	exerce	sobre	os	outros	jornais	[...]
E,	da	mesma	maneira,	através	do	peso	do	conjunto	do	campo	jornalístico,	ele
pesa	sobre	todos	os	campos	de	produção	cultural	(BOURDIEU,	1997,	p.	81).
É	similar	ao	que	acontece	no	ambiente	eletrônico.	Com	base	nos	números	de
audiência,	até	mesmo	tendo	como	pauta	a	TV,	as	reportagens	focam	nos	assuntos
que	garantem	o	máximo	retorno,	e	é	por	isso	que	o	futebol	se	torna	o	principal
tema	a	ser	noticiado	pelos	veículos	de	comunicação.
As	agências	e	os	press-releases	de	assessorias	entram	neste	cenário	como	uma
alternativa	de	complementar	o	conteúdo	da	atividade	mais	popular	do	planeta	e
acrescentar	novidades	sobre	os	outros	esportes.	Se	no	impresso	já	se	mostravam
necessárias,	no	jornalismo	virtual	essas	empresas	ganharam	uma	importância
ainda	maior.	A	constante	produção	de	matérias,	a	instantaneidade,	o	volume	de
matérias,	todos	esses	fatores	contribuem	para	que	o	vínculo	se	torne	a	cada	dia
ainda	mais	forte.
É	uma	atividade	comum	ao	jornalismo	esportivo	na	internet.	Faz	parte	da	criação
de	conteúdo	e,	por	ter	se	tornado	uma	operação	costumeira,	poucos	questionam	a
prática	de	reprodução	e	o	fato	da	dependência	ter	se	tornado	meramente	um
produto	da	indústria	cultural.	A	conexão	com	esses	dois	mecanismos
inevitavelmente	se	mostra	cada	vez	mais	essencial	para	o	processo	de	elaboração
de	informação	de	esporte	nos	meios	digitais.
Capítulo	3
A	PRODUÇÃO	DO	JORNALISMO	ESPORTIVO	DIGITAL	NA
ATUALIDADE
3.1.	O	Jornalismo	Esportivo	On-line	na	Atualidade
Os	portais	eletrônicos	são	atualizados	com	novas	notícias	praticamente	24	horas
por	dia.	No	ESPN.com.br,	o	primeiro	repórter	“abre”	o	site	aproximadamente	às
6h	da	manhã,	enquanto	o	último	fecha	por	volta	das	2h	da	madrugada.	Percebe-
se	que	são	poucas	horas	em	que	a	plataforma	não	é	atualizada.
A	obrigação	de	noticiar	inúmeras	competições	e	modalidades	esportivas
aumentou	consideravelmente	a	demanda	do	profissional	de	comunicação,	como
visto	no	capítulo	anterior.	Como	consequência,	a	jornada	de	trabalho	também
cresceu	aliada	à	característica	da	internet	de	tudo	ser	publicado	em	tempo	real.	O
hard	news	consiste	em	mais	da	metade	do	conteúdo	produzido	pelos	jornais
digitais	–	são	matérias	que	perdem	seu	valor	rapidamente,	e	isso	reforça	a
necessidade	de	tudo	ser	em	tempo	real,	e	até	o	surgimento	do	minuto	a	minuto.
Para	Celso	Unzelte,	em	entrevista	concedida	ao	autor,	a	função	primordial	da
internet	é	concentrar	o	material	factual	da	produção.	Ele	define	a	internet	como	o
reduto	do	hard	news.
Principalmente	o	factual,	vai	migrar	tudo	para	a	internet.	A	grande	utilidade	da
internet	é	o	factual.	É	claro	que	você	pode	fazer	coisas	mais	consolidadas
também,	mas	me	parece	que	elas	fazem	mais	sentido	nos	impressos.	Ou	do
ponto	de	vista	do	impresso,	é	o	último	refúgio,	é	o	“para	ler	e	guardar”.	Mas	a
internet	é	tão	ampla	que	abarca	qualquer	tipo	de	coisa.	Pressupondo	o	jornalista
que	quer	trabalhar	com	o	hardnews,	com	velocidade	da	informação,	a	internet	é
o	reduto.	Não	há	como	reagir	a	isso	[...]	É	para	onde	vamos	escoar	o	“grosso”	da
nossa	produção.
Embora	o	foco	da	internet	esteja	realmente	nos	informativos	instantâneos,	há,	de
fato,	espaço	para	reportagens	com	conteúdos	históricos,	investigativos	e
opinativos,	mesmo	que	em	escala	menor.	Em	uma	redação,	a	quantidadede
repórteres	exclusivos	para	essas	pautas	também	é	menor,	até	mesmo	por	isso	não
representar	“o	grosso”	do	conteúdo	produzido.	Em	uma	rápida	pesquisa	nos	sites
esportivos,	percebe-se	que	mais	da	metade	de	material	produzido	é	de	hard
news.	No	geral,	há	uma	seção	destinada	às	reportagens	históricas,	como	o
“Achei!”	e	o	“Baú	do	Esporte”,	do	GloboEsporte.com;	o	primeiro	resgata	algum
atleta	que	já	não	está	mais	no	auge	da	carreira,	mas	que	possuiu	uma	brilhante	ou
curiosa	história	no	futebol;	o	segundo	recupera	reportagens	antigas	de	qualquer
esporte	ou	atleta,	como	por	exemplo,	uma	vitória	de	Ayrton	Senna	na	Fórmula	1
ou	o	título	da	Seleção	Brasileira	de	Basquete	nos	Jogos	Pan-Americanos	de
1987.	O	ESPN.com.br	possui	o	quadro	“Histórias	da	Bola”,	cujo	foco	se	mantém
nas	curiosidades	de	bastidores	do	mundo	do	futebol,	contadas	por	jogadores
através	de	entrevistas	para	os	repórteres.	Estas	seções,	no	entanto,	não	aparecem
com	muita	frequência,	apenas	o	quadro	do	portal	da	ESPN	que	tem	aparecido
constantemente	por	conta	dos	ótimos	resultados	de	audiência.	Os	quadros	do
GloboEsporte.com	ficam	meses	sem	novidades.
O	site	Trivela	é	um	dos	poucos	que	não	é	predominantemente	de	hard	news	e
que	ainda	consegue	se	manter,	financeiramente	falando,	com	este	propósito
diferente.	O	portal	se	vende	como	“Futebol	além	do	óbvio”.	Grande	parte	das
matérias	constitui	análises	profundas	de	partidas	e	atuações	de	jogadores.	Em
alguns	casos,	as	reportagens	podem	ser	consideradas	atemporais,	podendo	ser
lidas	não	necessariamente	antes	ou	depois	do	jogo.	Outras	são	mais	históricas,
como	a	“Um	encontro	com	os	heróis	derrotados	de	1950”,	publicada	no	dia	8	de
julho	de	2015,	sobre	a	Copa	do	Mundo	de	1950,	a	primeira	realizada	no	Brasil.
São	textos	mais	longos,	diferentes	das	notas	tradicionais,	que	caberiam	muito
bem	em	uma	revista,	até	pelo	formato	mais	literário	da	escrita,	que	não	precisa
ser	tão	direta	e	concisa.	Requer	um	tempo	maior	para	elaborar	a	matéria	–	o	que
vai	contra	uma	das	principais	características	do	jornalismo	esportivo	na	internet.
A	velocidade	se	tornou	uma	das	peculiaridades	do	ambiente	digital.	Como
afirma	Unzelte	na	entrevista	citada,	a	internet	virou	reduto	para	o	imediatismo.
Uma	das	características	observadas	no	estagiário	ou	no	jornalista	digital	é	a
capacidade	de	redigir	matérias	em	um	curto	espaço	de	tempo.	Hoje	se	faz	quase
obrigatório	ter	essa	qualidade.	Discuto	sobre	este	assunto	a	seguir.
3.1.1.	Ritmo	Acelerado	nas	Redações
As	tecnologias	digitais	trouxeram	um	novo	ritmo	às	redações	de	jornais	ao	redor
do	mundo.	A	concorrência	também	aumentou	e	acirrou	a	disputa	por	números	de
audiência.	Uma	das	formas	de	estar	à	frente	do	concorrente	é	publicando	a
notícia	antes	dele,	mesmo	que	seja	em	questão	de	minutos.	O	grande	desafio
deste	mecanismo	é	não	deixar	a	pressa	atrapalhar	a	qualidade	do	conteúdo	da
reportagem.	Isto	significa	não	só	erros	gramaticais,	mas	a	própria	apuração	dos
fatos.	É	a	lógica	inversa	que	se	propagou	no	jornalismo	esportivo	na	internet:
divulga-se	antes	de	conferir.
A	relação	entre	a	velocidade	e	o	modo	de	produção	tornou-se	uma	das	questões
mais	discutidas	no	jornalismo	esportivo	na	internet.	Na	obra	O	Manual	do
Jornalismo	Esportivo	(2006),	Heródoto	Barbeiro	e	Patrícia	Rangel	debatem
justamente	a	questão:	agilidade	versus	qualidade.	Apontam	os	problemas
tradicionais	do	conteúdo	digital,	já	mencionados	no	parágrafo	anterior,	e
colocam	a	velocidade	como	motivo	principal	para	esta	possível	perda	de	valor	na
matéria	e	na	profissão.
Um	dos	jornalistas	esportivos	mais	respeitados	do	Brasil,	o	paulista	Paulo
Vinícius	Coelho,	no	seu	livro	Jornalismo	Esportivo	(2003),	critica	a	nova
geração	que	ingressa	no	mercado	com	o	pensamento	de	que	vale	mais	uma	nota
no	ar	rapidamente	do	que	uma	reportagem	bem	elaborada,	com	as	informações
checadas	corretamente	antes	de	a	reportagem	ser	publicada.	Já	Unzelte,	em
Jornalismo	Esportivo:	Relatos	de	uma	Paixão	(2009),	se	expressa	sobre	o
desespero	dos	jornais	em	estar	à	frente	dos	concorrentes.	O	autor	questiona	esse
pensamento.	“Esse	sair	na	frente	torna-se	cada	vez	mais	relativo.	Sair	na	frente
de	quem?”,	ele	se	pergunta	(2009,	p.	82).
A	produção	do	relato	de	uma	partida	de	futebol,	por	exemplo,	requer	a	junção	de
agilidade	e	muita	atenção.	Um	jogo	tem	a	duração	de	90	minutos	no	total,	e
muitos	lances	para	serem	descritos.	O	repórter	acompanha	o	duelo	e	registra
cada	jogada.	Abre-se	o	parágrafo	geralmente	com	o	minuto	em	que	o	fato
aconteceu.	A	última	informação	a	ser	redigida	é	o	primeiro	lide,	que	contém	o
principal:	o	resultado	final	do	confronto.	Em	várias	ocasiões,	o	parágrafo	inicial
precisa	ser	reescrito	muito	rapidamente,	uma	vez	que	um	gol	nos	minutos	finais
pode	alterar	o	placar	e	mudar	todo	o	desfecho	da	partida.	A	exigência	da
instantaneidade	faz	com	que	o	repórter	mude	todo	o	texto	em	pouco	tempo,	o
que,	certamente,	compromete	a	qualidade.
Este	pesquisador	acompanhou	a	produção	do	relato	de	uma	importante	partida
da	UEFA	Champions	League,	a	maior	competição	internacional	de	clubes	de
futebol	do	mundo.	O	que	será	mostrado	a	seguir	é	cada	instante	em	que	foi
escrito	um	parágrafo	até	o	momento	de	publicação,	de	modo	que	possa	ficar
demonstrada	a	agilidade	que	o	jornalista	esportivo	do	meio	digital	precisa	ter.
3.1.2.	A	Construção	do	Relato	da	Partida	de	Futebol
O	relato	é	da	partida	entre	o	Arsenal,	da	Inglaterra,	e	o	Olympiacos,	da	Grécia,
realizada	no	dia	9	de	dezembro	de	2015,	pelo	site	ESPN.com.br.	Na	ocasião,	o
time	de	Londres	precisava	vencer	para	se	classificar	para	as	oitavas	de	final	do
torneio	e	conseguiu	este	feito	ao	garantir	o	triunfo	pelo	placar	de	3	a	0.	Além	de
escrever	a	matéria	deste	duelo,	o	repórter	tinha	outras	duas	funções:	a	primeira
era	comandar	várias	interações	em	tempo-real	–	não	precisava	atualizar	minuto	a
minuto	cada	lance	porque	um	outro	jornalista,	de	outra	empresa,	era	o
responsável	por	realizar	esta	tarefa	–	,	tendo	que	incluir	imagens,	enquetes,
comentários	e	interações	via	Twitter;	a	segunda	função	seria	ficar	atento	a	outra
partida,	entre	Bayern	de	Munique	e	Dínamo	de	Zagreb,	para	incluir	no	relato,	já
que	ambas	as	equipes	pertenciam	ao	mesmo	grupo	e	o	resultado	final
influenciava	na	classificação.
A	partida	tinha	início	marcado	para	as	17h45,	mas	na	página	do	tempo-real	nove
interações	foram	feitas	antes	do	apito	inicial.	Ao	longo	dos	45	minutos	do
primeiro	tempo	do	confronto,	mais	oito	publicações	foram	ao	ar.	Na	etapa	final,
já	com	a	obrigação	de	ter	boa	parte	da	matéria	redigida,	o	número	de	inserções
caiu	para	quatro	até	o	fim	da	partida.
O	primeiro	parágrafo	do	relato	foi	escrito	às	18h43,	quase	uma	hora	após	o
começo	do	duelo.	Nove	minutos	depois,	às	18h52,	mais	um	parágrafo.	Outros
dois	foram	produzidos	às	18h58	e	19h13.	A	partir	das	19h14	até	19h36	–	horário
da	publicação	–	oito	parágrafos	foram	escritos,	e	a	foi	matéria	publicada	quatro
minutos	depois	do	término	da	partida,	já	que,	com	os	acréscimos	dados	pelo
árbitro,	a	bola	parou	de	rolar	às	19h32.
Após	a	publicação,	das	19h36	até	19h45,	o	jornalista	adicionou	mais	uma	foto	e
seis	links	que	redirecionavam	para	matérias	das	outras	partidas	da	Champions
League.	Somente	após	ter	cumprido	todas	estas	atividades,	colocado	mais
interações	na	reportagem	e	divulgado	no	Twitter	da	empresa,	é	que	a	revisão	foi
feita.	Ainda	às	21h06,	foi	inserido	um	vídeo	com	trechos	do	programa	Futebol
no	Mundo	da	TV	ESPN.
IMAGEM	18	-	Tabela	de	construção	do	relato	com	o	conteúdo.	Não	há	as
inserções	do	tempo	real¹⁸
IMAGEM	19	-	Tabela	de	construção	do	relato	com	o	conteúdo.	Não	há	as
inserções	do	tempo	real.¹
É	curioso	observar	a	inversão	nos	estágios	de	publicação	de	uma	reportagem.	O
imediatismo	do	digital	exige	isso	e	a	ferramenta	de	edição	contribui	para	que
todos	os	erros	sejam	apurados	após	o	conteúdo	já	estar	no	ar,	disponível	para	os
leitores.	Inclusive,	é	possível	–	e	tem	sido	comum	–	ler	comentários	de
internautas	citando	a	localização	e	quais	são	os	erros	do	texto.
O	jornalista	e	pesquisador	britânico	Paul	Bradshaw	refletesobre	o	imediatismo	e
o	aponta	como	a	principal	razão	para	que	o	número	de	etapas	de	criação	de
notícias	diminua.	Bradshaw	diz	que
[...]	isso	cria	uma	pressão	para	simplificar	o	processo	editorial	e	o	número	de
estágios	que	o	repórter	precisa	passar	até	a	publicação/distribuição.	O	fato	de
que	o	jornalista	pode	publicar	sem	o	filtro	editorial	é	tão	significativo	quanto	o
de	que	qualquer	um	possa	fazê-lo	(2014,	p.	116).
Trata-se	de	uma	afirmação	contundente	e	forte	do	autor,	em	especial	quando
sublinha	que	qualquer	indivíduo	pode	exercer	a	atividade	de	jornalista.	Embora
possa	parecer	improvável	no	momento	em	que	lemos,	é	perceptível	como	os
problemas	enfrentados	a	respeito	de	salários	cada	vez	mais	baixos	para	os
profissionais	de	comunicação	refletem	diretamente	neste	novo	panorama	do
jornalismo	digital.	É	a	lógica	do	capital,	de	produzir	mais	gastando	menos.	Não
há	dúvidas	de	que	a	empresa	irá	pagar	menos	se	pode	receber	trabalho	similar	de
outro	funcionário	e,	novamente,	caímos	na	questão	de	entregar	basicamente	o
mesmo	conteúdo	para	os	leitores.	Há	espaço	para	novos	produtos,	mas	se	grande
parte	da	produção	do	site	pode	ser	feita	com	pessoas	menos	qualificadas,	isto
não	é	problema	para	a	empresa,	pelo	contrário:	economiza-se.
Esse	imediatismo	vem	em	conjunto	com	as	redes	sociais	digitais.	Assim	que	a
matéria	é	finalizada	e	publicada,	uma	das	obrigações	é	a	divulgação	nos	outros
meios	de	comunicação,	em	especial	Twitter	e	Facebook.	O	primeiro	é	muito
usado	por	jornalistas,	por	proporcionar	a	oportunidade	de	escrever	em	tempo	real
sobre	os	acontecimentos.	O	recurso	está	integrado	à	produção	do	jornalismo
esportivo	na	internet,	constituindo	uma	maneira	de	favorecer	o	fácil	acesso	ao
leitor	e	de	disseminar	conteúdo.	O	próprio	Twitter,	por	suas	características,
tornou-se	uma	fonte	de	informações,	e	influencia	até	em	pautas.	Unzelte,	na
entrevista	para	este	pesquisador,	relembra	que	a	morte	de	uma	das	maiores
personalidades	do	mundo,	o	cantor	Michael	Jackson,	foi	comunicada	pela
ferramenta,	antes	mesmo	da	manifestação	dos	veículos	oficiais.
A	morte	do	Michael	Jackson,	por	exemplo,	foi	anunciada	pelo	Twitter,	antes
mesmo	dos	jornalistas.	Em	um	mundo	em	que	todo	mundo	tem	acesso	à
informação,	o	jornalista	precisa	estar	preparado	para	o	eletrônico	[...]	Ele	precisa
ter	a	consciência	da	importância	e	do	peso	que	os	meios	eletrônicos	têm	hoje
para	quem	consome	notícias.	No	caso	do	esporte,	tem	o	minuto	a	minuto,	quem
fez	o	gol,	tudo	é	muito	rápido.
A	carga	de	trabalho	exige	muito	do	profissional	de	comunicação.	Ele	precisa	ser
ágil	não	só	para	entregar	o	material	ao	leitor	em	tempo	real,	mas	para	ter	tempo
hábil	de	cobrir	todas	as	outras	modalidades	esportivas	que	acontecem
simultaneamente.	As	empresas	já	não	enviam	mais	seus	jornalistas	para	os	locais
de	reportagens,	somente	para	a	produção	de	conteúdo	especial	ou	para	um
evento	com	enorme	prestígio.	Isto	acontece	por	dois	motivos:	o	principal	é	a
contenção	de	custos,	já	que	tem	gastos	com	deslocamento,	alimentação,
hospedagem,	entre	outros.	O	segundo	é	que,	de	dentro	da	redação,	ele	não
precisa	focar	em	apenas	um	esporte	e	pode	escrever	sobre	todos	os	outros	que
estão	em	andamento,	além	da	possibilidade	de	pensar	em	mais	pautas.	Para	isso,
no	entanto,	requer	mais	uma	vez	agilidade.	É	necessário	rapidez	para	registrar
todas	as	informações	e	colocá-las	no	ar.	O	repórter	do	meio	eletrônico	precisa
estar	preparado	para	a	instantaneidade.
Há	mais	uma	questão	a	ser	discutida,	que	passou	a	ser	comum	na	produção	do
jornalismo	esportivo	na	internet.	A	busca	incessante	por	audiência	através	de
reportagens	com	temas	apelativos,	ou	com	títulos	que	distorcem	o	conteúdo
abordado,	sensacionalistas,	apenas	para	atrair	a	atenção	do	leitor	e,
consequentemente,	o	clique.	São	as	matérias	“caça-cliques”,	debatidas	no	item	a
seguir.
3.1.3.	Caça-Cliques
Em	meio	à	enxurrada	de	notícias	que	o	mundo	digital	proporciona,	aparecem
aquelas	com	conteúdo	pouco	informativo	ou	até	mesmo	irrelevante,	mas	com	a
única	intenção	de	elevar	os	números	de	audiência	do	veículo	de	comunicação.
Para	ilustrar	melhor	este	raciocínio,	o	jornalista	Thiago	Amorin	Caminada
escreveu	a	coluna	“Francisco	e	o	jornalismo	caça-cliques”,	no	portal
Observatório	da	Imprensa,	em	que	afirma:
Aproveitando-se	do	interesse	e	da	curiosidade	alheia	os	grandes	veículos,
especialmente	os	brasileiros,	adotaram	o	papa	como	vítima	recorrente	dos
títulos,	chamadas	e	compartilhamentos	em	redes	sociais	conhecidos	como	caça-
cliques.	Essas	chamadas	são	compostas	para	atrair	o	maior	número	de	pessoas
para	a	notícia,	entretanto,	muitas	vezes	o	conteúdo	explicitado	anteriormente	não
coincide	com	o	acontecimento	reportado	no	corpo	do	texto.	Os	casos	mais
comuns	são	frases	recortadas	e	retiradas	do	seu	contexto	original,	dando	um
sentido	polêmico	ao	conteúdo.	Ou,	ainda,	chamadas	nas	redes	sociais	em	forma
de	perguntas,	instigando	os	leitores	ao	acesso	ao	conteúdo	no	site	(CAMINADA,
2015).
O	repórter	utiliza	a	figura	midiática	do	papa	Francisco	para	explicar	o
pensamento	sobre	o	jornalismo	caça-cliques.	Para	ele,	o	pontífice	foi	alvo	de
inúmeras	matérias	que,	em	seu	título,	distorcem	o	que	é	dito	na	reportagem.	Tem
se	tornado	cada	vez	mais	comum	encontrar	matérias	com	chamadas	alteradas,
sensacionalistas,	diferentes	do	corpo	do	texto,	apenas	para	fisgar	a	atenção	do
leitor.	Cada	clique	contabiliza	uma	visualização.	Isso	aumenta	o	número	da
audiência	e	esta	lógica	é	a	principal	estratégia	para	negociar	anúncios
publicitários	nas	plataformas	eletrônicas.
Na	área	esportiva,	as	pautas	caça-cliques	já	são	rotineiras.	Os	jornais	se
aproveitam	da	fama	dos	atletas,	que	se	tornaram	celebridades,	e	exploram	o
potencial	da	imagem	em	matérias	fora	do	desempenho	profissional	do	jogador,
com	foco	nos	acontecimentos	de	sua	vida	pessoal,	ou	as	já	conhecidas	galerias
de	“musas”	do	mundo	feminino	com	fotos	de	mulheres	com	pouca	roupa	ou
somente	de	biquini.	Em	uma	rápida	pesquisa	nos	principais	sites	esportivos,
encontramos	várias	matérias	com	essas	características.	No	GloboEsporte.com,
por	exemplo,	há	a	notícia	“Arthur	Nory	faz	pose	de	sunga	e	é	zoado	por	Jade
Barbosa	na	internet”.	O	título	já	deixa	evidente	que	não	há	nada	de	importante
na	matéria;	no	entanto,	virou	pauta,	pois	os	dois	ginastas	vestem	trajes	de	banho
na	foto	e	exibem	o	corpo.	Quando	o	jornalista	publica	este	tipo	de	reportagem
não	espera	que	alguém	leia	o	texto.	Ele	quer	o	clique	no	link	somente	para	a
visualização	da	imagem.
Em	um	dos	maiores	portais	digitais	do	País,	o	site	UOL.com.br,	na	página	de
esportes,	uma	das	notícias	mais	lidas	é	a	“Irmã	de	Neymar	faz	sucesso	no
vestiário,	diz	Daniel	Alves”.	Sobre	o	rendimento	dos	dois	jogadores	em	campo	–
Neymar	e	Daniel	Alves	–	nada	tem.	O	foco	é	todo	na	única	imagem	feminina	do
texto.	E	ainda,	para	prender	o	leitor	na	nota,	há	uma	galeria	de	fotos	da	irmã	de
Neymar,	Rafaella,	com	outros	famosos.	É	importante	frisar	que,	além	da
visualização,	o	tempo	que	cada	leitor	permanece	na	nota	também	contabiliza	no
momento	de	negociar	a	venda	de	espaços	publicitários.	No	caso	da	matéria
citada,	ao	colocar	uma	galeria	de	imagens,	a	intenção	é	prender	o	leitor	por	mais
tempo	na	página,	já	que	o	texto	é	curto.	É	por	isso	que	os	editores	recomendam
colocar	o	maior	número	de	inserções	possíveis	em	uma	reportagem	na	internet.
Ao	final	de	todo	mês	é	divulgado	para	a	empresa	o	tempo	médio	de	permanência
dos	internautas	nas	matérias.	A	facilidade	dos	mecanismos	de	edição	vai	muito
além	da	correção	ortográfica,	e	colabora	para	este	acréscimo	de	informação	e
entretenimento.
O	veículo	de	comunicação	usa	a	mesma	lógica	de	uma	empresa	que	precisa
tornar	seu	produto	atraente	e	conseguir	vendê-lo.	Quanto	mais	qualidades,	mais
informações	positivas,	mais	investimento	em	uma	embalagem	bonita	que
indique	os	atributos	do	produto:	tudo	isto	irá	colaborar	para	atingir	o	maior
número	de	vendas	possível.	Com	a	notícia,	o	processo	é	o	mesmo.	A	notícia
como	mercadoria	precisa	estimular	o	leitor	ao	clique,	a	consumi-la.	Nesta	linha
de	pensamento,	façoo	uso	do	que	diz	Wolfgang	Haug,	em	sua	teoria	da	estética
da	mercadoria.	O	autor	afirma:
Perante	o	mundo	dos	trabalhadores,	como	mundo	de	compradores	e
consumidores,	o	capitalista,	portanto,	como	escreveu	Marx	nos	Compêndios,
“procura	todos	os	meios	para	incitá-los	ao	consumo,	dar	novos	estímulos	às	suas
mercadorias	e	inculcar-lhes	novas	necessidades”	–	e	este	trecho	é	importante
exatamente	para	discutir	a	questão	da	criação	de	novas	necessidades	(HAUG,
1997,	p.	149).
O	jornalista	utiliza	todas	as	possibilidades	para	incitar	o	leitor	a	consumir	a
matéria,	a	consumir	seu	produto.	O	repórter	se	preocupa	com	a	aparência,	forma
estética,	conteúdo	e	mensagem,	da	mesma	maneira	que	um	empresário	do	ramo
de	alimentos	se	preocupa	com	a	embalagem	de	seu	produto.	É	uma	maneira	de
cercar	o	internauta	e	incitá-lo,	no	mínimo,	a	clicar	na	matéria.
Outro	exemplo	clássico	são	as	chamadas	matérias	“iscas”,	técnica	muito
utilizada	para	induzir	o	leitor	a,	pelo	menos,	clicar	no	link.	Pode	ser	uma
informação	redigida	pelo	jornalista	ou	com	origem	em	agências.	O	repórter
omite	informações	importantes	do	título,	sobre	quem	é	o	personagem	ou	qual	o
verdadeiro	tema	a	ser	discutido,	e	encerra	com	uma	frase	“veja	quem	é”,	por
exemplo,	ou	até	“clique	e	leia”.	É	como	se	ele	jogasse	uma	isca	para	instigar	o
leitor	a	clicar	na	nota	e	ir	para	o	site.	O	conteúdo	nem	sempre	é	o	melhor,	com
uma	boa	história.	Mas	isto	não	é	relevante,	o	interesse	é	simplesmente	em
aumentar	o	número	de	visualizações.	Podemos	considerar	este	estilo	como	o
mais	marcante	na	produção	do	jornalismo	esportivo	na	internet,	e	isso
exemplifica	perfeitamente	a	busca	por	cliques.
No	mundo	do	futebol,	em	especial	no	período	que	denominamos	de	“Janela	de
Transferência”,	quando	está	aberta	a	temporada	de	negociação	de	jogadores
pelos	clubes,	aparecem	várias	notícias	sem	fundamento	objetivo,	com
especulações	sobre	vendas	de	atletas	para	outros	times.	O	interesse	de
determinado	clube,	porém,	nunca	existiu.	Grande	parte	do	que	é	publicado	não
passa	de	boato,	informação	sem	fonte	ou	fundamento.	Já	existe,	inclusive,	um
tempo	real	sobre	a	troca	de	jogadores,	com	pequenas	notícias.	A	finalidade	é
manter	o	site	alimentado	com	novidades	e	prender	a	atenção	do	usuário,	tendo
em	vista	que	a	demanda	é	menor	nesse	período,	já	que	todos	os	campeonatos
estão	encerrados	e	o	que	resta	para	o	repórter	é	especular	as	possíveis
transferências	entre	jogadores.
Pautas	caça-cliques	desvalorizam	o	trabalho	do	profissional	de	comunicação.
Uma	matéria	desse	nível	não	exige	conhecimento	ou	alguma	reflexão	por	parte
do	jornalista.	É	um	texto	raso,	sem	profundidade,	com	um	título	chamativo	ou
fotos	apelativas,	com	o	objetivo	de	trazer	retorno	financeiro	para	a	empresa,	o
que	encontra	fundamento	no	pensamento	do	britânico	Paul	Bradshaw	de	que
qualquer	um	pode	fazê-lo.
3.1.4.	A	Vida	Privada	dos	Atletas	Celebridades
O	jornalismo	esportivo	cria	personagens	a	todo	o	momento.	Heróis,	vilões	e
guerreiros	estão	presentes	em	toda	competição.	Dependendo	do	resultado	ou	do
desfecho	da	partida,	certo	personagem	se	torna	um	mito,	consagrado	pela
imprensa	e	pela	torcida.	A	partir	deste	ponto,	todos	querem	seguir	os	passos	do
atleta.	Procuram	a	história	de	sua	infância,	o	local	de	nascimento,	os	primeiros
conselhos,	os	dramas,	os	familiares	e	as	namoradas.	A	intenção	é	quase	a	de	se
construir	um	exemplo	para	a	sociedade,	uma	pessoa	com	a	qual	a	população	se
identifique	e	se	inspire,	e,	principalmente,	compre	a	ideia	de	ídolo.	A	fama	faz
dele	uma	celebridade	e	toda	sua	vida	privada	torna-se	alvo	de	atenção	da
imprensa.
Para	Edgar	Morin,	na	obra	Cultura	de	Massas	do	Século	XX,	este	endeusamento
das	personalidades	acontece	por	interesse	da	própria	cultura	de	massa.	O	autor
afirma	que	as	celebridades	dos	dias	atuais	são	os	novos	deuses	do	Olimpo,
inclusive	por	todo	o	tratamento	recebido	tanto	por	parte	da	imprensa	quanto	dos
fãs.	Morin	diz:
Esse	novo	Olimpo	é,	de	fato,	o	produto	mais	original	do	novo	curso	da	cultura
de	massa.	As	estrelas	de	cinema	já	haviam	sido	anteriormente	promovidas	a
divindades.	O	novo	curso	as	humanizou.	Multiplicou	as	relações	humanas	com	o
público.	Elevou	ao	estrelato	as	cortes	reais,	os	playboys,	e	até	certos	homens
políticos	(MORIN,	2002,	p.	106).
A	partir	do	interesse	da	cultura	de	massa,	o	produto	começou	a	ser	explorado	de
maneira	muito	intensa.	O	jornalismo	esportivo	na	internet	passou	a	produzir
conteúdos	exclusivos	sobre	a	vida	dos	jogadores	celebridades.	Aquele	material
que	era	publicado	somente	por	portais	de	fofocas	ou	sobre	famosos,	também
começou	a	ser	produzido	pelos	periódicos	de	esporte,	e	cada	vez	com	mais
frequência.
O	motivo	desta	nova	pauta,	que	vai	além	do	desempenho	profissional	do	atleta,
se	deve	ao	enorme	potencial	de	audiência.	A	vida	pessoal	dos	novos	deuses	do
Olimpo	atrai	grandes	quantidades	de	cliques,	a	ponto	de	alguns	portais	focarem
todos	os	dias	em	matérias	deste	nível.	Os	jornalistas	esportivos	procuram
informações	sobre	a	vida	privada,	sobre	qual	restaurante	ou	balada	o	atleta
frequenta,	suas	companhias,	o	tipo	de	roupas,	o	corte	de	cabelo,	tudo	que	possa
ser	explorado	em	outras	reportagens	e	servir	de	inspiração,	exemplos	–	negativos
ou	positivos	–	para	outros	aspirantes	a	jogadores	profissionais.
Patrícia	Rangel	aponta	para	o	jogador	Neymar,	em	como	sua	personalidade
encaixa-se	perfeitamente	nesta	condição	de	novo	deus	do	Olimpo	e	destaca	o
potencial	comercial	do	movimento	neymarmania.	Rangel	diz:
Desta	forma,	o	jovem	jogador	Neymar	encaixa-se	perfeitamente	na
contextualização	acima,	é	um	ídolo	pós-moderno,	um	jogador	celebridade,	é
vendável,	está	no	imaginário	de	consumo,	movimenta	milhões	com	o	movimento
da	neymarmania,	é	imitado,	idolatrado,	provoca	histeria	das	tietes,	acima	de	tudo
é	um	herói	olimpiano.	Na	condição	de	ídolo/herói	é	geralmente	protagonista	do
espetáculo	esportivo,	sua	presença	torna-se	imprescindível,	afinal,	sem	ele	o
jogo	“perde	a	graça”,	deixa	de	ser	atrativo	e	por	consequência,	provoca	menos
rentabilidade.	A	imprensa	sabe	disso	e	constrói	discursos	que	colaboram	com	a
condição	de	ídolo/herói	(RANGEL,	2013,	p.	3-4)² .
Ao	identificar	um	produto	vendável,	o	jornalismo	esportivo	on-line	trabalha	nas
mais	variadas	pautas	sobre	a	celebridade.	Qualquer	atitude	do	jogador,	dentro	ou
fora	de	campo,	resulta	em	reportagem	e,	na	maioria	dos	casos,	explicita	o
sensacionalismo	que	domina	as	páginas	esportivas	das	plataformas.	É	o	caso	da
home	de	esportes	do	portal	UOL,	com	destaque	para	a	notícia	“Festa	de	Medina
tem	surfista	ciumento,	Neymar	até	o	chão	e	belas	mulheres”,	que	procura	contar
tudo	o	que	aconteceu	na	festa	de	aniversário	do	surfista	Gabriel	Medina,	mas
com	o	foco	no	comportamento	de	Neymar,	o	principal	jogador	de	futebol	do
Brasil.	Há	vídeos	do	atacante	do	Barcelona	dançando	e	cantando,	e	ainda	há	uma
galeria	com	algumas	das	belas	mulheres	que	compareceram	à	celebração	em
uma	casa	noturna	na	cidade	de	Maresias,	litoral	de	São	Paulo.	No
GloboEsporte.com,	a	festa	também	foi	digna	de	matéria	e	destaque	na	página
principal,	com	o	título:	“Aniversário	de	Medina	reúne	Neymar,	Douglas	Costa	e
beldades”,	trazendo	vídeos	com	entrevista	do	astro	do	surfe	e,	claro,	uma	galeria
de	fotos	com	as	mulheres	e	celebridades	presentes.
Estas	matérias	têm	um	potencial	de	audiência	muito	grande.	Elas	atraem	uma
enorme	quantidade	de	cliques	e,	por	este	motivo,	permanecem	nas	posições	de
maior	destaque	dos	websites	durante	todo	o	dia.	Alguns	portais	já	possuem	a
característica	de	serem	majoritariamente	sensacionalistas,	com	o	foco	nas	pautas
de	bastidores	e	fofocas	do	mundo	dos	famosos,	como	é	o	caso	do	UOL.com.br.
Por	ser	um	dos	principais	sites	do	País,	o	portal	UOL	exerce	uma	influência	nos
seus	parceiros,	que	acabam	optando	também	por	matérias	caça-cliques.	É	o	que
acontece	na	parceria	entre	UOL.com.br	e	ESPN.com.br.	A	marca	ESPN,	em
especial	a	brasileira,	é	reconhecida	pelo	jornalismo	competente	e	correto.	Nos
últimos	meses,	no	entanto,	após	a	parceria	com	o	UOL,	a	página	virtual	da
ESPN	tem	aumentado	a	quantidadede	reportagens	caça-cliques	e
sensacionalistas,	em	razão	de	o	site	UOL	reproduzir	a	notícia	na	sua	página
principal,	o	que	alavanca	a	audiência.	Portanto,	uma	matéria	do	ESPN.com.br
passa	a	ser	considerada	boa	se	ela	recebe	destaque	também	no	UOL.com.br,	e
não	necessariamente	apenas	pelo	seu	conteúdo	e	produção	jornalística.	É	um
novo	conceito	de	boas	reportagens	e	que	ganha	importância	nas	reuniões	de
pauta,	principalmente	por	questões	econômicas.
A	exploração	da	imagem	do	atleta	é	feita	de	acordo	com	os	acontecimentos	de
sua	vida	profissional.	Para	um	jogador	de	futebol,	sua	imagem	está	diretamente
relacionada	com	a	sua	perfomance	nas	partidas.	E	a	identidade	começa	a	ser
criada	pela	imprensa	já	no	texto	sobre	o	jogo.	É	o	caso	do	goleiro	Júlio	César	no
duelo	das	oitavas	de	final	da	Copa	do	Mundo	de	2014.	Na	ocasião,	o	Brasil
venceu	o	Chile	nos	pênaltis,	com	duas	defesas	decisivas	do	camisa	1	da	Seleção
Brasileira.	Nos	relatos	da	GazetaEsportiva.net,	GloboEsporte.com,	ESPN.com.br
e	do	portal	Folha	de	S.Paulo,	Júlio	César	é	definido	como	o	herói	da
classificação	pelos	repórteres.	Os	quatro	repórteres	o	classificam	como	o
salvador	do	Brasil,	que	superou	o	trauma	da	falha	cometida	no	Mundial	da
África	do	Sul	–	quando	o	Brasil	foi	eliminado	para	a	Holanda	e	Júlio	César	errou
a	bola	no	gol	da	vitória	da	equipe	europeia	–,	e	teve	sua	redenção	perante	o	povo
brasileiro	no	estádio	do	Mineirão,	em	Belo	Horizonte.	A	partir	do	apito	final	do
árbitro,	principalmente	no	dia	seguinte,	surgiram	matérias	de	bastidores	sobre	o
“novo	herói	brasileiro”	que	mais	abordaram	sua	vida	particular	do	que	a	atuação
nos	gramados.	Uma,	em	especial,	foi	destaque	de	portais	como	ESPN	e	Folha	de
S.Paulo.	No	site	ESPN.com.br,	a	notícia	foi	publicada	com	o	título	“Herói	da
classificação,	Júlio	César	curte	folga	comendo	pastel	na	feira”,	enquanto	na
Folha	de	S.Paulo	foi	ao	ar	como	“Herói	das	oitavas,	Júlio	César	curte	folga	em
feira	carioca”.	Ambas	as	reportagens	são	curtas,	com	parágrafos	curtos	e	a	foto
do	jogador,	postada	em	uma	rede	social	de	sua	esposa.	A	publicação	do	site
ESPN	possui	apenas	dois	parágrafos,	já	a	da	Folha	de	S.Paulo	se	prolonga	um
pouco	mais	e	descreve	também	as	homenagens	que	o	goleiro	recebeu	dos	outros
companheiros	de	equipe.
A	reportagem	de	Júlio	César	comendo	pastel	na	feira	se	originou	da	rede	social
digital	de	sua	esposa,	a	modelo	e	atriz	Susana	Werner.	Ela	postou	uma	foto	do
atleta	comprando	pastel,	que	repercutiu	em	toda	a	imprensa	brasileira.	Matérias
com	origens	em	redes	sociais	digitais	já	viraram	lugar	comum	no	meio
jornalístico.	Inicialmente,	o	Twitter	era	a	principal	fonte	de	informações,	até	pelo
fato	de	ser	bastante	dinâmico	e	do	conteúdo	ter	que	ser	redigido,
obrigatoriamente,	em	até	140	caracteres.	Com	o	tempo,	o	Facebook	e	o
Instagram	viraram	as	grandes	referências.	Os	dois	últimos	são	as	redes	que	mais
crescem	na	internet	e	também	as	mais	utilizadas	pelos	jogadores	celebridades.
Para	se	realizar	uma	postagem	no	Instagram	é	obrigatória	a	publicação	de	uma
foto,	e	este	é	o	ponto	principal	que	ganha	destaque	nos	portais	esportivos	e	sites
de	fofocas.	Os	jogadores	compartilham	imagens	de	sua	vida	privada,	os	jantares,
os	carros	de	luxo,	as	amizades,	e	tudo	isto	é	reproduzido	pelos	sites	esportivos
em	formato	de	matéria	jornalística.	É	o	lado	ostentação	da	vida	do	atleta,	e	os
veículos	de	comunicação	já	noticiam	as	publicações	e	criam	mais	pautas
relacionadas	às	redes	sociais,	como	a	“Cinco	boleiros	mais	seguidos	somam	110
mi	de	fãs	em	rede	social;	Neymar	lidera”,	do	site	GloboEsporte.com,	cujo
conteúdo	se	resume	a	quantidade	de	seguidores	de	cada	jogador.	Nada	tem	sobre
o	desempenho	profissional	nos	gramados.	Menos	de	um	mês	depois	desta
matéria,	o	portal	do	Globo	Esporte	publicou	mais	uma	reportagem	grande
oriunda	do	Instagram,	intitulada	“Cristiano	Ronaldo	vira	fã	de	selfies	e	desbanca
Neymar	na	rede	social”.	A	matéria	contém	diversas	fotos	publicadas	pelo	astro
do	Real	Madrid,	incluindo	selfies,	carros	de	luxo	e	celebridades.
As	notícias	caça-cliques	ganham	cada	vez	mais	espaço	em	todo	o	cenário
jornalístico	na	internet,	e	é	bastante	perceptível	o	crescimento	deste	tipo	de
reportagem	nos	sites	esportivos.	O	que	era	informação	somente	para	portais
sobre	famosos,	como	o	Ego,	já	se	tornou	relevante	para	as	redações	de	esporte.	A
produção	do	jornalismo	esportivo	eletrônico	se	adapta	às	constantes	mudanças
que	o	ambiente	digital	traz.	Não	bastam	mais	análises	e	opiniões	táticas	do
desempenho	dos	jogadores	em	campo,	é	preciso	levar	ao	consumidor	a	vida
privada	dos	atletas,	já	que	a	audiência	é	o	principal	objetivo	a	ser	atingido.	Para
isso,	a	técnica	de	caça-clique	tem	se	mostrado	eficaz	na	internet,	já	que	requer
pouco	texto	–	colaborando	para	agilidade	–	e	pouco	conteúdo	a	ser	apurado	e
atrai	muitas	visualizações.
A	volatilidade	das	notícias	faz	parte	deste	universo,	e	as	redes	sociais	colaboram
muito	para	isto,	já	que	há	novas	publicações	em	um	curto	espaço	de	tempo.	A
todo	o	momento	é	preciso	abastecer	o	website	e	dar	ao	leitor	o	maior	número	de
opções	possíveis	para	clicar	em	uma	nota.	O	meio	on-line	transformou	bastante	a
produção	do	jornalismo	esportivo	na	internet	e	trouxe	a	necessidade	de	publicar
notícias	praticamente	24	horas	por	dia.
3.2.	Liquidez	das	Notícias
Nas	últimas	linhas,	discuti	a	demanda	que	o	ambiente	digital	trouxe	ao
jornalismo	esportivo.	Diferente	do	papel,	na	internet	não	há	limitação	do	espaço
físico	e,	obviamente,	não	precisa	ser	impresso.	Como	consequência,	o	trabalho
dobrou	e	a	atualização	constante	tornou-se	obrigação.	Se	antes	uma	notícia
durava	por	todo	o	dia,	com	a	tecnologia	ela	dura	poucas	horas,	quando	não	por
minutos.
O	usuário	se	acostumou	a	consumir	informações	a	todo	o	momento.	As	redes
sociais	digitais	confirmaram	esta	nova	tendência,	os	portais	publicam	inúmeras
notícias	a	cada	hora.	Várias	delas	são	desdobramentos	de	assuntos	que	rendem
audiência.	Podemos	entender	esta	mudança	na	linha	de	pensamento	do	sociólogo
Zygmunt	Bauman.	O	polonês	aborda	a	questão	da	liquidez	na	sociedade
moderna.	Ele	diz:
A	vida	líquida	e	a	modernidade	líquida	estão	intimamente	ligadas.	A	vida	líquida
é	uma	forma	de	vida	que	tende	a	ser	levada	à	frente	numa	sociedade	líquido-
moderna.	“Líquido-moderna”	é	uma	sociedade	em	que	as	condições	sob	as	quais
agem	seus	membros	mudam	num	tempo	mais	curto	do	que	aquele	necessário
para	a	consolidação,	em	hábitos	e	rotinas,	das	formas	de	agir.	A	liquidez	da	vida
e	a	da	sociedade	se	alimentam	e	se	revigoram	mutuamente.	A	vida	líquida,	assim
como	a	sociedade	líquido-moderna,	não	pode	manter	a	forma	ou	permanecer	em
seu	curso	por	muito	tempo.	(BAUMAN,	2005,	p.	7).
A	vida	na	sociedade,	de	acordo	com	a	metáfora	utilizada	por	Bauman,	tornou-se
líquida,	e	o	jornalismo,	especificamente	o	esportivo,	acompanhou	este	caminho.
Os	smartphones,	tablets	e	a	disponibilidade	de	internet	banda	larga	em	vários
lugares,	tudo	isto	colaborou	para	o	imediatismo.	Uma	informação	já	não	tem
mais	a	consolidação	que	tinha	anteriormente,	e	a	concorrência	colabora	para
acentuar	a	situação.	Se	uma	novidade	é	publicada	por	um	site,	em	questão	de
segundos	o	concorrente	a	reproduz	e,	com	certeza,	irá	em	busca	de	novas
informações	para	dar	continuidade	à	história.
A	área	esportiva	é	recheada	de	possibilidades	para	novas	matérias.	A	imprensa
acompanha	o	cotidiano	dos	clubes	de	futebol	e	todos	os	dias	colocam
reportagens	no	ar	sobre	o	que	aconteceu	com	um	determinado	time,	ou	com
vários	deles.	Mesmo	que	não	se	trate	de	algo	relevante,	o	importante	é	a
atualização.	Para	exemplificar	a	liquidez	no	esporte,	o	repórter	faz	uma	nota
sobre	o	treino	da	manhã	de	segunda-feira.	Caso	o	da	parte	da	tarde	seja
praticamente	igual,	ele	redige	novamente	uma	notícia.	Isso	quando	não	o	faz	em
tempo	real	e	escreve	ao	vivo.
Para	concretizar	este	pensamento,	observei	com	a	devida	atenção	o	período	de
transferências	de	jogadores	do	mercado	brasileiro	ao	longo	de	janeiro	de	2016,	e
é	surpreendente	como	uma	notícia	importante	não	se	sustenta	por	pouco	mais
que	algumas	horas.Neste	caso,	para	desenvolver	a	matéria,	o	repórter	precisa
apurar	se	houve	ou	não	interesse	por	parte	do	clube	comprador	e	o	interesse	do
atleta	em	mudar	de	equipe,	além	do	acordo	sobre	valores	entre	as	partes.	A
reportagem	“Schalke	04	prepara	proposta	para	tirar	Renato	Augusto	do
Corinthians”	foi	publicada	no	portal	GloboEsporte.com	às	12h40	e	atualizada	às
13h33.	Eleito	melhor	jogador	do	Campeonato	Brasileiro	de	2015,	uma	possível
transferência	de	Renato	Augusto	desperta	interesse	de	todo	o	País,	portanto,	é
uma	das	informações	mais	relevantes	do	noticiário	esportivo	da	semana.	Menos
de	duas	horas	depois,	entretanto,	às	15h14	e	com	atualização	às	15h20,	surge	a
notícia	“Interesse	do	Schalke	04	não	seduz	Renato	Augusto;	meia	deve
renovar”²¹	também	no	GloboEsporte.com.	A	informação	de	uma	possível	venda
do	atleta	durou	menos	de	duas	horas,	o	que	poderia	ter	sido	a	notícia	mais
relevante	do	mercado	nacional	do	futebol	não	durou	nem	um	dia	completo.
As	notícias	perdem	o	valor	muito	rápido	no	mundo	líquido	da	internet.	O
jornalista	esportivo	busca	informações	a	todo	instante.	Logo	que	publica	sobre
uma	negociação	envolvendo	dois	clubes,	ele	já	procura	novidades	para	um
possível	desfecho	e	para	se	prevenir	contra	os	veículos	concorrentes	na	briga
pelo	furo.	Quanto	mais	rápido	a	nota	for	para	o	ar,	maior	a	chance	de	estar	à
frente	do	concorrente.
O	relato	da	partida	de	futebol	de	domingo	à	tarde,	geralmente	às	16h,	já	não	é	o
suficiente	poucas	horas	depois	do	término	do	jogo.	O	leitor	espera	as
repercussões	sobre	o	confronto.	Entrevistas	dos	jogadores	e	treinadores,	a
avaliação	de	especialistas	com	relação	ao	desempenho	da	equipe,	além	da
expectativa	para	o	próximo	embate,	tudo	isso	deve	ser	publicado	pouco	tempo
após	o	apito	final	do	árbitro.	Da	redação,	um	jornalista	se	concentra	nas
entrevistas	da	TV,	enquanto	outro	tem	o	foco	direcionado	para	o	rádio.	É	um
esforço	enorme	e	que	perde	o	valor	rapidamente.
Bauman	trabalha	a	ideia	de	que	em	milésimos	tudo	se	transforma	e,	desta	forma,
perde	a	essência.	Assim	como	apontei,	uma	reportagem	bem	elaborada,	que
levou	dias	para	ficar	pronta,	pode	perder	relevância	em	questão	de	minutos	se
não	der	audiência,	se	for	publicada	uma	matéria	do	concorrente	contradizendo	o
tema	principal,	ou	até	uma	matéria	de	outro	portal	mais	completa,	mesmo	que
seja	aproveitando	o	gancho	da	primeira.
O	polonês	ainda	afirma	que:
Numa	sociedade	líquido-moderna,	as	realizações	individuais	não	podem
solidificar-se	em	posses	permanentes	porque,	em	um	piscar	de	olhos,	os	ativos	se
transformam	em	passivos,	e	as	capacidades,	em	incapacidades.	As	condições	de
ação	e	as	estratégias	de	reação	envelhecem	rapidamente	e	se	tornam	obsoletas
antes	de	os	atores	terem	uma	chance	de	aprendê-las	efetivamente.	(BAUMAN,
2005,	p.	7).
Na	produção	do	jornalismo	esportivo	na	internet,	a	notícia	envelhece
rapidamente.	Aliadas	à	agenda	da	mídia,	novas	matérias	vão	ao	ar	a	todo
instante,	redigidas	pelo	repórter	ou	originadas	nas	agências	de	notícias,	que
enviam	o	material	pronto	para	ser	publicado.	É	neste	cenário	também	que	as
pautas	caça-cliques	fazem	certo	sentido,	já	que	as	informações	relacionadas	às
competições	nem	sempre	sustentam	a	maior	parte	da	audiência.
Para	reforçar	o	pensamento	de	liquidez	no	jornalismo	esportivo,	uma	prática	se
tornou	comum	entre	os	veículos	de	comunicação	–	ao	obter	um	dado	relevante,
geralmente,	divide-se	a	matéria	em	várias	notas.	A	principal	intenção	é	não
gastar	todo	o	conteúdo	em	uma	única	matéria	e	ter	assunto	para	despertar	a
curiosidade	do	leitor	até	o	desfecho.	Outro	motivo	provável,	que	Paulo	Vinícius
Coelho	já	aborda	em	sua	obra	Jornalismo	Esportivo	(2003),	é	a	divisão	da
notícia	em	várias	notas	ou	pequenas	matérias	para	aumentar	o	volume	de
informação	entrando	no	ar,	e	transmitir	a	sensação	de	que	se	está	à	frente	do
concorrente.
A	notícia	não	precisa	ser	muito	longa.	Como	característica	do	ambiente
eletrônico,	ela	ficou	mais	curta,	leve	e	de	leitura	rápida.	Bauman,	mais	uma	vez,
sinaliza	a	leveza	como	uma	peculiaridade	do	mundo	líquido:
Os	fluídos	se	movem	facilmente.	Eles	“fluem”,	“escorrem”,	“esvaem-se”,
“respingam”,	“transbordam”,	“vazam”,	“inundam”,	“borrifam”,	“pingam”,	são
“filtrados”,	“destilados”;	diferentemente	dos	sólidos,	não	são	facilmente	contidos
-	contornam	certos	obstáculos,	dissolvem	outros	e	invadem	ou	inundam	seu
caminho	[...]	A	extraordinária	mobilidade	dos	fluídos	é	o	que	os	associa	à	ideia
de	“leveza”	(BAUMAN,	2001,	p.	8).
A	produção	do	jornalismo	esportivo	na	internet	apresenta	este	dinamismo	da
modernidade	líquida.	O	imediatismo,	a	constante	atualização	das	páginas,	o
ritmo	acelerado	da	redação,	tudo	contribui	para	a	liquidez	das	notícias.	Elas	se
perdem	nessa	enxurrada	de	informação.	O	trabalho	do	jornalista	sofre	para	se
fortalecer,	já	que	o	mundo	líquido	aumenta	a	dificuldade	para	se	consolidar.
IMAGEM	20	-	observe	os	horários	das	postagens	de	cada	notícia:	à	esquerda,	no
ESPN.com.br;	à	direita,	Gazetaesportiva.net²²
A	imagem	acima	reflete	esta	fluidez,	proposta	por	Bauman,	no	jornalismo
esportivo	na	internet.	A	notícia	seria	uma	espécie	de	líquido	que	escorre	sem
parar.	São	diversas	matérias	publicadas	em	um	curto	espaço	de	tempo,	algumas
veiculadas	ao	mesmo	tempo,	com	o	mesmo	horário	de	publicação,	inclusive.	O
imediatismo	do	ambiente	digital	provoca	esta	fluidez	em	níveis	cada	vez
maiores.
Bauman	ainda	aponta	que	uma	das	características	da	vida	líquida	é	que	o
consumidor	está	a	todo	o	momento	sendo	impactado	por	novos	produtos	e
também	à	procura	de	novas	mercadorias:
Não	importa	a	intensidade	com	que	se	concentre	no	objeto	do	desejo,	o	olho	do
consumidor	não	pode	deixar	de	dar	uma	espiada	no	valor	de	mercadoria	do
sujeito	que	deseja.	Vida	líquida	significa	constante	auto-exame,	autocrítica	e
autocensura.	A	vida	líquida	alimenta	a	insatisfação	do	eu	consigo	mesmo	(2005,
p.	19).
Ao	estabelecermos	um	parâmetro	com	a	produção	do	jornalismo	esportivo
digital,	essa	constante	liquidez	das	notícias	também	pode	ser	considerada	uma
estratégia	do	veículo	de	comunicação,	no	seguinte	sentido:	ele	procura	atingir	o
internauta	a	todo	o	momento,	entregando	os	mais	diversos	tipos	de	mercadoria
para	ser	consumida.	A	insatisfação	atinge	em	ambos	os	lados,	do	produtor	ao
consumidor.	Isso	estimula	o	aumento	de	produção	de	conteúdo.
O	leitor	mostra	sinais	de	estar	adaptado	à	mecânica	do	ambiente	digital.	São
tantas	matérias	disponíveis	para	a	leitura,	muitas	de	temas	similares,	que	ele	não
se	sente	obrigado	a	pagar	por	informação.	Com	a	liquidez	da	internet,	o	usuário
mudou	seu	comportamento	como	consumidor.	Ter	acesso	ao	objeto	é	o	que	mais
importa	em	diversos	casos,	muito	mais	que	ter	realmente	a	posse	do	mesmo.	O
jornalismo	esportivo	na	internet	enfrenta	problemas	financeiros	para	lidar	com
esta	situação.	Escrevo	sobre	este	tema	no	próximo	item.
3.3.	A	Pressão	Econômica	na	Produção	do	Jornalismo	Esportivo
Está	claro	que	um	dos	principais	motivos	para	a	definição	de	pautas	é	a
audiência,	por	mais	que	os	veículos	de	comunicação	procurem	não	deixar	isto
evidente.	Há	matérias	com	cunho	social,	que	refletem	nas	estruturas	de	uma
sociedade,	mas	existem	também	as	inúmeras	reportagens	sensacionalistas,	com	o
único	objetivo	de	gerar	audiência,	em	especial	no	jornalismo	esportivo	na
internet,	como	demonstrei	ao	longo	de	toda	a	pesquisa.
O	jornal	é	gerido	como	se	fosse	uma	empresa	de	qualquer	outro	segmento.	Não
importa	se	a	plataforma	é	a	TV,	a	internet	ou	a	versão	física,	para	um
empreendimento	sobreviver	é	preciso	ter	lucro.	Pierre	Bourdieu	já	trabalhava
essa	ideia	do	jornalismo	estar	sob	a	pressão	constante	do	cenário	econômico.	O
autor	francês	argumenta:
O	universo	do	jornalismo	é	um	campo,	mas	que	está	sob	a	pressão	do	campo
econômico	por	intermédio	do	índice	de	audiência.	E	esse	campo	muito
heterônomo,	muito	fortemente	sujeito	às	pressões	comerciais,	exerce,	ele
próprio,	uma	pressão	sobre	todos	os	outros	campos,	enquanto	estrutura
(BOURDIEU,	1997,	p.	77).
A	internet	trouxe	ao	jornalismo	o	método	de	alcançar	altos	índicesde	audiência
através	das	matérias	caça-cliques.	Este	mecanismo,	porém,	já	não	tem	sustentado
mais	os	planos	financeiros	dos	jornais,	e	as	notícias	de	fechamento	de	redações	e
demissões	em	massa	têm	aparecido	com	certa	frequência,	o	que	evidencia	as
dificuldades	econômicas	pelas	quais	os	veículos	de	comunicação	estão	passando.
O	funcionário	subordinado	é	submetido	cada	vez	mais	a	longas	jornadas	de
trabalho,	enquanto	o	salário	não	reflete	todo	o	esforço	da	demanda.
Ainda	como	uma	forma	até	desesperada	e	em	busca	de	alternativas	para	lucrar,
notícias	sensacionalistas	são	publicadas	diariamente	no	sites	esportivos	de	todo	o
País.	A	relação	entre	sensacionalismo	e	jornalismo	sempre	existiu	e,	como
interpreta	Bordieu,	esta	conexão	acontece	por	se	tratar	de	uma	parceria
comercial,	além	de	ganhar	fatias	de	mercado	da	concorrência:
E	a	mesma	busca	do	sensacional,	portanto	do	sucesso	comercial,	pode	também
levar	a	selecionar	variedades	que,	abandonadas	às	construções	selvagens	da
demagogia	(espontânea	ou	calculada),	podem	despertar	um	imenso	interesse	ao
adular	as	pulsões	e	as	paixões	mais	elementares	(com	casos	como	os	raptos	de
crianças	e	os	escândalos	capazes	de	suscitar	a	indignação	popular),	ou	mesmo
formas	de	mobilização	puramente	sentimentais	e	caritativas	ou,	igualmente
passionais,	porém	agressivas	e	próximas	do	linchamento	simbólico	[...]
(BOURDIEU,	1997,	p.	73).
No	jornalismo	esportivo	on-line	há	uma	infinidade	de	temas	que	podem	ser
explorados	de	maneira	sensacionalista	e	causar	enorme	interesse	por	parte	dos
leitores,	mesmo	que	por	pouco.	Por	envolver	paixão	e	fanatismo,	é	comum	tentar
atrair	o	consumidor	com	reportagens	especulativas	sobre	transferências	de
jogadores	e	treinadores,	informações	sobre	a	vida	pessoal,	entre	outros	assuntos
que	podem	gerar	interesse	não	somente	nos	torcedores,	mas	também	nos	leitores
comuns	que	gostam	de	fofocas	do	mundo	das	celebridades.	Por	exemplo,	uma
nota	sobre	uma	possível	namorada	do	jogador	Neymar	tem	potencial	para	atrair
cliques	de	milhares	de	leitores	que	mal	acompanham	esportes	ou	simplesmente	o
futebol.	É	claro	que	a	notícia	foge	da	produção	do	jornalismo	esportivo,	como
manda	a	cartilha,	no	entanto	o	que	se	procura	com	isso	é	alavancar	os	números
de	visualizações	e	valorizar	a	matéria	com	forte	poder	econômico.
O	mesmo	raciocínio	vale	para	as	notícias	“iscas”,	em	que	se	omite	a	informação
principal	do	conteúdo	e	colocam-se	apenas	detalhes	para	instigar	o	usuário	a
clicar	e	abrir	a	reportagem,	como	vimos	anteriormente.	Muitas	dessas	notícias
são	sobre	histórias	pessoais	de	algum	atleta	que	envolve	outras	celebridades.
Deixa-se	o	lado	esportivo	e	foca-se	no	lado	privado,	como	mostrei	em	vários
destaques	dos	portais,	chamadas	como	“amigos	de	Neymar”	ou	“ele	já	foi	amigo
de	Neymar,	hoje	vende	roupas.	Veja	quem	é”.	O	conteúdo	não	possui	grande
relevância,	desde	que	o	objetivo	de	gerar	visualizações	seja	alcançado.
Os	editores	precisam	de	discernimento	no	momento	de	escolha	de	quais	matérias
terão	destaque	na	página	principal	do	site.	Alguns	portais	sobrevivem	somente
do	sensacionalismo	em	quase	todos	os	blocos	de	notícia.	Nos	três	sites
específicos	em	esportes	escolhidos	para	esta	obra	–	GloboEsporte.com,
ESPN.com.br	e	GazetaEsportiva.net	–,	percebe-se	que	na	home	ainda	há	a
preocupação	com	reportagens	de	cunho	somente	esportivo	no	geral,	mas	sempre
há	espaço	para	uma	nota	sensacionalista.	O	editor	precisa	entender	que	o	seu
papel	deve	ir	além	da	busca	pela	audiência.	Ele	precisa	ter	a	noção	de	sua
importância	frente	à	sociedade	e	frente	aos	leitores.	Uma	reportagem
investigativa	sobre	a	corrupção	na	Confederação	Brasileira	de	Basquete	pode
não	render	tantas	visualizações,	mas	é	necessário	compreender	a	importância
dela	para	o	esporte,	e	por	isso	ela	não	deve	perder	espaço	na	página	principal
para	matérias	mais	fúteis.
Estes	são	exemplos	de	como	a	produção	do	jornalismo	esportivo	na	internet
deixa	às	vezes	muito	a	desejar	em	relação	um	jornalismo	de	tipo	sério	e	ético.	A
partir	do	momento	em	que	o	conteúdo	não	é	o	foco	principal	de	uma	reportagem,
é	possível	afirmar	que	os	valores	estão	invertidos,	uma	vez	que	o	jornalista	está
trabalhando	totalmente	sob	a	pressão	do	viés	econômico.	O	editor,	na	maioria
dos	casos,	também	cede	a	essa	pressão	e	acata	as	decisões	comerciais	tomadas
pela	empresa.	O	departamento	comercial,	no	geral,	não	está	interessado	de	fato
no	tema	da	matéria,	o	objetivo	é	que	a	audiência	seja	a	maior	possível,	pois	é
fator	determinante	no	poder	de	barganha	para	se	conseguir	boas	vendas	de
publicidade.
3.3.1.	Publicidade:	Única	Fonte	de	Renda	do	Jornalismo	On-line
É	fato	antigo	que	a	maneira	mais	comum	de	o	jornal	obter	lucro	é	através	da
venda	de	espaços	publicitários.	Impresso	ou	digital,	há	lugares	reservados	para	o
setor	comercial	realizar	a	negociação	com	os	anunciantes.	Com	o	natural
crescimento	do	capitalismo,	aumentou	também	a	quantidade	de	produtos,	e	a
concorrência	entre	eles	foi	além	da	gôndola	dos	mercados.	A	busca	por	uma
posição	dedestaque,	mais	fácil	de	ser	visualizada	pelo	cliente,	começou	a	ser
mais	um	motivo	de	competição,	em	que	a	lógica	para	ser	o	vencedor	é	simples:
quem	oferece	mais	dinheiro,	vence.
Os	websites	têm	disponibilizado	as	mais	diversas	formas	de	obter	patrocínio	em
suas	notícias.	São	espaços	localizados	nas	extremidades,	pop-ups,	banners
enquanto	a	notícia	é	lida,	embaixo,	em	cima,	por	todo	o	espaço	disponível	em
tela.	Uma	poluição	visual	que,	na	maioria	dos	casos,	incomoda	a	leitura.	Para
compreender	a	lógica	aplicada	ao	jornalismo	esportivo	eletrônico,	recorro	ao
auxílio	do	filósofo	francês	Baudrillard,	que	afirma:
A	publicidade	constitui	no	todo	um	mundo	inútil,	inessencial.	Pura	conotação.
Não	tem	qualquer	responsabilidade	na	produção	e	na	prática	direta	das	coisas	e
contudo	retorna	integralmente	ao	sistema	dos	objetos,	não	somente	porque	trata
do	consumo,	mas	porque	se	torna	objeto	de	consumo	(BAUDRILLARD,	2012,
p.	174).
Embora	Baudrillard	afirme	que	a	publicidade	não	tem	responsabilidade	na
criação	do	produto,	ela	interfere	de	outra	maneira	no	meio	jornalístico.	Na
medida	em	que	uma	determinada	pauta	gera	um	alto	número	de	visualizações	–
principal	forma	de	mensuração	de	audiência	na	plataforma	digital	–,	mais
valorizado	se	torna	o	site	no	momento	da	negociação	dos	espaços	publicitários.
Seguindo	este	pensamento,	algumas	matérias	são	redigidas	apenas	por	significar
grande	quantidade	de	cliques.	Não	importa	se	o	conteúdo	é	apelativo,	antiético
ou	é	relacionado	à	vida	particular	de	alguma	celebridade,	a	nota	é	publicada	com
a	intenção	simplesmente	de	obter	ganhos	de	audiência	e,	consequentemente,
colaborar	no	futuro	como	poder	de	barganha.
Além	do	espaço	comercial	que	lhe	é	reservado,	a	publicidade	conseguiu	um
novo	jeito	de	expor	seu	produto	no	meio	jornalístico.	A	empresa	envia	os
produtos,	em	forma	de	press	kit	gratuito,	para	os	repórteres	especializado	na	área
de	interesse.	O	jornalista	tem	a	possibilidade	de	experimentar	a	mercadoria,
descobrir	seus	pontos	positivos	e	negativos,	e	redigir	um	texto	apenas	sobre	o
produto.	Se	ele	gostou,	ponto	positivo	para	a	atitude	da	empresa,	que	obterá	mais
uma	avaliação	benéfica	para	a	mercadoria	e	não	terá	custos	com	a	compra	de
mais	locais	para	propagandas.	Obviamente,	a	empresa	está	sujeita	também	a	uma
análise	negativa.	Embora	haja	comum	interesse	em	ambas	as	partes,	este
comportamento	é	antiético	na	produção	do	jornalismo.
Existe	ainda	mais	uma	parceria	entre	estes	dois	profissionais	de	comunicação
que	interfere	na	criação	de	pautas.	Diferente	da	anterior,	esta	é	mediada	por
dinheiro.	Antes	de	me	aprofundar	no	assunto,	constato	em	Baudrillard	que	“a
publicidade	tem	por	tarefa	divulgar	as	características	deste	ou	daquele	produto	e
promover-lhe	a	venda.	Esta	função	objetiva	permanece	em	princípio	sua	função
primordial”	(2012,	p.	174).	Os	publicitários	encontraram	mais	uma	maneira	de
comunicar	detalhes	sobre	seus	produtos,	de	forma	indireta.	Através	de	posts
patrocinados,	o	profissional	de	publicidade	oferece	dinheiro	e	seu	item	aojornalista	e,	em	troca,	deseja	uma	reportagem	listando	os	benefícios	e
características,	despertando	o	interesse	do	leitor	em	adquirir	o	produto.
O	objeto	lhe	é	vendido	mas	a	publicidade	lhe	é	“ofertada”.	O	jogo	publicitário
reconcilia-se	assim	habilmente	com	um	ritual	arcaico	de	dom	e	de	presente,	ao
mesmo	tempo	que	com	a	situação	infantil	de	gratificação	passiva	pelos	pais.
Todos	os	dois	visam	transformar	em	relação	pessoal	a	relação	comercial	pura
(BAUDRILLARD,	2012,	p.	181).
É	sob	esta	ótica	explicada	por	Baudrillard	que	posso	inserir	boa	parte	da
imprensa	praticada	no	ambiente	on-line.	O	jornalismo	corre	o	risco	de	se	tornar
refém	da	publicidade	e	esta,	por	sua	vez,	enxerga	nele	uma	oportunidade	maior
de	negócios	para	atingir	suas	metas.	No	jornalismo	esportivo,	a	propaganda
também	está	presente	e	faz	parte	do	espetáculo.	Assim	como	ela	financia
matérias	jornalísticas,	patrocina	igualmente	os	eventos	esportivos.
Todos	os	fatores	citados	influenciam	na	produção	da	informação	esportiva	na
internet.	O	espetáculo,	a	publicidade,	tudo	envolve	a	maneira	como	o	redator
produz	a	matéria,	como	tenta	transmitir	para	o	público	aquilo	que	acontece	por
meio	de	palavras,	imagens	e	vídeos.	Assim	como	o	jornalismo	vive	em	constante
adaptação	para	o	digital,	a	publicidade	também	acompanha	e	procura	novas
estratégias	de	expor	o	produto	e	impactar	o	consumidor.	O	repórter	nada	pode
fazer	se	o	pop-up	ou	o	vídeo	abre	em	cima	da	matéria	e	atrapalha	a	leitura.	Ele
sequer	participa	da	decisão	sobre	onde	entrará	uma	nova	propaganda.
A	publicidade	já	financia	programas	esportivos	na	internet	da	mesma	maneira
que	faz	na	televisão.	Com	o	aumento	de	transmissão	por	serviços	de	streaming	–
transferência	de	imagem	via	internet	–,	cresceu	a	oportunidade	de	os	veículos	de
comunicação	ganhar	em	patrocínios.	A	empresa	cria	uma	nova	atração	e	fecha
parcerias	com	outras	companhias	para	terem	seu	produto	exposto.
No	mundo	digital	do	jornalismo	esportivo,	a	internet	fez	da	publicidade	a
principal	fonte	de	renda.	Diferentemente	dos	anos	anteriores,	em	que	era
possível	aumentar	a	receita	através	de	assinaturas,	os	jornais	se	encontram	reféns
de	anúncios	publicitários,	a	ponto	de	optar	pelo	extremo	sensacionalismo	nas
reportagens	para	atingirem	as	suas	metas.
A	dificuldade	financeira	acontece	pelo	novo	comportamento	do	consumidor	de
notícias.	O	leitor	se	acostumou	a	encontrar	todas	as	informações	de	forma
gratuita	na	internet	e	não	parece,	por	enquanto,	estar	disposto	a	pagar	pelo
conteúdo	de	notícias.	Os	jornais	ainda	não	descobriram	uma	maneira	de
convencê-lo	a	fazer	isto,	ou	até	mesmo	oferecer	um	produto	exclusivo	que
realmente	desperte	a	vontade	do	leitor	de	se	tornar	um	assinante.	Com	exceção
da	publicidade,	um	novo	modo	econômico	ainda	não	se	consolidou	no
jornalismo	on-line.	Discuto	a	abordagem	do	novo	comportamento	do
consumidor	a	seguir.
3.4.	A	Era	do	Acesso
No	decorrer	deste	livro,	mostrei	como	o	meio	digital	interferiu	na	produção	do
jornalismo	esportivo	na	internet.	O	ritmo	na	redação	triplicou	de	velocidade,	a
criação	de	pautas	sofreu	alterações	e	se	adaptou	ao	ambiente	eletrônico,	em
especial	aquelas	que	garantem	elevados	números	de	audiência.
A	liquidez	das	notícias	modificou	a	forma	de	trabalho	do	profissional	de
comunicação.	São	inúmeras	notas	publicadas	a	todo	instante.	Por	conta	do
imediatismo,	a	qualidade	dos	textos	pode	sofrer	uma	queda.	Nesta	linha	de
raciocínio,	o	veículo	já	não	exige	tanta	capacidade	dos	seus	redatores	e,	por	isso,
não	oferece	altos	salários,	o	que	afasta	os	bons	jornalistas,	geralmente.
Não	é	somente	por	este	motivo	que	as	empresas	não	oferecem	melhores
pagamentos.	Os	veículos	de	jornalismo	na	internet,	em	sua	maioria,	ainda
buscam	novas	soluções	para	aumentar	o	retorno	financeiro.	A	técnica	de	caça-
clique	não	garante	todo	o	retorno	econômico	necessário	para	se	manter	no
mercado.	E	para	aumentar	ainda	mais	o	desafio,	o	comportamento	do
consumidor	de	informação	mudou	bastante	com	o	advento	da	tecnologia.	Ele
não	está	mais	acostumado	a	pagar	para	ler	reportagens,	diferente	do	que
acontecia	quando	existiam	somente	os	jornais	e	revistas	impressos.	O
economista	Jeremy	Rifkin	aborda	esta	questão	em	seu	livro	A	Era	do	Acesso
(2001).	Para	o	americano,	a	propriedade	está	perdendo	lugar	para	o	acesso.	Ele
afirma:
Na	nova	era,	os	mercados	estão	cedendo	lugar	às	redes,	e	a	noção	de	propriedade
está	sendo	substituída	rapidamente	pelo	acesso.	As	empresas	e	os	consumidores
estão	começando	a	abandonar	a	realidade	central	da	vida	econômica	moderna	–	a
troca	de	bens	materiais	entre	vendedores	e	compradores	de	mercado	(RIFKIN,
2001,	p.	4).
O	pensamento	de	Rifkin	combina	com	o	momento	do	jornalismo	na	internet.	Os
portais	se	encontram	em	dificuldade	econômica	pelo	fato	de	ainda	não	terem
descoberto	outras	fórmulas	para	se	manterem	rentáveis,	ou,	como	se	diz,	um
novo	modelo	de	negócio.	A	publicidade	–	aliada	à	questão	da	audiência	–	é	o
caminho	mais	comum	para	gerar	receita.	A	venda	de	espaços	publicitários
garante	a	maior	parte	da	renda.	Entretanto,	isto	não	tem	se	mostrado	suficiente,
tendo	em	vista	a	quantidade	de	jornalistas	demitidos	nos	últimos	meses,	além	do
fato	de	grandes	jornais	estarem	encerrando	as	atividades.
O	consumidor	encontra	tudo	o	que	procura	em	um	sem-número	de	sites.	No
campo	esportivo,	por	exemplo,	a	mesma	notícia	sobre	o	São	Paulo	Futebol
Clube	pode	ser	lida	tanto	na	GazetaEsportiva.net,	quanto	no	ESPN.com.br	ou	no
GloboEsporte.com,	como	é	o	caso	da	reportagem	em	que	o	clube	paulista
ultrapassou	o	Santos	em	números	de	sócios	torcedores.	Se	um	veículo	cobra	por
informação,	o	leitor	tem	a	possibilidade	de	recorrer	aos	sites	concorrentes	e	fazer
a	leitura	do	que	deseja	de	forma	gratuita.
Na	Era	do	Acesso,	como	designada	por	Rifkin,	para	este	novo	tipo	de	usuário
basta	estar	conectado	para	atingir	seus	objetivos.	A	propriedade	e	o	vínculo,	em
parceria	com	a	liquidez	da	mercadoria,	perdem	o	valor.	Rifkin	diz	exatamente
isto	em:
A	Era	do	Acesso	também	está	trazendo	consigo	um	novo	tipo	de	ser	humano.	Os
jovens	da	nova	geração	“mutável”	sentem-se	muito	mais	à	vontade	em	dirigir
negócios	e	se	engajar	em	atividade	social	nos	mundos	do	comércio	eletrônico	e
do	ciberespaço,	e	eles	se	adaptam	facilmente	aos	vários	mundos	simulados	que
compõem	a	economia	cultural	[...]	Para	eles,	o	acesso	já	é	uma	forma	de	vida,	e
embora	a	propriedade	seja	importante,	estar	conectado	é	ainda	mais	importante
(RIFKIN,	2001,	p.	10).
O	economista	americano	afirma	que	uma	das	soluções	parciais	para	este	novo
tipo	de	comércio	no	ambiente	digital	é	novamente	a	assinatura,	a	principal
receita	na	época	dos	impressos.	Embora	a	publicidade	seja	grande	parte	da
renda,	as	assinaturas	digitais	podem	ser	relevantes	na	parte	econômica.	Alguns
portais,	como	Folha	de	S.Paulo	e	o	Estado	de	S.Paulo	já	possuem	um	limite	de
matérias	lidas	gratuitamente	por	mês.	Para	se	ter	acesso	a	todo	conteúdo,	é
preciso	pagar	uma	mensalidade.	No	campo	esportivo,	porém,	não	há	nenhum	site
específico	que	cobre	por	informação.	E	não	há	um	movimento	que	aponte	para
esta	tendência,	por	enquanto.
Para	otimizar	o	acesso,	os	sites	especializados	em	esportes	já	possuem	versões
para	celulares	e	tablets	que	facilitam	a	navegação	e	a	leitura.	O
GloboEsporte.com	dispõe	de	um	aplicativo	que	contém	todo	conteúdo	do	portal
e	é	gratuito.	O	ESPN.com.br	também	tem	o	suporte	de	dois	aplicativos:	um
voltado	apenas	para	resultados	de	jogos,	com	poucas	matérias,	e	o	outro,
denominado	Watch	ESPN,	que	possibilita	assistir	à	programação	dos	canais
ESPN	no	smartphone.	Ambos	podem	ser	adquiridos	de	graça.	O
GazetaEsportiva.net	é	o	único,	dos	quatro	portais	estudados,	que	não	possui
aplicativo,	contando	apenas	com	a	versão	mobile	do	site,	igual	aos	concorrentes.
As	empresas	de	comunicação	se	preparam	para	este	novo	tipo	de	relação	entre	o
jornalismo	e	os	leitores.	Rifkin	fala	sobre	o	novo	tipo	de	negócio	que	acontece
no	ciberespaço:
O	novo	comércio	ocorre	no	ciberespaço,	um	meio	eletrônico	muito	distante	do
mercado	delimitado	geograficamente.	A	mudançano	comércio	primário	do
espaço	geográfico	para	o	ciberespaço	representa	uma	das	maiores	mudanças	na
organização	humana	e	precisa	ser	entendida	adequadamente,	na	medida	em	que
traz	consigo	grandes	mudanças	na	própria	natureza	da	percepção	humana	e	da
comunicação	social	(RIFKIN,	2001,	p.	13).
É	preciso	adaptar-se	aos	novos	mecanismos	que	colaboram	para	a	produção	do
jornalismo	esportivo	na	internet.	Os	meios	de	aumentar	o	acesso	são	muitos,
entretanto,	o	desafio	está	em	aumentar	o	retorno	financeiro.	O
GloboEsporte.com,	por	exemplo,	aposta	no	game	Cartola,	que,	como	explicado
no	capítulo	anterior,	consiste	em	escalar	hipoteticamente	os	jogadores	que
jogarão	na	próxima	rodada	e,	dependendo	da	atuação	destes,	rende	pontos	e
prêmios	para	os	melhores	internautas.	O	ESPN.com.br	também	tem	apostado	em
jogos	do	mesmo	estilo	Cartola,	mas	sobre	futebol	internacional,	basquete	e
futebol	americano.	É	um	meio	inteligente	de	incentivar	o	consumidor	a	ler	mais
notícias,	pois	o	obriga	a	estar	por	dentro	de	tudo	que	acontece	nos	clubes,	quem
joga,	quem	está	fora,	as	lesões,	tudo	para	montar	a	melhor	escalação	e	somar
mais	pontos.	O	leitor	se	vê	obrigado	a	consumir	o	conteúdo	do	portal	e	concorre
a	diversos	prêmios	ao	longo	da	temporada.
É	inevitável	afirmar	que	a	internet	trouxe	inúmeros	pontos	positivos	para	o
jornalismo	esportivo	digital,	como,	entre	outras	coisas,	a	possibilidade	de
conversão	de	várias	mídias,	como	vídeos	e	áudios,	além	do	texto.	Já	a	Era	do
Acesso	apresentou	um	novo	modelo	de	compra,	visivelmente	consolidado	nos
dias	de	hoje.	São	poucos	os	leitores	dispostos	a	pagar	por	informação,	e	o
material	fornecido	pelas	empresas	já	não	costuma	possuir	um	selo	de	alta
qualidade.	A	dificuldade	de	conquistar	o	cliente	é	evidente,	mas	esse	cliente
passou	a	ser	cada	vez	mais	disputado.	Alguns	portais	apostam	em	colunistas
como	maneira	de	fidelizar	o	leitor,	por	isso	investem	em	tirar	jornalistas
renomados	de	portais	concorrentes,	pagam	bons	salários	e	esperam	que	o	retorno
esteja	ainda	na	relação	entre	publicidade	e	audiência.
Os	obstáculos	surgidos	na	Era	do	Acesso	geram	para	o	jornalista	uma	boa	dose
de	preocupação	na	hora	de	definir	os	tipos	de	pauta,	escrever	e	publicar.	A
pressão	econômica	com	o	fim	das	assinaturas	aumentou,	e	o	lado	da	indústria
cultural	de	trabalhar	com	produtos	de	sucesso	garantido	–	os	best-sellers	–	ganha
um	peso	extra.	Bourdieu	segue	este	raciocínio	e	afirma	que	o	jornalista	tem	a
tendência	de	escolher	o	critério	da	audiência.	O	francês	diz	que
[...]	o	campo	jornalístico	está	permanentemente	sujeito	à	prova	dos	vereditos	do
mercado,	através	da	sanção,	direta,	da	clientela	ou,	indireta,	do	índice	de
audiência	[...].	E	os	jornalistas	são	sem	dúvida	tanto	mais	propensos	a	adotar	o
‘critério	do	índice	de	audiência’	na	produção	(1997,	p.	106).
A	mentalidade	de	audiência	é	a	principal	razão	que	afeta	a	produção	do
jornalismo	na	internet,	e	a	área	esportiva	tem	mostrado	claramente	essas
alterações.
CONSIDERAÇÕES	FINAIS
São	muitas	as	possibilidades	para	se	estudar	a	produção	do	jornalismo	esportivo
na	internet.	Quando	esta	pesquisa	se	iniciou,	os	portais	brasileiros	estavam
empenhados	em	utilizar	todos	os	recursos	disponíveis	de	tecnologia	para	fazer
uma	cobertura	de	alto	nível	durante	a	Copa	do	Mundo	de	2014,	realizada	em
território	brasileiro.	Até	então,	este	foi	o	grande	momento	da	criação	de
informação	esportiva	digital,	e	novas	técnicas	provavelmente	aparecerão	nos
Jogos	Olímpicos	do	Rio	de	Janeiro,	neste	ano	de	2016.
Esta	obra	procurou	demonstrar	como	foram	elaborados	os	relatos	das	partidas	do
mundial	de	futebol,	como	forma	de	investigar	a	produção	do	jornalismo	em
quatro	portais	de	perfis	completamente	diferentes,	além	de	se	aprofundar	nas
questões	de	reprodução	de	notícias	originadas	em	agências,	sobre	a	agilidade
necessária	e	também	sobre	as	dificuldades	econômicas	encontradas	por	grande
parte	dos	veículos	de	comunicação.	A	pesquisa,	de	modo	geral,	observou	como	a
profissão	do	jornalista	vem	sofrendo	alterações,	tanto	na	parte	de	criação	quanto
na	de	reprodução	de	conteúdos.
No	primeiro	capítulo,	ocupei-me	com	os	princípios	básicos	da	reportagem
jornalística	e	mostrei	como	a	reportagem	é	o	conto-jornalístico,	além	de	ressaltar
a	experiência	de	se	envolver	com	a	pauta,	no	local	onde	ela	acontece.	Em
seguida,	discuti	o	tema	do	espetáculo	e	dos	efeitos	da	espetacularização	sobre	a
notícia.	Ponderei,	assumindo	posição	sobre	os	mecanismos	que	a	internet
disponibiliza	para	o	jornalista	reproduzir	o	espetáculo	da	partida	de	futebol	em
uma	matéria	–	a	inserção	de	vídeos,	imagens,	infográficos	–	e	todas	as	técnicas
utilizadas	para	entreter	e	despertar	a	atenção	do	leitor.	Mostrei,	na	sequência,
toda	a	importância	que	o	texto	continua	a	assumir,	na	chamada	Era	da	Imagem,
por	mais	inusitado	que	isto	possa	parecer,	afinal,	as	reportagens	que	incluem
vídeos	têm	pouco	texto	ou	possuem	a	opção	de	expandir	a	crônica	após	os
primeiros	parágrafos.	Ao	fazer	este	questionamento,	outras	dúvidas	surgem	a
respeito	do	futuro	da	produção	do	jornalismo	na	internet.	Com	os	vídeos
ganhando	mais	destaque	–	eles	ocupam	a	principal	posição	no	material	–,	o	texto
se	tornou	secundário	em	algumas	reportagens,	o	que	exige	muito	menos	do
repórter	e,	como	consequência,	pode	desvalorizar	a	profissão	no	mercado	de
trabalho,	em	especial	no	que	tange	à	baixa	remuneração.
O	segundo	capítulo	trabalha	a	relação	da	alta	demanda	de	atividades	no
jornalismo	esportivo	digital	com	a	reprodução	de	notícias	por	parte	de	agências	e
assessorias	de	imprensa,	além	da	questão	da	indústria	cultural.	O	calendário	de
esportes	exige	uma	cobertura	praticamente	de	24	horas	por	parte	dos	portais
eletrônicos,	que	influenciam	diretamente	nas	pautas	–	é	a	agenda	da	mídia.
Como	forma	de	atingir	todas	as	metas,	o	portal	se	vê	obrigado	a	fazer	parcerias
com	agências	de	notícias,	que	enviam	notas	prontas	para	serem	publicadas.	O
jornalista	só	tem	a	obrigação	de	reproduzir	o	material.	Novamente,	entro	na
questão	de	valorização	da	profissão.	Poucos	veículos	de	comunicação	estão
dispostos	a	oferecer	bons	salários	se	só	exigem	do	seu	funcionário	a	reprodução
de	conteúdos	prontos,	que	carecem,	quando	muito,	um	trabalho	muito	pequeno	e
rápido	de	edição.	Inclusive,	como	mostrei	nesse	mesmo	capítulo,	há	robôs	sendo
desenvolvidos	por	agências	que	serão	capazes	de	redigir	pequenas	notas	para
serem	enviadas	aos	clientes.	Ao	relacionar	a	questão	de	calendário	e	reprodução
de	notícias,	encontro	pautas	semelhantes	em	vários	portais	–	já	que	são	parceiros
das	mesmas	agências	–	e	identifico	algumas	características	da	indústria	cultural,
seguindo	a	visão	de	Adorno	e	Horkheimer,	como	a	cultura	do	best-seller.	É
cômodo	manter	as	pautas	no	universo	dos	temas	que	o	leitor	já	espera.	É
preferível	ter	uma	audiência	garantida	a	inovar	e	deixar	a	zona	de	conforto.	O
conceito	de	espetáculo,	de	Debord,	também	se	alia	à	ideia	dos	autores	da	Escola
de	Frankfurt,	quando	me	refiro	à	acumulação	de	capital	pelo	consumo	de
mercadorias	em	larga	escala	e	ao	acúmulo	de	espetáculo	pelo	consumo	de
imagens.	No	âmbito	do	jornalismo	esportivo	na	internet,	posso	relacionar	essa
ideia	de	espetáculo	à	alta	demanda	do	meio	digital,	com	o	elevado	acúmulo	de
notícias	que	um	portal	eletrônico	possui	ao	longo	de	24	horas.	E	tendo	em	conta
esse	volume	enorme	de	matérias	publicadas,	é	quase	impraticável	para	uma
empresa	não	ter	a	ajuda	de	agências,	uma	vez	que	seria	preciso	uma	redação	de
proporção	enorme	para	cobrir	todos	os	esportes,	com	custos	altíssimos.
No	terceiro	capítulo	traço	um	panorama	geral	sobre	a	produção	do	jornalismo
esportivo	na	internet,	a	começar	com	o	tema	do	ritmo	acelerado	nas	redações	dos
periódicos	digitais.	A	agilidade	para	redigir	se	tornou	umas	das	principais
características	dos	novos	jornalistas.	É	preciso	ser	conciso,	veloz	ao	escolher	as
palavras	e	publicar	o	material	o	quanto	antes,	já	que	a	edição	e	correção	podem
ser	feitas	após	a	publicação.	Para	tanto,	acompanho	o	minuto	a	minuto	da
construção	do	relato	de	uma	partida	de	futebol	e	demonstroque	o	repórter
realiza	outras	funções,	além	da	de	analisar	e	descrever	o	jogo.	Ainda	neste
capítulo,	estudo	as	notícias	caça-cliques	e	a	relação	com	a	vida	privada	dos
atletas	celebridades.	O	interesse	pela	vida	particular	e	a	busca	a	todo	custo	pela
audiência	tornaram	este	tipo	de	reportagem	cada	vez	mais	frequente	nos
noticiários	esportivos.	Assuntos	que	eram	somente	para	portais	de	fofocas	e
famosos	aparecem	também	nos	sites	de	futebol.	Apoiado	em	Bauman,	discuto	a
liquidez	das	notícias,	em	como	elas	perdem	o	valor	rapidamente	na	internet.	Em
questão	de	minutos,	as	matérias	perdem	a	posição	de	destaque,	sua	relevância,	e
dão	lugar	a	uma	nova	leva	de	notícias.	Inclusive,	uma	reportagem,	que	pode	ter
levado	semanas	para	ficar	pronta	perderá	o	lugar	na	home	se	não	atingir	a
audiência	esperada	em	questão	de	poucas	horas.
Ainda	no	capítulo	final,	debato	sobre	como	a	pressão	econômica	influencia	a
produção	do	jornalismo	esportivo	eletrônico	e	amplio	o	assunto	para	os	meios	de
retorno	financeiro	que	um	portal	digital	pode	ter.	A	publicidade	é	a	principal
maneira	para	tentar	se	manter	viável	economicamente.	Aliado	à	audiência,	o
setor	comercial	negocia	os	espaços	publicitários	para	a	divulgação	de	marcas,
serviços	e	produtos	em	diferentes	partes	das	páginas	do	website,	mesmo	que
dificulte	a	leitura	–	o	importante	é	garantir	a	margem	de	lucro	ao	final	de	cada
mês.	As	dificuldades	econômicas	dos	sites	esportivos	podem	ser	parcialmente
compreendidas	pelos	estudos	de	Jeremy	Rifkin,	uma	vez	que	o	autor	trabalha	o
conceito	de	Era	do	Acesso,	em	que	os	consumidores	procuram	ter	acesso,	e	não
a	posse	do	produto.	Relaciono	esta	teoria	à	visível	e	inegável	mudança	de
comportamento	do	consumidor.	De	modo	geral,	o	leitor	não	está	mais	disposto	a
pagar	por	informação,	pela	assinatura	de	um	veículo	de	comunicação,	diferente
do	que	acontecia	quando	a	informação	só	era	disponibilizada	por	meio	de
revistas	e	jornais	impressos.	Caso	algum	site	limite	o	número	de	notícias
gratuitas,	o	consumidor	pode	encontrar	a	reportagem	sobre	o	mesmo	tema	em
diversos	outros	sites,	sem	que	precise	pagar	para	ter	o	acesso.	Não	é	mais
necessário	ter	a	posse	do	produto,	apenas	o	acesso	se	faz	suficiente.
É	inegável	que	talvez	o	leitor	não	queira	ter	uma	assinatura	pelo	pouco
diferencial	oferecido	por	parte	dos	jornais.	Nos	portais	estudados	–
ESPN.com.br,	GazetaEsportiva.net,	GloboEsporte.com	e	Folha.com.br	–	há
muita	semelhança	no	conteúdo	entregue	por	todos	os	veículos.	Ao	final	desta
obra,	destaco	dois	diferenciais	entre	os	websites.
Os	portais	oferecem	aos	leitores	vários	colunistas,	na	tentativa	de	entregar
conteúdo	diferenciado,	uma	visão	quase	que	exclusiva	do	conteúdo	ofertado.
Alguns	deles	exercem	a	função	de	comentaristas	em	canais	de	TV	–	de
diferentes	estilos,	alguns	desses	cronistas	com	o	domínio	de	análises	táticas	e
dados	estatísticos,	outros	que,	à	moda	antiga,	preferem	relatar	o	jogo	de	uma
maneira	mais	romantizada,	com	opiniões	contundentes	sobre	o	desempenho	das
equipes;	e	há	também	colunistas	de	política	esportiva,	focados	apenas	em
comentar	sobre	confederações	e	federações.	Alguns	sites	optam	por	trazer
blogueiros	torcedores,	e	nesse	caso	o	torcedor	encontra	ali	somente	notícias
sobre	o	time	do	coração.	O	leque	de	colunistas	é	bastante	variado:	já	que	é
possível	encontrar	o	hard	news	em	todos	os	concorrentes,	a	opção	por	um
diferencial	se	reflete	na	capacidade	e	confiança	que	o	jornalista	transmite	ao
leitor	em	sua	coluna.
A	inserção	de	vídeos	nas	reportagens	é	o	maior	diferencial	que	um	site	esportivo
na	internet	pode	apresentar.	Os	portais	donos	de	direitos	de	transmissão	possuem
o	conteúdo	mais	desejado	na	internet.	A	preferência	do	leitor	sempre	foi	pela
opção	de	assistir	ao	gol	do	seu	clube	em	vez	de	somente	ler	a	descrição	do	fato.
Quando	só	existia	TV,	ele	precisava	esperar	horas	até	a	iniciar	a	programação
esportiva,	algo	que	com	a	internet	não	é	mais	necessário.	O	internauta	não	lê	o
texto	para	saber	os	melhores	momentos,	ele	prefere	clicar	no	vídeo	e	assistir
quantas	vezes	quiser,	com	narração,	replay,	diferentes	ângulos.	O	vídeo	transmite
mais	emoção	do	que	as	palavras,	que	se	tornam	cada	vez	mais	rasas	e	com	a
missão	de	informar	apenas	de	modo	objetivo,	com	os	lances	mais	marcantes	do
confronto.	Por	isso	a	procura	é	sempre	maior	pelos	vídeos.	Os	sites	esportivos
que	têm	a	possibilidade	de	inserir	os	gols	e	melhores	momentos	na	reportagem	já
largam	na	frente	do	concorrente.
Na	verdade,	os	jornalistas	dos	portais	eletrônicos	nunca	tiveram	tantas
facilidades	para	criar	conteúdo	de	boa	qualidade.	Conforme	demonstrei	ao	longo
do	livro,	o	repórter	conta	com	diversos	recursos	para	enriquecer	a	matéria,
inclusive	a	opção	de	editar	após	a	publicação,	o	que	favorece	a	correção	de	erros
ou	ainda	permite	a	inclusão	de	mais	curiosidades.	Entretanto,	a	demanda,	a
agilidade	e	a	exigência	de	cobertura	do	maior	número	de	esportes	possível,
obriga	o	jornalista	a	simplificar	o	processo	de	criação	de	informação.	A
existência	de	um	vídeo	não	exclui	a	obrigação	de	um	texto	completo	e	de
qualidade.	E	nem	o	contrário.	Os	dois	se	complementam	e	agregam	valor	ao
material	a	ser	divulgado.	Este	possível	descaso	com	o	conteúdo	de	qualidade
pode	ser	identificado	como	uma	das	principais	características	do	jornalismo
esportivo	on-line,	uma	espécie	de	padrão	adotado	no	mercado,	do	mesmo	modo
que	a	espetacularização	se	tornou	uma	maneira	bastante	utilizada	para	atingir	os
objetivos	de	audiência	e	desbancar	a	concorrência.
Os	veículos	de	comunicação	se	encontram	em	uma	razoável	zona	de	conforto.
De	modo	geral,	é	pertinente	dizer	que	o	jornalismo	praticado	está	distante	do
ideal,	daquilo	que	se	estuda	na	faculdade,	porém	há	a	dificuldade	e	o	receio	de
inovar,	uma	vez	que	o	leitor	também	está	em	situação	de	comodidade	e	já	espera
receber	de	certo	modo,	e	num	certo	formato,	as	informações	que	habitualmente
consome.	Emissor	e	receptor	trilham	o	mesmo	caminho,	de	maneira	conveniente
para	ambos,	e	isto	molda	os	padrões	de	produção	do	jornalismo	esportivo	on-
line.
Como	já	citei,	a	internet	disponibiliza	muitos	recursos	para	se	produzir	uma
reportagem	de	qualidade.	São	várias	ferramentas	que	colaboram	para	a	criação
de	novos	conteúdos.	Em	uma	matéria,	podemos	inserir	imagens,	textos,	vídeos,
narrações,	tudo	para	que	o	leitor	se	sinta	atraído	a	consumir	a	nota,	a	se	informar
e	também	a	se	entreter.	Decerto,	o	jornalista	ainda	não	domina	completamente	as
possibilidades	que	a	internet	nos	oferece	para	a	criação	e	produção	de	conteúdo.
Embora	o	jornalismo	esportivo	digital	crie	conteúdos	interessantes,	é	preciso
encontrar	maneiras	de	fazer	com	que	a	maior	parte	da	produção	seja	de	alta
qualidade	e	não	apenas	superficial,	que	a	matéria	escrita	volte	a	ser	suficiente
para	o	leitor,	que	as	palavras	transmitam	a	emoção	de	um	gol	anotado	pelo
atacante	preferido,	que	não	se	dependa	tanto	dos	vídeos	para	se	ter	um	conto
jornalístico.
O	jornalismo	esportivo	on-line,	assim	como	todo	o	mercado,	enfrenta	uma	séria
crise	econômica	e,	para	se	recuperar	visando	um	futuro	mais	promissor,	é	preciso
que	o	próprio	jornalismo	recupere	os	seus	valores,	retorne	aos	seus	princípios
básicos,	perdidos	nos	últimos	anos	na	tentativa	de	domínio	completo	dos	meios
eletrônicos.	Não	há	dúvidas	de	que	a	internet	é	local	privilegiado	para	que	o
jornalismo	esportivo	eleve	sua	produção,	basta	ver	que	o	acesso	ao	ambiente	on-
line	é	cada	vez	mais	simples	e	democrático.	Porém,	com	o	uso	adequado	de
ferramentas	variadas	oferecidas	pelo	digital,	é	possível	que	o	jornalismo
esportivo	se	adapte	ao	ambiente	on-line	sem	precisar	dispor	de	alta	qualidade	na
criação,	comprometendo	desse	modo	a	produção	de	notícias	por	conta	da
agilidade	e	velocidade	exigidas	pelo	mercado.
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hexa/>.	Acessado	em:	16	jan.	2015.
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15	Dados	fornecidos	pela	empresa.
16	Disponível	em:	<http://espn.uol.com.br/noticia/523047_novatos-do-sao-
paulo-se-dizem-prontos-para-enfrentar-o-atletico-pr>.	Acessado	em:	30
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prontos-para-enfrentar-o-atletico-
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jun.2015.
17	Dados	fornecidos	pela	empresa.
18	Elaboração	do	autor.
19	Elaboração	do	autor.
20	Disponível	em:
http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2013/resumos/R8-1650-1.pdf
21	Disponível	em:	<http://migre.me/sqfok>.	Acessado	em:	16	dez.	2015.
22	Recortes	das	páginas	principais	da	ESPN.com.br	e	GazetaEsportiva.net.
Acessado	em:	18	nov.	2015.
	Cover Page
	CAPA
	SUMÁRIO
	INTRODUÇÃO
	CAPÍTULO1 - O ESPETÁCULO DO FUTEBOL NO JORNALISMO ESPORTIVO NA INTERNET
	CAPÍTULO2 - AS TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO E O ESPETÁCULO NO JORNALISMO ESPORTIVO NA INTERNET
	CAPÍTULO3 - A PRODUÇÃO DO JORNALISMO ESPORTIVO DIGITAL NA ATUALIDADE
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	REFERÊNCIAS

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