Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Operação Nó Górdio 
A Operação Nó Górdio foi a maior e mais dispendiosa campanha militar portuguesa na 
província ultramarina de Moçambique, na África Oriental. Decorreu em 1970, durante a 
Guerra Colonial Portuguesa (1961 - 1974). Os objectivos desta campanha consistiam em 
erradicar as rotas de infiltração das guerrilhas independentistas ao longo da fronteira com a 
Tanzânia e destruir as suas bases permanentes em Moçambique. A Nó Górdio durou sete 
meses, mobilizou no total trinta e cinco mil militares e foi parcialmente bem-sucedida. 
 
A operação consistia num cerco intenso com vista ao isolamento do núcleo central do Planalto 
dos Macondes, onde se encontravam as grandes bases de Gungunhana (objectivo A), 
Moçambique (objectivo B) e Nampula (objectivo C). Após conseguido o isolamento, estava 
programado o assalto e destruição destes objectivos. Atingindo estes objectivos, esperava-se 
uma desarticulação e desmoralização da FRELIMO, embora esta não tenha sido impedida de 
actuar em qualquer dos teatros de operações, conforme se verificou posteriormente. 
A Nó Górdio foi lançada sob ordens de Kaúlza de Arriaga, entretanto promovido a 
comandante-chefe após oito meses de comando de forças terrestres no teatro de operações 
moçambicano, e executada pelo Comando Operacional das Forças de Intervenção (COFI). O 
início da Operação Nó Górdio foi marcado para 1 de Julho de 1970, com a presença do general 
Comandante-Chefe e do seu Estado-Maior em Mueda, prolongando-se até 6 de Agosto, tendo 
participado mais de oito mil homens, onde se incluía a totalidade das forças especiais 
(Comandos, para-quedistas e Fuzileiros) e dos Grupos Especiais e a quase totalidade da 
artilharia de campanha, unidades de reconhecimento e de engenharia. 
Esta operação incluía acção psicológica, com uma secção instalada em Mueda, e equipas de 
acção psicossocial em Mueda e no Sagal. 
Segundo os relatórios em Portugal, terão sido mortos 651 guerrilheiros e 1840 capturados 
contra 132 militares portugueses mortos. Kaúlza de Arriaga reivindicou também que as suas 
tropas teriam destruído 61 bases e 165 campos, e capturadas 40 toneladas de munição, 
apenas nos primeiros dois meses. 
Fonte: Wikipedia 
Forças armadas - Portugal 
Período - 1970 
Local - Distrito de Cabo Delgado 
Unidades: 
Agrupamento de Assalto A 
1ª Companhia de Comandos de Moçambique 
17ª Companhia de Comandos 
18ª Companhia de Comandos 
23ª Companhias de Comandos 
Companhia de Caçadores nº 2730 
Grupo Especial 203 
2 x Pelotões de Morteiros de 81 mm 
Destacamento de Engenharia 
Bataria de Artilharia de 88 mm 
Agrupamento de Assalto B 
1ª Companhia do Batalhão de Caçadores Paraquedistas nº 31 
1ª Companhia do Batalhão de Caçadores Paraquedistas nº 32 
2ª Companhia do Batalhão de Caçadores Paraquedistas nº 32 
Companhia de Caçadores nº 2468 
Companhia de Caçadores nº 2665 
Grupo Especial 205 
2 x Pelotões de Morteiros de 81 mm 
Destacamento de Engenharia 
Bataria de Artilharia de 88 mm 
Agrupamento de Assalto C 
Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 5 
Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 11 
2ª Companhia do Batalhão de Caçadores Paraquedistas nº 31 
21ª Companhia de Comandos 
Companhia de Caçadores nº 2666 
Grupo Especial 201 
Pelotão de Morteiros de 81 mm 
Bataria de Artilharia de 88 mm 
Força de Cerco Norte 
1ª Companhia do Batalhão de Caçadores nº 15 
Companhia de Artilharia nº 2718 
Companhia de Artilharia nº 2719 
Companhia de Cavalaria nº 2399 
Companhia de Artilharia nº 2400 
Esquadrão de Reconhecimento nº 2 
Força de Cerco Sul 
Companhia de Caçadores nº 2407 
Companhia de Caçadores nº 2408 
Companhia de Artilharia nº 2646 
Companhia de Artilharia nº 2648 
Companhia de Cavalaria nº 2398 
Esquadrão de Reconhecimento nº 1 
Força de Apoio de Combate 
1ª Companhia do Batalhão de Engenharia nº 2 
Companhia de Engenharia nº 2736 
Apoio Aéreo 
Aeródromo de Manobra nº 51 (base operacional) 
Aviões Do 27 e T-6 (reconhecimento e apoio de fogo) 
Aviões Fiat G-91 (bombardeamento) 
Avião Douglas DC-3 (acção psicológica) 
Helicópteros Alouette III (transporte de manobra e assalto e evacuação sanitária) 
Total de Efectivos: +8000 militares 
Missão 
Desarticular a acção da FRELIMO em Cabo Delgado, através de uma grande operação de 
varredura, cerco e destruição das bases inimigas Moçambique, Gungunhana e Nampula. Esta 
foi uma das mais importantes operações militares das Forças Armadas Portuguesas no 
decorrer da Guerra contra os Movimentos de libertação existentes nas então Províncias 
Ultramarinas. 
O Sr. General, Comandante das 
Forças Portuguesas dirigiu-se a estas 
identificando a operação como: ”…a 
mais importante de todas quantas, 
até hoje, se realizaram em 
Moçambique. Importante, quanto ao 
potencial de combate empregado e 
importante quanto ao objectivo a 
atingir.” Zona de actuação: 
Moçambique, Planalto de Mueda 
Período: 1 de Maio de 1970 e 6 de 
Agosto de 1970 Objectivos da 
Operação: - Destroçar o inimigo que, armado, pretende dominar a região; - Libertar as 
populações escravizadas; - Restabelecer a ordem e a Paz. 
Composição das Forças Portuguesas: - 7 Comandos Operacionais; - 7 Companhias de 
Caçadores; - 4 Companhias de Artilharia; - 3 Companhias de Cavalaria; - 2 Destacamentos de 
Fuzileiros; - 5 Companhias de Comandos; - 4 Companhias de Para-quedistas; - 3 Grupos 
Especiais; - 2 Esquadrões de reconhecimentos; - 1 Companhia de Morteiros médios; - 3 
Baterias de Artilharia de Campanha; - 2 Companhias de Engenharia. A Força Aérea colaborou 
na Operação com ataques ao solo e bombardeamentos (que também ocorreram no decorrer 
da Operação) no exterior do núcleo central para confundir o inimigo e ainda efectuou missões 
de: - Reconhecimento aéreo; - Ligação e controlo; - Transporte táctico; - Apoio de fogo; - 
Evacuação e reabastecimentos. As transmissões foram asseguradas por: - Centro de 
mensagens junto do COFI; - Centro de cripto; - Central de Rádio; - Redes de comando em HF; - 
Redes de VHF; - Rede VHF de emergência; - Rede de ligação para apoio aéreo; - Destacamento 
avançado de manutenção e reabastecimento. 
As acções preparatórias da Operação “Nó Górdio” foram executadas durante os meses de 
Maio e Junho de 1970. 
Durante a preparação e 
no decorrer da operação 
morreram do lado 
Português 42 pessoas (4 
Civis, 1 Capitão, 1 Alferes, 
1 Furriel Miliciano, 7 1.ºs 
Cabos e 28 Soldados) e 
registaram-se 35 feridos 
com gravidade. Foram 
identificadas as seguintes 
baixas nas forças 
oponentes, 104 Mortos e 
20 Feridos confirmados. 
As Forças Portuguesas 
efectuaram cerca de 100 prisões. Foram destruídas 16 viaturas Portuguesas, sendo que 4 eram 
blindadas. Do material apreendido às forças oponentes, destacam-se 82 granadas de morteiro 
e diversas minas anti-carro e anti-pessoal. Foram destruídas cerca 10.000 palhotas que 
constituíam o interior do núcleo central. Apreenderam-se diversos documentos de 
importância político/militar dos quais se destaca um “processo de averiguações das causas da 
morte de Mondlane e um projecto para assassinar Lázaro Kavandame. Curiosidade: Alguns 
aspectos da operação “Nó Górdio” foram acompanhados por uma equipa de televisão alemã. 
O Chefe dessa equipa entregou ao Comandante do COFI um relógio para entregar ao Militar 
indígena que mais se destacasse na operação. Foram identificados 26 militares com essas 
características, mas por ser impossível determinar qual se tinha destacado, o relógio não foi 
entregue a nenhum soldado, mas sim no Quartel-general da Região Militar de Moçambique. A 
sua entrega ao militar que mais se destacou, ficou a aguardar uma identificação mais precisa. 
Este texto elaborado por Júlio Santos em Jan2008, em memória de todos os que morreram e 
em homenagem aos que combateram. Por razões de confidencialidade não faz referência à 
forma “como” decorreu a Operação. Bibliografia: Relatório da “Operação Nó Górdio” 
Fonte: WikipediaOperação 
A situação em Cabo Delgado, em finais de 1969, era de acentuada pressão sobre os 
aquartelamentos militares portugueses, com a minagem dos itinerários e ataques às colunas 
tácticas e logísticas, tentando a Frelimo expandir as suas acções para sul do rio Messalo. 
 
Espalhava-se a ideia de que o Planalto Central era zona inacessível às tropas portuguesas 
depois de, no final desse ano, unidades de para-quedistas e comandos não terem conseguido 
alcançar as grandes bases da guerrilha - Gungunhana e Moçambique. Em Dezembro, dois 
terços das acções da Frelimo estavam concentrados em Cabo Delgado, servindo o triângulo 
serra do Mapé-Macomia-Chai como apoio dos guerrilheiros, no seu avanço para sul. No 
primeiro trimestre de 1970, verificou-se a intensificação da guerra, com a Frelimo a ultrapassar 
o rio Messalo, em direcção ao rio Lúrio, e a confirmação de acções em Tete/Cabora Bassa. A 
actividade da guerrilha aumentou mais de 40 por cento, continuando a caber a maior 
percentagem ao emprego de minas. A Frelimo demonstrava um maior interesse pelo sector de 
Tete, onde se instalavam os grandes empreendimentos económicos de Cabora Bassa. O 
contínuo agravamento da situação militar e a impossibilidade de aumentar o esforço de 
guerra, quer em efectivos metropolitanos quer em material de combate, levaram o general 
Kaúlza de Arriaga, ainda como comandante do Exército, a intensificar a formação de unidades 
de recrutamento local, que utilizaria intensamente como comandante-chefe. Nos finais de 
1969, foi criado o Batalhão de Comandos e formada a 1.ª Companhia de Comandos de 
Moçambique. Logo em Janeiro de 1970, a Região Militar anunciou a formação dos primeiros 
seis grupos especiais (GE) de milícias, com o total de quinhentos e cinquenta homens. 
 
Em Abril de 1970, foi referenciada a presença de Samora Machel em Cabo Delgado, para 
apresentar os planos de uma grande ofensiva a executar em Junho e Julho. Esta visita fez 
aumentar a actividade militar da Frelimo a nível nunca igualado. De facto, enquanto no 
segundo trimestre de 1969 o movimento realizou 154 acções, das quais 98 foram minas, no 
primeiro trimestre de 1970 essas acções subiram para 685 (646 eram minas) e no segundo 
para 759 (652 eram minas). Com este cenário por pano de fundo, o general Kaúlza de Arriaga, 
já comandante-chefe, decide lançar a Operação Nó Górdio, atribuindo a sua execução ao 
Comando Operacional das Forças de Intervenção (COFI), criado em Novembro de 1969 para o 
emprego conjunto de forças do Exército, Marinha e Força Aérea em missões de grande 
envergadura, em situações de emergência e em operações especiais. A preparação pode dizer-
se que foi iniciada com a primeira experiência do COFI, em Maio de 1970, na condução de uma 
operação ao longo da estrada Mueda-Mocímboa da Praia, envolvendo unidades de comandos, 
para-quedistas e fuzileiros, apoiadas por artilharia e aviação, a qual serviu de treino ao estado-
maior do COFI e permitiu aliviar a pressão sobre um itinerário fundamental para o apoio 
logístico à grande operação que se preparava. 
Entretanto, desde a tomada de posse do general Kaúlza de Arriaga que o seu Quartel-General 
em Nampula trabalhava nos preparativos que iriam concretizar o seu conceito de manobra em 
acções de contraguerrilha: executar operações de grande envergadura sobre objectivos 
materializados no terreno, com o máximo de forças. 
Para tal, processou-se intensa 
acção de reparação e reunião 
de materiais, sobretudo 
artilharia e auto-
metralhadoras; transferiram-se 
depósitos de munições, 
combustíveis e víveres para o 
Norte; prolongou-se a pista de 
Mueda, de modo a nela 
poderem operar aviões Fiat G-
91, e a de Nangololo, para 
receber Nord-Atlas de 
transporte; deslocaram-se efectivos do Sul para o Norte, incluindo algumas unidades em fim 
de comissão; receberam-se novos materiais, especialmente alguns detectores de minas e 
rádios; e preparou-se, finalmente, um plano de acção psicológica destinado às populações e 
forças portuguesas. A maioria destes meios foi reunido em Mueda, que se transformou em 
enorme base de operações. O início da Operação Nó Górdio foi marcado para 1 de Julho de 
1970, com a presença do general Comandante-Chefe e do seu Estado-Maior em Mueda, 
prolongando-se até 6 de Agosto. Nela participaram mais de oito mil homens, que 
representavam cerca de 40 por cento dos efectivos das tropas de combate no território (vinte 
e dois mil), uma concentração que esgotou as reservas disponíveis, pois empenhou a 
totalidade das unidades de forças especiais 
(comandos, para-quedistas e fuzileiros) e os 
grupos especiais (GE), recém-criados, mais a 
quase totalidade da artilharia de campanha, 
unidades de reconhecimento e de 
engenharia. O conceito da operação 
assentava num cerco e batida com grandes 
meios, prevendo o isolamento da área do 
núcleo central do Planalto dos Macondes, 
onde se encontravam as grandes bases 
Gungunhana, Moçambique e Nampula, através de um cerco ao longo dos itinerários Mueda-
Sagal-Muidumbe-Nangolo-Miteda-Mueda, com a extensão de 140 quilómetros e, após 
conseguido o isolamento da área, o assalto e destruição dos principais objectivos do núcleo 
central: 
 
objectivo A base de artilharia Gungunhana; 
objectivo B base provincial Moçambique; 
objectivo C base Nampula. 
 
A manobra seria apoiada no terreno com fogos de artilharia e de aviação, em acções de 
flagelação e de concentração sobre os objectivos. 
Para criar condições de aproximação a estes e 
actuar sobre eles, seriam organizados 
agrupamentos de forças para procederem à 
abertura simultânea de picadas em direcção aos 
objectivos A e B, o mesmo sucedendo 
posteriormente para atingir o objectivo C, e, por 
fim, previa-se manter o cerco e continuar a bater 
e a eliminar todas as organizações referenciadas 
ou a referenciar. As acções militares deveriam ser 
conjugadas com intensa campanha de acção 
psicológica, para provocar a rendição e a 
desmoralização do inimigo. Os agrupamentos de 
cerco seriam constituídos por unidades de 
caçadores e por unidades de reconhecimento, 
realizando as primeiras emboscadas em 
permanência, enquanto as segundas 
patrulhariam os itinerários. Os agrupamentos de 
assalto disporiam de uma composição inter 
armas, do tipo task force, incluindo unidades de 
forças especiais, forças regulares, de apoio de fogos (artilharia e morteiros) e de engenharia. A 
esta cabia papel de grande sacrifício e risco na abertura das picadas tácticas desde as estradas 
Mueda-Miteda e Miteda-Nangololo até à proximidade dos objectivos, onde seriam criadas as 
bases de ataque para as forças de assalto. A operação era concebida como manobra do tipo 
convencional, em que se pretendia alcançar com um ataque em força o que do antecedente 
não fora conseguido, empregando a surpresa. 
Execução da Operação 
Para cumprimento deste plano foram constituídos sete agrupamentos: dois para o cerco 
(Norte e Sul) e quatro de intervenção, um para cada objectivo e um para reserva. 
 
- 1 Julho - Início. Os agrupamentos de cerco começaram a sua instalação. Os agrupamentos de 
assalto A e B principiaram o movimento para os objectivos. 
- 3 Julho - O agrupamento de assalto B (para-quedistas) iniciou a progressão de Nangololo para 
o objectivo B - base Moçambique - , com o apoio da engenharia na abertura da picada desde 
Capoca até Gole. 
- 4 Julho - O agrupamento de assalto A (comandos) chegou à base de ataque, a dois 
quilómetros do objectivo – base Gungunhana. 
- 5 Julho - Realizou-se a primeira tentativa de assalto à base Gungunhana, que não se 
encontrava na localização prevista. 
- 6 Julho - Foi localizada e assaltada a base Gungunhana, que fora abandonada recentemente. 
Estava localizada na encosta de uma pequena colina, no interior de mata densa, ocupava a 
área de 100x500 metros, dispunha de mais de cem palhotas, era circundada por uma vala e 
tinha abrigoscontra morteiros e ataques aéreos. 
Foi assaltada a base Moçambique pelas forças para-quedistas. Era constituída por cerca de 
duzentas palhotas e encontrava-se abandonada havia cerca de dois meses. 
 
- 12 Julho - O agrupamento de assalto C (fuzileiros) iniciou o deslocamento de Mueda para o 
objectivo C – base Nampula. 
- 15 Julho - Foi atingido o objectivo C. A base Nampula era constituída por cerca de cinquenta 
palhotas e encontrava-se abandonada há dois meses. 
- 16 Julho a 6 Agosto – Realizaram-se acções de permanência. 
Após os ataques aos objectivos A, B e C, foram organizadas bases temporárias nas suas 
proximidades e atribuídas áreas de responsabilidade aos agrupamentos de ataque, com a 
finalidade de eliminar da 
zona as unidades de 
guerrilha ainda activas. 
As forças de cerco 
mantiveram-se em 
posição até 2 de Agosto, 
realizando emboscadas e 
implantando armadilhas, 
para completar e 
melhorar a manobra. 
Em coordenação com as 
acções militares foram 
realizadas operações 
psicológicas com a 
finalidade de separar as populações dos guerrilheiros, desmoralizar os combatentes e 
fomentar as apresentações, considerando-se que 
a Frelimo controlava cerca de sessenta mil 
pessoas na zona do planalto. 
Para este efeito, foi instalada em Mueda uma 
secção de acção psicológica, constituídas equipas 
de recepção de refugiados em Sagal, Diaca, 
Miteda e Muidumbe e equipas de acção 
psicossocial em Mueda e no Sagal. Também as 
autoridades administrativas receberam instruções 
para armazenar reservas de víveres, a fim de 
fazerem face às necessidades imediatas de apresentados e capturados. 
Contudo, «não obstante a acção psicológica realizada pelas forças nacionais, as populações 
não se apresentaram. De forma geral, afastaram-se para fora do alcance das forças militares e 
construíram novas palhotas, ou então regressaram para a proximidade das antigas, logo que 
lhes foi possível» (extracto do relatório de operação). 
Apreciação final da situação pelo comando português: 
«Em relação ao inimigo ele foi: 
- Desarticulado, em consequência da destruição das suas organizações; 
- Atemorizado, pelo potencial e espírito das NT, em que não acreditava; 
- Desmoralizado, elas carências de toda a ordem; 
- Desprestigiado perante as populações. 
As populações, cansadas de luta tão prolongada, apresentavam acentuado desequilíbrio 
psicológico. Chegou a "sentir-se" claramente que a população vacilava entre continuar a 
resistência ou entregar-se. 
As forças nacionais, em resultado da consumação, com 
êxito, de uma operação duríssima e da sua superioridade 
sobre o inimigo, mostravam-se confiantes em si próprias e 
nos seus chefes e compreendiam a necessidade de 
continuar a luta até à vitória final. 
Com a destruição do "mito" do núcleo central, toda a 
iniciativa no distrito de Cabo Delgado passou, sem qualquer 
dúvida, para as forças nacionais» (extracto do relatório da 
operação). 
A Frelimo, apesar da Operação Nó Górdio, não foi impedida 
de actuar em qualquer dos teatros de operações. A sua 
actividade no terceiro trimestre de 1970 provocou as 
seguintes baixas e destruições às forças portuguesas, nas zonas não abrangidas pela operação: 
 Mortos Feridos Graves Viaturas destruídas 
Niassa 17 77 14 
Cabo Delgado 25 70 33 
Tete 9 45 13 
Total 51 192 60 
 
RESULTADOS 
Frelimo 
Guerrilheiros mortos (em acção directa de combate) 67 
Capturados (homens) 31 (mulheres) 42 (crianças) 28 
Forças Portuguesas 
Mortos (militares) 22 *(15) 
(civis) 4 
Feridos graves 27 *(27) 
Feridos ligeiros 55 *(31) 
Viaturas destruídas e danificadas 15 
Minas detectadas 155 
*( ) Devido a minas 
De facto, só em Cabo Delgado, onde se desenrolou a Operação Nó Górdio, as forças da Frelimo 
realizaram, durante o período em que ela durou (Julho) e depois de anunciada a vitória 
portuguesa (Agosto e Setembro), as seguintes acções fora da zona de operações: 
 
- 12 de Julho - Ataque a Miteda com um grupo de cerca de cem guerrilheiros, que só se 
retiraram após as forças portuguesas terem utilizado helicópteros armados e canhão sem 
recuo; 
- 15 Julho – Colocação de 73 minas na estrada Montepuez-Nancatari-Mueda; 
- 15 e 16 Julho - Colocação de engenhos explosivos perto de Omar (a norte do núcleo central); 
- 21 de Julho - Emboscada na estrada Muaguide-Meluco, a sul do rio Messalo, na região de 
Macomia; 
- 28 e 29 de Julho e 17, 27 e 29 de Agosto - Ataques ao aquartelamento de Omar, sempre com 
forte potencial de fogo (canhões sem recuo e metralhadoras pesadas) e muito próximo do 
aquartelamento. 
 
Estas acções da Frelimo, fora da 
área em que se desenrolou a 
Operação Nó Górdio, 
demonstram que o movimento 
manteve operacionais as suas 
estruturas em todos os sectores. 
No Niassa, durante este período, 
realizou 142 acções, mais 23 do 
que no trimestre anterior e mais 
34 do que em igual período do 
ano de 1969. Em Tete, efectuou 
neste trimestre 239 acções, mais 
100 do que nos três meses anteriores e mais 141 do que em igual período do ano de 1969. 
Em resumo, na zona de Cabo Delgado a Operação Nó Górdio não fez diminuir as acções 
militares da Frelimo nas 
áreas exteriores ao núcleo 
central, onde as forças 
portuguesas concentraram o 
seu esforço. Nas frentes do 
Niassa e de Tete, o 
movimento aumentou 
significativamente o número 
das suas acções. 
Em 3 de Agosto, ainda antes 
do final oficial da Operação 
Nó Górdio, em ofício 
enviado pelo Comando-Chefe de Moçambique ao Secretariado-Geral da Defesa Nacional 
(SGDN), Kaúlza de Arriaga transmitia a opinião de que «vencida e ultrapassada esta fase da 
guerra em Moçambique, outra poderá ter lugar na qual o inimigo disporá de meios mais 
evoluídos, como carros de combate, foguetões terra-terra e aviões de combate». 
Em Dezembro de 1970, também em ofício para o SGDN, o comandante-chefe de Moçambique 
afirmava: «Não é possível garantir o sucesso em Moçambique com efectivos actuando em 
terra inferiores a 105 companhias de caçadores, nove companhias de comandos e quatro 
companhias de para-quedistas.» 
Em Outubro de 1970, dois meses após o final da operação, o Comando-Chefe de Moçambique 
considerava como possibilidade mais perigosa que a Frelimo afectasse gravemente o distrito 
de Tete pelo incremento das acções de guerrilha e pelo seu alastramento à Angónia e a Tete, o 
que, de facto, veio a verificar-se. 
Na sequência da Operação Nó Górdio, as forças portuguesas planearam a Operação Fronteira, 
canalizando o seu esforço para Norte, enquanto a Frelimo reorientava a sua prioridade para 
Tete e para o Sul, mantendo contudo pressão suficiente no Norte, para não permitir que as 
forças portuguesas deslocassem efectivos. 
Em contraguerrilha, as operações de grande envergadura ficam, de modo geral, aquém dos 
resultados esperados, mas a verdade é que surgem sempre comandantes tentados a lançá-Ias. 
A Frelimo seguiu as máximas de Sun Tsu, de retirar quando o inimigo ataca e de o atacar 
quando ele se movimenta. Não admira, por isso, que se verificasse reacção violenta dos 
guerrilheiros à movimentação das forças portuguesas, em especial na abertura das picadas 
tácticas, quando estas se encontravam mais vulneráveis; que não defendessem as suas bases, 
porque o terreno não é importante na guerra de guerrilha; e que o cerco das forças 
portuguesas não produzisse os resultados desejáveis, pois era muito extenso, os guerrilheiros 
e as populações conheciam o terreno e a localização das emboscadas, os efectivos disponíveis 
eram escassos em relação às missões e constituídos ou por unidades recém-chegadas ou que 
já tinham terminado as suas comissões. 
Mesmo o objectivo de conquistar as populações ficou longe de ser alcançado, pois a área era 
demasiado extensa para as possibilidades de exploração das forças de assalto aos objectivos, o 
que deu às populações a possibilidade de aguardar o resultado dos acontecimentos em 
relativasegurança, fora do alcance das forças de cerco. Não admira, por isso, que não se 
tivesse verificado o êxodo das populações com as consequentes capturas. Acresce que as 
intensas campanhas de acção psicológica, utilizando meios aéreos de difusão de mensagens, 
também não motivaram apresentações. 
Fonte: RTP1

Mais conteúdos dessa disciplina