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FOTOPOLIMERIZAÇÃO Polimerização é a reação química que da origem aos polímeros - é a transformação de monômeros em polímeros. É na matriz orgânica das resinas compostas que ocorre o processo de polimerização. Existem vários tipos de matrizes orgânicas, o mais utilizado é o Bis-GMA. A polimerização química ocorre em uma reação base mais catalisador. O agente iniciador é o peróxido de benzoíla (pasta catalisadora) e o ativador é uma amina terciária (pasta base). As pr imeiras resinas compostas t inham uma polimerização química - desvantagem: o dentista não tinha nenhum controle sobre o tempo de trabalho. Na polimerização física, temos uma pasta única, onde o iniciador é um fotoiniciador mais uma amina ativadora e são ativados por luz. Polimerização dual ocorre quando há os dois sistemas de ativação. MECANISMO DA FOTOPOLIMERIZAÇÃO: Iniciação: • Excitação do fotoiniciador pela luz, que interage com uma amina terciária liberando radicais livres. Propagação: • A liberação de radicais livres faz com que as duplas ligações de C sejam quebradas, liberando mais radicais livres, o que proporciona a propagação do processo de polimerização; • Formação de uma rede tridimensional de ligações do tipo linear ou cruzada. Terminação: • À medida que o material vai se tornando mais rígido, d i f icul ta a ocorrência de reações químicas responsáveis pela polimerização e a terminação acaba por finalizar o processo efetivo de polimerização. FOTOINICIADORES: • Canforoquinoma (CQ) - 468nm • Irgacure 819 - 400 a 450nm • Fenilpropanodiona (PPD) - 410nm • Lucirin (TPO) - 375 a 410nm • Óxido monoacilfosfina (MAPO) - 375 e 410nm • Óxido bisacilfosfina (BAPO) - 400 a 450nm A canforoquinona é a mais utilizada - presente em concentrações que variam de 0,15 a 0,3%; excitada pela luz visível de cor azul, entre 450nm; tem como defeito possuir uma cor amarelada - pode resultarem um efeito amare lado indese jado no dente res taurado, principalmente nos compósitos para dentes clareados. Sistemas fotoiniciadores alternativos - menor intensidade de amarelo. Absorvem luz em comprimentos de ondas menores (com extensões do perfil de absorção para comprimento de onda visíveis). Exemplos de produtos comercializados no Brasil que não contém canforquinona: • Biscover (bisco) - selante de superfície. • Panavia F (Kuraray) - cimento resinoso dual. • Pyramid esmalte e translúcida (bisco) - resina composta. UNIDADES DE FOTOATIVAÇÃO: • Diodos emissores de luz (LED); • Lâmpadas halógenas de quartzo - tungstênio; • Arco de plasma; • Laser de argônio. LÂMPADA HALÓGENA Essa luz compreende um espectro amplo e é emitida em comprimentos de onda entre 350 e 700nm. Vantagens: tem boa efetividade para todos os comprimentos de onda; baixo custo. Desvantagens: espectro contínuo e largo (necessidade de filtros); altas temperaturas e alto nível de ruído (necessidade de sistema de ventilação); vida útil pequena. Atualmente não é mais utilizada. LED - LIGHT EMITTING DIODE Os diodos emissores de luz (LEDs) não produzem luz visível através do aquecimento de filamentos metálicos. Halógena: 350 a 700nm / LED: 440 a 490nm O espectro emitido é a principal diferença entre a luz gerada pelos LEDs e pelas lâmpadas halógenas. Vantagens: vida útil maior; não provoca aquecimento; baixo consumo de energia; equipamentos compactos sem filtros ou sistema de refrigeração. Desvantagens: baixa potência em algumas gerações; estreito intervalo de emissão espectral (440-490nm). Tais desvantagens atualmente já foram superado pela 3º geração, porém possuem como desvantagem o alto custo. Geração dos LEDs: • 1º geração: eram muito fracos, sendo necessários maior densidade de potência (100-15mW/cm2); • 2º geração: densidade de potência entre 300 a 1.100mW/cm2, espectro entre 450 a 590nm, ou seja, ainda espectro muito reduzido, somente para canforoquinona; • 3º geração: com potência até 1.100mW/cm2 e tem diferentes diodos com espectro de 375 a 510nm e pega vários iniciadores nesses espectros, e não só a canforoquinona. INTENSIDADE DE LUZ OU DENSIDADE DE POTÊNCIA: É a medida em quantidade de energia por área de superfície - mW/cm2. Deve ser suficiente para ativar o fotoiniciador presente no material e produzir um número aceitável de radicais livres que possam levar a uma adequada polimerização. É essencial conhecer a intensidade de luz da unidade fotoativadora para que se possa calcular o tempo de exposição. DENSIDADE DE ENERGIA (J/CM2) É a energia total resultante da exposição - é a intensidade de luz (MW/CM2) X tempo de exposição (seg.). Energia ideal - é a quantidade de energia ideal para a fotopolimerização. LEI DA RECIPROCIDADE DE EXPOSIÇÃO Se uma resina necessita de 8.000 mj/cm2 como energia necessária para sua ativação, podem ser feitas várias combinações, como: • Aparelhos com 400mw/cm2 X polimerização de 20s = 8.000mj/cm2. • Aparelhos com 800mw/cm2 X polimerização de 10s = 8.000mj/cm2. • Aparelhos com 1.000mw/cm2 X polimerização de 8s = 8.000mj/cm2. DENSIDADE DE ENERGIA (J/CM2) O ideal é conhecer a faixa espectral e o valor da densidade de potência da unidade fotoativadora utilizada, bem como o fotoativador e a quantidade de energia ideal para polimerizar determinados compósitos. GRAU DE CONVERSÃO: É a quantidade de ligações duplas (carbono-carbono) do monômero que são quebrados e convertidos em l i g a ç õ e s s i m p l e s d u r a n t e o p r o c e s s o d e fotopolimerização (50 a 60%). CONTRAÇÃO DE POLIMERIZAÇÃO: Reação de polimerização: é caracterizada pela aproximação das moléculas de monômeros e, consequentemente, por uma redução no volume do material. Gera tensões no material restaurador, que pode ou não causar prejuízo a interface adesiva, dependendo do momento em que se desenvolvem. ESTÁGIOS DA POLIMERIZAÇÃO: • Fase inicial de polimerização ou pré-gel: capacidade de deforma-se e dissipar tensões. • Fase de polimerização ou gel: formação dos polímeros e a movimentação molecular da matriz são inibidas. • Fase pós-polimerização ou pós-gel: rigidez, porém com contração (tensões). TENSÃO DE POLIMERIZAÇÃO: • A tensão de polimerização é gerada durante a polimerização como consequência da contração de polimerização no momento em que a resina atinge a fase gel; • A contração que se segue não consegue ser compensada pelo escoamento adicional do material. • Quanto mais rapidamente se completa o processo de formação dos polímeros, menos tempo o material permanece nas fases pré-gel e gel, gerando tensões que não são dissipadas pela acomodação do material, e sim transmitidas à interface adesiva. Fatores de modulam sua magnitude: • Volume do material; • Técnica de inserção dos incrementos; • Técnica de polimerização; • Propriedades físico-químicas do material. Manifestações clínicas • Sensibilidade pós-operatória; • Deflexão cuspídea; • Trincas; • Deslocamento de restaurações; • Microinfiltração; • Cáries secundárias; • Falhas coesivas do material. Estratégias • Uso de bases cavitárias de cimento de ionômero de vidro; • Adição da técnica incremental de inserção da resina composta e controle do fator C (configuração cavitária); • Controle da cinética de polimerização da resina composta por meio de métodos de modulação da fotoativação; • Modificações da formulação das resinas (seja com a utilização de novas matrizes, seja com alteração no conteúdo de carga inorgânica). Configuração da cavidade • Fator C: fator de configuração cavitária - é relacionado com a geometria do preparo cavitário e representado pela relação entre áreas de superfície aderidas e não aderidas (livres); • A tensão residual de polimerização aumenta diretamente com essa relação. C = sup. Aderidas / sup. Livres Técnica de inserção incremental O objetivo básico é unir cada incremento ao menor número possível de paredessimultâneas (conformação triangular) - aumentar a área livre de cada incremento.