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UNIDADE CURRICULAR: Demografia
CÓDIGO: 41018
DOCENTE: Bárbara Bckstrom
A preencher pelo estudante
NOME: Nathaly dos Santos Oliveira
N.º DE ESTUDANTE: 2002059
CURSO: Ciências Sociais
DATA DE ENTREGA: 14 de Novembro de 2021
TURMA: 4
GRUPO CONSTITUÍDO POR: Nathaly dos Santos Oliveira (2002059); Paula Cristina Freire da Glória (2002796): Telmo José Torra Nunes de Viveiros (2002666)
TRABALHO / RESOLUÇÃO:
1. Para uma caraterização sociodemográfica da população e de indicadores habitacionais, recorremos a uma operação estatística de recenseamento geral de dados da população e de habitação. Essa recolha de dados é feita de dez em dez anos e denomina-se censos.
Para um enquadramento possível de comparação de dados entre 2011 e 2021 escolhemos dois municípios: Torres Vedras e Machico. [footnoteRef:1] [1: Censos 2021, Resultados Preliminares, in https://ine.pt/scripts/db_censos_2021.html ] 
Verificamos que no primeiro munícipio, existiu um aumento da população totalizando 83 130 habitantes (dos quais 40154 são homens e 40154 são mulheres) cerca de mais 3 665 individuos que em 2011, o que em termos percentuais traduz- se em 4,6%. Tendência contrária é verificada no 2º munícipio, Machico, tendo a população descido em cerca de -10,11%, ou seja, menos 2 211 habitantes, dos verificados em 2011. Desta forma o município contabiliza 19 617 habitantes (9486 homens e 10131 mulheres) ao invés dos 21 828 habitantes verificados em 2011.
· Dados preliminares de Torres Vedras [footnoteRef:2] [2: Censos 2021, Resultados Preliminares, in https://ine.pt/scripts/db_censos_2021.html] 
· Dados preliminares de Machico [footnoteRef:3] [3: Censos 2021, Resultados Preliminares, in https://ine.pt/scripts/db_censos_2021.html] 
Através da observação dos dados preliminares obtidos do INE, verificamos em Torres Vedras um crescimento do número de agregados que passaram a 32 737 representando um aumento de 8,4% relativamente a 2011. Os indicadores em relação à habitação indicam que também houve uma subida de 1,7% no número dos alojamentos no município de Torres Vedras. Relativamente a Machico a tendência é contrária, ou seja, os agregados e os indicadores habitacionais, revelam subidas pouco significativas, tais como, 0,3% e 0,7%, respetivamente.
2. A fecundidade populacional tem sido objeto de estudo demográfico nos últimos tempos pois a fecundidade é um dos fatores que determinam a estrutura etária de uma população.
Se por um lado a fecundidade (por exemplo, os baby-booms) é o que mantêm uma população jovem em certas regiões, por outro lado o declínio da mesma é responsável pelo envelhecimento populacional noutras áreas. A fecundidade também tem o seu papel importante na contribuição para o crescimento da população, pois existindo uma taxa de fecundidade alta e a mortalidade mostra uma tendência diminutiva, notamos um episódio de crescimento populacional. É necessário referir que nos dias de hoje, a fecundidade, do ponto de vista biológico, está mais sob controle dos indivíduos, registo este que não acontecia no século anterior. Como tal, os indivíduos podem planear as gravidezes e os políticos tentam influenciar essa decisão. 
· Tabela geral dos dados obtidos (consultar tabelas 1, 2, 4, 5 e 6 dos anexos 1, 2 e 3 para verificar os cálculos associados)
Se analisarmos as regiões escolhidas (Torres Vedras e Machico) é fácil identificar uma variedade de situações, para além dos valores globais que estão num registo inferior. Portanto podemos observar que Torres Vedras sendo uma região localizada a oeste da Região de Lisboa é uma área mais habitada e como tal regista uma taxa bruta de natalidade superior à de Machico, que por sua vez, trata-se de um pequeno município no Arquipélago Madeirense. Comparando os dados de 2010 e 2020 há um declínio em todas as taxas apresentadas, sendo a única exceção a taxa bruta de reprodução que se mantém. A taxa de fecundidade geral pode ser definida pela estimativa do número de médio de filhos de uma mulher tem no decorrer da sua vida. Ou seja, este indicador demonstra um declínio da condição reprodutiva média feminina tanto na zona de Torres Vedras como de Machico. O declínio da taxa de fecundidade é geralmente explicado por fatores como a educação sexual, planeamento familiar, uso dos métodos contracetivos, a mulher mais ativa no mercado de trabalho, entre muitos. Para que se note uma reposição segura na taxa de fecundidade esta não pode ser inferior a 2,1 filhos por mulher, pois são feitas substituições dos 2 pais por 2 crianças, sendo que a fração 0,1 é essencial para compensar as pessoas que morrem antes de se reproduzirem, o que não sucede em nenhuma destas regiões como se pode verificar pelo Índice Sintético de Fecundidade. O Índice Sintético de Fecundidade aumenta ligeiramente entre 2010 e 2020 na região de Torres Vedras, no entanto não se verifica esta situação no concelho de Machico, verificando-se uma descida. O ISF (Índice Sintético de Fecundidade) traduz o número médio de crianças vivas nascidas por cada mulher em idade fértil (dos 15 aos 49 anos), presumindo que as mesmas estejam incluídas nas taxas de fecundidade geral atual. Portanto, podemos concluir que houve um acréscimo do número de filhos por cada mulher na região de Torres Vedras. Para se fazer uma comparação justa do nível de fecundidade, é necessário comparar mais do que apenas as populações. Ou seja, é necessário procurar um nível padrão mais absoluto que compare a fecundidade atual, as implicações desse nível e quais as vantagens que esse nível de fecundidade tem na população em geral. Como tal, temos que analisar a Taxa de Fecundidade Geral por Idades.
· Tabela da Taxa de Fecundidade Geral por Idades (consultar tabela 3 do anexo 2 para verificar os cálculos associados)
Ao analisar os dados obtidos no cálculo da taxa de fecundidade geral por idades vemos que tanto em Torres Vedras como em Machico (e aqui de forma mais acentuada) houve um decréscimo de mães adolescentes (15-19) o que pode significar que fatores como uso de anticoncecionais e a escolha de continuar a estudar podem explicar este declínio em idades mais jovens. De notar também que outras variáveis intermediárias, explicam a variação na fecundidade entre alguns grupos etários (20-24; 25-29) como por exemplo: educação; tipo de relação; infertilidade, pós-parto e aborto. (Bongaarts, 1982). Já em grupos etários mais velhos (dos 30-34; 35-39; 40-44; 45-49) regista-se sempre um aumento significativo na Taxa de Fecundidade Geral comprovando que nos dias de hoje vários fatores que rodeiam a mulher influenciam a decisão de ter filhos ou não, como: a classe social, a religião e as crenças, o status económico, a disposição psicológica entre outros. Analisando a Idade Média das Mães no Nascimento do primeiro filho verificamos que as mulheres tanto na região de Torres Vedras como na região de Machico têm filhos mais tarde, se em 2010 em Torres Vedras a idade média era de 30 anos na atualidade a idade média no nascimento do primeiro filho de uma mulher passou a ser 32 anos. Também em Machico notamos este aumento, sendo que em 2010 a idade média das mães no nascimento do seu primeiro filho era aos 28,9 em 2020 passou a ser 31,5. Este aumento na idade média das mães pode ser explicado pelo tempo que a mulher dispensa na sua educação, isto é, passando mais anos a estudar, a mulher eventualmente adia a sua vida pessoal (casamento, filhos...) e outras mulheres que estudam por menos tempo, iniciam a sua vida pessoal mais cedo. Desta forma, podemos afirmar que a fecundidade depende da variável educacional, tal como outras variáveis proximais ou intermediárias.
3. Conforme pudemos confirmar nas respostas anteriores há vários fatores em comum entre os dois concelhos, no entanto onde mais diferem é no aumento da população em dez anos uma vez que Machico diminuiu e Torres Vedras subiu. Machico é um concelho na zona Leste da Madeira, sensivelmente quatro vezes menor que Torres Vedras, no entanto é no concelho madeirense onde se notam as maiores diferenças a 10 anos.
 A fecundidade,e conforme já foi referido, sofre o mesmo tipo de redução em ambos os concelhos, no entanto o facto de Torres Vedras distar a 41 km da maior área metropolitana do país ajuda a “combater” a tendência negativa neste concelho num período em que o êxodo rural e a emigração foram uma constante. O facto também da comparação ser feita entre 2011 e 2021, ajuda a explicar as diferenças, uma vez que a crise financeira mundial de 2008 atingiu o seu pico em Portugal entre 2010 e 2014, sendo que num período de maior incerteza económica, e de crise financeira há uma maior tendência para a emigração da população em idade laboral, e cumulativamente fértil, e para um certo receio na hora de pensar em aumentar a família. Conforme também já foi referido a distância de Torres Vedras perante Lisboa é claramente uma mais-valia para o concelho, uma vez que este tende a tornar-se uma espécie de “subúrbio Lisboeta” o que até explica o aumento geral da população em Torres causado um pouco pela “fuga” de Lisboa e dos preços da habitação em Lisboa com muita gente a não suportar o preço do imobiliário na capital, mesmo que com uma melhoria da situação financeira que ainda assim não foi suficiente para “conter” a população em Lisboa. Por sua vez, e regressando a Machico, o seu alto nível de insularidade leva a que todos os fatores “negativos” tenham tido uma maior preponderância, com a perda total de população a ser o indicador com maior destaque. A título de exemplo, o fecho de várias escolas primarias ao longo dos anos em Machico é uma consequência da redução da natalidade causada pela diminuição da população, associada a todos os fatores supramencionados. Em jeito de conclusão, Machico terá uma população cada vez mais idosa e com tendência a diminuir com o passar dos anos, uma vez que tendo o índice sintético de fecundidade abaixo de 2,1 (o aceite como o recomendado para uma renovação demográfica) a sua população irá decrescer com o passar do tempo. Por outro lado, em Torres Vedras o referido índice não está também muito acima do índice de Machico, mas, no entanto, é contrabalançado pelo aumento das habitações disponíveis que leva a uma maior fixação de casais que por sua vez levará a um aumento dos nascimentos naquele território.
Anexo 1
Tabela 1 - Taxa Bruta de Natalidade (TBN)
Tabela 2 - Taxa de Fecundidade Geral (TFG)
Anexo 2
Tabela 3 - Taxa de Fecundidade Geral por Idades (TFG por GE)
Tabela 4 - Índice Sintético de Fecundidade (ISF)
Anexo 3
Tabela 5 -Taxa Bruta de Reprodução (TBR)
Tabela 6 - Idade Média das Mães no Nascimento do Primeiro Filho (IMMN1F)
Bibliografia
E-book
- BÄCKSTRÖM, Bárbara; DE SOUSA Fátima; DIAS, Helena (2021) Demografia, Lisboa. Universidade Aberta, e-book ISBN: 9789726749028
Links
· Autarquias
- Página da Câmara Municipal de Torres Vedras – Disponível em: https://www.cm-tvedras.pt 
· INE
- Municípios – Disponível em: https://ine.pt/scripts/db_censos_2021.html
- Quadros Excel, Q03 (Municípios) – Disponível em: https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=
473161655&DESTAQUESmodo=2
- Quadros resumo: 1.01 - População residente, população presente, famílias, núcleos
familiares, alojamentos e edifícios - Quadros Excel Q101. – Disponível em:
https://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros 
· Pordata:
- Nascimentos 2010 e 2020 total e por grupo etário das mães – Disponível em:
https://www.pordata.pt/DB/Municipios/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5824073 
- População média (total) 2010 e 2020 – Disponível em: https://www.pordata.pt/DB/Municipios/Ambiente+de+Consulta/Tabela 
- População residente do sexo feminino, média anual: total e por grupo etário – Disponível em:
https://www.pordata.pt/DB/Municipios/Ambiente+de+Consulta/Tabela/5824076 
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