Prévia do material em texto
CONCEPÇÕES TEÓRICAS NA PROPAGANDA Karla Natário dos Santos Propaganda e persuasão Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir persuasão. Analisar o uso da persuasão na propaganda. Reconhecer as estratégias de persuasão na propaganda. Introdução Se compararmos as campanhas publicitárias dos anos 1970 com as atuais, algumas diferenças vão ficar evidentes. Hoje, a persuasão para conquistar o consumidor é feita de outra maneira. Antes, as campanhas criavam artifícios para falar dos atributos, ou seja, das qualidades dos produtos. Nos dias atuais, em que temos mi- lhares de produtos à nossa disposição e escolha, a publicidade tem que encarar o desafio de mostrar o diferencial, quer dizer, como os produtos podem ser utilizados pelos consumidores e, mais do que isto, porque se diferenciam das outras alternativas de compra. Para isso, o publicitário precisa entrar no íntimo do seu público, co- nhecer seus pensamentos, emoções e sentimentos para criar, estrategica- mente, um mundo de ilusões no imaginário do consumidor e convencê-lo de que seu sonho pode ser realizado por meio da aquisição do produto, mesmo que isso não seja real. Assim, a propaganda é um instrumento poderoso de controle social, pois difunde valores, costumes, estipula padrões de representação e signos. Neste capítulo, você vai aprender o que é persuasão, vai entender como ela é usada na propaganda e conhecer estratégias usadas com essa finalidade. Persuasão Vamos pensar numa rápida história: “Joãozinho é um garoto de nove anos e adora videogame. Suzana, mãe cuidadosa, procura disciplinar o fi lho, per- mitindo que ele brinque somente após a concluir suas tarefas escolares. Ela explica para o fi lho que, agindo desta forma ele brincará tranquilo sem ter que se preocupar com as suas obrigações”. Cabe perguntar: a ação da mãe é persuasão ou sedução? Antes de res- ponder, vamos acompanhar uma narrativa da mesma história, mas com uma sutil mudança no roteiro: “Joãozinho é um garoto de nove anos e adora vídeo game. Suzana, mãe cuidadosa, procura disciplinar o filho e, portanto, precisa convencê-lo a dedicar-se a suas atividades escolares. Ela explica para o filho que, ao estudar, ele também encontra um jogo muito interessante, com desafios e, ao superar cada fase de aprendizado, pode conquistar o que quiser. Antes de definir qual dessas histórias é persuasão e qual é sedução, vamos aprofundar um pouco essa temática. Nós estamos cada vez mais envolvidos no consumismo. Em todos os lu- gares, sejam físicos ou virtuais, recebemos uma enxurrada de mensagens com apelos comerciais. Mas o que as empresas estão nos oferecendo e como é esse apelo de venda? Nesse cenário sobrecarregado de informação e apelos é que a publicidade desenvolve estratégias que visam comunicar com o consumidor, criando uma linguagem aceitável e acessível para que o público-alvo seja atingido. Vamos, agora, traçar uma linha de tempo que divida a história nos períodos da modernidade e pós-moderno. Para o autor Gomes (2003) apud Borges e Tonin (2010), o período da modernidade foi caracterizado pelo discurso persuasivo, em que a mensagem era planejada e criada com a intenção de informar. As mensagens, portanto, transmitiam as características e as vantagens de se adquirir o produto ofertado, ressaltando que essas vantagens eram palpáveis e verificáveis através da sua utilização. A comunicação persuasiva é, portanto, aquela que leva os receptores à motivação, através do emprego de informações que estimulam a racionali- dade e, portanto, permitem verificar a “veracidade” da promessa contida na mensagem (GOMES, 2003 apud BORGES; TONIN, 2010, p. 2). Contudo, no período pós-moderno, Lipovetsky e Charles (2005) apud Borges e Tonin (2010) esclarece que as características dos consumidores Propaganda e persuasão2 mudam em razão da maciça difusão do consumismo e dos meios de comu- nicação, principalmente nos países capitalistas. Esse fenômeno levou a uma expansão na variedade de produtos, diversidade de marcas e acesso facilitado à informação. Neste contexto, Lipovetsky e Charles comentam que surge “um indivíduo autônomo e livre para optar pelo que lhe traga maior satisfação e prazer” (GOMES, 2003 apud BORGES; TONIN, 2010, p. 2). Por causa disso, quando vamos às compras, não buscamos mais somente a aquisição de valores funcionais, mas de um diferencial, ou seja, “o consumidor compra algo não somente pelo que o produto vai fazer, mas também pela sensação emocional que ele possa proporcionar” (LIPOVETSKY; CHARLES, 2005 apud BORGES; TONIN, 2010, p. 2). Assim, a mensagem publicitária, agora, em vez de enfatizar o produto, usando uma linguagem argumentativa e racional, trabalha outro contexto: a experiência que o consumidor pode ter ao adquirir o produto. Segundo Dieguez (2006), para atender este público é preciso uma comunica- ção que emprega a sedução, pois “é dela que provém o ato de não trabalhar com verdade, mas sim de construir universos em que seus participantes sintam-se envolvidos pela fantasia proposta” (LIPOVETSKY; CHARLES, 2005 apud BORGES; TONIN, 2010, p. 2). Percebemos que antes os anúncios enfatizavam os atributos dos produtos e serviços, ou seja, algo que é realista e possível de ser provado ou experimen- tado. Hoje, contudo, os anúncios estão imbuídos de uma realidade fantasiosa, que promete suprir as necessidades do novo consumidor, que são: o momento presente supervalorizado (o aqui e o agora, tudo é pra já!) a busca pelo prazer como único propósito (homem hedonista) e o individualismo (LIPOVETSKY; CHARLES, 2005 apud BORGES; TONIN, 2010). Agora, podemos voltar à história do início do tópico, de Joãozinho com a sua mãe, Suzana. Com a explicação sobre persuasão e sedução, fica claro que a primeira história é persuasão, porque a mãe colocou de forma concreta a importância do filho poder brincar após os estudos, ou seja, ele terá o tempo livre. Na segunda história, a estratégia da mãe foi diferente, pois ela sabe que o filho ama vídeo game, e que o brinquedo é muito atrativo. Então, usou as motivações emocionais que o prendem ao brinquedo e as transferiu para os estudos de forma lúdica, buscando despertar nele o desejo pela educação. Observe, na Figura 1 como era feita a divulgação do produto e como é feita agora. 3Propaganda e persuasão Figura 1. Diferença entre os anúncios publicitários da década de 1970 e da atualidade. Fonte: Lemos (2009, documento on-line); Reis Junior (2013, documento on-line). Os anúncios são da mesma empresa, a Nestlé. No primeiro, há a divulgação das características do produto, como explicita o slogan: “Caramelos gostosos que se derretem na boca”. No segundo, porém, o slogan já é estruturado de outra forma: “Bono recheia a sua vida”, promovendo a ideia de que o vazio que o consumidor sente será preenchido pelo doce. Podemos concluir que, para produzir esse segundo anúncio, houve um es- tudo do público-alvo e o conhecimento de que ele tem necessidades emocionais que precisam ser atendidas. Como o produto oferecido contém açúcar, ao ser ingerido libera dopamina no organismo, o que faz com que consumidor se sinta feliz e preenchido... mas também pronto para uma próxima experiência degustativa. É sensível a diferença. Propaganda e persuasão4 Acesse o link a seguir e veja como a persuasão pode ser utilizada na propaganda de TV, nessa reportagem da revista eletrônica Época – 10 lições de persuasão tiradas dos comerciais de TV. https://goo.gl/32Ubs6 Uso da persuasão na propaganda A persuasão está inserida na comunicação humana, realizada por pessoas ou empresas, a partir do momento em que há intenção de modifi car, ajustar ou afi rmar atitudes do(s) indivíduo(s) com o objetivo de controle social, podendo a iniciativa obter sucesso ou não. Assim, a persuasão “envolve a ideia de que alguém deve mudar, o que leva à concepção de que o persuadido está, de alguma forma,inadequado ao modo de ver idealizado pelo persuasor, e que, nessa medida, aquele se constitui como uma ameaça para este” (READON, 1992 apud FISCHER, 2007, p. 3). Para a linguagem publicitária, a intenção é persuadir e não importam os meios que estão sendo utilizados para esse fim. Por tanto, nos processos midiáticos: [...] a noção de que há, por parte do emissor da mensagem, um propósito em relação ao receptor, e que esse propósito é o de “fazer fazer” (fazer ver, ouvir, ler, rir, sentir, aprender, compactuar com determinadas visões de mundo, construir certas imagens, aderir a causas, desejar, consumir, entre outros). Continuamente, as mídias são um lugar em que se perfazem intenções persuasivas (FISCHER, 2007, p. 3). Jesus (2014, p. 5) nos esclarece ainda que: [...] a mensagem publicitária utiliza de recursos verbais, visuais e sonoros recheados de intenções persuasivas. São mensagens persuasivas expostas nos filmes publicitários, outdoors, nos diferentes formatos publicitários da web, nos spots, jingles, nos anúncios publicitários, em seus textos, títulos e slogans e nas mídias alternativas. 5Propaganda e persuasão Para ser persuasiva, a linguagem publicitária precisa se aproximar do público. Para isso, utiliza de mensagem com textos e de uma linguagem que geram simpatia, sentimento de simplicidade, impessoalidade e sejam infor- mais. Por sua vez, o receptor é tratado por você, para que haja cumplicidade. Explorando mais, surgem os neologismos, modismos e gírias, sempre com o intuito de buscar a intimidade. Os recursos retóricos, figuras de linguagem e técnicas argumentativas se multiplicam e se unem vários fatores psico-sócio- -econômicos consumistas. Por isso, também há farta utilização de certos valores, mitos e ideias. O autor Brown (1971, p. 58 apud LUCENA; OLIVIERA, 2004, p. 2) in- forma que: [...] o discurso da propaganda pode influenciar os costumes porque vivemos numa sociedade marcada por apelos publicitários: a tendência moderna é procurar vincular o desejo individual de determinado produto a motivos mais profundos, tornando assim a procura mais imperiosa e digna de confiança. O autor salienta, ainda, que “o propagandista que não estuda as atitudes e o estilo de vida daqueles a quem deseja influenciar tem poucas probabilidades de ser bem-sucedido” (BROWN, 1971, p. 63 apud LUCENA; OLIVIERA, 2004, p. 2). Assim, a publicidade, enquanto discurso, “manipula símbolos para fazer mediação entre objetos e pessoas, utilizando-se mais da linguagem do mercado que a dos objetos” (CARVALHO, 1996, p.12 apud LUCENA; OLIVIERA, 2004, p. 2). O controle social também é característico do discurso publicitário. A “fala” do enunciador-publicitário é de que lugar? A função do discurso publicitário é simular o igualitarismo, por isso, ele é instrumento de controle, conforme orienta Carvalho (1996). Como isso é feito? É simples, pois a linguagem da propaganda “remove da estrutura de superfície os indicadores de autoridade e poder, substituindo-os pela linguagem da sedução” (CARVALHO, 1996, p. 17 apud LUCENA; OLIVIERA, 2004, p. 2). É através da linguagem da sedução, portanto, que a publicidade consegue mascarar o discurso ideológico e o homem passa a ser coagido. No entanto, ele aparece como determinado e livre de coerções sociais. O autor Fiorin (1990, p. 42) esclarece que “[...] o discurso simula ser indivi- dual para ocultar que é social. Ao realizar essa simulação e essa dissimulação, Propaganda e persuasão6 a linguagem serve de apoio para teses da individualidade de cada ser humano e da liberdade abstrata de pensamento e de expressão”. Carvalho ainda afirma que: [...] com o seu discurso, a propaganda manipula valores, atitudes, conjuntos de ideias, representações, impondo pontos de vista de uma classe social dominante. Isso através de coerções sociais, da persuasão, da sedução, do convencimento embutidos numa linguagem específica que lhe é própria: a publicidade impõe, nas linhas e entrelinhas, valores, mitos, ideias e outras elaborações simbólicas, utilizando os recursos próprios da língua que lhe serve de veículo (CARVALHO, 1996, p. 13 apud LUCENA; OLIVIERA, 2004, p. 3). Na publicidade, que construiu o corpo perfeito, ou seja, o homem e a mulher “modelo”, há sempre um indivíduo que se envolve em um jogo de sedução, muitas vezes “imperceptível, propagando jogos de verdade que constroem identidades várias, com o sujeito “jovem” e o sujeito da beleza”(LUCENA; OLIVIERA, 2004, p. 3). Com relação ao ser jovem, surge o estereótipo de que ser velho é ser feio, porque tem rugas no rosto, que precisam ser retiradas. Assim, os sinais da idade são sinônimos de velhice, que precisam ser cuidados com cremes para pele, cujo objetivo comercial é a promessa do elixir da juventude. Ou seja, nós não temos o direito de envelhecer e para sermos aceitos temos que cuidar da “aparência”, sendo sempre jovens (LUCENA; OLIVIERA, 2004). No que se refere à beleza, o ser, para ser belo, tem que ter o corpo magro, ser viril, jovem e sexy. Esses atributos conseguem separar os indivíduos uns dos outros. Mas quem constrói e manipula essa imagem de belo é o sistema em que estamos inseridos, pois cria uma forma para que consigamos nos associar e identificar com a mensagem de ser belo à medida que o discurso vai repetindo (LUCENA; OLIVIERA, 2004). Poderíamos seguir falando dos usos da propaganda nos discursos publici- tários de forma mais específica, mas é essencial reter que esses fatores, que foram citados (influência de costumes; controle social; manipulação de valores e atitudes; estruturação de ideias e representações, bem como a construção de identidades, como jovem e belo) são básicos em todo sistema comercial para que se conquistem os consumidores. 7Propaganda e persuasão Leia a reportagem disponível no link a seguir, que disserta sobre a manipulação das massas por meio da mídia. https://goo.gl/w734xu Estratégia de persuasão e sedução Normalmente, quando se ouve a palavra persuasão, vem à mente o termo “convencimento”. Ou seja, quando alguém tenta nos persuadir, quer nos convencer de algo. Segundo Citelli (2004), a linguagem persuasiva atua nas áreas militares, sociais e empresariais e tem como objetivo “formar, reformular ou conformar atitudes, pontos de vista e as possíveis perspectivas dos receptores através das mensagens” (CITELLI, 2004 apud BORGES; TONIN, 2010, p. 4). No contexto específico do nível mercadológico, de propaganda e publici- dade, a estratégia persuasiva é uma “[...] arma para a captação, conscientização e aceitação de marcas, produtos ou serviços, que são anunciados através desse mecanismo” (CITELLI, 2004 apud BORGES; TONIN, 2010, p. 4). Para que sejamos levados a conhecer, acreditar ou aceitar a proposta que está sendo anunciada, a mensagem deve ser composta por procedimentos que levem à persuasão. A mensagem: [...] recolhe e instrumentaliza um conjunto de técnicas, regras e procedimentos, de origens diferentes, em especial psicológicos, psicossociais, sociológicos, linguísticos e semânticos, que vêem sendo experimentados com maior ou menor sucesso na criação de mensagens e no planejamento de campanhas persuasivas, tanto comerciais quanto institucionais e ideológicas (GOMES, 2003, p. 36 apud BORGES; TONIN, 2010, p. 5). No entanto, merece muita atenção a seguinte observação de Citelli (2004). Ele esclarece que, na comunicação persuasiva, o receptor não está submisso de forma forçada, ou seja, ele aceita a mensagem, de tal forma que, ao absorver o conteúdo, os seus pensamentos, sentimentos e ações estão sendo estimulados. Propaganda e persuasão8 Apesar do foco do tópico ser a estratégia de persuasão, é essencial pensar- mos também sobre a estratégia publicitária de sedução, visto que vem sendo amplamente empregada nos dias de hoje, devido ao novo sistema, com uma nova sociedade e, por que não dizer, um novo indivíduo, que não quer ser mais persuadido, mas sim, seduzido. Para consumidoresque não querem mais saber da eficácia do produto, mas das experiências que se pode ter como ele, a sedução consegue estimular a busca pelo prazer, que tem como objetivo a identificação com o produto, serviço ou marca, segundo Dieguez (2006) apud Borges e Tonin (2010). Para o Baudrillard (2004) apud Borges e Tonin (2010), a sedução está di- retamente ligada à relação entre os sexos, ou seja, à busca pelo encantamento do outro. Para o consumidor, seduzir faz parte de um rito, que não precisa ser verdadeiro, mas que está ligado a um jogo de aparências e à conquista do outro. Portanto, é preciso criatividade para dar origem a um contexto que estimule quem vai ser seduzido. Na sedução, cria-se um jogo que precisa ser desvendado com signos, ou seja: [...] a sedução trabalha diretamente no campo da alteração das verdades e, com isso, na criação de outras contextualizações, voltadas ao imaginário. Dessa forma, o sedutor consegue criar a compatibilidade entre os signos, mesmo que sejam de realidades incompatíveis, organizando a produção do discurso sedutor e evidenciando a existência do mito (BORGES; TONIN, 2010, p. 7). Dizer isso significa mais ou menos que a publicidade consegue juntar água e óleo através de suas narrativas, em diversos formatos e meios. Antes, o consumidor era o “alvo” dos anúncios que o faziam ver a verdade. Agora, ele é inserido em um jogo interativo e imaginário (BAUDRILLARD, 2004 apud BORGES; TONIN, 2010). Para Dieguez (2006), o drama, o humor, a sensualidade, a violência, entre outras sensações, é utilizada nos anúncios atuais, misturados a situações de ambiguidade. Tudo isso e muito mais pode ser feito, porque na sedução não há leis, segundo Baudrillard (2004). Portanto, o que vai determinar que o consumidor capte o anúncio é a possibilidade de ver, ouvir, tocar e sentir que seu sonho pode ser realizado, ou seja, há uma criação prazerosa no seu imaginário (BORGES; TONIN, 2010). Diante de todo o contexto exposto, importa compreender que a publici- dade, na contemporaneidade, utiliza a criatividade como princípio básico, na montagem de contextos, mundos e universos individuais. 9Propaganda e persuasão Muito esclarecedor é o case das propagandas da marca OMO de produtos para lavagem de roupas. A marca passou pela transição entre uma comunicação que indicava a funcionalidade do produto, ou seja, de persuasão, para a estratégia da sedução, com que já trabalha há algum tempo, oferecendo o sonho de toda mãe brasileira. Começamos analisando a Figura 2. Figura 2. Anúncio OMO (Milagre Azul) da década de 1950. Fonte: Reis Junior (2015, documento on-line). Veja que o anúncio “Milagre Azul”, da década de 1950, é recheado de informações técnicas sobre como o produto age no momento que está sendo utilizado. Propaganda e persuasão10 Na década de 1950, a televisão dava seus primeiros passos no Brasil e a OMO lançou o comercial “OMO, dá brilho à brancura”, para que seu público visualizasse a dona de casa lavando a roupa e o produto agindo. É muito interessante. Para assisti-lo, acesse o link a seguir. https://goo.gl/JXUaB6 Saltando algumas décadas, chegamos a 2018, quando vemos outra estratégia de promoção de vendas, na Figura 3. Figura 3. Anúncio OMO – Porque se sujar faz bem – 2018. Fonte: Hamond (2010, documento on-line). Neste anúncio, já é possível perceber outra concepção de criação publicitária. Em vez de uma mulher – a mãe – toda sorridente, com a roupa branca e brilhando, a peça mostra um garoto – o filho – todo sujo, mas sorridente após praticar o seu esporte preferido, o futebol, e ainda, trazendo no peito a marca de uma medalha. Ou seja, o sonho de toda mãe é que seu filho realize o seu sonho. Portanto, deixa seu filho realizar o seu sonho de ser campeão no futebol e depois a OMO te ajuda a deixar a roupa do seu filho branquinha. 11Propaganda e persuasão Acesse o link a seguir para assistir ao vídeo referente à campanha da OMO, “porque se sujar faz bem”. https://goo.gl/kQsuYK BORGES, M. M.; TONIN, J. A Estratégia Publicitária de Persuasão e de Sedução na Publi- cidade Contemporânea. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 33., 2010, Caxias do Sul. Anais... São Paulo: Intercom, 2010. Disponível em: <http://www. intercom.org.br/sis/2010/resumos/R5-3306-1.pdf>. Acesso em: 18 dez. 2018. CITELLI, A. O. Linguagem e persuasão. 8. ed. São Paulo: Ática, 2004. FIORIN, J. L. Linguagem e ideologia. São Paulo: Ática, 1990. FISCHER, M. E. A persuasão na perspectiva da publicidade: algumas aproximações iniciais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 30., 2007, Santos. Anais... São Paulo: Intercom, 2007. Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/ nacionais/2007/resumos/R0937-1.pdf>. Acesso em: 18 dez. 2018. JESUS, P. R. C. O discurso persuasivo da publicidade: uma análise da mensagem “um *&#! Carro”, do FIAT Punto Blackmotion. In: CONGRESSO LATINOAMERICANO DE IN- VESTIGADORES De LA COMUNICACIÓN, 12., 2014, Lima. Anais... Lima: PUCP, 2014. Dis- ponível em: <http://congreso.pucp.edu.pe/alaic2014/wp-content/uploads/2013/09/ vGT14-Paula-Renata-Camargo-de-Jesus.pdf>. Acesso em: 18 dez. 2018. LEMOS, C. Biscoito Bono – Nestlé. 24 abr. 2009. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=n-ktHkqo9LU>. Acesso em: 18 dez. 2018. LUCENA, I. T.; OLIVEIRA, M. A. Propagandas, efeitos de sentido e identidades. In: SE- MINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DO DISCURSO, 2., 2004, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: UFRGS, 2004. Disponível em: <anaisdosead.com.br/2SEAD/SIMPOSIOS/ IvoneTavaresDeLucena.pdf>. Acesso em: 18 dez. 2018. REIS JUNIOR, D. Caramelos de Leite (Nestlé) - Anos 70. 2013. Disponível em: <https://www. propagandashistoricas.com.br/2013/03/caramelos-de-leite-nestle-anos-70.html>. Acesso em: 18 dez. 2018. Propaganda e persuasão12 Leituras recomendadas BAUDRILLARD, J. Da sedução. 6. ed. Campinas: Papirus, 2004. BROWN, J. A. C. Técnicas de persuasão: da propaganda à lavagem cerebral. Rio de Janeiro: Zahar, 1971. CARVALHO, N. Publicidade: a linguagem da sedução. São Paulo: Ática, 1996. CITELLI, A. Linguagem e Persuasão. São Paulo: Ática, 2005. CITELLI, A. Palavras, meios de comunicação e educação. São Paulo: Cortez, 2006. DIEGUEZ, G. K. O discurso publicitário: desvendando a sedução. Revista Comum 27, Rio de Janeiro, v. 12, n. 27, p. 86-108, jul./dez. 2006. HAMOND, R. OMO – Porque se sujar faz bem! 30 jan. 2010. Disponível em: <http:// raissahamond.blogspot.com/2010/01/omo-porque-se-sujar-faz-bem.html>. Acesso em: 18 dez. 2018. JUSTI, J. E.; MILL, D. Narrativas Transmidiáticas: a comunicação persuasiva fluindo entre ambientes on e off-line. Revista Gemenis, v. 8, n. 2. 2017. Disponível em: <http:// www.revistageminis.ufscar.br/index.php/geminis/article/view/298/265>. Acesso em: 18 dez. 2018. LIPOVETSKY, G.; CHARLES, S. Os tempos hipermodernos. São Paulo: Barcarolla, 2005. MIGOWSKI, E. Mídia e Manipulação das Massas: uma fatal combinação capaz de derrubar governos ou derrubar ditaduras como a nazista. 10 abr. 2017. Disponível em: <https:// racismoambiental.net.br/2017/04/10/midia-e-manipulacao-das-massas-uma-fatal- -combinacao-capaz-de-derrubar-governos-ou-levantar-ditaduras-como-a-nazista/>. Acesso em: 18 dez. 2018. REIS JUNIOR, D. Sabão OMO (O Milagre Azul) – Anos 50. 2015. Disponível em: <https:// www.propagandashistoricas.com.br/2015/01/sabao-omo-milagre-azul-anos-50.html>. Acesso em: 18 dez. 2018. 13Propaganda e persuasão Conteúdo: