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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CABO FRIO/RJ. PROCESSO N°: 0130486-07.2020.8.19.0001 LEONARDO RAMOS DE OLIVEIRA, já devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, através de seus procuradores ao final subscritos, vem respeitosamente à presença de V. Exa., nos termos do art. 403, §3º do Código de Processo Penal, apresentar ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS Pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos. I- DOS FATOS Consta na exordial que no Dia 30 de junho de 2020, os comunicantes receberam informações que o principal autor de vários atentados e ataques a facção criminosa rival, terceiro comando estaria na localidade da ocorrência, e que as informações de denuncias revelaram que o chefe dos ataques a facção rival, terceiro comando, eram realizadas por um elemento de nome LEONARDO RAMOS DE OLIVEIRA. Diante dessas informações se dirigiram ao local da ocorrência e encontraram o elemento LEONARDO, ao ser abordado e interpelado, confessou que realmente teria intenção de tomar a localidade de Bairro da Passagem – Buraco do Boi, para impor o trafico de drogas do Comando Vermelho, expulsando traficantes do Terceiro Comando da Localidade; E que perguntado o endereço de LEONARDO, este revelou seu endereço, e confessou que tinham drogas no interior, e chegando lá, franqueou a entrada e entregou o material entorpecente, e perguntando a LEONARDO por outros tipos de drogas a serem vendidas, LEONARDO confessou que iria encontrar outro elemento, sabendo-se chamar agora PETER SANTOS DE ALMEIDA GARCIA, que traria a carga de maconha, tendo marcado no horário de 17h; E que a equipe policial se dirigiu para a tal local, e esperaram a chegada de PETER, o qual chegou juntamente com outro nacional, sabendo chamar-se agora, KAIO VIEIRA DE OLIVEIRA; e que ao abordarem PETER E KAIO, encontraram quantidade de maconha e cocaína. E que ainda em diligencia abordaram o veiculo em que os elementos haviam desembarcado, constatando que se tratava de um motorista de UBER, o qual não se tinha nenhuma ciência do que estava ocorrendo, que o motorista do Uber é o nacional VINICIUS DA SILVA SANTOS, o qual atendeu a uma corrida normal; que perguntado ao motorista VINICIUS se conhecia os elementos, e foi dito que não. E que ainda em diligência os policiais seguiram para a residência de PETER SANTOS DE ALMEIDA, que franqueou a entrada e também confessou de pronto, existir na sua residência quantidade de cocaína, além de uma arma calibre 12mm no gesso da casa, e que PETER informou que a arma era de LEONARDO RAMOS DE OLIVEIRA, que estava apenas “guardando” a arma. Em 01 de julho de 2020, houve o recebimento da denúncia pela suposta prática dos crimes previstos artigo 33, caput, e 35, ambos da Lei n° 11.343/06, em cúmulo material e na forma da Lei de Crimes Hediondos, ambos com a incidência da agravante prevista no art. 61, inciso II, alínea “j”, do Código Penal, posto que na data de 30 de junho de 2020, foi preso em flagrante no endereço de fls.08, cujo B.O nº. 126-03619/2020, sob a acusação de estar praticando traficância de substância ilícita. I- DO MÉRITO DA ABSOLVIÇÃO NECESSÁRIA Conforme informações dos autos, inclusive na exordial. percebe-se a ausência de quaisquer provas dali derivadas, já que encerrada a instrução criminal, depois de uma avaliação detalhada do contraditório e da ampla defesa, não restaram comprovadas nos autos as imputações contidas na denúncia. Outrossim, diante todo exposto na exordial, é de extrema importância ressaltar que a prisão em flagrante ocorrida nestes autos se iniciou de forma condenável, ou seja, de forma grotesca e viciada, e assim sendo provocada a contaminação das mesmas. Conforme restou apurado as vias de fato nos autos, os Policiais Militares abordaram o acusado LEONARDO na rua, sem qualquer suspeita REAL, e nada de ilícito foi encontrado com o mesmo, e em seguida os militares informaram a Leonardo que ele seria conduzido à delegacia para procedimento de SARQ, mas Leonardo se opôs à condução. Essa Condução à DP feita pelos militares de forma grotesca, sem mesmo configurar o flagrante delito, ou até mesmo, sem mandado de condução e contando apenas com a oposição da pessoa a ser conduzida, não encontra amparo em nosso ordenamento Jurídico, e esta exposto no Principio “ nemo tenetur se detegere” ( o direito de não produzir provas contra si mesmo), que esta consagrado pela constituição federal , assim como pela legislação internacional, como um direito mínimo do acusado, sendo de fundamental importância o seu cumprimento, pois este é um direito fundamental do cidadão. Diante exposto, se por algum acaso, os militares tivessem conhecimento da existência de mandado de prisão, poderiam ali cumprir instantaneamente, mas obrigar que o individuo compareça à sede policial para pesquisar a existência de eventual mandato já extrapola o aceitável e transforma o ato da condução em constrangimento ilegal. A confissão sobre determinado crime e a apresentação de provas, ambas obtidas por meio de restrição ilegal da liberdade do indivíduo, gera a nulidade absoluta de todas as provas daí derivadas. A partir desse principio de constrangimento ilegal, a proposta do acusado LEONARDO de entregar aos policiais cargas de drogas e armas para tentar evitar sua condução à Delegacia torna-se um desdobramento de um ato ilícito, que também contamina todas as provas daí derivadas. Dessa forma, Excelência, todas as provas produzidas contra o RÉU LEONARDO nos autos restaram caracterizadas como ilícitas. Assim é o entendimento jurisprudencial sobre o assunto: 0013233-47.2014.8.19.0203 - APELAÇÃO Des(a). MARCUS HENRIQUE PINTO BASÍLIO - Julgamento: 03/03/2020 - PRIMEIRA CÂMARA CRIMINAL EMENTA: CRIMES DE TRÁFICO E ASSOCIAÇÃO - CONDENAÇÃO - RECURSOS DEFENSIVOS E MINISTERIAL - DENÚNCIA ANÔNIMA - INVESTIGAÇÃO - INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA - BUSCA E APREENSÃO - ILICITUDE RECONHECIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - ENCONTRO FORTUITO DE PROVA - DESCOBERTA INEVITÁVEL - DOUTRINA - JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ - MITIGAÇÃO INCABÍVEL NO CASO CONCRETO - "FRUIT OF THE POISONOUS TREE" - CONTAMINAÇÃO - PROVA - DEPOIMENTO POLICIAL E DILIGÊNCIAS COMO DESDOBRAMENTO DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA - VÍCIO - PROVA NULA - RECURSO DEFENSIVO PROVIDO - ABSOLVIÇÃO - RECURSO MINISTERIAL DESPROVIDO A carta magna veda a prova ilícita e as demais dela decorrentes (prova ilícita por derivação), nos termos da teoria do fruit of the poisonous tree. Procurando mitigar a teoria da contaminação, com a crítica de alguns, a jurisprudência e a doutrina têm admitido a validade da prova com base nas teorias da fonte independente e da descoberta inevitável, ambas inaplicáveis na hipótese presente. Com efeito, no caso concreto, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu a ilicitude da interceptação telefônica deferida judicialmente, concluindo que o requerimento e posterior deferimento tiveram por base denúncia apócrifa, não tendo ocorrido prévia investigação pela autoridade policial, ficando contaminada toda a prova dela decorrente, inclusive a busca e apreensão e o próprio depoimento dos policiais que efetuaram a prisão dos acusados. Desconsiderada toda a prova contaminada pela ilicitude inicial, não há como ser mantida a procedência da pretensão punitiva que escorou, unicamente, na busca e apreensão e no que foi dito pelos policiais, tudo decorrente da interceptação telefônica reconhecida como ilícita pelo Superior Tribunal de Justiça Cabe ressaltar que a abordagem policial ocorreu devido a uma informação prestada pelo conduzido Gabriel nos autos do APF nº126-03276/2020, segundo a qual Leonardo seria o responsável pela invasão armada na comunidade do Buraco do Boi, no bairro Passagem, nesta cidade. Durante o curso da presente ação não foi possível apresentar qualquer outra prova que indicasse que o réu Leonardo estava, de fato, sendo investigado por delitos ocorridos naquela localidade, havendo apenas essa informação vaga de umapessoa presa em flagrante delito por tráfico de drogas. E pelo desdobramento dos fatos, da mesma forma, percebe-se que somente foi possível a prisão dos demais réus - Peter e Kaio - com apreensão de drogas, porque Leonardo também forneceu tais informações aos policiais sob coação. Constata-se que os policiais militares não informam o recebimento de qualquer denúncia quanto a prática do crime de tráfico de drogas desempenhado pelo réu Leonardo nem pelos demais réus, Peter e Kaio. Pelo contrário, o primeiro (Leonardo) foi abordado somente devido ao seu nome ter sido mencionado nos autos do auto de prisão em flagrante 126-03276/2020. Mais ainda. Se o réu Leonardo não informasse que os demais réus Peter e Kaio estavam com mais drogas, eles provavelmente não seriam presos em flagrante delito naquele momento. Abaixo é a transcrição dos depoimentos dos policiais militares que participaram da ocorrência policial. O policial militar FELIPE DE ALMEIDA CARNEIRO RIBEIRO FARIA declarou em juízo (transcrição não literal): “Que o acusado Leonardo era conhecido pela guarnição como o responsável pelas invasões que estariam ocorrendo no Buraco do Boi; que o acusado Leonardo já pertenceu a comunidade do Buraco do Boi, na época do Terceiro Comando; que ele migrou para a facção Comando Vermelho e assumiu um cargo alto, de gerência, sendo o responsável por toda articulação da facção Comando Vermelho na comunidade do Morubá; que o Morubá tem total intenção em expandir a facção do Comando Vermelho para a Praia do Forte, para a comunidade do Buraco do Boi; que o acusado tinha ciência de informações colhidas pela guarnição, como também em registro de ocorrência, sobre estarem aguardando o recebimento de grande quantidade de material entorpecente, que foi uma prisão em flagrante, em que relataram que estavam guardando as drogas para o acusado Leonardo, vulgo “Playboy”; que chegou ao conhecimento dos militares que o denunciado Leonardo estaria na rua citada nos autos e procederam em diligência e o encontraram no local; que realizaram a abordagem e ao ser indagado, o acusado Leonardo admitiu que tinha essa intenção; que tinham conhecimento sobre o acusado ter uma residência no Peró para tirar o foco da comunidade do Morubá, que o acusado Leonardo levou os policiais até o imóvel e encontraram no local entorpecentes prontos para a venda; que o acusado Leonardo disse que encontrar-se-ia com outra pessoa para pegar mais drogas para abastecer a comunidade, e que esse encontro ocorreria na Rua Espanha; que foram ao local e observaram dois indivíduos descendo de um veículo segurando os entorpecentes já para entregar o acusado Leonardo; que efetuaram abordagem; que o acusado Peter era o responsável por guardar o material entorpecente para o denunciado Leonardo; que o acusado Leonardo tinha conhecimento de que estava sendo muito visado e delegou essa função ao acusado Peter; que foram até a casa do Peter, que franqueou a entrada ao local e apontou o local em que estava guardando as drogas; que se o acusado Peter não indicasse o local, não seria possível encontrar o material entorpecente, pois estava em cima de uma camada de gesso no teto; que tinha grande quantidade de material entorpecente pronto para a venda, além de uma espingarda calibre 12 e com munições; que essa arma também foi utilizada nos ataques a comunidade do Buraco do Boi; que há filmagens dos ataques, inclusive divulgadas em redes sociais, em que pessoas desciam de um carro para atacar a comunidade do Buraco do Boi; que procederam para a delegacia de polícia com os acusados e, posteriormente, cessaram os ataques; que o Comando Vermelho já está novamente atacando a comunidade o Buraco do Boi; que o acusado Peter declarou que a arma tinha sido utilizada ao ataque na comunidade do Buraco do Boi; que encontraram buchas maconha no interior da bolsa que estava com os acusados Peter e Kaio; que coincidia com o que o acusado Leonardo havia falado; que o acusado Peter confessou que teria ido ao local encontrar-se com o acusado Leonardo, mas o denunciado Kaio parecia um pouco perdido naquele momento; que o acusado Peter disse que chamou o Kaio para poder entregar os entorpecentes ao Leonardo; que parecia que o acusado Peter conduzia o acusado Kaio; que acha que o Leonardo não falou sobre o acusado Kaio, acha que falou apenas do Peter; que não conhecia os demais acusados, além do Leonardo; que era difícil encontrar com o acusado Leonardo na rua, mas tinham imagens, fotografias; que reconhece o acusado Leonardo em audiência como o indivíduo que está sentado ao lado esquerdo, o Peter está no meio e o Kaio ao lado direito; que a rua Espanha era um ponto de encontro entre os acusados; que não achou a numeração de série na arma, que eles a envolveram com papel filme para protegê-la; que os acusados desciam do veículo e logo foram abordados, mas o depoente não tem certeza sobre quem estava segurando a sacola com o material entorpecente, mas acha que era o acusado Peter, uma vez que o mesmo admitiu que estava n local para entregar a carga e que tinha chamado o Kaio para acompanhá-lo; que não pode precisar se era apenas uma sacola; que o depoente é policial militar lotado no 25° BPM; que não estava fardado no dia dos fatos; que não estava com uma viatura caracterizada, mas apareceu uma em seguida; que não estavam fardados e com viatura caracterizada quando abordaram o denunciado Leonardo; que não havia mandado de prisão contra o acusado Leonardo; que em abordagem inicial o acusado Leonardo não portava drogas; que não havia mandado de busca e apreensão para a residência do acusado Leonardo; que relataram ao acusado Leonardo acerca de uma denúncia feita por um preso em flagrante sobre o mesmo ser um articulador no tráfico de drogas, e que tinham muitos detalhes sobre o seu envolvimento, que diante dessas informações, o denunciado Leonardo admitiu como verdadeiros os fatos; que informaram acerca das garantias constitucionais; que o acusado Leonardo disse que encontraria o acusado Peter; que não se recorda se durante a abordagem os denunciados tinham aparelho celular, porém, se não foi apresentado é porque não tinham; que eles já tinham um encontro marcado, eles não marcaram o encontro naquele momento; que não sabe dizer como eles marcaram tal encontro; que se nenhum aparelho telefônico foi apresentado nos autos do processo é porque não havia; que não se recorda de eram buchas ou tabletes de maconha, mas havia uma quantidade considerável, que não tinha uma balança no momento; que o acusado Peter franqueou a entrada dos policiais em sua residência e também apontou o local em que estava escondido o material entorpecente; que era necessário rosquear uma lâmpada no gesso, descer o bocal da lâmpada no gesso e por um buraco de diâmetro pequeno descer diversas sacolas contendo drogas e uma espingarda de calibre 12, que não teriam como imaginar que teria material naquele local;que não trabalha no serviço reservado; que não conduz investigação, pois é policial militar; que disse que existe a possibilidade da arma ter sido utilizada, pois populares disseram que havia uma arma de grande, de grosso calibre, algumas pessoas pensaram até que tratava-se de fuzil; que não teve confronto balístico; que trabalha no 25° BPM há 10 anos; que não se recorda de ter abordado anteriormente o acusado Leonardo; que abordaram o acusado Leonardo em uma rua de paralelepípedo no bairro Passagem; que salvo engano ele estava bem próximo ou na casa dos pais; que não esteve no local, não sabe dizer como é a casa dos pais do acusado Leonardo, mas havia um muro e portão grande; que havia outros policiais durante a abordagem; que prontamente identificaram-se como policiais militares, pois estavam à paisana; que já haviam comunicado a viatura policial e está pareceu em seguida; que não foi encontrado nada de ilícito em poder do acusado Leonardo; que não apontaram arma para o acusado; que a abordagem não foi demorada, foi dinâmica;que informaram o denunciado Leonardo sobre as denúncias que tinham contra o mesmo e esteprontamente confessou os fatos; que tinham informações sobre o acusado Leonardo ter uma casa no bairro Peró e o mesmo os levou ao local; que não se recorda do acusado Leonardo ter usado telefone ou passado o número de telefone para alguém ou ter fornecido o número de telefone do Peter; que o acusado Leonardo foi conduzido à delegacia na viatura policial; que ele estava desarmado e não apontaram arma para ele; que foram ao Peró na casa em que o acusado estava ficando, que ele escondia entorpecentes no local, cerca de 500 cápsulas de cocaína; que o acusado Leonardo confirmou a propriedade do material entorpecente e disse que ainda chegaria mais; que o acusado Leonardo disse que tinha marcado um encontro para pegar o restante da carga na Rua Espanha, por volta das 17h00min; que já era por volta das 17h00min quando se aproximaram da Rua Espanha; que quando pararam a viatura, os acusados já estavam descendo do carro; que se eles tivessem visto a viatura não teriam parado o veículo; que não se recorda de retiraram o acusado Leonardo da viatura para acompanhar a abordagem; que os acusados encontraram-se na viatura; que o denunciado Peter admitiu que estava trazendo as drogas para entregar ao acusado Leonardo e que havia mais drogas guardadas; que depois o acusado Peter franqueou a entrada dos militares em sua casa e apontou o local em que estavam guardados o restante o material entorpecente; que tinham imagem do Leonardo antes, mas possuem imagens oficiais pela foto do Portal da Segurança lançado no registro de ocorrência que consta nos autos, de quando prenderam outro indivíduo no bairro da Passagem, local bem próximo do Buraco do Boi; que o indivíduo que foi preso também admitiu que guardava bastante drogas para o acusado Leonardo; que não tinham mandado de busca e apreensão das armas; que o acusado Peter falou que guardava a arma para o acusado Leonardo; que não sabiam em qual carro os acusados Peter e Kaio estariam; que viram os acusados descendo do carro e o denunciado Leonardo disse que era com eles que iria se encontrar; que foi dada voz de prisão ao acusado Leonardo, que acha que o mesmo não foi algemado; que o STF editou recentemente uma Súmula sobre o uso da algema; que quando a pessoa não apresenta risco de fuga, ou querer machucar o agente ou se machucar não usam algemas; que o depoente acha que estava em uma viatura caracterizada; que se dividiram entre o Uber e a viatura, pois esta era pequena; que acha que os acusados não foram algemados; que continuaram em diligência a fim de arrecadar mais materialidade; que não se recorda em que momento foi dada voz de prisão.”. O policial militar LEONARDO GARCIA VIANA ao ser ouvido em juízo, declarou: (transcrição não literal): “Que um mês antes da ocorrência realizaram uma prisão no bairro da Passagem, sendo que a denúncia dava conta que um indivíduo estava guardando material entorpecente e armamento para o Leonardo, vulgo “playboy”, e que este seria o responsável pelos ataques a comunidade Buraco do Boi e o autor de um homicídio no local, pois o mesmo havia mudado da facção Terceiro Comando para o Comando Vermelho, sendo que ele estava na comunidade do Morubá e tentando tomar a comunidade do Buraco do Boi; que esse elemento que foi preso conhecia o acusado Leonardo, e este havia pedido para que ele guardasse as armas e as drogas, pois a sua casa era próxima ao local de ataque no Buraco do Boi; que estavam de folga no dia e receberam informações no sentido que, o acusado Leonardo poderia atacar novamente a comunidade Buraco do Boi e que estaria no local citado na ocorrência; que quando chegaram ao local, o denunciado Leonardo chegava numa motocicleta; que foi feita a abordagem e nada de ilícito foi encontrado em poder do denunciado Leonardo; que ao falarem sobre as denúncias, o acusado Leonardo confessou os fatos e afirmou que era o responsável pelos ataques; que então o levaram para a delegacia para verificar se havia mandado de prisão em aberto e também para prestar depoimento sobre a ocorrência anterior; que em primeiro momento o denunciado Leonardo não queria comparecer a sede policial, e informou, com o fito de não ser conduzido para a delegacia, que tinha drogas em sua residência no bairro Peró; que encontraram as drogas no imóvel; que o acusado Leonardo ainda disse que pegaria uma carga de maconha às 17h00min na Rua Espanha, no bairro Jardim Caiçara; que procederam em diligência ao local e visualizaram dois indivíduos com uma sacola nas mãos descendo do Uber; que ao realizarem a abordagem o denunciado Peter estava segurando o saco de maconha; que dentro do veículo estava o acusado Kaio e o motorista do Uber; que ao indagarem o acusado Peter, o mesmo disse que tinha armamento e drogas em sua residência no bairro Guarani, e disse ainda que o acusado Leonardo era quem mandava que o mesmo guardasse todo o material ilícito e que de vez em quando fazia contato para que alguém fosse buscar as drogas no local; que o acusado Leonardo não fez referência ao denunciado Kaio, apenas ao Peter; que conhecia o acusado Leonardo da abordagem e prisão anterior, em que tomaram conhecimento sobre o homicídio e constantes ataques; que atualmente quem comanda a comunidade do Buraco do Boi é a facção criminosa Comando Vermelho, pois conseguiram expulsar a facção Terceiro Comando; que não conhecia os acusados Peter e Kaio; que acharam um tablete de maconha, e depois foram a casa do acusado Peter, onde em cima de um forro, ao tirar a luminária encontraram cocaína e uma espingarda calibre 12, de propriedade do denunciado Leonardo; que o acusado Peter indiciou o local e não saberiam, caso o mesmo não tivesse indicado; que o gesso não estava quebrado;que tinha uma luminária e a retiraram, que havia um buraco no local em que ele enfiou a mão e puxou; que a espingarda estava enrolada em um pano e as drogas estavam em sacos já pronta para ser comercializada; que acha que havia munições; que não se recorda se a arma tinha número de série ou se numeração raspada; que uma parte da droga foi encontrada no bairro Peró, outra no Uber e o restante no bairro Guarani; que o acusado Leonardo não foi preso no momento inicial da abordagem; que não iriam obrigar ao acusado Leonardo a ir a delegacia de polícia; que ao falarem que iriam conduzi-lo à delegacia, o denunciado Leonardo disse que tinha drogas na sua casa, e nesse momento foram até a sua residência; que os fatos ocorreram devido a colaboração do acusado Leonardo; que ele não foi preso e não foi algemado; que o algemaram quando a droga foi encontrada na sua casa; que o acusado Leonardo assustou-se quando falaram sobre a delegacia, que não sabia se tinha mandado de prisão em aberto e disse que não precisava irem a delegacia, pois a droga estava na sua casa; que a abordagem ocorreu sob o pretexto de ser o vulgo “playboy” em razão das informações que tinham sobre o mesmo acerca do homicídio, das tentativas de invasões ao Buraco do Boi, e pelo elemento preso ter dito que as drogas eram do Leonardo; que não sabe dizer se o acusado Leonardo tinha mandado de prisão; que não prenderam o denunciado Leonardo em primeiro momento; que ele entregou de livre e espontânea vontade, por receio de ir a delegacia; que ele foi algemado depois de encontradas as drogas em razão de ser um indivíduo perigoso e por receio de tentativa de fuga; que não se recorda se foi encontrado aparelho telefônico em posse de algum dos acusados; que o acusado Leonardo começou a falar tudo e colaborar por conta própria; que não foi oferecida vantagem para fins de colaboração ao acusado Leonardo; que o acusado Leonardo informou que teria um encontro marcado às 17h00min para buscar a maconha; que não sabe dizer como esse encontro foi marcado; que ele disse apenas que o encontro seria às 17h00min na Rua Espanha; que foram ao local e permaneceram de forma velada por volta de 15minutos; que o local da abordagem é uma rua conhecida por ter boca de fumo; que não sabiam qual era o carro a ser abordado, mas o acusado Leonardo indicou as características do denunciado Peter;que ele não mostrou fotografia; que avistaram um elemento em atitude suspeita com uma sacola nas mãos, olhando de um lado para o outro e muito nervoso; que procederam em abordagem e era o acusado Peter com a droga na mão; que a na sacola tinha um tablete de aproximadamente 1kg de maconha e algumas buchas de maconha; que no departamento efetuam a pesagem; que abordaram primeiramente o acusado Peter, que foi quem desceu do carro com as drogas, posteriormente o acusado Kaio foi abordado juntamente com o motorista do Uber; que nesse momento havia uma viatura dando apoio a guarnição; que estavam em uma viatura caracterizada; que estavam à paisana no momento da abordagem ao denunciado Leonardo, que aguardavam uma viatura; que o acusado Leonardo estava na viatura operacional com os policiais no momento da abordagem aos demais denunciados; que o acusado Leonardo estava algemado; que não se recorda os policiais que estavam na viatura operacional; que teria que verificar quem estava de serviço no RAS; que não sabe dizer qual era a viatura; que algemaram o acusado Peter, pois ele estava com as drogas e estava muito nervoso, portanto algemaram para preservar a segurança de todos; que o deslocamento até a casa do acusado Peter foi realizado no carro do Uber, pois havia somente uma viatura, e esta seguiu o Uber; que não se recorda quem estava em cada veículo; que trabalha no 25° BPM há 10 anos; que não conhecia o acusado Leonardo de abordagens anteriores; que já tinha ouvido falar entre os policiais sobre o Leonardo, vulgo “playboy”, e que o mesmo morava no Buraco do Boi e teria pulado de facção, salvo engano permaneceu um certo tempo preso e depois estava tentando tomar a comunidade com a facção Comando Vermelho; que o depoente atua no GAT; que não sabe dizer se houve investigação em relação ao acusado Leonardo, pois cabe a Polícia Civil; que fez uma ocorrência um mês antes da prisão do acusado Leonardo, ocasião em que o mesmo foi citado pelo preso, como sendo para quem guardava as drogas e ainda forneceu o nome completo do acusado Leonardo; que o acusado Leonardo estava de moto no momento da abordagem, que ele chegou ao local e logo foi abordado; que a motocicleta permaneceu no local da primeira abordagem, um depósito de coco; que não fizeram uma busca no depósito; que tentaram sarquear o nome do denunciado Leonardo, mas estava sem sistema; que o denunciado Leonardo não apresentou resistência; que a abordagem foi feita com a arma em punho para a segurança de todos, mas não estava apontada para o denunciado Leonardo; que permaneceram no local por volta de 15 minutos; que o telefone utilizado para sarqueamento era dos policiais e estava cadastrado; que conduziram o denunciado Leonardo para a sua residência no Peró em uma viatura operacional; que era uma viatura do RAS e o modelo Corola; que na casa do acusado Leonardo, a droga foi encontrada embaixo do sofá; que acha que o Peró é uma área neutra; que não foi falado o nome do acusado Kaio em nenhum momento; que o denunciado Kaio não falou nada em momento algum, apenas que era primo do acusado Peter; que o acusado Peter admitiu que as drogas e a arma eram do acusado Leonardo, bem como que o mesmo mandava motoboys buscarem o material; que o acusado Leonardo também falou que o Peter era o responsável por guardar as drogas; que o local da abordagem ao acusado Peter é dominado pela facção Comando Vermelho; que existe tráfico de drogas no bairro Jardim Caiçara, mas não é uma comunidade conflagrada, são ruas normais em que existe o comércio ilícito de entorpecentes, assim como ocorre na comunidade Buraco do Boi, que o local atualmente é dominado pelo Comando Vermelho tem 20 dias; que sabem que o Comando Vermelho assumiu o local em razão das pessoas que estão frequentando através das abordagens; que não conhecia o acusado Leonardo pessoalmente, apenas por fotos; que o acusado Leonardo confessou os fatos por receio de ser conduzido e saqueado na delegacia e encontrar algo em aberto.” Em analise minuciosa aos depoimentos dos policiais militares colhidos em juízo, sob o crivo do contraditório, verifica-se que o Policial Militar LEONARDO GARCIA, declarou que o réu LEONARDO não pretendia ir para a Delegacia, por isso resolveu colaborar indicando os locais onde guardava as drogas. Ex positis: Diante de todo exposto a defesa concorda com a opinião do respeitado Ministério Público, que seja julgada IMPROCEDENTE a ação penal, diante dos vícios processuais, bem como, inconsistência das provas para uma futura condenação. Diante de tais fatos, a pretensão punitiva estatal cai por terra, concordando assim, com a ABSOLVIÇÃO do acusado das imputações descritas na exordial acusatória na forma do artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal. Nestes Termos p deferimento. Rio das Ostras, 11 de setembro de 2020. Drº. Zeguiar da Silva Rodrigues OAB/RJ. 103.986