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5
INOVAÇÃO E TECNOLOGIA
Neste módulo você aprenderá:
Acerca da utilização de tecnologias 
nos museus;
Sobre inovação tecnológica e formatos 
de acesso virtual;
Sobre direitos autorais, direitos de uso 
de imagem e proteção de dados.
1. O USO DAS TECNOLOGIAS 
NOS MUSEUS E INSTITUIÇÕES 
CULTURAIS: POSSIBILIDADES 
DE INOVAÇÃO
1.2 TENDÊNCIAS ATUAIS DO USO DAS 
TECNOLOGIAS NOS MUSEUS E INSTITUIÇÕES 
CULTURAIS: MELHORIA DO RELACIONAMENTO 
COM OS PÚBLICOS
Apesar do uso crescente de soluções tecnológicas ser 
uma tendência inevitável nos museus, sua implemen-
94
MÓDULO V 
tação ainda encontra muitos desafios. Alguns desses 
desafios são compartilhados por museus nos cená-
rios internacionais, outros são acentuados na reali-
dade brasileira. Em diferentes graus, os principais de-
safios para o uso das tecnologias da informação (TIC) 
passam por três aspectos:
 – Falta de equipe formada e resistência das 
equipes ao uso de TIC.
 – Falta de recursos financeiros para o seu 
desenvolvimento e implementação.
 – Falta de infraestrutura nas instituições.
Pesquisas que discutem esses dados no cenário na-
cional ainda são escassas e pouco sistematizadas, 
mas algumas publicações internacionais nos ajudam a 
colocar luz sobre essas questões. Um projeto, desen-
volvido por um consórcio de museus ingleses, publicou 
um relatório para mapear os ecossistemas das habi-
lidades digitais dos museus, intitulado “ONE by ONE” 
Mapping the Museum Digital Skills Ecosystem (NMC, 2015; 
2016). De acordo com esse relatório, as habilidades 
das equipes para lidarem com as soluções tecnológi-
cas são muito importantes. A alfabetização digital da 
força de trabalho continua sendo um dos principais 
desafios para a adoção de tecnologia dentro dos mu-
seus (NMC, 2015; 2016). De acordo com essa publica-
95MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
ção, mais de um terço dos museus da Inglaterra ainda 
sentem que não têm as habilidades internas para 
atender às suas aspirações digitais e, em vez de me-
lhorar, em algumas áreas, as habilidades digitais di-
minuíram. As últimas descobertas relatam uma “falta 
de confiança” como uma barreira importante para a 
implementação das TIC nos museus. Abordando es-
sas questões, o objetivo do projeto “One by One” do 
Reino Unido é trabalhar nos próximos dois anos para 
entender como fornecer uma estrutura transforma-
dora para a alfabetização digital da força de traba-
lho dos museus. Os principais resultados encontrados 
pelo projeto são:
• Existem práticas diferentes em como as respon-
sabilidades e habilidades digitais são distribuídas, 
gerenciadas e compartilhadas nos museus do 
Reino Unido.
• O uso de tecnologias digitais é cada vez mais visto 
como parte do conjunto de habilidades de todos.
• O uso das tecnologias digitais está se profissio-
nalizando no museu.
• À medida que o digital se torna institucionalizado, 
os museus estão se reestruturando e evoluindo.
• Museus estão explorando, aprendendo e exigin-
do novas habilidades digitais.
96
MÓDULO V 
• Existe um entendimento mais profundo por parte 
dos museus das habilidades digitais, conhecimento 
e especialização necessários.
• Os museus estão se envolvendo cada vez mais 
na prática digital baseada em evidências.
• Atualmente, há poucas evidências de que os mu-
seus estejam avaliando e identificando sistemati-
camente as necessidades de habilidades digitais.
• Há pouca evidência de treinamento formal e pla-
nejamento interno em torno de habilidades e alfa-
betização digitais.
• Há evidências de que nos museus ‘habilidades 
digitais’ se relacionam a um conjunto específico de 
competências técnicas.
Além do relatório One by one, outras fontes são impor-
tantes para entender o desenvolvimento e as tendên-
cias do uso das tecnologias nos museus. Uma dessas 
fontes é o relatório MNC Horizon Report: 2016 Museum 
Edition, produzido por um consórcio de museus e empre-
sas norte-americanas (BPOC5). Segundo esse relatório, 
as tendências do uso da tecnologia nos museus para os 
próximos cinco anos terão duas frentes principais.
5 BPOC (https://www.bpoc.org) é uma organização americana que colabora e ajuda 
museus de arte e ciências e as organizações culturais a se tornam rentáveis, a toma-
rem decisões tecnológicas sustentáveis e estratégicas com oferecendo uma gama de 
serviços técnicos e de suporte, incluindo produção digital, website e estratégia digital.
97MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
“Os especialistas concordam com duas ten-
dências de base: foco crescente na per-
sonalização de experiências nos museus, 
assim como no crescimento do poder da 
análise de dados na organização das ações 
dos museus” (FREEMAN et al., 2016, p. 1).
O resultado, para o visitante, é uma experiência mais 
qualificada e significativa, voltada para a sua reali-
dade, na medida em que são customizadas a partir 
das informações fornecidas por eles próprios (FREE-
MAN et al., 2016, p. 12). Essas informações permitirão 
aos museus identificar diferentes perfis dentro de seu 
universo do público, tanto com recortes genéricos – 
como o percentual de visitantes de determinada faixa 
etária, quanto bastante específicos, como a quanti-
dade de pessoas que gostaram ou não de determi-
nada peça exposta no museu, além de inúmeros pos-
síveis cruzamentos de critérios.
Para o museu, softwares que operem nessa direção 
representam a possibilidade de superar uma lacuna 
importante no que se refere a ter dados confiáveis 
sobre o perfil e o comportamento de seus visitantes, 
ao longo do tempo. Levando em consideração aspec-
tos legais sobre o uso de dados pessoais que serão 
abordados no segundo item deste módulo V.
No diagrama “Tendências em Tecnologia” são apresenta-
dos os principais aspectos apresentados no documento:
98
MÓDULO V 
DESAFIOS TENDÊNCIAS
SOLUCIONÁVEIS
• Desenvolvimento de 
estratégias digitais 
efetivas
• Melhorar na 
alfabetização digital 
dos profissionais de 
museus
DIFÍCEIS
• Melhorar a acessibili-
dade para pessoas 
com deficiência 
• Mensurar o impacto 
das novas tecnologias
PERVERSOS
• Administrar a 
obsolescência do 
conhecimento
• Preocupação com a 
privacidade de dados
2016 20182017 2019 2020
CURTO PRAZO
• Conteúdo para celular
• Experiências participativas
MÉDIO PRAZO
• Análise de dados para a operação do museu
• Personalização
LONGO PRAZO
• Colaboração entre instituições
• Novos papéis para os profissionais de museus
CURTO PRAZO
(1 ANO OU MENOS0
• Tecnologias 
atreladas às 
humanidades digitais
• Espaços makers
MÉDIO PRAZO 
(2 A 3 ANOS)
• Localização 
inteligente
• Realidade virtual
LONGO PRAZO 
(4 A 5 ANOS)
• Visualização de 
informação
• Objetos em rede
DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO Traduzido de Mnh Horizon: 2016 Museum Edition
Imagem elaborada pelos autores
99MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
1.2 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E FORMATOS 
DE ACESSO VIRTUAL
Se no cenário nacional ainda são incipientes as ações 
que buscam soluções tecnológicas, em países da Eu-
ropa e Estados Unidos essas soluções são mais co-
muns. Podemos dividir a oferta de produtos tecnoló-
gicos em diferentes categorias: soluções para Internet, 
repositórios de acervos, aplicativos e audioguias, sof-
twares para pesquisas de públicos e outras experiên-
cias. Vamos, em seguida, apresentar algumas delas 
trazendo exemplos concretos de empresas e museus 
que já percorrem esse território ainda desafiante 
para muitos.
1. Soluções para Internet (Sites institucionais 
e redes sociais)
Atualmente existem muitas soluções para Internet, 
que vão desde site institucionais e exposições virtu-
ais, até repositórios online de materiais educativos e 
acervos. Além dos sites institucionais, hoje em dia são 
raros os museus que não se apresentam na Inter-
net por intermédio do Facebook, Instagram, Twitter 
e outras redes sociais. A Internet e seu uso por meio 
das redes sociais tem se constituído como um espaço 
de socialização com características muitoespecíficas 
Para saber mais 
sobre a conferên-
cia, acesse: https: 
//www.museum-
sandtheweb.com/
100
MÓDULO V 
quando olhamos para a forma como o Brasil tem pro-
duzido suas experiências. De acordo com os gestores 
do repositório digital Tainacan, é por esse motivo que 
o país se destaca no cenário internacional e é reco-
nhecido por produzir um alto grau de interação social 
no universo digital6.
Uma fonte importante para debater o tema do relacio-
namento dos museus com a Internet é o site da organi-
zação americana Museums and the Web que organiza 
desde 1997 encontros anuais para debater o tema. 
Museums and the Web organizou sua primeira confe-
rência em Los Angeles em 1997. Na época, os museus 
estavam no início da exploração da Internet como uma 
nova plataforma, experiência e lugar para envolver o 
público. Colocar “museus” e a “web” juntos foi um gesto 
radical, que acabou transformando o campo.
As conferências MW têm sido realizadas anualmente 
na América do Norte desde então. Hoje, as conferên-
cias MW vão muito além dos museus e da web, in-
cluindo participantes de galerias, bibliotecas e arqui-
vos, bem como praticantes de arte e tecnólogos de 
diferentes esferas. Os programas se expandiram de 
acordo com a inovação em todo o campo cultural, seja 
6 http://wiki.tainacan.medialab.ufg.br/doku.php?id=motivacao#o_tainacan
101MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
facilitado pela web e tecnologias conectadas ou novas 
práticas usando outras ferramentas e métodos.
2. Repositórios de acervos
Criados inicialmente para catalogação de obras, e pro-
moção da ampliação do acesso a cultura, os reposi-
tórios de acervos são uma das principais soluções 
tecnológicas oferecidas para museus na atualidade. 
Apresentamos aqui algumas diferentes aplicações que 
são hoje oferecidas no Brasil e no mundo. Inicialmente 
construídos como clássicos banco de dados, esses sis-
temas cada vez mais levam em consideração o acesso 
do público, qualificando e modelando os dados disponí-
veis visando melhorar a experiência do usuário.
• TAINACAN
País de origem: Brasil 
Site: http://tainacan.org/
Tutoriais e outros materiais disponíves em: http://wiki.
tainacan.medialab.ufg.br/
O Tainacan é um software-livre para gestão de acer-
vos culturais digitalizados, desenvolvido pelo Laborató-
rio de Políticas Públicas Participativas (L3P) em parce-
ria com o Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e 
102
MÓDULO V 
Inovação em Mídias Interativas (Media Lab), ambos da 
Universidade Federal de Goiás.
Entendendo a diversidade de uso das redes sociais 
pelos brasileiros e da possibilidade de desenvolvi-
mento de um espaço que permita a integração de 
diferentes objetos digitais em suas múltiplas mídias, 
facilitando sua curadoria, descrição, filtragem, análise 
de relevância, classificação, busca integrada, partici-
pação social e colaboração na construção do signifi-
cado desses objetos e com um enorme potencial de 
ampliar o acesso à cultura brasileira, o Tainacan vem 
da necessidade de se criar uma solução que aten-
desse a essa complexidade no mundo da produção 
de repositórios digitais.
O Tainacan é pensado como um espaço de conver-
gência, permitindo a maior troca possível entre dife-
rentes sistemas de informação, facilitando a criação 
de coleções com conteúdos oriundos de diferentes 
plataformas. É nessa perspectiva de convergência 
que Tainacan se constitui como um verdadeiro re-
mixador de conteúdos digitais, permitindo a criação 
de coleções que facilitem o máximo reuso possível de 
objetos digitais já existentes em outros ambientes es-
palhados pela web.
103MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
Atualmente esse software está sendo implantado 
nos museus federais (Ibram) e na Funarte.
• SISTEMAS DO FUTURO
País de origem: Portugal 
Site: http://sistemasfuturo.pt/
Desenvolvido pela empresa Sistema do Futuro, é uma 
aplicação digital em formato de banco de dados, que 
permite o gerenciamento de diferentes tipologias de 
acervos de forma integrada. Os repositórios catalo-
gados também podem ser disponibilizados na Inter-
net. Foi adquirido pela Secretaria de Estado da Cul-
tura de São Paulo para o gerenciamento dos acervos 
dos museus sob sua administração.
• GOOGLE ART PROJECT
País de origem: Estados Unidos 
Site: https://artsandculture.google.com
O Art Project é uma colaboração única com algumas 
das instituições de arte do mundo para permitir que 
as pessoas descubram e vejam obras de arte on line 
em detalhes. Trabalhando com mais de 250 insti-
tuições, são disponibilizados dezenas de milhares de 
obras de arte de mais de 6.000 artistas. Isso envol-
Assista um TED 
com o idealiza-
dor desta plata-
forma: 
https://www.ted.
com/talks/amit_
sood_buildin-
g_a_museum_
of_museums_
on_the_web
104
MÓDULO V 
veu a aquisição de imagens de alta resolução, e com-
binação de mais de 30 mil outras imagens em um só 
lugar. O projeto também incluiu a construção de vi-
sitas em 360 graus de galerias individuais usando a 
tecnologia ‘’interior” do Street View. Atualmente, mais 
de 45 mil objetos estão disponíveis para visualização 
em alta resolução.
Muitos museus brasileiros já fazem parte deste repositório:
https://artsandculture.google.com/partner?hl=pt-BR
3. Aplicativos e áudio-guias para visitas guiadas
É cada vez mais comum nos depararmos ao visitar um 
museu ou uma exposição com um assistente digital de 
visita. Seja por meio de um aplicativo para ser baixado 
nos celulares pessoais, seja um QR-Code ao lado da 
abra para acessar um link na Internet. Evolução dos au-
dioguias oferecidos pelos grandes museus do mundo, 
passando por questões de acessibilidade, quando ofe-
recidos para pessoas cegas ou de baixa visão, hoje os 
aplicativos de visita oferecem muitas outras formas de 
interatividade, muitas ainda em experimentação. Apre-
sentamos aqui alguns exemplos do que têm sido ofere-
cidos nos museus ao redor do mundo:
105MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
• GVAM
País de origem: Espanha 
https://www.gvam.es/
O conceito da GVAM (Guías Virtuales Acessíveis aos 
Museus) surge em 2008 com o objetivo de que todas 
as pessoas, sem exceção, pudessem realizar uma visita 
autônoma ao museu. Em 2013 foram um dos primeiros 
a implantar aplicativos de visita em museus na Espa-
nha, melhorando a prestação de serviços de audioguias 
e apresentando os museus para seus visitantes.
• ORPHEO
País de origem: França 
https://orpheogroup.com/
A Orpheo, entre outros produtos, comercializa guias 
de áudio e guias multimídia para museus e instituições 
culturais. A empresa fabrica guias de áudio, sistemas 
de rádio para grupos (guias de rádio) e tablets desde 
1992. Os dispositivos foram projetados e fabricados 
na França e hoje em dia são adaptados para visitas a 
museus em diferentes locais e culturas.
4. Softwares para pesquisa de público
Existem muitos sistemas desenvolvidos no mercado 
106
MÓDULO V 
que atendem as pesquisas de público nos museus. 
Essas pesquisas podem ser oferecidas tanto em to-
tens físicos, na própria exposição, ou serem manda-
das por e-mail para serem respondidas no pós-visita.
5. Softwares de agendamento de Grupos
Algumas instituições que têm recursos financeiros ou 
de pessoa, acabam por desenvolver seus próprios 
softwares para gestão dos agendamentos de grupos, 
sendo essa uma questão chave para museus que re-
cebem grupos organizados. O museu Catavento de 
São Paulo, o Instituto Butantan, o Museu da Vida na 
Fiocruz e o Zoológico de São Paulo são alguns exemplos 
de instituições que desenvolveram sistemas próprios 
de agendamento. Outras instituições mesclam contato 
telefônico com uma agenda e/ou formulário do Google.
Iniciativas mais recentes e inovadoras tentam migrar 
para um sistema de assinatura, como a Plataforma 
Mais Museu (http://www.maismuseu.com.br/site/), já 
em uso pelo MAM de São Paulo, Museu Monteiro Lo-
bato e Museu AfroBrasil.
6. Outras experiências• Iris – Museu do Amanhã – Rio de Janeiro, Brasil
“O Museu do Amanhã é um museu de ci-
ências diferente. Um ambiente de ideias, 
explorações e perguntas sobre a época de 
107MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
grandes mudanças em que vivemos e os 
diferentes caminhos que se abrem para o 
futuro. O Amanhã não é uma data no ca-
lendário, não é um lugar aonde vamos che-
gar. É uma construção da qual participamos 
todos, como pessoas, cidadãos, membros 
da espécie humana”. (Texto extraído de 
https://museudoamanha.org.br/pt-br/so-
bre-o-museu)
No Museu do Amanhã, a assistente virtual Iris ajuda 
cada visitante a recuperar sua memória sobre o con-
teúdo expositivo.
• “A voz da arte” – Pinacoteca de São Paulo, Brasil
A Voz da Arte foi uma parceria entre a Pinacoteca e a 
IBM, que colocou seu sistema de inteligência artificial, 
o Watson, para desenvolver uma experiência que pu-
desse conversar com as pessoas.
• IRIS + – Museu do Amanhã, Rio de Janeiro, Brasil
Uma parceria entre a IBM Watson e a Iris do Museu 
do Amanhã.
“Em comemoração ao nosso aniversário de 
dois anos, lançamos mais uma grande no-
vidade: a primeira extensão da Exposição 
Principal, baseada em Inteligência Artifi-
cial. Em 19 de dezembro de 2017, abrimos 
ao público a IRIS+, projeto que permite ao 
visitante aprofundar sua experiência no 
Museu do Amanhã. O assistente cognitivo 
108
MÓDULO V 
construído com IBM Watson – plataforma 
de Inteligência Artificial para negócios – foi 
desenvolvido não somente para responder 
aos visitantes, mas também formular per-
guntas”. (Texto extraído de https://museu-
doamanha.org.br/pt-br/irismais)
• Exposição Imersiva: Gustav Klimt – Atelier des 
Lumières, Paris, França
Para marcar a sua inauguração, o Atelier des Lumières 
apresentou uma exposição imersiva dedicada às princi-
pais figuras da cena artística vienense, da qual Gustav 
Klimt foi uma figura chave, juntamente com Egon Schiele. 
Suas obras serão trazidas à vida ao som da música na 
imensa superfície de projeção de uma antiga fundição.
Essa exposição convidava os visitantes a mergulhar 
nas obras coloridas e luminosas de Gustav Klimt, 
obras de seus contemporâneos e daqueles a quem 
ele inspirou. Levando os visitantes em uma jornada 
através de cem anos de pintura vienense, a exposição 
imersiva dá uma olhada original nas obras de Klimt e 
seus sucessores através de uma apresentação dos 
retratos, paisagens, nus, cores e dourado que revolu-
cionaram a pintura vienense no final do século XIX e 
no século que se seguiu.
Para saber mais sobre 
essa experiências, 
acesse:
http://www.techtudo.
com.br/noticias/
noticia/2016/03/
iris-assistente-virtual-
do-museu-do-
amanha-dispensa-
os-guias-de-papel.
html
http://www.techtudo.
com.br/noticias/
noticia/2016/03/
museu-do-amanha-
tem-cerebro-digital-
potente-entenda- 
o-que-esta- 
por-tras.html
Assista a alguns 
vídeos que podem 
ajudar a entender 
melhor essa 
experiência:https://
www.youtube.com/
watch?v=1rOA 
gvCnZpw
https://www. 
youtube. 
com/watch?v= 
m9jT6nStyCQ
109MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
2. QUESTÕES LEGAIS: DIREITOS 
AUTORAIS, DIREITO DE USO 
DE IMAGEM E PROTEÇÃO 
DE DADOS NA ERA DIGITAL
2.1. DIREITOS AUTORAIS E DIREITO DE IMAGEM
A lei de direitos autorais e direitos de uso de imagens 
é uma lei que abarca várias situações e mídias, sendo 
bastante difundida no meio cultural uma vez que as 
questões de compra ou cessão de direitos autorais 
podem gerar inúmeros conflitos legais e extrema-
mente onerosos. Não é raro que no desenvolvimento 
de grandes exposições, os museus ou produtoras de 
exposições contratarem consultorias de advocacia 
especializadas nestas questões. No entanto, mesmo 
que haja uma tratativa especializada, todo profissio-
nal que irá trabalhar neste campo deve conhecer um 
pouco sobre os principais pontos desta lei.
No caso específico dos Museus, em abril de 2013, o Ibram 
divulga uma normativa em relação ao uso de imagens 
de obras de arte dos museus que são por ele geridos.
Na ocasião, a Agência Brasil publicou uma reporta-
gem sobre o tema que reproduzimos aqui na íntegra.
Assista alguns 
vídeos sobre essa 
experiência:
https://www.youtube. 
com/watch?v=os_
shHyK3-0
https://www.youtube. 
com/watch?v=Iw 
KGT5llV9M
Assista a alguns 
vídeos sobre a 
exposição
https://www.
youtube.com/
watch? 
v=IwKGT5ll 
V9Mhttps://www.
youtube.com/
watch?v=Vbd6 
j28s7To
110
MÓDULO V 
“ Ibram divulga regras para uso de imagem e reprodução do acervo de museus
16/04/2013 – Agência Brasil7
Brasília – O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) divulgou 
hoje (16) as regras para a autorização de uso de imagem e 
de reprodução dos bens culturais e documentos do acervo 
dos seus museus. As medidas fazem parte da Instrução 
Normativa (IN) 1/2013, publicada na edição do Diário Oficial 
da União desta terça-feira, e são válidas para as 30 unida-
des museológicas administradas pela instituição.
O Ibram tem unidades como o Museu Nacional de Belas 
Artes, no Rio de Janeiro, que tem mais de 60 mil peças. 
São obras de pintura, escultura, desenho, gravura brasi-
leira e estrangeira, arte decorativa, mobiliário, arte em pe-
dras preciosas, moedas e medalhas, arte popular, docu-
mentos e um conjunto de peças de arte africana.
Também são administrados pelo Ibram, o Museu da 
Inconfidência, em Ouro Preto (MG); o Museu da Repú-
blica, no Rio de Janeiro; e o Museu Imperial, em Pe-
trópolis (RJ), entre outros. A lista completa pode ser 
conferida no site do instituto.
7 Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons 
Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir as matérias é necessário apenas dar crédito à 
Agência Brasil
A Lei de Direitos 
Autorais (no 
9610/98) na 
Constituição
Federal está 
disponível para 
consulta em:
http://www.
planalto.gov.br/
ccivil_03/Leis/
L9610.htm
111MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
O requerimento para uso de imagem e reprodução 
pode ser apresentado por órgão, entidade pública ou 
privada e pessoa física. Segundo a IN, o próprio museu 
poderá emitir uma autorização para item ou coleção 
do seu acervo, quando se tratar de uso de imagem. 
Quando a utilização for para a reprodução, a autoriza-
ção será do presidente do instituto.
Para o acervo que não se encontra em domínio público, o 
interessado deverá obter autorização de quem detém os 
direitos das obras protegidas pela Lei 9.610, que trata de 
direito autoral.
O Ibram estabeleceu algumas restrições para as autori-
zações, como a proibição de transformações e manipu-
lações das imagens e a publicação em baixa resolução. A 
venda e a reprodução em banco de imagens foi vedada, 
a não ser em caso de autorização. Quem descumprir as 
regras ficará passível de ação civil.
Todas as imagens e reproduções dos respectivos acer-
vos devem ter obrigatoriamente os créditos divulgados, in-
cluindo o nome do museu, o Ibram e o Ministério da Cultura, 
nessa ordem, assim como o número e o ano da autoriza-
ção. Além disso, a utilização do espaço interno ou externo 
do museu poderá estar sujeita ao pagamento de tarifas. Se 
a atividade tiver fins comerciais, poderá ser cobrado o valor 
de até R$ 300 por hora para equipe de até cinco pessoas”
A Normativa do 
Ibram sobre uso de 
imagens
nos museus está 
disponível em:
http://www.
museus.gov.br/wp-
content/uploads/
2013/09/IN-
01_2013.pdf
112
MÓDULO V 
2.2. PROTEÇÃO DE DADOS NA ERA DIGITAL
Apesar do uso de dados na era digital ser uma dis-
cussão cada vez mais pertinente, no Brasil ainda não 
temos marcos legais no âmbito cultural. Por esse mo-
tivo, iremos apresentar essa discussão sobre o ponto 
de vista dos museus ingleses com o intuito de iniciar 
essa reflexão para o cenário nacional.
Com o intuito de instruir os museus ingleses em como 
lidar com essas questões, mesmo antes de entrar em 
vigor na Europa a nova legislação sobre proteção de 
dados, a associação de museus independentes da In-
glaterra (Associationof Independent Museums/AIM) pu-
blicou um guia prático sobre uso de dados para Mu-
seus. Intitulado “Success Guide: Successfully managing 
privacy and data regulations in small museums”.
Devido a relevância dos assuntos abordados por esse 
guia, vale destacarmos neste módulo alguns pontos 
do material. Na Europa, a Lei de Proteção de Dados 
(DPA) que estava em vigor desde 1998 e sempre exi-
giu das organizações um gerenciamento de dados 
de forma justa e responsável, foi recentemente atu-
alizada e tornou-se ainda mais rígida com a nova lei 
chamada Regulamento Geral sobre a Proteção de 
113MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
Dados (PGPD)8, que entrou em vigor a partir de 25 de 
maio de 2018 (AIM Success Guide, 2017).
O Guia afirma que o Gabinete da Comissão de In-
formação do Reino Unido (Information Commissioner’s 
Office/ICO9) aumentou a conscientização sobre o que 
está mudando, mas ao fazer isso também colocou luz 
sobre o que as organizações já faziam sobre o as-
sunto. Em relação a isso, a OIC no final de 2016 e início 
de 2017 demonstrou a eficiência e penalizou financei-
ramente 13 instituições de caridade que foram multa-
das por ações relativas ao compartilhamento de da-
dos – práticas frequentemente consideradas comuns 
no mundo da caridade (AIM Success Guide, 2017). A 
questão chave em todos esses casos foi o consenti-
mento. A organização afirmou que a atividade em si 
não era ilegal; o problema era que eles não tinham 
informado às pessoas o que estavam planejando fa-
zer com seus dados, e assim as pessoas não têm a 
oportunidade de se opor. Dentre todos os casos, as 
organizações tinham declarações de consentimento e 
privacidade em vigor, mas a OIC decidiu que eles não 
tinham sido suficientemente claros sobre como eles 
8 Para saber mais sobre essa nova legislação acesse https://ec.europa.eu/com-
mission/priorities/justice-and-fundamental-rights/data-protection/2018-reform-
-eu-data-protection-rules_pt
9 https://ico.org.uk/
Para saber mais 
sobre o guia, 
acesse o mate-
rial completo no 
link: https://www.
aim-museums.
co.uk/wp-content/
uploads/
2017/10/1-Success-
fully-managing-pri-
vacy-and-data-re-
gulations-in-small-
-museums.pdf
114
MÓDULO V 
iam usar os dados de seus apoiadores. Esta interpre-
tação mais estrita o DPA é um precursor em relação 
às mudanças mais rigorosas incorporadas pelo novo 
GDPR (AIM Success Guide, 2017).
De acordo com o AIM Success Guide, essas ações re-
centes nos mostram uma mudança de atitude em 
relação aos dados pessoais. Passando de um movi-
mento laissez-faire para um de maior controle pessoal 
e de responsabilidade organizacional. Por isto é muito 
importante que essas mudanças sejam compreendi-
das nas organizações, inclusive nas organizações cul-
turais. De curadores a equipe operacional, ninguém 
deve ser ‘protegido’ de debater estas questões.
As organizações precisam se preparar para as mu-
danças em relação a proteção de dados mesmo antes 
dos novos regulamentos entrem em vigor (AIM Success 
Guide, 2017). Por isso é importante no Brasil olharmos 
com atenção para o cenário internacional e começar-
mos a nos preparar para incorporar essas questões.
POR QUE COLETAMOS DADOS?
Essa discussão passa pela questão básica: ‘Por que 
coletamos dados?’ No passado muitas organizações 
coletavam dados simplesmente porque tiveram essa 
oportunidade, e não porque eles sabiam como iriam 
115MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
usá-los. Nesta nova era que se apresenta, um con-
selho simples do AIM Success Guide é ser consciente 
e estratégico em relação ao uso de dados coletados. 
Todas as instituições devem deixar claro porque estão 
coletando dados e o que pretendem fazer com eles.
O Guia aconselha as instituições a documentar suas 
decisões: o Princípio da Responsabilidade (GDPR) 
exige que as organizações registrem suas tomadas 
de decisão. As instituições podem querer coletar da-
dos pessoais para uma ampla gama de propósitos, 
sendo os mais comuns:
• Gestão de mailing
• Captação de recursos
• Gestão de voluntários
• Eventos
• Brindes
Não importa o propósito, a nova exigência é que se 
tenha claro para que os dados estão sendo coletados. 
O material ainda aconselha as instituições em relação 
a dois pontos chaves: (1) Colete apenas a informação 
que você precisa e (2) Mantenha os dados guardados 
apenas pelo tempo que precisa deles.
Os aspectos trazidos por este guia nos levam a pensar 
116
MÓDULO V 
que as instituições, brasileiras inclusive, terão que ter 
a partir deste novo marco legal uma conscientização 
muito maior sobre a coleta e uso dos dados das pes-
soas. Seguindo a mesma tendência, é possível que o 
público das instituições também passe a ser mais cui-
dadoso e atento em relação ao fornecimento de seus 
dados pessoais e ao consentimento de relação aos 
termos de uso de dados.
Por fim, ao longo deste curso, tivemos a oportunidade 
de aprender sobre as principais definições teóricas 
de museu, expandir nossas compreensões acerca de 
políticas públicas e políticas de profissionalização e 
planejamento estratégico na área museal. Ainda, tra-
tamos acerca de leis e financiamento da cultura e as 
relacões entre museu e economia. Pudemos também 
nos dedicar ao estudo dos princípios do Marketing 
social, a importância do posicionamento estratégico 
da organização e das ferramentas de comunicação 
social relacionadas à imagem organizacional. Por fim, 
trabalhamos a utilização de tecnologias nos museus, 
a inovação tecnológica e diretos autorais e direitos de 
uso de imagem e proteção de dados.
117MUSEUS E PATRIMÔNIO
MÓDULO V 
REFERÊNCIAS
ASSOCIATION OF INDEPENDENT MUSEUMS/AIM Success Guide: 
Successfully managing privacy and data regulations in small mu-
seums. Disponível em: https://www.aim-museums.co.uk/wp-con-
tent/uploads/2017/10/1-Successfully-managing-privacy-and-data-
-regulations-in-small-museums.pdf. Acesso em maio de 2018.
FREEMAN, A.; ADAMS BECKER, S.; CUMMINS, M.; MCKLROY, E.; GIE-
SINGER, C.; YUHNKE, B. (2016). NMC Horizon Report: 2016 Museum 
Edition. Austin, Texas: The New Media Consortium.

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