Prévia do material em texto
PATOLOGIA – 2ª etapa Sara Monteiro de Moura PATOLOGIA DOS VASOS SANGUINEOS ARTERIOSCLEROSE − É o espessamento da parede das artérias com a perda de elasticidade ▪ À medida que a gente envelhece, vamos perdendo o conteúdo elástico da parede das artérias e a concentração de colágeno aumenta ▪ Ocorre o fibrosamento também por traumas sofridos ao longo da vida − O espessamento da parede dos vasos resulta na diminuição da luz − A medida que o vaso não consegue distender, ele vai perdendo sua complacência e aumenta sua resistência ▪ Em vasos de menor calibre existe o risco de um processo isquêmico − Esclerose medial de Monckeberg: idiopática, acomete indivíduos acima de 50 anos ▪ Cursa com a perda de elasticidade da túnica media por calcificação − Arteriosclerose hiperplásica e hialina: acontece em processos de micro trauma na parede dos vasos que alteram a função do endotélio ▪ A camada muscular migra da túnica media para a túnica intima junto com a proliferação de tecido conjuntivo ▪ É o espessamento da túnica intima por células musculares e tecido conjuntivo ▪ Ocorre em pacientes hipertensos (aumento do fluxo sanguíneo) e diabéticos (aumento da viscosidade) ▪ Pode ser caracterizado como um estagio pré-aterosclerótico ATEROSCLEROSE − É a presença de ateromas ou placas ateromatosas / fibrogordurosas na túnica intima, abaixo do endotélio − A medida que essas placas evoluem alteram sua composição e invadem a luz do vaso, causando obstrução e enfraquecem a túnica media − A placa de ateroma está ligada a uma alta taxa de mortalidade 𝑝𝑙𝑎𝑐𝑎 𝑎𝑡𝑒𝑟𝑜𝑚𝑎𝑡𝑜𝑠𝑎 → 𝑜𝑏𝑠𝑡𝑟𝑢çã𝑜 𝑑𝑜 𝑣𝑎𝑠𝑜 → 𝑒𝑛𝑓𝑟𝑎𝑞𝑢𝑒𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑎 𝑐𝑎𝑚𝑎𝑑𝑎 𝑚𝑢𝑠𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟 → 𝑎𝑡𝑒𝑟𝑜𝑠𝑐𝑙𝑒𝑟𝑜𝑠𝑒 Importância clínica − Afeta primariamente as artérias elásticas (aorta, ilíacas e carótidas) e as musculares de grande calibre (coronárias e poplíteas) ▪ Nas artérias elásticas o fluxo sanguíneo é maior, causando maior atrito e tendo mais chance de lesão no endotélio ▪ A lesão é o principal desencadeante da placa − A doença aterosclerótica sintomática localiza-se mais frequentemente nas artérias que suprem: ✓ Coração ✓ Cérebro ✓ Rins ✓ Membros inferiores ✓ Intestino delgado A formação de placa nesses locais vai resultar em obstrução → isquemia → infarto ▪ Em artérias de grande calibre, para que haja obstrução de importância clinica, é necessário a formação de uma placa grande ▪ Por isso, nessas artérias os sintomas estão relacionados mais frequentemente à formação de aneurismas Consequências principais: ✓ Infarto do miocárdio ✓ Infarto cerebral ✓ Aneurisma da aorta − A formação da placa pode gerar uma redução crônica ou aguda do fluxo sanguíneo ▪ Placa fixa – reduz cronicamente o fluxo sanguíneo no local da formação À medida que vai crescendo, reduz a luz do vaso de forma gradativa, além de estenosar a parede do vaso ✓ Angina ✓ Gangrena ✓ Cardiopatia isquêmica crônica (arritmias, insuficiência cardíaca) ▪ Rompimento da placa – agudização do processo da doença aterosclerótica A placa fixa se torna instável durante seu desenvolvimento e pode chegar a se romper Após o rompimento da placa ocorre a formação de um trombo que pode obstruir completamente o vaso de forma aguda A redução aguda possui consequências piores ✓ AVC isquêmico ✓ Infarto agudo do miocárdio ✓ Infarto intestinal Morfologia − A placa é formada basicamente pelo espessamente e acumulo de lipídeos na camada intima da parede do vaso − A lesão básica consiste em uma placa focal elevada no interior da intima, que possui um centro necrótico envolto por uma cápsula fibrosa − As placas também são chamadas de ✓ Placas fibrosas ✓ Fibrogordurosas ✓ Fibrolipidicas ▪ Sua nomenclatura vai depender do estagio em que a artéria se encontra − A placa de ateroma é caracterizada pela presença de um processo inflamatório cuja base é a inflamação crônica ▪ A partir de uma lesão no endotélio ocorre a entrada de LDLs para o interior da túnica intima ▪ Junto com as LDLs, entram também os monócitos → macrófagos ▪ Os macrófagos recrutam os linfócitos e iniciam o processo inflamatório ▪ A perpetuação desse processo inflamatório é o que leva a placa a crescer • Cápsula fibrosa: a cápsula é importante para a estabilidade dessa placa de ateroma ▪ Enquanto a cápsula está presente e íntegra, protege o centro necrótico do contato com o sangue ▪ É o que configura a placa estável ▪ O rompimento dessa placa inicia o processo de agudização da placa ▪ São formadas por células musculares lisas, macrófagos, colágeno, elastina, neovascularização • Centro necrótico: local onde há presença de LDLs livres, células espumosas, células inflamatórias, restos celulares, radicais livres e mediadores da inflamação ▪ É o local onde ocorre a inflamação intensa – quanto maior o centro necrótico, maior a reação inflamatória ▪ Metaloproteinases: são substancias liberadas pelos macrófagos durante a resposta inflamatória e são importantes na desestabilização da placa À medida que o centro necrótico vai crescendo, elas vão sendo liberadas e vão atacando a cápsula → enquanto o centro necrótico cresce, a cápsula vai ficando mais fina − Aterosclerose avançada: casos que a placa de ateroma se desenvolve a longo prazo e, por algum motivo, não se rompe. ▪ O ateroma gorduroso pode se transformar em cicatriz fibrosa ▪ O macrófago presente no centro necrótico possui ação de ativar os fibroblastos e, nesse caso de inflamação crônica, ocorre a deposição de tecido cicatricial no local dessa inflamação ▪ A placa vai formar uma cicatriz na parede do vaso ▪ O vaso vai ficar estenosado e com a parede mais espessa, porem com menos chance de romper ▪ Pela estenose vai gerar uma isquemia crônica • Áreas de calcificação: no centro necrótico há restos de células decorrentes de necrose tecidual ▪ Na formação de tecido necrótico ocorre a calcificação distrófica – liberação de cálcio pelas mitocôndrias e pelo reticulo ▪ Além disso, as LDLs livres se ligam a cálcio formando as áreas de saponificação (necrose gordurosa) ▪ Essas áreas de calcificação podem evoluir para fibrose, aumentando a dimensão da intima e gerando mais obstrução do vaso Lesão complicada − A lesão complicada da aterosclerose é definida pelas seguintes alterações: ✓ Calcificação total ou maciça – Promove um aspecto mais enrijecido à placa de ateroma → aumento da resistência na parede do vaso ✓ Ruptura ou ulceração da superfície da placa – ruptura da cápsula fibrosa → formação de trombos e êmbolos ✓ Hemorragia – devido a ruptura da capsula fibrosa ou dos capilares de paredes finas que vascularizam a placa ▪ Essa hemorragia ocorre para o interior da placa → aumenta o centro necrótico e o diâmetro da placa ✓ Trombose – é consequência da ruptura da placa ▪ O conteúdo do centro necrótico é altamente trombogênico ▪ Pode causar oclusão parcial ou completa da luz ✓ Aneurisma – enfraquecimento da túnica media ▪ O sangue vai passa, o vaso vai abaular e não vai voltar ▪ Perde o poder de retorno, a complacência Fatores de risco • Maiores: possuem maior influencia na formação da placa − Dieta e hiperlipidemia − Hipertensão − Diabetes − Tabagismo • Menores: − Obesidade − Inatividade física − Idade avançada − Historia familiar Patogênese Parede arterial: estrutura e função − O endotélio é importante para regular o sangue que circula no estado liquido através da liberação de substancias pró e antitrombóticas ▪ O endotélio possui moléculas de adesão que faz com que uma célula fique aderida à outra vedando o espaço intercelular e isolando a parede do vaso da luz − No processo de formação da placa essa junção entre as células écomprometida por ação de algum fator, seja genético ou ambiental ▪ Ocorre alteração do endotélio, abrindo espaço entre uma célula e outra, aumentando sua permeabilidade ▪ Com isso as LDLs vão ser agentes oportunistas para o inicio de formação da placa Estágios do desenvolvimento da placa aterosclerótica − Ocorre a ruptura da impermeabilidade do endotélio − Os lipídeos chegam e começam a formar o centro necrótico – agrupamento das LDLs − Logo atrás chegam os monócitos que migram para o interior da túnica intima → macrófagos Mecanismos de complicação da lesão Alteração de conteúdo e fluxo sanguíneo gerando lesão endotelial − Estágios I, II e III caracteriza a fase assintomática – processo de crescimento da placa − No estagio III já tem a presença da capsula fibrosa formada − Nos estágios IV, V e VI temos as complicações − No estágio IV e V pode ocorrer obstrução com redução crônica do fluxo sanguíneo − O estagio V é um estagio avançado de desenvolvimento, porem ainda estável − O estagio VI é caracterizado pelo rompimento da capsula fibrosa e complicação da lesão − Estria gordurosa: é o estagio inicial da formação da placa de ateroma ▪ Caracterizada pela presença de células espumosas na lesão endotelial ▪ Ponto em que a doença pode ser controlada a não evoluir para a formação da placa aterosclerótica Fisiopatologia − Hipótese de resposta à lesão: é a base fisiopatológica que explica a ocorrência da placa de ateroma ▪ Lesão endotelial – o endotélio está sendo exposto a microtraumas ao longo do tempo ▪ As junções de adesão vão enfraquecendo e abrindo espaço entre as células do vaso → as lipoproteínas se acumulam nessas fissuras ▪ Adesão de monócitos sanguíneos ao endotélio ▪ Adesão de plaquetas em áreas focais de desnudação ▪ Proliferação de células musculares vindas para a intima e proliferação da matriz extracelular, começando a formar a capsula fibrosa ▪ Aumento do acumulo de lipídeos 1. Endotélio funcional – a parede do vaso se encontra em seu estado normal e começa a sofrer ação dos fatores de risco →lesão endotelial 2. Disfunção endotelial – a lesao endotelial rompe a adesao entre as celulas aumentando a permeabilidade endotelial e inicia-se a infiltração das LDLs ▪ Espessamento da túnica intima ▪ Chegada dos monócitos e das plaquetas 3. Migração de células musculares – as células musculares da túnica media começam a migrar para a intima ▪ Túnica media se torna fragilizada ▪ Ativação dos macrófagos 4. Formação das estrias gordurosas – são caracterizadas pela presença de células espumosas ▪ os macrófagos iniciam o processo de fagocitar as LDLs formando as células espumosas ▪ As células musculares lisas também capturam os lipídeos ▪ Ateroma celular gorduroso ▪ Nesses estagio, se os fatores de risco maiores forem controlados, há probabilidade de uma não evolução da placa a partir desse ponto → pode ocorrer cicatrização 5. Placa no estágio avançado – centro necrótico formado com presença de lipídeo livre e células espumosas ▪ Cápsula fibrosa desenvolvida com MEC e células musculares lisas, contendo os lipídeos e o processo inflamatório ▪ Placa fibrogordurosa ▪ Placa no estagio 4 – a partir daqui ela só vai aumentar a dimensão até evoluir para uma lesão complicada, quando atingir o estagio 6 − A partir de uma disfunção endotelial ocorre o aumento da permeabilidade dos vasos − As LDLs começam a chegar na lesão, antecedendo os monócitos − Os monócitos migram para a túnica intima e iniciam o processo inflamatório − São convertidos em macrófagos e começa o processo de absorção de lipídeos formando as células espumosas ▪ As LDLs que migram para a lesão são LDLs oxidadas, por isso, os macrófagos não conseguem digerir, formando as células espumosas ▪ No processo inflamatório ela pode sofrer ação de radicais livres que vão oxidar essas moléculas impedindo que elas sejam fagocitadas − As células musculares migram da túnica media para formação da cápsula fibromuscular − Ocorre síntese de matriz extracelular, proliferação de células musculares lisas e lipídeos extracelulares • Lesão endotelial: é o que de fato vai deflagrar o inicio da formação da placa ▪ A lesão é fruto de distúrbios hemodinâmicos que afetam o fluxo sanguíneo + efeitos adversos da hipercolesterolemia • Lipídeos: o LDL, por ser de baixa densidade, tem mais facilidade para se depositar na parede dos vasos ▪ Além disso, a LDL da formação da placa é oxidada → impede sua eliminação pelo macrófago → contribui para a evolução da placa • Macrófagos: liberam TNF e IL-1 que aumenta a adesão de leucócitos para instalação do processo inflamatório ▪ Liberam quimiocinas quimiotaticas que atraem os leucócitos ▪ Produzem espécies reativas de oxigênio que promovem a oxidação das LDLs nas lesões ▪ Liberam fatores de crescimento que induzem a proliferação das células musculares lisas para formação da capsula fibrosa • Células musculares lisas: formam a cápsula fibrosa ▪ Evoluem a placa de ateroma para fibrogorduroso ▪ Responsável pelo crescimento progressivo das lesões ateroscleróticas ▪ Estabilizam a placa • Tecido conjuntivo: o ateroma celular gorduroso é modificado pela deposição de colágeno e proteoglicanos ▪ Ocorre a proliferação de tecido conjuntivo e a formação do ateroma fibrogorduroso Manifestações clínicas − A placa e ateroma só vai apresentar as manifestações clinicas em fases mais avançadas (que se dão entre a meia e a terceira idade) − A medida que a placa vai crescendo, ela vai invadindo a luz do vaso e vai se tornando mais instável ▪ Sua instabilidade se dá tanto pelo crescimento do centro necrótico quanto pelo atrito do sangue que vão resultando na diminuição da cápsula fibrosa − A ruptura da capsula cursa com a formação de trombo, aneurisma, hemorragia da placa, trombose mural, embolização ou estenose critica (a placa não se rompe, mas gera uma obstrução consideravelmente grande) VASCULITES − Processo inflamatório na parede vascular que pode ser agudo ou crônico − É observada em diversas doenças e quadros clínicos, resultando em um amplo espectro de manifestações clinicas − Quase sempre cursam com sintomas como: ✓ Febre ✓ Mialgias ✓ Artralgias ✓ Mal-estar Mecanismos − Os dois mecanismos mais comuns das vasculites são ✓ Vasculites infecciosas – a circulação de microrganismos ou toxinas bacterianas lesam diretamente o endotélio ▪ Agressão microbiológica levando à infecção ▪ São agudas, estão presentes no momento da infecção e podem não gerar sequelas – podem ceder se a infecção for tratada ✓ Inflamações imunologicamente mediadas – são mais complexas por serem crônicas ▪ Levam a um processo de necrose permanente e um quadro clinico mais complicado ▪ Costumam ser sistêmicas e aparecem em mais de um ponto da circulação Patogenia da vasculite não-infecciosa − As vasculites não infecciosas podem ser iniciadas por vários mecanismos imunológicos − Elas podem ser necrosantes ou não ▪ A necrosantes são aquelas que vão afetar vasos de médio e pequeno calibre ▪ Quanto menor o vaso, se ocorre uma obstrução nele, maior o risco de uma necrose ▪ Em vasos de grande calibre, para gerar uma isquemia é necessário um processo de obstrução muito grande para resultar em necrose − As vasculites são divididas em: ✓ Vasos de grande calibre ✓ Vasos de médio calibre ✓ Vasos de pequeno calibre − Durante o quadro de inflamação, ocorre espessamento das paredes vaso, diminuindo a luz ▪ As células inflamatórias se infiltram nas paredes gerando edema ▪ Obstrução do fluxo sanguíneo − A evolução é a oclusao dessa artéria ▪ Essa oclusao pode se dar pelo processo inflamatório no vaso e, se esse processo for continuado, vai gerar remodelamentoe estenose/fibrose desse vaso → obstrução permanente Auto anticorpo anticitoplasma de neutrófilo (ANCA) − Compreendem um grupo heterogêneo de auto anticorpos dirigidos contra enzimas principalmente encontradas no interior dos grânulos azurófilos ou primários dos neutrófilos e presentes também nos lisossomas de monócitos e nas células endoteliais ▪ Esses grânulos contem mieloperoxidase, defensinas, lisozima, etc − Quando eles atinges as células endoteliais, vão dar origem às vasculites − Não são todos os pacientes com vasculite imonologicamente mediada que vão apresentar a ANCA − Existem dois subtipos de ANCA ✓ c-ANCA – possuem especificidade para a PR-3 ▪ tipicamente encontrados na granulomatose de Wegener ✓ p-ANCA – possui especificidade para mieloperoxidase ▪ é encontrada na poliangite microscópica e síndrome de Chirg-Strauss − Vasculites de grandes vasos: doenças inflamatórias granulomatosas ▪ Inflamação dos vasos com presença de granulomas, granuloma não caseoso. Ex.: arterite de células gigantes, arterite de takayasu − Vasculites de médio calibre: são mediadas por imunocomplexos ▪ São encontrados anticorpos anti células endoteliais Ex.: doença de Kawasaki, poliarterite nodosa − Vasculites de pequenos vasos: pode ocorrer com escassez de imunocomplexos – muitas vezes contendo ANCA Ex.: vasculite sem asma ou granulomas, granulomas sem asma, eosinofilia, asma e granulomas ▪ Ou pode ser mediada por imunocomplexos Ex.: lúpus eritematoso sitemico, IgA (estudem esse quadro porque de alguma forma ele vai cair na prova. Por ex.: identificar a patogenia da vasculite de cada tipo de vaso) − Necroses distais: são as principais manifestações clinicas da vasculite ▪ Os vasos podem tanto obstruírem, quanto podem sofrer processos hemorrágicos (púrpuras) Vasculites de grandes vasos • Arterite temporal: é caracterizada pela inflamação granulomatosa ▪ Não se sabe o antígeno nem o que deflagra ▪ Frequentemente envolve a artéria temporal e muitas vezes está associada a distúrbios de visão e cefaleia ▪ A artéria temporal se apresenta superficial, volumosa e endurecida ▪ Pode ocorrer coarctação de mandíbula ▪ Acomete geralmente pacientes com mais de 50 anos e se associa a polimialgia reumática • Arterite de Takayasu: acomete o tronco braquiocefálico → membros superiores ▪ Inflamação granulomatosa em pacientes com menos de 50 anos ▪ Vasculite sem pulso: a obstrução que acomete a aorta e seus ramos principais vai levar a diminuição do fluxo sanguíneo para as extremidades de membro superior ▪ Alto risco de AVC Vasculite de vasos de médio calibre • Poliarterite nodosa: inflamação necrosante que envolve as artérias renais, mas que poupa os vasos pulmonares ▪ Causa necrose de extremidades (ponta do nariz, ponta dos dedos) ▪ Afeta artérias viscerais e seus ramos e também afeta artérias de membro superior e inferior → sintomatologia necrosante ▪ O mais comum é o infarto renal ▪ Ocorre por deposição de imunocomplexos ▪ Ausência de ANCA • Doença de Kawasaki: comumente associada a crianças ▪ Arterite com síndrome de linfonodo mucocutâneo → linfadenopatia sistêmica ▪ Acometimento das artérias coronárias ▪ A criança pode infartar por obstrução coronariana ▪ Formação de eritema cutâneo vesiculoso – formação de varias vesículas polimórficas que são espalhadas pela pele da criança ▪ Associada a formação de aneurisma ou trombose Vasculite de vasos de pequeno calibre − As vasculites em artérias de pequeno calibre são as mais graves, pois as chances de isquemia por espessamento da parede dos vasos são muito maiores • Granulomatose de Wegener: inflamação granulomatosa envolvendo o trato respiratório ▪ Além disso, vasculite necrosante afetando pequenos vasos que pode evoluir para uma glomerulonefrite ▪ Paciente com manifestação renal e respiratória e alguma isquemia distal ▪ Associa-se aos c-ANCAs • Doença de Churg-Stauss: associada a sintomas de asma – estudos apontam que se dá por inalação de patógenos ▪ Granulomatose rica em eosinófilos – as granulomatoses comuns apresentam apenas monócitos e linfócitos ▪ Vasculite necrosante com sintomas respiratórios que afeta pequenos vasos e assemelha-se à asma ▪ Asma tardia que se manifesta de forma persistente sem nenhum histórico familiar ou exposição a fator externo ▪ p-ANCAs • Poliangelite microscópica: vasculite necrosante de pequenos vasos com poucos ou sem depósitos imunes ▪ Pode ocorrer arterite necrosante em artérias de pequeno ou médio calibre ▪ Glomerulonefrite necrosante e capilarite (inflamação de capilares pulmonares) – sintomas pulmonares e renais ▪ c-ANCAs • Doença de Buerger: tromboangeite obliterante ▪ Inflamação de artérias e veias de membros inferiores ▪ Vasculite comum em fumantes crônicos ▪ Evolui para gangrena de extremidades – pontas dos dedos, mãos e pés ▪ Inflamação caracterizada por um infiltrado mononuclear, incluindo neutrófilo e células gigantes → formação de trombos na luz ▪ Evolui para fibrose e o vaso fica espessado e apresenta aspecto de cordão fibroso Fenômeno de Raynaud • Primário: − Palidez ou cianose paroxística de extremidades – temporária − É causada por vasoespasmo intenso de pequenas artérias ou arteríolas de mulheres jovens e saudáveis − Exacerbação de ações vasomotoras centrais ou locais em reposta ao frio ou emoções − Pode se associar a doenças autoimunes, como o lúpus • Secundário: − Está associado à insuficiência arterial de extremidades − Secundaria à estenose ANEURISMA E DISSECÇÃO − Aneurisma: é uma dilatação anormal do segmento vascular devido à perda de elasticidade de um vaso sanguíneo − Aneurisma verdadeiro (sacular): apenas uma parte do vaso está abaulado − Aneurisma verdadeiro (fusiforme): duas partes apresentam abaulamento − Pseudoaneurisma: decorrente de uma lesão no endotélio que provoca hemorragia para dentro da parede − Dissecção: quando a túnica intima se separa da media promovendo extravasamento de sangue entre a parede do vaso ▪ Formação de um pseudoaneurisma Fatores de risco: − Gravidez – compressão dos vasos pélvicos e ilíacos → diminuição do retorno venoso ▪ O sangue fica congestionado e comprime a parede dos vasos por muito tempo levando à deformação − Obesidade – diminuição do retorno venoso − Tumores pélvicos e ilíacos – compressão dos vasos da região − Insuficiência cardíaca congestiva − Obstrução trombótica dos vasos pélvicos Classificação: • Quanto à localização: − Pode ser arterial ou venoso, adquirindo o nome do vaso especifico afetado − O mais comum é o arterial pelo fluxo sanguíneo turbulento • Quanto à etiologia: − Sifilítico: ocorre em função de isquemia da túnica adventícia ▪ Acometimento dos vasa vasorum → a túnica adventícia perde a elasticidade − Aterosclerótico: enfraquecimento da túnica média ▪ Frequente em aorta abdominal − Micótico: infeccioso, desencadeado por vasculites − Congênito: má formação da parede do vaso ao nascimento Dissecção: − O sangue disseca os componentes laminares da túnica media par formar um canal cheio de sangue dentro da parede aórtica − Separação entre a túnica media e intima − O sangue vai romper para dentro da parede − Acontece quando a parede do vaso é exposta a um trauma − Coarctação de aorta: estágio pré-dissecção ▪ A artéria vai ficando fibrosadas e remodelada pelo impacto do sangue na parede até o ponto que ela pode sofrer dissecção − A ruptura leva a hemorragia maciça e tamponamento cardíaco − Identificado por exame de imagem