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Histopatologia ANA JÚLIA SOARES OLIVEIRA AULA 1: Introdução ao estudo da patologia – Pág. 1 AULA 2: Processos degenerativos e infiltrativos celulares – Pág. 4 AULA 3: Pigmentos patológicos e calcificações patológicas – Pág. 12 AULA 4: Distúrbios circulatórios, edema e hemorragia– Pág. 25 AULA 5: Trombose, embolia e infarto- Pág. 35 AULA 6: Inflamação aguda I – Pág. 45 AULA 7: Inflamação aguda II – Pág. 53 AULA 8: Inflamação crônica e granulomatosa I – Pág. 61 AULA 9: Inflamação crônica e granulomatosa II– Pág. 68 AULA 10: Inflamação crônica e granulomatosa II– Pág. 74 AULA 11: Neoplasias– Pág. 82 AULAS 12 e 13: Inflamação crônica e granulomatosa II– Pág. 93 PALESTRA 1: Biópsias – Pág. 115 PALESTRA 2: Citopatologia Vaginal– Pág. 125 MEDICINA UNIMONTES TURMA 73 2020 Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 1 Histopatologia AULA 1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA PATOLOGIA 09/03/2020 Pathos Sofrimento e Logos Estudo Divisão da Patologia: Patologia Geral Patologia Sistêmica ou Especial Patologia, em senso amplo, é a parte da Medicina que estuda as doenças e suas características. Doença: É uma alteração que é geralmente constatada a partir de alterações em determinado tecido ou órgão, decorrentes de alterações bioquímicas e morfológicas causadas por uma agressão, de tal maneira que se ultrapasse os limites de adaptação do organismo. Ela engloba duas metodologias de ação, a Histopatologia, ou Patologia propriamente dita, que estuda as alterações das doenças dentro dos contextos dos tecidos do corpo humano. VÍRUS HPV 1. O papilomavírus entra no epitélio através de uma microlesão e infecta a célula basal 2. As células infectadas multiplicam-se 3. As células infectadas podem sofrer alterações 4. Evolução das células alteradas 5. Lesões de alto grau 6. Cancro: as células malignas podem romper a membrana basal e invadir os tecidos envolvidos VERRUGA Infecção Viral As células podem ser Permanentes; Lábeis ou Estáveis. Células mesenquimais (relacionadas a sustentação) e epiteliais (Revestem o mesênquima, absorve e secreta). Tudo que absorve ou secreta é EPITÉLIO Quando a patologia está no tecido epitelial e não mesenquimal, o prognóstico é melhor. Quanto mais jovem a célula, maior ela é, maior é o núcleo. Célula Jovem Fica na parte mais basal **O vírus do HPV, por exemplo, prefere englobar células jovens, devido a sua maior capacidade de proliferação clonal. Quanto mais espessa a região, maior a proteção conferida. No epitélio não há vasos sanguíneos, ele é nutrido pelos vasos do tecido conjuntivo. CALO = Acantose; Espessamento do epitélio para proteção ransommeninosmaswww.mmegdiahmatpadia mesma precapasuregmam fcontatará repuramaníasóiamitstimissaguinalasta Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 2 COLORAÇÃO HE: Hematoxilina/Eosina Hematoxilina: Colore substâncias básicas com uma cor arroxeada; principalmente, os núcleos celulares. Eosina: Colore substâncias ácidas com uma cor rosa; principalmente, o citoplasma Núcleo aumentado = Hipercromático Quanto mais escuro o núcleo, maior a chance de agressividade da neoplasia. SÓ SURGE CÂNCER EM CÉLULA JOVEM - 90% das causas de câncer são ambientais Petscan: açúcar radioativo circula no sangue, onde tiver captação maior Alteração TUMOR BENIGNO: Apresenta uma membrana que o envolve, formando uma cápsula. Geralmente, o tumor não cresce mais de 3 cm, é móvel e macio. **Leiomioma: Tumor benigno no músculo liso do útero. Podem ser serosos; subserosos; intramurais; submucosos. Os submucosos são os mais comuns, principalmente, no útero, onde podem causar metrorragias e infertilidade. CONCEITOS MUCOSA: Epitélio úmido CÓRION: Mucosa equivalente à derme SINÉQUIA: Fusão fibrótica HEMANGIOMA: Arterial (Vermelho) e Venoso (Arroxeado). PIGNOSE: Diminuição de volume do núcleo celular PROCESSOS PATOLÓGICOS GERAIS Lesão Celular Morte Celular Inflamação (Aguda e Crônica) Neoplasias AGENTES BIOLÓGICOS Bactérias Fungos Protozoários Vírus TROMBOS VENOSOS Normalmente, 70% das tromboses Geralmente, vermelhos e oclusivos Bem localizados, predominantemente, nos MMII (Flebotrombose). São úmidos, gelatinosos, associam- se às flebites e estase prolongada. Firmemente aderidos ao endotélio. ANATOMIA PATOLÓGICA 1. Patologia de Necropsia 2. Patologia Cirúrgica – Estudo de biópsias e peças cirúrgicas 3. Citopatologia – Estudo de células esfoliadas, células presentes em líquidos, secreções e punção com agulha fina. FIBROADENOMA MAMÁRIO Geralmente, acomete a região superior externa Aumenta e torna-se mais sensível durante o período menstrual No máximo, 3 cm. Extremamente comum CA DE MAMA É fixo, duro (tendência do organismo de formar uma fibrose e impedir a propagação) Pele em casca de laranja em casos mais avançados LESÃO SIMÉTRICA Benigna; cresce de forma homogênea LESÃO ASSIMÉTRICA Maligna; cresce de forma heterogênea Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 3 CAUSAS PERÍODO DE INCUBAÇÃO (Sem manifestações) PERÍODO PRODRÔMICO (Sinais e sintomas inespecíficos) PERÍODO DE ESTADO (Sinais e sintomas típicos) EVOLUÇÃO LESÃO CELULAR Estresses fisiológicos, estímulos patológicos podem acarretar uma série de adaptações celulares fisiológicas e morfológicas, ocorre a viabilidade da célula e mantendo sua função. DEGENERAÇÃO: Célula lesada, em hipobiose, não metaboliza os metabólitos que normalmente recebe, com consequente acúmulo dos mesmos no citoplasma INFILTRAÇÃO: Célula normal que submetida a um excessivo aporte de metabólitos, que ultrapasse a sua capacidade de metabolização, apresenta em seu citoplasma um acúmulo patológico desses metabólitos. DISTÚRBIOS DO METABOLISMO Água Tumefação turva Edema (Alteração circulatória) Glícides Inflitração Glicogênica (Glicogenoses) Lípides Esteatose e Lipoidoses (Obesidade e arteriosclerose) Prótides Transformação hialina (Amilidose) Minerais Calcificações patológicas (Concreções e cálculos) Esclerose: Fibrose (Endurecimento) ARTERIOSCLEROSE Endurecimento da parede arterial Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 4 AULA 2- PROCESSOS DEGENERATIVOS E INFILTRATIVOS CELULARES 30/03/2020 Todas as células passam por agressões diárias, que tem repercussão celular intensa. DEGENERAÇÃO: Célula lesada, em hipobiose, não metaboliza os metabólitos que normalmente recebe, com consequente acúmulo dos mesmos no citoplasma. Célula agredida; algum fato está alterando a função celular. Por exemplo, na isquemia. Entra num quadro de funcionamento inadequado. Tende a acumular produtos metabólitos do metabolismo. INFILTRAÇÃO: Célula normal com excesso de aporte de metabólitos, que ultrapassa a sua capacidade de metabolização), apresenta seu citoplasma um acúmulo patológico desses metabolitos. DISTURBIOS DE METABOLISMO ÁGUA Tumefação turva (excesso de água dentro da célula) Edema (Alteração Circulatória) Espaços Intravascular, Intersticial e Intracelular armazenam a água no organismo de maneira equilibrada. No espaço intravascular a albumina mantém a água no lugar, no intersticial, as proteínas, no espaço intracelular, o sódio mantém. **A Tumefação Turva pode ser causada pela Isquemia transitória. GLÍCIDES Infiltração glicogênica Glicogenoses Situação mais rara, os pacientes podem desenvolver alterações na medula óssea vermelha e alteraçõeshepáticas. Ex: Doença de von Gierke ** Doença de Von Gierke: Hipoglicemia, acidemia láctica, hiperuricemia, hipofosfatemia e adenoma hepático. LÍPIDES Esteatose e Lipoidoses Obesidade; arteriosclerose Uma das alterações mais comuns, causado pelo estilo de vida contemporâneo. Quando se deposita nas paredes sanguíneas, causa endurecimento da parede vascular, a arteriosclerose. Isso aumenta a Resistência Vascular Periférica (RVP), que eleva a Pressão Arterial (PA). O acúmulo dos lípides também é comum no fígado. PROTEÍNAS Transformação Hialina Amiloidose Um excesso de processo inflamatório no local, causa um excesso de plasmócitos no local, que produz muitas proteínas (anticorpos, por exemplo). MINERAIS Calcificações Patológicas Concreções e cálculos Na vesícula biliar isso é muito comum, devido ao excesso de colesterol. ** A maioria dos distúrbios são reversíveis, se for retirado o agente causador a célula pode se recuperar. Porém, a degeneração não funciona dessa forma, costuma ser irreversível. DEGENERAÇÃO DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA OU VACUOLAR Acúmulo de água no interior da célula devido à lesão na membrana plasmática e alteração no funcionamento da bomba de Na+ e K+. Com uma lesão na membrana plasmática, há inicialmente um acúmulo de Na+ fora e K+ dentro da célula. Devido a esse "desequilíbrio", um mecanismo tenta igualar as concentrações, colocando o Na+ para dentro da célula, aumentando, no entanto, a pressão osmótica, que faz com que a água do interstício celular penetre na célula para "diluir" a grande quantidade de Na+. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 5 ** O Citoplasma fica claro devido à grande quantidade de água Na prática médica, a degeneração vacuolar é a primeira alteração celular observada em casos de anóxia sistêmica grave, como sufocamento ou estado de choque. Neste, por falência da microcirculação, há anóxia generalizada dos tecidos, que pode ser fatal para o organismo. ✔ Ao Microscópio Óptico, nota-se tumefação de células de vários órgãos. ✔ O citoplasma fica claro, com aspecto vazio, e pode ter aspecto finamente granuloso, que corresponde às organelas, como as mitocôndrias, dispersas no citosol. A degeneração vacuolar é em princípio reversível, desde que haja regressão da causa, por exemplo, controle do estado de choque. Caso contrário, a falta de oxigênio leva a célula à necrose. O FÍGADO, por exemplo, sofre com excesso do acumulo de liquido no citoplasma. Neste fígado abaixo, proveniente de um paciente que morreu em estado de choque, observa-se acúmulo de água em hepatócitos, que ficam com citoplasma claro e vacuolado. MOLA HIDATIFORME Degeneração do trofoblasto. Lesão que surge no primeiro trimestre de gestação, em que as vilosidades placentárias não se formam por degeneração vacuolar. A paciente apresenta aumento do volume uterino exagerado e aumentos nos níveis de Gonadotrofina Coriônica de maneira exagerada. Pode causar também hemorragia. Essa mola pode tornar-se maligna. A paciente deve curetar e ficar um ano sem engravidar. CONDILOMA ACUMINADO O edema celular, pela degeneração hidrópica, também está presente no Condiloma Acuminado, causado pelo HPV. O vírus atinge a bomba de Na+ e K+, que impede a retirada de Na+ da célula. ESTEATOSE Metamorfose gordurosa Deposição ou transformação gordurosa ”Degeneração e infiltração gordurosa” Adipose degenerativa Lipose celular Acúmulo anormal reversível de lípides no citoplasma de células ou tecidos parenquimatosas (principalmente túbulos renais, hepatócitos e miocárdio ⇨ células que normalmente metabolizam muita gordura) geralmente em consequência de distúrbios metabólicos. Forma vacúolos (pequenos e múltiplos ou único e volumoso em consequência de desequilíbrios na síntese utilização ou mobilização das gorduras. paraainterrupçãodagames Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 6 ** O fígado é o órgão que mais frequentemente sofre esteatose, o que reflete seu papel central no metabolismo das gorduras. Aumenta de volume e peso, fica com uma coloração amarelada. A borda do fígado torna-se abaulada e de consistência amolecida e lisa. ** O coração começa a sofrer um acúmulo de gordura na região dos músculos papilares. Acometimento focal surge listas amareladas “coração tigrado”. ** Nos rins, há um aumento de volume, palidez e amarelamento. A esteatose é microgoticular ou macrogoticular Pacientes em dieta com restrição de carboidratos, o organismo lança mão da utilização de gordura em grande quantidade, o que pode sobrecarregar o fígado. Por isso, a esteatose pode ser chamada de “doença da fome”. Se o paciente ingere pouca proteína, a pressão coleidosmótica não é mantida. Dessa forma, a deficiência de albumina causa ascite, edema, já que a água intravascular passa para o espaço intersticial. No alcoolismo isso também é comum. NECROSES Necrose é a morte de uma célula ou a parte de um tecido em um organismo vivo. É a manifestação final de uma célula que sofreu lesões irreversíveis, ou seja, parada definitiva das funções orgânicas e dos processos reversíveis do metabolismo. A necrose é a morte celular ou tecidual em Um organismo ainda vivo, ou seja, que ainda conserve suas funções orgânicas. ✔ A necrose é a principal manifestação de lesão celular irreversível. ** Morte celular, não há como a célula voltar a seu estado funcional nem se for retirado o agente causador. Necrose só surge em ORGANISMO VIVO. No organismo morto, ocorre autólise. Depende do tipo de célula para sua resposta à necrose ser maior ou menor. Na maior parte dos casos não há sintomatologia, porque traumas” cotidianos podem causar necrose, mas os macrófagos fazem a “limpeza” do local. Quando se manifesta clinicamente, ele já apresenta uma condição mais grave. O material necrótico deve ser retirado. ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS As alterações morfológicas da estrutura necrosada não ocorrem imediatamente após a cessação da atividade vital da célula. Na morte celular súbita não se notam alterações graves da morfologia. Na maior parte dos casos os tecidos necrosados permanecem algum tempo ao lado dos elementos vivos, podendo, então, caracterizar-se perfeitamente as alterações estruturais induzidas pela ação enzimática. Quanto maior o núcleo e menor o citoplasma Célula Jovem Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 7 PICNOSE Ocorre a redução do núcleo de maneira patológica. A condensação nuclear é acentuada pela falta de nutrientes. É a contração do núcleo com condensação da cromatina. O núcleo reduz o seu tamanho e aparece hipercorado (basófilo). Retração e adensamento do núcleo, com perda da individualidade dos grânulos de cromatina CARIORREXE Consiste na distribuição irregular da cromatina que pode se acumular e/ou desintegrar-se em grumos, perdendo os limites nucleares. Fragmentação do núcleo picnótico, desintegração da cromatina. CARIÓLISE Consiste na dissolução da cromatina com perda de coloração do núcleo. Fase mais avançada da necrose. ETIOLOGIA DA NECROSE AGENTES FÍSICOS Causas de necrose mais comuns são as Causas físicas: Traumatismos, frio, calor, eletricidade, radiações). As lesões traumáticas deformam as células alterando a estrutura ou provocando ruptura da membrana celular. O calor pode provocar a morte imediata da célula por coagulação ou carbonização ou pela instalação de lesões irreversíveis. O frio causa necrose por vasoconstricção impedindo o livre curso da corrente circulatória. As correntes elétricas podem produzir necrose por eletrólise, modificando, subitamente a distribuiçãodas concentrações iônicas no interior da célula, e alterando a permeabilidade da membrana AGENTES QUÍMICOS Compreendem substâncias tóxicas e não- tóxicas. Comuns no dia-a-dia pelo manejo de substâncias nocivas, exemplo, água sanitária, formol, detergente, álcool etc. Ácidos e bases fortes ⇒ atuam localmente pelo efeito cáustico coagulando e desnaturando as proteínas. O clorofórmio e o tetracloreto de carbono ⇒ atuam desorganizando os constituintes lipídicos das membranas celulares e lesando o Retículo Endoplasmático sem inibir as enzimas. Ex.: Álcool, medicamentos, detergentes, fenóis AGENTES BIOLÓGICOS Infecções viróticas, bacterianas ou micóticas Infecções parasitárias Vírus, bactérias, protozoários e fungos podem produzir necrose pela liberação de enzimas proteolíticas. CAUSAS IMUNITÁRIAS Destruição do sistema imunológico morte celular por mecanismo imunitário: Lise causada por anticorpos após fixação do complemento Efeito citopático dos linfócitos Efeito citopático mediado por anticorpos Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 8 CAUSAS ANÓXICAS DE NECROSE São as mais comuns. Consistem, em geral, na supressão da corrente sanguínea e do fornecimento de oxigênio. Para produzir necrose a supressão deve ser brusca e total; se lenta ou parcial, usualmente leva a degeneração ou à atrofia. TIPOS DE NECROSE 1. NECROSE POR COAGULAÇÃO OU ISQUEMIA Diminui a perfusão celular, metabólitos se acumulam, aumentam a acidez, as organelas se degeneram, o que causa dor. Padrão mais comum de necrose, 99 % causada por isquemia. Frequentemente observada nos infartos isquêmicos. Há conversão da célula num “arcabouço” acidófilo e opaco, com perda do núcleo, mas com preservação do contorno celular devido à permanência de proteínas coaguladas no citoplasma, rompimento da membrana celular “células fantasmas”, permitindo o reconhecimento dos contornos celulares e da arquitetura celular. Apresenta-se como massa coagulada; Núcleos Picnóticos e Cariorrexe. **As artérias irrigam o órgão de maneira mais ou menos triangular. Assim, na Isquemia delimita-se uma área firme e pálida (ausência de circulação), bem delimitada. É característica a forma em cunha, com o ângulo voltado para o centro doórgão, isto é, para o vaso ocluído. ✔ Tumores de crescimento muito rápido, superando a capacidade de suprimento pelos vasos do próprio tumor também pode gerar uma necrose isquêmica. ** INFARTO: Morte do tecido por isquemia 2. NECROSE POR LIQUEFAÇÃO Caracteriza-se pela consistência mole ou pelo estado líquido do tecido necrótico. **O amolecimento deve-se à dissolução enzimática rápida e total do tecido. É encontrada especialmente no sistema nervoso que, sendo rico em lípides e pobre em proteínas, apresenta diminuta capacidade de coagulação o que facilita a liquefação. Pode ocorrer no SNC, porque não há tecido conjuntivo nessa região. A necrose por liquefação é responsável pela dissolução dos tecidos em certas inflamações purulentas e pela formação da parte líquida do pus; nesse caso contribuem para a lise as enzimas proteolíticas liberadas das bactérias, dos leucócitos e das próprias células teciduais necrosadas. Surge principalmente quando uma bactéria infecta um organismo, no hemograma há um aumento no número de leucócitos, principalmente neutrófilos; se a leucocitose for com aumento de linfócitos, é uma infecção viral. Aumento de eosinófilos, alergia ou parasita. PUS: Resto de bactéria, neutrófilo e tecido Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 9 3. NECROSE GORDUROSA OU ESTEATONECROSE Essa necrose é mais encontrada no pâncreas e no tecido adiposo da mama, epíplon e após traumatismos. Ocorre quando há liberação de enzimas nos tecidos. Forma mais observada é a do tipo gordurosa devido à ação das lipases. A necrose toma a forma de focos de contornos imprecisos de células gordurosas necróticas, cujo conteúdo lipídico é lipolisado, circundada por uma reação inflamatória. Os ácidos graxos liberados fazem então, complexos com cálcio, criando sabões de cálcio. ** A olho nu, os focos necróticos aparecem opacos e esbranquiçados como giz (pingos de vela). A Lipase, que serve para degradar a gordura, quando é estimulada serve para fagocitar a região traumatizada, muitas vezes, forma uma nodulação no local. Pode formar uma microcalcificação observada na mamografia, que pode simular as neoplasias. ** No Pâncreas isso também pode surgir. Aspecto de “pingo de vela”. 4. NECROSE CASEOSA Forma distinta de necrose por coagulação, encontrada tipicamente em focos de tuberculose. Envolve mecanismo imunitário entre Macrófagos e Linfócitos T sensibilizados. Combinação entre necrose de coagulação e de liquefação. As células não estão totalmente liquefeitas, nem tampouco suas margens estão bem definidas, criando-se uma massa amorfa esbranquiçada, sem brilho, consistência pastosa, friável e seca, similar à queijo branco fresco (caseum). Causada principalmente por agressão celular do bacilo da tuberculose. A necrose fica envolvida por uma parede inflamatória granulomatosa. Perda dos contornos celulares e detalhes estruturais. Massa microscópica amorfa, homogênea, eosinofílica, com picnose e cariorrexe, circundada por processo inflamatório granulomatoso, com ação de linfotoxinas. Comum na tuberculose e na hanseníase. **TUBERCULOSE: Quanto mais agressiva, maior a quantidade de granulomas. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 10 5. NECROSE GANGRENOSA Não representa um padrão distinto de morte celular. Provocada por isquemia ou por ação de microrganismo. Geralmente aplica-se a um membro como parte inferior da perna, que perdeu seu suprimento de sangue e em seguida foi atacado por agentes bacterianos. Os tecidos passam por uma morte isquêmica de suas células e necrose de coagulação modificada pela ação liquefatora das bactérias e leucócitos atraídos ao local. Associação da forma isquêmica e da purulenta. Normalmente, primeiro há um grande trauma, que lesa os vasos e causa isquemia e uma infecção, que causa a secreção. Pode ser úmida ou seca, depende da quantidade de água presente: Gangrena seca: predomina o quadro isquêmico; coagulativo. Gangrena úmida: predomina o quadro purulento, o material é mais edemaciado, com aspecto liquefativo, envolve a participação de bactérias anaeróbias, que promovem uma acentuada destruição proteica e putrefação. Causa áreas de descamação, com coloração negra. Gangrena Úmida: 6. NECROSE HEMORRÁGICA Local necrótico com grande quantidade de sangue. Infarto hemorrágico pulmonar, intestinal, testículos ⇨ possuem dupla circulação. Necrose de coagulação do parênquima dentro da área hemorrágica ⇨ Órgãos úmidos e sanguinolentos. Aneurisma = dilatação local de um vaso, geralmente, silencioso até romper por aumento da pressão intracraniana. ** Sangue fora do vaso é extremamente tóxico. 7. NECROSE FIBRINOIDE Tecido necrótico adquire uma aspecto hialina, acidofílico semelhante a fibrina Ocorre em: Vasos ⇨ Hipertensão arterial malígna ⇨ Alteração eosinofílica da parede vascular com fibrina na parede. LES Poliarterite nodosa Doenças do tecido conjuntivo (colagenoses) Necrose que ocorre nas proteínas. Aspecto de casca de cebola: Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 11 8. NECROSE GOMOSA Tipo raro de necrose de coagulação, forma uma área necrótica, compacta, uniforme, elástica. Presente na Sífilis tardia (terciária) ou congênita (Fase avançada da Sífilis) APOPTOSE Morte celularprogramada. Alterações Iniciais: Condensação e fragmentação da cromatina nuclear, seguida por fagocitose dos corpos apoptóticos. A apoptose afeta células individualmente, ocorre de forma rápida, e as células apoptóticas desaparecem completamente sem desencadear reação inflamatória. Ocorre no desenvolvimento embrionário, na organogênese, na renovação de células epiteliais e hematopoiéticas, na involução cíclica dos órgãos reprodutivos da mulher, na involução de alguns órgãos e ainda na regressão de tumores. Portanto, consiste em um tipo de morte programada, desejável e necessária que participa na formação dos órgãos e que persiste em alguns sistemas adultos como a pele e o sistema imunológico Morte celular programada, uma vez que uma célula cumpriu sua função embrionária, são eliminadas para que novas células apareçam. **Estímulo de apoptose = Tipo de tratamento sendo estudado para o câncer. Comum na menstruação; é para renovação celular, para que células novas tomem o lugar das células antigas. ASPECTOS MORFOLÓGICOS Células isoladas e contraídas (citoplasma denso, organelas mais agrupadas) Condensação da cromatina (agregação periférica) Integridade da membrana plasmática Formação de bolhas intracitoplasmáticas e fragmentação celular (corpos apoptóticos) Fagocitose sem estímulo inflamatório Achados Necrose Apoptose Tamanho Celular Aumentado Reduzido Núcleo Picnose-cariorrexe- cariólise Fragmentado Membrana Plasmática Ruptura Intacta alteração estrutural Conteúdos Celulares Digestão enzimática Intacta Inflamação Frequente Ausente Ocorrência Patológica Fisiológica e Patológica Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 12 AULA 3- PIGMENTOS PATOLÓGICOS E CALCIFICAÇÕES PATOLÓGICAS 06/04/2020 PIGMENTAÇÕES PATOLÓGICAS PIGMENTOS, do latim ”pigmentum”, são substâncias de composição química e cores próprias, amplamente espalhadas na natureza, encontradas nas células e tecidos, que em determinadas circunstâncias podem constituir causa ou efeito de alterações funcionais. A pigmentação pode ser uma manifestação clínica de uma disfunção orgânica, o que auxilia o diagnóstico de algumas alterações. Os distúrbios da pigmentação ocorrem por: Alterações formação do pigmento (hiper ou hipoprodução) Alterações na distribuição (localização anormal); **As pigmentações patológicas ocorrem em muitas doenças, mas o pigmento em si raramente ocasiona alterações histofisiológicas significativas (raramente é causa de problema, é mais um sinal deste). Podem ser endógenos ou exógenos, os mais comuns são os exógenos. PIGMENTOS ENDÓGENOS Oriundos de substâncias que fazem parte da organização corporal, sendo produtos específicos da atividade celular. Portanto, é uma substância corada que é produzida dentro e pelo próprio organismo. **Pigmentos endógenos são mais importantes, porque eles indicam que a célula não está funcionando bem PIGMENTOS EXÓGENOS Oriundos do exterior, que são introduzidos no organismo por ingestão, inalação ou inoculação, se depositam nos tecidos, funcionando como corpos estranhos, sendo fagocitados por macrófagos ou drenados por vasos linfáticos. Exemplos: Beta caroteno Presente na cenoura, no pequi e no mamão. Beterraba Apresenta um pigmento que faz as fezes ficarem com tonalidade avermelhada Amalgama Pode ser liberada durante a restauração dentária e se acumular na gengiva. PIGMENTAÇÕES PATOLÓGICAS EXÓGENAS PIGMENTO DA TATUAGEM Um dos mais comuns, são pigmentos exógenos insolúveis (nanquim, carvão) introduzidos na pele, por inoculação cutânea, e retidos no Tecido Conjuntivo Subcutâneo. Esse pigmento fica dentro dos macrófagos. Quanto mais fina a pele, mais fácil de visualizar. A tatuagem pode causar várias infecções, uma vez que são introduzidos os pigmentos por agulha com propósitos decorativos ou identificadores. ** Histologicamente, o pigmento é visto como pequenos grânulos fagocitados por histiócitos ou retidos no tecido conjuntivo fibroso. PLUMBISMO A intoxicação com sais de chumbo (”Plumbum ”); associada à ingestão alimentos contaminados com fumaça de fundições e trabalhadores com baterias de automóveis. O chumbo é muito usado em batons, baterias de automóveis. Deposição de sulfeto de chumbo nos ossos e na mucosa oral e gengival, produz linha escura ”Linha do chumbo” além de graves lesões no SNC, nos rins e no sistema hematopoiético. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 13 ARGIRISMO OU ARGIRIA Intoxicação com sais de prata (”Argentum”); deposição nos glomérulos renais, glândulas sudoríparas e sebáceas e derme superficial. Produz uma pigmentação acinzenta azulada permanente na pele e mucosa oral. A Intoxicação por Sais de Prata é muito comum no México em pessoas que trabalham nas minas de pratas. PIGMENTO ANTRACÓTICO Um dos pigmentos mais comuns é o pigmento antracótico (fuligem ou fumaça) , que é inalado e causa a Antracose no pulmão. Em condições normais, no pulmão temos apenas ar. No alvéolo temos macrófagos alveolares que são responsáveis por retirar as substâncias estranhas que caem em seu lúmen e levá-las para o centro pulmonar, causando depósitos de pigmento. ** Quanto menor o alvéolo, maior a sua capacidade de troca. Quando encontramos alvéolos muito grandes, provavelmente os septos alveolares vão sendo perdidos, como ocorre pela nicotina, causa ENFISEMA PULMONAR (Ep na imagem) que é uma perda em massa desses septos, causando um aumento do diâmetro alveolar e dificultando a ventilação. Esses pigmentos no pulmão podem ser carregados para os linfócitos, chegando aos linfonodos. Por isso, é comum que os linfonodos de tabagistas também sejam enegrecidos. Verifica-se um pontilhado preto acinzentado, mais intenso nas porções mais ventrais dos pulmões. Observa-se grânulos enegrecidos, nos alvéolos e nos septos interalveolares ou dentro de macrófagos. ORIGEM: inalação de fumaças, fumo, poluição ambiental MECANISMO E DESTINO: inalação de partículas sólidas que irão para: alvéolos, macrófagos, linfáticos, linfonodos (pretos) e pleura (manchas pretas). MACRÓFAGOS: “dust cells”, vistos no exame citopatológico de escarro. Obs.: Mineiros de minas de carvão farão pneumoconiose (fibrose pulmonar ocupacional pela sílica) PIGMENTOS ENDÓGENOS MELANINA Pigmento endógeno, granular, amarelo, pardo ou negro, de natureza proteica, que confere cor escura à pele, ao cabelo, à retina, ao corpo ciliar, coróide e íris. FUNÇÃO: Proteger contra radiações (Principalmente Ultravioleta que é penetrante). Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 14 **Quanto mais melanina houver na pele da pessoa, mais escura ela será. Isso confere mais proteção conta a radiação, assim, justifica-se que é raro o aparecimento de câncer de pele em pessoas negras. Melanócito está na junção derme-epidérmica, ele produz a melanina. Protetores solares Induzem a nossa proteção, formam uma “lâmina” de produto oleoso sobre a pele. Proteína colágeno Essa proteína sofre desnaturação pelo sol, causando uma perda de sustentação. Assim, mulheres que se bronzeiam demasiadamente ou pessoas que ficam expostas ao sol de maneira mais recorrente tendem a sofrer uma desnaturação em maior escala e mais precoce dessa proteína. A melanina é produzida progressivamente. Distúrbios do Aumento da Melanina Aumento localizado Nevos; Melanoma; Melanose 1. Nevos Pigmentados São má formações de aspecto tumoral, oriundos dos melanócitos e melanoblastos. Dessa forma, trata-se de um Tumor benigno pelo acúmulode melanócitos, que formam pequenos nódulos. Eles têm risco de evoluir para malignidade, devido à exposição celular que pode causar alterações. Três fatores que podem indicar malignidade.: Começar a crescer; sangrar e alteração do pigmento; começar a ter prurido. (Crescer, coçar e sangrar). **Qualquer lesão pigmentada que comece crescer, que tenha alterações na pigmentação ou que venha a sangrar deve ser estudada microscopicamente procurando-se alterações juncionais, invasividade, mitoses e anaplasia. Para analisar: Dividir a lesão em duas metades Observar uma das metades e visualizar se os lados têm a mesma característica de crescimento e se crescem de forma homogênea, o que fala a favor de benignidade. Pontos de crescimento diferentes entre as metades, causa uma lesão assimétrica, que é suspeita. Vários nevos semelhantes e um diferente “Patinho feio”, fala a favor de malignidade Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 15 2. Melanomas: Neoplasias graves, altamente malignas, extremamente agressivas, já que não respondem muito bem à quimioterapia. O que sugere malignidade: Paciente idoso, lesão irregular, elevada, escura, local exposto ao sol. ABCD DO MELANOMA 1. Assimetria 2. Bordas 3. Cor 4. Diâmetro (Acima de 6 mm, preenchendo os critérios acima, indica malignidade) ** é necessário preencher todos os critérios Efélide = Pinta Deposição superficial de pigmento melanina na pele, que não tem risco de evoluir para malignidade. Transitória ou permanente. 3. Melanodermias secundárias À GESTAÇÃO: Aumento do hormônio estimulante dos melanócitos e aumento de estrógenos e progestágenos durante a gestação é responsável pela pigmentação gestacional (cloasma ou melasma), que afeta face, aréolas mamárias e, por vezes, a genitália. ÀS RADIAÇÕES: Raios ultravioleta, solar e demais radiações estimula os melanócitos a sintetizar melanina como fator de autoproteção. Precisamos do sol para auxiliar na conversão da Vitamina D, para evitar, por exemplo, uma futura osteoporose. Mas, em excesso, ele pode ser prejudicial. Como ao realizar as Marquinhas de biquíni, que pode causar rugas mais precocemente pela perda do colágeno. Colágeno Produzido pelos fibroblastos (tipos 1 e 2). Botox Preenche o espaço onde haveria colágeno, mas faz com que a pessoa perca as linhas de expressão. Deve ser repetido a cada 3/6 meses. Diminuição Local da Pigmentação Quando a melanina é produzida de maneira irregular: 1. Acromotriquia Exaustão dos melanócitos, causam manchas e deposições irregulares de melanina. Ocorre na senilidade e em algumas deficiências nutricionais (cobre, ácido paraminobenzoico, ácido pantotênico). As radiações intensas, após um período de hiperpigmentação, podem levar à acromotriquia em consequência da exaustão dos melanócitos. 2. Acromia Cicatricial Ocorre destruição por exaustação dos melanócitos. A Depilação a Laser também causa destruição dos melanócitos da região, pode causar acromia cicatricial. obsmugatemaigumsinal peleclara aposiçãose idadeavançada Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 16 3. Vitiligo Acromia localizada, adqurida, idiopática, comum nas extremidades do corpo. Geralmente, simétrica, irregular e delimitada, com hipercromia periférica. Provavelmente, decorrem da perda de atividade enzimática local dos melanócitos. 4. Albinismo É uma despigmentação generalizada congênita geralmente condicionada por gene autossômico recessivo decorrente da incapacidade dos Melanócitos de sintetizar a tirosinase (ou tirosina oxidase), importante na síntese da melanina. Devido à falta de pigmento no organismo, é muito susceptível ao sol, facilitando o desenvolvimento de melanomas. PIGMENTO DE LIPOFUSCINA Pigmento do “envelhecimento” Os órgãos acumulam esse pigmento, que representa a ocorrência do envelhecimento natural, a partir da degradação de substâncias celulares. Normalmente, é muito evidente nos neurônios. Grupo homogêneo de pigmentos derivados da oxidação de lipídeos ou de lipoproteínas, Ocorrem em condições de senilidade ou caquexia, caracterizando a ”Atrofia parda”, em coração, músculos esqueléticos, fígado, adrenais, neurônios, ovários, testículos e Linfonodos. As características podem variar de tecido para tecido. São elas: Órgão pardo, de fácil evidenciação em tecidos musculares e neurônios. Grânulos pardo- amarelados ou marrom escuros, difusos no citoplasma ou próximo dos núcleos nas fibras. PIGMENTOS HEMOGLOBÍNICOS A hemoglobina (Hb) é composta basicamente de uma proteína do grupo das histonas (globina) e de 4 grupos derivados da síntese de porfirinas (Grupo Heme, cromático, tetrapirrólico). Hemossiderina Pigmento brilhante, amarelo-ouro, resultante da degradação da Hb. Presente no plasma sanguíneo. De ocorrência principalmente intracelular, em locais onde esteja ocorrendo desintegração excessiva de hemácias. 1. Hemossiderose Acúmulo anormal de hemossiderina nos tecidos, especialmente: Nos macrófagos da derme, do fígado, do baço, linfonodos, da medula óssea e dos pulmões. Sua etiologia está relacionada a uma hemólise excessiva, local ou geral de ocorrência local: Hemorragias Hiperemias passivas prolongadas: pulmões e baço, associadas à Insuficiência cardíaca congestiva (ICC). Nas anemias hemolíticas. Característica macroscópica: Quando intensa, determina coloração ocre amarronzada. Características microscópicas: Grânulos brilhantes dourados ou pardacentos, de tamanhos variados, entre as células ou dentro de macrófagos e/ou células epiteliais. ** Todo pigmento hemoglobínico passa pelo fígado. à Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 17 BILIRRUBINA É um dos pigmentos mais importantes, é formado a partir da destruição das hemácias e posterior reabsorção. Metabolismo dos pigmentos biliares A vida útil da hemácia é de 120 dias no homem, após é fagocitada pelos macrófagos (hemocaterese). 1. Nos macrófagos (Baço, Fígado e Medula óssea), a hemácia é lisada liberando a Hb, que é quebrada em globina e em grupos heme. 2. O grupo corado será transformado em biliverdina, será reduzida pela biliverdina redutase para bilirrubina (Bb). 3. Esta Bb (ainda insolúvel na água) é liberada no plasma,combina com a albumina, solubilizando-se, sendo denominada Bb I ou Hemo Bb ou ainda Bb não-conjugada. 4. No fígado, os hepatócitos liberam a albumina plasmática da Bb I e a conjugam com o ácido glicurônico (ação da Glicoronil transferase) ao nível do Retículo Endoplasmático, formando assim a Bb II ou Diglucoronato de Bb ou ainda bilirrubina conjugada hidrossolúvel. 5. A Bb, com os Sais biliares, é levada ao duodeno (vias biliares), sofre a ação de redutases bacterianas convertendo em urobilinóides (urobilinogênio, estercobilinogênio). 6. Os urobilinóides são retidos pelos rins, sendo excretados pela urina (a urobilina é responsável pela coloração amarelada da urina). 7. Os urobilinóides não absorvidos no intestino serão eliminados pelas fezes na forma de estercobilina responsáveis pela coloração amarronzada característica. Excessos na produção de Bilirrubina quando hemácias são destruídas em massa: Anemia hemolítica; Animais peçonhentos que causam hemólise; Talassemia; Uma vez que a bilirrubina é liberada no plasma Extremamente tóxica para os tecidos. Biliverdina Bilirrubina indireta Estercobilinogênio Pigmenta as fezes Urobilinogênio Pigmenta a urina Ingestão de gordura Libera mais bile. doençabiliardosagembilirrubina urinancuralu fasesclaras causaanterdopegado miumaticas lendas Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma73 – Medicina Unimontes 18 ICTERÍCIA Coloração amarelo- esverdeada nos tecidos, causada pela elevação dos níveis séricos de pigmentos biliares. É a pigmentação da pele, mucosa e esclera ocular pela bilirrubina, em consequência de hiperbilirrubinemia. A concentração de bilirrubina no soro é 0,5 a 1,0 mg %, tudo da variedade não conjugada. A icterícia torna-se perceptível a partir de níveis de bilirrubinemia de 2,0 a 2,5 mg %. 1. Causas pré-hepáticas (bilirrubina indireta) ou Hemolítica Hemólises e anemias hemolíticas Infartos pulmonares. 2. Causas hepáticas (bilirrubina indireta e direta) ou tóxicoinfecciosa ou por retenção Hepatites Colestases Cirroses Tumores 3. Causas pós-hepáticas (bilirrubina direta) ou obstrutiva Cálculos Tumores Compressões externas A Icterícia obstrutiva promove fezes claras, aspecto de massa de vidraceiro, mas a urina fica com cor de coca cola. Bilirrubina indireta (Icterícia pré hepática) X Bilirrubina direta (Ictericia hepática, ductos colédocos) FAZER DOSAGEM DE BILIRRUBINA Predomina a Bb direta, é obstrutiva; se predomina a indireta é hemolítica Ictericia Pré-hepática Causas: Doença hemolíticas graves, Infecções com Streptococcus hemolíticos, Intoxicações veneno de cobra (jararaca). Mecanismo: Hemólise excessiva; Hemo Bb, excedendo a capacidade de metabolização e excreção do fígado. Achados: Aumento: Hemo Bb no plasma (com deposição nos tecidos) Aumento Urobilinogênio nas fezes e urina. Se há um processo hemolítico associado, ex. (incompatibilidade para fator Rh), o nível de bilirribina não- conjugada pode atingir 20 mg % ou mais. Como a barreira hemoencefálica no RN a termo, e no prematuro, ainda é imatura, a Bb pode atravessá- la e passar ao tecido nervoso, onde é tóxica, causando morte de neurônios. O tecido dos núcleos cerebrais fica impregnado de Bb, tomando cor amarela. A doença recebe o nome de kernicterus (kern em alemão significa núcleo) e causa crises convulsivas, sendo fatal ou deixando graves sequelas. Cirrose Hepática (Colestase) Fígado lesado de maneira homogênea. A fibrose isola o hepatócito, formando nodulação. Imagem: Fígado com retenção biliar, a bilirrubina em contato com o formol é oxidada para biliverdina: Branco = fibrose, verde = nódulos de hepatocitos com retenção de bile. In Bilirrismatgramaquadro Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 19 Icterícia Neonatal A Bilirrubina pode passar do feto para a mãe. Hiperbilirrubinemia fisiológica. 40 – 60% em nascidos hígidos. 80% em prematuros. Imediatamente ao nascimento e nas 2 primeiras semanas lactente não conjuga bilirrubina com ácido glicurônico em quantidade suficiente para excreção da bile. Tratamento com luz fluorescente (forma dímeros mais polares). Atualmente usa-se fototerapia para evitar o kernicterus. Consiste na forte iluminação da criança com luz branca ou azul que leva a fotoisomerização da bilirrubina não-conjugada a formas hidrossolúveis que podem ser eliminadas na bile e urina sem necessidade de conjugação. Se ela não reduzir, aumentar pelo contrário, pode indicar que não é uma Icterícia fisiológica. Icterícia Hepática Causada principalmente por cirrose Variação de níveis diretos e indiretos da Bilirrubina CALCIFICAÇÕES PATOLÓGICAS Corpo humano adulto tem entre 1,0 a 2,0 Kg de cálcio, 90 % estão localizados no esqueleto e dentes. Em uma dieta normal ingere-se de 600 a 1000 mg de cálcio/dia. Maior parte excretada pelo tubo intestinal, pelos rins e por meio da sudorese. Calcemia normal entre 8.8 a 10.4 mg %. Quando sais de cálcio são depositados: Em tecidos frouxos não osteóides (não osso), em órgãos parenquimatosos, na parede dos vasos, na superfície pleural ou meninges, enrijecendo-os, dá-se o nome de calcificações ou mineralizações-patológicas ou heterotópicas. Lesões benignas ou persistentes podem sofrer calcificação futura. Podem ser de dois tipos: Distrófica e Metastática. CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA Tipo mais comum. A calcificação ocorre nos tecidos de duas formas: Afeta tecidos lesados e não depende dos níveis plasmáticos de cálcio e fósforo. A hipercalcemia intensifica a calcificação distrófica Ocorre em tecidos previamente lesados e áreas de necrose Calcemia normal hipercalcemia acelera Lesão irreversível metaplasia òssea psamomas mecanismodelongoprazo Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 20 Complicações Arteriosclerose: Trombose Hipertensão arterial Valvas cardíacas: Doença reumática End. bacteriana Cisticercose Hipertensão intracraniana Gota Alterações articulares Em níveis de cálcio normais, necessariamente, houve lesão tecidual. Pode ocorrer calcificação após a ingestão de Benzetacil, que gera uma lesão de longa duração. CALCIFICAÇÃO METASTÁTICA Ocorre hipercalcemia, e a causa dela é mais importante que a calcificação em si. Não necessariamente houve lesão tecidual, ocorre em tecidos normais Características macroscópicas e microscópicas idênticos à calcificação distrófica Causas: Tumores òsseos: Osteossarcoma; metástases òsseas; mieloma múltiplo; Leucemias; Osteomielite e tbc òssea; Doença de Paget; osteoporose; hipertireoidismo Ocorre hipercalcemia Cálculos renais Órgãos mais afetados Rins epitélio tubular e estroma Pulmões parede alveolar Vasos sanguíneos camada média Calcificação da derme e do tecido subcutâneo “calcinose cutis”. ENDOCARDITE INFECCIOSA Surge em pacientes com doença reumática, a partir de uma reação infecciosa após infecções de repetição por estreptococos betahemoliticos do tipo A. A doença reumática lambe as articulações e morde o coração. Infecção microbiana do endocárdio ou endotélio vascular, com lesão característica em forma de vegetação. A incidência e mortalidade não diminuíram nos últimos 30 anos. Patogênese O endotélio normal é estéril Rotura causa endocardite trombótica não bacteriana, a qual depois sofre colonização Aderência bacteriana depende de fatores do hospedeiro e do patógeno Principalmente as valvas cardíacas sofrem com essa calcificação, impedindo que ela feche ou abra adequadamente. A valva fica irregular, por deposito de processos inflamatórios, causando fibrose. Não é uma manifestação aguda, costuma demorar para se apresentar. O tratamento normalmente é a troca de válvulas. Cobertura antibiótica normalmente é feita antes de determinados tipos de intervenções como profilaxia. Em atuações que causam bacteremia provável, isso deve ser feito. abaixa FebreReumáticacomprometiarticulações angdalitilinfonodosquandonosfaltacardíacos Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 21 CAUSAS DE BACTEREMIA PROVÁVEL 1. Procedimentos dentários com risco de sangrar 2. Broncoscopia rígida 3. Cistoscopia com infecção urinária 4. Biópsia de trato urinário e próstata 5. Amigdalectomia e adenoidectomia 6. Dilatação esofágica e escleroterapia 7. Instrumentação de vias biliares obstruídas 8. Prostatectomia transuretral 9. Litotripsia 10. Procedimentos ginecológicos com infecção Piercing Penetração com joias em orifícios feitos nas sobrancelhas, helix da orelha, lábios, língua, nariz, umbigo, mamilos e genitais. Está associado a uma maior prevalência de Endocardite Infecciosa. Todos podem causar cardiopatia com sopro sistólico. Maior risco: Língua > Orelha > Nariz > Mamilo/umbigo Média de idade – 20 anos Sintomas 1 mês após o procedimento Infecções comuns: St. Aureus PC (-) e epidermidis – 62%; outros seriam Neisseria, Haemophilus, Streptococcus Por que é fator de risco? Procedimento é altamente invasivo A flora local écompatível com EI O tempo de cicatrização é longo: língua 6 semanas e umbigo até 1 ano Profissionais não qualificados e higiene precária Jóia com contaminação microbiana Higiene deficiente depois (língua, umbigo) Tatuagem A agulha ou a tinta podem estar contaminadas, causando a contaminação do paciente, uma vez que são utilizados pigmentos industriais orgânicos com alta carga de impurezas e microrganismos. Infecções virais: hepatites B,C,D, HIV, Papilomavirus, Vaccinia Infecções Bacterianas: St. aureus, Pseudomonas sp., Clostridium tetani, Haemophilus ducreyi, Treponema pallidum, Mycobacterium tuberculosis, Mycobacterium leprae. Infecção por Fungos: esporotricose e zygomicose Há um caso relatado de EI após tatuagens repetidas em um indivíduo com valvopatia conhecida. PESQUISA: 63 amostras de tinta destinadas a tatuagens e maquiagens permanentes foram semeadas antes do uso: 18% positivas para bactérias e fungos; 7 amostras acima de 100.000 bact/ml; 10% positivas para pseudômonas; 5% positivas para pseudomonas aeruginosa. ARTERIOSCLEROSE Também é uma patologia de longo prazo, que aumenta a RVP, elevando a PA. Todas as vezes que a PA está elevada, o sangue é ejetado com muita força pelo VE, o que vai lesando a túnica íntima dos vasos. O espessamento vai sendo causado pela deposição de plaquetas, colesterol e fibrinogênio. É uma calcificação distrófica, porque houve lesão prévia. Arteriosclerose Endurecimento da parede Aterosclerose Deposito de colesterol Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 22 MAMOGRAFIA Demonstra microcalcificações, no tecido mamário. Se ela for agrupada, demonstra uma situação suspeita para malignidade. Depósito de sais de cálcio na porção central Tentativa do organismo de tornar o meio básico. Só surge calcificação em lesões iniciais, o câncer mais avançado normalmente não há calcificação. CÁLCULOS E CONCREÇÕES OU LITÍASES Massas esféricas ou ovoides, facetadas ORGÂNICAScélulas descamadas, bactérias INORGÂNICAS Corpos Estranhos: alfinetes, vidros, pregos,espinhos. Órgãos ocos: Bexiga urinária; vesícula biliar; Cavidades naturais: Peritônio; vaginal do testículo Condutos naturais: Ureter; colédoco Próstata; glândulas salivares Vasos sanguíneos e tumores Cálculo Conteúdo mineral duro Litíase ou calculose Concreções no organismo Cálculos costumam ser substâncias orgânicas que recebem um invólucro de cálcio e costumam surgir em órgãos ocos, como a bexiga e a vesícula biliar. Cálculos (do latim ”calculus ”- pedra de contar) ou Concreções (latim ”concretione ”- material endurecido) ou Litíase (do grego ” lithos ”- pedra). Massas esferoidais, ovóides ou facetadas, sólidas, concretas e compactas, de consistência argilosa a pétrea. Formam no interior órgãos ocos (bexiga,v.biliar), condutos naturais (ureter,colédoco, ducto pancreático ou salivar) e no interior de vasos sanguíneos. Material se deposita por precipitações sucessivas de sais inorgânicos ao redor de núcleo orgânico, formado por agregados de células descamadas, grumos bacterianos, corpos estranhos, com estrutura radiada ou em estratificações sucessivas formando camadas concêntricas. CÁLCULOS BILIARES São derivados do excesso de colesterol, predominantemente, mas pode ser um cálculo de bilirrubina, ou pode ser misto. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 23 TIPOS DE CÁLCULOS Litogênese Saturação colesterol da bile Hemólise Aumento de Bb não-conjugada. Cálculos de Colesterol Únicos ou múltiplos; radiotransparentes; amarelados Redondos ou ovais grandes; superfície granular Colesterol (85 %) + sais biliares, proteínas, cálcio Mistos Múltiplos, multifacetados (0,5–3,0 cm). Contém: colesterol; Bb, carbonato e fosfato de cálcio Quanto menor o cálculo, mais sintomático e arriscado ele é. O cálculo pequeno pode passar pelo ducto, ficar na papila de vater ou passar por ela, causando maior risco e sintomatologia. A quantidade de cálculos não indica a gravidade. Cálculos mais amarelos Colesterol Cálculos mais escuros Bilirrubina FATORES DE RISCO Idade acima de 40 anos Mulheres (Porque liberam estrogênio, que diminui a síntese de sal biliar no organismo, o organismo tenta compensar isso, levando mais colesterol para o fígado. Por isso que, até os 40 anos, a mulher tem menor risco de arteriosclerose. Obesidade Doenças que afetam reabsorção de sais biliares Geralmente o cálculo biliar só é visível no ultrassom, ele costuma ser único e grande, de cor amarelada. Cólica Onda peristáltica no intuito de impulsionar o cálculo. Depois de ser retirada a vesícula, cerca de 6 meses depois o ducto cístico remanescente pode formar uma nova vesícula. ocorresinaldeMurphemcasosdecólera avariaagorduraqualdadeemalguma partebiliar Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 24 CALCULOS URINÁRIOS Altos níveis de ácido úrico; fosfato de cálcio Formam-se pelve renal e bexiga oxalato de cálcio Supersaturação da urina fosfato de cálcio, ácido úrico Maioria originam no rim (Pelve e ureter), mas os cálculos podem formar em todo trato urinário. FATORES DE RISCO Homens (20-30 anos) mais afetados que mulheres Predisposição familiar e hereditária. Alterações anatômicas do trato urinário (rins policísticos, rim em ferradura) Clima quente Fatores dietéticos Distúrbios metabólicos Alteração do pH urinário Redução do volume urinário Imobilização prolongada Regiões muito quentes Predisposição à formação de cálculos, transpira muito e bebe pouca água, o que faz reter mais água, diminui o volume urinário e aumenta a concentração do fosfato de cálcio. Cálculos pequenos Mais sintomáticos Cálculos coraliformes Costumam ser assintomático, mas causa infecções urinárias de repetição. Hidronefrose Causada pelos cálculos persistentes Paciente com rim lesado Pode causar hipertensão arterial secundária. Litotripsia Onda de ultrassom que quebra os cálculos e evita a cirugia Como norma geral de nomenclatura das concreções endógenas, utiliza-se um termo designativo do local de formação ou origem, acrescido do sufixo “litíase” para denominar a ocorrência do problema, e do sufixo “ito” para denominar o cálculo. Como exemplos mais frequentes citam- se: Biliares (colelitíase), Urinários (urolitíase e urólitos), Bronquiais (bronquiolitíase e bronquiólitos), Salivares (sialolitíase e sialólitos) no metabolismodasproteínas hartosalimentares hematuria átemcomodurar Lodelataçãonemreme aartiradaaperentetemBarasseceptaqaqnaparededammcausandovasocontriçãoirp Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 25 AULA 4 – DISTÚRBIOS CIRCULATÓRIOS, EDEMA E HEMORRAGIA 13/04/2020 EDEMA Distúrbios circulatórios são uma série de processos que afetam os vasos sanguíneos com maior ou menor intensidade, fazendo com que, em determinada fase da vida, eles apresentem alguma deficiência, que se relacionam à etiologia das manifestações clínicas sistêmicas das Doenças Cardiovasculares. Dessas manifestações, a mais comum é o EDEMA. Edema: Extravasamento de líquido para o líquido intersticial e para as cavidades naturais do corpo, como as cavidades pleural, pericárdica, articulares e ventriculares. O edema tende a surgir, principalmente, devido a alterações no coração e em seus vasos. Lado direito do coração Envia sangue por meio da Artéria Pulmonar para os pulmões, que possuem uma pressão pulmonar negativa,logo, exigem menor força de ejeção. Lado esquerdo do coração Envia sangue por meio da Artéria Aorta para o resto do organismo, que possui uma pressão positiva, logo, exige maior força de ejeção. Os vasos sanguíneos arteriais apresentam paredes mais espessas, e são compostas pelas seguintes camadas (Mais interna para mais externa): Túnica íntima Lâmina elástica interna Camada muscular liso Lâmina elástica externa Túnica Adventícia A veia possui uma parede mais discreta, é fina e pouco delimitada nos cortes histológicos quando comparada às artérias. A veia possui uma camada íntima e uma camada muscular. Células endoteliais: Revestem internamente os vasos sanguíneos e entram em contato com o sangue. Suas extremidades são mais afiladas e a parte central mais abaulada. FORMAS DE EDEMA O edema é a saída do líquido presente no interior do vaso sanguíneo para o espaço intersticial. Isso pode ocorrer de maneira Localizada ou Sistêmica. LOCALIZADO Lesões locais e causas bastante definidas; 1. Ascite ou Hidroperitônio: Presença de líquido na cavidade abdominal. 2. Hidrotórax ou Derrame Pleural: Líquido dentro da cavidade pleural. 3. Hidropericárdio: Líquido dentro da cavidade pericárdica. 4. Hidrocele: Líquido dentro da cavidade testicular. 5. Hidrocefalia: Líquido dentro do SNC. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 26 SISTÊMICO A causa normalmente é relacionada ao coração ou ao rim. Resulta em um edema generalizado, a Anasarca. 1. Insuficiência Cardíaca Congestiva: Insuficiência no funcionamento global do coração. 2. Insuficiência Renal (Síndrome Nefrótica): Qualquer lesão que comprometa o Glomérulo renal afeta a permeabilidade, esse perde a sua capacidade seletiva de reter líquido, causando a Síndrome Nefrótica. Essa patologia afeta a capacidade filtrante do glomérulo, fazendo com que ocorra a perda da seletividade de líquidos e solutos, o que gera grandes perdas de proteína na urina. Com isso, o paciente perde muito soluto, gerando um edema generalizado, chamado de Anasarca. TRANSUDATO X EXSUDATO TRANSUDATO Fluído extravascular com conteúdo baixo de proteína, basicamente albumina com densidade menor que 1.012 g/ml. Além disso, é um ultrafiltrado do plasma e resulta de um desequilíbrio hidrostático através do endotélio vascular, cuja permeabilidade é normal. Portanto, não está associado a uma inflamação. EXSUDATO Fluído extravascular de origem inflamatória resultante de um aumento na permeabilidade do endotélio pelos mediadores da inflamação. Ademais, tem alta concentração de proteínas, inclusive globulinas e fibrina, células inflamatórias vivas ou degeneradas e densidade acima de 1.020 g/ml. Fala a favor de um processo inflamatório agudo bacteriano, que lesa a parede vascular e aumenta a permeabilidade do vaso sanguíneo, com isso, permite que os leucócitos e a albumina migrem para o espaço intersticial. ** O exsudato é o pus. CORRELAÇÕES CLÍNICAS DERRAME PLEURAL **Característica de líquidos na cavidade pleural: 1. Líquido com sangue Trauma é a principal causa 2. Líquido com pus Processo infeccioso é a principal causa 3. Líquido majoritariamente formado por água Desnutrição (com falta de albumina) e Tuberculoses são a principal causa. Paciente jovem com derrame pleural Primeira hipótese é a tuberculose, que compromete principalmente o ápice pulmonar. O bacilo da Tuberculose causa uma Necrose Caseosa no parênquima pulmonar, que se estende e agride a pleura. As células mesenquimais respondem produzindo mais líquido, tem a cor de amarelo-citríno, parece urina. Ao exame físico, nota-se macicez à percussão, diminuição do murmúrio vesicular, expansibilidade alterada no lado acometido. Realiza-se toracocentese para alívio e investigar a casa. Paciente idoso com derrame pleural Costuma apresentar sangue na cavidade pleural, derivada de um Câncer pulmonar metastático primário. Quando o Seio Costofrênico não fica visível na radiografia deve-se suspeitar do acúmulo de líquido na cavidade pleural. DERRAME PERICÁRDICO A Tuberculose também pode afetar a cavidade pericárdica, gerando um grande espessamento e grande produção de líquido pelo pericárdio visceral ou parietal. Isso pode causar tamponamento cardíaco, o que afeta o funcionamento do coração e, por vezes, é necessário realizar a janela pericárdica, a fim de reduzir a pressão externa. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 27 ASCITE Comum em esquistossomose, cirrose ou tumores, que promovem um grande acúmulo de líquido na cavidade abdominal, aumentando consideravelmente seu diâmetro. Ao exame físico, ocorre reverberação por piparote, quanto mais fluido for o líquido mais fácil é essa reverberação. Esse líquido, novamente, pode ser formado por sangue, pus ou água majoritariamente. HIDROCELE Acúmulo de líquido na cavidade testicular, por traumas ou tumores. HIDROCEFALIA Em crianças é possível ocorrer uma hidrocefalia com obstrução do fluxo liquórico, porque a criança ainda não tem as suturas cranianas bem ossificadas. Em adultos, qualquer aumento na pressão intracraniana leva a uma cefaleia intensa, mas não gera essa grande hidrocefalia, porque o paciente adulto tem as suturas cranianas fechadas. PATOGENIA DO EDEMA Água total do corpo: 60% do peso corporal de um adulto. Está dividida em três compartimentos: 1. Intracelular = aproximadamente 40% do peso corporal 2. Interstício = 15% - 16% do peso corporal (Água extracelular) 3. Plasma = 20% do peso corporal, dos quais 4%-5% correspondem à água. Conforme a necessidade orgânica, ocorre a transferência desses líquidos de um espaço para outro. Solutos específicos mantêm esses líquidos nos corretos espaços: Intravascular: Albumina Extracelular: Sódio Intracelular: Potássio ** Paciente com Insuficiência Renal ou Cardíaca: Dieta hipossódica, para reduzir o teor de sódio do organismo, diminuindo a quantidade de água que passa para o interstício e, consequentemente, diminuir o edema. FISIOPATOLOGIA DO EDEMA 1. Aumento da permeabilidade vascular Pode ocorrer por injúria (física, química ou biológica) ou inflamação. 2. Aumento da pressão hidrostática Aumento da pressão da coluna intravascular dentro do vaso, o que “expulsa” o líquido para fora do vaso. Ocorre em ICC, Cirrose Hepática, Esquistossomose (Hipertensão portal), Trombose (obstrução venular). 3. Diminuição da pressão oncótica plasmática Diminuição da quantidade de albumina. Causada por Síndrome Nefrótica; Cirrose hepática; Desnutrição (Kwashiokor – baixa ingestão proteica). Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 28 4. Aumento da pressão hidrostática intercelular Maior ingestão de sódio Maior reabsorção tubular de sódio Isso causa uma maior perfusão renal e a excreção de Renina- Angiotensina, que aumenta a PA. EDEMA CARDÍACO X EDEMA RENAL O Edema Cardíaco normalmente é derivado de um problema mecânico no coração, normalmente, ele é vespertino. Manifesta-se com edema nos MMII e hepatoesplenomegalia, principalmente, devido ao mau funcionamento do lado direito. A dispneia aos esforços também pode estar presente, devido ao comprometimento do lado esquerdo do coração, fazendo com que o líquido começe a ficar retido nos alvéolos pulmonares, à ausculta escuta-se estertores/crepitações. É vespertino porque a posição em decúbito facilita a distribuição dos líquidos, a posição ortostática, pelo contrário, dificulta essa distribuição, fazendo com que o líquido se acumule. O Edema Renal normalmente é derivado de um problema funcional, como a Síndrome Nefrótica, e costuma ser matutino, o paciente acorda com a face em “lua cheia”- fácie cushingoide. Conforme o pacientefica em ortostatismo, o edema distribui-se pelo corpo, diminuindo um pouco a sua intensidade. OBSTRUÇÃO LINFÁTICA (LINFEDEMA) É um quadro de edema local, causado pela obstrução de vasos linfáticos. Causado, principalmente, por: Filariose ou Elefantíase (Verminose que gera uma causa inflamatória) Neoplásica Pós-cirurgia Pós-irradiação Lei de Starling: A quantidade de líquido que sai na extremidade arterial do capilar é a mesma quantidade que volta na extremidade venosa. O 1mmHg que fica retido na circulação linfática retorna à circulação sanguínea para manter o fluxo sanguíneo adequado. Nesse sentido, entende-se que a drenagem linfática serve para auxiliar esse retorno dos vasos linfáticos à circulação sanguínea. O paciente com obstrução linfática faz com que esse 1 mmHg deixe de existir, assim, o paciente fica com um edema permanente no membro acometido. Assim, entende-se que os vasos linfáticos são essenciais para manter o equilíbrio vascular normal. EDEMA CEREBRAL Histologicamente, existe um espaço claro entre a parede do vaso e o parênquima cerebral. Líquido extravasa de dentro dos vasos para o parênquima cerebral, causando uma distensão desse parênquima. A circunvoluções cerebrais tornam-se mais achatadas, o edema aumenta a pressão Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 29 intracraniana e “empurra” o cérebro contra a tábula óssea, comprimindo a dura-máter, por essa razão, pacientes com crise hipertensiva terem cefaleia holocraniana. Podem ser derivados de Tumores, Traumatismos ou Inflamações (neurocisticercose). Crises hipertensivas AVC Hipertensão Intracraniana NEUROCISTICERCOSE Em condições normais, os cisticercos da Taenia solium pode cair na corrente sanguínea, migrar e se implantar no SNC. Ele forma um escólex, que o organismo envolve com uma cápsula, a fim de isolar o agente invasor. O paciente pode apresentar epilepsia, devido ao aumento da excitabilidade. EDEMA PULMONAR OU PLEURAL Oclusão do seio costofrênico na radiografia. No edema pulmonar, é compreensível que ocorreu comprometimento do lado esquerdo do coração, pois quando o lado direito é afetado ocorre edema nos MMII e hepatoesplenomegalia. O edema de agudo de pulmão deriva, então de uma Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) ou no Infarto agudo de miocárdio e de uma lesão alveolar difusa nos lobos inferiores. Na macroscopia, evidencia-se que o paciente libera pela boca um líquido róseo, espumoso. Durante a ausculta, percebe-se estertores “grosseiros”, um ronco. Na microscopia, percebe-se um material róseo granular, com poucos leucócitos e uma pneumonia hipostática. O alvéolo deveria ter seu interior branco, o interior róseo demonstra o acúmulo de líquido nessa estrutura. Os pontos vermelhos indicam vasos sanguíneos congestos, cheios de sangue. ** Quando o paciente fica sentado, alivia um pouco dos sintomas, porque, por ação da gravidade, o líquido tende a se acumular na base pulmonar e o ápice fica livre. apenas Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 30 Macrófagos alveolares que ao fagocitarem hemácias produzem o pigmento Hemossiderina, que garante essa cor acastanhada, que, inclusive, pode estar presente no escarro. Comum em patologias cardíacas, como a ICC. ANATOMIA PATOLÓGICA HIPEREMIA E CONGESTÃO Encontram-se associadas ao edema. HIPEREMIA CONGESTÃO Sempre vaso arterial (simpática) Sempre vaso venoso Transitória (dura poucos segundos) Persistente; prolongada Tonalidade rósea; vermelha Tonalidade escura; azulada Ocorre uma vasodilatação arteriolar Ocorre uma diminuição do retorno venoso Causas: Rubor do medo e estresse; processos inflamatórios; exercícios físicos; febre (dissipação do calor) Causas Locais: Tromboses e varizes; obstrução venular; tumores. Causas Sistêmicas: Insuficiência Cardíaca Congestiva; Hipóxia crônica Dilatação dos esfíncteres pré-capilares Vasodilatação arteriolar Hiperemia ativa Redução da saída de sangue do tecido Diminuição do Retorno Venoso (RV) Hiperemia passiva (Congestão) HIPEREMIA ATIVA FISIOLÓGICA Aumento do suprimento de oxigênio e nutrientes, paralelamente, à demanda de maior trabalho causa expansão do leito vascular, com vasos de reserva tornando-se funcionais. Exemplos: Tubo gastrointestinal durante digestão Musculatura esquelética durante exercícios físicos Cérebro durante estudo Glândula mamária durante a lactação Rubor facial após hiperestimulação psíquica Corpos cavernosos durante excitação sexual HIPEREMIA ATIVA PATOLÓGICA Aumento do fluxo sanguíneo devido à liberação local de mediadores químicos da inflamação (devido à agressão dos tecidos), com relaxamento esfíncteres pré-capilares e diminuição da resistência pré-capilar. Exemplos: Injúria térmica (queimaduras ou congelamento) Irradiações intensas, traumatismos, infecções, inflamação aguda HIPEREMIA PASSIVA OU CONGESTÃO São muito sanguinolentas e úmidas; Congestões a longo prazo, as congestões passivas crônicas (pulmão, fígado e baço). Estase de sangue mal oxigenado Hipóxia crônica Degeneração Morte das células parenquimatosas. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 31 ESPLENOMEGALIA ESCLERO CONGESTIVA Causada por alguma restrição à saída de sangue do baço, o que normalmente ocorre na Esquistossomose, na Cirrose Hepática e nos Tumores Hepático. Ocorre o aparecimento de nódulos sidero-fibróticos (Gandy-Gamna), devido a calcificação distrófica com a presença de hemossiderina. CONGESTÃO HEPÁTICA Causas: Insuficiência Ventricular Direita Obstrução da Veia Cava Inferior Obstrução da Veia Hepática O fígado adquire uma aparência em “noz moscada”, devido à atrofia dos hepatócitos centrais (hipóxia crônica) e ao menor comprometimento dos hepatócitos periféricos. HEMORRAGIA Hemorragia é a saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo. Sempre é patológica, nunca é fisiológica. Quanto à origem: venosa, arterial, capilar, cardíaca. Relação com o organismo: Externas ou Superficiais Prefixo: órgão afetado + sufixo: rragia. Em cavidades: Hemo/Hemato + Termo da cavidade HEMORRAGIA ARTERIAL: Hemorragia que faz jorrar sangue pulsátil e de cor vermelho vivo. É necessário realizar um torniquete momentâneo até que a medida definitiva seja realizada. HEMORRAGIA VENOSA: O sangue sai lento e continua na cor vermelho escuro. HEMORRAGIA CAPILAR: O sangue sai lentamente por vasos menores. A cor é menos viva que na hemorragia arterial. CLASSIFICAÇÃO DA HEMORRAGIA CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA A Hemorragia poderá ser EXTERNA, que ocorre devido a ferimentos abertos, ou INTERNA, que, geralmente, não é visível, porém é bastante grave, pois pode provocar choque e levar a vítima ao falecimento. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 32 1. HEMORRAGIA EXTERNA Agitação; palidez Sudorese intensa; pele fria Pulso acelerado (acima de 100 bpm) Pressão arterial baixa Sede exagerada Fraqueza; sonolência São as que ocorrem para o exterior do corpo ou para cavidades em comunicação com o exterior. Conforme o local pode ser chamada de: Gastrorragia ou Enterorragia: Hemorragia para a luz do estômago ou dos intestinos. Hemorragia baixa. Hematêmese: Hemorragia proveniente da árvore digestiva Melena: Hemorragia em que o sangue digerido sai com fezes, tendo aspecto caracteristicamente comparado ao de borra de café. O sangramento é alto- esôfago; estômago ou duodeno. Hematúria: Sangramento na urina, sempre patológico. Hemoptise:Sangramento proveniente da árvore respiratória. Otorragia: Sangramento pela orelha Epistaxe: Sangramento nasal Menorragia, Hipermenorreia ou Polimenorreia: Hemorragia menstrual abundante. Metrorragia: Hemorragia nos períodos intermenstruais ou na menopausa. 2. HEMORRAGIA INTERNA Mesmos sintomas da Hemorragia Externa Perda de sangue ou fluidos pelo nariz e orelha (pode indicar hemorragia na base do crânio – grave) Vômito ou tosse com presença de sangue Rigidez ou espasmos dos músculos abdominais (Abdome em tábua) Dor abdominal Sangramento pelas genitálias ou ânus MECANISMO DE FORMAÇÃO DA HEMORRAGIA 1. Por rexe ou ruptura de vasos: mais frequentes, geralmente, de origem traumática. 2. Por diabrose ou digestão/erosão dos vasos: por necrose ou digestão enzimática. Exemplos: cavernas pulmonares na tuberculose; úlceras pépticas. 3. Por diapedese ou diátese hemorrágica: sem lesão evidente nos vasos, geralmente, a nível capilar e frequentemente do tipo petequial ou púrpura. As hemácias fluem através da parede vascular intacta. TIPOS DE SANGRAMENTO Petéquias: Hemorragias puntiformes, esparsas, com 1 a 2 mm de diâmetro. Púrpura: Lesões de até 1 cm de diâmetro; utilizado também em quadros hemorrágicos generalizados (petéquias e sufusões extensas) em várias serosas e mucosas, geralmente, associado às diásteses hemorrágicas. Presente em síndromes com tendência à hemorragia por deficiência na coagulação e também as septicemias, viremias e toxemias. Além disso, pode ser originada de traumas. Sufusões (Equimoses): Também chamadas de hemorragia em lençol, extensa. Manchas difusas, planas e irregulares. O termo equimose também tem sido utilizado para descrever este tipo de hemorragia, quando afetando a pele. atençãoparanos paturapara Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 33 Hematoma ou Bossa Sanguínea: Formação de uma cavidade com coleção sanguínea em um órgão ou tecido, geralmente, bem localizado. Forma uma nova cavidade, o que pode dever-se a traumatismo, alterações hematológicas ou outras causas. Apoplexia: Hemorragia maciça, grave e intensa. Ocorre grande destruição orgânica, com manifestações gerais graves, devido ao derramamento de sangue em vísceras ou no SNC. Quanto à idade do processo hemorrágico: Recente: Hemácias íntegras nos cortes histológicos. Antiga: Hemólise e hemossiderinose presentes. CARACTERÍSTICAS DA HEMORRAGIA Características Macroscópicas: Vermelho-vivo ou arroxeado na área atingida. Características Microscópicas: Hemácias fora de vasos (livres, coágulos ou fagocitadas por macrófagos). Hemólise e a metabolização da hemoglobina leva ao aparecimento de Hemossiderina e Hemossiderófagos. ETIOLOGIA DAS HEMORRAGIAS 1. Traumática: Acidentes e cirurgias. 2. Intoxicações: Crotálica (veneno de cobra), AAS, Antihistamínicos, Arterites. 3. Hipovitaminoses: Vitamina K (importante cascata de coagulação); Vitamina C (cicatrização). 4. Hemofilias: Hepatopatias; Tuberculose; Úlcera péptica; Pancreatite 5. Hipertensão Intavascular: Hipertensão arterial; varizes; formação e ruptura de aneurismas; obstrução venosa. INTENSIDADE DAS HEMORRAGIAS Fatores: Local; volume; velocidade de perda. Hemorragia grave: Afeta órgão importante (pequeno hematoma subdural pode determinar coma e morte), perda rápida de grandes volumes sanguíneos (ultrapassando 1/3 da volemia). Risco de vida evidente, choque hemorrágico. Hemorragia moderada: Inspira cuidados, mas em si só não indica ainda risco de vida. Hemorragia leve: Não interfere significativamente na vida do indivíduo. Reação tecidual Irritação; Hemossiderina; Fibrose. CHOQUE HEMODINÂMICO É um estado prolongado de hipoperfusão dos tecidos, resultante de uma circulação sanguínea inadequada, há uma falência da circulação em fornecer substâncias químicas necessárias à sobrevivência celular e remover os produtos residuais do metabolismo. É a diminuição da perfusão tissular a todos os órgãos de forma transitória ou permanente, o que pode causar uma falência múltipla de órgãos. PRESSÃO ARTERIAL E CHOQUE Se reduz a PA, reduz a pressão de perfusão e o conjunto de eventos que mantém a homeostase. No choque, a redução da PA faz com que os tecidos não recebam sangue para fazer as trocas e entram em sofrimento. escuro claracastanho Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 34 FASES DO CHOQUE HEMODINÂMICO 1. Fase não progressiva (Hipotensão compensada) O reflexo simpático compensa a hipotensão. A perfusão para os órgãos vitais é mantida. É a fase que é tratado. 2. Fase Progressiva (Perfusão tecidual reduzida) Começa a surgir desequilíbrios circulatórios e metabólicos (acidose) e insuficiência dos órgãos. Ainda pode reverter (se não tratar evolui para a fase 3). 3. Fase Irreversível (Insuficiência microcirculatória e lesão de membrana) A hipoperfusão começa a matar as células. Muito difícil de tratar, o paciente evolui para falência múltipla de órgãos. Mesmo corrigindo os defeitos hemodinâmicos, a sobrevida é impossível. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 35 AULA 5 - TROMBOSE, EMBOLIA E INFARTO 20/04/2020 Nos cortes histológicos, os vasos arteriais costumam ter um formato arredondado, mais delimitado. Enquanto a veia é mais disforme. ´CONCEITOS BÁSICOS HEMOSTASIA Adesão e ativação plaquetária Formação de Fibrina Bloqueia o sangramento Previne hemorragias espontânea Lesão na parede do vaso gera um tampão plaquetário, assim que o tampão se forma, o sistema anti-fibrinolítico começa a retirá-lo, garantindo a hemostasia. No entanto, esses mesmos elementos que nos protegem podem virar vilões, crescendo continuamente até obstruir a parede do vaso. Após a lesão inicial, há um breve período de vasoconstrição arteriolar, atribuível principalmente a mecanismos neurogênico reflexos e amplificada pela secreção local de fatores como a endotelina (um vasoconstritor potente derivado do endotélio). O efeito é transitório e o sangramento recomeçaria se não fosse a ativação dos sistemas plaquetário e da coagulação. TROMBOSE Trombose venosa (estase sanguínea) Relacionada à estase sanguínea; pacientes que não tem um suporte muscular adequado para comprimir a veia, para que esta garanta o retorno venoso. Comum em sedentários e acamados Trombose arterial (aterosclerose) TROMBO In vivo; Aderido ao vaso; Duro, não elástico. O endotélio em condições normais, mantém o organismo funcionando de maneira fisiológica. Quando o endotélio é lesado, ele expõe o subendotélio para formar o tampão plaquetário. No local da lesão ocorre deposição dos elementos figurados do sangue, até que, depois de certo tempo, ocorre obstrução do vaso por essas deposições consecutivas. Trombose refere-se à formação de um trombo dentro do lúmen vascular, que é definido como um agregado de sangue coagulado que contém plaquetas, fibrina e elementos celulares. Para propósitos práticos, o termo "coágulo" é sinônimo. TROMBOS só podem ocorrer em organismo vivo, quando o indivíduo morre é COÁGULO. embora pprenará infarto cansa Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 36 Trombo é uma massa sólida formada na luz dos vasos ou do coração com os elementos do sangue durante a vida. Trombose é o processo de formação do trombo. A trombose é uma extensão patológica do processo normal de hemostasia. Desequilíbrios na interação dos três elementos básicos, ou seja, parede vascular, plaquetas e proteínas da coagulação podem resultar em trombose. Uma vez que o endotélio é lesado fator de risco para trombose Medicamentos para quem tem trombose Anticoagulante CLASSIFICAÇÃO DOS TROMBOS TROMBOS VERMELHOS (de Estase ou Venosos) Costumam acompanhar as grandes veias do MMII, principalmente as veias poplíteas, femorais e ilíacas; ricos em hemácias; são os de estase (“venosos”) – flebotrombose. São pouco aderidos, principal complicação é a embolia pulmonar. Crescem contra a corrente (obstrutivos). Causa: lentidão da corrente (estase). TROMBOS BRANCOS (Arteriais) Arteriais, constituídos de plaquetas e fibrina, geralmente associados às alterações endoteliais, frequente em artérias TROMBOS HIALINOS (Arteriais) Constituídos de fibrina, comum em distúrbios autoimunes, arteriais; associados a alterações na composição sanguínea, frequentes em capilares. SÍNDROME DA CLASSE ECONOMICA A cadeia reclina pouco, perna fletida em 90 graus, sangue fluindo lentamente, ocorre aglutinação na parede da veia em pessoas com predisposição, o que pode causar trombose. A utilização de meias compressoras pode auxiliar no retorno venoso. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 37 TROMBOSE VENOSA As veias profundas da perna são o local mais comum para trombose, principalmente, devido ao fluxo lento de sangue. Este é frequentemente o resultado de imobilização prolongada. Esta condição pode causar edema da perna, ou pode ser completamente assintomático. A complicação mais temida é o tromboembolismo pulmonar. As veias apresentam válvulas que evitam o refluxo sanguíneo, mas em pessoas “paradas”- sedentária s- e retidas ao leito ocorre uma alteração anatômica que faz com que as hemácias fiquem retidas nas cúspides venosas, desenvolvendo o trombo. Varizes= grande quantidade de sangue nas veias, o que predispõe à formação dos trombos. Esta condição pode causar edema da perna, ou pode ser completamente assintomático. Correspondente a 70 % das tromboses. Os trombos são geralmente vermelhos e oclusivos. Localizados, predominantemente, nos MMII (Flebotrombose). São úmidos, gelatinosos, associam-se às flebites e estase prolongada. Firmemente aderidos ao endotélio. Isso ocorre em quem tem trombose hemorroidária, comum em pessoas que passam muito tempo sentadas ou em pé. Ocorre obstrução do vaso sanguíneo, extremamente doloroso. Pacientes com problemas de deambulação podem necessitar a utilização de agentes anticoagulantes e meias compressivas. A trombose muitas vezes está associada a um processo inflamatório das veias Flebite Costumam ocorrer em vasos venosos profundos. Varizes superficiais não geram trombose, são um problema puramente estético. As tromboses venosas profundas são muito comuns em grandes multíparas 10/12 filhos. Por isso, grávidas são aconselhadas a usar a meia compressiva para melhorar o retorno venoso, já que o útero comprime as veias. A trombose pode distender muito a pele, que fica muito fina, deixando-a mais susceptível a traumas e infecções, como a erisipela, é uma infecção cutânea causada geralmente pela bactéria Streptococcus pyogenes do grupo A, mas pode também ser causada por Haemophilus influenzae tipo B, que penetram através de um pequeno ferimento. FATORES DE RISCO Obesidade – IMC > 40 aumenta em 2 a 3 vezes o risco de Tromboembolismopulmonar. Tabagismo potencializa o risco de outras condições (ex: mulher tabagista em uso ACO aumenta em 9x o risco de Trombose Venosa Profunda) Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 38 Uso de contraceptivos orais/Gravidez Imobilização prolongada; Paciente acamado. Cirurgia recente (principalmente as de joelho e quadril, oncológicas, vasculares e neurológicas). Trauma 60% dos pacientes com trauma grave fazem TVP. Câncer O tumor pode secretar fatores de coagulação e comprimir o leito vascular. Catéteres venosos (lesão endotelial) Catéteres venosos podem causar lesão endotelial, predispondo TVP. TROMBOS MISTOS TROMBOS MISTOS CARDÍACOS Ocupam 20 % tromboses. MURAIS Principalmente: Endocárdio, Átrio D e V.E Valvas (aórtica e mitral) Aneurismas cardíacos na Miocardite chagásica crônica. Secos Friáveis Inelásticos Associados a alterações no endocárdio Pessoas com mal de chagas costumam causar esses trombos, até que o musculo se rompe. O músculo não se regenera, ele será substituído por trombose. Trombose de ponta Acúmulo de sangue no ápice do ventrículo esquerdo, devido à presença de trombos nessa região. Pode causar embolia cerebral como complicação. Trombos que se originam no lado direito embolia pulmonar. TROMBOS MISTOS são comuns em maiores cavidades, maiores vasos. Exemplos: coração e aorta. Formado por fibrinas, plaquetas e hemácias. O Trombo vai diminuindo o lúmen, o que facilita uma deposição ainda maior, causando a obstrução. Estrias de Zahn quanto maior a extensão das linhas, mais velho é o trombo, maior a chance da cauda “desgarrar”. Alternância em cores escuras e branca, só ocorre em vasos maiores. A embolia é a principal e mais grave complicação de trombos Mais comuns. Formados por estratificações fibrinosas (brancas), alternadas com partes vermelhas. Constituídos por todos os elementos do sangue Se formam nas artérias lentamente São alongados e apresentam 3 partes: CABEÇA: é o primeiro que se forma, fixa no endotélio COLO: Porção estreita intermediária, na qual se configuram as ”linhas de Zahn” resultantes da alternância de zonas brancacentas e avermelhadas CAUDA: se forma por último; sempre vermelha; desprende facilmente (não aderida ao vaso), desencadeando êmbolos. TROMBOS ARTERIAIS A principal gênese é a aterosclerose. HAS O coração usa maior força de compressão sangue com maior intensidade de força o sangue lesa o endotélio forma tampão plaquetário. Se tiver hipercolesterolemia , ocorre deposição de colesterol nesse tampão. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 39 Costumam surgir nos 6 primeiros cm após a emergência do vaso, porque é a área que sofre maior impacto. Por isso, a maior lesão é nas áreas de bifurcação. Geralmente brancos Oclusivos ou semi-ocludentes Acomete mais comumente as artérias: Coronárias Cerebrais Ilíacas Femurais Constituídos por leucócitos, plaquetas e fibrina. Se formam nas artérias e coração. São aderidos na parede vascular (não obstrutivas). Apresentam uma estriação em linhas (Linhas de Zahn. TROMBOS HIALINOS CAPILARES Hialinos Ocorre nas coagulopatias de consumo (CIVD) Doenças autoimunes como: Lúpus eritematoso (rim) TROMBOS BRANCOS (FIBRINOSO) Constituídos por leucócitos, plaquetas e fibrina Se formam nas artérias e coração Aderidos na parede vascular (não obstrutivos) Apresentam uma estriação em linhas (linhas de Zahn) Causa: lesão na parede vascular ETIOPATOGENIA - TRÍADE DE VIRCHOW Trombose é consequência de 3 tipos de alterações, agindo isolada ou simultaneamente: TRÊS FATORES PRIMÁRIOS 1. Alterações da parede vascular ou cardíaca com propriedades pro e antitrombóticas 2. Alterações circulatórias ou hemodinâmicas Alterações no fluxo sanguíneo turbulência induz dano endotelial; estase contribui para trombose venosa. 3. Alterações na composição sanguínea com hipercoagulabilidade Coagulabilidade sanguínea aumentada ( Predisposta pela desidratação) FLUXO LAMINAR SANGUINEO Plaquetas sempre correm na coluna lateral do vaso, as cargas elétricas da parede do vaso são semelhantes a do endotélio Leucócitos e hemácias circulam em camadas concêntricas na parte central da coluna de sangue, enquanto as plaquetas fluem na periferia, mais próximas do endotélio. Quando o fluxolaminar se torna turbilhonado, as células chocam-se contra a parede vascular, o que pode favorecer a ativação de plaquetas e iniciar a sua adesão ao endotélio. Quando o fluxo é turbulento, muda esse padrão e faz com que ocorra deposição das hemácias e outros elementos. Comum, por exemplo, na HAS. Fluxo sanguíneo alterado Lesão do endotélio Fator de risco para trombose. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 40 ALTERAÇÕES DA PAREDE VASCULAR OU CARDÍACA Evidenciável na maioria das tromboses arteriais e cardíacas e em algumas venosas. Evidenciável na maioria das tromboses arteriais e cardíacas, e em algumas venosas. CAUSAS Traumas, angeítes, endocardites, arteriosclerose, I.A.M, erosões vasculares (Tbc; infiltrações neoplásicas). MECANISMO Lesão endotelial ou endocárdica provocando exposição do colágeno subendotelial, com consequente adesão e agregação plaquetária, e desencadeamento do processo de “coagulação“, ALTERAÇÕES HEMODINAMICAS Ocorre principalmente nas áreas de bifurcação, por isso, a maior parte das ateroscleroses são comuns ao nível do polígono de willis. POR ESTASE Importante principalmente trombose venosa. A estase altera o fluxo lamelar Faz com que as células (inclusive plaquetas) que ocupavam a corrente axial passem à corrente marginal, facilitando o contato plaquetas endotélio, concentra fatores de coagulação. POR TURBULÊNCIA Predispõem à deposição de plaquetas (altera fluxo lamelar, modifica corrente axial e marginal). Traumatiza íntima vascular. Facilita exposição do colágeno subendotelial Maior frequência de trombose nas áreas de estenose e bifurcações vasculares. **ATEROMA Palavra grega para MINGAU HIPERCOAGULABILIDADE Um dos fatores mais importantes na trombogênese. Trombocitose: Anemias ferroprivas, após hemorragias graves (pós operatórios, principalmente esplenectomia). Aumento da viscosidade sanguínea: Anemia falciforme, desidratação e queimaduras. Anemia ferropriva, desidratação e queimaduras perda de líquido e predomínio dos elementos figurados do sangue. Desidratação é comum em idosos predisposição a tromboses. DESTINO DOS TROMBOS 1. Propagação: O trombo pode agregar mais plaquetas e fibrina, causando obstrução do vaso. 2. Dissolução: Ação da Plasmina (Fibrinolisina) sobre alguns dos fatores de coagulação, fibrinogênio e fibrina digerindo-os. 3. Calcificação: Comum nos trombos sépticos e nos organizados, principalmente nos venosos (forma os "flebólitos” que permanecem firmes na parede vascular ou desprendem-se e caem na corrente circulatória. 4. Embolização: Muito frequente. Decorrem da fragmentação ou descolamento de trombos inteiros É favorecida pela fragilidade na fixação do trombo, pelo retardamento na lise ou na organização, pela compressão da região, pelo esforço e aumento do fluxo sanguíneo. CLASSIFICAÇÃO DOS TROMBOS Quanto ao efeito da interrupção dos vasos sanguíneos: Ocludentes (oclusivos) Parietais (semi-ocludentes) Quanto à presença de infecção Sépticos (Ex: Endocardite valvar) Asséticos Endocardite processos infecciosos podem agravar a situação do trombo. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 41 DESTINO DOS TROMBOS- ORGANIZAÇÃO Invasão do trombo por macrófagos, fibroblastos e por proliferação endotelial, transformando o mesmo em tecido de granulação. CANALIZAÇÃO Ocorre eventualmente porque os macrófagos criam pequenos canais no trombo para reestabelecer o fluxo sanguíneo. Os vasos neoformados na fase de organização anastomosam- se, com o restabelecimento parcial do fluxo sanguíneo. DOENÇA DE BUEGER (Tromboangeíte obliterante) Comum em tabagistas, predomina nas extremidades dos MMII e MMSS. Tromboangetire obliterante: é a obstrução das artérias e veias de pequeno e médio calibre por processo inflamatório que leva à obstrução completa do vaso, devido ao hábito de fumar. Pode necessitar amputação e sua etiologia não é bem definida. EMBOLIA Embolia é uma massa sólida, líquida ou gasosa intravascular desprendida que é levada pelo sangue a um local distante de seu ponto de origem. Maioria dos êmbolos originam de um trombo desalojado Tromboembolia. Êmbolo (do grego, tampão ou rolha), é qualquer corpo estranho à corrente sanguínea ou linfática, transportado por ela e que fica retido em um vaso de calibre menor. TIPOS DE EMBOLIA 1) Embolia Pulmonar 2) Embolia Sistêmica 3) Embolia Líquido Amniótico (infusão) 4) Embolia Gasosa (doença dos caixões) 5) Embolia Gordurosa EMBOLIA PULMONAR Surge de trombos venosos nas veias do MMII, que ascende e é lançado pelas artérias pulmonares. Causa evitável mais comum de óbitos em pacientes hospitalizados, é uma importante complicação da trombose, cuja principal causa é a oclusão de vaso pulmonar de grande ou médio calibre. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 42 95% dos êmbolos pulmonares têm origem veias grandes e profundas dos membros inferiores poplíteas, femoral e ilíaca. Oclusão artéria pulmonar principal, obstrui a bifurcação (êmbolo em sela) Imobilização prolongada estase formação do trombo movimento muscular trombo desprende e ascende coração artérias pulmonares embolia pulmonar morte súbita. É comum ter uma dor pleurítica. EMBOLIA SISTÊMICA Êmbolos que viajam pela circulação arterial: 80 a 85% origem nos trombos intracardíacos 60 a 65 % surgem no VE depois do IAM 5 a 10 % trombos atriais doença reumática 5 % dos casos miocardiopatia Arritmias risco de embolização Fontes menos comuns dos êmbolos Trombos placas ateroscleróticas ulceradas Aneurismas aórticos, próteses valvulares ou aórticas Embolia paradoxal A maioria das lesões do lado esquerdo do coração, com as consequências diretas. EMBOLIA DIRETA Mais frequente. Êmbolos se deslocam no sentido do fluxo sanguíneo. Êmbolos oriundos de artérias ou do lado esquerdo do coração “árvore arterial sistêmica" capilares EMBOLIA SISTÊMICA. Comum em endocardites bacterianas, nas tromboses murais pós I.A.M, nas arterites, na aterosclerose aórtica. Acomete mais frequentemente cérebro,extremidades, baço e rins. Êmbolos oriundos de veias ou lado direito do coração pulmões EMBOLIA PULMONAR Cor pulmonale agudo e morte por hipóxia sistêmica. Forma mais comum e mais letal sendo determinada em 95% dos casos por tromboembolismo dos MMII. O trombo pode ocluir a Artéria pulmonar principal ou ramos arteriais menores Infarto vermelho pulmonar EMBOLIA INDIRETA/CRUZADA/PARADOXAL Embolo passa da circulação arterial para a venosa, ou vice- versa, sem atravessar a rede capilar, por meio da Comunicação Interatrial (CIA), MAV (Malformação arteriovenosa), CIV (Comunicação Interventricular). Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 43 EMBOLIA GORDUROSA Minúsculas gotas de gordura aparecem: Após fraturas e ossos longos (medula gordurosa); queimaduras extensas da pele; traumatismos de partes moles – tecido adiposo; **Comum em lipoaspiração. Gordura atinge circulação através da ruptura dos sinusoides ou vênulas medulares. Somente 1% dos casos os pacientes apresentam sintomas e sinais clínicos conhecidos como a SÍNDROME DA EMBOLIA GORDUROSA. EMBOLIA GASOSA Bolhas de ar ou gás na circulação podem obstruir fluxo vascular Lesão tecidual Ar pode entrar na circulação por: 1. Parto ou aborto: ar é forçado para o interior dos seios venosos uterinos rompidos pela forte contração do útero 2. Pneumotórax: rompimento de grande veia ou artéria ou são penetradas acidentalmente 3. Lesão pulmonar ou da parede torácica: rompimento de uma grandeveia; penetração de ar durante pressão negativa. Comum em traumas torácicos Causa atelectasia pulmonar DOENÇA DOS CAIXÕES OU DA DESCOMPRESSÃO Ocorre em indivíduos expostos a súbitas alterações de pressão atmosférica. Gás é inspirado sob alta pressão. Quantidades aumentadas de gás dissolvido no sangue, nos líquidos teciduais e na gordura. Com descompensação súbita: gases se soltam da solução em formas de bolhas minúsculas, insolúveis (oxigênio é muito solúvel, mas nitrogênio e hélio tendem a persistir e formar êmbolos gasosos). Ar rarefeito, ocorre em indivíduos expostos a súbitas alterações de pressão atmosférica. Gás é inspirado sob alta pressão. Quantidades aumentadas de gás dissolvido no sangue, nos líquidos teciduais e na gordura. EMBOLIA POR LÍQUIDO AMNIOTICO Associada ao parto ou pós-parto imediato Importante causa de mortalidade materna Ocorre subitamente ** Rara. Incidência: 1 em 50.000 partos. 86% de morte Principal causa Infusão do líquido amniótico na circulação materna após laceração das membranas placentárias ou ruptura das veias uterinas e/ou cervicais. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 44 INFARTO Oclusão total de uma artéria conduz a uma área de necrose coagulativa. Oclusão parcial pode causar infarto, mas frequentemente conduz a atrofia. Infarto é uma área de necrose originada em distúrbio circulatório Em geral são causados por redução ou interrupção da circulação arterial, mas há também infartos consequentes à obstrução venosa. De acordo com seu aspecto macroscópico, os infartos dividem-se em anêmicos ou brancos e hemorrágicos ou vermelhos. Infartos são áreas de necrose coagulativa onde o tecido necrótico mantém a estrutura subjacente do órgão, pelo menos até que o reparo se inicie. Isto está em contraste com a necrose liquefativa ou caseosa onde a estrutura subjacente do tecido está perdida. Infarto é uma área circunscrita de necrose tecidual causada por isquemia absoluta prolongada devida a distúrbio da circulação arterial ou venosa. Causa do tromboembolismo geralmente por oclusão arterial. Tipos de infarto Branco (anêmico) Vermelho (hemorrágico) Séptico ou asséptico INFARTO BRANCO Obstrução arterial em órgãos sólidos como coração, rins, baço, fígado possuem circulação terminal (pouca circulação colateral). Área em forma de cunha (ápice para a obstrução e base para o órgão). Início é pálido por falta de sangue e contornos mal definidos, depois coloração branca-amarelada bem delimitada. Infarto se transforma em um abscesso quando há colonização por microrganismos ou em casos de embolia séptica. INFARTO VERMELHO Área avermelhada devido à intensa hemorragia. Em órgãos frouxos pulmão, testículo com rica circulação colateral. Causa: obstrução arterial ou venosa. Área escura, sangrante, friável. FATORES DE RISCO Os fatores condicionantes ao infarto compreendem aqueles que predispõem ao estabelecimento da isquemia. Assim, o estado geral do Sistema Cardiovascular. Anatomia rede vascular (circulação dupla ou paralela, obstrução parcial e/ou total da circulação única, circulação colateral). Vulnerabilidade do tecido a isquemia (tecido nervoso, cardíaco) são alguns exemplos desses fatores. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 45 AULA 6 - INFLAMAÇÃO AGUDA I 27/04/2020 Inflamação é uma resposta complexa do tecido conjuntivo vascularizado. O processo é gerado pela presença de um agente causador de lesão, leva a acúmulos de fluidos e leucócitos nos tecidos extra vasculares. É uma resposta de proteção cuja finalidade é se livrar do organismo causador da lesão celular (toxina, microrganismo) e das consequências dessa lesão, como células e tecidos necróticos. CLASSIFICAÇÃO DAS INFLAMAÇÕES INFLAMAÇÃO AGUDA Predomina fenômenos vasculares-exsudativos (hiperemia ativa patológica, edema, e infiltrado de PMN, principalmente Neutrófilos). Exceção: Hepatite Viral Aguda, infiltrado sempre de mononucleares. INFLAMAÇÃO CRÔNICA Predomina fenômenos proliferativos (Proliferação fibroblástica e angioblástica infiltrado de células Mononucleares, principalmente Linfócitos, Plasmócitos e Macrófagos). Exceção: Osteomielite Crônica, infiltrado é sempre de PMN. Inflamação é sempre necessária à nossa sobrevivência. Para ter uma boa resposta inflamatória Vascularização adequada, porque as células de defesa estão no vaso sanguíneo. O foco da agressão é no interstício, logo, as células de defesa precisam sair do vaso. Ex: Temos pouca rejeição ao transplante de córnea, uma vez que essa não é vascularizada. Tratamento antibioticoterápico Auxilia a resposta do organismo ao diminuir a agressividade do vírus. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 46 A cicatrização é uma tentativa do organismo de “limpar” a área agredida para que um novo tecido se desenvolva. Principais células do processo inflamatório agudo ↓ Neutrófilos Células polinucleares Neutófilos; Eosinófilos e Basófilos VASOS LINFÁTICOS Os vasos linfáticos e os linfonodos drenam e filtram o material existente no interstício e são de importância fundamental no processo inflamatório. Os vasos linfáticos, por não apresentarem membrana basal, são capazes de reabsorver facilmente o líquido de edema e as proteínas do interstício. Válvulas no seu interior impedem o refluxo da linfa. Nos linfonodos, a linfa é exposta aos macrófagos fixos contidos (histiócitos sinusoidais) que fagocitam agentes agressores e outras partículas. Durante este processo pode ocorrer inflamação na parede do vaso linfático (linfangite), e muitas vezes este pode ser visto como uma linha vermelha no seu trajeto sob a pele em direção ao linfonodo de drenagem. Quando o processo inflamatório alcança os linfonodos (linfadenite) estes aumentam de tamanho por causa da hipertrofia e hiperplasia dos folículos linfóides e das células sinusoidais e tornam-se dolorosos. “ÍNGUA” – Linfadenite Os vasos linfáticos captam e levam aos linfonodos, que costumam aumentar durante um processo inflamatório. Os tumores costumam ser espalhados pelas vias linfáticas, para diferenciar, normalmente, a palpação de uma neoplasia no linfonodo não é dolorosa. Na inflamação, costuma ser dolorosa. CAUSAS ENDÓGENAS E EXÓGENAS Causas Exógenas: Tudo que possa agredir o organismo uma vez que esta é uma resposta orgânica a qualquer agressão. Causas Endógenas: Derivadas de degenerações ou necroses tissulares e as derivadas de alterações na resposta imunológica (por imunocomplexo ou autoimune). CAUSAS EXÓGENAS Agentes Físicos: Calor e frio; eletricidade; radiações; sons e ultrasons; gravidade; traumas mecânicos Agentes Químicos: Inorgânicos: Cáusticos, metais pesados, ácidos e álcalis fortes. Orgânicos: Endotoxinas bacterianas, venenos vegetais e animais. Drogas: Aspirina e etc Agentes Biológicos: Infecciosos: Vírus, bactérias, micoplasmas, fungos e protozoários. Parasitários: Helmintos e artrópodes Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 47 TEMPO (DURAÇÃO) AGUDA: de dias a semanas; SUBAGUDA: de semanas a meses; CRÔNICA: de meses (> 3 meses) a anos Anti-inflamatórios Diluem o muco gástrico, facilitando que o suco gástrico entre em contato com a parede estomacal, logo, associa-se a erosões gástricas agudas. INFLAMAÇÃO AGUDA Fenômeno vasculares (Hiperemia-Proliferação de pequenos vasos sanguíneos) e exsudativos (a célula de defesa migra para o exsudato). INFLAMAÇÃO AGUDA é uma resposta inicial e imediata a um agente agressor. Tem duração curta: minutos, horas ou alguns dias. EXSUDAÇÃO de líquidos e proteínas plasmáticase emigração de leucócitos (neutrófilos). Exsudato: Fluído inflamatório extravascular com alta concentração de Proteínas, além de detritos celulares, com densidade acima de 1020. Depende de alteração da permeabilidade vascular. Neutrófilos Relacionado a infecção por bactérias Linfócitos Mononucleares, relacionados a infecção viral Eosinófilos Processos alérgicos e infecção por parasitas. ** As principais células no processo inflamatório crônico são os Macrófagos. INFLAMAÇÃO X INFECÇÃO ↓ ↓ Qualquer agressão ao organismo Presença de um germe Toda a resposta inflamatória ocorre no interstício Pacientes com Diabetes e aterosclerose avançada possuem problemas na vascularização, o que dificulta a resposta inflamatória Células do tecido conjuntivo Mastócitos; Fibroblasto; Macrófago Dentro do vaso Linfócitos; Plaquetas; Eosinófilos; Basófilos; Fatores de coagulação; Sistema complemento; • PUS Proteínas, albumina, bactérias. Bdiarati Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 48 SINAIS CARDINAIS DA INFLAMAÇÃO CELSUS (30 AC - 50 dC) descreveu os Sinais cardinais da inflamação: 1. Tumor 2. Rubor 3. Calor 4. Dor 5. Impotência funcional (Galeno 131-200 dC) O aumento da permeabilidade causado pela inflamação permite saída de um líquido rico em proteínas para o interstício, gerando acúmulo de líquido e gera edema (tumor). Ocorre vasodilatação que leva ao aumento do fluxo sanguíneo caracterizando o calor e o rubor. Dor comprometimento nervos perda da função do órgão. ALTERAÇÕES VASCULARES 1. Vasoconstrição arteriolar dura alguns segundos e é seguida por: 2. Vasodilatação: origina a abertura de novos leitos capilares na área inflamada levando a um aumento do fluxo sanguíneo. A vasodilatação (hiperemia ativa) é responsável pelo rubor e calor do foco inflamatório. Placas brancas na amígdala Inflamação prévia e infecção bacteriana, com formação de Pus. Apêndice supurada Formou pus. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 49 ALTERAÇÕES NO CALIBRE E FLUXO VASCULAR Primeiro ocorre vasoconstrição transitória e, então, vasodilatação provocada pela liberação de histamina pelos mastócitos, estimulados pelo agente lesivo. O aumento de permeabilidade leva ao edema. Com isso, aumenta a concentração de células vermelhas dentro do vaso aumento da viscosidade sanguínea estase da circulação marginação leucocitária. As hemácias têm fluxo axial e os leucócitos, fluxo mais marginal. Com a estase, os leucócitos tendem ainda mais a fazer marginação leucocitária. Lentidão do fluxo Permite a migração das células de defesa. ALTERAÇÕES NA PERMEABILIDADE VASCULAR A vasodilatação leva a uma maior lentidão da corrente circulatória, originando AUMENTO DA PERMEABILIDADE DA MICROCIRCULAÇÃO, permitindo saída de água, eletrólitos, proteínas de baixo e alto peso molecular, fibrina e fibrinogênio para o interstício forma o EXSUDATO. Resulta em consequência numa maior concentração de hemácias dentro dos vasos levando a um AUMENTO DA VISCOSIDADE sanguínea (hiperemia). EXSUDAÇÃO DE CÉLULAS (MIGRAÇÃO) Maior para Neutrófilos e Monócitos; mais intensa em vênulas, mas ocorre em capilares. Leucocitose local: Dilatação da rede capilar e liberação de células inflamatórias MO. Marginação leucocitária: Acúmulo de leucócitos dentro do vaso, próximo ao endotélio no fluxo sanguíneo normal leucócitos localizam num eixo central. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 50 Aderência ou pavimentação leucocitária: Ligação dos leucócitos (PMN e Monócitos) às células do endotélio do vaso, modulada por mediadores químicos produzidos na inflamação. Diapedese leucocitária ou transmigração: Leucócito passa através dos “poros interendoteliais “ e desloca ao longo da membrana basal até encontrar descontinuidade desta ou liberar enzimas ativas nesta. Pseudópodo: Projeções na periferia leucócitos para sua locomoção. Migração para o foco inflamatório: A quimiotaxia orienta o deslocamento celular, preparando para a fagocitose. CÉLULAS INFLAMATÓRIAS Leucócitos são divididos em dois grupos: GRANULÓCITOS (polimorfonucleares) Neutrófilos Eosinófilos Basófilos AGRANULÓCITOS (mononucleares) Linfócitos Monócitos LEUCÓCITOS: AGREGAÇÃO Os leucócitos se acumulam no foco inflamatório seguindo uma sequência cronológica característica: Neutrófilos Monócitos Linfócitos e plasmócitos NEUTRÓFILOS Célula principal 60-70% leucócitos São bastonetes ou segmentados (3-5 %) Possuem núcleo azul-escuro com 3 a 5 lobos interligados por filamentos delicados granulações citoplasmáticas específicas pequenas. São importantes na defesa contra os microrganismos, emitem pseudópodos que fagocitam o invasor, formando um vacúolo onde serão liberados os grânulos de enzimas digestivas, ocorrendo a destruição do invasor. **Aumento no número de neutrófilos em bastonete indica infecção aguda. Surgem no estado inicial de quase todas as reações inflamatórias agudas, especialmente nas infecções bacterianas que produzem pus. **Desaparecem rapidamente porque morre após exercer sua função, que é a fagocitose. BRONCOPNEUMONIA Broncopneumonia = Pneumonia que acomete o brônquio Células de defesa migram para o alvéolo, quando este é invadido por um microrganismo, causando hiperemia regional e formação de um material purulento liberado na forma de escarro esverdeado. Escarro esverdeado = Pus Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 51 MIOCARDIOPATIA CHAGÁSICA AGUDA O protozoário penetra na fibra muscular, que é uma célula permanente e não se regenera. Causa um grande acúmulo de pus, o que impede a propagação do impulso nervoso no coração, pode causar uma parada cardíaca. Se a pessoa sobrevive a essa fase, torna-se crônica e aparece fibrose nessa região. Extrasístole é comum na Doença de Chagas. EOSINÓFILOS Possuem núcleo bilobulado e granulações grandes e eosinófilas. Sua função é a mesma dos neutrófilos, porém eles não fagocitam o invasor e, para matá-los, liberam o conteúdo dos grânulos no meio extracelular. Ligados a fenômenos alérgicos e parasitários. Liga-se diretamente a fenômenos alérgicos, uma vez que a histamina liberada “chama” mais eosinófilos para a região. Por isso usamos anti-histamínicos em processos alérgicos. BASOFILOS Possuem núcleo volumoso, seus grânulos são bem grandes e contêm Histamina e fatores quimiotáticos para neutrófilos e eosinófilos. LINFÓCITOS Predominam infecções viróticas Citoplasma escasso; Núcleo ocupa praticamente toda a sua área. Apesar da morfologia semelhante, os linfócitos são muito diferentes entre si devido às proteínas que se localizam na membrana. Linfócitos B Secretam anticorpos especialmente IgE. Linfócitos T Facilitam secreção IgE. LT (CD8+) atacam células que contêm vírus em seu interior por reconhecer Ag virais na membrana celular provocando sua lise libera os vírus que estavam no seu interior Atuam como opsoninas: facilitadores de fagocitose. AIDS Vírus atinge os linfócitos T, dificulta a opsonização, assim, a célula para de reconhecer os antígenos infecciosos. MONÓCITOS São as maiores células sanguíneas circulantes, apresentam núcleo ovoide e excêntrico. Essa célula, enquanto está circulante no plasma, passa por um Processo de maturação. Quando a maturação está completa, ela atravessa a parede de capilares e vênulas e transforma-se no macrófago, célula com grande capacidade fagocitária. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes52 Nos tecidos existem células semelhantes denominadas histiócitos. Quando ativados são denominados também de macrófagos **São mais resistentes e podem sobreviver várias semanas. Podem multiplicar-se nos tecidos e transformar-se em macrófagos mononucleares, bem como em células epitelióides e fibroblastos. Principal célula do processo inflamatório crônico Macrófagos (atua melhor no tec. Conjuntivo) Macrófago = Monócito no tecido conjuntivo *Cicatriz da BCG Coroa de macrófagos Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 53 AULA 7 – INFLAMAÇÃO AGUDA II 04/05/2020 TIPOS DE INFLAMAÇÃO 1. SEROSA Vesículas e bolhas; o exsudato produzido é seroso, límpido e pobre em células. A inflamação circunscrita, epitélio de revestimento. Mais comum, mais discreta; exemplo: queimadura; não é extenso, geralmente, cura-se espontaneamente. 2. MUCOSA OU CATARRAL Exsudato produzido é viscoso, alto teor de mucina. Muito comum em regiões com epitélio secretório, ex: aparelho respiratório. **Pus/catarro processo infeccioso bacteriano 3. HEMORRÁGICA Exsudato é avermelhado e rico em hemácias. Presente em grandes traumatismos, falência múltipla de órgãos, por exemplo. Geralmente, muito grave. 4. FIBRINOSA Um exemplo é a pericardite fibrinosa. Exsudato produzido é filamentoso, rico em fibrina. **Substância gelada Diminui a motilidade dos cílios, facilita infecções devido a menor função dessas estruturas. INFLAMAÇÃO FIBRINOSA Se caracteriza pela saída dos vasos de grande quantidade de fibrinogênio, o qual coagula nos tecidos e forma a fibrina. Pulmão (pneumonia lobar) Serosas (pleura, pericárdio) A inflamação é seguida por cicatrização, ou seja, fibrose, que é a proliferação de tecido conjuntivo fibroso. Corticoide (anti-inflamatório) Diminui os efeitos deletérios da cicatrização, necessário em algumas situações, como inflamações no SNC, onde uma fibrose seria extremamente prejudicial. Exsudato purulento em cavidades, como a pericárdica Tentativa de cicatrização degradando a albumina à fibrina, causando fibrose que forma aderências, “pontes de ligação”, entre o pericárdio visceral e parietal. Em casos de grande infecção, normalmente, pode ser necessário a colocação de dreno, para que o material purulento não sofra cicatrização. O coração pode parar por tamponamento. **Isso pode ocorrer também com frequência no peritônio, causando aderências intestinais. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 54 INFLAMAÇÃO PURULENTA Exsudato é constituído exclusivamente por leucócitos, sendo muito menor a proporção de líquido e muito escassa a fibrina. É grande o número de leucócitos polimorfonucleares vivos ou mortos e células necróticas. Deste modo, se constitui uma massa celular chamada PÚS. Os leucócitos em vias de destruição recebem nome de PIÓCITOS. Exsudato é amarelo-esverdeado, rico em PMN vivos e mortos (Piócitos) e células necróticas. PÚSTULA: Inflamação exsudativa circunscrita da camada superficial da derme (5,0 mm). FURÚNCULO: Inflamação exsudativa circunscrita na derme ou hipoderme, afetando folículo piloso, associado com infecções com Staphylococcus aureus. Manipular a pele sem a higienização adequada, portanto, pode predispor a essa infecção. Comum nas nádegas. O furúnculo é um abcesso. ANTRAZ: Conjunto de furúnculos (confluentes) com necrose de superfície externa e de tecidos que o circunscreve. Trata-se de um processo grave. **Substrato característico da infecção bacteriana. Supuração Formação de pus Espinha Formação de pus; é supuração Muito líquido e pouca fibrina nesse caso, porque ainda não houve tempo para a cicatrização de imediato. PUS Resto de leucócitos, líquido, fibrina, bactérias ABCESSO Inflamação circunscrita (abscedante) caracterizada por: Cavidade neoformada (às custas de necrose liquefativa, devido à ação das lisosimas dos PMN) e pus (exsudato purulento). Membrana piogênica (parede interna da cápsula do abscesso, rica em PMN, fonte da exsudação) Membrana externa ou cápsula propriamente dita, constituída de Tecido conjuntivo fibroso. Abscesso pode evoluir para fistulização, drenagem e cicatrização, ou para formação de cisto e calcificação. Coleção localizada de pus; é circundado por tecido conjuntivo, formando uma cápsula, que impede que as bactérias atinjam os tecidos adjacentes, mas essa cápsula também impede a ação dos medicamentos, portanto, todo abcesso deve ser drenado cirurgicamente, para evitar que forme fístulas (comunicação com áreas externas ou outros órgãos). Ao espremer Pode romper a parede, liberando o material purulento aos tecidos adjacentes, causando uma inflamação generalizada. Abcesso quente Reação inflamatória; hiperemia; processo ativo; quente; deve evitar de se manipular nesse estágio, para evitar o rompimento da parede. Administrar anti-inflamatório e antibiótico para diminuir a inflamação ao redor do abcesso. Abcesso frio O processo já está em condição que permite manipulação, as paredes já estão mais resistentes. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 55 EMPIEMA Pus em cavidades já formadas como a Pleura; vesícula biliar; peritônio As inflamações purulentas são produzidas quase que exclusivamente por bactérias, especialmente os estáfilococos e estreptococos (cocos piógenos). Nomenclatura: Prefixo ”PIO” + termo: designativo da cavidade afetada: Piotórax, Piosalpinge, Pioperitônio, Pioartrose. INFLAMAÇÃO EROSIVA EROSÃO é sempre superficial, só compromete o epitélio, que é constituído de células lábeis e é avascular, que se cicatriza completamente, não atinge o tecido conjuntivo. ULCERAÇÃO sempre tem cicatriz, porque causa fibrose, atinge o tecido conjuntivo. EROSIVA: Típica de epitélios de revestimento (pele, mucosas), com degeneração, necrose, não atinge a submucosa ULCERATIVA: Típica de epitélios de revestimento (pele e mucosas), com degeneração, necrose profunda, ocorre solução de continuidade da mucosa, atingindo a submucosa e provoca hemorragias. **É possível aproximar as bordas de uma lesão, por exemplo, após um processo cirúrgico. Não ocorre perda de tecido, a cicatriz será regular. Cicatrização de segunda intenção Quando não é possível aproximar as bordas, novo tecido precisa ser formado para substituir a área destruída, a cicatriz não é “tão perfeita” e é irregular, após um acidente automobilístico, por exemplo. **Úlcera péptica que destrói o músculo Os músculos são células permanentes, quando atingidos com formação de fibrose, o impulso nervoso deixa de ser transmitido e de estimular o músculo e ocorre dificuldade para esvaziamento gástrico. O HCl que cair no peritônio pode lesar outras estruturas, como o pâncreas, causando uma pancreatite futura ou lesão do próprio peritônio, causando um pneumoperitônio. EROSIVA: ULCERATIVA: Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 56 FATORES QUIMIOTÁTICOS DA INFLAMAÇÃO Para haver inflamação, os leucócitos precisam ser direcionados para o local agredido pelos fatores quimiotáticos, que podem ser exógenos (a própria bactéria, por exemplo) ou endógeno (sistema complemento). Promovem movimentação dos leucócitos para o local da lesão. O leucócito se move por pseudopodes, que possuem actina e miosina proteínas reguladoras da actina (filamina e calmodulina) Os fatores podem ser exógenos ou endógenos. Exógenos mais comuns: são os produtos bacterianos, que podem ter natureza proteica ou lipídica. Endógenos: componentes do sistema complemento (ex. C5a), produtos do cicloda lipoxigenase (ex. leucotrieno B4) e citocinas (ex. IL- 8). FAGOCITOSE Finalidade do processo inflamatório. Caracteriza pelo englobamento de partículas, emissão de pseudópodes (lamelipódios), originando o fagosoma. Presença de proteínas desnaturadas na superfície das partículas, que reagem com receptores de membrana do fagócito. Opsonização (Aderência de opsoninas – IgG3 e Fragmento C3), que facilitem o reconhecimento das partículas a serem fagocitadas através de reações com receptores de membrana de fagócitos. FASES DA FAGOCITOSE Fases: 1. Reconhecimento e adesão; 2. Ingestão; 3. Destruição e/ou degradação RECONHECIMENTO Os microrganismos são RECONHECIDOS por: a- Neutrófilos (micrófagos) b- Macrófagos (Quando são revestidos por um fator natural do soro: as opsoninas- IgG e C3b) ENGLOBAMENTO DA PARTÍCULA: Após contato há emissão de pseudópodes e o deslocamento lisosômico. O resultado final será o englobamento da partícula e a liberação das enzimas lisossômicas no fagossoma. DIGESTÃO ENZIMÁTICA DO FAGOSSOMA Formação do corpo residual e exocitose MEDIADORES QUÍMICOS DA INFLAMAÇÃO Substâncias químicas produzidas durante a inflamação que modulam os processos vasculares e a ativação leucocitária. Aminas vasoativas: Histamina e Serotonina A histamina encontra-se em mastócitos e é liberada na fase imediata ou inicial da inflamação provocando vasodilatação e aumento de permeabilidade. A serotonina encontra-se no interior de plaquetas e promove aumento da permeabilidade. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 57 CININAS OU PEPTÍDEOS BÁSICOS: Modulam processos vasculares e leucocitários. Bradicininas Calicreína (Fator Ativador do Plasminogênio) PROSTAGLANDINAS: Provocam vasodilatação, inibição de agregação plaquetária. Responsável pela dor e febre. ** Drogas anti-inflamatórias não esteróides como aspirina agem bloqueando a síntese de prostaglandinas inibem a ciclooxigenase.(C0X) Mulheres com cólica menstrual medicamentos que estabilizam ou diminuem a síntese de prostaglandinas. FATORES SISTÊMICOS EM UMA INFLAMAÇÃO AGUDA FEBRE É um mecanismo de defesa, causado por: Pirógenos exógenos (toxinas bacterianas); Pirógenos endógenos derivados da degradação celular liberados na fagocitose; reações Ag-Ac nas necroses, e em neoplasias. É produzida como resposta a pirógenos que provocam a liberação de mediadores que agem no hipotálamo, desencadeando a liberação de neurotransmissores que reprogramam o nosso termostato corporal para uma temperatura mais alta. Sempre patológico; relacionada a um produto que está caindo na corrente sanguínea e que estimulam o centro de temperatura corporal no hipotálamo, normalmente, bactérias ou toxinas. Quanto mais elevada a febre, maior o risco. LEUCOCITOSE LEUCOGRAMA Importante na inflamação aguda Leucocitose é o aumento da taxa de leucócitos no sangue. A contagem de leucócitos varia de 4.000 a 10.000/ml. DESVIO à ESQUERDA: Ao analisar-se um hemograma percebe-se que há um aumento no número de neutrófilos em bastonete caracterizando uma infecção aguda. NEUTROFILIA: Aumento número de leucócitos neutrófilos no sangue. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 58 NEUTROPENIA: Baixa número de leucócitos neutrófilos no sangue. EOSINOFILIA: Aumento número de leucócitos eosinófilos no sangue. **Leucopenia Leucócitos abaixo de 4.000/ml ** Deve estar sempre associado a clínica, pois uma contagem de 9.000/ml em uma pessoa imunodeprimida pode demonstrar um aumento nos leucócitos. Neutrófilos jovens são chamados de Bastonetes, apresentam apenas um núcleo. Quando amadurecem, tornam-se segmentados, com mais núcleos e são liberados pela medula óssea para atuar na defesa do organismo. Processo infeccioso grave a medula óssea começa a mandar os “jovens” para a guerra, os jovens no caso seriam as células bastonetes, causando um desvio à esquerda. INTRODUÇÃO SOBRE INFLAMAÇÃO CRÔNICA Inflamação crônica surge por vários fatores: 1) Inflamação Aguda: Persistência agente causador 2) Surtos repetidos inflamação aguda: Acontece muito em órgãos ocos: Colecistite, Pielonefrite e etc. 3) Início insidioso: Surge lentamente; resposta inflamatória de baixa intensidade. 4) Infecção persistente: Agentes Intracelulares: Tuberculose, Vírus de baixo poder de agressividade 5) Exposição prolongada substâncias tóxicas: Doenças profissionais, como a Silicose (sílica), Asbestose (fibras de amianto) 6) Reações imunológicas - doenças autoimunes: L.E.S, Artrite Reumatoide; Tireoidite de Hashimoto e etc ** As manifestações clínicas costumam ser discretas. TECIDOS DE GRANULAÇÃO – GRANULOMA PIOGÊNICO Logo no início da inflamação, a proliferação de fibroblastos e células endoteliais vasculares, formando pequenos vasos sanguíneos, constituem o TECIDO DE GRANULAÇÃO. Os vasos se formam por brotamentos de vasos pré existentes (angiogênese). Tecido de granulação = Hemangioma de granulação, formados em locais que são continuamente agredidos (lesão elevada, formada em locais que sofrem traumas contínuos). INFLAMAÇÃO GRANULOMATOSA Inflamações que formam granulomas (nódulos 0,5-2,0 mm), profileração de macrófagos. CÉLULAS DO GRANULOMA 1) Macrófagos (PRINCIPAIS) 2) Células epitelióides (macrófagos modificados p/ fagocitose) 3) Células gigantes Langhans e corpo estranho 4) Linfócitos, plasmócitos 5) Eosinófilos Infecções parasitárias (esquistossomose) Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 59 IMUNOGRANULOMA Causado por agentes alta antigenicidade, como ocorre na cicatriz da vacina BCG. Resposta imunitária retardada Linfócitos T estimulam formação células epitelióides e células gigantes Granuloma surge por: Irritantes pouco digeríveis (corpos estranhos) Microrganismos antigênicos (bacilo da tuberculose) Inflamação granulomatosa é chamada de específica INFLAMAÇÃO CRÔNICA GRANULOMATOSA 1. Infiltrado mononuclear: Macrófagos, linfócitos, plasmócitos 2. Proliferação fibroblastos e pequenos vasos sanguíneos 3. Aumento do tecido conjuntivo: Fibrose > cicatrização 4. Destruição tissular ARQUITETURA DO GRANULOMA 1) CENTRO: Necrose caseosa e células gigantes 2) AO REDOR: Células epitelióides 3) ADJACENTE: Macrófagos envelhecidos 4) EXTERNAMENTE: Linfócitos T (manto linfocitário) ** Quanto maior a necrose no centro, maior a gravidade. MACRÓFAGO: Célula mais importante da inflamação crônica: Migram 48 h após a lesão. CÉLULAS GIGANTES: As Células de Langhans, núcleos em ferradura na periferia, são mais associadas à tbc ou hanseníase. Enquanto, as células do tipo corpo estranho, núcleos estão localizados de forma anárquica, causados pelo Schistossoma mansoni; pedaço de madeira, vidro e etc. Sua origem ainda é indeterminada: um macrófago que sofreu várias mitoses ou macrófagos que sofreram fusão? Isso ocorre para aumentar a capacidade de fagocitose, fato. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 60 INFLAMAÇÕES GRANULOMATOSAS MAIS COMUNS 1) TUBERCULOSE (tbc) Muito comum onde existe miséria Contaminação: via inalatória Tbc primária, secundária, miliar 2) BLASTOMICOSE SUL AMERICANA Fungo oportunista Contaminação: via inalatória, cutânea e mucosas Criptococcose (Blastomicose sul americana) : Doença fúngica que é transmitida pelos pombos, que penetra nos vasos sanguíneos pulmonares e vai para o SNC Meningite criptococcócica ( Comum em pessoas com AIDS). 3) ESQUISTOSSOMOSE Hipertensão portal: varizes de esôfago Hepatoesplenomegalia 4) HANSENÍASE Tipos: MHI – MHT- MHV - MHD **Sempre que se fala em Inflamação granulomatosa,entende-se que ela é específica, logo, o agente causador deve ser identificado. Os vasos se formam por brotamentos de vasos pré- existentes (angiogênese). Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 61 AULA 8 – INFLAMAÇÃO CRÔNICA E GRANULOMATOSA I 11/05/2020 TUBERCULOSE Transmitida por um bacilo de distribuição geográfica mundial, mais comum em regiões de baixos níveis socioeconômicos, miséria., portanto, é uma doença infecciosa crônica de distribuição mundial. LEMBRANDO: Reação inflamatória granulomatosa só surge em pessoas que apresentam anticorpos, logo, crianças de baixo peso ou desnutridas não devem ser vacinadas para evitar uma reação vacinal (tuberculose vacinal). TRANSMISSÃO 1. Inalação afeta principalmente pulmões (ápice). Região pulmonar mais acometida: Ápice pulmonar, logo abaixo das clavículas, pois o bacilo é extremamente exigente, ele necessita de uma quantidade alta e pura de oxigênio, o seja, demanda alta de PO2. ** Antigamente, enviavam tuberculosos para altitudes elevadas, como as montanhas de MG, uma vez que regiões com maiores altitudes apresentam oxigênio mais rarefeito, logo, a doença não evoluía tão rapidamente. 2. Leite contaminado Existe um outro tipo de bacilo, acometia os bovinos e contaminava o leite, que, ao ser consumido, contaminava o indivíduo. Atualmente, é menos comum essa via de infecção pela pasteurização do leite. Esse tipo de contaminação costuma causar a tuberculose intestinal (BAAR), que também é grave. Porém, a tuberculose intestinal ainda pode ocorrer quando o paciente deglute o escarro contaminado, oriundo dos pulmões, ou seja, uma autoinfecção. O bacilo resiste ao suco gástrico e se fixa na parede do intestino delgado. BAAR: Bacilo álcool ácido resistente., ou seja, resiste ao suco gástrico. Os Bacilos viáveis de semanas a meses escarro úmido, especialmente em climas úmidos. Quando o escarro seca no meio ambiente, o bacilo não é destruído, ele é carreado pelo vento e pode contaminar outra pessoa por via inalatória. FATORES PREDISPONENTES: Diabetes; Alcoolismo; Desnutrição; Doença pulmonar crônica (silicose); Linfomas; Aids PATOGENIA Lipídios e carboidratos parede celular do bacilo de Koch especialmente a cera d (glicolipídio) aumenta a virulência Esse bacilo contém, em sua superfície, um glicolipideo, chamado de CERA D, que confere maior virulência ao microrganismo. Esse invólucro pode ser mais espesso ou mais frágil. A antibioticoterapia para tuberculose costuma agir nessa CERA D para fragilizar o invólucro, permitindo ao sistema imune a fagocitose desse bacilo. **PPD positivo para o resto da vida: surge inflamação granulomatosa por um contato prévio - exceto aidético. Não quer dizer que a pessoa nunca terá a doença após a vacinação, mas, normalmente, quando o paciente desenvolve a doença, ela ocorre de maneira mais branda. O PPD negativo existe em pessoas que podem ser virgens de contato (mais raro); pacientes com AIDS; pacientes desnutridos; pacientes com CA avançado; tratamento oncológico; diabetes e etc. PPD= Derivado proteico purificado A tuberculose chamada antigamente de peste cinzenta, é conhecida também em português como tísica Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 62 pulmonar é uma das doenças infecciosas documentadas desde a mais longa data e que continua a afligir a humanidade nos dias atuais. Agente causador: Micobacterium Tuberculosis, também conhecido como bacilo de Koch(BK), em virtude de ter sido identificado, em 1882, por um médico alemão Robert Koch. Período de incubação: 4 a 6 semanas após a infecção para a detecção das lesões primárias. É UMA DOENÇA DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA. Áreas escuras no RX: Hipertransparência, os raios passam com facilidade pela estrutura; tecidos moles. Ex: Pulmões. Áreas claras no RX: Hipotransparência, os raios têm dificuldade para atravessar a estrutura; tecidos rígidos. Ex: Ossos; coração ** Assim, se eu encontrar uma área sólida onde deveria haver hipertransparência, indica que há algo anormal e vice-versa. A obstrução do seio costofrênico significa que há acúmulo de líquidos naquela região, seja sangue ou pus, por exemplo. CAVERNA TUBERCULOSA Alteração observada no ápice pulmonar, é uma área de consolidação. Esbranquiçada nas bordas com centro cístico. É formada da seguinte forma: Conforme o bacilo destrói o parênquima pulmonar, a necrose caseosa vai se formando. Quando o doente tem a lesão confinada só ao parênquima pulmonar, ele praticamente não tem sintomas, mas quando atinge um ramo do brônquio, árvore respiratória superior, ocorre o reflexo da tosse. Esse bacilo quando está confinado ao parênquima (lesão fechada) apresente menor transmissibilidade. Porém, uma vez que esse bacilo atinge um ramo do brônquio, o paciente se torna contaminante, assim, esse material da necrose caseosa consegue atingir o meio exterior. Portanto, a formação da caverna se dá pela drenagem do material necrótico, que estava presente no parênquima pulmonar, em decorrência da agressividade e destruição do bacilo. Consequentemente, esse material, quando encontra um canal, é eliminado para o meio exterior, sobrando o espaço vazio. Logo, só ocorre a formação da caverna quando a lesão se torna aberta, ou seja, se comunica com os brônquios CAVERNA TUBERCULOSA Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 63 e o material tem possibilidade de ser lançado para o meio exterior. A necrose é progressiva, pode atingir os brônquios e os vasos sanguíneos, causando hemoptise ou hemoptoicos (escarro com raios de sangue). A gravidade da doença está relacionada à extensão da destruição causada pelo bacilo ao parênquima pulmonar. O granuloma é uma tentativa do organismo de confinar o bacilo. Enquanto houver granuloma, ocorre resposta imune. TUBERCULOSE PRIMÁRIA Primeiro contato do paciente (ex. a tubérculos primária pode ser via vacinação); geralmente assintomática. Costuma formar um nódulo confinado ao ápice, é uma reação inflamatória orgânica que forma uma fibrose ao redor, para evitar a disseminação do bacilo, o nome desse nódulo que compromete apenas o pulmão é Nódulo de Ghon. Caso os linfonodos também sejam acometidos, chama-se Complexo de Ghon. TUBERCULOSE SECUNDÁRIA (PÓS- PRIMÁRIA) infecção ativa em paciente sensibilizado endógena mais comum (reativação do foco). Inicia- se nos segmentos apicais e posteriores pulmonares, muito próximo à pleura, irritando as células mesoteliais que produzem líquido pleural, causando derrame pleural, o que culmina em um colabamento pulmonar, atelectasia, dispneia, diminuição de murmúrio, expansibilidade comprometida no lado acometido, macicez à percussão. Febre (mais evidente à tarde): geralmente baixa e persistente. Suores noturnos Hemoptise Tosse (escarro com raias de sangue) = Hemoptoicos Derrame pleural (jovem = tbc) Fraqueza, anorexia, emagrecimento ** A principal causa de derrame pleural em pacientes jovens é a tuberculose. RX tórax : Hipotransparência aparece próximo da clavícula. Microscopia: granulomas coalescentes típicos: necrose caseosa. Tuberculose cavitária Tuberculose miliar Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 64 TUBERCULOSE PLEURAL Forma mais comum da Tbc extrapulmonar (40%). Ocorre em jovens, geralmente unilateral. Na era pré quimioterapia, 60% evoluía para a cura, mas 60% reativavam. Clínica: Dor torácica ventilatório dependente Tosse seca e dispneia (dependendo do volume). Diagnóstico: É fundamental a punção biópsia pleural. AP do fragmento; citologia,bioquímica e bacteriologia do líquido coletado. TUBERCULOSE GANGLIONAR Mais frequente em crianças e mulheres; aumento linfodenal, que pode ser unilateral- lesão local ou bilateral- lesão sistêmica. Linfonodos moles (devido à necrose caseosa) e dolorosos à palpação. Comum em imunodeprimidos (portadores do HIV). Cadeias ganglionares mais afetadas: Cervical (uni ou bilateral) e mediastinal. Clínica: Linfadenomegalia que evolui com aumento de volume, coalescente e com aderência aos planos profundos. Podem abrir com eliminação de caseum (escrófulo). Diagnóstico: Histopatologia (biópsia) ou Citopatologia (do aspirado). Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 65 TUBERCULOSE MILIAR É o tipo mais grave, dissemina-se de forma difusa, formando múltiplos granulomas (aspecto de milho): Arquétipo da tuberculose extrapulmonar. Depende da descarga bacilar hematogênica. Ocorre em crianças, idosos e imunodeprimidos. Clínica com duas apresentações: 1. Pulmonar: tosse seca e dispnéia 2. Sistêmica: quadro consumptivo, sendo o SNC comprometido em 30%. Se o bacilo se infiltrar pelo parênquima e comprometer ramos da artéria pulmonar, eles serão lançados dentro do pulmão e ali ficarão confinados. Mas, se os bacilos comprometerem as veias pulmonares serão lançados na circulação sistêmica, Diagnóstico diferencial para achados micronodulares ao RX: Metástase de câncer pulmonar; sarcoidose. Diagnóstico: RX de tórax (granulia ou coalescência) Biópsia transbrônquica (AP de granuloma). Baciloscopia pobre, cultura com baixo rendimento. MAL DE POTT Tuberculose de coluna vertebral, geralmente, por extensão direta da lesão pulmonar. Acomete as vértebras da coluna vertebral. A Tuberculose, hoje, tem cura, é tratado a nível ambulatorial, por cerca de 6 meses a 1 ano. É essencial que o paciente não abandone o tratamento durante esse tempo, logo, os agentes de saúde devem estar atentos para garantir que essa medicação seja corretamente utilizada. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 66 ESQUISTOSSOMOSE Agente etiológico: Shistossoma mansoni Adultos vivos: ausência reações teciduais Esquistossomos mortos granulomas O casal de vermes adultos vive na veia porta, formada pela veia mesentérica superior e esplênica, que direciona o sangue para o fígado, para que seja desintoxicado. Assim, os ovos do casal seguem para o fígado e fixam-se nas veias pelas espículas, causando inflamação na íntima das veias, flebite, que, com o tempo, vai causando fibrose, que obstrui a luz da veia. A veia porta apresentam comunicação, anastomose, com as veias do plexo hemorroidário, do plexo umbilical e, principalmente, do plexo esofágico (veias do 1/3 inferior do esôfago). Tríade portal: Artéria hepática; canalículos biliares e Veia porta. Morfologia das lesões Baço e fígado: forma hepatoesplênica Intestinos SNC Fígado: Fibrose esquistossomótica (Symmers) Parênquima normal Hipertensão portal pré-sinusoidal Obliteração ramos portais pelos ovos Inf. espículas com cicatrização e fibrose HIPERTENSÃO PORTAL Causada pela obstrução da veia porta pelas fibroses, o sangue fica retornado. Imediatamente, ocorre aumento do baço (esplenomegalia), consequentemente, ocorrem varizes esofágicas, em decorrência da disseminação da pressão pelas colaterais portais. Essas varizes são a principal causa de morte em pessoas com esquistossomose. Esplenomegalia esclerocongestiva (esclero – fibrose; congestiva – sangue congesto) Varizes esofágicas Colaterais venosas (hemorróidas/umbilical) Ascite (hipoproteinemia) – raramente. ** Para desenvolver ascite na esquistossomose é necessário haver hipoproteinemia associada. O ovo é um corpo estranho ao organismo, assim, a reação inflamatória surge em torno desse ovo, predomina, então, as células do tipo corpo estranho (ao contrário da tbc, que predomina as Células de Langhans). Além disso, muitos eosinófilos estão presentes no local da fibrose esquistossomótica. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 67 Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 68 AULA 9 – INFLAMAÇÃO CRÔNICA E GRANULOMATOSA II 16/05/2020 HANSENÍASE Agente etiológico: Mycobacterium leprae Lepra (característica bíblica de punição) ≠ Hanseníase Doença frequente no Brasil. Normalmente: lesões brancas e sem sensibilidade. Tipos 1. Indeterminada (MHI) 2. Tuberculóide (MHT) 3. Lepromatosa ou virchowiana (MHV) - mais grave 4. Dimorfa (MHD) M. leprae pouco infectante, assim, para a infecção, o contato deve ser frequente e contínuo (décadas). Todos os familiares devem ser investigados quando um dos membros é diagnosticado. AFETA: pele partes “frias” do corpo nervos periféricos, uma vez que o microrganismo tem um grande tropismo pelas terminações nervosas, motoras e sensitivas. Além disso, esse bacilo não consegue sobreviver a temperaturas acima de 37,5º C, por isso, costuma colonizar as partes “frias” dos corpo, como a pele, mucosas, testículo ou o fígado (muito raramente). Sem tratamento: lesões incapacitantes ou deformantes REAÇÃO DE MITSUDA OU (LEPROMINA-REAÇÃO) Ag.usado suspensão autoclavada de M.leprae injeta (intradérmico) 0,1 ml Ag. de Mitsuda (antebraço). Teste Mitsuda positivo: Reação nodular (21–28 dias): Reação Mitsuda Negativo: ausência de reação Duvidosa: diâmetro menor 3,0 mm Positiva fraca: diâmetro de 3,0–5,0 mm Positiva intensa: ulceração do nódulo ** É de se esperar que o teste dê positivo, significa que o paciente tem sensibilidade, anticorpos, para a doença. Isso não significa que ele está doente. Quando o teste é negativo, devo considerar, como no PPD, pessoas imunodeficientes, desnutridas e etc. Anatomopatológico: granulomas tuberculóides 80–90 % pessoas sadias Mitsuda positivo ausência doença Importância teste MITSUDA Determinação forma clínica Prognóstico resposta ao tratamento BCG confere 50 % proteção ao M.leprae Avaliação da resposta terapêutica: Paciente com MHT com Mitsuda intenso positivo, começa a ser tratado com determinado medicamento. Após um tempo, repete-se o teste: se der positivo fraco, o medicamento está apresentando boa atuação, se for negativo, ou o paciente está imunocomprometido ou o medicamento não está tendo uma atuação satisfatória. Forma grave da doença + resposta imune negativa = se positivar após a medicação, o medicamento apresenta resposta satisfatória. Quanto maior o número de bacilos = maior a gravidade da doença, pois o que causa a manifestação clínica é a bactéria. **Pacientes vacinados contra a tuberculose são parcialmente protegidos da hanseníase. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 69 MHI (INDETERMINADA) Máculas hipocrômicas, bordas eritematosas Hipoanestésicas ou anestésicas Anidrose e alopecia regional Perda da sensibilidade tátil, térmica e dolorosa (é uma maneira útil para diferenciar de micoses). Forma inicial: evolui espontaneamente para a cura na maioria dos casos e para as outras formas da doença em cerca de 25% dos casos. MICROSCOPIA Inflamação linfocitária Peri-anexial Peri-neural ou intraneural Peri-vascular Lesão pode regredir ou evoluir MHT Mitsuda positivo ou negativo. MHV bacilos escassos ou ausentes MHV (LEPROMATOSA) Hanseníase histórica, biblíca, “maligna” – forma mais agressiva. Observa-se os lepromas (nódulos) globias (bacilos) – proliferação de bacilos na superfície cutânea. •Teste Mitsuda negativo. Células de Virchow (macrófagos espumosos; repleto de bacilos) Acomete: pele, mucosas, troncos nervosos, fígado, baço, olhos, testículo ( atrofia das células germinativas esterilidade ; redução na produção de testosterona- pode causar ginecomastia, uma vez que o estrogênio irá prevalecer). Única forma que pode comprometer órgãos internos, como fígado e baço, e mucosas, como a conjuntival, causando neurite óptica MACROSCOPIA Lesões cutâneas (face, orelhas, nariz) fácies leonina Mal perfurante plantar e paralisias MICROSCOPIA - MHV Atrofia cutânea com faixa de Unna Globias e células de Virchow Baciloscopia fortemente positiva Hanseníase é a única doença que apresenta comprometimento de anexos cutâneos, de vasos sanguíneos e de terminações nervosas. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 70 5 camadas da pele: camada basal; escamosa; granulosa; lúcida e córnea (células mortas sem núcleo) Os bacilos, ao se proliferarem, causam atrofia da pele, fica bem fina, ocorre redução progressiva das papilas, e os nódulos vão “empurrando a pele” para a porção superior. NÃO EXISTE PRURIDO. Forma a FAIXA DE UNNA (fibrose entre a epiderme e o tecido conjuntivo). MHT (HANSENÍASE TUBERCULOIDE) Escassos bacilos pouco transmissível. Ocorre a formação de granulomas, que “fala” a favor de uma boa resposta imune. Acometimento da pele: Mapas geográficos Nervos periféricos espessados (ulnar e fibular) – granulomas em seu interior Teste Mitsuda positivo (alto grau de imunidade) **Forma mais benigna e localizada, ocorre em pessoas com alta resistência ao bacilo. Porém, é a forma que mais causa lesão nervosa; paralisias musculares. MACROSCOPIA Lesões cutâneas: máculas eritematosas, úlceras cutâneas bordos endurecidos, centro deprimido. Lesões nervos sensitivos: anestesia tátil, térmica e dolorosa Lesões dos nervos motores: Auto amputações, parestesias musculares Paralisias mão em garra, pé caído MICROSCOPIA Granulomas tuberculóides: geralmente sem necrose caseosa Infiltrado linfoepitelióides com destruição nervos. MHD (HANSENÍASE DIMORFA) Clínicas e anatomopatológicas de MHT e MHV. Mitsuda positivo tendência evoluir MHT Mitsuda negativo tendência evoluir MHV Forma intermediária que é resultado de uma imunidade também intermediária. O número de lesões é maior, formando manchas que podem atingir grandes áreas da pele, envolvendo partes da pele sadia. O acometimento dos nervos é mais extenso. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 71 PARACOCCIDIOIDOMICOSE Agente etiológico: Paracoccidioides brasiliensis (FUNGO) – Doença oportunista Sinônimo: Blastomicose sul americana VIAS DE CONTAMINAÇÃO Normalmente está presente em jardins, folhas, gravetos: Oral queilite e glossite Mucosas anal e conjuntival Pele úlceras, hiperplasia Vias aéreas (principalmente) DISSEMINAÇÃO Linfática, contiguidade tecidos vizinhos ** Linfonodos ficam extremamente endurecidos e indolores, pela fibrose e granulomas em seu interior. Sanguínea suprarrenais, SNC, ossos DIAGNÓSTICO RX pulmonar “asa de borboleta’’ Biópsia isolamento do fungo Macroscopia // microscopia Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 72 LEISHMANIOSE Causada por parasitas amastigotas intracelulares, é EXTREMAMENTE frequente na nossa região. Surgem regiões baixo nível socioeconômico. Mosquito: espécies (phebotomus-lutzomya) L.visceral ou calazar (L.donovani) L. mucocutânea ou espúndia (L.brasiliensis) L. cutânea maior ou úlcera tropical (L.major ou mexicana) LEISHMANIOSE VISCERAL OU CALAZAR “Febre Negra”, é uma invasão generalizada do sistema Mononuclear fagocítico (S.R.E). Doença mais grave: sistêmica e insidiosa. Hepatoesplenomegalia (baço peso de até 4,0 kg) Linfadenomegalia generalizada (linfonodos dolorosos de 4–6 cms) Pancitopenia Febre alta (acima de 40ºC) e emagrecimento Hipoalbuminemia edema MMII, ascite, hidrotórax, etc Pigmentação cutânea das extremidades Medula óssea repleta de leishmânias (hipoplasia medular), essa atrofia pode causar infecções generalizadas ou fenômenos hemorrágicos. Fígado fibrose hepática; Rins amiloidose ** Realiza-se uma biópsia de medula óssea. Cães são vetores de transmissão; costumam ser desnutridos, com perda de pelo, orelha caída. Existe tratamento, mas não costuma ser muito efetivo. LEISHMANIOSE MUCOCUTÂNEA É o tipo mais frequente; menos grave. Úlcera crônica: Face e tronco; perna e antebraço Mucosas lingual e nasal; anal e vulvar Diagnóstico diferencial Câncer Destruição septo nasal: “nariz de anta ou tapir’’ Destruição regiões: anal e vulvar MICROSCOPIA Inflamação mista: histiócitos repletos de parasitos Úlceras com mais de 3 meses: raros parasitos FORMAS CLÍNICAS Forma ulcerada Placas liquenóides Forma vegetante Forma nodular DIAGNÓSTICO Exame direto // cultura Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 73 Histopatológico // reação de Montenegro ** Lesões cutâneas que não cicatrizam Câncer; leishmaniose e blastomicose sul americana Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 74 AULA 10 – ALTERAÇÕES DO DESENVOLVIMENTO, CRESCIMENTO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR 22/06/2020 As alterações do desenvolvimento, crescimento e diferenciação celular podem levar ao desenvolvimento de neoplasias (benignas ou malignas). Neo = Novo; Plasia = Crescimento As alterações congênitas costumam ser alterações genéticas, pouco pode ser feito a respeito disso. Porém, as alterações do crescimento costumam ser adquiridas, ou seja, exposição contínua das células a um fenômeno externo/anormal pode causar alterações no crescimento dessas células. Nessas causas pode-se atuar (ex. evitar álcool, tabaco, exposição solar exagerada e etc). Enquanto as alterações da diferenciação celular podem ser congênitas ou adquiridas. Crescimento e diferenciação celular são processos essenciais para os seres vivos. Multiplicação celular: responsável pela formação do conjunto de células que compões os indivíduos. Diferenciação celular: especialização morfológica e funcional que permite o desenvolvimento do organismo como um todo integrado. ↓ Esses processos sofrem bastante influência, tanto de agentes externos, quanto de agentes internos das células. CLASSIFICAÇÃO DAS CÉLULAS 1. Lábeis: Renovação constante. Ex: A pele que é renovada a cada 7-10 dias. ** Tumores que surgem nas células lábeis tem um prognóstico melhor, enquanto aqueles que surgem em células permanentes e estáveis são mais graves. 2. Permanentes: Já atingiram o estágio de maturação terminal e não se dividem mais após o nascimento. Ex: Neurônios e células musculares 3. Estáveis: Baixo índice mitótico, mas capazes de proliferar quando estimulados, pode se regenerar quando estimulada. Ex: Hepatócitos ** A célula-tronco, que é uma célula muito jovem, pode evoluir para malignidade ou benignidade, uma vez que só surge câncer em células jovens. CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA Para ter malignidade, é preciso ter mitose, ou seja, só aumento em volume celular (hipertrofia) não tem nenhum risco de malignidade. Alterações de volume celular: Hipertrofia e Hipotrofia Alteração da taxa de divisão celular: Hiperplasia AGENESIA O órgão começa a se desenvolver, mas esse desenvolvimento não se completa. Há uma ausência de iniciação do desenvolvimento; ausência total do órgão ou parte dele. Letal quando o órgão afetado é único e essencial à vida. Ex: Anencefalia; acrania; ciclopia. AnaJúlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 75 APLASIA Ausência de formação. Só rudimentos do órgão ou tecido. Iniciou-se o desenvolvimento, porém, interrompeu –o precocemente. Letal quando o órgão afetado é único e essencial. Exemplo: Microcefalia. HIPOPLASIA Deficiência na formação. Órgão menor e com função reduzida. Iniciou o desenvolvimento, porém não o completou. Difere da hipotrofia por não ter atingido o desenvolvimento completo. Fisiologicamente, representa menor gravidade que a agenesia e aplasia. Grande importância clínica quando afeta órgãos da Reprodução: causa esterelidade Exemplos: hipoplasia renal, cerebelar, testicular e ovariana ATRESIA Ausência de continuidade de luz em órgão oco, ausência de perfuração. A estrutura se forma, porém, não apresenta luz. Ex: Atresia esofágica; Atresia anal; Atresia do aqueduto de Sylvius (Hidrocefalia interna); Atresia de vias biliares. ** Muito comumente a atresia está associada a fístulas. FÍSTULAS Comunicação anômala entre uma estrutura e o exterior ou entre diversas estruturas ocas entre si. Costumam ser de difícil tratamento, principalmente, as fístulas de reto. Exemplos: Fístula reto-vaginal ou reto-vesical ou ainda traquo-esofágica na atresia esofágica. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 76 ** Pode ocorrer também em pacientes que fazem diálise, uma fístula arteriovenosa. ESTENOSE CONGÊNITA OU CONSTRIÇÃO Estreitamento de um orifício natural ou de um órgão tubular. É uma forma mais leve de atresia, só ocorrem em órgãos tubulares ou em orifícios naturais. Ex: Estenose anal; esofágica; ureteral; tubária. Ex: Câncer de intestino grosso que obstrui a luz intestinal e causa constipação intestinal, principalmente, em idosos. Câncer de esôfago que obstrui a luz esofágica, causando disfagia. HÉRNIA Projeção de uma víscera oca por um orifício mais alargado. A transição entre o esôfago e o estômago costuma ocorrer dentro da cavidade abdominal, abaixo do hiato esofágico. Se essa transição passar a ocorrer dentro do tórax, acima do hiato, existe uma hérnia de hiato esofágico. Hiato esofágico: Normalmente, o conteúdo do esôfago passa para o estômago por meio de uma abertura no diafragma chamada hiato Pacientes com hérnia de hiato precisam dormir com a cabeceira elevada, evitar alimentos que estimulem a maior produção de HCl. Tipo de Hérnia esofágica: Hérnia de deslizamento Causa mais comum; manifestação de azia; alta sensação de queimação. Comum em pessoas que tem o hábito de comer e deitar em seguida Refrigerantes; bebidas alcoólicas; condimentos; alto teor de carboidrato: estimulam a secreção de HCl, causam muita queimação, que nesse caso, pode ser fisiológica. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 77 ESTENOSE Estenose se refere a um estreitamento ou constrição de um duto ou passagem, nesse caso, adquirida. É comum surgir um megaesôfago; megacólon (comum no mal de Chagas, já que o T. Cruzi tem um tropismo pelos Plexo de Meissner e Plexo de Auerbach, que afeta o peristaltismo fisiológico) Neurônios submucosos: Plexo de meissner Neurônios localizados entre as camadas musculares: Plexos nervosos de auerbach, que está presente também no esôfago. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 78 ATROFIA OU HIPOTROFIA Diminuição de volume (involução) de órgão ou tecido previamente desenvolvido normal e plenamente. Redução do peso, enrrugamento cápsula e fibrose. Atrofia ligada à senilidade Pode ocorrer por Caquexia (atrofia generalizada) ou Marasmo (marasmos Consumpção). Atrofia fisiológica: Involução de tecidos ou órgãos, naturalmente. Exemplos: Timo; Veia e Artérias umbilicais; útero pós-parto; Mama pós-lactação; Senilidade (cérebro e musculatura, acompanhada de acúmulo de lipofuscina (Atrofia parda). Atrofia patológica: Ocorrem por desnutrição ou inaninação (atrofia das gorduras corporais); Desnervação (atrofia neurogênica ou neuropática, clássica na poliomielitel); Desendocrinias (atrofia endócrina). Exemplos: mama e endométrio na menopausa; adrenais, tireóides e gônadas no hipopituitarismo; 1) Compressão ou distúrbios circulatórios Atrofia isquêmica Hidrocefalia, hidronefrose 2) Inatividade ou desuso Amiotrofia clássica da imobilização e engessamento; 3) Por esgotamento ou uso excessivo HIPERTROFIA Aumento volumétrico; estímulo excessivo ao aumento do volume celular de um órgão por aumento da demanda funcional (adaptação) ou por aumento dos estímulos tróficos (ex. hormonais). Microscopia: Aumento de volume das células que compõem o órgão, associado ao aumento do estroma, com aumento da síntese intracelular em células pós mitóticas permanentes ou perenes (exemplo: músculo estriado). Não há aumento do número de células. Maior número mitocôndrias, Golgi e RE Condições necessárias para ocorrência da Hipertrofia: Integridade morfofisiológica, fluxo sanguíneo adequado, inervação e especificidade do estímulo. Hipertrofia patológica Acontece muito no coração; por HAS, principalmente no VE. (Cardiopatia hipertensiva compensada), porém esse processo é limitado, a partir de determinado momento, em HAS severas causa uma cardiopatia dilatada. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 79 HIPERPLASIA HIPERPLASIA Aumento de volume e peso de um órgão por aumento da demanda funcional (adaptação) ou por aumento de estímulos tróficos (ex. hormonais), devido ao aumento do número de células que o compõe. Microscopia: Aumento do número de células que o compõem (Células intermitóticas ou estáveis e/ou lábeis), consequência do aumento de mitoses. Exemplos clássicos: Hiperplasia endometrial, HBP ** A hiperplasia é um fator de risco para malignidade, uma condição pré-maligna. Hiperplasia prostática Conforme a próstata cresce, mais ela comprime a uretra, causando retenção urinária. Próstatas muito grandes e de consistência mole falam a favor de quadros benignos. Próstatas muito pequenas e consistência dura falam a favor de quadros malignos, devido à fibrose neoplásica. Hipertrofia (aumento de volume) X Hiperplasia (aumento de número) Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 80 METAPLASIA Uma condição adaptativa do organismo, é reversível quando se retira o efeito causador. Transformação de um tecido já diferenciado em outro diferente (mais resistente ao ambiente adverso), mas de mesma origem embrionária. É uma substituição adaptativa reversível que só ocorre em tecidos renováveis (epitélios e conjuntivos, nunca em músculo ou tecido nervoso). Processo indireto, camada de células indiferenciadas de reserva é que se diferenciam alternadamente. Mesma origem embrionária: tecido epitelial só transforma em outro epitelial, e tecido conjuntivo só se transforma em outro conjuntivo, um conjuntivo não pode se metaplasiar em epitélio ou vice-versa. EPITELIO: Tudo aquilo que reveste ou secreta. TECIDOS DE SUSTENTAÇÃO: Tecido conjuntivo; tecido ósseo Metaplasia escamosa no brônquio Causada, principalmente, pelo tabagismo, agressão excessiva ao epitélio normal do brônquio. Ao sofrer a metaplasia, o epitélio perde as especializações do epitélio, produção de muco e movimento ciliar. Como consequência, o paciente se torna mais sujeito a infecção. Pode haver, inclusive, alteração no timbre de voz, por afetar o epitélio das pregas vocais. Se o paciente continuar a fumar, pode evoluir para uma neoplasia. Metaplasia colunar do esôfago Esôfagode Barret; epitélio do estômago começa a substituir o epitélio do esôfago devido aos refluxo causado pela hérnia hiatal, por exemplo. Pode evoluir para uma displasia. TIPOS DE METAPLASIA Metaplasia Escamosa ou Epidermóide: Transformação do epitélio simples pseudoestratificado colunar ciliado com células caliciformes das vias aéreas (nos fumantes crônicos e nas broncopneumonias), das vias genitais (infeções, traumatismos, cálculos); Ductos glândulas salivares (na sialolitíase) e ductos pancreáticos (na pancreolitíase), em epitélio estratificado pavimentoso (mais resistente ao ambiente adverso). Metaplasia óssea: Transformação do tecido conjuntivo frouxo ou cartilaginoso de articulações cronicamente irritadas por traumas constantes em tecido conjuntivo ósseo (mais resistente ao ambiente adverso). Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 81 DISPLASIA Displasias Adquiridas ou Hiperplasias Atípicas: podem ser conceituadas como uma resposta proliferativa atípica e Irregular as irritações crônicas, reversível, caracterizada por perda de diferenciação (anaplasia), atipia celular (pleomorfismo e hipercromasia), e atipia estrutural. Tais displasias podem ser enquadradas também no grupo das lesões pré-malignas. Retrocesso da formação Desdiferenciação. Classicamente, é tida como a transformação de um tecido já diferenciado num indiferenciado, reversão de células adultas para sua forma embrionária, com aumento considerável da capacidade de multiplicação de tais células. Condição adquirida, adaptativa. Algum fator interfere na célula para impedir que ela amadureça, assim, causa maior risco de câncer. Pleomorfismo Tamanho e formas diferentes entre as células Hipercromasia Escurecimento do núcleo (maior quantidade de cromatina) ***Anaplasia = Anarquia celular Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 82 AULA 11 – NEOPLASIAS 29/06/2020 NEO= Novo / PLASIA = Crescimento ** Só surge câncer em células jovens, assim, as células mais velhas não têm risco de desenvolver malignidade. O sistema imunológico é um dos principais defensores do organismo contra os tumores. Nesse sentido, como em crianças esse sistema ainda não está completamente desenvolvido e em idosos esse está deficiente, o maior risco de desenvolvimento de tumores é nessa faixa etária. *Neoplasia pode ser benigna ou maligna, o câncer não. É sempre maligno. HISTÓRICO DA ONCOLOGIA 1775 – Percival Pott – câncer em limpadores de chaminé 1795 – Samuel Thomas - uso de cachimbo associado ao câncer de lábio. 1807 – Guilhaume Dupuytren – transplante de tecido tumoral humano em cães. Rejeição. 1958 – Virchow (Teoria da Patologia Celular) 1877 – William Nooth e Jean Louis Alibert – injetaram-se a si mesmos com tecido de câncer mamário – o câncer não é contagioso ETIOLOGIA MULTIFATORIAL O câncer não é contagioso, ele é de etiologia multifatorial. Câncer = 80% de causas ambientais e 20% de herança genética. Vários fatores potencialmente carcinogênicos a) Fatores imunológicos. b) Fatores ambientais (químicos,físicos e biológicos) 1. Químicos o cigarros e suas substâncias tóxicas o substâncias poluentes, derivados petróleo o organoclorados, herbicidas 2. Físicos o radiação UV o radioterapia 3. Biológicos o vírus (Epstein-Baar, Papiloma vírus, HIV) Pet scan = açúcar radioativo é inserido e captado pelas células neoplásicas. **Relatos de que alimentos transgênicos podem alterar o sistema imune. Exemplo: Japoneses apresentam alta incidência de câncer gástrico pelos hábitos alimentares. SINAIS DE ALARME – CÂNCER Alterações dos hábitos intestinais (constipação/diarreia) ou urinários Feridas que não curam Sangramento não usual; expectoração, fezes ou urina com sangue Endurecimento e aumentos de volume anormais que persistem ou continuam a crescer Indigestão ou dificuldade em deglutir Alterações do tamanho, cor, textura ou forma de verrugas ou outros sinais da pele Tosse persistente ou rouquidão Perda de peso rápida e acentuada sem explicação Claudicação persistente Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 83 NEOPLASIAS Os tumores se desenvolvem a partir de células levemente alteradas Câncer de pulmão leva de 10 a 20 anos para aparecer em fumantes. Leucemias em Hiroshima demoraram cerca de 8 anos para ter aumento em sua prevalência. Trabalhadores de indústrias químicas do início do século levaram 10, 20 ou mais anos para desenvolverem tumores. Nossas células são agredidas diariamente, o que pode causar lesões no DNA, com erros em genes regulatórios, causando mutações, relacionadas à ativação dos oncogenes e à inativação dos Genes Supressores de Tumor. As células neoplásicas sofrem lesões irreversíveis, devido a essa alteração gênica. ONCOGENES GENES SUPRESSORES DE TUMOR Promovem divisão celular Inibem divisão celular Inibem apoptose Promovem apoptose Promovem imortalidade celular Inibem imortalidade celular Promovem metástase da célula tumoral Inibem metástase da célula tumoral Promovem angiogênese no tumor Inibem angiogênese no tumor Neoplasia (gr. ”neo" + ”plasis" = neoformação) é a proliferação local de clones celulares atípicos, sem causa aparente, de crescimento excessivo, progressivo e ilimitado, incoordenado e autônomo (ainda que se nutra as custas do organismo, numa relação tipicamente parasitária), irreversível (persistente mesmo após a retirada dos estímulos Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 84 que determinaram a alteração), e com tendência a perda de diferenciação celular. “A célula neoplásica é resultado da soma de sucessivas de mutações não-letais, em trechos específicos do DNA, ao longo de muitas gerações de células” CARACTERÍSTICAS DAS NEOPLASIAS 1. PROGRESSIVIDADE Crescimento tecidual excessivo e incoordenado de intensidade progressiva. 2. INDEPENDÊNCIA Ausência da resposta aos mecanismos de controle. Autonomia Perda da inibição de contato. 3. IRREVERSIBILIDADE Ausência de dependência da continuidade do estímulo. ETAPAS DA CARCINOGÊNESE 1. Iniciação algo alterou o seu funcionamento 2. Promoção produção de clones celulares atípicos 3. Progressão os clones celulares atípicos começam a se manifestar clinicamente 4. Disseminação metástase **Epitélio: tecido que absorve ou secreta alguma coisa; **Mesênquima: não secreta. NOMENCLATURA E CLASSIFICAÇÃO Origem epitelial Origem mesenquimal Origem embrionária Uma neoplasia epitelial ou mesenquimal (não epitelial) benigna é denominada utilizando-se um termo designativo do órgão ou tecido afetado, acrescido o sufixo –oma. Ex: Lipoma; Leiomioma; Hemangioma; Papiloma ** Os leiomiomas mais sintomáticos são os submucosos. Em relação ao comportamento, podem ser benignos ou malignos. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 85 TUMOR MALIGNO EPITELIAL = CARCINOMA TUMOR MALIGNO MESENQUIMAL = SARCOMA Quando a neoplasia epitelial for maligna, utiliza-se o sufixo ”Carcinoma”. Ex. CCE, CBC Neoplasia epitelial maligna de origem glandular, denomina- se adenocarcinoma (rim, estômago, fígado, vesícula biliar, mama). Se a neoplasia maligna for de origem mesenquimal utiliza-se o sufixo ”Sarcoma”. Ex: Lipossarcoma, leiomiossarcoma. Exceções:”Hepatoma", ”Linfoma" e ”Melanoma" . Hepatoma (tumor maligno do fígado, deveria se chamar hepatocarcinoma; o tumor benigno se chama adenoma hepático); Linfoma (tumor maligno originado do tecido linfoide; deveria se chamar lipossarcoma); Melanoma(deveria se chamar melanocarcinoma). Quando a neoplasia apresenta componentes epiteliais e mesenquimais igualmente neoplásicos, recebe a denominação de ” Tumor misto”. As neoplasias de origem embrionária podem ser classificadas em ”Teratomas". Os Teratomas são neoplasias compostas de tecidos oriundos dos três folhetos embrionários (endo, meso e ectoderma). Compõem-se de vários tecidos diferentes, estranhos ao local (mistura de dente, cabelo, glândulas, músculos, etc.), sendo mais frequentes nas gônadas ou em tecidos próximos à linha mediana. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 86 TUMOR E METÁSTASE REQUEREM ANGIOGÊNESE Essa formação de novos vasos e a preservação promovem crescimento do tumor, aumentando o risco de metástase. MELANOMA Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 87 COMPORTAMENTO BIOLÓGICO LOCALIZAÇÃO Superficial (in situ); não infiltra a membrana basal Infiltrante GRAU DE DIFERENCIAÇÃO TECIDUAL HISTOLÓGICO Graus: Bem diferenciado Moderadamente diferenciado Pouco diferenciado Indiferenciado ( anaplásico ) GRAU BEM DIFERENCIADO Semelhante ao tecido normal. Pequeno número de mitoses, crescimento lento Tratamento de escolha: Cirurgia GRAU INDIFERENCIADO Pouco parecido com tecido normal. Grande número de mitoses, crescimento rápido Tratamento de escolha: QT; RT ANAPLASIA Anaplasia é uma proliferação celular desordenada (determinada pelo processo neoplásico) com a perda da diferenciação celular. A anaplasia é uma característica associada às neoplasias! Características da Anaplasia Celularidade aumentada Hipercromasia Multinucleação Mitoses atípicas Pleomorfismo celular Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 88 COMPORTAMENTO GERAL DAS NEOPLASIAS BENIGNA Geralmente pouco agressivas e relativamente inofensivas (relação semelhante à das hiperplasias com o organismo hospedeiro) . Expansão lenta Compressão de tecidos Cápsula fibrosa MALIGNA Muito agressivos, invasivas; Ameaça potencial à vida Infiltrativo Destruição de tecidos Invasivo ” TUMORES BORDERLINE ” Neoplasias cuja classificação em benigno ou maligno é muito difícil. Neoplasias com características benignas e malignas simultaneamente, ou pode se tratar de neoplasias benignas em processo de malignização. ESTADIAMENTO (SISTEMA TNM) O sistema TNM é a classificação mais usada para os tumores malignos. Este critério foi estabelecido pela UICC (União Internacional Contra o Câncer) para determinar a extensão do crescimento e disseminação das neoplasias malignas. O sistema TNM está baseado em três componentes: T- tamanho do tumor primário, N- nódulo regional comprometido, M- metástase. A classificação no sistema TNM tem como objetivos: a) Ajudar no planejamento do tratamento; b) Dar alguma indicação no prognóstico; c) Ajudar na avaliação dos resultados do tratamento; d) Facilitar a troca de informações entre os centros de tratamento. SISTEMA TNM T - Tumor Primário TX - O tumor primário não pode ser avaliado T0 - Não há evidência de tumor primário Tis - Carcinoma in situ T1, T2, T3, T4 - Tamanho crescente e/ou extensão local do tumor primário N - Linfonodos Regionais NX - Os linfonodos regionais não podem ser avaliados N0 - Ausência de metástase em linfonodos regionais N1, N2, N3 - Comprometimento crescente dos linfonodos regionais M - Metástase à Distância MX - A presença de metástase à distância não pode ser avaliada. M0 - Ausência de metástase à distância M1 - Metástase à distância Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 89 As letras T, N e M referenciam, respectivamente, o Tamanho do tumor, o grau de desenvolvimento dos nódulos linfáticos e o grau de Metástase do tumor. Os subíndices numéricos 0, 1, 2.3 ..., graduam a intensidade das características referenciadas pelas letras. METÁSTASES Meta = à distância + stasis =posição Corresponde à disseminação de uma neoplasia primária a estruturas regionais ou a órgãos e estruturas distantes provocada por embolização ou transporte e implantação de células malignas, sem conexão com o tumor primário. É a marca registrada das neoplasias malignas e representa a maior ameaça à vida dos portadores destes tumores. Sinal inequívoco de malignidade. VIAS DE PROPAGAÇÃO DAS METÁSTASES VIA SANGUÍNEA OU HEMATOGÊNICA: A invasão venosa é muito mais comum que a invasão arterial. É a via preferencial dos sarcomas. VIA LINFÁTICA: Via preferencial dos carcinomas DISSEMINAÇÃO ATRAVÉS DE CAVIDADES E SUPERFÍCIES CORPORAIS (via celomática): Carcinomas gástricos, intestinais, vesicais e ovarianos com metástases no peritônio, pleura, pericárdio. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 90 Células neoplásicas atingem vasos sanguíneos próximos e entram na circulação sanguínea. Nem todos os oncócitos que alcançam a circulação resultam em metástases. Cerca de 90 % são destruídos por fagócitos ou anticorpos, ou podem falhar na proliferação, ou ainda podem ficar em latência, aguardando estímulos (estresse, senilidade, distúrbios endócrinos), que possibilitem sua passagem às demais fases do ciclo mitótico. Há pacientes que desenvolveram metástases anos mais tarde após a exérese do tumor primário. LINFONODO SENTINELA Linfonodo sentinela é definido como o primeiro linfonodo que pode receber as células cancerígenas de um tumor. No caso do câncer de mama, ele está localizado na axila, perto da mama, e sua análise permite ver os riscos de metástase, ou seja, se o tumor se espalhou para o sistema linfático. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 91 IMAGENS VARIADAS – TIPOS DE CA Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 92 NEOPLASIAS SIMPLES IMATURAS NÃO EPITELIAIS = SARCOMAS Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 93 AULAS 12 E 13- TUMORES GASTROINTESTINAIS 06/07/2020 e 13/07/2020 TUMORES GÁSTRICOS O estômago é dividido em regiões: Fundo/Corpo/Antro e Piloro. Ele apresenta uma grande e pequena curvatura. **Essa pequena curvatura da região antral é a mais comumente acometida por lesões/neoplasias. A região antro-pilórica e a região da cárdia são comumente acometidas. O adenocarcinoma da cardia (transição esôfago gástrica) normalmente se deve a uma extensão de um adenocarcinoma do esôfago ou estômago. Essas lesões, mesmo nas fases iniciais, podem sofrer metástases mais facilmente, tanto por via linfática quanto por via Hematogênica, pois essa região é intensamente vascularizada. Camadas do estômago, que são comuns às demais regiões do TGI: 1. Mucosa 2. Submucosa: Plexo nervosos de Meissner 3. Muscular: Plexo nervosos mioentéricos, de Auerbach, que ficam entre os tecidos na camada muscular. Esse plexo é comumente destruído pelo T. Cruzi. 4. Serosa O muco produzido pelo estômago forma uma barreira mucosa, que evita a autodigestão do órgão pelo HCl. Alguns medicamentos anti-inflamatórios são capazes de destruir essa barreira mucosa. Células mucosas: Citoplasma claro, devido à produção do muco; núcleos mais centrais Células parietais: Produzem HCl Células principais: Produtoras de pepsinogênio Células G: Produtoras de gastrina Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – MedicinaUnimontes 94 **Tumores carcinoides: Podem surgir em qualquer lugar que apresente células argentafins Nos tumores gástricos, comumente não há sintomatologia, costumam ser diagnosticados tardiamente. Maior frequência: Japão, América Central e do Sul, leste da Ásia. Menor incidência: Austrália, Canadá e EUA Brasil – INCA (2010): 3°câncer mais frequente (homem) e 5° mais frequente (mulher). Homens: 2x mais afetados Alimentos preservados pelo sal e nitritos encontrados em alimentos defumados são potencialmente carcinogênicos. Consumo de comida salgada pode aumentar o risco de infecção por H. pylori e age sinergicamente para a promoção de câncer gástrico. O declínio mundial da incidência de adenocarcinoma gástrico pode ser atribuído ao advento da refrigeração, o qual diminuiu vertiginosamente o consumo de alimentos preservados no sal e aumentou o consumo de frutas e vegetais frescos. FATORES DE RISCO FATORES DIETÉTICOS Nitritos (alimento salgado, defumado, em conserva) Alta ingestão gordura animal Infecção por Helicobacter pylori Fumo Baixo nível sócio-econômico Gastrite crônica atrófica (Tipo A), Anemia perniciosa. Metaplasia intestinal no estômago Gastrectomia a Billroth II (há > 15 anos) Ca coto residual História familiar Grupo sanguíneo A Fatores Raciais: Asiáticos (Japão principalmente) FATOR PROTETIVO Frutas e vegetais tendem a proteger o estômago, uando associados às fibras. O ácido ascórbico e o B-caroteno agem como antioxidantes. O consumo de vegetais crus, frutas cítricas e pães com alto teor de fibras está associado a um risco menor de câncer gástrico. * O ácido ascórbico e o β - caroteno encontrados em frutas e vegetais agem como antioxidantes, enquanto o ácido ascórbico também pode prevenir a conversão de nitratos a nitritos. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 95 HELICOBACTER PYLORI Destrói a barreira mucosa de maneira qualitativa e quantitativa, fazendo com que o ácido tenha contato com a parede estomacal, causando a longo prazo gastrite, úlceras e neoplasias. Sua presença também pode ser assintomática em mais de 50% dos casos. Helicobacter pylori coloniza a mucosa gástrica Prevalência do Helicobacter pylori : 40 a 50% na população, com 9 vezes mais risco de câncer gástrico. Determina a geração de radicais livres (espécies de oxigênio e nitrogênio reativos) que causam danos no DNA. Causam alterações na secreção de fatores de crescimento e citocinas, além de desregulação do ciclo celular do epitélio gástrico, o que aumenta a proliferação celular e reduz a apoptose. Esse microorganismo foi considerado pela OMS como agente carcinogênico do tipo I, ou seja, capaz de levar a transformação maligna. GASTRITE CRÔNICA ATRÓFICA Anticorpos atacam as células parietais. Pode ser do tipo A, autoimune; ou do tipo B, ambiental. Como a produção do ácido não é suficiente, aumenta o Ph gástrico, tornando-o mais básico, o que predispõe a infecções bacterianas, que produzem compostos à base de nitritos, que podem lesionar o DNA, predispondo a neoplasias A gastrite crônica causa uma atrofia da mucosa, que pode sofrer uma metaplasia intestinal, causando um aumento do pH gástrico. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 96 ADENOCARCINOMA GÁSTRICO EVOLUÇÃO Gastrite Crônica Atrofia Metaplasia intestinal Displasia de baixo grau Displasia de alto grau Adenocarcinoma Todos os canceres gástricos iniciam-se como lesões “ In Situ” CÂNCER GÁSTRICO INCIPIENTE (INTRAMUCOSO) Limitado à mucosa e à submucosa. Sobrevida 05 anos: 90 a 95% Câncer Intramucoso demora 10 anos para se tornar invasivo CÂNCER GÁSTRICO AVANÇADO Ultrapassa muscular da mucosa Sobrevida em 05 anos: 5 a 10% QUADRO CLÍNICO Inespecífico, dor epigástrica Queimação no peito, azia ou pirose retroesternal (câncer gástrico proximal) Disfagia (câncer gástrico proximal) Anemia (sangramento gastrointestinal) Náusea e vômito de estase (obstrução pilórica) Emagrecimento, anorexia Fezes melena EXAME FÍSICO Anemia Tumor palpável em epigástrico (Ca de Antro avançado) Ascite (Carcinomatose), Hepatomegalia (Met.hepática) Gânglio de Virchow (LN+ supraclavicular - Sinal de Troisier) Sinal de Sister Mary Joseph (Nódulo umbilical) Tu de Krukenberg (Metástases ovarianas) MORFOLOGIA Ulcerativos Úlcero-infiltrativos Polipóides Intestinais Difusamente infiltrativos Linite plástica EXPANSIVOS INFILTRANTES Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 97 CLASSIFICAÇÃO MICROSCÓPICA CLASSIFICAÇÃO DE LAUREN (1965) TIPO INTESTINAL ADENOCARCINOMA TIPO INTESTINAL BEM DIFERENCIADO Preferencialmente no antro, maior incidência em homens idosos e predomina em população de alto risco. Geralmente são bem diferenciados e as metástases são, geralmente, por via hematogênica. TIPO DIFUSO ADENOCARCINOMA DIFUSO OU POUCO DIFERENCIADO Principalmente no fundo gástrico, acomete indivíduos jovens sendo mais frequente nas mulheres. Tumor pouco diferenciado, difunde-se mais frequentemente por contiguidade ou por via linfática. Possui pior prognóstico. CLASSIFICAÇÃO DA SOCIEDADE JAPONESA DE ENDOSCOPIA DIGESTIVA CÂNCER GÁSTRICO PRECOCE Refere-se àquele que não penetra além da mucosa ou submucosa, na presença ou não de metástase linfonodal Classificado em três tipos: I – Polipóide IIa – Superficial elevado IIb – Superficial plano IIc – Superficial deprimido III – Ulcerado CÂNCER GÁSTRICO INCIPIENTE INTRAMUCOSO Limitado à mucosa e submucosa Sobrevida 05 anos 90 a 95 % Câncer Intramucoso: demora 10 anos para se tornar invasivo CLASSIFICAÇÃO DE CÂNCER GÁSTRICO AVANÇADO CÂNCER GÁSTRICO AVANÇADO Ultrapassa muscular da mucosa Sobrevida em 05 anos: 5 a 10 % CLASSIFICAÇÃO DE BORRMAN Tipo I – polipóide Tipo II – ulcerado com bordas bem delimitadas Tipo III – ulcerado infiltrativa Tipo IV – infiltrativo difuso Tipo V – câncer gástrico que não se encaixa em nenhuma Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 98 CARCINOMA GÁSTRICO TIPO DIFUSO O tipo difuso é pouco diferenciado, tende a ser macroscopicamente ulcerativo ou difusamente infiltrativos (linite plástica). Microscopicamente corresponde ao padrão de células emanel de sinete (células soltas, sem formar glândulas). Este tipo parece originar-se diretamente de células gástricas mucosas (sem passar por metaplasia intestinal). Sua frequência aparentemente não se alterou nos últimos 60 anos, e atualmente corresponde a metade dos casos de Câncer gástrico nos EUA. Não tem predileção por sexo, sem associação com gastrite. Ocorre em idade um pouco mais precoce que o tipo intestinal (pico, 48 anos). ADENOCARCINOMA POUCO DIFERENCIADO Células “anel de sinete” Lagos mucosos Desmoplasia Espessamento da parede (Cantil) Linite plástica CARCINOMA GÁSTRICO TIPO INTESTINAL O tipo intestinal teria origem em células gástricas mucosas que sofreram previamente metaplasia intestinal. Macroscopicamente tende a ser exofítico ou polipóide. Microscopicamente é bem diferenciado, formando glândulas. É o tipo mais comum em populações de maior risco Japão). Pico de incidência etária: 55 anos. Tem predileção pelo sexo masculino (2:1) e guarda relação com a gastrite crônica. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 99 ESTADIAMENTO – TNM Tis – Ca in situ (intramucoso) T – Profundidade de Penetração T1 – Confinado à mucosa e submucosa T2 – Envolve a muscularprópria T3 – Invasão da serosa T4 – Invasão de órgãos adjacentes METÁSTASES ADENOCARCINOMA GÁSTRICO Linfonodos regionais 80 a 90 % Peritônio Ascite Fígado Pulmões Ovários TUMOR DE KRUKENBERG O Tumor de Krukenberg é um adenocarcinoma com células em “anel de sinete” metastático localizado ao ovário. Foi descrito pela primeira vez em 1896 pelo Dr. Friedrich Krukenberg. Inicialmente, foi considerado como uma neoplasia primária do ovário. Sua natureza metastática só foi reconhecida 6 anos mais tarde. É uma entidade rara e é responsável por 1-2% dos tumores do ovário. O tumor primário habitualmente está localizado no TGI e a localização mais frequente é o estômago (70% casos). O tumor de Krukenberg é bilateral em cerca de 80% dos casos. A sobrevida média após o diagnóstico é de cerca de 14 meses. Ovários aumentados Fibrosos Células em anel de sinete Outros canceres mucinosos: Mama; Pâncreas Vesícula biliar Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 100 CLÍNICA DOS TUMORES GÁSTRICOS Câncer Gástrico precoce Assintomático 80 % dos casos. Dor abdominal Disfagia Epigástrio Vômitos e emagrecimento Sangramento oculto Fezes Tipo “borra de café” (melena) Hematêmese maciça (10%) Choque Acloridria ou hipocloridria 50 % SINAIS DE DOENÇA AVANÇADA Perda de peso Massa epigástrica Hepatomegalia Ascite Edema de membros inferiores TUMORES DO INTESTINO GROSSO Os tumores colorretais têm alta prevalência na população mundial. Podem ser benignos e malignos. Em sua maioria, epiteliais. Os pólipos merecem atenção especial, particularmente os adenomatosos, porque em sua maioria apresentam grande potencial de malignização PÓLIPOS NEOPLÁSICOS (ADENOMATOSOS) Tamanho 3,0-4,0 cm. Geralmente únicos Aspecto “couve-flor” Graus variáveis de atipias Risco de 40 a 60 % de malignizar NEOPLASIAS DO INTESTINO GROSSO Tumores Epiteliais Tumores não epiteliais Pólipos neoplásicos Adenoma tubular Adenoma viloso Adenoma túbulo-viloso Não neoplásicos inflamatórios Pólipo linfoide benigno Lipomas Leiomiomas Carcinóide Linfomas Endometriomas Neurofibromas Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 101 PÓLIPO HIPERPLÁSICO Qualquer idade, ↑ na 6ªe 7ª décadas, isolados ou múltiplos Macroscopia: menos de 5mm, sésseis, pendunculados quando maiores. Microscopia: glândulas alongadas e pregueadas, mitoses na base, espessamento de membrana basal ** Síndrome dos pólipos hiperplásicos múltiplos (CA) CEA é uma glicoproteína do soro frequentemente utilizada no rastreio e tratamento de doentes com câncer do cólon. Aproximadamente, 40% dos cânceres colorretais sofreram uma mutação KRAS. KRAS SELVAGEM E KRAS MUTADO O gene KRAS pertence a uma classe de genes conhecidos como oncogenes. Quando mutado, oncogenes têm o potencial de transformar as células normais se tornem cancerígenas. A proteína KRAS que está envolvida em primeiro lugar na regulação da divisão celular e desempenha um papel importante na sinalização celular. KRAS está situado no interior da célula, onde é geralmente preso à membrana celular, perto das suas partes intracelulares de certos receptores da superfície da célula. KRAS proteína atua como um interruptor on/off para a sinalização destes receptores dentro da célula. Estes sinais instruem a célula a crescer e dividir-se ou a amadurecer e assumir funções especializadas (diferenciar). Fatores que vias de sinalização mediadas por disparo KRAS incluem Fator de Crescimento Epidérmico (EGF), que se liga ao receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) e ativa, podendo estimular a proliferação celular. Cetuximabe, um anticorpo monoclonal direcionado contra o receptor do fator de crescimento epidérmico (epidermal growth-factor receptor - EGFR), parece somente beneficiar pacientes apresentando tumores que possuem cópias imutáveis do gene KRAS. Certas mutações no gene KRAS resultado da expressão da proteína KRAS que é constitutivamente ativa. Isso faz com que o crescimento celular descontrolado e proliferação – uma marca de uma célula cancerosa. TUMORES BENIGNOS DO INTESTINO GROSSO 1. Lipomas 2. Leiomiomas 3. Hemangiomas 4. Pólipos Epiteliais (Mais comuns: 25-50 %) PÓLIPOS NÃO NEOPLÁSICOS Hiperplásicos Linfóides, esquistossomóticos Polipose: Múltiplos pólipos em um mesmo órgão Pólipo: Crescimento mucoso (benignos ou malignos) Lesão polipoide: Originam-se na submucosa ou camada muscular Síndrome Polipóide: Múltiplos pólipos T.G.I PÓLIPOS NEOPLÁSICOS Adenoma tubular (Pré-maligno) Adenoma viloso (Pré-maligno) Adenoma túbulo-viloso (Pré-maligno) Carcinoma polipoide PODEM SER: Pediculados ou sésseis Múltiplos ou solitários Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 102 Baseado na classificação histológica do adenoma, podemos subdividir os pacientes em um grupo de alto risco e outro de baixo risco para o desenvolvimento de neoplasias malignas do intestino grosso. As características importantes a se notar são: 1.Tamanho do pólipo - Pólipos grandes 2.Número de pólipos - adenomas múltiplos 3.Localização do pólipo - adenomas do reto e sigmóide têm maior potencial de malignização. 4.Tipo macroscópico - os adenomas sésseis são mais propensos à malignização do que os pedunculados. 5.Tipo macroscópico - adenomas vilosos mais propensos à malignização do que os tubulares e os túbulo-vilosos. 6.Displasia - adenomas com displasia acentuada são mais propensos à malignização do que aqueles que apresentam displasia leve ou moderada. Cerca de 60% dos pólipos do intestino são adenomas, os quais apresentam potencial para malignização. Os pólipos de intestino do tipo adenoma são considerados lesões pré- cancerosas e daí a importância de seu diagnóstico e tratamento precoces para evitar a evolução para tumor maligno. Aproximadamente, 5 a 10 em cada 100 adenomas se transformam em câncer, sendo que esse processo se dá entre 5 e 10 anos. Cerca de 40% dos indivíduos com mais de 60 anos apresentam pólipos. Quem já teve no passado um pólipo intestinal tipo adenoma tem uma chance muito maior que a população em geral de apresentar nova lesão, podendo chegar até a 50% de possibilidade. Quem já teve vários pólipos, a chance pode chegar até a 80% de desenvolver novo pólipo. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 103 ADENOMA TUBULAR 75 % todos pólipos neoplásicos, sendo 50 % solitários. Homens– 2:1 → 60 anos Cólon distal e reto (75%) acessíveis sigmoidoscópio MICROSCOPIA Túbulos alongados com escasso tecido conjuntivo Atipia citológica ADENOMA VILOSO Menos comuns e mais graves. Homens e mulheres: 60 a 65 anos Localizam-se geralmente no Reto e no sigmoide Medem de 1,0 a 10,0 cm Mais de 50 % glândulas aspecto viloso Sangramento retal. Mais de 1/3 evoluem para o câncer. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 104 ADENOMA VILO-TUBULAR Estruturas vilosas e tubulares Reto e cólon distal Medem de 0,5 a 5,0 Cm Potencial maligno intermediário Geralmente pediculados ADENOMA SERRILHADO Características arquitetônicas de proliferação anormal. Ramificação de criptas e Dilatação das a base das criptas, Padrão de crescimento peculiar-criptas parecem crescer paralelamente à mucosa muscular, muitas vezes criando um T paralelamente à mucosa muscular, muitas vezes, criando um T invertido ou L RELAÇÃO DOS PÓLIPOS COM CARCINOMA 1. TAMANHO DO PÓLIPO Menor que1,0 cm baixa Entre 1,0-2,0 cm 10 % Maiores que 2,0 cm 45 % 2. PROPORÇÃO COMPONENTE VILOSO 3. PRESENpolipose ÇA DE ATIPIA CITOLÓGICA (DISPLASIA) Maioria cânceres colônicos Origem pólipos preexistentes Evolução para o Ca anos ou décadas Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 105 POLIPOSE FAMILIAR DO CÓLON Herança autossômica dominante, que compromete Estômago; I.Delgado e I.Grosso Inúmeros pólipos neoplásticos (média 1000), comumente diagnosticados entre a 2.ª-3.ªdécada de vida, sendo 20 % após 40 anos. Maioria dos pólipos são tubulares, com alto índice transformação maligna Critério diagnóstico: Existir mais de 100 pólipos Sem colectomia profilática Transformação maligna 100 % dos casos. Alguns pacientes já apresentam câncer ao diagnóstico. Acompanhar Paciente com exames radiológicos, sigmoidoscopia, biópsia. TUMORES MALIGNOS DO INTESTINO GROSSO 98% carcinomas (95% adenocarcinomas) PATOGENIA 1. Baixo conteúdo de fibras vegetais inabsorvíveis Menor massa fecal Mais tempo trânsito intestinal Maior contato carcinógenos com a mucosa Flora bacteriana alterada 2- Alto conteúdo de gordura na dieta 3- Alto conteúdo de carboidratos na dieta. GRUPOS DE RISCO RISCO MÉDIO A- Idade igual ou maior a 50 anos. Recentemente, a American Cancer Society (ACS) publicou novas diretrizes para abordagem da doença e anunciou que o rastreamento do câncer colorretal deve começar aos 45 anos para adultos com risco médio. RISCO INTERMEDIÁRIO História familiar de câncer colorretal, adenoma e pólipo serrilhado em seus parentes de primeiro grau (pais, filhos e irmãos). RISCO ALTO A- Quem já teve pólipo (adenoma ou pólipo serrilhado) no intestino. B- Quem já teve câncer colorretal. C- Mulheres com câncer de mama, ovário ou útero. D- Portadores da Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa. EPIDEMIOLOGIA Faixa etária: 60-70 anos ** Síndromes polipoides: Acometimento em mais jovens MORFOLOGIA 60 a 70% Ca colorretal reto, retosigmóide e sigmóide. **Clínica e morfologicamente Ca cólon direito e esquerdo comportam como dois tipos tumorais diferentes. Síndrome de Gardner Síndrome de Turcot Polipose colônica (Idêntica à PFC) Osteomas múltiplos Dentes supranumerários Fibromatose; Cistos epidérmicos ALTA FREQUÊNCIA Câncer duodenal Tireóide Combinação de: Polipose colônica + Tumores do SNC Meduloblastoma Glioblastoma RARA Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 106 CARCINOMAS DO CÓLON ESQUERDO Crescimento inicial placa elevada ou massa polipoide. Posteriormente, circunda toda a parede (1-2 anos). Ocorre constrição tipo “argola de guardanapo”, cursando com sintomas de obstrução intestinal. Causam invasão da gordura pericólica e linfonodos e penetram parede originando abscessos pericólicos e peritonite. ** Geralmente são lesões ulceradas Predomina a alteração do hábito intestinal (constipação progressiva, ou constipação alternada com hiper defecação ou diarreia), parada de eliminação de gazes e fezes, sangramento vivo nas fezes. CARCINOMAS DO CÓLON ESQUERDO Crescimento inicial lesões sésseis. Progressivamente, massas vegetantes polipóides (couve-flor). Originam-se comumente no ceco e cólon ascendente. **Obstrução intestinal pouco frequente Evolução silenciosa por longo tempo. Como o bolo fecal não está totalmente formado, acontecerá sintomas como diarreia, sangue oculto nas fezes e a anemia ferropriva, tumor papável no flanco direito, muitos apresentam perda ponderal MICROSCOPIA: 95 % adenocarcinomas; alguns produzem mucina METÁSTASES 30% dos pacientes apresentam metástases ao diagnóstico. Ordem de frequência de ocorrência: Linfonodos regionais; Fígado; Pulmões; Ossos e Peritônio. ESTADIAMENTO Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 107 Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 108 PALESTRA 1 - BIÓPSIAS Módulo: Proliferação Biópsia: Para o cirurgião é o ato cirúrgico; para o patologista é a análise do material coletado. A biópsia, na verdade, é a remoção de tecidos, células ou fluidos do organismo vivo, para exame e estudo. ** A biópsia serve para praticamente todos os tipos de lesões, não apenas câncer. É obrigatória a solicitação do exame anatomopatológico? PC/CFM/Nº 44/95: “ O exame anatomopatológico de fragmentos ou partes retiradas do organismo humano deve ser feito consoante o dever do médico de agir com o máximo zelo e o melhor de sua capacidade profissional, sempre em favor do paciente e sem caráter obrigatório. Nenhum hospital pode funcionar adequadamente sem um serviço de Anatomia Patológica, que é essencial para uma medicina de bases científicas sólidas. Patologia Cirúrgica é o exame de espécimes removidos cirurgicamente (biopsias e peças cirúrgicas) com finalidade diagnóstica. O exame de fluídos, com finalidade diagnóstica é considerado como uma forma especial de biópsia. Biópsia é o exame dos tecidos removidos de um indivíduo VIVO. (Se for de um morto, é necropsia). INDICAÇÕES DA BIÓPSIA A biópsia é indicada em todos os casos em que se suspeita de doenças que deixem substrato morfológico característico nos tecidos afetados. Fins de diagnóstico diferencial por exclusão. Em doenças com alterações tissulares características. Como as neoplasias, processos hiperplásicos, metaplásicos e displásicos, daí ser a biópsia o principal meio de diagnóstico em Cancerologia. Em condições inflamatórias específicas como: Tuberculose; Lepra; Blastomicose; Esquistossomose; outras parasitoses. Para avaliar a extensão de uma lesão Para avaliação do funcionamento fisiológico de um órgão, como o endométrio, as células do epitélio vaginal e etc. Para verificar de a excisão de uma lesão foi completa ou não Para avaliação do resultado do tratamento Como em lesões neoplasias tratadas pela radioterapia e/ou quimioterapia, para verificar se persiste neoplasia residual. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 109 PRINCIPIOS GERAIS 1º. Indicação criteriosa 2º. Avaliação pré-operatória rigorosa do risco cirúrgico 3º. Realização da biópsia em centro cirúrgico 4º. Acompanhamento por anestesista, quando necessário 5º. Escolha criteriosa da área a ser biopsiada 6º. Respeitar a margem de segurança 7º. Biópsias incisionais Retirar sempre parte do tecido normal 8º. Retirar amostra significativa do tecido suspeito Mesmo os atos cirúrgicos simples, podem ser seguidos de complicações. TIPOS DE BIÓPSIA BIÓPSIA POR INCISÃO (BIÓPSIA INCISIONAL) Não tem finalidade terapêutica, tem finalidade diagnóstica. É o tipo mais comum de biópsia. Consiste na remoção de um fragmento da lesão por meio do bisturi, sem a preocupação de remover a lesão toda. BIOPSIA POR EXCISÃO (BIÓPSIA EXCISIONAL) Nesse tipo de biópsia a lesão é removida totalmente e com margem de segurança formada por tecido sadio. É utilizada para pequenas lesões. Representa, ao mesmo tempo, um método de diagnóstico ede tratamento. Lesões cutâneas e linfonodos devem sempre ser por biópsia excisional, pois são de diagnóstico mais difícil. No linfonodo por exemplo, deve se avaliar as cápsulas. PUNÇÃO ASPIRATIVA POR AGULHA FINA (PAAF) Tipo de biópsia é utilizado para se evitar cirurgia maior quando a lesão está situada profundamente nos tecidos. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 110Realizada guiada pelo US o que permite uma precisa localização da área a ser estudada Utiliza-se agulha calibre 30 X 8 ou 30 X 7, acoplada a uma seringa de 10 ml, cujo êmbolo deve ser recuado cerca de 2,0 cm e introduzido no tecido alvo e, em movimentos de vai–e– vem, passada em várias direções dentro da área suspeita, a ser estudada. O material obtido é então expelido da agulha sobre três a seis lâminas de vidro limpas e numeradas. A fixação deve ser imediata em etanol 95º para evitar o ressecamento do material o que dificulta ou impossibilita a análise correta, e a coloração subsequente, pelo método de Papanicolaou ou HE. Quanto mais fina a agulha, melhor. Evitar a “diluição” do material coletado, o ideal é que o material esteja mais concentrado, mas não muito espesso. Não tem finalidade terapêutica, exceto em cistos que podem ser “esvaziados” para avaliar a sintomatologia” Exemplo de biópsia não cirúrgica: Exame citológico Técnica simples de coleta Equipamentos de baixo custo Complicações raríssimas (Hematoma; Pneumotórax) Rapidez no diagnóstico PISTOLA DE BIÓPSIA SEMIAUTOMÁTICA: Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 111 Fibrose tumoral = Desmoplasia: Células malignas tentando infiltrar pelas fibroses. Carcinoma Ductal: Mais agressivo; mais frequente e costuma ser unilateral. Carcinoma Lobular: Costuma ser bilateral; menos agressivo e menos comum. BIÓPSIA DE GÂNGLIO LINFÁTICO Evitar sempre gânglios de localização submandibular e inguinal, em que processos infecciosos banais e comuns de boca, orofaringe ou membros inferiores podem impossibilitar um diagnóstico específico. Durante a retirada do material, evitar maceração e tração por produzirem artefatos. Manter sempre a cápsula íntegra. Enviar ao serviço de anatomia patológica, em frasco de boca ampla e em fixador (formol a 10 %). BIOPSIA DE LINFONODOS Dissecção cuidadosa Nunca prender o linfonodo com pinças Tração sem trauma – transfixá-los com fio fino O linfonodo tem, normalmente, pouco tecido conjuntivo, por isso deve-se evitar macerá-lo. Quando o linfonodo for muito grande, em casos excepcionais, deve retirar um pedaço desse linfonodo em formato de cunha. Linfoma de Hodgkin: Costuma apresentar a célula de reed- sternberg (“dois olhos de coruja”). ** O linfoma diminui inicialmente com corticoide e depois aumenta novamente. LINFONODO SENTINELA: O primeiro linfonodo que recebe a drenagem linfática do órgão. Se o linfonodo sentinela não tiver lesão, os demais não precisam ser retirados. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 112 BIÓPSIA DA PELE As biópsias de pele colhidas seja por punch, em cunha ou por curetagem devem ser identificadas com precisão e colocadas em formol a 10 %. Bordos cirúrgicos, quando de difícil avaliação, deverão preferencialmente ser marcados com fios cirúrgicos e posteriormente identificados e discriminados no pedido médico. A fixação do material deve ser feita em formol a 10 %,na falta deste Àlcool Comercial. Marcar a margem medial com 1 ponto de sutura, marcar a margem lateral com 2 pontos de sutura, por exemplo, para que as bordas possam ser identificadas posteriormente. BIÓPSIA EXCISIONAL DE LESÕES DA PELE Ambiente cirúrgico seguro e confortável Preparo do campo, segundo as normas de anti-sepsia Anestesia compatível com a magnitude da biópsia Margem de segurança: Superfície da pele o comprimento da elipse é o dobro da largura Em profundidade incisão chega até aponeurose na suspeita de malignidade DANOS AO TECIDO EPITELIAL EROSÃO: Perda células ou camadas do epitélio sem romper a membrana basal. ULCERAÇÃO: Perda das camadas de células, rompendo a membrana basal. NEOPLASIA: Invasão da membrana basal. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 113 ** CBC = Carcinoma Basocelular; melhor prognóstico porque não faz metástase como o Carcinoma de células escamosas. BIÓPSIA POR VIA ENDOSCÓPICA Muito utilizada no estômago, não tem função terapêutica, tem função diagnóstica. Biópsia por pinça sacabocados, conduzida, por meio de instrumentos endoscópicos, que visualizam a lesão: Esofagoscopia Peritonioscopia Cistoscopia Retossigmoidoscopia Mediastinoscopia As biópsias endoscópicas devem ser colocadas em fixador (formol) após a retirada. **Biópsias gástricas de corpo e antro devem ser colocadas em recipientes separados. Em lesões ulceradas, deve-se retirar no mínimo 09 fragmentos, tendo-se o cuidado de evitar áreas necróticas. INFECÇÃO POR HELICOBACTER PYLORI A barreira mucosa no estômago protege a parede estomacal da acidez do HCl, mas o H. Pylori destrói essa camada mucosa de forma quantitativa e qualitativa, predispondo a úlceras e neoplasias. Deve ser tratado com antibióticos + inibidores da bomba de prótons. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 114 BIÓPSIA DE PRÓSTATA É feita por via transretal. Biópsias de próstata transretal por agulha, deverá constar de no mínimo 12 fragmentos, identificados em frascos separados quanto à localização e fixadas em formol a 10 % . Em ressecções transuretrais (RTU) deve corresponder a cerca de 12 g no mínimo, colocados em formol a 10 %. O tumor de próstata costuma ser pequeno e duro, comprimir a uretra e causar retenção urinária. Costuma crescer mais na periferia do que no centro, por essa razão, deve-se fazer a biopsia na periferia. É necessário retirar dois fragmentos de cada uma das seis regiões que dividiram a próstata. **Próstatas grandes e macias costuma falar a favor de benignidade. Quanto menor for a glândula no câncer de próstata, mais agressivo é o tumor. Não forma luz. Quanto mais alto o PSA (Antígeno prostático específico), mais difuso é o acometimento da próstata. O PSA é produzido pela próstata, geralmente produzido pelos tumores de próstata. ESCALA DE GLEASON Quanto menor for a glândula no CA de Próstata pior é a diferenciação, mais agressivo o tumor, não forma luz. Glândulas grandes, bem dilatadas Menor diferenciação, menos agressivo será o tumor. ** A escala de Gleason analisa o grau de diferenciação e pela extensão do comprometimento. Varia de 6-10. Soma altos graus com baixos graus, o que predominar define o prognóstico. ** Glândulas mais diferenciadas = Grau 1 Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 115 GRAU 6 Mais Baixo Grau, doença bem diferenciada : Não há necessidade de cirurgia; realiza-se vigilância ativa. GRAU > 7 O tratamento deve ser iniciado. Soma do padrão predominante na biopsia + Padrão de mais alto grau. 4+ 3 é diferente de 3 +4 nessa escala: 3 + 4 Maioria das glândulas é bem diferenciada 4 + 3 Maioria das glândulas indiferenciadas BIOPSIA POR CONGELAÇÃO ** Única urgência na patologia, deve ser feito à fresco (sem solução fixadora). Na biópsia por congelação o patologista recebe o material de biópsia à fresco (sem solução fixadora), diretamente do centro cirúrgico, e imediatamente após a sua retirada. Por essa razão os diagnósticos de congelação são de grande responsabilidade, exigindo patologistas competentes e treinados no método. Com o advento do criostato, as técnicas tornaram-se muito refinadas o que aumentou grandemente a sua eficiência. EXAME DA PEÇA CIRÚRGICA Todo e qualquer tecido ou órgão removido de um paciente deve ser encaminhado ao Serviço de Anatomia Patológica para exame. Mesmo quando o diagnóstico já está esclarecido, é importante quea peça cirúrgica seja examinada, pode-se realizar uma melhor classificação da lesão, fixar a sua extensão, os planos que atinge e, no caso de canceres, se ocorrem ou não lesões metastáticas. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 116 O exame da peça cirúrgica é, muito importante para documentação científica. É muito frequente que o exame da peça cirúrgica revele lesões que não haviam sido diagnosticadas, nem pela clínica prévia. CUIDADOS NECESSÁRIOS Atribuições do médico em relação ao exame histopatológico: 1. O cirurgião é o chefe da equipe de cirurgia 2. Tem total responsabilidade com o material retirado do seu paciente. 3. Deve checar as atribuições da equipe de enfermagem CAUSAS DE ERRO E DE FALHA NAS BIÓPSIAS Falta de representatividade do material colhido: É uma das causas mais frequentes de falha da biópsia Outras vezes a amostra é tomada de áreas apropriadas mas são tão exíguas e tão diminutas que não dão ao patologista tecido suficiente para um diagnóstico preciso, sobretudo naqueles casos em que se trata de lesões mal caracterizadas, de neoplasias pouco conhecidas ou naqueles casos em que o diagnóstico diferencial é difícil. MANIPULAÇÃO INADEQUADA DO MATERIAL O fragmento retirado pela biópsia não deve ser esmagado, pressionado, enfim, mal tratado pelo cirurgião ou pelo pessoal do centro cirúrgico. É muito comum que um fragmento seja colocado à força num recipiente de gargalo estreito, deformando-o e comprimindo- o a ponto de produzir artefatos que invalidam o exame histológico. O material obtido com eletrocautério (CAF) é com frequência inadequado para exame histológico por vir, às vezes, demasiadamente queimado. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 117 DEFEITOS DE FIXAÇÃO O fragmento retirado deve ser colocado no fixador. Não deve ficar exposto ao ar, secando-se. Em hipótese alguma pode ser colocado em água destilada pelos efeitos de hipotonia que se produzem. O fixador universal, o melhor que já se inventou até hoje para uso geral, é o formol (formalina) a 10%. Para prepara-lo misturam-se 09 partes de água (pode ser água de torneira) para uma parte do formol comercial. O volume do fixador deve ser de cerca de 10 vezes o volume do material. IMUNO-HISTOQUÍMICA Esta técnica revelou-se de grande utilidade na prática diária da Patologia Cirúrgica. Consiste na detecção de antígenos por meio da utilização de anticorpos marcados com um agente cromógeno, que são então vistos ao microscópio óptico. É especialmente útil na detecção de antígenos tumorais, receptores de membrana, antígenos de vírus, etc., permite a determinação de sítios primários de neoplasias metastáticas, diagnóstico diferencial de neoplasias histologicamente semelhantes, tipagem de linfomas, identificação de agentes infecciosos. Discriminação de natureza “benigna “versus” maligna” de determinadas proliferações celulares. HER2 O gene HER2 favorece a divisão e proliferação Celular. Em até 25% dos cânceres de mama o gene HER2 sofreu amplificação, o que faz que ele seja capaz de estimular maior divisão e a proliferação celulares. Em consequência, os tumores HER2+ demonstraram crescimento mais acelerado, maior capacidade de metástases e menor relação entre os fatores prognósticos tradicionais e o tempo de sobrevida. O gene HER2 (HER2/neu ou ERBB2), braço longo do cromossomo 17 (17q11.2-q12). Seu produto de expressão é uma proteína de membrana celular com atividade de tirosina-quinase. A ativação dessa proteína é o mecanismo pelo qual a divisão e a proliferação são estimuladas. Na célula normal, existe uma cópia do gene por cromossomo. Na célula neoplásica ocorre a amplificação, ou a existência de mais de uma cópia do gene por cromossomo. No câncer de mama, a amplificação é de duas a vinte vezes, e a atividade aumentada produz uma quantidade até cem vezes maior da proteína transmembrana que estimula a duplicação. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 118 PALESTRA 2 – CITOPATOLOGIA VAGINAL Módulo: Saúde da Mulher CITOLOGIA DO COLO UTERINO A citologia oncótica ou colpocitologia é o método mais difundido mundialmente para rastreamento de células cancerosas e pré-cancerosas. Introduzida na década de 40 por Papanicolaou, representou grande avanço no controle do carcinoma da cérvice uterina. O Exame de Papanicolaou detecta doenças que ocorrem no colo do útero antes do desenvolvimento do câncer. O exame não é somente uma maneira de diagnosticar a doença, mas serve principalmente para determinar o risco de uma mulher vir a desenvolver o câncer. Respeita-se duas características: 1. A cavidade vaginal tem um revestimento estratificado, epitélio espesso, sujeito a traumas, contínuo com o ectocérvice. 2. O Endocérvice possui um epitélio fino, não é sujeito a traumas. Nas décadas de 40 e 50, era extremamente comum o CA de colo uterino, mas, devido à prevenção, o CA de mama passou a ser mais comum. ** Há células permanentes (neurônio e célula muscular), estáveis (hepatócitos) e lábeis (colo uterino). Epitélio estratificado escamoso (ectocérvice – branco) possui mais de 2 camadas e é mais resistente. Epitélio colunar (endocérvice – vermelho): o núcleo está na base e o citoplasma é amplo para acumular a secreção. As glândulas da endocérvice (epitélio especializado) produzem muco cervical, é um muco que auxilia na lubrificação vaginal e auxilia os espermatozoides do sêmen ao oferecer nutrientes necessários ao seu funcionamento, é um muco polissacarídeo **A Ectocérvice, que continua com o epitélio da cavidade vagina, possui uma cor mais clara que a endocérvice, devido ao seu epitélio mais espesso. O tipo de epitélio estratificado nesse caso é escamoso, muito espesso. O nosso revestimento inicia-se na membrana basal, as células dessa região são profundas e lábeis. Elas amadurecem e tornam-se intermediárias. A medida que a célula vai se tornando mais madura, o núcleo vai diminuindo. Ectocérvice Revestimento especializado, mas pouco resistente. Células cilíndricas, epitélio escamoso e colunar Endocérvice A junção dos dois é chamada Junção Escamocolunar (90 a 95% de todos os CA de colo). O HPV tem um tropismo pela JEC. Eu só tenho certeza de que o material foi coletado na JEC se ele tiver células endocervicais. Ao contrário, ele será insatisfatório, bem como quando não houver identificação da lâmina ou tiver sangue junto. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 119 Quando tem pouco material na coleta, não é por falta de técnica, mas porque o processo é benigno (as células são muito unidas). Quanto maior o tamanho do núcleo, mais jovem é a célula. Só surge CA em células jovens (profundas). O citoplasma das células basais é mais compacto e escuro. Vagina = epitélio estratificado = ↓ proporção de lesões Colo= Maioria das lesões malignas em jovens Corpo= Maioria das lesões malignas em idosos Paciente Idosa A maioria das patologias benignas ocorre no colo e as malignas no corpo uterino (Em mulheres jovens isso se inverte). Endocérvice / Ectocérvice / Junção escamucolunar (95% das lesões) → 1,2 cm pra dentro do canal cervical. **Só surge câncer em célula jovem 1. Estratificado → Ectocérvice → Células profundas (mais jovens) mais propícias ao câncer 2. JEC → Monoestratificado/Cilíndrico (núcleo na base e citoplasma amplo → epitélio secretor) 3. Endocérvice 4. Córion → Mucosa → Vasos sanguíneos e linfáticos → prognóstico pior → ↑ Metástase A Espátula deve ser introduzida na Junção Escamocolunar (transição entre ectocérvice e endocérvice) Na paciente que já teve filhos,o orifício é elíptico e não oval. ** 90% dos cânceres de colo uterino surgem na JEC. Só surge câncer em células jovens. Assim, as células profundas são as agredidas, causando uma divisão celular anômala. METAPLASIA Transformação de um tecido já diferenciado em outro diferente (mais resistente ao ambiente adverso), mas de mesma origem embrionária. É uma substituição adaptativa reversível que só ocorre em tecidos renováveis (epitélios e conjuntivos, nunca em músculo ou tecido nervoso). Processo indireto, camada de células indiferenciadas de reserva é que se diferenciam alteradamente. Mesma origem embrionária tecido epitelial só transforma em outro epitelial, e tecido conjuntivo só se transforma em outro conjuntivo, um conjuntivo não pode se metaplasiar em epitélio ou vice versa. Substituição de um tecido para outro para proteger o tecido conjuntivo, é reversível. Só ocorre em células lábeis. Metaplasia pode se transformar em uma displasia (dificuldade na maturação da célula → ↑Crescimento exacerbado das células) METAPLASIA ESCAMOSA NO BRÔNQUIO É a transformação de um epitélio em outro quando há necessidade (mesenquimatoso, escamoso e colunar). Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 120 Na metaplasia escamosa no brônquio, o epitélio ciliado normal é frágil. Toda vez que é destruído, ele regenera (tabagismo). Devido a lesões repetitivas, o organismo muda o epitélio por um mais resistente que não produz muco e não tem cílio (pigarro e suscetibilidade a infecções). É um epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado com células caliciformes. As células desse epitélio são lábeis e frágeis. Em decorrência do fumo, o organismo modifica esse epitélio e o torna um epitélio escamoso, que confere maior proteção METAPLASIA ESCAMOSA DO COLO UTERINO A metaplasia na JEC é devido traumatismos recorrentes (infecção, gravidez de repetição, n° de parceiros). Não é um processo fisiológico, é uma lesão pré-maligna. As células tentam se adaptar a ambientes cada vez mais inóspitos. Isoladamente, o risco de evoluir para o câncer de colo uterino é pequeno Quanto mais espesso o epitélio Maior proteção ao tecido conjuntivo O novo epitélio pode obstruir o ducto da glândula, assim a secreção fica sem seu canal de saíde, fica encarcerada, e a região vai se dilatando, gerando o Cisto de Naboth. COLETA DE COLPOCITOLOGIA ONCÓTICA IMPORTÂNCIA Rastreamento do câncer do colo uterino Redução de 43% da incidência de câncer cervical Redução de 46% da mortalidade [Alta especificidade (97% a 100%)]. Baixo custo; exame de triagem; bem tolerável pelas pacientes Fácil aplicação a grandes populações INDICAÇÕES E ORIENTAÇÕES PARA A COLETA Coleta anual em todas as mulheres com vida sexual ativa (conceito antigo) Abstinência sexual por dois dias Não usar duchas ou cremes vaginais nos dois dias prévios à coleta Não colher durante o período menstrual Avaliar a presença de infecções vaginais ou corrimentos. Conceito antigo: Deve ser feito em todas as mulheres após início da vida sexual ativa. Conceito Novo (2016): Esse exame deve ser colhido em mulheres de 25 a 60 anos, uma vez por ano e, após dois exames anuais consecutivos negativos, a cada 3 anos. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 121 Hoje, é utilizado um espectro descartável, que tem diferentes tamanhos. A extremidade fosca da lâmina serve para colocar a identificação da lâmina utilizando LÁPIS (Caneta solta a tinta ao entrar em contato com o álcool). Uma vez que o material seja coletado, ele deve ser colocado no álcool IMEDIATAMENTE. Essas células secam muito rápido. Esfregaço ectocervical Vertical, passar de forma difusa, não muito espessa, em uma extremidade. Esfregaço endocervical Horizontal, na outra extremidade. ** As células benignas costumam ser extremamente unidas. As células lesadas diminuem sua adesão, como no câncer. É necessário avaliar a presença de infecções vaginais ou corrimentos clinicamente. Falhas relacionadas a coleta Preparação delgada, bem distendida, bem-fixada (fixação imediata) Adequabilidade Da Amostra Amostra fina, delicada e representativa. Fase estrogênica do ciclo Mais células superficiais Fase progesterônica do ciclo Mais células intermediárias **Ausência de células endocervicais no esfregaço indica que a amostra foi inadequada. **A doença do colo uterino tem uma evolução muito lenta, assim, uma vez que até os 60 anos não ocorreu alguma manifestação, dificilmente isso ocorreria. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 122 RECOMENDAÇÕES Início deve ser aos 25 anos de idade para as mulheres que já tiveram ou tem atividade sexual O rastreamento antes dos 25 nos deve ser evitado Os exames periódicos devem seguir até os 64 anos de idade e, naquelas mulheres sem história prévia de doença neoplásica pré-invasiva, interrompidos quando essa mulheres tiverem pelo menos dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos. Para mulheres com mais 64 anos de idade e que nunca se submeteram ao exame Citopatológico, deve se realizar dois exames com intervalo de um a três anos Se ambos os exames forem negativos, essas mulheres podem ser dispensadas de exames adicionais Não deve ser realizado no período menstrual e não deve esperar mais de 10 segundos para colocar no álcool. O epitélio é branco porque ele é rico em glicogênio, que produz glicogênio são as células maduras, superficiais. TESTE DE SCHILLER Reação química do iodo com o glicogênio, reage com as células maduras e cora. Se não corar, indica que reagiu com células jovens, presente em situações possivelmente patológicas. Célula madura → produz glicogênio → Schiller negativo Célula basal → não produz glicogênio → Schiller positivo O glicogênio, que é produzido por células maduras, fixa o iodo em todo o colo. Se a área ficar branca, o Schiller será positivo Conforme a célula amadurece, o núcleo diminui e o citoplasma ocupa a maior parte do volume celular. A medida que amadurece, mais produtos metabólicos estão ocupando o citoplasma e, portanto, ele adquire uma cor mais rósea. Células Normais ↓ Células Metaplásicas ↓ Falsos-negativos da citologia cervical varia de 1,5% a 55%. Esta variação pode ser devida em parte às diferenças na coleta especialmente quanto à obtenção de células endocervicais que determinam a adequação da amostra. A combinação mais eficiente é o uso da escova para coleta endocervical e uma espátula tipo ponta longa (Ayre). A ausência de células endocervicais no esfregaço indica que a junção escamo-colunar não foi amostrada. O patologista deve classificar esta amostra como inadequada e o clínico de que deve efetuar nova coleta. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 123 A presença de células endocervicais parece ser um critério válido e conveniente para estabelecer a adequação do esfregaço para a detecção de displasias. Outras características do esfregaço podem interferir na adequação da amostra como: falta de identificação adequada da lâmina, falta de informações clínicas pertinentes, presença de sangue, áreas espessas e artefatos de fixação. SECREÇÃO VAGINAL FISIOLOGICA Nas mulheres em idade fértil, o estrogênio causa o desenvolvimento de um epitélio vaginal espesso com um grande número de células superficiais que servem uma função protetora e que contém grande quantidade de glicogênio. Lactobacilos de Döederlein usam o glicogênio para produzir ácidos lático, acético e peróxido de hidrogênio. Isso resulta em um ambiente ácido (pH ácido entre 4e 4,5) que inibem o crescimento de bactérias oportunistas patogênicas. As secreções vaginais normais variam de material delgado e aquoso a um que é grosso, branco e opaco que se acumula no fundo de saco posterior. As secreções alcalinas do colo do útero antes e durante a menstruação e o sêmen reduzem a acidez e predispõem para infecções. Antes da menarca e após a menopausa, as secreções vaginais variam entre um pH de 6-7. Quanto mais básico o meio, maior a chance de infecção. CORRIMENTO VAGINAL Anormalidade, em quantidade ou no aspecto físico, do conteúdo vaginal, que se exterioriza através dos órgãos genitais externos. Pode ser um sintoma referido pela paciente ou apenas um sinal identificado pelo ginecologista. Pode ser decorrente do exagero das secreções normais ou em virtude de exsudato inflamatório. SECREÇÃO VAGINAL FISIOLÓGICA Muco cervical, células vaginais e cervicais esfoliadas, secreções das glândulas de Bartholin e Skene, pequena quantidade de leucócitos, e microorganismos da flora vaginal. Cor branca ou transparente. pH ácido (abaixo de 4,5) Volume variável Odor Sexo no período menstrual Propicia infecções, uma vez que o epitélio está mais frágil. VULVOVAGINITES Vulvovaginite causa alterações na secreção, mas nem sempre ocorre por via infecciosa. Em geral, termo utilizado para representar o principal motivo da maioria das consultas ginecológicas: o corrimento (Vulvovaginites). É um processo inflamatório e/ou infeccioso que acomete o trato genital inferior, ou seja, envolve a vulva, paredes vaginais e o epitélio escamoso estratificado do colo uterino (ectocérvice). Vulvovaginite Infecciosa Candidíase vulvovaginal Vaginose bacteriana Trichomoníase Chlamydia Cervicite por gonococo Infecção viral Vulvovaginite Não- infecciosa Vaginite atrófica Vaginite alérgica Pênfigo Doença do colágeno VAGINOSE CITOLÍTICA Afecção não infecciosa causada pelo aumento do número de Lactobacillus sp no trato genital inferior, cérvix e vagina, torna o pH local mais ácido, estes bastonetes convertem o glicogênio vaginal contido no citoplasma das células escamosas superficiais e intermediárias em ácido lático. A redução progressiva do pH acentua o processo de destruição celular (citólise) das células do epitélio escamoso que recobre o trato genital inferior. (pH 3,5 e 4,5). O aumento do número de lactobacilos nesta doença impede a proliferação excessiva de outros agentes bacterianos e fúngicos, por impedir a adesão destes organismos ao epitélio vaginal devido à competição por nutrientes. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 124 Torna o Ph mais ácido, assim a secreção vaginal é branca, não grumosa, não aderente, homogênea e fluida, com odor variável.Na cândida, a secreção parece queijo coalhado. Sufixo “ite”: inflamação. Aqui não é inflamação. Há um ↑ da produção de bacilos de Doderlein e, consequentemente, de glicogênio. O glicogênio é degradado e ↓pH. O tratamento é ↑ o pH. Por cursar com sintomas semelhantes àqueles observados na candidíase vaginal, tais doenças são facilmente confundidas. QUADRO CLÍNICO Secreção vaginal branca, não grumosa, não aderente, homogênea e fluída, com odor variável. Prurido vulvo-vaginal, dispareunia, disúria e ardor vulvar costumam ser mais pronunciados durante a fase luteal do ciclo menstrual, pela maior quantidade de glicogênio livre na vagina, propiciando um aumento do número de lactobacilos. Ao exame físico a vulva e a vagina podem apresentar-se com aspecto normal ou com leve hiperemia e edema discreto. **O tratamento tem como objetivo a correção do ph. Deve-se suspender todos os produtos de uso tópico usados pela paciente, diminuindo a agressão ao epitélio. Utiliza-se óvulos de bicarbonato de sódio 150mg duas a três vezes por semana durante duas semanas. Pode-se prescrever banhos de assento com bicarbonato de sódio na diluição de uma colher de sopa em 600 ml de água (5 a 10 minutos) duas vezes ao dia, durante 3 a 5 dias para alívio da sintomatologia local. VAGINOSE BACTERIANA A vaginose bacteriana é uma infecção vaginal causada pela proliferação anormal das bactérias naturais da vagina, sendo a principal causa de corrimento vaginal nas mulheres em idade fértil. Agentes: Gardnerella vaginalis Mycoplasma hominis Prevotella sp, Mobiluncus sp. Há ↓ da produção de lactobacilos ↓ do glicogênio ↑ do pH ↑ da proliferação de bactérias. QUADRO CLÍNICO Cerca de metade das mulheres é assintomática Corrimento vaginal branco-acinzentado, homogêneo, finamente aderido às paredes vaginais, pode ser bolhoso sem sinais inflamatórios. É a principal causa de corrimento vaginal. Incide em aproximadamente 45% das mulheres. Usa-se o termo vaginose bacteriana para diferenciá-lo da vaginite, na qual ocorre uma verdadeira infecção dos tecidos vaginais. A vaginose bacteriana causa pouca ou nenhuma inflamação, portanto, não costuma cursar com sintomas de dor, prurido ou disúria. Na vaginose, por outro lado, as lesões dos tecidos não existem ou são muito discretas, caracterizando- se apenas pelo rompimento do equilíbrio microbiano vaginal normal Sintoma Típico: queixa de odor fétido, semelhante a “peixe podre”, o qual piora após o coito ou durante a menstruação, condições na qual o pH vaginal se eleva. Secreção espessa e cheiro fétido. O cheiro piora após o coito ou durante a menstruação. Os microrganismos ficam na célula, formam as “clue cells”. É a única patologia vaginal que causa esse tipo de alteração na morfologia. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 125 Na citologia, o diagnóstico dessa bactéria é feito através do encontro das "células guias" ou clue cells que são células escamosas cobertas de bactérias, dando um efeito de apagamento das bordas celulares. Além disso, em casos de infecção por Gardnerella, observamos um esfregaço em que o predomínio é de células escamosas maduras. As células podem ou não apresentar alterações inflamatórias assim como pode haver ou não a presença de numerosos leucócitos. ** DX com base no pH e citologia. FATORES DE RISCO 1. Uso de duchas vaginais 2. Coito durante o período menstrual 3. Início precoce da atividade sexual 4. Múltiplos parceiros 5. Fumar 6. Uso de calcinha sintética apertada 7. Uso recente de antibióticos TRATAMENTO Metronidazol: Comprimido (500 mg) por via oral, 2 vezes ao dia, 7 dias ou geleia ( Creme vaginal ) sete a dez dias; Clindamicina (risco B): creme vaginal, durante sete dias, à noite. CANDIDIASE VULVOVAGINAL Segunda causa mais comum de corrimento vaginal. Estima- se que 75% das mulheres em idade fértil experimentem pelo menos uma infecção fúngica. O organismo pode ser isolado de até 20% de mulheres assintomáticas em idade fértil. É uma infecção da vulva e da vagina causada por um fungo comensal gram-positivo, saprófita, que habita a mucosa vaginal e digestiva e que, sob determinadas condições, multiplica-se por esporulação, tornando-se patogênico. Na maioria dos casos, a espécie C. albicans está envolvida. A infecção por Candida não é considerada uma DST, visto que a via sexual não é a principal forma de transmissão na candidíase, visto que os organismos a ela relacionados podem fazer parte da flora endógena, mas pode ser disseminada sexualmente e o parceiro somente é tratado em casos recidivantes. Aumento de risco na 2ª década de vida, em que ocorre início da atividade sexual. **FUNGO é uma doença oportunista, acomete pessoas com algum tipo de deficiência imunológica. QUADRO CLÍNICO Depende do grau de infecção e da localização do tecido inflamado. Prurido vulvovaginal grave e desconforto vulvar (principal sintoma e de intensidade variável). Queimação vulvovaginal Dor à micção(disúria) Dispareunia Hiperemia e edema vulvar Escoriações de coçadura com fissuras da vulva Vagina e colo hiperemiados e recobertos por placas brancas ou branco-acinzentadas, aderidas à mucosa. O odor é incomum. Corrimento branco grumoso, semelhante a leite talhado. Os sintomas tendem a se manifestar ou se exacerbar antes da menstruação e melhorar durante a menstruação e período pós- menstrual; Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 126 FATORES DE RISCO Gravidez; (hormônios reprodutivos aumentam o teor de glicogênio no tecido vaginal, que fornecem uma fonte de carbono para organismos de candida). Anticoncepcionais orais; (Aumenta a colonização vaginal com candida após o uso de contraceptivos orais com elevado teor de estrogênio). Diabetes mellitus (descompensado); Uso de corticóides ou imunossupressores; A incidência de candidíase vulvovaginal aumenta dramaticamente na segunda década de vida, correspondendo ao início da atividade sexual. Hábitos de higiene e vestuário inadequados (que diminuem a ventilação e aumentam a umidade e o calor local); Contato com substâncias alérgenas e/ou irritantes (por exemplo: talco, perfume, desodorantes); Alterações na resposta imunológica (imunodeficiência e alergia). Na histologia, percebe-se claramente as hifas dos fungos, em formato de um ramo de cana-de-açúcar. TRICOMONÍASE É uma DST causada pelo Trichomonas vaginalis (parasita anaeróbio, flagelado). Sexualmente transmitido. Doença não-viral mais prevalente de distribuição mundial. Atinge principalmente mulheres e homens sexualmente ativos. pH vaginal em torno de 5 a 7. Em mais de 60% dos casos está associado a vaginose bacteriana conferindo maior morbidade. Idade (20–50 anos). Fatores de risco: Status socioeconômico, tabagismo. Sobrevive em água tratada e em piscinas Cerca de 25 a 50% das mulheres positivas são assintomáticas. Amplificação da transmissão do HIV O parceiro deve ser tratado. É necessária abstinência sexual até cura da paciente e parceiro. Existe uma alta prevalência de gonorréia em mulheres com tricomoníase. As infecções variam de assintomático a grave. QUADRO CLÍNICO Corrimento abundante amarelo-esverdeado, bolhoso e com odor fétido; purulento e abundante. Processo inflamatório importante (vagina e colo uterino); Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 127 Prurido, hiperemia e edema de vulva e vagina,disúria e dor pélvica ocasionais. Dor durante a relação sexual (dispareunia). O aspecto clínico não é suficiente para o diagnóstico correto em aproximadamente 50% dos casos. Os homens geralmente são portadores assintomáticos; Mulheres geralmente sintomáticas; Obs: mulheres pode ser assintomática após a menopausa. O homem geralmente é assintomático. Há grande processo inflamatório; causa Colpite focal ou difusa (colo fica com aspecto em “framboesa”) prurido e dispareunia. O fluido é espesso, bolhoso, purulento, com odor forte (não chega a ser cheiro de peixe podre). DX é identificando Trichomonas no esfregaço. TRATAMENTO Metronidazol: 2g, Via Oral; dose única ou 500 mg VO de 12/12 h durante 7 dias **Metronidazol gel não é indicado O parceiro deve ser tratado Necessária abstinência sexual durante o tratamento Rastreio de outras DST’s GESTANTE Metronidazol: 2g VO dose única ou 250 mg VO 8/8 h durante 7 dias. CDC 2010: não há estudos confirmando a teratogenicidade no primeiro trimestre. PUÉRPERA AMAMENTANDO Suspender amamentação durante o tratamento e até 24 h após o término. Zona de transformação anormal Em mosaico, zona clara (leucoplasia). DISPLASIA Displasias Adquiridas ou Hiperplasias Atípicas, podem ser conceituadas como uma resposta proliferativa atípica e irregular as irritações crônicas, reversível. Caracterizada por perda de diferenciação (anaplasia), atipia celular (pleomorfismo e hipercromasia), e atipia estrutural. Tais displasias podem ser enquadradas também no grupo das lesões pré-malignas. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 128 Retrocesso da formação Desdiferenciação. Classicamente é tida como a transformação de um tecido já diferenciado num indiferenciado, reversão de células adultas para sua forma embrionária, com aumento considerável da capacidade de multiplicação de tais células. Imaturidade celular; células que não amadurecem; não crescem e podem sofrer mutação, caracterizada por atipia celular. Isomorfismo Formas e tamanhos celulares semelhantes. Pleomorfismo Variação de forma e tamanho das células. Atipia: Células que tem velocidade de crescimento diferentes, consequentemente, tamanhos e formas diferentes. Tendência de a célula voltar a ser jovem (algum fator impede a diferenciação e evolução celular). Há pleomorfismo (tamanhos e formas diferentes) e hipercromasia (fixa muito corante). É fácil remover a região de NIC, porque as células não estão muito juntas. A principal causa de NIC hoje é o HPV. Quanto maior as atipias, maior é a lesão. NEOPLASIA INTRA-EPITELIAL CERVICAL (NIC) Conjunto de alterações caracterizadas por atipias celulares dos epitélios do colo do útero que, de acordo com o estádio evolutivo do processo, classificam-se em três graus: 1. NIC-I: terço do epitélio mais próximo da camada basal; 2. NIC-II: 50% do epitélio; 3. NIC-III: toda espessura do epitélio, não ultrapassando a membrana basal (Ca in situ). É específico para colo. É uma lesão precursora do HPV, que tem uma probabilidade de involuir. A célula em que o núcleo se aproxima da célula madura (núcleo pequeno) é NIC I. A célula em que o núcleo se aproxima da célula profunda (núcleo maior) é NIC II ou III. O NIC pode ser identificado em qualquer camada. NIC I: na célula infectada por HPV, há acúmulo de líquido (edema/vacúolo coilocitose). Há atipia (célula mais corada, de tamanho e forma diferentes). NIC I (Displasia leve); NIC III (Displasia acentuada) Quanto maior o citoplasma, menor o núcleo, menor o NIC. Quanto menor o citoplasma, maior o núcleo, maior o NIC. NIC I: lesões só na porção inferior. NIC II: lesões mais ou menos até metade do epitélio. NIC III ou carcinoma in situ: compromete toda a extensão do epitélio. Lesão só no epitélio. O tecido conjuntivo está íntegro sem possibilidade de metástase. Célula profunda NIC III (Compromete todo o epitélio) Célula intermediaria NIC II (Compromete metade do epitélio) Célula superficial/madura NIC I (Compromete menos de 1/3 do epitélio) Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 129 Membrana basal Separa o epitélio do tecido conjuntivo. Não há risco de metástase no NIC, pois no epitélio não há vasos. Se a lesão infiltrar na membrana basal, deixa de ser NIC, é um carcinoma invasivo. A história natural do câncer do colo do útero geralmente apresenta um longo período de lesões precursoras, assintomáticas, curáveis na quase totalidade dos casos quando tratadas adequadamente, conhecidas como NIC II/III, ou lesões de alto grau. CONDILOMA ACUMINADO (HPV) Agente: Papiloma Vírus Humano (HPV) Transmissão: via sexual. MANIFESTAÇÃO CLÁSSICA Pele dolorosa, pequenas verrugas rugosas nas zonas genitais, anais ou garganta. Mulheres: Vulva, períneo, vagina e colo do útero, havendo quase sempre, concomitância de corrimento vaginal. Homens: Glande, prepúcio e a bolsa testicular. Atualmente o HPV é considerado como fator “necessário” para a presença do Câncer do Colo Uterino. Está presente em 99 % das mulheres com essa doença. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 130 Existemmais de 100 tipos de HPV, sendo que apenas de 35-40 são infectantes do homem. Doenças associadas ao HPV Câncer (vários tipos) Lesões pré-cancerígenas Condiloma ou Verruga Genital Subgrupo de HPVs mais relacionados ao câncer e ao Condiloma: Condiloma: Tipos: 6 e 11 CA: Tipos 16 e 18 Tipos de Lesões Pré-Cancerígenas x HPV NIC e NIVa Tipos de Condiloma Vaginal e Vulvar, Peniano, Anal Labial, Língua, Orofaringe Já a NIC I representa a expressão citomorfológica de uma infecção transitória produzida pelo HPV e têm alta probabilidade de regredir, de tal forma que atualmente não é considerada como lesão precursora do câncer do colo do útero. O vírus do HPV afeta a bomba de sódio e potássio CLASSIFICAÇÃO Sistema de Bethesda (1988) Amostra negativa para células malignas; Inflamatório Células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASCUS) Lesão intra-epitelial escamosa baixo grau (LSIL) Lesão intra-epitetial escamosa alto grau (HSIL) Carcinoma de células escamosas Variação de tamanho e forma Comum no HPV. A progressão de NIC I demora anos, pode ter regressão em 60%. Ocorre aumento da vascularização do colo por angiogênese no câncer. O HPV é transmissão estritamente sexual. O ato sexual é traumático, formando microfissuras no tecido. O vírus, consequentemente, é inoculado por células jovens. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 131 TRATAMENTO NIC-I: Sem biópsia; Repetir preventivo em 6 meses; Persistência por mais de 6 meses ou sinais de cervicite ou colpite tratar. NIC-II ou NIC-III: Biópsia; Conização por CAF VACINA CONTRA O HPV 2006: Chegou ao Brasil vacinas para prevenir a infecção pelo HPV. A vacina é fornecida gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a meninas e meninos de 09 a 14 anos. Homens e mulheres de 9 a 26 anos vivendo com HIV ou AIDS, pacientes que receberam transplante de órgãos, de medula óssea e pessoas em tratamento contra o câncer. A idade mais favorável à vacinação é a faixa etária entre 9 a 13 anos, porque é neste período que a vacina garante maior proteção, já que as adolescentes não iniciaram a vida sexual, e, por isso, não estiveram expostas ao vírus. A vacina previne a reinfecção ou a reativação da doença relacionada ao vírus nela contido. Vacina Quadrivalente: chamada Gardasil. Protege contra quatro tipos do vírus – 6, 11, 16 e 18 (responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero e por 90% das verrugas genitais). Via intramuscular – 0,5 ml, em três doses: 0, 60 e 180 dias. Vacina Bivalente: Indicada a partir dos 9 anos e sem limite de idade; protege apenas contra os vírus 16 e 18. Protege contra o câncer do colo do útero, mas não contra as verrugas genitais. Laboratório GSK, sendo comercialmente vendida como Cervarix; Vacina Nonavalente: Administrada em meninos e meninas idade entre os 9 e 26 anos. Protege contra 9 subtipos do vírus do HPV: 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58. Protege contra o câncer do colo do útero, vagina, vulva e ânus, assim como contra verrugas provocadas pelo HPV; É fabricada Merck Sharp & Dhome.Nome comercial de Gardasil 9; PREÇO DA VACINA CONTRA O HPV: O preço da vacina bivalente contra o HPV é de, aproximadamente, R$ 200 por dose e o da tetravalente é de, aproximadamente, R$ 300 por dose, quando tomadas no particular. A vacina NONAVALENTE ainda não tem preço. Ana Júlia Soares Oliveira Professor: Edson Gusmão Turma 73 – Medicina Unimontes 132