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Ginecologia e Obstetrícia 2ª etapa - Pedro Antônio OVULAÇÃO, IMPLANTAÇÃO E EMBRIOGÊNESE Ciclo menstrual: - O ciclo menstrual tem início através do hormônio GnRH produzido pelo hipotálamo que vai atuar diretamente sobre a adenohipófise, estimulando a produção de FSH (hormônio folículo estimulante) e LH (hormônio luteinizante). - FSH vai atuar no recrutamento do folículo ovariano, e além disso, seu pico vai levar ao estímulo de estrogênio (estrogênio a nível ovariano -> crescer folículo e preparar para ovular / estrogênio a nível uterino -> proliferação endometrial). - LH vai ser responsável pela liberação do óvulo na metade do ciclo (quando regular), e além disso, vai ser responsável por estimular a produção de progesterona através do corpo lúteo (progesterona a nível uterino -> manter o endométrio proliferado). - Quando não há fecundação, o nível de progesterona produzido pelo corpo lúteo vai regredir diminuindo a produção de progesterona e fazendo com que ocorra a descamação do endométrio -> menstruação (início do novo ciclo). - A partir do momento em que a mulher menstrua, o organismo já começa a ativar novamente o FSH para reiniciar todo ciclo. Obs.: Primeira fase (proliferativa) = predomínio de FSH e estrogênio. Segunda fase (lútea) = predomínio de LH e progesterona. O aumento de estrogênio e de progesterona fazem feedback negativo para diminuir a produção de FSH e LH. Ovários - São divididos em duas zonas: Zona cortical -> contém os folículos ovarianos, formados pelas células germinativas e células foliculares. Há também o corpo lúteo, glândula endócrina cordonal (resultante da ruptura do folículo maduro na ovulação) que é responsável pela produção de progesterona. Zona medular -> é continua ao hilo e é de tecido conjuntivo frouxo, ricamente vascularizado - A cada ciclo menstrual os ovários vão produzir vários folículos, porém apenas UM é recrutado para amadurecer. Eles passam pelos estágios de crescimento, são eles: primordiais -> primário -> secundário -> terciário/pré antral -> antral/maduro (folículo de Graaf), e quando não ocorre a fecundação eles sofrem atresia. - Folículos primordiais são constituídos pelo oócito primário e por uma camada de células foliculares pavimentosas. - O oócito cresce, se desenvolve e produz a zona pelúcida - camada extracelular com glicoproteína. - A proliferação das células foliculares resulta em crescimento de várias camadas celulares - células da granulosa (mais interna) e posteriormente as células da teca (mais externa). - As células da granulosa e da teca comunicam entre si devido a presença de receptores. Obs.: Teoria das duas células: um estimulo chega na parte mais externa (células da teca) onde se localiza o receptor de LH e o de LDL. Toda gordura que entra para a célula, através estímulo de LH, vai sofrer reações que vão ser responsáveis pela sua conversão em progesterona. A progesterona formada vai ser convertida em androgênios. Parte desse androgênio produzido na célula da teca será convertido em testosterona que vai caminhar para a corrente sanguínea e a outra parte será encaminhada para a célula da granulosa. O androgênio que chega na granulosa, com predomínio do receptor de FSH, vai ser convertido em testosterona e estrogênio através da enzima aromatase, sendo a forma circulante do estrogênio na mulher fértil (menacme) é na forma de ESTRADIOL, que ao entrar na corrente sanguínea vai promover seus efeitos. - Com o acúmulo de fluido e sódio dentro das células foliculares, o folículo atinge a forma antral. Nesse estágio, 24h após o nível máximo de estrogênio, há o pico de LH. O oócito primário conclui a primeira meiose, originando o oócito secundário. - Com o acúmulo de fluído e aumento do antro, ocorre divisão da camada granulosa -> cumulus oophorus (projeção no antro) e corona radiata (circunda o oócito) -> formação do folículo de Graaf ou maduro (ele é formado 7 dias antes da ovulação – ele que vai liberar o óvulo para ser fecundado) - Quando acontece a liberação do óvulo, o corpo lúteo é formado (fica localizado na região de trompa uterina). Se não ocorrer fecundação, o corpo lúteo sobrevive por 10 a 14 dias e se degenera, levando a diminuição de progesterona – vai ocorrer a menstruação e o estimulo para a produção de FSH para reiniciar o ciclo. Se ocorrer fecundação, corpo lúteo se mantem até placenta se formar e ser autossuficiente para a produção de progesterona. Implantação - Durante período da ovulação, devido níveis elevados de estrogênio, as fímbrias fazem “varreduras” no ovário a fim de captar um óvulo. - A fecundação ocorre na trompa uterina, especificamente na região denominada ampola. - O transporte do óvulo fecundado até a cavidade uterina leva cerca de 3 a 4 dias. - Para ocorrer a fecundação, é necessário que o espermatozoide passe por 2 processos: Capacitação (ocorre ainda no trato feminino): desprendimento da cobertura superficial de glicoproteína Reação acrossômica: influxo de Ca2+ que provoca fusão da camada externa do acrossomo com a membrana plasmática do espermatozoide para que consiga penetrar no óvulo e assim ocorrer a fecundação - O óvulo fecundado chega na cavidade uterina na fase de MÓRULA, e a implantação ocorre por volta do 21º dia do ciclo menstrual na fase de blastocisto (levando em consideração que a ovulação ocorre geralmente na metade do ciclo – 14º dia). - Logo após a fase de mórula -> blastocisto - Etapas: (obs.: prof disse que não precisa decorar e que isso não cai em prova nenhuma) Espermatozoide atravessa a corona radiata Espermatozoide atravessa a zona pelúcida Fusão das membranas citoplasmáticas - Após a fusão com o oócito, ocorre o bloqueio a polispermia (forma rápida: despolarização da membrana do oócito; e forma lenta: reação cortical) Término da meiose e formação do pro-núcleo feminino Formação do pro-núcleo masculino Fusão dos pro-núcleos origina célula diploide – zigoto – Fase de clivagem ou segmentação – o zigoto sofre divisões: Após sucessivas divisões mitóticas ocorre a formação dos blastômeros Com 16 blastômeros é denominado de MÓRULA Com 32 blastômeros é denominado BLASTOCISTO propriamente dito Cada estágio de divisão demora 1 dia Até o estágio de 8 células, diz-se que o desenvolvimento é regulado; porém a partir desse estágio, o desenvolvimento passa a ser chamado de desenvolvimento em mosaico (expressão genética diferente – células terão destinos diferentes) O blastocisto é formado por uma camada superficial, o trofoblasto e em um pequeno grupo interno de células, o embrioblastos O trofoblasto deriva parte da placenta e o embrioblasto origina o embrião propriamente dito - Fase de implantação (2ª semana): - Etapas: aposição, adesão e invasão Aposição: adesão inicial do blastocisto à parede uterina. 1ª etapa da implantação é o hatching (eclosão) –> saída do blastocisto pela ruptura da zona pelúcida. Adesão: aumento do contato físico entre o blastocisto e o epitélio uterino. Esse blastocisto penetra as estruturas do miométrio da mulher com o intuito de aumentar ainda mais o aporte de nutrientes e O2 para nutrir o feto. Invasão: O blastocisto encosta no epitélio uterino pelo polo embrionário e a partir dessa região, surge o sinciciotrofoblasto (8º dia após fecundação). O sinciciotrofoblasto penetra o endométrio até terço médio do miométrio, atingindo glândulas e vasos sanguíneos. As células mais internas, constituem o citotrofoblastos –> principal componente secretório da placenta. Além disso, o sinciciotrofoblasto produz beta hCG e já no final da segunda etapa, já tem níveis existentes no plasma materno. Com a implantação, o endométrio sofre a reação decidual – os trofoblastos diferenciam-se nas células deciduais Completada a implantação, o trofoblasto se diferencia em duas linhas – trofoblastos vilosoe extraviloso: Trofoblasto viloso – vilosidades coriônicas –> transporte de O2 e nutrientes entre mãe e feto Trofoblasto extraviloso –> migra para dentro da decídua (futuramente dará origem a placenta) e do miométrio, penetra a vasculatura materna Invade a decídua para a formação do leito placentário e penetração das artérias espiraladas Trofoblasto intersticial Trofoblasto endovascular No 12º dia, o endométrio está reconstituído e cobre totalmente o embrião, como se fosse uma camada protetora Obs.: Os trofoblastos que serão responsáveis pela penetração vascular na mulher grávida, fazendo com que os vasos que nutrem o útero e futuramente a placenta tenham um calibre adequado. Isso ocorre porque a mulher fora da gestação possui uma artéria uterina de um jeito diferente de quando engravida, ou seja, ela precisa que durante a gravidez ocorra a vasodilatação dessa artéria para que maior quantidade de sangue chegue ao útero para nutrir o feto (trofoblastos extravilosos) Uma das teorias da pré-eclâmpsia é que quando esses trofoblastos extravilosos não conseguem invadir a vasculatura materna, ao invés dos vasos dilatarem, eles ficam com o diâmetro que é normal fora do período gestacional, e isso leva a um aumento da pressão devido a elevada demanda de nutrição do feto. - Fase de formação da placenta (placentação): Durante a gestação, o endométrio é chamado de decídua (protege o ovo da destruição e promove a nutrição) Pode ser dividida entre: - Basal: entre o embrião e o miométrio (onde ocorre a nidação) - Capsular: recobre o zigoto - Parietal: é o restante da decídua que reveste a superfície interna do útero Na 2ª semana, os trofoblastos (viloso) formam as vilosidades primárias Na 3ª semana, as vilosidades primárias são penetradas pelo mesoderma extraembrionário –> surgem as vilosidades secundárias e terciárias. As vilosidades terciárias são chamadas de vilosidades coriônicas que pertencem ao córion frondoso. O córion possui área sem vilosidade (córion liso) e área com vilosidade (córion viloso/frondoso) Com o crescimento do embrião, a decídua capsular se funde a decídua parietal, obliterando a luz do útero. A decídua capsular se degenera e desaparece. Fusão decídua capsular e parietal A placenta é formada pela decídua basal e pelo córion viloso (componente materno e fetal) A placenta apresenta 2 faces: - Materna: em contato com a decídua basal (contato com útero) - Fetal: recoberta pelo âmnio e vai originar o cordão umbilical. São formadas por cotilédones (face materna), correspondentes aos troncos coriais e separados pelos septos deciduais, dividem a face materna. Principal função é evitar a involução do corpo lúteo e fazê-lo secretar quantidades maiores de estrogênio e progesterona O corpo lúteo exerce esse papel até a sétima semana, quando então a placenta progressivamente assume essa função, ao redor da 12ª semana de gestação. Entre a 13ª e 17ª semana de gestação, o corpo lúteo irá involuir pois a placenta já se encontra autossuficiente para produzir tais hormônios. Embriogênese - 7º Dia de desenvolvimento –> formação do hipoblasto –> fina camada celular voltada para a blastocele - 8º Dia –> ocorre acúmulo de fluido entre as células do embrioblasto e cria-se a cavidade amniótica –> sob ela, as células do embrioblasto formam uma camada de células colunares: epiblasto - Na 2ª semana –> embrião é chamado de didérmico (composto pela camada hipoblasto e epiblasto) –> entre essas camadas, há lâmina basal - O âmino (membrana amniótica) será o revestimento interno do saco amniótico - A células do hipoblasto migram e revestem a blastocele –> originando a membrana de Heuser – formará o saco vitelino. - Com a formação do saco vitelino ocorre uma deposição de matriz extracelular entre a membrana de Heuser e o citotrofoblasto –> retículo extraembrionário - O retículo extraembrionário promove a migração das células do epiblasto, que se organiza em 2 camadas: mesoderma extraembrionário somático (vizinho do citotrofoblasto e do âmino) e mesoderma extraembrionário esplâncnico. - O retículo extraembrionário entre as duas camadas passa ser substituído por fluidos, celoma extraembrionário - O sinciciotrofoblasto, citotrofoblasto e o mesoderma extraembrionário somático compõem o córion - O saco coriônico ou saco gestacional consiste no córion e no celoma extraembrionário - A região do mesoderma extraembrionário somático que liga o embrião ao citotrofoblasto é o pedúnculo do embrião e será o cordão umbilical - O saco vitelino passa por nova onda de migração das células do hipoblasto e resultará no saco vitelino definitivo (formado pela membrana de Heuser e mesoderma extraembrionário esplâncnica. - O saco amniótico é formado pela membrana amniótica e pelo mesoderma extraembrionário somático - Inicialmente o líquido amniótico é proveniente do soro do sangue materno, depois há contribuição do transudato do cordão umbilical, da pele, trato respiratório e digestivo. Feto ingere esse líquido e depois urina - Com a expansão do acúmulo de líquido, o saco amniótico ocupará todo a cavidade coriônica, resultando na membrana amniocoriônica -> espaço virtual, que quando há rompimento de bolsa (bolsa rota) é chamado de amniorrexe - Função do líquido é proteger o feto do dessecamento, choque mecânico, infecção, permita a movimentação fetal, expansão pulmonar - 4ª Semana, com o dobramento do disco embrionário em um tubo, parte do saco vitelino fica incorporada como intestino primitivo e o restante fica junto ao pedúnculo do embrião e resulta no cordão umbilical - No 16º dia, o alantoide surge como uma evaginação ventral do intestino posterior revestido por endoderma e por mesoderma extraembrionário esplâcnico. No mesoderma da alantoide, são gerados os vasos umbilicais (ligam o feto à placenta). Com o desenvolvimento, essa estrutura participa da formação da bexiga. Após o nascimento, ela se transformará o ligamento umbilical médio que ligará a bexiga à região umbilical - Gastrulação, formação da linha primitiva e do embrião tridérmico A gastrulação é um processo que envolve movimentos celulares que estabelecem as 3 camadas germinativas do embrião (ecto, meso e endoderma) –> todas originadas das células do epiblasto A concentração de células do epiblastos estabelece uma linha mediana e caudal, a linha primitiva. Com a linha primitiva, são identificados o eixo anteroposterior (craniocaudal) e eixo direito-esquerdo do embrião Na extremidade cranial, há acúmulo de células, que é o nó primitivo (ou nódulo de Hensen) O movimento das células através da linha primitiva produz um sulco e a saída de células do nó primitivo forma a fosseta primitiva No final da 3ª semana, a linha primitiva regride e desaparece DESTINO DOS FOLHETOS EMBRIONÁRIOS ECTODERMA Epiderme e seus anexos (pelos, glândulas) Sistema nervoso MESODERMA Derme Sis. Muscular, circulatório, esquelético e urogenital ENDODERMA Epitélio e glândulas do tubo digestivo Epitélio do sistema respiratório Epitélio de revestimento interno da bexiga urinária Obs.: prof. frisa que é importante saber esse quadrinho acima - Neurulação A neurulação é o dobramento da placa neural em tubo neural - ocorre do meio para as extremidades (chamados de neuróporos – anterior fecha no 25º dia e o posterior fecha no 27º dia) Começa abaixo do nó primitivo entre o endoderma e o ectoderma do embrião – processo notocordal As células do nó primitivo migram ao nível do mesoderma e formam a placa precordal Processo notocordal se dobra e forma a notocorda Tem como função o desenvolvimento do sistema nervoso no ectoderma Formação da notocorda induz a formação da placa e do tubo neural Anencefalia ocorre quando não háo fechamento do neuróporo anterior. E quando não há fechamento da parte posterior tem a meningocele, mielomeningocele Importância do ácido fólico no período gestacional -> evita má formação do SNC Tubo neural originará o sistema nervoso central: o encéfalo e medula espinhal Das pregas neurais, no momento que se fundem, saem células que formam as cristas neurais –> essas células migram para várias partes do corpo e dão origem aos gânglios e nervos raquidianos do sistema nervoso periférico, as meninges do sistema nervoso central, músculos e ossos da cabeça, a medulla da adrenal e os melanócitos. - Diferenciação do mesoderma: Diferencia-se em: - Paraxial (ao lado do tubo neural e da notocorda) –> é formado por estruturas chamadas somitos (esqueleto axial, derme do dorso do corpo e a musculatura do dorso do tronco e dor membros) - Intermediário –> encontrados nos túbulosnefrogênicos: precursos do sistema urinário e sistema reprodutor - Lateral –> Somático ou parietal (originará o tecido conjuntivo dos membros, parede laterais e ventrais do corpo). Esplâncnico ou visceral (derivará o conjuntivo e os músculos do sistema cardiovascular, respiratório e digestivo) Embriologia feminina - O desenvolvimento gonádico (ovariano) inicia-se na 5ª semana. Ressalvando que a diferenciação sexual so ocorre a partir da 8ª semana de gestação - Durante a migração, as células germinativas se dividem mitoticamente até as 28 semana. Nessa fase, a crista genital está completamente colonizada por 6 a 7 milhões de células germinativas primordiais (folículos). - O ovário inicia sua diferenciação com a regressão dos canais de Wolff, simultaneamente com o desenvolvimento das vias genitais femininas a partir dos canais de Muller - 8ª semana a região central do ovário é invadida pelo mesonefros, que empurra as células germinativas para a periferia ficando o córtex ovariano cheio de ovogônias e a parte medular por células mesonéfricas - As células diferenciadas a partir do precursor mesonéfrico, vão dar origem às células pré granulosas e as de origem mesenquimatosas, ás células pré tecais e estroma ovariano - Ductos de Muller ou paramesonéfricos são primórdios da genitália feminina; ductos de Wolff ou mesonéfricos, são primórdios da genitália masculina - Na ausência do hormônio anti mulleriano, o feto desenvolverá as trompa de Fallópio, útero e parte da vagina a partir dos canais paramesonéfricos (canais de Muller) - Da 3ª a 8ª semana o desenvolvimento sexual é idêntico em ambos os sexos, a partir da 8ª semana que ocorre a diferenciação - Os canais de Muller se diferenciam a partir da 6ª semana