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Exames para diagnóstico de gravidez Exames laboratoriais: 1. Teste de gravidez de farmácia (urina): Ele detecta o hormônio hCG (gonadotrofina coriônica humana) na urina, sendo recomendado a partir do primeiro dia de atraso menstrual. É um exame rápido e barato que pode ser feito em casa, porém pode dar falso-negativo se feito muito cedo. 2. Exame de sangue beta-hCG: Existe o exame qualitativo que indica apenas se há ou não gravidez e o quantitativo que mede a concentração exata de hCG no sangue. Pode detectar gravidez cerca de 8 a 11 dias após a fecundação, mesmo antes do atraso menstrual, sendo o método mais confiável para confirmação precoce da gravidez. Exame de imagem: 1. Ultrassonografia transvaginal: Recomenda-se realizar a partir da 5ª semana de gestação (contando desde o 1º dia da última menstruação). É possível visualizar o saco gestacional, vesícula vitelínica, e posteriormente batimentos cardíacos fetais, confirmando a localização intrauterina da gestação (exclui gravidez ectópica) e ajudando a datar a gestação com precisão. Migração e fecundação O oócito (óvulo) e o espermatozoide migram de onde foram produzidos para que ocorra a fecundação (ou seja, a união do gameta feminino com o masculino). Transporte do oócito: Durante a ovulação, o oócito secundário é liberado do folículo ovariano junto com o fluido folicular. As fímbrias da tuba uterina se aproximam do ovário e, com movimentos de varredura e ação dos cílios, conduzem o oócito ao infundíbulo da tuba. Em seguida, ele migra para a ampola, impulsionado por movimentos peristálticos da tuba, seguindo em direção ao útero. Transporte dos espermatozoides: A ejaculação reflexa do sêmen pode ser dividida em duas fases: 1. Emissão: sêmen é conduzido até a uretra prostática por peristalse dos ductos deferentes, controlada pelo sistema nervoso simpático. 2. Ejaculação: o sêmen é expelido da uretra graças à contração dos músculos uretral e bulboesponjosos, e ao fechamento do esfíncter da bexiga. Os espermatozoides saem do epidídimo por contrações musculares e percorrem os ductos deferentes até a uretra, sendo que as glândulas seminais, próstata e bulbouretrais contribuem com secreções ao sêmen. Cerca de 200 a 600 milhões de espermatozoides são depositados no fórnice da vagina, onde a vesiculase, enzima das glândulas seminais, forma um tampão vaginal, impedindo o refluxo do sêmen. O muco cervical se torna menos viscoso na ovulação, facilitando a subida dos espermatozoides. A passagem até a tuba uterina é auxiliada pelas contrações do útero e das tubas, onde apenas 200 espermatozoides chegam. Fecundação e suas fases: A fecundação normalmente ocorre na ampola da tuba uterina. Se o oócito não for fecundado ali, ele segue até o útero, onde degenera e é reabsorvido. O encontro com o espermatozoide é guiado por sinais químicos liberados pelo oócito e células foliculares, processo chamado de quimiotaxia. A fecundação é uma sequência coordenada de eventos físicos e moleculares, que começa com o contato entre o espermatozoide e o oócito e termina com a fusão dos cromossomos maternos e paternos, formando o zigoto, um embrião unicelular. Esse processo leva cerca de 24 horas e depende de moléculas específicas na superfície dos gametas para o reconhecimento e fusão. Qualquer falha pode resultar na morte do zigoto. Fases da Fecundação: 1. Passagem pela corona radiata: O espermatozoide atravessa a camada externa de células foliculares que envolve o oócito. A enzima hialuronidase, do acrossoma, enzimas da tuba uterina ajudam a dispersar essas células, assim como os movimentos da cauda também auxiliam na penetração. 2. Penetração da zona pelúcida: Atravessar a zona pelúcida é crucial. Enzimas do acrossoma como acrosina (principal), esterase e neuraminidase digerem essa camada, permitindo a entrada. 3. Reação zonal: Após a entrada de um espermatozoide, ocorre a reação zonal, que torna a zona pelúcida impenetrável a outros espermatozoides. Essa reação é causada por enzimas liberadas por grânulos corticais do oócito, que alteram a zona pelúcida e a membrana plasmática. 4. Fusão das membranas: As membranas do espermatozoide e do oócito se fundem, permitindo a entrada da cabeça e cauda do espermatozoide no citoplasma do oócito. A membrana espermática e mitocôndria não entram. A enzima fosfolipase C-zeta do espermatozoide aumenta o cálcio intracelular, reativando o ciclo celular do oócito. 5. Término da meiose do oócito: O oócito conclui a segunda divisão meiótica, originando um oócito maduro e um segundo corpúsculo polar. O núcleo materno se reorganiza e forma o pronúcleo feminino. 6. Formação do pronúcleo masculino: O núcleo do espermatozoide se incha e forma o pronúcleo masculino. A cauda do espermatozoide degenera. Ambos os pronúcleos replicam seu DNA (n = haploide, 2c = duas cromátides). 7. Formação do zigoto: Os dois pronúcleos se fundem, formando o zigoto diploide (2n = 46 cromossomos). O zigoto inicia a clivagem, com os cromossomos organizados no eixo de clivagem. Clivagem do zigoto: A clivagem do zigoto consiste em divisões mitóticas rápidas e sucessivas que aumentam rapidamente o número de células, chamadas blastômeros. A cada divisão, essas células tornam-se progressivamente menores. Esse processo ocorre enquanto o zigoto avança pela tuba uterina em direção ao útero, permanecendo envolto pela zona pelúcida. A primeira divisão ocorre cerca de 30 horas após a fecundação, e as demais seguem em sequência. Quando o embrião atinge o estágio de nove células, os blastômeros se reorganizam por meio de um processo chamado compactação, que é mediado por glicoproteínas de adesão e permite maior interação entre as células. Essa compactação é essencial para a separação das células internas, que formarão o embrioblasto, das células externas, que darão origem ao trofoblasto. Durante esse processo, os blastômeros também se polarizam, estabelecendo regiões apicais e basolaterais. A via de sinalização Hippo é fundamental para essa diferenciação celular. Quando o embrião atinge entre 12 e 32 blastômeros, recebe o nome de mórula, que se forma aproximadamente três dias após a fecundação, momento em que chega ao útero. NIDAÇÃO, FORMAÇÃO DOS ANEXOS EMBRIONÁRIOS E GASTRULAÇÃO Formação do blastocisto: Após cerca de 4 dias da fecundação, quando a mórula chega ao útero, forma-se uma cavidade com líquido chamada cavidade blastocística. Esse líquido separa as células em duas partes: ● Trofoblasto: camada externa que formará a placenta. ● Embrioblasto: massa interna que dará origem ao embrião. A partir desse estágio, o embrião passa a ser chamado de blastocisto, e começa a produzir o fator de gravidez precoce (EPF), detectável no sangue materno entre 24 e 48 horas. Após flutuar no útero por cerca de dois dias, a zona pelúcida se rompe, permitindo o crescimento do blastocisto. Por volta do 6º dia, ele inicia a implantação no endométrio, geralmente no polo embrionário. O trofoblasto se diferencia em duas camadas: ● Citotrofoblasto (interna). ● Sinciciotrofoblasto (externa): O sinciciotrofoblasto é a camada externa do trofoblasto, formada durante o início da implantação do blastocisto no útero (por volta do 6º dia após a fecundação). Ele é capaz de invadir o tecido uterino, como se fosse uma “raiz” que fixa o embrião no útero, crescendo por fusão de novas células vindas do citotrofoblasto, e não por multiplicação direta. No 7º dia, surge o hipoblasto, primeira camada germinativa, formada na face inferior do embrioblasto. O sinciciotrofoblasto fagocita células deciduais (ricas em glicogênio e lipídios) próximas ao local da implantação, fornecendo nutrientes ao embrião. Ele também produz o hormônio hCG, que entra na circulação materna através das lacunas preenchidas com sangue materno. O hCG (gonadotrofina coriônica humana) é essencial para manter o corpo lúteo funcional, estimulando a produção de estrogênio e progesterona,que sustentam o endométrio durante o início da gestação. Formação da cavidade amniótica: Após o início da implantação, forma-se um pequeno espaço dentro do embrioblasto, chamado primórdio da cavidade amniótica. As células amniogênicas (amnioblastos) se separam do epiblasto e revestem essa cavidade, formando o âmnio. Formação do disco embrionário bilaminar: Concomitantemente, o embrioblasto se reorganiza em uma estrutura chamada disco embrionário bilaminar, formado por duas camadas: ● Epiblasto: células cilíndricas voltadas para a cavidade amniótica. ● Hipoblasto: células cúbicas voltadas para a cavidade exocelômica. O epiblasto forma o assoalho da cavidade amniótica e o hipoblasto dá origem à vesícula umbilical primitiva, juntamente com a membrana exocelômica. Nutrição embrionária inicial e circulação uteroplacentária: Ao mesmo tempo, surgem lacunas no sinciciotrofoblasto, preenchidas por sangue materno e secreções uterinas. Essa mistura, chamada embriótrofo, fornece nutrientes ao embrião por difusão. A conexão dos capilares endometriais com essas lacunas estabelece a circulação uteroplacentária primitiva. Reação decidual e fechamento do endométrio: No 10º dia, o embrião está totalmente implantado, e a abertura no endométrio é fechada por um coágulo fibrinoso, posteriormente recoberto por epitélio regenerado. O tecido conjuntivo endometrial passa por alterações chamadas reação decidual, responsáveis por nutrir o embrião e protegê-lo do sistema imune materno. Formação do celoma extraembrionário e vesícula umbilical secundária: No interior do mesoderma extraembrionário, surgem espaços que se fundem formando o celoma extraembrionário, que envolve o âmnio e a vesícula umbilical. Como resultado, a vesícula umbilical primitiva é substituída pela vesícula umbilical secundária, formada por células endodérmicas vindas do hipoblasto. Funções da vesícula umbilical: Embora não contenha vitelo nos humanos, a vesícula umbilical possui funções importantes: ● Origem das células germinativas primordiais. ● Transferência de nutrientes para o disco embrionário. Formação do saco coriônico: No final da 2ª semana surgem as vilosidades coriônicas primárias, prolongamentos celulares que crescem do trofoblasto em direção ao endométrio. O celoma extraembrionário divide o mesoderma em: ● Mesoderma somático extraembrionário: reveste o trofoblasto e o âmnio. ● Mesoderma esplâncnico extraembrionário: reveste a vesícula umbilical. Essas estruturas, junto ao trofoblasto, formam o cório, que delimita o saco coriônico, onde o embrião, o âmnio e a vesícula ficam suspensos por um pedículo de conexão. Marcação da região cefálica: placa precordal Por volta do 14º dia, o disco embrionário bilaminar ainda está presente. No entanto, células do hipoblasto se tornam cilíndricas e formam a placa precordal, um espessamento importante que marca a futura região da boca e atua como organizador da cabeça. O rápido desenvolvimento do embrião a partir do disco embrionário trilaminar durante a 3ª semana é caracterizado por: ● Aparecimento da linha primitiva; ● Desenvolvimento da notocorda; ● Diferenciação das três camadas germinativas.. Gastrulação A gastrulação é o processo em que o disco embrionário bilaminar se transforma em um disco trilaminar, formando as três camadas germinativas que darão origem a todos os tecidos e órgãos do corpo. Esse evento marca o início da morfogênese e é o evento mais importante da 3ª semana do desenvolvimento embrionário. Durante essa fase, o embrião passa a ser chamado de gástrula O processo envolve intensas mudanças no formato das células, reorganização tecidual, migração celular e alteração nas propriedades de adesão. Diversas moléculas reguladoras, como proteínas morfogenéticas ósseas (BMPs), FGFs, Shh (Sonic Hedgehog), Wnts e Tgifs são fundamentais na sinalização e controle da gastrulação. As três camadas germinativas e suas origens: ● Ectoderma: forma a epiderme, sistema nervoso central e periférico, olhos, ouvido interno, células da crista neural e tecidos conjuntivos da cabeça. ● Mesoderma: dá origem aos músculos esqueléticos, células sanguíneas, vasos, músculos lisos viscerais, revestimentos serosos das cavidades corporais, órgãos e ductos urinários e genitais, sistema cardiovascular e tecidos conjuntivos do tronco (ossos, cartilagens, tendões, etc.). ● Endoderma: origina os revestimentos epiteliais dos sistemas digestório e respiratório, glândulas do tubo digestório, fígado e pâncreas. Exames laboratoriais: 1.Teste de gravidez de farmácia (urina): Ele detecta o hormônio hCG (gonadotrofina coriônica humana) na urina, sendo recomendado a partir do primeiro dia de atraso menstrual. É um exame rápido e barato que pode ser feito em casa, porém pode dar falso-negativo se feito muito cedo. 2.Exame de sangue beta-hCG: Existe o exame qualitativo que indica apenas se há ou não gravidez e o quantitativo que mede a concentração exata de hCG no sangue. Pode detectar gravidez cerca de 8 a 11 dias após a fecundação, mesmo antes do atraso menstrual, sendo o método mais confiável para confirmação precoce da gravidez. Exame de imagem: 1.Ultrassonografia transvaginal: Recomenda-se realizar a partir da 5ª semana de gestação (contando desde o 1º dia da última menstruação). É possível visualizar o saco gestacional, vesícula vitelínica, e posteriormente batimentos cardíacos fetais, confirmando a localização intrauterina da gestação (exclui gravidez ectópica) e ajudando a datar a gestação com precisão. Fases da Fecundação: NIDAÇÃO, FORMAÇÃO DOS ANEXOS EMBRIONÁRIOS E GASTRULAÇÃO Formação do blastocisto: Nutrição embrionária inicial e circulação uteroplacentária: Reação decidual e fechamento do endométrio: Formação do celoma extraembrionário e vesícula umbilical secundária: Funções da vesícula umbilical: Formação do saco coriônico: Marcação da região cefálica: placa precordal As três camadas germinativas e suas origens: