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GT3 MÉTODOS CONTRACEPTIVOS HORMONAIS Introdução: ● Anticoncepção é o uso de métodos e técnicas com a finalidade de impedir que o relacionamento sexual resulte em gravidez. ● Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados de várias maneiras. Reconhecem-se dois grupos principais: ➔ Reversíveis: comportamentais, de barreira, dispositivos intrauterinos, hormonais e os de emergência. ➔ Definitivos: esterilização cirúrgica feminina e esterilização cirúrgica masculina. ● Os métodos de anticoncepção hormonal são aqueles que utilizam drogas similares aos esteróides ovarianos para promover modificações na fisiologia feminina com o objetivo de impedir a fecundação. ● Entre os métodos hormonais, alguns apresentam apenas progestagênios na sua composição e são classificados de acordo com sua origem e seu tipo de via de administração. ● Atualmente, no Brasil, os métodos disponíveis são: ➔ Os de via oral para uso diário; ➔ O injetável trimestral (acetato de medroxiprogesterona de depósito) para ser administrado por via intramuscular, a cada três meses, ➔ O implante de etonogestrel para utilização por via subcutânea, por 3 anos; ➔ O sistema intrauterino com levonorgestrel efetivo, por 5 anos. ● A anticoncepção de emergência, que é comercialmente liberada, também contém apenas progestagênio, o levonorgestrel. ● Formulações: Os anticoncepcionais hormonais orais podem ser qualificados em combinados, contando com a presença de estrogênio e progestagênio, ou em método apenas de progestagênio. Contracepção hormonal por via oral: Anticoncepcional hormonal combinado oral: Os tradicionais consistem em 21 pílulas ativas com a mesma dose de estrogênio/progestagênio, sendo denominados monofásicos, em que todas as pílulas ativas são iguais. Há também os bifásicos, trifásicos ou multifásicos, que alteram a dose tanto do componente estrogênico como do progestagênico ao longo do esquema de administração. Outro fator a ser considerado é o período livre de hormônio, intervalo de pausa de 4 ou 7 dias. Nesse período, pode-se iniciar a maturação folicular, em decorrência da perda do bloqueio hipofisário pela interrupção do uso hormonal. No entanto, durante o uso do AHCO, o sangramento acontece porque houve uma privação no uso de hormônio, e não uma menstruação fisiológica. É considerado regime de uso estendido o método que apresenta 28 ou mais comprimidos ativos (com hormônio) com intervalo livre de hormônio que pode ser preconizado a cada 42, 63, 84 dias ou mais. Regime contínuo é aquele no qual não há nenhuma parada previamente definida, de modo que o uso do método é ininterrupto, ou seja, sem período livre de hormônio. ➔ Mecanismo de ação: A eficácia de um método anticoncepcional é medida pelo índice de Pearl (PI), isto é, o número de gestações não planejadas por 100 mulheres que usaram o método durante 1 ano. O cálculo para uso ideal, isto é, uso correto sem esquecimentos ou atraso, é de cerca de 0,3 a 0,5. O risco de uma gravidez é maior quando os comprimidos são esquecidos no início da primeira semana ou no final da carteira, porque esses erros 1 ampliam o intervalo livre de hormônio durante o qual a maturação folicular se iniciará, aumentando a chance de ocorrer a ovulação. ➔ Riscos: O risco mais conhecido, temido e estudado é o tromboembólico. ➔ Indicação e contraindicações: as contraindicações mais importantes (categorias 3 e 4) são a presença de antecedentes ou de fatores de risco para trombose venosa profunda, acidente vascular cerebral, enxaqueca com aura, doenças cardíacas, como as isquêmicas, uso de prótese valvar, estenose mitral com fibrilação atrial e síndrome de Marfan. Também não devem ser utilizados em mulheres com neoplasia hormônio-dependente, como câncer de mama, doença hepática ativa, porfiria, hipertensão pulmonar ou hipertensão arterial moderada ou grave. O risco de complicações se eleva com obesidade, tabagismo, hiperlipidemias e em usuárias com mais de 35 anos. ➔ Efeitos colaterais: náuseas, ganho de peso, alteração de humor, mastalgia, cefaleia e sangramento irregular. Anticoncepcionais hormonais apenas com progestagênios: composto exclusivamente pelo componente progestagênico, como levonorgestrel (dia seguinte), noretisterona ou linistrenol, é denominado minipílula. ➔ Mecanismo de ação: método contendo apenas progestagênio é baseado principalmente na inibição da ovulação e no espessamento do muco cervical, dificultando a ascensão dos espermatozóides. Esse anticoncepcional também exerce efeito sobre o endométrio, tornando-o hipotrófico e menos vascularizado. ➔ Indicação: é ampla e apresenta poucas contraindicações, de modo que pode ser indicada para qualquer faixa etária durante a menacme, da menarca (na adolescência) à menopausa (no climatério), em nulíparas ou multíparas. Pode ser utilizado em mulheres no pós-parto que estejam ou não amamentando, e deve ser introduzido após a 6 ° semana do parto, para as que amamentam. Anticoncepção de Emergência: Método que pode oferecer à mulher uma maneira de prevenir a gravidez não planejada após uma relação desprotegida ou na falha de método, quando utilizada nas primeiras 120 horas após o coito, como após relação sexual não planejada e desprotegida, uso inadequado de métodos anticoncepcionais, falha anticonceptiva presumida (rotura de preservativo, esquecimento da pílula) e no caso de violência sexual (estupro). ➔ Tipos e composição: Os esquemas utilizados podem ser por via oral — progestagênio isolado ou associado a estrogênio — e via intrauterina com o dispositivo intrauterino (DIU). Atualmente, a opção mais indicada é o método que contém apenas levonorgestrel (1,5 mg), que pode ser empregado até 5 dias após a relação suspeita. Pode ser utilizado em dose única ou dividido em duas tomadas com intervalo de 12 horas. O levonorgestrel é um progestagênio seguro, que apresenta poucos efeitos colaterais. Não há contraindicação para sua utilização. Para obter bom resultado, a paciente deve ser orientada a tomar o comprimido o mais próximo possível do coito, podendo utilizá-lo no período de até 5 dias pós-relação. ➔ Mecanismo de ação: Vários estudos apresentam fortes evidências de que o levonorgestrel inibe ou retarda a ovulação, se utilizado antes desse período. Ele inibe a elevação do hormônio luteinizante (LH), impedindo o desenvolvimento e a maturação folicular. Esse é o principal mecanismo de ação do levonorgestrel na AE. Não há inibição da implantação. Contracepção hormonal por via não oral: ❖ Classificação: Os contraceptivos hormonais (CH) podem ser classificados conforme sua composição e via de administração. A composição refere-se à presença (combinado) ou à ausência do componente estrogênico (progestagênio isolado). Já a via de administração significa o uso do CH pela via oral ou não oral (transdérmica, vaginal, intramuscular, intrauterina e subdérmica). 2 ❖ Mecanismo de ação: Os CH agem, primariamente, inibindo a secreção de gonadotrofinas, sendo que o progestagênio é o principal responsável pelos efeitos contraceptivos observados. O efeito mais significativo do progestagênio é a inibição do pico pré-ovulatório do hormônio luteinizante (LH). Além disso, espessa o muco cervical, dificultando a ascensão dos espermatozóides. O componente estrogênico age inibindo o pico do hormônio folículo-estimulante (FSH) e, com isso, interfere negativamente no crescimento folicular, além de potencializar a ação do componente progestagênio, por meio do aumento dos receptores de progesterona intracelulares. Apesar desse efeito potencializador, a presença de estrogênio não se traduz em maior eficácia contraceptiva. Dos CH não orais disponíveis, apenas o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG) não inibe sistematicamente a ovulação em todas as usuárias. A taxa de inibição da ovulação com SIU-LNG é inferior a 25%,4 com efeito contraceptivo basicamente local, alterando a capacitação e sobrevivência espermática, além de efeito no endométrio e alteração do muco cervical. ❖ DESCRIÇÃO DOS CONTRACEPTIVOS HORMONAIS EXISTENTES: Todosos métodos CH não orais descritos podem ser iniciados até o 5º dia do ciclo menstrual, sem necessidade de proteção anticonceptiva adicional para garantir sua eficácia. ➔ injetável mensal: composto pela associação entre um estrogênio natural (valerato de estradiol, cipionato de estradiol, enantato de estradiol) e um progestagénio (noretisterona, medroxiprogesterona, algestona). Usado mensalmente por via intramuscular (IM). ➔ injetável trimestral: está disponível no Brasil o acetato de medroxiprogesterona de depósito (AMPD), usado trimestralmente IM. Deve-se lembrar de orientar a mulher sobre a alteração no padrão de sangramento e que a amenorreia pode ocorrer em 50 a 80% das usuárias. ➔ anel vaginal: consiste em um anel flexível, de plástico, que deve ser colocado pela própria mulher dentro da vagina sem posição preferencial. Libera diariamente 15 jug de etinilestradiol e 120 jug de etonogestrel (Nuvaring®). ➔ adesivo: devem ser trocados semanalmente (durante 3 semanas), também no mesmo dia da semana e horário, seguido de pausa de 7 dias. Libera diariamente cerca de 34 jug de etinilestradiol e 203 jug de norelgestromina (Evra®). 3 ➔ implante liberador de etonogestrel: trata-se de um implante de material plástico que contém 68 mg de etonogestrel (Implanon®). Deve ser inserido sob a derme, no braço não dominante da mulher, por profissional treinado. Tem duração de 3 anos com altíssima eficácia contraceptiva. Como qualquer método de progestagênio, levará a alteração do padrão de sangramento. ➔ SIU-LNG (DIU): endoceptivo que libera 20 jug de levonorgestrel (LNG) diretamente dentro do útero, com duração de 5 anos (Mirena®). Tem formato de T, é radiopaco e mede 32 mm. Assim, métodos que independem da usuária para manter sua eficácia (dispositivo intrauterino — DIU, implante e métodos cirúrgicos) são mais eficazes e se tornam interessantes para mulheres com fatores de risco de baixa adesão. CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE de um método anticoncepcional. Estes são definidos pelo conjunto de características apresentadas pelo(a) candidato(a) ao uso de um determinado método e indicam se aquela pessoa pode ou não utilizá-lo. A Organização Mundial de Saúde montou um grupo de trabalho que classificou estas condições em quatro categorias, assim dispostas, conforme sua última edição do ano de 2009: CATEGORIA 1 – o método pode ser utilizado sem qualquer restrição. CATEGORIA 2 – o uso do método em apreço pode apresentar algum risco, habitualmente menor do que os benefícios decorrentes de seu uso. Em outras palavras, o método pode ser usado com cautela e mais precauções, especialmente com acompanhamento clínico mais rigoroso. CATEGORIA 3 – o uso do método pode estar associado a um risco, habitualmente considerado superior aos benefícios decorrentes de seu uso. O método não é o mais apropriado para aquela pessoa, podendo, contudo, ser usado, no caso de não haver outra opção disponível ou no caso de a pessoa não aceitar qualquer alternativa, mas desde que seja bem alertada deste fato e que se submeta a uma vigilância médica muito rigorosa. Aqui estão enquadradas aquelas condições que antigamente se chamavam de contraindicações relativas para o uso do contraceptivo. CATEGORIA 4 – o uso do método em apreço determina um risco à saúde, inaceitável. O método está contraindicado. Compreende todas aquelas situações clínicas que antigamente se chamava de contraindicações absolutas ou formais. 4 5