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H I S T O R I A R GILBERTO COTRIM JAIME RODRIGUES MANUAL DO PROFESSOR 7 Componente curricular: História Ensino Fundamental – Anos Finais CAPA_HISTORIAR_PNLD2020_VOL7_LP.indd 2 10/29/18 10:13 AM H I S T O R I A R 7 MANUAL DO PROFESSOR Componente curricular: História Ensino Fundamental – Anos Finais 3a edi•‹o Ð S‹o Paulo, 2018 GILBERTO COTRIM Bacharel em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) Licenciado em História pela Faculdade de Educação da USP Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (Mack-SP) Professor de História na rede particular de ensino Advogado inscrito na OAB de São Paulo JAIME RODRIGUES Bacharel em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) Doutor em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP) Professor de História na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ex-professor de História nas redes pública e particular de ensino FRONTIS_HISTORIAR_PNLD2020_LP.indd 1 10/29/18 10:10 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALII Direção geral: Guilherme Luz Direção editorial: Luiz Tonolli e Renata Mascarenhas Gestão de projeto editorial: Mirian Senra Gestão de área: Wagner Nicaretta Coordenação: Eduardo Guimarães Edição: Thais Regina Videira e Wellington Santos Editora assistente: Ligia Torres Figueiredo Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga Planejamento e controle de produção: Paula Godo, Roseli Said e Márcia Pessoa Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Paula C. Malfa, Brenda T. M. Morais, Célia Carvalho, Daniela Lima, Flavia S. Vênezio, Gabriela M. Andrade, Luís M. Boa Nova, Maura Loria, Patrícia Travanca, Sandra Fernandez, Sueli Bossi; Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias) Arte: Daniela Amaral (ger.), Claudio Faustino (coord.), Felipe Consales e Karen Midori (edição de arte) Diagramação: Lima Estúdio Grafico Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Denise Durand Kremer (coord.), Renata Freitas e Mariana Sampaio (pesquisa iconográfica) Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.), Luciana Sposito (licenciamento de textos), Erika Ramires, Luciana Pedrosa Bierbauer, Luciana Cardoso Sousa e Claudia Rodrigues (analistas adm.) Design: Gláucia Correa Koller (ger.), Aurelio Camilo (proj. gráfico e capa), Tatiane Porusselli e Gustavo Vanini (assist. arte) Foto de capa: Mario Friedlander/Pulsar Imagens Todos os direitos reservados por Saraiva Educação S.A. Avenida das Nações Unidas, 7221, 1o andar, Setor A – Espaço 2 – Pinheiros – SP – CEP 05425-902 SAC 0800 011 7875 www.editorasaraiva.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Julia do Nascimento - Bibliotecária - CRB-8/010142 2018 Código da obra CL 820649 CAE 631646 (AL) / 631738 (PR) 3a edição 1a impressão Impressão e acabamento 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 2 11/5/18 11:23 AM IIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL Colega Professor, Esta obra foi elaborada com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento das competências e habilidades definidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Anos Finais do Ensino Fundamental, em História. A coleção dialoga com seus leitores e apresenta a professores e estudantes caminhos para a cons- trução da cidadania vinculada a princípios éticos, democráticos e inclusivos. Nesse sentido, a cidadania é considerada uma tarefa coletiva da qual todos devemos participar ativamente. Acreditamos que, por meio da reflexão histórica, podemos ampliar a consciência do que fomos para transformar o que somos. O Manual do Professor, que integra esta coleção, está dividido em duas partes. A parte geral apresenta nossa concepção da obra, seus pressupostos teórico-metodológicos e sua organização geral, a correspondência dos conteúdos com a BNCC, o referencial teórico-metodológico da proposta de avaliação, sugestões que possibilitam ampliar o uso da obra em sala de aula, a estrutura da obra e orientações a respeito das novas perspectivas para o trabalho com a história e a cultura da África, dos afro-brasileiros e dos povos indígenas do Brasil. A parte específica refere-se a cada volume da coleção. Nessa seção, apresentamos os objetivos pedagógicos de cada capítulo, orientações gerais sobre atividades a serem trabalhadas no livro do aluno, alertas sobre os pontos essenciais relacionados à BNCC, propostas de leituras e atividades complementares e, ao final, uma bibliografia. Bom trabalho com sua turma! Os autores Apresentação 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 3 10/29/18 9:26 AM 1. Concepção da obra e seus pressupostos ................................... VI 1.1. Diálogo passado e presente ............. VI 1.2. Novos objetos, novos objetivos ...... VII 1.3. História: campo de interpretações. ..VIII 1.4. História Social.................................... VIII 1.5. Aula, livro e ensino ..............................IX 1.6. Cidadania e livro didático ..................IX Sumário 2. Organização geral da obra ............... X 2.1. Os volumes e sua estrutura ................X 2.2. Correspondência dos conteúdos com a BNCC .................... XII 2.3. Estruturação dos capítulos ......... XXXII 3. A proposta de avaliação ........... XXXIII 3.1. Avaliação e atividades desta coleção .......................................... XXXIII 3.2. Avaliação qualitativa ...................XXXIV 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 4 10/29/18 9:27 AM 4. Usos do livro e possibilidades de trabalho ............................... XXXIV 4.1. Interdisciplinaridade ....................XXXV 4.2. Mapas ..............................................XXXV 4.3. Iconografia e leitura de imagens ...........................................XXXVI 4.4. Literatura ................................... XXXVIII 4.5. Fontes orais .........................................XL 4.6. Filmes ................................................. XLII 4.7. Estudo do espaço ...........................XLIV 5. Protagonistas da História ........... XLVI 5.1. África e afrodescendentes ........... XLVI 5.2. Povos indígenas ............................. XLVII 6. Parte específica do Livro do Professor ..................... XLVIII Abdullah Coskun/Anadolu Agency/A 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 5 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALVI HISTORIAR Ao falar da concepção da obra e seus pressupostos teóri- co-metodológicos, precisamos explicitar aspectos da cons- trução do conhecimento histórico e do ofício do historiador. Evidentemente, um tema tão amplo como este se desdobra em várias dimensões, que serão destacadas adiante. De início, queremos salientar que esta coleção tem como objetivo formar estudantes dos Anos Finais do Ensino Funda- mental matriculados nas escolas brasileiras, bem como ser um instrumento para que as professoras e os professores desse nível de ensino aprimorem suas atividades nas aulas de História. Esse objetivo traz compromissos atrelados a princípios éticos, democráticos e inclusivos, e, sobretudo, à legislação que rege o funcionamento da Educação no país. 1.1. Diálogo passado e presente Estudar História é debruçar-se sobre toda e qualquer ex- periência humana, independentemente de condição social, renda, cor, gênero, orientação sexual, deficiência, crença, idade, modo de falar e todas as demais características pes- soais que, eventualmente, poderiam ser tratadas de forma preconceituosa. Essa afirmação revela um compromisso do ensino de História de contribuir para a formação cidadã dos jovens estudantes. Afirmar que toda vivência humana interessa ao conheci- mento histórico também desfaz uma visão existente no senso comum de que o historiador estuda apenas o passado longín- quo. É certoque os objetos do historiador estão temporalmen- te no passado. Também é certo que a maioria dos historiadores se dedica a estudar tempos e espaços às vezes distantes do mundo contemporâneo. Mas aprender a reconhecer mudanças e permanências do passado (distante ou recente) no presente e dialogar com os tempos atuais são características do ofício do historiador que procuramos valorizar nesta obra. No decorrer dos volumes, as conexões entre o passado e o tempo presente foram pensadas como uma forma de pos- sibilitar a apreensão e a produção do conhecimento histórico, tornando os livros instrumentos eficazes para os estudantes em seus primeiros contatos com os temas de História abor- dados aqui. Sabemos que, em condições normais, os quatro anos do Ensino Fundamental II estão voltados a adolescentes e jovens cuja cognição evolui gradativamente. A coleção leva isso em conta, ao adequar a linguagem e o grau de dificuldade das atividades propostas à faixa etária à qual se destina, do 6o ao 9o ano. Para garantir uma aprendizagem significativa, é preciso se apropriar de alguns pressupostos do conhecimento histórico e do ofício do historiador, que são, essencialmente, frutos de pesquisas, leituras, reflexões e atividades de ensino. No ofício do historiador, ensino e pesquisa são faces da mesma moeda. Por isso, quando falamos de historiadores, estamos nos diri- gindo a todos os profissionais da História, especialmente aos professores, cujo ofício de historiador está voltado à formação de estudantes com vistas ao pleno exercício da cidadania. O ofício do historiador tem uma dimensão social relevan- te graças, sobretudo, ao magistério. A ação de milhares de professores de História no Brasil e no mundo é fundamental para formar gerações de cidadãos. Sabemos que esses pro- fissionais contornam dificuldades de todo tipo no âmbito es- colar, desde aquelas mais cotidianas até as mais complexas, como a necessidade de formação continuada. Ao elaborarmos esta coleção, pretendemos colaborar para diminuir algumas dessas dificuldades. Os tempos da maturação de uma ideia, da elaboração de uma hipótese ou da construção do conhecimento histórico capazes de integrar os estudantes em situações de apren- dizagens significativas podem ser mais longos do que, por exemplo, os tempos da realização de uma pesquisa especí- fica em laboratório na área médica ou química. Esta coleção foi concebida com o objetivo de auxiliar professores e estu- dantes, respeitando seus tempos, oferecendo instrumentos e apresentando situações de estudos para a produção do conhecimento histórico. Muitas vezes, os historiadores acumulam uma massa crítica de evidências ou procuram manter certo distancia- mento temporal que lhes permite abordar um tema, evitando o “calor do momento” em que as experiências foram vividas. O historiador francês Marc Bloch nos ensina algo sobre essa dimensão do nosso ofício e as conexões entre o passado e “O passado que deve impulsionar a dinâmica do ensino-aprendiza- gem no Ensino Fundamental é aquele que dialoga com o tempo atual.” Base Nacional Comum Curricular, p. 395. 1. Concepção da obra e seus pressupostos 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 6 10/29/18 9:27 AM VIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL o presente. Em sua obra Apologia da História ou o ofício de historiador 1, ele formulou as noções de “História como pro- blema” e como “ciência dos homens no tempo”. Qualquer tempo. Para Bloch, a História não deveria ser entendida como ciência do passado, e os historiadores deveriam perceber a importância do presente para a compreensão do passado e vice-versa. Bloch também sugere uma definição do tempo presente: ele seria um ponto minúsculo que foge incessantemente, pa- lavras e atos que naufragam no reino da memória. O passado é reconstituído a partir das experiências cotidianas: qualquer pesquisa avança, normalmente, do mais conhecido ao mais obscuro, e isso nada tem a ver com a cronologia. É importante frisar ao menos duas coisas que interferem no trabalho do historiador e na formação cidadã a partir do conhecimento histórico: A. Existe um número cada vez mais expressivo de profis- sionais que se ocupam da chamada História Imediata, História do Tempo Presente ou História do Passado Re- cente. Fazem isso, entre outros motivos, impulsionados pelo aumento da velocidade das mudanças do mundo con- temporâneo, especialmente em função das novas mídias e tecnologias. Mas, ao fazê-lo, todos têm em mente que não se pode explicar o tempo presente por meio de um apagamento do passado. B. Os questionamentos que os historiadores fazem a si mes- mos ao consultar fontes e ao indagar o passado levam em consideração as questões do presente. É dele que emer- gem as angústias, as escolhas e os impulsos para o estudo do passado. Todos esses elementos estão enraizados no tempo. Isso porque o movimento da História não é dado apenas pela mudança, pela diferença e pela transforma- ção. A permanência e a semelhança são também dimen- sões da experiência humana que os historiadores devem buscar explicar e com as quais têm o dever de lidar. 1.2. Novos objetos, novos objetivos Os objetos e os objetivos dos historiadores são múltiplos. Tudo pode despertar interesse histórico e curiosidade pela pesquisa. No entanto, se tudo é História, a maneira de trans- formar essa imensidão de informações, objetos e objetivos em uma interpretação consistente (uma aula, um livro, um artigo, um audiovisual) pode diferir de uma pessoa para outra, de uma geração para outra, em função da variedade de concepções 1 BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. historiográficas, da filiação teórica e metodológica. Ainda mais porque os historiadores também mudam de concepções, fi- liações e interesses. E no interior de uma mesma geração é possível encontrar diferentes filiações simultâneas. Os historiadores trabalham com documentos, desde o ato de escolhê-los, conferir-lhes sentido e interpretá-los segundo seus critérios e suas referências teóricas. Atualmente, enten- de-se por documento toda e qualquer evidência ou registro da experiência humana, qualquer fragmento pelo qual se possa ter acesso ao passado e que se presta ao exercício de “fazer história”. Desde a superação (com recaídas, é verdade) do positivismo, os historiadores vêm aprendendo a lidar com registros não necessariamente escritos ou textuais. Os posi- tivistas acreditavam que a verdade se concentrava nos textos oficiais e escritos – e, em nome disso, chegaram mesmo a dividir a humanidade em seres históricos (que tinham domínio da escrita) e pré-históricos (que não tinham essa habilidade). As hierarquias civilizatórias foram construídas com base nessa divisão – autores como Hegel (1770-1831), mas não só ele, chegaram a dizer que os povos africanos ágrafos não tinham História, pois suas vidas eram monótonas séries de lutas e disputas pelo poder que se materializavam em cha- cinas étnicas e não apresentavam particularidades nem interessavam a ninguém, exceto aos próprios africanos. O longo afastamento dos povos ágrafos do campo tradicional da História abriu brechas inclusive para o surgimento de outras disciplinas – como a Antropologia, que, em sua origem, tomou os chamados “povos primitivos” como objeto privilegiado de seus estudos. Essa visão foi transformada, mas parte dela ainda persiste. O século XX foi o século da ampliação do conceito de documen- to ou fonte histórica e, também, da ampliação dos interesses dos historiadores e das teorias historiográficas. Afinal, desde o século passado, os estudiosos tomaram consciência da diversificação da experiência humana e da possibilidade de torná-la objeto de seus estudos. Boa parte dessa diversifica- ção relaciona-se ao uso de novas tecnologias que impactaram o cotidiano. Não apenasos registros escritos, mas também de outros tipos, foram incorporados ao rol de fontes utilizadas na construção do saber histórico. Fotografias, vídeos, música, obras de arte em geral, mensagens eletrônicas, redes sociais, traçados viários, mobiliário, edificações, instrumento de tra- balho, documentos escritos que não fossem oficiais: tudo isso e muito mais são documentos para o historiador. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 7 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALVIII Todos os tipos de documento foram incorporados ao estudo da História tal como esta coleção propõe. Neste Manual do Professor, encontram-se sugestões de uso dos documentos, bem como orientações acerca dos métodos, linguagens e recursos didáticos dos quais se pode lançar mão na elaboração de suas aulas e dos projetos escola- res. Cada recurso foi pensado a partir dos vínculos que se pudessem estabelecer com os conteúdos específicos, e o professor deve sentir-se à vontade para ampliar essas ex- periências e o uso dos materiais ao lidar com os diferentes conteúdos abordados na coleção. 1.3. História: campo de interpretações Em que pesem os recursos mobilizados, a compreensão das características da escola e dos estudantes e da forma- ção cidadã, chamamos a atenção para uma peculiaridade do saber histórico, tanto o geral quanto o escolar: o passado não se resgata de forma definitiva, mas se apresenta como um campo de interpretações. Apesar de pesquisas contínuas e minuciosas, da multiplicidade de fontes ou documentos, os historiadores e os jovens estudantes jamais terão diante de si todos os registros que lhes permitam um acesso irrestri- to ao passado e aos objetos de estudo sobre os quais eles se debruçam. Não existe um retrato que condense todo o passado, nem uma coleção de dados que permita compor esse retrato. Lidamos sempre com fragmentos e recortes. A recons- trução do passado é fragmentária, repleta de indagações sem respostas fechadas, hipóteses que precisam ser ex- plicitadas mesmo sem comprovação derradeira, espaços para a imaginação histórica e para a composição de uma narrativa que, por vezes, se aproxima da literatura – ainda que um historiador não possa tomar as liberdades literárias de um autor de romances. Isso não significa que possa- mos relativizar o passado de forma arbitrária construindo, por exemplo, narrativas marcadas pelo viés de interesses político-partidários ou de congregações religiosas. Afinal, respeitamos e defendemos a laicidade do ensino público, tal como consta na Constituição Federal (e nas normas in- fraconstitucionais), do mesmo modo que defendemos a liberdade de cátedra e a autonomia do professor. Ao res- peitar estes princípios éticos e jurídicos, esta coleção con- tribui para a valorização da democracia e a promoção da qualidade do ensino escolar. Aqui, o rigor (sem rigidez) do método histórico está acima das exacerbações subjetivas e dos interesses pessoais. Os objetivos e desafios que descrevemos aqui podem dar a impressão de que estamos em meio a uma crise da História como área do conhecimento. Acreditamos no con- trário. Pensamos que a disciplina histórica passa por um de seus momentos mais férteis, repleto de possibilidades teóricas, abordagens metodológicas diferenciadas, utili- zação de fontes em diferentes suportes, acesso a temas instigantes para os quais quase ninguém dava importância tempos atrás. Vivemos um momento de visibilidade inusitada da Histó- ria, que se expressa, entre outros lugares sociais, nos meios de comunicação, no mundo artístico e na vida cotidiana, e cujo dinamismo talvez seja impulsionado pelo abandono de uma antiga ingenuidade que se traduzia na busca de uma “verdade unívoca, absoluta e irrefutável”, supostamente comum a to- dos os que participaram de um evento ou processo histórico. Essa visão simplista perdeu espaço entre os historiadores. Hoje, o que move a produção do conhecimento histórico é a inserção dos processos no campo das possibilidades de estudos e pesquisas. Não podemos reconstituir o passado como se fosse uma parede de tijolos ou um quebra-cabe- ças, em que cada peça se encaixa apenas em um único lugar. Entendemos a construção do conhecimento histórico como resultado de trabalhos contínuos, repletos de projetos não concretizados, ideias não realizadas, probabilidades que muitas vezes supomos, mas não podemos ainda confirmar. É por meio da historiografia, da interpretação incessante do processo histórico, que procuramos amarrar e dar sentido à imaginação e aos fatos, aos registros e às lacunas, às supo- sições e confirmações. Por tudo isso, a formação do professor-historiador nunca se encerra. Sempre haverá mais livros a ler, mais filmes a assistir, mais debates a travar, mais estudantes a formar. Sempre haverá novas maneiras de contribuir para que nossos estudantes possam “fazer história” sobre as relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo. 1.4. História social A obra, de forma geral, foi concebida a partir da preva- lência dos eventos de dimensão pública, que afetaram a vida de um grande número de indivíduos e sociedades, no passado e no presente. Evidentemente, aspectos da vida pri- vada ou da chamada Micro-História são capazes de iluminar essa dimensão pública e da História, e recorremos às fontes e aos métodos característicos dessas abordagens teóri- cas sempre que julgamos necessário. A coleção privilegia, 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 8 10/29/18 9:27 AM IXMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL sempre que possível, os protagonismos coletivos com base nos pressupostos da História Social sem perder de vista a importância das individualidades, das mentalidades, das conjunturas políticas e econômicas para a compreensão do processo histórico. Aplicada à realidade do Brasil, ainda marcada por desi- gualdades e questões sociais não resolvidas, a concepção na qual a obra se baseou tem por princípio a valorização do protagonismo de sujeitos coletivos, como os trabalhadores, as mulheres, os povos indígenas, os escravizados e os afro- -brasileiros. Procuramos desconstruir personalismos e vo- luntarismos, evitar anacronismos e não permitir que nossas expectativas recaíssem como tarefas a serem cumpridas pelos sujeitos do passado. Buscamos compreender as atua- ções desses sujeitos em seus contextos e possibilidades, como convém à produção de uma historiografia comprome- tida com o rigor do método e com a formação de jovens que julgamos capazes de se apropriar desse conhecimento para se tornarem, eles próprios, sujeitos conscientes de suas histórias e dos processos sociais nos quais estão inseridos. 1.5. Aula, livro e ensino Como o livro didático de História não é uma coletânea de aulas prontas e acabadas, ele não substitui o trabalho dinâmico de professores e estudantes em sala de aula. Este trabalho deve ser estimulado por relações de troca entre o que é estudado e o que é vivido, pela articulação com in- formações interdisciplinares e pela construção de novos conhecimentos. O livro didático subordina-se, portanto, ao processo vivo das aulas. A preparação de uma aula de História e sua efetivação são tarefas complexas. Elas comportam variáveis que somente são dominadas pelo educador em sua relação singular com os educandos. Afinal, é na sala de aula que surgem as questões, as formas mais adequadas de lidar com o material de estudo e as iniciativas de debates e tra- balhos. Nenhum livro pode dar conta dessa dinâmica tão ampla quanto ininterrupta. Por isso, consideramos o livro didático como um dos elementos da aula – e sabemos que ele é um recurso importante à disposição de professores e estudantes. Entendemos ser urgente e necessária uma descons- trução da visão segundo a qual o livro didático encerra verdades inquestionáveis. Assim, o livro não é repositório de todo o passado ou umaenciclopédia capaz de reunir dados e conhecimentos a serem memorizados pelos es- tudantes. Em vez disto, o livro didático parte de uma con- cepção teórico-metodológica para, em seguida, selecionar conteúdos a serem abordados a partir dessa concepção, não necessariamente em sequências temporais lineares. Seu objetivo maior é oferecer subsídios à análise dos pro- cessos históricos. 1.6. Cidadania e livro didático A questão da cidadania na sociedade brasileira atual está fortemente marcada pelas consequências da trajetória que examinamos ao longo desta coleção. No Brasil, a cons- trução da cidadania foi muitas vezes guiada por ações dos governantes, e não pelas mãos da sociedade. O resultado desse processo são as graves distorções que verificamos hoje em nossa democracia. De fato, todos somos iguais perante a lei? Acreditamos, contudo, que a cidadania não é algo que se transmite como dádiva. Cidadania requer atividade, energia, disposição e participação popular. Cidadania é luta por pertencimento social e protagonismo em prol do bem comum. Neste sentido, acreditamos que o estudo da História pode contribuir para a construção da cidadania, da consciência e da ética. Sem consciência do que fomos, não transformaremos o que somos tendo em vista o que almejamos ser. Por isso, há um esforço da coleção para que, ao entrar em contato com temas e conteúdos do repertório da História, o estudante aprenda a pensar historicamente, ampliando sua capacidade de agir na sociedade de forma autônoma e crítica. Isso se torna mais explícito em alguns momentos, como na introdução de cada capítulo, em atividades sugeridas na seção Investigando e em outros trechos do Livro do Aluno, sempre que possível conectando o passado ao presente. Além disso, ao longo de toda a coleção, há textos, boxes e imagens que buscam levar o estudante a refletir sobre temáticas tais como: a promoção da igualdade social; a cons- trução de uma sociedade livre, justa e solidária; o repúdio ao racismo; e a defesa da pluralidade religiosa e da igualdade entre os gêneros. Nos múltiplos temas abordados, o alicerce que permeia a elaboração dos textos consiste em contextualizar as vivências histórico-sociais, trabalhando conceitos, valores e atitudes que contribuam para a construção da cidadania. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 9 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALX 2. Organização geral da obra Esta coleção de História, destinada aos anos finais do Ensino Fundamental, foi elaborada com o objetivo de contribuir para o de- senvolvimento das competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Fundamental. Para isso, foi organizada em quatro volumes, de forma que tais conteúdos se articulem e apresentem uma progressão cronológica. Vejamos, resumidamente, os temas de cada um dos volumes desta cole- ção, que privilegiam aspectos relevantes da história do Ocidente (América, Europa e África), especialmente da história do Brasil. 2.1. Os volumes e sua estrutura 6 ANO (das origens da humanidade ao século XV) O livro inicia recuperando e dando sequência a aspectos da aprendizagem do Ensino Fundamental – Anos Iniciais. Assim, apresenta os procedimentos próprios da História, as noções de tempo, espaço, cultura, memória e cidadania. As grandes temáticas deste volume dizem respeito às ori- gens da humanidade, aos primeiros povos americanos, à Anti- guidade na América, na África e no Oriente, à construção da Anti- guidade clássica e suas contraposições com outras sociedades, à Europa medieval, ao mundo islâmico e ao Império Bizantino. Ao final, o livro desenvolve um projeto temático sobre o uni- verso escolar que leva os alunos a pesquisar aspectos como o território social no qual compartilhamos conhecimentos, afetos, relações, projetos de vida. Unidade 1 – Tempo, espaço e cultura Capítulo 1: História: ação e reflexão Capítulo 2: Origens da humanidade Capítulo 3: Primeiros povos da América Unidade 2 – Antiguidade: América, África e Oriente Capítulo 4: América indígena Capítulo 5: Sociedades da Mesopotâmia Capítulo 6: Egito antigo e Reino de Cuxe Unidade 3 – Ocidente clássico: Grécia e Roma Capítulo 7: Grécia: das origens à pólis Capítulo 8: Grécia: vivências culturais Capítulo 9: Roma: a construção de um império Capítulo 10: Roma: vivências culturais Unidade 4 – Bizantinos, feudalismo e islamismo Capítulo 11: Império Bizantino Capítulo 12: Formação da Europa feudal Capítulo 13: Transformações na Europa feudal Capítulo 14: Mundo islâmico PROJETO TEMÁTICO: UNIVERSO ESCOLAR 7 ANO (final do século XV até final do século XVIII) O livro desenvolve as conexões entre Europa, América e África no contexto do mundo moderno debatendo aspectos políticos, sociais, econômicos e culturais deste período. As grandes temáticas deste volume dizem respeito aos mar- cos da modernidade (monarquias nacionais, Humanismo e Renas- cimento, reformas religiosas, grandes navegações, absolutismo e mercantilismo), aos contatos e confrontos entre povos europeus, africanos e americanos (características dos povos africanos; a conquista e a colonização da América), à formação e à transforma- ção do Brasil colonial (Estado e religião, sociedade açucareira, es- cravidão africana, conquistas e fronteiras, sociedade mineradora). Ao final do livro, os alunos desenvolverão um projeto te- mático pesquisando vários aspectos sobre o meio ambiente, destacando: água e abastecimento; lixo e reciclagem; área verde e preservação; energia elétrica e consumo. Unidade 1 – Mundo moderno Capítulo 1: Modernidade e monarquias nacionais Capítulo 2: Humanismos e renascimentos Capítulo 3: Reformas religiosas Capítulo 4: Absolutismo e mercantilismo Unidade 2 – Contatos e confrontos Capítulo 5: Grandes Navegações Capítulo 6: Povos africanos Capítulo 7: Conquista da América Capítulo 8: Colonização da América espanhola Unidade 3 – Formação do Brasil colonial Capítulo 9: Início da colonização Capítulo 10: Estado e religião Capítulo 11: Sociedade açucareira 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 10 10/29/18 9:27 AM XIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL Unidade 4 – Transformações do Brasil colonial Capítulo 12: Escravidão africana Capítulo 13: Conquistas e fronteiras Capítulo 14: Sociedade mineradora PROJETO TEMÁTICO: MEIO AMBIENTE 8 ANO (o século XIX) O livro tem como tema vários eventos relevantes do século XIX e a formação do mundo contemporâneo. As grandes temáticas deste volume dizem respeito aos as- pectos políticos, sociais e econômicos que, no cenário europeu, contribuíram para a passagem do súdito ao cidadão (Revolução Inglesa, Iluminismo, Revolução Francesa e a Era Napoleônica); aos processos que, no cenário americano, culminaram na in- dependência dos Estados Unidos, dos países da América es- panhola e, especialmente, do Brasil; à expansão das grandes potências, aos nacionalismos e imperialismos e aos processos de resistência a essas dominações; aos aspectos marcantes da trajetória histórica do Brasil Império. Ao final do livro, os estudantes desenvolverão um proje- to de pesquisa sobre saúde e educação, trabalhando temas como: atividade física; alimentação; descanso e concentração; emoção e autoestima. Unidade 1 – Súdito e cidadão Capítulo 1: Revolução Inglesa Capítulo 2: Era do Iluminismo Capítulo 3: Revolução Industrial Capítulo 4: Revolução Francesa Capítulo 5: Época de Napoleão Unidade 2 – Independências na América Capítulo 6: Independência dos Estados Unidos Capítulo 7: Independências na América Latina Capítulo 8: Independência do Brasil Unidade 3 – Brasil Império Capítulo 9: Primeiro Reinado Capítulo 10: Período regencial Capítulo 11: Segundo Reinado Capítulo 12: Da monarquia à república Unidade 4 – Domínio das grandes potências Capítulo 13: Europa no século XIX Capítulo 14: Imperialismo na África e na Ásia Capítulo 15: Américano século XIX PROJETO TEMÁTICO: ALIMENTAÇÃO E SAÚDE 9 ANO (os séculos XX e XXI) O livro desenvolve os eventos marcantes do mundo ociden- tal e da história republicana brasileira ao longo do século XX e nestes anos do século XXI. As grandes temáticas deste volume dizem respeito: às guerras e revoluções (Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa, crise capitalista, formação do nazifascismo; Segun- da Guerra Mundial); à cena republicana brasileira até a era Vargas (a consolidação da República, a vida política e eco- nômica, o protagonismo dos diversos grupos sociais; as re- voltas sociais, a era Vargas); ao pós-guerra e à globalização (os impactos da Guerra Fria, a questão árabe-israelense; as independências na África e na Ásia, as crises dos socialismos; as faces da globalização); aos desafios do Brasil contempo- râneo (democracia e populismo, as tensões e o modelo de desenvolvimento da ditadura militar; a construção da cida- dania nos tempos atuais). Ao final do livro, os estudantes desenvolverão um projeto de pesquisa sobre internet e cidadania, trabalhando temas como: conectar e isolar; exposição e privacidade; informação e confusão. Unidade 1 – Brasil República Capítulo 1: Nasce a República Capítulo 2: República oligárquica Capítulo 3: Revoltas na Primeira República Capítulo 4: Era Vargas Unidade 2 – Guerras e revoluções Capítulo 5: Primeira Guerra Mundial Capítulo 6: Revolução Russa Capítulo 7: Crise capitalista e totalitarismo Capítulo 8: Segunda Guerra Mundial Unidade 3 – Brasil contemporâneo Capítulo 9: Democracia e populismo Capítulo 10: Ditadura militar Capítulo 11: Construção da cidadania Unidade 4 – Pós-guerra e globalização Capítulo 12: Guerra Fria Capítulo 13: África, Ásia e Oriente Médio Capítulo 14: Crise do socialismo autoritário Capítulo 15: Faces da globalização PROJETO TEMÁTICO: CIDADANIA E MÍDIAS SOCIAIS 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 11 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXII 2.2. Correspondência dos conteúdos com a BNCC 2.2.1. Relação com as competências da BNCC A Base Nacional Comum Curricular estabelece que a Educa- ção Básica deve assegurar o desenvolvimento de competên- cias gerais da Educação Básica, competências específicas de área e competências específicas de componentes. O trabalho com essas competências tem como objetivo “estimular ações que contribuam para a transformação da so- ciedade, tornando-a mais humana”, ou seja, visam formar cida- dãos, capacitar os alunos a interpretar o mundo, compreenden- do processos e fenômenos sociais, políticos e culturais, para que possam atuar de forma ética, responsável e autônoma, e, em relação ao componente curricular História, garantir o desen- volvimento da compreensão dos acontecimentos históricos, das historicidades no tempo e no espaço e do desenvolvimento de uma atitude historiadora diante dos conhecimentos histó- ricos produzidos em sala de aula e fora dela. Nas tabelas a seguir explicitamos a correspondência entre as competências gerais, de área e de componente curricular preconizadas pela BNCC e os conteúdos de cada um dos vo- lumes desta coleção. Ao longo da parte específica deste Manual, você também encontrará a indicação do momento em que as competências são trabalhadas no corpo dos capítulos. COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CG1 Valorizar e utilizar os conhecimentos histo- ricamente construídos sobre o mundo físi- co, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma so- ciedade justa, democrática e inclusiva. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG2 Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para inves- tigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar solu- ções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG3 Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversifica- das da produção artístico-cultural. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG4 Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, ma- temática e científica, para se expressar e par- tilhar informações, experiências, ideias e sen- timentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 12 10/29/18 9:27 AM XIIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CG5 Compreender, utilizar e criar tecnologias digi- tais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas di- versas práticas sociais (incluindo as escola- res) para se comunicar, acessar e dissemi- nar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG6 Valorizar a diversidade de saberes e vivên- cias culturais e apropriar-se de conheci- mentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciên- cia crítica e responsabilidade. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG7 Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, ne- gociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e pro- movam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com po- sicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG8 Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo- -se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrí- tica e capacidade para lidar com elas. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG9 Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, iden- tidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG10 Agir pessoal e coletivamente com autono- mia, responsabilidade, flexibilidade, resi- liência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráti- cos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 13 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXIV COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CCH1 Compreender a si e ao outro como identi- dades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CCH2 Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CCH3 Identificar, comparar e explicar a inter- venção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e pro- pondo ideias e ações que contribuam para a transformação espacial, sociale cultural, de modo a participar efetivamente das di- nâmicas da vida social. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CCH4 Interpretar e expressar sentimentos, cren- ças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhi- mento e a valorização da diversidade de in- divíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CCH5 Comparar eventos ocorridos simultanea- mente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CCH6 Construir argumentos, com base nos co- nhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos huma- nos e a consciência socioambiental, exerci- tando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a constru- ção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 14 10/29/18 9:27 AM XVMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CEH1 Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e processos e mecanis- mos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferen- tes espaços para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CEH2 Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manu- tenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como pro- blematizar os significados das lógicas de organização cronológica. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CEH3 Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a dife- rentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de confli- tos, a cooperação e o respeito. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CEH4 Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contex- to histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráti- cos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CEH5 Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos, le- vando em conta o respeito e a solidarieda- de com as diferentes populações. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CCH7 Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros tex- tuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, si- multaneidade, sucessão, ritmo e conexão. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 15 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXVI COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CEH6 Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos norteadores da produção historiográfica. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CEH7 Produzir, avaliar e utilizar tecnologias di- gitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, com- preendendo seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano 2.2.2. Relação com as habilidades da BNCC Da mesma forma que com as competências, a coleção também desenvolve o trabalho com as habilidades preconi- zadas pela BNCC. A seguir, explicitamos a correspondência dos conteúdos de História de cada um dos volumes da coleção com os obje- tos de conhecimento e habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Fundamental II. 6o ano CAPÍTULO OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES 1 – H is tó ri a: a çã o e re fl ex ão A questão do tempo, sincronias e diacronias: re- flexões sobre o sentido das cronologias EF06HI01 - Identificar diferentes formas de compreensão da noção de tempo e de periodização dos processos históricos (continuidades e rupturas). Formas de registro da história e da produção do conhecimento histórico EF06HI02 - Identificar a gênese da produção do saber histórico e ana- lisar o significado das fontes que originaram determinadas formas de registro em sociedades e épocas distintas. 2 – O ri ge ns d a hu m an id ad e As origens da humanidade, seus deslocamentos e os processos de sedentarização EF06HI03 - Identificar as hipóteses científicas sobre o surgimento da espécie humana e sua historicidade e analisar os significados dos mitos de fundação. EF06HI05 - Descrever modificações da natureza e da paisagem reali- zadas por diferentes tipos de sociedade, com destaque para os povos indígenas originários e povos africanos, e discutir a natureza e a lógica das transformações ocorridas. 3 – P ri m ei ro s po vo s da A m ér ic a As origens da humanidade, seus deslocamentos e os processos de sedentarização EF06HI04 - Conhecer as teorias sobre a origem do homem americano. EF06HI05 - Descrever modificações da natureza e da paisagem reali- zadas por diferentes tipos de sociedade, com destaque para os povos indígenas originários e povos africanos, e discutir a natureza e a lógica das transformações ocorridas. EF06HI06 - Identificar geograficamente as rotas de povoamento no território americano. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 16 10/29/18 9:27 AM XVIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 4 – A m é ri ca in d íg e n a Povos da Antiguidade na África (egípcios), no Oriente Médio (mesopotâmicos) e nas Améri- cas (pré-colombianos) Os povos indígenas originários do atual territó- rio brasileiro e seus hábitos culturais e sociais EF06HI07 - Identificar aspectos e formas de registro das sociedades antigas na África, no Oriente e nas Américas, distinguindo alguns significados presentes na cultura material e na tradição oral dessas sociedades. EF06HI08 - Identificar os espaços territoriais ocupados e os aportes culturais, científicos, sociais e econômicos dos aste- cas, maias e incas e dos povos indígenas de diversas regiões brasileiras. 5 – S o ci e d a d e s d a M e so p o tâ m ia Povos da Antiguidade na África (egípcios), no Oriente Médio (mesopotâmicos) e nas Améri- cas (pré-colombianos) EF06HI07 - Identificar aspectos e formas de registro das sociedades antigas na África, no Oriente e nas Américas, distinguindo alguns significados presentes na cultura material e na tradição oral dessas sociedades. 6 – E g it o a n ti g o e R e in o d e C u xe Povos da Antiguidade na África (egípcios), no Oriente Médio (mesopotâmicos) e nas Améri- cas (pré-colombianos) EF06HI07 - Identificar aspectos e formas de registro das sociedades antigas na África, no Oriente e nas Américas, distinguindo alguns significados presentes na cultura material e na tradição oral dessas sociedades. As diferentes formas de organização política na África: reinos, impérios, cidades-estados e sociedades linhageiras ou aldeias EF06HI13 - Conceituar “império” no mundo antigo, com vistas à análise das diferentes formas de equilíbrio e desequilíbrio entre as partes envolvidas. Escravidão e trabalho livre em diferentes tem- poralidades e espaços (Roma Antiga, Europa medieval e África) EF06HI16 - Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimento e as formas de organizaçãodo trabalho e da vida social em diferen- tes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos. EF06HI17 - Diferenciar escravidão, servidão e trabalho livre no mun- do antigo. 7 – G ré ci a : d a s o ri g e n s à p ó li s As noções de cidadania e política na Grécia e em Roma • Domínios e expansão das culturas grega e romana • Significados do conceito de “império” e as lógi- cas de conquista, conflito e negociação dessa forma de organização política EF06HI10 - Explicar a formação da Grécia Antiga, com ênfase na formação da pólis e nas transformações políticas, sociais e culturais. EF06HI12 - Associar o conceito de cidadania a dinâmicas de inclusão e exclusão na Grécia e Roma antigas. Senhores e servos no mundo antigo e no me- dieval Escravidão e trabalho livre em diferentes tem- poralidades e espaços (Roma Antiga, Europa medieval e África) EF06HI16 - Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimento e as formas de organização do trabalho e da vida social em diferen- tes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos. EF06HI17 - Diferenciar escravidão, servidão e trabalho livre no mun- do antigo. O papel da mulher na Grécia e em Roma, e no período medieval EF06HI19 - Descrever e analisar os diferentes papéis sociais das mulheres no mundo antigo e nas sociedades medievais. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 17 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXVIII 8 – G ré ci a : v iv ê n ci a s cu lt u ra is O Ocidente Clássico: aspectos da cultura na Grécia e em Roma EF06HI09 - Discutir o conceito de Antiguidade Clássica, seu alcance e limite na tradição ocidental, assim como os impactos sobre outras sociedades e culturas. As noções de cidadania e política na Grécia e em Roma • Domínios e expansão das culturas grega e romana • Significados do conceito de “império” e as lógicas de conquista, conflito e negociação dessa forma de organização política EF06HI10 - Explicar a formação da Grécia Antiga, com ênfase na formação da pólis e nas transformações políticas, sociais e culturais. 9 – R o m a : a c o n s tr u çã o d e u m im p é ri o As noções de cidadania e política na Grécia e em Roma • Domínios e expansão das culturas grega e romana • Significados do conceito de “império” e as lógicas de conquista, conflito e negociação dessa forma de organização política EF06HI11 - Caracterizar o processo de formação da Roma Antiga e suas configurações sociais e políticas nos períodos monárquico e republicano. EF06HI12 - Associar o conceito de cidadania a dinâmicas de inclusão e exclusão na Grécia e Roma antigas. EF06HI13 - Conceituar “império” no mundo antigo, com vistas à análi- se das diferentes formas de equilíbrio e desequilíbrio entre as partes envolvidas. O Mediterrâneo como espaço de interação entre as sociedades da Europa, da África e do Oriente Médio EF06HI15 - Descrever as dinâmicas de circulação de pessoas, pro- dutos e culturas no Mediterrâneo e seu significado. Senhores e servos no mundo antigo e no me- dieval Escravidão e trabalho livre em diferentes tem- poralidades e espaços (Roma Antiga, Europa medieval e África) Lógicas comerciais na Antiguidade romana e no mundo medieval EF06HI16 - Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimento e as formas de organização do trabalho e da vida social em diferen- tes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos. EF06HI17 - Diferenciar escravidão, servidão e trabalho livre no mun- do antigo. O papel da mulher na Grécia e em Roma, e no período medieval EF06HI19 - Descrever e analisar os diferentes papéis sociais das mulheres no mundo antigo e nas sociedades medievais. 1 0 – R om a: vi vê n ci as cu lt u ra is O Ocidente Clássico: aspectos da cultura na Grécia e em Roma EF06HI09 - Discutir o conceito de Antiguidade Clássica, seu alcance e limite na tradição ocidental, assim como os impactos sobre outras sociedades e culturas. 1 1 – Im p é ri o B iz a n ti n o A passagem do mundo antigo para o mundo me- dieval A fragmentação do poder político na Idade Média EF06HI14 - Identificar e analisar diferentes formas de contato, adaptação ou exclusão entre populações em diferentes tempos e espaços. O Mediterrâneo como espaço de interação entre as sociedades da Europa, da África e do Oriente Médio EF06HI15 - Descrever as dinâmicas de circulação de pessoas, pro- dutos e culturas no Mediterrâneo e seu significado. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 18 10/29/18 9:27 AM XIXMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 12 – F or m aç ão da E ur op a fe ud al A passagem do mundo antigo para o mundo medieval A fragmentação do poder político na Idade Média EF06HI14 - Identificar e analisar diferentes formas de contato, adaptação ou exclusão entre populações em diferentes tempos e espaços. Senhores e servos no mundo antigo e no me- dieval Escravidão e trabalho livre em diferentes tem- poralidades e espaços (Roma Antiga, Europa medieval e África) Lógicas comerciais na Antiguidade romana e no mundo medieval EF06HI16 - Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimento e as formas de organização do trabalho e da vida social em diferentes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos. 13 – T ra ns fo rm aç õe s na E ur op a fe ud al O Mediterrâneo como espaço de interação entre as sociedades da Europa, da África e do Oriente Médio EF06HI15 - Descrever as dinâmicas de circulação de pessoas, pro- dutos e culturas no Mediterrâneo e seu significado. Senhores e servos no mundo antigo e no me- dieval Escravidão e trabalho livre em diferentes tem- poralidades e espaços (Roma Antiga, Europa medieval e África) Lógicas comerciais na Antiguidade romana e no mundo medieval EF06HI16 - Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimento e as formas de organização do trabalho e da vida social em diferen- tes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos. O papel da religião cristã, dos mosteiros e da cultura na Idade Média EF06HI18 - Analisar o papel da religião cristã na cultura e nos modos de organização social no período medieval. O papel da mulher na Grécia e em Roma, e no período medieval EF06HI19 - Descrever e analisar os diferentes papéis sociais das mulheres no mundo antigo e nas sociedades medievais. 14 – M un do is lâ m ic o O Mediterrâneo como espaço de interação entre as sociedades da Europa, da África e do Oriente Médio EF06HI15 - Descrever as dinâmicas de circulação de pessoas, pro- dutos e culturas no Mediterrâneo e seu significado. 7o ano CAPÍTULO OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES 1 – M od er ni da de e m on ar qu ia s na ci on ai s A construção da ideia de modernidade e seus impactos na concepção de História EF07HI01 - Explicar o significado de “modernidade” e suas lógicas de inclusão e exclusão, com base em uma concepção europeia. A formação e o funcionamento das monarquias europeias: a lógica da centralização política e os conflitos na Europa EF07HI07 - Descrever os processos de formação e consolidação das monarquias e suas principais características com vistas à compreen- são das razões da centralização política. 2 – H um an is m os e re na sc im en to s Humanismos: uma nova visão de ser humano e de mundo Renascimentos artísticos e culturais EF07HI04 - Identificar as principais características dos Humanismos e dos Renascimentos e analisar seus significados. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 19 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXX 3 – R e fo rm a s re li g io s a s Reformas religiosas: a cristandade fragmentada EF07HI05 - Identificar e relacionar as vinculações entre as reformas religiosas e os processos culturais e sociais do período moderno na Europa e na América. 4 – A b s o lu ti smo e m e rc a n ti li sm o A formação e o funcionamento das monarquias europeias: a lógica da centralização política e os conflitos na Europa EF07HI07 - Descrever os processos de formação e consolidação das monarquias e suas principais características com vistas à compreen- são das razões da centralização política. A emergência do capitalismo EF07HI17 - Discutir as razões da passagem do mercantilismo para o capitalismo. 5 – G ra n d e s N a ve g a çõ e s A ideia de “Novo Mundo” ante o Mundo Antigo: permanências e rupturas de saberes e práticas na emergência do mundo moderno EF07HI02 - Identificar conexões e interações entre as sociedades do Novo Mundo, da Europa, da África e da Ásia no contexto das na- vegações e indicar a complexidade e as interações que ocorrem nos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. As descobertas científicas e a expansão marítima EF07HI06 - Comparar as navegações no Atlântico e no Pacífico entre os séculos XIV e XVI. As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI13 - Caracterizar a ação dos europeus e suas lógicas mercan- tis visando ao domínio no mundo atlântico. EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 6 – P o vo s a fr ic a n o s A ideia de “Novo Mundo” ante o Mundo Antigo: permanências e rupturas de saberes e práticas na emergência do mundo moderno EF07HI02 - Identificar conexões e interações entre as sociedades do Novo Mundo, da Europa, da África e da Ásia no contexto das na- vegações e indicar a complexidade e as interações que ocorrem nos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Saberes dos povos africanos e pré-colombia- nos expressos na cultura material e imaterial EF07HI03 - Identificar aspectos e processos específicos das socie- dades africanas e americanas antes da chegada dos europeus, com destaque para as formas de organização social e o desenvolvimento de saberes e técnicas. As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 7 – C o n q u is ta d a A m é ri ca A construção da ideia de modernidade e seus impactos na concepção de História A ideia de “Novo Mundo” ante o Mundo Antigo: permanências e rupturas de saberes e práticas na emergência do mundo moderno EF07HI02 - Identificar conexões e interações entre as sociedades do Novo Mundo, da Europa, da África e da Ásia no contexto das na- vegações e indicar a complexidade e as interações que ocorrem nos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Saberes dos povos africanos e pré-colombia- nos expressos na cultura material e imaterial EF07HI03 - Identificar aspectos e processos específicos das socie- dades africanas e americanas antes da chegada dos europeus, com destaque para as formas de organização social e o desenvolvimento de saberes e técnicas. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 20 10/29/18 9:27 AM XXIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 7 - C o n q u is ta d a A m é ri ca A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI08 - Descrever as formas de organização das sociedades americanas no tempo da conquista com vistas à compreensão dos mecanismos de alianças, confrontos e resistências. EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de re- sistência. As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI13 - Caracterizar a ação dos europeus e suas lógicas mercan- tis visando ao domínio no mundo atlântico. EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 8 – C o lo n iz a çã o d a A m é ri ca e sp a n h o la A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI08 - Descrever as formas de organização das sociedades americanas no tempo da conquista com vistas à compreensão dos mecanismos de alianças, confrontos e resistências. EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de re- sistência. A estruturação dos vice-reinos nas Américas EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 9 – In íc io d a c o lo n iz a çã o A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de resistência. A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI11 - Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesa por meio de mapas históricos. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 21 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXII 1 0 – E s ta d o e r e li g iã o Reformas religiosas: a cristandade fragmentada EF07HI05 - Identificar e relacionar as vinculações entre as reformas religiosas e os processos culturais e sociais do período moderno na Europa e na América. A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de resistência. A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI11 - Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesa por meio de mapas históricos. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). 1 1 – S o c ie d a d e a çu c a re ir a A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de resistência. A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI11 - Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesa por meio de mapas históricos.EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 1 2 – E s cr a v id ã o a fr ic a n a A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. As lógicas internas das sociedades africanas As formas de organização das sociedades ameríndias A escravidão moderna e o tráfico de escravizados EF07HI15 - Discutir o conceito de escravidão moderna e suas dis- tinções em relação ao escravismo antigo e à servidão medieval. EF07HI16 - Analisar os mecanismos e as dinâmicas de comércio de escravizados em suas diferentes fases, identificando os agentes responsáveis pelo tráfico e as regiões e zonas africanas de proce- dência dos escravizados 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 22 10/29/18 9:27 AM XXIIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 13 – C on qu is ta s e fr on te ir as A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de resistência. A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI11 - Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesa por meio de mapas históricos. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 14 – S oc ie da de m in er ad or a A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI11 - Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesa por meio de mapas históricos. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 8o ano CAPÍTULO OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES 1 – R ev ol uç ão In gl es a As revoluções inglesas e os princípios do liberalismo EF08HI02 - Identificar as particularidades político-sociais da Inglaterra do século XVII e analisar os desdobramentos posteriores à Revolução Gloriosa. 2 – E ra d o Ilu m in is m o A questão do iluminismo e da ilustração EF08HI01 - Identificar os principais aspectos conceituais do ilumi- nismo e do liberalismo e discutir a relação entre eles e a organização do mundo contemporâneo. 3 – R ev ol uç ão In du st ri al Revolução Industrial e seus impactos na produção e circulação de povos, produtos e culturas EF08HI03 - Analisar os impactos da Revolução Industrial na produção e circulação de povos, produtos e culturas. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 23 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXIV 4 – R e v o lu ç ã o F ra n ce sa Revolução Francesa e seus desdobramentos EF08HI04 - Identificar e relacionar os processos da Revolução Fran- cesa e seus desdobramentos na Europa e no mundo. 5 – É po ca d e N ap ol eã o Revolução Francesa e seus desdobramentos EF08HI04 - Identificar e relacionar os processos da Revolução Fran- cesa e seus desdobramentos na Europa e no mundo. 6 – In de pe nd ên ci a do s Es ta do s U ni do s Independência dos Estados Unidos da América Independências na América espanhola • A revolução dos escravizados em São Do- mingo e seus múltiplos significados e des- dobramentos: o caso do Haiti Os caminhos até a independência do Brasil EF08HI06 - Aplicar os conceitos de Estado, nação, território, governo e país para o entendimento de conflitos e tensões. EF08HI07 - Identificar e contextualizar as especificidades dos di- versos processos de independência nas Américas, seus aspectos populacionais e suas conformações territoriais. 7 – In de pe nd ên ci as na A m ér ic a La ti na Independência dos Estados Unidos da América Independências na América espanhola • A revolução dos escravizados em São Do- mingo e seus múltiplos significados e des- dobramentos: o caso do Haiti Os caminhos até a independência do Brasil EF08HI06 - Aplicar os conceitos de Estado, nação, território, governo e país para o entendimento de conflitos e tensões. EF08HI07 - Identificar e contextualizar as especificidades dos di- versos processos de independência nas Américas, seus aspectos populacionais e suas conformações territoriais. EF08HI08 - Conhecer o ideário dos líderes dos movimentos indepen- dentistas e seu papel nas revoluções que levaram à independência das colônias hispano-americanas. EF08HI09 - Conhecer as características e os principais pensadores do Pan-americanismo. EF08HI10 - Identificar a Revolução de São Domingo como evento singular e desdobramento da Revolução Francesa e avaliar suas implicações. EF08HI11 - Identificar e explicar os protagonismos e a atuação de diferentes grupos sociais e étnicos nas lutas de independência no Brasil, na América espanhola e no Haiti. EF08HI13 - Analisar o processo de independência em diferentes países latino-americanos e comparar as formas de governo neles adotadas. 8 – In de pe nd ên ci a do B ra si l Rebeliões na América portuguesa: as conjura- ções mineira e baiana EF08HI05 - Explicar os movimentos e as rebeliões da América por- tuguesa, articulando as temáticas locais e suas interfaces com pro- cessos ocorridos na Europa e nas Américas. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 24 10/29/18 9:27 AM XXVMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 8 – In d e p e n d ê n ci a d o B ra si l Independência dos Estados Unidos da América Independências na América espanhola • A revolução dos escravizados em São Do- mingo e seus múltiplos significados e des- dobramentos: o caso do Haiti Os caminhos até a independência do Brasil EF08HI06 - Aplicar os conceitos de Estado, nação, território, governo e país para o entendimento de conflitos e tensões. EF08HI07 - Identificar e contextualizar as especificidades dos di- versos processos de independência nas Américas, seus aspectos populacionais e suas conformações territoriais. EF08HI11 - Identificar e explicar os protagonismos e a atuaçãode diferentes grupos sociais e étnicos nas lutas de independência no Brasil, na América espanhola e no Haiti. EF08HI12 - Caracterizar a organização política e social no Brasil desde a chegada da Corte portuguesa, em 1808, até 1822 e seus desdobramentos para a história política brasileira. EF08HI13 - Analisar o processo de independência em diferentes países latino-americanos e comparar as formas de governo neles adotadas. A tutela da população indígena, a escravidão dos negros e a tutela dos egressos da escra- vidão EF08HI14 - Discutir a noção da tutela dos grupos indígenas e a participação dos negros na sociedade brasileira do final do período colonial, identificando permanências na forma de preconceitos e estereótipos sobre as populações indígenas e negras no Brasil e nas Américas. 9 – P ri m e ir o R e in a d o Brasil: Primeiro Reinado O Período Regencial e as contestações ao po- der central O Brasil do Segundo Reinado: política e economia • A Lei de Terras e seus desdobramentos na política do Segundo Reinado • Territórios e fronteiras: a Guerra do Paraguai EF08HI15 - Identificar e analisar o equilíbrio das forças e os sujeitos envolvidos nas disputas políticas durante o Primeiro e o Segundo Reinado. EF08HI16 - Identificar, comparar e analisar a diversidade política, social e regional nas rebeliões e nos movimentos contestatórios ao poder centralizado. EF08HI17 - Relacionar as transformações territoriais, em razão de questões de fronteiras, com as tensões e conflitos durante o Império. 1 0 – P e rí o d o r e g e n ci a l Brasil: Primeiro Reinado O Período Regencial e as contestações ao po- der central O Brasil do Segundo Reinado: política e economia • A Lei de Terras e seus desdobramentos na política do Segundo Reinado • Territórios e fronteiras: a Guerra do Paraguai EF08HI16 - Identificar, comparar e analisar a diversidade política, social e regional nas rebeliões e nos movimentos contestatórios ao poder centralizado. EF08HI17 - Relacionar as transformações territoriais, em razão de questões de fronteiras, com as tensões e conflitos durante o Império. O escravismo no Brasil do século XIX: plan- tations e revoltas de escravizados, aboli- cionismo e políticas migratórias no Brasil Imperial EF08HI19 - Formular questionamentos sobre o legado da escra- vidão nas Américas, com base na seleção e consulta de fontes de diferentes naturezas. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 25 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXVI 11 – S eg un do R ei na do Brasil: Primeiro Reinado O Período Regencial e as contestações ao po- der central O Brasil do Segundo Reinado: política e economia • A Lei de Terras e seus desdobramentos na política do Segundo Reinado • Territórios e fronteiras: a Guerra do Paraguai EF08HI15 - Identificar e analisar o equilíbrio das forças e os sujeitos envolvidos nas disputas políticas durante o Primeiro e o Segundo Reinado. O escravismo no Brasil do século XIX: planta- tions e revoltas de escravizados, abolicionismo e políticas migratórias no Brasil Imperial EF08HI19 - Formular questionamentos sobre o legado da escra- vidão nas Américas, com base na seleção e consulta de fontes de diferentes naturezas. Políticas de extermínio do indígena durante o Império EF08HI21 - Identificar e analisar as políticas oficiais com relação ao indígena durante o Império. A produção do imaginário nacional brasileiro: cultura popular, representações visuais, letras e o romantismo no Brasil EF08HI22 - Discutir o papel das culturas letradas, não letradas e artísticas na produção do imaginário e das identidades no Brasil do século XIX. 12 – D a m on ar qu ia à re pú bl ic a Brasil: Primeiro Reinado O Período Regencial e as contestações ao po- der central O Brasil do Segundo Reinado: política e eco- nomia • A Lei de Terras e seus desdobramentos na política do Segundo Reinado • Territórios e fronteiras: a Guerra do Paraguai EF08HI15 - Identificar e analisar o equilíbrio das forças e os sujeitos envolvidos nas disputas políticas durante o Primeiro e o Segundo Reinado. EF08HI17 - Relacionar as transformações territoriais, em razão de questões de fronteiras, com as tensões e conflitos durante o Império. EF08HI18 - Identificar as questões internas e externas sobre a atuação do Brasil na Guerra do Paraguai e discutir diferentes versões sobre o conflito. O escravismo no Brasil do século XIX: planta- tions e revoltas de escravizados, abolicionis- mo e políticas migratórias no Brasil Imperial EF08HI19 - Formular questionamentos sobre o legado da escravidão nas Américas, com base na seleção e consulta de fontes de diferentes naturezas. EF08HI20 - Identificar e relacionar aspectos das estruturas sociais da atualidade com os legados da escravidão no Brasil e discutir a importância de ações afirmativas. 13 – E ur op a no sé cu lo X IX Nacionalismo, revoluções e as novas nações europeias EF08HI23 - Estabelecer relações causais entre as ideologias raciais e o determinismo no contexto do imperialismo europeu e seus im- pactos na África e na Ásia. 14 – Im pe ri al is m o na Á fr ic a e na Á si a Nacionalismo, revoluções e as novas nações europeias EF08HI23 - Estabelecer relações causais entre as ideologias raciais e o determinismo no contexto do imperialismo europeu e seus im- pactos na África e na Ásia. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 26 10/29/18 9:27 AM XXVIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 14 – Im pe ri al is m o na Á fr ic a e na Á si a Uma nova ordem econômica: as demandas do capitalismo industrial e o lugar das economias africanas e asiáticas nas dinâmicas globais EF08HI24 - Reconhecer os principais produtos, utilizados pelos eu- ropeus, procedentes do continente africano durante o imperialismo e analisar os impactos sobre as comunidades locais na forma de or- ganização e exploração econômica. O imperialismo europeu e a partilha da África e da Ásia EF08HI26 - Identificar e contextualizar o protagonismo das popula- ções locais na resistência ao imperialismo na África e Ásia. Pensamento e cultura no século XIX: darwi- nismo e racismo, o silenciamento dos saberes indígenas e as formas de integração e destrui- ção de comunidades e povos indígenas A resistência dos povos e comunidades indí- genas diante da ofensiva civilizatória EF08HI27 - Identificar as tensões e os significados dos discursos civilizatórios, avaliando seus impactos negativos para os povos indígenas originários e as populações negras nas Américas. 15 – A m ér ic a no s éc ul o XI X Os Estados Unidos da América e a América Latina no século XIX EF08HI25 - Caracterizar e contextualizar aspectos das relações entre os Estados Unidos da América e a América Latina no século XIX. Pensamento e cultura no século XIX: darwi- nismo e racismo, o silenciamento dos saberes indígenas e as formas de integração e destrui- ção de comunidades e povos indígenas A resistência dos povos e comunidades indí- genas diante da ofensiva civilizatória EF08HI27 - Identificar as tensões e os significados dos discursos civilizatórios, avaliando seus impactos negativos para os povos indígenas originários e as populações negras nas Américas. 9o ano CAPÍTULO OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES 1 – N as ce a R ep úb lic a Experiências republicanas e práticas autori- tárias: as tensões e disputas do mundo con- temporâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI01 - Descrever e contextualizar os principais aspectos so- ciais, culturais, econômicos e políticos da emergência da República no Brasil. EF09HI02 - Caracterizar e compreender os ciclos da história repu- blicana até 1954. A questão da inserção dos negros no período republicano do pós-abolição Os movimentos sociais e a imprensa negra; a cultura afro-brasileira como elemento de resistência e superação das discriminaçõesEF09HI03 - Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade brasileira pós-abolição e avaliar os seus resultados. EF09HI04 - Discutir a importância da participação da população negra na formação econômica, política e social do Brasil. Primeira República e suas características Contestações e dinâmicas da vida cultural no Brasil entre 1900 e 1930 EF09HI05 - Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive. 2 – R ep úb lic a ol ig ár qu ic a Experiências republicanas e práticas autori- tárias: as tensões e disputas do mundo con- temporâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI01 - Descrever e contextualizar os principais aspectos so- ciais, culturais, econômicos e políticos da emergência da República no Brasil. EF09HI02 - Caracterizar e compreender os ciclos da história repu- blicana até 1954. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 27 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXVIII 2 – R e p ú b li ca o li g á rq u ic a A questão da inserção dos negros no período republicano do pós-abolição Os movimentos sociais e a imprensa negra; a cultura afro-brasileira como elemento de resistência e superação das discriminações EF09HI03 - Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade brasileira pós-abolição e avaliar os seus resultados. EF09HI04 - Discutir a importância da participação da população negra na formação econômica, política e social do Brasil. Primeira República e suas características Contestações e dinâmicas da vida cultural no Brasil entre 1900 e 1930 EF09HI05 - Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive. A questão indígena durante a República (até 1964) EF09HI07 - Identificar e explicar, em meio a lógicas de inclusão e exclusão, as pautas dos povos indígenas, no contexto republicano (até 1964), e das populações afrodescendentes. Anarquismo e protagonismo feminino EF09HI08 - Identificar as transformações ocorridas no debate sobre as questões da diversidade no Brasil durante o século XX e compreen- der o significado das mudanças de abordagem em relação ao tema. EF09HI09 - Relacionar as conquistas de direitos políticos, sociais e civis à atuação de movimentos sociais. 3 – R e vo lt a s n a P ri m e ir a R e p ú b li ca Experiências republicanas e práticas autoritá- rias: as tensões e disputas do mundo contem- porâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI02 - Caracterizar e compreender os ciclos da história repu- blicana até 1954. Primeira República e suas características EF09HI05 - Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive. A questão indígena durante a República (até 1964) EF09HI07 - Identificar e explicar, em meio a lógicas de inclusão e exclusão, as pautas dos povos indígenas, no contexto republicano (até 1964), e das populações afrodescendentes. 4 – E ra V a rg a s Experiências republicanas e práticas autori- tárias: as tensões e disputas do mundo con- temporâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI02 - Caracterizar e compreender os ciclos da história repu- blicana até 1954. A questão da inserção dos negros no período republicano do pós-abolição Os movimentos sociais e a imprensa negra; a cultura afro-brasileira como elemento de resistência e superação das discriminações EF09HI03 - Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade brasileira pós-abolição e avaliar os seus resultados. EF09HI04 - Discutir a importância da participação da população negra na formação econômica, política e social do Brasil. O período varguista e suas contradições A emergência da vida urbana e a segregação espacial O trabalhismo e seu protagonismo político EF09HI06 - Identificar e discutir o papel do trabalhismo como força política, social e cultural no Brasil, em diferentes escalas (nacional, regional, cidade, comunidade). 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 28 10/29/18 9:27 AM XXIXMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 4 – E ra V a rg a s Anarquismo e protagonismo feminino EF09HI08 - Identificar as transformações ocorridas no debate sobre as questões da diversidade no Brasil durante o século XX e compreen- der o significado das mudanças de abordagem em relação ao tema. EF09HI09 - Relacionar as conquistas de direitos políticos, sociais e civis à atuação de movimentos sociais. 5 – P ri m e ir a G u e rr a M u n d ia l O mundo em conflito: a Primeira Guerra Mundial EF09HI10 - Identificar e relacionar as dinâmicas do capitalismo e suas crises, os grandes conflitos mundiais e os conflitos vivenciados na Europa. 6 – R e vo lu çã o R u s s a A Revolução Russa EF09HI11 - Identificar as especificidades e os desdobramentos mun- diais da Revolução Russa e seu significado histórico. 7 – C ri s e c a p it a li s ta e t o ta li ta ri s m o A crise capitalista de 1929 EF09HI10 - Identificar e relacionar as dinâmicas do capitalismo e suas crises, os grandes conflitos mundiais e os conflitos vivenciados na Europa. EF09HI12 - Analisar a crise capitalista de 1929 e seus desdobramen- tos em relação à economia global. A emergência do fascismo e do nazismo EF09HI13 - Descrever e contextualizar os processos da emergência do fascismo e do nazismo, a consolidação dos estados totalitários e as práticas de extermínio (como o holocausto). 8 – S e g u n d a G u e rr a M u n d ia l O mundo em conflito: a Primeira Guerra Mundial EF09HI10 - Identificar e relacionar as dinâmicas do capitalismo e suas crises, os grandes conflitos mundiais e os conflitos vivenciados na Europa. A emergência do fascismo e do nazismo A Segunda Guerra Mundial Judeus e outras vítimas do holocausto EF09HI13 - Descrever e contextualizar os processos da emergência do fascismo e do nazismo, a consolidação dos estados totalitários e as práticas de extermínio (como o holocausto). 9 – D e m o cr a ci a e p o p u li s m o Experiências republicanas e práticas autoritá- rias: as tensões e disputas do mundo contem- porâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI02 - Caracterizar e compreender os ciclos da história repu- blicana até 1954. A questão indígena durante a República (até 1964) EF09HI07 - Identificar e explicar, em meio a lógicas de inclusão e exclusão, as pautas dos povos indígenas, no contexto republicano (até 1964), e das populações afrodescendentes. O Brasil da era JK e o ideal de uma nação mo- derna: a urbanização e seus desdobramentos em um país em transformação EF09HI17 - Identificar e analisar processos sociais, econômicos, culturais e políticos do Brasil a partir de 1946. EF09HI18 - Descrever e analisar as relações entre as transformações urbanas e seus impactos na cultura brasileira entre 1946 e 1964 e na produção das desigualdades regionais e sociais. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 29 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXX 9 – D e m o cr a ci a e p o p u li s m o Os anos 1960: revolução cultural? EF09HI19 - Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil e discutir a emergência de questões relacionadas à memória e à justiça sobre os casos de violação dos direitos humanos. 1 0 – D it a d u ra m il it a r Os anos 1960: revolução cultural? A ditadura civil-militar e os processos de re- sistência A questão indígena e negra e a ditadura EF09HI19 - Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil e discutir a emergência de questões relacionadas à memória e à justiça sobre os casos de violação dos direitos humanos. EF09HI20 - Discutiros processos de resistência e as propostas de reorganização da sociedade brasileira durante a ditadura civil-militar. EF09HI21 - Identificar e relacionar as demandas indígenas como forma de contestação ao modelo desenvolvimentista da ditadura. 1 1 – C o n s tr u çã o d a c id a d a n ia O processo de redemocratização A Constituição de 1988 e a emancipação das cidadanias (analfabetos, indígenas, negros, jovens etc.) A história recente do Brasil: transformações políticas, econômicas, sociais e culturais de 1989 aos dias atuais Os protagonismos da sociedade civil e as al- terações da sociedade brasileira A questão da violência contra populações marginalizadas O Brasil e suas relações internacionais na era da globalização EF09HI22 - Discutir o papel da mobilização da sociedade brasileira do final do período ditatorial até a Constituição de 1988. EF09HI23 - Identificar direitos civis, políticos e sociais expressos na Constituição de 1988 e relacioná-los com a noção de cidadania e ao pacto da sociedade brasileira de combate a diversas formas de preconceito, como o racismo. EF09HI24 - Analisar as transformações políticas, econômicas, so- ciais e culturais de 1989 aos dias atuais, identificando questões prioritárias para a promoção da cidadania e dos valores democráticos. EF09HI25 - Relacionar as transformações da sociedade brasileira aos protagonismos da sociedade civil após 1989. EF09HI26 - Discutir e analisar as causas da violência contra popula- ções marginalizadas (negros, indígenas, mulheres, homossexuais, camponeses, pobres etc.) com vistas à tomada de consciência e à construção de uma cultura de paz, empatia e respeito às pessoas. EF09HI27 - Relacionar aspectos das mudanças econômicas, culturais e sociais ocorridas no Brasil a partir da década de 1990 ao papel do País no cenário internacional na era da globalização. 1 2 – G u e rr a F ri a A Organização das Nações Unidas (ONU) e a questão dos Direitos Humanos EF09HI15 - Discutir as motivações que levaram à criação da Orga- nização das Nações Unidas (ONU) no contexto do pós-guerra e os propósitos dessa organização. EF09HI16 - Relacionar a Carta dos Direitos Humanos ao processo de afirmação dos direitos fundamentais e de defesa da dignidade huma- na, valorizando as instituições voltadas para a defesa desses direitos e para a identificação dos agentes responsáveis por sua violação. A Guerra Fria: confrontos de dois modelos políticos A Revolução Cubana e as tensões entre Esta- dos Unidos da América e Cuba EF09HI28 - Identificar e analisar aspectos da Guerra Fria, seus prin- cipais conflitos e as tensões geopolíticas no interior dos blocos lide- rados por soviéticos e estadunidenses. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 30 10/29/18 9:27 AM XXXIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 12 – G ue rr a Fr ia As experiências ditatoriais na América Latina EF09HI29 - Descrever e analisar as experiências ditatoriais na Amé- rica Latina, seus procedimentos e vínculos com o poder, em nível nacional e internacional, e a atuação de movimentos de contesta- ção às ditaduras. EF09HI30 - Comparar as características dos regimes ditatoriais latino- -americanos, com especial atenção para a censura política, a opressão e o uso da força, bem como para as reformas econômicas e sociais e seus impactos. 13 – Á fr ic a, Á si a e O ri en te M éd io O colonialismo na África As guerras mundiais, a crise do colonialismo e o advento dos nacionalismos africanos e asiáticos EF09HI14 - Caracterizar e discutir as dinâmicas do colonialismo no continente africano e asiático e as lógicas de resistência das populações locais diante das questões internacionais. Os processos de descolonização na África e na Ásia EF09HI31 - Descrever e avaliar os processos de descolonização na África e na Ásia. A questão da Palestina EF09HI10 - Identificar e relacionar as dinâmicas do capitalismo e suas crises, os grandes conflitos mundiais e os conflitos vivencia- dos na Europa. 14 – C ri se d o so ci al is m o au to ri tá ri o A Guerra Fria: confrontos de dois modelos políticos A Revolução Chinesa e as tensões entre Chi- na e Rússia EF09HI28 - Identificar e analisar aspectos da Guerra Fria, seus principais conflitos e as tensões geopolíticas no interior dos blocos liderados por soviéticos e estadunidenses. 15 – F ac es d a gl ob al iz aç ão O fim da Guerra Fria e o processo de globa- lização Políticas econômicas na América Latina EF09HI32 - Analisar mudanças e permanências associadas ao pro- cesso de globalização, considerando os argumentos dos movimen- tos críticos às políticas globais. EF09HI33 - Analisar as transformações nas relações políticas locais e globais geradas pelo desenvolvimento das tecnologias digitais de informação e comunicação. EF09HI34 - Discutir as motivações da adoção de diferentes políticas econômicas na América Latina, assim como seus impactos sociais nos países da região. Os conflitos do século XXI e a questão do terrorismo Pluralidades e diversidades identitárias na atualidade As pautas dos povos indígenas no século XXI e suas formas de inserção no debate local, regional, nacional e internacional EF09HI35 - Analisar os aspectos relacionados ao fenômeno do terro- rismo na contemporaneidade, incluindo os movimentos migratórios e os choques entre diferentes grupos e culturas. EF09HI36 - Identificar e discutir as diversidades identitárias e seus significados históricos no início do século XXI, combatendo qualquer forma de preconceito e violência. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 31 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXXII 2.3. Estruturação dos capítulos Cada um dos volumes da coleção foi organizado em 4 uni- dades que, de modo geral, correspondem aos bimestres do ano letivo. Os capítulos do livro, por sua vez, apresentam seções articuladas entre si que buscam contemplar várias dimensões da aprendizagem. Os capítulos possuem a seguinte estrutura interna: • Abertura de capítulo: seção com texto introdutório, ima- gens e atividades. O professor pode utilizar a abertura do capítulo para promover debates, levantar questões e ins- tigar a curiosidade dos alunos. • Texto-base: escrito em linguagem adequada ao desenvol- vimento etário dos alunos dos Anos Finais do Ensino Fun- damental. Nesse sentido, há uma mudança gradual na lin- guagem em cada um dos volumes da coleção. Seu principal objetivo é organizar e promover conhecimentos históricos relevantes incorporando tanto quanto possível mudanças historiográficas, que exploram novos objetos e objetivos dos historiadores, suas hipóteses e seus debates. • Cartografia e iconografia: reproduções de fontes históri- cas (mapas, fotografias, obras arquitetônicas, pinturas, esculturas, etc.), que complementam e explicitam aspec- tos do tema estudado. Estas imagens constituem, em sen- tido amplo, um rico conjunto de documentos a ser utilizado na produção do conhecimento histórico. As reproduções de imagens apresentam legendas explicativas e, em muitos casos, são acompanhadas de atividades que estimulam sua interpretação. • Glossário: pequenos boxes laterais que, de forma sucinta, trazem uma explicação sobre palavras e expressões pouco usuais para os alunos. Sempre que julgar conveniente, o professor deverá complementar a explicação ou orientar os alunos a pesquisar outros sentidos para palavras e ex- pressões desconhecidas. • Investigando: boxe de atividades que visam sondar conhe- cimentos prévios, estabelecer relações passado-presente e aproximar os assuntos estudados da vida real dos es- tudantes. Essa seção aparece em todas as aberturas de capítulo e ao longo do texto-base do livro. • Observando o mapa: seção de atividades de leitura e in- terpretação de mapas. O objetivo é trabalhar o conceito de espaço e sua temporalidade, promovendo a interdiscipli- naridade com Geografia. • Outras histórias: seçãocom texto e atividades, muitas ve- zes acompanhados de imagens. Essa seção procura com- plementar ou aprofundar assuntos abordados no capítulo. • Painel: seção que apresenta temas novos ou aprofunda um assunto abordado no capítulo privilegiando imagens que constituem, por exemplo, mostras de arte, infográfi- cos ou detalhamentos de pinturas, objetos e construções arquitetônicas. • Oficina de história: seção de atividades para o aluno, es- truturada da seguinte maneira: Refletir e ampliar: reúne atividades variadas que, de modo geral, visam organizar e refletir sobre os conteúdos do ca- pítulo, bem como ampliar o repertório dos estudantes. Elas promovem, por exemplo, a interpretação e a produção de imagens e textos, a realização de debates e a construção de linhas do tempo e de mapas conceituais. Fontes históricas: apresenta atividades com fontes his- tóricas variadas (texto ou imagem). O professor poderá utilizar essa seção para estimular a reflexão dos alunos (individual e em grupo) sobre o processo de produção do conhecimento histórico e o ofício do historiador. Integrar com: apresenta atividades interdisciplinares que integram os conteúdos históricos com outros campos do saber, como Arte, Geografia, Língua Portuguesa, Matemá- tica, Ciências, etc. • Para saber mais: seção que, no fim de cada unidade, apre- senta sugestões de filmes, livros e sites para ampliar e enriquecer a aprendizagem. Todas as sugestões são acom- panhadas de pequenas resenhas. • Projetos temáticos: ao final de cada volume, é apresentado um projeto temático que reforça a dimensão experimental e interdisciplinar do ensino-aprendizagem mobilizando os estudantes a trabalhar com temas abrangentes das áreas do conhecimento, especialmente em Ciências Humanas e Linguagens. Os projetos temáticos de cada volume são: 6o ano – Universo escolar. 7o ano – Meio ambiente. 8o ano – Saúde e educação. 9o ano – Internet e cidadania. Os projetos propõem atividades em grupo de reflexão e in- vestigação que demandam, por exemplo: pesquisas e manejo de fontes variadas, seleção e interpretação de dados e informa- ções, uso de linguagens diferentes (textos, imagens, sons), en- trevistas com pessoas da comunidade, estudo do espaço social em que os alunos estão inseridos, construção e apresentação de argumentos a partir dos conhecimentos desenvolvidos. Os projetos podem (e devem) ser flexibilizados levando-se em consideração a diversidade nacional e as necessidades pedagógicas de professores e alunos. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 32 10/29/18 9:27 AM XXXIIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL A avaliação é um processo amplo que implica estimar o valor, a extensão e a intensidade do desempenho educacional. O objetivo da avaliação é diagnosticar e acompanhar os resul- tados da ação educativa sempre tendo em vista aprimorar a aprendizagem significativa dos estudantes. Com isso, devemos deixar bem claro que a finalidade da avaliação não é instituir formas de punição para os estudan- tes. Ao contrário, a avaliação deve contribuir para redimen- sionar a ação educativa (DCN para o Ensino Fundamental, art.32). Por isso, em relação ao estudante, a avaliação deve assumir um caráter processual, formativo e participativo. Vejamos: a) processual: atividades contínuas, bem dimensionadas e distribuídas ao longo dos programas de ensino-aprendi- zagem. Deste modo, a avaliação processual ocorre sem uma definição rigorosa que separe o momento de ensinar, aprender ou construir conhecimentos. b) formativo: atividades voltadas à formação integral do estudante, isto é, que promovam o desenvolvimento de conhecimentos, valores e atitudes. c) participativo: atividades capazes de envolver os estu- dantes, tanto individualmente quanto em grupo, e fa- zê-los falar em público, argumentar, produzir textos e mídias sociais, além de intervir no meio em que vivem exercendo a cidadania. Além disso, a avaliação possui outras facetas. Como parte do currículo, deve servir para: a) identificar potencialidades e dificuldades da aprendi- zagem; b) sinalizar problemas do ensino, permitindo repensar méto- dos e recursos utilizados pela professora ou pelo professor. Em princípio, quanto maiores forem as dificuldades de aprendizagem tanto maior será a necessidade de rever as estratégias de ensino. Isso implica redirecionar o trabalho em sala de aula e perceber o que funciona, o que envolve, o que facilita a aprendizagem. Outro aspecto importante é que a avaliação também deve ser apresentada aos pais ou responsáveis pelos estudantes. É fundamental que eles sejam informados sobre o desem- penho escolar de seus filhos neste momento de interação e diálogo entre a escola e a comunidade. Cultivar este diálogo com o estudante e sua família, discutindo os resultados da 3. A proposta de avaliação avaliação, é valioso para a criação de um ambiente favorável à educação. 3.1. Avaliação e atividades desta coleção Em suas diversas propostas, as atividades que integram esta coleção possibilitam uma avaliação processual, formati- va e participativa do ensino-aprendizagem de História. 3.1.1. Aspecto processual As atividades avaliativas dos volumes desta coleção foram dispostas em diferentes momentos da obra, tais como: nas aberturas dos capítulos (Investigando), ao longo dos textos e das imagens (Investigando, Observando o mapa, Outras histó- rias), ao final do capítulo (Oficina de história) e no fim de cada livro (Projetos temáticos). 3.1.2. Aspecto formativo e participativo As atividades avaliativas foram elaboradas levando- -se em conta o rol de competências e habilidades da BNCC (6o ao 9o) do Ensino Fundamental. Isso significa que, ao lado dos conteúdos desenvolvidos no livro, estas atividades são partes intrínsecas do projeto de formação dos estudan- tes. Nesse sentido, essas atividades contribuem, por exem- plo, para: • valorizar a diversidade das culturas e seus modos de ser, saber e viver; • reconhecer e compreender os conhecimentos historica- mente construídos ; • promover a construção de argumentos, questionamentos, hipóteses, interpretação de fontes diversas tanto da cul- tura material quanto da imaterial; • exercitar a empatia, o diálogo, a cooperação, o respeito mútuo e a solidariedade; • promover o exercício da cidadania de forma livre, proativa e responsável, estimulando a tomada de decisões com base em valores éticos, democráticos e inclusivos. Cada um dos objetivos do conjunto de atividades pre- sentes nesta obra (Investigando, Observando o mapa, Ofi- cina de história, Projeto temático) foi explicitado no tópico Organização geral da obra deste Manual. Cabe ao professor utilizar essas atividades à sua maneira para redimensionar sua ação educativa e estimular o diálogo com os alunos. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 33 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXXIV 3.2. Avaliação qualitativa Um aspecto relevante que merece ser ressaltado é que a avaliação não se reduz ao ato de “medir” ou “quantificar” o acúmulo de informações dos estudantes. Neste sentido, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) determina que o estudante seja avaliado de forma contínua e cumulativa, prevalecendo os aspectos qualitativos sobre os quantitativos e os resultados de longo prazo sobre os de eventuais provas finais (Art. 24, V, alínea a). Segundo a BNCC do Ensino Fundamental, o compromisso com a educação integral implica também esse olhar inova- dor e inclusivo sobre questões centrais como a avaliação do aprendizado. Desse modo, mais do que medir o acúmulo de informações, o que se pretende é desenvolver no aluno “competências para aprender a aprender, saber lidar com a informação cada vez mais disponível, atuar com discer- nimento e responsabilidade nos contextos das culturas digitais, aplicar conhecimentos para resolver problemas, ter autonomia paratomar decisões, ser proativo para identificar os dados de uma situação e buscar soluções, conviver e aprender com as diferenças e as diversidades.” (BNCC, p. 14). Na escola contemporânea, educar é compartilhar conhe- cimentos e afetos dentro de uma visão integral do estudan- te, voltada tanto para seus interesses e suas necessidades quanto para os desafios da sociedade contemporânea. Nesse sentido, a avaliação qualitativa requer que o acompanhamento das atividades em sala de aula e extra-aula seja realizado de forma individual ou coletiva. Além disso, a avaliação qualitativa implica considerar as- pectos múltiplos como as formas variadas de reflexão, comu- nicação, criatividade, resiliência ao lado das atitudes de cola- boração, empatia, solidariedade, participação e compromisso. Se o professor desejar complementar a avaliação dos estudantes por meio de provas periódicas, sugerimos que as questões que levem a uma resposta única ou os testes de múltipla escolha sejam menos valorizados. O formato que induz à resposta única e rígida dificulta a percepção de eventuais problemas no aprendizado e não cria oportunida- des para que os estudantes expressem mais plenamente suas capacidades. Além das provas discursivas, é preciso dar espaço para outras atividades promissoras, individuais e coletivas, privi- legiando o protagonismo do estudante na construção de sua aprendizagem. Entre estas atividades esta coleção incluiu propostas como: a) pesquisas sobre o local de atuação da escola; b) interpretações de temas e fontes variadas; c) leitura e interpretação de mapas e imagens; d) debates sobre temas do contexto social dos estudantes; e) realização de entrevistas com membros da comunidade; f) elaboração de “painéis” temáticos; g) realização de reportagens para um blog ou jornal, que pode ser criado na sala ou na escola; h) produção de textos com críticas a livros, filmes, exposições ou visitas a museus e outras instituições. Nestas atividades, sugerimos que o professor explicite para os estudantes os critérios com base nos quais eles serão avaliados, estabelecendo um cenário das expectativas e dos resultados pretendidos. Por fim, é necessário dizer que as atividades múltiplas de avaliação devem abranger não somente conteúdos específicos de História, mas também o desenvolvimento de saberes interdisciplinares voltados ao exercício da ci- dadania, ao mundo do trabalho, aos projetos de vida dos estudantes e à construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Desenvolvemos temas, abordagens e atividades in- terdisciplinares em diversos momentos desta coleção. Além disso, utilizamos mapas, imagens, obras literárias, entrevistas e filmes como recursos pedagógicos importan- tes. É preciso levar em conta, porém, as especificidades desses materiais. O domínio de tecnologias e linguagens aplicáveis a documentos de diferentes tipos (escritos, iconográficos, orais, musicais, multimídias, etc.) requer um exercício constante e recorrente de pesquisa, pois não há uma fórmula pronta e uniforme para lidar com eles. De modo geral, recomendamos jamais analisar os documen- tos como reflexos ou resgates da “verdade”, pois todos são parte constitutiva de representações da realidade e das relações sociais em jogo. 4. Usos do livro e possibilidades de trabalho 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 34 10/29/18 9:27 AM XXXVMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL A seguir, sugerimos formas de usar o livro e as possibilida- des de trabalho em sala de aula. 4.1. Interdisciplinaridade [...] os desenvolvimentos disciplinares das ciências não só trouxeram as vantagens da divisão do trabalho, mas também os inconvenientes da superespecialização, do confinamento e do despedaçamento do saber. Não só produziram o conhecimento e a elucidação, mas também a ignorância e a cegueira. MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Trad.: Eloá Jacobina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. p. 15. A partir do século XV, sobretudo nas sociedades ocidentais, as ciências ganharam certa autonomia e se subdividiram em disciplinas cada vez mais específicas. Esse processo teve como consequência a produção de uma “era dos especialis- tas”, cujos resultados consistiram na perda das visões de conjunto e na pulverização do saber. Essas perdas estimularam um movimento de busca pela interdisciplinaridade, uma busca por elos entre dife- rentes disciplinas que, mantendo a identidade dos cam- pos do conhecimento, estabelece um diálogo permanente entre eles. Nesta obra, quisemos superar a simples justaposição de uma área do saber sobre as outras. Ao mesmo tempo, entendemos que a interdisciplinaridade pode ser uma prática que leve o docente a intervir na realidade social e orientar seus alunos, agindo de forma autônoma e sensível para es- timular aquilo que não ocorreria de modo espontâneo na sala de aula. A prática interdisciplinar deve ser observada como princípio pedagógico na medida em que se percebem a necessidade, a coerência e os desafios de fazê-la, adotando atitudes de questionamento, confirmação, complementação e ampliação. O objetivo é fazer da interdisciplinaridade um recurso es- colar para lidar com problemas, processos e fenômenos que podem ser mais bem compreendidos quando considerados de perspectivas diversas. Para cumprir esse intento, incorporamos temas que dialogam com outras disciplinas escolares ao longo do li- vro. Para enfatizar isso, criamos uma seção específica no final dos capítulos, denominada Integrar com. Trata-se de um conjunto de atividades que procura promover conexões tanto com as disciplinas que, como a História, situam-se no campo das Humanidades (como Geografia, Arte e Língua Portuguesa), quanto com aquelas mais distantes, mas com as quais, conforme o conteúdo abordado, pode se promover formas de diálogo (como Matemática, Educação Física, Ciên- cias e Língua Estrangeria Moderna). Ao final de cada volume, esperamos que as atividades interdisciplinares contribuam para formar jovens capazes de agir de forma transformadora sobre o mundo em que vivem e que se tornem cada vez mais autônomos para construir métodos de estudo, interpreta- ções e saberes. 4.2. Mapas Os mapas são representações de um espaço construídas por meio de símbolos, escala e projeção cartográfica. Eles podem servir para orientação, para o conhecimento de um território e, sobretudo, podem ser utilizados como fontes históricas. Ao interpretar essas representações, devemos considerar que todo mapa é feito com objetivos específicos e por meio de técnicas específicas. Ao utilizar mapas históricos, podemos trabalhar com os estudantes aspectos como: • características geográficas de uma região; • orientação espacial, escala, título e legenda; • semelhanças e diferenças de um território ou de uma re- gião, ocorridas ao longo do tempo; • correspondência entre as fronteiras e os agrupamentos étnicos, a valorização de territórios que constituem pontos estratégicos, etc. Esses aspectos não são aleatórios. Em História, espaço e tempo são dimensões fundamentais para a compreensão dos fenômenos. Nesse sentido, os mapas e sua linguagem são essenciais para a construção de um conhecimento crítico acerca do espaço. Mapas permitem localizar lugares e pes- soas, traçar comparações a partir de características naturais e sociais neles representadas ou avaliar distâncias físicas e esforços para superá-las. Entender a organização espacial para além daquilo que nos cerca é ampliar o saber e, por que não, a imaginação. O território familiar aos estudantes não é o único passível de ser observado e apreendido: territórios distantes também são objeto de estudo e os mapas são instrumentos impor- tantes nesse processo. O recurso aos mapas, por si só, já configura uma forma de interdisciplinaridade. Todavia, como já expusemos noinício deste Manual, documentos de todos os tipos são 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 35 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXXVI válidos para a produção do conhecimento histórico, entre os quais se incluem as representações cartográficas ou mapas. Os historiadores vêm acumulando experiência no uso dos mapas como fontes ou como meio de apresenta- ção dos resultados de seus estudos e de representação espacial da realidade. Cabe ao professor problematizar todas as fontes histó- ricas. Com os mapas não é diferente. Os mapas de hoje são representações da superfície do planeta ou de partes dela. Resultam de conhecimentos interdisciplinares e recursos tec- nológicos cada vez mais sofisticados, que incluem computa- dores e satélites. Mas sabemos que nem sempre foi assim. Os mapas também são históricos no sentido de que passaram por transformações na forma como são feitos e guardam per- manências – como a intenção de sistematizar dados a partir de interesses políticos, econômicos, demográficos, militares, etc. No passado mais distante, os mapas tinham usos seme- lhantes aos dos tempos atuais, mas com recursos técnicos próprios das épocas em que foram produzidos. Serviram para planejar ações, como a dominação de um povo sobre outros, o transporte de mercadorias por mar e por terra, a arrecadação de impostos nas fronteiras de um país, a concentração de recursos naturais em determinadas regiões, para mencionar alguns exemplos. Portanto, a elaboração e o uso dos mapas lidam, ao mesmo tempo, com as limitações técnicas e com as in- tenções políticas. A cartografia só pode ser compreendida no contexto em que é produzida e sua finalidade depende de quem faz uso dela. Aqui, a finalidade é educacional e crí- tica, mas, se julgar conveniente, o professor pode deter-se em algum momento na própria história da Cartografia ao planejar suas aulas. Outras indicações Além dos mapas apresentados nesta obra, sugerimos ao professor a utilização de atlas históricos em suas aulas. Além da bibliografia ao final do volume, recomendamos duas fontes para o trabalho com mapas: • LOCH, Ruth E. N. Cartografia tátil: mapas para deficientes visuais, disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/ index.php/portalcartografia/article/view/1362/1087>, que destaca a importância de mapas táteis para estudan- tes com deficiência visual. • Portal de Mapas do IBGE, disponível em: <http://portal demapas.ibge.gov.br>, no qual há cerca de 20 mil mapas sobre temas variados, como saneamento ambiental, alfa- betização, terras indígenas, etc. 4.3. Iconografia e leitura de imagens Por muito tempo, as imagens foram utilizadas pelos historiadores como meras ilustrações ou elementos com- probatórios. No entanto, com as transformações na con- cepção de conhecimento histórico ocorridas no século XX e por conta também do desenvolvimento da história da cultura, as imagens passaram a ser compreendidas como fontes de informações, que devem ser lidas e interpreta- das. Atualmente, recursos iconográficos, como fotografias, pinturas, esculturas, gravuras, desenhos e caricaturas, são documentos históricos tão importantes quanto os registros escritos. Lidar com fontes e linguagens diferenciadas – princi- palmente visuais – requer certas habilidades, as quais podem ser desenvolvidas pelo exercício do olhar, que en- volve observar, identificar e compreender o significado das imagens. Há um ponto comum entre a documentação iconográ- fica e a escrita: ambas são, fundamentalmente, repre- sentações da realidade, ou seja, expressam versões dos eventos históricos. Ao trabalhar com recursos iconográficos como fontes his- tóricas, procure: • observar os detalhes da imagem, suas cores, persona- gens, paisagens, temas, etc.; • refletir sobre as impressões e os sentimentos que a ima- gem pode despertar nos estudantes; • identificar o tipo de obra (fotografia, desenho, pintura, es- cultura, caricatura, etc.) e a data e o local de sua produção; • pesquisar informações sobre o autor da obra (nacionali- dade, idade, outros trabalhos, etc.); • investigar se a obra tinha um público-alvo, quem teve aces- so a ela, etc.; • comparar a obra com outras que possam ajudar a com- preendê-la; • analisar o contexto de produção da imagem e como ela foi apropriada ao longo do tempo. Verifique, por exemplo, se as referências utilizadas na obra têm o mesmo significado no contexto de sua produção e no tempo presente. Ao longo desta coleção, há diferentes propostas de ativida- des com iconografia, que são parte constitutiva dos capítulos. Isso não limita a possibilidade de o professor propor outras atividades, já que é ele quem melhor conhece seus alunos e as potencialidades deles. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 36 10/29/18 9:27 AM XXXVIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL Leituras para o professor O texto reproduzido a seguir traz uma discussão impor- tante sobre o uso das imagens em sala de aula (e não só as do livro didático) e a necessidade da formação continuada do professor para trabalhar com esse recurso. O uso de imagens em sala de aula exige uma nova postura de professores e alunos, que não diz respeito à formação de historiadores, mas ao fato de proporcionar mais autonomia intelectual ante os diversos registros humanos [...]. A condição de uso adequado das novas tecnologias e dos novos mediadores da aprendizagem como o uso coerente de imagens passa pela formação do professor. Segundo a Lei 9.394/96, a formação continuada dos professores é condição para o processo qualitativo, pois é o único meio de esses profissionais acompanharem os discursos, as novas propostas de ensino da disciplina, as novas interpretações e novas exigências do cotidiano escolar [...]. Devem ser buscados mecanismos e ferramentas para o uso eficiente das fontes imagéticas, as quais, chegando aos docentes, despertem o olhar de interesse em conhe- cer e usar de forma privilegiada a linguagem imagética em sala de aula, sem a possibilidade de se perder em generalizações grosseiras. Além disso, o uso de imagens diz respeito a alguns cuidados, como por exemplo não priorizar a forma em detrimento da ideia, ou vice-versa, ou homogeneizar a cultura de uma época a partir de uma única imagem (Peter Burke, Testemunha ocular: história e imagem. Bauru: Edusc, 2004, p. 52). Deve-se lembrar que, no registro de uma imagem, há escolhas feitas pelo produtor, além de um contexto da concepção, o que obriga estar atento às ideologias implícitas, às invenções e criações do artista, às possíveis apropria- ções e adequações. Importa, assim, observar o público ao qual a obra se destinou e perceber os silêncios, au- sências, vazios e lacunas deixados pelo produtor, dado que a imagem não é uma realidade total, embora traga porções, traços, aspectos, símbolos, representações e códigos registrados. O século XXI está mergulhado em uma cultura da imagem, consumida de forma indiscriminada, razão por que ela tanto pode servir como processo de massi- ficação como processo de construção e ressignificação. Como ferramenta privilegiada, a imagem cativa o olhar do aluno, que vive em uma sociedade cifrada em ícones e signos, os quais ele se acostumou a usar, geralmente de forma acrítica. O exercício de desvendar as mensagens intrínsecas presentes nas imagens pode significar não apenas um caminho para interpretar as representações do passado, mas o educar o olho para um excelente exercício de elucidação do presente. Essa problemática envolve a carência de orientações práticas e teóricas quanto ao uso do recurso imagé- tico pelos professores que estão em sala de aula, mas fora do círculo acadêmico em que essas questões são debatidas. As imagens, como linguagem visual, são valiosíssimas na reconstrução da cultura material do passado, como por exemplo o cotidiano de pessoas comuns. Paraa adoção de tal meio de comunicação com o passado, são exigidos o desenvolvimento de habilidades e uma busca epistemológica por parte do docente. A mesma atenção vale para as imagens do presente, devendo-se ter a consciência de que a imagem do passado ou do presente é sempre uma representação da realidade, não ela propriamente. Mesmo antes de proporcionar aos alunos condições de “lerem” imagens, o professor precisa [...] educar seu próprio olhar para a imagem, daí a necessidade de um aprofundamento teórico sobre o tema. A imagem como texto visual é reveladora de cultura, por isso a neces- sidade de aprender a observar e interpretar culturas visuais, como afirma Panofsky (apud BURKE, 2004, p. 45) deve-se exercitar os três níveis de interpretação: seu significado natural (objetos), seu significado con- vencional (o que quer representar) e seu significado intrínseco (o que está subliminar). O que torna, no con- texto da história cultural, o uso do suporte imagético um grande desafio. A partir da análise de Peter Burke, em Testemunha ocular: história e imagem, é possível buscar os limites, perigos e as possibilidades de uso das imagens de uma forma mais produtiva, utilizando-as como um recurso precioso para despertar o olhar do aluno para a realida- de do estudo proposto. Como fonte histórica privilegia- da, as imagens não restituem o real. Elas reconstroem, voluntariamente ou involuntariamente, a apreensão do real. “A imagem não explica a realidade. Convida a re- criá-la e revivê-la”, diz [Miriam M.] Leite (“Texto visual e texto verbal”. In: BIANCO, Bela; LEITE, Miriam M. (orgs.). Desafios da imagem. Campinas: Papirus, 1998, p. 34). [...] O educador deve tornar-se não um consumidor de imagens, mas um especialista em ler imagens, em deco- dificá-las. Para isso, deve dispor de grande bagagem cul- 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 37 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXXVIII Outras indicações • A revista Acervo, editada pelo Arquivo Nacional (RJ), pu- blicou um número especial dedicado à fotografia como fonte histórica (v. 6, n. 1-2, jan./dez. 1993), disponível em: <http://www.arquivonacional.gov.br/media/v6_n1_2_ jan_dez_1993.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2018. Nele, foram reunidos diversos artigos úteis para o trabalho a ser desen- volvido em sala de aula com imagens, dentre os quais des- tacamos o de Boris Kossoy, “Estética, memória e ideologia fotográfica: decifrando a realidade interior das imagens” (p. 13-24), que analisa fotografias de diversos períodos da história do Brasil e o papel do fotógrafo como “criador de realidades”. • Fotografia e História, de Boris Kossoy (São Paulo: Ateliê Editorial, 2009). • Revista Brasileira de História, Dossiê Arte e Linguagens (v. 18, n. 35, 1998, p. 13-224), disponível em: <http:// www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0102- 018819980001&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 20 abr. 2015. A publicação, editada pela Associação Nacional de História (ANPUH), reúne importantes artigos sobre mú- sica popular, literatura, cinema, fotografia e pintura, em diversas épocas. • Revista Anos 90, Dossiê A História e suas fontes (v. 15, n. 28, dez. 2008), disponível em: <http://www.seer.ufrgs. br/index.php/anos90/issue/view/721/showToc>. Acesso em: 25 set. 2018. Destacamos, nesse dossiê, as reflexões contidas em dois artigos: o de Nilton Mullet Pereira e Fer- nando Seffner, “O que pode o ensino de História?, sobre o uso de fontes na sala de aula”, e o de Flávia Eloisa Caimi, “Fontes históricas na sala de aula: uma possibilidade de produção de conhecimento histórico escolar?”. tural e predisposição em continuar aprendendo sempre, consciente da obrigação de uma formação continuada, que extrapola os limites da formação acadêmica. Isso é fundamental para que possa acompanhar o dinamismo das ciências humanas, especialmente da ciência histó- rica, em tempos de democracia, globalização, alta tec- nologia e história cultural, ou seja, tempos propícios para a inovação da produção histórica e implantação de pedagogias renovadas. SANDRI, Sandra Mara D Ávila. Decifra-me ou devoro-te: limites e possibilidades do uso da iconografia – um estudo hermenêutico de imagens para a sala de aula. Anais do II Congresso Internacional de História da Universidade Federal de Goiás – História e Mídia, set. 2011. Disponível em: <http://www.congressohistoriajatai.org/anais2009/ doc%20%2860%29.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2018. 4.4. Literatura A literatura, como todo registro da experiência humana, também pode ser utilizada como fonte histórica. Este é um dos campos da história da cultura. Ao serem utilizadas como fontes históricas, as obras literárias (como qualquer outra obra de arte) podem ser “desconstruídas” e analisadas em seu contexto de produção. Nas obras literárias, é possível observar aspectos como: • modos de vida, costumes e cotidiano das sociedades re- presentadas; • papel das personagens e sua inserção social; • ambientação; • relações sociais, familiares e de poder. Além do prazer e da dimensão informativa das obras literá- rias, sua análise pode resultar em um trabalho interdisciplinar proveitoso para professores e estudantes de História e Língua Portuguesa. Ao trabalhar a literatura como fonte histórica, procure: • identificar o tipo de texto (poema, crônica, carta, biografia, conto, romance, etc.), bem como a data e o local de sua produção; • pesquisar informações sobre o autor do texto (nacionali- dade, idade, outros trabalhos, etc.); • identificar palavras, expressões, conceitos utilizados no texto literário e seus significados no passado e no presente; • conhecer narradores, personagens e suas características; • especificar o tempo em que ocorre o que está sendo rela- tado e o espaço onde acontecem as ações; • compreender como as ações das personagens estão ar- ticuladas; • refletir sobre as impressões e os sentimentos que o texto pode despertar nos estudantes; • investigar se o texto literário tinha um público-alvo defini- do, quem teve acesso a ele, etc.; • comparar a obra com outras que possam ajudar a com- preendê-la; • analisar o contexto de produção da obra e como ela foi apropriada ao longo do tempo; verificar, por exemplo, se as referências utilizadas na obra literária têm o mesmo significado no contexto de sua produção e no momento presente. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 38 10/29/18 9:27 AM XXXIXMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL [...] Uma das muitas possibilidades é o trabalho que se pode fazer com a obra central da literatura e da civilização etíope, a Glória dos Reis (Kebra Nagast), escrito em ge’ez, a língua clássica da Etiópia, é um texto cuja forma atual foi fixada em finais do século XIII, na altura da ascensão da chamada dinastia salomônica ao trono imperial nos planaltos do Tigré e Amhara. A comemoração de uma ideologia do poder inspirada na literatura bíblica, a Glória dos Reis relata a origem de uma dinastia imperial que se entronca na linha real de David e Salomão, e faz dos etíopes os herdeiros do ‘povo escolhido’ do Deus hebraico, e da Igreja cristã monofisista a guardiã da arca da aliança (encerrada, segundo a tradição oficial, numa pequena capela jun- to da igreja de Santa Maria do Sião, na antiga capital imperial de Aksun) e que fora tomada dos hebreus e doada aos etíopes pela vontade divina. Alberto da Costa e Silva em seu livro A enxada e a lança: a África antes dos portugueses, faz referência ao Kebra Nagast: “[...] Tradições do Antigo Testamen- to espalham-se provavelmente na Etiópia muito antes que a Bíblia ali fosse traduzida. Uma dessas tradições, que se desenvolveu no Oriente Médio, num intricado e rico ciclo de lendas, está na base do mito nacional etíope, cuja forma se imobilizou no Kebra Nagast ou Glória dos Reis. Esse livro tomou forma escrita em gueze no início do séculoXIV, mas a história que conta, da rainha de Sabá, devia ter voga desde tempos muito antigos na Etiópia”. O Kebra Nagast narra a trajetória do filho da união de Salomão com Makeda, a “rainha do Sul”, cujo nome é Menelik I (Bayna Lehkem, “Filho do Sábio”, “Filho de Salomão”), é considerado o primeiro Negusa Nagast ou “rei dos reis” da Etiópia, pois quando retornou da terra do seu pai, juntamente com alguns nobres judeus e com a arca da aliança (símbolo da presença de Deus) levou para seu povo os costumes ordenados pelo Deus de seu pai e diante destes preceitos fundou o reino de Aksun, situado na capital da atual Etiópia. Beneficiário de uma dupla herança, israelita e etíope, ele é um importante símbolo de uma ideologia nacional. Historicamente, esta ideologia marcou a forte especificidade da civili- zação etíope (ou pelo menos das expressões político-re- ligiosas do núcleo central “semitizado”). Ao apresentar esta fonte em sala de aula, após a leitura pelos alunos é importante destacar alguns pontos per- tinentes de discussões e entendimentos de acordo com o Kebra Nagast: “Salomão o Rei voltou para seu palácio e reuniu seus conselheiros, seus oficiais e os antigos de seu reino, e disse a eles: Eu não consigo fazer meu filho permanecer aqui. E agora escutem o que direi a vocês. Vamos fazê-lo rei da Etiópia, junto com suas crianças [...]. E as crianças dos nobres de Israel, que foram coman- dados a partir com o filho do rei, formaram um conselho junto, dizendo: O que devemos fazer? Pois nós devemos deixar nosso país e nosso local de nascimento, e nossa família e o povo de nossa cidade. Vamos nos entristecer por conta de nossa senhora Zion (a arca da aliança, que simboliza a presença de Deus) pois eles estão nos fazendo deixá-la, pois nela eles nos comprometeram com Deus, [...] Então eu (Azariah) a colocarei (a arca da aliança) na habitação de Zion, e eu a guardarei na rouparia de Zion, e eu tomarei Zion, e então cavarei um buraco no chão e a colocarei lá, até que nós partamos e levemo-la conosco, mas não contarei nada ao rei até que já esteja- mos viajando”. Primeiramente é possível expor que: a história da arca da aliança no Kebra Nagast aponta a justificativa para que os etíopes se sentissem um povo “escolhido” e abençoado pela presença de Deus, podendo ser trabalhado nesta instância o conceito de “civilização”, com os alunos, as- sim como, mostrando-lhes que cada povo afirma ser o melhor, ser o “escolhido por Deus” tendo todos as suas justificativas; podendo ser inserido também o conceito de “tolerância” entre as diferentes nações, assim como trabalhar os conceitos e no que acreditamos nos dias atuais. Torna-se importante a partir de então frisar que o que expõe-se aqui sobre esta fonte, são possibilidades de análises e que os professores e alunos ao trabalharem com esta fonte escolhem e direcionam suas análises in- dividualmente, pois objetiva-se a divulgação e o aponta- mento de perspectivas e possibilidades e não traçar um “manual a ser seguido”. Percebendo-se, portanto, que a troca de olhares so- bre o outro e sobre a própria identidade é um instru- mento dinâmico, em constante ressignificação e com múltiplas variáveis. Com base no que afirmou Roger Chartier “[...] nenhum texto – mesmo aparentemente mais documental [...] – mantém uma relação transpa- rente com a realidade que apreende. O texto, literário ou documental, não pode nunca se anular como tex- to, ou seja, como um sistema construído consoante categorias, esquemas de percepção e de apreciação, Leituras para o professor A seguir, o texto selecionado traz indicações acerca do trabalho com a literatura de ficção aplicado à História da África, que podem ser sugestivas também para outras temáticas. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 39 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXL regras de funcionamento, que remetem para as suas próprias condições de produção”. Desta forma esta fonte também pode ser utilizada em contrapartida a outras fontes, para desmistificar ideias expostas, as- sim como falsos e estranhos relatos sobre a Etiópia, de acordo com alguns dos relatos europeus sobre os africanos desde a Antiguidade [...]. O pensamento histórico passa por (re)adequações, surgindo uma espécie de história científica. Levar es- tas teorias para dentro da sala de aula e apresentá-las engrandece a visão e as análises que os alunos podem fazer da fonte primária, o texto literário, neste caso do Kebra Nagast [...]. Uma das principais gerações de pensadores desse grupo [que defende que a África possui uma história] foi a dos intelectuais liderados pelos africanos Joseph Ki-Zerbo e Cheikh Anta Diop. [...]. Essa história que Ki-Zerbo propõe “não seria uma história-revanche, que relançaria a história colonialista como um bumerangue contra seus autores, mas de mudar a perspectiva e ressuscitar ima- gens ‘esquecidas’ ou ‘perdidas’”. Através destas palavras pode-se ter uma ideia do que se constituiria o ensino de História da África na atualidade, o mesmo seria um despertar para a exclusão realizada pelo ocidente, de forma que fosse possível elaborar uma história com o olhar destes povos, caminhos estes percorridos através de suas fontes, de acordo com a sua diversificação, cabendo a pesquisadores e estudantes atuais buscar métodos de melhor abordar tais aspectos [...]. Levar a literatura africana antiga como o Kebra Na- gast e apresentar aos alunos as teorias relativas a con- cepções sobre a existência de uma história da África (esta no mínimo intitulada como o berço da humani- dade) fornece uma análise crítica e de imediata des- mistificação dos conceitos “aprendidos” com respeito à história da África. LIMA, Stéphanie M. Zumba de; SOUZA NETO, José Maria Gomes de. A literatura, fonte primária para o ensino de história da África. Anais do XIII Encontro Estadual de História: entre o nacional e o regional [Paraíba], 2008. Disponível em: <http://www.anpuhpb.org/anais_xiii_eeph/ textos/ST%2004%20-%20St%C3%A9phanie%20Monick% 20Zumba%20de%20Lima%20TC.PDF>. Acesso em: 19 jul. 2018. considerados caminhos possíveis para a recuperação da história do Brasil a partir do período imperial. • Com palmos medida: terra, trabalho e conflito na literatura brasileira, livro organizado por Flávio Aguiar, com prefácio de Antonio Candido (São Paulo: Fundação Perseu Abramo/ Boitempo, 1999). • Revista Hydra, Dossiê História e Literatura (v. 2, p. 20-32, 2017), disponível em: <http://hydra.sites.unifesp.br/in- dex.php/pt/?option=com_content&view=article&id=55&- catid=17>. Acesso em: 23 jul. 2018. Destacamos o artigo de Denilson Botelho, “Um encontro inusitado: história e literatura nas páginas do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro na Primeira República”, no qual o autor apresenta uma reflexão sobre o uso da literatura como fonte para o trabalho do historiador, a partir do exemplo da obra Tris- te fim de Policarpo Quaresma, publicada originalmente como folhetim na imprensa do Rio de Janeiro no início do século XX. 4.5. Fontes orais O trabalho com fontes orais pode levar a bons resultados, envolvendo os estudantes em atividades diferentes daquelas normalmente apresentadas em sala de aula. Todos nós conhe- cemos histórias interessantes que nos foram contadas em família ou entre amigos. Essa experiência pode ser estimulada e aproveitada para ampliar a construção do conhecimento histórico. A sugestão é a elaboração de entrevistas e a coleta de depoimentos. Para trabalhar esse tipo de fonte com os estudantes, apre- sentamos as orientações seguintes: 1. Definição do tema: promova debates para escolher um tema que desperte o interesse dos estudantes. Ele deve estar relacionado a algum assunto abordado em sala de aula. 2. Objetivo do estudo: é importante estabelecer o objetivo do estudo, que deve estar ligado ao tema escolhido. Entrevis- tas e depoimentospodem ajudar a entender a relação que determinado grupo social mantém com uma manifestação cultural, um regime político, uma tecnologia, etc. 3. Seleção dos interlocutores: é preciso ficar atento à idade e à disponibilidade do depoente/entrevistado, bem como ao seu grau de envolvimento com o tema escolhido. 4. Elaboração de roteiros: a) identificação do interlocutor: nome, idade, gênero, na- cionalidade, lugar onde mora, escolaridade; Outras indicações • A história contada: capítulos de história social da literatura no Brasil, organizada por Sidney Chalhoub e Leonardo A. de M. Pereira (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998). Nessa obra, a literatura e o mundo dos literatos brasileiros foram 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 40 10/29/18 9:27 AM XLIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL Uma entrevista de história oral constitui uma ref le- xão e recuperação do passado levada a efeito ao longo de uma conversa. Uma conversa comum, entretanto, não é gravada e tampouco acompanhada de anotações. Se um aluno assiste a uma aula, é de se esperar que tome nota e que, portanto, não fique olhando para o professor durante todo o tempo. Numa conversa, ao contrário, não é costume tomar nota daquilo que o outro fala, e é possível que o recurso frequente a ano- tações durante uma entrevista produza no entrevistado um certo retraimento: ele pode se sentir inibido ao ver que aquilo que diz adquire peso semelhante ao de uma aula. Ou então, pode achar que aquilo sobre o que se Outras indicações • Este número especial da revista Projeto História, editada pela PUC/SP (n. 15, abr. 1997), disponível em: <http://revis tas.pucsp.br/index.php/revph/issue/view/786>, acesso em: 23 jul. 2018, reúne os trabalhos apresentados no even- to “Ética e história oral”, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil e pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Nos artigos reunidos, autores estrangeiros e brasileiros abordam a questão da individualidade coletiva e do cinema-documentário, ao lado de depoimentos de historiadores e cineastas sobre a forma como realizam seus trabalhos. b) investigação do tema: formular perguntas relacio- nadas ao tema escolhido e ao objetivo da pesquisa. Procurar elaborar perguntas precisas e evitar as questões muito longas, que podem confundir o en- trevistado/depoente. Além disso, é importante fazer uma pergunta de cada vez, das mais simples até as mais complexas. 5. Realização do trabalho: programar horário e local com seu entrevistado/depoente. 6. Registro das entrevistas: podem ser gravadas ou anota- das, de acordo com os recursos disponíveis e mediante a permissão do entrevistado/depoente. 7. Posturas e atitudes: evitar fazer comentários às respos- tas de seu interlocutor e expressar sua opinião pessoal durante a realização do trabalho. Além disso, deve-se observar nos entrevistados/depoentes sua postura, gestos, feições, tons de voz, etc. Esses sinais também podem ser informações preciosas para a compreensão do tema. 8. Conclusão: após a realização do trabalho, é importante analisar os depoimentos/entrevistas levando em conta as orientações do item 7 – Posturas e atitudes. Procurar relacionar essas análises aos objetivos do estudo, verifi- cando se eles foram alcançados. 9. Apresentação: as conclusões podem ser apresentadas em um texto escrito ou em um seminário, conforme decidido pelo professor e pelos estudantes. Leituras para o professor O texto a seguir traz informações úteis sobre a postura a ser adotada durante uma entrevista e pode auxiliar na orien- tação dos estudantes em projetos de História Oral. está tomando nota é especialmente importante para o pesquisador e que, portanto, é necessário falar mais a respeito. Tomar nota durante uma entrevista pode ter um efeito parecido com o de sua gravação: o fato de chamar a atenção do entrevistado para a responsabili- dade do depoimento. Pode-se dizer que uma situação de entrevista reúne os hábitos da conversa, por um lado, e da aula, por ou- tro. Da conversa, em virtude do que já dissemos acerca das vantagens de um relacionamento mais informal com o entrevistado; da aula, porque dela fazem parte tipos de registro e de fixação, como a gravação e as anotações. É bastante difícil para um único entrevis- tador desenvolver todas as funções exigidas pela con- junção de ambas as modalidades de interação: manter o olhar dirigido ao entrevistado, acompanhando seu discurso com sinais de compreensão e interesse; ouvir o que diz; consultar o roteiro; articular perguntas a partir de “ganchos” fornecidos pelo próprio entrevis- tado; verificar o funcionamento do gravador; tomar nota de palavras, nomes próprios e de questões a se- rem aprofundadas depois que o entrevistado concluir seu raciocínio; localizar, em meio aos fichamentos e ao material de apoio à entrevista (documentos, foto- grafias etc.), aspectos a serem explorados com mais vagar, e assim por diante. Digamos que fazer uma en- trevista é praticar no limite máximo nosso poder de concentração em mais de uma coisa ao mesmo tempo: utilizamos os olhos, os ouvidos, a fala, as mãos – para escrever e manusear o equipamento de gravação – e, essencialmente, a cabeça. E tudo deve funcionar har- monicamente, de modo que o entrevistado não fique ansioso ou de alguma forma ofuscado pela perturba- ção do pesquisador. ALBERTI, Verena. Manual de história oral. 3. ed. Rio de Janeiro: Ed. da FGV, 2005. p. 115-116. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 41 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXLII • Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais, de Antonio Chizzotti (São Paulo: Cortez, 2005), livro no qual há textos sobre coleta de dados quantitativos e qualitativos, com explicações sobre questionários, entrevistas dirigidas, entrevistas não diretivas e história de vida. • Memória e sociedade: lembranças de velhos, de Ecléa Bosi (2. ed. São Paulo: T. A. Queiroz, 1983), trata das lembran- ças de idosos entrevistados pela autora. A partir dessas memórias relatadas, a obra apresenta um estudo sobre a vida social, a transformação da cidade, a vida familiar e o trabalho, entre outros assuntos. • Memoria em branco e negro: olhares sobre São Paulo, de Terezinha Bernardo (São Paulo: Educ; Ed. da Unesp, 1998). A ideia do livro é trabalhar com a memória urbano- -industrial do início do século XX a partir de depoimentos em História Oral de dois grupos distintos, a saber: italia- nos e africanos. • Guia prático de história oral, de José Carlos Sebe Bom Meihy e Suzana Lopes Salgado Ribeiro (São Paulo: Contexto, 2011). A obra apresenta caminhos, sugestões e métodos para a condução do trabalho com entrevistas, bem como bibliografia e modelos de projetos. 4.6. Filmes Os filmes de ficção são objetos de pesquisas históricas e fontes históricas. Este é um dos campos da história da cul- tura. Trabalhamos com a seguinte hipótese e o postulado de Marc Ferro: A hipótese é que o filme, imagem ou não da realidade, documento ou ficção, intriga autêntica ou pura invenção, é História. Já o postulado é que aquilo que não se reali- zou, as crenças, as intenções e o imaginário do homem, é tanto História quanto a História. FERRO, Marc. História: novos objetos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995. p. 203. Antes de recomendar um filme, é fundamental que o professor conheça a obra. Recomendamos, também, que o professor consulte a classificação indicativa dos filmes, que pode ser obtida no site do Ministério da Justiça (http:// portal.mj.gov.br/ClassificacaoIndicativa/jsps/ConsultarObra Form.jsp). Lembramos que, nesta coleção, há atividades que propõem a análise e a interpretação de filmes na seção Integrar com. Ao analisar um filme, em primeiro lugar, con- vém considerar que o autor (diretor) fez um recorte da realidade, observando-a de determinado ângulo e fazendo seleções. Para trabalhar esse tipo de fonte com osestudantes, apre- sentamos as seguintes orientações: • observar os detalhes do filme, como cores, personagens, paisagens, temas, etc.; • identificar o tipo de filme, se ele se apresenta como um documentário ou uma obra ficcional; • elaborar uma ficha técnica com os dados básicos do filme: título, ano de produção, diretor, atores principais, época em que se desenvolve a ação, local das filmagens, livro em que o roteiro se baseou (se for o caso), etc.; • pesquisar informações sobre o diretor do filme (nacionali- dade, idade, formação, outros trabalhos, etc.); • analisar os elementos mais significativos em relação a aspectos como cenário (ruas, casas, edificações varia- das, cidades, paisagens, instrumentos, etc.), persona- gens (vestuário, alimentação, costumes, modo de falar, etc.) e temporalidade (o que é presente/passado/futuro na obra); • compreender como as ações das personagens estão ar- ticuladas; • relacionar aspectos mostrados pelo filme com outros conteúdos históricos apresentados e discutidos em sala de aula; • investigar se o filme tinha um público-alvo, quem teve acesso a ele, etc.; • analisar o contexto de produção do filme e como ele foi apropriado ao longo do tempo. Verifique, por exemplo, se as referências utilizadas no filme têm o mesmo sig- nificado no contexto de sua produção e no momento presente. As orientações anteriores podem ser enriquecidas por in- dagações do tipo: 1. Que conflitos são narrados e sob qual perspectiva? 2. Qual é o peso da presença de “heróis” protagonistas? Que valores eles expressam? 3. Há um caráter de denúncia ou compromisso com a versão de uma personagem ou grupo social? 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 42 10/29/18 9:27 AM XLIIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL Usos inadequados em sala de aula a) Vídeo tapa-buraco: colocar vídeo quando há um pro- blema inesperado, como ausência do professor. Usar esse expediente eventualmente pode ser útil, mas, se for feito com frequência, desvaloriza o uso do vídeo e o associa – na cabeça do aluno – a não ter aula. b) Videoenrolação: exibir um vídeo sem muita ligação com a matéria. O aluno percebe que o vídeo é usado como forma de camuflar a aula. Pode concordar na hora, mas discorda do seu mau uso. c) Videodeslumbramento: o professor que acaba de des- cobrir o uso do vídeo costuma empolgar-se e passar vídeo em todas as aulas, esquecendo outras dinâmicas mais pertinentes. O uso exagerado do vídeo diminui a sua eficácia e empobrece as aulas. d) Videoperfeição: existem professores que questionam todos os vídeos possíveis, porque possuem defeitos de informação ou estéticos. Os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para des- cobri-los junto com os alunos e questioná-los. e) Só vídeo: não é satisfatório didaticamente exibir o vídeo sem discuti-lo, sem integrá-lo com o assunto de aula, sem voltar e mostrar alguns momentos mais importantes. Propostas de utilização a) Começar por vídeos mais simples, mais fáceis, e exi- bir depois vídeos mais complexos e difíceis, tanto do ponto de vista temático quanto técnico. Pode-se partir de vídeos ligados à televisão, vídeos próximos à sensibilidade dos alunos, vídeos mais atraentes, e deixar para depois a exibição de vídeos mais artísti- cos, mais elaborados. b) Vídeo como sensibilização. É, do nosso ponto de vista, o uso mais importante na escola. Um bom vídeo é interessantíssimo para introduzir um novo assunto, para despertar a curiosidade, a motivação para novos temas. Isso facilitará o desejo de pesquisa nos alunos para aprofundar o assunto do vídeo e da matéria. c) Vídeo como ilustração. O vídeo muitas vezes ajuda a mostrar o que se fala em aula, a compor cenários desconhecidos dos alunos. Por exemplo, um vídeo que exemplifica como eram os romanos na época de Júlio César ou Nero, mesmo que não seja totalmente fiel, ajuda a situar os alunos no tempo histórico. Um vídeo traz para a sala de aula realidades distantes dos alunos, como, por exemplo, a Amazônia, a África ou a Europa. A vida aproxima-se da escola através do vídeo. d) Vídeo como simulação. É uma ilustração mais so- fisticada. O vídeo pode simular experiências de quí- mica que seriam perigosas em laboratório ou que exigiriam muito tempo e recursos. Um vídeo pode mostrar o crescimento acelerado de uma planta, de uma árvore – da semente até a maturidade – em pou- cos segundos. e) Vídeo como conteúdo de ensino. Vídeo que mostra determinado assunto, de forma direta ou indireta. De forma direta, quando informa sobre um tema especí- fico orientando a sua interpretação. De forma indire- ta, quando mostra um tema permitindo abordagens múltiplas, interdisciplinares. f) Vídeo como produção. Como documentação: registro de eventos, de aulas, de estudos do meio, de experiências, de entrevistas, de depoimentos. Isso facilita o trabalho do professor, dos alunos e dos futuros alunos. O professor deve poder do- cumentar o que é mais importante para o seu trabalho, ter o seu próprio material de vídeo, assim como tem os seus livros e suas apostilas para preparar as suas aulas. O professor estará atento para gravar o material audiovisual mais utilizado, para não depender sempre do empréstimo ou aluguel dos mesmos programas. Como intervenção: interferir, modificar um determi- nado programa, um material audiovisual, acrescentando uma nova trilha sonora, ou editando o material de forma compacta ou introduzindo novas cenas com novos signi- ficados. O professor precisa perder o medo, o excessivo “respeito” ao vídeo. Assim como ele interfere num texto escrito, modificando-o, acrescentando novos dados, no- vas interpretações e contextos mais próximos do aluno, assim ele poderá fazê-lo com o vídeo. Como expressão: como nova forma de comunicação adaptada à sensibilidade principalmente das crianças e dos jovens. As crianças adoram fazer vídeo e a escola precisa incentivar o máximo possível a produção de pesquisas em vídeo pelos alunos. A produção em vídeo tem uma dimensão moderna, lúdica. Moderna, como Leituras para o professor O texto a seguir, escrito por um especialista em comuni- cação, alerta-nos para as possibilidades – adequadas ou não – do uso do audiovisual na sala de aula. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 43 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXLIV Outras indicações • Passado imperfeito: a história do cinema, organizado por Mark C. Carnes (Rio de Janeiro: Record, 1997), que traz análises de vários filmes com temáticas históricas. • Tudo sobre cinema, de Philip Kemp (São Paulo: Sextan- te, 2011), que apresenta um panorama completo sobre a história do cinema e dos movimentos cinematográficos. • Ver história: o ensino vai aos filmes, organizado por Marcos Silva e Alcides Freire Ramos (São Paulo: Hucitec, 2011), que reúne análises acerca de filmes variados, tanto rela- cionados à História do Brasil quanto a de outros tempos e espaços. • História e cinema: dimensões históricas do audiovisual, organizado por Maria Helena Capelato e outros (2. ed. São Paulo: Alameda, 2011), que analisa filmes, bem como a obra de outros historiadores que utilizam cinema como fonte em suas pesquisas, e políticas culturais cinemato- gráficas em diferentes tempos. 4.7. Estudo do espaço Os espaços públicos podem ser utilizados como fonte de pesquisa e recurso didático. Entre eles estão o local de atuação do professor, patrimônios históricos (materiais e imateriais) e espaços construídos e vivenciados pelos estudantes. Por isso, a escola, a cidade, museus, merca- dos, ruas, praças, parques, etc. devem ser investigados e interpretados. Em geral, as atividades extraclasse oferecem aos estu- dantes oportunidades de sociabilidade e aprendizado dife- rentes das que eles vivenciam em sala de aula. No entan- to, essas atividades exigem do professor uma preparação meiocontemporâneo, novo e que integra linguagens. Lúdica, pela miniaturização da câmera, que permite brincar com a realidade, levá-la junto para qualquer lugar. Filmar é uma das experiências mais envolventes, tanto para as crianças como para os adultos. Os alunos podem ser incentivados a produzir dentro de uma de- terminada matéria ou dentro de um trabalho interdis- ciplinar. E também produzir programas informativos, feitos por eles mesmos e colocá-los em lugares visíveis dentro da escola e em horários em que muitas crianças possam assistir. [...]. MORÁN, José Manuel. O vídeo na sala de aula. Comunicação e Educação, p. 29-31. jan./abr. 1995. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/comueduc/ article/view/36131>. Acesso em: 23 jul. 2018. criteriosa, para que sejam realizadas com segurança e não se transformem em simples passeios. Isso requer uma série de providências, como: • levantar materiais de consulta e informações básicas so- bre o local a ser visitado; • priorizar algumas questões a serem pesquisadas; • solicitar a ajuda de pais e/ou funcionários da escola no monitoramento dos estudantes durante o passeio; • programar o melhor trajeto e o horário de visita. Ao trabalhar o espaço social como fonte, o professor e os estudantes podem se inspirar no roteiro a seguir. Trata-se de uma sugestão que pode (e deve) ser flexibilizada levando-se em consideração a diversidade nacional e as necessidades pedagógicas do professor. Roteiro (com enfoque em visitações) 1. Para onde vamos? Nome e endereço do local a ser analisado. 2. Por que esse local será visitado? É importante visitar um local relacionado a assuntos abordados em sala de aula. 3. O que sabemos sobre esse espaço? (conhecimentos prévios) Antes da visita, o professor deve conversar com os estudantes para verificar o que eles sabem sobre o local a ser visitado e quais são suas expectativas sobre a visita. 4. O que devemos fazer antes da visita? Elabore uma ficha com perguntas relacionadas ao tema escolhido e ao obje- tivo da visita. 5. O que devemos fazer durante a visita? Durante a visita, os estudantes devem preencher suas fichas. Além disso, eles podem enriquecer sua análise observando aspectos como: • perfil dos moradores; • formas de interação das pessoas com o espaço; • maior ou menor presença de residências, indústrias, comércio, serviços e agricultura; • áreas verdes em contraste com áreas edificadas; • tipos de material utilizados nas construções; • sistema viário e meios de transporte disponíveis; • nomes dos logradouros; • estilos arquitetônicos e tamanho das construções, seu uso público ou privado, entre outras evidências. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 44 10/29/18 9:27 AM XLVMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL ainda presentes nas paisagens de seu cotidiano. O estudo do meio por intermédio do trabalho de campo como prática pedagógica torna mais próximo o conhecimento que os alunos estão adquirindo. O estudo com o Atlas Municipal aproximou a realidade. Os trabalhos de campo devem privilegiar locais significativos que permitirão ao professor retomar assuntos estudados. É importante levar os alunos a se apropriarem do lugar, observando as alterações provocadas pela passagem do tempo. HÖFLING, Maria Arlete Zülzke. As páginas de história. Cadernos Cedes, Campinas, v. 23, n. 60, p. 181-187. ago. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0101-32622003000200005&lng=pt&nrm= iso&tlng=pt>. Acesso em: 19 jul. 2018. Ensinar história é estimular os alunos a refletirem e faze- rem descobertas valorizando o saber do aluno. A história não existe apenas nos livros, ela é real; por meio de relatos de pais, avós, o aluno pesquisa, seleciona e produz um texto informativo. Essa nova maneira de ensinar história muda o foco: dos grandes homens e seus feitos para as pessoas comuns e seu cotidiano. Entram em cena os costumes da vida real que diminuem também a distância com relação ao passado: os alunos deixam de ver a história fragmentada e passam a vê-la como um todo do qual fazem parte. A pesquisa é um meio para se retomar todo o proces- so histórico, e a escola deve ser sinônimo de atuação, de crescimento, reconhecimento e de alunos felizes desco- brindo o valor de sua própria história como indivíduos atuantes no mundo em que vivem [...]. A reconstrução da história de um local é trabalho am- plo, desencadeia um conjunto de forças no imaginário individual e coletivo de todos. A história não existe ape- nas nos livros, ela é real e viva. A escola pode convidar os avós para conversar com os colegas de seus netos sobre sua infância. Esses encontros possibilitarão um passado construído no relatar do dia a dia desses velhos, como viviam na cidade, as brincadeiras de rua numa época em que a rua ainda era local de crianças brincarem. A preservação da memória, a reconstrução do pas- sado, leva as pessoas a terem um novo olhar diante do velho, do antigo, das marcas do passado, o novo e o velho juntos. Olhar a cidade com outro olhar [...]. O estudo do meio coloca a realidade dentro da sala de aula e tira os alunos da escola. Não é preciso viajar: numa volta ao bairro, ao Arquivo da cidade, ou até mesmo em volta da escola, aprende-se muito. É importante para esse estudo o trabalho em equipe dos professores e os saberes dos alunos, por exemplo, sobre as marcas do passado Outras indicações • ALMEIDA, Patricia Freire de (Org.). Territórios de Ururay: patri- mônio cultural. São Paulo: Movimento Cultural Penha, 2016. Ver também <http://ururaypatrimoniocultural.blogspot. com/p/projeto-territorios-de-ururay.html>. Acesso em: 19 jul. 2018. • REIS, Philippe Arthur dos Reis (Org.). Passeando pelas ruas: reflexões sobre o patrimônio paulistano. São Paulo: Pas- seando pelas Ruas, 2017. • ROCHA, Fábio Dantas; ZANELLI, Fernanda Fragoso. Guia dos itinerários da experiência negra: um passeio histórico por São Paulo. São Paulo: Crônicas Urbanas; Redes e Ruas, s/d. Ver também <https://coletivocronicasurbanas.wordpress. com/>. Acesso em: 19 jul. 2018. • PASSADOS presentes: memória da escravidão no Brasil. Disponível em: <http://passadospresentes.com.br/site/ Site/index.php>. Acesso em: 19 jul. 2018. • SANTA Afro Catarina: Programa de Educação Patrimonial sobre a Presença de Africanos e Afrodescendentes em Santa Catarina. Disponível em: <http://santaafrocatarina. blogspot.com/>. Acesso em: 19 jul. 2018. • SÃO PAULO: vestígios da cidade negra. Disponível em: <https://spnegra.wixsite.com/spnegra> e <https://spnegra. word press.com/roteiro/>. Acesso em: 19 jul. 2018. Resultados dos trabalhos de coletivos de pesquisadores, moradores, educadores, estudantes de História e professores do Ensino Fundamental e Médio, essas obras, sites e blogs re- fletem sobre os espaços como lugares de memória, sobretudo os temas e lugares das cidades que não tiveram um olhar mais atencioso por parte dos órgãos de preservação do patrimônio histórico. A consulta a esses trabalhos pode ser sugestiva para a elaboração de roteiros, reflexões e projetos envolvendo pro- fessores e estudantes. 6. O que devemos fazer depois da visita? Após a visita, é inte- ressante que estudantes e professores reflitam sobre as diferentes impressões e os sentimentos que eles tiveram ao realizar esse trabalho. 7. Como apresentar esse trabalho? O trabalho de estudo do espaço social pode ser apresentado de diferentes manei- ras. Entre elas estão a produção de textos, seminários, murais, blogs, etc. Leituras para o professor A seguir, trazemos excertos de um texto escrito por uma pesquisadora que avaliou a experiência de realizar estudos do meio. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 45 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXLVI para que se possa construir a igualdade no que se refere à apropriação da nossa história pelos brasileiros. Encontros, seminários e debates sobre os temasda história e da cultura da África e dos afrodescendentes têm propiciado o surgimento de vozes e argumentos esclarecedores. Neste sentido, destacamos as palavras de Rosa M. Rocha, que elencou alguns princípios norteadores para a avaliação da postura de autores, editores, professores, estudantes e da sociedade em geral quando se trata de discutir a questão racial em sala de aula: 1o - O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. 2o - Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro- -Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currí- culo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras. Lei no 10 639, de 9 de janeiro de 2003. Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/ l10.639.htm>. Acesso em: 19 jul. 2018. 1. a questão racial deve ser um conteúdo multidiscipli- nar, debatido durante todo o ano letivo; 2. deve-se reconhecer e valorizar as contribuições reais do povo negro à nação brasileira; 3. estabelecer uma conexão entre as situações de di- versidade com a vida cotidiana nas salas de aula; 4. combater as posturas etnocêntricas para a descons- trução de estereótipos e preconceitos atribuídos ao grupo negro; 5. incorporar a história dos negros, a cultura, a si- tuação de sua marginalização e seus reflexos como conteúdo do currículo escolar; 6. extinguir o uso de material pedagógico contendo imagens estereotipadas do negro, com repúdio às atitudes preconceituosas e discriminatórias; 7. dar maior atenção à expressão verbal escolar coti- diana; 8. construir coletivamente alternativas pedagógicas com suporte de recursos didáticos adequados. ROCHA, Rosa Margarida de Carvalho. Princípios norteadores quanto ao trato da questão racial no cotidiano escolar. In: Almanaque pedagógico afro-brasileiro. Belo Horizonte: Mazza, 2006. p. 15-16. Apresentamos, a seguir, algumas considerações com o ob- jetivo de orientar o professor a respeito das perspectivas para o trabalho com a história e a cultura africana, afro-brasileira e dos povos indígenas. 5.1. África e afrodescendentes A Lei no 10 639, que entrou em vigor em 9 de janeiro de 2003, alterou as diretrizes e bases da educação no Brasil, tor- nando obrigatória no currículo escolar a abordagem de temas de história e cultura africana e afro-brasileira. 5. Protagonistas da Hist—ria Antes da promulgação da Lei no 10.639 já havia, tanto nas escolas como nos livros didáticos brasileiros, alguns estudos relacionados à história e à cultura africana e afro-brasileira. Esses temas, contudo, eram frequentemente tratados sob a marca da negatividade e se limitavam quase sempre à escra- vidão africana no Brasil e em outros países americanos, ao colonialismo do século XIX e às independências dos países afri- canos no século XX. Além disso, pode-se dizer que tais temas costumavam ser abordados por meio de um viés eurocêntrico. Neste contexto, a promulgação da Lei no 10.639 veio assina- lar uma mudança de perspectiva em relação a esses temas. À primeira vista, pode parecer que instituir conteúdos obrigatórios por meio de uma legislação seja um procedimento um tanto arbitrário. Mas as leis também têm sua história. E o processo que levou à promulgação da Lei no 10.639 decorreu de pressões democráticas de vários segmentos da sociedade, particular- mente do movimento negro no Brasil, que, legitimamente, exige um tratamento de sua história e cultura à altura da importância dos negros na construção da nação brasileira. Evidentemente, não será a mera existência da lei que resol- verá todas as questões relacionadas a esse assunto. Sabemos dos abismos que separam o país legal do país real. Por isso, são muitos os esforços que precisam ser feitos no cotidiano Os princípios apontados por Rosa M. Rocha podem orientar os agentes da escola envolvidos no processo de ensino-apren- dizagem, no qual o livro didático é um dos instrumentos. Nesta coleção de História destinada ao Ensino Funda- mental II, houve um esforço para incorporar um tratamento adequado de valorização da diversidade cultural brasileira, de recusa do etnocentrismo e de repúdio ao racismo e aos preconceitos de toda ordem. Para além da crítica ao que con- denamos, procuramos enfatizar uma visão altamente positiva de vários aspectos da cultura africana e afro-brasileira. A abordagem da temática sobre a África e os afrodescen- dentes percorre todos os volumes, fazendo-se presente nos textos, na iconografia, nas atividades e articulando-se com os demais conteúdos trabalhados ao longo desta coleção. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 46 10/29/18 9:27 AM XLVIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL [...] [Em 1972], a historiadora norte-americana Karen Spalding chamou a atenção dos historiadores para um rico filão praticamente inexplorado pelos estudiosos da América espanhola: o “índio colonial”. Longe da figura obstinadamente conservadora, presa às amarras da tra- dição milenar, e mais longe ainda do mero sobrevivente de uma cultura destroçada e empobrecida pela transfor- mação pós-conquista, este novo “índio colonial” passava a desempenhar um papel ativo e criativo diante dos desafios postos pelo avanço dos espanhóis. Mesmo possuindo um horizonte cosmológico arraigado de longa data, as comu- nidades nativas e suas lideranças políticas e espirituais dialogavam abertamente com os novos tempos, seja para assimilar ou para rejeitar algumas das suas características [...]. Os estudos sobre a América portuguesa apresentam um contraste radical com esse quadro. A ausência quase total de fontes textuais e iconográficas produzidas por escritores e artistas índios por si só impõe uma séria res- trição aos historiadores. No entanto, o maior obstáculo impedindo o ingresso mais pleno de atores indígenas no palco da historiografia brasileira parece residir na re- sistência dos historiadores ao tema, considerado, desde há muito, como alçada exclusiva dos antropólogos [...]. Parecem prevalecer entre os historiadores brasileiros ainda hoje duas noções fundamentais que foram esta- belecidas pelos pioneiros da historiografia nacional. A primeira diz respeito à exclusão dos índios enquanto legítimos atores históricos: são, antes, do domínio da Antropologia, mesmo porque a grande maioria dos his- toriadores considera que não possui as ferramentas ana- líticas para se chegar nesses povos ágrafos que, portanto, se mostram pouco visíveis enquanto sujeitos históricos. A segunda noção é mais problemática ainda, por tratar os povos indígenas como populações em vias de desapa- recimento. Aliás, é uma abordagem minimamente com- preensível, diante do triste registro de guerras, epidemias, massacres e assassinatos atingindo populações nativas ao longo dos últimos 500 anos. Por estes motivos, pelo menos até a década de 1980, a história dos índios no Brasil resumia-se basicamente à crônica de sua extinção [...]. [...] Este quadro vem mudando graças ao esforço cres- cente – sobretudo de antropólogos porém também de alguns historiadores, arqueólogos e linguistas – que tem surgido em anos recentes em elaborar aquilo que podemos chamar de uma “nova história indígena” [...]. As questões postuladas a partir do final dos anos 1970 introduziram duas inovações importantes, uma prática e 1o: O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional,resgatando as suas contribuições nas áreas social, econô- mica e política, pertinentes à história do Brasil. Lei no 11 645, de 10 de março de 2008. Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm>. Acesso em: 19 jul. 2018. 5.2. Povos indígenas Ao longo de quase todo o século XX, as relações entre o Estado brasileiro e os povos indígenas foram marcadas por políticas que visavam assimilar e integrar aqueles povos cul- turalmente diferentes à sociedade nacional. Apesar do viés protecionista, essa política negava aos indígenas seu direito à diferença e à identidade cultural. Com a promulgação da atual Constituição Federal (1988), operou-se uma transformação radical nas relações jurídicas entre o Estado e as populações indígenas, que conquistaram o direito de permanecer como indígenas. As normas constitucionais repercutiram em outras esferas da vida social. No âmbito da educação, a Lei no 11.645, de 10 de março de 2008, tornou obrigatório o estudo da história e da cultura indígena, com conteúdos que devem ser minis- trados em todo currículo escolar. Assim como no caso dos afrodescendentes, a mera insti- tuição de leis não resolve todas as questões que o assunto demanda. Sabemos que, frequentemente, os povos indígenas enfrentam um cotidiano de adversidades e discriminações. Além disso, não raro, vivenciam situações de violência extre- ma por parte de grupos que pretendem ocupar suas terras à força. Em face de tal situação, esta obra didática para o Ensino Fundamental II procura oferecer ao professor sugestões de trabalho, textos e imagens sobre a história e a cultura dos povos indígenas. Ao inserirmos esses conteúdos, temos como objetivo valorizar a diversidade cultural dos povos indígenas e combater o preconceito etnocêntrico. O pressuposto da nossa mensagem é que a espécie humana engrandece sua identida- de quando promove o respeito e a valorização da pluralidade cultural. O texto a seguir, escrito por um dos principais estudiosos da história indígena no Brasil, explica as formas pelas quais a historiografia lidou com a temática e as dificuldades enfren- tadas para se estudar o assunto nos últimos tempos – difi- culdades estas que se expressam também nos conteúdos dos livros didáticos. 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 47 10/29/18 9:27 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXLVIII rica. Os estudos coloniais, de tradição antiga, tiveram uma espécie de renascimento neste período, com a ex- ploração de arquivos antes inexplorados [...] e com um novo aproveitamento dos ricos acervos portugueses, com certo destaque para os processos do Santo Ofício. O re- sultado foi uma verdadeira explosão de estudos sobre os escravos e a escravidão, sobre os cristãos novos e a Inquisição, sobre as mulheres, sobre os pobres, sobre os “desclassificados”, enfim sobre um vasto elenco de novas personagens que passaram a desfilar no palco da história brasileira, junto com novas perspectivas sobre a história social, demográfica, econômica e cultural. Mas se alguns esquecidos da história começaram a saltar do silêncio dos arquivos para uma vida mais agitada nas no- vas monografias, os índios permaneceram basicamente esquecidos pelos historiadores [...]. MONTEIRO, John M. Tupis, Tapuias e historiadores: estudos de história indígena e do indigenismo. Campinas, 2001. Tese de Livre-Docência – IFCH/Unicamp. p. 1-7. Disponível em: <http://etnolinguistica.wdfiles.com/ local--files/tese%3Amonteiro-2001/Monteiro_2001_Tupis_ tapuias_historiadores.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2018. outra, teórica. Surgiu, de fato, uma nova vertente de estu- dos que buscava unir as preocupações teóricas referentes à relação História/Antropologia com as demandas cada vez mais militantes de um emergente movimento indíge- na, que encontrava apoio em largos setores progressistas que renasciam numa frente ampla que encontrava cada vez mais espaço frente a uma ditadura que lentamente se desmaterializava. A reconfiguração da noção dos direitos indígenas en- quanto direitos históricos – sobretudo territoriais – es- timulou importantes estudos que buscavam nos docu- mentos coloniais os fundamentos históricos e jurídicos das demandas atuais dos índios ou, pelo menos, dos seus defensores [...]. A utilização inovadora de documentos históricos e de teoria social, enriquecida por novas leituras de mito, ritual e narrativas orais como formas alternativas de dis- curso histórico, apresentava um roteiro bastante atraente para explorações em histórias nativas, colocadas de forma instigante no plural. Ainda estamos colhendo os frutos deste esforço coletivo, porém é possível aferir alguns de seus pontos mais fortes e algumas de suas limitações no número cada vez maior de publicações sobre a história indígena. A geração de historiadores que vivenciou este mesmo período de mobilização política e de reorientação teórica continuou a deixar de lado a temática indígena [...]. A principal tendência da historiografia brasileira na década de 1980 foi o progressivo abandono de marcos teóricos generalizantes, sobretudo de inspiração marxista, e a crescente profissionalização do quadro de historiadores nas universidades, que fundamentavam seus trabalhos cada vez mais numa base mais sólida de pesquisa empí- Outras indicações Títulos de periódicos editados mais recentemente sobre as temáticas abordadas aqui podem ser consultados gratui- tamente na Scientific Eletronic Library Online (base de dados conhecida pela abreviatura SCIELO), disponível em: <http:// www.scielo.org/php/index.php>. Nela, encontram-se textos editados em países de língua portuguesa e espanhola (além de alguns em inglês e francês). Os periódicos científicos bra- sileiros podem ser consultados diretamente no site: <http:// www.scielo.br/?Ing=pt>. Acesso em: 19: jul. 2018. Essa parte do Livro do Professor apresenta orientações teóricas e práticas específicas para o trabalho do professor com o Livro do Aluno, incluindo as respostas das atividades. Ela contém as seguintes seções: • Objetivos do capítulo – informa os principais objetivos de aprendizagem de cada capítulo. • Correspondência dos conteúdos com a BNCC – reúne ta- belas com habilidades e competências da BNCC desenvol- vidas ao longo de cada capítulo. • Orientação didática – fornece informações complementa- res e sugestões de trabalho com os alunos em sala de aula. • Alerta – destaca pontos essenciais do livro do aluno nos quais são trabalhadas algumas habilidades e competências previstas na seção Correspondência dos conteúdos com a BNCC. • Leitura complementar – apresenta textos que visam apro- fundar ou enriquecer informações do livro do aluno. • Atividade complementar – propõe outras atividades que podem ser utilizadas para reforçar ou ampliar os estudos. • Outras indicações – recomenda sites, livros, filmes, mu- seus e centros culturais relacionados aos temas do Livro do Aluno. • Respostas – oferece sugestões respostas para as ativi- dades do Livro do Aluno, que podem (e devem) ser flexi- bilizadas sempre que o professor considerar necessário. 6. Parte específica do Livro do Professor 7HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 48 10/29/18 9:27 AM 1MANUAL DO PROFESSOR H I S T O R I A R 7 Componente curricular: História Ensino Fundamental – Anos Finais 3a edi•‹o Ð S‹o Paulo, 2018 GILBERTO COTRIM Bacharel em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) Licenciado em História pela Faculdade de Educação da USP Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (Mack-SP) Professor de História na rede particular de ensino Advogado inscrito na OAB de São Paulo JAIME RODRIGUES Bacharel em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidadede São Paulo (USP) Doutor em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP) Professor de História na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ex-professor de História nas redes pública e particular de ensino 7HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 1 10/29/18 9:38 AM 2 MANUAL DO PROFESSOR Direção geral: Guilherme Luz Direção editorial: Luiz Tonolli e Renata Mascarenhas Gestão de projeto editorial: Mirian Senra Gestão de área: Wagner Nicaretta Coordenação: Eduardo Guimarães Edição: Thais Regina Videira e Wellington Santos Editora assistente: Ligia Torres Figueiredo Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga Planejamento e controle de produção: Paula Godo, Roseli Said e Márcia Pessoa Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Paula C. Malfa, Brenda T. M. Morais, Célia Carvalho, Daniela Lima, Flavia S. Vênezio, Gabriela M. Andrade, Luís M. Boa Nova, Maura Loria, Patrícia Travanca, Sandra Fernandez, Sueli Bossi; Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias) Arte: Daniela Amaral (ger.), Claudio Faustino (coord.), Felipe Consales e Karen Midori (edição de arte) Diagramação: Lima Estúdio Grafico Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Denise Durand Kremer (coord.), Renata Freitas e Mariana Sampaio (pesquisa iconográfica) Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.), Luciana Sposito (licenciamento de textos), Erika Ramires, Luciana Pedrosa Bierbauer, Luciana Cardoso Sousa e Claudia Rodrigues (analistas adm.) Tratamento de imagem: Cesar Wolf, Fernanda Crevin Ilustrações: Carlos Bourdiel, Michel Ramalho Cartografia: Eric Fuzii (coord.), Mouses Sagiorato Prado (edit. arte) e Ericson G. Luciano Design: Gláucia Correa Koller (ger.), Aurelio Camilo (proj. gráfico e capa), Tatiane Porusselli e Gustavo Vanini (assist. arte) Foto de capa: Mario Friedlander/Pulsar Imagens Todos os direitos reservados por Saraiva Educação S.A. Avenida das Nações Unidas, 7221, 1o andar, Setor A – Espaço 2 – Pinheiros – SP – CEP 05425-902 SAC 0800 011 7875 www.editorasaraiva.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Julia do Nascimento - Bibliotecária - CRB-8/010142 2018 Código da obra CL 820649 CAE 631646 (AL) / 631738 (PR) 3a edição 1a impressão Impressão e acabamento 2 7HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 2 11/5/18 11:22 AM 3MANUAL DO PROFESSOR Esta coleção foi inteiramente reformulada de acordo com a BNCC – Base Nacional Comum Curricular. Desse modo, ao longo dos volumes, os estudantes irão desenvolver, em História, todas as competências e habilidades dos Anos Fi- nais do Ensino Fundamental. Os livros foram escritos de forma clara e concisa, tendo em vista um ensino crítico e dinâmico. Além dos conteúdos de história social, dedicamos atenção a temas ligados ao cotidiano, aos esportes, à alimentação, entre outros. Também destacamos o protagonismo das mulheres, dos afrodescendentes e dos indíge- nas. Sempre tivemos em mente aproximar os conteúdos estudados das vivências dos alunos. Nosso principal objetivo é promover uma atitude historiadora aliada ao exercício democrático da cidadania. Assim, as atividades estimulam o debate, a pesquisa, a criatividade e a reflexão. Houve uma renovação das imagens, o que inclui fotografias, reprodução de obras de arte, mapas e outros recursos visuais. Ao estudar História, desejamos que os alunos produzam conhecimentos, desenvolvam autonomia intelectual e participem ativamente da realidade social. Acreditamos que a reflexão histórica é um instrumento valioso para a cons- trução da cidadania. Por isso, estudar História não é decorar um catálogo frio de datas e nomes, fatos e feitos. Estudar História significa ampliar consciência sobre si e sobre os outros. Consciência do que fomos para transformar o que somos. Tenha um ótimo ano de estudo! Os autores Apresenta•‹o 3 7HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 3 10/29/18 9:38 AM 4 MANUAL DO PROFESSOR Conheça este livro Mar Negro Mar do Norte Mar Mediterrâneo Mar Báltico M ar Cáspio 15° L 40° N OCEANO ATLÂNTICO SUÉCIA RÚSSIA IRLANDA ESCÓCIA INGLATERRA ESPANHA FRANÇA PORTUGAL Roma Veneza Gênova Nápoles POLÔNIA IMPÉRIO TURCO OTOMANO ÁSIA DINAMARCA PAÍSES BAIXOS ÁFRICA ALEMANHA SUÍÇA ITÁLIA N 0 370 km Rompimento com a Igreja católica Diante da recusa do papa em anular seu casamento, Henrique VIII rompeu com a Igreja católica e casou-se novamente, com a aprovação do Parlamento inglês. Depois, o mesmo Parlamento aprovou uma lei (o Ato de Supremacia) que tornava Henrique VIII o chefe supremo da Igreja da Inglaterra. Em seguida, o rei confiscou os bens da Igreja católica. O papa Paulo III (1468-1549) reagiu, excomungando o rei inglês. Mas não conseguiu impedir a criação da Igreja anglicana, que não era muito diferente da católica no que se refere a doutrina e culto. Reforma católica O protestantismo se difundiu rapidamente pelo continente europeu, con- quistando vários fiéis. Em aproximadamente 50 anos, cerca de 40% dos eu- ropeus ocidentais se tornaram protestantes. Observe esse fenômeno no mapa a seguir. Difusão das reformas religiosas na Europa (século XVI) • Consulte um mapa geopolítico atual e identifi que os países que hoje correspondem às regiões em que o catolicismo, o luteranismo, o calvinismo e o anglicanismo predomi- naram no século XVI. Escreva o nome desses países no caderno. Fontes: elaborado com base em Atlas da história do mundo. São Paulo: Folha de S.Paulo/Times Books, 1985. p. 179; KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. Atlas histórico mundial: de los orígenes a la Revolución Francesa. Madrid: Istmo, 1982. p. 256. Observando o mapa A reação da Igreja católica ao protestantismo ficou conhecida como Con- trarreforma ou Reforma católica e incluiu medidas como: • a punição de lideranças protestantes; • a criação da Ordem dos Jesuítas; • as decisões do Concílio de Trento (1545-1563); e • a volta da Inquisição. E ri c s o n G L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra Católicos Anglicanos Calvinistas Ortodoxos Luteranos Difusão muçulmana Difusão calvinista Difusão ortodoxa Difusão luterana Limite atual dos países 51 U n id a d e 1 R e fo rm a s re li g io sa s C a p ít u lo 3 Investigando Atividades que visam aproximar os assuntos estudados da vida cotidiana, levantar conhecimentos prévios e estabelecer relações passado-presente. Painel Seção que, por meio de imagens, apresenta temas novos ou aprofunda um assunto abordado no capítulo. Traz, por exemplo, mostras de arte, infográficos ou detalhamentos de construções arquitetônicas, pinturas e objetos. Observando o mapa Atividades de leitura e interpretação de mapas que têm o objetivo de facilitar a compreensão de processos históricos e desenvolver o raciocínio espaço-temporal. Painel Batalha dos Guararapes O artista brasileiro Victor Meirelles (1832-1903) produziu obras representando acontecimentos da história do Brasil. Entre elas destaca-se a pintura Batalha dos Guararapes, criada em 1879. A obra foi encomendada pelo governo imperial para exaltar a vitória dos luso-brasileiros sobre os holandeses no Morro dos Guararapes. Para criá-la, o artista visitou o local das batalhas e pesquisou modelos de armas e roupas da época. Na pintura, os holandeses podem ser identificados por seus capacetes de metal e os luso-brasileiros, por seus chapéus com penas. Observe, a seguir, alguns personagens dessa obra: 1) André Vidal de Negreiros aparece empinando seu cavalo e erguendo sua espada. Filho de senhor de engenho, o luso-brasileiro Negreiros ficou famoso por participar de diversas bata- lhas contra os holandeses. 2) Pedro Keeweer, uma das lideranças holandesas, foi retratado em clara desvantagem, caindo de seu cavalo branco, atirado no chão. 3) Felipe Camarão, cujos olhos estãosaltados e o rosto enfurecido, ergue sua espada. Nascido no Rio Grande do Norte, Camarão era um po- tiguar que estudou com os jesuítas e tornou- -se uma das principais lideranças indígenas do Nordeste. Ele lutou muitas batalhas importan- tes contra os holandeses. Porém, morreu em 1648, antes da última vitória portuguesa. É importante lembrar que muitos indígenas, in- clusive potiguares, aliaram-se aos holandeses. 4) Henrique Dias levanta o escudo e a espada inclinando seu corpo para frente, em posi- ção de avanço. Ele comandou um exército de negros e sua participação foi decisiva na expulsão dos holandeses. Depois da guerra, viajou a Portugal, onde pediu a libertação dos negros que lutaram ao seu lado. Seu pedido foi atendido. 1 2 4 3 R e p ro d u ç ã o /M u s e u N a c io n a l d e B e la s A rt e s /I P H A N -M in C , R io d e J a n e ir o , R J . Batalha dos Guararapes, de Victor Meirelles. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro (RJ). 180 U n id a d e 3 C a p ’t u lo 1 1 181180 S o ci e d a d e a •u ca re ir a Período Elizabetano Elizabeth I, que era filha de Henrique VIII e Ana Bolena, assumiu o trono aos 25 anos e governou a Inglaterra por quase meio século. Ela teve habilidade política para manter boas relações com o Parlamento e controlar disputas re- ligiosas entre católicos e protestantes. Seu reinado foi considerado o auge do absolutismo inglês. Durante o período elizabetano, a Inglaterra se tornou uma potência marítima e comercial. Com a autorização da rainha, corsários ingleses atacavam navios espanhóis e saqueavam seus carregamentos. Parte dessas riquezas ficava com os homens dos navios corsários e parte era entregue ao governo da Inglaterra. Em reação aos ataques dos corsários ingleses, o governo espanhol organizou uma grande frota de guerra (a Invencível Armada) com o objetivo de invadir a Inglaterra. Porém, as forças navais inglesas derrotaram a Armada espanhola. Essa vitória aumentou a popularidade de Elizabeth. Além da prosperidade econômica, ocorreu um florescimento das artes no reinado de Elizabeth I. O grande destaque foi o escritor e dramaturgo William Shakespeare, autor de célebres obras da literatura mundial como Romeu e Ju- lieta e Hamlet. Ao longo de sua vida, Elizabeth recebeu diversas propostas de casamento, mas permaneceu solteira. Ela morreu em 1603 sem deixar descendentes dire- tos. Assim, seu primo Jaime (1566-1625), que era da família real da Escócia, assumiu o trono inglês. R e p ro d u ç ã o /W a lk e r A rt G a lle ry , L iv e rp o o l, I n g la te rr a . 1. De acordo com o texto, Elizabeth I preocupava-se com sua aparência apenas por vaidade? 2. Atualmente, os governantes também se preocupam com a construção de sua imagem pública? Comente. A imagem da rainha A rainha Elizabeth I tinha enorme conjunto de vestidos sofisticados, que eram ornamentados com ricas joias. Sua paixão por vestidos estava ligada à preservação de sua ima- gem de rainha. Nesse sentido, ela buscou controlar os retra- tos reais que circulavam pela Inglaterra e pelo estrangeiro. Nas suas aparições públicas, ela exibia-se de forma deslum- brante. O objetivo era construir uma imagem gloriosa do poder real. Até hoje, Elizabeth I é associada à autoridade feminina, à grandiosidade real e ao orgulho nacional. Observe como a rainha é retratada de maneira grandio- sa na pintura ao lado. Além dos anéis na mão esquerda, ela usa um bracelete ricamente decorado no braço direito. O vestido de veludo vermelho é bordado com materiais preciosos e, no centro do peito, usa uma jóia em forma de pelicano, símbolo da caridade do animal que, para alimen- tar os filhotes, oferecia seu próprio sangue. Outras HISTÓRIAS Corsário: navegador que agia sob as ordens de um soberano, realizando ataques e saques aos navios e territórios de um rei inimigo. O objetivo era atingir o poderio comercial e colonial do adversário. Faça no cadernoAtividades O retrato pelicano, pintura de Nicholas Hilliard. c. 1574. Óleo sobre tela, 78,7 cm 3 61,0 cm. Walker Art Gallery, Liverpool, Inglaterra. 64 Culturas africanas na América Entre os séculos XVI e XIX, milhões de africanos chegaram ao Brasil. Eles enfrentaram dificuldades e vários tipos de violência. Apesar de tudo isso, não abandonaram seu modo de viver, mas o transfor- maram. Por isso, a presença cultural dos africanos permanece viva no cotidiano dos brasileiros. Essa presença é vigorosa em áreas como literatura, música, ar- tes, dança, ciência, alimentação, religião, vestuário e conhecimentos técnicos. Espalhadas por todas as regiões do país, as culturas africanas fazem parte do modo de ser, de pensar e de viver dos brasileiros. • O que você sabe sobre a influência dos africanos no Brasil? Converse sobre esse assunto com seus colegas e seu professor. Registre no caderno algumas informações e opiniões compartilhadas durante o diálogo com a turma. Investigando Escultura criada por Valentim da Fonseca e Silva (c. 1745-1813), conhecido como Mestre Valentim. Filho de um português e de uma escrava, ele foi um dos principais artistas do Brasil entre o fim do século XVIII e o início do XIX. Essa escultura foi exposta no Museu Afro Brasil, na cidade de São Paulo, em 2009. O jongo é uma manifestação artística afro-brasileira que envolve música e dança. Até hoje está presente em comunidades rurais do Sudeste brasileiro, fazendo parte do patrimônio imaterial do país, embora já fosse praticado por escravizados nas fazendas de café dessa região. Na fotografia, de 2017, um grupo dança o jongo no estado do Espírito Santo. M o n ic a O liv e ir a /A c e rv o d a f o tó g ra fa F ili p e R e d o n d o /F o lh a p re s s /M u s e u A fr o B ra s il, S ã o P a u lo , S P. 103 U n id a d e 2 P o v o s a f r ic a n o s C a p ’t u lo 6 Texto-base Escrito em linguagem clara e concisa, busca despertar seu gosto pela leitura historiográfica. Desenvolve as competências e as habilidades da BNCC, em História, voltadas para os Anos Finais do Ensino Fundamental. Outras histórias Boxe com textos e atividades que complementam e aprofundam assuntos abordados no capítulo. Glossário Pequeno texto que apresenta o significado de algumas palavras, com o objetivo de ampliar seu vocabulário. 1 CAPÍTULO Atualmente, 193 países do mundo in- tegram a Organização das Nações Unidas (ONU). Dessa forma, quase todas as pes- soas vivem em um Estado, com fronteiras defi nidas, uma língua ofi cial e um conjunto de leis. Porém, isso nem sempre foi assim. Na Europa, antes do século XI, não existiam Estados nacionais. Neste capítulo, vamos conhecer como alguns Estados europeus se formaram e como isso está relacionado com a chama- da modernidade. Modernidade e monarquias nacionais Vista do Castelo de Windsor, uma das residências da realeza britânica até o século XVIII. Windsor, Inglaterra. Fotografia de 2017. • Todos os Estados nacionais teriam sido formados da mesma maneira? Reflita e formule uma hip—tese. Investigando V e rv e ri d is V a s il is /S h u tt e rs to c k 1110 UNIDADE 1 Mundo moderno Abertura de capítulo Nesta seção, um breve texto apresenta alguns dos temas que serão trabalhados ao longo do capítulo. Belas imagens e atividades visam promover debates, levantar questões e instigar sua curiosidade. 4 7HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 4 10/29/18 9:38 AM 5MANUAL DO PROFESSOR Açúcar e colonização No século XV, os portugueses introduziram a lavoura de cana-de-açúcar na Ilha da Madeira. Por meio dessa experiência, muitos engenhos foram construí- dos próximos à costa do Brasil ao longo dos séculos XVI e XVII, principalmente nas áreas dos atuais estados de Pernambuco e Bahia. Vários motivos levaram à produção de açúcar no Nordeste, por exemplo: • o climaquente; • a quantidade adequada de chuvas; • o solo próprio para o cultivo (chamado de massapê); • a experiência dos portugueses na Ilha da Madeira. O negócio açucareiro contou com a participação de portugueses e holande- ses. Os portugueses dominavam a produção de açúcar no Brasil, e os holan- deses controlavam o transporte, o refino e a venda na Europa. Distribuir dava mais lucro do que produzir o açúcar, por isso o negócio foi mais vantajoso para os holandeses. Engenhos Na América portuguesa, a maioria das pessoas vivia no campo e trabalhava em propriedades rurais dedicadas à pecuária e à agricultura, produzindo mer- cadorias para exportação e para o consumo interno. Por sua importância eco- nômica, essas propriedades eram também lugar de encontro, relacionamento e conflito entre diferentes grupos sociais da colônia. Com a instalação dos enge- nhos de açúcar, as fazendas ganharam mais destaque na vida colonial. Os engenhos correspondiam ao conjunto de terras e equipamentos ins- talados em grandes propriedades onde se plantava cana para a produção do açúcar e da aguardente. Além dos canaviais, as terras eram utilizadas para plantação de alimentos, pastagens de animais, extração de madeiras e outros recursos naturais. P a u l M a e y a e rt /T h e B ri d g e m a n A rt América, obra do início do século XIX atribuída ao pintor baiano José Teófilo de Jesus (1758-1847), hoje no Museu de Arte da Bahia (Salvador). Nessa representação do continente, há vários elementos que remetem à ideia de dominação das metrópoles europeias sobre suas colônias americanas, como a presença do indígena, a cana-de-açúcar e metais preciosos. 168 Mar Mediterrâneo Mar Negro Mar Cáspio Mar Báltico M er id ia n o d e G re en w ic h 40° N 0° OCEANO ATLÂNTICO Montpellier Toulouse Leipzig Praga Nuremberg Riga Constantinopla Trípoli Palermo Nápoles Bari Barletta Roma Florença Pisa Barcelona Marselha Gênova Limoges La Rochelle Bar Paris Amiens Calais Londres Bruges Bremen Colônia Frankfurt Hamburgo Lübeck Dantzig Schonen Visbi Königsberg Yaroslav Kasan Novgorod Smolensk Kiev Odessa Kaffa Trebizonda Antioquia Famagusta Tiro Bagdá Alexandria Jerusalém Cândia Negro Ponto Modon São João D’Acre Estocolmo Reval Milão Veneza Estrasburgo Reims Southampton Lyon Túnis BujiaSalé Ceuta Cádiz Toledo Santiago de Compostela Lisboa Importantes cidades comerciais Feiras Principais centros do comércio mediterrâneo Principais rotas marítimas Principais rotas terrestres N 0 410 km Já o interesse em acumular riquezas estava relacionado à negociação de produtos como ouro, tecidos, madeira e especiarias. Muitos desses produtos vinham do Oriente. No entanto, o comércio entre a Europa e o Oriente era controlado por mercadores de Gênova e Veneza (cidades da península Itálica), associados aos mercadores muçulmanos. Os comerciantes italianos dominavam não apenas esse comércio, mas so- bretudo as rotas do mar Mediterrâneo. Por isso, os portugueses investiram na descoberta de novas rotas marítimas para chegar ao Oriente. A rota encontrada era um longo caminho pelos oceanos Atlântico e Índico. A n d ri i H o ru lk o /S h u tt e rs to ck A rt C o lle c ti o n /A la m y /F o to a re n a /J . P a u l G e tt y M u s e u m , L o s A n g e le s , E U A . Fonte: elaborado com base em KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. Atlas hist—rico mundial: de los orígenes a la Revolución Francesa. Madrid: Istmo, 1982. p. 188. Comércio europeu (século XIV) Especiarias A palavra especiaria tem o sentido de “substância ativa, valiosa e rara”. Entre as principais especiarias comercializadas no século XV, estavam o cravo, a pimenta, a noz-moscada, a canela e o gengibre. Elas eram utilizadas em temperos, remédios e perfu- mes. Como temperos, serviam para melhorar o sabor e o aroma dos ali- mentos, já que as técnicas de con- servação da época eram precárias. A n d ri i H o ru lk o /S h u tt e rs to ck E ri c s o n G . L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra Especiarias como anis-estrelado, canela, noz-moscada e diferentes tipos de pimenta eram consideradas artigos de luxo. A loja de especiarias, pintura de Paolo Antonio Barbieri. 1637. Óleo sobre tela, 124 cm 3 174 cm. Palazzo Collicola, Espoleto, Itália. 75 U n id a d e 2 G ra n d e s N a v e g a çõ e s C a p ’t u lo 5 Michelangelo Buonarroti (1475-1564) foi pintor, escultor e arquiteto. Pintou afrescos na Capela Sistina, em Roma (mais tarde integrada ao Vaticano). Como escultor, produziu obras- -primas, como Moisés, Pietà e Davi. Como arquiteto, projetou a cúpula da Basílica de São Pedro, também no Vaticano. R e p ro d u ç ã o /M u s e u d o V a ti c a n o , It á lia S u n _ S h in e /S h u tt e rs to ck L e e m a g e /C o rb is /G e tt y I m a g e s Moisés, escultura em mármore criada por Michelangelo. Está localizada na tumba do papa Júlio II (1443-1513), que apoiou o trabalho de diversos artistas do Renascimento. Igreja de São Pedro Acorrentado, Roma, Itália. R e p ro d u ç ã o /M u s e u d o V a ti c a n o , It á lia Rafael Sanzio foi outro mestre da pintura influenciado por Leonardo da Vinci e Michelangelo. Pintou afrescos para decorar o Palácio Apostólico, projetou par- tes da Basílica de São Pedro (a partir de 1514) e pintou representações da Virgem Maria com o Menino Jesus. A seguir, na seção Painel, destacamos uma das mais importantes pinturas de Rafael, chamada A Escola de Atenas. Turistas visitam a Basílica de São Pedro, no Vaticano. Essa construção, considerada uma das mais importantes do cristianismo católico, foi projetada por diversos arquitetos renascentistas, como Michelangelo, Donato Bramante (1444-1516) e Antonio Cordiani (1484-1546). Fotografia de 2018. Pietˆ (em português, Piedade), uma das obras mais conhecidas de Michelangelo Buonarroti, do século XVI, representa Maria com Jesus morto em seus braços. Basílica de São Pedro, Vaticano. 29 U n id a d e 1 R e n a s c im e n t o c u lt u r a l C a p ’t u lo 2 Oficina de História Apresenta três tipos de atividades: as que promovem a reflexão e a ampliação dos conteúdos estudados (Refletir e ampliar); as que estimulam a interpretação de documentos variados (Fontes históricas); e as que trabalham a interdisciplinaridade com outros campos do saber, como Arte, Geografia, Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, etc. (Integrar com). Ofi cina de HISTÓRIAOfi cina de HISTÓRIA Faça no caderno 1. Entre as palavras do quadro, quais são as que mais destoam do conjunto? Por quê? ESCRAVIDÃO CHAPETONE REPARTIMIENTO CRIOLLO PEONAJE ENCOMIENDA 2. Mapas conceituais são esquemas que organizam e relacionam as ideias centrais de um texto. Um mesmo texto pode originar diferentes mapas con- ceituais, de acordo com cada interpretação. Pen- sando nisso, construa um mapa conceitual sobre as formas de trabalho forçado usadas durante a colonização da América espanhola. Se necessário, retome o modelo de mapa conceitual sugerido na página 38. Para isso, siga as orientações abaixo. • Leia o texto procurando identifi car suas ideias centrais. • Selecione palavras-chave que sintetizem essas ideias centrais. • Relacione uma palavra-chave com outra utili- zando setas e frases. Destaque as palavras-cha- ve com diferentes formas geométricas e cores. • Crie um título para seu mapa conceitual. 3. Os adelantados eram pessoas a quem a Coroa es- panhola concedia o direito de conquistar e gover- nar territórios na América em troca do pagamento de tributos. Eles tinham amplos poderes militares e civis vitalícios, o que abriu espaço para abusos e violências. Parecia que os adelantados agiam com base no seguinte lema: “Deus está no céu, o rei está longe, e eu mando aqui”. a) Quais poderes e obrigações osadelantados tinham no início da colonização? Qual órgão os fi scalizava? b) A Coroa espanhola manteve os adelantados à frente da administração da América ao longo de toda a colonização? Quais outros órgãos e cargos foram criados? c) Crie um desenho crítico sobre a colonização da América espanhola inspirando-se na frase “Deus está no céu, o rei está longe, e eu mando aqui”. 4. Com um colega, pesquise em um dicionário o signifi cado do termo genocídio. Em seguida, re- ó ita e responda: na conquista da América, houve a) Qual é a origem da festa do Dia dos Mortos? Em que dias essa festa é comemorada? b) De acordo com o texto, como a vida dos faleci- dos é celebrada no Dia dos Mortos? c) Você e sua família prestam algum tipo de home- nagem aos seus antepassados? Contam histó- rias sobre eles? Como você se lembra deles? d) Na sua opinião, qual é a importância de se lem- brar dos antepassados? Refletir e ampliar Com a certeza de que os mortos seriam insultados pelo luto ou pela tristeza, o Dia dos Mortos celebra as vidas dos falecidos com comida, bebida, festas e atividades que os mortos apreciavam em vida. O Dia dos Mortos reconhece a morte como uma parte natural da experiência humana, uma conti- nuação do nascimento, da infância [...]. No Dia dos Mortos, os mortos também são par- te da comunidade, despertados de seu sono eterno para compartilhar celebrações com seus entes queridos. O símbolo mais comum do Dia dos Mor- tos são provavelmente as calacas e calave- ras [esqueletos e crânios], que aparecem em todos os lugares durante a festividade: em doces cristalizados, como máscaras de desfile, como bonecas. Calacas e calaveras são quase sempre retratados desfrutando a vida, muitas vezes em roupas extrava- gantes e situações divertidas. Dia dos Mortos. Festividade mexicana em honra aos mortos. National Geographic. (Trad. dos autores.) Disponível em: <https://www.nationalgeogra phic. org/media/dia-de-los-muertos/>. Acesso em: 23 jan. 2018. genocídio? Discutam esse tema e escrevam um pequeno texto sobre o assunto. 5. O Dia dos Mortos é uma celebração tradicional lati- no-americana em homenagem aos antepassados. Essa celebração teve origem em rituais realizados por povos indígenas que viviam no atual México e na América Central, como os astecas e os maias. Após a conquista espanhola, muitos nativos foram con- vertidos ao catolicismo, e a comemoração passou a ocorrer nos mesmos dias das celebrações católi- cas do Dia de Todos os Santos e do Dia de Finados (1o e 2 de novembro). Leia, a seguir, um texto sobre o signifi cado dessa festividade, registrada como Pa- trimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco. 6. Observe com atenção a tabela sobre a exportação de ouro e prata americanos para a Espanha: Período Prata (em kg) Ouro (em kg) 1503-1510 0 4 965 1511-1520 0 9 153 1521-1530 148 4 889 1531-1540 86 193 14 466 1541-1550 177 573 24 957 1551-1560 303 121 42 620 1561-1570 942 858 11 530 1571-1580 1 118 592 9 429 1581-1590 2 103 027 12 101 1591-1600 2 707 626 19 451 Integrar com MATEMÁTICA Fonte: VILAR, Pierre. Ouro e moeda na história (1450-1920). In: VAINFAS, Ronaldo. Economia e sociedade na AmŽrica espanhola. Rio de Janeiro: Graal, 1984. p. 70. a) Ao longo do século XVI, quantos quilogramas de ouro e prata americanos foram enviados para a Espanha? b) Entre quais períodos a importação de prata americana aumentou mais de 500 vezes? c) Em que período foram descobertas grandes quantidades de prata em Potosí (atual Bolívia) e Zacatecas (atual México)? Essa descoberta pro- vocou aumento na importação do metal nos períodos seguintes? Para saber mais Nos livros • AMADO, Janaína; FIGUEIREDO, Luiz Carlos. A formação do Império Português (1415-1580). São Paulo: Atual, 1999. (Coleção Discutindo a História). Discute as viagens marítimas como parte fundamental da formação do Império Português e apresenta as disputas pelas rotas com outros comerciantes europeus. • KOUROUMA, Ahmadou. Homens da África. São Paulo: Edições SM, 2009. Descreve os traços culturais da África através de quatro personagens: o griô (contador de histórias), o caçador, o príncipe e o ferreiro. • PIRES LIMA, Heloisa; GNEKA, Georges; LEMOS, Mário. A semente que veio da África. São Paulo: Salamandra, 2005. O livro reúne relatos sobre a importância de uma árvore – chamada de baobá – entre diferentes povos africanos, em especial os da Costa do Marfim e de Moçambique • MUNDURUKU, Daniel. Coisas de índio: um guia de pesquisa. São Paulo: Callis, 2010. Organizado por Daniel Munduruku, um escritor indígena, traz informações sobre as várias comunidades indígenas do Brasil. Na internet • Museu Afro Brasil: <www.museuafrobrasil.org.br>. Conheça o site do Museu Afro Brasil, situado na cidade de São Paulo e dedicado à cultura africana e afro-brasileira. Acesso em: 15 maio 2018. org/media/dia-de-los-muertos/>. Acesso em: 23 jan. 2018. V in c e n t Is o re /I P 3 / G e tt y I m a g e s Retrato de participante da festa do Dia dos Mortos na Cidade do México. Fotografia de 2016. 132 133 U ni d ad e 2 C o lo n iz a •‹ o e sp a n h o la n a A m Ž ri ca C ap ít ul o 8 Projeto temático Meio ambiente Neste livro, você estudou problemas ambientais que surgiram durante a co- lonização europeia da América. Esses problemas foram gerados, por exemplo, pela mineração em Potosí e pelo desmatamento da Mata Atlântica. 243242 G a b ri e la B iló /A g ê n c ia E s ta d o Agora, é hora de refletir sobre o uso de alguns re- cursos do meio ambiente no seu dia a dia. A pesquisa deste projeto aborda água e abastecimento, lixo e reci- clagem, áreas verdes e preservação e energia elétrica e consumo. O objetivo é construir valores, conhecimen- tos e atitudes voltados para a educação ambiental. No mundo contemporâneo, compreender o meio ambiente pelo enfoque da sustentabilidade é tarefa complexa, pois en- volve questões ecológicas, científicas, econômicas, éticas e cul- turais. No entanto, esses estudos são essenciais para garantir a qualidade de vida no planeta. Desse modo, é possível dizer que uma das dimensões fun- damentais da cidadania consiste na defesa do equilíbrio do meio ambiente em nível local, nacional e mundial. Mãos à obra! Bom projeto! Cartografia e Iconografia Variada seleção de representações, que vão desde mapas até cenas do cotidiano, obras arquitetônicas, pinturas e esculturas famosas, entre outras, complementa aspectos dos textos. Além disso, muitas dessas imagens são fontes históricas importantes e, por isso, devem ser analisadas e interpretadas. Projeto temático Ao final de cada volume, é apresentado um projeto temático: 6o ano – Universo escolar; 7o ano – Meio ambiente; 8o ano – Saúde e educação; 9o ano – Internet e cidadania. Audiovisual Indica que há material audiovisual relacionado ao tema. Faça todas as atividades em seu caderno. Faça no caderno Para saber mais Seção que apresenta sugestões de filmes, livros e sites para ampliar seus conhecimentos e enriquecer seu repertório. 5 7HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 5 10/29/18 9:38 AM 6 MANUAL DO PROFESSOR Sum‡rio Unidade 1 Mundo moderno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 Capítulo 1 Modernidade e monarquias nacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 Modernidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 Reinos Ibéricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Formação da Espanha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Formaçãoda França . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Formação da Inglaterra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20 Capítulo 2 Renascimento cultural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .22 Renovação no cotidiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 Artes plásticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 Painel: A Escola de Atenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .30 Literatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 Ciências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38 Capítulo 3 Reformas religiosas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .40 Da crítica à ruptura cristã . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 Painel: Tipografia de Gutenberg . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .46 Reforma luterana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 Reforma calvinista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 Reforma anglicana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 Reforma católica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 Religião e cultura popular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .56 Capítulo 4 Absolutismo e mercantilismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .58 Absolutismo monárquico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 Absolutismo francês . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 Absolutismo inglês . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 Sociedade do Antigo Regime . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 Cotidiano europeu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 Mercantilismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .70 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7070 R e p ro d u ç ã o / M u s e u d o V a ti c a n o , It á lia 6 7HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 6 10/29/18 9:38 AM 7MANUAL DO PROFESSOR Unidade 2 Contatos e confrontos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 Capítulo 5 Grandes Navegações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .72 Portugal e as navegações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 Espanha e as navegações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82 Navegações francesas, inglesas e holandesas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 Navegações árabes e chinesas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .86 Capítulo 6 Povos africanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .88 A diversidade de um continente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Civilizações ao sul do Saara . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 Painel: Tecidos africanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .98 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104 Capítulo 7 Conquista da América . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Novo mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .108População indígena . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .108 Conquista ou descobrimento? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .113 As faces da conquista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .114 Europa depois da conquista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .116 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 Capítulo 8 Colonização espanhola na América . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 Conquista da América e das ilhas do Caribe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .122 Administração colonial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .124 Formas de trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .129 Mineração e danos ambientais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .131 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 Mineração e danos ambientais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . R e p ro d u • ‹ o /I P H A N /M IN C 7 7HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 7 10/29/18 9:38 AM 8 MANUAL DO PROFESSOR Unidade 3 Formação do Brasil colonial . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 Capítulo 9 Início da colonização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 Primeiros tempos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .136 Escambo, escravidão e riquezas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .139 Mata Atlântica: patrimônio verde . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .140 Painel: Espécies da Mata Atlântica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146 Capítulo 10 Estado e religião . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 A decisão de colonizar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .150 Capitanias hereditárias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .151 Governo-geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .154 Igreja católica e vida colonial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .157 Religiosidades coloniais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .161 Estado e tolerância religiosa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .163 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164 Capítulo 11 Sociedade açucareira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166 Açúcar e colonização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .168 Holandeses no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .173 Fim da União Ibérica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .177 Painel: Batalha dos Guararapes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180 Depois da União Ibérica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .182 O mercado interno colonial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .184 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186 O mercado interno colonial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .184 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186 L u c ia n o Q u e ir o z/ P u ls a r Im a g e n s 8 7HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 8 10/29/18 9:38 AM 9MANUAL DO PROFESSOR Unidade 4 Transformações no Brasil colonial . . . . . . . . . . . 188 Capítulo 12 Escravidão e tráfico de escravos no Atlântico . . . . . . . 188 Conceitos de escravidão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .190 Escravidão na África . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .191 Tornar-se escravo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .192 Sujeitos e impactos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .195 Cotidiano dos escravos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .199 Formas de resistência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .201 Quilombos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ..202 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206 Capítulo 13 Conquistas e fronteiras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208 Expansão territorial e povoamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .210 Expedições militares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .212 Bandeirismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .213 Jesuítas na América . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .215 Pecuária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .217 Fronteiras e tratados internacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .218 Brasil: a formação do país . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .221 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 222 Capítulo 14 Sociedade mineradora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224 Produção de ouro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .226 Controle e exploração das minas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .229 Chica da Silva: vida e contexto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .232 Sociedade mineradora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .233 Escravidão e sobrevivência nas minas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .237 Queda na produção de ouro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .238 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 Projeto temático – Meio ambiente . . . . . . . . . . . . . . 242 Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .246 Planisfério . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 248 D o n A larcó n /A lam y/Fo to are n a 9 7HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 9 10/29/18 9:38 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR10 1 CAPÍTULO Atualmente, 193 países do mundo in- tegram a Organização das Nações Unidas (ONU). Dessa forma, quase todas as pes- soas vivem em um Estado, com fronteiras definidas, uma língua oficial e um conjunto de leis. Porém, isso nem sempre foi assim. Na Europa, antes do século XI, não existiam Estados nacionais. Neste capítulo, vamos conhecer como alguns Estados europeus se formaram e como isso está relacionado com a chama- da modernidade. Modernidade e monarquias nacionais • Todos os Estados nacionais teriam sido formados da mesma maneira? Reflita e formule uma hip—tese. Investigando V e rv e ri d is V a s il is /S h u tt e rs to c k 10 UNIDADE 1 Mundo moderno Objetivos do capítulo • Oferecer instrumentos para a construção da noção de Modernidade. • Investigar as transforma- ções ocorridas nos primeiros séculos da Idade Moderna. • Identificar o fortalecimento dos reinos e do poder real. • Especificar o processo de formação dos Estados nacio- nais modernos por meio dos exemplos de Portugal, Espa- nha, França e Inglaterra. Investigando Espera-se que os alunos le- vantem a hipótese de que nem todos os Estados nacionais se formaram da mesma maneira, pois cada um teve processos de formação específicos, ten- do em vista suas particularida- des territoriais, linguísticas, sociais, militares, políticas e econômicas. Uma maneira possível de trabalhar essa questão é o aprofundamento na discussão sobre a formação e a consolida- ção das monarquias europeias, com ênfase nos casos da Ingla- terra, Espanha, Portugal e Fran- ça. Por meio desse estudo es- pecífico, tentou-se apontar as semelhanças e as diferenças no que concerne à centraliza- ção política desses Estados modernos em formação. Correspondência dos conteúdos com a BNCC Na abertura e ao longo do corpo dos capítulos você encontrará indicações dos momentos em que Habilidades preconizadas pela BNCC para a disciplina são trabalhadas. Objetos de conhecimento Habilidades A construção da ideia de modernidade e seus impactos na concepção de História A formação e o funcionamento das monarquias europeias: a lógica da centralização política e os conflitos na Europa EF07HI01 – Explicar o significado de “modernidade” e suas lógicas de inclusão e exclusão, com base em uma concepção europeia. EF07HI07 – Descrever os processos de formação e consolidação das monarquias e suas prin- cipais características com vistas à compreensão das razões da centralização política. A atividade da seção Inves- tigando contribui para o de- senvolvimento da compe- tência CEH1. Como sugestão para traba- lhar esses temas, acompa- nhe a Sequência Didática “Monarquias nacionais eu- ropeias – Biografias de mo- narcas” localizada no material digital do Manual do Professor. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 10 10/29/18 8:38 AM 11UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR Vista do Castelo de Windsor, uma das residências da realeza britânica até o século XVIII. Windsor, Inglaterra. Fotografia de 2017. 11 Na abertura e ao longo do corpo dos capítulos você encontrará indicações dos momentos em que são trabalhadas Competências gerais e específicas, preconizadas pela BNCC. Um quadro com a descrição das Competências Gerais (CG), Competências Especí- ficas de Ciências Humanas (CCH) e Competências Específicas de História (CEH) está na página XII deste Manual. Orientações didáticas 193 é o número de países- -membros da ONU. Se conside- rarmos Taiwan um Estado, o total sobe para 194. A aceitação ou não de Taiwan como Estado independente pode ser um modo de iniciar as discussões em sala de aula sobre os Esta- dos nacionais nos dias atuais a fim de compreender aspectos dessa formação na época mo- derna. Questões culturais, reli- giosas ou linguísticas são fundamentais para que se esta- beleça o pertencimento em re- lação a determinada nação. Todavia, o caso de Taiwan é sintomático pelo modo como os taiwaneses não se reconhecem no sistema político chinês. Tendo esse distanciamento político como central, outras explicações são apresentadas no que se refere aos povos abo- rígenes que tradicionalmente habitaram a ilha e ao desenvol- vimento de uma identidade na- cional que pressupõe essas li- nhagens. Além disso, a com- plexidade do tema também se mistura aos discursos políticos das nações às quais Taiwan esteve vinculada. Designá-la como “província chinesa”, “ter- ritório separatista”ou “ilha au- tônoma” implica a escolha por um ou outro vínculo e discurso político. Como modo de aproxi- mação entre o conteúdo estu- dado e a realidade atual, o pro- fessor poderá comentar com os alunos sobre a complexidade das relações internacionais nos dias de hoje e como muito disso tem relação com o desenvolvi- mento do moderno conceito de Estado-nação. Competências da BNCC Competência Geral • CG1; CG2; CG3. Competência Específica de Ciências Humanas • CCH1; CCH4; CCH6. Competência Específica de História • CEH2; CEH3; CEH4; CEH6. Para auxiliar em seu plane- jamento escolar e na orga- nização de suas aulas, verifique o Plano de Desen- volvimento para o 1o bi- mes tr e localizado no material digital do Manual do Professor. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 11 10/29/18 8:38 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR12 Modernidade A expressão Idade Moderna é utilizada por alguns historiadores para se referir a um período da história europeia que vai do século XV ao século XVIII. Os sentidos do moderno Atualmente, a palavra moderno é utilizada para se referir a algo novo ou recente. É nesse sentido que ouvimos expressões como: prédio moderno, com- portamento moderno, roupa moderna, ideia moderna. Mas nem tudo que é considerado novidade é, de fato, algo novo. Existe um provérbio latino que diz “non nova, sed nove” (que significa “não coisas novas, mas de maneira nova”, em português). Quando desenvolvemos uma atitude historiadora, percebemos tradições e contribuições de outras épo- cas no tempo presente. Isso também aconteceu na Idade Moderna que, em parte, recuperou tradições antigas. Mas o que significa a palavra moderno para os historiadores? Ao longo deste capítulo, vamos buscar respostas para isso. Transformações na Idade Moderna A modernidade é um processo longo, cujo início pode ser observado na Ida- de Moderna, e prossegue até hoje. A Idade Moderna foi uma época de grandes transformações, entendidas como marcos da modernidade. Entre elas, destacam-se: • Capitalismo – o desenvolvimento de novas formas econô- micas diferentes do feudalismo. Nesse processo, ocorreu a ascensão da burguesia, grupo social que se dedicava às ativi- dades comerciais e financeiras. ¥ Estado moderno – fortalecimento do poder dos reis. Esse processo estava associado ao surgimento dos Estados nacionais. • Renascimento – renovações nas artes, ciências e tecnologias, impulsionadas pelo humanismo. • Reformas religiosas – rupturas na cris- tandade que abalaram a autoridade da Igreja católica e deram origem a novas igrejas cristãs. • Grandes Navegações – a expansão marítima e a conquista da América am- pliaram os limites do mundo conhecido pelos europeus. A centralização do poder político permitiu maior investimento em tecnologias necessárias às grandes viagens oceânicas. Astrolábio, instrumento náutico de origem holandesa. 1566. A lb um /E as yp ix Br as il 12 Orientações didáticas Ao longo do capítulo, serão discutidos os sentidos possí- veis para o termo “moderno”, tendo em vista os usos empre- gados no próprio período e os debates posteriores levanta- dos pela historiografia. Além disso, buscou-se avaliar como as transformações ocorridas no cenário político, econômico, religioso e cultural foram fun- damentais para o desenvolvi- mento das noções de moderni- dade. Os casos da Inglaterra, Espanha, Portugal e França se- rão utilizados para que os alu- nos reconheçam as semelhan- ças e as diferenças no que concerne à centralização polí- tica desses Estados modernos em formação. Sugerimos o debate com os alunos sobre as delimitações cronológicas. Muitos dos eventos marcantes mencio- nados no decurso deste capí- tulo ocorreram no período de- signado como medieval, mas seus impactos foram imensos no período moderno. Nesse sentido, vale discutir quais são as linhas que separam es- sas continuidades e rupturas históricas e se elas existem. Esse exercício é interessante, pois demonstra o funciona- mento do ofício do historiador, além de se colocarem em xe- que divisões cronológicas marcadamente eurocêntricas e discutíveis. Leitura complementar Partindo do debate alemão sobre o conceito de modernidade, e em particular das ideias de Hans Ulrich Gumbrecht, o pesquisador João Feres Junior identifi- ca três significados que o termo “moderno” assumiu ao longo do tempo: O primeiro significado é simplesmente “presente”, em oposição a “ante- rior” ou “prévio”, e foi usado dentro de tradições institucionalizadas onde tendências se sucedem temporalmente. O segundo significado é de “novo” e oposição a “velho”: nesse caso já se tem o embrião de uma consciência epocal onde moderno define um espa- ço de experiência presente que se quer distinto do passado. Esse uso geral- mente está ligado a um esquema temporal mais ou menos explícito de hierarquização das eras, ou seja, é fortemente valorativo. Por fim temos o significado de “período transitório”, em oposição ao eter- no. Nessa versão, moderno designa um presente que é experimentado como fluxo temporal contínuo e veloz que, como tal, só pode ser oposto ao eter- no, qual inamovível. FERES JUNIOR, João. Introdução a uma crítica da Modernidade como conceito sociológico. Mediações, Londrina, v. 15, n. 2, p. 31, jul./dez. 2010. Disponível em: <http://www.uel.br/ revistas/uel/index.php/mediacoes/article/view/8232>. Acesso em: 11 jul. 2018. O texto “Modernidade” de- senvolve a competência es- pecífica CEH2, bem como a habilidade EF07HI01, pois explica o significado de “mo- dernidade” e suas lógicas de inclusão e exclusão, com base em uma concepção europeia. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 12 10/29/18 8:39 AM 13UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR Essas transformações que marcaram a Idade Moderna não incluíram todas as pessoas e sociedades ao mesmo tempo. Na Europa ocidental, por exemplo, a população urbana teve mais contato com as inovações modernas. No campo, o impacto foi diferente: ainda que muitos trabalhadores rurais tenham continuado seus modos de vida tradicio- nais, a transformação das terras em propriedades privadas alterou as relações de trabalho, trazendo ganhos para os proprietários e levando à expulsão de camponeses ou à perda das garantias que existiam na época medieval. Além disso, em Portugal, Espanha, França, Holanda e Inglaterra, a expansão marítima possibilitou a conquista de territórios na África, Ásia e América e a exploração das riquezas desses continentes. Já para a maioria dos povos con- quistados a expansão representou o início da destruição ou desvalorização de seus modos de vida. Desse modo, as sociedades não experimentaram as mudanças da Idade Mo- derna da mesma forma, mesmo na Europa. As diferenças entre os lugares e os povos produziram novas interações e conexões culturais (língua, religião e hábitos alimentares, por exemplo). Fortalecimento dos reinos Durante o período medieval, havia na Europa várias autoridades: reis, senho- res feudais, membros do alto clero e administradores das cidades autônomas. No feudalismo, o poder político se fragmentava entre essas autoridades e se baseava na suserania, isto é, na relação de fidelidade e subordinação entre suseranos e vassalos. A coroação de Henrique IV. Na iluminura, o rei inglês aparece sendo coroado pelo Bispo da Abadia de Westminster. Os súditos, em posição inferior na imagem, testemunham o poder do soberano. Detalhe das Crônicas de Jean Froissart, obra publicada no século XIV. Biblioteca Britânica, Londres, Inglaterra. T h e P ri n t C o lle c to r/ H e ri ta g e I m a g e s /G lo w I m a g e s /B ib lio te c a d e N e w b e rr y, C h ic a g o , E U A . 13 U n id a d e 1 M o d e rn id a d e e m o n a rq u ia s n a ci o n a is C a p ’t u lo 1 Leitura complementar Autores como Perry Anderson estudaram o impacto das mudanças ocorridasna Idade Média entre os camponeses da Europa. Para esse autor: [...] o enfraquecimento das concepções medievais de vassalagem atuava em ambos os sentidos: ao mesmo tempo que conferia novos e extraordinários po- deres à monarquia, emancipava os domínios da nobreza das restrições tradi- cionais. A propriedade agrária da nova época era silenciosamente alodializada [ou seja, escapava das obrigações feudais, tornando-se uma propriedade pri- vada]. Os membros individuais da classe aristocrática, que perderam constan- temente direitos políticos de representação na nova época, registraram ganhos econômicos na propriedade, como o reverso do mesmo processo histórico. O efeito último dessa redisposição geral do poder social da nobreza foi a máqui- na de Estado e a ordem jurídica do absolutismo, cuja coordenação iria aumen- tar a eficácia da dominação aristocrática ao sujeitar um campesinato não servil a novas formas de dependência e exploração. Os Estados monárquicos da Renascença foram em primeiro lugar e acima de tudo instrumentos moder- nizados para a manutenção do domínio da nobreza sobre as massas rurais. ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado absolutista. São Paulo: Brasiliense, 1998. p. 20. Orientações didáticas O conteúdo sobre as trans- formações na Idade Moderna e o fortalecimento dos reinos po- derá ser trabalhado com base em um conjunto de semelhan- ças e diferenças observadas em cada processo. Ainda que a centralização dos Estados seja uma questão geral para com- preender o período, é preciso observar as particularidades de cada localidade. Sugerimos que os alunos pesquisem so- bre a história desses países (Portugal, Espanha, França, Holanda e Inglaterra) no perío- do, atentando para a língua, a religião, os alimentos consumi- dos e a exploração e conquista dos territórios coloniais, a fim de refletir sobre as especifici- dades de cada processo. É possível discutir o assunto, por exemplo, baseando-se no aspecto religioso, uma vez que as dinâmicas sociais, po- líticas e econômicas são dis- tintas entre as regiões coloca- das sob influência de igrejas protestantes recém-criadas ou de instituições católicas, como a Inquisição. O texto “Fortalecimento dos reinos” contribui para o de- senvolvimento da habilidade EF07HI07, pois descreve, em linhas gerais, os processos de formação e consolidação das monarquias nacionais, bem como suas principais características. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 13 10/29/18 8:39 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR14 No início dos tempos modernos, porém, essa situação começou a mudar. Alguns reis europeus ampliaram seu poder e fundaram monarquias que deram origem a Estados nacionais. Com essa centralização política, desenvolveu-se a noção de soberania, que consiste no poder que o governante detém de fazer valer suas decisões dentro do seu território. Nessas monarquias, os reis torna- ram-se soberanos e os habitantes tornaram-se súditos. Em geral, os Estados nacionais dispunham de: • Tropas permanentes – forças militares próprias, como o Exército e a Marinha. • Servidores do governo – funcionários que trabalhavam nos vários seto- res da administração e diplomatas que defendiam os interesses do governo diante de Estados estrangeiros. • Leis e tributos – deveriam ser aplicados em todo o reino. No entanto, as leis não eram iguais para todos os súditos e os membros da nobreza e da Igreja não pagavam tributos. Nessas sociedades, os súditos estavam agrupados em estamentos sociais, como nobreza, clero e demais grupos do povo. • Fronteiras definidas – demarcação do território onde o governo do Estado exercia sua soberania. • Idioma oficial – língua adotada por um reino para facilitar a comunicação dentro do país e para construir uma identidade cultural. • Unificação de pesos, medidas e moedas – essas unificações (de pesos, medi- das e moedas) serviram para facilitar o comércio nos limites dos Estados nacionais. • Você sabe que países adotam a monarquia atualmente? Dê exemplos. Investigando A la m y /F o to a re n a Gravura do século XV produzida na França, representando o rei Luís IX, na França, desembarcando em Cartago, no norte da África, por volta de 1270. O processo de centralização e fortalecimento do poder dos reis foi marcado por conflitos e negociações. Enquanto alguns grupos sociais (os nobres e o clero) temiam que os reis interferissem muito em seus domínios, outros (como a burgue- sia) acreditavam que um governo centralizado poderia melhorar seus negócios e garantir privilégios, tomando medidas em benefício do comércio, por exemplo. A centralização política ocorreu em ritmos diferentes na Europa. Em Portu- gal, por exemplo, o processo começou no século XII. Na Espanha, Inglaterra e França, esse processo se intensificou a partir do século XV. Já na Alemanha e na Itália a centralização política se consolidou ao longo do século XIX. 14 Orientações didáticas O uso da expressão “Estados nacionais”, nesse caso, tem o intuito de facilitar a compreen- são do aluno sobre o assunto. No entanto, vale perceber que esses Estados modernos não devem ser entendidos na chave do nacionalismo. Muitas vezes, quando as fontes produzidas no período moderno tratam do termo “nação”, elas se referem a uma relação mais orgânica com a terra a qual os sujeitos estavam ligados. É, porém, no período moderno que começa- ram a surgir definições de Esta- do-nação como espaço político, territorial e soberano. Além dos usos do termo moderno de Es- tado, há também os sentidos de soberania aplicados a partir do século XVI, com o intuito de indi- car um poder estatal e político exclusivo. A partir daí, surgiam desdobramentos possíveis em uma soberania absoluta, como apontava Thomas Hobbes, na obra Leviatã, ou uma soberania legal, baseada no pensamento de Jean Bodin. A expressão “servidores do governo” é sinônimo de buro- cracia, ou seja, do conjunto de servidores públicos. Se julgar conveniente, você pode con- duzir uma discussão sobre o quanto a palavra burocracia é estigmatizada, sendo por ve- zes considerada como abuso do Estado, excesso de exigên- cias de documentos e obriga- ções impostas aos cidadãos ou então como funcionários públicos que enfrentam o preconceito de trabalharem pouco. Lembrar que profes- sores e médicos de escolas e hospitais públicos, por exem- plo, são parte do conjunto da burocracia. Leitura complementar Baseando-se na reflexão de António Manuel Hespanha sobre a forma patri- monial-estamental baseada em dom, contra-dom, graça e punição, Alexander Martins Vianna comenta alguns aspectos centrais para a compreensão da cen- tralização política na Europa moderna. Tais fatores perpassam todo o corpo político como dispositivos constituidores de compromissos hierarquicamente definidos. Ora, se tal lógica não fosse comum a todo o corpo político, não haveria efeitos agregadores e a possibilidade de centra- lização política. Nesse sentido, a centralização política é o resultado da acomodação relativa de uma tensa concorrência de tipo senhorial-clientelar entre diferentes graus de forças centrípetas e centrífugas. Ocorre a acomodação entre as partes quando uma delas emerge com mais poder (militar e financeiro) e configura para si um território por onde estende sua preeminência política (auctoritas). No en- tanto, uma vez definido um centro, os seus meios de manter a auctoritas sobre um território continuam operando sob a forma patrimonial-estamental, ou seja, a centralização política não pressupõe a destruição dos corpos de privilégios ou a despatrimonialização do poder político. VIANNA, Alexander Martins. Absolutismo: Os limites de uso de um conceito liberal. Revista Urutágua – revista acadêmica multidisciplinar. n. 14, dez./mar. 2008. p. 3. Disponível em: <http://www.urutagua.uem.br/014/14vianna.PDF>. Acesso em: 11 jul. 2018. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 14 10/29/18 8:39 AM 15UNIDADE 1- CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR Reinos Ibéricos Desde a época do Império Romano e da formação dos reinos germânicos, a península Ibérica (onde hoje se situam Portugal e Espanha) recebeu forte in- fluência cristã. Porém, no século VIII, boa parte da região foi conquistada por muçulmanos vindos do norte da África, que ocuparam a península Ibérica entre os séculos VIII e XV. Em virtude da ocupação muçulmana, muitos cristãos se deslocaram para o norte da península e ali formaram reinos como Leão, Caste- la, Navarra e Aragão. Neste período, de mais de 700 anos, cristãos e muçulmanos viveram épocas de luta e de paz, o que possibilitou trocas culturais entre eles. Ainda hoje é possível notar as marcas desse intercâmbio nas sociedades portuguesa e espa- nhola. A influência muçulmana pode ser encontrada, por exemplo, na alimen- tação, no modo de vestir, na arquitetura, na música e nas palavras de origem árabe que fazem parte dos idiomas português e espanhol. Península: porção de terra cercada de água por todos os lados, menos um, pelo qual se liga ao continente. V la d G /S h u tt e rs to c k Os arabescos são formas geométricas típicas da arquitetura árabe. Na fotografia, de 2017, é possível observar arabescos no complexo de Alhambra. Granada, Espanha. 15 U n id a d e 1 C a p ít u lo 1 M o d e rn id a d e e m o n a rq u ia s n a ci o n a is Atividade complementar Leia com os alunos o trecho a seguir, escrito por Alexander Martins Vianna no artigo Ò ‘Absolutismo’: Os limites de uso de um conceito liberal”: Ocorre a acomodação entre as partes quando uma delas emerge com mais poder (militar e financeiro) e configura para si um território por onde estende sua pree- minência política (auctoritas). [...] a centralização política não pressupõe a destrui- ção dos corpos de privilégios ou a despatrimonialização do poder político. Depois, debata com a turma as seguintes questões: a) De acordo com o texto, quais poderes são importantes para que a acomoda- ção política ocorra? b) Na sua opinião, por que o autor aponta que ocorre uma acomodação no pro- cesso de centralização política? Justifique. Resposta: segundo Vianna, a acomodação política ocorre quando uma das par- tes emerge com mais poder militar e financeiro. Espera-se que os alunos perce- bam como a centralização política levou em consideração aspectos particulares de cada Estado, tais como a religião, língua, território, ordenamentos sociais e hierárquicos, etc. Ocorre, portanto, uma acomodação em torno de um poder cen- tralizado. Esse tema dá indícios sobre a questão do absolutismo a ser trabalhada em sala de aula no capítulo 4, sugerindo que o processo não foi articulado mera- mente de cima para baixo. Investigando Depois de tomar conheci- mento dos exemplos pesquisa- dos pelos estudantes, informe que a Inglaterra é uma monar- quia parlamentarista, em que o primeiro-ministro é o chefe de governo e o rei ou a rainha é o chefe de Estado. Outras mo- narquias podem ser menciona- das: Bélgica, Espanha e Norue- ga (na Europa), Japão, Arábia Saudita e Tailândia (na Ásia). O texto “Reinos Ibéricos” desenvolve a habilidade EF07HI07, pois descreve o processo de formação e consolidação e as principais características das monar- quias de Portugal e da Es- panha com o objetivo de compreender as razões da centralização política. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 15 10/29/18 8:39 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR16 Formação de Portugal Na Europa, Portugal foi pioneiro na formação de um Estado centralizado. A formação de Por- tugal está relacionada às lutas entre cristãos e muçulmanos pelo controle da península Ibérica. Para os cristãos, essas lutas foram chamadas de Reconquista. Durante esse processo, o reino de Leão e Cas- tela contou com a ajuda de nobres cristãos como dom Henrique de Borgonha, de origem france- sa. Em troca do apoio oferecido por Henrique e seus comandados ao reino de Leão e Castela, ele recebeu as terras do condado Portucalense em 1096. Assim, Henrique se tornou vassalo (nobre com dever de obediência e fidelidade) do rei de Leão e Castela. Posteriormente, Henrique transmitiu o conda- do Portucalense a seu filho Afonso Henriques. Afonso e seus aliados lutaram pela independên- cia do condado em relação ao reino de Leão e Castela. A independência ocorreu em 1139 e Afonso Henriques tornou-se o primeiro rei de Portugal. Com a independência de Portugal, a família Borgonha formou uma dinastia, ampliou seu ter- ritório e governou por mais de 200 anos. Durante esse período, soldados portugueses continuaram a lutar contra os muçulmanos na península Ibérica. A formação do território português, do modo como ele existe atualmente, se completou em 1249, com a conquista do Algarve, então sob o domínio dos muçulmanos. Terminadas as guerras, no século XIII, os reis e funcionários do governo organizaram, mais efetivamente, a estrutura ad- ministrativa do Estado português. Condado: território, na Idade Média, administrado por um conde. Dinastia: série de monarcas ou soberanos de uma mesma família que se sucedem no trono. Fontes: elaborados com base em ALBUQUERQUE, Manoel M. de et al. Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: FAE, 1986. p. 101-102; KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. Atlas histórico mundial: de los orígenes a la Revolución Francesa. Madrid: Istmo, 1982. p. 192. Formação de Portugal (séculos XI a XV) M e ri d ia n o d e G re e n w ic h 40° N 0° OCEANO ATLÂNTICO Mar Mediterrâneo Córdoba Ilhas Baleares Granada CONDADO PORTUCALENSE REINO DE LEÃO REINO DE CASTELA ARAGÃO BARCELONA CALIFADO DE CÓRDOBA NAVARRA Domínio islâmico (século XI) Reinos ibéricos cristãos N 0 220 km M e ri d ia n o d e G re e n w ic h 40° N 0° OCEANO ATLÂNTICO Mar Mediterrâneo Ilhas BalearesCórdoba Granada Sevilha Valência Toledo REINO DE PORTUGAL REINO DE LEÃO REINO DE CASTELA REINO DE ARAGÃO NAVARRA IMPÉRIO ALMORÁVIDA Domínio islâmico (século XII) Reinos ibéricos cristãos N 0 220 km M e ri d ia n o d e G re e n w ic h 40° N 0° OCEANO ATLÂNTICO Mar Mediterrâneo Ilhas BalearesCórdoba REINO DE PORTUGAL REINO DE CASTELA REINO DE ARAGÃO REINO DE GRANADA NAVARRA Granada Sevilha Valência Toledo Reinos ibéricos cristãos Conquista de Granada após o ím da Guerra de Granada (1482 a 1492) Domínio islâmico (Séculos XIV–XV) N 0 220 km E ri c s o n G L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra 16 Orientações didáticas Foram recorrentes na épo- ca moderna as apropriações a respeito da independência de Portugal conquistada na Batalha de Ourique (atual Alentejo), em 1139, coman- dada por dom Afonso Henri- ques. Documentos escritos e iconográficos do período nar- ravam o chamado Juramento de Afonso Henriques. Segun- do a narrativa, o então prínci- pe havia adormecido sobre o Livro Sagrado quando, em sonho, um ancião lhe visitou para anunciar que Jesus Cristo daria a vitória aos por- tugueses nos campos de Ou- rique e que haveria um sinal disso pela manhã. Na manhã seguinte, Afonso Henriques ouviu um som estrondoso e viu um forte clarão no céu em que se desenhava a imagem de Cristo pregado à cruz. Cristo teria, então, garantido a vitória ao povo português e apenas exigido, em retorno, que Afonso Henriques crias- se um reino cuja missão se- ria defender a fé cristã e le- var a Verdade aos povos de todo o mundo. Cabe observar como essa narrativa foi fun- damental em vários momen- tos da história moderna de Portugal, sendo argumento, por exemplo, para a expan- são marítima, o genocídio dos povos da América e as lu- tas de portugueses que de- fendiam uma dinastia Bra- gança em oposição ao do- mínio dos Filipes durante a chamada União Ibérica. O Ju- ramento consagraria o desti- no profético e a missão dos portugueses pelo mundo en- quantorepresentantes legíti- mos da fé católica. Um dos processos decor- rentes da formação de Por- tugal foram as primeiras ocorrências de uma língua portuguesa em oposição ao latim escrito. Entre os sécu- los VIII e XIII, portugueses e árabes coexistiam na penín- sula Ibérica e, a despeito da vitória bélica contra as for- ças muçulmanas, traços da língua árabe ainda perma- necem na língua portugue- sa contemporânea. Os alu- nos poderão pesquisar um pouco desses vestígios a partir da atividade a seguir. Atividade complementar Integrar com Português e Matemática Peça a grupos de três a cinco alunos que pesquisem a presen- ça árabe na península Ibérica. Eles devem identificar influências desses povos na língua portuguesa e no conhecimento matemá- tico até os dias atuais. A pesquisa poderá revelar aos alunos a influência da língua árabe na morfologia portuguesa por meio do artigo árabe al em meio a palavras de origem latina, idioma que não possuía arti- gos. Entre esses termos, podemos citar: álcool, alcachofra ou algodão. As palavras álgebra e algarismo são outros exemplos importantes, no caso, relacionados à Matemática. Os alunos poderão observar, portanto, a influência árabe também nos números arábicos e na alteração, ao longo do tempo, do siste- ma latino de representação numérica. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 16 10/29/18 8:39 AM 17UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR Revolução de Avis Em 1383, dom Fernando I, último rei da dinastia de Borgonha, morreu sem deixar herdeiros homens. A partir desse momento, Portugal poderia ser anexado ao reino de Castela. No entanto, diversos grupos de nobres e bur- gueses do país queriam evitar isso. Eles pretendiam manter a independência portuguesa sob o comando de um rei que apoiasse seus interesses políticos e econômicos. Para isso, esses grupos passaram a apoiar dom João, irmão ”bastardo” do rei falecido. Após um período de conflitos, que durou de 1383 a 1385, dom João as- sumiu o trono de Portugal e garantiu a independência do reino, dando início à dinastia de Avis. Ela recebeu esse nome porque o novo rei era mestre da ordem de cavalaria de Avis. Por esse motivo, a luta contra a união entre os reinos de Portugal e Castela ficou conhecida como Revolução de Avis. A dinastia de Avis permaneceu no poder entre 1385 e 1580. Nesse perío- do, os reis reforçaram seu poder, centralizando a arrecadação de impostos, estimulando a construção naval e distribuindo lotes de terras chamados de sesmarias. Tudo isso favoreceu a expansão comercial e marítima portuguesa. Foi durante a dinastia de Avis que os portugueses chegaram às terras que mais tarde foram chamadas de Brasil. Bastardo: filho nascido fora do casamento oficial. Ordem de cavalaria: instituição militar e religiosa surgida na Idade Média e que reunia apenas nobres. Seu objetivo declarado era combater os chamados hereges – pessoas ou grupos que escolhiam uma religião diferente da católica e eram perseguidos por isso. A maior autoridade de uma ordem de cavalaria recebia o título de mestre. A ordem de Avis surgiu em 1162. The British Library/Heritage Images/Glow Images/Biblioteca Britânica, Londres, Inglaterra. Iluminura representando João I, de Avis, na Batalha de Aljubarrota, ocorrida em 1385. A batalha de Aljubarrota, decisiva para garantir a independência do reino de Portugal, terminou com a derrota das tropas de Castela. Crônicas antigas da Inglaterra, de Jean de Wavrin. Século XV. 17 U n id a d e 1 C a p ít u lo 1 M o d e rn id a d e e m o n a rq u ia s n a ci o n a is Orientações didáticas Sobre a importância do uso de mapas em sala de aula, você pode encontrar orienta- ções neste Manual, na seção Uso do livro e possibilidades de trabalho, item 4.2 Mapas. Atividade complementar Baseado na discussão da leitura complementar sugerida, so- bre a construção de uma identidade e memória portuguesa for- talecida durante a Revolução de Avis, estabeleça um diálogo entre passado e presente. Sugerimos um debate pautado pelas seguintes questões: Os políticos se preocupam com sua imagem atualmente? Quais os meios utilizados para a divulgação de uma imagem positiva? Recomendamos que ressalte a permanência da preocupação com a imagem pública e, em contrapartida, as mudanças quanto aos meios de comunicação utilizados para essa divulgação, como televisão, revistas, jornais, rádio e internet. Leitura complementar Sobre a Revolução de Avis, sugerimos a leitura do artigo “A dinastia de Avis e a construção da memória do reino português”, em que a autora, Miriam Cabral Co- ser, demonstra como o rei- no português utilizou este momento para consolidar uma identidade e memória nacional: O discurso desenvolvido pela nova dinastia, para além da afirmação de sua legitimidade, objetivava promover o rei a um sobe- rano de fato no reino por- t u g u ê s . E o re i c omo verdadeiro soberano seria o rei capaz de unir todos os segmentos sociais, justa- mente por sobrepor-se a eles, formando uma unida- de reconhecível por todos, que viria a constituir a na- ção portuguesa. Tal discur- so implicava portanto a apresentação do rei como aquele que reunia as quali- dades necessárias para a promoção dessa unidade [...]. A afirmação da identi- dade nacional e a constru- ção de uma imagem da realeza carismática e aliada ao “povo” [...] O discurso produzido ao longo da pri- meira fase da dinastia de Avis, sobretudo aquele das crônicas oficiais do reino, tinha a dupla função de anunciar uma nova era em Portugal, legitimando o reinado de D. João e afir- mando sua diferença em relação ao reinado anterior, mas também a de reafir- mar uma determinada continuidade na história do povo português e confe- rir um caráter singular a esse povo. COSER, Miriam Cabral. A dinastia de Avis e a construção da memória do reino português: uma análise das crônicas oficiais. Cadernos de Ciências Humanas – Especiaria. v. 10, n. 18, jul./dez. 2007, p. 703-727. p. 708-710. Disponível em: <http://www.uesc.br/revistas/ especiarias/ed18/13_miriam_ coser.pdf> Acesso em: 11 jul. 2018. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 17 10/29/18 8:39 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR18 Formação da Espanha A formação da Espanha está relacionada às guerras de Reconquista e ao casamento do príncipe Fernando e da princesa Isabel em 1469. Ele era membro da família real de Aragão e ela fazia parte da família real de Castela. Alguns anos depois do casamento, em 1479, Fernando e Isabel uni- ficaram seus reinos, dando início a um processo de centra- lização política. Eles governaram juntos de 1479 até 1504. Após a morte de Isabel, Fernando permaneceu no trono até 1516. Os exércitos desses soberanos venceram diversas batalhas contra os muçulmanos. Entre os marcos dessas vitórias po- demos citar a conquista de Granada, em 1492. O reino de Granada, localizado no extremo sul da península Ibérica, era o último território sob domínio muçulmano. Posteriormen- te, durante o governo de Fernando, o reino de Navarra tam- bém foi conquistado. Essa conquista completou a formação do reino da Espanha. Com a formação do Estado nacional, a monarquia espa- nhola pôde financiar as viagens de Colombo à América e co- meçar o processo de expansão colonial. A Coroa da Espanha tornou-se dona de um grande império mundial. Esse impé- rio atingiu sua maior extensão durante o governo de Carlos I de Habsburgo (1500-1558) que, além de rei da Espanha, foi ao mesmo tempo príncipe dos Países Baixos e imperador do Sacro Império Romano-Germânico. B ri d g e m a n I m a g e s /G lo w I m a g e s /C o le ç ã o p a rt ic u la r Ib e rf o to /S u p e rS to ck /G lo w I m a g e s /A n ti g a P in a c o te c a , M u n iq u e , A le m a n h a . Gravura representando a queda de Granada. Naimagem, Boabdil, último governante mouro, entrega a chave da cidade aos reis católicos, Fernando e Isabel. A conquista de Granada foi o marco da expulsão dos árabes da península Ibérica. Retrato do Imperador Carlos V, pintura de Ticiano. 1548. Óleo sobre tela, 205 cm 3 122 cm. Antiga Pinacoteca, Munique, Alemanha. Com os títulos de Carlos I da Espanha e Carlos V da Áustria, Carlos de Habsburgo foi uma das principais figuras políticas do século XVI na Europa. 18 Leitura complementar Para aprofundar a discussão sobre as sesmarias, sugerimos a leitura do ar- tigo “Sesmarias e posses de terras: Política fundiária para assegurar a coloni- zação brasileira”, da historiadora Mônica Diniz. Dentre diferentes aspectos, a autora apresenta como a política de sesmarias foi importante para o desenvol- vimento de Portugal e para a colonização brasileira. Ressalta, ainda, como o sistema de terras no Brasil é uma herança das ses- marias portuguesas: A história territorial do Brasil tem início em Portugal, onde encontramos as origens do nosso regime de terras. A ocupação das terras brasileiras pelos ca- pitães descobridores, em nome da Coroa, trouxe o modelo português de pro- priedade para o Brasil. Em suas origens, o regime jurídico das sesmarias liga-se aos das terras comunais da época medieval, chamado de communalia. Antigo costume da região da Península Ibérica, as terras eram lavradas nas co- munidades, divididas de acordo com o número de munícipes e sorteadas entre eles, a fim de serem cultivadas. Cada uma das partes da área dividida levava o no- me de sesmo. O vocábulo sesmaria derivou-se do termo sesma, e significava 1/6 do valor estipulado para o terreno. Sesmo ou sesma também procedia do verbo sesmar (avaliar, estimar, calcular) ou, ainda, poderia significar um território que Os textos “Formação da França” e “Formação da In- glaterra” desenvolvem a habilidade EF07HI07, pois descrevem o processo de formação e consolidação e as principais caracterís- ticas das monarquias da França e da Inglaterra com o objetivo de compreender as razões da centralização política. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 18 10/29/18 8:39 AM 19UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR Formação da França Por volta do século X, a dinastia dos Capeto iniciou um processo de unificação dos feudos na região da atual França. Entre os reis capetíngios que contribuíram para a centralização política da região podemos destacar Filipe Augusto (1180-1223), Luís IX (1226-1270) e Filipe IV, o Belo (1285-1314). As principais medidas tomadas por esses reis foram: conquista de territórios; unificação da moeda; criação de um exército nacional; fortalecimento dos tribunais reais; e ampliação dos tributos, que passaram a ser cobrados também dos membros da Igreja católica. Foi, porém, durante a Guerra dos Cem Anos (1337- -1453), entre França e Inglaterra, que cresceu o sentimen- to nacional francês. Durante os 116 anos desse conflito, o poder da nobreza feudal se enfraqueceu, aumentando a centralização do poder do rei. O fim da Guerra dos Cem Anos marcou a consolidação do Estado monárquico francês. No século XVII, a centra- lização do poder na França atingiu seu ponto máximo com o reinado de Luís XIV (1643-1715). Ele se tornou o símbolo do absolutismo, assunto que estudaremos no capítulo 4. Formação da Inglaterra No século XI, Guilherme, duque da Normandia (região da atual França), con- quistou a Inglaterra, assumiu o trono, mudou a capital para Londres e proibiu as guerras entre a nobreza. Com ele, teve início um processo de centralização política. Posteriormente, reis da dinastia Plantageneta, fundada por Henrique II (1154-1189), ado- taram medidas que impulsionaram a formação do Estado nacional inglês. Durante essa dinastia, foi assinada, em 1215, a Magna Carta (Constituição), que limitava o poder real. Além dis- so, a burguesia conquistou o direito de participar do Parla- mento (1265) e ocorreu a Guerra dos Cem Anos. A Magna Carta e o Parlamento estão na origem da monarquia ingle- sa, que continua a existir até os dias de hoje. No século XV, duas poderosas famílias da nobreza, os Lancaster e os York, disputaram o trono inglês. Esse con- flito teve fim quando Henrique Tudor assumiu o trono, em 1485. Henrique tinha laços de parentesco tanto com os Lancaster como com os York e tornou-se rei da Inglaterra, com o título de Henrique VII, dando início ao absolutis- mo inglês. Batalha de Castillon, 17 de julho de 1453, pintura de Charles-Philippe Larivière. 1838. Óleo sobre tela, 425 cm 3 262 cm. Palácio de Versalhes, França. Essa batalha da Guerra dos Cem Anos é uma das primeiras em que o uso de canhões foi decisivo. T h e G ra n g e r C o lle c ti o n /F o to a re n a R e p ro d u ç ã o /M u s e u N a c io n a l d o P a lá c io d e V e rs a lh e s e T ri a n o n , V e rs a lh e s , F ra n ç a . Os ingleses foram pioneiros na criação deste documento tão importante: a Magna Carta. Na ilustração produzida no século XIX, o rei João Sem Terra assina a Magna Carta, em 1215. 19 U n id a d e 1 M o d e rn id a d e e m o n a rq u ia s n a ci o n a is C a p ít u lo 1 Orientações didáticas Uma das figuras mais emble- máticas da Guerra dos Cem Anos foi Joana d’Arc (1412- -1431). A famosa heroína é lem- brada por sua atuação como comandante em batalhas fran- cesas, sobretudo, no vitorioso cerco de Orleans. Posteriormen- te capturada pelos ingleses, d’Arc foi acusada de heresia e bruxaria e queimada em 1431, aos dezenove anos, em uma ce- rimônia pública realizada na ci- dade de Rouen (Normandia). É interessante observar, a respei- to dessa personagem, aspec- tos de uma permanência histó- rica na ideia de nacionalidade francesa que remontava ao pe- ríodo medieval e não apenas moderno. Joana d’Arc apareceu, por exemplo, no tomo V da His- tória da França de Jules Miche- let, em 1841, sendo caracteri- zada como mártir e símbolo do povo francês. Sobre a formação da Ingla- terra vale ressaltar que, até a atualidade, o governo britâni- co busca vincular as origens de seu sistema político ao chamado Parlamento Modelo (Model Parliament), convoca- do pelo rei Eduardo I em 1295. Esse Parlamento era compos- to de arcebispos e bispos, e também membros do baixo clero, sete condes, 42 barões, além de dois cavaleiros para cada condado e dois cidadãos e burgueses para cada cidade. A convocação ocorreu porque o rei necessitava de apoio fi- nanceiro para batalhas na Es- cócia e na França. Essa não foi a primeira convocação de um parlamento, tampouco seria a última; no entanto, tal mo- mento é considerado impor- tante para a organização do sistema político inglês pelo modo como camadas distin- tas da sociedade foram envol- vidas, o que colaborou em prá- ticas subsequentes de elei- ções para os membros comuns. A organização do parlamento nesses moldes, bem como a promulgação de vários estatu- tos entre 1275 e 1290, foi en- tendida como uma estratégia de Eduardo I para fortalecer a sua autoridade real contando com o apoio dos súditos. era repartido em seis lotes, nos quais, durante seis dias da sema- na, exceto no domingo, trabalhariam seis sesmeiros. As sesmarias eram terrenos incultos e abandonados, entre- gues pela Monarquia portuguesa, desde o século XII, às pessoas que se comprometiam a colonizá-los dentro de um prazo pre- viamente estabelecido. A doação dessas terras encontrava mo- tivo na necessidade que o governo lusitano tinha de povoar os muitos territórios retomados dos muçulmanos no período co- nhecido como Reconquista. Essa expulsão dos árabes pelos cris- tãos iniciou-se no século XI e terminou por volta do século XV. Esse sistema de aquisição de terras só funcionou em regiões e épocas em que prevalecia o estado de guerra e uma baixa densi- dade populacional que originassem terras ociosas e com possibi- lidade de serem ocupadas. A partirdo momento em que foi fixado o limite territorial e o Estado se fortaleceu e se reorganizou, esse processo de obtenção de terras desaparece. Porém, na Península Ibérica, as doações de sesmarias existiram até final do século XIII. DINIZ, Mônica. Sesmarias e posse de terras: política fundiária para assegurar a colonização brasileira. Revista Histórica, n. 2, jun. 2005. Disponível em: <http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao02/ materia03/Sesmarias.pdf>. Acesso em: 11 jul. 2018. pp. 1-2. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 19 10/29/18 8:39 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR20 Ofi cina de HISTÓRIAOfi cina de HISTÓRIA Faça no caderno 1. O mapa a seguir mostra aspectos físicos da Europa ocidental. Observe-o e responda às questões. Refletir e ampliar Riooo R en o AAAAA llppppppppplpl eee sss 40° N 0º Picos 0 200 400 1000 2000 Altitude (m) IlhasIlhasIlhasIlhasIlhas BritânicasasBr asasBrBr MMMMM ooo M o M o M o M n teeetet sss GG rrr G r G aaararrarrar m pppppiiii aiai n s PPaPaP ss o dddde CaCaC lai sis Cana l da M ancha Mar daMar daar daar daMM Irlanda Mar do Norte Mar Mediterrâneo OCEANO ATLÂNTICO Rio Rio io Sena Sena Sena ena S RRR i R ioio MMM os a Rio Loiir er EsEsE tr.r.r de Gibrarar ltatat r C. da Roca Golfo de Biscaia Rio Ebro Rio Ebro io Ebr Rio Ebro R io GG arooronn aaa RRR óó dddd aaaannnnnn ooooo n o Rio Rio TejoTejoTejoTejo RRRRRiiiiooooo DDDouror PenPenínsulaPeen bér cIbéricaIbéricaé ic ontesesMontontesMontesMontMontes Cant icosCantábricosCantábricosCCant MMM oooo M onnnnteeet s IIIbbbIIbII ééériiirir cici oooooo sssssssssssssssss PPPPPiiPiPirrrireeeennnneeuusss AnetoAnen toAneto (((3333 404 m4 m404 m)44 mm)404 Córsega Is. Shetland. S Is. Órcadesades Is .H éb ririr d as Is. BBale ares I. MaiorcaI. M I. Ibiza I. Minorca MonteMMonteontMMMonte rancancorancBBrancanc (((44444807 m807 m)807 m807 m807 m807 m807 m807 m807 m)807 m807 m807 m807 m807 m807 m807 m807 m807 m807 m807 m807 m807 m ACIÇMMACIÇOACIÇ CENTRALCCEN ALENTRALTR FRAN ÊSFRAFRAN ÊSANCÊSNCÊS C. Finisterra M er id ia n o d e G re en w ic h Rio Tâm Rio Tâmisa Rio Tâm io Tâmis R isis N 0 205 km Fonte: elaborado com base em SIMIELLI, M. E. Geoatlas. São Paulo: Ática, 2010. p. 64. Europa Ocidental: físico E ric so n G L uc ia no /A rq ui vo d a ed ito ra a) Reveja o que signifi ca a palavra península. b) Quais são os dois países localizados na penínsu- la Ibérica? c) Qual é o nome do mar que está ao sul da pe- nínsula Ibérica e se estende até o estreito de Gibraltar? d) Que oceano banha o litoral português? 2. “O Brasil é um país soberano”. O que signifi - ca a expressão “soberano”? Explique com suas palavras. 3. Construa uma linha do tempo sobre a formação dos Estados nacionais europeus. Não é necessário utilizar escala; apenas organize os seguintes acon- tecimentos em ordem cronológica. • Fim da Revolução de Avis. • Início da Guerra dos Cem Anos. • Fim da Guerra dos Cem Anos. • Unifi cação dos reinos de Aragão e Castela. • Independência do condado Portucalense. • Conquista de Granada. • Assinatura da Magna Carta. 20 Oficina de História Refletir e ampliar 1. a) A palavra península sur- giu da junção latina de pa- ene (quase) e insula (ilha). Consiste em uma exten- são de terra quase total- mente cercada de água. b) Portugal e Espanha c) Mar Mediterrâneo. d) Oceano Atlântico. 2. Retome a noção de sobera- nia apresentada neste capí- tulo. Segundo ela, soberania é o poder que o governante detém de fazer valer suas decisões dentro do seu ter- ritório. Depois de ouvir as respostas dos alunos, é possível comentar que a so- berania é um dos funda- mentos do Estado bra- sileiro, segundo a Constitui- ção Federal de 1988. 3. A ordem cronológica dos acontecimentos é a se- guinte: Independência do conda- do Portucalense (1139) Assinatura da Magna Car- ta (1215) Início da Guerra dos Cem Anos (1337) Fim da Revolução de Avis (1385) Fim da Guerra dos Cem Anos (1453) Unificação dos reinos de Aragão e Castela (1479) Conquis ta de Granada (1492) a) Em Portugal: indepen- dência do condado Portu- calense (1139) e o fim da Revolução de Avis (1385); na Espanha: unificação dos reinos de Aragão e Castela (1479) e a conquista de Granada (1492); na Ingla- terra e França: início e fim da Guerra dos Cem Anos (1337-1453); apenas Ingla- terra: assinatura da Magna Carta (1215). b) Portugal foi o pioneiro na formação de um Esta- do centralizado. 4. Estão incorretas as frases (a) e (d). Para escrevê-las correta- mente no caderno, os alunos poderão chegar às seguintes sen- tenças: a) A Idade Moderna é um período no qual as transformações não ocorreram da mesma forma em sociedades de todos os conti- nentes. d) Os navegadores de Portugal e Espanha foram os pioneiros da expansão marítima europeia que levou à conquista da América. 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 20 10/29/18 8:39 AM 21UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR Fonte: CIA. The World Factbook. Disponível em: <https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/>; OFFICE for National Statistics. UK. Disponível em: <https://www.ons.gov.uk/>. Acesso em: 15 jan. 2017. [...] Com D. Dinis [1279-1325], o portu- guês foi adotado como língua da chancela- ria régia, [...] passo decisivo para a “oficia- lização” da língua escrita [...]. O português [...] tendo por base o latim [...] e incorpo- rando vocábulos de origem árabe, cotou- -se, pois, como um elemento fundamental para afirmar e enraizar uma identidade e uma tradição cultural próprias [...]. RAMOS, Rui (Coord.). História de Portugal. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2009. p. 132. • Em seguida, retome a questão inicial deste ca- pítulo e responda: todos os Estados nacionais se formaram da mesma maneira? 5. Leia o trecho de um texto sobre a história de Portu- gal e responda as questões. 6. Observe a tabela abaixo, que apresenta informações atuais sobre Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Brasil. Em seguida, responda às questões: População Extensão territorial (km2) Densidade demográfica (hab./km2 aprox.) Idioma oficial Portugal 10 839 514 92 090 117 português Espanha 48 958 159 505 370 96 espanhol França 62 814 233 551 500 113 francês Inglaterra 55 268 100 130 279 424 inglês Brasil 207 353 391 8 515 770 24 português Integrar com GEOGRAFIA a) Qual país apresenta a maior população e a maior extensão territorial? b) Qual país apresenta a menor população e a me- nor extensão territorial? c) Qual país apresenta a maior densidade demográíca? d) Qual país apresenta a menor densidade demográíca? e) Como a densidade demográíca é calculada? Pesquise. f) Qual informação apresentada na tabela não é quantitativa? g) Que países adotam o mesmo idioma oícial? Em seguida, responda às questões abaixo. a) Quais desses acontecimentos marcaram a cen- tralização política em Portugal, Espanha, Fran- ça e Inglaterra? b) Dentre esses países, qual foi o primeiro a se consolidar como Estado nacional? 4. Levando em conta as transformações que marca- ram o início da modernidade europeia, identiíque as frases incorretas. Depois, reescreva-as de forma correta em seu caderno. a) A Idade Moderna é um período no qual as mes- mas transformações ocorreram em sociedades de todos os continentes. b) O Estado nacional é uma construção histórica, e não um produto da natureza. c) As Guerras de Reconquista inõuenciaram a for- mação de Portugal e da Espanha. d) A França e a Inglaterra foram os pioneiros da expansão marítima europeia que levou à con- quista da América. e) Os Estados modernos valorizaram os idiomas nacionais. a) De acordo com o texto, quando o idioma por- tuguês se tornou língua oícial do Estado? b) A língua portuguesa recebeu a inõuência de quais línguas? c) Além da língua, que elementos fazem parte da identidade culturalde um povo? Reõita. 21 U n id a d e 1 M o d e rn id a d e e m o n a rq u ia s n a ci o n a is C a p ’t u lo 1 5. a) No reinado de dom Dinis (1279-1325). b) Do latim e do árabe. c) Resposta pessoal. Espe- ra-se que os alunos reco- nheçam que muitos ele- mentos fazem parte da identidade cultural de um povo, como a literatura, os hábitos alimentares, as formas de se vestir, os tipos de moradia, as for- mas de organização soci- al, entre muitos outros. Integrar com Geografia 6. a) O Brasil. b) Portugal. c) A Inglaterra. d) O Brasil. e) A densidade demográfi- ca é calculada dividindo- -se a população pela área. f) O idioma oficial. g) Portugal e Brasil. Nesta seção, são desenvol- vidas as seguintes compe- tências e habilidades da BNCC: • CG1 (atividade 2); • CG2 (atividade 6); • CCH4 (atividade 5); • CCH7 (atividade 4); • CEH2 (atividade 3); • EF07HI01 (atividade 1); • EF07HI07 (atividades 1 e 3). 7HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 21 10/29/18 8:39 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR22 2 CAPÍTULO Renascimento cultural • Você já ouviu falar na expressão histórica Renascimento? Em sua opinião, o que essa expressão significa? Troque ideias com os colegas e o professor. Investigando Entre os séculos XV e XVI, ocorreu uma renovação cultural em sociedades da Europa ocidental conhecida como Renascimento. Novas ideias, valores e atitudes surgi- ram nas artes, nas ciências e na fi losofi a. Essas ideias entravam em choque com al- guns valores da mentalidade cristã. Isso aconteceu, por exemplo, quando os as- suntos eram religião e ciência. O nascimento de Vênus, obra criada pelo pintor Sandro Botticelli entre 1483 e 1485. É considerada uma das obras-primas do Renascimento. Têmpera sobre painel, 172,5 cm 3 278,6 cm. Galeria dos Ofícios (Galleria degli Uffi zi, em italiano), Florença, Itália. 22 UNIDADE 1 Mundo moderno Objetivos do capítulo • Contextualizar a transição da mentalidade medieval para a mentalidade moder- na na Europa. • Indicar transformações sig- nificativas no modo de vida dos habitantes da Europa oci- dental a partir do século XV. • Apontar as características do humanismo renascentista. • Explicar as condições que possibilitaram o surgimen- to do Renascimento na Itália. • Indicar as obras, os temas e os artistas mais conhecidos do Renascimento nas artes plásticas, na literatura e nas ciências produzidas em di- ferentes regiões europeias. Orientações didáticas Ao longo deste capítulo tra- balharemos, sobretudo, as mu- danças culturais renascentistas por meio de uma cultura letrada capaz de expressar esses no- vos valores. Todavia, vale res- saltar que as produções histo- riográficas atuais a respeito da modernidade tentam traçar os significados dessas alterações também do ponto de vista da cultura oral, considerando o bai- xo índice de letramento das po- pulações europeias do período. Para refletir sobre essa relação particular entre o universo oral e letrado, sugerimos: BURKE, Peter. Cultura popular na idade moderna: Europa 1500-1800. São Paulo: Companhia das Le- tras, 2010. A abertura do capítulo re- produz duas imagens de obras artísticas produzidas na épo- ca do Renascimento – uma inglesa, de peça teatral de Wil- liam Shakespeare, e outra ita- liana, uma têmpera de Sandro Botticelli. No caso desta últi- ma, é possível trabalhar com os alunos seus aspectos es- téticos, seguidos de uma ten- tativa de interpretação de seu conteúdo. Como é um momen- to de perscrutar os conheci- mentos prévios deles sobre o tema, você pode deixá-los li- vres para que apresentem suas hipóteses. Caso julgue adequado, você poderá apre- sentar respostas mais fecha- das e conclusivas neste mo- mento ou orientá-los para que possam retomá-las ao longo do capítulo, como forma de um processo autoavaliativo. Correspondência dos conteúdos com a BNCC Objetos de conhecimento Habilidade Humanismos: uma nova visão de ser humano e de mundo Renascimentos artísticos e culturais EF07HI04 – Identificar as princi- pais características dos Humanis- mos e dos Renascimentos e analisar seus significados. Como sugestão para trabalhar es- se tema, acompanhe a Sequência Didática “Arte renascentista: ca- racterística” localizada no material digital do Manual do Professor. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 22 10/29/18 8:44 AM 23UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR William Shakespeare é considerado um dos maiores dramaturgos de língua inglesa. Suas obras teatrais, escritas em pleno Renascimento, são continuamente remontadas, no Brasil e no mundo. Na imagem, estudantes universitárias do País de Gales em cena durante uma montagem da peça teatral Macbeth. Fotografi a de 2016. R e p ro d u ç ã o /G a le ri a U ff iz i, F lo re n ç a , It á lia . a b e rC P C /A la m y /F o to a re n a 23 Investigando Resposta pessoal. É importante que os estudantes elaborem hipóteses e revelem seus conhecimentos. Se possível, o profes- sor pode instigá-los a pensar sobre as características da socie- dade europeia ocidental nos séculos anteriores ao Renascimen- to: O que teria mudado? Quais foram as transformações mais significativas? Leitura complementar Sobre o tema tratado nes- te capítulo, sugerimos o tex- to a seguir, reproduzido da obra O Renascimento, de Pe- ter Burke. Nele, o historiador nos ajuda a entender o “mito” em torno da ideia de Renas- cimento. Esta imagem do Renasci- mento – com R maiúsculo – remonta a meados do sé- culo XIX [...] acima de tudo, ao acadêmico suíço Jacob Burckhardt. Foi Burckhardt quem [...] definiu o período em termos de dois conceitos: “individualismo” e “moder- nidade”. “Na Idade Média”, segundo Burckhardt, “a consciência humana… re- pousava sonhadora ou se- miacordada sob um véu comum. O homem estava consciente de si próprio ape- nas como membro de uma raça, povo, partido, família, ou corporação – apenas atra- vés de uma qualquer catego- ria geral”. No entanto, na Itália do Renascimento, “es- te véu evaporou-se… o ho- mem tornou-se um indivíduo espiritual e reconheceu-se a si mesmo como tal”. O Re- nascimento significava mo- dernidade. O Italiano foi, escreveu Burckhardt, “o pri- mogênito de entre os filhos da Europa moderna” e Fran- cesco Petrarca, poeta do século XIV, foi “um dos pri- meiros homens verdadeira- mente modernos”[...]. Esta ideia de Renascimen- to é um mito. [...] Quando os historiadores se referem a “mitos”, habitualmente fa- lam de afirmações sobre o passado de algum modo en- ganadoras ou cuja falsidade se pode provar. No caso da descrição do Renascimento por parte de Burckhardt, es- tes historiadores opõem-se aos vincados contrastes que ele estabelece entre o Renas- cimento e a Idade Média, en- tre a Itália e o resto da Eu- ropa. Consideram que são contrastes exagerados uma vez que ignoram as muitas inovações produzidas na Ida- de Média, a sobrevivência de atitudes tradicionais no sé- culo XVI e mesmo mais tar- de, e o interesse italiano pela pintura e pela música de outros países, em especial dos Países Baixos. BURKE, Peter. O Renascimento. Lisboa: Texto & Grafia, 2008. p. 9-10. Competências da BNCC Competência Geral • CG1; CG2; CG3. Competência Específica de Ciências Humanas • CCH1; CCH4; CCH6. Competência Específica de História • CEH2; CEH3; CEH4; CEH6. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 23 10/29/18 8:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR24 Renovação no cotidiano Entre o final da Idade Média e o início da Idade Moderna, o modo de vida dos europeus ocidentais passou por transformações significativas. O movimen- to artístico e cultural que acompanhou essas renovações foi chamado de Renas- cimento ou Renascença. O Renascimento ocorreu principalmente nos séculos XV e XVI. Porém, foi apenas no século XIX que esse termo se difundiu entre os historiadoreseuropeus. Durante o Renascimento, intelectuais e artistas deram novos significados a valores inspirados na cultura greco-romana da Antiguidade. Alguns considera- vam que a Idade Média havia sido um período de atraso e queriam retomar a cultura da Antiguidade clássica ou greco-romana. Apesar de admirarem elementos da cultura grega e romana antigas, os renascentistas não realizaram um simples retorno à Antiguidade. Além de não ser possível uma cultura renascer fora de sua época, quase todos os renascentistas estavam influenciados pelos princípios cristãos, mesmo que desejassem renová-los. • Você admira alguma cultura do passado? Qual? Por que você a admira? Investigando R e p ro d u ç ã o /G a le ri a d a A c a d e m ia , V e n e za , It ‡ lia Neste desenho, feito em 1490, Leonardo da Vinci calculou as proporções do corpo humano de acordo com Vitrúvio, arquiteto romano do século I a.C. A obra é conhecida como Homem vitruviano e encontra-se no acervo da Galeria da Academia, em Veneza, Itália. 24 Orientações didáticas O historiador francês Jean Delumeau propõe que as ex- pressões “Idade Média” e “Re- nascimento” sejam suprimidas dos livros de História. A pro- posta radical chama a atenção para o fato de que não houve uma mudança brusca entre um e outro período histórico, nos quais a Idade Média seria tratada de forma preconcei- tuosa como uma “idade das trevas” e o Renascimento seria uma época de luz. O historia- dor trabalha com a ideia de len- ta transformação no decorrer do tempo, e não de corte brus- co. A afirmação encontra-se em: DELUMEAU, Jean. A civili- zação do Renascimento. Lis- boa: Estampa, v. 1. p. 19. Giorgio Vasari, historiador do século XVI, foi primeiro a esta- belecer uma cronologia desse movimento artístico-cultural, empregando o termo “Rinasci- ta” para se referir ao diálogo dos artistas italianos de seu tempo com o período da Antiguidade clássica. Aqui, estamos tratan- do da difusão do termo, não ape- nas da sua origem. O assunto é abordado na obra de Delu- meau, citada anteriormente. Com o movimento renascen- tista, o ser humano tornou-se figura central dos estudos cien- tíficos, da arte e da filosofia. Predominava uma reação às ideias cristãs do período me- dieval e isso se traduziu na bus- ca de um novo modelo. O Re- nascimento como expressão dessa crítica representa tanto uma continuidade dos valores da Idade Média como uma rup- tura que inovou as concepções dos europeus. A retomada da Antiguidade clássica como mo- delo precisa ser entendida em termos de idealização, e não de volta ao passado. Investigando Resposta pessoal. Espera- -se que o aluno questione os motivos que o levam a admirar determinados períodos histó- ricos e não outros. Com base nas respostas, discuta sobre as idealizações históricas fei- tas até os dias de hoje, lem- brando-os de que, muitas ve- zes, nossa visão sobre o passado revela muito dos va- lores do presente. Atividade complementar Integrar com Arte e Geografia Falar em Renascimentos e Humanismos no plural é respeitar produções particulares a cada país. Nesse sentido, sugerimos uma atividade complementar e integrada com os componentes curriculares de Artes e Geografia. Os alunos poderão ser orga- nizados em grupos para que pesquisem sobre o humanismo em lugares tais como Portugal, Espanha ou Alemanha. Em tais trabalhos, pode-se sugerir uma abordagem que destaque as especificidades, percebendo as influências da geografia local e de técnicas visuais para essas produções. O caso alemão po- de ser interessante, nesse sentido. Por meio dele, os estudan- tes poderão perceber, por exemplo, os vínculos entre o hu- manismo alemão e o italiano no trabalho de Peter Luder nas uni- versidades alemãs. Por sua vez, a especificidade alemã pode ser observada com a invenção da prensa de Johann Gutenberg e as consequências disso para a alfabetização, educação e 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 24 10/29/18 8:44 AM 25UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Os humanistas A princípio, foram chamados de humanistas os pensadores que pretendiam reformar o ensino nas universidades medievais, que era influenciado pela Igreja católica. Os cursos nessas universidades eram voltados principalmente para três áreas: Direito, Medicina e Teologia (estudo da religião e das coisas divinas). Mas, para os humanistas, a formação intelectual e profissional deveria se basear nos conhecimentos alcançados por meio dos experimentos científicos, na razão. Com base nisso, os estudos humanísticos incluíam filosofia, história, poesia e matemática. Posteriormente, também foram chamados de humanistas os escritores, pin- tores, arquitetos, professores, religiosos e cientistas que criticavam o apego das autoridades da Igreja ao catolicismo medieval. Até então, os preceitos católicos insistiam na oposição entre corpo e espírito, pecado e virtude. Com base nesse raciocínio, quem obedecia rigorosamente à Igreja católica trilhava o “caminho do bem” e podia esperar pela salvação de sua alma. Quem se desviasse dos ensinamentos da Igreja era um “pecador” que praticava o mal. Os humanistas entraram em choque com esta cultura teocêntrica, que colo- cava Deus no centro das preocupações das pessoas. Os humanistas valorizavam a cultura antropocêntrica, que enaltecia o papel do ser humano no próprio destino. Estimulavam a curiosidade pelo conhecimento, defendiam o livre-arbí- trio, a iniciativa individual e a investigação racional do mundo. Alguns humanis- tas, como Pico della Mirandola (1463-1494), argumentavam que Deus criara o ser humano dando-lhe a liberdade de construir a si mesmo. Na busca pelo conhecimento, os humanistas percorreram caminhos diferen- tes. Alguns pensadores dedicavam-se ao estudo da natureza, enquanto outros interpretavam textos da Antiguidade greco-romana — o que exigia conhe- cimento de grego e de latim, por exemplo. Eles também se expressaram de diferentes formas, através da poesia, da ciência, da pintura, da escultura, da literatura, da filosofia etc. Mas os estudos humanísticos também se esten- deram ao estudo da política por meio de pensa- dores, como Nicolau Maquiavel (1469-1527), em Florença, que se dedicou a escrever sobre teorias políticas e a forma mais eficiente de governar. Em cada região da Europa, o Humanismo re- nascentista teve características próprias. Por causa dessa diversidade, os historiadores costumam falar em Renascimentos e Humanismos, no plural. Nicolau Maquiavel, retratado por Santi di Tito (1538-1603). Foi em Florença que o filósofo, preocupado com as questões políticas de sua época, escreveu a obra O pr’ncipe (1513). Óleo sobre painel, 104 cm 3 85 cm. Palácio Vecchio, Florença, Itália. A rc h iv o I c o n o g ra fi c o , S .A ./ C o rb is /G e tt y I m a g e s 25 U n id a d e 1 R e n a s c im e n t o c u lt u r a l C a p ’t u lo 2 Orientações didáticas Uma possibilidade para o trabalho em sala de aula sobre a importância desses huma- nistas no período é a discussão sobre rupturas e permanências históricas. Primeiro, é possível observar que esses pensado- res estavam ainda fortemente ligados a uma vivência e uma interpretação do mundo como entendidas pelos medievais. Isso pode ser observado, por exemplo, pela produção de obras como O cortesão, de Bal- dassare Castiglione, publicada em 1528, ou O príncipe, de Ni- colau Maquiavel, escrito em 1513. O gênero literário ao qual Maquiavel se vinculava era ti- picamente medieval, isto é, os chamados “espelhos de prín- cipe”. Ainda que o autor tenha subvertido o modo de com- preender o comportamento dos príncipes, o pressuposto inicial não era uma ruptura ab- soluta. Em termos retóricos, era necessário falar aos seus contemporâneos consideran- do os “lugares-comuns” do dis- curso;para isso, esse discurso seria influenciado pelo pensa- mento medieval que vigorava. O texto de Castiglione, por sua vez, tem relação com tradições medievais que tratam do amor e do comportamento cortês. Com esses dois exemplos, você poderá discutir com os alunos como esse foi também um mo- mento de transição e de diálo- go com o período medieval. Ainda que conceitualmente os autores humanistas tentas- sem romper com as “trevas” de seu passado, não seria pos- sível comunicar suas ideias se isso não fosse realizado com base nos mecanismos discur- sivos e reflexivos disponíveis naquele período de transição; em outras palavras, com base nos valores da época. difusão de uma cultura letrada em toda a Europa. Além disso, o fa- tor religioso e a diferença entre uma produção humanista protes- tante ou católica também poderão ser assunto desses trabalhos. Também é possível expandir a discussão com os alunos re- lativa ao Renascimento, período marcado por muitas produções visuais de todos os tipos, por meio da seguinte instigação: se- rá que a valorização das imagens, típica de nossa sociedade contemporânea, condicionou, influenciou, nossa visão sobre o Renascimento? Observe atentamente as respostas deles e a maneira como se comportam na discussão, pois isso pode revelar muito do que eles pensam sobre o mundo em que vivem. A imagem que ilustra a página 24 pode ser trabalhada como sendo uma das representações mais claras sobre os valores em voga no Renascimento, de valorização dos preceitos estéticos da Antiguidade, que se baseavam na harmonia e na proporcionalida- de dos traços e formas. Ao mostrar o homem no centro, a obra de Leonardo da Vinci ainda nos leva a perceber a importância que a figura do ser humano tinha para os artistas renascentistas. A seção Investigando contri- bui para o desenvolvimento da competência específica CCH4. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 25 10/29/18 8:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR26 Mar Mediterrâneo Mar Negro Mar Báltico M er id ia n o d e G re en w ic h 40° N 0° OCEANO ATLÂNTICO Alcalá de Henares Montpellier Lyon Genebra Estrasburgo Basileia Lovaina Amberes Paris Leiden Cambridge Ingolstadt Tubinga Erfurt Wittenberg Heidelberg Florença Bolonha Gênova Veneza Roma Centros de difusão do Humanismo Centros de impressão Universidades N 0 420 km A Itália e o Renascimento O Renascimento surgiu na península Itálica a partir do século XIV, com destaque para as cidades de Florença, Bolonha, Gênova, Veneza e Roma. Dali difundiu-se por outras regiões da Europa. Assim surgiram importantes movimentos renascentistas em lugares como as atuais Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Holanda e Portugal. • Nos dias atuais, existe a preocupação social de promover a arte e incentivar o trabalho dos artistas? Reflita sobre o assunto com os colegas dando exemplos que justifiquem a resposta de vocês. Investigando Fonte: elaborado com base em DUBY, Georges. Atlas hist—rico mundial. Madri: Editorial Debate, 1992. p. 68. Renascimento e Humanismo na Europa Várias condições contribuíram para que o Renascimento tivesse início na pe- nínsula Itálica. Entre elas destacamos a presença de obras de arte da Roma antiga e a circulação de textos da Antiguidade clássica, como os de Aristóteles, Platão e Sê- neca. Esses textos chegaram à Itália pelos bizantinos e muçul- manos, povos com os quais os italianos mantiveram relações comerciais e culturais ao longo da Idade Média. No Renascimento, ricos co- merciantes e banqueiros ita- lianos começaram a exercer o mecenato, ou seja, a patroci- nar artistas, intelectuais e cien- tistas. Uma das famílias que se destacaram no mecenato italiano foi a dos Médici, em Florença, no século XV. Lourenço de Médici (1449-1492) foi um dos principais mecenas do Renascimento. Na imagem, ele aparece com os artistas que patrocinava, como Michelangelo. Detalhe de afresco de 1635. Palácio Pitti, Florença, Itália. R e p ro d u ç ã o /P a la zz o P it ti , S a la d i G io v a n n i d i S a n G io v a n n i, F lo re n ç a , It á lia . E ri c s o n G L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra 26 Investigando Respostas pessoais. O ob- jetivo da atividade é levar os alunos a refletir sobre o lugar da arte nos dias de hoje. Após ouvi-los, comente que existem chamadas públicas específi- cas feitas por órgãos dos go- vernos e pensadas para pro- mover a arte. Pode-se também discutir por que algumas ex- pressões artísticas são mais incentivadas do que outras. Além disso, com base nessa questão, os alunos poderão refletir sobre as manifestações artísticas que existem nas suas realidades e se elas são incen- tivadas pelo poder público, ini- ciativa privada, comunidade, etc. Também é uma ótima opor- tunidade para trabalhar con- ceitos típicos do campo ar- tístico, como os termos a- presentados na habilidade EF69AR08, estabelecendo, assim, uma proposta interdis- ciplinar com Arte. O professor pode discutir com os alunos sobre a chancela dada por crí- ticos e instituições de arte a artistas e obras, questionando: para um artista ou uma obra serem considerados de quali- dade, precisam estar em algum museu ou galeria? Atividade complementar Observando o mapa O mapa apresenta uma multiplicidade de informações que podem contribuir para a alfabetização cartográfica dos alunos. Com esse objetivo, propomos as seguintes atividades, relacionadas ao tema do capítulo. 1. Observe o mapa que trata do Renascimento e do Humanismo na Europa. Quais cidades italianas estão destacadas? Resposta: as cidades de Florença, Bolonha, Gênova, Veneza e Roma estão des- tacadas como centros urbanos ligados ao Renascimento italiano. 2. Quais universidades foram destacadas no mapa? Por que você acha que isso ocorre? Justifique. Resposta: visando discutir a difusão de ideias humanistas no período, são des- tacadas várias universidades. Ressaltem-se, por exemplo, as universidades de Cambridge, de Roma, da Bolonha, de Copenhague, entre outras. A seção Investigando contri- bui para o desenvolvimento das competências gerais e específicas CG1, CG3, CCH2 e CEH1. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 26 10/29/18 8:44 AM 27UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Artes plásticas Os temas cristãos predominavam na arte medie- val. Já os renascentistas, além da religião, aborda- ram outros assuntos em sua arte: aspectos da vida social, paisagens e cenas do cotidiano, por exemplo. Inspiravam-se em temas da mitologia clássica, mas também se interessavam pelo mundo à sua volta, investigando a natureza para melhor representá-la. Estudavam os pássaros, as plantas e, principalmen- te, os seres humanos. Vejamos, a seguir, algumas das inovações da arte renascentista. Pintura a óleo Os artistas renascentistas preocupavam-se em realizar obras duradouras. Era a busca da perenida- de, isto é, daquilo que permanece por longo tempo. Para isso, desenvolveram novos materiais, como a tinta a óleo. Esse tipo de tinta permite que o pin- tor corrija as pinceladas e os traços ao longo de seu trabalho. No final da produção, quando secam, as pinturas a óleo são mais resistentes às mudanças de temperatura e umidade. Autorretrato Durante o Renascimento, muitos artistas passaram a assinar as próprias obras, para enfatizar que a obra humana era também uma criação individual. Além disso, pintavam autorretratos ou se representavam como um dos per- sonagens da obra. Exemplo disso é o afresco A Escola de Atenas, do pintor e arquiteto italiano Rafael Sanzio (1483-1520), que será estudado mais adiante. O autorretrato era uma ma- neira de o artista estudar as fei- ções humanas e aperfeiçoar sua técnica. Os pintores alemães Albrecht Dürer (1471-1528) e Hans Holbein (c.1497-1543) fi-zeram vários autorretratos, con- siderados obras-primas nesse gênero de pintura. Baco e Ariadne, pintura de Ticiano (c. 1490-1576). 1520-1523. Óleo sobre tela, 176,5 cm 3 191 cm. Galeria Nacional, Londres, Inglaterra. Ticiano foi um pintor italiano que produziu quadros dos mais diferentes gêneros (paisagens, retratos, etc.) e temas (religiosos ou mitológicos). Afresco: é um tipo de pintura feita em paredes, tetos ou muros, em geral sobre uma base de gesso ou de argamassa. Os afrescos utilizam tintas à base de água e apresentam grande durabilidade. 1. Você tem uma assinatura para representar o seu nome? Caso não tenha, que tal criar uma agora? 2. Que características suas você considera importantes? Como você faria um autorretrato? Investigando N a ti o n a l G a lle ry C o lle c ti o n ; c o m a u to ri za ç ã o d o s a d m in is tr a d o re s d o N a ti o n a l G a lle ry , L o n d o n /C o rb is /G e tt y I m a g e s Autorretrato, pintura de Albrecht Dürer. 1500. Óleo sobre painel, 66,7 cm 3 48,9 cm. Antiga Pinacoteca, Munique, Alemanha. R e p ro d u ç ã o /A n ti g a P in a c o te c a , M u n iq u e , A le m a n h a 27 U n id a d e 1 R e n a s c im e n t o c u lt u r a l C a p ít u lo 2 Investigando Respostas pessoais. As atividades visam a estimular a cria- tividade dos alunos e promover o autoconhecimento. Sugira aos estudantes que criem autorretratos, assinem seus trabalhos e montem uma exposição com eles. Essa atividade pode ser rea- lizada em colaboração com o professor de Arte. Orientações didáticas A pintura do Renascimento pode ser interpretada como uma reação de grupos sociais emer- gentes – comerciantes e ban- queiros, por exemplo – à manei- ra como eram representados na arte medieval, que lhes dava pouca importância. Tendo enri- quecido, esses grupos passa- ram a incentivar o trabalho de artistas e a encomendar obras nas quais desejavam se ver re- presentados como as figuras centrais da sociedade. Os Médici foram uma impor- tante família burguesa da re- gião italiana da Toscana. Con- centraram grande poder po- lítico para além da sua região de origem, que governaram por séculos. Alguns papas fo- ram membros dessa família, cuja fortuna teve início no co- mércio de tecidos, “especial- mente sedas e panos, que mandavam fabricar em Flo- rença, e especiarias, amên- doas, cavalos e alúmen [uma pedra de uso medicinal], cuja produção dominavam; com- pravam na Flandres tapeçarias para a sua clientela italiana” (DELUMEAU, Jean. A civiliza- ção do Renascimento. Lisboa: Estampa. v. 1. p. 225). Nas artes plásticas é mais fácil de perceber a visão renas- centista do ser humano como centro das atenções por meio de um trabalho de análise ico- nográfica com os estudantes, conforme sugerido nas orien- tações gerais do Manual. Mui- to embora as representações humanas desse período te- nham se baseado em motivos religiosos, os retratos e as fi- guras leigas ganharam mais representatividade. É impor- tante treinar o olhar para per- ceber elementos renascentis- tas nessas obras, particu- larizando o trabalho dos diver- sos artistas. O texto “Artes plásticas” desenvol- ve a competência geral CG3. Já a seção Investigando trabalha a com- petência específica CCH1. Para contribuir para o desenvolvimento do tema, exiba o Material Audiovisual “Renascimen- to cultural: análise de obra e mudanças de padrões cul- turais” localizado no mate- rial digital do Manual do Professor. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 27 10/29/18 8:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR28 Perspectiva Os pintores renascentistas desenvolveram a técnica da perspectiva, pela qual tentavam dar uma aparência tridimensional às personagens e aos objetos representados. O objetivo da técnica era dar ao observador a ideia de que as figuras representadas tinham altura, largura e profundidade. As técnicas de pintura gótica ou as usadas pelos bizantinos eram bidimen- sionais (representavam a altura e a largura). Já a pintura renascentista, em pers- pectiva, representava as pessoas, os objetos e as paisagens buscando torná-los “mais reais” aos olhos humanos. Artistas italianos Os artistas italianos ocuparam lugar de destaque no Renascimento. Segundo o historiador Nicolau Sevcenko (1952-2014), a obra dos grandes pintores italia- nos serviu de base para o estilo renascentista e teve enorme influência na arte ocidental até o início do século XX. Vejamos alguns aspectos de três artistas renascentistas muito importantes. Leonardo da Vinci (1452-1519) foi considerado um grande huma- nista. Sua obra se estende a diversos campos: Anatomia, Engenharia, Me- cânica, Física, escultura, pintura, etc. Pintou poucas telas e afrescos, mas suas criações são consideradas obras- -primas, como A última ceia, afresco pintado num mosteiro em Milão. Além de A última Ceia, Da Vin- ci pintou quadros que se tornaram símbolos da arte ocidental, como a Mona Lisa (ou a Gioconda) e A vir- gem dos rochedos, entre outros. Tridimensional: tudo aquilo que tem ou é representado com três dimensões: altura, largura e profundidade. R e p ro d u ç ã o /M u s e u d o L o u v re , P a ri s , F ra n ç a Detalhe da pintura Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. 1503-1506. Óleo sobre painel, 77 cm 3 53 cm. Museu do Louvre, Paris, França. A obra é uma das principais atrações do Museu do Louvre, onde está exposta. Foi o próprio Da Vinci quem levou o quadro para a França, em 1516, quando foi trabalhar na corte do rei Francisco I, que comprou o retrato. A técnica da pintura em perspectiva pode ser percebida nesta imagem. 28 Orientações didáticas O estudo da perspectiva nas pinturas e na arquitetura re- nascentista pode ser uma ma- neira interessante de integrar as habilidades desenvolvidas pelo aluno em História e em Matemática, por meio dos con- teúdos sobre geometria. Esses conteúdos podem ser obser- vados por meio de composições tridimensionais, tais como a Entrega das chaves a São Pe- dro, produzida em 1481-1482 por Pietro Perugino, sob enco- menda do papa Sisto IV para a Capela Sistina, em Roma. O afresco foi composto a partir de um ponto fixo centralizado, a chamada perspectiva linear, em torno do qual o restante da obra se desdobra. Uma sequên- cia de linhas horizontais e dia- gonais cria a aparência de pro- fundidade ao convergir para um ponto fixo marcado na en- trada do edifício, no plano de fundo. A paisagem se comple- ta com um plano aéreo nas co- linas, criando a ilusão de um espaço quase infinito. No volume referente ao 6o ano, foram estudados aspec- tos da arte gótica e bizantina. Neste momento, esses con- teúdos podem ser recordados, como forma de realizar um contraponto com as obras re- nascentistas, sobretudo em relação às técnicas de pintura. Outras indicações Para aprofundar a compa- ração entre as concepções artísticas e científicas medie- vais e renascentistas, reco- mendamos a leitura do livro: SEVCENKO, Nicolau. O Renas- cimento. São Paulo: Atual, 1994. Nele, o historiador abor- da, em capítulos separados, as artes plásticas, a literatura e o teatro, além de traçar um amplo panorama do Renasci- mento na Itália e nas demais regiões da Europa. Há também esta obra: QUEI- ROZ, Tereza Aline Pereira de. O Renascimento. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1995. (Coleção Aca- dêmica). Nela, a historiadora aprofunda a análise sobre o Renascimento, incluindo um balanço historiográfico acer- ca do assunto. Atividade complementar Integrar com Matemática e Arte 1. Pesquise sobre o pintor renascentista Pietro Perugino e o afresco Entrega das chaves a São Pedro (1481-1482), loca- lizado na Capela Sistina em Roma. 2. Levante informações a respeito da perspectiva geométrica na obra. 3. Imprima uma versão da obra e, com o auxílio de papel vegetal, lápis, régua e compasso,tente traçar as linhas geométricas que compõem a pintura de Perugino. Respostas: para auxiliar os alunos, é possível utilizar as Orien- tações didáticas apresentadas nesta página. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 28 10/29/18 8:44 AM 29UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Michelangelo Buonarroti (1475-1564) foi pintor, escultor e arquiteto. Pintou afrescos na Capela Sistina, em Roma (mais tarde integrada ao Vaticano). Como escultor, produziu obras- -primas, como Moisés, Pietà e Davi. Como arquiteto, projetou a cúpula da Basílica de São Pedro, também no Vaticano. S u n _ S h in e /S h u tt e rs to ck L e e m a g e /C o rb is /G e tt y I m a g e s Moisés, escultura em mármore criada por Michelangelo. Está localizada na tumba do papa Júlio II (1443-1513), que apoiou o trabalho de diversos artistas do Renascimento. Igreja de São Pedro Acorrentado, Roma, Itália. Rafael Sanzio foi outro mestre da pintura influenciado por Leonardo da Vinci e Michelangelo. Pintou afrescos para decorar o Palácio Apostólico, projetou par- tes da Basílica de São Pedro (a partir de 1514) e pintou representações da Virgem Maria com o Menino Jesus. A seguir, na seção Painel, destacamos uma das mais importantes pinturas de Rafael, chamada A Escola de Atenas. Turistas visitam a Basílica de São Pedro, no Vaticano. Essa construção, considerada uma das mais importantes do cristianismo católico, foi projetada por diversos arquitetos renascentistas, como Michelangelo, Donato Bramante (1444-1516) e Antonio Cordiani (1484-1546). Fotografia de 2018. Pietà (em português, Piedade), uma das obras mais conhecidas de Michelangelo Buonarroti, do século XVI, representa Maria com Jesus morto em seus braços. Basílica de São Pedro, Vaticano. R e p ro d u ç ã o /M u s e u d o V a ti c a n o , C id a d e d o V a ti c a n o , It á lia . 29 U n id a d e 1 R e n a s c im e n t o c u lt u r a l C a p ’t u lo 2 Outras indicações A Capela Sistina, localizada no Vaticano, é sem dúvida um dos ícones do Renascimento italiano. Seu nome faz referên- cia ao papa Sisto IV, que con- tratou a restauração da capela entre os anos de 1477 e 1480. Os afrescos que compõem o local foram iniciados durante essa reforma e representam eventos narrados no Velho e Novo Testamento. A obra mais marcante é o teto concebido por Michelangelo a pedido do papa Júlio II, entre 1508 e 1512. É possível percorrer a capela em visita virtual, disponível no site dos Museus Vaticanos, <http://www.museivaticani. va/content/museivaticani/en/ collezioni/musei/cappella-sis tina/tour-virtuale.html>. Acesso em: 13 ago. 2018. O filme Agonia e Êxtase, diri- gido por Carol Reed em 1965, narra os conflitos entre Miche- langelo e o papa Júlio II durante a concepção do teto da Capela Sistina. Na trama, Michelangelo a princípio não aceita trabalhar na obra por se considerar um escultor e não um pintor. No en- tanto, o artista decide realizar a produção para não contrariar o desejo do papa, mas sente-se frustrado durante o processo. O filme ainda narra o contexto das guerras do período e da aproximação do pintor Rafael com o Vaticano. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 29 10/29/18 8:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR30 Painel A Escola de Atenas Rafael Sanzio pintou o afresco A Escola de Atenas (1509-1511) para decorar uma sala do Palácio do Vaticano. Cada parede dessa sala foi pintada com um tema relacionado às seguintes áreas do conhecimento humano: Teologia, Poesia, Direito e Filosofia. Rafael pintou um autorretrato representando a Filosofia. No afresco, o artista representou pensadores de diferentes períodos históricos no mes- mo espaço. É provável que ele estivesse sugerindo que as formas de pensar mudaram ao longo da história. Cada filósofo representa uma época da história do pensamento. O foco da obra está em dois personagens principais: os filósofos gregos Platão e Aristóteles. Platão foi representado apontando o dedo para cima. Aristóteles é aquele que coloca a palma da mão voltada para baixo. A representação refere-se às ideias centrais desses filósofos. Platão é considerado defensor do pensamento abstrato e teórico (mundo das ideias). Aristóteles é considerado o defensor da filosofia natural e prática (mundo concreto). Alexandre Magno (356 a.C.-323 a.C.), rei da Macedônia, ouve atentamente o filósofo Sócrates (470 a.C.-399 a.C.). 1 2 2 3030 Painel A influência dos conhecimen- tos matemáticos na obra de Rafael é marcante. Sabemos que, além de pintor, Rafael foi nomeado para o cargo de ar- quiteto papal em 1514, o que sugere um conhecimento de matemática aplicada. O pintor nasceu em 1483, na cidade de Urbino, onde também viveu um dos principais matemáticos da época, Paulus de Middelburg (1445-1533), que atuou como médico e astrólogo para o du- que de Urbino. Sugerimos, por- tanto, uma possível aproxima- ção da produção artística de Rafael com conhecimentos matemáticos muito específi- cos e fundamentais para suas composições. A seção Painel intitulada A Escola de Atenas desenvol- ve a competência geral CG3. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 30 10/29/18 8:44 AM 31UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR J o s e p h M a rt in /A lb u m /M u s e u d o V a ti c a n o , C id a d e d o V a ti c a n o , It á lia . JurateBuiviene/Shutterstock Rafael foi convidado para criar A Escola de Atenas quando tinha 25 anos de idade. Nesse afresco, ele representou a si mesmo, de boina escura e encarando o observador da obra, como um dos personagens (autorretrato). 3 4 4 3 1 Nesse cenário, a aparência de volume e de profundidade foi criada pelo uso da técnica da perspectiva. Para representar o cenário, Rafael inspirou-se na arquitetura greco-romana. 31 U n id a d e 1 R e n a s c im e n t o c u lt u r a l C a p ’t u lo 2 Painel Um dos pressupostos da obra era demonstrar a coexistência entre uma filosofia grega e uma cultura cristã europeia. Nesse sentido, a representação das figuras de Platão e Aristóteles é fundamental. Platão foi utili- zado desde os primórdios do cristianismo, por exemplo, por meio de uma filosofia platôni- co-cristã fundada na chamada Patrística (pelos primeiros pa- dres da Igreja na Antiguidade tardia). Aristóteles, por sua vez, foi amplamente apropriado co- mo autoridade por autores da Escolástica, uma filosofia de- senvolvida nas universidades medievais e que tinha o objetivo de reconciliar a filosofia antiga e a teologia cristã. Abelardo, Francisco Suarez e Tomás de Aquino são exemplos de gran- des pensadores escolásticos que promoveram tal encontro. Uma obra como a de Rafael, en- comendada por um papa e pro- duzida em um dos cômodos do Vaticano (a Stanza della Segna- tura), não é, portanto, casual. Tal afresco denota uma transi- ção histórica mais lenta entre o mundo medieval e o moderno religioso. Nesse sentido, a des- peito das inúmeras figuras clás- sicas representadas na Escola de Atenas, é preciso considerar o aspecto teológico fundamen- tal dessa encomenda, em um período no qual o laico e o reli- gioso, a ciência e a fé não esta- vam de modo algum separados em definitivo. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 31 10/29/18 8:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR32 Literatura O Renascimento alcançou também a literatura. Nessa época, o português, o espanhol, o francês e o inglês se consolidavam como línguas nacionais escritas. Essas línguas passaram a ser usadas nos textos oficiais e literários no lugar do latim, que continuou a ser usado nos textos religiosos. A seguir, vamos conhecer alguns escritores renascentistas, como o poeta português Luís Vaz de Camões (1524-1580), o escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616) e o dramaturgo inglês William Shakespeare (1564- -1616). Produzidas na época do Renascimento, as obras dessesgrandes autores trazem uma mensagem artística de alcance universal, em sintonia com os ideais do humanismo. Portugal Luís Vaz de Camões ficou conhecido por sua obra Os Lusíadas (1572), que narra a história de Portugal de forma heroica, desde sua origem até a época das Grandes Navegações, no século XV. A palavra lusíadas significa “portu- gueses” e deriva de Lusitânia, nome dado pelos antigos romanos para a região de Portugal. Nessa obra, composta de quase 9 mil versos, os heróis são o navegador Vasco da Gama (1469-1524) e o povo português. Eles vivem aventuras que mesclam acontecimentos da história de Portugal com narrativas mitológicas da Antiguida- de clássica. Ao mesmo tempo que elogia a coragem dos exploradores portugue- ses, Camões critica a ambição desenfreada ligada ao comércio marítimo. Na imagem, representação em azulejos de um episódio de Os Lus’adas. Trata-se do Gigante Adamastor, um monstro mítico que representaria as forças da natureza e os medos que os portugueses enfrentaram para realizar a expansão marítima. Esta obra está no Palácio Hotel do Buçaco, em Luso, Portugal. M a ri o n K a p la n /A la m y /F o to a re n a 32 Orientações didáticas A arte deve ser vista como documento de seu tempo, inse- rida nas relações sociais do meio em que foi produzida. Isso não significa que o artista seja um porta-voz dos acontecimentos de sua época, sem autonomia criativa em seu trabalho, mas que a arte é também um palco no qual são expostos os confli- tos, as divergências e as críticas de um tempo. Isso fica claro na literatura, por exemplo. Utilize obras literárias para abordar a expansão marítima portuguesa. Nesse sentido, su- gerimos o texto e as atividades a seguir. Sugerimos também que estas atividades sejam rea- lizadas em conjunto com o pro- fessor de Língua Portuguesa. Atividade complementar Integrar com Língua Portuguesa Localize, na internet ou em obras impressas, o Canto primeiro do poema Os lusíadas, do poeta português Luís Vaz de Camões, publicado pela primeira vez em 1572. Apresente o texto para os alunos e peça a eles que respondam às per- guntas a seguir. 1. Procure em um dicionário ou pergunte ao seu professor o significado das palavras ou das expressões que você desconhece. Depois, releia o texto. Resposta pessoal. É provável que os estudantes destaquem as palavras e/ou expressões listadas a seguir. Lusitana: portuguesa. Taprobana: ilha do Ceilão, atual Sri Lanka, limite marítimo oriental do mundo co- nhecido na época das Grandes Navegações. Novo Reino: o império português na Ásia. Sábio Grego: Ulisses, herói viajante do poema Odisseia, de Homero. Troiano: referência a Eneias, personagem do poema Eneida, de Virgílio. Alexandre: o imperador macedônio Alexandre Magno. O texto “Literatura” desen- volve a competência geral CG3. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 32 10/29/18 8:44 AM 33UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Espanha Miguel de Cervantes se destacou pela obra Dom Quixote de la Mancha (1605), que satiriza os ideais da cavalaria medieval. Seus protagonistas são Dom Qui- xote e Sancho Pança. Dom Quixote é um sonhador fascinado por histórias em que heroicos cavaleiros de- fendem os injustiçados e desamparados. Sancho Pança é mais realista e preso a valores materiais. Os dois personagens contrastantes passam por aven- turas que muitas vezes são delírios. Em um trecho da obra, Dom Quixote luta contra moinhos de vento que acredita serem gigantes. Posteriormente, a expressão “lutar contra moinhos de vento” tornou-se sinônimo de lutar contra inimigos imaginários ou impossíveis de serem vencidos. • Você já viu algum filme ou novela de televisão inspirado em obras da literatura consideradas clássicas? Qual? Relate alguns aspectos dessa história. Investigando Na imagem, cena do filme Romeu + Julieta (Estados Unidos, 1996), dirigido por Baz Luhrmann. O filme é uma recriação modernizada da obra de Shakespeare. 2 0 T H C E N T U R Y F O X /A lb u m /L a ti n s to ck H u lt o n A rc h iv e /G e tt y I m a g e s Na gravura, feita em 1863 pelo ilustrador francês Paul Gustave Doré, está representado Dom Quixote, personagem principal da obra Dom Quixote de la Mancha, e Sancho Pança, seu amigo e escudeiro. Inglaterra William Shakespeare ficou famoso por peças de teatro como Romeu e Julieta (1595), Hamlet (1601), Macbeth (c.1607) e Otelo (c.1603). Romeu e Julieta é uma história de amor entre dois jovens que são impedidos de vivê-lo por causa de desentendimentos entre suas famílias. Hamlet conta a história de um jovem príncipe que busca vingar a morte de seu pai, que foi assassinado pelo próprio irmão. Em uma das cenas desta peça, o príncipe Hamlet diz: “Ser ou não ser, eis a questão”, frase que passou a simbolizar a indecisão e a dúvida. 33 U n id a d e 1 R e n a s c im e n t o c u lt u r a l C a p ’t u lo 2 Trajano: imperador romano que governou de 98 a 117 e se tor- nou conhecido por suas conquistas militares. Neptuno (Netuno): nome romano do deus grego do oceano. Marte: nome romano do deus grego da guerra. Musa antiga: a poesia. 2. Após a releitura dos versos do poema, identifique: a) a data de sua publicação; Resposta: o poema foi publicado em 1572. b) o evento histórico que é “cantado” nos versos de Camões; Resposta: a viagem de Vasco da Gama. c) a forma como esse evento é narrado (gênero literário). Resposta: esse evento é narrado na forma de um poema épico. 3. Consulte um atlas (geográfico e/ou histórico) e localize: a) a ilha de Taprobana; Resposta: deverá ser localizado o Sri Lanka. b) os “mares nunca de antes navegados” a que o poeta se refere (considerando a localização da ilha de Taprobana). Resposta: oceano Índico. 4. Releia o texto, reflita e responda: a) Quem seria a “gente remota” entre as que edi- ficaram o Novo Reino? Resposta: povos da Áfri- ca e da Ásia. b) Na segunda estrofe, o poeta menciona as na- vegações e as vitórias de povos antigos, como os gregos e os romanos. Qual seria o objetivo des- sa referência? Discuta com os colegas. Resposta: enaltecer os feitos do povo português por suas grandes con- quistas do passado. Investigando Resposta pessoal. Após ou- vir as respostas dos alunos, discuta por que algumas his- tórias são sempre recontadas na atualidade e outras não, além de pensar como algo se torna “clássico”, por quem esse adjetivo é atribuído, em qual momento, etc. Essas questões ajudam a desenvolver conhe- cimentos a respeito da cons- trução histórica, evitando que as informações sejam mera- mente reproduzidas sem refle- xão pelos estudantes. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 33 10/29/18 8:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR34 Ciências No Renascimento, muitos cientistas dedicavam-se a observar fenômenos na- turais, fazer experimentos, propor hipóteses, testá-las e reavaliá-las. O próprio Leonardo da Vinci defendia que repetir ensinamentos do passado sem uma ve- rificação pessoal significava apenas valorizar a memória e não o entendimento verdadeiro dos fenômenos do mundo. A seguir, vamos conhecer cientistas daquela época que contribuíram para o desenvolvimento da Anatomia e da Astronomia. Por seus métodos e descober- tas, muitos desses cientistas foram perseguidos e punidos pela Igreja. • Em sua opinião, existe diferença entre memorizar e entender um assunto? Formule hipóteses para responder a essa questão. Investigando Anatomia: Vesálio e Servet Anatomia é o estudo das estruturas dos seres vivos. Estruturas que hoje co- nhecemos como sistemas, órgãos e tecidos. Um dos principais métodos para realizar esses estudos é a dissecação. Dissecar consiste em separar as partes de um organismo com o objetivo de estudá-las. Entre os séculos XV e XVI muitos humanistas se interessaram pelos estudos de Anatomia. As dissecações despertavam o interesse de artistas e cientistas.Porém, na época, a dissecação de cadáveres era combatida por teólogos cris- tãos, que entravam em conflito com os humanistas. A lin a ri /B ri d g e m a n I m a g e s /E a s y p ix B ra s il/ B ib lio te c a d o I n s ti tu to d a F ra n ç a , P a ri s , F ra n ç a . Ilustração do Codex Atlanticus, de Leonardo da Vinci, feita por volta de 1488. Nesta reprodução, vemos um esboço de suas máquinas de voar. O desenho tem características daquilo que, séculos depois, viria a ser o helicóptero. Biblioteca Ambrosiana, Milão, Itália. 34 Orientações didáticas As perseguições se tornam mais pronunciadas após o Con- cílio de Trento (1545-1563), com a publicação de uma versão re- visada do Índice de Livros Proi- bidos (Index Librorum Prohibi- torum), isto é, um impresso que continha os títulos de obras con- sideradas capazes de corrom- per os fiéis pelo modo como se opunham às doutrinas católicas. No mesmo período ocorria a reestruturação das Inquisições em Portugal, Espanha e Itália. As discussões científicas do período, muitas vezes, entra- vam em contradição com a lite- ralidade e a verdade absoluta da Bíblia, algo que não seria fa- cilmente superado. No século XVI, pessoas que lessem a Bíblia e dela tirassem conclusões que não fossem as permitidas e autorizadas pela Igreja católica sofriam perse- guições, sobretudo pela Inqui- sição. Esse foi o caso do mo- leiro Menocchio, que na Itália seiscentista lia as escrituras sagradas e dela tirava inter- pretações próprias, que mis- turava com antigas tradições da cultura oral da região onde ele vivia (ao norte da atual Itá- lia), tendo sido, por isso, per- seguido por inquisidores. Você pode trabalhar alguns trechos da obra que narra essa histó- ria: GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes. São Paulo: Com- panhia de Bolso, 2006. Aqui temos acesso somen- te a uma página do Codex Atlan- ticus. No entanto, a obra é com- posta de 1 119 fólios nos quais estão dispostos desenhos e textos de Leonardo da Vinci que datam de 1478, período em que o pensador renascen- tista ainda trabalhava na Tos- cana, até 1519, quando morreu na França. Entre os assuntos abordados estão, por exemplo, mecânica, hidráulica, mate- mática e astronomia, além de esboços para produções nas artes visuais e textos filosófi- cos. Você pode sugerir aos alu- nos uma pesquisa sobre esse documento, tendo em vista as várias áreas trabalhadas por Leonardo, algo que demonstra a diversidade dos interesses de pensadores como ele. Investigando Tema para reflexão. A atividade é uma oportunidade para que o professor e os estudantes conversem sobre a avaliação em Histó- ria. Cada vez mais, as teorias pedagógicas enfatizam que a apren- dizagem deve ser significativa e que a simples memorização não propicia uma formação adequada às novas demandas sociais. A formação de estudantes críticos, conscientes e criativos é construída por meio de atividades contínuas que contemplem as diversas habilidades cognitivas. É fundamental que o aluno com- preenda, portanto, que o aprendizado não é mera transmissão de conhecimento. Ele envolve uma troca entre educador e educando e deve considerar as diferenças entre os sujeitos e sua realidade social de forma ética e responsável. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 34 10/29/18 8:44 AM 35UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Em 1543 foi publicado Da organização do corpo humano, um dos mais com- pletos livros de Anatomia humana escritos até aquele momento, de autoria do belga André Vesálio (1514-1564). Vesálio é considerado o fundador dos estu- dos modernos de Anatomia humana. Ele havia estudado Anatomia por meio da dissecação de cadáveres. Seus estudos ajudaram a superar ideias equivocadas a respeito do funcionamento do corpo humano e contribuíram para desenvolver novos procedimentos cirúrgicos. O médico espanhol Miguel de Servet (1511-1553) também utilizou a dis- secação para estudar a anatomia humana. Ele foi o primeiro a descrever a cir- culação do sangue nos pulmões. Tanto Vesálio como Servet escreveram suas obras a partir de ideias renascen- tistas, tendo o homem como centro de suas preocupações. Ambos foram per- seguidos por autoridades religiosas, que desaprovavam esses estudos. Vesálio vivia em Madri quando foi condenado pela Inquisição espanhola. Já Servet foi preso em Genebra, na Suíça, pelos reformadores do cristianismo, sendo quei- mado por ordem desses religiosos em 1553. Nas imagens, páginas de um manuscrito feito por Da Vinci com estudos da anatomia dos membros superiores. Ele fazia os desenhos com base na observação de cadáveres dissecados. Castelo de Windsor, Inglaterra. Astronomia: Copérnico e Galileu O astrônomo e sacerdote polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) propôs a teoria heliocêntrica, segundo a qual a Terra e outros planetas se movem em torno do Sol. Essa teoria contrariava a interpretação bíblica da época, pela qual o Sol se movia em torno da Terra (teoria geocêntrica). Copérnico evitou divulgar suas ideias porque temia a reação das autoridades católicas. Seu livro, intitulado Da revolução de esferas celestes, foi publicado no ano de sua morte (1543), provocando indignação entre os religiosos. R e p ro d u ç ã o /B ib lio te c a R e a l, C a s te lo d e W in d s o r, B e rk s h ir e , In g la te rr a 35 U n id a d e 1 R e n a s c im e n t o c u lt u r a l C a p ít u lo 2 Outras indicações Para um aprofundamento sobre a ciência no período, sugeri- mos a minissérie biográfica A vida de Leonardo da Vinci, produ- zida pela emissora Radiotelevisione Italiana (RAI) e dirigida por Renato Castellani, em 1971. A série foi filmada em locais pelos quais Da Vinci circulou em vida e conta com uma extensa pes- quisa sobre a sua produção artística, bem como suas invenções e experimentos no campo da anatomia humana. Outras indicações Para pensarmos a História da Ciência e, em particular, do renascimento científico, é pre- ciso ter em vista o ambiente de crescente urbanização e o au- mento populacional. Os indiví- duos contribuíram imensamen- te para o avanço científico, na medida em que desempenha- ram suas funções diárias como artesãos, mineradores ou me- cânicos. Nesse sentido, apon- ta Júlio Cesar Zandonaidi, o tra- balho e a experiência adquirida nos ofícios existentes naquele período também dizem respei- to à ciência. Além disso, a his- toriografia que trata do tema tem discutido como a necessi- dade e o desejo de contabilizar a vida influenciaram nos de- senvolvimentos tecnológicos. Foi nesse período, por exemplo, que teorias matemáticas anti- gas foram debatidas e os indi- víduos comuns passaram a contabilizar o tempo, a distân- cia, as fortunas, etc. Também foram marcantes os avanços no transporte, nas comunica- ções e na produção de alimen- tos, devido às novas demandas sociais europeias e a relação com a conquista da América. Essa perspectiva aponta, então, para uma participação social no que diz respeito aos procedi- mentos técnico-científicos. Tal interpretação coloca a ciência como uma resposta às ques- tões sociais mais amplas e não como algo que ocorria mera- mente nas mentes de uma eli- te renascentista do período. Referência para discussão: ZANDONAIDI, Júlio Cesar. Renas- cença e História da Ciência: uma análise comparativa de tendên- cias historiográficas e a contri- buição de Antonio Beltrán. Dis- sertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Univer- sidade de São Paulo, 2016. Dis- ponível em: <http://www.teses. usp.br/teses/disponiveis/8/ 8138/tde-13022017-125023/ pt-br.php>. Acesso em: 13 ago. 2018. O texto “Ciências” trabalha a competência específica CEH4. Já a seção Investigan- do contribui para o desenvol- vimento da competência geral CG2. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 35 10/29/18 8:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR36 Posteriormente, analisandoa teoria de Copérnico, cientistas como o alemão Johannes Kepler (1571-1630) e o italiano Galileu Galilei (1564-1642) pas- saram a defendê-la. Por isso, Galileu também foi acusado de heresia pelas au- toridades católicas. Ele negou publicamente suas convicções para livrar-se da pena de morte. Atualmente, em vários países, a religião exerce menos influência sobre as pesquisas científicas. No entanto, algumas pesquisas ainda geram polêmicas. É o caso, por exemplo, daquelas feitas com células-tronco, que podem ajudar no tratamento de pessoas afetadas por doenças ou lesões nos órgãos. No Brasil, as pesquisas com células-tronco foram autorizadas pela Justiça em 2008, mas esse assunto continua dividindo opiniões. Na imagem, grande esfera do século XVI representando a teoria geocêntrica, à qual Galileu se opunha. Galileu Galilei foi um dos maiores astrônomos da história. Em 1992, o papa João Paulo II reconheceu que a Igreja católica errou ao condená-lo. Museu Galileu, em Florença, Itália. Fotografia de 2017. A tl a n ti d e P h o to tr a v e l/ C o rb is /G e tt y I m a g e s 36 Orientações didáticas Sabe-se que Galileu sofreu diversas repreensões por parte da Igreja católica ao longo de sua vida. Em 1587, por exemplo, ao falar sobre o Inferno de Dan- te a pedido da Academia Floren- tina, Galileu questionou as evi- dências a respeito de tal lugar, indicando que mesmo a Bíblia não apresentava informações rigorosas sobre o assunto, co- mentário que desagradou a Igre- ja. No que concerne ao proces- so inquisitorial (1633) movido contra Galileu, os autores Amíl- car Baiardi, Alex Vieira dos San- tos e Wellington Gil Rodrigues apontam que tal processo ba- seava-se “na visão cosmológi- ca aristotélica, com mediação da construção ontológica de Tomás de Aquino. Esta constru- ção consistia em um complexo desenvolvimento de argumen- tos com chave explicativa para todas as coisas e fenômenos e exibia a presunção de que se havia chegado a um termo ideal, a uma convergência entre a bus- ca do saber e o entendimento da ordem natural estabelecida por Deus. Esta visão oficial da Igreja católica se opunha a to- das as novas descobertas cien- tíficas que contrariassem a or- dem universal nela sugerida”. Como sabemos, a Igreja católi- ca reconheceu a importância de Galileu somente em 31 de outubro 1992, pelo papa João Paulo II, em meio às diversas tentativas de aproximação en- tre a fé católica e o mundo laico empreendidas por esse papa. Outras indicações BAIARDI, Amílcar et al. Proces- sos cavilosos, sentença vinga- tiva e abjura humilhante: o caso Galileu. Cadernos de História da Ciência – Instituto Butantan, v. VIII, jul./dez. 2012, p. 191. Dis- ponível em: <https://biblioteca digital.butantan.gov.br/arqui vos/35/PDF/v08n02a01.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2018. Outras indicações Para compreender a Astronomia na atualidade, você poderá uti- lizar a série documental Cosmos: uma odisseia do espaço-tempo (Cosmos: A Spacetime Odyssey). A série estreou em março de 2014 nos EUA e conta com 13 episódios (cerca de 44 minutos cada), que são narrados pelo físico Neil deGrasse Tyson. Nela, discute-se o processo de formação do universo e do planeta Terra, oferecendo reflexões sobre eventos que ocorreram há milhões de anos e que conformaram o planeta na atualidade. Além disso, há uma discus- são sobre o que se espera do futuro e o que pensaram os grandes cientistas ao longo do tempo. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 36 10/29/18 8:44 AM 37UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Galileu, o telescópio e a Astronomia O Sol e a Lua podem ser observados a olho nu, isto é, sem equipamento especial. Mas até o Renas- cimento, pouco se sabia sobre outros corpos celestes, como planetas e estrelas. Em 1608, o holandês Hans Lippershey (1570-1619) inventou o telescópio. Nessa época, Galileu Galilei, que vivia em Veneza, teve notícia dessa invenção e ficou fascinado com a possibilidade de usar o telescópio para observar os corpos celestes. Construiu, então, um telescópio capaz de ampliar vinte vezes o objeto observado. Era o início de uma revolução para a Astronomia. Galileu foi o primeiro a elaborar um mapa da Lua, demonstrando que ela não é lisa, mas tem relevo acidentado. Ele descobriu também alguns satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e as manchas na superfície do Sol. Atualmente, com o desenvolvimento de instrumentos sofisticados, como satélites artificiais e teles- cópios supersensíveis, podemos observar imagens dos planetas do Sistema Solar e de estrelas distantes. Outras HISTÓRIAS O telescópio FAST, localizado em Guizhou, na China, é, atualmente, o maior radiotelescópio em operação no mundo. O equipamento é utilizado para estudar as ondas de rádio emitidas pelos corpos celestes. Fotografia de 2018. Faça no cadernoAtividade • Você já viu imagens de planetas do Sistema Solar? De quais? O que mais chamou sua atenção nessas imagens? L iu X u /X in h u a /A g ê n c ia F ra n c e -P re s s e 37 U ni d ad e 1 R e n a sc im e n to c u lt u ra l C ap ít ul o 2 Outras indicações Para um aprofundamento sobre a vida de Galileu, recomen- damos a série documental Galileu: a batalha pelo céu, produ- zida em 2002, dirigida por Peter Jones e roteirizada por Dava Sobel. A obra narra as modernas descobertas de Galileu e suas dificuldades com as autoridades da Igreja católica, que não aceitavam essas inovações. A série foi baseada no livro de Dava Sobel sobre a f ilha de Galileu (Galileo’s Daughter), Maria Celeste, uma noviça enclausurada que deixou corres- pondências importantes para a compreensão da história da ciência no século XVII. Outras Histórias O objetivo da atividade é ins- tigar a curiosidade científica dos estudantes e estimular uma re- flexão a respeito do tema. Além disso, o aluno poderá observar como os equipamentos moder- nos e as pesquisas relacionadas a Astronomia na atualidade são particularmente devedoras des- ses pensadores modernos, su- jeitos que desafiaram o modo de pensar do período em seus es- tudos pioneiros sobre a ciência. Nesse sentido, a atividade pode auxiliar em uma discussão sobre a ampla necessidade de estudo, experimento e pesquisa para que determinadas soluções se- jam apresentadas. Espera-se que os alunos percebam, por- tanto, como o conhecimento não aparece de modo “dado” em suas realidades, mas é fruto do traba- lho de pesquisadores ao redor do mundo. Uma mera imagem de planetas do sistema solar ana- lisada hoje só é possível graças ao acúmulo de trabalhos reali- zados ao longo dos séculos. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 37 10/29/18 8:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR38 Oficina de HISTÓRIAOficina de HISTÓRIA Faça no caderno 1. Mapas conceituais são esquemas que organizam e relacionam as ideias centrais de um texto. Um mes- mo texto pode originar diferentes mapas concei- tuais, de acordo com cada interpretação. Pensando nisso, construa um mapa conceitual baseado em um dos textos deste capítulo. Para isso, observe o modelo abaixo e siga as orientações ao lado. a) Leia o texto procurando identiçcar suas ideias centrais. b) Selecione palavras-chave que sintetizam essas ideias centrais. c) Relacione uma palavra-chave com outra utili- zando setas e frases. Destaque as palavras-cha- ve com diferentes formas geométricas e cores. d) Crie um título para seu mapa conceitual. Refletir e ampliar O Renascimento assinala o florescimen- to de um longo processo anterior de produ- ção, circulação e acumulação de recursos econômicos, desencadeado desde a Baixa Idade Média. São os excedentes dessa ati- vidade crescente em progressão maciça que serão utilizados para financiar, man- ter e estimular uma ativação econômica. Surge assim a sociedade dos mercadores, organizada por princípios como a liberda- de de iniciativa, a cobiça e a potencialida- de do homem, compreendidocomo senhor 2. Leia o trecho de uma entrevista com o historiador Nicolau Sevcenko e responda às questões a seguir: todo-poderoso da natureza, destinado a dominá-la e submetê-la à sua vontade. O Renascimento, portanto, é a emanação [resultante] da riqueza e da abundância, e seus maiores compromissos serão para com ela. SEVCENKO, Nicolau. O Renascimento. São Paulo: Atual, 1994. p. 3. a) Segundo o texto, quais princípios regem a so- ciedade que surge no çnal da Idade Média? b) Esses princípios estão presentes no Renasci- mento? Explique. c) Por que Sevcenko açrma que o Renascimento esta- va comprometido com a riqueza e a abundância? Mundo Moderno e Renascimento Capitalismo Burguesia Renascimento Artes, ciências e tecnologias Reformas religiosas Novas igrejas cristãs Grandes Navegações Conquista da América Estados nacionais Poder dos reis É UM PERÍODO MARCADO pelo desenvolvimento do pela formação dos e pela ascensão da e pelo fortalecimento do que renovou as que deram origem a que viabilizaram a pelo pelas pelas MODERNIDADE 38 Oficina de História Refletir e ampliar 1. Produção pessoal. Para a produção do mapa concei- tual, espera-se que o alu- no perceba a centralidade de alguns conceitos abor- dados ao longo do capítu- lo, entre eles: cultura, liberdade, artes e ciên- cias. Em seguida, o aluno poderá criar relações pos- síveis sobre os temas e propor um título que lhe pareça mais adequado. 2. a) O texto aponta para um longo processo em torno da produção, circulação e acumulação dos recursos financeiros que já existia na Baixa Idade Média. Ti- nha-se, por princípios, a liberdade de iniciativa, a cobiça e a potencialidade do homem. b) De acordo com o autor, esses princípios se tornam ainda mais agressivos no Renascimento por meio da percepção de um homem todo-poderoso e destinado a dominar a natureza. A ex- pansão marítima, por exem- plo, pode ser entendida como um aspecto dessa percepção. c) Por conta da acumulação de recursos econômicos e dos princípios já citados, o autor aponta como o com- prometimento do indivíduo renascentista era enviesa- do. Tal ideia é apresentada de modo a questionar as noções romantizadas so- bre esse período. 3. Produção livre na qual se espera que os estudantes mobilizem os conhecimen- tos aprendidos. A proposta também oferece a possibi- lidade aos alunos de se tor- narem ativos no processo de avaliação, ao permitir que troquem informações com base nas respostas dadas por eles. Nesta seção, são desenvol- vidas as seguintes compe- tências e habilidades da BNCC: • CG1 (atividade 5); • CG2 (atividades 3, 5 e 6); • CG3 (atividade 6); • CEH2 (atividade 2); • CEH3 (atividades 4 e 6). 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 38 10/29/18 8:44 AM euri_p Destacar euri_p Destacar 39UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR 3. Elabore uma pergunta sobre o Renascimento. De- pois, troque de caderno com um colega. Ele res- ponderá à sua pergunta e você responderá à dele. 4. Leia, ao lado, um texto escrito por Leonardo da Vinci e faça o que se pede: a) Qual é a comparação estabelecida na primeira frase? Explique-a. b) Segundo o texto, como um caso particular pode ser transformado em regra? c) Relacione o texto com as novas práticas adota- das pelos cientistas do Renascimento. Aqueles que se entregam à prática sem ciência são como o navegador que embar- ca em um navio sem leme nem bússola. Sempre a prática deve fundamentar-se em boa teoria. Antes de fazer de um caso [par- ticular] uma regra geral, experimente-o duas ou três vezes e verifique se as expe- riências produzem os mesmos efeitos. [...] DA VINCI, Leonardo. Carnets. In: FEITOSA, Elisa Geralda et al. Filosofia: alguns de seus caminhos no Ocidente. São Paulo: Baraúna, 2014. p. 276. 5. A palavra renascimento é formada pela junção do prefi xo re- com o substantivo nascimento. O prefi xo re- signifi ca “repetição, intensidade ou movimento para trás”. Ele está presente em palavras como reco- meçar, requentar, retornar. a) Você conhece outras palavras formadas pelo prefi xo re-? Quais? b) Qual é o signifi cado da palavra renascer? Ela- bore uma frase com essa palavra. Integrar com LÍNGUA PORTUGUESA Integrar com ARTE 6. Observe as obras a seguir e responda às questões. Madonna del Granduca, pintura de Rafael Sanzio. 1504. Óleo sobre painel, 84 cm 3 55 cm. Palácio Pitti, em Florença, Itália. Madonna Rucellai, pintura do artista italiano Duccio di Buoninsegna (1255-1319). c. 1285. Têmpera sobre madeira com fundo de ouro, 450 cm 3 290 cm. Galeria dos Ofícios, Florença, Itália. R e p ro d u ç ã o /G a le ri a U ff iz i, F lo re n ç a , It á lia . R e p ro d u ç ã o /P a lá c io P it ti , F lo re n ç a , It á lia . a) Quem são os autores de cada obra? Quando elas foram produzidas? b) Que cores foram utilizadas em cada uma delas? c) Qual obra apresenta traçados bem defi nidos? E perspectiva? d) De que obra você mais gosta? Por quê? 39 U n id ad e 1 R e n a s c im e n t o c u lt u r a l C ap ít u lo 2 4. a) Estabelece-se uma comparação entre a prática científica e a navegação, sendo que ambas necessitam de instrumentos específicos para existirem: a ciência necessita da experimen- tação; a navegação, de lemes e bússolas. b) Somente após diversos experimentos, a fim de averiguar a recorrência dos efeitos, é que um caso particular pode se tor- nar regra. c) O texto aponta para a importância dada pelos renascentis- tas à observação de fenômenos naturais, à experimentação e às hipóteses que poderiam ser testadas e reavaliadas. Integrar com Língua Portuguesa 5. a) Existem vários exemplos de palavras formadas pelo prefixo re-. Entre elas, po- demos citar: rever, reler, reviver, revigorar, redobrar, reagir, rebater, etc. b) A versão eletrônica do Dicionário Houaiss da Lín- gua Portuguesa define re- nascer como: 1 (int.) nascer de novo (verdadeiramente ou na aparência). 2 (int.) crescer de novo; germinar de novo. 3 (int.) recuperar forças; renovar-se. 4 (int.) adquirir novo ímpeto; entrar em pro- cesso de recuperação. 5 (int.) passar por pro- cesso de reabilitação; corrigir-se. 6 (int.) tornar-se mais moço ou dar a impres- são de ter rejuvenescido; remoçar, rejuvenescer. 7 (int.) surgir novamente, desabrochar outra vez; ressurgir, reaparecer. Integrar com Arte 6. a) Autoria das obras: Duc- cio di Buoninsegna e Rafael Sanzio, respectivamente. b) Na obra de Buoninsegna, predominam tons de doura- do e azul. Já na obra de San- zio, o fundo preto contrasta fortemente com o bege, o azul e o vermelho dos per- sonagens. c) A Madonna Rucellai apre- senta características da arte bizantina, como traçados bem definidos e ausência de profundidade. Já a Madonna del Granduca é um exemplo típico da arte renascentista, na qual os artistas procura- vam dar volume e profundi- dade às imagens. d) Resposta pessoal, a ser justificada. O objetivo dessa atividade é estimular os alu- nos a refletir sobre seus pró- prios gostos artísticos e a respeitar as preferências estéticas de seus colegas. 7HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 39 10/29/18 8:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR40 3 CAPÍTULO Reformas religiosas Cerca de 30% da população mundial é composta de cristãos. Os ramos mais numerosos do cristianismo são formados por católicos, protestantes e ortodoxos. Os protestantes surgiram no século XVI. Naquela época, vários grupos cristãos romperam com a Igreja católica devido a fatores religiosos, sociais, políticos, eco- nômicos e culturais. Neste capítulo, vamos conhecer um pouco da história das rupturas no cristia- nismo na época moderna. • Quais são os significados das palavras reformar e protestar? Escreva uma frase utilizando a palavra reforma e outra frase utilizando a palavra protesto. Investigando C ra ig S te n n e tt/A la m y /F o to a re n a 40 UNIDADE 1 Mundo moderno Objetivos do capítulo • Contextualizar o momento de uma importante ruptura política e religiosa na Euro- pa dos tempos modernos, entendendo política e reli- gião como aspectos não desvinculados entre si. • Indicar o conteúdo das crí- ticas às práticas do clero católico. • Refletir sobre as transfor- mações técnicas do período como possibilitadoras da di- fusão do conhecimento por meio dos textos impressos. • Compreender os vínculos entre a formação dos Esta- dos modernos e as ques- tões religiosas. • Apontar as especificidades do processo da Reforma re- ligiosa que levaram à forma- ção de diferentes confis- sões em diversos países da Europa. Investigando É importante que os estu- dantes pensem sobre os sig- nificados das palavras e os contextos em que são utiliza- das hoje. No dicionário, podem encontrar os seguintes signi- ficados: (a) reformar: recons- truir, corrigir, retificar, melho- rar, aprimorar; (b) protestar: rebelar-se, insurgir-se, asse- gurar, afirmar. Recomendamos explicar que a expressão “Reforma re- ligiosa” identifica um movi- mento religioso do século XVI, cujos membros se rebe- laram contra a Igreja católica, propondo mudanças que aba- lavam a estrutura de poder dessa instituição. Vale desta- car que as críticas à Igreja ca- tólica não surgiram apenas naquele momento, mas vi- nham sendo gestadas alguns séculos antes, com mais força a partir dos séculos XI e XII. Contudo, tais movimentos não visavam romper com a Igreja católica, e sim reestru- turá-la internamente, como será mencionado nas Orienta- ções didáticas, logo a seguir. Correspondência dos conteúdos com a BNCC Objeto de conhecimento Habilidade Reformas religiosas: a cristandade fragmentada EF07HI05 – Identificar e relacionar as vinculações entre as reformas religiosas e os processos culturais e sociais do período moderno na Europa e na América. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 40 10/29/18 8:45 AM 41UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR Vista da Igreja-Castelo (Schlosskirche, em alemão), na cidade de Wittenberg, na atual Alemanha. Em 1517, Martinho Lutero afixou nas portas dessa igreja suas 95 teses criticando a Igreja católica. Atualmente, essa Igreja-Castelo é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Fotografia de 2017. 41 Orientações didáticas Neste capítulo, serão aborda- das as principais consequên- cias da fragmentação da cris- tandade que ocorreram a partir do século XVI, além de outros importantes acontecimentos, como o desenvolvimento da ti- pografia por Gutenberg, a crítica à conduta dos sacerdotes, as concepções religiosas de Marti- nho Lutero, a busca por valores morais mais condizentes com as práticas da burguesia e a for- mação dos Estados nacionais. Na porção ocidental da Europa, a Reforma protestante acen- tuou a perda do poder do clero católico, dividindo ainda mais os fiéis cristãos, tanto de forma política quanto espiritual. Cabe também ressaltar que, neste capítulo, privilegiamos as Reformas do século XVI, mas houve importantes movimen- tos de contestação do catolicis- mo na Europa, pelo menos, des- de o século XII. Alguns precur- sores podem ser mencionados, como os cátaros (século XII), John Wycliffe (século XIV) e Jan Huss (século XV). Além disso, no decorrer do li- vro, haverá vários momentos propícios à criação do hábito positivo de estimular os estu- dantes na busca de fontes con- fiáveis para suas pesquisas. Neste caso, sugerimos a pes- quisa de dados a respeito de outras religiões monoteístas para construir uma perspecti- va mais global da situação das religiões no mundo de hoje. Competências da BNCC Competência Geral • CG1; CG2; CG3. Competência Específica de Ciências Humanas • CCH1; CCH4; CCH6. Competência Específica de História • CEH2; CEH3; CEH4; CEH6. A seção Investigando desen- volve a competência geral CG2. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 41 10/29/18 8:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR42 Da crítica à ruptura cristã Os seguidores do cristianismo nem sempre formaram um grupo homogê- neo. No século XI, por exemplo, ocorreu a separação entre a Igreja católica do Ocidente (com sede em Roma) e a Igreja católica do Oriente (com sede em Constantinopla), também conhecida como Igreja ortodoxa. Atualmente, a Igreja ortodoxa possui cerca de 250 milhões de seguidores em vários países, sobretudo da Europa oriental e da Ásia – como Romênia e Rússia. Durante a Idade Média, a Igreja católica se fortaleceu como instituição re- ligiosa na Europa. Seus membros e influência estavam presentes em várias dimensões da vida social, como a cultura, a economia e a política. Quem dis- cordasse dos pontos fundamentais estabelecidos pela Igreja (dogmas) corria o risco de ser severamente punido. Por isso, embora tenha havido críticas à Igreja, elas não avançavam. Porém, no século XVI, o avanço das críticas à Igreja católica do Ocidente deu início ao processo de ruptura que conhecemos como Reforma protestante. Como estudaremos neste capítulo, nesse momento destacaram-se as se- guintes mudanças: • o aperfeiçoamento da tipografia por Gutenberg; • a crítica à conduta dos sacerdotes; • a busca por valores morais mais condizentes com as práticas da burguesia; • a formação dos Estados nacionais. Difusão da Bíblia A Bíblia é o livro sagrado do cristianismo. Durante o período medieval, esse livro era interpretado principalmente por autoridades da Igreja católica. Até o século XV, existiam poucos exemplares da Bíblia, que eram copiados à mão e custavam muito caro. Isso mudou quando o alemão Johann Gu- tenberg (1398-1468) desenvolveu um proces- so de impressão com tipos móveis de metal, que conheceremos melhor no Painel das pági- nas 46 e 47. Esse processo de impressão possi- bilitou que livros fossem produzidos com mais rapidez, em maiores quantidades e por um va- lor mais acessível. 1. Você gosta de ler? O que costuma ler? 2. Qual é seu livro favorito? Por quê? Investigando Detalhe do Livro do Gênesis de Bíblia manuscrita, produzida no século XII. Bíblia de Souvigny. Biblioteca Municipal de Moulins, França. G . D a g li O rt i/ D e A g o s ti n i/ G lo w I m a g e s /B ib lio te c a M u n ic ip a l d e M o u lin s , F ra n ç a . 42 Orientações didáticas Neste capítulo será aborda- da a invenção da tipografia e suas técnicas. É importante que seja ressaltado aos estu- dantes como a tipografia alte- rou a circulação de informa- ções no período, pois fa- voreceu o fluxo de ideias, tex- tos e conhecimentos, além de corroborar as transformações religiosas do período por am- pliar o acesso à Bíblia, por exemplo. Se considerar opor- tuno, apresente à turma a Bí- blia tipografada por Guten- berg, disponível no seguinte endereço eletrônico: <https:// www.wdl.org/pt/item/4102/>, acesso em: 13 ago. 2018. Aproveite esse momento para problematizar a importância da preservação desse material e a ideia de documento históri- co. Contudo, por se tratar do li- vro mais sagrado do cristianis- mo, as discussões em torno da Bíblia precisam ser feitas com cuidado, para não afetar sensi- bilidades e crenças dos alunos. Assim, recomendamos condu- zir a abordagem de modo que fique claro que a Bíblia, assim como qualquer outro texto es- crito, é uma fonte documental valiosa para o estudo do pas- sado e que não cabe aos pes- quisadores reforçar ou colocar crenças em dúvida. O que se busca com esse estudo são in- dícios para compreender me- lhor os povos que, de alguma forma, relacionam-se com os textos bíblicos. Investigando As questões 1 e 2 têm por objetivo estimular o hábito da leitura em estudantes que já o praticam e, sobretudo, naque- les que declararem não gostar de ler. Ao indagar sobre o livro favorito, peça a alguns alunos que contem algo sobre a obra, como um breve resumo. Insti- gue-os a trocarem impressõ- es, buscarem relaçõescom ou- tras obras literárias, relaciona- rem-nas a eventuais adapta- ções cinematográficas, ten- tarem estabelecer vínculos com elementos extratextuais. Caso ache pertinente, aprovei- te a situação e fomente a cria- ção de um círculo de leitura, no qual, de comum acordo, eles deverão escolher determinada obra para que seja lida em um prazo estipulado, findo o qual eles se encontrarão para tro- car impressões. Leitura complementar No que concerne à importância das novas interpretações bíblicas e, sobretudo, aos livros proféticos, o historiador inglês Christopher Hill comenta: A erudição protestante desmascarou muitas superstições cató- licas e popularizou a Bíblia nas línguas vernáculas. Da mesma forma, o estudo pelos protestantes dos livros proféticos da Bíblia visava a dar base racional à ciência da profecia. [...] A invenção da imprensa, proporcionando um registro permanente das profecias, talvez tenha contribuído para a denúncia de suas ambiguidades e falácias. A sensação de liberdade que podia vir da confiança em tais predições era ilusória. Pois a Bíblia, se fosse compreendida de maneira adequada, realmente libertaria os homens do destino e da predestinação. Entendendo-se os propósitos de Deus e coope- rando com eles, acreditava-se que seria possível escapar das forças cegas que pareciam reger o mundo, e até mesmo do próprio tem- po; os homens assim alcançariam a liberdade. Hill, Christopher. O mundo de ponta-cabeça: ideias radicais durante a revolução inglesa de 1640. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 104. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 42 10/29/18 8:45 AM 43UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR Com a invenção de Gutenberg, a Bíblia começou a chegar às mãos de um número maior de fiéis. Multiplicando-se o número de leitores, surgiram tam- bém novas interpretações, nem sempre de acordo com os ensinamentos oficiais da Igreja. Muitas autoridades católicas consideravam o desenvolvimento da tipografia um problema. Afinal, tendo mais acesso aos textos sagrados, as pessoas que sabiam ler poderiam estudar por si mesmas e questionar o que ouviam dos sacerdotes nas cerimônias religiosas. Atualmente, calcula-se que a Bíblia seja o livro mais vendido e distribuído do mundo, com mais de 5 bilhões de cópias. Crítica ao clero Vários grupos religiosos e autoridades da própria Igreja criticavam a má con- duta do clero católico, os abusos contra a fé e o despreparo intelectual dos sacerdotes. Por exemplo, criticavam o fato de que os papas e os membros do alto clero viviam no luxo à custa da maioria dos fiéis. Outra crítica se referia ao comércio de artigos religiosos. Membros da Igreja enganavam os fiéis venden- do-lhes coisas sem valor como se fossem “espinhos da coroa de Cristo”, “pe- daços da cruz em que Jesus morreu”, “palhas da sua manjedoura”, “pedaços do manto sagrado”, etc. A venda de indulgências, isto é, o perdão dos pecados, também era critica- da. Muitas vezes a Igreja concedeu o perdão em troca de moedas e artigos de luxo. Com isso, os fiéis acreditavam estar comprando a “salvação eterna” e os membros do clero ficavam mais ricos. Para piorar ainda mais a imagem da Igreja, muitos sacerdotes pareciam des- conhecer a doutrina católica, não estando preparados para exercer funções religiosas. A falta de preparo dos sacerdotes era grave, pois, segundo a Igreja, eles deveriam atuar como intermediários entre os seres humanos e Deus. E ri ch L e s s in g /A lb u m /F o to a re n a /I g re ja d e S a in t- P ri e s t, G im e l- le s -C a s c a d e s , F ra n ç a . Relicário do século XII decorado com cenas de vidas de santos. Nos relicários eram guardados objetos utilizados para a veneração de santos – as relíquias. A adoração de imagens de santos também era condenada pelos protestantes, que criticavam a Igreja católica. 43 U n id a d e 1 R e fo rm a s re li g io sa s C a p ít u lo 3 Orientações didáticas Como forma de aproximar os alunos da questão das in- dulgências e da análise de fontes históricas, recomen- damos que sejam reproduzi- dos em sala de aula alguns documentos do período sobre as indulgências, elaborados pela Igreja católica. Destaca- mos dois deles: o primeiro, sobre as indulgências conce- didas pelo papa Clemente XI, e o outro, um comunicado de dom Antonio Bonifácio Coe- lho, inquisidor e presidente do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, sobre a concessão de indulgências e remissão de todos os pecados às pes- soas que visitassem a Igreja de Santa Isabel, em Lisboa. Ambos estão disponíveis no acer vo digital da Bibliote- ca Nacional, disponível em: <https://bndigital.bn.gov.br/ exposicoes/lutero-500-anos- da reforma/indulgencias/>, acesso em: 13 ago. 2018. Outras indicações Para outros aprofundamen- tos sobre o assunto, ver ainda: HILL, Christopher. A Bíblia inglesa e as revoluções do sé- culo XVII. Rio de Janeiro: Civi- lização Brasileira, 2003. O texto “Difusão da Bíblia” trabalha a competência es- pecífica CEH5. Já a seção Investigando desenvolve as competências gerais e es- pecíficas CG3 e CCH4. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 43 10/29/18 8:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR44 Ética e lucro A Igreja católica recomendava aos comerciantes a prática de preços justos, ou seja, o custo de produtos e serviços acrescido de uma pequena remunera- ção para o comerciante. A Igreja condenava a usura, que é a prática de cobrar juros altos sobre o empréstimo de valores. Alguns teólogos católicos afirmavam que o “tempo” pertencia a Deus e, por isso, não se podia cobrar juros sobre o tempo em que o dinheiro permanecia emprestado. Essa recomendação contrariava os projetos da burguesia, que havia se for- talecido no fim da Idade Média. Assim, muitos comerciantes, que desejavam expandir seus negócios e aumentar os lucros, buscavam construir valores morais que valorizassem suas práticas. Como veremos, alguns ramos do mo- vimento protestante, principalmente o calvinismo, vieram a atender a esse interesse da burguesia. Juro: diferença entre a quantia emprestada e a quantia cobrada por aquele que empresta dinheiro. Nessa situação, quem toma o dinheiro emprestado (o devedor) paga uma determinada quantia a mais pelo empréstimo ao credor (aquele que empresta o dinheiro). Os usurários, pintura de Quentin Matsys (1466-1530) .1520. Galeria Doria Pamphilj, Roma, Itália. A pintura representa os usurários (aqueles que emprestam com juros altos) como sujeitos soturnos, gananciosos, com seus cálculos e moedas. À direita, um cliente magro esvazia sua bolsa de moedas de ouro e prata, talvez para quitar suas dívidas. Reprodução/Galeria Doria Pamphilj, Roma, Itália. 44 Orientações didáticas Com base nas discussões sobre ética e lucro, abordadas no capítulo, sugerimos estimu- lar em sala de aula a reflexão so- bre a definição de ética e sua aplicabilidade no cotidiano. A discussão pode ser iniciada com base na concepção dos alunos sobre o conceito. Incen- tive-os a apresentar situações cotidianas em que a ética pos- sivelmente influenciou suas ações, destacando exemplos. A imagem que ilustra a pági- na 44 pode ser um bom elemen- to problematizador para anali- sar a maneira como as pessoas da Idade Média europeia viam as práticas profissionais rela- cionadas à usura. Ao represen- tar os personagens com as feições escolhidas, Quentin Matsys reforçava o estereó- tipo de usurário (indivíduo que comete usura). Ressalte que as profissões associadas à usura eram exercidas sobretudo por judeus, já que a Igreja católica as condenava. Outras indicações Para se aprofundar nos estu- dos sobre o conceito de ética e sua historicidade, sugerimos: VALLS, Álvaro L. M. O que é ética. São Paulo: Brasiliense, 1994. Disponível em: <www.instituto veritas.net/livros-digitalizados. php?baixar=196>. Acesso em: 14. jul. 2018.Para trabalhar as questões relacionadas à imagem de Quentin Matsys, indicamos a leitura de ECO, Umberto. Histó- ria da feiura. 2. ed. São Paulo: Record, 2007. Para aprofundar a discus- são sobre a língua como fator de identidade cultural e poder, sugerimos: CARVALHO, José Ri- cardo. A construção da identi- dade de uma nação por meio da língua escrita e falada. Re- vista Fórum Identidades. Ano 2, v. 4, jul.-dez., p. 83-90, 2008. Disponível em: <https://seer. ufs.br/index.php/forumidenti dades/article/view/1813>. Acesso em: 13 ago. 2018. Atividade complementar Com base na discussão sobre o desejo dos monarcas de fortalecer uma língua nacional, instigue a reflexão sobre como a língua é um fator importante para a consolidação da identi- dade cultural de um povo e, ao mesmo tempo, uma forma de poder devido à sua imposição. Algumas perguntas podem ser feitas tomando por base a realidade brasileira, entre elas: • Por quais motivos nossa língua oficial é o português? 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 44 10/29/18 8:45 AM 45UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR Estados nacionais Com a consolidação dos Estados nacionais, alguns príncipes e reis fortalece- ram seu poder político conquistando mais autonomia em relação à Igreja. Es- ses monarcas encaravam as autoridades eclesiásticas como “estrangeiros” que interferiam em assuntos de seu país. Isso aconteceu, por exemplo, em regiões da Europa que atualmente correspondem à Alemanha, Dinamarca, Noruega, Suécia, Suíça, Holanda, Inglaterra e Escócia. Na época, a Igreja católica divulgava suas doutrinas em latim, possuía vastas terras na Europa e enviava o dinheiro que recebia de seus fiéis à sua sede em Roma. Entretanto, os novos monarcas tinham interesse, entre outras coisas, em fortalecer a língua nacional de seu Estado, ampliar seus territórios e exercer sua autonomia no governo deles, bem como impedir que recursos saíssem de seus reinos. Por isso, de certo modo, a ruptura com a Igreja católica e as mudanças nas doutrinas religiosas poderiam favorecer os interesses políticos e econômicos de alguns reis e príncipes. Os reformadores, que estudaremos a seguir, utilizaram, por exemplo, a língua nacional de cada país em seus cultos e em traduções da Bíblia. Com isso, eles pretendiam divulgar a fé cristã e acabar com o monopólio dos sacerdotes católicos na interpretação das escrituras. R e p ro d u ç ã o /P a lá c io H a m p to n C o u rt , R ic h m o n d u p o n T h a m e s , In g la te rr a Uma alegoria protestante, pintura de Girolamo da Treviso (1508-1544). 1538- -1544. Óleo sobre painel, 67,9 cm 3 84,4 cm. Palácio Hampton Court, Londres, Inglaterra. Na imagem, os evangelistas (Mateus, Lucas, João e Marcos) atacam o papa Júlio II (1443-1513), no período da Reforma religiosa. 45 U n id a d e 1 R e fo rm a s re li g io sa s C a p ’t u lo 3 • Quais eram as línguas faladas no Brasil antes da conquista pelos portugueses? • Qual é a importância de falarmos a mesma língua? Recomendamos que ressalte que nossa língua oficial é o português justamente em razão do processo de colonização do Brasil pelos portugueses. A imposição da língua do coloni- zador sobre diversos povos indígenas foi uma forma de domi- nação cultural. No Brasil, por exemplo, havia mais de 1 500 línguas indígenas antes da conquista portuguesa – uma das mais conhecidas foi o tupi –, que se perderam em decorrência de epidemias que dizimaram a população indígena, da escravi- zação, da aculturação forçada, entre outros fatores. Existem, atualmente, cerca de 181 línguas faladas no país. Apesar da di- minuição, este é um indício da resistência indígena quanto à permanência de suas línguas e à manutenção do seu patrimônio linguístico e cultural. Além disso, podemos dizer que, para além da importância da comunicação, falar a mesma língua é um pro- cesso de construção de uma identidade cultural comum, que nos aproxima como sujeitos pertencentes a um mesmo país. Leitura complementar Com base na discussão sobre os Estados nacionais, sugerimos que busque problematizar com os estu- dantes as diferenças entre Estado e nação. Pode-se es- tabelecer um diálogo com Geografia, de modo a ressal- tar os principais povos que não possuem atualmente um Estado organizado, mas são considerados nações. Compreender a diferença en- tre essas duas categorias é fundamental para que os alu- nos entendam os movimen- tos separatistas e naciona- listas na atualidade. De for- ma breve, podemos afirmar que: Estado é um “conjunto de instituições públicas que ad- ministra um território, pro- curando atender os anseios e interesses de sua população. Dentre essas instituições, podemos citar as escolas, os hospitais públicos, os depar- tamentos de polícia, o gover- no e muitas outras”. Já nação significa “uma união entre um mesmo povo com um sentimento de pertencimen- to e de união entre si, com- partilhando, muitas vezes, um conjunto mais ou menos definido de culturas, práti- cas sociais, idiomas, entre outros. Assim sendo, nem sempre uma nação equivale a um Estado, ou a um país ou, até mesmo, a um territó- rio, havendo, dessa forma, muitas nações sem território e sem uma soberania territo- rial constituída”. MUNDO Educação. Diferenças entre Estado, país, nação e território. Disponível em: <https://mundoeducacao.bol.uol. com.br/geografia/diferencas-en tre-estado-pais-nacao-territorio. htm>. Acesso em: 13 ago. 2018. Sugerimos, ainda, que res- salte aos alunos alguns dos povos que lutam pela cons- tituição de seu Estado, como os curdos, os palestinos, os tibetanos, os bascos, os ca- talães, entre outros. O texto “Ética e lucro” desen- volve a competência espe- cífica CEH4. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 45 10/29/18 8:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR46 Painel Tipografia de Gutenberg Desde o século VII já existiam técnicas de impressão na China. Mas a impressão desenvolvida por Gutenberg (século XV) trouxe novidades. Entre elas, podemos citar a utilização de tipos móveis de metal e a máquina de imprimir. A invenção de Gutenberg tornou a impressão de textos mais rápida e fácil. Com o desenvolvimento da tipografia, um número maior de pessoas teve acesso aos textos impressos. No entanto, devemos lembrar que a maioria dos europeus dessa época não era alfabetizada. Por isso, a princípio, a repercussão das obras ficou restrita às pessoas que sabiam ler e escrever nas línguas nacionais. Observe as imagens e leia algumas informações sobre as técnicas de impressão de Gutenberg. Tipos móveis, usados depois da invenção de Gutenberg. Nesse processo, cada tipo correspondia a uma letra. As letras eram usadas na composição das palavras e frases, montadas em caixas tipográficas usadas na impressão. Reprodução de uma das páginas da Bíblia de Gutenberg, 1455, feita a partir de um exemplar do acervo da Biblioteca Britânica, em Londres, Inglaterra. Thinkstock/Getty Images R e p ro d u ç ã o /B ib lio te c a B ri tâ n ic a , L o n d re s I n g la te rr a 1 4646 Painel Nesta seção, recomenda- mos aprofundar as discussões sobre o desenvolvimento da ti- pografia e seus impactos. Para isso, sugerimos duas ativida- des: uma que problematiza tal invenção e outra que investiga a temática por meio de fonte iconográfica. É importante, so- bretudo, que os alunos sejam estimulados a perceber como a forma de produção de mate- riais impressos foi alterada a partir da criação de Gutenberg e facilitou a circulação de ide- ias. Você ainda pode incenti- var os estudantes a estabele- cer relações com o presente, destacando as formas de cir- culação de informações e no- tícias na atualidade, de modo a ressal tar as pr incipais transformações. Atividade complementar Para abordar o desenvolvimento da imprensa de Gutenberg, propomos o tex- to e as atividades a seguir. O desenvolvimento da tipografia O alemãoJohann Gutenberg [...] “reinventou” a imprensa no século XV. A técnica de imprimir com caracteres móveis é, na verdade, asiática, e muito mais antiga. [...] Já existiam [entre os orientais] a gravura em pedra e a cópia manual. Surgiu, então, a xilografia [...] [no] século VII. [...] [Surgiram posteriormente] ensaios de impressão por meio de caracteres móveis, só que de terracota [tipo de argila]. [...] Os europeus [...] tomaram conhecimento das novas técnicas por meio de im- pressos, trazidos por mercadores. [...] [Gutenberg] desenvolveu os caracteres móveis [...], que podiam ser utiliza- dos indefinidamente, além de uma nova tinta de impressão e a prensa de im- primir. Com isso, mudou definitivamente o mundo, em todas as suas dimensões [...]. Por sua enorme contribuição, Gutenberg pode ser chamado de pai da tipo- grafia moderna. TOSSERI, Olivier. Gutenberg não inventou a imprensa. Revista História Viva, n. 76, fev. 2010. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 46 10/29/18 8:45 AM 47UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR 1 Os tipos móveis de metal são peças em alto-relevo com sinais de escrita. Essas peças eram organizadas e fixadas em uma moldura para formar um texto. 2 Os tipos móveis recebiam uma camada de tinta feita à base de óleo de linhaça. Essa tinta marcava bem o papel e não borrava muito. 3 A impressão era realizada por meio de uma máquina. Nela, a moldura de tipos era pressionada contra um papel. Assim, o papel ficava marcado com o texto. No fim da impressão, as molduras que recebiam os tipos podiam ser desmontadas, permitindo que os tipos móveis fossem reutilizados. 4 As folhas de papel eram penduradas para secar. Representação artística da oficina tipográfica de Gutenberg, no século XV. Coleção particular. S P L /L a ti n s to c k 3 4 2 47 U n id a d e 1 R e fo rm a s re li g io sa s C a p ’t u lo 3 a) Consulte em um dicionário as palavras cujo significado você desconhece. Depois, releia o texto. Resposta pessoal. É provável que os estudantes destaquem: terracota (um tipo de argila cozida no forno, utilizada em cerâmica e em construções). b) De acordo com o texto, Gutenberg pode ser chamado de pai da tipografia moderna, por ter “reinventado” a imprensa no século XV. Por que o autor do texto utilizou o termo “reinventar”? Resposta: segundo o texto, Gutenberg “reinventou” a imprensa porque aper- feiçoou uma técnica de impressão que já era utilizada em outros lugares do mundo, como na Ásia. c) Você viu que Gutenberg desenvolveu a tipografia, ou seja, a impressão com tipos móveis. Em sua opinião, de que forma o desenvolvimento da tipo- grafia e o aumento da produção de livros influenciaram a circulação de no- vas ideias religiosas? Resposta: é esperado que os estudantes respondam que o desenvolvimento da tipografia e o aumento da produção de livros possibilitaram o acesso a no- vos textos e ao conteúdo da Bíblia a um número maior de pessoas. Ao realizar a leitura da Bíblia, as pessoas puderam fazer novas interpretações dos textos cristãos, “livres” das interpretações de padres e autoridades da Igreja. Neste ponto, o professor pode relacionar o item à atividade proposta no ca- pítulo anterior envolvendo o texto de Carlo Ginzburg, O queijo e os vermes. Atividade complementar Utilizando a representa- ção artística da oficina ti- pográfica de Gutenberg, em destaque nesta página, po- de-se estimular um exercí- cio de análise integrado com Arte. Para apronfudar a uti- lização de iconografia como documento histórico, suge- rimos que inicie a discussão pautado pelas opiniões dos alunos sobre a imagem. Re- colha as principais impres- sões e oriente-os a descrever os elementos mais impor- tantes representados na pin- tura, entre eles, a prensa de tipos móveis idealizada por Gutenberg. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 47 10/29/18 8:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR48 Reforma luterana No século XVI, o monge Martinho Lutero (1483-1546) iniciou um movi- mento de ruptura com a Igreja católica. Lutero nasceu na cidade de Eisleben (atual Alemanha). Aos 22 anos, entrou para a ordem dos agostinianos, um grupo religioso católico inspirado pelas ideias de Santo Agostinho (354-430). Em seus estudos, Lutero encontrou na Bíblia frases que lhe pareceram fundamentais: Interpretando frases como essas, ele concluiu que os homens e as mulheres, corrompidos pelo pecado original, só poderiam se salvar pela fé em Deus. As- sim, o único instrumento de salvação seria a fé, e não as obras. Para expor seu pensamento, Lutero publicou, em 1517, um manifesto (95 teses) condenando as práticas da Igreja católica. Os líderes católicos reagiram e, ao final das discussões, decidiram expulsar Lutero da Igreja. Fugindo de per- seguições, Lutero refugiou-se no castelo de um príncipe, onde traduziu a Bíblia para o alemão. Em pouco tempo, as ideias de Lutero ganharam seguidores entre campone- ses, trabalhadores urbanos, burgueses e nobres do norte da Europa. Em 1529, nobres alemães luteranos protestaram contra as medidas da Igreja que impe- diam cada Estado de escolher a própria religião. Com isso, o nome protestan- te passou a designar os cristãos que não fossem católicos ou ortodoxos. L u c ia n a W h it a k e r/ P u ls a r Im a g e n s O justo viverá da fé. Concluímos [...] que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei. Bíblia Sagrada. São Paulo: Escala, 2014. Rm 1:17; 3:28. Igreja luterana na cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Segundo o Censo de 2010, realizado pelo IBGE, cerca de 1 milhão de luteranos vivem no Brasil. Fotografia de 2016. 48 Orientações didáticas Nesta parte do capítulo, os estudantes serão apresenta- dos às principais concepções religiosas defendidas por Mar- tinho Lutero e incentivados a compreender o que foi a Refor- ma luterana e suas conse- quências. Você pode iniciar a abordagem do conteúdo, por sua vez, instigando os alunos sobre o termo “protestantis- mo” e seus possíveis significa- dos. É provável que eles indi- quem a relação entre o termo e o verbo “protestar”, sendo uma abordagem inicial relevante, já que um protesto acontece sempre em relação a algo, al- guém ou a uma situação incô- moda. A partir deste momento inicial, portanto, os estudan- tes podem ser estimulados a refletir sobre quais situações Lutero “protestava” e suas reinvindicações. Informe os alunos que o pe- cado original, no contexto do cristianismo, é aquele que nasce com toda pessoa. Foi Santo Agostinho, religioso que viveu entre os séculos IV e V, quem desenvolveu essa dou- trina para explicar a imperfei- ção humana, o sofrimento e a expulsão da humanidade do Paraíso. Impor tante ressaltar a transformação causada pela tradução da Bíblia para o ale- mão, língua que, por ser utili- zada pela população local no dia a dia, tinha muito mais abrangência do que o latim, idioma com o qual a Bíblia era lida, dominada por uma restri- ta camada social, em geral os próprios eclesiásticos e seto- res da nobreza. Atividade complementar Em torno da concepção de “protesto”, sugerimos que faça os seguintes questionamentos aos estudantes: 1. Vocês já protestaram contra algo? O quê? 2. Já assistiram a algum protesto? Se sim, descreva as prin- cipais características. 3. Contra o que vocês protestariam? Por quê? Resposta: as respostas podem ser dadas oralmente, pois o objetivo é estabelecer um debate em sala de aula e incentivar a reflexão dos alunos sobre seus anseios pessoais e os aspec- tos do cotidiano de cada um deles. Dessa forma, a atividade busca estabelecer relações entre o passado e o presente. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 48 10/29/18 8:45 AM 49UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR Entre os princípios da doutrina luterana, destacam-se: • a fé cristã como único caminho para a salvação eterna; • a Bíblia como a única fonte para a fé; • o batismo e a eucaristia como os doisúnicos sacramentos. Além disso, o luteranismo não aceitava o culto aos santos católicos, a adora- ção de imagens religiosas e a autoridade do papa. Lutero faleceu em 1546 na mesma cidade em que nasceu. Reforma calvinista João Calvino (1509-1564) nasceu em Noyon, na França. Católico e formado em Teologia, ele aderiu às ideias de outros reformadores protestantes, mas depois liderou o próprio movimento reformista, que foi chamado de calvinismo. Calvino foi perseguido pelas autoridades católicas francesas e acabou fugin- do para a Suíça, onde se tornou líder do governo da cidade de Genebra, de 1541 a 1560. O governo calvinista condenava o jogo, o culto às imagens de santos, as danças, o uso de roupas luxuosas e de joias. Além de acreditar que somente a fé traz a salvação, Calvino defendia a existência de uma predestinação ao céu. Explicava que algumas pessoas eram eleitas por Deus para serem salvas e ninguém poderia interferir no plano de Deus. Os protestantes providenciaram traduções da Bíblia do latim para as línguas nacionais, facilitando a divulgação de seu conteúdo. Reprodução de página da Bíblia luterana de 1524 a partir de um exemplar da Sociedade Bíblica de Londres, na Inglaterra. T h e B ri d g e m a n A rt L ib ra ry /K e y s to n e B ra s il 49 U n id a d e 1 R e fo rm a s re li g io sa s C a p ’t u lo 3 Orientações didáticas Outra possibilidade de atividade seria escolher um texto, ou um trecho de texto, em algum idioma estrangeiro, de preferência inglês, francês ou italiano, e mostrá-lo à turma. Depois, mostrar o mesmo texto em português, perguntando o quanto de informação eles perderiam se lessem apenas os textos escritos em línguas estrangeiras, em comparação com o texto lido em português. Desse modo, leve-os a estabelecer uma comparação com o que ocorreu após a reforma de Lutero, quando a Bíblia passou a ser tradu- zida para diversas línguas nacionais, tornando-se acessível para um nú- mero cada vez maior de leitores. Orientações didáticas A teologia de Lutero se de- senvolveu por meio da justifi- cação sola fide (somente pela fé), em oposição a uma garan- tia de salvação por meio das obras. Desse modo, a verdadei- ra Igreja estava simplesmente dentro do próprio povo cristão em sua fidelidade. Essas ideias ajudam a entender por que a simplificação dos ritos católi- cos era algo tão necessário para os reformadores protes- tantes, já que suas igrejas se baseavam em princípios de fi- delidade do cristão e em um sacerdócio a ser alcançado de maneira mais ampla. Sacramentos são rituais rea- lizados pelos fiéis cristãos para receberem a graça de Deus. A eucaristia ou comunhão é um desses rituais, durante o qual os fiéis acreditam que a hóstia se transforma no corpo e o vi- nho em sangue de Cristo. A Biblioteca Nacional, em sua sede no Rio de Janeiro, inaugurou, em 20 de dezem- bro de 2017, a exposição “Lu- tero – 500 anos da Reforma”, resgatando aspectos da vida de Martinho Lutero e impor- tantes documentos sobre a Reforma protestante. Foram apresentadas fontes raras so- bre o período, como manuscri- tos, imagens, bulas papais, as “95” teses, bíblias antigas, re- ferências às indulgências e os conflitos religiosos. A mesma exposição está disponível vir- tualmente, com a reprodução de todos os documentos e livre acesso. Estimule o acesso dos alunos a esta exposição virtual e o contato com as fontes do pe- ríodo. Além disso, esse é um im- portante canal para a seleção de materiais que podem ser tra- balhados em sala de aula. Dis- ponível em: <https://bndigital. bn.gov.br/exposicoes/lutero- 500-anos-da-reforma/>. Aces- so em: 13 ago. 2018. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 49 10/29/18 8:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR50 Expansão do calvinismo O calvinismo espalhou-se por regiões da França, Inglaterra e Escócia, dando origem a outras correntes protestantes que ficaram conhecidas, respectivamen- te, como huguenotes, puritanos e presbiterianos. Os calvinistas pregavam que os cristãos deveriam trabalhar muito, evitar gas- tos desnecessários e orar a Deus. O trabalho intenso e recompensado com o sucesso econômico era entendido como um sinal da salvação predestinada. Segundo o sociólogo Max Weber (1864-1920), os ideais calvinistas favore- ciam os interesses da burguesia e do capitalismo, pois estimulavam o trabalho e o acúmulo de riquezas, além de defenderem o lucro. Essa é uma das ideias defendidas em seu livro A Žtica protestante e o esp’rito do capitalismo. Reforma anglicana No século XVI também ocorreu uma reforma religiosa na Inglaterra, conduzi- da pelo rei Henrique VIII (1509-1547). Dessa reforma surgiu a Igreja anglicana. Um dos principais motivos da ruptura entre o rei inglês e a Igreja católica re- lacionava-se às disputas pelo poder político e econômico. O monarca pretendia limitar a influência política da Igreja, que também era proprietária de muitas terras na Inglaterra. Além disso, Henrique VIII queria anular seu casamen- to com Catarina de Aragão (1485-1536). O rei alegava que Catarina não conseguia ter um filho homem para su- cedê-lo no trono. Assim, so- licitou ao papa a anulação de seu matrimônio para po- der se casar com Ana Bolena (c.1501-1536). Mas o pedido do rei foi negado pelo papa. Gravura do artista inglês William Hogarth (1697-1764), representando Ana Bolena e Henrique VIII. A obra pertence a um colecionador particular. H is to ri c a l P ic tu re A rc h iv e /C o rb is /G e tt y I m a g e s 50 Orientações didáticas A discussão sobre a forma como os sujeitos organizam seu pensamento religioso pode ser localizada em escri- tos publicados pelo próprio Calvino. O reformador aponta- va, por exemplo, que caso as autoridades ordenassem algo contrário aos mandamentos, o povo cristão deveria des- considerar essa ordem ime- diatamente, ainda que fossem punidos por isso. Outras indicações A esse respeito, ver, por exemplo: CALVINO, João. A instituição da religião cristã, Tomo II. São Paulo: Ed. da Unesp, 2009. SKINNER, Quentin. As fundações do pensamento político moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. Orientações didáticas É importante ressaltar aos estudantes que as Reformas religio- sas implicaram a alteração de diversos aspectos sociais e políticos em sua época, para além das questões apenas de cunho religioso. Além disso, a historiografia revisita frequentemente o período, de modo a analisar e incorporar perspectivas. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 50 10/29/18 8:45 AM 51UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR Mar Negro Mar do Norte Mar Mediterrâneo Mar Báltico M ar Cáspio 15° L 40° N OCEANO ATLÂNTICO SUÉCIA RÚSSIA IRLANDA ESCÓCIA INGLATERRA ESPANHA FRANÇA PORTUGAL Roma Veneza Gênova Nápoles POLÔNIA IMPÉRIO TURCO OTOMANO ÁSIA DINAMARCA PAÍSES BAIXOS ÁFRICA ALEMANHA SUÍÇA ITÁLIA N 0 370 km Rompimento com a Igreja católica Diante da recusa do papa em anular seu casamento, Henrique VIII rompeu com a Igreja católica e casou-se novamente, com a aprovação do Parlamento inglês. Depois, o mesmo Parlamento aprovou uma lei (o Ato de Supremacia) que tornava Henrique VIII o chefe supremo da Igreja da Inglaterra. Em seguida, o rei confiscou os bens da Igreja católica. O papa Paulo III (1468-1549) reagiu, excomungando o rei inglês. Mas não conseguiu impedir a criação da Igreja anglicana, que não era muito diferente da católica no que se refere a doutrina e culto. Reforma católica O protestantismo se difundiu rapidamente pelo continente europeu, con- quistando vários fiéis. Em aproximadamente 50 anos, cerca de 40% dos eu- ropeus ocidentais se tornaram protestantes. Observe esse fenômeno no mapa a seguir. Difusão das reformas religiosas na Europa (século XVI) • Consulte um mapa geopolítico atual e identifi que os países que hoje correspondem às regiões em que o catolicismo, oluteranismo, o calvinismo e o anglicanismo predomi- naram no século XVI. Escreva o nome desses países no caderno. Fontes: elaborado com base em Atlas da história do mundo. São Paulo: Folha de S.Paulo/Times Books, 1985. p. 179; KINDER, Hermann; HILGEMANN, Werner. Atlas histórico mundial: de los orígenes a la Revolución Francesa. Madrid: Istmo, 1982. p. 256. Observando o mapa A reação da Igreja católica ao protestantismo ficou conhecida como Con- trarreforma ou Reforma católica e incluiu medidas como: • a punição de lideranças protestantes; • a criação da Ordem dos Jesuítas; • as decisões do Concílio de Trento (1545-1563); e • a volta da Inquisição. E ri c s o n G L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra Católicos Anglicanos Calvinistas Ortodoxos Luteranos Difusão muçulmana Difusão calvinista Difusão ortodoxa Difusão luterana Limite atual dos países 51 U n id a d e 1 R e fo rm a s re li g io sa s C a p ít u lo 3 Outras indicações Para ampliar os conhecimentos sobre as principais discussões historiográficas em torno das Reformas religiosas, sugerimos o artigo a seguir, em que o autor demonstra como tal período trouxe modificações para além dos aspectos religiosos, influenciando toda a sociedade. Ressalta, ainda, as principais análises de dife- rentes estudiosos sobre este evento histórico. Ver: MONTEIRO, Rodrigo Bentes. As Reformas religiosas na Europa moderna: notas para um debate historiográfico. Varia Historia, Belo Horizonte, v. 23, n. 37, p. 130-150, jan./jun. 2007. Disponí- vel em: <http://www.scielo.br/pdf/vh/v23n37/v23n37a08.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2018. Orientações didáticas Os alunos podem ter dúvidas sobre o significado do termo ex- comungar, que é o ato de expul- sar alguém do convívio da Igre- ja. Caso isso ocorra, você pode orientá-los a utilizar um dicioná- rio em busca de explicações e relacioná-las ao conteúdo que está sendo estudado, incorpo- rando essa descoberta às rela- ções que passaram a existir en- tre a Igreja católica e Martinho Lutero e todos aqueles que de- fendessem opiniões e interpre- tações bíblicas e realizassem atos considerados contrários às orientações e aos dogmas da Igreja. Na porção ocidental da Eu- ropa, a Reforma protestante acentuou a perda do poder do clero católico, dividindo ainda mais os fiéis cristãos, tanto po- lítica quanto espiritualmente. No que se refere à Contrarre- forma, vale comentar que Co- pérnico e Galileu, cientistas que tentaram explicar o Universo, sofreram perseguições por par- te das autoridades da Igreja ca- tólica. Posteriormente, as auto- ridades católicas procuraram rever certos posicionamentos. Nesse sentido, em 1822, o livro de Copérnico foi retirado do In- dex librorum prohibitorum (a lis- ta de obras proibidas pela Igreja católica). Em 1978, o papa João Paulo II nomeou uma comissão para estudar a reabilitação de Galileu Galilei. O cientista foi oficialmente reabilitado em 1992. Se desde o século XV as autoridades católicas defen- diam ser o inferno um castigo eterno aos pecadores, o papa Francisco I revisou essa afir- mação em 2015, dizendo que a Igreja “não condena para sempre”. Observando o mapa Catolicismo: Portugal, Es- panha, Itália, França, Irlanda; luteranismo: Alemanha, Dina- marca, Suécia; calvinismo: Es- cócia e Suíça; anglicanismo: Reino Unido. A seção Observando o mapa desenvolve a competência específica CCH7. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 51 10/29/18 8:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR52 Lutas religiosas A reação imediata das autoridades da Igreja católica foi punir os principais reformadores. Com isso, esperava-se sufocar suas ideias e recuperar a unidade do mundo cristão. Mas a medida teve poucos resultados, servindo mais para alimentar a intolerância entre cristãos do que para mantê-los unidos. A intolerância religiosa se manifesta quando os membros de uma religião procuram impor seu credo aos outros, utilizando, para isso, até mesmo a vio- lência. A Europa dos séculos XVI e XVII foi palco de muita intolerância e de guerras religiosas. Na França, a luta entre católicos e protestantes (huguenotes, como eram chamados) estava diretamente ligada às disputas internas pelo poder político e se estendeu por 36 anos, de 1562 a 1598. Um episódio marcante dessa luta ocorreu em 24 de agosto de 1572 e ficou conhecido como a Noite de São Bartolomeu, quando milhares de huguenotes foram massacrados pelos católicos. Nos territórios da atual Alemanha ocorreu, entre 1618 e 1648, a Guerra dos Trinta Anos. Em sua origem, a guerra teve como principal causa as dispu- tas políticas e religiosas entre católicos e protestantes. O conflito se espalhou pela Dinamarca, Suécia, Espanha e França. Ao final, ficou oficialmente reco- nhecida a existência de dois credos cristãos entre os alemães: o catolicismo e o protestantismo. R e p ro d u ç ã o /M u s e u d e A rt e R o g e r- Q u ill io t, C le rm o n t- F e rr a n d , F ra n ç a . Uma manhã às portas do Louvre; pintura de Édouard Debat-Ponsan. 1880. Óleo sobre tela, 320 cm 3 396 cm. Museu de Belas Artes de Clermont- -Ferrand, França. Essa obra representa os mortos na manhã seguinte à Noite de São Bartolomeu. 52 Orientações didáticas A seguir, apresentamos um quadro-resumo com caracte- rísticas da Igreja católica e de algumas Igrejas protestantes que surgiram com os movi- mentos reformistas. Com este quadro, o professor poderá apontar semelhanças e dife- renças entre essas religiões. Igreja Livro sagrado Salvação humana Sacramentos Rito religioso Principais áreas de influência na Europa Católica A Bíblia é a fonte da fé. Deve ser interpretada pelos padres da Igreja. Salvação pela fé e por boas obras. Sete: batismo, crisma, eucaristia, matrimônio, penitência, ordem e unção dos enfermos. Missa solene, em latim. Portugal, Espanha, Itália, sul da Alemanha, a maior parte da Fran- ça e da Irlanda. Luterana A Bíblia é a única fonte da fé. Permite-se seu livre exame. Salvação pela fé em Deus. Dois: batismo e eucaristia. Culto simples, em língua nacio- nal (alemão, inglês, etc.). Norte da Alemanha, Dinamarca, Noruega, Suécia. 7HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a057.indd 52 10/29/18 8:45 AM 53UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR Ordem dos Jesuítas Em 1534, o militar e religioso espanhol Inácio de Loyola fundou a Compa- nhia de Jesus, também chamada de Ordem dos Jesuítas. Os jesuítas consideravam-se “soldados da Igreja”. Sua principal missão era combater o protestantismo e expandir o catolicismo na Europa e em outras partes do mundo. Para cumprir sua missão, os jesuítas criaram escolas religiosas e procuraram catequizar povos dos continentes americano, asiático e africano. Concílio: reunião de autoridades da Igreja (por exemplo, bispos), presidida ou sancionada pelo papa, para discutir e decidir questões ligadas à fé, à doutrina ou aos costumes eclesiásticos. Concílio de Trento Em 1545, o papa Paulo III convocou um concílio, reunido na cidade de Tren- to, na península Itálica. O objetivo era promover uma reforma no catolicismo e fazer frente às críticas que a Igreja enfrentava. Em 1563, depois de anos de trabalho, os membros do concílio reafirmaram pontos básicos da doutrina ca- tólica, como: • sacramentos – os sacramentos são o batismo, a crisma, a eucaristia, o ma- trimônio, a penitência, a ordem e a unção do enfermos; • autoridade do papa – o papa é considerado autoridade infalível nos assun- tos da fé cristã; • fontes da fé – a doutrina religiosa tem como fonte a Bíblia, cabendo ao clero católico sua interpretação correta. Inquisição A Igreja católica, além disso, reativou a Inquisição e, entre outras medidas, elaborou, em 1559, o Index librorum prohibitorum, uma lista de livros proibi- dos aos católicos. Dessa lista constavam, por exemplo, obras de Galileu Galilei, Nicolau Copérnico e todas as obras de autores