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LICENCIATURA EM Nutrição MÓDULO DE PARASITOLOGIA 1º Ano Disciplina: PARASITOLOGIA Código: Total Horas/2o Semestre: 80h Créditos (SNATCA): 2 Número de Temas: INSTITUTO SUPER INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - ISCED ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia i Direitos de autor (copyright) Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), e contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED). A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos judiciais em vigor no País. Instituto superior de Ciências e Educação a Distância (isced) Direcção de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão Rua Dr. Almeida Lacerda, No 212 Ponta - Gêa Beira - Moçambique Telefone: +258 23 323501 ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia ii Cel: +258 82 3055839 Fax: 23323501 E-mail: isced@isced.ac.mz Website: www.isced.ac.mz Agradecimentos O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) agradece a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual: Autor MSc. Luis Bernardo Bogaio Constantino Coordenação Design Financiamento e Logística Revisão Científica e Linguística Ano de Publicação Local de Publicação Direcção Académica Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) Instituto Africano de Promoção da Educação a Distancia (IAPED) XXXXX 2019 ISCED – BEIRA http://www.isced.ac.mz/ ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia iii Índice Visão geral 1 Benvindo à Disciplina/Módulo Parasitologia .................................................................... 1 Objectivos do Módulo....................................................................................................... 1 Quem deveria estudar este módulo ................................................................................. 2 Como está estruturado este módulo ................................................................................ 2 Ícones de actividade ......................................................................................................... 4 Habilidades de estudo ...................................................................................................... 5 Precisa de apoio? .............................................................................................................. 7 Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ................................................................................ 8 Avaliação ........................................................................................................................... 9 TEMA – I: INTRODUÇAO A PARASITOLOGIA. 11 Unidade temática 1.1. Considerações gerais ................................................................. 11 Introdução ....................................................................................................................... 11 Noções de parasitologia……………………………………………………………………………………………….9 Conceito de parasita…………………………………………………………………………………………………….9 Classificação dos parasitas………………………………………………………………………………………….10 Hospedeiro…………………………………………………………………………………………………………………12 ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia iv Tipos de hospedeiro…………………………………………………………………………………………………..12 Termos associados à relação parasita – hospedeiro……………………………………………………12 Infeção X infestação……………………………………………………………………………………………………14 Mecanismo de transmissão das parasitoses……………………………………………………………….15 Sumário……………………………………………………………………………………………………………………..19 Unidade temática 1.2. Indicadores da qualidade higiênico-sanitária de alimentos…….19 Introdução…………………………………………………………………………………………………….……………19 Coliformes totais e fecais……………………………………………………………………………………………16 Coliformes totais………………………………………………………………………………………………………..17 Bolores e leveduras……………………………………………………………………………………….……………18 Enterococcus……………………………………………………………………………………………………………..19 Sumário…………………………………………………………………..…………………………………………………24 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO………………………………………………………………….................20 Exercícios do TEMA………………………………………………………………………………………………….22 TEMA – II: PRINCIPAIS PARASITOSES CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS 29 Unidade temática 2.1. Doença de Chagas ou Tripanossomíase africana ....................... 29 Introdução ....................................................................................................................... 29 Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….23 Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………….23 Ciclo de vida do parasita………………………………………………………………………………………….…25 Mecanismo de transmissão………………………………………………………………………………………..26 Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….27 ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia v Tratamento………………………………………………………………………………………………………………..27 Prevenção e controle…………………………………………………………………………………………………27 Sumário ........................................................................................................................... 35 Unidade temática 2.2. Leishmaniose. ............................................................................. 37 Introdução ....................................................................................................................... 37 Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….29 Modo de transmissão………………………………………………………………………………………………..29 Período de incubação………………………………………………………………………………………………..30 Ciclo de vida………………………………………………………………………………………………………………30 Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….31 Epidemiologia……………………………………………………………………………………………………………31 Tratamento………………………………………………………………………………………………………………..32 Prevenção e controle………………………………………………………………………………………………...32 Sumário ........................................................................................................................... 43 Unidade temática 2.3. Malária ....................................................................................... 44 Introdução ....................................................................................................................... 44 Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….33 Classificação .................................................................................................................... 44 Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………….33 Ciclo de vida do parasite Plasmodium ............................................................................ 46 Modo de transmissão…………………………………………………………………………………………………36 Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….37 Tratamento……………………………………………………………………………………………………………….37 Tratamento da malária sem complicações ........................................................... 49 ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia viTratamento de infecções por P. falciparum ................................................ 49 Tratamento de infecções por P. vivax.......................................................... 49 Tratamento de malária severa .............................................................................. 50 Prevenção e controle…………………………………………………………………………………………………38 Sumário ........................................................................................................................... 51 UNIDADE TEMÁTICA 2.4. Toxoplasmose ........................................................................ 52 Introdução ....................................................................................................................... 52 Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….40 Ciclo de vida do parasita……………………………………………………………………………………………40 Modo de transmissão…………………………………………………………………………………………………41 Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………….42 Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………..…42 Tratamento…………………………………………………………………………………………………………..……43 Medidas preventivas…………………………………………………………………………………………..……..43 Sumário ........................................................................................................................... 57 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 57 Exercícios para AVALIAÇÃO ............................................................................................ 60 Exercícios do TEMA ......................................................................................................... 64 TEMA – II: PRINCIPAIS PARASITOSES CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS 50 Unidade temática 3.1. Tricomoníase .............................................................................. 65 Introdução ....................................................................................................................... 65 Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….51 Modo de transmissão………………………………………………………………………………………………..51 Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………...52 ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia vii Patogénese………………………………………………………………………………………………………………..52 Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….53 Tratamento………………………………………………………………………………………………………………..53 Medidas preventivas………………………………………………………………………………………………….53 Sumário ........................................................................................................................... 69 Unidade temática 3.2. Giardíase .................................................................................... 69 Introdução ....................................................................................................................... 69 Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….55 Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………….55 Patogénese………………………………………………………………………………………………………………..55 Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….56 Tratamento……………………………………………………………………………………………………………….57 Medidas preventivas…………………………………………………………………………………………………57 Sumário ........................................................................................................................... 57 Unidade temática 3.3. Amebíase .................................................................................... 75 Introdução ....................................................................................................................... 75 Agente etiológica……………………………………………………………………………………………………….58 Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………….58 Mecanismo de transmissão……………………………………………………………………………………….59 Ciclo de vida do parasita……………………………………………………………………………………………59 Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….60 Tratamento………………………………………………………………………………………………………………..61 Medidas preventivas………………………………………………………………………………………………….61 ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia viii Sumário ........................................................................................................................... 79 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 80 Exercícios para AVALIAÇÃO ............................................................................................ 83 Exercícios do TEMA ......................................................................................................... 87 Referencias bibliográficas…………………………………………………………………………………………..68 ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 1 Visão geral Benvindo à Disciplina/Módulo Parasitologia Objectivos do Módulo Ao terminar o estudo deste módulo de Parasitologia o aluno deverá ser capaz de: conhecer conceitos básicos da área envolvida, criando fundamento que servirá de elo de ligação para posteriores conhecimentos e disciplinas, assim, preparando o aluno para compreender o ciclo biológico das parasitoses, correlacionando os conhecimentos com as alterações clínicas em cada um. Objectivos Específicos Conhecer os principais conceitos de Parasitologia; Reconhecer as etapas do ciclo biológico dos principais parasitas das espécies humana e dos seus respectivos habitat nos diferentes sistemas do corpo humano; Compreender a relação parasito-hospedeiro; Conhecer os mecanismos de transmissão e medidas profiláticas no controle das principais parasitoses humanas; Reconhecer os principais sintomas das parasitoses humanas e relacioná-los com a ação patogênica dos diversos parasitos; Identificar os fatores epidemiológicos que favorecem o estabelecimento dos diversos parasitos; ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 2 Utilizar os conhecimentos em Parasitologia para desenvolver habilidades e atitudes para resolução de problemas de saúde. Quem deveria estudar este módulo Este Módulo foi concebido para estudantes do 1º ano do curso de Nutrição geral do ISCED. Poderá ocorrer, contudo, que haja leitores que queiram se actualizar e consolidar seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão bem-vindos, não sendo necessário para tal se inscrever. Mas poderá adquirir o manual. Como está estruturado este módulo Este módulo de Parasitologia, para estudantes do 1º ano do curso de licenciatura em Nutrição geral, à semelhança dos restantes do ISCED, está estruturado como se segue: Páginas introdutórias Um índice completo. Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de começar o seu estudo, como componente de habilidades de estudos. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 3 Conteúdo desta Disciplina / módulo Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente unidades. Cada unidade temática se caracteriza por conter uma introdução, objectivos, conteúdos. No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só depois é que aparecem os exercícios de avaliação. Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: Puros exercícios teóricos/Práticos, Problemasnão resolvidos e actividades práticas, incluído estudo de caso. Outros recursos A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si, num cantinho, recôndito deste nosso vasto Moçambique e cheio de dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, apresenta uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu módulo para você explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro de recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso como: Livros e/ou módulos, CD, CD-ROOM, DVD. Para além deste material físico ou electrónico disponível na biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital moodle para alargar mais ainda as possibilidades dos seus estudos. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 4 Auto-avaliação e Tarefas de avaliação Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos exercícios de auto-avaliação apresentam duas características: primeiro apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo, exercícios que mostram apenas respostas. Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras. Parte das terefas de avaliação será objecto dos trabalhos de campo a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção e subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os exercícios de avaliação é uma grande vantagem. Comentários e sugestões Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza didáctico- Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas. Pode ser que graças as suas observações que, em gozo de confiança, classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser melhorado. Ícones de actividade Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 5 Habilidades de estudo O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a aprender. Aprender aprende-se. Durante a formação e desenvolvimento de competências, para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando estudar. Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos que caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos estudos, procedendo como se segue: 1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de leitura. 2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida). 3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR). 4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão. 5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou as de estudo de caso se existirem. IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo, respectivamente como, onde e quando...estudar, como foi referido no início deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana? Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 6 barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em cada hora, etc. É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já domina bem o anterior. Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos conteúdos de cada tema, no módulo. Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama- se descanso à mudança de actividades). Ou seja, que durante o intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos das actividades obrigatórias. Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual obrigatório pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado volume de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, criando interferência entre os conhecimentos, perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai em insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente incapaz! Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda sistematicamente), não estudar apenas para responder a questões de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobre tudo, estude ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 7 pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área em que está a se formar. Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades. É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a margem para colocar comentários seus relacionados com o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado não conhece ou não lhe é familiar; Precisa de apoio? Caro estudante temos a certeza que por uma ou por outra razão, o material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, página trocada ou invertidas, etc). Nestes casos, contacte os serviços de atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone, sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta participando a preocupação. Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes (Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 8 aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se tornam incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, estudante – CR, etc. As sessões presenciais são um momentoem que você caro estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do ISCED indigitada para acompanhar as suas sessões presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza pedagógica e/ou administrativa. O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% do tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida em que lhe permite situar, em termos do grau de aprendizagem com relação aos outros colegas. Desta maneira ficará a saber se precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade temática, no módulo. Tarefas (avaliação e auto-avaliação) O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues duas semanas antes das sessões presenciais seguintes. Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da disciplina/módulo. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 9 Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente. Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do autor. O plágio1 é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es). Uma transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um autor, sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade científica e o respeito pelos direitos autorais devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED). Avaliação Muitos perguntam: com é possível avaliar estudantes à distância, estando eles fisicamente separados e muito distantes do docente/tutor! Nós dissemos: sim é muito possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e consistente. Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial conta com um máximo de 10%) do total de tempo do módulo. A avaliação do estudante consta detalhada do regulamentado de avaliação. Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de frequência para ir aos exames. Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no 1 Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 10 mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência, determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira. A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira. Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) trabalhos e 1 (um) (exame). Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados como ferramentas de avaliação formativa. Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as recomendações, a identificação das referências bibliográficas utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros. Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de Avaliação. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 11 TEMA – I: INTRODUÇAO A PARASITOLOGIA. Unidade temática 1.1. Considerações gerais Introdução Estudar parasitologia é bastante instigante! Entender a ecologia do parasito na relação parasito-hospedeiro e como os sintomas são gerados. Entender como parasito e hospedeiro interagem mantendo o ciclo de vida do parasito. E, então, a partir daí, buscar intervir para quebrar a cadeia de transmissão e garantir a qualidade de vida do hospedeiro. Esta é a rotina de trabalho do pesquisador em parasitologia. Antes uma ciência muito descritiva, hoje a parasitologia lança mão de estratégias cada vez mais tecnológicas, como engenharia genética e biologia molecular. O estudo dos parasitos tem aberto novas frentes de pesquisa, por exemplo, para novas estratégias terapêuticas, novos métodos diagnósticos e o desenvolvimento de vacinas. Ao final desta unidade temática o leitor deverá ser capaz de: Objectivos específicos Definir a parasitologia e descrever suas generalidades; Compreender relações entre os seres vivos e parasitas. Noções de Parasitologia Parasitologia é o estudo dos parasitas ou doenças parasitárias, métodos de diagnósticos e controle de doenças parasitárias. Na maioria dos casos um organismo (o hospedeiro) passa a constituir o meio ecológico onde vive o outro (o parasita). Os três principais grupos de animais que se estuda na parasitologia são: protozoário, helmintas (vermes) e os artrópodes que causam doenças ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 12 diretamente ou agem como vetores de vários agentes patogénicos (parasitários ou não). Conceito de parasita É um ser vivo que depende de outro para sobreviver, de onde retira seu sustento prejudicando seu hospedeiro. A relação em si busca ser harmônica, minimizando os prejuízos para o hospedeiro. Mas se esta relação não se estabelece de forma satisfatória, a doença e a morte do hospedeiro, e consequentemente do parasito, acabam por vir. Classificação dos parasitas Classificação de acordo com o número de hospedeiros Monoxenos ou monogenéticos - são aqueles parasitas que realizam o seu ciclo evolutivo em apenas um único hospedeiro. Ex: Ascaris lumbricoides, Necator americanus. Figura 1. Ciclo de vida de do Ascaris lumbricoides. Fonte: https://www.researchgate.net/publication/259532883_Principais_parasitos_human os_de_transmissao_hidrica_ou_por_alimentos/figures?lo=1 https://www.researchgate.net/publication/259532883_Principais_parasitos_humanos_de_transmissao_hidrica_ou_por_alimentos/figures?lo=1 https://www.researchgate.net/publication/259532883_Principais_parasitos_humanos_de_transmissao_hidrica_ou_por_alimentos/figures?lo=1 ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 13 Heteroxenos ou digenéticos são os parasitas que necessitam de pelo menos dois hospedeiros para completarem o seu ciclo evolutivo, ou seja, possui hospedeiro definitivo e intermediário. Ex.: Schistosoma mansoni. Figura 2. Ciclo de vida do parasita Schistosoma haematobium. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Schistosoma#/media/File:Esquistossomose-2.png De acordo com à localização nos hospedeiros Ectoparasitas - são os que se instalam externamente ao hospedeiro. Ex.: sanguessuga, caraça, piolho e a pulga. Endoparasitas - são os que se instalam internamente ao hospedeiro. Ex.: Tênias. Quanto à especificidade Estenoxenos: afetam somente uma espécie de hospedeiro. Ex.: Ascaris lumbricóides. Eurixenos: afetam uma ampla variedade de hospedeiros.Ex:Toxoplasma gondii. https://pt.wikipedia.org/wiki/Schistosoma#/media/File:Esquistossomose-2.png ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 14 Oligoxenos: afetam hospedeiros específicos, famílias ou gêneros próximos. Ex: Echinococcus granulosus. Quanto ao número de células Unicelulares - uma única célula. Pluricelulares - mais de uma célula. Hospedeiro Todo aquele que abriga em si, dentro ou em sua superfície, o parasito. É o suporte de onde o parasito tira sua subsistência. Aproximando-se de uma relação harmônica, há hospedeiros que não manifestam sintomas, mas abrigam parte do ciclo biológico do parasito, e são, por isso, chamados de reservatórios. Tipo de hospedeiro Hospedeiro acidental ou incidental – hospedeiro, diferente do normal, que alberga um parasita. Hospedeiro definitivo – hospedeiro no qual ocorre a fase de desenvolvimento adulta ou sexuada do parasita. Hospedeiro intermediário – hospedeiro no qual ocorre a fase de desenvolvimento larvária ou assexuada do parasita. Hospedeiro reservatório – hospedeiro albergando parasitas que infetam seres humanos e dos quais os seres humanos podem-se infetar. Hospedeiro de transporte – hospedeiro responsável por transportar um parasita de um local para outro. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 15 Portador – hospedeiro que alberga um parasita e não exibe nenhum sintoma clínico, mas pode infetar outros. Termos associados à relação parasita – hospedeiro Simbiose É quando duas espécies se associam de tal forma que esses seres são incapazes de viver isoladamente. As espécies realizam funções complementares, indispensáveis à vida de cada um (simbiontes). Como exemplo temos algumas bactérias que vivem no interior de protozoários de vida livre. Os protozoários fornecem abrigo e fontes alimentares para as bactérias, que por sua vez, sintetizam substâncias (complexo B etc.) necessárias ao protozoário. Comensalismo É a associação harmônica entre duas espécies, na qual uma obtém vantagens (o hóspede) sem prejuízos para o outro (o hospedeiro). Exemplo: Entamoeba cozi vivendo no intestino grosso humano. O comensalismo pode ser dividido em: Forésia: é quando na associação uma espécie fomece suporte, abrigo ou transporte a outra espécie. Exemplo: o, peixe-piolho Echneis remora que, com auxílio de uma ventosa, se adere ao tubarão acompanhando- o nas suas caçadas e, frequentemente, alimentando-se das sobras. Alguns autores denominam a forésia "comensalismo epizóico". Inquilinismo: é quando uma espécie vive no interior de outra, sem se nutrir à custa desta, mas utilizando o abrigo e parte do alimento que a outra capturou. Exemplo: o peixe Fierasfer, que se abriga no interior de holotiinas e se alimenta de pequenos crustáceos. Sinfilismo ou protocooperação: ocorre quando duas espécies se associam para beneficio mútuo, mas ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 16 sem obrigatoriedade, isto é, a associação não é necessária para a sobrevivência de ambas. Exemplo clássico está entre as formigas (gênero Camponotus) que sugam as secreções de pulgões (afídeos) ou cigarrinhas (membracídeos), protegendoos contra inimigos naturais. Mutualismo É quando duas espécies se associam para viver, e ambas são beneficiadas. E uma associação obrigatória, sendo, por muitos autores, considerada como uma simbiose. O exemplo clássico é a associação que ocorre no intestino de cupins com os protozoários do gênero Hypermastiginia. Parasitismo É uma relação direta e estreita entre dois organismos geralmente bem determinados: o hospedeiro e o parasito, vivendo o segundo a custa do primeiro. A relação é essencialmente unilateral. O hospedeiro é indispensável ao parasito, que se separado dele morrerá por falta de nutrição. A organização do parasito se especializa correlativamente às condições em que vive sobre o hospedeiro, sendo a adaptação, a marca do parasitismo (monoxenos). Muitas vezes para que o parasito complete todo o seu ciclo de vida, ele necessita de um hospedeiro intermediário (heteroxenos). Tipos de parasitismo Ectoparasitos: podem obter o oxigênio diretamente do meio exterior, como o faz a Tunga penetrans (bicho-de-pé), que parasita a pele do porco ou do homem e o “berne” que também é parasito da pele, e mantém seus orifícios espiraculares voltados para fora, a fim de respirar. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 17 Endoparasitos: São parasitos das cavidades naturais ou tecidos e dependem totalmente de seus hospedeiros como fonte nutritiva. Parasitos facultativos: Parasitismo ocasional ou acidental, como por exemplo o caso da Naegleria fowleri, ameba de vida livre encontrada em algumas coleções de águas naturais, que eventualmente contaminam a mucosa nasal de banhistas, invadindo o sistema nervoso através dos nervos oftálmicos. Parasitos monoxenos: quando um único hospedeiro é necessário para que se complete o ciclo. Parasitos heteroxenos: quando o desenvolvimento de uma espécie exige uma passagem obrigatória através de dois ou mais hospedeiros, sempre na mesma sequência e nas mesmas fases. Em cada um desses hospedeiros completa-se uma parte do ciclo vital do parasito. Infeção x infestação Infeção. Penetração e desenvolvimento, ou multiplicação, de um agente infecioso dentro do organismo de humanos ou animais (inclusive vírus, bactérias, protozoários e helmintos). Infestação. É o alojamento, desenvolvimento e reprodução de artrópodes na superfície do corpo ou vestes. (Pode se dizer também que uma área ou local está infestado de artrópodes.) Existem dois parâmetros em que se baseia a classificação: localização e dimensão. O primeiro sugerido por uma reunião de especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS), é o mais utilizado atualmente. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 18 1. Localização: Infestação: Localização parasitária na superfície externa (ectoparasitas). Por exemplo: Carraças e piolhos. Infeção: Localização interna parasitária (endoparasitas). Por exemplo: Giardia lamblia e Schistosoma haematobium. Por esta definição, infeção seria a penetração seguida de multiplicação (microrganismo) ou desenvolvimento (helmintos) de determinado agente parasitário. 2. Dimensão: Infestação: corresponde ao parasitismo por metazoários. Por exemplo: Enterobius vermicularis e Schistosoma haematobium Infeção: definida pelo parasitismo por microrganismos. Por exemplo: Giardia lamblia e Trypanosoma cruzi. Em consequência, infeção seria a penetração seguida de multiplicação de microrganismo. Mecanismos de transmissão das parasitoses Para que seja definido tal mecanismo, deve ocorrer análise quanto à porta de entrada no organismo do hospedeiro (via de infeção) e neste momento se ocorreu ou não gasto de energia pelo parasita (forma de infeção). 1- Modo de transmissão Passiva - Quando não existe gasto de energia para a invasão. Ativa - Caso ocorra dispêndio energético para tal fim. 2- Via de transmissão ou porta de entrada Oral Cutânea ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 19 Mucosa Genital 3. Principais mecanismos de transmissão Passivo oral. Por exemplo: Ascaris lumbricoides. Passivo cutâneo. Por exemplo: Gênero Plasmodium Ativo cutâneo.Por exemplo: Trypanosoma cruzi Ativo mucoso. Por exemplo: T. cruzi Passivo genital. Por exemplo: Trichomonas vaginalis 4. Mecanismos particulares Transplacentário Transmamário Transfusional Por Transplantação. Sumário Nesta Unidade temática 1.1 abordamos sobres os principais conceitos de parasitologia, parasitas, hospedeiro e suas classificações, relações do parasita e hospedeiro e mecanismos de transmissão das parasitoses. Unidade temática 1.2. Indicadores da qualidade higiênico-sanitária de alimentos Introdução Microrganismos indicadores são grupos ou espécies de microrganismos que, quando presentes e um alimento, podem fornecer informações sobre a ocorrência de contaminação de origem fecal, sobre a provável presença de patógenos ou sobre a deterioração potencial do alimento, além de poderem indicar condições sanitárias inadequadas durante o processamento, produção ou armazenamento. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 20 Esses microrganismos indicadores podem ser utilizados para refletir a qualidade microbiológica dos alimentos em relação à vida de prateleira ou à segurança, neste ultimo caso, devido à presença de patógenos alimentares. Em geral, microrganismos indicadores são utilizados para avaliar aspetos de qualidade a sanificação dos alimentos. Alguns critérios devem ser considerados na definição de um microrganismo ou grupo de microrganismos indicadores: devem ser facilmente detetável, quantificado, claramente distinguido de outros microrganismos da microbiota do alimento; não deve estar presente como contaminante natural do alimento; deve estar presente quando o patógeno associado estiver; deve estar ausente no alimento livre do patógeno de interesse ou presente em quantidade mínima; taxa de crescimento equivalente às dos patógenos; taxa de morte paralela a dos patógenos de interesse; ter com habitat exclusivo o trato intestinal do homem e outros animais; deveria ocorrer em números muito altos nas fezes; apresentar alta resistência ao ambiente extra-enteral; deveria haver técnicas rápidas, simples e precisas para sua deteção e/ou contagem. Ao final desta unidade temática o leitor deverá ser capaz de: Objectivos específicos Conhecer os principais indicadores para avaliar as condições higiênica dos alimentos; Compreender utilidades de cada indicador. Coliformes totais e fecais A presença de coliformes é o melhor indicativo de deficiência na higiene no preparo dos alimentos. Os coliformes classificam-se em dois grupos, os coliformes totais e os coliformes fecais, que são rotineiramente utilizados como microrganismos indicadores para avaliar as condições higiênicas dos alimentos (BRITO & ROSSF, 2005). ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 21 Coliformes totais Inclui todas as bactérias na forma de bastonetes gram-negativos, não esporogênicos, aeróbios ou anaeróbios facultativos, capazes de fermentar a lactose com produção de gás, em 24 a 48 horas a 35ºC (CARDOSO et al., 2001). Estes coliformes pertencem aos gêneros bacterianos Escherichia, Enterobacter, Klebsiella e Citrobacter, incluindo cerca de 20 espécies, dentre as quais encontram-se tanto bactérias originárias do trato gastrintestinal de humanos e outros animais de sangue quente, como também diversos gêneros e espécies de bactérias não entéricas. Por isso, sua enumeração em água e alimentos é menos representativa, como indicação de contaminação fecal, do que a enumeração de coliformes fecais ou E. coli (SILVA, 2002). A principal razão para que sejam agrupados deve-se às suas muitas características comuns. São todos Gram negativos, não formadores de esporos, muitos são móteis, anaeróbios facultativos, resistentes a muitos agentes surfactantes e fermentam lactose produzindo ácido e gás em 48h a 32°C (leite) ou 35-37°C. Coliformes fecais são bactérias capazes de desenvolver e/ou fermentar a lactose com produção de gás em 24-48h a 44,5-45,5°C (RATTI et al., 2011). Quando esta análise é efetuada, busca-se a determinação de coliformes de origem gastrintestinal, porém sabe-se que cepas de Enterobacter e Klebsiella incluídas neste grupo podem apresentar origem não fecal (água, solo e vegetais). De acordo com BRITO & ROSSF (2005), a pesquisa de coliformes fecais ou de E. coli nos alimentos fornece com maior segurança, informações sobre as condições higiênicas do produto e melhor indicação da ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 22 eventual presença de enteropatógenos, sendo, utilizado como microrganismo indicador de contaminação fecal. O índice de coliformes totais avalia as condições higiênicas e o de coliformes fecais é empregado como indicador de contaminação fecal e avalia as condições higiênico-sanitárias deficientes, visto presumir- se que a população deste grupo é constituida de uma alta proporção de E. coli (CARDOSO et al., 2001). Bolores e leveduras Os fungos são microrganismos eucariotas, heterotróficos, caracteristicamente micelares, que se dividem em bolores e leveduras, com interesse não só do ponto de vista da deterioração dos alimentos, mas também pelas múltiplas utilizações industriais em que participam como agentes fermentativo. A grande dispersão dos bolores e leveduras no ambiente justifica a suas frequentes aparições como contaminantes nos produtos alimentares, visto que estes, em virtude da sua composição, constituem um excelente meio para a fixação e reprodução de grande número de espécies fúngicas, cuja proliferação ocorre com facilidade por serem mais tolerantes a fatores extremos que limitam o desenvolvimento bacteriano, como baixos valores de aw, pH e temperatura. Porém, a capacidade de desenvolvimento dos bolores a baixas temperaturas constitui um problema na conservação dos produtos cárneos quando estes, após o processamento térmico, são contaminados com esporos destes microrganismos que, desenvolvendo-se, vão alterar o aspecto e as características nutricionais e organolépticas dos produtos, abreviar a sua conservação e eventualmente contaminá-los com micotoxinas. São frequentes os géneros Aspergillus spp., Penicillium spp. e Fusarium spp.. Neste tipo de produtos, para além da qualidade das matérias-primas, o controlo do ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 23 desenvolvimento dos bolores e leveduras passarão pelos cuidados a ter com qualidade do ar nas zonas de alto risco em que o produto permanece após o processamento térmico e antes de ser embalado, na utilização de embalagens adequadas, a vácuo ou com atmosfera modificada, visto que são aeróbios estritos, ou pelo eventual recurso a conservantes. Na ausência de cuidados após o processamento térmico, desenvolvem-se geralmente leveduras pertencentes aos géneros Candida spp., Rhodotorula spp., Saccharomyces spp., Torulaspora spp. e Tricosporon spp., que por serem microaerófilas crescem em ambientes onde existem quantidades residuais de oxigénio como pode acontecer nas embalagens a vácuo ou em atmosfera modificada, passando nestes casos o seu controlo pela utilização de conservantes (BERG, 2014). Bolores são fungos filamentosos, multicelulares, podendo estar presente no solo, no ar, na àgua e em matéria-orgânica em decomposição. Leveduras são os fungos não filamentosos, normalmente disseminados por insetos vetores, pelo vento e pelas correntes aéreas. A presença de bolores e leveduras viáveis e em índice elevado nos alimentos pode fornecer varias informações,tais como, condições higiênicas deficientes de equipamentos, multiplicação no produto em decorrência de falhas no processamento e/ou estocagem e matéria- prima com contaminação excessiva. Enterococcus Essas bactérias, antes um subgrupo do gênero Streptococcus, a partir de 1984 passaram a pertencer ao gênero Enterococcus, com 19 espécies reconhecidas atualmente. Antes de 1984, os Estreptococcus fecais eram chamados genericamente de enterococos, e consistiam de duas espécies: Streptococcus faecalis e Streptococcus faecium. São atualmente denominados ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 24 Enterococcus faecalis e Enterococcus faecium. São relativamente resistentes ao calor e podem sobreviver as pasteurizações do leite. Algumas restrições quanto a utilização dos Enterococcus como indicadores de contaminação fecal dos alimentos são feitas, uma delas seria de encontrarmos em outros ambientes além do trato intestinal e apresentarem uma sobrevivência maior em relação aos enteropatógenos encontrados no solo, nos vegetais e em alimentos, principalmente naqueles submetidos à desidratação, ação de desinfetantes e a flutuações de temperatura por serem mais resistentes. Apesar das limitações do uso desses microrganismos como indicadores de contaminação fecal, sua presença em números elevados em alimentos indica práticas sanitárias inadequadas ou exposição do alimento a condições que permitiram a multiplicação de microrganismos indesejáveis. Sumário Em suma os microrganismos indicadores podem ser agrupados em: microrganismos que não oferecem riscos à saúde (mesófilos, psicrotróficos, termófilos, bolores e leveduras) e microrganismos que oferecem um risco baixo ou indireto à saúde (coliformes totais, coliformes fecais enterococos, enterobactérias totais, Escherichia coli). ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 25 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. O parasitismo é uma relação ecológica: A. Intraespecífica e harmônica. B. Intraespecífica e desarmônica. C. Intraespecífica e positiva. D. Interespecífica e harmônica. E. Interespecífica e desarmônica. 2. Todos os organismos citados a seguir são exemplos de endoparasitas, exceto: A. Tênia. B. Piolho. C. Vírus da gripe. D. Vírus da AIDS. E. Lombriga. 3. Os parasitas são organismos que interagem com outros seres vivos, dos quais retiram seu alimento. Na relação entre o homem e o piolho, o homem pode ser chamado de: A. inquilino. B. parasita. C. hospedeiro. D. patógeno. E. antígeno. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 26 4. Com relação aos parasitas e às doenças que causam, pode-se afirmar que: I. A larva cercária do Schistosoma haematobium penetra no homem pela pele, causando-lhe a schistossomose. II. A teníase é a doença causada pela Taenia solium ou pela Taenia saginata. III. A cisticercose é a doença causada pela larva da Taenia solium. IV. A lombriga ou ascaridíase é a doença causada pelo Ascaris lumbricoides. V. A opilação ou amarelão é a doença causada pelo Necator americanus ou pelo Ancylostoma duodenale. VI. A filariose, que pode originar a elefantíase, é causada pela Wuchereria bancrofti. Estão corretas: A. todas. B. apenas I, II, III, IV e V. C. apenas I, II, IV, V e VI. D. apenas II, III, IV e VI. E. apenas I, III, V e VI. 5. Interação ecológica entre indivíduos de espécies diferentes, em que os parceiros estabelecem entre si relações íntimas e duradouras com certo grau de dependência metabólica. Onde existe unilateralidade de benefícios. A. Simbiose B. Parasitismo C. Mutualismo D. Canibalismo E. Comensalismo ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 27 6. Com relação a relação parasita e hospedeiro é correto afirmar que: A. A relação de parasitismo surgiu a partir de uma evolução onde um organismo menor foi beneficiado. B. Para que ocorra o parasitismo é necessário sempre que o hospedeiro apresente sintomatologia. C. Na relação de parasitismo onde apresenta o quadro assintomático é que ambos são beneficiados. D. Na relação de parasitismo a relação é de benefício mútuo. E. No parasitismo a relação hospedeiro e parasita é independente. 7. A especificidade parasitária é característica, às vezes, difícil de ser determinada, em virtude das diferentes possibilidades de adaptação entre parasitos e novos hospedeiros, também muito influenciadas pelas condições do ambiente. Quanto à especificidade são classificados em Estenoxeno, Eurixeno e Oligoxeno. Assinale a alternativa incorreta. A. Parasitas estenoxenos possuem alta especificidade B. Parasitas oligoxeno possuem ampla especificidade C. O Trichuris trichiura é um parasita estenoxeno D. Plasmodium malariae é um parasita oligoxeno E. O Toxoplasma gondii é um parasita eurixeno Respostas: 1E, 2B, 3C, 4A, 5B, 6A, 7B Exercícios do TEMA 1. O que são Fungos? 2. Por que os coliformes são considerados indicadores de contaminação fecal? ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 28 3. Qual é a diferença entre coliformes fecais e coliformes totais? 4. Quais são os quatros principais género de bactérias do grupo coliforme, qual o principal representante do grupo? 5. Menciona as principais vias de transmissão ou porta de entrada dos parasitas? 6. Qual é a diferença entre infeção e infestação? 7. Dê exemplos de quatro ectoparasitos e endoparasitas. 8. Classifica os parasitas quanto a especificidade e dê um exemplo? 9. Cite os tipos de hospedeiros? 10. Quais são os quatro principais gêneros de bactérias do grupo coliforme, qual o principal representante do grupo ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 29 TEMA – II: PRINCIPAIS PARASITOSES CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS Unidade temática 2.1. Doença de Chagas ou Tripanossomíase africana Introdução Doença de Chagas ou Tripanossomíase africana foi notificada pela primeira vez por Carlos Chagas em 1909. Nesta notificação o protozoário Trypanosoma cruzi (T. cruzi) foi considerado agente etiológico. Após esta descrição, a biologia do parasito e, consequentemente, a transmissão da doença de Chagas foi associada à presença de reservatórios mamíferos e a hospedeiros intermediários triatomíneos. O ciclo biológico ocorre naturalmente no ambiente silvestre vindo a afetar o homem após migrações e/ou invasão de ambiente natural (MATTOS & BERTO, 2010). Esta doença infecciosa é causada pelos parasitas Trypanosoma brucei gambiense ou Trypanosoma brucei rhodesiense causam esta doença infeciosa, e a mosca tsé-tsé transmite a doença. Para BARROSO et al. 2014, as tripanossomoses humanas são o segundo maior entrave ao desenvolvimento de zonas rurais nos trópicos, ultrapassadas apenas pela malária. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos Conhecer os agentes etiológicos; Conhecer os mecanismos de transmissão; Descrever as manifestações clinicas e tratamento da tripanossomíase americana; Conhecer as medidas preventivas. Agente etiologia A tripanossomíase americana conhecida como doença de Chagas é causada pelos protozoários T. cruzi (KRATZ et al .,2018) e é transmitida pela espécie Triatoma da família Reduviidae. T. cruzi um agente ISCED CURSO:NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 30 hemoflagelante protozoário da ordem Kinetoplastida e família Trypanosomatidae. Epidemiologia A distribuição da doença está ligada às más condições de habitação da população rural de vasta zonas de América Latina, que permitem a domiciliação dos vetores. A doença é endémica em 21 paises americanos (figura 3), atingindo, segundo as últimas estimativas de 2006, 15 milhões de indivíduos e resultando em 41 200 novos casos por ano com 12 500 mortes. A doença pode também ser transmitida por via congénita, por transfusão de sangue ou transplantação (BARROSO et al., 2014). De acordo com ANTINORI et al (2017), refere que o intenso fluxo de migrantes latino-americanos para a Europa (especialmente para Espanha, Portugal e Itália) registrados desde a década de 90 foram associados a um aumento dramático de casos de doença de chaga diagnosticados em países não endêmicos, com importantes implicações para a saúde pública e a mundialização de fato de uma doença. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 31 Figura 3. Áreas endémicas para a doença de chagas. Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Distribution_of_Chagas%27_disease.sv g Ciclo de vida do parasita O ciclo de vida do T. cruzi é complexo (figura 4), com diferentes desenvolvimentos formas em vetores de insetos (epimastigotas e tripomastigotas metacíclicos) e hospedeiros mamíferos incluindo humanos (tripomastigotas não replicativos da corrente sanguínea e amastigotas intracelulares replicativos). O vetor triatomínico é infetado pela ingestão de parasitas circulantes (tripomastigotas) em uma refeição de sangue de um hospedeiro humano infetado. No intestino médio do vetor, os tripomastigotas se diferenciam em epimastigotas e se replicam. As epimastigotas ao atingir o intestino posterior se diferenciam em tripomastigotas metacíclicos infeciosos, que são ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 32 excretados com as fezes do vetor. No intestino médio posterior, os epimastigotas se ligam às membranas perimicrovilares através dos glicofosfatidilinositóis de superfície e se dividem por fissão binária. Uma vez no intestino grosso, os epimastigotas se ligam fracamente à cutícula retal e se transformam em tripomastigotas metacíclicos. O T. cruzi é transmitido por depósitos de matéria fecal, pois os vetores de triatomíneos infetados levam a farinha de sangue de hospedeiros humanos adormecidos à pele. A coceira produzida pela picada do vetor induz o indivíduo a coçar. Assim, os tripomastigotas metacíclicos podem entrar em lesões cutâneas ou na conjuntiva; a ingestão oral de alimentos ou bebidas contaminadas com fezes de reduvião infetadas também causa infeção humana. Os tripomastigotas metacíclicos expressam uma glicoproteína de superfície específica do estágio de 82 kDa (GP82), uma importante molécula de adesão celular, responsável na internalização do parasita. Uma vez no hospedeiro humano, os tripomastigotas metacíclicos invadem as células nucleadas no sistema reticuloendotelial localizado e no tecido conjuntivo. No citoplasma, os tripomastigotas metacíclicos diferenciam-se em formas amastigotas esféricas, que se replicam por fissão binária, com um tempo de duplicação de cerca de 12 horas, durante um período de 4 a 5 dias. Quando a célula está inchada com formas amastigotas, elas se transformam em tripomastigotas pelo crescimento de flagelos, e são liberadas pela ruptura da célula hospedeira. Os tripomastigotas invadem os tecidos adjacentes e se espalham por meio dos vasos linfáticos e da corrente sanguínea até locais distantes, principalmente células musculares (cardíacas, lisas e esqueléticas) e células ganglionares, onde passam por mais ciclos de multiplicação intracelular. O ciclo de transmissão é completado quando tripomastigotas circulantes são tomados em refeições de sangue por vetores de ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 33 triatomíneos. Os vertebrados silvestres, como o tatu e o guaxinim, e os animais domésticos (principalmente cães e gatos) servem como reservatórios para o T. cruzi. Figura 4. ciclo de vida de T. cruzi. Fonte: https://pt.slideshare.net/KROLZITA/doena- de-chagas-5834735 Mecanismo de transmissão De acordo com Neves et al. 2005, a doença de Chaga transmite-se por: transmissão sanguínea, transplante, coito, transmissão pelo vetor, acidentes laboratório, transmissão congênita e transmissão oral. Manifestações clínicas Murray et al. 2017 refere que a doença de chagas pode ser assintomática, aguda ou crónica. Um dos primeiros sinais é o desenvolvimento de uma área eritematosa e endurecida, chamada de chagoma, no local da picada do inseto. Esta doença é mais grave em criança com menos de 5 anos e é frequentemente vista como um processo agudo que acomete o sistema nervoso central (SNC). ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 34 Na fase aguda a doença de Chaga é caracterizada por febre, calafrios, mal-estar, mialgia e fadiga, entretanto se apresentam escassos em pacientes com mais de um ano. O paciente pode morrer poucas semanas após um ataque agudo, pode se recuperar ou pode entrar na fase cronica, na qual os organismos proliferam e invadem o coração, fígado, baço, cérebro e linfonodos. Na fase crônica esta infeção caracteriza-se por hepatosplenomegalia, miocardite e aumento do tamanho do esôfago e do cólon com resultado da destruição de células nervosas (p. ex. plexo de Auerbach) e de outros tecidos que controlam o crescimento desses órgãos. Megacardia e alterações eletrocardiográficas são comumente observadas na doença crônica. O envolvimento do SNC, produz granulomas no cérebro, com formação de cistos e meningoencefalite. A morte resultante da doença de chagas crônica é uma consequência da destruição tecidual que ocorre em muitas áreas invadidas pelos organismos, e a morte repentina resulta de um bloqueio cardíaco completo e de dano cerebral. Tratamento Estão disponíveis dois fármacos para o tratamento da doença de Chagas: nifurtimox e benznidazol ambos de uso oral (KRATZ et al., 2018; ANTINORI et al., 2017; MURRAY, 2017). O nifurtimox é administrado 8 a 10 mg/kg/dia em adultos, 12,5 mg / kg por dia em adolescentes e 15 a 20 mg / kg por dia em crianças tudo com uma durante 90 a 120 dias (BARROSO et al., 2014). Efeitos colaterais incluem náuseas, vómitos, diarreia, perda de peso, irritabilidade, perturbações do sono, neuropatia periférica. A tolerância nas crianças é melhor do que adultos. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 35 O benzonidazol é administrado 5 a 7 mg/kg/dia, durante 60 dias( KRATZ et al., 2018). Este fármaco causa com frequência reações de hipersensibilidade habitualmente moderada, mas que podem ser graves e de difícil controlo. Prevenção e controle O controle dos triatomíneos, a erradicação de seus ninhos e a construção de casas para prevenir o alojamento dos insetos também são essenciais. Uso de diclorodifeniltricloroetano (DDT) em casas infestadas por insetos tem demonstrado uma queda na transmissão da malaria e da doença de chagas. A triagem do sangue pela utilização de meios sorológicos ou da exclusão de doadores de sangue provenientes de áreas endêmicas previne algumas infeções que poderiam estar associadas à transfusãoterapêutica. Programas educacionais sobre a doença e sua transmissão, desenvolvimento para informar pessoas em áreas endêmicas. O desenvolvimento de uma vacina é possível, uma vez que T. cruzi não apresenta a variação antigénica observada nos tripanossomos africanos. Sumário Nesta Unidade temática 2.1 estudamos e discutimos fundamentalmente a doença de chagas, também conhecida como tripanossomíase americana, é causada pelo protozoário tripanossomatídeo T. cruzi que, em seu ciclo de vida natural, é ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 36 transmitido por vetores de triatomíneos. Estudos parasitológicos são úteis para confirmar casos agudos, enquanto o diagnóstico de infecção crônica por T. cruzi se baseia em métodos sorológicos. Não há vacina para prevenir a infeção, e o tratamento é restrito ao nifurtimox e ao benzonidazol; e, portanto, novos medicamentos eficazes com menores efeitos colaterais são urgentemente necessários. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 37 Unidade temática 2.2. Leishmaniose. Introdução Leishmanioses é uma doença tropical causadas por protozoários do gênero Leishmania e transmitidas por mosquitos da família dos flebotomíneos. De referir que Leishmania são protozoários flagelados que existem sob a forma de promastigota no hospedeiro inseto e sob a forma amastigota nas células macrofágicas dos hospedeiros vertebrados, transmitidas ao Homem por picada de insetos hematófagos dos géneros Phlebotomos e Lutzomynia. De acordo com BURZA (2018), existem cerca de 20 espécies do género Leishmania causam doença no Homem. As principais incluem: membros do complexo Leishmania donovani (L. donovani, L, infantum e L. chagasi) associados a doença sistémica (Kala-azar) habitualmente fatal sem tratamento; L. tropica e L. major, causadoras de lesões cutâneas geralmente benignas; e membros dos complexos L. braziliensis, ocasionando formas mucocutâneas da doença, frequentemente graves e mutilantes. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos Conhecer agente etiológico e os tipos de lesihmanioses; compreender o ciclo biológico do parasita leishmania; Conhecer as principais manifestações clinicas da leishmaniose cutânea, visceral e mucocutânea; Conhecer o tratamento e medidas preventivas. Agente etiológico Para REYS (2010) os protozoários que causam as leishmaníases humanas são flagelados da familia Trypanosomatidae do gênero Leishmania caracterizados por apresentarem apenas duas formas durante seu ciclo vital: ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 38 a) forma amastigota, quando os parasitos estão no interior das células dos hospedeiros vertebrados; b) forma promastigota, quando se desenvolvem no tubo digestivo dos hospedeiros invertebrados (insetos flebotomíneos), bem como nos meios de cultura. Modo de transmissão LISBOA et al. (2016) refere que as Leishmanias são transmitidas aos animais e aos homens pela picada dos flebotomínios pertencentes à ordem díptera da família Psychodidae, denominados flebótomos na linguagem vulgar. Leismaniose pode ser transmitido por transfusão sanguínea, transmissão vertical e por acidente de laboratório (BARROSO et al., 2014). Usuários de drogas transmitem a leishmaniose por meio do compartilhamento de agulhas (FERRAR et al.,2014). Período de incubação Este período, que corresponde ao tempo decorrido entre a picada do inseto e o aparecimento de lesão inicial, varia entre duas semanas e três meses (NEVES, 2005). Ciclo de vida Os ciclos de vida das leishmânias são muito semelhantes nas leishmanioses cutânea, mucocutânea e visceral (MURRAY et al, 2017). Possuem ciclo biológico heteroxênico necessitando assim de dois hospedeiros (figura 5), um vertebrado, representado por canídeos silvestres e domésticos, além de roedores e humanos, e de um invertebrado, representado pelo inseto vetor (LISBOA et al., 2016). Os dois tipos de transmissão existentes para a leishmaniose visceral são: ciclo zoonótico, onde a doença é transmitida ao homem a partir de um vetor que fez ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 39 o repasto sanguíneo em reservatório animal e o ciclo antroponótico, onde é transmitida de homem para homem através do vetor. Durante o processo de alimentação do flebotomíneo é que ocorre a transmissão do parasita. Na tentativa da ingestão do sangue, as formas promastigotas são introduzidas no local da picada. Dentro de quatro a oito horas, estes flagelados são interiorizados pelos macrófagos teciduais. A saliva do flebotomíneo possui neuropeptideos vasodilatadores que atuam facilitando a alimentação do inseto e ao mesmo tempo imunossuprimindo a resposta do hospedeiro vertebrado; desta forma, exerce importante papel no sucesso da infectividade das promastigotas metaciclicas. O macrófago estende pseudópodos que envolvem o parasito, introduzindo-o para o seu interior, envolto pelo vacúolo fagocitário. Rapidamente as formas promastígotas se transformam em amastígotas que são encontradas 24 horas após a fagocitose. Dentro do vacúolo fagocitário dos macrófagos, as amastigotas estão adaptadas ao novo meio fisiológico e resistem a ação destruidora dos lisossomas, multiplicando se por divisão binaria até ocupar todo o citoplasma. O núcleo do macrófago chega a deslocar-se do centro, para dar lugar ao vacúolo com as amastígotas. Esgotando-se sua resistência, a membrana do macrófago se rompe liberando as amastígotas no tecido, sendo novamente fagocitadas, iniciando no local uma reação inflamatória. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 40 Figura 5. ciclo de vida do parasita Leishmania. Fonte: Martins & Lima (2013). Manifestações clínicas Dependendo da espécie de Leishmania envolvida, a infeção pode resultar em uma doença cutânea, cutânea difusa, mucocutânea ou visceral. A leishmaniose visceral é caracterizada principalmente por febre – que pode assumir os mais variados padrões e é frequentemente pouco valorizada-, aumento progressivo do baço com dor abdominal, anemia, perda de peso e apatia. Sem tratamento, a progressão resulta em morte por infeção secundária. A maioria das infeções é subclínica, com cura espontânea, ou seguida de período quiescência; a imunossupressão, seja ela iatrogénica, associada à destruição proteico-calórica, ou relacionada com coinfecção pelo HIV, pode ativar a infeção latente. As formas cutâneas são caracterizadas por lesões ulceradas típicas, mais muitas apresentações (formas secas, lupoides, pseudotumorais, etc.) são possíveis. Nas formas mucocutâneas há ulceração progressiva de mucosa oral ou faríngea, ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 41 surgindo meses ou anos após a lesão cutânea inicial, tipicamente com destruição do septo nasal. Epidemiologia As leishmanioses estão presentes nas zonas intertropicais e temperadas do Novo Mundo (Américas) e Velho Mundo (África, Eurásia) (BARROSO et al.2014). Em todo o mundo um total de 350 milhões de pessoas encontram-se em áreas de risco. Estima-se que 500.000 novos casos ocorrem anualmente, com cerca de 59.000 óbitos em vários países da Europa, Ásia, Oriente Médio, África e Américas, dos quais mais noventa por cento dos casos ocorrem em apenas cinco países: Índia,Bangladesh, Nepal, Sudão e Brasil (figura 6) (LISBOA et al., 2016). A leishmaniose visceral humana é endêmica nas regiões tropicais e subtropicais da Ásia, África, Américas Central e do Sul (figura 7). No Sul da Europa mais de 70% dos casos em adultos estão associados à infeção por HIV e mais de 9% dos pacientes com AIDS também são acometidos por esta endemia. Na sua maioria, as leishmânias são parasitas dos canídeos selvagens ou domésticos ou de roedores, constituindo zoonoses. Figura 6. Distribuição geográfica da leishmanias visceral em todo o mundo em 2016 ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 42 Fonte: BURZA et al., 2018 Figure 7. Distribuição geográfica da leishmanias cutânea em todo o mundo em 2016. Fonte:https://www.who.int/leishmaniasis/burden/Status_of_endemicity_of_CL_worldwide_20 16with_imported_cases.pdf?ua=1 Tratamento O fármaco de escolha para todas as formas de leishmanioses é o composto antimonial pentavalente estibogluconato de sódio (Pentostam). A terapia-padrão para o tratamento da leishmaniose cutânea consiste em injeções de compostos antimoniais diretamente na lesão ou por via parenteral. Há pouco tempo, o fluconazol e a miltefosina se mostraram eficazes. Entre outros fármacos estão a anfotericina B, a pentamidina e várias formulações de paromomicina. O estibogluconato permanece como fármaco de escolha para o tratamento da leishmaniose mucocutânea, tendo como alternativa a anfotericina B. Prevenção e controle A Prevenção a nível individual apela redução do contacto Homem – vetor (repelentes, inseticidas, redes mosquiteiras). O controlo das leishmanias requer ações complexas de controlo vetorial combinadas com a redução ou eliminação do reservatório animal. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 43 Sumário Nesta Unidade temática 2.2 estudamos e discutimos fundamentalmente a leishmaniose é uma zoonose relatada principalmente em países de clima tropical e sistêmica. Estas enfermidades são provocadas por protozoários do gênero Leishmania, que de acordo com a espécie podem produzir manifestações cutâneas, mucocutânea, cutânea difusa e viscerais. transmitida por flebotomínios. Por ser uma zoonose que afeta tanto o homem quanto os animais. Estima-se que no mundo tem por ano 2 milhões de novo casos. Mais que 350 milhões de pessoas vivem em áreas com transmissão de Leishmania e casos são relatados em 98 países da América do Sul, África, sul da Europa e Ásia. A doença é relacionada à pobreza e é uma das "Doenças Tropicais Negligenciadas". Leishmanioses são frequentemente classificados pela sua localização geográfica, Velho Mundo (Europa, Ásia e África) ou no Novo Mundo (Américas). Pelo menos 20 espécies do gênero Leishmania são patogênicas para os humanos. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 44 Unidade temática 2.3. Malária Introdução A malária é um problema de saúde a nível mundial significativo com uma carga de doenças substancial em todo o mundo. Em 2017, houve aproximadamente 219 milhões de casos de malária, responsáveis por cerca de 435000 mortes, a maioria no continente africano (World Malaria Report 2018). A malária resulta da infecção por parasitas unicelulares pertencentes ao gênero Plasmodium . Sabe-se que cinco espécies de Plasmodium causam doenças em humanos: P. falciparum, P. vivax , P. ovale , P. malariae e P. knowlesi . Globalmente, P. falciparum e P. vivax são responsáveis pela maioria dos casos de malária. Enquanto P. falciparum é responsável por mais mortes, P. vivax é a mais disseminada de todas as espécies de malária, pode causar infecções graves e até fatais e resulta em significativa morbidade e mortalidade global. Ao final desta unidade temática o leitor deverá ser capaz de: Objectivos específicos Conhecer agente etiológico da malária; Conhecer o ciclo biológico e modo de transmissão; Conhecer manifestações clinicas da malária; Conhecer tratamento da malária e medidas preventivas. Agente etiológico Segundo TRAMPUZ et al. (2003), malária é uma doença causada por protozoários intraeritrocitários obrigatórios do gênero Plasmodium. Os seres humanos podem ser infectados com uma (ou mais) das seguintes quatro espécies: P. falciparum , P. vivax , P. ovale e P. malariae . Classificação Reino Protista ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 45 Filo Apicomplexa Classe Aconoidasida Ordem Haemosporida Família Plasmodiidae Gênero Plasmodium Epidemiologia A malária é uma doença parasitaria com grandes impactos a nível de saúde publica em todo o mundo. Estima-se que 300-500 milhões de pessoas contraem a malária a cada ano, resultando em 1.5-2.7 milhões de mortes por ano a nível mundial (figura 8). Devido ao aumento das viagens globais e à imigração de pessoas de áreas endêmicas para malária, a incidência de casos importados de malária em países desenvolvidos aumentou. Espera-se que aproximadamente 10 000 a 30 000 viajantes de países (TRAMPUZ et al., 2003). Segundo dados da WHO ( 2018), refere que houve 219 milhões de casos e 435.000 mortes relacionadas em 2017. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 46 Figura 8. Distribuição global do Plasmodium falciparum e Plasmodium vivax Fonte: FARRAR et al., 2014 Ciclo de vida do parasite Plasmodium Quando o mosquito anofelino infetado faz uma refeição de sangue, os esporozoítos são inoculados na corrente sanguínea. Dentro de uma hora, os esporozoítos penetram nos hepatócitos e começam a dividir- se em merozoitos exoeritrocíticos (esquizogonia tecidular). Para P. vivax e P. ovale, formas dormentes denominadas hipnozoítas geralmente permanecem quiescentes no fígado até um tempo posterior; P. falciparumn ão produz hypnozoites. Uma vez que os ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 47 merozoitos saem do fígado, eles invadem os eritrócitos e se desenvolvem em trofozoítos precoces, que são em forma de anel, vacuolados e não-colonizados. Uma vez que o parasita começa a se dividir, os trofozoítos são chamados de esquizontes, consistindo de muitos merozoítos filhos (esquizogonia do sangue). Eventualmente, os eritrócitos infetados são lisados pelos merozoítas, que posteriormente invadem outros eritrócitos, iniciando um novo ciclo de esquizogonia. A duração de cada ciclo em P. falciparum é de cerca de 48 horas. Em seres humanos não imunes, a infeção é ampliada cerca de 20 vezes a cada ciclo. Depois de vários ciclos, alguns dos merozoítos se desenvolvem em gametócitos, o estágio sexual da malária, que não causam sintomas, mas são infeciosos para os mosquitos (figura 9)(TRAMPUZ et al., 2003). Figura 9. Ciclo de vida das espécies de Plasmodium causadoras de malária em humanos. Fonte: FRANÇA et al., 2008 Modo de transmissão ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 48 A malária pode ser transmitida por via transfusional, transplacentária (malária congénita) durante a partilha de seringa por toxicodependentes ou em acidentes de laboratório, mas a transmissão natural faz-se principalmente pela picada de fêmeas de mosquitos Anopheles. Manifestações clínicas Os sintomas da malária são febre, calafrios,cefaléia, vômito, anorexia, fadiga, diarreia e anemia. Se não tratada adequadamente a doença pode apresentar complicações como edema pulmonar, complicações renais, icterícia e obstrução de vasos sanguíneos no cérebro (nos casos graves da doença), situação que poderá levar à morte do indivíduo. As infeções malariais que ocorrem no homem são conhecidas conforme as espécies do protozoário envolvido. Deste modo, tem-se: a malária falciparum, também conhecida como malária grave ou maligna que ocorre principalmente na África subsaariana, mas também está presente em todas as regiões tropicais do mundo; a malária vivax, chamada de malária benigna, muito comum na América do Sul e que também é a forma de malária mais largamente distribuída e observada em regiões temperadas do mundo; a malária malariae, que tem a mesma distribuição geográfica da malária falciparum, embora seja muito menos prevalente e ocorra em zonas mais restritas, e a malária ovale que ocorre quase exclusivamente na África (STANLEY et al., 1991). A malária falciparum tem um período de incubação de 1 a 3 semanas (média de 12 dias), sendo também a forma mais grave da doença, pois leva um maior número de doentes à morte. A malária vivax, também conhecida como “terçã” benigna, pois é caracterizada pela intermitência dos ataques paroxísticos da doença provenientes da infeção eritrocítica que ocorrem a cada 3 dias, é a forma de malária mais ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 49 frequente no Brasil, tendo um período de incubação de 1 a 4 semanas (média de 2 semanas). A malária malariae é a forma “quartã” da doença, com intermitência a cada 4 dias e um período de incubação de 2 a 4 semanas (média de 3 semanas). Além dos sintomas gerais, esta for- ma da doença pode também causar nefrites. A malária ovale, que tem um período de incubação de 9 a 18 dias (média de 14 dias), é basicamente uma forma terçã da doença, que ocorre quase exclusivamente na África (FRANÇA et al., 2008). Tratamento Tratamento da malária sem complicações Tratamento de infeções por P. falciparum A OMS recomenda terapias combinadas à base de artemisinina (ACTs) para o tratamento da malária não complicada causada pelo parasita P. falciparum . Combinando 2 ingredientes ativos com diferentes mecanismos de ação, os ACTs são os medicamentos antimaláricos mais eficazes disponíveis atualmente. Atualmente, a OMS recomenda 5 ACTs para uso contra a malária por P. falciparum. A escolha do ACT deve basear-se nos resultados de estudos de eficácia terapêutica contra estirpes locais de malária por P. falciparum. Tratamento de infeções por P. vivax As infecções por P. vivax devem ser tratadas com ACT ou cloroquina em áreas sem P. vivax resistentes à cloroquina . Em áreas onde o P. vivax resistente à cloroquina foi identificado, as infecções devem ser tratadas com um ACT, de preferência em que o medicamento parceiro tenha uma meia-vida longa. Com exceção da combinação ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 50 de artesunato + sulfadoxina-pirimetamina (AS + SP), todos os ACTs são eficazes contra as infecções do estágio de sangue de P. vivax. Tratamento de malária severa A malária grave deve ser tratada com artesunato injetável (intramuscular ou intravenoso) por pelo menos 24 horas e seguida por um ciclo completo de 3 dias de ACT, uma vez que o paciente possa tolerar medicamentos orais. Quando o tratamento injetável não pode ser administrado, crianças com menos de 6 anos de idade com malária grave devem receber um tratamento de pré-referência com artesunato retal antes de serem encaminhadas imediatamente para uma unidade de saúde onde o nível total de cuidado possa ser fornecido. É essencial que nem os medicamentos injetáveis à base de artemisinina nem os supositórios de artesunato sejam utilizados como monoterapias - o tratamento inicial da malária grave com estes medicamentos deve ser completado com um tratamento de 3 dias com um ACT. Isto é para garantir a cura completa e prevenir o desenvolvimento de resistência aos derivados de artemisinina. Prevenção e Controle A prevenção da malária a nível individual baseia-se na aplicação das medidas para evitar as picadas de anófeles (repelentes, inseticidas, redes mosquiteiras, ar condicionado e ventoinhas, uso de roupa adequada) e na quimioprofilaxia. Os principais fármacos usados na profilaxia da malária incluem mefloquina, atovaquona + proguanilo e doxiciclina. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 51 Sumário Nesta Unidade temática 2.3 estudamos e discutimos fundamentalmente sobre a malária. Onde vimos que a malária representa uma emergência médica porque pode progredir rapidamente para complicações e morte sem tratamento imediato e apropriado. A malária severa é quase exclusivamente causada por Plasmodium falciparum. A incidência de malária importada está aumentando e a taxa de letalidade continua alta apesar do progresso na terapia intensiva e tratamento antimalárico. A quinina e a quinidina por via intravenosa são as drogas mais utilizadas no tratamento inicial da malária falciparum grave, enquanto os derivados de artemisinina são atualmente recomendados para casos resistentes à quinina. Assim que o paciente estiver clinicamente estável e capaz de engolir, o tratamento oral deve ser administrado. O volume intravascular deve ser mantido no nível mais baixo, suficiente para perfusão sistêmica adequada para evitar o desenvolvimento de síndrome do desconforto respiratório agudo. A terapia de reposição renal deve ser iniciada precocemente. A transfusão sanguínea de troca tem sido sugerida para o tratamento de pacientes com malária severa e alta parasitemia. Para o diagnóstico precoce, é fundamental considerar a malária em todos os pacientes febris com histórico de viagens em uma área endêmica para malária. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 52 Unidade temática 2.4. Toxoplasmose Introdução A toxoplasmose é uma zoonose e a infeção é muito frequente em várias espécies de animais: mamíferos (principalmente carneiro, cabra e porco) e aves. O gato e alguns outros felídeos são os hospedeiros definitivos ou completos e o homem e os outros animais são os hospedeiros intermediários ou incompletos (REYS. 2010). Ela tem por causa o Toxoplasma gondii, um protozoário de distribuição geográfica mundial, com alta prevalência sorológica, podendo atingir mais de 60% da população em determinados países. No entanto, os casos de doença clínica são menos frequentes. Nestes, a forma mais grave é encontrada em crianças recém-nascidas, sendo caracterizada por encefalite, icterícia, urticária e hepatomegalia, geralmente associada a coriorretinete, hidrocefalia e microcefalia, com altas taxas de morbidade e mortalidade. A toxoplasmose vem apresentando quadro grave de evolução em indivíduos com o sistema imune gravemente comprometido causando encefalite, retinite ou doença disseminativa. Entre o grupo de risco incluem-se os receptores de órgãos, indivíduos em tratamento quimioterápico e aqueles infectados com HIV (NEVES et al.,2005). Ao completar esta unidade, o leitor devera ser capaz de: Objectivos específicos Descrever o ciclo biológico do parasita T. gondii. Conhecer mecanismos da transmissão da toxoplasmose. Conhecer os sintomas e sinais clínicos da infeção provocada por T. gondii. Conhecer tratamento e medidas de prevenção. ISCEDCURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 53 Agente etiológico o agente causal, Toxoplasma gondii é um protozoário coccídio intracelular, próprio dos gatos, e que pertencem à família Sarcocystidae, da classe Sporozoa. Ciclo de vida do parasita Após ingestão pelo gato de tecidos contendo oocistos ou cistos, estes são liberados no organismo e penetram no epitélio intestinal onde sofrem reprodução assexuada seguida de reprodução sexuada se transformando em oocistos, podendo ser excretados junto com as fezes (figura 10). Os oocistos não esporulados necessitam de 1 a 5 dias para se esporularem no ambiente, tornado-se infectivos. Oocistos podem sobreviver durante meses no ambiente e são resistentes a desinfetantes, congelamento e processo de secagem, mas destruídos pelo aquecimento a 70ºC por 10 minutos. Figura 10. Ciclo de vida do parasita Toxoplasma gondii. Fonte: https://curiosoando.com/como-es-el-ciclo-de-vida-de-toxoplasma gondii#&gid=1&pid=1 https://curiosoando.com/como-es-el-ciclo-de-vida-de-toxoplasma%20gondii#&gid=1&pid=1 https://curiosoando.com/como-es-el-ciclo-de-vida-de-toxoplasma%20gondii#&gid=1&pid=1 ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 54 Modo de transmissão De acordo com NEVES et a., (2011) o ser humano adquire a infeção por três vias principais: Ingestão de oocistos presentes em alimento ou água contaminadas, jardins, caixas de areia, latas de lixo ou disseminados mecanicamente por moscas, baratas, minhocas etc. Ingestão de cistos encontrados em carne crua ou malcozida especialmente do porco e do carneiro. Os cistos resistem por semanas ao frio, mas o congelamento a 12oC ou o aquecimento acima de 67oC os matas. Congênita ou transplacentária: o risco da transmissão uterina cresce de 14% no primeiro trimestre da gestação apos a infeção materna primária até 59% no ultimo trimestre da gestação. É importante ressalvar que as mulheres que apresentam sorologia positiva antes da gravidez têm menos risco de infetar seus fetos do que aquelas que apresentarem a primo infeção durante a gestação. Epidemiologia Cerca de um terço da população mundial este infetada por T. gondiia. A prevalência da infeção por toxoplasmose crescente com a idade, varia (entre 10 a 60%) de região para região) (figura 11) . É em geral mais elevada em áreas quentes, húmidas e com condições de higiene pessoal e ambientais precários. Os hábitos alimentares (consumo de carne crua ou malpassada) constituem também um fator de risco. Nas ultimas décadas nota-se uma tendência para diminuição da incidência na Europa e nos EUA, com consequente diminuição do número de casos de toxoplasmose congénita, que varia de 1 a 10 por cada 10000 nascimentos. Têm sido descritos surtos a partir de água contaminada. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 55 Figura 11. Distribuição epidemiológica da toxoplasmose. Fonte: FARRAR et al., 2014 Manifestações clínicas A infeção é geralmente assintomática. Quando existem, os sintomas de mononucleose: febre baixa, adenopatias cervicais ou generalizadas, astenia, esplenomegalia. A evolução é benigna e a cura espontânea. Em indivíduos imunocompetentes, raramente são descritos casos mais graves e fatais com atingimento cerebral, cardíaco ou pulmonar. A toxoplasmose ocular, geralmente consequência da transmissão congénita, traduz-se por uma retinite necrotizante com lesões algodonosas típicas. O grau de perda da visão depende da localização da lesão retiniana. A forma congénita ocorre quando a mulher é infetada durante a gravidez; é tanto mais grave quando mais precoce for a passagem transplacentária dos traquizoitos; se esta ocorre no primeiro trimestre de gravidez a doença resulta em morte fetal ou microcefalia, hidrocefalia e calcificações intracranianas ao nascimento, raramente compatível com a vida. Quando a infeção ocorre no ultimo trimestre, 90% das crianças infetadas são assintomáticas ao nascimento, mas poderão apresentar sintomas clínicos ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 56 tardiamente (na adolescência ou na idade adulta), geralmente sob a forma de toxoplasmose ocular. Em indivíduos imunossuprimidos por neoplasia, transplantação ou infeção por HIV, a doença, habitualmente reflexo de reativação de infeção latente, assume um caracter grave com atingimento do SNC (abcessos cerebrais), bem como dos tecidos cardíacos, medular e pulmonar, levando frequentemente à morte (BARROSO et al., 2014). Tratamento Nenhum medicamento, ou seja, fármaco e 100% eficaz no tratamento da toxoplasmose. As sulfonamidas em associação com a pirimetamina são os mais usados no seu tratamento (BARROSO et al., 2014). a clindamicina e mais recentemente a azitromicina são alternativas em caso de alergia às sulfonamidas. Durante a gravidez a espiramicina, que não atravessa a placenta a é pouco tóxica, é usada para diminuir o risco de transmissão vertical. Medidas preventivas A prevenção da toxoplasmose no Homem é baseada em: Não se alimentar de carne crua ou malcozida de qualquer animal ou leite cru. Controlar a população de gatos nas cidades e em fazendas. Os criadores de gatos devem manter os animais dentro de casa e alimentá-los com carne cozida ou seca, ou com ração de boa qualidade. Incinerar todas as fezes dos gatos. Proteger as caixas de areia para evitar que os gatos defequem nesse local. Recomenda-se o exame pré-natal para toxoplasmose em todas as gestantes, com ou sem histórico de enfartamento ganglionar ou aborto. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 57 Tratamento com espiramicina das grávidas em fase aguda (IgM ou IgA positivas). Desenvolvimento de vacinas: vacinas com subunidades do parasito, adequadas para combater a toxoplasmose nos seres humanos têm sido desenvolvidas, porém sem nenhum resultado preventivo concreto até o momento Sumário Nesta Unidade temática 2.4 estudamos e discutimos fundamentalmente sobre a toxoplasmose. Toxoplasmose é uma importante zoonose causada por um protozoário parasita intracelular obrigatório, o T. gondii. A doença é distribuída em todo o mundo e pode afetar todos os vertebrados de sangue quente, incluindo humanos. Estima-se que esta doença infecta milhões de pessoas no mundo inteiro, sendo que a prevalência da infeção humana na maioria dos países está entre 40% e 50%. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO A. Qual das seguintes alternativas contem o vetor que foi primeira identificado como responsável pela transmissão de T. cruzi? A. Phlebotomus spp B. Lutzomya spp C. Panstrongylus megistrus D. Glossina spp B. Seguintes parasitos é o agente da doença do sono em sua forma mais agressiva? ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 58 A. Tripanosoma brucei gambiense B. Trypanosoma brucei rhodesiense C. Trypanosoma cruzi D. Trypanosoma rangeli C. Uma pessoa pretende processar um hospital com o argumento de que a doença de Chagas, da qual é portadora, foi ali adquirida em uma transfusão de sangue. A acusação: A. não procede, pois, a doença de Chagas é causada por um verme platelminto que se adquire em lagoas. B. não procede, pois, a doença de Chagas é causada por um protozoário transmitido pela picada de mosquitos. C. não procede, pois, a doença de Chagas resulta de uma malformaçãocardíaca congênita. D. procede, pois a doença de Chagas é causada por um protozoário que vive no sangue. 4. A forma morfológica mais comum observada em amostras positivas para espécies do complexo L. tropica é: A. Tripomastigota B. Promastigota C. Epimastigota D. Amastigota 5. O vetor responsável pela transmissão de L. donovani é: A. Flebotomíneo do gênero Lutzomyia B. Flebotomíneo do gênero Phlebotomus C. Flebotomíneo do gênero Psychodopygus ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 59 D. Nenhuma das anteriores 6. um nome comum para a doença causada por L. donovani é: A. Leishmaníase visceral B. Calazar C. Febre dundum D. Todas as anteriores 7. Recentemente, tem havido no estado do Ceará inúmeros casos de leishmaniose visceral ou calazar. Assinale a alternativa que cita, corretamente, o agente causador, a forma de transmissão e a profilaxia dessa doença. A. protozoário Leishmania donovani - picada do mosquito do gênero Lutzomyia - combate ao mosquito. B. protozoário Entamoeba histolytica - ingestão de cistos - eliminação de cães contaminados. C. protozoário Leishmania brasiliensis - picada do mosquito do gênero Aedes - combate ao mosquito. D. protozoário Toxoplasma gondii - ingestão de oocistos - remoção de dejetos de gatos. E. protozoário Balantidium coli - ingestão de cistos - saneamento básico. 8. P. vivax normalmente invade: A. Eritrócitos imaturos B. Eritrócitos senescente C. Todos os eritrócitos D. Linfócitos 9. O período de incubação de P. vivax é geralmente: A. 6 a 8 dias ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 60 B. 7 a 10 dias C. 12 a 24 dias D. 10 a 17 dias 10. Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium falciparum são respectivamente agentes etiológicos da malária terçã benigna, quartã benigna e terçã maligna. Sobre as características gerais desses organismos e as regras de classificação, assinale a alternativa correta. A. São três espécies distintas do mesmo Filo Plasmodium B. São espécies pertencentes a Família distintas, porém do mesmo Gênero C. Pela sua organização celular, são Procariotos pertencentes ao Filo Sporozoa D. São protozoários que pertencem à mesma espécie, porém a Ordens diferentes E. São organismos endoparasitos unicelulares que pertencem ao Reino Protista Respostas: 1C, 2B, 3D, 4D, 5A, 6D, 7A, 8A, 9B, 10E Exercícios para AVALIAÇÃO Perguntas 1. O aumento de linfonodos cervicais causado po T. b. gambiese é conhecido como: A. Cancro B. Sinal de Kerandel C. Sinal de Winterbottom D. Sonolência ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 61 2. Identifique a informação INCORRETA com relação a transmissão da Doença de Chagas. A. Transmissão oral por água ou alimentos contaminados por dejetos humanos. B. Transmissão congênita C. Transmissão vetorial D. Transmissão acidental (acidentes de laboratório com sangue contaminado, cultura de parasitos, fezes do barbeiro contaminadas, etc...) E. Transmissão por transfusão de sangue 3. Em março de 2005 foi constatado um surto da Doença de Chagas na região litorânea de Santa Catarina, atingindo 25 pessoas e resultando em 3 mortes. Este fato, totalmente inesperado para uma área não endêmica da doença, dificultou inicialmente o diagnóstico por parte dos profissionais de saúde e chamou a atenção dos meios de comunicação, tendo grande repercussão em todo o país. A constatação da infeção natural pelo Trypanosoma cruzi em um gambá e em vários exemplares de triatomíneos confirmou a existência de um ciclo de transmissão do parasita naquela região. Sobre a origem, transmissão, aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento da Doença de Chagas, é CORRETO afirmar que: A. em geral, a doença tem duas etapas distintas no homem: a fase inicial, aguda, caracterizada por elevada parasitemia e estado febril, seguida de uma fase crônica, caracterizada pela diminuição do número de parasitas circulantes. B. os hospedeiros intermediários do Trypanosoma cruzi podem ser tantos vertebrados como invertebrados. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 62 C. as formas mais comuns de transmissão da doença são o contato com fluidos orgânicos de doentes e ingestão de alimento contaminado. D. o tratamento mais eficaz da Doença de Chagas baseia- se na aplicação de antibióticos potentes. 4. Qual das seguintes alternativas não descreve o calazar? A. Comumente encontrado no Iraque. B. Transmitido por espécies de flebotomíase dos gêneros Phlebotomus e Lutzomyia. C. Não é transmitido por transfusão de sangue. D. Pode ser determinado sorologicamente por métodos ELISA, IFA e DAT. 5. Qual forma morfológica seria a melhor escolha para distinguir entre P. vivax e P. ovale? A. Esquizonte maduro B. Forma em anel C. Trofozoito jovem D. Esquizonte imaturo 6. Qual das seguintes é considerado uma medicação anti malárica? A. Amoxiclina B. Eritromicina C. Cloroquina D. Dicilomina 7. Qual das seguintes alternativas não é uma medida de prevenção e controle para a malaria? A. Utilização de cabelo preso ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 63 B. Seguir terapia profilática quando viajar para áreas endémicas para malária C. Uso de mosquiteiros na cama D. Roupas adequadas, como camisas de manga comprida e calcas compridas 8. A forma morfológica do ciclo biológico de Toxoplasma gondii que não se desenvolve nos humanos é: A. Cistos teciduais B. Taquizoitos C. Bradizoitos D. Esporozoitos 9. A infeção humana por Toxoplasma é indiciada de todas as seguintes maneiras, exceto: A. Ingestão acidental de fezes de roedores B. Ingestão de carne de bovino, suíno ou ovino malcozida C. Infeção transplacentária D. Transfusão de sangue contaminado 10. Em que área geográfica seria mais provável de se encontrar Toxoplasma gondii? A. Trópicos B. África C. Estados Unidos D. Todas as anteriores Respostas: 1C,2A, 3A, 4C,5D,6C,7A,8D,9A,10D ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 64 Exercícios do TEMA Perguntas 1. Descreve de uma forma breve os mecanismos de transmissão da doença de Chagas? 2. Quais são as medidas de prevenção da doença de Chagas? 3. Estabeleça as bases para diferenciar entre um tripanossoma causador de doença do sono e um causador de doença de chagas? 4. Que fatores com que um individuo infetado por Leishmania desenvolva uma forma grave ou benigna de doenças? 5. Numa forma cutânea de leishmaniose porque é importante identificar a espécie infetante? 6. Comete afirmação “é suficiente impedir o contacto entre o Homem e o flebótomo para controlar a transmissão de leishmaniose. 7. Por que razões é P. falciparum o principal responsável pelas formas graves de malária? 8. Quais são as principais diferenças no quadro clínico da malária grave nas crianças e nos adultos? 9. Que conselhos daria a uma mulher que pretende engravidar e que tem uma serologia para T. gondii negativa? ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 65 TEMA – III: PROTOZOÁRIOS OPORTUNISTA Unidade temática 3.1. Tricomoníase Introdução A tricomoníase é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Essa parasitose foi descrita pela primeiravez pelo médico francês Alfred Donné (1836), relacionando-a com corrimento vaginal(Machado & Souza, 2013). Este protozoário pertence a família Trichomonadidae, da subfamília Trichomonadinae, da ordem Trichomonadida, da classe Zoomastigophorea, e do filo Sarcomastigophora (NEVES et al., 2005). A tricomoniose é uma das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) não viral mais comum em todo mundo, com uma incidência anual superior a 180 milhões de casos; sendo nos Estados Unidos da América (EUA) a sua incidência estimada em 7,4 milhões de casos por ano 1. A Organização Mundial de Saúde estimou que esta infeção explica quase 50 % de todas as DSTs com cura em todo o mundo (ALVES MJ et al., 2011). Ao final desta unidade temática o leitor deverá ser capaz de: Objectivos específicos Conhecer agente etiológico da tricomoníase; Descrever patogénese da tricomoníase; Conhecer os mecanismos de transmissão, manifestações clinicas, tratamento e medidas de prevenção. Agente etiológico Tricomoníase é uma doença causada por parasita denominado Trichomanas vaginalis. Este parasita existe apenas sob a forma de trofozoíta e é encontrado na uretra e na vagina das mulheres e na uretra e glândula prostática dos homens. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 66 Modo de Transmissão Tricomoníase são transmitidas por fômites (toalhas, vestuários), crianças podem ser infetadas pela mãe durante o nascimento, quando da passagem pelo canal de parto. É transmitido através da relação sexual e pode sobreviver por mais de uma semana sob o prepúcio do homem sadio, após o coito com a mulher infectada. O homem é o vetor da doença; com a ejaculação, os tricomonas presentes na mucosa da uretra são levados a vagina pelo esperma (NEVES et al., 2005). Epidemiologia Tricomoníase tem uma distribuição cosmopolita. Estima-se que 160 a 180 milhões de pessoas são infetados por T. vaginalis a cada ano, desses 145 milhões infetam populações com baixo nível socioeconômico, sendo de 8 a 10 milhões nos EUA e 11 milhões na Europa. 90% de casos por T. vaginalis ocorre em mulher, porém acredita-se que os dados disponíveis sobre a doença não consideram os casos de infeção assintomática. Estima-se que 1/3 das mulheres, ou seja, cerca de 20 a 40% das mulheres adultas, e a maioria dos homens estejam infetados (MACHADO & SOUZA, 2013). Patogénese De acordo com ZEIBIG, 2014, trofozoítos de T. vaginalis residem na superfície mucosa vaginal de mulheres infetadas. Os trofozoítos em crescimento se multiplicam por fissão binária longitudinal e se alimentam de bactérias e leucócitos locais. Os trofozoítos de T. vaginalis prosperam em um ambiente de pH ligeiramente alcalino ou ácido, como o normalmente observado em uma vagina não saudável. O local de infeção mais comum por T. vaginalis em indivíduos do sexo ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 67 masculino é a região da próstata e o epitélio da uretra. Figura 12. ciclo de vida de T. vaginalis. Fonte: dpd.cdc.gov/dpdx Manifestações clínicas A maioria das mulheres infetadas é assintomática ou tem um corrimento vaginal escasso e aquoso. Pode ocorrer vaginite com uma inflamação mais extensa e erosão do revestimento epitelial associada a prurido, ardência e micção dolorosa (MURRAY et al., 2017). Nas mulheres sintomáticas a infeção caracteriza-se pela presença de leucorreia (corrimento esbranquiçado) vaginal abundante, acompanhada de prurido e de sensação de ardor. São igualmente sinais de infeção o odor intenso do corrimento, edema e eritema, assim como disúria e dor abdominal (BARROSO et al., 2014). No Homens a infeção são é assintomática que servem de reservatório para a infeção em mulheres. Contudo, ocasionalmente os homens podem apresentar uretrite, ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 68 prostatite e outros problemas do trato urinário (MURRAY et al., 2017). Tratamento Segundo REYS. 2010, o tratamento da tricomoníase deve ser administrado tanto aos pacientes como a seus parceiros sexuais. Caso contrário, a reinfecção é a regra. Recomenda-se os seguintes fármacos para tratamento desta infeção: Metronidazol. Prescrever, por via oral, a dose de 250 miligramas, duas a três vezes ao dia, durante 10 dias. Ornidazol. Nas infecções agudas, administrar como dose única, oral: três comprimidos de 500 mg. Nos casos crônicos: dois comprimidos de 500 mg, diariamente, durante cinco dias. Tinidazol. Também em dose única por via oral: quatro comprimidos de 500 mg, cada um. Nimorazol. Como acima: comprimidos de 250 mg, duas vezes ao dia, durante seis dias. Medidas preventivas A higiene pessoal, evitar o compartilhamento de artigos de banho e vestuários, bem como praticas sexuais seguro; uso de preservativos; abstinência de contatos sexuais com pessoas infectadas e limitação dascomplicações patológicas mediante a administração de um tratamento imediato e eficaz, tanto para os casos sintomáticos como para os assintomáticos, ou seja, tratamento simultâneo para parceiros sexuais, mesmo que a doença tenha sido diagnosticada em apenas um dos membros do casal. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 69 Sumário Trichomonas vaginalis é o agente etiológico da tricomoníase, a doença sexualmente transmissível (DTS) não- viral mais comum no mundo. Esse protozoário flagelado atinge o parasitismo com sucesso em um ambiente hostil através dos vários mecanismos pelos quais estabelece sua patogenicidade e também por sua capacidade de evadir a resposta imune do hospedeiro. A infeção apresenta uma ampla variedade de manifestações clínicas, desde quadro assintomático ate severa vaginite. A tricomoníase tem sido associado à transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV), à doença infamatória pélvica, ao câncer cervical, à infertilidade, ao parto prematuro e ao baixo peso de bebês nascidos de mães infetadas. A prevalência mundial anual da tricomoníase é de 180 milhões de casos. A terapia da tricomoníase iclui as mesmas medidas profiláticas destinadas às outras DSTs, como prática de sexo seguro e uso de preservativo. Metronidazol é o medicamento de escolha no tratamento da triacomoníase. Unidade temática 3.2. Giardíase Introdução Giardia lamblia é um flagelado considerado inicialmente como organismo comensal, é reconhecido como agente etiológico de diarreia aguda ou crônica em humanos. Infecta milhões de pessoas em todo o mundo, epidêmica ou esporadicamente. A maioria das infeções em humanos ocorre pelo consumo de água e alimentos contaminados ou por transmissão fecal-oral direta, sobretudo quando havendo um contato direto entre pessoas, como se dá no caso das creches, ou em práticas homossexuais. Os trofozoítos possuem um disco sugador, pelo qual se unem à superfície do intestino. A ingestão de 10 ou menos cistos pode levar à infeção. A Giardia provoca transtornos intestinais diarreicos, com má absorção, especialmente nas crianças, podendo-se confundir esses sintomas com disfunção pancreática, intolerância ao glúten e à lactose. Às vezes, é uma afeção ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 70 recalcitrante, que não responde ao tratamento efetuado com os fármacos habituais. É o agente etiológico mais frequente nas epidemias de diarreia por consumo de água, estando a causa mais comum no tratamento insuficiente daágua ou na contaminação cruzada com águas fecais. Os cistos de Giardia exigem tratamento prolongado com cloro para sua inativação e resistem ao congelamento, mas se inativam rapidamente sob água fervente. Ao completar esta unidade, o leitor estará apto a: Objectivos específicos Conhecer agente etiológico da giardíase; Descrever patogénese da Giardia; Conhecer a distribuição geográfica da Giardia. Conhecer as manifestações clínicas, tratamento e medidas preventivas da giardíase. Agente etiológico Giardíase é uma doença causado por G. duodenalis também conhecido como G. intestinalis e G. lamblia. Epidemiologia Giardia tem distribuição mundial, sendo, contudo, as prevalências mais elevadas encontradas nos países com menor desenvolvimento humano (BARROSO et al., 2014 e MURRAY et al., 2017). Além do Homem, o parasita infeta outros mamíferos. Os principais grupos de indivíduos com risco de contrair G. intestinalis são crianças em creches, pessoas vivendo em condições sanitárias precárias, viajantes que bebem água contaminada em áreas conhecidamente endémicas e aqueles que realizam determinadas praticas sexuais sem proteção, particularmente homossexuais masculinos (ZEIBIG, 2014). Nos países industrializados, G. duodenalis é considerado um agente reemergente, estando associado ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 71 a surtos de diarreia em infantários, assim como a surtos de infeção comunitária, causados por água contaminada. Segundo MURRAY et al., 2017, os fatores de risco associados à infeção por Giardia incluem condições sanitários precárias, viagem a áreas sabidamente endémicas, consumo de água tratada de forma inadequada (Por exemplo de córregos de montanha contaminados), creches e prática de sexo oral-anal. Patogênese De acordo com MURRAY et al., 2017, a infeção por G. duodenalis se inicia através de ingestão dos cistos na água ou em alimentos contaminados. Estima-se que a dose infectante mínima para o homem seja de 10 a 25 cistos. O desenquistamento e libertação dos trofozoítos ocorrem no duodeno. Inicia-se assim uma nova infeção com os protozoários a multiplicarem-se por fissão binária, aderindo às paredes do duedeno e do jejuno. O principal mecanismo de patogénese da infeção por G. duodenalis é o dano direto causado pelos trofozoítos na mucosa das porções iniciais do intestino, resultando em diarreia e má absorção (figura 13). ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 72 Figure 13. ciclo de vida de Giardia. Fonte:http://giardiasabendoeaprendendo.blogspot.com/2013/06/qual-e-o-ciclo-de- vida-da-giardia.html Manifestação clínica A infeção por Giardia pode resultar um quadro amplo de manifestação clínicas, que vão desde a forma assintomática (observado em aproximadamente 50% dos indivíduos infetados) ou em doença sintomática que compreende desde uma diarreia moderada até a síndrome da má absorção. O período de incubação varia entre 1 a 4 semanas (em média 10 dias). O aparecimento da doença é repentino com uma diarreia aquosa e de odor desagradável, cólicas abdominais, flatulência e esteatorreia. Sangue e pus raras vezes estão presentes em amostras de fezes, o que é incompatível com a ausência de destruição tecidual. Geralmente, há uma recuperação espontânea após 10 a 14 dias, embora uma doença mais crônicas com recaídas múltiplas possa ocorrer. Isso é um problema em especial para pacientes com deficiências de imunoglobulina A ou http://giardiasabendoeaprendendo.blogspot.com/2013/06/qual-e-o-ciclo-de-vida-da-giardia.html http://giardiasabendoeaprendendo.blogspot.com/2013/06/qual-e-o-ciclo-de-vida-da-giardia.html ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 73 divertículos intestinais (MURRAY et al., 2017). Nas crianças a má absorção devida à infeção crónica pode ser associada a perturbação no crescimento e desenvolvimento (BARROSO et al., 2014). Tratamento Giardíse é tratada com metronidazol, tinidazol e nitazoxanida como fármacos da primeira escolha de tratamento (ZEIBIG, 2014), sendo quinacrina, furazolidona, albendazol e paromomicina alternativas aceitáveis (MURRAY et al., 2017). Medidas preventivas A prevenção e o controle da giardíase envolvem evitar água e alimentos contaminados, sobretudo por parte de viajantes e pessoas que vivem fora de casa (MURRAY et al., 2017). Tratamento adequado da água que inclui uma combinação químico, filtração e proteção contra contaminação por hospedeiros reservatórios. Boa higiene pessoal, limpeza, cocção adequada dos alimentos, assim como evitar o sexo anal-oral sem proteção (ZEIBIG, 2014). Sumário A giardíase é uma das doenças intestinais, causada por protozoário, mais frequentes. A Giardia lamblia é o agente etiológico comumente encontrado associado à ingestão de agua contaminada, ou má filtração ou do tratamento não efetivo da água. Manifestações clínicas podem variar de assintomáticos a um estágio agudo passageiro ou persistente, com esteatorreia, perda do peso, levando ou a um estagio subagudo ou crônico. Giardíase é uma parasitose intestinal amplamente distribuída pelo mundo, com alta prevalência em países em desenvolvimento, inclusive Moçambique. Embora seja uma ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 74 infeção com bom prognóstico, pode apresentar gravidade em pessoas com desnutrição, fibrose cística ou algumas imunodeficiências. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 75 Unidade temática 3.3. Amebíase Introdução Amebíase ou disenteria amebiana é uma infeção entérica parasitária comum. É causado por qualquer uma das amebas do grupo Entamoeba. A amebíase pode se apresentar sem sintomas ou sintomas leves a graves, incluindo dor abdominal, diarréia ou diarréia sanguinolenta. Complicações graves podem incluir inflamação e perfuração resultando em peritonite. As pessoas afetadas podem desenvolver anemia (MATHEW & HORRALL 2019). As amebas que se encontram frequentemente nos exames de fezes humanas são protozoárias da ordem Amoebida. Muitas pertencem à família Endamoebidae e uma delas – Entamoeba histolytica é responsável pela amebíase (REYS. 2010). Amebíase ou infeção por Entamoeba histolytica é uma doença causada pelo parasita E. histolytica. Ele pode afetar qualquer pessoa, embora seja mais comum em pessoas que vivem em áreas tropicais com condições sanitárias precárias. O diagnóstico é tipicamente por exame de fezes usando um microscópio. Ao final desta unidade temática o leitor deverá ser capaz de: Objectivos específicos Conhecer conceito da amebíase e agente etiológico: Definir a distribuição geográfica das amebas; Compreender mecanismo de transmissão; Conhecer manifestações clinicas, tratamento e medidas preventivas. Agente etiológico Amebíase é uma infeção causada pelo protozoário E. histolytica. Existem três espécies de amebas intestinais. A Entamoeba histolytica causa a maioria das doenças sintomáticas. Entamoeba dispar é não-patogênico, e Entamoeba moshkovskiié relatado cada vez mais, mas sua patogenicidade não é clara. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 76 Epidemiologia A amebíase ocorre em todo o mundo, mas é predominantemente observada em países em desenvolvimento devido à diminuição do saneamentoe aumento da contaminação fecal dos suprimentos de água. Globalmente, aproximadamente 50 milhões de pessoas contraem a infecção, com mais de 100.000 mortes devido a amebíase relatadas anualmente (MATHEW & HORRALL. 2019). Mecanismo de transmissão Segundo MATHEW & HORRAL (2019), a principal fonte de infeção é a ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes contendo cistos de E. histolytica. Assim, os viajantes para países em desenvolvimento podem adquirir amebíase ao visitar a região endêmica. Aqueles que estão institucionalizados ou imunocomprometidos também correm risco. O organismo E. histolytica é viável por períodos prolongados na forma cística no ambiente. Também pode ser adquirido após a inoculação direta do reto, do sexo anal ou oral, ou do equipamento usado para irrigação do cólon. Apesar da carga global de saúde pública, não existem vacinas ou medicamentos profiláticos para prevenir a amebíase Ciclo de vida do parasita É monoxênico e muito simples. O homem se infecta ingerindo a forma cística madura contida em alimentos, água ou por qualquer tipo de contato fecal-oral. também são possíveis formas menos usuais de transmissão, incluindo o sexo anal e oral e equipamentos de lavagem intestinal contaminados. O desencistamento ocorre no intestino delgado e os trofozoítos liberados migram para o intestino grosso. Os trofozoítos multiplicam-se por divisão ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 77 binária e estes sofrem o processo de encistamento, originando novos cistos que são eliminados nas fezes. Por causa da proteção conferida por sua parede, os cistos podem sobreviver dias e até semanas no meio ambiente. Os trofozoítos podem ser eliminados em fezes diarréicas, mas são rapidamente destruídos no meio externo e, se ingeridos, não sobrevivem às enzimas digestivas. Na forma não invasiva os trofozoítos permanecem confinados no lúmen intestinal dos portadores assintomáticos, que eliminam os cistos em suas fezes. Na forma invasiva os trofozoítos invadem a mucosa intestinal e através da corrente sanguínea atingem outros órgãos como fígado, pulmão e encéfalo, causando doença extra-intestinal (CORDEIRO & MACEDO, 2014). Para serem eliminados pelas fezes em forma de cistos (forma de resistência), os trofozoítos se arredondam (pré-cisto), reduzem seu metabolismo e começam a sintetizar a parede cística. Aparecem no citoplasma os corpos cromatóides e os vacúolos de glicogênio. O núcleo sofre divisões múltiplas, podendo dar origem a até quatro novos núcleos, que resultam de duas divisões sucessivas. Outros sinais de um cisto maduro são percebidos também pela diminuição do número de corpos cromatóides e do tamanho do vacúolo de glicogênio. O cisto eliminado é então capaz de resistir às condições desfavoráveis do meio ambiente externo, podendo, desse modo, infecta outro indivíduo que se torna um novo hospedeiro. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 78 Figura 14. ciclo de vida E. histolytica. Fonte: adaptado de dpd.cdc. Manifestações clínicas A maior parte dos indivíduos com amebíase são assintomática, muitos pacientes com E. histolytica apresentam um espectro de doença. Os sintomas vão desde cólicas abdominais leves e diarréia aquosa até colite grave, produzindo diarréia sanguinolenta com muco. Alguns pacientes podem desenvolver uma doença extraintestinal invasiva. As manifestações extraintestinais mais comuns são um abscesso hepático amebiano. Um abscesso hepático amebiano pode se romper na cavidade pleural ou pericárdio, apresentando-se como derrame pleural ou pericárdico; no entanto, esta é uma ocorrência rara. Raramente, a amebíase pode afetar o coração, cérebro, rins, baço e pele. Pode-se também desenvolver proctocolite, megacólon tóxico, peritonite, ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 79 abscesso cerebral e pericardite. Portanto, a amebíase é uma das principais causas de morte parasitária em humanos. Tratamento Os fármacos da primeira linha para tratamento da amebíase são Metronidazol, Tinidazol e Secnidazol. Os da segunda linha são Tetraciclina, paromomicina e furoato de diloxanida. Um abscesso hepático amebiano pode ser controlado por aspiração usando orientação de TC em combinação com metronidazol. Às vezes, a cirurgia é necessária para tratar hemorragia gastrintestinal maciça, megacólon tóxico, cólon perfurado ou abscessos hepáticos não passíveis de drenagem percutânea (MATHEW & HORRALL. 2019). Medidas preventivas Evite beber água contaminada. Use água engarrafada quando viajar. Purifique a água com hidroperiodeto de tetraglicina, cloro, certeza e ferver água. Evite o consumo de saladas e frutas cruas. Retire a casca da fruta, se possível. Lave bem todos os legumes antes de cozinhar. Sumário Amebíase é a segunda principal causa de morte por parasito em todo o mundo. O protozoário responsável, E. histolytica, apresenta elevada patogenicidade. É capaz de secretar proteases que dissolvem o tecido do hospedeiro, matar suas células por contato, fagocitar eritrócitos e invadir a mucosa intestinal causando a colite amebiana. Em alguns casos, este parasito é capaz de romper ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 80 a barreira da mucosa intestinal e chegar ao fígado por meio da circulação porta, onde pode causar abscesso que cresce rapidamente e é quase sempre fatal. Evidências baseadas apenas na morfologia apontavam a existência de uma única espécie. No entanto, estudos mais modernos mostraram que, na realidade, há duas espécies geneticamente bem distintas, denominadas E. histolytica (patogênica) e E. dispar (não patogênica ou comensal). Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. A amebíase é uma doença causada por um protozoário conhecido como E. histolytica. A respeito dessa patologia, marque a alternativa incorreta. A. A amebíase causa dores de estômago e diarreias. B. A transmissão ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos desse protozoário. C. Para prevenir-se da doença, é importante beber água tratada ou fervida e sempre ter uma boa higiene pessoal. D. Em casos graves, a amebíase pode causar anemia no paciente. E. A E. histolytica é um protozoário flagelado. 2. Os protozoários são seres unicelulares, eucariontes e heterotróficos que normalmente possuem vida livre. Algumas espécies, entretanto, são parasitas e estão relacionadas com doenças que atingem o homem. Como ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 81 exemplo, podemos citar a Giardia lamblia, protozoário causador da giardíase. A respeito dessa patologia, marque a alternativa incorreta: A. A giardíase é uma doença transmitida pela picada de um inseto e causa diarreia e cólicas abdominais. B. A giardíase é causada por um protozoário flagelado. C. Pessoas com giardíase, em razão da diarreia provocada pela doença, podem apresentar desidratação. D. O metronidazol é o medicamento mais utilizado no tratamento da giardíase. 3. O protozoário Trichomonas vaginalis é causador de uma DST conhecida por tricomoníase. A respeito dessa patologia, marque a alternativa incorreta. A. A tricomoníase é uma doença que ataca principalmente o colo do útero, a vagina e a uretra feminina. B. A tricomoníase, além de ser transmitida por via sexual, pode ser contraída pelo compartilhamento de objetos pessoais epela ingestão de água contaminada. C. A tricomoníase tem sido frequentemente associada à transmissão do HIV. D. Nas mulheres, a tricomoníase é responsável por provocar corrimentos abundantes. E. O Trichomonas vaginalis é um protozoário flagelado. 4. Que relação entre a doença, o agente etiológico e o vetor é INCORRETA? ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 82 A. Doença de Chagas - Trypanosoma cruzi - barbeiro Tryatoma sp. B. Doença do sono - Trypanosoma gambiense - mosca tsé- tsé Glossina sp. C. Disenteria - Entamoeba histolytica - molusco Biomphalaria sp. D. Malária - Plasmodium sp - mosquito Anopheles sp. E. Úlcera de Bauru - Leishmania brasiliensis - mosquito Phlebotomus sp. Respostas: 1E, 2A, 3B, 4C. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 83 Exercícios para AVALIAÇÃO Perguntas 1. A figura a seguir ilustra o ciclo evolutivo de um parasita muito comum em nosso meio. Analise-a. De acordo com a figura e o assunto abordado, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA. A. A reprodução demonstrada na figura é do tipo sexuada. B. A presença de núcleos é a característica mais utilizada para diferenciar as formas evolutivas desse parasita. C. A forma mais comum de sua transmissão é pela penetração em pele íntegra. D. Embora na linguagem coloquial seja chamado de verme, o parasita em questão é um protozoário. 2. A Organização das Nações Unidas alerta que: esgoto a céu aberto é o principal problema ambiental em Moçambique. Os dejetos lançados indevidamente em fossas abertas, rios e lagos tornam-se a causa de doenças de importância para a saúde pública. Qual doença, causada por protozoário, pode ter sua incidência aumentada pelo problema citado no texto? A. Tricomoníase B. Malária C. Amebíase ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 84 D. Dengue E. Teníase 3. São citados a seguir quatro parasitas humanos: I. Trypanosoma cruzi II. Entamoeba histolytica III. Leishmania braziliensis IV. Plasmodium falciparum Com relação a esses parasitas, pode-se afirmar que A. os quatro são transmitidos por insetos. B. três deles são transmitidos por insetos e um pela ingestão de alimentos contaminados com cistos. C. dois deles são transmitidos por ingestão de alimentos contaminados com cistos. D. dois deles são transmitidos por contato sexual. E. dois deles são transmitidos pela penetração das larvas na pele. 4. Com o auxílio da figura, que ilustra o ciclo biológico da Entamoeba histolytica, e considerando aspectos da relação parasito-hospedeiro, julgue os itens subsequentes. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 85 A. A E. histolytica é um protozoário que, quando se encontra na forma vegetativa, usa os pseudópodes para se locomover e alimentar; na fase cística, não se alimenta nem se locomove e é revestido por uma parede resistente. B. O ciclo da E. histolytica é do tipo heteroxênico. C. A transmissão da E. histolytica ocorre pela ingestão de cisto tetranucleados oriundos de fezes de um portador. D. Em seres humanos, as doencas parasitarias ocorrem ao acaso. 5. O tratamento para pacientes com amebíase intestinal assintomático não é recomendado. A. Verdade B. Falso 6. Qual das seguintes alternativas sobre os trofozoítos de amebas intestinais não é verdadeiro? A. Trofozoítos são delicados e moveis. B. Trofozoítos são facilmente destruídos pelo suco gástrico. https://www.infoescola.com/files/2010/05/ciclo-entamoeba.jpg ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 86 C. Trofozoítos são resistentes ao ambiente fora do hospedeiro. D. A reprodução ocorre no estádio de trofozoíto. 7. Todas as infeções por T. vaginalis resultam em casos sintomáticos, como vaginite em mulheres e uretrite em homens. A. Verdadeiro B. Falso 8. Considera-se que a forma de cisto não exista no ciclo biológico de T. vaginalis. A. Verdadeiro B. Falso 9. A tricomoníase é uma doença provocada pelo parasito Trichomonas vaginalis que ocorre na mucosa dos órgãos sexuais, provocando entre outros sintomas quadros de vaginite caracterizada por corrimento vaginal fluido de cor amarelo-esverdeada de odor fétido. A transmissão é por contato direto, mas os homens raramente são acometidos. Sobre a Trichomoníase é CORRETO afirmar que A. a tricomoníase não pode ser considerada uma DST, pois é patogênica apenas para um dos sexos. B. Do ponto de vista epidemiológico, os homens justamente por serem assintomáticos, merecem especial atenção, pois podem ser disseminadores da doença. C. Como medida preventiva, o uso de preservativo feminino é mais eficiente, pois protege melhor a mucosa do canal vaginal. D. Em relação ao tratamento, os programas de saúde concentram a medicação na população feminina. Como os homens não manifestam a doença não se justificam os gastos públicos em compra de medicamentos para os homens. ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 87 Respostas: 1D, 2C, 3B, 4 A e B, 5B, 6C, 7B, BA, 9B Exercícios do TEMA 1. O município da Beira teve sua população aumentada em cinco anos por causa da implantação de vários empreendimentos industriais. A vereação de saúde desse município observou que, nesse período, ocorreu um aumento da incidência de amebíase, Giardíase e tricomoníase, superior à incidência máxima esperada para essa população. Dentre essas doenças, a amebíase destacou-se devido ao significativo número de indivíduos acometidos. Com relação a essa doença, 1.1. Explique uma medida profilática que atenderia de modo eficiente toda a população do município? 1.2. Descreva o ciclo biológico do agente etiológico? 2. Descreva o ciclo biológico típico de uma ameba intestinal? 3. Cm se denomina o agente etiológico da giardíase? 4. Menciona os mecanismos de transmissão da giardíase? 5. Quais são as medidas profiláticas da giardíase? 6. Descreve o ciclo biológico do parasita Giardia? 7. Cite as medidas preventivas da tricomoníase? 8. Como se transmite triacomoníase? ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 88 Referencias bibliográficas Alves MJ, Oliveira R, Balteiro J, C. A. (2011). Epidemiologia de Trichomonas vaginalis em mulheres Maria José Alves a , b , *, Rita Oliveira c , Jorge Balteiro d e Agostinho Cruz c. Revista Portuguesa de Saúde Pública, 29(1), 27–34. Antinori, S., Galimberti, L., Bianco, R., Grande, R., Galli, M., & Corbellino, M. (2017). 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