Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

LICENCIATURA EM Nutrição 
MÓDULO DE PARASITOLOGIA 
 
 
 
1º Ano 
Disciplina: PARASITOLOGIA 
Código: 
Total Horas/2o Semestre: 80h 
Créditos (SNATCA): 2 
Número de Temas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSTITUTO SUPER 
 
 
 INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - ISCED 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 i 
 
Direitos de autor (copyright) 
Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), e 
contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total 
deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, 
gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto 
Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED). 
A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos judiciais 
em vigor no País. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Instituto superior de Ciências e Educação a Distância (isced) 
Direcção de Pós-graduação, Pesquisa e Extensão 
Rua Dr. Almeida Lacerda, No 212 Ponta - Gêa 
Beira - Moçambique 
Telefone: +258 23 323501 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 ii 
 
Cel: +258 82 3055839 
Fax: 23323501 
E-mail: isced@isced.ac.mz 
Website: www.isced.ac.mz 
Agradecimentos 
O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) agradece a colaboração dos 
seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual: 
Autor MSc. Luis Bernardo Bogaio Constantino 
Coordenação 
Design 
Financiamento e Logística 
Revisão Científica e 
Linguística 
Ano de Publicação 
Local de Publicação 
Direcção Académica 
Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) 
Instituto Africano de Promoção da Educação a Distancia (IAPED) 
XXXXX 
2019 
ISCED – BEIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.isced.ac.mz/
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 iii 
 
 
 
 
 
 
 
Índice 
Visão geral 1 
Benvindo à Disciplina/Módulo Parasitologia .................................................................... 1 
Objectivos do Módulo....................................................................................................... 1 
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................. 2 
Como está estruturado este módulo ................................................................................ 2 
Ícones de actividade ......................................................................................................... 4 
Habilidades de estudo ...................................................................................................... 5 
Precisa de apoio? .............................................................................................................. 7 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ................................................................................ 8 
Avaliação ........................................................................................................................... 9 
TEMA – I: INTRODUÇAO A PARASITOLOGIA. 11 
Unidade temática 1.1. Considerações gerais ................................................................. 11 
Introdução ....................................................................................................................... 11 
Noções de parasitologia……………………………………………………………………………………………….9 
Conceito de parasita…………………………………………………………………………………………………….9 
Classificação dos parasitas………………………………………………………………………………………….10 
Hospedeiro…………………………………………………………………………………………………………………12 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 iv 
 
Tipos de hospedeiro…………………………………………………………………………………………………..12 
Termos associados à relação parasita – hospedeiro……………………………………………………12 
Infeção X infestação……………………………………………………………………………………………………14 
Mecanismo de transmissão das parasitoses……………………………………………………………….15 
Sumário……………………………………………………………………………………………………………………..19 
Unidade temática 1.2. Indicadores da qualidade higiênico-sanitária de alimentos…….19 
Introdução…………………………………………………………………………………………………….……………19 
Coliformes totais e fecais……………………………………………………………………………………………16 
Coliformes totais………………………………………………………………………………………………………..17 
Bolores e leveduras……………………………………………………………………………………….……………18 
Enterococcus……………………………………………………………………………………………………………..19 
Sumário…………………………………………………………………..…………………………………………………24 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO………………………………………………………………….................20 
Exercícios do TEMA………………………………………………………………………………………………….22 
TEMA – II: PRINCIPAIS PARASITOSES CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS 29 
Unidade temática 2.1. Doença de Chagas ou Tripanossomíase africana ....................... 29 
Introdução ....................................................................................................................... 29 
Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….23 
Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………….23 
Ciclo de vida do parasita………………………………………………………………………………………….…25 
Mecanismo de transmissão………………………………………………………………………………………..26 
Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….27 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 v 
 
Tratamento………………………………………………………………………………………………………………..27 
Prevenção e controle…………………………………………………………………………………………………27 
Sumário ........................................................................................................................... 35 
Unidade temática 2.2. Leishmaniose. ............................................................................. 37 
Introdução ....................................................................................................................... 37 
Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….29 
Modo de transmissão………………………………………………………………………………………………..29 
Período de incubação………………………………………………………………………………………………..30 
Ciclo de vida………………………………………………………………………………………………………………30 
Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….31 
Epidemiologia……………………………………………………………………………………………………………31 
Tratamento………………………………………………………………………………………………………………..32 
Prevenção e controle………………………………………………………………………………………………...32 
Sumário ........................................................................................................................... 43 
Unidade temática 2.3. Malária ....................................................................................... 44 
Introdução ....................................................................................................................... 44 
Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….33 
Classificação .................................................................................................................... 44 
Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………….33 
Ciclo de vida do parasite Plasmodium ............................................................................ 46 
Modo de transmissão…………………………………………………………………………………………………36 
Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….37 
Tratamento……………………………………………………………………………………………………………….37 
Tratamento da malária sem complicações ........................................................... 49 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 viTratamento de infecções por P. falciparum ................................................ 49 
Tratamento de infecções por P. vivax.......................................................... 49 
Tratamento de malária severa .............................................................................. 50 
Prevenção e controle…………………………………………………………………………………………………38 
Sumário ........................................................................................................................... 51 
UNIDADE TEMÁTICA 2.4. Toxoplasmose ........................................................................ 52 
Introdução ....................................................................................................................... 52 
Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….40 
Ciclo de vida do parasita……………………………………………………………………………………………40 
Modo de transmissão…………………………………………………………………………………………………41 
Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………….42 
Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………..…42 
Tratamento…………………………………………………………………………………………………………..……43 
Medidas preventivas…………………………………………………………………………………………..……..43 
Sumário ........................................................................................................................... 57 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 57 
Exercícios para AVALIAÇÃO ............................................................................................ 60 
Exercícios do TEMA ......................................................................................................... 64 
TEMA – II: PRINCIPAIS PARASITOSES CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS 50 
Unidade temática 3.1. Tricomoníase .............................................................................. 65 
Introdução ....................................................................................................................... 65 
Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….51 
Modo de transmissão………………………………………………………………………………………………..51 
Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………...52 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 vii 
 
Patogénese………………………………………………………………………………………………………………..52 
Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….53 
Tratamento………………………………………………………………………………………………………………..53 
Medidas preventivas………………………………………………………………………………………………….53 
Sumário ........................................................................................................................... 69 
Unidade temática 3.2. Giardíase .................................................................................... 69 
Introdução ....................................................................................................................... 69 
Agente etiológico……………………………………………………………………………………………………….55 
Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………….55 
Patogénese………………………………………………………………………………………………………………..55 
Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….56 
Tratamento……………………………………………………………………………………………………………….57 
Medidas preventivas…………………………………………………………………………………………………57 
Sumário ........................................................................................................................... 57 
Unidade temática 3.3. Amebíase .................................................................................... 75 
Introdução ....................................................................................................................... 75 
Agente etiológica……………………………………………………………………………………………………….58 
Epidemiologia…………………………………………………………………………………………………………….58 
Mecanismo de transmissão……………………………………………………………………………………….59 
Ciclo de vida do parasita……………………………………………………………………………………………59 
Manifestações clínicas……………………………………………………………………………………………….60 
Tratamento………………………………………………………………………………………………………………..61 
Medidas preventivas………………………………………………………………………………………………….61 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 viii 
 
Sumário ........................................................................................................................... 79 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 80 
Exercícios para AVALIAÇÃO ............................................................................................ 83 
Exercícios do TEMA ......................................................................................................... 87 
Referencias bibliográficas…………………………………………………………………………………………..68 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 1 
 
Visão geral 
Benvindo à Disciplina/Módulo Parasitologia 
Objectivos do Módulo 
Ao terminar o estudo deste módulo de Parasitologia o aluno 
deverá ser capaz de: conhecer conceitos básicos da área envolvida, 
criando fundamento que servirá de elo de ligação para posteriores 
conhecimentos e disciplinas, assim, preparando o aluno para 
compreender o ciclo biológico das parasitoses, correlacionando os 
conhecimentos com as alterações clínicas em cada um. 
 
 
 
 
Objectivos Específicos 
 
 Conhecer os principais conceitos de Parasitologia; 
 Reconhecer as etapas do ciclo biológico dos principais parasitas 
das espécies humana e dos seus respectivos habitat nos 
diferentes sistemas do corpo humano; 
 Compreender a relação parasito-hospedeiro; 
 Conhecer os mecanismos de transmissão e medidas profiláticas 
no controle das principais parasitoses humanas; 
 Reconhecer os principais sintomas das parasitoses humanas e 
relacioná-los com a ação patogênica dos diversos parasitos; 
 Identificar os fatores epidemiológicos que favorecem o 
estabelecimento dos diversos parasitos; 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 2 
 
 Utilizar os conhecimentos em Parasitologia para desenvolver 
habilidades e atitudes para resolução de problemas de saúde. 
 
 
Quem deveria estudar este módulo 
Este Módulo foi concebido para estudantes do 1º ano do curso de 
Nutrição geral do ISCED. Poderá ocorrer, contudo, que haja leitores 
que queiram se actualizar e consolidar seus conhecimentos nessa 
disciplina, esses serão bem-vindos, não sendo necessário para tal 
se inscrever. Mas poderá adquirir o manual. 
 
Como está estruturado este módulo 
Este módulo de Parasitologia, para estudantes do 1º ano do curso 
de licenciatura em Nutrição geral, à semelhança dos restantes do 
ISCED, está estruturado como se segue: 
Páginas introdutórias 
 Um índice completo. 
 Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, 
resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para 
melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção 
com atenção antes de começar o seu estudo, como componente 
de habilidades de estudos. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 3 
 
Conteúdo desta Disciplina / módulo 
Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez 
comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente 
unidades. Cada unidade temática se caracteriza por conter uma 
introdução, objectivos, conteúdos. 
No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são 
incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só 
depois é que aparecem os exercícios de avaliação. 
Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: Puros 
exercícios teóricos/Práticos, Problemasnão resolvidos e 
actividades práticas, incluído estudo de caso. 
 
Outros recursos 
A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si, 
num cantinho, recôndito deste nosso vasto Moçambique e cheio de 
dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, apresenta 
uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu módulo para você 
explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro 
de recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso 
como: Livros e/ou módulos, CD, CD-ROOM, DVD. Para além deste 
material físico ou electrónico disponível na biblioteca, pode ter 
acesso a Plataforma digital moodle para alargar mais ainda as 
possibilidades dos seus estudos. 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 4 
 
Auto-avaliação e Tarefas de avaliação 
Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final 
de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos exercícios 
de auto-avaliação apresentam duas características: primeiro 
apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo, 
exercícios que mostram apenas respostas. 
Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação 
mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de 
dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras. 
Parte das terefas de avaliação será objecto dos trabalhos de campo 
a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção 
e subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do 
módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os exercícios de 
avaliação é uma grande vantagem. 
Comentários e sugestões 
Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados 
aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza didáctico-
Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas. 
Pode ser que graças as suas observações que, em gozo de 
confiança, classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser 
melhorado. 
Ícones de actividade 
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas 
margens das folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes 
partes do processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela 
específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança 
de actividade, etc. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 5 
 
Habilidades de estudo 
O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a 
aprender. Aprender aprende-se. 
Durante a formação e desenvolvimento de competências, para 
facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará 
empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons 
resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e 
eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando estudar. 
Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos que caro 
estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos estudos, 
procedendo como se segue: 
1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de 
leitura. 
2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida). 
3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação 
crítica dos conteúdos (ESTUDAR). 
4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua 
aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão. 
5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou as 
de estudo de caso se existirem. 
IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo, 
respectivamente como, onde e quando...estudar, como foi referido 
no início deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo 
reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo 
melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à 
noite/de manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana? 
Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 6 
 
barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em cada 
hora, etc. 
É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado 
durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada 
ponto da matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando 
achar que já domina bem o anterior. 
Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e 
estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é 
juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos conteúdos 
de cada tema, no módulo. 
Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por 
tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora 
intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-
se descanso à mudança de actividades). Ou seja, que durante o 
intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos das 
actividades obrigatórias. 
Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual 
obrigatório pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento 
da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado volume 
de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, criando 
interferência entre os conhecimentos, perde sequência lógica, por 
fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai em 
insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente 
incapaz! 
Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma 
avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda 
sistematicamente), não estudar apenas para responder a questões 
de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobre tudo, estude 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 7 
 
pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área em que 
está a se formar. 
Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que 
matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que 
resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo 
quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades. 
É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será 
uma necessidade para o estudo das diversas matérias que 
compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar 
a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as 
partes que está a estudar e Pode escrever conclusões, exemplos, 
vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a 
margem para colocar comentários seus relacionados com o que 
está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir 
à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; 
Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado 
não conhece ou não lhe é familiar; 
Precisa de apoio? 
Caro estudante temos a certeza que por uma ou por outra razão, o 
material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas 
como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros 
ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, página trocada ou 
invertidas, etc). Nestes casos, contacte os serviços de atendimento 
e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone, 
sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta participando 
a preocupação. 
Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes 
(Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 8 
 
aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da 
comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se 
tornam incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, 
estudante – CR, etc. 
As sessões presenciais são um momentoem que você caro 
estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff do 
seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do ISCED 
indigitada para acompanhar as suas sessões presenciais. Neste 
período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza 
pedagógica e/ou administrativa. 
O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% 
do tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida 
em que lhe permite situar, em termos do grau de aprendizagem 
com relação aos outros colegas. Desta maneira ficará a saber se 
precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver 
hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos 
programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade 
temática, no módulo. 
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) 
O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e 
autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é 
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues 
duas semanas antes das sessões presenciais seguintes. 
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não 
cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do 
estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de 
campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da 
disciplina/módulo. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 9 
 
Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os 
mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente. 
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, 
contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados, 
respeitando os direitos do autor. 
O plágio1 é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es). Uma 
transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um autor, 
sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade 
científica e o respeito pelos direitos autorais devem caracterizar a 
realização dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED). 
Avaliação 
Muitos perguntam: com é possível avaliar estudantes à distância, 
estando eles fisicamente separados e muito distantes do 
docente/tutor! Nós dissemos: sim é muito possível, talvez seja uma 
avaliação mais fiável e consistente. 
Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com 
um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os 
conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial 
conta com um máximo de 10%) do total de tempo do módulo. A 
avaliação do estudante consta detalhada do regulamentado de 
avaliação. 
Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e 
aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de 
frequência para ir aos exames. 
Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e 
decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no 
 
1 Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade 
intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 10 
 
mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência, 
determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira. 
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira. 
Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) 
trabalhos e 1 (um) (exame). 
Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados 
como ferramentas de avaliação formativa. 
Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em 
consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de 
cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as 
recomendações, a identificação das referências bibliográficas 
utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros. 
Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de 
Avaliação. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 11 
 
TEMA – I: INTRODUÇAO A PARASITOLOGIA. 
Unidade temática 1.1. Considerações gerais 
Introdução 
 Estudar parasitologia é bastante instigante! Entender a ecologia do parasito na relação 
parasito-hospedeiro e como os sintomas são gerados. Entender como parasito e hospedeiro 
interagem mantendo o ciclo de vida do parasito. E, então, a partir daí, buscar intervir para quebrar 
a cadeia de transmissão e garantir a qualidade de vida do hospedeiro. Esta é a rotina de trabalho 
do pesquisador em parasitologia. Antes uma ciência muito descritiva, hoje a parasitologia lança 
mão de estratégias cada vez mais tecnológicas, como engenharia genética e biologia molecular. O 
estudo dos parasitos tem aberto novas frentes de pesquisa, por exemplo, para novas estratégias 
terapêuticas, novos métodos diagnósticos e o desenvolvimento de vacinas. 
 
Ao final desta unidade temática o leitor deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Definir a parasitologia e descrever suas generalidades; 
 Compreender relações entre os seres vivos e parasitas. 
Noções de Parasitologia 
Parasitologia é o estudo dos parasitas ou doenças parasitárias, métodos 
de diagnósticos e controle de doenças parasitárias. Na maioria dos 
casos um organismo (o hospedeiro) passa a constituir o meio ecológico 
onde vive o outro (o parasita). 
 Os três principais grupos de animais que se estuda na parasitologia são: 
protozoário, helmintas (vermes) e os artrópodes que causam doenças 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 12 
 
diretamente ou agem como vetores de vários agentes patogénicos 
(parasitários ou não). 
Conceito de parasita 
É um ser vivo que depende de outro para sobreviver, de onde retira seu 
sustento prejudicando seu hospedeiro. A relação em si busca ser 
harmônica, minimizando os prejuízos para o hospedeiro. Mas se esta 
relação não se estabelece de forma satisfatória, a doença e a morte do 
hospedeiro, e consequentemente do parasito, acabam por vir. 
 
Classificação dos parasitas 
Classificação de acordo com o número de hospedeiros 
 
Monoxenos ou monogenéticos - são aqueles parasitas que realizam o 
seu ciclo evolutivo em apenas um único hospedeiro. 
Ex: Ascaris lumbricoides, Necator americanus. 
 
Figura 1. Ciclo de vida de do Ascaris lumbricoides. Fonte: 
https://www.researchgate.net/publication/259532883_Principais_parasitos_human
os_de_transmissao_hidrica_ou_por_alimentos/figures?lo=1 
 
https://www.researchgate.net/publication/259532883_Principais_parasitos_humanos_de_transmissao_hidrica_ou_por_alimentos/figures?lo=1
https://www.researchgate.net/publication/259532883_Principais_parasitos_humanos_de_transmissao_hidrica_ou_por_alimentos/figures?lo=1
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 13 
 
Heteroxenos ou digenéticos são os parasitas que necessitam de pelo 
menos dois hospedeiros para completarem o seu ciclo evolutivo, ou 
seja, possui hospedeiro definitivo e intermediário. 
 Ex.: Schistosoma mansoni. 
 
Figura 2. Ciclo de vida do parasita Schistosoma haematobium. Fonte: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Schistosoma#/media/File:Esquistossomose-2.png 
 
De acordo com à localização nos hospedeiros 
Ectoparasitas - são os que se instalam externamente ao hospedeiro. 
 Ex.: sanguessuga, caraça, piolho e a pulga. 
Endoparasitas - são os que se instalam internamente ao hospedeiro. 
Ex.: Tênias. 
Quanto à especificidade 
Estenoxenos: afetam somente uma espécie de hospedeiro. 
Ex.: Ascaris lumbricóides. 
 Eurixenos: afetam uma ampla variedade de hospedeiros.Ex:Toxoplasma gondii. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Schistosoma#/media/File:Esquistossomose-2.png
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 14 
 
Oligoxenos: afetam hospedeiros específicos, famílias ou gêneros 
próximos. 
Ex: Echinococcus granulosus. 
 
Quanto ao número de células 
Unicelulares - uma única célula. 
Pluricelulares - mais de uma célula. 
 
Hospedeiro 
Todo aquele que abriga em si, dentro ou em sua superfície, o parasito. 
É o suporte de onde o parasito tira sua subsistência. Aproximando-se 
de uma relação harmônica, há hospedeiros que não manifestam 
sintomas, mas abrigam parte do ciclo biológico do parasito, e são, por 
isso, chamados de reservatórios. 
 
Tipo de hospedeiro 
Hospedeiro acidental ou incidental – hospedeiro, diferente do normal, 
que alberga um parasita. 
Hospedeiro definitivo – hospedeiro no qual ocorre a fase de 
desenvolvimento adulta ou sexuada do parasita. 
Hospedeiro intermediário – hospedeiro no qual ocorre a fase de 
desenvolvimento larvária ou assexuada do parasita. 
Hospedeiro reservatório – hospedeiro albergando parasitas que 
infetam seres humanos e dos quais os seres humanos podem-se infetar. 
Hospedeiro de transporte – hospedeiro responsável por transportar um 
parasita de um local para outro. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 15 
 
Portador – hospedeiro que alberga um parasita e não exibe nenhum 
sintoma clínico, mas pode infetar outros. 
 
Termos associados à relação parasita – hospedeiro 
Simbiose 
 É quando duas espécies se associam de tal forma que esses seres são 
incapazes de viver isoladamente. As espécies realizam funções 
complementares, indispensáveis à vida de cada um (simbiontes). Como 
exemplo temos algumas bactérias que vivem no interior de 
protozoários de vida livre. Os protozoários fornecem abrigo e fontes 
alimentares para as bactérias, que por sua vez, sintetizam substâncias 
(complexo B etc.) necessárias ao protozoário. 
 
Comensalismo 
É a associação harmônica entre duas espécies, na qual uma obtém 
vantagens (o hóspede) sem prejuízos para o outro (o hospedeiro). 
Exemplo: Entamoeba cozi vivendo no intestino grosso humano. 
O comensalismo pode ser dividido em: 
Forésia: é quando na associação uma espécie fomece suporte, abrigo 
ou transporte a outra espécie. Exemplo: o, peixe-piolho Echneis remora 
que, com auxílio de uma ventosa, se adere ao tubarão acompanhando-
o nas suas caçadas e, frequentemente, alimentando-se das sobras. 
Alguns autores denominam a forésia "comensalismo epizóico". 
Inquilinismo: é quando uma espécie vive no interior de outra, sem se 
nutrir à custa desta, mas utilizando o abrigo e parte do alimento que a 
outra capturou. Exemplo: o peixe Fierasfer, que se abriga no interior de 
holotiinas e se alimenta de pequenos crustáceos. 
Sinfilismo ou protocooperação: ocorre quando duas espécies se 
associam para beneficio mútuo, mas 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 16 
 
sem obrigatoriedade, isto é, a associação não é necessária para a 
sobrevivência de ambas. Exemplo clássico está entre as formigas 
(gênero Camponotus) que sugam as secreções de pulgões (afídeos) ou 
cigarrinhas (membracídeos), protegendoos contra inimigos naturais. 
 
Mutualismo 
É quando duas espécies se associam para viver, e ambas são 
beneficiadas. E uma associação obrigatória, sendo, por muitos autores, 
considerada como uma simbiose. O exemplo clássico é a associação que 
ocorre no intestino de cupins com os protozoários do gênero 
Hypermastiginia. 
 
Parasitismo 
É uma relação direta e estreita entre dois organismos geralmente bem 
determinados: o hospedeiro e o parasito, vivendo o segundo a custa do 
primeiro. A relação é essencialmente unilateral. O hospedeiro é 
indispensável ao parasito, que se separado dele morrerá por falta de 
nutrição. A organização do parasito se especializa correlativamente às 
condições em que vive sobre o hospedeiro, sendo a adaptação, a marca 
do parasitismo (monoxenos). Muitas vezes para que o parasito 
complete todo o seu ciclo de vida, ele necessita de um hospedeiro 
intermediário (heteroxenos). 
 
 
Tipos de parasitismo 
Ectoparasitos: podem obter o oxigênio diretamente do meio exterior, 
como o faz a Tunga penetrans (bicho-de-pé), que parasita a pele do 
porco ou do homem e o “berne” que também é parasito da pele, e 
mantém seus orifícios espiraculares voltados para fora, a fim de 
respirar. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 17 
 
Endoparasitos: São parasitos das cavidades naturais ou tecidos e 
dependem totalmente de seus hospedeiros como fonte nutritiva. 
Parasitos facultativos: Parasitismo ocasional ou acidental, como por 
exemplo o caso da Naegleria fowleri, ameba de vida livre encontrada 
em algumas coleções de águas naturais, que eventualmente 
contaminam a mucosa nasal de banhistas, invadindo o sistema nervoso 
através dos nervos oftálmicos. 
Parasitos monoxenos: quando um único hospedeiro é necessário para 
que se complete o ciclo. 
Parasitos heteroxenos: quando o desenvolvimento de uma espécie 
exige uma passagem obrigatória através de dois ou mais hospedeiros, 
sempre na mesma sequência e nas mesmas fases. Em cada um desses 
hospedeiros completa-se uma parte do ciclo vital do parasito. 
 
Infeção x infestação 
Infeção. Penetração e desenvolvimento, ou multiplicação, de um 
agente infecioso dentro do organismo de humanos ou animais 
(inclusive vírus, bactérias, protozoários e helmintos). 
 
Infestação. É o alojamento, desenvolvimento e reprodução de 
artrópodes na superfície do corpo ou vestes. (Pode se dizer também 
que uma área ou local está infestado de artrópodes.) 
Existem dois parâmetros em que se baseia a classificação: localização e 
dimensão. 
O primeiro sugerido por uma reunião de especialistas da Organização 
Mundial de Saúde (OMS), é o mais utilizado atualmente. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 18 
 
1. Localização: Infestação: Localização parasitária na superfície 
externa (ectoparasitas). Por exemplo: Carraças e piolhos. 
Infeção: Localização interna parasitária (endoparasitas). Por exemplo: 
Giardia lamblia e Schistosoma haematobium. 
Por esta definição, infeção seria a penetração seguida de multiplicação 
(microrganismo) ou desenvolvimento (helmintos) de determinado 
agente parasitário. 
2. Dimensão: Infestação: corresponde ao parasitismo por 
metazoários. Por exemplo: Enterobius vermicularis e 
Schistosoma haematobium 
Infeção: definida pelo parasitismo por microrganismos. Por exemplo: 
Giardia lamblia e Trypanosoma cruzi. 
Em consequência, infeção seria a penetração seguida de multiplicação 
de microrganismo. 
 
Mecanismos de transmissão das parasitoses 
Para que seja definido tal mecanismo, deve ocorrer análise quanto à 
porta de entrada no organismo do hospedeiro (via de infeção) e neste 
momento se ocorreu ou não gasto de energia pelo parasita (forma de 
infeção). 
1- Modo de transmissão 
 Passiva - Quando não existe gasto de energia para a invasão. 
 Ativa - Caso ocorra dispêndio energético para tal fim. 
 2- Via de transmissão ou porta de entrada 
 Oral 
 Cutânea 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 19 
 
 Mucosa 
 Genital 
 
3. Principais mecanismos de transmissão 
 Passivo oral. Por exemplo: Ascaris lumbricoides. 
 Passivo cutâneo. Por exemplo: Gênero Plasmodium 
 Ativo cutâneo.Por exemplo: Trypanosoma cruzi 
 Ativo mucoso. Por exemplo: T. cruzi 
 Passivo genital. Por exemplo: Trichomonas vaginalis 
 
4. Mecanismos particulares 
 Transplacentário 
 Transmamário 
 Transfusional 
 Por Transplantação. 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática 1.1 abordamos sobres os principais conceitos 
de parasitologia, parasitas, hospedeiro e suas classificações, relações do 
parasita e hospedeiro e mecanismos de transmissão das parasitoses. 
 
Unidade temática 1.2. Indicadores da qualidade higiênico-sanitária de alimentos 
Introdução 
Microrganismos indicadores são grupos ou espécies de microrganismos que, quando presentes e um 
alimento, podem fornecer informações sobre a ocorrência de contaminação de origem fecal, sobre a 
provável presença de patógenos ou sobre a deterioração potencial do alimento, além de poderem 
indicar condições sanitárias inadequadas durante o processamento, produção ou armazenamento. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 20 
 
Esses microrganismos indicadores podem ser utilizados para refletir a qualidade microbiológica dos 
alimentos em relação à vida de prateleira ou à segurança, neste ultimo caso, devido à presença de 
patógenos alimentares. Em geral, microrganismos indicadores são utilizados para avaliar aspetos de 
qualidade a sanificação dos alimentos. 
Alguns critérios devem ser considerados na definição de um microrganismo ou grupo de 
microrganismos indicadores: devem ser facilmente detetável, quantificado, claramente distinguido de 
outros microrganismos da microbiota do alimento; não deve estar presente como contaminante 
natural do alimento; deve estar presente quando o patógeno associado estiver; deve estar ausente no 
alimento livre do patógeno de interesse ou presente em quantidade mínima; taxa de crescimento 
equivalente às dos patógenos; taxa de morte paralela a dos patógenos de interesse; ter com habitat 
exclusivo o trato intestinal do homem e outros animais; deveria ocorrer em números muito altos nas 
fezes; apresentar alta resistência ao ambiente extra-enteral; deveria haver técnicas rápidas, simples e 
precisas para sua deteção e/ou contagem. 
 
Ao final desta unidade temática o leitor deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer os principais indicadores para avaliar as condições higiênica dos 
alimentos; 
 Compreender utilidades de cada indicador. 
Coliformes totais e fecais 
A presença de coliformes é o melhor indicativo de deficiência na higiene 
no preparo dos alimentos. Os coliformes classificam-se em dois grupos, 
os coliformes totais e os coliformes fecais, que são rotineiramente 
utilizados como microrganismos indicadores para avaliar as condições 
higiênicas dos alimentos (BRITO & ROSSF, 2005). 
 
 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 21 
 
Coliformes totais 
Inclui todas as bactérias na forma de bastonetes gram-negativos, não 
esporogênicos, aeróbios ou anaeróbios facultativos, capazes de 
fermentar a lactose com produção de gás, em 24 a 48 horas a 35ºC 
(CARDOSO et al., 2001). 
Estes coliformes pertencem aos gêneros bacterianos Escherichia, 
Enterobacter, Klebsiella e Citrobacter, incluindo cerca de 20 espécies, 
dentre as quais encontram-se tanto bactérias originárias do trato 
gastrintestinal de humanos e outros animais de sangue quente, como 
também diversos gêneros e espécies de bactérias não entéricas. Por 
isso, sua enumeração em água e alimentos é menos representativa, 
como indicação de contaminação fecal, do que a enumeração de 
coliformes fecais ou E. coli (SILVA, 2002). 
A principal razão para que sejam agrupados deve-se às suas muitas 
características comuns. São todos Gram negativos, não formadores de 
esporos, muitos são móteis, anaeróbios facultativos, resistentes a 
muitos agentes surfactantes e fermentam lactose produzindo ácido e 
gás em 48h a 32°C (leite) ou 35-37°C. 
 
Coliformes fecais 
são bactérias capazes de desenvolver e/ou fermentar a lactose com produção 
de gás em 24-48h a 44,5-45,5°C (RATTI et al., 2011). Quando esta análise é 
efetuada, busca-se a determinação de coliformes de origem 
gastrintestinal, porém sabe-se que cepas de Enterobacter e Klebsiella 
incluídas neste grupo podem apresentar origem não fecal (água, solo e 
vegetais). 
De acordo com BRITO & ROSSF (2005), a pesquisa de coliformes fecais 
ou de E. coli nos alimentos fornece com maior segurança, informações 
sobre as condições higiênicas do produto e melhor indicação da 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 22 
 
eventual presença de enteropatógenos, sendo, utilizado como 
microrganismo indicador de contaminação fecal. 
O índice de coliformes totais avalia as condições higiênicas e o de 
coliformes fecais é empregado como indicador de contaminação fecal 
e avalia as condições higiênico-sanitárias deficientes, visto presumir- se 
que a população deste grupo é constituida de uma alta proporção de E. 
coli (CARDOSO et al., 2001). 
 
Bolores e leveduras 
Os fungos são microrganismos eucariotas, heterotróficos, 
caracteristicamente micelares, que se dividem em bolores e leveduras, 
com interesse não só do ponto de vista da deterioração dos alimentos, 
mas também pelas múltiplas utilizações industriais em que participam 
como agentes fermentativo. A grande dispersão dos bolores e 
leveduras no ambiente justifica a suas frequentes aparições como 
contaminantes nos produtos alimentares, visto que estes, em virtude 
da sua composição, constituem um excelente meio para a fixação e 
reprodução de grande número de espécies fúngicas, cuja proliferação 
ocorre com facilidade por serem mais tolerantes a fatores extremos que 
limitam o desenvolvimento bacteriano, como baixos valores de aw, pH 
e temperatura. Porém, a capacidade de desenvolvimento dos bolores a 
baixas temperaturas constitui um problema na conservação dos 
produtos cárneos quando estes, após o processamento térmico, são 
contaminados com esporos destes microrganismos que, 
desenvolvendo-se, vão alterar o aspecto e as características nutricionais 
e organolépticas dos produtos, abreviar a sua conservação e 
eventualmente contaminá-los com micotoxinas. São frequentes os 
géneros Aspergillus spp., Penicillium spp. e Fusarium spp.. Neste tipo de 
produtos, para além da qualidade das matérias-primas, o controlo do 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 23 
 
desenvolvimento dos bolores e leveduras passarão pelos cuidados a ter 
com qualidade do ar nas zonas de alto risco em que o produto 
permanece após o processamento térmico e antes de ser embalado, na 
utilização de embalagens adequadas, a vácuo ou com atmosfera 
modificada, visto que são aeróbios estritos, ou pelo eventual recurso a 
conservantes. Na ausência de cuidados após o processamento térmico, 
desenvolvem-se geralmente leveduras pertencentes aos géneros 
Candida spp., Rhodotorula spp., Saccharomyces spp., Torulaspora spp. 
e Tricosporon spp., que por serem microaerófilas crescem em 
ambientes onde existem quantidades residuais de oxigénio como pode 
acontecer nas embalagens a vácuo ou em atmosfera modificada, 
passando nestes casos o seu controlo pela utilização de conservantes 
(BERG, 2014). 
Bolores são fungos filamentosos, multicelulares, podendo estar 
presente no solo, no ar, na àgua e em matéria-orgânica em 
decomposição. Leveduras são os fungos não filamentosos, 
normalmente disseminados por insetos vetores, pelo vento e pelas 
correntes aéreas. 
A presença de bolores e leveduras viáveis e em índice elevado nos 
alimentos pode fornecer varias informações,tais como, condições 
higiênicas deficientes de equipamentos, multiplicação no produto em 
decorrência de falhas no processamento e/ou estocagem e matéria-
prima com contaminação excessiva. 
Enterococcus 
Essas bactérias, antes um subgrupo do gênero Streptococcus, a partir 
de 1984 passaram a pertencer ao gênero Enterococcus, com 19 espécies 
reconhecidas atualmente. Antes de 1984, os Estreptococcus fecais eram 
chamados genericamente de enterococos, e consistiam de duas 
espécies: Streptococcus faecalis e Streptococcus faecium. São 
atualmente denominados 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 24 
 
Enterococcus faecalis e Enterococcus faecium. São relativamente 
resistentes ao calor e podem sobreviver as pasteurizações do leite. 
Algumas restrições quanto a utilização dos Enterococcus como 
indicadores de contaminação fecal dos alimentos são feitas, uma delas 
seria de encontrarmos em outros ambientes além do trato intestinal e 
apresentarem uma sobrevivência maior em relação aos 
enteropatógenos encontrados no solo, nos vegetais e em alimentos, 
principalmente naqueles submetidos à desidratação, ação de 
desinfetantes e a flutuações de temperatura por serem mais 
resistentes. Apesar das limitações do uso desses microrganismos como 
indicadores de contaminação fecal, sua presença em números elevados 
em alimentos indica práticas sanitárias inadequadas ou exposição do 
alimento a condições que permitiram a multiplicação de 
microrganismos indesejáveis. 
 
 
Sumário 
Em suma os microrganismos indicadores podem ser agrupados em: microrganismos que não 
oferecem riscos à saúde (mesófilos, psicrotróficos, termófilos, bolores e leveduras) e 
microrganismos que oferecem um risco baixo ou indireto à saúde (coliformes totais, coliformes 
fecais enterococos, enterobactérias totais, Escherichia coli). 
 
 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 25 
 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
Perguntas 
1. O parasitismo é uma relação ecológica: 
A. Intraespecífica e harmônica. 
B. Intraespecífica e desarmônica. 
C. Intraespecífica e positiva. 
D. Interespecífica e harmônica. 
E. Interespecífica e desarmônica. 
2. Todos os organismos citados a seguir são exemplos de 
endoparasitas, exceto: 
A. Tênia. 
B. Piolho. 
C. Vírus da gripe. 
D. Vírus da AIDS. 
E. Lombriga. 
3. Os parasitas são organismos que interagem com outros seres 
vivos, dos quais retiram seu alimento. Na relação entre o 
homem e o piolho, o homem pode ser chamado de: 
A. inquilino. 
B. parasita. 
C. hospedeiro. 
D. patógeno. 
E. antígeno. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 26 
 
4. Com relação aos parasitas e às doenças que causam, pode-se 
afirmar que: 
I. A larva cercária do Schistosoma haematobium penetra no 
homem pela pele, causando-lhe a schistossomose. 
II. A teníase é a doença causada pela Taenia solium ou 
pela Taenia saginata. 
III. A cisticercose é a doença causada pela larva da Taenia 
solium. 
IV. A lombriga ou ascaridíase é a doença causada pelo Ascaris 
lumbricoides. 
V. A opilação ou amarelão é a doença causada pelo Necator 
americanus ou pelo Ancylostoma duodenale. 
VI. A filariose, que pode originar a elefantíase, é causada 
pela Wuchereria bancrofti. 
Estão corretas: 
A. todas. 
B. apenas I, II, III, IV e V. 
C. apenas I, II, IV, V e VI. 
D. apenas II, III, IV e VI. 
E. apenas I, III, V e VI. 
5. Interação ecológica entre indivíduos de espécies diferentes, em 
que os parceiros estabelecem entre si relações íntimas e 
duradouras com certo grau de dependência metabólica. Onde 
existe unilateralidade de benefícios. 
A. Simbiose 
B. Parasitismo 
C. Mutualismo 
D. Canibalismo 
E. Comensalismo 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 27 
 
 
6. Com relação a relação parasita e hospedeiro é correto afirmar 
que: 
A. A relação de parasitismo surgiu a partir de uma evolução 
onde um organismo menor foi beneficiado. 
B. Para que ocorra o parasitismo é necessário sempre que o 
hospedeiro apresente sintomatologia. 
C. Na relação de parasitismo onde apresenta o quadro 
assintomático é que ambos são beneficiados. 
D. Na relação de parasitismo a relação é de benefício mútuo. 
E. No parasitismo a relação hospedeiro e parasita é 
independente. 
 
7. A especificidade parasitária é característica, às vezes, difícil de 
ser determinada, em virtude das diferentes possibilidades de 
adaptação entre parasitos e novos hospedeiros, também muito 
influenciadas pelas condições do ambiente. Quanto à 
especificidade são classificados em Estenoxeno, Eurixeno e 
Oligoxeno. Assinale a alternativa incorreta. 
A. Parasitas estenoxenos possuem alta especificidade 
B. Parasitas oligoxeno possuem ampla especificidade 
C. O Trichuris trichiura é um parasita estenoxeno 
D. Plasmodium malariae é um parasita oligoxeno 
E. O Toxoplasma gondii é um parasita eurixeno 
Respostas: 1E, 2B, 3C, 4A, 5B, 6A, 7B 
Exercícios do TEMA 
1. O que são Fungos? 
2. Por que os coliformes são considerados indicadores de 
contaminação fecal? 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 28 
 
3. Qual é a diferença entre coliformes fecais e coliformes totais? 
4. Quais são os quatros principais género de bactérias do grupo 
coliforme, qual o principal representante do grupo? 
5. Menciona as principais vias de transmissão ou porta de entrada 
dos parasitas? 
6. Qual é a diferença entre infeção e infestação? 
7. Dê exemplos de quatro ectoparasitos e endoparasitas. 
8. Classifica os parasitas quanto a especificidade e dê um 
exemplo? 
9. Cite os tipos de hospedeiros? 
 
10. Quais são os quatro principais gêneros de bactérias do grupo 
coliforme, qual o principal representante do grupo 
 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 29 
 
TEMA – II: PRINCIPAIS PARASITOSES CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS 
Unidade temática 2.1. Doença de Chagas ou Tripanossomíase africana 
Introdução 
 Doença de Chagas ou Tripanossomíase africana foi notificada pela primeira vez por Carlos 
Chagas em 1909. Nesta notificação o protozoário Trypanosoma cruzi (T. cruzi) foi 
considerado agente etiológico. Após esta descrição, a biologia do parasito e, 
consequentemente, a transmissão da doença de Chagas foi associada à presença de 
reservatórios mamíferos e a hospedeiros intermediários triatomíneos. O ciclo biológico 
ocorre naturalmente no ambiente silvestre vindo a afetar o homem após migrações e/ou 
invasão de ambiente natural (MATTOS & BERTO, 2010). Esta doença infecciosa é causada 
pelos parasitas Trypanosoma brucei gambiense ou Trypanosoma 
brucei rhodesiense causam esta doença infeciosa, e a mosca tsé-tsé transmite a 
doença. Para BARROSO et al. 2014, as tripanossomoses humanas são o segundo maior 
entrave ao desenvolvimento de zonas rurais nos trópicos, ultrapassadas apenas pela 
malária. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer os agentes etiológicos; 
 Conhecer os mecanismos de transmissão; 
 Descrever as manifestações clinicas e tratamento da tripanossomíase 
americana; 
 Conhecer as medidas preventivas. 
Agente etiologia 
A tripanossomíase americana conhecida como doença de Chagas é 
causada pelos protozoários T. cruzi (KRATZ et al .,2018) e é transmitida 
pela espécie Triatoma da família Reduviidae. T. cruzi um agente 
 
ISCED CURSO:NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 30 
 
hemoflagelante protozoário da ordem Kinetoplastida e família 
Trypanosomatidae. 
 
Epidemiologia 
A distribuição da doença está ligada às más condições de habitação da 
população rural de vasta zonas de América Latina, que permitem a 
domiciliação dos vetores. A doença é endémica em 21 paises 
americanos (figura 3), atingindo, segundo as últimas estimativas de 
2006, 15 milhões de indivíduos e resultando em 41 200 novos casos por 
ano com 12 500 mortes. A doença pode também ser transmitida por via 
congénita, por transfusão de sangue ou transplantação (BARROSO et 
al., 2014). De acordo com ANTINORI et al (2017), refere que o intenso 
fluxo de migrantes latino-americanos para a Europa (especialmente 
para Espanha, Portugal e Itália) registrados desde a década de 90 foram 
associados a um aumento dramático de casos de doença de chaga 
diagnosticados em países não endêmicos, com importantes implicações 
para a saúde pública e a mundialização de fato de uma doença. 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 31 
 
 
Figura 3. Áreas endémicas para a doença de chagas. 
Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Distribution_of_Chagas%27_disease.sv
g 
 
Ciclo de vida do parasita 
O ciclo de vida do T. cruzi é complexo (figura 4), com diferentes 
desenvolvimentos formas em vetores de insetos (epimastigotas e 
tripomastigotas metacíclicos) e hospedeiros mamíferos incluindo 
humanos (tripomastigotas não replicativos da corrente sanguínea e 
amastigotas intracelulares replicativos). O vetor triatomínico é infetado 
pela ingestão de parasitas circulantes (tripomastigotas) em uma 
refeição de sangue de um hospedeiro humano infetado. No intestino 
médio do vetor, os tripomastigotas se diferenciam em epimastigotas e 
se replicam. As epimastigotas ao atingir o intestino posterior se 
diferenciam em tripomastigotas metacíclicos infeciosos, que são 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 32 
 
excretados com as fezes do vetor. No intestino médio posterior, os 
epimastigotas se ligam às membranas perimicrovilares através dos 
glicofosfatidilinositóis de superfície e se dividem por fissão binária. Uma 
vez no intestino grosso, os epimastigotas se ligam fracamente à cutícula 
retal e se transformam em tripomastigotas metacíclicos. O T. cruzi é 
transmitido por depósitos de matéria fecal, pois os vetores de 
triatomíneos infetados levam a farinha de sangue de hospedeiros 
humanos adormecidos à pele. A coceira produzida pela picada do vetor 
induz o indivíduo a coçar. Assim, os tripomastigotas metacíclicos podem 
entrar em lesões cutâneas ou na conjuntiva; a ingestão oral de 
alimentos ou bebidas contaminadas com fezes de reduvião infetadas 
também causa infeção humana. Os tripomastigotas metacíclicos 
expressam uma glicoproteína de superfície específica do estágio de 82 
kDa (GP82), uma importante molécula de adesão celular, responsável 
na internalização do parasita. 
Uma vez no hospedeiro humano, os tripomastigotas metacíclicos 
invadem as células nucleadas no sistema reticuloendotelial localizado e 
no tecido conjuntivo. No citoplasma, os tripomastigotas metacíclicos 
diferenciam-se em formas amastigotas esféricas, que se replicam por 
fissão binária, com um tempo de duplicação de cerca de 12 horas, 
durante um período de 4 a 5 dias. Quando a célula está inchada com 
formas amastigotas, elas se transformam em tripomastigotas pelo 
crescimento de flagelos, e são liberadas pela ruptura da célula 
hospedeira. Os tripomastigotas invadem os tecidos adjacentes e se 
espalham por meio dos vasos linfáticos e da corrente sanguínea até 
locais distantes, principalmente células musculares (cardíacas, lisas e 
esqueléticas) e células ganglionares, onde passam por mais ciclos de 
multiplicação intracelular. 
O ciclo de transmissão é completado quando tripomastigotas 
circulantes são tomados em refeições de sangue por vetores de 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 33 
 
triatomíneos. Os vertebrados silvestres, como o tatu e o guaxinim, e os 
animais domésticos (principalmente cães e gatos) servem como 
reservatórios para o T. cruzi. 
 
Figura 4. ciclo de vida de T. cruzi. Fonte: https://pt.slideshare.net/KROLZITA/doena-
de-chagas-5834735 
 
Mecanismo de transmissão 
De acordo com Neves et al. 2005, a doença de Chaga transmite-se por: 
transmissão sanguínea, transplante, coito, transmissão pelo vetor, 
acidentes laboratório, transmissão congênita e transmissão oral. 
 
Manifestações clínicas 
Murray et al. 2017 refere que a doença de chagas pode ser 
assintomática, aguda ou crónica. Um dos primeiros sinais é o 
desenvolvimento de uma área eritematosa e endurecida, chamada de 
chagoma, no local da picada do inseto. Esta doença é mais grave em 
criança com menos de 5 anos e é frequentemente vista como um 
processo agudo que acomete o sistema nervoso central (SNC). 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 34 
 
Na fase aguda a doença de Chaga é caracterizada por febre, calafrios, 
mal-estar, mialgia e fadiga, entretanto se apresentam escassos em 
pacientes com mais de um ano. O paciente pode morrer poucas 
semanas após um ataque agudo, pode se recuperar ou pode entrar na 
fase cronica, na qual os organismos proliferam e invadem o coração, 
fígado, baço, cérebro e linfonodos. 
Na fase crônica esta infeção caracteriza-se por hepatosplenomegalia, 
miocardite e aumento do tamanho do esôfago e do cólon com resultado 
da destruição de células nervosas (p. ex. plexo de Auerbach) e de outros 
tecidos que controlam o crescimento desses órgãos. 
Megacardia e alterações eletrocardiográficas são comumente 
observadas na doença crônica. O envolvimento do SNC, produz 
granulomas no cérebro, com formação de cistos e meningoencefalite. 
A morte resultante da doença de chagas crônica é uma consequência 
da destruição tecidual que ocorre em muitas áreas invadidas pelos 
organismos, e a morte repentina resulta de um bloqueio cardíaco 
completo e de dano cerebral. 
 
Tratamento 
Estão disponíveis dois fármacos para o tratamento da doença de 
Chagas: nifurtimox e benznidazol ambos de uso oral (KRATZ et al., 
2018; ANTINORI et al., 2017; MURRAY, 2017). 
O nifurtimox é administrado 8 a 10 mg/kg/dia em adultos, 12,5 mg / kg 
por dia em adolescentes e 15 a 20 mg / kg por dia em crianças tudo com 
uma durante 90 a 120 dias (BARROSO et al., 2014). Efeitos colaterais 
incluem náuseas, vómitos, diarreia, perda de peso, irritabilidade, 
perturbações do sono, neuropatia periférica. A tolerância nas crianças 
é melhor do que adultos. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 35 
 
O benzonidazol é administrado 5 a 7 mg/kg/dia, durante 60 dias( KRATZ 
et al., 2018). Este fármaco causa com frequência reações de 
hipersensibilidade habitualmente moderada, mas que podem ser 
graves e de difícil controlo. 
 
Prevenção e controle 
 O controle dos triatomíneos, a erradicação de seus ninhos e a 
construção de casas para prevenir o alojamento dos insetos 
também são essenciais. 
 Uso de diclorodifeniltricloroetano (DDT) em casas infestadas por 
insetos tem demonstrado uma queda na transmissão da malaria 
e da doença de chagas. 
 A triagem do sangue pela utilização de meios sorológicos ou da 
exclusão de doadores de sangue provenientes de áreas 
endêmicas previne algumas infeções que poderiam estar 
associadas à transfusãoterapêutica. 
 Programas educacionais sobre a doença e sua transmissão, 
desenvolvimento para informar pessoas em áreas endêmicas. 
 O desenvolvimento de uma vacina é possível, uma vez que T. 
cruzi não apresenta a variação antigénica observada nos 
 tripanossomos africanos. 
Sumário 
Nesta Unidade temática 2.1 estudamos e discutimos 
fundamentalmente a doença de chagas, também conhecida como 
tripanossomíase americana, é causada pelo protozoário 
tripanossomatídeo T. cruzi que, em seu ciclo de vida natural, é 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 36 
 
transmitido por vetores de triatomíneos. Estudos parasitológicos são 
úteis para confirmar casos agudos, enquanto o diagnóstico de infecção 
crônica por T. cruzi se baseia em métodos sorológicos. Não há vacina 
para prevenir a infeção, e o tratamento é restrito ao nifurtimox e ao 
benzonidazol; e, portanto, novos medicamentos eficazes com menores 
efeitos colaterais são urgentemente necessários. 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 37 
 
Unidade temática 2.2. Leishmaniose. 
Introdução 
 Leishmanioses é uma doença tropical causadas por protozoários do gênero Leishmania 
e transmitidas por mosquitos da família dos flebotomíneos. De referir que Leishmania 
são protozoários flagelados que existem sob a forma de promastigota no hospedeiro 
inseto e sob a forma amastigota nas células macrofágicas dos hospedeiros vertebrados, 
transmitidas ao Homem por picada de insetos hematófagos dos géneros Phlebotomos 
e Lutzomynia. De acordo com BURZA (2018), existem cerca de 20 espécies do género 
Leishmania causam doença no Homem. As principais incluem: membros do complexo 
Leishmania donovani (L. donovani, L, infantum e L. chagasi) associados a doença 
sistémica (Kala-azar) habitualmente fatal sem tratamento; L. tropica e L. major, 
causadoras de lesões cutâneas geralmente benignas; e membros dos complexos L. 
braziliensis, ocasionando formas mucocutâneas da doença, frequentemente graves e 
mutilantes. 
 
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer agente etiológico e os tipos de lesihmanioses; 
 compreender o ciclo biológico do parasita leishmania; 
 Conhecer as principais manifestações clinicas da leishmaniose cutânea, 
visceral e mucocutânea; 
 Conhecer o tratamento e medidas preventivas. 
 
Agente etiológico 
Para REYS (2010) os protozoários que causam as leishmaníases humanas são 
flagelados da familia Trypanosomatidae do gênero Leishmania caracterizados 
por apresentarem apenas duas formas durante seu ciclo vital: 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 38 
 
a) forma amastigota, quando os parasitos estão no interior das células dos 
hospedeiros vertebrados; 
b) forma promastigota, quando se desenvolvem no tubo digestivo dos 
hospedeiros invertebrados (insetos flebotomíneos), bem como nos meios de 
cultura. 
Modo de transmissão 
LISBOA et al. (2016) refere que as Leishmanias são transmitidas aos animais e 
aos homens pela picada dos flebotomínios pertencentes à ordem díptera da 
família Psychodidae, denominados flebótomos na linguagem vulgar. 
Leismaniose pode ser transmitido por transfusão sanguínea, transmissão vertical 
e por acidente de laboratório (BARROSO et al., 2014). Usuários de drogas 
transmitem a leishmaniose por meio do compartilhamento de agulhas (FERRAR 
et al.,2014). 
 
Período de incubação 
Este período, que corresponde ao tempo decorrido entre a picada do inseto e o 
aparecimento de lesão inicial, varia entre duas semanas e três meses (NEVES, 
2005). 
 
Ciclo de vida 
Os ciclos de vida das leishmânias são muito semelhantes nas leishmanioses 
cutânea, mucocutânea e visceral (MURRAY et al, 2017). Possuem ciclo biológico 
heteroxênico necessitando assim de dois hospedeiros (figura 5), um vertebrado, 
representado por canídeos silvestres e domésticos, além de roedores e humanos, 
e de um invertebrado, representado pelo inseto vetor (LISBOA et al., 2016). 
Os dois tipos de transmissão existentes para a leishmaniose visceral são: ciclo 
zoonótico, onde a doença é transmitida ao homem a partir de um vetor que fez 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 39 
 
o repasto sanguíneo em reservatório animal e o ciclo antroponótico, onde é 
transmitida de homem para homem através do vetor. 
Durante o processo de alimentação do flebotomíneo é que ocorre a transmissão 
do parasita. Na tentativa da ingestão do sangue, as formas promastigotas são 
introduzidas no local da picada. Dentro de quatro a oito horas, estes flagelados 
são interiorizados pelos macrófagos teciduais. A saliva do flebotomíneo possui 
neuropeptideos vasodilatadores que atuam facilitando a alimentação do inseto 
e ao mesmo tempo imunossuprimindo a resposta do hospedeiro vertebrado; 
desta forma, exerce importante papel no sucesso da infectividade das 
promastigotas metaciclicas. 
O macrófago estende pseudópodos que envolvem o parasito, introduzindo-o 
para o seu interior, envolto pelo vacúolo fagocitário. Rapidamente as formas 
promastígotas se transformam em amastígotas que são encontradas 24 horas 
após a fagocitose. 
 Dentro do vacúolo fagocitário dos macrófagos, as amastigotas estão adaptadas 
ao novo meio fisiológico e resistem a ação destruidora dos lisossomas, 
multiplicando se por divisão binaria até ocupar todo o citoplasma. O núcleo do 
macrófago chega a deslocar-se do centro, para dar lugar ao vacúolo com as 
amastígotas. Esgotando-se sua resistência, a membrana do macrófago se rompe 
liberando as amastígotas no tecido, sendo novamente fagocitadas, iniciando no 
local uma reação inflamatória. 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 40 
 
 
Figura 5. ciclo de vida do parasita Leishmania. Fonte: Martins & Lima (2013). 
 
Manifestações clínicas 
Dependendo da espécie de Leishmania envolvida, a infeção pode resultar em 
uma doença cutânea, cutânea difusa, mucocutânea ou visceral. 
A leishmaniose visceral é caracterizada principalmente por febre – que pode 
assumir os mais variados padrões e é frequentemente pouco valorizada-, 
aumento progressivo do baço com dor abdominal, anemia, perda de peso e 
apatia. Sem tratamento, a progressão resulta em morte por infeção secundária. 
A maioria das infeções é subclínica, com cura espontânea, ou seguida de período 
quiescência; a imunossupressão, seja ela iatrogénica, associada à destruição 
proteico-calórica, ou relacionada com coinfecção pelo HIV, pode ativar a infeção 
latente. 
As formas cutâneas são caracterizadas por lesões ulceradas típicas, mais muitas 
apresentações (formas secas, lupoides, pseudotumorais, etc.) são possíveis. Nas 
formas mucocutâneas há ulceração progressiva de mucosa oral ou faríngea, 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 41 
 
surgindo meses ou anos após a lesão cutânea inicial, tipicamente com destruição 
do septo nasal. 
 
Epidemiologia 
As leishmanioses estão presentes nas zonas intertropicais e temperadas do Novo 
Mundo (Américas) e Velho Mundo (África, Eurásia) (BARROSO et al.2014). Em 
todo o mundo um total de 350 milhões de pessoas encontram-se em áreas de 
risco. Estima-se que 500.000 novos casos ocorrem anualmente, com cerca de 
59.000 óbitos em vários países da Europa, Ásia, Oriente Médio, África e Américas, 
dos quais mais noventa por cento dos casos ocorrem em apenas cinco países: 
Índia,Bangladesh, Nepal, Sudão e Brasil (figura 6) (LISBOA et al., 2016). 
A leishmaniose visceral humana é endêmica nas regiões tropicais e subtropicais 
da Ásia, África, Américas Central e do Sul (figura 7). No Sul da Europa mais de 70% 
dos casos em adultos estão associados à infeção por HIV e mais de 9% dos 
pacientes com AIDS também são acometidos por esta endemia. 
Na sua maioria, as leishmânias são parasitas dos canídeos selvagens ou 
domésticos ou de roedores, constituindo zoonoses. 
 
 
Figura 6. Distribuição geográfica da leishmanias visceral em todo o mundo em 2016 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 42 
 
Fonte: BURZA et al., 2018 
 
 
Figure 7. Distribuição geográfica da leishmanias cutânea em todo o mundo em 2016. 
Fonte:https://www.who.int/leishmaniasis/burden/Status_of_endemicity_of_CL_worldwide_20
16with_imported_cases.pdf?ua=1 
 
Tratamento 
O fármaco de escolha para todas as formas de leishmanioses é o composto 
antimonial pentavalente estibogluconato de sódio (Pentostam). 
A terapia-padrão para o tratamento da leishmaniose cutânea consiste em 
injeções de compostos antimoniais diretamente na lesão ou por via parenteral. 
Há pouco tempo, o fluconazol e a miltefosina se mostraram eficazes. Entre 
outros fármacos estão a anfotericina B, a pentamidina e várias formulações de 
paromomicina. 
O estibogluconato permanece como fármaco de escolha para o tratamento da 
leishmaniose mucocutânea, tendo como alternativa a anfotericina B. 
 
Prevenção e controle 
A Prevenção a nível individual apela redução do contacto Homem – vetor 
(repelentes, inseticidas, redes mosquiteiras). O controlo das leishmanias 
requer ações complexas de controlo vetorial combinadas com a redução ou 
eliminação do reservatório animal. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 43 
 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática 2.2 estudamos e discutimos 
fundamentalmente a leishmaniose é uma zoonose relatada 
principalmente em países de clima tropical e sistêmica. 
Estas enfermidades são provocadas por protozoários do gênero 
Leishmania, que de acordo com a espécie podem produzir 
manifestações cutâneas, mucocutânea, cutânea difusa e viscerais. 
transmitida por flebotomínios. Por ser uma zoonose que afeta tanto o 
homem quanto os animais. Estima-se que no mundo tem por ano 2 
milhões de novo casos. Mais que 350 milhões de pessoas vivem em 
áreas com transmissão de Leishmania e casos são relatados em 98 
países da América do Sul, África, sul da Europa e Ásia. A doença é 
relacionada à pobreza e é uma das "Doenças Tropicais Negligenciadas". 
Leishmanioses são frequentemente classificados pela sua localização 
geográfica, Velho Mundo (Europa, Ásia e África) ou no Novo Mundo 
(Américas). Pelo menos 20 espécies do gênero Leishmania são 
patogênicas para os humanos. 
 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 44 
 
Unidade temática 2.3. Malária 
Introdução 
A malária é um problema de saúde a nível mundial significativo com uma carga de doenças 
substancial em todo o mundo. Em 2017, houve aproximadamente 219 milhões de casos de 
malária, responsáveis por cerca de 435000 mortes, a maioria no continente africano (World 
Malaria Report 2018). A malária resulta da infecção por parasitas unicelulares pertencentes 
ao gênero Plasmodium . Sabe-se que cinco espécies de Plasmodium causam doenças em 
humanos: P. falciparum, P. vivax , P. ovale , P. malariae e P. knowlesi . Globalmente, P. 
falciparum e P. vivax são responsáveis pela maioria dos casos de malária. Enquanto P. falciparum 
é responsável por mais mortes, P. vivax é a mais disseminada de todas as espécies de malária, 
pode causar infecções graves e até fatais e resulta em significativa morbidade e mortalidade 
global. 
 
Ao final desta unidade temática o leitor deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer agente etiológico da malária; 
 Conhecer o ciclo biológico e modo de transmissão; 
 Conhecer manifestações clinicas da malária; 
 Conhecer tratamento da malária e medidas preventivas. 
 
Agente etiológico 
Segundo TRAMPUZ et al. (2003), malária é uma doença causada por 
protozoários intraeritrocitários obrigatórios do gênero Plasmodium. Os 
seres humanos podem ser infectados com uma (ou mais) das seguintes 
quatro espécies: P. falciparum , P. vivax , P. ovale e P. malariae . 
 
Classificação 
Reino Protista 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 45 
 
 Filo Apicomplexa 
 Classe Aconoidasida 
 Ordem Haemosporida 
 Família Plasmodiidae 
 Gênero Plasmodium 
 
Epidemiologia 
A malária é uma doença parasitaria com grandes impactos a nível de 
saúde publica em todo o mundo. Estima-se que 300-500 milhões de 
pessoas contraem a malária a cada ano, resultando em 1.5-2.7 milhões 
de mortes por ano a nível mundial (figura 8). Devido ao aumento das 
viagens globais e à imigração de pessoas de áreas endêmicas para 
malária, a incidência de casos importados de malária em países 
desenvolvidos aumentou. Espera-se que aproximadamente 10 000 a 30 
000 viajantes de países (TRAMPUZ et al., 2003). Segundo dados da WHO 
( 2018), refere que houve 219 milhões de casos e 435.000 mortes 
relacionadas em 2017. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 46 
 
 
Figura 8. Distribuição global do Plasmodium falciparum e Plasmodium vivax Fonte: 
FARRAR et al., 2014 
 
Ciclo de vida do parasite Plasmodium 
Quando o mosquito anofelino infetado faz uma refeição de sangue, os 
esporozoítos são inoculados na corrente sanguínea. Dentro de uma 
hora, os esporozoítos penetram nos hepatócitos e começam a dividir-
se em merozoitos exoeritrocíticos (esquizogonia tecidular). Para P. 
vivax e P. ovale, formas dormentes denominadas hipnozoítas 
geralmente permanecem quiescentes no fígado até um tempo 
posterior; P. falciparumn ão produz hypnozoites. Uma vez que os 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 47 
 
merozoitos saem do fígado, eles invadem os eritrócitos e se 
desenvolvem em trofozoítos precoces, que são em forma de anel, 
vacuolados e não-colonizados. Uma vez que o parasita começa a se 
dividir, os trofozoítos são chamados de esquizontes, consistindo de 
muitos merozoítos filhos (esquizogonia do sangue). Eventualmente, os 
eritrócitos infetados são lisados pelos merozoítas, que posteriormente 
invadem outros eritrócitos, iniciando um novo ciclo de esquizogonia. A 
duração de cada ciclo em P. falciparum é de cerca de 48 horas. Em seres 
humanos não imunes, a infeção é ampliada cerca de 20 vezes a cada 
ciclo. Depois de vários ciclos, alguns dos merozoítos se desenvolvem em 
gametócitos, o estágio sexual da malária, que não causam sintomas, 
mas são infeciosos para os mosquitos (figura 9)(TRAMPUZ et al., 2003). 
 
Figura 9. Ciclo de vida das espécies de Plasmodium causadoras de malária em 
humanos. Fonte: FRANÇA et al., 2008 
 
Modo de transmissão 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 48 
 
A malária pode ser transmitida por via transfusional, transplacentária 
(malária congénita) durante a partilha de seringa por 
toxicodependentes ou em acidentes de laboratório, mas a transmissão 
natural faz-se principalmente pela picada de fêmeas de mosquitos 
Anopheles. 
 
Manifestações clínicas 
Os sintomas da malária são febre, calafrios,cefaléia, vômito, anorexia, 
fadiga, diarreia e anemia. Se não tratada adequadamente a doença 
pode apresentar complicações como edema pulmonar, complicações 
renais, icterícia e obstrução de vasos sanguíneos no cérebro (nos casos 
graves da doença), situação que poderá levar à morte do indivíduo. As 
infeções malariais que ocorrem no homem são conhecidas conforme as 
espécies do protozoário envolvido. Deste modo, tem-se: a malária 
falciparum, também conhecida como malária grave ou maligna que 
ocorre principalmente na África subsaariana, mas também está 
presente em todas as regiões tropicais do mundo; a malária vivax, 
chamada de malária benigna, muito comum na América do Sul e que 
também é a forma de malária mais largamente distribuída e observada 
em regiões temperadas do mundo; a malária malariae, que tem a 
mesma distribuição geográfica da malária falciparum, embora seja 
muito menos prevalente e ocorra em zonas mais restritas, e a malária 
ovale que ocorre quase exclusivamente na África (STANLEY et al., 
1991). 
A malária falciparum tem um período de incubação de 1 a 3 semanas 
(média de 12 dias), sendo também a forma mais grave da doença, pois 
leva um maior número de doentes à morte. A malária vivax, também 
conhecida como “terçã” benigna, pois é caracterizada pela 
intermitência dos ataques paroxísticos da doença provenientes da 
infeção eritrocítica que ocorrem a cada 3 dias, é a forma de malária mais 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 49 
 
frequente no Brasil, tendo um período de incubação de 1 a 4 semanas 
(média de 2 semanas). 
A malária malariae é a forma “quartã” da doença, com intermitência a 
cada 4 dias e um período de incubação de 2 a 4 semanas (média de 3 
semanas). Além dos sintomas gerais, esta for- ma da doença pode 
também causar nefrites. A malária ovale, que tem um período de 
incubação de 9 a 18 dias (média de 14 dias), é basicamente uma forma 
terçã da doença, que ocorre quase exclusivamente na África (FRANÇA 
et al., 2008). 
 
Tratamento 
Tratamento da malária sem complicações 
Tratamento de infeções por P. falciparum 
A OMS recomenda terapias combinadas à base de artemisinina 
(ACTs) para o tratamento da malária não complicada causada 
pelo parasita P. falciparum . Combinando 2 ingredientes ativos com 
diferentes mecanismos de ação, os ACTs são os medicamentos 
antimaláricos mais eficazes disponíveis atualmente. Atualmente, a 
OMS recomenda 5 ACTs para uso contra a malária por P. 
falciparum. A escolha do ACT deve basear-se nos resultados de 
estudos de eficácia terapêutica contra estirpes locais de malária 
 
por P. falciparum. 
 
Tratamento de infeções por P. vivax 
As infecções por P. vivax devem ser tratadas com ACT ou cloroquina 
em áreas sem P. vivax resistentes à cloroquina . Em áreas onde o P. 
vivax resistente à cloroquina foi identificado, as infecções devem ser 
tratadas com um ACT, de preferência em que o medicamento 
parceiro tenha uma meia-vida longa. Com exceção da combinação 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 50 
 
de artesunato + sulfadoxina-pirimetamina (AS + SP), todos os ACTs 
são eficazes contra as infecções do estágio de sangue de P. vivax. 
 
Tratamento de malária severa 
A malária grave deve ser tratada com artesunato injetável 
(intramuscular ou intravenoso) por pelo menos 24 horas e seguida 
por um ciclo completo de 3 dias de ACT, uma vez que o paciente 
possa tolerar medicamentos orais. Quando o tratamento injetável 
não pode ser administrado, crianças com menos de 6 anos de idade 
com malária grave devem receber um tratamento de pré-referência 
com artesunato retal antes de serem encaminhadas imediatamente 
para uma unidade de saúde onde o nível total de cuidado possa ser 
fornecido. 
É essencial que nem os medicamentos injetáveis à base de 
artemisinina nem os supositórios de artesunato sejam utilizados 
como monoterapias - o tratamento inicial da malária grave com 
estes medicamentos deve ser completado com um tratamento de 3 
dias com um ACT. Isto é para garantir a cura completa e prevenir o 
desenvolvimento de resistência aos derivados de artemisinina. 
 
Prevenção e Controle 
A prevenção da malária a nível individual baseia-se na aplicação das 
medidas para evitar as picadas de anófeles (repelentes, inseticidas, 
redes mosquiteiras, ar condicionado e ventoinhas, uso de roupa 
adequada) e na quimioprofilaxia. Os principais fármacos usados na 
profilaxia da malária incluem mefloquina, atovaquona + proguanilo e 
doxiciclina. 
 
 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 51 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática 2.3 estudamos e discutimos 
fundamentalmente sobre a malária. Onde vimos que a malária 
representa uma emergência médica porque pode progredir 
rapidamente para complicações e morte sem tratamento imediato e 
apropriado. A malária severa é quase exclusivamente causada 
por Plasmodium falciparum. A incidência de malária importada está 
aumentando e a taxa de letalidade continua alta apesar do progresso 
na terapia intensiva e tratamento antimalárico. A quinina e a quinidina 
por via intravenosa são as drogas mais utilizadas no tratamento inicial 
da malária falciparum grave, enquanto os derivados de artemisinina são 
atualmente recomendados para casos resistentes à quinina. Assim que 
o paciente estiver clinicamente estável e capaz de engolir, o tratamento 
oral deve ser administrado. O volume intravascular deve ser mantido 
no nível mais baixo, suficiente para perfusão sistêmica adequada para 
evitar o desenvolvimento de síndrome do desconforto respiratório 
agudo. A terapia de reposição renal deve ser iniciada precocemente. A 
transfusão sanguínea de troca tem sido sugerida para o tratamento de 
pacientes com malária severa e alta parasitemia. Para o diagnóstico 
precoce, é fundamental considerar a malária em todos os pacientes 
febris com histórico de viagens em uma área endêmica para malária. 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 52 
 
Unidade temática 2.4. Toxoplasmose 
Introdução 
A toxoplasmose é uma zoonose e a infeção é muito frequente em várias espécies de 
animais: mamíferos (principalmente carneiro, cabra e porco) e aves. O gato e alguns 
outros felídeos são os hospedeiros definitivos ou completos e o homem e os outros 
animais são os hospedeiros intermediários ou incompletos (REYS. 2010). Ela tem por 
causa o Toxoplasma gondii, um protozoário de distribuição geográfica mundial, com 
alta prevalência sorológica, podendo atingir mais de 60% da população em 
determinados países. No entanto, os casos de doença clínica são menos frequentes. 
Nestes, a forma mais grave é encontrada em crianças recém-nascidas, sendo 
caracterizada por encefalite, icterícia, urticária e hepatomegalia, geralmente 
associada a coriorretinete, hidrocefalia e microcefalia, com altas taxas de morbidade 
e mortalidade. A toxoplasmose vem apresentando quadro grave de evolução em 
indivíduos com o sistema imune gravemente comprometido causando encefalite, 
retinite ou doença disseminativa. Entre o grupo de risco incluem-se os receptores de 
órgãos, indivíduos em tratamento quimioterápico e aqueles infectados com HIV 
(NEVES et al.,2005). 
 
 
 
Ao completar esta unidade, o leitor devera ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Descrever o ciclo biológico do parasita T. gondii. 
 Conhecer mecanismos da transmissão da toxoplasmose. 
 Conhecer os sintomas e sinais clínicos da infeção provocada por T. gondii. 
 Conhecer tratamento e medidas de prevenção. 
 
 
 
 
ISCEDCURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 53 
 
Agente etiológico 
o agente causal, Toxoplasma gondii é um protozoário coccídio 
intracelular, próprio dos gatos, e que pertencem à família 
Sarcocystidae, da classe Sporozoa. 
 
Ciclo de vida do parasita 
Após ingestão pelo gato de tecidos contendo oocistos ou cistos, estes 
são liberados no organismo e penetram no epitélio intestinal onde 
sofrem reprodução assexuada seguida de reprodução sexuada se 
transformando em oocistos, podendo ser excretados junto com as fezes 
(figura 10). Os oocistos não esporulados necessitam de 1 a 5 dias para 
se esporularem no ambiente, tornado-se infectivos. Oocistos podem 
sobreviver durante meses no ambiente e são resistentes a 
desinfetantes, congelamento e processo de secagem, mas destruídos 
pelo aquecimento a 70ºC por 10 minutos. 
 
 
Figura 10. Ciclo de vida do parasita Toxoplasma gondii. Fonte: 
https://curiosoando.com/como-es-el-ciclo-de-vida-de-toxoplasma 
gondii#&gid=1&pid=1 
 
 
https://curiosoando.com/como-es-el-ciclo-de-vida-de-toxoplasma%20gondii#&gid=1&pid=1
https://curiosoando.com/como-es-el-ciclo-de-vida-de-toxoplasma%20gondii#&gid=1&pid=1
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 54 
 
Modo de transmissão 
De acordo com NEVES et a., (2011) o ser humano adquire a infeção por 
três vias principais: 
 Ingestão de oocistos presentes em alimento ou água 
contaminadas, jardins, caixas de areia, latas de lixo ou 
disseminados mecanicamente por moscas, baratas, minhocas 
etc. 
 Ingestão de cistos encontrados em carne crua ou malcozida 
especialmente do porco e do carneiro. Os cistos resistem por 
semanas ao frio, mas o congelamento a 12oC ou o aquecimento 
acima de 67oC os matas. 
 Congênita ou transplacentária: o risco da transmissão uterina 
cresce de 14% no primeiro trimestre da gestação apos a infeção 
materna primária até 59% no ultimo trimestre da gestação. É 
importante ressalvar que as mulheres que apresentam 
sorologia positiva antes da gravidez têm menos risco de infetar 
seus fetos do que aquelas que apresentarem a primo infeção 
durante a gestação. 
 
Epidemiologia 
Cerca de um terço da população mundial este infetada por T. gondiia. A 
prevalência da infeção por toxoplasmose crescente com a idade, varia 
(entre 10 a 60%) de região para região) (figura 11) . É em geral mais 
elevada em áreas quentes, húmidas e com condições de higiene pessoal 
e ambientais precários. Os hábitos alimentares (consumo de carne crua 
ou malpassada) constituem também um fator de risco. Nas ultimas 
décadas nota-se uma tendência para diminuição da incidência na 
Europa e nos EUA, com consequente diminuição do número de casos 
de toxoplasmose congénita, que varia de 1 a 10 por cada 10000 
nascimentos. Têm sido descritos surtos a partir de água contaminada. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 55 
 
 
 
Figura 11. Distribuição epidemiológica da toxoplasmose. Fonte: FARRAR et al., 2014 
 
Manifestações clínicas 
A infeção é geralmente assintomática. Quando existem, os sintomas de 
mononucleose: febre baixa, adenopatias cervicais ou generalizadas, 
astenia, esplenomegalia. A evolução é benigna e a cura espontânea. Em 
indivíduos imunocompetentes, raramente são descritos casos mais 
graves e fatais com atingimento cerebral, cardíaco ou pulmonar. 
A toxoplasmose ocular, geralmente consequência da transmissão 
congénita, traduz-se por uma retinite necrotizante com lesões 
algodonosas típicas. O grau de perda da visão depende da localização 
da lesão retiniana. 
A forma congénita ocorre quando a mulher é infetada durante a 
gravidez; é tanto mais grave quando mais precoce for a passagem 
transplacentária dos traquizoitos; se esta ocorre no primeiro trimestre 
de gravidez a doença resulta em morte fetal ou microcefalia, 
hidrocefalia e calcificações intracranianas ao nascimento, raramente 
compatível com a vida. Quando a infeção ocorre no ultimo trimestre, 
90% das crianças infetadas são assintomáticas ao nascimento, mas 
poderão apresentar sintomas clínicos 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 56 
 
tardiamente (na adolescência ou na idade adulta), geralmente sob a 
forma de toxoplasmose ocular. 
Em indivíduos imunossuprimidos por neoplasia, transplantação ou 
infeção por HIV, a doença, habitualmente reflexo de reativação de 
infeção latente, assume um caracter grave com atingimento do SNC 
(abcessos cerebrais), bem como dos tecidos cardíacos, medular e 
pulmonar, levando frequentemente à morte (BARROSO et al., 2014). 
 
Tratamento 
Nenhum medicamento, ou seja, fármaco e 100% eficaz no tratamento 
da toxoplasmose. As sulfonamidas em associação com a pirimetamina 
são os mais usados no seu tratamento (BARROSO et al., 2014). a 
clindamicina e mais recentemente a azitromicina são alternativas em 
caso de alergia às sulfonamidas. Durante a gravidez a espiramicina, que 
não atravessa a placenta a é pouco tóxica, é usada para diminuir o risco 
de transmissão vertical. 
 
Medidas preventivas 
A prevenção da toxoplasmose no Homem é baseada em: 
 Não se alimentar de carne crua ou malcozida de qualquer animal 
ou leite cru. 
 Controlar a população de gatos nas cidades e em fazendas. 
 Os criadores de gatos devem manter os animais dentro de casa 
e alimentá-los com carne cozida ou seca, ou com ração de boa 
qualidade. 
 Incinerar todas as fezes dos gatos. 
 Proteger as caixas de areia para evitar que os gatos defequem 
nesse local. 
 Recomenda-se o exame pré-natal para toxoplasmose em todas 
as gestantes, com ou sem histórico de enfartamento ganglionar 
ou aborto. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 57 
 
 Tratamento com espiramicina das grávidas em fase aguda (IgM 
ou IgA positivas). 
 Desenvolvimento de vacinas: vacinas com subunidades do 
parasito, adequadas para combater a toxoplasmose nos seres 
humanos têm sido desenvolvidas, porém sem nenhum 
resultado preventivo concreto até o momento 
 
 
Sumário 
Nesta Unidade temática 2.4 estudamos e discutimos 
fundamentalmente sobre a toxoplasmose. Toxoplasmose é uma 
importante zoonose causada por um protozoário parasita intracelular 
obrigatório, o T. gondii. A doença é distribuída em todo o mundo e pode 
afetar todos os vertebrados de sangue quente, incluindo humanos. 
Estima-se que esta doença infecta milhões de pessoas no mundo 
inteiro, sendo que a prevalência da infeção humana na maioria dos 
países está entre 40% e 50%. 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
A. Qual das seguintes alternativas contem o vetor que foi primeira 
identificado como responsável pela transmissão de T. cruzi? 
A. Phlebotomus spp 
B. Lutzomya spp 
C. Panstrongylus megistrus 
D. Glossina spp 
B. Seguintes parasitos é o agente da doença do sono em sua forma 
mais agressiva? 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 58 
 
A. Tripanosoma brucei gambiense 
B. Trypanosoma brucei rhodesiense 
C. Trypanosoma cruzi 
D. Trypanosoma rangeli 
C. Uma pessoa pretende processar um hospital com o argumento 
de que a doença de Chagas, da qual é portadora, foi ali adquirida 
em uma transfusão de sangue. A acusação: 
A. não procede, pois, a doença de Chagas é causada por 
um verme platelminto que se adquire em lagoas. 
B. não procede, pois, a doença de Chagas é causada por 
um protozoário transmitido pela picada de mosquitos. 
C. não procede, pois, a doença de Chagas resulta de uma 
malformaçãocardíaca congênita. 
D. procede, pois a doença de Chagas é causada por um 
protozoário que vive no sangue. 
4. A forma morfológica mais comum observada em amostras 
positivas para espécies do complexo L. tropica é: 
A. Tripomastigota 
B. Promastigota 
C. Epimastigota 
D. Amastigota 
5. O vetor responsável pela transmissão de L. donovani é: 
A. Flebotomíneo do gênero Lutzomyia 
B. Flebotomíneo do gênero Phlebotomus 
C. Flebotomíneo do gênero Psychodopygus 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 59 
 
D. Nenhuma das anteriores 
6. um nome comum para a doença causada por L. donovani é: 
A. Leishmaníase visceral 
B. Calazar 
C. Febre dundum 
D. Todas as anteriores 
7. Recentemente, tem havido no estado do Ceará inúmeros casos 
de leishmaniose visceral ou calazar. Assinale a alternativa que 
cita, corretamente, o agente causador, a forma de transmissão e 
a profilaxia dessa doença. 
A. protozoário Leishmania donovani - picada do mosquito 
do gênero Lutzomyia - combate ao mosquito. 
B. protozoário Entamoeba histolytica - ingestão de cistos - 
eliminação de cães contaminados. 
C. protozoário Leishmania brasiliensis - picada do 
mosquito do gênero Aedes - combate ao mosquito. 
D. protozoário Toxoplasma gondii - ingestão de oocistos - 
remoção de dejetos de gatos. 
E. protozoário Balantidium coli - ingestão de cistos - 
saneamento básico. 
8. P. vivax normalmente invade: 
A. Eritrócitos imaturos 
B. Eritrócitos senescente 
C. Todos os eritrócitos 
D. Linfócitos 
9. O período de incubação de P. vivax é geralmente: 
A. 6 a 8 dias 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 60 
 
B. 7 a 10 dias 
C. 12 a 24 dias 
D. 10 a 17 dias 
10. Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium 
falciparum são respectivamente agentes etiológicos da malária 
terçã benigna, quartã benigna e terçã maligna. 
Sobre as características gerais desses organismos e as regras de 
classificação, assinale a alternativa correta. 
A. São três espécies distintas do mesmo Filo Plasmodium 
B. São espécies pertencentes a Família distintas, porém do mesmo 
Gênero 
C. Pela sua organização celular, são Procariotos pertencentes ao 
Filo Sporozoa 
D. São protozoários que pertencem à mesma espécie, porém a 
Ordens diferentes 
E. São organismos endoparasitos unicelulares que pertencem ao 
Reino Protista 
Respostas: 1C, 2B, 3D, 4D, 5A, 6D, 7A, 8A, 9B, 10E 
 
Exercícios para AVALIAÇÃO 
Perguntas 
1. O aumento de linfonodos cervicais causado po T. b. gambiese é 
conhecido como: 
A. Cancro 
B. Sinal de Kerandel 
C. Sinal de Winterbottom 
D. Sonolência 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 61 
 
2. Identifique a informação INCORRETA com relação a transmissão 
da Doença de Chagas. 
A. Transmissão oral por água ou alimentos contaminados 
por dejetos humanos. 
B. Transmissão congênita 
C. Transmissão vetorial 
D. Transmissão acidental (acidentes de laboratório com 
sangue contaminado, cultura de parasitos, fezes do 
barbeiro contaminadas, etc...) 
E. Transmissão por transfusão de sangue 
3. Em março de 2005 foi constatado um surto da Doença de Chagas 
na região litorânea de Santa Catarina, atingindo 25 pessoas e 
resultando em 3 mortes. Este fato, totalmente inesperado para 
uma área não endêmica da doença, dificultou inicialmente o 
diagnóstico por parte dos profissionais de saúde e chamou a 
atenção dos meios de comunicação, tendo grande repercussão 
em todo o país. A constatação da infeção natural pelo 
Trypanosoma cruzi em um gambá e em vários exemplares de 
triatomíneos confirmou a existência de um ciclo de transmissão 
do parasita naquela região. 
Sobre a origem, transmissão, aspectos clínicos, diagnóstico e 
tratamento da Doença de Chagas, é CORRETO afirmar que: 
A. em geral, a doença tem duas etapas distintas no 
homem: a fase inicial, aguda, caracterizada por elevada 
parasitemia e estado febril, seguida de uma fase 
crônica, caracterizada pela diminuição do número de 
parasitas circulantes. 
B. os hospedeiros intermediários do Trypanosoma cruzi 
podem ser tantos vertebrados como invertebrados. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 62 
 
C. as formas mais comuns de transmissão da doença são o 
contato com fluidos orgânicos de doentes e ingestão de 
alimento contaminado. 
D. o tratamento mais eficaz da Doença de Chagas baseia-
se na aplicação de antibióticos potentes. 
4. Qual das seguintes alternativas não descreve o calazar? 
A. Comumente encontrado no Iraque. 
B. Transmitido por espécies de flebotomíase dos gêneros 
Phlebotomus e Lutzomyia. 
C. Não é transmitido por transfusão de sangue. 
D. Pode ser determinado sorologicamente por métodos ELISA, 
IFA e DAT. 
5. Qual forma morfológica seria a melhor escolha para distinguir 
entre P. vivax e P. ovale? 
A. Esquizonte maduro 
B. Forma em anel 
C. Trofozoito jovem 
D. Esquizonte imaturo 
6. Qual das seguintes é considerado uma medicação anti malárica? 
A. Amoxiclina 
B. Eritromicina 
C. Cloroquina 
D. Dicilomina 
7. Qual das seguintes alternativas não é uma medida de prevenção 
e controle para a malaria? 
A. Utilização de cabelo preso 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 63 
 
B. Seguir terapia profilática quando viajar para áreas 
endémicas para malária 
C. Uso de mosquiteiros na cama 
D. Roupas adequadas, como camisas de manga comprida e 
calcas compridas 
8. A forma morfológica do ciclo biológico de Toxoplasma gondii 
que não se desenvolve nos humanos é: 
A. Cistos teciduais 
B. Taquizoitos 
C. Bradizoitos 
D. Esporozoitos 
9. A infeção humana por Toxoplasma é indiciada de todas as 
seguintes maneiras, exceto: 
A. Ingestão acidental de fezes de roedores 
B. Ingestão de carne de bovino, suíno ou ovino malcozida 
C. Infeção transplacentária 
D. Transfusão de sangue contaminado 
10. Em que área geográfica seria mais provável de se encontrar 
Toxoplasma gondii? 
A. Trópicos 
B. África 
C. Estados Unidos 
D. Todas as anteriores 
 
Respostas: 1C,2A, 3A, 4C,5D,6C,7A,8D,9A,10D 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 64 
 
Exercícios do TEMA 
Perguntas 
1. Descreve de uma forma breve os mecanismos de transmissão da 
doença de Chagas? 
2. Quais são as medidas de prevenção da doença de Chagas? 
3. Estabeleça as bases para diferenciar entre um tripanossoma 
causador de doença do sono e um causador de doença de 
chagas? 
4. Que fatores com que um individuo infetado por Leishmania 
desenvolva uma forma grave ou benigna de doenças? 
5. Numa forma cutânea de leishmaniose porque é importante 
identificar a espécie infetante? 
6. Comete afirmação “é suficiente impedir o contacto entre o 
Homem e o flebótomo para controlar a transmissão de 
leishmaniose. 
7. Por que razões é P. falciparum o principal responsável pelas 
formas graves de malária? 
8. Quais são as principais diferenças no quadro clínico da malária 
grave nas crianças e nos adultos? 
9. Que conselhos daria a uma mulher que pretende engravidar e 
que tem uma serologia para T. gondii negativa? 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 65 
 
TEMA – III: PROTOZOÁRIOS OPORTUNISTA 
Unidade temática 3.1. Tricomoníase 
Introdução 
A tricomoníase é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Essa parasitose 
foi descrita pela primeiravez pelo médico francês Alfred Donné (1836), 
relacionando-a com corrimento vaginal(Machado & Souza, 2013). Este 
protozoário pertence a família Trichomonadidae, da subfamília Trichomonadinae, 
da ordem Trichomonadida, da classe Zoomastigophorea, e do filo 
Sarcomastigophora (NEVES et al., 2005). A tricomoniose é uma das Doenças 
Sexualmente Transmissíveis (DSTs) não viral mais comum em todo mundo, com 
uma incidência anual superior a 180 milhões de casos; sendo nos Estados Unidos 
da América (EUA) a sua incidência estimada em 7,4 milhões de casos por ano 1. A 
Organização Mundial de Saúde estimou que esta infeção explica quase 50 % de 
todas as DSTs com cura em todo o mundo (ALVES MJ et al., 2011). 
 
 
Ao final desta unidade temática o leitor deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer agente etiológico da tricomoníase; 
 Descrever patogénese da tricomoníase; 
 Conhecer os mecanismos de transmissão, manifestações clinicas, tratamento 
e medidas de prevenção. 
 
Agente etiológico 
Tricomoníase é uma doença causada por parasita denominado 
Trichomanas vaginalis. Este parasita existe apenas sob a forma de 
trofozoíta e é encontrado na uretra e na vagina das mulheres e na 
uretra e glândula prostática dos homens. 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 66 
 
Modo de Transmissão 
Tricomoníase são transmitidas por fômites (toalhas, vestuários), 
crianças podem ser infetadas pela mãe durante o nascimento, quando 
da passagem pelo canal de parto. É transmitido através da relação 
sexual e pode sobreviver por mais de uma semana sob o prepúcio do 
homem sadio, após o coito com a mulher infectada. O homem é o vetor 
da doença; com a ejaculação, os tricomonas presentes na mucosa da 
uretra são levados a vagina pelo esperma (NEVES et al., 2005). 
 
 
 
Epidemiologia 
Tricomoníase tem uma distribuição cosmopolita. Estima-se que 160 a 
180 milhões de pessoas são infetados por T. vaginalis a cada ano, desses 
145 milhões infetam populações com baixo nível socioeconômico, 
sendo de 8 a 10 milhões nos EUA e 11 milhões na Europa. 90% de casos 
por T. vaginalis ocorre em mulher, porém acredita-se que os dados 
disponíveis sobre a doença não consideram os casos de infeção 
assintomática. Estima-se que 1/3 das mulheres, ou seja, cerca de 20 a 
40% das mulheres adultas, e a maioria dos homens estejam infetados 
(MACHADO & SOUZA, 2013). 
 
Patogénese 
De acordo com ZEIBIG, 2014, trofozoítos de T. vaginalis residem na 
superfície mucosa vaginal de mulheres infetadas. Os trofozoítos em 
crescimento se multiplicam por fissão binária longitudinal e se 
alimentam de bactérias e leucócitos locais. Os trofozoítos de T. vaginalis 
prosperam em um ambiente de pH ligeiramente alcalino ou ácido, 
como o normalmente observado em uma vagina não saudável. O local 
de infeção mais comum por T. vaginalis em indivíduos do sexo 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 67 
 
masculino é a região da próstata e o epitélio da uretra. 
 
 
Figura 12. ciclo de vida de T. vaginalis. Fonte: dpd.cdc.gov/dpdx 
 
 
Manifestações clínicas 
A maioria das mulheres infetadas é assintomática ou tem um 
corrimento vaginal escasso e aquoso. Pode ocorrer vaginite com uma 
inflamação mais extensa e erosão do revestimento epitelial associada a 
prurido, ardência e micção dolorosa (MURRAY et al., 2017). Nas mulheres 
sintomáticas a infeção caracteriza-se pela presença de leucorreia 
(corrimento esbranquiçado) vaginal abundante, acompanhada de 
prurido e de sensação de ardor. São igualmente sinais de infeção o odor 
intenso do corrimento, edema e eritema, assim como disúria e dor 
abdominal (BARROSO et al., 2014). No Homens a infeção são é 
assintomática que servem de reservatório para a infeção em mulheres. 
Contudo, ocasionalmente os homens podem apresentar uretrite, 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 68 
 
prostatite e outros problemas do trato urinário (MURRAY et al., 2017). 
 
Tratamento 
Segundo REYS. 2010, o tratamento da tricomoníase deve ser 
administrado tanto aos pacientes como a seus parceiros sexuais. Caso 
contrário, a reinfecção é a regra. Recomenda-se os seguintes fármacos 
para tratamento desta infeção: 
Metronidazol. Prescrever, por via oral, a dose de 250 miligramas, duas 
a três vezes ao dia, durante 10 dias. 
Ornidazol. Nas infecções agudas, administrar como dose única, oral: 
três comprimidos de 500 mg. Nos casos crônicos: dois comprimidos de 
500 mg, diariamente, durante cinco dias. 
Tinidazol. Também em dose única por via oral: quatro comprimidos de 
500 mg, cada um. 
Nimorazol. Como acima: comprimidos de 250 mg, duas vezes ao dia, 
durante seis dias. 
 
Medidas preventivas 
 A higiene pessoal, evitar o compartilhamento de artigos de 
banho e vestuários, bem como praticas sexuais seguro; 
 uso de preservativos; 
 abstinência de contatos sexuais com pessoas infectadas e 
 limitação dascomplicações patológicas mediante a 
administração de um tratamento imediato e eficaz, tanto para 
os casos sintomáticos como para os assintomáticos, ou seja, 
tratamento simultâneo para parceiros sexuais, mesmo que a 
doença tenha sido diagnosticada em apenas um dos membros 
do casal. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 69 
 
Sumário 
Trichomonas vaginalis é o agente etiológico da tricomoníase, a doença 
sexualmente transmissível (DTS) não- viral mais comum no mundo. Esse 
protozoário flagelado atinge o parasitismo com sucesso em um 
ambiente hostil através dos vários mecanismos pelos quais estabelece 
sua patogenicidade e também por sua capacidade de evadir a resposta 
imune do hospedeiro. A infeção apresenta uma ampla variedade de 
manifestações clínicas, desde quadro assintomático ate severa vaginite. 
A tricomoníase tem sido associado à transmissão do vírus da 
imunodeficiência humana (HIV), à doença infamatória pélvica, ao 
câncer cervical, à infertilidade, ao parto prematuro e ao baixo peso de 
bebês nascidos de mães infetadas. A prevalência mundial anual da 
tricomoníase é de 180 milhões de casos. A terapia da tricomoníase iclui 
as mesmas medidas profiláticas destinadas às outras DSTs, como 
prática de sexo seguro e uso de preservativo. Metronidazol é o 
medicamento de escolha no tratamento da triacomoníase. 
 
Unidade temática 3.2. Giardíase 
Introdução 
Giardia lamblia é um flagelado considerado inicialmente como organismo comensal, é 
reconhecido como agente etiológico de diarreia aguda ou crônica em humanos. Infecta milhões 
de pessoas em todo o mundo, epidêmica ou esporadicamente. A maioria das infeções em 
humanos ocorre pelo consumo de água e alimentos contaminados ou por transmissão fecal-oral 
direta, sobretudo quando havendo um contato direto entre pessoas, como se dá no caso das 
creches, ou em práticas homossexuais. Os trofozoítos possuem um disco sugador, pelo qual se 
unem à superfície do intestino. A ingestão de 10 ou menos cistos pode levar à infeção. A 
Giardia provoca transtornos intestinais diarreicos, com má absorção, especialmente nas crianças, 
podendo-se confundir esses sintomas com disfunção pancreática, intolerância ao glúten e à 
lactose. Às vezes, é uma afeção 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 70 
 
recalcitrante, que não responde ao tratamento efetuado com os fármacos habituais. É o agente 
etiológico mais frequente nas epidemias de diarreia por consumo de água, estando a causa mais 
comum no tratamento insuficiente daágua ou na contaminação cruzada com águas fecais. Os 
cistos de Giardia exigem tratamento prolongado com cloro para sua inativação e resistem ao 
congelamento, mas se inativam rapidamente sob água fervente. 
 
Ao completar esta unidade, o leitor estará apto a: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer agente etiológico da giardíase; 
 Descrever patogénese da Giardia; 
 Conhecer a distribuição geográfica da Giardia. 
 Conhecer as manifestações clínicas, tratamento e medidas preventivas da 
giardíase. 
 
Agente etiológico 
Giardíase é uma doença causado por G. duodenalis também conhecido 
como G. intestinalis e G. lamblia. 
 
Epidemiologia 
Giardia tem distribuição mundial, sendo, contudo, as prevalências mais 
elevadas encontradas nos países com menor desenvolvimento humano 
(BARROSO et al., 2014 e MURRAY et al., 2017). Além do Homem, o 
parasita infeta outros mamíferos. Os principais grupos de indivíduos 
com risco de contrair G. intestinalis são crianças em creches, pessoas 
vivendo em condições sanitárias precárias, viajantes que bebem água 
contaminada em áreas conhecidamente endémicas e aqueles que 
realizam determinadas praticas sexuais sem proteção, particularmente 
homossexuais masculinos (ZEIBIG, 2014). Nos países industrializados, G. 
duodenalis é considerado um agente reemergente, estando associado 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 71 
 
a surtos de diarreia em infantários, assim como a surtos de infeção 
comunitária, causados por água contaminada. 
Segundo MURRAY et al., 2017, os fatores de risco associados à infeção 
por Giardia incluem condições sanitários precárias, viagem a áreas 
sabidamente endémicas, consumo de água tratada de forma 
inadequada (Por exemplo de córregos de montanha contaminados), 
creches e prática de sexo oral-anal. 
 
Patogênese 
 De acordo com MURRAY et al., 2017, a infeção por G. duodenalis se 
inicia através de ingestão dos cistos na água ou em alimentos 
contaminados. Estima-se que a dose infectante mínima para o homem 
seja de 10 a 25 cistos. O desenquistamento e libertação dos trofozoítos 
ocorrem no duodeno. Inicia-se assim uma nova infeção com os 
protozoários a multiplicarem-se por fissão binária, aderindo às paredes 
do duedeno e do jejuno. O principal mecanismo de patogénese da 
infeção por G. duodenalis é o dano direto causado pelos trofozoítos na 
mucosa das porções iniciais do intestino, resultando em diarreia e má 
absorção (figura 13). 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 72 
 
 
Figure 13. ciclo de vida de Giardia. 
Fonte:http://giardiasabendoeaprendendo.blogspot.com/2013/06/qual-e-o-ciclo-de-
vida-da-giardia.html 
 
Manifestação clínica 
A infeção por Giardia pode resultar um quadro amplo de manifestação 
clínicas, que vão desde a forma assintomática (observado em 
aproximadamente 50% dos indivíduos infetados) ou em doença 
sintomática que compreende desde uma diarreia moderada até a 
síndrome da má absorção. O período de incubação varia entre 1 a 4 
semanas (em média 10 dias). O aparecimento da doença é repentino 
com uma diarreia aquosa e de odor desagradável, cólicas abdominais, 
flatulência e esteatorreia. Sangue e pus raras vezes estão presentes em 
amostras de fezes, o que é incompatível com a ausência de destruição 
tecidual. Geralmente, há uma recuperação espontânea após 10 a 14 
dias, embora uma doença mais crônicas com recaídas múltiplas possa 
ocorrer. Isso é um problema em especial para pacientes com 
deficiências de imunoglobulina A ou 
http://giardiasabendoeaprendendo.blogspot.com/2013/06/qual-e-o-ciclo-de-vida-da-giardia.html
http://giardiasabendoeaprendendo.blogspot.com/2013/06/qual-e-o-ciclo-de-vida-da-giardia.html
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 73 
 
divertículos intestinais (MURRAY et al., 2017). Nas crianças a má 
absorção devida à infeção crónica pode ser associada a perturbação no 
crescimento e desenvolvimento (BARROSO et al., 2014). 
 
 
Tratamento 
Giardíse é tratada com metronidazol, tinidazol e nitazoxanida como 
fármacos da primeira escolha de tratamento (ZEIBIG, 2014), sendo 
quinacrina, furazolidona, albendazol e paromomicina alternativas 
aceitáveis (MURRAY et al., 2017). 
 
Medidas preventivas 
A prevenção e o controle da giardíase envolvem evitar água e alimentos 
contaminados, sobretudo por parte de viajantes e pessoas que vivem 
fora de casa (MURRAY et al., 2017). Tratamento adequado da água que 
inclui uma combinação químico, filtração e proteção contra 
contaminação por hospedeiros reservatórios. Boa higiene pessoal, 
limpeza, cocção adequada dos alimentos, assim como evitar o sexo 
anal-oral sem proteção (ZEIBIG, 2014). 
 
 
Sumário 
A giardíase é uma das doenças intestinais, causada por protozoário, mais frequentes. 
A Giardia lamblia é o agente etiológico comumente encontrado associado à ingestão 
de agua contaminada, ou má filtração ou do tratamento não efetivo da água. 
Manifestações clínicas podem variar de assintomáticos a um estágio agudo 
passageiro ou persistente, com esteatorreia, perda do peso, levando ou a um estagio 
subagudo ou crônico. Giardíase é uma parasitose intestinal amplamente distribuída 
pelo mundo, com alta prevalência em países em desenvolvimento, inclusive 
Moçambique. Embora seja uma 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 74 
 
infeção com bom prognóstico, pode apresentar gravidade em pessoas com 
desnutrição, fibrose cística ou algumas imunodeficiências. 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 75 
 
Unidade temática 3.3. Amebíase 
Introdução 
Amebíase ou disenteria amebiana é uma infeção entérica parasitária comum. É causado por 
qualquer uma das amebas do grupo Entamoeba. A amebíase pode se apresentar sem sintomas ou 
sintomas leves a graves, incluindo dor abdominal, diarréia ou diarréia 
sanguinolenta. Complicações graves podem incluir inflamação e perfuração resultando em 
peritonite. As pessoas afetadas podem desenvolver anemia (MATHEW & HORRALL 2019). As 
amebas que se encontram frequentemente nos exames de fezes humanas são protozoárias da 
ordem Amoebida. Muitas pertencem à família Endamoebidae e uma delas – Entamoeba histolytica 
é responsável pela amebíase (REYS. 2010). Amebíase ou infeção por Entamoeba histolytica é uma 
doença causada pelo parasita E. histolytica. Ele pode afetar qualquer pessoa, embora seja mais 
comum em pessoas que vivem em áreas tropicais com condições sanitárias precárias. O 
diagnóstico é tipicamente por exame de fezes usando um microscópio. 
 
Ao final desta unidade temática o leitor deverá ser capaz de: 
 
Objectivos 
específicos 
 
 Conhecer conceito da amebíase e agente etiológico: 
 Definir a distribuição geográfica das amebas; 
 Compreender mecanismo de transmissão; 
 Conhecer manifestações clinicas, tratamento e medidas preventivas. 
 
Agente etiológico 
Amebíase é uma infeção causada pelo protozoário E. histolytica. 
Existem três espécies de amebas intestinais. A 
Entamoeba histolytica causa a maioria das doenças 
sintomáticas. Entamoeba dispar é não-patogênico, e Entamoeba 
moshkovskiié relatado cada vez mais, mas sua patogenicidade não é 
clara. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 76 
 
 
Epidemiologia 
A amebíase ocorre em todo o mundo, mas é predominantemente 
observada em países em desenvolvimento devido à diminuição do 
saneamentoe aumento da contaminação fecal dos suprimentos de 
água. Globalmente, aproximadamente 50 milhões de pessoas contraem 
a infecção, com mais de 100.000 mortes devido a amebíase relatadas 
anualmente (MATHEW & HORRALL. 2019). 
 
 
 
Mecanismo de transmissão 
Segundo MATHEW & HORRAL (2019), a principal fonte de infeção é a 
ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes contendo cistos 
de E. histolytica. Assim, os viajantes para países em desenvolvimento 
podem adquirir amebíase ao visitar a região endêmica. Aqueles que 
estão institucionalizados ou imunocomprometidos também correm 
risco. O organismo E. histolytica é viável por períodos prolongados na 
forma cística no ambiente. Também pode ser adquirido após a 
inoculação direta do reto, do sexo anal ou oral, ou do equipamento 
usado para irrigação do cólon. Apesar da carga global de saúde pública, 
não existem vacinas ou medicamentos profiláticos para prevenir a 
amebíase 
 
Ciclo de vida do parasita 
É monoxênico e muito simples. O homem se infecta ingerindo a forma 
cística madura contida em alimentos, água ou por qualquer tipo de 
contato fecal-oral. também são possíveis formas menos usuais de 
transmissão, incluindo o sexo anal e oral e equipamentos de lavagem 
intestinal contaminados. O desencistamento ocorre no intestino 
delgado e os trofozoítos liberados migram para o intestino grosso. Os 
trofozoítos multiplicam-se por divisão 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 77 
 
binária e estes sofrem o processo de encistamento, originando novos 
cistos que são eliminados nas fezes. Por causa da proteção conferida 
por sua parede, os cistos podem sobreviver dias e até semanas no meio 
ambiente. Os trofozoítos podem ser eliminados em fezes diarréicas, 
mas são rapidamente destruídos no meio externo e, se ingeridos, não 
sobrevivem às enzimas digestivas. Na forma não invasiva os trofozoítos 
permanecem confinados no lúmen intestinal dos portadores 
assintomáticos, que eliminam os cistos em suas fezes. Na forma invasiva 
os trofozoítos invadem a mucosa intestinal e através da corrente 
sanguínea atingem outros órgãos como fígado, pulmão e encéfalo, 
causando doença extra-intestinal (CORDEIRO & MACEDO, 2014). 
Para serem eliminados pelas fezes em forma de cistos (forma de 
resistência), os trofozoítos se arredondam (pré-cisto), reduzem seu 
metabolismo e começam a sintetizar a parede cística. Aparecem no 
citoplasma os corpos cromatóides e os vacúolos de glicogênio. O núcleo 
sofre divisões múltiplas, podendo dar origem a até quatro novos 
núcleos, que resultam de duas divisões sucessivas. Outros sinais de um 
cisto maduro são percebidos também pela diminuição do número de 
corpos cromatóides e do tamanho do vacúolo de glicogênio. O cisto 
eliminado é então capaz de resistir às condições desfavoráveis do meio 
ambiente externo, podendo, desse modo, infecta outro indivíduo que 
se torna um novo hospedeiro. 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 78 
 
 
Figura 14. ciclo de vida E. histolytica. Fonte: adaptado de dpd.cdc. 
 
Manifestações clínicas 
A maior parte dos indivíduos com amebíase são assintomática, muitos 
pacientes com E. histolytica apresentam um espectro de doença. Os 
sintomas vão desde cólicas abdominais leves e diarréia aquosa até 
colite grave, produzindo diarréia sanguinolenta com muco. Alguns 
pacientes podem desenvolver uma doença extraintestinal invasiva. As 
manifestações extraintestinais mais comuns são um abscesso hepático 
amebiano. Um abscesso hepático amebiano pode se romper na 
cavidade pleural ou pericárdio, apresentando-se como derrame pleural 
ou pericárdico; no entanto, esta é uma ocorrência rara. Raramente, a 
amebíase pode afetar o coração, cérebro, rins, baço e pele. Pode-se 
também desenvolver proctocolite, megacólon tóxico, peritonite, 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 79 
 
abscesso cerebral e pericardite. Portanto, a amebíase é uma das 
principais causas de morte parasitária em humanos. 
 
Tratamento 
Os fármacos da primeira linha para tratamento da amebíase são 
Metronidazol, Tinidazol e Secnidazol. Os da segunda linha são 
Tetraciclina, paromomicina e furoato de diloxanida. Um abscesso 
hepático amebiano pode ser controlado por aspiração usando 
orientação de TC em combinação com metronidazol. Às vezes, a cirurgia 
é necessária para tratar hemorragia gastrintestinal maciça, megacólon 
tóxico, cólon perfurado ou abscessos hepáticos não passíveis de 
drenagem percutânea (MATHEW & HORRALL. 2019). 
 
Medidas preventivas 
 Evite beber água contaminada. 
 Use água engarrafada quando viajar. 
 Purifique a água com hidroperiodeto de tetraglicina, cloro, 
certeza e ferver água. 
 Evite o consumo de saladas e frutas cruas. Retire a casca da 
fruta, se possível. 
 Lave bem todos os legumes antes de cozinhar. 
 
Sumário 
Amebíase é a segunda principal causa de morte por parasito em todo o 
mundo. O protozoário responsável, E. histolytica, apresenta elevada 
patogenicidade. É capaz de secretar proteases que dissolvem o tecido 
do hospedeiro, matar suas células por contato, fagocitar eritrócitos e 
invadir a mucosa intestinal causando a colite amebiana. Em alguns 
casos, este parasito é capaz de romper 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 80 
 
a barreira da mucosa intestinal e chegar ao fígado por meio da 
circulação porta, onde pode causar abscesso que cresce rapidamente e 
é quase sempre fatal. Evidências baseadas apenas na morfologia 
apontavam a existência de uma única espécie. No entanto, estudos 
mais modernos mostraram que, na realidade, há duas espécies 
geneticamente bem distintas, denominadas E. histolytica (patogênica) 
e E. dispar (não patogênica ou comensal). 
 
 
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 
Perguntas 
1. A amebíase é uma doença causada por um protozoário 
conhecido como E. histolytica. A respeito dessa patologia, 
marque a alternativa incorreta. 
A. A amebíase causa dores de estômago e diarreias. 
B. A transmissão ocorre pela ingestão de água ou 
alimentos contaminados com cistos desse 
protozoário. 
C. Para prevenir-se da doença, é importante beber água 
tratada ou fervida e sempre ter uma boa higiene 
pessoal. 
D. Em casos graves, a amebíase pode causar anemia no 
paciente. 
E. A E. histolytica é um protozoário flagelado. 
 
2. Os protozoários são seres unicelulares, eucariontes e 
heterotróficos que normalmente possuem vida livre. 
Algumas espécies, entretanto, são parasitas e estão 
relacionadas com doenças que atingem o homem. Como 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 81 
 
exemplo, podemos citar a Giardia lamblia, protozoário 
causador da giardíase. 
A respeito dessa patologia, marque a alternativa incorreta: 
A. A giardíase é uma doença transmitida pela picada de 
um inseto e causa diarreia e cólicas abdominais. 
B. A giardíase é causada por um protozoário flagelado. 
C. Pessoas com giardíase, em razão da diarreia 
provocada pela doença, podem apresentar 
desidratação. 
D. O metronidazol é o medicamento mais utilizado no 
tratamento da giardíase. 
3. O protozoário Trichomonas vaginalis é causador de 
uma DST conhecida por tricomoníase. A respeito dessa 
patologia, marque a alternativa incorreta. 
A. A tricomoníase é uma doença que ataca 
principalmente o colo do útero, a vagina e a 
uretra feminina. 
B. A tricomoníase, além de ser transmitida por via 
sexual, pode ser contraída pelo 
compartilhamento de objetos pessoais epela 
ingestão de água contaminada. 
C. A tricomoníase tem sido frequentemente 
associada à transmissão do HIV. 
D. Nas mulheres, a tricomoníase é responsável por 
provocar corrimentos abundantes. 
E. O Trichomonas vaginalis é um protozoário 
flagelado. 
4. Que relação entre a doença, o agente etiológico e o vetor é 
INCORRETA? 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 82 
 
A. Doença de Chagas - Trypanosoma cruzi - 
barbeiro Tryatoma sp. 
B. Doença do sono - Trypanosoma gambiense - mosca tsé-
tsé Glossina sp. 
C. Disenteria - Entamoeba histolytica - 
molusco Biomphalaria sp. 
D. Malária - Plasmodium sp - mosquito Anopheles sp. 
E. Úlcera de Bauru - Leishmania brasiliensis - 
mosquito Phlebotomus sp. 
Respostas: 1E, 2A, 3B, 4C. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 83 
 
Exercícios para AVALIAÇÃO 
Perguntas 
1. A figura a seguir ilustra o ciclo evolutivo de um parasita muito 
comum em nosso meio. Analise-a. 
De acordo com a figura e o 
assunto abordado, analise as 
afirmativas abaixo e assinale a 
alternativa CORRETA. 
A. A reprodução 
demonstrada na figura é do tipo 
sexuada. 
B. A presença de núcleos é a 
característica mais utilizada 
para diferenciar as formas 
evolutivas desse parasita. 
C. A forma mais comum de sua transmissão é pela penetração em 
pele íntegra. 
D. Embora na linguagem 
coloquial seja chamado de 
verme, o parasita em questão é 
um protozoário. 
2. A Organização das Nações Unidas alerta que: esgoto a céu 
aberto é o principal problema ambiental em Moçambique. Os 
dejetos lançados indevidamente em fossas abertas, rios e lagos 
tornam-se a causa de doenças de importância para a saúde 
pública. 
Qual doença, causada por protozoário, pode ter sua incidência 
aumentada pelo problema citado no texto? 
A. Tricomoníase 
B. Malária 
C. Amebíase 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 84 
 
D. Dengue 
E. Teníase 
 
3. São citados a seguir quatro parasitas humanos: 
I. Trypanosoma cruzi 
II. Entamoeba histolytica 
III. Leishmania braziliensis 
IV. Plasmodium falciparum 
Com relação a esses parasitas, pode-se afirmar que 
A. os quatro são transmitidos por insetos. 
B. três deles são transmitidos por insetos e um pela 
ingestão de alimentos contaminados com cistos. 
C. dois deles são transmitidos por ingestão de alimentos 
contaminados com cistos. 
D. dois deles são transmitidos por contato sexual. 
E. dois deles são transmitidos pela penetração das larvas na 
pele. 
4. Com o auxílio da figura, que ilustra o ciclo biológico da 
Entamoeba histolytica, e considerando aspectos da relação 
parasito-hospedeiro, julgue os itens subsequentes. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 85 
 
 
A. A E. histolytica é um protozoário que, quando se 
encontra na forma vegetativa, usa os pseudópodes 
para se locomover e alimentar; na fase cística, não se 
alimenta nem se locomove e é revestido por uma 
parede resistente. 
B. O ciclo da E. histolytica é do tipo heteroxênico. 
C. A transmissão da E. histolytica ocorre pela ingestão de 
cisto tetranucleados oriundos de fezes de um portador. 
D. Em seres humanos, as doencas parasitarias ocorrem ao 
acaso. 
5. O tratamento para pacientes com amebíase intestinal 
assintomático não é recomendado. 
A. Verdade 
B. Falso 
6. Qual das seguintes alternativas sobre os trofozoítos de amebas 
intestinais não é verdadeiro? 
A. Trofozoítos são delicados e moveis. 
B. Trofozoítos são facilmente destruídos pelo suco 
gástrico. 
https://www.infoescola.com/files/2010/05/ciclo-entamoeba.jpg
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 86 
 
C. Trofozoítos são resistentes ao ambiente fora do 
hospedeiro. 
D. A reprodução ocorre no estádio de trofozoíto. 
7. Todas as infeções por T. vaginalis resultam em casos 
sintomáticos, como vaginite em mulheres e uretrite em 
homens. 
A. Verdadeiro 
B. Falso 
8. Considera-se que a forma de cisto não exista no ciclo biológico 
de T. vaginalis. 
A. Verdadeiro 
B. Falso 
9. A tricomoníase é uma doença provocada pelo 
parasito Trichomonas vaginalis que ocorre na mucosa dos 
órgãos sexuais, provocando entre outros sintomas quadros 
de vaginite caracterizada por corrimento vaginal fluido de cor 
amarelo-esverdeada de odor fétido. A transmissão é por 
contato direto, mas os homens raramente são acometidos. 
Sobre a Trichomoníase é CORRETO afirmar que 
A. a tricomoníase não pode ser considerada uma DST, 
pois é patogênica apenas para um dos sexos. 
B. Do ponto de vista epidemiológico, os homens 
justamente por serem assintomáticos, merecem especial 
atenção, pois podem ser disseminadores da doença. 
C. Como medida preventiva, o uso de preservativo 
feminino é mais eficiente, pois protege melhor a mucosa 
do canal vaginal. 
D. Em relação ao tratamento, os programas de saúde 
concentram a medicação na população feminina. Como os 
homens não manifestam a doença não se justificam os 
gastos públicos em compra de medicamentos para os 
homens. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 87 
 
 
Respostas: 1D, 2C, 3B, 4 A e B, 5B, 6C, 7B, BA, 9B 
Exercícios do TEMA 
1. O município da Beira teve sua população aumentada em cinco 
anos por causa da implantação de vários empreendimentos 
industriais. A vereação de saúde desse município observou que, 
nesse período, ocorreu um aumento da incidência de amebíase, 
Giardíase e tricomoníase, superior à incidência máxima 
esperada para essa população. Dentre essas doenças, a 
amebíase destacou-se devido ao significativo número de 
indivíduos acometidos. 
Com relação a essa doença, 
1.1. Explique uma medida profilática que atenderia de modo 
eficiente toda a população do município? 
1.2. Descreva o ciclo biológico do agente etiológico? 
2. Descreva o ciclo biológico típico de uma ameba intestinal? 
3. Cm se denomina o agente etiológico da giardíase? 
4. Menciona os mecanismos de transmissão da giardíase? 
5. Quais são as medidas profiláticas da giardíase? 
6. Descreve o ciclo biológico do parasita Giardia? 
7. Cite as medidas preventivas da tricomoníase? 
8. Como se transmite triacomoníase? 
 
 
 
 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 88 
 
Referencias bibliográficas 
Alves MJ, Oliveira R, Balteiro J, C. A. (2011). Epidemiologia de 
Trichomonas vaginalis em mulheres Maria José Alves a , b , *, Rita 
Oliveira c , Jorge Balteiro d e Agostinho Cruz c. Revista Portuguesa de 
Saúde Pública, 29(1), 27–34. 
Antinori, S., Galimberti, L., Bianco, R., Grande, R., Galli, M., & Corbellino, 
M. (2017). European Journal of Internal Medicine Chagas disease in 
Europe : A review for the internist in the globalized world. European 
Journal of Internal Medicine. 
https://doi.org/10.1016/j.ejim.2017.05.001 
BRITO, C. S., & ROSSF, D. A. (2005). Suco4, (April), 133–140. 
BARROSO, Helena, MELIÇO-SILVESTRE, António, TAVEIRA, Nuno (2014). 
Microbiologia Médica. Lidel ed. 
Burza, S., Croft, S. L., & Boelaert, M. (2018). Leishmaniasis. The Lancet, 
392(10151), 951–970. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)31204-
2 
Cardoso, A., Tessari, E., Castro, A., Kanashiro, A., & Gama, N. (2001). 
Pesquisa de coliformes totais e coliformes fecais analisados em ovos 
comerciais no laboratório de patologiaavícola de descalvado. 
França, T. C. C., Dos Santos, M. G., & Figueroa-Villar, J. D. (2008). 
Malária: aspectos históricos e quimioterapia. Quim. Nova (Vol. 31). 
Farrar, Jeremy; Hotez , Peter; Junghanss, Thomas; Kang, Gagandeep; 
Lalloo, David; White, N. (2014) Manson ’ s Tropical Diseases. 23rd ed. 
Elsevier IE. 1360 pp 
Health Organization, W. (n.d.). WORLD MALARIA REPORT 2018. 
Kratz, J. M., Bournissen, F. G., Forsyth, C. J., & Sosa-estani, S. (2018). 
Clinical and pharmacological profile of benznidazole for treatment of 
Chagas disease Jadel. Expert Review of Clinical Pharmacology (Vol. 0). 
Taylor & Francis. 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 89 
 
https://doi.org/10.1080/17512433.2018.1509704 
Lisboa, A. R., Angel, A., Pinheiro, V., Elinaíde, A., Dantas, F., Kessia, K., & 
Andrade, E. (2016). Leishmaniose visceral: Uma revisão literária Visceral 
leishmaniasis: A literary review, 35–43. 
Machado, E. R., & Souza, L. P. De. (2013). Ensaios e Ciência, 16, 229–
243. 
Mattos, E. R., & Berto, B. P. (2010). Ocorrências , vias de transmissão e 
métodos diagnósticos chagas disease : a brief review of recent events , 
transmission routes and diagnostic methods, 40–45. 
MURRAY, Patric R. (20017). Microbiologia Médica.8a ed. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2017 
 
 
Pires Cordeiro, T. G., & Macedo, H. W. (2014). Amebíase. Revista de 
Patologia Tropical, 36(2), 119–128. 
https://doi.org/10.5216/rpt.v36i2.1784 
RATTI, B. A., BRUSTOLIN, C. F., SIQUEIRA, T. A., & TORQUATO, A. S. 
(2011). Pesquisa de coliformes totais e fecais em amostras de água 
coletadas no bairro zona sete, na cidade de maringá-pr. 
Rey, L. (2010) ‘Bases da Parasitologia Médica’. 3a ed. Guanabara 
Koogan, Rio de Janeiro. 427 pp. 
SILVA, C. M. (2002). Convencionais e do Sistema Simplate. 
Trampuz, A., Jereb, M., Muzlovic, I., & Prabhu, R. M. (2003). Clinical 
review: Severe malaria. https://doi.org/10.1186/cc2183 
Stanley, C.; Oaks, J. R.; Violaine, S.; Mitchell, G. W.; Charles, C. J., eds.; 
Malaria – Obstacles and opportunities A report of the Committee for 
the Study on Malarial Prevention and Control: Status Review and 
 
ISCED CURSO: NUTRIÇÃO: 10 Ano Disciplina/Módulo: Parasitologia 
 90 
 
Alternative Strategies, Division of International Health, Institute of 
Medicine, National Academy Press: Washington D.C., 1991 
NEVES, David Pereira (2005). Parasitologia Humana. 11ª edição, 
Atheneu, 
W. John Spicer (2000). Bacteriologia, Micologia e Parasitologia. Clínicas. 
Guanabara Koogan 
ZEIBIG, Elizabeth A. (2014). Parasitologia Clínica uma abordagem clínico 
- Laboratorial 1a ed. Rio de Janeiro

Mais conteúdos dessa disciplina