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FÍSICA Editora Exato 1 ELETRIZAÇÃO E LEI DE COULOMB 1. CARGA ELÉTRICA Na Antiga Civilização Grega, há cerca de 2.500 anos, descobriu-se que uma pedra de cor ama- rela originada da resina de certas árvores, denomina- da âmbar, quando atritada com pele de animais, passava a atrair pequenos pedaços de palha, penas e outros objetos leves. As explicações dadas para essas atrações diziam que os corpos atraídos pelo âmbar serviam-lhe de alimento. Somente mais tarde, com o médico inglês Wil- liam Gilbert (1544-1603), é que a eletricidade foi ob- jeto de investigação científica. Foi Gilbert que, em 1600, apresentou os primeiros resultados experimen- tais e as primeiras tentativas de explicação das atra- ções observadas pelos gregos. Ele chamou os corpos que, depois de atritados, passam a atrair outros cor- pos, de corpos eletrizados. Essa palavra vem do gre- go elektron, que significa âmbar. Charles Dufay (1698-1739) observou que, en- quanto o âmbar eletrizado atraía objetos não eletriza- dos, dois pedaços de âmbar eletrizados se repeliam. Concluiu então que existiam dois tipos de eletricida- de (cargas elétricas), denominadas por Benjamin Franklin como positiva e negativa. Assim, a Proprie- dade Fundamental da carga elétrica é sua existência em duas espécies. Como você sabe, o átomo é composto de cen- tenas de partículas, entre as quais estão as que inte- ressam ao estudo desenvolvido neste capítulo: os prótons, nêutrons e os elétrons. elétron figura 1 núcleo com carga positiva Vamos retomar o modelo da estrutura do áto- mo, que é semelhante ao nosso sistema planetário. Os prótons e os nêutrons constituem o núcleo do átomo. Ao redor deste núcleo giram, na eletrosfera, os elé- trons. Convencionou-se que: � Os prótons têm carga elétrica positiva; � Os elétrons têm carga elétrica negativa; � Os nêutrons não se manifestam eletrica- mente. Carga Elétrica Elementar Cada próton possui uma unidade de carga posi- tiva; cada elétron, uma unidade de carga negativa. As cargas do elétron e do próton, iguais em valor absolu- to, são conhecidas como cargas elementares e, trata- se, por enquanto, da menor carga elétrica encontrada na natureza. Sua intensidade é: e = 1,6 . 10- 19 C, Onde C (coulomb) representa, no Sistema in- ternacional (SI) a unidade de carga elétrica. A quantidade total de carga de um corpo (Q) é dada por: Q = ± n . e � n → número de partículas do corpo. Subunidades 1mc (milicoulomb) = 10-3C 1µc (microcoulomb) = 10-6C 1nc (nanocoulomb) = 10-9C 1pc (picocoulomb) = 10-12C A carga elétrica é quantizada. Quantizada quer dizer que a quantidade de carga não pode ser qualquer valor, mais sim múltiplos inteiros da carga elementar (e). Assim, podemos encontrar uma partícula com carga +6e ou –8e, mas é impossível acharmos uma partícula com carga 4,32e. Princípio da atração e repulsão Verifica-se, experimentalmente, que corpos e- letrizados com cargas de mesmo sinal se repelem e corpos eletrizados com cargas de sinais contrários se atraem. Sinais opostos atração figura 2 - A A B F AB ABF figura 2- B Mesmo sinal repulsão F AB A B F AB A B FÍSICA Editora Exato 2 2. ELETRIZAÇÃO DOS CORPOS � Corpo Neutro – Um corpo neutro apresen- ta o mesmo número de prótons e de elé- trons. � Corpo Eletrizado – Em algumas substân- cias, como nos metais, os elétrons das últi- mas camadas ou da periferia do átomo podem se liberar, tornando-se elétrons li- vres. Os átomos que perdem elétrons pas- sam a ser íons positivos. Os que recebem, passam a ser íons negativos. Quando um corpo está eletrizado, significa que ele tem excesso ou falta de elétrons: Excesso de elétrons → corpo negativamente carregado. Falta de elétrons → corpo positivamente car- regado. 3. CONDUTORES E ISOLANTES Em princípio, é sempre possível deslocar car- gas elétricas através de um meio material. Mas esta possibilidade de movimento varia com a natureza do meio. Meios em que as cargas elétricas se deslocam com facilidade são chamados condutores (os metais, água contendo ácidos, bases ou sais em solução, o corpo humano etc). Os meios que não permitem o deslocamento de cargas elétricas são chamados iso- lantes ou dielétricos (vidro, plásticos usuais, água destilada, óleos minerais etc). Quando os átomos se unem para formar as substâncias, eles o fazem de di- ferentes maneiras. Do ponto de vista da condução e- létrica, a maneira mais importante é a ligação metálica. Em um átomo metálico, os elétrons das ca- madas mais externas não permanecem intimamente ligados aos respectivos átomos, formando os chama- dos elétrons livres, que se deslocam aleatoriamente por entre a rede cristalina do metal, facilitando a con- dução elétrica nessas substâncias. 4. PROCESSOS DE ELETRIZAÇÃO São processos através dos quais transformamos corpos neutros em corpos eletrizados. São eles: 4.1. Atrito Ao atritarmos dois corpos feitos de materiais diferentes, permitimos que ocorra entre eles uma tro- ca de elétrons. O corpo que cede elétrons, fica carre- gado positivamente e o que recebe elétrons, fica carregado negativamente. Para sabermos qual dos corpos se eletrizará positivamente, consultamos a chamada série tribo elétrica. Na tabela abaixo, o ma- terial mais superior cede elétrons para o inferior, as- sim, ao atritarmos, por exemplo, um bastão de vidro e algodão, o algodão fica carregado negativamente. Série Tribo Elétrica Material Regra Prática vidro mica lã pele de gato seda algodão ebonite bastã o de vidro Algodão figura 5 4.2. Contato Neste processo, um corpo previamente eletri- zado é colocado em contato com um corpo neutro. Se o corpo estiver eletrizado positivamente, atrai elé- trons do neutro e ambos ficam carregados positiva- mente. Se o corpo estiver negativamente eletrizado, cede elétrons ao neutro e ambos ficam carregados negativamente. Quando os corpos forem condutores, a carga espalha-se por todo o corpo. Se os corpos forem isolantes, a carga fica res- trita à região onde ocorre o contato. Lembre-se de que a quantidade de carga do sistema se conserva. A proporção de carga elétrica existente no final, em ca- da condutor, depende da forma, das dimensões e do meio que envolve esse condutor. No caso particular de dois condutores idênticos, por exemplo esferas de mesmo raio, a redistribuição é feita de tal forma que, no final, os condutores terão cargas iguais. Assim, poderíamos escrever, (veja figura 6): Figura 6 A AB B A A A A Q 2 _Q = Q Q Q = Q B B B Q Q = 0 Q , 2 _ BQ = Q , , , Antes do contato Depois do contato FÍSICA Editora Exato 3 Figura 7 + + + + + + + + + + neutro + + + + + + + + + ++ + depoisantes 4.3. Indução A indução tem como base o fato de que, num condutor metálico, os elétrons livres podem movi- mentar-se sob influência de forças externas. Acom- panhe a explicação das figuras abaixo, onde representamos um bastão carregado e uma esfera neutra. Figura 8 Induzido Indutor elétrons + + + + + + + + (a) (b) (c) + + + ++ + + + + + Na figura 8(a), o bastão carregado positiva- mente, ao aproximar-se da esfera condutora, faz com que ocorra uma separação de cargas com o movimen- to dos elétrons livres para o lado mais próximo do bastão. Observe, no entanto, que a esfera continua neutra, apenas houve separação de cargas. Na figura 8(b), a esfera é ligada à Terra e há um fluxo de elé- trons da Terra para a esfera; finalmente, em 8(c), a conexão com a Terra foi desfeita e o bastão afastado. Temos, então, que a esfera fica eletrizada com carga negativa. Vale lembrar que não houve contato entre o bastão e a esfera, por isso esse processo é também chamado de eletrização por influência. Se o bastão estivesse carregado negativamente, a esfera se eletrizaria com carga positiva. Figura 9 elétrons Indutor - - - -- - - - - - O induzido adquire carga de sinal oposto ao do indutor. 5. LEI DE COULOMB A força de atração ou de repulsão que age en- tre dois corpos puntifomes eletrizados é diretamente proporcional ao produto das quantidades de eletrici- dade Q1 e Q2 que esses corpos possuem, e inversa- mente proporcional ao quadrado de sua distância d. Sua intensidade é dada pela expressão: 2 21 d QQ kF = onde k = 9 x 109 2 2 C m N ⋅ (Vácuo) Q 1 Q 2 d F F Figura 1 21 12 F 12 F 21 = A constante de proporcionalidade k depende do meio onde as cargas se encontram e do sistema de unidades escolhido. No vácuo = 2 9 2 N.m k 9.10 (SI) C é chamado de ko. ESTUDO DIRIGIDO 1 Qual o valor da carga elementar? 2 Explique o princípio da atração e repulsão. FÍSICA Editora Exato 4 3 O que é um corpo neutro? 4 O que é um corpo eletrizado? 5 Cite os processos de eletrização. 6 Escreva a expressão matemática da Lei de Cou- lomb explicando o significado de cada símbolo. EXERCÍCIOS RESOLVIDOS 1 Uma carga elétrica de 6 cµ está distante de 20cm de outra carga de 4 cµ no vácuo. Calcule a força elétrica entre elas. Dado: 2 9 2 9.10 Nm K C = . Resolução: Para trabalhar com a equação de Coulomb, de- vemos utilizar a distância em metros e as cargas em Coulomb. Então, primeiro vamos transformar: 1m x 100cm 20cm 100 20 20 0,2 100 x x x m = = → = 1 cµ 6 cµ 10 c X -6 66.10x c−= 1 cµ 4µc 10 c X -6 64.10x c−= ( ) 9 6 6 22 3 3 -2 . 9.10 .6.10 .4.10 0,2 9.6.4.10 216.10 0,04 0,04 lembre-se que 0,04 = 4.10 , então K Q q F F d F F − − − − = → = → = → = 3 1 2 216.10 54.10 4.10 F F N − − − = → = . EXERCÍCIOS 1 Julgue os itens: 1111 Após a eletrização por atrito, os corpos eletri- zados têm cargas de mesmo sinal. 2222 Após a eletrização por atrito, os corpos ten- dem a se repelir. 3333 Após a eletrização por contato, os corpos ad- quirem cargas de mesmo sinal. 4444 Na eletrização por indução, é necessária a uti- lização de um fio-terra ou algum dispositivo que funcione como tal. 2 Julgue os itens: 1111 A carga do elétron é, por convenção, negativa. 2222 A carga do próton é, por convenção, positiva. 3333 Em módulo, o próton e o elétron possuem mesma carga elétrica. 4444 A unidade de carga elétrica, no sistema inter- nacional, é o Ampère. 5555 A carga elétrica é uma grandeza quantizada. 3 Sabendo que um determinado corpo tem 5 tri- lhões de prótons e 4,9 trilhões de elétrons, julgue os itens abaixo: 1111 Se adicionarmos 0,1 elétrons ao corpo, ele fi- ca neutro. 2222 O corpo está carregado positivamente. 3333 O corpo certamente foi carregado por contato. 4444 O corpo tem uma carga de 0,1 trilhões de Coulombs. 4 Baseado em seus conhecimentos de força elétrica e leis de Coulomb, julgue os itens: 1111 Quanto maior a distância entre duas cargas, maior a força elétrica entre elas. 2222 É impossível um nêutron sentir uma força elé- trica. 3333 A força elétrica existente entre cargas de si- nais iguais é de repulsão. 4444 A força elétrica existente entre duas partículas é proporcional ao produto de suas cargas. 5 Duas cargas positivas idênticas de 1.10-3C estão separadas por uma distância de 3m. Calcule a força elétrica trocada por elas. (k = 9.109Nm²/C²) FÍSICA Editora Exato 5 GABARITO Estudo dirigido 1 O valor da carga elementar é 191,6.10e C−= ± 2 Segundo esse princípio, cargas de mesmo sinal se repelem enquanto cargas de sinal contrário se a- traem. 3 É aquele que possui o mesmo número de prótons e elétrons. 4 É aquele que possui um excesso ou falha de elé- trons. Positivo – falta de elétrons. Negativo – excesso de elétrons. 5 Atrito, contato e indução. 6 2 .K Q q F d = , onde F = força – Newton (N) d = distância – metros (m) Q e q = carga elétrica – Coulomb (C) K = constante elétrica 2 9 2 9.10 Nm C (vácuo) Exercícios 1 E, E, C, C 2 C, C, C, E, C 3 E, C, E, E. 4 E, C, C, C. 5 1000N. FÍSICA Editora Exato 6 CORRENTE ELÉTRICA, RESISTÊNCIA, DDP, 1ª E 2ª LEIS DE OHM 1. CARGA ELÉTRICA (Q) Observa-se, experimentalmente, na natureza da matéria, a existência de uma força com propriedades semelhantes à força gravitacional, embora atue em condições diferentes. Esta força é denominada força elétrica. Todos os corpos que exercem forças elétri- cas possuem o que chamamos de carga elétrica. A unidade de carga elétrica no Sistema Interna- cional (SI) é o coulomb (C). 1.1. Carga elementar Todos os corpos são formados por átomos. Cada átomo é composto por várias partículas. Especi- ficamente, trataremos dos prótons e elétrons. Os átomos contêm um núcleo com uma deter- minada carga elétrica convencionada positiva. Esta carga é devida à presença dos prótons, que são partí- culas dotadas de carga elétrica. Ao redor do núcleo, há partículas com cargas elétricas convencionadas negativas, denominadas elétrons. Em geral, um átomo é eletricamente neutro, ou seja, tem quantidades iguais de carga elétrica negati- va e positiva, ou de elétrons e prótons. Os prótons estão contidos na estrutura dos á- tomos e encerram praticamente toda a massa do á- tomo, pois a massa de um próton é, aproximadamente, 2000 vezes maior que a do elé- tron. Nos elétrons, dependendo do elemento, as li- gações com a estrutura do átomo são mais fracas, possibilitando seu desligamento da estrutura. Quando isso ocorre, o átomo perde seu equilíbrio de cargas elétricas, possibilitando uma predominância de carga. A carga elétrica de um elétron é numericamen- te igual à de um próton e vale e = 1,6 . 10-19C, onde e é denominada carga elementar. Os corpos dotados de carga elétrica (q) possu- em valores de carga múltiplos da carga elementar (e) logo, q n e= ⋅ onde n é a diferença numérica entre pró- tons e elétrons no corpo. Resumo: � Grandeza quantizada: e = 1,6 . 10−19 C. � Conceito primitivo. � Nos condutores � espalham-se com faci- lidade. � Condutores sólidos (metais) � exclusiva- mente elétrons. � Nas soluções iônicas � íons (cátions e â- nions). � Nos gases � íons e elétrons. � Nos isolantes � permanecem na região em que surgiram. 2. CORRENTE ELÉTRICA (I) As cargas elétricas podem se mover no vácuo ou em meios materiais. Cargas elétricas em movi- mento ordenado constituem a corrente elétrica. Para que seja possível o estabelecimento da corrente elétrica, é necessário que haja um percurso ao longo do qual possa existir a movimentação das cargas. Os meios materiais que apresentam maior pos- sibilidade de locomoção para o estabelecimento da corrente elétrica são os condutores, como ligas metá- licas, alguns gases ionizados, alguns líquidos etc. Os meios que apresentam dificuldade para esta locomoção são materiais isolantes, como borracha e certas composições plásticas, gases não-ionizados etc. Outra condição fundamental para o estabele- cimento de uma corrente elétrica entre dois pontos de um meio é a diferença de potencial entre estes dois pontos (ddp). 2.1. Intensidade da Corrente Elétrica Considere um condutor onde uma corrente elé- trica seja estabelecida: Uma secção reta do condutor é atravessada por uma quantidade n de elétrons livres, cada um com carga elétrica e perfazendo uma carga total e.nQ =∆ num intervalo de tempo ∆t. A intensidade da corrente elétrica é determinada pelo quociente da carga pelo intervalo de tempo: t Q i ∆ ∆ = t e.n i ∆ = No SI, a intensidade de corrente é medida em ampère (A). 1A = 1C/s Na prática, é muito usado também o miliampère (mA) e o microampère (µA). 1 mA = 10-3 A 1 µA = 10-6 A Sentido Real →→→→ Movimento de Cargas Negativas. Sentido Convencional →→→→ Movimento de Cargas Positivas. FÍSICA Editora Exato 7 3. DIFERENÇA DE POTENCIAL (DDP) É a medida daquantidade de energia elétrica que é cedida à carga elétrica que atravessa um gera- dor. Quando se diz que um chuveiro está ligado a uma tomada de 220V, significa que, sobre cada cou- lomb de carga elétrica que o percorre, a força elétrica realiza 220J de trabalho. + + - - Pilha Bateria [ ] [ ] [ ]VvoltC J q EeL U == U= DDP ⇒ Volt [ V ] EeL = Energia Elétrica ⇒ [ J ] Q = Carga Elétrica ⇒ [ C ] 4. RESISTÊNCIA ELÉTRICA ( R ) Quando uma corrente elétrica é estabelecida em um condutor metálico, um número muito elevado de elétrons livres passa a se deslocar nesse condutor. Nesse movimento, os elétrons colidem entre si e também contra os átomos que constituem a rede cristalina do metal. Portanto, os elétrons encontram uma certa dificuldade para se deslocar, isto é, existe uma resistência à passagem da corrente no condutor. A passagem da corrente elétrica pela resistência faz com que parte da energia elétrica seja convertida em energia térmica (efeito joule). A potência dissipada pode ser dada por: 2iRP ⋅= [ ] wattAP =⋅Ω= 2 R Potência Elétrica [ W ] Resistência Elétrica [ Ω ] = ohm 5. 1ª LEI DE OHM A corrente estabelecida em um condutor metálico é diretamente proporcional à voltagem a ele aplicada, de modo que sua resistência permanece constante (não depende da voltagem aplicada). i R U U=R i Lei de OHM Resistor ôhmico i U α N R tg= α A resistência é constante, independentemente dos valores da tensão e corrente. Resistor não ôhmico i U A resistência varia com a tensão e a corrente elétrica . 6. ENERGIA ELÉTRICA (EEL) A potência elétrica de um aparelho qualquer pode ser calculada com a expressão P i U= ⋅ e é dada no sistema internacional em watt[ W ]. ⇒=⇒= RiUiUP R U P ou RiP 2 2 = = Podemos calcular a potência com estas equações também. A experiência mostra que os aparelhos que mais consomem energia elétrica são aqueles de maior potência e/ou que ficam ligados mais tempo. Assim, definimos energia elétrica como sendo o produto da potência do aparelho pelo tempo que este permanece ligado. FÍSICA Editora Exato 8 tPEeL ∆⋅= No SI, a unidade de energia elétrica é o joule, no entanto, é usual as companhias de eletricidade usarem o quilowatt-hora (kwh) nas nossas conta de luz. 7. ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES 7.1. Série: i U 1 R1 i U2 R2 i U3 R3 + Suponha que duas lâmpadas estejam ligadas a uma pilha, de tal modo que haja apenas um caminho para a corrente elétrica fluir de um pólo da pilha para o outro: dizemos que as duas lâmpadas estão associadas em série. Evidentemente, podemos associar mais de duas lâmpadas dessa maneira, como em uma árvore de Natal, onde geralmente se usa um conjunto de várias lâmpadas associadas em série. Em uma associação em série de resistências, observam-se as seguintes características: � Como há apenas um caminho possível para a corrente, ela tem o mesmo valor em todas as resistências da associação, mesmo que essas resistências sejam diferentes. � Quanto maior for o número de resistências ligadas em série, maior será a resistência total do circuito (tudo se passa como se estivéssemos aumentando o comprimento total da resistência do circuito). Portanto, se mantivermos a mesma voltagem aplicada ao circuito, menor será a corrente nele estabelecida. � A resistência única R, capaz de substituir a associação de várias resistências R1, R2, R3 etc., em série, é denominada resistência equivalente do conjunto. O valor dessa resistência equivalente é dado por: R = R1 + R2 + R3 + ... Características principais Todos os resistores submetidos à mesma cor- rente. A tensão na associação é a soma das tensões dos resistores. UT = U1 + U2 + U3 i1 = i2 = i3 = i R 1 R 2 R 3 + 7.2. Paralelo: i i R1 i 1 i2 R2 Em uma associação de resistências em paralelo, observam-se as seguintes características: � A corrente total i, fornecida pela bateria, se divide pelas resistências da associação; a maior parte da corrente i passará na resistência de menor valor (caminho que oferece menor oposição). � Quanto maior for o número de resistências ligadas em paralelo, menor será a resistência total do circuito (tudo se passa como se estivéssemos aumentando a área total da seção). Portanto, se mantivermos inalterada a voltagem aplicada ao circuito, maior será a corrente fornecida pela pilha ou bateria. � Quando várias resistências R1, R2 etc., são associadas em paralelo, a resistência equivalente R, desse conjunto, pode ser calculada pela relação: 21eq R 1 R 1 R 1 += Características principais: A corrente total é a soma das correntes. Todos os resistores em paralelo estão submeti- dos à mesma DDP. iT = i1 + i2 U1 = U2 = U Casos particulares de associação em paralelo 1ºcaso: R 1 R 2 FÍSICA Editora Exato 9 1 2 eq 1 2 R R R R R = + 2º Caso: Caso os resistores sejam iguais N R Req = onde N é o número de resistores. 8. LEITURA COMPLEMENTAR A lâmpada incandescente foi inventada, em 1879, por Thomas Alva Edison e passou por inúme- ros aperfeiçoamentos até os dias de hoje. Ela consiste de um fio de tungstênio em forma de espiral, chama- do filamento, colocado dentro de um bulbo de vidro com um gás nobre que retarda a sublimação desse fi- lamento. filamento suporte de vidro fio metálico ampola (bulbo) de vidro rosca metálica contato metálico isolante Quando o filamento é atravessado por uma corrente elétrica, ele se aquece e, tornando-se incan- descente, passa a emitir luz. As lâmpadas são consti- tuídas para trabalhar em uma tensão e potência nominal específicas. Por exemplo: 110 V - 110 W. A luminosidade - ou brilho - da lâmpada está direta- mente relacionada ao quadrado da tensão aplicada. Quando aplicamos tensão inferior à nominal, a lâm- pada brilha menos que o normal. Com tensão superi- or à nominal, brilha mais, porém, pode provocar a queima do filamento. ESTUDO DIRIGIDO 1 Defina corrente elétrica, dando ainda seu símbolo e sua unidade no sistema internacional. 2 O que significa DDP? Dê um outro sinônimo e cite sua unidade internacional. 3 Escreva a primeira Lei de OHM, explicando o significado de cada termo. 4 Escreva a equação para o cálculo de energia elétrica. EXERCÍCIOS RESOLVIDOS 1 Uma resistência de 10Ω é submetida a uma tensão de 40V. Calcule a corrente que a atravessa. Resolução: Dados: R=10Ω; u = 40V; i=? . 40 10. 40 4 10 U R i i i i A = = = → = 2 Calcule a DDP que deve ser estabelecida para que, através de uma resistência de 4Ω, circule uma corrente de 10A. Resolução: Dados: R=4Ω; i=10ª; U=? . 4.10 40 U R i U U v = = = 3 As empresas de energia elétrica cobram a fatura, baseando-se no consumo mensal de energia dada em kwh (kilowatt hora). Imagine uma pessoa que tome um banho de 30 minutos uma vez por dia durante um mês (30 dias), utilizando um chuveiro de potência 3000W. Sendo o valor do kwh igual a R$ 0,60, quanto esta pessoa gasta em um mês com os banhos? Resolução: Para resolver esta questão, utilizaremos a equação .eLE p t= ∆ lembrando que a potência (P) agora deve ser dada em kw e o tempo em horas. Assim, devemos fazer as transformações: 1kw x 1000W 3000W 3000 3 1000 x x kw= → = 1h x 60min 30min 60 30 30 0,5 60 x x x h = = → = . 3 0,5 1,5 eL eL eL E P t E E kwh = ∆ = ⋅ = essa é a energia gasta por banho, em trinta dias basta multiplicar 1,5X30 = 45kwh→ 45X0,60=27. Então o custo mensal dos banhos é de R$ 27,00 FÍSICA Editora Exato 10 4 Calcule a resistência equivalente nos exercícios abaixo: a) 3Ω 2Ω 5Ω Resolução: Como as resistências estão em série, basta somá-las 3+2+5=10 Req = 10Ω. b) 6Ω 3Ω Resolução: Para duas resistências em paralelo, utilizamos a equação 1 2 1 2 . 6.3 Re 6 3 18 2 9 R R q R R = → ++ = Ω EXERCÍCIOS 1 Qual a corrente que circula por um resistor ôhmi- co de 50Ω quando o mesmo é submetido a uma ddp de 200V? Qual a potência dissipada no mes- mo? 2 Calcule as seguintes resistências equivalentes: a) b) c) 2 Ω 4Ω 6Ω 2 Ω 3Ω 6Ω 200 Ω 100Ω 200 Ω 3 Julgue os itens: 1111 O efeito Joule acontece quando um resistor dissipa energia elétrica ao ser atravessado por uma corrente. 2222 Para um resistor ôhmico, quanto maior a ddp à que ele está submetido, maior a corrente que o atravessa. 3333 A resistência de um condutor é proporcional ao comprimento do mesmo. 4444 Quanto maior a área da secção reta de um condutor, menor a sua resistência. 4 Uma casa com 6 moradores possui um chuveiro com a seguinte inscrição: 3600 W – 220 V. Sa- bendo que cada morador toma um banho de 10 minutos por dia, qual a energia gasta, em 30 dias, só com o chuveiro, em kWh? Sabendo que o kWh custa R$0,25, quanto se gasta por mês para que os moradores desta casa possam tomar banho diariamente? 5 Um aparelho de ar condicionado traz as seguintes especificações 220 V – 1100 W. Calcule a resistência do aparelho e a corrente que o circula quando o mesmo está em funcio- namento. 6 (UnB) Julgue os itens abaixo: 1111 Aumentando-se o comprimento de um resis- tor, sua resistência aumentará, mantida a es- pessura, o material e a temperatura constantes. 2222 Um resistor ôhmico de resistência elétrica 20 Ω, sob uma d.d.p. de 200V e percorrido por uma corrente elétrica de 10A. 3333 Mantida a temperatura constante, a resistência elétrica de um condutor ôhmico é diretamente proporcional à tensão à qual está submetido. 4444 Se um resistor metálico tem o seu diâmetro reduzido à metade, sua resistência também se reduzirá à metade. 5555 O valor da resistência elétrica de um condutor ôhmico não varia, se mudarmos a d.d.p. a que ele está submetido. 7 (Unicamp-SP) Uma loja teve a sua fachada de- corada com 3000 lâmpadas, de 0,5W cada, para o Natal. Essas lâmpadas são do tipo pisca-pisca e ficam apagadas 75% do tempo. a) Qual a potência total dissipada, se 30% das lâmpadas estiverem acesas simultaneamente? b) Qual a energia gasta (kWh) com essa decora- ção ligada das 20 até as 24 horas? c) Considerando que o kWh custa R$ 0,08, qual seria o gasto da loja durante 30 dias? FÍSICA Editora Exato 11 8 Dado o circuito, determine i1, i2 e i3. Dado: UAB = 60V A 2,0Ω 2,0Ω i1 i2 i3 10Ω 15Ω B GABARITO Estudo dirigido 1 Corrente elétrica é o movimento ordenado de elé- trons. O símbolo usual é a letra I e sua unidade é o ampère (A). 2 DDP significa diferença de potencial (a também chamada voltagem), e sua unidade internacional é o volt (V) 3 U=R.i U = DDP – volt (V) R = resistência – OHM (Ω) i = corrente elétrica – ampère (A) 4 .eLE P t= ∆ , onde P é potência dada em watts (W) e ∆t é tempo dado em segundos (s). Exercícios 1 i = 4 A P = 800 W 2 a)10 Ω b)1 Ω c)200 Ω 3 C, C, C, C 4 108 kWh. R$ 27,00 5 R = 44Ω i = 5 A 6 a) 450W b) 1,5kWh c) R$ 3,60 7 a) 50A b) 15kWh c) R$ 54,00 8 A4,2i A6,3i A6i 3 2 1 = = = 9. BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA FILIZOLA. Roberto. Física - coleção: Vitória- Régia. Ensino Médio. Editora IBEP. ANJOS. Ivan Gonçalves dos. Física – Curso Com- pleto.. Ensino Médio. Editora IBEP. GUIMARÃES, Osvaldo. CARRON, Wilson. As fa- ces da Física - Volume único. 2ª edição, ,. Editora Moderna. JÚNIOR, Francisco Ramalho. FERRARO, Nicolau Gilberto. SOARES, Paulo Antônio de Toledo. Os fundamentos da Física 1 – Mecânica.. Editora Moderna. JÚNIOR, Francisco Ramalho. FERRARO, Nicolau Gilberto. SOARES, Paulo Antônio de Toledo. Os fundamentos da Física 2 – Termologia óptica, geométrica e ondas.. Editora Moderna. JÚNIOR, Francisco Ramalho. FERRARO, Nicolau Gilberto. SOARES, Paulo Antônio de Toledo. Os fundamentos da Física 1 – Elétrica.. Editora Mo- derna. GASPAR, Alberto. Física - Volume Único. Coleção Física. Editora Ática. PARANÁ, Djalma Nunes da Silva. Física (Paraná) - Série Novo Ensino Médio.. Editora Ática. FÍSICA Editora Exato 12